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Numero do processo: 19515.001155/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA.
A compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, enseja a aplicação de multa isolada, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003 e legislação superveniente.
Numero da decisão: 1401-001.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira Da Silva
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. A compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, enseja a aplicação de multa isolada, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003 e legislação superveniente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira Da Silva
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. A compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, enseja a aplicação de multa isolada, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003 e legislação superveniente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausentes justificadamente os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira Da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 55 /2 00 7- 76 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Relatório Trata o presente feito de auto de infração para cobrança de multa isolada, tendo por fundamento a apresentação, pelo contribuinte, de declarações de compensação objetivando o aproveitamento de créditos tributários decorrentes de processos judiciais não transitados em julgado. A decisão da DRJ, antes de apreciar a lide, delimitoua para excluir qualquer discussão acerca da legalidade, ou não, da compensação postulada, uma vez que referida matéria seria atinente ao processo denegatório da compensação, formalizado nos autos do processo nº10880.720834/200624. No quer toca especificamente à multa isolada, a DRJ entendeu por manter o lançamento, tendo a decisão sido ementada com a seguinte lavra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 LIMITES DO LITÍGIO. O litígio instaurado devese ater às questões atinentes à autuação formalizada neste processo. As demandas da impugnante no tocante à cobrança dos débitos compensados indevidamente não devem ser objeto de apreciação por esta instância julgadora. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. A compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, enseja a aplicação de multa isolada, nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003 e legislação superveniente. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. Inconformada, a Recorrente apresentou sua irresignação a este Conselho, repisando as razões exordiais. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001155/200776 Acórdão n.º 1401001.068 S1C4T1 Fl. 3 3 É o relatório. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Estando presentes os requisitos de lei, conheço do recurso voluntário. A Recorrente transmitiu oito DCOPS, objetivando o aproveitamento de créditos em litígio, que tiveram seu seguimento negado pela DERAT, consolidados no processo nº 10880.720834/200624, a saber: Analisando o andamento de referido processo no COMPROT, não identifiquei qualquer trâmite compatível com a interposição de manifestação de inconformidade ou recurso administrativo, pelo que as questões atinentes ao mérito das compensações transmitidas, como saber se as mesmas poderiam ou deveriam ser aceitas, tornaramse preclusas no âmbito daquele processo e não podem ser retomadas como defesa no âmbito do presente feito. Em verdade, este auto de infração é decorrente do direito aplicado naquele processo, razão pela qual consolidada a não admissão e não declaração das DCOMP’s no processo nº 10880.720834/200624, referida condição não pode ser objeto de enfrentamento neste feito. Lado outro, ressalto que a Recorrente se debate no fato de supostamente existir decisão judicial expressamente autorizando a compensação dos créditos em litígio, relativos a diferença de correção monetária IPC/BTNF das demonstrações financeiras na forma determinada pela lei nº 8.200/91. Todavia, apesar de seus esforços, e do pretenso reconhecimento do direito em sede de agravo de instrumento, posteriormente cassado pela superveniência da decisão denegatória de mérito do mandamus, não foi expressamente pedido, nem concedido, direito de compensação de crédito algum, tornando inócua a argumentação apresentada.. Isso é relevante pois se, de fato, tivesse o Juízo expressamente autorizado a compensação dos créditos antes do trânsito em julgado da decisão, a multa proferida no presente processo não seria procedente. Mas não é esse o caso. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.001155/200776 Acórdão n.º 1401001.068 S1C4T1 Fl. 4 5 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003531/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Mostra-se contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. O registro contábil de pagamento de compras da filial não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ, a cobrança pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
ARRENDAMENTO MERCANTIL. VEÍCULOS.
As despesas de leasing de veículos não intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização da pessoa jurídica não são dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL.
COMPRAS DE FILIAL. CUSTO.
O registro contábil de aquisição de mercadorias de filial da pessoa jurídica corresponde a um custo fictício que deve ser acrescido à base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1402-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência do IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Mostra-se contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. O registro contábil de pagamento de compras da filial não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ, a cobrança pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VEÍCULOS. As despesas de leasing de veículos não intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização da pessoa jurídica não são dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL. COMPRAS DE FILIAL. CUSTO. O registro contábil de aquisição de mercadorias de filial da pessoa jurídica corresponde a um custo fictício que deve ser acrescido à base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência do IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A escrituração contábil não faz prova em favor da pessoa jurídica a que pertence quando não estiver lastreada por documentos hábeis e idôneos para provar as operações registradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A comprovação da origem dos depósitos bancários deve ser efetuada individualmente. A existência de saldo contábil na conta Caixa e a contabilização de receitas em montante superior aos valores depositados, por si sós, não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VEÍCULOS. As despesas de leasing de veículos não intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização da pessoa jurídica não são dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL. COMPRAS DE FILIAL. CUSTO. O registro contábil de aquisição de mercadorias de filial da pessoa jurídica corresponde a um custo fictício que deve ser acrescido à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Mostrase contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. O registro contábil de pagamento de compras da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 35 31 /2 01 0- 04 Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.694 2 filial não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ, a cobrança pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência do IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.695 3 Relatório Frigorífico Zimmer Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra o contribuinte foram lavrados os autos de infração (i) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ de folhas 651/662; (ii) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL de folhas 684/692; (iii) da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS de folhas 676/683; (iv) da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de folhas 668/675; e de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de folhas 663/667, em razão de infrações à legislação tributária praticadas nos anoscalendário de 2006 e 2007, quando tributou seus resultados com base no Lucro Real Trimestral. O total do crédito tributário lançado atingiu o montante de R$ 1.035.749,42. Segundo o Relatório do Procedimento Fiscal de folhas 651/662, o contribuinte: (i) efetuou, no período de 06 à 12/2007, a contabilização de operação de leasing de uma camioneta Mitsubishi, capacidade 5 passageiros, 5 portas, cujos custos foram glosados por não estar tal veículo relacionado intrinsecamente com a produção e comercialização dos seus bens e serviços, conforme § 5°, art. 356, do RIR/99; (ii) efetuou a contabilização de compras de sua filial, correspondentes à 3 NFs, no total de R$ 142.311,79, para os quais não apresentou esclarecimentos e tampouco identificou os destinatários dos pagamentos, tendo sido glosados os custos e exigido o IRRF correspondentes à pagamentos a beneficiário não identificado; e (iii) não comprovou a origem dos depósitos bancários enumerados nas folhas 644/649. Foi aplicada a multa de ofício de 75%, prevista no inc. I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 704/716, alegando que a fiscalização cometeu alguns erros nos lançamentos, quais sejam: (i) no mês de novembro de 2007, conforme a página 13 do Relatório, o total de créditos bancários não comprovados foi de R$ 85.480,17, entretanto, para calcular o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, foi utilizado o valor de R$ 127.557,46, que corresponde ao mesmo valor do mês de outubro; (ii) na página 8 do Relatório, dia 05/04/2006, foi lançado em duplicidade o valor de R$ 1.004,20. No extrato bancário existe apenas um crédito nesse valor (fls. 160); (iii) na página 9 do Relatório, dia 25/04/2006, foram relacionados dois depósitos no dia 25/04/2006, nos valores de R$ 742,36 e R$ 7.694,65, que não constam na intimação para comprovação dos créditos bancários (fls. 308/322), por isso devem ser excluídos da autuação; (iv) nas páginas 8 a 13 do Relatório foram relacionados todos os depósitos em cheques que constam nos extratos bancários, considerando a totalidade como omissão de receitas, entretanto, não foram deduzidos os valores dos cheques devolvidos, que são depositados novamente e que também são devolvidos. Alega que é impossível relacionar cada cheque devolvido com o seu depósito, pois os depósitos sempre se referem a vários cheques e aqueles devolvidos são depositados novamente com outros cheques do Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.696 4 dia, mas aqueles devolvidos que constam nos extratos bancários nos mesmos períodos em que foram considerados créditos sem origem, devem ser excluídos da autuação. Alega, também, que, sem provas contundentes, não é cabível a glosa das despesas de arrendamento mercantil por presunção de que a utilização do veículo não está relacionado à produção ou comercialização dos bens e serviços ou que não seja necessária para as atividade da empresa. Alega, em relação aos lançamentos das notas fiscais emitidas pela filial da empresa, que a contabilidade da matriz e filial é unificada e, por isso, o valor que representa uma compra na matriz (custo) representou ao mesmo tempo faturamento na filial (receita), anulandose os efeitos tributários da operação. Por isso, não caberia a glosa dos custos na matriz. Alega, também, que não apresentou os comprovantes de pagamentos porque não houve pagamento. Em relação ao IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado, alega não ser cabível o lançamento do crédito tributário, pois o lançamento contábil identifica claramente o emitente das notas fiscais e não há pagamento de fato, mas apenas compensação de contas. Em relação aos créditos bancários não comprovados, alegar ser impossível comprovar individualmente cada depósito, vinculando o mesmo com alguma nota fiscal, pois os mesmos são efetuados com vários cheques recebidos no dia e outros recebidos em dias anteriores, enquanto alguns cheques recebidos no dia são depositados nos dias seguintes juntamente com cheques devolvidos que são reapresentados ao banco. Alega que efetua a maior parte de suas vendas à vista e emite uma grande quantidade de notas fiscais por dia, recebendo para pagamento de cada nota valores em cheques, algumas em dinheiro e outras com cheques e dinheiro, sendo que todos os valores são contabilizados na conta Caixa, até que são remetidos para depósito em banco. Alega, ainda, que a Lei n° 9.430, de 1996, não exige a comprovação individualizada dos créditos, o que é reconhecido pela jurisprudência administrativa, que admiti a comprovação através da regular contabilização dos depósitos. Anexa cópia do Livro Razão das contas dos Bancos do Brasil, Itaú e Banrisul onde poderá ser verificado que todos os depósitos bancários estão devidamente contabilizados. Anexa também cópia do Livro Razão da conta de vendas para comprovar a contabilização da origem das receitas que originaram os créditos bancários. Anexa, a título de amostragem, cópia do Livro Razão da conta Caixa, relativa ao mês de julho/2006, pois os arquivos magnéticos estão em poder da fiscalização e podem ser consultados, onde pode ser verificado que todos os depósitos bancários estão lançados à crédito na referida conta e são oriundos das vendas da empresa. Anexa cópia das DACON, extraída dos autos, onde pode ser verificado o faturamento mensal da empresa e que dá suporte aos depósitos (o contribuinte faz um paralelo entre os depósitos não comprovados e o seu faturamento). Por fim, requer que seja julgada procedente a sua impugnação para cancelar o crédito tributário lançado.” Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.697 5 A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 036.283 (fls. 1.5961.604) de 22/12/2011, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Cancelase a parcela do crédito tributário decorrente de erro na apuração da base de cálculo dos tributos. PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A escrituração contábil faz prova contra a pessoa jurídica a que pertence quando não estiver lastreada por documentos hábeis e idôneos para provar as operações registradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A comprovação da origem dos depósitos bancários deve ser efetuada individualmente. A existência de saldo contábil na conta Caixa e a contabilização de receitas em montante superior aos valores depositados, por si sós, não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. A lei não afasta a presunção de omissão de receitas em relação aos cheques devolvidos, que são passíveis de cobrança por todas as formas admitidas em direito. O que se admite é a exclusão do cheque que tenha sido depositado novamente. Nesse caso, cabe ao sujeito passivo fazer a prova de que o cheque devolvido foi novamente depositado e que seu valor passou a integrar novamente o montante não comprovado. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VEÍCULOS. As despesas de leasing de veículos não intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização da pessoa jurídica não são dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL. COMPRAS DE FILIAL. CUSTO. O registro contábil de aquisição de mercadorias de filial da pessoa jurídica corresponde a um custo fictício que deve ser acrescido à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 COMPRA DE FILIAL. PAGAMENTO. A contabilização de pagamento de compras da filial proporciona a saída de numerário da conta Caixa sem que se identifique o beneficiário do pagamento, o que justifica a incidência do IRRF sobre o valor correspondente. CSLL. PIS. COFINS. A solução acima se aplica aos lançamentos decorrentes.” Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.698 6 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 24/02/2012 (A.R. de fls. 1.609/1.610) a interessada interpôs recurso voluntário em 16/03/2012 (fls. 1.6111.669) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.699 7 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Com exceção do lançamento quanto ao IRRF, entendo que a decisão recorrida bem analisou a matéria, pelo que adoto seus fundamentos como razão de decidir no presente voto, na forma a seguir transcrita. ERROS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO AO EFETUAR O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO [...] Por sua vez, não procede a alegação de que os valores de R$ 742,36 e R$ 7.694,65 não constaram da intimação de folhas 308/322, pois, conforme se observa, os referidos valores estão relacionados à página 7 da referida Intimação (fls. 314). Em relação aos cheques devolvidos, as alegações do contribuinte serão analisadas juntamente com as demais alegações relativas aos depósitos bancários de origem não comprovada. ARRENDAMENTO MERCANTIL De acordo com a nota fiscal de fls. 57, o veiculo objeto do leasing é um utilitário esportivo de luxo, Mitsubishi, Airtrek, cinco portas, capacidade 5 passageiros, que obviamente não é utilizado nas operações relacionadas ao abate de animais e à comercialização de seus derivados, atividades exercidas pela pessoa jurídica. A Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF n° 011, de 21 de fevereiro de 1996 (parág. único, art. 25), que dispôs sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do anocalendário de 1996, nominou os bens intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização, conforme abaixo: Bens Não Relacionados com a Produção ou Comercialização Art. 25. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução: I das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; II de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.700 8 outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Parágrafo único. Consideramse intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização: [...] d) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda, de matériaprima, produtos intermediários e de embalagem aplicados na produção; e) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados pelos cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda; f) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados nas entregas de mercadorias e produtos vendidos; g) os veículos de transporte coletivo de empregados; [...] j) os bens móveis e imóveis objeto de arrendamento mercantil nos termos da Lei n° 6.099, de 1974, pela pessoa jurídica arrendadora; l) os veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel, pela pessoa jurídica que tenha por objeto essa espécie de atividade. A norma acima transcrita não relaciona os veículos com as características do veículo objeto do leasing como aqueles intrinsecamente relacionados à produção e comercialização da pessoa jurídica. Nesse caso, caberia à pessoa jurídica apresentar provas de que o veículo é utilizado na forma exigida pela norma legal, posto que os livros e fichas dos empresários e sociedades somente provam a favor das pessoas a que pertencem se estiverem escriturados sem vícios extrínsecos ou intrínsecos e foram confirmados por outros subsídios. Acrescentese que a Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações federais, no art. 116, inc. III, impôs ao servidor o dever de observar as normas legais e regulamentares. Desse modo, havendo norma específica que não inclui o veículo objeto do leasing entre aqueles intrinsecamente relacionados à produção e comercialização da pessoa jurídica e não tendo o contribuinte apresentado outros elementos que comprovassem o contrário, deve ser mantida a glosa dos custos correspondentes. COMPRAS DA FILIAL E PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.701 9 A escrituração da pessoa jurídica deve observar as leis comerciais e fiscais e abranger todas as suas operações, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos auferidos no exterior (art. 251 do RIR/99), e deverá estar respaldada em documentais hábeis e idôneos e sem vícios extrínsecos ou intrínsecos. A escrituração assim mantida pela pessoa jurídica faz prova a seu favor dos fatos nela registrados, ao contrário faz prova contra a pessoa a que pertence, conforme dispõe o art. 226 do Código Civil. De acordo com esse dispositivo, para ser utilizada a escrituração com força probante em favor do seu titular, ela deve cumprir todas as formalidades legais e estar lastreadas em documentos hábeis e idôneo para provar a operação, os quais devem permanecer arquivados e guardados até que ocorra a prescrição e decadência de todos os atos ali inseridos, nos termos do art. 1.194 do Código Civil. A escrituração contábil do contribuinte registra em conta de resultado a compra de mercadorias de sua filial, custos (fls. 342/346), tendo como contrapartida a conta fornecedores (fls. 347). Posteriormente, registra o pagamento, creditando a conta Caixa e debitando, em contrapartida, a conta de fornecedores (fls. 347 e 874). Como se percebe facilmente, com esses registros o contribuinte produziu um custo fictício, pois não existe a possibilidade de se efetuar uma venda para si próprio. Por outro lado, ao contabilizar o pagamento correspondente, proporcionou a saída de numerário da conta Caixa, sem que se tenha identificado o respectivo beneficiário ou a causa do pagamento. Desse modo, não procede a alegação do impugnante de que não houve os pagamentos. A contabilidade aponta o contrário. Por sua vez, não procede a alegação de que, sendo a contabilidade da filial e da matriz unificada, como também a apuração dos impostos federais também unificados, o valor que representa uma compra na matriz, (custo) representou no mesmo momento faturamento na filial (receita), anulandose os efeitos tributários da operação, porque o impugnante não apresentou nenhuma prova de que os lançamentos foram efetuados dessa forma para o estabelecimento filial. Ressaltese, analisandose as cópias do Livro Razão, conta Venda de Produtos (fls. 902/1594), que o contribuinte apresentou junto à sua impugnação, não se localiza os lançamentos contábeis que registrariam a venda e o recebimento do numerário pela filial, o que seria a prova capaz de afastar a acusação fiscal. Desta forma, deve ser mantida a glosa dos custos. [...] DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O lançamento baseado na movimentação bancária, cuja natureza e origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, tem seu autorizativo do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.702 10 Tratase de presunção legal de omissão de receitas. Quando os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira não tiverem sua origem comprovada com documentação hábil e idônea, o referido dispositivo considera que esses recursos provêm de uma receita não oferecida à tributação. Essa presunção legal, classificada pela doutrina como presunção relativa, tem a força de provocar a chamada "inversão do ônus da prova". Isto é: transfere ao contribuinte o ônus de provar que os valores depositados não correspondem a receitas não oferecidas à tributação. Nesse sentido, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in "Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas", JUSTEC RJ 1979 pág. 806: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Não basta a existência de saldo contábil na Conta Caixa para justificar o depósito bancário. Tanto os valores escriturados a débito da Conta Caixa, como os depósitos bancários devem estar vinculados à uma receita oferecida à tributação, ou de outra fonte devidamente comprovada, e não se justificam entre si, a menos que haja o respectivo lançamento à crédito da referida conta e a débito da conta bancos, acompanhado do respectivo comprovante de depósito. A letra da Lei é clara. Todo o depósito que não tiver sua origem comprovada provém de uma omissão de receita. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Não basta o contribuinte demonstrar que dispunha de receitas contabilizadas em montante suficiente para justificar os depósitos bancários transitados em suas contas. Tem que comprovar que o valor do depósito corresponde à uma receita escriturada e oferecida à tributação. Se não fosse assim, bastaria a contabilização das receitas até o valor dos depósitos bancários para que fosse considerada a origem destes depósitos comprovada. Assim, a simples apresentação do Razão da conta Vendas não é suficiente para a comprovação da origem dos depósitos bancários. Também, não prova a origem dos depósitos bancários o Razão da Conta Caixa, quando não há o registro à crédito nessa conta do valor correspondente ao depósito bancários passível de comprovação da origem (fls. 874/921). A lei não afasta a presunção de omissão de receitas em relação aos cheques devolvidos, pois se há um pagamento, há uma receita omitida e, nesse caso, o título continua oponível ao seu emitente, sendo passível de cobrança por todas as formas admitidas no direito. O que se deve admitir, sob pena de se exigir o tributo duas vezes sobre o mesmo fato, é a exclusão do cheque devolvido que foi objeto de novo depósito. Entretanto, no caso dos autos, não há a identificação dentre os depósitos não comprovados de cheques que tenham sido devolvidos. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.703 11 Ressaltese, na presunção legal o ônus da prova recai sobre o contribuinte. Ao Fisco basta a demonstração da ocorrência do fato presumido. O contribuinte alega ser impossível comprovar individualmente cada depósito, em razão do volume de notas fiscais e do volumes de cheques, que são depositados sem levar em conta o dia em que foram recebidos. Tal alegação não procede, pois a contabilidade proporciona esse tipo de prova, como por exemplo, no caso de depósito bancário efetuado pela própria pessoa jurídica a contabilidade deve registrar à crédito da conta Caixa e a débito da conta Bancos o valor depositado, é simples. Desse modo, deve ser mantido o lançamento relativo aos depósitos bancários. [...]” DO LANÇAMENTO DE IRRF Quanto ao lançamento do IRRF, entendo ser contraditória a tributação, como pagamento sem causa, quando não comprovado o efetivo pagamento. Nessa esteira, a Solução de consulta interna COSIT nº 11, de 08 de maio de 2013. A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. Também nessa direção é a jurisprudência deste CARF. Acórdão: 10322287 IRPJ GLOSA DE CUSTOS. É legítima a glosa de custos suportados por documentação inidônea. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Mostrase contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes. Dessa forma, deve ser cancelado o lançamento relativo ao IRRF. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado para cancelar a exigência do IRRF. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.003531/201004 Acórdão n.º 1402001.714 S1C4T2 Fl. 1.704 12 Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10245.720001/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO RECURSAL. FORMULAÇÃO ADEQUADA DOS MOTIVOS QUE AMPARAM O INCONFORMISMO DO RECORRENTE. ADMISSIBILIDADE.
A despeito de o contribuinte não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e os fundamentos de direito que amparam o seu inconformismo com o lançamento e com a decisão proferida pelo acórdão de primeira instância, há que se conhecer do recurso voluntário interposto quando constatado que do teor da peça recursal especificações adequadas e capazes de delimitar o mérito da questão litigiosa.
PROVAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AVALIAÇÃO PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. INSUFICIÊNCIA PARA SUPORTAR AS RAZÕES DE IRRESIGNAÇÃO.
Não prospera irresignação embasada em suposta falta de apreciação das provas apresentadas pelo contribuinte, quando se verifica dos termos da decisão recorrida a sua devida e fundamentada análise, não havendo confundir ausência de apreciação com o entendimento pela insuficiência ou inaptidão dessas provas para suportar as razões de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido, em preliminar, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que não conhecia o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o Conselheiro Jaci de Assis Júnior.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
(Assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior, Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinicius Magni Verçosa e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO RECURSAL. FORMULAÇÃO ADEQUADA DOS MOTIVOS QUE AMPARAM O INCONFORMISMO DO RECORRENTE. ADMISSIBILIDADE. A despeito de o contribuinte não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e os fundamentos de direito que amparam o seu inconformismo com o lançamento e com a decisão proferida pelo acórdão de primeira instância, há que se conhecer do recurso voluntário interposto quando constatado que do teor da peça recursal especificações adequadas e capazes de delimitar o mérito da questão litigiosa. PROVAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AVALIAÇÃO PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. INSUFICIÊNCIA PARA SUPORTAR AS RAZÕES DE IRRESIGNAÇÃO. Não prospera irresignação embasada em suposta falta de apreciação das provas apresentadas pelo contribuinte, quando se verifica dos termos da decisão recorrida a sua devida e fundamentada análise, não havendo confundir ausência de apreciação com o entendimento pela insuficiência ou inaptidão dessas provas para suportar as razões de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido, em preliminar, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que não conhecia o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 00 01 /2 00 8- 11 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior, Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinicius Magni Verçosa e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do ano calendário 2003, exigindo crédito tributário no montante total de R$ 221.296,91 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Santa Luz", com área declarada de 2.000,00 ha e cadastrado na Receita Federal do Brasil (RFB) sob o nº 2.824.7477, localizado no Município de Boa Vista/RR. O lançamento glosou, por falta de comprovação, a área declarada na DITR (Declaração do Imposto Territorial Rural) do exercício 2004 como sendo de reserva legal de 1.600,0 ha, e alterou o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 14.000,00 para o arbitrado de R$ 1.146.160,00, com base no Sistema de Preços de Terra (SIPT). Não obstante os termos da impugnação do contribuinte (fls. 31/73), a exigência foi mantida pela instância recorrida, conforme entendimento consubstanciado em acórdão assim ementado: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles. Assim, cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como tal na correspondente DITR/2004. DO PROCEDIMENTO FISCAL ÔNUS DA PROVA. O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720001/200811 Acórdão n.º 2802003.217 S2TE02 Fl. 107 3 comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, inclusive VTN, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS AMBIENTAIS. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel ou, no caso de posse, a existência de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado em data anterior à do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, em consonância com VTN/ha médio apontado no Sistema de Preço de Terras (SIPT), por falta de documentação hábil comprovando o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. O notificado interpôs recurso voluntário em 20/7/2012. Alega não concordar com os valores do lançamento, e, após breve narrativa dos fatos até então transcorridos, apresenta sua fundamentação e pedido recursais nos seguintes termos: O contribuinte está em débito com o Fisco, devendo o dobro do valor venal da propriedade, pelo lançamento do Imposto Territorial Rural de um único ano. Observamos que, informalmente, fomos cientificados ser Signatário o único cidadão a sofrer autuações de ITR naquele ano em Roraima. Caso essa Corte superior não atender a suplica do recorrente, este provará verdade em Execução Fiscal, onde os direitos de posse serão vendidos em praça pública. Uma vez, não ter capacidade contributiva para saldar o lançamento oficial. O que causará prejuízo para a Administração Pública e em especial ao Recorrente, que está suportando todo ônus de uma lide a que não deu motivo. DO PEDIDO. Diante do exposto, demonstrada a insubsistência da autuação e da injustiça da sua manutenção, REQUER: Seja o presente recurso recebido, e processado; analisados os argumentos e provas do órgão Fiscal e do Recorrente, existentes no processo. Com base nos princípios da justiça e da equidade. Seja cancelada a notificação de lançamento nº 0261/00001/2008. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém não deve ser admitido. Em que pese a regra geral aplicável ao processo administrativo fiscal ser a do informalismo moderado, a irresignação do contribuinte quanto ao lançamento deve atender a requisitos formais mínimos indicados nos arts. 15 e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dentre os quais se destaca o disposto no inciso III do seu art. 16: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; É ônus do contribuinte, por conseguinte, apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação do decisão atacada; tratase de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede a formulação de negação ou impugnação de caráter genérico. Insuficiente, nesse passo, verter clamores por justiça e equidade sem especificar os aspectos do acórdão recorrido e/ou do lançamento contra os quais se insurge, prejudicando a própria delimitação do litígio e a possibilidade de adequada motivação, por parte da autoridade julgadora, quando do exame da controvérsia. A propósito, vale fazer referência ao enunciado da Súmula 182 do Superior Tribunal de Justiça: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Sem embargo, restando vencido por maioria nessa questão preliminar, conforme Voto Vencedor mais abaixo constante, de lavra do D. Conselheiro Jaci de Assis Júnior, impõese o enfrentamento do mérito. De acordo com o entendimento prevalecente neste Colegiado, o contribuinte verteu em seu recurso voluntário inconformismo relativo, especificamente, à suposta não apreciação das provas por ele apresentadas. Sem razão o contribuinte. No que tange à alegação de ilegitimidade passiva, a decisão a quo bem apreciou os documentos constantes nos autos, conforme exceto que abaixo transcrevo: Assim, considerandose que o requerente, na condição de legítimo possuidor da gleba de terras, de 2.000,0 ha, adquirida do Sr. Álvaro Celeste Barbosa Cardoso, por meio do Contrato Particular de Compra e Venda, doc./cópia de fls. 42, Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720001/200811 Acórdão n.º 2802003.217 S2TE02 Fl. 108 5 encontravase na condição de Contribuinte do imposto, conforme legislação citada anteriormente. Observase, ainda, que mesmo diante dos fatos alegado pelo requerente, o mesmo, ao invés de providenciar o cancelamento do imóvel no CAFIR, continuou a entregar, até o ano anterior ao da ação fiscal, as declarações anuais do ITR, assumindo a condição de Contribuinte do imposto, em relação ao imóvel objeto do presente lançamento. De acordo com a Certidão de fls. 4151, da Superintendência Regional de Roraima – SR25, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, somente em 07/04/2008, portanto, após a data do fato gerador do imposto (1º/01/2004, art. 1º da Lei 9.393/94), foi providenciado o cancelamento do cadastro do imóvel junto a esse Instituto. Assim, no teor da legislação citada, mesmo que invadido e ocupado por novos posseiros, com apoio da APHOCHAVE, sobre o imóvel incide o ITR, que continua sendo devido pelo detentor dos direitos de posse sobre a as terras da Fazenda Santa Luz, até o cancelamento do seu cadastro junto ao INCRA. Ademais, o Impugnante apresenta o laudo de fls. 59/69, feito por um biólogo e um agrônomo, datado de março de 2009, além da opinião sobre avaliação de imóvel rural de fls. 71/73, onde consta como proprietário o Sr. José Pereira Orihuela, portanto, não restam duvidas de que à época do fato gerador do ITR (01/01/2004) o Impugnante se enquadrava como Contribuinte do imposto na condição de titular de direitos possessórios sobre o imóvel rural “Fazenda Santa Luz”. Desta forma, por não ter o interessado providenciado em tempo hábil o cancelamento do cadastro do imóvel junto ao INCRA e à Receita Federal (CAFIR), tendo apresentado em seu nome as declarações anuais do ITR, inclusive, relativa ao ano de 2004, assumindo a condição de Contribuinte do imposto, deve, consequentemente, o mesmo ser mantido no pólo passivo da obrigação tributária. No tocante às áreas de utilização limitada/reserva legal, ainda que se trate de área de posse para a qual não é cabível a necessidade de averbação dessas áreas às margens da matrícula do imóvel, a primeira instância assinalou claramente não ter o recorrente comprovado nos autos a existência de Termo de Ajustamento de Conduta junto à órgão ambiental (fls. 89). Já no que se refere às áreas de preservação permanente, também foi sublinhado (fls. 90/91) que, a despeito do laudo apresentado pelo contribuinte (fls. 59/69), não foi protocolizado o Ato Declaratório Ambiental ADA, exigência de rigor nos termos preconizados pelo art. 17O da Lei nº 6.938/1981. E, quanto ao VTN, foi asseverado (fls. 92/94) que não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação em concordância com o estabelecido na NBR 14.653, mas sim parecer de corretor de imóveis (fls. 71/73). Diante disso, foi arbitrado pela autoridade fiscal esse valor com base no SIPT/RFB, conforme previsto no art. 14 da Lei nº 9.393/96. Nesse contexto, revelase que as provas trazidas pelo notificado foram devidamente avaliadas pela instância recorrida, e por esta consideradas insuficientes para Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 suportar suas pretensões entendimento do qual se compartilha no presente julgado o que não se confunde com a aventada falta de apreciação daqueles elementos. Por fim, vale referir que o lançamento foi formalizado por pessoa competente, AuditorFiscal no exercício de suas funções, e a descrição dos fatos e enquadramento legal a que se refere o crédito tributário guerreado está devidamente consignada na Notificação de Lançamento, permitindo ao autuado ampla e regular defesa quando da interposição da impugnação e do recurso voluntário. Dessarte, afirmações genéricas no sentido de que o contribuinte está devendo o dobro do valor venal da propriedade, de que foi ele o único cidadão em Roraima a sofrer autuações naquele ano, e alegações congêneres, não têm o condão de fundamentar qualquer reforma na decisão objurgada, ainda mais quando formuladas sem quaisquer provas que as amparem. Portanto, no mérito, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Voto Vencedor Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator designado. Em que pese o bem elaborado voto proferido pelo nobre Conselheiro relator ao examinar, em preliminar, os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário à vista das normas que regem o processo administrativo fiscal, ouso discordar do entendimento que concluiu pelo não conhecimento do recurso voluntário. Da leitura da peça recursal constatase que o contribuinte, a despeito de não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e tampouco apontado os fundamentos de direito que motivariam sua discordância, alegou que a decisão proferida em primeira instância considerou “insubsistentes todas as provas reais juntadas durante o processo”, “fazendo prevalecer lançamentos aleatórios e irreais, baseados em estimativa”. Podese depreender dessa alegação que o principal argumento que denota o inconformismo do recorrente está relacionado ao fato de o acórdão recorrido ter rejeitado as provas que instruíram sua impugnação, as quais, no ponto de vista do recorrente, seriam “reais”. O teor dessa alegação também revela a inquietação do contribuinte quando contrapõe a “realidade” dessas provas com o fato de o acórdão atacado fazer prevalecer “lançamentos” que o recorrente qualificaos como “aleatórios e irreais”, alem de “baseados em estimativas”. Nesse aspecto, entendo ´que o litígio se encontra delimitado ao exame das provas juntadas aos autos em face das matérias que constituíram o objeto de lançamento. Quanto aos pontos do recurso voluntário destacados pelo nobre Conselheiro em seu relatório, entendo que as alegações relacionadas aos fatos de a) a exigência tributária equivaler ao dobro do valor venal da sua propriedade; b) haver observado ser o único Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720001/200811 Acórdão n.º 2802003.217 S2TE02 Fl. 109 7 contribuinte a sofrer autuação em seu Estado, e; c) não possuir capacidade contributiva, mais se amoldam aos aspectos atinentes à legalidade, ou não, do lançamento tributário questionado. Portanto, a despeito de o contribuinte não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e os fundamentos de direito que amparam o seu inconformismo com o lançamento e com a decisão proferida pelo acórdão de primeira instância, entendo que constam do teor da peça recursal especificações adequadas e capazes de delimitar o mérito da questão litigiosa. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000791/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Relatório
Trata-se de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 61.829,67, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento) e juros de mora.
O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 56.287,18, e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 28.236,66.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-Calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual.
RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Mantém-se a glosa de retenção na fonte, informada pelo contribuinte em declaração de rendimentos, quando a mesma não for confirmada mediante documentação idônea.
Cientificado da decisão de primeira instância em 15/04/2011 (fl. 75), o Interessado interpôs, em 13/05/2011, o recurso de fl. 97/102, acompanhado dos documentos de fls. 103/1011. Na peça recursal aduz que procurou saber, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, sobre a restituição do imposto de renda a que tinha direito, quando tomou conhecimento de que tinha sido intimado a prestar informações sobre sua declaração. Ficou surpreso porque a intimação foi endereçada para seu endereço antigo, por desleixo de seu contador, que não processou o endereço correto. Desta omissão, não intencional, foi lavrada a presente Notificação de Lançamento. Alega, ademais, em síntese, que:
- O valor informado na declaração como isento e o imposto de renda retido na fonte foram obtidos nos autos da Reclamação Trabalhista cujas folhas estão apensadas a este processo. A sentença determinou a apuração do IR pelo regime de competência, ou seja, mês a mês, e excluiu os juros moratórios da base de cálculo do tributo (fl. 415 deste processo digital).
- Como se vê nos cálculos do perito (fl. 840), o valor dos juros isentos de imposto de renda totalizou RS 65.293,30 (planilha da perícia à fl. 886), o que já bastaria para excluir tal gravame contido na notificação de lançamento.
- Além do valor dos juros, isentos por determinação judicial, também são isentas de tributação as seguintes verbas deferidas: aviso prévio indenizado, férias indenizadas, multa do § 8º do art. 477 da CLT, multa do art. 465 da CLT, os reflexos das horas extras com 65%, horas extras com 85%, horas domingos e feriados sobre aviso prévio e férias indenizadas, indenização pelo trabalho após 19 horas, o FGTS recebido e a multa convencional.
- Quanto ao imposto de renda na fonte, no valor RS 28.236,66, este foi devidamente descontado nos autos da reclamação trabalhista e recolhido à Receita Federal em 27/12/2005, como demonstra a guia de retirada e o DARF de fls. 902 e 903 deste processo digital.
- A não apresentação da DIRF se deu pelo motivo de que o imposto retido na fonte foi recolhido no bojo da reclamação trabalhista, bem como pelo fato de a Cooperativa se encontrar falida.
- Com base nos cálculos periciais, elaborou sua declaração de renda recompondo a base tributável para o regime de caixa, porquanto, naquele ano, não havia campo específico para declarar renda recebida acumuladamente, encontrando a base tributável após a dedução do valor pago a título de honorários advocatícios e dos valores isentos. Informou a isenção no importe de R$ 56.287,08, sem atentar para os juros isentados da base tributável.
- Admitindo-se, todavia, o entendimento do Fisco federal de que os honorários advocatícios pagos devem ser deduzidos de forma proporcional da base tributável e da parte isenta, vez que estes honorários são referentes ao total da ação trabalhista, a sua declaração do ano de 2006, ano-base 2005, deverá ser recomposta na forma exposta na peça recursal.
- Acaso à época fosse adotado o que preconiza a atual Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07/02/2011, criada para este tipo de rendimento, o valor a ser restituído chegaria perto de R$ 10.000,00, conforme revelado no recurso, sem discriminação das verbas isentas, tais como juros (isenção decretada em sentença), aviso prévio, FGTS, férias, indenização refeição e outras que não fazem parte da base tributável, como ora se demonstra no presente recurso voluntário.
- Assim, deve receber a restituição correta do imposto pago a maior, ante o que preconiza o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN.
- Em face das referências feitas nos documentos apensados (particularmente no oficio da Vara do Trabalho de Cornélio Procópio, de 11/05/2011, cópia no ANEXO A, retificando oficio anterior), de que o imposto de renda na fonte foi devidamente descontado de seu crédito e recolhido, e da existência de parcela isenta decretada por sentença judicial, em meio aos créditos recebidos acumuladamente no mesmo processo, é merecedor do provimento pretendido e do ressarcimento a que tem direito.
Ao final, requer seja acolhido o presente recurso para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado e recompor a sua declaração de ajuste anual de 2006, ano-base 2005, restituindo-lhe o que é de direito.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata-se de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 61.829,67, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 56.287,18, e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 28.236,66. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-Calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Mantém-se a glosa de retenção na fonte, informada pelo contribuinte em declaração de rendimentos, quando a mesma não for confirmada mediante documentação idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/04/2011 (fl. 75), o Interessado interpôs, em 13/05/2011, o recurso de fl. 97/102, acompanhado dos documentos de fls. 103/1011. Na peça recursal aduz que procurou saber, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, sobre a restituição do imposto de renda a que tinha direito, quando tomou conhecimento de que tinha sido intimado a prestar informações sobre sua declaração. Ficou surpreso porque a intimação foi endereçada para seu endereço antigo, por desleixo de seu contador, que não processou o endereço correto. Desta omissão, não intencional, foi lavrada a presente Notificação de Lançamento. Alega, ademais, em síntese, que: - O valor informado na declaração como isento e o imposto de renda retido na fonte foram obtidos nos autos da Reclamação Trabalhista cujas folhas estão apensadas a este processo. A sentença determinou a apuração do IR pelo regime de competência, ou seja, mês a mês, e excluiu os juros moratórios da base de cálculo do tributo (fl. 415 deste processo digital). - Como se vê nos cálculos do perito (fl. 840), o valor dos juros isentos de imposto de renda totalizou RS 65.293,30 (planilha da perícia à fl. 886), o que já bastaria para excluir tal gravame contido na notificação de lançamento. - Além do valor dos juros, isentos por determinação judicial, também são isentas de tributação as seguintes verbas deferidas: aviso prévio indenizado, férias indenizadas, multa do § 8º do art. 477 da CLT, multa do art. 465 da CLT, os reflexos das horas extras com 65%, horas extras com 85%, horas domingos e feriados sobre aviso prévio e férias indenizadas, indenização pelo trabalho após 19 horas, o FGTS recebido e a multa convencional. - Quanto ao imposto de renda na fonte, no valor RS 28.236,66, este foi devidamente descontado nos autos da reclamação trabalhista e recolhido à Receita Federal em 27/12/2005, como demonstra a guia de retirada e o DARF de fls. 902 e 903 deste processo digital. - A não apresentação da DIRF se deu pelo motivo de que o imposto retido na fonte foi recolhido no bojo da reclamação trabalhista, bem como pelo fato de a Cooperativa se encontrar falida. - Com base nos cálculos periciais, elaborou sua declaração de renda recompondo a base tributável para o regime de caixa, porquanto, naquele ano, não havia campo específico para declarar renda recebida acumuladamente, encontrando a base tributável após a dedução do valor pago a título de honorários advocatícios e dos valores isentos. Informou a isenção no importe de R$ 56.287,08, sem atentar para os juros isentados da base tributável. - Admitindo-se, todavia, o entendimento do Fisco federal de que os honorários advocatícios pagos devem ser deduzidos de forma proporcional da base tributável e da parte isenta, vez que estes honorários são referentes ao total da ação trabalhista, a sua declaração do ano de 2006, ano-base 2005, deverá ser recomposta na forma exposta na peça recursal. - Acaso à época fosse adotado o que preconiza a atual Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07/02/2011, criada para este tipo de rendimento, o valor a ser restituído chegaria perto de R$ 10.000,00, conforme revelado no recurso, sem discriminação das verbas isentas, tais como juros (isenção decretada em sentença), aviso prévio, FGTS, férias, indenização refeição e outras que não fazem parte da base tributável, como ora se demonstra no presente recurso voluntário. - Assim, deve receber a restituição correta do imposto pago a maior, ante o que preconiza o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN. - Em face das referências feitas nos documentos apensados (particularmente no oficio da Vara do Trabalho de Cornélio Procópio, de 11/05/2011, cópia no ANEXO A, retificando oficio anterior), de que o imposto de renda na fonte foi devidamente descontado de seu crédito e recolhido, e da existência de parcela isenta decretada por sentença judicial, em meio aos créditos recebidos acumuladamente no mesmo processo, é merecedor do provimento pretendido e do ressarcimento a que tem direito. Ao final, requer seja acolhido o presente recurso para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado e recompor a sua declaração de ajuste anual de 2006, ano-base 2005, restituindo-lhe o que é de direito.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 61.829,67, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 56.287,18, e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 28.236,66. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 09 .0 00 79 1/ 20 08 -5 1 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13909.000791/200851 Resolução nº 2801000.232 S2TE01 Fl. 1.017 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AnoCalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de retenção na fonte, informada pelo contribuinte em declaração de rendimentos, quando a mesma não for confirmada mediante documentação idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/04/2011 (fl. 75), o Interessado interpôs, em 13/05/2011, o recurso de fl. 97/102, acompanhado dos documentos de fls. 103/1011. Na peça recursal aduz que procurou saber, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, sobre a restituição do imposto de renda a que tinha direito, quando tomou conhecimento de que tinha sido intimado a prestar informações sobre sua declaração. Ficou surpreso porque a intimação foi endereçada para seu endereço antigo, por desleixo de seu contador, que não processou o endereço correto. Desta omissão, não intencional, foi lavrada a presente Notificação de Lançamento. Alega, ademais, em síntese, que: O valor informado na declaração como isento e o imposto de renda retido na fonte foram obtidos nos autos da Reclamação Trabalhista cujas folhas estão apensadas a este processo. A sentença determinou a apuração do IR pelo regime de competência, ou seja, mês a mês, e excluiu os juros moratórios da base de cálculo do tributo (fl. 415 deste processo digital). Como se vê nos cálculos do perito (fl. 840), o valor dos juros isentos de imposto de renda totalizou RS 65.293,30 (planilha da perícia à fl. 886), o que já bastaria para excluir tal gravame contido na notificação de lançamento. Além do valor dos juros, isentos por determinação judicial, também são isentas de tributação as seguintes verbas deferidas: aviso prévio indenizado, férias indenizadas, multa do § 8º do art. 477 da CLT, multa do art. 465 da CLT, os reflexos das horas extras com 65%, horas extras com 85%, horas domingos e feriados sobre aviso prévio e férias indenizadas, indenização pelo trabalho após 19 horas, o FGTS recebido e a multa convencional. Quanto ao imposto de renda na fonte, no valor RS 28.236,66, este foi devidamente descontado nos autos da reclamação trabalhista e recolhido à Receita Federal em 27/12/2005, como demonstra a guia de retirada e o DARF de fls. 902 e 903 deste processo digital. A não apresentação da DIRF se deu pelo motivo de que o imposto retido na fonte foi recolhido no bojo da reclamação trabalhista, bem como pelo fato de a Cooperativa se encontrar falida. Com base nos cálculos periciais, elaborou sua declaração de renda recompondo a base tributável para o regime de caixa, porquanto, naquele ano, não havia campo específico para declarar renda recebida acumuladamente, encontrando a base tributável após a dedução do valor pago a título de honorários advocatícios e dos valores isentos. Informou a isenção no importe de R$ 56.287,08, sem atentar para os juros isentados da base tributável. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13909.000791/200851 Resolução nº 2801000.232 S2TE01 Fl. 1.018 3 Admitindose, todavia, o entendimento do Fisco federal de que os honorários advocatícios pagos devem ser deduzidos de forma proporcional da base tributável e da parte isenta, vez que estes honorários são referentes ao total da ação trabalhista, a sua declaração do ano de 2006, anobase 2005, deverá ser recomposta na forma exposta na peça recursal. Acaso à época fosse adotado o que preconiza a atual Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07/02/2011, criada para este tipo de rendimento, o valor a ser restituído chegaria perto de R$ 10.000,00, conforme revelado no recurso, sem discriminação das verbas isentas, tais como juros (isenção decretada em sentença), aviso prévio, FGTS, férias, indenização refeição e outras que não fazem parte da base tributável, como ora se demonstra no presente recurso voluntário. Assim, deve receber a restituição correta do imposto pago a maior, ante o que preconiza o art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN. Em face das referências feitas nos documentos apensados (particularmente no oficio da Vara do Trabalho de Cornélio Procópio, de 11/05/2011, cópia no ANEXO A, retificando oficio anterior), de que o imposto de renda na fonte foi devidamente descontado de seu crédito e recolhido, e da existência de parcela isenta decretada por sentença judicial, em meio aos créditos recebidos acumuladamente no mesmo processo, é merecedor do provimento pretendido e do ressarcimento a que tem direito. Ao final, requer seja acolhido o presente recurso para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado e recompor a sua declaração de ajuste anual de 2006, anobase 2005, restituindolhe o que é de direito. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Versa a controvérsia sobre a tributação de valores recebidos, pelo Recorrente, em decorrência de reclamatória trabalhista, bem como sobre compensação de imposto de renda na fonte que a Autoridade lançadora entendeu ser indevida. O “Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Suplementar” (fl. 7 deste processo digital) revela que os rendimentos considerados omitidos foram tributados pelo regime de caixa, de forma acumulada. Ademais, o Recorrente informa que, não obstante a sentença ter determinado a apuração do IR pelo regime de competência, elaborou sua declaração de renda recompondo a base tributável para o regime de caixa, porquanto, naquele ano, não havia campo específico para declarar renda recebida acumuladamente. O Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a repercussão geral em relação à (in) constitucionalidade da regra constante do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, que estabelece que o IR incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos que versem sobre a mesma matéria, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada: Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13909.000791/200851 Resolução nº 2801000.232 S2TE01 Fl. 1.019 4 “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema aqui versado, entendo que o presente recurso não deve ser apreciado por este Conselho, até que ocorra o julgamento final do recurso extraordinário que decidirá sobre a forma de cálculo do IR sobre valores recebidos de forma acumulada (se por regime de caixa ou de competência), em face do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF e ainda que o Interessado não tenha se insurgido contra a forma de cálculo, haja vista o teor do parágrafo 2º do mencionado art. 62A, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Face ao exposto, voto por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13909.000791/200851 Resolução nº 2801000.232 S2TE01 Fl. 1.020 5 Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10820.003098/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 14/12/2003 a 20/12/2003
IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - SOCIEDADE COOPERATIVA - NOTAS FISCAIS - DUPLICATA
Conforme o art. 20, § 1º da Lei nº 5.474/68 é permitido às sociedades cooperativas a emissão de faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados.
IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - PROVA DA RETENÇÃO - CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO
Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barrando de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 14/12/2003 a 20/12/2003 IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - SOCIEDADE COOPERATIVA - NOTAS FISCAIS - DUPLICATA Conforme o art. 20, § 1º da Lei nº 5.474/68 é permitido às sociedades cooperativas a emissão de faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados. IRPF - COMPENSAÇÃO DE IRRF - PROVA DA RETENÇÃO - CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barrando de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior.
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IRPF COMPENSAÇÃO DE IRRF PROVA DA RETENÇÃO CONGRUÊNCIA DE VALORES CONSTATADA PELA FISCALIZAÇÃO Uma vez reconhecido pela própria Fiscalização que os valores apresentados pelo contribuinte, a título de retenção sofrida, foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas apresentadas, deve ser homologada a compensação requerida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 30 98 /2 00 8- 12 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barrando de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente) e Pedro Anan Junior. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003098/200812 Acórdão n.º 2202002.868 S2C2T2 Fl. 463 3 Relatório 1 Declaração de Compensação Em 14/01/04, a recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação (fls. 0310 do eprocesso), informando a compensação dos débitos referentes ao Código Receita 05881 IRRF – Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício nos valor de R$ 5.021,21 (referente à 3ª semana de dezembro de 2003). Na oportunidade foi informado que os valores abaixo listados corresponderiam ao crédito da contribuinte, referente à IRRF pago pelas Cooperativas: Mês CNPJ da Fonte Pagadora Valor Novembro 51.528.560/000154 25,51 Novembro 51.663.763/001044 10,76 Novembro 60.851.961/000131 25,30 Novembro 01.597.168/001322 494,95 Novembro 01.597.168/001322 1.423,07 Novembro 01.597.168/000601 134,10 Novembro 01.597.168/000601 398,38 Novembro 01.597.168/001080 48,04 Novembro 01.597.168/001080 93,40 Novembro 53.907.341/000705 16,07 Novembro 01.597.168/000784 98,55 Novembro 01.597.168/000784 98,48 Novembro 01.597.168/001160 15,13 Novembro 01.597.168/001160 68,90 Novembro 51.528.289/000157 11,52 Novembro 43.430.099/000174 41,04 Novembro 54.721.808/000197 112,42 Novembro 57.266.207/000120 61,45 Novembro 44.530.327/000140 12,56 Novembro 51.657.005/000122 13,14 Novembro 51.528.560/000154 46,10 Novembro 49.859.952/000154 26,34 Novembro 47.463.179/000187 149,31 Novembro 02.136.480/000148 17,44 Novembro 03.226.149/002478 100,67 Novembro 54.409.461/002438 164,70 Novembro 51.666.279/000188 55,74 Novembro 51.665.727/000129 229,68 Novembro 51.660.876/000103 85,79 Novembro 45.958.295/000141 11,09 Novembro 03.767.376/000114 44,34 Novembro 01.597.168/001080 52,96 Novembro 60.409.075/044524 13,86 Novembro 51.660.942/000137 73,28 Novembro 01.597.168/004267 11,30 Novembro 01.597.168/004267 30,23 Novembro 44.998.185/000221 11,37 Novembro 54.721.808/000197 116,87 Novembro 01.597.168/002213 12,17 Novembro 51.528.289/000157 12,18 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Novembro 51.528.289/000157 16,07 Novembro 51.528.289/000157 15,01 Novembro 01.597.168/003295 12,35 Novembro 51.660.876/000103 46,27 Novembro 47.597.083/000101 266,85 Novembro 01.498.887/000152 13,50 Novembro 44.530.855/000108 27,36 Novembro 15.986.700/000216 12,05 Novembro 47.597.083/000101 21,48 Novembro 01.597.168/000601 32,69 Novembro 01.597.168/000601 89,39 Total 5.021,21 Também foram apresentados aos autos Declarações de IRRF – Resumo do Beneficiário – Detalhamento Mensal dos seguintes contribuintes: Caixa Econômica Federal; 37 Batalha de Infantaria Motorizado; CEMIC Centro de Estudos do Menor e Int Comunidade; Bertin Ltda.; Unimed do Centro Paulista Fed. Reg. das Coop. Medica; AFUPEGE – Associação dos Func. da Penitenciária de Getulina; Sanofi Pasteur Ltda.; Medial Saúde S/A; Unimed Est. S.P. Conf. Esta. Coop. Medica; Lins Country Club; Nava e Cia Ltda.; Intermedica Sistema de Saúde S.A; Caixa de Assistencia dos Advogados de São Paulo; Café Canecão Ltda.; Assoc. Benef. e Recreativa dos Func das Empresas Bertin; Assoc dos Funcionários da Justiça da Comarca de Lins; Instituto Americano de Lins da Igreja Metodista; Lojas Tanger Ltda.; Fundação Paulista de Tecnologia e Educação; Comapi Agropecuária Ltda.; Instituto Educacional Piracicabano; Sind dos Func e Servidores Publicos Municipais de Lins; Cooperativa de Lacticinios de Promissão; Nestlé Brasil Ltda.; Assoc. a Assist. Mutua a Saude SBC; Fundação SABESP de Seguridade Social – SABESPREV; Unimed de Ituverava Coop. Trabalho Médico (fls. 1138 do eprocesso). Todas as declarações tinham como beneficiária a recorrente. 2 Parecer Saort A Delegacia da Receita Federal em Araçatuba – SP, em 12/06/08, através da Seção de Orientação e Análise Tributária, proferiu o Parecer (fls. 5051 do eprocesso), propondo a homologação parcial dos débitos constantes do PER/Dcomp nº 34751.88306.140104.1.3.058690, correspondentes ao IRRF incidente sobre rendimentos do trabalhado prestado por médicos cooperados, apurado no mês de novembro de 2003, regulamente confessados em DCTF, até o limite do crédito reconhecido, de R$ 3.446,37. Salientouse que foi retida, relativamente, ao mês de novembro de 2003, a importância de R$ 5.021,21, no período referido no PER/Dcomp. Entretanto, no caso, a compensação realizada monta R$ 3.446,37, demonstrando insuficiência de crédito de R$ 1.574,84, motivo pelo qual não poderiam ser integralmente homologadas. 3 Decisão Tendo em vista o Parecer Saort, a fiscalização, em 12/06/08, homologou (fls. 5253 do eprocesso) parcialmente a compensação requerida, decidindo: a) reconhecer o direito creditório da recorrente, no montante de R$ 3.446,37, referente ao IRRF por pessoas jurídicas em razão de serviços prestados por profissionais médicos associados à cooperativa de trabalho, no mês de novembro de 2003; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003098/200812 Acórdão n.º 2202002.868 S2C2T2 Fl. 464 5 b) homologar em parte da Declaração de Compensação que constitui objeto deste processo, por ter sido demonstrada a inexistência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela recorrente, conforme tabela abaixo: c) não homologar a compensação do débito restante, em virtude de ter sido realizada com o aproveitamento de crédito de IRRF em montante superior ao reconhecido. A recorrente foi intimada da decisão em 23/06/08. 4 Impugnação Inconformada com a Decisão, a recorrente apresentou impugnação (fls. 6971 do eprocesso) alegando que: a) a fiscalização somente homologou a compensação baseada nas DIRF apresentadas pelas pessoas jurídicas beneficiárias dos serviços, contudo, as demais compensações são legítimas e de acordo com a legislação; b) a divergência se deve ao fato da fiscalização verificar junto às DIRF’s apresentadas pelos pessoas jurídicas beneficiárias dos serviços, o fato dos contratantes da impugnante não declararem a retenção e pagamentos das fatos em DIRF não pode servir de argumento para o não acolhimento da compensação; c) para comprovar a legitimidade das compensações anexa planilha onde demonstra todas as operações realizadas, inclusive as que não constam em DIRF. Em anexo a recorrente apresentou, dentre outros documentos, a planilha denominada “Relatório DIRF versos faturas compensadas” (fls. 110180 do eprocesso). 5 Acórdão de Manifestação de Inconformidade A solicitação foi indeferida pela 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade (fls. 183187 do eprocesso). Os fundamentos foram os seguintes: a) o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado; b) resta à administração, à luz do disposto na legislação de regência, verificar se o pedido de restituição/compensação encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados; Débito P.A Vencimento Valor IRRF (0588) – parte 4ª semana 12/2003 24/12/2003 3.374,00 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 c) o documento apresentado (Relatório DIRF vs. Faturas Compensadas) não substitui a documentação fiscal para efeitos da instrução probatória. 6 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 14/09/11, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 195199 do eprocesso) em 30/09/11, nos seguintes termos: a) a recorrente é sociedade cooperativa, nos termos da Lei nº 5.764/71 e seus Estatutos Sociais e se encontra devidamente autorizada à emissão de faturas, sendo totalmente descabida a exigência de notas fiscais; b) as faturas emitidas e acostadas aos presentes autos comprovam que as retenções foram sofridas posto que todas se encontram devidamente destacadas e sofrem, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.541/92, retenção do IRRF à alíquota de 1,5%; c) os saldos devedores acumulados em decorrência dessas retenções que a cooperativa sofre são os valores que são utilizados para compensação com o IRRF, por ocasião dos repasses de produção efetuados aos seus sócios; d) apresenta cópia da conta que registra as retenções sofridas no livro razão analítico, e pede a baixa dos autos em diligência para verificar a idoneidade dos crédito utilizados por meio de prova pericial. 7 Da Conversão em Diligência Em 13/08/13, esta 2ª Turma Ordinária determinou, na Resolução nº 2202 000.529 (fls. 411414 do eprocesso), a conversão do julgamento em diligência, para: a) intimação da recorrente para que apresentasse cópia integral do livro “razão auxiliar dos clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada (ausência das páginas 152186); b) b) solicitação à Fiscalização para que confrontasse os valores contidos nas duplicatas (fls. 151180 do eprocesso) com os lançados no Livro Razão apresentado pela recorrente, de modo a verificar se todos os valores apresentados a título de retenção sofrida estavam devidamente comprovados por esses documentos. 8 Da Diligência A recorrente foi intimada, em 25/03/14, para atendimento da diligência. (fls. 418419 do eprocesso). Foram juntados ao processo às fls. 420454 do eprocesso o Livro Razão Auxiliar de Clientes. A fiscalização, através da Informação Fiscal (fls. 455456 do eprocesso), constatou que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão e conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas, conforme se depreende do trecho abaixo: Fl. 467DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003098/200812 Acórdão n.º 2202002.868 S2C2T2 Fl. 465 7 “3) Os valores contidos nas duplicatas (fls. 167/187 e 189/209 do eprocesso) foram conferidos integralmente com os valores lançados no Livro Razão Auxiliar de Clientes apresentado pela interessada. 4) Foi verificado que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas. 5) Sem mais, encaminho para prosseguimento. (fl. 488)” É o relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme se verifica, a controvérsia ora analisada por ser sintetizada do seguinte modo: a) a decisão recorrida manteve o reconhecimento do direito creditório da recorrente no montante de R$ 3.374,00 e homologou, em parte, a Declaração de Compensação que constitui objeto deste processo, por ter sido demonstrada a existência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela recorrente, pois a documentação apresentada pela recorrente não substituiria a documentação fiscal para efeitos da instrução probatória; b) a recorrente entende que por ser sociedade cooperativa, encontrase devidamente autorizada a emitir faturas, as quais comprovam que as retenções foram sofridas. A recorrente é sociedade cooperativa que congrega médicos cooperados, nos termos do art. 45 da Lei nº 5.764/71, e desenvolve apenas a prestação de serviço aos seus cooperados para que esses possam desenvolver a atividade de medicina. Desta forma, a recorrente sofre a retenção na fonte do Imposto de Renda à alíquota de 1,5%, sendo o valor retido recolhido pelos contratantes dos serviços cooperados: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. Conforme art. 20, § 1º, da Lei nº 5.474/68, pode a recorrente emitir faturas e duplicatas, desde que discriminem a natureza dos serviços prestados: Art. 20. As emprêsas (sic), individuais ou coletivas, fundações ou sociedade civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. Assim, as faturas apresentadas pela recorrente são documentos hábeis a comprovar a existência do direito à compensação pleiteada pela recorrente – pois discriminam o serviço prestado – desde que acompanhadas de escrituração que corrobore as informações contidas nas referidas faturas. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003098/200812 Acórdão n.º 2202002.868 S2C2T2 Fl. 466 9 Entendo que Assiste razão à recorrente. A um, porque em face da plausabilidade das alegações e comprovações então existentes (da análise da documentação apresentada, constatouse que as duplicatas apresentadas conferiam com o relato apresentado no pedido de compensação), esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a contribuinte apresentasse cópia integral do livro “razão auxiliar de clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada (não havia nos autos a cópia integral do referido livro), e para que, ato contínuo, a fiscalização confrontasse os valores contidos nas duplicatas com os lançados no livro apresentado, de modo a verificar se todos os valores informados a título de retenção sofrida estariam devidamente comprovados por esses documentos (fls. 455456 do eprocesso). De acordo com a informação fiscal, todas as duplicatas trazidas pela recorrente conferem integralmente com os valores apresentados a título de retenção por ela sofrida, os quais foram devidamente escriturados no Livro Razão Auxiliar de Clientes: “1) Em conformidade com o entendimento do CARF consubstanciado no voto do Conselheiro Relator Rafael Pandolfo, contido na Resolução nº 2002000.523, de 13/08/2013 da 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, fls. 443/446, realizamos uma Diligência Fiscal junto à interessada, na qual a intimamos, através da Intimação SAORT n.º 10820/043/2014, fls. 1450/451, a apresentar os seguintes elementos: a) Livro “razão auxiliar de clientes”, relativo ao ano calendário 2003 em papel e em meio digital; b) Disponibilizar os documentos comprobatórios (faturas, duplicatas) relativos ao ano 2003 que corroborem os lançamentos, no livro razão citado; c) Demais informações que julgar necessárias. 2) Os elementos citados foram apresentados dentro do prazo da intimação. Juntei, às fls. 452/486 do eprocesso, as cópias das folhas faltantes do Livro Razão Auxiliar (folhas 152/186). 3) Os valores contidos nas duplicatas (fls. 167/187 e 189/209) do eprocesso foram conferidos integralmente com os valores lançados no Livro Razão Auxiliar de Clientes apresentado pela interessada. 4) Foi verificado que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas.” (fls. 487488 do eprocesso). A dois, porque conforme art. 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos Fl. 470DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. No caso, o atendimento da contribuinte à diligência corrigiu a falha da prova trazida aos autos, tornando a documentação apresentada, no caso, o livro “razão auxiliar de clientes” prova dos fatos nela registrados e das alegações da recorrente. A própria fiscalização, quando da análise da documentação apresentada em diligência é clara no sentido de que todos os valores apresentados a título de retenção sofrida pela interessada foram devidamente lançados no referido Livro Razão Auxiliar e estes conferem integralmente com os contidos nas duplicatas citadas. A três, porque uma vez constatado que os valores referentes à retenção sofrida pela recorrente foram devidamente lançados no Livro Razão Auxiliar e conferem total e integralmente com os contidos nas duplicatas e no pleito da contribuinte, a exigência de notas fiscais – considerando que a recorrente pode emitir faturas e duplicatas, nos termos do art. 20, § 1º, da Lei nº 5.474/68, mostrase incompatível com o princípio da proporcionalidade (subprincípio da necessidade), pois não poderiam tais notas fiscais sobreporse à realidade acobertada pela prova constante nos autos. Sobre a interação entre os subprincípios da necessidade e da adequação, versa o Ministro Gilmar Mendes: O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas interventivas adotadas mostremse aptas a atingir os objetivos pretendidos. O subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelarseia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele a um só tempo adequada e menos onerosa. Ressaltese que, na prática, adequação e necessidade não têm o mesmo peso ou relevância no juízo de ponderação. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado. Pieroth e Schlink ressaltam que a prova da necessidade tem maior relevância do que o teste da adequação. Positivo o teste da necessidade, não há de ser negativo o teste da adequação. Por outro lado, se o teste quanto à necessidade revelarse negativo, o resultado positivo do teste de adequação não mais poderá afetar o resultado definitivo ou final. (MENDES, Gilmar. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras. Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ Centro de Atualização Jurídica, v. 1, nº. 5, agosto, 2001. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 02 de março de 2012.) Ademais, a própria Lei nº 9.784/99, em seu art. 2º, parágrafo único, inciso VI, explicita o princípio da informalidade, ou do formalismo valorativo: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10820.003098/200812 Acórdão n.º 2202002.868 S2C2T2 Fl. 467 11 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Portanto, deve ser acolhido o pleito da contribuinte no sentido de que a documentação por ela apresentada comprova, integralmente, os valores apresentados a título de retenção sofrida e devem, portanto, ser totalmente restituídos. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reconhecido e homologado o direito creditório da recorrente, como integralmente pleiteado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 472DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13827.001118/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONEXÃO POR PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENQUANTO PENDENTE A DECISÃO DA QUESTÃO PREJUDICIAL.
O direito ao regime de tributação pelo SIMPLES FEDERAL é questão prejudicial ao julgamento da exigência das contribuições previdenciárias em lançamento de ofício lavrado em decorrência da exclusão do regime.
Essa Turma de Julgamento não tem competência para processar e julgar os recursos em Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES.
O recurso interposto no Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da exclusão.
EFEITO TEMPORAL DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES.
O efeito do ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL com fundamento em atividade vedada retroage ao mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva, nos termos do art. 15, II, da Lei 9.317/96. Entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial submetido ao regime do artigo 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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SIMPLES FEDERAL Recorrente REVAL ATACADO DE PAPELARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONEXÃO POR PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENQUANTO PENDENTE A DECISÃO DA QUESTÃO PREJUDICIAL. O direito ao regime de tributação pelo SIMPLES FEDERAL é questão prejudicial ao julgamento da exigência das contribuições previdenciárias em lançamento de ofício lavrado em decorrência da exclusão do regime. Essa Turma de Julgamento não tem competência para processar e julgar os recursos em Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES. O recurso interposto no Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da exclusão. EFEITO TEMPORAL DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. O efeito do ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL com fundamento em atividade vedada retroage ao mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva, nos termos do art. 15, II, da Lei 9.317/96. Entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial submetido ao regime do artigo 543C do CPC. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 11 18 /2 00 9- 20 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13827.001118/200920 Acórdão n.º 2402004.218 S2C4T2 Fl. 116 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1436.310 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Ribeirão Preto SP, fl. 9799, com ciência ao sujeito passivo em 11/05/2012, fl. 101 que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.251.5126, com ciência ao sujeito passivo em 30/12/2009, fl. 54. De acordo com o relatório fiscal de fl. 3236, e anexos, o AIOP trata de exigência de contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados contratados da empresa DFG –Transporte e Logística Ltda EPP, incorporada em 01/01/2008 por REVAL Atacado de Papelaria Ltda, no período de 02/2005 a 06/2007. A autoridade lançadora relata que a empresa DFG –Transporte e Logística Ltda — EPP era optante pelo SIMPLES Federal até 30/06/2007, tendo dele sido excluída por meio do Ato Declaratório Executivo n° 83, em 18/12/2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em BauruSP, com efeitos da exclusão a partir de 01/01/2005. Ainda de acordo com o relatório fiscal, a exclusão do SIMPLES ocorreu porque a empresa exercia atividade de locação de mãodeobra, a qual é vedada. Ficou consignado no relatório fiscal que os dados relativos aos fatos geradores das contribuições apuradas foram declarados, pela empresa incorporada, em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação a Previdência Social (Gfip). A autuada apresentou impugnação tempestiva abrangendo as matérias do lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Eventual manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples deve ser apresentada no processo relativo do Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado. Em 06/06/2012 o sujeito passivo, por meio de representante legal qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 103110, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Suscita a conexão com o processo administrativo no qual discute o Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, alegando que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa enquanto não houver julgamento definitivo do processo administrativo de exclusão do Simples. Ratifica as razões da impugnação, principalmente com relação à exclusão do SIMPLES, discordando da tese de que essa matéria deve ser apreciada somente no processo Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 relativo ao ADE, por considerála contraditória e contrária aos princípios que norteiam o contencioso administrativo. Alega que na data do lançamento estava legalmente no SIMPLES, pois foi intimada do ADE depois de ter sido cientificada do lançamento tributário. Ao final requer que o lançamento seja julgado improcedente, ou, subsidiariamente, que seja decretada a suspensão do crédito tributário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13827.001118/200920 Acórdão n.º 2402004.218 S2C4T2 Fl. 117 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Relator Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES FEDERAL. Conexão por Prejudicialidade. Julgamento das Matérias Diferenciadas. Suspensão da decisão até o julgamento da questão prejudicial Consta dos autos que o processo administrativo nº 13827001071/200902 trata do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 083, de 18/12/2009, da DRF BauruSP, relativo à exclusão do SIMPLES FEDERAL da empresa DFG – Transportes e Logística Ltda EPP, sucedida pela recorrente. Em consulta ao sistema eprocesso e ao sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) o referido processo administrativo está atualmente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A relação jurídica discutida neste processo é a obrigação tributária das empresas em geral, e, naquele processo, o direito ao recolhimento de tributos federais pela sistemática do SIMPLES. As relações jurídicas discutidas nos dois processos são distintas, mas, sem dúvida, vinculadas por prejudicialidade, pois a solução quanto ao direito da empresa ao regime diferenciado refletirá no crédito tributário lançado de acordo com o regime de tributação das empresas em geral. Nessa situação é salutar que se evite decisões contraditórias, motivo pelo qual a melhor solução seria a reunião dos processos (art. 105 do CPC). Ocorre que essa solução é inaplicável ao caso porque não há identidade de competência entre os órgãos julgadores dessas matérias. No Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o processamento e julgamento dos recursos que envolvam as matérias tratadas nos dois processos competem a Seções de Julgamento diferentes, conforme arts. 2o e 3o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). Passo então à análise das demais alegações do recurso que são de competência dessa Turma Julgadora. Ressalto que este procedimento não traz qualquer prejuízo ao sujeito passivo considerando que essa decisão ficará sobrestada até a decisão definitiva sobre o direito da recorrente ao regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3o da Lei 9.317/96. Mérito Efeito temporal do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do SIMPLES A intimação do ADE posterior ao lançamento tributário não tem o condão de modificar a eficácia temporal do ato de exclusão por atividade vedada, que é o mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva, nos termos do art. 15, II, da Lei 9.317/96, entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Especial submetido ao regime do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), como se vê nos seguintes trechos da ementa do acórdão do REsp 1124507/MG: (...) SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96 (...) 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da Fl. 120DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13827.001118/200920 Acórdão n.º 2402004.218 S2C4T2 Fl. 118 7 circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. (STJ, Primeira Seção, REsp 1124507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, abr/2010) Ademais, a intimação do ADE feita após a ciência do lançamento tributário decorrente da exclusão do SIMPLES não trouxe prejuízo à defesa desse processo, considerando que no relatório fiscal estão consignados os fundamentos de fato e de direito que levaram à exclusão do SIMPLES e considerando que a apreciação do direito ao regime do SIMPLES se dá no processo próprio. Em suma, o ADE gera efeitos a partir do mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva independentemente da data da intimação do sujeito passivo. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e negar provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16306.720522/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AFASTAMENTO. INEXISTÊNCIA DE APRIMORAMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO.
Apesar de não expressar, especificamente, o fundamento abraçado pela decisão de primeira instância para a efetivação originária da glosa, esta se verifica a partir da análise de seus contornos gerais, não se tendo aqui como afirmar o aprimoramento da ação fiscal pela douta turma julgadora de primeira instância. Preliminar de nulidade do julgamento afastada.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS. VALIDADE. INEXIGÊNCIA DAS FORMALIDADES APONTADAS NAS OPERAÇÕES PRIVADAS.
Restando devidamente comprovado que os montantes efetivamente dispendidos pela contribuinte a título de honorários advocatícios foram pagos ao cessionário dos referidos créditos, e não aos advogados inicialmente contratados, não se pode exigir a necessária imposição de publicidade ao referido contrato para a admissão de sua validade.
Numero da decisão: 1301-001.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri. Presente a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Ana Claudia Borges de Oliveira, OAB/DF nº 28685.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Conselheira suplente convocada).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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CAMARGO CORREA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AFASTAMENTO. INEXISTÊNCIA DE APRIMORAMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO. Apesar de não expressar, especificamente, o fundamento abraçado pela decisão de primeira instância para a efetivação originária da glosa, esta se verifica a partir da análise de seus contornos gerais, não se tendo aqui como afirmar o “aprimoramento da ação fiscal” pela douta turma julgadora de primeira instância. Preliminar de nulidade do julgamento afastada. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS. VALIDADE. INEXIGÊNCIA DAS FORMALIDADES APONTADAS NAS OPERAÇÕES PRIVADAS. Restando devidamente comprovado que os montantes efetivamente dispendidos pela contribuinte a título de honorários advocatícios foram pagos ao cessionário dos referidos créditos, e não aos advogados inicialmente contratados, não se pode exigir a necessária imposição de “publicidade” ao referido contrato para a admissão de sua validade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Valmir Sandri. Presente a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Ana Claudia Borges de Oliveira, OAB/DF nº 28685. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 72 05 22 /2 01 1- 98 Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Conselheira suplente convocada). Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16306.720522/201198 Acórdão n.º 1301001.521 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMPs – por meio das quais a Interessada pretendeu compensar crédito de saldo negativo (SN) de IRPJ do período de apuração 01/01/2004 a 31/08/2004 de R$ 16.795.680,83, com débitos próprios. A Autoridade Administrativa, no despacho decisório (fls. 3416/3438), por meio de análise da DIPJ e de documentação obtida junto à empresa, glosou despesas constantes da Ficha 04A, linha 29 (Serv. Prest. por Pessoa Jurídica no valor total de R$185.693.108,79), no valor de R$8.802.037,70 e da Ficha 05A, linha 04 (Prest. Serv. por Pessoa Jurídica, no valor total de R$41.557.808,71), no valor de R$15.000.000,00. Ou seja, foi glosado o montante de R$23.802.037,70, alterando o lucro real de R$788.456,21, para R$24.590.493,91. Como resultado, o Imposto de Renda à alíquota de 15% foi igual a R$3.688.574,09 e à alíquota de 10%, R$2.443.049,39. O demonstrativo abaixo traz a consolidação na apuração do saldo negativo de IRPJ: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Alíquota de 15%....................................................... 3.688.574,09 Adicional................................................................... 2.443.049,39 DEDUÇÕES () Programa de Alimentação do Trabalhador................. 4.730,74 () Imposto de Renda Retido na Fonte...................... 6.661.281,98 () Estimativa de IR Compensada........................... 10.310.782,16 IMPOSTO DE RENDA A RESTITUIR................. 10.845.171,40 Foi então reconhecido o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do período de apuração 01/01/2004 a 31/08/2004 no montante de R$ 10.845.171,40 e a não homologação das compensações das DCOMPs nº 17773.79750.020407.1.7.024464, 22941.30272.020407.1.7.020146, 05931.91309.310707.1.7.023102, 01700.29730.310707.1.7.020031, 04764.80140.310707.1.3.023240, 20600.63375.310707.1.3.025585, 17120.39145.310707.1.7.026736, 35847.39689.310807.1.3.021656 e 40062.77594.280907.1.3.028808, que excederam o limite do crédito reconhecido. A Interessada tomou ciência do despacho decisório, por via postal, em 02/07/2012 (AR à fl. 3443/3444), e apresentou manifestação de inconformidade, protocolada em 01/08/2012 (fls. 3465/3476), por meio de seus procuradores (fls. 3479/3504). A Impugnante contesta a glosa do valor de R$15.000.000,00, com base nos artigos 56 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, que foi pago a título de honorários advocatícios e lançado na conta contábil nº 500.09.0002. Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Segundo a Manifestante, o valor pago teria como fundamento um Termo de “Distrato, Pagamento, Cessão de Crédito, Quitação, Renúncia de mandato e outras avenças” celebrado entre a empresa e prestadores de serviços advocatícios, no qual um dos advogados Rodrigo Carvalho de Lima anteriormente contratado cedeu o valor a ele devido para um escritório de advocacia, M. M. Consultoria Jurídica e Administrativa S/C Ltda. e para a empresa S. Santos Assessoria Ltda. Afirma a Manifestante que os pagamentos efetuados eram devidos, uma vez que decorrentes de Contrato de Prestação de Serviços Advocatícios anterior. Ressalta, ademais, que, em razão de ter ocorrido a "cessão de créditos" pelo Contratado Rodrigo Carvalho de Lima, o valor que era anteriormente devido a ele, foi diretamente pago aos Cessionários, mantendo sua natureza originária de honorários advocatícios. Considera a Defendente que, o referido valor pago pela empresa poderia ser lançado como despesa para cálculo do Imposto de Renda, na medida em que autorizado pela legislação, e que, de fato, intimada a comprovar a inocorrência dessa despesa, informada na conta 500.09.0002, a Manifestante teria apresentado o Contrato de Prestação de Serviços Advocaticios (doc. 04) e o Termo de Distrato, Pagamento, Cessão de Crédito, Quitação, Renúncia de Mandato e outras avenças (doc. 05). Apesar do D. Auditor Fiscal ter aceitado a despesa quanto ao valor pago ao primeiro Contratado, qual seja, ao Araújo e Fontes Advogados Associados S/C, não aceitou o restante das despesas lançadas, pelo mesmo contrato de prestação de serviços, em razão do fato de o pagamento ter sido realizado diretamente as empresas cessionárias, indicadas pelo segundo Contratado, equivocadamente desconfigurando a natureza do pagamento realizado. Alega, outrossim, que não há necessidade de comprovar a vinculação do advogado Contratado Rodrigo Carvalho de Lima às empresas que receberam o pagamento uma vez que, conforme constaria expressamente no Termo de Distrato e Cessão de Créditos, o valor devido pela Manifestante para o advogado Rodrigo foi cedido para as empresas M. M. Consultoria Jurídica e Administrativa S/C Ltda. e para a empresa S. Santos Assessoria Ltda., sendo que o valor devido a titulo de prestação de serviços advocatícios deveriam ser pagos para essas duas empresas, o que não descaracteriza a prestação de serviços advocatícios. Para a empresa a única diferença é que, ao invés de pagar o valor devido para o Rodrigo, o valor foi pago para duas empresas indicadas por este, face à cessão do direito creditório. Continua argumentando que “...o instituto da cessão de crédito transfere, no pólo ativo, o credor a sua qualidade creditória contra o devedor, podendo ser identificadas três figuras: (i) o credor originário (cedente), no caso o Rodrigo Carvalho de Lima, (ii) o devedor (cedido), no caso a ora Manifestante, e (iii) o(s) novo(s) credor(es) (cessionário(s)), no caso as empresas M. M. Consultoria Jurídica e Administrativa S/C Ltda. e S. Santos Assessoria Ltda. Importante ressaltar que o devedor não participa da cessão, a qual opera seus efeitos independentemente de sua anuência. E que “Nesse sentido, as formas de transmissão de obrigações, dentre elas a cessão de crédito ora tratada, constituem negócio jurídico, submetidas, portanto, aos requisitos de validade do Código Civil vigente, no que respeita à forma, à capacidade e objeto, mas não chegam a constituir contrato novo, visto que são atos que não criam obrigações, apenas determinam alterações subjetivas nestas, mantendose o vinculo originário. Argúi, além disso, que os serviços prestados eram necessários, pois essenciais à atividade da empresa, sendo que o Auditor Fiscal afirmou, nas fls. 3434, do Despacho Decisório, que a empresa apresentou petições iniciais para comprovar a prestação de serviços advocatícios. O Auditor Fiscal teria reconhecido a necessidade das despesas Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16306.720522/201198 Acórdão n.º 1301001.521 S1C3T1 Fl. 4 5 incorridas pelo escritório Araújo e Fontes Advogados Associados S/C, bem como constaria menção implícita a este tipo de despesa no art. 56, parágrafo único, do Regulamento do Imposto de Renda (cita jurisprudência às fls. 3473/3474). Assim a empresa arcou com o custo no valor de R$22.500.000,00 no instrumento de distrato, mesmo o advogado Rodrigo Carvalho de Lima tendo cedido o seu direito de recebimento do valor de R$15.000.000,00, que foi pago. A Manifestante concluiu sua defesa afirmando não ter ocorrido qualquer alteração da natureza dos valores pagos às empresas cessionárias, pois o contrato originário se perfaz em prestação de serviços advocatícios e não há que se falar em impossibilidade de deduzir valores pagos para esse fim da base de cálculo do Imposto de Renda, sendo que restou devidamente demonstrado, por fim, que não é possível a glosa dos valores pagos às empresas M. M.Consultoria Jurídica e Administrativa S/C Ltda. e S. Santos Assessoria Ltda. A Autoridade Preparadora, por meio do despacho decisório de fl. 3624, encaminhou a “...Manifestação de Inconformidade tempestiva...”, acima resumida, para a Delegacia de Julgamento, para prosseguimento. A partir dessas razões, analisando os termos da manifestação de inconformidade, pronunciouse então a 4a Turma da DRJ/SP1 sua IMPROCEDÊNCIA, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 Não justificada com documentos hábeis e idôneos a razão do pagamento a terceiros estranhos à obrigação contratual original de valores devidos pelo contribuinte em decorrência do término da prestação de serviços de advocacia, glosase a despesa por não estar provada sua necessidade, usualidade e normalidade. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não demonstrada a liquidez e certeza de parcela do direito creditório não reconhecido pela autoridade administrativa, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente intimada a contribuinte, por ela então foi apresentado o seu Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão e, no caso, a desconstituição da glosa, com a homologação da compensação realizada, sustentando: i) A correta dedução dos honorários advocatícios e da correta realização do distrato e da cessão de créditos; e ii) A impossibilidade de glosa da despesa incorrida a título de prestação de serviços advocatícios. Em rápida síntese, esse é o relatório. Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A discussão travada nestes autos, pelo que se verifica, é uma só: a validade da dedução dos montantes pagos pela contribuinte a título de “honorários advocatícios”, nos valores pactuados, mas, entretanto, em favor de pessoas distintas daquelas inicialmente constantes do contrato apresentado como suporte para a operação. A divergência dos destinatários dos referidos montantes, vale ressaltar, decorreria de instrumento próprio de “cessão de créditos” firmados entre o profissional inicialmente contratado (Dr. Rodrigo Carvalho de Lima) e as pessoas jurídicas então apontadas como efetivamente recebedoras (M. M. Consultoria Jurídica e Administrativa S/C Ltda. e S. Santos Assessoria Ltda.). Analisando a questão, destacam os ilustres julgadores de primeira instância que a contribuinte teria apenas contestado uma das glosas efetivadas, levando a crer, portanto, que todas as outras mencionadas pelo Despacho Decisório respectivo já teriam sido então admitidas como corretas, inexistindo, no Recurso Voluntário, qualquer contradição em relação a esse específico apontamento. A par dessa consideração, é de se ressaltar que, tanto a contribuinte recorrente, como, ainda, a própria decisão de primeira instância, efetivamente apontam e reconhecem que, nos presentes autos, não se está a discutir se as referidas despesas teriam sido ou não efetivamente pagas pela contribuinte, sendo certo, e completamente induvidoso que, no presente caso, o que se discute é exclusivamente a qualificação das referidas despesas como “necessárias”, tendo em vista que os recebedores finais não eram, e não mantinham expressas relações contratuais, com a empresarecorrente. A primeira consideração trazida a respeito da (in)validade da operação, vale destacar, referese ao fato de que, para que pudesse ser admitida a dita “cessão”, deveria ter sido então apresentado pela contribuinte um instrumento específico, regularmente firmado, de cessão de crédito, “registrado”, nos termos indicados pelas disposições do Art. 129, par. 9o da Lei 6.015/73. A respeito desse específico apontamento contido na r. decisão, com a mais respeitosa vênia, não se pode de forma alguma admitir, sobretudo porque, pelo que se verifica, chega a afirmar que os contratos privados, para terem “eficácia” contra a Fazenda Pública, deveriam, necessariamente, ser registrados junto aos respectivos cartórios de registro, o que, definitivamente, não se verifica como regra nas referidas operações. Na verdade, a exigência do registro de instrumentos contratuais perante os competentes cartórios de registros civis (título e documentos, por exemplo), tem como objetivo próprio, dar “ciência geral” de seus termos, evitandose, assim, a afirmação do desconhecimento, o que, entretanto, não importa na conclusão necessária de que, sem esse registro, os referidos títulos para absolutamente nada se prestariam. Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16306.720522/201198 Acórdão n.º 1301001.521 S1C3T1 Fl. 5 7 A visão formalista abraçada pela decisão de primeira instância, com toda a certeza, simplesmente se desnatura das mais comezinhas práticas contratuais privadas, que, na enorme maioria das vezes, efetivamente não exige a forma pública para que possa efetivamente ser considerado. A eficácia contra terceiros, de que tratam as disposições da Lei 6.015/73, não importa na possibilidade de total desconsideração das relações privadas não submetidas ao crivo do oficial cartorário, da forma como ali apontado, não se podendo assim, de forma alguma, admitila como válida. A par dessa consideração, a decisão passa então a destacar não ser “crível” que o advogado (Dr. Rodrigo) promova a cessão de créditos de tão elevada monta “de forma gratuita” da forma como ali entabulado, o que, entretanto, não diz respeito à atuação da contribuinte, mas sim, com toda a certeza, exclusivamente à relação mantida entre o cedente e as cessionárias, sendo, no presente caso, efetivamente irrelevante a discussão entabulada. A par das críticas aqui apontadas, destaca a decisão de primeira instância que, como se verifica, os valores devidos o eram ao mencionado Dr. Rodrigo, devendo ser ele então efetivamente pagos, sendo certo que, mesmo com a cessão apontada, deveria a contribuinte recorrente ter então efetivamente promovido a retenção dos valores devidos como se o pagamento estivesse a ele sendo efetivado, sobretudo porque, como se verifica, ele seria então o sujeito passivo dos respectivos tributos devidos. Vejamos o trecho apontado: A Interessada, ademais, deveria ter retido o tributo em nome do sr. Rodrigo, pois foi ele que teria prestado os serviços e seria o sujeito passivo da obrigação tributária gerada pelo contrato original, mesmo se comprovada a cessão nos moldes defendidos pela Manifestante. Ao invés disso, a Interessada reteve os tributos sobre o pagamento das duas empresas, cuja relação seria com o cedente, dando a entender que essas teriam prestado serviços à Manifestante, situação essa que não pode ter como base o contrato com o sr. Rodrigo. O que se teria feito, a prevalecer a tese levantada na Manifestação de que o sr. Roberto era o destinatário original do pagamento, foi apenas redirecionar os valores às duas empresas, com retenção de tributos dos terceiros (em alíquota inferior à devida a pessoa física), chamando tal atitude de cessão. Ou seja, o sr. Rodrigo não sofreu retenção na fonte e desapareceu dos controles (RFB – DIRF, Conselho de Controle da Atividades Finaceiras COAF) governamentais. A respeito desse específico ponto, destaca a recorrente que a decisão de primeira instância estaria ali, então, “aprimorando o lançamento”, sobretudo porque, não tendo esse ponto sido anteriormente apresentado, em relação a ele efetivamente inexistiu nos autos qualquer argumento de defesa, sendo nula, portanto, a sua consideração, na linha apontada. Em relação a essa nulidade, tenho para mim que, ao contrário do que pretende afirmar a recorrente, a mesma não se verifica, sobretudo porque, apesar de não expressa, especificamente, nos termos do Despacho Decisório exarado, apresentase como conclusão da glosa efetivada, não se mostrando, aqui, isoladamente, como argumento inovador da decisão para a sua manutenção. Superada a nulidade, verifico que, aqui, estáse a discutir então, no caso, a possibilidade (ou não) da referida “cessão de créditos”, e, no caso, quando do seu pagamento, a Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 necessidade (ou não) de promoção das retenções tributárias como se o pagamento fosse então efetivado a pessoa distinta daquela então realizada. A respeito da validade da cessão de créditos, em que pese todo o esforço argumentativo do Despacho Decisório exarado, e, também, da decisão de primeira instância que o manteve, entendo que aos agentes privados (desde que legítimos e capazes) apresentase sim como perfeitamente válida a realização de transações com créditos vincendos, transferindoos a terceiros, da forma como então efetivado. A utilização do instrumento de “distrato” para a efetivação da cessão (e não um instrumento próprio e especifico como insistem em exigir a decisão recorria), a opção pela forma particular (e não pública) do instrumento, ou mesmo a inexistência de referências a respeito dos fundamentos da operação entre o cedente e as cessionárias, como já dito, é tema completamente estranho e irrelevante na presente vertente. Observese que, em momento algum, existe discussão a respeito da efetivação dos referidos pagamentos, sendo certo que eles foram efetivamente entregues às pessoas jurídicas e, por outra via, efetivamente suportados pela contribuinte. No que tange ao “dever” da contribuinte de efetivar a retenção como se o montante tivesse sido então efetivamente entregue ao Sr. Rodrigo (Pessoa física), e não às empresas apontadas, ao meu ver, importa no estabelecimento de obrigação completamente alheia às disposições normativas de regência, sobretudo porque, conforme se sabe, os critérios para a observância pela contribuinte da retenção de tributos devidos devem ser observados no momento do efetivo pagamento, o que, ao que se verifica, fora então objetivamente respeitado nas operações apontadas. No presente caso, o que se verifica é que a cessão de crédito, perfeita e expressamente constante das disposições do instrumento de Distrato apresentado pelo credor dos referidos montantes à empresadevedora (contribuinte) é sim, de fato, perfeitamente válido, sendo certo que, no momento do pagamento efetivado, a contribuinte aplicou a respectiva legislação de regência, promovendo as retenções devidas de acordo com a operação efetivamente realizada. Em face dessas considerações, entendo assistir razão à recorrente, sendo, de fato, completamente irrelevante para a discussão contida nos presentes autos a relação mantida entre o Sr. Rodrigo e as referidas empresas, sobretudo porque, conforme exigido pelos agentes da fiscalização, a regular explicitação da razão dos pagamentos efetivados foram sim devidamente apresentados, sendo, portanto, completamente indevida a glosa efetivada e aqui então discutida. Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, admitindo como válida a despesa efetivada e, com isso, restabelecido o direito creditório reclamado, apontando, ainda, pela insubsistência do Despacho Decisório originário e, por conseqüência, efetivamente homologada a compensação efetivada, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16306.720522/201198 Acórdão n.º 1301001.521 S1C3T1 Fl. 6 9 Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 36624.014325/2006-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 24/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 24/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 43 25 /2 00 6- 83 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 9202003.447 CSRFT2 Fl. 464 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 24/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito referente a contribuições, devidas à Seguridade Social de responsabilidade da empresa autuada, incidentes sobre valores pagos a empregados por meio de Notas Fiscais vinculadas à cartão de premiação e não informados em GFIP, englobada no lançamento também a diferença de alíquota decorrente da reclassificação dos empregados beneficiários em novas faixas salariais, a partir do cômputo de tais valores. Importa o crédito total no valor de R$ 729.962,49 (setecentos e vinte e nove mil, novecentos e sessenta e dois reais e quarenta e nove centavos). Abrange a referida NFLD, de número 37.044.6550 (fls. 01 a 24), as competências de 04/2001 a 10/2001, 01/2002 a 05/2002, 05/2004 a 09/2004, 11/2004, 01/2005, 06/2005 e 09/2005 a 12/2005, com ciência ao sujeito passivo em 03/11/06 (efl. 106). O Acórdão nº 2.30200.923, da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 359 a 385), julgado na sessão plenária de 16 de março de 2011, optou, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, a seguir, a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005 MPF. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 9202003.447 CSRFT2 Fl. 465 3 A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005 PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO. A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira que, para ser de observância obrigatória, exigese tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado. Contra essa decisão, a autuada manejou recurso especial de divergência, com fulcro no art. 67, inciso II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no Fl. 465DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 9202003.447 CSRFT2 Fl. 466 4 256, de 22 de junho de 2009 (efls. 403 a 413), onde defende que o posicionamento da C. Turma a quo divergiu de pacifico entendimento estabelecido no Acórdão 240201.103, da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, cuja ementa transcreve, a fim de demonstrar a divergência de entendimentos. Defende que seria de se aplicar a contagem prevista no art. 150, 4o. do CTN, independentemente de ter havido ou não recolhimento antecipado pelo contribuinte, salvo no caso de haver dolo, fraude ou simulação. Assim, requer o provimento do recurso intentado, com a reforma do acórdão recorrido, a fim de que se reconheça no mérito, uma vez realizada a contagem na forma do art. 150, §4o. do CTN, a decadência para todas as competências abrangidas no lançamento anteriores a outubro de 2001 (inclusive). O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 452 a 454. Devidamente cientificada do recurso especial da contribuinte, a Fazenda Nacional ofertou contrarrazões de efls. 456 a 470, onde defende que a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo (DAD de fls. 04/05), e, assim, seria inadmissível a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador. Propugna, então, pela manutenção do recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade quanto à matéria admitida e, portanto, dele conheço. Faço notar, inicialmente a propósito, que a decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a principal celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem, a qual consiste na matéria sob litígio no âmbito do presente recurso. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 9202003.447 CSRFT2 Fl. 467 5 Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 9202003.447 CSRFT2 Fl. 468 6 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, quanto à contagem do prazo decadencial, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. Adentrandose agora à análise da forma de verificação da existência ou não de pagamentos antecipados no âmbito das contribuições previdenciárias (como um todo ou por rubricas), faço notar que editou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a Súmula no 99, aprovada por esta 2a. Turma desta Câmara Superior em 09 de dezembro de 2013 e que assim reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 9202003.447 CSRFT2 Fl. 469 7 Ou seja, resumidamente, para fins de aplicação do entendimento emanado do Repetitivo citado e também da Súmula supra na situação sob análise, é fundamental que se verifique se há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o. da Lei no 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). Compulsando os autos, em especial o TIAD de fl. 26, o TEAF de fl. 29 e o Relatório Fiscal de fls. 31/32, noto que a constituição do crédito, para o período aqui sob apuração, se limitou a abranger as diferenças decorrentes de pagamentos a título de cartões de premiação não informados em GFIP (aqui englobada eventual diferença de alíquota oriunda de reclassificação salarial), ainda que o lançamento contra o contribuinte tenha se dado com base na análise na totalidade das folhas de pagamento de todos os empregados. Depreendese daí ter havido recolhimento para as demais rubricas informadas em GFIP. Destarte, entendo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4°, do CTN, pois houve recolhimento parcial, considerando a totalidade das folhas salariais apresentadas pela recorrente, e, assim, devem ser considerados como fulminados pela decadência os débitos lançados referentes às competências de 04/2001 a 10/2001, uma vez estabelecidas: a) a necessidade de contagem do prazo decadencial na forma estabelecida pelo art. 150, § 4o. do CTN e b) a ciência do lançamento somente ocorrida em 03/11/2006 (efl. 106). Assim, diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, DARlhe provimento, reconhecendose a decadência para os débitos lançados referentes às competências de 04 a 10/2001. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 469DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 16004.001452/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 45 2/ 20 08 -7 4 Fl. 719DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001452/200874 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.296 S2C3T1 Fl. 690 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/11/2008, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 56), a empresa deixou de incluir, nas GFIPs, fatos geradores da contribuição social, relativos à receita bruta proveniente da comercialização da produção, à aquisição de cestas básicas, à comercialização rural, referente a gado bovino e lenha, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, e ao pagamento de remuneração dos contribuintes individuais. A autoridade lançadora informa que a empresa Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda e Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda foram consideradas pela Policia Federal como empresas "Noteiras", ou seja, empresas constituídas apenas para fornecerem documentos fiscais para acobertar as operações de compra de gado para abate, venda de carne e transporte de carne e bovinos para abate, tendo sido declaradas INAPTAS pela Receita Federal do Brasil por meio dos Atos Declaratórios Executivos n° 061, de 24/06/2008 e nº 053, de 13/05/2008 Esclarece que a ação foi desenvolvida por uma junta fiscal e teve início em 01/2005, tendo sido retomada, em 05/10/2006, por determinação judicial, uma vez que a Policia Federal desencadeou a operação denominada "GRANDES LAGOS”, procedendo buscas e apreensões de documentos em diversos locais, com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados pela organização, constituída de várias células ou núcleos, cujo objetivo era sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades relacionadas às áreas trabalhistas e previdenciárias. Observa que o crédito tributário em comento foi lançado em nome de Coferfrigo ATC Ltda "E OUTROS", vez que, analisando a documentação apreendida pela Policia Federal, Receita Federal do Brasil e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, verificouse que a empresa Coferfrigo ATC Ltda, juntamente com outras pessoas jurídicas, formam um grupo econômico de fato. A seguir, sintetiza algumas informações a respeito das empresas integrantes do grupo e informa que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. No item 20 do Relatório Fiscal (fls. 71), o agente autuante informa que o Relatório do Grupo Econômico Anexos I e II será encaminhado em arquivo digital, de acordo com o artigo 663, parágrafos 1° e 2° da IN 3/2005, alterado pela IN 851/2008 e, no item 22, esclarece que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estão a disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001452/200874 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.296 S2C3T1 Fl. 691 3 Registra a ocorrência de dolo, fraude ou máfé, o que configura circunstâncias agravantes da penalidade, nos termos do artigo 290, II, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, mas informa que o valor da multa não foi elevado uma vez que, para a infração cometida, a ocorrência de agravante não produz efeitos para a gradação da multa, conforme determina a IN 03/2005. Consta do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fls. 73), que foi aplicada a penalidade prevista no art. 32, § 5o, da Lei 8.212/91, c/c art. 225, IV, § 4°, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Os sujeitos passivos Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, apresentaram defesa tempestiva em conjunto, e o Sr. João Pereira Fraga, espólio, representado por João Adson Fraga (inventariante), também impugnou o lançamento. Apesar de devidamente cientificadas, as demais empresas que, segundo entendimento da fiscalização, integram o grupo econômico de fato e, nessa condição, são responsáveis solidárias pelo débito, não apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1426.545, da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 477), julgou as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário. Inconformados com a decisão, os recorrentes Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, considerados pela fiscalização como coresponsáveis pelo débito, apresentaram recurso tempestivo em conjunto (fls. 569), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reiteram que os Recorrentes, pessoas físicas e jurídicas, foram considerados responsáveis solidários pelo débito tendo como única fundamentação para tanto um "Relatório da Polícia Federal", extraído de Inquérito Policial, sendo certo que a ação penal até a data de hoje não transitou em julgado. Entendem que o presente Auto de Infração é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como viola o principio da presunção de inocência, além do órgão autuador não ter produzido prova da responsabilidade na fase administrativa, ônus que lhe competia. Defendem que a prova emprestada do Inquérito Policial presidido por Delegado da Policia Federal não é meio licito para se fundamentar as responsabilidades dos Recorrentes, uma vez que não foram observados os .princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório no processo onde ela foi produzida. Reafirmam que, no caso dos autos, o órgão autuador não fez prova licita alguma da responsabilidade dos Recorrentes, o que impõe a nulidade/inconsistência do auto de infração sobre a responsabilidade atribuída aos mesmos e discorre sobre o princípio da presunção da inocência, tentando demonstrar que apenas após o trânsito em julgado da ação criminal é que se poderia afirmar algo. Finalizam requerendo que seja reformada a decisão de primeira instância e julgado nulo o AI. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001452/200874 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.296 S2C3T1 Fl. 692 4 O recorrente Sr. João Pereira Fraga espólio, considerado coresponsável pelo débito, representado por João Adson Fraga (inventariante), apresentou recurso tempestivo (fls. 825) requerendo, inicialmente, que o Espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA falecido, em 02/10/08, seja excluído da condição de passivo solidário. Traz o histórico da empresa COFERCARNES COMERCIAL FENANDOPOLOIS DE CARNES LTDA, da qual seu falecido pai e sua mãe eram sócios fundadores, desde sua constituição. Informa que, após separação judicial, sua mãe vendeu 50% do Capital Social da COFERCARNES para ALFEU MOZAQUADRO, que colocou essas quotas de capital social em nome da empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual era o proprietário, e impôs que a planta do imóvel industrial fosse integralmente arrendada para uma filial da empresa COFERFRIGO ATC LTDA que, apesar de pertencer no papel a Valter Francisco Rodrigues Junior, havia fortes suspeitas de a mesma pertencer de fato ao Sr ALFEU, uma vez que foi ele quem pessoalmente determinou o arrendamento das instalações do frigorífico Cofercarnes, entabulou o preço e as condições do arrendamento. Discorre sobre o temperamento do Sr. Alfeu e a sociedade, que durou apenas oito meses, concluindo que não pode ser responsabilizado por atos praticados pela empresa COFERFRIGO ATC LTDA, da qual não fora sócio, por ter deixado esta empresa de arrecadar contribuições devidas no período de 01/12/2002 a 31/10/2006. Tenta demonstra que inexiste qualquer relação mercantil ou comercial de seu pai com as empresas mencionadas no Processo e requer a exclusão de seu pai da responsabilidade solidária pelos débitos devidos pela empresa COFERFRIGO, da qual não tinha o menor conhecimento e da qual não participava, por quaisquer de suas formas. Preliminarmente, alega nulidade da autuação por falta de clareza, argumentando que as autoridades fiscais não indicaram a conta contábil ou outro elemento constante da escrituração contábil da COFERFRIGO das quais foram extraídas as importâncias oras lançadas, bem como não elencaram, nos autos, quais seriam as remunerações admitidas como base de calculo das contribuições ou pagamentos que se sucedeu a esse titulo, denotando que não avaliou ou não se aprofundou suficientemente na natureza das rubricas, desconhecida do recorrente. Entende que houve cerceamento de defesa por terlhe sido entregue apenas um CDR, o que impediu o inventariante de manipular os documentos que o fisco julga supostamente representativas das operações praticadas pela Coferfrigo. Sustenta que o arbitramento e o termo de sujeição passiva solidária sobre as contribuições que o Fisco julga devidas pela COFERFRIGO ATC LTDA se deram apenas e estritamente por presunção. Assevera que o Fisco achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, exigindo dos solidários, no caso o espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA, os tributos eventualmente devidos por aquela, sem contudo observar as normas legais que disciplinam a matéria. Informa que as empresas que, segundo o fisco, integram o grupo econômico Mozaquatro, declararam espontaneamente, nos prazos regulares, toda a movimentação fiscal e Fl. 722DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001452/200874 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.296 S2C3T1 Fl. 693 5 contábil em seus nomes, mediante entrega das DCTFs, nos respectivos anoscalendário, bem como as Declarações de Rendas Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2002 a 2006, sendo que o fisco não poderia estender a responsabilidade pelo débito constituído em face da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, em razão de que tal prática não está autorizada pelo artigo 135, inciso III, do CTN. Argumenta que, não sendo JOÃO PEREIRA FRAGA diretor, gerente ou representante da COFERFRIGO ATC LTDA, não responde por ela, não podendo a cobrança por tais descumprimentos ser redirecionada para a pessoa física de seu pai, como solidário, por não configurar qualquer das hipóteses previstas no art. 135, do CTN, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Infere que não é possível, ao Fisco, atribuir a seu falecido pai a responsabilidade pela não retenção de contribuições previdenciárias que seriam de ordem da empresa COFERFRIGO ATC LTDA., do denominado GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO, uma vez que, em nenhum momento, os fiscais autuantes lograram comprovar a existência do vinculo entre a citada empresa e a pessoa do Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA, razões pelas quais deve ser, de plano, decretada a insubsistência do lançamento fiscal contra ele. Insurgese contra a utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, por ser norma de eficácia limitada, que depende de lei ordinária para sua regulamentação e reitera que a empresa de seu pai estava paralisada no período entre 10/2004 a 10/2006, não podendo, portanto, responder pelos débitos previdenciários da empresa Coferfrigo, integrante, segundo o fisco, de um grupo econômico, com empresas instaladas em vários municípios e em outros Estados. Discorre sobre contrato de arrendamento mercantil para tentar demonstrar que o arrendador não responde pelos tributos devidos pela Arrendatária ou outras empresas das quais a Arrendatária seja signatária ou faça parte e conclui que, no caso em apreço, o Espólio de FRAGA, como arrendador, não possuía a obrigação de proceder a retenção ou arrecadar contribuições devidas pela empresa COFERFRIGO ATC. Insiste no entendimento de que ocorrera a decadência de parte do débito, defendendo a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, uma vez que o que o contribuinte entregou regularmente ao INSS as informações concernentes a todas contribuições previdenciárias relativas ao período fiscalizado, bem como sequer ocorreu indícios de fraude, dolo ou simulação comprovados. No mérito, reitera que seu pai nunca foi sócio, de fato ou de direito da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, bem como não restou provado, nos autos, que seu falecido pai, João Pereira Fraga, tivesse qualquer participação com as empresas do denominado "GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO”, e nem que seria solidariamente responsável pelos débitos supostamente devidos pelas empresas acima nos períodos mencionados, havendo, no caso, apenas presunções, ou seja, indícios sem comprovações. Entende que, no caso em tela, os fiscais autuantes promoveram o lançamento contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA por ter deixado de arrecadar, no período de 12/2002 a 10/2006, contribuições de segurados, e quer atribuir, por presunção, a responsabilidade pela falta das retenções ao Espólio de Joao Pereira Fraga, alegando que no período de 15.10.04 a 14.10.05 teria arrendado a planta do seu estabelecimento frigorifico para Fl. 723DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001452/200874 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.296 S2C3T1 Fl. 694 6 a empresa COFERFRIGO ATC LTDA, como parte integrante do "Núcleo Mozaquatro" e que, assim o sendo, em decorrência do arrendamento, dele também é parte integrante. Informa que o Espólio tentou o acesso aos documentos que estão em poder da empresa COFERFRIGO e junto à fiscalização federal e estadual para promover a sua defesa, o que lhe foi negado, sob a alegação de que João Pereira Fraga ou o Espólio não fazem parte do quadro societário e há impedimento legal para o acesso, e chama atenção para o fato de que nem mesmo os fiscais autuantes tiveram total acesso a contabilidade da empresa envolvida. Discorre sobre o instituto da solidariedade e traz a doutrina para reforçar o entendimento de que o fisco não poderia incluir o espólio no pólo passivo da presente relação tributária para responder pela divida da Coferfrigo. Quanto à subrogação da compra de gado bovino, traz a decisão do STF no sentido de que os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n's 8.540/92 e n° 9.528/97, é inconstitucional. Solicita que seja observada a retroatividade benéfica prevista no art. 106, II, do CTN, e aplicado o disposto no art. 32A da Lei 8,212/91, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Finaliza, requerendo, em obediência ao principio constitucional de celeridade e economia processual, a improcedência, de plano, da presente exigência fiscal e, pelas razões expostas, sejam acolhidas as preliminares levantadas para, ao final, decretar a exclusão da solidariedade atribuída ao espólio de João Pereira Fraga na multa aplicada contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA. A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por sua procuradora, com fundamento no art. 48, §2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, apresentou contrarazões ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001452/200874 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.296 S2C3T1 Fl. 695 7 VOTO Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros Os recursos são tempestivos e não há óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que a fiscalização constatou a existência de grupo econômico de fato entre a empresa autuada e as demais apontadas no Relatório Fiscal, e lavrou o AI com fundamento no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, informando que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. Da mesma forma, o Acórdão recorrido faz referência a esses Anexos, citando, inclusive, folhas onde constam os documentos comprobatórios das acusações fiscais. A autoridade julgadora de primeira instância informa que, no Anexo I, a fiscalização tece inúmeras considerações acerca das empresas que integram o "Grupo Mozaquatro", das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo, inclusive aquela referente à Coferfrigo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava, e discorre detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo e pessoas físicas vinculadas às mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, a juntada de inúmeros documentos, sendo que o referido anexo totaliza 12 (doze) volumes. Da mesma forma, o citado Anexo II, segundo o Relator do Acórdão recorrido, é “composto por inúmeros documentos tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático”. Contudo, em que pese a afirmação de que tais documentos integram o AI, constatase que os Anexos citados não constam dos autos, o que impossibilita que os julgadores deste CARF tenham conhecimento pleno de todos os fatos motivadores do lançamento, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Cumpre observar, ainda, que não vislumbro a nulidade do AI pela ausência dos referidos anexos, já que, tanto em suas peças impugnatórias quanto em seus recursos, as recorrentes demonstram ter pleno conhecimento do que está lhes sendo imputado. Ademais, a autoridade lançadora, deixou claro nos itens 20 e 22 do Relatório Fiscal, que os referidos Anexos estavam sendo encaminhados por arquivo e que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estariam à disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, mas apenas em falta de elementos suficientes para a tomada da decisão por este Colegiado, o que pode ser sanado com a juntada da documentação solicitada. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001452/200874 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.296 S2C3T1 Fl. 696 8 Dessa forma, em face da necessidade de mais informações sobre os elementos de provas que levaram as autoridades fiscais à convicção de que as empresas listadas no presente processo integram de fato o grupo econômico, entendo que o processo deva ser baixado em diligência para que sejam juntados os Anexos citados acima, necessários para revestir a decisão de plena convicção. Tal procedimento é imprescindível para o julgamento do processo, pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe a responsabilidade solidária entre as empresas apontadas pela fiscalização. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por converter o julgamento em diligência; É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003375/99-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992
Ementa:
ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN.
É pacífica a jurisprudência deste Conselho a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a titulo de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2102-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF Aracaju para apreciação do mérito do pedido de restituição.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992 Ementa: ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. É pacífica a jurisprudência deste Conselho a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a titulo de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF Aracaju para apreciação do mérito do pedido de restituição. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 33 75 /9 9- 75 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório A empresa acima identificada formulou pedido de restituição/compensação de créditos decorrentes do ILL recolhido nos termos do disposto no art. 35 da Lei nº 7.713/88, (cujos efeitos foram suspensos por força da Resolução do Senado nº 82, de 1996), referente aos anoscalendário 1990, 1991 e 1992. O pedido foi cumulado com pedido de compensação (fl. 02). Na análise de tais pedidos, a DRF Aracaju/SE os indeferiu (fls. 76/78), por considerar que teriam sido formulados após o transcurso do prazo de cinco anos a que se refere o art. 168, I, do CTN, através de decisão posteriormente mantida pela DRJ em Salvador/BA (fls. 95/101). Contra tal decisão foi interposto pela Interessada Recurso Voluntário e a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes a reformou, reconhecendo que não se havia operado a decadência, e determinando que o processo retomasse à repartição de origem para apreciação do mérito (fls. 118/125). Houve recurso especial por parte da Fazenda Nacional, e a egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais ratificou o entendimento acima exposto (fls. 172/178). O processo retornou, então, à Delegacia da Receita Federal em Aracaju/SE para apreciação do mérito. Os pedidos foram, então, indeferidos, agora sob o fundamento de ilegitimidade ativa para pleitear a restituição, conforme Despacho Decisório de fls. 233/239. Inconformada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA (fls. 244/252), argumentando, em síntese, sobre sua legitimidade para figurar no pólo ativo do pedido de restituição. A 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA analisou a manifestação de inconformidade apresentada e indeferiu o pleito, através de acórdão cuja ementa é a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte— IRRF Ano calendário: 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA. O Código Tributário Nacional determina em seu art. 166 que a restituição que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebéla COMPENSAÇÃO. PEDIDO NÃO CONVERTIDO EM DCOMP. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. INCABÍVEL. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.003375/9975 Acórdão n.º 2102002.908 S2C1T2 Fl. 319 3 É incabível a suspensão da exigibilidade de crédito tributário objeto de pedido de compensação não convertido em Declaração de Compensação para ser regido pelo novel ordenamento jurídico que determinou tal suspensão. Contra esta decisão, foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 284/293, por meio do qual a Interessada repisou os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade acerca da legitimidade para pleitear a restituição em tela, requerendo ao final que: (i) Seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO acolhido, em todos os seus termos, determinandose a reforma do Despacho Decisório DRJ/SDR n° 1513.072, de 05 de julho de 2007, a fim de se dar por procedente o Pedido de Restituição dos recolhimentos indevidos/ou a maior que o devido do Imposto sobre o Lucro Liquido (ILL), corrigido monetariamente por índices que reflitam a real variação inflacionária do período; (ii) Homologação de todas as compensações já realizadas pela RECORRENTE valendose dos créditos constantes do retendo Pedido de Restituição. (iii) Sejam obstados quaisquer atos de cobrança ou atos constritivos de direito, e, ainda, haja a paralisação imediata dos supostos débitos tributários para inscrição em Dívida Ativa da União, inclusive no que se refere ao impedimento da expedição de Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União. Remetidos os autos a este Conselho para julgamento, foram distribuídos à Quinta Turma do (então) Primeiro Conselho, sendo que em 04.02.2009 a turma julgadora declinou da competência para julgamento da matéria, determinando a redistribuição dos autos a uma das turmas competentes para apreciação de litígios sobre IRRF. Os autos foram então redistribuídos a esta turma para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 02.08.2007, como atesta o AR de fls. 281. O Recurso Voluntário foi interposto em 30.08.2007 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Conforme relatado, tratase de processo no qual se discute o direito da Recorrente ao crédito decorrente do pagamento do ILL previsto no art. 35 da Lei nº 7.713/88, e cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. A questão relativa ao prazo para pleitear a restituição pretendida já foi enfrentada por este Conselho e devidamente superada, sendo que a decisão ora recorrida negou o pleito da Recorrente sob o fundamento de que a mesma careceria de legitimidade para pleitear a restituição pretendida, tendo em vista que: Ao contrário do que entende a recorrente, o referido dispositivo legal traz claramente que o contribuinte do imposto é o sócio quotista, o acionista ou o titular da empresa individual. O legislador procurou antecipar a tributação do Imposto sobre a Renda na fonte incidente sobre a distribuição de lucros da pessoa juridica, que na época era tributável. Tanto é assim que, no art. 36 desta mesma Lei, foi estabelecido a não incidência do Imposto sobre a Renda na fonte sobre os lucros tributados na forma do artigo anterior, quando de sua distribuição. O interessado afigurou apenas como sujeito passivo responsável, nos termos dos artigos 45, parágrafo único, e 121, inciso H, do CTN, sendo responsável pela retenção e recolhimento do tributo. Nesta linha de entendimento, a autoridade fiscal negou a restituição, fundamentandose no art. 166 do CTN, abaixo transcrito: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza. transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. A recorrente argumentou que os tributos que comportam transferência do encargo financeiro, ou seja, que geram repercussão econômica sobre outras pessoas, além do contribuinte, em principio, são os impostos indiretos não cumulativos tais como o 111 e o ICMS. Entretanto, o presente caso não se trata nem de transferência do encargo financeiro a terceiro, pois o contribuinte de fato do imposto não foi a recorrente, mas sim o acionista, conforme já assinalado. Além disso, conforme já apontado na decisão recorrida, por determinação legal, o valor do imposto retido não foi contabilizado como despesa, mas sim como redução do lucro lell acumulado no patrimônio liquido, portanto, não houve qualquer transferência de encargo financeiro do acionista que teve seu lucro a receber tributado, para a recorrente que somente reteve e recolheu o referido imposto. Com efeito, é de ser provido o Recurso Voluntário. É que a jurisprudência deste Conselho já se firmou há muitos anos de forma favorável à pretensão da Recorrente, como demonstram as decisões abaixo transcritas: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.003375/9975 Acórdão n.º 2102002.908 S2C1T2 Fl. 320 5 LL SOCIEDADE ANÔNIMA COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS DECADÊNCIA O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de compensação do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades anônimas, se dá a partir da data de publicação Resolução do Senado nº 82/96, em 18/11/1996. RESTITUIÇÃO ILL SOCIEDADES ANÔNIMAS Firmou se no âmbito administrativo e judicial o entendimento de que tem legitimidade para pleitear restituição a fonte pagadora, obrigada a promover o recolhimento exclusivo na fonte, uma vez que revestese da qualidade de sujeito passivo nesta relação tributária (art. 121, § 1º do CTN). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE LUCRO LÍQUIDO. ILL Deve ser reconhecido o direito da contribuinte à restituição e/ou compensação de valor que se caracterize como indébito, quando a exigência da respectiva exação for considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Decadência afastada. (Acórdão nº 10616528, de 17.10.2007) LL RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS POR SOCIEDADE ANÔNIMA LEGIMITIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. A empresa que recolheu indevidamente valores a título de ILL tem legitimidade para pleitear a restituição do indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO MATÉRIA NÃO LITIGIOSA Como as compensações vinculadas ao direito creditório pleiteado neste feito já estão expressamente homologadas e, portanto, os débitos encontram se extintos, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, a insurgência da contribuinte com relação a tal matéria não pode ser apreciada, em razão da ausência de matéria litigiosa. (Acórdão nº 10616587, de 07.11.2007) Deste último julgado, merece transcrição o seguinte trecho, extraído do voto condutor, de relatoria do Conselheiro Gonçalo Bonet Alage: Com a devida vênia às autoridades julgadoras de primeira instância, penso que o artigo 166 do CTN é inaplicável ao caso em apreço. Isso porque o ILL não é tributo indireto como o IPI e o ICMS. E como tributo direto, que não comporta transferência do respectivo encargo financeiro a terceiros, a restituição do ILL indevidamente recolhido não se sujeita ao comando do dispositivo enfocado. O ILL incidia, nos termos do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, sobre o lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data de encerramento do períodobase. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 A incidência não era sobre os valores recebidos pelos sócios das empresas. Assim, no caso em apreço, não se pode cogitar que o ônus financeiro decorrente de tal tributação seja de qualquer outra pessoa, que não da própria recorrente. A inaplicabilidade do artigo 166 do CTN aos pedidos de restituição do ILL é matéria que tem posicionamento pacificado perante o Egrégio Superior Tribunal de Justiça — STJ, conforme ilustra a seguinte decisão monocrática: Assim sendo, e aplicandose aqui o referido entendimento, devem os autos ser novamente remetidos à origem para que seja analisado o mérito do pedido de restituição formulado. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRF em Aracaju para apreciação do mérito do pedido de restituição. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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