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Numero do processo: 13808.001466/99-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1996
NULIDADE
Para que seja reconhecida a nulidade do auto de infração a Recorrente deve comprovar a ocorrência de uma das causas previstas na legislação aplicável.
IRPJ - DIFERIMENTO DE RESULTADO OPERACIONAL - CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS
Na apuração do lucro líquido do exercício, para efeito da determinação do lucro real, permite a legislação diferir a parcela do lucro proporcional às receitas ainda não efetivamente recebidas
TAXA SELIC - JUROS DE MORA - PREVISÃO LEGAL
Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 do CARF.
MULTA DE OFÍCIO - CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO
A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES
A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de PIS e CSLL, devido à intima relação de causa e efeito existente entre eles.
Numero da decisão: 1202-000.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para remanescer como receita postergada o montante de R$4.083,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Valéria Cabral Géo Verçoza
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IRPJ - DIFERIMENTO DE RESULTADO OPERACIONAL - CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS Na apuração do lucro líquido do exercício, para efeito da determinação do lucro real, permite a legislação diferir a parcela do lucro proporcional às receitas ainda não efetivamente recebidas TAXA SELIC - JUROS DE MORA - PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 do CARF. MULTA DE OFÍCIO - CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não se aplicando a ela o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de PIS e CSLL, devido à intima relação de causa e efeito existente entre eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para remanescer como receita postergada o montante de R$4.083,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. -\------2—, Nelson Lóss Filho - esidente .,---- Valéfia Cabral Géo erçoza - kelatora, EDITADO EM: n 2 ST 20 it) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Darei Mendes de Carvalho Filho,Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno, IiiiIP Ali 2 Processo e 13808001466/99-47 Si-C21-2 Acórdão o ° 1202-00310 Fl 2 Relatório Peço venha para adotar o relatório de 1 a,Instância, o qual passo a transcrever: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ — de fis, 89 a 92, relativo ao ano-calendário de 1995, em razão de postergação indevida de lucros, em desacordo com o artigo 360 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994 (RIR/1994), conforme apurado no Termo de Constatação Fiscal de fls. 85 a 88. 2, A autuação em referência teve como enquadramento legal os artigos 194, 195, inciso II, 197, 219, 220 e 222 do RIR/1994. 3. Em decorrência, foram lavrados os seguintes autos de infração: 3,1 Contribuição para o Programa de Integração Social, incidente sobre o valor do imposto devido — PIS/Repique (fis, 93 a 96). Enquadramento legal: artigo 3°, § 2°, da Lei Complementar n° 7/1970 e Título 5, Capítulo 1, Seção 6, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/1982; 3.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fis, 97 a 100). Enquadramento legal: artigo 2°, caput e parágrafos, da Lei n° 7,689/1988, artigo 219 do RIR11994 e artigo 57 da Lei n° 8.981/1995. 4, Da ação fiscal em referência resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, já incluída a multa de lançamento de oficio, bem como os juros de mora calculados até 30/09/1999: IRPJ, R$ 118,966,01 PIS/Repique R$ 5.047,53 CSLL,„„.,„..„ 27,725,23 5, No Termo de Constatação Fiscal de fis. 85 a 88, esclarece o autuante que a empresa emitiu em janeiro de 1996 diversas notas fiscais relativas a serviços prestados no ano-calendário de 1995 (fls. 63 a 78), contabilizando-as no mês da emissão das notas fiscais (à exceção das notas fiscais ri° 7978 e 8004), em desobediência ao regime de competência. Assinala que os valores consignados nas notas fiscais d' s 7982 e 7983 devem ser ajustados por se referirem, em parte, a serviços efetuados em janeiro/1996. 6. Informa que outras notas fiscais (arroladas no subitem 7.1.1 do termo citado), correspondentes à receita postergada, por se referirem a contratação de serviços com pessoas jurídicas de direito privado, não estão abrangidas pelo diferimento a que se refere o artigo 360 do RIR/1994. 7. Nos subitens 7,2 a 7.4 do Termo mencionado, o autuante observa que os custos correspondentes à receita postergada já foram incluídos na apuração do lucro líquido do ano-calendário de 1995 e procede à determinação do valor do lucra a ser considerado diferido, mediante a aplicação, ao montante das receitas postergadas, do percentual do Lucro Líquido em relação ao total das receitas auferidas no ano-calendário, nos termos do artigo 360 do RIR/1994. No subitern 75, (-)7() <.q 3 efetua a apuração do lucro real, com a adição do valor da receita postergada e a subtração do lucro a ser diferido 8 Cientificada do lançamento em 18/10/1999 (fls. 91, 95 e 99), a interessada apresentou em 17/11/1999, por intermédio de procurador (fls.. 120 a 128), a impugnação de fis, 103 a 119 e 300, na qual constam, em síntese, as seguintes alegações: 8.1 - as notas fiscais 7982 e 7983 se referem a serviços prestados à Prefeitura do Município de Santo André, decorrentes de contrato firmado com prazo superior a um ano (As 184 a 204), sendo facultado pelo artigo 360 do RIR/1994 o diferimento da tributação do lucro apurado até a sua efetiva realização, independentemente do contrato ser de longo ou curto prazo; 8,2 - a autuada não concorda com a separação do serviço que foi prestado entre os períodos-base de dezembro de 1995 e janeiro de 1996, posto cuidarem de serviços não passíveis de divisão ou escalonamento; 8,3 - para os contratos a longo termo, a receita é reconhecida conforme corre o tempo, ou etapas, ainda que tais etapas não constituam um valor isolado; 8.4 - o disposto nos artigos 358 e 359 é atribuído a quaisquer contratos celebrados a longo prazo, independentemente da regra especial consignada no artigo 360; 8.5 - a prestação de serviço que deu origem à nota fiscal n° 7994 é decorrente de serviço prestado à Caixa de Pensões dos Servidores Públicos Municipais de Santo André, ente de direito público (fls. 208 a 218), evidenciando-se o equívoco da Fiscalização, que a classificou como pessoa jurídica de direito privado; 8.6 - os serviços descritos nas notas fiscais n° 5 7980, 7998, 7999 e 8000 iniciaram-se em dezembro de 1995 e foram concluídos em janeiro de 1996 (fis 220 a 224); 8.7 - nos contratos de curto prazo, apura-se o resultado quando completada a execução de cada unidade, não se aplicando o disposto nos artigos 358 e 359, uma vez que, nesses casos, é irrelevante se a execução do serviço tenha sido iniciada em um período de apuração e concluída no período seguinte; 8,8 - na hipótese de diferença de avaliação no custo de execução do contrato, acarretando a postergação mencionada no artigo 219 do RIR, e considerando que o citado regulamento é omisso no que tange à diferenciação entre o custo efetivo e o custo orçado, em relação aos contratos de longo prazo, faz-se necessário aplicar a analogia, conforme prevê o artigo 108, inciso 1, do CTN; 8 9 - no caso em apreço é possível utilizar o disposto no artigo 363, § 2°, do RIR, que prevê uma margem aceitável de diferença entre o custo efetivamente incorrido e o custo orçado, sem que ocorra a postergação de receita mencionada; 8.10 - as notas fiscais 7979, 7991, 7992, 7993 e 7995 são decorrentes de serviços prestados a pessoas jurídicas de direito público (fis. 226 a 289), sendo facultado pelo artigo 360 do RR/1994 o diferimento da tributação do lucro até sua efetiva realização, independentemente do contrato ser de longo ou curto prazo; 8.11 - a fiscalização não apurou qualquer outra diferença ou falta de recolhimento dos impostos devidos pela autuada, bem como indícios de que os valores apontados foram recebidos e não lançados; 4 Processo n° 13808.001466/99-47 S1-C2T2 Acórdão n 0 1202-00310 Fl 3 8,12 - o RIR/1999, em seus artigos 227 e 409, autoriza o contribuinte a diferir a tributação do lucro até sua realização; 8.1.3 - anexa-se o balanço da empresa (fls. 291 a 293), relativo ao ano- calendário de 1995, demonstrando que todos os lançamentos contábeis foram efetuados de acordo com o estabelecido na legislação. 9. Na seqüência, a interessada aduz diversas razões no tocante à inconstitucionalidade e ilegalidade da utilização da taxa SELIC como juros de mora, tais como a violação ao artigo 192, § 3 0 , da Constituição Federal e ao artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, bem como aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis. 10 Por fim, argumenta que a imposição da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) caracteriza confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Em 25 de outubro de 2005, a 3 a, Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento para excluir da apuração do Lucro a ser diferido o valor de R$ 6,180,76, relativo à nota fiscal no, 7994, por tratar-se de nota fiscal emitida tendo como destinatária pessoa jurídica de direito público. Os ajustes concernentes aos lançamentos decorrentes foram efetuados. Em 02 de agosto de 2007 a contribuinte foi devidamente intimada da decisão de Instância. Inconformada, apresentou recurso voluntário em 31 de agosto de 2007 alegando o que segue: a) Nulidade do lançamento: Afirma que a fiscalização equivocou-se na formulação dos cálculos do tributo exigido, o que ensejaria a nulidade do Auto de Infração. Elenca as notas fiscais solicitadas pela fiscalização — notas 7978, 7979, 7980, 7982, 798.3, 7991, 7992, 7993, 7994, 7995, 7998, 7999, 8000 e 8004, cujo valor total soma RS 388.319,67. Grande parte dessas notas fiscais referem-se a serviços prestados a pessoas jurídicas de direito público (7978,7979,7982,7983,7991,7992,7993,7994,7995e 8004). O artigo 360 do RIR/94, vigente à época, autorizava o contribuinte a diferir a tributação das receitas, até a sua realização, decorrentes de empreitada ou fornecimento contratado com pessoa jurídica de direito público„ Sendo assim, não há que se falar em postergação de receitas concernente às notas fiscais relativas a serviços prestados a pessoa jurídica de direito público. Demonstra que o fiscal, no item 7 do Termo de Constatação Fiscal, reconheceu a aplicabilidade do artigo 360 do RIR/94 no tocante a essas notas fiscais, mas ressalta que não foram excluídos todos os valores relativos a serviços contratados por pessoas jurídicas de direito público. Tanto é assim, que na decisão de 1a Instância houve a exclusão do valor referente à nota fiscal 7994. Feitas essas considerações pleiteia a nulidade do procedimento de apuração do crédito tributário e, por consequência, do auto de infração. b) Mérito: 5 ei Prestação de serviços a órgãos públicos — diferimento de receitas Afinna a recorrente que contabilizou suas receitas e emitiu as respectivas faturas no momento da realização do pagamento tal como determinado pelo artigo 360 do RIR/94, portanto , não haveria que se falar em postergação de receitas. Ressalta o equívoco do fiscal autuante ao fracionar as receitas constantes das notas fiscais 7982 e 7983, sob o pretexto de que os serviços foram prestados em dezembro de 1995 e deveriam ser contabilizados nesse mesmo período, Tais serviços seriam indivisíveis e, portanto, sua receita não poderia ser fracionada. • Demais notas fiscais — inexistência de postergação As notas fiscais de número 7980, 7998, 7999 e 8000 referem-se a prestação de serviços relativos à coleta de lixo, contratados por pessoas jurídicas de direito privado, realizada durante o mês de dezembro de 1995. Também nesse caso não houve postergação uma vez que somente ao final do período é que a Recorrente teria como apurar a quantidade de serviço prestada e cobrar o valor do tomador do serviço, Portanto, apenas em janeiro de 1996 é que a Recorrente apurou o valor real do serviço e computou-o como receita, oferecendo-o à tributação, observando o regime de competência. A autuação deve ser afastada nesse aspecto, c) Incorreções contidas no valor do auto de infração: e Da impossibilidade de aplicação da multa — denúncia espontânea Pleiteia a Recorrente o beneficio da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) ao argumentar que, se for mantida a autuação pela postergação da receita, deve-se considerar que o tributo foi recolhido espontaneamente em momento subsequente, quando da contabilização da receita e antes de qualquer procedimento de fiscalização. • Desproporcionalidade da multa aplicada — efeito confiscatório Afirma que a multa aplicada é desproporcional e que afronta a proibição constitucional de confisco, Portanto, deverá ser, no mínimo, reduzida. Ao final requer: - provimento do recurso para reconhecer a nulidade ou improcedência do lançamento; - exclusão da multa aplicada ou, pelo menos sua redução. É o relatório. 6 Processo n° 13808 001466/99-47 S1-C21-2 Acórdão o." 1202-00310 Fl. 4 Voto Conselheira Relatora,Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe analisar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente uma vez que, no seu entender, a autoridade fiscal incluiu notas fiscais indevidamente na apuração da receita supostamente postergada, o que ensejaria a nulidade. O Decreto no, 70,235/72, em seu artigo 59, estabelece corno causas de nulidade do auto de infração o que segue: CAPÍTULO IH Das Nulidades Art, 59, São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em nenhum momento a recorrente alega ou demonstra a existência de alguma dessas causas de nulidade acima descritas. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Quanto à postergação de receitas, é preciso salientar que o artigo 360 do RIR194, vigente à época, autoriza o diferimento da tributação do lucro até a realização da receita, no caso de contratação com pessoa jurídica de direito público„ Vejamos o dispositivo em apreço: Contratos com Entidades Governamentais Art. 360. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 358 ou 359, com pessoa Jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (Decretos-lei les I 598/77, art 10, § 3", e 1,648/78, art. 1, - poderá ser excluída do lucro líquido do período-base, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada oufornecimento computado no resultado do período- base, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período-base,. 7 - a parcela excluída nos termos do inciso 1 deverá ser computada na determinação do lucro real do período-base em que a receita for recebida. § 1" Se o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (Decreto-lei n°1598/77, art 10, § §. 2" Considera-se como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar Entendo que razão assiste à Recorrente nesse aspecto, uma vez que algumas das notas fiscais que embasaram o lançamento referem-se a pessoas jurídicas de direito público, a saber: Número Destinatário Valor Fls. nota fiscal 7979 SAAEG - Serviço Autônomo de Águas e Esgoto de 15.726,36 226 Guaratinguetá 7982 Prefeitura de Sumaré 44.480,10 184 7983 Prefeitura de Sumaré 98.641,48 193 7991 Prefeitura de São Paulo 17.446,86 247 7992 Prefeitura Municipal de Olímpia 23.407,00 260 7993 Prefeitura Municipal de Olímpia 17.905,04 262 7994 Caixa de Pensões dos Servidores Públicos Municipais de Santo 6.180,76 208 André 7995 Prefeitura Municipal de Santo André 56.618,87 274 SOMATÓRIO 280.406,47 Ora, se a legislação do Imposto de Renda autoriza o diferimento da tributação do lucro quando do não recebimento dos valores, em caso de contratos firmados com entidades governamentais, não se pode falar em infração. Em nenhum momento a fiscalização provou que a contribuinte realizou os valores acima no ano calendário de 1995. Portanto, para apuração correta da postergação da receita deverão ser excluídas do cálculo os valores relativos às notas fiscais acima listadas. Quanto às notas fiscais relativas aos serviços contratados por pessoas jurídicas de direito privado, notas 7980, 7998, 7999 e 8000, não há previsão para diferimento da receita. Assim sendo, a Recorrente deveria ter observado o regime de competência para escrituração de sua receita. Nesse ponto, entendo correta a autuação. Relativamente à aplicação da Taxa Selic, cumpre salientar que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais já se pronunciou formalmente por meio da Súmula CARF n°. 4, abaixo transcrita, sendo correta a aplicação com base em previsão legal: "Súmula CARF n".4.- A partir de abril de 1995, os juros nioratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". • _g a Processo n" 13808.001466/99-47 S1-C2T2 Acórdão n 1202-00310 EL 5 Quanto à multa de oficio de 75%, exigida com base o art. 44 da Lei n° 9,430/96, é perfeitamente aplicável ao fato apurado, haja vista a constatação pelo Fisco de irregularidade tributária, não se adequando aqui o conceito de confisco estampado no artigo 150 da Constituição Federal, que trata desta situação apenas no caso de tributos. Quanto aos lançamentos decorrentes, tratando-se de matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplica-se a decisão proferida em relação ao lançamento principal, dada a íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Isso posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar como receita postergada apenas o valor de R$ 4.083,00, relativo às notas fiscais 7980, 7998, 7999 e 8000, excluindo as notas fiscais 7979, 7982, '?98 ,3, 7991, 7992, 7993, 7994, 7995, cuja receita soma R$ 208.406,47, Valéria Cabral Gé t 6-/Verçoza C.21/9 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS F1SCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13808.001466/99-47 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 03 de setembro de 2010. Maria Concei -- eVe3busa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913812/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 2/ 20 12 -1 9 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10680.913812/201219 Resolução nº 1302000.676 S1C3T2 Fl. 234 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Voto Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 215 a 217 não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. 200/201 revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. 208, são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10680.913812/201219 Resolução nº 1302000.676 S1C3T2 Fl. 235 3 Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do anocalendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003299/2010-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
EXCLUSÃO. DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
A empresa que possui débitos tributários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode permanecer no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos tributários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode permanecer no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 32 99 /2 01 0- 75 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10320.003299/201075 Acórdão n.º 1001000.861 S1C0T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 64 a 86) interposto contra o Acórdão nº 0429.422, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 55 a 58), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 EXCLUSÃO. DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos tributários e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode permanecer no Simples Nacional. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " A contribuinte, acima qualificada, foi excluída do Simples Nacional conforme Ato Declaratório Executivo ADE nº 422048, emitido em 01/09/2010 pela Delegacia da Receita Federal em São Luis (fls. 15), tendo em vista “possuir débitos deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa”, sendo que os efeitos da exclusão darseiam a partir de 1º de janeiro de 2011. Intimada pelos Correios em 17/09/2010 (AR, fls. 17 e 18), apresentou impugnação em 20/10/2010 (fls. 0203) alegando, em síntese, que os débitos relacionados no ADE já foram pagos, decorrendo do procedimento de pagamento, com conversão em renda, lastreado com créditos do Decreto Lei nº 6.019/43, objeto de ação de execução do Processo nº 2007.34.00.0400373, em trâmite perante a 18ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal/DF, pela modalidade de extinção do crédito tributário do artigo 156, I, VI do CTN, c/c artigo 6º da Lei nº 10.179/2001, ratificados pela Lei nº 11.803/2008, conforme documentação em anexo. Por fim, pediu o reenquadramento no Simples Nacional. Juntou os documentos de fls. 04 e seguintes." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise alegando preliminarmente a nulidade tanto da decisão de primeira instância quanto do Ato Declaratório Executivo lavrado por cerceamento de defesa; e, no mérito, requereu a reversão da exclusão do simples sob o argumento de que as pendências haviam sido regularmente quitadas por meio de compensação com créditos que detinha. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10320.003299/201075 Acórdão n.º 1001000.861 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1 Da Preliminar 1.1 NULIDADE DA DECISÃO DE PISO Conforme narrado, a Recorrente alega em sede de preliminar que o julgado seria nulo por ter violado o princípio do contraditório e ampla defesa. Em sua ótica, a decisão de piso não fundamentou adequadamente as suas conclusões. Pois bem, analisando a decisão de piso temse que o principal argumento que a fundamentou foi de ordem fática, pelo qual os julgadores de primeira instância assentaram que a Recorrente só comprovou o recolhimento de R$ 15,00 em cada um dos nove débitos que ensejaram a sua exclusão. Outrossim, consignaram aderência à informação fiscal de que tampouco fora demonstrado o trânsito em julgado ou até mesmo a efetiva inclusão da Contribuinte no polo ativo da ação judicial em que supostamente teria ocorrido a determinação de compensação dos débitos. Por fim, ainda que não fosse necessários mais argumentos além dos supracitados, a decisão primeva ainda expressou, ad argumentandum, o seu entendimento quanto a impossibilidade da compensação aduzida pela Recorrente. Ora, ainda que a Recorrente discorde das conclusões esposadas, e até mesmo que tenha havido alguma confusão quanto a natureza do suposto crédito utilizado pela Recorrente para quitação de suas obrigações por via judicial, não há que se dizer em vício na decisão de primeira instância, uma vez que se utilizou de adequada fundamentação. Assim, não vislumbro nulidade na decisão ou prejuízo à defesa da parte, portanto, REJEITO esta preliminar de nulidade. 1.2 NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Superada a preliminar de nulidade do julgamento, a Recorrente arguiu ainda eventual nulidade do próprio Ato Declaratório Executivo nº 422048/2010 que originou a presente lide. Segundo sustenta, a Autoridade Fiscal ao se deparar com os débitos que deram azo à exclusão deveria ter, primeiramente, intimado a Contribuinte para que essa tivesse a oportunidade de apresentar as suas justificativas. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10320.003299/201075 Acórdão n.º 1001000.861 S1C0T1 Fl. 5 4 Nesta linha, ao proceder diretamente a exclusão do regime, cerceou o direito de ampla defesa e contraditório da Recorrente, motivo pelo qual o Ato Declaratório estaria viciado. De plano não vislumbro razão em tal argumentação. Explico. Conforme consta dos autos, o Ato Declaratório Executivo em questão foi realizado seguindo os dispostos expressos constantes da 9.317/96, vigente à época dos fatos. Em momento algum este diploma normativo, ou qualquer outro, prevê a necessidade de intimação do interessado previamente à exação do ato. O que não quer dizer que o legislador não cuidou de operacionalizar os princípios do contraditório e da ampla defesa. Em verdade, tais primados já são atendidos exatamente pelo presente processo administrativo. A previsão de oferecimento de Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo que excluiu a Recorrente do Simples e a possibilidade de posterior revisão da decisão de primeira instância por este CARF visam justamente garantir o contraditório e a ampla defesa ao Contribuinte. Desta forma, não vejo a existência de qualquer ofensa aos direitos e garantias constitucionais da Recorrente nos procedimentos administrativos que conduziram o presente feito até este momento. Portanto, REJEITO também esta preliminar. 2 Do Mérito Superada a questão preliminar, cumpre analisar os fundamentos e correição do Ato Declaratório Executivo que contra o qual a Recorrente se insurge. Analisandose os fatos, temse que, independente da origem dos créditos com que alega ter compensado as suas pendências, a Recorrente não trouxe qualquer elemento comprobatório aos autos que atestasse efetivamente tais circunstâncias. Conforme bem atestou a informação fiscal de fls. 50 a 52, a autenticação mecânica constante das guias de recolhimento apresentadas pela Recorrente (fls. 38 a 46) atestam apenas o recolhimento do valor de R$ 15,00 cada uma. Outrossim, o argumento basilar de defesa da contribuinte se calca no resultado da Ação Judicial nº 3980703.2007.401.3400 em curso na 18ª Vara Federal do Distrito Federal. Segundo defendeu, neste procedimento os débitos que deram origem à sua exclusão haviam sido quitados mediante uso dos créditos a que fazia jus. Contudo, as cópias do citado feito judicial que trouxe aos autos não demonstram o efetivo sucesso do procedimento. Em verdade, tratase de mera petição em que pede a sua habilitação no pólo ativo da ação. Digase que nem sequer apresentou o despacho confirmando a sequer a sua inclusão no feito. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10320.003299/201075 Acórdão n.º 1001000.861 S1C0T1 Fl. 6 5 Desta forma, como já atestado pela decisão de piso, não há qualquer evidência material que indiquem a insubsistência do Ato Declaratório Executivo exarado pela autoridade fiscal. Assim, uma vez que não se demonstrou a adequada regularização dos débitos que originaram a exclusão do regime simplificado, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO por REJEITAR ambas as PRELIMINARES de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904940/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2006
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.887
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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EFEITOS Recorrente MOINHO CANUELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 49 40 /2 01 2- 97 Fl. 248DF CARF MF 2 convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Declaração de Compensação para o aproveitamento de crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade intempestiva, com prequestionamento de tempestividade. Através do Acórdão nº 02061.838, a DRJ não conheceu da defesa por intempestiva. Cientificada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.886, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.904939/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.886): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 18/12/2012, mais de 30 (trinta) dias após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico, ocorrida em 14/11/2012 (e fl. 69). O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10882.904940/201297 Acórdão n.º 3402005.887 S3C4T2 Fl. 3 3 ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No presente caso, a intempestividade é patente, vez que, intimado em 14/11/2012 (quartafeira), o prazo fatal para a apresentação da Manifestação de Inconformidade encerrouse em 14/12/2012 (sextafeira). Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 250DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma (houve apresentação intempestiva da Manifestação de Inconformidade), de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório Eletrônico. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13646.720350/2012-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 72 03 50 /2 01 2- 94 Fl. 125DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.972,88, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos e notas fiscais de prestação de serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF/Uberaba MG, a Notificação de Lançamento de fls. 20/24, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2011. Foi apurado imposto suplementar de R$ 4.972,88, mais multa de ofício e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA nº 06/34.144.954. Os dados declarados foram alterados em decorrência da seguinte infração: • Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 18.083,22, por falta de comprovação do efetivo pagamento e da realização dos tratamentos. Conforme disposto no artigo 8º da Lei 9.250, de 26/12/1995, a base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário (exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva) e as deduções previstas na legislação, sujeitas à comprovação ou justificação. (...) A fiscalização anotou na descrição dos fatos que a Contribuinte não comprovou a despesa mediante documentação hábil e idônea. Também deixou de fazer prova do efetivo pagamento e da realização dos tratamentos. Notase que os documentos trazidos aos autos, fls. 4/11, continuam apresentando ausência de formalidades legais exigidas. A uma, porque o Extrato de Beneficiário por Contrato da Unimed Araxá, fls. 4/5, apenas informa os valores dos serviços na modalidade pré pagamento, mas não comprova os pagamentos. A duas, porque os recibos juntados às fls. 6/11 não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento e a efetiva realização dos serviços correspondentes aos valores neles registrados. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13646.720350/201294 Acórdão n.º 2001000.748 S2C0T1 Fl. 126 3 Os Contribuintes podem utilizar vários meios para comprovar o efetivo pagamento de despesas médicas aos prestadores de serviços, tais como cheques nominativos, transferências bancárias, fatura de cartão de crédito, extratos de conta corrente bancária com registros de saques em valores e datas compatíveis com os comprovantes emitidos. (...) Nesse passo, encaminho o meu VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Impugnação, o que resulta em manutenção do crédito tributário apurado. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 4.972,88, como imposto suplementar, mais os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Conforme documentações já enviadas na impugnação e não aceitas pelos auditores estou enviando novamente documentos mais completos para serem avaliado. Sendo que, no caso d o piano de saúde da titular Juliana de Oliveira Correa, foi solicitado junto a Unimed Araxá uma planilha com a discriminação dos pagamentos do titular e dos dependentes, mas a Unimed não possui esta informação para ser fornecida separadamente. Foi fornecido um extrato do beneficiário por contrato onde consta todas as despesas de saúde do titular e dependentes. Foi informado um extrato do titular somente com a modalidade de prépagamento e os dependentes com modalidade póspagamento Então, juntamente com esses extratos, estou enviando copias dos demonstrativos de pagamentos salário e os relatórios mensais do piano de saúde. No caso das despesas odontológicas, estou enviando um laudo do tratamento feito pela Dra. Helen Juliana Batista e extratos bancários para comprovação dos pagamentos. Apresentação do direito Demonstrativo de Pagamento de Salario com relatórios mensais Unimed. Extrato dos beneficiários por contrato da Unimed. Extrato do titular da Unimed. Recibos Tratamento Odontológicos. Extrato bancário Banco do Brasil. Extrato bancário Caixa Econômica Federal. Laudo do Tratamento Odontológico. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço ou nota fiscal de prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13646.720350/201294 Acórdão n.º 2001000.748 S2C0T1 Fl. 127 5 de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 129DF CARF MF 6 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13646.720350/201294 Acórdão n.º 2001000.748 S2C0T1 Fl. 128 7 daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Fl. 131DF CARF MF 8 Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13646.720350/201294 Acórdão n.º 2001000.748 S2C0T1 Fl. 129 9 Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. Assim que, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 18.083,22, que corresponderia ao imposto suplementar de R$ 4.972,88, em vista de ter sido apensado aos autos cópia dos recibos e notas fiscais de prestação de serviço, como material probante, nos termos requeridos pela legislação tributária e de acordo com o exigido pela Autoridade Fiscal no descritivo do Lançamento. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose as deduções das despesas médicas glosadas, razão pela qual se faz concluir pelo cancelamento integral do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.726726/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 25/07/2007 a 18/01/2011
IMPORTAÇÃO BASE DE CÁLCULO VALOR ADUANEIRO.
Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento, tornando-se exigíveis as diferenças dos tributos incidentes na importação (II, IPI, COFINS e PIS).
IMPORTAÇÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS.
Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, há que se manter as diferenças dos tributos incidentes na importação (II, IPI, COFINS e PIS).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
Numero da decisão: 3302-006.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 25/07/2007 a 18/01/2011 IMPORTAÇÃO BASE DE CÁLCULO VALOR ADUANEIRO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento, tornando-se exigíveis as diferenças dos tributos incidentes na importação (II, IPI, COFINS e PIS). IMPORTAÇÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, há que se manter as diferenças dos tributos incidentes na importação (II, IPI, COFINS e PIS). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento, tornandose exigíveis as diferenças dos tributos incidentes na importação (II, IPI, COFINS e PIS). IMPORTAÇÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, há que se manter as diferenças dos tributos incidentes na importação (II, IPI, COFINS e PIS). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 67 26 /2 01 2- 32 Fl. 5850DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 3 2 Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório da Resolução nº 3102000.340, da 1ª Câmara da 2º Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, proferido na sessão de 18 de março de 2015: Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de autos de infração no valor de R$ 36.961.808,53 lavrado para constituição de crédito tributário referente a: Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição PIS/PASEP – importação, Contribuição COFINS – importação, Juros de Mora – calculados até 30/11/2012, Multa do Controle Administrativo, e Multa Proporcional (150%), em função de declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto) e diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado, conforme apontado na descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 3.590, 3.596, 3.597, 3.673, 3.738, 3.804) e “Relatório de Ação Fiscal (fls. 3.479 a 3.503). Depreendese dos autos que a autuação em comento é resultado de procedimento de fiscalização aduaneira, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09105002012002359 (fl. 02), datado de 24/07/2012, com o objetivo de efetuarse procedimento fiscal (fiscalização) relacionados aos tributos/contribuições incidentes em operações de comércio exterior: II, IPI, MULDI, PIS, COFINS e PASEP no período entre 01/2007 a 07/2012. As declarações de importação foram registradas pela interessada para importação de diversos tipos de mercadorias relacionadas à equipamentos de informática (impressoras), tais como cartuchos, tintas, partes e peças, conforme descrito em campo apropriado das diversas declarações de importação, cujas cópias dos extratos e documentos relacionados foram acostadas aos autos às folhas 107 a 1.188, 1.199 a 3.315. Inicialmente a fiscalização informa que em diligência realizada ao estabelecimento da interessada, em 27/07/2012, encontrou o Fl. 5851DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 4 3 imóvel fechado (abandonado) e inclusive com as portas arrombadas (fotos no relatório). Relata a fiscalização que, por ocasião de diligência realizada no estabelecimento da interessada em 02/05/2011 (Processo administrativo fiscal n° 10950.724599/201156) foram encontrados e retidos alguns documentos relacionados às declarações de importação que foram objeto de autuação anterior. Entre os documentos retidos na empresa fiscalizada, estavam faturas comerciais, originais e cópias, faturas proformas, tax proforma, planilhas com cálculo dos custos mercadorias, planilha de formas de pagamentos das importações, sendo que alguns desses documentos eram originais e outros cópias. Conforme se depreende do “Relatório de Ação Fiscal” (fls. 3.316 a 3.358) daquele procedimento fiscal, comparando as faturas que instruíram as Declarações de Importação à época dos despachos com as faturas e demais documentos que foram encontradas junto ao estabelecimento da interessada, a autoridade fiscal chegou à conclusão, no âmbito daquele procedimento fiscal, de que para fins de declaração de valor, em cada uma das declarações de importação, foram utilizadas faturas comerciais falsas, onde em regra os valores unitários das mercadorias eram inferiores àqueles constantes das faturas verdadeiras emitidas pelos exportadores (naquele caso 28 exportadores diferentes). Destaca os seguintes pontos (fls. 3.485 e 3.486): a) Documentos como comercial invoice, proforma invoice, tax invoice, com as mesmas mercadorias mas claramente com valores unitários diferentes. b) Documentos citados em a) com leiautes e assinatura diferentes. c) Documentos com valores diferentes e com a mesma numeração, ou que a numeração de um conste em outro. d) Nos documentos denominados “Rateio de Impostos e Despesas de Importação” referente a diversas DI's temos: –uma coluna com o titulo “Mercadoria US$' em que consta o valor das mercadorias no documento com menor valor. –uma coluna com o titulo “Custo unitário dólar P.F.” onde consta o preço unitário das mercadorias que consta no documento de valor maior. –uma coluna com o título “Custo P.F. Dolar total” onde consta o valor total do documento com valor maior. e) Nos documentos com o título “FECHAMENTO NOME DO EXPORTADOR” referente a diversas DI's temos: Fl. 5852DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 5 4 –uma linha com a denominação “FATURA” em que está o valor do documento com valor maior. –uma linha com a denominação “BANCO” em que está o valor do documento com valor menor. –Uma linha com a denominação “SALDO” em que está a diferença entre os dois valores acima. f) Documentos com diferenças nos valores declarados de 28 (vinte e oito) exportadores diferentes e de países diferentes. g) Não consta nesses documentos que estão sendo oferecidos descontos nas compras. Tendo por base as informações e documentos coletados no âmbito daquele processo administrativo, foi realizada uma análise de todas as declarações de importação da interessada e que apresentavam os mesmo exportadores e também o mesmo tipo de mercadoria. A conclusão foi de que a autuada também subfaturou outras operações de importação (além daquelas já autuadas) com a finalidade de iludir o pagamento dos tributos devidos quando do registro das declarações de importação. À folhas 3.487 a 3.499 do relatório, a fiscalização detalha, por exportador (em quantidade de 16) e por declaração de importação, quais as declarações de importação autuadas anteriormente (Processo administrativo fiscal n° 10950.724599/201156), o percentual subfaturado para aquele tipo de mercadoria. Apresenta planilha onde demonstra que houve diferença (a menor) no valor declarado pela interessada nas operações que menciona. Indica que os valores declarados nas operações em apreço são próximos aqueles comprovadamente subfaturados. Conclui a fiscalização que a fraude praticada é decorrente do fato de a empresa ter omitido o preço verdadeiro das mercadorias importadas nas declarações de importação em análise, onde declarou um valor falso e inferior ao efetivamente praticado conforme os documentos retidos, isto é, ocorreu a prática de subfaturamento. Considerando a comprovação (já realizada anteriormente por ocasião da análise das operações de importação envolvendo as mercadorias em questão) de que o valor declarado não era aquele efetivamente praticado, a autoridade fiscal desconsiderou os valores declarados e, com base em valoração aduaneira realizada em outro procedimento fiscal, lavrou a presente autuação com base nos preços de mercadorias semelhantes autuadas anteriormente (arbitramento com fulcro no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01). Fl. 5853DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 6 5 Além da exigência relativa aos tributos, a autoridade fiscal aplicou a multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01, por existir diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado. Aplicou ainda a multa de ofício com agravamento, conforme previsto no § 1°, do artigo 44, da Lei 9.430/96, visto entender que ficou caracterizada a intenção dolosa e presente a fraude. Informa, ao final de seu relatório, que foi protocolizada Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 10950.726729/201276. Intimada, Edital n° 0328/12SAANA (Afixado em 14/12/2012 e desafixado em 28/12/2012, fl. 3.817), a interessada apresentou impugnação às folhas 3.823 a 3.841, anexando os documentos de folhas 3.842 a 3.845. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o lançamento deve ser declarado nulo em razão da ausência de ordem escrita do Superintendente da Receita Federal do Brasil ou do Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá autorizando o segundo exame dos períodos base de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, já fiscalizados em quatro outras ações fiscais distintas, processos n° 10950.005471/200975, 10950.720133/201181, 10950.724599/201156 e 10950.724783/201104. Deveria ter sido dada autorização expressa no MPF; Que, parte do lançamento não prospera em razão da decadência, que deve ser contada a partir do registro da declaração de importação correspondente (artigos 752 e 753 do Decreto n° 6.759/09). A revisão aduaneira deve respeitar as regras estabelecidas no Decreto n° 6.759/09, artigo 638. Logo, o instituto da decadência alcança todos os fatos geradores correspondentes às declarações de importação registradas até 02/01/2008. Cita o Acórdão n° 0728.807 desta Turma de Julgamento; Que, os demonstrativos de apuração das contribuições (fls. 3.682/3.704 e 3.748/3.770) não fazem qualquer referência a respeito da apuração dos valores apresentados, cerceando o direito de defesa da impugnante, cita o exemplo da DI n° 08/10194435; Que, em relação à valoração aduaneira, o lançamento foi construído em cima de uma presunção de existência de subfaturamento objeto de fiscalização anterior. O suposto “subfaturamento” apurado noutra fiscalização, ocorridos basicamente em 2006 e 2007, não pode ser utilizado como suporte para presumir que todas as importações seguintes (até 2011) também foram subfaturadas, isto porque os preços de mercado dos produtos e suprimentos de informática despencaram ao longo dos anos; Que, não houve qualquer análise da escrituração contábil da autuada, nem registro de que houve o efetivo pagamento do suposto valor subfaturado. Os indícios apurados não são suficientes para comprovar a prática de subfaturamento; Que, o arbitramento realizado não atende nenhum dos critérios estabelecidos nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° Fl. 5854DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 7 6 2.15835/01; Que, a acusação fiscal no Processo n° 10950.005471/200975 tratava de erro de classificação fiscal das DI’s n° 07/14378596,07/14551680, 07/14632630 e, 07/15643791. Já a acusação fiscal no Processo n° 10950.724783/201104 tratava de erro de classificação fiscal das DI’s n° 07/12351927, 07/15025885, 08/01857362, 08/02142588 e, 08/04000969. A fiscalização naqueles processos não tiveram certeza e segurança de que teria havido o suposto subfaturamento quando examinaram as declarações, optando pelo lançamento com base no valor aduaneiro declarado; Que, não concorda com a aplicação da multa qualificada, visto que o lançamento está construído em cima de mera presunção; Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 25/07/2007 a 18/01/2011 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos. Alterada a base de cálculo dos tributos, por mudança no correspondente valor aduaneiro, tornase exigível a diferença dos tributos, resultante desse ato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o II apurado. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data do registro da declaração de importação correspondente. Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Fl. 5855DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 8 7 Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada, nos termos do 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. De seu turno, insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De início, requer a decretação de nulidade do lançamento “em face da ausência de ordem escrita do Superintendente da Receita Federal do Brasil ou do Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá, autorizando o reexame dos períodosbase de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, já fiscalizados em quatro outras ações fiscais distintas, conforme Processos [...]”. Transcreve o artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda para confirma tal condição. Nulidade do Auto de Infração, também, por ausência de demonstração da composição da base de cálculo das Contribuições. “Os Demonstrativos de Apuração da Cofins (fls. 3682/3704) e do PIS (3748/3770) iniciam com o valor da contribuição devida e não fazem qualquer referencia a respeito da apuração dos valores apresentados, inviabilizando, assim, a conferência dos valores exigidos e, por conseqüência, o cerceamento do direito de defesa da Recorrente”. Demonstra o problema em caso específico – DI nº 08/10194435. Contesta os procedimentos de Valoração Aduaneira adotados pela Fiscalização Federal. Primeiro, argumenta que o lançamento teria sido construído encima de simples presunção, calcada em prática de subfaturamento identificada em relação a operações de importação realizadas ainda no ano de 2006, levando os Auditores Fiscais à presunção da infração nas operações seguintes, processadas até o ano de 2011, sem considerar que “os preços de mercado dos produtos e suprimentos de informática despencaram ao longo dos anos”. E acrescenta, O Relatório de Ação Fiscal (fls. 3479/3503) não faz qualquer alusão quanto ao fato dos Auditores Fiscais terem examinado a escrituração contábil (diário e razão) da autuada, ou realizado qualquer diligência, a fim de: (i) apurar se as importações haviam sido contabilizadas ou não, (ii) cruzar valores das declarações de importação com os respectivos contratos de câmbio, (iii) apurar a efetiva escrituração dos valores correspondentes ao fechamento dos contratos de câmbio. Também, não faz nenhum registro de que houve o efetivo pagamento do suposto valor subfaturado. Que o lançamento não atende aos critérios estabelecidos nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/ 01, base legal indicada pela Fiscalização no Auto de Infração controvertido. Fl. 5856DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 9 8 Ainda mais, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento inova ao considerar regular o procedimento com base no artigo 68 da Lei nº 10.833/03, por tratarse de disposição legal jamais citada nos autos. Adiante, que nove Declarações de Importação auditadas no procedimento já haviam sido valoradas e consideradas em situação regular, constatandose, apenas, erro de classificação fiscal. Quanto a isso, acusa omissão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que deixou de pronunciarse a respeito do assunto. Protesta contra a multa de 150% sobre o valor da diferença de Impostos apurada, “tendo em vista que o lançamento foi construído em cima de mera presunção de subfaturamento nas importações, sem nenhum elemento de prova e que contraria qualquer raciocínio lógico dos fatos”. Uma primeira análise do Processo revelou a necessidade de conversão do julgamento em diligência. Os termos foram os seguintes. (...) Embora os critérios de apuração da base de cálculo e sua demonstração sejam perfeitamente compreensíveis, não logrei êxito em atestar o valor das Contribuições devidas. Por exemplo. Considerando o Valor Aduaneiro Real indicado na mesma planilha de folha 3.496, no montante de R$ 1.225.977,60, para a mesma Declaração de Importação nº. 08/10194435 (fls. 3134 e seguintes), utilizandose a metodologia de cálculo definida na Instrução Normativa SRF nº. 463/04, temse: PIS = alíquota PIS x (Valor Aduaneiro x X + alíquota Cofins x Y) PIS = 1,65% x (1.225.977,60 x 1,228746 + 7,6% x 0,110092) PIS = R$ 24.855,85 Esse valor não confere com o valor de R$ 27.428,19 (folha 3.754) informado no Auto de Infração. Tratase de uma questão que necessita ser esclarecida. VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a razão da diferença acima seja esclarecida e, se for o caso, os cálculos sejam refeitos. Abra se prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Após, retorne para decisão final. Esclarecidos os fatos, o processo retorna a este Colegiado. As dúvidas informadas na resolução foram respondidas no relatório de informação fiscal de efls 5813 e seguintes, contudo não fora dada ciência das conclusões ali apontadas à contribuinte recorrente, motivo pelo qual, em sessão realizada em 18 de março de 2015, resolveuse novamente baixar o processo em diligência para que fosse dada ciência das conclusões da resolução anterior. Fl. 5857DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 10 9 Devidamente intimada a recorrente apresentou sua manifestação, onde repisa os argumentos já trazidos em sede de impugnação e recurso voluntário, indicando que haveria ainda a necessidade de se observar a decisão proferida pelo STF que trata da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS. Passo seguinte o processo retornou ao E. CARF para julgamento sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os recursos de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles tomo conhecimento. I Do Recurso de Ofício O Recurso de ofício foi interposto tendo em vista a exoneração de parte do crédito tributário objeto do lançamento, tendo em vista a indicação de que haveria de ser aplicada a esses o instituto da decadência. O valor da exoneração promovida pelo acórdão DRJ (efl. 3888) foi de R$ 1.938.546,26. No caso, como a exclusão e a redução excederam o limite de alçada, fixado à época no valor de R$ 1.000.000,00, pela Portaria MF 3/2008, fora automaticamente interposto o Recurso de Ofício. Entretanto, a normativa acima referida foi revogada pela Portaria MF 63/2017, que alterou o referido limite alçada do órgão de julgamento de primeiro grau, para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), no seu art. 1º, que segue transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em relação ao assunto, cabe consignar que, no âmbito deste Conselho, o requisito atinente ao limite de alçada deve ser atendido na data da apreciação do recurso de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 103, a seguir transcrita: Fl. 5858DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 11 10 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento do referido recurso de ofício, por não atender o limite de alçada exigido no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972 e fixado no art. 1º da Portaria MF 63/2017. II Do Recurso Voluntário II.1 Reexame de períodos anteriormente fiscalizados Em preliminar a recorrente alega a ocorrência de nulidade do auto de infração em razão de se ter o reexame dos lançamentos ocorridos anteriormente e discutidos em outros processos. Entretanto, entendo que razão não assiste à recorrente. Conforme se vê do acórdão da DRJ, o tópico foi minuciosamente tratado, havendo a visitação dos demais processos relacionados pela recorrente, oportunidade em que restou verificado não se tratar do mesmo objeto, vale dizer, em que pese dizer respeito ao mesmo período, não há identidade de objeto. Vale ressaltar que, ao contrário do alegado, existe a mencionada ordem expressa para a fiscalização (MPFF efl 02), cento certo ainda que no presente processo estamos diante de procedimento de revisão aduaneira, que se vale de documentos obtidos em procedimento de fiscalização hígido. Não entendo ter havido o reexame de período anteriormente fiscalizado já que a autuação fiscal que se pretende impor a nulidade, debruçouse sobre declaração de importação ainda não revisadas em relação ao subfaturamento, razão pela qual podemos afirmar não se tratar de matéria submetida a revisão aduaneira anterior. Vale ressaltar a aplicação do verbete da Súmula CARF 111, ao presente caso, versado da seguinte forma: Súmula CARF nº 111 O Mandado de Procedimento Fiscal supre a autorização, prevista no art. 906 do Decreto nº 3.000, de 1999, para reexame de período anteriormente fiscalizado. Por fim, conforme se depreende de todo o alicerce probatório, peças de defesa e manifestações promovidas pela recorrente, não houve qualquer tipo de prejuízo que pudesse levar a nulidade da autuação que lhe foi imposta. Desta forma, rejeitase a preliminar. II.2 Cerceamento de defesa Impossibilidade de identificação da base de cálculo e valoração aduaneira No que tange a esse tópico afirma a recorrente: “os Demonstrativos de Apuração da Cofins (fls. 3682/3704) e do PIS (3748/3770) iniciam com o valor da Fl. 5859DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 12 11 Contribuição devida e não fazem qualquer referencia a respeito da apuração dos valores apresentados, inviabilizando, assim, a conferência dos valores exigidos e, por conseqüência, o cerceamento do direito de defesa [...]”. O presente tópico foi objeto de análise na Resolução nº 3102000.293, onde restou consignado não haver qualquer dificuldade em se identificar a base de cálculo utilizada para o lançamento, contudo, apontando a necessidade de se ter melhor esclarecida a questão relacionada à valoração aduaneira, vejamos: Uma vez que tenha sido feita menção à dificuldade de conferir a exatidão dos valores exigidos, pela falta de referência ao método de apuração, já que o Auto de Infração parte do valor da Contribuição devida, iniciei pelo exame da base de cálculo considera. Quanto a ela, não encontrei nenhuma dificuldade em compreender os critérios utilizados pela Fiscalização Federal. A Declaração de Importação nº 08/10194435, citada pela Recorrente, consta de uma planilha à folha 3.496 do Processo, no Relatório de Ação Fiscal, onde está claramente demonstrada a base de cálculo informada na Declaração, o percentual de subfaturamento considerado para o caso específico (assim como os critérios para que se chegasse a esse percentual), a base de cálculo redefinida e a diferença. A nova base de incidência é obtida pela divisão da base de cálculo informa pelo percentual de 24,56%, que é a diferença entre o todo, 100%, e os 75,44% de subfaturamento considerados. É uma regra de três: se o informado é 24,56% do todo, quanto é 100%? De fato, como disse, não encontrei qualquer dificuldade em compreender essa demonstração; contudo, existem outros valores sobre os quais não há como dizer o mesmo. Embora os critérios de apuração da base de cálculo e sua demonstração sejam perfeitamente compreensíveis, não logrei êxito em atestar o valor das Contribuições devidas. Por exemplo. Considerando o Valor Aduaneiro Real indicado na mesma planilha de folha 3.496, no montante de R$ 1.225.977,60, para a mesma Declaração de Importação nº. 08/10194435 (fls. 3134 e seguintes), utilizandose a metodologia de cálculo definida na Instrução Normativa SRF nº. 463/04, temse: PIS = alíquota PIS x (Valor Aduaneiro x X + alíquota Cofins x Y) PIS = 1,65% x (1.225.977,60 x 1,228746 + 7,6% x 0,110092)1 PIS = R$ 24.855,85 Esse valor não confere com o valor de R$ 27.428,19 (folha 3.754) informado no Auto de Infração. Tratase de uma questão que necessita ser esclarecida. Fl. 5860DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 13 12 A resposta à dúvida levantada na resolução mencionada, veio no relatório de informação fiscal de efls. 5813 e segs., onde restou aclarada a dúvida nos seguintes termos: (...) Assim, temos que o ICMS devido na importação realizada por portos paranaenses ficam suspensos para pagamento posterior, saída do estabelecimento, e portanto, de acordo com o §3º, art. 3º da IN/SRF nº 572/2005 e §4º, art. 7º, da Lei nº 10865/2004, o ICMS diferido (adiado) comporá a base de cálculo das contribuições sociais devidas na importação. Os valores devidos das contribuições PIS/Cofins com o novo valor aduaneiro arbitrado foram calculados utilizandose da planilha que consta na Norma de Execução Coana nº 2 de 23 de junho de 2005 (fl. 5812) e aplicando a alíquota de 18% para o ICMS, ou seja, incluído na base de cálculo o valor diferido do ICMS. Cópia dessas planilhas estão nas folhas de nº 3359 a 3381, sendo que para alguns casos consta o número da DI e em outras no campo “nº da DI” consta o nome do exportador. No caso das exportações realizadas pela empresa MOCA os cálculos estão na folha 3379 e o cálculo específico para a DI nº 08/10194435 consta na linha 004. Portanto, quando do cálculo dos valores devidos para as contribuições sociais PIS e Cofins (fls. 3359 a 3381), em razão do novo valor aduaneiro arbitrado, foi utilizada a planilha que consta na Norma de Execução Coana nº 2/2005 e aplicada a alíquota de 18% para o ICMS diferido na importação, nos termos do parágrafo 3º, art. 3º, da IN/SRF nº 572/05. Da informação acima a recorrente foi intimada a manifestarse, o que de fato ocorreu, contudo, repisando o que outrora fora alegado, não trouxe qualquer prova de que o cálculo apresentado e explicitadO pela autoridade fiscal aduaneira estivesse incorreto, não havendo assim qualquer tipo de cerceamento de sua defesa. Portanto, se alguma dúvida existia relacionada a composição da base de cálculo utilizada para o lançamento tributário, essa foi dirimida pela resposta trazida pela informação fiscal em resposta a resolução acima mencionada. No que tange as alegações relacionadas a valoração aduaneira, que segundo a recorrente teria sido feita em "simples presunção", temos que melhor sorte não a socorre. Todo o trabalho realizado pela fiscalização para se chegar ao lançamento tributário está calcado em robusto acervo probatório que demonstram o modus operandi utilizado pela recorrente, o subfaturamento do valor das mercadorias foi demonstrado quando cotejadas as faturas informadas nas declarações de importação, com outras da mesma contribuinte que demonstram o real valor das mercadorias. A presunção alegada pela recorrente advém de lei, que em que pese aceitar prova em contrário, art. 68 da Lei nº 10.833/03, essa não foi feita pela contribuinte quando lhe foi franqueado fazer. Observese: Fl. 5861DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 14 13 Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. (destaques meus) Destacase que nesse caso o ônus da prova recai sobre o contribuinte que deve provar, segundo os ditames legais, de que a presunção não subsiste, não se desincumbindo de tal obrigação (at. 373, CPC). Assim, não é acolhida a alegação da recorrente também no que diz respeito à valoração aduaneira. II.3 Demais questões relacionadas ao mérito Quanto as demais questões levantadas pela recorrente no que diz respeito ao mérito da demanda, o subfaturamento de preços de mercadorias lançados nas DI´s objeto do presente processo, é fato comprovado e incontroverso, motivo pelo qual fazse necessária sua revisão. Entendo que a r. decisão de piso mostrase incólume, seguindo todos os dispositivos legais relacionados ao assunto, principalmente quando pontua: “... no caso concreto, impende notar que a autoridade fiscal carreou aos autos elementos, provas materiais, que demonstram, de forma insofismável, a prática de subfaturamento nas operações de importação em análise, mediante prática ilícita, isto é, a apresentação de declarações de importação de mercadorias com preços subfaturados mediante utilização de documentos instrutivos das declarações de importação com valores inferiores àqueles efetivamente praticados, conforme comprovam os documentos (faturas) acostadas aos autos. Assim, diante do conjunto de provas convergentes apresentados pela fiscalização, é incabível a alegação de que o lançamento é nulo ou improcedente porque carece de provas materiais. Ainda que parte dos referidos elementos apresentem um caráter de prova indireta, evidente era a necessidade de que a autuada, ao contraditar, demonstrasse de forma inequívoca a inexistência de subfaturamento nas operações de comércio exterior em análise, isto por meio das razões e provas que possuísse. De se observar ainda que, o fato de não serem encontrados em poder da interessada, por ocasião da fiscalização, comprovantes de pagamentos “por fora” ou registros materiais de tais transações financeiras, não implica em concluir que as provas acostadas aos autos sejam inválidas. As faturas comerciais dos mais diversos fornecedores/exportadores, as planilhas, e demais Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 15 14 documentos acostados aos autos permitem aferir perfeitamente a ocorrência dos fatos narrados na autuação. Não há razoabilidade em exigir da fiscalização provas relacionadas ao registro formal dos fatos contábeis, incluídos aí os documentos que dão sustentação à sua formalização, quando os fatos constatados na autuação tem correlação direta com o fluxo financeiro de recursos à margem do sistema financeiro oficial, isto é, tratandose de recursos não registrados e, controlados à margem da contabilidade oficial da empresa, é evidente que não será o registro “formal” realizado na contabilidade da interessada apto a comprovar a existência ou inexistência de tais fatos jurídicos. Portanto, prescindível à comprovação da existência de subfaturamento das operações de comércio exterior: o rastreamento detalhado dos recursos financeiros, a existência de registros contábeis destes fatos na contabilidade “formal” da empresa, ou mesmo a apresentação dos respectivos comprovantes de pagamentos. Como dito anteriormente, os fatos jurídicos podem ser provados por diversos meios. No caso em apreço não há na legislação de regência determinação específica para que a fiscalização apresente determinado documento como prova da existência do subfaturamento. Embora, a diligência realizada pelas autoridades não tenha logrado encontrar as “provas” que a interessada entende necessárias, as autoridades lograram encontrar outras provas que demonstram a ocorrência dos fatos jurídicos, não havendo motivos para que a autoridade julgadora despreze a existência de tais provas. Também não prospera a alegação de que ocorreu equívoco quanto ao método utilizado pela autoridade fiscal para apurar a base de cálculo dos valores apresentados na autuação, e que o caso requer a observância dos incisos I e II do artigo 88 da MP n° 2.15835/ 01. Assim estabeleceu o artigo 88 da MP n°2.15835/ 01: Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a)em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b)de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro Fl. 5863DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 16 15 de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c)mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplica se a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. (Grifos acrescidos) Como se observa do próprio caput do texto legal acima, o arbitramento do preço da mercadoria, nos casos de fraude, sonegação ou conluio, só deve ser praticado nos casos em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação. A obtenção das faturas emitidas pelos diversos exportadores, com os valores efetivamente praticados na operação comercial, automaticamente excluem o presente feito da aplicação de qualquer um dos critérios de arbitramento previstos nos incisos I e II, sendo portanto irrelevante, para o caso, a existência de critérios e ordem seqüencial para fins de arbitramento.” Desta feita, considerando que a recorrente em suas peças de defesa não logrou êxito em demonstrar que não houve o subfaturamento dos valores das mercadorias informados nas declarações de importação descoberto pela fiscalização, ao seu apelo não pode ser dada guarida. II.4 Da Multa Qualificada Segundo o entendimento da recorrente a aplicação da multa qualificada não poderia prosperar tendo em vista ter sido constituída com base em presunções, que como acima afirmado, são previstas em lei, não resistindo a prova em contrário, as quais, em que pese o ônus de produzilas recair sobre a contribuinte, não foram produzidas. A Jurisprudência deste Colegiado é tranquila sobre a necessidade de demonstração da conduta dolosa do contribuinte pela Fiscalização, quando da lavratura o auto de infração, para fins de enquadramento nos tipos previstos pelos artigos os artigos. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (sonegação fiscal e fraude). Vale dizer, a ação ou omissão dolosa “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”, ou ainda “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, deve ser cabalmente provada pelo Fisco no momento do lançamento tributário. Do acima exposto podemos concluir que não há dolo presumido. A fraude ou sonegação devem ser comprovadas. Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 10950.726726/201232 Acórdão n.º 3302006.092 S3C3T2 Fl. 17 16 No presente caso, a comprovação de condutas fraudulentas, objetivando a sonegação dos tributos aduaneiros encontrase devidamente demonstrada pelo conjunto probatório. Desta forma, no meu sentir resta provada a intenção da Recorrente de praticar o ilícito, tentando ludibriar o fisco, havendo, portanto, motivo claro para qualificação da multa agravada de 150%, conforme dispõe o artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Assim, entendo ser devida a qualificação da penalidade aplicada à recorrente, a qual deve ser mantida no patamar de 150%. III Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de: i) não conhecer do recurso de ofício; ii) conhecer do recurso voluntário, no entanto, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 5865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662591/2012-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
Numero da decisão: 1003-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 25 91 /2 01 2- 41 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.662591/201241 Acórdão n.º 1003000.316 S1C0T3 Fl. 79 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 35/38) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 41911.25310.300710.1.3.040085 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. A recorrente, às folhas 45/51, faz menção ao acórdão recorrido e repete, ipsis litteris, os argumentos de sua impugnação, razão pela qual transcrevese aqui a síntese constante do relatório do acórdão a quo: O manifestante fez uma síntese dos fatos, tendo salientado que vinha acumulando créditos decorrentes da retenção dos 11% a título de “antecipação”, instituída pela Lei nº 9.711, de 1998, cuja constitucionalidade foi proclamada pela Corte Suprema. Assevera que, com a mudança da legislação, foi possível ao sujeito passivo compensar, indiretamente, o seu crédito referente aos tributos da União com o seu débito referente à contribuição previdenciária, cujo titular é o INSS, e créditos desta com tributos administrados pela Receita Federal. Como se sabe, voluntariamente, não seria possível ao sujeito passivo compensar a contribuição previdenciária retida na fonte, nem obter seu parcelamento. Porém, aqui se trata de compensação por iniciativa oficial. Faz menção à legislação pertinente ao assunto em pauta, além de citar entendimentos doutrinários e jurisprudência. Conclui o manifestante destacando a perfeita condição fática e jurídica que permite a compensação de contribuições previdenciárias com os demais débitos tributários administrados pela Receita Federal. Ao final, requer seja "recebida o presente Recurso Voluntário, julgandoo procedente e homologando a compensação, procedendo a devida manutenção dos créditos requeridos nos processos de ressarcimento com o débitos já informados". É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.662591/201241 Acórdão n.º 1003000.316 S1C0T3 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator Na ausência de qualquer informação no processo acerca das datas de ciência do acórdão a quo e de apresentação do Recurso Voluntário (envelope de postagem às folhas 74/75 sequer faz menção ao processo), considero, em benefício da contribuinte, ser este tempestivo, portanto dele conheço. Tendo a contribuinte repetido seus argumentos da impugnação, sem apresentar qualquer comprovação de suas alegações, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: Segundo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Por outro lado, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte – , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.662591/201241 Acórdão n.º 1003000.316 S1C0T3 Fl. 81 4 desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. A apuração de IRPJ é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. Também a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples menção à existência de supostos créditos “relativos à retenção de 11% do INSS” (sic), não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DIPJ e DCTF pertinentes à apuração do IRPJ relativo ao período de apuração de 30/06/2009, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior e atestar a certeza e liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720039/2015-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012.
O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012.
O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.720039/201522 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.446 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO Recorrente COMEXIM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7ºA, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 00 39 /2 01 5- 22 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16366.720039/201522 Acórdão n.º 3301005.446 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento (PER) de Crédito Presumido da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude do fato de que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 autorizava a utilização do crédito presumido somente para dedução das próprias contribuições não cumulativas. De acordo com a repartição de origem, a Lei 12.995/2014 passou a autorizar que empresas da agroindústria que possuíssem, em 01/01/2012, saldo de crédito presumido calculado e acumulado na forma da Lei 10.925/2004 pudessem utilizar esse saldo via compensação ou ressarcimento. Contudo, ainda de acordo com a autoridade administrativa de origem, no presente caso, mesmo preenchendo todos os requisitos legais para apuração e aproveitamento dos créditos em referência, o requerimento do ressarcimento fora protocolizado após o prazo prescricional de cinco anos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a lei que concedera o direito ao ressarcimento do crédito presumido acumulado havia sido publicada em 18/06/2014, inexistindo, até então, direito ao ressarcimento, apenas sendo possível o aproveitamento com débitos das contribuições (PIS/Cofins), em razão do quê, somente se aplicaria a regra da prescrição a partir daquela data. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14062.938, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o prazo para se pedir ressarcimento de créditos da não cumulatividade, básicos ou presumidos, é de cinco anos contados da data de sua apuração. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: a) no formulário do pedido, consta “CRÉDITO PRESUMIDO vinculado à receita de exportação com base na Lei nº 12.995/2014”; b) cita o Decreto nº 20.910/1932, em que se prevê, em seu art. 1º, que qualquer dívida da União, de qualquer natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem; c) a possibilidade de crédito prevista no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 (acrescentado pela Lei nº 12.995/2014), e de seu ressarcimento, é um direito “novo” e não a implementação de uma condição suspensiva que impedia o referido aproveitamento; d) a norma que instituiu o aproveitamento dos referidos créditos presumidos, expressamente previu a aplicação da prescrição; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16366.720039/201522 Acórdão n.º 3301005.446 S3C3T1 Fl. 4 3 e) cita o art. 29D da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, onde resta previsto que o ressarcimento do saldo de créditos presumidos de que trata o caput pode ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, insistindo que a Lei nº 12.995/2014, ao acrescentar o art. 7A à Lei nº 12.599/2012, conferira o direito ao contribuinte de obter créditos que, até então, não podiam ser utilizados, não tendo ocorrido, portanto, a prescrição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.430, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.721698/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.430): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. A partir do relato acima, constatase que a discussão dos autos não está na legitimidade ou não do montante de crédito, pois este foi conferido e admitido pelo Fisco. Centrase a discussão em saber se o pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente está prescrito ou não. Assim, para fins de realizar uma análise do prazo prescricional, necessário traçar a linha do tempo. Até 18 de junho de 2014, a pessoa jurídica que desenvolvesse atividades agroindustriais, poderia apurar crédito presumido de PIS e COFINS, na forma como previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para compensar, exclusivamente, com débitos destas mesmas contribuições (caput). No dia 18 de junho de 2014 entrou em vigor a Lei nº 12.995/2014 que acrescentou o art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, permitindo que o saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 até 01/01/2012 pudessem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, vencidos ou vincendos, ou ainda requerer o ressarcimento em dinheiro, observandose a legislação aplicável sobre os prazos extintivos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1o de janeiro de 2012 em relação Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16366.720039/201522 Acórdão n.º 3301005.446 S3C3T1 Fl. 5 4 à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) (grifei) Em 26/08/2014 a Recorrente protocolizou seu pedido de ressarcimento de créditos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme permissivo implementado pela novel Lei nº 12.995/2014. Resta, portanto, determinar quando surge o direito de ressarcimento de crédito, para fins de contagem da prescrição, se de sua apuração ou da publicação da lei que confere o direito, e qual é o prazo prescricional, bem como determinar o que se entende por "saldo de crédito presumido" apurado até 01/01/2012. I) Do prazo de prescrição e de seu marco inicial A prescrição é um instituto jurídico previsto no ordenamento jurídico com a finalidade de fornecer estabilidade às relações jurídicas, em homenagem à segurança jurídica, estabelecendo um prazo para o exercício de um direito. A premissa é que não se tem como desejável a permanência indefinida de um direito, estabelecendose, assim, um prazo para o exercício de sua pretensão. Caso o titular de um direito não exerça este direito no prazo, isto é, não exercite sua pretensão para ver satisfeito seu direito, considerase extinta esta pretensão, impossibilitandose que este direito seja, juridicamente, exercido. Com isso, para que o prazo prescricional tenha início, é preciso haver um direito, a possibilidade de exercêlo (pretensão) e a inércia do titular deste direito. Neste sentido, Caio Mário da Silva Pereira1: O sujeito não conserva indefinidamente a faculdade de intentar um procedimento judicial defensivo de seu direito. A lei, ao mesmo tempo em que o reconhece, estabelece que a pretensão deve ser exigida em determinado prazo, sob pena de perecer. Pela prescrição, extinguese a pretensão, nos prazos que a lei estabelece. (...) É, então, na segurança da ordem jurídica que se deve buscar o seu verdadeiro fundamento. O direito exige que o devedor cumpra o obrigado e permite ao sujeito ativo (credor) valerse da sanção contra quem quer que vulnere o seu direito. Mas se ele se mantém inerte, por longo tempo, deixando que se constitua uma situação contrária ao seu direito, permitir que mais tarde reviva o passado é deixar em perpétua incerteza a vida social. Há, pois, um interesse de ordem pública no afastamento das incertezas em torno da existência e eficácia dos direitos, e este interesse justifica o instituto da prescrição, em sentido genérico. Na seara tributária o instituto da prescrição se funda, também, na segurança jurídica, conforme ensinamentos de Luís Eduardo Schoueri, no 1 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil. Volume 1. 26ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16366.720039/201522 Acórdão n.º 3301005.446 S3C3T1 Fl. 6 5 sentido de que a prescrição surge "da necessidade de garantir a desejada estabilidade das relações jurídicas"2. No direito tributário, portanto, também há prazos extintivos por prescrição tanto para o crédito tributário, conforme art. 156, V do CTN, extinguese o próprio direito de crédito da Fazenda Pública, como há também prazo de prescrição extintivo do direito de requerer (pretensão) a restituição de um indébito, ou de cobrar créditos que o particular tenha contra a Fazenda Pública. Assim, a hipótese de incidência da prescrição é a existência de um direito sem que seja exercido por seu titular, tendo como consequente a extinção do respectivo direito. Discutiase se o prazo prescricional para ressarcimento de créditos acumulados seria aquele do art. 168, CTN, no qual tinha início com o pagamento indevido, ou se seria outro, como o do artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932. Não me parece adequado que o prazo prescricional, bem como seu marco de início de contagem, sejam aqueles previstos no CTN para a repetição do indébito, na medida que o pedido de ressarcimento não se funda em pagamento indevido. Assim, o crédito presumido é, veramente, um direito de crédito que o particular possui contra a Fazenda Pública em razão de alguma determinação legal. Portanto, se é um direito de crédito contra a Fazenda Pública, não decorrente de pagamento indevido, mas por alguma disposição legal, creio ser mais adequada aplicação do prazo prescricional existente no Decreto nº 20.910/1932 para a cobrança das dívidas passivas das entidades públicas. Neste diapasão, de acordo com o Decreto nº 20.910/1932, as dívidas passivas da União Federal, bem como qualquer direito ou ação contra a Fazenda Nacional, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, verbis: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, para um caso de crédito presumido de IPI, em sessão de 15/03/2018, proferiu o Acórdão CSRF nº 9303006.519, de relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, onde restou consignado que o prazo prescricional para ressarcimento deste crédito presumido observa o Decreto nº 20.910/1932: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16366.720039/201522 Acórdão n.º 3301005.446 S3C3T1 Fl. 7 6 tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 9303006.519, proferido em sessão de 21/03/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI prescreve em cinco anos contados do último dia do trimestre em que se deu a entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicação do Decreto n° 20.910, de 1932, combinado com Portaria MF n° 38/97. Recurso Especial do Contribuinte negado Em síntese, para que seja possível se falar em prescrição, necessário, preliminarmente, a existência de um direito. Somente após verificada a existência de um direito é que passa a ser possível se falar em início de prazo prescricional, extinguindose este direito caso não exercido por seu titular. No caso dos autos, é preciso discernir, o direito que se pleiteia não é o crédito presumido em si, qual seja, o crédito presumido apurado da forma em que previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004 e passível de utilização desde 2004. Repitase, não é esse o direito que se pretende exercer. O direito que se discute nestes autos é o direito de utilizar este crédito para compensar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, bem como o direito de requerer o ressarcimento em dinheiro deste crédito. E este direito apenas surgiu no ordenamento jurídico quando da publicação Lei nº 12.995 em 18 de junho de 2014. Não se pode admitir o fluxo do lapso temporal para a prescrição extintiva de um direito se o direito não existia e não podia ser exercido. Não se trata de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição, mas sim da própria impossibilidade de início do curso do prazo diante da inexistência do direito a ser exercido. Não há como falar de inércia do titular do direito se direito não havia. Como dito, para se falar em prescrição é preciso que o direito exista e que o titular deste direito fique inerte por certo período de tempo. Assim, o ato ou fato que origina este direito, para utilizar a dicção do Decreto nº 20.910/1932, é a Lei nº 12.995 que permite novas formas de utilização de um crédito, criando, portanto, um novo direito a ser exercido. Desta feita, se o direito de ressarcimento em dinheiro do crédito presumido apenas surgiu em 18 de junho de 2014, é a partir deste momento que o prazo de prescrição tem início. No entanto, não se quer dizer, com Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16366.720039/201522 Acórdão n.º 3301005.446 S3C3T1 Fl. 8 7 isso, que o crédito presumido que se quer ver ressarcido é irrelevante, muito ao contrário, a meu ver, a lei estabeleceu um marco temporal para o crédito presumido para que o direito de ver este crédito ressarcido em dinheiro possa ser fruído a partir de 18 de junho de 2014. II) Do saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012 A apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo se faz no confronto dos débitos decorrentes de receitas auferidas em face de créditos apurados em razão de custos e despesas permitidos na legislação. Incluem se nestes créditos, os créditos presumidos permitidos pela lei. Ao final do período de apuração, o saldo de débito é levado à DCTF e recolhido pelo contribuinte, mas o saldo de crédito, por sua vez, pode ser mantido e transferido para o próximo período de apuração, e assim indefinidamente por tantos quantos períodos de apuração sejam necessários até que o montante de débito supere o montante de crédito. No caso em análise, a Recorrente pretende ver ressarcido um montante de crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009. A fiscalização afirma nestes autos, fls. 151156, que este crédito presumido foi apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, salvo melhor juízo, não foi o crédito presumido apurado em seu respectivo período de apuração que a Lei nº 12.995/2014 permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento, mas sim o saldo de crédito presumido que permaneceu escriturado em 01/01/2012, vejamos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Ao que parece, o problema não é de prescrição. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Desta feita, não se permitiu ressarcir o montante de crédito de cada período de apuração, individualmente, até 01/01/2012, mas sim o saldo ainda existente nesta data. Até porque, conforme salientado acima, a apuração do PIS e da COFINS se faz por confronto de créditos e débitos por período de apuração, podendose manter escriturado o saldo de crédito para abatimento das contribuições devidas nos próximos períodos de apuração. Desta feita, não há como identificar nestes autos se este crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009 já não foi superado por algum montante de débito de algum período de apuração que o sucedeu até janeiro de 2012. Nem poderia ser assim, já que não me parece ter sido esta a escolha do legislador, já que foi definido um momento específico no tempo. Com isso, creio que o pedido de ressarcimento está equivocado, pois o que deve ser objeto de ressarcimento é o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16366.720039/201522 Acórdão n.º 3301005.446 S3C3T1 Fl. 9 8 Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905322/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 22 /2 01 5- 10 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.156 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11020.905322/201510 Acórdão n.º 3402005.766 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901293/2008-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para apurar a procedência da redução da estimativa referente a 11/2003, com abertura de prazo para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno dos autos ao relator para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 224 1 223 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.901293/200867 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.071 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 21 de setembro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente REDFACTOR FACTORING E FOMENTO COMERCIAL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para apurar a procedência da redução da estimativa referente a 11/2003, com abertura de prazo para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno dos autos ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo I/SP mediante o Acórdão nº 1643.306, de 29/01/2013 (efls. 169/173), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 29 3/ 20 08 -6 7 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16327.901293/200867 Resolução nº 1001000.071 S1C0T1 Fl. 225 2 O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) A interessada entregou via Internet (13/02/2004) a Declaração de Compensação de fls. 43/48 (PER/DCOMP nº 12300.92385.130204.1.7.045065, que retificou a de nº 23458.24415.120204.1.3.040613), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita 2362 – IRPJDemais PJ obrigadas ao Lucro Real – Estimativa Mensal) relativo ao período de apuração novembro de 2003, com débito do mesmo tributo relativo ao período de apuração ocorrido em dezembro de 2003 (vencimento em 31/01/2004). Pelo Despacho Decisório de fls. 37, a contribuinte foi cientificada, em 29/07/2008 (fl. 02), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 4232834228 99.232,02 Db: cód 2362 PA 30/11/2003 99.232,02 Valor Total 99.232,02 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 40.594,26). Irresignada, a contribuinte apresentou em 15/08/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 03/14, acompanhada dos documentos de fls. 15 a 167. Em preliminar a contribuinte argui a nulidade do despacho decisório tendo em vista a ausência de adequada e necessária motivação para a não homologação da compensação efetuada. Ampara seu argumento em ensinamento de Celso Antônio Bandeira de Mello, em manifestação do Superior Tribunal de Justiça, em ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e em considerações de Sergio Ferraz, para concluir que: calcandose na inabalável premissa de que a motivação não se restringe apenas à indicação do dispositivo legal, mas evidenciase com a explicitação dos fundamentos (razões) jurídicos expendidos pela Administração ao caso concreto, o que não se observa no despacho em análise, mister se faz a declaração da sua nulidade. Entende assim restar nítida a preterição do direito de defesa. Defende também a impugnante a existência de crédito de IRPJ, nesse sentido expõe que, conforme documento à fl. 38, recolheu o IRPJ relativo a novembro de 2003 no valor de R$ 99.232,05, embora o valor apurado do imposto de renda para esse mês tivesse sido R$ 58.637,76, conforme informado na DIPJ do exercício 2004, ano calendário 2003 (fl. 39), tendo havido, dessa forma, recolhimento a maior de R$ 40.594,26, exatamente o valor do crédito declarado no PerDComp em apreço. Registra que promoveu a devida escrituração do crédito recolhido a maior no Livro Razão Analítico (fl. 50). Alega que a autoridade fiscal limitouse analisar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 4º Trimestre de 2003, na qual teria cometido equívoco ao declarar o valor da contribuição Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16327.901293/200867 Resolução nº 1001000.071 S1C0T1 Fl. 226 3 em foco no valor de R$ 99.232,02, ao invés do valor de R$ 58.637,76. Informou, ainda ter procedido à retificação da DCTF (10/11/2004), conforme informa o documento de fls. 109/166 (em especial fl. 113). Alega ainda que um simples vicio formal (equivoco no preenchimento da DCTF) não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque, como acima citado, tal crédito foi devidamente escriturado. Aponta que a Administração Pública tem o dever de buscar a verdade material e, nesse sentido entende que a autoridade fiscal deveria têla intimado a apresentar os documentos comprobatórios da existência do crédito, tais como livros contábeis e fiscais, a Declaração de Rendimentos. Defende ainda que pelo fato de a Receita Federal ter acesso a todas as declarações do contribuinte bem como aos DARFs de recolhimento dos tributos deveria ter concluído pela ocorrência de erro no preenchimento da DCTF e, por conseqüência pela existência do crédito de IRPJ, procedimento que, no seu entender, estaria em consonância com os princípios administrativos da moralidade da eficiência e da celeridade previstos no artigo 37 da Constituição Federal e no artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999. Com base em considerações de De Plácido e Silva a respeito do “vício de forma”, conclui que suposto equivoco no preenchimento da Declaração JAMAIS poderia culminar na desconsideração de crédito oriundo de recolhimento indevido, máxime por tratarse de vicio de forma, não havendo, portanto, qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado. Reportase ainda a ementas de julgados do Conselho de Contribuintes que evidenciam a observância do princípio da verdade material. Conclui, por fim que restou comprovado o equivoco cometido quando do preenchimento da DCTF, que, inclusive, foi devidamente retificada, motivo pelo qual referido erro não poderia ter sido utilizado como razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto condutor transcrevo a seguir: (grifos não constam do original) A contribuinte alega em preliminar que o despacho decisório seria nulo por falta de motivação e, em consequência, por cerceamento do direito de defesa. Sobre nulidades do processo administrativo fiscal, reza o artigo 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: Art. 59. São Nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisão proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em relação à disposição acima transcrita, discorre, de forma clara e abalizada, Luiz Henrique Barros de Arruda (in “Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 06/03/73 – MANUAL” , 2a edição, Editora Resenha Tributária, São Paulo– abril/1994, p. 77): De plano observase que, no tocante ao lançamento, esse dispositivo somente admite, literalmente, nulidade por incompetência do agente, Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16327.901293/200867 Resolução nº 1001000.071 S1C0T1 Fl. 227 4 uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento do direito de defesa, não se aplicaria ao auto de infração, nem notificação de lançamento como apontado no seguinte acórdão: “Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura de ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração. Cerceamento ou preterição do direito de defesa, por falta de vistas dos autos, há de relacionarse com o processo correspondente, no qual existem os elementos de provas necessárias à solução do litígio.” (Ac. 10177056, de 25/02/85). Não é verdade que o despacho decisório carece de motivação. A descrição do motivo, embora sucinta está bastante clara no despacho de fl. 37: o pagamento informado no PerDComp fora integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação pretendida. Tanto foi suficiente para compreensão do motivo da “não homologação da compensação” que a impugnante tenta justamente demonstrar a existência do crédito de IRPJ e, ainda, acusa, na peça de defesa, o erro de preenchimento da DCTF relativa ao 4º Trimestre de 2003. Como se vê, não é o caso da nulidade imposta pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, posto que o despacho decisório foi proferido por servidor competente (Auditor Fiscal) no cumprimento de seu dever e, ainda, os dispositivos legais e o fato que ampara a decisão foi devidamente informado (fls. 37) e dele pôde a interessada defenderse. Assim, não assiste razão à interessada quanto à nulidade arguida. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento espelhado no DARF relativo ao código de receita 2362, no valor de R$ 99.232,02 ter sido integralmente alocado para a quitação de débito da contribuinte, conforme consignado no Despacho Decisório atacado. Contesta a interessada, alegando a existência do direito creditório em virtude de alteração do valor do IRPJ devido em novembro de 2003 declarado em DCTF. Como prova do alegado erro, a contribuinte apresenta a Ficha 11 de sua DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003 à fl. 37 e o Razão Analítico da conta “1027– Imposto de Renda pago Indev. Ou a Maior / Sintética 11207 – Impostos a Recuperar” à fl. 50, bem como a DCTF retificadora que conteria o valor correto do débito pertinente ao IRPJ devido em novembro de 2003 (fl. 113). Com efeito, apenas a alegação de erro na informação prestada em DCTF e sua retificação não tem o condão de fazer surgir o direito creditório reclamado. É preciso demonstrar que o valor do débito (declarado em DCTF) alegado como sendo o correto (R$ 58.637,76) guarde correspondência com a verdade material. O § 1º do artigo 147 do Código Tributário Nacional impõe a comprovação do erro nos casos em que a retificação procedida vise a reduzir ou excluir tributo. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16327.901293/200867 Resolução nº 1001000.071 S1C0T1 Fl. 228 5 comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º (...) Entretanto, os documentos apresentados são insuficientes para produzir a prova quanto ao correto valor do IRPJ devido em novembro de 2003. A contribuinte não trouxe sequer o Demonstrativo da formação da base de cálculo do imposto, bem como os registros contábeis da(s) conta(s) que estariam a compor a referida base de cálculo. Frisese, conforme expõe a própria contribuinte nos parágrafos 27 e 28 de sua impugnação (fls. 10), que a Administração Pública deve perseguir a busca da verdade material e, nesse sentido, a apresentação de documentos comprobatórios da existência do crédito, tais como os livros contábeis e fiscais tornase imperativa. Não é demais lembrar que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Apesar de alegar que houve erro no preenchimento da DCTF, a declaração feita possui caráter de confissão de dívida e se torna instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme se extrai do art. 5º, §1º, do Decretolei nº 2.124/84, abaixo transcrito: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que.formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Por todo o exposto, e considerando as disposições contidas nos artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 1966, e no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade sob análise. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/12/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. IRPJ ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 20/05/2013, conforme Aviso de Fl. 228DF CARF MF Processo nº 16327.901293/200867 Resolução nº 1001000.071 S1C0T1 Fl. 229 6 Recebimento à efl. 175, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 19/06/2013 (efls. 177/187), conforme carimbo aposto na fl. 177. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, ou seja, em suma, que a existência do crédito está provada pela DIPJ/2004; que não pode ser considerada apenas as informações da DCTF; e que a "busca da verdade material deve nortear todo e qualquer julgamento" prevalecendo sobre o erro formal, no preenchimento da DCTF, que, inclusive, foi devidamente retificada em 05/08/2008. Cita julgados do CARF para reforçar a sua tese. Afirma que, no recurso voluntário, "trouxe aos autos os registros contábeis relativos ao Crédito compensado em seu Livro Razão (Doc. 06)", contestando a alegação da DRJ. Traz, ainda, "aos autos cópia do balancete referente àquele período (Doc 5)". Por fim, alega que o "débito compensado reputase plenamente inexigível, por tratarse de estimativa mensal", conforme a Súmula CARF nº 82: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ e CSLL para exigir estimativas não recolhidas" Em primeiro lugar, mister registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. No entanto, compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16327.901293/200867 Resolução nº 1001000.071 S1C0T1 Fl. 230 7 Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, e considerando a afirmação do relator do acórdão recorrido de que "os documentos apresentados são insuficientes para produzir a prova quanto ao correto valor do IRPJ devido ...", a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do erro suscitado, de pagamento à maior de estimativa relativa a novembro de 2003 em relação ao valor devido naquele mês. a) Intimar a Recorrente a juntar a escrituração contábil e fiscal completa e suficiente para a resolução do litígio mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dos fatos alegado, ou seja, de que o recolhimento por DARF de estimativa de IRPJ de novembro de 2003 (declarado em DCTF retificadora, apresentada em 13/02/2004) não correspondia ao valor declarado para o mês citado. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, considerandose as observações apontadas acima, atestando ainda se o pagamento efetuado encontrase disponível para a compensação requerida. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Após os autos devem ser devolvidos a este CARF em conjunto com os processo conexos, se for o caso, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 230DF CARF MF
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