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Numero do processo: 13882.720016/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DENÚNCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAÇA~O.
A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 72 00 16 /2 01 5- 91 Fl. 240DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de pedido de restituição transmitido pelo contribuinte em epígrafe com vistas a reaver o valor da multa de mora incidente sobre débitos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), objeto de declaração espontânea do contribuinte, anteriormente às atividades fiscalizatórias da Receita Federal, e compensado através de PER/DCOMP. A DRF em Taubaté indeferiu o pedido sob o argumento de ser inaplicável a denúncia espontânea quando o sujeito passivo extingue o débito confessado mediante apresentação de declaração de compensação. Cientificado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo o reconhecimento do crédito referente ao montante que afirma ter recolhido a título de multa moratória, mediante DCOMP, antes de qualquer procedimento fiscalizatório e antes da entrega da DCTF retificadora, e que a compensação deveria ser equiparada ao pagamento para fins da caracterização da denúncia espontânea. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, razão pela qual o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões aduzidas inicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O mérito da discussão deste processo diz respeito a dois pontos: a) a concomitância entre denúncia e quitação, para fins do art. 138 do CTN; b) os efeitos da denúncia espontânea sobre as multas de mora; c) a possibilidade da compensação ser utilizada para quitação do tributo, após a denúncia da infração; Sobre os dois primeiros pontos, friso que já me manifestei sobre eles no Processo nº 10860.901695/201567, razão pela qual reproduzo abaixo minhas considerações. O art. 138 do Código Tributário Nacional determina: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13882.720016/201591 Acórdão n.º 1301003.691 S1C3T1 Fl. 3 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Analiticamente, verificase que o parágrafo único estabelece uma condição de impossibilidade absoluta para a denúncia espontânea: o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Essa premissa se encontra fora de discussão, no presente caso, por não haver qualquer questionamento sobre isso. Desse modo, passando ao caput, verificase que o dispositivo exige: i) a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do ii) pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Há, claramente, uma dupla exigência, devendo o contribuinte realizar ato próprio para constituir juridicamente diria Paulo de Barros Carvalho, em linguagem competente , perante a fiscalização, o crédito tributário no montante correto, acompanhado do seu pagamento integral. Não basta, portanto, que haja apenas o pagamento, ou apenas denúncia da infração através da retificação da DCTF, é preciso que ambos estejam presentes antes que se inicie qualquer procedimento fiscalizatório da infração, para que se verifiquem os efeitos do art. 138 do CTN. O REsp nº 1.149.022/SP, julgado sob a sistemática de Recurso Repetitivo, analisou a hipótese em que o contribuinte, verificando a declaração e pagamento parcial do débito tributário, retifica sua DCTF e, noticiando a diferença a maior, paga concomitantemente o tributo devido. O presente caso, entretanto, traz a situação inversa: o contribuinte declarou e pagou parcialmente o tributo, e constatou que pagara a menor, recolhendo a diferença, e apenas posteriormente retificando a sua declaração. Aduz o Ministro Luís Fux que: a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. É que se o contribuinte não efetuasse a retificação, o fisco não poderia executálo sem antes proceder à constituição do crédito tributário atinente à parte não declarada, razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN Fl. 242DF CARF MF 4 No seu entender, o cerne do benefício é dispensar a fiscalização de verificar a infração e proceder o lançamento de ofício para posterior cobrança do montante recolhido a menor. Podemos afirmar, entretanto, que não há como se aplicar de forma direta o precedente mencionado à questão da concomitância da retificação e do pagamento integral, visto se tratarem de situações fáticas distintas, impedindo a adequação do precedente, cuja compreensão deve sempre se dar sob uma perspectiva analógicoproblemática, e não lógico subsuntiva. A DRJ, ao analisar o caso, prosseguiu pela seguinte linha de raciocínio: Existe uma dissintonia entre o momento do pagamento sobre o qual a contribuinte alega possuir crédito e a datas em que o tributo foi declarado, todas elas posteriores ao pagamento. Diante dessa situação, não se poderia afirmar que o pagamento, quando efetivado, seria relativo a tributo devido, uma vez que sequer havia sido confirmado definitivamente o valor do tributo. Invocou, pois, o argumento da concomitância, com fundamento no Recurso Especial supramencionado e no Ato Declaratório PGFN 8/11, que reitera o trecho já citado anteriormente. Pois bem, parecenos equivocado o entendimento perfilhado pela instância a quo, o qual impacta necessariamente na inteligência do art. 138 do CTN. Em primeiro lugar, é preciso consignar o CTN estabelece uma distinção entre a obrigação tributária e o crédito tributário, ao dispor, em seus arts. 113, §1º e 139, verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O vínculo entre o Estado e o Contribuinte, relativo ao pagamento do tributo, nasce da ocorrência do fato gerador, e não do lançamento. O lançamento tem efeitos constitutivos em relação ao crédito tributário, mas declaratórios em relação à obrigação decorrente do fato gerador, estabelecendo marco de exigibilidade do tributo devido, à partir de sua quantificação. Desse modo, não nos parece adequado concluir que o pagamento efetuado após a realização do fato gerador, mas antes da constituição do crédito tributário (seja pelo contribuinte, seja pela fiscalização), não seja considerado como pagamento devido. É devido, justamente pela existência de obrigação tributária cujo objeto é o seu pagamento, posto que inexigível enquanto pendente de acertamento definitivo. A denúncia a que se refere o art. 138 do CTN é o ato de retificar a declaração de tributos, constituindo o crédito tributário no valor correto. O escopo do dispositivo é premiar aquele que denuncia a infração, poupando esforços da burocracia fiscal, e paga o tributo com juros, evitando custosos procedimentos de cobrança exigese, pois, que uma vez retificado crédito, se verifique a sua extinção pelo pagamento. Nos casos em que há a retificação, mas não há o pagamento, na esteira de diversos precedentes da 1ª Seção do STJ, realmente não há que se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, pela necessidade do Fisco de perseguir a satisfação do crédito tributário. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13882.720016/201591 Acórdão n.º 1301003.691 S1C3T1 Fl. 4 5 No presente caso, entretanto, em que o pagamento foi feito anteriormente à retificação, o mesmo é feito em relação à obrigação tributária existente por decorrência do fato gerador e fica na pendência de sua conferência com o crédito tributário constituído. Após a retificação da DCTF, pode a autoridade fiscal constatar se o pagamento efetuado corresponde ao crédito constituído, apurando à partir daí a correção ou não do pagamento antecipado, bem como eventual crédito sobressalente, passível de compensação ou restituição, como no presente caso. No momento da retificação, portanto, podese dizer que eram existentes, de forma concomitante, os dois elementos necessários para a configuração da denúncia espontânea, haja vista que nesta data não havia nenhum procedimento fiscalizatório em curso. Situação absolutamente distinta seria se, entre a data do pagamento e a retificação, tivesse o Fisco iniciado qualquer medida de apuração da infração, hipótese em que nos parece que não caberia mais o benefício da denúncia espontânea. Configurada a ocorrência da denúncia espontânea no presente caso, cabe aplicar o REsp 1.149.022/SP no tocante à abrangência do benefício às multas moratórias, como dispõe em sua ementa: Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Nesse ponto, há similitude entre o caso decidendo e o precedente invocado, justificando a sua observância. Cabe agora enfrentar a questão da eficácia da compensação tributária, para fins de aplicação do art. 138 do CTN. O tema da possibilidade de compensar o tributo objeto de retificação das declarações do contribuinte é tormentoso no âmbito do CARF, não faltando manifestações em ambos os sentidos. No âmbito da infralegal, a Receita Federal do Brasil exarou, em 2012. a Nota Técnica Cosit nº 1/2012, reconhecendo que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia configurar denúncia espontânea. Tal entendimento pautavase no fato de a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação serem formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação tributária. Aduziu a RFB, na ocasião: 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como conseqüência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. Fl. 244DF CARF MF 6 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicase o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; b) se o contribuinte declara o débito na DCTF, e efetua a compensação posteriormente por meio da Dcomp, a situação é semelhante à dos tributos declarados, mas pagos a destempo (subitem 9.1), requerendo, em conseqüência, o mesmo tratamento ali previsto ou seja, a incidência da multa de mora. Esse entendimento foi reformado pela Nota Técnica Cosit nº 19/2012, cujo conteúdo, além de cancelar a nota anterior, determinando que não se considera ocorrida denúncia espontânea quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de DCOMP. Tratase de um dispositivo que, desde a sua gênese, se relaciona à reparação de um mal, feita pelo próprio agente infrator. Aliomar Baleeiro já apontava, há muito, que essa disposição equiparase ao art. 13 do Código Penal Brasileiro, que estabelecia o arrependimento voluntário e eficaz do agente delitivo, imputandolhe sanção apenas pelos atos já praticados1. Mutatis mutandis, o art. 138 vem justamente estabelecer uma sanção premial para o contribuinte que, ciente de infração por ele realizada e que permanece desconhecida pela fiscalização tributária, espontaneamente comparece para satisfazer o interesse do Erário. Uma investigação histórica acerca de seu escopo é essencial para a correta compreensão do dispositivo, mormente em razão do mesmo ter sido elucidado de forma expressa nos trabalhos da comissão de elaboração do Código Tributário Nacional, sob a batuta de Rubens Gomes de Sousa, constituindo a exposição de motivos dessa lei2: Por último, o art. 174 abre exceção ao princípio da objetividade, admitindo a exclusão da responsabilidade penal nos casos de denúncia espontânea da infração e sua concomitante REPARAÇÃO. A regra, que vem do art. 289 do Anteprojeto, já é consagrada pelo direito vigente (Consolidação das Leis do Impôsto de Consumo, Decreto nº 26.149 de 1949, art. 200), rejeitada em consequência a sugestão supressiva 1.048, prejudicadas as de ns. 23, 200, 221, 379, 419 e 799 por não ter sido aproveitado o restante do citado art. 289, e ainda as de ns. 46, 49, 231 e 234 por falta de objeto, visto que objetivam exatamente o que no art. 174 se dispõe. 49. (A) Idem. (B) Acrescentar dispositivo novo com a seguinte redação: "Nenhuma penalidade será aplicada ao contribuinte que, em qualquer tempo, antes de instaurado o processo fiscal, apresentarse espontâneamente à Repartição fiscal competente para REGULARIZAR a sua situação para com o fisco". (C) Omissa; (D) Prejudicada3. 1 BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro, 11ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p.764. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA. Trabalhos da Comissão Especial do Código Tributário Nacional. Rio de Janeiro, 1954, p.245. 3 Idem, ibidem, p. 417. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13882.720016/201591 Acórdão n.º 1301003.691 S1C3T1 Fl. 5 7 Como se vê, o dispositivo sempre teve em vistas a reparação do dano causado pela infração, é dizer ,o atendimento ao interesse do Erário, que se encontra satisfeito através de qualquer dos meios de extinção do crédito tributário, com o suficiente adimplemento da exação. Visa, pois, a regularização do contribuinte que espontaneamente comparece à repartição para quitar o tributo devido esse é o real conteúdo normativo do art. 138 do CTN. Os principais argumentos suscitados em sentido contrário dizem respeito: i) ao fato da compensação e o pagamento serem arrolados no art. 156 do CTN como formas de extinção do crédito tributário; e ii) à circunstância do pagamento extinguir o crédito a partir do momento em que realizado, enquanto a compensação está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, a depender da homologação da compensação. Além disso, fazse referência também a recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no AgInt no REsp 1.568.857, em julgamento realizado em 16/05/2017. Em relação ao primeiro argumento, de que o CTN foi taxativo na distinção entre pagamento e compensação, como formas de extinção do crédito tributário, tratase de um ponto que, data vênia, é apenas parcialmente correto. Na verdade, a despeito da cientificidade empregada na elaboração do CTN, a referida distinção semântica entre os termos "pagamento" e "compensação" é utilizada (ainda sem muito rigor) apenas em uma parte específica da legislação, no Capítulo IV do Título III, correspondente ao intervalo entre os arts. 156 e 174. No restante do CTN, a expressão "pagamento" é utilizada de forma indiscriminada, como sinônimo de adimplemento. Estender a distinção do trecho apontado acima para o restante do Código implicaria em situações absolutamente canhestras e sem qualquer sentido técnico. Vejamos alguns exemplos: Art. 36. Ressalvado o disposto no artigo seguinte, o imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos no artigo anterior: I quando efetuada para sua incorporação ao patrimônio de pessoa jurídica em pagamento de capital nela subscrito; O referido artigo trata da não incidência do ITBI nos casos em que o imóvel é incorporado ao capital social de uma empresa, em subscrição de ações. O dispositivo fala em pagamento, mas a operação de alienação não é propriamente isto, mas sim uma permuta, na qual se aliena o bem imóvel, recebendo em troca o valor dele em ações/quotas no patrimônio da empresa. art. 82 (...) § 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respectivo cálculo. Este dispositivo se refere ao lançamento de contribuição de melhoria, determinando que no ato administrativo deverá ser informado o prazo para pagamento. Se considerada a distinção entre pagamento e os demais métodos de extinção do crédito tributário, Fl. 246DF CARF MF 8 estarseia concluindo que a única forma de se quitar dívida da referida contribuição seria através do pagamento em sentido estrito. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Novamente, o termo pagamento é utilizado no sentido de inadimplemento do tributo, abarcando todas as formas de extinção. Art. 108. (...) § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Novamente o dispositivo estabelece que a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação tributária não pode ser afastado através de um juízo de equidade. A invocação da distinção mencionada anteriormente geraria o resultado absurdo de que a equidade não poderia dispensar o pagamento do tributo, mas poderia obstar a compensação de ofício, nos casos cabíveis legalmente, o que não faz sentido. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Esse dispositivo talvez seja o mais representativo da erronia da interpretação dada pela DRJ ao art. 138 do CTN. Caso levada às últimas consequências, teríamos que convir que qualquer meio de adimplemento da obrigação, que não seja o pagamento, não teria efeitos extintivos, já que o objeto da prestação seria um dar específico (pagamento). O dispositivo claramente utiliza a expressão "pagamento" no sentido de adimplemento este sim, a obrigação do contribuinte, após a realização do fato gerador. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; Novamente, a expressão é utilizada como sinônimo de "adimplemento". Caso contrário, adotando de forma extrema a distinção entre "pagamento" e "compensação", poderíamos argumentar contrario sensu que as convenções particulares relativas à Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13882.720016/201591 Acórdão n.º 1301003.691 S1C3T1 Fl. 6 9 responsabilidade pela compensação do tributo, ou pela dação de bens em pagamento, poderiam ser opostas à Fazenda Pública, o que é, novamente, um absurdo técnico. No art. 125, nova situação esdrúxula: teríamos que aceitar, à luz da referida distinção, que no caso de um dos coobrigados compensar ou realizar dação de bem, para extinguir o tributo que deve solidariamente, essa prestação não aproveita aos demais, que continuariam devedores da integralidade do crédito tributário. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mais uma vez: aplicada a distinção em questão, seríamos obrigados a reconhecer que nos casos de lançamento por homologação, o contribuinte não poderia compensar o tributo por ele constituído, pois a lei exigiria a antecipação de pagamento essa leitura, obviamente, contrasta com diversos outros dispositivos legais e se constitui em rotundo absurdo, haja vista ser absolutamente cediça a transmissão de DCOMPs para a extinção de créditos tributários constituídos pelo próprio contribuinte. E mais, mesmo entre os arts. 157 a 164 do CTN verificamos hipóteses em que a expressão "pagamento" é utilizada no sentido de "adimplemento": Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Contrario sensu o prazo de vencimento não se aplicaria nos casos em que o contribuinte opte por adimplir a obrigação através de compensação? Mesmo no artigo 164, que versa sobre a ação de consignação em pagamento, o seu §2º chama essa medida, hipótese de extinção prevista no art. 156, VIII do CTN, de pagamento: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: § 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Fl. 248DF CARF MF 10 Na senda percorrida pela DRJ, chegaríamos a uma situação esdrúxula: o sujeito procedeu à denúncia espontânea de infração, e ao tentar recolher o valor aos cofres públicos encontrou resistência do órgão arrecadador. Para superar a mora accipiendi, utilizase da ação de consignação em pagamento (que, na literalidade do art. 156, é meio distinto do pagamento), e deposita o valor em juízo. Julgada procedente a ação, a RFB poderia lhe cobrar a multa moratória, pois a extinção se deu através de ação de consignação, e não através de pagamento. Por fim, uma última menção que nos parece definitiva: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: O dispositivo menciona expressamente "modalidade do seu pagamento", reconhecendo que o "pagamento" aí é utilizado como gênero de modalidades de extinção do crédito tributário, e não como o pagamento em moeda corrente. Ou alguém diria que o sujeito não tem direito à restituição do valor de bem imóvel dado para a extinção do tributo devido? A menção dos dispositivos é longa, mas não exaustiva, e tem a função de demonstrar que a expressão "pagamento" não é utilizada em um sentido estrito no CTN. Pelo contrário, ela é reiteradamente utilizada no sentido de "adimplemento", sentido este que é compatível com diversas formas distintas de extinção do crédito tributário, e igualmente adequado a uma leitura originalista, genética, do art. 138 do CTN, que se refere expressamente à reparação do dano, e não ao pagamento do tributo independente da forma de extinção, se por pagamento ou por compensação, o Erário será atendido. Desse modo, considerada a distinção entre pagamento e os demais meios de adimplemento do crédito tributo, o CTN seria conduzido a regras absolutamente desprovidas de lógica. Como já dissera, há muito, Carlos Maximiliano, em sua clássica obra sobre Hermenêutica Jurídica, "Deve o Direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências , vá ter a conclusões inconsistentes ou impossíveis." 4 Passando ao segundo argumento, de que pagamento extinguiria o crédito instantaneamente, enquanto a compensação está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, temos que o mesmo também não procede. De pronto, a premissa assumida, de que o pagamento extingue o crédito tributário instantaneamente, se revela equivocada. Basta rememorar que no caso de pagamento por cheque, o crédito só é considerado extinto com o resgate deste pelo sacado, nos termos do art. 162, §2º do CTN, e no caso de pagamento através de estampilha, o próprio CTN frisa, no art. 162, §3º, que a inutilização dele só terá efeito extintivo após a homologação expressa ou tácita da autoridade administrativa. E mesmo em relação ao pagamento em moeda, dentro da sistemática do art. 150 do CTN, por cerca de 50 anos se considerou que o mesmo não possuía eficácia extintiva, ficando sempre condicionado à homologação do ente fiscalizador, situação esta que foi 4 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1990, p. 166. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13882.720016/201591 Acórdão n.º 1301003.691 S1C3T1 Fl. 7 11 modificada apenas com o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que no exercício de uma "interpretação autêntica", cuja retroação foi rechaçada pelo Recurso Extraordinário nº 566.621, cuja ementa é expressa: Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.(RE 566.621, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, Repercussão Geral). É dizer, o precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal reconheceu expressamente que antes da LC nº 118/2005, o pagamento feito na sistemática do lançamento por homologação não tinha natureza extintiva, ficando condicionado à homologação posterior. A premissa assumida contraria diametralmente o conteúdo normativo do CTN pré LC 118/2005, para estabelecer uma distinção que, originalmente, nunca existiu naquela legislação. Nessa linha, mais um absurdo: teríamos que concordar que o prazo para o pedido de restituição do tributo seria de 5 anos contados do adimplemento, no caso de pagamento em moeda corrente, mas 10 anos nos casos em que o adimplemento se deu de outro modo, retomando a "tese do cinco mais cinco" para os casos em que a extinção não tenha se dado através de pagamento em sentido estrito. Voltando os olhos à compensação, o art. 170 determina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A exigência de homologação do pedido de compensação para a extinção do crédito não advém do CTN, mas de determinação expressa da legislação federal, mormente os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, e essa exigência nada mais é do que uma garantia do Erário, para evitar que o contribuinte utilize créditos inexistentes para quitar tributos devidos. Mas a forma que essa garantia é realizada não é estabelecida de forma alguma pelo CTN pelo contrário, cabe ao ente tributante regulamentála. E tampouco a exigência de garantias é um privilégio da compensação: o art. 162, §1º determina que a legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o pagamento por cheque ou vale postal. Ora, seria plenamente possível que o ente tributante criasse uma lei exigindo que os pagamentos por cheque ou vale postal ficassem sujeitos à homologação da autoridade, submetendose a regime similar ao da compensação, sem que qualquer pessoa contestasse a sua natureza de "pagamento". Fl. 250DF CARF MF 12 No sentido oposto, também seria plenamente possível (e tem se tornado uma realidade, com os fast tracks de aproveitamento de créditos) que o legislador estabelecesse um sistema de validação prévio do crédito ou do contribuinte (como nos programas de discriminações positivas) que dispensasse a homologação posterior da compensação efetuada sem que qualquer pessoa ousasse defender que agora deveria se chamar "pagamento". Esse argumento se baseia no art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, que diz: Art. 74. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Caso não existisse o referido dispositivo, em lei ordinária federal, o alcance do art. 138 do CTN, que tem natureza de lei complementar e alcance de norma geral, seria ampliado por conta disso? Certamente que não. O raciocínio inverso deixa claro que o estabelecimento de condições e garantias à compensação não afeta o conteúdo das regras estabelecidas pelo CTN, especialmente aquela relativa à denúncia espontânea. Como se vê, o critério da sujeição a homologação é absolutamente frágil, não encontrando respaldo no CTN e decorrente de uma compreensão equivocada das garantias que são atribuídas ao crédito tributário. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça mencionado, temos que, de fato, há um entendimento preponderante em favor da tese encampada pela decisão a quo, no sentido de que a compensação não poderia gerar os efeitos da denúncia espontânea. Como explica Thais de Laurentiis, a ratio decidendi dos acórdãos baseiase exclusivamente no fato de a extinção do crédito tributário por meio de compensação estar sujeita à condição resolutória de sua homologação, conforme determina o art. 74, §2º da Lei nº 9.430/965, adotando a tese já suficientemente rechaçada anteriormente. Aduz essa Conselheira, no seu voto vencedor no Acórdão nº 3402003.486, que em razão do próprio conceito de compensação tributária, qual seja, sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco, até o limite que se equivalerem (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, com o único diferencial de que tal pagamento ocorre simultaneamente com a restituição ou ressarcimento de tributos, de modo que tal encontro de contas se anulam mutuamente. Vejamos, por exemplo, o precedente firmado no REsp 1.122.131/SC, de relatoria do Min. Napoleão Nunes, no qual se reconhece que a compensação é espécie de pagamento: TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9º. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM 5 LAURENTIIS, Thais de. Compensação Tributária e Denúncia Espontânea: Uma análise crítica da jurisprudência do STJ. In Estudos de direito processual e tributário e em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: D'Placido, 2018, p.1161. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13882.720016/201591 Acórdão n.º 1301003.691 S1C3T1 Fl. 8 13 ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. Tratase de extinção do crédito tributário mediante compensação de ofício; circunstância que o Recorrente afirma comportar a incidência do art. 9º., caput da MP 303/06, o qual prevê hipóteses de desconto nos débitos tributários. 2. O art. 9º. da MP 303/2006 criou, alternativamente ao benefício do parcelamento excepcional previsto nos arts. 1o. e 8o., a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado no âmbito de cada órgão, com a redução de 30% do valor dos juros de mora e 80% da multa de mora e de ofício; o conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos, porquanto tal expressão (compensação) deve ser entendida como uma modalidade, dentre outras, de pagamento da obrigação fiscal. 3. É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. 4. Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9o. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso. 5. Ainda que não se considerasse que a compensação configura, na hipótese específica destes autos, uma modalidade de pagamento da dívida tributária, ganha relevo o fato de a compensação ter sido realizada de ofício, pois demonstra que o Fl. 252DF CARF MF 14 Fisco suprimiu até mesmo a possibilidade de o contribuinte, depois de receber o valor que lhe era devido, resolver aderir à forma favorecida de pagamento, prevista no art. 9o. da MP 303/06. 6. A interpretação das normas tributárias não deve conduzir ao ilogismo jurídico de afirmar a preponderância irrefreável do interesse do fiscal na arrecadação de tributos, por legítima que seja essa pretensão, porquanto os dispositivos que integram a Legislação Tributária têm por escopo harmonizar as relações entre o poder tributante e os seus contribuintes, tradicional e historicamente tensas, sendo essencial, para o propósito pacificador, a atuação judicial de feitio moderador. 7. Recurso Especial da empresa BUSSCAR ÔNIBUS S/A provido. (REsp 1122131/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 02/06/2016) E por fim, no âmbito do CARF, podese apontar pronunciamentos recentes favoráveis, no âmbito das Câmaras Superiores, ao pedido do contribuinte, a exemplo do Acórdão CSRF nº 9101003.559, julgado em Abril de 2018, cujo voto vencedor foi redigido pelo Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, cujo fundamento é expresso neste trecho: Nesse rumo, o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação. Isso porque a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme previsto no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, informada a compensação, o crédito tributário se extingue, desde logo, exceto se o Fisco não o homologar. Ademais, o próprio CTN prevê, no art. 156, II, que a compensação extingue o crédito tributário, não havendo razão para não equiparála a pagamento. No mesmo sentido, digno de nota é o Acórdão CSRF nº 9101003.688, de relatoria do Conselheiro Luís Flávio Neto, e julgado em Agosto de 2018, no qual aduziu: De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendose deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. (...) Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretacã̧o ampliativa ou restritiva, mas de reconhecimento do âmbito de incidência prescrito pelo legislador. Não há que se falar, por conseguinte, em ofensa ao art. 111 do CTN. Desse modo, verificamos que há essa orientação prevalente no âmbito da CSRF, na linha por nós aduzida. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13882.720016/201591 Acórdão n.º 1301003.691 S1C3T1 Fl. 9 15 Conclusão Ante o exposto, votamos por dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à DRF para analisar o crédito pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003250/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 25 0/ 20 07 -2 9 Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10850.003250/200729 Resolução nº 3402001.711 S3C4T2 Fl. 2.153 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 077/078, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 2.125,01. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 005/012) entregue em 14/03/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000950/200110, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 059/065), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 066), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 067/076 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000950/200110, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi parcialmente revertido em resultado de manifestação de inconformidade julgada por DRJ e atualmente encontrase pendente de julgamento de recurso apresentado ao CARF. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10850.003250/200729 Resolução nº 3402001.711 S3C4T2 Fl. 2.154 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de fevereiro de 2003, no valor de R$ 5.637,61, conforme cópia da DCTF do 1ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 2.125,01, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10850.003250/200729 Resolução nº 3402001.711 S3C4T2 Fl. 2.155 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10850.003250/200729 Resolução nº 3402001.711 S3C4T2 Fl. 2.156 5 II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de fevereiro/03 no valor de R$ 4.020,56, fls. 2020. Por fim, concluiu que houve compensação a maior no montante de R$ 1.617,05, fls.2.021 e 2.022, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, no Pedido de Restituição em análise. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.020), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10850.003250/200729 Resolução nº 3402001.711 S3C4T2 Fl. 2.157 6 sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2020 a 2022, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2157DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.005082/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO
Considera-se salário-de-contribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. ESTAGIÁRIO.
A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores do segurado empregado impõem o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderando-se o vínculo pactuado sob o título de estágio e caracterizando-se as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário como salário-de-contribuição.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente SOCIEDADE DE ASSISTÊNCIA FAMILIAR DOS SERVIDORES FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Considerase saláriodecontribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. ESTAGIÁRIO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores do segurado empregado impõem o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vínculo pactuado sob o título de estágio e caracterizandose as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário como saláriodecontribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 50 82 /2 00 8- 14 Fl. 345DF CARF MF 2 comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 1523.652 (fls. 308/316), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 3 3 Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad n° 37.155.7941, lavrado em 04/08/2008, para constituição do crédito tributário incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, correspondente às contribuições sociais para financiamento da seguridade social referentes à parte patronal, e àquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho CNAE, relativas ao período de 01/01/2003 a 31/12/2004, com consolidação em 04/08/2008, no montante de R$ 32.108,11 (trinta e dois mil cento e oito reais e onze centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa nos anos de 2003 e 2004 não possuía inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, instituída pela Lei 6.321 de 14/04/76, conforme consulta ao MTE sobre inscrição no PAT. A auditoria concluiu que os valores pagos aos segurados referentes à alimentação se constituem em uma liberalidade da empresa, sendo base de cálculo de contribuições previdenciárias. Para o cálculo do salário de contribuição, nas competências 01/2003, 02/2003, 03/2003, 04/2004, 07/2004 e 12/2004 foram utilizados os recibos de pagamento a título de alimentação paga aos empregados da empresa, obtidos nos documentos de caixa. Foram abatidos os valores descontados dos segurados empregados cujo valor foi obtido no resumo mensal das folhas de pagamento da matriz e das filiais. Para as demais competências o valor foi obtido através das notas fiscais faturas referentes à compra de ticket pela empresa, tendo sido abatidos os valores descontados dos segurados bem como o valor referente à taxa de administração. Foi elaborada planilha demonstrativa (fls 43). O relatório informa ainda que na competência 11/2003 a empresa deixou de incluir na base de cálculo para o valor da contribuição previdenciária o valor de R$ 34,62 constante na folha de pagamento da matriz, referente ao pagamento de triênio a José Antonio C. Marino, bem como não considerou o valor do salário de Adriana dos Santos Bispo constante nas folhas de pagamento também da matriz nas competências 08, 09 e 10/2004 (R$462,00). Também não considerou o valor das parcelas remuneratórias referente à rescisão de contrato de Pedro Roberto Ferreira da Cunha constante na folha de pagamento da matriz, na competência 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo do valor do salário de contribuição para a previdência social. A fiscalização diz ter verificado que alguns dos estagiários que se encontravam prestando serviço na empresa foram contratados em desconformidade com a Lei n° 6.494 de 07/12/1977. Que não foram cumpridos os requisitos para a realização do estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio. Fl. 347DF CARF MF 4 Os estagiários em referência foram considerados segurados obrigatórios na qualidade de segurados empregados. A bolsa educacional por eles recebida foi considerada salário de contribuição, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O relatório informa que os estagiários contratados pela empresa em desconformidade com a Lei n° 66.494 de 07/12/1977 na matriz nos anos 2003 e 2004 foram Nilma Pereira dos Reis, Aldo Mercês Oliveira, Sidney R. C. P. Souza, Dulcinez L. Brito e Adriana dos Santos Bispo e na filial 00.628.869/000266, no ano de 2003, Adildes Farias de Souza e Lusimary Santana Santos. Anexa planilha demonstrativa (fls.44/45). O Relatório de Lançamento RI, e o Discriminativo Analítico de Débito — DD, integrante do AI encontramse demonstrados por competência e por levantamento, os documentos e valores que serviram de base à apuração do débito, as bases de cálculo apuradas e as alíquotas utilizadas. Foram feitos levantamentos para fins de separação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias de acordo com a sua origem, possibilitando melhor visualização nos relatórios das bases de cálculo lançadas, e dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. As contribuições incluídas neste lançamento foram apuradas nos seguintes levantamentos: ALI — VL Ref. Alimentação — Neste levantamento encontramse lançados os valores referentes a pagamento a alimentação apurados nos documentos contábeis da empresa e que não foram incluídos em GFIP. VFP — VL Ref. A Folha de Pagamento — Neste levantamento encontramse lançados os fatos geradores obtidos nos resumos mensais das folhas de pagamento consolidada da empresa e que não foram incluídos em GFIP. EST — Folha de Pagamento Estagiário — Neste levantamento encontramse lançados os fatos geradores obtidos nas folhas de pagamento de estagiários referentes à bolsa estágio, considerados como remuneração salarial e que não foram incluídos em GFIP. Foi esclarecido que na via do AI destinada ao contribuinte não contém os TIAF, TIAD, TEAF e o REC pois estes documentos já foram entregues ao contribuinte no início, ou no decorrer da ação fiscal. Não foi emitido Termo de Arrolamento de Bens — TAB. A ação fiscal teve início com o Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) (fls. 31 e 33) com ciência em 15/05/2008. O contribuinte foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração (AI) sob julgamento em e apresentou impugnação em 05/09/2008 (fl. 207). Os lançamentos incluem as contribuições a cargo da empresa: Fl. 348DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 4 5 1) de 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; 2) para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos à alíquota de: a) 1%, pelo risco considerado leve da atividade preponderante da empresa; b) 2%, pelo risco considerado médio da atividade preponderante da empresa; c) 3%, pelo risco considerado grave da atividade preponderante da empresa. 3) de 20% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; 4) 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O lançamento está estruturado nos levantamentos relacionados às fls. 14 a 20 (Discriminativo Sintético do Débito — DSD) com descrição no Relatório Fiscal (fl. 38 a 45). O sujeito passivo apresentou impugnação parcial, às fls. 205 a 207, alegando, em síntese: Que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo no valor de R$462,00/mês, assim como os comprovantes de recolhimentos respectivos, relativos à diferença de contribuição devida acrescida. Que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha. Em razão disso, cabe, a favor da autuada a redução da multa ex ofício aplicada naquelas competências. Que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa a competência 11/2003 o valor de R$ 34,62, correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Diz que conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (anexa cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Diz que devese ser revisto o Fl. 349DF CARF MF 6 lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa a essa incidência, assim como os respectivos consectários. Que também não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários, os fundamentos de não estarem consentâneos os termos do estágio aos ditames da Lei n°6.474/77. Que na verdade, no curso da fiscalização nem todos os documentos relativos aos contratos de estágio foram encontrados, de modo que restaram alguns que foram pela fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios. Afirma que tal pretensão não pode persistir à vista dos documentos que ora anexa, comprobatórios da regularidade dos contratos de estágio descaracterizados pela fiscalização, de modo que também devem ser deduzidos da parte lançada os créditos relativos à tal suposta incidência. Alega ainda decadência quinquenal do direito de lançar os referidos créditos pretendidos, citando a Súmula Vinculante n° 008, de 20/06/2008. Aduz que a fiscalização ultimouse, com a lavratura do AI (instrumento que formaliza a pretensa constituição do crédito) em agosto de 2008. Que operouse a decadência do direito de constituição dos créditos relativos às competências anteriores, de modo que não podem ser exigidos os créditos lançados relativos ás competências 01 a 07/2003. Pede seja acolhida a impugnação, para fins de deduzir dos valores lançados as parcelas já quitadas, aquelas lançadas com base em fatos nesta peça infirmados e aquelas relativas aos créditos já extintos pela decadência. Pede que seja considerado procedente a impugnação e desconstituído o lançamento. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos, em síntese: * tratandose de tributo lançado pela modalidade prevista no artigo acima transcrito e pela inexistência de outro prazo legal fixado para a homologação, considerase homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito tributário com o transcurso de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, salvo se estivesse comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fatos não configurados nos autos do presente Processo Administrativo Fiscal (PAF); * com a ciência do lançamento tendo sido efetuada em 06/08/2008 pessoal, os créditos referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de 01/2003 até a competência de 03/2003, e nas competências 05/2003 até a competência 07/2003 pela existência de pagamentos antecipados (com constatação nos sistema informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB) e pelo transcurso do prazo de cinco anos sem pronunciamento da Fazenda Pública, estão definitivamente extintos pela homologação tácita, na forma do art. 156, e seu inciso VII, combinado com o art. 150, e seu § 4% ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); Fl. 350DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 5 7 * na competência 04/2003 não foi encontrado recolhimento, portanto esta competência está excluída da homologação tácita prevista no art. 150 § 4° do CTN; * quanto à alegação da impugnante de que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo no valor de R$ 462,00/mês, assim como os comprovantes de recolhimentos respectivos, relativos à diferença de contribuição devida acrescida, tal fato demonstra que a empresa reparou o equívoco. A declaração em GFIP nestas remunerações não irá interferir no processo ora em exame; *quanto à alegação de que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03, paga ao Sr. Pedro Cunha e de que em razão disso, cabe, a favor da autuada a redução da multa ex ofício aplicada naquela competência tal fato não irá interferir no julgamento deste processo. O auto ora em exame referese a descumprimento de obrigação principal. Tal fato somente iria interferir se o auto em exame se tratasse de descumprimento de obrigação acessória. Consultamos a GFIP 10/2004 e não encontramos tal valor na remuneração paga ao Sr. Pedro Cunha; *quanto à alegação de que o triênio pago a José Antônio C. Marino conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$34,62 compôs a remuneração daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo da contribuição previdenciária, consultada a GFIP referente a competência 11/2003 verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante quando da entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame; *quanto à alegação de que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários em desacordo com a Lei n°6.474/77 não procede tal alegação. A empresa não apresentou toda a documentação referente a qualquer dos estagiários caracterizados segurados empregados, apontados pela fiscalização. Não foi apresentado qualquer comprovante de que tais segurados estariam freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escola de educação especial conforme dispõe o § 1° do art. 1° da Lei n° 6494, de 07 de dezembro de 1977, em vigor è época dos fatos geradores. Constatouse na documentação apresentada pela impugnante que na folha de pagamento referente novembro de 2003, bem como na folha de pagamento 13/2003 a empresa descontou do Sr. Aldo Mercês de Oliveira a parte do INSS referente a desconto de segurado, portanto já o tratava como empregado; * o levantamento ALI — VL Ref. Alimentação não foi contestado e deverá ser desmembrado deste Auto de Infração. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (de fls 332/339), por meio do qual apresentou os seguintes argumentos defensivos, em síntese: Fl. 351DF CARF MF 8 (1) competências 08, 09 e 10/2004 remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO e de PEDRO CUNHA: conforme documentos acostados aos autos, foram pelo contribuinte apresentadas as GFIP's retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO no valor de R$ 462,00/mês; há, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03 paga ao Sr. PEDRO CUNHA, assim como os comprovantes dos recolhimentos respectivos, relativos à diferença da contribuição devida acrescida. Em razão disso, cabe, em favor da Autuada/Recorrente a exclusão da multa ex offício aplicada em relação àquelas competências. (2) competência 11/2003 triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO: não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003 o valor de R$ 34,62 correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (vide cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Deve, por isso, ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa à essa incidência, assim como os respectivos consectários. (3) Imposição relativa à remuneração paga a estagiários — ausência de exame deste fundamento pela instância a quo — cerceamento de defesa: em sede de defesa, sustentouse que no curso da fiscalização nem todos os documentos relativos aos contratos de estágio foram encontrados, de modo que restaram alguns que foram pela fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios. Contudo, quando da impugnação do lançamento, fez a Recorrente juntar à peça de defesa documentos comprobatórios da regularidade daqueles contratos, evidenciando, assim, não se tratar de remuneração sujeita à incidência da contribuição previdenciária. A despeito disso, a DRJ não examinou tais documentos, nem fez qualquer menção a isso no julgamento/decisão impugnado pela via do recurso voluntário. (4) ad argumentandum: sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do regime mais favorável ao contribuinte; excesso na imposição fiscal impugnada: de acordo com as previsões das leis aplicáveis (antes e depois da MPv 449/2008), podese sintetizar da seguinte forma: Ocorre que, para fins de determinação de qual regime aplicar, considerou o E. Auditor Fiscal o somatório de todas as penalidades passíveis de serem aplicadas para os fatos supostamente identificados, quando, na realidade, em se tratando de penalidades distintas, e distintamente instituídas e especificadas na legislação, o cotejo a ser realizado é o de comparação, uma a uma, na forma como instituídas no regime anterior e no regime atual. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 6 9 Deverá ser aplicada, em última hipótese, a multa de mora de 20%, excluindose qualquer imposição de multa de ofício — se admitida a sua cumulação com aquela — porque somente passível de ser cobrada em relação a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MPv n° 449/2008, antes da qual não havia qualquer previsão de imposição ele penalidade de tal natureza. (5) ad argumentandum: multa de mora e multa de ofício . cumulação. impossibilidade: analisando a autuação, percebese que houve, ainda que em relação a apenas algumas competências, a cumulação da multa de mora com a multa por infração (multa de oficio), o que representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo. Entretanto, dele conheço parcialmente em face da existência de teses defensivas apenas em grau recursal, conforme abaixo demonstrado. Da Multa de Mora e Multa de Ofício. Cumulação. Impossibilidade. Por meio do Item 05 da sua peça recursal, aduz o Recorrente que analisando a autuação em comento, percebese que houve, ainda que em relação a apenas algumas competências, a cumulação da multa de mora com a multa por infração (multa de oficio), o que representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço. Ocorre que, cotejando o recurso voluntário com a impugnação apresentada, verificase que tal linha de defesa foi deduzida apenas em grau recursal. De fato, conforme se extrai do relatório supra, na primeira defesa apresentada, os argumentos defensivos do contribuinte consistiram, em síntese: Ø Decadência do direito de o Fisco lançar os créditos relativos às competências 01 a 07/2003; Ø Que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo. Que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha; Ø Que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa a competência 11/2003 o valor de R$ 34,62, correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino; Fl. 353DF CARF MF 10 Ø Que também não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários. Como se vê, nada foi dito em relação à cumulação da multa de mora com a multa de infração, o que implica no não conhecimento do recurso neste particular. Ademais, não fosse isso o suficiente para se chegar a tal conclusão – não conhecimento do recurso voluntário – verificase que, no caso concreto, não houve aplicação de multa de mora cumulada com multa de ofício. De fato, analisandose o Auto de Infração (fls. 02), o Discriminativo Sintético de Débito (DSD) (fls. 15/18), o Discriminativo Sintético por Estabelecimento (DSE) (fls. 19/21) e os Fundamentos Legais do Débito (fls. 28/29), verificase que foi aplicada pela fiscalização multa de mora no percentual de 30%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99. Assim, também por este fundamento – ausência de aplicação, no caso em análise, de multa de mora cumulada com multa de ofício – concluise pelo não conhecimento do recurso voluntário neste ponto específico. Das competências 08, 09 e 10/2004 remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO e de PEDRO CUNHA Neste ponto, aduz a fiscalização que a Autuada não considerou o valor do salário de Adriana dos Santos Bispo constante nas folhas de pagamento também da matriz nas competências 08, 09 e 10/2004 (R$462,00). Além disso, a empresa não considerou o valor das parcelas remuneratórias referente à rescisão de contrato de Pedro Roberto Ferreira da Cunha, constantes na folha de pagamento da matriz, na competência 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo do valor do salário de contribuição para a previdência social. Em sua defesa, a Autuada informou que apresentou GFIPs retificadoras, pelo que, em razão disso, cabe, em favor da Autuada, a redução da multa ex ofício aplicada naquelas competências. A DRJ, neste particular, concluiu que a declaração em GFIP nestas remunerações não irá interferir no processo ora em exame. Ocorre que, tendo o contribuinte retificado as GFIPs referentes aos meses de agosto, setembro e outubro de 2004, e recolhido, com os devidos acréscimos legais, as diferenças das contribuições previdenciárias apuradas em razão dessas retificações, conforme se infere dos documentos acostados, impõese o reconhecimento da quitação dos referidos débitos, inexistindo nos autos, até o presente momento, um extrato analítico do débito lançado, evidenciando o recolhimento de tais importâncias. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 7 11 Da competência 11/2003 triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO Neste ponto, a fiscalização sinalizou que a empresa na competência 11/2003 deixou de incluir na base de cálculo para o cálculo do valor da contribuição previdenciária o valor de R$ 34,62 constante na folha de pagamento da matriz referente a pagamento de triênio a José Antônio C. Marino. Em contrapartida, sustentou o Recorrente que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003 o valor de R$ 34,62 correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (vide cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Deve, por isso, ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa à essa incidência, assim como os respectivos consectários. A DRJ, neste particular, concluiu que consultada a GFIP referente a competência 11/2003 verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante quando da entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame. Entretanto, os documentos apresentados pelo contribuinte ainda no curso da fiscalização e reapresentados por ocasião da impugnação, conduzem a entendimento diverso daquele alcançado pelo órgão julgador de primeira instância. Vejamos os documentos apresentados: · Comprovante de Recolhimento / Declaração referente à GFIP de novembro/2003, no valor total a recolher de R$ 1.227,98, com chancela da instituição bancária atestando o pagamento na data de 04/12/2003: · Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página 01), constando o Sr. José Antonio Carvalho Marino, com remuneração no valor de R$ 611,62, bem como totais ao final da página: Fl. 355DF CARF MF 12 Obs.: o valor de R$ 611,62 referente ao Sr. José Antônio corresponde ao somatório dos montantes de R$ 577,00 (salário) e de R$ 34,62 (triênio), conforme evidencia a Folha de Pagamento de novembro/2003: · Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página 02), constando Resumo do Fechamento, com total a recolher no valor de R$ 1.277,98, montante efetivamente recolhido pelo contribuinte: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 8 13 Neste contexto, da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, verificase que, de fato, o valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (R$ 577,00 salário + R$ 34,62 – triênio), impondose a reforma da decisão da DRJ neste ponto. Da imposição relativa à remuneração paga a estagiários — ausência de exame deste fundamento pela instância a quo — cerceamento de defesa No Relatório Fiscal, informou a fiscalização que se verificou que alguns dos estagiários que se encontravam prestando serviço na empresa foram contratados pela mesma em desconformidade com a Lei n°. 6.494 de 07/12/1977. Nestes casos não foram cumpridos os requisitos para a realização do estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio. Os estagiários em referência são, portanto, segurados obrigatórios na qualidade de segurados empregados e, assim, a bolsa de complementação educacional por eles recebida foi considerada salário de contribuição, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Os estagiários contratados pela empresa em desconformidade com a Lei n°. 6.494 de 07/12/1977 na matriz nos anos de 2003 e 2004 foram Nilma Pereira dos Reis, Aldo Mercês Oliveira, Sidney R. C. P. Souza, Dulcinez L. Brito e Adriana dos Santos Bispo e na filial 00.628.869/000266, no ano de 2003, Adildes Farias de Souza e Lusimary Santana Santos. A defesa do contribuinte, neste ponto, sinalizou que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários, ao fundamentos de não estarem consentâneos os termos do estágio aos ditames da Lei n° 6.474/77. Na verdade, no curso da fiscalização netas todos os documentos relativos aos contratos de estágio foram i encontrados, de modo que restaram alguns que foram pela fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios. A DRJ, ao contrário do quanto aduzido no recurso voluntário, no sentido de que não houve exame, pelo órgão julgador de piso, dos documentos apresentados, nem que este teria feito qualquer menção a isso no julgamento, expressamente concluiu que: ü Quanto à alegação de que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários em desacordo com a Lei n°6.474/77 não procede tal alegação; ü A empresa não apresentou toda a documentação referente a qualquer dos estagiários caracterizados segurados empregados, apontados pela fiscalização; ü Não foi apresentado qualquer comprovante de que tais segurados estariam frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escola de educação especial conforme dispõe o § 1° do art. 1° da Lei n° 6494, de 07 de dezembro de 1977, em vigor à época dos fatos geradores; Fl. 357DF CARF MF 14 ü Constatamos ainda na documentação apresentada pela impugnante que na folha de pagamento referente novembro de 2003, bem como na folha de pagamento 13/2003 a empresa descontou do Sr. Aldo Mercês de Oliveira a parte do INSS referente a desconto de segurado, portanto já o tratava como empregado. Registrese, pela sua importância, que os documentos apresentados pelo contribuinte junto com a impugnação referemse a 02 (dois) dos 07 (sete) estagiários listados pela fiscalização, a saber: Sidney R. C. P. Souza e Dulcinez L. Brito e, de fato, tal como atestado pela DRJ, não comprovam que as remunerações pagas aos referidos estagiários estavam de acordo com a Lei n°6.474/77. Registrese, ainda, que, o lançamento referente aos estagiários Sidney R. C. P. Souza e Dulcinez L. Brito abrange o período compreendido entre 01 a 05/2003, pelo que, tendo a DRJ reconhecido a decadência do período de janeiro a julho de 2003, com exceção da competência de abril/2003, temse que o lançamento, neste particular, remanesce apenas em relação ao referido mês de 04/2003. Sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do regime mais favorável ao contribuinte Conforme evidenciado no relatório, o contribuinte, por meio do seu recurso voluntário, pugnou pela aplicação da multa de mora no percentual de 20%, em face da alteração legislativa promovida pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Como já exposto linhas acima, no caso em análise, foi aplicada pela fiscalização multa de mora no percentual de 30%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 358DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 9 15 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que, com a edição da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, o susodito art. 35 passou a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 61 da Lei nº 9.430/96, por seu turno, estabelece que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento (§ 2º). Pois bem! Como cediço, nos termos do art. 106, II, “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Sobre o tema, a CSRF, por meio do Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma julgado na sistemática dos recursos repetitivos, manifestouse nos termos do voto abaixo transcrito, o qual passa a integrar o presente voto: Fl. 359DF CARF MF 16 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 10 17 Fl. 361DF CARF MF 18 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 11 19 Fl. 363DF CARF MF 20 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 18050.005082/200814 Acórdão n.º 2402006.644 S2C4T2 Fl. 12 21 Assim, nos termos do voto da CSRF em destaque, voto no sentido de determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 365DF CARF MF 22 Conclusão Face ao exposto, voto por: (i) NÃO CONHECER o recurso voluntário em relação à matéria “Da Multa de Mora e Multa de Ofício. Cumulação”; (ii) na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir da autuação o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO; e (iii) determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 366DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.008563/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde a decisão definitiva no processo judicial em que se busca a reversão da anulação do Ato Concessório 1543010002716, devendo ser juntada aos autos tal decisão definitiva, prejudicial à análise administrativa do lançamento decorrente de tal tema, pelo CARF. Preliminarmente, foi afastada, por unanimidade de votos, pelo colegiado, a alegação de decadência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde a decisão definitiva no processo judicial em que se busca a reversão da anulação do Ato Concessório 1543010002716, devendo ser juntada aos autos tal decisão definitiva, prejudicial à análise administrativa do lançamento decorrente de tal tema, pelo CARF. Preliminarmente, foi afastada, por unanimidade de votos, pelo colegiado, a alegação de decadência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 08 56 3/ 20 07 -4 1 Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 10314.008563/200741 Resolução nº 3401001.585 S3C4T1 Fl. 2.728 2 Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório da DRJ/SP II (efl. 243), por bem externar o que consta dos autos: A interessada, através dos Atos Concessórios de Drawback 1543 01/2716 e 20030158028, importou mercadorias com suspensão de tributos através das Declarações de Importação 01/09866066, 01/09866090 e 01/09866074, registradas em 05/10/2001, e 03/08867844, registrada em 14/10/2003. Tais atos concessórios foram anulados pela SECEX em abril de 2007, inclusive em segunda instância, o que ensejou a lavratura do presente auto de infração, para exigência dos tributos não recolhidos, com seus acréscimos legais. A fiscalização exige imposto de importação, IPI, juros de mora e multas previstas nos artigos 44, inciso I da lei 9430/96 e 80, inciso I da lei 4502/64, com a redação do art. 45 da lei 9430/96. Inconformada com a autuação, a interessada interpôs recurso onde traz aos autos cópias de petições ao judiciário, inclusive com carimbos da Justiça Federal (fls. 1091 e 1177) no sentido de anular as decisões que desconsideraram os atos concessórios em questão. A interessada pleiteia administrativamente o sobrestamento do presente processo até decisão final de suas ações anulatórias ou, alternativamente, seja reconhecido o decurso do prazo decadencial para a constituição dos créditos relativos As importações realizadas no dia 5 de outubro de 2001. Sobreveio decisão da DRJ/SP II, a qual, à unanimidade de votos, não conheceu da impugnação, por meio da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 05/10/2001, 14/10/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial após o inicio do despacho aduaneiro, devendose manter os tributos e seus acréscimos legais. Recebeu o AR de ciência do acórdão em 14/07/2010 (efl. 2.437), interpondo recurso voluntário em 13/08/2010 (efl. 2.439 e ss.), no qual, em síntese, defendeu: 1) Ingressou com as ações anulatórias 2007.61.00.0275100 e 2007.61.00.0275094), pleiteando a anulação das decisões que declararam a nulidade dos Atos Fl. 2728DF CARF MF Processo nº 10314.008563/200741 Resolução nº 3401001.585 S3C4T1 Fl. 2.729 3 Concessórios de Drawback e o consequente reconhecimento da validade e legalidade do regime aduaneiro; entendendo que o feito administrativo deva ser sobrestado até decisão final das referidas ações. Informou e colacionou as respectivas decisões judiciais de primeira instância que lhes foram favoráveis (efl. 2.549 e ss.) e que aguardava decisões de segunda instância. Entende que não há concomitância entre o presente processo administrativo e as ações judiciais, pois os seus objetos não são idênticos. Além da exigibilidade dos tributos decorrentes da suposta anulação dos Atos Concessórios de Drawback (objeto das ações judiciais), o processo administrativo versa sobre decadência do direito de as autoridades fiscais constituírem os créditos tributários e também sobre a impossibilidade de exigência de juros de mora e multa de ofício, matérias restritas ao lançamento, e portanto, sem concomitância com as aludidas ações judiciais. 2) A presença da decadência, pois o lançamento fora formalizado em 30/08/2007, exigindo II e IPI de importações realizadas em 05/10/2001 e 17/10/2003, seja pela contagem do artigo 150, §4° do CTN, seja por meio do artigo 173, I do mesmo Código. 3) Não pode ser compelida ao pagamento de multa punitiva e juros de mora, pois o procedimento adotado pela Recorrente fora autorizado pelo DECEX, por meio dos Atos Concessivos de Drawback e aceito reiteradamente pelas autoridades fiscais, incidindo o artigo 100 do CTN, presumindo sua boafé. Citou doutrina e jurisprudências do STJ em seu favor. 4) A necessidade de sobrestamento do presente processo administrativo, pois o pressuposto lógico necessário ao presente lançamento fiscal consiste na nulidade dos Atos Concessórios de Drawback declarado pelo DECEX, cuja anulação de tais decisões foram objeto de ações judiciais com sentenças favoráveis, as quais, vindo a ser confirmadas, farão com que os Atos Concessórios votem a produzir seus efeitos, logo, os tributos lançados não poderão ser exigidos. Mencionou o artigo 265, IV, do CPC/73 e jurisprudência do STJ em seu favor. Diz que é evidente que a decisão sobre o mérito (exigibilidade de valores do II e IPI) depende do julgamento de outra causa (ações anulatórias sobre a nulidade dos Atos Concessórios de Drawback). A Recorrente foi intimada à efl. 2.595 para apresentar contrato social e última alteração contratual, e ainda, procuração com firma reconhecida para comprovar que os causídicos que subscreveram o voluntário, possuíam poderes para este fim, o que fora cumprido (efls. 2.608 e ss.). À efl. 2.722 consta Intimação 588/2010, referente "Apartação do processo", no qual houve a transferência da parte do crédito tributário sendo discutida judicialmente para o processo 10314.009636/201017, permanecendo no presente feito somente a parte do crédito tributário referente às multas de ofício. À efl. 2.724 consta despacho da EQCOT, da Inspetoria da RFB/SP que diz: Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 10314.008563/200741 Resolução nº 3401001.585 S3C4T1 Fl. 2.730 4 O recurso voluntário, fls. 1163 a 1178, foi tempestivamente apresentado no dia 13/08/2010, de acordo com a fl. 1163, com representatividade presente nos documentos de fls. 1245 a 1299. A decisão de primeira instância não tomou conhecimento da impugnação no tocante A exigibilidade tributária, pois a mesma foi levada A apreciação do Poder Judiciário. Entretanto, o interessado aborda em seu recurso matérias distintas das que estão sendo discutidas judicialmente — entre as quais, multa de oficio e decadência razão pela qual o processo foi apartado, com transferência da parte do crédito tributário relativa ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (termo, de transferência à fl. 1300) ao processo 10314.009636/201017, protocolado a fim de possibilitar seu acompanhamento judicial pelo SECAT desta Inspetoria. Permaneceu assim neste processo somente a parte do crédito relativa A multa de oficio (vide extrato à fl. 1301), que não está sendo discutida judicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. O voto foi, no entanto, adaptado em excertos destacados por este redator Ad Hoc, em função de ter o relator original alterado seu posicionamento durante os debates, no colegiado, acolhendo o que foi objeto de consenso entre os demais membros da turma. “O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Das ações judiciais e do presente processo administrativo fiscal concomitância Em síntese, a Recorrente fora autuada por não ter recolhido II, IPI, em razão de anulação de 2 (dois) Atos Concessórios de Drawback suspensão 20030158028 e 1543 01/2716 , cujos processos administrativos que redundaram na anulação foram instaurados por determinação do Ministério Público Federal, para que o DECEX revisasse todos os regimes aduaneiros especiais. Fl. 2730DF CARF MF Processo nº 10314.008563/200741 Resolução nº 3401001.585 S3C4T1 Fl. 2.731 5 Anulados os atos referentes ao regime de Drawback, a Recorrente judicializou o assunto, por meio de duas ações judiciais, cada qual para os respectivos Atos Concessórios anulados. Para facilitar a contextualização do assunto, vejase a tabela abaixo: ATOS CONCESSÓRIOS 20030158028 e 1543 01/2716 PAF 10314.00563/200741 AÇÃO ANULATÓRIA 2007.61.00.0275100 AÇÃO ANULATÓRIA 2007.61.00.0275094 OBJETO (AC 20030158028): DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. SITUAÇÃO ATUAL: ANULADO POR AUSÊNCIA DE PREVISÃO DA FRUIÇÃO DO DRAWBACK PARA FORNECIMENTO INTERNO NO EDITAL DE LICITAÇÃO (SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SALVADOR). OBJETO (AC 1543 01/2716): DRAWBACK FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO LICITAÇÃO INTERNACIONAL IMPLANTAÇÃO OBJETO DO LANÇAMENTO: EXIGÊNCIA DO II, IPI, JUROS DE MORA, MULTAS DE MORA E ISOLADA. OBJETO DA IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE: (1) SOBRESTAMENTO DO FEITO ATÉ DECISÃO FINAL NAS AÇÕES JUDICIAIS; (2) ALTERNATIVAMENTE, DECADÊNCIA PARA A CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS LANÇADOS; (3) INEXIGIBILIDADE DOS JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO. OBJETO (CAUSA DE PEDIR): DISCUSSÃO SOBRE A (1) NECESSIDADE DE PREVISÃO DA CONCESSÃO DO DRAWBACK DENTRE AS DISPOSIÇÕES DO EDITAL DE LICITAÇÃO INTENCIONAL DA EMPRESA EMBASA E (2) A AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE NA ATRIBUIÇÃO DE EFEITO EX TUNC À ANULAÇÃO DO ATO CONCESSÓRIO. PEDIDOS: (1) NULIDADE DO ATO QUE DECLAROU A NULO O ATO CONCESSÓRIO; (2) ALTERNATIVAMENTE, EFEITOS EX NUNC. OBJETO (CAUSA DE PEDIR): (1) ABRANGÊNCIA SOBRE O CONCEITO DE LICITAÇÃO (ART. 5o, LEI 8.032/90; (2) NECESSIDADE DE PREVISÃO DA CONCESSÃO DO DRAWBACK NAS DISPOSIÇÕES DO EDITAL DE LICITAÇÃO; (3) A AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE NA ATRIBUIÇÃO DE EFEITO EX TUNC À ANULAÇÃO DO ATO CONCESSÓRIO. ÚLTIMA MOVIMENTAÇÃO: SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA, DECLARANDO NULO O 1 CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO DRAWBACK LICITAÇÃO INTERNACIONAL LEI Nº 11.732/2008 LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA BENEFÍCIO CARACTERIZADO 1. O fim do drawback é incentivar a exportação, concedido justamente para colocar a indústria nacional em condições de concorrer com as estrangeiras. 2. O Drawback é um sistema tributário que se dá nas importações para criar direitos à compensação, sujeitas a reversão ou restituição dos impostos pagos pela matéria prima, transformada em produtos que se destinem à exportação. Possui a finalidade de incentivar, criando condições competitivas, desonerando o exportador nacional dos encargos financeiros. 3. Na licitação internacional deve ser observado o estatuto de licitações em vigor, pois a legislação estabelece as condições para a sua realização. O drawback, de fornecimento no mercado interno, concluise ser realizada em território nacional. 4. Imperiosa a vinculação ao instrumento convocatório e o princípio da isonomia para o gozo do benefício fiscal no Edital internacional de concessão de regime especial de drawback para fornecimento no mercado interno. 5. O contrato celebrado entre as partes segue o regramento de nosso sistema legal e constitucional para o gozo do benefício pleiteado, em observância, inclusive à Lei nº 11.732/2008 de natureza interpretativa, cuja aplicação é retroativa (artigo 106, I, CTN). Precedente jurisprudencial. 6. Verba honorária mantida, conforme fixada na r. sentença. 7. Apelação, remessa oficial e recurso adesivo não providos.(APRN 002751055.2007.4.03.6100/SP, v.u., negando provimento ao apelo da União, à remessa oficial e o recurso adesivo, Rel. Des. Federal Nery Júnior, DE 30/04/2015). 2 http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=00275105520074036100 3 C:\Users\CARF\Documents\CARF\Novembro 2018\28 11 2018 M\ABB_APREEN_20076100027094_TRF3_certidao_objpe.htm Fl. 2731DF CARF MF Processo nº 10314.008563/200741 Resolução nº 3401001.585 S3C4T1 Fl. 2.732 6 RETIFICADOR E INSTALAÇÃO ELÉTRICA. EQUIPAMENTOS NÃO PRODUZIDOS NO BRASIL. SITUAÇÃO ATUAL: ANULADO. ÚLTIMA MOVIMENTAÇÃO: ACÓRDÃO DO TRF3, CONFIRMANDO A SENTENÇA (FAVORÁVEL) A CONTRIBUINTE1. TRÂNSITO EM JULGADO EM 22/02/20162 ATO QUE DECLAROU A NULIDADE DO ATO CONCESSÓRIO. RECURSO DE APELAÇÃO DA UNIÃO DISTRIBUÍDO EM 13/03/2010, CONCLUSOS COM A RELATORIA, DESDE ENTÃO. AGUARDANDO JULGAMENTO. 3 Entendeu o acórdão da DRJ que o pleito judicial tem o mesmo objeto dos presentes autos de infração, ou seja, a anulação dos atos concessórios, e em assim sendo, ocorrendo a coisa julgada judicial jamais poderá ser alterada no processo administrativo. Deste modo, o acórdão recorrido deixou de tomar conhecimento da impugnação na parte relativa ao II e IPI levada ao Judiciário, manifestandose contrariamente aos interesses da Recorrente no que toca aos juros de mora e multa de ofício, embora, frisese, a impugnação não fora conhecida pela concomitância, sendo mantido o crédito tributário. Diz a Súmula CARF 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A referida Súmula é peremptória: ocorrerá concomitância nos casos de mesmo objeto do processo administrativo e da ação judicial proposta pela parte. No caso concreto, com vênia a decisão de piso, temse que os objetos são diferentes. De se ver. No processo administrativo, em razão da anulação dos Atos Concessórios de Drawback, veio a fiscalização a lançar os tributos e demais consectários; e a Recorrente se voltou contra o lançamento, dizendo que o drawback é regular e o ato não poderia ter sido anulado, defendendo ainda a existência da decadência de a Administração constituir o crédito, e a inexigibilidade dos juros de mora e da multa de ofício. No que se refere a esses dois últimos assuntos, para os quais flagrantemente não opera concomitância, cabe manifestação preliminar. Sobre a incidência de juros de mora em relação à multa de ofício, incumbese simplesmente remeter à Súmula CARF n. 108. Sobre a contagem da decadência, nos casos de regime de drawback suspensão, informese que se inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para a fruição do regime aduaneiro, a teor do artigo 173, I do CTN, Fl. 2732DF CARF MF Processo nº 10314.008563/200741 Resolução nº 3401001.585 S3C4T1 Fl. 2.733 7 conforme acórdãos 3402002.412 (v.u.), 3401004.485 (v.u.) 4, 3301005.321 (v.u.) 5 e 9303 006.291 (v.u.) 6. No caso concreto, 2 (dois) foram os Atos Concessórios AC de Drawback, 20030158028 (início 17/10/2003 e término 16/10/2004, efl. 320) e 154301/2716 (início 28/09/2001 e término 28/09/2002, Relatório Fiscal, efl. 72). Para o AC 20030158028, o primeiro dia do exercício seguinte ao término do prazo final do Regime foi dia 01/01/2005. A ciência do Auto de Infração foi em 30/08/2007 (efl. 2), logo, não se configurou decadência. Já o primeiro dia do exercício seguinte ao término do prazo final do Regime no caso do AC 154301/2716 foi dia 01/01/2003. A ciência do Auto de Infração foi em 30/08/2007 (efl. 2), portanto, também não se operou a decadência.” Nota do redator ad hoc: nesse ponto do julgamento, o colegiado retornou à análise da existência ou não de concomitância, e concluiu que a relação existente entre os processos judicial e administrativo não era de concomitância, mas de prejudicialidade, tendo o relator adaptado seu voto nesse sentido. Retornandose ao tema mestre da controvérsia, e à distinção entre as ações judiciais e o processo administrativo, temse que a tutela judicial dirigiuse não contra a autuação e seu objeto (exigência de tributos), mas contra a premissa da autuação (terem sido anulados atos concessórios). A relação, assim, não é de concomitância, mas de prejudicialidade. Apesar de os objetos serem distintos, nas lides administrativas e judiciais, jamais poderia prosperar a exigência administrativa de tributos se o juízo decidir, em definitivo, que os atos concessórios restam hígidos, o que faria desmoronar a premissamor da autuação, de ter havido descumprimento do regime aduaneiro especial de drawback. 4 DRAWBACK. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS. CONDIÇÃO. DESCUMPRIMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A condição que vincula a suspensão dos tributos a eventos futuros e incertos, impede o início da contagem da decadência, enquanto não implementada, afastando a regulação do lapso extintivo pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, mesmo porque, em função da predita suspensão dos tributos devidos, inocorre antecipação de pagamento, circunstância que determina a aplicação do art. 173, I do mesmo diploma, consoante entendimento fixado no REsp n° 973.733SC, julgado sob o rito do recurso repetitivo, de observância impositiva pelas turmas julgadoras do CARF, ex vi do art. 62 do seu regimento interno. 5 DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. Recurso Voluntário Provido (No mesmo sentido Ac. 3402002.412). 6 PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE A DATA DE VENCIMENTO DO REGIME. O termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Regime Drawback suspensão, isto é, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte à data de vencimento do regime, que se consuma no trigésimo dia do término do prazo validade do ato concessório. Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 10314.008563/200741 Resolução nº 3401001.585 S3C4T1 Fl. 2.734 8 Assim, é prudente aguardar o desfecho da ação proposta em juízo, prejudicial à lide administrativa. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que se aguarde a decisão definitiva no processo judicial em que se busca a reversão da anulação do Ato Concessório 1543010002716, devendo ser juntada aos autos tal decisão definitiva, prejudicial à análise administrativa do lançamento decorrente de tal tema, pelo CARF, destacando que se afasta, preliminarmente, a alegação de decadência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 2734DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731942/2011-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
RENDIMENTOS OMITIDOS.
Estão corretamente lançados os rendimentos informados por fonte pagadora e que não constam da declaração base do lançamento.
Numero da decisão: 2001-000.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. RENDIMENTOS OMITIDOS. Estão corretamente lançados os rendimentos informados por fonte pagadora e que não constam da declaração base do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 19 42 /2 01 1- 24 Fl. 109DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, omissão de rendimentos. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2010 DIRPF. INFORMAÇÕES. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A responsabilidade pelas informações prestadas na declaração de rendimentos é do declarante, independentemente de entrega do comprovante de rendimentos pela fonte pagadora. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Fonte Pagadora: Três Rios Prefeitura Valor: R$ 2.955,40. IRRF: R$0,00. Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 30.500,00. Motivo da glosa: Foram glosadas as seguintes despesas médicas: • Maria de Fatima Alarcon (R$ 14.000,00) – falta de identificação do paciente beneficiário e por falta de descrição detalhada do serviço prestado; • Carla Gomes (R$ 8.000,00) – falta de identificação do paciente beneficiário e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas; • Fernanda Cristina da Silva Dias (R$ 8.500,00) falta de identificação do paciente Fl. 110DF CARF MF Processo nº 12448.731942/201124 Acórdão n.º 2001000.887 S2C0T1 Fl. 3 3 beneficiário e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas. A fundamentação legal das infrações encontrase descritas às fls. 06, 07 e 10. O (A) contribuinte, cientificado(a) apresentou defesa (fls. 02/03) tempestiva, alegando em breve síntese que: anexa dos comprovantes das despesas médicas glosadas; a fonte pagadora não enviou o informe de rendimentos dentro do prazo e tão menos foi entregue até a presente data, logo deve ser aplicada a ela a penalidade legal; Logo, devem ser mantidas as glosas das seguintes despesas médicas, pelos mesmos motivos de fato e de direito apontados pela fiscalização, vejamos: • Maria de Fatima Alarcon (R$ 14.000,00) – falta de identificação do paciente beneficiário e por falta de descrição do serviço prestado; • Carla Gomes (R$ 8.000,00) – falta de identificação do paciente beneficiário e por não constar o endereço do emitente. • Fernanda Cristina da Silva Dias (R$ 8.500,00) falta de identificação do paciente beneficiário e por falta de endereço do emitente. Ante o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação, mantendo o lançamento. O contribuinte reitera seus argumentos e pleiteia provimento integral ao recurso voluntário. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, R$ 30.500,00, e omissão de rendimentos de R$ 2.955,40. Fl. 111DF CARF MF 4 Alegações do contribuinte sobre a administração do débito, condição de devedor, não serão abordadas, estão fora da competência dessa Turma de julgamento, pois não se constituem em litígio à matéria do lançamento. Primeiramente, em relação à omissão de rendimentos, verificase que a declaração entregue, e que foi considerada para revisão, não incluiu os rendimentos que foram lançados, conforme se constata na fl 28. Assim, os rendimentos informados pela fonte pagadora e que não constam da declaração foram corretamente incluídos na apuração pelo lançamento. Observese que a obrigação de informar na declaração, e oferecer os rendimentos à tributação, existe mesmo sem a informação da fonte pagadora Em relação às despesas médicas, houve glosa por formalidades, falta de endereço e indicação de paciente. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome do contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. Não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa Fl. 112DF CARF MF Processo nº 12448.731942/201124 Acórdão n.º 2001000.887 S2C0T1 Fl. 4 5 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; Fl. 113DF CARF MF 6 V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, restabelecendo a dedução de despesas médicas e mantendo a omissão de rendimentos. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 12448.731942/201124 Acórdão n.º 2001000.887 S2C0T1 Fl. 5 7 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.003469/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO POR
ESTIMATIVA. INAPLICÁVEL CUMULATIVAMENTE COM A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 105 DO CARF. PROCEDÊNCIA.
Exonera-se os valores de multa por falta de recolhimento por estimativa, lavrada após o encerramento do exercício, em se constatando que tratam-se de fatos geradores ocorridos até 2007, aos quais incide a aplicação da Súmula nº 105, deste CARF.
Numero da decisão: 1401-003.011
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para tão somente cancelar a imposição da multa isolada pelo não pagamento de estimativas.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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INAPLICÁVEL CUMULATIVAMENTE COM A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 105 DO CARF. PROCEDÊNCIA. Exonera-se os valores de multa por falta de recolhimento por estimativa, lavrada após o encerramento do exercício, em se constatando que tratam-se de fatos geradores ocorridos até 2007, aos quais incide a aplicação da Súmula nº 105, deste CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para tão somente cancelar a imposição da multa isolada pelo não pagamento de estimativas. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado para eventuais substituições) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária novembro de 2018 mbro de 2018 IRPJ - Lançamento de Ofício IRPJ - Lançamento de Ofício TELEMS CELULAR S/A TELEMS CELULAR S/A FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 632 2 Relatório Inicio com a transcrição do acurado relatório da anterior turma julgadora, quando da conversão do julgamento em diligência encaminhada à Delegacia de Origem. Trata-se de autuação fiscal referente aos anos calendários de 1999 a 2002, cujo objeto consiste em: - Imposto de renda pessoa jurídica com base na diferença autuada entre o valor escriturado e o declarado/ pago, relativo ao ano-calendário 2001; - Multas isoladas com base na diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/ pago, referente as estimativas mensais dos meses de janeiro, fevereiro, maio, junho e setembro de 1999; fevereiro, abril, maio e agosto de 2000; janeiro, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2001; e fevereiro, abril, maio, outubro e novembro de 2002. Por uma questão de economia processual, no que tange a impugnação apresentada, utiliza-se, data vênia, do relatório efetuado pelo órgão julgador a quo, o qual determina com exatidão os argumentos esposados pela ora Recorrente. A saber: "Em 29 de dezembro de 2004 foi protocolada a impugnação de f. 199 a 214 (anexos As f. 215 a 256), firmada por procuradores (instrumento de mandato A f. 215), na qual, após breve relato dos fatos, é aduzido, em síntese, que: a) houve decadência relativamente aos lançamentos de períodos anteriores a dezembro de 1999; a,l) a partir da Lei n. 8.383/1991,0 IRPJ passou a ser devido mensalmente; a.2) além disso o IRPJ tem lançamento sujeito a homologação, aplicando-se paia a decadência a regra do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN); a.3) mesmo no caso de lançamento de multa isolada, o prazo decadencial segue aquele relativo ao respectivo tributo; b) é ilegítima a pretensão fiscal, uma vez que a exigência da multa isolada deu-se após o encerramento do período de apuração dos anos-calendário respectivos; c) ha que ser excluída a multa imposta, uma vez não terem havido efeitos tributários prejudiciais ao Erário; Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 633 3 c.1) uma vez a autuada ter agido de boa-fé, há que ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; d) no ano de 1999, o autuante não levou em consideração as DCTF's retificadoras, com as devidas correções de valores, pagamentos e compensações, somente incluindo os valores em seus cálculos quando houve redução do débito em relação A DCTF originária, apurando assim diferença em relação ao valor devido, maior que se considerasse a DCTF originaria; d.1) o art. 147 do CTN prescreve que a retificação de declarações pode ser efetuada ate antes da notificação do lançamento, motivo pelo qual não poderiam ser rejeitadas as DCTF s retificadoras; d.2) relativamente: d.2.1) ao mês de janeiro de 1999, desconsiderou o autuante o pagamento de R$ 12.008,87 efetuado em 30 de setembro de 2003, com o acréscimo de multa de mora e juros, não sendo aplicável o art. 47 da Lei n. 9.430/1996; d.2.2) A fevereiro de 1999, a diferença originou-se do cotejo entre o apurado pelo fiscal e o declarado na DCTF retificadora, em contradição com todo o procedimento, o que macula a ação fiscal que se apresenta discricionária e A margem da lei; d.2.3) ao mês de maio de 1999, o valor apurado pelo fisco é o mesmo da DCTF retificadora, e mesmo assim foi apurada multa isolada em comparação com a DCTF originaria, desconsiderando-se os pagamentos e compensações declarados na DCTF retificadora; d.2.4) à junho de 1999, novamente o fisco desconsiderou o valor retificado tomando por base exclusivamente a DCTF originaria, desconsiderando-se os pagamentos, conforme consta no Anexo III do Auto de Infração; d.2.5) ao ano-calendário 1999, as reversões de provisões , e as despesas' recuperadas, embora sua contabilização envolva contas de receita, não são' receitas novas ou ainda são não-tributadas e, portanto, tributá-las seria bis idem; d.2.6) A. fevereiro de 2000, não foi considerada a compensação, havendo cobrança baseada exclusivamente entre a diferença do apurado e o valor declarado em DCTF originaria; d.2.7) aos meses de abril e maio de 2000, não foram considerados os pagamentos e compensações, apurando-se diferença entre o valor devido e 0 declarado na DCTF retificadora; d.2.8) à agosto de 2000, não foram levados em consideração os pagamentos efetuados; Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 634 4 d.2.9) ao mês de setembro de 2000, a diferença de base de cálculo deve-se à não aceitação das despesas de "swap". Entretanto, já que sua apuração se deu com base em balancete de suspensão/redução, tais despesas deveriam Ser aceitas; d.2.10) à janeiro de 2001, houve pagamento muito superior ao valor apurado, não sendo compreensível a autuação; d.2.11) aos meses de 2001, há créditos e pagamentos reconhecidos pelo fiscal e não computados por ele mesmo na verificação do cumprimento das antecipações estimadas; d.2.12) A. novembro de 2001, a diferença da base de cálculo refere-se à conta contábil 4191000000 — Outros Serviços Tee. Adm.- no valor de R$ 7.429,61, considerado pelo fisco como acréscimos á base, enquanto a empresa já os havia tributado na base de 32% - Venda de Serviços e, também, que R$ 3.214.816,12 são despesas de "swap", tendo havido distorção da estimativa, informada como com base em receita bruta e não balancete de suspensão/redução, com pagamento suficiente para a quitação da estimativa; d.2.13) ao mês de dezembro de 2001, o valor apurado com o fechamento do ano-calendário (apuração anual) extingue-se com o crédito originário do PA 01/2001. A diferença deu-se pelo fato de ser apurado IRPJ por estimativa nesse mês, enquanto que o debito do ajuste anual foi quitado com o pagamento a maior em janeiro; d.2.14) á. fevereiro de 2002, não foram computados os pagamentos e foram desconsideradas as despesas de "swap"; d.2.15) ao mês de abril de 2002, foram ignorados os pagamentos a maior efetuados, conforme demonstrativo; d.2.16) aos meses de maio e outubro de 2002, foram desconsiderados os pagamentos e compensações, considerando a diferença entre o valor apurado e o declarado na DCTF originaria; d.2.17) houve, com exceção de 2001, pagamentos de estimativa muito superiores ao valor do IRPJ devido, restando clara a insubsistência da exigência e a sanção aplicada pelo fisco afronta o principio da proporcionalidade, representando um verdadeiro confisco; f) houve cobrança em duplicidade da multa de oficio de 75% em relação aos anos-calendário 1999 e 2001, uma vez terem sido lançados os valores do 1RPJ devidos ao final desses períodos, acompanhados da multa de 75%, o que constituiu outro processo no que diz respeito ao ano-calendário 1999, e, também, por ter havido o lançamento das multas isoladas por falta de pagamento de estimativa cobradas pelo Auto de Infração objeto destes autos, não havendo autorização legal para isso. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 635 5 Ao final, é requerido o acolhimento das razões de impugnação, com a improcedência da ação fiscal. Também, o apensamento do processo relativo à cobrança do IRPJ devido pelo ajuste anual do período de 1999, ante à conexão existente e para se evitar decisões contraditórias. Requer ainda a juntada posterior de documentos, o que ocorreu em 22 de fevereiro de 2005, conforme requerimento protocolado a f. 258 (cópias de DCTF e de documentos de arrecadação — f. 260 a 328). Os autos baixaram em diligência (f. 332 e 333), para que fosse informado sobre as compensações declaradas. A resposta e os documentos correspondentes constam as f. 336 a 441." A 2a Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil considerou o lançamento procedente em parte, afastando as preliminares arguidas, e, na análise da questão meritória, manteve o lançamento tributário, reduzindo as multas isoladas para a fração de 50%, em razão de retroatividade benigna de lei que reduziu o percentual desta modalidade de sanção. Nesse sentido, abaixo a ementa da decisão objeto do presente recurso: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE E CONFLITO HIERÁRQUICO ENTRE LEIS Ê defeso em sede administrativa discutir-se sobre a constitucionalidade de lei ou o conflito hierárquico I entre leis, cabendo o fiel cumprimento da lei em vigor. DECADÊNCIA. 0 termo inicial e o prazo decadencial, mesmo dos tributos lançados por homologação, I seguem o disposto no art. 173, inciso I, do CIN. Se adotada a tese de que há que se seguir o quanto prescrito no art. 150 do CTN, o prazo decadencial inicia-se a partir da homologação do lançamento. MULTAS ISOLADAS. CABIMENTO. Ê cabível a aplicação de multas isolada no caso de não pagamento de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida I pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual e mesmo depois do encerramento do período de apuração se apurado saldo negativo, não prosperando também a alegação de que não haveria prejuízo ao I erário pelo não-pagamento do tributo devido por estimativa. MULTA ISOLADA. BASE DE CALCULO. A base de cálculo da multa isolada E o valor do tributo apurado por estimativa com base na receita bruta ou em balancetes de redução e não recolhido no tempo oportuno. DECLARAÇÕES APRESENTADAS A DESTEMPO. Não há como se considerar, para efeitos de denúncia espontânea, valores declarados, quer de tributo apurado, quer de compensações, no caso de DCTF s apresentadas após o inicio do procedimento de fiscalização. DESPESAS RECUPERADAS, REVERSÃO DE PROVISOES E DESPESAS DE "SWAP". Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 636 6 Não demonstrado que as despesas recuperadas eram indedutiveis e não tendo sido consideradas as reversões de provisões no montante das receitas, não há como se acatar a alegação para a exclusão delas da base de cálculo da estimativa. As despesas de "swap" só podem ser reconhecidas no momento, em que se tern a efetiva receita. APURAÇÃO ANUAL. PAGAMENTOS E DEDUÇÕES. No caso de apuração anual, no mês de dezembro devem ser feitas duas apurações, com pagamentos também distintos segundo cada uma delas: a da estimativa e a do ajuste anual. No último caso, todo o imposto pago por estimativa durante o ano pode ser deduzido. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em decorrência da retroatividade Em decorrência da retroatividade benigna de lei, exonera-se parcialmente a multa isolada lançada. Lançamento Procedente em Parte" A contribuinte interpôs seu recurso voluntário, no qual sustenta, preliminarmente, pela decadência do direito da Fazenda exigir as multas isoladas correspondentes ao não recolhimento das estimativas mensais imputadas até o mês de novembro de 1999, tendo em vista que a ciência do lançamento de oficio ocorreu no dia 02/12/2004. No mérito, sustenta a impossibilidade de aplicação da multa isolada por falta de pagamento das estimativas mensais após o encerramento do ano- calendário, uma vez que nas declarações de ajuste anual apresentadas verificou-se a inexistência de tributo a ser recolhido nos exercícios contemplados pelo lançamento de oficio. Neste sentido, ressalta que é incabível a cominação de qualquer sanção, eis que a obrigação principal estava efetivamente cumprida ao final dos períodos autuados. Além disso, a Recorrente demonstra supostos equívocos praticados pela fiscalização quando da apuração das estimativas não pagas. Assim, relativamente ao ano-calendário de 1999, aponta os seguintes equívocos supostamente praticados pela autoridade administrativa: Janeiro: A autoridade lançadora não contemplou os valores informados na DCTF retificadora, bem como o recolhimento ocorrido após o inicio da fiscalização, majorando, assim, a base de cálculo da multa isolada. Além disso, alega que se estes valores forem reconhecidos constituirão crédito a favor da Recorrente; Maio e Junho: O Fisco não contemplou os valores informados por meio da DCTF retificadora, que seriam suficientes para a satisfação do crédito tributário apurado pela autoridade administrativa; Devem ser rejeitadas as glosas de despesas recuperadas e de reversões de provisões, sob o argumento de que não se tratam de receitas novas, que não sofreram a tributação. Assim, tributá-las novamente configuraria bis in idem. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 637 7 No que tange ao ano-calendário de 2000, a Recorrente apresenta as seguintes argumentações: Fevereiro: O Fisco não considerou a compensação realizada por entender extinto o crédito tributário, e, tampouco, validou a DCTF retificadora, valores "mais do que suficiente para quitar o débito apurado"; Abril, maio: Novamente não foram contemplados os valores compensados e pagos, reconhecidos pelo fiscal e que seriam suficientes ao pagamento do crédito apurado; Agosto: Não foi reconhecida a integralidade dos pagamentos efetuados, tendo o Fisco levado em consideração exclusivamente a diferença entre o valor devido e o declarado; Setembro: O Fisco não considerou as despesas com swap, que teria de ser utilizada para dedução de despesa; Relativamente ao ano-calendário de 2001, a Recorrente traz à baila os seguintes argumentos: Janeiro: Foi reconhecido pelo Fiscal, conforme transcrito na planilha denominada "DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS DE IRPJ E ESTIMATIVA", pagamento superior ao valor apurado, e, mesmo assim, a Recorrente foi penalizada com a aplicação da multa isolada; No que tange aos meses penalizados com a multa isolada, o Fisco novamente não reconheceu compensações e pagamentos suficientes para a satisfação do crédito; Novembro: Relativamente a este mês, a Recorrente alega que no que tange conta contábil 4191000000, referente a outros serviços téc. adm., o Fisco acresceu na base de cálculo, ao passo que a contribuinte tributou como venda de serviços. Além disso, não considerou as despesas com swap, praticadas no período; Dezembro: A autoridade administrativa calculou o IRPJ por estimativa, ao passo que a Recorrente optou pela tributação do lucro real neste período, quitando o crédito devido com o valor paga a maior em janeiro. No que concerne ao ano-calendário de 2002, a Recorrente articula as seguintes arguições: Fevereiro: Não foram computados pagamentos discriminados no anexo III, e, tampouco as despesas com swap; Não considerou pagamentos superiores ao devido, mesmo estando reconhecidos pela autoridade administrativa na planilha denominada "DEMONSTRATIVO DIFERENÇAS APURADAS DE IRPJ ESTIMATIVA"; Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 638 8 Maio e outubro: Ao invés de considerar os pagamentos e a compensação realizada, o Fisco preferiu considerar a diferença entre o valor devido e o informado na DCTF original, que posteriormente foi retificada. A Recorrente finaliza o tópico relativo aos erros supostamente cometidos pela autoridade administrativa quando do lançamento de oficio, alegando que em todos os exercícios autuados as estimativas ficaram muito acima do valor devido A. titulo de IRPJ, conforme reconhecido pelo próprio fiscal no "DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS DE IRPJ ESTIMATIVA". Além disso, a Recorrente insurge-se em face do lançamento relativo ao IRPJ concernente ao ano-calendário de 2001, alegando ser indevida a imputação, posto que ao final do exercício restou configurada a inexistência de débito, considerando que os valores retidos e pagos superaram o valor devido. Por fim, defende a aplicação do principio da proporcionalidade na aplicação das sanções impostas, que estariam supostamente afrontando a razoabilidade a ser obedecida pela administração pública. È. o relatório. Chegando a este CARF a anterior turma julgadora entendeu que deveria haver um melhor aprofundamento acerca das apurações do ano-calendário 2002 e converteu o processo em diligência para a conferência das contestações do recorrente. Cumprindo a diligência a fiscalização apresentou Termo de Informação Fiscal às fls. 575/577. Na referida informação a fiscalização entende que as divergências apontadas pelo contribuinte referem-se, em verdade, à não percepção da composição dos valores que seria, parte em pagamentos e parte em retenções na fonte. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Realizaremos a análise do presente recurso a partir dos pontos de discordância apresentados pelo recorrente em seu recurso. Vejamos. DECADÊNCIA: A contribuinte interpôs seu recurso voluntário, no qual sustenta, preliminarmente, pela decadência do direito da Fazenda exigir as Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 639 9 multas isoladas correspondentes ao não recolhimento das estimativas mensais imputadas até o mês de novembro de 1999, tendo em vista que a ciência do lançamento de oficio ocorreu no dia 02/12/2004. Com relação à decadência sustenta a decadência do lançamento em relação às estimativas devidas até o mês de novembro de 1999. A decisão de piso considerou que a decadência somente deveria ser contada de acordo com o tributo a que se refere, no caso da estimativa, assim, considerou que as multas relativas ao ano de 1999, seguindo o prazo de decadência do IRPJ, somente poderiam ser constituídas a partir de janeiro/2000 e, assim, não estariam decaídas. Neste ponto discordo do entendimento da turma julgadora. Os lançamentos de multa isolada por falta de recolhimento por estimativa referem-se ao IRPJ mas podem ser lançados mês a mês a partir do vencimento de cada tributo sem o respectivo pagamento. Ou seja, ao contrário do IRPJ, o lançamento pode ser mensal e, assim, o prazo decadencial deve ser contado mensalmente. Na espécie verifico que houve retenções na fonte e/ou recolhimentos por estimativa em todos os meses do ano de 1999. Assim, para estes períodos o prazo de decadência se conta mediante aplicação da norma do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, o lançamento tem de ser realizado antes de completados cinco anos do recolhimento das estimativas que se considerou insuficientes. Assim, existindo pagamentos em todos os meses de 1999, entendo que restam por decaídos os lançamentos de multas por falta ou insuficiência de pagamento por estimativa dos meses de janeiro a novembro/1999, por terem completados os cinco anos descritos na norma do art. 150, § 4º, do CTN. Pelo exposto, voto por considerar decaídos os lançamentos de multa isolada por falta de recolhimento por estimativa dos períodos de apuração janeiro a novembro de 1999. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DA MULTA ISOLADA APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. No mérito, sustenta a impossibilidade de aplicação da multa isolada por falta de pagamento das estimativas mensais após o encerramento do ano-calendário, uma vez que nas declarações de ajuste anual apresentadas verificou-se a inexistência de tributo a ser recolhido nos exercícios contemplados pelo lançamento de oficio. Com relação a este ponto a alegação do contribuinte é de que o lançamento das multas isoladas não poderia ser realizado após o encerramento do exercício. Não foi objeto de questionamento à época do recurso voluntário, no entanto, tendo em vista que os lançamentos referem-se aos anos de 1999 a 2002, é aplicável o disposto na Súmula CARF nº 105, conforme abaixo indicado. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10140.003469/2004-91 Acórdão n.º 1401-003.011 S1-C4T1 Fl. 640 10 Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101-001.261, de 22/11/2011; 9101-001.203, de 17/10/2011; 9101-001.238, de 21/11/2011; 9101-001.307, de 24/04/2012; 1402-001.217, de 04/10/2012; 1102-00.748, de 09/05/2012; 1803-001.263, de 10/04/2012 A referida súmula, mesmo que publicada em 2014, abrange os fatos geradores ocorridos até 2007. Desta forma, seria incabível a aplicação de multa isolada após o encerramento do exercício, ocasião na qual deve ser lançada a multa de ofício sobre o tributo devido. No presente caso o lançamento foi realizado abrangendo tanto o tributo devido no ajuste do exercício, quanto à multa isolada pelo não pagamento das estimativas. Desta forma, demonstra-se que o lançamento contrariou o disposto na referida súmula, que deve ser aplicada por este colegiado, por ser de observância obrigatória. Desta forma, tendo em vista trata-se a parte recorrida de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa está abrangida pelo texto sumulado, há de se aplicar a referida súmula e, desta forma, determinar-se o cancelamento da autuação em relação aos lançamentos de multas isoladas pela estimativa não paga de IRPJ e CSLL. Neste sentido voto no sentido de dar provimento ao recurso PARCIAL para determinar o cancelamento dos lançamentos de multas isoladas de IRPJ e CSLL pela aplicação da Súmula 105 deste CARF. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722392/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA
Cabível os Embargos Declaratórios quando se constate omissão da decisão embargada.
QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
CUMPRIMENTO DO DECRETO N° 3.724/2001 E DA PORTARIA N° 180/01
Diante da ausência de documentos hábeis, face o descumprimento das intimações realizadas, a solicitação de movimentação bancária do contribuinte foi meio absolutamente adequado e que se demonstrou eficaz.
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA
Eventual descumprimento de regra procedimental, nos termos do que dispõe o RPAF, apenas consistiria em nulidade se acarretasse em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que não aconteceu no caso concreto.
O contribuinte teve oportunidade de exercer amplamente o seu direito de defesa, optando por fazê-lo com alegações genéricas e sem imputar especificamente o lançamento.
Numero da decisão: 1401-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, acolhendo-os para sanar a omissão da decisão recorrida, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. CUMPRIMENTO DO DECRETO N° 3.724/2001 E DA PORTARIA N° 180/01 Diante da ausência de documentos hábeis, face o descumprimento das intimações realizadas, a solicitação de movimentação bancária do contribuinte foi meio absolutamente adequado e que se demonstrou eficaz. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA Eventual descumprimento de regra procedimental, nos termos do que dispõe o RPAF, apenas consistiria em nulidade se acarretasse em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que não aconteceu no caso concreto. O contribuinte teve oportunidade de exercer amplamente o seu direito de defesa, optando por fazêlo com alegações genéricas e sem imputar especificamente o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, acolhendoos para sanar a omissão da decisão recorrida, sem efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 92 /2 01 2- 31 Fl. 1652DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos à decisão do Acórdão de nº 1401002.207 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, por meio do qual o Colegiado, por unanimidade de votos, NEGOU provimento ao recurso voluntário do contribuinte e deu provimento parcial apenas para excluir a responsabilidade da empresa ALCOMETALIC DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO, mantendo a responsabilidade dos demais coobrigados. O Recurso Voluntário, por sua vez, foi interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, bem como "Depósitos Bancários de Origem não Comprovada", relativos às entradas a título de "Liberação Garantida" e "Liquidação de Cobrança". Segundo o Termo de Descrição dos Fatos (fls.1.017/1.050), contra a contribuinte, acima qualificada, “foi lavrado em 05/11/2012, o Auto de Infração, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ (R$ 4.014.358,13), de PIS (R$ 1.115.137,16), de COFINS (R$ 5.146.786,83) e de CSLL (R$ 1.847.275,98), incluídos multa de ofício e isolada e juros de mora calculados até 11/2012. Fundamento legal: 1) IRPJ – fls.1.065/1.066; 2) PIS – fls.1.090; 3) COFINS – fls.1.084, e 4) CSLL – fls.1.078”. O Termo de Constatação e Verificação Fiscal, encerrado em 05/11/2012, constante das fls. 1.016 a 1.051 imputou a responsabilidade solidária, além do Recorrente, a Alcometalic do Brasil Ind. Com. de Condutores Elétricos Ltda., e (Responsável Tributário pela COMTHER COPPER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FIOS LTDA Extinta) José Brasil de Oliveira; Rodrigo Petroni de Oliveira; Thalita Petroni de Oliveira; Marlúcia Santana Santos; José Benedito Lima de Almeida e Josué Martins Dias. A contribuinte tendo ciência do Auto de Infração (08/11/2012 – fls. 1.113) e, sentindose inconformada, dele recorreu a esta DRJ com as Impugnações Administrativas de Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 19515.722392/201231 Acórdão n.º 1401003.112 S1C4T1 Fl. 1.653 3 fls.1.134/1.156, 1.207/ 1.227 e 1.236/1.261 em 10/12/2012, com as alegações resumidas a seguir. 1. Houve quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, em razão da ausência de resposta das empresas e das pessoas físicas arroladas como responsáveis acerca das intimações fiscais para prestação de informações; 2. A fiscalização sucumbiu em ilegalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em caso análogo ao dos autos acarretando nulidade absoluta do auto de infração agora combatido; 3. A autoridade fazendária teria um iter procedimental a seguir quando tiver de quebrar o sigilo do cidadão, não havendo espaço aqui para voluntarismos ou aventuras, e muito menos para atuação discricionária, mas procedimentos que devem ser seguidos com vinculação estrita aos termos das normas que regem a matéria; 4. Observando a documentação acostada, podemos afirmar que a fiscalização descumpriu totalmente os ditames do Decreto 3.724/2001 e da Portaria 180/01 (SRF); 5. No presente caso, não há que se falar em configuração dos requisitos do art. 173, não houve dolo, fraude, simulação. Tal conclusão é única e exclusiva do fiscal em seu particular, por sua íntima convicção, não encontrando arrimo em provas idôneas; 6. Por tal razão, aplicável ao caso, o art. 150, parágrafo quarto, do Código Tributário Nacional, que prescreve que o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados a partir da data do fato gerador; 7. A competência para imputar a responsabilidade a terceiro e redirecionar a cobrança que deve se dar através da Execução Fiscal é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional; 8. O impugnante (DANIEL CORSI DE SOUZA) não era à época dos fatos geradores colaborador da empresa dissolvida, tendo vindo a integrála apenas em 2009, anos após a ocorrência das supostas movimentações que não foram informadas ao fisco; 9. O simples fato de deixar o contribuinte de recolher tributo não configura por si só infração à lei, a ensejar aplicação do art. 135 do CTN; 10. Raciocínio contrário é completamente equivocado não há de falar em dolo, fraude ou simulação, para o agravamento da multa nos termos do inciso I do art. 959 do RIR/99, tendo sido tomada como parâmetro a multa de 150% ao invés daquela de 75%; Fl. 1654DF CARF MF 4 11. O impugnante (JOSÉ BRASIL DE OLIVEIRA) era apenas procurador, nomeado e constituído por instrumento público pelo prazo de 02 anos a partir de 20 de julho de 2005. O só fato de ser procurador dos sócios da empresa para fins de cláusula "ad negotia", não configura por si só a sua responsabilidade por eventuais irregularidades cometidas na empresa, uma vez que outra era a sócia gerente da empresa, quem tinha conforme o contrato social, poderes para tal; 12. No termo de constatação e verificação fiscal que essa configuração de grupo econômico (grupo econômico entre a impugnante e a extinta empresa COMTHER COPPER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FIOS LTDA, CNPJ 05.434.992/000189) se deu por terem os sócios da ALCOMETALIC, Sr. Rodrigo Petroni de Oliveira e Sra. Thalita Petroni de Oliveira exercido um suposto papel de administrador de fato da COMTHER COPPER; 13. O Sr. Rodrigo Petroni de Oliveira foi admitido como sócio e administrador da empresa COMTHER em 07/03/2003 e a Sra. Thalita Petroni de Oliveira em julho de 2005, tendo ambos deixado a sociedade em 27/09/2006, em razão da constituição e administração da sociedade ALCOMETALIC DO BRASIL IND. COM. DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA; 14. Mesmo que se tratasse aqui de grupo econômico, esse fato isolado não caracterizaria a solidariedade passiva no âmbito fiscal; 15. Os impugnantes RODRIGO PETRONI DE OLIVEIRA E THALITA PETRONI DE OLIVEIRA, não eram à época dos fatos geradores sócios administradores da empresa dissolvida, por terem deixado a administração da sociedade em 27/09/2006. O Acórdão ora Recorrido (1648.860 2 ª Turma da DRJ/SP1) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir de 1997, caracteriza omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação, aos quais, o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 19515.722392/201231 Acórdão n.º 1401003.112 S1C4T1 Fl. 1.654 5 Crédito Tributário Mantido. Em 02/08/2013 – o contribuinte Daniel Corsi de Souza, cientificado da decisão de primeira instância, AR constante das fls. 1.462, apresenta Recurso voluntário em 29/08/2013, constante das fls. 1.464 a 1.501, objetivando a reforma do julgado, reiterando os argumentos da peça impugnativa, mas sem acrescentar novos argumentos. Às. fls. 1588/ 1595 dos autos – Conversão do julgamento em diligência para que “o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo – SP ateste da data de envio e recepção da decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo1SP, consubstanciada no Acórdão nº 1648.860 para os responsáveis solidários Alcometalic do Brasil Ind. Com. De Condutores Elétricos Ltda., Rodrigo Petroni de Oliveira, Thalita Petroni de Oliveira e José Brasil de Oliveira, devendo, ato continuo o processo retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento”. Às fls. 1607/ Acordão nº 1401002.207 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, no qual deu provimento ao Recurso Voluntário interposto por “ALCOMETALIC DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO” para excluir a sua responsabilidade tributária, e negar provimentos quanto aos demais aspectos relativos aos Recursos Voluntários interpostos pelos outros coobrigados, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tendo o contribuinte sido regularmente intimado para identificar a origem de depósitos bancários realizados à margem da escrituração, é licito tributar os valores não adequadamente justificados como omissão de receita. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O fato de esta empresa pertencer a um mesmo grupo econômico da autuada, com mesmos sócios e administradores, não enseja a imputação de responsabilidade. Tal fato é comum no meio empresarial com cada entidade e responder pelos seus próprios tributos. Também não se caracterizou interesse comum entre as duas e nem qualquer tido de confusão patrimonial, pois transferências bancárias entre as empresas, por si só, não dão azo a essa conclusão, assim como endereços próximos da empresa contribuinte e daquela a que se atribuiu a responsabilidade. Ciente da decisão do Acórdão, os Contribuintes opõem Embargos de declaração (fls.1624/1628 DANIEL CORSI DE SOUZA) – (fls. 1629/1633 JOSÉ BRASIL DE OLIVEIRA) e (fls. 1634/1638 RODRIGO PETRONI DE OLIVEIRA e THALITA PETRONI DE OLIVEIRA), respectivamente, trazendo as seguintes razões: Fl. 1656DF CARF MF 6 1. DA OMISSÃO QUANTO À ALEGAÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DO PROCEDIMENTO PREVISTO PARA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Afirma que “em suas razões recursais, o EMBARGANTE sustentou dois argumentos quanto à quebra de sigilo bancária realizada em sede de fiscalização: a) a medida seria ilegal, porquanto ausente a devida autorização judicial; b) a fiscalização teria descumprido os ditames do Decreto n° 3.724/2001 e da Portaria n° 180/01 (SRF), que regulamentam o procedimento de quebra do sigilo fiscal. Muito embora o primeiro argumento tenha sido analisado pelo acórdão recorrido, não se pode dizer o mesmo quanto ao segundo, pois a decisão embargada não se pronunciou quanto à matéria”. 2. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO QUANDO DO ENFRENTAMENTO DO ARGUMENTO RELATIVO À DECADÊNCIA. DA INAPLICABILIDADE DO ART 170, I, DO CTN: Diz que “ também foi omisso o acórdão recorrido no tocante ao argumento de decadência dos créditos tributários em cobrança, tendo em vista que a decisão apenas tangenciou o tema, faltando, portanto, com dever de motivação substancial. Isso porque não é só a ausência de motivação que implica omissão no julgado, a insuficiência na fundamentação também incorre no mesmo vício”. 3. DA OMISSÃO QUANTO AO ARGUMENTO DE IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA: Aduz que “não houve a indicação de ato fraudulento com a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador, tampouco foi apontado o nexo de causalidade entre a suposta conduta dos sujeitos e a omissão de receitas imputada, pelo que resta caracterizada a deficiência de fundamentação, o que importa em omissão do julgado”. 4. DA OMISSÃO E DA OBSCURIDADE QUANTO À ALEGAÇÃO DE QUE O EMBARGANTE NÃO ERA SÓCIO ADMINISTRADOR DA EMPRESA À ÉPOCA DO FATO GERADOR DOS TRIBUTOS EM COBRANÇA: Diz que “há de se ressaltar que não foi analisada expressamente a circunstância deduzida no Recurso Voluntário de que o EMBARGANTE não era sócio administrador da COMTHER COPPER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FIOS LTDA a época dos fatos geradores (referentes ao ano de 2007), tendo vindo a integrála apenas em 2009, anos após a ocorrência das supostas movimentações que não foram informadas ao Fisco”. 5. Requereram o acolhimento e provimento dos embargos opostos. Às fls. 1640/ 1650 dos autos EXAME DE ADMISSIBILIDADE DE EMBARGOS DECLARATÓRIOS, ADMITINDO PARCIALMENTE os presentes embargos opostos pelo responsável solidário (Daniel Corsi de Souza), mas apenas em relação ao primeiro tópico e REJEITANDO, em caráter definitivo, os demais vícios apontados. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 19515.722392/201231 Acórdão n.º 1401003.112 S1C4T1 Fl. 1.655 7 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator As refer~encias se referem a folhas do eprocesso. Tratase de embargos declaratórios opostos pelo responsável tributário em epígrafe, em face do Acórdão nº 1401002.207 (efls. 1.607 e ss.), onde através do exame de admissibilidade de fls 1650 a 1650 o admitiu parcialmente. O objeto de análise dos presentes embargos limitase à análise da omissão em relação a argumento específico de nulidade do procedimento em face do descumprimento específico dos ditames do Decreto n° 3.724/2001 e da Portaria n° 180/01 (SRF). De fato, a Recorrente apresentou tal argumentação em sede de impugnação e a repetiu em recurso, tanto assim que foi objeto do relatório do acórdão embargado: • A autoridade fazendária teria um iter procedimental a seguir quando tiver de quebrar o sigilo do cidadão, não havendo espaço aqui para voluntarismos ou aventuras, e muito menos para atuação discricionária, mas procedimentos que devem ser seguidos com vinculação estrita aos termos das normas que regem a matéria; • Observando a documentação acostada, podemos afirmar que a fiscalização descumpriu totalmente os ditames do Decreto 3.724/2001 e da Portaria 180/01 (SRF); Entretanto, em seu voto, como bem analisado no despacho de admissibilidade, o nobre colega Relator não enfrentou diretamente tal argumento, que se constitui em argumento autônomo. Entretanto, entendo que tal argumento não socorre o Embargante. A solicitação de emissão de RMF, conforme inciso VII, do art. 3º do Decreto 3.724/2001, embasada no art. 33, I, da Lei 9.430/96: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: Fl. 1658DF CARF MF 8 I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966;(grifei) O art. 2 da Portaria 180/02, vigente à época do lançamento, também seguia na mesma linha. No caso concreto, ficou absolutamente comprovado pela autoridade fiscal a necessidade da requisição de informações financeiras como única forma de prosseguir na fiscalização, senão vejamos o relato do procedimento fiscal constante do TVF: Ainda que o contribuinte não tenha sido localizado no endereço cadastral e ao mesmo tempo sido constatado, por meio da Ficha Cadastral da JUCESP, a dissolução e extinção da empresa COMTHER COPPER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FIOS LTDA; o fato de constar junto à Receita Federal do Brasil que a empresa tem como situação cadastral a informação de "ativa" e como endereço a Rua Soldado Eurípedes Rodrigues de Lima, 110, Parque Novo Mundo, São Paulo/SP, determinou a tentativa de cientificar a pessoa jurídica por via postal, mediante Aviso de Recebimento (AR), de todos os atos praticados pela fiscalização pertinentes ao MPF 08.1.90.002011034628 até o momento da solicitação da baixa de ofício do contribuinte pessoa jurídica, ainda que invariavelmente todas as correspondências enviadas para o citado endereço cadastral tenham sido devolvidas pelo correio com a informação de "mudouse". Neste sentido, o início da fiscalização da empresa COMTHER COPPER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FIOS LTDA somente teve a formalização efetivada em 27/12/2011, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização por Edital, justamente pelo fato de esgotadas as outras possibilidades previstas pelo artigo 23 do Decreto N° 70235 de 06 de março de 1972 para a ciência da mesma. Por outro lado, identificados os últimos sócios da empresa Sr. Josué Martins Dias, CPF 299.567.89895 e Sr. Daniel Corsi de Souza, CPF 293.534.61812, enviou se para ambos o Termo de Início de Fiscalização relativo à empresa COMTHER COPPER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FIOS LTDA, sendo que em 10 de janeiro de 2012 o sócio Daniel Corsi de Souza foi cientificado do início da fiscalização assim como da intimação nele contida no sentido de apresentar os Livros Contábeis, Fiscais e extratos de movimentação de conta corrente da empresa, todos do ano de 2007, por via postal com Aviso de Recebimento (AR). Ainda no mesmo Termo de Início de Fiscalização constou a intimação para que, se fosse o caso, reescriturasse a contabilidade. No caso do Sr. Josué Martins Dias a correspondência foi devolvida pelo correio com a informação de "desconhecido", tendo então sido cientificado do início da ação fiscal e da intimação nele contida no sentido de apresentar os Livros Contábeis, Fiscais e extratos de movimentação de conta corrente da empresa, todos do ano de 2007, em 14 de fevereiro de 2012 por meio de Edital. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 19515.722392/201231 Acórdão n.º 1401003.112 S1C4T1 Fl. 1.656 9 À semelhança do procedimento adotado para o contribuinte pessoa jurídica COMTHER COPPER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FIOS LTDA, o fato do sócio Josué Martins Dias, CPF 299.567.89895, não ter sido encontrado no endereço cadastral da Receita Federal também determinou a tentativa de cientificar a pessoa física por via postal, mediante Aviso de Recebimento (AR), dos atos posteriores praticados pela fiscalização pertinentes ao referido sócio e ao MPF 08.1.90.002011034628, ainda que as respectivas correspondências enviadas para o citado endereço cadastral tenham sido também devolvidas pelo correio com a informação de "desconhecido". Em continuidade à ação fiscal e tendo em vista que o sócio Daniel Corsi Neto, CPF 293.534.61812, não atendeu a intimação contida no Termo de Início de Fiscalização, o mesmo foi novamente intimado em 14 de fevereiro de 2012, com ciência em 17 de fevereiro de 2012, a apresentar os elementos solicitados no referido Termo de Início, ou seja, Livros Contábeis, Fiscais, ou sua reescrituração, e extratos de movimentação de conta corrente da empresa do ano de 2007. Considerandose o não atendimento de qualquer uma das intimações fiscais acima mencionadas, foram emitidos Termos de Embaraço à Fiscalização para o contribuinte pessoa jurídica e para os respectivos sócios, conforme especificações do quadro abaixo: Assim, restou absolutamente claro que o agente fiscal esgotou suas tentativas de obtenção da documentação contábil e fiscal da fiscalizada, não havendo outro meio senão a requisição de informações a instituições bancárias. Ademais, ressaltese, que nem em sede de impugnação e recurso tal documentação foi trazida pelos autuados, e o procedimento adotado pela fiscalização tanto foi necessário como resultou na constatação de infrações à legislação tributária, e em um lançamento de crédito tributário que atualmente se aproxima dos 20 milhões de reais. Diante da ausência de documentos hábeis, face o descumprimento das intimações realizadas, a solicitação de movimentação bancária do contribuinte foi meio absolutamente adequado e que se demonstrou eficaz. Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Desta forma, eventual descumprimento de regra procedimental, nos termos do que dispõe o RPAF, apenas consistiria em nulidade se acarretasse em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que não aconteceu no caso concreto. Fl. 1660DF CARF MF 10 De fato, o contribuinte teve oportunidade de exercer amplamente o seu direito de defesa, optando por fazêlo com alegações genéricas e sem impugnar especificamente o lançamento. Desta feita, mesmo acolhendo os embargos o resultado da decisão é o mesmo. Assim, face a tudo o quando exposto, conheço dos Embargos e o acolho para sanar a omissão, sem efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1661DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730919/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É dever do contribuinte informar à fiscalização os rendimentos tributáveis. Havendo omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual o lançamento deve ser realizado de ofício.
ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-005.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É dever do contribuinte informar à fiscalização os rendimentos tributáveis. Havendo omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual o lançamento deve ser realizado de ofício. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente em exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 09 19 /2 01 2- 70 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 15504.730919/201270 Acórdão n.º 2301005.778 S2C3T1 Fl. 418 2 de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por AMERICO BARROSO MASSOTE, contra o Acórdão de julgamento (efls. 78, e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada. O Acórdão recorrido descreve o seguinte: "Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2011, na qual foram apurados os seguintes valores (em Reais): (1) Imposto a Pagar apurado na Declaração R$ 1.875,61. (2) Imposto a pagar apurado após alteração R$ 22.508.08 (3) imposto suplementar R$ 20.632,47. O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo titular e/ou dependente(s). Valor:.76.552,83 Fonte Pagadora: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Complementação dos Fatos: Não foram apresentados comprovantes tais como notas fiscais de serviços, notas de empenho, termo de compromisso, contrato de prestação de serviços, etc. que comprovem a prestação de serviços e que os valores estejam declarados em livro caixa. O valor recebido de pessoa jurídica deveria estar declarado no campo adequado. A previdência oficial sobre os rendimentos omitidos foi de R$1.525,64. Não houve IRRF sobre a infração. Não houve retenção de imposto na fonte (IRRF) sobre os rendimentos. O enquadramento legal do lançamento encontrase na referida Notificação. O sujeito passivo teve ciência do lançamento em 25/10/2012, conforme documento de fl. 63 e, em 20/11/2012, apresentou impugnação, em petição de fl. 02, alegando, resumidamente, o que se segue: que não houve omissão de rendimentos, pois os rendimentos lançados pela fiscalização, foram declarados juntamente com os rendimentos recebidos de pessoa física. que não recebeu o comprovante de Rendimentos da CEF, e somente tomou conhecimento do fato por meio da notificação de lançamento. Para comprovar o alegado, apresentou extratos de contas de poupança,(fls. 1259) mantida no Banco Real, em conjunta com Agnes G Massote, onde comprova o recebimento da quantia de R$ 76.556,83, Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15504.730919/201270 Acórdão n.º 2301005.778 S2C3T1 Fl. 419 3 pagos pela Caixa Econômica Federal, por meio de TED e o respectivo comprovante de rendimentos (fls. 60). Sustenta que os serviços foram prestados a pessoas físicas e que CEF foi apenas o agente arrecadador e repassador dos valores. Que agiu de boa fé e que não omitiu rendimentos". Em seu recurso, alega de forma resumida que, teria recolhido o imposto quando da constatação da movimentação dos valores descritos em livro caixa, e que ao ser novamente pelos rendimentos da pessoa jurídica seria duplamente penalizado. Cita outro precedente próprio que teve situação semelhante a dos autos e que teve reconhecido o seu pedido, cancelandose a exigência fiscal. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo titular e/ou dependente(s) no Valor R$76.552,83, pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal, a DRJ de origem decidiu pelo seguinte: "Não foram apresentados comprovantes tais como notas fiscais de serviços, notas de empenho, termo de compromisso, contrato de prestação de serviços, etc. que comprovem a prestação de serviços e que os valores estejam declarados em livro caixa. O valor recebido de pessoa jurídica deveria estar declarado no campo adequado. Dentre os documentos apresentados pela impugnantes está o comprovante de rendimentos emitidos pela Pessoa Jurídica e os extratos de poupança mantida na CEF, com os valores ali depositados, nos quais o contribuinte se sustenta para requerer a anulação do lançamento. Como se verifica na declaração, a maior parte dos rendimentos declarado do impugnante são oriundos de pagamentos efetuados por pessoa física, os quais alcançaram no ano em apreço, o valor de 599.402,93 e foram também deduzidas despesas com livro caixa no valor de 458.664,83. Também consta recolhimento do carnê leão. No caso, as alegações do contribuinte poderiam ser comprovadas com a apresentação tempestiva do Livro Caixa, contendo histórico que indicasse com precisão e clareza a natureza das receitas, o seu valor, data de recebimento e que permitisse a sua associação com os depósitos efetuados pela caixa econômica em sua conta de poupança. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 15504.730919/201270 Acórdão n.º 2301005.778 S2C3T1 Fl. 420 4 Entretanto, as provas apresentadas se restringiram a extratos bancários que não convergiram para um encadeamento lógico dos fatos que levassem ao convencimento deste julgador. Os extratos bancários dissociado da escrituração em livro caixa, não se prestam a comprovar que na composição das receitas lançadas mês a mês na declaração do IRPF já estivessem computados os lançamentos lançados pelo fisco. " Nesse ponto, aduz o recorrente o seguinte: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15504.730919/201270 Acórdão n.º 2301005.778 S2C3T1 Fl. 421 5 Porém, os novos documentos apresentados em seu recurso não possui registro contábil adequado, não havendo escrituração contábil, e também não trouxe prova robusta do seu direito, com documentos idôneos. A lista com os nomes apresentados (efl 100 e seguintes) deveriam estar escrituradas em livro caixa, ou em procedimento contábil adequado, em especial pela natureza da prestação de serviços do recorrente (serviços notariais e cartorários), e não podem ser apreciadas como provas com informações ilibadas e idôneas, a serem consideradas para deferimento do seu pleito. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei". Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Assim, deve ser indeferido o pedido do recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO, mantendose a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 332DF CARF MF Processo nº 15504.730919/201270 Acórdão n.º 2301005.778 S2C3T1 Fl. 422 6 Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901570/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/03/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.561
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 31/03/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 70 /2 01 3- 04 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10280.901570/201304 Acórdão n.º 3401005.561 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 1462.290. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10280.901570/201304 Acórdão n.º 3401005.561 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10280.901570/201304 Acórdão n.º 3401005.561 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10280.901570/201304 Acórdão n.º 3401005.561 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10280.901570/201304 Acórdão n.º 3401005.561 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10280.901570/201304 Acórdão n.º 3401005.561 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.903580/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/11/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 35 80 /2 01 1- 71 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10675.903580/201171 Acórdão n.º 3401005.540 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada por inexistência de crédito disponível para a compensação pretendida, conforme informação constante do Despacho Decisório. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade onde sustentou o direito ao crédito, alegando mero erro no preenchimento da DCTF. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 14052.043, em que se decidiu, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.533, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10675.902622/201237, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.533): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10675.903580/201171 Acórdão n.º 3401005.540 S3C4T1 Fl. 4 3 Para iniciar o exame da controvérsia é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. A contribuinte, não obstante, defende a existência de seus créditos, alegando que refez os cálculos de apuração para computar exclusões a título de receitas isentas ou sujeitas a alíquota zero. Pelo que se depreende de sua Manifestação de Inconformidade, tais exclusões estariam baseadas na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002. A Lei nº 10.485, de 2002, traz as seguintes hipóteses de exclusão da base de cálculo e tributação à alíquota zero à época dos fatos: Art. 2° Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata aLei no Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10675.903580/201171 Acórdão n.º 3401005.540 S3C4T1 Fl. 5 4 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. ... § 2° Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. ... Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere oart. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (destaques acrescidos) Segundo a Manifestação de Inconformidade e o Contrato Social vigente à época, a contribuinte tem por objetos social: a) o comércio de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas e respectivas peças, sob forma de concessão comercial prevista pela Lei 6729 de 28 de novembro de 1979; b) atividade auxiliar e dependente de concessão comercial de que trata a letra ‘a’ anterior a prestação serviços de assistência técnica aos produtos objeto da concessão comercial; c) o comércio de veículos, motores, máquinas, equipamentos, peças e acessórios; d) o comércio de combustíveis e lubrificantes; e) o comércio de produtos ligados à agropecuária; f) a importação e a exportação dos produtos mencionados nas letras anteriores. Embora as atividades apontadas no objeto declarado no Contrato Social sejam correlatas àquelas visadas na legislação, a pretensão da contribuinte esbarra na falta de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10675.903580/201171 Acórdão n.º 3401005.540 S3C4T1 Fl. 6 5 documentação contábilfiscal que dê suporte ao denominado “Relatório de Vendas Monofásicas – Período de Apuração Julho 2003”, trazido aos autos a título de prova dos argumentos. Da forma como posta, é preciso fixar que a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de “onus probandi” não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. No universo da compensação tributária, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Portanto, a prova da liquidez e certeza do crédito, requisitos essenciais para o seu reconhecimento, cabe à interessada. No caso, caberia a prova, por meio de documentação contábilfiscal hábil, de que as vendas contidas no Relatório de Vendas Monofásicas efetivamente ocorreram e que o faturamento correspondente foi levado à apuração daquele período. A partir tão somente do relatório produzido pela contribuinte, é impossível a comprovação de que as vendas aconteceram e de que envolveram aqueles bens. Os benefícios conferidos pela legislação citada são restritos a alguns bens e produtos, cuja receita deve ser tributada a alíquota nula ou excluída da base. Para que se reconheça à contribuinte a existência de pagamento indevido ou a maior, é preciso que esteja provado o efetivo auferimento de receitas alcançadas pelo benefício fiscal, o que somente é possível a partir da documentação contábil e fiscal correspondente. No caso, tal documentação não foi trazida aos autos, pelo que o Relatório apresentado carece de sustentação. Como se pode ver, o panorama que se desenha para análise, limitandose ao universo das declarações e atos da contribuinte perante a Administração Tributária, revelase inconclusivo. Com efeito, enquanto o pagamento e a DCTF original afirmam ser um o valor do tributo apurado, a contribuinte apresenta um relatório tentando provar que outro seria seu débito para com a Fazenda. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10675.903580/201171 Acórdão n.º 3401005.540 S3C4T1 Fl. 7 6 Não é de somenos importância, no caso, o fato de que a alegada revisão dos cálculos teria acontecido aproximadamente quatro anos após a apuração original. Como visto, há uma inconsistência nos documentos trazidos aos autos, inconsistência essa que somente o recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia resolver. No entanto, tal elemento de prova não foi juntado pela interessada, razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral do crédito pleiteado, mantendose incólume o Despacho Decisório" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10675.903580/201171 Acórdão n.º 3401005.540 S3C4T1 Fl. 8 7 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 144DF CARF MF
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