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Numero do processo: 16327.909192/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Referese o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento a maior ou indevido, a título de IOF – Operações de crédito/Pessoa Física. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 09 19 2/ 20 12 -1 1 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 480 2 Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: “Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito próprio com suposto direito de crédito decorrente de pagamento a maior de IOF. O valor pago a maior teria sido de R$ 8.107,33 (DARF no total de R$ 440.409,60, recolhido em 13/05/2009) e a quantia aproveitada na DCOMP foi de R$ 6.770,60. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito, sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente comprometido na quitação de outro débito confessado pela contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 17/12/2012, em 16/01/2013 a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando ter cometido erro no preenchimento da DCTF o que levou à vinculação integral do pagamento feito por meio do DARF indicado como fonte do crédito compensado. Não obstante, prossegue, o erro de fato foi sanado por meio da entrega da DCTF. Pleiteia, a suspensão da exigibilidade do crédito, assim como a reforma do despacho decisório com a conseqüente homologação do procedimento. Foram apensados aos presentes, os autos do processo administrativo 16327.909194/201218 que trata de DCOMP que se utiliza de direito de crédito de mesma origem daquele aqui apreciado”. Retornando os autos para a Delegacia de Julgamento, esta considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/05/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada”. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 481 3 Em 22/12/2018 o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (doc. fls. 066 a 074)1, por meio do qual reitera as razões de sua Manifestação de Inconformidade alegando ainda, em síntese, que: a) na qualidade de instituição financeira, teria realizado operações de câmbio, mas seus sistemas de apuração do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não estaria adaptado para excluir da tributação montantes baixados para prejuízo, de sorte que tais baixas eram efetuada manualmente pelo departamento contábil do Banco e, no fechamento da mencionada apuração, a baixa manual não teria ocorrido, tendo levado as operações à tributação gerando o pagamento a maior tais divergências seriam naturalmente perceptíveis nos documentos que junta aos autos; b) sua boafé em produzir provas não pode ser cerceada por “extrema formalidade”, de sorte que “a possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, desde que garantida para a parte adversa a possibilidade de manifestação, respeitando o contraditório e a ampla defesa, não fere qualquer garantia ou defeito fundamental”; c) à luz do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, é de seu direito ver concluído seu pedido de compensação, visto que teria recolhido a maior a quantia de R$ 8.107,33 e teria cumprido todas as exigências legais relacionadas ao pedido, mas, por erro de fato contido em DCTF já devidamente retificada, não teve o seu pedido homologado. Depois de juntar aos autos, ao fim de sua peça recursal, documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis que teria efetuado (doc. fls. 094 a 108), além de cópia das DTCF Original e Retificadora, o Banco requer o conhecimento e o provimento do recurso visando à homologação integral das compensações, protestando pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23B do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 9 de junho de 20152. 1 Todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. 2 Art. 23B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 482 4 Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Análise do mérito A discussão nos autos se inicia com Manifestação de Inconformidade pelo indeferimento de solicitação de compensação formalizada na PER/DCOMP no 04019.20417.150711.1.3.040219, de 15/07/2011, por meio da qual o recorrente informou ter realizado pagamento a maior de Imposto sobre Operações Financeiras IOF decorrente de erro contido em Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais DCTF, supostamente saneado por meio de DCTF Retificadora por ele registrada. O valor pago a maior teria sido de R$ 6.770,00, oriundos de DARF recolhido pelo Banco. A denegação da solicitação formulada ocorreu por meio de Despacho Decisório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (DEINF/São Paulo SP), no qual, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, a unidade constatou que o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentando a decisão sob os argumentos de que: (i) a DCTF retificadora teria sido transmitida em 14/01/2013, após, portanto, à ciência do despacho decisório de não homologação, retirando do sujeito passivo o caráter da espontaneidade; e (ii) nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido de comprovar liquidez e certeza que devem amparar o direito de crédito. Sustenta no voto aquela autoridade julgadora que (fls. 050 – grifos nossos): “Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. (...) No entanto nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido da comprovação da liquidez e certeza que devem configurar o direito de crédito. A contribuinte não indica, por exemplo, o motivo pelo qual teria reduzido o montante do débito indicado na DCTF original. Não apresentou, também, nenhum demonstrativo ou documento capaz de o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 483 5 apontar o erro de apuração que provocou a retificação da DCTF. Notese que o valor indicado na DCTF original coincide com o que foi recolhido pela contribuinte por meio de DARF, do que se depreende que a situação não se restringe a simples erro de preenchimento do formulário da DCTF, mas sim de nova apuração do débito. Essa nova apuração deve estar suportada por documentação que possibilite a administração certificar o novo valor do débito, admitir a retificadora, reconhecer o pagamento a maior e homologar a compensação que dele se aproveitou”. Em que pese os argumentos expostos pela Recorrente, razão não lhe assiste. A razão está com a decisão recorrida. Como assevera o Acórdão da DRJ, o Despacho Decisório está materialmente correto, visto que, quando de sua emissão anteriormente à promoção da retificação da DCTF pelo recorrente, não havia saldo de crédito disponível para amparar o pedido de compensação. Também não merece reforma a decisão de piso. Tratandose de direito creditório pleiteado sem qualquer lastro documental, a autoridade fiscal acertou em não homologálo. A Manifestação de Inconformidade que deu início ao contencioso foi instruída somente com cópias do Despacho Decisório e da DCTF Retificadora, desacompanhados dos documentos e elementos de prova necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito, como assevera a decisão recorrida. Ressaltese que todos os documentos e informações então juntados ao Recurso Voluntário pelo recorrente, os quais, segundo o Banco, comprovariam o equívoco, estavam disponíveis à data da Manifestação de Inconformidade e poderiam ter sido oferecidos aos julgadores a quo para análise e julgamento em sede primeira instância administrativa. Quanto à tese defendida na peça recursal acerca da possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, também não prosperam os argumentos utilizados pelo recorrente. Com efeito, é farta a jurisprudência deste Conselho no sentido de que, em pedidos de restituição/compensação/ressarcimento, é do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido e ainda que a prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5o do DecretoLei no 2.124, de 19843) e que a compensação de débitos 3 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 484 6 tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN4); ii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4o, do Decreto no 70.235, de 19725); iii) no art. 373 da Lei no 13.105/20156, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Tomo como exemplo o Acórdão da CSRF no 9303005.226, sessão de 20 de junho de 2017, de relatoria da i. Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa reproduzo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não 4Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 5 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 6 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. (...) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 485 7 sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Peço licença para agregar aos meus argumentos os fundamentos utilizados pela i. Conselheira Relatora designada, em seu voto condutor naquele Acórdão: “Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações”. De outra feita, é cediço que este E. Tribunal tem até flexibilizado texto seco da norma, permitindo que sobrevenham documentos complementares que comprovem a existência do crédito. Como dito linhas acima, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do sujeito passivo, é papel do julgador solicitar documentos de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Com efeito, a DCTF retificadora enviada pelo contribuinte em 2013 e anexada aos autos por ocasião da Manifestação de Inconformidade deve ser recebida como elemento indicativo do direito ao crédito, sendo irrelevante o fato de já ter sido proferido Despacho Decisório, pois se busca a verdade material. Mas a simples apresentação de DCTF retificadora Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 486 8 não possibilitou ao julgador de piso concluir pela existência do direito creditório. Ou seja, não se dispensa a instrução da Manifestação de Inconformidade com documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados na DCTF original. O recorrente protesta pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito, mas não merece amparo o referido requerimento nesta fase processual. Conclusões Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recuso Voluntário do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado Expresso no presente voto minhas divergências em relação ao posicionamento externado pelo relator, Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, e cujo entendimento também foi acompanhado pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante. Na decisão de primeira instância o voto condutor apresenta os seguintes fundamentos para julgar improcedente a manifestação de inconformidade: Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações, bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), resultando no Despacho Decisório em discussão. Como dito, o ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Daí a nãohomologação. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada alega equívoco no preenchimento da DCTF o que levou ao comprometimento de todo o pagamento feito no documento de arrecadação indicado como origem do direito de crédito. Diz ainda que o equívoco foi corrigido pela entrega de DCTF retificadora. (...) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 487 9 Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. Percebese que o fundamento da decisão recorrida para negar o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional está na ausência de demonstração, por meio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal e inicialmente informada em DCTF foi indevida. Diante desta decisão a recorrente apresenta os seguintes argumentos: (...) (...) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 488 10 (...) O presente caso se enquadra às situações em que o sujeito passivo busca provar o direito que alega lhe assistir, agindo proativamente conforme estabelecido no princípio da cooperação, disposto no artigo 6º do Novo Código de Processo Civil – Lei no 13.105/2015, cuja redação assim estabelece: "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Fl. 120DF CARF MF Processo nº 16327.909192/201211 Resolução nº 3001000.230 S3C0T1 Fl. 489 11 Assim sendo, lanço mão do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que assim dispõe: "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Corroborado pelas disposições do Decreto nº 7.574/2001, cujas regras são também aplicáveis aos Colegiados de Segunda Instância. Portanto, considerando a relevância dos documentos apresentados pela recorrente com vistas a demonstrar os valores que deram origem ao direito creditório pleiteado, voto por baixar o presente processo em diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem proceda da seguinte forma: 1) Analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário com vistas a verificar se a apuração da Imposto sobre Operações Financeiras – IOF reflete os registros contábeis e fiscais juntados. Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos que julgar pertinentes. 2) Avaliar a procedência dos créditos referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras – IOF alegadas concernentes aos registros apresentados de modo a confirmar o direito creditório pleiteado e informado na Declaração de Compensação. 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, para atendimento da diligência. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902614/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.074
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de IOF. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 61 4/ 20 06 -1 7 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou a legitimidade do direito de crédito aproveitado. Afirma que o pagamento indevido teve origem em erro na apuração do IOF devido sobre mútuo contratado com pessoa jurídica. O mútuo seria controlado por planilha especifica que indicaria o efetivo saldo do contrato e possibilitaria o correto controle do IOF devido mensalmente. Contudo, por equivoco, teria calculado o IOF a pagar no período mediante a aplicação da aliquota de 0,041% sobre o valor mutuado, quando o correto seria 0,0041%, conforme artigo 7° do Decreto n° 4.494, de 2002. Assim, ao perceber o recolhimento a maior, apresentou a declaração de compensação em foco aproveitando o mencionado direito de crédito na quitação de débito. Argumenta que, estando incorreto o valor de IOF indicado em DCTF ao qual se vinculou o pagamento, impõese o reconhecimento do pagamento a maior e a homologação da compensação. Invoca ainda o principio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal. Por fim, informa entender que as provas juntadas aos autos seriam suficientes para a comprovação do direito de crédito, solicitando a realização de diligência caso esse não seja o entendimento desta esfera de julgamento. É o relatório A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão que instrui os autos. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese, que os créditos são provenientes de recolhimento a maior de IOF em razão de erro na aplicação da alíquota que seria de 0,0041% e não 0,041%. Sobre o assunto afirma que demonstrou os fatos por meio de um contrato de mútuo no qual figura como mutuante e por isso faz retenções de IOF. Faz referência a equívoco no preenchimento da DCTF e ao princípio da verdade material. A seu favor cita jurisprudência. Menciona também que o fato de o contrato não estar registrado no cartório em nada altera a evidência da prova. Sustenta ainda cabe a RFB alterar a DCTF de ofício por força do art. 9º, parágrafo 3, IN 1110/10. A Recorrente defende que as provas apresentadas são suficientes para provar seu bom direito aos créditos devidos por recolhimento a maior de IOF. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 4 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201002.071, de 21 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.902612/200628, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201002.071): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. O cerne da questão consiste na discussão acerca da certeza e liquidez dos valores recolhidos para fins de compensação. O tema é recorrente no CARF. No caso em julgamento entendo que cabe o direito da dúvida em favor da Recorrente, pois apresenta documentação parcial que respalda sua argumentação. A forma como as operações foram documentadas parecem indicar a natureza de mútuo. Nesse ponto, constam dos autos os seguintes documentos: a) contrato de Mútuo entre as empresas Editora Abril S/A e Abril Comunica S/A (efls. 63 a 66); e b) planilha de valores do entre Mutuante e Mutuário (efls. 68 a 69). De fato, conforme consta do art. 7º do Decreto nº 4.494 de 2002, a alíquota do IOF incidente sobre o montante do mútuo financeiro era de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento). A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. Entretanto, também cabe razão a autoridade julgadora de primeira instância que se manifestou quanto a ausência de elementos de prova mais robustos, como aqueles que compõem a escrituração comercial. De fato, o contrato de mútuo juntado aos autos, além de não ter sido registrado em cartório, tem como objeto crédito de R$ 10.000,00, valor muito inferior Aquele sobre o qual incidiu o I0F. Ademais, além do citado contrato, a contribuinte apresentou somente planilhas correspondentes a demonstrativos e controles internos de sua própria lavra e não se prestam a atestar o pagamento indevido. Nenhum documento vinculado aos livros que compõem a escrituração comercial veio ao exame desta esfera de julgamento. Não foram exibidas cópias do Razão das contas que registraram o imposto a pagar e o mútuo contratado ou das folhas do Livro Diário onde constassem o registro das alegações. (efl. 77) Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, acredito que a Recorrente teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca dos fundamentos utilizados no julgamento de primeira instância para negar o direito ao crédito, ou seja, quanto a falta de liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.902614/200617 Resolução nº 3201002.074 S3C2T1 Fl. 6 5 da Recorrente, sem que as questões aventadas quanto a escrituração comercial sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720550/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM DOS VALORES. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracteriza-se como omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira e em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2402-007.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a comprovação da origem dos depósitos de R$ 8.030,00 e R$ 9.800,00, realizados em 23/4/03 e 23/10/03, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM DOS VALORES. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza-se como omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira e em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a comprovação da origem dos depósitos de R$ 8.030,00 e R$ 9.800,00, realizados em 23/4/03 e 23/10/03, respectivamente. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-04T00:43:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-04T00:43:10Z; Last-Modified: 2019-07-04T00:43:10Z; dcterms:modified: 2019-07-04T00:43:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:7ca5af81-cd20-42ba-9d7c-cf139b33c5d5; Last-Save-Date: 2019-07-04T00:43:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-04T00:43:10Z; meta:save-date: 2019-07-04T00:43:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-04T00:43:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-04T00:43:10Z; created: 2019-07-04T00:43:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-07-04T00:43:10Z; pdf:charsPerPage: 1729; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-04T00:43:10Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 331 1 330 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720550/200839 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.181 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IRPF Depósito bancário de origem não comprovada Recorrente JOSÉ FRANCISCO DOS SANTOS VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM DOS VALORES. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizase como omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira e em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a comprovação da origem dos depósitos de R$ 8.030,00 e R$ 9.800,00, realizados em 23/4/03 e 23/10/03, respectivamente. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 50 /2 00 8- 39 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 332 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 0116.471, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Belém/PA, fls. 300 a 309: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração, às fls. 251/265, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 2004 a 2006, anos calendário 2003 a 2005, no valor total de R$ 99.101,05, incluída a multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 30/05/2008. A ação fiscal ordenada pelo MPF 02201002007001417, às fls. 01, foi iniciada com a ciência do contribuinte em 04/04/2007 do Termo de Início de Fiscalização, às fls. 17/19, por meio do qual foi instado a apresentar, relativamente aos anos de 2003 a 2005, extratos bancários de contas de sua titularidade, cópia de sentença da separação e comprovantes de pagamento da pensão alimentícia judicial, comprovantes de despesas médicas, cópia de contrato social e alterações posteriores referentes à empresa Clínica Neurocirúrgica do Amazonas S/C Ltda, CNPJ n° 34.486.258/000161, Livros Razão e Diário, corroborado pelos documentos pertinentes. O contribuinte apresentou os documentos relacionados em sua petição de 15/O5/2007, juntados às fls. 20/82, sendo intimado a comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos bancários listados em anexo ao Termo de Intimação, apresentar informe de rendimentos recebidos da Unimed, da Fundação Universidade do Amazonas, comprovantes de contribuições à previdência privada e Fapi, escrituração contábil (livros diário e razão) da clínica Neurocirúrgica do Amazonas, da qual é sócio e comprovação dos rendimentos isentos e nãotributáveis “pensão, prov aposent ou reforma por moléstia grave e aposent/reforma acid. serv.”, conforme Termo de Intimação às fls. 83/87. Foram juntadas aos autos cópias do Livro Razão e Diário da Clínica Neurocirúrgica do Amazonas, entregues pelo contribuinte, às fls. 88/213 e esclarecimentos prestados pelo contribuinte em resposta ao termo de intimação fiscal, juntados às fls. 214/238. Em 26/05/2008 foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal, às fls. 245/246, por meio do qual foi instado a apresentar alvará emitido pelo Juiz do Trabalho que concede ao reclamante José Francisco dos Santos Vieira o direito ao recebimento do valor de R$ 21.354,83 da reclamada FUA Fundação Universidade do Amazonas, CNPJ n° 04.378.626/000197, e os documentos comprobatórios do recolhimento do imposto de renda e INSS. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 333 3 Em resposta, o contribuinte apresentou os documentos juntados às fls. 247/249. Analisados os documentos e justificativas apresentadas pelo contribuinte, a fiscalização lavrou auto de infração para cobrança do imposto devido sobre as seguintes infrações tributárias: Dedução Indevida de Previdência Oficial Dedução indevida de Despesas Médicas Dedução Indevida de Pensão Judicial Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada Cientificado do lançamento em 28/06/2008, conforme Aviso de Recebimento, às fls. 267, o contribuinte apresentou impugnação em 25/07/2008, às fls. 272/288, trazendo diversos documentos relativos à dedução de previdência oficial, despesas médicas, pensão alimentícia judicial e esclarecimentos relativos aos depósitos sem origem comprovada. Ao julgar a impugnação, a 2ª Turma da DRJ de Belém/PA, por unanimidade de votos, conclui pela sua procedência parcial, em 25/2/10, conforme assim restou consignado no voto condutor: Previdência Oficial O contribuinte apresentou em sua defesa, comprovante mensal de retenção de INSS emitido por Unimed Manaus Cooperativa do Trabalho Médico, relativo ao nãocalendário 2003, no valor de R$ 1.172,85, informativo INSS emitido pela UNIMED com os valores correspondentes aos doze meses do ano de 2004, e cópia de decisão do TRT 11º Região no qual consta retenção de R$ 2.349,03, o que justificaria os valores deduzidos em sua declaração. Relativamente aos demonstrativos que teriam sido emitidos pela UNIMED nos anos de 2003 e 2004, às fls. 274 e 277, julgo os insuficientes para comprovação da contribuição previdenciária, pois estão desprovidos das formalidades necessárias para lhes garantir autenticidade e comprovar o pagamento de despesas com previdência oficial. Além disso, os comprovantes de rendimentos pagos pela UNIMED, a título de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, relativos aos anos de 2003 e 2004, às fls. 230/231, não contemplam dedução a título de contribuição previdenciária, razão pela qual entendo que os demonstrativos apresentados na fase impugnatória possuem baixo valor probatório da ocorrência das despesas, devendose manter o lançamento relativo a essa infração. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 334 4 Pensão judicial [...] o valor de R$ 33.787,65, relativo à pensão judicial paga em 2003, não se encontra sob litígio, pois não foi objeto do lançamento. O valor da diferença de R$ 596,70, anocalendário 2004, deve ser mantido, tendo em vista que o valor constante na declaração prestada pela beneficiária da pensão equivale ao que foi considerado pelo Fisco. [...] decido acolher como comprovada a pensão alimentícia no anocalendário de 2005, no valor de R$ 34.232,10, mantendo a autuação sobre a diferença de R$ 9,84, em relação ao valor declarado pelo contribuinte que foi de R$ 34.241,94. (Grifo nosso) Despesas médicas [...] devese manter a glosa do valor de R$ 3.787,42 e R$ 4.686,36, relativo a despesas médicas nos anos de 2004 e 2005, nos exatos termos descritos no auto de infração, às fls. 254/255, tendo em vista que os gastos com Marilucia de Melo Lima e Esperança Mello Lima não podem ser aceitos por não se tratar de dependentes legais do contribuinte. Depósitos bancários Crédito decorrente de pagamento efetuado pela Prefeitura Municipal de Manaus R$ 3.538,25 [...] decido acolher como comprovada a origem desses recursos. Empréstimos O contribuinte apresentou declaração firmada pela “Servibancos Serviços a Bancos Ltda”, CNPJ n° 05.033.025/000105, às fls. 286, que declara ter efetuado no dia 25/04/2005, transferência via TED através do Banco HSBC, no valor de R$ 40.000,00, a título de empréstimo pessoal para o titular da conta Sr. José Francisco dos Santos Vieira. Também alegou o contribuinte que os créditos efetuados em 23/04/2003, no valor de RS 8.030,00 e em 23/10/2003, de R$ 9.800,00, que constam nos extratos bancários com o histórico “Crédito doc. Eletr.”, eram provenientes de empréstimos. Contudo, meras alegações não fazem prova da origem dos recursos na conta do contribuinte e nem mesmo a declaração da Servibancos, CNPJ n° 05.033.025/000105, pode ser considerada como documento hábil e idôneo a comprovar a natureza da operação como sendo empréstimo. Deveria o contribuinte ter apresentado contrato de empréstimo, quitação de parcelas, ou qualquer outro documento necessário para a formalização dessa operação. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 335 5 Deste modo, mantémse a autuação sobre os créditos bancários que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos, nos termos exigidos pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Refinanciamento de automóvel Sobre o valor de R$ 26.900,00, correspondente ao total de créditos efetuados no mês de fevereiro de 2005, que o contribuinte alega ser decorrente de refinanciamento de automóvel, deveria o contribuinte ter apresentado o alegado contrato junto ao Banco BMG, a fim de comprovar a referida operação, com coincidência de datas e valores entre o contrato e os créditos efetuados em 01/02/2005, 02/O2/2005 e 21/02/2005, razão pela qual se mantém a autuação sobre os depósitos que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos, nos termos exigidos pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Venda de automóvel Sobre o cheque no valor de R$ 34.000,00, tenho que ele não é suficiente para comprovar que a origem do crédito efetuado em 30/09/2005 tenha sido decorrente da venda de automóvel. Deveria o contribuinte ter juntado cópia do documento de transferência do veículo, atestando a venda na data do depósito bancário, a fim de fazer prova da ocorrência da operação, razão pela qual se mantém a autuação sobre esse crédito que 0 contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos, nos termos exigidos pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DO CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA Mantida parcialmente as infrações relativas à pensão judicial e aos depósitos de origem não comprovada, no anocalendário 2005, cabe refazer a apuração do imposto devido nesse ano: Base de cálculo declarada 0,00 Infrações apuradas 147.767,36 () exclusão depósito comprovado 3.538,25 () exclusão pensão alimentícia 5.722,10 = base de cálculo após julgamento 138.507,01 Imposto devido 32.505,22 Cientificado da decisão de primeira instância, em 1/4/10, segundo o Aviso de Recepção (AR) de fl. 311, o Contribuinte, por meio de seu representante (procuração de fl. 319), apresentou o recurso voluntário de fls. 314 a 318, em 22/4/10, alegando, em síntese, o que segue: 2. DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, fls. 293/294 [...] Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 336 6 02.02. A fim de sanar a pendência anexamos cópia da DIRF, enviada pela Unimed Manaus, dos anos de 2003 e 2004. 3. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Fls. 299 – Empréstimos 03.01. Seguindo orientação da própria 2º Turma de Julgamento DRJBEL segue em anexo cópia do extrato de cartão de crédito American Express n° do Associado 376440609381003 confirmando os valores de R$ 8.030,00 em 23/04/2003 e de R$ 9.800,00 em 23/10/2003 comprovando desta forma que os valores foram provenientes de empréstimo junto a American Express do Brasil Tempo & Cia. Fls. 299 Refinanciamento de automóvel 03.02. Seguindo ainda orientação da própria 2ª Turma de Julgamento DRJBEL segue em anexo cópia do contrato entre o requerente e o Banco BMG, n° 159204083 comprovando desta forma, que crédito em conta corrente de titularidade do requerente no dia 28/02/2005 é um empréstimo contraído junto à referida instituição financeira. Ressaltamos o equívoco de datas indicadas na Fls. 299: a fim de comprovar a referida operação, com coincidências de datas e valores entre o contrato e os créditos efetuados em 01/02/2005, 02/02/2005 e 21/02/2005. Fl.s 299 Venda de automóvel 03.03. Identicamente aos itens 03.01. e 03.02., anexamos ao RECURSO VOLUNTÁRIO, cópia do documento de transferência do veículo e declaração do comprador, comprovando desta forma, que o crédito de R$ 34.000,00 no dia 30/09/2005 é proveniente da venda de um automóvel. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da dedução com previdência oficial Segundo pôde ser observado no Relatório acima, o órgão julgador de primeiro grau manteve a glosa da dedução com previdência oficial porque os demonstrativos Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 337 7 da UNIMED, apresentados pelo Contribuinte, estariam “desprovidos das formalidades necessárias para lhes garantir autenticidade e comprovar o pagamento de despesas com previdência oficial” e os comprovantes de rendimento apresentados não contemplariam a dedução com de previdência oficial. Pois bem, buscando complementar o conjunto probatório apresentado com a impugnação, o Recorrente carreou aos autos, junto com seu recurso voluntário, os documentos de fls. 321 a 322, que alega serem Dirfs (Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte), enviadas pela UNIMED Manaus e referente aos anos de 2003 e 2004. Contudo, tais documentos não são Dirfs, mas sim demonstrativos apócrifos, que relacionam valores supostamente retidos pela UNIMED Manaus, a título de previdência oficial. Ademais, os valores discriminados nesses demonstrativos divergem dos valores constantes dos demonstrativos de fls. 283 e 286, carreados aos autos quando da apresentação da impugnação, o que fragiliza, mais ainda, o seu valor probatório. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 338 8 Portanto, não restou comprovada a dedução com previdência oficial. Dos empréstimos Para comprovar a origem dos depósitos de R$ 8.030,00 e R$ 9.800,00, realizados em 23/4/03 e 23/10/03, respectivamente, o Recorrente carreou aos autos extratos de contas da American Expres, fls. 323 a 326. Nesses extratos constam, de fato, débitos pela transferência de crédito para conta bancária, coincidentes em data e valor. Portanto, temse por justificada a origem desses depósitos. Do refinanciamento de automóvel Com relação ao depósito de R$ 26.900,00, que o Recorrente apenas alegou, em sua impugnação, tratarse de refinanciamento de automóvel com o banco BMG, o órgão julgador a quo decidiu manter o lançamento, uma vez que não foi apresentado o contrato de financiamento firmado com essa instituição financeira. Pois bem, para comprovar o depósito em questão, o Recorrente anexou aos um demonstrativo do BMG para fins de Imposto de Renda, fl. 328, alegando que o contrato 159204083, discriminado nesse demonstrativo, diria respeito ao refinanciamento. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 339 9 O Recorrente também anexou aos autos a informação por ele prestada de fl. 327, na qual esclarece que "devido a exiquidade de tempo para o recurso" e do tempo que precisaria para obter o contrato firmado com o Banco BMG, instrui os autos apenas com o demonstrativo para fins de Imposto de Renda, o qual, em seu entendimento, comprovaria o refinanciamento. Pois bem, longe de comprovar, esse demonstrativo apenas informa que o Recorrente teria um saldo devedor de R$ 17.274,13 com o BMG, em relação ao contrato 159204083 (CDC AUTO LEVES UTILITARIOS), em 31/12/05. Confirase: Portanto, mantemos o lançamento em relação ao depósito de R$ 26.900,00. Da venda de automóvel Por fim, quanto ao depósito de R$ 34.000,00, que o Recorrente alegou, em sede de impugnação, tratarse de venda de automóvel, apresentando, para tal, folha de cheque emitida por CDJ Comércio de veículos Ltda, fl. 296, insta destacar que a decisão de primeira instância manteve o lançamento pela falta de apresentação do documento de transferência do veículo. Agora, com ser recurso, o Recorrente apresenta apenas uma declaração firmada por Diego Azevedo da Silva, aparentemente da CDJ Comércio de veículos Ltda., nos seguintes termos: Declaro para fins de comprovação junto a Receita Federal do Brasil, que o cheque Banco do Brasil nº 850155 no valor de Cr$ 34.000,00 (Trinta e quatro mil reais) por mim emitido, em 30.09. 2005, destinouse ao pagamento de compra de um veículo de propriedade do Sr. José Francisco dos Santos Vieira CPF 000.885.06827, com as seguintes características: Modelo Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10283.720550/200839 Acórdão n.º 2402007.181 S2C4T2 Fl. 340 10 Chevrolet Sedan Astra CD, ano de fabricação 2003/2003 placa JWX4527. Todavia, na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2006, ano calendário 2005, fls. 10 a 12, consta que em 31/12/05, o veículo em questão ainda era de propriedade do Recorrente, o que fragiliza essa declaração apresentada. Além do mais, o Recorrente não instrui a defesa com o documento de transferência do veículo, que atestaria a sua venda, segundo esclarecido pela decisão recorrida. Portanto, também matemos o lançamento em relação a esse ponto. Conclusão Portanto, diante de todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a comprovação da origem dos depósitos de R$ 8.030,00 e R$ 9.800,00, realizados em 23/4/03 e 23/10/03, respectivamente. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 340DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.000093/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. SÚMULA CARF 9.
Não é necessário que a notificação de lançamento seja feita pessoalmente ao sujeito passivo, bastando que seja feita por via postal recebida no domicilio do contribuinte, conforme prescreve a Súmula CARF n. 9.
NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO.
Sendo de emissão de empresas constituídas apenas de direito, que comprovadamente jamais existiram nem operaram de fato, e não tendo sido comprovado o pagamento e a efetiva movimentação das mercadorias descritas nas notas fiscais, é de se concluir que ocorreu o expediente doloso das chamadas "notas frias", disso decorrendo a glosa do crédito básico de IPI escriturado fraudulentamente pela Contribuinte.
INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO.
Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente.
GLOSA. SALDOS CREDORES. ANOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituí-lo. A vedação desses dispositivos restringe-se à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido pela decadência. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores.
SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4.
Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. POSSIBILIDADE.
É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, se provadas nos autos as condutas de sonegação ou fraude tributária.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Numero da decisão: 3402-006.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurenttis Galkowicz (relatora) que negavam provimento ao Recurso de Ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. SÚMULA CARF 9. Não é necessário que a notificação de lançamento seja feita pessoalmente ao sujeito passivo, bastando que seja feita por via postal recebida no domicilio do contribuinte, conforme prescreve a Súmula CARF n. 9. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Sendo de emissão de empresas constituídas apenas de direito, que comprovadamente jamais existiram nem operaram de fato, e não tendo sido comprovado o pagamento e a efetiva movimentação das mercadorias descritas nas notas fiscais, é de se concluir que ocorreu o expediente doloso das chamadas "notas frias", disso decorrendo a glosa do crédito básico de IPI escriturado fraudulentamente pela Contribuinte. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. GLOSA. SALDOS CREDORES. ANOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituí-lo. A vedação desses dispositivos restringe-se à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido pela decadência. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores. SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. POSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, se provadas nos autos as condutas de sonegação ou fraude tributária. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurenttis Galkowicz (relatora) que negavam provimento ao Recurso de Ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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SÚMULA CARF 9. Não é necessário que a notificação de lançamento seja feita pessoalmente ao sujeito passivo, bastando que seja feita por via postal recebida no domicilio do contribuinte, conforme prescreve a Súmula CARF n. 9. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Sendo de emissão de empresas constituídas apenas de direito, que comprovadamente jamais existiram nem operaram de fato, e não tendo sido comprovado o pagamento e a efetiva movimentação das mercadorias descritas nas notas fiscais, é de se concluir que ocorreu o expediente doloso das chamadas "notas frias", disso decorrendo a glosa do crédito básico de IPI escriturado fraudulentamente pela Contribuinte. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. GLOSA. SALDOS CREDORES. ANOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituílo. A vedação desses dispositivos restringese à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 93 /2 00 9- 89 Fl. 3032DF CARF MF 2 pela decadência. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores. SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplicase a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. POSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, se provadas nos autos as condutas de sonegação ou fraude tributária. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso de Ofício. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurenttis Galkowicz (relatora) que negavam provimento ao Recurso de Ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 251 3 Tratase de recursos de ofício e voluntário, tendo sido este último apresentado em 21 de setembro de 2009, contra o Acórdão n. 1425.022, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 2059 a 2075), cuja ciência foi dada ao contribuinte em 27 de agosto de 2009. O auto de infração (sobre a cobrança de IPI do período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007) foi lavrado em 20 de março de 2009, de acordo com o termo de fls. 1642 a 1659. Segundo o que consta dos autos, a apuração da existência de notas fiscais inidôneas deu origem ao lançamento de imposto de renda e tributos decorrentes, constantes do processo administrativo n. 11634.000182/200925. Por bem descrever os fatos que fundamentaram a autuação fiscal e as razões de defesa da Contribuinte, colaciono a seguir o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Segundo a descrição dos fatos constante do Termo de Verificação, tratase de falta de recolhimento IPI em virtude da contribuinte ter se utilizado em sua escrituração fiscal, nos anos de 2004 a 2007, os seguintes créditos indevidos de IPI: a) Saldo credor de R$ 4.306.223,02 existente em 01/01/2004 sem comprovação de origem: a.1) Intimada a informar a origem do saldo credor em janeiro de 2004, a contribuinte alegou o que segue: "...é decorrente da aquisição de MP — PI e ME, decorrentes das compras de produtos isentos, nãotributados e tributados à aliquota zero, desde 1999 até o mês de dezembro de 2003. Esses créditos decorrentes de transações realizadas após a edição da Lei não haviam sido lançados. E, uma vez não lançados entende a empresa ser nessa hipótese legitima a pretensão de corrigir seus créditos escriturais pela SELIC... "; a.2) Referido saldo credor foi glosado, pois na aquisição de insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à aliquota zero, não existe previsão legal para o aproveitamento de créditos do IPI, muito menos a correção monetária dos saldos credores, que seria possível apenas nos casos de existência de ação judicial com decisão definitiva que autorizasse estes procedimentos, o que não é o caso da contribuinte; b) Aproveitamento de créditos indevidos baseados em documentos fiscais inidôneos ("notas frias"): b.1) Em razão dos fatos expostos pela fiscalização, concluiuse de forma inequívoca que as empresas Construmotta Construções Civil Ltda, CNPJ 06.140.046/000192, e Pedro do Carmo — Madeira, CNPJ 07.839.099/000169, são inidôneas, nunca tendo existência real e, por conseqüência, os documentos fiscais por elas emitidos não têm validade para efeitos tributários; b.2) Intimada a apresentar elementos que pudessem comprovar as aquisições, a fiscalizada apresentou as seguintes alegações: solicitou 30 dias para finalizar os ajustes no livro registro de controle de produção e do estoque e registro de inventário; os pagamentos foram feitos em espécie; os únicos documentos que Fl. 3034DF CARF MF 4 comprovam o recebimento das mercadorias são as notas fiscais; o transporte foi feito pelas empresas emitentes das notas fiscais; b.3) Não tendo a empresa fiscalizada conseguido comprovar a aquisição, recebimento e pagamento dos insumos, elementos imprescindíveis para considerar os documentos fiscais relativos àquelas aquisições como hábeis para aproveitamento de crédito do IPI, foram glosados os créditos indevidos; c) Aquisição de bens para o ativo imobilizado: c.1) A contribuinte efetuou escrituração referente à aquisição de bens para o ativo imobilizado, conforme nota fiscal n° 3939, valor do IPI de R$ 8.382,50 (fls. 1522/1523); c.2) Devido a escrituração estar em desacordo com a legislação do IPI, que permite o crédito somente nas aquisições de insumos a serem utilizados no processo produtivo, as referidas aquisições não são passíveis de aproveitamento. Além do mais, a aquisição foi feita por outro estabelecimento da empresa fiscalizada, inscrita no CNPJ sob n° 02.234.157/000379. Diante das glosas dos créditos de IPI indevidos, efetuouse a reconstituição da apuração do IPI, na qual foram apurados os saldos devedores constantes dos demonstrativos de fls. 1603/1631. Como os procedimentos perpetrados pela fiscalizada configuraram impedimento da fiscalização de apurar o crédito tributário correspondente, conforme preconizam os artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, aplicouse a multa qualificada de 150% e a comunicação dos fatos narrados ao Ministério Público Federal. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fl. 1675/1713, em 17/04/2009, instruída com os documentos de fls. 1714/2038, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de defesa: a) Já é cediço na jurisprudência de que a boafé, deverá ser levada em conta pela administração, uma vez que faltou ser comprovado o consilium fraudis; b) A idoneidade ou inidoneidade dos fornecedores não pode, simplesmente, redundar em conseqüentes glosas de créditos na escrita fiscal dos adquirentes dos bens, se estes ignoram tal situação, mesmo porque se não houve publicação formal do respectivo ato, como saber se um estabelecimento está irregular; c) Conforme julgados, a responsabilidade do comprador pelo tributo que a outra parte não pagou só pode ocorrer se ficar demonstrada a existência de conluio ou má fé, o que não ficou comprovado, diante da completa ausência de provas; d) 0 auditor repassou à impugnante a sua responsabilidade de fiscalização, situação que não é inadmissível e que não encontra guarida na nossa legislação; e) Provado que a operação foi efetivamente realizada, sendo observada toda a legislação tributária e comercial, não há Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 252 5 nenhuma razão plausível para que se possa impedir o direito ao crédito da impugnante; O auditor deixou de verificar os requisitos legais para considerar as notas fiscais sem valor, pois as notas fiscais consideradas "frias" preenchem os requisitos dispostos nos artigos 339 e 353 do RIPI/02. Ademais, brigas de sócios, empresa não estabelecida na data de hoje, desencontros de informações acerca de sua localização, meios de transporte e demais irregularidades apontadas, não podem resistir ao comando inserto do RIPI/02; g) As operações existiram em sua plenitude, com pagamentos efetuados através do seu caixa, todos os valores coincidentes em data e valor, e que nem de longe foram objeto de análise do auditor, que se limitou em dar opiniões fora da legislação; h) Pela análise no sitio da Receita Federal do Brasil, no SERASA, na Junta Comercial do Estado do Paraná e na inscrição Municipal, verificase nada constar em desfavor das empresas consideradas inidôneas, comprovando sua existência e plena atividade comercial; i) Uma vez não analisado o saldo anterior de IPI acumulado até dezembro de 2003, deve o mesmo ser restabelecido, até porque foge completamente ao termo de inicio da fiscalização, estando decaído o direito da fazenda em glosar tal crédito; j) 0 auditor, se tivesse estudado a contabilidade da impugnante, certamente chegaria a resultado diverso, assim, deixando de lado o comando legal, é o presente auto de infração constituído em desacordo com a legislação, e portanto nulo; k) Quanto as aquisições que compõem o ativo fixo da empresa, deverá ser concedido à impugnante o direito ao creditamento em atenção ao principio da nãocumulatividade; I) A forma de pagamento e o efetivo desembolso do numerário, comprova de maneira aximática a licitude do negócio jurídico realizado entre a impugnante e as empresas consideradas inidôneas, mutatis mutandis nada obsta que valores não pudessem ser pagos em dinheiro; m) Faltou ao auditor analisar detidamente a contabilidade, pois o apoio fiscal para a autuação se resumiu na análise de apenas cinco folhas da conta caixa. Neste ponto, o auto de infração deve ser anulado ab initio, pois faltou ao auditor provar em sua atuação o consilium fraudis, para assim tentar fazer valer a autuação; n) Outro fato que merece atenção, conforme determina o art. 23 do Decreto 70.235/72, é nula a intimação via postal: uma vez que foi cientificado o proprietário desde o primeiro procedimento de oficio, nula se faz a entrega do auto de infração através de pessoa não habilitada para tanto. A intimação por Fl. 3036DF CARF MF 6 carta, como feita no caso em comento somente pode ser feita quando a parte recusar a receber a intimação; o) A multa que excede a 150% vezes o suposto e fictício imposto apurado, tem caráter confiscatório por ser extremamente elevada e desarrazoada, conforme julgados do STF; p) A taxa Selic como aplicada é ilegal e inconstitucional, conforme apontado pelo Magistrado Domingos Franciulli Netto, Ministro do Superior Tribunal de Justiça; q) Como prova cabal do pagamento das mercadorias apresenta o razão referente a conta caixa (fls. 1737/2035). Como capacidade econômica financeira de honrar os pagamentos das notas de compras, apresenta Relatório Sintético das Contas: Duplicatas a Receber, Duplicatas Descontadas e Empréstimos e Financiamentos (2036/2038); r) Por fim, requer a concessão de prazo para a juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazêlo no ato da impugnação, e ainda, protesta provar o alegado por todos os meios de prova. Sobreveio então o Acórdão da DRJ de Ribeirão Preto, dando provimento parcial provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Sendo de emissão de empresas constituídas apenas de direito, que comprovadamente jamais existiram nem operaram de fato, e não tendo sido comprovado o pagamento e a efetiva movimentação das mercadorias descritas em tais notas fiscais, é de se concluir que ocorreu o expediente doloso das chamadas "notas frias", disso decorrendo a glosa do crédito básico escriturado. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato fisico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. DECADÊNCIA. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 253 7 Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõese a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A aplicação da taxa SELIC como juros moratórios tem previsão legal. não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL Não é necessário que a notificação de lançamento seja feita pessoalmente ao sujeito passivo, bastando que seja feita por via postal recebida no domicilio do contribuinte. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Arguições de inconstitucionalidade refogem à competência da instancia administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls 2081 a 2138) a este Conselho, repisando sua defesa feita em sede de impugnação, a qual adicionou os seguintes tópicos de alegações: 1. OBSERVÂNCIA PELO JULGADOR DO ARTIGO 37 DA LEI 9.784/99 2. ADMISSÃO DE PROVA AMPLA DEFESA CONTRADITÓRIO VERDADE MATERIAL; 3. DA EXISTÊNCIA DE FATO E DE DIREITO DAS EMPRESAS; 4. DO INGRESSO UTILIZAÇÃO E PAGAMENTO DAS MERCADORIAS; 5. PUBLICAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS; 6. FALTA DE OBSERVÂNCIA DOS ARTS. 26 27 e 28 DA LEI 9.784/99. O processo foi objeto de análise pela 2ª TO/3ª CA/Terceira Seção do CARF, que, em 6 de julho 2012, que constatando ser este processo reflexo ao de IRPJ, propôs o seu envio para a Primeira Seção de Julgamento, por dependência ao Processo n. 11634.000182/200925, de relatoria da Conselheira Nereida Horta. Contudo, a Primeira Seção de Julgamento entendeu de forma diversa, motivo pelo qual o conflito de competência foi apreciado pela Presidência do CARF, a qual, por meio do despacho de fls 3028 a 3030, determinou que o julgamento do presente caso deve ser exarado em apartado do processo do IRPJ. Para tanto, utilizouse dos seguintes fundamentos: Acertado o entendimento da 1ª Seção. O lançamento do IPI não é reflexo do IRPJ, como uma omissão de receita, por exemplo, que porventura tivesse motivado a constituição de créditos tributários em face dos dois tributos. Muito embora os lançamentos tenham se originado da mesma ação fiscal, as exigências fiscais relacionadas ao IPI decorrem de infrações autônomas e específicas à legislação do IPI, especialmente quanto à glosa de créditos não admitidos em face da legislação desse imposto. Fl. 3038DF CARF MF 8 Por todo o exposto, não se aplica ao caso o disposto no inciso IV do art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF1 (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). A regra aplicável é a do art. 4º, inciso III, do Anexo II do mesmo RICARF, ou seja, a norma de competência natural da 3ª Seção para o julgamento dos litígios que versem sobre a aplicação da legislação referente a “III – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)”. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Quanto ao recurso de ofício, ele continua sendo passível de conhecimento, mesmo depois do advento da Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017, que aumentou o limite de alçada para R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais). 1. Recurso de Ofício O montante exonerado pelo Acórdão recorrido diz respeito à glosa do saldo credor de R$ 4.306.223,02, existente em 01/01/2004, sendo que o motivo utilizado para a reversão da glosa é a decadência do direito do Fisco. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, no REsp 973.733/SC, firmou o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN); do contrário, ou em casos de fraude, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado (artigo 173 do CTN): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 254 9 corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e). (REsp 973733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo) (grifei) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, necessário concordar com a decisão de piso, quando ponderou que, no que diz respeito a glosa do saldo credor no valor de R$ 4.306.223,02 existente em 01/01/2004, a controvérsia se resolve pela análise da decadência do direito da fazenda em glosar tal crédito. Isto porque, conforme se verifica à fl. 1664, o auto de infração foi lavrado em 17/03/2009, com ciência da contribuinte em 20/03/2009 (AR de fl. 1673). O saldo credor glosado referese a períodos de apuração anteriores a 2004. No caso em questão, como a ciência do auto de infração foi em 20/03/2009, pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I do CTN (já que não há prova nos autos de antecipação parcial do pagamento, bem como há apontamentos sobre a atuação fraudulenta do contribuinte), já havia em 01/01/2009 decaído o direito para a glosa de créditos de IPI. Dessarte, é de fato o caso de reconhecer a decadência, mantendo incólume o julgamento a quo. 2. Recurso Voluntário 2.1. Preliminar de nulidade por ausência de intimação Quanto ao pedido de nulidade da entrega do auto de infração, através de pessoa não habilitada para tanto, este não deve ser acatado porquanto referida intimação foi encaminhada no endereço que o sujeito passivo elegeu com seu domicilio tributário, conforme comprova o AR de fl. 1673. A súmula CARF n. 9 trata exatamente dessa situação. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dessarte, não há a nulidade alegada pela Recorrente no presente processo com relação à notificação do auto de infração. 2.2. Sobre as notas fiscais inidôneas Fl. 3040DF CARF MF 10 Inicialmente, destaco que o presente caso é rigorosamente igual no que tange aos motivos e provas utilizados para o lançamento de tributo e multa, bem como quanto aos argumentos apresentados pela Contribuinte em sua defesa, daquele analisado por meio do Processo n. 11634.000097/200967. Tanto que, em seu recurso voluntário, a própria Contribuinte defendese dos dois processos conjuntamente (fls 2081). Analisando o desfecho do citado processo administrativo, vemos que ele já teve seu mérito apreciado por este Conselho, por meio do Acórdão n. 3403003.630, de relatoria do Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Nesta oportunidade, a unanimidade do Colegiado negou provimento ao recurso voluntário apresentado pela Contribuinte. Por concordar com as razões ali aduzidas com relação à infração "aproveitamento de créditos indevidos baseados em documentos fiscais inidôneos ("notas frias")", abarcando todas as alegações "preliminares" e de mérito apresentadas pela Recorrente sobre esse ponto, adoto alguns dos fundamentos do Acórdão n. 3403003.630 como razão de decidir, com fulcro no artigo 50, §1º da Lei n. 9.784/99, transcrevendoos abaixo: A Recorrente aborda em preliminar o seguinte: i) Observância do artigo 37 da Lei n 9.784/1999 requereu a juntada das declarações de imposto renda dos supostos compradores, alegando que a DRJ olvidou o seu pedido; ii) Devem ser admitidas provas juntadas posteriormente ao julgado da DRJ; iii e iv) existência de fato e de direito das empresas e do ingresso e utilização das mercadorias; v) publicação dos atos administrativos; vi) falta de observância dos artigos 26, 27 e 28 da Lei n 9.784/1999. Pois bem. Muitas das matérias arguidas em preliminar se confundem com o mérito. O processo administrativo tributário é regulado pelo Decreto n 70.235/1972, ao passo que o processo administrativo no âmbito da Administração Federal é regulado pela Lei n 9.784/1999, o que significa dizer que o Decreto n 70.235/1972 é mais específico que a Lei n 9.784/1999 e como tal deve ser interpretado. Ora, a Recorrente alega inobservância do artigo 37 da Lei n 9.784/1999, em preliminar, pleiteando inclusive a nulidade do julgado, requerendo a juntada das declarações de Imposto de Rendas das supostas vendedoras, como se referido processo envolvendo somente a Recorrente fosse possível juridicamente a juntada de documento sigiloso de terceira empresa que, ademais, no presente caso seria completamente desnecessário. Inapropriado, para dizer o mínimo, e destituído de seriedade, o requerimento da Recorrente, que não se compatibiliza com o Decreto n 70.235/1972, sendo despiciendo, e impossível juridicamente de ser cumprido, vez que tal documento se refere ao cadastro formal de outra pessoa jurídica. Por outro lado, quanto às provas juntadas posteriormente, a Recorrente (...) sequer se as provas acostadas em seu Recuso Voluntário se destinam a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (...). Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 255 11 Os itens III e IV da preliminar da Recorrente se confundem com o mérito e com ele serão analisados, sendo que no item V a Recorrente trata da publicidade dos atos administrativos, mais especificamente acerca da declaração de inidoneidade, defendendo que as compradores estavam em situação regular perante o Fisco. Mais uma vez, ainda que o tema seja arguido em preliminar, ele se confunde com o mérito e deve ser com ele analisado. Por fim, a Recorrente, mais uma vez, olvidando o Decreto n 70.235/1972, alega que houve inobservância dos artigos 26 a 28 da Lei n 9.784/1999, pois, segundo seu raciocínio, a Autoridade Julgadora deveria ter deferido o seu pedido para a realização de diligência. Ora, a realização da diligência não é prerrogativa da Recorrente, devendo ser decidido pela Autoridade Julgadora ante as circunstâncias do processo, e o fato é que no presente caso nada autoriza a realização de tal prova, pois a evidência de que a operação de compra e venda de insumos realmente ocorreu se dá documentalmente, mediante a apresentação de provas singelas, sendo desnecessária a realização de diligência, contrariando inclusive o princípio da celeridade processual e da eficiência. Quanto ao mérito, compulsandose os autos, conforme constou no Relatório, verificase que o Auto de Infração referese ao IPI exigido em decorrência da glosa de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados, que foram tomados em operações fictícias de compra e venda. Ou seja, ainda que a empresa existisse formalmente, estando com seus cadastros em dia, a Fiscalização demonstrou, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2219 e seguintes (Volume 12), que a operação não teria ocorrido, não correspondendo a uma compra e venda efetivamente realizada. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal, devidamente fundamentado, descreve a ausência de estrutura das empresas vendedoras, o seu desconhecimento por parte de seus próprios sócios, e, dentre outros robustos elementos, a ausência de transporte por parte da vendedora, que não possui frota própria para entregar a mercadoria vendida para a Recorrente, não tendo nenhuma prova a esse respeito. Nesse aspecto, não posso deixar de ressaltar que a Recorrente foi devidamente intimada a fazer prova da realidade da operação, tendo afirmado que adquiriu os produtos mediante pagamento em pecúnia, sem demonstrar contabilmente e em sua escrituração a ocorrência da operação. A Recorrente alega boafé, que não pode fazer as vezes da Fiscalização, assim como que as empresas vendedoras estavam em situação regular perante o Fisco, daí sua alegação de publicidade dos atos administrativos, porém quando foi intimada a demonstrar a veracidade da operação apresentou somente aspectos formais que não fazem, de nenhuma maneira, prova da ocorrência da compra e venda. O parágrafo único, do artigo 82 da Lei n 9.430/1996, dispõe que o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada Fl. 3042DF CARF MF 12 inapta gerará efeitos contra terceiros quando o adquirente demonstrar o efetivo pagamento do preço e o recebimento dos bens, in verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Em verdade, o parágrafo único, do artigo 82 da Lei n 9.430/1996 constitui condição básica de prova de boafé, sendo, pois, primordial que o adquirente demonstre que: (i) pagou efetivamente pelas mercadorias supostamente adquiridas; (ii) que as recebeu em seu estabelecimento. A Súmula 509, de 26 de março de 2014, do Superior Tribunal de Justiça, é emblemática dessa discussão, que se notabilizou envolvendo o ICMS, sendo que após reiterados julgamentos, o STJ decidiu que a boafé se comprova mediante a veracidade da compra e venda: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda." E a veracidade da compra e venda se demonstra por meio de prova efetiva do pagamento, e.g., transferência bancária, microfilmagem de cheque, depósito bancário e etc., e, cumulativamente, a prova efetiva do recebimento das mercadorias. Ao contrário do defendido pela Recorrente, tais provas são simples, até comezinhas, e são demonstráveis documentalmente, por meio de poucos documentos que espelhem a realidade da compra e venda, não se aceitando, de nenhuma forma, a alegação vazia de que o pagamento ocorreu em espécie. Assim, sem tais evidências básicas da operação, não há que se falar em boafé da Recorrente e muito menos em manutenção dos créditos, pois a conclusão a que se chega é a de que as operações são realmente fictícias, ainda que as empresas vendedoras estejam em situação formal regular perante o Fisco. Aliás, a situação formal regular é o único ponto em que se apóia a Recorrente, que olvida não apenas o abuso da personalidade jurídica das pessoas jurídicas vendedoras, como a própria necessidade do cumprimento da função social do contrato (...) A respeito da função social do contrato, pertine observar que a compra e venda deve corresponder a uma operação verdadeira, e não a um artifício documental realizado para a incrementar créditos fiscais de tributos nãocumulativos, de maneira que o contribuinte possa de forma ilegal reduzir o seu imposto devido ao final do período de apuração. Ou seja, não basta que a Recorrente demonstre que as empresas vendedoras existam Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 256 13 formalmente e, em verdade, sequer materialmente a Fiscalização demonstrou que as empresas vendedoras não existiam de fato, mas sim que as operações realmente são verídicas, caso contrário estarseá lidando com um esquema de fraude adotado para reduzir o montante de Imposto a pagar. Ademais, no processo referente ao IRPJ (11634.000182/200925, Acórdão 1301002.058), lavrado com base nas mesmas considerações tecidas pela Fiscalização a respeito das mesmas notas fiscais inidôneas (provenientes dos fornecedores Construmotta Construções Civil Ltda, CNPJ 06.140.046/000192, e Pedro do Carmo — Madeira, CNPJ 07.839.099/0001 69), a Primeira Seção de Julgamento assim sem manifestou: A escrituração contábil não constitui prova, por si mesma, dos fatos nela registrados, mas tãosomente quando lastreada em documentação hábil e idônea que comprove de forma inquestionável os fatos registrados. Cabe à contribuinte manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das operações que alteraram sua situação patrimonial. Inequívoca é, portanto, sua obrigação em comprovar a aquisição dos insumos utilizados no processo produtivo, assim como os pagamento correspondentes para comprovar a efetividade da operação. Ao identificar vícios na documentação apresentada pela contribuinte como suporte dos custos por ela contabilizados, a autoridade fiscal não admitiu tais notas fiscais como prova e concedeu à contribuinte a oportunidade de apresentar novos elementos. Porém, desprezando tais circunstâncias, a contribuinte não envidou qualquer esforço para apresentação da comprovação dos pagamentos ou do efetivo ingresso das mercadorias constantes das notas fiscais, elementos estes que militariam em favor de sua boa fé. A contribuinte alegou desconhecer as irregularidades fiscais das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo — Madeira, especialmente ante a ausência de declaração de nulidade da inscrição no CNPJ, invocando que teria agido de boafé. No entanto, em momento algum a autoridade fiscal vinculou a dedutibilidade dos custos à regularidade fiscal dos fornecedores, pois a dedutibilidade sempre esteve condicionada à comprovação documental regular, como todas as demais operações que afetam o patrimônio do contribuinte. A redução do lucro seria admitida se o documento, mesmo emitido por empresa considerada inidônea ou inapta, estivesse acompanhado da prova do efetivo pagamento e do recebimento dos bens ou serviços. A questão presente cingese à existência ou não de comprovação das aquisições dos insumos descritos nas notas fiscais emitidas pela Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo — Madeira. Neste sentido, não se está imputando à contribuinte a obrigação de conhecer a regularidade fiscal de seus fornecedores mas tãosomente o ônus de provar que as Fl. 3044DF CARF MF 14 transações comerciais de fato ocorreram. Reiterese que aqui também inexiste qualquer inversão do ônus da prova, mas sim omissão do contribuinte em comprovar a efetivada das aquisições dos insumos constantes das notas fiscais em análise. Desconstituída a eficácia do documento, resta não provada a operação se outros elementos não são apresentados pela interessada. Com relação à declaração de inaptidão, assim dispõe o art. 82 da Lei n° 9.430, de 1996: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento = emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens direitos e mercadorias ou utilização dos serviços." Mesmo que as empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo — Madeira ainda não tivessem à época sido consideradas ou declaradas inaptas, os indícios que evidenciam a inidoneidade dos documentos fiscais embasaram o posterior registro dessa condição no cadastro do CNPJ. Dessa forma, como a interessada deixou de comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, deve subsistir a glosa promovida pela fiscalização. Ratifico igualmente as considerações do Acórdão 1301002.058, encaminhando meu voto no sentido de manter incólume a acusação fiscal no que concerne a impossibilidade de tomada de crédito de IPI referente às notas fiscais inidôneas. 2.3. Desconsideração do direito ao crédito de IPI por aquisições de bens do ativo fixo Foi ainda objeto do recurso o fato de não terem sido considerados pela autoridade lançadora créditos que, no sentir da Recorrente, deveriam ter sido computados e abatidos, decorrentes da aquisições de bens do ativo imobilizado entrados no seu estabelecimento com destaque regular de IPI, registradas nos seus documentos e livros, por força do princípio da nãocumulatividade previsto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988. Em outras palavras, a Recorrente briga contra a glosa, afirmando que amesquinha o princípio da não cumulatividade consagrado constitucionalmente. Com relação aos bens destinado ao ativo permanente, devese afastar de pronto a argumentação da Recorrente, pois tratase de matéria já sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, em enunciado de n. 495, in verbis: A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI. (DJe 13/08/2012) Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 257 15 No RE 491262 AgR/PR, o STF seguiu sua orientação jurisprudencial anterior e negou aos contribuintes a pretensão de utilização de créditos do IPI na aquisição de bens destinados ao ativo permanente e materiais de uso e consumo da empresa. Destaco o seguinte trecho do pronunciamento da Ministra Rosa Weber: Não mais comporta discussão, no âmbito desta Suprema Corte, a matéria acerca da ausência do direito ao creditamento de IPI nas aquisições de bens para integrar ativo fixo e de materiais de uso e consumo. Colho precedentes: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO FIXO OU AO USO E CONSUMO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não admite o creditamento do IPI pago na aquisição de bens que irão integrar o ativo fixo da empresa ou produtos destinados ao uso e consumo. 2. Agravo regimental desprovido.” (RE 451965 AgR, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Segunda Turma, julgado em 20/09/2011, DJe215 DIVULG 10112011 PUBLIC 11112011 EMENT VOL0262401 PP00054) “EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1) EMBARGOS CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. 2) CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI PAGO NA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO FIXO E AO USO OU CONSUMO NO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE: IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (RE 626959 ED, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 23/03/2011, DJe068 DIVULG 08042011 PUBLIC 11042011 EMENT VOL0250002 PP00442) Assim a matéria é tranquila sobre a legalidade e constitucionalidade das limitações ao creditamento estabelecidas pela legislação do IPI, razão pela qual não acolho os argumentos do contribuinte com relação a este item. 2.4. Multa qualificada Cumpre então analisar a questão colocada pela Recorrente sobre a qualificação da multa em 150%. Nesse sentido ela sustenta novamente questões preliminares de nulidade por ausência de contraditório, todas já afastadas nesse voto. Também aponta suposta falta de descrição dos fatos que permitam o agravamento da multa. É tranquila a jurisprudência deste Conselho sobre a necessidade de demonstração da conduta dolosa do contribuinte pela Fiscalização, quando da lavratura o auto de infração, para fins de subsunção aos tipos previstos pelos artigos os artigos. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (sonegação fiscal e fraude). Vale dizer, a ação ou omissão dolosa “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou Fl. 3046DF CARF MF 16 circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”, ou ainda “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, deve ser cabalmente provada pelo Fisco no momento do lançamento tributário. Não há dolo presumido. A fraude ou sonegação tem que sem comprovada. No presente caso, a comprovação de condutas fraudulentas, com a utilização de notas fiscais inidôneas, objetivando a sonegação de IPI encontrase plenamente realizada, como descrito no tópico acima. De fato, a escrituração reiterada de créditos indevidos, decorrentes de operações que não existiram, se enquadra no conceito de fraude, como constatou este Conselho no Acórdão 3403003.630. Assim, entendo que está provado que houve a intenção da Recorrente de praticar o ilícito, tentando ludibriar o fisco, havendo, portanto, motivo claro para qualificação da multa em 150%, conforme dispõe o artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Concluo, portanto, ser devida a qualificação da penalidade aplicada à Recorrente, a qual deve ser mantida no patamar de 150%. 2.5. Multa confiscatória A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 258 17 2.6. Inaplicabilidade de juros equivalentes à SELIC sobre os débitos tributários Por fim, clama a Recorrente pela inaplicabilidade da taxa SELIC sobre os débitos que lhe são exigido. Todavia, a matéria está consolidada pela no CARF, como se depreende da Súmula n. 4, vazada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sem dúvidas, portanto, a respeito da validade do auto de infração quando aplicou a taxa Selic ao débito tributário objeto do lançamento. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por (i) negar provimento ao recurso de ofício; e (ii) negar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto da Ilustre Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz, ressalto minha discordância exclusivamente em relação ao tópico sobre o Recurso de Ofício. Verificase nos autos que o montante exonerado pelo Acórdão recorrido diz respeito à glosa do saldo credor de R$ 4.306.223,02, existente em 01/01/2004, sendo que o motivo utilizado para a reversão da glosa é a decadência do direito do Fisco. Sustenta a Relatora em seu voto que "(...) O saldo credor glosado referese a períodos de apuração (mensais) anteriores a 2004. No caso em questão, como a ciência do auto de infração foi em 20/03/2009, pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I do CTN (já que não há prova nos autos de antecipação parcial do pagamento, bem como há apontamentos sobre a atuação fraudulenta do contribuinte), já havia em 01/01/2009 decaído o direito para a glosa de créditos de IPI". No entanto, neste aspecto discordo do entendimento da relatora. Explico. Fl. 3048DF CARF MF 18 Primeiramente, há que ser ressaltado que não se encontra na legislação tributária federal a existência de norma legal que autorize o reconhecimento de direito a crédito fiscal do IPI, por entradas de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), isentos do IPI, nãotributados ou tributados à alíquota zero, a ser utilizado como abatimento do imposto devido, na apuração periódica, sendo impraticável sua compensação com IPI devido em conta gráfica; a compensação com outros tributos/contribuições federais ou, ainda, a sua restituição ou ressarcimento. Tais créditos são inexistentes. Por fim, quando aos saldos credores de períodos anteriores, apresento os fundamentos que encontramse bem pontuados no Acórdão nº 3402004.139, de 23/05/2017, em voto vencedor prolatado pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que subscrevo as considerações tecidas, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto, ressalvando as adaptações necessárias ao presente caso. Não há que se falar em decadência acerca do direito de o Fisco efetuar glosas de créditos não comprovados no período sob fiscalização sobre o qual não se operou a decadência. Embora se refiram a saldos credores de períodos anteriores, são valores que reduzem o montante de tributo a recolher do período fiscalizado, eis que foram aproveitados pela contribuinte em sua escrita, de forma que ela não pode se furtar a comproválos. Frisese que a fiscalização não exigiu qualquer montante relativo a saldos credores de períodos anteriores, mas tão somente glosou créditos a tais títulos para os quais a contribuinte não cumpriu o seu dever probatório. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de "saldo credor de períodos anteriores”. As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituílo. A vedação desses dispositivos se restringe à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória do AuditorFiscal de apuração do imposto devido no período fiscalizado, nos termos do art. 142 do CTN, na qual se inclui eventuais glosas de créditos aproveitados indevidamente pela contribuinte ou mesmo a reconstituição da escrita fiscal de períodos anteriores. Assim, a atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. As normas veiculadas pelos arts. 150, §4º do CTN e 173 do CTN, determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituílo. A vedação desses dispositivos restringese à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido pela decadência. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso de Ofício, devendo ser mantida a reconstituição dos saldos da escrita fiscal nos moldes postos pela Fiscalização. Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 11634.000093/200989 Acórdão n.º 3402006.617 S3C4T2 Fl. 259 19 É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 3050DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000867/2004-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Compensação Formalizada Antes de 9 de Junho de 2005. Prazo Decadencial.
À compensação formalizada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo decadencial de dez anos contados do fato gerador, conforme a Súmula vinculante CARF nº 91.
Numero da decisão: 1301-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Compensação Formalizada Antes de 9 de Junho de 2005. Prazo Decadencial. À compensação formalizada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo decadencial de dez anos contados do fato gerador, conforme a Súmula vinculante CARF nº 91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO FORMALIZADA ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. PRAZO DECADENCIAL. À compensação formalizada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo decadencial de dez anos contados do fato gerador, conforme a Súmula vinculante CARF nº 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 08 67 /2 00 4- 24 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13819.000867/200424 Acórdão n.º 1301003.974 S1C3T1 Fl. 293 2 Relatório Tratase de recurso interposto por NHÁ BENTA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 05 25.013, da 4ª Turma da DRJ Campinas, que, na linha do despacho decisório da DRF São Bernardo do Campo, negou a existência do direito creditório pleiteado pela recorrente e, em consequência, não homologou as compensações declaradas. A decisão recorrida está sintetizada na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CORRESPONDENTE A SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO PARA UTILIZAÇÃO. É de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, o prazo para exercitar o direito à repetição do indébito. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior nãohomologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Indeferido o direito creditório, não se homologa a compensação. Rest/Ress. Indeferido Comp, não homologada Não resignada, a contribuinte recorreu, alegando que a decisão "...contraria a jurisprudência consolidada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no sentido de que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo prescricional de cinco anos relativo à recuperação do indébito, previsto pelo artigo 168 do Código Tributário Nacional, tem inicio, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento. Desta forma, somente a partir dessa homologação é que começa a fluir o prazo qüinqüenal previsto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional." (fl. 273) Nessa linha de argumentação, disse a recorrente: Assim, em se tratando de tributo cujo recolhimento é efetuado antes do exame, pela Autoridade Administrativa, dos elementos de fato que ensejaram a apuração do valor do tributo e o conseqüente pagamento, o crédito tributário somente se considera extinto com a homologação do lançamento. Não havendo homologação expressa, temse de considerar que somente pelo decurso de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, dáse a homologação tácita e com esta a extinção do crédito correspondente. A partir de então, portanto, é que tem início o prazo extintivo do direito à restituição do indébito, ao qual alude o inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional. (fl. 276) Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13819.000867/200424 Acórdão n.º 1301003.974 S1C3T1 Fl. 294 3 Malgrado o advento do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento, inclusive em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o E. Superior Tribunal de Justiça negou à norma efeito retroativo. Por último, frisou a recorrente que tal entendimento vem sendo amplamente aplicado pelo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com esses fundamentos, pugnou pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A recorrente apresentou declaração de compensação, na qual informara como direito creditório um determinado valor a título de saldo negativo de IRPJ. A DRF SBC, entretanto, não homologou as compensações ao argumento de decadência. Nesse sentido, consta do Despacho Decisório n° 256/2008: Isto posto, proponho que não seja homologada a compensação do débito, pleiteado na citada DCOMP em face da ocorrência do instituto previsto no art. 168 do CTN, bem como seja promovida a sua cobrança. (fl. 60) A ementa do despacho decisório está assim redigida: COMPENSAÇÃO DE COFINS E DE PIS COM SALDO NEGATIVO DE IRPJ Período de apuração: Ano Calendário de 1997 Impossível a compensação, via PER/DCOMP, do saldo negativo de IRPJ relativo a período de apuração encerrado há mais de cinco anos, com débito de COFINS, tendo em vista o art. 168 do CTN. Compensação não homologada A DRJ confirmou esse entendimento. Saldo negativo de IRPJ, na minha ótica, não se caracteriza como indébito, que, por definição, ocorre quando se faz um pagamento que não é devido, ou seja, que não corresponde, no todo ou em parte, a uma obrigação existente e válida. Saldo negativo não se encaixa nessa moldura. Ele é uma das três situações possíveis e normais para os contribuintes que optaram por apurar o IRPJ na sistemática do lucro real anual. Apurado, no fim do período Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13819.000867/200424 Acórdão n.º 1301003.974 S1C3T1 Fl. 295 4 base, um valor a título de saldo negativo, não existe óbice ao exercício imediato do direito creditório (restituição ou compensação) que justifique postergar em cinco anos o termo inicial do prazo de decadência. Ainda que o IRPJ esteja submetido a lançamento por homologação, a existência do saldo negativo independe de qualquer ato administrativo do Fisco. Esse entendimento, todavia, não encontra eco na jurisprudência do CARF, que vê no saldo negativo uma forma de indébito. E, sendo indébito, a ele se aplicaria o entendimento cristalizado na Súmula vinculante 91, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Na esteira da Súmula 91, esta Turma tem, em casos semelhantes, afastado a prejudicial de decadência e devolvido o processo para a DRF de origem, a fim de que lá sejam verificadas a existência e a liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte, expedindose, ao final, um despacho decisório complementar. Dessa jurisprudência são exemplos as seguintes decisões: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1991, 1992, 1993 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ, forçoso reconhecer a pacificação da questão no STJ, no sentido de que os pagamentos indevidos apresentados antes de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05. Com a não consumação da decadência, os autos devem retomar à DRF de origem para a apreciação do mérito. (Acórdão nº 1301003.444, Relator Cons. José Eduardo Dornelas Souza) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF 91 ao caso. (Acórdão nº 1301003.355, Relatora Cons. Amélia Wakako Morishita Yamamoto) No caso concreto, o saldo negativo pleiteado é do ano base 1997. Já a declaração de compensação foi apresentada em maio de 2004. Portanto, dentro do decêndio que é o prazo de decadência fixado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e na do CARF. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13819.000867/200424 Acórdão n.º 1301003.974 S1C3T1 Fl. 296 5 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento, afastando a prejudicial de decadência e determinando o retorno do processo à DRF de origem, a fim de que lá sejam verificadas a existência e a liquidez do crédito pleiteado, assegurandose à recorrente o direito de produzir provas dos fatos alegados. Ao final, deverá ser expedido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito ordinário do processo administrativo. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912429/2016-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.009
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 29 /2 01 6- 03 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.009 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912429/2016-03 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.009 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912429/2016-03 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.009 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912429/2016-03 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.009 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912429/2016-03 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.009 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912429/2016-03 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005252/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA.
Aplica-se a regra do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, para efeito de apuração do período quinquenal de constituição do crédito tributário.
SÚMULA CARF nº 123.
Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO.
Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil.
Numero da decisão: 2401-006.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento
ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
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Aplica-se a regra do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, para efeito de apuração do período quinquenal de constituição do crédito tributário. SÚMULA CARF nº 123. Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 52 52 /2 00 6- 83 Fl. 470DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.005252/2006-83 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração (e-fls. 191 a 195) do Imposto de Renda da Pessoa Física / IRPF, referente aos exercício 2002, anos-calendário de 2001, com fundamento no acréscimo patrimonial a descoberto verificado pela realização de dispêndios com cartão de crédito de sua titularidade no valor total de R$ 366.130,28, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Relatório Fiscal (e-fls.196/200), sendo o valor do crédito tributário (em Reais) apurado está assim constituído: Imposto 90.778,88 Juros de Mora (cálculo até 30/11/2006) 71.742,54 Multa Proporcional (passível de redução) 68.084,16 Total do Crédito Tributário 230.605,58 l Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Ocorreu nulidade/ilegalidade do lançamento em razão de quebra do sigilo bancário, o que só poderia ocorrer em decorrência de determinação judicial em razão do parágrafo único do art.197 do Código Tributário Nacional - Lei 5.172 de 25 de Outubro de 1966; 2) Ocorreu a decadência para os fatos ocorridos de Janeiro a Novembro de 2001, pois o crédito tributário foi apurado mensalmente com base em fatos geradores deste período, e o lançamento se deu em dezembro de 2006, portanto já decorridos mais de cinco anos entre os fatos geradores e a ciência do lançamento; 3) Ocorreu erro na identificação do sujeito passivo, posto que ainda que o impugnante fosse o titular dos cartões de crédito, não pode se revestir na qualidade de sujeito passivo, uma vez que não efetuou os gastos e/ou pagamentos. A utilização dos cartões e a maioria dos pagamentos foram efetuados por seu filho Marco Antonio Sá Failache, o qual possuía cartões de dependente e se responsabilizava pelas compras, inclusive no exterior para sua empresa PRODAM, e respectivos pagamentos (todos efetuados em Macapá, domicílio do dependente e da sua empresa), conforme provas em anexo; 4) Apresenta demonstrativos de compras e/ou pagamentos efetuados por ele mesmo e por seu filho em cada cartão de crédito fiscalizado, baseados nas informações constantes dos extratos ou faturas de cada cartão, e apresenta ainda uma planilha resumo dos demonstrativos e extratos anexados, indicando as despesas realizadas pelo impugnante e pelo Sr. Marco Antonio Sá Failache de julho a dezembro de 2001, fl. 195; 5) Afirma ainda que seu filho ora utilizava o cartão do próprio pai (impugnante), ora o seu cartão como dependente e que, embora alguns extratos não indiquem expressamente as compras realizadas por Marco Antonio Sá Failache, constam expressamente que as compras foram realizadas na PRODEX TRADING Corp. para Marco Failache e que grande parte dos pagamentos foram realizados em agências bancárias de Macapá, onde o Sr. Marco Antonio Sá Failache tem domicílio e é proprietário da empresa PRODAM - CNPJ n°34.869.685/000l-29, também localizada em Macapá, destinatária das compras; 6) Pede pela nulidade do lançamento, ou sua improcedência pelas motivos expostos. Por sua vez, a DRJ/Belém julgou, por unanimidade, procedente o lançamento nos termos a seguir resumidos: Fl. 471DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.005252/2006-83 1) Sobre a alegação de que houve nulidade/ilegalidade do lançamento em razão de quebra do sigilo bancário, os documentos que embasaram a autuação, foram obtidos por meio de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), tendo sido cumpridos todos os requisitos previstos na legislação foram cumpridos; 2) Quanto a arguição do contribuinte de que teria ocorrido a decadência para os fatos ocorridos de Janeiro a Novembro de 2001, em verdade, o valor do imposto devido que prevalece é o apurado na Declaração de Ajuste Anual, que tem por base todos os rendimentos do ano-calendário. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual; 3) Quanto a erro na identificação do sujeito passivo, já que o contribuinte afirma que os dispêndios efetuados por meio do cartão de crédito de dependente, deveriam ser contabilizados na análise de evolução patrimonial de seu filho, para que esta tese prevaleça é necessária a comprovação de que efetivamente quem pagou pelas despesas geradas foi seu filho, sendo devida a apresentação de documentos que comprovem a real saída de capital pertencente ao seu filho; 4) sobre apresentação dos documentos às fls. fls.269/284 e 286/371, considera-se precluso o direito do contribuinte para a apresentação de provas, a serem apreciadas nessa instância de julgamento administrativo tendo em vista que não ocorreu nenhuma das hipóteses de dilação probatória previstas na legislação. Cientificado da decisão do órgão julgador a quo em 26/6/08, conforme e-fls.425, o contribuinte apresentou em 25/7/08, portanto tempestivamente, recurso voluntário (e-fls. 426 a 443) nos termos a seguir resumidos: Das alegações preliminares a) Da nulidade da decisão da DRJ/Belém 1) restou violado a ampla defesa do contribuinte pela não observância do princípio do formalismo moderado, porquanto, o órgão julgador deixou de apreciar provas anexadas pelo recorrente que reforçavam as já existentes, sob a legação de preclusão; 2) que as pessoas físicas não estão obrigadas a arquivarem documentos (salvo os previstos no RIR) e nem possuem a organização contábil que possuem as pessoas jurídicas, e que a maioria dos documentos já tinham mais de cinco anos e estão (ou estavam) em Macapá. Por isso, a dificuldade de reunir e conseguir certos documentos em tempo hábil, para anexar à impugnação, razão pela requereu prazo para apresentação de outros documentos probatórios; 3) que, no decorrer do procedimento fiscal, foi sonegado ao recorrente prazo para produção de provas a seu favor, posto que, em 05/12/2006, o impugnante, para poder atender a intimação de apresentação de documentos, solicitou prorrogação de prazo de pelo menos 30 dias em razão das dificuldades de localização dos mesmos e somente tomou conhecimento do indeferimento do seu pedido no dia 15/12/2006, ou seja, dois dias após o recebimento do lançamento do crédito tributário, que se deu em 13/12/2006; 4) que, em atenção aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, deveria o julgador a quo observar o princípio da formalidade moderada e apreciar as provas anexadas, ainda que posteriormente, pelo recorrente (fls. 269/284 e 286/371); Fl. 472DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.005252/2006-83 b) da decadência quanto aos fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2001 1) que a DRJ/BEL não acatou a decadência de fatos geradores ocorridos nos períodos de janeiro a novembro de 2001, tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 13/12/2006, portanto, decorridos mais de cinco anos do fato gerador, sob o argumento de que, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual; 2) que o próprio lançamento foi constituído dessa forma, ou seja, o crédito tributário foi exigido na data da ocorrência da presumida omissão (mês a mês). Portanto, se a exigência tributária foi constituída mês a mês, é porque o fato gerador ocorreu nesse mesmo período. Se fosse o contrário, a exigência deveria ser apurada apenas no final do ano-calendário; 3) que deve ser reformada a decisão a quo para ser declarado decadente o lançamento quanto ao período de janeiro a novembro de 2001, por estar atingido pelo instituto da decadência, conforme a lei e jurisprudência citada; c) Erro na identificação do sujeito passivo 1) que é costume dos brasileiros emprestarem seu cartão de crédito para atender um pedido de outro brasileiro, principalmente quando se trata de pai e filho, Um costume civil que não exige formalidade, contrato ou autorização legal, porque decorre da confiança e /ou afinidade entre as pessoas; 2) que esse fato foi materialmente provado, pois, os extratos de débitos dos cartões informam expressamente o autor das compras e onde foram efetuados os respectivos pagamentos e que além disso, observem que os pagamentos também foram realizados em agências bancárias localizadas em Macapá-AP, onde o filho do recorrente, Sr. Marco Antonio Sá Failache, tem domicílio, enquanto que o recorrente, por sua vez, mora em Belém-PA; 3) que essa prova foi demonstrada na relação de bancos (fls. 258/261) anexada onde consta o número das agências bancárias de Macapá, onde foram realizados os pagamentos, bastando verificar nas cópias dos extratos que os números das agências onde foram efetuados os pagamentos, correspondem às agências localizadas em Macapá-AP e que, embora não esteja claro na decisão ora combatida, pode-se inferir que o julgador a quo não deixou de reconhecer que os pagamentos foram realizados em Macapá, apenas exigiu que o recorrente provasse que os pagamentos foram efetuados com recursos de seu filho; 4) que, no caso presente, todo o conjunto probatório e indiciário aponta no sentido de que o verdadeiro responsável pelas compras e pagamentos dos cartões de crédito do recorrente era seu filho Marco Antonio Failache (ou da PRODAM LTDA). Por isso, deveria o fisco aplicar a regra prevista no artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, em que, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes; Do mérito 1) que, conforme demonstrativos elaborados com base nas informações constantes dos extratos ou faturas de cada cartão onde fica nítida a responsabilidade de cada um dos usuários, convém esclarecer que a grande parte das compras e/ou pagamentos foram efetuados por Marco Antonio Sá Failache, filho do impugnante, que ora utilizava o cartão do próprio pai, ora o seu como “dependente"; Fl. 473DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.005252/2006-83 2) que, embora alguns extratos não indiquem expressamente as compras realizadas por Marco Antonio Sá Failache, constam expressamente que as compras foram realizadas na PRODEX TRADING Corp. para Marco Failache e ainda, a grande parte dos pagamentos foram realizados em agências bancárias de Macapá-AP, onde o Sr. Marco Antonio Sá Failache, filho do impugnante, tem domicílio e é proprietário da empresa PRODAM (CNPJ n° 34.869.685/0001-29), também localizada em Macapá-AP, destinatária das compras; ' , 3) não obstante, o demonstrativo acima se refira apenas ao período de julho a dezembro de 2001, observa-se que as despesas realizadas pelo recorrente estão compatíveis com sua renda declarada no ano-base de 2001, anexada aos autos e que os demonstrativos foram elaborados somente com extratos de cartões do período de julho a dezembro de 2001, tendo em vista que o recorrente não conseguiu encontrar os documentos relativos ao período de janeiro a junho de 20015, motivo pelo qual solicitou prazo para apresentação dessas provas; Do pedido 1) que seja declarado nulo de pleno direito o presente lançamento, ou declará-lo improcedente pelos motivos expostos nas preliminares. E se assim não entender, que seja reconhecido a decadência do crédito tributário relativo ao período de janeiro a novembro de 2001; 2) que, se superadas as preliminares, no mérito seja julgado improcedente a exigência, ante as provas materiais anexadas, caracterizando erro na apuração do crédito tributário. vi É o relatório. Voto Conselheira MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING, Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 26/6/2008 (e-fls.425), sendo o presente Recurso Voluntário apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 25/07/2008, conforme e-fls.426/443, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 1) Das alegações preliminares a) Da nulidade da decisão da DRJ/Belém O recorrente alega a nulidade da decisão de piso por ofensa ao princípio da ampla defesa uma vez que a DRJ recusou-se a apreciar provas anexadas aos autos após o prazo para a apresentação de impugnação. Para o recorrente, o processo administrativo tem que se pautar no formalismo moderado e da busca da verdade material. Contudo, entendo irreprochável a decisão de piso, uma vez que o momento para apresentação dos documentos que respaldam o direito em que se funda o recorrente é a apresentação da impugnação, ex- vi do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, precluso o direito de fazê-lo em outra oportunidade, salvo quando se tratar de fato ou direito superveniente ou, ainda, que a não apresentação se verifique por impossibilidade ocasionada por motivo de força maior, devidamente caracterizado. Fl. 474DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.005252/2006-83 b) da decadência quanto aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001 O recorrente alega a decadência dos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001 tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 13/12/2006, portanto, decorridos mais de cinco anos do fato gerador, pela aplicação do art. 150, §4º do CTN, tanto que lançamento foi constituído mês a mês de modo que o crédito tributário foi exigido na data da ocorrência da presumida omissão (mês a mês). A DRJ/BEL, por sua vez, considerou que a regra aplicável seria a do art. 173, I, do CTN, tendo em vista que, embora seja exigido o pagamento mensal do IRPF, esse recolhimento constitui mera antecipação do imposto efetivamente devido o qual somente é apurado no momento da entrega da declaração quando é efetuado o ajuste anual. Há que se recordar que a Lei n° 7.713, de 23 de dezembro de 1988, instituiu a apuração mensal do imposto e, com a edição da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, essa apuração mensal passou a ser feita por antecipação, com o fato gerador do imposto sendo complexivo, isto é, o montante real devido somente viria a ser conhecido na declaração de ajuste, após as deduções a que o contribuinte fizesse jus. Sobre fato gerador do imposto, cumpre transcrever lição de Luciano Amaro, em Direito Tributário Brasileiro, 3' edição, Editora Saraiva (págs. 251 e 252): i t “O fato gerador do tributo designa-se periódico quando sua realização se põe ao longo de um espaço de tempo. Não ocorrem hoje ou amanhã, mas sim ao longo de um período de tempo do qual se valorizam 'n' fatos isolados que, somados, aperfeiçoam o fato gerador do tributo. E tipicamente o caso do imposto sobre a renda periodicamente apurada, à vista dos fatos (ingressos financeiros, despesas, etc.) que, no seu conjunto, realizam o fato gerador. Em imagem de que já nos socorremos noutra ocasião, o fato gerador periódico é um acontecimento que se desenrola ao longo de um lapso de tempo, tal qual uma peça de teatro, em relação à qual não se pode afirmar que ocorra no fim do último ato; ela se completa nesse instante, mas ocorre ao longo do tempo, sendo inegável o relevo das várias situações desenvolvidas durante o espetáculo para a contextura da peça (.)" Por outro lado, o imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do CTN, que por oportuno se reproduz: “Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Aliás, esse entendimento está consolidado pela SÚMULA CARF nº 123, a seguir transcrita: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional Fl. 475DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.005252/2006-83 Portanto, sendo complexivo o fato gerador do imposto de renda, o mesmo ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário, sendo aplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, quando houver pagamento antecipado, o que inclui a retenção na fonte. No caso do recorrente, o mesmo apresentou a sua Declaração de Ajuste Anual em 27/04/2002 e sofreu retenção de imposto de renda na fonte para o ano-calendário de 2001 no valor de R$ 2.339,39 (dois mil, trezentos e trinta e nove reais e trinta e nove centavos). Assim, para esse ano-calendário de 2001, o prazo qüinqüenal para constituição de crédito tributário exauriu-se em 31 de dezembro de 2006. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 13/12/2006, não há de se falar em decadência. c) Erro na identificação do sujeito passivo Por entender que, no caso em tela, o erro na identificação do sujeito passivo constitui o mérito da questão, tratamos do assunto a seguir. Do mérito O recorrente argumenta que as compras efetuadas no cartão de crédito de sua titularidade foram efetuadas, na verdade, por seu filho para si ou para sua empresa, ora usando cartão adicional como "dependente", ora usando o cartão do próprio titular. E, para fazer prova dessas alegações apresenta as faturas dos diversos cartões de crédito com a descrição das compras, além de argumentar como prova o fato do pagamento das faturas terem ocorrido na cidade de Macapá onde reside o seu filho e onde está domiciliada a empresa do mesmo. Nesse ponto, não assiste razão ao recorrente. Sobre o tema, o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […]” Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: “Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. “(Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presume-se a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Fl. 476DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.633 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.005252/2006-83 A jurisprudência administrativa, por sua vez, é pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado, conforme Acórdãos emanados do então Conselho de Contribuintes, a seguir colacionados: PROVA A tributação de acréscimo patrimonial não justificado pelo total dos rendimentos auferidos pelo contribuinte, só pode ser elidida por meio de prova em contrário. (Ac. 10612485, sessão de 23/01/2002) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA DOS RECURSOS O afastamento da variação patrimonial a descoberto somente é possível se há prova inequívoca do ingresso dos recursos (Ac.10612203, sessão de 19/09/2001). IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário. (Ac. 10242582, sessão de 12/12/1997). Verifica-se, portanto, que a variação patrimonial a descoberto é matéria cujo ônus da prova foi transferido para o contribuinte, e o que se observa, no caso presente dos autos, é que o contribuinte não consegue elidir a tributação decorrente de APD apurado, uma vez que não faz prova inequívoca de que tais desembolsos foram efetivamente suportados por seu filho e não pelo recorrente. As simples alegações de que as compras foram feitas pelo filho e de que o pagamento das faturas teria sido feito em Macapá, enquanto o recorrente mora em Belém, não são provas hábeis nem suficientes para afastar a tributação, não assistindo, portanto, razão ao recorrente, a quem cabe o ônus de produzir prova inequívoca da inexistência de variação patrimonial a descoberto decorrente da omissão de rendimentos. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING- Relatora Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721720/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012
RAT. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 2.
A alíquota devida ao RAT deve ser apurada de acordo com o Anexo V do Decreto nº 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009. Não incumbe ao CARF afastar a aplicação da indigitada legislação tributária ou promover reclassificação do risco da empresa, por força da Súmula CARF nº 2 e do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 2202-005.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2012 RAT. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 2. A alíquota devida ao RAT deve ser apurada de acordo com o Anexo V do Decreto nº 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009. Não incumbe ao CARF afastar a aplicação da indigitada legislação tributária ou promover reclassificação do risco da empresa, por força da Súmula CARF nº 2 e do art. 62 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 17 20 /2 01 5- 01 Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15504.721720/201501 Acórdão n.º 2202005.207 S2C2T2 Fl. 543 2 Tratase de recurso voluntário interposto por SPL CONSTRUTORA E PAVIMENTADORA LTDA. contra decisão proferida por Auditor Fiscal de Previdência Social vinculado à Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Sorocaba (SP), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança de R$ 183.426,37 (cento e oitenta e três mil e quatrocentos e vinte e seis reais e trinta e sete centavos), em razão do não recolhimento do adicional do SAT para custeio da aposentadoria especial, no período de abril de 2002 a maio de 2003. Em apertadíssima síntese, consta no relatório fiscal (f. 19/20) que a ora recorrente tem sua matriz no Município de Sorocaba, filial no Município de São Paulo e, em ambas, desenvolve como atividade principal a coleta de lixo urbano. Afirma que os Laudos Técnicos de Avaliação Ambiental apresentados para a matriz e para a filial contêm idênticas previsões quanto à descrição de atividades, análise dos principais riscos e recomendações de segurança para os coletores de lixo. Apesar disso, enquanto na matriz houve recolhimento do SAT com base na alíquota de 3%, acrescida de 6% sobre o salário de contribuições dos coletores de lixo, na filial houve apenas o recolhimento de 3%, sem o acréscimo de que trata a Lei nº 9.732/1998. Também não houve recolhimento do adicional quanto aos segurados que exercem as funções de lavador, lubrificador, médico e auxiliar de enfermagem, que, segundo Laudo Técnico, encontrariamse expostos a agentes químicos ou biológicos. Após a apresentação da impugnação foi proferido despacho (f. 371) determinando que o auditor autuante se manifestasse sobre a defesa apresentada (f. 323/325), bem como os documentos que a ela foram acostados (Parecer Técnico, da lavra de engenheiro eletricista e segurança do trabalho f. 326/332 , contendo os seguintes anexos: Análise Médica e ocupacional f. 333/340; documentos produzidos pela ora recorrente f. 341/342; contrato social f. 343/365). Em resposta (f. 404/408), a autoridade fiscalizadora destacou o fato de as condições de trabalho serem idênticas nas unidades de Sorocaba e São Paulo, mas, ainda assim, apenas na matriz ser feito o recolhimento de adicional do SAT quanto aos coletores de lixo. Acrescentou que os PPRA (f. 162/181), LTCAT (f. 182/225) e PCMSO (f. 231/249), que já se encontravam carreados aos autos antes da apresentação da defesa, não trazem quaisquer informações quanto às condições de efetiva utilização dos EPIs ou EPCs, motivo pelo qual não é possível aferir se seriam suficientes para manter a intensidade dos agentes agressivos dentro dos limites legais. Salientou, ainda, que o parecer juntado à defesa (f. 326/332) não faz referência às condições dos EPIs utilizados no período (condições de conservação, higienização periódica e substituições há tempos regulares, vida útil, etc.). Por tais motivos, concluiu pela manutenção do débito em sua totalidade. Conforme já narrado, o lançamento foi julgado procedente (f. 409/413), valendose dos seguintes argumentos: a) A empresa não rebateu o argumento da autoridade fiscalizadora de que, embora os coletores de lixo da matriz e da filial trabalhem em condições idênticas, o recolhimento do adicional de SAT ocorre apenas na matriz; b) O Laudo Técnico (fls. 222), nos itens “k” e “l”, atesta que a atividade desempenhada expõe os trabalhadores a agentes biológicos e químicos. c) Pressupõese correta a inclusão das funções de lavador, lubrificador, médico e auxiliar de enfermagem no rol dos funcionários sujeitos a grau de risco, como constado item 7 do Relatório Fiscal, já que, ao não contestar esse ponto, admite tacitamente a correção do levantamento feito pelo auditor. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15504.721720/201501 Acórdão n.º 2202005.207 S2C2T2 Fl. 544 3 d) A notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes. Notificada quanto à retificação, em 23/10/2008, apresentou a recorrente recurso voluntário, suscitando: Preliminarmente, a) necessidade de concessão de efeito suspensivo ao recurso, com a não inscrição em dívida ativa da cobrança; b) nulidade do processo administrativo, ao argumento de que deveria ter sido feita fiscalização "in loco" para que fosse aferida a efetividade dos EPIs; c) nulidade da NFLD, por vício formal e inadequação dos períodos descritos pelo auditor da previdência social (INSS) quanto às supostas infrações. Quanto ao mérito, a) no quadro “Análise Preliminar de Riscos para Higiene Ocupacional” do PPRA, consta, no momento de sua elaboração, medidas de controle quanto à utilização de EPIs; b) competia ao auditor, no curso da fiscalização, verificar as notas fiscais de aquisição dos equipamentos de segurança e medicina do trabalho, bem como o controle de entrega aos empregados; c) a utilização dos EPIs estaria sob permanente controle da municipalidade; d) inexistiria embasamento legal para estender as condições ambientais da filial à matriz no setor de resíduos sólidos, visto que as condições territoriais e laborais são diferentes; e) os argumentos de defesa são extensivos ao lançamento do adicional quanto às funções de lavador, lubrificador, médico e auxiliar de enfermagem. Sendo assim, os argumentos relacionados ao coletor de resíduos sólidos são aplicáveis às demais funções, que também recebiam EPIs. Pleiteou o cancelamento da exigência fiscal e, em caráter subsidiário, a redução do valor das multas pecuniárias, considerandose a inexistência de qualquer agravante em seu desfavor. Contrarrazões apresentadas (f. 441/445). É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Ausentes questões preliminares, passo à análise do mérito. Em relação ao RAT, temse que o CNAE da empresa (70.20400 – atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica especializada) foi reenquadrado do risco acidentário de grau leve (alíquota de 1%) para o risco acidentário de grau médio (alíquota de 2%), em razão do Decreto nº 6.957/2009, que alterou o Anexo V do Decreto nº 3.048/1999. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15504.721720/201501 Acórdão n.º 2202005.207 S2C2T2 Fl. 545 4 Primeiramente, há de se ter em vista que o recorrente não contestou sua Classificação Nacional de Atividades Econômicas, mas tãosó a alteração da alíquota RAT promovida pelo Decreto nº 6.957/2009, conforme esclarece o relatório fiscal: 15. Analisando as GFIPs transmitidas, verificase que a auditada enquadrouse no código CNAE PREPONDERANTE 70.20400 – Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica, estando de acordo com seu objeto social listado no Estatuto Social vigente no período fiscalizado. 16. Em resposta à solicitação feita pela fiscalização para que a empresa especificasse a atividade por ela exercida (matriz e filiais), foram apresentados o Estatuto e o cartão CNPJ, tendo como CNAE Principal o de número 70.20400. 17. Dessa forma, a empresa confirmou que o código e descrição da atividade econômica principal no qual ela se enquadrou tanto no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ quanto nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP estão corretos. 18. O enquadramento no código da atividade preponderante segundo a Classificação Nacional de Atividade Econômica é, em princípio, de responsabilidade da empresa, conforme preceitua o § 5o do artigo 202 do RPS acima transcrito, e não havendo motivos para que esta auditoria modifique tal enquadramento, foi considerada como atividade preponderante aquela declarada em GFIP pela própria empresa no Campo “CNAE Preponderante” (...). (Sublinhas deste voto.) O ponto nodal de suas razões recursais está na tese de que “(...) o enquadramento da sua atividade em CNAE mais grave afronta o princípio da legalidade, da referibilidade e da finalidade da contribuição” (f. 506). A irresignação da recorrente, portanto, está assentada no enquadramento de sua atividade no risco acidentário de grau médio, em que pese a existência de dados que comprovariam a diminuição de acidentes tanto no âmbito interno do recorrente, quanto em relação às demais empresas de mesmo código CNAE. Ao seu sentir, o Decreto nº 6.957/2009 é ilegal, eis que teria promovido a majoração da alíquota para a atividade sem a devida motivação, desrespeitando a própria finalidade da contribuição. Este Conselho, contudo, não tem competência para se manifestar quanto à ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação tributária, conforme previsão expressa do verbete sumular de nº 2. Não é possível, pois, afastar a aplicação dos dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio no âmbito do contencioso administrativo sob argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Conforme determina o art. 62 do RICARF, é “(...) vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, salvo nos casos em: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei 73 Complementar nº 73, de 1993. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 15504.721720/201501 Acórdão n.º 2202005.207 S2C2T2 Fl. 546 5 Não vislumbro, no caso em tela, a ocorrência de quaisquer das hipóteses supracitadas, de modo a minorar a alíquota incidente sobre atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica (CNA nº 70.20400). Em suas razões, alega a recorrente que teria o col. STJ já teria se manifestado quanto à ilegalidade do Decreto nº 6.957/2009, colacionando jurisprudência nesse sentido. Todavia, o único precedente colacionado (REsp nº 1425090/PR) não estava submetido à sistemática dos recursos representativos de controvérsia, razão pela qual sua observância não é mandatória. Tratase, em verdade, de manifestação quanto a um caso concreto submetido à apreciação daquela Corte Superior, no qual o contribuinte sequer desempenhava a mesma atividade econômica que a ora recorrente (uma vez que, conforme consta da ementa, o autor do processo questionava o aumento da alíquota RAT de 2% para 3%, não de 1% para 2%, como no caso em tela). Não vislumbro possibilidade jurídica de, no âmbito deste Conselho, estender o entendimento exarado na jurisprudência colacionada ao caso em espeque, eis que a decisão não foi proferida na sistemática de recursos repetitivos e sequer trata da mesma atividade empresarial da recorrente. Este Conselho já rechaçou fosse ultimada uma “reclassificação” do grau de risco da empresa, reforçando a necessidade de ser aplicada a alíquota constante do Anexo V do Decreto 3.048/1999. Isto porque, “[a] partir de 01/2010 a alíquota devida ao RAT deve ser apurada em consonância com o Anexo V do Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 6.957/2009, devendo ser objeto de lançamento as diferenças de contribuições apuradas e não recolhidas/declaradas corretamente pelo sujeito passivo” (Acórdão nº 2402 006.734, julgamento em 07/11/2018). Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 546DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.900287/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: Wesley Rocha
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DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 02 87 /2 00 9- 81 Fl. 219DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19740.900287/200981 Acórdão n.º 2301005.407 S2C3T1 Fl. 3 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 221DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19740.900287/200981 Acórdão n.º 2301005.407 S2C3T1 Fl. 4 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, a análise do referido direito creditório contido na declaração deve ser feita de ofício pela autoridade administrativa a que competir a sua revisão. Portanto, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 223DF CARF MF 6 Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907421/2008-27
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que os autos retornem à DRF de Origem, para que essa colacione aos autos a DCTF referente ao período do fato gerador de 31/03/2003, cujo o vencimento era em 30/04/2004 e eventuais retificadoras, se houver e que seja ainda providenciado um despacho circunstanciado esclarecendo se o débito pago a destempo havia sido declarado em DCTF e, em caso afirmativo, quando o mesmo foi declarado pela contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-25T22:30:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-25T22:30:46Z; Last-Modified: 2019-07-25T22:30:46Z; dcterms:modified: 2019-07-25T22:30:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-25T22:30:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-25T22:30:46Z; meta:save-date: 2019-07-25T22:30:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-25T22:30:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-25T22:30:46Z; created: 2019-07-25T22:30:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-25T22:30:46Z; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-25T22:30:46Z | Conteúdo => 0 S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.907421/2008-27 Recurso Voluntário Resolução nº 1003-000.088 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 09 de julho de 2019 Assunto DECOMP - INEXISTÊCIA DE DÉBITO DE MULTA DE MORA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente COMPANHIA ALCOOLQUIMICA NACIONAL-ALCOOLQ Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que os autos retornem à DRF de Origem, para que essa colacione aos autos a DCTF referente ao período do fato gerador de 31/03/2003, cujo o vencimento era em 30/04/2004 e eventuais retificadoras, se houver e que seja ainda providenciado um despacho circunstanciado esclarecendo se o débito pago a destempo havia sido declarado em DCTF e, em caso afirmativo, quando o mesmo foi declarado pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 11-36.831, de 23 de abril de 2012, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do acórdão da DRJ, reproduzo-o abaixo: O contribuinte acima qualificado transmitiu a Declaração de Compensação nº 09382.26352.140404.1.3.049173 em 14 de abril de 2004, onde utilizou suposto crédito de R$ 82.947,18,decorrente de pagamento a maior realizado via Darf de valor R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 07 42 1/ 20 08 -2 7 Fl. 147DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1003-000.088 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.907421/2008-27 238.143,64, em 13 de fevereiro de 2004, referente IRPJ (Cód. 2632 – estimativa), para compensar débitos de PIS (Cód 6912) e de Cofins (Cód. 5856), com vencimentos em 15/04/2004, nos valores de R$ 68.072,14 e de R$ 16.849,19, respectivamente. Cópia da Dcomp está às fl. 06 a 10. 2. Como resultado de procedimento de análise eletrônica da Dcomp, foi expedido o Despacho Decisório nº 804822397 em 07 de novembro de 2008, à fl. 01, homologando parcialmente as compensações declaradas. Foram feitas as seguintes considerações na decisão: 2.1. em relação ao Darf indicado pelo contribuinte como origem do crédito, foi verificado que as parcelas do seu valor abaixo discriminadas foram utilizadas em outros pagamentos: 2.1.1. R$ 155.196,46 – utilizado em Dcomp nº 31722.82176.150304.1.3.046484; 2.1.2. R$ 41.066,32 – utilizado para quitar débito de IRPJ no cód 2632 referente ao fato gerador 31 de março de 2003; 2.2. com isso, restou disponível para ser utilizado na compensação analisada o montante de R$ 41.880,86 (= R$ 238.143,64 – R$ 155.196,46 – R$ 41.066,32), montante este insuficiente paras as compensações pretendidas. 3. Cientificado do despacho decisório em 17 de novembro de 2008, conforme extrato à fl. 03, em 17 de dezembro de 2008 o interessado apresentou a manifestação de inconformidade às fl. 92 a 95, instruída com os documentos às fl. 05 a 91 e 96 a 99, onde argumentou, em síntese: 3.1. a tempestividade; 3.2. não existir o débito de R$ 41.066,32 mencionado no despacho; 3.3. que protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos no Direito, principalmente a juntada posterior de novos documentos, perícias contábeis, inspeções judiciais e outros meios. 4. É o relatório. A 4ª Turma da DRJ/REC julgou a manifestação de inconformidade improcedente, e não reconheceu o crédito informado pela contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. Demonstrada a insuficiência do crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ para compensar os débitos confessados em Dcomp, é devida a homologação parcial da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi intimada do acórdão proferido pela DRJ no dia 24/05/2012 (e- fls.115) e, irresignada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário aos 21/06/2012, conforme razões abaixo sintetizadas: (i) A Recorrente, após revisão interna e anterior a qualquer fiscalização, verificou que não havia efetuado o pagamento do valor principal de R$ Fl. 148DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1003-000.088 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.907421/2008-27 205.334,64, relativo ao IRPJ (código 2362), período de apuração maio/2003, com vencimento em 30/04/2003. E efetuou o pagamento do imposto sem incluir a multa, pagando o principal e juros, beneficiando-se com o instituto da Denúncia Espontânea (art. 138 do CTN); (ii) Declara que o pagamento foi efetuado no dia 13/04/2004 e a DIPJ foi apresentada em 30/06/2004, portanto o pagamento ocorreu antes de qualquer declaração por parte do contribuinte; (iii) Apresenta doutrina e jurisprudência tratando da Denúncia Espontânea; (iv) Por fim, requereu o reconhecimento da integralidade do seu direito creditório e a homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. O presente processo refere-se à Per/Dcomp de nº 09382.26352.140404.1.3.049173, requerendo o reconhecimento do direito creditório de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, data do vencimento 30/04/2003, período de apuração 31/03/2003, no valor de R$ 82.947,19, oriundo de um DARF, data da arrecadação 13/02/2004, no valor de R$ 205.331,64, para compensar débitos de PIS e COFINS, de março de 2004, no valor total de R$ 84.921,33. A compensação não foi homologada, porque a partir das características do DARF objeto do Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizando parcialmente para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior, ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente defendeu inexistir o débito no valor de R$ 41.066,32. Em julgamento na primeira instância administrativa, depois de analisar as informações disponíveis no sistema, a DRJ/REC verificou que o débito de R$ 41.066,32 se tratava de multa de mora por atraso no recolhimento do DARF, fato gerador de 31/03/2003, cujo o vencimento era em 30/04/2004 e o mesmo só foi pago em 06/02/3004. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente destaca que efetuou o recolhimento sem a inclusão da multa de mora em razão do instituto da denúncia espontânea, conforme art. 138 do CTN. Destaca que efetuou o recolhimento antes de qualquer procedimento fiscal e após entrega da DIPJ. Vê-se, pois, que há indícios de ter a Recorrente, de fato, direito a ser beneficiada pela denúncia espontânea, contudo não há nos autos a informação de quando a DCTF do período Fl. 149DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1003-000.088 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.907421/2008-27 foi apresentada. A Recorrente faz menção unicamente a apresentação da DIPJ e silencia em relação a data de envio da DCTF. Na forma regimental (art. 62, § 2º do RICARF), o tema, em tese, não comporta mais qualquer discussão, pois o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, no julgamento do Resp nº 1.149.022/SP, Acórdão de relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 24/06/2010 e cujo trânsito em julgado se deu em 30/08/2010: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção ...). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira ...). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (...) 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. É oportuno destacar a Súmula 360 do STJ: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” Fl. 150DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1003-000.088 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.907421/2008-27 A declaração considerada como confissão de dívida é a DCTF, sendo assim, quando a jurisprudência trata de lançamento por homologação regularmente declarados, trata especificamente da DCTF. A DIPJ, desde o ano-calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida - a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ – Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Em razão disso, é imprescindível verificar nos caso dos autos quando foi a entrega da DCTF e se essa declaração já contemplava o débito de IRPJ pago em atraso discutido nestes autos. Isto posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem e essa colacione aos autos a DCTF referente ao período do fato gerador de 31/03/2003, cujo o vencimento era em 30/04/2004 e eventuais retificadoras se houver. Que seja ainda providenciado um despacho circunstanciado esclarecendo se o débito pago a destempo havia sido declarado em DCTF e, em caso afirmativo, quando o mesmo foi declarado pela contribuinte. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja a contribuinte intimada do resultado da diligência para, querendo, manifestar-se sobre os resultados alcançados. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 151DF CARF MF
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