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Numero do processo: 10875.003415/95-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/05/1992 a 30/09/1995
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Presente no julgado contradição entre a sua parte dispositiva e os fundamentos expendidos, devem-se admitir os embargos. Flagrante o equívoco na redação do dispositivo, deve este ser corrigido para registrar o correto resultado a que chegou o colegiado. O acórdão nº 9303-001.633 deve passar a conter em seu dispositivo:
ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO.
Numero da decisão: 9303-002.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conheceram e acolher os embargos de declaração para retificar a decisão do Acórdão nº 9303-01.633 para Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo De Oliveira Santos. Ausentes justificadamente o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffman. O Presidente Otacílio Cartaxo foi substituído pelo Presidente da Segunda Seção na forma regimental.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/05/1992 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Presente no julgado contradição entre a sua parte dispositiva e os fundamentos expendidos, devem-se admitir os embargos. Flagrante o equívoco na redação do dispositivo, deve este ser corrigido para registrar o correto resultado a que chegou o colegiado. O acórdão nº 9303-001.633 deve passar a conter em seu dispositivo: ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Presente no julgado contradição entre a sua parte dispositiva e os fundamentos expendidos, devemse admitir os embargos. Flagrante o equívoco na redação do dispositivo, deve este ser corrigido para registrar o correto resultado a que chegou o colegiado. O acórdão nº 9303001.633 deve passar a conter em seu dispositivo: ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conheceram e acolher os embargos de declaração para retificar a decisão do Acórdão nº 9303 01.633 para “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial”. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 34 15 /9 5- 80 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo De Oliveira Santos. Ausentes justificadamente o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffman. O Presidente Otacílio Cartaxo foi substituído pelo Presidente da Segunda Seção na forma regimental. Relatório Em sessão de julgamento realizada em 31 de agosto de 2011, este Colegiado examinou recurso especial interposto pela sociedade empresária acima identificada em cuja disposição do acórdão constou: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Processado regularmente, emitiu a unidade preparadora intimação à empresa para pagamento do valor exigido na autuação, o que a motivou a interpor os presentes embargos de declaração, em que aponta contradição entre a decisão como acima indicada e os fundamentos do voto, todos conducentes ao provimento de seu recurso. Efetivamente, consignei no voto: Com razão o recorrente. De fato, as telhas metálicas produzidas a partir de perfis laminados constituemse em elementos estruturais para edificações e se destinam, precipuamente, à construção de telhados e fechamentos laterais. Como tal, classificamse na posição 7308.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul como, aliás, já reconhecido pela própria Administração tributária (Solução de Consulta nº 09 da Coordenação do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal, publicada no DOU em 12 de novembro de 2003). Ao contrário, não procede o argumento aposto no voto vencedor do acórdão recorrido, e repetido em contrarazões da PFN, segundo o qual tais produtos não se destinam à construção civil e como tal deveriam se enquadrar em posições do capítulo 72. (...) Todo o restante do voto leva, coerentemente, à conclusão exposta em seus dois últimos parágrafos: Diante do quanto exposto, e em consonância com a própria definição dada pela Coordenação Aduaneira da SRF, voto pelo provimento do recurso especial do contribuinte de modo a reconhecer que as telhas metálicas por ele produzidas classificamse na posição 7308.90.90 da Nomenclatura Comum Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10875.003415/9580 Acórdão n.º 9303002.187 CSRFT3 Fl. 3 3 do Mercosul, sujeita, no período, à alíquota zero. Em conseqüência, por reformar a decisão, afastando a pretendida exigência fiscal. É o voto. Tendo este voto sido acolhido por unanimidade, dúvida não há de que este Relator cometeu flagrante equívoco na redação do dispositivo da decisão. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A contradição é patente, como admiti no Relatório. Com efeito, o julgamento foi no sentido de DAR PROVIMENTO por unanimidade ao recurso e não por negarlhe provimento. Acolho, portanto, os embargos, para, desculpandome junto ao contribuinte e ao colegiado, votar para que seja corrigido o resultado constante do acórdão 9303001.633 cujo dispositivo deve passar a registrar, coerentemente com o voto acolhido pelo colegiado,: ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002514/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS E DOCUMENTOS.
A falta de apreciação de argumento e documentos juntados à impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância a quo para que seja proferida nova decisão.
Numero da decisão: 2202-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que aprecie os argumentos relacionados à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e, conseqüentemente, a unidade preparadora apense o processo no 16020.000357/2009-36 ao presente processo e tome as demais providências de sua alçada para fins de desfazer o desmembramento indevido do crédito tributário consignado no presente Auto de Infração.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS E DOCUMENTOS. A falta de apreciação de argumento e documentos juntados à impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância a quo para que seja proferida nova decisão.
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AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS E DOCUMENTOS. A falta de apreciação de argumento e documentos juntados à impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância a quo para que seja proferida nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que aprecie os argumentos relacionados à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e, conseqüentemente, a unidade preparadora apense o processo no 16020.000357/200936 ao presente processo e tome as demais providências de sua alçada para fins de desfazer o desmembramento indevido do crédito tributário consignado no presente Auto de Infração. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 25 14 /2 00 6- 04 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 696 2 Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 697 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 290 a 294, integrado pelos demonstrativos de fls. 287 a 289, pelo qual se exige a importância de R$753.287,43, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente ao anocalendário 2004, além de Multa Isolada no valor de R$323.977,51, referente à falta de recolhimento do IRPF relativo ao carnêleão devido no anocalendário 2004. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 292 a 294), foram apuradas as seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos do exterior; 2. Omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada; e 3. Multa Isolada relativo ao carnêleão devido e não pago. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase descrito no Termo de Constatação Fiscal nº 001 de fls. 277 a 286, no qual o autuante esclarece que: · em 19/06/2006, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de conta corrente e de aplicações de todas as instituições financeiras no Brasil e no exterior; assim como a documentação comprobatória de todos os valores lançados a título de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, no montante de R$2.363.892,50 e toda a documentação de aquisição e/ou alienação de seus bens; · analisando a documentação apresentada pelo fiscalizado, o autuante concluiu que o aumento real dos bens do contribuinte foi de R$1.356.961,41, suportado pelo prólabore recebido da ItaBrasp Italo Brasileira Participações Ltda., no valor de R$3.120,00, e por rendimentos isentos e não tributáveis por ele declarados, no montante de R$2.363.892,50; · em resposta a intimação fiscal, o contribuinte afirmou que os rendimentos isentos não tinham origem na distribuição de lucros das empresas brasileiras, e sim, na remessa de euros da Itália para o Brasil, conforme documentos do Bradesco de compra de câmbio de taxas flutuantes em operações de transferências, cujos valores foram creditados na conta corrente do referido banco, no 222.1152, agência no 00850. Informou, ainda, que a origem dessas remessas foi a venda de uma participação societária na Itália, em abril de 2001, tributada naquele país; Fl. 697DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 698 4 · nas declarações apresentadas pelo contribuinte, referentes aos exercícios 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, não constou quaisquer bens ou direitos fora do território nacional e, neste período, não houve entrega de Declaração de Saída definitiva do Pais, caracterizandoo como residente no Brasil, nos termos da legislação vigente; · examinando os documentos apresentados pelo fiscalizado, a fiscalização concluiu que não foi possível identificar a origem dos recursos provenientes da Itália, tributando o valor das remessas como rendimentos recebidos de fonte no exterior; · analisando os extratos bancários do Banco Bradesco relativos à conta corrente no 25.1550, agência no 03646, e à conta corrente no 222.1152, agência no 00850, e as justificativas apresentadas pelo contribuinte, a fiscalização considerou comprovados os depósitos efetuados nos dias 19/11/2004 e 17/12/2004, tributando os demais como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 302 a 308, instruída com os documentos de fls. 310 a 339, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 450 a 454): Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 14/09/2006, fls. 296, o contribuinte apresentou impugnação em 11/10/2006, fls. 302/308, mediante instrumento procuratório, fls. 310 e 351, apresentando as alegações a seguir parcialmente transcritas: Tratase de lançamento efetuado de ofício, imputando ao Impugnante a prática de três condutas: a) classificação como isentos e não tributáveis, de rendimentos recebidos de fonte no exterior; b) depósitos bancários de origem não comprovada (omissão de rendimentos) e; c) falta de recolhimento do imposto de renda pelo carnêleão, pois recebeu rendimentos tributáveis de fontes no exterior, sujeitos a este regime de pagamento. [...] I DA ORIGEM DO DINHEIRO TRAZIDO DO EXTERIOR Por primeiro, o Impugnante assevera que, ainda que a documentação apresentada aos autos realmente não esteja em consonância com a legislação pátria, mormente pelo fato de grande parte não estar traduzida para o vernáculo, é possível verificarse a lisura da origem do dinheiro remetido para o nosso país. Todavia, para que não reste dúvida alguma, o Impugnante que se encontra na Itália, requer a concessão do prazo de 30 (trinta) dias, para colacionar aos autos os documentos já apresentados, porém com a devida tradução para o vernáculo e, quando possível, chancelados pelo Consulado Brasileiro na Itália, bem como outros que se fizerem necessários aos esclarecimentos dos fatos. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 699 5 Seguindo nessa linha, o documento acostado à fls. 253/256 dos autos, demonstra claramente que o Impugnante em data de 11 de abril de 2001, cedeu parte de suas cotas sociais (4.000.000 de liras) da empresa "2D INTERMEDIARIA IMMOBILIARE — Società a responsabilità limitata", pela quantia de 2.975.000.000 (dois milhões, novecentos setenta e cinco milhões de liras italianas). Este documento foi elaborado e registrado por Notário (Tabelião) em Roma, na Itália, goza portanto, de fé pública. Esse documento está sendo providenciado junto ao Notário italiano e será entregue devidamente traduzido para o vernáculo, por tradutor juramentado. Assim, o Impugnante cumprindo com suas obrigações tributárias em seu país de origem, apresentou declaração ao Imposto de Renda, ano base 2001, exercício 2002, o instrumento da cessão de suas cotas sociais. Nesse sentido, podese verificar pelo documento devidamente traduzido, acostado à fls. 77/85, mais especificamente à fls. 85 no Quadro RT (Mais valia sujeita a imposto substituto), RT 21 (total dos correspondentes: 2.975.000.000), RT 22 (total dos custos ou dos valores de aquisição:4.000.000), o resultado demonstrado no quadro RT 23 (mais valia sujeitas a imposto), com o valor de 2.971.000.000, sendo devido o imposto de 371.375.000. Todos esses valores são em liras italianas. A simples confrontação dos documentos supramencionados demonstra a efetiva cessão das cotas sociais da empresa do Impugnante, por valor à época equivalente a EUR 1.535.674,09 (...). Referida quantia foi apurada da divisão do valor da cessão em liras italianas pela taxa de conversão em euros, sendo um euro equivalente a 1.937,26 liras italianas (resultado de 2.975.000.000 : 1.937,26). II DO PAGAMENTO DO TRIBUTO NO EXTERIOR Além do valor decorrente da cessão das cotas, o Impugnante no ano base 2001, exercício 2002, declarou ter recebido 622.146.000 liras italianas (conforme se infere à fls. 79 — Rendimentos Quadro RN — item RN1 Renda Total), quantia equivalente a EUR 321.147,39 (...),à razão de 622.146.000: 1.937,26. Assim, no ano em questão o Impugnante recebeu o importe de EUR 1.856.821,48 (...) de rendimentos, representado pela somatória dos quadros RN e RT (fls.79 e 85). Outrossim, o Impugnante firmou acordo de parcelamento com o Fisco Italiano, tendo por objeto os impostos devidos no ano de 2001. Nesta oportunidade, apresenta o mencionado documento, cujo parcelamento alcança o valor de EUR 305.753,26 (...), dividido em 57 (...) parcelas, demonstrando ainda, que está em dia com as prestações perante o Fisco Italiano, consoante comprovam o recibo de entrega da declaração exercício 2002 (doc. 02), a intimação do órgão fiscalizador (doc. 03) e o pacto de parcelamento (doc. 04) e os comprovantes de recolhimento das parcelas (doc. 05), todos devidamente traduzidos para o vernáculo. Ademais, pela análise dos referidos documentos, depreendese tanto a inclusão do valor constante do quadro RN (622.146.000), como a do quadro RT (371.375.000: 1.937,26 = 191.799,18 euros). Fl. 699DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 700 6 Assim, data máxima vênia:, resta claro que o Impugnante obteve ganho na Itália, de quantia mais do que suficiente para transferir o total de R$2.363.892,50 (...) para nosso país, estando comprovado que declarou seus rendimentos e ganhos de capital, e esta pagando os respectivos tributos junto ao Governo Italiano. III DOS CONTRATOS DE CÂMBIO FIRMADOS Tendo em vista a quantia angariada pelo Impugnante em seu país, este optou por investir no Brasil, sendo que para tal mister, efetuou as seguintes operações de câmbio para remessa de numerário (fls. 42/47; 265/270): Data Valor em euros Taxa cambial Valor em R$ 14/06/04 EUR 10.000 3,806 38.060,00 20/07/04 EUR 20.000 3,708 74.160,00 28/07/04 EUR 100.000 3,679 367.900,00 24/08/04 EUR 300.000 3,5780 1.073.400,00 17/11/04 EUR 100.000 3,610 361.000,00 01/12/04 EUR 114.500 3,6050 412.772,50 15/12/04 EUR 10.000 3,660 36.600,00 Valor Total 2.363.892,50 Assim, concessa vênia, demonstrou o Impugnante por documentos hábeis (contratos de câmbio) que trouxe para o Brasil de maneira regular a quantia total de R$2.363.892,50(...) Ademais, consoante se infere pela análise da movimentação financeira entregue voluntariamente pelo Impugnante (fls.119/135), os valores constantes dos contratos de câmbio foram efetivamente depositados em sua contacorrente (fls. 128,129, 130,131,133 e 134). A simples confrontação dos extratos e datas de depósitos são suficientes para comprovar a origem e licitude dos volumes de recursos constantes nas contas correntes do Impugnante, ou seja, o numerário enviado da Itália foi distribuído nas contas bancárias do Impugnante no Brasil, possuindo a mesma origem lícita. III DAS IMPOSIÇÕES CONSTANTES NO AUTO DE INFRAÇÃO REFERENTES AOS RENDIMENTOS DO EXTERIOR (itens 01 e 03) No item 01 do Auto de Infração, esta DD Autoridade Fiscal tributou todos os valores que foram objeto dos contratos de câmbio firmados pelo Impugnante. De igual maneira, o item 03 também teve como origem os mesmos valores. Assim, no tocante a estes tributos, conforme bem lembrado pelo DD Fiscal, de se verificar o teor do Decreto n° 85.985/81, que promulgou a Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda, entre o Brasil e Itália. Pela análise preliminar da documentação apresentada pelo Impugnante, o DD Fiscal entendeu ser aplicável o art. 22 da Convenção, tratandose de rendimentos não expressamente mencionados nos artigos precedentes, sendo assim, tributáveis em ambos os Estados Contratantes. Todavia, consoante comprovado, o rendimento do Impugnante adveio de efetiva cessão de cotas sociais e ganhos de capital, o bastante, concessa vênia, para se afastar a incidência do art. 22 em questão. Demais disso, o Fl. 700DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 701 7 valor da cessão foi declarado ao Fisco Italiano e o imposto está sendo pago naquele país. Portanto, a Convenção é aplicável ao caso, consoante art. 98 do Código Tributário Nacional (CTN), que consiste na introdução e modificação da legislação tributária interna. O art. 100 do mesmo diploma legal é o que deve incidir sobre a hipótese, porquanto os atos normativos inferiores (instruções normativas, decretos etc.) à Legislação Complementar (Código Tributário Nacional) a esta são subordinados. (...) Com relação à aplicação do Tratado Internacional Brasil Itália (Estados Contratantes), os dispositivos legais correspondentes à hipótese de incidência prevista na normatização são os contidos nos arts. 2°, item 1, alínea b (Dos Impostos Visados, o imposto sobre a renda das pessoas físicas – “imposta sul reddito delle persone fisiche”); art. 10, item 4 (Dividendos — rendimentos provenientes de ações ou direitos sobre lucros ou capital assemelhados, tributados no Estado Contratante em que a sociedade distribuidora seja residente); art. 13, item 1 (ganhos provenientes de alienação de imóveis são tributados no Estado em que os bens estiverem situados); o art. 23, item 1 (Dupla Tributação — os rendimentos tributáveis na Itália, devem ser deduzidos do valor a ser pago a título do tributo correspondente no Brasil), e entre outros, o art. 24 (não discriminar estrangeiros quanto a tributação ou obrigação mais onerosa). Cumpre ressaltar que, neste art. 23, item 1, existe uma ressalva de que o abatimento do tributo no Brasil não poderá exceder à fração do Imposto de Renda, calculado antes da dedução. A simples análise dos cálculos efetuados sobre os rendimentos e a aplicação das alíquotas do imposto italiano sobre a renda, verificamos que o montante alcança o patamar de 40% (...), muito superior à maior alíquota do imposto de renda brasileiro (27,5%). Se não fosse a citada ressalva, o Impugnante deveria perceber do Fisco brasileiro o correspondente ao percentual resultante da aplicação das alíquotas no Brasil e na Itália. Portanto, configurada a subsunção da hipótese de incidência ocorrida sobre os rendimentos do Impugnante no território italiano, devidamente discriminados e comprovados pelas declarações de renda entregues ao Fisco da Itália, resta clarividente a imposição do Tratado Internacional Brasil Itália visando a não bitributação dos mesmos rendimentos, objeto de exação naquele país. Requer o Impugnante, caso seja necessário ao deslinde do feito, a concessão do prazo de 30 (...) dias para complementação de documentos e traduções juramentadas para justificar e comprovar as alegações e corroborar com os documentos anteriormente exibidos. Requer ainda, a concessão do prazo de 15 (...) dias para a juntada do instrumento de mandato original, consoante inserto no art. 5°, § 1° e art. 7°, da Lei n°8.906/94. Pelo exposto, e por mais que dos autos constam, requer se dignem Vossas Senhorias determinar o CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO imposto ao Impugnante, como homenagem ao Direito e por ser medida de Justiça! Fl. 701DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 702 8 Requer afinal, provar o alegado por todos os meios em Direito admitidos, sem exceção. Em 26/10/2006, o contribuinte apresentou a petição de fl. 350, requerendo a juntada aos autos dos seguintes documentos de fls. 351/421 (procuração original, Instrumento de Cessão de Quotas, chancelado pelo Consulado Brasileiro na Itália e traduzido para o vernáculo e declarações de rendimentos dos anos 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 apresentadas ao Fisco italiano e traduzidoas para o vernáculo). Em 08/05/2007 (fl. 426), o interessado acostou aos autos cópia das Declarações de Ajuste Anual Simplificadas, referente aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (fls. 427 a 447). DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (CE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0815.804 (fls. 449 a 457), de 30/06/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES SITUADAS NO EXTERIOR. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. A decisão a quo considerou não impugnada a parcela do crédito tributário referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235, de 1972. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Encontrase anexado aos autos Recuso Voluntário interposto pelo contribuinte, em 28/10/2009, às fls. 473 a 483, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 351), no qual, após breve relato dos fatos, ele expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. O contribuinte alega que a decisão recorrida entendeu que não foi impugnada a matéria concernente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, acarretando a preclusão na esfera administrativa, desmembrando o crédito tributário e permanecendo a parte tida por impugnada nos autos em questão (rendimentos recebidos de fontes do exterior e falta de recolhimento a titulo de carnêleão) e, o outro valor (depósitos bancários de origem não comprovada), transferido para o Processo no 16020.000357/200936. 2. Alega, contudo, que embora tenha se detido com mais vigor na demonstração da regularidade (isenção de tributo) do numerário trazido do exterior, a questão tida por não impugnada foi na realidade efetivamente combatida, reportando ao último parágrafo da folha 4 e a primeiro parágrafo da folha 5 de sua impugnação. Defende que alegou Fl. 702DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 703 9 taxativamente que os valores constantes das contas correntes nacionais tiveram por origem o numerário enviado da Itália, ou seja, as quantias objeto das transferências foram distribuídas e diluídas nas contas bancárias de titularidade do Recorrente no Brasil, possuindo assim, a mesma origem lícita. 3. Cita decisão do Conselho de Contribuinte segundo a qual se admite a possibilidade de impugnação genérica às imputações do Auto de Infração, fato que não caracteriza preclusão e não afasta a apreciação da matéria pela segunda instância recursal. 4. Sustenta que a manutenção do entendimento da decisão a quo privará o recorrente de exercer na plenitude os princípios do devido processo legal, contraditório, ampla defesa e duplo grau de jurisdição, com a supressão de instância indevida. 5. Conclui, assim, que toda a matéria objeto do Auto de Infração foi impugnada na esfera administrativa, sendo de rigor o seu reexame pela instância superior, como observância e respeito aos princípios constitucionais que regem o processo administrativo. Até porque, para comprovar que os depósitos bancários de origem não comprovada correspondem a parte do dinheiro trazido do exterior, basta a análise dos extratos bancários fornecidos espontaneamente pelo contribuinte. 6. Em seguida, passa a questionar o mérito do lançamento com argumentos que não serão aqui minudentemente relatados em razão do que se prolatará no voto deste Acórdão. 7. Ao final requer (fl. 483): a) que o processo administrativo n° 16020.000357/200936 ("valores não impugnados"), seja apensado ao processo em epígrafe e enviado para o julgamento do presente recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em Brasília; b) seja julgado procedente o recurso, com a anulação in totum do crédito tributário constante do Auto de Infração lavrado contra o Recorrente, tendo em vista que o imposto pago na Itália foi a maior do que seria devido no Brasil; c) caso ainda restem dúvidas acerca do pleito do Recorrente, requer se digne esta DD Conselho Administrativo determinar que a Receita Federal com base nos documentos apresentados, proceda à compensação dos tributos pagos na Itália, com o que seria devido em nosso país quando da remessa do dinheiro; d) a juntada de outros documentos necessários e indispensáveis ao exercício da ampla defesa, do contraditório e da busca da verdade real. Conforme despacho da autoridade preparadora de 24/11/2009 (fl. 674), no recurso o contribuinte se insurgiu contra a matéria considerada não impugnada pela decisão de primeira instância (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada), entendendo que os autos deveriam retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para que Presidente da 1ª Turma daquela unidade se manifestasse. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 704 10 Em 06/01/2010, assim se manifestou a presidente do Colegiado de primeiro grau (fl. 546): Considerando que na petição apresentada pelo contribuinte às fls. 473/483, o contribuinte não demonstra ter qualquer dúvida quanto ao conteúdo do Acórdão no 0815804, de 30/06/2009, proferido pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em Fortaleza, fls. 449/457, não há como acolher a referida petição como embargos de declaração, conforme sugerido pelo despacho de fls. 545. Encaminhese o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para as providências a seu cargo. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, inicialmente distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 25/07/20011. DA DILIGÊNCIA Em sessão de 18/01/2012, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Sessão Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 220200.144 (fls. 678 a 686), cujo voto reproduzo a seguir: A apreciação do presente recurso por este Colegiado encontrase prejudicada por uma questão preliminar. Inicialmente, importa salientar que não se encontra acostado aos autos o Aviso de Recebimento referente à ciência da decisão de primeira instância, prolatada em 30/06/2009 (fls. 449 a 457), gerando dúvidas quanto à tempestividade do recurso protocolado em 28/10/2009 (fls. 473 a 483). Dessa forma, a fim de que se possa formar convicção acerca da tempestividade do presente recurso, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora esclareça qual a data da ciência da decisão de primeira instância, juntando os documentos comprobatórios. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a recorrente deve ser cientificada do resultado da diligência para que se manifeste, se assim o desejar. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. Em resposta, a unidade de origem informa que a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 28/09/2009, conforme AR de fl. 689, comprovando a tempestividade do Recurso Voluntário, apresentado em 28/10/2009. O presente processo retornou de diligência, veio digitalizado até à fl. 6941. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 546 (fl. 675 da digitalização). Fl. 704DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 705 11 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A análise do mérito do lançamento em pauta encontrase prejudicada por uma questão preliminar. Explicase. Conforme relatado, o contribuinte alega que a decisão recorrida entendeu que a infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada não teria sido por ele questionada, contudo, afirma que expressamente se manifestou quanto à mesma. Para o deslinde da questão, importa transcrever o seguinte trecho da impugnação (fls. 305 e 306): Assim, concessa venia, demonstrou o Impugnante por documentos hábeis (contratos de câmbio) que trouxe para o Brasil de maneira regular a quantia total de R$ 2.363.892,50 (dois milhões, trezentos e sessenta e três mil, oitocentos e noventa e dois reais e cinqüenta centavos). Ademais, consoante se infere pela análise da movimentação financeira entregue voluntariamente pelo Impugnante (fls. 119/135), os valores constantes dos contratos de câmbio foram efetivamente depositados em sua contacorrente (fls. 128, 129, 130, 131, 133 e 134). A simples confrontação dos extratos e datas de depósitos são suficientes para comprovar a origem e licitude dos volumes de recursos constantes nas contas correntes do Impugnante, ou seja, o numerário enviado da Itália foi distribuído nas contas bancárias do Impugnante no Brasil, possuindo a mesma origem lícita. Como se percebe, o contribuinte expressamente impugnou a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários e, portanto, seu pleito não foi examinado em sua totalidade, uma vez que a decisão recorrida considerou como não impugnada tal infração, apartando o crédito tributário considerado não impugnado e transferindoo para o processo no 16020.000357/200936. Dessa forma, entendo que o Acórdão de primeiro grau é nulo, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972, uma vez que deixouse de apreciar os argumentos do contribuinte, conforme disposto no art. 31 do mesmo decreto. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10855.002514/200604 Acórdão n.º 2202002.003 S2C2T2 Fl. 706 12 Diante do exposto, voto por ACOLHER a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar o retorno dos autos a autoridade julgadora de primeira instância para que aprecie os argumentos relacionados à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e, conseqüentemente, a unidade preparadora apense o processo no 16020.000357/200936 ao presente processo e tome as demais providências de sua alçada para fins de desfazer o desmembramento indevido do crédito tributário consignado no presente Auto de Infração. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 706DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.901265/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Andrada Marcio Canuto Natal, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente em exercício e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Andrada Marcio Canuto Natal, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .9 01 26 5/ 20 08 -4 1 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10140.901265/200841 Resolução nº 1302000.198 S1C3T2 Fl. 147 2 Relatório SUPRIPAK INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS., que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS.. Trata a lide de pedidos de compensação por meio dos PER/DCOMPs nº. 37793.17205.120105.1.3.030819 e nº. 40508.38040.040205.1.3.030491 (fls. 01 a 09), relativo a saldo negativo de CSLL, do anocalendário 2002, no valor original de R$ 22.026,41, com débitos de estimativa de CSLL do período de apuração janeiro de 2004, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período janeiro de 2005 (fls. 24 a 26). A unidade administrativa (Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS.) que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa os indeferiu, em face de divergência entre o crédito pleiteado e o informado na DIPJ. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. (fls. 020/025), trazendo os seguintes argumentos, assim resumidos no acórdão recorrido: Em 29 de agosto de 2008 foi protocolado o documento de f. 20 a 25 (anexos às f. 26 a 99), no qual é aduzido, em apertada síntese, que de fato há a divergência. Entretanto, o valor das antecipações foi de R$ 22.026,41 conforme documentos de arrecadação, que devem ser considerados como crédito para os fins da compensação declarada. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0424.795, de 03 de Junho de 2011. (fls. 117/119), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2002 DCOMP. SALDO NEGATIVO. Comprovados os pagamentos das estimativas nos valores informados na DCOMP, reconhecese o crédito deles decorrente até o valor imputado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O acórdão recorrido reconheceu os pagamentos de estimativas comprovados pela recorrente, porém, recalculou o saldo negativo de CSLL, tendo em vista que a interessado havia deixado de recolher a estimativa mensal da contribuição nos períodos mensais de janeiro a junho de 2002. Como a interessada comprovou a realização de dois pagamentos ambos em 31 de julho de 2002: um de R$ 10.355,09 e outro de R$ 12.716,78. O valor do primeiro compreende a R$ 9.309,63 (código 2484), R$ 952,37 de multa Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10140.901265/200841 Resolução nº 1302000.198 S1C3T2 Fl. 148 3 e R$ 93,09 de juros. O valor do segundo referese inteiramente ao tributo 2484. Ao fazer a imputação proporcional dos pagamentos aos débitos declarados em DIPJ, com a aplicação da multa de mora e dos juros de mesma natureza, o relator do acórdão recorrido verificou que eles não são suficientes para a quitação total das estimativas do ano de 2002, elaborando o demonstrativo abaixo transcrito: Débito Valor Multa Juros % juros Total jan/02 113,89 22,77 7,50 6,59 144,16 fev/02 4.733,25 946,65 247,07 5,22 5.926,97 mar/02 748,25 149,65 27,98 3,74 925,88 abr/02 396,90 77,27 9,24 2,33 483,41 mai/02 9.650,93 987,29 96,50 1,00 10.734,72 jun/02 3.407,15 0,00 0,00 0,00 3.407,15 jul/02 2.533,99 0,00 0,00 0,00 2.533,99 Total 24.156,28 Desta forma, o acórdão recorrido reconheceu como crédito, para fins das compensações declaradas, o valor de R$ 19.454,49, que corresponde à diferença entre o valor do principal pago (R$ 22.026,41) e o do total das multas e juros devidos (R$ 2.571,92). Ciente da decisão de primeira instância em 18/08/2011, conforme documento de fl. 123, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 19/09/2011 (registro de recepção à fl. 139, razões de recurso às fls. 139/146), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a) Preliminarmente alega que a intimação do acórdão proferido pela DRJ Campo Grande/MS, por meio da Ciência n.° 0692/11 SAORT/DRF/CGE/MS trouxe apenas o acórdão e o DARF do pagamento, sem, contudo, trazer o inteiro teor do documento com o respectivo voto. b) Que, diante desse fato, solicitou cópia do processo administrativo e verificou que não consta no mesmo o voto do Sr. Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator do processo. c) Que a falta do acórdão em sua integralidade, com as razões que levaram o Relator a conceder parte do crédito, ainda que quase a sua totalidade, lhe trouxe prejuízo à Recorrente, pois não teve como exercer o seu direito de defesa, já que não sabe o por que não teve a sua Impugnação julgada integralmente procedente. d) Que, assim, requer a nulidade do acórdão recorrido, bem como de todos os atos posteriores e que, após o reconhecimento da nulidade seja feita a juntada do voto do Relator para o exercício do deu direito de defesa. e) No mérito, repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mediante os quais sustenta a existência do saldo negativo de CSLL pleiteado. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10140.901265/200841 Resolução nº 1302000.198 S1C3T2 Fl. 149 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Analisando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A recorrente alega que ao ser cientificada do acórdão proferido pela DRJ Campo Grande/MS, não recebeu a íntegra do documento decisório, em especial o voto do relator do acórdão na quais constam os fundamentos do acolhimento apenas parcial de sua manifestação de inconformidade. Informa ainda que, diante do fato, solicitou cópia da íntegra do processo à unidade preparadora (fls. 131) e que também desta feita não teria recebido o acórdão recorrido na íntegra. Tal fato prejudicou a apresentação de sua defesa no recurso voluntário. Em conclusão requereu, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido e de todos os atos posteriores, com a juntada da íntegra do acórdão recorrido e abertura de novo prazo para sua manifestação. Pelos documentos acostados aos autos não é possível verificar se de fato ocorreu a alegada falha na intimação feita pela unidade preparadora dando ciência à interessada do acórdão proferido pela DRJCampo Grande/MS. Constato, no entanto que, de fato, a recorrente solicitou cópia integral do processo, oportunidade em que, segundo alega, mais uma vez não recebeu cópia integral do acórdão recorrido. Também desta feita não há como afirmar ou refutar a alegação da recorrente de que não teria tido acesso à íntegra do acórdão recorrido, o que lhe teria cerceado o direito de defesa. Verifico, ainda, que consta dos autos (fls. 117/119) a íntegra do Acórdão nº 04 24.795, de 03 de Junho de 2011. proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, não havendo qualquer motivo para a declaração de sua nulidade. Não obstante, uma vez que a recorrente apresentou tempestivamente seu recurso voluntário, no qual demonstra insegurança e desconhecimento quanto aos fundamentos do indeferimento parcial de seu pedido constante da manifestação de inconformidade, entendo que os presentes autos devem retornar à unidade de origem para que a autoridade preparadora efetue nova intimação para ciência da interessada da íntegra do referido acórdão, para que a interessada possa exercer em sua plenitude o seu direito de defesa perante esta instância recursal. O inc. II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, prescreve que são nulos os atos praticados com preterição ao direito de defesa. Assim, incumbe a este colegiado, existindo dúvida razoável quanto aos atos de ciência à interessada do acórdão recorrido em sua íntegra, adotar as providências para evitar tal cerceamento. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10140.901265/200841 Resolução nº 1302000.198 S1C3T2 Fl. 150 5 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade de origem para que a autoridade preparadora efetue nova intimação para ciência da interessada com relação ao Acórdão nº 04 24.795, de 03 de Junho de 2011. proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, de preferência em caráter pessoal, certificandose na intimação de que a decisão está sendo entregue em seu inteiro teor e da abertura de novo prazo de 30 dias para o aditamento das razões apresentadas no recurso voluntário, se assim entender necessário. Depois de esgotado o novo prazo para a manifestação da interessada, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 02 de Outubro de 2012. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000116/2001-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ACÓRDÃO COM ANÁLISE DE MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO.
Deve ser desconsiderada a parte do acórdão que trata de matéria alheia ao processo e no Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3401-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os Embargos de Declaração apenas para corrigir o erro material, sem aplicar os efeitos infringentes.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ACÓRDÃO COM ANÁLISE DE MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. Deve ser desconsiderada a parte do acórdão que trata de matéria alheia ao processo e no Recurso Voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os Embargos de Declaração apenas para corrigir o erro material, sem aplicar os efeitos infringentes. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 427 1 426 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13639.000116/200183 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401001.980 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2012 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA INDUSTRIAL CATAGUASES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ACÓRDÃO COM ANÁLISE DE MATÉRIA ALHEIA AO PROCESSO. Deve ser desconsiderada a parte do acórdão que trata de matéria alheia ao processo e no Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os Embargos de Declaração apenas para corrigir o erro material, sem aplicar os efeitos infringentes. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 01 16 /2 00 1- 83 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls.406/410) contra o acórdão nº 20311.723, sob alegação de erro material. No acórdão embargado, foi reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI em relação à aquisição de alguns insumos. Segundo a Embargante, o acórdão contém erro material, pois analisou e deferiu crédito referente item não mencionado no processo, qual seja: insumos adquiridos como amostra. Além disso, a Embargante ainda alega que, muito embora o acórdão tenha deferido o crédito em relação aos insumos adquiridos de pessoa física, a ementa foi omissa nessa matéria. Ao fim, a Embargante pediu a correção do erro material apontado e a supressão da omissão. Constatado que o Relator originário não está mais no CARF, o Conselheiro que ora relata foi designado relator ad hoc. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Os embargos de declaração se fundam em dois argumentos: o primeiro, de que houve erro material ao ser apreciada matéria estranha ao processo; o segundo, de que a ementa é omissa em relação a uma matéria. Compulsando os autos, notase que a Embargante tem razão no primeiro argumento. Realmente a matéria referente à geração de crédito pela aquisição de insumos tidos como amostra não foi abordada no processo e não foi objeto do Recurso Voluntário. Quando trata das glosas indevidas, a Recorrente apresenta o seguinte tópico no seu recurso (fl.311): “Crédito Presumido de IPI. Exclusões Indevidas. Insumos adquiridos no mercado externo e de pessoas físicas domiciliadas no país que não são contribuintes do PIS e da COFINS”. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13639.000116/200183 Acórdão n.º 3401001.980 S3C4T1 Fl. 428 3 No restante do Recurso Voluntário também não é mencionada a matéria das aquisições de amostra. Por essa razão, devem ser desconsiderados os trechos do acórdão embargado, nos qual essa matéria é tratada. Relativamente à omissão, na ementa, esta não enseja os embargos de declaração, haja vista a matéria ter sido fundamentada no corpo do acórdão. Ex positis, acolho parcialmente os embargos de declaração, apenas para suprir o erro material. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 22 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903181/2008-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA.
O processo Administrativo Fiscal rege-se pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do crédito tributário resgata a verdade material que não pode ser elidida sob o argumento de preclusão da prova.
Processo Anulado
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3803-003.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo ab initio, cancelando a(s) Declaração(ões) de compensação controvertida(s), nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator, que negou provimento ao recurso, e o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não o conheceu. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA. O processo Administrativo Fiscal rege-se pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do crédito tributário resgata a verdade material que não pode ser elidida sob o argumento de preclusão da prova. Processo Anulado Sem Crédito em Litígio
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo ab initio, cancelando a(s) Declaração(ões) de compensação controvertida(s), nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator, que negou provimento ao recurso, e o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não o conheceu. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO CONFESSADO EM DUPLICIDADE. ERRO DE FATO. CANCELAMENTO. A existência de pendência fiscal da Contribuinte na Receita Federal do Brasil, de contribuição tempestivamente paga, enseja o cancelamento da declaração de compensação transmitida no intuito de saneála, denotando duplicidade na confissão e extinção do débito, uma vez comprovada a identidade dos débitos, por meio da escrita contábil, regular em seus requisitos formais. Em situação tal, devese obedecer os princípios da legalidade e da moralidade que regem a Administração Pública Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGÊNCIA. VERDADE MATERIAL. SUBSISTÊNCIA EM FACE DA PRECLUSÃO DA PROVA. O processo Administrativo Fiscal regese pelo princípio da verdade material, quanto aos fundamentos fáticos que o sustentam. A identificação de fato que configure de forma clara e pontual a duplicidade de confissão e extinção do crédito tributário resgata a verdade material que não pode ser elidida sob o argumento de preclusão da prova. Processo Anulado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 31 81 /2 00 8- 74 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo ab initio, cancelando a(s) Declaração(ões) de compensação controvertida(s), nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator, que negou provimento ao recurso, e o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não o conheceu. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório BARROS PIMENTEL ENGENHARIA LTDA.transmitiu o PER/Dcomp nº 38775.09278.030904.1.3.045893, com vistas a extinguir débito de Cofins, do período de apuração de dez/2000, no valor de R$ 18.500,00, pela via de sua compensação com direito creditório advindo de indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. A Delegacia da Receita Receita Federal do Brasil competente para analisar o pleito, por meio de Despacho Decisório Eletrônico, indeferiuo integralmente porque o pagamento invocado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na Dcomp. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou ter sido induzido ao erro por informação prestada pelo servidor público que o atendeu e que a presente DCOMP foi declarada para possibilitar a emissão de Certidão Negativa de Débito – CND requerida e que não teve intenção de se compensar em duplicidade. A 7ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05037.526, de 4 de abril de 2012, fls. 26 a 30, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903181/200874 Acórdão n.º 3803003.591 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 7ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 37 a 40, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explica que calculou o valor da contribuição em causa com base na estimativa do faturamento do período de competência, entretanto, o valor do faturamento foi inferior ao estimado. Apontado o débito, o contador da recorrente compareceu ao plantão da Delegacia da Receita Federal de Campinas, expôs os fatos suprarreferidos e foi orientado a fazer uma PER/DCOMP, compensandose o débito que foi recolhido a maior com o valor realmente devido. Reconhece, no entanto, que não há meios de se comprovar o comparecimento ao plantão e a resposta dada pela consulta formulada ao Fiscal plantonista. Inobstante a ausência de meios de comprovação, a orientação dada ao contador da recorrente foi que fizesse um PER/DCOMP, compensando o débito recolhido a maior com o devido. Assim foi que, seguindo a orientação obtida pelo plantonista da Receita, a recorrente procedeu à elaboração do PER/DCOMP nº 38775.09278.030904.1.3.045893, compensando o valor que havia apurado por estimativa com o valor realmente devido. Por via de consequência, a situação fática acima exposta levou à presunção de que a contribuição que serviu de base para a compensação já havia sido compensada. Acusa a ocorrência de erro material no julgamento de primeira instância, se ao considerar que a contribuição que serviu de base para a compensação já havia sido compensada. Destaca, na folha do Livro Diário acostados aos autos juntamente com a peça recursal, que o valor referente à contribuição em foco no mês de competência de dezembro de 2000 era de R$ 16.127,23; porém, o recolhimento, feito com base no valor estimado do faturamento, foi de R$ 18.500,00, conforme comprovaria a guia DARF que diz juntar ao recurso. Ainda, na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do ano base de 2000 (recibo de n 2507227082), o valor da Cofins da competência de dezembro de 2000 é de R$ 16.462,57. Daí a razão de o sistema da Receita acusar a falta de recolhimento da COFINS no valor de R$ 16.462,57, concernente à competência de dezembro de 2000, evidenciandose que a cobrança do débito está sendo feita em duplicidade. Pede provimento para o fim de ver cancelada a cobrança do débito. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 37 a 40 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS7ª Turma nº 05037.526, de 4 de abril de 2012. De pronto, julgo conveniente esclarecer ao recorrente que o pagamento indigitado como sendo a maior, no valor de R$ 18.500,00, foi totalmente absorvido para a quitação dos débitos de Cofins (cód. 2172) do PA dez/2000 (R$ 16.462,57) e do PA ago/2001 (R$ 2.037,43). Tratandose de pagamento alocado a débito(s) espontaneamente confessado(s), não há falar em pagamento a maior. O atributo de irretratabilidade da confissão espontânea de dívida somente pode ser afastado mediante prova cabal de erro na declaração, consoante o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 . Tal prova, no entanto, não existe nos autos. Os documentos que instruem A decisão recorrida não acolheu a exceção de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DIPJ para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de reclamação administrativa, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia. No recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903181/200874 Acórdão n.º 3803003.591 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 5 [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 6 desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. No caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. Desta forma, deixo de considerálos no julgamento da presente lide. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (cópia da Dcomp nº 38775.09278.030904.1.3.045893, cópia de 1 (uma) folha do livro e de balancete de verificação, cópia do DARF representativo do pagamento apontado como a maior e cópia da Ficcha 19A da DIPJ do anocalendário de interesse), devese sublinhar que os mesmos não são suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903181/200874 Acórdão n.º 3803003.591 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 7 patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/12/2000 a 31/12/2000) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado em DCTF retificadora (que no presente caso sequer foi apresentada) e na DIPJ retificadora, de caráter meramente informativo. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Voto Vencedor Com a devida vênia para o registro, tenho em conta que o voto do d. Relator foi norteado por um equívoco na sua percepção dos fatos que subjazem neste processo, pela apreciação inadequada da prova e pelo aspecto formal de sua preclusão, nos termos do art. 16, § 4º, do PAF. A verdade real dos fatos se pronunciam já dos próprios registros constantes destes autos. Primeiro, reprisese, o despacho decisório certifica o pagamento de Cofins, código de receita 2172, do período de apuração (PA) dezembro de 2000, no valor R$ 18.500,00, arrecadado em 15/01/2001. Segundo, que o SIEF fora gravado pela informação prestada na DIPJ/2001, no valor de R$ 16.462,57 débito de Cofins, código de receita 2172, referente ao mês de dezembro de 2000 (inexigível, porquanto veiculado por obrigação acessória que não constitui confissão de dívida), conforme o atesta o sistema da RFB “Informações de Apoio para Emissão de Certidão, fl 58, anexo do recurso voluntário, nele constando este quantum como Valor Original (do débito). Terceiro, que o SIEF fora efetivamente alimentado com o débito de Cofins, código de receita 2172, referente ao mês de dezembro de 2000 exigível, porquanto instrumentalizado por meio de DCTF no valor de R$ 16.127,23, conforme o atesta o mesmo sistema da RFB “Informações de Apoio para Emissão de Certidão”, em que consta este quantum como Saldo Devedor Original, na mesma linha da informação antecedente. Destaquese que esse sistema, SINCOR, não registra R$ 16.462,57 como saldo devedor, mas, sim, o último R$ 16.127,23, pelo motivo já está acima explanado: o primeiro, provém de DIPJ; o segundo, da DCTF. Atentese para outros dados mais: notese que o documento da Administração Tributária está datado de 03 de agosto de 2004, às 9:40h. Ele está a informar que até essa data, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 8 três anos e sete meses depois, nenhum pagamento fora alocado ao débito confessado, não obstante existir, desde 15 de janeiro de 2001, no sistema de pagamento da RFB, um DARF pago de R$ 18.500,00, código de receita 2172, para o débito deste PA. Disso, se dessume que o pagamento estava, então, disponível. A solução simples, apenas de alocação manual, foi complicada com a transmissão da DComp utilizando o pagamento que estava disponível. Se, de fato, houve a orientação de servidor para a compensação via DComp, segundo afirma a Recorrente reconhecendo a dificuldade de poder proválo, ela foi despropositada. Só não contavam, nem servidor nem a Contribuinte que a DComp estava gerando um novo débito para o dito PA. A alocação manual foi, enfim, procedida sobre o débito maior de dezembro, de R$ 16.462,57 (o exigível era R$ 16.127,23, e não R$ 16.462,57) e a diferença, R$ 2.037,43, alocada ao débito do mês de fevereiro/2001, extinguindoo parcialmente, em um tempo entre a pesquisa de situação fiscal e o despacho decisório, que assim, pôde informar que o pagamento fora totalmente utilizado. Notese que a DComp foi transmitida em 03 de setembro de 2004, após a pesquisa de situação fiscal obtida pela Contribuinte na Unidade de origem, fl. 58, anexo ao recurso voluntário. Essa sequência de eventos torna patente que o intuito da transmissão da DComp foi o de suprimir a pendência da Contribuinte perante a RFB, não de reconhecer um novo débito e constituir um crédito tributário. Este intuito é atestado, ainda, pelo fato de a Contribuinte não fazer incindir sobre o débito multa de mora nem, sobretudo, os juros. Como se não bastasse para firmar esta convicção, importa perceber que o débito conduzido na DComp é de mesmo valor do que está registrado nas “Informações de Apoio para Emissão de Certidão” e do qual foi deduzido o pagamento de R$ 18.500,00. Não há nenhum nexo apreenderse do procedimento da Contribuinte que ela pretendeu reconhecer e confessar outra parcela do Cofins de dezembro de 2000, de igual valor, quase quatro anos depois, e, nessa senda, em contrassenso, agir ilegalmente sem fazer incidir sobre o débito os acréscimos legais, ou, minimamente, os juros. Não introduzir os acréscimos reforça a conclusão de que pretendera extinguir por compensação o débito mesmo que estava pendente no sistema. O relatório e o voto identificam, entre os documentos anexados no recurso, cópia do Livro Diário, como se vê do excerto abaixo: A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (cópia da Dcomp nº 38775.09278.030904.1.3.045893, cópia de 1 (uma) folha do livro e de balancete de verificação, cópia do DARF representativo do pagamento apontado como a maior e cópia da Ficcha 19A da DIPJ do anocalendário de interesse), devese sublinhar que os mesmos não são suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/12/2000 a 31/12/2000) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903181/200874 Acórdão n.º 3803003.591 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 9 informado em DCTF retificadora (que no presente caso sequer foi apresentada) e na DIPJ retificadora, de caráter meramente informativo. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN.[sublinhado aqui] No entanto, o d. Relator não faz a correta valoração ao aduzir que não houve apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse ... não atingiu o valor informado em DCTF...”. Contrariamente a sua percepção, vejo a prova presente nos autos. Com efeito, consta do Livro Diário, fls. 49/50 e 57, com Termo de Abertura e Termo de Encerramento, a escrita (no meio da página) “PIS FATURAMENTO ... 24972 PIS RECEITA OPERACIONAL ... Vr. ref. Pis Faturamento DE DEZEMBRO ... 16.127,23”. O valor registrado de PIS neste livro, de escrituração obrigatória, está em conformidade com o Balancete de Verificação, fls. 51/56, cópia de documento da época, fazendo sobrelevar dos elementos destes autos a verdade material; cópias autenticadas em 12 de maio de 2012. É clara, pois, a prova de que o débito de Cofins do mês de dezembro de 2000 é apenas R$ 16.127,23 é clara. É uma prova contundente, posto ser singela, conclusa, que não depende de qualquer apuração numérica ou de confirmação adicional de existência, de autenticidade ou de validade por parte da Unidade de origem. É consabido que, sem prejuízo do princípio da preclusão, positivado na Ordem Jurídica Brasileira, a verdade material é princípio que rege o Processo Administrativo Fiscal. Nestes autos a prova salta plena de suficiência. Pelos atributos indicados que ela reúne, sopesando ambos os princípios, entendo que se deve homenagear este último e acolhêla, para que cumpra o desiderato que lhe é próprio no âmbito do processo. Isso, porque, ante tudo o que está demonstrado, podese atribuir a ocorrência de erro de fato substancial da Contribuinte no ato de transmitir DComp com débito já extinto pelo pagamento, servindose deste próprio pagamento, imaginando estar suprimindo a pendência constante no sistema da RFB. Tratase de erro que “interessa ao objeto principal da declaração...”, o débito que a Contribuinte confessa e extingue, segundo os termos do art. 139, do Código Civil, ao definir o erro de fato substancial. Erro de fato substancial, na lição de Francisco Amaral “é aquele de tal importância que, sem ele, o ato não se realizaria. Se o agente conhecesse a verdade, não manifestaria vontade de concluir o negócio jurídico.” 2 Não se olvida que a vontade não é elemento existencial do ato jurídico strictu senso (diferentemente do que o exige o negócio jurídico), uma vez que os seus efeitos são aqueles préestabelecidos na lei. No dizer de Antonio Junqueira de Azevedo ela é incorporada 2 Amaral Francisco. Direito Civil. São Paulo: Renovar, 2003, p. 500. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN 10 e absorvida pela declaração, e pode, depois, influenciar a validade do ato e às vezes também a eficácia. Segundo essa vertente da doutrina, temos, no caso, comprometida a DComp no seu plano de eficácia, eis que consubstancia uma confissão de dívida em que esteve vulnerada a manifestação de vontade da Contribuinte, presente o vício de consentimento, por ausente o seu objeto: a Contribuinte não queria fazer o que o documento que emitiu “diz” que ela fez. Já da lição de Fabiana Del Padre Tomé3, no excerto abaixo, deduzemse afetados os planos de existência e de validade da declaração: O raciocínio é claro: se confissão é declaração de vontade, e se essa vontade é viciada, a confissão não tem objeto. E declaração sem objeto é o mesmo que declaração inexistente. Essa assertiva ainda mais se avulta em Direito Tributário: se a obrigação tributária decorre da concretização, no mundo fenomênico, daquele fato abstratamente previsto na norma jurídica (hipótese de incidência), a confissão somente tem validade na medida em que efetivamente corresponder ao fato. Em não havendo essa correlação, a declaração viciada de vontade em nada interessa ao Direito Tributário. Na intrepidez do seu ensino a Professora vai inda mais adiante, em demonstrar que não só o erro de fato, mas, também, o erro de direito enseja a revogabilidade da confissão: Por regra geral o erro de direito, isto é, sobre os efeitos jurídicos do ato, não motiva a revogação da confissão, porque não impede que o fato seja certo; mas se o erro de direito conduz à confissão de uma obrigação que não existe ou ao negar a existência de um direito que se tem, apresentase, também, em última instância, como um erro de fato, e, por conseguinte, aquele é apenas a causa deste, que autoriza sua revogação. Se o erro de fato serve para revogar a confissão, não importa que se origine a partir de um erro de direito.) Moacyr Amaral dos Santos4, corroborao quando leciona acerca da revogação da confissão, por faltarlhe objeto, na hipótese de erro fundado na falsidade do fato confessado: Dado que o confitente, por engano, narre o fato de forma diversa daquela por que se passou, há erro e, como tal, a confissão pode ser revogada, desde que o erro seja essencial. A confissão é o reconhecimento da verdade de um fato; se o fato confessado é falso, a confissão não tem 3 TOMÉ, Fabiana Del Padre. Defesa e Provas no Processo Administrativo Tributário Federal: Momento para sua produção, espécies probatórias possíveis e exame de sua admissibilidade. In: Processo Administrativo Tributário Federal e Estadual. Organizadores: Marcelo Vianna Salomão e Aldo de Paula Júnior. São Paulo: MP Editora, 2005, p.1579. 4 SANTOS, Moacyr Amaral. Comentários ao Código de Processo Civil. V. IV. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1994, p.111. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.903181/200874 Acórdão n.º 3803003.591 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 11 causa, faltalhe objeto. Quem admite um fato, devido a erro, na realidade não confessa: non fatetur qui errat. Com esta orientação converge também Américo Masset Lacombe5, ao afirmar que “a confissão pode, pois, ser revogada se houver erro de fato.” Repisese sucintamente: o Livro Diário e o balancete provam, de forma cabal, que o débito escriturado foi pago, inexistindo a sua duplicata constante da DComp. Assim, o conflito sob exame deve ser resolvido pelo cancelamento da declaração de compensação, sob pena de ferir, igualmente, além da verdade material que exsurge do que está provado nos autos e ora demonstrado, os princípios da legalidade e da moralidade, que devem ser obedecidos pela Administração Pública Federal, segundo o ditame do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a impedir, no caso, que se exija da Contribuinte tributo que já está pago, decorrente do ato de não homologação da DComp sob análise. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para anular o processo ab initio, cancelando a declaração de compensação examinada. Sala das sessões, 23 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 5 LACOMBE, Américo Lourenço Masset. A caracterização do parcelamento para fins tributários e criminais (novação da dívida ou mera confissão de fatos): a jurisprudência do STJ. In: Revista Internacional de Direito Tributário da ABRADT. Vol. VI. Belo Horizonte: Del Rey, 2007, p.2356. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11020.004683/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/11/2002
DECADÊNCIA. TRIBUTO. DIFERENÇAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO.
No julgamento do REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que houve antecipação de pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 150, §4º, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62-A do RICARF, adota-se para o presente julgamento, aquela decisão, reconhecendo-se a decadência qüinqüenal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3301-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
EDITADO EM:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Darzé Medrado.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 30/11/2002 DECADÊNCIA. TRIBUTO. DIFERENÇAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. No julgamento do REsp 973.733/SC, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, nos casos em que houve antecipação de pagamento, deve ser efetuada nos termos do art. 150, §4º, do CTN; assim, em face do disposto no art. 62A do RICARF, adotase para o presente julgamento, aquela decisão, reconhecendose a decadência qüinqüenal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. EDITADO EM: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 46 83 /2 00 7- 37 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Darzé Medrado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às fls. 04/22 e às fls. 29/36, referente aos fatos geradores ocorridos nos decêndios dos meses de março de 2002 a maio de 2003. As exigências tributárias decorreram de diferenças entre os valores declarados e os efetivamente devidos pelo fato de a recorrente ter utilizado créditos escriturais não previstos na legislação desse imposto, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada um dos autos de infração e Relatório Fiscal às fls. 42/49. Inconformada com os lançamentos, a recorrente impugnouos (fls. 192/221), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “... em preliminar, a decadência do crédito lançado cujos fatos geradores ocorreram até novembro de 2002, com fulcro no disposto no art. 150, §4º do CTN, a seguir aborda sobre a necessidade do sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão judicial. No mérito, impugna a aplicação da taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora, por exceder o limite máximo fixado pelo §1º, do art. 161, do Código Tributário Nacional. Em 17 de janeiro de 2008, o autuado apresenta desistência parcial da impugnação apresentada relativamente aos lançamentos de créditos exigidos no período de 10/12/2002 a 31/08/2004, totalizando o valor de R$ 245.448,75, cujos valores informa que serão objetos de parcelamento a ser formalizado junto a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul.” Analisada a impugnação, aquela DRJ, julgoua improcedente, em relação às matérias litigiosas, ou seja, a decadência suscitada e a exigência de juros de mora à taxa Selic, conforme acórdão nº 1030.593, datado de 24/03/2011, às fls. 944/951, sob as seguintes ementas: “PARCELAS NÃO LITIGIOSAS São definitivas as parcelas não litigiosas, objeto de concordância do sujeito passivo. DECADÊNCIA Sem que tenha ocorrido pagamento antecipado do IPI, nos termos da legislação desse imposto, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário ocorre do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua pretensão.” Fl. 983DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.004683/200737 Acórdão n.º 3301001.584 S3C3T1 Fl. 983 3 Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 959/968, requerendo a sua reforma a fim de se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos termos do CTN, art. 150, §4º, para o período de março a novembro 2002, tendo em vista que efetuou pagamentos por conta daquelas parcelas e os valores remanescentes compensados com os créditos reconhecidos na decisão judicial autuada sob o nº 2001.71.07.07.0049874. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A matéria oposta nesta fase recursal se restringe à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao período de competência de março a novembro de 2002. A autoridade julgadora de primeira instância não reconheceu a decadência sob o fundamento de que o prazo decadencial qüinqüenal deve ser contado nos termos do CTN, art. 173, I, em virtude de não ter havido antecipações de pagamentos por conta dos valores lançados e exigidos. Por sua vez, a recorrente defende a contagem nos termos do art. 150, §4º daquele mesmo Código sob o argumento de que efetuou pagamentos parciais por conta das parcelas lançadas e exigidas e os valores remanescentes foram compensados com os créditos reconhecidos na decisão judicial nº 2001.71.07.00498747. Do exame dos autos, verificase que realmente houve antecipação de pagamentos por conta do IPI, objeto do lançamento em discussão, ou seja, para os fatos geradores ocorridos em todos os decêndios de março de 2002 a novembro de 2002, conforme provam os Comprovantes de Arrecadação às fls. 275/303. Dessa forma, em relação à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquele período de competência, a contagem do prazo qüinqüenal deve ser feita nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No julgamento do Resp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça assim decidiu: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg Fl. 984DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. Assim, por força do disposto no art. 62A do RICARF, adotase para o presente julgamento, aquela decisão, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente aos fatos geradores dos decêndios de março a novembro de 2002. Em face do exposto e de tudo mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário apenas e tão somente para reconhecer a suscitada decadência. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 985DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15922.000287/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece do recurso voluntário interposto, quando ultrapassado o trintídio legal para sua interposição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Luiz Cláudio Farina Ventrilho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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NÃO CONHECIMENTO Não se conhece do recurso voluntário interposto, quando ultrapassado o trintídio legal para sua interposição. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 02 87 /2 00 8- 17 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 15922.000287/200817 Acórdão n.º 2801002.524 S2TE01 Fl. 53 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a notificação de lançamento de fls. 19 a 20, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2004, que apurou compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 13.664,01. Fonte pagadora: Luctal Componentes Ltda., CNPJ n.° 03.999.526/000115. Cientificado do lançamento em 05/05/2008 (fl. 23), o contribuinte apresentou, em 04/06/2008, a impugnação de fls. 01 a 02, acompanhada dos documentos de fls. 03 a 13, alegando que o responsável pelo pagamento do IRRF é a fonte pagadora, Luctal Componentes Ltda., tendo declarado conforme informe de rendimentos por ela fornecido. Declara, ainda, que a totalidade do IRRF devida pela fonte pagadora referente ao exercício de 2004, está sendo cobrada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através da Certidão de Divida Ativa N.° 8020602807679, processo n.° 13839.502220/200666. 0 interessado afirma entender ser devedor solidário mas não acha justo pagar pelo imposto de renda de que está sendo cobrado. Passo adiante, em 10 de agosto de 2010, através do Acórdão 1743.200 a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SPII) entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IRPF GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. Em decorrência do principio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é sócio administrador da fonte pagadora dos rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado em 05/10/2010 (fls. 40), o Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 05/11/2010 (fls. 41), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 15922.000287/200817 Acórdão n.º 2801002.524 S2TE01 Fl. 54 3 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. PRELIMINARMENTE: DA INTEMPESTIVIDADE O contribuinte ora recorrente foi cientificado da decisão da DRJ em 05/10/2010 conforme AR juntado aos autos à fl. 40, havendo protocolizado seu recurso administrativo em 05/11/2010, conforme cópia do carimbo de protocolo de fl. 41, quando já superado o trintídio legal. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso interposto por intempestividade. Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002889/2003-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Ementa
NULIDADE
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Verificado que a notificação de lançamento contém todos os elementos necessários à compreensão dos ilícitos apurados e que o contribuinte teve todas as prerrogativas a ampla defesa assegurados, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Aplicação do Art. 59 da Lei nº. 70.235/75..
PDV. PROGRAMA EXCEPCIONAL E DIRIGIDO A DETERMINADA CLASSE DE EMPREGADOS. NECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO AOS BENEFICIÁRIOS. GRATIFICAÇÃO PAGA POR MERA LIBERALIDADE COMO POLÍTICA ORDINÁRIA DA EMPRESA.
IMPOSSIBILIDADE DE ALBERGAR TAL GRATIFICAÇÃO NO CONCEITO DE PDV.
Programa de demissão instituído perenemente para adequação de quadro de pessoal de empresa, com pagamento de gratificação por mera liberalidade do empregador, não se compreende no conceito de PDV. Este deve ser instituído em caráter excepcional, transitório, objetivando adequar o quadro de pessoal da empresa a situação conjuntural, devendo toda a classe de empregados que a ele pode aderir ser cientificada.Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-001.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado:por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:19/12/2012
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros .Declarou-se impedida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Ementa NULIDADE ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Verificado que a notificação de lançamento contém todos os elementos necessários à compreensão dos ilícitos apurados e que o contribuinte teve todas as prerrogativas a ampla defesa assegurados, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Aplicação do Art. 59 da Lei nº. 70.235/75.. PDV. PROGRAMA EXCEPCIONAL E DIRIGIDO A DETERMINADA CLASSE DE EMPREGADOS. NECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO AOS BENEFICIÁRIOS. GRATIFICAÇÃO PAGA POR MERA LIBERALIDADE COMO POLÍTICA ORDINÁRIA DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE ALBERGAR TAL GRATIFICAÇÃO NO CONCEITO DE PDV. Programa de demissão instituído perenemente para adequação de quadro de pessoal de empresa, com pagamento de gratificação por mera liberalidade do empregador, não se compreende no conceito de PDV. Este deve ser instituído em caráter excepcional, transitório, objetivando adequar o quadro de pessoal da empresa a situação conjuntural, devendo toda a classe de empregados que a ele pode aderir ser cientificada.Recurso negado.
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Verificado que a notificação de lançamento contém todos os elementos necessários à compreensão dos ilícitos apurados e que o contribuinte teve todas as prerrogativas a ampla defesa assegurados, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Aplicação do Art. 59 da Lei nº. 70.235/75.. PDV. PROGRAMA EXCEPCIONAL E DIRIGIDO A DETERMINADA CLASSE DE EMPREGADOS. NECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO AOS BENEFICIÁRIOS. GRATIFICAÇÃO PAGA POR MERA LIBERALIDADE COMO POLÍTICA ORDINÁRIA DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE ALBERGAR TAL GRATIFICAÇÃO NO CONCEITO DE PDV. Programa de demissão instituído perenemente para adequação de quadro de pessoal de empresa, com pagamento de gratificação por mera liberalidade do empregador, não se compreende no conceito de PDV. Este deve ser instituído em caráter excepcional, transitório, objetivando adequar o quadro de pessoal da empresa a situação conjuntural, devendo toda a classe de empregados que a ele pode aderir ser cientificada.Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado:por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 28 89 /2 00 3- 54 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:19/12/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros .Declarouse impedida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 79/88) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Julgamento em São Paulo II (SP), que considerou procedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista glosa da dedução de imposto de renda retido na fonte pleiteado a maior pelo contribuinte, em sua DIRPF Exercício 1999 – Ano calendário 1998. A Décima Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1729.991, de 11 de fevereiro 2009, que se encontra às fls. 71/75, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 GLOSA DA COMPENSAÇÃO A MAIOR A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GRATIFICAÇÃO ESPECIAL. A Gratificação Especial paga em reconhecimento por relevantes serviços prestados A empresa, mesmo por ocasião da rescisão de Contrato de Trabalho, não tem natureza indenizatória, sujeitandose, assim, A incidência do Imposto de Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Não entra no cômputo dos Rendimentos Tributáveis o valor referente a férias indenizadas, sobre o qual não houve retenção na fonte, entendimento esse já esposado no lançamento. Lançamento Procedente Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11831.002889/200354 Acórdão n.º 2802001.604 S2TE02 Fl. 597 3 A ciência de tal julgado se deu por via postal em 24/11/2010, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 76). À vista da decisão, foi protocolizado, em 21/12/2010, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 87/96, no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera, os argumentos apresentados em primeira instância e reapresenta os recibos apresentados a autoridade autuante. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente , deixo de aceitar as alegações atinentes a suposta nulidade do lançamento, de vez que não vislumbro in casu nenhuma das hipóteses de que cuida o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, motivadoras da nulidade; Consoante relatado, o contribuinte informa nos autos que era funcionário do Banco Citibank S/A (CNPJ 33.479.023/000180),. tendo rescindido seu contrato de trabalho, sem justa causa. em 21/08/1998 Colaciono abaixo a resposta do Banco Citibank S/a à indagação quanto à existência do referido evento (fl. 63), assim vazada (fl. 64): 1. Primeiramente, cumpre esclarecer que, no ano de 1998, em decorrência de várias circunstâncias econômicas e de mercado, o BANCO CITIBANK S/A necessitou adequar sua estrutura empresarial, impactando na criação de novos departamentos e extinção de outros. Em função de um número razoável de demissão, decidiu o BANCO CITIBANK S/A adotar o PIVO — Programa de Indenização Voluntária, exclusivo para determinados funcionários desligados nesse período. Tratou o referido Programa de reconhecer tais funcionários, por performance destacada em trabalhos executados ao BANCO CITIBANK S/A (grifei) 2. Assim, fizeram jus a este programa, funcionários que contribuíram para o crescimento do BANCO CITIBANK S/A de forma destacada. Nesse sentido, o PIVO, pago na rescisão contratual sob a sigla "Gratificação Especial", assemelhavase ao PDV (Programa de Demissão Voluntária), embora não abrangesse a totalidade dos funcionários desligados da empresa e não tivesse uma adesão formal a esse Programa. E como, na época, não havia legislação especi fica para regular essa matéria, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 decidiu o BANCO CITIBANK S/A reter na fonte o Imposto de Renda decorrente desse pagamento. 3) Desta forma, informamos que o Sr. JOAQUIM CARLOS FERNANDES, CPF número 021.937.95720, recebeu, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, em 21 de agosto de 1998, o valor à titulo de indenização por tempo de trabalho, dentro do Programa PIVO, descrito nos itens anteriores : Valor Bruto do PIVO R$ 231.313,50 Valor do IR na Fonte (27,5%) R$ 63.611,21 Assim, a controvérsia se resume a definir se a gratificação paga pelo Banco Citibank S/A Brasil ao recorrente, quando de sua dispensa em 1998, pode se enquadrar na moldura de um plano de demissão voluntária. Em razão de sua pertinência e clareza, peço vênia para transcrever o voto proferido no Acordão nº. 210200803 em 19 de agosto de 2010, pelo ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, o qual adoto como razões de decidir. “Como regra, um Plano de Demissão Voluntária PDV se insere em uma política de renovação ou diminuição do emprego, em caráter excepcional, publicamente divulgado para toda uma classe de empregados abrangidos, havendo, do lado do obreiro, como regra, a possibilidade de aderir, ou não, ao Plano. Observe que a divulgação do programa aos possíveis beneficiários, aliado à política de desligamento excepcional, são condições necessárias para a existência de um PDV. Tratase de uma situação extraordinária, eventualmente passível de repetição no tempo, porém que não se insere em uma política ordinária de recursos humanos, Em um PDV, os empregados são instados a permutar a segurança e vantagens da relação ernpregatícia por uma vantagem financeira diferenciada e paga de uma única vez, levando o obreiro, comumente, a urna situação de desemprego formal. As condicionantes acima do PDV são necessárias para evitar que meros pagamentos de verbas salariais ao empregado demitido, feitos por mera liberalidade do empregador, não extensível, em determinada situação excepcional, a uma classe determinada de obreiros, possam ser encarados como um PDV. Ora, nessas situações, em que muitas vezes o empregado está simplesmente trocando de emprego, não se pode deferir a isenção do imposto de renda. Diferentemente do asseverado pelo recorrente, apesar de o termo PDV ter se popularizado na segunda metade da década de 90, as empresas de grande porte no Brasil, notadamente as multinacionais, vinham implementando programas assemelhados a PDV desde o começo dos anos 80. Corno exemplo disso, esse CARF vem julgando programas de demissão voluntária de diversos empregadores, como a IBM do Brasil (como exemplo, vide o Acórdão n° 210200,420, sessão de 03 de dezembro de 2009), instituídos a partir de 1982, no qual as vantagens eram publicamente divulgadas para os empregados abrangidos, dentro de uma política de redução de pessoal, sendo que os empregados deveriam aderir formalmente ao programa. Mutatis mutandis, esse seria o comportamento esperado do empregador do recorrente, multinacional com longa tradição no mercado brasileiro.” Com as considerações acima, não se vê na resposta do BANCO CITIBANK S/A, a instituição de um programa de demissão voluntária, a uma porque não se demonstrou a abertura excepcional do programa a determinada classe de empregados, dentro de uma política transitória de adequação de quadro de empregados, a duas porque não há registro formal da adesão dos empregados; a três porque não informou vantagem a ser auferida pelos beneficiários. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11831.002889/200354 Acórdão n.º 2802001.604 S2TE02 Fl. 598 5 Ademais, esta relatora constatou através de exame do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho (fls 25) que, o valor ali constante e que o recorrente diz ser indenização pelo PDV, em verdade ali consta como "gratificação especial". Assim é que, com base nesses fatos, esta relatora está convicta que os rendimentos recebidos pelo recorrente não se enquadram no Programa de Demissão Voluntária — PDV A jurisprudência citada em nada socorre o recorrente, tendo em vista que versa ela sobre fatos distintos. Sob tais considerações, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso Brasília/DF, Sala de Sessões, 16 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16327.000464/98-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1994
REDUÇÃO DE MULTA E JUROS - REGRA DO ARTIGO 17 DA LEI N° 9.779/99 E DO ARTIGO 11 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.158-35/2001 - ALCANCE.
O artigo 17 da Lei n° 9.779/99, combinado com o artigo 11 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, autorizou o contribuinte a efetuar, até 30/09/1999, o pagamento do tributo com benefícios de dispensa/redução de multa e juros com relação aos fatos geradores objeto de processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998.
No caso, o contribuinte não pagou a totalidade do débito exigido neste feito no prazo estabelecido por tais normas. Conseqüentemente, o saldo não recolhido no prazo - e apenas ele - está sujeito à incidência integral dos acréscimos legais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 06/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 06/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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O artigo 17 da Lei n° 9.779/99, combinado com o artigo 11 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, autorizou o contribuinte a efetuar, até 30/09/1999, o pagamento do tributo com benefícios de dispensa/redução de multa e juros com relação aos fatos geradores objeto de processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998. No caso, o contribuinte não pagou a totalidade do débito exigido neste feito no prazo estabelecido por tais normas. Conseqüentemente, o saldo não recolhido no prazo e apenas ele está sujeito à incidência integral dos acréscimos legais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 64 /9 8- 88 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.587 2 (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 06/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face da Fundação Itaubanco, CNPJ n° 61.155.248/000116, foi lavrado o auto de infração de fls. 0191, para a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre aplicações financeiras de renda fixa, quanto a fatos ocorridos no anocalendário 2004. Após impugnar o lançamento, a autuada protocolou a petição de fls. 1.070 1.071, na qual informou que pagou o débito exigido neste feito com os benefícios previstos na Medida Provisória n° 1.858, requerendo, ao final, a baixa do processo. Tal pretensão restou rejeitada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) I, através do acórdão de fls. 1.4231.433. Por sua vez, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, proferiu o acórdão n° 104 23.062, que se encontra às fls. 1.4921.497, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1994 ANISTIA. O art. 17 da Lei 9.779/1999 c/c o art. 11 da MP 2.15835 autoriza o contribuinte a efetuar o pagamento do tributo com benefícios de dispensa/redução de multa e juros com relação aos fatos geradores objeto de processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer os benefícios da anistia apenas quanto ao montante efetivamente recolhido até 30/09/1999. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.588 3 Intimada em 31/05/2010 (fls. 1.498), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às fls. 1.5011.509, acompanhado dos documentos de fls. 1.5101.516, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Tratase de auto de infração lavrado em 11/09/1998, para a exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras, no anocalendário de 1994. A empresa autuada sustenta que efetuou o recolhimento do crédito tributário em questão e formula pedido para que sejam considerados os efeitos da anistia prevista no art. art. 17 da Lei n° 9.779/99 c/c art. 10 da MP 1.807/99; b) A r. decisão ora recorrida, em sede de julgamento de recurso voluntário, reconheceu os benefícios da anistia apenas quanto ao montante efetivamente recolhido até 30/09/1999, tendo em vista que comprovadamente a autuada não efetuou o recolhimento integral do crédito tributário ora objeto da discussão; c) O r. voto condutor do presente aresto, no que tange à matéria atinente ao recolhimento parcial, objeto deste recurso, argumenta que “a interpretação que confere mais eficácia ao desiderato legislativo é aquela segundo a qual, no caso de pagamento insuficiente, os benefícios da anistia devem ser aplicados apenas à parcela efetivamente paga” (fls. 1.497); d) Data maxima venia, não é esta a melhor solução, pois o benefício fiscal em comento deve ser interpretado literalmente de maneira que somente o rigoroso atendimento dos requisitos permite seu gozo; e) Divergindo do acórdão recorrido, a antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes prolatou, a partir do mesmo contexto fático, decisão que negou o benefício da anistia ao Banco Sudameris do Brasil S/A, ressaltando a necessidade de haver pagamento integral da exação discutida (acórdão n° 20310.737); f) Como já fartamente sabido, é regra básica da hermenêutica interpretar restritivamente o direito excepcional. Na seara tributária, tal cânone está positivado no art. 111 do CTN; g) Segundo o dispositivo, cabe ao aplicador do direito interpretar literalmente a legislação que concede anistia. Como dito acima, as razões da lei são evidentes: como se trata de “exceção”, não pode o interprete ampliála sob pena de desvirtuar a própria “regra” do sistema; h) Estamos diante de anistia, que nos termos do art. 175, II, do CTN, é forma de exclusão do crédito tributário. Portanto, a legislação que rege o benefício tem necessariamente que ser entendida em sua literalidade; i) No caso, a legislação é bastante clara ao exigir o pagamento integral da exação, dentro do prazo estabelecido em lei. A interpretação literal exige, pois, que o intérprete e o aplicador da lei não promovam alargamentos no seu comando. É dizer, a interpretação da norma, em Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.589 4 hipóteses como a que se encontra em análise, deve ser literal, não extensiva, proibindose, via de conseqüência, a utilização de alguns métodos de integração legislativa, tais como o emprego da analogia; j) Originalmente, a razão da legislação era óbvia: a anistia era destinada àqueles casos em que os órgãos do Poder Judiciário haviam autorizado, de forma precária ou definitiva, o não recolhimento de tributos sob o argumento de inconstitucionalidade, mas que, ao final, as decisões do Supremo Tribunal Federal (via difusa ou concentrada) pacificaramse pela constitucionalidade da exação; k) Nessas hipóteses, em que os contribuintes deixaram de recolher o tributo de “boafé” em razão de decisão judicial, a lei resolveu por conceder lhes anistia, exonerandoos de juros e multas. Posteriormente, alterações legislativas vieram a ampliar as hipóteses legais que estariam abrangidas pela benesse fiscal; l) Veja, portanto, que a ratio legis não é autorizar indiscriminadamente a quitação de débitos pendentes, mas exclusivamente débitos que se enquadravam nos requisitos previstos na hipótese legal, dentre os quais, o pagamento integral do tributo. Eventuais tributos não pagos nos termos ali previstos deveriam seguir a sistemática tradicional de quitação em mora; m) Na situação posta nos autos, o contribuinte reconhecidamente não efetuou o pagamento integral do crédito tributário. Contudo, no entender do eminente relator, tal circunstância não seria impeditiva para a concessão do benefício, não só porque exigir tal pagamento integral seria primar "por excesso de formalismo" (fls. 1479), mas também em face do que dispõe a Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002; n) Quanto à aplicação da mencionada Portaria, registrese que a mesma foi editada para disciplinar o pagamento ou parcelamento de débitos de que tratava o art. 11 da Medida Provisória n° 38, de 14 de maio de 2002; o) Com efeito, a Medida Provisória n° 38, de 14.05.2002, perdeu sua eficácia desde a sua edição, a partir de 11.10.2002, conforme Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional, de 10.10.2002, publicado no DOU 11.10.2002, razão pela qual a mesma não deve sequer ser considerada para caso em tela. Entendimento semelhante foi adotado no Acórdão de n° 30238.106; p) O procedimento descrito na Portaria 900/2002, conforme já salientado, regulamenta hipótese prevista na MP 38/2002 (art. 11), em que o contribuinte não só poderia pagar integralmente o tributo devido, como também parcelar o referido montante, a seu critério. Assim, segundo a portaria, caso o contribuinte optasse pelo recolhimento integral, mas o pagamento efetuado fosse insuficiente para quitar o débito, a anistia seria reconhecida apenas na proporção do valor recolhido. O restante, ou seja, a parcela não paga, poderia ser exigida normalmente; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.590 5 q) Entretanto, conforme salientado alhures, a MP 38/2002 não mais se encontra em vigor, sequer produzindo efeitos, e o contribuinte efetuou o pagamento parcial antes mesmo da sua entrada em vigor, ou seja, tentandose aproveitar de uma benesse legal que sequer era existente à época; r) Neste diapasão, pretender aplicar ao caso em tela Portaria editada para regulamentar uma Medida Provisória que teve sua eficácia suspensa desde a origem, seria conferir efeito interpretativo por demais extensivo, de forma a distorcer e a suprimir os requisitos legalmente estabelecidos para a concessão da presente anistia, em flagrante violação ao art. 111, inciso I, do CTN; s) Há que se concluir, portanto, que se deve analisar a norma de forma a não se promover alargamentos no seu comando e, sendo assim, estando o recorrente albergado naquelas disposições legais, deve ser aplicada a anistia prevista; caso contrário, tal como na presente hipótese, o benefício fiscal deve ser afastado, devendose dar seguimento à cobrança do tributo segundo a sistemática tradicional; t) Requer que a Turma dê provimento ao recurso especial, a fim de manter a decisão de primeira instância. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 220200.113 (fls. 1.517 1.519), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 1.5231.529, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida, suscitando, entre outras teses, que “... o artigo 11 da MP n° 38/02 é expresso ao mencionar o artigo 11 da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que é resultado das inúmeras reedições sofridas pela MP no 1.858/99, nas quais, basicamente, somente as datas para adesão à anistia foram alteradas. Portanto, em sendo a Portaria n° 900/02 aplicável à MP n° 2.158/01, ela também o é em relação à MP n° 1.858/99, em conformidade com o inciso I do artigo 106 do CTN ...”. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte para reconhecer os benefícios da anistia apenas quanto ao montante efetivamente recolhido até 30/09/1999. Segundo a recorrente, os benefícios da anistia prevista no artigo 17 da Lei n° 9.779/99, com as alterações/inclusões advindas das Medidas Provisórias nos 1.807, 1.8072/99 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.591 6 e 2.15835/2001, somente se aplicam para as situações em que houve o pagamento integral da exação, dentro do prazo estabelecido em lei, o que não se verifica no caso em tela, no qual o recolhimento foi apenas parcial. Invocou como paradigma o acórdão n° 20310.737. Eis a matéria em litígio. A situação fática do caso em apreço está bem explicitada na manifestação fiscal de fls. 1.1841.185, de onde extraio as seguintes passagens: Em 11/01/2000, a interessada solicitou a baixa do presente processo administrativo informando que se valeu do disposto no art. 10, inciso IV e art. 11 da MP n.° 1.858/99 e suas reedições para efetuar o recolhimento do crédito tributário (fls. 1070/1071). Para tanto, apresentou DARF no valor de R$ 59.715.712,78 (fls. 1.072) e de R$ 5.757.593,16 (fls. 1.121). Apresentou também duas planilhas que discriminam quais períodos de apuração e autos de infração estavam sendo pagos através desses dois DARF (fls. 1.073/1.096 e fls. 1.122/1.139). Em razão do recolhimento ora referenciado, o Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo encaminhou o presente processo à DISAR/DEINF/SP para auditoria de cálculos, com vistas a comprovar eventual enquadramento nos art. 10 e 11 da MP 1858 (fls. 1098/1099). Da análise dos autos que compõem o presente processo verifica se que em 30/07/99, a interessada recolheu o montante de R$ 28.441.696,24 sendo R$ 25.225.451,21 a título de principal do crédito tributário e R$ 3.216.245,03 de juros de mora (taxa de juros SELIC de fevereiro/99 a julho/99), fls. 1.083, de acordo com o disposto no art.10, §3°, IV e §5° da MP n.° 18586 de 29/06/99. Como o valor do crédito tributário constante no auto de infração equivale a R$ 25.492.052,20 (fls. 01), restou um crédito tributário no valor de R$ 266.600,99. Em 30/09/99, a interessada efetuou outro recolhimento (veja o quadro abaixo) que não foi suficiente para extinguir o crédito tributário remanescente (R$ 266.600,99) em razão da falta de recolhimento da multa punitiva, devida para pagamentos efetuados até último dia útil de setembro de 1999, conforme dispõe o art. 11 da MP 1858 de 24/09/99: Conforme consta no acórdão recorrido, além dos pagamentos mencionados, a empresa efetuou novos recolhimentos em 04/2000 e em 08/2004. Pois bem, o artigo 17 da Lei n° 9.779/99, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835/2001, tem a seguinte redação: Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.592 7 prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. § 1°. O disposto neste artigo estendese: I aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; II a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. § 2°. O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: I ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o; II ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o; III alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o. § 3°. O pagamento referido neste artigo: I importa em confissão irretratável da dívida; II constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil; III poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendose a primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes; IV relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderá ser efetuado em quota única, até o último dia útil do mês de julho de 1999. § 4°. As prestações do parcelamento referido no inciso III do § 3o serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 5°. Na hipótese do inciso IV do § 3o, os juros a que se refere o § 4o serão calculados a partir do mês de fevereiro de 1999. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.593 8 § 6°. O pagamento nas condições deste artigo poderá ser parcial, referente apenas a determinado objeto da ação judicial, quando esta envolver mais de um objeto. § 7°. No caso de pagamento parcial, o disposto nos incisos I e II do § 3o alcança exclusivamente os valores pagos. § 8°. Aplicase o disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. O artigo 11 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 ampliou este benefício, nos seguintes termos: Art. 11. Estendese o benefício da dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, com a redação dada pelo art. 10, aos pagamentos realizados até o último dia útil do mês de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, desde que até o dia 31 de dezembro de 1998 o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento. (Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002) § 1°. A dispensa de acréscimos legais, de que trata o caput deste artigo, não envolve multas moratórias ou punitivas e os juros de mora devidos a partir do mês de fevereiro de 1999. § 2°. O pedido de conversão em renda ao juiz do feito onde exista depósito com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito, ou garantir o juízo, equivale, para os fins do gozo do benefício, ao pagamento. § 3°. O gozo do benefício e a correspondente baixa do débito envolvido pressupõe requerimento administrativo ao dirigente do órgão da Secretaria da Receita Federal ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional responsável pela sua administração, instruído com a prova do pagamento ou do pedido de conversão em renda. § 4°. No caso do § 2o, a baixa do débito envolvido pressupõe, além do cumprimento do disposto no § 3o, a efetiva conversão em renda da União dos valores depositados. § 5°. Se o débito estiver parcialmente solvido ou em regime de parcelamento, aplicarseá o benefício previsto neste artigo somente sobre o valor consolidado remanescente. § 6°. O disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas, nem compensação de dívidas. § 7°. As execuções judiciais para cobrança de créditos da Fazenda Nacional não se suspendem, nem se interrompem, em virtude do disposto neste artigo. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.594 9 § 8°. O prazo previsto no art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, fica prorrogado para o último dia útil do mês de fevereiro de 1999. § 9°. Relativamente às contribuições arrecadadas pelo INSS, o prazo a que se refere o § 8o fica prorrogado para o último dia útil do mês de abril de 1999. O acórdão recorrido reconheceu que tais benesses devem ser aplicadas à parcela do crédito objeto deste processo devidamente paga até 30/09/1999, mas os valores recolhidos a destempo estão sujeitos aos acréscimos legais integrais. O Relator da decisão de segunda instância, Conselheiro Gustavo Lian Haddad, chegou a esta conclusão em razão dos seguintes fundamentos: A questão sob litígio está bem delimitada — determinar se a Recorrente cumpriu os requisitos do artigo 17 da Lei n° 9.779/1999, alterado pelo artigo 10 da MP 2.15835/2001, e do artigo 11 da mesma MP 2.15835/2001, para pagar o crédito tributário objeto da autuação com os benefícios de dispensa de multa e juros previstos nos referidos enunciados legais. (...) Entendeu a decisão combatida que a Recorrente não poderia se beneficiar da anistia por não ter efetuado o recolhimento integral do crédito tributário até a data final prevista no art. 11 da MP 2.15835 setembro de 1999. De fato, a Recorrente reconhece que o recolhimento efetuado em julho de 1999 não foi integral, embora tenha correspondido a mais de 90% do valor do crédito. Houve recolhimentos complementares posteriores em setembro de 1999, abril de 2000 e agosto de 2004, após a identificação de equívocos no recolhimento original. A meu ver, a exegese dos enunciados legais (art. 17 da Lei n. 9.779/1999 c/c com art. 11 da MP 2.15835) que conclui pela não aplicação por completo dos benefícios da anistia por falta de recolhimento integral do débito (ainda que por pequena diferença) prima por excesso de formalismo e por frustrar a ratio legis motivadora dos referidos enunciados. O objetivo de um programa de anistia como este, voltado para débitos em discussão judicial, é claramente o de diminuir a litigiosidade e permitir a arrecadação de recursos aos cofres públicos com mais rapidez, possibilitando a alocação de recursos do Estado para outras iniciativas. Neste diapasão, a interpretação que confere mais eficácia ao desiderato legislativo é aquela segundo a qual, no caso de pagamento insuficiente, os benefícios da anistia devem ser aplicados apenas à parcela efetivamente paga, sendo que sobre a parcela não paga o tributo deve ser cobrado com todos os acréscimos (e agora sem o óbice da discussão judicial já que a desistência do processo judicial foi condição sine qua non para a fruição dos benefícios). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.595 10 Este, inclusive, o entendimento adotado pela própria Administração ao editar o artigo 4°, §§ 1° e 6°, da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002, que regulou pagamentos no âmbito do programa de anistia veiculado pela Medida Provisória n. 38, de 2002: Art. 4°. O pagamento de que trata esta Portaria: I importa em confissão irretratável da dívida; II constitui confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil; III poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendo a primeira no prazo estabelecido para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes. § 1°. O pagamento insuficiente, na hipótese de opção pelo pagamento integral, implicará exigibilidade da parcela não paga. § 2°. A opção pelo parcelamento darseá pelo pagamento da primeira parcela, no mesmo prazo estabelecido para o pagamento integral. § 3°. O débito objeto do parcelamento deverá ser consolidado no mês da opção, observadas as dispensas de acréscimos legais previstas no parágrafo único do art. 1°. § 4°. As prestações do parcelamento serão acrescidas de juros equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês seguinte aquele em que for efetuada a opção pelo parcelamento até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 5°. A falta de pagamento de duas parcelas implicará rescisão do parcelamento, vedado o reparcelamento. § 6°. Na ocorrência da situação referida no § 1° ou no § 5°, os acréscimos legais incidentes sobre os valores não pagos serão restabelecidos em sua totalidade. (grifos de transcrição) Ainda que se entenda que a Portaria seria aplicável apenas ao pagamento no âmbito da MP 38, de 2002, o entendimento nela expresso tem nítido caráter interpretativo, não havendo porque não ser aplicado ao caso em exame. Importante destacar que, diversamente do quanto sustenta a decisão da DRJ, a Recorrente não pretendeu obter "parcelamento", mas sim efetuar o recolhimento a destempo com os acréscimos legais como determina a referida portaria. Em face do exposto, conheço do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que seja reconhecida a concessão dos benefícios do art. 17 da Lei n° 9.779/99 c/c art. 11 da MP 2.15835 ao crédito objeto do presente processo devidamente pago pela Recorrente no prazo previsto nos referidos Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 16327.000464/9888 Acórdão n.º 9202002.385 CSRFT2 Fl. 1.596 11 dispositivos, devendo os valores pagos a destempo ser acrescidos dos acréscimos legais integrais. Concordo integralmente com estas colocações e adotoas como razões de decidir. De fato, ainda que a Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002 esteja relacionada à Medida Provisória n° 38/2002, que perdeu a eficácia, ela é expressa, nos §§ 1° e 6°, do artigo 4°, ao determinar que, para a hipótese de pagamento integral (e não parcelado), o recolhimento insuficiente implicaria exigibilidade apenas do saldo não pago, sendo que integralidade dos acréscimos legais incidiria unicamente sobre os valores não pagos. Entendo que tal orientação da RFB/PGFN é plenamente aplicável a este feito, pois as situações fáticas do caso em apreço e daquele previsto nos §§ 1° e 6°, do artigo 4°, da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002, são bastante semelhantes, para não dizer idênticas. No caso, cumpre insistir, a autuada pagou mais de 95% do débito dentro do prazo previsto no artigo 11 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, qual seja, 30/09/1999, de modo que não seria razoável que a integralidade dos acréscimos legais incidisse, inclusive, sobre os valores devidamente recolhidos. Apenas os valores pagos após 30/09/1999 estão sujeitos à incidência integral dos acréscimos legais, de modo que, sob minha ótica, a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 12971.007758/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/09/2003
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 30/09/2003 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 77 58 /2 00 9- 17 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração do segurado caracterizado como empregado, concernente à contribuição previdenciária desse segurado não retida e não recolhida, bem como as contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SENAI, INCRA e SEBRAE), para as competências 04/2001 a 09/2003. O Relatório Fiscal (fls. 27/30) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas ao segurado caracterizado como empregado (médico Dr. Mauro Antonio Moreno), conforme elementos aduzidos pela fiscalização em face do instrumento de contrato juntado às fls. 33/36. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/07/2006 (fl.01 e 101), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 103/111) – acompanhada de anexos de fls. 112/135, alegando, em síntese, que: 1. não existe relação de emprego entre a impugnante e o referido segurado. O contrato firmado entre as partes possui cunho eminentemente civil. A continuidade do contrato está fixada do princípio da pacta sunt servanda, daí decorrendo o caráter sinalagmático do contrato. Não interfere na natureza do contrato a previsão de dias e horários da prestação de serviços, uma vez que tal decorre da organização da empresa. A pessoalidade é igualmente um elemento do contrato de prestação de serviços de natureza intelectual. Os médicos percebem honorários e não salários, dada a regulação específica de sua atividade. A existência de nomes característicos do direito trabalhista no contrato firmado (férias e 13o salário) não modifica a natureza da relação jurídica entre médico e impugnante; 2. a multa de mora aplicada no percentual de 15% (quinze por cento) aplicada mostrase incompatível com a realidade, violando o princípio da isonomia; que a multa não pode ser aplicada em patamar superior a 2% (dois por cento) como ordena o CDC (Lei 8.078/1991) quanto às suas relações comerciais, sob pena de violação ao princípio da isonomia; que não se pode alegar supremacia do interesse público, mas se trata de insegurança da Administração quanto à legalidade dos seus atos. A Taxa SELIC prevista no artigo 34 da Lei de Custeio é ilegal e inconstitucional, tanto no plano abstrato quanto no plano concreto; 3. Postula pelo cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), procedendose a nova fiscalização, mediante nova análise dos documentos e reabertura de prazos ao sujeito passivo. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12971.007758/200917 Acórdão n.º 2402003.043 S2C4T2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em Campinas/SP – por meio da DecisãoNotificação (DN) no 21.424.4/1041/2006 (fls. 141/152) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 158/166). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Limeira/SP informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 203). É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 11/10/2006, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado à fl. 155. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 158/166), apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação (fls. 103/111), e não se manifestou a respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 16/11/2006, nos termos da papeleta da correspondência postal de fls. 167, devidamente assinada por funcionários dos Correios e por servidor do Fisco da Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em Campinas/SP (Unidade de Atendimento de Itapira/SP), papeleta inicial do recurso (fls. 158). O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – prolatada por meio da DecisãoNotificação (DN) no 21.424.4/1041/2006 (fls. 141/152) –, em 11/10/2006 (quartafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 13/10/2006 (sexta feira). O trigésimo dia ocorreu em 13/11/2006 (segundafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado em 16/11/2006, quintafeira, (fls. 158/167). Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12971.007758/200917 Acórdão n.º 2402003.043 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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