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Numero do processo: 10680.910672/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 72 /2 01 5- 61 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910672/201561 Acórdão n.º 3301005.306 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.529. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910672/201561 Acórdão n.º 3301005.306 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910672/201561 Acórdão n.º 3301005.306 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910672/201561 Acórdão n.º 3301005.306 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910672/201561 Acórdão n.º 3301005.306 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910672/201561 Acórdão n.º 3301005.306 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722113/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 62; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 40.705 1 40.704 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722113/201485 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.127 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Recorrente MULTIMEX S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 13 /2 01 4- 85 Fl. 40706DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.706 2 Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante do Acórdão nº 12466.722113/201485 (fls. 11.833/11.881): Dos lançamentos Trata o presente processo de impugnação ao auto de infração de fls. 274, constituído pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Vitória/ES, em face do contribuinte MULTIMEX S/A, para cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme previsto no art. 23, incisos IV e V, §2º e §3°, do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei n° 12.350, de 20 de dezembro de 2010, no valor de R$ 161.334.626,60, em decorrência de fiscalização realizada na empresa para apuração do cumprimento das obrigações tributárias, cujas conclusões são a seguir sinteticamente explanadas, a fim de se obter uma fiel compreensão dos fatos mencionados. Em síntese, a acusação é a de que, após o procedimento especial de combate à interposição fraudulenta de pessoas no comércio exterior, baseado na verificação da origem dos recursos aplicados nas operações, e da ocultação de terceiro, mediante aplicação do rito definido na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, foi constatado que a empresa MULTIMEX, apesar de ter declarado como próprias as operações formalizadas nas Declarações de Importação (DI) relacionadas no quadro contido às fls. 65 a 71, na verdade atuou como interposta pessoa para ocultar o real adquirente das mercadorias importadas. Aduz a fiscalização que a legislação aduaneira admite a atuação dos importadores em três diferentes modalidades de importação, por conta e risco próprio, por conta e ordem de terceiros ou para revenda a encomendante predeterminado, onde se destaca a variação no papel de cada interveniente no comércio exterior, evidenciando ser perfeitamente legal importar mercadoria estrangeira por conta própria ou por meio de um intermediário contratado para esse fim. Prossegue a fiscalização informando as medidas adotadas no curso do procedimento fiscal, como a diligência realizada no endereço da MULTIMEX, constante do cadastro do sistema CNPJ, em 04/02/2014, quando foi possível constatar que a empresa estava fechada sem qualquer representante ou funcionário no local e que não havia sequer identificação externa indicando a existência de atividade empresarial naquele Fl. 40707DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.707 3 endereço, fazendo com que as comunicações se dessem por via postal. Assim se manifestou o AuditorFiscal autuante: Conforme informações obtidas na portaria do edifício, a sala estava em reforma e a empresa ainda não havia se mudado para o endereço. Assim, foi impossível dar prosseguimento à diligência e intimar a fiscalizada no local constante no cadastro do CNPJ. Devido à impossibilidade de ciência pessoal na sede da empresa, a MULTIMEX foi regularmente intimada em 10/02/2014, por via postal, através do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO Nº 201400040002 (TERMO 2014 00040 002), a apresentar livros, documentos e esclarecimentos, no prazo de 20 (vinte) dias. Dos documentos solicitados, afirma a fiscalização que poucos foram apresentados pela fiscalizada após a primeira intimação que lhe foi enviada, sob alegação de que o grande volume de declarações de importação (DI) e notas fiscais emitidas no período demandaria um prazo maior para atendimento, a despeito de a fiscalização entender que os documentos solicitados deveriam estar em boa guarda e ordem, conforme determinado pela legislação. A fiscalização entendeu que a falta de resposta aos quesitos formulados na intimação foi injustificada – assim como o pedido de dilação de prazo formulado pela MULTIMEX para apresentação dos documentos solicitados – e reintimou a empresa, em 27/03/2014, a atender aos itens constantes da intimação anterior, bem como a refazer sua escrituração contábil digital (ECD) dos períodos fiscalizados e reapresentála ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). Assevera a fiscalização que a MULTIMEX apresentou resposta incompleta à intimação formulada, que não houve apresentação de toda a documentação solicitada e tampouco foi realizada a correção da contabilidade no SPED, justificada pela autuada por problemas com o sistema e com contadores, razão pela qual solicitou um prazo de 180 dias para resposta a este quesito específico, no que foi atendida parcialmente com um prazo de 30 dias para a correção da contabilidade do ano calendário 2010 e de 91 dias para os anos calendário 2011, 2012 e 2013. Em 17/04/2014 a MULTIMEX apresentou nova resposta às intimações já formuladas pela fiscalização, na qual alega que as movimentações bancárias estariam representadas na contabilidade de empresa, o que entendeu a fiscalização tratarse de uma negativa de apresentação dos extratos bancários, além de recusarse a entregar os extratos das DI, devido à necessidade de sua utilização na revisão contábil em andamento. Quanto a esta resposta assim se manifestou a fiscalização (fls. 12): Considerando as irregularidades na Escrituração Contábil da fiscalizada, onde não foram escrituradas corretamente as operações da empresa, inclusive a movimentação financeira em contas bancárias, propusemos ao Sr. Inspetorchefe a inclusão da Fl. 40708DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.708 4 empresa no procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/2002, que foi acatada, tendo sido assinada a alteração do MPF em 17/04/2014, que também incluiu o ano de 2014 na fiscalização. A escrituração contábil tem como objetivo controlar o patrimônio da empresa e deve identificar as origens e as aplicações dos recursos empregados nas atividades, permitindo a análise da sua situação econômica e financeira. As omissões de registros contábeis impossibilitam a verificação da capacidade econômica e financeira do contribuinte, destacandose a inexistência dos lançamentos relativos a movimentações financeiras, inclusive bancárias. Portanto, a contabilidade do contribuinte é imprestável para evidenciar sua capacidade econômica e financeira. Segundo a autoridade fiscal, a MULTIMEX registrou no período compreendido entre os anos 2010 e 2014 um total aproximado de 2.600 DI, contendo operações nas três modalidades possíveis de importação, em um total CIF de R$ 333.423.039,79, ressalvando que, as DI objeto do presente auto de infração são aquelas registradas apenas na modalidade por conta própria, que totalizaram R$ 154.591.519,12, o que deixaria evidenciado a incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa. A MULTIMEX foi cientificada em 23/04/2014 da sua inclusão no procedimento especial de fiscalização, previsto na IN SRF nº 228, de 2002, por meio de diligência realizada no endereço da empresa na cidade de Vila Velha/ES, quando foi intimada, na pessoa da procuradora da empresa, Sra. Talita Mendes Gonzalez, a apresentar documentação complementar referente ao ano 2014 e informar, no prazo de 24 horas, onde seriam disponibilizados os documentos instrutivos das importações realizadas pela empresa. Somente em 25/04/2014 a empresa se manifestou, por intermédio de seu advogado, que os extratos das declarações de importação e os respectivos documentos de instrução seriam disponibilizados no escritório de advocacia, a partir do dia 29/04/2014. Nesta última data apresentou resposta à fiscalização alegando não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001 e não possuir os Documentos Auxiliares (DANFE) das Notas Fiscais Eletrônicas emitidas, não tendo condições de apresentálos. Também informou nesta última comunicação que a empresa estaria mudando a sede para o estado do Rio de Janeiro, devido à diminuição de incentivos à importação no Estado do Espírito Santo, apresentando, para fins de comprovação, a ata da assembléia protocolada na junta comercial em 28/02/2014 e registrada em 03/04/2014. A fiscalização intimou novamente a MULTIMEX, em 06/05/2014, com correspondência enviada ao endereço da empresa no CNPJ, quando foi comunicada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) que havia indicação Fl. 40709DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.709 5 de mudança de endereço, conforme transcrição do auto de infração (fls.14): A correspondência foi devolvida pelos correios em 07/05/2014, com indicação de mudança de endereço. Assim, encaminhamos o referido termo de intimação para o novo endereço constante da alteração do ato constitutivo entregue. A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também cientificamos a empresa do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO Nº 2 01400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400 04 0005, que foi aquele que serviu de comunicação à empresa da sua inclusão no procedimento previsto na IN SRF nº 228, de 2002, e de intimação para apresentação de livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Na resposta apresentada, afirma a fiscalização que a autuada se limitou a fazer solicitações diversas de prorrogação de prazos, além de informar que não apresentaria planilhas de formação de preço e nem os extratos bancários. Nos dias subsequentes, a MULTIMEX apresentou uma série de respostas e petições, contendo alguns documentos solicitados pela fiscalização, informando que demitiu seus funcionários e que não tem condições operacionais para separar os documentos, além de solicitar a decretação da nulidade do procedimento fiscal. Aduz a fiscalização que, em 03/06/2014, foi lavrado Termo de Intimação nº 201400040008, cuja ciência ocorreu em 05/06/2014, por via postal, onde foi intimada a empresa a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DI e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também foi cientificada do indeferimento da prorrogação deprazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 14/05/2014, mas, decorrido o prazo para apresentação de resposta, a empresa nada apresentou nem prestou qualquer esclarecimento. A fiscalização apresentou (fls. 15 a 29) um resumo com as principais informações relativas à fase de apuração das informações da empresa MULTIMEX, contendo as perguntas formuladas, as respostas apresentadas, aquilo que deixou de ser respondido e comentários acerca de tudo que pode ser constatado Fl. 40710DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.710 6 a partir destes dados coletados, destacandose que os arquivos digitais apresentados, relativos à contabilidade da empresa, não atenderam a forma de apresentação exigida pela legislação, o que redundou na atuação da empresa, conforme processo nº 12466.721649/201483. Conforme afirma a fiscalização (fls. 21), [...] a contabilidade da MULTIMEX estava em situação totalmente irregular, imprestável para comprovar a origem, a efetiva transferência e a disponibilidade dos recursos empregados nas suas atividades. Houve, portanto, descumprimento da obrigação acessória de manter a escrituração contábil de acordo com a legislação comercial e fiscal, que já deveria estar disponível, independente de qualquer prazo adicional. A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. Intimada a apresentar todos os demonstrativos e as informações de que dispunha em seus controles gerenciais, em 17/04/2014 informou que não possui planilhas de formação de preço das Notas Fiscais de Saída e que sua confecção é impraticável, informando que possui em arquivo os documentos comprobatórios das despesas nas importações, podendo a fiscalização fazer as verificações que entender necessárias. No entender da fiscalização, a inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. A fiscalização conclui o resumo afirmando que a MULTIMEX não atendeu ao Termo de Início de Fiscalização e respectivas reintimações de forma satisfatória, atendendo 13 quesitos (1, 2, 6, 7, 8, 10, 15, 16, 18, 20, 21, 22 e 23), não atendendo satisfatoriamente 4 quesitos (3, 4, 5 e 11) e não atendendo a 7 quesitos (9, 12, 13, 14, 17, 19 e 24), dos 24 quesitos. No decorrer do procedimento fiscal, solicitou prorrogações de prazo, deferidas pela fiscalização dentro do que considerou razoável. Seguem abaixo algumas transcrições do auto de infração, a fim de melhor esclarecer as questões levantadas pela fiscalização: Em 28/05/2014, a MULTIMEX apresentou requerimento (REQUERIMENTO 28 05 2014) onde solicitou informações sobre o procedimento fiscal, suspensão e declaração de nulidade do procedimento fiscal, sob argumento de mudança do domicílio civil antes do início da fiscalização, alegando que a competência territorial seria da IRF – Rio de Janeiro (RJ) na data da ciência da primeira intimação, em 10/02/2014 (fls.29). Fl. 40711DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.711 7 Cumpre destacar que os trabalhos fiscais foram iniciados em 04/02/2014,com diligência ao estabelecimento matriz do contribuinte (RELATÓRIO DILIGÊNCIA 2014 00040 001). Na diligência, constatamos que a sala estava fechada, sem ninguém no local para atender a fiscalização e, conforme informações obtidas na portaria do prédio, a empresa ainda não havia mudado para o local. Assim, o relatório de diligência foi lavrado na sede da Alfândega (fls.29). Quanto às alegações de nulidade do procedimento fiscal, em relação à mudança do endereço da sede da empresa, são infundadas. O domicílio tributário do contribuinte é aquele fornecido à administração tributária para fins de cadastro, nos termos do art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972. (fls.29). Na data do início do procedimento fiscal e da inclusão em procedimento especial o contribuinte ainda estava sob jurisdição fiscal da Alfândega do Porto de Vitória, pois ainda não havia alterado o domicílio tributário no CNPJ, o que só ocorreu em 19/05/2014. Importante destacar que na diligência realizada em 23/04/2014, os fiscais compareceram a sede da empresa no endereço Rua Prof. Telmo de Souza Torres, Nº 40, Sala 507, Praia da Costa, Vila Velha/ES. Encontraram a empresa lá estabelecida, onde foram atendidos pela procuradora Sra Talita Mendes Gonzalez, CPF nº 106.951.67758. Inclusive foram tiradas fotos no local (fls. 31). Assim, na diligência de 23/04/2014 e demais respostas apresentadas pela MULTIMEX, não se constatava nenhuma evidência que a empresa pretendia estabelecerse em outro local com ânimo definitivo e informação nesse sentido só foi apresentada na resposta de 29/04/2014 (RESPOSTA 29 04 2014). (fls. 31/32) Ademais, ainda que se considere outro o domicílio tributário do contribuinte no início do procedimento fiscal e na inclusão em procedimento especial, tal fato não eivaria o procedimento fiscal do vício de nulidade, conforme se depreende da leitura do § 2º do art. 9º do Decreto nº 70.235/1972. No mesmo sentido, conforme o § 3º do mesmo artigo, o início do procedimento fiscal previne a jurisdição e prorroga a competência, deixando claro que o procedimento fiscal de qualquer forma deve ser desenvolvido na Alfândega do Porto de Vitória.(fls.32). Vale dizer que a Portaria RFB nº 2.466/2010, citada pela MULTIMEX como fundamento para alegar a incompetência da Alfândega do Porto de Vitória, é ato administrativo que deve ser entendido como de caráter meramente gerencial. Visa apenas uma divisão a priori dos contribuintes por unidade descentralizada, para facilitar o planejamento das atividades fiscais e a divisão do trabalho interna corporis RFB.(fls.33). A atividade fiscal não pode ser obstruída por força de atos dessa natureza. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visa o Fl. 40712DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.712 8 gerenciamento dos trabalhos de fiscalização, e não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e a dispositivo da Lei nº 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração e atividades de fiscalização.(fls.33). A MULTIMEX registrou importações, nas modalidades por conta própria, por conta e ordem e por encomenda, no período de 2010 a 2014, no valor total CIF de R$ 343.382.124,60, num total de aproximadamente 2.620 DI. Só na modalidade por conta própria, foram registradas importações num valor total CIF de R$ 161.334.626,60. Já na modalidade por encomenda, foram registradas importações num valor total CIF de R$ 44.857.353,89. .(fls.34). Tanto o importador quanto o adquirente de mercadoria importada por encomenda ou por sua conta e ordem são estabelecimentos equiparados a industrial, conforme o Decreto Nº 7.212/2010 (Regulamento do IPI RIPI) (fls.34). A saída da mercadoria dos estabelecimentos equiparados a industrial é fato gerador do imposto, sendo devido o IPI. Assim, se uma empresa contratar uma importadora para registrar uma operação de importação “por encomenda” ou “por conta e ordem”, será contribuinte do IPI e estará sujeita a recolher o imposto e ao cumprimento das obrigações acessórias. .(fls.35). Porém, se o verdadeiro importador, o real adquirente ou encomendante se ocultar do Fisco, uma “empresa de fachada” figurará na declaração de importação e será equiparado a estabelecimento industrial e contribuinte do IPI. Após a nacionalização das mercadorias, a “empresa de fachada” acatará as ordens do verdadeiro responsável pela operação e “venderá” (remeterá) as mercadorias a quem ele determinar. Assim, o verdadeiro destinatário final das mercadorias de procedência estrangeira, fugirá da equiparação à indústria, dissimulando a condição de contribuinte do IPI.(fls.35). Também se deve considerar o interesse de se beneficiar dos incentivos concedidos às empresas fundapeanas. O FUNDAP (Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias) é um benefício concedido às empresas de comércio exterior que se estabelecem no Espírito Santo e são autorizadas pelo BANDES (Banco de Desenvolvimento do ES) a operar nosistema. Tratase de um incentivo financeiro sob o aspecto formal, mas, sob o aspecto material, configura um verdadeiro subsídio às importações.(fls.36). Observese que a inserção de empresa interposta na cadeia de importação proporciona aos destinatários finais das mercadorias o crédito de tributos (não cumulatividade) que muitas vezes sequer foram recolhidos, pois é característica comum das empresas interpostas o baixo índice de arrecadação, pois essas empresas não costumam cumprir suas obrigações tributárias, principais ou acessórias. Esse é o caso da MULTIMEX, que Fl. 40713DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.713 9 recolheu desde 2010 tributos internos irrisórios em relação ao montante transacionado no comércio exterior.(fls.37). Desse modo, a ocultação do real sujeito passivo é método de se eximir da responsabilização pelos atos praticados. Tal ação ou omissão, mediante simulação ou fraude, atinge, excluindo ou modificando, a obrigação tributária em uma das suas características essenciais: a sujeição passiva. A ocultação do sujeito passivo, como modo de fugir da obrigação tributária, é caso típico de elusão fiscal (fls. 39). Resumindo, a interposição fraudulenta ocorre quando uma pessoa, física ou jurídica, aparenta ser o responsável por uma operação de comércio exterior que não realizou ou da qual não participou, interpondose entre uma parte (o Fisco) e outra (o real beneficiário ou responsável pela operação), para ocultar o sujeito passivo. A crescente incidência desse expediente fraudulento provocou o legislador a editar normas específicas para viabilizar o seu combate por parte do Fisco (fls.40). É cediço que a interposição fraudulenta não se resume ao prejuízo financeiro pelo não recolhimento de tributos, entre eles o IPI (quebra da cadeia), ou seja, não se faz necessário, sequer, que o produto seja alcançado pelo IPI, visto que o que importa é a conduta, a tentativa de ocultar fatos relevantes da Administração Aduaneira, atividade essencial à defesa dos interesses fazendários nacionais, conforme determina a Magna Carta. (fls. 42). Prossegue a autoridade fiscal com sua argumentação, desta feita para analisar a contabilidade da empresa, que a seu ver é imprestável, uma vez que as contas do ativo circulante não foram divididas no plano de contas, a conta “Caixa” e “Bancos Conta Movimento” apresentam apenas dois lançamentos no ano 2010, no primeiro e último dia do ano, e não há histórico ou contrapartida do lançamento, não sendo possível identificar a natureza de tais lançamentos. O mesmo ocorre em relação às contas “Aplicações Financeiras”, que só possuem lançamentos no último dia do ano e igualmente sem histórico. Ocorrências semelhantes foram detectadas nos anos 2011 e 2012, quando a MULTIMEX deixou de escriturar suas contas do Ativo Circulante, ou foram sumariamente sintetizadas em uma conta genérica, enquanto que a conta “Caixa”, no ano 2012, apresentou apenas um lançamento no valor de R$ 0,01, com histórico informando que não houve movimento. Informa a fiscalização que a MULTIMEX foi autuada pela DRF/Vitória, em 2013, por falta de entrega dos arquivos ao SPED, ou seja, a empresa já estaria ciente que sua escrita contábil continha problemas, mas nunca tentou corrigilos, limitandose, quando intimado, a solicitar prazos cada vez mais dilatados para regularizar algo que seria sua obrigação fazer de forma escorreita e no momento adequado. Neste ponto assim se manifesta a fiscalização (fls. 48): Fl. 40714DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.714 10 Ora, não se constata, de forma objetiva, o empenho da empresa em regularizar sua escrituração contábil e atender a fiscalização, conforme alegou. Pelo contrário. A empresa informou já conhecer essas irregularidades desde 2012 e até agora nada foi regularizado. Também o diário da empresa, relativo ao ano 2010, apresenta apenas 136 lançamentos, a maior parte deles concentrados no primeiro e no último dia do ano, enquanto que o diário de 2011 e o de 2012 contêm apenas um lançamento cada, quando é consabido que a empresa registrou grande quantidade de DI, emitiu grande quantidade de notas fiscais e efetuou grande quantidade de operações de câmbio neste período. Mesmo após o início da fiscalização, e estando sendo questionada acerca da sua escrituração contábil, a MULTIMEX apresentou a sua ECD ao SPED, relativa ao ano calendário 2013, contendo apenas um lançamento no diário. Conclui a fiscalização que este expediente serviu para encobrir a forma como as operações são realizadas, indicando a interposição fraudulenta da empresa nas importações realizadas. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento especial com base na IN SRF nº 228, de 2002, tem como finalidade identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor, sendo fundamental a análise da escrituração contábil da empresa fiscalizada, para se conhecer a origem e as aplicações dos recursos envolvidos na atividade. A escrituração contábil é dever da empresa, conforme previsto na legislação, e deve refletir rigorosamente os fatos ocorridos, de forma a possibilitar a auditoria da Receita Federal, o que não ocorreu no presente caso. A fiscalização assim se manifesta em relação a este ponto (fls. 59): Assim, para que a fiscalização possa auditar a origem lícita, a efetiva transferência e a disponibilidade dos recursos empregados nas atividades da empresa, é óbvio que as contas devem ser escriturados (sic) refletindo rigorosamente o que de fato ocorreu, representando a forma como a empresa de fato realizou as operações. Entretanto, examinando a escrituração contábil apresentada, verificase que a mesma é incapaz de demonstrar a origem e aplicação de recursos da empresa. Com efeito, nem é possível identificar documentos a serem apresentados ou transferências a serem comprovadas. A MULTIMEX sequer escriturou a movimentação financeira das contas bancárias de sua titularidade. Assim, a escrituração contábil da MULTIMEX é incapaz de comprovar a origem lícita, Fl. 40715DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.715 11 a efetiva transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas atividades da empresa. Importante ainda destacar que, na averiguação da disponibilidade de recursos para efetivar suas operações, não basta considerar apenas as entradas no disponível da empresa. É fundamental também levar em conta as saídas, caso contrário, não será possível comprovar se a empresa tinha à disposição recursos suficientes para arcar com suas operações. Conforme evidenciado, a MULTIMEX não apresentou de forma confiável nem as entradas nem as saídas de recursos. Diante disto, conclui a fiscalização, a contabilidade da MULTIMEX é incapaz de comprovar a origem lícita, a efetiva transferência e a disponibilidade dos recursos empregados em suas atividades, evidenciando a interposição fraudulenta, por presunção legal, conforme determina o § 2º, do art. 23, do Decretolei nº 1.455, de 1976. Na esteira dos fatos apurados, a fiscalização também concluiu que houve falsidade dos documentos apresentados nos despachos de importação realizados pela MULTIMEX, uma vez que, não comprovada a origem dos recursos necessários para a realização das operações de importação, evidenciase também que as mercadorias importadas não foram adquiridas pela autuada, caracterizando a simulação e a falsidade ideológica das próprias DI, das faturas comerciais e dos conhecimentos de transporte apresentados, caracterizando outra infração punível com a pena de perdimento, nos termos do art. 689, inciso VI, do Decreto nº 6.759, de 2009. Por fim, a fiscalização discorre sobre a ocorrência do dano ao Erário no presente caso, decorrente da interposição fraudulenta de terceiros e da falsidade ideológica dos documentos apresentados nos despachos de importação relacionados no auto de infração (fls. 65 a 71), razão pela qual se aplica a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias e a formalização da representação fiscal para fins penais, bem como da representação para inaptidão do CNPJ. Da impugnação A empresa MULTIMEX S.A. foi cientificada dos lançamentos em 18/09/2014 (fls. 5.467) e, irresignada com as penalidades que lhe foram infligidas, apresentou Peça Impugnativa, às fls. 5.487 a 5.602, em 20/10/2014, contendo, em síntese, as alegações a seguir: Que o presente Auto de Infração compreende lançamento de ofício para fins de aplicação da pena de perdimento em virtude da presunção do cometimento da infração de interposição fraudulenta, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos para as operações de comércio exterior que realizou, por conta própria, utilização de documentos falsos necessários ao embarque ou para fins de instrução do despacho aduaneiro de importação de mercadorias estrangeiras. Fl. 40716DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.716 12 Devido a entendimento equivocado da fiscalização, a defendente consta como sujeito passivo no Auto de Infração por estar em tese envolvida nos procedimentos tidos como irregulares pela fiscalização aduaneira, quais sejam, a presunção de ocultação do sujeito passivo, do comprador ou do responsável pela operação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, na importação de mercadorias estrangeiras, em razão da não comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados nas operações de comércio exterior e a presunção de uso de documento falso ou adulterado necessário ao embarque ou desembaraço das mercadorias. A fiscalização sustenta que, da análise dos documentos apresentados pela defendente, em atendimento às diversas intimações fiscais, teria sido apurado que a contabilidade seria imprestável para o registro de suas operações e, por essa singela razão, entende que todos os processos de importação por conta própria foram declarados de forma simulada, mediante a prática da infração de interposição fraudulenta de terceiros, ocultando assim de forma dolosa o real adquirente ou responsável pela importação. Não obstante os argumentos lançados pela fiscalização, com os quais a Impugnante não concorda, pois lastreados em premissas absolutamente falsas, e considerando que a Impugnante sempre agiu dentro da legalidade, no estrito exercício de sua atividade econômica, em observância ao ordenamento jurídico pátrio, não pode o referido Auto de Infração prevalecer como lavrado. A intimação decorrente do Procedimento Fiscal foi enviada à Impugnante em 10 de fevereiro de 2014 no seu endereço anterior, ou seja, no endereço onde não mais se localizava. A Impugnante teve conhecimento, apenas, porque teve a diligência de verificar porcorrespondências extemporâneas eventualmente recebidas no prédio de seu antigo estabelecimento, haja vista ter transferido seu estabelecimento de Vila Velha/ES para o Rio de Janeiro/RJ. Todavia, já naquela data (10/02/2014) a Impugnante havia alterado sua matriz/sede e domicílio fiscal para a cidade do Rio de Janeiro/RJ, conforme a ata da Assembleia Geral Extraordinária ocorrida no dia 30 de janeiro de 2014. Salientese que foi preciso em primeiro lugar promover o registro do ato na Junta do Estado do Espírito Santo, local de sua sede anterior, para apenas em ato subsequente dar entrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro, local de sua sede atual. Esse é o procedimento legal adotado pelas Juntas Comerciais e a Impugnante não tem o poder de alterar a burocracia legal e muito menos de ter atitude diversa. É consabido que o ato do registro do DBE (que é ato vinculado ao registro da ata na Junta Comercial) e que informa para a Receita Federal o ato em andamento na Junta Comercial somente é admitido para protocolo – no caso de transferência de sede de um Estado para outro – na Junta de destino, qual seja, na Junta Fl. 40717DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.717 13 Comercial do RJ. Novamente, esse não é um procedimento criado ou estipulado pela Impugnante, mas pela própria Receita Federal em conjunto com a Junta Comercial. O ilustre Auditor não pode fazer de conta que nada aconteceu, que a ata de alteração de endereço e da sede da sociedade não valem nada para o fisco porque no cadastro fiscal "ainda constava" seu endereço anterior, como se não existisse um procedimento estabelecido pela própria RFB com a Junta Comercial para sua atualização cadastral que ele próprio, como auditor, deve respeitar e fazer cumprir (e não imputar tal ato estabelecido pela Receita como uma pretensa falta ou penalidade ao contribuinte). Quem define o momento, o prazo e a forma de protocolar e de apresentar a mudança de endereço no cadastro fiscal da Receita Federal é a própria Receita Federal. Se o contribuinte cumpre com os prazos, a forma e as condições impostas pela Receita Federal, não pode ser considerado irregular ou em falta, nem pode ser submetido a uma fiscalização irregular e nesse sentido arbitrária, ilegal e abusiva por conta disso. E é a DBE o meio e forma legal da Impugnante informar para a Receita Federal a sua mudança de sede. Dessa forma, temse que, quando da primeira intimação, a empresa já não mais estava na circunscrição da Alfândega de Vitória/ES, uma vez que a transferência da sede produziu efeitos desde o dia 30 de janeiro passado. A primeira intimação consistiu, assim, em ato praticado por autoridade administrativa incompetente. É importante notar que a ata e a deliberação de mudança de endereço é anterior a essa data e tem reconhecimento de firma anterior a sua ciência de que haveria qualquer procedimento fiscal. A Receita Federal do Brasil RFB não permite o exercício da fiscalização sem o controle do MPF, agora TDFF. Não se cuida de mera formalidade, mas diz respeito à organização interna da RFB e do regular e eficiente exercício das atividades a cargo do órgão público e das competências legais dos AFRFB. Por essa razão a RFB valese de instrumentos como a descentralização administrativa, delegação de competências e do planejamento das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições federais. Tais instrumentos, longe de impedir a ação fiscal, tem por escopo justamente tomála eficaz e impedir eventuais prejuízos à Fazenda Nacional, conforme disposto no Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Outro ponto importante é a competência para desenvolver a ação fiscal. Evidentemente, a competência recai sobre o AFRFB. Mas ainda que o Auditor detenha essa competência, as normas administrativas devem ser seguidas e os servidores lotados e emexercício em determinado centro de competência ali exercem o seu múnus, ressalvadas as hipóteses em que não seria recomendável a regra geral. Porém, essas normas tem por Fl. 40718DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.718 14 pressupostos os diversos princípios que regem a Administração Pública, estatuindo critérios técnicos, impessoais e objetivos, para desenvolver ações fiscalizatórias almejando sempre o fim público, regra maior de qualquer ato administrativo. Registrese que os agentes do Fisco estão adstritos às normas administrativas e tributárias, precipuamente aquelas que têm por escopo preservar a segurança dos administrados, a impessoalidade, isonomia e a legalidade das atividades da Fiscalização. Portanto, descumprir tais normas constitui ofensa aos princípios da impessoalidade, moralidade administrativa, eficiência, publicidade, isonomia, segurança jurídica e da legalidade, pois do contrário estaria explícita a permissão de, sem critérios técnicos, impessoais e objetivos, proceder à fiscalização indiscriminada de contribuintes, realizada de forma aleatória e sem critérios e submetendo os mesmos a toda sorte de discriminação e arbítrio. Assim, a fiscalização é atividade especializada e complexa, baseada em critérios objetivos, adstritos aos princípios mencionados alhures, em relevo o princípio da impessoalidade, não podendo ser realizada selecionando aleatoriamente e injustificadamente contribuintes, ou por qualquer outro meio que evidencie falta de critério para fins de início da fiscalização, sob pena de nulidade de todo o processo administrativo fiscal ab initio. De fato, a não observância desses princípios é causa de nulidade do procedimento fiscal, conforme assentado no artigo 4º, da Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014. A delimitação da competencia está no Regimento Interno da RFB, instituído por portaria ministerial, mas pode ser encontrado mais especificamente em portarias e instruções normativas da RFB. Verificase que os TDPF emitidos pelo InspetorChefe só se referem às respectivas áreas de sua competência e jurisdição. Assim, não poderia autorizar ação fiscal fora da área de sua competência e jurisdição sem autorização superior, o que torna o procedimento fiscal nulo. No que tange a atos específicos para a área aduaneira, o entendimento acima fica sedimentado, a teor do disposto no artigo 14, da IN RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011. In casu, constatado no curso da ação fiscal a necessidade de emissão do TDPFE, ou ainda de novo TDPF, a Fiscalização não pode esquivarse, devendo o contribuinte ser cientificado, mas tal não ocorreu. Mais, cuidase de nova ação fiscal, mormente quando a nova situação da contribuinte no que tange a domicilio tributário encontrase modificada e deve ser assentada no TDPF, devendo ser aferidos novamente os critérios de competência e jurisdição, que em caso de descumprimento tem o condão de anular o processo administrativo fiscal, como sói acontecer no caso em tela. A contrario sensu, qualquer AFRFB tem competência legal para desenvolver a fiscalização de quaisquer contribuintes e/ou Fl. 40719DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.719 15 tributos administrados pela RFB, mas em razão dos princípios da impessoalidade, moralidade, eficiência, além da finalidade e necessária motivação do ato administrativo, a atuação fora de sua unidade de lotação deve ser justificada e considerada imprescindível, bem como assim reconhecida pelas autoridades competentes em face da organização administrativa e da execução eficiente das atividades sob responsabilidade da própria fiscalização. Indo mais além, a organização das atividades circunscritas às diversas unidades da RFB tem por escopo o regular e eficaz exercício das competências dos AFRFB. Sob essa ótica, não se justifica que AFRFB lotados em repartição aduaneira exerça fiscalização de tributos internos. Isso é assim porque há todo um aparato muito bem organizado, com divisão de atribuições como seleção de contribuintes, programa de fiscalização e todo o preparo que antecede à deflagração de uma fiscalização, visando unicamente o exercício competente do trabalho fiscal. No caso em tela, a contribuinte em epígrafe foi selecionada, possivelmente mediante critérios objetivos e técnicos, para ser fiscalizada pela Alfândega do Porto de Vitória/ES quanto a tributos administrados pela RFB no âmbito da circunscrição dessa repartição aduaneira. Antes do início da ação fiscal a contribuinte alterou o domicílio fiscal para Estado do Rio de Janeiro, fora da jurisdição da Alfândega da Receita Federal no Porto de Vitória/ES. Ademais, a douta Fiscalização poderia solicitar uma designação (TDFF ou MPF) da Superintendência Regional para prosseguir com a ação fiscal De fato, consta às fls. 76 a mencionada autorização, que todavia não é válida por duas razões. A uma, porque se refere a fiscalização tributária e não ao rito da IN RFB nº 228, de 2002, que é específico e deve ser comunicado à contribuinte após a autorização competente para o início do procedimento especial, autorização essa que não existiu em abril de 2014, época em que a contribuinte foi arbitrariamente submetida a procedimento especial aduaneiro sem a autorização da autoridade competente. A duas, porque a autorização foi emitida apenas em 20 de agosto de 2014, praticamente à época do encerramento da ação fiscal em 02 de setembro de 2014, data da protocolização do feito fiscal, e não pode convalidar atos praticados anteriormente, mormente quando tais atos circunscrevemse ao rito especial da IN RFB nº 228, de 2002, não mencionado no MPF e não autorizado em nenhum momento pelo Superintendente Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª RF/RJ. Esse procedimento especial instituído através do referido instrumentonormativo não é mera ação fiscal, não é mera fiscalização tributária. Tratase de procedimento que atinge de imediato o contribuinte, ficando as mercadorias, todas elas, retidas, somente sendo liberadas mediante prestação de garantia Fl. 40720DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.720 16 no valor aduaneiro. Ademais, a subsunção às regras da IN SRF nº 228, de 2002, inflige ao contribuinte imensuráveis prejuízos de ordem econômica e à imagem, via de regra levando à extinção da pessoa jurídica, incapaz de prosseguir com suas atividades. A intimação inicia o procedimento, com a contribuinte sendo notificada para, no prazo de 20 dias, comprovar o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Continuando, o artigo 3º estabelece que "cabe ao titular da unidade da SRF de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento matriz da empresa determinar o início da ação fiscalizadora, mediante expedição de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)". Portanto, é nulo o procedimento específico se autoridade incompetente der início ao procedimento específico instituído pela IN SRF nº 228, de 2002. Concluindo, verificase que a fiscalização de forma arbitrária e abusiva alterou o escopo da ação fiscal e iniciou ação fiscal diversa, não autorizada, cuja competência para AUTORIZAR não se circunscreve ao rol de competências legais dos AFRFB, consistente em investigar a origem e aplicação de recursos empregados nas atividades de comercio exterior, com rigorosíssimas restrições às atividades empresariais, consubstanciadas na imposição do canal cinza, garantia para liberação de mercadorias nacionalizadas e outras restrições, tudo nos termos da IN SRF nº 228, de 2002. Essa nova linha investigatória, arbitrariamente engendrada pela douta Fiscalização, somente poderia ser intentada mediante autorização da autoridade administrativa competente, in casu o Superintendente Regional. Não obtendo a referida autorização os atos praticados estão eivados de vício insanável, sendo que a Fiscalização Aduaneira desbordou do trilho legal, agiu de forma abusiva e arbitrária e invadiu competência e jurisdição de outra Repartição Aduaneira e outros AFRFB sem justa causa. Por todo o exposto, o procedimento fiscal é nulo ab initio em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade, quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização a ser desenvolvida, dentre outros princípios. Além do vício formal consistente na ausência de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial, há vícios materiais em razão da imposição de restrições e exigências à contribuinte ao arrepio da lei. A referida Fiscalização, caso se deparasse com indícios concernentes à não comprovação de origem de recursos empregados em atividades do comércio exterior, deveria Fl. 40721DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.721 17 representar os fatos à unidade competente para proceder à ação fiscal. Finalizando, a contribuinte foi prejudicada pelo descumprimento das normas de legais e administrativas de regência no que respeita a competência e jurisdição, sendo fiscalizada por servidores que não motivaram sua atuação, qual seja a razão pela qual tais normas não foram observadas, servidores que ao arrepio da lei impuseram à Impugnante restrições e exigências extremamente rigorosas, que lhe causaram prejuízos irreparáveis, o que de per si fulmina o procedimento fiscal. Outrossim, a contribuinte expressamente afirma que não buscou alterar o seu domicílio tributário com vistas a esquivarse de eventual fiscalização, já faz tempo que não utiliza incentivos fiscais do Espírito Santo, e a decisão de mudar a sede para a região que concentra a maioria de suas atividade já estava tomada. O lançamento tributário tem a função de dar certeza, liquidez e exigibilidade ao crédito tributário, o que não aconteceu com a lavratura do Auto de Infração agora impugnado. O contencioso administrativo é a oportunidade para elucidações e esclarecimentos pelo contribuinte e pela Administração para que o lançamento espelhe fidedignamente seus componentes. Isso porque a decisão final administrativa, como derradeiro ato do lançamento, tem como substrato o exato fornecimento do fato ocorrido no passado que se expressa por intermédio da prova. Devese buscar a identificação entre o ocorrido e o relatado pelos sujeitos competentes, sabendose que referida identificação será limitada às possibilidades de conhecimento que serão colocadas pela norma. Sabemos que na instância administrativa, diversamente da judicial, prevalece a verdade real ou material, na qual o Estado tem o dever legal de buscar a realidade dos fatos, no tempo certo e com a forma certa, sob pena de ter frustrada sua pretensão arrecadatória ou sancionatória. Na esfera administrativa fiscal é pressuposto lógico a instrução e motivação do lançamento sob pena de nulidade absoluta. O Auto de Infração ora impugnado está sedimentado em presunções que como bem definiu o ilustre Doutrinador Alfredo Augusto Becker seriam "o resultado lógico mediante o qual o fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável". Se são basicamente as presunções, carregadas de subjetividade, associadas aos indícios que sustentam a penalidade aplicada à MULTIMEX, passamos para o campo do provável e nesse campo também devem ser analisados os argumentos da Impugnante lançados nessa impugnação, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade Fl. 40722DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.722 18 admitida em direito. Tudo com o intuito de buscar a "certeza" imprescindível nas cobranças tributárias. Mas o mínimo que se deve exigir de uma presunção é que o Fisco comprove o fato originário, que parta de fatos que guardem relação com a verdade que se pretende demonstrar. O que não se pode admitir é que a Fiscalização firme premissas sem mostrar o caminho percorrido para nelas chegar. Nesse contexto, o ato de presumir que a MULTIMEX possuía contabilidade imprestável, presumir que não possuía recursos próprios e financiamentos bancários, presumir que todas as importações da contribuinte não passam de supostas fraude, simulação e interposição fraudulenta, deveria estar estribado, de forma primordial, em indícios veementes de que a Impugnante prestouse ao cometimento deste tipo de infração. A importação implica, necessariamente, a transmissão de titularidade. A característica fundamental da incidência dos tributos na importação é que se transfere a titularidade de quem exporta para quem importa, nisto estando o fato gerador do tributo. A aquisição é seu elemento essencial e sem transferência de titularidade, não haveria importação. Ora, quem não importou, não adquiriu e não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento, pois nem sequer teria adquirido a propriedade das mercadorias estrangeiras para que a perdesse. Na desconsideração dos atos praticados pela Impugnante para impor a aplicação da pena de perdimento que incidiria na ausência destes atos, denominado "critério econômico de interpretação do direito tributário" é que acaba por nortear as decisões do Conselho de Contribuintes nos casos de julgamento de planejamentos tributários. Apesar de ter sua aplicação criticada, o respaldo jurisprudencial tem demonstrado a busca daquele Tribunal pela verdade material, ou seja, as motivações para que o interessado agisse, a forma como agiu, o benefício que teve e que não teria se de outra forma tivesse operado. E sob esse prisma, a contribuinte não apresenta algum dos matizes que autorizam concluir pela interposição fraudulenta presumida. Na autuação que ora se impugna, estamos diante de uma situação na qual a fiscalização presume, em face da suposta não comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos financeiros utilizados em operações de comércio exterior, a existência de simulação de negócio jurídico (interposição fraudulenta de terceiros) e falsidade ideológica nos documentos que instruem o despacho aduaneiro de importação e nas declarações de importação que compõem o Auto de Infração. Assim, afirma que, por presunção legal, a contribuinte cometeu a infração denominada interposição fraudulenta de terceiros na modalidade presumida. Ato contínuo, sem a menor prova, registrese, conclui pela simulação que resulta na falsidade ideológica dos documentos e uso de documentos falsos. Fl. 40723DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.723 19 Primeiro, é de se analisar que há uma situação estabelecida no campo jurídico. Temse uma contribuinte, importadora, com capacidade econômica e financeira, que promoveu a importação de mercadorias estrangeiras por conta própria. Essa foi a situação encontrada pela Fiscalização, desconstituíla só é possível mediante prova, ainda assim com plena observância do princípio da verdade material. Mas a Fiscalização, como se verá, alega que a única forma de se provar que a contribuinte possuía condições de suportar os encargos e despesas decorrentes das importações que realizou são os demonstrativos contábeis. Por essa razão, e por considerar que a contabilidade da contribuinte é imprestável para comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior, concluiu que aconteceu a interposição fraudulenta presumida. Nada disso é verdadeiro. A única verdade que existe é que a douta Fiscalização, apenas por considerar que a contribuinte não possuía, na sua visão, demonstrativos contábeis aptos a provar a origem e emprego dos recursos nas operações de comércio exterior, declarou que a contribuinte não comprovou a origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados nas suas atividades de comércio exterior. Mera presunção não estribada em quaisquer provas, pois na verdade a contribuinte apresentou os documentos, apenas não os apresentou na forma requerida, nos formatos digitais requeridos. Releva considerar que não apresentar na forma requerida não autoriza a douta Fiscalização antecipadamente, e sem provas, a concluir, primeiro, pela não aceitação das provas, segundo, que o único meio de prova seria a demonstração contábil e, terceiro, pela interposição fraudulenta presumida. Não há a mínima demonstração do iter procedimental do(s) ato(s) infrativo(s), sequer qual a economia fiscal que a MULTIMEX teria tido como importadora por conta própria. A Impugnante importa mercadorias isentas de IPI na sua quase totalidade. Assim, a douta Fiscalização não sabe qual o benefício que a Impugnante teria aferido por assim agir, e que não conseguiria atuando da forma como a fiscalização entenderia correta, qual seja, importando por conta e ordem, já que suportou todo o ônus da importação, da contratação do câmbio, tributos e despesas incidentes, até as despesas aduaneiras e de transporte. A autoridade lançadora se limita a desqualificar a Impugnante como importadora de fato e afirmar que a mesma simulou ser a verdadeira adquirente e importadora, mantendo ocultos os verdadeiros importadores, mas não prova nada, somente presume, esquecendose que deveria demonstrar os fatos antecedentes que a autorizaria a presumir a prática delitiva. Também não esclarece e nem justifica por qual razão a Impugnante se sujeitaria a uma situação que poderia lhe trazer prejuízos irreparáveis, pondo em risco seu nome comercial e suas Fl. 40724DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.724 20 atividades, sem se beneficiar de toda a suposta confabulação e metodologia que, segundo a fiscalização, teria caracterizado uma simulação punível com a pena de perdimento, pena máxima no direito aduaneiro, com consequências na esfera criminal. Diante do exposto, quadra destacar que tratar como verdadeiras as presunções apresentadas pela Fiscalização no Auto de Infração deveria requerer exaustiva demonstração dos fatos provados em efetiva correlação com os fatos presumidos, o que não ocorreu. Não pode a Autoridade Administrativa eleger um único meio de prova ao seu talante, impondo à contribuinte o pesado ônus de uma ilibada demonstração contábil, sob pena de ver todos os seus esforços para provar o fato antecedente desmoronarem ante a intransigência da Autoridade Administrativa. Ao não admitir todos os meios admitidos em direito para se provar a origem lícita, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados, a Autoridade Administrativa fere de morte o princípio da verdade material. Conforme o artigo 300 do CPC, compete ao réu alegar na contestação, toda matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. Portanto, não compete à Fiscalização impor limitações aos meios de prova onde a lei não o fez, sob pena de incorrer em flagrante ilegalidade. Há também claro cerceamento do direito de defesa, pois a Impugnante só pode se defender nos exatos termos em que a Fiscalização reconhecer como válidos, qual seja a apresentação de uma demonstração contábil ilibada, não sendo admitidos outros meios de prova, ao arrepio da lei. Assim, há nulidade porque não há descrição específica das condutas típicas, tidas como infrações, supostamente praticadas nos processos de importação. A não comprovação de origem, conduta típica, está maculada pela exigência ilegal da Fiscalização de somente admitir a comprovação mediante assentamentos contábeis. Temse então ilegalidade, atipicidade e cerceamento do direito de defesa. Assim, há flagrante violação ao disposto noartigo 10, do Decreto nº 70.235/1972. Se à Impugnante cabe provar que possui origem lícita de recursos e o emprego em suas operações, à Fiscalização cabe o ônus de demonstrar que as provas não podem ser aceitas, justificando sua posição com base em normas legais. Como determinou ao seu talante o único meio possível de prova, a individualização das condutas que levariam a interposição fraudulenta presumida, à falsificação e uso de documentos falsos estão todas prejudicadas. Assim, não há disposição legal infringida, a descrição dos fatos está manchada pela interpretação discricionária não autorizada pela norma legal, interpretação essa abusiva e ilegal, o que leva à nulidade da ação fiscal. Fl. 40725DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.725 21 Por todo o exposto, a Impugnante requer o cancelamento do Auto de Infração por não restar caracterizada a tipicidade da conduta necessária à aplicação de tão gravosa penalidade, por ofensa ao princípio da legalidade e por cerceamento do direito de defesa. A contribuinte traz a lume elementos que comprovam exaustivamente que ao longo dos anos vem exercendo suas atividades empresariais em conformidade com as práticas tidas como lícitas pelo mercado, cumprindo ainda com suas obrigações fiscais e trabalhistas e vem demonstrar que possuía, sim, recursos financeiros com origem certa e reconhecida pela própria RFB, os quais eram suficientes para suprir os dispêndios com suas atividades pertinentes ao comércio exterior. Apresenta diversos documentos como comprovação do que alega. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo de Caixa, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimo bancário para capital de giro, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda, do valor anual total de R$ 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de receitas e origens de recursos no valor de R$ 7.461.418,00, repetindose nos anos subsequentes o fluxo de caixa em patamares semelhantes. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades, Todos os DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS estão acostados em anexo a essa defesa, com a plena demonstração de origem lícita de recursos pela Impugnante. Com relação à origem lícita de recursos, convém registrar que o balanço patrimonial de 2009 já foi devidamente auditado e analisado pela própria Receita Federal, sendo considerado perfeitamente hábil em relação às regras e normas contábeis. Esses dados constam do Processo Administrativo nº 15586.720288/201307, da Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, citado no relatório que acompanha o auto de infração, peça inicial deste processo. a MULTIMEX possuía cerca de R$ 1.303.439,75 em disponibilidade no final do ano de 2009, e cerca de R$ 59.966,013,64 de saldo devedor na conta clientes, valores suficientes para suportar o volume de operações para o ano de 2010, Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante, Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante, conforme disposto no art. 923, do Decreto nº 3.000/1999. Fl. 40726DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.726 22 Alguns dados que comprovam a capacidade econômica e financeira da contribuinte, como os livros fiscais, constam da Escrituração Fiscal Digital EFD e foram acessados pela Fiscalização Aduaneira. Ainda com relação à origem lícita de recursos, salientese que recentemente a contribuinte logrou êxito na defesa do processo administrativo fiscal nº 11128.001870/201066, demonstrando que valese da legislação vigente e das normas e procedimentos comerciais consuetudinários para concretizar o objeto social e suas finalidades.Inclusive o Parecer Conclusivo exarado naqueles autos atesta a capacidade econômica e financeira da Impugnante. A contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercícios abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuintedesenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. No presente caso temse a hipótese de interposição fraudulenta presumida, haja vista a descrição dos fatos e enquadramento legal que constam do Auto de infração, peça inicial deste processo. Importante, pois, percorrer a demonstração do iter procedimental do(s) ato(s) infrativo(s) utilizada pela Fiscalização para concluir pela não comprovação de origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior, afinal o Auto de Infração está lastreado em presunções. A presunção legal admite um fato por outro, como se fossem um só ou o mesmo. Assim o fato presuntivo pode não ser infrativo, mas será tido, para o universo do direito, como se fosse. Todavia, o fato presuntivo deve ser provado, pois do contrário não vale a presunção legal e nada se pode afirmar do fato presumido. Como o ônus da prova pertence à Impugnante, cabe a ela demonstrar a origem lícita e emprego dos recursos, pois a não comprovação vem a ser o fato presuntivo, que uma vez existente determina a existência do fato presumido. Mas à Fiscalização Fl. 40727DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.727 23 cabe verificar, com base nas normas legais de regência, que as provas são ou não aptas a comprovar a origeme emprego dos recursos. Convém ressaltar que nessa parte estão os maiores problemas para oseguimento da ação fiscal, pois a Fiscalização em verdade construiu uma tese, não restando ao final fatos provados que demonstrem a existência possível do fato presumido, isto é, a interposição fraudulenta presumida. Em outras palavras, a não comprovação de origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados nas atividades de comércio exterior, que dá azo à presunção de interposição fraudulenta de terceiros, deve estar demonstrada, sob pena de nulidade do auto de infração. afirma a douta Fiscalização que a contabilidade é imprestável, e que por essa razão a contribuinte foi incluída em procedimento especial. a Fiscalização conclui que por ser o único meio hábil a comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior, a contabilidade imprestável é a prova da não comprovação desses itens, concluindo pela presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros. A Impugnante apresentou notas fiscais de entrada e de saída, contratos de câmbio, arquivos de importação c exportação, tabela de mercadorias/serviços, documentação técnica dos sistemas de processamento de dados utilizados, livros fiscais digitais e outros dados, Tais documentos gozam de presunção de veracidade, competindo ao Auditor Fiscal desconstituílos, comprovando que a Impugnante agiu de forma simulada. Todavia, para concluir pela imprestabilidade da contabilidade, a Fiscalização recorreu a informações que possuía acesso, registradas no SPED. A Fiscalização sabia que a MULTIMEX não tinha apresentado os demonstrativos contábeis de forma adequada no referido sistema, mas mesmo assim valese desse sistema para concluir pela imprestabilidade da contabilidade, quando poderia concluir pela existência de indícios de atividade lícita. Mais, desconsidera todas as informações prestadas pela contribuinte e, na conclusão pela imprestabilidade da contabilidade, considera as informações constantes do SPED desfavoráveis à contribuinte, desconsiderando aquelas que sabia fazerem prova a favor da contribuinte. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. Fl. 40728DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.728 24 Existem provas de que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capazes de lastrear as operações de comércio exterior. Apenas afirma a fiscalização que a contabilidade da Impugnante é imprestável para comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior, quando na verdade dispunha de provas capazes de infirmar essa conclusão, como aqui se demonstra. Admitindose, porém, que na fase litigiosa do processo administrativo fiscal a Impugnante pode juntar provas que infirmem o lançamento de ofício, tais provas, se apresentadas, devem ser consideradas pela autoridade julgadora, vinculada principalmente aos princípios da legalidade, busca da verdade material e do devido processo legal. E por essa ótica resta provado que a impugnante possuía recursos suficientes para lastrear suas operações comerciais, devendo ser julgada improcedente, no mérito, a pretensão da fiscalização. Verificase, com a devida vênia, que, sem qualquer base legal, o AFRFB concluiu que inconsistências na escrituração contábil de uma empresa seriam sinônimo de ausência de comprovação de recursos utilizados nas operações de importação. O descumprimento de obrigação acessória não se confunde, ou não deveria se confundir, por ausência de previsão legal, com a infração de interposição fraudulenta. Tampouco o fato de a contabilidade de uma empresa se mostrar imprestável evidencia que ela não possui capacidade econômica e financeira, conforme pretende levar a crer o Fisco em sua autuação. Em momento algum, a Impugnante visou se eximir de sua responsabilidade, sendo pertinente destacar que a documentação solicitada pela Fiscalização diz respeito a milhares de Declarações de Importação, devendo ter sido concedido prazo compatível com o volume de informações solicitadas. A jurisprudência administrativa do Ministério da Fazenda possui firme posicionamento no sentido de que a hipótese de interposição narrada nos dos autos configura uma presunção legal juris tantum, que, portanto, admite prova em contrário. Tendo em vista que estamos diante de uma presunção relativa, o contribuinte pode provar sua condição de real adquirente de outras formas, e não apenas pela via extenuante e exaustiva da escrituração contábil traçada pelo AFRFB, como se fosse aquela a única forma de refutar a presunção. Com a devida vênia, as inconsistências na escrituração contábil de uma empresa não implicam necessariamente na conclusão de que existe uma interposta pessoa, se outras circunstancias demonstrarem de forma inequívoca que a empresa importadora é, de fator a real adquirente. Fl. 40729DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.729 25 As provas ora colacionadas aos autos demonstram que a impugnante não é uma empresa de "fachada" ou "fantasma", que supostamente cederia seu nome para ocultar "os reais adquirentes" das mercadorias por ela importadas, sendo, portanto, a adquirente dos bens importados. Em que pese as falhas destacadas pela Fiscalização, a Impugnante possui origem lícita para seus recursos que decorrem da receita operacional bruta resultante de vendas de mercadorias, além de empréstimos bancários e até mesmo créditos concedidos por seus exportadores, conforme os anexos documentos no item 73 desta Impugnação. Em que pese o artigo 23, § 2º, do Decreto Lei nº 1.455/976 prever uma presunção legal de interposição fraudulenta, o Auto de Infração deve ser instruído com elementos concretos que demonstrem uma atuação fraudulenta da importadora e não por meras elucubrações do agente fiscal desprovidas de provas. Repisese que, no caso concreto, os livros contábeis da empresa foram considerados pelo AFRFB como a única prova capaz de demonstrar a origem dos recursos dos processos de importação. Data máxima vênia, tal atitude extremamente formalista não se coaduna com as diretrizes de fiscalização em matéria tributária, conforme se verifica pela leitura do artigo 512, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Considerando os livros da Impugnante imprestáveis, era dever do Auditor Fiscal aprofundar sua fiscalização por meio de outros elementos de provas e diligências complementares em nome da verdade material, consoante preconiza o artigo 512, do Decreto n.a 7.212, de 15 de junho de 2010, mormente diante de diversos elementos comprobatórios da capacidade econômica da Impugnante. Não é demasiado destacar que a lei estabelece que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil poderá analisar, além da escrita fiscal, mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores. Competiria ao Auditor Fiscal, portanto, buscar e analisar os elementos que se encontravam à sua disposição, a fim de apurar se a importadora possuía ou não capacidade econômica e não concluir pela prática de uma infração, sem qualquer indício da prática de fraude. Deveras, em cristalina afronta aos princípios da verdade material e da ampla defesa, o AFRFB concluiu que a condição financeira da autuada não se encontrava lastreada em documentos hábeis e idôneos, em total desrespeito com o disposto no art 149, VIII, do CTN, c/c art 65 e parágrafo único da Lei nº 9.784/1999. Conforme demonstrado, as despesas incorridas nos processos de importação foram arcadas exclusivamente pela Impugnante, Fl. 40730DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.730 26 sendo esta a responsável jurídica e financeiramente pelas operações, consoante demonstrado nos livros diário ora acostados. Os recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documentos idôneos para comprovar a origem de receita. Demonstrado que o contribuinte possui capacidade econômica e financeira própria para arcar com as despesas dos processos de importação, deve ser afastada qualquer presunção de interposição fraudulenta, em homenagem ao princípio da verdade material. A falsidade ideológica, mesmo que pela via da simulação, não enseja a aplicação da pena de perdimento nos termos do artigo 105, VI, do DL 37/66 (art, 689, VI, do RA). A legislação aduaneira pende pela multa nos casos de dolo, fraude ou simulação, nunca pela perda das mercadorias importadas, ou então deve o Regulamento Aduaneiro ser totalmente refeito, corrigido, sendo retiradas todas as infrações qualificadas e mantido apenas o artigo 689. Em nenhum momento há prova de falsidade ideológica em documento necessário ao embarque ou desembaraço, como parece acreditar a Fiscalização. Em nenhum momento restou demonstrada simulação de negócio jurídico. A Fiscalização, mediante tortuoso raciocínio, quer fazer crer que, uma vez presumida a interposição fraudulenta, estaria provada a simulação e a falsidade ideológica.Uma infração presumida, in casu a interposição fraudulenta presumida, seria causa das outras. Uma vez presumida a interposição estaria caracterizada a simulação e a falsidade ideológica. Não pode haver absurdo maior, em que a presunção da prática de uma infração serve de prova para a existência de outra. A presunção de interposição fraudulenta por não comprovação de origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, por óbvio, não constitui corolário, ou prova, de falsidade ideológica ou simulação. Com efeito, falsidade ideológica seria a dolosa inserção (ou omissão) de informação falsa em documento necessário ao desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. No caso em tela, a informação falsa possível seria a omissão do real comprador no exterior, e isso não ocorreu porque o real importador foi a MULTIMEX, utilizando recursos próprios. De outra banda, somente caberia simulação de negócio jurídico se houvesse, igualmente, a presença do dolo como elemento subjetivo do tipo. Fl. 40731DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.731 27 A MULTIMEX é de fato a compradora no exterior, com recursos próprios, devendo figurar como tal na fatura comercial e na declaração de importação. A MULTIMEX é a vendedora de fato e de direito, não se prestando a simular a venda de mercadorias no mercado interno. Portanto, se ao administrado é lícito fazer o que a lei não proíbe, não pode a sua atuação ser entendida como simulação ou falsidade ideológica sem que haja provas suficientes que demonstrem autoria e materialidade. Com efeito, tendo em vista que estamos diante de uma alegação de fraude, o ônus da prova recaí em relação ao Fisco, que deverá demonstrar a ocorrência da mesma, mediante farta documentação comprobatoria, o que não ocorreu in casu. E não poderia deixar de ser diferente, pois as declarações da autoridade fiscal não gozam de presunção de legalidade, só possuindo fé pública aqueles atos em que a lei não determinar que ele produza provas do que declarou ou naqueles em que a lei declare expressamente a existência dessa fé pública. Em casos como o dos autos onde o Fisco não se desincumbe de seu ônus probatorio a medida que se impõe é a improcedência do lançamento devido à ausencia de provas dos fatos constituintes de seu direito. Por todo o exposto, pretende a Impugnante também nessa parte o cancelamento do Auto de Infração pela ausência de provas da prática de fraude, simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação e uso de documentos falsos nas operações de importação. A interposição fraudulenta exige a comprovação da fraude ou simulação, cujo dolo não pode ser presumido, mas provado por elementos seguros de prova que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência, pois não é possível abstrair o elemento subjetivo, nem desprezar a boafé. No caso dos autos, no entanto, não há qualquer demonstração de fraude ou simulação pela Impugnante, até mesmo por impossibilidade material. Como consta da vasta argumentação da Impugnante em sua impugnação, que demonstra a inexistência de provas que constatassem o cometimento de fraude, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, falsificação e uso de documentos falsos, não estão presentes os requisitos para a aplicação da penalidade de perdimento, devendo a mesma ser afastada, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade. O entendimento exposto é consequência da observância do Princípio da presunção de inocência princípio que se irradia por todo o ordenamento, inclusive na ordem tributária por fazermos Fl. 40732DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.732 28 parte de um Estado Democrático de Direito, onde são garantidas a liberdade e a propriedade. Também não está demonstrada a vantagem em atuar da maneira como descrita pela fiscalização ou de simular qualquer operação, já que constava dos documentos de importação e efetuou o pagamento pelas mercadorias importadas, como demonstram os contratos de fechamento de câmbio em seu nome no Banco Central. Assim, não havendo provas da prática de interposição fraudulenta, e não sendo possível presumir a interposição fraudulenta pela não comprovação de origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados nas operações de comércio exterior, deve ser presumida a inocência da contribuinte. Portanto, para que seja caracterizado o dano ao erário e, por consequência, seja aplicada a pena de perdimento, pressupõese que seja comprovada pela fiscalização a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pelaoperação e que esta ocultação tenha ocorrido mediante fraude ou simulação, que autorizam concluir que há falsidade ideológica em documento necessário ao embarque ou desembaraço de mercadoria importada. O legislador faz uma única exceção ao ônus da prova da Fiscalização na hipótese de interposição fraudulenta, que é presumida caso não seja comprovada a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados (§ 2º, inc, V, do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976). Ocorre que ficou demonstrado não ser o caso de não comprovação de origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior, haja vista que a Impugnante demonstrou ter utilizado recursos próprios frente às importações que realizou. A suposta simulação levada a efeito pela Impugnante teria como fim evitar o recolhimento do IPI que seria devido pelo real importador. Todavia, a autoridade fiscal não se atentou para o fato de que não há incidência do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para as mercadorias em questão, conforme se verifica da planilha e documentos anexos e relacionados nesta Impugnação. Portanto, ainda que se admita exclusivamente para fins de argumentação, a prática da suposta fraude imputada à Impugnante não gera qualquer lesão aos cofres públicos. Ocorre que o dano ao erário é condição sine qua non para a aplicação da pena máxima administrativa de perdimento de bens e sua conversão em multa, ante a comercialização dos bens. Na remota hipótese de restarem afastados os argumentos acima esposados e se considerar correta a imputação da prática de Fl. 40733DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.733 29 interposição fraudulenta, ainda assim o lançamento deve ser julgado improcedente, haja vista a inobservância do disposto na Lei nº 11.488/2007. Se a MULTIMEX é interposta pessoa, se não adquiriu as mercadorias, como cobrarlhe a devolução das mesmas (perdimento) ou imporlhe multa de 100% do valor. Diante das razões exaustivamente demonstradas nessa impugnação, requer a Impugnante que seja cancelado o presente Auto de Infração ora impugnado e declarada sua nulidade, ou, alternativamente, no mérito seja julgada improcedente a ação fiscal em face da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento que lhe foi Imposta, extinguindose assim o respectivo processo administrativo. Do pedido de diligência Em 12/03/2015, por meio da Resolução nº 08002.896 (fls. 11.765 a 11.769), a 7ª Turma da DRJ/FOR decidiu solicitar esclarecimentos à unidade de origem, em função das informações trazidas aos autos pela defendente que indicavam a possibilidade de haver inconsistência nos dados dos lançamentos, com os seguintes pedidos: 1. Sejam analisados os documentos acostados aos autos por ocasião da impugnação, a fim de que seja atestada a sua viabilidade para as comprovações que requer a defendente, caso isto ainda não tenha sido realizado, uma vez que da análise podem surgir novas verificações da fiscalização, relevantes para a ação fiscal; 2. Seja informado se há, dentre os documentos apresentados, antes ou após a fiscalização, algum que seja capaz de comprovar integralmente a regularidade de uma ou mais importações realizadas no período fiscalizado; 3. Informar se há ou não conteúdo analisável no Arquivo Não paginável ARQUIVOS ADE COFIS 07 04 2014 (fls. 412), explicitando quais arquivos são estes, ou, se for o caso, esclarecer o motivo pelo qual os arquivos não permitem visualização de seu conteúdo; 4. Caso possuam conteúdo analisável, sejam convertidos os arquivos constantes do Termo de Anexação de Arquivo Não paginável ARQUIVOS ADE COFIS 07 04 2014 (fls. 412) em pdf ou excel, a fim de que possam ser analisados pela DRJ/FOR quanto à sua relevância. Em atendimento à Resolução, a fiscalização realizou as análises necessárias, redundando na Informação Fiscal de fls. 11.778 a 11.787, em que fez as seguintes considerações acerca do contido no pedido de diligência: Fl. 40734DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.734 30 Durante o procedimento fiscal, a MULTIMEX não comprovou ter utilizado recursos próprios frente às importações que realizou. Conforme demonstrado da descrição dos fatos, tópico 2, fls. 8 a 29, a MULTIMEX não atendeu de forma satisfatória o Termo de Início de Fiscalização (fls. 80 a 84) e respectivas reintimações(SIC). A MULTIMEX não atendeu satisfatoriamente os quesitos 3, 4, 5 e 11 e não atendeu os quesitos 9, 12, 13, 14, 17, 19 e 24. Dentre os itens não atendidos satisfatoriamente, quanto ao quesito 11, a MULTIMEX não apresentou escrituração contábil capaz de comprovar a origem lícita, a efetiva transferência e a disponibilidade dos recursos empregadas em suas operações de comércio exterior. Quanto aos arquivos digitais solicitados através do quesito 9 do termo de início de fiscalização, o não atendimento pela empresa foi relatada às fls 18 a 19 da descrição dos fatos. Em resumo, a empresa não apresentou os arquivos solicitados nos itens “a” e “i”, respectivamente o arquivo de registros contábeis e de plano de contas. Ou seja, também não apresentou a escrituração contábil nesse formato. Apresentou em formato incorreto os arquivos solicitados nos itens “b”, “c”, “d”, “e”, “f”, “g”, “h” e “j”, referentes às notas fiscais e arquivos de importações e exportações, sendo que esses dois últimos apenas relacionariam as DI e DE às notas fiscais. Portanto, a MULTIMEX não apresentou a contabilidade à fiscalização, seja em papel ou em arquivo digital. Os arquivos de contabilidade analisados foram baixados diretamente do SPED, conforme as Requisições de Cópia de Escrituração Contábil Digital (fls. 365 e 609). Tais arquivos se mostraram totalmente imprestáveis, conforme demonstrado na descrição dos fatos, tópico 5, fls 45 a 60. Intimada a refazer a contabilidade, a MULTIMEX não o fez. Ou seja, a apresentação à fiscalização não foi intempestiva, ela sequer ocorreu. Esse quesito não foi atendido nas intimações e reintimações. Portanto, a não apreciação da contabilidade não teve qualquer relação com formato impróprio. [...] Os documentos entregues na impugnação não foram apresentados no decorrer da fiscalização, portanto, não foram analisados naquela oportunidade. Todos os documentos apresentados em resposta às intimações foram juntados ao processo. [...] Não foram apresentados arquivos de escrituração contábil diretamente à fiscalização. Os arquivos referentes aos anos calendário 2010, 2011, 2012 e 2013 foram obtidos diretamente no SPED e, considerando que foram recepcionados pelo SPED quando a empresa os transmitiu, ao que tudo indica estavam no formato físico exigido, ou pelo menos quaisquer erros não Fl. 40735DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.735 31 impediram a recepção. Entretanto, o conteúdo dos arquivos, a informação que eles contém, eram totalmente imprestáveis, conforme já exposto. Importante esclarecer que a transmissão ao SPED ocorreu como uma obrigação acessória à parte, em cumprimento à IN RFB nº 787/2007, independente do procedimento fiscal. [...] Os arquivos não pagináveis juntados ao processo foram entregues pelo fiscalizado e, ao nosso entender, devem permanecer juntados ao processo de forma inseparável, assim como todas as outras provas colhidas no decorrer do procedimento fiscal e mencionadas na descrição dos fatos, prevenindo alegação de cerceamento de direito de defesa, possibilitando a realização de perícias e/ou diligências. Em seguida, a fiscalização teceu diversas considerações acerca da documentação apresentada pela impugnante, conforme solicitação contida na Resolução nº 08002.896 – 7ª Turma da DRJ/FOR, conforme excertos a seguir: Foram analisados os documentos juntados na impugnação, para verificar se os mesmos são hábeis para comprovar a origem lícita, a efetiva transferência e a disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, conforme enquadramento legal que embasou o auto de infração, o art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02. Como veremos, não foi afastada a presunção legal de interposição fraudulenta, pois a MULTIMEX mantevese reticente em cumprir sua obrigação de elaborar a escrituração contábil, apresentou apenas documentos e extratos esparsos, numa tentativa inócua de comprovar de forma indireta capacidade econômica. Documentos relativos à obtenção de recursos junto a instituições financeiras,como financiamentos bancários, desconto de títulos e crédito rotativo (fls 5.625 a 5.928) Tais documentos, por si só e isoladamente, não comprovam a origem, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados na operação de comércio exterior. Todos os recursos financeiros da empresa devem ser analisados em conjunto para verificação do disponível frente às despesas e custos das operações de comércio exterior. [...] No caso de financiamentos bancários, a empresa se vale de recursos obtidos junto a instituições financeiras para pagamento das mercadorias importadas e/ou demais despesas.[...] a apresentação do contrato de financiamento é insuficiente. Os Fl. 40736DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.736 32 contratos devem ser corretamente contabilizados, registrando inclusive os lançamentos referentes às entradas de recursos na conta bancária das empresas, se for o caso. É comum o importador exibir o saldo em extrato bancário na tentativa de demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar suas transações. Esse tipo de prova evidência apenas que naquele momento existia na conta bancária do importador aquele numerário e que despesas de importação foram pagas. Entretanto, ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Quais são os documentos idôneos e coincidentes em datas e valores que lastreiam aquela entrada. [...] Ademais, alguns dos contratos são relativos a desconto de títulos e crédito rotativo, que na verdade disponibilizam um limite de crédito, que é irrelevante para a comprovação da origem,efetiva transferência e disponibilidades dos recursos. O que é relevante é a efetiva utilização da linha de crédito, que deve constar na contabilidade e em conjunto com as demais entradas de recursos, devidamente comprovadas, devem fazer frente às operações de comércio exterior. Parecer conclusivo relativo a perdimento de mercadorias importadas em 2009 (fls 5.929 a 5.935) Autuação referente a uma única Declaração de Importação, registrada em 2009, portanto fora do período abrangido pelo procedimento fiscal.[...] Observese que a modalidade de importação foi por encomenda, e não por conta própria, como é o caso das importações autuadas neste processo. A razão daquela autuação foi o adquirente da mercadoria não ter comprovado a origem, efetiva transferência e disponibilidade de recursos, e não a Multimex, que aparentemente não foi intimada nesse sentido. Algumas invoices (fls 5.936 a 6.053) São cópias de faturas, em pequena quantidade frente ao total de Declarações de Importação autuadas, que teriam sido emitidas pelos exportadores. Não comprovam a origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade dos recursos empregados no comércio exterior. Algumas planilhas sobre capital de giro e empréstimos (fls 6.054 a 6.057) Isoladamente, não comprovam origem, efetiva transferência e disponibilidade de recursos para as operações de comércio exterior[...]. Relatório Relação DI's PIS/COFINS, aparentemente é o cálculo dessas contribuições (fls 6.058 a 6.094). Relatório de sistema de informações interno da MULTIMEX apresentando contribuições sociais incidentes no registro das DI. Fl. 40737DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.737 33 É ainda necessária à contabilidade completa para comprovar a origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, inclusive para recolhimento dos tributos incidentes no registro da DI. Alguns extratos bancários esparsos, alguns de 2009, sem identificação de terceiros remetentes de recursos para a maioria dos lançamentos (fls 6.095 a 6.132) Foram apresentados extratos esparsos, sem continuidade dos lançamentos, sem abranger todo o período fiscalizado e todas as contas bancárias da empresa. Relatórios do Banco Central Sistema de Informações de Crédito (fls 6.133 a 6.169) Apresenta valores agregados de operações de crédito realizadas e limites de crédito concedidos por instituições financeiras. Novamente, não substitui a contabilidade e não comprova a origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Relatórios de desconto de títulos e extratos bancários (fls 6.170 a 6.309) Novamente, não substitui a contabilidade, pois mera entrada de recursos evidenciada em extrato bancário, através de um lançamento totalizando vários títulos descontados, não é suficiente para comprovar a origem, efetiva transferência e disponibilidade dos recursos. Balanço patrimonial, DRE e recibo de entrega ECD 2009, referentes a período anterior á fiscalização (fls 6.310 a 6.319) Demonstrativos contábeis anteriores ao período da fiscalização. SINTEGRA, recibos de entrega e espelhos dos arquivos entregues (fls 6.347 a 10.328), totalizando 3.982 páginas São informações exigidas pelos fiscos estaduais através do sistema SINTEGRA.[...] Cumpre destacar que se trata de Escrituração Fiscal Estadual, que não substitui nem supre a necessidade da Escrituração Contábil. Folha de pagamento MUNDVIX DEPOSITO DE MERCADORIAS PARATERCEIROS, outra empresa do mesmo grupo (fls 10.332 a 10.489, fl 10.743,fls 11.184 a 11.273 (parte é de 2009), fls 11.526 a 11.550, fls 11.558 a 11.609) Além de se referir a outra pessoa jurídica, não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Notas Fiscais de Terceiros e TEDs referente à representação comercial, assessoria e outros serviços no mercado interno, inclusive de operações de 2008 e 2009, fora do período fiscalizado (fls 10.490 a 10.570, fls 11.516 a 11.525 ) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Fl. 40738DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.738 34 Alguns contratos de garantia, especificações, compra e venda e prestação de serviços de máquinas pesadas no mercado interno (fls 10.571 a 10.716, fls 10.793 a 10.814) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Todas as prestações de serviços devem estar devidamente contabilizadas para permitir auditar essas entradas de recursos na empresa em conjunto com todas as demais entradas. Fotos da filial MULTIMAC e de participações em eventos (fls 10.717 a 10.742, fls 11.610 a 11.621) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Notas fiscais de serviços no mercado interno emitidas pela filial MULTIMAC, manutenção de equipamentos pesados (fls 10.744 a 10.792, fls 11.102 a 11.183) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Todas as prestações de serviços devem estar devidamente contabilizadas para permitir auditar essas entradas de recursos na empresa em conjunto com todas as demais entradas. Folha de pagamento da MULTIMEX (fls 10.815 a 11.018) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. DANFE de algumas NFe emitidas pela MULTIMEX (fls 11.019 a 11.101) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Todas as vendas devem estar devidamente contabilizadas para permitir auditar essas entradas de recursos na empresa em conjunto com todas as demais entradas. Contratos de compra e venda ou de locação da MULTIMEX com clientes no mercado interno (fls 11.274 a 11.285, fls 11.352 a 11.512) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Documentos diversos, como Atos constitutivos, comprovantes de inscrição CNPJ, Notas fiscais de serviços, comprovantes de residência, cópias de documentos de identidade, certidões, etc, todos referentes a clientes da Multimex no mercado interno(fls 11.286 a 11.351) Não comprovam origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Contrato de industrialização por encomenda de máquinas copiadoras no mercado interno (fls 11.513 a 11.515) Fl. 40739DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.739 35 Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Contratos de representação comercial no mercado interno para artigos relacionados a Poliol/Polieter (fls 11.551 a 11.557) Não comprova origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. Traduções juramentadas de apólices de crédito de exportação de curto prazo para comprador múltiple (sic) (fls 11.622 a 11.645) Não comprovam origem lícita, efetiva transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior. [...] Diante do exposto em resposta ao quesito anterior e na introdução deste relatório, resta claro que a documentação apresentada é incapaz de comprovar integralmente a regularidade de qualquer uma das importações realizadas no período fiscalizado. Quanto ao conteúdo do arquivo Não paginável ARQUIVOS ADE COFIS 07 04 2014 (fls. 412), instada a se manifestar sobre seu conteúdo, ou, se for o caso, esclarecer o motivo pelo qual os arquivos não permitem visualização de seu conteúdo, assim respondeu a fiscalização: Conforme exposto na introdução deste relatório, na apresentação de arquivos digitais solicitados através do quesito 9 do termo de início de fiscalização (fl 81), o não atendimento foi relatada às fls 18 a 19 da descrição dos fatos. Em resumo, a empresa não apresentou os arquivos solicitados nos itens “a” e “i”, relativos à escrituração contábil, e apresentou em formato incorreto os arquivos solicitados nos itens “b”, “c”, “d”, “e”, “f”, “g”, “h” e “j”, referentes às notas fiscais e arquivos de importação e exportação[...]. [...] Os arquivos apresentados não atenderam o formato exigido na legislação e a empresa não apresentou arquivos corrigidos. Conforme consta no Termo de Intimação e Reintimação nº 2014 00040004 (fls 419 a 422), os arquivos não foram validados pela MULTIMEX antes da entrega, e por ocasião da validação efetuada pela fiscalização, identificouse que os arquivos estavam em formato incorreto, conforme tela do sistema SVA à fl 420. [...] A MULTIMEX foi reintimada, através do Termo de Intimação e Reintimação Nº 201400040004, quanto ao quesito 9 (fls 419 a 421), a reapresentar os arquivos, validados e autenticados no formato correto, o que não foi atendido. Os formatos de arquivo digital são especificações técnicas que determinam quais devem Fl. 40740DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.740 36 ser as características físicas do arquivo, ou seja, como os dados devem ser organizados no arquivo digital para apresentação ao Fisco. Tais especificações são necessárias para que seja possível transferir os dados para os sistemas de informação do Fisco, que estão preparados para ler e tratar arquivos compatíveis com as especificações previstas na legislação. Arquivos com formato incorreto não são reconhecidos por esses sistemas e, obviamente, não podem ser utilizados. Assim, por não terem seguido o formato previsto na legislação, não há conteúdoanalisável no Arquivo Não paginável ARQUIVOS ADE COFIS 07 04 2014 (fl. 412) para o fim a que se dispõe, qual seja, atender às exigências do art. 11 da Lei nº 8.218/1991, regulamentado pela IN SRF nº 86/2001 e pelo ADE COFIS nº 15/2001. Após o cumprimento dos termos contidos na Resolução nº 08 002.896, a defendente foi intimada para ciência (fls. 11.789) tanto da própria decisão da DRJ, quanto dos termos da Informação Fiscal, conforme Edital de fls. 11.790, ocorrida em 05/08/2015. Apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11.799 a 11.810) de forma tempestiva em 02/09/2015 (fls. 11.826), contendo as alegações a seguir sintetizadas: Que houve nulidade da intimação para ciência da Resolução nº 08 002.896 e da Informação Fiscal que lhe deu cumprimento, por ter sido realizada por edital; Que possui endereço certo e conhecido, razão pela qual a intimação deveria ter sido enviada para tal endereço, causando prejuízo à defesa o conhecimento do edital no final do prazo para apresentação de manifestação, devendo o prazo ser devolvido integralmente à defendente; Que houve ilegalidade na presunção utilizada pela fiscalização, uma vez que provas indiciárias e presunções não são provas diretas e inquestionáveis. Para a prova indiciária ser utilizada é necessário que esteja presente uma premissa maior válida; A fiscalização abriu mão da análise dos documentos apresentados pela defendente e se prendeu à aplicação de uma presunção, sem que estivesse presente o indício que a fundamenta e motiva; A fiscalização não realizou a análise da origem lícita dos recursos, cuja comprovação foi demonstrada pela defendente de forma coerente, robusta e consistente, baseada em diversos documentos apresentados nos autos; Fl. 40741DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.741 37 A defendente assevera ser inútil apresentar provas da origem lícita dos recursos, quando a autoridade fiscal elegeu como única forma de comprovação a contabilidade da defendente; Se todos os meios de prova são admissíveis no processo administrativo fiscal, a eleição da contabilidade como único meio de prova contraria expressa disposição de lei; Cita os artigos 4º e 6º, da IN SRF nº 228, de 2002, como fundamentação para a alegação de que a contabilidade não é o único meio de comprovação da origem dos recursos; A presunção aplicável ao caso é relativa e não é inquestionável, devendo ser sustentada em sua premissa fática anterior; Quanto ao cumprimento da Resolução nº 08002.896, a autoridade fiscal apenas reitera sua posição de que o único meio de prova apto a comprovar a origem lícita dos recursos é a contabilidade da defendente, contrariando o disposto no art. 6º da IN SRF nº 228, de 2002; A autoridade fiscal sequer analisou a documentação apresentada, quando o alto endividamento bancário da defendente, descontos de duplicatas e financiamentos, comprovam a origem lícita dos recursos; A acusação é específica da falta de comprovação de origem lícita dos recursos; O trabalho do fiscal seria comprovar a aplicação, transferência e disponibilidade do recurso lícito, mas não realizou esta análise; Requer a nulidade do procedimento realizado por autoridade fiscal incompetente, a improcedência da ação fiscal por ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelando a pena de perdimento imposta e extinguindo o processo administrativo, em face da apresentação por parte da defendente de comprovação da origem lícita dos recursos. A DRJ considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 ALTERAÇÃO DE ENDEREÇO. TERMO DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CONSTANTE DA BASE CADASTRAL. PREJUÍZO À DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Termo de Intimação, enviado para o endereço da empresa, no período em que a alteração cadastral ainda não fora processada, não representa prejuízo à defesa caso a autuada tenha sido cientificada por outros meios do início da fiscalização e tenha sido devidamente intimada a apresentar impugnação ao auto de infração. Fl. 40742DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.742 38 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. UNIDADE DE JURISDIÇÃO DIVERSA DO ENDEREÇO DO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, eis que não há, propriamente, um direito do contribuinte em ser fiscalizado somente por membros de determinada Alfândega, já que a formalização do procedimento previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade fiscal que primeiro conhecer da infração. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instaurado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. REDUÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas, sem que exista expressa previsão legal. INTIMAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE. INAPTIDÃO CADASTRAL. PREVISÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. A intimação para ciência dos atos processuais de interesse do contribuinte segue a ordem disposta no art. 23, do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo permitida a intimação por edital quando improfícuos os meios previstos na lei processual ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, como é o caso da autuada, não configurando a nulidade arguida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE OU TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A total inexistência da escrituração contábil, relativa a todos os anos fiscalizados, é suficiente para caracterizar a presunção legal contida no §2º, do art. 23, do Decretolei nº 1.455, de 1976, e Fl. 40743DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.743 39 inverter o ônus da prova a favor do Fisco. A apresentação de documentos esparsos, desacompanhados da contabilidade da empresa, não comprovam a origem, disponibilidade ou transferência dos recursos concernentes às operações de comércio exterior praticadas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PROCEDÊNCIA. Considerase dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, a infração relativa a mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Nas hipóteses de não ser possível a aplicação da pena de perdimento, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida ou revendida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo onde basicamente retomou os argumentos da sua impugnação que são analisados no voto deste acórdão. Cumpre consignar que no Processo 12466.720114/201576, na análise do Recurso Voluntário pela 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decidiuse por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 3301000.304 (fls. 36.076 e seguintes), converter o julgamento da lide em diligência, com a determinação e que fosse estabelecida a conexão com o presente processo. OS processos nº 12466.720114/201576, 12466.721649/201483 e 12466.722113/201485 serão julgados conjuntamente na mesma sessão desta turma do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Foi apresentada alegação preliminar no sentido da nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Ocorre que a intimação do Auto de Infração fora realizada por via postal com aviso de recebimento, conforme fl. 5467, no qual consta o recebimento do AR em 18/09/2014. Fl. 40744DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.744 40 Assim, a alegação é estranha a este processo e mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/2002 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativo funcionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; Ainda em preliminar, a recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, adotamos o entendimento da decisão recorrida, no sentido de que as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Fl. 40745DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.745 41 Assim, apesar de também entendermos que a alegação da recorrente se confundir com o mérito, salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no §3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu §2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O litígio, portanto, concentrase na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos e será analisado adiante, como um todo, no mérito . Neste ponto, a recorrente a arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; Fl. 40746DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.746 42 financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Fl. 40747DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.747 43 Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 23): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 46 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: Fl. 40748DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.748 44 a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 40749DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.749 45 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, Fl. 40750DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.750 46 quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas Fl. 40751DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.751 47 fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, elação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e Fl. 40752DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.752 48 c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 11.833 e seguintes): Importante destacar que a presunção legal estabelecida no § 2º, do art. 23, do Decretolei nº 1.455, de 1976, é relativa, ou seja, admite prova em contrário. Mas prova em contrário do quê? Do fato desconhecido, o qual a lei dá por existente uma vez demonstrado o fato base. Daí sua relatividade, pois, dado o fato presuntivo, poderá o interessado demonstrar que não ocorreu o fato presumido, mas outro qualquer que lhe seja favorável. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova precisamente nestes termos: o fato presumido temse como provado; logo, quem alegou e provou o fato presuntivo, não precisa provar o fato presumido. Uma vez que a lei dá por provado o fato, quem o alega e deveria proválo está dispensado de fazêlo. Transferese, por isso, o ônus ou encargo ao litigante a quem a presunção não favorece. Fl. 40753DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.753 49 A impugnante diz que a fiscalização presumiu a interposição pela não apresentação da contabilidade da empresa, mas que a origem, disponibilidade ou transferência dos recursos da empresa poderiam ser comprovados por outros meios, indicando para tanto que caberia à fiscalização analisar os documentos apresentados em lugar da contabilidade. Ora, tal procedimento significaria verdadeira “inversão da inversão” do ônus da prova, uma vez que, na ausência da contabilidade da empresa, que é condição necessária e suficiente para demonstrar que não há a origem, disponibilidade ou transferência dos recursos utilizados nas operações realizadas, pretende a defendente que a fiscalização abra mão da presunção legal que milita a seu favor, para comprovar que os documentos apresentados demonstrariam aquilo que já está presumidamente assumido. A bem da verdade, mesmo ausente o principal instrumento para apuração das ações da defendente, andou bem a fiscalização quando apreciou, um a um, os documentos apresentados em sede de impugnação e não lhes deu credibilidade diante da ausência do principal – e obrigatório – instrumento de controle para comprovação da regularidade das operações de qualquer empresa, a sua contabilidade. (...) Notase, portanto, que é farta a legislação que trata da obrigatoriedade da escrituração contábil das sociedades empresárias, inexistindo previsão legal que possa suprir a sua ausência com a apresentação de quaisquer documentos, como pretende a defendente, obviamente por não ser possível fazer qualquer tipo de análise de documentos fora do contexto global que representa a contabilidade da empresa. Em respeito aos mais basilares princípios do Direito, principalmente em respeito à ampla defesa, este julgador entendeu que deveria ser conferido à impugnante a possibilidade de ter a documentação, apresentada por ocasião da impugnação, analisada pela autoridade autuante, de modo a evitar o prosseguimento da cobrança de crédito tributário porventura inexistente. (...) Neste ponto, cabe esclarecer que, mesmo que a escrituração contábil fosse apresentada, restaria à defendente a obrigação de comprovar os fatos contábeis lançados, de tal sorte que não bastaria que a ECD fosse transmitida com dados válidos para o SPED, mas que também tais informações fossem respaldadas por Fl. 40754DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.754 50 documentos que comprovassem todas as transações econômicas que tomou parte no período fiscalizado. Na impugnação a defendente apresentou uma série de documentos que tentou fazer crer que seriam capazes de comprovar estes fatos patrimoniais e que a falta da escrita contábil seria apenas o descumprimento de uma obrigação acessória. Mas a apresentação seletiva de documentos não foi capaz de desconstituir aquilo que assevera a fiscalização, nem tampouco de comprovar aquilo que alega a defendente. Prestase mais, para se dizer o mínimo, a uma tergiversação para encobrir a realidade. Para garantir o direito de ampla defesa da impugnante, os documentos apresentados, além de terem sido enviados para a fiscalização, com a recomendação de serem apreciados pela autoridade autuante, também foram analisados por esta DRJ, mesmo entendendo que a falta da escrita contábil inviabilizaria qualquer esforço para aproveitálos, mas de modo a rechaçar qualquer argumentação posterior de cerceamento do direito de defesa. Todos os extratos bancários apresentados (fls.6.095/6.132) possuem grande aporte de empréstimos e há poucos lançamentos de crédito com a indicação de provirem de terceiros. Haja vista a quantidade de DI registradas no período e o volume de empréstimos contraídos há de se questionar qual a fonte de receitas da empresa, uma vez que há pouquíssimas entradas nas contas bancárias, sem indicação da origem e não há notas fiscais apresentadas, com exceção de um conjunto de notas fiscais de serviço, além de não existir contabilidade que informe estes lançamentos. Menção cabe fazer aos lançamentos bancários intitulados “líquido de desconto”, cuja apuração a defendente apresenta como desconto de títulos, em planilhas anexadas aos extratos bancários de fls. 6.170 a 6.190. Estes recursos ingressados na empresa necessitavam ter sua origem indicada, a fim de que a fiscalização pudesse fazer as comprovações necessárias quanto à licitude das operações. Mesmo neste momento, em que a empresa se vê com a necessidade de apontar qual seria esta origem, apresenta apenas extratos consolidados e sem qualquer referência que possibilite o deslinde da questão. O mesmo ocorre com os extratos de fls. 6.191 a 6.309, onde há a indicação de créditos provenientes de descontos, com a agravante que, no mesmo dia, os valores são quase integralmente enviados a outras contas via transferência eletrônica disponível (TED), sem indicação de estas contas pertencerem à empresa ou a terceiros, ou qual a natureza destas transferências. Enfim, toda parte financeira da empresa é envolta em uma camada espessa de incertezas que corroboram integralmente aquilo que foi apurado pela fiscalização. A presunção legal utilizada não foi desconstruída pelos elementos apresentados, que serviram somente para enevoar ainda mais a conduta da MULTIMEX. Fl. 40755DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.755 51 Às fls. 6.054/6.057 constam extratos bancários de pagamento de parcelas de financiamento bancário, mas que não demonstram a origem dos recursos para quitação, nem comprovam que houve ingressos de recursos na empresa que não fossem provenientes de empréstimos. Esta situação não demonstra a capacidade financeira e operacional da empresa, pelo contrário, demonstra que o endividamento foi crescente e que não havia qualquer lastro para cobrir tais despesas, não ficando claro de onde vieram os recursos necessários para quitação. Às fls. 6.058/6.094 a empresa apresenta uma planilha contendo as DI registradas pela empresa separadas por ano calendário e contendo informações básicas, como valor CIF e os tributos pagos. Esta informação é conhecida da fiscalização e seria necessária a apresentação de informações mais específicas sobre cada importação como as faturas comerciais, as notas fiscais de entrada e saída, os extratos bancários da movimentação financeira referentes ao pagamento dos contratos de câmbio e aos recebimentos dos clientes, etc. Os arquivos apresentados às fls. 6.310 a 10.328 referemse ao balanço patrimonial da empresa no ano calendário 2009, relatórios do Sistema Integrado de Informações sobre operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (SINTEGRA) e relatórios que aparentam conter dados das transações comerciais realizadas pela empresa, mas que não indicam de onde foram extraídos, nem qual a sua utilidade. As notas fiscais de serviço, apresentadas às fls. 11.110/11.183, não se prestam a qualquer tipo de comprovação da regularidade das importações realizadas pela MULTIMEX ou da origem, disponibilidade ou transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior da defendente, uma vez que possuem baixo valor, se comparado ao total das importações, e não se referem às importações realizadas, mas a recebimentos de serviços mecânicos prestados pela filial da empresa. Da mesma forma, os documentos de fls. 11.184/11.273; fls. 11.526/11.550, e fls. 11.558/11.609, que se referem aparentemente a folhas de pagamentos, não possuem qualquer relação com as comprovações necessárias que se pretenderia da defendente para o caso ora em análise. Ademais, tais documentos sequer se referem à MULTIMEX, mas a uma empresa chamada Mundivix Depósito de Mercadorias para Terceiros, CNPJ nº 09.417.534/000192, não sendo possível identificar a razão pela qual tais documentos foram anexados aos autos. O contrato de compra e venda de mercadorias, estabelecido entre a defendente e a empresa SXS Serviços Especializados Ltda. (fls. 11.274/11.285), teve como objeto a aquisição de máquinas importadas pela MULTIMEX, no valor de R$ 460.000,00, conforme consta do próprio contrato (fls. 11.285), mas envolveu o pagamento parcial das mercadorias, no valor total de R$ 245.000,00, divididos em dez parcelas mensais de R$ 24.500,00, que deveriam ser liquidadas a partir de novembro de 2011, Fl. 40756DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.756 52 enquanto que a diferença seria liquidada com a entrega de dois veículos pela compradora à vendedora. Ocorre que não há qualquer comprovação apresentada pela defendente para a regularidade desta transação. Não há notas fiscais emitidas, não há comprovantes de depósitos bancários, não há escrituração contábil, não há documentos da importação destes bens, enfim, não há qualquer registro que um dia estes bens tenham transitado pelo patrimônio da defendente ou que tenham sido vendidos em data posterior, não sendo cabível a aceitação deste documento como justificativa para a origem dos recursos da empresa. Quanto ao contrato social referente à empresa Beltec Tanguá Implementos Agrícolas Ltda (fls. 11.286/11.297) e ao comprovante de inscrição no cadastro CNPJ, referente à empresa M&D Pizatto LtdaME (fls. 11.296), nada pode ser dito pois não há qualquer relação destas empresas com os fatos narrados no auto de infração, nem foi realizada qualquer alegação por parte da defendente que envolvesse tais empresas. Notas fiscais de serviço emitidas pela filial da MULTIMEX (fls. 11297/11.345), mesclada com documentos pertencentes a outras empresas sem relação com os fatos narrados no auto de infração, também não são capazes de justificar a origem das disponibilidades da empresa, pelas mesmas razões já apresentadas anteriormente, pois possuem baixo valor, se comparado ao total das importações, e não se referem às importações realizadas, mas a recebimentos de serviços mecânicos prestados pela filial da empresa. Certidão emitida pelo Cartório do Registro de Imóveis de BarreirasBA (fls. 11.346/11.347), não possui qualquer relevância para a análise, posto que não foi correlacionado a qualquer dos fatos apurados no auto de infração. O documento de fls. 11.348/11.351 se refere a uma análise cadastral de uma empresa sem qualquer relação com os fatos apurados no auto de infração e sem que a defendente tenha apresentado qualquer informação relevante para a sua inclusão, ficando evidenciado apenas que a empresa possui um risco de 100% de ser inadimplente (fls. 11.350), conforme análise realizada pelo SERASA. O mesmo ocorre quanto aos vários contratos de fls. 11.352/11.515, que se referem a venda ou locação de equipamentos, inclusive usados, sem que seja apresentada qualquer contrapartida relativa à entrada em estoque, ou saída para o comprador, sem registro contábil, nota fiscal de entrada e saída ou comprovação da regular importação. O contrato apresentado às fls. 11.454/11.457 referese à compra e venda de equipamentos entre duas empresas estranhas ao processo administrativo fiscal em análise. As notas fiscais de serviço (fls. 11.516/ 11.525) referemse à prestação de serviço de assessoria prestada pela empresa Bramundi Comércio Internacional Ltda. Em que pese o fato de Fl. 40757DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.757 53 uma empresa comercial estar prestando serviços de assessoria e que os pagamentos possuem valores expressivos, estas informações passam ao largo da análise realizada por este julgador, que busca somente vínculos entre os fatos narrados no auto de infração e a defesa apresentada, cabendo esclarecer que as notas fiscais apresentadas não têm qualquer relação com aquilo que alega o contribuinte, não sendo capazes de ilidir a presunção legal da interposição fraudulenta. Contratos de representação firmados entre a defendente e a empresa Vietri Representações Comerciais Ltda (fls. 11.551/11.553) e a empresa Ponte Vecchio Joias Comercio Importação e Exportação Ltda ME (fls. 11.554/11.557) não possuem qualquer significância para o processo, pois não justificam as aquisições ou transferências de recursos das operações de importação realizadas pela empresa. Fotos (fls.11.610/11.621) aparentemente das instalações da empresa, mas que não comprovam quaisquer das alegações formuladas, e apólices de seguro (fls. 11.622/11645), que estão desacompanhadas dos demais elementos de comprovação e vinculação quanto às operações de importação a que podem se referir, também não possuindo valor probante para desconstituir o auto de infração lavrado. Boletim de ocorrência (fls. 11.646), referente a um furto ocorrido em 2012, onde foram subtraídos da empresa documentos fiscais relativos aos anos 2007 e 2008, não possuindo, portanto, qualquer relação com os fatos do auto de infração em análise, além de contrato de aluguel referente ao imóvel onde está instalada a filial da empresa (fls. 11.648/11.652). Nenhuma destas informações sequer tangencia o problema apontado pela fiscalização relativamente à escrita contábil da empresa, que por força normativa está sujeita à escrituração contábil digital (ECD) no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007. Segundo a Instrução Normativa RFB nº 787/07, estão obrigadas a adotar a ECD, em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, as sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real, como é o caso da MULTIMEX. Desta forma, a empresa estaria obrigada, desde 2009, a apresentar a sua ECD ao SPED, mas esta obrigação foi negligenciada em todos os anos. A alegação da empresa, que o descumprimento de obrigações a cessórias não pode ser invocado para presumir a não identificação da origem, disponibilidade e a transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, é primária e desconectada da legislação. A fiscalização está autorizada a utilizar todos os recursos legais necessários para esclarecer fatos que envolvam o cometimento de ilícitos, inclusive as presunções que a lei permite sejam utilizadas quando determinada empresa não consegue demonstrar de onde Fl. 40758DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.758 54 provêm, onde estão e para onde vão seus recursos financeiros, como foi o caso observado em relação à defendente. Todas as chances de apresentar os documentos que poderiam comprovar a licitude de suas operações de comércio exterior foram fornecidas à defendente, que não os apresentou durante a fiscalização, como também não os apresentou em sua defesa. Esta recusa sistemática da defendente milita em seu desfavor, não possibilitando que sejam conhecidas as verdadeiras operações realizadas, nem tampouco possibilitando que seja realizada qualquer análise em sede de defesa administrativa. Equivocase o contribuinte quando alega que a fiscalização deu um salto interpretativo ao declarar a presunção legal da interposição fraudulenta de terceiros baseado tão somente na sua contabilidade imprestável. Isoladamente, a ausência de um livro fiscal, ou mesmo de toda a contabilidade de um exercício não poderia realmente ser a fonte da presunção, mas não é este o caso que ora se apresenta. Há um corpo probatório robusto que milita a favor do Fisco, uma vez que todos os documentos solicitados pela fiscalização foram sistematicamente negados pela fiscalizada, ou por ausência absoluta de tais documentos, como é caso da contabilidade, até os documentos instrutivos dos despachos de importação, como as faturas comerciais e os conhecimentos de transporte, passando pela não comprovação da movimentação bancária ou da não apresentação das notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias. De se notar que a defendente não foi capaz de minimamente comprovar qualquer das operações que realizou durante os quase cinco anos apurados pela fiscalização, realizando a construção de uma argumentação sólida, baseada em fatos, ou seja, nas operações de importação realizadas, que não tiveram sua origem, disponibilidade ou transferência de recursos comprovada com a apresentação dos documentos instrutórios. É que a auditoria realizada pelos AuditoresFiscais da Receita Federal se dá a partir do confronto da documentação em posse do contribuinte, com as informações prestadas aos órgãos anuentes, inclusive à própria RFB, grosso modo, por meio de checagens da origem dos recursos necessários às importações, da própria aquisição das mercadorias, da negociação com terceiros e do recebimento pela alienação ou pelo serviço prestado. Ao recusarse a apresentar tais documentos, a fiscalização fica impossibilitada de exercer seu munus, que é auditar as contas do contribuinte e verificar a possível ocorrência de delitos aduaneiros, permitindo a lei, nestes casos, presumir que houve a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve a comprovação da regularidade das importações realizadas. Para ilidir tal presunção, necessitaria o contribuinte apresentar, em sede de defesa administrativa, um conjunto robusto de Fl. 40759DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.759 55 documentos que fosse capaz de desconstruir as alegações formuladas pela Receita Federal, mas não é isso que se vê. As alegações formuladas na peça impugnatória são reclamações genéricas acerca do método utilizado pela fiscalização, mas que não comprovam efetivamente de onde vieram os recursos necessários às operações perpetradas pela empresa MULTIMEX. Os documentos apresentados são quase todos inúteis para fazer tais comprovações, e mesmo aqueles que poderiam servir para justificar o ingresso de recursos na empresa, estão desacompanhados de outros documentos que comprovem a sua regularidade. Assim, não existindo por parte da defendente qualquer comprovação da origem, disponibilidade ou transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior no período fiscalizado, restou configurada a infração de interposição fraudulenta da empresa MULTIMEX, não existindo qualquer reparo ao trabalho fiscal relativamente ao mérito da autuação, pelo que deve ser prestigiado e mantido, ainda mais pela não apresentação da escrituração contábil solicitada, o que dá robustez ao procedimento do Fisco. (grifouse). Cumpre consignar que é imprescindível a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, é preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. O que não se logrou no presente caso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica a sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. É comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato Fl. 40760DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.760 56 bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Ademais, a contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados,são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Fl. 40761DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.761 57 Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real Fl. 40762DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.762 58 adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou Fl. 40763DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.763 59 simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: Fl. 40764DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.764 60 I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) . De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 40765DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.765 61 Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 40766DF CARF MF Processo nº 12466.722113/201485 Acórdão n.º 3301005.127 S3C3T1 Fl. 40.766 62 Fl. 40767DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724938/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2010
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. ARBITRAMENTO.
A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo referentes às obras de construção civil sob sua responsabilidade.
O proprietário da obra é responsável pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a remuneração mensal da mão-de-obra utilizada na construção civil.
O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil será obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada proporcional à área construída e ao padrão de construção.
CONSTRUÇÃO CIVIL. FORNECIMENTO DE COMPONENTES PRÉ- MOLDADOS. REDUÇÃO DE 70%. NÃO CABIMENTO.
Para que o contribuinte possa ter o benefício da redução de 70% no valor da remuneração apurada, em virtude de utilização de componentes pré-moldados, o percentual do material pré-moldado fornecido deve ser, no mínimo, de 40% do custo global da obra.
DILAÇÃO PROBATÓRIA.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO.
A competência do lançamento é determinada pelo mês de emissão do ARO, época que se deu na vigência das disposições introduzidas pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009).
MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 04.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2010 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. ARBITRAMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo referentes às obras de construção civil sob sua responsabilidade. O proprietário da obra é responsável pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a remuneração mensal da mão-de-obra utilizada na construção civil. O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil será obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada proporcional à área construída e ao padrão de construção. CONSTRUÇÃO CIVIL. FORNECIMENTO DE COMPONENTES PRÉ- MOLDADOS. REDUÇÃO DE 70%. NÃO CABIMENTO. Para que o contribuinte possa ter o benefício da redução de 70% no valor da remuneração apurada, em virtude de utilização de componentes pré-moldados, o percentual do material pré-moldado fornecido deve ser, no mínimo, de 40% do custo global da obra. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. A competência do lançamento é determinada pelo mês de emissão do ARO, época que se deu na vigência das disposições introduzidas pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009). MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 04. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.107 1 1.106 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.724938/201066 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.785 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Recorrente CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES POSITIVO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2010 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. ARBITRAMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo referentes às obras de construção civil sob sua responsabilidade. O proprietário da obra é responsável pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a remuneração mensal da mãodeobra utilizada na construção civil. O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil será obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada proporcional à área construída e ao padrão de construção. CONSTRUÇÃO CIVIL. FORNECIMENTO DE COMPONENTES PRÉ MOLDADOS. REDUÇÃO DE 70%. NÃO CABIMENTO. Para que o contribuinte possa ter o benefício da redução de 70% no valor da remuneração apurada, em virtude de utilização de componentes pré moldados, o percentual do material prémoldado fornecido deve ser, no mínimo, de 40% do custo global da obra. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 49 38 /2 01 0- 66 Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.108 2 INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. A competência do lançamento é determinada pelo mês de emissão do ARO, época que se deu na vigência das disposições introduzidas pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009). MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 04. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.724938/201066, em face do acórdão nº 0240.040, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 27 de agosto de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 112 a 151, referese a contribuição destinada a terceiros (Salário Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.109 3 Educação, Incra, Senai, Sesi e Sebrae), incidente sobre a remuneração dos empregados, apurada por aferição indireta. Foram verificadas na ação fiscal, as obras de construção civil matrículas CEI 41.390.03200/75 (Centro de Exposições), 41.390.03198/71 (Centro Esportivo) e 41.390.03199/73 (Grande Teatro) detalhadas, respectivamente, nos itens 4, 5 e 6 do relatório fiscal. Relativamente às obras dos centros de exposições e esportivo, a fiscalização constatou utilização de mãodeobra não declarada e não recolhimento da totalidade das contribuições previdenciárias devidas, uma vez que as remunerações declaradas nas GFIPs específicas das obras eram insuficientes para realização de todos os serviços. Quanto a obra Grande Teatro, aduz o auditor que não se comprovou a mãodeobra utilizada na mesma. Segundo a autoridade lançadora, nos anos de 2007 a 2009, a empresa deixou de contabilizar em títulos próprios todos os custos relativos às obras de construção civil objeto da ação fiscal, conforme descrição do item 7 do relatório fiscal. Foi lavrado o auto de infração (CFL 34) nº 37.293.8710. Acrescenta que por não contabilizar todos os custos relativos às obras de construção civil em títulos próprios, os livros contábeis apresentados não atendem as formalidades legais, são deficientes e falta registro em contas individualizadas por obra de todos os fatos geradores de contribuições sociais. Foi lavrado o auto de infração (CFL 38) 37.293.8728. De acordo com o relatório fiscal, mesmo intimada pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, de 24/8/2010, a empresa deixou de apresentar os Certificados de Conclusão das Obras Centro de Exposições, Centro Esportivo e Grande Teatro, alegando não possuilos. O lançamento deuse, então, por aferição indireta, efetuandose o cálculo da mão de obra empregada com base no CUB – Custo Unitário Básico. No procedimento fiscalizatório, foram estabelecidos três padrões de auditoria: dois relativos ao custo da mãodeobra e outro relativo a capacidade de produção dos empregados alocados na obra. No padrão de auditoria “custo da mãodeobra” tevese como objetivo comparar o custo da mãodeobra declarado em GFIP com o valor contido no CUB – custo unitário básico divulgado pelo SindusconPR, conforme itens 4.3 (Centro de Exposições), 5.3 (Centro Esportivo) e 6.3 (Grande Teatro), inclusive subitens. No padrão “remuneração da mãodeobra terceirizada informada em GFIP” tevese como objetivo comparar os totais mensais das remunerações declaradas nas GFIPs específicas com o custo dos serviços mensais executados na obra, a fim de mensurar a mãodeobra terceirizada formalmente declarada e avaliar a capacidade de executar todos os serviços contratados Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.110 4 (itens 4.4 (Centro de Exposições), 5.4 (Centro Esportivo) e 6.4 (Grande Teatro), inclusive subitens). O autuado firmou contrato de construção no regime de preço fechado, em 2/7/2007, com a empresa Ferreira Filho Engenharia Ltda. Estabeleceuse na cláusula terceira do referido contrato que a contratada poderia firmar contratos de subempreitada com outras construtoras e que o faturamento seria efetuado diretamente para a contratante. A relação das subcontratadas, notas fiscais e valores constam do relatório fiscal (itens 4.4.2, 4.4.3, 5.4.2, 5.4.3, 6.4.2 e 6.4.3). No padrão “produtividade da mãodeobra” tevese como objetivo mensurar a capacidade de execução dos serviços através do confronto entre as horas de trabalho efetivamente alocadas na obra com as horas de trabalho orçadas (itens 4.5 (Centro de Exposições), 5.5 (Centro Esportivo) e 6.5 (Grande Teatro), inclusive subitens). Nos itens 4.6, 5.6 e 6.6, o auditor fiscal faz considerações a respeito das justificativas apresentadas pela empresa de que nas obras foram utilizadas lajes e estruturas prémoldadas e estruturas especiais para o telhado e deve ser enquadrada na IN/SRP 3/2005 com redução de 70% no cálculo do valor da mãodeobra, entendendo como correto o procedimento por ele adotado. Em atendimento ao Termo de Intimação 03, o contribuinte apresentou diversas notas fiscais e o contrato firmado com a empresa LC Costa Engenharia Ltda, cujo objeto consiste na execução da estrutura préfabricada de concreto e das fundações do Centro de Eventos e Exposições. Da análise das notas fiscais apresentadas constante dos itens 4.6.4 a 4.6.5, constatouse que: Somente parte da estrutura da obra foi executada com pré moldado e, mesmo assim, sem a prova concreta do fornecimento das peças (não foram apresentadas notas fiscais de venda de prémoldados). Não há elementos objetivos suficientes como prova para aplicação da redução de 70% no valor da remuneração, como previsto no artigo 364 da Instrução Normativa RFB 971. Informa ainda a fiscalização que a empresa não se manifestou sobre as divergências apontadas nos comparativos entre horas orçadas e efetivamente alocadas na obra. Concluiu o auditor fiscal, considerando que os empreendimentos foram integralmente concluídos e que os dados apresentados nos itens relativos ao padrão de auditoria “remuneração da mãode obra terceirizada informada em GFIP” e “produtividade da mãodeobra” comprovam os indícios apontados no item relativo ao padrão “custo da mãodeobra”, bem como a inconsistência das justificativas da empresa, que os segurados, cujas remunerações foram declaradas nas GFIPs das obras, foram insuficientes para a realização de todos os serviços. Inferiu, desse modo, que houve utilização de mãodeobra não declarada e não recolhimento da totalidade das contribuições Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.111 5 previdenciárias incidentes sobre as remunerações de todos os empregados utilizados na execução das obras. Foi constituído o crédito previdenciário no valor de R$ 272.863,33. O contribuinte teve ciência da autuação em 19/11/2010, fl. 2, e apresentou impugnação em 20/12/2010, fls. 517 a 547, com as seguintes alegações: RAZÕES DE FATO Contratou com a Ferreira Filho Construções Ltda a construção do Centro de Exposições, do Centro Esportivo e do Teatro Positivo. A obra poderia ser executada mediante contratação de subempreitada, conforme autorizado na cláusula terceira do contrato. O agente fiscal entendendo que os livros contábeis do impugnante não atendem as formalidades legais, utilizouse dos métodos “custo da mãodeobra, custo unitário real e remuneração da mãodeobra terceirizada informada em GFIP”, para apurar a mãodeobra empregada na construção. Com isso, concluiuse que o impugnante empregou mãodeobra insuficiente à construção das obras do Centro de Exposições e do Centro Esportivo e, que relativamente ao Grande Teatro houve mão de obra não declarada. Consequentemente, segundo o auditor, o contribuinte recolheu a menor as contribuições previdenciárias devidas. A aferição indireta só pode ser aplicada quando houver recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do contribuinte, o que não ocorreu no caso. O auditor fiscal equivocadamente, deixou de considerar a aplicação de material prémoldado e/ou préfabricado na construção das obras, o que por si, implicaria redução da mão deobra aplicada e, por conseguinte, das contribuições devidas pelo empreiteiro. Para afastar a comprovação documental de que mais de 40% dos materiais empregados na construção são de prémoldados e/ou préfabricados, o agente fiscal utilizouse do argumento de que os documentos fiscais apresentados pelo impugnante não indicam, de forma precisa, em qual obra o referido material foi empregado. Entretanto, não há na legislação atinente à emissão de nota fiscal de venda de mercadoria, dispositivo que imponha ao emitente do documento a indicação da obra em que a mercadoria vendida será aplicada. Todos os materiais descritos nos documentos, com indicação do seu endereço e em data contemporânea à realização das obras passaram a integrálas. O baixo índice de utilização de mãodeobra nas construções em comento, além da utilização de produtos prémoldados e pré fabricados, justificase pela utilização de grande quantidade de Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.112 6 concreto usinado e de equipamentos tecnológicos capazes de reduzir o emprego de mãodeobra. Finaliza, dizendo que lançamento fiscal encontrase em descompasso com o ordenamento jurídico. Primeiro, porque é ilegal a aplicação do arbitramento – aferição indireta, pois o contribuinte apresentou todos os documentos e livros fiscais solicitados pelo auditor fiscal. Segundo, porque o sujeito passivo no caso em questão é a empresa Ferreira Filho Engenharia Ltda e as demais subcontratadas. Terceiro, porque a ora impugnante faz jus a redução de 70% incidente sobre o valor da remuneração paga, na forma do artigo 364 da INRFB 971/2009, benefício esse decorrente da aplicação de material prémoldado e/ou préfabricado em percentual igual ou superior a 40% dos produtos aplicados na obra. RAZÕES DE DIREITO ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA A fiscalização ao imputar ao impugnante o dever de recolher as contribuições previdenciárias supostamente devidas pelas empreiteiras/subempreiteiras, acabou por eleger contribuinte diverso daquele estabelecido pelo artigo 195 da Constituição Federal e alheio à relação jurídicotributária em questão, contrariando o artigo 128 do CTN. A responsabilidade solidária do autuante só poderia ser aplicada após frustradas todas as tentativas possíveis de receber as contribuições previdenciárias das prestadoras de serviço de construção, empreiteiras e subempreiteiras. Por se tratar de responsabilidade subsidiária, como é o caso, deve ser aplicado o benefício de ordem, exaurindo as tentativas de satisfação de sua pretensão junto ao contribuinte de direito, para depois exigir do tomador dos serviços as contribuições não recolhidas. Conforme GPS em anexo (doc. 5), o impugnante exigiu de seus prestadores de serviços todos os comprovantes de pagamento relativos à contribuição previdenciária em comento, demonstrando sua boa fé. REGIME MENSAL DE COMPETÊNCIA A autoridade fiscal lançou a contribuição em 09/2010, contrariando o artigo 22 da Lei 8.212/1991 que estabelece que a obrigação previdenciária é devida mensalmente, no curso da execução das obras. Não foram observados na autuação os requisitos previstos nos artigos 30 da Lei 8.212/1991e 10 do Decreto 70.235/1972, por não discriminar com clareza e precisão, o fato gerador e o período de apuração das contribuição exigida. AFERIÇÃO INDIRETA Se a fiscalização entendeu que a mãodeobra utilizada para a construção dos referidos bens não foi devidamente declarada, deveria, então exigir a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários do prestador de serviço, das empreiteiras e subempreiteiras, mas não do impugnante. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.113 7 Possuindo a empresa escrita contábil que permite a identificação de todos os prestadores de serviços, não é permitido ao fisco utilizar o método de aferição indireta, o que se dá em observância aos princípios da segurança jurídica e legalidade. A inexistência de contabilização dos custos relativos à obra em títulos próprios não autoriza a utilização da sistemática da aferição indireta. Não obstante tal fato, o impugnante criou para cada obra, uma conta distinta, onde lançou individualmente, respectivos custos, o que se comprova pela análise dos livros contábeis já apresentados à autoridade fiscal. Como observou a fiscalização, o impugnante apresentou todos os documentos e livros fiscais relativos à execução das obras, afastando toda e qualquer alegação de infração à legislação previdenciária. Não há indício de que a contabilização do impugnante contém erro ou omissão quanto a mão de obra utilizada nos empreendimentos, o que impede a utilização do método de aferição indireta. A apresentação de livros fiscais com pequenas incorreções, não tem o condão de levar à desconsideração integral da contabilidade do contribuinte, principalmente se os livros apresentados permitirem apuração da mão de obra utilizada para execução das obras realizadas e o recolhimento da contribuição em questão por parte dos prestadores de serviço. Somente a inexistência de contabilidade autoriza a aferição indireta, conforme artigo 33, §§ 4º e 6º, da Lei 8212/1991. O auditor fiscal utilizou apenas dados estatísticos, não observando a realidade dos fatos, qual seja, a de que a construção dos empreendimentos se deu mediante utilização de material prémoldado, préfabricado e de concreto usinado, o que por si comprova suficiência da mãodeobra empregada. Inexiste irregularidade capaz de ensejar a desconsideração da contabilidade do impugnante, uma vez que o movimento registrado coincide com a real remuneração despendida para os segurados alocados no respectivo canteiro. INCONSISTÊNCIAS DO LANÇAMENTO. EQUIVOCADA APLICAÇÃO E CUSTOS UNITÁRIOS BÁSICOS DE CONSTRUÇÃO CUB. O auditor fiscal, além de tomar por base o CUB de 08/2010, aplicou equivocadamente a tabela GI e a tabela CSL (comercial salas e lojas) para o Centro de Exposições e para as obras do Centro Esportivo e Grande Teatro a tabela ACL8N (comercial andares livres). As obras mencionadas como se verifica pelo parecer anexo (Doc. 06), possuem as características inerentes ao projeto galpão industrial e não de salas comerciais ou de estabelecimentos comerciais com andares livres (artigo 346 da INRFB 971/2009). O artigo 346, IV, “j”, da referida IN, é taxativo ao classificar ginásios de esportes como projeto galpão industrial, Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.114 8 equivocando o auditor ao enquadrar o Centro de Esportivo na tabela CAL8N, enquanto o correto seria na tabela GI. Relativamente ao Centro de Exposições enquadrado nas tabelas CSL e GI deveria ter sido feito exclusivamente na tabela GI, por expressa determinação do artigo 346, IV, “d”, da IN 971/2009. Anexa fotos das construções do Centro Esportivo e de Eventos (Doc. 07) e parecer técnico (Doc. 06), demonstrando a impropriedade do enquadramento efetuado pela fiscalização. A obra do Grande Teatro deve ser enquadrada na tabela GI, pois o mesmo possui destinação e construção similar ao Centro de Exposições. Requer sejam as obras enquadradas na tabela GI, procedendo se novo cálculo para fins de lançamento das contribuições em questão. EQUIVOCADA DESCONSIDERAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NOS ARTIGOS 364 E SEGUINTES DA INRFB 971/2009. Mais de 40% dos componentes utilizados nas obras são pré moldados e/ou préfabricados, como provam os documentos fiscais e os projetos arquitetônicos apresentados pelo impugnante, sendo devida a redução de 70% do valor da remuneração para fins de apuração da contribuição previdenciária. Sob o argumento de que as notas fiscais apresentadas não indicam com exatidão, o CEI da obra a que se destinam, o auditor fiscal desconsiderou sua existência e aplicou método de aferição indireta para apuração da contribuição previdenciária. Pretende provar o alegado por meio de pericial que será oportunamente acostada ao Processo Administrativo Fiscal instaurado após o protocolo da presente impugnação. APLICAÇÃO DE MULTA CONFISCATÓRIA PELA IMPUGNADA. A multa aplicada pelo auditor fiscal (Lei 8.212/1991, artigo 35 A, acrescentado pela Lei 11.941/2009), não observa a legislação de regência à época da ocorrência dos fatos que deram origem à autuação, deixando de observar o artigo 144 do CTN. Além disso, a penalidade imposta se mostra desproporcional, evidenciando o seu nítido caráter confiscatório. Nenhuma das circunstâncias agravantes da aplicação da multa está configurada na hipótese em questão. A incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC vem sendo reiteradamente afastada pelo Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF, conforme acórdão que cita. Requer: O recebimento, processamento e provimento integral da impugnação para reconhecer a absoluta inexistência de relação jurídicotributária, anulando o auto de infração. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.115 9 A suspensão da exigibilidade dos créditos tributários arrolados no auto de infração, em observância ao disposto no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional. A produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial prova pericial que será oportunamente acostada ao Processo Administrativo Fiscal. Este processo está sendo analisado pela Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte – DRJ/BHE/MG, por determinação da Portaria Sutri n º 3.237, de 12/8/2011, do Subsecretário de Tributação e Contencioso da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme despacho de fl. 831 do processo 10980.724935/201022 a que este está apensado.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 847/888, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante relatado, o crédito é referente a contribuições da empresa para terceiros (SalárioEducação, Incra, Senai, Sesi e Sebrae), incidentes sobre a remuneração de mãodeobra empregada na execução de obras de construção civil, apurada por aferição indireta proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra. Ilegitimidade do sujeito passivo indicado ilegitimidade da cobrança. Alega a contribuinte não ser o sujeito passivo da obrigação e que a exigência do crédito tributário deveria recair sobre a empreiteira e subempreiteiras. A DRJ de origem bem apreciou a matéria, referindo que de acordo com o artigo 322, inciso XXXII, da Instrução Normativa RFB 971/2009, considerase proprietário do imóvel a pessoa física ou jurídica detentora legal da titularidade do imóvel, sendo este, o proprietário, o responsável, dentre outros, pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil (art. 325). Prossegue o voto da DRJ, nos seguintes termos, adotando tais fundamentos como razões de decidir: "Conforme verificação feita nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e como consta do relatório fiscal, o Centro de Estudos Superiores Positivo Ltda efetuou as matriculas de suas obras no Cadastro Específico do INSS – CEI, sendo: 41.390.003200/75 – Centro de Exposições; 41.390.03198/71 – Centro Esportivo; e 41.390.03199/73 – Obra Teatro. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.116 10 Assim, os procedimentos de auditoriafiscal devem ser realizados no sujeito passivo, enquanto titular da matrícula no CEI, na condição de proprietário, dono da obra, incluindo a verificação da mãodeobra própria e a mãodeobra de terceiros, a partir da análise da escrituração contábil, folha de pagamento e respectivos documentos de suporte, notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, contratos de prestação de serviços, GFIP, dentre outros." Logo, não tem razão a contribuinte quando afirma não ser ela o sujeito passivo da obrigação principal lançada por meio do auto de infração combatido. Aferição indireta. Assevera a contribuinte que é ilegal a aplicação do arbitramento – aferição indireta, pois apresentou todos os documentos e livros fiscais solicitados pelo auditor. Consoante se verifica, os fatos que ensejaram a utilização do método da aferição indireta foram devidamente explicitados pela autoridade lançadora, no relatório fiscal, mais especificadamente nos itens 3.6, 7 e 8, consistindo em síntese: 3.6) Em decorrência da apresentação de livros contábeis que não atendem as formalidades legais e, ainda considerando que a mãodeobra declarada em GFIP é insuficiente para a execução das obras matrículas CEI 41.390.03200/75 (Centro de Exposições) e CEI 41.390.03198/71 (Centro Esportivo) e, também, pela não comprovação da mãodeobra utilizada na execução da obra matrícula CEI 41.390.03199/73 (Grande Teatro), as contribuições previdenciárias devidas em função da execução das mesmas foram apuradas por AFERIÇÃO INDIRETA. 7) DA AUDITORIA CONTÁBIL 7.1) os custos incorridos na execução das obras foram contabilizados em contas únicas sem que fosse observada a previsão legal de contabilização em títulos próprios. Este critério contábil adotado pela empresa impossibilita a identificação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias haja vista a contabilização dos custos de forma englobada em uma única conta.[...] 7.2) O procedimento contábil assim adotado não atende ao previsto no artigo 32, inciso II, da Lei 8.212, de 24/07/1991 e no artigo 225, inciso II e parágrafo 13 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. [...] 7.3) Também se constata não existir subconta específica das obras, relativa a retenção de 11% incidente sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços.[...] a contabilização de retenções de 11% foi efetuada na conta genérica 215030 – outros impostos. Nesta conta constam lançamentos relativos a diversos outros impostos, tais como: IRRF, PIS, COFINS, CSLL, ISS, INSS. [...] 7.4) [...] foi lavrado o auto de infração 37.293.8710 (CFL 34). 7.5) [...] a empresa apresentou livros contábeis que não atendem as formalidades legais, considerados desta forma, por Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.117 11 disposição legal, como “documentos deficientes”. Esta conduta configurase como infração prevista na legislação federal, tendo sido lavrado o auto de infração 37.293.8728 (CFL 38 – legislação citada no item 9 abaixo). 8) DAS CONCLUSÕES FINAIS (reflexos da AUDITORIA DAS OBRAS E DA CONTABILIDADE na AUDITORIA FISCAL) 8.1) Considerando a apresentação deficiente de documentos e, ainda, considerando que a mãodeobra declarada em GFIP é insuficiente para a execução das obras, aferiuse a remuneração da mão de obra empregada, com base nos fundamentos descritos no item 9 deste relatório, utilizandose dos procedimentos previstos n Seção II do Capítulo IV da Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009 (trata da regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção). Tal situação configura hipótese prevista na Lei 8.212/1991, artigo 33: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (grifouse) A Lei 8.212/1991 determina no artigo 32, inciso II, que é obrigação da empresa lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições da empresa e os totais recolhidos. De igual forma, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, no artigo 225, inciso II e § 13º, determina: Art.225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.118 12 exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: [...] II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Com relação a obras de construção civil, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, estabelece que: Art. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: [...] II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47; [...] V quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados de forma deficiente. [...] § 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: [...] II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; [...] Ainda, a IN 971/2009, artigo 447, inciso IV, alínea “c”, como acertadamente o acórdão a quo mencionou, prevê a aplicação da aferição indireta quando constatada a impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. Assim, quanto a alegação de que não poderia ser utilizado o critério de aferição indireta porque foram apresentados todos os documentos solicitados, concordo com o entendimento exposto no acórdão recorrido de que não basta a simples disponibilização dos livros contábeis, mas é necessário que os mesmos estejam de conformidade com a legislação. Portanto, tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado de conformidade com a legislação vigente à época de sua lavratura, não há que se falar em nulidade do mesmo, posto que foi constituído observando o princípio da legalidade. A atividade administrativa é obrigatória e vinculada, devendo a autoridade fiscal obediência à norma válida no ordenamento Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.119 13 jurídico, conforme determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de responsabilidade administrativa. Fornecimento de componentes prémoldados. Quanto a possibilidade de aplicação do redutor de 70% no valor da remuneração apurada, verificase, conforme apurado pela autoridade lançadora (fls. 123 a 125 – Das considerações sobre as justificativas da empresa), que não restou comprovado pelos documentos apresentados em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 03, a utilização de material prémoldado em percentual igual ou superior a 40% do somatório atualizado dos valores brutos das notas fiscais de fornecimento e montagem dos elementos préfabricados e/ou prémoldados, como determinado no artigo 364 da IN RFB 971/2009: Art. 364. A obra de construção civil que utilize componentes pré fabricados ou prémoldados será enquadrada de acordo com o disposto nos arts. 346 a 348 e terá redução de 70% (setenta por cento) no valor da remuneração apurada de acordo com o art. 359, desde que: I sejam apresentados, conforme o caso: a) a nota fiscal ou a fatura mercantil de venda do préfabricado ou do prémoldado e a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, emitidas pelo fabricante, relativas à aquisição e à instalação ou à montagem do préfabricado ou do prémoldado; b) a nota fiscal ou a fatura mercantil do fabricante relativa à venda do préfabricado ou do prémoldado e as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços, emitidos pela empresa contratada para a instalação ou a montagem; c) a nota fiscal ou a fatura mercantil do fabricante, se a venda foi realizada com instalação ou montagem; II o somatório dos valores brutos das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I, em cada competência, atualizado com a aplicação das taxas de juros previstas na alínea "b" do inciso II e no inciso III do art. 402, desde a data da emissão desses documentos até o mês anterior ao da emissão do ARO, seja igual ou superior a 40% (quarenta por cento) do CGO, calculado conforme o art. 350, observado o enquadramento no tipo 11 (alvenaria), previsto no § 2º. A contribuinte não apresentou outros elementos em sua impugnação diferentes daqueles apresentados à fiscalização, como prova de atendimento ao dispositivo acima citado e com isso, fazer jus a redução pleiteada. Importa referir que é ônus exclusivo da contribuinte comprovar o que alega. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Regime mensal de competência. Considerando a apresentação deficiente de documentos e que a mãodeobra declarada em GFIP foi insuficiente para a execução das obras, o salário de contribuição foi aferido utilizandose dos procedimentos previstos na Seção II do Capítulo IV da IN RFB 971/2009, que trata da regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.120 14 O cálculo da remuneração aferida teve por base o CUB de agosto de 2010, divulgado pelo SindusconPR em setembro de 2010, respeitado o prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal (início da ação fiscal 24/8/2010 e encerramento 18/11/2010), na forma do artigo 344, § 2º, inciso III, da IN RFB 971/2009. O lançamento só se daria por competência se a aferição tivesse ocorrido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, o que não é o caso dos autos. As bases de cálculo lançadas correspondem às diferenças entre as remunerações aferidas e a somatória das remunerações contidas nas notas fiscais de concreto e argamassa usinados (5%) e das remunerações declaradas em GFIPs válidas e atualizadas (item 8.2.4 do relatório fiscal – fl. 144). Inconsistência do lançamento. equivocada aplicação e custos unitários básicos de construção – CUB. Pretende o autuado a retificação e a redução do valor do lançamento, sob o argumento de estar incorreto o enquadramento das obras procedido pela fiscalização na tabela CUB. Entende que o enquadramento do Centro Esportivo, do Centro de Exposições e do Grande Teatro seria na tabela GI, como galpão industrial. Apresenta parecer técnico assinado por administrador da empresa Sottomaior & Sottomaior acompanhado de fotos, fls. 811 a 828. Conforme relatório fiscal, foi com base no projeto arquitetônico e alvará concedido pela Prefeitura que o fisco procedeu ao enquadramento das obras, sendo Centro Esportivo, com destinação comercial andares livres, enquadramento CAL8N (área 5.220,00 m², valor CUB 1.033,97), Centro de Exposições, destinação comercial salas e lojas, enquadramento CSL 08N (áreas de apoio – 1.403,50 m² valor do CUB 903,37) e galpão industrial (áreas de exposição – 7.175,00 m² valor CUB 503,48), Teatro Positivo, destinação comercial andares livres, enquadramento CAL8N (área 6.375,00 m² e valor CUB 1.033,97). É o que traz o relatório fiscal: 4.1 Centro de Exposições Pela análise do projeto arquitetônico, verificase que corresponde a empreendimento comercial constituído de três áreas de exposição e saguão de entrada (construção do tipo galpão industrial – 7.175,00 m²) e de diversas áreas de apoio (construção do tipo salas e lojas – restaurante, depósitos, escritórios, sanitários, copas, etc – 1.403,50 m²). As áreas destinadas a exposição estão assim distribuídas: área de exposição 1 – 2.050,00 m², área de exposição 2 – 790,00 m², área de exposição 3 – 3.780,00 m² e saguão de entrada – 555,00 m². A área construída total do empreendimento foi de 8.578,50 m². 4.3.2 No período de execução da obra o CUB médio apurado pelo Sinduscon com base na NBR 12.721/2006 para a construção de galpão industrial foi de 395,56R$/m² (tabela GI) e a participação média da mãodeobra no CUB foi de 18,48% 73,11 R$ p/m². Além das áreas de exposição (que se enquadra na tabela de “galpão”), também foram construídas outras edificações de apoio (que se enquadram na tabela “salas e lojas”) e para estas o CUB médio foi de 720,76 R$/m² (tabela CSL8N) e a participação média da mãodeobra no CUB foi de 18,24% 131,42 R$/m². 4.3.3 Considerando as áreas e os custos unitários aplicados a cada uma delas, temse que o CUB médio de toda a obra, conforme valores divulgados pelo Sinduscon – PR foi de 448,76 Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.121 15 R$ p/m² e a participação média da mãodeobra no CUB médio foi de 18,41% 82,64 R$ p/m². 5.1.1 Centro Esportivo tratase de área destinada a práticas esportivas . Além das quadras poliesportivas existem grandes áreas construídas de apoio à atividades, tais como arquibancadas, diversos vestiários salas de aquecimento, banheiros masculinos e femininos, depósitos e diversas salas sem uso especificado. 5.3.2 Diante da complexidade do empreendimento – grande área coberta sob a qual existem grandes áreas construídas (não se assemelhando a nenhum projeto padrão específico), com salas sem uso específico, adotouse para fins comparativos o custo médio do projeto padrão COMERCIAL ANDARES LIVRES (tabela CAL8N) previsto na norma NBR 12.721/2006. Esta opção fica referendada quando se compara o custo real unitário obtido pela empresa – 876,98 R$/m² com o custo unitário básico médio calculado pelo SindusconPR – 822,68 m², sendo ambos bastante próximos. 6.1/8.2.3 Grande Teatro – corresponde a construção de um teatro sendo a área construída total do empreendimento igual a 6.375,00 m², destinação andares livres (CAL8N). Os demonstrativos de cálculo da remuneração arbitrada por aferição indireta – CUB, das remunerações declaradas em GFIP, inclusive da mãodeobra terceirizada, fornecimento de concreto usinado, horas alocadas e orçadas na obra e produtividade por unidade de serviço constam dos anexos de fls. 152 a 180 (Centro Esportivo), 181 a 206 (Centro de Exposições) e 207 a 222 (Teatro Positivo). Sobre o enquadramento de obra de construção civil a Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009, publicada no Diário Oficial da União de 17/11/2009, estabelece: Art. 345. O enquadramento da obra de construção civil, em se tratando de edificação, será realizado de ofício, de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra, e tem por finalidade definir o CUB aplicável à obra e o procedimento de cálculo a ser adotado. [...] Art. 346. O enquadramento da obra levará em conta as seguintes tabelas: I PROJETO RESIDENCIAL [...] II PROJETO COMERCIAL ANDAR LIVRE, para os imóveis cujo pavimentotipo seja composto de hall de circulação, escada, elevador e andar corrido sem a existência de pilares ou qualquer elemento de sustentação no vão, com sanitários privativos por andar; III PROJETO COMERCIAL SALAS E LOJAS, para os imóveis cujo pavimentotipo seja composto de hall de circulação, escada, elevador, andar com pilares ou paredes divisórias de alvenaria e sanitários privativos por andar ou por sala; Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.122 16 IV PROJETO GALPÃO INDUSTRIAL, para os imóveis compostos de galpão com ou sem área administrativa, banheiros, vestiário e depósito,... [...] V PROJETO DE INTERESSE SOCIAL, para os imóveis que se destinam a: [...] § 3º Caso haja, no mesmo projeto, construções com as características mencionadas nas tabelas previstas nos incisos I, II ou III e construções com as características das tabelas previstas nos incisos IV ou V do caput, deverão ser feitos enquadramentos distintos na respectiva tabela, sendo que as obras referidas nas tabelas dos incisos IV ou V serão consideradas, para efeito de cálculo, como acréscimo das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III, observado o disposto no §1º deste artigo e no art. 369. [...] § 8º As edificações listadas nas alíneas do inciso IV, que contenham, no mesmo projeto, outras instalações, além das referidas neste inciso, serão enquadradas na tabela projeto comercial salas e lojas. (grifouse) Para contrapor os argumentos da fiscalização, o recorrente apresenta parecer técnico emitido pela Sottomaior & Sottomaior, assinado pelo administrador Luciano Sottomaior – CRA PR 18377 e diz que os fatos serão provados oportunamente por laudo pericial. Conforme referido pela DRJ de origem, a NBR 13752 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem por objetivo fixar as diretrizes básicas, conceitos, critérios e procedimentos relativos às perícias de engenharia na construção civil, bem como: classifica o objeto quanto à natureza; institui a terminologia, as convenções e as notações; define a metodologia básica aplicável; estabelece os critérios a serem empregados nos trabalhos; e prescreve diretrizes para apresentação de laudos e pareceres técnicos. Esta norma é exigida em todas as manifestações escritas de trabalhos periciais de engenharia na construção civil. O trabalho pericial é de exclusiva competência dos profissionais legalmente habilitados pelos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREAs), de acordo com a Lei nº. 5.194/1966 (Regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e EngenheiroAgrônomo, e dá outras providências). Assim, concluiuse no acórdão recorrido que considerando que o parecer anexado não preenche os requisitos acima, não pode ser aceito como prova suficiente para invalidar o feito fiscal. Quanto a pretensão do recorrente em relação à perícia que diz ser oportunamente realizada, cabe ressaltar que, conforme determina o artigo 16, inciso III, do Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, o recorrente deve apresentar, junto com a peça de defesa, as provas em direito admitidas, sob pena de preclusão. Dispõe o artigo 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16 A impugnação mencionará: [...] Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.123 17 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, endereço e qualificação profissional de seu perito; Verificase dos autos que a contribuinte não mencionou os motivos que justificariam o pedido de perícia, além disso, não foi indicado o perito e não foram formulados os quesitos em relação aos exames desejados, pelo que se aplica a regra do §1º, do mencionado artigo 16, Decreto 70.235/1972: Artigo 16 [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Ademais, salientase que a oportunidade para tal se dá em impugnação, não podendo, somente em recurso voluntário, fazer o pedido com a devida atenção dos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Importa referir, novamente, que é ônus exclusivo da contribuinte comprovar o que alega. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Multa aplicada. Alega o contribuinte que a multa aplicada não observou a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e que a aplicação de juros com base na taxa SELIC vem sendo afastada pelo Carf. De acordo com as disposições da Instrução Normativa RFB 971/2009, a competência a ser considerada, como da ocorrência do fato gerador, é setembro de 2010 (aplicação do parágrafo segundo), como identificado nos demonstrativos de fls. 152, 181 e 207, e quando já tinha vigência as disposições introduzidas pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009). Alegação de caráter confiscatório da multa. Quanto a suposta ofensa a Constituição Federal na aplicação de multa, importa referir a Súmula CARF nº 02, que impede a apreciação deste Colegiado de alegações de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Taxa SELIC. Em relação a aplicação da taxa SELIC, destacase que o CARF possui a Súmula CARF nº 04, que trata da legalidade da incidência da SELIC, vejamos: Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10980.724938/201066 Acórdão n.º 2202004.785 S2C2T2 Fl. 1.124 18 Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1124DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.008488/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. RETIFICAÇÃO SEM EFEITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada, desde que apresentada antes da intimação de início de procedimento fiscal, com o mesmo objeto. Caso tenha sido apresentada após a ciência de termo de início de fiscalização, a retificadora não produzirá efeitos, sendo cabível a lavratura de Auto de Infração lavrado.
Numero da decisão: 3402-006.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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RETIFICAÇÃO SEM EFEITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada, desde que apresentada antes da intimação de início de procedimento fiscal, com o mesmo objeto. Caso tenha sido apresentada após a ciência de termo de início de fiscalização, a retificadora não produzirá efeitos, sendo cabível a lavratura de Auto de Infração lavrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 84 88 /2 00 8- 95 Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11516.008488/200895 Acórdão n.º 3402006.034 S3C4T2 Fl. 652 2 conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto, até aquela fase processual: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuouse o lançamento do PIS relativo a dezembro de 2004, a todos os meses de 2005, janeiro a março e maio a dezembro de 2006, aos meses de maio a dezembro de 2007 e janeiro a agosto de 2008, tendo em vista a apuração de diferenças entre os valores daquela contribuição escriturados e aqueles declarados em DCTF. Foi exigido PIS no total de R$ 20.962,23, juros de mora de R$ 5.649,13 e multa proporcional de R$ 15.721,52. O enquadramento legal para o lançamento do tributo encontrase descrito no auto de infração. Notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.98 a 103, na qual alega: As DCTF retificadoras foram entregues na data 08/10/2008, não resultando assim multa por atraso e nem podendo ser considerados como não declarados os valores constantes nas respectivas declarações, conforme expõe no auto de infração. As DCTF não deixaram de ser entregues, apenas o foram com ausência de informação quanto ao crédito utilizado para compensação, porém não justifica a desconsideração do crédito, uma vez que ele foi declarado pelo Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação, conforme anexo. Não pode o fisco desconsiderar a informação transmitida via Per/Dcomp e exigir a cobrança do débito sem que ocorra a homologação do crédito, conforme dispõe a Lei 9.430/96 no seu art. 74, §2°. A Lei n° 9.430/96, ao minudenciar a matéria, estabelece que esta extinção sujeitase a condição resolutória de sua ulterior homologação. "[...] Condição resolutiva, na forma do art. 127 do Código Civil de 2002, é aquela que não interfere na eficácia ou perfeição do negócio jurídico (no caso, a compensação), ou seja; enquanto ela não se realizar (a homologação), vigorará o negócio jurídico [...]" (ANDRADE FILHO, 2004, p. 546). Em outras palavras, permanece extinto o crédito tributário até o momento da sua não homologação. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11516.008488/200895 Acórdão n.º 3402006.034 S3C4T2 Fl. 653 3 Portanto, considerando que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, o Fisco tem que se pronunciar quanto à homologação, sob pena de se considerar definitivamente extinto o crédito tributário, e não exigir o débito sem a homologação do crédito. Solicitou que se considere os valores declarados nas DCTF retificadoras ano calendário 2005, 2006, 2007 e 2008, bem como declarar a impossibilidade de cobrança do débito sem homologação.” A 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 1454.437 (fls. 613 a 618), sessão de 30 de outubro de 2014, julgou parcialmente procedente a impugnação, para exonerar os valores lançados que foram anteriormente declarados em DCOMP’s apresentadas tempestivamente, relativo aos meses de janeiro a dezembro de 2005 e de 2006, e manter o PIS nos valores discriminados no voto, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008 DÉBITOS CONFESSADOS. DCTF. DCOMP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Cancelase o lançamento de ofício efetuado sobre os débitos confessados em DCTF e/ou PER/DCOMP, antes do início da ação fiscal. Cientificada do teor do Acórdão 1454.437, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2014 (fls. 627 a 631), alegando, sem síntese, a inexatidão material da DCTF original, e a improcedência da desconsideração dos valores retificados. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre os efeitos das DCTF’s retificadoras apresentadas após o início do procedimento fiscal, e se o fisco poderia Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11516.008488/200895 Acórdão n.º 3402006.034 S3C4T2 Fl. 654 4 desconsiderar a retificação e efetuar o lançamento dos valores que constam na referida declaração retificadora. A recorrente alega que o fisco não poderia considerar como não declarados os valores em razão do início do procedimento fiscal, por se tratar de um erro de preenchimento. Segundo seu entendimento, a DCTF não deixou de ser entregue e os valores não poderiam ser desconsiderados, por se tratar de mera inexatidão material. Não assiste razão à recorrente. A Medida Provisória 2.18949/2001, em seu artigo 18, dispôs sobre os efeitos da DCTF retificadora: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. A Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam, assim dispunha: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: [...] III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. No presente caso, é incontroverso que as DCTF retificadoras foram apresentadas em 08/10/2008, portanto depois do início do procedimento fiscal que se deu em 24/09/2008. Conforme disposto no parágrafo 2º, inciso III, do artigo 11 da IN RFB 786/2007, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Também é incontroverso que o objeto do Termo de Início de Fiscalização MPFF n° 0920100.2008.011132 (fls.3 a 7) era a verificação da correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal, conforme trecho abaixo reproduzido do referido termo: “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n ° 0920100.2008.011132, e na forma do disposto no artigo 7 0 da Lei n° 2.354/54 e no artigo 70 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, dou inicio à fiscalização do contribuinte acima identificado, tendo Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11516.008488/200895 Acórdão n.º 3402006.034 S3C4T2 Fl. 655 5 por escopo, consoante Mandado suso referido, as VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS, fatos geradores compreendidos entre 10/2003 a 08/2008. As verificações têm como alvo a correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, nos últimos cinco anos e no período de execução do procedimento fiscal. Para a consecução da ação de fiscalização ora deflagrada INTIMO o contribuinte a apresentar e/ou informar: [...]” Com base nos fatos e na norma que regulamentava a DCTF retificadora, não é possível considerar que a DCTF retificadora teria seus plenos efeitos de substituir a original. Dessa forma, correto o entendimento da unidade lançadora e do julgador a quo no sentido de não considerar como declarados os valores da DCTF retificadora apresentada. Como os valores apurados na escrita fiscal eram superiores àqueles declarados na DCTF original, a autoridade fiscal corretamente procedeu ao lançamento dos valores apurados. As DCTF’s analisadas encontramse às fls. 133 a 170, e o demonstrativo com o resumo das informações, abaixo reproduzido, à fl.538. Quanto ao valor lançado relativo a dezembro de 2004, referese à diferença entre o valor escriturado (R$528,00) e aquele declarado (R$44,04), sendo exigida a diferença entre tais valores, ou seja, R$ 483,96. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722514/2010-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 14 /2 01 0- 06 Fl. 103DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2008, anocalendário de 2007, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.137,13. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Recife de f. 68/74. Cientificado, a interessado apresentou recurso voluntário de f. 81/86. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10480.722514/201006 Acórdão n.º 2001000.470 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 105DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10480.722514/201006 Acórdão n.º 2001000.470 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.910594/2015-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/07/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910594/201503 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.276 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/07/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 94 /2 01 5- 03 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910594/201503 Acórdão n.º 3301005.276 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.474. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910594/201503 Acórdão n.º 3301005.276 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910594/201503 Acórdão n.º 3301005.276 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910594/201503 Acórdão n.º 3301005.276 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910594/201503 Acórdão n.º 3301005.276 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910594/201503 Acórdão n.º 3301005.276 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903337/2015-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.738
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 37 /2 01 5- 43 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.128 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminares A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 5 Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 6 Mérito Do Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 7 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201543 Acórdão n.º 3402005.738 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.904131/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.546
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa NORSA REFRIGERANTES LTDA, CNPJ nº 07.196.033/000106, em contrariedade ao Despacho Decisório de fl. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 04 13 1/ 20 11 -5 5 Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10380.904131/201155 Resolução nº 3201001.546 S3C2T1 Fl. 194 2 299 a 307, que não homologou o PER/DCOMP nº 17187.97959.160408.1.1.01.5859, relativo a crédito de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI do 1º Trimestre/2008. Tal Despacho Decisório é decorrente do MPF nº 0310100.2011.00310 0, o qual abrangeu os períodos a seguir relacionados, para os quais a manifestante solicita reunião dos processos. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 299 a 307, o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): a) saldo credor passível de ressarcimento inferior ao valor pleiteado. Por sua vez, a(s) glosa(s) decorreu(ram)da(s) situação(ões) a seguir: Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; Ocorrência de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Esclareçase que o Despacho Decisório foi instruído com os demonstrativos de apuração e da Informação Fiscal de fls. 781 a 803. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Em 13/07/2012 (fl. 308), a interessada foi cientificada do Despacho Decisório e, em 14/08/2012, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 741/755), acompanhada dos documentos de fls. 756/819, na qual alega, em síntese, o quanto segue: ∙ Solicita a reunião para julgamento dos processos, abrangidos pelo MPF nº 0310100.2011.003100, relativos aos períodos 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres/2007 e 1º, 2º e 3 Trimestres/2008; ∙ falta de fundamentação e detalhamento legal, bem como da descrição dos fatos , ausência do principio de motivação dos seus atos, motivos pelos os quais, solicita nulidade; ∙ a existência de saldo credor passível de ressarcimento, conforme RAIPI juntado aos autos, que a glosa decorreu em razão da fiscalização, ter erroneamente se utilizado de saldos incompreensíveis, requerendo todos os meios de prova, inclusive perícia e diligência; ∙ homologação tácita de compensações atreladas ao presente processo, em razão de decurso de prazo de 5 anos, do envio das DCOMPs originais; Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10380.904131/201155 Resolução nº 3201001.546 S3C2T1 Fl. 195 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 8ª Turma, no Acórdão nº 1459.903, sessão de 06/04/2016, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraramse plenamente assegurados. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA POR DECURSO DE PRAZO As compensações vinculadas à PER/DCOMP original, de pleito de ressarcimento, tem como inicio da contagem prazo quinquenal a data da transmissão do PER/DECOMP do pleito de compensação, portanto, temos a inocorrência de da homologação tácita por decadência. IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO ELETRÔNICO. É de se manter intacto o montante deferido no despacho decisório quando a manifestação de inconformidade não logra êxito em demonstrar qualquer inconsistência no processamento eletrônico do PER DCOMP. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário reiterando as mesmas matérias versadas em manifestação de inconformidade para reforma da decisão recorrida no sentido de reconhecer a nulidade do despacho decisório e o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI no trimestre em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10380.904131/201155 Resolução nº 3201001.546 S3C2T1 Fl. 196 4 O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o valor reconhecido do crédito ressarcível de IPI no período de apuração, que fora inferior ao solicitado. A autoridade fiscal apontou dois fundamentos para a conclusão de que consta no despacho decisório: (i) a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao pleiteado na PER/DCOMP, e (ii) a constatação, em procedimento fiscal, de créditos considerados indevidos. Todavia, a recorrente suscita em preliminar a nulidade do despacho decisório em razão de não identificar (a) a origem do saldo credor inicial do 1º Trimestre de 2007 obtido pela fiscalização, transportado do trimestre anterior, e (b) o motivo e valores das glosas, assim exposto: A Recorrente suscitou e demonstrou minuciosamente na defesa inicial que, por mais esforço que tenha feito, não conseguiu descobrir o motivo de dois fatos que alteraram consideravelmente a apuração dos saldos credores em cheque: primeiro não conseguiu identificar como a fiscalização chegou no saldo credor inicial do 1º Trimestre de 2007 (transportado do 4º Trimestre de 2006); segundo não conseguiu identificar a razão das glosas, embora tenha feito diversas tentativas oportunamente demonstradas. Aduz que neste ponto é nula igualmente a decisão recorrida pois fundamentou a higidez do despacho decisório na ausência de incompetência da autoridade administrativa e de preterição do direito de defesa, pois lhe fora assegurado tal direito. Insiste a recorrente que o cerceamento do direito de defesa não é afastado tãosó pela possibilidade recursal, mas sim no conhecimento dos cálculos dos créditos glosados e dos exatos motivos que implicaram a negativa do pleito. A recorrente relata em seu recurso as "tentativas" em elucidar os motivos da glosa ao analisar as informações que constam dos Termo de Constatação nº 01 e Termo de Informação Fiscal nº 04 e Termo de Intimação nº 04. Conclui que as glosas realizadas não foram justificadas e o saldo credor do trimestre anterior transportado para o período auditado não fora esclarecido. Pois bem, vejamos se procedentes as alegações. O saldo credor inicial do trimestre, transportado do trimestre imediatamente anterior, está informado no "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível" (demonstrativo de detalhamento do crédito anexo ao despacho decisório), coluna "b", cuja legenda esclarece que "Para o primeiro período de apuração, será igual ao Saldo Credor apurado ao final do trimestrecalendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores. Esse saldo (saldo credor inicial) não é passível de ressarcimento." Assim, o valor consignado é de R$ 2.820.233,94 que deveria corresponder aos ajustes do valor original do saldo credor no Livro de Apuração do IPI, de R$ 6.261.422,69. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10380.904131/201155 Resolução nº 3201001.546 S3C2T1 Fl. 197 5 Ademais, afirma a contribuinte que no PAF 10380.903166/201177 foi reconhecido o pedido de ressarcimento de R$ 2.247.609,66 no 3º decêndio de janeiro/2007, devendo, assim, o estorno parcial ser considerado corretamente neste período. Não consta dos autos a ciência ao contribuinte de tais ajustes, bem como sua demonstração. Quanto ao desconhecimento dos motivos da glosa de créditos, a leitura do Termo de Constatação nº 01 (fls. 781/783) explicita apenas que a apuração dos créditos ressarcíveis foram obtidos das notas fiscais com código CFOP 1101 e 2101. Mais uma vez, permanece a dúvida quanto à ciência da contribuinte no tocante aos motivos e fundamentos das glosas. Por último, aduz ainda a contribuinte que em todos os trimestres havia saldo credor disponível e não houve utilização em período seguinte, o que levaria ao reconhecimento do crédito e homologação das compensações. Os pontos suscitados pela recorrente devem ser esclarecidos para a correta apreciação dos fatos à luz do direito creditório Desse modo, proponho a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Preparadora, em face dos argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário, providencie o que se pede: 1. Demonstre a ciência da contribuinte no procedimento fiscal de apuração do saldo credor inicial do trimestre e das glosas de créditos efetuadas; 2. Apresente os demonstrativos de apuração do saldo credor do trimestre com os ajustes realizados; 3. Apresente os demonstrativos de glosa dos créditos no trimestre, com os motivos e seus fundamentos; 4. Houve saldo credor final de IPI apurado pelo Contribuinte no trimestre anterior? 5. Por fim, a partir das respostas anteriores e possíveis ajustes (saldo credor inicial do trimestre e/ou créditos glosados) decorrentes de acolhimento dos argumentos suscitados pela contribuinte, esclareça se no presente Processo Administrativo remanescem débitos não compensados por insuficiência de crédito. Se positivo, quais e em qual valor? A Autoridade Fiscal poderá intimar o contribuinte para apresentar documentos ou esclarecimentos que entenda necessários para o cumprimento da diligência. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao contribuinte para se manifestar quanto ao resultado da diligência. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10380.904131/201155 Resolução nº 3201001.546 S3C2T1 Fl. 198 6 Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 941DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.904421/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 21 /2 00 9- 76 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904421/200976 Acórdão n.º 1302003.140 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904421/200976 Acórdão n.º 1302003.140 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904421/200976 Acórdão n.º 1302003.140 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904421/200976 Acórdão n.º 1302003.140 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906431/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que não se reconhece
Numero da decisão: 1402-003.311
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.906442/2012-78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário:2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.906442/201278, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 64 31 /2 01 2- 98 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10875.906431/201298 Acórdão n.º 1402003.311 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que “o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado na quitação de débito(s) da contribuinte, não restando crédito disponível". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. que a decisão recorrida não teria levado em conta, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito; 2. que, o princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância se restringido a fazer menção de artigos genéricos da legislação tributária; 3. que, assim, fica inexequível a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada; 4. que, inexistindo fundamentação que sustente a decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitar o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta; 5. que, além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada; 6. que, sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo em cerceamento de defesa. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10875.906431/201298 Acórdão n.º 1402003.311 S1C4T2 Fl. 4 3 Finaliza requerendo o provimento do recurso voluntário e a reforma da decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologou a compensação. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.292, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.906442/2012 78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.292): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Como se vê no recurso voluntário, a recorrente limita se a alegar falta de fundamentação na decisão e até cerceamento de defesa porque não saberia o motivo do indeferimento da compensação. Na verdade, o cenário que se observa é de mera irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. De outra banda, no que interessa, não há, no RV, qualquer contraposição argumentativa ou documental que possa elidir o que consta do Despacho Decisório que, ao contrário do entendimento da recorrente, tem ampla e clara fundamentação. Vejase: “A partir das características do DARF descriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10875.906431/201298 Acórdão n.º 1402003.311 S1C4T2 Fl. 5 4 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Enquadramento legal arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Como se nota acima, o despacho traz de forma explícita e fundamentada a motivação da não homologação da compensação realizada, justificada pela inexistência do crédito utilizado na compensação realizada no Per/Dcomp, haja vista que o pagamento relativo ao DARF ali discriminado foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ confessado em DCTF. Nessa linha, soam até despropositadas as alegações de que a apresentação de provas não foi possível (a recorrente teve amplo campo material para fazer isso e tempo mais que suficiente) ou de que não teria havido motivação para o indeferimento. Ou seja, não se verificando, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante ou influam na solução do litígio, não há se falar em nulidade da decisão, pois não houve ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do contraditório e da ampla defesa e da eficiência, como alega a recorrente, razão pela qual devem ser rejeitadas as ponderações feitas no recurso voluntário. Quanto ao mérito propriamente dito, a simples leitura do recurso voluntário mostra a singeleza dos argumentos que, repitase, tão somente pugnaram pela possível (mas incomprovada) falta de motivação para decidir. Na verdade, caberia à recorrente contrapor provas robustas de que o pagamento de que tenta lançar mão para a compensação intentada não teria sido (ao revés do informado no Despacho Decisório) “integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF apresentado pela própria contribuinte”. Estas provas, argumentativas ou documentais, não vieram aos autos, assim como não se acostaram quaisquer registros contábeis ou fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10875.906431/201298 Acórdão n.º 1402003.311 S1C4T2 Fl. 6 5 Como é cediço, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da indisponibilidade do interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10875.906431/201298 Acórdão n.º 1402003.311 S1C4T2 Fl. 7 6 A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 71DF CARF MF
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