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Numero do processo: 10425.001354/2002-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2002
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA EM SESSÃO PLENÁRIA DO STF.
Além do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 ter sido declarado inconstitucional em decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 390.840, o mesmo foi revogado pela Lei nº 11.9412/2009, não havendo o que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2002 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA EM SESSÃO PLENÁRIA DO STF. Além do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 ter sido declarado inconstitucional em decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 390.840, o mesmo foi revogado pela Lei nº 11.9412/2009, não havendo o que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA EM SESSÃO PLENÁRIA DO STF. Além do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 ter sido declarado inconstitucional em decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 390.840, o mesmo foi revogado pela Lei nº 11.9412/2009, não havendo o que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 13 54 /2 00 2- 12 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10425.001354/200212 Acórdão n.º 9303003.118 CSRFT3 Fl. 265 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147/2007, em face ao acórdão de nº 20403.133, proferido pela Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que reconheceu, por maioria de votos, a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, para afastar a exigência da Cofins sobre receitas financeiras. Em despacho de fls.252/253, o ilustre Conselheiro Presidente da Quarta Câmara Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Especial da Fazenda Nacional, dando seguimento ao seu regular julgamento. O contribuinte não apresentou suas contrarrazões apesar de regularmente intimado. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e, ao meu ver, atendidas as demais condições de admissibilidade previstas do Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Conforme se infere do relatório, a contrariedade aduzida nos presentes autos se refere à ampliação ou não da base de cálculo da COFINS, às receitas financeiras, em conformidade com a aplicação ou não do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/981, no que se refere aos fatos geradores ocorridos entre setembro de 2000 à setembro de 2002. Considerando que o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 390.840, declarou, em seção plenária, a inconstitucionalidade do §1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, não há que se falar na aplicação de referido dispositivo para incluir à base de cálculo da COFINS, as receitas financeiras, a saber: 1“Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” (Revogado pela Lei n.º 11.941/09) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10425.001354/200212 Acórdão n.º 9303003.118 CSRFT3 Fl. 266 3 “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15 082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Ademais, segundo determinação do inciso primeiro do parágrafo único do artigo 34 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais2, a declaração de inconstitucionalidade realizada em seção plenária do STF deve ser observada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2 “Art.34. Fica vedado à Câmara Superior de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.” Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10425.001354/200212 Acórdão n.º 9303003.118 CSRFT3 Fl. 267 4 Em face do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. Nanci Gama Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002593/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
Ementa: CRÉDITO DE ORIGEM NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Correta a imputação da multa isolada nos casos de pedidos de compensação, quando o crédito informado tem natureza não tributária.
Numero da decisão: 1102-000.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 Ementa: CRÉDITO DE ORIGEM NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa isolada nos casos de pedidos de compensação, quando o crédito informado tem natureza não tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2005 Ementa: CRÉDITO DE ORIGEM NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa isolada nos casos de pedidos de compensação, quando o crédito informado tem natureza não tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente em exercício. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Eduardo de Andrade e João Carlos de Lima Junior. Relatório Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 2 Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao estabelecimento do contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foi lavrado Auto de Infração em que foi lançada Multa Isolada (fls. 176 a 179), no importe de R$ 1.856.402,72 (um milhão, oitocentos e cinqüenta e seis mil, quatrocentos e dois reais e setenta e dois centavos). 2. Tal autuação decorreu de Representação Fiscal da DERAT/SP à DEFIC/SP (fl. 07), tendo em vista que foram consideradas ineficazes as compensações objeto das Declarações de Compensação — DCOMP entregues pela interessada. 3. Em 05/09/2007, a DEFIS/SP lavrou Auto de Infração, em decorrência dos fatos narrados no Termo de Constatação (parte integrante e indissociável do Auto de Infração), que assim descreve, resumidamente (fls. 174 e 175). 3.1. O contribuinte apresentou DCOMP transmitidas por meio do programa PER/DCOMP em 31/08/2004 controlada através do Processo Administrativo (PA) n° 10880.720074/200736, tendo sido o pleito compensatório considerado ineficaz em razão do crédito não ser passível de compensação nos termos da Lei 10.833/2003. 3.2. O contribuinte informa nos PER/DCOMP descritos, no quadro OUTROS CRÉDITOS ORIUNDOS DE AÇÃO JUDICIAL, CAMPO N° DO PROCESSO RESP37056/PR. 3.3. Tratase de Ação de Atentado n° 1.059/57, onde figuram como requerente o espólio de José Teixeira Palhares e outros e como requerido o Estado do Paraná, constatando ter havido condenação deste a devolver a área de 460 Km2 composta de 25 municípios e 4 comarcas; da Ação Ordinária de reivindicação de Terras n° 696/49 e do Recurso Especial n° 37056/PR do STJ. 3.4. Cópia da petição inicial, da decisão proferida pela ação cível n° 35.521 PR pelo antigo Tribunal Federal de Recurso e a certidão narratória sobre os registros do Recurso Especial 37.056/PR do STJ reafirmam que o assunto é estranho ao âmbito das obrigações tributárias; tampouco se vislumbra direito à interessada para proceder à intimação. 3.5. Da decisão administrativa proferida nos autos do processo n° 10880.720144/200594 que não admitiu as compensações requeridas (juntada ao PA que controla este auto de infração), citase: COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. SUPOSTO CRÉDITO OFERECIDO ORIUNDO DE AÇÕES JUDICIAIS RELACIONADAS A POSSE DE TERRAS DENOMINADAS APERTADOS. CONSIDERADA INEFICAZ A COMPENSAÇÃO. É considerada ineficaz desde a origem a compensação em que o crédito oferecido seja de terceiros ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF. Consideradas ineficazes as compensações objeto da Declaração de Compensação. 3.6. Sendo assim, verificase o cabimento de aplicação da multa isolada montante indevidamente compensado, à alíquota de 75% sobre este montante, por tratarse de crédito de natureza não tributária, conforme art. 18, caput e § 2o , da Lei n° 10.833/2003 (texto original) para as DCOMP transmitidas até 29/12/2004, bem como por não se tratar de indébito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, conforme art. 18, caput e § 4o da Lei 10.833/2003 (com alterações dadas pela Lei 11.051/2004 e 11.186/2005) c/c art. 74, § 12, inc. II, da Lei 9.430/96 (com alterações posteriores). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 19515.002593/200751 Acórdão n.º 110200.607 S1C1T2 Fl. 2 3 3.7. Ainda hoje, com o texto da Lei 10.833/2003 alterado pelas lei 11.196/2005 e 11.488/2007, permanece o cabimento de aplicação de multa isolada para o caso de compensação através da utilização de créditos que não sejam referentes a tributos e contribuições administrados pela SRF e de créditos de natureza não tributária. 3.8. A base de cálculo para a multa isolada é o valor correspondente diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, entendido como o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 30, § 1°o , da IN SRF 460/2003. Este montante foi apurado através do valor utilizado nos PER/DCOMP descritos na tabela acima. 3.9. Portanto, o valor a ser lançado de multa isolada por compensação indevida perfaz o total de R$ 1.856.402,72 (75 % X R$ 2.475.203,62). 3.10. Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar a autuação foram: artigo 18 da Lei n° 10.833/03 (com redação dada pelas Leis n° s 11.051/04 e 11.196/05); e pelo artigo 18 da Lei n° 11.488/2007. 4. O contribuinte foi cientificado do teor do referido Auto de Infração em 24/09/2007 (fl. 181) e, dele discordando, em 08/10/2007, por meio de representante legal (fls.189 a 197), impugnouo (fls. 183 a 189), nos seguintes termos, resumidamente. 4.1. Tratase de pedido de compensação de débitos com créditos oriundos do processo judicial n° 696/49, nos termos que tão bem expõem o despacho ora atacado. 4.2. A requerente atravessou momento conturbado em sua administração os últimos anos em parte por culpa de uma recolocação mercadológica que foi obrigada a realizar. A política econômica de fixação de altas taxas internas de juros desencadeou um excessivo aumento da inadimplência, aumentando a necessidade de capital de giro e de ajustes estruturais relevantes, num mercado globalizado, mas absurdamente desigual para as empresas brasileiras. 4.3. Com o objetivo de ver seus débitos sanados, a ora requerente, após várias tentativas de realizar o pagamento em espécie, infelizmente sem êxito, se propôs a receber em cessão uma porção de terras localizadas no Estado do Paraná, porção esta que segundo seu "proprietário", era objeto de uma ação judicial já transitada em julgado. 4.4. Após análise superficial deste processo e de suas certidões, a ora requerente realizou esta transação, acreditando que como o objeto da transação era as terras e não o crédito, uma vez estas terras incorporadas em seu patrimônio, os créditos seriam automaticamente seus, assim não infringindo a instrução deste órgão. 4.5. Para tanto, a requerente apresentou um pedido de HABILITAÇÃO junto à Recita Federal do Brasil, sempre com o objetivo de cumprir a lei, e em paralelo, acreditando que o deferimento deste pedido era questão de tempo, protocolou o pedido de compensação ora indeferido. 4.6. A requerente nada tem a opor em relação a cobrança do valor declarado em DCTF, visto que se trata de impostos já declarados e desta forma não podem mais ser objeto de discussão administrativa. Porém, no tocante a multa aplicada, não pode se curvar a tão injusta imposição, visto que o valor da mesma em muito se Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 4 afasta de um valor tido como justo, mesmo porque após o momento em que em teoria a falta foi cometida, entrou em vigor a Medida Provisória 303 que afastou a aplicação da multa isolada. 4.7. Esta medida entrou em vigor em 29/07/2006, ou seja, após o protocolo das DCOMP indeferidas neste processo, alcançandoas, portanto, em face do princípio da RETROATIVIDADE BENIGNA, já reconhecido pelo Conselho de Contribuintes. 4.8. Desta forma, com a aplicação da MP 303, não há que se falar em multa isolada nos casos não julgados até 27/10/2006, visto ser esta a data em que a MP 303 perdeu sua eficácia, em virtude de não ter sido regulamentada. Traz jurisprudência administrativa em socorro de sua tese. 4.9. Nem mesmo o fato de não ter sido feito o pagamento da dívida reconhecida em DCTF deve ser levado em consideração para a aplicação ou não desta multa, visto que enquanto não se chega não julgamento final deste procedimento, não podia a requerente realizar o pagamento do saldo devedor de sua dívida. 4.10. Desta forma, está disposta a recorrente a recolher aos cofres públicos aquilo que é devido, e por ela reconhecido em DCTF, não podendo, entretanto, compactuar com a imposição da multa isolada, sob pena de ver sua dívida já tão próxima do impagável, se tornar impossível de ser saldada sem levála a um processo próximo do falimentar. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 1625984 negando provimento ao pleito, por entender que a multa tem expressa previsão normativa e, para o caso sob exame, as alterações no texto legal que trata da matéria não implicaram em restrição a sua aplicabilidade. Devidamente cientificada da decisão, a interessada recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 19515.002593/200751 Acórdão n.º 110200.607 S1C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Na defesa apresentada, a interessada admite ter efetuado uma compensação indevida e reconhece a dívida referente aos débitos indevidamente compensados. Contesta apenas a imputação da multa isolada, justamente a questão objeto destes autos. Pleiteia a recorrente a aplicação do princípio da retroatividade benigna em função da alteração efetuada no art. 44, da Lei n° 9.430/96, pela MP n° 303/2006 que, alega, teria excluído a aplicação da multa isolada para os casos como o presente. Confundiuse a interessada. A multa isolada excluída do mundo jurídico pela norma em comento envolvia situações genéricas nas quais o pagamento do tributo era feito com atraso sem que fosse recolhida a pertinente multa de mora. Nessa hipótese caberia, nos termos do dispositivo revogado, a imputação da multa isolada. Tratase de matéria distinta dos autos, motivo pelo qual não procede a alegação suscitada. Em relação à multa isolada objeto do presente, a decisão recorrida fez análise irretocável da questão através das cronologia da legislação pertinente de forma a demonstrar que, mesmo com as alterações na norma que implicaram em restringir o alcance de aplicação da multa, no presente caso ela se mostra corretamente imputável. Lembrando que a compensação foi considerada não declarada em função do crédito ser originado de ações judiciais envolvendo posse de terras e, portanto, ter natureza não tributária e não se referir a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil temse, em resumo (todos os destaques foram acrescidos): Lei n° 10.833, de 29/12/2003: "Art.18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. §lo Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. §2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. (...)". Fl. 248DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 6 Lei n° 11.051, de 29/12/2004: "Art. 4o O art. 74 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Ari. 74. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3° deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros: b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. Io do Decreto Lei n° 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...)• Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) 'Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n" 9.430. de 27 de dezembro de 1996." (.......) Lei n° 11.196, de 21/11/2005: "Art. 117. O art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME Processo nº 19515.002593/200751 Acórdão n.º 110200.607 S1C1T2 Fl. 4 7 •Art. 18. (...) § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: II no inciso II do caput do art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5° Aplicase o disposto no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4° deste artigo'." Lei n° 11.488, de 15/06/2007: 11 Art. 18. Os arts. 3° e 18 da Lei n" 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(...) § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § Io, quando for o caso. § 5° Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2° e 4° deste artigo Verificase, portanto, que a aplicabilidade da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada, quando o crédito for de natureza não tributária, sempre esteve presente na legislação, desde o advento da Lei n° 10.833/2003. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME 8 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN T HOME
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Numero do processo: 12898.000371/2010-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/01/1999
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É um princípio específico do processo administrativo.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu devido o lançamento pela não elisão da responsabilidade solidária e ausência de fiscalização na prestadora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu devido o lançamento pela não elisão da responsabilidade solidária e ausência de fiscalização na prestadora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 03 71 /2 01 0- 01 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Apenso ao processo 12898.000370/201059 , em resumo, a autuação baseia se no fato da Recorrente não ter apresentado à fiscalização os comprovantes de pagamento do débito exigido, como forma de elidirse da responsabilidade solidária. Destaquese ainda que o débito fiscal ora combatido foi apurado por meio de arbitramento, tendo sido ainda acrescido de multa de mora e de juros. Inconformada com a atuação, a Recorrente apresentou impugnação requerendo a anulação do auto de infração sob os seguintes argumentos: (i) Inexistência de fiscalização da empresa contratada para aferir se o débito aqui exigido foi pago ou é objeto de ação judicial; (ii) Impossibilidade de arbitramento da contribuição, que só pode ser aplicado nos casos em que o Fisco não dispõe de meios para conhecer a realidade (e no presente caso bastava a fiscalização da empresa contratada para apurar a verdadeira base de cálculo); (iii) Sucessivamente, a necessidade de redução da multa nos termos da Lei 11.941/2009, que é mais benéfica ao contribuinte, razão pela qual deve retroagir nos termos do art. 106 do CTN. Li o Relatório a quo , compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo na íntegra : Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização AI DEBCAD 37.271.6733 pertinente às contribuições devidas pelos segurados e arrecadadas pela empresa, em substituição às lançadas através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 35.442.2391, anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme Acórdão n° 0807/2005, prolatado pela 2a CAJ Câmara de Julgamento, em 25/05/2005, sob a alegação de vício formal, acarretado pela omissão, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias através de aferição indireta. 2. O valor do presente lançamento é de R$ 30.329,80 consolidado em 12/04/2010. 3. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 13/19, a apuração deuse com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil pela empresa BRAGITEL CONSTRUTORA LTDA, CNPJ 29.204.898/0001 00, uma vez que a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados, a cargo da empregadora, incluídas em notas fiscais e/ou faturas correspondentes aos Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 serviços executados, na forma determinada pela legislação previdenciária. 4. Explica o Autuante que, utilizando da prerrogativa contida nos parágrafos 3° e 6° do artigo 33 da lei n° 8.212/91, arbitrou a base de cálculo das contribuições lançadas, a partir do valor das Notas Fiscais emitidas pela prestadora, adotandose o percentual determinado pela Instrução Normativa n° 971/2009 (40%). 5. Esclarece também o Auditor Fiscal que, por se tratar de lançamento substitutivo de contribuições lançadas em procedimento fiscal anterior, foram considerados todos os documentos apresentados tanto no decorrer da ação fiscal, como no curso do procedimento administrativo de julgamento, tendo sido já consideradas as retificações anteriormente feitas durante o julgamento administrativo do processo anulado. 6. Informa também o Auditor Fiscal que foi aplicada a alíquota mínima sobre os saláriosdecontribuição apurados. D a s I m p u g n a ç õ es 7. Dentro do prazo regulamentar, a notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 24/35, no qual apresenta os argumentos a seguir reproduzidos, em síntese: 7.1. Uma análise cuidadosa da legislação aponta que a existência de solidariedade pressupõe a aferição da efetiva existência do débito cobrado, primeiramente, fiscalizando o devedor principal (contratado). No presente caso, a lógica está invertida.Somente após a constatação de que a contratada deixou de recolher as contribuições é que se poderia exigir da impugnante o tributo devido. 7.2. O interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN é aquele existente entre o sujeito e o fato gerador, o vínculo jurídico. Não se trata, contudo, de qualquer vínculo, mas apenas do vínculo ab origine que os une. 7.3. Cita exemplos, colaciona excertos doutrinários e arestos em abono de suas teses. 7.4. A responsabilidade solidária imputada por aferição indireta somente é cabível como medida excepcional quando a fiscalização constatar que a contabilidade da empresa prestadora não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. 7.5. Entende que, como o Auto de Infração foi lavrado após a edição da MP n° 449/08, o caso é de aplicação da multa prevista na Lei n° 9.430/96, no valor de 0,33 ao dia até o limite de 20% do valor do débito. 7.6. Por fim, pede a procedência da impugnação, protestando por prova pericial e juntada posterior de documentos que eventualmente se façam necessários. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 4 5 8. Regularmente notificada do lançamento, conforme se verifica às fls. 22 a contratada apresentou impugnação ao lançamento (fls. 81/86), na qual aduz os seguintes argumentos: 8.1. Preliminarmente, argui a prescrição, com fulcro no art. 174 do CTN. 8.2. Questiona a inclusão, no Relatório de Vínculos, de presidentes e diretores da contratante, que nenhuma relação tem com a contratada. Nesse contexto, entende que a interpretação da responsabilidade solidária, da forma em que apresentada pelo Auditor Fiscal, é equivocada. 8.3. acosta aos autos cópias das notas fiscais, folhas de pagamento e guias de recolhimento, relativas à competência 01/1999. 9. É o relatório. " DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA No Acórdão n° 1236.758 às fls 151 de 18 de abril de 2011 a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio d e Janeiro I DRJ/RJO I, manteve o débito e referindose ao valor principal R$ 10.623,77 decidiu conforme abaixo: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.271.6730), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário no valor principal de R$ 26.559,43, acrescido de juros e multa moratória a serem calculados na data da liquidação." DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme documento de fls. 166, em 21/11/2011 a autuada interpôs RECURSO VOLUNTÁRIO e reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação. Aduz que às fls 218, despacho registra que: "O contribuintes principal e solidária tomaram ciência do Acórdão n° 1236.757 da 13ª Turma da DRJRJ1 de 18/04/2011 (fls.163/172), conforme Intimações de fls. 175/176. O contribuinte principal apresentou manifestação tempestiva (fls.179/216). A solidária não protocolou manifestação. (..) " É o Relatório Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Na forma do despacho de fls. 218, o recurso é tempestivo. Aduz que se reveste dos pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Na condução do voto, a quo, referindose às impugnações interpostas a primeira instância se manifestou conforme o abaixo: "10. Tendo as empresas solidariamente obrigadas apresentado impugnações que se sobrepõem e/ou se complementam, e considerando que a procedência de qualquer dos argumentos expendidos por uma das impugnantes aproveitará a outra, serão os tópicos suscitados analisados conjuntamente, nomeandose o autor de cada questionamento apenas quando necessário." De plano , considerando a autonomia das partes e as razões que que lhes são próprias, motivo de recursos independentes, ressalto que discordo da forma utilizada pela instância a quo. Solidária seria a obrigação tributária em comento cujos resultados do julgado alcança a ambas e não os recursos os quais entendo devam ser analisados de per si. DAS PRELIMINARES Às fls 05, no Relatório Discriminativo do Débito DD, registra que o período autuado compreendeu somente a competência 01/99 . Também o Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD de fls. 08, referese tãosomente à sobredita competência. Faço destaque para lembrar que o valor do presente lançamento foi consolidado em 12/04/2010. Na condução do voto, o i. Julgador exortando a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, ressaltese, instrução superveniente aos fatos geradores, sublinhou que ali se determina que o auditor deveria ter verificado as informações relativas a empresa contratada, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto. Na oportunidade a instância a quo citando a decisão que anulou a NFLD substituta afirmou que não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora : "24. De acordo com a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007 Anexo II, item 8.4.3, o auditor deverá analisar as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. 25. Conforme as informações constantes da decisão anterior, não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora, o que, por si só, considerando a inexistência de benefício de ordem na solidariedade, autoriza o procedimento na Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 5 7 empresa tomadora, tendo em vista restar afastada a possibilidade de lançamento em duplicidade. 26. Assim, restou comprovado que não houve extinção do crédito pelo pagamento ou sua inexigibilidade decorrente de outro lançamento com o mesmo objeto. " Na verdade, não tendo sido colacionado nos autos o relatório fiscal e o Acórdão que anulou a NFLD substituída, no que se refere ao tema, não há registro algum sobre a contratada ter sido fiscalizada ou não com exame da contabilidade no período anulado. Tivesse havido ou não a fiscalização, mesmos nos dias presentes, nos sistemas conteria registros possíveis de serem copiados e colacionados nos autos para efeito de provas. DA AFERIÇÃO INDIRETA A autoridade autuante revela no item 7 e 7.1 de seu Relatório Fiscal que procedeu lançamento por aferição indireta com respaldo nos § § 3° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/91, cabe ressaltar que embora tenha registrado que o lançamento por aferição indireta teve fulcro , também, no § 6° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, colacionou apenas o comando previsto no 3°. Aduz que na forma do preceituado no § 6º a aferição indireta é procedimento previsto para hipótese de no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento. Na leitura do Relatório Fiscal não se encontra registro desconsiderando a contabilidade ou a autenticidade de qualquer outro documento que a autoridade autuante tenha tido acesso e assim proceder com aferição indireta, verbis:" § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário " DA NECESSIDADE DE AUDITORIA FISCAL NA CONTRATADA Enfrentando a questão em epígrafe, na condução do voto, no item 25, a i. Julgadora exortando a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, ressaltese, instrução superveniente aos fatos geradores, ela mesma sublinhou que ali se determina que o auditor deveria ter verificado as informações relativas a empresa contratada, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto. Na oportunidade a instância a quo citando a decisão que anulou a NFLD substituta afirmou que não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora : "25. De acordo com a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007 Anexo II, item 8.4.3, o auditor deverá analisar as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 26. Conforme as informações constantes da decisão anterior, não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora, o que, por si só, considerando a inexistência de benefício de ordem na solidariedade, autoriza o procedimento na empresa tomadora, tendo em vista restar afastada a possibilidade de lançamento em duplicidade. 27. Assim, restou comprovado que não houve extinção do crédito pelo pagamento ou sua inexigibilidade decorrente de outro lançamento com o mesmo objeto. " A decisão a qual o i. Julgador se refere no item 26 encimado, consta colacionada às fls. 30 e tratase do Acórdão 0001326 que, em 23/05/2005, anulou a NFLD substituída dando origem ao lançamento em comento. Salvo melhor exame, no sobredito acórdão não se fez registro algum de que a contratada tenha sido fiscalizada com ou sem exame da contabilidade no período anulado. Informações concretas sobre ter havido ou não a fiscalização, mesmos nos dias presentes podem ser obtidas mediante simples consulta nos sistemas para em seguida se colacionar para efeito de provas. A respeito do encimado, o art. 37 da lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, preceitua que ocorrendo a existência de fatos e dados registrados em documentos na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício sua obtenção , verbis : "Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. " Anterior a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, a que se refere o i. Julgador , com o mesmo propósito, a portaria SRP/DEFIS nº 018, de 10 de outubro de 2006, embora também superveniente, por conservadorismo, para evitar a nulidade dos lançamentos do gênero em comento, a Administração já houvera determinado que nas ações fiscais as autoridades autuantes verificassem se foram analisadas as informações disponíveis relativas ao devedor solidário, de que não houve ação fiscal com exame de contabilidade contra este e que os créditos referentes a prestação de serviço então tributada não foram objeto de lançamento anterior e ainda que tal cumprimento devesse constar do Relatório Fiscal, vide anexo IV, item 11.4.3 da referida Portaria A essência do que fora determinado na Portaria revela diligente preocupação da Administração e não traz nada de original posto que tal procedimento deveria ter sido sempre praticado. Aduz que não consta do Relatório Fiscal que tais aspectos tivessem sido observados na ação fiscal em comento. A jurisprudência deste Conselho e do STJ pacificou que a autoridade fiscal constatando que se um ou mais dos devedores solidários foi objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deve se absterse de constituir o crédito previdenciário. Cumpre reparar que tal determinação implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora. Na forma do relatório do Acórdão do CRPS colacionado às fls.3o, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, substituída, foi lavrada em 04/03/2002. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 6 9 Isto observado significa que por ocasião da autuação a contratada já teria sofrido ação fiscal anterior à ocorrida na contratante que ora responde como solidária. DAS INSTRUÇÕES E DA JURISPRUDÊNCIA Na condução do voto, no item 31 às fls. 158, o i. Julgador registra que sua motivação teria suporte na Ordem de Serviço INSS/DAF N° 165, de 11/07/1997 que entendeu vigente à época dos fatos geradores , verbis: "31. A matéria é regulada no item 16 da ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF N° 165, de 11/07/1997, vigente à época dos fatos geradores, nos seguintes termos:" Cumpre destacar o equívoco posto que por ocasião dos fatos geradores a OS supra havia sido alterada pela ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998 , cujo art. 21 tratava da elisão da responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil, verbis: " ASSUNTO: Altera a ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF n °165, de 11 d julho de 1997, que estabelece critérios e rotinas para a fiscalização de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica e construção em nome coletivo. (...) 21 A responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil que exerçam atividades relacionadas no Anexo I poderá ser elidida à vista de apresentação de cópia de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa, ou mediante a consulta ao contacorrente de suas contribuições no INSS, nos meses em que houver a prestação de serviço, não se aplicando o disposto no item 16 e subitens 27.1 e 27.2." ANEXO I Atividades não sujeitas a exigibilidade de GRPS específica para isenção de responsabilidade solidária (GRPS GENÉRICA) a) instalação de estrutura metálica; b) instalação de estrutura de concreto armado (prémoldada); c) jateamento de areia; d) impermeabilização; e) obras complementares, em edificações, de: ajardinamento. recreação; terraplenagem; urbanização; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 f) fundações especiais (exceto lajes de fundação “radiers”); g) instalações de: antena; aquecedor; arcondicionado; bomba de recalque; calefação; elevador; equipamento de garagem; equipamentos de segurança e contraincêndio; esquadrias de alumínio; fogão; incineração; playground; sistema de aquecimento a energia solar; telefone interno; ventilação e exaustão. h) colocação de gradis; i) perfuração de poço artesiano; j) sondagem de solo; l) controle de qualidade de materiais; m) montagem de torres; n) locação de equipamentos; o) serviços de topografia. Não tendo registro de que na ação fiscal a autoridade autuante se aprofundara na busca das características dos serviços prestados à luz de cláusulas contratuais devidamente colacionadas, não há como saber se estes se encontram ou inseridos no rol descrito no sbredito Anexo I . Relevante observar que dentre os documentos trazidos à colação pela prestadora dos serviços quando de sua impugnação, às fls 157 e 158, constam as GRPS referidas na sobredita OS 185 supra sendo uma geral da empresa para a competência 01/99 com valor recolhido de R$ 29.734,46, em 10/03/99 e outra para a mesma competência , na mesma data, valor R$ 10.713,92 com destaque de que seria vinculada ao contrato 9601/98. Isto posto, na forma do exigido no art. 21 da ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998 a prestadora teria ilidido a solidariedade. Não tendo havido registro nos autos das providências supracitadas , a jurisprudência deste Conselho concorre para concluir pela nulidade do lançamento, senão vejamos : “ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 11330.000934/200749 Recurso n° 150.621 De Oficio Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 7 11 Acórdão 20601.551 Sessão de 06 de novembro de 2008 Recorrente DRJ RIO DE JANEIRO Interessado PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/05/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFICIO NOTIFICAÇÃO FISCAL E LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. ( grifos do Relator) Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ n° 133.477. ELIAS SAMPAIO FREIREPresidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRARelatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ” “ Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601550 do Processo 11330000897200731 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/11/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÍCIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601548 do Processo 11330000889200794 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÃ CIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601702 do Processo 11330000890200719 04/12/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/03/1996 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não cabe o lançamento por solidariedade na contratante de serviços com cessão de mãodeobra quando constatada a ocorrência de ação fiscal na empresa prestadora, com exame de contabilidade por todo o período abrangido pelo lançamento. Recurso de Ofício Negado.” DO STJ Na forma já pacificada no STJ, recente decisão no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.348.395 – RJ (2012∕02105299) vem de esposar a tese reiterada neste Conselho : " AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.348.395 – RJ (2012∕02105299) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S∕A ADVOGADOS : CARLOS HENRIQUE DA FONSECA MAURO ROBERTO GOMES DE MATTOS NYLSON DOS SANTOS JUNIOR Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 8 13 EMENTA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212∕91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83∕STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212∕91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83∕STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Agravo regimental improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: “A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a), sem destaque e em bloco.” Os Srs. Ministros Herman Benjamin (Presidente), Mauro Campbell Marques, Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3a. Região) e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 27 de novembro de 2012(Data do Julgamento) MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relato DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL SUPERVENIENTE Às fls.09, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, restou consolidado no item 061 a motivação legal para aferição indireta na construção civil onde se utilizaram da Lei 10.256, de 09.07.2001, também posterior aos fatos geradores : Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 " 061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL 061.03 Competências : 01/1998 a 07/1998 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3., 4. e 6.; Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, artigos 50, 52, 53 e 54; " Por fim, é de realce que no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF TEAF a autoridade autuante tenha registrado que dentre os vários documentos listados apenas examinara o Livro de Registro de Empregados mesmo assim sem fazer menção de qual bem como o número de registro do documento. DO ART 112 DO CTN No que concerne ao encimado, embora as circunstâncias tenham alicerçado minha convicção, ainda que por algum motivo reste instaladas dúvidas sobre se a prestadora de serviços fora ou não fiscalizada no período da constituição dos créditos anulados, há que se observar o preceituado art. 112 do CTN com destaque para o inciso II ao abordar justo à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, verbis: " Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; " DAS BASES DE CÁLCULO Embora no item 7.2 do Relatório Fiscal a autoridade autuante revele que pautou os cálculos com base no previsto no art. 336 da Instrução Normativa IN RFB n° 971, de 13/11/09, a instância a quo enfrentou integralmente a matéria na forma do abaixo transcrito sem se posicionar a respeito, verbis: "27. A base de cálculo do presente lançamento foi calculada a partir das notas fiscais/faturas/recibos identificados no Anexo 01 (fls. 27), por ter a empresa contratante deixado de apresentar os elementos elisivos da solidariedade previstos na legislação previdenciária, tais como as folhas de pagamento específicas elaboradas pela construtora erespectivos recolhimentos vinculados à obra." DO PERÍODO FISCALIZADO. DA BASE DE CÁLCULO E DA INSTRUÇÃO SUPERVENIENTE Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 9 15 O período autuado se restringiu à competência 01/1999, entretanto, no item 7.2 do Relatório fiscal , às fls 16, aduz que para calcular as remunerações pelo método de aferição indireta se aplicaram norma superveniente aos fatos geradores, verbis: 7.2 As remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos foram calculadas com a aplicação, sobre o valor total das notas fiscais/faturas/recibos, dos percentuais previstos no art. 336 da Instrução Normativa IN RFB n° 971, de 13/11/09, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, abaixo transcrita, conforme demonstrado no anexo 01 a este relatório. IN RFB n° 971 de 13/11/09: " Art. 336. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços." Às fls.08, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD restou consolidado no item 061 a motivação legal POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL onde se utilizaram da Lei 10.256, de 09.07.2001, também posterior aos fatos geradores : "061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL 061.03 Competências : 01/1999 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3., 4. e 6.; Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, artigos 50, 52, 53 e 54; " DAS NOTAS FISCAIS A autoridade autuante às fls 20, montou planilha com os números das notas fiscais pelos valores totais , valores estes que foram tomados como base de cálculo, mas não colacionou cópias das mesmas para comprovação Tal fato , por si, ensejaria nulidade por falta do elemento material probante. Entretanto, compulsando os autos, referindose às prestações dos serviços em comento, a prestadora quando interpôs impugnação de fls 92, juntou as referidas notas fiscais emitidas para a contratante TELECOMUNICAÇÕES DO RIO DE JANEIRO S/A . Embora isso, as supracitadas notas não trazem discriminados o tipo de serviço e não indica se se no todo contêm valores de materiais utilizados . DOS CONTRATOS E DA AUSÊNCIA DE PROVAS No que se refere aos contratos, na mesma encimada planilha a autoridade autuante registra os números dos mesmos , entretanto , à exemplo do que fizera com as notas Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 fiscais, não os trouxe à colação para comprovação dos objetos contratuais para dar efetiva demonstração de que trataramse de obras de construção civil bem como se houvera ou não empreitada total com fornecimento de material. DA ADMINISTRAÇÃO E DA REVISÃO DOS ATOS O dever de a Administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, está expresso no artigo 53, da Lei 9.784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado. Dessa forma o administrador é obrigado a buscar não só a verdade posta no processo como também a verdade de todas as formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo ficar restrito somente ao que consta no processo. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 permite constatar que a nulidade do ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação . DO ART. 142 DO CTN Aduz que no comando do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN , o legislador determinou cumprir com clareza a motivação do lançamento, verbis: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000371/201001 Acórdão n.º 2403002.882 S2C4T3 Fl. 10 17 “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Apenso ao processo, por conexão, 12898.000370/201059, julgado nesta mesma sessão, temse que o decisium deste tem idêntica conclusão daquele Em razão de tudo que foi exposto, não há como corroborar sustentável o lançamento posto que eivado de VÍCIOS INSANÁVEIS. Desse modo , por economia processual, sequer adentro o mérito. CONCLUSÃO Desse modo, conheço do Recurso para em PRELIMINAR determinar a nulidade por VÍCIO MATERIAL . É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10845.721083/2011-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/04/2011
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/04/2011 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 10 83 /2 01 1- 57 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ em Fortaleza (CE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/04/2011 REGISTRO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. MULTA. A retificação de registro sobre carga transportada, após o prazo legal para prestar informações sobre ela, confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 5 4 A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo legalmente fixados, é obrigação acessória autônoma, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, razão pela qual não lhe é aplicável a denúncia espontânea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/04/2011 NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 foi regularmente inserida no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida por seus destinatários por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: · Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; · Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; · Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; · Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; · Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; · Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 9 8 a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu § 3o que a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no § 3o , do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 10 9 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 11 10 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 12 11 Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifo nosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 13 12 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 14 13 alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 3801004.813 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11610.000668/99-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/03/1998
RESTITUIÇÃO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO EXIGIDA PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO.
Sendo o benefício concedido pela Lei nº 9.493/97 uma simples isenção objetiva, e não condicionada à destinação do bem, o requerimento para a sua fruição deve ocorrer no curso do despacho aduaneiro a teor do art. 134 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. Não sendo observado o procedimento regulamentar, inexiste direito à fruição da isenção, e, consequentemente, pagamento a maior de IPI-Importação a justificar a restituição pleiteada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 3201-001.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO - Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
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IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO EXIGIDA PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. Sendo o benefício concedido pela Lei nº 9.493/97 uma simples isenção objetiva, e não condicionada à destinação do bem, o requerimento para a sua fruição deve ocorrer no curso do despacho aduaneiro a teor do art. 134 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. Não sendo observado o procedimento regulamentar, inexiste direito à fruição da isenção, e, consequentemente, pagamento a maior de IPIImportação a justificar a restituição pleiteada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 06 68 /9 9- 16 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN. Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA (INCORPORADORA DE POWERWARE BRASIL LTDA), doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 4.234, de 25/06/2004, proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório DRFCHU/SAORT de 23 de janeiro de 2004 (fls. 40), que aprovou os termos do Parecer DRFCHU/SAORT 008/04 (fls. 37 a 39), por meio do qual foi indeferido o pedido de restituição do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, recolhido por conta do processamento do despacho para consumo da mercadoria importada através da Declaração de Importação DI e 98/02049220 (fls. 16 a 20). O contribuinte em questão registrou a referida Declaração de Importação em 06/03/1998, classificando mercadorias no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8504.40.40, próprio para "Equipamento de Alimentação Ininterrupta de Energia Elétrica", descrevendoas como "No break estático, Profile (diversos) e Prestize (diversos)", cujas mesmas teriam direito à isenção do IPI concedida pela Medida Provisória MP nº 1.508, de 20.06.1996, convertida na Lei nº 9.493, de 10/09/1997. Na ocasião do registro da respectiva declaração de importação (DI), o despacho foi conduzido de forma aleatória para o canal verde de conferência, ocasionando seu desembaraço automático, vez que por esta modalidade de processamento do despacho aduaneiro não se realiza a verificação documental e física das mercadorias importadas. O importador, então, baseado na supracitada lei e na classificação tarifária utilizada na declaração de importação, pleiteou a restituição do 1PI recolhido na ocasião do seu registro. A autoridade a quo indeferiu o pleito haja vista que a concessão do beneficio da isenção de IPI era condicionada A. Nota 33 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.000668/9916 Acórdão n.º 3201001.892 S3C2T1 Fl. 361 3 contida na mencionada norma legal, que determinava a não utilização do aparelho classificado na posição tarifária NCM/TIPI 8405.40.40 nas máquinas da posição 8471 (Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições). Se a isenção tivesse sido pleiteada quando do registro da DI em causa, oportunizaria a autoridade fiscal responsável solicitar a produção de prova necessária no intuito de demonstrar que a respectiva importação preenchia as condições para usufruir o referido beneficio fiscal. No entanto, o pedido foi formalizado depois de desembaraçada a mercadoria, sem que o importador houvesse trazido quaisquer elementos probatórios, tal como um laudo pericial, o que impossibilitou aferir se o bem importado era passível de usufruir ou não da isenção do IPI. A autoridade a quo defende que in casu não se trata de isenção condicionada destinação de uso e sim de isenção objetiva, em que a exceção prevista tratase de vedação para isenção de "no breaks" que por suas características funcionais e técnicas possam ser empregados em equipamentos da posição 8471 da TEC/TIPI. Cita a Decisão SRRF/8 RF/DISIT Nº 201, de 06/09/2000 referente a um processo de consulta onde a própria interessada, questionando o assunto, obteve como resposta que o direito à isenção pleiteada deve ser examinado no momento do despacho aduaneiro com base em laudo técnico ou outros elementos que instruam o despacho. Por não ficar provado que o aparelho importado não seria de utilização nas máquinas da posição 8471, a referida autoridade indeferiu o pedido de restituição. A contribuinte inconformada com o indeferimento apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 45 a 50, instruída pelos documentos de fls. 51 a 98, alegando em síntese que: 1 Que as mercadorias importadas não foram utilizadas nas máquinas da posição 8471, juntando o documento de fls. 97 com vista a comprovar o alegado; 2 Que mesmo que não tivesse provado a destinação das mercadorias o fisco não poderia inviabilizar a concessão da isenção, pois a mesma classificou corretamente a mercadoria e a fiscalização nada opôs. Se a fiscalização tivesse alguma dúvida, a competência para analisar e designar técnicos era dela no momento do despacho, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 69/96; 3 Que pela impossibilidade de comprovação por parte do fisco das condições objetivas previstas na norma para concessão da isenção, é de se aplicar o art. 111 do CTN no sentido de interpretarse literalmente a legislação que disponha sobre Fl. 362DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 isenção, não obstando a aplicação da norma que concede a isenção. 4 Por fim, requer seja reconhecido o direito à isenção e o crédito de IPI recolhido indevidamente na importação em tela, bem como do direito a compensar com débitos de IRPJ, exercício de dezembro de 1999. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ/FNS, para prosseguimento (fls. 99). A instância a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 06/03/1998 Ementa: RESTITUIÇÃO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO EXIGIDA PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. Para que seja concedida isenção, há que ser feita prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Solicitação Indeferida Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado ao conselheiro Tarásio Campelo Borges, seguindo o rito regimental. Em 17/10/2007, o colegiado da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes houve por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 130.794, determinandose que a autoridade administrativa competente: a) intimasse a Recorrente a apresentar, no prazo de cinco dias, dilatado até o dobro mediante comprovada justificação, documentos que comprovem a relação entre Exide Electronics Microlite Ltda. e Exide Electronics do Brasil Ltda., bem como entre Saturnia Hawker Sistemas de Energia Ltda. e Saturnia Sistemas de Energia Ltda.; b) solicitasse ao Instituto Nacional de Tecnologia, com ônus financeiro suportado pela Recorrente, laudo técnico sobre a adequação ou não das mercadorias descritas nas duas primeiras adições da Declaração de Importação 98/02049220, registrada no dia 6 de março de 1998, às máquinas da posição NCM 84.71; c) emitisse juízo de valor acerca dos resultados das providências solicitadas. Em decorrência da resolução acima, a Recorrente apresentou petição (efls. 181/223) na qual esclareceu e provou, por meio da ficha de breve relato da Junta Comercial do Estado de São Paulo, a relação existente entre a EXIDE ELETRONICS MICROLITE LTDA e a EXIDE ELETRONICS DO BRASIL LTDA (efls. 209218), bem como o fez para a Fl. 363DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.000668/9916 Acórdão n.º 3201001.892 S3C2T1 Fl. 362 5 SATURNIAHAWKER SISTEMAS DE ENERGIA LTDA e a SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA (efls. 197 e 218). Posteriormente, a Recorrente apresentou nova petição (efls. 232/333), agora com o laudo do INT e as cópias autenticadas dos documentos societários mencionados na ficha de breve relato da Junta Comercial do Estado de São Paulo. Em 23/04/2009, a autoridade preparadora emitiu seu juízo acerca dos resultados das providencias solicitadas (efls. 337/338). Transcrevese abaixo o trecho final do despacho: O contribuinte foi novamente intimado através da Intimação DRF/SOR/SEORT n° 0369/2009 — CD (fl 289) a enviar laudo autenticado ou apresentar os respectivos originais relativo à adequação ou não das duas primeiras adições da Declaração de Importação 98/02049220 as máquinas da posição NCM 84.71. Enviou copia autenticada do mesmo Parecer relacionado a Resolução n° 30301.251 (fls 293 a 308), sendo que declara tratarse documento relacionado a Resolução n° 30301.377 (fl 291). De todo o exposto e considerando que o contribuinte não enviou o laudo técnico solicitado e não há documentos comprobatórios de que os no breaks importados por intermédio da DI 98102049220 não tenham sido utilizados para máquinas da posição 84.71 nos parece que o contribuinte não faz jus ao crédito pleiteado. Com relação às empresas envolvidas a documentação enviada esclarece a respeito de todos os eventos ocorridos. Sendo assim proponho que a recorrente tenha ciência da presente informação e após prazo de 5 (cinco) dias para manifestação, contados da ciência desta informação, este processo retorne à Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. A Recorrente respondeu à informação fiscal, reconhecendo que o laudo apresentado não correspondia à Resolução nº 130.794. Desse modo, requereu o envio deste processo administrativo ao INT, a fim de elaborar novo laudo técnico que abarcasse os no breaks em discussão neste caso específico (efls. 339/342). Em 05/04/2010, o INT expediu o Ofício nº117 relatando à repartição fiscal de origem que, segundo a Recorrente, não haverá mais necessidade de realização de perícia nos equipamentos, uma vez que a empresa optou por inserir o débito objeto desse processo administrativo do Ministério da Fazenda no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009 (efl. 347). Regularmente intimada a apresentar à repartição de origem (i) copia do requerimento de adesão ao parcelamento de que trata a Lei no 11.941/2009, e (ii) comprovação de que foi apresentado o requerimento de desistência do recurso administrativo do presente processo em conformidade com a Portaria Conjunta PGFNRFB n°13 de 19 de novembro de Fl. 364DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 2009, a Recorrente apresentou nova petição, desta vez para negar a adesão ao parcelamento especial em comento, razão pela qual requereu o encaminhamento do processo ao CARF. Com efeito, em 15/06/2010, a autoridade preparadora novamente manifestou, por meio da informação fiscal (efls. 357358), juízo sobre o direito creditório alegado pela Recorrente, nos seguintes termos: De todo o exposto, considerando a desistência por parte da interessada da realização da perícia e a não comprovação da adesão ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009 nos parece que o contribuinte não faz jus ao crédito pleiteado e que deve ser efetuada a cobrança do débito objeto de compensação neste processo. O processo foi mais uma vez remetido ao CARF para ser distribuído e sorteado, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudino O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. As questões de fundo que precisam ser superadas para que possa ser avaliado o pedido de compensação da Recorrente são a natureza da isenção prevista na Lei nº 9.493, de 1997, e a sua aplicação aos no breaks vinculados à Declaração de Importação (DI) 98/02049220, registrada em 06/03/1998. Confirase o que dispõe a referida lei sobre essa isenção, in verbis: Art. 1º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, relacionados em anexo, importados ou de fabricação nacional, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas. O anexo a que se refere o dispositivo transcrito lista, entre outras mercadorias, as classificadas na posição NCM 8504.40.40 – Equipamento de alimentação ininterrupta de energia (UPS ou no break), consignando, ao seu lado, a nota 33 com o seguinte teor: “exceto para máquinas da posição 8471”. A dúvida no tocante à natureza da isenção é relevante em razão do momento em que se daria o seu reconhecimento: se for uma simples isenção objetiva, caberia à Recorrente têla requerido no momento do despacho aduaneiro, nos termos do art. 134 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985 (RA/85); por outro lado, se for uma isenção vinculada à destinação dos bens, o art. 145 do referido diploma legal estabelece que o benefício ficaria condicionado à posterior comprovação do emprego dos bens Fl. 365DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.000668/9916 Acórdão n.º 3201001.892 S3C2T1 Fl. 363 7 nas finalidades que motivaram a concessão, devendo essa comprovação ocorrer, a depender do caso, com o auxílio de assistência técnica. A autoridade responsável pelo despacho decisório entendeu que a isenção em tela é simplesmente objetiva, pois a exceção contida na nota 33 já mencionada não restringe o uso dos no breaks, e sim esclarece que a isenção não se aplica aos no breaks próprios para uso em computadores e outros artigos de informática. Já a Recorrente alega que o legislador concedeu a isenção para todos os no breaks destinados a outras máquinas não classificadas na posição 8471. A interpretação que melhor parece se coadunar com a realidade é aquela refletida no despacho decisório, ou seja, tratase de uma simples isenção objetiva para no breaks outros que não aqueles próprios para uso em artigos de informática. Nesse contexto, o procedimento adotado pela Recorrente não observou o disposto no art. 134 do RA/85, não sendo procedente a sua alegação de que os bens importados ao amparo da DI nº 98/02049220 estariam beneficiadas pela isenção da Lei nº 9.493, de 1997. Como a referida lei concedia isenção para bens nacionais e importados, uma vez caracterizada a procedência estrangeira dos bens, a Recorrente deveria ter atentado para as normas atinentes às obrigações aduaneiras. Consequentemente, o crédito alegado pela Recorrente não existe, não havendo embasamento legal para deferir a restituição pleiteada. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 366DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722752/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
INTIMAÇÃO. ORDEM DE PREFERÊNCIA.
Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica.
RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1402-001.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. O Conselheiro Paulo Roberto Cortez acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ORDEM DE PREFERÊNCIA. Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. O Conselheiro Paulo Roberto Cortez acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 27 52 /2 01 2- 11 Fl. 5322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.323 2 Relatório CAOA Montadora de Veículos S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Brasília/DF, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S.A. para exigir IRPJ e CSLL referentes aos anos calendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, no valor total de R$ 1.095.000.479,45. Nos referidos lançamentos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte a prática de (1) exclusão indevida do lucro líquido, a título de “crédito outorgado de “ICMS”; e (2) falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada, em função de balanços de suspensão ou redução. 1. Da acusação de exclusão indevida do lucro líquido, a título de “crédito outorgado de “ICMS” A autoridade fiscal lavrou, em 17/04/2012, o Termo de Início do Procedimento Fiscal, por meio do qual foram solicitados, entre outras, as seguintes informações: a) esclarecer a retirada das doações e das subvenções para investimento do cômputo do lucro real, informando a natureza, o valor e o tratamento contábil/tributário dispensado a elas; b) informar os valores tomados a título de financiamento de acordo com o Programa PRODUZIR do Estado de Goiás, apresentando cópia dos documentos relacionados; c) informar os valores utilizados a título de crédito outorgado de ICMS, segundo autorização legal emanada pelo Estado de Goiás, apresentando cópia dos documentos relacionados. Em resposta, sobre a exclusão do lucro real dos valores concernentes a “doações e subvenções para investimento”, a Fiscalizada informou: “(...) 1.2 A exclusão dos valores relativos às doações e subvenções para investimento, quando da determinação do lucro real se deu com fundamento no art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, combinado com o que dispõe a Lei n° 11.941/2009, art. 18; 1.3 O tratamento contábil dado às doações e subvenções para investimento foi o previsto no art. 18 da Lei n° 11.941/2009.” A partir da análise conjunta da escrituração das contas de Receita de Incentivos Fiscais, extraída da contabilidade digital da Fiscalizada e das DIPJ, o agente fiscal constatou que a pessoa jurídica excluiu da apuração do Lucro Real (a título de doações e subvenções para investimento) os valores concernentes ao crédito outorgado de ICMS e ao crédito presumido de IPI. Fl. 5323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.324 3 Com relação ao crédito presumido de IPI, o assunto foi tratado em outro MPF, cujo resultado foi materializado nos processos administrativos nºs 13116.722101/2011 41 e 13116.722102/201195. Informou também a autoridade fiscal que o crédito outorgado de ICMS utilizado pela contribuinte surgiu com a Lei Estadual n° 14.800, de 08 de junho de 2004 e está previsto no art. 2°, inciso II, alínea “l”, e §§ 18 a 22 do caput, e nos artigos 2°A e 2°B da Lei Estadual n° 13.194, de 26 de dezembro de 1997. Posteriormente, o mencionado benefício denominado crédito outorgado de ICMS foi revogado, a partir de 1º de agosto de 2008, pela Lei Estadual n° 16.286, de 30 de junho de 2008. Entretanto os contratos já celebrados e em vigor à época da revogação do benefício permanecem vigentes, conforme Lei Estadual n° 13.194/1997. Prosseguindo, assevera o agente fiscal: “27. A condição para o uso do crédito outorgado de ICMS está prevista no § 18 do art. 2° da Lei Estadual n° 13.194/1997: § 18. Somente pode ser beneficiário dos créditos previstos na alínea ‘l’ do inciso II do caput deste artigo o industrial que: I tiver aprovado seu projeto junto ao Conselho Deliberativo do Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás CD/PRODUZIR e que, após o término da fase préoperacional, fabricar pelo menos 30.000 (trinta mil) veículos por ano e gerar mais de 1000 (mil) empregos diretos ao término da implantação do projeto; II celebrar termo de acordo de regime especial com a Secretaria da Fazenda, para tal fim. 28. O mesmo texto transcrito acima foi previsto no § 14 do art. 11 do Anexo IX do Regulamento do CTE. 29. A fruição do crédito outorgado de ICMS foi prevista na cláusula quarta do Termo de Acordo de Regime Especial – TARE n° 0126/04GSF, de 23 de setembro de 2004 (a cópia do instrumento consolidado foi juntada às folhas nos 3.316 a 3.327): Cláusula quarta. A ACORDANTE pode creditarse de montante equivalente: I – a aplicação do percentual de: a) 92,53% (noventa e dois inteiros e cinqüenta e três centésimos por cento) sobre o valor do imposto devido, relativo à parte não incentivada pelo PRODUZIR, nas operações incentivadas por esse programa; b) 98% (noventa e oito por cento) sobre o valor da receita de operação não incentivada pelo PRODUZIR, decorrente da saída de veículos automotores e de suas peças e partes importados do exterior, inclusive por meio de “trading company”, e destinados à comercialização; Fl. 5324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.325 4 II – (...) (...) 30. De acordo com o Razão das contas de Receita de Incentivos Fiscais, o crédito outorgado de ICMS utilizado pela Contribuinte durante os anoscalendário 2008 a 2010 está previsto nas alíneas “a” e “b” do inciso I da cláusula quarta do TARE n° 0126/04GSF. (...) 31. Mais adiante o referido TARE prescreve: Cláusula décima quarta. A ACORDANTE se compromete a implantar a unidade industrial especificada no preâmbulo deste regime especial, aplicando na construção, instalação e aquisição de maquinaria e equipamento os recursos advindos da celebração deste termo de acordo, conforme cronograma físico e financeiro constantes dos anexos deste termo de acordo. Parágrafo único. A utilização do crédito outorgado sem o correspondente cumprimento do cronograma físico e financeiro implica a perda do benefício relativamente ao mês dessa ocorrência e no ressarcimento, imediato, deste valor ao Tesouro Estadual. 32. Há dois pontos a serem ressaltados a respeito do que dispõe a cláusula décima quarta transcrita acima: I) o TARE n° 0126/04GSF, além do crédito outorgado de ICMS, trata também dos recursos provenientes do PRODUZIR (ver cláusulas primeira a terceira), concernente ao financiamento previsto no art. 20 da Lei Estadual n° 13.591, de 28 de janeiro de 2000 (cópia da Lei foi juntada às folhas nos 2.777 a 2.797 – cópia do respectivo Decreto n° 5.265/2000 foi juntada às folhas nos 2.798 a 2.895); II) em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, a Fiscalizada informou que “não existem cronogramas vinculados aos TARES, os cronogramas encontramse inseridos nos respectivos projetos do Produzir” (folhas nos 3.364 e 3.365). 33. A Fiscalizada apresentou cópia do contrato de mútuo previsto no art. 20, inciso X, da Lei Estadual n° 13.591/2000, referente ao Programa PRODUZIR (folhas nos 4.041 a 4.051). A cópia do respectivo termo aditivo foi juntada às folhas nos 4.052 a 4.055. Da leitura dos mencionados documentos, depreendese que os recursos serão utilizados como “reforço do seu capital de giro”. 34. A cópia do projeto vinculado ao Programa PRODUZIR, a que se refere o art. 15, inciso I, da Lei Estadual n° 13.591, de 18 de janeiro de 2000, apresentado pela Contribuinte, foi juntada às folhas nºs 4.056 a 4.168. A cópia do requerimento de readequação do projeto foi juntada às folhas nos 4.169 a 4.241. Fl. 5325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.326 5 35. Da análise do projeto original e de sua readequação, observase que os recursos provenientes do Programa PRODUZIR serão utilizados como reforço do capital de giro. Constatase ainda que não existe qualquer referência aos recursos vinculados ao crédito outorgado de ICMS. 36. Concluise, portanto, que os cronogramas integrantes dos projetos vinculados ao Programa PRODUZIR em nada vinculam os recursos provenientes do benefício denominado crédito outorgado de ICMS. 37. E ainda, observase que o valor dos investimentos previstos no projeto de readequação é bem inferior ao valor financiado pelo Programa Produzir (folhas nos 4.230 a 4.233). Para constar, a Fiscalizada apresentou cópia das auditorias realizadas pela Gerência de Controle de Incentivos Fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás quanto aos investimentos previstos no projeto vinculado ao Programa PRODUZIR (folhas nos 4.242 a 4.307). (…) 40. Os recursos provenientes do benefício fiscal denominado crédito outorgado de ICMS não se enquadram como subvenção para investimento, pois lhe faltam dois dos três requisitos necessários para caracterizálos como tal: I) a intenção do subvencionador (Poder Público) de destinálos para investimento, representada pela estrita VINCULAÇÃO e SINCRONIA dos recursos com as aplicações em bens e direitos, AJUSTADAS por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; II) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. 41. Não houve o cumprimento do requisito descrito no item I do parágrafo anterior, porque não foi apresentado qualquer instrumento que impusesse à Contribuinte a obrigatória vinculação dos recursos recebidos aos investimentos previstos, em evidente sincronia. 42. Também não foi cumprido o segundo item, pois, conforme planilha constante do projeto de readequação do Programa PRODUZIR (folhas nos 4.230 a 4.233), todo o investimento previsto será realizado com recursos não provenientes do benefício denominado crédito outorgado de ICMS e não provenientes do financiamento do Programa PRODUZIR (destinado a reforçar capital de giro). 43. Além de não cumprir os requisitos enumerados acima, o crédito outorgado de ICMS possui características que impedem definitivamente sua classificação como subvenção para investimentos: Fl. 5326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.327 6 I) de acordo com os parágrafos nos 25 e 27 acima, o benefício não possui limites de tempo e de valor para fruição pelo beneficiário; está condicionado apenas à existência de um projeto aprovado pelo CD/PRODUZIR, à confecção de um Termo de Acordo firmado com a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás e a metas de produção; II) conforme parágrafo n° 25, a Lei Estadual n° 16.286/2008, que revogou o benefício, manteve os TARES em vigor; III) consoante parágrafos nos 32, 35 e 36, os recursos obtidos a título de crédito outorgado de ICMS são de livre utilização pela Contribuinte, pois o projeto do PRODUZIR não vincula a utilização dessa receita, os cronogramas desse projeto não fazem referência ao benefício e não existem cronogramas relacionados aos TARES firmados com a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás; IV) os valores auferidos a título de crédito outorgado de ICMS ultrapassam em muito os investimentos previstos no projeto do PRODUZIR (com previsão de serem realizados com recursos próprios), no valor de R$ 282.267.741,46 (folha n° 4.230), consoante se observa da leitura da planilha abaixo (ver folhas nos 99, 158, 191 e 4.328): AnoCalendário Valor do Crédito Outorgado de ICMS Usufruído Até 2007 R$ 207.276.692,77 2008 R$ 303.366.033,20 2009 R$ 456.160.437,07 2010 R$ 598.825.482,40 TOTAL R$ 1.565.628.645,44 Nesse contexto, concluiu a autoridade fiscal que o benefício do crédito outorgado de ICMS não é subvenção para investimento e que os recursos recebidos a esse título não poderiam ser excluídos do Lucro Real. Assim, procedeu o agente fiscal à glosa da citada exclusão, com fulcro no art. 443 do Decreto n° 3.000, de 1999, e nos arts. 15 a 18 e 21 da Lei n° 11.941, de 2009. 2. Da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada, em função de balanços de suspensão ou redução Ressaltou a autoridade autuante que, como o crédito outorgado de ICMS não preenche as características de uma subvenção para investimento, não podendo ser excluído da apuração do lucro real, também não pode ser excluído da apuração da estimativa mensal. Assim, o agente fiscal aplicou a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL com fulcro no art. 44, inciso II, alínea “b”, combinado com os artigos 2° e 28, todos da Lei n° 9.430, de 1996. A respeito, informou o autor do feito que, em outro procedimento fiscal (processo administrativo n° 13116.722101/201141), referente aos anos de 2007 a 2010, foi apurada omissão de receitas em face da Fiscalizada. Fl. 5327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.328 7 Esclareceu, então, o AuditorFiscal que ao seguir a metodologia de cálculo da estimativa por meio balanço ou balancete de suspensão ou redução, o valor que deve ser considerado na apuração da multa isolada é a omissão acumulada até o mês de referência (período de apuração). Informou, por fim, o agente fiscal que, no cálculo da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL, foi deduzido aquele valor já lançado no aludido procedimento fiscal, que gerou o citado processo n° 13116.722101/2011 41. 3. Da responsabilidade solidária Ressaltou o autor do feito que cabe precipuamente aos administradores a regular condução dos negócios da Pessoa Jurídica, valendose dos seus poderes de gerência, vigilância e fiscalização. No caso, houve infração à lei (1) omissão de rendimentos apurada no procedimento que gerou o processo n° 13116.722101/201141; e (2) exclusão indevida do lucro líquido, da receita correspondente ao benefício denominado crédito outorgado de ICMS por cuja observância deveriam os administradores zelar. Concluiu o agente fiscal, com espeque no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que os diretores à época dos fatos geradores devem ser alçados à condição de responsáveis solidários com a Fiscalizada em relação ao crédito tributário de que trata o presente processo administrativo, quais sejam: Carlos Alberto de Oliveira Andrade, Emanuelle Carmesette do Ó Andrade e José Rodrigues Seara. Assim, o autor do feito fiscal lavrou os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 217/222) em face dos citados administradores. Cientificados dos referidos Termos de Sujeição Passiva Solidária, conforme AR de fls. 5.070/5.072, os mencionados diretores não apresentaram impugnação. Cientificada dos lançamentos, e irresignada, a pessoa jurídica autuada apresentou a impugnação de fls. 5.075/5.124, por meio da qual, apoiandose em doutrina de Humberto Ávila e Leonardo Freitas de Moraes e Castro, sustenta, em síntese, o que segue. (1) A caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: a) a destinação de recursos, como transferência de capital, pelo subvencionador (necessariamente o Poder Público), com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social. (2) Os incentivos fiscais recebidos do Estado de Goiás, como estímulo à implantação e expansão de empreendimento industrial, possuem a natureza jurídica de subvenção para investimento, estando fora da incidência do IRPJ e CSLL. (3) As referidas subvenções para investimento foram corretamente contabilizadas em subconta "Reserva de Lucros", atendidos os requisitos de não distribuição do valor das subvenções para investimento e não restituição aos acionistas de capital integrado pela incorporação daquelas subvenções. Fl. 5328DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.329 8 (4) As subvenções para investimento não estão restritas à aquisição de bens ou direitos destinados ao ativo fixo. (5) As condições e prazos da subvenção constituem condição suspensiva à aquisição de sua livre disponibilidade pelo seu beneficiário, não havendo como fazer incidir IRPJ ou CSLL enquanto pendente tal condição. (6) Tratandose de subvenção para investimento, o valor do crédito outorgado de ICMS compõe o valor de investimento, conforme apontado nos projetos. (7) Não há qualquer exigência legal sobre perfeita sincronia cronológica entre a subvenção recebida e seu efetivo investimento. (8) A jurisprudência atual do CARF adota um conceito de subvenção para investimento mais próximo daquele obtido por meio da interpretação literal dos dispositivos legais da matéria (artigos. 38, do DecretoLei n° 1.598/77, 443, do RIR/99, 18 e 21, da Lei n° 11.941/09), passando a considerar apenas e tão somente o propósito de quem transfere os recursos como requisito fundamental à caracterização do instituto. O ato do registro do valor nesta ou naquela conta contábil passa a ser questão secundária. (9) Externam esse entendimento os Acórdãos nºs 10705.912, 10193.716, 9101 00.556, 110300.555, 120200691 e 110100661. (10) Anteriormente à Lei n° 11.638/07 era exigida a contabilização dos valores da subvenção para investimento na conta de "Reserva de Capital". No entanto, com a supressão dessa determinação pela revogação da alínea "d", do § 1o, do artigo 182, da Lei n° 6.404/76, veio a lume a Lei n° 11.941/09, a qual disciplinou a nova forma de tratamento contábil e fiscal da mencionada rubrica, agora mantida em conta de "Reservas de Lucros", mas sem qualquer prejuízo ao benefício de exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (11) No que se refere ao prazo para destinação das subvenções para investimento, entendese que, na omissão da legislação federal, sobre prazos em geral, eventuais valores remanescentes de subvenção para investimento, devidamente contabilizados, somente poderão ser oferecidos à tributação caso o prazo para entrega do projeto, nos moldes delineados pelo Estado, tenha expirado. (12) No caso dos autos, o incentivo fiscal é o denominado Programa PRODUZIR, que consiste no financiamento de parcela do ICMS e na redução do valor remanescente, mediante o recebimento de créditos outorgados, como estímulo ao desenvolvimento regional, segundo as condições estabelecidas nas Leis Goianas n°s 13.591/00 e 13.194/97, às normas contidas nos artigos 443, do RIR/99, e 18, da Lei n° 11.941/09. (13) No caso presente, o requisito da transferência de capital, com a intenção expressa de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, está integralmente preenchido, pois é a própria Lei n° 13.591/00, em seus artigos 1o e 2o, que define expressamente a intenção e o objeto da subvenção praticada, atrelandoos ao objetivo de estimular a implantação e expansão de empreendimentos no setor industrial do Estado de Goiás. (14) Já a Lei n° 15.124/05, estabeleceu as condições e prazos (15 anos) para aplicação do capital transferido, ou seja, a subvenção vinculada ao programa PRODUZIR. Fl. 5329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.330 9 (15) Em atenção ao princípio da eventualidade, a impugnante assevera, sob a ótica da suposta necessidade de existência de contrapartida entre a concessão do benefício fiscal e os atos da autuada, que a manutenção do benefício previsto no Programa PRODUZIR está estritamente vinculada ao projeto de investimento, ao cumprimento de seu cronograma físicofinanceiro, além de exigências outras como o volume mínimo de produção superior a 30.000 (trinta mil) carros/ano e a geração de mais de 1.000 (mil) empregos diretos, salvaguardando a sua natureza única e indissociável de subvenção para investimento, consoante dispõe o § 18 do art. 2º da Lei Estadual nº 13.194/97. (16) Não é verdadeira a premissa constante do Relatório Fiscal de que "os valores auferidos a título de crédito outorgado de ICMS ultrapassam em muito os investimentos previstos no projeto do PRODUZIR (com previsão de serem realizados com recursos próprios), no valor de R$ 282.267.741,46 (folha n" 4.230)". (17) Afirma a impugnante: “(...), o valor mencionado referese, no projeto original de implantação do empreendimento industrial, ao investimento previsto em bens e direitos do ativo fixo adquiridos com recursos próprios da Recorrente. Esse valor foi majorado para R$ 582.924.236,23 (quinhentos e oitenta e dois milhões, novecentos e vinte e quatro mil, duzentos e trinta e seis reais e vinte e três centavos) fl. 4.227, no projeto de readequação. Tratandose de subvenção para investimento, o valor do crédito outorgado de ICMS compõe o valor de investimento, conforme apontado nos projetos (fl. 4.227), a ser realizado em até 15 (quinze) anos, limitado a 31 de dezembro de 2020 e ao valor total de R$ 3.902.850.000,00 (três bilhões, novecentos e dois milhões, oitocentos e cinquenta mil reais), conforme Cláusula Primeira, parágrafo único e Cláusula Décima Oitava do Termo de Acordo de Regime Especial TARE n° 162/04 GSF (fls. 3.316 a 3.327). A Recorrente está autorizada, até tal data limite, a receber a subvenção e realizar todos os investimentos a ela vinculados. Se não o fizer, deverá devolver os recursos não investidos ao Estado de Goiás, conforme se depreende da previsão contida no parágrafo único, da Cláusula Décima Quarta, do TARE n° 162/04 GSF, momento em que, caso efetivado este evento, serão oportunamente reconhecidos como receita ao longo do período necessário para confrontar com as despesas que a subvenção pretende compensar.” (18) As condições e prazos da subvenção constituem condição suspensiva à aquisição de sua livre disponibilidade pelo seu beneficiário e, portanto, não satisfaz o seu interesse lucrativo, mas, sim, os fins públicos que motivaram o seu pagamento. Enquanto pendente esta condição suspensiva, não há como considerar tais valores como passíveis de subsunção às normas que delimitam as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (cita precedente do CARF). Fl. 5330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.331 10 (19) A autuação implica em interferência na política de renúncias fiscais concedidas pelo Estado de Goiás, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (20) A incorporação do valor renunciado pelo Estado de Goiás à base de cálculo dos tributos federais acarreta um desfalque em seu valor numérico, na medida em que uma parcela das importâncias renunciadas será repassada aos cofres da União Federal. Essa interferência, por parte da União, na competência tributária privativa do Estado de Goiás, representa uma afronta à garantia Constitucional do Pacto Federativo, no que tem sido rechaçada pelo Poder Judiciário (cita precedentes). (21) Transferência de capital não configura renda ou receita, não havendo como fazer incidir IRPJ ou CSLL. (22) É vedada a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas depois de encerrado o respectivo anocalendário e realizados os fatos geradores do IRPJ e da CSLL (cita precedentes do CARF). (23) É vedada a cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL com a multa de ofício pelo não recolhimento dos tributos em comento (cita precedentes do CARF). (24) A multa aplicada foi definida em patamar desproporcional e confiscatório, em total descompasso com as orientações legais e constitucionais aplicáveis (cita precedentes judiciais). (25) A aplicação de multa tem como função apenas a punição ao contribuinte pelo descumprimento de determinada obrigação, e não a de efetuar a recomposição do Erário (cita entendimento doutrinário). (26) É ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3o e 161, do Código Tributário Nacional, e 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95. (27) Não foi comprovada, na autuação, a atuação dolosa ou culposa de cada diretor, devendo ser cancelada a responsabilidade solidária dos mesmos. (28) Caberia à autoridade fiscal demonstrar, por meio de provas robustas e de fundamentação fática e jurídica, a presença de abuso de poder por parte das pessoas físicas. (29) A impugnante legitimamente acreditou, como acredita, estar diante de provada subvenção para investimento, com comprovação de todos os requisitos legais exigidos para tanto, tendo mantido tais subvenções em subconta de "Reserva de Lucros". Portanto, todos os indícios e provas concorrem para demonstrar que a impugnante agiu conforme a lei e seus estatutos sociais, quando excluiu as referidas subvenções para investimento da base tributável do IRPJ e CSLL. É o Relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 03 51.937 (fls. 5.1525.176) de 26/04/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 5331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.332 11 Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o ano calendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, em que o lançamento é constituído em face da pessoa jurídica na condição de contribuinte e dos administradores na condição de responsáveis, a irresignação quanto à responsabilidade solidária dos administradores deve ser apresentada por meio de (1) petição conjunta da contribuinte com os responsáveis; (2) petição própria de iniciativa de cada um dos administradores da pessoa jurídica; ou (3) petição conjunta dos referidos administradores. A impugnação apresentada pela pessoa jurídica, em que sustenta a ilegitimidade da inclusão dos seus administradores no polo passivo da relação jurídica tributária, não merece ser conhecida, por lhe faltar legitimidade Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Descaracterização. Incentivos Fiscais. Crédito Outorgado de ICMS. Inexistência de Vinculação. Descaracterização. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.333 12 determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.” Dessa decisão, a interessada foi cientificada em 24/05/2013 (A.R. de fl. 5.182). Em 30/07/2013 foi lavrado termo de perempção, fl. 5.183, com efeitos a partir de 26/06/2013, por haver transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, sem que a interessada tenha apresentado recurso à instância superior. Contra a aludida decisão, a interessada interpôs recurso voluntário em 22/07/2013 (fls. 5.1855.249, termo de juntada à fl. 5.184) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação, acrescentando argumentos sobre a tempestividade do recurso na forma analisada no voto do presente Acórdão, a seguir apresentado. É o relatório. Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.334 13 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Síntese da lide Tratam os autos de lançamentos a título de IRPJ e CSLL referentes aos anos calendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, contra a pessoa jurídica CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S.A. De acordo com a autoridade fiscal, a empresa fiscalizada foi autuada em decorrência do exame das operações referentes aos benefícios fiscais de crédito outorgado de ICMS, cujos valores não foram oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL. Imputou a fiscalização que a recorrente teria praticado as seguintes infrações: 1) exclusão indevida do lucro líquido, a título de “crédito outorgado de “ICMS”; e 2) falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada, em função de balanços de suspensão ou redução. Em suma, teria havido contabilização equivocada, digase como subvenção para investimento (regulamentado pelo art. 443 do RIR/99), tendo o referido benefício, no sentir dos autuantes, características de subvenções correntes para custeio ou operação (regulamentado pelo art. 392 do RIR/99). Irresignada, a empresa apresentou impugnação alegando as questões de mérito sintetizadas a seguir: (i) que o caso é de subvenção para investimento e que o valor do crédito outorgado de ICMS compõe o valor do investimento; (ii) que é vedada a interferência da União Federal em matéria privativa dos Estados; (iii) que é ilegal a aplicação da multa de oficio, por ser confiscatória e desproporcional, e da multa isolada por ausência do recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, por concomitante com a multa de oficio pelo não recolhimento do tributo; (iv) que não cabe a incidência de juros de mora sobre a multa lançada de oficio; e por fim, (iv) que não haveria responsabilidade pessoal dos diretores da pessoa jurídica autuada. Registrese que os diretores da pessoa jurídica autuada foram devidamente intimados da autuação, porém não apresentaram impugnação à imputação de sujeição passiva solidária responsabilidade pessoal, nos termos do art. 135, III, do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente. Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.335 14 Na seqüência, a empresa apresentou defesa alegando em preliminar a tempestividade do seu recurso e, no mérito, reproduzindo argumentos de sua impugnação. Da de tempestividade do Recurso Voluntário. Alega a recorrente que, por se tratar de “processo administrativo digital” e por possuir Termo de Opção, assinado e validado para a utilização do Domicilio Tributário Eletrônico, a intimação quanto ao resultado da decisão de primeira instância somente poderia se dar por meio eletrônico. Nesse sentido, defende a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado, já que dentro do interstício legal, quando contado a partir da ciência por meio eletrônico. Com efeito, entendo que o argumento da recorrente não tem fôlego para inquinar o julgamento em seu favor. Consta dos autos a intimação, por via postal, com ciência da parte interessada em 24/05/2013 (A.R. de fl. 5.182), conforme atesta a própria defendente em seu recurso voluntário à fl. 5.186, in verbis. “... Contrariamente a esta obrigação, neste caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Anápolis/GO, data maxima venia, por equívoco, utilizouse da modalidade de intimação postal, enviada pelos Correios, que foi recebida pela Recorrente em 24.05.2013, como atestado pelo Aviso de Recebimento (AR) acostado aos autos, bem como pelos demais responsáveis solidários em datas aproximadas. ...” Destaquese, por oportuno, que essa intimação foi enviada ao endereço postal fornecido pela empresa, para fins cadastrais, à administração tributária. Como se vê, quanto à ciência da interessada, ocorrida em 24/05/2013, não há qualquer dúvida ou discussão. Resta, para o deslinde do caso, a análise quanto a possível benefício de ordem das intimações. Sobre o tema, vale notar que a partir da edição da Lei nº. 11.196/2005, que inseriu o § 3º no artigo 23 do Decreto 70235/1972, os meios de intimação não mais comportam benefício de ordem. Vejase os dizeres do artigo 23 do referido Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 5335DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.336 15 III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos à ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifo nosso) Fl. 5336DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.337 16 Pelo dispositivo acima, depreendese que entre as intimações pessoal, postal e eletrônica não existe ordem de preferência, podendose, assim, utilizarse de uma ou outra forma indistintamente. Apenas a intimação por edital é que só deve ser empregada quando resultar improfícua qualquer uma das outras modalidades de intimação (pessoal, via postal ou por meio eletrônico). Além disso, “para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo [...] o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária” (art. 23, §4º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972). Cabe salientar que no presente caso a intimação postal foi a forma utilizada em toda tramitação do presente processo (vide fls.5068 a 5069, 5070 a 5072, 5182), tendo inclusive a empresa apresentado sua impugnação após sua devida intimação na modalidade postal. Nesse sentido a jurisprudência uníssona deste CARF, vejamos: Acórdão nº 2202002.253, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/2ª Seção INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Não existe ordem de preferência entre as intimações pessoal, postal e eletrônica e, portanto, resultando improfícua qualquer uma dessas modalidades de intimação, a autoridade administrativa está autorizada a fazer uso de edital para notificar o contribuinte. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972. Acórdão nº 1402001.411, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/1ªSeção VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. INEXISTÊNCIA DE PREFERÊNCIA ENTRE OS MEIOS DE CIÊNCIA. DESNECESSIDADE DE ESGOTAMENTO DOS MEIOS DE INTIMAÇÃO. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita pela via pessoal, postal ou eletrônica, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Ademais, conforme redação do artigo 23, parágrafo 1º do Decreto nº. 70.235, de 1972, é válida e eficaz a intimação por edital, quando resultarem improfícuos um dos meios de intimação pessoal, postal e eletrônica. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. O Processo Administrativo Fiscal não prevê a hipótese de intimação do sujeito passivo no endereço de seus advogados. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Tratandose de intimação por edital , o recurso voluntário deve Fl. 5337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.722752/201211 Acórdão n.º 1402001.944 S1C4T2 Fl. 5.338 17 ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação, no domicílio tributário informado à Receita Federal, conforme determina o artigo 23, inciso III, parágrafo 1º, item II, do Decreto nº. 70.235, de 1972, há de se ratificar a perempção. Recurso Voluntário não conhecido. Portanto, intimado o contribuinte pela via postal sem divergência de identificação, no domicílio tributário informado à Receita Federal, conforme determina o artigo 23, inciso II c.c. § 4º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, há de se ratificar a perempção apontada no termo de fl. 5.183. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado, por ser esse intempestivo. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 5338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 35462.001570/2005-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
NORMAS GERAIS. EMBARGOS. ADMISSIBILIDADE. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. NÃO ACOLHIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão.
No presente caso, o prazo para interposição de embargos extrapolou o determinado nas regras regimentais, motivo de seu não conhecimento.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 9202-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos, por intempestividade. A Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral o Dr. Leandro Bettini Lins de Castro OAB/DF Nº 34515, patrono do recorrido.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 NORMAS GERAIS. EMBARGOS. ADMISSIBILIDADE. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. NÃO ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. No presente caso, o prazo para interposição de embargos extrapolou o determinado nas regras regimentais, motivo de seu não conhecimento. Embargos Rejeitados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos, por intempestividade. A Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Bettini Lins de Castro OAB/DF Nº 34515, patrono do recorrido. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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EMBARGOS. ADMISSIBILIDADE. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. NÃO ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. No presente caso, o prazo para interposição de embargos extrapolou o determinado nas regras regimentais, motivo de seu não conhecimento. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos, por intempestividade. A Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Bettini Lins de Castro OAB/DF Nº 34515, patrono do recorrido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 2. 00 15 70 /2 00 5- 87 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 907DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35462.001570/200587 Acórdão n.º 9202003.623 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração, fls. 0733, opostos pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, Delegado (DRF), contra acórdão, fls. 0720, que deu provimento ao recurso especial do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS IMUNIDADE COTA PATRONAL. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. AUXILIO SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS PELO ESTADO. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. A prestação de serviços médicos por entidade privada, utilizandose da estrutura Hospital Público do próprio Estado, não caracteriza promoção de assistência social beneficente, nos termos do inciso III, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, capaz de assegurar a fruição da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, o que somente seria viável na hipótese de utilização de meios próprios da entidade. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Francisco de Assis Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio César Vieira Gomes. Entende a embargante, em síntese, que: 1. Ocorreu a preclusão temporal, por intempestividade, para apresentação de recursos, quanto à decisão terminativa do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS); 2. Devido a cassação da imunidade, contida neste processo, o Fisco lavrou lançamentos de alto valor contra o sujeito passivo; 3. Não houve a divergência, para admissibilidade de recurso especial; 4. Solicita a correção das omissões citadas. O relator, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, responsável pelo voto vencedor quanto aos requisitos para admissibilidade do recurso especial (tempestividade e divergência), base dos questionamentos dos embargos, e vencido quanto ao mérito, motivo do Fl. 908DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 provimento do recurso, analisou as duas questões, fls. 0841, e opinou pelo não conhecimento dos embargos. O Conselheiro, em sua análise, ressaltou a necessidade de opor embargos, somente devido à contradição na redação da ementa, pois a redação leva a crer que o acórdão negou provimento ao recurso, quando, na verdade, o acórdão deu provimento ao recurso. O Presidente da Turma não homologou a posição do Conselheiro. Ainda nesse embargo, para a correção da ementa, foi necessário a indicação de outro conselheiro, pois o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira foi vencido quanto ao mérito, fundamento da minha indicação, pois não participei do colegiado na análise e decisão. Em processo anexo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil, elaborou e apresentou pedido de anulação do acórdão da CSRF e de todo o processo em questão, assim como o arquivamento do processo 35462.001172/200561, sob os seguintes fundamentos: 1. O processo que trata da informação fiscal (IF), para cancelamento da isenção é o processo 35462.001172/200561 e não o em questão, 35462.001570/200587; 2. O processo 35462.001570/200587 era o recurso ao CRPS; 3. O CRPS anotou, em sua decisão, que a informação tratava do processo 35462.001570/200587; 4. Após expressivo tempo, a fiscalização recebeu, surpresa, o processo 35462.001570/200587, com o acórdão da CSRF que dava provimento ao recurso especial no processo de IF, o que acarretaria grande prejuízo; 5. A Delegacia embargou a decisão sobre o impacto da surpresa e sem encontrar o processo original, 35462.001172/200561; 6. Como o processo 35462.001570/200587 trata de cópia, os julgadores do CARF foram induzidos a erro; 7. No processo analisado pelo CARF, cópia, há os seguintes erros, por exemplo: 7.1. Há duplicidade de numeração de folhas (as de número "708" e "727"); 7.2. O inicio do texto em uma página não é continuação do texto da página anterior (vide o ultimo parágrafo do verso da folha 721 com a folha seguinte 723); 7.3. As fls. 721, o texto apresenta lacunas que não foram preenchidas com as informações necessárias; 7.4. Não foram anexadas aos volumes montados no CARF, que se propõem a demonstrar a falta de uniformidade entre duas decisões (Acórdão CRPS/6a CO n° 06/00299/98, de 18/02198 e Acórdão CRPS/4a Cai n° 280/2007, de 27/02/2007, distantes entre si por um intervalo de nove anos) as duas Informações Fiscais motivadoras de tais Acórdãos; Fl. 909DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35462.001570/200587 Acórdão n.º 9202003.623 CSRFT2 Fl. 4 5 7.5. Os julgadores da C.S.R.F. não conheceram as matrizes da alegada divergência, desse modo as motivações, o contexto legal ou outros aspectos que permearam as duas Informações Fiscais poderiam não ser exatamente coincidentes; 7.6. Ademais, os julgadores da CSRF ficaram limitados a uma visão dos fatos sob a perspectiva dos conselheiros do CRPS que atuaram em 1998; 7.7. O Pedido de Uniformização de Procedimento não atendeu a autuação inerente a um processo regular, eis que visando o cancelamento do Acórdão CRPS/4a Cai n°280/2007, de 27/02/2007, não poderia ser movimentado como um processo desvinculado daquele onde, precisamente, estavam registrados os fatos que resultaram na Decisão atacada no citado Recurso; 7.8. lnexiste, nos volumes indevidamente cadastrados com o n° 35462.001570/200587, uma prova irrefutável da entrada de um Pedido de Uniformização de Jurisprudência que estaria pendente de julgamento e, portanto, enquadrado na situação prevista no Art. 5º, §3° da Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007; 7.9. Assim como foram anexados os despachos, emitidos no 2° CCMF. (doc. 12), negando seguimento ao Pedido de Uniformização da Fundação Zerbini, deveria haver alguma resposta do CRPS a esse pleito da entidade, do contrario, como pode ter sido acatado, no 2° CCMF e na C.S.R.F, um recurso especial fundamentado na Portaria 147; 7.10. Esse questionamento foi colocado em razão de estar, indubitavelmente, comprovado o encerramento do processo original de n° 35462.001172/200561 no Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS e, portanto, na esfera administrativa; 7.11. As fls. 273, do processo original no 35462.001172/200561, a Fundação Zerbini solicita a prorrogação do julgamento do Recurso de 22/11/2005 (PT 35462.001570/200587, Comando SIPPS 20194143) contra a DN nº 20.003/004/2005 e o Ato Cancelatório n° 04/2005; 7.12. Nesse requerimento, datado de 19/12/2006, há dois carimbos do CRPS: o de marcação de folhas e outro de recebimento, na 4a Câmara do CRPS, com a data de 20/12/2006; 7.13. As fls. 273, dos volumes montados no CARF sob o nº 35462.001570/200587, consta um anexo intitulado "Projeto Saúde Indígena INCOR", sem qualquer carimbo identificador do CRPS e localizado 241 folhas após o Acórdão 6a CaJ CRPS n° 06/01000/97; 7.14. Notese que a 1ª folha do volume I, das copias montadas na C.S.R.F. (n° 35462.001570/200587), diferentemente do processo original n° 35462.001172/200561 (iniciado com a Informação Fiscal de Cancelamento), começa com um Pedido de Uniformização de Jurisprudência; Fl. 910DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 7.15. Não ha o carimbo identificador do número da folha e contém um carimbo de recebimento quase idêntico ao descrito no 1º parágrafo da alínea "d"; 7.16. A única diferença é a data: 21/05/2007. (doc. 14) e consta, no processo original, no verso das fls. 320, um carimbo do CRPS com a seguinte informação: "CRPS DF 4a CaJ, em 13/03/07; 1. — Com a decisão de fls. 315/320, constante do anverso, que é de última e definitiva instância fica encerrada a tramitação do processo no CRPS, restando, pois, seja cumprida a decisão em seus precisos termos; Encaminhese, portanto, o processo para o órgão de origem.". O anverso das fls. 320 do "Processo 35462.001570/200587" encontrase em branco. Portanto, o processo original havia transitado em julgado administrativamente 7.17. Para uma melhor visualização das diferenças flagradas entre o processo original e as copias montadas no CARF, apresentamos dois quadros sinóticos relatando, resumidamente, os conteúdos das folhas dos três volumes (um processo original e dois compostos de copias); 8. Em vista do exposto e tendo em mira a preservação do interesse público, requerse ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: a) a anulação do Acórdão C.S.R.F 2 a• Turma n° 920200.492 e, consequentemente, de todo o conteúdo do "Processo" 35462.001570/200887(2 volumes autuados com documentos nãooriginais); e b) o arquivamento em definitivo do processo original . n° 35462.001172/200561, juntamente com os "processos" secundários. Portanto, há nos autos as seguintes questões: 1. Embargos, da fiscalização, quanto a requisitos sobre admissibilidade do recurso especial; 2. Embargos, de conselheiro, sobre a contradição existente na ementa do acórdão; 3. Pedido de anulação, da fiscalização, sobre omissões e obscuridades contidas no acórdão. Os embargos foram acolhidos. Os autos retornaram a esse colegiado, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35462.001570/200587 Acórdão n.º 9202003.623 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade dos embargos, há questão a ser analisada. Primeiramente, cabe destacar que decisões da CSRF podem sofrer alterações, por embargos, não possuindo definitividade absoluta. Nas regras regimentais, que devem ser conhecidas, obrigatoriamente, por todas as partes, há a previsão de embargos de declaração. RICARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente Como determinado no Regimento Interno do CARF (RICARF), o prazo para interposição de embargos é de cinco dias, da data da ciência do acórdão, sob pena de preclusão temporal. Consequentemente, devemos verificálo antes de qualquer análise sobre a ocorrência de obscuridade, omissão ou contrariedade. Na análise dos autos, verificamos despacho da DRF em 18/11/2010, fls. 0829. No Comprot, sistema que registra e informa sobre os processos no Ministério da Fazenda, www.comprot.fazenda.gov.br, há informação de que o processo foi recebido na DRF em 10/06/2010. Já os embargos contém a data de 28/02/2011, fl. 0333. O processo com pedido de anulação do acórdão, 16349.000418/201004, que até poderia ser recebido como embargo, possui data de sua abertura em 03/12/2010, fls. 001. Portanto, em quaisquer das datas, o prazo para interposição de embargos não foi cumprido. Salientese que não é questão de aplicação do Art. 66, pois toda matéria jurídica definida na decisão está sendo discutida, e não se trata de inexatidão material devida a lapso manifesto ou erros de escrita, cálculo. RICARF: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. O julgador, apesar de às vezes ser tentado, é obrigado a respeitar prazos, determinados para a segurança jurídica das partes. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35462.001570/200587 Acórdão n.º 9202003.623 CSRFT2 Fl. 6 9 Ocorrendo a preclusão temporal, não há como admitir os embargos e analisar seus argumentos, sob pena de descumprir regra, que deve ser obedecida e seguida em todos os casos. A autoridade preparadora deve – assim como os contribuintes, que, na maioria das vezes, tem suas datas de ciência contadas a partir do recebimento por funcionários, em portarias dos estabelecimentos – estar preparada e pronta para cumprir os prazos processuais, fato que não ocorreu. Portanto, por não ter sido respeitado o prazo para interposição de embargos, voto pelo seu não conhecimento. Deixo claro e consignado que não chegamos a analisar o mérito da questão, pelo não conhecimento dos embargos. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer dos embargos, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 914DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, A presente declaração de voto, tem por objetivo, esclarecer os termos em que acompanho o voto do ilustre relator, considerando que não concordo com todas as decisões que ensejaram a situação que hoje encontramos. Assim, como narrado pela DRFB não se trata de processo simples, pelo contrário, tratase de um emaranhado de informações, recursos e atropelos que resultaram em um acordão, devidamente submetido e referendado pela maioria dos integrantes da CSRF em data anterior, mas que, no meu entender, tiveram um interpretação equivocada. Assim, visando ter condições de entender o processo, debruceime sobre os autos, no intuito de melhor esclarecer todo o trâmite administrativo. O processo ora em julgamento, registrado sob o número 35462.001570/2005 87, fls. 01 a 13, referese a um Pedido de Uniformização de Jurisprudência consubstanciado no art. 63 do Regimento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. Vejamos, o trecho que respaldo, segundo o recorrente, seu pedido: Do Pedido de Uniformização de Jurisprudência Art. 63. Quando a decisão da Câmara de Julgamento do CRPS, em matéria de direito, for divergente da proferida por outra de suas Câmaras ou pelo Conselho Pleno, a parte poderá requerer ao presidente da Câmara de Julgamento, fundamentadamente, que a jurisprudência seja uniformizada pelo Conselho Pleno. § 1º A divergência deve ser demonstrada mediante a indicação de acórdão divergente proferido por outra Câmara de Julgamento do CRPS ou pelo Conselho Pleno, desde que atual. § 2º Aplicase ao pedido de uniformização de jurisprudência o disposto nos arts. 27 a 35, 38 e 39 deste Regimento. § 3º O pedido previsto neste artigo pode ser feito pela parte uma única vez e o seu indeferimento pelo presidente da Câmara de Julgamento que proferiu a decisão atacada é irrecorrível. § 4º Reconhecida a divergência pelo presidente da Câmara, o processo será remetido ao Conselho Pleno, indo os autos ao seu Presidente para que o pedido seja distribuído. § 5º O Conselho Pleno pode pronunciarse pelo não conhecimento do pedido de uniformização ou pelo seu conhecimento e seguintes conclusões: Fl. 915DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35462.001570/200587 Acórdão n.º 9202003.623 CSRFT2 Fl. 7 11 I emissão de enunciado, com força normativa vinculante, quando a solução da divergência ocorrer pela maioria absoluta dos seus membros; II emissão de decisão para o caso concreto, quando não houver aprovação da maioria absoluta dos seus membros. Ou seja, o embargo que ora apreciamos é resultante de um acordão, 9202 00492, de 09 de março de 2010, adotado como recurso especial (face a unificação dos fiscos), que deu provimento ao recurso da Fundação Zerbini. Dessa decisão, houve a interposição de embargos pela PGFN que questionaram a intempestividade. Contudo, destaco que, no meu entender, não existia respaldo regimental para o acatamento do referido pedido (que resultou no acordão 920200492), considerando que o dispositivo legal que respaldava o pedido de uniformização de jurisprudência, assim indicava: § 1º A divergência deve ser demonstrada mediante a indicação de acórdão divergente proferido por outra Câmara de Julgamento do CRPS ou pelo Conselho Pleno, desde que atual. No caso, foi proferido um acordão em 28/11/2005, sob o n. 280/2007, processo 35.462.001570/200587, em que se negou provimento ao recurso. Dessa decisão não houve pedido de revisão, ingressando o recorrente com pedido de uniformização de jurisprudência Interpretando o dispositivo regimental que admitia o conhecimento do pedido de uniformização, observamos a necessidade de "acordão divergente proferido por outra Câmara, desde que atual". Ora, o acordão 06/00299/98, usado como paradigma foi proferido em 05/03/1997, apreciado por outra Conselheira do CRPS, que deu provimento ao recurso da Fundação Zerbini ao apreciar ato cancelatório. Todavia, tal julgamento foi apreciado pelas razões e provas lá expostas, não servindo, no meu entender como base para pedido de uniformização. Não se trata de decisões contemporâneas sobre a mesma matéria, mas processos distintos, de procedimentos distintos, cuja análise das provas por relatores distintos levou ao convecimento expresso nos acordãos, incapaz de ser questionado por pedido de uniformização. Assim, entendo que não existia possibilidade de se buscar pedido de uniformização em relação a acordãos das mesma empresa, em que não se constatou vício em quaisquer das decisões, e cujo o aspecto temporal encontrase separado por quase 6 anos. Todavia, em que pese meu inconformismo, por entender que a decisão que acatou o pedido encontravase equivocada, bem como o mérito da questão, que admitiu o cumprimento dos requisitos previstos no inciso III, do art. 55 da lei 8212/91, por meio de prestação de serviços médicos por entidade privada, utilizando a estrutura de hospital público; ambas as decisões foram referendadas pela maioria dos membros da CSRF, razão pela qual não temos como questionála. Destaco, que o pedido de anulação formulado pela unidade da DRFB, poderia sim, ser adotado como embargos inominados respaldado no art. 66 do RICARF, que digase, não descreve prazo para sua interposição; mas para tanto, deveria restar demonstrado o erro Fl. 916DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 manifesto, que levou os conselheiros a interpretarem de forma equivocado os termos do pedido e os fatos descritos no processos. Assim, como mencionei anteriormente, não se trata de processo simples, mas não consigo concordar que com uma leitura mais detalhada dos autos, não pudesse qualquer conselheiro esclarecer todos os elementos necessários ao julgamento da lide. Assim, entendo que as questões apresentadas pela unidade da DRFB não conseguiram demonstrar o erro manifesto que ensejaria o conhecimento dos embargos. Ou seja, embora o processo de cancelamento de isenção (informação fiscal), tenha sido cadastrado como 35462.001172/200561, o acordão do CRPS questionado já fazia referência ao processo ora sob julgamento cadastrado sob o n. 35.462.001570/200587, sendo que as peças do primeiro, estão cadastradas na capa como anexos. Assim, não há que se falar em ausência de informação, considerando inclusive, que a simples leitura do acordãos anteriormente proferidos já permitiam tomar conhecimento de todos os elementos necessários ao conhecimento da lide. Da mesma forma, não vejo que os equívocos de numeração de página fossem capazes de referendar o acatamento dos embargos, posto que novamente os elementos essenciais para que se apreciasse a lide encontraremse nos autos. Assim, analisando detidamente os autos, não vislumbro a possibilidade de acatar os embargos com fulcro no art. 66 do RICARF. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 917DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/05/2015 por MARC ELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13678.000232/2003-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
RESSARCIMENTO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC.
É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Flávio de Castro Pontes.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 02 32 /2 00 3- 06 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13678.000232/200306, contra o acórdão nº 10.847, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 11 de agosto de 2005, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Versa a presente lide sobre pedido de ressarcimento de correção monetária” de crédito presumido de IPI de que trata o artigo 1° da Lei n° 9.363, de 13/12/1996, fl. 01, formalizado em 11/08/2003, no montante de R$528.311,74, relativamente ao 2° trimestre do anocalendário de 2002. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal em ivinópolis, MG, por meio do Despacho Decisório de fls. 20/21, indeferiu o pleito em questão sob o fundamento de que não cabe qualquer atualização monetária ou acréscimo com base na taxa referencial Selic ao crédito presumido de IPI, previsto na Lei n° 9.363, de 13/12/1996, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. Cientificada do indeferimento de seu pleito, a interessada, por meio de seu procurador (fls. 35 e 37 frente e verso), apresentou a manifestação de inconforrmdade de fls. 26/33, acompanhada dos documentos de fls. 34/49. Com instrução elaborada através de decisões judiciais, textos doutrinários e acórdãos do Conselho de Contribuintes, a requerente solicita a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento de seu pedido, em face da vigência e aplicabilidade da taxa Selic no ressarcimento de IPI. Na transcrição abaixo, ficam caracterizadas as razões do presente pleito: “Obviamente a correção monetária nao representa um plus, apenas e tãosomente visa recompor a perda aquisitiva da moeda, corroída pela inflação do período, não se exige expressa previsão legal tendo em vista os princípios da igualdade, finalidade e veda o enriquecimento ilícito, neste sentido há jurisprudência recente do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES (...) Além do mais, a partir do momento que a Receita Federal opõe impedimentos ao ressarcimento, uma vez superados esses impedimentos, temse que proceder à correção dos valores inicialmente pleiteados. (...) Até porque a correção monetária deve incidir até mesmo de oficio como bem sinaliza o Ministro SÁLV10 DE FIGUEIREDO, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 4 3 em excelente exposição sobre o instituto da correção monetária no julgamento do Recurso Especial n°803 BA (..):' (...) Ipso facto, a contribuinte faz jus à correção monetária dos créditos , presumidos, calcado na Lei 9.363, de dezembro de 1996, devida desde a data final de cada período de apuração e a data da protocolização dos pedidos de ressarcimento ou, no mínimo, do protocolo do pedido de ressarcimento até o efetivo pagamento,... (...) Neste sentido, faz necessário demonstrar a vigência e a aplicabilidade da taxa SELIC que foi objeto de eleição legislativa, tanto que a Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995 prevê a sua aplicação de acordo com a própria autorização contida e o artigo 161, §1° do CTN porquanto este expressamente admite que a lei ordinária possa eleger outra taxa de juros moratórios que não a de 1%. (...) . (...)o tratamento isonômico entre as partes é condição sine quae non para o alcance do Estado Democrático de Direito, e isto entendese às questões envolvendo ofisco e contribuinte. Igualmente, muito mais que dar o mesmo tratamento aos demandantes, representa analisar se estes encontramse em situação equivalente, o que pode muito bem ao se aplicar a taxa Selic (...) créditos tributários. (...) Além disso, a controvérsia jurisdicional sobre a matéria não se encontra definitivamente encerrada, tendo em vista a possibilidade do Supremo Tribunal Federal considerar constitucional a utilização da taxa Selic. Seja como for, no âmbito dos Tribunais Superiores ou do Conselho de Contribuintes registramse inúmeras decisões favoráveis, inclusive quanto ao crédito presumido de IPI, “ Por tudo que expôs, a contribuinte requereu o acolhimento de suas razões para, via de conseqüência, se deferir a atualização monetária dos créditos presumidos de IPI através da Selic. A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CORREÇÃO MONETÁRIA/JUROS SELIC; É incabível a atualização monetária de créditos incentivados de IPI, configurada na forma de juros Selic, por falta de amparo legal para tal ato. Solicitação Indeferida Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 70/78, expondo que: 1 Afirma que a correção monetária tem suporte no princípio da igualdade fim de evitar locupletamento sem causa por parte da União; 2 Entende que o direito a atualização monetária dos valores a serem ressarcidos deverá também retroagir à data de apuração dos valores e não apenas ao período compreendido após o protocolo do período de ressarcimento até o sei reconhecimento; 3 Assegura que o crédito do contribuinte deverá ser corrigido pela aplicação da taxa SELIC, para afastar os efeitos corrosivos da inflação; 4 Alega que a taxa SELIC é a forma adotada pela Fazendo Nacional para atualização de seus créditos tributários; É o sucinto relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Atualização Monetária pela Taxa Selic A Recorrente alega seu direito ao ressarcimento dos valores com a incidência da taxa Selic desde a data do pedido até o início da fruição do crédito. Como regra geral, a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Todavia, esta inteligência é relativizada tanto pelo STJ quanto pelo STF, quando o aproveitamento pelo contribuinte sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Admitese a correção no intuito de evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da não cumulatividade. Colaciono o entendimento da Corte Superior. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO OBSTACULIZADO PELO FISCO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170A DO CTN. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PREQUESTIONAMENTO. INVIABILIDADE. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o crédito presumido de IPI enseja correção monetária quando o gozo do creditamento é obstaculizado pelo fisco. 2. Contudo, a correção monetária deve ser contada a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento, a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 3. A Primeira Seção do STJ quando do julgamento, pela sistemática do art. 543C do CPC, do REsp 1.167.039/DF, interpretando o art. 170A do CTN, sedimentou orientação no sentido de que "essa norma não traz qualquer alusão, nem faz qualquer restrição relacionada com a origem ou com a causa do indébito tributário cujo valor é submetido ao regime de compensação". 4. No caso, a impetrante teve reconhecido o direito de serem "incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS". 5. Aplicável à espécie a norma inserta no art. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 7 6 170A do CTN, que exige o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, por se tratar de mandado de segurança impetrado já na vigência da Lei Complementar nº 104/2001. Precedentes. 6. Não compete ao STJ examinar, na via especial, ainda que para fins de prequestionamento, eventual violação de dispositivo constitucional, pois esse mister é reservado ao Supremo Tribunal Federal 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ AgRg no REsp: 1344735 RS 2012/01964049, Relator: Ministro SÉRGIO KUKINA, Data de Julgamento: 14/10/2014, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 20/10/2014)(grifo nosso) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PEDIDO. MORA. TERMO A QUO. APÓS PRAZO LEGAL DE 360 DIAS. ART. 24 DA LEI N. 11.457/2007. 1. Após a vigência do art. 24 da Lei n. 11.457/2007, não há dúvida a ser dirimida, cabendo reconhecer que a "resistência ilegítima" da Fazenda Pública geradora do direito de correção monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, a contar do protocolo do pedido de ressarcimento. 2. Tal prazo legal marca também o termo inicial da mora. Precedentes. Agravo regimental improvido. (STJ AgRg no REsp: 1461783 PR 2014/01483015, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 16/09/2014, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 23/09/2014) Como seria este o caso dos autos, tendo em vista que houve tardia apreciação ressarcimento do crédito, ultrapassando o período de 360 dias, conforme descrito em no art. 24 da lei nº11.457/07, haja visto que o protocolo se deu em 11/08/2003 e o despacho 22/10/2004, entendo ser devida a atualização monetária, com base na Selic, calculada desde o protocolo do pedido de ressarcimento. Nestes termos, dou provimento ao recurso para reconhecer a atualização deste crédito pela Selic calculada desde o protocolo do pedido de ressarcimento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Vencedor Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase do seu entendimento. A recorrente postula a incidência da correção monetária, com base na taxa Selic, sobre o ressarcimento de todo o crédito do IPI. Não assiste razão à interessada. Um dos princípios basilares do direito público é o princípio da legalidade, segundo o qual, a Administração Pública e os seus agentes somente podem fazer o que a lei autoriza. Esse princípio encontrase positivado no art. 37 da Constituição Federal. É de verificarse que o § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 estabeleceu a aplicação da taxa Selic somente na compensação e restituição de indébitos tributários, in verbis: Art. 39. (...) §4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(grifouse) Indubitável que esse dispositivo legal referese apenas à compensação e à restituição, não fazendo menção ao ressarcimento de tributos e contribuições. A Administração Pública está vinculada ao texto da lei e tem a obrigação de aplicála, sem questionar a sua constitucionalidade. Desta forma, por falta de previsão legal não é cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de IPI. A autoridade julgadora não pode inovar em matéria reservada à lei. Mister se faz ressaltar que restituição e ressarcimento são institutos diferentes. A restituição ocorre, em regra, quando o sujeito passivo recolhe, a título de tributo, valores indevidos ao erário, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Há um dispêndio de dinheiro por parte do sujeito passivo. Por outro lado, o ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99 configura um incentivo fiscal, como bem assentou a autoridade fiscal. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1000710, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIAL EXPORTADOR. LEI 9.363/96. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA E COOPERATIVAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. REPETIÇÃO. RECURSO DO FISCO. AFASTAMENTO DA TAXA SELIC. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO ANTES Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 9 8 DO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. INEXISTÊNCIA DE RATIFICAÇÃO. EXTEMPORANEIDADE. (...) 5. In casu, o crédito presumido, decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, que o Tribunal a quo reconheceu ao contribuinte, consubstanciase em benefício fiscal para desonerar a atividade exportadora brasileira, não tratando de indébito tributário, logo, representando crédito escritural a ser apropriado pelo beneficiado. 6. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso e, por isso diferenciase do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da nãocumulatividade. 7. O aplicador da lei, à míngua de autorização, não pode chancelar os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente, sob pena de infringir a legalidade, sobrepondose às suas funções, fazendo as vezes de legislador, desautorizadamente. Precedentes: STF: RE 223.521/RS, Rel. Min. MAURÍCIO CORREA, DJU 26.06.98; STJ: EREsp. 605.921/RS, 1ª Seção, DJU 24.11.08; EREsp. 430.498/RS, 1ª Seção, DJU 07.04.08; EREsp. 613.977/RS, 1ª Seção, DJU 05.12.05; e AgRg no REsp. 976.830/SP, 2ª Turma, DJU 02.12.08. 8. A mesma ratio essendi deve ser utilizada em relação aos créditos presumidos de IPI, para abatimento de valores pagos referentes ao PIS e à COFINS, previstos no art. 1º da Lei 9.363/96, pois refletem idêntico modus operandi ao crédito escritural, como é o caso.(...)(STJ,REsp 1000710/RS, DJe 25/09/2009) (grifouse) Em casos análogos, a não incidência da correção monetária também foi acolhida em outros julgados administrativos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (...) TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. Recurso voluntário negado.(Segundo Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Acórdão nº 20181.500, de 10/10/2008)(grifouse) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS NÃO CUMULATIVO. de receita. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos nos pedidos de ressarcimento é inadmissível a aplicação de correção monetária aos créditos não aproveitados na escrita fiscal por insuficiência de débitos no respectivo período de apuração, devendo o ressarcimento de tais créditos se dar pelo valor nominal. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA CORREÇÃO DOS Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 13678.000232/200306 Acórdão n.º 3801005.033 S3TE01 Fl. 10 9 CRÉDITOS. A Taxa Selic é juros não se confundindo com correção monetária, razão pela qual não pode em absoluto ser usada para atualizações monetárias de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Segundo Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Acórdão nº 20403448, de 05/09/2008)(grifouse) Quanto à aplicação do decidido no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 1.035.847, é importante esclarecer que estes fatos são completamente distintos daqueles, afastandose, assim a aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Em conclusão, a solicitação da interessada, que tem como suporte a tese de que a correção monetária tem como escopo de promover a recomposição da perda inflacionária, bem como de evitar o locupletamento sem causa por parte da União, não pode prosperar por falta de amparo legal. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13897.000524/2003-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS.
Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados.
INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03.
Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da COFINS não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos - exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida - é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo.
CRÉDITO. TRATAMENTO DE AGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVÍCOLA.
O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins.
CRÉDITO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS.
O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofins.
RECURSOS ESPECIAIS DO PROCURADOR E DO CONTRIBUINTE NEGADOS
Numero da decisão: 9303-003.195
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que dava provimento; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para deferir os créditos relativos aos itens capatazia e estivas.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da COFINS não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 05 24 /2 00 3- 56 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. CRÉDITO. TRATAMENTO DE AGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVÍCOLA. O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins. CRÉDITO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofins. RECURSOS ESPECIAIS DO PROCURADOR E DO CONTRIBUINTE NEGADOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que dava provimento; e II) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para deferir os créditos relativos aos itens capatazia e estivas. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Adotarei o relatório da instância a quo, com as alterações pertinentes. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 683 3 Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto por ambas as partes ao amparo do art. 7º, inc. II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, em face do Acórdão nº 210200.107, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO. INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AVÍCOLA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins. TRATAMENTO DE AGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVÍCOLA. O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avicola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins. SERVIÇOS DE GUINCHO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. 0 dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofins. OUTRAS DESPESAS. Por Falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte. O pedido de ressarcimento foi apresentado em 28 de abril de 2006, e inicialmente indeferido pelo despacho de fls. 59 e 60, de 14 de agosto de 2006, com base no relatório fiscal de fls. 49 a 58. A Fiscalização apurou as seguintes irregularidades, que tiveram repercussão na apuração dos créditos: 1) exclusão das cessões do ICMS da base de cálculo das contribuições; 2) creditamento irregular relativo a capatazia (serviços de capatazia e estivas executados por terceiros), combustíveis e lubrificantes para veículos (não utilizados como insumo da produção), serviços de guincho, indumentárias (vestimentas, calçados, luvas, capacetes etc. utilizados pelo pessoal empregado no processo produtivo), locação de mão de obra, elaboração de projetos de engenharia executados por terceiros, tratamento de efluentes (bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes); 3) inclusão irregular de crédito presumido de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas por produtores de mercadorias Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 animal ou vegetal indevidamente incluídos, em face da impossibilidade de seu ressarcimento após a edição da Lei n. 10.925, de 2003. O acórdão de primeira instância ressaltou a ausência de contestação da matéria relativa A cessão de créditos de ICMS, mantendo o restante das exclusões. No recurso, a Interessada defendeu o direito ao crédito de bens e serviços não restrito "A transformação física de bens, mas" a "todo o processo de produção dos produtos destinados à venda, nele compreendidos os serviços intermediários e a venda de bens, bem como os serviços utilizados para a efetivação da venda dos referidos produtos". Tratou, a seguir, das glosas especificas relativas a capatazia, que representaria "a atividade de movimentação de mercadorias" no trabalho portuário; combustíveis e lubrificantes para veículos utilizados na atividade produtiva nas operações, que gerariam crédito da mesma forma que o frete na operação de venda; serviços de guinho, "indispensáveis para as operações de venda"; despesas com indumentárias, obrigatórias por determinação Anvisa, que gerariam créditos nos termos de soluções de consulta citadas; locação de mão de obra, com fulcro também em solução de consulta citada; elaboração de projetos, por encontrarse "diretamente ligada ao produto final" e representar custo, nos termos do art. 3°, § 3°, da Lei n. 10.833, de 2003; tratamento de efluentes, representado pelo tratamento inicial das águas, para utilização na lavagem e congelamento das aves. O recurso voluntário foi parcialmente provido, nos termos da ementa transcrita acima. Em seu recurso Especial a PGFN se insurge quanto ao acórdão recorrido ter considerado que a indumentária utilizada pelos empregados tenha sido considerada insumo para fins de aproveitamento do crédito do PIS e também os custos com tratamento de águas para lavagem o congelamento de aves e despesas com aluguel de equipamentos e guincho utilizados na produção avícola. Já no recurso da contribuinte a alegação é a mesma dos recursos anteriores e se pleiteia a reforma do acórdão recorrido em relação aos gastos que não foram considerados insumos para o aproveitamento dos créditos segundo à legislação de regência da Cofins. Ambas as partes apresentaram contrarrazões. É o Relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade legais e regimentais e dele conheço. A Lei nº 10.833/2003, que instituiu a Cofins com incidência não cumulativa assim dispõe quanto aos créditos passiveis de descontos da contribuição apurado no mês /e ou de ressarcimento do saldo credor trimestral: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 684 5 de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2o sobre o valor: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 685 7 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2o; I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I o valor das aquisições que servir de base para cálculo do crédito presumido não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de produto, pela Secretaria da Receita Federal SRF; e (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II a Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para regulamentálo. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 686 9 prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I – no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos para o cálculo dos referidos créditos. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 4o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do § 5o do art. 2o desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota: (Redação dada pela Lei nº 12.507, de 2011) I de 5,60% (cinco inteiros e sessenta centésimos por cento), nas operações com os bens referidos no inciso VI do art. 28 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005; (Incluído pela Lei nº 12.507, de 2011) II de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento), na situação de que trata a alínea “b” do inciso II do § 5o do art. 2o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 12.507, de 2011) III de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 12.507, de 2011) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 687 11 § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 22. (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008). § 23. Sem prejuízo da vedação constante na alínea “b” do inciso I do caput, excetuamse do disposto nos incisos II a IX do caput os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda desses produtos. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008). § 24. O disposto no § 17 também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam a Leis nºs 7.965, de 22 de dezembro de 1989, a Lei no 8.210, de 19 de julho de 1991, a Lei no 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008). § 23. O disposto no § 17 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nºs 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). § 24. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 23 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 3% (três por cento). (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). § 25. ao § 29. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Segundo estes dispositivos legais, os bens e serviços sujeitos ao PIS, utilizados como insumo na produção de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 lubrificantes, dão direito ao crédito da contribuição para desconto do valor apurado no mês e/ ou para ressarcimento do saldo credor trimestral. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 688 13 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de lPl). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulativìdade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 689 15 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Não há como concordar com essa conclusão eis que muito ampliativa e não encontra fundamentação legal para o uso da legislação do IRPJ para a apropriação dos créditos. Se fosse essa a intenção da lei haveria uma disposição expressa nesse sentido. Em relação ao PIS e à Cofins aplicáveis na sistemática nãocumulativa, podemos considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre os dois conceitos anteriormente citados, pois denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Temse que exigir que o bem ou serviço tenha siso adquirido para ser utilizado na produção do bem ou pretação de serviço. Não necessariamente há de ser consumido no processo, conforme preconiza a legislação do IPI. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 690 17 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Percebese que a jurisprudência desse Conselho caminha para uma solução intermediária, conforme exposto acima. Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Também o STJ começa a se manifestar sobre o tema. Em recente publicação de acórdão, em 08/02/2013, a corte decidiu que não há direito ao creditamento em relação às despesas com tranferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa. Ficou clara a não aplicação da legislação do IRPJ. Processo Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 18 AgRg no REsp 1335014 / CE AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2012/01503837 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 18/12/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2013 Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. 3. A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva,tampouco analógica. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido. Como bem colocado na decisão acima, a norma que concede benefício fiscal, no caso créditos de PIS, somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica. Também alguns Tribunais Regionais Federais tem se manifestado acerca do assunto, como o seguinte acórdãoprolatado pelo TRF da 1ª Região: Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 691 19 "TRIBUTÁRIO PIS E COFINS CREDITAMENTO "INSUMOS" PRODUTOS DE LIMPEZA/DESINFECÇÃO E DEDETIZAÇÃO – PREVISÃO LEGAL ESTRITA. 1. A sistemática das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.883/2003 (COFINS) permite que a pessoa jurídica desconte créditos calculados em relação a bens e serviços por ela utilizados como insumos na prestação de serviços por ela prestados ou fabricação de bens por ela produzidos. 2. A IN/SRF nº 247, de 21 NOV 2002, com redação dada pela IN/SRF nº 358, de 09 SET 2003 (dispõe sobre PIS e COFINS) e a IN/SRF º 404/2004, definem como insumo os produtos "utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à revenda", assim entendidos como "as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". 3. As normas tributárias, ao definir insumo como tudo aquilo que é utilizado no processo de produção, em sentido estrito, e integrado ao produto final, nada mais fizeram do que explicitar o conteúdo semântico do termo legal "insumo", sem, todavia, infringência ao poder regulamentar, pois nelas não há, no ponto, nenhuma determinação que extrapole os termos das Leis na 10.637/2002 e nº 10.883/2003. 4. Os produtos de limpeza, desinfecção e dedetização têm finalidades outras que não a integração do processo de produção e do produto final, mas de utilização por qualquer tipo de atividade que reclama higicnização, não compreendendo o conceito de insumo, que é tudo aquilo utilizado no processo de produção e/ou prestação de serviço, em sentido estrito, e integra o produto final. 5. O creditamento relativo a insumos, por ser norma de direito tributário, está jungido ao princípio da legalidade estrita, não podendo ser aplicado senão por permissivo legal expresso. 6. Apelação não provida. 7. Peças liberadas pelo Relator, em 23/11/2009, para publicação do acórdão eDJF DATA.04/12/2009 PAGINA:448. Processo: AC 200438000375799. TRF." Percebese que o Tribunal usou, no caso, as definições contidas nas Instruções Normativas da RFB para fundamentar a decisão. Em que pese ser essa decisão baseada estritamente nas normas regulamentares da RFB, ela fala em “utilização no processo produtivo ou de prestação de serviços”. Assim, não poderemos extrapolar o permitido pela Lei 10.637/02, para a concessão dos créditos. É bom frisar que como a empresa exporta os produtos, ela mantém o direito aos créditos, porém nos estritos ditames do art. 3º. Se o legislador quisesse ampliar o conceito de insumo, dandolhe uma extensão maior, não teria trazido um rol taxativo de possibilidades de creditamento, inclusive em relação a créditos não provenientes de insumos. O princípio da não cumulatividade para as contribuições se dá de um modo diferenciado e menos extenso. Aqui o legislador mitigou o conceito de não cumulatividade ao escolher e determinar quais seriam as possibilidades de aproveitamento dos créditos referentes aos tributos pagos em etapa anterior. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 20 Primeiramente, fundamentarei o voto inteiramente no art. 3º da Lei 10.637/02. Discordo do ilustre relator do acórdão recorrido que baseou a fundamentação do voto no art. 6º da lei 10.637/02. Esse artigo trata do ressarcimento dos créditos vinculados à receita de exportação. Porém deixa claro que a forma do aproveitamento se dará conforme o art. 3º da mesma lei e não se trta de norma autônoma em relação ao aproveitamento dos créditos. Não se pode interpretar que toda despesa, cuso e encargo relacionados ao auferimento das receitas de exportação dará direito ao creditamento. Feitos todos esses comentários, passemos à análise do presente caso. No caso específico do presente processo, começaremos pelo recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Usarei como razões de decidir, em relação a indumentária, o voto condutor do acórdão 9303.01.740, de 9 de novembro de 2011, proferido pela conselheira Nanci Gama, e acompanhado por este relator. Conforme se infere do relatório, a controvérsia trazida a esta sede especial de julgamento implica examinar se a indumentária, exigência sanitária indispensável para a fabricação de alimentos, pode ser considerada como insumo para uma indústria avícola, de forma que os gastos com a mesma sejam aptos a gerar créditos de COFINS. Sustenta a Procuradoria da Fazenda Nacional em seu recurso que a indumentária não pode ser considerada insumo, eis que, o que qualifica um determinado bem como insumo, suscetível de gerar crédito ao contribuinte na sistemática não cumulativa da COFINS, é a sua integração ao produto final, em conformidade, segundo o seu entendimento, com o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 e o artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, alterada pela IN SRF nº 358/2003. Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, que, do valor apurado na forma do art. 2o,, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. (Redação da pela Lei nº 10.865, de 2004) Com efeito, colocase a questão de saber, digase, nada inédita no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, qual o alcance, a extensão, do termo insumo utilizado no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, de forma a assegurar o contribuinte o seu abatimento no cálculo do montante devido da Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 692 21 COFINS, diante do regime da nãocumulatividade de referida exação fiscal. Antes, porém, de tratarmos diretamente da questão, entendo pertinente lembrar que o PIS, tal como a Cofins, são tributos que recaem sobre a produção de bens e serviços, o que é facilmente perceptível em decorrência de sua própria base de cálculo: receita bruta de bens e serviços auferida pelos contribuintes. Até a edição da Lei nº 10.833/2003, a COFINS revestia natureza cumulativa ou “em cascata”, mediante a qual o tributo pago incorporavase ao custo de produção das pessoas jurídicas situadas nas fases subseqüentes do ciclo produtivo, sem que, fosse possível abater o tributo pago nas etapas antecedentes. Inegável, portanto, que a Lei 10.833/2003, ao introduzir na sistemática da COFINS a possibilidade do abatimento de determinados créditos, eliminou ou ao menos abrandou, o caráter então cumulativo de referida contribuição. A Lei nº 10.833/03 adotou, pelo que se constata do já transcrito art. 3º, o método imposto sobre imposto, tax on tax, ao determinar que, na apuração do tributo devido sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, sejam descontados créditos correspondentes ao valor resultante da aplicação da alíquota a certos dispêndios efetuados pelo contribuinte na aquisição de bens e serviços e na realização de custos e despesas afetos à realização da receita tributável. E a meu ver são esses dispêndios, esses custos e despesas, utilizados na produção ou fabricação de bens, que se encontram compreendidos na termo insumo empregado no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, e dão a este o seu correto significado. E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da COFINS não cumulativa? Entendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: (...) “créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Em minha opinião, o texto do artigo 3º da Lei 10.637/2002, bem assim da Lei 10.833/2003, não poderia ser mais específico ao regrar os créditos suscetíveis de abatimento pelo contribuinte. É Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 22 evidente que não se tem como enumerar todos os eventos capazes de gerar crédito, mas diante do que dispõe a lei para identificar se o dispêndio é suscetível de abatimento, se o mesmo se consubstancia em insumo, basta verificar se o mesmo corresponde a resposta afirmativa da seguinte indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela COFINS não cumulativos? Se sim, o direito de crédito do contribuinte, a meu ver, é inquestionável. A confusão sobre o conceito de insumo empregado no texto da lei que regem o PIS e a COFINS surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, que limitou a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI,.como se verifica no artigo 66, parágrafo 5º, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Vejase que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 693 23 desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Neste sentido, Marco Aurélio Grecco muito bem expõe, em parecer publicado pela IOB Thomson, ao dizer: “Não se pode olvidar que estamos perante contribuição cujo pressuposto de fato é a “receita”, portanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS/COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI.” (Não – Cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS, Coordenador Leandro Paulsen, págs. 101/122, ED. IOB THOMSON) Por oportuno ressalto que do mesmo modo que entendo que dão direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos, na linguagem de Marco Aurélio Grecco, ao pressuposto de fato destas contribuições, receitas, não entendo correto adotar o conceito de insumo aplicável ao imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto. Penso, por exemplo, que os gastos de um contribuinte industrial com material administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da COFINS, eis que não são indispensáveis para a sua produção. Logo, repito, não acolho a definição de insumo para efeito do PIS e da COFINS, o conceito da legislação do imposto de renda, não obstante referidos dispêndios, eventualmente, possam também se encontrar inseridos em referida definição. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 24 Feitos esses esclarecimentos, quanto à indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos, tratandose, portanto, de exigência sanitária que deve obrigatoriamente ser cumprida para viabilizar a fabricação de carnes, não vejo como deixar de considerála como insumo inerente à produção da indústria avícola. Vale considerar que, conforme muito bem esclarecido pelo acórdão a quo, “a indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com o fardamento/uniforme”, eis que os uniformes seriam “de livre uso e escolha de modelo pela empresa”, enquanto que a indumentária “é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público”. Ademais, caso a mesma não seja utilizada, a produção pode ser paralisada por ato do poder público, o que a eleva a categoria de dispêndio indispensável à produção. Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, no sentido de manter o acórdão recorrido. Também não pode ser provido o recurso da Fazenda também em relação ao tratamento dos efluentes usados na lavagem e congelamento de aves por se tratarem de insumos, visto que estão diretamente relacionados com a produção e são ali empregados. A mesma fundamentação é usada em relação ao aluguel de guinchos e equipamentos usados diretamente no processo produtivo, por expressa disposição legal . Pelo exposto, nego provimento ao recuso especial da PGFN, nos termos acima expostos. Melhor sorte não assiste ao recurso especial interposto pelo contribuinte. No recurso especial interposto pela contribuinte pretendese dar uma extensão bem mais ampla do que a permitida em lei para o conceito de insumos. Pedese que sejam considerados insumos os gastos com combustíveis e lubrificantes não empregados na produção, mãodeobra terceirizada para a elaboração de projetos de engenharia e despesas com estiva e capatazia. Também pedese a inversão do ônus da prova em relação a apuração das aquisições feitas de pessoas físicas e jurídicas. Também se questiona a glosa em relação aos custos com combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção e em relação aos gastos com locação de mãodeobra para a confecção de projetos de engenharia. Não tem previsão legal para o aproveitamento, por não se enquadrarem no conceito de insumo, não fazendo parte do processo produtivo os custos com combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção e em relação aos gastos com locação de mãodeobra para a confecção de projetos de engenharia. Os custos com a venda dos produtos de fabricação não pode ser considerado insumo porque não faz parte da produção, conforme afirma a contribuinte. Tampouco se Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13897.000524/200356 Acórdão n.º 9303003.195 CSRFT3 Fl. 694 25 enquadra no conceito de insumo as despesas feitas com estiva e capatazia por serem despesas de mãodeobra, e jamais poderiam ser enquadradas no conceito de insumo. Quanto ao pedido de inversão do ônus da prova em que se alega que é obrigação do fisco a separação das rubricas referentes as aquisições de pessoas físicas e jurídicas também não tem como se acolher o pedido. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo, como dito no parágrafo anterior. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, quem pleiteia um crédito é quem deve provar o seu direito, conforme preceitua a legislação de regência do tributo. Não cumprindo as formalidades contidas na lei, não há como se deferir o crédito ora pleiteado, sendo corretas as glosas efetuadas. Assim, nego provimento aos recursos especiais apresentados pela Fazenda nacional e pelo contribuinte. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 15504.020059/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ATACA AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.
Nos termos do parágrafo único do art. 42, do Decreto 70.235/72, é definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ATACA AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ. Nos termos do parágrafo único do art. 42, do Decreto 70.235/72, é definitiva a decisão de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 00 59 /2 00 9- 67 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.020059/200967 Acórdão n.º 2402004.661 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 22/12/2009 (fl. 2) para exigência de contribuição destinada aos terceiros (Salárioeducação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE), no período de 06/2004 a 12/2005. O Recorrente apresentou Impugnação (fls. 68/89) requerendo o cancelamento da autuação ante a sua insubsistência. Em 08/04/2010 (fl. 91) o Recorrente foi intimado pela DRFBHESecat EqprofB a apresentar, no prazo de cinco dias, procuração outorgada pelos representantes da empresa ao advogado subscritor da impugnação, cópia do documento de identidade do procurador, e cópia do documento de identidade dos representantes da empresa (fl. 90). Em 13/04/2010, o Recorrente apresentou a procuração outorgada ao advogado subscritor da Impugnação (fls. 92/93). A DRJ de Belo Horizonte/MG não conheceu da Impugnação apresentada, sob os seguintes fundamentos: (i) não existe nos autos elementos que permitam identificar se o signatário da impugnação é, de fato, a pessoa a quem foi outorgado poderes por meio da procuração apresentada; (ii) nos termos do art. 40 da Lei n° 9.784/99, o não atendimento a pedido de regularização de pendência existente em processo importa em não conhecimento do pedido formulado; (iii) a Portaria SRF n° 1.095, de 06 de julho de 2000, determina em seu art. 1° e no módulo “IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO” ser obrigatória a apresentação de documento que comprove a assinatura do outorgado; (iv) o contribuinte foi intimado para apresentar cópia dos documentos dos procuradores; (v) nos termos do art. 13, da Lei n° 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e OAB), o documento de identidade profissional é de uso obrigatório; (vi) a ausência de documentação importa em não conhecimento da Impugnação apresentada, e, por consequência, não instaura o litígio na instância administrativa, conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/72. Intimado da decisão em 09/02/2011 (fl. 106), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 11/03/2011 (fls. 107/138), argumentando: (i) a ausência de fundamentação legal da multa aplicada; (ii) que os valores pagos a título de aviso prévio e abono de férias não integram o conceito legal de salário, motivo pelo qual não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias; (iii) a inconstitucionalidade do salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE; (iv) a ausência de corresponsabilidade dos sócios, em vista do art. 135, III, do CTN; e (v) a ilegalidade dos juros SELIC como índice de atualização de créditos tributários. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo, porém não atende a todos os requisitos de admissibilidade, não devendo ser conhecido. A decisão de primeira instância deixou de conhecer a Impugnação apresentada no processo, ante a irregularidade de representação da parte, visto que não foi juntando documento de identificação dos subscritores da procuração e da Impugnação. Referida decisão e os documentos do processo não deixam dúvidas de que o contribuinte foi intimado para regularizar tal pendência. No recurso voluntário, o Recorrente deixa de apresentar argumentos com o objetivo de ver reformada a referida decisão, alegando apenas questões atinentes aos débitos exigidos que sequer foram analisadas pela d. DRJ (ante o não conhecimento da impugnação quando do julgamento de 1ª instância). Ou seja, o Recorrente discorre nas razões do seu recurso acerca da legalidade do lançamento, mas não recorre das razões que levaram a DRJ a não conhecer da impugnação apresentada. Sendo assim, independentemente do entendimento deste Relator acerca das razões que levaram a r. decisão de primeiro grau a não conhecer da impugnação apresentada, por deficiência na representação processual, não há como deixar de observar o parágrafo único do art. 42, do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Nos termos do artigo acima, temse que são definitivas as decisões de primeiro grau na parte em que não forem objeto de recurso voluntário. Levando em conta que a r. decisão recorrida dispôs apenas sobre o não conhecimento do recurso ante a deficiência da representação processual, e não tendo o Recorrente atacado, ao menos, tal fundamentação, tornouse definitiva a decisão que não conheceu da impugnação. Vale mencionar que a decisão da d. DRJ, ao não conhecer da impugnação, manteve, consequentemente, a integralidade dos débitos exigidos. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.020059/200967 Acórdão n.º 2402004.661 S2C4T2 Fl. 4 5 Desta forma, sendo a decisão da d. DRJ definitiva, os débitos ora exigidos permanecem devidos. Diante do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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