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Numero do processo: 16327.915413/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2007 CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915413/200994 Acórdão n.º 330201.724 S3C3T2 Fl. 73 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 46 a 54) apresentado em 13 de abril de 2011 contra o Acórdão n. 0532.496, de 07 de fevereiro de 2011 que, relativamente a declaração de CPMF de 31 de março de 2007, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos da seguinte ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A declaração foi inicialmente não homologada pelo despacho decisório de fl. 14 e o acórdão de primeira instância resumiu o processo conforme a seguir: Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despachos Decisórios Eletrônicos de não homologação das compensações, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada dos despachos decisórios, a contribuinte, em peças dirigidas especificamente contra cada um dos despachos decisórios, alegou que o direito ao crédito decorrente do pagamento a maior não pode ser contestado por argumentos de Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915413/200994 Acórdão n.º 330201.724 S3C3T2 Fl. 74 3 índole formal, visto que o despacho decisório baseouse em informações desencontradas, erroneamente prestadas pela contribuinte. Entende que a não homologação das compensações teve como motivo a entrega a DCTF original com informações equivocadas. Informa que apresentou DCTF retificadora que já apresentaria o crédito em disputa. Uma vez corrigido o lapso que levou os sistemas de cruzamento da Administração Tributária a não admitir o aproveitamento do direito de crédito argumenta que devem ser homologadas as compensações. Pleiteia a conjugação entre a realidade material e a realidade formal vertida na declaração de compensação, invoca direito constitucional ao aproveitamento do valor pago indevidamente e conclui, ao fim, pela necessidade de reforma dos despachos decisórios. No recurso, alegou que a não homologação teria decorrido de um erro seu, uma vez que deveria ter retificado a DCTF. Entretanto, a retificação já teria sido providenciada, nos termos e pelas razões que passou a expor. Por fim, requereu o reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos débitos em discussão, a declaração de nulidade do acórdão de primeira instância e, sucessivamente, a sua improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, à época da transmissão da DCOMP os créditos estariam todos alocados na quitação de débitos confessados e que seria necessário apresentar prova do recolhimento indevido. Ademais, teria faltado prova de que o ônus financeiro foi suportado pela Interessada. Em relação à DCTF, a sua retificação tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915413/200994 Acórdão n.º 330201.724 S3C3T2 Fl. 75 4 Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Por fim, esclareçase que a consideração de que a interessada também deveria ter provado ter suportado o ônus financeiro não poderia terlhe sido oposta no âmbito de julgamento do processo, uma vez que tal matéria não foi objeto do despacho decisório. De toda forma, a DRF poderá apurar todos os elementos que julgar necessários para reconhecer ou não o direito de crédito, além dos já constantes dos presentes autos. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar o mérito da compensação. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915413/200994 Acórdão n.º 330201.724 S3C3T2 Fl. 76 5 À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000038/2011-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
Numero da decisão: 2403-001.819
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 00 38 /2 01 1- 34 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.000038/201134 Acórdão n.º 2403001.819 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto , Acórdão 1434.757 da 7ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP no 37.311.3005, de 06/01/2011, no valor total de R$ 323.102,98 ( trezentos e vinte e três mil, cento e dois reais e noventa e oito centavos ), de contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados empregados, não retidas e não recolhidas aos cofres públicos, em desacordo com o que determina a legislação em vigor, incidentes sobre suas remunerações, assim considerados os valores das bolsas de estudo concedidas aos dependentes desses segurados empregados, referente ao período de 01/2006 a 12/2007, tudo conforme o Relatório Fiscal do AIOP. Também compõem o presente processo os Autos de Infração de Obrigações Acessórias AIOA n°37.311.3030 e 37.311.3021, de 06/01/2011 e 17/01/2011, respectivamente, por ter deixado a autuada de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas aos segurados empregados ( não incluído em folha de pagamento o valor das bolsas de estudo concedidas aos dependentes desses segurados empregados ) de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente, infringindo assim o art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Foram aplicadas as multas de R$ 1.431,79 e R$ 91,78, respectivamente, ambas com fundamento nos arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 e art. 283, inciso I, alínea "a" e art. 373, do RPS. Informa o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa do ultimo AIOA lavrado, às fls 297, que o mesmo foi lavrado por ter a fiscalização se utilizado da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, para fixar a multa do MOA Debcad n° 37.311.3030, no valor supra informado, estando a mesma já revogada, quando da lavratura, pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 568, de 31/12/2010, que fixou novo valor de multa a ser aplicada para a presente infração. Assim, a multa aplicada através do AIOA Debcad n° 37.311.3021 referese à. diferença do valor estabelecido entre as duas Portarias citadas. O Relatório Fiscal — RF — do AIOP informa em seu item 3 os documentos que foram examinados pela fiscalização, e que dá análise dos mesmos, constatouse que a entidade concede bolsas Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 de estudo a dependentes de segurados empregados, cujo valor integra a remuneração dos mesmos e é considerado salário de contribuição conforme definido no art. 28 da Lei n° 8.212/91. A autuada apresentou planilha contendo os valores das bolsas de estudo e os nomes dos empregados e seus dependentes, conforme intimada através de Termos próprios emitidos pela fiscalização, tudo anexo ao RF. Em atendimento ao art. 106, II, "c , do CTN, foi procedida a comparação entre a multa a ser aplicada, levandose em conta a legislação vigente à época dos fatos geradores e a atualmente em vigor, introduzida pela MP 449/2008. transformada na Lei 11.941/2009, e o RF aponta que em todas as competências objeto deste AIOP a multa calculada com base na legislação introduzida pela MP é mais benéfica ao contribuinte. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · não incidência da contribuição social sobre o valor das bolsas de estudo – ausência de fato gerador; · papel social da educação; · equívocos da decisão de primeira instância; · a nova redação dada à alínea “t”, do § 9º, do artigo 28 da lei 8.212/91 pela Lei 12.513/2011 prevê a não incidência da contribuição sobre bolsas de estudos para os empregados e seus dependentes; · apresenta jurisprudência administrativa – CRPS e do STJ sobre a matéria. É o relatório Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.000038/201134 Acórdão n.º 2403001.819 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari , Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS A DEPENDENTES A questão central em discussão é a tributação incidente sobre bolsas de estudos concedidas a dependentes dos empregados da recorrente. Conforme estabelecido no CTN, a legislação considerada será a vigente à época dos fatos geradores. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O artigo 28 da lei 8.2121/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho. Porém, especifica algumas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Não encontrei menção a que as bolsas de estudos fossem restritas a alguns segurados, do que deduzo que todos tinham acesso. Não percebo na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 restrição à educação fornecida a dependentes e entendo que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos concedidas a dependentes. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.017174/2008-34
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 IRPJ E CSLL. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ E NÃO CONFESSADOS EM DCTF. FALTA DE PAGAMENTO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO A Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais de Pessoa Jurídica - DIPJ não é instrumento hábil para confissão de débitos. A falta de pagamento de débitos declarados, não confessados em DCTF, justifica a lavratura de auto de infração para exigência do principal, com imposição de multa de ofício e juros de mora. DIPJ. FÉ PÚBLICA Até prova em contrário, os dados informados na DIPJ expressam valores extraídos da escrituração contábil e configuram declaração de vontade que tem fé pública. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). PROTESTO GENÉRICO PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVA DOCUMENTAL. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de produção posterior de prova documental, quando a documentação constante dos autos revelase
suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte.
Numero da decisão: 1802-001.194
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ E NÃO CONFESSADOS EM DCTF. FALTA DE PAGAMENTO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO A Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica DIPJ não é instrumento hábil para confissão de débitos. A falta de pagamento de débitos declarados, não confessados em DCTF, justifica a lavratura de auto de infração para exigência do principal, com imposição de multa de ofício e juros de mora. DIPJ. FÉ PÚBLICA Até prova em contrário, os dados informados na DIPJ expressam valores extraídos da escrituração contábil e configuram declaração de vontade que tem fé pública. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. 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Indeferese o pedido de produção posterior de prova documental, quando a documentação constante dos autos revelase suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.80/96 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (fls.68/69) que julgou improcedente a impugnação aos autos de infração do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005. Quanto aos fatos, consta dos autos: que a contribuinte apresentou a DIPJ 2006, anocalendário 2005, tendo apurado resultados com base no lucro presumido, cujos períodos de apuração são trimestrais; que, em procedimento de auditoria interna (cruzamento de informações entre DIPJ x DCTF), em 02/12/2008 foram lavrados os autos de infração do IRPJ e da CSLL, dos períodos de apuração do anocalendário 2005, imputando infração (fls. 07/12 e 18/24): (...) 001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração do Imposto de Renda devido, apurado através dos trabalhos de Revisão Interna de declarações, pelo confronto dos valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao Exercício de 2006, Ano Calendário 2005, com os valores declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) e ou pagos, conforme documentos de fls. 02 a 06 e demonstrativo abaixo: Período Vl. informado DIPJ Vl declarado DCTF/pago Diferença a lançar 1º Trimestre/2005 62.015,42 0,00 62.015,42 2º Trimestre/2005 45.871,40 0,00 45.871,40 (...) Enquadramento legal: Arts. 516, §§ 1° e 5º, 541, 841, inciso IV, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). (...) 001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CSLL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Valor apurado durante os trabalhos de Revisão Interna de declarações correspondente ao Exercício de 2006, Ano Calendário 2005, pelo confronto dos valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com os valores declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) e/ ou pagos conforme documentos de fls. 13 a 17 e demonstrativo abaixo: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 4 4 Período Vl. informado DIPJ Vl declarado DCTF/pago Diferença a lançar 1º Trimestre/2005 35.525,59 0,00 35.525,59 2º Trimestre/2005 26.613,25 0,00 26.613,25 (...) Enquadramento legal: Art. 1°, 4º e 6º, parágrafo único, da Lei n° 7.689/88; art. 29 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02, art. 841, inciso IV do Decreto n°. 3.000/99 (RIR/99). (...) Crédito tributário lançado: Auto de infração Principal (R$) Multa de Ofício de 75% (R$) Juros de mora calculados até 28/11/2008 (R$) Total (R$) IRPJ 107.886,82 80.915,11 49.783,46 238.585,39 CSLL 62.138,84 46.604,12 28.664,56 137.407,52 375.992,91 A contribuinte tomou ciência dos autos de infração, por via postal, quinze dias após 12/12/2008; apresentou impugnação em 13/01/2009, insurgindose contra a exigência, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Inexistência de prova material: que não há prova material que conduza a contribuinte a qualquer responsabilidade acerca da indigitada infração; que o ônus da prova (a ocorrência da infração) é do EstadoAdministração; que, no presente caso, não há prova contundente da suposta inexistência do crédito ofertado pela contribuinte em compensação tributária; Inocorrência do fato gerador do IRPJ: não houve acréscimo patrimonial à pessoa jurídica que justifique a cobrança; Inexigibilidade da multa: que a multa, no patamar de 75%, viola o princípio do nãoconfisco, previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal; Inadmissibilidade da utilização da Taxa Selic: que é inadmissível a utilização da taxa SELIC como juros de mora de créditos tributários, por se tratar de índice ilegal e inconstitucional. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, requereu a improcedência do auto de infração; porém, caso o entendimento seja diverso, que, ao menos, se aplique a taxa de juros conforme dispõe o art. 161, §1°, do CTN. A DRJ/Curitiba, apreciando o litígio, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência fiscal, conforme Acórdão de fls.68/69, cuja ementa transcrevo: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 5 5 Ementa: REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÕES. DIPJ X DCTF. É procedente o lançamento quando o contribuinte informa a ocorrência do fato gerador na DIPJ e não declara o respectivo tributo devido na DCTF nem efetua o pagamento, sendo meios de prova suficientes as declarações apresentadas e os elementos extraídos dos sistemas da RFB, ausente qualquer outra comprovação da parte do contribuinte. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum, por via postal e sem data de recepção no AR (fl.72), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário em 04/05/2011 de fls.80/96, repetindo, reiterando, as razões já apresentadas na instância a quo; protestou, ainda, pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a documental. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida; que, caso o entendimento seja diverso, admitindo apenas a título de argumentação, que se aplique então, ao menos, os juros de mora com base no art. 161, § 1º, do CTN. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 6 6 Voto A recorrente foi intimada da decisão a quo por via postal; porém, não consta do Aviso de Recebimento – AR a data de ciência (fl. 72). O único carimbo aposto no corpo do AR, pelo funcionário da Agência dos Correios ECT, indica a data de 01/04/2011 (sextafeira), a qual pode ser de recepção do AR pela Agência ou de retorno à Agência (cumprimento da intimação). Logo, há dúvida fundada, nos autos, quanto à data de ciência da intimação da decisão recorrida pela contribuinte. A propósito, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) III – (...) § 1º (...) § 2° Considerase feita a intimação: I – (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Entretanto, não consta dos autos o documento que pudesse comprovar a data de expedição da intimação pela RFB (envio à Agência dos Correios). De qualquer forma, considerando a data de 01/04/2011 como sendo de recepção do AR pelos Correios (expedição da intimação fiscal pela RFB), hipótese mais favorável à contribuinte e aplicando–se o disposto no art. 23, § 2º, II, do Decreto nº 70.235/72, temse por tempestivo o recurso voluntário apresentado em 04/05/2011 (fls. 80/96). Ainda, a juntada do AR aos autos ocorreu em 08/04/2011 (fl. 72). Apenas para argumentar, caso fosse aplicado, subsidiarimente, a norma constante do Código de Processo Civil Brasileiro (Lei nº 5.869/73, art. 241, I), que determina como dia de ciência da intimação da decisão recorrida a data de juntada do AR aos autos, o recurso voluntário, no caso, também seria tempestivo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 7 7 Por fim, convém trazer à colação precedente jurisprudencial deste Egrégio Conselho que, em situação similar a dos autos, considera ocorrida a intimação na data em que o contribuinte comparece à repartição fiscal para defenderse, in verbis: PRAZO —A intimação por via postal considerase feita na data constante do Aviso de Recebimento, ou se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. À falta de uma e outra prova, temse por intimado o contribuinte na data em que ele comparece à repartição fiscal para defenderse. (Acórdão 107 08.934, sessão de 28/03/2007, RelatorConselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes). Diante do exposto, considero tempestiva a apresentação do recurso e satisfeitas as demais exigências. Conheço, portanto, do recurso. Conforme relatado, a lide versa acerca dos autos de infração do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005 (períodos de apuração 1º e 2º trimestres/2005), em procedimento de auditoria interna (revisão de declaração ou cruzamentos de dados entre DIPJ e DCTF) Nas razões do recurso, a recorrente alegou que o fisco não comprovara a ocorrência do fato gerador dos tributos declarados (IRPJ e CSLL); que não há prova material da infração imputada; que os débitos teriam sido objeto de compensação tributária. Inexistindo preliminar suscitada, passo a analisar o mérito do litígio. IRPJ E CSLL. DÉBITOS DECLARADOS EM DIPJ. DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A contribuinte, nas suas razões do recurso, alegou que o lançamento não pode prosperar pela falta de prova material da ocorrência do fato gerador e do acréscimo patrimonial das exações fiscais lançadas de ofício. A argumentação da recorrente não merece prosperar. A Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica DIPJ não é instrumento hábil para confissão de débitos. A falta de pagamento dos débitos declarados, não confessados em DCTF, justifica a lavratura de auto de infração para exigência do principal do IRPJ e da CSLL, com imposição de multa de ofício e juros de mora. A prova material, suficiente, do fato imponível dos tributos declarados (IRPJ e CSLL) dos 1º e 2º trimestres/2005, e do respectivo quantum do principal, é a própria DIPJ 2006, anocalendário 2005, da contribuinte, transmitida eletronicamente em 30/06/2006 (fls. 02/04 e 13/14). Ainda, quanto ao acréscimo patrimonial – fato gerador do imposto e da CSLL – está também comprovado pelas informações prestadas na DIPJ 2006 (anocalendário 2005), pois a contribuinte, nos 1º e 2º trimestres/2005, apurou o IRPJ e a CSLL com base no lucro Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 8 8 presumido, aplicando, respectivamente, coeficiente de presunção do lucro de 8% e 12%, respectivamente, sobre a receita bruta e acréscimos legais. A propósito, transcrevo a seguir o Quadro Resumo com informações extraídas da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fls. 02 e 13): IRPJ Apurado pela contribuinte: Ano calendário 2005 Receita Bruta (R$) Coef. 8% Demais Receitas e Ganhos de Capital Lucro Presumido Imposto 15% Adicional Imposto de Renda a Pagar 1º Trimestre 3.066.678,89 245.334,31 26.727,34 272.061,65 40.809,25 21.206,17 62.015,42 2º Trimestre 2.205.430,11 176.434,11 31.051,19 207.485,60 31.122,84 14.748,56 45.871,40 Total 107.886,82 CSLL Apurada pela contribuinte: Ano calendário 2005 Receita Bruta (R$) Coef. 12% Demais Receitas e Ganhos de Capital Base de Cálculo da CSLL Contribuição 9% Adicional CSLL a Pagar 1º Trimestre 3.066.678,89 368.001,47 26.727,34 394.728,81 35.525,59 0,00 35.525,59 2º Trimestre 2.205.430,11 264.651,61 31.051,19 295.702,80 26.613,25 0,00 26.613,25 Total 62.138,84 Portanto, o acréscimo patrimonial e o fato gerador das exações fiscais objeto dos autos estão devidamente comprovados. DIPJ. FÉ PÚBLICA. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. Até prova em contrário, os dados informados na DIPJ expressam informações extraídas da escrituração contábil e configuram declaração de vontade que tem fé pública. Para elidir a informação referente aos débitos informados na DIPJ, mister a apresentação, pelo sujeito passivo, de provas em contrário, com base em sua escrituração contábil e respectivos documentos de suporte, conforme Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, art. 913, in verbis: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). A recorrente não produziu prova material em contrário, quando da impugnação e por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, de que os débitos do IRPJ e Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 9 9 da CSLL (declarados na DIPJ 2006, anocalendário 2005), objeto dos autos, seriam inexistentes ou que já teriam sido quitados por compensação tributária, mediante PER/DCOMP na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96 ou já pagos ou recolhidos, antes do lançamento fiscal (Dec. 70.235/72, arts. 15 e 16, III). O momento adequado, por conseguinte, para a juntada de provas de suas alegações é por ocasião da impugnação, conforme arts. 15 e 16, III, do PAF e complementação de provas por ocasiaão do apresentação do recurso voluntário. Ainda, o ônus probatório quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco é da recorrente, conforme art. 333, II, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC. Por fim, rejeito o protesto genérico pela produção de todas as provas, admitidas em direito, mormente documental, pois, no caso: a) o pedido foi formulado em desacordo com o art. 16, § 4º, do PAF, justamente pela falta de comprovação do motivo de força maior que impedira a juntada da prova documental na primeira instância de julgamento; b) o ônus probatório é da contribuinte; c) já constam dos autos todas as provas suficientes para convicção do julgador. Nesse sentido, também são os precedentes jurisprudenciais deste CARF, in verbis: PROTESTO GENÉRICO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia, quando a documentação constante dos autos revelase suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte. (Acórdão nº 280101.866, sessão de 28/09/2011, Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães). IMPUGNAÇÃO.PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30239.633, sessão de 08/07/2008, Relatora Judith Amaral Marcondes Armando). PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 10 10 provas ou perícias.(Acórdão nº 303–34.568, sessão de 15/08/2007, Relator Sílvio Marcos Barcelos Fiúza). IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30334.397, sessão de 12/06/2007, Relatora Anelise Daudt Prieto). MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEI 9.430/96, ART. 44. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CAR nº 02). Apenas para argumentar, não procede a repulsa da recorrente no que se refere à multa de ofício exigida nos autos, pois a falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL remete ao lançamento de oficio, para exigência do principal com multa de ofício de 75% e juros de mora. O percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. É vedado ao julgador administrativo deixar de aplicar ou negar vigência à lei tributária vigente, a qual tem presunção de constitucionalidade, enquanto não suspensa ou não retirada do ordenamento jurídico. Não há que se falar em princípio do não confisco em matéria de penalidade, pois tal princípio aplicase apenas a tributos (CF, art. 150, IV). Multa não é tributo. Ainda, o valor percentual da multa punitiva pecuniária previsto, em abstrato, na norma tributária deve ser alto sim, pois não segue o princípio da capacidade contributiva; mas sim a relevância do bem jurídico tutelado (bem público), no sentido de impor medo, receio ou temor aos contribuintes de serem apenados em concreto. Incide na pena, em concreto, apenas quem quer ou quem assume o risco de com sua conduta violar a lei tributária. A contribuinte, no caso, na relação custo x benefício, assumiu, em tese, o risco de ser apenada, em concreto, ao deixar de confessar e de pagar os débitos do IRPJ e da CSLL dos 1º e 2º trimestres/2005. Por conseguinte, foi aplicada, em concreto, corretamente a multa pecuniária, no caso. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.017174/200834 Acórdão n.º 1802001.194 S1TE02 Fl. 11 11 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (...) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10425.900178/2008-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Comprovado que o mesmo crédito foi utilizado em outra DCOMP, só será admitido como crédito passível de compensação a parte indicada como disponível nos sistemas de controle da RFB. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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REQUISITO. Comprovado que o mesmo crédito foi utilizado em outra DCOMP, só será admitido como crédito passível de compensação a parte indicada como disponível nos sistemas de controle da RFB. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 2 Relatório A Recorrente transmitiu no dia 08/12/2004 a PER/DCOMP nº 14072.31128.081204.1.3.045250, no valor original de R$ 7.254,48, referente a DARF SIMPLES, código 6106, recolhido em 10/03/2004, visando compensar débitos de sua responsabilidade.. Em Despacho Decisório eletrônico, de 24/03/2008, a DRF em Campina Grande – PB não homologou a compensação pleiteada, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP não fora localizado nos sistemas da RFB. e cobrou o valor correspondente aos débitos indevidamente compensados, acrescido de multa e de juros. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito utilizado referese ao DARF recolhido em 10/03/2004, no valor de R$ 7.254,64, requereu a improcedência do Despacho Decisório. e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Em sessão de 11 de fevereiro de 2011, a DRJ em Recife, com o Acórdão nº 1132.890, julgou a Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte e reconheceu o Direito Creditório em Parte, no valor de R$ 2.813,29. Intimada do Acórdão em 25/04/2011, apresentou Recurso Voluntário em 19/05/2011, alegando que a PER/DCOMP foi homologada parcialmente e o controle encontra se no processo nº 10425.900293/200855. Reconhece o erro do pleiteado em parte na PER/DCOMP, pede o provimento do Recurso Voluntário e o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 10425.900178/200881 Acórdão n.º 1801000.835 S1TE01 Fl. 64 3 . Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A empresa foi excluída do SIMPLES Federal, com efeitos a partir de 01/01/2003 sujeitandose, daí em diante, às regras de tributação como as demais pessoas jurídicas e, em 29/06/2005, apresentou DIPJ sob a forma de Lucro Presumido. Em 08/12/2004, ela transmitiu PER/DCOMP objetivando compensar crédito oriundo de pagamento relativo ao SIMPLES (código 6106) com os débitos dos impostos e contribuições, de sua responsabilidade, devidos pelas demais pessoas jurídicas não optantes. Ao transmitir a PER/DCOMP a Recorrente informou no campo período de apuração a data de 28/02/2004 e no campo valor total R$ 7.254,48, documento este não encontrado nos sistemas da RFB, pois no DARF recolhido, no período de apuração a data era 29/02/2004 e no valor total era de R$ 7.254,64, equívocos estes que ensejaram a não homologação da compensação efetuada. A DRJ verificou que o referido crédito foi objeto das seguintes PER/DCOMP: a) n° 19994.62350.091204.1.3.043223 transmitida em 09/12/2004 a qual está sendo analisada através do processo n° 10425.900669/200821 (fl.47); b) n° 21679.16967.181005.1.3.044443 transmitida em 18/10/2005, a qual, de acordo com o histórico à fl.43, foi concluída a análise do direito creditório concedendo, do crédito originário de R$ R$ 7.254,64, o valor de R$ 4.441,35 (fls.43/45). A citada PER/DCOMP se encontra pendente de análise relativo à identificação dos débitos informados.Desta forma, do crédito originário de R$ 7.254,64, se encontra reservado o valor de R$4.441,35 para a mesma, restando um saldo passível de compensação de R$ 2.813,29 (fl.46)., já deferido conforme Acórdão da 1ª Instância Diante do exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 4 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 13/03/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL
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Numero do processo: 10935.721398/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS.
Registros em contas do Razão do Passivo Circulante conta Fornecedores e em contas de Despesas e cópias de comprovantes de pagamento não são documentos suficientes a ilidir lançamento fiscal referente a omissão de receitas devido a pagamentos efetuados e não contabilizados.
PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO.
Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram considerados na autuação.
PIS. COFINS. SALDOS CREDORES JÁ CONSUMIDOS.
Descabida a reivindicação de que se deduza da apuração saldos credores de PIS e Cofins, apurados pelo contribuinte com incidência não cumulativa na Dacon, se tais créditos já foram por ele totalmente consumidos na apuração das contribuições de períodos de apuração seguintes.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Submeter à tributação receita bruta em valor inferior aos recursos provenientes da venda de mercadorias, ocultando do fisco a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária, constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada.
PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA Nº 33 DO CARF.
Conforme súmula nº 33 do CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF.
Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.094
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. Registros em contas do Razão do Passivo Circulante conta Fornecedores e em contas de Despesas e cópias de comprovantes de pagamento não são documentos suficientes a ilidir lançamento fiscal referente a omissão de receitas devido a pagamentos efetuados e não contabilizados. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO. Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram considerados na autuação. PIS. COFINS. SALDOS CREDORES JÁ CONSUMIDOS. Descabida a reivindicação de que se deduza da apuração saldos credores de PIS e Cofins, apurados pelo contribuinte com incidência não cumulativa na Dacon, se tais créditos já foram por ele totalmente consumidos na apuração das contribuições de períodos de apuração seguintes. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Submeter à tributação receita bruta em valor inferior aos recursos provenientes da venda de mercadorias, ocultando do fisco a verdadeira base de cálculo da obrigação tributária, constitui conduta que justifica a aplicação de multa qualificada. Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 2 2 PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA Nº 33 DO CARF. Conforme súmula nº 33 do CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 3 3 Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 3334/3359), relativos aos anoscalendário 2006 e 2007, cumulados com multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, em razão da suposta (i) omissão de receitas da atividade, relativas a pagamentos não contabilizados; e (ii) falta de adição ao lucro contábil de despesas de depreciação de bens do ativo imobilizado reavaliados, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 3328/3332. É de se notar que a autuada apresentou as DIPJ de 2006 e 2007 com todos os campos zerados. O regime de tributação escolhido foi o de lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL com base na receita bruta e acréscimos (conforme DIPJ de fls. 557/603) e, conseqüentemente, o PIS e a COFINS apurados com incidência não cumulativa. Quando já sob fiscalização, em 23/11/2010 e 21/12/2010, a autuada apresentou as correspondentes DIPJ retificadoras (fls. 604/651), alterando a opção para Lucro Real Anual, apurado a partir de estimativas mensais, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, apontado ter apurado prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas em todos os meses dos anos 2006 e 2007. A autuada apresentou impugnação (fls. 3363/3416), acompanhada dos documentos Anexos I a V (fls. 3417/4162), aduzindo, em síntese, o relatado pela DRJ/CTA: 6. Após relatar a autuação e transcrever trechos da mesma, classifica o valor exigível de “impagável” e afirma que é totalmente improcedente. 7. Afirma que foi surpreendido com os autos de infração, porque apresentou as comprovações mediante as provas e demonstrativos que anexa, que não foram analisados pelo autuante porque este não os aceitou, dado o exíguo prazo que concedeu, quando o contribuinte necessitava de no mínimo 60 (sessenta) dias para atendêlo. 8. Destaca que não estava obrigado a apresentar à RFB os arquivos magnéticos do sistema SINCO e que readequou seu sistema de processamento de dados da contabilidade a fim de suprir a exigência, o que de nada lhe adiantou porque, além de entregar a contabilidade via magnética, entregou também os livros e documentos contábeis, notas fiscais, livro inventário, DCTF, Dacon, DIPJ, LALUR, documentação bancária; que esclareceu a origem dos depósitos/créditos recebidos, provando a inexistência de omissão de receitas; entregou mapas de depreciação do ativo imobilizado, jamais tendo criado qualquer embaraço à fiscalização que justificasse a aplicação de multa de 150% a qual deve ser reduzida a 75% por uma questão de justiça; que não entende como o fiscal não pode localizar os lançamentos dos pagamentos. 9. Que após suprir todo o exigido no Termo de Intimação Fiscal TIF nº 1, recebeu o de nº 2, em 30/06/2011, exigindo a comprovação de pagamentos em 2006 e 2007, devidamente entregues pelo litigante (relatório, documentos e Razão) e que em caso de dúvida bastava confrontar o número do lançamento Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 4 4 constante do Razão com o do arquivo magnético, que é o mesmo e reitera não entender porque o fiscal não localizou os lançamentos dos pagamentos e diz que só não pode especificar a linha do arquivo onde constava cada registro porque entregou o DVD original com os arquivos magnéticos ao fiscal, ficando sem nenhuma cópia; destaca que nenhuma omissão de registro em 2006 foi detectada e pergunta, então porque não se pode considerar o mesmo em relação a 2007, se a sistemática de contabilização é a mesma. 10. Em 29/07/2011, recebeu o TIF nº 3, requerendo comprovação dos meses 01 a 03/2007, devidamente entregue por amostragem e, apesar de o fiscal não têlos encontrado, eles existem, afirma: “e foram devidamente comprovados e entregues mediante protocolo datado de 06.09.2011, cabendo ressaltar que a Contribuinte não contabilizou comprovantes em datas posteriores as suas respectivas quitações, e sim em algumas vezes têm lançado por equívoco na data do vencimento referido boleto, ou seja, de forma antecipada; não cabendo Auto de Infração por Omissão de Receita, em virtude ter ocorrido justamente o contrário, vez que utilizou a disponibilidade de caixa de forma antecipada;” 11. O TIF nº 4 foi recebido em 14/09/2011, com prazo de resposta de apenas 10 dias, requerendo a comprovação de escrituração de pagamentos efetuados de 04 a 12/2007 e reiterando a referente a 01 a 03/2007; afirma que qualquer um entende que este prazo é inexeqüível, sendo necessários no mínimo 60 dias, por isso optou por comprovar por amostragem enquanto dava seguimento ao levantamento, tendo sido surpreendido com o presente auto de infração em 19/10/2011; por isso, requer que a referida comprovação seja examinada em sede de impugnação e explica: a. Que em 2006 e 2007, antes da Nota Fiscal Eletrônica, os fornecedores somavam todas as notas fiscais emitidas ao mesmo cliente no mês e emitiam a fatura/ duplicatas e cobravam pelo total ou dividindo em duas ou três duplicatas, sendo esta a razão porque nem sempre as duplicatas e as notas fiscais contêm os mesmos valores “porém é de se verificar que os valores representados como saldo de fornecedores em 31.12.2007, é bastante a quem aos dos valores das aquisições mensais de mercadorias.” b. Que possuía elevado valor de cheques em carteira o que evidencia origem de disponibilidade para tais pagamentos e contrapartida dos supostos pagamentos não contabilizados; c. Que o confronto dos boletos de duplicatas com as notas fiscais evidencia diferenças a maior nos primeiros que são valores adicionados pela agência bancária, referentes a custo do boleto e despesas financeiras de cobrança; Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 5 5 d. Também que muitas vezes pagou mais de uma duplicata no dia, agrupandoas, o que pode ser causa de divergência entre o lançamento e o boleto; e. Requer bom senso do julgador, para que, “in dúbio, pro reo” e que se baseie nos princípios da Razoabilidade e Capacidade Contributiva do contribuinte;f. Conclui reiterando que comprovou por amostragem, por falta de tempo hábil,mas confia que servirão de base para análise e comprovação. 12. Informa que, em preliminar, elabora demonstrativos dos anos 2006 e 2007, para provar que inexistem valores a serem tributados em 2006 e 2007, em função de glosa de depreciação de ativo imobilizado – conta Veículos: (...). 13. Quanto à omissão de receitas, pagamentos não contabilizados, assevera que estão comprovados, bastando examinar os documentos do Doc. Anexo III, e: a. que não foram analisados pelo fiscal as provas do TIF nº 2, meses 01 a 03/2007, entregues em 06/09/2011, sendo que talvez tenham sido desconsiderados por não ter sido mencionado o nº das contas a que se referem os lançamentos, mas a cópia do boleto e do Razão permitem a identificação; b. que além dos livros contábeis Diário e Razão, também forneceu ao autuante os arquivos em meio magnético Sinco e que foram juntado aos autos Razões Caixa; c. que se colocou à disposição para esclarecimentos e, no silêncio do Fisco, concluiu terem sido aceitas as comprovações; d. que, como não lhe foi oportunizado apresentar comprovação referente aos meses de 04 a 12/2007, apresentaos junto com a impugnação, para análise, exercendo sue direito constitucional de defesa e assim, provará a inexistência de omissão de receitas. 14. Quanto ao lançamento de PIS, argumenta que o fiscal considerou corretamente preenchidos os Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, apurados com incidência não cumulativa e no qual o contribuinte apurou saldos credor de R$ 22.196,02 em 31/12/2007, que em confronto com a exigência de R$ 19.841,85, evidencia que o lançamento foi indevido e em duplicidade, cabendo sua exoneração: a. Porque restou comprovada a inexistência de pagamentos não contabilizados; b. Pela imputação do valor exigido com o crédito disponível, restando ainda uma sobra de crédito ao contribuinte de R$ 2.354,17. 15. Quanto ao lançamento de Cofins, analogamente, apurou no Dacon crédito em 31/12/2007 de R$ 102.236,08 que, em Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 6 6 confronto com a exigência de R$ 91.392,99, resulta no crédito ao contribuinte de R$ 10.843,09. 16. Mesmo assim, segue em anexo relatório referente a Levantamento de Comprovação por Amostragem de pagamento de fornecedores, totalizando 90 laudas (Doc.Anexo II), e provas documentais no Doc. Anexo IV. 17. Destaca que requer, em preliminar, anulação dos autos de infração, por serem inadmissíveis as incorreções nele identificadas. 18. No mérito, reitera que foram indevidos os lançamentos relativos à glosa de depreciação do imobilizado – Veículos e os de PIS e Cofins, conforme comprovou nas preliminares da impugnação; quanto à omissão de receitas, pagamentos não contabilizados, restou não comprovada a infração porque o valor das obrigações é muito menor que dos disponíveis e realizáveis, sem contar os Estoque, no valor de R$ 4.595.383,01: a. Neste caso, sua contabilidade teria apresentado passivo fictício, o que não ocorreu, devendose verificar as disponibilidades dos saldos nas contas contábeis em 31/12/2007: Caixa/bancos – R$ 139.189,07; contas a receber – R$ 2.138.379,51; cheques em carteira – R$ 3.157.062,75 e outras a receber – R$ 869.133,82, totalizando R$ 6.303.765,15; b. E os financiamentos tomados (obrigações financeiras) que serviram anteriormente de origem de Caixa para outros pagamentos: Fornecedores a pagar – R$ 1.601.997,84 e Empréstimos bancários R$ 940.164,48, totalizando obrigações de R$ 2.542.162,32, em 31/12/2007, conforme Balanço. c. Que só o confronto entre Fornecedores e Cheques em Carteira já evidencia não haver omissão de receita por falta de lançamento de pagamentos; d. Confrontando a base de cálculo da infração por omissão de receitas por pagamentos não contabilizados de R$ 1.202.540,16, com o saldo de R$ 1.601.997,84 a pagar a fornecedores em 31/12/2007 da contabilidade, restaria apenas um saldo a pagar a fornecedores de R$ 399.457,68, o que significaria que o litigante teria pago 90% das compras à vista; no entanto, nenhuma compra à vista consta da documentação; também é incompatível tal saldo para uma empresa que comprava à base de R$ 3.800.000,00 por mês; e. destaca que entregou todos os livros de Registro de Inventário, onde não foram detectadas irregularidades. 19. Pelo exposto, evidente que não criou embaraço ao fisco, nem teve máfé, nem há indícios de sonegação, tanto que o próprio fisco detectou a veracidade dos valores contábeis constantes dos Balanços e DRE’s de 2006 e 2007, por estarem de acordo com as DIPJ, DCTF e Dacon apresentados e correspondentes Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 7 7 escritas fiscal e contábil e pergunta, onde fica a aplicabilidade dos princípios da legalidade, razoabilidade. 20. Assevera que é desautorizada a presunção de omissão de receitas com base em passivos fictícios, se o contribuinte comprovar com base em lançamentos contábeis e documentação que os pagamentos ocorreram no ano seguinte, conforme acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. 21. Invoca as limitações ao poder de tributar, art, 150 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, os princípios da legalidade, não cumulatividade, vedação ao confisco e capacidade contributiva, pois a exigência excede o patrimônio do contribuinte; afirma que no seu entender, o critério do autuante para apurar os valores autuados não é suficientemente claro, sendo os autos improcedentes. 22. Afirma que a autuação exige valores que o contribuinte já havia oferecido à tributação na DIPJ . 23. Investe contra o excesso de carga tributária no País. 24. Afirma sobre as bases de cálculo das exigências: a. IRPJ e CSLL – que tem como base de cálculo o valor lançado no lucro real com balanço de suspensão, conforme a DIPJ entregue; b. PIS – com base na LC nº 7, de 1970, alterada péla LC nº 17, de 1973 e alterações posteriores por leis ordinárias e medidas provisórias, porém foi comprovado que a exigência é improcedente, assim com a da Cofins. 25. Reclama do caráter confiscatório da multa de 150% , aplicada com excesso de exação, por se tratar de medida excepcional aplicável somente em casos de evidente intuito de fraude, que não é o caso, pois não houve sonegação, conluio e ação ou omissão dolosa, pois o contribuinte cooperou e entregou todos os livros; transcreve jurisprudência. 26. Também taxa de ilegais os juros de mora pela taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais – Selic, porque excedem a 1% am ou 12% aa, não sendo permitidos pelo art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e uma lei ordinária pode modificar estes valores, somente para percentuais menores; que a cobrança em percentuais superiores a estes, com base na Lei nº 9.069, de 1995 e outras, constitui usura pecuniária, pois a taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais – Selic, divulgadas pelo Sr. Coordenador Geral do Sistema de Arrecadação, através de Atos Declaratórios mensais, é acumulada mensalmente e é muito superior ao permitido pelo CTN. Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 8 8 No Anexo I e II (fls. 3417/3428 e 3429/3519) constam procuração, cartão do CNPJ, alteração de contrato social consolidada e cópias das respostas aos TIF nº 3 e 4. No Anexo III (fls. 3520/3587), consta cópia dos Balanços Patrimoniais, DRE, DIPJ 2006 e 2007. No Anexo IV (fls. 3589/4377), intitulado “Comprovação por amostragem resumos comprovando provas documentais e lançam. de pagtos. correpond. aos meses de janeiro a dezembro de 2007”, verificase: (i) às fls. 3590/3679, resposta ao TIF nº 3 e 4, discriminando e descrevendo pagamentos; e (ii) às fls. 3680/4377, cópias do Razão e documentos atinentes a estes pagamentos. Os julgadores da 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar argüida e julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA JÁ CONSIDERADOS NA APURAÇÃO DE OFÍCIO. Improcedente o pleito para que sejam deduzidos prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, na apuração fiscal de IRPJ e CSLL, se tais valores já foram considerados na autuação. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. Registros em contas do Razão do Passivo Circulante conta Fornecedores e em contas de Despesas e cópias de comprovantes de pagamento não são documentos suficientes a ilidir lançamento fiscal referente a omissão de receitas devido a pagamentos efetuados e não contabilizados. PIS. COFINS. SALDOS CREDORES JÁ CONSUMIDOS. Descabida a reivindicação de que se deduza da apuração saldos credores de PIS e Cofins, apurados pelo contribuinte com incidência não cumulativa no Dacon, se tais créditos já foram por ele totalmente consumidos na apuração das contribuições de períodos de apuração seguintes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 9 9 CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. PROPORCIONALIDADE RAZOÁVEL. A autoridade administrativa não dispõe de poder discricionário para alterar lançamento de ofício efetuado em obediência à legislação e normas legais e administrativas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DOLO. Caracteriza a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, efetuar pagamentos a fornecedores e não registrálos na contabilidade e lançar valores indevidos de depreciação como despesa, apurar créditos indevidos no Dacon enquanto apresenta DIPJ com valores todos zerados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. DOLO. Considerandose a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplicase multa de ofício qualificada sobre os correspondentes impostos e contribuição sociais exigidos. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, a autuada apresentou o Recurso Voluntário (fls. 4472/4495), repisando os argumentos de sua peça impugnatória, pleiteando, em resumo, que: A entrega das DIPJ’s com saldo zerado não obstou ou dificultou a ação fiscal, mesmo porque as declarações retificadoras foram apresentadas no curso da ação fiscal. Diferentemente do que afirma a decisão recorrida, a Recorrente não apresentou nos autos somente os livros fiscais com registros das compras de mercadorias. Conforme se observa dos documentos anexos à Impugnação, os documentos juntados tratamse de razões analíticos de cada fornecedor, estando em cada pagamento indicado a contra partida contábil do lançamento a crédito. Dessa forma, não se pode falar em meras alegações ou lançamentos de notas fiscais. Os documentos anexados à impugnação demonstram que a empresa efetuou o pagamento e efetivamente contabilizou os pagamentos realizados. Contudo, pela dinâmica dos negócios que envolvem a atividade de supermercados, os lançamentos foram realizados de forma agrupada e, muitas vezes, a contrapartida não é exclusiva na conta bancos, podendo o Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 10 10 pagamento ser realizado via caixa, com diversas faturas agrupadas num único lançamento contábil. Se a Recorrente possuía disponibilidades de mais de dois milhões de reais mesmo após os lançamentos como apontados pela autoridade fiscal, por certo que não cometeria o "absurdo" de deixar de lançar os pagamentos em sua contabilidade. Incorreto o lançamento de IRPJ e reflexos decorrentes da glosa da depreciação do imobilizado (reavaliação ativo imobilizado veículos), pois mesmo adicionando os valores ao resultado apurado (DRE) não se verificam valores passíveis de lançamento. É indevido o lançamento de PIS e COFINS, uma vez que existe saldo credor no período. A multa de 150% só é cabível quando resta demonstrado nos autos a ação ou omissão dolosa pela qual o sujeito passivo visa impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e o conhecimento dela pela fazenda pública. A simples falta de registro ou o registro inexato desses valores na escrituração caracteriza falta de declaração ou declaração inexata, com infração prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, sujeitandose o infrator à multa de 75%, mais ainda quando provado que tal ato não restou em tempo algum em omissão de receitas, pois os saldos da conta do Circulante superam todos os pagamentos apontados pela fiscalização. A aplicação de juros de mora à taxa Selic é ilegal. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Digase, para logo, que a Recorrente não apresenta argumentos ou provas novas capazes de alterar as razões de decidir da decisão recorrida. O cotejo entre os documentos acostados à peça impugnatória e a listagem fiscal de pagamentos cujo registro contábil o fiscal não localizou (fls. 3276/3307), permite concluir que é procedente a autuação por omissão de receitas da atividade, relativas a pagamentos não contabilizados. Isso porque, a Recorrente anexa apenas cópias do Livro Razão – Passivo Circulante – Fornecedores, despesas ou de comprovantes de pagamento, sem, contudo, apresentar quaisquer registros nas contas Caixa ou Bancos, que comprovassem a contabilização dos pagamentos. Além disso, não merece guarida o argumento no sentido de que a divergência entre notas fiscais e pagamentos decorreria do fato de os fornecedores parcelarem o total em Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 11 11 duplicatas ou que os boletos de duplicatas incluíam taxas cobradas pelos bancos, já que nenhum desses argumentos afasta a necessidade de comprovação da efetiva contabilização dos pagamentos efetuados. Na mesma seara, as alegações no sentido de que a Recorrente possuía elevado valor de disponibilidades, recebíveis e créditos, garantindolhe liquidez suficiente para a realização de todos os pagamentos, é incapaz de afastar a falta de contabilização dos pagamentos. Por tudo isso, corroboro a assertiva da decisão a quo para afirmar que a Recorrente não comprovou a contabilização dos pagamentos indicados pela Fiscalização e objeto do lançamento fiscal. Destarte, pretende a Recorrente ver afastada a autuação relativa à falta de adição ao lucro contábil de despesas de depreciação de bens do ativo imobilizado reavaliados, sob o argumento de que, somados os valores glosados ao prejuízo fiscal apurado, a base de cálculo continuaria negativa e, conseqüentemente, os lançamentos fiscais seriam indevidos. Nesse ponto, cabe transcrever os argumento da decisão de primeira instância: 56. No TVF, o autuante descreve que o contribuinte adquiriu veículos usados em 09, 10 e 11/2005, pelo valor total de R$ 455.000,00; e em 20/12/2005, reavaliou estes veículos para R$ 1.949.976,70. 57. Em todos os meses dos anos de 2006 e 2007, contabilizou a despesa de depreciação, ao percentual de 20% ao ano sobre o montante total reavaliado, conforme o Razão às págs. 130/154 e 167/196; contudo, não adicionou os valores dessa despesa de depreciação ao lucro contábil como determinam os art. 4º da Lei nº 9.959, de 2000, e o art. 435, II, “b” do RIR de 1999 (págs. 3042/3042, 3308/3316, 1365/1366, 1373/1375, 1333/1360). 58. Conforme pág. 3317, o autuante apurou os valores indevidamente deduzidos como despesa de R$ 17.399,44 ao mês, durante os anos de 2006 e 2007, totalizando os mesmos totais de R$ 208.073,32 nos anos de 2006 e de 2007. 59. O litigante não contestou o valor indevidamente contabilizado, pelo qual foi autuado. 60. Sua inconformidade centrouse no argumento de que, somados os valores glosados ao prejuízo que apurou, ainda continuaria no negativo, portanto, sem lucro real ou base de cálculo positiva para apurar a CSLL, conseqüentemente os lançamentos fiscais seriam indevidos. 61. No entanto, o contribuinte havia apresentado as DIPJ dos anoscalendário 2007 e 2007, nas quais constava R$ 0,00 (zero) de lucro real e de base de cálculo da CSLL, págs. 562, 572, 584 e 594. 62. Acresça que as Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF dos dois semestres de 2006 e do 1º semestre de Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 12 12 2007 foram entregues na condição de “Esta declaração não tem débitos” e na referente ao 2º semestre de 2007, o contribuinte somente confessou, em relação ao período de apuração 12/2007, os débitos de R$ 2.484,94 de IRPJ e R$ 1.709,36 de CSLL, sendo que estes valores devidos, confessados em DCTF, foram deduzidos da autuação conforme págs. 3335 e 3355. 63. O autuante descreveu no TVF que o contribuinte lhe entregou a contabilidade, e que as retificadoras entregues já sob fiscalização, corrigiram as anteriormente entregues zeradas e que os prejuízos fiscais foram levados em conta na apuração das exigências de IRPJ e CSLL; de fato, verificase das DIPJ retificadoras que: a. Pág. 609 – Lucro Real, 31/12/2006, R$ () 273.504,94; b. Pág. 619 – Base de Cálculo da CSLL, 31/12/2006, R$ () 273.504,94; c. Pág. 632 – Lucro Real, 31/12/2007, R$ () 410.203,32; d. Pág. 642 – Base de Cálculo da CSLL, 31/12/2007, R$ () 410.203,32. 64. Nas DRE: a. Pág. 3526 Prejuízo Líquido Exercício em 31/12/2006, R$ 273.504,94; b. Pág. 3558 – Resultado em 31/12/2007 – R$ 410.203,32. 65. E da apuração de exigências de IRPJ e CSLL nos autos de infração que: a. Pág. 3334 – IRPJ anocalendário 2006: Infração R$ 208.073,32 () Prejuízo compensado do Período no mesmo valor, resultando no valor tributável R$ 0,00 (Zero); b. Pág. 3354 – CSLL anocalendário 2006: Infração R$ 208.073,32 () Prejuízo compensado do Período no mesmo valor, resultando no valor tributável R$ 0,00 (Zero); c. Pág. 3335 – IRPJ anocalendário 2007: Infrações no total de R$ 1.410.613,48 (sendo R$ 208.073,32 referentes à Depreciação dos Veículos e R$ 1.202.540,16 de Omissão de receita, Pagamentos não contabilizados) () Prejuízo compensado do período de R$ 411.912,68 () Prejuízo do ano anterior de R$ 65.431,62, resultando no valor do tributável de R$ 933.269,18; d. Pág. 3355 CSLL ano calendário 2007: Infrações no total deR$ 1.410.613,48 () Base de cálculo compensada no período de R$ 410.203,32 () base negativa do ano anterior de R$ 65.431,62, resultando no valor do tributável de R$ 934.978,54. Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 13 13 66. Da simples verificação supra resulta que o impugnante quer fazer crer que os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas que apurou não teriam sido considerados pela fiscalização e tenta convencer que seria o caso de deduzilos mais uma vez. 67. No entanto, é evidente que improcede a alegação de que, em vez de lucro real tributável, a empresa tivesse simplesmente reduzido o seu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Adicionalmente, também é de se afastar a pretensão da Recorrente no sentido de que na apuração sejam deduzidos os saldos credores de PIS e COFINS apurados na Dacon em 31/12/2007, já que tais créditos foram totalmente aproveitados em períodos seguintes (conforme Dacon de 01/2008 às fls. 4406/442 e Dacon de 03/2009 às fls. 4443/4445). No que toca à aplicação de multa qualificada, compartilho o entendimento das autoridades julgadoras de primeira instancia, pois restou configurado o intuito de fraudar o Fisco. Muito embora a Recorrente tenha mostrado presteza à fiscalização, não é possível conceber a ausência de dolo de contribuinte que não escritura suas movimentações e que entrega a DIPJ zerada em dois anoscalendário consecutivos (2006 e 2007), sabendo não ser esta a sua realidade. Assim, mostrase evidente o intuito da Recorrente em evadirse da fiscalização, obstruindo a conferência dos valores efetivamente apurados. Nesse passo, ao contrário do que pretende a Recorrente, a entrega das DIPJ’s 2006 e 2007 retificadoras após o início da ação fiscal apenas corrobora essa afirmativa. Importa salientar, ainda, que, de acordo com o §1° do artigo 7° do Decreto 70.235/72 e Súmula nº. 33 deste Conselho, o inÍcio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos as infrações verificadas. Vejamos: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, Portanto, mantenho a multa qualificada. Finalmente, a Recorrente alega que é ilegal a utilização da taxa SELIC como juros de mora. O tema não exige maiores elucubrações, vez que a solução do litígio se orienta pelo entendimento da Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto aos demais impostos lançados (CSLL, PIS e COFINS), sendo esse lançamento decorre da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), entendo correta a aplicação de idêntica solução. Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10935.721398/201195 Acórdão n.º 1402001.094 S1C4T2 Fl. 14 14 Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente os autos de infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10675.900103/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de Apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. Não reconhecido o direito creditório em favor do contribuinte, impõe-se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 1301-000.846
Decisão: ACORDAM Os membros da turma, por unanimidade, negar provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.900103/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.846 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria IRPJ/COMPENSAÇÃO Recorrente CARDOSO MOTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de Apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja líquido e certo. Não reconhecido o direito creditório em favor do contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo das DCOMP's eletrônicas n°s 01975.35649.080504.13.020705 (fls. 01/03) e 15990.85597.280504.1.3.02 4502 que foram retificadas, respectivamente, pelas de n°s 12617.94109.230808.1.7.022167 transmitida em 23/08/2008 (fls. 06/08) e 04557.10568.260907.1.7.023271 transmitida em 26/09/2007, que ora são analisadas no presente processo. O objetivo das DCOMP n°s 12617.94109.230808.1.7.022167 e 04557.10568.260907.1.7.023271 retificadoras e ativas no sistema (fl. 36), foi declarar a extinção dos débitos nelas apontados, com crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 14.463,11, composto por IRRF discriminado à fl. 07 e DARF no valor de R$ 11.244,19 código de receita 2362 e data de arrecadação 27/02/2004 (fl. 07v). A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico Rastreamento n° 816113948, de 19/01/2009 (fl. 09), exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia/MG, segundo o qual restaram não homologadas as compensações consignadas nas DCOMP's eletrônicas n°s 12617.94109.230808.1.7.022167 e 04557.10568.260907.1.7.023271, tendo em vista a existência de saldo a pagar no 4o. trimestre de 2003 conforme DIPJ/2004. Regularmente cientificado do Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 04/02/2009 (fl. 12), o contribuinte protocolou suas contrarazões em 03/03/2009 (fls. 13/16), alegando, em síntese, que: a) o despacho decisório indica que a Impugnante em seus PER/DCOMP não teria saldo negativo de IRPJ na DIPJ e sim saldos de IMPOSTO DE RENDA a pagar. O problema decorreu de informações equivocadas apresentadas nas referidas PER/DCOMP. Na época ... não havia treinamento (cursos) para preenchimento das mesmas ... o que culminou no lançamento das informações considerando saldo negativo de IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, o que, no entendimento da Impugnante, se a mesma possuía saldo em 31/12/2002 a compensar de R$ 5.154,61 e saldo de DARF's pagos a maior de R$ 5.430,82 e R$ 4.057,68, totalizaria RS 14.643,11... E assim, foi lançado no sistema, o valor total como saldo negativo e não como pagamento indevido e daí é que se originou o erro. b) Só após alguns anos é que a Receita Federal nos solicitou retificações das PER/DCOMP, alegando que em nossa DIPJ constava saldo de IRPJ à recolher e não à compensar; c) Embora providenciada a retificação o tipo de crédito não é permitido retificar na PER/DCOMP de saldo negativo do IRPJ para pagamentos indevidos ou à maior e viceversa, erro que persistiu sem correção. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.900103/200939 Acórdão n.º 1301000.846 S1C3T1 Fl. 2 3 Neste contexto, transparece claro e cristalino que o despacho decisório fundouse em erro de fato (não existência de imposto a compensar) tendo em vista o simples lançamento com erro no sistema. Para comprovação dos fatos a impugnante apresenta os seguintes documentos: a) Para comprovar saldo negativo de IRPJ — saldo em 31/12/2002 RS 5.154,61 anexamos fotocópia da declaração de compensação e saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2002 com protocolo de entrega processo 10675.001226/200308, solicitação de retificação dos valores ( declaração de compensação e saldo negativo IRPJ e CSLL ano calendário/2002 datada de 30/01/2008 e entregue em 31/01/2008, esclarecimento da solicitação de retificação dos valores do saldo negativo de IRPJ e da CSLL e dos valores do saldo negativo de IRPJ e das CSLL e dos respectivos valores compensados e fichas 12 A e 17 da DIPJ/2002. b) Para comprovar crédito de RS 5.430,82 pagamento a maior, anexamos fotocópia DARF IRPJ período de apuração 30/09/2003 – vencimento 31/10/2003 RS 13.577,02. c) Para comprovar R$ 4.057,68 pagamento a maior, anexamos fotocópia DARF IRPJ período de apuração 31/12/2003 vencimento 30/01/2004 RS7.000,00, fotocópia DARF IRPJ período de apuração 31/12/2003 – vencimento 27/02/2007 RS 4.298,09. A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do Acórdão DRJ/JFA, 0934.666, de 29/04/2011 (fl.56), não reconhecendo o direito ao crédito pleiteado, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A configuração da inexistência de saldo negativo de IRPJ, implica em não homologar a compensação declarada. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retifícador. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório e voto guerreado, os autos do presente processo trata de compensação não homologada no valor de R$.14.643,11 oriundos de saldo negativo de IRPJ decorrentes de IRRF referente ao 4o. trimestre do ano calendário de 2003 no valor de R$ 5.430,82 e, pagamentos indevidos ou a maior, conforme DARFs nos valores de R$ 4.057,68 e R$ 5.154,61. No recurso voluntário a interessada renova as argumentações trazidas anteriormente, alegando, em síntese, ter havido erro de fato, pois, pleiteou na DCOMP um saldo negativo de IRPJ quando, na realidade deveria ter solicitado um crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. Compulsando os documentos trazidos aos autos, constatase na DIPJ de fls. 39/41, que para o 4o. trimestre do ano calendário de 2003, registro de Imposto de Renda a Pagar no valor de R$ 7.186,51 aí compensados Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 4.057,68. De se ressaltar que tratase de DIPJ retificadora entregue em 02/12/2008, conquanto que na DIPJ anteriormente entregue consta Imposto de Renda a Pagar no valor de R$ 11.244,19. Da análise do IRRF contido nas DIRF's em que a recorrente consta como beneficiária (fls. 42/48), ressalta o erro cometido, pois, foi lançado como IRRF para o 4o. trimestre de 2003 (DIPJ/2004) todas as retenções havidas durante todo o ano, assim, o valor consignado na linha "Imposto de Renda Retido na Fonte" para o 4o. trimestre não é R$ 4.057,68, mas, tão somente, as retenções do período no valor de R$ 972,08. Segundo a legislação que rege a matéria, para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, somente poderão ser deduzidas do imposto de renda apurado trimestralmente, as retenções incidentes sobre as receitas que integraram o lucro real no mesmo trimestre. Refeito estes cálculos permanece a existência de IRPJ a pagar no valor de R$ 10.272,11 e não o valor de R$ 7.186,51 (DIPJ de fls. 40/41) e, permanece também a inexistência de saldo negativo de IRPJ, não havendo desta forma o crédito pleiteado pela empresa na Dcomp de saldo negativo de IRPJ. Inclusive, tal valor é exatamente o valor consignado em DCTF original de fls. 54. Com relação aos DARF apontado na Dcomp como componente do saldo negativo do imposto de renda referente ao 4o. trimestre do ano de 2003, no valor de R$ 11.244,19 (cód. 2362), na realidade em pesquisa nos sistemas da Receita Federal a autoridade de primeira instancia constatou tratarse de dois DARFs nos valores de R$ 7.000,00 e R$ 4.244,19, (fls. 50/51), utilizados para pagamentos do IRPJ, código 0220. Concluindo, a alteração do tipo de crédito de saldo negativo de imposto de renda para pagamento indevido ou a maior quando da manifestação de inconformidade, ou seja, após a ciência do Despacho Decisório, não merece prosperar. A compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar, bem como Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.900103/200939 Acórdão n.º 1301000.846 S1C3T1 Fl. 3 5 prova efetiva de sua realização, o que só reforça o ônus da contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13011.000104/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
INCLUSÃO. IMPEDIMENTO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PEDIDO DE REVISÃO NÃO APRECIADO. Não é possível decidir pedido de inclusão no SIMPLES Federal enquanto pendentes
de apreciação pedidos de revisão dos débitos que, inscritos em Dívida Ativa da União, impediram a opção da contribuinte por aquela sistemática de recolhimento.
INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXTINTAS. EFICÁCIA
RETROATIVA. Desconstituído o impedimento, deve ser admitida a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal. PEDIDO EM MAIOR EXTENSÃO VEICULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. A inclusão deve ser
admitida no ano-calendário em que formalizada a opção, inexistindo motivo de fato ou de direito para antecipá-la
em um ano.
Numero da decisão: 1101-000.752
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2005 INCLUSÃO. IMPEDIMENTO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PEDIDO DE REVISÃO NÃO APRECIADO. Não é possível decidir pedido de inclusão no SIMPLES Federal enquanto pendentes de apreciação pedidos de revisão dos débitos que, inscritos em Dívida Ativa da União, impediram a opção da contribuinte por aquela sistemática de recolhimento. INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXTINTAS. EFICÁCIA RETROATIVA. Desconstituído o impedimento, deve ser admitida a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal. PEDIDO EM MAIOR EXTENSÃO VEICULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. A inclusão deve ser admitida no ano-calendário em que formalizada a opção, inexistindo motivo de fato ou de direito para antecipá-la em um ano.
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IMPEDIMENTO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PEDIDO DE REVISÃO NÃO APRECIADO. Não é possível decidir pedido de inclusão no SIMPLES Federal enquanto pendentes de apreciação pedidos de revisão dos débitos que, inscritos em Dívida Ativa da União, impediram a opção da contribuinte por aquela sistemática de recolhimento. INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO EXTINTAS. EFICÁCIA RETROATIVA. Desconstituído o impedimento, deve ser admitida a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal. PEDIDO EM MAIOR EXTENSÃO VEICULADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. A inclusão deve ser admitida no anocalendário em que formalizada a opção, inexistindo motivo de fato ou de direito para antecipála em um ano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 88 2 EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 89 3 Relatório O presente processo retorna de diligência solicitada por esta Turma, por meio da Resolução nº 110100.019, em sessão de 27 de janeiro de 2011. Transcrevese, a seguir, o relatório antes apresentado: CREDI IMPERIAL DESENVOLVIMENTO MERCANTIL LTDA EPP, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que por unanimidade de votos, INDEFERIU manifestação de inconformidade interposta contra indeferimento de inclusão retroativa no SIMPLES Federal. Em 09/03/2005 a interessada apresentou pedido de inclusão no SIMPLES Federal assim motivado: 1. Em fevereiro de 2.004 foi cobrado pela PGFN débito relativo a IRPJ e CSLL relativo ao 4o período de 1.999. Encaminhamos oficio aquela repartição informando que houve erro de fato no preenchimento da D1PJ/99, informando o valor correto da receita daquele trimestre e os valores dos impostos devidos e que fossem efetuadas as devidas correções junto a Secretaria da Receita Federal; 2. Quando do pedido de enquadramento no Simples, em janeiro passado, a opção pelo Simples foi vedada tendo como motivo: empresa com pendências junto a PGFN. 3. Deslocamonos até a PGFN em Varginha, onde encontravamse pendentes, além daquelas já descritas no item 1, acima, outras duas cobranças, indevidas, as quais também foram objeto de Pedido de Revisão de Débitos Inscrito em Divida Ativa da União, por se tratar de erro de fato no preenchimento da DIPJ conforme já exposto acima. 4. Cabe ressaltar que a solicitação da correção, feita em março/2004 ainda não foi efetuada e o motivo alegado pelo atendente daquela autarquia foi de que é por falta física (de funcionários). 5. Assim sendo, solicitamos seja a empresa em tela enquadrada de oficio no Simples, uma vez que a mesma preenche TODOS os requisitos dispostos no ordenamento jurídico e normativo para seu enquadramento e não pode ser penalizada por problemas internos da PGFN. Analisando a situação da contribuinte, a autoridade administrativa da DRF/Varginha identificou outras duas inscrições em Dívida Ativa da União, datadas de 09/12/2003, as quais se mantinham na situação “ativa”. Por esta razão, o pedido da contribuinte foi indeferido. A interessada manifestou sua inconformidade alegado, segundo relato contido na decisão recorrida, que: 1) Depois do indeferimento de seu pedido, procurou a PGFN e verificou que não procederam à análise do seu pedido de revisão de 08/03/2004 e ainda constataram outras duas pendências; 2) Não tinha conhecimento dessas novas pendências que provinham de erro no preenchimento de DCTF, uma vez que deixou de informar dedução de 1/3 da Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 90 4 Cofins de débito de CSLL. Preencheu Pedido de Revisão por ser também essa cobrança totalmente indevida; 3) O inciso XV do artigo 9° é no mínimo discrepante, uma vez que enquanto não houver apreciação do pedido de revisão de suposta dívida ativa, não poderá optar pelo Simples. A Turma Julgadora rejeitou estas alegações argumentando que: Resta estampado que, no presente caso, em conformidade com a legislação supra, a empresa não poderia exercer sua opção pelo SIMPLES para o anocalendário de 2004, por incidir em expressa vedação à opção, qual seja: inscrição em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não se encontra suspensa. O reclamante alega que as inscrições são indevidas, protocolou pedido de revisão dos débitos inscritos, em 27/01/2005, para algumas inscrições e novamente após ciência do despacho de fl. 32 para outros débitos. Ocorre que, enquanto persistirem as inscrições sem suspensão de exigibilidade, também persiste a vedação legal à opção pelo Simples e não cabe a essa autoridade administrativa decidir, nesse processo, sobre a validade ou não das aludidas inscrições. A lei é clara e não há discrepância em seu texto. Parece que houve inércia da empresa que somente após o indeferimento de seu pedido procurou sanar suas pendências, quando essas pendências teriam que estar resolvidas antes do exercício da opção pelo Simples, como definido em lei. Por outro lado, o pedido de revisão do crédito tributário inscrito em Divida Ativa não é hipótese de suspensão da exigibilidade União. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/09/2008 (fl. 47), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/09/2008 (fls. 48/53), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade/impugnação. Relata que foi excluída do SIMPLES com efeitos retroativos a 31/12/2001, mas promoveu sua regularização fiscal perante a Secretaria da Estadual. Seguiuse, então, cobrança de tributos pela PGFN em fevereiro/2004, contra a qual apresentou pedido de revisão de débitos em 08/03/2004, cuja apreciação não havia se verificado até janeiro/2005, quando do pedido de nova inclusão no SIMPLES, resultando na inadmissibilidade deste. Em consulta junto à PGFN, a contribuinte teria constatado outras 2 (duas) novas pendências, que também resultariam de erro de fato, e para as quais foram apresentados os correspondentes pedidos de revisão. Além disso, questionando atendente daquela repartição em 27/01/2005, soube que a não revisão do pedido anterior decorreria da falta de RECURSOS FÍSICOS para tal procedimento. Reproduz texto doutrinário acerca desta situação verificada em outros casos concretos, e destaca que a demora na revisão destes débitos impede a sua opção pela tributação na sistemática do SIMPLES. Acrescenta que posteriormente ao Despacho Fundamentado n° 245/2005, de 16 de maio de 2.005 os débitos em questão, relativos as cobranças indevidas permaneceram no banco de dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. E, especificamente, aduz: Segue anexo ao RECURSO, cópia de pedido de parcelamento junto a Procuradoria da Fazenda, onde pode ser verificado que ainda encontrase pendente débito inscrito em divida ativa, relativo ao IRPJ (inscrito sob n° 60.2.03.00968172). A inscrição n° 60.6.03.03074970 referente a Contribuição Social s/ Lucro Líquido relativo a Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 91 5 mesma base de cálculo foi BAIXADA pela Receita Receita Federal e o IRPJ ainda continua com a inscrição ativa. Perguntase: Se os dois tributos, cobrados indevidamente, os quais pertencem a mesma base de cálculo porque somente o tributo denominado Contribuição Social foi baixado e o IRPJ não? O pedido foi requerido em 08 de março de 2.004 e quando foi efetivada a baixa? Os comprovantes referente ao erro de fato no preenchimento da DCTF do segundo e quarto trimestres, protocolados em 28/01/2005, referente as inscrições n's 60.6.04.01626969 e 60.6.04.00689320, conforme Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, protocolados em 28/05/2005, quando foram baixados os referidos tributos? Ora, Doutos Julgadores, como esta empresa poderia reenquadrar como optante do SIMPLES se tais inscrições de débito junto a Procuradoria da Fazenda ainda se encontravam ativas? É de conhecimento geral que a partir do pedido de parcelamento de débito inscrito em divida ativa implica em confissão irretratável da divida e tal procedimento não poderia ser feito em virtude do total descabimento da cobrança em tela. Pede, assim, o deferimento de seu pedido, determinadose, por conseqüência, o reenquadramento junto ao Simples, retroativo a 01/01/2004. O encaminhamento do processo em diligência se fez necessário porque a contribuinte apresentara pedidos de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União antes do indeferimento de seu pleito de inclusão retroativa no SIMPLES, acerca dos quais assim se posicionou esta Relatora: Quanto ao efeito de tais pedidos de revisão, de fato, não se constituem em hipótese de suspensão de exigibilidade, na medida em que, nos termos do art. 151 do CTN, somente têm este condão as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, e inexiste processo administrativo fixado em lei para discussão de débitos confessados em declaração. Não se pode olvidar, porém, que o acúmulo destes pedidos de revisão, pendentes de análise, ensejou a edição da seguinte disposição na Lei nº 11.051/2004: Art. 13. Fica a administração fazendária federal, durante o prazo de 1 (um) ano, contado da publicação desta Lei, autorizada a atribuir os mesmos efeitos previstos no art. 205 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, à certidão quanto a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF e à dívida ativa da União de que conste a existência de débitos em relação aos quais o interessado tenha apresentado, ao órgão competente, pedido de revisão fundado em alegação de pagamento integral anterior à inscrição pendente da apreciação há mais de 30 (trinta) dias. § 1º Para fins de obtenção da certidão a que se refere o caput deste artigo, o requerimento deverá ser instruído com: I cópia do pedido de revisão de débitos inscritos em dívida ativa da União instruído com os documentos de arrecadação da Receita Federal – DARF que comprovem o pagamento alegado; II declaração firmada pelo devedor de que o pedido de revisão e os documentos relativos aos pagamentos referemse aos créditos de que tratará a certidão. § 2º A concessão da certidão a que se refere o caput deste artigo não implica o deferimento do pedido de revisão formulado. § 3º Será suspenso, até o pronunciamento formal do órgão competente, o registro no Cadastro Informativo de Créditos NãoQuitados do Setor Público Federal Cadin, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 92 6 de que trata a Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, quando o devedor comprovar, nos termos do § 1º deste artigo, a situação descrita no caput deste artigo. § 4º A certidão fornecida nos termos do caput deste artigo perderá sua validade com a publicação, no Diário Oficial da União, do respectivo cancelamento. § 5º (VETADO) § 6º A falsidade na declaração de que trata o inciso II do § 1º deste artigo implicará multa correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do pagamento alegado, não passível de redução, sem prejuízo de outras penalidades administrativas ou criminais. § 7º A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN e a Secretaria da Receita Federal SRF expedirão os atos necessários ao fiel cumprimento das disposições deste artigo. A matéria foi tratada na Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1, publicada em 21/03/2005 – momento no qual já se encontravam pendentes de análise os pedidos apresentados em 08/03/2004 e 28/01/2005 –, admitindo, naquelas circunstâncias, a emissão de Certidão com efeitos equivalentes aos daquela prevista no art. 205 do CTN. Aqui, embora a alegação apresentada pela contribuinte não se limite ao pagamento integral do débito, mas também ao erro na declaração de seu valor, de forma a reduzilo ao valor efetivamente pago, não é possível decidir o cabimento, ou não, da sua opção pelo SIMPLES Federal, em 2005, sem se esclarecer o que foi decidido em relação aos alegados erros. Se assim fosse, estarseia negandolhe um direito definitivamente, no âmbito administrativo, sob a incerteza da efetiva existência de créditos tributários que se encontravam inscritos em Dívida Ativa da União, e sob o risco de o erro vir a ser, ou até já ter sido admitido, com o efeito ex tunc próprio da desconstituição das relações jurídicas nas quais se constata inexistir objeto. Por tais motivos, o presente voto é no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que se informe a decisão proferida em face dos pedidos de revisão apresentados pela contribuinte contra as inscrições em Dívida Ativa da União de nº 60.6.04.01626969, 60.6.04.00689320, 60.2.03.00968172 e 60.6.03.03074970. A contribuinte deverá ser cientificada destas informações, com a reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes da devolução dos autos para apreciação deste órgão julgador. A autoridade administrativa juntou aos autos informações sobre as inscrições em Dívida Ativa da União (fls. 64/68) bem como relatório de informações de apoio para emissão de certidão, emitido em 03/06/2011 (fls. 69/80). Consignou à fl. 81 que, em face da Resolução nº 110100.019, providenciou consulta das inscrições junto à PGFN e, concluindo que os procedimentos devidos a esta DRF/VAR/SAORT foram tomados, encaminhou os autos à ARF/Alfenas para ciência à contribuinte e reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A contribuinte foi cientificada da informação fiscal de fl. 81 em 24/06/2011, e em 04/07/2011 foi elaborado despacho encaminhando os autos ao SAORT da DRF/Varginha. Em 02/09/2011 os autos foram encaminhados à DRJ/Juiz de Fora, que os movimentou para seu destino correto, qual seja, esta 1a Seção de Julgamento. Não há notícia de que a interessada tenha se manifestado acerca da informação fiscal que lhe foi cientificada. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 93 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O indeferimento da inclusão pretendida pela recorrente foi motivado pela existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União sob nºs 60.6.04.01626969, 60.6.04.00689320, 60.2.03.00968172 e 60.6.03.03074970. As informações gerais da inscrição juntadas pela autoridade administrativa em diligência evidenciam que: • as inscrições Nº 60.6.04.01626969, 60.6.04.00689320 encontramse na situação extinta por anulação com ajuizamento a ser cancelado, e expressam esclarecimentos semelhantes como motivo da extinção: ERRO NO PREENCH. DA DCTF E COMPENSAÇÃO INTEGRAL DO DEBITO NA FASE ADMINIST. CONF. DESP DA PSFN/VGA ou COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA FASE ADMINIST., CONF. DESP. DA PSFN/VGA AS FLS.; • a inscrição nº 60.2.03.00968172 consta como extinta por cancelamento com ajuizamento a ser cancelado em razão do motivo REMISSÃO ART. 14 DA MP 449/2008; • a inscrição nº 60.6.03.03074970 encontrase extinta por anulação devolvida ou arquivada, em razão de ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ, CONFORME DESPACHO DA PSFN/VGA AS FLS. 78 DO P.A. 10660.201941/200308. Nestes termos, subsistiria dúvida apenas em relação à inscrição nº 60.2.03.00968172, cancelada por remissão concedida pela Medida Provisória nº 449/2008, que alcançou débitos vencidos há 5 (cinco) anos ou mais, e cujo valor total consolidado fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Todavia, por ocasião do encaminhamento dos autos em diligência, já se constatara que esta inscrição e a de nº 60.6.03.03074970 decorriam do mesmo erro de fato: tratarseiam de débitos de IRPJ e CSLL declarados no 4o trimestre de 1998, apurados indevidamente a partir da receita acumulada dos 3o e 4o trimestre de 1998 (fl. 10). Logo, é razoável inferir que aquela inscrição apenas não mereceu o mesmo destino da inscrição nº 60.6.03.03074970 em razão de seu baixo valor submeterse à hipótese de remissão, mormente nada tendo ressalvado a autoridade administrativa quando questionada a respeito. Tais constatações seriam suficientes para afastar o óbice apresentado à contribuinte para admitir sua inclusão no SIMPLES Federal a partir de 2005 (fl. 02) e para indeferir seu pleito apresentado nestes autos (fl. 31). De toda sorte, cumpre observar que as informações de apoio para emissão de certidão juntadas pela autoridade administrativa em diligência indicam a existência de débitos de diversos tributos apurados a partir de julho/2007, além de débitos de COFINS, Contribuição Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 94 8 ao PIS, IRPJ e CSLL apurados a partir de 09/2002, mas estes, embora indicados na situação – devedor, estão vinculados a processos administrativos localizados na SAORT da DRF/Varginha, com Declarações de Compensação – DCOMP associadas, apresentadas em 14/10/2003 e 21/01/2005. Logo, à míngua de qualquer informação acerca da ineficácia destas compensações, os débitos anteriores à opção da contribuinte não afetam o seu deferimento. Constam, também, informações de inscrições com exigibilidade suspensa na PGFN, promovidas a partir de 03/07/2006, mas todas na condição ATIVA NÃO AJUIZ EXIG SUSP – DECLARAÇÃO INCLUSÃO CONSOL PARCL, possivelmente em razão da opção, da contribuinte, pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009, no qual indicou a inclusão da totalidade dos débitos nos termos da Portaria PGFN/RFB 003/2010, como apontado no cabeçalho do referido documento. Assim, além de tais inscrições terem sido promovidas após a opção da contribuinte pelo SIMPLES Federal, observase que elas estão com exigibilidade suspensa, inexistindo qualquer razão expressa pela autoridade administrativa a impedir o acolhimento do pedido da contribuinte. Apenas observese que, embora afirmando em seu recurso voluntário ter pedido nova inclusão no Simples apenas em janeiro de 2005 (fl. 50), a recorrente pleiteou o reenquadramento junto ao Simples, retroativo a 01/01/2004, conforme pedido efetuado junto à Delegacia da Receita Federal em Varginha/MG (fl. 53). Ocorre que a opção pelo SIMPLES Federal devia ser efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário, consoante dispôs, à época, a Instrução Normativa SRF nº 355/2003, editada com fundamento na Lei nº 9.317/96. Vejase: Lei nº 9.317, de 1996: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. § 3° Excepcionalmente, no anocalendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1° de janeiro daquele ano. § 4° O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anterior poderá ser prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal. § 5° As pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES deverão manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa indicativa que esclareça tratar se de microempresa ou empresa de pequeno porte inscrita no SIMPLES. Instrução Normativa SRF nº 355, de 2003: Art. 16. A opção pelo Simples darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13011.000104/200550 Acórdão n.º 110100.752 S1C1T1 Fl. 95 9 I aos impostos dos quais é contribuinte (IPI, ICMS, ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º A pessoa jurídica, inscrita no CNPJ, formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário. § 2º A pessoa jurídica em início de atividade poderá formalizar sua opção para adesão ao Simples imediatamente, mediante utilização da própria Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ). § 3º As opções e alterações cadastrais relativas ao Simples serão formalizadas mediante preenchimento da FCPJ. § 4º No caso de a empresa iniciar as suas atividades no mês de janeiro e não exercer a opção pelo Simples quando da inscrição no CNPJ, poderá fazêla mediante alteração cadastral até o último dia útil do mês de janeiro desse ano calendário, retroagindo a opção para a data de início das atividades. § 5º O indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeterseá ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela IN SRF 391, de 30/01/2004) Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para admitir a inclusão da contribuinte no SIMPLES Federal a partir do anocalendário de 2005. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13005.900378/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. RESSARCIMENTO. SÁIDA DE PRODUTO NT. CRÉDIDO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS E COFINS
Há direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, mesmo que o produto exportado seja NT pelo IPI.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC A PARTIR DO PEDIDO.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3102-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luis Marcelo Guerra de Castro. O conselheiro Winderley Morais Pereira votou pelas conclusões.
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
EDITADO EM: 27/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Helder Kanamaru, Winderley Morais Pereira e Álvaro Almeida Filho.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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RESSARCIMENTO. SÁIDA DE PRODUTO NT. CRÉDIDO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS E COFINS Há direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, mesmo que o produto exportado seja NT pelo IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC A PARTIR DO PEDIDO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luis Marcelo Guerra de Castro. O conselheiro Winderley Morais Pereira votou pelas conclusões. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 27/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 03 78 /2 01 0- 97 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Helder Kanamaru, Winderley Morais Pereira e Álvaro Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1033.908 da 3ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Tratase de processo digital, contendo a manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 2 a 13, protocolizada em 2 de setembro de 2010, firmada pelos representantes legais do interessado, credenciados pelos documentos das fls. 15 a 18, contestando o Despacho Decisório eletrônico (DDE) da fl. 14, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS). A ciência do despacho referido ocorreu em 13 de agosto de 2010, conforme consta nas fls. 41 e 42. O DDE objeto da inconformidade não reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 08362.51049.201206.1.1.016032, em que foi solicitado, a título de ressarcimento do IPI, do terceiro trimestre de 2002, o valor de R$ 835.397,16, pela ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido em procedimento fiscal. Consta no Termo de Verificação Fiscal das fls. 36 a 40 que o interessado adquire tabaco em folhas, de produtores rurais pessoas físicas e de comerciantes atacadistas, para posterior beneficiamento, realizado por terceiros, sob encomenda, consistente em destala, corte, classificação, tratamento contra pragas e embalagem. Segue o autor do procedimento fiscal dizendo que o fumo, nessas condições, é classificado na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) na posição 2401, referente a “Fumo (tabaco), não manufaturado; desperdícios de fumo (tabaco)”, sendo que, no período analisado, esse produto figurava na referida tabela como nãotributado (NT). O Termo de Verificação Fiscal consigna que o crédito presumido do IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, é destinado a empresas que sejam produtoras e exportadoras, esclarecendo que, segundo o art. 8o do Decreto no 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998, e o art. 8o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o do mesmo diploma, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. O autor do procedimento fiscal concluiu, em nome da interpretação sistemática da legislação mencionada, que as empresas que fabricam produtos NT não são consideradas Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.900378/201097 Acórdão n.º 3102001.734 S3C1T2 Fl. 3 3 estabelecimentos industriais, razão pela qual o interessado não faz jus ao benefício pleiteado no PER/DCOMP de início referido, com a ressalva de que o valor apurado pelo estabelecimento não foi objeto de conferência, dado o motivo do indeferimento. Na manifestação de inconformidade, o interessado argumenta que a Lei no 9.363, de 1996, não estabelece que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais deva exportar produtos industrializados tributados para fazer jus ao crédito presumido do IPI, tanto que o referido diploma legal utiliza a expressão “exportadora e mercadoria”. Pelo motivo referido no item precedente, alega que o DDE e o Termo de Verificação Fiscal são manifestamente ilegais, porque não cabe ao interprete exigir mais do que a lei estabelece, sendo que a jurisprudência do antigo Segundo Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diverge da fundamentação do despacho hostilizado, conforme ementas de acórdãos que cita e transcreve. O interessado acrescenta que as aquisições de matéria prima de pessoas físicas, segundo a jurisprudência dos colegiados referidos no item anterior, também geram o crédito em comento. A propósito, diz que adquiriu fumo “in natura” de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas comerciais atacadistas, para industrialização por terceiros, sob encomenda, sendo relevante notar que a exportação de fumo “in natura” é vedada. A industrialização por encomenda não descaracteriza o estabelecimento requerente como industrial, segundo o art. 9o, IV, do RIPI de 2002, posição também amparada na jurisprudência administrativa. Pelas razões expostas, o manifestante requer a reforma do DDE, para reconhecimento do direito creditório, devidamente acrescido da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até a do efetivo ressarcimento. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela improcedência da manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A exportação de produto NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Por falta de previsão legal, é incabível o abono de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em recurso voluntário a contribuinte reitera as alegações apresentadas em sede de impugnação, alegando em síntese que: a) o art. 1º da Lei nº 9.363/96 concede aos contribuintes produtores e exportadores de mercadorias nacionais, a exemplo do Recorrente, crédito presumido de IPI, não fazendo qualquer referência ao fato de ditos produtos terem classificação diversa de não tributado. Corroborando este entendimento, cita jurisprudências, a exemplo do CARF; b) o fato da industrialização ter ocorrido via encomenda não retirar o status de industrializador por parte da Recorrente, conforme preceito normativo à época, a saber art.9º, Inciso IV, RIPI/2002, para tanto, elenca jurisprudências neste sentido; c) a Taxa SELIC deve incidir desde a data do objeto do pedido de restituição(protocolo) até a data da efetiva restituição, com vistas a manter o equilibro Fisco contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o ressarcimento de crédito de IPI com base na lei nº 9.363/1997, para ser restituído o PIS/PASEP e a COFINS, teve seu pedido negado, sob o argumento de que quando da exportação de produto “Não Tributado” não há direito a crédito presumido de IPI, para ser ressarcido o PIS e a Cofins. Sustenta ainda a decisão recorrida que seria aplicável ao caso a súmula CARF nº 20. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º1 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. 1 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.900378/201097 Acórdão n.º 3102001.734 S3C1T2 Fl. 4 5 Observando o art. 6 da lei nº 10.451/2002, mencionada no acórdão recorrido, afastase do campo de incidência do IPI os produtos a que corresponde a notação NT(não Tributado), portanto não há que se falar em fato gerador do IPI diante de produtos não tributáveis. Acontece, que o crédito outorgado pela Lei nº 9.363/96, é uma presunção, e essa norma não estabelece restrições ao crédito presumido, apenas aos contribuintes de IPI, permitindo assim que mesmo os exportadores de produtos NT definidos para fins de IPI, sejam ressarcidos da Contribuição para o PIS/PASES e da Cofins. Este Conselho, através da 1ª Câmara, 1º Turma Ordinária da 3ª Seção, já se posicionou sobre o tema no seguinte sentido: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. RESSARCIMENTO. SAÍDA DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). EXPORTAÇÃO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. O direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, restrito às pessoas jurídicas qualificadas, cumulativamente, como produtoras (lato sensu) e exportadoras, alcança, inclusive, produtores de mercadorias não tributadas pelo IPI (NT). Precedentes da CSRF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO EM DUAS INSTÂNCIAS. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superados, no órgão julgador ad quem, pressupostos que fundamentavam o julgamento de primeira instância. Recurso não conhecido nas demais razões de mérito, devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. 2 Quanto a súmula nº 203 do CARF, é oportuno destacar que não se trata de posicionamento contrário, pois a súmula dispõe especificamente sobre crédito de IPI, enquanto 2 Processo 13005.902374/200829 Acórdão nº 310101.124 3 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Paradigmas Acórdão nº 20215266, de 05/11/2003 Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 Acórdão nº 202 15455, de 17/02/2004 Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 o caso dos autos decorre de crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP, assim tal posicionamento não viola o Regimento em seu art. 45. Da utilização da Taxa Selic Quanto a este tema vale destacar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 1.035.847 submetido ao regime do art. 543C, representativo de controvérsia, reconheceu que o pedido de ressarcimento de crédito de IPI enseja a incidência de correção monetária, decisão essa que transitou em julgado em 10/03/2010. Assim, deve prevalecer o mesmo entendimento a caso em tela, aplicandose o disposto no art. 62A do regulamento do CARF, sendo, portanto devida a correção monetária dos créditos pretendidos que foram deferidos, atualizados a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o óbice à fruição do ressarcimento de crédito presumido de IPI em face da saída de produtos não tributados, devendo ser atualizado a partir do protocolo do pedido de ressarcimento, devolvendo os autos ao órgão julgador para apreciar os créditos pretendidos. Sala de sessões 30 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10880.915463/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram a presente resolução
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes, (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento de dados da Receita Federal do Brasil RFB, que emitiu em 23/10/2009 o Despacho Decisório (N° de Rastreamento) 849856974 (fl. 01), assinado pelo titular da unidade de jurisdição do contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte apresentou em 07/12/2009 Manifestação de Inconformidade, acompanhada de documentos. A DRJ de São Paulo negou o pedido da contribuinte consubstanciada a decisão na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 16/01/2007 Ementa: CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. A mera alegação da existencia do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do ddbito decorrente de compensação não homologada. DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ÔNUS DA PROVA. Compete ao interessado ônus da prova a respeito de suposto crédito perante a Fazenda Pública. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte elementos capazes de fomecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915463/200918 Resolução nº 3801000.448 S3TE01 Fl. 144 3 Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. DA OFENSA À VERDADE MATERIAL, AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E EFICIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É atribuição do julgador, antes de proferir decisão em processo administrativo fiscal, buscar a verdade material não se contentando apenas com os dados trazidos aos autos pelos sujeitos envolvidos na lide. Não há que se falar em ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência quando o ato administrativo encontra se revestido das formalidades legais, tendo sido emitido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada apresentou o presente recurso voluntário que se vale das seguintes alegações: Que o presente requerimento administrativo foi apresentado pela Requerente com o objetivo de ter compensado "valor pago a maior" a título de COFINS no mês 12/2006. Que, mesmo tendo a Requerente retificado a DCTF antes da apresentação do pedido de compensação eis que a DCTF retificadora foi apresentada em 28/07/2009 (doc. 02) e o PER/DCOMP em 17/08/2009, esta não teve homologado seu crédito. Que houve uma evidente distorção frente à situação contábil da Requerente, a qual está scndo compelida, por meio da presente decisão, a efetuar o recolhimento de tributo que, em verdade, foi regularmente compensado em créditos existentes em seu favor, tendo havido sua competente extinção, nos termos do artigo 156, II, do CTN, fato este que impõe ofensa ao Princípio da Verdade Material. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915463/200918 Resolução nº 3801000.448 S3TE01 Fl. 145 4 Que a manutenção da decisão recorrida não leva em conta a verdade material dos fatos, eis que se apega às formalidades para desconsiderar os dados reais da contabilidade da Requerente, culminando numa cobrança desconexa à sua realidade fática e contábil. Que o seu crédito está comprovado no Termo de Verificação Fiscal que anexa aos autos. À final, requer seja homologada a compensação. É o que importa relatar. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915463/200918 Resolução nº 3801000.448 S3TE01 Fl. 146 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Como se pode abstrair do relatório a Recorrente pretende compensar crédito decorrente de recolhimento a maior ou indevido de COFINS (Código de Receita 5856), que teria ocorrido em 07/01/2007, para quitação de débito próprio de IRRF (Códigos de Receita 0561) e para isso apresentou, como prova de seu direito dois documentos: o um DCTF retificadora de fls. 51 e um termo de verificação fiscal juntado com o Recurso Voluntário às fls. 111/124. Ambos os documentos estão juntados parcialmente, entretanto demonstram que existe diferença paga a maior. O que é certo é que, do mesmo modo que não existe meia grávida, não existe meia prova, ou se prova, ou não se prova. Não há no presente processo prova adequada quanto ao crédito da contribuinte , nem prova quanto à negativa da fazenda. A verificação fiscal é indício da existência do direito, entretanto em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem faça o levantamento dos valores dos créditos da contribuinte, com base na escrituração fiscal e contábil cientificandose a Recorrente do resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18471.000406/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 23/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000406/200524 Acórdão n.º 210201.381 S2C1T2 Fl. 110 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 89 a 98 da instância a quo, in verbis: Foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 25/34, em nome de JORGE DUARTE PIRES VALERIO, relativo ao exercício de 2003, anocalendário 2002, o qual resultou em crédito tributário no montante de R$33.420,83, sendo R$12.100,00 de imposto, R$9.075,00 de multa de oficio proporcional, R$8.440,38 de multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão e R$3.805,45 de juros de mora (calculados até 28/02/2005). 2 O referido lançamento teve origem na constatação das infrações "Rendimentos classificados indevidamente na D1RF" e "Falta de Recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão", conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 26/27 e Termo de Constatação Fiscal de fls. 23/24. 3 Inconformado(a) com a exigência, da qual tomou ciência em 31/03/2005 (fls. 25), o(a) interessado(a) apresentou impugnação em 28/04/2005 (fls. 36/49), alegando, em síntese e resumidamente, que: • é perito/assistente técnico de organismo internacional (PNUD) e assim, com base na legislação brasileira, bem como nos Tratados, Acordos e Convenções Internacionais, está isento do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do referido organismo; • os peritos de assistência técnica, contratados localmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), são beneficiários da imunidade conferida aos funcionários daquele organismo internacional; • tributar seus rendimentos seria o mesmo que tributar as receitas da ONU, que disponibiliza verbas para aplicação no desenvolvimento econômico e social da nação, havendo, assim, um desvio de finalidade para passar a integrar a base geral de arrecadação do governo Federal; • as normas de tributação do país, a exemplo dos arts. 22 e 25 do RIR199 e da IN SRF n° 208/2002 não podem se sobrepor às disposições do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, aplicadas em conjunto com a Convenção sobre Privilégios e Imunidades da Organização das Nações Unidas; • inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconhecem a imunidade/isenção dos rendimentos pagos pelo PNUD. 4 Por fim, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração, com a subseqüente inexigibilidade do crédito tributário lançado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000406/200524 Acórdão n.º 210201.381 S2C1T2 Fl. 111 3 infração referente a infração 001 Omissão de Rendimentos e reduzindo a infração 002 Multa Isolada de 75% para 50%, , resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 FUNCIONÁRIOS DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes da prestação de serviços junto ao PNUD/ONU são tributáveis, quando recebidos por nacionais contratados no país, por faltarlhes a condição de funcionários de organismos internacionais, pois nem todos fazem jus à isenção, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que gozam de privilégios semelhantes aos dos agentes diplomáticos para o bom desempenho de suas funções. MULTA ISOLADA. NOVO PERCENTUAL.REVISÃO DO LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em função do princípio da retroatividade benigna, impositiva se torna a revisão do lançamento correlato à multa isolada com vistas a adequálo ao novo disciplinamento legal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário parcial, de fls. 100 a 105, requerendo: I. O RECORRENTE desde já esclarece que o presente Recurso Voluntário é parcial, tão somente no que tange à imposição da multa isolada, com fundamento no art. 44, § único, inciso III, da Lei n. 9.430/96 (lançamento cód. 6352) e II. Em relação à cobrança do IRPF, juros e multa de oficio (lançamento cód. 2904), o RECORRENTE informa que procederá à adesão do parcelamento previsto na Lei n. 11.941/09, razão pela qual não tecerá mais considerações sobre o fato de os valores recebidos pela prestação de serviços vinculada a PNUD estarem ou não sujeitos à incidência do Imposto de Renda. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Conforme consta às fls. 100/101 o presente recurso restringese a Infração 002 – Multa Isolada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18471.000406/200524 Acórdão n.º 210201.381 S2C1T2 Fl. 112 4 Essa questão cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício é conhecida e já foi objeto de vários julgamentos neste órgão. Alinhome com pacífico entendimento dos julgados desse órgão e voto pelo seu cancelamento, pelo Princípio da Moralidade e para adequarme à jurisprudência desse órgão julgador, especialmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa.( Acórdão: CSRF/0105.078) CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelada a multa exigida isoladamente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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