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Numero do processo: 16327.000620/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente, Dra. Alessandra Cher - OAB SP 127566.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente, Dra. Alessandra Cher - OAB SP 127566. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente, Dra. Alessandra Cher OAB SP 127566. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1630.401 (fl. 201), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação ao Auto de Infração de fls. 29/79. Em decorrência de revisão sumária da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, correspondente ao 1º, 2°, 3º e 4º trimestre do ano calendário de 2004, a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 62 0/ 20 07 -8 1 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16327.000620/200781 Resolução nº 2101000.114 S2C1T1 Fl. 238 2 autuada foi notificada a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.090.215,53, sendo R$ 1.090.071,82 a título de multa paga a menor c R$ 143,71 a título de juros pagos a menor ou não pagos (fls. 29 e 30). Conforme demonstrativos de fls. 31 a 76, foram localizados pagamentos efetuados após o vencimento legal da obrigação, com falta ou insuficiência dos acréscimos moratórios. Em sua defesa, a interessada alegou que: que a parcela exigida a título de juros de mora não procede, visto que, conforme cópia dos DARF(s) que anexa o valor devido foi pago; que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau excluiu do lançamento a exigência dos juros de mora, pagos regularmente pela autuada, mas alocados de forma indevida pelo processamento da Receita Federal do Brasil como multa de mora (fls. 71, 72, 188 e 191), resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DCTF. REVISÃO INTERNA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. JUROS. Diante da comprovação de que o pagamento dos juros dc mora foi efetivado, não há que subsistir o lançamento fundado na inexistência do recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF (fls. 211/224) a recorrente aduz que, antes do início de qualquer ação fiscal, o tributo devido foi primeiramente recolhido fora de seu vencimento legal, com acréscimo de juros moratórios e, somente após, foi declarado em DCTF, sendo totalmente descabida a exigência de multa moratória por ser típico caso de denúncia espontânea, nos termos da Súmula nº 360 do STJ. SUMULA N° 360 — O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a des tempo." (DJ 08/09/2008) Contrario sensu, argumenta que, se o contribuinte não houver declarado o tributo que está sendo recolhido mediante denúncia espontânea, como ocorre no caso, estará Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16327.000620/200781 Resolução nº 2101000.114 S2C1T1 Fl. 239 3 configurado aquele instituto, conforme também pacificado pela E. 1ª Seção do C. Superior Tribunal de Justiça, em acórdão unânime proferido nos autos de Recurso Especial Representativo de Controvérsia, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil (RESP 1.149.022SP, DJ: 24/06/2010, relator Ministro Luiz Fux). Elaborou quadro demonstrativo no qual informa a data dos recolhimentos e a data da declaração das respectivas DCTF’s, para evidenciar que os valores apontados no lançamento foram recolhidos no decorrer do ano de 2004 – após o vencimento, com os acréscimos dos juros de mora – antes do início de qualquer ação fiscal e antes da apresentação da respectiva DCTF, original ou retificadora, caracterizando uma verdadeira confissão de dívida, nos moldes do artigo 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A exigência da multa de mora em litígio originouse da realização de auditoria interna nas DCTF’s do anocalendário de 2004. Constatouse que o pagamento de IRRF em atraso, com juros de mora, mas sem o acréscimo da multa moratória. Tanto a jurisprudência administrativa como a judicial é pacífica no sentido de que o recolhimento efetuado a destempo, mas antes do início do procedimento de fiscalização ou da declaração do débito em DCTF, tem o benefício da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN. De fato, nos termos da decisão do STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP (relator Ministro Luiz Fux, DJE de 24/06/2010), processado como recurso repetitivo e, portanto, de observância obrigatória pelo CARF, por força do artigo 62A do seu Regimento Interno, a denúncia espontânea resta caracterizada como verdadeira confissão de dívida, com a conseqüente exclusão da multa moratória, quando há o recolhimento do tributo devido em momento anterior ou concomitante à declaração da dívida. A esse respeito, o voto condutor da decisão a quo se manifestou nos seguintes termos: No tocante à alegação de que os recolhimentos foram integralmente praticados de maneira espontânea, o que afastaria a incidência das penalidades, cumpre destacar que se tratam de valores declarados e pagos em atraso e, portanto, de mero adimplemento intempestivo das obrigações. E, nesse caso, não se aplicam os efeitos da espontaneidade referidos no art. 138, que se dirige apenas à confissão espontânea de infrações à legislação tributária desconhecidas do Fisco. Por outro lado, em sede de recurso voluntário a defesa elaborou o demonstrativo à fl. 220 (224 do PDF) onde postula que os recolhimentos foram efetuados após o vencimento, mas antes da apresentação da DCTF original ou retificadora, razão pela qual aplicase ao caso a norma do artigo 138 do CTN. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16327.000620/200781 Resolução nº 2101000.114 S2C1T1 Fl. 240 4 Em que pese as evidências em favor da recorrente, entendo que somente a partir da análise das alterações promovidas através das DCTF’s retificadoras, em relação ao declarado na DCTF anterior, é possível confirmar se os recolhimentos de fato precederam a retificadora ou se eles se referem a débitos já declarados, conforme asseverou a decisão recorrida. Em face ao exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição fiscal de origem, para que informe nos autos – diante dos elementos de prova que nele constam e informações nos sistemas da SRFB relacionadas às declarações originais e retificadoras, se os pagamentos em atraso indicados no auto de infração ocorreram antes da apresentação da respectiva DCTF, original ou retificadora. Se necessário, poderá a autoridade administrativa solicitar da contribuinte os elementos de prova que entender necessários à comprovação dos pagamentos em momento anterior à apresentação das DCTF’s. Se o resultado da diligência não corresponder às informações indicadas no demonstrativo à fl. 220, a contribuinte deve ser intimada para se manifestar no prazo de trinta dias. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003641/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Ementa:DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Acatamse
as deduções quando comprovadas por documentação hábil
apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa:DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.003641/200718 Acórdão n.º 210202.134 S2C1T2 Fl. 2 2 Relatório Contra JUCIMAR BRASIL DE OLIVEIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 06/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2002, exercício 2003, no valor total de R$ 4.768,00, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até março de 2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para cancelar a infração de dedução indevida de despesas médicas. (Acórdão DRJ/BSB nº 0333.075, de 03/09/2009, fls. 34/38). Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/10/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 42, o contribuinte apresentou, em 28/10/2009, recurso voluntário, fls. 43/44, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: 1 – PRELIMINAR A dedução do valor da Pensão Alimentícia é LEGAL, pois cumpre determinação da sentença do Juízo da 3ª Vara de Família de Niterói, RJ, transitado em julgado, comprovado pelo termo de Audiência do Processo n° 10107/9653, cod. 223/204, que determinou o desconto de 33% em folha de pagamento de meus ganhos líquidos, junto ao Ministério da Aeronáutica, ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Castrol Brasil Ltda, para o percentual acordado. 2 MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Seguem, em anexo, cópias do Termo de Audiência, já que o documento Comprovante de Rendimentos pagos a título de Pensão Alimentícia, no Ano Base de 2003, ano calendário 2002 emitido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, já foi apresentado no recurso. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.003641/200718 Acórdão n.º 210202.134 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A lide que ora se examina restringese tãosomente à infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 5.570,00. O contribuinte havia pleiteado em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, dedução de despesa com pensão alimentícia judicial, no valor total de R$ 24.240,32. Logo, a glosa foi parcial. Acolheuse a dedução de R$ 18.670,32, que fora descontada dos rendimentos recebidos pelo contribuinte do Comando da Aeronáutica e glosouse a quantia de R$ 5.570,00, que fora descontada dos rendimentos recebidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A decisão recorrida manteve o lançamento, sob a alegação de que o contribuinte deixou de juntar aos autos a decisão judicial que determinou o pagamento da pensão alimentícia. Por seu turno, o contribuinte quando da apresentação do recurso apresentou cópia da homologação do acordo judicial, fls. 45, donde inferese que a pensão determinada em juízo é de 33% dos ganhos líquidos recebidos da Aeronáutica, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Castrol. Ressaltese que consta também dos autos Comprovante de Rendimentos Pagos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, fls. 05, onde verificase o desconto de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 5.570,00. Logo, devese cancelar a infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.003641/200718 Acórdão n.º 210202.134 S2C1T2 Fl. 4 4 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 19515.003382/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.268
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos recursos voluntário e de ofício em diligência, nos termos do voto do relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Fábia Regina Freitas, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento dos recursos voluntário e de ofício em diligência, nos termos do voto do relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Corintho Oliveira Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Fábia Regina Freitas, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 38 2/ 20 09 -0 6 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.003382/200906 Resolução nº 3101000.268 S3C1T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como parte de meu relato, o quanto reportado pelo decisum a quo: Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 3640 e 4548), lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 26.08.2009 (fls. 37 e 46), relativos aos lançamentos de: i) multas isoladas decorrente de autuação anterior de COFINS e PIS sem as devidas multas de ofício (períodos de apuração de 02.2003 a 01.2004), constituindo crédito tributário no valor total de, respectivamente, R$ 4.094.469,66 e R$ 898.835,61, com enquadramento legal exposto às fls. 38, 39 e 48; ii)diferenças de COFINS não lançados em autuação anterior, dos períodos de apuração de 05.2003 e 01.2004, constituindo crédito tributário no valor de R$ 2.070.288,56, incluindose tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 31.07.2009, com enquadramento legal exposto às fls. 33 e 38. 6. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 27 a 31) a autoridade fiscal autuante informa, em síntese, que : i) A Ação Fiscal tem como origem diligência de fls. 24/25 solicitada pela 9ª Turma da DRJ/SP1 para informação no processo n° 19515.001523/200867, pertinente a Auto de Infração, lavrado em 13.05.2008, referente ao PIS, períodos de apuração de 01.2003, 02.2003, e 07.2003 a 01.2004, e a COFINS, períodos de apuração de 02.2003 a 01.2004, sem lançamento da Multa de Oficio; ii) Em 09.10.2008 foi elaborado "Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos", com ciência do contribuinte nesta mesma data, solicitando Certidão de Objeto e Pé, referente aos Recursos Especial e Extraordinário, que aguardam pronunciamento do TRF da 5º Região (Mandado de Segurança 81990 – PE 2001.83.00.0143228/02). O contribuinte atendeu a intimação apresentado Certidões de Objeto e Pé da ação judicial; iii) De fato, pelo exame do Mandado de Segurança, e demais peças judiciais, constatase que à época da lavratura dos Autos de Infração não existia amparo legal para a suspensão da exigibilidade da multa de oficio. Os Autos foram lavrados em 13.05.2008, sendo que em 18.03.2008 foi proferido Acórdão pelo TRF da 5ª Região dando provimento aos Embargos de Declaração, com efeitos modificativos, no sentido de negar provimento à apelação. Os Recursos Especial e Extraordinário impetrados pela empresa ainda se encontram na fase de exame de admissibilidade pelo TRF. Desta forma deverá ser efetuado o lançamento correspondente a Multa de Oficio, não considerada quando da lavratura dos Autos de Infração, nos montantes de R$ 898.835,61 para o PIS, e R$ 4.094.469,66 para a COFINS; iv) Quanto as divergências de valores nos períodos de apuração 05.2003 e 01.2004, relativas a COFINS, aqueles constantes do Termo Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.003382/200906 Resolução nº 3101000.268 S3C1T1 Fl. 4 3 de Verificação e Constatação Fiscal, de 13.05.2008, fls. 147/149, do processo n° 19515.001523/200867, são os corretos, tendo havido incorreção quando da confecção do Auto de Infração que considerou valores a menor. Assim cabe lançamento das diferenças apuradas de R$ 345.800,00 para o PA de 05.2003 e R$ 470.000,00 para o PA de 01.2004, conforme demonstrativo de fls. 29. 7. Inconformada com os lançamentos, a interessada interpôs impugnação em 18.09.2009 (fls. 52 a 69), acompanhada de documentos de fls. 70 a 82, onde alega o que se segue: A impugnante deve ser excluída do pólo passivo do presente processo, eis que os seus débitos para com o PIS e a COFINS, da competência fevereiro de 2003, foram devidamente quitados, por compensação, inclusive com a emissão dos respectivos Darf/Siafi; Segundo dispõe a legislação processual civil, será o autor do Mandado de Segurança ou da Medida Cautelar o responsável pelas conseqüências do cancelamento da presente compensação tributária, é o que dispõe o art. 811, do código de processo civil; A doutrina dominante ressalta que a responsabilidade solidária, em tais casos, fundase no fato da execução da medida liminar independer da prova de má fé do autor do Mandado de Segurança ou da Medida Cautelar (RTJ 87/665). Ressalta também que não há necessidade de condenação expressa; a responsabilidade do autor é automática. Segundo Pontes de Miranda "não há necessidade de provar o dolo ou a culpa, mas sim o prejuízo sofrido."; A restauração do status quo ante dependerá da modalidade pela qual o crédito prêmio tiver sido aproveitado com base na liminar concedida; Da mesma forma, se a modalidade de ressarcimento adotada com base na autorização judicial foi a transferência do crédito prêmio a terceiro para compensação com débito seu (art. 74 da Lei nº 9.430/96), caberá a cedente, uma vez negada a segurança, responder pelo que o Fisco deixou de receber no tempo, conforme determina legislação de regência; A doutrina entende não haver fundamento para que o Fisco se volte contra o terceiro de boa fé, para exigirlhe o crédito tributário em decorrência da cassação liminar. Por isso o prejuízo sofrido pela Fazenda Pública será repassado pelo autor da ação, com base no art. 811 do CPC acima transcrito. Para Humberto Teodoro Junior, essa norma é decorrente do princípio da sucumbência: “A tutela cautelar, é por sua excepcionalidade e pela sumariedade com que é concedida, exige que seu exercício, se dê de regra, a risco e perigo do autor. Nem há que se falar em presunção de culpa para justificar esse dever se indenizar. O que se dá é, puramente, um caso de responsabilidade objetiva, à qual o elemento culpa é de todo estranho e indispensável. ...”, “Nenhum ato ilícito praticou o autor da ação cautelar, mas improcedente a ação principal, ou extinta a eficácia da medida por alguma das outra razões arroladas pelo art. 811, injusta se tornou a conseqüência da tutela cautelar, para a parte contrária.”; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.003382/200906 Resolução nº 3101000.268 S3C1T1 Fl. 5 4 Em parecer de 24 de março de 2000, o notável jurista Ives de Gandra da Silva Martins, respondendo consulta formulada pelas Usinas autoras do Mandado de Segurança, concluiu seu parecer afirmando: “Na hipótese da segurança vir a ser denegada e cassada a liminar, a consulente será responsável pela restauração da situação jurídica anterior, pagando o débito da compensação mediante utilização do crédito prêmio, nos termos do art. 811 do CPC. Se o tiver utilizado para, mediante transferência a terceiro, ser compensado com débito deste, deverá pagar o valor desse crédito em nome de terceiro.”; Dito isto e com base nas disposições da legislação e na melhor doutrina do direito civil brasileiro, esta notável Delegacia de Julgamento haverá de excluir a Impugnante do pólo passivo do presente processo tributário administrativo, substituindoa pela Usina Cruangi S/A, autora do Mandado de Segurança que deu origem a ordem liminar para a compensação dos seus créditos com os débitos da Mendes Junior Trading e Engenharia S/A; Estão fulminados pela decadência todos os lançamentos suplementares preparados, conforme o Auto de Infração ora impugnado, relativas às competências de 05/2003 e de 01/2004, nos valores respectivos de R$ 345.800,00 e de R$ 470.000,00, bem como todos os valores correspondentes ao lançamento da multa de oficio, não lançada do Auto de Infração, objeto do processo n° 19515.001523/200867, no valor total de R$ 4.094.469,66, conforme informa o Quadro Demonstrativo do Cálculo da Multa, peça integrante do Auto de Infração hostilizado, eis que lançados depois de decorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo fisco federal; Não resta dúvida quanto a DECADÊNCIA de 05 (cinco) anos, inscrita no artigo 150, §4°, do CTN, em relação os fatos geradores ocorridos durante o período de FEVEREIRO DE 2003 A JANEIRO DE 2004; Se o direito foi inexoravelmente atingido pela decadência, no mérito nada mais existe a ser demonstrado, eis que doutrinariamente a decadência é considerada como a perda própria do direito; com a decadência se extingue o próprio direito que seu titular o negligenciou. 8. Por meio do requerimento entregue à Secretaria da Receita Federal em 26.10.2010 (juntado às fl. 87 a 107), a interessada requer, para efeito do que dispõe a MP nº 470/2009, a desistência parcial do recurso interposto. A desistência parcial mencionada referese ao débito de COFINS do PA de 05.2003 no valor de R$ 345.8000,00. 9. Tendo em vista o requerimento de desistência parcial da impugnação a DERAT/SPO providenciou o desmembramento do processo, transferindo o débito objeto da desistência para o processo nº 16151.000967/201088 (fls. 110). A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.003382/200906 Resolução nº 3101000.268 S3C1T1 Fl. 6 5 Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2004 COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. Para fins de cômputo do prazo decadencial qüinqüenal, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN. Tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO NA PESSOA DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LEGITIMIDADE. Em se tratando o lançamento de matéria atinente ao direito tributário, a sujeição passiva é regulada pelo CTN, não sendo cabível analisar, na esfera administrativa, questão de ordem processual, que atribuiria a terceiro a responsabilidade por danos decorrentes de negócio jurídico realizado entre a Impugnante e este terceiro, detentor de eventual direito contra a Fazenda Nacional. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2003, 01/07/2003 a 31/01/2004 COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. Para fins de cômputo do prazo decadencial qüinqüenal, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN. Tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO NA PESSOA DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LEGITIMIDADE. Em se tratando o lançamento de matéria atinente ao direito tributário, a sujeição passiva é regulada pelo CTN, não sendo cabível analisar, na esfera administrativa, questão de ordem processual, que atribuiria a terceiro a responsabilidade por danos decorrentes de negócio jurídico realizado entre a Impugnante e este terceiro, detentor de eventual direito contra a Fazenda Nacional. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual requer a reforma do acórdão recorrido no que tange à manutenção dos períodos de dezembro de 2003 e janeiro de 2004. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.003382/200906 Resolução nº 3101000.268 S3C1T1 Fl. 7 6 Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Em virtude da tempestividade do recurso voluntário, e presença dos demais requisitos de admissibilidade, passase à apreciação desse. Considerando que a decisão de primeiro grau apenas manteve a exigência fiscal em relação aos períodos de dezembro de 2003 e janeiro de 2004 por não ter encontrado os respectivos pagamentos parciais no sistema SINAL da Receita Federal do Brasil, e que o contribuinte traz aos autos, com o recurso voluntário, tais pagamentos, entendo ser de todo razoável aprofundar o exame fático da conjuntura que lastreia o presente lançamento. Nessa moldura, voto pela conversão deste julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, com jurisdição sobre o domicílio fiscal da ora recorrente, verifique os pagamentos das parcelas referentes aos débitos mantidos, sob o prisma temporal, do quantum e da autenticidade, trazidos por cópia a este expediente, e informe, outrossim, qualquer outro detalhe que julgue conveniente para o esclarecimento da questão ainda remanescente. Ato seguido, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, seja a recorrente intimada do conteúdo da Informação Fiscal, para manifestarse, querendo, em prazo de trinta dias. Após o transcurso do prazo, devolvamse os autos a esta Turma para julgamento. Sala das Sessões, em 19 de março de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 19515.003382/200906 Resolução nº 3101000.268 S3C1T1 Fl. 8 7 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11080.007274/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a efetiva ocorrência de omissão na apreciação de matéria recorrida, cabe conhecer e acolher os embargos, para apreciá-la.
CSLL. TRIBUTO PAGO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovado o pagamento do tributo antes da lavratura do auto de infração, cancela-se a exigência.
Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-001.347
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e dar-lhes efeitos infringentes para sanar a omissão apontada no acórdão recorrido e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a efetiva ocorrência de omissão na apreciação de matéria recorrida, cabe conhecer e acolher os embargos, para apreciá-la. CSLL. TRIBUTO PAGO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovado o pagamento do tributo antes da lavratura do auto de infração, cancela-se a exigência. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e dar-lhes efeitos infringentes para sanar a omissão apontada no acórdão recorrido e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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Constatada a efetiva ocorrência de omissão na apreciação de matéria recorrida, cabe conhecer e acolher os embargos, para apreciála. CSLL. TRIBUTO PAGO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovado o pagamento do tributo antes da lavratura do auto de infração, cancelase a exigência. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e darlhes efeitos infringentes para sanar a omissão apontada no acórdão recorrido e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 72 74 /2 00 9- 40 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 2 RIO GRANDE ENERGIA SA recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de impugnação ao auto de infração lavrado em 19/10/2009 pela DRF/POA para constituir crédito tributário de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2004, no valor de R$ 9.628.143,22. O auto de infração foi originado porque a contribuinte informou compensação de base de cálculo negativa de CSLL na sua DIPJ/2005 (anocalendário 2004), porém não havia, nesse período, saldo de base de cálculo negativa a ser compensada, de acordo com o sistema da RFB que faz o acompanhamento do Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa de CSLL (sistema SAPLI). A contribuinte foi cientificada da decisão da DRF/POA em 05/11/09 e encaminhou sua impugnação em 01/12/09. A contribuinte alega, em resumo, que: 1) No relatório da ação fiscal fora explicado que a base de cálculo negativa de CSLL em 2004 era fruto dos resultados apurados pela contribuinte entre 1999 e 2003, e que esses resultados estavam sendo discutidos no processo administrativo nº 11080.009008/200447, o qual estaria aguardando análise de recurso especial interposto pela impugnante perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 2) Mesmo não havendo uma decisão definitiva no processo administrativo nº 11080.009008/200447, a autoridade fiscal teria lavrado o presente auto de infração, sob o argumento de ter de cumprir o prazo decadencial de 5 (anos) imposto pelo CTN. 3) O mérito a ser discutido neste processo é idêntico ao mérito discutido no processo administrativo nº 11080.009008/200447, o que justificaria a suspensão do presente processo até o julgamento do mérito daquele, preservando a segurança jurídica das relações fiscocontribuinte. 4) A dedução de despesas e a exclusão das receitas, entre 1999 e 2003, e que deram ensejo ao crédito tributário de IRPJ e CSLL, apurado no auto de infração do processo administrativo nº 11080.009008/200447, foram, a seu juízo, realizadas de acordo com os termos da legislação em vigor. A contribuinte requer o acolhimento integral de sua impugnação, o cancelamento do presente auto de infração, bem como das penalidades aplicadas e o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Protesta, ainda pela posterior juntada de documentos ou realização de provas eventualmente pertinentes. A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. Não havendo saldo compensável de base de cálculo negativa de CSLL no período, como conseqüência de ação fiscal já realizada com a conseqüente lavratura de auto de infração, não pode a contribuinte utilizar o saldo da base de cálculo negativa de CSLL existente anteriormente à ação fiscal, sob a alegação de ter impugnado o Fl. 660DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 3 referido auto de infração e encontrarse o julgamento pendente de decisão definitiva na Câmara Superior de Recursos Fiscais. QUESTÃO PREJUDICIAL. SUSPENSÃO DO PROCESSO. Não há previsão legal, no âmbito do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), de suspensão de processo cujo fundamento seja questionado em outro processo ainda pendente de julgamento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na conclusão do voto condutor do aludido acórdão destacase: A prejudicial suscitada pela contribuinte, de suspensão do julgamento deste processo até o trânsito em julgado do processo administrativo nº 11080.009008/200447 na esfera administrativa, não possui respaldo legal no âmbito da Lei nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) e, portanto, não merece prosperar. No mérito, a contribuinte incluiu em sua impugnação (fls. 202 a 232) as mesmas razões já apresentadas em sua defesa no processo administrativo nº 11080.009008/200447, que foram rejeitadas por unanimidade de votos da 5ª Turma no Acórdão DRJ/POA nº 5.331 (fls. 149 a 151), de 3 de março de 2005, em primeira instância na esfera administrativa, e novamente rejeitadas por unanimidade de votos no Acórdão nº 10195.786 (fls. 152 a 162), de 18 de outubro de 2006, quando do Recurso Voluntário nº 147.540 realizado pela contribuinte junto à Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em segunda instância. Os embargos de declaração (fls. 167 a 179) dessa decisão do Conselho foram também rejeitados de plano pelo presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 188 e 189), no Despacho nº 247, de 22 de julho de 2008. Em 19 de fevereiro de 2009, a contribuinte ingressou com recurso especial na Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (fls. 334 a 374) o qual encontrase em fase de julgamento (fls. 420 e 421). Até o momento, portanto, como conseqüência da ação fiscal procedida no âmbito do processo administrativo nº 11080.009008/200447, o saldo da base de cálculo negativa da CSLL compensável no anocalendário de 2004 é zero, conforme o demonstrativo (fl. 89) realizado com base no Sistema de Acompanhamento do Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa de CSLL (SAPLI). Não há como justificar, assim, no presente processo, a existência e a utilização, pela contribuinte, de um saldo de base de cálculo negativa da CSLL compensável no anocalendário de 2004 para reduzir o tributo devido nesse período. Por isso, o crédito tributário decorrente do auto de infração no presente processo deve ser mantido. Diante do exposto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário. Cientificada da aludida decisão em 18/2/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/3/2011 (fls. 481 e seguintes), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto a necessidade da suspensão do processo 11080.009008/200447. Ao final, conclui e requer (verbis): Fl. 661DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 4 . Fl. 662DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 5 Cientificada do acórdão, a contribuinte, com fulcro no art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, apresenta embargos de declaração ao Acórdão 140200.879, proferido em 1 de fevereiro de 2012, alegando omissão no acórdão. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 6 Vejamos a transcrição integral das razões da embargante: Fl. 664DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 7 Pela análise dos autos, o Relator verificou que, em principio, as alegações acima transcritas não foram apreciadas no voto condutor do acórdão do processo matriz de No. 11080.009008/200447 e também não foram apreciadas no acórdão ora embargado. Sendo assim os embargos acolhidos, com fulcro Art. 65, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, determinandose nova inclusão do processo em pauta para a apreciação da alegada matéria omitida. É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os embargos do contribuinte ao acórdão 1402000.879, de 1/2/2012, foram acolhidos para apreciação no coligado. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da glosa levada a efeito mediante auto de infração de que trata o processo 11080.009008/200447, cujo recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais NÃO obteve seguimento, sendo que o processo atualmente se encontra em cobrança na PFN Seccional de Caxias do Sul – RS. As infrações implicaram na redução do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL a compensar, que ensejou a autuação em período seguinte. O recorrente pleiteou que o julgamento deste seja sobrestado até que o citado processo principal seja definitivamente decidido na esfera administrativa. Todavia, não há previsão para isso na legislação que rege o processo administrativotributário, tampouco no Regimento Interno deste Conselho. Se ambos os processos tivessem sido julgados concomitante, seria aplicado o principio da decorrência e caberia ao contribuinte apresentar recurso especial para que ambos fossem apreciados conjuntamente pela CSRF. O contribuinte questionou a aplicação da multa de oficio. Todavia, conforme já asseverado no voto condutor do acórdão 1402000.879, “a autuação anterior ocorreu em 2004, sendo que o julgamento do processo original neste Conselho ocorreu em 18/10/2006 (acórdão 10195.786). Logo, a empresa poderia ter feito os ajustes no Lalur, quanto ao prejuízo fiscal antes de sofrer a autuação. Mais a mais, esses ajuste não lhe trariam qualquer perda, haja vista que poderia reconstituir o prejuízo a compensar na hipótese de obter êxito futuro. Em verdade, a contribuinte optou por manter a compensação de um prejuízo que sabidamente havia sido glosado por auto de infração regularmente lavrado e julgado. Sendo assim foi mantida a aplicação da multa de oficio. Quanto aos juros de mora, a fundamentação anterior abaixo transcrita não cabe reparos. “(...) a taxa Selic sobre o principal tratase de matéria sumulada neste Conselho (Súmula nº 4 do CARF): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 666DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 9 No presente caso também não cabe afastar a incidencia de Selic sobre a multa de ofício conforme pleiteia o recorrente, pois, noutra interpretação caberia exigir juros moratórios à taxa de 1% ao mês, cuja aplicação é indiscutível, consoante dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Em verdade, não há qualquer menção expressa no auto de infração à incidência de Selic sobre a multa de oficio, logo, em principio, a matéria não estaria em litígio. Tratase de interpretação da Lei aplicada pela unidade de preparo (Receita Federal). Ocorre que a Selic Acumulada a partir de 2009 está inferior a 1% ao mês. Logo, também aqui não cabe dar provimento ao pleito do contribuinte. Mantenho a incidência da Selic.” No que tange ao mérito propriamente dito, entendo que realmente caberia aqui aplicar o principio da decorrência, consagrado no CARF, mantendose a exigência tal qual no processo 11080.009008/200447, cujo decisão do colegiado no 10195786 foi “ por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Vejamos as ementas do aludido acórdão: DECADÊNCIA – PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL – IRPJ – CSL – No caso de opção pela apuração anual da base de cálculo, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir de primeiro de janeiro do ano subseqüente. NULIDADE – PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO – Não existe nulidade se resta comprovado que não houve prejuízo ao direito de defesa da contribuinte. AJUSTE À CONTA DE DESPESAS ANTECIPADAS – CORREÇÃO DO CUSTO PELA TAXA SELIC – A alteração dos gastos antecipados pelas concessionárias de energia elétrica, mediante ajuste pela taxa Selic, importa acréscimo patrimonial, na medida em que não representa um contra valor de registro permutativo em caixa ou outro ativo correspondente. DEPRECIAÇÕES – AJUSTES EXTRACONTÁBEIS – IMPOSSIBILIDADE – O limite máximo de registro contábil das depreciações representa uma faculdade ao contribuinte, que pode dimensionar tal valor mensal para menos. Incabíveis ajustes extracontábeis no LALUR, bem como retificações após o início da ação fiscal. CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA – AQUISIÇÃO COM ÁGIO E POSTERIOR INCORPORAÇÃO DA CONTROLADORA PELA CONTROLADA – REGRAS DE AMORTIZAÇÃO PELO PRAZO DE CONCESSÃO – A regra fiscal de dedução da amortização do ágio deriva das regras da legislação comercial de amortização, somente sendo possíveis ajustes no LALUR se a amortização foi inferior a cinco anos (Lei 9.430/96, artigos 7º e 8º). Para a amortização de ágio em face de rentabilidade futura por conta de contrato de concessão, aplicáveis as normas estabelecidas pela Instrução CVM 247/96, alterada pela Instrução CVM 285/98, isto é, a amortização contábil e os decorrentes efeitos fiscais operamse pelo prazo da concessão. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 10 Ocorre, porem, que a recorrente registrou no recurso que posteriormente tributou os valores sobre a atualização dos custos à taxa Selic, conforme asseverado no item b 2.3 do Recurso voluntário, a seguir transcrito: Realmente foi anexado à fl. 376 e seguintes as cópias dos DARF de pagamento do IRPJ e CSLL do ano de 2004, em valores bem acima do que foram lançados neste processo. Registrese que a decisão de 1a. instância também deixou de manifestarse acerca desses pagamentos. Uma vez que os pagamentos foram realizados antes deste lançamento de oficio, resta cancelar a exigência. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.347 S1C4T2 Fl. 0 11 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos do contribuinte e sanar a omissão apontada no voto condutor do acórdão 140200.879, proferido em 1/2/2012, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 669DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 44021.000055/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
CERCEAMENTO DE DEFESA. ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO RELEVANTE ANTES DA EMISSÃO DE DECISÃO DAQUELE QUE ACUSA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO.
Ao contribuinte deve ser assegurado o direito à última manifestação sobre questões relevantes na lide antes da emissão da decisão de primeira instância. Ausente tal manifestação, deve ser declarada a nulidade do Acórdão a quo.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em ratificar o acórdão proferido, a fim de anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. CERCEAMENTO DE DEFESA. ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO RELEVANTE ANTES DA EMISSÃO DE DECISÃO DAQUELE QUE ACUSA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Ao contribuinte deve ser assegurado o direito à última manifestação sobre questões relevantes na lide antes da emissão da decisão de primeira instância. Ausente tal manifestação, deve ser declarada a nulidade do Acórdão a quo. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em ratificar o acórdão proferido, a fim de anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. CERCEAMENTO DE DEFESA. ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO RELEVANTE ANTES DA EMISSÃO DE DECISÃO DAQUELE QUE ACUSA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Ao contribuinte deve ser assegurado o direito à última manifestação sobre questões relevantes na lide antes da emissão da decisão de primeira instância. Ausente tal manifestação, deve ser declarada a nulidade do Acórdão a quo. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em ratificar o acórdão proferido, a fim de anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 1. 00 00 55 /2 00 7- 21 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 44021.000055/200721 Acórdão n.º 2301003.181 S2C3T1 Fl. 193 3 Relatório Tratase de Embargos interpostos pelo próprio Relator , tendo em vista a existência de omissão. Assim nos manifestamos nos Embargos: Ao providenciar a assinatura do Acórdão, verificamos que há omissão em relação a uma nulidade processual e uma contradição na consideração da decadência. A omissão está caracterizada pelo fato de não termos considerado que houve informação fiscal em fls. 129/130 que não foi seguida de cientificação do contribuinte e abertura de prazo para aditamento da defesa antes do julgamento de primeira instância. A contradição referese ao dies ad quem da decadência. Tendo sido cientificado o contribuinte em 27/12/2006, a decadência pela regra do art. 173, inciso I deveria atingir fatos geradores até 11/2000 e não 11/2002 como ficou consignado. Os Embargos foram acolhidos pelo Presidente da Turma e agora é submetido à análise do Colegiado. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator A primeira razão para o acolhimento dos Embargos é a omissão quanto à existência de cerceamento de defesa no julgamento de primeira instância. Como entendemos se tratar de questão de ordem pública, ao tomarmos conhecimento da omissão providenciamos os Embargos que ora propormos o acolhimento. Observamos que a decisão de primeira instância foi emitida após manifestação fiscal de fls. 129/130, sem que a recorrente tivesse sido intimada a aditar sua impugnação. O conteúdo daquela manifestação não se limitou a repetir argumentos já constantes dos autos, mas rebateu argumentos da impugnante. Como a garantia do contraditório corolário da garantia maior tão cara a um Estado Democrático de Direito que é o devido processo legal exige que a última manifestação sobre questão de relevo no julgamento seja feita pela parte defendente, acaba por surgir uma nulidade processual grave que deve ser conhecida de ofício. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER E DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS de modo a anular a decisão de primeira instância por ter ocorrido cerceamento de defesa. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000308/2001-24
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/09/2000
RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA.
A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, b, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/SP nº. 195.691.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESTITUIÇÃO Recorrente PANASONIC DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/09/2000 RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA. A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/SP nº. 195.691. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 03 08 /2 00 1- 24 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Tratam os autos de pedido de restituição (fl. 55), no valor de R$ 45.077,79, referente ao Imposto de Importação, em razão de a interessada, segundo alega, haver recolhido tributo a maior. A contribuinte, 11/09/2000, promoveu a importação de mercadorias amparada pela DI nº n° 00/008529285. (fls. 34/37), tendo sido desembaraçadas junto à Alfândega do Porto de Santos/SP. Preditas mercadorias foram produzidas no México e enviadas para os Estados Unidos para embarque no Brasil. Por tratarse de mercadoria produzida por país integrante da ALADI, entendeu a interessada que teria direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso, os Estados Unidos. Tendo a interessada efetuado o recolhimento integral do mencionado imposto, por não ter conseguido registrar a redução tarifária pretendida no SISCOMEX, entendeu valerse de direito creditório do imposto de importação que teria sido pago a maior, razão pela qual, em 28/12/2000, requereu o reconhecimento do pretenso crédito, com a correspondente restituição. A Alfândega do Porto de Santos indeferiu o pedido da contribuinte (fls. 68/69), ao que a interessada manifestou sua inconformidade por meio da impugnação apresentada às fls.72/84. A DRJFortaleza/CE indeferiu o pleito da requerente (fls. 98/112), por entender que a importação realizada não atendeu às exigências legais para a aplicação da redução tarifária prevista no acordo internacional firmado no âmbito da ALADI. Alegou aquele órgão julgador que as Faturas Comerciais apresentadas (fls. 40/42), bem como a informação nos Certificados de Origem dos números das faturas comerciais emitidas pelo fabricante no México, evidenciavam que as mercadorias tinham sido objeto de comércio entre o produtor do México (paísmembro da ALADI) e a empresa dos Estados Unidos da América (país não membro da ALADI), que as teria revendido para o importador no Brasil. Tal comercialização, envolvendo o país de trânsito não pertencente à ALADI, impediria a aplicação da redução tarifária solicitada, por não atender ao requisito previsto no art. 4º, alínea b, ii, da Resolução/ ALADI nº. 252. Irresignada, a contribuinte ofereceu Recurso Voluntário a este Colegiado (fls.116/128), onde apresentou, em linhas gerais, os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Salientou, ainda, que a triangulação efetuada com a empresa dos Estados Unidos deveuse a motivos geográficos e que o trânsito das mercadorias no território americano, pela própria natureza da operação, deuse sob a vigilância da autoridade aduaneira daquele país, com os rigores que lhes são próprios. Ao final, requereu o reconhecimento da existência do crédito tributário passível de restituição. Em sessão de 22 de maio de 2007, este Conselho decidiu por converter o julgamento em diligência, para que fossem juntados aos autos cópias das duas faturas comerciais expedidas pelo produtor no México, de números TA 3754 e TA 3760. (fls.158/162). Em sessão de 12/08/2008, por meio da Resolução nº. 30102.008, diante de dúvidas existentes, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes achou por bem converter novamente o julgamento em diligência, para: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000308/200124 Acórdão n.º 3202000.679 S3C2T2 Fl. 269 3 a) que a contribuinte juntasse declaração da Alfândega dos Estados Unidos da América, no sentido de explicar o motivo de a mercadoria em questão ter sido introduzida em seu território. b) fosse solicitada manifestação do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, quanto à comercialização de mercadoria por operador de terceiro país, membro ou não da ALADI (art. 9o da Resolução no 252 da ALADI – Decreto no 3.325/99), a fim de que respondesse aos seguintes quesitos: “b1) pode a operação estar ao amparo de preferência tarifária prevista no acordo (PTR4), no caso de a mercadoria ter sido vendida pelo produtor (México) e entregue a esse 3o país (Estados Unidos da América), e depois ter sido exportada pelos EUA para o Brasil, oportunidade em que foi emitido o Certificado de Origem com a observação de que a mercadoria foi objeto de faturamento pelos EUA? b2) nos casos da espécie, para efeitos de condição ao uso do benefício, a interveniência de operador de terceiro país afasta a obrigatoriedade do requisito de expedição direta de que trata o art. 4o da Resolução no 252? e b3) ainda quanto ao requisito de expedição direta (art. 4o, “b”, ii, da Resolução no 252): a venda da mercadoria (com emissão de fatura comercial) e sua expedição para terceiro país, e a posterior comercialização e expedição do 3o país para o Brasil (com emissão de fatura comercial), não são fatos que excluem a mercadoria da preferência tarifária, tendo em vista que o dispositivo citado veda o benefício quando se tratar de mercadorias destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito? Vale dizer, o comércio posterior da mercadoria já em poder do operador exportador do 3o país, não se caracteriza como uma expedição não direta pelo país de origem, tendo em vista que a mercadoria foi enviada para 3o país e depois foi comercializada com o Brasil?” A contribuinte manifestouse às fls. 194/210. Quanto ao pronunciamento do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, requerido pelo Conselho de Contribuintes, contrariando a decisão daquele Colegiado e manifestando juízo de valor que não lhe era cabível, achou por bem a Alfândega do Porto de Santos encaminhar os autos à COANA, para “firmar orientação sobre o caso”(fls. 230/231). A COANA, então, asseverou que o entendimento da Receita Federal já tinha sido firmado pela Alfândega do Porto de Santos, quando do indeferimento do pedido de restituição (efls. 256/257). Às fls. 263/264, a Alfândega do Porto de Santos juntou aos autos cópia do Ofício nº. 223/2008/DEINT, onde aquele Departamento respondeu os mesmos quesitos formulados nestes autos pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, mas que se refere a outros processos administrativos, versando, no entanto, sobre idêntica matéria e cuja contribuinte é a mesma empresa Panasonic do Brasil Ltda. Cumprida a diligência requerida, retornaram os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O benefício pretendido pela recorrente, que lhe daria a redução tarifária do Imposto de Importação, decorre da aplicação do Acordo de Preferência Tarifária – APTR nº. 04, internalizado no Brasil pelo Decreto no 90.782/84, e que, em seu artigo 9º, adota expressamente o Regime de Origem da ALADI, consubstanciado na Resolução n° 252, que aprovou o texto consolidado e ordenado da Resolução no 78, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração, e que foi incorporada à legislação brasileira pelo Decreto nº. 3.325, de 30/12/99. Referido Acordo foi firmado entre Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e estabelece preferência tarifária regional na importação de produtos similares provenientes de países de terceiros. Essa preferência estabelece uma redução percentual, que varia conforme a categoria do país que concede a redução e a do que recebe. O cerne do litígio está em se saber se há impedimento ao enquadramento do benefício previsto no Acordo da ALADI quando a mercadoria é vendida e remetida pelo México (país de origem) aos Estados Unidos da América e, depois, exportada deste país para o Brasil, com emissão de Certificado de Origem que informa o faturamento pela empresa dos EUA. Comprovado que as mercadorias em questão são originárias de país signatário do referido Acordo, por meio dos Certificados de Origem acostados às fls. 44/45, resta saber se o trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos, país não signatário, estaria em conformidade com as disposições da Resolução/ALADI nº 252, que assim dispõe em seu art. 4º: "QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do Acordo; b)as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transportes; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iü) não sofram, durante o seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Da leitura do referido dispositivo, inferese que, para gozo do benefício, as mercadorias devem ser transportadas diretamente do país exportador signatário do Acordo para o país importador também signatário (expedição direta), sendo possível efetuarse o trânsito Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000308/200124 Acórdão n.º 3202000.679 S3C2T2 Fl. 270 5 por países não participantes do Acordo, desde que sejam preenchidas as condições estabelecidas na alínea b do referido artigo. No caso em questão, a recorrente não logrou comprovar o preenchimento de uma das condições ali impostas, qual seja: que o trânsito, nos Estados Unidos da América, deu se sob vigilância da autoridade competente naquele país. Devidamente intimada, em razão de diligência requerida pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito, limitandose apenas a informar que “diante do Termo de Intimação acima referido, a Requerente envidou todos seus esforços para obter o documento solicitado. No entanto, no caso dos presentes autos, apesar da colaboração do exportador no sentido de tentar resgatar o documento da alfândega dos EUA que amparou a entrada das mercadorias naquele país (documento apresentado em outros processos administrativos similares a este), não foi possível obtê lo.”(fl.197). A apresentação de tal documento mostrase de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta e se tenha por preenchidos todas as condições impostas pelo art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. Neste ponto, passo a adotar como razões de decidir o voto do Conselheiro Jose Luís Novo Rossari, proferido nos autos do processo nº. 11128.006566/0081, o qual transcrevo abaixo: “Em resposta à intimação decorrente da diligência solicitada pela 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, o Departamento de Negociações Internacionais (Deint) da Secretaria de Comércio Exterior do MICT respondeu a cada uma das questões enunciadas no relatório, esclarecendo, de forma abrangente quanto às operações efetuadas por operador de terceiro país, verbis: “(1) Resposta: Conforme entendimento deste DEINT, a operação acima citada cumpre com o disposto na normativa que trata de exportação via operador de um terceiro país no âmbito do regime de origem da ALADI (Art. 9o da Resolução 252). Ademais, a Resolução 252 da ALADI não dispõe em contrário, no que diz respeito à possibilidade de a fatura comercial emitida no país de origem da mercadoria apresentar data posterior à da fatura emitida no país em que se encontra o terceiro operador. Cabe aqui observar, que esse mecanismo é adotado ao âmbito do APTR4, tendo em vista que em determinadas situações, o terceiro operador não tem o conhecimento prévio da quantidade/preço das mercadorias que serão destinadas para o país outorgante da preferência. (2) Resposta: A regra referente a operador de terceiro país não afasta a obrigatoriedade de observação do requisito referente à expedição direta. Dessa forma, deverão ser atendidos os critérios dispostos no Art. 4, inciso b: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 “QUARTO. – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: (...) b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (destaquei) i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. (3) Resposta: Este DEINT entende que a exportação da mercadoria para o Brasil não contraria o art. 4o, ii, tendo em vista que a expressão “não estejam destinadas ao comércio [...] no país de trânsito” diz respeito apenas aos casos em que a mercadoria é revendida internamente no país de trânsito. Esta situação não ocorre na operação via operador de um terceiro país (Estados Unidos), tendo em vista que este agente comercial reexportará a mercadoria para o país (Brasil) que concede a preferência ao país de origem da mercadoria (México).” Ao final, o Deint/SCI/MICT acrescenta que: “Diante do exposto, informamos que as operações dispostas nos Ofícios GAB/nos 193/08, 195/08, 197/08, 198/08 e 208/08 cumprem com o disposto nos artigos 4o e 9o da Resolução 252 da ALADI. No que diz respeito aos Ofícios/GAB/nos 194/08 e 196/09, entendemos que as operações dispostas nestes documentos cumprem com o art. 9o da Resolução, entretanto, com relação ao art. 4o é necessário verificar se o documento Transportation Entry and Manifest of Goods Subject to Customs Inspection and Permit ou equivalente, foi emitido pela aduana dos Estados Unidos.” (destaquei) O órgão demandado foi claro no sentido de que a operação cumpre com o disposto no art. 9o da Resolução, que trata de faturamento por parte de um operador de terceiro país, membro ou não da ALADI. Cumpre ressaltar, no entanto, que, devidamente intimada, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito. Tratase de exigência que foi objeto de Resolução da 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, por ter sido considerada de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta, em observância ao disposto no art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. E o entendimento da Câmara foi integralmente ratificado na manifestação do Deint/SCE/MICT pertinente à mercadoria objeto de lide, quando esse órgão Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000308/200124 Acórdão n.º 3202000.679 S3C2T2 Fl. 271 7 acrescentou, de forma expressa e clara, ser necessário verificar se o documento de que se trata foi emitido pela aduana dos EUA. As redações contidas na lei ou em tratados internacionais não contém palavras ou expressões inúteis. A existência de norma estabelecendo a vigilância de autoridade aduaneira do país de trânsito para que a operação esteja amparada no regime de origem, não pode ser desconsiderada. Destarte, contrariamente ao que defende a recorrente, o fato de a Resolução estabelecer em seu art. 4o, “b”, que “considerase como expedição direta as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes (...) sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países (...)” significa que, mesmo que não tenha sido instituído documento específico na ALADI para comprovar essa vigilância, o que é óbvio, visto que diz respeito a países que não fazem parte do Acordo – se houver necessidade de tal comprovação, essa deverá ser satisfeita, sob pena de a operação ser considerada uma expedição não direta. A recorrente foi devidamente intimada para satisfazer à exigência e não apresentou o documento requerido. A alegação de que matéria similar teve decisão favorável à recorrente em instância superior não pode ter qualquer vinculação com o caso presente, tendo em vista que este processo está enriquecido com a existência de elementos concretos e objetivos aplicáveis à matéria, principalmente das informações específicas sobre o acordo de origem trazidas pela Secretaria de Comércio Exterior do MICT, órgão incumbido do acompanhamento e aplicação dos regimes de origem nos Acordos da ALADI e do MERCOSUL (Decreto no 6.209/2007, anexo I, art. 17, V), o que o distingue daqueles alegados. Em vista dos elementos trazidos aos autos e considerando as conclusões objetivas da Secretaria de Comércio Exterior/Deint a respeito da matéria, entendo que a importação não atende aos requisitos de origem previstos no art. 4o da Resolução no 252 do Comitê de Representantes da ALADI, posta em execução pelo Decreto no 3.325, de 1999, restando descabido o direito ao benefício previsto no PTR4.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto Irene Souza da Trindade Torres Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720922/2009-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. EFEITOS.
A declaração entregue após o inicio do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio, (Súmula CARP n° 33, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
Recurso Paarcialmente Provido
Numero da decisão: 2802-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$2.000,00 (dois mil reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:26/2/2013
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausência momentânea: German Alejandro San Martin Fernandez
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DESPESAS MÉDICAS. É de se admitir as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. A declaração entregue após o inicio do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio, (Súmula CARP n° 33, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). Recurso Paarcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$2.000,00 (dois mil reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:26/2/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 22 /2 00 9- 45 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausência momentânea: German Alejandro San Martin Fernandez Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento por meio do qual exigese da recorrente, IRPF suplementar relativo ao anocalendário, 2005 em virtude glosa de dedução da base tributável para: deduções de despesas médicas (R$ 11.000,00). A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1752.159, de 07 de julho de 2011, que se encontra às fls. 69 a 75, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Só poderá ser aceita a dedução de despesa efetivamente comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 14/07/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 79). À vista da decisão, foi protocolizado, em 12/08/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 81/82 no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, argumenta que as despesas glosadas foram efetivamente comprovadas por meio de recibos e declarações fornecidas pelos profissionais. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite,Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio gira em torno: R$11.000,00 referente à dedução a titulo de despesas médicas objeto dos recibos emitidos pela profissional Mariana Christino Ressaltase que, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.720922/200945 Acórdão n.º 2802002.152 S2TE02 Fl. 597 3 dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Entretanto, no que se refere à comprovação do efetivo pagamento, expõese posicionamento sobre o tema. A princípio, considerase que os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Entretanto, também entendese que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, principalmente quando: 1. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos (Existência de Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz; 2. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; Assim, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço, na esteira do comando legal do §3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 1943. Destarte, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Neste caso concreto, cotejando a imputação constante da Notificação de Lançamento, a impugnação, a peça recursal e os documentos com trazidos aos autos, especificamente os recibos de . 17/18, c/c a Declaração de fls. 50, considerase que não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Na linha acima, vêse que a contribuinte trouxe aos autos os comprovantes normalmente suficientes para a comprovação das despesas médicas declaradas, os recibos respectivos, preenchendo todos os requisitos do Art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995:, c/c a Declaração fornecida pela profissional , atestando que recebeu da recorrente o valor de R$2.000,00, no ano calendário 2005. Quanto ao alegado erro no preenchimento da declaração, de que despesas deveriam ter sido lançadas em dois CPFs distintos, entendese correto os fundamentos expostos no acordão vergastado, ou seja a declaração retificadora entregue após o procedimento fiscal, com intuito de afastar infrações já apuradas não tem efeito para o Fisco. Uma vez deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo no sentido de arrependerse da infração cometida não exclui sua responsabilidade, sujeitandose às penalidades próprias do procedimento de ofício.Ademais, acatar as alegações da recorrente implica em admitir a retificação de sua DIRPF 2006. Tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Súmula CARF Nº 33 A declaração entregue após o inicio do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$2.000,00 (dois mil reais). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.720922/200945 Acórdão n.º 2802002.152 S2TE02 Fl. 598 5 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001639/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que as provas produzidas pelo Recorrente são suficientes para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.800
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que as provas produzidas pelo Recorrente são suficientes para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.001639/201073 Acórdão n.º 210101.800 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 69/79) interposto em 15 de setembro de 2010 contra o acórdão de fls. 54/60, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 11/13, lavrada em 28 de dezembro de 2009, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2008. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Durante a ação fiscal vige o princípio inquisitório e nesse período foi oportunizado ao contribuinte comprovar a regularidade de suas deduções. Não há que se falar em cerceamento de defesa diante de lançamento efetuado de acordo com as disposições legais pertinentes e com minuciosa e clara descrição dos fatos que o ensejaram. Somente na fase litigiosa, iniciada por impugnação válida, há que se falar em contraditório e ampla defesa, assegurados no presente caso. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito à dedução de despesas médicas está condicionado à comprovação da efetividade da prestação do serviço e do pagamento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 54). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar a parte remanescente do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, cumpre asseverar que, em 23/08/2010, o contribuinte opôs embargos de declaração em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.001639/201073 Acórdão n.º 210101.800 S2C1T1 Fl. 3 3 Brasil de Julgamento em São Paulo II. Em tese, a competência para seu processamento e julgamento seria da Delegacia que proferiu o acórdão a quo, mas inexiste previsão legal para a interposição daquele recurso, naquela instância, sendo o Decreto n.º 70.235/72 expresso ao indicar a previsão apenas e tão somente de apresentação de recurso voluntário pelo contribuinte sucumbente e de recurso de ofício pela Fazenda Nacional, vedandose eventual pedido de reconsideração, por meio de seu art. 36, repetido no art. 69 do Decreto n.º 7.574/2011, tal como sói pretender o Recorrente. Passando à análise do presente recurso voluntário, temse que a controvérsia gira em torno da possibilidade de dedução de despesas médicas da base de cálculo do IRPF relativa ao anocalendário de 2008. Foram glosadas despesas no valor de R$ 13.000,00, referentes aos seguintes profissionais: (i) Carla Harue M. Arita (odontologia – R$ 5.000,00); (ii) Adriano José Antonio Sgarbi (fisioterapia – R$ 6.000,00) e (iii) Luciana Fonseca Ferreira (fisioterapia – R$ 2.000,00), sendo que as despesas relativas à última profissional foram aceitas pelo acórdão a quo, fazendo com que a insurgência se limite apenas às demais. Em apertada síntese, a decisão recorrida não aceitou os documentos apresentados, haja vista que não atenderiam aos requisitos do art. 8º, II, §3º, da Lei n.º 9.250/95, por não conter os endereços dos profissionais, e, além disso, em conjunto “não permitem que a autoridade firme sua convicção acerca do efetivo pagamento e efetiva prestação dos serviços ao contribuinte” (fl. 59). Relativamente à glosa das despesas com fisioterapeuta e dentista, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.001639/201073 Acórdão n.º 210101.800 S2C1T1 Fl. 4 4 documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Considerando o exposto, não subsistem motivos para rejeitar as deduções de despesas pleiteadas pelo Recorrente, à luz dos critérios apontados pela decisão recorrida, e, bem assim, considerando os documentos de fls. 21/23 (relativos à profissional Carla Harue M. Arita) e fls. 24/30 (relativos ao profissional Adriano José Antonio Sgarbi). Isso porque a decisão recorrida aceitou os documentos de fls. 31/32, quais sejam, declaração do profissional e recibos dos pagamentos efetuados, acostados pelo Recorrente para comprovar os serviços de fisioterapia prestados por Luciana Fonseca Ferreira, mas não seguiu o mesmo critério para as demais despesas, sob o fundamento de que não havia indicação do endereço do profissional, o que não procede: o endereço pode, sim, ser extraído das fls. 23 (Carla Harue M. Arita) e 30 (Adriano José Antonio Sgarbi). Ademais, diante dos documentos que constam dos autos, é possível identificar o prestador do serviço, o beneficiário, assim como os recibos dos dispêndios Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.001639/201073 Acórdão n.º 210101.800 S2C1T1 Fl. 5 5 realizados, o que, de per si, atesta a efetividade dos serviços, atendendo, destarte, ao comando legal que permite sua dedução da base de cálculo do IRPF. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10820.001484/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.263
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 04/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativos a fatos geradores ocorridos em agosto e dezembro de 2003, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de inclusão de receitas na base de cálculo das exações, conforme Termo de Verificação de Infração Fiscal integrante dos autos de infração. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.001484/200870 Resolução nº 3302000.263 S3C3T2 Fl. 2 2 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujos fundamentos da contestação foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: I. a assertiva de que os reajustes de preço são, na realidade, variação monetária ativa, não encontra respaldo fático, pois toda a operação efetuada pela empresa encontrase amparada pela legislação pertinente, não cometendo qualquer infração o contribuinte que se encontra prejudicado com a interpretação do fisco. Tratase de venda para entrega futura e as notas fiscais que acompanham o açúcar são de remessa para entrega futura e vinculada a um preço estimado. Após o término da operação, fechase um preço melhor ou completase o preço fixado na nota de venda, razão pela qual a natureza da operação é "reajuste de preço"; II. a emissão da nota de reajuste de preço encontra supedâneo na legislação; III. a lei instituidora do beneficio estabelece claramente que serão utilizadas a legislação do Imposto de Renda para definir o conceito de receita operacional bruta e a legislação do IPI para a definição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; que a fiscal realizou uma interpretação distorcida da parte final do art. 3° da Lei n° 9.363, de 1996; IV. o procedimento adotado pela empresa encontra supedâneo legislativo no Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo; V. por se tratarem de receitas de exportação, os valores tributados são isentos das contribuições. VI. possui provimento judicial no processo n° 1999.61.07.0009748, da Segunda Vara da Justiça Federal em Araçatuba, no qual foi concedida antecipação de tutela, confirmada por sentença, garantindolhe o direito de recolher a Contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento e alíquota de 0,65%, e a Cofins também sobre o faturamento e alíquota de 2%, sem as alterações, portanto, da Lei n° 9.718. Assim, não pode ser compelida ao pagamento das contribuições sobre receitas financeiras. VII. argumentou que a multa de oficio de 75% tem caráter de confisco; VIII. incabível a cobrança de juros remuneratórios, como a taxa Selic, por ilegal e inconstitucional, devendo ser aplicada a norma que rege a matéria, o CTN; IX. requereu a realização de perícia técnica por perito contábil qualificado, com fundamento no art. 18 c/c o 28 do Decreto n° 70.235/72. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa de ofício e suspender a exigibilidade do crédito tributário lançado, nos termos do Acórdão no 1430.417, de 4/8/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.001484/200870 Resolução nº 3302000.263 S3C3T2 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2003, 31/12/2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. Para efeito de determinação da isenção da contribuição sobre receitas de vendas para o mercado externo realizadas através de comercial exportadora, o marco legal determina que o seu valor é o constante do documento fiscal apto à recepção no recinto alfandegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2003, 31/12/2003 COFINS. DECORRÊNCIA. Estando o lançamento da Cofins baseado nos mesmos elementos fáticos, devem ser estendidas ao auto de infração da Cofins as mesmas conclusões adotadas para o PIS. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, as quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar ou antecipação de tutela, excluise a aplicação da multa de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2003, 31/12/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Ciente desta decisão em 3/9/2010 (AR à fl. 271), a interessada ingressou, no dia 28/9/2010, com o recurso voluntário de fls. 272/294, no qual renova as alegações da impugnação, exceto quanto à multa de ofício. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.001484/200870 Resolução nº 3302000.263 S3C3T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Preliminarmente, esclareçase que, durante as sessões de julgamento do mês de setembro de 2012, a Turma tomou conhecimento dos Recursos Extraordinários (RE) 596.614, 593.615, 587.502, 585.663, que se referiram ao caso de repercussão geral reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 592.891. A ementa da decisão de sobrestamento nos processos acima mencionados dizia o seguinte: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SOBRESTAMENTO. 1. A União, no extraordinário de folha 414 a 420 articula com a impossibilidade de creditamento do Imposto sobre Produtos Industrializados na aquisição de produtos isentos, não tributados, ou sujeitos à alíquota zero, quando provenientes da Zona Franca de Manaus. 2. O Tribunal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional relativa à tese do direito de creditamento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento deste processo. 4. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 5. Publiquem. Brasília, 9 de novembro de 2010. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (RE 596.614) Portanto, o julgamento do RE foi sobrestado, demonstrandose a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012, art. 2º, § 2: § 2°. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: 1 decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.001484/200870 Resolução nº 3302000.263 S3C3T2 Fl. 5 5 A mencionada Portaria determina que, demonstrado o sobrestamento de recursos extraordinários no âmbito do STF, à vista de declaração de repercussão geral, os processos que tratem da mesma matéria no âmbito do Carf deverão ser sobrestados também. No caso dos autos, os RE citados demonstram que o STF suspende os RE que se refiram a direito de crédito de IPI no caso de insumos isentos originários da Zona Franca de Manaus. O caso dos autos trata, indiretamente, da mesma matéria, uma vez que está vinculado ao que vier a ser decidido nos Processos nº 10820.000346/200521 e 10820.000347/200575, cujo julgamento do recurso voluntário foi sobrestado. Superadas as questões anteriores e sendo determinante para o julgamento a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o direito de crédito relativo a insumos adquiridos da ZFM, voto por sobrestar o julgamento do presente recurso. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 320DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16095.000649/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA.
REPASSE DOS RECURSOS COMPROVADO. A Lei 9.430/1996, em seu
art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para afastar a presunção, cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não ocorreu, o
que pode ser feito comprovando o imediato repasse dos recursos a terceiros.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INOCORRÊNCIA. REPASSE DOS RECURSOS COMPROVADO. A Lei 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para afastar a presunção, cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não ocorreu, o que pode ser feito comprovando o imediato repasse dos recursos a terceiros. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório BICBANCO ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase dos autos de infração de fls. 1672/1719, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep); à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); lavrados em 29/11/2010 na sistemática do Lucro Real no valor total de R$ 23.784.132,79, já incluídos multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 29/10/2010 e, ainda, Multa Isolada no valor total de R$ 3.246.990,08, sendo R$ 2.029.368,80, relativa ao IRPJ e R$ 1.217.621,28, referente à CSLL, devido à falta de recolhimento destes tributos sobre as bases de cálculo estimadas, todos cientificados à contribuinte em 07/12/2010. As irregularidades foram assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 1676/1677: “.... 001 – OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais, ... [Planilha contendo: Fato Gerador em 31/12/2007; Valor Tributável ou Imposto e Multa de Ofício no percentual de 75%] Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei nº 9.249/95; Art. 42 da Lei nº 9.430/96; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287, e 288, do RIR/99; Arts. 1º e 2º, da Lei 8.846/94. O lançamentos da Multas Isolada foi contextualizado da seguinte forma: “.... 001 – MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ (e da Contribuição Ssocial) SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (e da Contribuição Social), incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais, ... [Planilha contendo: Data períodos mensais de 31/01/2007 a 31/12/2007 e Valor da Multa Isolada] Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 3 Enquadramento Legal: IRPJ e CSLL – Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07 (art. 14, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).” A autoridade fiscal elaborou o “Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais IRPJ e Reflexos” de fls. 1666/1671, além dos “Termos de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de IRPJ e CSLL – Multa Isolada”, de fls. 1710/1712, que se transcrevem, em síntese: TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES FISCAIS IRPJ E REFLEXOS No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, fiscalizei a empresa em epígrafe, relativamente ao exercício de 2.008, anocalendário 2.007, vez que fora selecionada para verificação de divergências constatadas entre os valores declarados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2008 e a movimentação financeira realizada naquele período. A ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal para que apresentasse extratos de todas as contas bancárias, correntes, de aplicações, poupanças e/ou outras, movimentadas junto ao Banco Industrial e Comercial S/A, fls. 04, foi efetuada por meio de Edital, fls. 06, após ter restado frustrada a tentativa de entrega pessoal, uma vez que a empresa não foi localizada no local por ela informado, Travessa Miguel Saad n° 43, Sala 6, Cj. 5, Centro, Poá/SP., conforme pesquisa de fls. 43. Cabe registro que no mencionado endereço há um prédio comercial, com lojas no piso térreo e escritórios no piso superior, onde constatamos haver uma sala sob o n° 6, porém nesta sala, funciona um escritório de vendas da empresa BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS Ltda, CNPJ. 03.151.790/000102, que está instalado ali desde maio de 2.006, segundo informações colhidas no local e confirmadas pelos documentos de fls. 37 a 42. Considerandose que o contribuinte não se manifestou quanto ao Termo de Início de Fiscalização, foi novamente intimado, fls. 61. Em atendimento, apresentou os documentos de fls. 65 a 163, dentre os quais, cópias de extratos emitidos pelo Banco Industrial e Comercial S/A., referentes às contas n° 14.0536405, 14.0555914, 14.0543215, 14.1014992 e 44.0971705, agência Paulista, fls. 67 a 155. De posse dos documentos apresentados, elaboramos a planilha de fls. 165 a 180, entregue ao contribuinte anexa ao Termo de Intimação Fiscal n° 34/2010, fls. 164, para que comprovasse a origem dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias no anocalendário 2.007, mediante a apresentação do original do documento comprobatório, bem como elaborasse demonstrativo englobando todos os créditos objeto de comprovação, informando origens, datas e valores creditados. Manifestouse o contribuinte, alegando a fls. 182 que: 1. prestava serviços de administração de cartões para as empresas clientes do Banco Industrial e Comercial S/A., na modalidade "cartões prépagos", o que consistiria na disponibilização dos recursos das empresas a favor dos titulares de cartões (pessoas físicas), conforme contratos firmados com as empresas; Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 4 2. as receitas referentes a tarifas cobradas pela prestação de serviços de gestão/controles dos cartões, seriam contabilizadas na conta corrente n° 14.053640 5; e 3. nas contas correntes 14.0555914, 14.0543215 e 14.1014992 não se registrava receita de serviços da BICBANCO Administradora de Cartões, servindo estas contas unicamente para receber recursos financeiros das empresas clientes do Banco BICBANCO, que teriam sido transferidos para os cartões informados pelos próprios emitentes dos recursos (empresas contratadas) e lá permaneceriam até que ocorressem os saques pelas pessoas portadoras de cartões, mediante retirada em espécie ou através de compras em estabelecimentos credenciados pela VISA. Apresentou ainda os documentos de fls. 183 a 199 e 202 a 241, dentre os quais, o demonstrativo de fls. 183 a 199 e 202 a 234, relativo à movimentação das contas correntes 14.053640 Apresentou ainda os documentos de fls. 183 a 199 e 202 a 241, dentre os quais, o demonstrativo de fls. 183 a 199 e 202 a 234, relativo à movimentação das contas correntes 14.0536405, 14.0555914,14.0543215 e 14.1014992, no anocalendário 2.007. Considerandose que os documentos apresentados não atendiam ao disposto no Termo de Intimação Fiscal n° 34/2010, fis. 164, ou seja, que a origem dos créditos/depósitos não havia sido comprovada, a empresa foi reintimada, conforme Termo n° 90/2010 de fls. 242 e 243, a apresentar no prazo de vinte dias: 1. Comprovantes da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias mantidas junto ao BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A, agência PAULISTA, no anocalendário 2.007, conforme relações anexas ao Termo n° 34/2010, mediante a apresentação do original do documento comprobatório, juntamente com demonstrativo a ser elaborado pela empresa, no qual constassem todos os créditos objeto de comprovação com suas respectivas origens e datas. E, considerandose as alegações verbais do contribuinte de que a quantidade de documentos necessários para a comprovação de todos os valores creditados/depositados em 2.007 seria muito grande, foi intimado a apresentar no prazo de dez dias: os comprovantes da origem dos valores acima de cem mii reais, creditados/depositados na conta bancária n° 14.0555914, em dezembro de 2007, conta e mês de maior movimentação financeira, mediante apresentação de cópia dos contratos firmados, arquivos, segundo informações da empresa, encaminhados pelos seus clientes, com a destinação a ser conferida aos valores creditados, bem como arquivo magnético com as saídas relativas aqueles créditos efetuados na conta da empresa. O contribuinte apresentou os documentos de fls. 253 a 399 e 402 a 418, sendo: resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 90/2010, fls. 253 e 254; cópias simples de dois "Contratos de Utilização do Cartão de Premiação e outras Avencas", fls. 255 a 268; relatórios que, conforme informação verbal da empresa, foram impressos para apresentação a esta fiscalização, fls. 269 a 399 e 402 a 418; e cópia simples da Sexta Alteração de Contrato Social, registrada no Cartório de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica de Poá, em 03 de maio de 2.010. Ao analisarmos os documentos apresentados, verificamos que o contribuinte manifestouse apenas sobre os créditos em valores superiores a cem mil reais, efetuados na conta bancária n° 14.0555914, no mês de dezembro de 2.007, informando a fls. 253, que aqueles créditos seriam relativos às empresas SALLES ADAM LTDA. e INFINIT MKT LTDA., clientes do Banco Industrial e Comercial S/A. e apresentando como comprovantes, os relatórios de fis. 269 a 399 e 402 a 418. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 5 Deixaram de apresentar o arquivo magnético solicitado, com as saídas relativas aos créditos efetuados na conta da empresa, informando a fls. 254 que "... os recursos creditados nos cartões, vimos novamente informar que estes recursos permaneceram em nossa conta até que ocorressem os saques pelos usuários finais (titulares dos cartões) tanto por retiradas em espécie nos caixas eletrônicos TECBAN (Banco 24 horas), quanto através de compras em estabelecimentos credenciados pela VISA". Ocorre que os contratos apresentados por cópias, fls. 255 a 268, estabelecem parâmetros gerais para uma série de possibilidades que poderão ou não vir a ocorrer, como quantidade mínima de abastecimento de cartões por mês, valor máximo e mínimo de crédito por cartão, valor cobrado por cartão emitido, valor ou percentual sobre cada operação de carga de crédito, ou seja, não há como precisar datas ou quais valores estariam ali envolvidos. Considerandose que o necessário confronto dos mencionados contratos apresentados pelo contribuinte com os créditos efetuados nas suas contas bancárias, não resulta em coincidência de datas e valores, concluise que tais documentos não são meios de prova hábeis no sentido de comprovar a origem dos créditos efetuados. O mesmo ocorre, com relação aos relatórios de fls. 269 a 399 e 402 a 418, os quais não trazem informações acerca da sua natureza, do objeto da operação, não identificam os envolvidos nas transações, não recebem número de controle, sequer mencionam quem os elaborou e com que finalidade. Ou seja, tanto os contratos como os relatórios apresentados pelo contribuinte, não se subsumem nas características dos documentos fiscais, recibos ou outros documentos, que, em sendo hábeis e idôneos, e mais, revestindose da imprescindível condição de prova inequívoca, indicando a natureza, o valor e a data de sua ocorrência, poderiam ser aceitos como comprovantes da origem dos créditos bancários em questão. Desta forma, os documentos apresentados pelo contribuinte não foram aceitos por esta fiscalização, remetendo à presunção legal de omissão de receitas, os créditos em valores superiores a cem mil reais, efetuados na conta bancária n° 14.0555914, no mês de dezembro de 2.007, objeto desta / amostragem, impondose o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei 9.430/96. Analisandose a alegação do contribuinte a fis. 182, de que os diversos créditos bancários seriam recursos financeiros das empresas clientes do Banco BICBANCO, os quais teriam sido transferidos para cartões de pessoas físicas, ou seja, repassados para terceiros, há que se observar que os repasses se comprovam por recibos e outros documentos hábeis e idôneos, emitidos em datas e valores compatíveis com os aludidos créditos, evidenciando que os recursos foram efetiva e concretamente transferidos àqueles que se alega serem os titulares dos créditos, o que não ocorreu no presente caso. O contribuinte não logrou comprovar o alegado repasse por meio de recibos ou outros documentos hábeis e idôneos, além do mais, pela análise dos extratos bancários referentes às contas n° 14.0536405, 14.0555914, 14.0543215, 14.1014992 e 44.0971705, agência Paulista, fls. 67 a 155, verificase que não há registro de débitos nas contas bancárias da empresa, em datas e valores compatíveis com os aludidos créditos, ou seja, os valores creditados permaneceram nas contas. Desta forma, por mais duas vezes intimamos o contribuinte, a apresentar os comprovantes da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, bem como a apresentar demonstrativo contendo todos os créditos bancários, relacionados por data, informando a qual empresa se referiam, data da Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 6 contratação do serviço, número do contrato e número da Nota Fiscal de Serviço, respectivos, cientificando ao contribuinte que, no caso de não atendimento, procederseia ao lançamento de ofício, utilizandose para tal, as informações de que se dispusesse, conforme Termos de Intimação Fiscal n° 122/2010 e 137/2010, fls. 429 a 430 e 433 a 434. O contribuinte se manifestou, apresentando os documentos de fls. 435 a 437 e solicitando mais prazo, sob a alegação de que haviam suspendido os levantamentos de documentos, entendendo que já haver prestado os esclarecimentos necessários, contudo, no mesmo documento, fls. 435, menciona que apenas parte dos documentos e esclarecimentos haviam sido entregues à fiscalização. Posteriormente a empresa apresentou os documentos de fls. 438 a 599, 602 a 799, 802 a 999, 1.002 a 1.199, 1.202 a 1.399 e 1.402 a 1.547, sendo: resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 137/2010, fls. 438 e 439; Demonstrativo dos Créditos, fls. 440 a 462; cópias simples de Contratos de Utilização do Cartão de Premiação e Outras Avenças, fls. 463 a 509; e Relatórios, fls. 510 a 599, 602 a 799, 802 a 999, 1.002 a 1.199, 1.202 a 1.399 e 1.402 a 1.499. Na resposta ao Termo de Intimação, o contribuinte informou que as contas n° 14.0555914 e 14.1014992 seriam usadas exclusivamente para recebimento dos créditos destinados às cargas de cartões e para pagamentos à bandeira VISA, que a conta 14.0536405 seria usada para créditos de valores recebidos a titulo de receitas de tarifas e que na conta 14.0543215 seriam creditados os demais valores recebidos pela empresa, não relacionados às operações com cartões, porém nenhum documento foi apresentado para comprovar o alegado. Analisandose os documentos apresentados, verificamos que a empresa novamente apresenta cópias simples de contratos similares aos apresentados para a amostragem realizada, relativa ao mês de dezembro de 2.007, fls. 463 a 509, os quais apenas estabeleciam parâmetros, valores unitários mínimos e/ou máximos para situações hipotéticas, que poderiam ou não vir a se concretizar, em datas, quantidades e valores totais variáveis. Ante a impossibilidade de por intermédio dos mesmos, confirmarmos datas e/ou valores dos créditos bancários em questão, forçoso concluirse que tais contratos não eram meios de prova hábeis no sentido de comprovar a origem dos créditos efetuados. O mesmo ocorreu quanto aos relatórios de fls. 510 a 599, 602 a 799, 802 a 999, 1.002 a 1.199, 1.202 a 1.399 e 1.402 a 1.499, também similares aos apresentados na referida amostragem do mês de dezembro, os quais não se revestiam da imprescindível condição de prova inequívoca, hábil e idônea, a qual deveria indicar a natureza, o valor e a data de ocorrência dos fatos, condição sem a qual não poderia ser aceita como comprovante da origem dos créditos bancários. O contribuinte apresentou ainda os documentos de fls. 1.500 a 1.523, sendo: informação de fls. 1.500 e Demonstrativo de Pagamentos de Operações com Cartões de fls. 1.501 a 1.523, contudo não apresentou documentação comprobatória das informações registradas no mencionado Demonstrativo. Mais uma vez o contribuinte foi intimado, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 169/2010, fls. 1.524, nesta ocasião, para que apresentasse o Razão da Conta Saldos Credores de Cartões e as Notas Fiscais de Serviço ou documentos equivalentes, relativos ao anocalendário 2.007. Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 7 Em atendimento, o contribuinte apresentou cópia simples do Razão da conta Saldos Credores de Cartões, fls. 1.526 a 1.547, porém não apresentou Notas Fiscais ou qualquer documento equivalente, alegando a fls. 1.525, que a Prefeitura do município de Poá concedeulhes regime especial de tributação e o ISS, então, seria apurado com base em valores contábeis das receitas de tarifas e comissões registradas em cada mês, ficando dispensada a emissão de Notas Fiscais de Serviços, o que também não comprovou. A legislação do Imposto de Renda estabelece que, para fins de comprovação das receitas auferidas, a pessoa jurídica prestadora de serviços que não esteja obrigada ao uso do equipamento Emissor de Cupom Fiscal e tenha sido dispensada da emissão de Nota Fiscal pelo Fisco Municipal e pelo Estadual, poderá utilizar recibo ou outro documento equivalente, desde que eles contenham os elementos definidores das operações a que se refiram. Neste sentido, transcrevemos o teor da Decisão 110 de 28 de Setembro de 2000, proferida em processo de consulta acerca de comprovação de receitas, à luz da legislação do IRPJ: EMENTA: COMPROVAÇÃO DE RECEITAS. DOCUMENTO FISCAL Para fins de comprovação das receitas auferidas, no âmbito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, a pessoa jurídica prestadora de serviços que não esteja obrigada ao uso do equipamento Emissor de Cupom Fiscal ECF e tenha sido dispensada da emissão de Nota Fiscal pelo Fisco Municipal e pelo Estadual, poderá utilizar recibo ou outro documento equivalente, desde que eles contenham os elementos definidores das operações a que se refiram. No tocante à emissão de Nota Fiscal, cabe acrescentar o disposto nos artigos 1o e 2o da Lei n9 8.846/94, a seguir transcritos,: Art. 1o A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. Art. 2° Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Não obstante o exposto, a empresa não apresentou Notas Fiscais ou outro documento equivalente, ratificando a caracterização de omissão de receita do citado artigo 2o da Lei nº 8.846/94. Foram apresentados ainda os documentos de fls. 1.579 a 1.599 e 1.602 a 1.665, sendo: resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 199/2010, fls. 1.579 e 1.580; Razão das Contas Banco, fls. 1.582 a 1.599 e 1.602 a 1.624; Razão da Conta Faturados a Receber Vencidos, fls. 1.626; Razão da Conta Transações a Deb a Faturar, fls. 1.627 a 1.631; Balancete do anocalendário 2.009, fls. 1.633 a 1.635; Demonstrativo dos Resultados de 2.007, fls. 1.637; Balancetes mensais do anocalendário 2.007, fls. 1.638 a 1.663; e Demonstrativo das Receitas e Despesas do anocalendário 2.007, fls. 1.665. Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 8 Ocorre que nenhum dos documentos e registros apresentados teve o condão de comprovar as origens ou mesmo os repasses alegados pelo contribuinte, uma vez que desacompanhados dos elementos comprobatórios das informações nos mesmos inseridas. Considerandose que sujeitamse à incidência tributária os valores creditados nas contas bancárias do contribuinte, sem comprovação de origem, ou ainda, valores que o contribuinte não comprove que foram efetiva e concretamente transferidos àqueles que alega serem os titulares dos créditos, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, abaixo transcrito, impõese o Lançamento de Ofício para a devida tributação da receita omitida: Lei 9430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1°.......... § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Ante o exposto, apurandose a base de cálculo pela diferença entre a totalidade dos créditos apurados como receita tributável e os valores informados pelo contribuinte, na DIPJ/2008, fls. 14 a 19, no DACON, fls. 1.565 a 1.576, nos balancetes mensais do anocalendário 2007, fls. 1.638 a 1.663 e no Demonstrativo de fls. 1.637, o competente Auto de Infração de IRPJ e reflexos foi lavrado nos valores a seguir demonstrados: (...) Os Termos de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais IRPJ e CSLL, referentes à Multa Isolada, foi assim contextualizados: TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES FISCAIS IRPJ MULTA ISOLADA No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, fiscalizei a empresa em epígrafe, relativamente ao exercício de 2.008, anocalendário 2.007, vez que fora selecionada para verificação de divergências constatadas entre os valores declarados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2008 e a movimentação financeira realizada naquele período. De posse dos extratos bancários relativos às contas da empresa, elaboramos a planilha de fls. 165 a 180, entregue ao contribuinte anexa ao Termo de intimação Fiscal n° 34/2010, fls. 164, para que comprovasse a origem dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias no anocalendário 2.007, mediante a apresentação do original do documento comprobatório, bem como elaborasse demonstrativo englobando todos os créditos objeto de comprovação, informando origens, datas e valores creditados. Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 9 Ocorre que o contribuinte não logrou comprovar por meio de recibos ou outros documentos hábeis e idôneos a origem dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias no anocalendário 2.007, ou mesmo os eventuais repasses alegados. Considerandose que sujeitamse à incidência tributária os valores creditados nas contas bancárias do contribuinte, sem comprovação de origem, ou ainda, valores que o contribuinte não comprove que foram efetiva e concretamente transferidos àqueles que alega serem os titulares dos créditos, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, procedemos ao Lançamento de Ofício para a devida tributação da receita omitida, lavrando o competente Auto de Infração de IRPJ e reflexos, nos valores a seguir demonstrados: (...) Ao analisarmos a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2.008, anocalendário 2.007 entregue pelo contribuinte, pela Ficha 11, fls. 16 a 19 e DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), fls. 07 a 09, verificamos que naquele ano o contribuinte informou valores^ de IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica mensal por jstimativa. Ocorre que, mediante a omissão de receitas, aqui apurada e demonstrada, verifica se que nos meses de janeiro a outubro de 2.007, a empresa deveria ter efetuado recolhimento mensal de IRPJ, porém não o fez e apurou IRPJ, relativo aos meses de novembro e dezembro, em valores inferiores aos devidos, sendo que, ainda assim, não efetuou qualquer recolhimento a título de IRPJ, conforme pesquisas de fls. 1.560 a 1.564. Dispõe o art. 1o da Lei 9.430/96 que a pessoa jurídica apure os seus resultados trimestralmente. No mesmo sentido caminha o art. 220 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3.000/99, com a possibilidade de opção garantida pelo art. 222, do mesmo Decreto, os quais seguem transcritos: Art. 220. O imposto será determinado com base no Lucro Real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei 9.430, de 1996, art. 1o) Art. 222. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no Lucro Real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n° 9.430, d3 1996, art. 2°). Observase que é opção das empresas adotar o regime de recolhimento do imposto com base em estimativa mensal, com apuração do Lucro Real em 31 de dezembro. Considerandose que a empresa adotou o Lucro Real como forma de tributação, optando pela apuração Anual dos seus resultados, conforme DIPJ, fls. 10, conseqüentemente, estava obrigada ao recolhimento com base em estimativa mensal, consoante determinação do art. 858 do RIR/99: Art. 858. O imposto devido, apurado na forma do art. 222, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (Lei 9.430, art. Isto posto, fazse necessária a lavratura de competente Auto de Infração para aplicação de multa isolada, com base no art. 44 da Lei 9.430/96, nos meses em que a empresa, embora estivesse obrigada por determinação do mencionado art.858 do Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 10 RIR/99, ao pagamento do IRPJ determinado sobre base de cálculo estimada, deixou de fazêlo, conforme demonstrado a seguir: ESTIMATIVA MENSAL (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES FISCAIS CSLL MULTA ISOLADA No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, fiscalizei a empresa em epígrafe, relativamente ao exercício de 2.008, anocalendário 2.007, vez que fora selecionada para verificação de divergências constatadas entre os valores declarados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2008 e a movimentação financeira realizada naquele período. De posse dos extratos bancários relativos às contas da empresa, elaboramos a planilha de fls. 165 a 180, entregue ao contribuinte anexa ao Termo de Intimação Fiscal n° 34/2010, fls. 164, para que comprovasse a origem dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias no anocalendário 2.007, mediante a apresentação do original do documento comprobatório, bem como elaborasse demonstrativo englobando todos os créditos objeto de comprovação, informando origens, datas e valores creditados. Ocorre que o contribuinte não logrou comprovar por meio de recibos ou outros documentos hábeis e idôneos a origem dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias no anocalendário 2.007, ou mesmo os eventuais repasses alegados. Considerandose que sujeitamse à incidência tributária os valores creditados nas contas bancárias do contribuinte, sem comprovação de origem, ou ainda, valores que o contribuinte não comprove que foram efetiva e concretamente transferidos àqueles que alega serem os titulares dos créditos, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, procedemos ao Lançamento de Ofício para a devida tributação da receita omitida, lavrando o competente Auto de Infração de IRPJ e reflexos, nos valores a seguir demonstrados: (...) Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 11 Ao analisarmos a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2.008, anocalendário 2.007 entregue pelo contribuinte, pela Ficha 16, fls. 21 a 24 e DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), fls. 07 a 09, verificamos que naquele ano o contribuinte informou valores de CSLL Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido mensal por estimativa. Ocorre que, mediante a omissão de receitas, aqui apurada e demonstrada, verifica se que nos meses de janeiro a outubro de 2.007, a empresa deveria ter efetuado recolhimento mensal de CSLL, porém não o fez e apurou a CSLL, relativa aos meses de novembro e dezembro, em valores inferiores aos devidos, sendo que, ainda assim, não efetuou qualquer recolhimento a título de CSLL, conforme pesquisas de fls. 1.560 a 1.564. Dispõe o art. 1o da Lei 9.430/96 que a pessoa jurídica apure os seus resultados trimestralmente. No mesmo sentido caminha o art. 220 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3.000/99, com a possibilidade de opção garantida pelo art. 222, do mesmo Decreto, os quais seguem transcritos: Art. 220. O imposto será determinado com base no Lucro Real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei 9.430, de 1996, art. 1o) Art. 222. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no Lucro Real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n° 9.430, d3 1996, art. 2o). Observase que é opção das empresas adotar o regime de recolhimento do imposto com base em estimativa mensal, com apuração do Lucro Real em 31 de dezembro. Considerandose que a empresa adotou o Lucro Real como forma de tributação, optando pela apuração Anual dos seus resultados, conforme DIPJ, fls. 10, conseqüentemente, estava obrigada ao recolhimento com base em estimativa mensal, consoante determinação do art. 858 do RIR/99: Art. 858. O imposto devido, apurado na forma do art. 222, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (Lei 9.430, art. 6º). Tratandose de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, cabe observar o disposto no artigo 57 da Lei 8.891/95, abaixo transcrito: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Isto posto, fazse necessária a lavratura de competente Auto de Infração para aplicação de multa isolada, com base no art. 44 da Lei 9.430/96, a seguir transcrito, nos meses em que a empresa, embora estivesse obrigada por determinação do mencionado art. 858 do RIR/99, combinado com artigo 57 da Lei 8.981/95, ao pagamento da CSLL, determinada sobre base de cálculo estimada, deixou de fazêlo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 12 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (...) Cientificada dos autos de infração em 07/12/2010, a contribuinte autuada, por intermédio de seus advogados e procuradores (instrumento de procuração às fls. 1771/1773) apresentou em 05/01/2011, a impugnação de fls. 1726/1767, acompanhada dos documentos de fls. 1768/1922, com as razões de defesa a seguir reproduzidas. 1. Trata o presente processo administrativo de Autos de Infração, por meio dos quais a D. Autoridade Fiscal constituiu créditos tributários de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas ("IRPJ"), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), da Contribuição para o Programa de Integração Social ("PIS") e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ("COFINS"), relativamente aos períodos compreendidos entre janeiro e dezembro de 2007. 2. Ademais, a D. Fiscalização lavrou Autos de Infração para a constituição e cobrança .de multas de ofício isoladas, em decorrência da alegada falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL dos meses de janeiro a dezembro de 2007. 3. Argumenta a D. Fiscalização que a Impugnante teria omitido receitas em 2007, no montante de R$ 27.058.250,70, quantia esta que, registrese, representa a totalidade dos recursos ingressados nas 04 contascorrentes mantidas pela Impugnante naquele ano (contas n°s 14.0555914, 14.0536405, 14.0543215 e 14.1014992). 4. No entender da D. Fiscalização, os mais de R$ 27 milhões constituem receita omitida por não ter a Impugnante conseguido comprovar, no curso da fiscalização, a origem dos depósitos efetuados em suas contascorrentes, dando ensejo à presunção de omissão prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 5. Além disso, argumenta a D. Fiscalização que a Impugnante deveria ter emitido Notas Fiscais representativas de cada uma das movimentações financeiras, o que, como não foi feito, também constitui omissão de receitas, nos termos do art. 2o da Lei n° 8.846/94. 6. Contudo, conforme restará demonstrado a seguir, os Autos de Infração não merecem prosperar, devendo, pois, essa D. Turma Julgadora determinar o cancelamento dos créditos tributários ora discutidos. É o que se verá. II DO DIREITO II.1 Das Operações de Administração de Cartão prépago 7. Pela mera leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1666/1671), depreendese que a autuação em tela decorre da ausência de compreensão, por parte da D. Fiscalização, a respeito da operação de cartão prépago praticada pela Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 13 Impugnante, daí surgindo a exigência de tributos sobre a totalidade dos recursos por ela movimentados no ano de 2007 como se receita fosse. 8. Por força disso, não obstante já tenha explicado a operação durante o curso da ação fiscal, tanto verbal, quanto formalmente (fls 182), cumpre à Impugnante, uma vez mais, detalhar os atos praticados com os cartões prépagos, demonstrando, de modo cabal, a essa D. Delegacia, que os recursos movimentados em suas contas jamais poderiam ser caracterizados como receita, muito menos omitida. 9. Pois bem. A Impugnante é empresa ligada ao Banco Industrial e Comercial S/A ("BicBanco") e, por vezes, é contratada por empresas clientes do BicBanco para prestarlhes o serviço de administração de cartão prépago. 10. Em breves palavras, o serviço consiste na administração de recursos de terceiros ("clientes"), os quais são inicialmente creditados em favor da Impugnante e posteriormente disponibilizados, na forma e em montante por eles estabelecida, em cartões prépagos (vide contratos de fls. 255/268). 11. Tais cartões são entregues às pessoas indicadas pelos clientes (“favorecidos”), que poderão consumir os créditos mediante saques em Bancos 24hs ou compras nas lojas conveniadas à Bandeira (no caso, apenas a Bandeira a Visa). 12. E aqui cabe um esclarecimento importante: muito embora ocorra a disponibilização do valor aos favorecidos, somente no momento em que a Impugnante efetua o pagamento à rede Banco 24hs ou à Bandeira é que os valores são debitados de sua contacorrente; vale dizer, se determinado favorecido não efetua compras ou saques, os recursos permanecem na contacorrente da Impugnante até que tenham uma das destinações previstas contratualmente (saques, compras, devoluções, pagamentos de taxa, multa, etc). 13. Outro esclarecimento importante: a Impugnante não possui qualquer relação jurídica com os favorecidos e, com os clientes, apenas relação de prestação de serviços. Vale dizer, a Impugnante não participa do negócio jurídico firmado entre as partes pagadora e recebedora dos recursos, agindo como mera intermediária na operacionalização dos pagamentos. 14. Esquematicamente, a operação descrita até o presente momento pode ser representada pela visualização do seguinte fluxograma: ... 15. Para ilustrar a operação praticada pela Impugnante, tomese como exemplo o contrato firmado com o cliente Salles Adan e Associados Marketing de Incentivo S/C Ltda. ("Salles Adan"), acostado aos autos às fls. 255/261 e, para facilitar, anexado à presente impugnação (Doc. 03). 16. O objeto da contratação é (a) transferência de recursos da conta da Salles Adan, mantida no BicBanco, para a conta da Impugnante; e (b) a operacionalização e processamento, pela Impugnante, da utilização dos cartões, em relação aos saques em dinheiro, e outras transações, efetuadas pelos favorecidos (Cláusula Primeira Do Objeto). 17. Em obediência ao contrato, é possível identificar, a título exemplificativo, que, no dia 09/10/2007, houve a transferência de R$ 268.620,94 (soma de R$ 58.967,96 e R$ 209.652,98), da conta da Salles Adan (n° 14.1002595) para a conta da Impugnante (n° 14.0555914). Os extratos bancários comprobatórios constam do Doc. 04. Vol. X, fls. 1859/1861. Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 14 18. A quantia de R$ 268.620,94, muito embora tenha permanecido depositada por algum lapso de tempo na conta da Impugnante, foi imediatamente disponibilizada, em montantes e para os beneficiários indicados pela Salles Adan. Essa disponibilização ocorre por meio de sistema informatizado, referenciado por número do cartão, conforme se verifica pelo extrato anexo (Doc. 05 – Vol. X – fls. 1863/1867). Notese que na última página do extrato consta o valor total das “cargas”, bem como a quantidade total de cartões que recebem a “carga”, o que possibilita à Impugnante cobrar as taxas previstas contratualmente. 19. A mera disponibilização dos valores não representa qualquer débito na conta da Impugnante, já que, frisese, não se confunde com o pagamento efetivo dos cartões (que só ocorrerá de acordo com a forma e no momento da utilização de cada cartão). 20. A dita disponibilização é processada pela CSU Cardsystem S/A, empresa contratada pela Impugnante para essa finalidade (Doc. 06 – Vol. X – fls. 1869/1877). Registrese, uma vez mais, que a disponibilização ocorre apenas eletronicamente, não representando qualquer transferência efetiva de valores entre os agentes neste momento. 21. Aprofundandose no exemplo, é fácil identificar que, dos R$ 268.620,94, houve a disponibilização de R$ 4.165,46 para o beneficiário portador do cartão n° 4267.5904.0055.2006 (vide última página do extrato). Tal montante, como previsto contratualmente, pôde ser utilizado pelo favorecido tanto para fazer saques em Banco 24 hs quanto para fazer compras em estabelecimentos conveniados à Bandeira Visa. 22. Neste caso exemplificativo, o favorecido optou por efetuar saques na rede Banco 24hs, nos montantes de R$ 2.000,00, R$ 2.000,00 e R$ 140,00, todos no dia 26/12/2007, consoante extrato denominado "Diário de Transações por Código", datado de 26/12/2007 (Doc. 08 – Vol. X, fls. 1894/1899). 23. Neste momento ocorre fechamento da primeira parte do ciclo relativo àquele cartão: a Impugnante efetua pagamento à empresa Tecnologia Bancária S/A ("TECBAN"), responsável pela rede Banco 24hs, relativamente aos saques de R$ 2.000,00, R$ 2.000,00 e R$ 140,00 efetuados pelo favorecido do cartão 4267.5904.0055.2006. Tal pagamento é efetuado no valor total de R$ 85.230,00, (V. fl. 1901 – Vol. X) que é composto por todos os saques efetuados em 26/12/2007, de todos os cartões administrados pela Impugnante, inclusive aquele ora analisado (vide última folha do "Diário de Transações por Código", datado de 26/12/2007 Doc. 08). 24. A outra parte do ciclo se refere ao saldo de R$ 25,46, que é a diferença entre os valores depositados em favor da Impugnante para aquele cartão (R$ 4.165,46) e o valor total dos saques feitos pelo favorecido (R$ 4.140,00). Esse montante foi parcialmente utilizado para pagamento à rede Banco 24hs das tarifas de saque (R$ 3,50 por saque, totalizando os três saques R$ 10,50), restando um saldo de R$ 14,96 em favor da empresa Salles Adan, que pode ser compensado com cargas futuras, devolvido em créditos ou conforme contrato celebrado entre as partes (Cláusula Segunda). 25. Desse modo, o caso exemplificativo acima narrado pode ser resumido da seguinte forma: Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 15 (a) em 09/10/2007, a Salles Adan depositou R$ 268.620,94 na conta da Impugnante, determinando que, desse valor, R$ 4.165,46 fosse disponibilizado no cartão 4267.5904.0055.2006; (b) em 26/12/2007, o favorecido do cartão 4267.5904.0055.2006 efetuou saques na rede Banco 24hs, no montante total de R$ 4.140,00, (c) em 26/12/2007, a Impugnante paga à rede Banco 24hs a quantia de R$ 85.230,00, composto por, dentre outros saques, aqueles efetuados pelo favorecido do cartão 4267.5904.0055.2006; (d) o saldo de R$ 25,46 é utilizado parcialmente para pagamento de tarifa de saque à rede Banco 24hs e a parcela remanescente é devolvida à Salles Adan. 26. Há ainda outro exemplo, também de fácil compreensão, que reitera o fluxo das operações praticadas pela Impugnante e demonstra que, uma vez desvendada a real atividade por ela exercida, os valores que transitam em suas contascorrentes jamais podem ser considerados como receita omitida. 27. Tratase da “carga” de R$ 182.912,53, efetuada igualmente pela Salles Adan, em 04/09/2007, mediante dois depósitos (R$ 50.518,34 e R$ 132.394,19). Os extratos bancários que demonstram a operação constam dos Docs. 09 e 10. – Vol. X – fls. 1900/1904. 28. De acordo com as informações transmitidas pelo cliente Salles Adan (Doc. 11 – Vol. X, fls. 1905/1909), a mencionada carga possui 113 cartões favorecidos, dentre os quais o de número 4267.5904.0070.0001, que recebeu crédito de R$ 116,19 (vide última folha do extrato). 29. Em 11/09/2007, o favorecido efetuou o saque de R$ 100,00 na rede Banco 24hs, havendo o consecutivo repasse desse valor da Impugnante para a TECBAN (Banco 24hs), que, juntamente com outros tantos saques (efetuados por favorecidos deste e de outros clientes), somou a quantia de R$ 81.990,00 (vide "Diário de Transações por Código", datado de 11/09/2007 Doc. 12 e Extrato de Conta Corrente da Impugnante Doc. 13). 30. Para este segundo exemplo, descontandose a tarifa de saque de R$ 3,50, restou saldo de R$ 12,69, que pode ser posteriormente devolvido ao cliente ou de outra forma destinado, conforme contrato já mencionado. 31. Logo, o segundo caso pode ser assim resumido: a. em 04/09/2007, a Salles Adan depositou R$ 182.912,52 na conta da Impugnante, determinando que, desse valor, R$ 116,19 fosse disponibilizado no cartão 4267.5904.0070.0001; b. em 11/09/2007, o favorecido do cartão 4267.5904.0070.0001 efetuou saque na rede Banco 24hs, no montante total de R$ 100,00; c. em 11/09/2007, a Impugnante pagou à rede Banco 24hs a quantia de R$ 81.990,00, composto por, dentre outros saques, aqueles efetuados pelo favorecido do cartão 4267.5904.0070.0001; e d. o saldo de R$ 16,19 é utilizado parcialmente para pagamento de tarifa de saque à rede Banco 24hs e a parcela remanescente é devolvida à Salles Adan. Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 16 32. Em linhas gerais, podese dizer, sem sombra de dúvidas, que a grande maioria da movimentação financeira da Impugnante se deve à gestão dos meios de pagamento utilizados para viabilizar a destinação de recursos dos clientes aos favorecidos por eles indicados, de tal modo que os créditos em suas contas decorrem das “cargas”, e os débitos em suas contas decorrem dos pagamentos feitos à rede Banco 24hs e às Bandeiras. 33. Por óbvio, embora não seja no montante de R$ 27 milhões mencionado pela D. Fiscalização, a Impugnante aufere receitas em decorrência da prestação dos seus serviços, receitas essas que podem ser divididas em duas partes: (i) advindas dos clientes, como tarifas de emissão de cartões e de cargas; e (ii) advindas das Bandeiras dos cartões de crédito, decorrentes da utilização das Bandeiras pelos seus clientes, operacionalizadas por meio de desconto das faturas a serem pagas. 34. Seja com relação às “cargas” solicitadas pelos seus clientes, seja com relação aos dois tipos de receitas auferidas pela Impugnante, toda movimentação financeira é devidamente registrada em seus livros contábeis, oferecendose à tributação apenas o que representa verdadeiro ingresso de recursos, em obediência ao seguinte esquema contábil: 1) Pelo valor dos créditos carregados nos cartões Débito Conta Patrimonial Ativo 1.8.8.90.001.003 Cargas em Cartões a Receber Crédito Conta Patrimonial Passivo 4.9.9.92.007.006 Saldos Credores de Cartões 2) Pelo recebimento do valor utilizado para carregar os cartões Débito Conta Patrimonial Ativo 1.1.2.80.008.005 Bancos conta movimento Crédito Conta Patrimonial Ativo 1.8.8.90.001.003 Cargas em Cartões a Receber 3) Pelos débitos nos cartões relativos a compras nacionais Débito Conta PatrimonialAtivo 1.8.8.90.001.001 Transações a. débito a faturar Crédito Conta Patrimonial Passivo 4.9.9.25.005.001 Transações a pagarVisa Nacional 4) Pelos débitos nos cartões relativos a compras e saques no exterior Débito Conta Patrimonial Ativo 1.8.8.90.001.001 Transações a débito a faturar Crédito Conta Patrimonial Passivo 4.9.9.25.005.002 Transações a pagarVisa Internacional Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 17 5) Pelos débitos nos cartões relativos a saques no Banco 24 horas e Rede Compartilhada Débito Conta Patrimonial – Passivo 4.9.9.92.007.006 Saldos Credores de Cartões Crédito Conta Patrimonial Passivo 4.9.9.25.005.004 Faturas a pagar – Tecban 6) Pelos débitos nos cartões relativos a saques na Rede Bandeira Débito Conta Patrimonial – Passivo 4.9.9.92.007.006 Saldos Credores de Cartões Crédito Conta Patrimonial – Passivo 4.9.9.25.005.001 Transações a pagar Visa Nacional 7) Pelos débitos nos cartões relativos a tarifas sobre saques Débito Conta Patrimonial – Ativo 1.8.8.90.001.001 Transações a débito a faturar Crédito Conta de Resultado – Receita 7.1.7.99.003.008 Tarifa sobre saques .... 8) Pelos pagamentos efetuados à TECBAN, relativos aos saques efetivados no Banco 24 horas e Rede Compartilhada Débito Conta Patrimonial 4.9.9.25.005.004 Crédito Conta Patrimonial 1.1.2.80.008.005 9) Pelos pagamentos efetuados à Visa, relativos as compras nacionais e saques na rede bandeira Pelo valor das compras e saques efetuados: Débito Conta Patrimonial Passivo 4.9.9.25.005.001 Transações a pagarVisa Nacional Pelo valor do desconto concedido pela Visa: Crédito Conta de Resultado – Receita 7.1.7.99.003.001 Comissões Visa Pelo valor líquido pago: Crédito Conta Patrimonial Ativo 1.1.2.80.008.001 Bancos conta movimento 10) Pelos pagamentos efetuados à Visa, relativos as compras e saques no exterior Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 18 Débito Conta Patrimonial Passivo 4.9.9.25.005.002 Transações a pagar Visa Internacional Crédito Conta Patrimonial Ativo 1.1.2.80.008.003 Bancos conta movimento 11) Pelos recebimentos das tarifas contratuais Débito Conta Patrimonial Ativo 1.1.2.80.008.001 Bancos conta movimento Crédito Conta de Resultado Receitas 7.1.7.99.003.010 Tarifa de abastecimento de cartões 7.1.7.99.003.011 Tarifa de emissão de cartões 7.1.7.99.003.012 Tarifa de inatividade de cartões 7.1.7.99.003.014 Tarifa de manutenção de cartões ativos 35. Notase, pelo exposto até aqui, que as operações praticadas pela Impugnante seguem o quanto estipulado nos contratos celebrados com seus clientes, valendose da dinâmica presente em qualquer contrato bancário, que é caracterizada pela agilidade no manejo das informações e controle absoluto de todo e qualquer débito ou crédito nas contas bancárias. 36. Assim, analisandose a operação de uma forma geral, a Impugnante recebe uma ordem eletrônica dos seus clientes e, a partir dela, naquele mesmo instante, realiza uma transferência bancária da contacorrente do cliente (mantida no BicBanco) para sua contacorrente, informando à empresa processadora, também naquele átimo, os números dos cartões dos favorecidos. Tudo isso ocorre em poucos minutos, com o apoio dos sistemas informatizados do BicBanco, da processadora e da Impugnante. 37. Passo seguinte, os beneficiários utilizam seus cartões conforme sua conveniência, efetuando saques na rede Banco 24hs ou compras em estabelecimentos conveniados, momento em que a Impugnante recebe a informação por meio eletrônico e prontamente transfere os recursos para a TECBAN (rede 24hs) ou para a Bandeira do cartão de crédito, quitando a operação com a operadora. 38. Se por um lado é fácil identificar cada um dos depósitos efetuados nas contas corrente da Impugnante, bastando para isso analisar o extrato bancário e ali verificar o número da contacorrente de origem (ao lado direito da descrição), por outro lado pode se encontrar alguma dificuldade ao tentar identificar uma relação direta entre créditos e os débitos, pois as saídas ocorrem nas mais variadas datas e valores, para pagamento à rede Banco 24hs ou às Bandeiras, havendo ainda a situação em que o favorecido não utiliza os recursos que lhe são disponibilizados (por perda do cartão, da senha ou outra razão pessoal). Mas a dificuldade para se relacionar os créditos e os débitos é superada quando se entende o modelo de negócios da Impugnante e se aprofunda na análise de toda a documentação contábil e contratual até aqui mencionada, a qual é importante que se frise que foi Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 19 integralmente fornecida aos Ilustres Auditores Fiscais durante todo o procedimento fiscalizatório. 39. De todo modo, é fato que há um rigoroso controle das movimentações financeiras, tanto por parte da Impugnante, quanto por parte das empresas processadoras, que utilizam modernos e atualizados sistemas de informática, possibilitando a agilidade e a segurança necessárias nesse tipo de operação. 40. Vale dizer, toda a operação envolvendo cartões de crédito prépagos é controlada e registrada por sistemas eletrônicos e, uma vez compreendidos os passos da operação, poderia facilmente a D. Fiscalização comprovar a natureza das movimentações financeiras e concluir que não há qualquer receita omitida pela Impugnante. 41. Tecidos esses breves comentários a respeito da operação de cartões de crédito prépagos, realizadas pela Impugnante em 2007, passase, a seguir, a articular os argumentos pelos quais não poderão prevalecer os lançamentos ora combatidos. II.2 Da Ausência da Alegada Omissão de Receitas 42. A D. Fiscalização, como já mencionado anteriormente, certamente não compreendeu a operação praticada pela Impugnante, preferindo, ao invés de laborar no sentido de buscar as informações e os esclarecimentos necessários junto ao próprio Impugnante, ou mesmo aos seus clientes e fornecedores, mediante um necessário procedimento de circularização destas informações, tributar os depósitos ocorridos em suas contascorrentes como se fossem receita omitida, em evidente equívoco. 43. Numa primeira análise do Termo de Verificação Fiscal, é possível depreender que a D. Fiscalização constitui os créditos tributários com base na presunção legal de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 44. Tanto é assim que a D. Fiscalização afirma no Termo de Verificação Fiscal que “os documentos apresentados pelo contribuinte não foram aceitos por esta fiscalização, remetendo à presunção legal de omissão de receitas, os créditos em valores superiores a cem mil reais, efetuados na conta bancária n° 14.0555914, no mês de dezembro de 2007, objeto desta amostragem, impondose o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430/96” (fls. 1668 segundo parágrafo). Vol. X. 45. Além disso, afirma que “Ante a impossibilidade de por intermédio dos mesmos, confirmarmos datas e/ou valores dos créditos bancários em questão, forçoso concluirse que tais contratos não eram meios de prova hábeis no sentido de comprovar a origem dos créditos efetuados:", (fls. 1669 primeiro parágrafo). 46. Mais adiante, ainda no Termo de Verificação Fiscal, a D. Fiscalização se reporta ao Termo de Intimação n° 169/2010, por meio do qual solicitou a apresentação do livro Razão da conta “Saldos Credores de Cartões”, bem como das Notas Fiscais de Serviços ou documentos equivalentes. 47. Na continuação de sua narrativa, afirma a D. Fiscalização que, muito embora tenha a Impugnante apresentado o livro Razão solicitado, não apresentou as Notas Fiscais de Serviços ou documentos equivalentes, “ratificando a caracterização de omissão de receita do citado artigo 2° da Lei nº 8.846/94.” 48. Ou seja, pelo Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante teria omitido receitas por dois fundamentos: (a) ausência de comprovação da origem dos depósitos (art. Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 20 42 da Lei n° 9.430/96); e (b) ausência de emissão de Notas Fiscais de Serviços ou documento equivalente (art. 2º da Lei n° 8.846/94). 49. Além dessas duas possíveis causas, a D. Fiscalização fez sutilmente constar do Auto de Infração (fls. 1676/1677), também como possível motivação do lançamento, a "Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários." 50. No entanto, por inexistir qualquer menção expressa de falta de contabilização dos depósitos no Termo de Verificação Fiscal, bem como, e principalmente, por existir irrefutável prova nos autos no sentido de que houve o correto registro contábil de todos os depósitos realizados nas contascorrentes da Impugnante, considerase que houve mero erro na qualificação do fato no Auto de Infração, afastando a necessidade de contestar tal alegação. 51. De fato, confirase o enquadramento legal contido no Auto de Infração (fls. 1676/1677): art. 24 da Lei n° 9.249/95: trata da forma de tributação da receita emitia; art. 42 da Lei n° 9.430/96: trata da omissão de receitas' por depósito de origem não comprovada; art. 249, inciso II, do RIR/99: trata genericamente das adições obrigatórias ao lucro líquido; art. 251 e parágrafo único do RIR/99: trata genericamente do dever de escriturar; art. 279 do RIR/99: trata do conceito de receita bruta; art. 282 do RIR/99: trata de suprimentos de caixa; art. 287 do RIR/99: assim como o art. 42 da Lei n° 9.430/96, trata da omissão de receitas por depósito de origem não comprovada; art. 288 do RIR/99: assim como o art. 24 da Lei n° 9.249/95, trata da forma de tributação da receita omitida; e por fim arts. 1º e 2º da Lei n° 8.846/94: tratam da omissão de receitas por falta de emissão de nota fiscal. 52. Assim, pesa efetivamente sobre a Impugnante a acusação de ter omitido receitas sob dois fundamentos distintos: (a) depósito de origem não justificada; e (b) falta de emissão de Notas Fiscais. 53. Contudo, nenhum dos dois fundamentos poderá prevalecer, devendo essa D. Turma de Julgamento declarar a insubsistência dos lançamentos e determinar o cancelamento dos Autos de Infração, pelos motivos que se passa a demonstrar. Vejase. II.2.a Da Impossibilidade de Coexistência das 02 espécies de Omissão de Receitas Dúvida na Interpretação Jurídica do Fato 54. Antes de se adentrar a cada uma das espécies de omissão de receitas atribuídas à Impugnante, é de primordial importância esclarecer que a D. Fiscalização, no afã de lavrar os Autos de Infração, acabou cometendo erro que gera a nulidade do ato administrativo, por vício em sua motivação. . Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 21 55. Isso porque, para se presumir a omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 é necessária a existência de depósitos em contacorrente do contribuinte, cuja origem não é por ele comprovada. Ou seja, a presunção em tela tem como pressuposto a “ocultação”, intencional ou não, da origem do valor depositado, de tal maneira que a fiscalização, mesmo sem ter acesso aos reais depositantes, o considera receita do contribuinte. 56. Por outro lado, a omissão de receitas prevista no art. 2º da Lei n° 8.846/94 pressupõe a efetiva existência de uma operação mercantil ou de prestação de serviços, com a perfeita identificação das partes, objeto e valor, em relação à qual o contribuinte não tenha emitido o consecutivo documento fiscal. Vale dizer, só se pode falar em falta de emissão de documento fiscal quando há conhecimento da operação mercantil ou de prestação de serviços em todos os seus contornos, principalmente quanto à parte tomadora dos mencionados serviços. 57. Logo, se a primeira hipótese de omissão de receitas (art. 42 da Lei n° 9.430/96) é caracterizada pela falta de comprovação da origem do depósito, a segunda (art. 2º da Lei n° 8.846/94) possui em sua essência justamente a existência da origem do depósito, mas que não foi formalizada em documento fiscal. 58. Em outras palavras, não podem coexistir, em relação aos mesmos fatos, as acusações de que há depósitos sem a devida comprovação de origem e a de que houve operação mercantil ou prestação de serviços sem a competente emissão de Notas Fiscais; ou a fiscalização não tem conhecimento da origem do depósito e por isso enquadra a omissão de receitas no art. 42 da Lei n° 9.430/96, ou a fiscalização possui pleno conhecimento da origem dos recursos e consegue, a partir desse conhecimento, verificar a falta de emissão de Nota Fiscal prevista do art. 2º da Lei n° 8.846/94. 59. No presente caso, a D. Fiscalização considerou, num primeiro momento, que os contratos juntados às fls. 255/268 não eram suficientes para comprovar a origem dos depósitos efetuados nas contascorrentes (art. 42 da Lei n° 9.430/96) e, num segundo momento, considerou que os contratos eram suficientes para comprovar a operação de administração de cartão de crédito e, em decorrência disso, verificou a alegada falta de emissão de Notas Fiscais (art. 2º da Lei n° 8.846/94). 60. Mas não se pode admitir que os mesmos contratos sejam, de um lado, considerados inválidos para comprovar a origem da operação e, de outro, considerados válidos para demonstrar a ocorrência da operação e, inclusive, a ausência de emissão de documento fiscal. Ou os contratos são válidos, ou não são válidos! 61. Essa contradição, por si só, já demonstra que os Autos de Infração não poderão prevalecer, tendo em vista evidente equívoco na motivação do ato administrativo de lançamento, impondo a essa D. Turma Julgadora o cancelamento das exigências fiscais ora combatidas. 62. Não bastasse isso, se havia dúvida por parte da D. Fiscalização quanto aos fatos demonstrados pela Impugnante no curso da ação fiscal, deveria ela invocar o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional para interpretar a legislação tributária sobre o assunto, e não simplesmente lavrar os Autos de Infração com base em fatos sobre os quais não tinha certeza. 63. Com efeito, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já analisou casos semelhantes ao presente, determinando o cancelamento dos Autos de Infração por falta de convicção e certeza por parte da D. Fiscalização: Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 22 “IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE COMPRAS A simples constatação de omissão de compras na escrituração do contribuinte, a despeito de constituirse em irregularidade, não autoriza a tributação de receitas omitidas pelo somatório dos valores não escriturados, quando não comprovado o seu efetivo pagamento. O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza, indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN. Art. 3°), não pode ser usado como sanção.” (Acórdão CSRF/0104.513, de 15.04.2003 g.n.) 64. Assim, seja por vício na motivação, seja por não aplicar o art. 112 do Código Tributário Nacional, deverá essa D. Turma de Julgamento reconhecer a nulidade dos lançamentos ora combatidos. II.2.b Ausência de Depósitos de Origem não Comprovada 65. Mesmo que se supere a nulidade acima apontada, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim não poderão prevalecer os lançamentos efetuados com base em depósito de origem não comprovada. 66. Como já mencionado anteriormente, a Impugnante, no ano de 2007, praticou a atividade de administração de cartões de crédito prépagos, por meio da qual (i) recebia recursos de seus clientes; (ii) disponibilizava os recursos aos favorecidos nos montantes e forma indicados pelos clientes; e (iii) transferia recursos à rede Banco 24hs e às Bandeiras nas datas e valores correspondentes aos gastos feitos pelos favorecidos. 67. Ao ser intimada para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contascorrentes, a Impugnante primeiramente juntou os Contratos de Utilização de Cartão de Premiação (fls. 255/268) e, após, elaborou o demonstrativo de fls. 440/462, [Vol. III] em que consta detalhadamente cada uma das fontes pagadoras dos recursos (“depositantes”), bem como a natureza da operação e a sua competente contabilização. Juntamente com tal demonstrativo, a Impugnante apresentou os documentos de fls. 463/1499 (mais de mil páginas), que dão suporte a todas as justificativas por ela apontadas. 68. A D. Fiscalização analisou a documentação apresentada pela Impugnante e consignou que "os contratos apresentados por cópias, fls. 255 a 268, estabelecem parâmetros gerais para uma série de possibilidades que poderão ou não vir a ocorrer, como a quantidade mínima de abastecimento de cartões por mês, valor máximo e mínimo de crédito por cartão, valor cobrado por cartão emitido, valor percentual sobre cada operação de carga de crédito, ou seja, não há como precisar datas ou quais valores estariam ali envolvidos." 69. Por força disso, assinalou a D. Fiscalização que o "confronto dos mencionados contratos apresentados pelo contribuinte com os créditos efetuados nas suas contas bancárias, não resulta em coincidência de datas e valores, concluise que tais documentos não são meios de prova hábeis no sentido de comprovar a origem dos créditos efetuados." Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 23 70. Ocorre que, ao contrário do quanto afirmado pela D. Fiscalização, não é verdade que os valores e datas dos contratos não coincidem com os valores e datas dos depósitos. É que os contratos não prevêem valores e datas para os depósitos. Realmente, seria diferente se os contratos estabelecessem valores e datas para cada uma das cargas e, de forma completamente aleatória, fossem feitos depósitos em valores e datas diferentes daquelas estabelecidas. 71. Mas, pela sua natureza, os contratos não indicam datas e valores dos depósitos, e mesmo assim eles efetivamente comprovam a origem dos recursos depositados nas contascorrentes da Impugnante, não podendo, pois, prevalecer a autuação ora guerreada sob esse fundamento. 72. Com efeito, os contratos firmados entre a Impugnante e seus clientes se assemelham aos contratos bancários geralmente celebrados pelas instituições financeiras, em que há a estipulação das regras gerais para transferência e manutenção de valores, sem que haja a necessidade de prévia e precisa indicação dos montantes e das datas de cada um dos depósitos. 73. Em verdade, os contratos firmados pela Impugnante e seus clientes possuem todas as características jurídicas de um contrato de depósito, com estipulação em favor de terceiro, já que a Impugnante se responsabiliza pela guarda e posterior entrega dos recursos recebidos dos seus clientes aos favorecidos. 74. Entretanto, por terem como objeto bem fungível (dinheiro), os contratos em análise são regidos pelas disposições acerca do mútuo, conforme disciplina o art. 645 do Código Civil. Relevante esclarecer que o depósito de bem fungível, também denominado de depósito irregular, não obstante seja regido pelas disposições a respeito do mútuo, com este não se confunde. 75. Orlando Gomes , ao tratar do tema, lecionou que: “Depósito Irregular. Sob essa denominação se conhece um negócio jurídico que mais se aproxima do mútuo de que propriamente do depósito. Conquanto, porém, se regule predominantemente pelas disposições concernentes àquele contrato, com ele não se confunde inteiramente. As afinidades, no entanto, são copiosas. Porque recai sobre coisas fungíveis, ou consumíveis, a obrigação de restituir, tal como no mútuo, tem como objeto não a mesma coisa depositada, mas outra do mesmo gênero, quantidade e qualidade. (...) Mas depósito irregular não é mútuo. Distinguemse pelo fim econômico. O depósito irregular é feito no interesse do depositante, enquanto o mútuo se faz no interesse do mutuário. Conseqüências práticas decorrem dessa diversidade de causa. Dentre outras, salientese a de que, no depósito irregular, a parte que entrega a coisa pode exigir que seja restituída igual quantidade, em qualquer momento, mesmo que se tenha estipulado prazo fixo para a devolução. Essa possibilidade, própria do depósito, não existe para o mútuo, a menos que prevista expressamente.” ... 76. Ao comentar o art. 645 do Código Civil, Nelson Rosenvald assevera que “O legislador fez questão de afirmar que tal modalidade de depósito voluntário será regida pelas normas relativas ao contrato de mútuo (arts. 586 a 592 do CC), em razão da grande aproximação entre os dois modelos, eis que o depositário não será um guardião por excelência da coisa, pois poderá alienar ou consumir o que recebeu, sendo fundamental a devolução de igual quantidade e qualidade. Contudo, extraise a diferença da própria teleologia dos institutos. O mútuo é realizado no interesse do mutuário e o depósito no interesse do depositante. Enquanto o Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 24 mutuário tem seu patrimônio acrescido pelo empréstimo, com a obrigação de restituir no prazo contratado ou, supletivamente no termo legal (art. 592 do CC), o depositário não poderá incluir os bens fungíveis em seu ativo, pois deverá restituir a qualquer tempo, mantendo o equivalente permanentemente à disposição do depositante (art. 633 do CC). 77. Nesse sentido, muito embora haja diferenças sutis entre o contrato de depósito irregular e o de mútuo, principalmente quanto à parte interessada, é inegável que as disposições aplicáveis àquele tipo de contrato são as mesmas deste, em estrita obediência ao art. 645 do Código Civil. 78. O mútuo, como sabido, não requer modo especial para sua celebração, tendo forma livre (exceto se for oneroso). Nesse contexto, a prova da realização do contrato se dá por qualquer forma em Direito admitida, como bem consignou Maria Helena Diniz : "Se se tratar de negócio jurídico não formal, qualquer meio de prova será permitido pela ordem jurídica, desde que não seja por ela proibido ou restringido (CPC, art. 332)" 79. Vêse, assim, que o mútuo não se comprova apenas pelos contratos celebrados entre as partes, mas também, e principalmente, pela transferência efetiva de recursos entre o mutuante e o mutuário, formalizada por meio dos respectivos comprovantes. 80. Esse entendimento, aliás, já foi manifestado pelo antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais "CARF"): “EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação mediante cópia do contrato de mútuo, cheque, comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio admitido em direito, da efetiva transferência dos recursos, tanto na concessão como por ocasião do recebimento do empréstimo.” (Acórdão n° 10246.573, de 011.12.2004 g.n. no mesmo sentido: 10246.568 e 10246.559) 81. Assim, temse que o acordo celebrado entre a Impugnante e seus clientes encaixase perfeitamente no conceito de contrato de depósito irregular (art. 645 do Código Civil), com estipulações em favor de terceiros (art. 436 do Código Civil), sendo regido pelas mesmas regras aplicáveis ao mútuo. 82. Dessa maneira, muito embora o contrato anexado aos autos não preveja os valores e as datas dos depósitos (pois são eventos futuros e incertos), essas informações podem ser facilmente extraídas dos comprovantes de transferência bancária, bem como dos próprios extratos de contacorrente do Impugnante, apresentados à D. Fiscalização durante o curso da ação fiscal (fls. 67/155 – Vol. I e fls. 438/1499 Vol. III/VIII), já que neles se encontram todas as informações necessárias para comprovar tanto a origem do depósito (depositante) quanto sua motivação (razão), movimentações essas que foram todas registradas nos documentos contábeis da Impugnante, conforme esquema contábil descrito anteriormente. 83. Logo, mediante a simples análise dos contratos, em conjunto com os extratos bancários e as demais explicações (verbais e formais) prestadas pela Impugnante no curso da ação fiscal, resta evidente que a totalidade da receita considerada Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 25 omitida se refere, de fato, à atividade de administração de cartões de crédito, não podendo prevalecer os Autos de Infração ora combatidos. 84. Ainda, não é demais lembrar que a expressão comprovação da origem contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 carrega em seu significado a necessidade de comprovar o depositante da quantia creditada na conta do contribuinte, e não a razão ou motivo daquele depósito. 85. De fato, se quisesse o legislador que os contribuintes demonstrassem à Fiscalização, quando questionados, a razão ou motivo dos depósitos, certamente teria alterado a redação do mencionado dispositivo legal para substituir a palavra “origem” pela palavra “motivo”. 86. Aliás, há inúmeras decisões, proferidas tanto pelas Delegacias de Julgamento quanto pelos antigos Conselhos de Contribuintes, corroborando que a comprovação da origem se refere à comprovação do depositante, tais como as descritas abaixo: "DEPÓSITO. IDENTIFICAÇÃO DO DEPOSITANTE. Se identificado, durante a fiscalização, o depositante, através de cópia do cheque, não cabe aplicar a presunção de rendimentos omitidos por falta de prova da origem do depósito. MULTA AGRAVADA. A falta de apresentação de extratos bancários não justifica o agravamento da multa." (3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador. Acórdão N° 1517989 de 18 de Dezembro de 2008 g.n.) "DEPÓSITO. IDENTIFICAÇÃO NO EXTRATO. Identificado o DEPOSITANTE no extrato bancário, não cabe aplicar a presunção de rendimentos omitidos por falta de prova da origem do depósito.(3o Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador. Acórdão n° 1517809 de 04 de Dezembro de 2008 g.n.) "OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO Não cabe o lançamento com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, quando claramente identificado o depositante, devendo ser aplicada a tributação específica aplicável ao tipo de rendimento, se for o caso." (g.n. Acórdão 10423043, de 05/03/2008) "COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei n° 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. (g.n. Acórdão 10617233, de 04/02/2009) 87. Desse modo, a Impugnante, além de comprovar o motivo dos depósitos efetuados em suas contas (contrato de administração de cartões de crédito pré pagos), comprovou também os efetivos depositantes dos valores, mediante a entrega dos extratos bancários e relação detalhada de cada um dos depósitos efetuados em suas contas (fis. 67/155 e fis. 438/1499). Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 26 88. Para que não pairem dúvidas a respeito dos depositantes, a Impugnante requereu ao BicBanco uma relação simplificada dos nomes dos titulares das contas mencionadas em seus extratos, obtendo como resposta os dados abaixo (Doc. 15): Número da Conta Titular / Depositante CNPJ/MF 14.1002595 Salles Adan e Associados MKT de Inc, SC Ltda. 66.844.754/000136 14.1013856 Salles Adan e Associados MKT de Inc, SC Ltda. 66.844.754/000136 14.1013848 Salles Adan e Associados MKT de Inc, SC Ltda. 66.844.754/000136 14.1002609 Avant Gestão de Neg. e Incentivos Ltda. 06.265.450/000192 14.1007473 Infinit Mark. De Inc, e Fidelização Ltda. 05.604.139/000168 141006272 SIM Incentive MKT Ltda. 03.745.219/000108 14.1010563 Plus Incentive Marketing Ltda. 08.259.283/000100 14.1010610 Associativa Consultoria Empresarial Ltda. 06.958.210/000173 89. Diante disso, uma vez comprovada a razão e a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias mantidas pela Impugnante, não há como prevalecer a presunção de omissão de receitas pretendida pela D. Fiscalização. 90. Ademais, apenas a título argumentativo, convém relembrar que a principal atividade social da Impugnante é a "administração de cartão de crédito próprio ou de terceiros" (contrato social às fls. 159). Dessa maneira, mostrase inconcebível admitir que uma empresa com esse objeto social aufira, em um único ano, receitas de mais de R$ 27 milhões, sem que nenhum centavo corresponda à execução da sua atividade de intermediação de recursos de terceiros. Foi exatamente isso que fez a presente autuação: considerou que a totalidade dos recursos movimentados nas contas é receita omitida, mas não considerou parcela alguma dessa movimentação como sendo resultante das operações para as quais a Impugnante foi contratada. Em outras palavras, é como se a Impugnante tivesse auferido receitas em decorrência de' contratos que não foram postos em prática (já que aos olhos da D Fiscalização toda a movimentação é receita, e não recursos de terceiros, muito embora todos os contratos, com a identificação dos clientes e dos fornecedores tenham sido entregues durante o procedimento fiscalizatório). Assim, é evidentemente arbitrária a autuação ora contestada. 91. Infelizmente, autuações desse tipo já aconteceram com empresas de factoring, e o antigo Conselho de Contribuintes determinou o cancelamento das autuações realizadas sobre a totalidade dos depósitos feitos em suas contascorrentes, justamente por considerar as peculiaridades da atividade da empresa. Confirase a ementa abaixo transcrita: "PESSOAS JURÍDICAS QUE EXERCEM ATIVIDADE DE FACTORING No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de factoring, não há como partir do pressuposto de que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita omitida, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Diversamente, nas pessoas jurídicas do ramo de factoring, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos de créditos, como orientam o ADNCOSIT n° 31/97 e o artigo 10, § 3o, do Decreto n° 4.524, de 2002. Em suma, para corresponder à conceituação jurídica relativa à receita bruta da atividade de factoring, apenas os depósitos bancários não promovem a presunção de que, na ausência de comprovação de suas origens, a receita omitida equivale, exatamente, ao somatório dos referidos depósitos, no período de apuração." (g.n. Acórdão n° 10809.549, de 04.03.2008) Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 27 92. Guardadas as devidas proporções, não pode a D. Fiscalização considerar que a totalidade dos recursos movimentados por empresa administradora de cartões de crédito corresponda à sua receita, assim como ocorre com as empresas de factoring, o que corrobora a necessidade de cancelamento dos Autos de Infração por essa D. Turma Julgadora. 93. Por fim, e também a título argumentativo, a D. Fiscalização cometeu evidente erro na qualificação jurídica dos fatos, o que acarreta a nulidade dos Autos de Infração, ao afastar a validade dos contratos como prova das operações de crédito sob o fundamento de que "O contribuinte não logrou comprovar o alegado repasse por meio de recibos ou outros documentos hábeis e idôneos, além do mais (...), não há registro,de. débitos nas contas bancárias da empresa, em datas e valores compatíveis com os aludidos créditos" (g.n.). 94. No entendimento da D. Fiscalização, o fato de não terem sido comprovadas as saídas de recursos das contas da Impugnante acarretaria, como consequência lógica, a desclassificação dos contratos de administração de cartões de crédito, já que tal contrato pressupõe a existência mútua dos créditos e correspondentes débitos, não podendo subsistir quando ausente um desses braços. 95. Ocorre, contudo, que a suposta falta de comprovação dos débitos jamais poderá ter como reflexo a caracterização de omissão de receitas, muito menos com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, que trata da falta de comprovação dos créditos efetuados em contas bancárias. 96. Assim, também por essa razão, não há como a D. Turma Julgadora manter as exigências tributárias com base em falta de comprovação da origem dos depósitos. II.2.C Ausência de Omissão de Receitas por falta de emissão de Notas Fiscais. 97. O outro fundamento utilizado pela D. Fiscalização para tributar os mais de R$ 27 milhões movimentados pela Impugnante em suas contascorrentes consiste na alegada falta de emissão de Notas Fiscais, ou documentos equivalentes, relativamente às operações de administração de cartão de crédito, o que caracteriza a omissão de receitas prevista no art. 2º da Lei n° 8.846/94. 98. No entanto, tal fundamento também não poderá prevalecer, devendo ser igualmente afastado por essa D. Turma de Julgamento. 99. Inicialmente, a Impugnante traz a redação do art. 2o da Lei n° 8.846/94, utilizado como fundamento legal para caracterizar a omissão de receitas: “Art. 2º Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação.” (g.n.) 100. Para a adequada interpretação da regra prevista no citado art. 2º, mostrase necessária também a transcrição do art. 1º, pois somente no momento em que ocorrerem as operações nele descritas a falta de emissão da Nota Fiscal ou documento equivalente poderá ser considerada omissão de receitas. Assim encontrase redigido o art. 1º da Lei n° 8.846/94: “Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 28 deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. § 1º O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; b) quaisquer outras transações realizadas com bens e serviços, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas.” 101. Notase, pela simples leitura dos dispositivos acima transcritos, utilizados pela D. Fiscalização para fundamentar os Autos de Infração, que a emissão da Nota Fiscal ou documento equivalente é obrigatória para representar, em linguagem jurídica competente, as operações de (i) venda de mercadorias; (ii) prestação de serviços; (iii) alienação de bens imóveis; (iv) locação de bens móveis e imóveis; e (v) outras transações com bens e serviços. 102. Então, de acordo com os arts. 1º e 2° da Lei n° 8.946/94, em havendo qualquer das hipóteses acima, tornase obrigatória a emissão de Nota Fiscal ou documento equivalente, sendo que a sua falta enseja a omissão de receitas. 103. Para a correta aplicação dos mencionados dispositivos ao caso concreto, é de suma importância recordar que a movimentação financeira da Impugnante se divide em dois grandes grupos: (a) grupo dos valores de titularidade de terceiros, depositados por seus clientes e posteriormente repassados aos operadores da rede Banco 24hs e das Bandeira dos cartões (Visa); e (b) grupo das receitas decorrentes do recebimento de tarifas, multas, premiações, etc 104. Quanto ao primeiro grupo (valores de titularidade de terceiros), que é muito mais representativo numericamente do que o segundo, é fato que, nos termos do item 11.1 desta peça, os recursos movimentados não decorrem de venda de mercadorias, nem da prestação de serviços, tampouco da alienação de bens imóveis, da locação de bens móveis e imóveis ou, ainda, de transações com bens e serviços. 105. Em verdade, o primeiro grupo trata de recursos de terceiros, transferidos à Impugnante por força do contrato de depósito irregular, que nunca integraram seu patrimônio e, por isso, não representa qualquer uma das hipóteses descritas no art. 1º da Lei n° 8.846/94. Entender de forma diversa seria o mesmo que exigir de um estacionamento a emissão, toda vez que receber um veículo para depósito, de uma Nota Fiscal ou documento equivalente, sob pena de caracterizar omissão de receitas (o estacionamento pode e deve emitir um documento comprovando que recebeu o carro para depósito, mas apenas como forma de garantir ao depositante a devolução do bem. Esse documento jamais poderá ser utilizado para fins fiscais e tampouco é representativo do aumento do patrimônio do estabelecimento depositário). 106. Por outro lado, até poderia a D. Fiscalização, em tese, exigir a emissão de Nota Fiscal ou documento equivalente em relação ao segundo grupo de recursos movimentados pela Impugnante, representado pelas receitas por ela auferidas. 107. Mas, no caso concreto, como já mencionado no curso da ação fiscal (fls. 1.525), a Impugnante é beneficiária de Regime Especial, concedido pela Prefeitura Municipal de Poá, por meio do qual está autorizada a recolher o ISS com base em demonstrativos mensais das receitas, o que a desobriga da emissão dos documentos fiscais individualizados por operação (Doc. 14). Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 29 108. Dessa forma, mesmo não estando obrigada à emissão de Notas Fiscais, a Impugnante elabora e registra em seus livros os demonstrativos mensais das tarifas, oferecendo à tributação, tanto pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, quanto pelo ISS, não havendo se falar em omissão dessas receitas. Aliás, como manifestamente demonstrado nesses autos, essas receitas foram todas oferecidas à tributação e, inclusive, descontadas pelo Agente Fiscal da apuração dos tributos ora exigidos. 109. Assim, exigir tributo sobre mais de R$ 27 milhões, sob a justificativa de que não foram emitidas Notas Fiscais ou documentos equivalentes, em relação a tal montante ou em relação ao valor que efetivamente representa receita da Impugnante, é cobrar tributo como sanção por ato ilícito, em ofensa ao art. 3º do Código Tributário Nacional. 110. Pelo exposto, resta claro: (i) que a Impugnante não deveria emitir Notas Fiscais ou documentos equivalentes em relação aos valores depositados pelos seus clientes e posteriormente repassados aos favorecidos (primeiro grupo), pois essa situação não está prevista dentre as causas do art. 1o da Lei n° 8.846/94; e (ii) com relação aos valores representativos de suas receitas (segundo grupo), muito embora a Impugnante não tenha emitido os documentos em virtude do Regime Especial, efetivamente ofereceu tais valores à tributação, o que foi reconhecido pela D. Fiscalização ao descontar referidas quantias da base tributável, de tal maneira que deverá ser afastada a alegação de omissão de receitas por ausência de emissão de documentos fiscais. II.3 Ad Argumentandum Da Necessidade de Arbitramento do Lucro em face da alegada omissão de receitas equivalentes à quase totalidade da movimentação bancária 111. Em prevalecendo o entendimento de que a Impugnante teria realmente omitido receitas no valor aproximado de R$ 27 milhões (o que se admite apenas para argumentar), cabe ainda demonstrar que, nessa hipótese, deveria a D. Fiscalização apurar a base tributável segundo as regras do Lucro Arbitrado, e não com base no Lucro Real, o que macula por completo os Autos de Infração. 112. Com efeito, o arbitramento do lucro resulta da presunção de que a documentação contábil do contribuinte seria imprestável para apuração do Lucro Real, prejudicando sua liquidez e certeza. 113. Por outro lado, a adição de receita omitida é o procedimento pelo qual a Fiscalização procura recompor a base de cálculo do Lucro Real, consertando um possível erro que o contribuinte tenha cometido em sua contabilidade. 114. Identificar que todas ou quase todas as receitas foram omitidas pelo contribuinte é tomar como imprestável a apuração feita por ele, e presumir que sua contabilidade não tem a liquidez e a certeza necessárias à apuração do Lucro Real. 115. No presente caso, a Impugnante declarou em seus documentos contábeis e fiscais que teria auferido, no ano de 2007, receitas no importe de R$ 579.215,48. De outro lado, a D. Fiscalização entendeu que a Impugnante teria auferido, naquele mesmo ano, receitas totais de R$ 27.637.466,18, omitindo, assim, receitas no montante de R$ 27.058.250,70 (vide tabela de fls. 1670). 116. Mediante mero cálculo aritmético, percebese que a D. Fiscalização entendeu que apenas 2,10% das receitas auferidas pela Impugnante teriam sido corretamente contabilizadas e oferecidas à tributação, ficando 97,90% das receitas à margem da contabilidade. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 30 117. Nesse passo, se a D. Fiscalização alega que Impugnante omitiu 97,90% das suas receitas, é evidente que sua contabilidade não reúne as qualidades necessárias (liquidez e certeza) à devida apuração do Lucro Líquido. Nessas situações, a legislação determina ao Agente Fiscal que realize o arbitramento do lucro. 118. Como não poderia ser diferente, o antigo Conselho de Contribuinte tem rechaçado a prática da adição, ao lucro líquido, de quantias muito elevadas de receitas omitidas. Confirase: "IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL. Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbelhe desclassificar a escrita contábil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservível para apuração do lucro real (RIR/99, art. 530, II, "b"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. O arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Publicado no D.O.U. nQ 141 de 24/07/2008." (Acórdão n° 10323.428, de 17/04/2008) "ARBITRAMENTO REGISTROS CONTÁBEIS . DEFICIÊNCIAS Se a contabilidade mantida pelo sujeito passivo revela inúmeras inconsistências, deixando de abrigar, inclusive, substancial movimentação bancária do período submetido à ação fiscal, há que se arbitrar o lucro, eis que o lucro real declarado tornase inservível para determinação do montante do tributo devido" (Acórdão n° 10516.843, de 22/01/2008) "DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃOCOMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de registro de receitas os valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL COM VÍCIOS OU INEXISTENTE. A falta de regular escrituração comercial e fiscal, ou a escrita que contenha vícios e não reflita toda a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária, implica o arbitramento do lucro." (Acórdão n° 108 09.780, de 17/12/2008) 119. A análise dos julgados trazidos à colação revela o acertado entendimento dos I. Conselheiros, no sentido de afastar a adição de valores muito superiores àqueles declarados pelo contribuinte, já que entendem ser imperativo o arbitramento do lucro diante da evidente ausência de liquidez e certeza necessárias à apuração do Lucro Real. 120. Curioso notar que o procedimento adotado pela D. Fiscalização criou uma situação fática de quase inexistência de despesas por parte da Impugnante. Ou seja, o Sr. Agente Fiscal, ao adicionar os mais de R$ 27 milhões ao lucro líquido, atribuiu à Recorrente rentabilidade de praticamente 100% dos seus negócios, meramente para fins arrecadatórios, impondo tributação deveras sufocante. Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 31 121. De fato, esse procedimento adotado pelo I. Auditor feriu norma tributária expressa (inciso II, art. 47, da Lei n° 8.981/95) e impôs à Impugnante tributação mais onerosa que a estabelecida na legislação de regência do Lucro Arbitrado. 122. Cristalino, portanto, que, ainda que não reconheça a ausência de omissão de receitas, os Autos de Infração ora atacados não poderão prosperar, devendo essa D. Turma de Julgamento, ainda que por este argumento, determinar o seu total cancelamento. II.4 Ad Argumentandum Da Nulidade dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL Falta de Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL 123. Caso subsista a apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real, o que também se admite apenas para argumentar, mesmo assim não poderá ser mantido os Autos de Infração. Vejase. 124. Como sabido, a Fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública. Sendo assim, jamais poderiam os agentes fiscais ter lavrado os Autos de Infração para a exigência do IRPJ e da CSLL sem fazer o levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração desses tributos, a teor do que estabelece o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 125. Deveras, sobressai desse dispositivo legal a imposição à Fiscalização (atividade vinculada e obrigatória) de averiguar a subsunção do fato concreto aos termos previstos na norma geral e abstrata, individualizando e tipificandoa, bem como determinando o montante do tributo efetivamente devido. 126. Assim, a fim de se averiguar o cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte, há a necessidade de as autoridades fiscais efetivamente constatarem a ocorrência do fato gerador e determinarem o valor correspondente aos tributos devidos, sendo que, para tanto, mister se faz a apuração desses tributos. 127. Todavia, não foi o que ocorreu no presente caso! Com efeito, o Sr. Agente Fiscal, sem averiguar a ocorrência do fato gerador in concreto, optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos depósitos tidos por receita omitida, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. 128. Em outras palavras, o D. Agente Fiscal, ao invés de apurar o IRPJ e a CSLL efetivamente devidos, simplesmente autuou os valores das receitas consideradas omitidas, que não necessariamente correspondem ao montante da base de cálculo dos tributos devidos. 129. Por isso, caberia à Fiscalização recompor toda a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, inclusive verificando eventuais prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados, para fins de mensuração da correta obrigação tributária devida pela Impugnante, e não proceder da forma como fez. 130. Tendo em vista que, no presente caso, a Impugnante possuía prejuízos e bases negativas acumulados até 2006, no montante de R$ 1.397.464,85, conforme LALUR anexo (Doc. 16), deveria a D. Fiscalização recompor a base tributável e deduzir, nos termos do art. 510 do RIR/99, esse montante da base imponível das respectivas bases tributáveis. 131. Não bastasse isso, a D. Fiscalização não descontou, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano de 2007, os valores de PIS e COFINS constituídos por meio Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 32 dos Autos de Infração ora contestados, o que igualmente acarreta nulidade do lançamento. 132. Isso porque, nos termos do art. 41 da Lei n° 8.981/95, “Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência.” Em obediência a tal regra, é dever da Fiscalização, ao lavrar os Autos de Infração de IRPJ e CSLL, abater da base de calculo desses tributos, como despesas dedutíveis, os montantes devidos a título de PIS e COFINS, ainda que estes sejam constituídos no mesmo átimo daqueles. 133. A propósito, este é o entendimento do antigo Conselho de Contribuintes sobre o tema: "IRPJ e REFLEXOS OMISSÃO DE RECEITAS RECONSTITUIÇÃO DA CONTA CAIXA E SALDO CREDOR DE CAIXA DEDUTIBILIDADE DE LANÇAMENTOS REFLEXOS Em face a recomposição do caixa pela autoridade administrativa, com a exclusão de cheques emitidos sem demonstração contábil certa, coerente e consistente na escrituração do sujeito passivo, não coincidindo em valores e datas quanto as alegadas utilizações dos cheques emitidos, é de se manter a presunção legal de omissão de receitas. Os lançamentos reflexos de PIS e COFINS devem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, posto que mantidos os lançamentos de ofício, também para a CSLL, o PIS e a COFINS, pela estreita relação de causa e efeito do apurado e autuado no processo principal do IRPJ” (Acórdão n° 10809.193, de 19/07/2007) 134. Como não foi feita recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, seja para considerar os prejuízos acumulados ou as deduções admitidas legalmente, resta comprovada a existência de vícios insanáveis nos lançamentos fiscais, razão pela qual temse que deverá ser declarada a nulidade dos Autos de Infração, cancelandose, por completo, os lançamentos fiscais indevidamente constituídos. II.5. Da inexigibilidade das multas isoladas de IRPJ e CSLL após o encerramento do anobase 135. Ainda que os argumentos anteriormente expostos não sejam acolhidos, o que se admite apenas a título de argumentação, não poderão prosperar os Autos de Infração referentes à constituição e cobrança de multas isoladas por falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL, tendo em vista que o respectivo ano base já havia se encerrado quando da sua lavratura. 136. Como se sabe, a regra matriz de incidência do IRPJ encontra no lucro o seu critério material. Ou seja, de forma resumida, o IRPJ tributa o lucro auferido pelas pessoas jurídicas, assim entendido o seu acréscimo patrimonial. Este “lucro” é apurado levandose em conta uma série de atos ocorridos em um períodobase, os quais guardam relevância para a incidência da norma tributária abstrata ao caso concreto. Por sua vez, o critério temporal do IRPJ encontra na trimestralidade e anualidade as medidas de mensuração do seu critério material. 137. Especificamente quanto à apuração do IRPJ em bases anuais, o legislador optou por estabelecer antecipações mensais, devidas pelos contribuintes tributados com base no lucro real anual. As antecipações poderão ser apuradas e pagas por meio da receita bruta, ou via Balanço de Suspensão e Redução. 138. Observese, no entanto, que a sistemática de recolhimento mensal por estimativas não altera a periodicidade do fato gerador do IRPJ, que continua sendo Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 33 anual. Por isso, os recolhimentos efetuados como estimativas nada mais são do que antecipações do tributo devido ao final do períodobase. 139. Dessa maneira, com o encerramento do respectivo anobase, o contribuinte apura todos os fatos geradores ocorridos no período e, consequentemente, o valor efetivamente devido a título do tributo. E verifica se o montante pago ao longo do ano, via estimativas, corresponde ao que é realmente devido (art. 6º da Lei n° 9.430/96). 140. Portanto, após o encerramento do períodobase, em que o tributo verdadeiramente devido foi apurado, não há que se falar na cobrança das estimativas, muito menos, então, na imposição da multa isolada por ausência de seu recolhimento, prevista no artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei n.° 9.430/96. Em verdade, após o término do período (em 31 de dezembro de cada ano), eventuais recolhimentos a menor do tributo são puníveis apenas com a cominação de multa de ofício, nunca com a multa isolada. 141. É esclarecedora a manifestação do Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, trazida à baila por ocasião do voto proferido no Acórdão n.° 10708.072, parcialmente transcrito a seguir: "A primeira dessas questões foi exatamente a hipótese de omissão de receita detectada após o ano calendário, concluindose, na linha da fundamentação acima exposta, que só haveria lugar para a aplicação da multa de lançamento de ofício e, não da multa isolada, pois essa sanção é para dar efetividade aos recolhimentos das estimativas durante o ano calendário, calculadas sobre o faturamento escriturado. Com efeito, com o levantamento do balanço anual, emerge o valor correto do tributo que não foi declarado e não foi pago. Logo, sobre ele é que incide a multa de lançamento de ofício, descabendo falarse em estimativa.” (j. em 18.05.2005, decisão unânime os grifos são nossos). 142. No mesmo sentido, assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: "RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelandose improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS" (Acórdão n.° CSRF/0105.578, j. em 04.12.2006). 143. Diante do exposto, resta claro que é imperioso o afastamento das multas isoladas impostas à Impugnante no processo em tela (o que redunda no cancelamento dos Autos de Infração), por terem sido cominadas depois de encerrado o respectivo períodobase. 11.6 Da inaplicabilidade da multa isolada em razão da impossibilidade de concomitância com a multa de ofício 144. Como se não bastasse o argumento anteriormente apresentado que, individualmente, teria o condão de afastar as multas isoladas impostas à Impugnante, também há de se cancelar essa parte da autuação tendo em vista a concomitante imputação de multa de ofício. Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 34 145. Tal duplicidade de penalidades sobre a mesma suposta infração também vem sendo sistematicamente rechaçada pelo antigo Conselho de Contribuintes, por considerar absolutamente indevida: “MULTA DE OFÍCIO ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA CONCOMITÂNCIA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece o quantum do tributo efetivamente devido apurado no ajuste. A exigência concomitante da muita isolada e da multa de ofício configura dupla incidência de penalidade sobre uma mesma infração” (Acórdão n° 40304.786, de 04/11/2003) MULTA DE OFÍCIO ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA CONCOMITÂNCIA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece o quantum do tributo efetivamente devido apurado no ajuste. A exigência concomitante da multa isolada e da multa de ofício configura dupla incidência de penalidade sobre uma mesma infração. (Acórdão n° 108.09735, de 19/09/2008) 146. Esclarecedor é o voto que a Ilma. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima proferiu no Acórdão n.° 10708.068, fazendo inclusive a pertinente analogia do tema com o Direito Penal, conforme segue: "Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. Por semelhança, devese ter em vista que o art. 70 do Código Penal dispõe que quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicase a mais grave das penas cabíveis, ou se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade.” (destacamos). 147. Portanto, considerando a cobrança em duplicidade das multas isoladas e multas proporcionais, ambas aplicadas à Impugnante sobre os mesmos fatos, impõese o cancelamento das multas isoladas por essa D. Turma Julgadora II.7 Ad Argumentandum Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício 148. Na remota hipótese de prevalecer a cobrança da muita de ofício, o que se admite apenas a título argumentativo, não poderá incidir sobre ela os juros de mora calculados pela Administração Tributária. É o que se demonstrará. 149. A obrigação tributária, tida como principal, surge com a ocorrência do fato gerador (materialidade da hipótese de incidência) e tem por objeto o pagamento de tributo, nos termos do art. 113, § 1º, do CTN. 150. O não adimplemento da obrigação no prazo fixado implica incidência de multa e juros, em razão da mora. Na esfera federal, não ocorrido o pagamento, o crédito tributário fica sujeito aos juros de mora, equivalentes à Taxa SELIC, consoante determinação do § 3º do art. 61, que remete ao § 3º do art. 5º, ambos da Lei n° 9.430/96. Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 35 151. Havendo lançamento de ofício, há a incidência de multa à razão de 75%, na forma prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Tal sanção ocorre quando o contribuinte não declara o seu débito, fato este que obrigará o Fisco a apurar de ofício o crédito tributário respectivo. 152. Ocorre que as DD. Autoridades Fiscais computam juros de mora sobre tal sanção, a partir do vencimento do prazo para recolhimento do crédito apurado em Auto de Infração, não obstante os juros que já incidem sobre o principal da dívida, aumentando sobremaneira o valor da obrigação tributária de forma totalmente ilegal. 153. Pois bem. Conforme a doutrina civilista, juros são frutos (acessórios) decorrentes da utilização do capital alheio (principal). Conforme assevera Aroldo Gomes de Mattos, os juros, quanto ao aspecto subjetivo do crédito, podem ser de três espécies: (i) remuneratórios; (ii) compensatórios; ou (iii) moratórios: “Remuneratórios são aqueles decorrentes da convenção, da lei ou da sentença, a título de rendimento do capital ou do bem do credor utilizado pelo devedor. Compensatórios são dos devidos para indenizar os danos ocasionados pelo devedor no caso de apropriação compulsória de bens do credor. Moratórios são os decorrentes no atraso culposo do devedor no cumprimento de determinada obrigação. Seja qual for a espécie, entretanto, os juros fazem parte integrante do principal (CPC, art. 293, e Súmula nº 254, do STF). 154. A multa, por sua vez, deve ser entendida como uma pena pecuniária fixada em contrato, a ser paga pelo contratante que não venha a cumprir, no todo ou em parte, uma obrigação ou que atrase o seu adimplemento. Tem nítido caráter de sanção, penalidade, pelo inadimplemento de obrigação. 155. Os conceitos de multa e juros, mencionados acima, se aplicam integralmente ao Direito Tributário, observandose apenas o fato de a obrigação fiscal ser ex lege, daí a fixação dos mesmos decorrer da lei, não podendo ser objeto de convenção entre as partes. 156. Na seara tributária, há espaço somente para a incidência de juros de natureza moratória. Afinal, o Estado, no exercício de sua competência tributária, não empresta dinheiro ao contribuinte, não havendo, portanto, como cobrarlhe juros compensatórios. 157. Isto posto, em linhas gerais é possível afirmar que, em se tratando de dívida, os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Não é por outra razão que não existe limite temporal para a incidência de juros. Vale dizer, enquanto a obrigação não for cumprida, os juros serão computados. 158. O mesmo já não ocorre com a multa, porquanto sua natureza, à evidência, é diversa. Sua incidência não se presta para repor ou indenizar o capital alheio, mas para punir a inexecução da obrigação. 159. Assim, não há como se pretender a incidência de juros sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 36 160. Em outras palavras, o capital do contribuinte, que deveria ter sido transferido aos cofres públicos, não o foi; este é o único pressuposto da cobrança dos juros, como forma de remunerar a indisponibilidade daquele capital a quem teve frustrada a previsão de recebêlo 161. Fora dessa hipótese, qualquer incidência de juros mostrase abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato reposição do numerário que deveria ter ingressado nos cofres públicos, mas não ingressou pela falta do contribuinte. 162. É cediço que os juros não existem por si só. Eles decorrem, antes de tudo, de uma obrigação principal. O mesmo ocorre com a multa, que só surgirá se existir uma obrigação anterior não quitada no prazo legal. 163. Logo, os juros não podem incidir sobre a multa, na medida em que a mesma não retrata a obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o devedor. 164. Enfim, a multa está prevista no conseqüente da norma secundária, cujo objetivo é atribuir eficácia ao cumprimento da obrigação estabelecida na norma primária. Ao se admitir a incidência de juros sobre multa (ambos previstos em norma secundária), estarseia desvirtuando por completo a natureza e a própria finalidade da norma secundária (que não se volta para si mesma, mas sim para a norma primária). 165. A norma secundária não foi feita para onerar obrigação prevista em outra norma secundária. Vale dizer: o pressuposto fático da incidência da norma secundária será sempre uma situação decorrente de uma norma primária, e nunca uma situação decorrente de uma norma também secundária! 166. Para que os juros pudessem incidir sobre a multa, esta teria, necessariamente, por razão lógica, de estar prevista em obrigação estabelecida em norma primária. Ocorre, contudo, que a multa não tem como ser prevista em norma primária, pois seus efeitos não integram a materialidade da obrigação prevista naquela norma. 167. Essa linha de pensamento não resta prejudicada pelo disposto no artigo 113, § 3º, do CTN, quando dispõe que a penalidade pecuniária convertese em obrigação principal, quando decorrente do descumprimento de obrigação acessória. 168. Inicialmente, tal “conversão” só tem efeito de celeridade quanto à arrecadação, ou seja, justificase para viabilizar a constituição e a execução do crédito originário de multa juntamente com o crédito tributário, já que, nos termos do art. 3° do CTN, tributo não constitui sanção de ato ilícito. Como já afirmado acima, multa não é tributo, e o descumprimento da obrigação principal não tem o condão de transformar a multa em tributo. A obrigação principal (tributo) subsiste, e jamais se confunde com a sanção pecuniária. 169. O artigo 113, § 3º do CTN, portanto, não prejudica em absolutamente nada a linha de argumentação ora exposta, no sentido de não admitir a incidência de juros moratórios sobre o valor da multa de ofício, (i) quer pelo fato de esta não possuir natureza de “capital” (passível de gerar rendimentos, tais como os juros); (ii) quer pelo fato de estar prevista em norma secundária e não primária. 170. Não obstante, cumpre também ressaltar que não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. O § 3º do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 determina que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 37 à taxa a que se refere o § 3º do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 171. À evidência, a expressão "Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora", que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. 172. Basta, para isso, ver que o art. 61, caput, da Lei n° 9.430 está assim redigido: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (...), não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (...)”. 173. Resta evidente que o “débito decorrente de tributos e contribuições” a que se refere a Lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Posteriormente ao vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros sobre o débito. 174. Assim se manifestou o antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, ao analisar a questão em comento: “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.” (Acórdão 10196.607, de 06.03.2008) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.” (Acórdão nº 10196.593, de 05.03.2008) 175. Ainda sobre o tema, vejase excerto do voto proferido por Carlos Alberto Gonçalves Nunes, contido no Acórdão nº 10708.679: “Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. Ora decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamentos de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos precisos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 38 É dizer, a multa de ofício tem a mesma natureza punitiva da multa de mora. A diferença é que aquela tem um percentual maior porque aplicada de ofício. Aliás, sobre a multa de mora não há incidência dos juros à taxa SELIC.” 176. Falta, portanto, lei que autorize a incidência de juros sobre a multa aplicada sobre o principal, sendo violado, assim, o princípio da legalidade. 177. Pelo exposto, requer a Impugnante seja afastada a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, caso esta não seja exonerada (o que se admite apenas para argumentar), a fim de evitar a ilegal majoração da multa aplicada por meio dos Autos de Infração em tela. II.8 Do Pedido de Diligências 178. Por entender que a operação de administração de crédito prépago revestese de complexidade, bem como para comprovar tudo o que se alegou, a Impugnante, com respaldo no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n.° 8.748/93, requer a realização de diligência, para que se comprovem todos os fatos anteriormente delineados. 179. Frisese que o presente requerimento de diligência se faz necessário tendo em vista a complexidade da operação, bem como para que não restem dúvidas de tudo o que aqui se alega, e, especialmente, para que se busque a verdade material. 180. Para tanto, sem prejuízo de eventuais questionamentos feitos por essa D. Turma Julgadora, a Impugnante requer às Autoridades Fiscais que respondam aos seguintes QUESITOS: (a) Queira o Sr. Fiscal informar se, da análise dos créditosconstantes dos extratos bancários apresentados pela Impugnante, é possível identificar os números das contas de origem, bem como, com suporte nas informações prestadas pelo BicBanco (Doe. 15), os depositantes das mencionadas quantias; (b) Queira o Sr. Fiscal informar se é possível identificar relação entre os créditos de R$ 27.058.250,70, havidos nas contas da Impugnante, e os débitos efetuados para pagamentos à rede Banco 24hs e Bandeira, bem assim se tais movimentações foram efetuadas em obediência aos contratos anexados às fls 255/268; (c) Queira o Sr. Fiscal apontar a natureza dos recursos depositados nas contas bancárias da Impugnante, notadamente se decorrem da venda de mercadorias, prestação de serviços, alienação de bens móveis ou imóveis ou locação; e (d) Queira o Sr. Agente Fiscal demonstrar a proporção entre as receitas oferecidas à tributação pela Impugnante e os valores considerados pela D. Fiscalização como receita omitida, bem como se a falta de registro contábil deste valor em conta de resultado compromete a apuração do lucro líquido da Impugnante. 181. Dessa maneira, tendo sido obedecidos os requisitos para a realização de diligência, pede a Impugnante o deferimento de tal solicitação. III DO PEDIDO 182. Diante de todo o exposto, requerse, respeitosamente, se digne essa C. Turma de Julgamento dar integral provimento à presente Impugnação, para determinar o cancelamento dos Autos de Infração ora combatidos, tendo em vista, principalmente, a ausência de qualquer omissão de receitas por parte da Impugnante. Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 39 183. Caso assim não entenda essa D. Turma, o que se admite apenas em homenagem ao princípio da eventualidade, requerse, ao menos, seja reconhecido o vício na apuração do IRPJ e da CSLL supostamente devidos, tanto por deixar de realizar o arbitramento dos lucros, quanto por, subsidiariamente, não efetuar a recomposição das bases de cálculo, o que resultará na decretação de nulidade dos lançamentos de IRPJ e CSLL. 184. Ainda, requer a impugnante, subsidiariamente, que essa D. Turma Julgadora cancele as multas de ofício isoladas, pois constituídas após o encerramento do períodobase e, não bastasse, de forma concomitante com a multa proporcional, na linha do entendimento do antigo Conselho de Contribuintes. 185. Por fim, a Impugnante se coloca à inteira disposição dessa D. Turma de Julgamento para eventual realização de diligências tendentes à comprovação das operações por ela praticadas, relativamente à administração de cartões de crédito. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não configuradas as hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não se cogita de nulidade do lançamento. Questionamentos acerca da motivação da autuação não acarretam a sua nulidade, mas, eventualmente, a improcedência da exigência, se acaso infirmada pela defesa. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Injustificável o pedido de realização de diligência quando se trata de matéria passível de prova documental, a qual deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, o que não se logrou atender no presente caso. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE REPASSE DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para afastar a presunção, cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existe no caso, ou seja, provar que créditos/depósitos em suas contas correntes têm origem distinta daquela que enseja a tributação ou já foram oferecidos à tributação. RECURSOS DE TERCEIROS. REPASSE. A alegação de que, em função da atividade da pessoa jurídica, os valores depositados em contas de titularidade da sociedade autuada pertencem a terceiros (clientes) e foram repassados para suprir gastos mediante utilização de cartões de créditos de destinatários por eles indicados, não é hábil a afastar a autuação se desacompanhada da correspondente prova documental, que não pode se resumir a listagens produzidas pela própria interessada, sem interveniência de outras pessoas participantes das operações, devendo permitir a vinculação de cada crédito aos correspondentes débitos (repasses). Embora procure a Impugnante reunir um conjunto de circunstâncias no sentido de fragilizar a autuação, não há como afastála, e sequer deferir o pedido de realização de diligência, se não demonstrado, pelo menos por amostragem, que, de Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 40 fato, os depósitos questionados estão vinculados (i) aos contratos que os teriam motivado e (ii) aos débitos em conta corrente de titularidade da Impugnante de modo a confirmar o alegado repasse. LUCRO REAL. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. A alegação de que a imputação de omissão de receitas em valores significativos em relação àqueles declarados, não impõe, por si só, o arbitramento dos lucros, quando não caracterizada pela Fiscalização a imprestabilidade da escrituração. O lançamento deve pautarse na sistemática de apuração adotada pelo contribuinte, se não houver motivos para desconsiderála. E, mantida a tributação com base no lucro real, a admissibilidade de novas deduções, depende de sua regular contabilização e comprovação. DEDUTIBILIDADE DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES APURADOS EM LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. Incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, das contribuições apuradas em ação fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos, independentemente do resultado apurado no ajuste ao final do período. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período, por se tratar de hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 41 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência de IRPJ e reflexos, por omissão de receitas calcada na presunção legal de depósitos bancários de origem na comprovada. Conforme relatado, desde a impugnação a contribuinte vem alegandoque a Fiscalização não teria compreendido a operação de cartão prépago praticada formalizando a exigência de tributos sobre a totalidade dos recursos por ela movimentados no ano de 2007 como se receita fosse. Esclarece que o serviço consiste na administração de recursos de terceiros ("clientes"), os quais são inicialmente creditados em favor da Impugnante e posteriormente disponibilizados, na forma e em montante por eles estabelecida, em cartões prépagos (vide contratos de fls. 255/268). ... muito embora ocorra a disponibilização do valor aos favorecidos, somente no momento em que a Impugnante efetua o pagamento à rede Banco 24hs ou à Bandeira é que os valores são debitados de sua contacorrente; vale dizer, se determinado favorecido não efetua compras ou saques, os recursos permanecem na conta corrente da Impugnante até que tenham uma das destinações previstas contratualmente (saques, compras, devoluções, pagamentos de taxa, multa, etc). Apresenta fluxograma e reportase a dois exemplos de operações que teria realizado e a forma de sua contabilização. Apesar de ter compreendido as alegações acerca do desenvolvimento das operações praticadas, bem como verificado as contabilização, ainda assim, a Fiscalização lavrou autos de infração com fundamento, entre outros dispositivos, no art. 42, caput e § 2º, da Lei 9.430/96, formalizou a exigência dada a ausência de apresentação de documentos coincidentes em datas e valores, hábeis a: (i) justificar a origem dos ingressos em suas contas correntes e, (ii) a comprovar que, como alegado pela contribuinte, os recursos teriam sido repassados a terceiros. Isto porque, diante da constatação de valores depositados em contas bancárias de sua titularidade em valores que superam significativamente a receita declarada em DIPJ, e a contribuinte, sendo regularmente intimada, para afastar a presunção legal de omissão de receitas não teria apresentado suficientes provas documentais da origem dos recursos com coincidência de datas e valores. É o que reflete o Termo de Verificação, do qual, para maior clareza, transcrevese o excerto a seguir: “... Considerandose que o necessário confronto dos mencionados contratos apresentados pelo contribuinte com os créditos efetuados nas suas contas bancárias, não resulta em coincidência de datas e valores, concluise que tais documentos não são meios de prova hábeis no sentido de comprovar a origem dos créditos efetuados. Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 42 O mesmo ocorre com relação aos relatórios de fls. 269 a 399 e 402 a 418, os quais não trazem informações acerca da sua natureza, do objeto da operação, não identificam os envolvidos nas transações, não recebem número de controle, sequer mencionam quem os elaborou e com que finalidade. Ou seja, tanto os contratos como os relatórios apresentados pelo contribuinte, não se subsumem nas características dos documentos fiscais, recibos ou outros documentos, que, em sendo hábeis e idôneos, e mais, revestindose da imprescindível condição de prova inequívoca, indicando a natureza, o valor e a data de sua ocorrência, poderiam ser aceitos como comprovantes da origem dos créditos bancários em questão. ... Analisandose a alegação do contribuinte a fis. 182, de que os diversos créditos bancários seriam recursos financeiros das empresas clientes do Banco BICBANCO, os quais teriam sido transferidos para cartões de pessoas físicas, ou seja, repassados para terceiros, há que se observar que os repasses se comprovam por recibos e outros documentos hábeis e idôneos, emitidos em datas e valores compatíveis com os aludidos créditos, evidenciando que os recursos foram efetiva e concretamente transferidos àqueles que se alega serem os titulares dos créditos, o que não ocorreu no presente caso. O contribuinte não logrou comprovar o alegado repasse por meio de recibos ou outros documentos hábeis e idôneos, além do mais, pela análise dos extratos bancários referentes às contas n° 14.0536405, 14.0555914, 14.0543215, 14.1014992 e 44.0971705, agência Paulista, fls. 67 a 155, verificase que não há registro de débitos nas contas bancárias da empresa, em datas e valores compatíveis com os aludidos créditos, ou seja, os valores creditados permaneceram nas contas. Contudo, desde a auditoria fiscal, a contribuinte vem comprovando sua forma de atuação, mediante apresentação de contratos formalizados junto a empresas das quais receberia recursos e assevera que, em obediência ao contrato, é possível identificar, a título exemplificativo, que, no dia 09/10/2007, houve a transferência de R$ 268.620,94 (soma de R$ 58.967,96 e R$ 209.652,98), da conta da Salles Adan (n° 14.1002595) para a conta da Impugnante (n° 14.0555914). Os extratos bancários comprobatórios constam do Doc. 04. Conforme asseverou a decisão de 1a. instância, tais contratos que instruem os autos, a exemplo daqueles de fls. 255/268, consta: Como partes: (I) BicBanco Administradora de Cartões S/C Ltda. (BICBANCO Cartões) e (II) Salles Adan & Ass. Mark. de Inc. SC Ltda. (designada “Administradora” no primeiro exemplo – fls. 255/261) e Infiniti Mark de Inc. e Fidelização Ltda. (designada “Administradora” no segundo – fls. 262/268). Como objeto do contrato: em ambos: Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 43 a) a transferência, pela BICBANCO CARTÕES, de recursos da conta corrente da ADMINISTRADORA, mantida junto ao Banco Industrial e Comercial S/A., consoante instruções da ADMINISTRADORA, para efeitos de pré pagar o CARTÃO a ser entregue aos FAVORECIDOS; b) a operacionalização e processamento, pela BICBANCO CARTÕES, da utilização do CARTÃO, em relação aos saques em dinheiro, e outras transações, efetuadas pelos FAVORECIDOS; Como forma de remuneração da empresa ora autuada: I – no contrato celebrado com a Salles Adan: Valor sobre cada cartão emitido: R$ 2,50 Percentual sobre cada carga de crédito * : 0,00% ou valor Fixo por abastecimento (por cartão) * : R$ 9,00 * O percentual, antes indicado, incidirá sobre o valor total bruto de cada transferência de recursos da conta corrente da ADMINISTRADORA para efeitos de carga de crédito dos CARTÕES. II – No contrato celebrado com a Inifinit Mark: Valor sobre cada cartão emitido: R$ 3,50 O pagamento será na data da entrega dos plásticos, através de débitos na conta mantida junto ao Bicbanco S/A. Percentual sobre cada carga de crédito *: 0,00 O pagamento será na data da carga dos plásticos, através de débitos na conta mantida junto ao Bicbanco S/A. Valor fixo por abastecimento (por cartão): R$ 2,80 O pagamento será na data do abastecimento dos plásticos, através de débitos na conta mantida junto ao Bicbanco S/A. * O percentual, antes indicado, incidirá sobre o valor total bruto de cada transferência de recursos da conta corrente da ADMINISTRADORA para efeitos de carga de crédito dos CARTÕES. Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 44 Ao descrever a destinação dada aos recursos depositados em sua conta, relativamente ao exemplo apresentado, a Impugnante afirma: (a) em 09/10/2007, a Salles Adan depositou R$ 268.620,94 na conta da Impugnante, determinando que, desse valor, R$ 4.165,46 fosse disponibilizado no cartão 4267.5904.0055.2006; (b) em 26/12/2007, o favorecido do cartão 4267.5904.0055.2006 efetuou saques na rede Banco 24hs, no montante total de R$ 4.140,00, (c) em 26/12/2007, a Impugnante paga à rede Banco 24hs a quantia de R$ 85.230,00, composto por, dentre outros saques, aqueles efetuados pelo favorecido do cartão 4267.5904.0055.2006; Ora, em que pese não ser possível associar o depósito de 09/10/2007 no valor de R$ 268.620,94, as repasses, haja vista que não constam discriminações de valores e datas, é certo que tais valores foram mesmo repassados a terceiros quase que na totalidade. A decisão de 1a. instância não acatou tais alegações sob os seguintes fundamentos. Ainda que se admita que, por peculiaridades da atividade alegada, o contrato apresentado, pela sua natureza, não teria como especificar previamente os valores e datas dos recursos a serem transferidos para a empresa ora autuada nem os repasses e destinatários desses recursos, necessária seria a apresentação de documentos expedidos pela contratantes (no exemplo, a empresa Salles Adan) e dirigidos à autuada, fazendo menção ao recurso transferido da 1ª para a 2ª e à destinação que deveria ser dada a eles (beneficiários dos cartões a serem carregados e respectivos valores e datas). A alegação de que esses comandos seriam feitos eletronicamente e a apresentação de listagem sem evidências de que, de sua elaboração, teria participado a empresa que originalmente seria a detentora dos recursos (no exemplo, Salles Adan) não é hábil a permitir a associação do valor depositado ao contrato apresentado e assim justificar a sua origem. Ademais, também a forma da alegada aplicação do recurso (pagamento à Rede Banco 24 Horas ou a Bandeiras, relativamente à utilização feita por determinado beneficiário final de parte do recurso recebido pela Impugnante) não encontra subsídio documental nem no Contrato invocado nem em outro documento. Mesmo porque, do exemplo apresentado e de sua contabilização, o alegado pagamento à rede Banco 24hs é feita de forma a englobar outras utilizações e não apenas aquela mencionada no valor exemplificado de R$ 4.140,00. Acerca da contabilização dos valores envolvidos na operação, que o contribuinte também busca demonstrar, por meio dos dois exemplos, cumpre lembrar que ao analisar a documentação apresentada pelo contribuinte em atendimento a intimações no curso do procedimento, esclareceu a Fiscalização que: Foram apresentados ainda os documentos de fls. 1.579 a 1.599 e 1.602 a 1.665, sendo: resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 199/2010, fls. 1.579 e 1.580; Razão das Contas Banco, fls. 1.582 a 1.599 e 1.602 a 1.624; Razão da Conta Faturados a Receber Vencidos, fls. 1.626; Razão da Conta Transações a Deb a Faturar, fls. 1.627 a 1.631; Balancete do anocalendário 2.009, fls. 1.633 a 1.635; Demonstrativo dos Resultados de 2.007, fls. 1.637; Balancetes mensais do anocalendário 2.007, fls. 1.638 a 1.663; e Demonstrativo das Receitas e Despesas do anocalendário 2.007, fls. 1.665. Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 45 Ocorre que nenhum dos documentos e registros apresentados teve o condão de comprovar as origens ou mesmo os repasses alegados pelo contribuinte, uma vez que desacompanhados dos elementos comprobatórios das informações nos mesmos inseridas. ... Mais uma vez o contribuinte foi intimado, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 169/2010, fls. 1.524, nesta ocasião, para que apresentasse o Razão da Conta Saldos Credores de Cartões e as Notas Fiscais de Serviço ou documentos equivalentes, relativos ao anocalendário 2.007. Em atendimento, o contribuinte apresentou cópia simples do Razão da conta Saldos Credores de Cartões, fls. 1.526 a 1.547, porém não apresentou Notas Fiscais ou qualquer documento equivalente, alegando a fls. 1.525, que a Prefeitura do município de Poá concedeulhes regime especial de tributação e o ISS, então, seria apurado com base em valores contábeis das receitas de tarifas e comissões registradas em cada mês, ficando dispensada a emissão de Notas Fiscais de Serviços, o que também não comprovou. (...) Por outro lado, admite a Impugnante que se por um lado é fácil identificar cada um dos depósitos efetuados nas contascorrente da Impugnante, bastando para isso analisar o extrato bancário e ali verificar o número da contacorrente de origem (ao lado direito da descrição), por outro lado pode se encontrar alguma dificuldade ao tentar identificar uma relação direta entre créditos e os débitos, pois as saídas ocorrem nas mais variadas datas e valores, para pagamento à rede Banco 24hs ou às Bandeiras, havendo ainda a situação em que o favorecido não utiliza os recursos que lhe são disponibilizados (por perda do cartão, da senha ou outra razão pessoal). Mas a dificuldade para se relacionar os créditos e os débitos é superada quando se entende o modelo de negócios da Impugnante e se aprofunda na análise de toda a documentação contábil e contratual até aqui mencionada, a qual é importante que se frise que foi integralmente fornecida aos Ilustres Auditores Fiscais durante todo o procedimento fiscalizatório. Quanto aos ingressos de recursos, observese que, embora possa ser fácil identificar cada um dos depósitos efetuados nas contascorrente da Impugnante, mediante análise do extrato e a conta de origem, necessário que cada depósito tenha subsídio em documentação coincidente em data e valor do crédito, o que não ocorreu no caso. Alega a Impugnante que os créditos em suas contas provêm de contas correntes indicadas no seu próprio extrato, contas essas cujos titulares constam de relação fornecida pelo BIC Banco (fls. 1.920) e com os quais teria formalizado os contratos de prestação de serviços. E, ao requerer realização de diligência, formula quesito perguntando se, da análise dos créditosconstantes dos extratos bancários apresentados pela Impugnante, é possível identificar os números das contas de origem, bem como, com suporte nas informações prestadas pelo BicBanco (Doc. 15), os depositantes das mencionadas quantias; Todavia, o fato de os extratos dos quais extraídos os depósitos questionados indicarem como histórico Transf. CC, seguido de número que identificaria a conta de origem cujos titulares teriam sido indicados pelo BIC Banco na relação de fls. 1.920, ainda que fosse confirmado, não permite, por si só, afastar a exigência. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 46 Ou seja, ainda que respondido afirmativamente o citado quesito, necessário seria comprovar documentalmente a que título foram depositados os valores e se foram oferecidos a tributação ou se referem a receitas isentas ou não tributáveis. Quanto às saídas dos recursos, mediante os alegados repasses, registrese, de início, que, como admitido na defesa, se determinado favorecido não efetua compras ou saques, os recursos permanecem na contacorrente da Impugnante até que tenham uma das destinações previstas contratualmente (saques, compras, devoluções, pagamentos de taxa, multa, etc.) – o que reforça a importância e necessidade de demonstração das saídas dos recursos depositados nas contas da Impugnante. Por outro lado, embora o Impugnante afirme que a dificuldade de relacionar os repasses aos créditos possa ser superada pelo entendimento do modelo de negócios da Impugnante e por aprofundada análise de toda a documentação contábil e contratual mencionada na defesa, cumpre reiterar que os registros contábeis devem estar amparados em documentação que lhes dê suporte e que permita a identificação da origem dos recursos e de sua destinação. E, no caso, admite a Impugnante que toda a documentação mencionada na defesa, já havia sido integralmente fornecida aos Ilustres Auditores Fiscais durante todo o procedimento fiscalizatório. Mas, apesar disso, reiterese, concluiu a Fiscalização não ser possível confirmar a saídas dos recursos das contas da autuada. No caso, confirmase que, além de a documentação apresentada não permitir vincular os créditos em conta aos alegados contratos que os teriam suscitado, mediante coincidência de datas de valores, igualmente não permite confirmar que os recursos depositados teriam saído das contas correntes. Tanto é assim que sequer nos dois exemplos trazidos na própria peça de defesa a Impugnante logrou demonstrar o repasse dos créditos abordados (R$ 268.620,94, no primeiro exemplo e R$ 182..912,53, no segundo exemplo). No primeiro exemplo, do valor creditado de R$ 268.620,94, reportase à saída da parcela de R$ 4.140,00, a qual integraria o débitos em sua conta no valor de R$ 85.230,00. O mesmo se diga em relação ao 2º exemplo. Já que, como alega a Impugnante, embora a visualização não seja imediata, todos os créditos questionados pela Fiscalização teriam sido repassados para suprir a utilização dos cartões pelos beneficiários apontados pelos seus clientes, deveria, em sua defesa, pelo menos por amostragem, demonstrar como se deu o repasse integral de alguns dos créditos questionados. E tal demonstração deveria ser subsidiada por registros contábeis e documentação que lhe dessem suporte. Lembrese, nesse ponto, que não há impedimento de que seja adotada escrituração resumida relativamente a contas cujas operações sejam numerosas, desde que mantidos livros auxiliares hábeis a permitir a identificação individualizada acompanhada da correspondente documentação. E, na defesa, não demonstra a contribuinte ter apresentado documentação individualizada, diversa daquela já analisada pela Fiscalização, que permitisse suprir as deficiências apontadas na autuação. Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 47 Limitase a Impugnante a insistir em detalhar o seu modus operandi, e, por meio de sua descrição, busca justificar os créditos em sua conta corrente. Ocorre que, para afastar a presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, necessária se faz a comprovação da origem dos recursos e de seu regular oferecimento à tributação. Ainda que restasse comprovado que os créditos em contas bancárias da Impugnante, questionados pela Fiscalização, fossem provenientes de transferências de contas de titularidade das Empresas para as quais a Impugnante assevera prestar serviços, em função dos contratos apresentados, deveria restar comprovado, também, o oferecimento à tributação de tais recursos. Mas, alega a Impugnante que grande parte deles seria apenas repassado para outras empresas (como Banco 24 horas, Visa e outras bandeiras), mas tal alegação de repasse dos recursos, para ser acatada como hábil a afastar a exigência, deve também ser subsidiada por documentação coincidente em data e valores, o que, como visto, não logrou a Impugnante fazer, mesmo porque, reiterese, como se depreende dos próprios exemplos trazidos pela defesa, os repasses são feitos de forma a englobar transações de vários beneficiários, não sendo possível associar cada débito em conta corrente da Impugnante a algum dos depósitos questionados pela Fiscalização. Acerca da alegação de Impossibilidade de Coexistência das 02 espécies de Omissão de Receitas, o que suscitaria Dúvida na Interpretação Jurídica do Fato, cumpre lembrar que a Fiscalização fez menção à necessária apresentação de nota fiscal de serviços ou documento equivalente, em função da alegação da Impugnante de que suas receitas restringiamse a comissões e tarifas pagas em função dos serviços prestados. Para maior clareza, reprisase a descrição fiscal: (...) Da descrição e fundamentação apresentadas pela Fiscalização, depreendese que, para que pudesse ser aceita a alegação da Impugnante de que os recursos questionados, creditados em suas contas correntes, correspondessem de fato a recursos de terceiros ("clientes"), os quais seriam inicialmente creditados em favor da Impugnante e posteriormente disponibilizados, na forma e em montante por eles estabelecida, em cartões prépagos, necessária seria a prova documental coincidente em data e valor bem como a prova do oferecimento a tributação desses recursos ou de seu repasse. Ainda que restasse comprovado documentalmente que os recursos teriam sido creditados pelos clientes da Impugnante, a tributação apenas do valor de parte deles a título de comissão por serviços prestados necessitaria estar amparada pelas correspondentes notas fiscais ou documentos equivalentes. A apresentação, tão só, de documento que estaria vinculado aos créditos em conta bancária (contratos mencionados pela defesa), ainda que pudesse se prestar como origem dos depósitos questionados, não evidencia sua regular tributação a infirmar a presunção de omissão de receitas. É indispensável que os fatos reportados pela Impugnante estejam estruturados em linguagem competente, com observância dos princípios e normas da lei comercial, o que se dá mediante a escrituração dos livros contábeis e fiscais exigidos pela legislação, ou seja, com subsídio em prova documental. Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 48 A necessidade de apresentação de nota fiscal ou recibo ou documento equivalente somente foi mencionada em função do motivo apontado pela contribuinte para ter recebido os valores creditados em suas contas correntes e da destinação que teria dado a tais recursos. Assim, injustificável a alegação de incoerência da Fiscalização, ao mencionar, na fundamentação legal, também a falta de apresentação de nota fiscal, recibo ou documento equivalente – exigência que encontra amparo legal no art. 2º da Lei nº 8.846/94. (...) Na seqüência, defende a Impugnante a Ausência de Depósitos de Origem não Comprovada, alegando não ser verdade que os valores e datas dos contratos não coincidem com os valores e datas dos depósitos. É que os contratos não prevêem valores e datas para os depósitos. Realmente, seria diferente se os contratos estabelecessem valores e datas para cada uma das cargas e, de forma completamente aleatória, fossem feitos depósitos em valores e datas diferentes daquelas estabelecidas. Ora, se os contratos, pela sua natureza, não indicam datas e valores dos depósitos, outros documentos firmados pelas partes envolvidas deveriam ser apresentados para fins de respaldar os créditos efetivados em contas bancárias da Impugnante. A pretensão de equiparar os contratos firmados com seus clientes a contratos bancários geralmente celebrados pelas instituições financeiras, em que há a estipulação das regras gerais para transferência e manutenção de valores, sem que haja a necessidade de prévia e precisa indicação dos montantes e das datas de cada um dos depósitos, assim como a alegação de que, por terem como objeto bem fungível (dinheiro), os contratos em análise são regidos pelas disposições acerca do mútuo, conforme disciplina o art. 645 do Código Civil, e, ainda, que não se confundem com o mútuo, não são hábeis a afastar a autuação. Isto porque tais alegações não desoneram a Impugnante de observar a legislação tributária e fiscal que impõe a comprovação documental da origem dos valores creditados em conta corrente e de seu oferecimento à tributação, sob pena de presunção de omissão de receitas. Argumenta também a Impugnante que muito embora o contrato anexado aos autos não preveja os valores e as datas dos depósitos (pois são eventos futuros e incertos), essas informações podem ser facilmente extraídas dos comprovantes de transferência bancária, bem como dos próprios extratos de contacorrente do Impugnante, apresentados à D. Fiscalização durante o curso da ação fiscal (fls. 67/155 e fls. 438/1499), já que neles se encontram todas as informações necessárias para comprovar tanto a origem do depósito (depositante) quanto sua motivação (razão), movimentações essas que foram todas registradas nos documentos contábeis da Impugnante, conforme esquema contábil descrito anteriormente. Entretanto, não é isso que detectou a Fiscalização, embora tenha analisado a documentação apresentada. Também não é o que se conclui pela análise da defesa. Os extratos, embora indiquem a conta da qual proviriam os recursos, não permitem identificar o motivo da transferência. A existência dos contratos alegados, embora constituam indícios de que os créditos possam estar a eles associados, não afasta a possibilidade de qualquer dos créditos questionados ter outra motivação, como, por exemplo, decorrente de intermediação de negócios – atividade incluída no objeto social da autuada. Portanto, somente se comprovado o alegado repasse dos Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000649/201039 Acórdão n.º 1402001.133 S1C4T2 Fl. 0 49 valores recebidos é que seria possível admitir que os créditos relacionamse aos contratos apresentados. (...) Pois bem, à luz do artigo 29 do Decreto 70.235/1972, na apreciação de prova, a autoridade julgadora pode formar livremente sua convicção. Os mesmos fatos, incontroversos e cabalmente provados nos autos, que para os ilustres julgadores de 1a. instância não afastariam a presunção legado do artigo 42 da lei 9.430/1996, a mim restam patente que o autuado não era mesmo o titular desses valores, portanto, não podem receber o tratamento de omissão de receitas. Comprovada a contabilização de todos os depósitos bancários, bem como o imediato repasse dos recursos a terceiros, é possível afirma que o contribuinte fazia mesmo a intermediação e, não sendo possível identificar os beneficiários dos repasses, o correto seria a exigência do IRFonte por pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados, com fulcro no art. 61 da Lei 8.981/1995. Uma vez afastada a tributação, por inocorrência do fato gerador presumido de omissão de receitas, deixo de apreciar as demais alegações de defesa, por inócuas à solução do litígio. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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