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Numero do processo: 10166.724521/2016-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Ausência de elementos que justifiquem na forma documental a data do início da ocorrência da situação alegada.
Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte está sustentada em elementos que indicam a inocorrência da situação na data apontada no documento.
Numero da decisão: 2001-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando para o ano-base de 2012, como pleiteado na declaração retificadora, e excluir as penalidades a título de multa e juros de mora aplicadas. Vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira que votou por negar provimento e Jorge Henrique Backes que votou por dar provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Ausência de elementos que justifiquem na forma documental a data do início da ocorrência da situação alegada. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte está sustentada em elementos que indicam a inocorrência da situação na data apontada no documento.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Ausência de elementos que justifiquem na forma documental a data do início da ocorrência da situação alegada. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte está sustentada em elementos que indicam a inocorrência da situação na data apontada no documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando para o anobase de 2012, como pleiteado na declaração retificadora, e excluir as penalidades a título de multa e juros de mora aplicadas. Vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira que votou por negar provimento e Jorge Henrique Backes que votou por dar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 21 /2 01 6- 92 Fl. 73DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por pleito de direito creditório, para efeito de restituição, sobre rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 8.167,16, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento com imposto suplementar de R$8.167,16 relativo ao anocalendário de 2012 em virtude da apuração da omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave por não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. A descrição dos fatos e o enquadramento legal se encontram na notificação de lançamento. (...) Na isenção dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, o inciso XXXIII do artigo 39 do RIR/1999, dispõe que: “Art.39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10166.724521/201692 Acórdão n.º 2001000.311 S2C0T1 Fl. 74 3 portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º). § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Necessário esclarecer que o objetivo da apresentação do laudo pericial é comprovar, para fins da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713 de 1998, que a pessoa física é efetivamente portadora de uma das moléstias graves ali arroladas. Concluise que a isenção está vinculada a dois requisitos cumulativos indispensáveis à sua concessão: a patologia do contribuinte, que deve estar tipificada no texto legal e assim reconhecida por intermédio de laudo pericial expedido por serviço médico oficial, e a natureza do rendimento percebido deve ser aposentadoria, reforma ou pensão. Consta da descrição dos fatos e do enquadramento legal: De acordo com os documentos apresentados, o contribuinte e portador de Doença Alzheimer desde fevereiro de 2012. Há de se destacar que o direito a isenção começa a partir do momento em que é diagnosticado como alienado mental (o que ocorreu em abril de 2014). Nesse sentido, os rendimentos recebidos no anocalendário 2012 são considerados como tributáveis (R$122.903,64). No caso dos autos, o “Laudo Pericial” (fl.15) datado de 13/03/2015 e a declaração da Total Care, ambos assinados pela Dra. Josie T. Lima Velano – CRMDF 18.481, informa que o contribuinte é portador de Fl. 75DF CARF MF 4 Doença de Alzheimer (CID 10 – G30) desde de 02/2012 devendo ser reavaliado em 20/01/2015. Entretanto, esses documentos não se constituem em Laudo Médico Oficial tendo em vista que ambos foram emitidos por médico particular neles não havendo qualquer vinculação com o serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, conforme expressamente previsto nos dispositivos legais acima transcritos. Por outro lado, através da Avaliação nº 229/2015 (fls. 18 a 20) realizada pela Junta Médica Oficial do Departamento de Gestão de Pessoas da Policia Civil do Distrito Federal verificase que somente foi deferido pedido de isenção de seus proventos de aposentadoria a partir de 01/04/2014. Esclareçase que a referida Junta Médica Oficial não fixou expressamente que a data do início da doença seria em fevereiro de 2012, como constou nos documentos firmados pela Dra. Josie T. Lima Velano. Assim, estando comprovado nos autos que o contribuinte teve a moléstia grave reconhecida mediante Laudo Médico Oficial (fls. 18 a 20) somente em 01/04/2014, não faz ele jus a isenção de seus proventos de aposentadoria. (...) Diante do acima exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido em razão do não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10166.724521/201692 Acórdão n.º 2001000.311 S2C0T1 Fl. 75 5 (...) (...) (...) Fl. 77DF CARF MF 6 (...) (...) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10166.724521/201692 Acórdão n.º 2001000.311 S2C0T1 Fl. 76 7 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), Fl. 79DF CARF MF 8 contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10166.724521/201692 Acórdão n.º 2001000.311 S2C0T1 Fl. 77 9 remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos probatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. O Contribuinte retificou sua declaração do Imposto de Renda com o objetivo de incluir os rendimentos no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência requerer a restituição do imposto recolhido na fonte pela instituição pagadora. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. O laudo médico particular atesta a doença de Alzheimer desde fevereiro de 2012, contudo o laudo médico oficial que tem a força comprobatória legal, embora considere que a moléstia tenha se iniciado anteriormente, conclui que a alienação mental definidora do direito ao benefício da isenção se processou a partir de 2014, conforme consta dos autos. Ocorre que o laudo médico do Dr. Josie Theodoro Lima Velani, datado de 13/03/2015, relata que o paciente foi atendido, oportunidade em que foi constatado déficit cognitivo, ocasião em que foi relatado pela família que a situação há mais de um ano, portanto, desde 2014, embora no texto introdutório tenha apontado que o paciente seja portador da doença de Alzheimer desde 02/2012. Fl. 81DF CARF MF 10 Da mesma forma, consta dos autos o Relatório Medico da TotalCare, assinado pelo mesmo profissional médico datado de 27/12/2015, em que afirma que o referido paciente encontrase em segmento clínico regular há cerca de um ano, reportandose, portanto, ao ano de 2014, com o diagnóstico de Demência de Alzheimer (CID10 G30), em estágio moderado. Em sequência, o laudo médico de avaliação da Junta Médica Oficial, Avaliação nº 229/2015, exarado em 07/04/2015, consigna o procedimento do exame pericial do paciente José Luiz da Silva, em que discorre sobre o histórico da situação da moléstia e conclui que pela presença da enfermidade. Assim, em razão do laudo oficial ter sido firmado considerando que os efeitos definidores da doença de Alzheimer com apresentação do estágio de demência, considerados os relatos familiares e da afirmação apontada nos laudos médicos particulares que reportam o estágio definidor da enfermidade a partir do ano anterior aos exames, foi deferida a solicitação de isenção do Imposto sobre a Renda a contar de 01 de abril de 2014, primeiro dia do mês da constatação oficial do exame que definiu o direito ao beneficio, considerando a retroatividade de um ano com base nos relatos das informações médicas prestadas. CONCLUSÃO O Recorrente afirma que: “O que se busca aqui é a restituição dos valores retroativos à data do laudo que constatou a doença. (...), requer a restituição referente ao ano de 2012.” Pondera ainda que: “A decisão deve ser reformada, tendo em vista que o direito que se busca aqui é a restituição dos valores já descontados a título de Imposto de Renda retroativamente à data do laudo que atestou a enfermidade do servidor (fevereiro de 2012 vide laudo anexo), acrescidos dos juros de mora e correção monetária, conforme legislação regente, observandose o prazo prescricional.” Reafirma que: “O contribuinte recolheu o IR indevidamente e tem o direito de ter restituído esse valor imediatamente, porque sua retenção é ilegal.” Quanto à retificação da DIRPF apresentada diz: “É dever da Administração revisar seus atos quando perceba que eles estão incorretos, não sendo razoável tributar mais que o devido apenas porque o contribuinte retificou sua declaração para incluir em campo específico que é isento do IR.” Quanto á multa de ofício e juros de mora, alega que: “O auditor poderia, no máximo, não ter acatado o laudo, por considerar que não era válido, porém, nunca ter apenado o contribuinte com a punição das multas aplicadas. (...)” Por fim requer: “A imediata restituição dos valores já descontados a título de Imposto de Renda exercício de 2013 retroativamente à data do laudo médico que atestou a enfermidade do contribuinte, (02/2012) acrescidos dos juros de mora e correção monetária, conforme legislação de regência.” Neste sentido como o pedido do Recorrente é pela restituição dos valores que foram retidos pela fonte pagadora de seus proventos de aposentadora referente ao anobase de 2012, mas antes da comprovação oficial da moléstia, a decisão deste Acórdão é de negar Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10166.724521/201692 Acórdão n.º 2001000.311 S2C0T1 Fl. 78 11 provimento, desconsiderando os efeitos da declaração retificadora apresentada pelo Contribuinte. No que se refere à multa de ofício e juros de mora é de considerar que devam ser excluídos tais acréscimos de vez que não ocorreu inadimplência no pagamento do tributo e tampouco houve lesão a fisco porque o Recorrente não deixou de pagar o imposto, apenas apresentou DIRPF retificadora para pleitear os valores que lhes foram descontados a título de Imposto de Renda retidos na fonte sobre proventos de aposentadoria, em data anterior a expedição do laudo. Da mesma forma que incabível a exigência de multas sobre valores não inadimplidos ou não oferecidos a tributação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando, portanto, para o anobase de 2012, como pleiteado na declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e excluirse, todavia, pelas razões antes apontadas, as penalidades a título de multa e juros de mora que lhe foram aplicadas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000622/2006-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO SALDO.
Nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existem duas hipóteses quanto à contagem do prazo decadencial: i) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN); ii) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, ou haja dolo, fraude ou simulação, o prazo para o lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte ao de ocorrência do fato gerador (art. 173, I, do CTN).
Não havendo efetiva comprovação da composição do saldo (acumulado) de passivo fictício e não sendo pago o tributo no exercício em que o balanço foi analisado (2001), conta-se o prazo decadencial nos termos art. 173, inciso I, do CTN.
PASSIVO FICTÍCIO OMISSÃO DE RECEITAS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
O passivo fictício é a manutenção na escrituração contábil de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Hipótese de presunção prevista em lei. Inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar a improcedência do mecanismo presuntivo, mediante apresentação de documentação idônea e hábil.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter declarado a inconstitucionalidade do § 1, do artigo 3ª da Lei nº 9.718/98, as receitas consideradas como omissão de receitas, por passivo fictício, não extrapolam o conceito de faturamento definido pelo STF. Não havendo comprovação do contribuinte das parcelas que supostamente superariam aquele conceito, não há erro a ser reparado na autuação lavrada.
INCONSTITUCIONALIDADES
Nos termos da súmula número 02 do CARF, não cabe ao órgão colegiado declarar a inconstitucionalidade de leis válidas e vigentes no ordenamento jurídico, devendo ser rejeitas as argumentações neste sentido.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação de IRPJ, em função da relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1302-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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PASSIVO FICTÍCIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO SALDO. Nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existem duas hipóteses quanto à contagem do prazo decadencial: i) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN); ii) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, ou haja dolo, fraude ou simulação, o prazo para o lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte ao de ocorrência do fato gerador (art. 173, I, do CTN). Não havendo efetiva comprovação da composição do saldo (acumulado) de passivo fictício e não sendo pago o tributo no exercício em que o balanço foi analisado (2001), contase o prazo decadencial nos termos art. 173, inciso I, do CTN. PASSIVO FICTÍCIO OMISSÃO DE RECEITAS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O passivo fictício é a manutenção na escrituração contábil de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Hipótese de presunção prevista em lei. Inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar a improcedência do mecanismo presuntivo, mediante apresentação de documentação idônea e hábil. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter declarado a inconstitucionalidade do § 1, do artigo 3ª da Lei nº 9.718/98, as receitas consideradas como omissão de receitas, por passivo fictício, não extrapolam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 22 /2 00 6- 60 Fl. 563DF CARF MF 2 o conceito de faturamento definido pelo STF. Não havendo comprovação do contribuinte das parcelas que supostamente superariam aquele conceito, não há erro a ser reparado na autuação lavrada. INCONSTITUCIONALIDADES Nos termos da súmula número 02 do CARF, não cabe ao órgão colegiado declarar a inconstitucionalidade de leis válidas e vigentes no ordenamento jurídico, devendo ser rejeitas as argumentações neste sentido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação de IRPJ, em função da relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias Relatório Tratase o presente processo administrativo de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte Alfatronic S/A, ora Recorrente, através do qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, referentes ao ano calendário de 2001. Nos termos do TVF de fls. 279 e seguintes, o agente fiscal constatou que houve omissão de receitas, caracterizada pela manutenção de suposto passivo fictício de obrigação em aberto em 31/12/2001. Para fundamentar sua autuação, assim se pronunciou a fiscalização no mencionado TVF: Intimamos o contribuinte conforme Termo lavrado em 19/05/2005, à apresentar a composição da conta FORNECEDORES saldo em 31/12/2001, acompanhado dos respectivos documentos hábeis e idôneos. Apuramos, nesta ação fiscal, a não comprovação da conta Fornecedores no montante de R$ 1.086.488,25, caracterizando a hipótese legal de presunção de omissão de receitas, decorrente de manutenção, no passivo exigível da empresa, de obrigações Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.000622/200660 Acórdão n.º 1302002.771 S1C3T2 Fl. 564 3 vencidas anteriormente à data do balanço sem a devida comprovação do pagamento, e/ou esclarecimentos que justifiquem de forma inequívoca a existência das obrigações, em 31/12/2001. ' Do confronto entre os documentos apresentados (notas fiscais e respectivas quitações) e os fornecedores relacionados na composição do passivo fornecido pelo contribuinte, detectamos a falta de documentos relativos às obrigações vencidas anteriormente à data do balanço (31/12/2001). Lavramos. em 23/03/2006, o Termo de Intimaçao informando a referida falta de documentos e solicitando a apresentação dos mesmos, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas. A vista da não apresentação de documentos comprobatórios da quitação dos títulos, bem como, a inexistência de esclarecimentos cabíveis que justifiquem de forma inequívoca a existência dessas obrigações na data do balanço de 31/12/2001, fica caracterizada a hipótese legal de presunção de omissão de receitas, decorrente de manutenção, no passivo exigível da empresa, de obrigações vencidas anteriormente à data do balanço sem a devida comprovação de pagamento, e/ou esclarecimentos que justifiquem de forma inequívoca a existência das obrigações, em 31/12/2001. Devidamente intimado da autuação, o contribuinte apresentou Impugnação administrativa, na qual trouxe diversos argumentos, que foram assim sintetizados no acórdão recorrido (fl. 475): o ônus da demonstração da ocorrência do passivo fictício seria do FISCO. o fisco não teria comprovado a alegada omissão de receitas, pois o saldo na conta fornecedor realmente não teria sido pago pelo contribuinte; . o auto não poderia prosperar pela ocorrência da decadência, pois o período constante da autuação referirseia ao ano de 1991 a 2001. o período para a ocorrência da decadência seria qüinqüenal e, portanto, teria decaído o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo às Declarações de Importação contabilizadas nos períodos de 1991 a 2001, relacionadas no auto de infração. o art. 3° da Lei n° 9.718/1998 que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS seria inconstitucional. não deveria incidir juros sobre a correção monetária, correto seria que computasse os juros sobre o valor original do débito e não sobre o débito acrescido de atualização monetária. a multa não poderia ser cumulada com juros moratórios e não poderia ser fixada no absurdo montante de 75%; Fl. 565DF CARF MF 4 a aplicação da taxa SELIC para o cômputo dos juros de mora seria inconstitucional. Em análise à impugnação apresentada, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), por maioria de votos, entendeu por bem julgar aquela como improcedente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001 PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITA. Presumese omissão de receita a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. DECADÊNCIA. ' Não havendo pagamento, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, porém para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4° do art. 150 do CTN. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. A declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, logo, não cabe a sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda, a decisão de mérito prolatada em relação ao auto de infração principal constitui prejulgado nas decisões decorrentes. Lançamento Procedente O Recorrente foi intimado via AR do acórdão proferido, apresentado Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual repisa, em síntese, os argumentos apresentados em sua Impugnação. Assim, os autos foram remetidos ao CARF e distribuídos a este julgador. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 15/10/2008, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 14/11/2008, Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.000622/200660 Acórdão n.º 1302002.771 S1C3T2 Fl. 565 5 ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado, devendo ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que cumpre os demais requisitos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA Em que pese, no Recurso Voluntário ora analisado, a alegação de ocorrência de decadência ter sido lançada após os argumentos de mérito, tendo em vista ser essa uma preliminar prejudicial do mérito, invertese a ordem exposta pelo Recorrente, para, em primeiro lugar, se analisar se há ou não decadência no presente caso. Como sabido, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 146, inciso III, alínea b), determina que cabe ao legislador complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária, inclusive aquelas que tratam da prescrição e decadência. No ordenamento jurídico pátrio, o Código Tributário Nacional é a norma geral a qual faz menção o Texto Constitucional. Mesmo tendo sido publicado antes da Constituição de 1988, o referido código foi recepcionado como Lei Complementar em matéria tributária e, por isso, é nele que se encontram as regras para contagem do prazo decadencial no Direito Tributário. Assim, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que o contribuinte declara, calcula e recolhe os valores que entende devidos ao erário, o CTN determina que o fisco possui 05 anos, contados do fato gerador, para homologar a declaração e o pagamento realizado pelo contribuinte. Eis a sua redação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destacouse) Fl. 567DF CARF MF 6 Contudo, nos termos já decido pelo STJ, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso não haja pagamento (com ou sem declaração do contribuinte) aplicase a regra geral para contagem do prazo decadencial, que está prevista no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, que tem a seguinte redação: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A aplicabilidade do art. 150, § 4º ou do art. 173, I, ambos do CTN, foi objeto de decisão definitiva, como mencionado, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), no Recurso Especial nº 973.733/SC, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.000622/200660 Acórdão n.º 1302002.771 S1C3T2 Fl. 566 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Contudo, o STJ, em julgado posterior, em que o relator cita expressamente o acórdão cuja ementa foi transcrita acima, acolhendo Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, "a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria", em caso muito semelhante ao que é aqui tratado, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 569DF CARF MF 8 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 26/02/2010) (destacouse) Cumpre ressaltar que esse posicionamento foi adotado pelo Superior Tribunal de Justiça foi tomado em sede de recursos repetitivos, o que impõe a sua adoção por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (§ 2º do art. 62 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016). Pois bem. No caso em apreço, como bem colocado no acórdão recorrido, "não há que se falar em homologação no prazo de cinco anos, contados do fato gerador, em virtude de não ter havido pagamento, pois pesquisa no sistema SIEF/Pagamento, noticia não ter havido pagamento de IRPJ e CSLL apurado na declaração anual" (fl. 476). Assim, o fato gerador ocorrido em 31/12/2001, só poderia ser lançado pelo fisco no ano de 2002, iniciandose a contagem do prazo decadencial, por consequência, no dia 01/01/2003, uma vez que, repitase, não houve pagamento do IRPJ e CSLL no período. Portanto, o direito de o fisco constituir o crédito tributário se encerraria em 01/01/2008, nos exatos termos delimitados pelo STJ no julgado cuja ementa foi acima transcrita. Considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 31/03/2006, não há que se falar em decadência do IRPJ e da CSLL, como alegado no Recurso Voluntário ora analisado. No caso da contribuição ao PIS e da COFINS, em que pese ter havido pagamento no período, o que impõe a aplicação do disposto no artigo 150, § 4º do CTN, tendo o fato gerador ocorrido em 31/12/2001, o fisco poderia lançar o crédito tributário até o dia 31/12/2006, o que afasta, também, a alegação de decadência. Devese afastar, ainda, a alegação do Recorrente no sentido de que o fato gerador do passivo fictício deve ser considerado da data em que cada uma das obrigações foi incluída no balanço da entidade. É que, se a fiscalização se ateve a analisar as demonstrações contábeis do anocalendário de 2001, identificando um passivo fictício neste ano e sem promover autuação dos anoscalendários anteriores, não se pode acatar o argumento de que o passivo fictício é anterior à data de 31/12/2001. Foi nesta data que se identificou as supostas irregularidades nas demonstrações contábeis do recorrente, a ensejar a presunção de omissão de receitas, por ter o Recorrente mantido um passivo, a princípio, sem o devido lastro contábil e documental. Por outro lado, o contribuinte, apesar de ter alegado nesse sentido, não trouxe provas de quando os valores foram lançados em seu passivo, para comprovar a afirmação de Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.000622/200660 Acórdão n.º 1302002.771 S1C3T2 Fl. 567 9 que aqueles foram incluídos quando da emissão das respectivas faturas/duplicatas ou declarações de importação. E esse prova é ônus do contribuinte. Sem a análise das demais contas do passivo (dos anos anteriores), não há como ter certeza de qual data foram incluídos, se foram baixados e depois incluídos novamente. Não há nos autos qualquer comprovação neste sentido. O Recorrente só alega a decadência, sem, contudo, trazer elementos de prova para comprovála. Neste ponto, portanto, rejeito a preliminar de decadência lançada no Recurso Voluntário. DO PASSIVO FICTÍCIO Como se depreende dos autos, a fiscalização, analisando as demonstrações contábeis do Recorrente, identificou um passivo fictício, de obrigações do contribuinte não adimplidas e que foram lançadas na conta contábil denominada "FORNECEDORES". Desta feita, em um primeiro momento, o contribuinte foi intimado a apresentar a composição daquela conta. Prestadas as informações e constatadas obrigações antigas e que não haviam sido adimplidas, o contribuinte foi instado a apresentar o comprovante de pagamento das obrigações vencidas anteriormente à data do balanço ou, caso ainda não tivessem sido quitadas, que fosse apresentada documentação que comprovasse de forma inequívoca a exigibilidade das obrigações. Contudo, o Recorrente, em atendimento às intimações, se ateve a informar que as obrigações, mesmo aquelas vencidas há quase 10 anos, não teriam sido quitadas, não apresentado qualquer documentação complementar, para fins de comprovação da exigibilidade das obrigações. Argumentou, neste sentido, que não poderia ser obrigado a "fazer prova negativa", sendo dever do fisco a comprovação das ilações de omissão de receitas. Pois bem. O ordenamento jurídico pátrio, em que pese ser bastante contestado por parte da doutrina neste ponto, admite a presunção de omissão de receitas em alguns casos em específico. O passivo fictício é uma delas, como se depreende da leitura do artigo 40 da Lei nº 9.430/96 e do artigo 281, inciso III do Decreto 3.000/99 (RIR/99): Lei 9.430/96 Art.40.A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. RIR/99 Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Fl. 571DF CARF MF 10 III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Como se depreende dos dispositivos acima citados, em especial ao que dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, há uma presunção relativa de renda, em caso de "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Esta presunção é relativa, uma vez que, ao contribuinte, tem que ser dada a oportunidade de comprovar que não incorreu em omissão de receitas. Ou seja, não pode a fiscalização, de forma unilateral, afirmar a existência de renda omitida, sem que seja dada a oportunidade ao contribuinte de fazer prova em contrário. Fabiana Del Padre Tomé, refutando de forma veemente a possibilidade de existência, no ordenamento, das chamadas presunções absolutas ou mistas, assim se pronuncia sobre as chamadas presunções relativas: Apesar de caracterizarem importante instrumento de que dispõe a Administração, auxiliandoa nas tarefas fiscalizatória e arrecadatória, as presunções têm seu emprego delimitado por normas constitucionais que traçam os contornos da competência tributária, além das que asseguram direitos dos contribuintes. Por tal razão, não encontram guarida em nosso ordenamento as presunções absolutas nem as chamadas presunções mistas. As primeiras são obstadas pela rígida repartição constitucional das competências para instruir tributos, bem como pelos princípios da estrita legalidade tributária, da tipicidade e da capacidade contributiva. Quanto às presunções mistas, violam não apenas os primados da tipicidade e capacidade contributiva, mas também o direito à ampla defesa, já que restringem as provas possíveis de serem utilizadas para ilidir o fato presumido. As presunções susceptíveis de serem empregadas pelo Fisco são apenas as relativas, por possibilitarem ao contribuinte a livre produção probatória em sentido contrário. (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Págs. 301 e 302) No caso do passivo fictício (hipótese preceituada no inciso III, do artigo 281 do RIR/99), o legislador aventou duas possibilidades para a conclusão de omissão de receita pela fiscalização, quais sejam: (i) obrigação já paga ou (ii) obrigação cuja a exigibilidade não seja comprovada por documentação hábil e idônea. No caso em apreço, o contribuinte afirmou, seja na resposta das intimações, seja na Impugnação, seja no Recurso Voluntário, que as obrigações não foram pagas e que, por isso, não haveria nenhuma irregularidade em seu passivo, mais especificamente na conta denominada "FORNECEDORES". Alegou, inclusive, que, "nos termos do art. 377 do RIR de 1999, na determinação de seu lucro operacional, computou, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações cambiais, em função da oscilação da taxa de cambio, aplicáveis em virtude de disposição legal, sobre o valor das obrigações assumidas pelo impugnante, assim como as perdas cambiais realizadas nos recebimentos de créditos, conforme demonstra se pela juntada do respectivo balanço e Livro de Apuração de Lucro Real." (fls. 515 e 516). Tal atitude, a princípio, comprovaria a inexistência de passivo fictício, a ensejar a presunção de omissão de receitas. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.000622/200660 Acórdão n.º 1302002.771 S1C3T2 Fl. 568 11 Contudo, data venia, em que pese assentar toda a sua defesa no fato de que não houve pagamentos das obrigações e que o contribuinte não pode ser obrigado a fazer prova negativa, ou seja, o contribuinte não teria como comprovar que não pagou os seus fornecedores e que, por isso, o passivo lançado estaria correto, olvidouse, o Recorrente, da segunda parte do dispositivo legal, que impõe ao contribuinte a comprovação da exigibilidade da obrigação. Não há dúvidas que o dispositivo legal que trata dessa hipótese de presunção de receitas, como demonstrado, o faz em duas vertentes: obrigação já paga (neste caso, refutada pelo contribuinte) e comprovação da exigibilidade da obrigação lançada no passivo. E, pela análise dos documentos acostados aos autos, não há nenhuma comprovação da exigibilidade da obrigação, como determina a legislação. Não se pode perder de vista, neste sentido, que as obrigações consideradas como inexistentes pela fiscalização são com fornecedores do Recorrente e de um período longo, compreendido entre os anos de 1991 e 2001. Contudo, não foi trazido aos autos, nem em sede de argumentação, o motivo pelo qual as referidas obrigações continuavam em aberto. Não houve nenhuma cobrança, protesto em cartório, ajuizamento de execução dos valores? Seriam aqueles fornecedores benevolentes ao ponto de deixar de cobrar obrigações contraídas e não pagas por seus clientes, ainda mais quando se trata de fornecimento de insumos, muitas vezes de valores elevados? Não houve nenhuma negociação de pagamento? O Recorrente não se manifestou quanto a isso. Repisase, o dispositivo legal que trata da presunção, no caso de passivo fictício, traz duas hipóteses e, o Recorrente, fiandose apenas na primeira (pagamento da obrigação), argumentou que não poderia fazer prova negativa, tendo em vista que as obrigações continuavam em aberto. Olvidouse, contudo, que deveria apresentar à fiscalização ou trazer aos autos documentação hábil e idônea que pudesse comprovar a exigibilidade daquelas obrigações. Diante da inversão do ônus da prova (pressuposto da presunção relativa), caberia ao contribuinte comprovar a exigibilidade e a efetiva existência do saldo classificado como passivo fictício pela fiscalização. O que não foi feito. Assim, permissa venia, não deve ser dada guarida às ilações a que chegou o julgador que proferiu o voto vencido, que consta do acórdão recorrido, no sentido de que a "comprovação da liquidação das obrigações deve ser efetiva por parte da fiscalização, pois inexiste presunção legal nesse sentido a seu favor (nem mesmo a de que obrigações vencidas já tenham sido liquidadas)." (fl. 480). Ora, a fiscalização intimou o contribuinte para se manifestar sobre as obrigações lançadas em seu passivo e, como este informou que elas não haviam sido quitadas, lhe foi dada a oportunidade de apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a exigibilidade daquelas obrigações, mantendose, o contribuinte, neste ponto, silente. Por outro lado, não se pode deixar de mencionar que, ao contrário do que consta do Recurso Voluntário, não houve a presunção do fisco de que os títulos estariam "pagos", como afirma o Recorrente à fl 520 dos autos. O que houve, reiterese, mais uma vez, foi uma presunção de omissão de receitas, na medida em que o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a exigibilidade dos títulos lançados em seu passivo. Não houve por parte da fiscalização, nem do acórdão recorrido, a refutação expressa Fl. 573DF CARF MF 12 da afirmação do Recorrente de que os títulos não haviam sido quitados. Pelo contrário, uma vez admitido que não houve os pagamentos, não restou comprovada a exigibilidade daquelas obrigações. Por tudo, neste ponto, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário do Recorrente, uma vez que não comprovada a exigibilidade das obrigações do passivo lançadas na conta denominada "FORNECEDORES". DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que a Lei nº 9.718/98 ampliou de forma inconstitucional a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. É que, como muito bem colocado no Recurso Voluntário, de fato, o Supremo Tribunal Federal, em sede de Recurso Extraordinário, entendeu por bem julgar como inconstitucional o dispositivo daquele lei (§ 1º do artigo 3º) que, de forma temerária, pretendeu alagar a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, sem que houvesse uma autorização do Texto Constitucional para tanto. O posicionamento do STF foi fixado nos autos dos RE's de números 308.882 e 527.602. Contudo, no presente caso, a receita tributada se amolda ao conceito de faturamento fixado pelo Supremo Tribunal Federal e o Recorrente, em que pese ser seu ônus, não se preocupou em fazer prova para demonstrar qual a parcela da receita considerada estaria em desacordo com o entendimento do STF. Desta forma, não há como dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega, de forma subsidiária, diversas nulidades e vícios da autuação, com base em supostas inconstitucionalidades dos dispositivos legais que embasaram o Auto de Infração lavrado. Neste ponto, primeiramente, devese fixar a premissa de que esse órgão colegiado não tem competência para declarar a inconstitucionalidade das leis vigentes e válidas no ordenamento jurídico. Esta competência é exclusiva do Poder Judiciário. Este posicionamento, inclusive, encontrase sumulado no âmbito do CARF, como se depreende da leitura da súmula nº 02, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, as alegações do contribuinte neste sentido (i) juros sobre correção monetária, (ii) abusividade da multa aplicada e (iii) inconstitucionalidade da Taxa SELIC não merecem provimento, uma vez que estão fundamentadas em suposta alegação de inconstitucionalidade das legislações que lhe autorizam a aplicação. Como até o presente momento não há um posicionamento definitivo do Poder Judiciário quanto as inconstitucionalidades levantadas, não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como demonstrado, a sua análise. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.000622/200660 Acórdão n.º 1302002.771 S1C3T2 Fl. 569 13 (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000530/2009-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 05 30 /2 00 9- 05 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, ano calendário de 2005, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 47.321,16 bem como de Contribuições à Previdência Privada, no valor de R$ 4.058,57. Na impugnação apresentada, fls.38/44, o Impugnante alega, em síntese, que foi cumprida a exigência do disposto''no . art. 80 do RIR/99, com a apresentação dos recibos originais de pagamentos emitidos pelos prestadores de serviços, bem como requer seja realizada perícia contábil a fim de verificar se as pessoas mencionadas no lançamento receberam os valores declarados pelo requerente; que os prestadores dos serviços sejam ouvidos neste procedimento administrativo. Quanto aos pagamentos da Access Clube e Sul América Seguros anexa os comprovantes. Quanto aos valores glosados da UNIMED foram os tributos recolhidos conforme documento anexo. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/12/2010 (fl. 114), o interessado interpôs, em 23/12/2010, o recurso de fls. 115/129. Nas razões recursais aduz preliminarmente a nulidade do processo por suposta violação aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e , no mérito, roga que seja desconsiderado o lançamento fiscal objeto da notificação aqui ventilada impedindo, assim, a glosa dos valores declarados pelo contribuinte, tendo em vista que apresentou em oportunidade anterior os recibos originais de pagamentos efetuados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, bem como as respectivas declarações que atestam a prestação de serviços médicos, de modo que sejam mantidos os dados e os lançamentos de sua declaração de renda do ano de 2007, anocalendário 2006. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Violação dos princípios da ampla defesa , contraditório e devido processo legal Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10855.000530/200905 Acórdão n.º 2001000.024 S2C0T1 Fl. 3 3 O Recorrente teve garantida as suas oportunidades de manifestação, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Não há comprovação nos autos de cerceamento de defesa. Ao reverso, o contribuinte teve as chances para a produção de provas ao seu favor em alguns momentos, e a usufruiu. A autoridade lançadora não violou qualquer princípio constitucional ou cláusula pétrea, mas tão somente entendeu não ser fundamental a produção de determinadas provas para a formação do seu convencimento. Menciono aqui trecho da decisão da DRJ/SP2, qual me amparo para fundamentar a análise desta preliminar: "Assim, o rito estabelecido na legislação vigente para o processo administrativofiscal é: a) não concordando com a exigência fiscal, o autuado tem direito de apresentar sua inconformidade através da impugnação, dentro do prazo de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar (art. 15 do PAF); b) a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou, refirase a fato ou direito superveniente, ou, destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16 e § 4° do PAF); c) dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte, não concordando com a mesma, poderá interpor recurso voluntário. Tendo em vista que o pedido genérico para produção de novas provas, depois de apresentada a impugnação, ou seja, extemporaneamente, não se enquadra nas exceções previstas no § 40 do art. 16 do Decreto 70.23511972, é de se indeferir o referido pedido. Destaquese, ainda, que o processo administrativo fiscal, calcado no Decreto 70.235/1972, com alterações posteriores, não admite a produção de prova testemunhal. Por isso, acrescentese às razões do indeferimento acima, a ausência de previsão legal para que sejam ouvidas as pessoas prestadoras dos serviços médicos. No tocante ao pedido de'prova pericial, cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao Sujeito Passivo o direito de pleitear a sua realização, em conformidade com o art.16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal PAF , com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93, compete à Autoridade Julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18,"caput ", do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). A realização de diligências e/ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais, que, por algum motivo justificável, Fl. 156DF CARF MF 4 não é possível ao impugnante fazêlo quando de sua impugnação, fato este que não se aplica à presente situação, tendo em vista que o contribuinte não anexou aos autos nenhum elemento inovador que necessitasse de sua efetivação, deixando, portanto, de atender o disposto no inciso IV, do art. 16, do PAF. Desta feita, não acolho a preliminar de nulidade, passando, assim, à análise do mérito. Mérito Glosa de despesas médicas . Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos originais dos pagamentos efetuados, relativos ao próprio tratamento, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, além de declaração dos próprios prestadores de serviço, ratificando a existência dos fatos. A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10855.000530/200905 Acórdão n.º 2001000.024 S2C0T1 Fl. 4 5 “[...] Conforme se depreende dos dispositivos supracitados, cabe ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante, bem como à época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admite se como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Essa é a regra. Entretanto, o Fisco, pode solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também provas de que os serviços foram prestados pelos profissionais. Este foi o procedimento adotado pela Fiscalização no caso em exame. A norma acima citada não dá aos comprovantes, ainda que revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto . A apresentação de recibos tem potencialidade probatória relativa e esta deve ser limitada por todos os elementos de convicção coletados pelo Auditor Fiscal no decorrer da ação fiscal, desde que o contribuinte os forneça. Face a alegação do impugnante, destacase que não há nenhum impedimento de que se façam pagamentos em moeda corrente, desde que o mesmo comprove tal fato, quando exigido, como, por exemplo, com apresentação de extratos onde constem os saques coincidentes em datas e valores dos recibos. O contribuinte, em que pesem os esforços expendidos, não logrou demonstrar a efetiva transferência dos valores correspondentes, sua justificativa, no entanto, é de que tãosomente efetuava os pagamentos em dinheiro. Tal afirmação à luz do bom senso, carece de razoabilidade, pois, tratando neste item somente de glosa de despesas médicas,no valor de R$ 47.321,16, ou seja, a despeito de tal demanda financeira, quer nos convencer ò impugnante que, sem qualquer exceção, em nenhum momento houve transferência de valor econômico por outro meio se não o de pagamento em espécie. “[...] A exigência, pela autoridade fiscal, de comprovação de pagamento dos serviços contratados pelo Recorrente, através de a apresentação de cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviços, de fato me parece ser coerente diante do fato concreto, tendo em vista, principalmente, o valor envolvido em relação às despesas médicas. Nesta senda, entendo, ademais, que a fundamentação fiscal a qual deu amparo ao lançamento aqui analisado está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico. Senão vejamos o que dispõe o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999 : Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 158DF CARF MF 6 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela manutenção do crédito lançado, o qual restou claramente respaldado e fundamentado pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, declarando, pois, a manutenção do crédito fiscal pretendido pela autoridade lançadora. Fernanda Melo Leal. Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.017115/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 17 11 5/ 20 09 -6 1 Fl. 15DF CARF MF Processo nº 10830.017115/200961 Resolução nº 2401000.665 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação do AIOP nº 37.255.6124, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0532.641 (fls. 1903/1907): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO POR CARTA. PREVISÃO. CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA NA FASE INVESTIGATIVA. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. As normas que regem o processo administrativo fiscal preveem como uma das formas de intimação a via postal, além da intimação pessoal e por edita. O contraditório apenas se concretiza com a impugnação do lançamento, com a formação do processo contencioso, inocorrendo durante a fase investigativa da ação fiscal. O local da lavratura do Auto de Infração é o local da constatação da falta, não se vinculando necessariamente ao estabelecimento do autuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 1770/1772), o presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.255.6124 (fls. 1189/1773), relativo às contribuições sociais devidas às Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre o salário de contribuição dos segurados empregados, não recolhidas em épocas próprias e não declaradas em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências de 01/2004 a 12/2004. O valor total do lançamento, consolidado em 14/12/2009, é de R$ 77.631,28. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal: 1. Os fatos foram apurados com base na maior remuneração dos segurados empregados, em confronto com dados constantes em GFIP X RAIS X DIRF e Arquivos Digitais da Folha de Pagamento do ano de 2004; 2. Os valores dos salários de contribuição que serviram de base para o Auto de Infração não foram declarados em GFIP, antes do início do procedimento fiscal; Fl. 16DF CARF MF Processo nº 10830.017115/200961 Resolução nº 2401000.665 S2C4T1 Fl. 4 3 3. Em atenção ao disposto na alínea “c” do inciso II do artigo 106 da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional, foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades mais benéficas para o contribuinte; 4. Em face à sonegação das contribuições previdenciárias, conforme exposto no lançamento foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) para encaminhamento ao Ministério Público Federal. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 22/12/2009 (fl. 02 do Processo nº 10830.017115/200961) e, em 20/01/2010, apresentou sua impugnação de fls. 1872 a 1876. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CPS para julgamento, que, através do Acórdão nº 0532.641, entendeu não ter havido argumentos ou provas com o condão de alterar o lançamento efetuado e com isso julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário. Em 04/03/2011 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/CPS (AR – fl. 1909) e tempestivamente, em 29/03/2011 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1933 a 1937, onde alega que: 1. Informou ao Agente Fiscal, por diversas vezes, que seu programa de folha de pagamento estava gerando lançamentos para um mesmo funcionário em duplicidade; 2. Deixou à disposição do Agente Fiscal, em sua sede, vários documentos por ele solicitados e que ele nunca retornou para retirá los; 3. Todo o levantamento foi baseado em obrigações e arquivos, sem ter um documento palpável para verificar; 4. Mesmo o Agente Fiscal alegando ter sido recebido pelo Contador da empresa e que o mesmo tinha conhecimento dos lançamentos, isso não satisfaz a inconformidade, pois, não se discute o valor lançado na contabilidade e sim os informados pela RAIS que foi errônea devido à duplicidade informada; 5. Não foram utilizados os recursos necessários para o bom andamento da fiscalização; 6. Com relação as indicações efetuadas com base na Lei 8.212/91 todas foram modificadas ou revogadas pela Lei 11.941/2009. Preliminarmente requer a análise do documento juntado e finaliza seu Recurso Voluntário pedindo a reforma da decisão que lhe foi desfavorável, cancelando o débito fiscal reclamado. Fl. 17DF CARF MF Processo nº 10830.017115/200961 Resolução nº 2401000.665 S2C4T1 Fl. 5 4 Em 28/04/2011 (AR fl. 1952), o Contribuinte foi Intimado (fl. 1951) a apresentar sua desistência expressa dos Recursos Voluntários apresentados uma vez que manifestouse pela inclusão total dos seus débitos no REFIS da Lei 11.941/09. Foi juntado aos autos a decisão proferida no Mandado de Segura nº 001043291.2011.4.03.6105 (fls. 1953/1954). É o relatório. Fl. 18DF CARF MF Processo nº 10830.017115/200961 Resolução nº 2401000.665 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Após a intimação 885/2011 SECAT/DRF/CPS efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas para que a contribuinte apresentasse a desistência expressa dos Recursos Voluntários, considerando que a empresa procedeu a inclusão da totalidade de seus débitos junto à Receita Federal no parcelamento REFIS da Lei nº 11.941/09 (fl. 1951), foi juntado aos autos a decisão de fls. 1953/1954 que noticia o ajuizamento de Mandado de Segurança (Processo nº 001043291.2011.4.03.6105). A referida decisão trata de sentença que relata a impetração da Mandado de Segurança objetivando o afastamento da obrigatoriedade de desistência do PAF como condição para permanecer no programa de parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Cita especificamente os Processos Administrativos números 10830.0171113/200971, 10830.017114/200916 e 10830.017115/200961. Segundo o Juízo de primeiro grau, a impetrante aderiu ao parcelamento manifestandose pela inclusão da totalidade de seus débitos perante a PGFN e RFB e que, de acordo com os documentos adunados aos autos judiciais, não há especificação dos débitos a serem incluídos e nem a ressalva de que a impetrante não pretendia a inclusão de todos os débitos no referido parcelamento. Notoriamente, a adesão ao parcelamento estabelecido pela Lei 11.941/2009 traz como consequência a confissão irrevogável e irretratável dos débitos indicados para compor o parcelamento: Art. 5º. A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. De acordo com o que preceitua o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, o pedido de parcelamento importa em desistência do recurso e configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou Fl. 19DF CARF MF Processo nº 10830.017115/200961 Resolução nº 2401000.665 S2C4T1 Fl. 7 6 a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Diante da inclusão do débito recorrido no aludido parcelamento, restaria configurado não mais existir interesse processual da empresa no julgamento do Recurso Voluntário. No entanto, para a verificação da existência de renúncia ao recurso voluntário por parte do sujeito passivo, necessário se faz verificar quais débitos foram formalizados no parcelamento. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a DRF de origem verifique se os débitos relativos ao AIOP nº 37.255.6124 foram incluídos no parcelamento e se houve desistência expressa da contribuinte com relação ao Recurso administrativo interposto. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 20DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000552/2005-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO.
É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada DIF-Papel Imune, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
Numero da decisão: 9303-006.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada DIF-Papel Imune, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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EPP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada “DIFPapel Imune”, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 52 /2 00 5- 69 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 19515.000552/200569 Acórdão n.º 9303006.672 CSRFT3 Fl. 298 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 251 a 263), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 210200.117, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Sejul do CARF (fls. 237 a 246), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. Consoante Súmula n° 2 do então Segundo Conselho, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL. A falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI/02. Recurso Voluntário Provido. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 275 a 289), a PGFN defende a aplicação da multa por falta de entrega da DIFPapel Imune por mês de atraso, com fulcro no art. 57, I, MP nº 2.15835/2001 (fundamento legal do art. 505 do RIPI/2002), c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99 e art. 12 da IN/SRF nº 71/2001. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 282 a 289). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos, pelo que dele conheço. No mérito, não vou adentrar aqui em maiores discussões, pois a matéria trazida à apreciação (multa pela falta de apresentação, no prazo, da DIF – Papel Imune) é mais Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19515.000552/200569 Acórdão n.º 9303006.672 CSRFT3 Fl. 299 3 que conhecida nesta Turma, inclusive com diversos votos de minha lavra, como o do Acórdão nº 9303004.953, proferido em 10/04/2017, em decisão unânime, sendo que na sessão a composição do Colegiado era muito similar: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Não se pode dizer que agiu incorretamente a Fiscalização, pois o Auto de Infração foi lavrado em 07/03/2005 (fl. 51). O fato é que a retroatividade benigna do art. 106, II, “c” do CTN é plenamente aplicável ao caso, sendo somente cabível uma multa, em valor único, por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês de atraso. De toda forma, para que não fiquemos somente adstritos ao dito na Ementa do meu Voto adotado como exemplo, transcrevo abaixo a legislação pertinente, na parte que interessa à discussão, para bem aclarar o assunto: Lei nº 9.779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. IN/SRF nº 71/2011 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 19515.000552/200569 Acórdão n.º 9303006.672 CSRFT3 Fl. 300 4 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, caracteriza a situação prevista no inciso II do art. 7º, sem prejuízo da aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15834, de 27 de julho de 2001. MP nº 2.15435/2001 (Redação original) Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). Lei nº 11.945/2009 Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (...) § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: (...) II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19515.000552/200569 Acórdão n.º 9303006.672 CSRFT3 Fl. 301 5 (...) § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: (...) II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial, mantendo a decisão no sentido de que se aplique somente uma penalidade por declaração entregue em atraso, cabendo à Unidade de Origem verificar a condição da autuada à época (Microempresa, EPP / Demais), para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900982/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 09 82 /2 01 3- 55 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13502.900982/201355 Acórdão n.º 1201002.006 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de CSLL com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13502.900982/201355 Acórdão n.º 1201002.006 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13502.900982/201355 Acórdão n.º 1201002.006 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.720239/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008, 2009
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade - ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃOFINANCEIRA. DECRETO Nº 3.724/2001. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. EMBARAÇÃO À FISCALIZAÇÃO. HIPÓTESE PREVISTAS NO ART. 33 DA LEI Nº 9.430/96. EMISSÃO DE RMF BASEADA EM SIMPLES NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
O acesso à movimentação financeira do contribuinte, autorizado pela LeiComplementar nº. 105, de 2001, implica fiel obediência aos ditames doRegulamento correspondente (Decreto nº. 3.724, de 2001). No caso vertente,em que o referido acesso se deu com suporte nas hipóteses descritas no art.33 da Lei nº. 9.430, de 1996, seria necessário o aporte de documentaçãocapaz de indicar condutas que permitissem concluir pela intenção deliberadado contribuinte de obstaculizar o andamento da ação fiscal (embaraço), sendoinsuficiente, à evidência, a mera comprovação do não atendimento deintimação para apresentar extratos bancários.
Numero da decisão: 1301-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes que votou por negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃOFINANCEIRA. DECRETO Nº 3.724/2001. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. EMBARAÇÃO À FISCALIZAÇÃO. HIPÓTESE PREVISTAS NO ART. 33 DA LEI Nº 9.430/96. EMISSÃO DE RMF BASEADA EM SIMPLES NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. O acesso à movimentação financeira do contribuinte, autorizado pela LeiComplementar nº. 105, de 2001, implica fiel obediência aos ditames doRegulamento correspondente (Decreto nº. 3.724, de 2001). No caso vertente,em que o referido acesso se deu com suporte nas hipóteses descritas no art.33 da Lei nº. 9.430, de 1996, seria necessário o aporte de documentaçãocapaz de indicar condutas que permitissem concluir pela intenção deliberadado contribuinte de obstaculizar o andamento da ação fiscal (embaraço), sendoinsuficiente, à evidência, a mera comprovação do não atendimento deintimação para apresentar extratos bancários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 39 /2 01 2- 10 Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.425 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes que votou por negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.426 3 Relatório COMERCIAL UNIPLACAS LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1438.228 proferido pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls.1292/1304, que se prestou a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e respectivos consectários legais, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2007 e 2008, em razão da constatação de falta de lançamento do imposto caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada por meio de presunção legal de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O crédito tributário exigido neste processo está composto dos seguintes montantes: TRIBUTO TRIBUTO (R$) JUROS (R$) MULTA (R$) TOTAL (R$) IPI 3.225.630,73 1.200.835,15 4.838.446,04 9.264.911,92 TOTAL (R$) 3.225.630,73 1.200.835,15 4.838.446,04 9.264.911,92 O enquadramento legal para o lançamento dos tributos deuse como a seguir demonstrado: • IPI: Arts. 24, II, III, 25, II, 34, II, 122, 123, I, b, e II, c, 127, 130, 131, II, 199 e parágrafo único, 200, IV, 202, III, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02). Os juros de mora foram lançados com fundamento no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96 e as multas de ofício, aplicadas essencialmente à razão 150% do valor dos respectivos tributos, foram lançadas com fundamento no que dispõe o art. 80, caput e § 6º, II da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelos art. 13 da Medida Provisória (MP) Nº 351, DE 2007 convertida na Lei nº 11.488/07. O procedimento de fiscalização e as conclusões dele decorrentes foram relatadas no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1280/1290. Segundo o relato da autoridade fiscal, o procedimento de fiscalização foi realizado tendo em vista que a contribuinte apresentou movimentação financeira em suas contas bancárias incompatível com a receita declarada. Relatou que a contribuinte foi intimada, relativamente aos anoscalendário (AC) de 2007 e 2008, a apresentar os atos constitutivos e alterações posteriores, DIPJ, DCTF e Dacon, os livros Diário e Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas, livro de Apuração de ICMS, Prestação de Serviços e Inventário, extratos bancários, etc. Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.427 4 Como não foram apresentados os extratos bancários solicitados, foram expedidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) para o Banco Real, Unibanco, Safra, Itaú, Bradesco, Banco Semear, Banco Daycoval S/A, Coop. Créd. Livre Admi. Regional de Mandaguari, Coop. Crédito Rural Vale do Bandeirante de Coope. De Créd. Livre Adm.Agoempresarial Sicred. A fiscalização constatou que houve apenas o registro contábil parcial das operações do banco Real em 2008. A contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias e nada apresentou. Foram excluídos dos depósitos questionados pelo fisco os valores das receitas declaradas, conforme se pode ver no demonstrativo de fl. 1286, tributandose a diferença como omissão de receita proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, exigindose o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins e o IPI. Foi exigida a multa de 150% e foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 11634.720848/201180. Notificada do lançamento, a contribuinte, representada pelo procurador João Fernando de Alvarenga Reis (fl. 1326), ingressou com a impugnação de fls. 1307/1325, alegando: · Nulidade do auto de infração em função da violação do sigilo bancário. A Receita Federal, com fundamento na Lei Complementar (LC) nº 105/01 regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, solicitou às instituições financeiras, por meio de RMF, os extratos de sua movimentação financeira. Ocorre que referida LC viola a Constituição Federal (CF), no que concerne às garantias relativas ao sigilo bancário. O Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 389.808/PR destacou a referida inconstitucionalidade; · Violação do sigilo bancário por falta de motivação na expedição da RMF. O relatório efetuado para justificar a emissão da referida requisição apenas cita o art. 33 da Lei n º 9.430, de 1996, sem especificar em qual das hipóteses se enquadra o pedido, o que caracteriza violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Informou ao auditor que a não apresentação dos documentos solicitados no termo de intimação fiscal se deu em razão de estarem de posse do contador, carreando ao processo administrativo denúncia por apropriação indébita feita em face do mesmo. Assim, ficou descaracterizada a hipótese contida no art. 33 da Lei nº 9.430/96 e, conseqüentemente, a hipótese contida no Decreto nº 3.724/01, fato que desautoriza a expedição da RMF para as instituições financeiras; · Nulidade da RMF por falta de requisitos legais. Não há código de acesso à internet para permitir à instituição financeira a identificação da RMF; · Nulidade decorrente de erro na base de cálculo. O auditor fiscal considerou os depósitos em seu valor nominal, não levando em consideração a opção de declaração pelo lucro presumido a que fazia jus; · É inválida a presunção de omissão de receitas, pois a contribuinte informou ao autuante que os recursos eram relativos a financiamento de produção e indicou as empresas de fomento mercantil que fariam os referidos empréstimos disfarçados de operação de fomento. A partir dessa indicação, cabia à fiscalização averiguar essas informações. Por se tratar de simulação de operação de fomento obviamente não existiam documentos para comprovar a origem e razão dos recursos depositados; Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.428 5 · A fiscalização considerou como omissão de receita operações que correspondem a empréstimos feitos junto a terceiros com cheques próprios, transações entre a impugnante e demais empresas, cujos sócios se confundem, fato que não caracteriza omissão de receitas. Diante do erro evidente, descoberto sem maior esforço, e diante da impossibilidade de se averiguar caso a caso a ocorrência ou não de omissão de receita, tal presunção deve ser descartada; · O ônus do fisco de comprovar a ocorrência caso a caso se impõe pela demonstração da impugnante de que houve erro na base de cálculo e, portanto, excesso de exação. Há de se salientar que caso fossem apresentadas as operações pelas empresas indicadas pela impugnante evidentemente outros valores seriam descartados, já que não se revelam como receita tributável; · Cumpre salientar que para a obtenção dos documentos referentes às operações de financiamento e verificação a legalidade dos juros cobrados já há diversas ações judiciais em andamento em face das empresas (WS, AM Créd e Cobrafas) que operaram os maiores valores conforme relatório anexo; · Resta evidenciado pelo princípio da capacidade contributiva subjetiva que não há possibilidade de tais recursos serem considerados como omissão de receita; · As multas lançadas são indevidas pois não restou comprovada a intenção de fraudar o fisco. · Solicitou que seja deferida a juntada de documentos posteriores ao presente processo à medida que a impugnante vem promovendo ações judiciais em face das empresas financiadoras para apresentação dos documentos. · Requereu que seja intimada a impugnante na pessoa de seu representante legal e de seus procuradores das decisões do referido processo sob pena de nulidade do processo administrativo. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 07 de agosto de 2012 (fl. 1387), apresentando recurso voluntário de fls. 13881406 em 06 de setembro de 2012. Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.429 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. Tratandose de auto de infração reflexo, baseado nos mesmos elementos de prova e com recurso voluntário apresentado idêntico à exigência de IRPJ no processo 11634.720840/201113, adoto os fundamentos do voto condutor do acórdão 1301002.986. 2 PRELIMINARES 2.1 SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE. Em seu recurso voluntário, aduz a recorrente que o lançamento seria nulo em razão da quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial, procedimento que entende ser inconstitucional. Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucionalidade, Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.430 7 retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o EstadoAdministração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo modo, analisando o tema, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.431 8 Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Em resumo, no que tange às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Desse modo, rejeito a arguição de inconstitucionalidade suscitada. 2.2 IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF Aduz a recorrente que a emissão da RMF seria nulidade por falta de cumprimento de requisitos legais. Argumenta que embora esteja previsto no inciso IX do § 7º do art. 4º do Decreto nº 3.724, de 2001, que na RMF conste código de acesso à Internet que permita à instituição financeira identificar a RMF, não haveria tal identificação nos autos. Em primeiro lugar, o código a que se refere o citado dispositivo regulamentar é dirigido à consulta da instituição financeira que recebe a RMF a fim de disponibilizar as informações solicitadas pela autoridade fiscal. De toda forma, há nos autos a RMF com o tal código de acesso citado pela recorrente, conforme se observa à fl. 441, cujo trecho de interesse se reproduz a seguir: Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.432 9 O outro ponto trazido pela recorrente a respeito da suposta nulidade da RMF seria a violação decorrente do não enquadramento nas hipóteses legais previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. Pois bem, a respeito do tema, assim dispõe a Lei Complementar nº 105, de 2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Ato contínuo, o Poder Executivo editou o Decreto nº 3.724, de 2001 para regulamentar o art. 6º da LC nº 105, de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. É importante ressaltar o disposto no § 5º do art. 2º do Decreto nº 3.724, de 2001: Art. 2º [...] § 5o A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.433 10 Conforme se observa, e em sintonia com o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, para que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil possa examinar informações de terceiros contidas nos registros das instituições financeiras fazse necessário ter procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis. Em seu artigo 3º o Decreto em questão listou em quais hipóteses os exames serão considerados indispensáveis. Vejase sua redação à época da realização do procedimento fiscal: Art. 3o Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.434 11 Conforme se observa, somente nessas 11 hipóteses é que a autoridade fiscal poderia requisitar às instituições financeiras as informações do contribuinte sob procedimento fiscal. Tratase de norma que deve ser interpretada restritivamente, uma vez que se trata de informações protegidas pelo sigilo de dados e, em se tratando de pessoas físicas, que podem inclusive violar a intimidade do sujeito passivo, sendo que o sigilo bancário a que as instituições estão obrigadas, uma vez repassadas as informações ao Fisco, convolase em sigilo fiscal. No art. 4º do Decreto nº 3.724, de 2001, determinase que antes da emissão da RMF o contribuinte deve ser previamente intimado a apresentar as informações sobre sua movimentação financeira: Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no § 5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF § 1o A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: [...] § 2o A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 3o O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das informações prestadas, observada a legislação penal aplicável. [...] § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil encarregado da execução do procedimento fiscal ou pela chefia imediata. § 6o No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. [...] § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Pois bem, conforme se observa, para que a autoridade fiscal possa requerer informações de determinado contribuinte diretamente às instituições financeiras este deve estar sob procedimento fiscal, o exame deverá ser considerado indispensável, enquadrandose o caso concreto em uma das 11 hipóteses contidas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 e o contribuinte deve ter sido previamente intimado a apresentar tais informações e assim não tenha procedido. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.435 12 Além disso, a emissão da RMF deverá se basear em relatório circunstanciado elaborado pela autoridade fiscal, no qual se demonstre tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade (observado o princípio da razoabilidade), nos termos dos §§ 5º e 6º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. Convém ainda ressaltar que o disposto no § 8º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001, no que diz respeito à presunção de indispensabilidade das informações requisitadas em RMF, é dirigida à instituição financeira requerida, a fim de que não se abrisse a terceiros a possibilidade de se questionar a legalidade da requisição efetuada pela autoridade fiscal. Obviamente tal restrição não se aplicaria ao contribuinte sob procedimento fiscal, uma vez que tal interpretação implicaria franco e evidente cerceamento ao exercício de seu direito à ampla defesa. No caso concreto, a autoridade fiscal fundamentou a emissão da RMF com base no inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 (hipóteses previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996). Vejase excerto da RMF, incluindo o relatório circunstanciado a que se refere o § 5º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001 (fls. 434, e 438439): Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.436 13 Pois bem, conforme bem argumentado pela recorrente, a autoridade fiscal não indicou em qual hipótese prevista no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, teria se enquadrado o caso concreto. Entendo que, por si só, essa falta de indicação não seria suficiente para caracterizar vício na emissão da RMF, desde que se possa extrair do relatório fundamentado em que se baseia a RMF ao menos um fato que se enquadre nas hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. Analisando o sucinto relatório (fls. 438439), entendo que o fato ali contido que pode ser enquadrado nas hipóteses elencadas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, é a não apresentação, por parte do contribuinte, dos extratos e documentos bancários requeridos pela autoridade fiscal em sua intimação. Vejase a redação dessa hipótese, prevista no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/96: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; Pois bem, em sua defesa, aduz a recorrente que a não apresentação dos documentos se deu porque o rol de elementos solicitados pelo Fisco não estavam à sua disposição. A meu ver, independentemente disso, entendo extremamente frágil a interpretação dada pela autoridade fiscal de que a mera não apresentação dos extratos e documentos bancários por parte do fiscalizado seja suficiente para se expedir a RMF e possibilitar ao Fisco o acesso direto dessas informações junto às instituições financeiras. Se assim fosse, não haveria necessidade de o art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, listar 11 hipóteses para que o sigilo bancário do contribuinte pudesse ser transferido ao Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.437 14 Fisco. Bastaria uma: intimar o contribuinte e esse não apresentar os documentos solicitados. Ora, tal raciocínio, com a devida vênia, pareceme ser uma interpretação abusiva e extensiva, além de não razoável, de dispositivos que devem ser interpretados restritivamente. A importância do Decreto nº 3.724, de 2001, é de tamanha monta que o E. Supremo Tribunal Federal STF, ao julgar a ADI 2.859DF, e declarar constitucional o acesso direto pelo Fisco à movimentação financeira do contribuinte, fez referência expressa, na ementa do acórdão que as autoridades fiscais dos Estados e Municípios somente poderão acessar diretamente as informações e documentos bancários dos contribuintes sobre procedimento fiscal quando os respectivos poderes executivos editarem regulamentos semelhantes a esse diploma regulamentar federal. Com efeito, entendo que a obtenção dos elementos de prova em que se baseia o presente lançamento, quais sejam, os extratos bancários de onde se extraíram os depósitos tributados na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, se deu forma ilícita. Por consequência, entendo que o lançamento encontrase maculado por um vício insanável, implicando o cancelamento integral da exigência. Esse entendimento não é inédito no âmbito do CARF. Vejase, por exemplo, o decidido no acórdão 1302000.489 em voto relatado pelo ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, cujo excerto de interesse transcrevese a seguir: Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas em decorrência da apuração de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte sustenta, entre outras alegações, a nulidade do lançamento efetivado com base na movimentação bancária. Afirma que a decisão recorrida não demonstrou, em momento algum, quais foram os fundamentos utilizados pelo Fisco para que fosse expedida a requisição de movimentação financeira, tendo havido, assim, explícita violação às normas que disciplinam a matéria. Em virtude de tal argumentação, este Colegiado decidiu pela conversão do julgamento me diligência para que fosse carreado aos autos o RELATÓRIO que serviu de suporte para a expedição da Requisição de Movimentação Financeira. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis juntou o documento de fls. 364. Analisandose o referido documento, constatase que a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira teve por base as hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº. 9.430, de 1996. Para dar sustentação à referida fundamentação, a autoridade solicitante consignou: A empresa, após regularmente intimada, não disponibilizou os extratos bancários, sendo que sua movimentação bancária difere significativamente das receitas declaradas. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.438 15 O artigo 6º da Lei Complementar nº. 105, de 2001, que autoriza as autoridades e os agentes fiscais tributários da União examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a conta de depósitos e aplicações financeiras, estabelece as seguintes condições: a) existência de processo administrativo ou procedimento fiscal em curso; e b) indispensabilidade do exame. No que tange à primeira das condições, inexiste controvérsia, eis que contra a Recorrente foi instaurado, de forma regular, procedimento fiscal. Quanto à segunda, o Decreto nº. 3.724, de 2001, regulamentando o art. 6º acima referenciado, estabeleceu as hipóteses em que os exames são considerados indispensáveis. Entre tais hipóteses, sem dúvida, há a que foi apontada pela autoridade fiscal (as previstas no art. 33 da Lei nº. 9.430, de 1996). Contudo, apesar de indicar as hipóteses do art. 33 em comento como fundamento para requisitar as informações bancárias, a referida autoridade, em relatório por demais econômico, simplesmente afirma que a contribuinte não disponibilizou os extratos e que a sua movimentação bancária difere significativamente das receitas declaradas. O artigo 33 da Lei nº. 9.430, de 1996, que trata do regime especial para cumprimento de obrigações pelo sujeito passivo, elenca as seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III evidências de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; IV realização de operações sujeitas à incidência tributária, sem a devida inscrição no cadastro de contribuintes apropriado; V prática reiterada de infração da legislação tributária; Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.439 16 VI comercialização de mercadorias com evidências de contrabando ou descaminho; VII incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária. Desconsiderada a hipótese de que a requisição da movimentação bancária da Recorrente tenha sido feita em razão da divergência com os valores declarados, vez que, nesse caso, a fundamentação deveria ser com base no inciso XI do art. 3º do Decreto nº. 3.724, a única situação que tangencia os motivos descritos pela autoridade fiscal é a estampada no item I acima (EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO). Nessa linha, o embaraço estaria caracterizado pela não fornecimento de informações sobre movimentação financeira. Se foi essa a direção adotada pelo agente fiscal, creio que o relatório de fls. 364 deveria ter reunido elementos capazes de caracterizar o embaraço à fiscalização, pois, considerada um interpretação sistemática da legislação, a simples ausência de apresentação de extratos bancários não autoriza o acesso à movimentação financeira do contribuinte por meio de requisição às instituições bancárias. Observese que, se assim fosse, todas as demais hipóteses previstas no art. 3º do Decreto nº. 3.724/2001 tornarseiam dispensáveis, visto que bastaria intimar o contribuinte a apresentar os documentos bancários e, uma vez não tendo sido apresentada resposta satisfatória, expedir a competente requisição aos estabelecimentos bancários. A meu ver, resta fora de dúvida que o embaraço à fiscalização fica configurado a partir de condutas que, não obstante isoladamente pouco possam significar, no seu conjunto deixam clara a intenção do contribuinte de obstaculizar o prosseguimento da ação fiscalizadora. Nessas circunstâncias, deve a autoridade fiscal, com o intuito de robustecer a acusação (de embaraço), colacionar aos autos elementos capazes de demonstrar tal intenção. No caso vertente, entretanto, não identifico nos autos tais elementos. Com efeito, a Recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários (fls. 04) e, afirmando estar com as atividades paralisadas, esclareceu que havia solicitado aos estabelecimentos bancários os citados documentos. Posteriormente, foi intimada a comprovar a origem dos valores ingressados em suas contas bancárias (fls. 142), vez que a Fiscalização, por meio de requisição de movimentação, obteve os extratos correspondentes. Nada mais consta no processo capaz de refletir condutas que justifiquem o enquadramento da pessoa jurídica na hipótese estampada no inciso I do art. 33 da Lei nº. 9.430, de 1996, ou em qualquer das outras hipóteses ali discriminadas. Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 11634.720239/201210 Acórdão n.º 1301002.987 S1C3T1 Fl. 1.440 17 [...] Nessas circunstâncias, sou pela exoneração do sujeito passivo relativamente à matéria tributável apurada com base nos depósitos bancários, conforme indicação abaixo. [...] Destaco que, no caso, não há que se falar em nulidade in totum dos feitos fiscais, eis que a inobservância das exigências legais por parte da autoridade fiscal contaminou, apenas, a parcela do crédito tributário constituído com suporte nos extratos bancários. Acompanhando integralmente esse raciocínio, voto por cancelar integralmente a exigência. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720199/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
EXCESSO DE CUSTO EFETIVO. ADIÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Não obstante o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado.
AJUSTES DE PREJUÍZOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA.
Comprovado que decisões posteriores provocaram a revisão dos valores de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas utilizados na apuração do lançamento, deve ser o mesmo recalculado para aproveitamento dos novos valores de prejuízos existentes.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
É possível a incidência de juros sobre a multa de ofício conforme normas da Lei nº 9.430/96 e precedentes deste CARF.
Numero da decisão: 1401-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos rejeitar as preliminares suscitadas. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Letícia Domingues Costa Braga. Em relação ao mérito, por unanimidade: i) considerar nula a autuação relativa aos ajustes de preços de transferência em razão da incorreção do método adotado para o seu cálculo; ii) determinar o recálculo dos ajustes de prejuízos fiscais utilizados a maior em razão do restabelecimento de seu saldo por força de decisão proferida no processo nº 19515.001937/2007-13. Por maioria de votos, negar provimento à incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Participaram do julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Aílton Neves da Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Leticia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Lizandro Rodrigues de Sousa,
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 EXCESSO DE CUSTO EFETIVO. ADIÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não obstante o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado. AJUSTES DE PREJUÍZOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA. Comprovado que decisões posteriores provocaram a revisão dos valores de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas utilizados na apuração do lançamento, deve ser o mesmo recalculado para aproveitamento dos novos valores de prejuízos existentes. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É possível a incidência de juros sobre a multa de ofício conforme normas da Lei nº 9.430/96 e precedentes deste CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.033 1 4.032 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720199/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.338 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2018 Matéria IRPJ/CSLL PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente ROCHE DIAGNÓSTICA BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 EXCESSO DE CUSTO EFETIVO. ADIÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Não obstante o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado. AJUSTES DE PREJUÍZOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA. Comprovado que decisões posteriores provocaram a revisão dos valores de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas utilizados na apuração do lançamento, deve ser o mesmo recalculado para aproveitamento dos novos valores de prejuízos existentes. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É possível a incidência de juros sobre a multa de ofício conforme normas da Lei nº 9.430/96 e precedentes deste CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos rejeitar as preliminares suscitadas. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Letícia Domingues Costa Braga. Em relação ao mérito, por unanimidade: i) considerar nula a autuação relativa aos ajustes de preços de transferência em razão da incorreção do método adotado para o seu cálculo; ii) determinar o recálculo dos ajustes de prejuízos fiscais utilizados a maior em razão do restabelecimento de seu saldo por força de decisão proferida no processo nº 19515.001937/200713. Por maioria de votos, negar provimento à incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Participaram do julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Aílton Neves da Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 99 /2 01 2- 12 Fl. 4033DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Leticia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Lizandro Rodrigues de Sousa, Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Tratase de lançamentos que exigem do interessado acima as seguintes exações: 1.1 IRPJ, no valor de R$ 3.921.719,90, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 3667/3680); 1.2 CSLL, no valor de R$ 1.584.180,27, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 3681/3692); 2. Segundo a auto de infração de IRPJ, as infração apuradas foram assim descritas: 2.1 001 – Adições – preços de transferências. Custos, despesas, encargos. Bens, serviços, direitos adquiridos no exterior. Pessoa vinculada. Fato gerador Valor apurado (R$) Multa (%) 31/12/2008 9.538.167,23 75,00 2.2 002 – Saldo insuficiente. Compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral. Fato gerador Valor apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 2.068.199,05 75,00 31/12/2010 6.340.263,16 75,00 3. Os fatos e circunstâncias que fundamentam o lançamento foram discriminados no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 3379/3395, o qual, resumidamente, expõe o seguinte: INFRAÇÃO 001 – ADIÇÕES. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA 3.1 Segundo a fiscalização, a auditoria se deu no sentido de verificar a dedutibilidade de custos dos bens importados em operações praticadas com Fl. 4034DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.034 3 pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas, consoante legislação que cita. 3.2 O período fiscalizado engloba o anocalendário 2008. 3.3 Informa a autoridade que, conforme a DIPJ/2009, a fiscalizada não apurou ajuste ao lucro líquido decorrente da aplicação de métodos de Preços de Transferência (linha 09 da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, e linha 10 da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), nem declarou operação na Ficha 29A Operações com Exterior Pessoa Vinculada/Interposta/País com Tributação Favorecida da DIPJ/2009. 3.4 Após relatar os procedimentos de auditoria e de intimações relativamente à verificação de preços de transferência, informa a autoridade que, para a referida auditoria de custos de importação de pessoas vinculadas, lavrou o Termo Constatação e Intimação Fiscal nº 05/2012 em 22/08/2012 (fls. 2289/2468), em que selecionou 256 produtos importados seguindo os parâmetros estipulados no referido termo, conforme se vê na "Tabela Mercadorias Importadas Seleção Fonte: Roche" (fls. 2357/2361), a qual foi produzida a partir dos arquivos apresentados pela fiscalizada em 13/03/2012. 3.5 Ressalta aquela autoridade que a fiscalizada, em resposta a intimação, informara "iv Que os produtos relacionados na planilha "Seleção 20", que integram o arquivo digital "l_lmportacoes_Roche_2008.xls" são produtos acabados e que não passam por qualquer processo de industrialização, alteração, transformação ou agregação de valor posterior a sua importação" (fls. 24392440). APLICAÇÃO DO MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO COM MARGEM DE 20% (PRL 20) 3.6 Para a apuração do método PRL, esclarece a fiscalização que utilizou as informações de vendas fornecidas pela empresa, extraídas do demonstrativo "Vendas produto 2008" (fls. 1322/2288), apresentado em 27/07/2012. 3.7 Destaca a autoridade fiscal que segregou por código de produto as revendas constantes do demonstrativo "Vendas produto 2008", objetivando a apuração dos totais das quantidades revendidas, do valor da mercadoria, dos descontos incondicionais, dos tributos incidentes sobre vendas, e das comissões e corretagens pagas. Todas as devoluções de mercadorias revendidas, ocorridas no ano calendário 2008, foram consideradas e subtraídas do total revendido. 3.8 Relata a autoridade que determinadas divergências encontradas nos arquivos informados pela fiscalizada foram por essa justificadas verbalmente como sendo oriundas de exclusão de vendas consideradas atípicas, efetuadas "a entidades do governo com preços abaixo do que é normalmente praticado" (fls. 3288). 3.9 Informa a fiscalização que a interessada não considerou as "Vendas Atípicas" no cálculo dos Preços Parâmetros e na apuração dos ajustes de Preços de Transferência. Fl. 4035DF CARF MF 4 3.10 Sobre a matéria, assim se expressou a fiscalização no referido termo: Para fins de preços de transferência, a definição de operações atípicas está associada a dois aspectos causadores de distorção de preços: circunstâncias econômicas inusuais da empresa e condições extraordinárias de mercado que ocasionem alteração de preços normalmente praticados. No caso de licitação, não se verificam circunstâncias especiais da empresa nem condições extraordinárias de mercado, responsáveis pela distorção de preços. O que se observa, no processo de licitação, é a formulação de propostas, pelos participantes, a um determinado ente público, em condições iguais a todos os que nele concorrem. Dessa forma, não ocorrem circunstâncias impositivas ou alheias à administração da empresa de forma a alterar condições de mercado. Ressaltamos que as condições fixadas em instrumento convocatório são iguais a todos os que dele participam livremente. Reproduzimos abaixo a Solução de Consulta nº 01 da Coordenação Geral de Tributação (COSIT) da Receita Federal do Brasil, que em caso análogo assim expressou posição: Solução de Consulta n^ 01, de 30 de abril de 2007. COSIT Receita Federal do Brasil Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: Para fins de cálculo de preços de transferência, as vendas decorrentes de licitação não são consideradas operações atípicas. Dispositivos Legais: art. 52 do Decreto nº 72.235, de 6 de março de 1972; art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 243, de 11 de novembro de 2002. (grifo nosso) 3.11 Pelo exposto, decidiu a fiscalização utilizar como base de vendas o demonstrativo "Vendas produto 2008", da maneira em que foi apresentado pela FISCALIZADA em 27/07/2012, sem excluir as operações que a empresa considera atípicas. 3.12 A fiscalização informa que as operações de venda auditadas foram reproduzidas no ANEXO 02 VENDAS ROCHE AC2008 (fls. 3401/3656), o qual faz parte do Termo de Verificação Fiscal. De sua vez, a partir desse anexo, foi feita a totalização por código de produto vendido, a quantidade das vendas, valor bruto e líquido de vendas, tributos deduzidos e descontos incondicionais, a qual está consignada no ANEXO 03 SÍNTESE VENDAS ROCHE AC 2008 (fls. 3657), que também compõe o TVF . DA APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO – PRL COM MARGEM DE 20% 3.13 Com base nas informações apresentadas pela empresa em 19/10/2012, em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 005/2012 (fls. 2289/24385) e nas devidas correções efetuadas posteriormente nos demonstrativos de vendas, a fiscalização apurou os preços parâmetros dos produtos revendidos. Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.035 5 3.14 Destaca a autoridade que os dados das revendas constantes das memórias de cálculo apresentadas foram separados por código de produto, objetivando, por produto revendido, a apuração dos totais das quantidades revendidas, do valor da mercadoria, dos descontos, dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas. Todas as devoluções de mercadorias revendidas, ocorridas no AC 2008, foram consideradas e subtraídas do total revendido, conforme o demonstrativo "Vendas produto 2008" apresentado pela fiscalizada (fls. 1322/2288). 3.15 Segue a fiscalização informando que o detalhamento das revendas, extraídas a partir do arquivo apresentado em 27/07/2012, se encontra nos ANEXO 02 VENDAS ROCHE AC2008 (fls. 3401/3656) e ANEXO 03 SÍNTESE VENDAS ROCHE AC 2008 (fls. 3657). 3.16 O detalhamento da apuração do preço parâmetro, seguindo os ditames do art. 12, da IN SRF nº 243/2002, pode ser visto nas páginas 8 e 9 do TVF (fls. 3386/3387). 3.17 O exemplo de apuração de preço parâmetro visto no TVF (fls. 3387) é repetido abaixo: 3.18 A apuração do preço parâmetro está demonstrada no ANEXO 04 PREÇO PARÂMETRO PRL 20 Fonte Fiscalização (fls. 3658). APURAÇÃO DO PREÇO PRATICADO 3.19 Para apuração do preço médio praticado na importação, a fiscalização recebeu as planilhas de fls. 2449/2473 e 2474/2818, nas quais foi averiguado que o estoque inicial foi considerado na apuração do preço médio praticado, conforme § 3º, art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002. Relata a fiscalização que a ausência de segregação de valores que compõem o preço médio e de indicação dos componentes do preço praticado, impossibilitou que se verificasse se o frete, o seguro e os impostos na importação foram inclusos (§4º, art. 4º da IN SRF 243, de 2002). 3.20 Diante de divergências sem esclarecimentos entre as importações informadas pela fiscalizada e as informações extraídas do Siscomex, a fiscalização, para fins de apuração do preço praticado médio, decidiu utilizar as informações de importações extraídas deste último (Siscomex) juntamente com o estoque inicial informado pela fiscalizada (fls. 343/362). 3.21 As importações extraídas do Siscomex, depois de retiradas as operações atinentes ao anocalendário 2009, se encontram no ANEXO 01 IMPORTAÇÕES AC 2008 Fonte: Siscomex (fls. 3396/3400). Fl. 4037DF CARF MF 6 3.22 O ANEXO 05 SÍNTESE IMPORTAÇÕES ROCHE 2008 Fonte: Siscomex (fls. 3659) traz a consolidação das informações do Siscomex detalhadas no ANEXO 01. 3.23 A descrição da forma como foi calculado o preço praticado médio, segundo a IN SRF nº 243, de 2002, pode ser vista no TVF, página 10 (fls. 3388). 3.24 A fiscalização destaca que o preço praticado médio foi apurado somente para os produtos que tiveram importação no anocalendário 2008 sujeita a Preços de Transferência. A apuração elaborada pela Fiscalização se encontra no ANEXO 06 CÁLCULO PREÇOS PRATICADOS Fonte Fiscalização (fls. 3660). 3.25 O exemplo de apuração de preço praticado médio visto no TVF (fls. 3388) é repetido abaixo: AJUSTES EFETUADOS NA APURAÇÃO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MENOS O LUCRO (PRL) 3.26 Obtido o preço praticado dos bens, adquiridos no exterior de pessoas vinculadas, a fiscalização esclarece que deve ser ele comparado ao preço parâmetro apurado com base nas revendas desses bens efetuadas no mesmo período. 3.27 Os Ajustes de Preços de Transferência verificados pela fiscalização, relativos ao método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL), estão discriminados no ANEXO 07 AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Fonte Fiscalização (fls. 3661). 3.28 O exemplo de apuração de ajustes de preço de transferência de um dos produtos visto no TVF (fls. 3388) é repetido abaixo: 3.29 Com a apuração dos ajustes, chegou a fiscalização ao valor total tributável de R$ 8.939.343,76, a ser acrescentado ao Lucro Líquido do Exercício (fls. 3661). DO MÉTODO DO CUSTO DE PRODUÇÃO MAIS LUCRO (CPL) 3.30 Nesse ponto, a fiscalização fez as seguintes considerações, verbis: A verificação do método em tela foi feita por amostragem de acordo com o estipulado no Termo de Intimação nº 003/2012 e Termo de Intimação nº 004/2012, Fl. 4038DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.036 7 onde solicitamos dados sobre custos e informações técnicas dos produtos selecionados. Em atenção às solicitações, a FISCALIZADA apresentou os documentos de custos no arquivo "Intimação 0003 2012" e as informações técnicas que, compactadas, anexamos ao presente processo nos cinco arquivos denominados "READ_ENVELOPE_RESPOSTA_TIF04". Confrontamos os documentos apresentados com as informações do arquivo "04 Memória de Cálculo PT 2008 DIPJ_2008 .xis", planilha "CPL", apresentados em atenção ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 005/2012, e nenhuma irregularidade foi encontrada. Confrontamos as memórias de cálculo do arquivo "04 Memória de Cálculo PT 2008 DIPJ_2008 .xis", planilha "CPL", com os dados do SISCOMEX, e nenhuma divergência foi apurada. Observamos nas memórias de cálculo apresentadas em 09/10/2012, que foi apurado ajuste a título de Preços de Transferência no total de R$ 126.100,99. Sobre os valores de preços parâmetros e de ajustes calculados, que estão de acordo com a IN SRF 243/2002, não foram efetuadas correções por esta Fiscalização, ratificando, portanto, a apuração realizada pela FISCALIZADA. 3.31 O ANEXO 08 – AJUSTES NÃO AUDITADOS – FONTE Roche, fls. 3666, consigna os referidos ajustes feitos pela própria fiscalizada durante a fiscalização, onde se consigna a matéria a ser tributada referida antes no montante de R$ 126.100,99. 3.32 Nesse ponto, a fiscalização fez as seguintes considerações, verbis: AJUSTES REALIZADOS PELA ROCHE DIAGNÓSTICA BRASIL LTDA 3.33 A auditoria fiscal se deu com relação a uma mostra de 256 produtos de um rol de 2.540 produtos importados de pessoas vinculadas. Para os produtos não auditados pela fiscalização, a própria fiscalizada apurou ajustes de Preços de Transferência em 161 deles, conforme pode ser visto no ANEXO 08 AJUSTES NÃO AUDITADOS FONTE Roche, fls. 3665. 3.34 Dessa apuração foi originada a matéria a ser tributável no montante de R$ 472.722,48. 3.35 Como resumo dos ajustes feitos pela própria fiscalizada, mas não informados na DIPJ, temos o demonstrativo abaixo (página 12 do TVF, fls. 3390) com os valores de serem tributados: Fl. 4039DF CARF MF 8 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – TOTAIS A LANÇAR 3.36 Eis, então, o total de matéria tributável na apuração de Preços de Transferência destes autos: INFRAÇÃO 002 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BC NEGATIVA DE CSLL 3.37 A fiscalização identificou que, a partir do Sistema SAPLI, a fiscalizada efetuou, nos anoscalendário de 2009 e 2010, compensações indevidas, a maior, de prejuízos fiscais acumulados e de base de cálculo negativa da CSLL, conforme quadro abaixo, o que ensejou a lavratura de infração específica para tal ocorrência, cujas planilhas e documentos constam do presente processo. 4. A apuração do IRPJ e da CSLL se deu com base no lucro anual. 5. Além das normas já citadas no relatório, o enquadramento legal de cada infração pode ser visto no campo específico de cada lançamento. Impugnação 6. Inconformado com a autuação, o interessado, por meio da peça de fls. 3703/3739, alegou, em síntese: Nulidades I Descumprimento do art. 18, caput, e § 4º da Lei nº 9.430, de 1996. 6.1 que segundo o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a fiscalização glose determinada despesa deverá ser demonstrado que a mesma é superior ao preço praticado segundo os três métodos previstos na norma; 6.2 que, por isso, é nulo o lançamento, haja vista que tal determinação não foi cumprida; II Desconsideração dos descontos concedidos pelo exportador. 6.3 que a fiscalização efetuou o lançamento considerando como custo a média ponderada do preço de todas as importações realizadas no ano, e não o valor dos Fl. 4040DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.037 9 custos efetivamente deduzidos em conta de resultado, o que além de em si representar procedimento em desacordo com a legislação aplicável no caso concreto ainda resultou em glosa superior ao valor efetivamente registrado como custo, tendo em vista que posteriormente ao desembaraço a impugnante recebeu do exportador alguns descontos que ensejaram a escrituração em conta de resultado de custo inferior àquele constante das declarações de importação, conforme se comprova pelos documentos anexos (doc. 03); 6.4 que, em conseqüência, há manifesta nulidade dos autos de infração; III – Saldo insuficiente de prejuízo fiscal. Ausência de motivação. 6.5 que embora no documento apresentado pela Impugnante conste escriturado saldo de prejuízo fiscal em 31/12/2007 no valor de R$ 9.967.707,04, a Planilha de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ, elaborada pela fiscalização, considerou apenas o valor de R$ 2.259.749,88, não tendo sido mencionado em uma linha sequer a razão pela qual considerou valor diverso daquele apontado; 6.6 que o seu saldo de prejuízo (R$ 9.967.707,04) seria suficiente a compensar a suposta infração decorrente da autuação e não seria apurada nenhuma exigência de IRPJ e de CSLL por suposta compensação indevida de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa no anobase de 2009; 6.7 que o autuante sequer juntou o SAPLI aos autos, que poderia eventualmente fornecer elementos a justificar o procedimento da fiscalização e viabilizar a elaboração de defesa por parte da impugnante; 6.8 que, por isso, o procedimento adotado pela fiscalização acarreta nulidade dos autos de infração nessa parte por falta de motivação e cerceamento do direito de defesa; Prejudicial IV Necessidade de sobrestamento do feito 6.9 que há a necessidade de sobrestamento do presente feito até julgamento final dos autos de infração de IRPJ e CSLL apontados (doc. 06), tendo em vista a flagrante relação de prejudicialidade e dependência entre os feitos, ou quando menos, de se suspender a exigibilidade do suposto crédito tributário até julgamento final daquele processo, sob pena de cobrança indevida de tributos; 6.10 que embora a fiscalização não tenha declinado o motivo pelo qual partiu de saldo de prejuízo fiscal acumulado e base de cálculo negativa inferior ao que estava escriturado no LALUR, constatou a Impugnante, no intuito de compreender a origem da glosa e se defender do lançamento, que em autuação anterior, lavrada em 30/07/2007, relativa à exigência de IRPJ e de CSLL do anobase de 2002, a fiscalização, em razão de apuração de matéria tributável e de exigência de IRPJ e de CSLL, compensou de ofício prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSL em valor superior ao valor tido como insuficiente nos presentes autos (doc. 06); Fl. 4041DF CARF MF 10 6.11 que é evidente que a existência da obrigação constituída nos presentes autos depende lógica e necessariamente da eventual procedência daquela autuação anterior, que foi devidamente impugnada pela Impugnante e pende de decisão final na esfera administrativa; 6.12 que, por esta razão, é impositivo o sobrestamento do presente feito até que sejam definitivamente julgados os autos de infração de IRPJ e de CSLL lavrados em 30/07/2007 (doc. 06); Mérito V – Apuração do custo de importação. Inclusão indevida de frete, seguro e imposto de importação. 6.13 que nas planilhas de apuração do custo total de importação estão incluídos todos os gastos/despesas de importação, inclusive frete, seguro e imposto de importação; contudo, tais despesas são sempre dedutíveis, a teor do § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996; 6.14 que a comparação a ser efetuada deve se dar entre o preço parâmetro apurado pelo método PRL e aquele pago pelo importador à empresa ligada (valor FOB), uma vez que os valores relativos ao frete, seguro e ao imposto de importação são custos efetivos, que não são afetados pelo vínculo existente entre importador e exportador, portanto devem ser necessariamente deduzidos integralmente, como expressamente prevê a lei; 6.15 que esse entendimento vem sendo adotado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme julgamento que cita; VI – Consideração indevida do estoque inicial 6.16 que a fiscalização considerou indevidamente o estoque inicial registrado na contabilidade em 01/01/2008 para apuração do preço praticado; 6.17 que a fiscalização, assim, comparando o preço praticado com o preço parâmetro, aplicou o ajuste unitário encontrado à totalidade das saídas, inclusive aquelas correspondentes ao estoque inicial existente em 01/01/2008 e, portanto, decorrentes de importações anteriores, o que levou à apuração de um crédito tributário que não é nem líquido nem certo, e certamente superior ao que seria devido no ano; VII – Apuração de preço parâmetro com base em operações atípicas. 6.18 que, ao apurar o preço parâmetro, o fiscal deixou de excluir as vendas realizadas a órgãos públicos, com preços notoriamente inferiores aos preços de mercado, o que acabou por levar à apuração de preçosparâmetro muito inferiores ao preço real; 6.19 que qualquer operação praticada com margem de lucro muito inferior àquela prevista por lei é uma operação atípica para efeito de sua aplicação, pois, se considerada, necessariamente acarretaria grande distorção no preço parâmetro; 6.20 que é o que justamente ocorre com a venda de medicamentos e produtos para diagnóstico a órgãos governamentais, pois tais operações de venda acabam sendo realizadas em condições que não retratam em absoluto o preço que seria normalmente Fl. 4042DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.038 11 praticado em condições de mercado; logo, essas operações se enquadram no conceito de operação atípica da IN SRF nº 243, de 2002, art. 31; VIII Descabimento da exigência de juros sobre multa 6.21 que consoante doutrina e julgados que cita, não existe base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício; VIII Do uso indevido da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. 6.22 que são indevidos os juros calculados à taxa Selic. A Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, analisando as alegações da impugnação em contraste com as acusações do lançamento, emitiu decisão no sentido de manter integralmente a autuação. Cientificado da decisão, o recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu as seguintes razões: Preliminares: 1 Nulidade do lançamento por estar em desacordo com o art. 18, § 4º da lei nº 9.430/96 => Entende que a autuação estaria incorreta porque a fiscalização deveria demonstrar que os preços praticados seriam maiores do que qualquer um dos métodos previstos na Lei nº9.430/96. Apresenta precedente neste sentido. Preços de Transferência 2 Alega que nem a fiscalização nem a DRJ consideraram que após o desembaraço aduaneiro a recorrente obteve alguns descontos o que fez com que os custos levados à resultado fossem inferiores aos custos utilizados pela fiscalização que foram calculados pela média de importações do ano. Entende que assim procedendo está sendo exigido da empresa a adição de valor que jamais foi excluído das bases do IRPJ e CSLL. Alega que a DRJ estaria incorreta ao considerar que não restou comprovado a existência do desconto, pois os documentos teriam sido apresentados com a impugnação. 3 Lançamento em desacordo com o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96. Alega que devem ser excluídos da comparação para fins de apuração dos preços de transferência os valores de fretes, seguros e imposto de importação. Devendo ser utilizado o preço FOB. Enumera razões para considerar equivocados os argumentos aduzidos pela DRJ. 4 Consideração Indevida do estoque inicial. Alega que foi considerado como estoque inicial o existente em 01/012008 que, naturalmente contém valores de importações ocorridas no ano de 2007. Assim, com base em precedente da DRJ, entende que deveria haver a segregação das importações para que sejam consideradas apenas as do ano de 2008. 5 Apuração do Preço parâmetro com base em operações atípicas. Entende que a fiscalização errou ao não excluir da apuração do preço parâmetro as vendas realizadas a Fl. 4043DF CARF MF 12 órgãos públicos por meio de licitação. Alega que não podem ser consideradas operações atípicas apenas aquelas admitidas pela fiscalização de forma restritiva. Que essas operações com licitação provocam a realização de vendas com margens muito inferiores às normalmente praticadas e, assim, deveriam ser excluídas da apuração. Saldo Insuficiente de Prejuízo Fiscal 1 Motivação dos atos administrativos como condição de sua validade. Alega que a fiscalização partiu de saldos de prejuízos fiscais e BC negativas de valor inferior aos saldos constantes no LALUR que lhe foram apresentados. Alega que se fosse apurado o saldo devidamente registrado no LALUR este seria suficientes para compensar toda a infração imputada. Alega que a decisão alegou que a empresa sabia da redução dos saldos feita no processo nº 19515.001937/200713 e que foi desta redução que partiu a apuração. 2 Prejudicial de necessidade de conclusão do julgamento do processo 19515.001937/200713 para que se possa fazer o julgamento deste. Impossibilidade de incidência de juros sobre a multa. Alega que a legislação não prevê a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. Apresenta diversos precedentes do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 4044DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.039 13 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Passando à análise dos argumentos de recurso ante o decidido pela Delegacia de Julgamento, iremos realizar a análise de acordo com a ordem apresentada no recurso. Preliminares: 1 Nulidade do lançamento por estar em desacordo com o art. 18, § 4º da lei nº 9.430/96. Entende que a autuação estaria incorreta porque a fiscalização deveria demonstrar que os preços praticados seriam maiores do que qualquer um dos métodos previstos na Lei nº 9.430/96. Apresenta precedente neste sentido. Transcrevo aqui trecho da decisão da DRJ em relação ao ponto contestado. 20. Com efeito, pode a contribuinte, ao apurar os ajustes em sua DIPJ, optar pelo método que lhe for mais benéfico, nos termos do artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. (...)”. 21. No entanto, a supracitada norma não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método e a escolha do mais favorável ao contribuinte. Essa é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização, que pode aplicar apenas um método (que, no caso, foi o denominado PRL20), face ao disposto no § único do artigo 40, da IN SRF nº 243/2002, in verbis: “Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis Fl. 4045DF CARF MF 14 para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa” (grifei). Conforme o já apresentado na decisão da Delegacia de Julgamento, não há norma a obrigar que a fiscalização realize a apuração por todos os métodos existentes, mas sim a obrigação de realizar a apuração por um dos métodos existentes. Assim foi realizada a apuração conforme demonstram os documentos e relatórios apresentados pela fiscalização que, comparados aos valores apurados pela empresa, resultaram no lançamento das diferenças. Em razão de não haver ilegalidade no procedimento de apuração do preço parâmetro por apenas um método, entendo não assistir razão ao recorrente neste ponto. Preços de Transferência 2 Descontos obtidos após o desembaraço. Alega que nem a fiscalização nem a DRJ consideraram que após o desembaraço aduaneiro a recorrente obteve alguns descontos o que fez com que os custos levados à resultado fossem inferiores aos custos utilizados pela fiscalização que foram calculados pela média de importações do ano. Entende que assim procedendo está sendo exigido da empresa a adição de valor que jamais foi excluído das bases do IRPJ e CSLL. Alega que a DRJ estaria incorreta ao considerar que não restou comprovado a existência do desconto, pois os documentos teriam sido apresentados com a impugnação. Com relação a este assunto verificase que o pleito do recorrente prendese ao fato de, ao existirem descontos obtidos pela empresa após a realização do despacho aduaneiro de importação, o valor das aquisições de peças que foram efetivamente utilizados como custos a serem deduzidos na apuração do lucro real foram inferiores aos considerados pela fiscalização e pela DRJ. O que acontece nestes casos é, por exemplo, um peça que teve custo de importação de R$ 100,00 e, sobre este custo a empresa obteve descontos que fizeram com que a despesas fosse reduzida para R$ 80,00. Neste caso a diferença entre o preço parâmetro apurado (se por acaso fosse $ 50,00) deveria ser apurada em comparação ao custo efetivo deduzido (R$ 80,00) e não em relação ao custo da importação da peça (R$ 100,00). Reforça este entendimento pronunciamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento proferido recentemente em processo de empresa do mesmo grupo, formalizado no Acórdão da 1a Turma de nº 9101003.309, de 17 de janeiro de 2018, o qual passo a adotar, em parte, como razão de decidir neste acórdão. I. Recurso Especial da Contribuinte: Adentrandose no recurso especial da contribuinte, a primeira divergência que se aventa referese aos vícios relativos aos ajustes determinados pelo artigo 18 da Lei n. 9.430/96. Sustenta a recorrente, resumidamente, que Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.040 15 "Prescreve o art. 18 da Lei nº 9.430/96 que a dedutibilidade dos custos, despesas e encargos de bens, serviços e direitos importados de pessoas vinculadas está limitada ao chamado preço parâmetro, determinado por um dos métodos previstos nos incisos I a III do “caput” do referido dispositivo legal, devendo a parcela dos custos que exceder o preço parâmetro ser adicionada às bases de cálculo do IRPJ e CSL (§ 7º). Nesse contexto, para que se possa determinar o montante dos custos relativos a bens adquiridos de pessoas vinculadas situadas no exterior, é preciso primeiramente determinar o preço parâmetro (dado “A”), tomando por base um dos métodos previstos nos incisos I a III do art. 18 da Lei nº 9.430/96, e comparálo ao preço dos referidos bens (dado “B”). Na hipótese de o preço pago (dado “B”) superar o preço parâmetro (dado “A”) em mais de 5% (cinco por cento), a parcela dos custos correspondentes (dado“C”) que exceder o limite máximo de dedutibilidade (dado “A”) deverá ser adicionada às bases de cálculo do IRPJ e CSL. Realmente, embora o “teste” quanto à observância do limite máximo do custo dedutível seja feito comparandose o preço parâmetro apurado (dado “A”) com o preço constante dos documentos de aquisição (dado “B”), à toda evidência a adição ao lucro real só pode se dar relativamente à parcela do custo efetivamente deduzida (dado “C”) que exceda àquele preço parâmetro (dado “A”). Ou seja, para efeitos dos ajustes previstos na legislação tributária atinente aos preços de transferência, pouco importa o preço constante dos documentos de importação (dado “b”), mas sim o custo efetivamente deduzido pela pessoa jurídica (dado “C”) relacionados aos bens importados junto a pessoas vinculadas. Considerese, apenas para fins exemplificativos, que (i) o preço de importação de determinado bem (dado “B”), constante no respectivo documento de aquisição, corresponde a R$ 100,00; e (ii) o valor efetivamente deduzido como custo (dado “C”) e que, portanto, afetou negativamente o resultado tributável da pessoa jurídica, corresponde a apenas R$ 60,00. Neste exemplo, se o preço parâmetro apurado (dado “A”) for igual ou maior do que o custo deduzido, por hipótese R$ 70,00, não haverá qualquer sentido lógicojurídico exigir da pessoa jurídica a adição da diferença de R$ 30,00, verificada entre o preço de importação (dado “B”) e o preço parâmetro (dado “A”). E, justamente, essa é a situação do caso concreto. Diferentemente do que pretender levar a crer a Fazenda Nacional nas fls. 8 e 9 de suas contrarrazões, alegando que “não há evidência de que o procedimento adotado é prejudicial ao contribuinte ora recorrente”, a Contribuinte não se limitou a alegar uma mera possibilidade teórica de que estivesse incorreto o lançamento, mas sim demonstrou concretamente que isto ocorreu no caso deste processo administrativo (vide fls. 13 e 14 do Recurso Voluntário). Isso porque, ao invés de verificar os custos efetivamente reconhecidos pela Contribuinte em conta de resulta o, a fiscalização presumiu, sem qualquer base legal para tanto, que os custos unitários dos produtos importados que afetaram o seu resultado corresponderiam exatamente ao valor FOB Fl. 4047DF CARF MF 16 constante das respectivas DI’s, convertido em Reais pela taxa de câmbio da data da importação." Isso porque o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário sob o fundamento de que seria improcedente “a alegação da contribuinte no sentido de que devem ser considerados os preços efetivamente deduzidos”, na medida em que compreendeu que “a legislação determina, expressamente, que o custo (constantes dos documentos de importação ou de aquisição) que exceder o preço parâmetro deverá compor o lucro líquido, não se confundindo com a parcela a ser deduzida na apuração do lucro real, esta sim equivalente, no máximo, ao preço parâmetro apurado em consonância com o art. 18 da Lei nº 9.430/96”, de modo que “o fato da contribuinte deduzir como custo valor inferior ao preço parâmetro não exime o sujeito passivo da obrigação de adicionar ao lucro líquido as despesas que excedem o limite apurado pelo PRL”. No entender da contribuinte, o acórdão recorrido teria sido omisso quanto à alegação de que a fiscalização “simplesmente ignorou o estoque final dos produtos vendidos” e que “não se poderia jamais apurar o ajuste unitário com base em média ponderada que considera o preço de todas as importações ocorridas naquele ano, como o fez a fiscalização, sob pena de se inflar artificialmente o custo de todas as vendas com o valor das últimas importações, quando em realidade apenas as vendas realizadas após tais importações acarretariam o lançamento em conta de resultado de custo cuja média já estaria por elas afetado”. Sobre o tema, como autorizado pelas regras do processo administrativo fiscal, adoto as razões de decidir do voto do Conselheiro Alberto Silva Pinto Júnior, acompanhado por unanimidade no acórdão n. 1302001.110, proferido em caso que julgou a mesma situação fática, da mesma empresa, mas com relação a outro período de apuração. Leiase: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:1999 (...) EXCESSO DE CUSTO EFETIVO. ADIÇÃO. Não obstante o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado. CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estarseia determinando um novo lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:1999 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Fl. 4048DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.041 17 Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis ao lançamento da CSLL. (...) Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior (...) Da Falta de Exame do Custo Registrado Alega a recorrente que afirma que: a) o ilustre fiscal em momento algum examinou qual o valor do custo registrado pela Recorrente em conta de resultado relativamente aos produtos para os quais entendeu terem sido efetuadas adições a menor; b) o lançamento foi levantado a partir dos preços pagos nas importações dos insumos e não dos custos efetivamente deduzidos; c) que não se tratando de produtos passíveis de distinção física no estoque, é evidente que a dedutibilidade do custo é feita sempre pelo custo médio ponderado do estoque no momento da baixa, e não pelo custo de aquisição de cada unidade importada; d) a baixa de um determinado insumo para produção não dá origem ao lançamento do custo respectivo em conta de resultado, o que só ocorrerá após o término do processo de industrialização e quando da baixa do estoque do produto final acabado por força de sua venda; e) o custo médio do estoque no início do ano está afetado pelo valor do estoque inicial existente, é evidente que o custo computado em conta de resultado relativamente as vendas efetuadas ao longo do ano não guarda relação direta com o valor pago pelas importações ocorridas no mesmo ano, uma vez que afetado por aquele valor inicial; f) o raciocínio empregado pelo ilustre fiscal e corroborado pela r. decisão recorrida somente resultaria em um valor coincidente com o custo computado em resultado se a Recorrente além de não possuir estoque inicial dos produtos em questão em 01/01/99 tampouco possuísse estoque final em 31/12/99; g) que informou nos autos a existência, quantidade e valor tanto de estoques iniciais como de estoques finais dos produtos acabados (fls. 180/181 e doc. 06 da defesa), possuindo também estoques iniciais e finais das substâncias importadas e mesmo de substâncias em produção (Lexotan – Bromazepan) (fls. 180/181 e doc. 06 da defesa). São procedentes os argumentos da recorrente, pois, embora o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado, se não vejamos: ‘Art. 5º Após apurados por um dos métodos referidos nesta Seção, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição,observandose que: I se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for superior àquele utilizado como parâmetro, serão adicionados ao lucro real e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido Fl. 4049DF CARF MF 18 CSLL o valor resultante do excesso de custo, computado nos resultados da empresa, decorrente da diferença entre os preços comparados; [...]’ Ora, o excesso de custo computado em resultado, quando aplicado o critério do custo médio para avaliação de estoque e existente estoques iniciais, não será igual a diferença entre os preços praticado e parâmetro multiplicado pela baixas do estoque no período, como sustentou o autuante, se não vejamos o seguinte excerto do TVF (doc. a fls. 735), in verbis: ‘C – apuração da base de cálculo do imposto: a. verificou se o percentual da diferença entre o preço praticado e o preço parâmetro, de acordo com a fórmula % = ( ( preço praticado — preço parâmetro) / preço parâmetro ) X 100; b. para os produtos com percentual positivo superior a 5 apurouse a diferença absoluta entre os mesmos, que se constitui no valor unitário do ajuste a ser efetuado; c. para os produtos sujeitos ao método do PIC, os cálculos para conversão do ajuste de US$ para R$ estão demonstrados nas próprias planilhas de importação, consistindo no produto do ajuste unitário em US$ pela taxa de câmbio na data da importação e da quantidade importada. Os totais assim obtidos, para cada uma das importações efetuadas durante o ano, foram somados e divididos pela quantidade total importada, obtendose, destarte, o valor do ajuste unitário em R$; d. para a obtenção da base de cálculo do imposto, multiplicouse o valor do ajuste unitário pelo total das vendas e outras movimentações, a qualquer titulo, informadas pelo contribuinte, menos o estoque inicial. As vendas e outras movimentações de estoque consideradas foram as informadas pelo contribuinte, tendo sido consideradas por esta fiscalização como fidedignas, e são as constantes das planilhas de movimentação de estoque, em anexo;’ Assim, entendo que o critério adotado pelo autuante está em desalinho com o figurino legal, pois deveria ter recalculado o custo médio para cada saída no período de apuração, a partir do lançamento do preço parâmetro (em substituição ao preço de aquisição) nas entradas durante o período de apuração, para, então, poder calcular o excesso de custo lançado em resultado (decorrentes das diferenças entre o custos médios contabilizado e recalculado). Decerto que a IN 38/97 não é um primor de norma jurídica, mas a clareza do disposto no I do art. 5º deixa claro que a adição às bases tributáveis deve ser do excesso de custo lançado em resultado, valor diferente daquele apurado no auto de infração. Diante de tal constatação, concluo que o lançamento deva ser cancelado, pois não cabe a esta instância julgadora determinar às autoridades lançadoras o critério jurídico que devam adotar no lançamento. Já que o TVF é parte integrante do lançamento tributário fica claro que foi adotado um critério jurídico, o qual, se alterado para atender às conclusões deste julgado, significaria um possível novo lançamento e não apenas uma correção de base de cálculo. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estaríamos determinando um novo lançamento. Por essas razões, entendo que não é o Fl. 4050DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.042 19 caso de se baixar o processo em diligência, mas de cancelamento do lançamento tributário. Por último, ressalto que as conclusões acima levam também ao cancelamento do lançamento referente às bases decorrente da aplicação do ajuste (apurado no lançamento do ano de 1998, objeto do PAF 16327.003187/200310) sobre os estoques iniciais em 1999 (item C, subitem g, do TVF a fls. 735/736), pois, conforme o relatório do Acórdão DRJ/SPO1 7.876/05 (doc. a fls. 2.032 destes autos), foi utilizado o mesmo critério jurídico para cálculo do ajuste naquele ano. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para o cancelamento integral do lançamento.” Por essas razões, entendese que o lançamento deva ser cancelado com relação a essa parcela mantida do acórdão recorrido, reconhecendose a sua nulidade, razão pela qual, prevalecente esse entendimento no colegiado, restam prejudicados os julgamentos da matéria relativa a despesas com frete, tributos e seguro e do recurso da Fazenda Nacional, que versava acerca da incidência de juros sobre multa." Observase, a partir da planilha de fls. 3780/3781, que o que ocorreu em relação a alguns produtos foi a concessão de notas de crédito em benefício da empresa o que provocou, isso sim, a redução parcial dos preços de aquisição e custos que foram levados à resultado. Ora, o fiscal responsável, conforme podese observar na leitura do TVF às fls. 3387/3398, procedeu ao cálculo utilizandose apenas os custos de importação, sem observar as notas de crédito recebidas pela empresa que poderiam ter influenciado na redução deste. Verificase, em verdade, que o erro que se constata na presente apuração não decorre de cálculo equivocado de preços de transferências, mas sim de utilização de método de apuração dos ajustes que apenas obtém informações dos valores das importações, sem se utilizar dos valores dos custos efetivamente levados a resultado pela empresa. Procedendo desta forma a fiscalização, esta desconsidera a existência de estoques iniciais e finais de produtos e que modificam os valores dos custos das mercadorias vendidas que são levadas à apuração do resultado final da empresa. Tal problema no método de apuração provoca, no entender da Câmara Superior e, neste caso, do presente relator, um vício insanável de procedimento que modificou significativamente os valores de ajustes que poderiam ser obtidos utilizandose o método simples sem considerar os estoques e utilizando o método onde estes são considerados e, assim, os ajustes se referem apenas aos custos efetivamente levados a resultado. Por todo o exposto, e concordando com o entendimento da Câmara Superior, voto no sentido de dar provimento ao recurso tendo em vista que o método de apuração dos ajustes não considera os valores dos custos efetivamente levados a resultado. Fl. 4051DF CARF MF 20 Saldo Insuficiente de Prejuízo Fiscal 1 Motivação dos atos administrativos como condição de sua validade. 2 Prejudicial de necessidade de conclusão do julgamento do processo 19515.001937/2007 13 para que se possa fazer o julgamento deste. Alega que a fiscalização partiu de saldos de prejuízos fiscais e BC negativas de valor inferior aos saldos constantes no LALUR que lhe foram apresentados. Alega que se fosse apurado o saldo devidamente registrado no LALUR este seria suficiente para compensar toda a infração imputada. Alega que a decisão alegou que a empresa sabia da redução dos saldos feita no processo nº 19515.001937/200713 e que foi desta redução que partiu a apuração. Neste ponto, quando do julgamento de primeira instância havia sido requerido o sobrestamento do presente feito até que se ultimasse o julgamento daquele processo, no qual os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL foram utilizados previamente. Consultando o estado do processo em questão verificamos que o julgamento do recurso voluntário foi ultimado, tendo sido cancelada a maior parte da autuação e sendo restaurados os prejuízos ficais e bases de cálculo negativas de CSLL utilizadas naquele processo, conforme decisão cuja cópia foi acostada ao presente. Desta forma, em relação a este item do recurso, entendo por pertinente o pleito do recorrente e, neste sentido, dou provimento ao recurso para que sejam utilizadas os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, restaurados após o julgamento do processo nº 19515.001937/200713, para a redução dos valores que porventura sejam mantidos neste julgamento. Impossibilidade de incidência de juros sobre a multa. Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 4052DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.043 21 Fl. 4053DF CARF MF 22 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do Fl. 4054DF CARF MF Processo nº 16561.720199/201212 Acórdão n.º 1401002.338 S1C4T1 Fl. 4.044 23 crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 4055DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003725/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Para que se possa conhecer do Recurso Especial de divergência dois requisitos devem ser observados, quais sejam: similitude fática e divergência na interpretação da mesma legislação tributária.
No caso, ausente a similitude fática, de modo que não pode ser conhecido o Recurso Especial de divergência.
Numero da decisão: 9101-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que conheceram do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que conheceram do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Para que se possa conhecer do Recurso Especial de divergência dois requisitos devem ser observados, quais sejam: similitude fática e divergência na interpretação da mesma legislação tributária. No caso, ausente a similitude fática, de modo que não pode ser conhecido o Recurso Especial de divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Flávio Franco Corrêa, que conheceram do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 37 25 /2 00 3- 13 Fl. 108DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN. Através do Ato Declaratório Executivo n° 450.042 (fl. 17), de 07 de agosto de 2003, procedeu a DER:AT/RJ à exclusão da empresa Mar e Ilha Esportes Ltda ME do SIMPLES, indicando como causa do ato a "situação excludente realização de atividade econômica vedada: Outras atividades desportivas". Houve Solicitação de Revisão da Exclusão pelo Contribuinte e apresentação de manifestação de inconformidade, onde restou decidido, com base na solução de consulta SRRF / 7ª RF / DISIT n°235, de 06 de setembro de 2001, que a atividade de organização e exploração de atividades desportivas e relacionadas com o lazer se encontram vedadas para ingresso no SIMPLES, pois se assemelham às de diretor ou produtor de espetáculos, nos termos do artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, por duas razões, a saber: (i) não se trata, efetivamente, de atividade assemelhada à de diretor ou produtor de espetáculos, como pretende a decisão monocrática, tendo em vista que o limite do termo "assemelhados" do inciso XIII do artigo 9° da Lei n°. 9.317/96, encontra seu limite no conteúdo valorativo da atividade; e (ii) que a atividade desenvolvida pelo contribuinte encontrase expressamente permitida para opção ao SIMPLES, nos termos dos incisos XX e XXI, § 1º, do artigo 17, da Lei Complementar n°. 123/06. Importante transcrever a ementa da referida decisão: " Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Anocalendário: 2002 . Ementa: SIMPLES. OPÇÃO ATIVIDADES DESPORTIVAS. A atividade desenvolvida pelo contribuinte não guarda plena identidade com a vedação disposta no inciso XIII do artigo 9° da Lei n°9.317/96 ALCANCE DA VEDAÇÃO. A vedação imposto pelo inciso , XIII, do artigo 9º, da Lei n° 9.317/96, não alcança microempresas e empresas de pequeno porte constituídas para a exploração de atividade econômica caracterizada pela prestação de se viços e circulação de bens, que envolvam profissionais diversos, independente da habilitação profissional de que trata o dispositivo. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Na ausência de dispositivo que vede sua opção, deve a Recorrente ser mantida no sistema." Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13706.003725/200313 Acórdão n.º 9101003.517 CSRFT1 Fl. 109 3 Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Ato seguinte, foi apresentado Recurso Especial de divergência, suscitando, primeiramente, preliminar de nulidade da decisão recorrida, por entender que o acórdão recorrido proferiu decisão extra petita, por ter o contribuinte somente requerido no recurso voluntário a revisão dos efeitos da exclusão do SIMPLES, para que esta fosse "dada com data do ano calendário de 2006, isto é, 01 de janeiro de,2006", nada pedindo sobre sua manutenção no SIMPLES. Subsequentemente, a Fazenda trouxe paradigma onde se entendeu que é vedada opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que tem por finalidade a organização e exploração de atividades desportivas, ou assemelhados, e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Conforme despacho de admissibilidade a preliminar trazida pela Fazenda foi admitida como Recurso Especial de divergência, já a divergência quanto à vedação da atividade do contribuinte não foi conhecida, nos seguintes termos: "Quanto à atividade da empresa, concluo não estar com rovada a divergência entre os julgados, pois, conforme descrito no voto da decisão recorrida, consta do contrato social da empresa que ela presta "serviços em atividades desportivas, recreativas e de lazer". Da mesma forma, no paradigma a empresa exerce atividade semelhante. No entanto, por ocasião do julgamento deste ainda vigorava a Lei .1`) 9.317/96 que vedava a opção pelo Simples das empresas que exerciam aquelas atividades. Todavia, por ocasião do julgamento do acórdão recorrido já estava em vigor a Lei Complementar n° 123 que excluiu da vedação essas atividades. Quanto à alegação de que a decisão é extra petita houve a divergência entre os julgados, pois o acórdão recorrido entendeu que o'pedido estava implícito no recurso, ao passo que os paradigmas não concordam com decisão cujo pedido não esteja formulado expressamente." Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção do julgado a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Inicialmente, entendo que a preliminar trazida pela Fazenda não pode ser conhecida como matéria de recurso especial. Fl. 110DF CARF MF 4 Isso porque, a Fazenda se volta contra a decisão proferida no despacho que rejeitou os embargos e não contra o acórdão recorrido, conforme se pode ver da transcrição do seguinte trecho da peça recursal fazendária: DIVERSAMENTE do que decidiu no despacho vergastado, a Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda proferiu acórdão PARADIGMA, entendendo que pedido não feito no momento da propositura do Recurso Voluntário não pode ser deferido. Confirase a ementa do julgado, abaixo transcrita (cópia anexa): "Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO "EXTRA PETITA". MULTA INCIDENTE SOBRE OS VALORES DEPOSITADOS EM JUÍZO. ACOLHIMENTO. Constatado que o acórdão proferido ordenou o cancelamento da multa incidente sobre os Valores depositados judicialmente, e que o pedido Para cancelamento da referida multa não havia sido formulado no recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos de declaração a fim de sanar o vicio. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JUROS INCIDENTES SOBE OS VALORES DEPOSITADOS EM JUÍZO. REJEIÇÃO. Havendo requerimento para o cancelamento dos juros incidentes sobre o valor exigido, ainda que a fundamentação para a sua exclusão dos valores lançados seja diversa daquela utilizada pela Recorrente, não se caracteriza a decisão "extra petita", pois o julgador não está restrito aos argumentos de mérito da Recorrente para fundamentar a sua decisão. Embargos de declaração acolhidos." (acórdão nº 20401199, relator Conselheiro Flávio de Sá Munhoz) Traz outro acórdão no mesmo sentido do paradigma, proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme; ementa abaixo: "Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração apresentados em conformidade com o art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, quando comprovada a existência de omissão no aresto embargado." Como se vê, o que pretende a Fazenda e ver reformado o despacho que rejeitou os embargos e não a decisão proferida. Nesse contexto, entendo que o Recurso não merece ser conhecido integralmente. A maioria da Turma, entretanto, entendeu que o não conhecimento se dá pela ausência de similitude fática entre os acórdãos paradigmas trazidos pela Fazenda Nacional e o acórdão recorrido (obediência ao artigo 63, §8º do RICARF). (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13706.003725/200313 Acórdão n.º 9101003.517 CSRFT1 Fl. 110 5 Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900999/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 09 99 /2 01 3- 11 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13502.900999/201311 Acórdão n.º 1201002.021 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de CSLL com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13502.900999/201311 Acórdão n.º 1201002.021 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13502.900999/201311 Acórdão n.º 1201002.021 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 86DF CARF MF
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