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Numero do processo: 10380.005327/95-93
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 1996
Ementa: COFINS - Não logrando a empresa infirmar os fundamentos fáticos e jurídicos para sua cobrança é de se manter a sua exigência.
Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Numero da decisão: 107-03670
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE
Nome do relator: Maria Ilca Castro Lemos Diniz
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B. TRANSPORTES LTDA. Recorrida : DRJ em FORTALEZA-CE Sessão de : 03 de dezembro de 1996 Acórdão n° : 107-03.670 COFINS - Não logrando a empresa infirmar os fundamentos fáticos e jurídicos para sua cobrança é de se manter a sua exigência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por H. B. TRANPORTES LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. C*6)3i3-0Wo, WaS Qup MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINI PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 03 Nov 199b Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JONAS FRANCISCO DE OLIVEIRA, NATANAEL MARTINS, EDSON VIANNA DE BRITO, FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES, PAULO ROBERTO CORTEZ e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente, jusficadamente, o Conselheiro MAURILIO LEIOPOLDO SCHMITT. Processo n° : 10380.005327/95-93 Acórdão n° 107-03.670 Recurso n° : 09.328 Recorrente H. B. TRANPORTES LTDA. RELATÓRIO H. B. TRANPORTES LTDA., empresa já qualificada na peça vestibular destes autos, recorre a este Conselho da decisão proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza — CE (fls. 80 a 82), que manteve o lançamento consubstanciado no Auto de Infração (fls. 2 a 25). A exigência fiscal diz respeito à insuficiência e/ou falta de recolhimento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, relativa aos meses de abril de 1992 a dezembro de 1994. Em impugnação (fls. 37 a 66), protocolada em 07 de julho de 1995, a contribuinte manifesta sua discordância, alegando que: a) do aludido débito foi requerido parcelamento espontâneo muito antes da ação fiscal, antes de a mesma ser notificada; b) que a multa lavrada contra a requerente no valor de 378.524,11 UFIR (multa proporcional) não pode ser considerada, uma vez que já havia solicitado o parcelamento do débito em 12.12.97, conforme documentos em anexo (fls. 39 a 41), no entanto, o seu pleito não foi atendido pela Receita Federal; c) discorda da valoração constante do auto apresentada pela autoridade fiscalizadora e pela qual solicita a Wr›.5 2 Processo n° : 10380.005327/95-93 Acórdão n° : 107-03.670 verificação do Auto de Infração objeto da presente exposição, para que seja corrigido o seu montante. A autoridade de primeira instância julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento do crédito tributário em sua totalidade. Ciente da decisão em 02/01/96 (A.R. fls. 74), a contribuinte ingressou com recurso voluntário (fls. 75/78) em 08/01/96, onde persevera nas mesmas razões apresentadas na defesa inicial. »2,Ns.OD É o Relatório. 3 Processo n° : 10380.005327/95-93 Acórdão n° 107-03.670 VOTO Conselheira MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINIZ, Relatora O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Trata a matéria ora em discussão, de lançamento de ofício em razão da falta de recolhimento das parcelas mensais da COFINS referente aos meses de abril/92 a dezembro/94. O feito teve como base legal os artigos 1°, 2°, 3°, 4° e 5° da Lei Complementar n°70, de 30 de dezembro de 1991. Inicialmente, cabe observar que a fiscalização efetuou levantamento especifico do faturamento da recorrente, no período correspondente ao lançamento contestado. A recorrente não questionou a respeito do levantamento efetuado mês a mês pela fiscalização, o qual se tem por certo. De uma análise mais detalhada das peças que compõem os autos, verifica-se que são improcedentes os argumentos apresentados pela recorrente, visto que não restou comprovada a espontaneidade da mesma no que concerne ao pedido de parcelamento. Os formulários juntados às fls. 62 a 64, que tratam de pedido de parcelamento, não contém o devido carimbo de protocolo, além de encontrarem-se preenchidos de forma incompleta. Para ser considerado espontâneo o procedimento da pessoa jurídica, necessário se faz a devida comprovação da iniciativa de solicitar o parcelamento junto ao órgão arrecadador, antes da data do início da ação fiscal, que, no caso, ocorreu em 31/03/95 (fls. 01). Corno tal não ocorreu, é cabível o lançamento de oficio lavrado pela fiscalizaçãof 4 Processo n° : 10380.005327/95-93 Acórdão n° : 107-03.670 Com respeito aos valores constantes no Auto de Infração, verifica- se que os mesmos encontram-se perfeitamente caracterizados nos demonstrativos de fls. 05/13, com o enquadramento dos acréscimos legais descrito às fls. 14. Assim sendo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, 03 de dezembro de 1996. Xéo.liz.0\\va. MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINIZ 5 Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10425.000778/00-09
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
Ementa: IPI – CLASSIFICAÇÃO FISCAL – O produto identificado como “LEITE PASTEURIZADO TIPO C”, com o auxílio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação fiscal do produto na TIPI: 0401.20.90.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO NA PARTE CONHECIDA
Numero da decisão: 301-33879
Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, conheceu-se em parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 Ementa: IPI – CLASSIFICAÇÃO FISCAL – O produto identificado como “LEITE PASTEURIZADO TIPO C”, com o auxílio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação fiscal do produto na TIPI: 0401.20.90. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO NA PARTE CONHECIDA
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TERCEIRO COINISELIFIC, DE CONTRIBUINTES . PRIMEIRA CAMARA. Processo n° 10425 .000778/00-09 Recurso n° 134.256 'Voluntário Matéria IPI - R_ESSARCIMENTTO Acórdão n° 301-3 3.879 Sessão de 22 de maio de 2007 Recorrente ILCASA INDÚSTRIA IDE LATICÍNIOS DE CAMPINA GRANDE S/A. Recorrida DRJ/RECIFE/PE 4 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -- IPI Período de aparação: O 1/10/1999 a 31/12/1999 Ementa: IPI — CLASSIFICAÇÃO FISCAL - O prod-uto identificado COMO "LEITE PASTEURIZADO TIPO C", com o auxilio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação fiscal do produto na TIPI: 0401.20.90. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO NA PARTE CONIHECLIDA • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA/4 os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, conheceu em parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. 41MLN'. OTACÍLIO D - ' • S CARTAXO - Presidente , Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 248 idioar"..h LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, George Lippert Neto, Adriana Giuntini Viana e Irene Souza dá Trindade Torres. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Diana Bastos Azevedo de Almeida Rosa. • Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 249 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida por bem descrever a matéria central do presente litígio, ainda que, apenas parte dela pertine a este Terceiro Conselho: I — DA SOLICITAÇÃO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO A interessada acima qualificada solicitou, em 13/09/00, com base no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ressarcimento de créditos de IPI referentes a insumos aplicados na industrialização de produtos supostamente isentos ou tributados à alíquota zero, acumulados no 40 trimestre de 1999, no total de R$ 8.611,12 (oito mil, seiscentos e onze reais e doze centavos). 2. Requereu, ainda, compensação com débitos próprios de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), período de apuração agosto de 2000, no valor de R$ 5.256,81 (cinco mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e um centavos) — fi.02. Em 01/11/00, foi apresentado novo pedido de compensação, relativo ao mesmo tributo e período de apuração outubro de 2000, no valor de R$ 3.354,31 (três mil, trezentos e cinqüenta e quatro reais e trinta e um centavos) — fl.92. — DA ANÁLISE DO PEDIDO 3. Às fls. 93/94 consta Termo de Início de Ação Fiscal - ciência em 06/07/01 — por meio do qual a autoridade intimou o contribuinte a apresentar livros, notas fiscais e demais documentos necessários à análise do pleito. Posteriormente, em 18/07/01, foram solicitados à requerente esclarecimentos quanto à classificação fiscal adotada para os produtos "leite pasteurizado tipo C, iogurte e doce de leite" saídos do estabelecimento, bem como a relação das entradas de insumos que deram origem ao crédito do IPI (/7.95). 4. Em atendimento, a interessada informou que houve erro quando da classificação, no código 0402.21.20, do leite pasteurizado tipo "C" na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), em virtude de não existir posição especifica para tal produto e em razão deste ser acondicionado em embalagem de apresentação. Afirma, em seguida, que, conforme pesquisa realizada por ILC Auditoria e Consultoria S/C Ltda, com sede em Belo Horizonte- MG, o produto deveria ser classificado, por semelhança, na posição 0402, especificamente no código 0402.99.00 (f7.97). 5. Em 16/10/01, o Setor de Fiscalização - SOFIS da Delegacia da Receita Federal em Campina Grande (PB), após 4011111111! Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 250 discorrer acerca da legislação regente, propôs o deferimento parcial do pedido de ressarcimento, referente ao 40 trimestre de 1999, no valor de R$ 2.437,16 (dois mil, quatrocentos e trinta e sete reais e dezesseis centavos), em virtude do restante referir-se a crédito de insumos destinados à fabricação de prinluto não- tributado (NT), no caso, leite pasteurizado tipo "C" (fls. 120/128). Na oportunidade, os fundamentos da desconsideração da classificação fiscal eleita pelo contribuinte e da alteração para o código 0401.20.90 da TIPI foram particularizados. 6. O Delegado da Delegacia da Receita Federal em Campina Grande-PB acolheu, em Despacho Decisório, a proposta do SOFIS (fl.129). II — DA IMPUGNAÇÃO 7. A interessada, devidamente cientificada da decisão em 21/08/02, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 169/187) em 18/09/02, na qual requer, em PRELIMINAR, no intuito de evitar julgados conflitantes, a juntada de sua defesa àquela apresentada em 14/11/01 contra o Auto de Infração originado do MPF n° 0430200/00088/01, lavrado, segundo argumenta, em decorrência "... de glosa de valores de créditos apresentados em desacordo com a classificação fiscal do produto final fabricado pela empresa". 8. Quanto ao MÉRITO, aduz: a) Com base no princípio da não-cumulatividade, insculpido na CF/88, as restrições legais, no tocante ao alcance da estrutura de débito/crédito seriam inconstitucionais. Ao prever tal mecanismo, a Carta Magna tê-lo-ia contemplado sem quaisquer exceções; b) Para efeitos daquele princípio, bastaria a compensação entre o imposto incidente sobre as saídas dos produtos industrializados e aquele incidente sobre os insumos que compõem o processo industrial; c) O art.4° da IN SRF n° 33, de 4 de março de 1999, reconheceria expressamente o "...direito de creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados no processo industrial, quando os produtos industrializados, isentos, imunes, não-tributados ou sujeitos à aliquota zero, tiverem saída do estabelecimento". Da mesma forma, seu direito estaria garantido pela Lei n° 9. 779/99; d) Que a autoridade administrativa não poderia aplicar lei inconstitucional no caso concreto. A doutrina e jurisprudência pátrias seriam unânimes nesse sentido; e) Que para casos análogos, haveria jurisprudência no tocante à supremacia do principio constitucional da não- 4OP Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 251 cumulatividade. O Supremo Tribunal Federal, inclusive, teria reconhecido o direito ao creditamento de IPI em casos de aquisição de insumos isentos; .f) Com relação à classificação fiscal do leite pasteurizado tipo "C": - consoante informações prestadas pela empresa ILC Auditoria e Consultoria S/C Ltda, o produto, em razão de não ter posição especz'fica na TIPI e ser acondicionado em embalagem de apresentação, deveria ser classificado no código 0402.99.00, alíquota zero; - o Auditor-Fiscal da Receita Federal não possuiria conhecimento técnico para estabelecer os componentes do produto e desconheceria as fases de industrialização. Teria simplesmente deduzido que o produto não possui adição de açúcar nem edulcorantes; - o único intuito do AFRF seria glosar os créditos constitucionalmente assegurados; - . far-se-iam necessários laudos, perícias ou outro trabalho técnico, de forma a esmiuçar a composição do produto em questão; - haveria na TIPI um outro código de produto (0402.91.00), para o qual se estabelece alíquota zero, em que se enquadrariam produtos sem adição de açúcar ou outros edulcorantes. g) Ainda que o produto fosse não-tributado (NT), caber-lhe- ia direito à compensação dos créditos referentes aos insumos, em conformidade com a interpretação sistemática da Constituição 11, Federal de 1988. 9. Por fim, antes de pleitear a suspensão do despacho decisório, requereu a elaboração de laudo ou parecer técnico, bem como a superveniente intimação para indicação de perito, com vistas a dirimir a questão. Sob julgamento da DRJ-Recife/PE a impugnação da Recorrente foi indeferida, consubstanciado nos fundamentos resumidos na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 Ementa: IPI - RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS - LEI N° 9.779/1999. Somente com relação aos produtos tributados à alíquota zero, isentos ou imunes, fabricados com insumos adquiridos pelo estabelecimento industrial, é possível deferir saldos credores trimestrais para ressarcimento em espécie ou compensação. Sobre os produtos industrializados, classificados Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C0 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 252 como NT (não-tributados) na Tabela de Incidência do IPI, não se aplica o princípio da não-cumulatividade e, por conseguinte, não há direito ao ressarcimento de tais créditos. Inteligência do artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, regulamentado pela IN SRF n° 33, de 04 de março de1999. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, negar aplicação da lei ao caso concreto. Prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, por força de dispositivo constitucional. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01110/1999 a 31123/1999 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL — Da simples descrição do leite pasteurizado tipo "C", é possível, com o auxílio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, obter a classificação fiscal do produto na TIPI: 0401.20.90. Intimada da decisão, a Recorrente apresenta recurso voluntário repisando, em suma, os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. - 1 • Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 253 Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço em parte do Recurso Voluntário, haja vista que a matéria de competência deste Terceiro Conselho limita-se à questão da classificação fiscal do Leite, cabendo ao Eg. Segundo Conselho de Contribuintes a apreciação das demais matérias relacionadas com o Imposto sobre Produtos Industrializados e ao direito ao Ressarcimento de créditos básicos, na forma da Lei n". 9.779/1999. - No que tange à matéria de classificação fiscal a Recorrente pretende ver que o produto "LEITE C" tenha sua posição tarifária no código 0402.9 1 .00, enquanto o Fisco entende que tal produtos deve ser classificado na posição 0401.20.90. À vista do que já foi decidido nos autos do Recurso Voluntário 135.130, adoto o a linha do voto da Ilustre Conselheira Susy Gomes Hoffmarm, como segue: Deve-se, pois, solucionar a divergência de entendimento entre os códigos empregados na classificação fiscal para o produto "leite pasteurizado tipo C". De um lado o fisco atribui a codificação dos produtos na TIPI como sendo 0401.20.90, de outro, a contribuinte afirma que a posição 0402.99.00 é a mais acertada. Do conjunto probatório dos autos trazido pela Recorrente extrai-se tão-somente uma vaga declaração atestada pela recorrente, em que a empresa ICL Auditoria e Consultoria S/C LTDA de Belo Horizonte — MG, por meio de seus pesquisadores, concluiu que: "o artigo que mais se assemelha, é o da posição 0402, especcamente: 0402.99.00", nos termos de fls. 68. Essa declaração, que se refere à pesquisa outrora feita, não é bastante, pais lhe faltam inúmeras características de ordem técnica. No entanto, da análise do produto e dos dados constantes da Tabela de Incidência • do Imposto Sobre Produtos Industrializados — TIPI, pode-se chegar à codificação adequada para fins fiscais. Entende esta Relatora que para a classificação fiscal do produto objeto do litígio a descrição oferecida pela Recorrente e sobre a qual não há dúvidas, por si, da mercadoria, é suficiente para a sua classificação. A Recorrente sustenta sua tese com base nos seguintes motivos (posição 0402.99.00): a) não existência de posição específica para o leite pasteurizado tipo "C", b) acondicionamento do produto em embalagem de apresentação. A classificação adotada pela fiscalização aponta outros fundamentos (posição 0401.20.90): a) ao produto industrializado não se adiciona açúcar, b) o produto não contém edulcorantes, e c) o produto não é concentrado. Tem-se como ponto decisivo para a classificação do produto na posição 0401 ou 0402, ter definido se o leite é concentrado ou se a ele é adicionado açúcar ou outro edukorante (substância que torna doce, 41111.r •I Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 254 suave ao paladar o produto a que é adicionada), nos termos do Capítulo 4 da TIPI, representados pelos seguintes códigos NCM: "0401 — LEITE E CREME DE LEITE (NATA), NÃO CONCENTRADO NEM ADICIONADOS DE AÇÚCAR OU DE OUTROS EDULCORANTES. 0402 — LEITE E CREME DE LEITE (NATA), CONCENTRADOS OU ADICIONADOS DE AÇUCAR OU DE OUTROS EDULCORANTES. " A priori pode se verificar que se extrai da Instrução Normativa n° 51, de 18 de setembro de 2002, expedida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que aprova os Regulamentos Técnicos de Produção, Identidade e Qualidade do Leite tipo A, tipo B e tipo C, do Leite Pasteurizado, do Leite Cru Refrigerado e seu Transporte a Granel, que: a) item 2.1.4 do Anexo 111: entende-se por Leite Pasteurizado tipo C o produto classificado quanto ao teor da gordura como integral, padronizado a 3% mim (três por cento massa por massa), semidesnatado ou desnatado, submetido à temperatura de 72 a 75C (setenta e dois a setenta e cinco graus Celsius) durante 15 a 20 segundos b) Item II do Anexo III: Não é permitida a utilização de aditivos e coadjuvantes de tecnologia/elaboração. (grifo nosso) Desta feita, vê-se de plano, nos termos da citada alínea "b", que é vedada a adição de quaisquer aditivos e coadjuvantes de tecnologia, na elaboração do Leite Pasteurizado Tipo C. Razão pela qual prejudicada está, desde logo, parte da tese da Recorrente, pois da literalidade do Código NCM 0402 - LEITE E CREME DE LEITE (NATA), CONCENTRADOS OU ADICIONADOS DE AÇUCAR OU DE OUTROS ADULCORANTES, observa-se a eexigência de adicionamento de açúcar ou outros edulcorantes, que contraria a composição do produto Leite Pasteurizado Tipo C. Outrossim, em sua peça de impugnação, a própria Recorrente admite, às fls. 155, a não adição de açúcar ou de outros edulcorantes, que impediria novamente a codificação NCM 0402, conforme segue: "Ocorre que, na TIPI existe um outro Código de produto, qual seja, o 0402.9100, que também não possui adição de açúcar ou de outros edulcorantes, e possui alíquota 0%. No entanto o Auditor Fiscal não teve bom senso, nem a intenção de enquadrar o produto da impugnante neste código..." Essa comparação, feita com outro produto da TIPI, considerando também que não possui adição de açúcar ou de outros edulcorantes, dá margem à tipcação da posição 0401 — LEITE E CREME DE LEITE (NATA), NÃO CONCEIVTRADO NEM ADICIONADOS DE AÇÚCAR OU DE OUTROS ADULCORANTES, por não possuir quaisquer aditivos e coadjuvantes de tecnologia, na elaboração do Leite • Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 255 Pasteurizado Tipo C, nos termos da alínea "h" da Instrução Normativa ti 51, de 18 de setembro de 2002. Verifica-se que a Recorrente não enfrenta a qualificação do leite C não ser concentrado, visto que a própria caracterização como leite pasteurizado tipo C já o exclui como concentrado. Para melhor abordagem da matéria deve ser verificada a tabela: 04.01 LEITE E CREME DE LEITE (NATA*), NÃO CONCENTRADOS NEM ADICIONADOS DE AÇÚCAR OU DE OUTROS EDULCORANTES 0401.10 -Com um teor, em peso, de matérias gordas, não superior a I% 0401.10.10 Leite UHT ("Ultra High Temperature") 0401.10.90 Outros 0401.20 -Com um teor, em peso, de matérias gordas, superior a 1% mas não superior a 6% 0401.20.10 Leite UHT ("Ultra High Temperature") 0401.20.90 Outros 0401.30 -Com um teor, em peso, de matérias gordas, superior a 6% 0401.30.10 Leite 0401.30.2 Creme de leite (nata*) 0401.30.21 UHT ("Ultra High Temperature") 0401.30.29 Outros Se for comparada a especificação da tabela que classifica o leite ou creme de leite de acordo com o teor de gordura (menor de 1%, entre 1% e 6% e acima de 6%) e a regulamentação do Ministério da Agricultura "entende-se por Leite Pasteurizado tipo C o produto classificado quanto ao teor da gordura como integral, padronizado a 3% mItn (três por cento massa por massa), semidesnatado ou desnatado, submetido à temperatura de 72 a 75C (setenta e dois a setenta e cinco graus Celsius) durante 15 a 20 segundos". Assim, fica claro que o Leite C é do tipo não concentrado, porque é pasteurizado. Apenas, a título de ilustração, passa-se a verificar o disposto no item 0402, indicada pela Recorrente. 04.02 LEITE E CREME DE LEITE (NATA*), CONCENTRADOS OU ADICIONADOS DE AÇÚCAR OU DE OUTROS EDULCORANTES 0402.10 -Em pó, grânulos ou outras formas sólidas, com um teor, em peso, de matérias gordas, não superior a 1,5% 0402.10.10 Com um teor de arsênio, chumbo ou cobre, considerados isoladamente, inferior a 5 ppm 0402.10.90 Outros 0402.2 -Em pó, grânulos ou outras formas sólidas, com um teor, em peso, de matérias gordas, superior a 1,5% 0402.21 --Sem adição de açúcar ou de outros edulcorantes 0402.21.10 Leite integral 0402.21.20 Leite parcialmente desnatado 0402.21.30 Creme de leite (nata*) 0402.29 --Outros 0402.29.10 Leite integral 411111111!" Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 256 0402.29.20 Leite parcialmente desnatado 0402.29.30 Creme de leite (nata*) 0402.9 -Outros 0402.91.00 --Sem adição de açúcar ou de outros edulcorantes 0402.99.00 --Outros Ora, para se incluir neste item seria necessário indicar que o produto está sob a forma concentrada ou adicionada de açúcar ou outros edulcorantes. Já foi verzficado que o Leite C não pode ser adicionado de açúcar ou edulcorante. PP Como podemos aferir pelas informações técnicas sobre leite e seus derivados do Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas ligado ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, há diferenças entre o leite pasteurizado e o lei concentrado, conforme segue: "3 Produtos e processos Em um moderno laticínio são elaborados diversos produtos do leite: leite pasteurizado, leite esterilizado, queijo e iogurte, entre outros. 3.1 Leite pasteurizado Entende-se por leite pasteurizado o leite natural, inteiro ou desnatado, submetido a um aquecimento uniforme, a uma temperatura compreendida entre 72-78°C, durante não menos que quinze segundos, o. que garante a destruição dos germes patogênicos e a quase totalidade da flora microbiana, sem modcações sensível à natureza fi'sicoquímica, das características e das qualidades nutritivas do leite. Segundo a legislação em vigor, na central de processamento de leite, o produto é submetido às seguintes manipulações: Limpeza prévia por meio de centrifugação ou filtragem; • Aquecimento uniforme em fluxo contínuo, a uma temperatura • compreendida entre 72 - 75°C, por um período não inferior a quinze segundos. Esta relação tempo-temperatura não exclui outras que possam resultar igualmente eficientes; • Embalamento em recipientes limpos e higienizados de maneira a proteger contra contaminações e adulterações. No ciclo de distribuição comercial, o leite pasteurizado deve ser conservado a uma temperatura não superior a 10°C, devendo ser vendido ao consumidor depois de 72 horas de ter sido embalado. No processo de embalamento é indicada a data de validade que não pode ultrapassar o quarto dia depois de o produto ser embalado. Na embalagem é indicada também a conveniência de se manter o produto refrigerado. 3.2 Leite esterilizado Oleite esterilizado, integral ou desnatado, é aquele que, depois de ter sido embalado, é submetido a um processo de aquecimento de 110 - /O Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 257 120°C, durante vinte minutos, o que garante a destruição de todos os microorganismos e esporos nele presentes. O processo de elaboração do leite compreende as seguintes fases: •Eliminação de impurezas por centrifugação; •Pré-aquecimento a 70° C em fluxo contínuo; • Homogeneização da gordura para que fique em suspensão, evitando que suba para o gargalo da garrafa; .Enzbalamento em recipientes herméticos fechados, estanques aos líquidos e aos microorganismos, para garantir a ausência de infecções externas. • Esterilização nos equipamentos correspondentes, a uma temperatura de 110 - 120°C, durante 20 minutos; E . Esfriamento a 20 - 35°C, armazenamento e distribuição. O pré aquecimento pode ser substituído por uma préesterilização, a não menos que 135°C, durante no mínimo 2 segundos, seguida de esfriamento até a temperatura de embalamento. O tratamento térmico durante a esterilização é muito severo e são perdidos elementos nutritivos (precipitação de proteínas, por exemplo), enquanto que isso não ocorre no suave tratamento da pasteurização. Quanto às normas de qualidade, o leite deve obedecer às seguintes condições microbiológicas: ••• 3.3 Leite esterilizado embalado assepticamente O processo de elaboração compreende as seguintes fases: •Eliminação das impurezas do leite por processo de centrifugação; •Pré aquecimento indireto para economia de energia; ▪Aquecimento uniforme do leite, por meios indiretos e diretos, em fluxo contínuo , a uma temperatura compreendida entre 135 - 150°C, durante um mínimo de 2 segundos; •Homogeneização anterior ou posterior ao aquecimento; Esfriamento imediato, à temperatura de embalamento ( 24 - 26°C); • Embalamento em condições de total assepsia, em recipientes estéreis, estanques aos líquidos e aos microorganismos. O leite UHT (Ultra High Temperature) sofre muito menos que o produto esterilizado durante o aquecimento, já que, embora se alcance uma temperatura mais alta, ela é mantida por apenas alguns poucos segundos. Por isso o leite tem uma cor uniforme, ligeiramente amarelada, com cheiro e sabor forte característicos do leite, muito pouco *lado pelo aquecimento. 411111111" Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 258 3.4 Leite evaporado e leite concentrado Oleite evaporado é um tipo de leite esterilizcuicr, privado de parte de sua água de constituição. O leite concentrado é leite pasteurizado e privado de uma maior proporção, de sua cjiguc2 de constituição em relação ao leite evaporado. No primeiro caso é necessária a esterilização, já que o grau de concerztração é baixo (por volta de 26 - 30%) pode haver desenvolvimento microbiano. No caso do leite concentrado, basta uma pasteurização, ia que o alto grau de concentração (42%) evita o desenvolvimento de microorganismos. No processo de produção de leite evaporado, o leite deve ser higienizado em primeiro lugar, pasteurizado e padronizado em seu conteúdo gorduroso, para passar ao evapo rczclor . de vários efeitos, onde se elimina a quantidade desejada d'e clgucz. C9 produto concentrado passa para um homogeneizada; que realiza um fina divisão dos corpúsculos de gordura, assim como qualquer precipitação produzida nos tubos do evapore:J(1(a. Depois procede-se ao seu esfriamento até cerca de 14"C, e se envia ao dep6sito, orzde são acrescentados estabilizantes para que o produto passa suportar o posterior tratamento de esterilização. Passa depois para a erzchedora de latas, e daí a um pré-aquecedor. Por último, as latas fechadas com o produto são esterilizadas a 110 - 120°C durante 15 a 20 mirtutos. Nas seção de esterilização e esfriamento das latas, estas estão em constante agitação em sua circulação pelo interior- do aparelho, evitando-se o risco de aquecimentos excessivos localizados, e conseguindo melhor e mais uniforrrze penetração do calor. No lo cilindro, o tratamento com vapor consegue a esterilização desejada a 110 -115°C. As latas são então transferidos ao 2c, cilindro, onde se procede ao esfriamento paulatino sob pressão. Também se pode proceder ao tratamento térmico do leite evaporado pelo sistema UIIT, seguido de embalamerzto asséptico - aquecimento a • 135°C durante um segundo. Em nível comercial se distinguem vários tipos de leite evaporado: rico em gordura (159'o no mínimo), integral (7,5% no mínimo), semidesnatado (1 a 7,5%,) e desnatado (rn "cizirric7 1 %)_ Os estabilizarztes que podem ser acrescentados ao leite evaporado são, entre outros, o bicarbonato de sódio, citratos de scídio e de potássio, ortofosfatos de sódio e de potássio, polifo.sfatos de sódio e de potássio (bifosfatos, trifostafos e polifo.sfatos), em uma quantidade total que não supere 0,2% para leites evaporados cujo extrato seco total seja inferior a 28% e de 0,3%, se for superior. Quanto aos controles microbiológicos, deve-se observar:. - Ausência de microorganismos que possam crescer e se multiplicar antes das provas de pré-incubação, durante 28 a 30 I °C e 10 dias a 44°C por ml de produto reconstituído_ 4111- Processo n.° 10425.000778100-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 259 • - Flora esporulada antes da encubação: máximo, 10 esporos de bacillaceae termoestáveis, não patogênicas, não toxinógenas e incapazes de produzir alteração por milímetro de produto reconstituído. No leite concentrado também se diferenciam vários tipos comerciais: concentrado integral, com um mínimo de 11,75% de gordura e um extrato magro seco mínimo de 30,15%; concentrado desnatado, com um máximo de gordura de 1,1% em extrato seco mínimo de 39%. O leite concentrado é apenas pasteurizado a 72-78°C durante 15 a 20 segundos, e as características microbiológicas que se deve observar são a ausência de germes patogênicos e um máximo de 105 col/mil. de aeróbios mesófilos (31 ± 1°C). de enterobacteriaceae totais. ••• • Ora, não é necessária a produção de prova pericial para descrever as características intrínsecas e/ou extrínsecas do "Leite Pasteurizado Tipo C" pois essa descrição comercial de produto, por si só o identifica. Não há dúvida que o produto comercializado seja o "leite C", pelo menos, não há controversa nos autos, entre o Fisco e a Recorrente, quanto a ser ou não "leite C". Daí porque entendo ser dispensável a elaboração de laudos técnicos para identificação damercadoria submetida ao procedimento de classificação fiscal. Como pudemos perceber da extensa pesquisa feita pela Ilustre Conselheira Susy Gomes Hoffmann não se confundem o leite pasteurizado e o leite concentrado, sendo que o primeiro congrega os leites pasteurizados e UHT, apenas. Aliás a Regra 1' do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias estabelece que Regra 1°. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é deterrninada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: As Notas Explicativas do Capítulo e da própria posição revelam as diferenças indicativas (características intrínsecas e extrínsecas) dessas mercadorias que propicia a correta classificação do Leite "C" na posição 0401.20.90. Ainda que restasse alguma dúvida quanto à classificação do leite C nas posições 0401.20.90 ou 0402.91.00, a Regra 3', "a", solucionaria a questão: Regra 3°. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2-"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um do componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar- ._7 , • • Processo n.° 10425.000778/00-09 CCO3/C0 1 Acórdão n.° 301-33.879 Fls. 260 especificas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Ora, a posição mais específica é aquela que contempla o Leite sem o adjetivo concentrado. . Diante do exposto, conheço do Recurso na parte da competência deste Conselho, classificação fiscal, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, uma vez que o "LEITE PASTEURIZADO TIPO C" classifica-se na posição 0401.20.90. No mais, entendo necessária a remessa dos autos ao Eg. Segundo Conselho de Contribuintes para apreciação das demais matérias relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados. Sala das -- - -; - de e ø7 a I OW, 41M 1. /7 LUIZ ROBE 'TO OM GO - Relator •
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Numero do processo: 10283.013286/99-21
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. O processo administrativo perde o seu objeto quanto à mesma matéria submetida ao exame do poder judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC – O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC.
PRINCÍPIO DA NÃO CONFISCATORIEDADE. MULTAS. O princípio constitucional da vedação ao confisco alcança os tributos, entretanto, não se aplica às multas. (Publicado no D.O.U. nº 222 de 14/11/03).
Numero da decisão: 103-21390
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITAR A PRELIMNAR SUSCITADA; NÃO TOMAR CONHECIMENTO DAS RAZÕES DE RECURSO EM RELAÇÃO À MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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ementa_s : PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. O processo administrativo perde o seu objeto quanto à mesma matéria submetida ao exame do poder judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC – O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC. PRINCÍPIO DA NÃO CONFISCATORIEDADE. MULTAS. O princípio constitucional da vedação ao confisco alcança os tributos, entretanto, não se aplica às multas. (Publicado no D.O.U. nº 222 de 14/11/03).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-31T13:47:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-31T13:47:10Z; Last-Modified: 2009-07-31T13:47:11Z; dcterms:modified: 2009-07-31T13:47:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-31T13:47:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-31T13:47:11Z; meta:save-date: 2009-07-31T13:47:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-31T13:47:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-31T13:47:10Z; created: 2009-07-31T13:47:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-07-31T13:47:10Z; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-31T13:47:10Z | Conteúdo => .. s - iLIt MINISTÉRIO DA FAZENDAtEff t ?fr t" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES z::2,-.rf> TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10283.013286/99-21 Recurso n° :134.407 Matéria : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - Ex(s): 1996 Recorrente : TECTOY INDÚSTRIA DE BRINQUEDOS S/A Recorrida : i a TURWVDRJ-BELÉM/PA Sessões de :15 de outubro de 2003 Acórdão n° :103-21.390 PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. O processo administrativo perde o seu objeto quanto à mesma matéria submetida ao exame do poder judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC. PRINCIPIO DA NÃO CONFISCATORIEDADE. MULTAS. O princípio constitucional da vedação ao confisco alcança os tributos, entretanto, não se aplica às multas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, interposto por TECTOY INDÚSTRIA DE BRINQUEDOS S/A., ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada; NÃO TOMAR conhecimento das razões de recurso em relação à matéria submetida ao Crivo do Poder Judiciário e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -41;F~Ff015-;";";- • 1;BÉR-s7 " RESIDENT ALOYSIO J ER iN Á DA SILVA* RELATOR FORMALIZADO EM: 06 NOV 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, NADJA RODRIGUES ROMERO, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, NILTON ESS e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. Ims — 31/10/03 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10283.013286/99-21 Acórdão n° :103-21.390 Recurso n° : 134.407 Recorrente : TECTOY INDÚSTRIA DE BRINQUEDOS S/A RELATÓRIO I.a — Identificação Tectoy Indústria de Brinquedos Ltda., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho do Acórdão DRJ/BEL n° 642, de 28 de agosto de 2022, da 1 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém — PA (fls. 339). I.b — Exigência Trata-se de auto de infração (fls. 05) para exigência de CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano-calendário 1995 em virtude de: 1. "compensação a maior do saldo de base de cálculo negativa de períodos- base anteriores na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, conforme demonstrativo anexo", com enquadramento legal nos artigos 2° da Lei 7.689/88 e 12 e 16 da Lei 9.065/95; 2. "compensação da base de cálculo negativa de períodos-base anteriores na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido superior a 30% do lucro liquido ajustado", com fundamentação legal nos artigos 20 da Lei 7.689/88, 58 da lei 8.981/95 e 12 e 16 da Lei 9.065/95. Descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 06. A ciência do auto de infração ocorreu em 14/01/2000 (fls. 38). I.c — Decisão de Primeira Instância A exigência foi impugnada em 10/02/2000 (fls. 41). Acordaram os membros da 1 8 Turma da Delegada da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento. A turma decidiu: "a) não conhecer da impugnação na parte em que o sujeito passivo discute a mesma matéria que submeteu ao Poder Judiciário, deixando, nessa parte, de apreciar o mérito corr spondente, declarando -31110m3 2 ' k• 71 MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES &1,-;: ?" TERCEIRA CAMARA Processo n° :10283.013288/99-21 Acórdão n° :103-21.390 definitivamente constituído na esfera administrativa o respectivo crédito tributário; b) conhecer da referida impugnação apenas na parte que não trata do mesmo objeto da ação judicial, julgar procedente o lançamento, no que concerne a multa de ofício e juros de mora aplicados.' Transcrevo, abaixo, ementas do Acórdão ora contestado: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL EXERCÍCIO: 1996 NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A busca da tutela do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial, resultando na constituição definitiva do crédito tributário, sendo vedado o sobrestamento do feito, em obediência ao principio da oficialidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - EXERCÍCIO: 1996 JUROS DE MORA. A partir de abr/95, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. MULTA DE OFÍCIO. O percentual de multa de lançamento de ofício de 75% é determinado por lei, não cabendo a discussão de seu valor no âmbito administrativo. A constatação de infração fiscal enseja o lançamento de oficio para a formalização de sua exigência, além da aplicação da respectiva multa, conforme determina a legislação tributária. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegadas da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciar-se a respeito da conformidade ou não da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal.' Ima —31/10103 3 st, MINISTÉRIO DA FAZENDA..y.; /- 1 ... 14̀ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES `P. TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10283.013286/99-21 Acórdão n° :103-21.390 Ciência do acórdão de primeira instância em 19109/2002 (fls. 350-verso). I.d — Recurso Recurso voluntário interposto em 17/10/2002 (fls. 352). Documentação comprobatória do arrolamento às fls. 368/550. Em síntese, são as seguintes as razões alegadas pela recorrente: a) Preliminarmente, requer que este "processo administrativo tenha o seu procedimento sobrestado até a decisão do mérito em processo judicial em que se discute a inconstitucionalidade da limitação em 30% da compensação dos prejuízos fiscais no IRPJ e na CSLL"; b) Considera inconstitucional a imposição de juros de mora com base na taxa SELIC assim como afirma que a multa aplicada é confiscatória. Informa que renunciou ao direito de recorrer à esfera administrativa quanto à matéria de mérito referente à inconstitucionalidade da limitação de 30% para compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL). "Desse modo, não há que se falar (como proferido na r, decisão de primeira instância) que a matéria em epígrafe não foi impugnada, uma vez que a Recorrente renunciou expressamente ao seu direito de recorrer em esfera administrativa, quanto às matérias de mérito discutidas judicialmente, de acordo com o disposto no parágrafo único do artigo 38 da Lei ° 8.830/80." É o relatório. Mn-31/10103 4 .er. -; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10283.013286/99-21 Acórdão n° :103-21.390 VOTO Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, Relator II.a — Admissibilidade O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. I I. b — Fundamentação O ilustre redator do voto condutor do acórdão de primeiro grau rejeitou o pedido de sobrestamento deste processo até a decisão definitiva da ação judicial proposta pela recorrente. Decidiu corretamente com fundamento no princípio da oficialidade, nsegundo esse principio, sendo missão constitucional do Executivo apreciar a legalidade dos atos de seus agentes, iniciado o processo, compete à própria administração impulsioná-lo até sua conclusão, diligenciando no sentido de reunir o conhecimento dos atos necessários ao seu deslinde (art. 18, 29 e 32), determinando o cancelamento de oficio da exigência infundada contra a qual o contribuinte não se opôs, ou, se for o caso, seu refazimento (art. 149, incisos VIII e IX do CTN e art.15, parágrafo único e 18, § 3° do Decreto 70.235/72)" (Destaquei em negrito). A renúncia da via administrativa implica em definitividade, no âmbito administrativo, da exigência tributária cujo objeto coincide com o do processo judicial. Quando a mesma matéria é alvo de discussão também no Judiciário, independentemente da modalidade processual, o processo administrativo perde o seu objeto, o exame toma-se exclusivo do Poder Judiciário. Na hipótese de decisões proferidas por ambas as esferas, a decisão administrativa forçosamente estará subordinada à judicial em respeito ao principio da unidade de jurisdição. A Administração só deve proferir decisão sobre os aspectos não abrangidos na demanda judicial. Afinal, só as decisões emanadas do Judiciário produzem os efeitos da coisa julgada. Vk • LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, -Processo Administrativo Fiscal Resenha Tributária, Brasília, 1994, pág. 4. Jon - moio 5 al I: . 44 - MINISTÉRIO DA FAZENDA ,,,-74.1r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '% TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10283.013286/99-21 Acórdão n° :103-21.390 Na ação ordinária n° 96.4043-5, conforme certidão às fls. 336, a recorrente requereu o afastamento da aplicação dos artigos 42 e 58 da Lei 8.981 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 e, conseqüentemente, o direito de compensar prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL sem o limite de 30%, o que toma essa matéria definitiva em sede do processo administrativo. Entretanto, em relação às matérias contestadas pela recorrente, cujo objeto seja distinto daquele postulado no processo judicial, o julgamento administrativo será normalmente processado. A taxa SELIC corresponde à média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para Títulos Públicos Federais. Os juros de mora instituídos de conformidade com o Migo 161 do Código Tributário Nacional têm caráter compensatório decorrente do custo financeiro com o qual o contribuinte onera o sujeito ativo ao pagar o crédito tributário após o vencimento. A taxa SELIC, do ponto de vista dos seus fundamentos econômicos, exatamente por refletir o custo financeiro de rolagem da dívida interna pelo Tesouro Nacional, presta-se perfeitamente para incidir como fator compensatório desse ônus imposto pelo atraso na quitação dos créditos tributários. Também não se deve olvidar que a taxa SELIC é igualmente aplicada sobre tributos restituídos e compensados. Não há que se falar em correção monetária abrangida pela taxa SELIC. Não devemos esquecer que o instituto da correção monetária foi, há muito tempo, banido da legislação tributária brasileira. Para adequada análise dos aspectos relativos à legalidade dos juros de mora exigidos com base na taxa SELIC, deve-se observar o que preceitua o parágrafo 1° do artigo 161 da Lei n° 5.172/66 - Código Tributário Nacional, que goza do status de lei complementar: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no v çinto é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinan alta, sem prejuízo da ima — nnoto3 6 At\ a s, '4 dec... MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘r"- • W-t.' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10283.013286/99-21 Acórdão n° :103-21.390 imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1°. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês." Parece-me cristalino que o §1° contém uma regra de aplicação subsidiária que determina a aplicação da taxa de 1% desde que não haja lei específica que regule a matéria de maneira diversa. O intérprete atendo entenderá que a taxa de 1% não significa um limite para o legislador ordinário, que, se ultrapassado, caracterizaria uma ofensa ao principio da hierarquia das normas jurídicas. Trata-se de autorização expressa, concedida pela lei complementar, para que a lei ordinária disponha de modo diverso. Assim dispôs o art. 13 da Lei 9.065/95: "Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art 90 da Lei 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.* Portanto, o ato legal que introduziu a aplicação da taxa de juros, Lei 9.065/95, para fins do que determina o Caput do Art. 161 do CTN, em percentual equivalente à taxa SELIC encontra-se em perfeita harmonia com a norma complementar à Constituição da República. Deve-se ter em mente que se trata de situação diversa da que ocorre com comando semelhante inserido no artigo 150 do Código: "se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos..." (§ 4° do art. 150). Ali, se a lei ordinária fixar prazo maior, invadirá o âmbito privativo da lei complementar em desrespeito ao comando do art. 146, II, V da Carta Magna. Haveria ofensa ao princípio da estrita legalidade tributária? Obviamente que não. A partir do momento em que a lei elegeu a taxa SELIC para fins do atendimento ao comando do art. 161 do CTN, não cabível se falar em desrespeito à legalidade tributária sob o argumento de que essa taxa foi cria por resolução do fins - 31/10/03 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA.v. ial,:ztf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10283.013286/99-21 Acórdão n° :103-21.390 Conselho Monetário Nacional. Ilegalidade ocorreria se ela fosse aplicada para os mesmos fins tributários sem existência de lei que previsse tal aplicação. Também não consigo enxergar desrespeito à competência tributária. Aqui, parece repetir-se o mesmo equívoco de interpretação já apontado no parágrafo anterior. Não foi o Conselho Monetário Nacional quem determinou essa exigência, foi a lei, atendidas as regras de tramitação legislativa do Congresso Nacional. Considero impossível admitir afronta aos princípios da anterioridade tributária e da segurança jurídica devido Os variações mensais da taxa SELIC. Afinal, o elemento aplicado como taxa de juros, a taxa SELIC, consta da lei, como exigido pelo art. 161 do CTN, e é fixo e previamente conhecido. Variável é o seu percentual por refletir as condições de mercado. Não há, portanto, nenhuma agressão à estabilidade das relações jurídicas. Tampouco vislumbro desrespeito ao § 3° do art. 192 da Carta Magna, que fixou em 12% ao ano o limite da taxa de juros reais. Observe-se que essa regra está inserida no Capítulo IV do Título VII, o que a torna aplicável ao Sistema Financeiro Nacional e não ao Sistema Tributário Nacional (Capítulo I do Título VI). Ademais, esse parágrafo foi revogado pela Emenda Constitucional n° 40, de 29/05/2003. Já se encontra pacificado neste Conselho e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC para fins do que determina o art. 161 do CTN é legal e constitucional. A multa aplicada encontra-se respaldada na lei de regência da matéria, conforme descrito no demonstrativo integrante do auto de infração às fls. 09. Quanto à alegação de desrespeito ao princípio constitucional da vedação do tributo confiscatório, tal princípio é dirigido aos tributos em geral, não se aplica às multas. O entendimento de que o inciso IV do artigo 150 da Co tituição da República kns -31/IO/03 8 41\ . • ' . . 4, lk 44 - '''' • ;" - MINISTÉRIO DA FAZENDA 'ti- - n C PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10283.013286199-21 Acórdão n° : 103-21.390 abrange as multas, como quer a Recorrente, não encontra respaldo na nossa doutrina tributária. Para ilustrar, recorro à objetividade do ensinamento de Hugo de Brito Machado2: "Em síntese, qualquer que seja o elemento de interpretação ao qual se dê ênfase, a conclusão será contrária à aplicação do principio do não-confisco às multas fiscais. Se prestigiarmos o elemento literal, temos que o art.150, inciso IV, refere-se apenas aos tributos. O elemento teleológico não nos permite interpretar o dispositivo constitucional de outro modo, posto que a finalidade das multas é exatamente desestimular as práticas ilícitas. O elemento lógico- sistêmico, a seu turno, não leva a conclusão diversa, posto que a não- confiscatoriedade dos tributos é garantida para preservar a garantia do livre exercício da atividade econômica, e não é razoável invocar-se qualquer garantia jurídica para o exercício da ilicitude." Não encontro fundamento que embase a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada. I I . c — Conclusão Deve-se negar provimento ao recurso. Sala das Sessões — DF, em 15 de outubro de 2003 ifi llALOYSIO J ÇI eD E INIO DA SILVA 2 "Os Princípios Jurídicos da Tributação na Constituição de 1988 9 , Dialética, 4' edição, página 107 Jrns - 31/10/03 9 Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.100470/2004-39
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2007
Ementa: RECURSO EX OFFICIO
MULTA QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – O lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64
MULTA MAJORADA – EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO – Não resta configurado o embaraço à fiscalização se a demora no fornecimento de informações é admitida pela própria fiscalização como necessária para o levantamento dos dados exigidos, bem como em decorrência de o resultado da apuração originária do embaraço é utilizado integralmente pela fiscalização na apuração do crédito tributário.
Numero da decisão: 101-96.021
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se Impedido de participar do julgamento o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez
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Sessão de : 01 de março de 2007 Acórdão n.° :101-96.021 RECURSO EX OFFICIO MULTA QUALIFICADA — JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — O lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 MULTA MAJORADA — EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO — Não resta configurado o embaraço à fiscalização se a demora no fornecimento de informações é admitida pela própria fiscalização como necessária para o levantamento dos dados exigidos, bem como em decorrência de o resultado da apuração originária do embaraço é utilizado integralmente pela fiscalização na apuração do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso "ex officio" interposto pela 1° TURMA - DRJ BELÉM - PA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se Impedido de participar do julgamento o Conselheiro Mário Junqueiraft„ Franco Júnior. • ... ' 4' . PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39 ACÓRDÃO N°. :101-96.021 a------ pMRAENJDLNATNTONI GADELHA DIAS / PAUL* • r. ÁFThORTEZ RELAT. - ti FORMALIZADO EM: 0 4 AF3P1 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, CAIO MARCOS CÂNDIDO, VALMIR SANDRI, SANDRA MARIA FARONI e JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR. 2 • PROCESSO N°. : 10283.100470/2004-39 ACÓRDÃO N°. :101-96.021 Recurso n°. : 148.174 — EX OFFICIO Recorrente : V TURMA DRJ — BELÉM - PA RELATÓRIO Recorre de ofício a este Colegiado a Egrégia V Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA, contra a decisão proferida no Acórdão n° 3.754, de 10/03/2005 (fls. 470/481), que julgou parcialmente procedente o crédito tributário consubstanciado no auto de Infração de CSLL, fls. 04. O lançamento foi efetuado em decorrência da redução indevida da base de cálculo da CSLL por erro na apuração de preços de transferência nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 447/466, onde apresentou os seguintes argumentos: - que resolveu não efetuar ajustes em relação às importações de vinculadas no Japão. Tentou obter de seus fornecedores as informações necessárias à composição do cálculo do Custo de Produção mais Lucro - CPL - tendo, contudo, sempre esbarrado em severas restrições geralmente impostas por políticas comerciais; - que "Relativamente às importações provenientes de outras localidades, apurou e adicionou o excesso de custo, tanto que informou ajustes de importação em todos os anos fiscalizados (doc. 3, doc. 4 e doc. 5), conforme, aliás, asseverado pela própria fiscalização. O documentos anexo (doc. 6), relacionada ao ano-calendário de 2001, não só demonstra a composição do ajuste informado na linha 50 (doc. 3) da ficha 34 da DIPJ 2002, como também permite identificar a exclusão dos ajustes relacionados às importações do Japão, pois o valor ajustado não correspondeu ao "Total Geral" do demonstrativo, mas apenas ao "Total Outros Países que excluía as operações do Japão"; - que "O procedimento de informar nas DIPJ's a adoção do CPL e indicar preço parâmetro idêntico ao praticado, a despeito de, à época não se ter os elementos necessários a tal 3 ** PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39 • ACÓRDÃO N°. :101-96.021 apuração foi adotado por duas singelas razões. A primeira de cunho conceituai. A segunda de natureza eminentemente técnica. A primeira razão para a adoção de tal procedimento, como já se apontou, foi a firme convicção da lmpugnante de que não se sujeitaria a nenhum ajuste por não operar nos termos previstos no art. 6° do Tratado para Evitar a Dupla Tributação firmado entre Brasil e Japão, que autoriza a adoção de técnicas de transfer pricing. Ou seja, entendia a Impugnante que não deixaria de auferir nenhuma parcela de lucro em virtude de nenhuma condição (aceita ou imposta) que diferisse daquelas adotadas entre partes independentes"; - que "O segundo motivo pelo qual a impugnante informou a adoção do CPL, e preço parâmetro idêntico ao praticado foi de ordem eminentemente técnica, pois o próprio programa gerador das DIPJ's não acataria seu envio se não fossem prestadas tais informações. As cópias anexas (doc. 10) de telas do programa gerador das DIPJ's dos anos envolvidos claramente demonstram a impossibilidade de não se informar o método adotado ou preço parâmetro encontrado"; - que "Entretanto, no início de 2003, a Impugnante tomou conhecimento de que provavelmente seu procedimento não seria aceito pelas autoridades fiscais. Para regularizar sua situação, iniciou tratativas, em março de 2003 (doc. 11) com a Deloitte Touche Tohmatsu - DTT e com a KPMG Auditores independentes para que fossem apurados os ajustes adequados nos termos da legislação em vigor e de acordo com o entendimento do Fisco"; - que "Após o início dos trabalhos fiscais, foram solicitados à impugnante os documentos comprobatórios do cálculo do CPL, bem como as respectivas memórias. A Impugnante, entretanto, como os trabalhos da DTT ainda não haviam sido ultimados, solicitou prorrogações do prazo para apresentação. Nesse contexto, deve-se ressaltar a circunstância, admitada pela própria fiscalização, de que os prepostos da Impugnante informaram o motivo dos pedidos de prorrogação e da demora na entrega dos documentos e informações solicitados"; - que "Aliás, tão logo concluídos os trabalhos pelos consultores, mesmo alcançando valores de ajustes superiores aos informados nas DIPJ's, a impugnante apressou-se em apresentá-los à fiscalização, a qual, diga-se de passagem, acatou-os integralmente. Importante que se destaque, contudo, desde logo, que a maior parte das diferenças dos ajustes não foi efetuada nas 49 principais importações, haja vista que estas estavam dentro dos parâmetros permitidos, mas sim nas demais importações não especificadas"; DA PARCELA RECOLHIDA E DA PARCELA CONTROVERTIDA. - que recolheu, conforme demonstram os DARF's anexos, os valores que entendia incontroversos. A planilha anexa (do eie>,c 4 • 's . PROCESSO N°. :10283.10047012004-39 ACÓRDÃO N°. :101-96.021 18) demonstra a recomposição dos valores lançados, abatendo-se os ajustes que já haviam sido efetuados nas próprias DIPJ's originalmente entregues. Aliás, ressalte-se que referida planilha considera os valores corretos de base de cálculo em relação aos anos-calendário 2000 e 2001, apesar de a fiscalização ter trocado um valor pelo outro, equivocadamente"; - que "Assim, é bom que se esclareça, desde já, qual é matéria controvertida nos presentes autos: 1) o lançamento deveria ter excluído os valores que já haviam sido adicionados ao lucro real na DIPJ original; 2) Não houve fraude, portanto a multa não poderia ser agravada; e 3) Não houve embaraço à fiscalização, portanto a multa não poderia ser qualificada"; DEDUÇÃO DO AJUSTE ANTERIORMENTE EFETUADO. - que "a parcela lançada correspondente aos valores já oportunamente ajustados seja desconstituída e que o lançamento seja retificado em relação à troca das bases de cálculo de 2000 e 2001, reconhecendo-se que o pagamento ora efetuado foi suficiente para liquidar toda contribuição devida, assim como a multa de 75%, reduzida em 50%"; - que "Ainda que assim não se entenda, na apuração do IRPJ objeto do lançamento ora combatido, a autoridade fiscal deveria ter deduzido os valores lançados a titulo de Contribuição ao PIS e COFINS. Desse modo, considerando que os Autos de Contribuição ao PIS e COFINS contêm questão prejudicial ao julgamento do presente processo, requer-se seu sobrestamento até o desfecho daquelas demandas"; DA AUSÊNCIA DE FRAUDE. - que "Por todo o relato dos fatos ocorridos, a lmpugnante acredita que já se poderia compreender não ter havido, em nenhum momento, fraude, sonegação ou conluio, mas de qualquer forma, é importante que alguns pontos sejam destacados"; - que "Por primeiro, deve-se esclarecer, uma vez mais, que a Impugnante informou a adoção do CPL e preço parâmetro idêntico ao preço praticado nas 49 primeiras linhas, da ficha destinada ao ajuste de preços de transferência na importação, pois o Programa Gerador das DIPJ's impedia que não se prestasse qualquer das duas informações. As informações prestadas nessas 49 linhas, portanto, foram erradas, pois não havia outra forma de se proceder, considerando a ausência de apuração de tais preços"; - que tais ajustes não foram calculados, como anteriormente esclarecido, com fundamento em entendimento doutrinário corrente à época e mesmo atualmente ainda defendido por alguns, segundo o qual na inexistência de transferência de 5 • • PROCESSO N°. : 10283.100470/2004-39 • ACÓRDÃO N°. :101-96.021 lucro o tratado para Evitar a Dupla Tributação firmado com o Japão impediria o ajuste de preços de transferência. Mas os ajustes relacionados na linha 50 das DIPJ's originais (importações não especificadas) foram devidamente calculados e as memórias de cálculo, são ora juntadas por amostragem, pois o volume de documentos é excessivo; - que, ainda que o elemento subjetivo necessário à configuração de fraude não se faz nem nunca se fez presente no presente caso. Afinal, não é possível que se acredite que pessoa jurídica do porte, postura e reputação da Impugnante, que apurou IRPJ (já descontada a isenção de que fazia jus e o abatimento do PAT) da ordem de R$ 50.374.488,80, nos três anos objeto de apuração e CSLL da ordem de R$ 50.374.488,80, no mesmo período - totalizando R$ 95.500.680,69 - teria se prestado a sonegar IRPJ e CSLL no importe de R$ 1.063.029,69, correspondente a cerca de 1,12% do total dos tributos sobre a renda devidos no período; DA AUSÊNCIA DE EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. - que, em nenhum momento, pretendeu oferecer qualquer obstáculo à fiscalização. Pelo contrário, sempre a manteve informada dos acontecimentos e, assim que disponível, apresentou o valor dos ajustes calculados pela consultoria externa contratada. Aliás, tanto é verdade que não houve embaraço à fiscalização que foram aceitos pelo lançamento justamente os valores informados pela lmpugnante. A colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pelo cancelamento da exigência, conforme aresto acima mencionado, cuja ementa tem a seguinte redação: CSLL Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA - Procede a exação decorrente da adição a menor, na apuração do lucro líquido, base de cálculo da CSLL, dos valores referentes aos preços de transferência, excluindo-se da demanda as parcelas já oferecidas à tributação quando do preenchimento das DIRPJ dos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001. MULTA AGRAVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Afasta-se da exigência fiscal o agravamento da penalidade quando nos autos não restam provas caracterizadoras do evidente intuito de fraude e a fiscalização utiliza-se de dados fomecidos pela própria empresa que acusa de fraude. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO - Não resta configurado o embaraço à fiscalização se a demora no fornecimento de informações é admitida pela própria fiscalização comoto....„ 6 ' • PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39 ACÓRDÃO N°. : 101-96.021 necessária para o levantamento dos dados exigidos, bem como em decorrência de o resultado da apuração originária do embaraço é utilizado integralmente pela fiscalização na apuração do crédito tributário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - Exclui-se do litígio os valores que o sujeito passivo reconhece como sendo procedentes. Lançamento Procedente em Parte Com relação à parcela mantida pela decisão recorrida, a interessada efetuou o recolhimento do tributo, desistindo da interposição de recurso voluntário. Nos termos da legislação em vigor, a turma de julgamento a quo recorreu de oficio a este Conselho. É o relatório. (51S1 7 • " PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39 ACÓRDÃO N°. :101-96.021 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ, Relator Recurso assente em lei (Decreto n° 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09/12/93, arts. 1° e 3°, inciso I), dele tomo conhecimento. Como se depreende do relatório, tratam os presentes autos, de recurso de ofício interposto pela colenda 18 Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA, contra a decisão proferida no Acórdão n° 3.754, de 10/03/2005, que excluiu parte da exigência tributária constituída contra a interessada. Cabe consignar que a interessada não impugnou parte dos lançamentos referentes à adição a menor dos preços de transferência restringindo a defesa no que conceme à parcela do lançamento referente ao agravamento da penalidade, embaraço à fiscalização e não dedução, na apuração dos valores dos preços de referência, dos valores já oferecidos à tributação por intermédio das DIPJ dos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001. Ocorre que no ano-calendário de 1999, a contribuinte apurou base de cálculo negativa de CSLL, sendo que o valor correspondente foi ignorado pela autoridade autuante na feitura do lançamento, o qual considerou integralmente tributável a receita apurada. Assim, correta a decisão recorrida no sentido de considerar a compensação da base negativa da contribuição em relação ao valor tributável apurado na ação fiscal. Com relação à não dedução, por parte da autoridade autuante, dos valores oferecidos à tributação nas DIPJs, no ano-calendário de 2000, o valor oferecido à tributação foi de R$ 6.092.359,65, o qual foi completamente ignorado 8 fr - • . PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39• • ACÓRDÃO N°. :101-96.021 pela fiscalização, a qual considerou como sendo tributável a importância de R$ 1.755.442,41 (fls. 10). Nessas condições, incabível a manutenção do lançamento, eis que o fisco apurou como se devido fosse, o montante de R$ 1.755.442,41, sem, contudo, considerar que a empresa houvera tributado via DIPJ, o valor de R$ 6.092.359,65, valor esse, muito superior àquele constante do auto de infração. No ano-calendário de 2001, a autoridade autuante considerou como adição realizada pela fiscalizada, a parcela de R$ 939.028,79, tendo procedido ao ajuste por ocasião do lançamento, do valor de R$ 1.829.254,82. Nesse período-base (2001), também ocorreu erro por parte do fisco, pois, conforme comprova a declaração de rendimentos, a interessada adicionou a parcela de R$ 968.345,63 na apuração do lucro real a título de ajuste decorrente de preço de transferência. Corretamente a turma de julgamento de primeiro grau procedeu ao ajuste necessário. Quanto ao valor remanescente, a interessada efetuou o recolhimento integral da CSLL devida. Com relação a exclusão da multa qualificada, concordo plenamente com o entendimento da turma julgadora, pois agravou a multa de oficio, tendo sido lavrada inclusive representação fiscal para fins penais, em virtude de a contribuinte ter apresentado redução indevida na apuração da CSLL por três anos consecutivos. Contudo, como visto anteriormente, no ano-calendário de 2000, por equívoco da fiscalização, foram lançados valores indevidos. Dessa forma, restou diferença a tributar tão-somente no ano-calendário de 2001. Com relação ao período em que restou parcela tributável (2001), denota-se contradição da fiscalização, a qual entendeu pela ocorrência de dolo para justificar o agravamento da multa, é evidente. Ora, nos cálculos efetuados pela 9 PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39 ACÓRDÃO N°. :101-96.021 autoridade autuante foram incluídos, apesar da existência de erros, valores já adicionados pela própria fiscalizada na apuração do lucro real, remanescendo apenas uma parcela do lançamento original. Para reforçar a tese de simples erro cometido pela recorrente, é cabível de citação o cálculo por ela realizado na adição efetuada no ano de 2000. A contribuinte espontaneamente apurou o valor de R$ 6.092.359,65 (fls. 245), e ofereceu à tributação integralmente na DIPJ. A fiscalização, por seu turno, considerou que o valor devido seria tão-somente R$ 1.755.442,41, ou seja, valor muito menor do que aquele indicado na DIRPJ/01 pela recorrente. Não é cabível qualquer entendimento no sentido da ocorrência de dolo, pois nesse ano, a contribuinte ofereceu à tributação montante superior àquele apurado pela fiscalização, inexistindo qualquer importância a ser tributada. Melhor dizendo, a diferença apurada a maior pela contribuinte é superior ao lançamento efetuado pela fiscalização no ano-calendário que restou parcela a tributar (2001). Diante desses fatos chega-se à conclusão de que não restou configurado no processo qualquer possibilidade de fraude ao fisco. Assim, os argumentos da interessada de que ocorreu um erro na apuração dos valores dos preços de transferência, bem como de que a interessada não poupou esforços para apurar os valores reais, devem ser considerados excludentes do interesse de sonegar o IRPJ. De acordo com a bem fundamentada decisão recorrida, é que houve um erro na apuração dos preços de transferência; fato assumido e confirmado pela impugnante e pelo lançamento. Entretanto, o mero erro na apuração dos valores a serem adicionados na apuração do IRPJ não é elemento suficiente para a caracterização de crime de sonegação fiscal. Como efeito, a prática delitiva não pode ser presumida, devendo estar devidamente configurada com provas cabais de sua existência. Nesse sentido, as providência adotadas pela impugnante não configuram a presença da manifesta vontade de fraudar. A própria fiscalização se valeu dos dados apresentados pela impugnante, numa demonstração inequívoca de confiança no que foi apurado. 10 Ci9 .. .. 't , PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39 • ACÓRDÃO N°. :101-96.021 Com relação ao embaraço à fiscalização, em razão da demora da contribuinte em apresentar os cálculos dos preços de transferência, também não tem razão a autoridade autuante, pois, na verdade, o que ocorreu foi pedido de prorrogação do prazo para atendimento das intimações, tendo em vista a necessidade de coleta de grande número de informações (fl. 8). Apesar de a fiscalização se recusar a prorrogar o prazo para apresentação dos documentos, cabe destacar a manifestação da própria autoridade autuante por ocasião do encerramento da ação fiscal: "Após exame procedido sobre a documentação apresentada, por amostragem, vez que uma análise de todos os itens do estoque demandada talvez mais um ano de trabalho, não foi observada irregularidade". De acordo com a fiscalização, seria necessário um ano de trabalho para a apuração dos valores dos preços de transferência, porém, em menos de quatro meses a contribuinte apresentou os dados que, segundo a fiscalização, demandariam um ano para serem apurados. Diante disso, não resta caracterizado o embaraço a fiscalização se a própria fiscalização admite a necessidade de grande prazo para a apuração dos valores dos preços de transferência. Por fim, merece destaque que o demonstrativo que a fiscalização exigiu foi apresentado com os valores corretos no final de setembro de 2003 (fl. 27). Analisando o mencionado documento, é possível concluir que o mesmo poderia, facilmente, ter sido apresentado à fiscalização com os valores indicados nas DIRPJ dos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001. Entretanto, os valores estavam incorretos e a impugnante decidiu revisar os cálculos para que os mesmos fossem apresentados à fiscalização sem erros. Tal atitude é diametralmente oposta à caracterização de embaraço à fiscalização bem como ao evidente intuito de fraude. Dessa forma, os procedimentos adotados pela impugnante somente reforçam a Gpimprocedência do agravamento da penalidade. r 11 :, -• : is , PROCESSO N°. :10283.100470/2004-39 ACÓRDÃO N°. :101-96.021 Como visto acima, a decisão recorrida está devidamente motivada e aos seus fundamentos de fato e de direito não merecendo reparos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso ex officio. doBrasília (DF), e- e de março de 2007 / • /V PAULO - • :, RTO I ORTEZ 12 Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005471/97-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPJ - ISENÇÃO - SUDAM - Comprovado nos autos que o sujeito passivo faz juz ao gozo do benefício da Isenção do Imposto de Renda, com base no artigo 23 do Decreto-lei n° 756/69 e alterações posteriores, cancelam-se as exigências formuladas com base na falta de apresentação da documentação correspondente.
Negado provimento ao recurso de ofício.
(DOU 19/12/00)
Numero da decisão: 103-20450
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio.
Nome do relator: Márcio Machado Caldeira
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Negado provimento ao recurso de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM MANAUS - AM., ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. iii • ' t• •DM ir 1 BER • SIDENTE 10-MACHADO CALDEIRA ELATOR FORMALIZADO ER roei 2prn Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NEICYR DE ALMEIDA MARY ELBE GOMES QUEIROZ (Suplente Convocada), ANDRÉ LUIZ FRANCO D AGUIAR, SILVIO GOMES CARDOSO, LÚCIA ROSA SILVA TOS e VICTOR LUIZ SALLES FREIRE. mil voo • . MINISTÉRIO DA FAZENDA • . e PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES --.r.:)?- TERCEIRA CÂMARA Processo n° :.10283.005471/97-26 Acórdão n°. :103-20.450 Recurso n°. :123.348 Recorrente : DRJ em MANAUS — AM RELATÓRIO A DELEGADA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM MANAUS / AM recorre a este colegiado de sua decisão, que exonerou a contribuinte TANARIMAN INDUSTRIAL LTDA. das exigências formalizadas nos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Imposto de Renda na Fonte, PIS, COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro, correspondente ao ano calendário de 1994. O motivo determinante das autuações foi a falta de apresentação do documento expedido pela SUDAM, conferindo-lhe a isenção do imposto de renda, conforme consta da descrição dos fatos dos mencionados autos de infração. Analisando a tempestiva impugnação do sujeito passivo, a autoridade monocrática decidiu por cancelar as exigências dos presentes autos, à vista da documentação da SUDAM, conferindo o direito ao benefício da isenção, pelo período 10 anos. É o Relatórit 2 e I: -P. 414 2 . ei; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES•,_n -...,:1/4. " 3. -.?;, 1 TERCEIRA CÂMARA Processo n° :.10283.005471/97-26 Acórdão n°. :103-20.450 VOTO Conselheiro MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, Relator O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Conforme consignado em relatório, a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e demais reflexas tiveram origem na falta de apresentação da documentação da SUDAM, que habilita a autuada ao gozo do benefício da isenção de IRPJ, de que trata o artigo 23 do Decreto-lei n° 756/69 e alterações posteriores. Com a apresentação da Resolução n° 8.157, de 04/05/95, que aprova a isenção do Imposto de Renda em favor da autuada, a autoridade monocrática decidiu por cancelar as exigências inicialmente formuladas, conforme consta às fls. 62/64. Ao exame da documentação apresentada e acima mencionada, não resta dúvida acerca da improcedência da autuação. Mas outros fatores são relevantes para se verificar o erro da autuação. Trata-se de empresa tributada com base no lucro real, conforme declaração de rendimentos anexada às fls. 05/15, apresentando receita bruta de R$ 488.504,00, um lucro líquido de R$ 90.020,00 e um lucro real de R$ 137.421,00. Por seu turno, ante a falta de apresentação da documentação comprobatória da isenção, a fiscalização fez incidir o imposto de renda sobre a receita bruta da empresa, ou seja R$ 488.504,00, desprezando todos os dados da declaração deirendimentos, inclusive o lucro real apurado. Tal o, por si só já demonstrpa 3 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA f• n ?. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 21.> TERCEIRA CÂMARA Processo n° :.10283.005471/97-26 Acórdão n°. :103-20.450 improcedência da autuação, se fator mais relevante, como a documentação da SUDAM, não descaracterizasse o feito fiscal. Da mesma forma tributou-se a Contribuição Social sobre o Lucro e o Imposto de Renda na Fonte (ILL), tomando a base de cálculo a receita bruta e não o lucro liquido, apurando-se valores díspares com a declaração de rendimentos. Por seu turno, a exigência do PIS e da COFINS tiveram como base de cálculo a receita bruta anual e como fato gerador o dia 31 de dezembro, a despeito de constar da declaração de rendimentos a receita bruta verificada em cada más. Também, não se fez menção a recolhimentos já efetuados ou a apresentação da DIRF. Observe-se, ainda, neste particular, que as empresas isentas pelo incentivo regional, devem recolher as contribuições sociais. Assim, a falta de apresentação do documento que confere a isenção não daria margem a tais autuações. Observo, na oportunidade, que o sujeito passivo declarou Contribuição Social no montante de 14.780,55 UFIR e, em sua impugnação, datada de 06/11/97, explicita que concorda em pagar tal contribuição, mas não fez qualquer juntada de documentos aos autos, talvez por não ser parte do procedimento fiscal destes autos. Tal destaque tem o objetivo de alertar à autoridade incumbida de executar o acórdão, na verificação do cumprimento desta exigência declarada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões - DF, em 10 de novembro de 2000 Caer, ~CIO MACHADO CALDEIRA 4 '1C' j MINISTÉRIO DA FAZENDA '‘.1...,Hfr 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES; TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10283.005471/97-26 Acórdão n°. :103-20.450 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n°55, de 16/03/98 (D.O.U. de 17103198). Brasília-DF, em O 8 DEZ 2000 tory soot."4 CA DI D O RODRIG ' ES NEUBER PRESIDENTE Ciente em, jj, / z .n -1 F RICIO D-0 RO. 10 VALL • LEITE OCURADOR A FAZEND • Page 1 _0052900.PDF Page 1 _0053100.PDF Page 1 _0053300.PDF Page 1 _0053500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10320.002311/00-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA APLICADA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Se a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 63, com a nova redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, impede a aplicação da multa ex officio, na vigência de medida liminar deferida antes do início do procedimento fiscal destinado a evitar a decadência do direito estatal de constituir o crédito tributário, com maior razão não caberá a referida sanção se o juiz, esgotando a jurisdição, conceder a segurança requerida pelo autor.
Numero da decisão: 103-22.279
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Flávio Franco Corrêa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ;$13!",..;:1/41€ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • ':>=1,525.1:5 TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10320.002311/00-81 Recurso n° :146.195• Matéria : IRPJ - Ex(s): 1998 E 1999 Recorrente : COMPANHIA ENERGÉTICA DO MARANHÃO Recorrida : 3a TURMA/DRJ-FORTALEZA/CE Sessão de : 22 de fevereiro de 2006 Acórdão n° :103-22.279 MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA APLICADA EM LANÇAMENTO DE OFICIO. Se a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 63, com a nova redação dada pela Medida Provisória n° 2.158-35, impede a aplicação da multa ex officio, na vigência de medida liminar deferida antes do início do procedimento fiscal destinado a evitar a decadência do direito estatal de constituir o crédito tributário, com maior razão não caberá a referida sanção se o juiz, esgotando a jurisdição, conceder a segurança requerida pelo autor. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recuso interposto por COMPANHIA ENERGÉTICA DO MARANHÃO. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatóri e voto que passam a integrar o presente julgado. ANDO ODRI U R ,..--PaESIDENTE FIA RANCO CORRÊA RELATOR FORMALIZADO EM: 24 MAR 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ALOYSIO • JOSÉ PERCINIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURÍCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE.Ausente momentaneamente, por motivo justifica o o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. 146.195*MSR*09/03/06 • . • 441,-44 ' ,- MINISTÉRIO DA FAZENDA ,..z0". PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -4-t-f» TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10320.002311/00-81 Acórdão n° :103-22.279 Recurso n° :146.195 Recorrente : COMPANHIA ENÉRGÉTICA DO MARANHÃO RELATÓRIO Trata o presente de recurso de voluntário contra a decisão da • autoridade julgadora de primeira instância, que julgou procedente a exigência do IRPJ e da multa isolada, cobrada por falta de recolhimento do imposto de renda calculado sobre a base estimada, nos anos-calendário de 1997 e 1998. Ciência do auto de infração com a data de 24.11.2000 Pela clareza do relatório do órgão a quo, aproveito para reproduzir o resumo nele constante, que trata das infrações, in verbis: "Foi lavrado, em 24/11/2000, o Auto de Infração de t7s. 10/21, que exige da contribuinte o recolhimento do crédito tributário total equivalente a R$ 25.343.495,98 , incluindo acréscimos legais. Na descrição dos fatos de fls. 11/13, são relatadas as seguintes infrações: 001 — DESPESAS INDEDUTIVEIS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PROVISIONADAS E NÃO PAGAS. Valores apurados decorrentes da glosa de contribuições previdenciárias mensais (e seus encargos) provisionadas e não pagas, devidas pela Fundação de Assistência e Seguridade dos Servidores da CEMAR ( FASCEMAR). 002 — EXCLUSÕES INDEVIDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão de valores • não computados no lucro líquido do exercício, o que acarreta redução irregular do imposto de renda pessoa jurídica, não justificada pela empresa, apesar de ter sido intimada a prestar esclarecimentos. 003— FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA Valor do IRPJ declarado na DIPJ/99, com exigibilidade suspensa, em virtude e liminar concedida pela Justiça Federal, processo n° 98.6294- 2. Em razão disto, o imposto foi lançado sem a multa de ofíci o. 146.195*MSR*09/03106 2 QS r. • t .. • . t•"•..;,;;; MINISTÉRIO DA FAZENDA 71 ‘r." PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10320.002311/00-81 Acórdão n° :103-22.279 004— MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Lançamento da multa isolada pela falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução, nos anos-calendário de 1997 e 1998, com exceção dos meses de março e abril de 1998, que foi conhecida através da receita bruta e acréscimos.' Inconformada, a autuada impugnou o feito, às fls. 691/706. Ciência da decisão de primeira instância em 16.03..2005 (fl. 866), assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998, 1999 Ementa: MULTA ISOLADA PELA FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MANDADO DE SEGURANÇA. DESISTÊNCIA DA AÇÃO. A desistência da ação judicial, que garantia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem efeito ex tunc, legitimando o lançamento da multa de ofício efetuado para prevenir a decadência. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. É inadmissível a compensação de prejuízos/base de cálculo negativa para a apuração da base de cálculo do Imposto de Renda e Contribuição Social recolhidas por estimativa, porque referidos recolhimentos são meras antecipações dos valores efetivamente devidos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito tributário nãointegralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina. A Lançamento Procedente." 146.195MSR*09103106 3 k--- • . • ' . 44 "•• • .; MINISTÉRIO DA FAZENDA .,•t J .:1/4k: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10320.002311/00-81 Acórdão n° :103-22.279 Recurso voluntário às fls.869/892. Arrolamento de bens às fls. 965/976. Nesta oportunidade, a recorrente ataca somente a multa isolada, esclarecendo que a exigibilidade do crédito tributário relacionado ao auto de infração estava suspensa desde a lavratura do auto de infração, a teor da decisão de mérito prolatada no dia 09.08.1999 pelo titular da 30 Vara Federal no Maranhão, que reconhecera a imunidade da demandante para fins de IRPJ, no julgamento do processo n° 98.6294-2. Adverte a fiscalizada que o autuante não deixou de mencionar a pendência da citada ação no auto de infração, aludindo à inexigibilidade dos créditos decorrentes do lançamento de ofício, vinculando este efeito ao ajuizamento da demanda em referência. A despeito disso, o órgão a quo entendeu que a multa isolada era legítima, malgrado a classificação que vislumbrara, ajustando-a ao rol das designadas multas de ofício, sob o fundamento de que um fato superveniente convalidou sua incidência ao caso concreto, qual seja, a desistência da recorrente à ação judicial, requisito necessário à adesão ao Parcelamento Alternativo ao Programa de Recuperação Fiscal — Refis, o que bastaria para ressurgir, por via reflexa, a exigibilidade da sanção. Salientando que a aplicação da multa contém vício insanável desde a origem e que o ato de lançamento é vinculado à lei, não haveria como convalidar o feito, daí pleiteando sua anulação. Em segundo lugar, tão-somente em atenção ao principio da eventualidade, a recorrente propugna pela recomposição da base imponível, na determinação da multa isolada, requerendo a compensação dos prejuízos fiscais apurados em períodos precedentes. Por último, a autuada se insurge contra os juros com base na taxa Selic, apontando o caráter remuneratório que lhe é marcante, o que não é compatível com a regra inscrita no artigo 161, do CTN. É o relatório 146.195*MSR*09/03106 4 . • t".•• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';;c1.trie: TERCEI RA CÂMARA Processo n° :10320.002311/00-81 Acórdão n° :103-22.279 VOTO Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORRÊA - Relator Na interposição deste recurso, foram observados os pressupostos de recorribilidade. Dele conheço. Creio que o presente dispensa longas considerações. Repare-se: a Lei n°9.964, de 10 de abril de 2000, ao facultar a adesão ao Programa Refis, condicionou o benefício à desistência, expressa e irrevogável, das ações judiciais pendentes, o que bem observou o julgador de primeira instância, à fl. 855. Daí, em seguida, seu raciocínio desenhou o ressurgimento do que nasceu morto. À evidência, quando do lançamento de oficio, no dia 24.11.2000, já vigorava a norma individual e concreta que reconheceu a imunidade da demandante, em relação ao IRPJ, conforme fl. 737. A decisão judicial monocrática foi combatida com a apelação da União, recebida pelo juiz, no dia 12.01.2000, com efeitos meramente devolutivos, segundo a informação á fl. 765. São estes os dados até aqui reunidos e que me convencem da invalidade do ato de aplicação da sanção prevista no artigo 44, § 1°, IV, da Lei n° 9.430/96, consoante a proibição do artigo 63 da própria Lei n° 9.430/96, ainda em sua redação original, afinal se norma impede a aplicação da multa ex officio, na vigência de medida liminar deferida antes do inicio do procedimento fiscal destinado a evitar a decadência, com maior razão não caberá a punição se o juiz, esgotando a jurisdição, conceder a segurança requerida pelo autor. • Assinalo o vicio de legalidade que fulmina o ato em sua origem. Não se trata, por conseguinte de ato anulável, mas nulo, com vicio grave e insanável. Por oportuno, não posso deixar de registrar a seguinte estranheza: se o contribuinte se viu diante da faculdade de desistir do exercício do direito de ação para aproveitar um benefício previsto em lei, não é admissivel que se conceba que sua opção — a desistência - tenha a aptidão para gerar, a partir de então, isto é, com eficácia ex nunc, a exigibilidade ao ato inválido, como se a desistência operasse como condição 146.195*MSR*09/03/06 5 $ . , • I'. . • Ir, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10320.002311/00-81 Acórdão n° :103-22.279 resolutiva da invalidade. Seria também, em última análise, o mesmo que reconhecer, ao exercício da faculdade que a lei reservou ao contribuinte, a aptidão para puni-lo. Diante de tais fundamentos, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das 5- ssõ -: - DF, em 22 de fevereiro de 2006 " FLÁV O - A NCO CORRÊA( , 146.195*MSR*09/03/06 6 Page 1 _0038900.PDF Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.005615/97-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2000
Ementa: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, até o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas era constituído na modalidade de lançamento por declaração e a decadência do direito de constituir crédito tributário rege-se pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. Apresentada a declaração de rendimentos em 31/05/90, o Fisco poderia constituir crédito tributário do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica até o dia 30/05/95.
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO – ISENÇÃO DA ÁREA DA SUDENE – LUCRO DA EXPLORAÇÃO – As despesas glosadas são adicionadas ao lucro líquido para a determinação do lucro real, sem afetar o lucro líquido e, conseqüentemente, o lucro da exploração. Se o lucro da exploração não foi afetado, não tem cabimento a alegação de que o Fisco não teve prejuízo com o procedimento do sujeito passivo que apropriou despesas indevidas.
IRPJ – REAVALIAÇÃO ATIVO PERMANENTE – A incorporação ao Ativo Permanente de valores constantes de Notas Fiscais emitidas por pessoas jurídicas, sem a correspondente prestação de serviços ou fornecimento de bens, embora constitua irregularidade na aplicação de financiamentos concedidos pela SUDENE, a legislação tributária brasileira não contempla a tributação desta incorporação, por inexistir efeito fiscal mediado ou imediato, e o artigo 108, § 1°, do Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia para exigir tributos não previstos em lei.
IRPJ – GLOSA DE COMPRAS FICTÍCIAS – As notas fiscais emitidas por empresas sem capacidade técnica ou operacional para prestar serviços ou fornecer bens descritos nos documentos fiscais não podem ser apropriados como custos ou despesas operacionais e os valores glosados devem ser adicionados ao lucro real. Pela utilização de documentação fiscal contaminada com falsidade ideológica, a multa qualificada deve ser mantida.
IRPJ – JUROS INCIDENTE SOBRE OBRIGAÇÕES CORRESPONDENTES A COMPRAS FICTÍCIAS – Se a obrigação principal decorre de compras fictícias acobertadas por notas fiscais ideologicamente falsas, a apropriação de juros sobre esta mesma obrigação, igualmente, inexistente, constitui infração a legislação tributária e deve ser acionado ao lucro real, justificando-se a aplicação da multa qualificada.
IRPJ – CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS – Os custos e despesas operacionais são as necessárias, usuais e normais para o tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e devem ser comprovados com documentos fiscais, hábeis e idôneos, sob pena de adição ao lucro líquido na determinação do lucro real. Meras alegações de que são despesas necessárias ou insinuações de que a autoridade lançadora deveria examinar os documentos nos estabelecimentos fornecedores não podem ser aceitas para restabelecer a dedutibilidade como custos ou despesas.
IRPJ – DESPESAS OPERACIONAIS - PROVISÃO PARA FINSOCIAL – Os tributos e contribuições poderiam ser apropriados como despesas operacionais no mês da ocorrência do fato gerador até o período-base encerrado em 31 de dezembro de 1992, quando passou a ser aplicado o artigo 7° e 8° da Lei n° 8.541/92.
IRPJ – VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS – DEPÓSITOS JUDICIAIS – Se a provisão correspondente ao FINSOCIAL, em litígio perante a Justiça Federal, não foi corrigida e nem atualizada monetariamente no passivo, a exigência de variações monetárias ativas de depósitos judiciais provoca desequilíbrio e assim, o lançamento não pode prosperar.
IRPJ – VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS – MÚTUO ENTRE COLIGADAS – Na vigência do artigo 21 do Decreto-lei n° 2.065/83, nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante era obrigada a reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN. Esta obrigação de adição ao lucro líquido para determinação do lucro real lucro real é de natureza meramente fiscal, sem qualquer interferência na contabilidade da pessoa jurídica e, portanto, não há repercussão no lucro da exploração e nem na isenção da área da SUDENE.
IRPJ – VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS– CONSÓRCIOS - EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS DA ELETROBRÁS – LUCRO DA EXPLORAÇÃO – ISENÇÃO DA SUDENE – As variações monetárias ativas devem ser incluídas no lucro operacional como estabelecido no artigo 18 do Decreto-lei n° 1.598/77 e, portanto, os erros cometidos pelo sujeito passivo podem ser reconhecidos como erros de escrituração e afeta o lucro líquido e conseqüentemente o lucro da exploração. Se o sujeito passivo tem direito à isenção na área da SUDENE, os erros de contabilização de variações monetárias não comportam distribuição aos sócios ou desvios de incentivos fiscais e não prejudicam a Fazenda Nacional.
IRPJ – CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS – LUCRO DA EXPLORAÇÃO – ISENÇÃO DA SUDENE – A correção monetária das demonstrações financeiras era obrigatória para as sociedades anônimas (art. 185 da Lei n° 6.404/76) e, portanto, eventual falta de apuração constitui erro de escrituração contábil e, portanto, a sua correção afeta o lucro líquido e, por conseqüência, o lucro da exploração e, não comportando desvio de incentivos fiscais e nem distribuição de lucro aos sócios, para as empresas que tem direito a isenção da SUDENE, não provoca qualquer prejuízo a Fazenda Nacional. Entretanto, o cálculo da correção monetária passiva em duplicidade ou em valor ou percentual maior do que o devido constitui infração a legislação fiscal e descumprimento da legislação societária e, portanto, não podem ser beneficiados com a isenção da área da SUDENE.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – A decisão proferida no lançamento principal é aplicável ao lançamento reflexivo, face à relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – BASE DE CÁLCULO – A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é o lucro líquido antes da provisão para o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. A isenção da SUDENE refere-se a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais não Restituíveis e o benefício fiscal não se estende para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – O lançamento de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88 efetivado nas sociedades anônimas deve ser cancelado face à determinação contida na Instrução Normativa SRF n° 63/97.
Rejeitadas as preliminares suscitadas e recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 101-93.106
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Kazuki Shiobara
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IRPJ – REAVALIAÇÃO ATIVO PERMANENTE – A incorporação ao Ativo Permanente de valores constantes de Notas Fiscais emitidas por pessoas jurídicas, sem a correspondente prestação de serviços ou fornecimento de bens, embora constitua irregularidade na aplicação de financiamentos concedidos pela SUDENE, a legislação tributária brasileira não contempla a tributação desta incorporação, por inexistir efeito fiscal mediado ou imediato, e o artigo 108, § 1°, do Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia para exigir tributos não previstos em lei. IRPJ – GLOSA DE COMPRAS FICTÍCIAS – As notas fiscais emitidas por empresas sem capacidade técnica ou operacional para prestar serviços ou fornecer bens descritos nos documentos fiscais não podem ser apropriados como custos ou despesas operacionais e os valores glosados devem ser adicionados ao lucro real. Pela utilização de documentação fiscal contaminada com falsidade ideológica, a multa qualificada deve ser mantida. IRPJ – JUROS INCIDENTE SOBRE OBRIGAÇÕES CORRESPONDENTES A COMPRAS FICTÍCIAS – Se a obrigação principal decorre de compras fictícias acobertadas por notas fiscais ideologicamente falsas, a apropriação de juros sobre esta mesma obrigação, igualmente, inexistente, constitui infração a legislação tributária e deve ser acionado ao lucro real, justificando-se a aplicação da multa qualificada. IRPJ – CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS – Os custos e despesas operacionais são as necessárias, usuais e normais para o tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e devem ser comprovados com documentos fiscais, hábeis e idôneos, sob pena de adição ao lucro líquido na determinação do lucro real. Meras alegações de que são despesas necessárias ou insinuações de que a autoridade lançadora deveria examinar os documentos nos estabelecimentos fornecedores não podem ser aceitas para restabelecer a dedutibilidade como custos ou despesas. IRPJ – DESPESAS OPERACIONAIS - PROVISÃO PARA FINSOCIAL – Os tributos e contribuições poderiam ser apropriados como despesas operacionais no mês da ocorrência do fato gerador até o período-base encerrado em 31 de dezembro de 1992, quando passou a ser aplicado o artigo 7° e 8° da Lei n° 8.541/92. IRPJ – VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS – DEPÓSITOS JUDICIAIS – Se a provisão correspondente ao FINSOCIAL, em litígio perante a Justiça Federal, não foi corrigida e nem atualizada monetariamente no passivo, a exigência de variações monetárias ativas de depósitos judiciais provoca desequilíbrio e assim, o lançamento não pode prosperar. IRPJ – VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS – MÚTUO ENTRE COLIGADAS – Na vigência do artigo 21 do Decreto-lei n° 2.065/83, nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante era obrigada a reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN. Esta obrigação de adição ao lucro líquido para determinação do lucro real lucro real é de natureza meramente fiscal, sem qualquer interferência na contabilidade da pessoa jurídica e, portanto, não há repercussão no lucro da exploração e nem na isenção da área da SUDENE. IRPJ – VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS– CONSÓRCIOS - EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS DA ELETROBRÁS – LUCRO DA EXPLORAÇÃO – ISENÇÃO DA SUDENE – As variações monetárias ativas devem ser incluídas no lucro operacional como estabelecido no artigo 18 do Decreto-lei n° 1.598/77 e, portanto, os erros cometidos pelo sujeito passivo podem ser reconhecidos como erros de escrituração e afeta o lucro líquido e conseqüentemente o lucro da exploração. Se o sujeito passivo tem direito à isenção na área da SUDENE, os erros de contabilização de variações monetárias não comportam distribuição aos sócios ou desvios de incentivos fiscais e não prejudicam a Fazenda Nacional. IRPJ – CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS – LUCRO DA EXPLORAÇÃO – ISENÇÃO DA SUDENE – A correção monetária das demonstrações financeiras era obrigatória para as sociedades anônimas (art. 185 da Lei n° 6.404/76) e, portanto, eventual falta de apuração constitui erro de escrituração contábil e, portanto, a sua correção afeta o lucro líquido e, por conseqüência, o lucro da exploração e, não comportando desvio de incentivos fiscais e nem distribuição de lucro aos sócios, para as empresas que tem direito a isenção da SUDENE, não provoca qualquer prejuízo a Fazenda Nacional. Entretanto, o cálculo da correção monetária passiva em duplicidade ou em valor ou percentual maior do que o devido constitui infração a legislação fiscal e descumprimento da legislação societária e, portanto, não podem ser beneficiados com a isenção da área da SUDENE. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – A decisão proferida no lançamento principal é aplicável ao lançamento reflexivo, face à relação de causa e efeito que vincula um ao outro. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – BASE DE CÁLCULO – A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é o lucro líquido antes da provisão para o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. A isenção da SUDENE refere-se a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais não Restituíveis e o benefício fiscal não se estende para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – O lançamento de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88 efetivado nas sociedades anônimas deve ser cancelado face à determinação contida na Instrução Normativa SRF n° 63/97. Rejeitadas as preliminares suscitadas e recurso voluntário provido em parte.
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Apresentada a declaração de rendimentos em 31/05190, o Fisco poderia constituir crédito tributário do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica até o dia 30/05/95 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO — ISENÇÃO DA ÁREA DA SUDENE — LUCRO DA EXPLORAÇÃO — As despesas glosadas são adicionadas ao lucro líquido para a determinação do lucro real, sem afetar o lucro líquido e, conseqüentemente, o lucro da exploração Se o lucro da exploração não foi afetado, não tem cabimento a alegação de que o Fisco não teve prejuízo com o procedimento do sujeito passivo que apropriou despesas indevidas IRPJ — REAVALIAÇÃO ATIVO PERMANENTE — A incorporação ao Ativo Permanente de valores constantes de Notas Fiscais emitidas por pessoas jurídicas, sem a correspondente prestação de serviços ou fornecimento de 'bens não pode ser considerada reavaliação do ativo sob pena de validar efeitos contábeis e fiscais prejudiciais à correta apuração dos resultados em períodos futuros IRPJ — GLOSA DE COMPRAS FICTÍCIAS — As notas fiscais emitidas por empresas sem capacidade técnica ou operacional para prestar serviços ou fornecer bens descritos nos documentos fiscais não podem ser apropriados como custos ou despesas operacionais e os valores glosados devem ser adicionados ao lucro real Pela utilização de documentação fiscal contaminada com falsidade ideológica, a multa qualificada deve ser mantida IRPJ — JUROS INCIDENTE SOBRE OBRIGAÇÕES CORRESPONDENTES A COMPRAS FICTÍCIAS — Se a obrigação principal decorre de compras fictícias acobertadas por notas fiscais ideologicamente falsas, a apropriação de juros sobre esta mesma obrigação, igualmente, inexistente, constitui infração a legislação tributária e deve ser acionado ao lucro real, justificando-se a aplicação da multa qualificada — PROCESSO N° : 10380.005615197-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 RECURSO N° 119.431 RECORRENTE INAPI - INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A 1RPJ — CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS — Os custos e despesas operacionais são as necessárias, usuais e normais para o tipo de atMdade desenvolvida pela pessoa jurídica e devem ser comprovados com documentos fiscais, hábeis e idôneos, sob pena de adição ao lucro líquido na determinação do lucro real Meras alegações de que são despesas necessárias ou insinuações de que a autoridade lançadora deveria examinar os documentos nos estabelecimentos fornecedores não podem ser aceitas para restabelecer a dedutibilidade como custos ou despesas. IRPJ — DESPESAS OPERACIONAIS - PROVISÃO PARA FINSOCIAL — Os tributos e contribuições poderiam ser apropriados como despesas operacionais no mês da ocorrência do fato gerador até o período-base encerrado em 31 de dezembro de 1992, quando passou a ser aplicado o artigo 7° e 8° da Lei n° 8.541/92 IRPJ — VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS — DEPÓSITOS JUDICIAIS — Se a provisão correspondente ao FINSOCIAL, em litígio perante a Justiça Federal, não foi corrigida e nem atualizada monetariamente no passivo, a exigência de variações monetárias ativas de depósitos judiciais provoca desequilíbrio e assim, o lançamento não pode prosperar IRPJ — VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS — MÚTUO ENTRE COLIGADAS — Na vigência do artigo 21 do Decreto- lei n° 2.065/83, nos negócios de mútuos contratadas entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, a mutuante era obrigada a reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da ORTN Esta obrigação de adição ao lucro líquido para determinação do lucro real é de natureza meramente fiscal, sem qualquer interferência na contabilidade da pessoa jurídica e, portanto, não há repercussão no lucro da exploração e nem na isenção da área da SUDENE IRPJ — VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS— CONSÓRCIOS - EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS DA ELETROBRÁS — LUCRO DA EXPLORAÇÃO — ISENÇÃO DA SUDENE — As variações monetárias ativas devem ser incluídas no lucro operacional como estabelecido no artigo 18 do Decreto-lei n° 1.598/77 e, portanto, os erros cometidos pelo sujeito passivo podem ser reconhecidos como erros de escrituração e afeta o lucro líquido e conseqüentemente o lucro da exploração. Se o sujeito passivo tem direito à isenção na área da SUDENE, estes erros de contabilização de variações monetárias não comportam distribuição aos sócios ou desvios incentivos fiscais e não prejudicam a Fazenda Nacional / ( 2 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 RECURSO N° 119.431 RECORRENTE INAPI — INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS — LUCRO DA EXPLORAÇÃO — ISENÇÃO DA SUDENE — A correção monetária das demonstrações financeiras era obrigatória para as sociedades anônimas (art. 185 da Lei n° 6.404/76) e eventual falta de apuração constitui erro de escrituração contábil e, portanto, a sua correção afeta o lucro líquido e, por conseqüência, o lucro da exploração e, não comportando desvio de incentivos fiscais e nem distribuição de lucro aos sócios, para as empresas que tem direito a isenção da SUDENE, não provoca qualquer prejuízo a Fazenda Nacional. Entretanto, o cálculo da correção monetária passiva em duplicidade ou em valor ou percentual maior do que o devido constitui infração a legislação fiscal e descumprimento da legislação societária e, portanto, não podem ser beneficiados com a isenção da área da SUDENE. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — A decisão proferida no lançamento principal é aplicável ao lançamento reflexivo, face à relação de causa e efeito que vincula um ao outro. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é o lucro líquido antes da provisão para o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, A isenção da SUDENE refere-se a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais não Restituíveis e o benefício fiscal não se estende para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido TRIBUTAÇÃO REFLEXA - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LIQUIDO — O lançamento de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Liquido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88 efetivado nas sociedades anônimas deve ser cancelado face à determinação contida na Instrução Normativa SRF n° 63/97 Rejeitadas as preliminares suscitadas e recurso voluntário provido em parte. Vistos' relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto por INAPI — INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO SIA. PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 RECURSO N° : 119.431 RECORRENTE INAPI — INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado .61 PE: RODRIGUES PR SIDENTE KAZIP 111'10: A -ELATOR FORMALIZADO EM 9 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JEZER DE OLIVERIA CÂNDIDO, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, RAUL PIMENTEL, SANDRA MARIA FARONI e CELSO ALVES FEITOSA 4 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 RECURSO N° 119.431 RECORRENTE : INAPI — INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A RELATÓRIO A empresa INAPI - INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A, inscrita no Cadastro Geral de Contribuintes sob n° 05.535.711/0001-84, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza(CE), apresenta recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a reforma da decisão recorrida. Nos diversos Autos de Infração contidos nestes autos, constam os seguintes impostos e contribuições, em UFIR.: NOME/TRIBUTO VALOR/TRIBUTO JUROS/MORA MULTAS TOTAIS IRPJ 3.469.834,74 2.524.701,56 7.646.437,88 13.640.974,18 PIS 1.034,89 1013,80 934,57 2.986,26 IRF 821.479,07 743.318,19 1.998.195,80 3.562.993,06 CSL 425.316,20 265.659,49 765..448,36 1.456.424,05 TOTAIS 4.717.664,9 3.534.693,04 10.411.016,61 18.663.377,55 No julgamento de 1° grau, o lançamento foi considerado parcialmente procedente e cancelada parte da exigência, como demonstrado no quadro abaixo.: NOME/TRIBUTO TRIBUTOS TRIBUTOS MULTAS MULTAS LANÇADOS MANTIDOS LANÇADAS MANTIDAS IRPJ 3.469.834,74 2.853„306,83 7.646.437,88 3.449.621,17 PIS 1.034,89 O 934,57 O I RF 821,479,07 34„333,39 1 ,998.195,80 25.750,04 CSL 425 316,20 287.911,34 765.448,36 281.388,62 TOTAIS 4 717,664,9 3„175.551,56 10.411.016,61 3.756.759,83/1 ( 5 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° -. 101-93.106 Após a decisão de 1° grau, as parcelas tributadas e exoneradas da incidência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica são as seguintes:: IRREGULARIDADES PB TRIBUTADAS EXCLUÍDAS MANTIDAS Obs Reavaliação de bens 89 3..056,812,98 O 3..056,812,98 90 103.849..857,20 O 103..849..857,20 91 820.006..498,92 O 820.006.498,92 06/92 1..025..605..271,60 O 1.025.605.271,60 12/92 . 11.869.769.713,49 O 11..869..769..713,49 Compras fictícias - Metalfer 90 250,000..059,80 O 250,000.059,80 91 193.656..550,00 O 193..656..550,00 Compras fictícias - Formil 91 1..119.899.516,00 770.677.440,00 349,222..076,00 Despesas inexistentes 92 29.017..275,00 O 29.017..275,00 Despesas não comprovadas 91 217.141.616,00 O 217.141.616,00 6/92 17.900.012,99 1.153..211,05 16.746.801,94 12/92 73.197.768,74 49.898..711,17 23.299.057,57 Despesa indedutível 90 1.150.820,77 1.150.820,77 O NL (cartão de crédito American 91 4.855. 035,97 4.855.035,97 O NL Express) 06/92 9.795.392,60 9.795.392,60 O NL 12/92 36.262.704,46 36.262.704,46 O NL Despesa indedutível - IRR.1 12/92 12.560.455,11 12.560.455,11 O NL Despesa indedutivel-viagens 12/92 18.961.600,00 18.961.600,00 O NL Receitas Correção Monetária 12/92 327,959.253,39 242.191.223,22 85.768.030,17 NI Despesa Correção Monetária 12/92 14.498.674,951,64 O 14.498.674.951,64 NI 12/92 39.549.874,56 39.549.874,56 O NL Despesas de depreciação 12/92 .1.529.095.115,10 1.529.095.115,10 O NL Provisão p/ Finsocial 90 5.412.721,45 - O 5.412..721,45 91 18.204.466,36 O 18.204.466,36 06/92 16.194.179,70 O 16.194.179,70 VMA - Depósitos judiciais 90 2..121.301,04 O 2.121..301,04 90 4.864.288,80 - O 4..864.288,80 91 23,821.016,20 O 23.821..016,20 06/92 94.319.199,93 O 94.319.199,93 12/92 328.881379,14 O 328.883.379,14 VMA-Empr.. Comp. Eletrobrás 89 11.501,07 O 11.501,07 NI VMA - Consórcios 89 1.660.979,53 O 1.660.979,53 NI VMA - Mútuo entre coligadas 89 19.684.144,74 O 19.684..144,74 NI 90 18.399.866,64 O 18.399.866,64 NI /' 12/92 173.814.195,25 O 173.814.195,25 NI / TOTAIS 32.909.357..396,17 2.676.601.709,45 30.193.205.812,16 - . - 7 6 `, PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Conforme resumo acima, parte da exigência formulada não foi impugnada e os argumentos expendidos pela impugnante referem-se extensão dos benefícios fiscais da área da SUDENE para as parcelas consideradas tributáveis: a) - Variações Monetárias Ativas sobre Empréstimo Compulsório da Eletrobrás - Nez$ 11.501,07, no período-base de 1989; b) - Variações Monetárias Ativas sobre Consórcios - NCz$ 1.660.979,53, no período-base de 1989; e, c) - Variações Monetárias Ativas sobre mútuo entre coligadas - Cr$ 19.684.144,74, Cr$ 18.399.866,64 e Cr$ 173.814.194,25, respectivamente, nos períodos-base de 1990, 1991 e 2° semestre de 1992.. d) - Correção Monetária Ativa de Cr$ 327.959.253,39 que foi reduzida para Cr$ 85.768.030,17, na decisão recorrida e correspondente ao período-base encerrado em 12/92 e, e) - Correção Monetária Passiva de Cr$ 14.538.224.826,20 relativo ao período-base encerrado em 12/92 que reduzida para Cr$ 14.498.674.951,64; Foram excluídas da tributação as parcelas abaixo indicadas tendo em vista o agravamento da exigência e mudança de fundamento de direito e que foram objeto de expedição de Notificação de Lançamento Complementar, no processo administrativo n° 10380,004854/95-53, a saber: /4a) - Despesas Indedutíveis (cartão de crédito - American Express); ,7 Cr$ 1.150.820,77, Cr$ 4.855.035,97, Cr$ 9.795.392,60 e Cr$ 36„262.704„ respectivamente nos períodos-base de 1990, 1991, 1° e 2° semestres de 1992; , ( .. 7 ,, PROCESSO N° : 10380.005615197-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 b) - Despesas Indedutíveis - Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas e variações monetárias correspondente - Cr$ 12560.455,11, no período- base encerrado em 12/92, c) - Despesas Indedutíveis - viagens e estadias - Cr$ 18.961.600,00, no período-base encerrado em 12/92, d) - Despesas de depreciação - Cr$ 1,529 095.115,10, no período- base encerrado em 12/92, e) - Despesas de Correção Monetária — Cr$ 39.549.874,56, no período-base encerrado em 12/92 Desta forma, as parcelas exoneradas da incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas, na decisão de 1° grau, foram as seguintes. a) Cr$ 770 677 440,00, correspondentes à glosa de custo (compras fictícias), no período-base de 1991, tendo em vista que esta parcela já foi objeto de tributação no tópico relativo a reavaliação de bens, b) Cr$ 1.153 211 05, correspondente à glosa de despesas não comprovadas, no período-base encerrado em 06/92 e correspondente a juros sobre financiamento e face ao erro de contabilização que não acarretou qualquer prejuízo para o fisco, c) - Cr$ 49898.711,17, correspondente à glosa de despesas contabilizadas a título de taxa de manutenção de serviços bancários, no período- base encerrado em 12/92, tendo em vista que a autuada contabilizou receita a maior „ A decisão recorrida cancelou o lançamento correspondente a PIS/FATURAMENTO face à decisão do Supremo Tribunal Federal que decretou a/ e 8 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 inconstitucionalidade dos Decretos-lei n° 2.445/88 e 2.449/88 e imposto de Renda na Fonte com fundamento no artigo 8° do Decreto-lei n° 2.065/83 tendo em a interpretação contida no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 06/96 e, ainda, reduziu o percentual de multa de lançamento de ofício de 300% para 150% e de 100% para 75%, em conformidade com a orientação contida no Ato Declaratório (Normativo) COS1T n° 01/97 A autoridade julgadora submeteu a sua decisão, em recurso de ofício, ao crivo desta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no processo administrativo fiscal n° 10380.004854/95-53 e foi-lhe negado provimento. No recurso voluntário, de fls. 218/307, a recorrente reitera as seguintes preliminares: a) nulidade do lançamento por quebra do sigilo bancário; b) nulidade do lançamento tendo em vista que a recorrente goza da isenção do Imposto de Renda relativamente ao lucro da exploração; c) decadência do direito de o Fisco constituir crédito tributário relativo ao período-base de 1989, porque, a seu ver, desde o advento do Decreto-lei n° 1.967/82, o Imposto de Renda deixou de ser lançado por declaração, passando a enquadrar-se na modalidade homologatória No mérito, repetiu as razões expendidas na impugnação e aduziu as seguintes argumentações, em síntese: 1) Superavaliação do Custo de Bens do Ativo Permanente: a) o julgador singular manteve a exigência sem que pudesse acusar a empresa de não realizar as obras, pois elas foram concretizadas conforme está reconhecido no julgado; - 9 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 b) não foi comprovado que as empresas ditas 'de fachada' não realizaram as obras, mas, ao contrário, foi reconhecido o custo destas; c) não foi provado o alegado desvio de recursos em benefício da autuada, pois, se o fosse, outra seria a modalidade de imposição tributária, no campo de incidência do Imposto de Renda na Fonte; d) foi tributada a diferença entre o valor pago e o custo comprovado das executantes como reavaliação do ativo, modalidade inaplicável à espécie, e) o procedimento consistiu em admitir uma reavaliação não posterior à aquisição, que é o procedimento lógico, f) ainda que cabível a figura da reavaliação, foi utilizada descabida forma de apurar o que a fiscalização entendeu como valor acrescido, porque não foram considerados os custos, despesas e lucratividade das empresas executantes 2) Compras Fictícias — METALFER LTDA. a) a decisão singular inverteu o ônus probatório, ao atribuir à defendente a responsabilidade de provar que a empresa METALFER LTDA realmente forneceu as mercadorias, ou podia fazê-lo, quando a fiscalização é que deveria ter provado, no lançamento, que não houve o ingresso de mercadorias adquiridas, b) é de se perguntar porque as autuantes não realizaram auditoria na produção dâ empresa para tentar provar que não houve a aquisição dos materiais descritos nas notas fiscais desclassificadas, preferindo ater-se a meros formal ismos lo PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 3) Compras Fictícias — FORMIL LTDA. a) contesta as afirmações feitas pelo julgador monocrático para justificar que não há nos autos referência de que a empresa FORMIL tenha fornecido sucatas à autuada, b) afirma que o decisor aborda, assim, de forma diferente o mérito da lide, o que constitui inovação sem reabertura de prazo para impugnação 4) Despesas Inexistentes: reitera, apenas que, a despeito do entendimento da decisão de 1° grau, ficou devidamente comprovado tratar-se despesas incorridas e necessárias à atividade da empresa; 5) Despesas não comprovadas a) na decisão recorrida, foi reconhecida a existência do empréstimo, bem como o valor de sua liquidação e a coerência e consistência dos cálculos e lançamentos contábeis atinentes, mas, mesmo assim, foi mantida a glosa das despesas correspondentes ao valor dos encargos financeiros pagos ao Banco Mercantil de Crédito (BMC); b) com referência à conta Taxa de Manutenção de Serviços Bancários, o valor mantido seria integralmente absorvido pelo Imposto de Renda na Fonte retido pelo banco, o que não foi reconhecido na decisão singular; c) quanto às demais despesas que não foram comprovadas, Fisco deveria ter efetuado diligências e perícias junto à Recorrente, para verificar a efetividade dos gastos incorridos, como solicitado na impugnação, d) o item 'c' do Auto de Infração, no valor de Cr$ 1.260.040,26 corresponde a várias ordens de pagamentos enviadas à empresa MARGUS 11 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 REPRESENTAÇÕES LTDA., relativa a comissões e corretagens sobre vendas efetuadas pelo representante, mediante comprovantes anexos, e) o item 'd' refere-se a Serviços de Terceiros — PJ pagos a empresa UNIPLAN LTDA sediada na capital pernambucana, correspondente a serviços de assessoria na área da SUDENE, conforme ordem de pagamento anexa, f) os itens T, 'g' e 'h' são despesas incorridas no segundo semestre de 1992, inadvertidamente contabilizadas como FINSOCIAL; g) o item 1' refere-se a despesas incorridas com Manutenção de Máquinas e Equipamentos pagos à Indústria de Compressores PEG Ltda correspondentes a conserto de equipamentos; h) no item 'I' constam despesas incorridas com viagens e estadas de funcionários (vendedor), conforme relatórios anexados, com discriminação das despesas pagas em novembro e dezembro de 1992; i) em todos os casos apontados, protestou por diligências e/ou perícias para as devidas constatações documentais 6) Despesas Indedutiveis : não focalizou este item, tendo em vista a reabertura de prazo para impugnação, 7) Omissão de Receita de Correção Monetária e 8) Glosa de Despesa de Correção Monetária: para ambos os itens, a recorrente repetiu que equívocos atinentes à Orreção monetária das demonstrações financeiras, por sinal, já abolida e inclusivê proibida pela Lei n° 9 249/95, não constituem desvio de finalidade para fins de ajuste do lucro de exploração, de acordo com o artigo 412 do então vigente RIR; 12 PROCESSO N° : 10380.005615197-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 9) Glosa de Despesa de Depreciação: também não abordou este item, tendo em vista a reabertura de prazo impugnatório; 10) Glosa da Despesa de FINSOCIAL a) é completamente sem fundamento a alegação do julgador monocrático de que o valor contabilizado a título de FINSOCIAL é indedutivel por tratar-se de provisão não autorizada pelo artigo 220 do RIR/80, pois não se trata de provisão, mas de despesas incorrida, b) não procede a afirmação de que a legislação precedente à Lei n° 8.541/92 não permitia a dedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, porque esse diploma não é interpretativo, tendo, efetivamente, criadas novas regras, 11 — Correção Monetária de Depósitos Judiciais a) a autoridade julgadora manteve a exigência fundamentando-se no Parecer CST n° 811/83, sem caráter normativo, b) ainda que fosse procedente o lançamento, foi mantido integralmente o valor apontado no Auto de Infração, sem se levar em conta os valores já oferecidos à tributação espontaneamente pela recorrente Aduz a recorrente que não questiona os itens Omissão de Receita — Variação Monetária Ativa (Empréstimos Compulsórios Eletrobrés e Consórcio) e empréstimo entre coligadas, mais uma vez tendo como justificativa a isenção de que é detentora Repete a 'Reconstituição do Lucro Real e do Lucro da Exploração', / expediente já utilizado na impugnação, desta vez chegando a um valor positivo de/ . 13 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Cr$ 14863,879,248,00, que entende deva ser compensado com prejuízos fiscais anteriores, nada restando a tributar Estende os argumentos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e acrescenta que, ainda que tivesse cometido as infrações apontadas, não haveria permissivo legal para a recomposição da base de cálculo dessa contribuição, qual seja, seu lucro contábil No que respeita ao Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido, conclui que militou em erro a autoridade julgadora ao entender que a Resolução do Senado Federal só é aplicável aos lançamentos posteriores à sua edição, porque é evidente que um dispositivo declarado inconstitucional é abolido do ordenamento jurídico desde a sua edição, não a partir do momento em que sua inconstitucionalidade é declarada Além disso, prossegue a recorrente que o Decreto n° 2,134/97, ao regulamentar a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 4°, determinou que, no caso de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, os créditos tributários alcançados pela decisão devem ser cancelados As fls 3121320 encontram-se as contra-razões de recurso do Senhor Procurador da Fazenda Nacional, pela manutenção da decisão recorrida 1 É o relatório / 14 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 VOTO Conselheiro: KAZUKI SHIOBARA - Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e portanto, deve ser conhecido por esta Câmara. PRELIMINARES Na hipótese dos autos, a autoridade julgadora de 10 grau rejeitou a preliminar de decadência quanto ao período-base de 1989, exercício de 1990, por entender que o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é constituído na modalidade de lançamento por declaração. Efetivamente, existem alguns precedentes nas diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido de que a partir da vigência do Decreto-lei n° 1.967/82, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídica é lançado na modalidade de lançamento por homologação. Entretanto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já uniformizou o entendimento de que o referido imposto, até o advento da Lei n° 8.383/91 é lançado na modalidade de lançamento por declaração e entre outros Acórdãos podem ser mencionados os de n° CSRF/01-02.553, CSRF/01-02.577, de 07 de dezembro de 1998 e n° CSRF/01-02620, DE 15 de março de 1999, todos publicados no Diário Oficial da União do dia 11 de agosto de 1999, com a seguinte ementa: "IRPJ - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - 1) O Imposto dede Renda, antes do advento da Lei n° 8.383, de 30/12/91, era um tributo sujeito a lançamento por declaração, operando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ( àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o 15 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° 101-93.106 disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipada para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu § único, c/c o art. 711 e §§ do RIR/80). 2) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado na fluência do prazo de cinco anos contado a partir da entrega da declaração de rendimentos, improcede a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar o tributo Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para que os autos retornem à Câmara de origem para o exame do mérito, acompanham pela conclusão os Conselheiros Celso Alves Feitosa e Edison Pereira Rodrigues, vencido o Conselheiro Afonso Celso Mattos Lourenço." A ementa do acórdão acima transcrita, por si só, responde as dúvidas suscitadas pela recorrente e se aplica, inclusive, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Com efeito, se o lançamento é por declaração e a declaração de rendimentos do exercício de 1990 foi apresentado no dia 31 de maio de 1990, o prazo decadencial tem como termo inicial esta data e portanto, o prazo qüinqüenal extinguir-se-ia somente no dia 31 de maio de 1995 Desta forma e como o sujeito passivo foi cientificado dos Autos de Infração, no dia 29 de maio de 1995, inocorre a alegada decadência Não vejo como adotar um posicionamento diferente face às decisões reiteradas da Câmara Superior de Recursos Fiscais e por isso, entendo que a decisão de 1° grau esta correta e não merece reforma. Relativamente ao lançamento dito reflexivo correspondente a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, como a apuração de sua base de cálculo depende da declaração de rendimentos, a decadência segue a mesma sorte do lançamento principal e assim, dada a relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento sobre a matéria 16 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 A outra preliminar diz respeito à isenção do lucro da exploração, ou seja, a glosa de despesa acarreta aumento do lucro da exploração e como este lucro é isento, não haveria qualquer prejuízo para a Fazenda Nacional e, assim, o lançamento seria nulo O argumento apresentado pela recorrente de que o artigo 486 do RIR/80 só se aplica ao Capítulo IX está correto mas a hipótese aventada não tem qualquer relação com o litígio ora em exame De fato o Capítulo IX do RIR/80 diz respeito à "APLICAÇÃO DO IMPOSTO EM INVESTIMENTOS REGIONAIS E SETORIAIS", ou seja, a dedução do imposto devido e declarado para os Fundos de investimentos e Certificados de Investimentos. Estes incentivos são distintos das isenções condicionadas e calculadas com base no lucro da exploração que é a hipótese dos autos. O benefício fiscal que a recorrente está pleiteando é a isenção criada pelos artigos 13 e 14 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, com a seguinte redação: "Art. 13 — Os empreendimentos industriais e agrícolas que se instalaram na área de atuação da SUDENE, até o exercício de 1968, inclusive, ficarão isentos de imposto de renda e adicionais não restituíveis, pelo prazo de 10 anos, a contar da entrada em operação de cada empreendimento. Art. 14 — Até o exercício de 1973, inclusive, os empreendimentos industriais e agrícolas que estiverem operando na área de atuação da SUDENE à data da publicação desta lei, pagarão com a redução de 50% (cinqüenta por cento) o imposto de renda e adicionais não restituíveis. Art. 15 — O valor das isenções de que tratam os artigos 13 e 14 será anualmente incorporado ao capital social das empresas beneficiárias, independentemente do pagamento de quaisquer impostos e taxas federais." Posteriormente, com o advento do Decreto-lei n° 1.598/77 (art. 19, §/ , 1°, letra "a"), foi introduzido o conceito de lucro da exploração e o artigo 1°, inciso Is L( 17 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 do Decreto-lei n° 1„730/79 mandou aplicar o referido conceito ao artigo 13 da Lei n° 4.239/63 e que foi incorporado no artigo 440 do RIR/80, com a seguinte redação: "Art. 440 - As pessoas jurídicas que instalarem, até 31 de dezembro de 1982, empreendimentos industriais ou agrícolas na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE, ficarão isentas do imposto e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração (artigo 412) do empreendimento, pelo prazo de 10 (dez) anos a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação." Verifica-se, pois, que esta isenção estava condicionada a capitalização dos valores de impostos e adicionais não restituíveis ao Capital Social e portanto, a matéria é distinta da tratada no Capítulo IX do RIR/80. Não resta dúvida que a isenção deve ser calculada com base no lucro da exploração que, segundo o disposto no artigo 412 do RIR/80 é: "Art. 412 - Considera-se lucro da exploração o lucro líquido do exercício ajustado pela exclusão de seguintes valores: 1 - à parte das receitas financeiras (artigo 253) que exceder às despesas financeiras (artigo 253, ,sS' 1°); - os rendimentos e prejuízos das participações societárias; e iii - os resultados não operacionais." O lucro líquido é apurado pela contabilidade e, portanto, as parcelas adicionadas ao lucro líquido para a determinação do lucro real não afetam e nem podem afetar o lucro da exploração.. Este artigo foi interpretado pela Secretaria da Receita Federal no Parecer Normativo CST n° 11/81 e entre outras considerações, registram-se as seguintes afirmativas "10 - Muito embora satisfeitas as obrigações principais e acessórias, pode ocorrer à superveniência de lançamento de / oficio, nas situações enunciadas no art. 676 do RIR/80, ou ap exigência de suplemento de imposto já lançado.. Em ambos o4 18 PROCESSO N° : 10380.005615197-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 casos, os lançamentos podem ter origem em: I) Omissão de receitas; II) Valores indedutíveis não oferecidos à tributação. 11 — O dever de manter escrituração com base nas leis comerciais e fiscais implica obrigatoriedade de observância dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, inclusive, pois, do regime de competência. Dessarte, as receitas omitidas em determinado período-base da escrituração comercial e, posteriormente ocasionadora de lançamento de oficio ou suplementar não podem ser aceitas para efeito de recomposição da base de cálculo do lucro isento (total ou parcialmente), porque não foram computadas oportunamente no lucro líquido do exercício 12 — Por outro lado, importa notar que o resultado da escrituração comercial da pessoa jurídica está afetado por todas as despesas registradas no período-base de apuração, de sorte que é irrelevante para a determinação do lucro líquido do exercício (ponto de partida para a formação do lucro da exploração) distinguir-se se a despesa é dedutível ou indedutível para efeitos fiscais 13 — Essa observação aliada ao fato de que os ajuste do lucro líquido do exercício (RLIV80, arts. 387 e 388), na determinação do lucro real, não tem reflexo no lucro da exploração, nos permite concluir que a superveniência de lançamento 'ex- officio' ou de lançamento suplementar, decorrente de valores indedutíveis não oferecidos à tributação, jamais poderia justificar a recomposição da base de cálculo do lucro beneficiado com a isenção total ou parcial." A ementa do parecer normativo é taxativa quando disse que "a partir da vigência do DL 1..598/77, o gozo da isenção e redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende da manutenção de escrita mercantil regular e o montante do beneficio está restrito aos valores nela registrados," A jurisprudência administrativa tem sido pacifica em acolher o entendimento contido no parecer normativo examinado e entre outros acórdãos pode ser mencionada a seguinte ementa: "ALCANCE DO BENEFÍCIO — A isenção refere-se ao impostos e adicionais não restitutveis incidentes sobre o lucro da! exploração. Não alcança parcelas do tributo calculado em/ função de despesas indedutíveis ou de receitas omitidas, porqu 19 ,, PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 tais parcelas adicionadas ao lucro líquido para determinação do lucro real não podem afetar o lucro da exploração, salvo quando se tratar de ajuste expressamente previsto na legislação (Ac. 105-02.981/88 — DOU de 08/06/89)." Relativamente ao reflexo das variações e correções monetárias de balanço no lucro da exploração, os argumentos expendidos pela recorrente serão examinados mais adiante, no item correspondente. A outra preliminar alegada refere-se à quebra do sigilo bancário A alegação não procede posto que as informações coletadas pelas autoridades fiscais estão cobertas pelo sigilo fiscal e, além disso, a requisição foi providenciada com observância do disposto no artigo 8° da Lei n° 8.021/90 e atos normativos que regem a matéria. O artigo 8° da Lei n° 8.021/90 não foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e nem foi suspensa a sua execução pelo Senado Federal Assim, face à legislação tributária vigente e jurisprudência administrativa predominante, sou pela rejeição das preliminares suscitadas MÉRITO No mérito, o litígio diz respeito aos diversos tópicos que serão examinados, em seguida, por tópicos: Superavaliação do Custo de Bens do Ativo Permanente A fiscalização constatou que a autuada majorou os saldos das f/ /contas 'Obras Preliminares e Complementares', 'Obras Civis', 'Instalações', 1 'Máquinas e Equipamentos' e 'Ativo Diferido' com base na utilização de Notat 20 é PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Fiscais emitidas pelas empresas `de fachada' ENGECONSUL - ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E CONSULTORIA LTDA. e FORMIL - FORTALEZA MÁQUINAS INDUSTRIAIS LTDA, cujos documentos apresentam nítidas características de acobertamento de operações simuladas e que este procedimento constitui uma forma de reavaliação do Ativo Permanente, estranha ao permissivo legal previsto no artigo 8° da Lei n° 6404176 e, este acréscimo deve ser tributado na forma do artigo 326 do RIR/80 Existem precedentes nesta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes mantendo o lançamento idêntico como comprovam as ementas abaixo transcritas "IRPJ - SUPERAVALIAÇÃO DE BENS - O aumento do valor de bens, com base em documentos forjados, constitui condenável maquinação com propósito indisfarçável de causar danos ao fisco (Ac. 101-73.627, de 16/09/82)." "IRPJ - SUPERAVALIAÇÃO DE BENS - FALSIDADE IDEOLÓGICA - A superavaliação de bens, com o uso de documentos maculados pelo viciamento da falsidade ideológica, revela maquinação contra a Fazenda Nacional (Av. 101-73.736, de 17/ 10/83)." Entretanto, esta Câmara não concorda com o entendimento firmado anteriormente, visto que o fato apontado, por si só, não acarreta qualquer efeito fiscal pois não caracteriza omissão de receitas e nem apropriação de custos ou despesas indevidas e, de certa forma, daria conotação de validação do desvio de recursos oriundos de financiamento da SUDENE. Os efeitos fiscais são indiretos e emergem no fechamento do primeiro balanço patrimonial e no balanço das demonstrações financeiras tais como excesso de despesas de correção monetária passiva e excesso de despesas de depreciação Em verdade, a fiscalização demonstrou e comprovou que os valores apontados têm origem em documentos com indícios veementes de falsidade PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 portanto, o valor do ativo permanente foi majorado de forma artificial e, portanto, não poderiam produzir qualquer resultado futuro na correção monetária passiva ou despesas de depreciações Apesar de todo o esforço de raciocínio desenvolvido pela digna fiscalização esta Câmara entende que a operação descrita não pode ser considerada como reavaliação do ativo permanente Na legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, não há previsão para o tipo de infração descrita pela autoridade lançadora e tanto a autoridade lançadora como a autoridade julgadora de 1° grau adotou a regra de interpretação conhecida como analogia para obter os efeitos fiscais desejados tendo em vista os efeitos econômicos envolvidos na operação. Com efeito, o artigo 108 do Código Tributário Nacional determina: "Art. 108 - Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: 1 - a analogia; - os princípios gerais de direito tributário; III- os princípios gerais de direito público; IV - a eqüidade. §1 0 - O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei." Além disso, o artigo 158 do RIR/80 limita a aplicação da penalidade às hipóteses de falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração financeira, que tenha por objeto eliminar' ou reduzir o montante do imposto devido, ou diferir seu pagamento, Assim, não vejo como prospera o lançamento na forma proposta e, também, não vejo como restabelecer a tributação da parcela que foi excluída pela autoridade julgadora de 1° grau porque o Conselho de Contribuinte não temi 22 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 competência legal para promover ou lançamento ou a retificar o lançamento efetivado Compras Fictícias - METALFER A fiscalização identificou as Notas Fiscais que foram emitidas pela METALFER LTDA. inscrita no CGC/MF sob n° 06 967 467/0001-91, para a INAP1, no item 02, do Termo de Verificação Fiscal (fls. 64) que correspondem a vendas de 364.787 kgs de lingote de latão, latão sextavado de 1 1/2 , latão redondo de diversas polegadas, carvão coque nacional e lingote de carvão, totalizando Cr$ 250.000.059,80, no período de outubro a dezembro de 1990 e a vendas de 114.000 kgs de sucata de alumínio e bronze, totalizando Cr$ 193.656.550,00, no período de setembro a dezembro de 1991 O sócio responsável pela empresa METALFER LTDA, Francisco Jorge Torres declarou que não recebeu da INAPI — INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A as parcelas de Cr$ 250.000.059,80 e Cr$ 222,673.825,00 correspondente a Cr$ 193.656 550,00 e mais juros de Cr$ 29.017 275,00 e, ainda, descreveu que a atividade profissional era desenvolvida de forma rudimentar em baixo de um cajueiro, fato que demonstra a impossibilidade de fornecimento de lingotes de bitolas e qualidades diversificadas ou de carvão coque já que as matérias primas utilizadas eram adquiridas de diversos catadores de rua, A fiscalização investigou os registros contábeis relativos aos pagamentos dessas operações, confrontando com os extratos bancários e rastreou os cheques por ela sacados nas datas dos pagamentos e ficou comprovado que' "O registro contábil do pagamento no valor de Cr$ 250.000.000,00 teria sido feito a Metalfer Ltda., em 28/12/90 como consta às páginas 259/261 do Livro Diário relativo a escrituração do período-base de 01/01 a 31/12/90 (cópias as fls 3159/3160), não havendo menção da utilização de cheque, sendo a contrapartida do referido pagamento, um crédito na conta Caixa. Analisando o movimento de caixa do dia,/ constatamos ter havido um depósito de Cr$ 250.020 000,00 eiá 23 c- PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 conta mantida pela fiscalizada no Banco América do Sul S/A cuja origem seria o recebimento de recursos da empresa coligada IRIVIAO - Irrigação Máquinas e Motores Ltda.., a titulo de Crédito para Aumento de Capital. Na mesma data, foi sacado pela INAPI o cheque de n° 495.152 contra o citado banco, no valor de Cr$ 250.000.000,00, e registrado a débito da conta caixa, gerando o suporte necessário ao lançamento correspondente ao pagamento a Metalfer a crédito da conta Caiva„ A partir do rastreamento bancário das contas movimentadas no Banco América do Sul S/A, pela fiscalizadas e pelas empresas 'de fachada' ENGECONSUL - Engenharia Construções e Consultoria Ltda e FORMIL - Fortaleza Máquinas Industriais Ltda. já qualificadas no item 1, constatamos que na mesma data em que foi sacado contra a conta mantida pela INAPI no banco em tela, o cheque n° 495.152, supostamente destinado ao pagamento da METALFER LTDA houve um ingresso na conta corrente da ENGECONSUL de igual valor, correspondente a depósito em dinheiro de origem não justificada nos documentos por ela apresentados a fiscalização.. O registro contábil do pagamento no valor de Cr$ 222,673.825,00, sendo Cr$ 193.656.550,00 relativo ao principal e Cr$ 29.017.275,00 correspondente a juros, que teria sido feito a Metalfer Ltda., em 27/12/91, seguiu a mesma sistemática adotada quanto ao pagamento de Cr$ 250.000..000,00 acima descrito," Não tenho dúvida que a fiscalização comprovou, de forma incontestável que a METALFER LTDA não tinha condições físicas e operacionais para fornecer os bens descritos nas Notas Fiscais e já que as compras efetuadas pela INAPI pelos fornecimentos de sucatas de latão, alumínio, bronze, ferro fundido e metal estavam acobertados pela Notas Fiscais de Entrada emitida pela autuada, sou pela manutenção do lançamento. Compras Fictícias - FORMIL A fiscalização já demonstrou no primeirq item do Termo de Verificação Fiscal que a empresa FORMIL - Fortaleza Máquinas Industriais Ltda, não tinha capacidade operacional e nem condições técni as para o fornecimento dos bens que foram contabilizados no Ativo Permanente, 7 24 PROCESSO N° : 10380.005615197-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Esta empresa tinha como sede o depósito de ferro da INAPI e o imóvel pertence a JOSÉ DE RIBAMAR PINTO COELHO diretor presidente da INAPI - INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A. A inidoneidade da fornecedora foi comprovada e conforme declaração prestada pelo seu sócio Edmilson Medeiros Paixão que era empregado da INAPI, não há qualquer referência a comércio de sucatas. Desta forma, sou pela manutenção da exigência remanescente, já que na decisão de 1° grau, parte do lançamento foi cancelado tendo em vista que havia sido tributada como reavaliação de Ativo Permanente. Despesas inexistentes Neste tópico foram glosadas despesas financeiras de juros que teriam sido pagos a METALFER LTDA., em 27/12/91, já que a fiscalização demonstrou que o principal de Cr$ 193.656.550,00, correspondente as compras eram fictícias e, na auditoria realizada, constatou que os valores foram parar na conta corrente da ENGECONSUL - Engenharia Construções e Consultoria Ltda A fiscalização descreveu o destino de Cr$ 22.673.825,00 correspondente a Cr$ 193.656.550,00 mais os juros de Cr$ 29 017.275,00, nos seguintes termos: "Analisando o movimento de caixa da fiscalizada relativo ao dia 27/12/91 constatamos ter sido registrado a débito de caixa o saque do cheque n° 029.586 110 valor equivalente ao total acima contra a conta de n° 39018-2 , mantida pela INAPI - INDÚSTRIA NACIONAL DE ACESSÓRIOS PARA IRRIGAÇÃO S/A na agência Metro do Banco do Nordeste do Brasil S/A, Tal recurso forneceu suporte à conta caixa para o registro a crédito correspondente ao suposto pagamento feito a 1Metalfer Ltda. Todavia o rastreamento realizado na conta corrente e nos documentos comprobatórios da movimentação bancária da ENGECONSUL - Engenharia Construções e Consultoria Ltda., nessa data, comprova que referido recurso' 25 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 ingressou na conta corrente de sua titularidade mantida no Banco América do Sul S/A, através da papeleta de depósito pintada ao processo as fls. 3164, onde consta o depósito do cheque referenciado." Ora, se os recursos financeiros pagos a título de juros retornaram para a unidade econômica administrada pelo acionista e diretor-presidente JOSÉ DE RIBAMAR PINTO COELHO, a glosa da despesa deve ser mantida em sua plenitude, já que não procede a alegação de despesa incorrida Despesas não Comprovadas A fiscalização procedeu à glosa de despesas, por falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea, e após o restabelecimento de despesas correspondentes a juros sobre financiamentos e taxas de serviços bancários, restaram tributadas as seguintes parcelas: DATA CÓDIGO/CONTA NOME DA CONTA VALOR GLOSADO 27/03/91 451.05.003 Despesas Financeiras 54.090.940,00 27/03/91 451.05,010 V. M.. s/ Financiamento 163.050.676,00 A TRIBUTAR EM 1991 217 141.616,00 16/01/92 451.01.029 Comissões e Corretagens 1.260.040,26 31/01/92 451.03.026 Serviços de Terceiros 2.000.000,00 01/04/92 312.04-5 Finsocial s/ Faturamento 4.117.467,30 01/04/92 312.04-5 Finsocial s/ Faturamento 3 851.431,95 04/05/92 312.04-5 Finsocial s/ Faturamento 5.517.862,43 A TRIBUTAR EM 1° SEM192 16.746.801,94 17/07/92 412,02.005 Manutenção de Maq e Equip. 8.903.550,60 28109/92 451.05.001 Taxas de Serviços Bancários 1.295.506,97 30/12/92 451.01.017 Viagens e Estadias 13.100.000,00 / A TRIBUTAR EM 2° SEM/92 23.299.057,57( 26 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 A autoridade julgadora de 1° grau excluiu da tributação as parcelas comprovadas tais como Juros sobre Financiamento de Cr$ 1 153 211,05, no período-base encerrado em 30/06/92 e Taxa de Manutenção Bancária de Cr$ 49 898 711,17, admitindo até as receitas financeiras contabilizadas a menor e compensando o imposto que foi retido na fonte, restando apenas uma parcela de Cr$ 1.295.506,97, descoberta de comprovação documental Desta forma, as provas documentais apresentadas na fase impugnativa foram examinadas e aceitas quando pertinentes e o sujeito passivo que tinha protestado pela juntada dos demais documentos não tomou qualquer providência. No recurso voluntário, a recorrente diz que as provas devem ser examinadas em diligências e perícias a serem realizadas pela fiscalização e acrescenta que já que a autoridade julgadora de 1° grau aceitou como comprovados os juros, deveria admitir também, a correção monetária. Ora, o fato de a autoridade julgadora aceitar os juros de financiamento porque devidamente comprovados, não gera automaticamente direito a dedução de correção monetária se não for comprovada e identificada a operação que deu direito a referida correção. Meras alegações não podem ser aceitas para comprovar a efetividade das despesas realizadas Além disso, se durante a fase de auditoria o sujeito passivo não apresentou os documentos contabilizados, o ônus da apresentação das provas nesta fase recursal é do sujeito passivo. Não cabe a autoridade lançadora promover diligências para procurar provas a favor do sujeito passivo. Nestas condições e, tendo em vista que a recorrente não troue qualquer prova adicional ou argumento novo que deva ser examinado por Oste Colegiado, opino pela manutenção do lançamento relativamente a este item. 27 , PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Provisão para FINSOCIAL A autoridade lançadora entendeu que era indevida a apropriação das despesas de FINSOCIAL no mês da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que a contribuição correspondente foi depositada na Caixa Econômica Federal para discutir a legitimidade da cobrança perante a Justiça Federal. Nos períodos-base de 1990 (Cr$ 5.412 721,45), 1991 (Cr$ 18.204.466,36) e no 10 semestre de 1992 (Cr$ 16.194.179,70) a dedutibilidade de tributos e contribuições estava regida pelo artigo 16 do Decreto-lei n° 1 598/77, reproduzida no artigo 225 do RIR/80, com a seguinte redação: "Art. 225 — Os tributos são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, no período-base de incidência em que ocorrer o .fato gerador da obrigação tributária." Este comando só foi alterado pelos artigos 7' e 8° da Lei n° 8.541 que entrou em vigor na data de sua publicação (dia 24/12/92) mas produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 1993, reproduzidos nos artigos 283 e 284 do RIR/94, nos seguintes termos: "Art. 283 — As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. ,sç 1 0 - Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluídos no período-base em que a obrigação provisionada for efetivamente paga.. ... Art. 284 — Serão 91/sideradas como redução indevida do lucro real as importânCias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, suas respectiva atualização molietária e as multas, juros e outros encargos, cuja erigibilidade ,ésteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5„ 172, de 25.//e. outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantiá.'" < 8 PROCESSO N° : 10380.005615197-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Ora, se os artigos acima transcritos só podem ser efeitos a partir de 1° de janeiro de 1993, como literalmente expresso no artigo 57 da Lei n° 8.541/92, o lançamento contido nos presentes autos não pode subsistir. A jurisprudência administrativa é pacifica sobre o tema e entre outros Acórdãos, transcrevem-se as seguintes ementas: "DEDUTIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - Somente a partir de 1° de janeiro de 1993, por força do art.. 8° da Lei n° 8.541/92, são consideradas como redução indevida do lucro real, as importâncias contabilizadas como custo ou contribuições e sua respectiva atualização, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do artigo 151 do CTN, haja ou não depósito judicial em garantia (Ac. 101-86.276/94 - DOU de 12/05/95)." "EXIGIBILIDADE SUSPENSA ATRALÉS DE MEDIDA JUDICIAL - Até o advento da Lei n° 8.541, de 1992, a dedutibilidade dos gastos com impostos ou contribuições estava sujeita ao regime de competência. Irrelevante, no caso, se ocorreu ou não a suspensão da exigência tributária por força de medida liminar (Ac. 101-86.011/94 (DOU de 02/05/95)." Sou pelo provimento do recurso relativamente este tópico. Variações Monetárias Ativas de Depósitos Judiciais A fiscalização entendeu que a autuada não contabilizou os valores correspondentes às atualizações monetárias dos saldos de depósitos judiciais correspondente ao FINSOCIAL, em litígio junto a Justiça Federal. A autoridade julgadora de 10 grau não aceitou os argumentos arrolados pela impugnante e foi mantida a exigência. Um dos argumentos expostos pela impugnante referia-se ao equilíbrio da correção monetária, ou seja, como as provisões escrituradas nã/ foram contabilizadas, justificava-se a falta de atualização dos depósitos judiciais / 29 ,, , PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Efetivamente, a jurisprudência administrativa é amplamente favorável ao sujeito passivo e, além das ementas transcritas no tópico anterior, podem ser citados os seguintes Acórdãos' '`CORREÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS — Se, por força do regime de competência, sendo o depósito judicial um ativo da pessoa jurídica, cabe a sua atualização monetária, por outro lado, correspondendo ele a uma obrigação (passivo) que, pelo mesmo regime, deve ser atualizada monetariamente e no mesmo índice, o reflexo fiscal é nulo, não sendo lícita a tributação da receita, olvidando-se a dedutibilidade da despesa correspondente (Ac. 101-87.589/94 — DOU de 04/07/95)." "A constituição da provisão para pagamento do tributo discutido judicialmente, corrigida monetariamente, equilibra o efeito contábil de igual atualização do depósito judicial (Ac. 101-86.766/95 — DOU de 02/05/95)." Não vejo como referendar a exigência, face à jurisprudência administrativa predominante e, especialmente, porque o artigo 8° da Lei n° 8,541/92 passou a ser aplicável a partir de 1° de janeiro de 1993, ou seja, passou a admitir o desequilíbrio entre a correção ativa e a passiva para efeitos de apuração do lucro real. Nestas condições, sou pelo provimento do recurso voluntário relativamente a este item. Variações Monetárias Ativas — Mútuo entre Coligadas, Interligadas, Controladas e Controladoras Foi imputada omissão de receitas de variações monetárias ativas sobre o mútuo entre coligadas nos anos de 1989, 1990 e dezembro de 1992. , Nos anos de 1989 e 1990 estava em vigor o artigo 21 do Decreto-lei n° 2.065/83 que obrigava o reconhecimento pelo mutuante de pelo menos o valor correspondente a variação da ,orTN como receita para efeito de determinação do lucro real, extra contabilmentel l\ ._ 30 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Assim, a exigência fiscal tem respaldo em legislação tributária vigente e o sujeito passivo não contesta a incidência do imposto posto que a inconformidade manifestada pela recorrente refere-se ao direito de esta diferença compor o lucro da exploração e ser reconhecido o direito a isenção da área da SUDENE Ora, em se tratando de uma obrigação fiscal, extra contábil, não poderia, de forma alguma compor o lucro líquido e nem repercutir no lucro da exploração e muito menos, direito à isenção da área da SUDENE. Assim, sou pela denegação do pleito, relativamente aos períodos- base de 1989 e 1990.. Entretanto, quanto ao período de dezembro de 1992, a matéria estava regida pelo artigo 40 da Lei n° 7,799/89 que dava tratamento de correção monetária das demonstrações financeiras e, assim, não poderia sustentar o lançamento como variações monetárias ativas. Outrossim, se fosse o caso de imputação como correção monetária das demonstrações financeiras, seria classificado como erro de contabilização e como tal, com efetiva repercussão no lucro da exploração e, também, teria direito ao gozo da isenção da SUDENE Nestas condições, sou pelo provimento do recurso voluntário, relativamente à parcela de Cr$ 173.814.195,25, no período encerrado em dezembro de 1992 OUTROS ÍTENS Além dos itens acima examinados, consta/ti dos autos a incidência de tributos e contribuições sobre as seguintes parcelas: 31 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 IRREGULARIDADES PB PARCELA TRIBUTADA Receitas de Correção Monetária 12/92 85.768 030,17 Despesas de Correção Monetária 12/92 14 498 674 951,64 VMA — Empréstimos Eletrobrás 89 11 501,07 VMA - Consórcios 89 1.660.979,53 TOTAL 14.586.115.462,41 Omissão de Receita de Correção Monetária — Cr$ 85 768 030,17, no período-base encerrado em 31/12/92 corresponde à receita de correção monetária calculada a menor, tendo em vista divergência entre a data de aquisição dos bens e a data registrada nos mapas de cálculo de correção monetária, gerando insuficiência de receita de correção monetária que a autuada não contestou a irregularidade constatada Glosa de Despesas de Correção Monetária — Cr$ 14 498.674.951,64, no período-base encerrado em 31/12/92 e corresponde a Despesa de Correção Monetária registrada a maior sobre a conta AFAC — Crédito para Aumento de Capital — IRMAQ, no montante de Cr$ 1 649 690.422,73 e, ainda, cálculo em duplicidade das despesas de correção monetária de Cr$ 12 849 984 529,00 Além disso, foi imputada omissão de receitas de variações monetárias ativas sobre Empréstimos Compulsórios da Eletrobrás, Adiantamento sobre Consórcios e Mútuo entre Coligadas. Sobre as parcelas identificadas no quadro acima, a recorrente argumenta que a correção monetária das demonstrações financeiras já foi abolida da legislação tributária brasileira e proibida sua aplicação pelo artigo 4° (caput e § único) da Lei n° 9.249/95 de forma que não constitui desvio de finalidade para fins de ajuste do lucro de exploração Insiste a recorrente que goza da isenção do imposto de renda, conforme PORTARIA DAPPTE — SUDENE N° 0190/91 sobre o lucro da exploração / 7 até o período-base do ano 2000 e que uma das condições para o gozo do incentivo/ , 32 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 é a empresa manter a contabilidade regular e apresentar sua declaração do imposto de renda com base no lucro real mas que, eventual erro de escrituração contábil não descaracteriza a condição de empresa isenta, vez que a isenção tem como base o Lucro da Exploração e não o Lucro Contábil A impugnação e o recurso voluntário não contestou as irregularidades apontadas pela fiscalização, tais como a falta da apropriação da receitas de correção monetária ou de variação monetária vez que a defesa versa unicamente o direito a isenção da SUDENE. A premissa exposta pela recorrente é falsa posto que o lucro da exploração é calculado com base no lucro contábil ou o lucro líquido apurado na declaração de rendimentos, como exposto quando o exame da preliminar de nulidade do lançamento De fato, os atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, em especial o Parecer Normativo CST n° 13/80, determina que "as adições ao lucro líquido do exercício para determinação do lucro real não afetam a composição do lucro da exploração, senão quando tal ajuste seja expressamente previsto na legislação tributária" Assim, a glosa de despesas de correção monetária correspondente valores calculados a maior sobre a conta AFAC — Crédito para Aumento de Capital IRMAQ, no montante de Cr$ 1 649 690 422,73 e cálculo em duplicidade das despesas de correção monetária no montante de Cr$12 849 984 529,00 não podem integrar o lucro da exploração e nem está beneficiada com a isenção da área da SUDENE Entretanto, entendo que o sujeito passivo tem razão erf parte tendo em vista a legislação tributária vigente quando interpretada de forma/ntegrada com a legislação societária e comercial e, também, em confor / i.dade com a jurisprudência já firmada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes / 3 3 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 A correção monetária das demonstrações financeiras estava prevista no artigo 185 da Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) e, também, no Decreto-lei n° 1.598/77 e, por via de conseqüência, a falta da correção monetária tanto ativa como passiva constitui descumprimento a legislação comercial Quanto às variações monetárias, o artigo 18 do mencionado decreto- lei determina.: "Art. 18 — Deverão ser incluídas no lucro operacional as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de créditos do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações. Parágrafo único — As contrapartidas de variações monetárias de obrigações e as perdas cambiais e monetárias na realização de créditos poderão ser deduzidos par efeito de determinar o lucro operacional" (destaquei) O lucro operacional é apurado antes do lucro líquido e portanto, se as variações monetárias foram calculadas com insuficiência ou excesso, trata-se, efetivamente, de erro de contabilidade e que pode e deve ser corrigido, com influência no lucro líquido. Aliás, o formulário da declaração de rendimentos, modelo I — LUCRO REAL, no quadro 13 — DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO dá a seqüência a ser observada, como segue.: LUCRO BRUTO Mais ou menos VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS ou PASSIVAS 1 LUCRO OPERACIONAL Mais ou menos SALDO CREDOR ou DEVEDOR DE CORREÇÃO .„[_..MONETÁRIA DAS DE. NSTRAÇÕES FINANCEIRAS = LUCRO LÍQUIDO r \ 3 4 r , PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Como o LUCRO DA EXPLORAÇÃO é calculado a partir do LUCRO LÍQUIDO, entendo que tem razão a recorrente quando afirma que se trata de simples erro de escrituração e que, portanto, não houve qualquer prejuízo para o Fisco Desta forma, a correção monetária prevista na Lei das Sociedades Anônimas (Cr$ 85.768 030,17, no período-base 12/92) e variações monetárias ativas que deveriam ter sido contabilizadas sobre Empréstimos da Eletrobrás (Cr$ 11 501,07, no período-base de 1989) e Consórcios (Cr$ 1.660 979,53, no período- base de 1989) integram o lucro líquido e, por consequência, o lucro da exploração e está beneficiada com a isenção da área da SUDENE A Portaria ME n° 166/80 já estabeleceu precedente com adoção da mesma interpretação e a Secretaria da Receita Federal, também, em Parecer Normativo CST n° 13/80, autoriza "As adições ao lucro líquido do exercício para determinação do lucro real não afetam a composição do lucro da exploração, senão quando tal ajuste esteja expressamente previsto na legislação tributária. Assim, sou pela exclusão da base de cálculo, a parcela de Cr$ 87.440.510,77 relativa ao presente item, já que a diferença apurada, embora procedente, integra o lucro da exploração e está isenta do Imposto de Renda e Adicionais não Restituíveis Relativamente às parcelas que foram excluídas destes autos e objeto de novo lançamento e/ou agravamento no processo administrativo fiscal n° 10380.005614/97-47, o litígio está sendo examinado naqueles autos e portanto, prescinde de qualquer analise neste processo. Além disso, erros de cálculo de variação monetária ou de correção monetária das demonstrações financeiras não comportam distribuição ou /desvio de recursos financeiros para os sócios ou dirigentes das pessoas jurídicas. 35 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes está caminhando para consolidar o entendimento acima exposto, porquanto, as variações ou correções monetárias não comportam desvio de recursos da pessoa jurídica e nem representa distribuição aos sócios. Existem diversos precedentes no sentido preconizado neste voto mas entre outros, tomo a liberdade de transcrever as ementas dos seguintes Acórdãos: "IRPJ - ISENÇÃO - INCENTIVO FISCAL - SUDENE - As infrações apuradas em lançamento cie ofício, com origem em omissão de receitas não estão ao abrigo do benefício isencional, salvo se as importâncias correspondentes não representarem a possibilidade de distribuição de tais valores aos sócios e se da irregularidade detectada não decorra qualquer prejuízo para a Fazenda Nacional (Ac. 105-0-5..800, de 08/07/91)„" "IRPJ - ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO - IçFNÇÃf) - Sur)PN - Identificado errr) pr~chimentf) na declaração de rendimentos, ou preenchimento inadequado do Anexo 2, cabe a autoridade lançadora retificá-la para o valor que o contribuinte tem direito por força de disposição legal (Ac. 101-83.484/92 - DOU de 08/03/95)." "ISENÇÃO - INCENTIVO FISCAL - SUDAM - ISENÇÕES CONDICIONAIS -Não turva o direito a isenção reconhecida em favor das empresas que devam incorporar ao capital o resultado correspondente a atividade que por força do benefício _fiscal ficou isento, a constatação da existência, na escrituração, de outras empresas constituíram valores passíveis de tributação, se tais parcelas não representarem a possibilidade de distribuição de tais valores aos sócios. (Ac. 105-04.215, de 28/03/90)." CONCLUSÃO Após o minucioso exame de cada tópico, a solução dada para c da item do litígio pode ser sintetizada no quadro demonstrativo abaixo, como segue: 36 , PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 IRREGULARIDADES PB TRIBUTADAS EXCLUÍDAS MANTIDAS Obs Reavãliãção de bens 89 3..056..812,98 3.056..812,98 0 - 90 103.849.857,20 103.849.857,20 O - 91 820.006.498,02 820006.498,92 n _ 06/92 1.025.605.271,60 1..025..605..271,60 O - 12192 11..869.769.713,49 11.869.769.713,49 O - Compras fictícias - Metalfer nn . 250.000.059,80 n ,, 250..000.059,80 150% 91 193.656.550,00 O 193.656.550,00 150% Compras fictícias - Formil 91 349.222.076,00 O 349.222.076,00 150% Despesas inexistentes 92 29.017.275,00 O 29.017.275,00 150% Despesas não comprovadas 91 217.141.616,00 O 217.141.616,00 75% 6/99 16.746,801,94 n 1 74n . Rn 1 , Q4 75% 12/92 23.299.057,57 O 23.299.057,57 75% Receitas Correção Monetária 12/92 85.768.030,17 85.768.030,17 , O LE Despesa Correção Monetária 12/92 14.498.674.951,64 O 14,498.674..951,64 75% Provisão p/ Finsocial 90 5.412.721,45 6412.721,45 O 91 18..204.466,36 18.204.466,36 O 06/92 16..194.179,70 16.194..179,70 O VMA - Depósitos judiciais 90 2.121.301,04 2.121,301,04 O Qn 4,864 .288,80 4.864.288,80 n 91 23.821,016,20 23,821..016,20 , O , 06/92 94,319.199,93 94.319.199,93 O 12/92 ,Dna owa .) -7n 1 A ,...,z..u..a.niu.0 i c, , ,-, 328.883.379,14 n,., VMA-Empr. Comp. Eletrobrás 89 11.501,07 11.501,07 O LE VMA — Consorcios 89 1.660.979,53 1.660.979,53 O LE VMA - Mútuo entre coliga-lãs 89 19.684.144,74 O 19.684.144,74 - 90 18.399.866,64 O 18.399.866,64 - 1 9199 17.R14.105,25 173.814.195,25 O - TOTAIS 30.193.205.812,16 14.577.363.412,83 15.615.842.399,33 As parcelas excluídas da incidência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, por período-base, são as seguintes: PFpInnn_RAsF PARCELAS EXCLUÍDAS (NCz$ e Cr$) 1989 4.729.293,58 1 990 116.248..168,49 fi 1991 862..031..981,48 i 1° SEM/92 1.136118.651,23 if 2° SEM/92 12.458.235,318,05 / TOTAL 14.577.363.412,83 ti'' i- j--- 37 ) I PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° . 101-93.106 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Quanto à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a fiscalização considerou tributável a adotou como base de cálculo e que, após a decisão de 10 grau, as seguintes parcelas permaneceram tributadas: IRREGULARIDADES PB TRIBUTADAS EXCLUÍDAS MANTIDAS 1 OBS Compras fictícias — Metalfer 90 250..000..059,80 O 250.000..059,80 91 193.656,550,00 O 193..656..550,00 Compras fictícias — Formil 91 1.110.899.51R,00 770677 440,00 349.992.076,00 Despesas inexistentes 92 29.017..275,00 O 29..017..275,00 Despesas não comprovadas 91 217.141..616,00 O 217..141.616,00 c inn 17..900.012,99 1.153.2411,05 16..746..801,94OlG 12192 73.197.768,74 49.898.711,17 23.299.057,57 Receitas Correção Monetária 12/92 327„ 959..253,39 242..191..223,22 85..768,030,17 NI Despesa Correção Monetária 12192 14.498.674.951,64 0 14.498.674..951,64 Ni 12/92 39.549.874,56 39.549.874,56 O Despesas de depreciação 12199 1..59.095.115,10 1.529.09.115,10 n Provisão pi Finsocial 90 5.412,721,45 O 5 412.721,45 91 18.204.466,36 O 18,204.466,36 06192 1 94 61.179,70 (1o 16.194.179 70,; VMA - Depósitos judiciais 90 2,121.301,04 O 2.121,301,04 90 4,864,288,80 O 4„864,288,80 91 23.821.016,20 O 23.821.016,20 06/92 94.319.199,93 O 94.319.199,93 1109 n8.88.379,14 n 328,883.379,14 VMA-Empr. Comp.. Eietrobrás 89 11.501,07 O 11.501,07 Ni VMA — Consorcias 89 1.660,979,53 O 1.660.979,53 NI TOTAIS 18.791.585.026,44 2,632,565,575,10 16.159.019.451,34 i ------------- --------------- ----------------- ----- -- --- ----- f Esta Cárnara excluiu da incidência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, algumas parcelas conforme demonstrado na conclusão do julgamento do . 1. „., _ lançamento principal." 38 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 Entretanto, como a base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido antes da provisão para o imposto de renda de pessoa jurídica que difere do lucro real, a matéria comporta algumas considerações As compras fictícias correspondem a receitas omitidas e portanto devem ser adicionadas ao líquido e as despesas inexistentes e despesas não comprovadas como foram regularmente contabilizadas devem ser adicionadas para a obtenção do lucro líquido As insuficiências ou excessos de variações e correções monetárias constituem erros de escrituração na contabilidade e como tal repercute no lucro líquido e, portanto, embora as insuficiências tenham sido excluídas da incidência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, por compor o lucro de exploração e assegurado o direito à isenção da área da SUDENE , integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido De fato, os benefícios fiscais na área da SUDENE dizem respeito apenas ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais não Restituíveis, não se estendendo para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Quanto a Provisão para o FINSOCIAL, trata-se de uma despesa operacional normal e como tal, independentemente da dedutibilidade para efeito de determinação do lucro real, pode ser apropriado para dedução da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Finalmente, quanto às receitas de Variações Monetárias sobre Depósitos Judiciais que não foram contabilizadas, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável ao lançamento reflexivo Assim, as bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, par cada período-base objeto dos autos, podem ser resumidas como segue. 39 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 IRREGULARIDADES PB TRIBUTADAS EXCLUÍDAS MANTIDAS % M CompráS fictíCiás - Métálfer 90 250 000 059,80 O 250 000 059,80 150% 91 193.656 550,00 O 193 656 550,00 150% Compras fictícias - F r,rmil 91 Rzia 999 076,00 a 349 999 ., 076 , 00 150% Despesas inexistentes 92 29 OU 2/b,U0 O 29.017.275,00 150% Despesas não comprovadas 91 217 141 616,00 O 217.141.616,00 75% WG a IA', 16.746 801,94 O 16 746 801,94 75%..., 12/92 23.299.057,57 O 23 299,057,57 75% Receita Correção Monetária 12/92 85.768.030,17 O 85 768 030,17 75% Despesa Correção Monetária 12/92 14.498 674 951,64 0 14 498 674 951,64 75% Provisão p/ Finsocial 90 5 412.721,45 5.412.721,45 O - a i 1R.9n4 LIAR , RR 1R 9Q4 ARA , RR n _ 06/92 145.194 I f9,í9 lei 194 1 /9,70 O - VMA - Depósitos judiciais 90 2.121 301,04 2 121 301,04 O - ..nn 4.864.288,80 4864288,80 nwu u - 91 23 821„016,20 23 821 016,20 O - 06/92 94 319,199,93 94.319.199,93 O - 12/92 328.883 379,14 328.883.379,14 0 - VMA-Empr. Comp.. Eletrobrás 89 11 501,07 O 11.501,07 50% vmA _ nr,n,esmi,c RQ 1. Ann 979 , 53 n 1.~ 979, 53 Rn% TOTAIS 16 159.019 451,34 493.820.552,62 15 665.198.898,72 As parcelas excluídas das bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por períodos-base, podem ser demonstradas como segue: PFRibnns_RARF PARCELAS Exfn i dnAs-nr$ 1990 12.398.311,29 1991 42.025.482,56 1° SFM99 1 1 n .. 5 1 R .. R7q, A3 no Cs c R a enn G OCIVI/ L 328.883.379 4,14 TOTAL 493.820.552,62 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO /i Na decisão de 1° grau, foi cancelado o lançamento fundado no artigo 8° do Decretlei n° 2.065/83 e mantida a exigência com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, 40 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 A autoridade julgadora registrou na ementa do julgamento que.: "IRRF — Imposto sobre o Lucro Líquido — ILL - O sócio ou quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na .fonte, à alíquota de 8%, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data de encerramento de período-base." Após a decisão de 1° grau, foi expedida a Instrução Normativa SRF n° 63/97, onde ficou explicitado que:: "Art. 1' - Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na .fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações.. Art. 2° - Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de alicio os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para _fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito da Fazenda Nacional. A' ri. 3° Caso os créditos de natureza tributária, oriundos &- lançamentos efetuados em desacordo com o disposto no art. 1', estejam pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a aplicação da lei declarada inconstitucional." Assim, tem razão a recorrente. O lançamento de Imposto de Renda na Fonte pendente de julgamento não pode subsistir e deve ser cancelado. De todo o exposto e tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica as parcelas de NCz$ 4.729.293,58, Cr$ 116.248.168,49, Cr$ 862.031.981,48, Cr$ 1.136.118 651,23 e Cr$ 12.458.235.318,05, respectivamente, nos períodos-base de 1989, 1990, 1991, 1° e 2° semestres de 1992 e excluir da f base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as parcelas de Cr$ / 12.398.311,29, Cr$ 42.025 482,56, Cr$ 110 513 379,63 e Cr$ 328 883 379,14,( respectivamente, nos períodos-base de 1990, 1991, 1° e 2° semestres de 1992 e, 41 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 ainda, cancelar o lançamento correspondente ao Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido Sala das Sessões — DF, t:m 13 de julho 2000 Cf KAZUKI R‘Iator 42 PROCESSO N° : 10380.005615/97-18 ACÓRDÃO N° : 101-93.106 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno, aprovada pela Portaria Ministerial n°55, de 16/03/98 (D.O.0 de 17/03/98). Brasília-DF, em 92 gfrn ( j lj ilSON PER - Á RODRIGUES PRESID NT" Ciente em: 2 3 ,(0 ?ní'vl,,,uu / - ROI) ei) GO ir' IRA DE MELLO PROCU" • DO" DA FAZENDA NACIONAL 43 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.005246/98-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2000
Ementa: ARBITRAMENTO - DESCABIMENTO - AÇODAMENTO DA UTILIZAÇÃO DO MECANISMO EXCEPCIONAL DE APURAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO - Descabe a adoção da figura do arbitramento quando a fiscalização não esgota todos os meios a seu dispor para sustentar pleito de recusa à apresentação de livros e documentação fiscal.
Numero da decisão: 103-20211
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO "EX OFFICIO".
Nome do relator: Victor Luís de Salles Freire
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Sessão de : 28 de janeiro de 2000 Acórdão n°. : 103-20.211 ARBITRAMENTO — DESCABIMENTO — AÇODAMENTO DA UTILIZAÇÃO DO MECANISMO EXCEPCIONAL DE APURAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO - Descabe a adoção da figura do arbitramento quando a fiscalização não esgota todos os meios a seu dispor para sustentar pleito de recusa à apresentação de livros e documentação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BELÉM — PA., ACOR DAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por una imidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio, nos termos do relatório e v•to que passam a integrar o presente julgado. _ ., -; c.--- 5,. -- .... :1<. bl., -,-, - t• ,•.•, c.' _":"5 T. .~- -91,.•• - 5 n-ir; --- .3 lin ER lir . ni VICTOR LUIS i SALLES FREIRE RELATOR FORMALIZADO EM: 25 FEv 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NEICYR DE ALMEIDA MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, EUGÊNIO CELSO GONÇALVES (Suplente 1;çConvocado), ANDRÉ LUIZ FRANCO DE AGUIAR, SILVIO 1ES CARDOZO E LÚCIA ROSA SILVA SANTOS. Ihn MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10280.005246198-46 Acórdão n°. : 103-20.211 Recurso n°. : 119.918- EX OFFICIO Recorrente : DRJ EM BELÉM — PA RELATÓRIO A r. decisão monocrática de fls. 142/146, emanada da Douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, rejeitou o crédito tributários objeto do auto de infração de fls. 44/60 e respectivas decorrências, e neste particular deu como sem fundamento ou procedência o arbitramento do lucro efetuado em relação ao sujeito passivo no ano calendário de 1994, encontrando-se o julgado ementado da seguinte maneira: 'ARBITRAMENTO DO LUCRO NO ANO-CALENDÁRIO DE 1994. Não procede o arbitramento de lucro, sob o pálio da falta de apresentação de livros e documentos da escrituração contábil fiscal, quando não restar configurado, nos autos, a recusa na apresentação desses elementos'. Fundamentaram-se as conclusões no atingimento da solução do litígio as seguintes considerações da Autoridade Julgadora: 1. A impugnação interposta pelo contribuinte é tempestiva, uma vez que foi apresentada no prazo estabelecido pelo artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. 8. Nos autos, verifica-se que existe contradição entre as afirmativas do autuante e o que diz o autuado. A fiscalização informou que o contribuinte mudou-se duas vezes de endereço, sem comunicar o paradeiro, e por não tê-lo encontrado, a fiscal autuante solicito autorização para arbitramento, após o decurso do prazo de resposta da reitimação, tendo sido inclusive infrutíferas as tentativas de contato telefónico para a residência dos sócios. 9. A estas afirmativas o impugnante se contrapõe, asseverando que a fiscal autuante ficou de marcar o local da entrega da çocumentação, 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10280.005246198-46 Acórdão n°. : 103-20.211 9. A estas afirmativas o impugnante se contrapõe, asseverando que a fiscal autuante ficou de marcar o local da entrega da documentação, mas não mais o procurou. Teria o impugnante procurado a fiscal, informando-lhe seu telefone de contato e o do contador. A fiscal então teria dito que se aguardasse até que esta resolvesse problemas de saúde de seu marido, todavia, no mês de novembro/98, enviou o auto de infração, por arbitramento, sem que tenha sido negado em momento algum a apresentação dos documentos, por parte do impugnante. 10. É sabido que, segundo afirma Hely Lopes Meirelles, em Direito Administrativo Brasileiro, 18' edição, Malheiros Editores, p. 141, mos atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Tal presunção de legitimidade, entretanto, não exime a Administração de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão. 11. Observa-se que nenhuma das duas intimações dirigidas ao contribuinte — fls. 01/02 e fls. 25/26 — estipula o local para onde este deveria encaminhar os documentos solicitados. A fiscalização poderia ter exigido o envio da documentação para a repartição, principalmente porque, no termo de constatação de fls. 27/28, a agente fiscal afirma que, ao lavrar o termo de reintimação, o contribuinte já havia alterado seu endereço uma vez, sem comunicar à repartição, e que foram necessários infrutíferos comparecimentos ao novo endereço para que se conseguisse intimar o contribuinte, através da sócia Sheila R. G. de Souza. 12. A fiscal autuante disse que se dirigiu ao endereço do contribuinte e sucessivamente não logrou êxito em encontrá-lo. Mas no momento de cientificar o contribuinte da autuação, às fls. 78, a autoridade demonstrou conhecimento do endereço residencial dos únicos sócios da firma — inalterado há oito anos, como afirma o impugnante — local escolhido para o envio do instrumento legal da exigência, que portanto, poderia servir também para encontrá-los no curso da ação fiscal. 13. Por outro lado, ao proceder ao enquadramento legal do arbitramento, a autoridade fiscal indicou como infringido o art. 539, inciso III, do RIR/94, que tem matriz legal no art. 21 da Lei n° 8.542/92, nos seguintes termos: Art. 399 — A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa j ice, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de ba e cálculo do imposto, quando: 3 LI) 1. .1 1 k • I, MINISTÉRIO DA FAZENDA. s fr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10280.005246/98-46 Acórdão n°. : 103-20.211 1— omissis; — omissis; III — o contribuinte recusar-se a apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade tributária; 14. Observe-se que a lei prevê a recusa à apresentação dos livros e documentos e não a simples não-apresentação de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade. Embora isso possa parecer a mesma coisa, em verdade não o é, porque para que fique caracterizada a recusa deve a autoridade fiscal, a par das intimações feitas ao sujeito passivo, para que este apresente os livros e documentos solicitados, lavrar termo próprio para consignar que o não- atendimento às intimações caracterizará a recusa prevista na norma e a adoção da alternativa legal do arbitramento, como único meio de qualificar e quantificar a obrigação tributária. 15. Apenas para melhor ilustrar a necessidade de configurar-se, sob a égide da legislação citada, a recusa à apresentação de livros e documentos de escrituração, registre-se que a Lei n° 8.981195, que em seu art. 117, inciso I, revogou expressamente — a partir de 1° de janeiro de 1995 — o art. 21 da Lei n° 8.541/92, o qual, por sua vez, já havia ab- rogado o art. 7° do Decreto-lei n° 1.648/78, veio, em seu art. 47, a • disciplinar inteiramente a matéria, não mais prevendo a necessidade de ficar caracterizada a recusa à apresentação de livros e documentos de escrituração, para fins de arbitramento, mas sim o simples fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração contábil e fiscal (inciso III). 16. No caso aqui analisado, o arbitramento dos lucros limitou-se ao ano-calendário de 1994, regendo-se pela Lei n° 8.541/92. Não ficou caracterizado que o sujeito passivo recusou-se a apresentar os livros e documentos de sua escrituração naquele ano, porque, nas próprias palavras da autoridade fiscal, o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme termos de intimação de fls. IA e 25/26, 'deixou de apresentá-los* (fls. 45). Assim, descabe o arbitramento dos lucros nos meses do ano-calendário de 1994, sob o fundamento em que foi efetuado? O recurso de oficio foi ofertado em face do disposto na Portaria ME n° 333 de 11 de dezembro de 1997. É o relatório. ‘0)4 k 12"' MINISTÉRIO DA FAZENDA .4. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10280.005246/98-46 Acórdão n°. : 103-20.211 VOTO Conselheiro Victor Luis de Salles Freire, Relator, O recurso tem o pressuposto de admissibilidade na medida em que, efetivamente, os créditos tributários cancelados excedem largamente ao valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). No âmbito da investigação tenho efetivamente para mim que o rbitramento foi açodado, senão mesmo ilegal como bem declarou a autoridade monocrática. Destaco, no particular, a acuidade com que se houve a Autoridade Julgadora quando ressaltou, sabiamente, que ora as intimações de fls. 1/2 e 25/26 não indicaram local da apresentação da documentação solicitada, até em face de o Termo de Constatação de fls. 27/28 denunciar que a empresa não se encontrava 'em funcionamento no endereço informado na FM*, e portanto no seu domicilio fiscal constante dos cadastros fiscais, ora em face de que, quando quis localizar os sócios, soube se dirigir ao endereço onde os sócios podiam ser encontrados, assim pleiteando, inclusive, providências no sentido de remeter os lançamentos ao endereço destes (fls. _78). No fundo restou evidenciado que a Autoridade Lançadora, mais do que a preocupação de inspecionar os livros do contribuinte, estava diretamente disposta a adotar a figura do arbitramento, o que é extremamente condenável no seio desta Casa quando não se exaurem todos os meios para se proceder à inspeção e fica clara a recusa do contribuinte à apresentação. , à. st1.4,1 '•., MINISTÉRIO DA FAZENDA n i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '')1I, Er.:" Processo n°. : 10280.005246198-46 Acórdão n°. : 103-20.211 Ressalte-se, por último, que pouco tempo medeou entre o início da fiscalização e a lavratura s autos. Rejeito portanto o apelo de ofício para manter a bem lançada decisão. , S la das esti* - s — D F, e Ti, 28 de janeiro de 2000 kI_ , & VIC LU b' DE :. À LLES FREIRE 6 a .. . Ç. DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10280.005246198-46 Acórdão n°. : 103-20.211 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 55, de 16/03/98 (D.O.U. de 17103198). Brasília-DF, em L D FEV PODO DIDO RODRIGUES NEUBER PRESIDENTE n MAR 2000Ciente em, a2 ais NILTON CÉLI • LOCA PROCURADOR DA F' - DA NACIONAL 7 Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.012160/99-58
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2002
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN. - O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. NULIDADE - Superada a prejudicial de decadência, exsurge-se que a não consideração das demais alegações e provas do contribuinte, com vistas a amparar e dimensionar o pleito, importa em preterição ao seu direito de defesa. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 202-14072
Decisão: Por unanimidade de votos, anulou-se o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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Ministério da Fazenda. RU briche Fl. :01-7--"•Or Segundo Conselho de Contribuntes • 4S-"1: Processo n° : 10283.012160/99-58 Recurso n° : 118.070 Acórdão n° : 202-14.072 Recorrente : PRINCE-BEECE NORTE LTDA. Recorrida : DRJ em Manaus - A.1n1 NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN - O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, corno acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga (»unes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norrna declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. NULIDADE - Superada a prejudicial de decadência, exsurge-se que a não consideração das demais alegações e provas da contribuinte, com vistas a amparar e dimensionar o pleito, importa em preterição ao seu direito de defesa. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: PRINCE-BIICE NORTE LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo, a partir da decisão de primeira instância. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2002 ennque 7-tringheiro 1:ou Presidente --- e-2So-... •Atiça.; • Sr -o tro tor Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Adolfo Monteio, Gustavo Kelly Alencar, Ftaimar da Silva Aguiar, Ana Neyle Olímpio Holanda e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. iao/cf I c2.) 29 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 10283.012160/99-58 Recurso n° : 118.070 Acórdão n° : 202-14.072 Recorrente : PItINCE-BIKE NORTE LTDA. RELATÓRIO Em pleito protocolizado junto à Delegacia da Receita Federal em Manaus — AM em 11.11.99, a ora Recorrente pede a restituição/compensação de alegados indébitos da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSÓCIAL, oriundos de recolhimentos com os acréscimos de alíquota declarados inconstitucionais pelo STF, no período compreendido entre 09.89 e 03.92, como demonstra nas Planilhas de fls. 03 e 15 e nos documentos que apresenta (DARFs de fls. 16/17). Ó Chefe do Serviço de Tributação daquela repartição, mediante a Decisão de fls. 26/28, indeferiu o pleito, ao fundamento de que, por ocasião do pedido inicial de restituição (11.1 1 .99), já tinha decorrido o prazo para o contribuinte pleitear a repetição de indébito de 05 anos, contado da extinção do crédito tributário, inclusive quando tratar de pagamento efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, consoante o Parecer PGEN/CAT/n° 1.538/99 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Intimada dessa decisão, a Contribuinte ingressou, tempestivamente, com a Petição de fls. 29/33, manifestando sua inconformidade com o indeferimento de seu pleito, alegando, em síntese, que parte da doutrina e da jurisprudência (predominante no STJ) tem entendido que o prazo prescricional para o pleito de repetição ou compensação inicia-se após o da homologação, expressa ou tácita, do pagamento antecipado (CTN, art. 150, § 4°). A Autoridade Singular manteve o indeferimento do pedido de restituição em tela, mediante a Decisão de fls. 3 5/40, assim ementada: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1992 Ementa: INDÉBITO. COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. O pra.° para que o contribuinte possa pleitear a compensação ou restituição de tributo pago indevidamente se extingue após o decurso de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim considerada a data do pagamento do tributo. SOLICITAÇÃO IlVDEF'ERMA ". 2 v# 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl Itt",:i" Segundo Conselho de Contribuintes fapi, - Processo n° : 10283.012160/99-58 Recurso n° : 118.070 Acórdão n° : 202-14.072 Inconformada, a contribuinte apresenta, tempestivamente, o Recurso de 42/49, no qual, em suma, reedita os argumentos da impugnação É o relatório 7 3 22 CC-MF 7:*' - Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 10283.012160/99-58 Recurso n° : 118.070 Acórdão n° : 202-14.072 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTÓNIO CARLOS BUENO RIBEIRO Conforme relatado, o pleito de restituição/compensação em tela diz respeito a indébitos da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, oriundos de recolhimentos efetuados com os acréscimos de aliquota declarados inconstitucionais pelo STF, o que foi reconhecido pelo Poder Executivo, consoante o disposto, inicialmente, no art. 17, inciso III, da Medida Provisória n9 1.110, de 30.08.95 (DOU de 31.08.95), que dispensou a constituição de créditos da Fazenda Nacional e o cancelamento dos já constituídos relativamente à Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas aplicando aliquota superior a 0,5%. A negativa desse pleito se deu ao exclusivo fundamento de que, por ocasião de seu protocolo (11.11.99), já teria decorrido o prazo para o contribuinte pleitear a repetição de indébito de 05 anos, contado da extinção do crédito tributário, inclusive quando se tratasse de pagamento efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, consoante o Parecer PGFN/CAT/n° 1.538/99 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99, tendo em vista referir-se a recolhimentos efetuados no período compreendido entre 09.89 e 03.92. Enfim, o presente caso, em face do direito de pleitear a restituição, enquadra-se dentre aqueles em que o indébito resta exteriorizado por situação jurídica conflituosa segundo a terminologia adotada no Acórdão n° 108-05.791, da lavra do ilustre Conselheiro José Antonio Minatel, cujas razões de decidir, neste particular, aqui adoto e abaixo reproduzo: "Voltando, agora, para o tema acerca do prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação de valores indevidamente pagos, à falta de disciplina em normas tributárias federais de escalão inferior, tenho como norte o comando inserto no art. 168 do Código Tributário Nacional, que prevê expressamente: 'Art. 168 — O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1— nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. II — na hipótese do inciso III do art 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisr condenatória.' 4 ti _ 2Q CC-MF Ministério da Fazenda Fl. i":11:tnOt. Segando Conselho de Contribuintes Processo n° : 10283.012160/99-58 Recurso n° : 118.070 Acórdão n° : 202-14.072 Veja-se que o prazo é sempre de 5 (cinco) anos, sendo certo que a distinção sobre o inicio da sua contagem está assentada nas diferentes situações que possam exteriorizar o indébito tributário, situações estas elencadas, com caráter exemplificativo e didático, pelos incisos do referido art 165 do C77V, nos seguintes termos: 'Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo 4 " do art. 162, nos seguintes casos: 1- cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em _face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condena:orla_ O direito de repetir independe dessa enumeração das diferentes situações que exteriorizam o indébito tributário, urna vez que é irrelevante que o pagamento a maior tenha ocorrido por erro de interpretação da legislação ou por erro na elaboração do documento, posto que qualquer valor pago além do efetivamente devido será sempre indevido, na linha do principio consagrado em direito que determina que 'todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir', conforme previsão expressa contida no art. 964 do Código Civi Longe de tipificar numerus clausus, resta a função meramente didática para as hipóteses ali enumeradas, sendo certo que os incisos I e II do mencionado artigo 165 do CTY voltam-se mais para as constatações de erros consumados em situação fá rica não litigiosa, tanto que aferidos unilateralmente pela iniciativa do sujeito passivo, enquanto que o inciso III trata de indébito que vem à tona por deliberação de autoridade incumbida de dirimir situação jurídica conflituosa, dai referir-se a 'reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória'. Na primeira hipótese (incisos I e II) estão contemplados os pagamentos havidos por erro, quer seja ele de fato ou de direito, em que o juizo do indébito opera-se unilateralmente 770 estreito circulo do próprio sujeito passivo, sem a participação de qualquer terceiro, seja a administração tributária ou o Poder Judiciário, dai a pertinência da regra que fixa o prazo para desconstituir a indevida incidência já a partir da data do efetivo pagamento, ou da 'data a extinção do crédito tributário', para usar a linguagem do art. 168, I, o/ r CC-MF Ministério da Fazenda Fl. »7,titk- Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10283.012160199-58 Recurso n° : 118.070 Acórdão n° : 202-14.072 próprio CTN. Assim, quando o indébito é exteriorizado em situação fática não litigiosa, parece adequado que o prazo para exercício do direito à restituição ou compensação possa fluir imediatamente, pela inexistência de qualquer óbice ou condição obstativa da postulação pelo sujeito passivo. O mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto da solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a decisão definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, está coerente a regra que fixa o prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação só a partir `da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' (art. 168, II, do CTN). Pela estreita similitude, o mesmo tratamento deve ser dispensado aos casos de soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, como acontece na hipótese de edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência da exação tributária anteriormente exigida. Esse parece ser, a meu juizo, o único critério lógico que permite ha: nonizar as diferentes regras de contagem de prazo previstas no Estatuto Complementar (CT7V). Nessa mesma linha também já se pronunciou a Suprema Corte, no julgamento do RE •° 141.331-0 em que foi relator o Ministro Francisco Resek, em julgado assim ementado: 'Declarada a inconstancionalidade das normas instituidoras do depósito compulsório incidente na aquisição de automóveis (RE 121.136), surge para o contribuinte o direito à repetição do indébito, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido' (Apud OSWALIDO OTHO1V DE PONTES SARAIVA FILHO - In Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário' - pág. 290 - Editora Dialética - 1.999)". Nesse diapasão, a extinção do direito de pleitear a restituição, in casu, dar-se-ia em 31.08.2000 (cinco anos contados da publicação da Medida Provisória n 2 1.110, de 30.08.95) e, como o pedido foi protocolizado em 1 1.1 1.99, é de se afastar a prejudicial de decadência na qual se fundou a decisão recorrida para negar o presente pleito. Uma vez superada essa prejudicial, exsurge que a não consideração das demais alegações e provas da Recorrente, com vistas a amparar e dimensionar o pleito, importo em preterição ao seu direito de defesa. /9 „e 6 .3 ? )k.:.,, r CC-MF ~-_----- Yis:' - Muustério da Fazenda Fl. lefr-7"-,-:[;e:Z Segundo Conselho de Contribuintes •-:;14:1-2--le---. - Processo n° : 10283.012160/99-58 Recurso n° : 118.070 Acórdão n° : 202-14.072 Isto posto, voto pela anulação do presente processo, a partir da decisão recorrida, para que outra seja proferida com o exame de seu mérito, afora a prejudicial de extinção de direito aqui já decidida Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2002 Iiirr - v--e---2-e-c, AN I 1 e ir-[1:ENO RIBEIRO 1 7
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006099/95-35
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IOF/CÂMBIO - SUJEITO PASSIVO - O sujeito passivo do IOC é o importador. A instituição financeira é a responsável tributária, a qual deve reter o tributo e recolhê-lo no momento da ocorrência de seu fato gerador. Uma vez suspensa a sua exigibilidade, cessa a responsabilidade tributária, por absoluta impossibilidade do responsável tomar conhecimento do inadimplemento da condição suspensiva, ato do contribuinte de jure. Recurso provido.
Numero da decisão: 201-74258
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer
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IMINISTÉRIO DA FAZENDA .....:letz: 4', J.." i • •.7 ,.iilia SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10314.006099/95-35 Acórdão : 201-74.258 Sessão • 23 de fevereiro de 2001. Recurso : 100.777 Recorrente : BANCO DE CRÉDITO NACIONAL S/A Recorrida : DRJ em São Paulo - SP 10F/CÂMBIO — SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo do IOC é o importador. A instituição financeira é a responsável tributária, a qual deve reter o tributo e recolhê-lo no momento da ocorrência de seu fato gerador. Uma vez suspensa a sua exigibilidade, cessa a responsabilidade tributária, por absoluta impossibilidade do responsável tomar conhecimento do inadimplemento da condição suspensiva, ato do contribuinte de jure. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: BANCO DE CRÉDITO NACIONAL S/A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Luiza Helena Galante de Moraes e Serafim Fernandes Correa. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2001 ---4s=-----; Jorge Freire Presidente ' Rogério GustavMn Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros João Beijas (Suplente), Gilberto Cassuli, José Roberto Vieira, Antonio Mário de Abreu Pinto e Sérgio Gomes Velloso. Iao/ovrs 1 ;4S1:et_ 34e. MINISTÉRIO DA FAZENDA 11/4i SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10314.006099/95-35 Acórdão : 201-74.258 Recurso : 100.777 Recorrente : BANCO DE CRÉDITO NACIONAL S/A RELATÓRIO Noticiam os autos que o autuado deixou de recolher o IOC incidente sobre importações amparadas pelo regime de draw-back, efetuadas pela empresa Auto Latina S/A. Segundo consta da descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 02) a empresa Auto Latina formalizou consulta sobre a matéria que restou negativa, em 05.08.94. O auto de infração foi lavrado após intimação ao Banco de Crédito Nacional S/A para que providenciasse o pagamento em 10 dias. O contribuinte impugna o lançamento dizendo que decaiu o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 15, § 4°, do CTN. Repele, ainda, a sua condição de contribuinte e alega a inaplicabilidade da TRD. De fls. 411 a 421, a decisão singular, pela improcedência da Impugnação, alegando que, por não ter havido o pagamento (estava suspensa a exigibilidade do tributo), a regra aplicável é a do artigo 173 do CTN e não o 150, § 4°. Sustenta, ainda, que o caráter de excepcionalidade do regime de draw-back transfere o momento da constituição do crédito tributário para o momento do inadimplemento da condição suspensiva do beneficio, o que assegura, por qualquer dos lapsos temporais, a tempestividade do lançamento. O irnpugnante, irresignado com a decisão, interpõe Recurso Voluntário, onde reitera os termos de sua impugnação. É o relatório. \ 2 • 441-1k- •• /ri 10, MINISTÉRIO DA FAZENDA 14if )04 . V.N. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10314.006099/95-3 5 Acórdão : 201-74.258 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Em vista de particularidade, da qual se reveste o presente processo, onde dois pontos estão sujeitos à análise do Colegiado, sendo o primeiro a questão da decadência e o segundo a questão da legitimidade passiva, se não por outro motivo, por potencial prejuízo da análise do primeiro, inicio o julgamento pelo segundo ponto. O contribuinte do IOC, nos termos do artigo 66 do CTN e qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei. Já o Decreto-Lei n° 1.738/80, que instituiu o tributo, no artigo 2°, diz que os contribuintes são os compradores de moeda estrangeira. Já o artigo 30, III, da norma acima citada diz que são responsáveis pela cobrança do imposto e pelo seu recolhimento, nos prazos e condições fixados pela Secretaria da Receita Federal: nas operações de câmbio, as instituições autorizadas a operar em câmbio. Ora, entendo não remanescerem dúvidas que tal responsabilidade atém-se a circunstância da qual o responsável tributário tem o devido controle. Por tal, ocorrido o fato gerador, deve este cumprir o seu dever de cobrar e recolher o tributo nos prazos e condições devidamente estabelecidos. Existindo circunstância que lhe impeça de cobrar e recolher o tributo dentro dos prazos e condições estabelecidos, cessa a responsabilidade, passando a obrigação para o contribuinte de jure, no caso a Autolatina, contratante da operação de câmbio. Insisto. Não se pode determinar o cumprimento, pelo responsável, de obrigação tributária exigível em período posterior aos prazos fixados pela SRF, em face do amparo legal deferido ao contribuinte de direito.. Por tal, não prevalece o entendimento esposado pela digna autoridade julgadora de primeira instância, quando diz não consignar a legislação exceção à responsabilidade atribuída. A responsabilidade não é ampla e irrestrita. Ela é limitada e restrita ao momento em que se opera o 3 UK J d i '-i' MINISTÉRIO DA FAZENDA ai sio.f tf...) SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 11-:-.-:- Processo : 10314.006099/95-35 Acórdão : 201-74.258 negócio cambial, momento em que o responsável, repito, tem condições de cobrar e recolher o tributo. Impossibilitado a tal, a contar dali desaparece o ônus, pelo que, por tal item, deve ser provido o recurso para anular o auto de infração. Neste diapasão, considero prejudicada a questão relativa a ocorrência ou não da decadência alegada, pelo que, com a vénia de meus pares deixo de proceder ao exame da quesão, por desnecessário. Pelo exposto, dou provimento ao recurso para anular o auto de infração, por erro na eleição do sujeito passivo. É como voto. Sala das Sessõe , em 23 de fevereiro de 2001 À. ROGÉRIO GUS kAVO EY ER O\ 4
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