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Numero do processo: 13510.000125/2010-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA. DIMOF. MATERIALIDADE. DESEQUILÍBRIO. ECONÔMICO-FINANCEIRO. AFASTAMENTO. PENALIDADE. EQUIDADE. NÃO CABIMENTO.
Tendo sido demonstrada a entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), cabível a multa prevista no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A alegação de desequilíbrio econômico-financeiro, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. O emprego da eqüidade não pode implicar a dispensa do pagamento de tributo devido (CTN, art. 108, § 2º).
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA. DIMOF. MATERIALIDADE. DESEQUILÍBRIO. ECONÔMICO-FINANCEIRO. AFASTAMENTO. PENALIDADE. EQUIDADE. NÃO CABIMENTO. Tendo sido demonstrada a entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), cabível a multa prevista no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A alegação de desequilíbrio econômico-financeiro, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. O emprego da eqüidade não pode implicar a dispensa do pagamento de tributo devido (CTN, art. 108, § 2º). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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DIMOF. MATERIALIDADE. DESEQUILÍBRIO. ECONÔMICO FINANCEIRO. AFASTAMENTO. PENALIDADE. EQUIDADE. NÃO CABIMENTO. Tendo sido demonstrada a entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), cabível a multa prevista no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A alegação de desequilíbrio econômicofinanceiro, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. O emprego da eqüidade não pode implicar a dispensa do pagamento de tributo devido (CTN, art. 108, § 2º). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 51 0. 00 01 25 /2 01 0- 10 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase, o presente feito, de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fl. 112): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, o atraso no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, decaindo seu direito, quando decorrer efeito favorável para o destinatário, no prazo de cinco anos, contados da data em que foram praticados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O acórdão recorrido foi proferido em substituição ao de n° 0945.630, que foi anulado, por ter aplicado equivocadamente a retroatividade benigna do art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, com fundamento no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A retificação, todavia, não foi objeto do recurso voluntário. O Recorrente limitase a afirmar que o não encaminhamento da Dimof foi decorrente de“[...] caso fortuito, uma vez que em outubro de 2008, em Assembléia Geral Extraordinária ficou decidido a desfiliação da Recorrente do sistema SICOOB e adesão a outro sistema de cooperativas denominado ASCOOB”. Tais alterações, por sua vez, “[...] repercutiram no sistema de controle de todos os atos da Recorrente. Assim, a entrega de DIMOF também ficou prejudicada ocorrendo de forma tardia”. Por fim, ressalta que a multa cominada provocará um desequilíbrio econômico financeiro, afetando seus associados, já que se trata de cooperativa de crédito. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13510.000125/201010 Acórdão n.º 3802003.897 S3TE02 Fl. 135 3 É o breve relato. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator A ciência do acórdão ocorreu em 21/11/2013 (fls. 125) e o protocolo do recurso, em 20/12/2013 (fls. 126). Tratase, portanto, de recurso tempestivo, que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. No presente caso, foi cominada a multa pela entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), relativa ao primeiro semestre de 2009, conforme art. 30 da Lei n° 10.637/2002: Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: [...] II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 1º O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. § 2º As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3º Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Do exame dos autos (fls. 07 e ss.), notase que a declaração foi remetida apenas em 31/03/2010, sete meses após o esgotamento do prazo final (31/08/2009). Assim, não há dúvidas da configuração da infração. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Não pode ser acolhida a alegação da ocorrência de“[...] caso fortuito, uma vez que em outubro de 2008, em Assembléia Geral Extraordinária ficou decidido a desfiliação da Recorrente do sistema SICOOB e adesão a outro sistema de cooperativas denominado ASCOOB”. Tais alterações, por sua vez, “[...] repercutiram no sistema de controle de todos os atos da Recorrente. Assim, a entrega de DIMOF também ficou prejudicada ocorrendo de forma tardia”. Isso porque tais eventos por não serem inevitáveis nem imprevisíveis não configuram caso fortuito. Por fim, quanto ao alegado desequilíbrio econômicofinanceiro, cumpre destacar que este, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. De acordo com o art. 113, § 3º, do Código Tributário Nacional, “ a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. Por outro lado, nos art. 108, § 2º, “o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido”. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722858/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
COMPENSAÇÕES E DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte comprovar os valores compensados e deduzidos em sua declaração de ajuste anual. Não se desvencilhando do seu ônus, devem ser mantidas as infrações de compensação indevida de imposto complementar, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de previdência privada, dedução indevida de despesas de instrução e compensação indevida de IRRF, todas por falta de comprovação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA.
Compete à Autoridade lançadora, em regra, provar as infrações de omissão de rendimentos. Se o Fisco comprova por intermédio de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF que o contribuinte omitiu rendimentos em sua declaração de ajuste anual, inverte-se o ônus da prova, cabendo ao contribuinte demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 COMPENSAÇÕES E DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte comprovar os valores compensados e deduzidos em sua declaração de ajuste anual. Não se desvencilhando do seu ônus, devem ser mantidas as infrações de compensação indevida de imposto complementar, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de previdência privada, dedução indevida de despesas de instrução e compensação indevida de IRRF, todas por falta de comprovação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. Compete à Autoridade lançadora, em regra, provar as infrações de omissão de rendimentos. Se o Fisco comprova por intermédio de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF que o contribuinte omitiu rendimentos em sua declaração de ajuste anual, inverte-se o ônus da prova, cabendo ao contribuinte demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
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ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte comprovar os valores compensados e deduzidos em sua declaração de ajuste anual. Não se desvencilhando do seu ônus, devem ser mantidas as infrações de compensação indevida de imposto complementar, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de previdência privada, dedução indevida de despesas de instrução e compensação indevida de IRRF, todas por falta de comprovação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. Compete à Autoridade lançadora, em regra, provar as infrações de omissão de rendimentos. Se o Fisco comprova por intermédio de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF que o contribuinte omitiu rendimentos em sua declaração de ajuste anual, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 28 58 /2 00 9- 32 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.722858/200932 Acórdão n.º 2801003.932 S2TE01 Fl. 66 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 33 deste processo digital), reproduzido a seguir: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 10/19, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2006, anocalendário de 2005, que exige R$ 74.038,87 de imposto suplementar, R$ 55.529,15 de multa de ofício de 75% e encargos legais. Consoante descrição dos fatos da Notificação de Lançamento às fls. 11/17, foram constatadas: (1) compensação indevida de imposto complementar (R$ 2.197,99); (2) dedução indevida de dependente (R$ 7.020,00); (3) dedução indevida de despesas médicas (R$ 3.036,86); (4) dedução indevida de previdência privada e Fapi (R$ 5.380,70); (5) dedução indevida de despesas de instrução (R$ 6.594,00), todas por falta de comprovação; (6) omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 282.216,49, tendo sido compensado o IRRF de R$ 8.466,54 e; (7) compensação indevida de IRRF do Ministério da Fazenda (R$ 1.175,88) e do INSS (R$ 412,38). Consta que o contribuinte não teria atendido a intimação. Cientificado em 21/07/2009 (fl. 22), o interessado apresentou, em 20/08/2009, a impugnação de fls. 25/27, onde após breve exposição dos fatos, contesta a totalidade das infrações apontadas, posto que não teria procedido a qualquer dedução indevida em sua declaração, sendo as despesas reais e efetivas, como também não teria havido omissão de receita – receitas eventualmente lançadas em seu CPF não declaradas importam em dizer que não lhe pertenciam, sendo tituladas por terceiros, que os receberam. Em face do prazo decorrido e do prazo exíguo para localização da documentação necessária, deixa de apresentála neste ato, postulando o prazo de trinta (30) dias para fazêlo e demonstrar a improcedência da notificação fiscal. Ademais, a autuação é baseada em conclusão ficta da autoridade fiscal, sem qualquer prova em contrário – o que seria cabível em face de quem extrai a notificação. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.722858/200932 Acórdão n.º 2801003.932 S2TE01 Fl. 67 3 Por fim, requer o acolhimento da impugnação; o deferimento do prazo de 30 dias para apresentar documentação complementar a justificar os termos da presente, e a improcedência da Notificação de Lançamento. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 32/36, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PRAZO DE IMPUGNAÇÃO ADICIONAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O prazo de impugnação é estabelecido pela norma legal, descabendo a concessão de período adicional para a prestação de esclarecimentos ou para a juntada de documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES INFORMADOS EM DIRF. São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, caso o contribuinte não consiga demonstrar que tal omissão não ocorreu. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/11/2011 (fl. 41), o Interessado interpôs, em 06/12/2011, o recurso de fls. 42/48. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Quanto à juntada de documentos O prazo para a juntada de documentos foi indeferido pelos julgadores da instância de piso, que não admitiram dilação ou concessão de período adicional. Assim decidindo, ferese a ampla defesa, o contraditório e o acesso à justiça, ambos da Constituição Federal de 1988. Quanto ao mérito Promoveu deduções legítimas da base de cálculo do imposto de renda na sua declaração de ajuste anual, o que, por si só, descaracteriza a falta de comprovação do efetivo desembolso, alegada pelo agente fiscal. Não procedeu a qualquer dedução indevida em sua declaração. As despesas havidas são reais e efetivas. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.722858/200932 Acórdão n.º 2801003.932 S2TE01 Fl. 68 4 Não houve omissão de receita. Receitas eventualmente lançadas em seu CPF não declaradas importam em dizer que não lhe pertenciam, sendo tituladas por terceiros, que as receberam. Portanto, os valores supostamente declarados estão corretos e foram pagos pelo Recorrente, não restando débitos para com a Receita Federal. Pretendia demonstrar documentalmente tudo o que alega. Porém, isso lhe foi negado. Pedido Ao final, requer que o presente recurso seja conhecido e provido para o fim de que lhe seja oportunizado prazo para juntada de documentos comprobatórios, bem como a reforma da decisão recorrida, julgado improcedente a notificação fiscal de lançamento. O julgamento foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem juntasse aos autos o Termo de Intimação que originou a presente Notificação de Lançamento e o comprovante de ciência do contribuinte. Após a providência mencionada, o contribuinte deveria ser intimado para apresentar novas alegações/documentos que entendesse necessários a defesa de seu direito. O Termo de Intimação e o comprovante de ciência do contribuinte foram acostados aos autos em fls. 55/56. Por intermédio do Comunicado de fl. 60 o Interessado tomou ciência da Resolução emitida por esta Turma de julgamento, bem como dos documentos juntados aos autos em decorrência dela. Também foi facultada ao Recorrente a apresentação de novas alegações/documentos que entendesse necessários à defesa de seu direito, no prazo de 30 dias contados do recebimento do comunicado. Nada obstante, o Interessado se quedou inerte. O processo tornou a este Conselho. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. No processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as infrações de omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Da leitura da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 11/17 deste processo digital, verificase que o motivo de parte do lançamento foi o não atendimento, pelo Recorrente, da intimação para comprovação dos valores compensados a título de imposto Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.722858/200932 Acórdão n.º 2801003.932 S2TE01 Fl. 69 5 complementar, dos valores deduzidos a título de dependentes, despesas médicas, de previdência privada e de instrução, bem como dos valores compensados a título de imposto de renda retido na fonte. O termo que intimou o contribuinte a comprovar os valores compensados e deduzidos, bem como o comprovante de ciência do contribuinte foram acostados aos autos em fls. 55/56, por força da diligência fiscal proposta por esta Turma de julgamento (Resolução às fls. 50/53). Observo, ainda, por oportuno, que o Interessado foi novamente intimado a apresentar alegações/documentos que entendesse necessários à defesa de seu direito, sem, contudo, se manifestar no prazo de 30 dias que lhe foi concedido. Nesse cenário, entendo que devem ser mantidas as infrações de compensação indevida de imposto complementar, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de previdência privada, dedução indevida de despesas de instrução e compensação indevida de IRRF, todas por falta de comprovação. A outra parte do lançamento referese à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, infração esta que foi constatada mediante o confronto do valor dos rendimentos tributáveis declarados com o valor dos rendimentos informados pela fonte pagadora por intermédio de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. As DIRF enviadas pela fonte pagadora foram adunadas aos autos em fls. 30/31. Nelas se verifica que os rendimentos que deram origem à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica são decorrentes de decisão da Justiça Federal e que os valores recebidos referemse as seguintes competências: Janeiro de 2005 R$ 3.938,44 Março de 2005 R$ 183.881,61 Abril de 2005 R$ 39.683,65 + R$ 1.344,50 Maio de 2005 R$ 14.467,79 Junho de 2005 R$ 36.864,71 Julho de 2005 R$ 668,01 Dezembro de 2005 R$ 1.367,78 Quando da conversão do julgamento em diligência (Resolução às fls. 50/53) este julgador assim se manifestou: As DIRF enviadas pela fonte pagadora foram acostadas aos autos em fls. 30/31, de modo que a Administração Tributária, nesta parte do lançamento, se desincumbiu de seu ônus, ficando a cargo do contribuinte demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco, nos exatos termos do art. 333, I e II, do Código de Processo Civil – CPC, assim descrito: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.722858/200932 Acórdão n.º 2801003.932 S2TE01 Fl. 70 6 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Embora intimado a comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco, o Recorrente preferiu se quedar inerte, inviabilizando, a meu ver, o cancelamento da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, ainda que o crédito tributário referente a esta parte do lançamento tenha sido apurado pelo regime de caixa, haja vista que, em face da não apresentação dos documentos pertinentes, não se pode afirmar, com precisão, que a totalidade da omissão referese a rendimentos recebidos acumuladamente. Em uma expressão: dormientibus non succurrit jus (o direito não socorrem aos que dormem ou o negligenciam em sua defesa), pena de convalidar a desídia do Recorrente. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10970.000915/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO.
Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2402-004.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício formal.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício formal. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 15 /2 01 0- 81 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0934.254 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 105112, com ciência ao sujeito passivo em 20/04/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.308.3157, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 10/12/2010, fl. 3. De acordo com o relatório fiscal de fl. 7376, o lançamento trata de exigência de contribuições devidas para a Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, de responsabilidade da empresa por substituição tributária, incidentes sobre pagamentos de diárias de viagens em valor excedente a cinquenta por cento da remuneração fixa mensal dos motoristas, no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Relata, a autoridade lançadora, que as bases de cálculo foram extraídas dos lançamentos contábeis, uma vez que o valor das diárias não foram incluídos em folhas de pagamento. Foi juntado demonstrativo dos fatos geradores contendo relação nominal dos motoristas beneficiados com o pagamento das diárias, o valor das diárias recebidas, a comparação com a remuneração mensal e o valor da contribuição do segurado deduzida a parcela já descontada da sua remuneração (Planilha 01), fl. 82112 do Processo nº 10970.000919/201060. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, falta de clareza quanto à distinção da aplicação dos percentuais de multa, quanto à apuração das diárias e quanto à fundamentação legal da aferição indireta adotada pelo fiscal mas por ele não reconhecida, e, no mérito, que são válidos os seus registros contábeis e as folhas de pagamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 DEBCAD 37.308.3157 PEDIDO DE NULIDADE. INDEFERIMENTO. Ausente a demonstração de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato, seja referente à sua forma ou a sua substância, não há que se proclamar a nulidade do Auto de Infração. CERCEAMENTO DE DEFESA Inexiste cerceamento de defesa quando os fatos geradores das contribuições e os dispositivos legais que amparam o lançamento encontramse discriminados no Relatório Fiscal e seus Anexos, possibilitando ao impugnante identificar, com Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000915/201081 Acórdão n.º 2402004.460 S2C4T2 Fl. 151 3 precisão, os valores apurados e. assim, permitindolhe o exercício do pleno direito de defesa. DILAÇÃO DE PRAZO DE DEFESA. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO . Por carência de fundamentação legal, devem ser indeferidos os pedidos de dilação de prazo para aditamento à impugnação e juntada de novos documentos aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS Compete à empresa a obrigação de arrecadar a contribuição do segurado empregado e contribuinte individual, a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em arbitramento de valores quando as bases de cálculo do lançamento foram obtidas diretamente dos documentos apresentados pela empresa, tais como escrituração contábil, documentos de caixa e folha de pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 24/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso, fl. 117129, repetido às f. 130143, apresentando suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa diante da falta de demonstração numérica do cálculo do valor das diárias e de fundamentação fática e jurídica quanto ao uso da técnica do arbitramento. Argumenta que o prazo de trinta dias é insuficiente para analisar os dados da “planilha 01”, de modo que solicita prorrogação do prazo para complementação da defesa e apresentação de provas, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Alega que a autoridade lançadora desconsiderou formais registros contábeis da recorrente, ainda que específicos ao lançamento, presumiu a ocorrência do fato gerador e arbitrou o crédito tributário adotando a metodologia de cálculo narrada no relatório fiscal. Acrescenta que não questiona a utilização do critério de presunção e arbitramento, mas discorda da ausência da descrição, no relatório fiscal, do uso do arbitramento, dos critérios adotados e do correspondente fundamento legal. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Justifica sua tese afirmando que constitui arbitramento considerar pagamentos realizados a título de contraprestação de despesas operacionais como se salários fossem, contrariando os registros contábeis e fiscais da empresa. Cita decisões administrativas reconhecendo a nulidade do lançamento por falta de fundamentação legal do arbitramento. No mérito, alega que o fato tributado se refere a reembolso de despesas de viagem e ajuda de custo concedida aos motoristas, de natureza jurídica indenizatória, conforme julgado do TST que colaciona. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000915/201081 Acórdão n.º 2402004.460 S2C4T2 Fl. 152 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de invalidade do lançamento. Demonstração da base de cálculo. A controvérsia se refere à insuficiente demonstração dos dados quantitativos que compõem a base de cálculo do lançamento. Os fatos tributários considerados no lançamento são os pagamentos de diárias apurados com base na contabilidade da empresa, nos lançamentos contábeis efetuados nas contas nº 3.1.01.01.0001, denominada “venda de mercadorias mercado interno”, com código reduzido “392”, e conta nº 4.1.02.01.0004, denominada “viagens na distribuição”, com código reduzido “326”. Os pagamentos a título de diárias foram extraídos dos lançamentos contábeis efetuados na conta 326, e nessa conta, em regra, o histórico do lançamento vincula a diária ao número da carga. A fiscalização desconsiderou, para fins de apuração do valor de diárias, os lançamentos registrados nessa conta contábil referentes a acertos pendentes, prestação de contas, estornos de lançamentos e, ainda, as viagens sem número de carga. A diária é devida na data da viagem ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada, momento da ocorrência do fato gerador. Como a data do lançamento contábil nem sempre coincide com a data da viagem, a fiscalização, com base no número da carga, identificou, na conta 392, a data da viagem que gerou o pagamento da diária. A “planilha 1”, acostada aos autos, consigna o resultado obtido desse processo analítico, qual seja, o valor total devido a título de diárias aos motoristas no período do lançamento. Vêse que, para chegar ao valor das diárias devidas aos motoristas na competência da viagem adotouse um método que envolveu a análise qualitativa e quantitativa de diversos lançamentos contábeis, sendo que somente o resultado deste processo foi demonstrado. Com efeito, a “planilha 1” apresenta valores agrupados, não há demonstração analítica do resultado anunciado, dos valores individuais que compuseram o total das diárias, os lançamentos contábeis originários não estão identificados e não ficou demonstrada a relação entre a data do registro contábil e a competência do lançamento tributário. Entretanto, ao contrário do alegado, esse defeito não atinge o fato gerador do lançamento porque não é suficiente para infirmar quaisquer dos elementos da regra matriz de incidência ou da relação tributária. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Conforme ficou consignado no processo nº 10.970.000919/201060 (mesmo fato gerador, mas relativo à parte patronal), os documentos juntados àquele processo (recibos de pagamentos e fechamentos de viagens) confirmam o fundamento jurídico do lançamento, pois demonstram que as diárias não estão sujeitas à prestação de contas, não possuindo, portanto, caráter ressarcitório. De todo o exposto é possível afirmar que o vício apontado alcança somente o documento de formalização do crédito tributário (auto de infração). Tratase, portanto, de vício formal, conforme explica Paulsen1: Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. A formalização insuficiente dificulta a análise do processo a ponto de inviabilizar o contraditório, cerceando o direito de defesa do sujeito passivo. Constatado o prejuízo, cabe reconhecer a nulidade do ato viciado, conforme preconiza o art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Por incompatibilidade, deixo de apreciar o mérito. Por fim, é recomendável a realização de lançamento substitutivo. Conclusão Com base no exposto, voto por anular o lançamento por vício formal. Luciana de Souza Espíndola Reis 1 Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11065.922112/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
O tributo objeto de compensação não homologada é exigido com os respectivos acréscimos legais.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-001.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 10/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente),Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Consideramse precluídas, delas não se tomando conhecimento, as matérias não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente em sede de recurso voluntário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo objeto de compensação não homologada é exigido com os respectivos acréscimos legais. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 10/01/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 92 21 12 /2 00 9- 21 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922112/200921 Acórdão n.º 3101001.591 S3C1T1 Fl. 270 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente),Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: "O contribuinte acima identificado transmitiu, em 18/03/2008, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI (PER/DCOMP nº 21933.82620.80308.1.1.019833), referente ao quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 91.801,29. Vinculada a esse crédito, transmitiu a declaração de compensação – DCOMP nº 31620.77434.100408.1.3.017736, por meio da qual pretendeu a extinção dos débitos de CSLL (2372), IRPJ (2089), COFINS (2172) e PIS/PASEP (8109), totalizando os débitos o montante de R$ 134.816,53. A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada por processamento eletrônico, estando os resultados consolidados nos demonstrativos de fls. 190/193. O saldo credor passível de ressarcimento apurado pelo processamento foi inferior ao valor pleiteado, em virtude de glosa de créditos indevidos pelos motivos 1 – crédito de IPI não admitido para o CFOP registrado, e 7 – empresa emitente da nota fiscal optante do SIMPLES. É o que consta da fundamentação do Despacho Decisório de fl. 02. Em decorrência das constatações acima foi reconhecido à empresa o direito creditório no montante de R$ 91.303,91. Esse valor foi utilizado para homologar parcialmente a compensação dos débitos informados na DCOMP nº 31620.77434.100408.1.3.017736 (fls. 14/20). Efetuados os procedimentos de compensação, restou a cobrança do débito discriminado no quadro 3 do Despacho Decisório. Desse Despacho Decisório o contribuinte inconformado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 03/04, alegando, em resumo, que apresentou dois pedidos de Ressarcimento relativos a saldos credores de IPI apurados no 4º trimestre de 2007 e no 1º trimestre de 2008, totalizando o crédito de R$ 210.173,64. Que apresentou para tais créditos o pedido de compensação nº 31620.77434.100408.1.3.017736, no valor de R$ 134.816,53. Diz que para o pedido de compensação somente foi considerado o crédito relativo ao quarto trimestre de 2007. Ao final, requer que sejam considerados os créditos relativos a todas as PER/DCOMPs relacionadas e a homologação da compensação declarada na sua totalidade. Consta nas fls. 197/198, pedido de compensação de ofício dos débitos com os créditos reconhecidos em PER/DCOMP que relaciona. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922112/200921 Acórdão n.º 3101001.591 S3C1T1 Fl. 271 3 Em atendimento à solicitação do interessado, o Seort efetuou as compensações solicitadas, no limite dos créditos reconhecidos, conforme informação de fls. 205. O interessado em 05/03/2010 apresenta petição denominada “complementação à impugnação administrativa”, fls. 206/213, na qual apresenta suas razões “para ver desconstituída a decisão que não reconheceu o pedido de compensação dos créditos solicitados”, alega preliminarmente a “irregularidade decorrente de suposto débito”, dizendo que solicitou o pedido de compensação dos débitos existentes, face a existência de créditos suficientes para liquidálos; no mérito, alega tratarse de mero equívoco no preenchimento da PER/DCOMP, requer a anulação do lançamento tributário, por erro material; exclusão dos lançamentos e multas decorrentes da não compensação dos débitos existentes pelos créditos existentes; acolhimento das informações repassadas na PER/DCOMP com suas correções efetivas em consonância com os documentos fiscais e contábeis da empresa, homologandose as compensações apresentadas e, por conseqüência, a extinção/liquidação do crédito tributário. " A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão 10.36.205, de 15 de dezembro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 GLOSAS DE CRÉDITOS CONSIDERADOS INDEVIDOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Tornamse definitivas na esfera administrativa as glosas de crédito que não tenham sido expressamente contestadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Os débitos relacionados na Declaração de Compensação devem ter valor igual ou inferior ao crédito nela informado, considerandose os valores originais dos débitos adicionados de seus acréscimos moratórios (juros de mora e multa), quando for o caso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PETIÇÃO INTEMPESTIVA Não se conhece de petição do interessado apresentada após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922112/200921 Acórdão n.º 3101001.591 S3C1T1 Fl. 272 4 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, em síntese: a) que foi ilegal a aplicação de multa e juros de mora sobre os débitos compensados, tendo em vista que apresentou o pedido de compensação antes do vencimento dos tributos a compensar, utilizando créditos apurados antes do vencimento dos débitos; b) que não acatar o direito aos créditos de insumos adquiridos de empresas optantes do SIMPLES fere o princípio da nãocumulatividade do IPI; c) que eventual erro de preenchimento da DCOMP não pode prevalecer ante o conteúdo real da situação; d) que o contribuinte não pode ser prejudicado em decorrência da situação irregular de seus fornecedores; e) que "deve ser assegurado ao recorrente o direito à regra mais benigna, por ser este princípio geral de direito tributário"; f) que não se pode exigir tributo "por simples verossimilhança. mera probabilidade ou verdade material aproximada". A recorrente finaliza sua defesa solicitando: "Assim, demonstrada a ausência de suporte fático, e a necessidade de oportunizar ao contribuinte a possibilidade de promover as necessárias demonstrações, a Recorrente requer a V. Sas. que acolhendo as razões de recurso aqui expendidas, lhe conceda: 1. Que acolha a preliminar suscitada, dando pela anulação do lançamento tributário efetuado, por erro material, sendo que mero equívoco no preenchimento da PER/DCOMP não é suficiente para ensejar a extinção do direito ao crédito e consequente cobrança com aplicação de multa. 2. No mérito lhe conceda a exclusão dos lançamentos e multas decorrentes da não compensação dos débitos pelos créditos existentes, descritos acima e no referido auto de infração, por todas, as razões acima expostas, bem como aquelas que serão supridas pelo douto conhecimento desse Julgador. 2.1 Reconheça o direito de crédito decorrente do Simples é das empresas com situação cancelada no cadastro CNPJ, bem como aqueles decorrentes de equívoco no preenchimento do pedido. 3 Que determine a nulidade do ato de lançamento, desconstituindoo, e sendo nulo o principal, nulo os demais consectários impostos, na forma da legislação vigente. 4 Julgue procedente o presente Recurso, acolha as informações repassadas na PER/DCOMP com suas correções, efetivadas em consonância com os documentos fiscais e contábeis da empresa, dando pela confirmação do direito à totalidade do crédito existente ao contribuinte, com a correta compensação efetuada e exclusão dos lançamentos,, homologandose as compensações Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922112/200921 Acórdão n.º 3101001.591 S3C1T1 Fl. 273 5 apresentadas e por consequência, a extinção/liquidação do credito tributário. 5 Que ao final, julgue procedente o presente Recurso, sob pena de duplicidade de cobrança, contando para tanto, sempre com os doutos conhecimentos deste eminente julgador, para suprir as razões aqui despendidas, excluindo todos os lançamentos e consectários, anulandose o auto de lançamento no que couber e retificando na parte que lhe seja de direito." É o relatório. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 268, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.591, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A questão discutida nestes autos é idêntica à tratada em outros processos da contribuinte. Um dos processos foi julgado pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Transcrevese, a seguir, excertos do voto proferido no Acórdão 3403 002.275, de 25 de junho de 2013 (processo 11065.922105/200920) , do i. Conselheiro Alexandre Kern, cujos fundamentos são adotados na solução do presente litígio: "Compulsando a Manifestação de Inconformidade, (...), constato que o interessado controverteu apenas a homologação parcial de compensações objeto do presente processo, sem se preocupar em contestar expressamente as glosas procedidas que, por essa razão, quedaram definitivas na esfera administrativa. Via de consequência, não se conhecerá do recurso voluntário na parte em que buscou controverter o direito ao crédito de IPI nas 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922112/200921 Acórdão n.º 3101001.591 S3C1T1 Fl. 274 6 aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo SIMPLES e com situação cadastral cancelado no CNPJ. Tratase de matéria preclusa. Quanto à homologação apenas parcial das compensações declaradas e à insistência recursal na suficiência dos créditos, devese considerar a glosa procedida, no valor de (...). Ademais, embora tenha formulado mais de um pedido de ressarcimento, o contribuinte vinculou os débitos a compensar a apenas um deles. Essas circunstâncias acabaram por fazer com que o montante dos débitos confessados fosse inferior (superior) ao dos créditos. Nada há a reparar no procedimento administrativo, nem na decisão recorrida. A obscura peça recursal refere a ocorrência de erro nas informações consignadas no PER/DComp. Todavia, não o especifica, muito menos comprova inexiste, nos autos, qualquer prova documental ou escritural dos créditos. O deferimento parcial do ressarcimento e a parcial homologação dos débitos apoiaramse, exclusivamente, nas declarações do próprio contribuinte). Tampouco se cogita, no presente processo, de lançamento fiscal, razão pela qual é impertinente o pedido de decretação de nulidade. Confessados, os débitos cuja compensação não foi homologada emergiram inadimplidos. Incide, no caso, a regra do art. 45 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, atualmente vigente: Art.45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A propósito, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim dispõe a respeito dos acréscimos moratórios: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.922112/200921 Acórdão n.º 3101001.591 S3C1T1 Fl. 275 7 Tratandose de norma tributária regularmente inserida no ordenamento jurídico, não há como negar sua vigência." No caso presente, da mesma forma que no voto transcrito, não houve contestação expressa, na Manifestação de Inconformidade, contra as glosas efetuadas pelo processamento eletrônico, que totalizaram R$497,38, do que resulta que tais glosas tornaramse definitivas na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235 (PAF), in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Em consequência, não se conhece do recurso voluntário na parte em que contestou o direito ao crédito básico do IPI nas aquisições de insumos perante fornecedores optantes do SIMPLES. Tratase, portanto, de matéria preclusa. Quanto à glosa de créditos nas aquisições escrituradas em CFOP que não gera direito a crédito, não houve contestação da contribuinte no recurso voluntário. Por último, esclareçase que a causa da nãohomologação de parte dos débitos confessados na DCOMP tratada nestes autos decorreu do fato de a contribuinte ter informado débitos cujos valores originais superaram ao montante do crédito informado no Pedido de Ressarcimento, ao qual a contribuinte vinculou a DCOMP. É o que atesta o demonstrativo de Detalhamento da Compensação, que integra o Despacho Decisório. Assim, constatase que o voto transcrito adequase perfeitamente à solução do presente litígio Nestes termos, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário apresentado. E são estas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 16327.001486/2001-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Eventual irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo de execução estipulado em Mandado de Procedimento Fiscal, não enseja nulidade do Auto de Infração, uma vez que não envolve lesão ao direito de ampla defesa, não constitui vício essencial no conteúdo material do lançamento. Ademais, a autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz.
OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS E NÃO OPERACIONAIS. REVERSÃO DE DESPESAS. ALIENAÇÃO DE BENS DO IMOBILIZADO.
Despesas operacionais provisionadas em excesso devem ser revertidas para serem submetidas à tributação como receitas operacionais, uma vez que quando de sua provisão gerou-se redução do resultado tributável. Sendo indedutíveis, cabe ao contribuinte fazer prova de sua adição ao LALUR. Ganhos de capital auferidos com alienação de bem de imobilizado constituem receitas não operacionais, devendo integrar o resultado tributável da pessoa jurídica.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. ÔNUS DA PROVA.
Restituições de adiantamento e pagamentos de juros sobre principal não devido não possuem natureza de despesa operacional, e, assim, não podem reduzir o resultado tributável, mormente quando tais operações não se compatibilizam com cláusulas do contrato no âmbito do qual tais operações são realizadas. Os registros contábeis de despesas que impactem o resultado devem estar lastreados em documentos hábeis a comprovarem a efetividade dos fatos que lhes deram causa, o que, não ocorrendo, enseja a sua glosa por parte da autoridade fiscal.
EXCLUSÕES INDEVIDAS DO LALUR. CRITÉRIOS LEGAIS. OBEDIÊNCIA AS NORMAS VIGENTES.
O contribuinte somente pode levar a efeito exclusões do LALUR, se anteriormente efetuou adições correspondentes ou quando se refiram a receitas cuja exclusão é prevista nas normas fiscais.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 1101-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, na sessão de dezembro/2012: 1) por unanimidade de votos, foi REJEITADA a preliminar de nulidade do lançamento; 2) relativamente à omissão de receitas operacionais (item 2 do voto), por unanimidade de votos foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente à omissão de receitas não operacionais (item 3 do voto), o julgamento foi interrompido, em razão da concessão de VISTAS ao Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Prosseguindo no julgamento nesta sessão: 3) relativamente à omissão de receitas não operacionais (item 3 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à despesa não comprovada vinculada a recompra de títulos vencidos (item 4.1 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 5) relativamente às despesas não comprovadas de serviços prestados (item 4.2 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 6) relativamente às despesas glosadas por inexistência de documentação comprobatória (item 4.3 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 7) relativamente às exclusões não comprovadas (item 5 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente às decorrências, por unanimidade de votos foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir as parcelas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a exoneração do IRPJ
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente designado para formalização de acórdão.
JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator.
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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POR INC. DO BANCO SANTANDER CENTRAL HISPANO S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo de execução estipulado em Mandado de Procedimento Fiscal, não enseja nulidade do Auto de Infração, uma vez que não envolve lesão ao direito de ampla defesa, não constitui vício essencial no conteúdo material do lançamento. Ademais, a autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS E NÃO OPERACIONAIS. REVERSÃO DE DESPESAS. ALIENAÇÃO DE BENS DO IMOBILIZADO. Despesas operacionais provisionadas em excesso devem ser revertidas para serem submetidas à tributação como receitas operacionais, uma vez que quando de sua provisão gerouse redução do resultado tributável. Sendo indedutíveis, cabe ao contribuinte fazer prova de sua adição ao LALUR. Ganhos de capital auferidos com alienação de bem de imobilizado constituem receitas não operacionais, devendo integrar o resultado tributável da pessoa jurídica. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 86 /2 00 1- 40 Fl. 945DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 3 2 Restituições de adiantamento e pagamentos de juros sobre principal não devido não possuem natureza de despesa operacional, e, assim, não podem reduzir o resultado tributável, mormente quando tais operações não se compatibilizam com cláusulas do contrato no âmbito do qual tais operações são realizadas. Os registros contábeis de despesas que impactem o resultado devem estar lastreados em documentos hábeis a comprovarem a efetividade dos fatos que lhes deram causa, o que, não ocorrendo, enseja a sua glosa por parte da autoridade fiscal. EXCLUSÕES INDEVIDAS DO LALUR. CRITÉRIOS LEGAIS. OBEDIÊNCIA AS NORMAS VIGENTES. O contribuinte somente pode levar a efeito exclusões do LALUR, se anteriormente efetuou adições correspondentes ou quando se refiram a receitas cuja exclusão é prevista nas normas fiscais. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, na sessão de dezembro/2012: 1) por unanimidade de votos, foi REJEITADA a preliminar de nulidade do lançamento; 2) relativamente à omissão de receitas operacionais (item 2 do voto), por unanimidade de votos foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente à omissão de receitas não operacionais (item 3 do voto), o julgamento foi interrompido, em razão da concessão de VISTAS ao Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Prosseguindo no julgamento nesta sessão: 3) relativamente à omissão de receitas não operacionais (item 3 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à despesa não comprovada vinculada a recompra de títulos vencidos (item 4.1 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 5) relativamente às despesas não comprovadas de serviços prestados (item 4.2 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO Fl. 946DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 4 3 PROVIMENTO ao recurso voluntário; 6) relativamente às despesas glosadas por inexistência de documentação comprobatória (item 4.3 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 7) relativamente às exclusões não comprovadas (item 5 do voto), por unanimidade de votos foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente às decorrências, por unanimidade de votos foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir as parcelas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a exoneração do IRPJ VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente designado para formalização de acórdão. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator. JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram desse julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório SANTANDER BRASIL INVESTIMENTOS E SERVIÇOS S/A (SUC. POR INC. DO BANCO SANTANDER CENTRAL HISPANO S/A), contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 45.686.953/000193, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo – Estado de São Paulo, à Rua Amador Bueno, nº 474 Bairro Santo Amaro, jurisdicionado a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 531/558, prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I, recorre, da decisão que julgou parcialmente procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infrações de IRPJ, PIS e CSLL, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 570/625. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo SP, em 24/07/2001, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ; Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 02/22 e fls. 219/230), com ciência por AR, em 13/08/2001 (fls. 286), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.221.531,87 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao período relativo aos exercícios de 1997 a 2000, correspondente aos anoscalendário de 1996 a 1999, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE RECEITAS: Valores apurados conforme regularizações de lançamentos contábeis, relativos às recuperações de créditos mediante as dações de bens em pagamento, com as reversões dos remanescentes dos valores das provisões para Crédito de Liquidação Duvidosa, conforme demonstrado no Termo de Constatação anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 225, 226, e 227, do RIR/94. 2 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS: Valores apurados conforme demonstrado no Termo de Constatação no. 2000/306/02 anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração, relativos às glosas de despesas não comprovadas por documentação hábil e idônea, que são adicionadas aos resultados dos exercícios correspondentes. Infração capitulada nos arts. 249, inciso II, 251, 261, 279, 286, 288 e 289, do RIR/99; art.. 24 da Lei nº 9.249, de 1995 e arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300, e 304, do RIR/99. 3 – OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS: Omissão de receita não operacional caracterizada pela contabilização irregular de bem não de uso próprio, tendo como consequência o cálculo irregular do lucro apurado na operação de venda realizada em abr/98, conforme demonstrado no Termo de Constatação no. 2000/306/02 anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 195, incisos I e II, 197 e parágrafo único, e 369, do RIR/94; e art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 6 5 4 – DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA ALIENAÇÃO DE BEM POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO PESSOA FÍSICA LIGADA: Prejuízo apurado indevidamente, conforme registrado na linha 49, ficha 07B, 2º trimestre da DIRPJ/2000, relativo a diferença entre o valor de contábil e o de alienação, correspondente à distribuição disfarçada de lucros decorrente de alienação à pessoa física ligada, por valor notoriamente inferior ao de mercado, conforme demonstrado no Termo de Constatação no. 2000/3 06/02 anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 249, inciso II, 464, inciso I, 465, 467, inciso I, do RIR/99. 5 – EXCLUSÕES / COMPENSAÇÕES EXCLUSÕES INDEVIDAS: Valores apurados conforme demonstrado no Termo de Constatação no. 2000/306/02 anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração, relativos aos Anos Calendário de 1996, 1997, 1998 e 1999, por trataremse de exclusões indevidas, que ora são adicionadas ao cálculo do lucro real. Infração capitulada nos arts. 193, 196, inciso I, e 197, parágrafo único, do RIR/94; arts. 247, 250, inciso I, 251, parágrafo único, do RIR/99. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do Termo de Constatação Fiscal (fls. 23/30), cuja síntese é a seguinte: I. OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS que o autuado teria efetuado lançamentos contábeis irregulares, de R$ 129.001,85 e R$ 35.820,88, respectivamente em 29/03/96 e 24/06//96, concernentes à recuperação de créditos da Conta Operações de Crédito em Liquidação: deixou de efetuar as devidas reversões para receita das provisões para créditos de liquidação duvidosa relativas aos créditos recuperados pelo recebimento de imóveis dados em pagamento. II. DESPESA NÃO COMPROVADA a) Recompra de Títulos Vencidos que teria contabilizado irregularmente no Livro Diário, em 31/03/99, como despesas, os valores de R$ 3.500.000,00, decorrentes de recompra de títulos vencidos, anteriormente cedidos pelo mesmo valor, e de R$ 2.288.689,17, a título de juros sobre esse montante; o Contrato que daria respaldo à operação de cessão e recompra, entre o autuado, cedente, e o UNIBANCO S/A, cessionário, previa apenas o pagamento de eventual diferença, corrigida pela taxa CDICETIP, entre o valor de cessão da carteira de títulos vencidos, transferida pelo autuado ao cessionário, e o valor eventualmente recuperado por este; que com respeito aos valores recuperados, o cessionário contabilizou o recebimento dos títulos devidos pela PARMA PARTICIPAÇÕES LTDA., no montante de R$ 889.200,00, e pela CBPR PATRIMONIAL S/A, no valor de R$ 700.000,00, montantes esses que, consoante o contrato, integrariam o primeiro “tranche” de R$ 5.000.000,00, de recuperações efetivas, do qual 70% caberiam ao cedente e 30% ao cessionário; assim, como mencionado acima, o cedente deveria apenas restituir a diferença entre o valor principal e o valor recebido, corrigida pela variação do CDI; que a despesa glosada, no montante de R$ 4.239.443,01, incluiu tanto o saldo do principal a restituir, por não constituir despesa, no montante de R$ 1.910.800,00, como o montante pago, em excesso, sem respaldo no contrato, de R$ 2.328.643,01; o valor Fl. 949DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 7 6 correto das despesas dedutíveis seria R$ 1.548.963,94, correspondentes apenas aos juros incidentes sobre a referida parcela de principal a restituir, de R$ 1.910.000,00; o valor da carteira de títulos vencidos alienada, em 31/07/96, teria sido deduzido integralmente como despesa de provisão para perdas, quando de sua cessão ao UNIBANCO. b) Serviços não prestados que o autuado teria efetuado lançamento irregular de despesas com assessoria de advogados, no valor de R$ 555.013,94, em 31/12/96, em contrapartida à baixa de operações de crédito com escritório de advogados registradas em conta de provisão; este procedimento teria por fim diminuir os lucros apurados em 96, consoante consignado em documento interno da instituição financeira, sem, contudo, haver comprovação da realização desses serviços advocatícios aos quais as despesas se refeririam; que, além disso, em 11/12/96, teriam sido lançados como despesas de serviços mais R$ 130.000,00, valor para o qual inexistiria recibo, sendo que o beneficiário desse valor não teria reconhecido o respectivo recebimento, o que teria, então, ensejado a sua glosa. c) Inexistência de Documentação Comprobatória Anoscalendário de 1996 e 1999 que o autuado teria efetuado lançamentos, em 30/12/96, a débito da conta outras despesas operacionais, no montante de R$ 1.169.589,97, contra a baixa da conta outros créditos – impostos a compensar, sem a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores ali registrados; que o autuado teria lançado a débito da conta despesas com tributos, em 02/99, o valor de R$ 200.599,04, cujos comprovantes inexistiriam, conforme sua própria declaração, contra a conta outros créditos – impostos a compensar. III. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL que o autuado teria deixado de registrar, em 30/06/98, receitas derivadas de ganhos de capital, no montante de R$ 288.000,00, que corresponderiam à diferença entre o lucro de R$ 438.000,00, na alienação, por R$ 950.000,00, de Imóvel Não de Uso Próprio, adquirido por R$ 512.000,00 , e o ganho de capital contabilizado, de R$ 150.000,00, observandose, ainda, que a aquisição do imóvel teria tido como contrapartida a baixa do valor integral da dívida da empresa CRESPO INDÚSTRIA DE FERRAMENTAS LTDA., sem a devida reversão da Provisão de Créditos de Liquidação Duvidosa. IV. ALIENAÇÃO DE BEM POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO que o autuado teria contabilizado indevidamente o prejuízo de R$ 104.000,00, relativo à diferença entre o valor contábil e o de alienação, a preço notoriamente inferior ao de mercado, de Imóvel Não de Uso Próprio, recebido em dação de pagamento da dívida de IVONE SCARPELINI; a venda terseia efetuada pelo valor de R$ 56.000,00, notoriamente inferior ao de mercado, considerandose que em 1996 teria recebido o imóvel em dação de pagamento pelo valor de R$ 400.000,00; considerados os valores aceitos em hipoteca Fl. 950DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 8 7 e pela dação em pagamento, seria razoável que a venda fosse efetuada pelo valor de aquisição, sem ganho de capital, porém sem o prejuízo provocado pela venda a valor notoriamente inferior ao de mercado. V. EXCLUSÕES INDEVIDAS Anocalendário de 1996 que o autuado teria contabilizado despesas com pessoal, nos valores de R$ 61.453,22 e R$ 23.428,42, cuja natureza seria de gratificação liberal, e, portanto, indedutíveis na apuração do lucro real. Anocalendário de 1997 que o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, pela exclusão no LALUR de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 11.155,71, 25.505,12 e 26.380,50, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar. Anocalendário de 1998 que o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, pela exclusão no LALUR de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 79.939,53, R$ 89.216,37, R$ 98.104,48 e R$ 90.939,78, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar; que o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, pela exclusão no LALUR do valor de R$ 1.159.638,80 relativa à baixa de provisão constituída indevidamente, em 30/12/97, para a adequação ao valor de mercado de Imóvel Não de Uso Próprio, alienado em 04/98, por tratarse de bem não sujeito à depreciação e não contar com respaldo de laudo técnico; que o autuado teria deixado de adicionar ao lucro real, valores relativos a indenizações trabalhistas, no montante de R$ 157.058,87, provisionados na conta contingências trabalhistas, a débito de despesas com pessoal. Anocalendário de 1999 que o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, pela exclusão no LALUR de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 40.325,46, R$ 96.597,25, R$ 64.165,12, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar; que o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, pela exclusão no LALUR do valor de R$ 240.000,00 relativa à baixa de provisão constituída indevidamente, em 30/12/97, para a adequação ao valor de mercado de Imóvel Não de Uso Próprio, alienado em 07/99, por tratarse de bem não sujeito à depreciação e não contar com respaldo de laudo técnico. Em sua peça impugnatória de fls. 289/328, instruída pelos documentos de fls. 329/530, apresentada, tempestivamente, em 12/09/2001, o autuado se indispõe contra a Fl. 951DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 9 8 exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infrações, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, em PRELIMINAR, os Mandados de Procedimento Fiscal deveriam ser anulados por conta de não terem sido observadas as determinações contidas na Portaria 1.265/99; a ciência tardia dada ao contribuinte feriria o princípio da publicidade que rege os atos administrativos: o autuado teria sido cientificado do MPFF 0816600.2000.003062 (fls. 231), de 13/11/2000, em 30/11/2000, do MPFC 0816600.2000.0030621 (fls. 247), lavrado em 13/03/01, em 26/03/2001, e do MPFC 0816600.2000.0030622 (fls. 274), de 06/07/2001, via encaminhamento pelos correios, em 12/07/2001; a ciência do Auto de Infração terseia dado em 13/08/2001, após encerrado o prazo de validade do MPFC, fato que se teria dado em 05/08/2001; teria sido dada continuidade ao trabalho fiscalizatório sem que dele fosse dada imediata ciência ao contribuinte, o que seria vedado pelo artigo 2º, da citada Portaria; o Auto de Infração, portanto, seria nulo, em decorrência de ter tido origem em procedimento viciado; I. OMISSÃO DE RECEITAS que não se teria gerado receita tributável em nenhuma das operações em que a impugnante teria recebido como pagamento de dívida, imóveis da SRA. IVONE SCARPELLINI e da empresa IMPORTADOR PEÇAS E EQUIPAMENTOS LTDA., em relação às quais a autoridade fiscal alega não ter sido reconhecida a receita derivada da respectiva provisão para créditos de liquidação duvidosa; que a forma correta de contabilização dessas operações, a saber, Débito Rendas a Apropriar e CréditoOperações de Crédito em Liquidação, DébitoBens de Uso Não Próprio e CréditoOperações de Crédito em Liquidação, e DébitoProvisão para Créditos de Liquidação Duvidosa e CréditoOperações de Crédito em Liquidação, evidenciaria que o recebimento é registrado apenas em conta de ativo, e não gera receita ou despesa; que mesmo que o impugnante tivesse levado a efeito a reversão da provisão, tal reversão não poderia ser considerada receita, vez que a despesa com provisão que lhe deu origem foi considerada indedutível, tendo sido anteriormente adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, como resultado da lavratura do Auto de Infração, de 24/03/97 (fls. 439 a 455); que não se pode afirmar que a impugnante estaria deixando de oferecer os referidos valores à tributação, pelo fato de que no passado já teriam sido tributados pelo IRPJ e pela CSLL; que essas operações não se enquadrariam em nenhuma das hipóteses de Omissão de Receitas elencadas no artigo 281, do RIR/99; que para efeito de apuração do PIS, também não haveria de se falar em omissão de receitas, quando não teria havido geração de receitas; II. DEDUÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS NÃOCOMPROVADOS a) Recompra de Títulos Vencidos que o impugnante teria recebido pela cessão da carteira vencida adiantamento de R$ 3.500.000,00, corrigido pelas taxas do CDI, valor esse entendido como Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 10 9 produto de venda e, assim, ao invés de ter sido registrado no passivo, como “obrigação para com terceiros”, teria sido lançado como receita, sendo oferecido à tributação para fins de IRPJ e de CSLL; que dois créditos teriam sido recuperados pelo cessionário, nos montantes de R$ 889.200,00 e de R$ 700.000,00, mediante recebimento de imóveis entregues em dação de pagamento, tendo esses valores sido utilizados pelo impugnante para liquidar parte dos juros CDI incidentes sobre o adiantamento; que, em 03/99, o contrato de cessão teria sido desfeito, tendo o impugnante recebido de volta a carteira anteriormente cedida e, devolvido ao cessionário o valor de R$ 3.500.000, 00 de adiantamento, atualizado pelos juros CDI; que a despesa glosada pela autoridade fiscal – no valor de R$ 4.239.443,01, correspondentes aos R$ 3.500.000,00 e a R$ 739.443,01 de juros pagos , seria despesa legítima passível de ser deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; essa despesa seria dedutível uma vez que a receita, quando da cessão dos créditos, teria sido oferecida à tributação; tais créditos não teriam sido recebidos pelo cessionário, e, em razão disso, o impugnante os teria considerado como perdas efetivas, contabilizandoos como despesa; b) Serviços Não Prestados que a autoridade lançadora teria presumido, alegando falta de comprovação, que não teria havido a prestação de serviços que deu origem a despesas com honorários advocatícios, as quais, além disso, teriam sido indevidamente contabilizadas em contrapartida à conta de provisão utilizada para baixa de operações de crédito celebradas com escritório de advogados; no anocalendário de 1996, por ocasião do encerramento das atividades, o impugnante teria efetuado pagamentos para liquidar os passivos pendentes de honorários advocatícios relativos a serviços efetivamente prestados, sendo que o beneficiário teria deixado de discriminar nos respectivos recibos a que serviços se referiam; tal presunção não poderia prosperar tendo em vista que sempre teria existido uma relação profissional concreta e indiscutível entre as partes, conforme comprovariam os inúmeros processos patrocinados pelo escritório de advocacia; a doutrina teria pacificado o entendimento de que tributos não poderiam ser exigidos ou penalidades impostas com base em presunções; a autoridade fiscal deveria ter comprovado a não prestação dos referidos serviços de advocacia, em obediência aos princípios da verdade material e da legalidade; c) Inexistência de Documentação Comprobatória nos anoscalendário de 1996 e 1999 que em decorrência do processo de encerramento de suas atividades, o impugnante teria liquidado o saldo de R$ 200.599,04 da conta Impostos a Recuperar, mediante lançamento de crédito, com a contrapartida de débito na conta Outras Despesas Operacionais; a autoridade fiscal, alegando que os valores não tinham origem comprovada, o que ensejava a glosa da despesa lançada, terseia baseado em presunção e não teria provado a ilegitimidade das despesas; quando os referidos créditos tributários tiveram origem, isto é, quando foram registrados a débito no ativo, teriam tido como contrapartida um crédito no resultado, sendo considerados como receita e, assim, oferecidos à tributação; III. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 11 10 que a reversão, considerada obrigatória pela autoridade fiscal, da Provisão de Créditos de Liquidação Duvidosa pertinente ao crédito integral baixado correspondente à dívida da empresa CRESPO INDÚSTRIA DE FERRAMENTAS LTDA., quando também se contabilizou o recebimento de Imóvel de Não Uso Próprio em dação de pagamento da referida dívida, não geraria receita; no caso de instituições financeiras, a dação em pagamento gera um ajuste na própria conta de provisão, sem trânsito de valores pelo resultado; a provisão em questão teria sido oferecida à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, na data de sua constituição, e, assim, caso tivesse sido revertida não ensejaria tributação pois que receberia o tratamento de exclusão do lucro; IV. ALIENAÇÃO DE BEM POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO que não há comprovação, por parte da autoridade fiscal, de que o valor de alienação por R$ 56.000,00 do imóvel recebido da SRA. IVONE SCARPELINI, seria notoriamente inferior ao de mercado, sendo que aquela autoridade não indica qual deveria ser o preço de venda; além disso, o fato de o SR. JOSÉ MANOEL CACHO ser, à época do negócio, Diretor da impugnante e sócio da empresa adquirente do imóvel, não configuraria vínculo entre as partes negociantes, a teor do disposto no artigo 465, do RIR/99, o que, somado ao argumento anterior, afastaria a alegada ocorrência de distribuição disfarçada de lucros; V.EXCLUSÕES INDEVIDAS Anocalendário de 1996 que dos valores apontados pela autoridade fiscal como relativos à gratificação liberal, somente um parte teria essa natureza, uma vez que, tratandose de gratificações a funcionários, incluindose o SR. JOSÉ MANOEL DA SILVA CACHO, segundo as normas da Consolidação das Leis do Trabalho , haveria limite permitido, a teor do artigo 299, do RIR/99; conseqüentemente a reversão da respectiva provisão não deveria ser considerada diminuição indevida do lucro tributável; Anocalendário de 1997 que as exclusões que teria levado a efeito no LALUR não representariam simplesmente controle de despesas, mas sim controle das constituições e reversões de suas “provisões para despesas operacionais”, sendo estas adições temporárias e sujeitas a posterior exclusão; assim, seria incabível a argüição de diminuição indevida do lucro tributável; Anocalendário de 1998 que as exclusões realizadas no LALUR relativas a despesas operacionais, referirseiam, consoante argüido no item anterior, a provisões anteriormente oferecidas á tributação; as despesas com a formação da Provisão para Adequação a Valor de Mercado de Bem de Uso Não Próprio teriam sido adicionadas à época de sua constituição e, sendo assim, mesmo que tivesse ocorrido impropriedade contábil, os comandos da legislação tributária teriam sido observados, com adição de despesas, o que permitiria ao impugnante excluir os valores relativos à reversão da provisão feita; a “Provisão para Indenizações” teria sido constituída em 11/98 e adicionada ao lucro líquido, sendo que, no mês seguinte, a mesma provisão teria sido revertida e, por isso, teria sido realizada a exclusão contestada pela autoridade fiscal, o que poderia ser comprovado mediante o exame do LALUR, que anexa; Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 12 11 Anocalendário de 1999 que a alegação da autoridade fiscal de que teria havido redução indevida do lucro real pela exclusão de valores relativos a despesas operacionais, como também exclusão indevida de valor relativo à reversão de provisão para adequação a valor de mercado de bem de uso não próprio, não procederia, pois que, conforme explicado nos itens anteriores, teria havido prévia adição das referidas despesas, o que autorizaria a sua posterior exclusão , e mesmo com a ocorrência de erro contábil, não haveria prejuízo ao Erário em conseqüência dos lançamentos efetuados; VI. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC PARA CORREÇÃO DE DÉBITOS que a TAXA SELIC não poderia ser utilizada como juros por atraso no cumprimento de obrigação tributária, visto que, além de ter natureza remuneratória, ofenderia o princípio constitucional da legalidade, por não ter sido criado por lei, bem como lesaria o disposto no artigo 161, parágrafo 1º, do CTN, consoante doutrina e jurisprudência recente, que colaciona. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 30 de agosto de 2006, os membros da Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I concluíram pela procedência parcial do lançamento e pela manutenção, em parte, do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, em PRELIMINAR, alega que os Mandados de Procedimento Fiscal deveriam ser anulados por conta de não terem sido observadas as determinações contidas na Portaria 1.265/99, notadamente no que se refere à data de ciência ao contribuinte, que, in casu, se teria dado tardia, ferindo o princípio da publicidade que rege os atos administrativos. A ciência do MPFF 0816600.2000.003062 (fls. 231), emitido em 13/11/2000, terseia dada em data posterior, em 30/11/2000, e, da mesma forma, a ciência do MPFC 0816600.2000.003062 1 (fls. 247), lavrado em 13/03/01, teria ocorrido em 26/03/2001, quando, para ser tempestiva deveria ocorrer na mesma data da emissão do MPF. O MPFC 0816600.2000.0030622 (fls. 274), editado em 06/07/2001, teria sido encaminhado, via postal, em 12/07/2001, sendo que a ciência do Auto de Infração, dada em 13/08/2001, teria ocorrido após encerrado, em 05/08/2001, o prazo de validade do MPFC. Além disso, teria sido dada continuidade ao trabalho fiscalizatório sem que fosse dele imediatamente cientificado o contribuinte, o que seria vedado pelo artigo 2o, da citada Portaria. O Auto de Infração, assim, seria nulo, em decorrência de ter tido origem em procedimento viciado; que, quanto à primeira questão, concernente à ciência tardia dos MPF's, cabe ponderar que, diferentemente do afirmado pelo impugnante, o artigo 4o, da Portaria 1.265/99, a seguir reproduzido, determina que a ciência ao sujeito passivo deve ser dada no início do procedimento fiscal, o qual não ocorre necessariamente na data de emissão do MPF. Pelos documentos juntados vêse que esta norma foi observada, bastando observar que nos dois primeiros MPF's referidos as datas de ciência e de início da fiscalização coincidem, respectivamente, 30/11/2000 e 26/03/2001 (fls. 231 e 232, 247 a 249), existindo peculiariedades, não irregularidades, apenas no que tange ao terceiro MPF. Este Mandado foi expedido em 12/07/2001 (fls. 274), tendo saído para entrega pela Agência dos Correios, em 25/07/2001 (fls. 275), inexistindo nos autos documento comprobatório da data do Aviso de Recebimento da intimação do citado MPF. Contudo, não há vício qualquer a se apontar neste Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 13 12 aspecto, já que pela norma procedimental expedida pela Portaria a ciência a ser dada do MPF ao contribuinte não precisa ocorrer na data de emissão do Mandado, como quer fazer valer o impugnante; que o Auto de Infração, datado de 24/07/2001 e com Termo de Encerramento de 25/07/2001, foi lavrado dentro do prazo autorizado pelo MPF Complementar, que estendera a ação fiscal até 05/08/2001. Porém, tendo a ciência desse lançamento se dada, via postal, em 13/08/2001 (fls. 286), em data, portanto, posterior àquela do término da ação fiscal autorizada, há que se reconhecer irregularidade procedimental neste aspecto. Contudo, isto não é razão suficiente para ensejar a nulidade do lançamento. Primeiro, porque o próprio artigo 16, parágrafo único, da Portaria 1.265/99, que disciplina esses procedimentos fiscais, prevê, consoante mencionado, que a irregularidade procedimental, em relação às disposições da própria Portaria, não é causa bastante para anular os atos praticados pela autoridade fiscal competente. Segundo, porque essa falha de natureza procedimental não constitui vício essencial que atinja o conteúdo material do ato praticado, cuja invalidade tem que estar diretamente relacionada a vícios ligados a fato gerador, base de cálculo, alíquota e sujeição passiva , como também não obsta o direito de ampla defesa do autuado com respeito ao conteúdo do lançamento efetuado. Terceiro, porque tal defeito não está elencado no artigo 59, do Decreto 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal, entre as causas de nulidade dos atos administrativos, as quais seriam : os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; que, quanto omissão de receitas operacionais é de se dizer, que a acusação da autoridade fiscal (fls. 23) que alega que o autuado teria deixado de reverter como Receitas, em 31/03/96 e em 31/07/96, os excessos de Provisões com Perdas de Crédito, nos valores de, respectivamente, R$ 129.001,85 e R$ 35.820,88, originários de Recuperações de Créditos ensejadas pelo recebimento de imóveis em dação de pagamento. A glosa desses valores ensejou lançamentos de créditos tributários de IRPJ, CSLL e PIS; que, por seu turno, o autuado contesta afirmando que a correta contabilização dessas operações envolveria apenas contas patrimoniais, a saber, débito em Rendas a Apropriar e crédito em Operações de Crédito em Liquidação, débito em Bens de Uso Não Próprio e crédito em Operações de Crédito em Liquidação, e, débito em Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa e crédito em Operações de Crédito em Liquidação, não incluindo contas de Resultado; que a evidência, consoante demonstrativo apresentado pela autoridade fiscal (fls. 23), não assiste razão ao impugnante nesta questão, pois se trata de lançamentos contábeis que representaram acréscimos líquidos no Ativo do impugnante. A redução verificada em seus ativos, por conta das baixas de Créditos em Liquidação Duvidosa, nos montantes de R$ 716.352,16 e R$ 228.148,82, foi inferior, respectivamente, em R$ 129.001,85 e R$ 35.820,88, aos aumentos no Ativo, nos totais de R$ 845.354,01 (= R$ 60.461,04 + R$ 400.000,00 + R$ 384.892,97) e R$ 263.969,67 (= R$ 47.116,02 + R$ 127.000,00 + R$ 89.853,68), resultantes dos lançamentos a débito nas contas Receitas a Apropriar, Imóveis recebidos em dação de pagamento , e Provisões para Créditos em Liquidação Duvidosa. Esses acréscimos líquidos de Ativos, que as normas contábeis mandam reconhecer como receitas, repercutiram diretamente no Patrimônio Líquido sob a forma de aumento . Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 14 13 que por força do acima demonstrado, a afirmativa do autuado de que os lançamentos se resumiriam a registros em apenas contas patrimoniais repousa sobre premissa equivocada : de que os valores totais dos lançamentos a débito corresponderiam aos totais dos lançamentos a crédito. A autoridade fiscal mostrou não existir tal equivalência, verificandose, por outro lado, que o impugnante não trouxe aos autos elementos de prova que invalidassem a demonstração feita pela autoridade; que a diferença observada entre o total dos lançamentos a débito e o total os lançamentos a crédito no Ativo revela que as Provisões contabilizadas pelo autuado o foram em excesso ao que seria necessário. Esse fato, conforme estipulam as normas contábeis, impõe a reversão do excedente provisionado. E a reversão dessa diferença, representando receita, impacta o Resultado, ao mesmo tempo em que se traduz em aumento do Patrimônio Líquido do impugnante. Tratase, assim, de receita que deveria ter sido oferecida à tributação, mas não o foi; que contrapondose ao acima exposto, alega o impugnante que, mesmo que tivesse feito a reversão da referida Provisão, não seria caso de ocorrência de Receita, uma vez que a Despesa que lhe deu origem teria sido considerada indedutível e já adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. Esta adição teria sido promovida no Auto de Infração, lavrado em 24/03/97, cuja cópia juntou aos autos (fls. 439 a 455); que ocorre que, do exame do citado Auto de Infração, o qual constituiu crédito tributário de IRPJ com base na glosa de despesas com provisões não dedutíveis, no valor de R$ 421.607,33 (fls. 442 a 446), e cujo fato gerador se dera em 01/95, não se pode inferir que os valores provisionados objeto do presente Auto de Infração, a saber, R$ 384.892,97 e R$ 89.853,68 (fls. 23), totalizando R$ 474.746,65, tenham correspondência com aquela glosa. Falha o autuado em não instruir adequadamente, com prova clara e robusta, a alegação feita de que os valores ora glosados teriam sido anteriormente adicionados ao lucro real por Auto de Infração. Isto leva a autoridade julgadora a acolher o demonstrativo feito pela autoridade lançadora (fls. 23), como fidedigna representação dos fatos ocorridos; que quanto à outra afirmativa, de que a omissão de receitas em questão não configuraria nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 281, do RIR/99, a seguir reproduzido, deve se reconhecer que tal assertiva está correta, estando, porém, equivocado o impugnante ao concluir que a infração fiscal em exame deixaria de existir pelo fato de não constar do rol de situações indicadas naquele normativo. O caso em pauta, diferentemente das situações previstas naquele artigo do RIR/99, constitui efetiva omissão de receitas porque não se refere a indício que autorize a presunção de omissão de receita. Aqui se trata não de presunção de omissão de receita mas de constatação de omissão de receita. Está evidenciada a conduta do autuado de não registrar como receita um fato econômicofinanceiro que as normas fiscais e contábeis definem como ingresso, que, portanto, deve integrar o resultado do período de competência. As normas contábeis determinam que se o saldo de Provisão revelase superior ao necessário, ou seja, maior que a despesa efetivamente incorrida, deve ser feito o competente ajuste contábil mediante a reversão do excesso provisionado, como receita operacional. Trata se, portanto, de omissão de receita operacional; que quanto à contestação da exigência de PIS sobre essas receitas, assiste razão ao impugnante. Observese que a legislação vigente à época dos fatos geradores em questão, 31/03/96 e 31/07/96, respectivamente as Medidas Provisórias 1.237/141295 e 1.395/120496, em seus artigos e incisos autorizavam as instituições financeiras deduzirem da Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 15 14 receita bruta operacional, para fins de apuração do PIS RECEITA BRUTA OPERACIONAL, as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas. Portanto, essa instância de julgamento deve atender ao pleito do impugnante no sentido de reconhecer a improcedência da exigência do PIS sobre as receitas omitidas em pauta, já que, como anteriormente explanado, são receitas não decorrentes de venda de bens e serviços, mas resultantes de "estorno" de despesas lançadas em excesso, e que são excluídas da base de cálculo do PIS, de forma expressa, por disposição legal; que, quanto à omissão de receitas não operacionais, é de dizer, que alega o autuante que o autuado teria deixado de registrar, em 30/06/98 (fls. 26) receitas de ganhos de capital, não operacionais, de R$ 288.000,00, decorrentes de alienação de imóvel, correspondentes à diferença entre o lucro apurado, de R$ 438.000,00 (= valor de alienação, R$ 950.000,00, menos valor de aquisição, R$ 512.000,00), e o ganho de capital contabilizado, de R$ 150.000,00; que, a propósito, impende notar que a dação em pagamento, representando recuperação de crédito deduzido como perda, implica ajuste apenas na conta de Provisão, sem trânsito pelo Resultado , como alega o impugnante, se o valor do bem dado em pagamento corresponder ao valor provisionado, o que não é o caso dos presentes autos. Contudo, esta não é a matéria objeto do lançamento. O que foi lançado pela autoridade fiscal, nessa parte do Auto de Infração, não guarda relação com a referida reversão de provisão, pois têm por objeto receitas, omitidas da contabilidade, decorrentes de ganhos de capital, auferidas com a alienação de bem imóvel, por R$ 950.000,00, consoante consta de Escritura de Venda e Compra (fls. 166), o qual fora arrematado anteriormente, em 16/09/96, em processo de execução judicial, pelo valor de R$ 512.000,00, conforme Carta de Arrematação (fls. 176) juntada. O autuado não ofereceu à tributação, integralmente, as receitas oriundas desse ganho de capital, que somou R$ 418.000,00 (= R$ 950.000,00 R$ 512.000,00), dos quais apenas R$ 150.000,00 foram declarados. A diferença de R$ 288.000,00 (=R$ 418.000,00 R$ 150.000,00) foi omitida, tendo sido objeto do presente lançamento. O autuado, em sua argumentação, desviouse da questão central, discutindo matéria diversa, relacionada à reversão de provisão, ao invés de provar que teria oferecido à tributação a totalidade dos ganhos de capital auferidos com a alienação de bem do imobilizado. Assim, há que se reconhecer como legítima, neste aspecto, a exigêneiado crédito tributário em questão; que, quanto CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE DESPESAS, é de se dizer no que diz respeito a Recompra de Títulos Vencidos, o autuante glosou despesas de R$ 4.239.443,01, contabilizadas em 31/03/99, relativas a recompra de carteira de títulos, por ocasião do desfazimento de contrato de cessão celebrado pelo autuado com o UNIBANCO, em 96, no valor de R$ 3.500.000,00, valor este cuja restituição estava garantida em cláusula contratual. Consoante demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal (fls. 24), o montante glosado seria composto pelo valor de R$ 1.910.800,00, que não seria despesa por se referir a saldo do principal restituído, bem como pelo valor de R$ 2.328.643,01, que também não seria dedutível, porque decorreria de pagamento efetuado em excesso pelo autuado, sem supedâneo no contrato, quer a título de devolução, indevida, de principal, quer de pagamentos de juros sobre principal não devido. A parcela devolvida indevidamente de principal, somou R$ 1.589.200,00 (=R$ 3.500.000,00 R$ 1.910.800,00), correspondente a recuperações de créditos recebidos pelo cessionário do crédito, nos valores de R$ 889.200,00 e de R$ 700.000,00, recuperações essas que, consoante o estipulado no contrato, deveriam ter sido abatidas do adiantamento feito, de R$ 3.500.000,00, na eventual Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 16 15 restituição deste. A parcela restante, que integra os R$ 2.328.643,01, corresponderia a R$ 739.443,01, relativos a pagamento de juros sobre principal não devido. O valor correto de despesas dedutíveis reconhecido pela autoridade fiscal somou R$ 1.548.963,94, correspondentes tão somente ao saldo remanescente de juros, incidentes sobre o saldo a restituir do adiantamento, de R$ 1.910.800,00, pelo período de 31/07/96 a 03/03/99. Remanescente, porque parte dos juros já teria sido paga anteriormente; que o autuado contesta, alegando que teria recebido adiantamento de R$ 3.500.000,00, remunerado pelas taxas do CDI, pela cessão da carteira de títulos vencidos, valor que foi lançado como receita, e oferecido à tributação para fins de IRPJ e de CSLL. Informa que utilizou os dois créditos recuperados pelo cessionário, de R$ 889.200,00 e de R$ 700.000,00, mediante recebimento de imóveis entregues em dação de pagamento , para liquidar parte dos juros CDI incidentes sobre o referido adiantamento. Tendo sido desfeito o contrato de cessão, em 03/99, teria recebido de volta a carteira anteriormente cedida e, devolvido ao cessionário o valor de R$ 3.500.000,00 de adiantamento, atualizado pelos juros CDI, montando a R$ 5.788.406,95. Assim, a despesa glosada pela autoridade fiscal, no valor de R$ 4.239.443,01, seria despesa legítima passível de ser deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A sua dedutibilidade como despesa estaria justificada no fato de que referese a juros incorridos por antecipação financeira, antecipação essa comprovada por contrato, e que poderia, por isso, ser deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Acrescenta, ainda, que a despesa seria dedutível porque a receita, quando da cessão de créditos, foi oferecida à tributação; que a teor dos documentos acostados aos autos, resta claro que o negócio jurídico firmado foi constituído por um contrato de cessão de carteira de títulos vencidos, PROTOCOLO DE ENTENDIMENTOS PARA CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES (fls. 99 a 104), datado de 22/07/96, no valor de R$ 21.671.597,66 (fls. 105 a 109), em que o cedente recebe como preço o montante de R$ 3.500.000,00, preço este cuja restituição é plenamente assegurada no contrato. Consoante previsto na cláusula 5a, parágrafo 4o, do referido contrato, o cedente garante ao cessionário a restituição integral do preço pago, acrescido de remuneração à taxa do CDI, mediante o produto de parcela dos títulos eventualmente recebidos pelo cessionário, nas proporções fixadas nas cláusulas 4a e 5a do contrato, o que, se insuficiente, seria complementado em dinheiro pelo cedente até o montante daquele preço; que o cessionário recebeu dois créditos, nos montantes de R$ 889.200,00 e de R$ 700.000,00, correspondentes aos valores de imóveis entregues em dação de pagamento de títulos vencidos, somando R$ 1.589.200,00, que, diz, utilizou para liquidar parte dos juros CDI incidentes sobre o referido preço. Contudo, essa aplicação do produto dos recebimentos dos títulos na amortização de juros inobserva o estipulado no contrato, consoante anteriormente indicado. Agiu, portanto, corretamente a autoridade fiscal ao não aceitar tal procedimento por identificar incompatibilidade entre o lançamento daqueles valores na contabilidade, como despesa de juros, e o especificado no contrato, que classifica aqueles valores como amortização de principal, não como forma de pagamento de juros. Ao lançamento contábil, portanto, faltou suporte factual e documental. Sendo restituição de principal, liquidação de mútuo, não há escopo para se entender tal operação como despesa, mas sim como mera liquidação de passivo, implicando apenas movimentação de contas patrimoniais, sem efeito no patrimônio líquido e no resultado. Não se observa ocorrência de despesa operacional, no conceito ditado pela ciência contábil, que é o de "consumo de ativo/riqueza, com redução do patrimônio líquido", já que se trata de devolução de parte do mesmo bem financeiro recebido como adiantamento, consoante estipulado em contrato de cessão; Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 17 16 que, portanto, quando do desfazimento do Contrato de Cessão, em 03/99, em que a carteira de títulos vencidos foi devolvida ao cedente, diminuída apenas pelos dois créditos recuperados, o valor do principal a ser restituído seria então, R$ 1.910.800,00 e sobre esse valor é que poderiam incidir os juros computados pela taxa CDI, e dedutíveis, os quais, pelos cálculos da autoridade fiscal somaram R$ 1.548.963,94; que, portanto, a glosa do lançamento de despesas de R$ 4.239.443,01 levada a efeito pela autoridade fiscal está validada pela normas fiscais, pois que os valores que as integram, a saber, R$ 1.910.800,00 e R$ 1.589.200,00, representando devoluções de principal adiantado, e R$ 739.443,01, correspondendo a alegado pagamento de juros sobre principal, não devido, não possuem natureza de despesa operacional, e, assim, não podem reduzir o lucro líquido que integra as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os fatos descritos e os termos do contrato de cessão, celebrado em 07/96 e desfeito em 03/99, não autorizaram ao autuado proceder nos moldes em que se teve; que, no que diz respeito aos Serviços não Prestados, é de se dizer que em conformidade com o relato da autoridade fiscal, o autuado teria efetuado, em 30/12/96, lançamento de despesa com assessoria de advogados, no valor de R$ 555.013,94, em contrapartida à conta de provisão, utilizada para os lançamentos de baixa de operações de crédito com escritório de advogados. Este procedimento teria por fim diminuir os lucros apurados, consoante consignado em documento interno da instituição financeira, sem, contudo, existir prova de que tais serviços teriam sido realizados. Em data anterior, 11/12/96, teriam também sido lançados como despesas R$ 130.000,00, valor para o qual inexistiria recibo, sendo que, ainda, o beneficiário não teria reconhecido o recebimento; que o impugnante contesta alegando que a autoridade lançadora estaria se baseando em presunção para afirmar a não ocorrência da prestação de serviços que teria dado origem às despesas com honorários advocatícios, bem como que teriam sido indevidamente contabilizadas em contrapartida à conta de provisão utilizada para baixa de operações de crédito celebradas com escritório de advogados. A autoridade fiscal deveria ter comprovado a não prestação dos referidos serviços de advocacia, em obediência aos princípios da verdade material e da legalidade. No anocalendário de 96, por ocasião do encerramento das atividades, o impugnante teria efetuado pagamentos para liquidar os passivos pendentes de honorários advocatícios relativos a serviços efetivamente prestados, sendo que o beneficiário apenas teria deixado de discriminar nos respectivos recibos a que serviços se referiam. Conclui defendendo que tal presunção não pode prosperar tendo em vista que teria existido uma relação profissional concreta e indiscutível entre as partes, conforme comprovariam os inúmeros processos patrocinados pelo escritório de advocacia. Além disso, a doutrina teria pacificado o entendimento de que tributos não podem ser exigidos ou penalidades impostas com base em presunções; que a autoridade fiscal glosou a despesa lançada pelo fato de inexistirem provas de sua efetividade, à parte dos registros contábeis verificados. A ordem legal tributária vigente estabelece que a escrita contábil é prova préconstituída dos fatos lá registrados, desde que respaldada em documentação apta a demonstrar a veracidade dos registros consignados, consoante previsto no artigo 9o e parágrafos do Decretolei 1.598/77, a seguir reproduzido. Não cabe falarse em competir ao Fisco a prova da inveracidade dos fatos contábeis registrados, conforme consignado no parágrafo 2°, do referido artigo, já que inexistem documentos hábeis a respaldálos. No caso, o autuado não trouxe prova, mesmo nesta fase processual de litígio, própria para tal, hábil a demonstrar que os serviços foram efetivamente realizados e a suprir a Fl. 960DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 18 17 inexistência de recibo e o não reconhecimento, pelo beneficiário dos pagamentos, de parte das despesas. Resumese a alegar, genericamente, a existência de relação profissional com a banca de advogados, o que, à evidência, não é prova boa da prestação concreta de específicos serviços ensejadoras das referidas despesas; que, assim, a crítica apresentada pelo impugnante de que a autoridade estaria se baseando em mera presunção para exigir tributo, supondo a inocorrência das despesas citadas, o que seria obstado pela ordem jurídica vigente, não tem razão de ser uma vez que, conforme observado acima, o ônus da prova dos fatos ensejadores de registros contábeis recai, por expressa disposição legal, sobre o contribuinte. O autuado não apresentou quer na fase do lançamento fiscal quer na fase de impugnação, a atual, documentos que atestem a realização de tais serviços advocatícios lançados como despesas em sua contabilidade, no montante de R$ 555.013,94, bem como para suprir a inexistência de recibo e invalidar o não reconhecimento do pagamento, de R$ 130.000,00, pelo pretenso beneficiário. Desta forma, a autoridade fiscal tem o dever de ofício de considerar como não ocorridos os fatos registrados na contabilidade e não comprovados mediante documentação hábil. A glosa se baseou, e legitimamente, na não aceitação de mera alegação de ocorrência de fatos ensejadores de despesas, não comprovados, em consonância com o disposto na norma legal supratranscrita; que, no que diz respeito à Inexistência de Documentação Comprobatória Anoscalendário de 1996 e 1999, é de se dizer o autuado teria efetuado lançamentos, em 30/12/96, a débito da conta outras despesas operacionais, no montante de R$ 1.169.589,97, contra a baixa da conta outros créditos — impostos a compensar, sem comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores ali registrados. Da mesma forma, no ano calendário de 1999 teria lançado a débito da conta despesas com tributos, o valor de R$ 200.599,04, cujos comprovantes inexistiriam, conforme sua própria declaração, contra a conta outros créditos impostos a compensar. que com respeito à primeira glosa, observase que o autuado, primeiro, na fase do lançamento fiscal, confessa inexistir documento ou memória de cálculo que comprove a referida despesa (fls. 164), e, em seguida, nesta fase, alega que a autoridade fiscal agiu em relação ao fato, com base em presunção, sem comprovar a ilegitimidade das despesas. Justifica, agora, que, em 1996, encontravase em processo de encerramento de atividades, e, por conta disso, resolveu liquidar todas as contas, incluindo a de "Impostos a Recuperar", o que explicaria o crédito realizado nessa conta, o qual teve como contrapartida um lançamento a débito em conta de resultado, a título de despesas diversas. O saldo remanescente dessa mesma conta, no montante de R$ 200.599,04, teria sido liquidado em 1999. Conclui noticiando que esses créditos, quando registrados a débito no ativo, teriam tido como contrapartida um crédito no resultado, considerado como receita e oferecido à tributação; que, nessa questão, entendo que se aplica a mesma regra referida anteriormente de que, consoante o previsto na ordem legal vigente, a escrita contábil do contribuinte é prova préconstituída dos fatos lá registrados, se respaldada em documentação comprobatória dos citados fatos. No presente caso, além de não provar por documentos a existência de valores de crédito a recuperar em face do Fisco, há expressa declaração de que tais provas são inexistentes (fls. 164). Impõese, da mesma forma, como na situação anterior, seja cumprido o dever de ofício da autoridade fiscal de não reconhecer os fatos registrados na contabilidade, não comprovados mediante documentação idônea. Portanto, a glosa baseouse na inexistência de direito creditório não provado, cuja pretensa baixa não pode representar despesa, reduzindo a base de incidência de tributo; Fl. 961DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 19 18 que com respeito à alegação de que o valor em questão teria sido lançado anteriormente como receita, convém ressaltar que, tal lançamento, por si só, não constitui fundamento contábil ou jurídico para configurar direito posterior de dedução deste mesmo valor como despesa, mormente quando a alegação de oferecimento da citada receita à tributação não está suportada por provas documentais; que, quanto à alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado, é de se dizer, que o autuado teria contabilizado indevidamente o prejuízo de RS 104.000,00, relativo à diferença entre o valor contábil e o de alienação, este notoriamente inferior ao de mercado, de Imóvel Não de Uso Próprio, recebido em dação de pagamento da dívida de pessoa física. A venda teria sido efetuada pelo valor de R$ 56.000,00, notoriamente inferior ao de mercado, considerandose que em 1996 recebera o imóvel em dação de pagamento pelo valor de R$ 400.000,00. A autoridade fiscal entendeu que, considerados os valores aceitos em hipoteca e pela dação em pagamento, seria razoável que a venda fosse efetuada pelo valor de aquisição, sem ganho de capital, porém sem o prejuízo provocado pela venda a valor notoriamente inferior ao de mercado; que em que pese o fato de a venda do imóvel em questão ter sido feita por valor notoriamente inferior ao de mercado, o que justificaria a glosa da perda registrada, eventualmente com base em outro normativo da legislação fiscal , a tipificação legal oferecida e a descrição do ilícito feita pela autoridade não se compatibilizam com os parâmetros legais. Sendo assim, há que se reconhecer razão á pretensão do autuado de se ver exonerado desta parte da exigência fiscal; que, quanto às exclusões indevidas relativo ao Anocalendário de 1996, é de se dizer que de acordo com o relato da autoridade fiscal, o autuado teria contabilizado despesas com pessoal, no anocalendário de 96, nos valores de R$ 61.453,22 e R$ 23.428,42, cuja natureza seria de gratificação liberal, e, portanto, indedutíveis na apuração do lucro real; que, por seu turno, alega o autuado que dos valores apontados pela autoridade fiscal relativos à gratificação liberal, somente um parte teria essa natureza, uma vez que, tratandose de gratificações a funcionários, incluindose o SR. JOSÉ MANOEL DA SILVA CACHO, segundo as normas da Consolidação das Leis do Trabalho , há limite permitido, a teor do artigo 299, do RIR/99. Conseqüentemente a reversão da respectiva provisão não deve ser considerada uma diminuição indevida do lucro tributável; que, nesta questão, assiste razão ao impugnante no que tange à dedução de despesa operacional como gratificação paga a funcionário, a qualquer título, até o limite de UFIR 788,26, a teor do disposto no artigo 299, do RIR/94, uma vez que a razão dada pela autoridade fiscal para a glosa é apenas de gratificação liberal; que, contudo, ao mesmo tempo em que reconhece o caráter de liberalidade de boa parte das despesas em questão, liberalidade essa que obsta a dedutibilidade no resultado, por força dos dispositivos legais de regência, o impugnante não teve a diligência em indicar o quantitativo de funcionários que poderiam se beneficiar do limite de 788,26 UFIR concedido pela norma fiscal acima transcrita, nem o valor total que estaria pleiteando por conta dele. Isto permitiria à instância julgadora examinar o mérito do pleito e eventualmente, se fosse o caso, proceder à exoneração dos valores correspondentes ao citado benefício. Tendo em conta, porém, que na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o contribuinte não está obrigado a proceder à dedução de despesas, mas sim possui a faculdade de fazêlo, e considerando que o autuado não mostrou, in casu, interesse em fazer uso desse benefício para Fl. 962DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 20 19 fins de dedução no resultado de 96, por não apresentar objetivamente sua pretensão, resta apenas à autoridade julgadora referendar a glosa levada a efeito pela autoridade lançadora, da integralidade das despesas de R$ 61.453,22 e R$ 23.428,42 incorridas naquele ano a título de liberalidade, e, portanto, não passíveis de dedução; que, no que diz respeito às exclusões indevidas relativo ao Ano calendário de 1997, é de se dizer, que o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, no anocalendário de 1997, pela exclusão de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 11.155,71, 25.505,12 e 26.380,50, com lançamentos a débito da conta despesas administrativos e a crédito da conta pagamentos a efetuar; que o impugnante contesta, alegando que as exclusões que levou a efeito no LALUR não representariam simplesmente controle de despesas, mas sim controle das constituições e reversões de suas "provisões para despesas operacionais", sendo estas adições temporárias e sujeitas a posterior exclusão. Assim, seria incabível a arguição de diminuição indevida do lucro tributável; que consoante cópia do LALUR juntado com a impugnação, resta comprovado que o autuado, de fato, adicionou ao lucro real, em 31/03/97, o valor de R$ 11.155,71 (fls. 457), a título de Provisões não Dedutíveis, sendo que os outros dois valores, de R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50, não são identificáveis nos demonstrativos dos 2o, 3o e 4o trimestres do ano (fls. 459 a 464); que, portanto, existindo comprovação de oferecimento à tributação, do valor de R$ 11.155,71, sua glosa não pode ser mantida, subsistindo, porém, a glosa dos dois outros valores, de R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50, por falta de comprovação de sua adição ao lucro real de 1997; que, no que diz respeito às exclusões indevidas relativo ao Ano calendário de 1998, é de se dizer, que o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, no anocalendário de 1998, pela exclusão de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 79.939,53, RS 89.216,37, RS 98.104,48 e RS 90.939,78, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar; que o impugnante se insurge contra a glosa, afirmando que as exclusões realizadas no LALUR relativas a despesas operacionais, referirseiam, consoante argüido no item anterior, a provisões anteriormente oferecidas á tributação e adicionadas ao lucro real; que o exame da cópia do LALUR do anocalendário de 1998, apresentado pelo impugnante (fls. 465 a 472), não permite a identificação dos valores em questão, e, assim, resta prejudicada a possibilidade de constatação de que tais valores teriam sido adicionados ao lucro real. E, inexistindo prova da adição desses valores, não há como se aceitar a sua exclusão, e, assim, mostrase correto o procedimento da autoridade fiscal de adicionar ao lucro real o que foi dele indevidamente excluído; que, além disso, nesse mesmo anocalendário, o autuado teria reduzido irregularmente o lucro real, pela exclusão do valor de RS 1.159.638,80 relativo à baixa de provisão constituída indevidamente, em 30/12/97. Esta provisão teria sido constituída para adequar, ao mercado, o valor de Imóvel Não de Uso Próprio, alienado em 04/98, em contrariedade às normas fiscais, por tratarse de bem não sujeito à depreciação e não contar com respaldo de laudo técnico; Fl. 963DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 21 20 que refuta o autuado, afirmando que as despesas com a formação da Provisão para Adequação a Valor de Mercado de Bem de Uso Não Próprio teriam sido adicionadas à época de sua constituição e, sendo assim, mesmo que tivesse ocorrido impropriedade contábil, os Comandos à legislação tributária teriam sido observados, com adição de despesas, o que justificaria à exclusão dos valores relativos à reversão da provisão feita; que novamente, o exame da cópia juntada do LALUR, de 12/97 e do ano calendário de 1998 (fls. 464 a 472), não permite identificar se o valor em questão foi adicionado em 31/12/97, o que, então, manda seja mantida a glosa por falta de comprovação de que a exclusão do lucro real, realizada pelo autuado, estaria em conformidade com as normas fiscais; que, conforme, ainda, a autoridade fiscal, o autuado teria deixado de adicionar ao lucro real, no anocalendário de 98, valores relativos a indenizações trabalhistas, no montante de R$ 157.058,87, provisionados na conta contingências trabalhistas, a débito de despesas com pessoal; que contesta o autuado, alegando que a "Provisão para Indenizações" teria sido constituída em 11/98 e adicionada ao lucro líquido, sendo que, no mês seguinte, a mesma provisão teria sido revertida e, por isso, teria sido realizada a exclusão contestada pela autoridade fiscal, o que pode ser comprovado mediante o exame do LALUR, que anexa; que repetindo a situação anterior, o exame da cópia juntada do LALUR, do anocalendário de 98 (fls. 465 a 472), não permite constatarse o fato de que o valor de R$ 157.058,87 tenha sido adicionado ao lucro real no 4o trimestre de 98. Sendo assim, a glosa da despesa indevidamente excluída, deve ser mantida; que, no que diz respeito as exclusões indevidas relativo ao Ano calendário de 1999, é de se dizer, que conforme descrito no lançamento efetuado, o autuado teria reduzido indevidamente o lucro real, nos 2o, 3o e 4o trimestres do anocalendário de 99, pela exclusão de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 40.325,46, RS 96.597,25, RS 64.165,12, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar; que, além disso, teria reduzido indevidamente o lucro real, no 2o trimestre do anocalendário de 1999, pela exclusão do valor de RS 240.000,00 relativo à baixa de provisão constituída indevidamente, em 30/12/97, para a adequação ao valor de mercado de Imóvel Não de Uso Próprio, alienado em 07/98. A provisão teria sido constituída irregularmente, por tratar se de bem não sujeito à depreciação e não contar com respaldo de laudo técnico; que o autuado contesta, alegando que houve prévia adição das citadas despesas, objeto de provisão, ao Lucro real, e, sendo assim, mesmo com a ocorrência de erro contábil, não teria havido prejuízo ao Erário em conseqüência dos lançamentos efetuados; que o exame do extratos do LALUR trazidos pelo autuado (fls. 506 a 511) não permite a verificação do fato alegado por ele de que os citados valores de despesas administrativas e de adequação de valor de imóvel a preço de mercado, objeto de provisão, tenham sido anteriormente adicionados ao lucro real. Assim, as reduções levadas a efeito do Lucro Real foram efetuadas de forma indevida, já que não correspondem a anteriores adições, devendo, em conseqüência, ser mantido o lançamento fiscal nesta parte. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 22 21 A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. IRREGULARIDADE EM MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CAUSA INSUFICIENTE DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo de execução estipulado em MPF, não enseja nulidade do Auto de Infração, uma vez que não envolve lesão ao direito de ampla defesa, não constitui vício essencial no conteúdo material do lançamento, e não está entre as causas de nulidade dos atos administrativos, elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal, estando, ainda, tal efeito afastado por expressa previsão da própria Portaria SRF 1.265/99 que disciplina o Mandado. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS E NÃO OPERACIONAIS. Despesas operacionais provisionadas em excesso devem ser revertidas para serem submetidas à tributação como receitas operacionais, uma vez que quando de sua provisão gerouse redução do resultado tributável. Sendo indedutíveis, cabe ao contribuinte fazer prova de sua adição ao LALUR. Ganhos de capital auferidos com alienação de bem de imobilizado constituem receitas não operacionais, devendo integrar o resultado tributável da pessoa jurídica. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Restituições de adiantamento e pagamentos de juros sobre principal não devido não possuem natureza de despesa operacional, e, assim, não podem reduzir o resultado tributável, mormente quando tais operações não se compatibilizam com cláusulas do contrato no âmbito do qual tais operações são realizadas. Os registros contábeis de despesas que impactem o resultado devem estar lastreados em documentos hábeis a comprovarem a efetividade dos fatos que lhes deram causa, o que, não ocorrendo, enseja a sua glosa por parte da autoridade fiscal. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. PESSOA LIGADA. Pessoa ligada, pela legislação fiscal, é o sócio, acionista, administrador ou titular da pessoa jurídica, ou cônjuge, parente até terceiro grau, ou afins dessas pessoas elencadas. O fato de duas pessoas jurídicas contarem com o mesmo indivíduo em ambos os quadros societários ou administrativos, não é bastante para transformálas em pessoas ligadas, já que é hipótese não contemplada na lei, e, assim, deve o contribuinte ser exonerado de eventual crédito tributário constituído com base nesse critério. EXCLUSÕES INDEVIDAS DO LALUR. O contribuinte somente pode levar a efeito exclusões do LALUR, se anteriormente efetuou adições correspondentes ou quando se refiram a receitas cuja exclusão é prevista nas normas fiscais. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 23 22 CSLL. APLICAÇÃO DAS NORMAS DO IRPJ. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, no que cabível, conforme expressa previsão legal. PIS. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS DE REVERSÕES DE PROVISÕES. As reversões de provisões que não representem ingresso de novas receitas não compõem a base de cálculo do PIS, por expressa determinação legal. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 27/10/2006, conforme Termo constante à fl. 561, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (28/11/2006), o recurso voluntário de fls. 570/625, instruído pelos documentos de fls. 626/760, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que foram emitidos três MPFs na realização da ação fiscal. Quanto aos dois primeiros, o recorrente foi tardiamente intimado do seu conteúdo, ou seja, foi cientificada quando os instrumentos não tinham mais validade. Relativamente ao terceiro MPF, o mesmo já tinha perdido a validade quando da lavratura do auto de infração, pois perdeu a validade em 05/08/2001, sendo que a ciência do auto de infração deuse em 13/08/2001, quando já havia sido encerrado o prazo de validade; que, no que diz respeito a omissão de receitas operacionais, é de se dizer, que ocorreu a decadência dos períodos relativos a março e junho de 1996, pois o recorrente teve ciência do auto de infração somente em 13/08/2001; que não se teria gerado receita tributável em nenhuma das operações em que a impugnante teria recebido como pagamento de dívida, imóveis da SRA. IVONE SCARPELLINI e da empresa IMPORTRACTOR PEÇAS E EQUIPAMENTOS LTDA., em relação às quais a autoridade fiscal alega não ter sido reconhecida a receita derivada da respectiva provisão para créditos de liquidação duvidosa; que a forma correta de contabilização dessas operações, a saber, Débito Rendas a Apropriar e CréditoOperações de Crédito em Liquidação, DébitoBens de Uso Não Próprio e CréditoOperações de Crédito em Liquidação, e DébitoProvisão para Créditos de Liquidação Duvidosa e CréditoOperações de Crédito em Liquidação, evidenciaria que o recebimento é registrado apenas em conta de ativo, e não gera receita ou despesa; que, mesmo que o recorrente tivesse levado a efeito a reversão da provisão, tal reversão não poderia ser considerada receita, vez que a despesa com provisão que lhe deu origem foi considerada indedutível, tendo sido anteriormente adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, como resultado da lavratura do Auto de Infração, de 24/03/97 (fls. 439 a 455); que não se pode afirmar que o recorrente estaria deixando de oferecer os referidos valores à tributação, pelo fato de que no passado já teriam sido tributados pelo IRPJ e pela CSLL; Fl. 966DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 24 23 que essas operações não se enquadrariam em nenhuma das hipóteses de Omissão de Receitas elencadas no artigo 281, do RIR/99. Para efeito de apuração do PIS, também não haveria de se falar em omissão de receitas, quando não teria havido geração de receitas; que, no que diz respeito a Omissão de Receitas Não Operacionais, é de se dizer, que a apuração de ganho de capital é feita pela diferença do custo de aquisição do bem e do respectivo valor de alienação. No caso, a fiscalização considerou como custo de aquisição o valor de R$ 512.000,00 e como valor de alienação o montante de R$ 950.000,00, chegando a um suposto ganho de capital de R$ 438.000,00. Ocorre que deveria ter considerado como custo o montante total pago pelo recorrente quando da adjudicação do imóvel, pela soma dos seguintes valores: ITBI, R$ 28.357,08 (guias anexas); Custo do Registro do Imóvel (R$ 1.664,67 (recibo anexo); e IPTU, cujo custo, conforme termo de acordo anexo, foi assumido pelo recorrente, R$ 109.660,88; que, no que diz respeito a Dedução dos Custos ou Despesas Não Comprovados Recompra de Títulos Vencidos, é de si dizer, que o recorrente cedeu ao Unibanco, dentre outros itens, sua carteira vencida, com valor nominal de R$ 17.563.276,60, para que esse a administrasse a efetuasse os procedimentos de cobrança junto aos devedores. Por essa negociação, o recorrente recebeu um adiantamento de R$ 3.500.000,00; que, em março de 1999, em face das pretensões de encerramento de suas atividades e o não recebimento de tais direitos, o recorrente e o Unibanco decidiram desfazer a operação. Por conta dessa decisão, o recorrente recebeu de volta a carteira anteriormente cedida, bem como devolveu ao Unibanco o valor recebido a título de adiantamento atualizado pelos juros; que o adiantamento recebido pelo recorrente, de R$ 3.500.000,00, foi entendido pelo recorrente como sendo o resultado de uma venda de créditos e considerou como uma receita, oferecendoo à tributação; por ocasião do acerto com o Unibanco e a devolução do respectivo valor, referido montante foi registrado como despesa, sendo considerada dedutível, uma vez que a receita, quando da cessão de créditos, foi oferecida à tributação; que o total da dívida somava, em março de 1999 (data da rescisão do contrato), R$ 7.008.596,79, do qual R$ 3.508.596,79 correspondiam aos juros calculados com base no CDICETIP, conforme demonstrativo anexo; que deve ser realizada diligência para a comprovação dos fatos, eis que a despesa deve ser considerada dedutível; que foi realizada a glosa de despesas com honorários advocatícios nos valores de R$ 555.013,94 e R$ 130.000,00, pagos ao escritório Monticelli Breda Advogados S/C que foi patrono dos litígios judiciais do recorrente. Porém, a fiscalização presumiu que não houve prestação de serviços; que não há dúvida que foi cometida uma arbitrariedade pela fiscalização, pois nenhuma irregularidade foi cometida; Fl. 967DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 25 24 que, no diz respeito à inexistência de documentação comprobatória nos anoscalendário de 1996 e 1999, é de se dizer, que foi procedida a glosa de conta do ativo relativa a impostos a compensar nos valor de R$ 1.169.589,97 e R$ 200.599,04. Referidos valores foram baixados em razão da intenção do recorrente de encerrar suas atividades, baixando tais créditos tributários como despesa, pois, no momento da apuração, tais valores foram reconhecidos como receita, sujeitandose à tributação; que a turma julgadora manteve a postura da fiscalização, não solicitando sequer a realização de diligência para apurar a verdade dos fatos, muito embora tenha admitido a existência de dúvida ao exigir do recorrente a apresentação de provas da origem do crédito; que, no que diz respeito as Exclusões Indevidas Anocalendário 1996, é de se dizer, que o valor glosado de R$ 23.428,42 constitui indenização paga a uma funcionária demitida em período de estabilidade (período de gestação), ou seja, não se trata de uma liberalidade, mas sim, de uma obrigação legal. Tal pagamento foi feito em obediência aos estritos ditames legais, não havendo que se falar em mera liberalidade; que, no que diz respeito as Exclusões Indevidas Anocalendário 1997, é de se dizer, que a glosa de despesas operacionais de R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50, foi mantida por suposta falta de prova por parte do recorrente. Referidos valores tratamse de provisões que foram adicionados do lucro real e à base de cálculo da CSLL anteriormente; que a turma julgadora afirma não ter localizado a adição prévia desses valores, ela efetivamente ocorreu, conforme o Lalur anexado aos autos; que às fls. 473 consta a constituição da provisão de R$ 32.505,12, sendo que o valor de R$ 25.505,12 compõe uma parcela desse valor, restando ainda, R$ 7.000,00 para ser posteriormente deduzido como despesa; que também o valor de R$ 26.380,50, conforme se verifica pela análise do Lalur às fls. 473 a 475, também foi anteriormente adicionado ao lucro líquido, não podendo ser admitida a glosa; que são exatamente essas as provisões cuja exclusão do lucro líquido foram glosadas pela fiscalização, muito embora claramente elas tenham sido adicionadas ao lucro líquido no período em que foram constituídas (fls. 459 dos autos), não havendo razão para que seja mantida a glosa; que é importante frisar que o recorrente, sempre que procedia à constituição da provisão, procedia automaticamente à adição das respectivas despesas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; que também é relevante mencionar que o mesmo procedimento que ocorreu com relação ao valor de R$ 25.505,12, ocorreu com relação ao valor de R$ 26.380,50, conforme facilmente se verifica pela análise do Lalur; que, no que diz respeito as Exclusões Indevidas Anocalendário 1998 Redução indevida do lucro real pela exclusão de despesas operacionais, é de se dizer, que, neste item também a fiscalização entendeu que houve uma redução do lucro indevido. No entanto, considerandose que no anobase de 1998 a recorrente procedeu da mesma forma que Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 26 25 no anobase de 1997, tal proposição não merece prosperar, tendo em vista que o que ocorreu, na verdade, foi a exclusão das provisões anteriormente oferecidas à tributação; que a realização de uma diligência fiscal será capaz de identificar, pela análise dos LALUR, que todas as despesas operacionais excluídas do lucro líquido, só o foram porque houve a prévia adição de tais valores; que, no que diz respeito as Exclusões Indevidas Anocalendário 1998 Redução indevida do lucro real pela exclusão de despesas operacionais Exclusão de valor relativo à Reversão de Provisão para Adequação a Valor de Mercado de Bem de Uso Não Próprio, é de se dizer, que a despesa glosada de R$ 1.159.638,80, corresponde a formação da provisão para adequação a valor de mercado de bem de uso não próprio, foi adicionada à época da sua constituição, ou seja, ainda que tenha ocorrido uma impropriedade contábil, os comandos da norma legal foram obedecidos e houve a efetiva adição das despesas por ocasião da constituição da provisão, fato esse que permitiu à recorrente excluir do lucro líquido os valores relativos à reversão da mesma provisão; que, tal qual o caso anterior, uma análise mais atenta do LALUR possibilita constatar que tal provisão foi efetivamente adicionada pela recorrente no período de 31/12/1997. Uma diligência fiscal poderia esclarecer devidamente a matéria; que, no que diz respeito as Exclusões Indevidas Anocalendário 1998 Exclusão de Reversão Referente a Provisão Não Adicionada Anteriormente, é de se dizer, que a autuante glosou R$ 157.058,87, por conta da exclusão de valor referente à exclusão de uma provisão que não teria sido adicionada anteriormente, mais especificamente, a “Provisão para Indenizações”; que, base um exame criterioso das demonstrações financeiras e do LALUR, relativos ao exercício de 1998, para verificar que a Provisão para Indenizações em comento foi constituída no mês de novembro de 1998 e devidamente adicionada ao lucro líquido. No mês seguinte, a mesma provisão foi revertida, e por isso foi realizada a exclusão ao lucro líquido contestada pela Sra. Agente fiscal; que é certo que o valor em comento foi efetivamente adicionado ao lucro líquido em novembro de 1998, conforme comprova o LALUR. Aqui também a turma de julgamento deveria ter determinada a realização de diligência fiscal, o que não ocorreu; que, no que diz respeito as Exclusões Indevidas Anocalendário 1999 Redução Indevida de Despesas Operacionais, é de se dizer, que em relação ao ano calendário de 1999, ocorreu o mesmo fato verificado nos anos anteriores, ou seja, a Sra. Agente Fiscal procedeu a glosa de exclusões realizadas, sem verificar no LALUR, que houve a adição prévia das aludidas provisões; que aqui também é necessária a realização de diligência fiscal para apurar a realidade dos fatos; que, no que diz respeito as Exclusões Indevidas Anocalendário 1999 Exclusão de valor Relativo a Provisão para Adequação a valor de Mercado de Bem de Uso Não Próprio, é de se dizer, que o presente item, tem total semelhança ao exposto acima, uma vez que a Sra. Agente Fiscal glosou a provisão constituída na mesma conta contábil ali mencionada Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 27 26 (conta 8.3.9.90.99.00.0016), provisões estas adicionadas ao lucro líquido no período de 31/12/1997; que, assim como no item anterior, no caso do imóvel alienado a Rockside do Brasil Ltda., houve uma reversão de uma provisão que já havia sido devidamente constituída e adicionada ao lucro líquido, no valor de R$ 240.000,00, sofrendo portanto, a tributação necessária, devendo ser afastada a glosa realizada; que é ilegal a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC; que a recorrente suscita pedido de realização de diligência para o necessário esclarecimento das questões apresentadas na defesa. Na Sessão de Julgamento de 18 de dezembro de 2008, decidiuse, por despacho converter o julgamento em diligência sob os argumentos de que não conseguimos vislumbrar a clareza necessária para uma perfeita apreciação dos fatos em discussão, pois os documentos anexados aos autos pela interessada e também as alegações constantes na peça recursal deixam dúvidas em relação a solidez da ação fiscal e dos argumentos apresentados pela recorrente o principal é de que dispõe de toda a documentação comprobatória e que também apresentou à fiscalização, principalmente em relação às glosas levadas a efeito pela fiscalização, no que se refere às provisões revertidas pela recorrente, cujos registros contábeis e no LALUR não teriam sido devidamente examinados pela autoridade autuante. Assim, tendo em vista a falta dos esclarecimentos necessários para o perfeito deslinde da questão, voto pela conversão do julgamento em diligência, para a fiscalização manifestese a respeito, esclarecendo: a) Quanto ao item II. b, comprovar que as provisões revertidas em março e em julho de 1996, nos valores de R$ 384.892,97 e R$ 89.853,68, respectivamente, foram efetivamente adicionadas ao lucro líquido da Recorrente, via auto de infração; b) Quanto ao item II.c, comprovar que foram devidamente adicionadas ao lucro liquido da Recorrente as provisões constituídas em relação ao crédito mantido em face da empresa Crespo Indústria de Ferramentas Ltda., cujos valores foram registrados em conta de Provisão de Créditos de Liquidação Duvidosa; c) Quanto ao item II.d.1, comprovar que o valor de R$ 3.500.000,00 foi contabilizado como receita da Recorrente quando do seu recebimento; d) Quanto ao item II.d.3, comprovar que os valores de R$ 1.169.589,97 e R$ 200.599,04, deduzidos como despesa, foram oferecidos à tributação quando da contabilização na conta de "impostos a recuperar"; e) Quanto ao item II.e.1, comprovar a quantidade de funcionários que obtiveram o beneficio pago pela Recorrente com liberalidade, de forma a identificar o real valor passível de tributação; f) Quanto ao item II.e.2, comprovar que as provisões constituídas nos valores de R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50 foram devidamente adicionados ao lucro líquido quando de sua constituição; Fl. 970DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 28 27 g) Quanto ao item II.e.3, comprovar que as provisões constituídas nos valores de R$ 79.939,53, R$ 89.216,37, R$ 98.104,48, R$ 90.939,78, R$ 1.159.638,80 e R$ 157.058,87foram devidamente adicionados ao lucro líquido quando de sua constituição; e h) Quanto ao item II.e.4, comprovar que as provisões constituídas nos valores de R$ 40.325,46, R$ 96.597,25, R$ 64.165,12 e R$ 240.000,00 foram devidamente adicionados ao lucro líquido quando de sua constituição. Em 20 de maio de 2011, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo –SP, através do Termo de Encaminhamento (fls. 842), manifestase da seguinte maneira: No processo administrativo fiscal 16327.001486/200140, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes requisitou informações relacionadas a fls. 771/786 do processo, pelo que foi programada por esta DEINF/SPO a diligência n° 08.1.66.00 2011.000663. Em cumprimento ao disposto na mesma, intimamos a empresa e a reintimamos a apresentar as informações requisitadas pelo Conselho de Contribuintes, conforme Termos n° 01/2011.000663 (fls. 789/808) e n° 02/2011.000663 (fls. 832/833), com ciência em 25/03/2011 e em 20/04/2011, conforme respectivos avisos de recebimento (fls. 809 e 834). Em 18/04/2011, o escritório de advocacia "Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga" requisitou prorrogação de 30 (trinta) dias para a apresentação dos documentos solicitados (fls. 810/831). Em 13/05/2011 o referido escritório solicitou nova prorrogação (fls. 835/839), não concedida por essa fiscalização, dado o excessivo tempo decorrido sem fornecimento de qualquer informação requisitada, com ciência da notificação à empresa em 19/05/2011 (AR n° SZ611828315 BR, a fls. 841 do processo). Decorridos mais de 50 dias da ciência do primeiro Termo de Intimação, sem que houvesse fornecimento de qualquer informação requisitada que ensejasse análise e manifestação por parte desta DIFIS/DEINF/SPO, propomos o retorno do processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes, para prosseguimento. É o relatório. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 29 28 Voto Conselheiro JOSÉ RICARDO DA SILVA, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise preliminar dos autos do processo se verifica, que a ação fiscal em discussão versa sobre as seguintes irregularidades: omissão de receitas operacionais, glosa de despesas não comprovadas, omissão de receitas não operacionais e exclusões indevidas. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta a argüição de preliminar de nulidade do lançamento, bem como ataca as matérias de mérito. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende na argüição da preliminar de nulidade e, no mérito, a discussão abrange omissão de receitas, glosa de despesas não comprovadas e exclusões indevidas. 1 QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, diante do fato, que os Mandados de Procedimento Fiscal deveriam ser anulados por conta de não terem sido observadas as determinações contidas na Portaria 1.265, de 1999, notadamente no que se refere à data de ciência ao contribuinte, que, in casu, se teria dado tardia, ferindo o princípio da publicidade que rege os atos administrativos. A ciência do MPFF 0816600.2000.003062 (fls. 231), emitido em 13/11/2000, terseia dada em data posterior, em 30/11/2000, e, da mesma forma, a ciência do MPFC 0816600.2000.0030621 (fls. 247), lavrado em 13/03/01, teria ocorrido em 26/03/2001, quando, para ser tempestiva deveria ocorrer na mesma data da emissão do MPF. O MPFC 0816600.2000.0030622 (fls. 274), editado em 06/07/2001, teria sido encaminhado, via postal, em 12/07/2001, sendo que a ciência do Auto de Infração, dada em 13/08/2001, teria ocorrido após encerrado, em 05/08/2001, o prazo de validade do MPFC. Além disso, teria sido dada continuidade ao trabalho fiscalizatório sem que fosse dele imediatamente cientificado o contribuinte, o que seria vedado pelo artigo 2º, da citada Portaria. O Auto de Infração, assim, seria nulo, em decorrência de ter tido origem em procedimento viciado. Como visto, o suplicante entendeu que o Auto de Infração é nulo sob o argumento de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi emitido fora dos padrões estabelecidos na legislação de regência. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 30 29 Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão do suplicante no sentido de que as informações sucintas e falha na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, levaria à incompetência do agente fiscal para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. Ao contrário do afirmado pelo impugnante, o artigo 4º, da Portaria 1.265, de 1999, determina que a ciência ao sujeito passivo deve ser dada no início do procedimento fiscal, o qual não ocorre necessariamente na data de emissão do MPF. Pelos documentos juntados vêse que esta norma foi observada, bastando observar que nos dois primeiros MPF's referidos as datas de ciência e de início da fiscalização coincidem, respectivamente, 30/11/2000 e 26/03/2001 (fls. 231 e 232, 247 a 249), existindo peculiariedades, não irregularidades, apenas no que tange ao terceiro MPF. Este Mandado foi expedido em 12/07/2001 (fls. 274), tendo saído para entrega pela Agência dos Correios, em 25/07/2001 (fls. 275), inexistindo nos autos documento comprobatório da data do Aviso de Recebimento da intimação do citado MPF. Contudo, não há vício qualquer a se apontar neste aspecto, já que pela norma procedimental expedida pela Portaria a ciência a ser dada do MPF ao contribuinte não precisa ocorrer na data de emissão do Mandado, como quer fazer valer o recorrente. Ademais, é posição majoritária nesta Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a alguma irregularidade, por ventura, existente no Mandado de Procedimento Fiscal não provoca nulidade do lançamento, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. Acórdão n° 108.07458 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato Fl. 973DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 31 30 administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 32 31 Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e com obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores). Mesmo que verdadeira fosse a assertiva do recorrente, é de se dizer que eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. 2 OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS Observase, que a da autoridade fiscal lançadora (fls. 23) alega que o autuado teria deixado de reverter como Receitas, em 31/03/96 e em 31/07/96, os excessos de Provisões com Perdas de Crédito, nos valores de, respectivamente, R$ 129.001,85 e R$ 35.820,88, originários de Recuperações de Créditos ensejadas pelo recebimento de imóveis em dação de pagamento. A glosa desses valores ensejou, inicialmente, lançamentos de créditos tributários de IRPJ, CSLL e PIS. Sendo, que a tributação reflexão/decorrente do PIS foi afastada pela decisão recorrida. O autuado contesta o lançamento afirmando, que a correta contabilização dessas operações envolveria apenas contas patrimoniais, a saber, débito em Rendas a Apropriar e crédito em Operações de Crédito em Liquidação, débito em Bens de Uso Não Próprio e crédito em Operações de Crédito em Liquidação, e, débito em Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa e crédito em Operações de Crédito em Liquidação, não incluindo contas de Resultado. Ora, a evidência, ressalta no demonstrativo apresentado pela autoridade fiscal lançadora (fls. 23). Assim, não assiste razão ao recorrente, pois tratase de lançamentos contábeis que representaram acréscimos líquidos no Ativo do recorrente. A redução verificada em seus ativos, por conta das baixas de Créditos em Liquidação Duvidosa, nos montantes de R$ 716.352,16 e R$ 228.148,82, foi inferior, respectivamente, em R$ 129.001,85 e R$ 35.820,88, aos aumentos no Ativo, nos totais de R$ 845.354,01 (= R$ 60.461,04 + R$ 400.000,00 + R$ 384.892,97) e R$ 263.969,67 (= R$ 47.116,02 + R$ 127.000,00 + R$ 89.853,68), resultantes dos lançamentos a débito nas contas Receitas a Apropriar, Imóveis recebidos em dação de pagamento , e Provisões para Créditos em Liquidação Duvidosa. Não há dúvidas, que são esses acréscimos líquidos de Ativos é que as normas contábeis mandam reconhecer como receitas, repercutiram diretamente no Patrimônio Líquido sob a forma de aumento. Assim sendo, a afirmativa do recorrente de que os lançamentos se resumiriam a registros em apenas contas patrimoniais repousa sobre uma premissa equivocada: de que os valores totais dos lançamentos a débito corresponderiam aos totais dos lançamentos a crédito. A autoridade lançadora fiscal mostrou não existir tal equivalência, verificandose, por outro lado, que o recorrente não trouxe aos autos elementos de prova que invalidassem a demonstração feita pela autoridade fiscal lançadora. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 33 32 Também é de se observar, que a diferença entre o total dos lançamentos a débito e o total dos lançamentos a crédito no Ativo revela que as Provisões contabilizadas pelo recorrente para mais ao que seria necessário. Esse fato, conforme estipulam as normas contábeis, impõe a reversão do excedente provisionado. E a reversão dessa diferença, representando receita, impacta o Resultado, ao mesmo tempo em que se traduz em aumento do Patrimônio Líquido do recorrente. Tratase, assim, de receita que deveria ter sido oferecida à tributação, mas não o foi, como resta claro nos autos do processo. Alega o recorrente que, mesmo que estivesse feito a reversão da referida Provisão, não seria caso de ocorrência de Receita, uma vez que a Despesa que lhe deu origem teria sido considerada indedutível e já adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. Esta adição teria sido promovida no Auto de Infração, lavrado em 24/03/97, cuja cópia juntou aos autos (fls. 439 a 455). Ora, do exame do citado Auto de Infração, o qual constituiu o crédito tributário de IRPJ com base na glosa de despesas com provisões não dedutíveis, no valor de R$ 421.607,33 (fls. 442 a 446), e cujo fato gerador se dera em 01/95, não é possível se inferir, que os valores provisionados objeto do presente Auto de Infração, a saber, R$ 384.892,97 e R$ 89.853,68 (fls. 23), totalizando R$ 474.746,65, tenham correspondência com aquela glosa. Caberia ao recorrente instruir adequadamente o processo, através da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente com os fatos apurados e com a alegação feita de que os valores ora glosados teriam sido anteriormente adicionados ao lucro real por Auto de Infração. No que diz respeito a afirmação de que a omissão de receitas em questão não configuraria nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 281, do RIR/99, a seguir reproduzido, deve se reconhecer que tal assertiva está correta, estando, porém, equivocado o recorrente ao concluir que a infração fiscal em exame deixaria de existir pelo fato de não constar do rol de situações indicadas naquele normativo. O caso em pauta, diferentemente das situações previstas naquele artigo do RIR/99, constitui efetiva omissão de receitas porque não se refere a indício que autorize a presunção de omissão de receita. Aqui se trata não de presunção de omissão de receita mas de constatação de omissão de receita. Está evidenciada a conduta do recorrente de não registrar como receita um fato econômicofinanceiro que as normas fiscais e contábeis definem como ingresso, que, portanto, deve integrar o resultado do período de competência. As normas contábeis determinam que se o saldo de Provisão revelase superior ao necessário, ou seja, maior que a despesa efetivamente incorrida, deve ser feito o competente ajuste contábil mediante a reversão do excesso provisionado, como receita operacional. Trata se, portanto, de omissão de receita operacional. Confirmando essa regra da contabilidade, o artigo 392, do RIR/99, a seguir transcrito, que integra a subseção Subvenções e Recuperações de Custo, que, por sua vez, é parte da Seção IV Outros Resultados Operacionais, prevê que as recuperações de despesas com provisões devem ser computadas no lucro operacional. RIR/99 Omissão de Receita: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2o, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40) I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Fl. 976DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 34 33 III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. [...] Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I [...]; II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei n" 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); [...] Por fim, há que se notar, que o conceito de receita para fins de apuração de IRPJ e CSLL inclui não somente os ingressos decorrentes de venda realizada de bens ou serviços, operação esta que dá origem às receitas operacionais típicas das pessoas jurídicas , mas também receitas de outras naturezas, incluindo aquelas acima referidas, que correspondem a reversão de despesas provisionadas em excesso às efetivamente incorridas. 3 OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS No que diz respeito a omissão de receitas não operacionais, observase da acusação de que recorrente teria deixado de registrar, em 30/06/98 (fls. 26) receitas de ganhos de capital, não operacionais, de R$ 288.000,00, decorrentes de alienação de imóvel, correspondentes à diferença entre o lucro apurado, de R$ 438.000,00 (= valor de alienação, R$ 950.000,00, menos valor de aquisição, R$ 512.000,00), e o ganho de capital contabilizado, de R$ 150.000,00. Inconformado com a tributação o recorrente contesta dizendo que, no caso de instituições financeiras, a dação em pagamento gera unicamente ajuste na própria conta de Provisão, sem que haja trânsito de valores pelo resultado. Acrescenta dizendo que o valor provisionado foi oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, quando da constituição da provisão, e, desta forma, caso se fizesse a reversão agora, não haveria escopo para tributação pois ela deveria ser excluída das bases de cálculo dos tributos. É necessário observar, que esta não é a matéria objeto do lançamento. O que foi lançado pela autoridade fiscal, nessa parte do Auto de Infração, não guarda relação com a referida reversão de provisão, pois têm por objeto receitas, omitidas da contabilidade, decorrentes de ganhos de capital, auferidas com a alienação de bem imóvel, por R$ 950.000,00, consoante consta de Escritura de Venda e Compra (fls. 166), o qual fora arrematado anteriormente, em 16/09/96, em processo de execução judicial, pelo valor de R$ 512.000,00, conforme Carta de Arrematação (fls. 176) juntada. O recorrente não ofereceu à tributação, integralmente, as receitas oriundas desse ganho de capital, que somou R$ 418.000,00 (= R$ 950.000,00 R$ 512.000,00), dos quais apenas R$ 150.000,00 foram declarados. A diferença de R$ 288.000,00 (=R$ 418.000,00 R$ 150.000,00) foi omitida, tendo sido objeto do presente lançamento. O recorrente, em sua argumentação, desviouse da questão central, discutindo matéria diversa, relacionada à reversão de provisão, ao invés de provar que teria oferecido à tributação a totalidade dos ganhos de capital auferidos com a Fl. 977DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 35 34 alienação de bem do imobilizado. Assim, há que se reconhecer como legítima, neste aspecto, a exigência do crédito tributário em questão. 4 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS 4.1 Recompra de Títulos Vencidos Da análise dos autos, observase que a autoridade fiscal lançadora glosou despesas de R$ 4.239.443,01, contabilizadas em 31/03/99, relativas à recompra de carteira de títulos, por ocasião do desfazimento de contrato de cessão celebrado pelo recorrente com o UNIBANCO, em 1996, no valor de R$ 3.500.000,00, valor este cuja restituição estava garantida em cláusula contratual. Observase no demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal lançadora (fls. 24), que o montante glosado seria composto pelo valor de R$ 1.910.800,00, que não seria despesa por se referir a saldo do principal restituído, bem como pelo valor de R$ 2.328.643,01, que também não seria dedutível, porque decorreria de pagamento efetuado em excesso pelo autuado, sem sustentação em contrato, quer a título de devolução, indevida, de principal, quer de pagamentos de juros sobre principal não devido. A parcela devolvida indevidamente de principal, somou R$ 1.589.200,00 (=R$ 3.500.000,00 R$ 1.910.800,00), correspondente a recuperações de créditos recebidos pelo cessionário do crédito, nos valores de R$ 889.200,00 e de R$ 700.000,00, recuperações essas que, consoante o estipulado no contrato, deveriam ter sido abatidas do adiantamento feito, de R$ 3.500.000,00, na eventual restituição deste. A parcela restante, que integra os R$ 2.328.643,01, corresponderia a R$ 739.443,01, relativos a pagamento de juros sobre principal não devido. Observase, que o valor correto de despesas dedutíveis reconhecido pela autoridade fiscal lançadora somou R$ 1.548.963,94, correspondentes tão somente ao saldo remanescente de juros, incidentes sobre o saldo a restituir do adiantamento, de R$ 1.910.800,00, pelo período de 31/07/96 a 03/03/99. Remanescente, porque parte dos juros já teria sido paga anteriormente. O recorrente inconformado com a conduta da autoridade fiscal lançadora, contesta, alegando que teria recebido adiantamento de R$ 3.500.000,00, remunerado pelas taxas do CDI, pela cessão da carteira de títulos vencidos, valor que foi lançado como receita, e oferecido à tributação para fins de IRPJ e de CSLL. Informa, ainda, que utilizou os dois créditos recuperados pelo cessionário, de R$ 889.200,00 e de R$ 700.000,00, mediante recebimento de imóveis entregues em dação de pagamento , para liquidar parte dos juros CDI incidentes sobre o referido adiantamento. Tendo sido desfeito o contrato de cessão, em 03/99, teria recebido de volta a carteira anteriormente cedida e, devolvido ao cessionário o valor de R$ 3.500.000,00 de adiantamento, atualizado pelos juros CDI, montando a R$ 5.788.406,95. Assim, a despesa glosada pela autoridade fiscal lançadora, no valor de R$ 4.239.443,01, seria despesa legítima passível de ser deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A sua dedutibilidade como despesa estaria justificada no fato de que referese a juros incorridos por antecipação financeira, antecipação essa comprovada por contrato, e que poderia, por isso, ser deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Acrescenta, ainda, que a despesa seria dedutível porque a receita, quando da cessão de créditos, foi oferecida à tributação. Ora, a teor dos documentos acostados aos autos, resta claro que o negócio jurídico firmado foi constituído por um contrato de cessão de carteira de títulos vencidos, Protocolo de Entendimentos para Cessão de Direitos e Obrigações (fls. 99 a 104), datado de 22/07/96, no valor de R$ 21.671.597,66 (fls. 105 a 109), em que o cedente recebe como preço o montante de R$ 3.500.000,00, preço este cuja restituição é plenamente assegurada no Fl. 978DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 36 35 contrato. Conforme previsto na cláusula 5ª, parágrafo 4º, do referido contrato o cedente garante ao cessionário a restituição integral do preço pago, acrescido de remuneração à taxa do CDI, mediante o produto de parcela dos títulos eventualmente recebidos pelo cessionário, nas proporções fixadas nas cláusulas 4ª e 5ª do contrato, o que, se insuficiente, seria complementado em dinheiro pelo cedente até o montante daquele preço. Observase, que conforme previsto na cláusula 5ª do Contrato (fls. 101 e 102), dos valores eventualmente recebidos pelo cessionário da carteira de títulos vencidos, 70% caberiam ao cedente e 30% ao cessionário. Ao final, o cedente deveria apenas restituir a diferença entre o principal inicialmente recebido e o valor posteriormente recebido, corrigido pela variação do CDI. Assim, pelo descrito, vêse que se trata de contrato misto, composto por contrato de cessão de carteira de títulos vencidos combinado com contrato de mútuo, sendo perfeitamente identificáveis as características de cada um: há um contrato em que a prestação é a entrega de títulos com previsões para a subrogação de direitos e deveres com relação aos títulos transferidos, ao mesmo tempo em que a contraprestação é o preço pago, com cláusula de restituição garantida com remuneração à taxa do CDI, constituindo típica operação de mútuo. Da análise dos contratos, não há dúvidas de que o cessionário recebeu dois créditos, nos montantes de R$ 889.200,00 e de R$ 700.000,00, correspondentes aos valores de imóveis entregues em dação de pagamento de títulos vencidos, somando R$ 1.589.200,00, que, diz, utilizou para liquidar parte dos juros CDI incidentes sobre o referido preço. Contudo, essa aplicação do produto dos recebimentos dos títulos na amortização de juros não observa o estipulado no contrato, conforme indicado anteriormente. Agiu, portanto, corretamente a autoridade fiscal lançadora ao não aceitar tal procedimento por identificar incompatibilidade entre o lançamento daqueles valores na contabilidade, como despesa de juros, e o especificado no contrato, que classifica aqueles valores como amortização de principal, não como forma de pagamento de juros. Ao lançamento contábil, portanto, faltou suporte factual e documental. Sendo restituição de principal, liquidação de mútuo, não há escopo para se entender tal operação como despesa, mas sim como mera liquidação de passivo, implicando apenas movimentação de contas patrimoniais, sem efeito no patrimônio líquido e no resultado. Não se observa ocorrência de despesa operacional, no conceito ditado pela ciência contábil, que é o de "consumo de ativo/riqueza, com redução do patrimônio líquido", já que se trata de devolução de parte do mesmo bem financeiro recebido como adiantamento, consoante estipulado em contrato de cessão. Assim, quando do desfazimento do Contrato de Cessão, em 03/99, em que a carteira de títulos vencidos foi devolvida ao cedente, diminuída apenas pelos dois créditos recuperados, o valor do principal a ser restituído seria então, R$ 1.910.800,00 e sobre esse valor é que poderiam incidir os juros computados pela taxa CDI, e dedutíveis, os quais, pelos cálculos da autoridade fiscal somaram R$ 1.548.963,94. Portanto, a glosa do lançamento de despesas de R$ 4.239.443,01 levada a efeito pela autoridade fiscal está validada pela normas fiscais, pois que os valores que as integram, a saber, R$ 1.910.800,00 e R$ 1.589.200,00, representando devoluções de principal adiantado, e R$ 739.443,01, correspondendo a alegado pagamento de juros sobre principal, não devido, não possuem natureza de despesa operacional, e, assim, não podem reduzir o lucro líquido que integra as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os fatos descritos e os termos do Fl. 979DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 37 36 contrato de cessão, celebrado em 07/96 e desfeito em 03/99, não autorizaram ao recorrente proceder nos moldes em que se teve. No que diz respeito à alegação do recorrente de que teria direito em 1999, de lançar como despesa/operacional a restituição do adiantamento recebido pois que o teria lançado como receita tributável quando do recebimento em 1996, é de se observar que o recorrente não apresenta provas, através de registros contábeis, de que tenha oferecido o referido valor à tributação. Assim sendo, é de se considerar como não ocorrido esse fato, e, em consequência, não examinálo no contexto da questão em pauta. 4.2 Serviços não Prestados De acordo com acusação da autoridade fiscal lançadora, o recorrente teria efetuado, em 30/12/1996, lançamento de despesa com assessoria de advogados, no valor de R$ 555.013,94, em contrapartida à conta de provisão, utilizada para os lançamentos de baixa de operações de crédito com escritório de advogados. Este procedimento teria por fim diminuir os lucros apurados, consoante consignado em documento interno da instituição financeira, sem contudo, existir prova de que tais serviços teriam sido realizados. Em data anterior, 11/12/1996, teriam também sido lançados como despesas R$ 130.000,00, valor para o qual inexistiria recibo, sendo que, ainda, o beneficiário não teria reconhecido o recebimento. Inconformado o recorrente contesta alegando, que a autoridade lançadora estaria se baseando em presunção para afirmar a não ocorrência da prestação de serviços que teria dado origem às despesas com honorários advocatícios, bem como que teriam sido indevidamente contabilizadas em contrapartida à conta de provisão utilizada para baixa de operações de crédito celebradas com escritório de advogados. A autoridade fiscal deveria ter comprovado a não prestação dos referidos serviços de advocacia, em obediência aos princípios da verdade material e da legalidade. No anocalendário de 96, por ocasião do encerramento das atividades, o impugnante teria efetuado pagamentos para liquidar os passivos pendentes de honorários advocatícios relativos a serviços efetivamente prestados, sendo que o beneficiário apenas teria deixado de discriminar nos respectivos recibos a que serviços se referiam. Conclui defendendo, que tal presunção não pode prosperar tendo em vista que teria existido uma relação profissional concreta e indiscutível entre as partes, conforme comprovariam os inúmeros processos patrocinados pelo escritório de advocacia. Além disso, a doutrina teria pacificado o entendimento de que tributos não podem ser exigidos ou penalidades impostas com base em presunções. Ora, a autoridade fiscal lançadora glosou a despesa lançada pelo fato de inexistirem provas de sua efetividade, à parte dos registros contábeis verificados. A ordem legal tributária vigente estabelece que a escrita contábil é prova préconstituída dos fatos lá registrados, desde que respaldada em documentação apta a demonstrar a veracidade dos registros consignados, consoante previsto no artigo 9o e parágrafos do Decretolei nº 1.598, de 1977, a seguir reproduzido. Incabível falarse que compete ao Fisco a prova da inveracidade dos fatos contábeis registrados, conforme consignado no parágrafo 2°, do referido artigo, já que inexistem documentos hábeis a respaldálos. No caso, o recorrente não trouxe prova, mesmo nesta fase processual de litígio (fase recursal), própria para tal, hábil a demonstrar que os serviços foram efetivamente realizados e a suprir a inexistência de recibo e o não reconhecimento, pelo beneficiário dos pagamentos, de parte das despesas. Resumese a alegar, genericamente, a existência de relação profissional com a banca de advogados, o que, à Fl. 980DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 38 37 evidência, não é prova boa da prestação concreta de específicos serviços ensejadoras das referidas despesas. Decretolei nº 1.598, de 1977: CAPÍTULO II LUCRO REAL Art. 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § Iº. § 3" O disposto no § 2o não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Assim sendo, os argumentos apresentados pelo recorrente de que a autoridade fiscal lançadora teria se baseando em mera presunção para exigir tributo, supondo a inocorrência das despesas citadas, o que seria obstado pela ordem jurídica vigente, não tem razão de ser uma vez que, conforme observado acima, o ônus da prova dos fatos ensejadores de registros contábeis recai, por expressa disposição legal, sobre o contribuinte. O recorrente não apresentou quer na fase do lançamento fiscal quer na fase de impugnação, muito menos, na atual fase recursal, documentos que atestem a realização de tais serviços advocatícios lançados como despesas em sua contabilidade, no montante de R$ 555.013,94, bem como para suprir a inexistência de recibo e invalidar o não reconhecimento do pagamento, de R$ 130.000,00, pelo pretenso beneficiário. Desta forma, a autoridade fiscal lançadora tem o dever de ofício de considerar como não ocorridos os fatos registrados na contabilidade e não comprovados mediante documentação hábil. A glosa se baseou, e legitimamente, na não aceitação de mera alegação de ocorrência de fatos ensejadores de despesas, não comprovados, em consonância com o disposto na norma legal supratranscrita. 4.3 Inexistência de Documentação Comprobatória 4.3.1 Anoscalendário de 1996 e 1999 Consta que o recorrente teria efetuado lançamentos, em 30/12/1996, a débito da conta outras despesas operacionais, no montante de R$ 1.169.589,97, contra a baixa da conta outros créditos — impostos a compensar, sem comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores ali registrados. Da mesma forma, no anocalendário de 1999 teria lançado a débito da conta despesas com tributos, o valor de R$ 200.599,04, cujos Fl. 981DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 39 38 comprovantes inexistiriam, conforme sua própria declaração, contra a conta outros créditos impostos a compensar. Observase, que com respeito à primeira glosa, observase que o recorrente, primeiro, na fase do lançamento fiscal, confessa inexistir documento ou memória de cálculo que comprove a referida despesa (fls. 164), e, em seguida, nas fase de recurso, passa a alegar que a autoridade fiscal agiu em relação ao fato, com base em presunção, sem comprovar a ilegitimidade das despesas. Justifica, agora, que, em 1996, encontravase em processo de encerramento de atividades, e, por conta disso, resolveu liquidar todas as contas, incluindo a de "Impostos a Recuperar", o que explicaria o crédito realizado nessa conta, o qual teve como contrapartida um lançamento a débito em conta de resultado, a título de despesas diversas. O saldo remanescente dessa mesma conta, no montante de R$ 200.599,04, teria sido liquidado em 1999. Conclui noticiando que esses créditos, quando registrados a débito no ativo, teriam tido como contrapartida um crédito no resultado, considerado como receita e oferecido à tributação. Ora, nessa questão, é de se aplicar a mesma regra referida anteriormente de que, conforme o previsto na ordem legal vigente, a escrita contábil do contribuinte é prova pré constituída dos fatos lá registrados, se respaldada em documentação comprobatória dos citados fatos. No presente caso, além de não provar por documentos a existência de valores de crédito a recuperar em face do Fisco, há expressa declaração de que tais provas são inexistentes (fls. 164). Impõese, da mesma forma, como na situação anterior, seja cumprido o dever de ofício da autoridade fiscal de não reconhecer os fatos registrados na contabilidade, não comprovados mediante documentação idônea. Portanto, a glosa baseouse na inexistência de direito creditório não provado, cuja pretensa baixa não pode representar despesa, reduzindo a base de incidência de tributo. No que diz respeito à alegação de que o valor em questão teria sido lançado anteriormente como receita, convém ressaltar que, tal lançamento, por si só, não constitui fundamento contábil ou jurídico para configurar direito posterior de dedução deste mesmo valor como despesa, mormente quando a alegação de oferecimento da citada receita à tributação não está suportada por provas documentais. 5 EXCLUSÕES INDEVIDAS No que se refere neste item é de se registrar, inicialmente, que na Sessão de Julgamento de 18 de dezembro de 2008, decidiuse, por despacho converter o julgamento em diligência sob os argumentos de que não conseguimos vislumbrar a clareza necessária para uma perfeita apreciação dos fatos em discussão, pois os documentos anexados aos autos pela interessada e também as alegações constantes na peça recursal deixam dúvidas em relação a solidez da ação fiscal e dos argumentos apresentados pela recorrente o principal é de que dispõe de toda a documentação comprobatória e que também apresentou à fiscalização, principalmente em relação às glosas levadas a efeito pela fiscalização, no que se refere às provisões revertidas pela recorrente, cujos registros contábeis e no LALUR não teriam sido devidamente examinados pela autoridade autuante. Assim, tendo em vista a falta dos esclarecimentos necessários para o perfeito deslinde da questão, voto pela conversão do julgamento em diligência, para a fiscalização manifestese a respeito, esclarecendo: a) Quanto ao item II. b, comprovar que as provisões revertidas em março e em julho de 1996, nos valores de R$ 384.892,97 e R$ 89.853,68, respectivamente, foram efetivamente adicionadas ao lucro líquido da Recorrente, via auto de infração; Fl. 982DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 40 39 b) Quanto ao item II.c, comprovar que foram devidamente adicionadas ao lucro liquido da Recorrente as provisões constituídas em relação ao crédito mantido em face da empresa Crespo Indústria de Ferramentas Ltda., cujos valores foram registrados em conta de Provisão de Créditos de Liquidação Duvidosa; c) Quanto ao item II.d.1, comprovar que o valor de R$ 3.500.000,00 foi contabilizado como receita da Recorrente quando do seu recebimento; d) Quanto ao item II.d.3, comprovar que os valores de R$ 1.169.589,97 e R$ 200.599,04, deduzidos como despesa, foram oferecidos à tributação quando da contabilização na conta de "impostos a recuperar"; e) Quanto ao item II.e.1, comprovar a quantidade de funcionários que obtiveram o beneficio pago pela Recorrente com liberalidade, de forma a identificar o real valor passível de tributação; f) Quanto ao item II.e.2, comprovar que as provisões constituídas nos valores de R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50 foram devidamente adicionados ao lucro líquido quando de sua constituição; g) Quanto ao item II.e.3, comprovar que as provisões constituídas nos valores de R$ 79.939,53, R$ 89.216,37, R$ 98.104,48, R$ 90.939,78, R$ 1.159.638,80 e R$ 157.058,87foram devidamente adicionados ao lucro líquido quando de sua constituição; e h) Quanto ao item II.e.4, comprovar que as provisões constituídas nos valores de R$ 40.325,46, R$ 96.597,25, R$ 64.165,12 e R$ 240.000,00 foram devidamente adicionados ao lucro líquido quando de sua constituição. Em 20 de maio de 2011, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo –SP, através do Termo de Encaminhamento (fls. 842), manifestase da seguinte maneira: No processo administrativo fiscal 16327.001486/200140, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes requisitou informações relacionadas a fls. 771/786 do processo, pelo que foi programada por esta DEINF/SPO a diligência n° 08.1.66.00 2011.000663. Em cumprimento ao disposto na mesma, intimamos a empresa e a reintimamos a apresentar as informações requisitadas pelo Conselho de Contribuintes, conforme Termos n° 01/2011.000663 (fls. 789/808) e n° 02/2011.000663 (fls. 832/833), com ciência em 25/03/2011 e em 20/04/2011, conforme respectivos avisos de recebimento (fls. 809 e 834). Em 18/04/2011, o escritório de advocacia "Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga" requisitou prorrogação de 30 (trinta) dias para a apresentação dos documentos solicitados (fls. 810/831). Em 13/05/2011 o referido escritório solicitou nova prorrogação (fls. 835/839), não concedida por essa fiscalização, dado o excessivo tempo decorrido sem fornecimento de qualquer informação requisitada, com ciência da notificação à empresa em 19/05/2011 (AR n° SZ611828315 BR, a fls. 841 do processo). Decorridos mais de 50 dias da ciência do primeiro Termo de Intimação, sem que houvesse fornecimento de qualquer Fl. 983DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 41 40 informação requisitada que ensejasse análise e manifestação por parte desta DIFIS/DEINF/SPO, propomos o retorno do processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes, para prosseguimento. Diante desses fatos e levando em conta a falta de interesse do contribuinte em esclarecer os questionamentos apresentados na diligência fiscal solicitada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, passo a analisar as questões postas com a matéria de prova existente nos autos. 5.1 Anocalendário de 1996 Observase da peça acusatória elaborada pela autoridade fiscal lançadora, que o recorrente teria contabilizado despesas com pessoal, no anocalendário de 96, nos valores de R$ 61.453,22 e R$ 23.428,42, cuja natureza seria de gratificação liberal, e, portanto, indedutíveis na apuração do lucro real. Por seu turno, alega o recorrente que dos valores apontados pela autoridade fiscal lançadora relativos à gratificação liberal, somente um parte teria essa natureza, uma vez que, tratandose de gratificações a funcionários, incluindose o SR. JOSÉ MANOEL DA SILVA CACHO, segundo as normas da Consolidação das Leis do Trabalho , há limite permitido, a teor do artigo 299, do RIR/99. Conseqüentemente a reversão da respectiva provisão não deve ser considerada uma diminuição indevida do lucro tributável. Aparentemente assistiria razão ao recorrente no que tange à dedução de despesa operacional como gratificação paga a funcionário, a qualquer título, até o limite de UFIR 788,26, a teor do disposto no artigo 299, do RIR/94, uma vez que a razão dada pela autoridade fiscal para a glosa é apenas de gratificação liberal: RIR/94 SUBSEÇÃO XVII Gratificação a Empregados: Art. 299. A despesa operacional relativa às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem, excluído o 13° salário, não poderá exceder à importância anual de 788,26 Ufir, para cada um dos beneficiados (Leis n°s 8.218/91, art. 22, e 8.383/91, art. 3° II). Contudo, é de se levar em conta, ao mesmo tempo em que reconhece o caráter de liberalidade de boa parte das despesas em questão, liberalidade essa que obsta a dedutibilidade no resultado, por força das dispositivos legais de regência, o impugnante não teve a diligência em indicar o quantitativo de funcionários que poderiam se beneficiar do limite de 788,26 UFIR concedido pela norma fiscal acima transcrita, nem o valor total que estaria pleiteando por conta dele. Isto permitiria à instância julgadora examinar o mérito do pleito e eventualmente, se fosse o caso, proceder à exoneração dos valores correspondentes ao citado benefício. Tendo em conta, porém, que na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o contribuinte não está obrigado a proceder à dedução de despesas, mas sim possui a faculdade de fazêlo, e considerando que o recorrente não mostrou, in casu, interesse em fazer uso desse benefício para fins de dedução no resultado de 1996, por não apresentar objetivamente sua pretensão, resta apenas às autoridades julgadoras (instância e instância recursal) referendar a glosa levada a efeito pela autoridade fiscal lançadora, da integralidade das despesas de R$ 61.453,22 e R$ 23.428,42 incorridas naquele ano a título de liberalidade, e, portanto, não passíveis de dedução. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 42 41 5.2 Anocalendário de 1997 A autoridade fiscal lançadora em sua peça acusatória observa, que o recorrente teria reduzido indevidamente o lucro real, no anocalendário de 1997, pela exclusão de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 11.155,71, R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar. É de se observar, que a decisão recorrida excluiu da exigência tributária o valor de R$ 11.155,71. Assim, este valor está fora do litígio nesta fase recursal. O recorrente contesta, alegando que as exclusões que levou a efeito no LALUR não representariam simplesmente controle de despesas, mas sim controle das constituições e reversões de suas "provisões para despesas operacionais", sendo estas adições temporárias e sujeitas a posterior exclusão. Assim, seria incabível a arguição de diminuição indevida do lucro tributável. Ora, conforme cópia do LALUR juntado na fase impugnatória, resta comprovado que o autuado, de fato, adicionou ao lucro real, em 31/03/97, o valor de R$ 11.155,71 (fls. 457), a título de Provisões não Dedutíveis, sendo que os outros dois valores, de R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50, não são identificáveis nos demonstrativos dos 2º, 3º e 4º trimestres do ano (fls. 459 a 464). Portanto, inexistindo comprovação de oferecimento à tributação, dos valores, de R$ 25.505,12 e R$ 26.380,50, por falta de comprovação de sua adição ao lucro real de 1997. 5.3 Anocalendário de 1998 De acordo com a peça acusatória lavrado pela autoridade fiscal lançadora o recorrente teria reduzido indevidamente o lucro real, no anocalendário de 1998, pela exclusão de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 79.939,53, RS 89.216,37, RS 98.104,48 e RS 90.939,78, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar. Inconformado o recorrente se insurge contra a glosa, afirmando que as exclusões realizadas no LALUR relativas a despesas operacionais, referirseiam, consoante argüido no item anterior, a provisões anteriormente oferecidas á tributação e adicionadas ao lucro real. Da análise do LALUR do anocalendário de 1998, apresentado pelo recorrente na fase impugnatória (fls. 465 a 472) observase, que não é possível a identificação dos valores em questão, e, assim, resta prejudicada a possibilidade de constatação de que tais valores teriam sido adicionados ao lucro real. E, inexistindo prova da adição desses valores, não há como se aceitar a sua exclusão, e, assim, mostrase correto o procedimento da autoridade fiscal de adicionar ao lucro real o que foi dele indevidamente excluído. Observase, ainda, que além disso, nesse mesmo anocalendário, o recorrente teria reduzido irregularmente o lucro real, pela exclusão do valor de RS 1.159.638,80 relativo à baixa de provisão constituída indevidamente, em 30/12/97. Esta provisão teria sido constituída para adequar, ao mercado, o valor de Imóvel Não de Uso Próprio, alienado em 04/98, em Fl. 985DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 43 42 contrariedade à normas fiscais, por tratarse de bem não sujeito à depreciação e não contar com respaldo de laudo técnico. Inconformado o recorrente contesta, afirmando que as despesas com a formação da Provisão para Adequação a Valor de Mercado de Bem de Uso Não Próprio teriam sido adicionadas à época de sua constituição e, sendo assim, mesmo que tivesse ocorrido impropriedade contábil, os comandos na legislação tributária teriam sido observados, com adição de despesas, o que justificaria a exclusão dos valores relativos à reversão da provisão feita. Indiscutivelmente, do exame do LALUR (fls. 464 a 472), não permite identificar se o valor em questão foi adicionado em 31/12/97, o que, justifica a manutenção da glosa por falta de comprovação de que a exclusão do lucro real, realizada pelo autuado, estaria em conformidade com as normas fiscais. Alega, ainda, que a autoridade fiscal lançadora, que o recorrente teria deixado de adicionar ao lucro real, no anocalendário de 1998, valores relativos a indenizações trabalhistas, no montante de R$ 157.058,87, provisionados na conta contingências trabalhistas, a débito de despesas com pessoal. Inconformado o recorrente contesta, alegando que a "Provisão para Indenizações" teria sido constituída em 11/98 e adicionada ao lucro líquido, sendo que, no mês seguinte, a mesma provisão teria sido revertida e, por isso, teria sido realizada a exclusão contestada pela autoridade fiscal, o que pode ser comprovado mediante o exame do LALUR, que anexa. Ora, repetindo a situação anterior, o exame da cópia juntada do LALUR, do anocalendário de 1998 (fls. 465 a 472), não permite constatarse o fato de que o valor de R$ 157.058,87 tenha sido adicionado ao lucro real no 4º trimestre de 1998. Sendo assim, a glosa da despesa indevidamente excluída, deve ser mantida. 5.4 Anocalendário de 1999 Conforme o descrito na peça acusatória lavrado pela autoridade fiscal lançadora, o recorrente teria reduzido indevidamente o lucro real, nos 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1999, pela exclusão de valores relativos a despesas operacionais, nos montantes de R$ 40.325,46, R$ 96.597,25, R$ 64.165,12, com lançamentos a débito da conta despesas administrativas e a crédito da conta pagamentos a efetuar. Além disso, teria reduzido indevidamente o lucro real, no 2º trimestre do anocalendário de 1999, pela exclusão do valor de R$ 240.000,00 relativo à baixa de provisão constituída indevidamente, em 30/12/97, para a adequação ao valor de mercado de Imóvel Não de Uso Próprio, alienado em 07/98. A provisão teria sido constituída irregularmente, por tratarse de bem não sujeito à depreciação e não contar com respaldo de laudo técnico. Inconformado com a acusação o recorrente contesta, alegando que houve prévia adição das citadas despesas, objeto de provisão, ao Lucro real, e, sendo assim, mesmo com a ocorrência de erro contábil, não teria havido prejuízo ao Erário em conseqüência dos lançamentos efetuados. Ora, do exame do extratos do LALUR trazidos pelo recorrente (fls. 506 a 511) não permite a verificação do fato alegado por ele de que os citados valores de despesas Fl. 986DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 44 43 administrativas e de adequação de valor de imóvel a preço de mercado, objeto de provisão, tenham sido anteriormente adicionados ao lucro real. Assim, as reduções levadas a efeito do Lucro Real foram efetuadas de forma indevida, já que não correspondem a anteriores adições, devendo, em conseqüência, ser mantido o lançamento fiscal nesta parte. 6 DA MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC Por fim, resta fazer alguns comentários sobre a aplicabilidade da multa de ofício e da cobrança dos juros moratórios com base na Taxa Selic A denominada multa “exoffício” é aplicada, de um modo geral, quando a Fiscalização, no exercício da atividade de controle dos rendimentos sujeitos à tributação, se depara com situação concreta da qual resulte falta de pagamento ou insuficiência no recolhimento do tributo devido. Vale dizer, a penalidade tem lugar quando o lançamento tributário é efetivado por haver o contribuinte deixado de cumprir a obrigação principal, e dessa omissão, voluntário ou não, resulte falta ou insuficiência no recolhimento do imposto devido. Convém, ainda, ressaltar que as circunstâncias pessoais da suplicante não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136, do Código Tributário Nacional, que instituiu, no Direito Tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade e extensão dos efeitos do ato. Há que se destacar, ainda, que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida Fl. 987DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 45 44 de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídico tributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser Fl. 988DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 46 45 lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 47 46 Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 48 47 Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” 7 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator. JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão Fl. 991DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE Processo nº 16327.001486/200140 Acórdão n.º 1101001.850 S1C1T1 Fl. 49 48 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZA TORRE
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Numero do processo: 11080.004256/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2006
Ementa:
Nulidade do Auto porque à época da intimação do contribuinte da lavratura do Auto de Infração já não mais vigorava o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que o deu origem: O Mandado de Procedimento fiscal - MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente
Nulidade do Auto porquanto o Relatório Fiscal não descreve com clareza e objetividade os fatos que motivaram a constituição do crédito tributário: O Auto de Infração, lavrado por servidor competente e que identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, sendo possível à recorrente ter pleno conhecimento de todos os fundamentos e cálculos da autuação, como no caso, não gera nulidade do Auto de Infração.
Crédito Presumido sobre estoque de abertura: A alíquota aplicável sobre os valores do estoque de abertura é de 1,65% para apuração de crédito presumido referente ao PIS não cumulativo, quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica).
PIS- Sistemática da não cumulatividade: Na apuração de créditos passíveis de dedução dos débitos de PIS não cumulativo deve ser utilizada a alíquota de 1,65%, mesmo quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica).
Numero da decisão: 3301-002.507
Decisão: RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PROVIDO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 12/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto de Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sydney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2006 Ementa: Nulidade do Auto porque à época da intimação do contribuinte da lavratura do Auto de Infração já não mais vigorava o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que o deu origem: O Mandado de Procedimento fiscal - MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente Nulidade do Auto porquanto o Relatório Fiscal não descreve com clareza e objetividade os fatos que motivaram a constituição do crédito tributário: O Auto de Infração, lavrado por servidor competente e que identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, sendo possível à recorrente ter pleno conhecimento de todos os fundamentos e cálculos da autuação, como no caso, não gera nulidade do Auto de Infração. Crédito Presumido sobre estoque de abertura: A alíquota aplicável sobre os valores do estoque de abertura é de 1,65% para apuração de crédito presumido referente ao PIS não cumulativo, quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). PIS- Sistemática da não cumulatividade: Na apuração de créditos passíveis de dedução dos débitos de PIS não cumulativo deve ser utilizada a alíquota de 1,65%, mesmo quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica).
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E COM. DE PROD. FARMACEUTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2006 Ementa: Nulidade do Auto porque à época da intimação do contribuinte da lavratura do Auto de Infração já não mais vigorava o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que o deu origem: O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente Nulidade do Auto porquanto o Relatório Fiscal não descreve com clareza e objetividade os fatos que motivaram a constituição do crédito tributário: O Auto de Infração, lavrado por servidor competente e que identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, sendo possível à recorrente ter pleno conhecimento de todos os fundamentos e cálculos da autuação, como no caso, não gera nulidade do Auto de Infração. Crédito Presumido sobre estoque de abertura: A alíquota aplicável sobre os valores do estoque de abertura é de 1,65% para apuração de crédito presumido referente ao PIS não cumulativo, quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). PIS Sistemática da não cumulatividade: Na apuração de créditos passíveis de dedução dos débitos de PIS não cumulativo deve ser utilizada a alíquota de 1,65%, mesmo quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PROVIDO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 42 56 /2 00 9- 14 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 12/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto de Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sydney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face da ora recorrente para exigência de PIS e COFINS não cumulativos tendo em vista as seguintes irregularidades praticadas pela empresa, conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 19/29: 1 – A empresa calculou de forma incorreta o crédito presumido sobre o estoque de abertura, tendo apropriado no mês de junho de 2005 da diferença entre os percentuais de 1,65% e 7,60% para 2,1% e 9,9%, no caso do PIS e da COFINS, respectivamente; 2 – a partir de outubro de 2004, a empresa passou a creditarse, em 24 parcelas, do valor de todos os bens adquiridos, mesmo aqueles que não faziam parte do processo produtivo da empresa; 3 – a empresa se utilizou das alíquotas diferenciadas para o cálculo de créditos pela sistemática da não cumulatividade; 4 – a empresa incluiu indevidamente na base de cálculo dos créditos da contribuição das compras que não dão direito a crédito. Em face da autuação, foi interposta impugnação pela contribuinte às fls. 173/200, mediante a qual alega: 1 nulidade dos autos de infração, porquanto: (i) notificado o sujeito passivo, ora recorrente, do Auto de Infração, que é a conclusão dos procedimentos fiscais emanados do MPF N. 10.1.01.00200900031, apenas em 19 de junho de 2000, um mês depois do encerramento do prazo de validade do referido Mandado de Procedimento Fiscal, que se deu em 15/05/2009; (ii) cerceado o direito de defesa da contribuinte porquanto o Relatório de Ação Fiscal não descreve com clareza e objetividade os fatos que motivaram a constituição do Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.004256/200914 Acórdão n.º 3301002.507 S3C3T1 Fl. 3 3 crédito tributário, deixando de atender o requisito insculpido no art. 10, inc III, do Decreto n. 70235/72 2 no mérito: (i) Quanto à alegação de cálculo incorreto de crédito presumido sobre estoque de abertura, alega que sob pena de se violar o princípio da neutralidade fiscal que permeia a sistemática dos tributos não cumulativos, devese aplicar aos estoques de abertura a alíquota incidente sobre a receita bruta auferida mensalmente para efeito de cálculo do PIS e da COFINS (2,1% E 9,9% respectivamente) em relação ao estoque de abertura existente à época da transição do regime cumulativo para o não cumulativo; (ii) Quanto ao cálculo dos créditos a alíquotas diferenciadas, alegou que sob pena de violação ao princípio da nãocumulatividade, devese autorizar que a contribuinte se utilize das alíquotas diferenciadas de PIS e COFINS a que a recorrente está sujeita por estar no regime monofásico de tributação, com alíquotas majoradas para o cálculo dos seus créditos de PIS e COFINS; (iii) No tocante às compras sem crédito não incluídas na base de cálculo dos tributos, apontou que o valor atinente a essa parte não foi considerado para efeitos de cálculo dos créditos, conforme planilha que anexou. A DRJ, analisando as razões expostas, houve por bem desprovêlas por meio do aresto de fls., cuja ementa a seguir se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO – Se o Auto de Infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art.10 do Decreto no 70.235/1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica arguir a nulidade do lançamento de ofício. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO DEPOIS DE EXPIRADO O PRAZO DE VALIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades fiscais, não sendo nulos os atos de fiscalização praticados após o término do seu prazo de validade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – INEXISTÊNCIA – Havendo indicação nos autos dos valores não aceitos como integrantes da base de cálculo dos créditos apurados pela empresa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA – ALÍQUOTA A alíquota aplicável sobre os valores do estoque de abertura é de 1,65% para apuração de crédito presumido referente ao PIS não cumulativo, quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). PIS SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE – CRÉDITOS – ALÍQUOTA – Na apuração de créditos passíveis de dedução dos débitos de PIS não cumulativo deve ser utilizada a alíquota de 1,65%, mesmo quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). MATÉRIA NÃOIMPUGNADA Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls.), mediante o qual, de forma resumida, repisa todos os fundamentos destacados na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIA REGINA FREITAS O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Quanto às preliminares suscitadas pela recorrente, entendo não lhe assistir razão, porquanto: Nesse 1 – Preliminar de nulidade do Auto porque à época da intimação do contribuinte da lavratura do Auto de Infração já não mais vigorava o Mandado de procedimento Fiscal (MPF) que o deu origem. Neste panorama, entendo que as razões explanadas pela DRJ no sentido de que o MPF nada mais é que um controle da Administração Tributária em garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato o auditorfiscal que o esteja fiscalizando se encontra no exercício legal de suas funções está em tudo correto. Da mesma forma, irretocável a conclusão no sentido de que a falta de MPF não poderia acarretar nulidade do lançamento. De fato, como se percebe de todo o procedimento fiscal em tela, o contribuinte teve plena ciência dos atos que nortearam a atividade fiscal e pôde se manifestar quando instado a tanto. O fato de o resultado desse trabalho fiscal, que se desenvolveu de forma transparente e com a ciência do contribuinte, ter se dado quando já expirado o MPF não acarreta nulidade da autuação, até mesmo porque seria excessivo formalismo e, formalismo esse que segundo a orientação desse Eg. CARF é desnecessário, já que a jurisprudência temse firmado no sentido de que a ausência de MPF não impede a lavratura de Auto de Infração. É o que se extrai das seguintes ementas: “Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2007 a 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE. O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.004256/200914 Acórdão n.º 3301002.507 S3C3T1 Fl. 4 5 (...).”(PA 14120.000348/200991; Ac. 3401002.647; Sessão de agosto de 2014) “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/10/2009 PREVIDENCIÁRIO. FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração. (...)” (PA 11634.000325/201032, Ac. 2403002.475; Sessão de fevereiro de 2014) Como se verifica, a orientação dessa Corte Administrativa está em consonância com o que decidiu o v. aresto recorrido, no sentido de relativizar a relevância das formalidades atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal para o fim de legitimar a autuação. O Auto de Infração não pode ser eivado de nulidade pela inobservância de requisitos atinentes ao MPF, donde deve ser afastada a nulidade apontada. 2 – Preliminar de nulidade do Auto porquanto o Relatório Fiscal não descreve com clareza e objetividade os fatos que motivaram a constituição do crédito tributário Inicialmente é mister destacar que a peça recursal a respeito do tema nada acresceu de relevante à Impugnação, devendo ser mantido o acórdão recorrido. Rejeito a alegação de nulidade do lançamento porque o auto de infração atende plenamente ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72 e inexistem dúvidas quantos aos critérios e fundamentação empregados nas autuações. Código Tributário Nacional “Art. 142 – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decreto 70.235/72 Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 De outra banda, o Auto de Infração em tela foi lavrado por servidor competente, possui todos os elementos exigidos, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato. Nele se vê que as bases de cálculo, alíquota e montantes devidos do imposto estão bem demonstrados. Tanto é assim que a ora recorrente demonstra, desde a impugnação, ter pleno conhecimento de todos os fundamentos e cálculos da autuação, insurgindose detidamente e especificamente em relação a cada um dos pontos, a exceção da questão atinente à depreciação, cujo debate desistiu para inserção em REFIS. Dessarte inexistiu qualquer preterição do direito de defesa ou ofensa ao contraditório. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. De fato, as razões trazidas pela recorrente em sua impugnação e recurso voluntário, cujo teor é o mesmo, não infirmam o que muito bem delineado pelo v. aresto recorrido, que adoto integralmente como razão de decidir: Cálculo incorreto de Crédito Presumido sobre o Estoque de Abertura A partir deste ponto a discussão travada pela empresa está na inconformidade quanto as alíquotas aplicadas no cálculo dos créditos das contribuições para o PIS e para a Cofins. O que precisa ficar bastante claro antes de analisarmos a inconformidade da autuada é o correto entendimento a respeito das alíquotas de 9,9% e 2,2% aplicáveis sobre parte dos produtos comercializados pela empresa. Essas alíquotas diferenciadas decorrem do fato da empresa estar sujeita a tributação concentrada (monofásica) para esses produtos. Essa tem como característica básica a tributação de produtos específicos (combustíveis derivado de petróleo, álcool para fins carburantes, veículos, medicamentos, bebidas, etc) unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, a alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, com a consequente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização toda a tributação da cadeia será implementada. O tributo devido decorre não apenas da operação de venda (faturamento) daquela operação, mas de todas as etapas seguintes de comercialização. Essa é a explicação para que essas alíquotas sejam superiores às aplicadas aos demais produtos não sujeitos à tributação concentrada. Analisemos agora a inconformidade da autuada quanto ao crédito sobre o estoque. A empresa ao calcular crédito presumido sobre o estoque de abertura aplicou as alíquotas de 9,9% e 2,1%, para a Cofins e o PIS, respectivamente, por entender que sendo essas as alíquotas aplicáveis no cálculo da contribuições devidas, essas seriam as alíquotas que deveriam incidir sobre o estoque para que fosse mantida a “neutralidade fiscal”. O exemplo numérico trazido pela empresa não é aplicável ao caso em comento, pois não podemos esquecer que o tributo pago pela autuada não se refere apenas a esta etapa de comercialização, mas também às demais etapas, já que o faturamento deste produto não será mais objeto de tributação. Outro ponto que deve ser destacado é que o PIS e a Cofins não incidem diretamente sobre o produto/bem comercializado, mas sobre o faturamento da empresa, sendo que os créditos passíveis de dedução pela sistemática da não cumulatividade não tem origem apenas no valor de aquisição do bem/produto, mas também em outras despesas da empresa, tais como energia elétrica, por exemplo. Vejamos o que estabeleceu a legislação a respeito do percentual a ser aplicado no cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura: Lei nº 10.637/2002 (...) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.004256/200914 Acórdão n.º 3301002.507 S3C3T1 Fl. 5 7 Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1º de dezembro de 2002. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. § 2 o O crédito presumido calculado segundo o § 1 o será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. § 2º O crédito presumido calculado segundo os §§ 1º e 7º será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo.( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) § 3º A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido, passar a adotar o regime de tributação com base no lucro real, terá, na hipótese de, em decorrência dessa opção, sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens e ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo. § 4º O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. ( Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003 ) § 5º O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7º a 9º do art. 3º desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nºs 9.990, de 21 de julho de 2000 , 10.147, 21 de dezembro de 2000 , 10.485, de 3 de julho de 2002 , e 10.560, de 13 de novembro de 2002 , ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição. ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) § 6º As disposições do § 5º não se aplicam aos estoques de produtos adquiridos a alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela incidência da contribuição. ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) § 7º O montante do crédito presumido de que trata o § 5º deste artigo será igual ao resultado da aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque, inclusive para as pessoas jurídicas fabricantes dos produtos referidos no art. 51 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 . ( Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004 ). Lei nº 10.833/2003 (...) Art. 12 . A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2º O crédito presumido calculado segundo o § 1º será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. § 2º O crédito presumido calculado segundo os §§ 1º e 9º deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere ocaput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º O crédito presumido calculado segundo os §§ 1º, 9º e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 § 3º O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. § 4º A pessoa jurídica referida no art. 4ºque, antes da data de início da vigência da incidência nãocumulativa da COFINS, tenha incorrido em custos com unidade imobiliária construída ou em construção poderá calcular crédito presumido, naquela data, observado: I no cálculo do crédito será aplicado o percentual previsto no § 1ºsobre o valor dos bens e dos serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, utilizados como insumo na construção; II o valor do crédito presumido apurado na forma deste parágrafo deverá ser utilizado na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, à medida do recebimento. § 5º A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido ou optante pelo SIMPLES, passar a ser tributada com base no lucro real, na hipótese de sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, terá direito ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo, calculado sobre o estoque de abertura, devidamente comprovado, na data da mudança do regime de tributação adotado para fins do imposto de renda. § 6º Os bens recebidos em devolução, tributados antes do início da aplicação desta Lei, ou da mudança do regime de tributação de que trata o § 5º, serão considerados como integrantes do estoque de abertura referido no caput , devendo o crédito ser utilizado na forma do § 2º a partir da data da devolução. § 7º O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7º a 9º do art. 3ºdesta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nºs 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 8º As disposições do § 7º deste artigo não se aplicam aos estoques de produtos adquiridos a alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela incidência da contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 9º O montante do crédito presumido de que trata o § 7º deste artigo será igual ao resultado da aplicação do percentual de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor do estoque. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 10. O montante do crédito presumido de que trata o § 7º deste artigo, relativo às pessoas jurídicas referidas no parágrafo único do art. 56 desta Lei, será igual ao resultado da aplicação da alíquota de 3% (três por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos até 31 de janeiro de 2004, e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos a partir de 1º de fevereiro de 2004. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 10. O montante do crédito presumido de que trata o § 7º deste artigo, relativo às pessoas jurídicas referidas no art. 51 desta Lei, será igual ao resultado da aplicação da alíquota de 3% (três por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos até 31 de janeiro de 2004, e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor dos bens em estoque adquiridos a partir de 1ºde fevereiro de 2004. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) . Pela leitura dos dispositivos acima transcritos resta evidente que os percentuais a serem aplicados sobre o estoque de abertura no cálculo do crédito presumido de PIS e de Cofins, será de 1,65% e 7,6%, respectivamente. Portanto, os percentuais majorados utilizados pela empresa estão em desacordo com o determinado expressamente pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.8333/2003, com redação dada pela Lei nº 10.865/2004, não havendo qualquer modificação a ser implementada nos autos de infração em comento. Cálculo Incorreto de Créditos a “Alíquotas Diferenciadas”. Aqui novamente a empresa repisa os mesmos argumentos trazidos quando da discussão a respeito do crédito presumido sobre o estoque de abertura, Acredita ser indispensável a simetria /identidade entre as alíquotas aplicadas no cálculo do crédito e do débito das contribuições em análise para que seja observada a essência da natureza da não cumulatividade. Da mesma forma que acontece com o crédito presumido sobre o estoque de abertura, a Lei determina que o percentual a ser aplicado sobre a base de cálculo dos créditos das contribuições para o PIS e para a Cofins na sistemática da não cumulatividade é de 1,65% e 7,6% (art. 3º, §1º da Leis nº 10.367/2002 e nº 10.833/2003), respectivamente, para o PIS e Fl. 292DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.004256/200914 Acórdão n.º 3301002.507 S3C3T1 Fl. 6 9 Cofins. Não há qualquer previsão para a majoração das alíquotas no cálculo dos créditos da não cumulatividade. Ressaltese outra vez que a majoração das alíquotas tem sua origem da tributação monofásica dos produtos, portanto a alegada simetria/identidade de alíquotas dos tributos, em cujas etapas posteriores não haverá recolhimento dessas contribuições. Com relação à solução de consulta esclareçase, em primeiro lugar, que essa não trata de tributação monofásica sobre medicamentos e sim sobre autopeças. A solução de consulta analisa ainda o caso de um importador de autopeças e não de um fabricante. A autuada é fabricante de produtos farmacêuticos, portanto sequer se enquadra nas hipóteses analisadas na referida solução de consulta, não sendo o caso de sua aplicação ao caso presente. Assim, não há que se reformar a decisão ora recorrida, que deverá prevalecer pelos seus próprios fundamentos. FÁBIA REGINA FREITAS Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11020.003805/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2005, 15/02/2005, 28/02/2005, 18/04/2005, 30/06/2005, 20/07/2005
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO.
Verificado que o sujeito passivo declarou ter compensado débitos próprios com créditos de terceiros, sem estar devidamente amparado por decisão judicial, a compensação deve ser considerada não declarada por força do art. 74, §12, inciso II, alínea a, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, ensejando a exigência de multa de 75% sobre o valor do tributo indevidamente compensado, tendo em vista o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e no art. 18, §4º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente, que assina apenas para formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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CRÉDITO DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO. Verificado que o sujeito passivo declarou ter compensado débitos próprios com créditos de terceiros, sem estar devidamente amparado por decisão judicial, a compensação deve ser considerada não declarada por força do art. 74, §12, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, ensejando a exigência de multa de 75% sobre o valor do tributo indevidamente compensado, tendo em vista o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e no art. 18, §4º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente, que assina apenas para formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Daniel Mariz Gudiño – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 38 05 /2 00 7- 78 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mércia Helena Trajano D’Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: 0 presente processo foi formalizado para fins de exigência de multa(s) isolada(s) de 75% decorrente(s) de compensações pleiteadas pela interessada (não homologadas ou consideradas não declaradas pela DRFB jurisdicionante) nos autos do processo 11020.001110/200590, 11020.001354/200572, 11020.002078/200560, e 11020.001973/200567, no qual foi pleiteada a compensação de débitos de COFINS e PIS com créditos de terceiros. Tempestivamente, a interessada interpôs as impugnações a fls. 71 a 108, as quais serão analisadas em conjunto no presente acórdão, onde pugna pela insubsistência dos autos de infração em apreço, pelas razões a seguir sintetizadas: ü Reitera a existência de créditos compensáveis reconhecidos na ação judicial 94.18.002337, 1ª Vara Federal de Novo Hamburgo, adquiridos mediante Cessão de Crédito e a possibilidade de utilização dos mesmos no encontro de contas pleiteado. ü Discorda do entendimento da autoridade administrativa quanto ao não reconhecimento de seu crédito, tampouco de suas compensações consideradas não declaradas. ü Discorre novamente a respeito da possibilidade do encontro de contas com os direitos creditórios pleiteados, adquiridos de terceiros. ü Discorre sobre a natureza jurídica da multa fiscal e alega que todas a multas aplicadas são indevidas, exorbitantes arbitrárias e excessivas, pois não descumpriu a legislação e procedeu ao encontro de contas com base em sentença judicial. ü Requer, portanto, a exclusão ou redução da multa aplicada, até mesmo por ausência de base legal para sua aplicação. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 4 3 ü Entende que a autoridade incorre em grave equivoco ao aplicar penalidades na pendência de decisão definitiva na esfera administrativa quanto ao litígio envolvendo a pretensão de compensação no processo 11020.001110/200590, 11020.001354/200572, 11020.002078/200560, e 11020.001973/200567. A impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1015.941, de 15/05/2008: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/06/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA OU CONSIDERADA NAO DECLARADA IMPOSSIBILIDADE DE ANALISE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DISTINTO DO PLEITEADO ORIGINALMENTE Não cabe nova análise da viabilidade do reconhecimento do direito creditório, já indeferido em processo próprio, através de outro processo administrativo, de lançamento fiscal, com liame com aquele, mas que tem identidade própria, por impossibilidade legal e processual. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. A multa isolada não possui natureza confiscatória, constituindo se antes em instrumento de desestimulo ao abuso de forma no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. E, estando prevista em lei, não cabe à Administração Tributária perquirir sobre o impacto da exigência no patrimônio do sujeito passivo. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando, ipsis litteris, os argumentos suscitados em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 07/10/2011. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne do presente litígio gravita em torno do cabimento da multa isolada em razão da compensação considerada não declarada, bem como, especificamente no caso da Recorrente, do tipo de compensação não declarada que era passível de ensejar a lavratura de auto de infração para cobrança de multa isolada. As compensações foram declaradas em 31/01/2005, 15/02/2005, 28/02/2005, 18/04/2005, 30/06/2005 e 20/07/2005. Nesse época vigiam o art. 74, § 12, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 18, caput e §§ 2º e 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, todos com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, a saber: Art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 18 da Lei nº 10.833 de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 6 5 § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Com efeito, é irrefutável que a compensação de créditos de terceiro já era considerada uma hipótese de compensação do tipo “não declarada” quando da formalização das declarações de compensação realizadas pela Recorrente. Da mesma forma, não se pode ignorar o fato de que já havia previsão legal para a multa isolada nesses casos. Por tais razões, não merece prosperar a alegação da Recorrente no sentido de que falta amparo legal para a cobrança da multa. Tais conclusões não discrepam da jurisprudência do CARF, a saber: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. Há incidência de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Artigo 18, § 4o. da Lei n º 10.833, de 2003, com a alteração dada pela Lei n º 11.488, de 2007). (Acórdão nº 1801001.029, Rel. Cons. Maria de Lourdes Ramirez, Sessão de 13/06/2012) ......................................................................................................... ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 04/07/2008, 28/07/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO E NÃO ADMINISTRADO PELA RFB. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Exigese multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses em que o crédito seja de terceiro, refirase a título público ou quando não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, previstas no inciso II, alíneas “a”, “c” e “e”, do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Acórdão nº 3202000.354, Rel. Cons. Paulo Sergio Celani, Sessão de 10/08/2011) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 7 6 Adicionalmente, a Recorrente alega que o seu direito de compensar créditos de terceiros estaria respaldado em decisão judicial, pois, além de o crédito de terceiro ser objeto de coisa julgada, obteve liminar no Mandado de Segurança nº 2005.71.07.0017313, em trâmite originalmente na Vara Federal de Execuções de Caxias do Sul/RS, para realizar compensações sem a prévia habilitação prevista no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 517, de 2005. 1 Contudo, impende notar que as decisões judiciais mencionadas pelo juízo tratam de duas coisas distintas: uma reconheceu o crédito de outro contribuinte e a outra reconheceu o direito de a Recorrente realizar compensações sem habilitar previamente o crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Para que a alegação da Recorrente estivesse correta, precisaria ter obtido uma decisão judicial reconhecendo o direito de compensar crédito de terceiro à revelia do disposto no art. 74, § 12, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, e isso não ocorreu. Confirase o teor da parte dispositiva da liminar concedida à Recorrente: Por estas razões, DEFIRO A LIMINAR REQUERIDA e autorizo a Impetrante a proceder à compensação prevista no artigo 74 da Lei 9.430/96 sem a observância do contido na Instrução Normativa SRF n° 517/2005. Diante dessas considerações, evidenciase que não há decisão judicial que ampare a pretensão da Recorrente, e, portanto, não é possível afastar dispositivo de lei em sentido estrito, mesmo que o fundamento para tanto seja a sua inconstitucionalidade. Nesse contexto, convém lembrar que, salvo nas hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto não pode ser afastada no âmbito do processo administrativo fiscal. Confirase: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6ª O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 1 Essa decisão foi confirmada em sentença e em acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, havendo a Fazenda Nacional interposto o Recurso Especial nº 1.215.659/RS, que aguarda julgamento. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 8 7 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Quanto ao argumento de que a multa isolada teria caráter confiscatório inconstitucional, impende trazer ao conhecimento da Recorrente a Súmula CARF nº 2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por outro lado, de acordo com o art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Havendo súmula do CARF que impede a composição deste colegiado de se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o argumento da confiscatoriedade não pode ser conhecido. Finalmente, a Recorrente alega que a autoridade incorre em grave equivoco ao aplicar penalidades na pendência de decisão definitiva na esfera administrativa quanto ao litígio envolvendo a pretensão de compensação no processo 11020.001110/200590, 11020.001354/200572, 11020.002078/200560 e 11020.001973/200567. De fato, o art. 18, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, estabelece que, ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas isoladas, as peças devem ser reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como esse mesmo artigo versa sobre hipóteses de compensação não declarada, há uma aparente contradição com o teor do art. 74, § 13, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, segundo o qual não cabe manifestação de inconformidade nas hipóteses de compensação não declarada. A contradição é aparente, pois o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, também versa sobre outras compensações, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o dispositivo legal em questão não conflita com o art. 74, § 13, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004. Aliás, analisandose o andamento dos processos administrativos que se referem às compensações dos créditos de terceiros com créditos da Recorrente, verificase que três estão na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Caxias do Sul/RS, o que revela que, se houve manifestações de inconformidade nos referidos processos, estas não foram conhecidas. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 9 8 De qualquer modo, então, o objetivo do art. 18, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, já estaria frustrado, qual seja, a reunião dos processos para julgamento simultâneo das manifestações de inconformidade e da impugnação decorrente do lançamento relativo à multa isolada. Embora a Recorrente não tenha atacado diretamente a fragilidade do auto de infração, é dever de ofício verificar se o lançamento está em consonância com os preceitos legais vigentes à época dos fatos a teor do art. 144 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, verificase que a multa regulamentar ora discutida corresponde a 75% do valor atualizado do débito indevidamente compensado, conforme se depreende da tabela intitulada Demonstrativo de Compensações Não Declaradas (fl. 10). De acordo com a redação vigente à época da formalização das declarações de compensação, posteriormente tidas como não declaradas, o art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, previa que a multa aplicável seria a do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, que, por sua vez, assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Isso significa que o auto de infração jamais poderia ser lavrado para exigir multa isolada de 75% no caso de compensação considerada não declaradas, por não haver previsão legal para tanto à época dos fatos. A multa nesse percentual somente passou a ser prevista para os casos de compensação considerada não declarada quando a Lei nº 11.196, de 2005, deu nova redação ao § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Confirase: Art. 18.... § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 10 9 Desse modo, fazse imperioso reconhecer que, até o início da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, somente ensejavam a multa isolada as compensações consideradas não declaradas em que ficasse caracterizada sonegação, fraude ou conluio, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, respectivamente. Ora, no caso concreto não há qualquer evidência de que a Recorrente obrou com evidente intuito de sonegar, fraudar ou praticar conluio. Ao contrário, pela leitura dos autos do processo, percebese que, embora equivocada, a Recorrente acreditava que uma liminar lhe permitia compensar débitos próprios com créditos de terceiros devidamente reconhecidos pelo Poder Judiciário. E nem se diga que o auto de infração aplicou a retroatividade benigna de que trata o art. 106 do Código Tributário Nacional, eis que tal dispositivo somente se aplica quando a lei é interpretativa ou em se tratando de ato não definitivamente julgado. No caso em tela, a Lei nº 11.196, de 2005, não é interpretativa nem foi editada durante o curso do processo administrativo fiscal em que se discute a multa isolada. Com efeito, para que o auto de infração estivesse correto, seria necessário que a multa isolada fosse de 150% e, consequentemente, a fiscalização evidenciasse inequivocamente a caracterização de sonegação, fraude ou conluio, tal como definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Nessa mesma linha de raciocínio, há precedentes do CARF, a saber: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. Período de apuração: 30/09/2005 a 30/11/2005. MULTAS ISOLADAS. Com o advento da Lei 11.051/04, de 30/12/2004, a multa isolada passou a ser aplicável somente nos casos de (i) não homologação com pratica de sonegação, fraude ou conluío, sendo aplicável somente com o percentual de 150%; e, (ii) compensação considerada não declarada nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/64, ou seja, com sonegação, fraude ou conluío, também sendo aplicável somente com o percentual de 150%. Após a entrada em vigor da Lei 11.196/05, de 14/10/2005, passou a ser aplicada nos casos de (i) não homologação com prática de sonegação, fraude ou conluio (150%); (ii) compensação considerada não declarada sem fraude (75%); e (iii) ou compensação considerada não declarada com fraude (150%). (Grifouse) (Acórdão nº 3302001.640, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 24/05/2012) ......................................................................................................... ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Data do falo gerador: 12/01/2005, 31/01/2005, 15/02/2005, 28/02/2005. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA CREDITO PREMIO, CESSÃO POR TERCEIROS MULTA ISOLADA APLICAÇÃO. A aplicação isolada de multa de lançamento de oficio por compensação indevida de débitos com crédito cedido por terceiros e referente ao crédito prêmio do IPI, considerada como não declarada pela autoridade administrativa competente para homologála, restringese às hipóteses em que a conduta Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 11 10 do declarante tenha sido qualificada por sonegação, fraude ou conluio. (Grifouse) (Acórdão nº 380300.297, Rel. Cons. Alexandre Kern, Sessão de 01/02/2010) Como não restou demonstrada nos autos a intenção de a Recorrente sonegar, fraudar ou praticar conluio por meio das declarações de compensação que formalizou antes do início da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, o auto de infração deve ser cancelado. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (assinado digitalmente) Daniel Mariz Gudiño – Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado Conforme Demonstrativo de Compensações não Declaradas, fl. 10 dos autos (fl. 11 do eprocesso), as declarações de compensação objeto do auto de infração são todas do ano de 2005, de 31/01/2005 a 20/07/2005. Também conforme o auto de infração, as datas dos fatos que ensejaram a exigência da multa ocorreram no ano de 2005. Uma vez que se trata de compensações consideradas não declaradas, as datas a serem consideradas para aplicação da legislação são as das declarações de compensação, as quais ocorram em 2005, quando já estava em vigor a Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Foi informado no enquadramento legal da exigência o art 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004. Este artigo remete ao lançamento de ofício de que trata o art 90 da Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001. No Relatório de Auditoria Fiscal, encontramse as demais normas que justificaram a exigência: arts 40 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelas Leis nº 10.637, de 2002, e 11.051, de 2004; o art. 40 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18/10/2004. Estas normas deixam claro que, com exceção do Refis, não podem ser compensados débitos tributários com créditos tributários de terceiros, devendo ser considerada não declarada a compensação realizada nesta hipótese. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 12 11 A origem da exigência da multa de ofício de 75% está no art. 44, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que determina: nos lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre o tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuandose as situações previstas no inciso II deste artigo; a multa será exigida juntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente paga. O art. 90 da Medida Provisória 215835, de 24/08/2001, não estipula nenhuma multa. Esta MP não revogou o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Logo, a remissão ao art. 90 da MP 215835, de 2001, na MP 135, de 30/10/2003, que se converteu na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, restringindo os casos em que a multa se aplica, em nada altera a exigência da multa baseada na Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, evidencia que nos casos de compensação não declarada, não tendo havido fraude, exigese multa de 75%. Medida Provisória n° 2.158, de 2001: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004: "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá a imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964” § 1 ° Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas isoladas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 13 12 hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei n° 9.430, de 1996: "Art. 40. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação a que se refere o caput não se aplica ao débito consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, bem corno aos pedidos de compensação formalizados perante a SRF até 7 de abril de 2000.” “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” As hipóteses de compensação não declarada do inciso II, do § 12 do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, foram incluídas por essa mesma Lei n° 11.051, de 2004, nos seguintes termos: "Art. 4º O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1° do Decreto Lei n°491. de 5 de marco de 1969; c) refirase a titulo público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 14 13 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF." (destaques acrescidos) Logo, para o período objeto do auto de infração, nos casos de compensação considerada não declarada, havia sim previsão legal para a exigência da multa de 75%. Sua simples leitura, sem a necessidade de utilização do parágrafo 4º, posteriormente incluído ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, seria suficiente para concluir pela procedência da aplicação das multas de ofício, tal como calculadas no auto de infração. Em resumo, a aplicação destas normas enseja a exigência da multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de tributo nos casos de fraude previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e de 75%, nos demais casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Vejase que o art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, ao proibir a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, nada diz sobre ser necessário estar presente dolo, máfé, sonegação, fraude, simulação, conluio, ou qualquer outra qualificadora para caracterização da conduta proibida. Logo, à época dos fatos, havia hipótese de conduta proibida, não qualificada como fraudulenta, que deveria sofrer sanção. A sanção já estava prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. O art. 90 da MP nº 2.158, de 2001, estabeleceu apenas a forma para ser exigida. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, não fez mais do que interpretar os arts. 90 da MP nº 2.158, de 2001, e 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e o parágrafo 4º incluído a este artigo 18, posteriormente, apenas evita entendimento de que a multa seria de 150% em todas as hipóteses previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Entender de modo diferente implicaria afirmar que para a proibição de se compensar débitos com créditos de terceiros não haveria nenhuma sanção. Assim, seja por força apenas do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seja com fundamento na redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, não tendo havido cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, o fato de ter sido citado o parágrafo 4º, do art. 18, da Lei nº 10.833, de 2003, em redação dada por Lei publicada em data posterior à dos fatos, não interfere na interpretação e aplicação da legislação então vigente aos fatos constatados, legislação esta transcrita no auto de infração e no Relatório de Auditoria Fiscal , e não tem o condão de tornar nulo o auto de infração, devendo ser mantida a exigência contida neste. Transcrevo ementa do Acórdão nº 10709.077, de 13/06/2007, da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE TERCEIRO E NÃO ADMINISTRADO PELA SRF. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 15 14 Considerada não declarada a compensação, em face da utilização de crédito de terceiros e não administrado pela SRF, cabível a multa isolada sobre o valor do imposto indevidamente compensado: não estando caracterizado o evidente intuito de fraude, reduzse a multa ao percentual de 75%. No julgamento a Câmara também entendeu que o parágrafo 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, era útil para que não se exigisse a multa de 150%, em casos em que não ficasse caracterizada fraude, simulação ou conluio. Vejamse as palavras extraídas do voto condutor do acórdão citado da lavra do Conselheiro Relator Jayme Juarez Grotto, alertando para o fato de que naquele julgamento a Câmara entendeu que o parágrafo 4º servia de fundamento para a exigência: “Assim, uma vez considerada não declarada a compensação neste caso, por se tratar de pretensão acerca de crédito de terceiros e não administrado pela SRF, hipóteses previstas nas letras "a" e "e" do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 , presente está o pressuposto do lançamento de multa isolada (parágrafo 4° retro reproduzido). Quanto ao percentual da multa aplicada, porém, entendo que assiste razão à recorrente. O caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003 (com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004), contém a previsão de aplicação de "multa isolada" e a prevê na hipótese em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. No § 2° do mesmo art. 18, a Lei estipula que o percentual a ser aplicado é o do inciso II do caput (150%) ou o do § 2° (225%) do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Já o § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003 (com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004), contém a especificação de que a multa prevista no caput também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada, nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 — como ocorre na espécie dos autos, que se encaixa nos incisos "a" (crédito de terceiros) e "e" (crédito que não se refere a tributos e contribuições administrados pela SR) do referido inciso II. Isso poderia ser entendido no sentido de que a Lei estaria criando a presunção de que, nessas hipóteses (do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996), estaria configurada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo a multa aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. No entanto, a Secretaria da Receita Federal, por meio das modificações introduzidas pela Instrução Normativa SRF n° 534, de 5 de abril de 2005, na Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, trouxe a seguinte disposição: Art 1° Os arts. 21, caput, 30, §§ 1° a 3°, e 31, g 1° a 5°, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 30. ..... § 1° Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de oficio, multa isolada calculada Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 16 15 sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, na hipótese de nãohomologação de compensação em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2° A multa isolada nas hipóteses a que se refere o § /° será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 31. ... § /° Também será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o do art. 26; em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 10 do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF. § 4° Verificada a situação mencionada no caput e no § 1° em relação a parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo. § 5° Nas hipóteses do inciso II do § 1°, será aplicada multa isolada nos percentuais previstos nos incisos I ou II do caput ou no § 2° do art 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Grifei). Assim, como a hipótese de compensação considerada não declarada está sujeita à multa isolada nos percentuais previstos nos "incisos I ou II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996", para o lançamento de multa isolada qualificada (150%) há que ficar caracterizado, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Caso contrário, a multa será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 1996 (75%). Observese inclusive que, nas alterações posteriormente efetuadas no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, pela Lei n° 11.196, de 2005, e, mais recentemente, pela MP n° 351, de 2007, igualmente ficou determinado que, no caso de compensação considerada não declarada, a multa de 150% só se aplica nas hipóteses em que ficar caracterizado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Portanto, no caso dos autos, pelo fato descrito pela fiscalização — compensação considerada não declarada por se referir a crédito de terceiros e não Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.003805/200778 Acórdão n.º 3201001.178 S3C2T1 Fl. 17 16 administrado pela SRF —, a multa isolada deve ser mantida no percentual de 75%, afastandose a qualificada de 150%, porquanto, para a hipótese citada, não há presunção legal de atribuir ao fato o caráter de evidente intuito de fraude (mesmo porque fraude não se presume, se prova), nem há no processo elementos que demonstrem a caracterização desse intuito. (...) Conclusão. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Redator Designado Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digit almente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 15885.000133/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2004 a 10/08/2004
MULTA DE MOA. DÉBITO PAGO ANTES DE CONFESSADO. APLICAÇÃO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o benefício da denúncia espontânea prescrita no art. 138 do CTN relativamente aos débitos pagos, acrescidos de juros, antes de declarados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 10/08/2004 MULTA DE MOA. DÉBITO PAGO ANTES DE CONFESSADO. APLICAÇÃO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o benefício da denúncia espontânea prescrita no art. 138 do CTN relativamente aos débitos pagos, acrescidos de juros, antes de declarados. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a Impugnação apresentada, por entender que a multa de mora é aplicável nos casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê após a data de vencimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 5. 00 01 33 /2 00 7- 20 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Tratase de exigência da multa de mora limitada ao percentual de 20% sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada na Notificação de Lançamento de fl. 002, cientificado em 14/07/2007 (fl. 009), totalizando o crédito tributário de R$ 83.034,97. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Segundo o exposto na Notificação de Lançamento (fl. 002), na execução de procedimento de verificação de débitos, foi identificada multa de mora não recolhida referente a pagamento de IPI após o vencimento, que foi lançada por meio do auto de infração originário do presente processo. A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos à fl. 002. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou, em 10/07/2007, a tempestiva impugnação de fls. 013/025 e documentos anexos aduzindo em sua defesa as razões que se seguem. 1. Alega ter exercido a denúncia espontânea com o pagamento do tributo devido acompanhado dos juros de mora antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, nos termos do art. 138 do CTN. Expõe que a multa moratória tem caráter punitivo, o que não se coaduna com a denúncia espontânea. Também afirma que houve alteração na redação do art. 44 da Lei 9.430/1996, por ocasião da MP nº 351/2007, que teria excluído a possibilidade de multa para o recolhimento em atraso sem o valor da multa moratória. Traz decisões administrativas e jurisprudência. Finaliza pedindo a improcedência do auto de infração e o arquivamento do processo administrativo. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Impugnação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2004 a 10/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15885.000133/200720 Acórdão n.º 3102002.298 S3C1T2 Fl. 13 3 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. A multa de mora é aplicável nos casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê após a data de vencimento. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente repetindo as razões apresentadas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se restringe a verificar se é cabível a incidência da multa de mora de 20% quando o contribuinte recolhe o tributo integralmente acrescido dos juros de mora antes do inicio de qualquer procedimento de fiscalização. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 962.379, o entendimento já consolidado na Súmula STJ nº 360, no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 962379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 28/10/2008) Em seu voto, o relator deixou consignado o seguinte: (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Consequentemente, não há possiblidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários cuja existência já esteja formalizada (= créditos tributários já constituídos) e, portanto, líquidos, certos exigíveis. Ocorre que o caso concreto não se amolda ao definido no acórdão acima transcrito por uma razão singela, mas decisiva: não se pode falar aqui em tributo declarado, mas pago a destempo. Afinal, conforme comprovam os documentos que instruíram a impugnação (doc. 03), o Recorrente recolheu o tributo acrescido de juros de mora em 05/09/2006 e apenas em 08/09/2006 transmitiu Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, informando a realização do mencionado pagamento. Assim, diante das particularidades do caso concreto e tendo em vista que o contribuinte recolheu integralmente o tributo, devidamente acrescido dos juros devidos sem que tivesse sido instaurado qualquer procedimento de fiscalização e antes mesmo de declarálo em DCTF devese reconhecer que se lhe aplica a denúncia espontânea e, consequentemente, afastar a incidência de qualquer multa, inclusive se mora. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar a autuação. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10830.001844/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2001
PIS/COFINS. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESTITUIÇÃO Recorrente SINASA S/A ADMINISTRAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2001 PIS/COFINS. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 18 44 /2 00 6- 52 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição (efls. 03/ss), protocolado em 19/04/2006, em decorrência de valores de PIS supostamente pagos indevidamente, para o período de apuração de fevereiro/1999 a fevereiro/2001 (datas dos pagamentos: 15/03/1999 a 15/03/2001, respectivamente). Com o intuito de elucidar os fatos transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 167/ss), verbis: Tratase de Pedido de Restituição, fl. 01, protocolado em 19/04/2006, utilizando direito creditório oriundo de pagamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativos aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a fevereiro de 2001, no valor de R$ 1.392,62. As cópias dos documentos que objetivam a comprovação dos pagamentos efetuados encontramse às fls. 03/15. A interessada fundamentou sua pretensão, aduzindo que houve Pagamentos indevidos de PIS com base de cálculo baseado sobre outras receitas, conforme decisão dos Recursos Extraordinários n°357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Examinados os elementos do processo, o Sr. Chefe da Saort da Unidade jurisdicionante, através do Despacho Decisório de fls. 21/26, indeferiu o pedido de restituição, por não reconhecer o crédito que a interessada alegava possuir, pelos seguintes fundamentos: 1. Extinção do direito de pleitear a restituição por decurso do prazo de 5 (cinco) anos, em conformidade.com o Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999 e o art 30 da Lei Complementar n° 118, de 2005; tendo sido formulado o pedido de restituição em 19/04/2006, todos pagamentos/compensações objeto do pedido foram atingidos pela decadência; 2. não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, tal qual o art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário, cabendo àquela autoridade tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento, enquanto vigente no ordenamento jurídico; 3. o contribuinte alega que os pagamentos foram indevidos sem, no entanto, comprovar cabalmente os motivos que o autorizam a julgar tal recolhimento passível de restituição (como, por exemplo, cópias autenticadas das memórias de cálculo dos tributos e dos livros contábeis e fiscais obrigatórios). Cientificada em 04/07/2007, a interessada apresentou, em 17/07/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 29/41, na qual alega, em suma e fundamentalmente, que: 1. nas hipóteses de situação jurídica conflituosa, como é o presente caso, a contagem do prazo de decadência para repetição de indébito tributário vinculado a inconstitucionalidade da regra matriz de incidência, só tem início na data do trânsito em julgado da decisão que a declarou, já que o direito de repetir o valor Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.001844/200652 Acórdão n.º 3202001.421 S3C2T2 Fl. 212 3 indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a decisão definitiva daquele conflito; colaciona decisão da 8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes nesse sentido; considerando que os Acórdãos dos Recursos Extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 foram publicados em 09/11/ 2005, os contribuintes podem pleitear a restituição desses valores até 09/11/2010; 2. o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, declarou a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas; 3. tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o presente caso, o prazo para o pedido de restituição é de 5 anos contados da homologação do lançamento, que ocorre de forma tácita em 5 anos da ocorrência do pagamento, pelo que o pedido de restituição deve ser considerado tempestivo, eis que formulado dentro do prazo decenal; 4. o disposto no art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, que, para efeito de contagem do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição, estabelece a ocorrência da extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, não tem nenhuma relação com os indébitos nascidos da declaração de inconstitucionalidade da norma tributária; 5. além disso, o referido dispositivo não pode ser aplicados a fatos (recolhimentos) ocorridos anteriormente a sua vigência, porquanto, tal norma não possui cunho expressamente interpretativo, mas sim natureza modificativa; 6. Tendo em vista o veto do Chefe do Poder Executivo ao § 1° do artigo 1° da Lei n° 10.736, de 2003, que pretendia restringir o direito à restituição de valores recolhidos a título de contribuição previdenciária com base no § 2° do artigo 25 da Lei n° 8.870, de 1994, a própria Administração Pública reconhece como legítima e necessária a restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal; 7. Como a Impugnante não possuía faturamento no período objeto do pedido, a base de cálculo recaiu inteiramente sobre outras receitas, tornando os recolhimentos totalmente indevidos, porquanto os documentos apresentados foram suficientes para comprovar o alegado; não obstante, anexa cópias das DIPJ dos períodos em referência. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas indeferiu o pedido do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 0520.294, de 26/11/2007 (efls. 167/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2001 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. AD SRF 96/99. VINCULAÇÃO. Consoante Ato Declaratório SRF 96/99, que vincula este órgão, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 O controle de constitucionalidade da legislação é de competência exclusiva do Poder Judiciário. A extensão administrativa dos efeitos jurídicos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no exercício do controle difuso condicionase às hipóteses estabelecidas no Decreto n° 2.346, de 1997. Solicitação Indeferida A interessada regularmente cientificada do Acórdão em 07/03/2008 (efolhas 175/176) interpôs Recurso Voluntário em 18/03/2008 (efls. 177/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Antes de adentrarmos ao mérito referente ao direito à restituição do tributo, devemos analisar a questão relativa ao prazo legal previsto para ser formulado o pedido de restituição de tributos, por tratarse de matéria preliminar. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente era aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Nesse diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.001844/200652 Acórdão n.º 3202001.421 S3C2T2 Fl. 213 5 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, os alegados recolhimentos indevidos ou a maior referemse ao período de apuração de fevereiro/1999 a fevereiro/2001 e o Pedido de restituição foi formalizado pela contribuinte em 19/04/2006 (efls. 01/03), portanto, ocorreu a prescrição em relação a todo o período solicitado, considerandose o prazo de 5 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados após 09/06/2005. Esse entendimento inclusive já está pacificado na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Confiramse o Acórdão nº 9303003.092, de relatoria da ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez Lópes, datado de 14/08/2014 (decisão unânime), cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 03/12/1996 a 14/11/2001 RESTITUIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO APÓS 09/06/2005. Para os pedidos de restituição protocolizados depois da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 5 anos a partir do pagamento. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621. Recurso negado Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 18404.000394/2008-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
RELEVAÇÃO. INDEFERIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.748
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência 10/2001. No mérito: Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 , prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. RELEVAÇÃO. INDEFERIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 40 4. 00 03 94 /2 00 8- 84 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência 10/2001. No mérito: Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 , prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Santos, Decisão Notificação nº 21.433.4/0026/2007, que julgou a autuação procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: O presente AutodeInfração foi lavrado por infringência ao art. 32, inciso IV, § 50 da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, c/c art. 225, inciso IV, § 4º do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, pelo fato de que a empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP parte das remunerações constantes das folhas de pagamento, referentes As remunerações pagas aos sócios a titulo de prólabore, bem como pagas aos segurados empregados, no período de 01/99 a 07/2006, consoante Relatório Fiscal da Infração As fls. 06 e 07 e Quadro Demonstrativo As fls. 08 e 09. 2. Assim, foi aplicada pela Autoridade Fiscal, consoante Relatório Fiscal de Aplicação da Multa às fls. 07 e Quadro Demonstrativo As fls. 08 e 09, a multa no valor de R$ 133.897,31 (cento e trinta e três mil, oitocentos e noventa e sete reais e trinta e um centavos), conforme o art. 32, § 5º da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, com as atualizações da Portaria MPS n.° 342/2006, sendo que nesta autuação não se aplicam as circunstâncias agravantes dispostas no art. 290 do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, conforme § 4° do art. 655 da Instrução Normativa IN/SRP n.° 03/05, não tendo sido as mesmas constatadas pela Autoridade Fiscal Autuante, tal qual a reincidência, bem como não foi constatada a ocorrência das circunstâncias atenuantes dispostas no art. 291 do citado RPS. DA IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo regulamentar a empresa apresentou impugnação, as fls. 22 a 46, alegando em síntese que: 3.1 Alega a impugnante que, no decorrer do período fiscalizado, foi mal assessorada pelos escritórios contábeis, fazendo com que as informações que deveriam ser passadas ao INSS através da GFIP não fossem efetuadas da maneira correta durante o Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 período fiscalizado, gerando uma sucessão de Autosde Infração. 3.2 Solicita a revisão da fiscalização e impugnação do Autode Infração, alegando que improcede a afirmação da Auditora Fiscal de que a empresa deixou de informar na GFIP parte das remunerações constantes nas folhas de pagamento, referentes ás remunerações pagas aos sócios a titulo de retirada de pró labore e pagas aos segurados empregados, sendo que, consoante a impugnante, ocorreu que em alguns meses, pela falta de verba para o pagamento total do FGTS na data de vencimento, foi emitida uma GFIP parcial e dentro do mesmo mês uma GFIP complementar, sendo que não tinha a informação de que ao ser transmitida a GFIP complementar a mesma substituía a GFIP transmitida anteriormente, aduzindo que tal fato é comprovado com a apresentação da documentação física, anexando cópias por período de amostragem (mês 03 e 10 de cada ano), colocando os originais a disposição da fiscalização. 3.3 Assim, espera o deferimento da solicitação, ficando a disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários. 3.4 Anexa aos autos cópia de pedido de registro da Alteração Contratual as fls. 23, cópia da Alteração Contratual as 'fls. 24 a 27, cópias de documentos pessoas da sócia as fls. 28, cópia do AutodeInfração n.° 35.826.7226 as fls. 29, cópias de comprovantes de entrega e recebimento de documentos da fiscalização as fls. 30 a 46. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: todas as falhas apontadas pela fiscalização, Auto de Infração no. 35.826.7234, foram devidamente corrigidas, conforme faz referência a própria decisão, quando menciona DA IMPUGNAÇÃO as cópias de comprovantes de entrega e recebimento de documentos da fiscalização às fls. 30 a 46, sendo certo que foram protocolizados por amostragem, dado ao seu excessivo volume, conforme orientação do próprio órgão, pois em curso uma nova fiscalização. no ato da fiscalização ao ser constatada a falha na prestação das informações cadastrais, a recorrente demonstrou a agente fiscal estar cumprindo suas obrigações fiscais, e organizou um mutirão para prestar as informações, o que foi feito, porém, o agente fiscal concluiu o auto de infração sem observar as correções documentais feitas pela contribuinte, que restou autuada por valores já devidamente recolhidos e sujas informações foram devidamente corrigidas. em consonância do disposto no artigo 291, § 1º do já citado RPS, vem a requerente formular pedido no sentido da relevação da multa É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Por essa característica e pelo fato de a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, entendo que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O período do lançamento é de 01/99 a 07/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 01/11/2006. Entendo decadentes as competências até 10/2001, inclusive. RELEVAÇÃO DA MULTA Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 5 7 A relevação da multa era prevista no §1°, do Art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e estava condicionada a alguns eventos: formulação de pedido, ser infrator primário, correção da falta dentro do prazo de impugnação e ausência de circunstâncias agravantes. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Entendo que o pedido de relevação da multa deve ser indeferido. Não encontrei no processo comprovação da correção das faltas. Também quando do julgamento de primeira instância, o voto registra que “em nenhum momento a empresa comprova de fato que cumpriu a obrigação acessória disposta na lei, ou seja, de que entregou as GFIP's contendo todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, no caso, com todas as informações no tocante as remunerações pagas aos sócios e empregados relacionadas no AutodeInfração em contenda.” 8. No que concerne as alegações da impugnante de que no decorrer do período fiscalizado, foi mal assessorada pelos escritórios contábeis, solicitando a revisão da fiscalização e impugnando o AutodeInfração, alegando ser improcedente o afirmado pela Auditora Fiscal de que deixou de informar na GFIP parte das remunerações constantes nas folhas .de pagamento, referentes as remunerações pagas aos sócios a titulo de retirada de prólabore e pagas aos segurados empregados, sendo que, consoante a impugnante, ocorreu que em alguns meses, pela falta de verba para o pagamento total do FGTS na data de vencimento, foi emitida uma GFIP parcial e dentro do mesmo mês uma GFIP complementar, sendo que não tinha a informação de que ao ser transmitida a GFIP complementar a mesma substituía a GFIP transmitida anteriormente, aduzindo que tal fato é comprovado com a apresentação de documentação física, temse que tais alegações da impugnante não tem o condão de elidir o AutodeInfração lavrado, posto que em nenhum momento a empresa comprova de fato que cumpriu a obrigação acessória disposta na lei, ou seja, de que entregou as GFIP's contendo todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, no caso, com todas as informações no tocante Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 as remunerações pagas aos sócios e empregados relacionadas no AutodeInfração em contenda. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18404.000394/200884 Acórdão n.º 2403002.748 S2C4T3 Fl. 6 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência ater a competência 10/2001 e no mérito, dar provimento parcial determinando o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência do valor mais benéfico para a recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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