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Numero do processo: 19515.002138/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA DE PRESUNÇÃO.
A apuração da irregularidade, por meio do confronto entre os valores informados em DIPJ e aqueles constantes das notas fiscais de vendas, emitidas aos principais clientes, obtidos por meio de circularização, caracteriza o fato como efetivo, real, ao contrário de alegações genéricas formuladas no sentido de que o mesmo seria presuntivo. Por conseguinte, correta a exigência contida na autuação fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.971
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves..
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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DE CAIXAS E PAPELÃO ONDULADO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA DE PRESUNÇÃO. A apuração da irregularidade, por meio do confronto entre os valores informados em DIPJ e aqueles constantes das notas fiscais de vendas, emitidas aos principais clientes, obtidos por meio de circularização, caracteriza o fato como efetivo, real, ao contrário de alegações genéricas formuladas no sentido de que o mesmo seria presuntivo. Por conseguinte, correta a exigência contida na autuação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 38 /2 00 8- 37 Fl. 14661DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima de Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.. Fl. 14662DF CARF MF Processo nº 19515.002138/200837 Acórdão n.º 1402002.971 S1C4T2 Fl. 14.662 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004. Envolve o montante autuado de R$ 7.436.191,59, corrigidos até novembro/2008, assim discriminado: Tributo Principal Juros Multa Total IRPJ 717.280,75 411.753,78 1.075.921,11 2.204.955,64 CSLL 387.331,60 222.347,03 580.997,40 1.190.676,03 Cofins 1.075.921,13 631.205,52 1.613.881,66 3.321.008,31 Pis 233.116,20 136.761,14 349.674,27 719.551,61 Total 2.413.649,68 1.402.067,47 3.620.474,44 7.436.191,59 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até novembro/2008) As autuações fiscais se basearam em omissão de receita, conforme apurado pela autoridade fiscal através de circularização de 46 clientes da recorrente, que foram superiores aos ofertados à tributação. Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: “....... 1. DA OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS Considerando que a fiscalizada apurou seus resultados do anocalendário de 2004 pela sistemática do Lucro Presumido, a contribuinte foi intimada através do Termo de Início de Fiscalização encaminhado por via postal e recebido em 05/11/2007, a apresentar os seguintes elementos: · Livro Caixa Fl. 14663DF CARF MF 4 · Livro Registro de Saídas · Cópia do Contrato Social e suas alterações · Demonstrativo dos 50 maiores clientes da fiscalizada durante o ano calendário. Em atendimento à intimação fiscal, a contribuinte apresentou os documentos solicitados exceto o demonstrativo de seus 50 maiores clientes alegando ter sido vítima de roubo de todo o arquivo de Notas Fiscais e computadores. Analisando o Livro de Registro de Saídas, verificamos que, indevidamente, a fiscalizada escriturou as Notas Fiscais de Saídas de forma agrupada, reunindo as informações de diversos documentos fiscais com numeração seqüencial em um único lançamento contábil. Em 05/12/2007, intimamos a fiscalizada a apresentar as vias originais de todas as Notas Fiscais de Saídas emitidas por seus estabelecimentos bem como apresentar a decomposição de diversos lançamentos contábeis escriturados em seu Livro Caixa do anocalendário de 2004 à crédito da conta nº 1.01.001.0001 – “Vendas de Produtos”. Em 19/12/2007, a fiscalizada informou não ser possível atender ao item “1” da referida intimação fiscal em razão do roubo de vários bens dentre os quais o arquivo de documentos e notas fiscais. Outrossim, em 10/03/2008, a fiscalizada apresentou planilha de detalhamento dos lançamentos escriturados no Livro Caixa à crédito da conta nº 1.01.001.0001 solicitado no item “2” da intimação fiscal. Neste contexto, e visando verificar a correção dos valores escriturados nos Livros Contábeis e Fiscais, intimamos, mediante a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, os 46 maiores clientes da fiscalizada a apresentarem: · Demonstrativo de Notas Fiscais de Entradas relativas à compra de produtos/serviços da fiscalizada · Demonstrativo de composição do Saldo de Duplicatas a Pagar em 31/12/2004 · Cópia autenticada das Notas Fiscais e dos comprovantes de pagamentos relativos a estas aquisições. Através dos documentos apresentados pelas empresas intimadas elaboramos o Demonstrativo de Notas Fiscais de Saídas emitidas pela fiscalizada contendo: o nº da NF, a data de saída, o nome e o CNPJ do destinatário, o CFOP, o valor da mercadoria, o valor do IPI e o valor total da NF. Confrontando as informações contidas nos Livros apresentados pela fiscalizada com os documentos encaminhados pelas empresas intimadas por esta fiscalização, constatamos divergências significativas dos valores contabilizados, havendo provas irretorquíveis da ocorrência de omissão de receitas pela fiscalizada. Destarte, em 27/07/2008, intimamos a fiscalizada a apresentar os seguintes elementos: · Informar, se as Notas Fiscais identificadas e relacionadas no demonstrativo anexo àquele Termo, foram emitidas pelo estabelecimento matriz da fiscalizada bem como se os produtos/mercadorias nelas descritos foram entregues aos respectivos destinatários; Fl. 14664DF CARF MF Processo nº 19515.002138/200837 Acórdão n.º 1402002.971 S1C4T2 Fl. 14.663 5 · Caso afirmativa a resposta ao item anterior, informar se os valores correspondentes aos produtos/mercadorias descritos nestas Notas Fiscais de Saídas foram efetivamente recebidos pela fiscalizada. Atendendo à intimação fiscal, em 07/08/2008 a fiscalizada encaminhou correspondência firmada por seu procurador asseverando que “as notas fiscais relacionadas no demonstrativo foram emitidas por nosso estabelecimento e, conseqüentemente, os produtos/mercadorias nelas descritos foram entregues aos respectivos destinatários” e que “com exceção das Notas Fiscais com CFOP ‘5.917’ ou ‘5.949’, os valores relativos às demais NF’s foram recebidos pela fiscalizada”. Outrossim, em 11/08/2008 a fiscalizada informa que, “assim como constatou se que ‘por equívoco’ parte das notas fiscais de saídas não foram regularmente escrituradas, do mesmo modo, parte das notas fiscais de entradas também não foram”, pugnando pela apresentação destes documentos visando o reconhecimento dos respectivos créditos de IPI na apuração dos valores devidos. Portanto, absolutamente comprovada pela fiscalização e expressamente reconhecida pela fiscalizada, a ocorrência de omissão de receitas operacionais em virtude da supressão das informações de centenas de Notas Fiscais de Saídas emitidas pela fiscalizada em sua escrituração contábil e fiscal bem como falta de recolhimento dos tributos incidentes sobre estas receitas. In casu, a fiscalizada infringiu o disposto no artigo 224 c/c arts, 518, 519 e 528 do Decreto nº 3000/1999, in verbis: (.....) 2. DOS VALORES OMITIDOS Com base nos documentos encaminhados pelos clientes da fiscalizada, elaboramos o Demonstrativo de Apuração do Faturamento Mensal (Anexo I) contendo as informações e valores das Notas Fiscais de Saídas emitidas pela fiscalizada durante o anocalendário de 2004 relativas às vendas de produtos e mercadorias, classificadas em ordem cronológica, através do qual apuramos o faturamento mensal auferido pela fiscalizada em cada período de apuração. Outrossim, levandose em consideração os valores anteriormente declarados pela contribuinte em sua DIPJ/2005, anocalendário de 2004, correspondentes à Receita Bruta Mensal auferida, apuramos as Receitas Mensais Omitidas conforme quadro abaixo: Período de Apuração Faturamento apurado pela fiscalização Receita Bruta declarada na DIPJ/2005 Receita Operacional Omitida Jan/04 3.904.474,78 832.146,91 3.072.327,87 Fev/04 3.589.573,35 930.816,49 2.658.756,86 Mar/04 4.388.113,76 998.679,45 3.389.434,31 1º Trim/2004 11.882.161,89 2.761.642,85 9.120.519,04 Abr/04 3.769.681,80 1.005.018,57 2.764.663,23 Mai/04 3.779.191,15 1.062.837,41 2.716.353,74 Jun/04 4.179.320,33 1.234.888,32 2.944.432,01 2º Trim/2004 11.728.193,28 3.302.744,30 8.425.448,98 Jul/04 5.289.081,54 1.769.862,14 3.519.219,40 Ago/04 6.680.067,13 1.850.591,14 4.829.475,99 Set/04 5.089.903,38 1.520.723,85 3.569.179,53 3º Trim/2004 17.059.052,05 5.141.177,13 11.917.874,92 Fl. 14665DF CARF MF 6 Out/04 3.913.716,58 1.549.762,17 2.363.954,41 Nov/04 3.319.049,33 1.497.152,20 1.821.897,13 Dez/04 3.652.056,84 1.437.711,56 2.214.345,28 4º Trim/2004 10.884.822,75 4.484.625,93 6.400.196,82 3. DA MULTA QUALIFICADA As condutas que ensejam a aplicação da multa qualificada estão definidas no art. 44 da Lei nº 9430/1996, in verbis: (.....) Portanto, para o enquadramento nos tipos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4502/1994 (sic) é imprescindível a comprovação de que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa. O conceito de dolo está expresso no inciso I do art. 18 do Decretolei nº 2848/1940 (Código Penal), ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. O dolo, in casu, está materializado pela supressão, habitual e reiterada, em sua escrituração contábil e fiscal das receitas de venda de produtos e mercadorias descritos em centenas de Notas Fiscais de Saídas emitidas pela fiscalizada, objetivando o recolhimento dos tributos em montante muito inferior àquele efetivamente devido. Conseqüentemente, é aplicável a multa qualificada prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9430/1996. 4. DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA Corroborando os procedimentos adotados pela fiscalização, a jurisprudência administrativa do E. Conselho de Contribuintes é pacífica e unânime como bem exemplificam os seguintes acórdãos: (.....) 5. DAS CONCLUSÕES Dentro do exposto acima, impõese o lançamento de ofício, mediante o presente auto de infração, do IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS – Programa de Integração Social, e da COFINS _ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidentes sobre as receitas operacionais omitidas, acrescidos de juros de mora e da multa de ofício prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9430/96. Compõe o presente Termo de Constatação Fiscal o Anexo I – Demonstrativo de Apuração do Faturamento Mensal. Em razão do disposto no artigo 1º, inciso II e IV, e no artigo 2º, inciso I, ambos da Lei nº 8.137/91, que define os crimes contra a ordem tributária, está sendo elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, arrolando o contribuinte fiscalizado, e que terá seu seguimento conforme as normas pertinentes. (.....).” Pela prática das irregularidades acima detalhadas, foram dados por infringidos os seguintes dispositivos legais: IRPJ Þ art. 224 c/c arts. 518, 519 e 528, todos do “Regulamento do Imposto de Renda”, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 (fls. 862); Fl. 14666DF CARF MF Processo nº 19515.002138/200837 Acórdão n.º 1402002.971 S1C4T2 Fl. 14.664 7 PIS Þ arts. 1º e 3º da LC nº 7/1970; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/1995; Arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/2002 (fls. 870); COFINS Þ arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/2002 (fls. 878), e; CSLL Þ art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; art. 24 da Lei nº 9.249/1995, art. 29 da Lei nº 9.430/1996 e; art. 37 da Lei nº 10.637/2002 (fls. 885). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: O contribuinte foi cientificado em 24/11/2008, por meio de procurador (fls. 897), dos teores dos referidos Autos de Infração e, com os mesmos não se conformando, por intermédio de seu SócioGerente (fls. 976/981), impugnouos – de maneira individual, ainda que as defesas tenham semelhantes teores – alegando, em síntese, que (fls. 899/917, relativo a exigência do IRPJ): a impugnação é tempestiva e o Auto de Infração viola a legislação vigente atinente à composição do crédito tributário, ensejando a sua liquidez e a sua incerteza acerca da obrigação tributária existente, o que sem dúvida alguma macula o próprio lançamento tributário, tornandose, assim, inexigível o crédito tributário.; informa, ainda, que é pessoa jurídica legalmente estabelecida, tendo priorizado suas obrigações, tanto na área social quanto no aspecto de recolhimento de tributos, daí porque jamais ter sido penalizada em decorrência de atitudes ilícitas ou práticas reprováveis. Apesar disso, não lhe tem sobrado fôlego para continuar honrando seus compromissos, em especial os tributários, dada a situação financeira por que passa a classe empresarial. Por outro lado, de se ver que os argumentos presentes no Termo de Constatação Fiscal não merecem prosperar; conceitua o vocábulo presunção, dizendo que a mesma se insere no campo das provas, como o ato de demonstrar o que ocorreu ou deixou de ocorrer determinado evento; representa, ainda, prova indireta, partindo de ocorrência de fatos secundários, indiciários, que apontam para o fato principal, desconhecido, mas diretamente relacionado aquele conhecido. Cita, ainda, doutrina a respeito da mencionada palavra; voltase, a seguir, desta vez a definir presunção legal, trazendo, inclusive, por igual, doutrina envolvendo tal tema, concluindo no sentido de que entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção, como aqui se observa. Diz, também, que a experiência desaconselha a adoção de tal presunção, pois além de vício em sua origem, tal presunção encontra sérios obstáculos técnicos; requer, portanto, seja a (sic) desconstituído o lançamento decorrente do Auto de Infração em epígrafe, haja vista que o mesmo não preenche os requisitos indispensáveis à sua lavratura, como restou demonstrado nos itens anteriores, por ser evidentemente ilíquido.; Fl. 14667DF CARF MF 8 quanto às multas, no percentual em que exigidas, não podem prevalecer, visto revestiremse de caráter confiscatório; dessa forma, ainda que devidas, devem ser reduzidas a um justo patamar que, segundo ela, deveria se limitar a 10%. Ampara tais alegações em doutrina, concluindo que a mesma corrobora o direito de a Impugnante verse livre de um ônus descabido; segundo, ainda, a interessada, os E. Tribunais têm decidido, no sentido da exclusão da multa por ser, na forma como vem sendo imposta, nada mais do que uma ilegalidade.; e mais: tais penalidades não guardam nem relação com a atual situação econômica por que atravessa o país e nem, tampouco, com a gravidade da infração apontada, ou seja, é desproporcional à situação fática, o que a torna ilegal e ineficaz. Ofende, também, o princípio constitucional que impede a utilização do tributo com efeito de confisco (CF, art. 150, IV). Reproduz doutrina e jurisprudência a darem suporte a tal entendimento; já em relação aos juros de mora, exigidos em percentuais equivalentes à variação da taxa Selic, insurgese contra tal parcela, visto que a utilização da mencionada taxa é ilegal e inconstitucional, na busca de tal fim; deverseia, sim, ser aplicado o determinado pelo § 1º do art. 161, do Código Tributário Nacional, qual seja: “se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.” Cita uma série de jurisprudências a favor de seu entendimento, concluindo por dizer que a taxa Selic é um índice usado somente no mercado financeiro; além de tal fato, a Impugnada agravou sua ilícita conduta, visto que desandou na reiterada prática da capitalização de juros (“anatocismo”) na apuração dos valores que está cobrando da Impugnante, violando, assim, o disposto no art. 4º do Decreto nº 22626/1933 (“Lei de Usura”), bem como na Súmula nº121, do STF; de ser visto, ainda que, enquanto pendente de apreciação, o presente lançamento, não pode haver inscrição do pretenso devedor nos cadastros de “proteção” ao crédito, incluindo o CADIN. Isto em razão de, em ocorrendo, ser imposta à Impugnante uma série de restrições de natureza econômicofinanceira, além de danos de difícil reparação. É o que fala jurisprudência trazida. Pede, ao fim, a desconstituição do lançamento, visto que o Auto de Infração não preenche os requisitos necessários à sua lavratura, por ser evidentemente ilíquido, assim como, enquanto pendente a presente discussão, não sejam adotados quaisquer procedimentos visando à cobrança do crédito tributário, visto a suspensão da exigibilidade, na forma do art. 151, III, do CTN. Conforme já dito, a interessada apresentou impugnações individualizadas a cada um dos lançamentos que compõem o presente processo; todas, entretanto, de semelhantes teores. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 Fl. 14668DF CARF MF Processo nº 19515.002138/200837 Acórdão n.º 1402002.971 S1C4T2 Fl. 14.665 9 OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA DE PRESUNÇÃO. A apuração da irregularidade, por meio do confronto entre os valores informados em DIPJ e aqueles constantes das notas fiscais de vendas, emitidas aos principais clientes, obtidos por meio de circularização, caracteriza o fato como efetivo, real, ao contrário de alegações genéricas formuladas no sentido de que o mesmo seria presuntivo. Correta a exigência. VINCULAÇÃO DO AGENTE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS E/OU DISPOSITIVOS LEGAIS. DESCABIMENTO DE APRECIAÇÃO PELO VOTO. Dada a estrita vinculação a que submetido o autuante, corretas as exigências formuladas e relativas as parcelas exigidas a título de multa de ofício e juros de mora, nos percentuais em que aplicadas. Apreciação de eventuais alegações no sentido de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de leis e/ou dispositivos legais descabem a autoridade administrativa, por lhe faltar competência, que foi atribuída, de maneira exclusiva, ao Poder Judiciário. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: que toda a apuração da autuação fiscal foi decorrente de reconhecimento da própria recorrente da omissão de receitas operacionais em virtude da supressão das informações de centenas de notas fiscais de saída emitidas pela própria, bem como a falta de recolhimento dos tributos incidentes sobre estas receitas. Ou seja, a omissão de receitas foi real, efetiva, e convalidada pela recorrente, e não ficta, sobre a forma de presunção, como tentou impugnar; a impugnação cuidou de assuntos periféricos à autuação, não se insurgindo em nenhum momento de maneira expressa, contra a acusação de omissão de receitas pelo não oferecimento à tributação de parcela considerável das mesmas; quanto às parcelas de multa de ofício e dos juros de mora, exigidos de acordo com a taxa Selic, não caberia a sua discussão de ilegalidade, pois foram aplicados obedecidos os ditames do art. 142 do CTN, bem como os arts. 44 e 61 da Lei. nº 9.430/1996; as alegações de iliquidez foram sem embasamento material, e não houve sua demonstração pertinente; Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 31/07/2009, a recorrente apresentou recurso voluntário em 24/08/2009, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: Fl. 14669DF CARF MF 10 falta de fundamentação do acórdão recorrido, que não aplicou o melhor direito à espécie, ao negar o pleito; a omissão de receitas operacionais é uma presunção, pois é uma omissão de compras, o que o tornaria ilíquido também; as multas teriam caráter confiscatório; ilegalidade da taxa selic; ilegalidade da capitalização de juros; exclusão do nome do Cadin. É o relatório. Fl. 14670DF CARF MF Processo nº 19515.002138/200837 Acórdão n.º 1402002.971 S1C4T2 Fl. 14.666 11 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a uma autuação fiscal, a qual à recorrente foi imputada uma omissão de receitas, em virtude do descompasso entre sua escrita contábil e fiscal, e o apurado pela autoridade fiscal, conforme circularização e levantamento em seus 46 maiores adquirentes de mercadorias. Neste procedimento, apurouse substancial quantidade de notas fiscais de saída emitidas pela recorrente que não foram escriturados e nem oferecidos à tributação. No que tange a estas notas fiscais, ainda em fase de investigativa, concordou com a sua emissão e validade material. Na sua impugnação não ataca diretamente a questão determinante da autuação, a não escrituração das notas fiscais, insurgindose com questões indiretas, tipo que a autuação foi uma presunção, ilíquida, e a multa aplicada teria o caráter confiscatório e da ilegalidade dos juros pela taxa Selic e respectiva capitalização, e a questão da sua inscrição no Cadin. Na decisão a quo, houve o entendimento que a autuação fiscal estava devidamente comprovada, inclusive com reconhecimento da recorrente, não se podendo falar em sua presunção, e nem da sua iliquidez. Igualmente, afasta todas as questões indiretas suscitadas pela recorrente na sua peça impugnatória. No seu recurso voluntário, a recorrente ataca a decisão recorrida, se manifestando que a mesma não aplicou o melhor direito ao caso, posto que indeferiu pleito realizado nas impugnações interpostas. Adicionalmente, repisa os argumentos de que a omissão é uma presunção e autuação ilíquida. Também apresenta a mesma questões indiretas à autuação fiscal suscitadas quando da sua impugnação. Das questões suscitadas: falta de fundamentação do acórdão recorrido Fl. 14671DF CARF MF 12 Na sua peça recursal, a recorrente alega que as premissas adotadas pela decisão ora recorrida não ensejaram uma decisão adequada, carecendo a mesma de fundamentação. Nas suas palavras: Assim, data vênia, o r. Acórdão recorrido não aplicou o melhor direito à espécie, posto que indeferiu pleito realizado nas Impugnações interpostas, como acima aduzido, ensejando portanto, a decretação de sua reforma para o recebimento, processamento e acolhimento do presente Recurso Voluntário, como também se depreende dos dizeres abaixo citados. Para tanto, nada mais agrega, além de citar excertos da decisão recorrida. O que fez o relator condutor do voto mantido unanimemente na decisão de primeira instância administrativa foi verificar os fatos que ensejaram a autuação, relatando os eventos ocorridos durante o procedimento fiscal, que consubstanciaram a autuação fiscal. Não se vislumbra no v. acórdão nenhuma ilegalidade que, por ventura, poderia suscitar sua nulidade, muito pelo contrário, se ateve ao mérito da autuação fiscal, além do requerido pela recorrente na sua peça impugnatória. A contestação da recorrente é um tanto vaga ao atacar ao v. acórdão recorrido, apenas porque não atingiu seu objetivo, como fala, ipsis litteris¸ não aplicou o melhor direito à espécie, posto que indeferiu pleito realizado nas Impugnações interpostas. Apenas por isso não é o melhor direito aplicado? Nada mais argumenta ou corrobora com suas alegações, faltando qualquer substrato de reformado o v. acórdão recorrido. Sendo assim, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. a omissão é uma presunção e ilíquida também Conforme se extrai dos elementos da autuação fiscal, houve intimação a recorrente para apresentar os elementos contábeis e fiscais, e posteriormente, os mesmos foram cotejados com os valores circularizados obtidos junto a seus 46 maiores clientes. Tal cotejo consubstanciou divergências significativas de valores, o que suscitou haver a omissão de receitas. De posse destes valores circularizados, fundamentados em uma relação de notas fiscais de vendas, que representou um anexo de 191 folhas com a listagem das mesmas, a autoridade fiscal intimou a recorrente a informar se emitidas pela mesma, e se os produtos e/ou mercadorias nela descritos foram entregues aos respectivos destinatários, bem como, se for o caso, se os valores foram efetivamente recebidos. A sua resposta foi no sentido de que confirmava terem sido emitidas por ela mesma, e houve a entrega dos produtos e mercadorias nelas descritos aos respectivos destinatários. E todas as notas fiscais que geraram faturamento foram recebidos. E reconheceu que "por equívoco", parte das suas notas fiscais de saída não foram regularmente escrituradas, bem como parte das notas fiscais de entradas não o foram. Contudo, as notas fiscais de entrada não teriam tanta importância no caso, pois a opção da recorrente para o anocalendário de 2004, ano em litígio, foi a do lucro Fl. 14672DF CARF MF Processo nº 19515.002138/200837 Acórdão n.º 1402002.971 S1C4T2 Fl. 14.667 13 presumido. Não haveria que se falar em custos aqui, pois não se verifica nos autos que sua atividade denotaria alguma atividade que poderia gerar um eventual questionamento de serem parte das suas receitas de terceiros, devendo ter usado uma conta alheia o que não é o caso. Como resume o termo de constatação fiscal: Portanto, absolutamente comprovada pela fiscalização e expressamente reconhecida pela fiscalizada, a ocorrência de omissão de receitas operacionais em virtude da supressão das informações de centenas de Notas Fiscais de Saídas emitidas pela fiscalizada em sua escrituração contábil e fiscal bem como falta de recolhimento dos tributos incidentes sobre estas receitas. Ou seja, não há em nenhum momento que se falar em alguma presunção adotada pela autoridade fiscal quando da sua autuação. Os valores obtidos com terceiros, no caso clientes da recorrente, foram devidamente comprovados com notas fiscais emitidos pela mesma. Foram confrontados com sua escrituração contábil, e identificouse que não foram registrados. E, posteriormente, questionados à própria recorrente, da sua validade material, a qual confirmou que foram emitidos, recebidos, e não escriturados. Ou seja, pouco provável situação mais real que essa para comprovar uma omissão de receitas. Da mesma forma, como elencado acima, os valores decorreram de notas fiscais emitidas e não escrituradas. Apuração em valores precisos de centenas de notas fiscais emitidas ao largo do ano calendário de 2004. Não haveria espaço aqui para se falar em iliquidez, como comenta a recorrente na sua peça recursal, de maneira um tanto vaga. Os valores foram precisamente apurados. Sendo assim, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. questões indiretas suscitadas A recorrente se insurge por outras questões indiretas à autuação, quais sejam o caráter confiscatório das multas, ilegalidade da taxa Selic, ilegalidade da capitalização de juros e a exclusão do seu nome do Cadin. Em breve análise, reportome a cada um destes pontos, os quais envolvem viés de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de leis, que fogem à competência da autoridade administrativa aqui envolvida, e caberiam à competência exclusiva do Poder Judiciário. Os argumentos do caráter confiscatório da multa estão embasados em princípio constitucional. Este relator está adstrito à legislação vigente, não podendo deixar de aplicar a lei, exceto nos casos de declaração de inconstitucionalidade pelo STF com efeitos erga omnes, o que não é o caso no presente feito. Quanto à ilegalidade da taxa Selic e da respectiva capitalização para fins de correção dos créditos tributários constituídos também decorre de lei e é matéria pacífica no Fl. 14673DF CARF MF 14 âmbito desta Turma Julgadora, razão pela qual está correto o procedimento da fiscalização no presente processo administrativo. Quanto à exclusão do nome da recorrente junto ao Cadin, enquanto perdurar o julgamento do presente, atendidos os requisitos do Decreto nº 70.235/72, fica suspensa a exigibilidade dos créditos tributários constituídos por meio dos Autos de Infração, objeto do presente processo, na forma do art. 151, III, do Código Tributário Nacional, o que não deve provocar a inclusão no Cadin. Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 14674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.939594/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Relatório:
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 39 59 4/ 20 09 -1 6 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 15374.939594/200916 Resolução nº 1402000.535 S1C1T1 Fl. 112 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário interposto por DISTRIBUIDORA DE PAPÉIS SÃO NICOLAU LTDA interposto em face de decisão da DRJ do Rio de Janeiro que por unanimidade de votos decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade apresentada pela não apresentação de documentação comprobatória. A presente Declaração de Compensação (DCOMP) não foi homologada por ausência de crédito disponível. A DCOMP foi apresentada informando crédito referente a pagamento a maior de IRPJ referente ao DARF antes arrecadado. A DCOMP não foi homologada, pois o DARF pleiteado teria sido utilizado para quitar débito de código outro. Segundo a Manifestação de Inconformidade houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora. Em seu julgamento a DRJ afirma que a DCTF somente foi retificada posteriormente após a ciência do despacho decisório de não homologação. Para a DRJ o contribuinte deveria ter comprovado a o erro nos termos do art. 147, §1º do CTN. Nessa toada, afirma não terem sido entregues documentos comprobatórios, não sendo adequada a mera entrega da DCTF. Em seu Recurso Voluntário a recorrente reitera que houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora tão somente em relação aos percentuais de recolhimento, oportunidade em que anexou as notas fiscais emitidas no período. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 15374.939594/200916 Resolução nº 1402000.535 S1C1T1 Fl. 113 3 Voto: Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. Conforme se depreende do relatório o motivo de ter sido indeferida a manifestação de inconformidade apresentada foi a apresentação de DCTF diminuindo o valor do débito tributário sem a apresentação de comprovação idônea. Nos presentes autos foram juntadas as notas fiscais juntadas com o presente Recurso demonstram que a Recorrente exerceu atividades de comércio submetidas ao percentual de presunção de 8%, e não prestação de serviços submetidas ao percentual de presunção de 32%, o que justificaria a redução do imposto devido apresentado na DCTF. Assim, justificada a retificação da DCTF para menor deve ser reconhecido que o crédito pleiteado não foi utilizado para quitar o referido débito, premissa adotada pela d. DRJ, e, portanto, deve ser reconhecida a compensação pleiteada. No entanto, muito embora reconhecido o direito creditório é necessária sua quantificação pela autoridade competente, nos termos da Súmula 84, ao que necessário seu retorno à unidade de origem.. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13726.000270/2005-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1002-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13726.000270/200508 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.155 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente TECNO ESCRITA CAVALCANTI S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 6. 00 02 70 /2 00 5- 08 Fl. 47DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 28 à 29) interposto contra o Acórdão n° 1218794, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJOI (efls. 21 à 24), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF; porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Por bem descrever os fatos até este momento processual, peço vênia para transcrever e adotar o relatório produzido pela instância a quo em sede de impugnação ( efl. 19): Trata o presente processo de auto de infração de fl. 03 referente às multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF dos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2001, totalizando R$ 143,35. A autuação teve como enquadramento legal os arts. 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN; art. 4° combinado com o art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/1996; art. 6° da Instrução Normativa n° 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria MF n° 118/1984; art. 5° do Decreto lei n° 2.124/1984 e art. 7° da Lei n° 10.426 de 24 de abril de 2002. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1/2, onde, descreve a autuação e, transcrevendo a fundamentação do auto de infração, afirma que entendia não estar obrigada à apresentação da DCTF, uma vez que não se enquadra dentre as pessoas jurídicas obrigadas a tal pelo art. 2° da Instrução Normativa IN 73, e 19/12/1996, estranhando que, no período de 02/11/ 199 a 11/12/2002 houvesse duas Instruções Normativas para regulamentar a DCTF, constando ambas do auto de infração, quais sejam, a IN 97/1996 e a IN 126, de 30 de outubro de 1998, ambas revogadas somente em 11/ 12/2002 pela IN 255/2002. Alega ainda que a entrega extemporânea de suas Declarações estaria albergada no instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN, que afastaria a aplicação da penalidade exigida na autuação objeto do presente processo. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13726.000270/200508 Acórdão n.º 1002000.155 S1C0T2 Fl. 3 3 Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual reitera e reafirma in totum os argumentos apresentados em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados pelo Recorrente. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso na entrega da declaração e ao cálculo do valor da multa exigida, o que torna o fato incontroverso. Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse no instituto da denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega da declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme consta de trechos do voto condutor do acórdão recorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlos e, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e no §3º do art. 57 do RICARF, adotálos, desde já, como razões de decidir: Inobstante constar da fundamentação do auto de infração, sem maculálo, Instrução Normativa IN 73/1996 diz respeito às Declarações de Contribuições e, Tributos FederaisDCTF, e não às Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do ano calendário de 2001, objeto do auto de infração. A partir do ano de 1999, e, conseqüentemente,no ano autuado de 2001, a obrigatoriedade de apresentação das DCTF (Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais) estava regulada pelo art 2° da IN 126/1998, que não dispensava a interessada de sua apresentação, estando o atraso na mesma sujeita às penalidades previstas no art. 7° da Lei n° 10.426/2002. Quanto aos protestos da interessada de que o atraso na entrega de suas Declarações, que motivou a autuação, estaria albergado pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário NacionalCTN, in verbis: Fl. 49DF CARF MF 4 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ocorre que, a multa imposta à interessada, referente ao atraso na entrega de Declarações, não pode ser excluída pelo instituto da denuncia espontânea, uma vez que o próprio art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, que prevê a imposição da multa, discorre em seu parágrafo 2° que as multas serão reduzidas à metade, quando a declaração apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. Tal dispositivo foi observado no auto de infração e conta com a inaplicabilidade do art. 138 do CTN, uma vez que prevê a imposição da multa, mesmo que reduzida, exatamente no caso da entrega da Declaração após o prazo, espontaneamente, antes de procedimento de oficio. Voltandose ao exame do auto de infração, verificase estar indicado que as apresentações das Declarações ocorreram após o prazo final de entrega e que no demonstrativo do auto de infração, os cálculos das multas indicam ter sido observados os parâmetros dispostos no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, explicitados pelo artigo 7° da IN SRF 255/2002 Logo, tenho o entendimento que é fato incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e que a autuação se deu com observância ao que determina a legislação. Do acima exposto, verificase a higidez do lançamento, eis que teve como lastro o artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Concluise ainda, que a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso porque a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, vale dizer que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13726.000270/200508 Acórdão n.º 1002000.155 S1C0T2 Fl. 4 5 Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem acolhimento. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000045/2010-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
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EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 00 45 /2 01 0- 19 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13891.000045/201019 Acórdão n.º 1003000.029 S1C0T3 Fl. 52 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 228/2010, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01 de março de 2009, com fundamento na disposição contida no artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista a comercialização, pela empresa, de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A recorrente alega, em síntese, que seria desproporcional a exclusão do Simples Nacional por conta de 12 maços de cigarros "supostamente encontrados dentro de um estabelecimento comercial", quantidade insignificante face a outras infrações tributárias mais graves, e que tal exclusão inviabilizaria suas atividades comerciais. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Inicialmente, é importante registrar que os referidos 12 maços de cigarros foram apreendidos no referido estabelecimento comercial pela Delegacia de Polícia de Porto Ferreira SP, conforme Auto de Exibição e Apreensão à folha 10 (numeração em papel), Boletim de Ocorrência nº 606/2009 à folha 09, Oficio nº 1118/2009 da Polícia Federal à folha 08 e Laudo da Equipe de Perícias Criminalísticas de São Carlos nº 1069/09 às folhas 11/12, não se tratando o caso de mera suposição. No que se refere à aludida desproporção entre a quantidade "insignificante" de cigarros apreendida e a punição de exclusão do Simples, inferese que a recorrente alude ao princípio da insignificância. Em se tratando de cigarros, que configuram mercadorias de importação proibida, o crime é o de contrabando, havendo primazia do caráter regulatório em detrimento do arrecadatório, tornandose imperioso afastar o princípio da insignificância, conforme ilustrado pela jurisprudência do STJ a seguir transcrita: No crime de contrabando, é imperioso afastar o princípio da insignificância, na medida em que o bem jurídico tutelado não tem caráter exclusivamente patrimonial, pois envolve a vontade estatal de controlar a entrada de determinado produto em prol da segurança e da saúde pública.” (STJ. AgRg no REsp 1479836/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 18/08/2016, DJe 24/08/2016). Este Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento consolidado no sentido de ser inaplicável o princípio da insignificância ao crime de contrabando, haja vista que, por ser Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13891.000045/201019 Acórdão n.º 1003000.029 S1C0T3 Fl. 53 3 um delito pluriofensivo, o bem jurídico tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, alcançando também o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional. (AgRg no REsp 1587207/PR, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 28/06/2016, DJe 03/08/2016) Importante ressaltar, ainda, que o estabelecimento comercial tem como atividade o CNAE 56112/03 Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares (folha 16), afim, portanto, à comercialização de cigarros. Em relação aos efeitos da exclusão em suas atividades comerciais, não há previsão legal para afastar a referida exclusão por conta do princípio de preservação da empresa. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006058/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Embargos Declaratórios. Contradição entre Acórdão e Voto. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios para eliminar contradição existente entre o texto do acórdão e a parte dispositiva do voto condutor da decisão.
Numero da decisão: 1301-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para, com efeitos infringentes, eliminar a contradição apontada e retificar o decidido no Acórdão 1801-002.069, dando provimento integral ao recurso voluntário. Ausência momentânea e justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Embargos Declaratórios. Contradição entre Acórdão e Voto. Cabimento. Cabem embargos declaratórios para eliminar contradição existente entre o texto do acórdão e a parte dispositiva do voto condutor da decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para, com efeitos infringentes, eliminar a contradição apontada e retificar o decidido no Acórdão 1801-002.069, dando provimento integral ao recurso voluntário. Ausência momentânea e justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO ENTRE ACÓRDÃO E VOTO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para eliminar contradição existente entre o texto do acórdão e a parte dispositiva do voto condutor da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para, com efeitos infringentes, eliminar a contradição apontada e retificar o decidido no Acórdão 1801002.069, dando provimento integral ao recurso voluntário. Ausência momentânea e justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 58 /2 00 6- 93 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1301002.879 S1C3T1 Fl. 788 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios, opostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL PFN, em face do Acórdão nº 1801002.069, da 1ª Turma Especial da Primeira SEJUL, a fim de eliminar contradição existente entre o acórdão, que dava provimento parcial ao recurso, e a parte dispositiva do voto condutor da decisão que dava provimento intregal. Os embargos foram admitidos no despacho de fls. 785 a 786, com os seguintes fundamentos: Considerando o dispositivo acima transcrito, passase a análise dos embargos de declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão n° 1801002.069, de 31.07.2014, (Turma extinta), em cuja ementa consta: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. REVISÃO DO MONTANTE DO TRIBUTO DEVIDO. Mesmo sob o pretexto de tão somente contestar o saldo negativo declarado pelo contribuinte, é vedado ao fisco revisar a apuração de tributo mediante glosa de despesas de depreciações, entre outras que influenciem a determinação da base tributável. Tal situação ultrapassa a mera verificação da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (o que ocorreria na hipótese da singela confirmação da existência de retenções e de pagamento das estimativas, à luz do disposto no Art. 2º, § 4º da Lei 9.430/96), constituindose verdadeiro lançamento e, por isso, sujeito a prazo decadencial. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Notificada da referida decisão em 11.03.2015, a PGFN opôs embargos de declaração em 16.03.2015 (§ 9º do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: 1. Conforme consta no seguinte trecho do v. acórdão ora embargado, teria se DADO PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Voluntário do contribuinte, verbis: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [...] 2. Daí, a CONTRADIÇÃO, considerando que a conclusão do voto condutor foi no sentido do PROVIMENTO do Recurso Voluntário, ipsis litteris: Voto, portanto, em dar provimento ao recurso voluntário, homologandose as compensações intentadas. 3. DIANTE DO EXPOSTO, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar a CONTRADIÇÃO ora apontada. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1301002.879 S1C3T1 Fl. 789 3 Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [...] Voto, portanto, em dar provimento ao recurso voluntário, homologandose as compensações intentadas. A situação de contradição está apontada objetivamente. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício, ou seja, ficou evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional entre o dispositivo que deu provimento em parte e o voto condutor que deu provimento ao recurso voluntário. Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Como deixou expresso o despacho de admissibilidade, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso concreto, o que motivou os embargos foi a notória contradição entre o acórdão, que dá conta de um provimento parcial do recurso; e a parte dispositiva do voto, que fala apenas em provimento, dando a entender que toda a matéria recorrida teria sido provida. A parte dispositiva do voto está correta. O provimento foi total. Mas a solução do problema requer que se verifiquem as questões que, efetivamente, eram objeto de controvérsia no recurso voluntário e, com isso, delimitar a verdadeira extensão do provimento dado. A embargada apresentou as declarações de compensação dcomp de fls. 2 a 41, formalizando compensações de diversos débitos com crédito de saldo negativo de IRPJ e Fl. 789DF CARF MF Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1301002.879 S1C3T1 Fl. 790 4 de CSLL, ambos do ano base 2000. Entretanto, no despacho de fl. 376, a autoridade fiscal decidiu não homologar nenhuma delas. Contra essa decisão, foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 390 a 406). Porém antes que ela fosse julgada, a contribuinte desistiu parcialmente da impugnação, em requerimento de fls. 681 a 683, do qual se extrai o seguinte trecho: EDITORA JORNAL DO COMMERCIO S/A., devidamente qualificada nos autos do processo em epígrafe, por seu advogado que ao final subscreve, vem respeitosamente perante V. Exª., esclarecer e ao final requerer o que segue: Com o advento da Lei 11.941/2009, os contribuintes que possuem discussão administrativa e judicial em matéria tributária foram estimulados a renunciar ao direito sobre que se funda a respectiva ação, tendo como contrapartida a renúncia, pelo Fisco Federal, de parte do crédito tributário (multa, juros e encargos legais) concessões mútuas. A lei dispôs uma série de requisitos e a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06, de 2009 regulamentou a transação. (...) Diante do exposto acima, a Requerente efetuou o pagamento dos tributos a seguir relacionados, conforme DARF's que acostamos (doc. 01) Período de Datada Vator Valor Débito Apuração Compensação Cobrado RFB Pago REFIS IRPJ 2362 05/2002 16/10/2003 20.990,09 1.085,46 COFINS 2172 10/2003 12/11/2003 951,11 951,11 COFINS 2172 10/2003 13/11/2003 925,74 925,74 PIS 8109 07/2003 27/07/2004 2.048,70 2.048,70 IRPJ 2362 05/2002 17/10/2003 4.867,49 684,62 COFINS 2172 10/2003 13/11/2003 216,62 216,62 Nesse cenário é que a Requerente, em cumprimento às disposições da transação a que adere com o pagamento à vista, referente aos débitos listados, desiste parcialmente ao direito em que se funda a lide, mantendo entretanto, a lide no que se refere a parte do IRPJ estimativas de abril e maio de 2002, pelas razões expostas no presente requerimento. O acórdão da DRJ Recife (fls. 702 a 714) mencionou a desistência parcial e, em relação apenas à matéria remanescente, negou provimento à manifestação de inconformidade. A embargada recorreu da decisão. Mas o recurso só devolveu ao CARF o conhecimento da parte que não tinha sido objeto de desistência, a saber, a compensação da estimativa de IRPJ. Em hipótese alguma, o recurso voluntário teria o condão de restabelecer as compensações tal como declaradas originalmente; e, da mesma forma, não se poderia admitir que a decisão do CARF pudesse homologar compensações para as quais já havia desistência expressa do contribuinte. O recurso voluntário não poderia ter por objeto nada além da compensação da estimativa de IRPJ. Logo, o provimento do recurso, tal como consignado no voto condutor do acórdão embargado, alcançou exclusivamente essa parte. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 19647.006058/200693 Acórdão n.º 1301002.879 S1C3T1 Fl. 791 5 Em suma, a decisão que deu provimento ao recurso consiste em reconhecer o direito aos créditos informados nas declarações de compensação 28905.60641.161003.1.7.02 2148 e 33810.02268.171003.1.3.031288, homologando até esse limite os débitos ali declarados (estimativa de IRPJ), já deduzidos os recolhimentos feitos pelo contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios, para, com efeitos infringentes, retificar o decidido no Acórdão n° 1801002.069, eliminando a contradição apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 791DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000107/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Constatada a utilização de todo o crédito tributário, por meio da diligência efetuada, não há que se falar em restituição de valores.
Numero da decisão: 1301-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Constatada a utilização de todo o crédito tributário, por meio da diligência efetuada, não há que se falar em restituição de valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 01 07 /2 01 0- 41 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 19991.000107/201041 Acórdão n.º 1301003.041 S1C3T1 Fl. 209 2 Relatório EXPORTADORA DE CAFÉ GUAXUPÉ LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 58 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: O interessado transmitiu o PER nº 07696.55609.200110.1.2.020503, requerendo ressarcimento de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005; Despacho Decisório da DRF A DRF/Poços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório pleiteado sob o argumento de que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido; Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, que aduziu os seguintes argumentos: a) “a suposta diferença do saldo negativo da REQUERENTE verificada na decisão impugnada decorre de compensação de estimativa de IR efetuada nos autos do Processo n° 13652.000154/200591, com crédito oriundo da nãocumulatividade da COFINS”; b) “considerando a conexão entre os processos, seja por economia processual, seja para evitar decisões conflitantes, o presente processo deve ficar sobrestado até o julgamento definitivo do Processo n° 13652.000154/200591”; c) “DA IMPOSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E DA COBRANÇA EM FACE DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”; d) “DA CORRETA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO — ANO BASE 2005 Em julgamento realizado em 22 de maio de 2013, 2ª Turma da DRJ/JFA, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 0944137, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 19991.000107/201041 Acórdão n.º 1301003.041 S1C3T1 Fl. 210 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO Não existindo o crédito declarado a compensação não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 193/205, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: da necessidade de sobrestamento do feito por conexão com o PA 13652.000154/200591; da legitimidade do saldo negativo de IRPJ Recebi os autos por sorteio em 26/01/2018. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 19991.000107/201041 Acórdão n.º 1301003.041 S1C3T1 Fl. 211 4 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimada ao recolhimento do débito em 27/05/2013, (AR de fl. 190), e apresentou em 18/06/2013, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 193 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Importante ressaltar aqui, que um dia antes da data pautada para julgamento destes autos e dos autos em apenso, PA 13656.900016/201031 e PA 19991.000205/201088, foi requerido pelo recorrente o sobrestamento do feito. O Colegiado entendeu que não há que se falar em sobrestamento já que a Resolução anterior determinava que se aguardasse o desfecho daquele outro processo de Cofins, o que foi feito. Ademais, com a desistência daqueles autos, para adesão ao parcelamento conforme informado, mais se confirma a desnecessidade de se aguardar o julgamento, em decorrência da própria desistência. Estes autos tratamse de Pedido de Restituição de R$15.332,53, relativo ao IRPJ saldo negativo de 2005/2006, discutidos no PA 13656.900016/201031. Desde a Manifestação de Inconformidade, assim como no Recurso Voluntário, a recorrente requereu o sobrestamento do feito, já que o seu direito creditório de R$347.765,50, deriva de assunto em discussão no PA 13652.000154/200591. (utilização de créditos de COFINS nãocumulativa relativos ao mês de abril de 2005 reconheceuse tão somente o valor de R$59.059,27) Mediante Resolução deste Colegiado, nos autos do PA 13656.900016/2010 31, determinouse que a unidade administrativa de origem, a partir da decisão administrativa final prolatada no PA 13652.000154/200591 informasse se a estimativa de IRPJ correspondente ao período de maio de 2005 foi extinta, ainda que parcialmente, por meio da compensação pleiteada no referido processo, bem como a elaboração de quadro demonstrativo. Como já enfatizado lá, esse valor de maio/2005 compôs o saldo negativo de IRPJ do ano de 2005, que foi utilizado em futuras compensações. Das compensações apresentadas, confirmouse apenas o valor de R$821.019,24, de tal forma que a compensação foi homologada parcialmente, cobrandose a diferença de R$345.062,90 (principal), diferença essa justamente decorrente da discussão daqueles autos de Cofins. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 19991.000107/201041 Acórdão n.º 1301003.041 S1C3T1 Fl. 212 5 Conforme juntado às fls. 189/191, daqueles autos, deuse o encerramento desse processo, reconhecendose ao final o valor de R$99.844,80, relativo a esta estimativa. Assim, já que lá reconhecido todo o direito creditório até aquele montante, nestes autos, não há que se falar em restituição a ser devida. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721825/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2013
EMBARGOS INOMINADOS. PERDA DO OBJETO.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. No caso, antes da proposição dos embargos, o sujeito passivo efetuou a quitação do débito.
Numero da decisão: 2401-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2013 EMBARGOS INOMINADOS. PERDA DO OBJETO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. No caso, antes da proposição dos embargos, o sujeito passivo efetuou a quitação do débito.
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PERDA DO OBJETO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. No caso, antes da proposição dos embargos, o sujeito passivo efetuou a quitação do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 18 25 /2 01 1- 93 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10670.721825/201193 Acórdão n.º 2401005.449 S2C4T1 Fl. 280 2 Relatório Cuidase de embargos, recepcionado como embargos inominados nos termos da informação de fls. 282/283. ANÁLISE O acórdão embargado proferiu decisão extrapetita ao analisar conteúdo estranho ao lançamento tributário contestado, qual seja, exonerou do lançamento fiscal os valores das contribuições previdenciárias incidentes sobre vale transporte e auxílio creche, que foram apuradas nas competências de 01/2007 a 06/2007. Ocorre que tais valores não foram objeto de lançamento. Observase, entretanto, que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte realmente argumentou, com base na jurisprudência pátria, que sobre tais valores vale transporte e auxílio creche não deveria incidir contribuição previdenciária. Observo, contudo, que, a menos que exista portaria de designação específica, o Auditor que interpôs os embargos não possui competência para tal, conforme parágrafo 1o. do art. 65 do RICARF (Portaria MF 343/2015), a seguir transcrito. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Contudo, a mácula do acórdão embargado está constatada e deve o mesmo ser analisado para que seja corrigido. Tendo em vista a economia processual, e, à luz do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho, a seguir transcrito, proponho que os presentes embargos sejam transformados em Embargos Inominados, para viabilizar o procedimento de correção daquele decisium. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10670.721825/201193 Acórdão n.º 2401005.449 S2C4T1 Fl. 281 3 CONCLUSÃO Dado o exposto, proponho a transformação dos presentes embargos em Embargos Inominados para que, após análise, seja proferida decisão condizente com o crédito tributário do processo. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10670.721825/201193 Acórdão n.º 2401005.449 S2C4T1 Fl. 282 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Os embargos que tratam esse processo foram recepcionados como embargos inominados nos termos da informação de fls. 282/283. O crédito tributário controlado neste processo referese aos seguintes DEBCAD: I. 37.330.9546 Auto de Infração, período do débito 01/2007 a 13/2008, referente às contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive a destinada ao SAT, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a serviço da autuada, apurados através das informações de contabilidade e folhas de pagamento apresentadas pela empresa, bem como a diferença de acréscimos legais. II. 37.330.9554 Auto de Infração, período do débito 01/2007 a 13/2008, referente às contribuições sociais previdenciárias devidas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a serviço da autuada, apurados através das informações de contabilidade e folhas de pagamento apresentadas pela empresa, bem como a diferença de acréscimos legais. Ocorre que, após decisão da 1ªTO/4ª Cãmara/2ªSeção no Acórdão nº 2401 003.615, em sessão do dia 12 de agosto de 2014 (fls. 204/213), o sujeito passivo efetuou o recolhimento do crédito tributário, relativo ao DEBCAD nº 37.330.9546 em 25/11/2014 e relativo ao DEBCAD nº 37.330.9554 em 27/11/2014, conforme documentos abaixo. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10670.721825/201193 Acórdão n.º 2401005.449 S2C4T1 Fl. 283 5 Conforme documentos às fls. 220/225, constam os valores calculados, para pagamento a vista, com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009. Também confirma a quitação dos débitos, o despacho de fls. 226 da ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em Montes Claro, com o seguinte teor: INTERESSADO: CERÂMICA SALINAS LTDA – EPP. PROCESSO: 10670.721825/201193. INSCRIÇÃO: 373309546, 372284701, 372284710, 37228472 8, 372284736, 373309554 e 398945110. Tratase de Requerimento de Certidão de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União. O interessado acima protocolou requerimento, no CAC da Receita Federal em Montes Claros – MG., através do qual solicita o cancelamento da inscrição supramencionada, alegando pagamento à vista com os benefícios da Lei 11.941/2009, reabertura. Verificase que o contribuinte efetuou os cálculos para pagamento à vista das inscrições supramencionadas e, em 25/11/2014 e 27/11/2014, recolheu os valores devidos, conforme comprovantes de pagamentos de GPS anexados ao requerimento. Analisandose a consulta de dados para cálculos, bem como a “planilha de cálculos para pagamento à vista Lei 11.941/09”, Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10670.721825/201193 Acórdão n.º 2401005.449 S2C4T1 Fl. 284 6 anexas, verificase que o valor pago foi suficiente para quitar os DEBCAD´S. Por todo exposto, proponho o cancelamento dos DEBCAD´S 373309546, 372284701, 372284710, 372284728, 37228473 6, 373309554 e 398945110, com posterior arquivamento do processo administrativo por 10 (dez anos). (grifo nosso). Conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER dos embargos inominados, por perda do objeto. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901504/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
Ementa
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE MULTA DE MORA. DCTF E DIPJ ORIGINAIS E RETIFICADORAS. VALOR CONFESSADO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA.
Não configura denúncia espontânea (art. 138, CTN), quando os alegados valores pagos a maior ou indevidamente constam das obrigações acessórias (DIPJ e DCTF) originais e retificadoras. Além disso, o pagamento indevido ou a maior foi efetuado após as retificações.
Numero da decisão: 1302-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE MULTA DE MORA. DCTF E DIPJ ORIGINAIS E RETIFICADORAS. VALOR CONFESSADO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. Não configura denúncia espontânea (art. 138, CTN), quando os alegados valores pagos a maior ou indevidamente constam das obrigações acessórias (DIPJ e DCTF) originais e retificadoras. Além disso, o pagamento indevido ou a maior foi efetuado após as retificações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins.
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PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente HOTEL DO FRADE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 Ementa COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE MULTA DE MORA. DCTF E DIPJ ORIGINAIS E RETIFICADORAS. VALOR CONFESSADO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. Não configura denúncia espontânea (art. 138, CTN), quando os alegados valores pagos a maior ou indevidamente constam das obrigações acessórias (DIPJ e DCTF) originais e retificadoras. Além disso, o pagamento indevido ou a maior foi efetuado após as retificações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 15 04 /2 00 8- 12 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Acórdão n.º 1302002.691 S1C3T2 Fl. 3 2 conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins. Relatório Tratase de retorno de diligência designado por esta Segunda Turma (Resolução nº 1302000.445, de 15/09/2016), no sentido de dar seguimento à apreciação de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/RJI que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente (Acórdão nº 1229.692 de 08/04/2010, fls. 34 e 35). A diligência visou verificar a existência de crédito utilizado pela recorrente em Declaração de Compensação (DCOMP nº 03707.62944.130204.1.3.042965, de 13/02/2004). Declarou como origem do crédito, o pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), data de arrecadação de 31/08/1999, no valor de R$2.948,50 (Multa Código 3252), data de apuração de 31/01/1998. A DRF de Volta Redonda (Despacho Decisório nº 791175140, fl. 22), concluiu pela inexistência do crédito informado. Registrou que o respectivo DARF não teria sido localizado no sistema da RFB. Assim, não homologou a compensação declarada. (...) O interessado pretendeu compensar valor pago a título de multa de mora, invocando o art. 138 do CTN. Não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. A multa de mora não é afastada em razão de recolhimento espontâneo e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não ter restado configurada a existência de crédito. Em suas razões de defesa, a recorrente alegou que, a responsabilidade deveria ser excluída, no caso de denúncia espontânea da infração, acompanhada da prova do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Na referida Resolução, registrouse que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, haveria a possibilidade de o contribuinte se beneficiar do instituto da denúncia espontânea, com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Assim, concluiuse pela conversão do julgamento em diligência, designando se as seguintes providências à DRF de origem: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Acórdão n.º 1302002.691 S1C3T2 Fl. 4 3 a) apresentar DCTF com os valores dos débitos tributários condizentes com os períodos de recolhimentos dos DARF e posteriormente retificou os valores para maior; informar sobre as datas de entrega das DCTF, se for o caso; b) se não sofreu ação/procedimento fiscal; c) se os valores pleiteados a título de multa moratória foram efetivamente recolhidos aos cofres públicos e condizem com aqueles pleiteados na tabela anexa ao Formulário de fl. 01. A DRF de origem procedeu à diligência. Apresentou relatório fiscal e juntou documentos, cujos termos serão analisados no voto a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade do recurso voluntário foi reconhecida já na primeira Resolução, portanto, deve ser conhecido. Na forma relatada, esta Turma concluiu pela designação de diligência visando a comprovação da existência, suficiência e disponibilidade do alegado crédito de pagamento indevido de multa de IRPJ. O crédito teria sido performado sob as regras da denúncia espontânea (art. 138, CTN). O valor foi utilizado em compensação. No entanto, o Despacho Decisório concluiu pela inexistência de DARF. Relembrandose o histórico desse processo, verificase que por ocasião da primeira Resolução nº 1801000155, fls. 124 a 127, em 02/10/2012, a 1ª Turma Especial do CARF, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência: “diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, se faz necessário para a comprovação da mesma que se junte a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega para o deslinde da questão”. Esse entendimento do Superior Tribunal de Justiça está consignado no seguinte acórdão de repercussão geral: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. TRIBUTO NÃO PAGO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. (...)12. Inegável, assim, que engendrada a denúncia espontânea nesses termos, revelase incompatível a aplicação de qualquer punição. Memorável a lição de Ataliba no sentido de que: “O art. 138 do C.T.N. é incompatível com qualquer punição. Se são indiscerníveis as sanções punitivas, tornamse peremptas todas as pretensões à sua aplicação. Por tudo isso, sentimonos autorizados a afirmar Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Acórdão n.º 1302002.691 S1C3T2 Fl. 5 4 que a autodenúncia de que cuida o art. 138 do C.T.N. extingue a punibilidade de infrações (chamadas penais, administrativas ou tributárias).” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, p. 979, 6ª Ed. cit. Geraldo Ataliba in Denúncia espontânea e exclusão de responsabilidade penal, em revista de Direito Tributário nº 66, Ed. Malheiros, p. 29) (...) 14. Precedentes: REsp n.º 511.337/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 05/09/2005; REsp n.º 615.083/MG, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 15/05/2005; e REsp n.º 738.397/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 08/08/2005). 15. Agravo Regimental desprovido.” (STJ, Primeira Turma, AGEDAG AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 755008, Data da Publicação: 18/09/2006) Intimada a recorrente (ARF/ARS nº 10/2014, fl. 130) a apresentar DCTF referente ao primeiro trimestre de 1998 e o respectivo recibo de entrega, limitouse a apresentar o recibo de entrega (fl. 132) e requereu (fl. 133) prazo de 15 dias para apresentação da DCTF. Justificou o pedido de prazo em razão de mudança de profissional responsável pela área contábil e fiscal da empresa. Todavia, não apresentou a DCTF. Os autos retornaram ao Carf sem a DCTF e sem relatório fiscal da DRF. Para essa segunda diligência (Resolução nº 1302000.445, de 15/09/2016), portanto, diante do não atendimento da recorrente à intimação (na primeira diligência) requisitouse à DRF (e não mais, via intimação da Recorrente, eis que não respondeu à intimação interior) as informações e documentos necessários à conclusão sobre crédito em questão, relativo a denúncia espontânea (pagamento indevido de multa de IRPJ por estimativa, pago em atraso, mas anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização). Observase que, desde a primeira Resolução, o fato de a Turma decidir por requisitar informações quanto à existência de DARF e DCTF, já denota que teriam sido afastados, os fundamentos da DRJ expostos no acórdão recorrido. Ou seja, não se acolheu a conclusão de que, nos casos de denúncia espontânea (art. 138, CTN) seria obrigatório o pagamento da multa moratória, além dos juros de mora. Nesse ponto, portanto, não assiste razão à DRJ. Pois, nos termos do Acórdão do STJ, com repercussão geral, retro citado, que interpreta e pacifica o entendimento que se deve depreender do art. 138, CTN, a denúncia espontânea, regularmente caracterizada, afasta multa moratória e exige somente os juros de mora. Prosseguindose, passamos às informações apresentadas DRF em cumprimento à segunda diligência. Em cumprimento à Resolução, diante do não atendimento pela Recorrente à intimação anterior, a DRF diligenciou e apresentou as seguintes informações: a) consultou o sistema interno da RFB SIEF DCTF com o intuito de buscar informações sobre as DCTFs entregues pelo interessado; b) constatou que foi entregue DCTF retificadora, em 16/08/1999, na qual foi declarado débito de estimativa mensal de IRPJ (Janeiro/1998), código de receita: 2362, no valor de R$ 73.635,81, vide fl. 149; Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Acórdão n.º 1302002.691 S1C3T2 Fl. 6 5 Esse valor corresponde ao mesmo valor declarado na DCTF original, entregue em 03/05/1999, vide Recibo de Entrega à fl. 132. Nessa DCTF original, fl. 132, relativa ao 1º Trimestre de 1998, verifica se que o total do débito apurado para o IRPJ foi de R$ 218.200,43, que é o valor correspondente à soma das estimativas dos meses de janeiro (R$ 73.635,81) + fevereiro (R$ 48.933,60) + Março (R$ 95.631,02), vide telas da DIPJ do anocalendário 1998 às fls. 150 a 156. No caso da estimativa de março (fls. 155 e 156), encontrase o valor devido somandose as Linhas 02 e 03, que corresponde ao valor de R$ 95.631,02, incluído na DCTF original como débito apurado, salientando se que a DCTF possui caráter de confissão de dívida. c) observandose as telas da DIPJ relativas à estimativa de IRPJ de janeiro de 1998, fls. 150 a 152, em especial a fl. 152, constatouse que o interessado informou pagamentos de IRPJ no valor de R$ 59.257,50, linha 11. Esse valor corresponde aos 03 (três) pagamentos no código 2362 (estimativa de IRPJ) realizados pelo interessado em datas diferentes, incluindose o que houve o pagamento da Multa de Mora objeto de discussão no presente processo (vide telas dos pagamentos às fls. 157 a 159 e Tabela abaixo com a soma desses pagamentos: d) acrescentou que, a DIPJ 1999 – AnoCalendário 1998 foi entregue em 29/09/1999, após a entrega das DCTFs Original e Retificadora e após os pagamentos citados, de forma que a mesma refletiu tudo que foi apurado pelo interessado (o que foi declarado em DCTF e os pagamentos realizados) para o IRPJ, vide fl. 160. Diante de tais constatações, a DRF apresentou as seguintes respostas aos quesitos da Resolução em referência. a) apresentaramse DCTFs com valores condizentes com os recolhimentos realizados, porém, com datas desencontradas, pois os recolhimentos foram fracionados e pagos em atraso; No caso da estimativa de IRPJ de janeiro de 1998, foram realizados 03 (três) pagamentos, como vimos na tabela acima. As datas de entrega das DCTFs foram: Original (03/05/1999) e Retificadora (16/08/1999), portanto, antes do pagamento, cuja Multa de Mora é objeto de discussão. Informou, também, que não houve retificação para maior da DCTF Original para a DCTF Retificadora. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Acórdão n.º 1302002.691 S1C3T2 Fl. 7 6 Na Original, a estimativa de janeiro de 1998 foi de R$ 73.635,81, que está contido nos R$ 218.200,43, e na Retificadora foi mantido esse mesmo valor, fl. 149. Registrou que, não foi possível imprimir a DCTF Original completa, pois com a implantação do Windows 7 os programas internos da RFB que permitiam essa impressão migraram para o sistema SIEF – DCTF, e a opção de imprimir as DCTFs Originais (Retificadas) ainda não foi implementada, fl. 161, sendo possível apenas a impressão da Retificadora Ativa. b) o interessado não sofreu procedimento fiscal relativo ao IRPJ cujo pagamento e multa de mora ora se discute. O procedimento fiscal que ocorreu foi relativo ao IRPJ de outro período (Anocalendário 1995), e verificouse que o mesmo teve início em 11/06/1999 com término em 25/11/1999, vide fl. 163. c) o valor pleiteado a título de multa moratória, no valor de R$ 2.948,50, código: 3252, foi efetivamente recolhido aos cofres públicos por meio de DARF em 31/08/1999, vide telas à fl. 159. Tal valor condiz com aquele pleiteado na Declaração de Compensação como pagamento indevido, vide fls. 02 a 04, em especial a fl. 04 onde encontramos o valor da multa no DARF pago em 31/08/1999. Diante de tais constatações, a DRF apresentou a seguinte conclusão: 13. No nosso entendimento, e diante do que foi exposto nos parágrafos anteriores, não há que se falar em denúncia espontânea, pois o recorrente declarou em DCTF (Original e Retificadora) e, também, em DIPJ os débitos apurados condizentemente com os recolhimentos realizados, inclusive o pagamento realizado em 31/08/1999 cuja Multa de Mora é objeto de discussão no presente Recurso Voluntário. Lembrandose que as datas de entrega de ambas as DCTFs foram anteriores à data do pagamento que ora se discute e, também, que as DCTFs possuem caráter de confissão de dívida. Verificase, portanto, que não obstante o pagamento do valor em questão (R$2.948,50), a recorrente declarou em DCTF (original e retificadora), o respectivo débito (multa por pagamento em atraso de IRPJ por estimativa). Em sequência, efetuou o pagamento dos valores declarados, incluindo a multa em questão. Por fim, declarouse os mesmos valores em DIPJ. Dessa forma, o pagamento de multa, deuse após sua confissão em DCTF e declaração em DIPJ. Não houve nova retificação dessas obrigações acessórias, após o alegado pagamento indevido de multa. Prevalece, assim, os valores e informações constantes das DCTFs e DIPJ existentes (anteriores ao pagamento de multa em questão). Sobre essa situação, o Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula STJ nº 360, pacificou o entendimento de que, não há denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional), nos casos de pagamentos de tributos declarados pelo contribuinte, como é o caso, e pagos, posteriormente: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Acórdão n.º 1302002.691 S1C3T2 Fl. 8 7 Súmula STJ nº 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Assim, para se configurar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, a recorrente deveria ter demonstrado em DCTF e em DIPJ retificadoras, o valor pago indevidamente ou a maior (a multa moratória de IRPJ por estimativa pago em atraso, mas anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização). Dessa forma, não há como acatar as razões da recorrente, pois os requisitos formais para a caracterização da denúncia espontânea não estão presentes neste caso. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727297/2009-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
EDITADO EM: 05/05/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 97 /2 00 9- 71 Fl. 293DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O acórdão recorrido manifestou o entendimento de que referida verba tem natureza tributável. Consoante despacho de exame de admissibilidade proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão recorrido, obteve seguimento parcial para que a divergência relacionada à natureza indenizatória da URV fosse apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.334, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.334): Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.727297/200971 Acórdão n.º 9202006.356 CSRFT2 Fl. 3 3 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode Fl. 295DF CARF MF 4 recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastála no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência (fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional, por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10580.727297/200971 Acórdão n.º 9202006.356 CSRFT2 Fl. 4 5 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Fl. 297DF CARF MF 6 Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10580.727297/200971 Acórdão n.º 9202006.356 CSRFT2 Fl. 5 7 tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Fl. 299DF CARF MF 8 Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 300DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.720932/2016-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos provenientes do 13º salário estão sujeitos a regime de tributação específico, não se podendo, portanto, deduzir o desconto de pensão alimentícia no ajuste anual do Imposto de Renda.
Numero da decisão: 2001-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa no valor de R$ 943,67, uma vez que se trata de 13º salário e deferir a dedução do saldo remanescente de despesa com pensão, no valor de R$ 4.047,73, eis que resta respaldada judicialmente. Vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos provenientes do 13º salário estão sujeitos a regime de tributação específico, não se podendo, portanto, deduzir o desconto de pensão alimentícia no ajuste anual do Imposto de Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa no valor de R$ 943,67, uma vez que se trata de 13º salário e deferir a dedução do saldo remanescente de despesa com pensão, no valor de R$ 4.047,73, eis que resta respaldada judicialmente. Vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 09 32 /2 01 6- 26 Fl. 86DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 22 a 28, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2014, anocalendário de 2013, por meio do qual foi constatado que se apurou a dedução indevida de pensão alimentícia e despesas médicas, reduzindo, assim, o saldo de imposto a restituir declarado de R$2.581,98 para R$398,09. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o fez o preenchimento correto e anexou os documentos no sentido de comprovar o direito a dedução glosada no tocante às despesas de pensão. Já no que se refere às despesas médicas, não foi contestada. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que em relação valor de R$ 943,67 não deve ser acatado uma vez que correspondente à pensão retida sobre o 13º salário. Já em relação ao valor de R$ 4.047,73, apesar de o Contribuinte ter trazido um comprovante de rendimentos emitido pelo INSS (fl. 7), consignando a retenção a título de pensão alimentícia, valor esse corroborado pela Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF dessa fonte pagadora (fl. 63), não apresentou nenhuma decisão judicial que ratifique essa obrigação de pagamento da pensão Em sede de Recurso Voluntário, solicita o contribuinte novamente o direito a dedução e junta decisão judicial determinando o pagamento da pensão. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária na dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.720932/201626 Acórdão n.º 2001000.374 S2C0T1 Fl. 3 3 Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Observese, portanto, que o contribuinte somente tem o direito de deduzir na declaração de ajuste anual o valor de pensão alimentícia pago em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Tendo em vista que a lide residia apenas da glosa do valor de R$ 4.991,40, entendo que resta absolutamente esclarecida. Como muito bem colocado pela DRJ, não hpa que se falar em dedução do valor de R$ 943,67, consignado no quadro 7 – Informações Complementares do já citado comprovante de rendimentos, eis que correspondente à pensão retida sobre o 13º salário. Deve , portanto, ser mantida a glosa acerca deste valor. Já no que se refere ao valor de R$ 4.047,73, tendo em vista a apresentação da sentença judicial fixando a pensão, a apresentação da DIRF e o comprovante de rendimentos emitido pelo INSS corroborando essa informação, entendo que deve ser mantida a dedução desta parcela da despesa com pensão alimentícia. Fl. 88DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, conforme acima detalhado (manter a glosa no valor de R$ 943,67, uma vez que se trata de 13º salário e deferir a dedução do saldo remanescente de despesa com pensão, no valor de R$ 4.047,73, eis que resta respaldada judicialmente). (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
