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Numero do processo: 26513.400026/87-47
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IAA - Falta de recolhimento da Contribuição, relativamente a álcool objeto de simulação de venda da Petrobrás, não entregue à mesma e cuja operação não foi registrada na vendedora. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-67761
Nome do relator: ROBERTO BARBOSA DE CASTRO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-27T14:57:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-27T14:57:52Z; Last-Modified: 2010-01-27T14:57:52Z; dcterms:modified: 2010-01-27T14:57:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-27T14:57:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-27T14:57:52Z; meta:save-date: 2010-01-27T14:57:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-27T14:57:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-27T14:57:52Z; created: 2010-01-27T14:57:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-01-27T14:57:52Z; pdf:charsPerPage: 1246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-27T14:57:52Z | Conteúdo => PUBLICADO no D.roà _(,13 ., ,„30,, o 4_, 19.9.a. -su .wr... \»d' :,t‘er:i0j- -'ziWY:a ~Ar., bzittn-4.- MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N g 26.513-400.026/87-47 cma Sessão de.25:cle...leMeteiro_do &ia.. ACORDADN4 201-67.761 Recurso N2 83.025 Recorrente COMPANHIA AGRÍCOLA CONTENDAS Recorrida DRF EM RIBEIRÃO PRETO - SP IAA - Falta de recolhimento da Contribuição, re lativamente a álcool objeto de simulação de verTi, da a Petrobrás, não entregue ã mesma e cuja ope ração não foi registrada na vendedora. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA AGRÍCOLA CONTENDAS. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provi mento ao recurso. Sala das .essaes, em 25 de fevereiro de 1992 4I ROBERTO 4,W 'Be' , DE CA TRO - PRESIDENTE E RELATOR (I 1' 4 I II. ANTO 41 f ieli# 1.. á AMARGO - PROCURADOR-REPRESENTAN- TE DA FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE 27 MAR 1992 Participaram, ainda, do presente jugamento, os Conselheiros LINO DE AZEVEDO MESQUITA, HENRIQUE NEVES DA SILVA, SELMA SANTOS SALO- MÃO WOLSZCZAK, DOMINGOS ALFEU COLENCI DA SILVA NETO, ANTONIO MAR TINS CASTELO BRANCO, ARISTÓFANES FONTOURA DE HOLANDA e SÉRGIO G5 MES VELLOSO. -1À e -2- ott-t-Y-t. :,%:;$3: nzilt .~. •,-zi .‘ as MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N9 26.513-400.026/87-47 Recurso N94 : 83.025 Acordão Ng : 201-67.761 Recorrente: COMPANHIA AGRÍCOLA CONTENDAS RELATÓRIO Retornam à pauta estes autos, após realização de dili- gência determinada na Sessão de 21.09.90 a fim de que fosse melhor esclarecida a indicação de reincidência que determinara, ao nível da primeira instância, o agravamento da pena. Para ajuda à memória dos ilustres pares, releio o rela tório e voto então apresentados e aprovados à unanimidade por esta E. Câmara (é lido o relatório de fls.). Como resultado da diligencia, veio agora novo Termo de Antecedentes Fiscais, de fls. 99, substituindo o anterior, e ates- tando a condição de primário do sujeito passivo. É o relatório. f. G) (1, -segue- 7.) ;36-. . -.3- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo ng 26.513-400.026/87-47 Acórdão ns 201-67.761 VOTO DO CONSELHEIRO RELATOR ROBERTO BARBOSA DE CASTRO O recurso apresentado ã consideração deste Colegiado prende-se a dois pontos, sendo o primeiro constante de uma preli minar de argüição de inconstitucionalidade-e o segundo ataca a questão de agravamento da pena, por reincidência. Na referida preliminar alega que "é inconstitucional o Decreto-Lei TIS 1952/82, que transformou a Contribuição insti- tuída pelo artigo 39 do DL-308/67, e cuja finalidade era assegu- rar o custeio do IAA, uma Autarquia Federal, em um autêntico IM- POSTO, com a mesma base de cálculo e o mesmo fato geradordbIPI". A jurisprudência firmemente estabelecida, para o par ticular, reza que aos Conselhos de Contribuintes, mera instância administrativa, refoge competência para apreciar e decidir argüi ções de inconstitucionalidade. Somente em sede judicial pode ser levantado tal tipo de argumento. A esfera administrativa cabe executar e exigir cumprimento das leis vigentes. Assim, recuso a preliminar. No mérito, nada a apreciar. Os aspectos fáticos, vis to que nem de passagem com isso se preocupou a recorrente, são in * controversos. De aceitar-se, em conseqüência, que os fatos se de- ram tal como relatados no auto de infração. A matéria de direito (quanto ao mérito) também não atacada no recurso, me parece ter sido bem equacionada na deci- são recorrida. O único reparo a fazer na decisão "a quo" refere-se ã matéria que já fora objeto de diligência determinada por esta E. Câmara. Com efeito, resultou da diligencia a descaracteriza- ção de reincidência antes considerada para agravamento da pena. A própria autoridade prepadora fez substituir o termo anterior, U):" '3( - -segue- • 551°w ffl -4- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n(2 26.513-400.026/87-47 Acórdão nQ 201-67.761 atestando agora a condição de primária da recorrente. Em conseqüência, voto pelo provimento parcial do re- curso para descaracterizar a reincidência e reduzir a penalidade a 50% (cinqüenta por cento). Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 1992 süil4 ROBERTO BAR A DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.910882/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-004.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 03/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 82 /2 00 9- 24 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório A contribuinte formalizou perante a DRF/BlumenauSC Per/DComp para o encontro de contas com créditos decorrentes de pagamento realizado a maior, sendo o pedido indeferido por meio de despacho decisório que informou não haver crédito disponível para efetuar a compensação declarada. Irresignada a contribuinte manifestou a sua inconformidade, argumentando pela necessidade da busca da verdade material, deduzindo pela declaração de nulidade do ato administrativo que não homologou a compensação declarada, sob a égide da ausência de motivação e de fundamentação, o que ensejaria o desvio de finalidade, laborando em prejuízo ao exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Pugnou, ainda, pela não exigência dos juros (taxa Selic) e da multa de mora, por se contrapor aos princípios da vedação ao confisco, razoabilidade e da proporcionalidade, devendo os juros exigidos se limitar ao disposto no CTN. Conclusos vieram os autos para a apreciação da 4a Turma de Julgadores da DRJ/FNS, quando em 25/05/12, proferiram decisão por meio do acórdão nº 0729.078, nos termos seguintes: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910882/200924 Acórdão n.º 3803004.073 S3TE03 Fl. 7 3 O condutor do acórdão em questão entendeu que os valores declarados em DCTF, por se constituírem em confissão de dívida, só podem ter natureza infirmada diante da sua retificação, o que não ocorreu,in casu. Esclareceu que enquanto não retificados, tais valores informados são considerados como devidos, não ficando disponíveis para qualquer tipo de repetição: compensação, restituição, ressarcimento ou reembolso. Aduziu, ainda, que não há vício no despacho decisório, eis que a motivação e fundamentação deixaram claro a razão da não homologação, pois compulsando os autos constatou que o despacho decisório faz referência objetiva e sumária à inexistência do crédito alegado pelo sujeito passivo, não havendo desdobramentos fáticos ou jurídicos que justificassem mais do que foi dito, eis que consta de campo próprio do Per/DComp que o recolhimento afirmado pela contribuinte como indevido foi integralmente utilizado pela própria contribuinte para o pagamento do débito relativo ao próprio tributo e ao próprio período de apuração indicados no próprio documento de arrecadação – DARF. Admitiu, entretanto, o relator, que se o contribuinte tivesse retificado previamente a sua DCTF, reduzindo o valor do débito original, não teria tido o seu crédito declarado pela DRF/BlumenauSC como indisponível, o que poderia levar a uma eventual homologação da compensação intentada. Quanto à contestação da exigência da multa de mora e dos juros de mora, tais questões não restaram apreciada em razão da ausência de competência, pois em relação aos julgamentos de reconhecimento de direito creditório, a competência das DRJ se limita à aferição da efetiva existência ou não desse direito alegado pelo contribuinte. A ciência da decisão de primeira instância pela contribuinte se deu por meio de Termo de Ciência por Decurso de Prazo de quinze dias, a contar da disponibilização dos documentos nele acostados na Caixa Postal, Módulo eCAC, do site da Receita Federal. A data de disponibilização dos documentos na Caixa Postal foi 31/05/12 e a data da ciência do acórdão da manifestação de inconformidade por decurso de prazo deuse em 15/06/12. Entretanto, a protocolização do recurso voluntário na CAC da DRF/Caxias do Sul somente ocorreu em 18/06/2012, conforme se depreende do recebimento pelo servidor em seu carimbo. O recurso voluntário aviado reiterou os argumentos expendidos na peça inaugural de forma minudente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência, bem assim não procedeu à retificação da DCTF para, mediante a alteração dos valores originalmente informados, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Noticiam os autos que a recorrente argüiu pela ausência de fundamentação no feito e que deveria haver sido intimada para prestar esclarecimentos ou mesmo para proceder a retificação da DCTF, e que a não ocorrência de tais situações resultou em prejuízo ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal, restando caracterizada assim a nulidade do feito. Neste sentido formulou assertivas que a fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa, ex vi do art. 37 da CF/88, assinalando que a autoridade administrativa antes de não homologar a compensação declarada deveria se certificar da origem do crédito. Não subsiste a pretensão de nulidade do feito. É o que se demonstrará a seguir. A DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à comprovação da liquidez e certeza dos débitos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, que efetivamente não ocorreu por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência do crédito alegado na DComp. Assim utilizandose das informações constantes dos sistemas RFB a fiscalização constatou que o pagamento informado por meio de DARF foi integralmente utilizado para o pagamento de débito regularmente declarado pela própria contribuinte, não restando saldo credor para à satisfação da compensação. Por sua vez a decisão recorrida observou que a contribuinte não efetuou a retificação dos valores informados na DComp por meio da retificação da correspondente DCTF. Compulsando os autos verificouse que a fiscalização amparouse em informações do sistema RFB alimentado pela própria contribuinte, que em momento algum laborou em demonstrar a efetividade da existência do crédito alegado, ou seja, não logrou em demonstrar a certeza e a liquidez necessária a consubstanciar a sua pretensão. Quanto a este aspecto os fatos falam por si só. A decisão consubstanciouse em seus próprios fundamentos, com base no princípio da verdade material, utilizandose de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910882/200924 Acórdão n.º 3803004.073 S3TE03 Fl. 8 5 informações fornecidas pela recorrente, tornandose despicienda a sua intimação, pois discricionária é a demanda neste sentido. Partindose do pressuposto de que as informações prestadas regularmente ao Fisco são as mesmas que alimentam os registros contábeis e fiscais da recorrente, e que tais informações foram utilizadas pela autoridade administrativa para a comprovação da inexistência de saldo credor para à satisfação da compensação declarada, não há se alegar cerceamento de defesa e muito menos ao contraditório, pois a peça recursal analisada em toda a sua amplitude reflete o direito de audiência e o devido processo legal. No item atinente ao crédito passível de compensação, a recorrente discorre acerca da verdade material para, justificar a possibilidade de comprovação do crédito em qualquer fase processual, entretanto não laborou em demonstrar a efetivamente existência do crédito alegado. E mais. A título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, tais assertivas não se opõem ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, que prevê que o momento de apresentação da prova dáse simultaneamente com a interposição da impugnação/manifestação de inconformidade, não podendo sêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, outrossim esclarecendo que a recorrente não se insere neste contexto. Determina, ainda, o disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. Como dito a recorrente não laborou em demonstrar a razão superveniente que a impediu de apresentar, oportunamente, os documentos trazidos em outro momento processual. Por tal razão não há como acolher o seu pleito neste aspecto. Igualmente não logrou infirmar o conteúdo do decidido no despacho decisório eletrônico, ou mesmo demonstrar a existência de liquidez, certeza e disponibilidade do crédito informado no Per/DComp, para a satisfação da compensação, mediante a homologação e extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. A função do julgador administrativo no âmbito o CARF é a verificação do controle da legalidade e a aplicação da lei ao caso concreto. A aplicação da Taxa Selic a título de juros de mora encontra amparo legal, não havendo a declaração de inconstitucionalidade Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 neste sentido pelo Pleno dos Tribunais Superiores. Este é o entendimento remansoso adotado majoritariamente nos julgamentos realizados no âmbito do CARF. Finalmente, a não apresentação de documentos necessários à comprovação de direito creditório juntamente com a impugnação, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, impede a revisão de ofício e enseja o lançamento para o cumprimento de exigência fiscal. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 14120.000097/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS.
A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL.
Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória nº 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula nº 04 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA.
Incabível a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% quando não restar provada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A falta de apresentação de DIPJ e DCTF por si só não caracteriza o elemento subjetivo do dolo.
MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO.
A multa de ofício constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1202-000.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória nº 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula nº 04 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Incabível a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% quando não restar provada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A falta de apresentação de DIPJ e DCTF por si só não caracteriza o elemento subjetivo do dolo. MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 97 /2 00 9- 45 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 560 2 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Contra a empresa Guaicurus Comercial de Alimentos Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 02/11, e CSLL, fls. 12/20, por ter a fiscalização constatado as seguintes irregularidades no anocalendário de 2006, descritas as fls. 04: arbitramento do lucro tributável pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais e omissão de receitas apurada com base nas GIAS entregues ao Fisco estadual. Adoto o Relatório do Acórdão de Primeira Instância: “Tratase de impugnação apresentada contra lançamentos nos quais a Fiscalização, apurando omissão de receitas, formalizou a exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 1.294.026,57, compreendendo tributo, multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 2o da Lei n° 7.689/1988 e demais dispositivos mencionados nos autos de infração de fls. 02 a 11 e 12 a 20. A contribuinte, não resignada, impugnou os lançamentos, a eles opondo as seguintes objeções: a) Não foram deduzidos, na apuração do crédito tributário, os valores já pagos pela impugnante, os quais, embora recolhidos incorretamente sob o código de receita 6106 (SIMPLES), ingressaram nos cofres públicos e, assim, para evitar enriquecimento ilícito devem ser deduzidos. b) Não foram deduzidos, na apuração da base de cálculo, os valores correspondentes a devoluções de vendas, com o que se Fl. 586DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 561 3 considerou como sendo receita algo destituído de qualquer conteúdo econômico. c) Não foi observada a exigência de lavratura de dois autos de infração segregados para cada tributo e para cada multa (sic), conforme dispõe o art. 9º do Decreto n° 70.235/1972, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.941/2009. d) A multa aplicada tem como pressuposto o dolo, que, nos autos, não restou demonstrado. É impossível imputar à conduta da impugnante o evidente intuito de fraude, já que não foi ela quem elaborou a declaração de imposto sobre a renda, pois não possui conhecimentos técnicos suficientes para tanto. A atividade foi delegada a terceiro. Além disso, a impugnante não deixou de apresentar os documentos solicitados pela autoridade administrativa. Apresentouos ao Fisco do Estado (sic), não prejudicando qualquer investigação fiscal. e) A multa imposta é abusiva, atenta contra os princípios da razoabilidade, da segurança jurídica e da capacidade contributiva, além de ter caráter confiscatório. f) A taxa Selic é ilegal, extrapola o limite imposto pelo §1° do art. 161 do Código Tributário Nacional CTN e tem finalidade remuneratória. Com esses fundamentos, pugnou pela nulidade do auto de infração.” Em 28 de janeiro de 2010 foi prolatado o Acórdão nº 0419.502, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande, fls. 510/515, que considerou a impugnação improcedente, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R P J Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTOS REALIZADOS ANTERIORMENTE. DEDUÇÃO. REQUISITOS. A dedução a ser efetuada pelo fiscal autuante, quando do lançamento do crédito tributário, de valores pagos pelo contribuinte, tem como requisito a identidade do tributo e do período de apuração. Pagamentos feitos no código do SIMPLES não podem ser deduzidos nos lançamento de IRPJ, por não atenderem àqueles requisitos. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 562 4 É cabível a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, dada a existência de previsão legal. ASSUNTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CSLL. ANOCALENDÁRIO: 2006 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTOS REALIZADOS ANTERIORMENTE. DEDUÇÃO. REQUISITOS. A dedução a ser efetuada pelo fiscal autuante, quando do lançamento do crédito tributário, de valores pagos pelo contribuinte, tem como requisito a identidade do tributo e do período de apuração. Pagamentos feitos no código do SIMPLES não podem ser deduzidos nos lançamento de CSLL, por não atenderem àqueles requisitos. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA.IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, dada a existência de previsão legal. Impugnação Improcedente.” Cientificada em 12/01/11, AR de fls. 539, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 03/02/11, em cujo arrazoado de fls. 541/556 reprisa os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. As matérias em litígio dizem respeito ao arbitramento do Lucro Tributável, em virtude da falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, à omissão de receitas apurada com base nas GIAS entregues ao Fisco estadual, à compensação de valores recolhidos indevidamente com os exigidos no auto de infração, à incorreção da base de cálculo do lançamento, receita bruta, pela não consideração das devoluções de vendas, a necessidade de lavratura de dois autos de infração segregados para cada tributo e para cada multa, a Fl. 588DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 563 5 inocorrência de dolo que justificasse a imposição da multa qualificada, o efeito confiscatório da multa de ofício e a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. Na descrição dos fatos o autuante informa o seguinte: “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Lançamento de ofício de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, IRPJ, lucro Arbitrado, referente ao anocalendário de 2006 e reflexo de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL. Em 10/12/2008 em diligência a sede da empresa no endereço constante do cadastro do CNPJ, avenida Noroeste 6992, mas no local não havia nenhum estabelecimento comercial, foi lavrado o Termo de Constatação para ficar registrado a ocorrência acima descrita. Em 12/12/2008, foi fixado o Edital de Intimação para entrega dos Livros e documentos fiscais, referente ao anocalendário de 2006, com data da ciência em 29/12/2009 e prazo de 05 (cinco) dias para a entrega dos respectivos livros e documentos. Como o contribuinte não atendeu a Intimação via Edital, foram enviadas as Intimações para os endereços dos sócios Edson Santa Cruz e José Nilson Gimenez, mas as correspondências retornaram porque os sócios não foram encontrados em seus endereços, constantes no Cadastro de Pessoas FísicasCPF. Em 12/03/2009 foi enviado um Ofício a Secretaria de Fazenda MS, para o fornecimento das Guias de Informação e Apuração de ICMSGIAS. De posse destas GIAS, foi apurado que o contribuinte informou todos os meses os valores das entradas e saídas de mercadorias nas respectivas GIAS à Secretaria de FazendaMS. Em 09/04/2009, foram enviadas Intimações aos fornecedores do contribuinte, as empresas Indústria Missiato de Bebidas Ltda., CNPJ 02.295.098/000187, Casa di Conti Ltda., CNPJ 46.842.89/000168 e Indústria e Comércio de Bebidas Funada Ltda., CNPJ 55.325.989/000448, para que apresentassem cópias das notas fiscais de vendas e que também informassem os nomes das pessoas com quem eram realizados os negócios no anocalendário de 2006, em especial se conheciam os sócios José Nilson Batistote Gimenez e Edson Santa Cruz. Em resposta as intimações, as empresas apresentaram as cópias das notas fiscais de saídas emitidas para o contribuinte, a soma das respectivas notas fiscais confirmaram os valores de entradas informadas nas GIAS pelo contribuinte, confirmando que o contribuinte era um revendedor de bebidas, também foi informado que o gerente da empresa era o senhor Domingos Fl. 589DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 564 6 Soares e o responsável pela empresa era o senhor Edson Santa Cruz. O contribuinte estava omisso nas Declarações DIPJ e DCTF e efetuou alguns pagamentos de pequeno valor, no código 6106 do tributo SIMPLES, mas não era um optante pelo sistema SIMPLES. Como os livros não foram apresentados, e o contribuinte não era optante pelo sistema SIMPLES, foi lavrado o presente auto de infração com base no lucro arbitrado, sendo utilizado o percentual de 9,6% sobre a receita conhecida, através dos valores das vendas informados nas GIAS entregues a Secretaria de FazendaMS e apurado o Imposto de Renda da Pessoa JurídicaIRPJ, conforme descrito no Demonstrativo de Apuração do Lucro Arbitrado que encontrase em anexo ao auto de infração. Diante dos fatos e da legislação, sobre os tributos lançados de acordo com as infrações acima descritas, esta fiscalização concluiu haver evidentes indícios de fraude contra a ordem tributária, e, por isso, qualificou a multa incidente em 150%, em conformidade com o art. 44, II, da Lei 9.430/96, com nova redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória 303, de 29 de junho de 2006, que versa que: Art. 18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A Lei 4.502/64 prevê que: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 590DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 565 7 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fica evidente o intuito do contribuinte de sonegar os tributos, ao não apresentar nenhuma declaração de DIPJ e de DCTF, não permitindo que a autoridade fazendária conhecesse da ocorrência do fato gerador.” Irretocáveis os fundamentos do acórdão de primeira instância quanto ao arbitramento do lucro pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, uma vez que a empresa para ser tributada pelo regime do Lucro Real deveria, para apresentar os resultados do período, manter escrituração contábil em boas condições, respeitando as técnicas e normas contábeis, apurando o lucro líquido do exercício, demonstrando seu efetivo resultado a cada ano, adotando as condutas impostas pela legislação comercial e fiscal. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais à fiscalização, ao impossibilitar a apuração do Lucro Real, ocasiona o arbitramento do lucro tributável. Assim, deve ser confirmado o arbitramento do lucro tributável da empresa Guaicurus Comercial de Alimentos Ltda.. Não comprova a recorrente as incorreções que diz existir no levantamento fiscal para a tributação pelo Lucro Arbitrado no anocalendário de 2006, apenas se limitando a informar que existiria devolução de vendas lançada nas GIAS, não demonstrando tal fato, estando correta a base tributável que levou em conta a informação do Fisco estadual. Melhor sorte não tem a empresa quanto à sua pretensão de ver compensado o valor recolhido a título de SIMPLES com o montante lançado no auto de infração, não sendo a empresa optante por esse sistema. Por se tratar de recolhimento indevido, em virtude de a empresa ter recolhido montantes sob o código do SIMPLES sem estar filiada a esse Sistema, o direito creditório a que se refere a autuada só pode ser exercido por meio de procedimento próprio de compensação/restituição, não se admitindo que esse valor venha a ser compensado diretamente com o de tributos exigidos nestes autos, como solicitado pela autuada. Incabível, também, a alegação de erro na formalização das exigências em autos diferentes de multa e tributos, tendo o lançamento seguido os ditames do Decreto nº 70.235/72, regulador do Processo Administrativo Fiscal. Quanto à imposição da multa de ofício qualificada entendo assistir razão à recorrente, haja vista não restar caracterizada nos autos a situação de conduta dolosa praticada pela empresa que motivasse a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 566 8 O fato descrito pela fiscalização, a falta de apresentação de declarações, DIPJ e DCTF, não pode isoladamente sustentar a aplicação da multa exacerbada, por não restar configurada a intenção dolosa do contribuinte em deixar de levar ao conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador do tributo. A imposição da multa qualificada de 150% depende de procedimento adotado pela fiscalização que identifique e comprove a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O ônus da prova, quando da imposição de penalidades pela constatação de dolo, fraude ou simulação cabe a quem alega, à Fazenda Pública, o que não restou configurado no auto de infração. Paulo Celso B. Bonilha, em seu livro Da Prova no Processo Administrativo Tributário, pág. 76, 2ª Edição, Editora Dialética, afirma ao tratar de ônus da prova: “Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda fundase na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores supõemse presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda o ônus de comprovar a sua existência. Esse é o teor da conclusão de Tesauro, que extrai da relação substancial a regra processual da carga da prova, “in verbis”: “No processo tributário, a prova deve resultar do fato em que é fundamentado o provimento (nos limites, obviamente, nos quais o recorrente contestou tal ou quais fatos); se o fato não resulta provado, o provimento é infundado e, portanto, deve ser anulado: essa regra substancial, da qual descende a regra processual do ônus da prova a cargo da Fazenda.” As infrações tributárias podem ser classificadas conforme a participação subjetiva do agente, sendo definidas como subjetivas ou objetivas. As infrações subjetivas são aquelas em que para ficar caracterizado o que exige a lei deve ser provado que o autor do ilícito tenha agido com dolo ou culpa. Paulo de Barros Carvalho, em seu livro Curso de Direito Tributário, 14ª edição, às pág. 510/511, conclui o seguinte quanto ao ônus da prova no caso de constatação de dolo fraude ou simulação: “O discrime entre infrações objetivas e subjetivas abre espaço a larga aplicação prática. Tratandose da primeira, o único recurso de que dispõe o suposto autor do ilícito, para defender se, é concentrar razões que demonstrem a inexistência material do fato acoimado de antijurídico, descaracterizandoo em qualquer de seus elementos constituintes. Cabelhe a prova, com todas as dificuldades que lhe são inerentes. Agora, no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma produziu. Os embaraços dessa comprovação, que Fl. 592DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 567 9 nem sempre é fácil, transmudamse para a atividade fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente. As dificuldades a que nos reportamos, sejam as experimentadas pelo sujeito passivo, no caso de impugnar pretensões punitivas por ilícitos de natureza objetiva, sejam aquelas outras que os funcionários da fiscalização tributária enfrentam para certificar a infração subjetiva, nem sempre são adequadamente suplantadas. Nos autos de infração, o agente limitase a circunscrever os caracteres fácticos, fazendo breve alusão ao cunho doloso ou culposo da conduta do administrado. Isto não basta. Há de provar, de maneira inequívoca, o elemento subjetivo que integra o fato típico, com a mesma evidência com que demonstra a integração material da ocorrência fáctica. É justamente por tais argumentos que as presunções não devem ter admissibilidade no que tange às infrações subjetivas. O dolo e a culpa não se presumem, provamse.”(grifo nosso) Portanto, no caso de fraude, dolo ou simulação, a imputação de penalidades pelo Fisco necessita que estas ocorrências sejam provadas, independentemente da apuração da infração fiscal. As alegações apresentadas pelo recorrente a respeito da inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora e do caráter confiscatório da multa de ofício, por ferir normas e princípios constitucionais, não podem aqui ser analisadas, porque não cabe a este Conselho discutir validade de lei. Tenho firmado entendimento em diversos julgados neste Colegiado, que, regra geral, falece competência a este Conselho Administrativo para, em caráter original, negar eficácia à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, porque, pela relevância da matéria, no nosso ordenamento jurídico tal atribuição é de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, com grau de definitividade, conforme arts. 97 e 102, III, da Constituição Federal, verbis: “Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: (Omissis) III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; Fl. 593DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 568 10 b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.” Concluise que mesmo as declarações de inconstitucionalidade proferidas por juízes de instâncias inferiores não são definitivas, devendo ser submetidas à revisão. Em alguns casos, quando exista decisão definitiva da mais alta corte deste país, vejo que o exame aprofundado de certa matéria não tem o condão de exorbitar a competência deste colegiado e sim poupar o Poder Judiciário de pronunciados repetitivos sobre matéria com orientação final, em homenagem aos princípios da economia processual e celeridade. É neste sentido que conclui o Parecer PGFN/CRF nº 439/96, de 02 de abril de 1996, por pertinente, transcrevo: “17. Os Conselhos de Contribuintes, ao decidirem com base em precedentes judiciais, estão se louvando em fonte de direito ao alcance de qualquer autoridade instada a interpretar e aplicar a lei a casos concretos. Não estão estendendo decisão judicial, mas outorgando um provimento específico, inspirado naquela. (Omissis) 32. Não obstante, é mister que a competência julgadora dos Conselhos de Contribuintes seja exercida – como vem sendo até aqui – com cautela, pois a constitucionalidade das leis sempre deve ser presumida. Portanto, apenas quando pacificada, acima de toda dúvida, a jurisprudência, pelo pronunciamento final e definitivo do STF, é que haverá ela de merecer a consideração da instância administrativa.”(grifo nosso) Com base nestas orientações foi expedido o Decreto nº 2.346/97, que determina o seguinte: “As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1 Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia “ex tunc”, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial” (grifo nosso) Este entendimento já está pacificado pelo Poder Judiciário, como se vê no julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que faz referência a precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF): Fl. 594DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 569 11 “DIREITO PROCESSUAL EM MATÉRIA FISCAL – CTN – CONTRARIEDADE POR LEI ORDINÁRIA – INCONSTITUCIONALIDADE. Constitucional. Lei Tributária que teria, alegadamente, contrariado o Código Tributário Nacional. A lei ordinária que eventualmente contrarie norma própria de lei complementar é inconstitucional, nos termos dos precedentes do Supremo Tribunal Federal (RE 101.084PR, Rel. Min. Moreira Alves, RTJ n° 112, p. 393/398), vício que só pode ser reconhecido por aquela Colenda Corte, no âmbito do recurso extraordinário. Agravo regimental improvido “(Ac. unânime da 2ª Turma do STJ – Agravo Regimental 165.452SC – Relator Ministro Ari Pargendler – D.J.U. de 09.02.98 – in Repertório IOB de Jurisprudência n° 07/98, pág. 148 – verbete 1/12.106) Recorro, também, ao testemunho do Prof. Hugo de Brito Machado para corroborar a tese da impossibilidade desta apreciação pelo julgador administrativo, antes do pronunciamento do STF: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional” (in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Editora Revista dos Tribunais, págs. 302/303). Do exposto, concluo que regra geral não cabe a este Conselho manifestarse a respeito de inconstitucionalidade de norma, apenas quando exista decisão definitiva em matéria apreciada pelo Supremo Tribunal Federal é que esta possibilidade pode ocorrer, o que não é o caso em questão. Vejo que foi prolatada a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Em relação à taxa SELIC, o Supremo Tribunal Federal proferiu nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (nº 47 de 7.03.1991) que a aplicação de juros moratórios acima de 12% ao ano não ofende a Constituição, pois seu dispositivo que fixa a limitação ainda depende de regulamentação para ser aplicado. Assim está ementado tal julgado: “DIREITO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE INJUNÇÃO. TAXA DE JUROS REAIS: LIMITE DE 12% AO ANO. ARTIGOS 5º, INCISO LXXI, E 192, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. Em face do que ficou decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI nº 4, o limite de 12% ao ano, previsto, para os juros reais, pelo § 3º do art. 192 da Constituição Federal, depende da aprovação da Lei Complementar regulamentadora do Sistema Financeiro Nacional, a que se referem o “caput” e seus incisos do mesmo dispositivo...” (STF pleno, MI 490/SP). Fl. 595DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 14120.000097/200945 Acórdão n.º 1202000.925 S1C2T2 Fl. 570 12 A Súmula nº 04 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, firmou o entendimento de que a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Quanto à multa de ofício, foi perfeitamente aplicada ao fato apurado, haja vista a constatação de irregularidades tributárias, não se adequando aqui o conceito de Confisco estampado no artigo 150 da Constituição Federal, que trata desta situação apenas no caso de tributos. Lançamento Decorrente: CSLL O lançamento da CSLL em questão teve origem em matéria fática apurada na exigência principal, na qual a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Tendo em vista a estreita relação entre eles existente, devese aqui seguir os efeitos da decisão ali proferida. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75%. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 596DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2013 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11330.000856/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998
CONVALIDAÇÃO DO LANÇAMENTO. NOVA DATA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Se houver convalidação do lançamento, a data de constituição do crédito tributário para efeito de apuração da decadência deve ser tomada como aquela da ciência do ato convalidado.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos.
O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que não reconheceu a decadência.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 CONVALIDAÇÃO DO LANÇAMENTO. NOVA DATA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Se houver convalidação do lançamento, a data de constituição do crédito tributário para efeito de apuração da decadência deve ser tomada como aquela da ciência do ato convalidado. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso Voluntário Provido.
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PREVNFLD Recorrente SENDAS S/A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 CONVALIDAÇÃO DO LANÇAMENTO. NOVA DATA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Se houver convalidação do lançamento, a data de constituição do crédito tributário para efeito de apuração da decadência deve ser tomada como aquela da ciência do ato convalidado. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que não reconheceu a decadência. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.000856/200744 Acórdão n.º 230102.818 S2C3T1 Fl. 536 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.566.2469, lavrada em 16/04/2003, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações decorrentes de serviços de colocação de pisos realizados pela Tecnogran do Brasil Ltda, no período de 01/04/1997 a 31/12/1998, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 49.939,77, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 19/05/2003, fls. 01, a recorrente e tomadora dos serviços apresentou impugnação, fls. 45/58, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A prestadora Tecnogran foi cientificada por meio postal em 09/09/2003, fls. 68, e apresentou impugnação, fls. 76/81, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A Seção de Análise de Defesas e Recursos observou haver dúvidas quanto ao enquadramento legal e solicitou diligência para que fosse esclarecido se os serviços prestados foram de construção civil, enquadrandose no art. 30, inciso VI; ou se os serviços enquadram se como cessão de mão de obra com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, fls. 373. A autoridade fiscal respondeu que os serviços estavam relacionadas a obras de construção civil, fls. 377. As recorrentes não foram cientificadas de tal manifestação em 26/05/2006, fls. 397 e 401. A 14ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 472/486, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 27/01/2011, fls. 496. A decisão a quo reconheceu a decadência até 04/1998, mantendo as competências lançadas de 11 e 12/1998. O recurso voluntário de Sendas S/A, apresentado em 11/02/2011, fls. 500/518, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende que só poderia haver responsabilização solidária após a constituição do crédito tributário diante da prestadora, no regime vigente até 01/1999. Como o CTN limitou a responsabilidade ao crédito tributário, aquela só poderá existir após a constituição deste. Quanto à aferição indireta, entende que não foi obedecida a determinação do art. 33, §6º da Lei 8.212/91. Afirma que a multa aplicada, bem como os juros, tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer, pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Ao apontar dúvida no enquadramento legal, a Seção de Análise de Defesas e Recursos apontou, naquele momento, uma possível nulidade no resultado do julgamento por cerceamento de defesa, na medida em que as interessadas teriam suas defesas prejudicadas por tal dúvida. A nulidade foi afastada com manifestação da autoridade fiscal de fls.. 376/377 da qual as interessadas foram cientificadas em 26/05/2006. Entendemos que, portanto, somente nessa data houve o aperfeiçoamento do lançamento, pois somente nessa data o ato administrativo restou livre de nulidades. Sendo assim, é essa data que devemos tomar para análise da decadência: 26/05/2006. Consideramos que tal questão relacionada com a decadência constituise em questão de ordem pública que deve ser apreciada ainda que não suscitada pela recorrente. Passamos a fazer nossas considerações sobre a decadência. Preliminar de Decadência A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11330.000856/200744 Acórdão n.º 230102.818 S2C3T1 Fl. 537 5 Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Para as competências incluídas no lançamento, considerando o lançamento concluído em 26/05/2006, tornase desnecessária a discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo art. 150, §4º ou aquele constante do art. 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas chegaremos à conclusão de que o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento. Tomando o dies a quo do prazo decadencial aquele constante do art. 173, inciso I, teríamos, para a competência de 12/1998 o início da contagem decadencial em 01/01/2000, o que resultaria no prazo fatal de 31/12/2004. Portanto, o lançamento convalidado e cientificado em 26/05/2006 foi concluído após a ocorrência da caducidade do direito do fisco de declarar a constituição do crédito tributário, tornando improcedente a autuação guerreada pela recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001798/2010-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$18.500,00 (dezoito mil e quinhentos reais).nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$18.500,00 (dezoito mil e quinhentos reais).nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 17 98 /2 01 0- 17 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, decorrente de glosa de despesas médicas no valor de R$20.577,60, por falta de comprovação ou de previsão legal, uma vez que em relação a parte das deduções a efetividade da prestação dos serviços e do pagamento não foi comprovada nos termos em que indicado na intimação fiscal, documentos exigidos na forma do art. 11 §3º e §4º do DecretoLei 5.844/43 e nos art. 73 e 80, incisos II e II (sic) do §1º, ambos do RIR1999. A glosa referiuse a (a) parte da despesas com Plano de Saúde Unimed e (b) integralidade das despesas com as profissionais Claudiane Dias de Assis Lima, Fernanda Trragante Machado, Marícilia Belloc de Saraiva e Loiva Correa Cutrin. Primeiramente houve a intimação de às fls. 70, onde se verifica que o contribuinte foi intimado a apresentar: “Comprovantes originais e cópias das despesas médicas, com a identificação do paciente” e de “despesas médicas com planos de saúde co valores discriminados por beneficiário”. Depois por meio da intimação de fls. 104 exigiuse outros elemento de prova da efetividade dos serviços (relatório médico, orçamento, ficha do paciente, exames, Raio X) e de desembolso dos recursos (cópia de cheques, boletos bancários, extratos bancários, comprovantes de saques). Indicou que declarações das mesmas profissionais não serviriam de prova e que os documentos apresentados deveriam conter nome, endereço, número de inscrição no CPF e dos números de inscrição nos respectivos Conselhos de Classe. Na impugnação foram apresentados recibos e relatórios emitidos pelas profissionais e extratos bancários . Com base em entendimento de que os recibos são prova relativa e ancorada em precedentes deste Conselho, a DRJ reputou não comprovados os pagamentos, uma vez que não há vinculação entre os registros nos extratos bancários e cada um dos recibos apresentados, e há inconsistência entre a alegação feita na impugnação (de pagamentos ora por sessão, ora semanal, ora quinzenal, por cheque ou dinheiro) com a informação prestada em 1702/2010 (pagos após cada sessão em dinheiro). A DRJ apontou que os recibos de Claudiane Dias de Assis Lima, Loiva Corres Cutrim e Marília Belloc de Saraiva não apresentam os endereços das profissionais, em contrariedade ao inciso III do §2º do art. 8º da Lei 9.250/1995, além de conterem descrição genérica e não indicarem a quantas sessões se referem, e terem sido emitidos em dias não úteis. Ciência em 25/04/2011. Recurso voluntário interposto em 23/05/2011. Em síntese, a peça recursal amparase nas seguintes alegações: 1. foram apresentados os recibos de pagamento de fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga, contendo histórico da paciente, prescrição e justificativa do tratamento e número de sessão, assinados pela profissionais e autenticados em cartórios; 2. foram anexados extratos bancários que demonstram a disponibilidade financeira para arcar com os pagamentos dos referidos recibos, ora por sessão, ora semanal, ora quinzenal, ora em dinheiro, ora em cheque; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.001798/201017 Acórdão n.º 2802002.319 S2TE02 Fl. 154 3 3. a natureza dos serviços não é daquelas em que existe exames, radiografias ou receitas, pois os profissionais contratados não se utilizam desses recursos; 4. as profissionais colocaram em seus relatórios o que a ética profissional permite e que não viola a privacidade do paciente; 5. quanto ao fato de as declarações somente teria sido feitas em 2010, isto justificase porque somente nessa época foi intimada a fazer provas adicionais; 6. é normal a existência de recibos datado em feriados e finais de semana, pois fazia tratamento domiciliar; 7. quanto à afirmação de que as descrições dos serviços era genérica, isto justificase porque a finalidade dos recibos é provar pagamento e não descrever o tratamento; 8. não pode ser penalizada pelo fato de as profissionais não declararem rendimentos de pessoas físicas, pois os serviços foram prestados e os pagamentos realizados; 9. os tratamentos embora caros foram necessários para sua recuperação, notadamente por ser uma mulher de quase 65 anos; 10. concorda com a glosa em relação à diferença de valor da Unimed. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Não integra o litígio a glosa de parte do valor deduzido em relação ao Plano de Saúde Unimed. O litígio referese exclusivamente à glosa das despesas declaradas em relação às profissionais Claudiane Dias de Assis Lima, Fernanda Trragante Machado, Marícilia Belloc de Saraiva e Loiva Correa Cutrin, que totaliza R$18.500,00. A autoridade fiscal faz várias exigências na intimação fiscal, mas não aponta indícios que desabonem os recibos apresentados, nem as declarações das profissionais que similares a relatórios médicos indicam o quadro clínico que justificou o tratamento, bem como os tratamentos realizados ( fls. 109 , 114, 119 e 124). Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Não ficou demonstrado porque os recibos apresentados não são suficientes ainda que atendam as formalidades legais, nem o que desqualificaria as declarações. Em casos desta natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte e o ponto de partida é a imputação feita no lançamento, se nele não há apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Os documentos comprobatórios estão acostados aos autos e não foram objeto de ressalvas pela autoridade fiscal. Na primeira instância de julgamento a ressalva ficou por conta da falta de indicação de endereço dos emitentes. Não obstante, os recibos emitidos pelas profissionais Marília (fls. 110), Claudiane Dias de Assis Lima (fls. 115 e ss.), Loiva Corres Cutrim (fls. 120) e Fernanda Machado (fls. 126) contém indicação dos respectivos endereços, bem como houve tentativa de indicar o endereço tanto com menção na peça recursal como por anotação às fls. 92, 96, com RG e fls. 100 (embora esteja cortada a imagem da folha, no ponto em que possivelmente estaria anotado o RG). Não havendo um conjunto forte de indícios em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$18.500,00 (dezoito mil e quinhentos reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10120.003312/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006,2007
CSLL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRÂNSITO EM JULGADO. OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 52-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. JULGAMENTO PELO STJ DO REsp 118893/MG -Recurso Especial 2009/0011135-9 NA FORMA DO ARTIGO 543-C DO CPC.
Na forma do Regimento do CARF, cumpre observar o que decidido pelo STJ no julgamento do REsp 118893/MG -Recurso Especial 2009/0011135-9, na forma do artigo 543-C do CPC, de sorte que se firmou-se o entendimento de que o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestar-se em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade
Numero da decisão: 1301-001.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRÂNSITO EM JULGADO. OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 52A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. JULGAMENTO PELO STJ DO REsp 118893/MG Recurso Especial 2009/00111359 NA FORMA DO ARTIGO 543C DO CPC. Na forma do Regimento do CARF, cumpre observar o que decidido pelo STJ no julgamento do REsp 118893/MG Recurso Especial 2009/00111359, na forma do artigo 543C do CPC, de sorte que se firmouse o entendimento de que o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 33 12 /2 00 7- 47 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Banco do Estado de Goiás S/A (incorporado pelo Hipercard Banco Múltiplo S/A), através de Declarações de Compensação – DCOMPs compensou crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, abrangendo períodos de apuração de abril de 1989 a setembro de 1994, seria oriundo de ação judicial transitada em julgado. 2. Em Termo de Informação Fiscal de fls. 405/425, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal – DRF no Recife concluiu pela existência em parte do direito creditório pleiteado, por considerar que a decisão judicial, na qual se teve por indevidos os recolhimentos a título de CSLL instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, somente abrangeu pagamentos efetuados até dezembro de 1991, em face da edição da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. 3. Através do despacho de fls. 426/429, a autoridade a quo, concordando com os fundamentos expostos no citado Termo de Informação, reconheceu o direito creditório no montante lá proposto de R$ 7.354.674,43, já atualizado até 31/12/1995, e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. 4. A pessoa jurídica apresentou manifestação de inconformidade (fls. 435/438), alegando, em síntese, que, na ação de repetição de indébito, apresentou cópia de DARFs e elaborou planilhas abrangendo períodos de abril de 1989 a julho de 1994, tendo a sentença reconhecido a pretensão. Aduz que a ação transitou em julgado e que o crédito pretendido corresponde ao reconhecido judicialmente e ao deferido administrativamente no Pedido de Habilitação de Crédito. Requereu o reconhecimento integral do crédito e a homologação de todas as compensações. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RECIFE), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1137.734, de 31/12/2012, (fls. 578), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 1989, 1990, 1991 CSLL.RESTITUIÇÃO. COISA JULGADA. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS. Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. HABILITAÇÃO PRÉVIA. ALCANCE. O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório e voto condutor trata os autos do presente processo de pedido de compensação com reconhecimento parcial do direito creditório à restituição da CSLL relativa aos pagamentos indevidos efetuados na sistemática da Lei 7.689, de 1988, (período de abril/1989 até dez/1991), no valor de R$ 7.354.674,34, sob o argumento que a ora recorrente teria ultrapassado os limites delimitados na decisão judicial transitada em julgado (96.00.043728) ao incluir créditos de períodos que não foram objeto da lide (abril1989 a julho/1994). Conforme consta do voto combatido, encontrase nos autos do processo relativo ao Pedido de Habilitação de Crédito, especialmente quanto à abrangência da decisão judicial, parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (Parecer PFN/GO nº 02/07, fls. 04/09), concluindo que a repetição do indébito deferida judicialmente restringese ao período de vigência da Lei nº 7.689, de 1988, (dez/1991) não abrangendo valores relativos aos fatos geradores ocorridos após a entrada em vigor da Lei Complementar nº 70, de 1991. Portanto, conclui, que não tem fundamento a alegação de que os valores postulados teriam sido reconhecidos judicial e administrativamente, pois, no caso, resta claro, que o deferimento do Pedido de Habilitação do crédito, não se trata de reconhecimento de direito creditório, posto que este demanda a comprovação da liquidez e certeza prevista na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A interessada no recurso interposto repete as argumentações iniciais, aduzindo que ajuizou a ação de repetição de indébito visando a restituição dos valores pagos indevidamente a título de CSLL instituída pela Lei 7.689/88 relativa ao período de 04/1989 a 07/1994, cuja pretensão foi reconhecida em sentença transitada em julgado. Extraio, por pertinente, o seguinte excerto do citado Parecer exarado pela PGFN: Nesta senda o e. TRF da 1 a Região confirmou apenas a restituição dos valores recolhidos com fulcro na Lei n. 7.689/88. Os Recursos Especial e Extraordinário da União não foram admitidos (fls.652/653), transitando em julgado o decisum do TRF da la Região. Com efeito, o acórdão do e. TRF da 1a.Região ( AC 2000.01.00.1376237 GO) não julgou originariamente a inconstitucionalidade da Lei n. 7.689/88, mas tão somente reconheceu que o Autor da ação de repetição de indébito tributário encontravase sob o manto da coisa julgada oriunda do MS impetrado pela ACIEG (processo n. 89.38842). De fato a matéria é controversa, pelo menos nesta Corte Administrativa, contudo, me filio aos argumentos de que o alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias, de natureza continuativa, é Fl. 662DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 6 5 questão que a jurisprudência já reafirmou não se aplicar exceção de coisa julgada quando se verificar mudança no estado da relação jurídica de trato sucessivo. Ou seja, a coisa julgada não impede que lei nova passe a reger os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Sua eficácia deve ficar restrita ao período de incidência e à legislação que fundamentaram a busca da tutela jurisdicional. O Conselho de contribuintes também tem decidido na mesma direção, por exemplos: Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 10283.008183/9940 Ementa: CSLL COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA ALCANCE Tratandose de Ação Declaratória de Inexistência da Relação Jurídica pesam contra a perenidade da decisão: a) a alteração superveniente da legislação (art. 471, I, do Código de Processo Civil); e b) a superveniência da Declaração de Constitucionalidade, exarada pela Suprema Corte. Acórdão CSRF/0105.402, de 20/05/2006 CSLL. LIMITES DA COISA JULGADA. Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que, a imutabilidade diz respeito, apenas, aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei nº 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando o pronunciamento posterior ao definitivo do STF, em sentido contrário, cuja eficácia tornouse "erga omnes" pela edição de Resolução do Senado Federal." Acórdão n°: CSRF/010540.213 Ainda sobre o alcance dos efeitos da "coisa julgada" de sentença em ação declaratória relativa à inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro, o Juiz Paulo Roberto de Oliveira Lima, do TRF da 5ª Região, ao negar liminar em ação cautelar incidental a ação rescisória proposta pela Fazenda Pública, assim se pronunciou: Mas o que de fato ocorre não foi objeto de manifestação expressa da autora. É que o Supremo Tribunal Federal, como é de geral sabença, declarou a constitucionalidade da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, afastando apenas sua exigência no ano de 1989. É questão tormentosa, em casos assim, responder se a coisa julgada decorrente da sentença original apanha os exercícios futuros, ou se limita aos lucros anteriores à sua prolação. No meu sentir, malgrado as valiosas opiniões em contrário, a sentença não pode apreciar fatos ulteriores a seu comando. Seria até proveitoso que pudesse ser de modo contrário, principalmente em lides que resolvem relações jurídicas continuativas. Mas o sistema jurídico atual não reconhece tal possibilidade. A sentença não elege determinada interpretação para uma norma, nem define um modo de ser da relação jurídica. Seu dispositivo, único aspecto abrangido pela coisa julgada, resolve questão prática de aplicação de regra jurídica a fatos concretos já verificados. Assim, no caso em tela, a sentença se Fl. 663DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 7 6 limitou a reconhecer a inexistência de relação jurídica que, na data de sua edição, obrigasse a autora a pagar a contribuição sobre o lucro. A eventual incidência da lei sobre fatos futuros, verificados em exercícios outros mais modernos, não poderia merecer a apreciação da sentença. Logo, penso que a autora, mesmo que rejeitados os embargos infringentes e mencionados no relatório, não se põe eternamente a salvo da incidência da Lei 7.689, exceto no que respeita aos exercícios financeiros anteriores ao julgado. Pelo exposto, nego a liminar." (D.J.U. 2 de 2 5/04/97, p. 27710). Ainda, com relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso, reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, não o fazendo, apenas, em relação ao art. 8º do referido diploma (RE 146733SP), cuja ementa reproduzo abaixo. RE 146733/SP – SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO RELATOR: Min. MOREIRA ALVES JULGAMENTO: 29/06/92 ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. AO DETERMINAR, POREM, O ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 QUE A CONTRIBUIÇÃO EM CAUSA JÁ SERIA DEVIDA A PARTIR DO LUCRO APURADO NO PERÍODO BASE A SER ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988, VIOLOU ELE O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CONTIDO NO ARTIGO 150, III, "A", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, QUE PROÍBE QUE A LEI QUE INSTITUI TRIBUTO TENHA, COMO FATO GERADOR DESTE, FATO OCORRIDO ANTES DO INÍCIO DA VIGÊNCIA DELA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO COM BASE NA LETRA "B" DO INCISO III DO ARTIGO 102 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, MAS A QUE SE NEGA PROVIMENTO PORQUE O MANDADO DE SEGURANÇA FOI CONCEDIDO PARA IMPEDIR A COBRANÇA DAS PARCELAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CUJO FATO GERADOR SERIA O LUCRO APURADO NO PERÍODO BASE QUE SE ENCERROU EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 E, mais, sobre a matéria sobreveio Parecer PGFN nº 492, de 2011, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda e publicado no Diário Oficial da União em 26 de maio de 2011, do qual extraio as seguintes conclusões: 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 8 7 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4. A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinte autor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. Dessa forma, com a devida vênia e como forma de decidir, faço meus os argumentos conclusivos despendidos pelo ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães apresentadas no voto condutor do Acórdão 1301001.091 (Processo 10665.000932/200696), os quais abaixo transcrevo: Inaplicável, a meu ver as disposições do art. 62A do Regimento Interno deste Colegiado em virtude do pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça por meio do Resp 1118893/MG, em que restou consignado que “o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade”. Aqui, acolho o entendimento esposado pela Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira nas contrarrazões apresentadas nos autos do processo administrativo nº 10680.721852/201147. Ali, restou consignado, in verbis: [...] Todavia, não possui o REsp 1.118.893/MG o alcance ad aeternum que pretende a recorrente. Segundo esclarecido no Parecer PGFN/CRJ 975/2011, a demanda que deu origem ao REsp 1.118.893/MG foi de Embargos à Execução Fiscal (Processo Originário 1997.38.00.0604543/MG), em que se questionou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL, instituída pela Lei 7.689/88, ano calendário 1991, para contribuinte que possuía sentença judicial transitada em julgado em que fora declarada a inconstitucionalidade formal e material da exação Fl. 665DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 9 8 sob a égide da citada Lei 7.689/88, e a consequente inexistência de relação jurídico tributária. O STJ deu provimento ao recurso especial ora em análise, julgando procedente o pedido formulado nos Embargos à Execução Fiscal para anular a CDA 60.6.96.00474909. Nos termos do REsp 1.118.893/MG (Relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima), constatouse que a Primeira Seção do STJ encampou a tese de não ter havido alteração substancial no regramento da CSLL a justificar o afastamento do decidido na sentença transitada em julgado favorável à contribuinte, conforme ementa abaixo: [...] Ocorre que a questão discutida se restringiu ao caso concreto de contribuinte que pugnou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL segundo a Lei 7.689/88, no exercício de 1991, em virtude de possuir decisão transitada em julgado de reconhecimento da inconstitucionalidade de cobrança de CSLL, nos moldes da Lei 7.689/88. Entre suas razões de decidir, conforme transcrito na ementa supra, a Primeira Seção manifestou o entendimento quanto à impossibilidade da decisão do STF no julgamento da ADI n° 152/DF ocorrida em 2007 (DJ 31/08/2007), que decidiu pela constitucionalidade da Lei 7.689/88, com exceção de seus arts. 8° e 9°, atingir o caso ora em análise (CDA 60.6.96.00474909), referente à cobrança de CSLL segundo a Lei 7.689/88, no exercício de 1991. Esclarecendo, a Primeira Seção do STJ se manifestou obter dictum pela impossibilidade de decisão posterior do STF proferida na ADI 152/DF, publicada no DJ 31/08/2007 retroagir e alcançar decisão judicial transitada em julgado que declarou a inexistência de relação jurídico tributária aplicável ao exercício de 1991. Em outras palavras, o STJ firmou a impossibilidade de uma decisão posterior do STF (2007) atingir uma situação jurídica anterior (1991); consolidada anteriormente à decisão do STF. Todavia, a Primeira Seção do STJ no REsp 1.118.893/MG não analisou os efeitos prospectivos da eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado contrárias à posterior decisão do STF. Ora, este não era o tema em julgamento, já que o fato gerador analisado era de 1991, anterior à decisão do STF acerca da constitucionalidade da Lei 7.689/88 instituidora da CSLL, seja em controle difuso (RE 138.284CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), seja em controle concentrado de constitucionalidade (ADI n° 152/DF ocorrida em 2007 DJ 31/08/2007). Reconhecida, pois, como constitucional, por precedente objetivo e definitivo da Suprema Corte, penso não existir óbice à constituição de créditos tributários relativos à CSLL cujos fatos geradores tenham ocorridos a partir de junho de 1992, devendo ser observadas, entretanto, as regras de decadência antes abordadas. No caso concreto, foi isso que ocorreu: houve alteração legislativa posterior e também houve manifestação do STF considerando constitucional a Lei 7.689, não sendo aceitável a continuidade dos efeitos da decisão que favoreceu o contribuinte para períodos subseqüentes. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 10 9 Diante do exposto, por considerar que a decisão judicial, na qual se teve por indevidos os recolhimentos a título de CSLL instituída pela Lei nº 7.689, de dezembro de 1988, somente abrangeu pagamentos efetuados até dezembro de 1991, em face da edição da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, voto por negar provimento ao recurso, reconhecendose o direito creditório até o mês de dezembro de 1991. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2013. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 667DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 11 10 Voto Vencedor Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior A interessada no recurso interposto repete as argumentações iniciais, aduzindo que ajuizou a ação de repetição de indébito visando a restituição dos valores pagos indevidamente a título de CSLL instituída pela Lei 7.689/88 relativa ao período de 04/1989 a 07/1994, cuja pretensão foi reconhecida em sentença transitada em julgado. Já a fiscalização a DRJ e o Voto Vencido sustentam, por seu turno, que as alterações supervenientemente promovidas na citada lei se encarregaram de vulnerar a coisa julgada, dado a natureza da própria obrigação tributária. Afigurase, portanto, questão que envolve a análise dos limites objetivo da chamada “coisa julgada material”, perquirindo a eficácia de um provimento jurisdicional definitivo, já que transpostos todos os prazos recursais bem como, esgotado o limite para propositura de ação rescisória. Sem desconhecer os antigos precedentes do antigo Conselho de Contribuintes e do próprio CARF, consagradores de que não há coisa julgada material em ação declaratória que ventile matéria fiscal de alcance em relações futuras e que o pronunciamento do STF acerca da constitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro constitui autêntica “modificação do estado de direito”, a justificar a aplicação do art. 471, I, do CPC, atesto que a Recorrente inaugura sua peça recursal trazendo inafastável questão preliminar consistente no julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do Recurso Especial nº 1.118.893MG, julgado na forma do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, como Recurso Repetitivo, como se constata dos trechos a seguir reproduzidos: REsp 118893/MG –Recurso Especial 2009/00111359 Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima Órgão Julgador: Primeira Seção Data do Julgamento: 23/03/2011 Data da ublicação: 06/04/3011 Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Fl. 668DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 12 11 CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela. (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da Fl. 669DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 13 12 contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha, Hamilton Carvalhido e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentaram, oralmente, os Drs. Jose Marcio Diniz Filho, pela recorrente, e Alexandra Maria Carvalho Carneiro, pela recorrida AgRg no REsp 1176454 / MG AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2010/00113508 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 14/04/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 28/04/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. COISA JULGADA. ALCANCE DA SÚMULA 239/STF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. Se a decisão que afasta a cobrança do tributo se restringe a determinado exercício (a exemplo dos casos onde houve a declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n. 7.689/88), aplicase o enunciado n. 239 da Súmula do STF, por analogia, in verbis: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". 2. Contudo, se a decisão atacar o tributo em seu aspecto material da hipótese de incidência, não há como exigir o seu pagamento sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de Fl. 670DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 14 13 incidência. Precedente: EREsp Nº 731.250 PE, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, julgado em 28.5.2008; e REsp Nº 731.250 PE, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.4.2007. 3. Situação em que o acórdão que transitou em julgado declarou a inconstitucionalidade material de toda a Lei n. 7.689/88 (argumento de que a forma de arrecadação do tributo e a sua destinação não foram as constitucionalmente previstas, descaracterizandoo como contribuição e impossibilitando o seu tratamento como imposto) e formal do seu art. 8º (fundamento de violação ao princípio da anterioridade). Sendo assim, atacou o tributo também em seu aspecto material da hipótese de incidência, não havendo como exigir o seu pagamento (enquanto o critério material da hipótese de incidência for o mesmo sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. 4. Na assentada do dia 23 de março de 2011, ao julgar o REsp 1.118.893/MG, sob a relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima e de acordo com o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a Primeira Seção acabou por confirmar a orientação predominante nesta Corte a respeito da controvérsia sobre os limites objetivos da coisa julgada, dadas as alterações legislativas posteriores ao trânsito em julgado de sentença declaratória de inexistência de relação jurídica tributária no tocante à contribuição social instituída pela Lei 7.689/88. 5. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque." Os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha, Castro Meira, Humberto Martins (Presidente) e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Sendo assim, conquanto reconheça que diversos foram os casos submetidos a este Conselho cujo objeto era exigência da CSLL em face de pessoas jurídicas beneficiárias de sentença judicial transitada em julgado com a declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, e que se consagrou entendimento de que não acataria a coisa julgada em matéria tributária, bem como de que a ordem jurídica foi inovada com a decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a constitucionalidade da exação, de sorte que mesmo as pessoas jurídicas beneficiadas com decisão transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade da exação estariam sujeitas à CSLL quanto aos fatos geradores ocorridos após a decisão do STF (RE 138.284CE Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28/02/92), não se pode ignorar que o Regimento Interno do CARF, no seu artigo 62A, estatui que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 671DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10120.003312/200747 Acórdão n.º 1301001.191 S1C3T1 Fl. 15 14 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante disso, considerada a vinculação regimental, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário, assegurando a proteção da coisa julgada, tal como decidido pelos Tribunais Superiores, reconhecendose o direito creditório da recorrente. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 13/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por EDWAL CA SONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10880.979254/2009-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/02/2001
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2001 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979254/200994 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.631 – 2ª Turma Especial Sessão de 7 de maio de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente TRANSPORTADORA GATAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2001 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 54 /2 00 9- 94 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02)relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ— cod. 2089, no montante de R$ 22,28, ocorrido em 28/02/2001, com débito próprio de COFINS — cod. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 21/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade as fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n°10.209/2001, o valor do vale pedágio não considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o ,¢ Único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10. 209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRRI. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tornado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 33833.93563.141105.1.2.045108, Fl. 30DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979254/200994 Acórdão n.º 1802001.631 S1TE02 Fl. 3 3 relativo ao período de apuração nov/2000. Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 1.857,00, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao c édito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SP1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.302, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 15/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2001 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 9147.47846.211105.1.3.045754 (fls.01/02), transmitido em 21/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 40,71, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 22,28, código – 2089; Período de Apuração: 31/12/2000; Data de Arrecadação: 28/02/2001. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fls.07/08), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl. 08), relação dos conhecimentos de transporte relativo ao período de apuração novembro/2000 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 1.857,00. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (IRPJ, código 2089) foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de novembro/2000, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979254/200994 Acórdão n.º 1802001.631 S1TE02 Fl. 4 5 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo do IRPJ relativo período de apuração de nov/2000, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo do IRPJ do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2001 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação de conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de novembro/2000. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979254/200994 Acórdão n.º 1802001.631 S1TE02 Fl. 5 7 Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 21/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13873.000176/2002-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Anocalendário: 1998
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA COMPENSAÇÃO.
Reconhecimento da extinção do crédito tributário em razão de compensação reconhecida pela própria receita federal nos autos do processo administrativo 13873.000078/9701. Impossibilidade de cobrança do valor lançado. Prejudicialidade da decisão da própria Receita Federal no processo de compensação em relação ao Auto de Infração analisado. Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA COMPENSAÇÃO. Reconhecimento da extinção do crédito tributário em razão de compensação reconhecida pela própria receita federal nos autos do processo administrativo 13873.000078/9701. Impossibilidade de cobrança do valor lançado. Prejudicialidade da decisão da própria Receita Federal no processo de compensação em relação ao Auto de Infração analisado. Recurso conhecido e provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS (PRESIDENTE), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO (VICEPRESIDENTE), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS (SUPLENTE CONVOCADO), MARCELO CUBA NETTO E RAFAEL CORREIA FUSO Fl. 329DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, em razão da existência de erro ou inconsistência constatada na DCTF dos trimestres de 1998, que cobra a CSLL decorrente do período de julho de 1998. A fiscalização cobrou o valor de R$ 19.948,80, a título de CSLL, multa de 75% e juros Selic, em razão da informação do débito mencionado na DCTF e não recolhido. A lavratura do Auto de Infração somente se deu em razão dos pedidos ou declarações de compensação havidos anteriormente à Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, não possuírem caráter de confissão de dívida. Com isso, conforme relato da contribuinte, tal débito fora compensado com créditos decorrentes de pedido de restituição do IRPJ de 1993 (anocalendário de 1992) e de IRPJ e CSLL de 1996 (ano calendário de 1995). O relato se comprova quando se observa o documento de fl. 15, protocolado na Agência da Receita Federal em Botucatu/SP em data de 31/08/1998. Desta feita, a contribuinte realmente aviou pedido de compensação dos créditos postulados no processo administrativo n° 13873.000078/9701 com débito da CSLL concernente à competência de julho/98, no valor de R$ 19.948,80, ou seja, exatamente aquele versado no auto de infração aqui tratado. Em razão da compensação e da lavratura do Auto de Infração, a contribuinte protocolou impugnação em face do Auto de Infração, alegando em síntese que: O Auto de Infração referese à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido apurado no mês de julho/1998 no valor de R$ 19.948,80; A Carta Cobrança referese à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido do mês de julho/1998 no valor de R$ 19.948,80. Referente à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido objeto desse Auto de Infração e Carta Cobrança, foi obtido Liminar junto à Justiça federal nos Autos n° 2001.61.08.0093182, suspendendo a cobrança, tendo em vista que se encontra pendente de julgamento o Processo 11821,000078/9701, protocolado na Agência da Receita Federal de Botucatu em 17/01/2000, que solicitou a compensação com o crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido do exercício de 1996. Pelo exposto e com a documentação comprobatória anexa, esta empresa requer que seja recebida e provida a impugnação referente ao Auto de Infração N° 0002132 e Cobrança N° 0948/2001, extinguindose desta forma, o débito perante o Ministério da Fazenda. A fiscalização enviou ao contribuinte notificação, informando do cancelamento da CARTA COBRANÇA n.° 0948/2001, relativa à cobrança administrativa de tributos federais objetos de pedido de compensação no processo administrativo de restituição do tributo federal Imposto de Renda Pessoa Jurídica número 1071 000Q18/97Q1, cujo direito Fl. 330DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13873.000176/200212 Acórdão n.º 120100.426 S1C2T1 Fl. 330 3 creditório encontrase pendente de apreciação, em instância de julgamento da Secretaria da Receita Federal. Informou ainda que pelo Processo Administrativo n° 13873.000078/9701 foi solicitada a restituição administrativa do tributo federal IRPJ IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, do período de 1993 a 1996, com utilização do crédito alegado na compensação de débitos próprios do(s) tributo federal(is) COFINS, IRPJ, CSLL e PIS. O pedido de restituição foi analisado e indeferido pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Bauru/SP, que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, tendo sido apresentada, tempestivamente, manifestação de inconformidade, contra a decisão proferida: A manifestação de inconformidade está com a apreciação pendente de análise na instância julgadora competente. Em julgamento da impugnação interposta em face do Auto de Infração, a DRJ manteve o lançamento em parte, conforme se constata da ementa abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 Ementa: AUDITORIA INTERNA NA DCTF. CSLL. NÃO CONFIRMAÇÃO DO PAGAMENTO. Inexistindo nos autos a prova do crédito informado na DCTF, a título de pagamento, subsiste a exigência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/1998 Ementa: APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II) Lançamento Procedente em Parte Constou ainda do acórdão da DRJ que a exigência deverá aguardar o deslinde da compensação postulada, bem como que”em razão da edição do artigo 18 da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, cuja redação veio a ser alterada pelo artigo 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, a aplicação do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, ficou limitada à imposição de multa isolada, calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nas hipóteses em que a compensação declarada pelo sujeito passivo não foi homologada por caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964 (sonegação, fraude e conluio), como também, quando a compensação for considerada não declarada em razão do crédito: a) ser de terceiros, b) referirse a "crédito prêmio" instituído pelo Decretolei n° 491, de 1969, c) Fl. 331DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 referirse a título público, d) decorra de decisão judicial não transitada em julgado e, por último, e) não se referir a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal.” Assim, no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base naquele preceptivo legal, e desde que a penalidade aplicada não tenha por fundamento as hipóteses versadas no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, cabe a exoneração da penalidade em face do princípio da retroatividade benigna a que alude o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional (CTN), de sorte a incidir sobre o tributo apenas os acréscimos moratórios (multa de mora e juros de mora). Em resumo, o acórdão da DRJ, considerou que em o pagamento não localizado não se insere nas hipóteses aludidas no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, devendo ser exonerada a multa de ofício aplicada, no valor de R$ 14.961,60. A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 13/09/2006, sendo lhe exigido o pagamento do tributo e a multa de mora, pois a multa de ofício de 75% foi extinta pela decisão. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando que: Cumprenos destacar que não existe qualquer irregularidade quanto à quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), ao contrário do que foi noticiado no Auto de Infração n° 0002132. Acertadamente, o acórdão proferido exonerou a empresa contribuinte da multa de ofício de 75% aplicada ao lançamento, não restando dúvidas quanto a manutenção dessa decisão. Todavia, foi mantido o lançamento de ofício, sob o fundamento de que a exigência deverá aguardar o deslinde da compensação postulada. Nesse sentido é necessário verificar que, como bem observa o acórdão ora impugnado, a empresa contribuinte realmente efetuou pedido de compensação dos créditos descritos no processo administrativo n° 13873.000078/9701 com o débito ora exigido, qual seja, CSLL da competência de julho/98, no valor de R$ 19.948,80. Assim, não restam dúvidas de que um dos pedidos de compensação discutidos no processo administrativo n° 13873.000078/9701 diz respeito ao CSLL da competência de julho/98, no valor de R$ 19.948,80. E isso se comprova através da análise do documento de fl. 23, protocolado na Agência da Receita Federal em BotucatuSP em 31/08/1998. Se isso não bastasse, as cópias da DCTF primitiva e do citado pedido de compensação também fulminam qualquer dúvida (doc. 01 e doc. 02 respectivamente em anexo). Assim, resta evidente a relação entre o CSLL da competência de julho/98, no valor de R$ 19.948,80, e o pedido de compensação que quita o mesmo. Fl. 332DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13873.000176/200212 Acórdão n.º 120100.426 S1C2T1 Fl. 331 5 Portanto, não há que se falar em ausência de relação entre o CSLL da competência de julho/98, no valor de R$ 19.948,80 e o pedido de compensação do mesmo (fl. 15 e docs. 01 e doc. 02 respectivamente em anexo). Por outro lado, em que pese o citado acórdão afirmar que as irregularidades se deram porque a recorrente, quando da apresentação de suas razões de defesa, modificou "a natureza do pretendido crédito extintivo da dívida", de pagamento para restituição seguida de pedido de compensação com o débito ora exigido, essa suposta deficiência/irregularidade foi suprida pela decisão proferida no processo administrativo n° 13873.000078/9701. Conforme se verifica da Informação/SACAT/n° 109/2002, prestada pela Delegacia da Receita Federal em Bauru, para instrução do Mandado de Segurança n° 2002.61.08.0053164 impetrado pela recorrente em face do Chefe da Agência da Receita Federal em BotucatuSP, foram atendidas todas as solicitações apresentadas pela recorrente no processo administrativo n° 13873.000078/9701 (doc. 03 em anexo). Em outras palavras, a Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Ribeirão PretoSP, julgou totalmente procedentes as impugnações apresentadas pela contribuinte, reconhecendo a regularidade das compensações/restituições discutidas no processo administrativo n° 13873.000078/9701, dentre elas, a do presente CSLL da competência de julho/98 no valor de R$ 19.948,80. Por tudo isso, resta claro que a quitação do CSLL da competência de julho/98 no valor de R$ 19.948,80 se deu através do deferimento da compensação discutida no processo administrativo n° 13873.000078/9701. Dessa forma, não há que se falar na existência de qualquer irregularidade na DCTF relacionada ao caso, uma vez que a decisão proferida processo administrativo n° 13873.000078/97 01 finalizou toda e qualquer discussão sobre o assunto. Nesse diapasão, o lançamento efetuado através do Auto de Infração supra citado é irregular, sendo de rigor o seu cancelamento. Se tudo isso não bastasse, a recorrente ainda apresentou a correspondente DCTF retificadora, sanando a alteração da "natureza do pretendido crédito extintivo da dívida", de pagamento para compensação com o débito ora exigido, conforme se verifica do documento em anexo (doc. 04). Portanto, lastreado nos documentos que instruem este recurso, temos que a decisão proferida pelo Acórdão/DRJ/RPO/n°434 nos autos do processo administrativo n° 13873.000078/9701 reconheceu regularidade da compensação e deu por quitado o débito ora discutido, sendo de rigor que o lançamento efetuado Fl. 333DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 através do Auto de Infração n° 0002132 seja julgado improcedente, por medida de JUSTIÇA! Há depósito administrativo dos 30% nos autos, para fins de processamento e conhecimento do Recurso interposto. Este é o Relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à questão de aguardar a decisão final dos autos do processo administrativo n° 13873.000078/9701, cumpre ressaltar que pelos relatos trazidos nas informações juntadas pela Receita Federal nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.08.0053164, houve a extinção do crédito tributário objeto do presente Auto de Infração, conforme descrições abaixo: Após a impetração do presente mandamus, o processo administrativo 13873.000078/9701 retornou a esta Delegacia vindo da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão PretoSP. Aquela Delegacia informou, através do Despacho DRJ/RP0/1a Turma N° 004, de 18 de julho de 2002, o julgador ao prolatar a decisão consubstanciada no Acórdão/DRJ/RPO/n°4, apesar de não constar expressamente no Acórdão o valor referente ao imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, do anocalendário 1995, houve o deferimento total dos créditos apurados pela pessoa jurídica na sua declaração de rendimentos do exercício de 1996. Em cumprimento ao despacho acima mencionado a Seção de Análise e Orientação desta Delegacia, no dia 15/08/2002, realizou a compensação dos débitos objetos de cobrança na Intimação/DRF/BAU/ARF/BOT/N° 0338, de 01107/2002, através da nota de compensação n° 220 e havendo saldo credor o mesmo foi restituído em 16/08/2002, através da Ordem de Pagamento n°. 119 estando, portanto, no âmbito administrativo, atendidas as solicitações da impetrante. Assim, como constou das informações prestadas pela Receita Federal a aceitação do pedido de restituição e compensação, cumpre declarar insubsistente o presente lançamento, em razão da extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN. Diante do exposto, CONHEÇO DO RECURSO, para no MÉRITO DAR LHE PROVIMENTO. É como voto! RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 334DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13873.000176/200212 Acórdão n.º 120100.426 S1C2T1 Fl. 332 7 (documento assinado digitalmente) Fl. 335DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 04/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002170/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
Recurso Voluntário. Apresentação Fora do Prazo. Intempestividade.
A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo:
Numero da decisão: 1801-001.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 Recurso Voluntário. Apresentação Fora do Prazo. Intempestividade. A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A Legislação faculta ao contribuinte a apresentação de Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1a. instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois desse prazo, por intempestivo: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 70 /2 00 9- 36 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu o pleito da interessada de inclusão retroativa no Simples Nacional. O pedido foi indeferido por praticar, a empresa, atividade vedada – Transporte turístico de superfície e locação de veículo com motorista para viagens intermunicipal e interestadual em geral – sob o código CNAE 49299/02. A interessada alegou, em manifestação de inconformidade, que em 04/11/2007 teria sido reconhecida a retroatividade dos efeitos da alteração contratual que teve suas atividades alteradas para o CNAE 49230/02, representando atividade que seria vedada para inclusão no Simples Nacional e que a atividade classificada como 49299/02 não se enquadraria no rol dos serviços prestados, já que não fretaria os seus veículos. Em verdade apenas contrataria locações de veículos para a prestação de serviços. A Turma Julgadora de 1a. instância consignou que constaria, na Terceira Alteração Contratual (fls. 17/18), registrada na JUCEMG em 01/11/2007, que o objeto social da empresa seria o de “Transporte turístico de superfície e locação de veiculo com motorista para viagens intermunicipal e interestadual em geral”, mas que, conforme folha 53, em pesquisa efetuada no Concla — Comissão Nacional de Classificação ao contrário do alegado pelo interessado, o código CNAE que espelharia uma das atividades da empresa 49299/02 – “Aluguel de veículos com motorista, interestadual”,e constaria do anexo I da Resolução CGSN n º 06/2007 como impeditivo ao Simples Nacional. Acrescentou que, segundo disposição do art. 36 da Lei n° 8.934, de 18/11/1994, a natureza jurídica do interessado seria aquela constante de seu contrato social e que teria eficácia a partir de seu registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, o que comprovaria a vedação de seu ingresso no sistema. Notificada da decisão, em 19/01/2012, como demonstra a cópia do AR à fl. 79 do processo digital, apresentou, a interessada, em 29/02/2012, recurso voluntário, no qual alega que o Código CNAE 49299/02, representaria atividade que somente passou a ser vedada para ingresso e permanência no Simples Nacional em 01/10/2010 e que o CNAE que representa a atividade realmente praticada é o de n º 49230/02. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10670.002170/200936 Acórdão n.º 1801001.415 S1TE01 Fl. 3 3 A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em Juiz de Fora/MG em 19/01/2012, como demonstra o AR à fl. 79 do processo digital. Tendo protocolizado suas razões de defesa em 29/02/2012, ou seja, além do prazo legal de trinta dias a contar da ciência do julgamento da autoridade “a quo”, temse por intempestivo o Recurso, o que foi confirmado pelo Termo de Perempção da DRF em Montes Claros/MG Pelo exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso interposto, por intempestivo. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16832.000108/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003, 2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário decorrente da exigência de multa e juros isolados é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Registre-se que as hipóteses do artigo 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial, para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional, para a cobrança judicial do crédito tributário. Em outras palavras, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN.
Preliminar de incompetência rejeitada.
Recurso de ofício negado.
Argüição de decadência acolhida.
Numero da decisão: 2202-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: Por maioria votos, rejeitar a preliminar de conflito de competência suscitada pelo Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO A ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA: Por maioria de votos acolher a argüição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Nelson Mallmann, que rejeitaram a argüição de decadência e negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Declarou-se impedido, nos termos regimentais, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Luiz Eugenio Porto Severo da Costa, inscrito na OAB/RJ sob o nº 123.433.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Redator Designado
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: Por maioria votos, rejeitar a preliminar de conflito de competência suscitada pelo Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO A ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA: Por maioria de votos acolher a argüição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Nelson Mallmann, que rejeitaram a argüição de decadência e negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Declarou-se impedido, nos termos regimentais, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Luiz Eugenio Porto Severo da Costa, inscrito na OAB/RJ sob o nº 123.433. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Redator Designado Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Os processos que versem sobre o lançamento de Multa Isolada e Juros Isolados exigidos em razão da não retenção do imposto de renda pela fonte pagadora por força de decisão judicial, posteriormente revogada, que impedia a responsável tributária de reter o imposto devido, são de competência da Segunda Seção do CARF, visto que o lançamento das penalidades pela falta de retenção não se confunde com o lançamento do imposto propriamente dito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003, 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário decorrente da exigência de multa e juros isolados é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Registrese que as hipóteses do artigo 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial, para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional, para a cobrança judicial do crédito tributário. Em outras palavras, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN. Preliminar de incompetência rejeitada. Recurso de ofício negado. Argüição de decadência acolhida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 08 /2 01 0- 20 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 456 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: Por maioria votos, rejeitar a preliminar de conflito de competência suscitada pelo Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO A ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA: Por maioria de votos acolher a argüição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Nelson Mallmann, que rejeitaram a argüição de decadência e negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Declarouse impedido, nos termos regimentais, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Luiz Eugenio Porto Severo da Costa, inscrito na OAB/RJ sob o nº 123.433. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator Designado Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 457 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 177 a 180, integrado pelo demonstrativo de fl. 181, pelo qual se exigem as importâncias de R$69.359.694,57 e de R$13.152.809,73, a título de Multa Isolada e Juros de Mora Isolados, respectivamente, em razão da falta de retenção do imposto de renda devido a título de antecipação pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança, posteriormente revogada. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase resumido no Termo de Constatação do Auto de Multa Isolada e Juros de Mora de fls. 168 a 176, no qual o autuante esclarece que: · a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança no 2003.51.01.022434 7 (vide fls. 104/126) pleiteando que não houvesse retenção na fonte incidente sobre a receita de juros sobre capital próprio; · em 07/10/2003 (fls. 127 a 130), o Juiz Federal da 5ª Vara Federal Rio de Janeiro concedeu liminar obstando a fonte pagadora de efetuar incidência do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre Receitas de Juros sobre Capital Próprio e afastando quaisquer medidas coercitivas ou penalidades por parte do fisco; · em 16/05/2005, o Juiz Federal da 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro concedeu sentença ratificando a liminar anteriormente concedida (fls. 131 a 136); · em 11/03/2008, a liminar e a sentença concedidas a favor da contribuinte, no sentido da não incidência do imposto na fonte referente a receita de juros sobre capital próprio, foram cassadas pelo Tribunal Regional Federal que decidiu que o instituto da retenção na fonte independe de haver ou não imposto a pagar no final do exercício (fls. 142 a 149); · em 08/09/2008, a contribuinte apresentou recurso extraordinário, requerendo que o mesmo fosse encaminhado ao Supremo Tribunal Federal para julgamento, conforme cópia dos documentos de fls. 150 a 165, fornecidos pela interessada no curso da ação fiscal; · dessa forma, foi efetuado o lançamento da Multa Isolada e dos Juros de Mora Isolados exigidos em razão da falta de retenção do imposto de renda devido a título de antecipação pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança, posteriormente revogada, inicidentes sobre juros sobre capital próprio recebidos pela fiscalizada no anocalendário 2004, no montante de R$616.530.618,64, com base no art. 55 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 458 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 195 a 225, instruída com os documentos de fls. 226 a 305, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 346): O interessado, cientificado em 23/03/2010 (fl. 178), apresentou, em 22/04/2010 (fl. 317), a impugnação de fls. 195/225. Em sua defesa, alega, em síntese, que: existindo a obrigatoriedade de sofrer retenção na fonte, é certo que a acumulação de créditos aumenta na medida das operações, não conseguindo eliminar os créditos existentes e tendo que suportar novos créditos, o que fez com que impetrasse Mandado de segurança; o auto de infração é nulo, por ter decaído o direito de Fazenda Pública proceder ao lançamento (termo a quo coincidiria com o dia 1°/01/2005 e se encerraria em 1°/01/2010); houve erro no cálculo da multa de ofício, pois a ciência do acórdão ocorreu em 13/05/2008 (doc. 4) e, assim, o início da contagem deveria coincidir com o dia 13/06/2008 ao invés do dia 10/04/2008; a exigência de multa e de juros de mora implica desconsiderar os efeitos da decisão judicial; se a revogação da decisão judicial adveio após o fim do período de apuração (e houve o oferecimento dos rendimentos à tributação), não há respaldo legal para a aplicação retroativa dos efeitos da mora, conforme jurisprudência. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro I (RJ) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1232.657 (fls. 344 a 348), de 12/08/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. Integram a base de cálculo para incidência do imposto, apurado na DIPJ, as receitas tributáveis recebidas no curso do período de apuração, não obstante a falta de retenção pela fonte pagadora. No caso de medida judicial impetrada a partir de 1o Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 459 5 de maio de 2001, aplicase também o disposto no art. 55 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, à situação decorrente da revogação da liminar, ficando o beneficiário do rendimento obrigado ao pagamento de juros de mora e de multa de mora ou de ofício. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 08/09/2010 (vide AR de fl. 353), a contribuinte apresentou, em 08/10/2010, tempestivamente, o recurso de fls. 354 a 385, no qual, após breve relato dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. DECADÊNCIA (fls. 359 a 362) A contribuinte alega que o Código Tributário Nacional – CTN define o prazo decadencial de lançamento em seus arts. 150, §4o, e 173, sendo a decadência uma das causa de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso V, do mesmo código, transcrevendo doutrina sobre o assunto. Admitindose como razoável a interpretação do AuditorFiscal, ratificada pela decisão guerreada, de que o prazo decadencial obedeceria à sistemática prevista no art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que os fatos geradores ocorreram nos meses de janeiro, fevereiro, junho, setembro e dezembro de 2004, o respectivo termo a quo coincidiria com o dia 01/01/2005 e se encerraria em 01/01/2010. Assim, visto que a contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 23/03/2010, já havia decaído o direito da Fazenda constituir o crédito tributário em discussão. Defende que o crédito tributário poderia ter sido constituído, ainda na vigência da decisão favorável à recorrente, visto que a própria Lei no 9.430, de 1996, garante o direito inexorável e indisponível de promover o lançamento apenas para prevenir os efeitos da decadência. 2. ERRO NO CÁLCULO DA MULTA (fls. 363 a 365) A recorrente defende que a multa aplicada somente teria lugar depois da publicação da decisão que revogou a sentença favorável aos seus interesses, ou seja, em 13/06/2008, quando começou a produzir efeitos. Lembra que o art. 63, §2o, da Lei no 9.430, 1996, “preceitua que a concessão de medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário tem validade desde sua concessão até 30 (trinta) dias após a data da publicação da decisão que a revogar, aplicandose esta regra, por analogia, também às decisões de mérito proferidas nos processos judiciais.” (fl. 364). Conclui, assim, que (fl. 365): 33. Portanto, não remanesce dúvida quanto ao equívoco cometido pelo AuditorFiscal acerca da data de início da contagem do prazo para fins de aplicação da multa (supostamente) incidente em virtude da falta de retenção do Imposto de Renda sobre os valores distribuídos a título de "juros sobre capital próprio", a qual deveria coincidir com o dia 13/06/2008 ao invés do dia 10/04/2008. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 460 6 34. Por tais motivos, temse, claramente, que a cobrança da multa que ora se apresente também não merece prosperar, mormente pelo equivocado valor apurado a este título. 3. MÉRITO (fls. 365 a 382) A contribuinte alega que, não obstante a fonte pagadora tenha deixado de efetuar a retenção do imposto de renda por força de decisão judicial, tratase de imposto devido por antecipação que se mostrou ser indevido visto que, ao final do períodobase apurou prejuízo fiscal. Sustenta que, pelo princípio constitucional da segurança jurídica (art. 5o, inciso XXXVI, da Constituição Federal), “eventual norma revogadora não tem o condão de fazer desaparecerem os efeitos da norma revogada, ou seja, seus efeitos não retroagem, não podendo atingir os atos praticados sob a égide da norma anterior.” Entende, assim, que a modificação da decisão judicial não poderia sujeitar o destinatário da norma revogada conseqüências típicas do seu descumprimento, uma vez que esta não pode ser aplicada retroativamente, ficando seus efeitos restritos aos atos futuros. Argumenta que se não foi efetuado o lançamento do principal, visto que nada se apurou a título de imposto de renda em razão da renda tributável ter sido absorvida, qual seria a origem da mora. Da mesma forma, questiona os fundamentos dos juros calculados sobre o imposto que deixou de ser retido e que, ao final, se provou ser indevido. Afirma que a exigência de multa e juros de mora implicaria desconsiderar os efeitos da decisão judicial. Estarseia punindo o contribuinte que, exercendo direito constitucional, recorreu ao Judiciário, obteve decisão favorável e a cumpriu. Como não houve qualquer impontualidade da recorrente no recolhimento do imposto de renda, visto que estava ela sob o amparo de medida judicial, os juros de mora não deveriam incidir enquanto a medida permaneceu em vigor. Aduz, ainda, que a exigência de multa e juros de mora formalizada posteriormente ao término do período de apuração, quando o contribuinte faz prova da inexistência de valor a pagar e denota evidente causa de enriquecimento ilícito do ente público. 4. Transcreve trechos do Parecer Normativo no 1, de 2002, para concluir, inobstante considerações acerca dos efeitos retroativos da decisão desfavorável, que transposto o limite do encerramento do período de apuração, não há que se alegar responsabilidade da fonte pagadora, sendo toda ela imputada ao contribuinte. Repisa que, no final do ano calendário ofereceu os rendimentos advindos de juros sobre capital próprio, independentemente da validade de medida, uma vez que tais montantes acrescidos aos créditos existentes superariam o valor devido. 5. Reproduz decisões judiciais e administrativas para corroborar a tese defendida. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 461 7 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 4541. 1 Processo digital. O processo físico encontrase digitalizado às fls. 3 a 454, vindo numerado até a fl. 388 (fl. 454 da digitalização). Arquivo digital foi disponibilizado apenas em 16/05/2012, conforme histórico detalhado extraído do eprocesso. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 462 8 Voto Vencido Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Considerações iniciais Muito embora as preliminares argüidas devam, em regra, ser apreciadas antes das questões de mérito, no caso em concreto, considerandose que a definição do fato gerador e a natureza do crédito tributário lançado influenciam diretamente no prazo decadencial a ser adotado, assim como na competência atribuída a cada uma das Turmas do Conselho Administrativo Fiscal – CARF, importa fazer algumas considerações iniciais a cerca do fato gerador que deu origem ao lançamento em discussão. 2 Fato gerador da Multa e dos Juros exigidos isoladamente Antes de qualquer coisa, para identificar com clareza o fato gerador do crédito tributário apurado pela fiscalização, há que se resgatar alguns conceitos, fazendo uma análise sistemática da legislação pertinente, para que se possa resolver a questão aqui posta. O Código Tributário Nacional – CTN (Lei no 5.172, de 25 de Outubro de 1966), em seu art. 121, definiu dois tipos de sujeito passivo da obrigação principal, a saber: Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. [grifos nossos] Como se percebe, contribuinte e responsável são figuras que não se confundem. O primeiro tem relação pessoal e direta com o fato gerador enquanto que no segundo, sua obrigação decorre de disposição expressa em lei. No caso do imposto de renda, o contribuinte é o perceptor dos rendimentos, como se depreende pela leitura dos arts. 43 e 45 do CTN: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 463 9 Art. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 45 Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo. 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. [grifos nossos] Por sua vez, o parágrafo o único do art. 45 acima reproduzido dispõe, sem sombra de dúvidas, que a lei pode atribuir à fonte pagadora a condição de responsável. É cediço, também, que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador, que pode ter dois objetos: o pagamento de tributo ou o pagamento de penalidade pecuniária (art. 113, §1o, do CTN), enquanto que a obrigação acessória “tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”. (art. 113, §2o). Por sua vez, o fato gerador da obrigação principal é “a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” (art. 114 do CTN) e o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. (art. 115 do CTN). Concluise, assim, com a devida vênia dos que pensam em contrário, que a retenção do imposto de renda é uma obrigação tributária principal, cujo sujeito passivo é a fonte pagadora, uma vez que o fato gerador é o pagamento de tributo a ser retido do beneficiário do rendimento no momento do seu recebimento. Como se sabe, encontrase pacificado neste Conselho, o entendimento, ao qual me filio, de que quando existe previsão de tributação na fonte, a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos, e a ação fiscal for instaurada após o encerramento do anocalendário ou do período de apuração do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. A jurisprudência é no sentido de que, nesse caso, o rendimento deveria ser tributado pelo beneficiário do rendimento, ou seja, a responsabilidade da fonte pagadora pelo pagamento do tributo cessa com o encerramento do anocalendário ou do período de apuração do fato gerador. Visando punir a fonte pagadora por sua conduta omissiva pela falta de retenção do imposto de renda, criouse a multa isolada prevista no art. 9o da Lei no 10.426, de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 464 10 2002. Muito embora exista uma corrente neste Tribunal que defenda que, com o advento da Lei no 11.488, de 2007, a aplicação da multa isolada em razão da falta de retenção e/ou recolhimento do imposto pela fonte pagadora deva ser afastada, por força do princípio da retroativa benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN, visto que a mesma teria excluída das hipóteses de incidência, entendo que a referida multa continua existindo no nosso ordenamento jurídico. Entretanto, não cabe aqui maiores comentários a respeito da matéria, pois o lançamento ora apreciado decorre de situação diversa. Tratase de lançamento da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente em que a falta de retenção de imposto de renda não ocorreu por omissão do responsável tributário, mas por força de decisão judicial que impedia a fonte pagadora reter o imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos. Nesse sentido, foi editada lei específica transferindo a responsabilidade pela falta de retenção do imposto devido por antecipação para o beneficiário do recurso, sempre que a decisão judicial que lhe foi favorável for revogada. O lançamento da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente em razão da falta de retenção do imposto de renda devido a título de antecipação pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança, posteriormente revogada, tem como fundamento legal o art. 55 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (grifei): Art.55. O imposto de renda incidente na fonte como antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física ou em relação ao período de apuração da pessoa jurídica, não retido e não recolhido pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas, sujeitarseá ao disposto neste artigo. §1o Na hipótese deste artigo, a pessoa física ou jurídica beneficiária do rendimento ficará sujeita ao pagamento: I de juros de mora, incorridos desde a data do vencimento originário da obrigação; II de multa, de mora ou de ofício, a partir do trigésimo dia subseqüente ao da revogação da medida judicial. §2o Os acréscimos referidos no §1o incidirão sobre imposto não retido nas condições referidas no caput . §3o O disposto neste artigo: I não exclui a incidência do imposto de renda sobre os respectivos rendimentos, na forma estabelecida pela legislação do referido imposto; II aplicase em relação às ações impetradas a partir de 1o de maio de 2001. Ressaltese que o fato gerador do IRRF não se confunde com o fato gerador da multa e dos juros cobrados em razão da falta de retenção do IRRF, pois, no primeiro caso, o objeto é o pagamento de tributo, enquanto que, no segundo, o pagamento de penalidade pecuniária. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 465 11 Examinadose o texto legal resta claro que o fato gerador da multa e dos juros acima exigidos pressupõe três condições concomitantes: (1) falta de retenção do imposto de renda incidente na fonte como antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física ou em relação ao período de apuração da pessoa jurídica; (2) o responsável tributário estava impedido de reter o tributo devido por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito; e (3) a medida judicial foi posteriormente revogada. Ou seja, o fato gerador só ocorre quando houver a revogação da decisão que permitiu à contribuinte não sofrer a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora prevista em lei. Em outras palavras, o que determina a ocorrência do fato gerador é data da revogação ou cassação de decisão favorável ao contribuinte e não a data em que os rendimentos foram pagos, como alegado pela defesa. Não obstante os juros de mora sejam exigidos desde a data do vencimento originário da obrigação (art. 55, §1o, inciso I), entendo, s.m.j., que tratase apenas da apuração do quantum devido, não alterando o fato gerador que se caracteriza pela situação definida expressamente no art. 55 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, anteriormente transcrito. Antes da revogação da decisão judicial que teria obstado a retenção do imposto de renda na fonte devido a título de antecipação nenhum lançamento poderia ter sido realizado. Caracterizado o fato gerador, resta agora analisar as preliminares. 3 Competência para julgamento Durante a sessão de julgamento, o Conselheiro Antonio Lopo Martinez suscitou preliminar de conflito de competência, propondo o redirecionamento do presente processo para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme entendimento esposado em caso semelhante no Acórdão no 2202002.079, de 20/11/2012. Com a devida vênia, discordo do nobre Conselheiro. Como sabe, cabe à Segunda Seção do CARF julgar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (art. 3o, inciso II do Regimento Interno do CARF – RICARF), exceto quando se tratar de lançamento de IRRF, devido a título de antecipação do IRPJ, quando a competência para julgamento é transferida para Primeira Seção do CARF (art. 2o, inciso III, do RICARF). Como já dito no item anterior, tratase de lançamento da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente em razão da falta de retenção do imposto de renda, por força de decisão judicial posteriormente revogada, que não se confunde com o lançamento do imposto propriamente dito. Tanto é assim, que esta Turma já julgou diversos processos que versam sobre a mesma matéria, sem que houvesse qualquer divergência, sendo que a única diferença era o sujeito passivo, fonte pagadora no lugar do beneficiário do recurso. No caso, houve apenas transferência da responsabilidade da penalidade exigida para o beneficiário dos rendimentos, visto que a falta de retenção não ocorreu por culpa da fonte pagadora, mas porque existia medida judicial impedindoa de reter o imposto devido. Destarte, rejeito a preliminar suscita de ofício pelo Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 466 12 4 Decadência A recorrente defende que, ainda que se aplique a regra prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, considerandose que os fatos geradores ocorreram nos meses de janeiro, fevereiro, junho, setembro e dezembro de 2004, o prazo decadencial começou a fluir em 01/01/2005, encerrandose 01/01/2010. Dessa forma, uma vez que a contribuinte foi cientificada do Auto de Infração em 23/03/2010, já havia decaído o direito da Fazenda constituir o crédito tributário em discussão. Aduz, ainda, que o lançamento poderia ter sido efetuado, para fins de prevenir a decadência, ainda na vigência da decisão favorável à contribuinte. A regra geral para do prazo decadencial encontrase no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, a decadência é regrada, a princípio, pelo §4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Contudo, o referido dispositivo exclui expressamente do seu escopo os casos em que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I. Retornando ao caso em concreto, conforme já discutido em item anterior, não se trata de lançamento de tributo sujeito à homologação, mas sim de penalidades impostas para punir a falta de retenção do imposto de renda no momento do recebimento dos rendimentos (multa e juros isolados), e, portanto, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN. Importa repisar que o fato gerador da Multa Isolada e dos Juros Isolados pela falta de retenção do imposto de renda na fonte em decorrência de medida judicial impeditiva só ocorre quando houver a revogação ou cassação de decisão favorável à contribuinte e não a data em que os rendimentos foram pagos, como alegado pela defesa. Pelos elementos que compõe os autos, verificase a decisão que cassou a sentença em mandado de segurança favorável foi exarada em 11/04/2008 e publicada em 13/05/2008. Ainda que se considere esta última data como fato gerador das penalidades impostas à contribuinte, o termo inicial do prazo decadencial é o mesmo, 01/01/2009 (primeiro Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 467 13 dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado), o que faz com que o presente lançamento, cientificado que foi à contribuinte em 23/03/2010 (fl. 178), tenha sido efetuado tempestivamente. Por fim, não obstante a recorrente defenda que o lançamento poderia ter sido efetuado na vigência da decisão favorável à contribuinte, para fins de prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verdade é que tal dispositivo aplicase somente no caso em que a exigibilidade do tributo ou contribuição tiver sido suspensa na forma do art.63, incisos IV e V, do CTN. No caso em discussão, o fato gerador não tinha sequer se materializado, visto que uma condição essencial e determinante é que a medida judicial que impedia a retenção do IRRF fosse revogada para que as penalidades pudessem ser imputadas ao beneficiário dos rendimentos. Nestes termos, rejeitase a preliminar de decadência do crédito tributário. 5 Multa e juros de mora exigidos isoladamente Em síntese, a defesa alega que: (a) não obstante a fonte pagadora tenha deixado de efetuar a retenção do imposto de renda por força de decisão judicial, ao final do período base apurou prejuízo fiscal e, portanto, não havendo lançamento do principal não caberia aplicação de multa e juros; (b) a exigência de multa e juros de mora formalizada posteriormente ao término do período de apuração, quando inexiste valor a pagar denota evidente causa de enriquecimento ilícito do ente público; (c) sustenta que, pelo princípio constitucional da segurança jurídica (art. 5o, inciso XXXVI, da Constituição Federal), a norma revogada não pode ser aplicada retroativamente, ficando seus efeitos restritos aos atos futuros; (d) a exigência de multa e juros de mora implicaria desconsiderar os efeitos da decisão judicial, punindo o contribuinte que, exercendo direito constitucional, recorreu ao Judiciário, obteve decisão favorável e a cumpriu; e (e) invoca a seu favor o Parecer Normativo no 1, de 2002, para concluir que transposto o limite do encerramento do período de apuração, não há que se alegar responsabilidade da fonte pagadora, sendo toda ela imputada ao contribuinte. No que se refere aos argumentos relacionados ao fato de a recorrente ter apurado prejuízo fiscal ao final do período de apuração e, portanto, não existindo imposto a pagar não caberia o lançamento de multa e juros (itens “a” e “b”), como já esclarecido no item anterior, tal fato (apuração de prejuízo fiscal) não afasta a exigência das penalidades (multa e juros) previstas de forma literal no art. 55 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. A multa isolada aplicada equivale, na prática, a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, exigida no caso de falta de recolhimento do imposto de renda devido por estimativa, ainda que ao final do período de apuração a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. Tampouco cabe alegar que houve revogação de norma tributária que não poderia ser aplicada retroativamente (item “c”). A liminar e a sentença em Mandado de Segurança tiverem tão somente como efeito impedir a retenção do imposto incidente sobre rendimentos recebidos a título de juros sobre o capital próprio. Muito embora o contribuinte entenda que teria sido punido por exercer seu direito constitucional de recorrer ao judiciário (item “d”), verdade é que, justo ou injusto, a Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 468 14 multa e os juros exigidos pelo fisco constituem um ônus previsto em lei no caso de a sentença que lhe foi favorável ter sido posteriormente cassada. De tal sorte, como a multa e os juros estão previstas em ato legal vigente, regularmente editado (art. 55 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001), não cabe a este Colegiado afastar a aplicação sob fundamento de ilegalidade ou inconstitucionalidade, por força do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/ 06/2009), que regula o julgamento administrativo de segunda instância. Ademais, esse entendimento se encontra sumulado por este Tribunal Administrativo, em vigor desde 29/11/2010: Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto à alegação de que transposto o limite do encerramento do período de apuração, não há que se alegar responsabilidade da fonte pagadora, sendo toda ela imputada ao contribuinte (item “e”), cabe repisar que tal conclusão não se aplica ao caso em questão, pois não se está diante de lançamento do IRRF e sim de Multa Isolada e Juros Isolados pela falta de rentenção. 6 Erro no cálculo da Multa A recorrente alega que houve erro no cálculo da multa, pois a data de início da contagem do prazo para fins de sua aplicação deveria coincidir com o dia 13/06/2008 ao invés do dia 10/04/2008, uma vez que da decisão que revogou a sentença favorável aos seus interesses somente foi publicada em 13/05/2008, quando começou a produzir efeitos. O autuante assim fundamentou o cálculo da multa de ofício (fl. 174): Considerando que foi na data de 11 de março de 2008, vide subitem 5.4, que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região cassou a LIMINAR e a SENTENÇA concedidas em 07/10/2003 e 16/05/2003, respectivamente, pela 5ª VF/RJ (Mandado de Segurança no 2003.51.01.0224347) vide subitens 5.1 e 5.2, temos que a partir do trigésimo dia subseqüente ao da revogação da medida judicial, que vem a ser 10 de abril de 2008, a empresa Tele Norte Leste Participações S/A, poderia ser autuada em relação a multa de oficio, assim temos: [....] Sem que se entre no mérito se decisão só produziu efeitos após a sua publicação (13/05/2008) e, portanto, o trigésimo dia subseqüente ao da revogação da medida judicial seria 13/06/2008, data a partir da qual a multa seria exigível, verdade é que como o Auto de Infração foi lavrado muito tempo depois, em março de 2010, e a multa de ofício tem um percentual fixo de 75%, tal fato não alterou o valor da multa lançada pela fiscalização. 7 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de decadência suscitada pela recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 491DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 469 15 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus a Ilustre Relatora, peço vênia para dela discordar quanto à preliminar de decadência, matéria em que ficou vencida. Entretanto cabe ainda registrar, também em preliminar, que entendo que esta Turma é incompetente para apreciar o julgamento da matéria em lide. Da análise do processo, no caso concreto, entendo que o montante retido a titulo de Imposto de Renda constitui mera antecipação do total devido ao final do exercício, porém, no momento da retenção, o contribuinte a ela se subsume sem ter certeza se ao final do ano terá imposto a recolher, existindo apenas uma presunção de que existirá imposto a pagar. Constatase que a presente autuação está baseada nas disposições dos incisos I e II do § 1o do artigo 55 da Medida Provisória 2.15835. Tal dispositivo prevê que a beneficiária de rendimento no qual incida o imposto de renda incidente na fonte como antecipação do devido, não retido e não recolhido por força de medida judicial, está sujeita o recolhimento de juros de mora, desde o vencimento originário da obrigação, além de multa a partir do trigésimo dia do mês subseqüente ao da revogação da medida judicial. Sobre a matéria apreciada assim se pronunciou a autoridade recorrida na ementa da decisão recorrida. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2003, 2004 .... MULTA A beneficiária de rendimento no qual incida o imposto de renda incidente na fonte como antecipação do devido, não retido e não recolhido por força de medida judicial, está sujeita o recolhimento de multa a partir do trigésimo dia do mês subseqüente ao da revogação da medida judicial. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista esses fatos, sobre a competência atribuída às diversas Seções: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 492DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 470 16 III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Desse modo, com base nos dispositivos transcritos, defenderia o redirecionamento do presente processo para a primeira Seção, por força da competência regimental. Entretanto como fui vencido nessa questão preliminar, passo a analisar os demais argumentos. Nesse momento reconheço a questão prejudicial da decadência, tal como suscitado pela recorrente Conforme consta nos autos deve ser registrado que a autuação está baseada nas disposições dos incisos I e II do § 1o do artigo 55 da Medida Provisória 2.15835.: Art 55. O imposto de renda incidente na fonte como antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física ou em relação ao período de apuração da pessoa jurídica, não retido e não recolhido pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas, sujeitarseá ao disposto neste artigo. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa física ou jurídica beneficiária do rendimento ficará sujeita ao pagamento: I de juros de mora, incorridos desde a data do vencimento originário da obrigação; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 471 17 II de multa, de mora ou de ofício, a partir do trigésimo dia subseqüente ao da revogação da medida judicial. Com base nesse dispositivo, argumenta a autoridade recorrida que somente existiria a possibilidade de lavratura da multa a partir do trigésimo dia subseqüente a revogação da medida judicial. Deste modo, no seu acórdão consigna que não haveria que se falar em decadência. Entretanto discordo, pois no meu entendimento, não cabe o argumento de que a autoridade fiscal não poderia realizar o lançamento ora debatido em decorrência da vigência de decisões favoráveis à Recorrente, visto que é garantido o direito de promover o lançamento, justamente com o propósito de prevenir a decadência. O artigo 63 da Lei 9.430/96 nesse sentido se posiciona ao prescrever a possibilidade de lançamento de crédito tributário para prevenir a decadência. Por força de liminar, o fisco fica impedido de realizar atos tendentes a cobrança, tais como inscrição da divida ativa, mas não lhe é vedado promover o lançamento do Credito. Essa posição está consolidada nos tribunais superiores tais como se nota do pro exemple no Embargos de Divergência RESP 572.603/PR TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. No mesmo sentido o EREsp 575991/SP, rel. Min. Denise Arruda, 1ª Seção, Data do Julgamento 12/03/2008, DJ 07.04.2008 Registrese que as hipóteses do artigo 151 do CTN não suspendem o prazo decadencial, para efetivação do lançamento, mas tão somente o prazo prescricional, para a cobrança judicial do crédito tributário. Em outras palavras, o Fisco não poderá inscrever em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal de crédito que esteja com sua exigibilidade suspensa, mas poderá efetuar o lançamento, exercendo o seu direito potestativo, nos termos do artigo 142 do CTN Fl. 494DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16832.000108/201020 Acórdão n.º 2202002.204 S2C2T2 Fl. 472 18 Desse modo, o lançamento da multa isolada deveria ter sido efetuado com a intenção de prevenir a decadência. Conforme consta nos autos, a multa isolada e juro mora isolados, referese a 31/01/2004 a 27/12/2004. Como o contribuinte foi cientificado dos lançamentos da multa isolada em 20/03/2010, ocorreu a decadência do direito de lançar a multa isolada e o juros isolados, pois os lançamentos ocorreram após o prazo de 5 anos, prescritos na legislação. Ante ao exposto, voto por acolher a argüição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 495DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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