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Numero do processo: 19985.723370/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia estiver comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios.
LAUDO PERICIAL. EXÉRCITO BRASILEIRO. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL DA UNIÃO. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE JUSTIFICADORA DA ISENÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO PERFEITO. DESCONSTITUIÇÃO DA PROVA. ÔNUS DO SUJEITO ATIVO.
Uma vez reconhecido por laudo oficial da União ser o contribuinte portador de moléstia grave justificadora da isenção do IRPF, a desconstituição do ato administrativo deve observar procedimento próprio.
Numero da decisão: 2301-004.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia estiver comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. LAUDO PERICIAL. EXÉRCITO BRASILEIRO. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL DA UNIÃO. COMPROVAÇÃO DA MOLÉSTIA GRAVE JUSTIFICADORA DA ISENÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO PERFEITO. DESCONSTITUIÇÃO DA PROVA. ÔNUS DO SUJEITO ATIVO. Uma vez reconhecido por laudo oficial da União ser o contribuinte portador de moléstia grave justificadora da isenção do IRPF, a desconstituição do ato administrativo deve observar procedimento próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 33 70 /2 01 4- 14 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19985.723370/201414 Acórdão n.º 2301004.550 S2C3T1 Fl. 140 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 10/09/2014 para constituição de crédito de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF anocalendário 2010 decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica da qual a recorrente é beneficiária pensionista, Exército Brasileiro, por falta da comprovação de ser portadora de uma das moléstias graves justificadoras da isenção do imposto. Assim considerado pela fiscalização, os valores declarados como isentos foram lançados como omissão de rendimentos. Em primeiro acórdão, havia decidido a DRJ pela concomitância com ação judicial, onde o recorrente discute tão somente a restituição do imposto pago no período anterior à data de reconhecimento pelo Parecer Oficial de médico do Exército Brasileiro da moléstia grave, 26/09/2005, inclusive opinando quanto ao direito a isenção. Em juízo pleiteia ser portadora no mesmo período de cardiopatia grave. Após embargos por erro material opostos pelo Delegado da Receita Federal, a DRJ conheceu e examinou as questões preliminares e de mérito suscitadas na impugnação, ora objeto de recurso voluntário. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO OFICIAL. NÃO OCORRÊNCIA Constituem rendimentos isentos e nãotributáveis os proventos de aposentadoria ou reforma, bem como os valores recebidos a título de pensão, percebidos pelos portadores de moléstia grave especificada em lei, desde que comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Que, por ser portadora de moléstia grave, requereu isenção do imposto de renda, tendo sido deferida, em 17/07/2006 com data retroativa a setembro de 2005, conforme despacho exarado pela Seção de Inativos e Pensionistas do Comando do Exército, o que foi ratificado pelo Comunicado de Sinistro Invalidez por doença, preenchido por seu médico e enviado à Caixa Econômica Federal. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Alega que, diante do seu quadro, propôs Ação de Repetição de Indébito (Processo nº 2008.70.00.0175044, na 3ª Vara da Justiça Federal de Curitiba) retroativa ao ano de 2003, a qual foi julgada improcedente, em 26/02/2014, motivando interposição de apelação. Salienta que a ação ainda não transitou em julgado. Afirma sem razão a Notificação de Lançamento quando alega ter havido omissão de rendimentos, visto que, sendo detentora de isenção, não recolhe imposto de renda sobre a pensão, salientando que, se a Receita Federal entendesse que o laudo oficial não fosse hígido e quisesse rever o ato que concedeu a isenção, deveria ter proposto procedimento próprio para tanto, observando o prazo decadencial de cinco anos, conforme disposto no art. 54 da Lei nº 9.784, de 1999. Alega violação da segurança jurídica, do direito adquirido, bem como decadência do direito de constituir o crédito tributário, ressaltando que, tendo direito adquirido à isenção do imposto de renda desde 2005, o prazo para a Administração Publica anular tal direito já havia decaído pelo decurso dos cinco anos, não podendo mais ser exigido o imposto ora questionado (cita legislação e jurisprudência). Afirma ter havido violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa (transcreve doutrina e jurisprudências). Alega que não houve omissão de rendimentos e, por não ter havido revogação ou anulação da isenção, requer que seja reconhecida inexistência de omissão, afastando a multa imposta (prossegue discorrendo a respeito do tema, onde cita a Súmula nº 14 do CARF). Também juntou todos os laudos médicos e acórdão do TRF da 4ª Região. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19985.723370/201414 Acórdão n.º 2301004.550 S2C3T1 Fl. 141 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Concomitância Antes do exame do recurso, verifico algumas questões relevantes sobre a ação judicial proposta pelo recorrente. De fato, não há concomitância de objetos. Amparada por laudos e certidões expedidos pelo serviço médico oficial do Exército Brasileiro onde se reconhece cardiopatia e artrose graves, esta última considerada equivalente à espondilite anquilosante, a recorrente entendia que já lhe era assegurado o direito a isenção desde 26/09/2005. Então, o objeto da lide cingiase ao período anterior, ou seja, de 05/08/1998 a 25/09/2005, quando entendia que já era portadora de cardiopatia grave e, portanto, já fazia jus a isenção. Embora o acórdão do TRF da 4ª Região tenha se pronunciado também sobre o direito a isenção para o período posterior ao objeto da ação, após acolhimento dos embargos opostos pela Fazenda Nacional ficou esclarecida a delimitação da lide e, portanto, não houve concomitância. Conforme pesquisa no site do tribunal, a sentença transitou em julgado em 23/04/2015: Tratase de embargos de declaração opostos pela União Federal em face de acórdão assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REPARAÇÃO DO JULGADO. 1. São prérequisitos autorizadores dos embargos de declaração a omissão, a contradição ou a obscuridade na decisão embargada. 2. Reconhecida a existência de contradição em relação ao dispositivo do acórdão. Aduz que houve equívoco no julgamento, pois o acórdão constante do Evento 5RELVOTO1 não decidiu que restou comprovado que a autora é portadora de moléstia grave desde 1998, mas, ao contrário, concluiu no sentido de que não restou demonstrado que a autora é portadora de cardiopatia desde 1998. ... Efetivamente houve contradição quando da análise dos aclaratórios interpostos pela autora. O voto proferido quando do julgamento da apelação da autora consignou que 'comprovado que a autora é portadora de moléstia grava. Contudo, não restou demonstrado que a autora é portadora de cardiopatia desde 1998. Logo, o termo a quo da Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 isenção pleiteada é a data do diagnóstico da moléstia, ou seja, 26/09/2005. Assim, não tem a autora direito à restituição de valores pagos anteriormente a esta data. Assim, passo ao exame. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19985.723370/201414 Acórdão n.º 2301004.550 S2C3T1 Fl. 142 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 O laudo médico oficial do Exército Brasileiro, atesta que a recorrente é portadora tanto de artrose grave quanto de cardiopatia grave. Inclusive esta última moléstia seria impeditiva para a intervenção cirúrgica necessária a fim de minimizar os problemas causados pela artrose grave, equiparada pela perícia médica como equivalente a espondilite anquilosante. Assim, entendo que o recorrente faz jus a isenção por ser comprovadamente portadora de cardiopatia grave, prevista no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ... Esse fato também foi mencionado no acórdão do TRF da 4ª Região: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. CARDIOPATIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. 1. A Lei n 7.713/88 instituiu a isenção, ao portador de doença grave, do imposto de renda retido na fonte sobre as parcelas recebidas a título de aposentadoria. 2. A mens legis da isenção é não sacrificar o contribuinte que padece de moléstia grave e que gasta demasiadamente com o tratamento. 3. Os laudos juntados comprovam ser a autora portadora de cardipatia grave e de espondilite difusa da coluna vertebral, o que justifica a isenção, nos termos do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. 4. O termo inicial para a isenção é a data do diagnóstico da moléstia. ... O laudo expedido pelo Hospital Geral de Curitiba em 26/09/2005 expressamente relatou que tratase de senhora portadora de artrose grave com comprometimento múltiplo de várias articulações (...) com indicação absoluta de tratamento cirúrgico ortopédico (...) agravase o fato da cardiopatia grave Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19985.723370/201414 Acórdão n.º 2301004.550 S2C3T1 Fl. 143 9 que compromete de maneira preocupante a realização das cirurgias que se fazem necessária (...) SEU QUADRO CLÍNICO GERAL É GRAVE E SUA LIMITAÇÃO FÍSICA É SEVERA, (...) E SEU PROGNÓSTICO DE SOBREVIDA É CURTO' (evento 2 ANEXOS PET4 fls. 1920). A Junta de Inspeção de Saúde de Recursos/CMS, do Exército Brasileiro, deu o seguinte parecer: 'é portadora de doença especificada na Lei nº 7.713 (...) O parecer decorre do seguinte diagnóstico: M47.8 (CID 10) espondilose difusa da coluna vertebral, ao nível de L2 a S1 (...)'(evento 2 ANEXOS PET4 fls. 2122). Assim, comprovado que a autora é portadora de moléstia grava. Contudo, não restou demonstrado que a autora é portadora de cardiopatia desde 1998. Assim, reconheço cumprida a exigência legal, reconhecida em jurisprudência deste CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fazendo jus o recorrente à isenção de IRPF, conforme sumulado por este CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Por fim, como esclarecimento, não se está reconhecendo efeitos jurídicos à parte dos documentos expedidos pelo Exército Brasileiro que reconhece direito à isenção, cuja competência é exercida exclusivamente pelo sujeito ativo, representado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O entendimento aqui adotado é que uma vez atestada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios moléstia grave prevista em lei para fazer jus a isenção não poderia a fiscalização desconsiderálo sem antes realizar procedimento pericial próprio para formação de contra prova. A existência do documento inverte o ônus da prova: Código Tributário Nacional: Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. Lei nº 9.784, de 29/01/99: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Por tudo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 148DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11557.001241/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/10/2003
Ementa:INTEMPESTIVIDADE DA DEFESA DE 1º GRAU. OCORRÊNCIA. Uma vez que a defesa a quo fora apresentada intempestivamente, resta prejudicada a análise de mérito do presente Recurso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 30/10/2003 Ementa:INTEMPESTIVIDADE DA DEFESA DE 1º GRAU. OCORRÊNCIA. Uma vez que a defesa a quo fora apresentada intempestivamente, resta prejudicada a análise de mérito do presente Recurso. Recurso Voluntário Negado.
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OCORRÊNCIA. Uma vez que a defesa a quo fora apresentada intempestivamente, resta prejudicada a análise de mérito do presente Recurso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 12 41 /2 00 9- 42 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LABORATORIO QUINTAO LIDA , em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD debcad n.° 35.1267808, lavrada em razão da falta de recolhimento por parte da recorrente de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social e a outras entidades e fundos (terceiros) no período abrangido entre 1994 e 2003. Verificase que a apuração do débito foi feita via aferição indireta, uma vez que a contabilidade da empresa autuada não demonstrou a real remuneração dos segurados seu serviço além de não retratar a situação econômicofinanceira da Empresa a vista dos fatos apurados pela fiscalização e descritos no Relatório Fiscal, fls.87/103. O lançamento compreende as competências de 01/1994 a 10.2003, tendo sido o contribuinte cientificado em 18/06/2004(fls.). A Recorrente apresenta defesa (08.07.2004) declarada intempestiva. No entanto, a decisão de primeiro grau, de ofício, declara os efeitos da decadência para os créditos compreendidos em período anterior à 07.1995, senão vejamos: "Entretanto, embora não impugnada a exigência nos moldes da Lei. devese rever de oficio o lançamento de que trata esta Notificação, nos termos do art. 145. inciso III, combinado com o art. 149 do CTN. No presente caso, foram lançadas as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) em período anterior a 07.95. estando as mesmas alcançadas pelo instituto da decadência. visto que antes de 07.95 aplicase às mesmas o prazo decadencial quinquenal previsto no CTN, sendo exte entendimento exarado no o PARECER/CJ N° 2.521/2001, aprovado pelo Ministro da pasta em 09.08.2001. verbis: 12. Em síntese, contribuições para terceiros cujos fatos geradores tenham ocorrido antes do RESP n° 58918/RJ, publicado no Diário de Justiça do dia 19 de junho de 1995, o prazo decadencial será de cinco anos; aquelas cujos fatos geradores tenham ocorrido depois deste Recurso Especial, prazo decadencial de dez anos. ` (...) Consequentemente, foram excluídas as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) em período anterior a 07.95 e o valor originalmente apurado fica alterado conforme Discriminativo Analítico do Débito ratificado DADR, anexo. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001241/200942 Acórdão n.º 2402005.054 S2C4T2 Fl. 3 3 CONCLUSÃO: 7. isto posto, e Considerando tudo mais que dos autos consta; RESOLVO: a) Não tomar conhecimento da petição de fls . 315/346,_protocolizada sob n° 36202.002145/200458 b) RETIFICAR o lançamento do DEBCAD em epígrafe embasado no preconizado no art. 145. inciso III. combinado com os arts. 149 e 150 do CTN"; A Recorrente interpôs o competente recurso voluntário – fl.402/428, através do qual sustenta, em síntese, que : Preliminarmente: Deve ser considerado nulo o julgamento de 1ª instância e reconhecida a tempestividade da defesa e consequente devolução do processo para o órgão de primeiro grau para correto julgamento; No mérito Decadência de todos os créditos previdenciários nos períodos anteriores a 24.06.99; A fiscalização não buscou a verdade real, mas fundouse em presunções e em um pleito trabalhista que ainda está em trâmite, além de distorcer a realidade dos fatos; Que inexiste objetividade para a ação fiscal, a contrário do que estabelece a súmula 439 do Supremo Tribunal Federal, Que os documentos foram examinados pela fiscalização de forma aleatória e indiscriminadas, o que foi feito, inclusive, com documentos prescritos; Nulidade da NFLD por cerceamento do direito de defesa, pois não restou demonstrada de forma insofismável a irregularidade e a indicação precisa da infração cometida. Não restou provada a capacidade profissional da Auditora Fiscal e não está apta profissionalmente para proceder a exame de livros contábeis. Aduz a fiscalização incorre em uso ilegal da profissão uma vez que suas conclusões são meras opiniões, sem embasamento científico e que tal ato resta viciado; Todo o cálculo se sustentou em uma folha de salários de abril de 1997 sem levar em conta as alterações ocorridas no período, pilar de sustentação do fisco previdenciário é um processo judicial trabalhista ainda em trâmite. Ademais, apesar de asseverar que a contabilidade é deficiente a fiscalização a utiliza como baldrame para lavrar a NFLD, inclusive para balizar um percentual presumido da folha em relação ao faturamento. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Requer seja declarada a insubsistência do Auto de Infração e consequentemente nula a multa aplicada. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 721DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001241/200942 Acórdão n.º 2402005.054 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARMENTE Em análise dos presentes autos, verifico que a Autoridade Julgadora de 1ª Instância agiu em conformidade com a legislação vigente à época dos fatos onde o prazo para apresentação de defesa era o de 15 (dias) a contar da data de cientificação da Recorrente. Vejamos a referida decisão: "O artigo 243, §§ 2° e 3° do Regulamento da Previdência Social RPS. aprovado pelo Decreto 3.048/99, estabelece que. feita a intimação, a não apresentação de Impugnação dentro de 15 (quinze) dias da data da ciência implica revelia. Destarte. a fase litigiosa do procedimento fiscal não se instaura e o ato praticado pela Defendente mostrase ineficaz para instauração do contencioso administrativo. Tratase,portanto, de petição extemporânea a de fls. 315/346, diante da citada norma. Em conseqüência, não 6 conhecida como impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem enseja julgamento.” Assim, trago os mesmos motivos apontados na decisão a quo razão para acolher a preliminar arguida pela Recorrente na forma acima. Restam prejudicados a análise alusiva ao mérito tendo em vista se tratar de matéria não contestada em 1ª instância. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001565/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1999 a 30/06/2002
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT).
O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ (Parecer PGFN nº 2.120/2011).
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2301-004.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Compareceu ao julgamento o Dr. Bruno Faccin, OAB/DF 42.411.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1999 a 30/06/2002 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ (Parecer PGFN nº 2.120/2011). INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
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INDEFERIMENTO. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá de acordo com a atividade preponderante de cada estabelecimento da empresa individualizado por CNPJ (Parecer PGFN nº 2.120/2011). INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 15 65 /2 00 8- 40 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Compareceu ao julgamento o Dr. Bruno Faccin, OAB/DF 42.411. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18050.001565/200840 Acórdão n.º 2402004.581 S2C4T2 Fl. 357 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal de 31/05/2006, relativo a re enquadramento da atividade econômica de estabelecimento do recorrente para cobrança da diferença de alíquota correspondente aos graus de risco grave e leve e contribuições relativas aos contribuintes individuais. O lançamento anterior foram anulado por erro na identificação do sujeito passivo. Foram excluídos do atual lançamento substitutivo valores alcançados pela decadência, regra do artigo 150, §4º do CTN, e também relativos a alguns contribuintes individuais. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: GILRAT. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) corresponde à aplicação dos percentuais de 1%, 2% ou 3%, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso, em função da atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou ilegalidade de ato normativo em vigor. JUROS. É licita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Só há necessidade de perícia para elucidação de fato que depende de conhecimento especial. Não caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento de diligência ou perícia, consideradas prescindíveis ou impraticáveis. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE N° 8. Dispõe a Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, 1 que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. HOMOLOGAÇÃO TACITA. Com a existência de pagamentos antecipados, considerase homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito tributário com o transcurso de cinco anos pela inexistência de outro prazo legal fixado para a homologação, a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, salvo se estivesse comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1999 a 30/06/2002 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. As empresas urbanas e rurais estão sujeitas A. incidência da contribuição social para o INCRA. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição destinada ao SEBRAE é devida independentemente do porte da empresa. ... O crédito constituído decorre de diferenças de contribuições correspondentes à revisão do autoenquadramento da empresa no grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) no estabelecimento 13.558.226/000405, erro de cálculo ou preenchimento e compensações realizadas pela empresa durante o recolhimento de GRPS pela matriz e filiais 00405, 00669, 001045, 001398 e 002440 e glosa de dedução efetuada na guia do décimo terceiro salário do ano de 2000 do estabelecimento 001045 por falta de correspondência na folha de pagamento. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: • Nulidade por não ter recebido o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), o Discriminativo Sintético por Estabelecimento (DSE) e Diferença de Acréscimos Legais (DAL); • Nulidade do lançamento em razão da exigência de valores superiores aos eventualmente devidos pela discrepância na competência de 04/2002 na base de cálculo referente à remuneração de contribuintes individuais; • Que o lançamento deve ser considerado originário uma vez que o lançamento anterior foi anulado; • Descabimento de incidência de juros de mora pois a anulação do lançamento anterior foi por equivoco da fiscalização; • Inclusão dos diretores no pólo passivo; • Incompetência do INSS para fiscalizar fatos ocorridos fora de sua circunscrição; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18050.001565/200840 Acórdão n.º 2402004.581 S2C4T2 Fl. 358 5 • Cerceamento de defesa por falta de especificação e justificativa do motivo do lançamento; • Inexigibilidade e inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA de empresa urbana; • Inexigibilidade e inconstitucionalidade da contribuição ao SEBRAE de empresa de grande porte; • Ilegalidade na aplicação do grau de risco máximo do SAT/GILRAT a escritório administrativo; • Inconstitucionalidade da contribuição a titulo de SAT/GILRAT por ausência de lei complementar na sua instituição; • Falta de consideração dos recolhimentos já efetuados, inclusive a titulo de SAT/GILRAT, denominando esse procedimento como compensação devida, com atualização; • Ausência de erros de cálculo ou preenchimento de guias como aponta o Relatório Fiscal e falta de indicação de quais seriam os erros; • Incorreção do valor referente a contribuição dos segurados empregados na competência 12/1999, levantamento TR4, que deveria ser R$ 13.567,91 e não R$ 53.567,91 (associando ao estabelecimento 001045); • Ausência de consideração do saláriomaternidade pago pela empresa para a competência de 08/1999 no valor de R$ 74,73, para o estabelecimento 001398; • Recolhimento de R$ 3.499,32 pelo CNPJ 13.558.226/001398 referente ao 13° salário de 1999 na competência 12/1999; • Consideração da base de cálculo de R$ 772.377,48 da competência 06/2000, quando deveria ser R$ R$ 747.025,71, para o estabelecimento 001398; • Recolhimento de R$ 1.799,78 pelo CNPJ 13.558.226/001398 referente ao 13° salário de 2000 na competência 12/2000; • Que a empresa realizou compensações com base em expressa disposição legal e/ou consolidada orientação jurisprudencial, supondo que as compensações a que o Relatório Fiscal se refere sejam decorrentes do processo n° 00.0347160, que tramitou na 17a Vara Cível da Justiça Federal de Brasília; • Inaplicabilidade ao caso concreto da Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, na inclusão do art. 170A à Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), submissão da matéria ao Código Civil, e anterioridade do fato à introdução normativa dada pela LC n° 74/2001; • Que a autuação, ao que tudo lhe indica, parte do equivocado pressuposto de que o contribuinte precisaria de uma decisão Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 judicial para embasar a compensação de tributos indevidos com outros de mesma espécie; • Que a Resolução n° 14, do Senado Federal suspendeu a aplicabilidade da norma (inciso I do art. 3° da Lei n° 7.787/89) que instituiu a contribuição objeto de questionamento judicial pela ora Impugnante, do que decorre o seu direito creditório; • Que de acordo com as Lei n° 8.383/1991 e Lei n° 9.250/1995, a compensação independe de autorização judicial; • Que pretendeu compensar os valores da competência 09/1989; • Que a glosa efetuada na guia do 13° salário de 2000 do estabelecimento 001045 teve o respectivo valor acrescido no INSS do mês; • Multa progressiva ofensiva ao direito gratuito de petição e ao devido processo legal; • Inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como medida de juros. É o Relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18050.001565/200840 Acórdão n.º 2402004.581 S2C4T2 Fl. 359 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados e tão pouco se faz necessária a realização de diligência ou perícia, já que os autos estão devidamente instruídos para exame e julgamento: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) ... Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18050.001565/200840 Acórdão n.º 2402004.581 S2C4T2 Fl. 360 9 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. Responsabilidade dos representantes legais Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEG Relatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, considerando que a fiscalização, com acerto, apenas indicou os representantes legais da empresa no documento “Representantes Legais – REPLEG” o interesse do recorrente já fora atendido. No mérito Atividade econômica preponderante Discutese no processo o dissenso sobre o enquadramento de estabelecimentos da empresa nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho. A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante da empresa como um todo e a recorrente sustenta que seria por estabelecimento, de forma que aqueles cujas atividades principais sejam de grau leve ou médio não podem ser reenquadrados no grau de risco grave. Sobre esse matéria, após o Parecer nº 2.120/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011, que acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Fl. 392DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18050.001565/200840 Acórdão n.º 2402004.581 S2C4T2 Fl. 361 11 Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. ... 5. Sobre a matéria, a Lei nº 8.212/91, em seu inciso II, com redação conferida pela Lei nº 9.732/98, estabelece as alíquotas de 1% (um por cento), 2% (dois por cento) ou 3% (três por cento) conforme o grau do risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave. Regulamentando o dispositivo, o Decreto nº 3.048/99, em seu art. 202, reproduziu o disposto no art. 26 do Decreto nº 2.173/97, o qual previa como critério para identificação da atividade preponderante, o maior número de segurados da empresa como um todo. Convém mencionar que, anteriormente, o Decreto nº 612/92 estabelecia como o critério para aferição da atividade preponderante o maior número de empregados por estabelecimento. No entanto, com a sua revogação pela superveniência do Decreto 2.173/97, a verificação de risco da atividade preponderante passou a ser feita considerando a empresa como um todo, o que foi mantido pelo Decreto nº 3.048/99. ... 16. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas ações promovidas contra a Fazenda Nacional, oriundas de causas de natureza fiscal, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, face ao disposto no art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993; e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. ... ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Assim, deve ser aplicado o ato declaratório ao presente caso. Quanto a equívocos no cálculo do tributo, a recorrente reitera erros de base de cálculo que foram examinados e aqueles que de fato foram comprovados resultaram na correção do lançamento. Não há mais qualquer equívoco remanescente comprovado em recurso voluntário que possa justificar novas retificações do lançamento. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos como devidas as contribuições, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SELIC Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18 082011 EMENT VOL0256802 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18050.001565/200840 Acórdão n.º 2402004.581 S2C4T2 Fl. 362 13 montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. Assim, quanto aos juros SELIC, não merece acolhida a alegação do recorrente. Voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário quanto ao re enquadramento da empresa para considerar o grau de risco individualmente por Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 estabelecimento em aplicação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do ato declaratório PGFN nº 11/2011. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10166.720664/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Comprovada, através de laudo emitido por serviço médico oficial, a cegueira, considerada moléstia grave, para efeito do art. 6º da Lei nº 7.713/88, com as modificações da Lei nº 11.052/2004, é de se reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelo portador, a partir da data em que a doença foi contraída, e não da emissão do documento que constate tal evento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira, e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Comprovada, através de laudo emitido por serviço médico oficial, a cegueira, considerada moléstia grave, para efeito do art. 6º da Lei nº 7.713/88, com as modificações da Lei nº 11.052/2004, é de se reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelo portador, a partir da data em que a doença foi contraída, e não da emissão do documento que constate tal evento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 06 64 /2 01 4- 63 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.720664/201463 Acórdão n.º 2402005.379 S2C4T2 Fl. 86 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira, e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.720664/201463 Acórdão n.º 2402005.379 S2C4T2 Fl. 87 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por SOPHIA WAINER, em face do acórdão n° 0257.697, proferido pela 9ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de Belo Horizonte MG, em sessão de 26 de junho de 2014, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela recorrente. 2. Por bem retratar os fatos, adoto integramente o relatório da autoridade julgadora a quo, que assim descreve o ocorrido: "A Notificação de Lançamento de fls. 34/38 exige da contribuinte, já qualificada nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$17.943,33, assim discriminado: IRPF Suplementar (sujeito à multa de ofício) 9.497,85 Multa de Ofício 75% (passível de redução) 7.123,38 Juros de Mora (calculados até 31/01/2014) 1.322,10 Total do crédito tributário apurado 17.943,33 Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual em nome da interessada, referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, quando foi constatada, conforme "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", à fl. 36, infração por omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Ministério da Saúde, CNPJ 00.394.544/012787, no valor de R$54.802,20, compensado IRRF no valor de R$5.572,76. Informa a autoridade fiscal que os valores foram lançados, conforme informação da fonte pagadora Ministério da Saúde, declarados em Dirf e conforme comprovante apresentado pela contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 3676/2013. Na peça impugnatória de fls. 03/04, instruída com documentos de fls. 05/26, a impugnante alega que os seus rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave. Na Declaração Retificadora não existe campo para informar o desconto do IRRF (Rendimentos Isentos e não Tributáveis). Em consequência do valor apontado como saldo a pagar R$4.893,20 na Declaração Retificadora, devem ser deduzidos os R$5.572,76 de IRRF, da aposentadoria paga pelo Ministério da Saúde e irregularmente lançados como omissão de rendimentos. Desse modo são devidos a título de restituição o valor de R$679,76." 3. Analisada a defesa apresentada pela contribuinte, entendeu o julgador de primeira instância pela improcedência da peça impugnatória, cuja decisão restou assim ementada (fl.45): Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.720664/201463 Acórdão n.º 2402005.379 S2C4T2 Fl. 88 4 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 RENDIMENTOS DE REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda de rendimentos de reforma, em razão de moléstia grave, começa no mês de emissão do laudo médicopericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios ou na data de início da doença, quando indicada no laudo médicopericial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." 4. A recorrente foi regularmente notificada (11/07/2014) da decisão proferida pelo julgador a quo (fls. 45/48), e, para demonstrar seu inconformismo, tempestivamente, em 17/07/2014, interpôs recurso voluntário (fls. 59/62), onde, síntese, pugna pelo cancelamento do lançamento suplementar, sob o argumento de que os valores recebidos em 2011 tratamse de rendimentos provenientes de aposentadoria, e, por ela tratarse de pessoa portadora doença grave não são os referidos proventos tributados pelo IR, isentos, portanto. 5. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.720664/201463 Acórdão n.º 2402005.379 S2C4T2 Fl. 89 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto n°. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. 2. O lançamento em análise, de acordo com o consignado às fls. 05/10 dos autos, resulta da omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, pagos a recorrente pelo Ministério da Saúde, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 54.802,20, do qual resulta o imposto suplementar de R$ 9.497,85 que com os acréscimos legais totalizam um crédito tributário de R$ 17.943,33 (fl. 05). 3. O julgador a quo, ao analisar a impugnação oferecida pela recorrente, manteve o lançamento do imposto suplementar apurado, sob o argumento de que há comprovação nos autos de que a contribuinte é portadora de doença grave somente a partir de 10/10/2012, não ficando comprovada, assim, a isenção pleiteada para o ano calendário de 2011. Confirase do trecho do decidido (fls. 47/48) que trago à colação: "(...). Da análise do texto legal, inferese que há duas condições básicas indispensáveis à concessão da isenção. A primeira reportase à comprovação da condição de portadora de moléstia grave previstas no texto legal, mediante laudo médico oficial, e a segunda relacionase à natureza dos rendimentos recebidos, que devem ser oriundos de aposentadoria e/ou complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. A contribuinte nesta fase impugnatória, junta às fls. 14/21, Comprovante de Aposentadoria por Tempo de Serviço (Portaria INAMPSDFAP2052, de 22/03/1984) e Laudos Médicos Periciais do SIASS Ministério da Saúde Brasília/DF e da Gerência Executiva do INSS Distrito Federal, comprovando que é portadora de patologia clínica que se enquadra na Lei de Isenção de Imposto de Renda, desde 10/10/2012. Desse modo, apesar de constatada a aposentadoria da contribuinte conforme acima informado, ela é portadora de uma das doenças previstas no texto legal somente a partir de 10/10/2012, não ficando comprovada a sua isenção, referente ao ano calendário 2011 (Grifei), objeto do presente lançamento. Fica mantida, portanto, a infração por omissão de rendimentos lançada pela fiscalização, no montante de R$54.802,20 com valor compensado de IRRF R$5.572,76." Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.720664/201463 Acórdão n.º 2402005.379 S2C4T2 Fl. 90 6 4. Das transcrições do trecho da decisão exarada em primeira instância, inferese que, reiterese, o não reconhecimento da isenção do imposto de renda prendese ao fato de que a recorrente comprovou de que é portadora de doença grave a partir de 10/10/2012, o que não se estenderia ao ano calendário de 2011. 5. Ocorre que, além da comprovação de que os rendimentos omitidos se referem a proventos de aposentadoria, cabe destacar que, como bem já apontado pelo julgador a quo (fl. 47), com base nas provas acostadas aos autos a recorrente é portadora de moléstia grave que lhe dá direito à isenção do imposto de renda, nos termos assim regulado no art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla,neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n" 11.052, de 2004). (...). XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei n° 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995")." 6. Trazido à baila a legislação aplicável, inferese que são necessários à verificação cumulativa de dois requisitos para a concessão da isenção, sendo que um deles reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal. 7. Vejase que não se tem dúvidas no que tange aos requisitos condicionadores do benefício isencional, eis que satisfeitos como pode ser constatado nos autos, restando apenas verificar a partir de que momento, no caso concreto, poderá, o mesmo ser aplicado e/ou reconhecido pela autoridade administrativa. 8. Da análise dos autos e as provas ao mesmos carreadas, verificase que a recorrente, além de outros documentos que demonstram ser ela portadora de doença grave, apresentou laudo médico pericial (fls. 15), emitido em 30/10/2012, pelo Subsistema Integrado de Atenção a Saúde do Servidor SIASS onde consta que a interessada é portadora de Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.720664/201463 Acórdão n.º 2402005.379 S2C4T2 Fl. 91 7 cegueira, cuja doença está especificada no art. 1º da Lei nº 11.052/2004, com diagnóstico desde 2007. 9. Desta forma, uma vez comprovada, através de laudo emitido por serviço médico oficial, a cegueira, considerada moléstia grave, para efeito do art. 6º da Lei nº 7.713/88, com as modificações da Lei nº 11.052/2004, é de se reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelo portador, a partir da data em que a doença foi contraída, e não da emissão do documento que constate tal evento. 10. Assim, entendo que o acórdão recorrido merece reparo, haja vista não ter o julgador de primeira instância levado em consideração as informações constantes do Laudo Médico acostado às fls. 15 que informa ser a recorrente portadora de doença grave com diagnóstico desde 2007. CONCLUSÃO 11. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento, para tornar insubsistente o lançamento. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS
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Numero do processo: 16327.000483/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003
NORMAS PROCESSUAIS REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DORECURSO.
Para que seja admitido o recurso especial de divergência além da tempestividade, faz-se necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial.
Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-004.115
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em não conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por falta de divergência jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003 NORMAS PROCESSUAIS REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DORECURSO. Para que seja admitido o recurso especial de divergência além da tempestividade, fazse necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 83 /2 00 5- 12 Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000483/200512 Acórdão n.º 9303004.115 CSRFT3 Fl. 2.251 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em não conhecer do recurso especial do sujeito passivo, por falta de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recursos especiais de divergência, tempestivos, interposto pelo Sujeito Passivo e pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, em face do Acórdão 220100.025, de 3 de março de 2009, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003 FALTA DE PAGAMENTO A fala de declaração/pagamento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. COOPERATIVAS DE CRÉDITO A partir da edição da Lei n°9.718, de 27/11/1998, as cooperativas de crédito ficaram sujeitas à Cofins calculada sobre o faturamento, assim entendido o total de suas receitas, independentemente de serem provenientes de atos cooperativos ou não, e, ainda, de suas naturezas e classificação contábil adotada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O prazo para a Fazenda Nacional exigir crédito tributário relativo a contribuições sociais, em face da Súmula n° 08, de Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000483/200512 Acórdão n.º 9303004.115 CSRFT3 Fl. 2.252 3 2008, editada pelo Supremo Tribunal Federal, passou a ser de cinco contados da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Recurso voluntário provido parcialmente. Em breve síntese do litígio, tratase de auto de infração lavrado para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), tendo como fundamento o não recolhimento desta exação nos períodos mensais de competência de junho a dezembro de 1998 e de janeiro de 2000 a abril de 2003, apurados em procedimento fiscal de verificações obrigatórias, com o levantamento dos valores a partir da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo. A autoridade lançadora entendeu pela incidência da contribuição nas receitas do sujeito passivo, em oposição ao contribuinte que não considerou as operações efetuadas nas cooperativas como passíveis de tributação na COFINS. Em julgamento de primeira instância administrativa, foram exonerados os valores correspondentes ao período de competência de janeiro a dezembro de 1998, em face da isenção então vigente para aquele período, conforme Acórdão 1616.764, datado de 17 de março de 2008. Em julgamento de segunda instância administrativa, foi reconhecida a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos 01/2000 e 03/2000. No mérito, o lançamento foi mantido, sob o fundamento que a partir da edição da Lei n°9.718, de 27/11/1998, as cooperativas de crédito ficaram sujeitas à COFINS calculada sobre o faturamento, assim entendido o total de suas receitas, independentemente de serem provenientes de atos cooperativos ou não, e, ainda, de suas naturezas e classificação contábil adotada. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência (fls. 1929 a 1961), questionando a aplicação do prazo decadencial previsto no §4º do art. 150 do CTN, entendendo ser aplicável a regra do art. 173, inciso I, do CTN, pela incontroversa ausência de pagamento antecipado. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, pela demonstração de dissídio jurisprudencial e atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, conforme despacho às fls.1973 a 1975. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 1989 a 2005), e seu Recurso Especial de divergência (fls.2109 a 2165), apontando a existência de dissídio jurisprudencial na interpretação da lei tributária relativamente ao "ato cooperado" e a sua "nãoincidência tributária", apresentando os acórdãos paradigmas 10517.222 e 10322.672. O Recurso Especial do sujeito passivo foi admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls.2209 a 2210. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 2.213 a 2.243. É o relatório. Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000483/200512 Acórdão n.º 9303004.115 CSRFT3 Fl. 2.253 4 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Tratase de recursos especiais de divergência do sujeito passivo e da Fazenda Nacional, que passo a apreciar separadamente. Do Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão submetida a debate cingese a do prazo extintivo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Segundo o julgador a quo, na data da constituição do crédito tributário, em 04/04/2005, o direito de a Fazenda Nacional exigir as parcelas correspondentes aos fatos geradores do período de competência de janeiro a março de 2000 já havia decaído, devendo o lançamento correspondente ser cancelado. A Fazenda Nacional alega que o prazo decadencial deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente, conforme previsto no art. 173, I do CTN, pela inexistência de pagamento do tributo, afastando a decadência, e restabelecendose a exação fiscal. A questão do termo inicial dos 5 anos previstos no Código Tributário, se é da data da ocorrência do fato gerador ou se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, já foi decidida pelo STJ, e seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido pelas turmas julgadoras do CARF. Em situação similar, o STJ, em sede de recurso repetitivo, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, para o deslinde da questão importanos identificar a existência ou não de pagamento do tributo, ainda que parcial, de forma a configurar a situação prevista no art. 150, § 4º, do CTN, que determina a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, para aqueles tributos sujeitos a lançamento por homologação. Pelos elementos que constam dos autos, não restam dúvidas da inexistência de qualquer recolhimento a título de COFINS efetuada pelo sujeito passivo, fato incontroverso. Dessa forma, verificase que não houve antecipação de pagamento, o que leva, inexoravelmente, à aplicação da regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Não se pode punir o Fisco por uma inércia inexistente à época. Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000483/200512 Acórdão n.º 9303004.115 CSRFT3 Fl. 2.254 5 Assim, na data de constituição do crédito tributário, 04/04/2005, o crédito tributário relativo ao período de competência de janeiro a março de 2000 ainda não tinha sido alcançado pela decadência, visto que o termo inicial se iniciou em 01 de janeiro de 2001 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado), e o final, 31 de dezembro de 2005. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência do direito de a Fazenda constituir crédito relativo ao período de competência de janeiro a março de 2000. Do Recurso Especial do Sujeito Passivo Ainda que o Recurso Especial do sujeito passivo tenha sido admitido pelo Despacho de fls. 2.209 e 2.210, divirjo do referido ato de admissibilidade pelas razões que passo a expor. O sujeito passivo apresentou seu Recurso Especial de divergência (fls. 2.109 a 2.165), apontando a existência de dissídio jurisprudencial na interpretação da lei tributária relativamente ao "ato cooperado" e a sua "nãoincidência tributária", apresentando os acórdãos paradigmas 10517.222 e 10322.672. Inicialmente cabe destacar o fundamento da decisão recorrida: que a isenção de COFINS às cooperativas de crédito prevista na LC n° 70/1991 vigeu somente até a entrada em vigor da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, em 1° de fevereiro de 1999, que alterou a sistemática de apuração e pagamento da COFINS; que a partir dessa data, as cooperativas de crédito ficaram sujeitas à COFINS calculada sobre o faturamento, assim entendido o total de suas receitas, independentemente de serem provenientes de atos cooperativos ou não, e, ainda, de suas naturezas e classificação contábil adotada. Já os acórdãos apontados como paradigmas tratam de matéria diversa: Acórdão 10517.222 Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 2002 e 2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO COOPERATIVA DE CRÉDITO APLICAÇÕES FINANCEIRAS – ATOS COOPERATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE IRPJ Em virtude do peculiar regime jurídico aplicável às cooperativas, o IRPJ não incide sobre os resultados dos atos cooperativos. As receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. Ademais, como toda a receita obtida no mercado financeiro, posteriormente, repassada aos cooperados, não há de se falar em renda por parte da cooperativa central e sim de seus associados. Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000483/200512 Acórdão n.º 9303004.115 CSRFT3 Fl. 2.255 6 CSLL NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ATOS COOPERATIVOS RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO COM 0 LANÇAMENTO DE IRPJ O lançamento de CSLL guarda estreita relação de causa e efeito com o lançamento de IRPJ, porquanto é dele decorrente. Assim, julgado improcedente o lançamento de IRPJ, o lançamento de CSLL, também, será. Recurso voluntário provido. Acórdão 10322.672 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: IRPJ. APURAÇÃO TRIMESTRAL. Não havendo opção expressa do sujeito passivo em sentido contrário, a apuração do lucro deve ocorrer sob o regime trimestral e as irregularidades apuradas devem ser computadas no resultado do trimestre a que se refiram. Apropriação em período distinto macula o procedimento pelas distorç5es causadas no resultado da pessoa jurídica. O fundamento das decisões paradigmáticas era a não incidência de IRPJ (e CSLL) nas receitas decorrentes de seus atos cooperativos. O i. relator do Acórdão 10517.222 expressamente consignou em seu voto os títulos das matérias sob análise: “Sujeição das Cooperativas de Crédito ao recolhimento de IRPJ” e “Sujeição das Cooperativas de Crédito ao recolhimento de CSLL”. Não consta, nos acórdãos paradigmas, a apreciação da sujeição das cooperativas de crédito ao recolhimento da COFINS. A recorrente alega a similaridade das situações fáticas, pela referência a julgados do STJ acerca da incidência de COFINS sobre atos cooperados nos votos condutores dos acórdãos paradigmas. Entretanto, não é possível considerar como similares as situações, visto que os referidos acórdãos não se manifestaram acerca do mesmo fundamento utilizado pela turma a quo acerca da tributação da COFINS, especialmente quanto à revogação da isenção pela Lei n° 9.718/98. Tal ausência de manifestação ocorreu pela simples razão de que essa não era a matéria em discussão nos referidos autos. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial do Sujeito Passivo, por não atender aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 67 do RICARF, pela ausência de demonstração de dissídio jurisprudencial no ponto que fundamentou a decisão recorrida. Henrique Pinheiro Torres Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 14041.720014/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011, 31/07/2011 a 29/02/2012, 30/06/2012 a 31/12/2012
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-002.101
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 72 00 14 /2 01 3- 02 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto sobre Produtos Industrilizados IPI, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2011 e 2012, no valor total de R$ 7.472.767,15, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de Auto de Infração (fls. 263/269) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pertinente aos períodos de apuração de maio, julho a dezembro de 2011; e janeiro, fevereiro, junho a dezembro de 2012. Foram lavrados, ainda, os Termos de Sujeição Passiva Solidária às folhas 275/280. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 270/274) que: Conforme acompanhamento realizado por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por meio dos processos administrativos de n° 11853.000391/200811 e n° 11853.000392/200858, a fiscalizada ajuizou, em 07 de junho de 2005, a ação ordinária de n° 2005.34.00.0164604 com o objetivo, dentre outros, de que fosse reconhecida a classificação de determinados produtos de sua fabricação na posição 2309.90.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, constante da Tabela de Incidência do IPI Tipi, cuja alíquota é 0 (zero), bem como a não incidência do imposto para os produtos acondicionados em embalagens cujo peso ultrapassasse os 10 (dez) quilogramas. Vale registrar que a empresa já pretendeu classificar três dos produtos que fabrica (dois deles mencionados na referida ação ordinária) na posição ora mencionada, mediante consulta a esta RFB, cuja decisão constante da Solução de Consulta SRRF/1ª RF/Diana n° 6, de 28 de outubro de 2004, foi no sentido de que os produtos objeto da consulta caracterizados como alimentos para cães e gatos acondicionados para venda a retalho classificamse no código 2309.10.00 da NCM, cuja alíquota na Tipi é de 10 (dez) por cento. Amparada na ação judicial ora referida, a partir do período de apuração de novembro/2005, a empresa passou a realizar depósitos judiciais dos débitos de IPI apurados por seu estabelecimento matriz e declarados a esta RFB , que se encontram com sua exigibilidade suspensa. No entanto, no anocalendário de 2011 foram efetuados depósitos suficientes para suspender a exigibilidade dos débitos declarados somente para os períodos de janeiro a abril, e junho, situação que se repetiu no curso do anocalendário de 2012, quando foram depositados valores tão somente para os períodos de março, abril ambos também suficientes para suspender os débitos declarados, e maio, cujo débito não foi declarado à RFB, encontrandose, portanto, exigível. Cumpre ainda destacar que, conforme consta da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 16 de novembro Fl. 692DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14041.720014/201302 Acórdão n.º 3201002.101 S3C2T1 Fl. 692 3 de 2012 registrada na Junta Comercial do Distrito Federal sob o n° 20120909103, foi aprovada a incorporação da fiscalizada pela empresa FVO Brasília Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. CNPJ sob o n° 08.471.163/000164. Como até o presente momento não foram realizados os procedimentos necessários junto a esta RFB para a efetiva incorporação da empresa Basa Alimentos S/A, esta permanece existindo de pleno direito, como prevê o Protocolo de Incorporação apresentado pela fiscalizada. II. DO PROCEDIMENTO FISCAL (...) Finalmente, em 18/06/2013, a empresa informou, em resposta ao Termo Constatação e de Intimação Fiscal n° 001, que realmente não depositou judicialmente as diferenças apuradas por esta Fiscalização, bem como apresentou recibo de entrega da DCTF retifícadora referente ao período de maio/12, com a informação do débito de IPI que fora depositado judicialmente. III. INFRAÇÃO APURADA 1) FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI Como assinalado nos tópicos anteriores, a empresa questiona judicialmente a exigibilidade do IPI mudança na classificação de determinados produtos e não incidência para produtos em situação específica, e vem realizando desde o ano de 2005 depósitos judiciais integrais dos débitos do imposto apurados por seu estabelecimento matriz, depósitos esses suficientes para suspender a exigibilidade desses débitos. Consultandose os processos administrativos de n° 11853.000391/200811 e n° 11853.000392/200858, que controlam os débitos do IPI discutidos pela empresa na ação ordinária de n° 2005.34.00.0164604, as informações dessa ação apresentadas pela fiscalizada, bem como o andamento do processo no sítio da Seção Judiciária do Distrito Federal, pode se verificar que inexiste decisão de mérito favorável à empresa, nem mesmo em sede de liminar. Ou seja, os débitos do IPI apurados pela fiscalizada e não amparados por depósitos judiciais, não se encontram com sua exigibilidade suspensa. Ante o exposto, e considerando o conjunto de informações apresentado pela empresa, os dados obtidos via Sped por esta Fiscalização referentes às notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada, bem como a retificação da DCTF relativa ao período de maio/12, elaborouse a Tabela 01 a seguir que demonstra os valores dos saldos devedores do IPI referentes aos anos calendário de 2011 e 2012 que estão sendo lançados de ofício mediante o presente Auto de Infração, com fundamento nos arts. 24, incisos II e III, 181, 183, 186, 259, 260, inciso IV, e 262, Fl. 693DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 inciso III, do Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010 (Ripi/2010): (...) V RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), em seu art. 124, inciso II, prevê que as pessoas expressamente designadas por lei respondem solidariamente pelo crédito tributário. Nesse contexto, o art. 8º do DecretoLei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, dispôs de forma expressa que os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado entendase como aqueles que detêm o poder de decisão respondem solidariamente pelos créditos decorrentes do não recolhimento do IPI, sendo essa responsabilidade restrita ao período da respectiva administração, gestão ou representação. Na situação em tela, a fiscalizada foi constituída sob a forma de uma sociedade anônima de capital fechado, sendo administrada por uma diretoria composta de 3 (três) diretores eleitos por três anos pela assembléia geral, conforme prevê seu estatuto social. Uma vez que a fiscalizada deixou de recolher o IPI apurado nos anoscalendário de 2011 e 2012, cumpre verificar quem efetivamente administrava a empresa nesses períodos. Conforme consta da Ata da Assembléia Geral Ordinária da empresa realizada em 20 de julho de 2009 registrada na Junta Comercial do Distrito Federal sob o n° 20090657799, foram reeleitos para o triênio 2009/2012 os então diretores Sr. Valério Folador, CPF sob o n° 214.072.15787 – como Diretor Presidente e Sr. Laerte Antônio de Oliveira, CPF sob o n° 042.735.91715 como Diretor Comercial) permanecendo vago o cargo de Diretor Superintendente. Já na Ata da Assembléia Geral Ordinária da empresa realizada em 30 de abril de 2012 registrada na Junta Comercial do Distrito Federal sob o n° 20120582422, constatouse que foram reeleitos para o triênio 2012/2014 os então diretores Sr. Valério Folador como Diretor Presidente e Sr. Laerte Antônio de Oliveira como Diretor Comercial, bem como eleitos o Sr. José Marcos Zandonadi, CPF sob o n° 244.114.50704 como Diretor Administrativo e o Sr. José Waldyr Machado Vasconcellos Júnior, CPF sob o n° 008.112.14745 como Diretor Comercial Filial Viana/ES, todos assumindo seus cargos a partir do dia 01 de janeiro de 2012. Ante o exposto, e considerando que os valores lançados no presente Auto de Infração referemse aos saldos devedores do IPI apurados tão somente pelo estabelecimento matriz da empresa, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Valério Folador e do Sr. Laerte Antônio de Oliveira pela totalidade dos créditos tributários lançados de ofício, bem como do Sr. José Marcos Zandonadi tão somente pelos créditos referentes ao anocalendário de 2012. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14041.720014/201302 Acórdão n.º 3201002.101 S3C2T1 Fl. 693 5 O Auto de Infração e os Termos de Sujeição Passiva foram cientificados aos sujeitos passivos em 27/06/2013, que em 29/07/2013 apresentam impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Nos termos do art. 135, III, do CTN, o gestor da pessoa jurídica responderá pelos créditos tributários advindos dos atos ilícitos que praticar, tratandose de responsabilidade subjetiva que exige a comprovação, a cargo do credor, de que o não recolhimento do tributo resultou da atuação dolosa ou culposa do administrador; 2. O mero inadimplemento, a insuficiência patrimonial ou a cessação das atividades da empresa sem o pagamento dos valores devidos, isoladamente consideradas, não determinam a responsabilização do sóciogerente; 3. A esse respeito, a Súmula n° 430 do STJ dispõe que “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente"; 4. A obrigação pelos tributos, portanto, somente poderá ser direcionada contra os sóciosgerentes ou administradores quando concretizada e suficientemente provada alguma das hipóteses que impõem a responsabilidade tributária, e, com efeito, a sujeição dos mandatários da empresa à execução de créditos fiscais somente se legitimará quando evidenciada uma prática ilícita subjacente, sob pena de se operar responsabilidade objetiva, rechaçada pela jurisprudência; 5. Postas essas premissas, devese ressaltar que o art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 1979, apesar de aparentemente encontrar apoio no art. 124, II, do CTN, contrasta com as normas gerais do Código Tributário a respeito da responsabilidade pelos créditos tributários, não se cogitando, dessa sorte, de responsabilização dos gerentes quando não houver elementos caracterizadores de atuação dolosa; 6. Sendo assim, não há como responsabilizar os gestores pela simples aplicação do art. 8º do DL 1.736, de 1979, sem a presença dos pressupostos da responsabilização tributária, conforme jurisprudência nesse sentido; 7. Na hipótese presente, o Auditor Fiscal não demonstrou a prática pelos ora Impugnantes de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, limitandose a afirmar que o art. 8º do Decreto nº 1.736, de 1979, prevê que os diretores respondem solidariamente pelo não recolhimento do IPI; 8. No caso em tela, portanto, nada aponta no sentido da ocorrência dos fatos previstos pelo art. 135 do CTN, razão pela qual merece ser afastada a responsabilização tributária dos diretores da empresa; Fl. 695DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 9. Quanto à classificação fiscal, é correto o código adotado pela impugnante, 2309.90.10; 10. Ademais, impende verificar que a cobrança de IPI sobre as preparações balanceadas somente seria cabível quando esses produtos estiverem acondicionados em embalagens de até 10kg (dez quilogramas), pois a Lei n° 4.502, de 1964, que em sua anexa Tabela instituiu a incidência do IPI sobre rações (alimentos para animais), veio a ser alterada pelo Decretolei n° 400/68, cujo artigo 2º dispôs que a incidência do IPI passou a recair sobre os produtos que menciona na hipótese desses estarem acondicionados em unidades de até 10 kg, e que, em relação às unidades acondicionadas em embalagens com capacidade de peso superior, a legislação não fez qualquer referência, caracterizando, pois, nítida hipótese de não incidência; 11. Aliás, o Executivo Federal já reconheceu tal realidade, tanto que no Regulamento do IPI da época (Decreto n° 73.340, de 1973) lançou a Nota Complementar n° 231 na abertura do Capítulo n° 23 da TIPI; 12. A legislação havia reconhecido a não incidência do IPI, desrespeitada a partir do advento do Decreto n° 89.241, de 1983, e posteriores tabelas anexas aos regulamentos do IPI; 13. Analisandose a atual TIPI, percebese que o Executivo utiliza como subterfúgio elencar duas classificações fiscais, 2309.10.00 (alimentos para cães ou gatos, acondicionados para venda a retalho) ou 2309.90.90 (outras Ex 01 preparações alimentícias para cães ou gatos, não acondicionadas para a venda a retalho), lhes distinguindo para a venda a retalho ou não, fortalecendo, entretanto, a pretensão de uma alíquota de 10% (dez por cento) para qualquer dos casos; 14. Para reconhecerse o direito da impugnante, basta compreender que o Decreto n° 89.241, de 1983, suprimira o texto da Nota Complementar n° 231, considerando a incidência do IPI tanto em relação aos produtos acondicionados em unidades inferiores a 10 kg como em relação aos produtos acondicionados em embalagens com capacidade superior; 15. Em nenhum momento o Decretolei nº 1.199, de 1971, autorizou o Poder Executivo a instituir nova hipótese de incidência para o IPI, que havia sido excluída com o advento do DL nº 400, de 1968, artigo 2º, não sendo de se admitir qualquer imposição que venha a onerar as preparações para cães e gatos acondicionadas em unidades superiores a 10kg; 16. Há, pois, ilegitimidade do Decreto nº 89.241, de 1983, na parte em que ampliou a hipótese de incidência, ilegitimidade que perduraria ainda que o Decretolei nº 1.199, de 1971, contivesse autorização para tanto, porquanto implicaria delegação de poder legislativo; 17. Transcrevese jurisprudência que corroboraria seus argumentos, tais como julgados dos Tribunais Regionais Federais – TRF da 2ª e da 4ª Regiões, do Superior Tribunal de Fl. 696DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14041.720014/201302 Acórdão n.º 3201002.101 S3C2T1 Fl. 694 7 Justiça (RE nº 953519) e do Supremo Tribunal Federal (RE nº 160.392SP); 18. Nessa linha, não restam dúvidas de que os Tribunais Pátrios consagram a correta classificação fiscal das rações produzidas pela Impugnante na posição 2309.90.10 da TIPI, correspondente à anterior classificação fiscal n° 2309.90.0200, bem como lhe atribui a não incidência do IPI para as unidades acondicionadas em embalagens acima de 10 kg, impondose, pois, o cancelamento do auto de infração em comento, por totalmente dissociado ao entendimento da doutrina e jurisprudência atuais; 19. Ante o exposto, requer: (a) preliminarmente, que seja reconhecida a nulidade dos Termos de Sujeição Passiva, ante a ilegitimidade passiva dos diretores da empresa Impugnante, já que não incorreram em nenhuma das hipóteses do art. 135 do CTN; (b) que seja julgada integralmente procedente a impugnação, reconhecendo a correta classificação dos produtos fabricados pela Impugnante na subposição 2309.90.10 da TIPI, e da ocorrência do fenômeno da não incidência para os produtos acondicionados em embalagens cujo peso ultrapasse os 10 (dez) quilogramas, com a consequente declaração da inexistência de relação jurídico tributaria válida para autorizar a cobrança de IPI sobre os referidos produtos, cancelandose o auto de infração; (c) caso assim não se entenda, seja, desde logo, decretada a suspensão dos atos executórios até o julgamento definitivo da ação ordinária no 2005.34.00.016404. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1534.389, de 26/12/2013 (fls. 321 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011, 31/07/2011 a 29/02/2012, 30/06/2012 a 31/12/2012 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, inexistindo, no âmbito das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, previsão legal para o sobrestamento do seu julgamento. DIRETORES DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Ausente a imputação de atos cometidos pelos diretores da pessoa jurídica que possam ser enquadrados no artigo 135 do Código Fl. 697DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Tributário Nacional, excluemse do polo passivo as pessoas físicas consideradas como sujeitos passivos solidários. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011, 31/07/2011 a 29/02/2012, 30/06/2012 a 31/12/2012 ALIMENTOS PARA CÃES E GATOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A opção do contribuinte pela via judicial para discussão da mesma matéria, objeto de processo fiscal, implica a desistência da esfera administrativa, que se submete à determinação daquele Poder. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 347 e ss., por meio do qual repete os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação, exceto, obviamente, quanto à responsabilidade solidária dos diretores. Por meio da Resolução de fls. 384 e ss., a Turma de julgamento baixou os autos de diligência, a fim de que a unidade de origem intimasse a Recorrente a promover a entrega da petição inicial do processo judicial n.º 2005.34.00.0164604 e das decisões judiciais, bem como certificasse o estado em que se encontra. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento do IPI referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2011 e 2012. Afirma o relator da decisão recorrida, com base no Termo de Verificação Fiscal de fls. 270/274, que a matéria controvertida está sendo discutida em sede judicial (exceto a questão da responsabilidade solidária). Como não se encontravam anexadas aos autos cópias da petição inicial e das decisões judiciais prolatadas na ação ordinária n° 2005.34.00.0164604, o processo foi baixado em diligência, a fim de que a unidade de origem providenciasse a sua anexação. Realizada a diligência, agora resta comprovada, através da análise da petição inicial da ação ordinária n° 2005.34.00.0164604 (fls. 399 e ss.), que o seu objeto é de fato coincidente com o do presente processo administrativo – ambos discutem a correta classificação fiscal na TIPI dos produtos fabricados pela Recorrente e a não incidência do IPI para os produtos acondicionados em embalagens cujo peso ultrapassa os 10 (dez) quilogramas. Correto, portanto, o relator do acórdão recorrido, ao reconhecer a concomitância de matéria, o que importa, nos termos da Súmula CARF nº 1, renúncia às Fl. 698DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14041.720014/201302 Acórdão n.º 3201002.101 S3C2T1 Fl. 695 9 instâncias administrativas (“Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”). Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 699DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10480.720722/2010-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. VALORES RECEBIDOS EM CONTRAPRESTAÇÃO REGISTRADOS CONTABILMENTE COMO DESCONTOS. INCIDÊNCIA.
Comprovado que os ingressos registrados em contas contábeis intituladas de descontos são, em verdade, provenientes de serviços prestados pelo autuado incidem as contribuições ao PIS e COFINS não cumulativos.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. DOAÇÕES.
Mercadorias entregues sem vinculação a operação de compra e venda configuram doação, e não bonificações em mercadorias, sendo regularmente tributadas pelas contribuições não-cumulativas.
Numero da decisão: 9303-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Vanessa Marii Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Esteve presente ao julgamento o Dr. Ivo de Oliveira Lima, OAB/PE nº 25.263, advogado do sujeito passivo.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator para o acórdão
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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VALORES RECEBIDOS EM CONTRAPRESTAÇÃO REGISTRADOS CONTABILMENTE COMO DESCONTOS. INCIDÊNCIA. Comprovado que os ingressos registrados em contas contábeis intituladas de descontos são, em verdade, provenientes de serviços prestados pelo autuado incidem as contribuições ao PIS e COFINS não cumulativos. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. DOAÇÕES. Mercadorias entregues sem vinculação a operação de compra e venda configuram doação, e não bonificações em mercadorias, sendo regularmente tributadas pelas contribuições nãocumulativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Vanessa Marii Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Esteve presente ao julgamento o Dr. Ivo de Oliveira Lima, OAB/PE nº 25.263, advogado do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 07 22 /2 01 0- 62 Fl. 85799DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama – Relatora Júlio César Alves Ramos Redator para o acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Bompreço Supermercados do Nordeste Ltda contra o Acórdão nº 3403002.586, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao Recurso Voluntário: · Pelo voto de qualidade, quanto à exclusão das bonificações da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins; · Por maioria de votos, quanto à exclusão do rateio das despesas de propaganda da base de cálculo das contribuições. Em vista da decisão, foi consignado, então, no acórdão recorrido a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição. Fl. 85800DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.799 3 MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. DESVINCULAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA. NATUREZA. TRIBUTAÇÃO. O recebimento de mercadorias desvinculadamente de qualquer operação de compra anterior caracteriza doação e, como tal, é tributado no ingresso da mercadoria e na revenda da mesma. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PERDAS DE CAIXA. IMPOSSIBILIDADE. As perdas de caixa não são dedutíveis da base de cálculo da Contribuição. BASE DE CÁLCULO. REFEIÇÕES FORNECIDAS ONEROSAMENTE. RECEITA. INCLUSÃO. Os ingressos advindos do preço cobrado por refeições servidas no refeitório dos estabelecimentos constitui receita e integra a base de cálculo da Contribuição. DESPESAS PRÓPRIAS. REEMBOLSO. RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizamse como receita os reembolsos de despesas que, por disposição contratual, são próprias do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos Incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. DESVINCULAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA. NATUREZA. TRIBUTAÇÃO. O recebimento de mercadorias desvinculadamente de qualquer operação de compra anterior caracteriza doação e, como tal, é tributado no ingresso da mercadoria e na revenda da mesma. BASE DE CÁLCULO EXCLUSÕES. PERDAS DE CAIXA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 85801DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 As perdas de caixa não são dedutíveis da base de cálculo da Contribuição. BASE DE CÁLCULO. REFEIÇÕES FORNECIDAS ONEROSAMENTE. RECEITA. INCLUSÃO. Os ingressos advindos do preço cobrado por refeições servidas no refeitório dos estabelecimentos constitui receita e integra a base de cálculo da Contribuição. DESPESAS PRÓPRIAS. REEMBOLSO. RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizamse como receita os reembolsos de despesas que, por disposição contratual, são próprias do contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERCENTUAL. MITIGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Estando cominada em lei a multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, descabe deixar de aplicála por considerações a respeito de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, arguições que desbordam a competência do julgamento administrativo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido” Para melhor compreensão dos pontos apreciados naquele julgamento, importante trazer breve histórico do ocorrido: · O sujeito passivo teve lavrado contra si o auto de infração para a exigência de crédito tributário referente ao PIS e à Cofins supostamente não recolhidos no período e 04/2005 a 12/2007; A fiscalização classificou os valores registrados em contas de resultado – redutores de custo de aquisição como “outras receitas tributáveis”; · O sujeito passivo apresentou impugnação, alegando, entre outros, que os valores representam desconto, e não receita, que seriam descontos incondicionais e que se receitas fossem, seriam financeiras, cuja alíquota do PIS e da Cofins seria zero; · A DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento sob o argumento de que os valores contabilizados Fl. 85802DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.800 5 teriam natureza de financiamento indireto da atividade da recorrente e, nessa condição, deveriam ser tratados como receitas; · O sujeito passivo, por conseguinte, apresentou Recurso Voluntário, o qual, nessa parte, foi improvido por maioria. Após apreciação da matéria pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, insatisfeito com a decisão daquele Colegiado, o sujeito passivo interpôs recurso especial de fls. 85663/85677, requerendo: · O reconhecimento de que os descontos comerciais não têm natureza de receita, mas sim de mero redutor de custo, ou · Sendo receita, essa teria natureza de receita financeira, e · Em qualquer caso, o cancelamento do lançamento de ofício. O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente, nos termos do Despacho 85772/85774 apreciado pelo Presidente em exercício da 4ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho. O Despacho traz, entre outros, que foi comprovada a divergência jurisprudencial, propondo, então, o seguimento ao recurso oposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso. O que concordo com a análise feita através do Despacho de fls. 85772/85774 apreciado pelo Presidente em exercício da 4ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho. Eis que o acórdão recorrido foi consignado com o entendimento de que os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos Fl. 85803DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 incondicionais, e compõem a base de cálculo das contribuições; enquanto, os acórdãos apontados como paradigmas – Acórdãos de nºs 3402002.210 e 3402 002.092 contemplam, em síntese, que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, do que resultou o afastamento da incidência das contribuições sobre essas rubricas. Passadas tais considerações, é de se analisar, primeiramente, a natureza dos descontos – se condicionais ou não – pois norteadores para o direcionamento ao registro como receita ou não. E, por conseguinte, definição se seriam tributáveis ou não pelas contribuições PIS e Cofins. Do Desconto Condicional e Incondicional Quanto à definição de desconto – se condicionais ou incondicionais, vêse ser de suma importância a sua especificação, considerando que o conceito jurídico tem, por consequência, influenciar a correta contabilização e tributação. Eis que, no que tange aos descontos incondicionais, temse em síntese que, se assim forem considerados, devem ser registrados como parcelas redutoras do preço de vendas: · Não compondo, portanto, a receita bruta da pessoa jurídica vendedora; · Constituindo redutor do custo de aquisição para a pessoa jurídica adquirente dos bens. Dessa forma, a correta conceituação dos descontos como condicionais ou incondicionais tornase crucial para o direcionamento tributário. Nessa seara, notase que, para que seja definido o desconto como desconto incondicional, devese observar se a sua concessão é dependente de evento posterior, sendo concedido independentemente de qualquer condição ou situação. Ou seja, se para a sua concessão, não houve obrigatoriedade de o adquirente praticar qualquer ato subsequente ao da compra dos bens. Fl. 85804DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.801 7 Ademais, é de se insurgir também, independentemente de os descontos incondicionais não comporem a receita bruta da pessoa jurídica, de que os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, nos termos do art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “a”, da Lei 10.637/02 e art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “a”, da Lei 10.833/03, da pessoa jurídica vendedora. E, por conseguinte, para a pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituiriam parcela redutora do custo de aquisição, não configurando em sua natureza como receita. Nesse sentido, cabe destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituem se em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 85805DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Não obstante aos critérios jurídicos a serem observados para o enquadramento do desconto como incondicional, proveitoso trazer que a Receita Federal do Brasil condiciona o referido enquadramento, à descrição desse desconto na nota fiscal de venda dos bens ou fatura de serviços independentemente de serem concedidos sem a dependência de evento posterior à emissão de nota fiscal. Tal condicionamento ao enquadramento como desconto incondicional está refletido na IN SRF 51/78 que traz expressamente que “são considerados descontos ou abatimentos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses documentos.” Porém, independentemente do condicionamento dado pela Receita Federal do Brasil de que, para serem enquadrados como incondicionais deverão descrever os descontos em notas fiscais, é de se constatar que o evento jurídico puro, sem contaminação, outorga a caracterização do desconto como condicional ou não – sem a remissão da vinculação e descrição do desconto em nota fiscal do bem adquirido, apenas refletindo a não dependência a evento posterior à emissão desses documentos. Fl. 85806DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.802 9 Tanto é assim, que a própria legislação – Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 também são omissas quanto à observância dessa condição ao disporem que o desconto incondicional está excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. É de se lembrar ainda que a LC 87/96 – que dispõe sobre o ICMS, traz somente que não seria base de cálculo desse imposto os descontos concedidos sob condição – não fazendo nenhuma vinculação à descrição da nota fiscal. Tanto é assim que em 2010, a 1ª turma do STJ havia aprovado súmula determinando que os descontos incondicionais concedidos nas atividades comerciais não se incluem na base de cálculo do ICMS – não trazendo também qualquer condição à descrição na nota fiscal para exclusão da base de cálculo desse tributo. Sabese que os dizeres da Súmula 57 contempla expressamente que “Os descontos incondicionais nas operações mercantis não se incluem na base de cálculo do ICMS”. E que tal Súmula teve como motivação o decidido, sob o rito de recurso repetitivo, em REsp 1.111.156SP de relatoria do Ministro Humberto Martins assim ementado (Grifos Meus): “TRIBUTÁRIO – ICMS – MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO – ESPÉCIE DE DESCONTO INCONDICIONAL – INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÃO MERCANTIL – ART. 13 DA LC 87/96 – NÃOINCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. A matéria controvertida, examinada sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, restringese tãosomente à incidência do ICMS nas operações que envolvem mercadorias dadas em bonificação ou com descontos incondicionais; não envolve incidência de IPI ou operação realizada pela sistemática da substituição tributária. 2. A bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de Fl. 85807DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 conceder uma redução do valor da venda. Dessa forma, o provador das mercadorias é beneficiado com a redução do preço médio de cada produto, mas sem que isso implique redução do preço do negócio. 3. A literalidade do art. 13 da Lei Complementar n. 87/96 é suficiente para concluir que a base de cálculo do ICMS nas operações mercantis é aquela efetivamente realizada, não se incluindo os "descontos concedidos incondicionais". 4. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que o valor das mercadorias dadas a título de bonificação não integra a base de cálculo do ICMS. 5. Precedentes: AgRg no REsp 1.073.076/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 25.11.2008, DJe 17.12.2008; AgRg no AgRg nos EDcl no REsp 935.462/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe 8.5.2008; REsp 975.373/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 15.5.2008, DJe 16.6.2008; EDcl no REsp 1.085.542/SP, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 24.3.2009, DJe 29.4.2009. Recurso especial provido para reconhecer a nãoincidência do ICMS sobre as vendas realizadas em bonificação. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/2008 do Superior Tribunal de Justiça.” Frisese ainda o resultado da discussão acerca da natureza dos descontos envolvendo PIS e Cofins no STJ, dado em Agravo em Recurso Especial 556050 RS 2014/01878520 sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin (Grifos meus): “DECISÃO Tratase de Agravo contra inadmissão de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. PERÍCIA CONTÁBIL. Fl. 85808DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.803 11 O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício. A exclusão dos descontos incondicionais concedidos a seus clientes da base de cálculo do PIS e da COFINS tem previsão legal tanto no regime comum de apuração do PIS e da COFINS, quanto na sistemática da nãocumulatividade (art. 3º, § 2º, inc. I, da Lei nº 9.718/98 e art. 1º, § 3º, inc. V, a, das Leis nº 10.637/03 e 10.833/03). No caso, restou demonstrado, por intermédio de perícia contábil, que as vendas realizadas pela parte autora foram abrangidas pela concessão de descontos, bem como a inexistência de imposição de condição para concessão da bonificação ora discutida aos seus clientes. Logo, os valores relativos aos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes merecem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. Os Embargos de Declaração foram acolhidos em parte, somente para fins de prequestionamento (fl. 1834). A recorrente, nas razões do Recurso Especial, sustenta que ocorreu violação do art. 535, II, do CPC, do art. 123 do CTN, do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, do art. 1º, § 3º, V, alínea "a", das Leis 10.637/2003 e 10.833/2003. Alega, em síntese: Todavia, entende a Fazenda Nacional, com base na IN SRF 51/78, que se faz necessário o preenchimento de dois requisitos para a configuração de “descontos incondicionais”, a saber: a) que o desconto conste na nota fiscal e b) que não dependa de evento posterior à emissão desta. (...) Ora, relativamente ao requisito de constar o desconto concedido pela autora. Fl. 85809DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Nesse sentido, vale, inclusive, destacar trecho do que consta da petição inicial: (...) Os fatos no caso em apreço são claros: a autora não destacou os referidos descontos incondicionais nas notas fiscais; celebrou contratos com os seus clientes para a concessão de tais descontos, ficando estes, obviamente, vinculados à pontualidade dos pagamentos das duplicatas emitidas na negociação, caso contrário não incidiriam. Bem observadas as respostas do perito judicial, é exatamente essa a conclusão que se extrai. (fls. 1843 1850, eSTJ) Contraminuta apresentada às fls. 18971906, eSTJ. É o relatório. Decido. Constato que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/8/2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28/6/2007. O acórdão recorrido consignou: A parte autora sustenta que, inobstante conceda desconto incondicional no preço dos produtos, emite as notas fiscais de venda das mercadorias com seu valor integral, constando tais descontos nos documentos de cobrança por ela emitidos (duplicatas de compra e venda mercantil, boletos bancários, etc.). Defende que os valores constantes nesses últimos documentos de cobrança são os que correspondem aos ingressos de receitas ao seu patrimônio e, consequentemente, base de cálculo para cobrança do PIS e da Cofins. Fl. 85810DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.804 13 O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício. A exclusão dos descontos incondicionais concedidos a seus clientes da base de cálculo do PIS e da COFINS tem previsão legal tanto no regime comum de apuração do PIS e da COFINS, quanto na sistemática da nãocumulatividade (art. 3º, § 2º, inc. I, da Lei nº 9.718/98 e art. 1º, §3º, inc. V, a, das Leis nº 10.637/03 e 10.833/03). Frisase que, como bem observado pela magistrada a quo, inexiste controvérsia acerca do direito material, qual seja, a possibilidade de exclusão da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS dos valores relativos aos descontos incondicionais. O Fisco, valendose da legislação aplicável ao imposto de renda (IN n.º 51/78), entende necessário o preenchimento de dois requisitos: que o desconto conste na nota fiscal e que não dependa de evento posterior à emissão desta. Importante ressaltar que não há qualquer óbice a que se utilize, subsidiariamente, a referida legislação, uma vez que compatível com as contribuições ora discutidas. Relativamente ao requisito de constar o desconto concedido expressamente na nota fiscal, tenho que a questão restou superada quando do julgamento da apelação anterior, na qual se anulou a sentença para possibilitar a apresentação de outras provas para demonstrar a concessão dos descontos incondicionais, tais como duplicatas, boletos bancários, etc., nas quais se pudesse aferir os valores efetivamente cobrado nas operações de compra e venda. Com efeito, o preenchimento incorreto ou lacunoso das notas fiscais não obsta o reconhecimento dos descontos em questão, bastando a comprovação de que estão vinculados a uma operação onerosa. Nesse sentido leciona Roque Antônio Carraza Fl. 85811DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 (CARRAZA, Roque Antônio. ICMS. 8ª. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.110) em caso análogo: Podem, portanto, as empresas recuperar os créditos de ICMS correspondentes ao valor das mercadorias bonificadas ainda que a vantagem dada aos adquirentes tenha sido documentada em notas fiscais em separado. Basta, apenas, que tenham como comprovar que as bonificações estão vinculadas a operações de vendas mercantis efetivamente realizadas. [..] Logo, impõese a reforma da sentença para reconhecer o direito da parte autora de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos aos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes, bem como para reconhecer o seu direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente nos 5 (cinco) anos que precederam o ajuizamento da ação. (Fls. 1807 1.809, eSTJ) [...]” Com efeito, essa decisão clarificou que a caracterização do desconto como incondicional, inclusive para fins de PIS e Cofins, não deve estar condicionada, tal como entende a autoridade fazendária, a descrição do referido desconto na nota fiscal de aquisição dos bens, vez que considerou ilegal a IN 51/78. Sendo assim, se os descontos incondicionais juridicamente se enquadrarem como tais, independentemente da descrição na nota fiscal, é de se permitir a exclusão da base de cálculo das contribuições para a pessoa jurídica vendedora e, por conseguinte, considerar como parcela redutora do custo de aquisição para a adquirente. Para o adquirente devese considerar o desconto incondicional como parcela redutora do custo de aquisição, em respeito também ao item 11 da Resolução CFC nº 1170/2009: “O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os Fl. 85812DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.805 15 recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição”. Ademais, nesse ínterim, vêse que o Comitê de Pronunciamento Contábil emitiu pronunciamento técnico CPC 16, regulamentando também o registro dos estoques ao contemplar em seu item 11 redação similar a descrita: Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos, bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes são deduzidos na determinação do custo de aquisição.” Sendo assim, com efeito, tais disposições esclarecem que os descontos comerciais e abatimentos devem ser deduzidos do custo de aquisição dos estoques, vez que, segundo as melhores práticas contábeis, os registros das bonificações e descontos comerciais devem ser procedidos com redutores de custos, e não como receitas. Nessa senda, cabe trazer os dizeres do Professor Eliseu Martins (in “Contabilidade de Custos”, Editora Atlas, 6ª edição, pág. 126), que entende que os descontos comerciais e as bonificações são redutores do preço de aquisição da mercadoria, não podendo ser classificados como receita: “No caso de descontos comerciais e abatimentos, não há dúvidas: devem ser considerados como redução do preço de aquisição.”. [...] Fl. 85813DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 Os descontos comerciais, abatimentos e outros simulares são deduzidos na determinação dos custos de aquisição, em respeito as normas contábeis. Os CPC´s nºs 16 e 30 e Deliberações CVM nºs. 575 e 597/2009 ao emitir seus pronunciamentos analisou a a essência do “fato” bonificação ou desconto comercial, identificando sua natureza jurídica e determinando o seu registro contábil a conta de redução de custos. Notadamente, dentre as “características” que norteiam a contabilidade, há a intensa busca pela “confiabilidade” – que, por sua vez, traz a necessidade de a informação ser apresentada de forma mais verídica e apropriada possível, retratando devidamente e “adequadamente” o que se pretende evidenciar a cada caso concreto. O que, para que essa “característica” seja constatada nas demonstrações contábeis se torna necessário que se respeite o conceito da “Primazia da Essência sobre a Forma” – prevalecendo essencialmente a realidade econômica dos fatos. O conceito de essência sobre a forma deve prevalecer em todo processo contábil, mesmo que o aspecto legal do fato se apresente de forma distinta da realidade econômica. O que reflete, por consequência, ao correto tratamento tributário. Refletese ainda nessa linha os dizeres dos Professores Nelson Carvalho e Carlos Henrique Silva do Carmo (in “Controvérsias jurídicoContábeis”, Dialética, 4º Volume, pág. 237 e 237) no item “Primazia da Essências sobre a Forma na Prática Contábil”: “[...] O novo ordenamento contábil brasileiro introduzido pela Lei 11.638/2007, que alterou dispositivos de natureza contábil da Lei 6.404/1976, trouxe como novidade para a prática contábil das empresas a ideia de primazia da representação da essência econômica sobre a sua forma jurídica no reconhecimento, mensuração e evidenciação dos eventos e transações capturados pela contabilidade. Essa nova realidade é conhecida pelo conceito de essência sobre a forma. Ao considerar como objetivo das demonstrações contábeis o fornecimento de informações financeiras que sejam úteis ao usuários em suas Fl. 85814DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.806 17 decisões, um pressuposto fundamental que se espera presente na informação produzida pela contabilidade é a captura (identificação) e relato (exposição adequada) da essência econômica dos fenômenos por ela abordados. Assim, o conceito de essência sobre a forma deve permear e prevalecer em todo processo contábil, mesmo que o aspecto legal do fato se apresente de forma distinta da realidade econômica. [..]” Reforçase esse entendimento com o Pronunciamento Conceitual Básico aprovado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – que se baseava no “Framework for the Preparation of Financial Statements do International Accounting Standards Board: “Primazia da Essência sobre a Forma 35. Para que a informação represente adequadamente as transações e outros eventos que ela se propõe a representar, é necessário que essas transações e eventos sejam contabilizados e apresentados de acordo com a sua substância e realidade econômica, e não meramente sua forma legal. A essência das transações ou outros eventos nem sempre é consistente com o que aparenta ser com base na sua forma legal ou artificialmente produzida. Por exemplo, uma entidade pode vender um ativo a um terceiro de tal maneira que a documentação indique a transferência legal da propriedade a esse terceiro; entidade continuará a usufruir os futuros benefícios econômicos gerados pelo ativo e o recomprará depois de um certo tempo por um montante que se aproxima do valor original de venda acrescido de juros de mercado durante esse período. Em tais circunstâncias, reportar a venda não representaria adequadamente a transação formalizada”. Com efeito, denotase a preocupação com os fenômenos do ambiente empresarial e negocial – o que direcionase a primazia do aspecto econômico em relação ao aspecto formal. Fl. 85815DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 Sendo assim, vêse que a escrituração contábil deve corresponder a realidade dos fatos que afetam o patrimônio, devendose adequar à natureza de cada um desses fatos – imperando, para tanto, a essência econômica. Ademais, tenho que, ignorar os preceitos contábeis, é ferir o Código Tributário Nacional, que contempla especificamente em seus arts. 109 e 110 o que segue: “Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.” “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” Com tais dispositivos, resta clarificado que a interpretação da lei tributária deve considerar regras que lhe são próprias, não podendo ultrapassar a essência econômica para atender aos fins únicos da incidência tributária. Quanto aos descontos condicionais, temse que tais descontos são aqueles concedidos sob condição, ou seja, outorgados somente após a prática de determinado ato por parte do beneficiário. Prioritariamente, de certa forma, dependentes assim de evento posterior à aquisição de bens. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior ao pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. É de se considerar como receita financeira para o comprador, em consonância com os arts. 373 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 Decreto nº 3.000/99. Fl. 85816DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.807 19 Passadas singelas considerações, ressurgindo ao caso vertente, tem se que não houve qualquer menção de condição futura e incerta para a aplicação do desconto pelos fornecedores. E, ainda que a nota fiscal tenha sido emitida pelo valor total, constatase que a recorrente não considerou o valor integral da mercadoria, aplicando o desconto tão logo a mercadoria tenha sido recebida. Tanto é assim que o lançamento do desconto observou o mesmo momento do registro da entrada – não estando, por evidente, sujeito a nenhuma condição futura. Reforçando tal direcionamento, importante trazer as lições do renomado Prof. Hugo de Brito Machado (in “Revista Dialética de Direito Tributário nº 134, “Os Descontos Obtidos e a Base de Cálculo das Contribuições PIS/Cofins”, pág. 44): “Considerase incondicional o desconto quando o mesmo não fica a depender de evento futuro e incerto. É o caso, por exemplo, de desconto para pagamento a vista. Pode parecer que o pagamento à vista é uma condição para o desconto que, neste caso, seria condicional. Na verdade, porém, o desconto por ser feito à vista do respectivo pagamento não se caracteriza como condicional porque, para esse fim, o que importa é a realização da condição antes de consumado o fato gerador do tributo. O fato gerador é a operação da qual decorre a saída da mercadoria e a base de cálculo do tributo é o valor dessa operação. O desconto, neste caso, consubstancia simplesmente a diferença entre o preço previsto e o preço efetivamente praticado. [...]” Ora, no caso em comento, tão logo a mercadoria tenha sido recebida, o registro pelo adquirente é feito pelo valor do praticado, e não previsto – restando clara sua caracterização como desconto incondicional. Fl. 85817DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 Ademais, vêse que a própria DRJ considerou tal procedimento observado pelo sujeito passivo em sua decisão ao refletir o que segue: “18.1. Exemplificando, o BOMPREÇO compra uma mercadoria pelo preço de R$ 10.000,00. A Nota Fiscal do fornecedor é emitida pelo valor “cheio”, de R$ 10.000,00. O Bompreço paga somente R$ 8.000,00. A diferença de R$ 2.000,00 é contabilizada em uma ou mais (geralmente) contas do grupo das receitas – somente para fins gerenciais, dia a impugnante. 18.2. Carreira aos autos a reclamante suficiente amostragem de Notas Fiscais e telas do Sistema SAP (utilizado por muitas das grandes empresas para toda sorte de controles) e de excertos da escrituração contábil, demonstrando (contraditoriamente) que realmente houve uma vantagem na transação comercial, que não conta explicitamente na Nota Fiscal, mas que é registrada na contabilidade, mediante a distribuição em diversas contas, justamente aquelas que deram margem ao lançamento de ofício.” Em vista do exposto, considerando os eventos que suportam a concessão de desconto que, por sua vez, não dependem de condições futuras, impossível, no presente caso, descaracterizálo como desconto incondicional somente pelo fato de não constar da nota fiscal (no exemplo acima, o valor de R$ 2.000,00). Das Bonificações recebidas em mercadorias Quanto à esse ponto, importante trazer que a DRJ manteve a autuação alegando que a bonificação foi efetuada com emissão de outra Nota Fiscal – configurandose como doação. Entendo que as bonificações e descontos comerciais, visto que não possuem natureza jurídica de receita, devem ser tratados como redutores de custos. Nas operações com produtos bonificados, o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de produto maior do que a quantidade contratada, sem acréscimo do preço total. Fl. 85818DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.808 21 A bonificação, de per si, tem a mesma natureza de um desconto concedido, pois o vendedor, apesar de não reduzir o preço, aumenta a quantidade de produtos. O que, por conseguinte, resulta na diminuição do valor unitário do bem – ou seja, redução de custo. Vêse que a própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento sobre as “bonificações” Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 – transcrito parte: “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda [...]”. A diminuição do custo não confere constituição de receita, vez que os bens bonificados não implicam em valor maior de créditos no regime não cumulativo. Assim, as mercadorias recebidas como bonificações não integram a base de cálculo de PIS e de Cofins. E, conforme já transcrito, é de se considerar o disposto na Súmula nº 57 do STJ que teve como motivação o decidido, sob o rito de recurso repetitivo, em REsp 1.111.156SP de relatoria do Ministro Humberto Martins. No feito, restou decidido à sistemática dos recursos repetitivos – que a bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda. Dessa forma, o provador das mercadorias é beneficiado com a redução do preço médio de cada produto, mas sem que isso implique redução do preço do negócio. Cumpre também considerar os dizeres do ilustre tributarista Dr. José Antonio Minatel (in “Conteúdo do Conceito de Receita”, Editora MP, págs. 227/228) – o que, peço vênia, para transcrever parte: Fl. 85819DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 “[...] Comecemos com a análise da prática comercial em que o fornecedor, por política de vendas ou qualquer outra razão econômica, concede vantagem ao seu cliente, geralmente condicionada ao volume de itens adquiridos com o objetivo de induzir a conduta do comprador, vantagem batizada como bonificação em mercadorias, linguagem que se tem revelado unívoca para traduzir um quantitativo adicional de mercadorias com o qual é brindado o comprador, além da quantidade de produtos efetivamente negociados numa determinada operação, despachados em conjunto, sem onerar a venda e compra, a título de bonificação. Para o vendedor, que faz a entrega dos produtos ditos bonificados, parece não existir dúvida quanto à receita auferida na operação dever corresponder ao valor efetivamente recebido pela totalidade das mercadorias entregues ao comprador (vendidas + bonificadas), cuja aferição individual do preço de venda poderá ser obtida mediante divisão do valor total, pelos valores equivalentes de cada item transacionado. Quem entrega mercadoria em bonificação não está auferindo qualquer receita adicional, nem está fazendo doação, tampouco caracteriza perda pelo não recebimento do valor teórico correspondente. Se para o vendedor há consenso de que a mercadoria entregue em bonificação não altera seu regime de reconhecimento de receita, podendo significar, quando muito, a prática do denominado desconto incondicional, ou seja, já concedido no momento da emissão do documento fiscal e não vinculado a qualquer evento superveniente à operação, a mesma sintonia não se observa no tratamento a ser atribuído pelo adquirente dos produtos. No outro pólo da relação comercial, é muito comum a adoção de procedimentos não condizentes com a natureza jurídica do negócio realizado, mediante registro da operação que, na maioria dos casos, implica em precipitada majoração de base de cálculo de tributos. Fl. 85820DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.809 23 Nesse sentido, não é incomum encontrar registro das mercadorias recebidas em bonificação apontando a conta de receita como contrapartida para a escrituração das mercadorias que, nessa condição, adentram o estoque da empresa, sistemática que conduz à indevida apuração de “receita” no momento da entrada das mercadorias. Esse procedimento não condiz com a realidade, nem com os preceitos norteadores da elaboração das demonstrações financeiras, além de distorcer a apuração do resultado da entidade empresarial. Não há receita no momento da aquisição de mercadorias bonificadas, pois anda não há atividade inerente à sua obtenção, tampouco ingresso financeiro; pelo contrário, no recebimento de mercadorias é pertinente a aferição de conteúdo de outra realidade: a mensuração dos custos dos bens adquiridos, levando em consideração os desembolsos já efetuados e outros líquidos e certos já compromissados. Tampouco é possível sustentar a legitimidade do impróprio procedimento (registro como receita) ao argumento de que a operação viabilizadora do recebimento de mercadorias em bonificação teria natureza equivalente à de uma doação. Se não bastassem outros argumentos de igual relevância, é de ser lembrado que “considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra, hipótese incompatível com a prática negocial que carrega consigo a indução da compra na figura da bonificação, entabulada num único contrato em que a oferta condicionada de produtos tem como objetivo implementar o contrato de compra e venda, e não o da doação. Mais ainda, e para não alongar no exame de outras particularidades distintas, ainda que de doações se tratasse, também esta não reúne os atributos essenciais para ser qualificada como receita, como será oportunamente demonstrado. O reconhecimento da receita em relação à mercadoria recebida em bonificação darseá quando do exercício de atividade Fl. 85821DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 empresarial que implemente sua alienação, em posterior operação de venda e compra, oportunidade em que serão efetuados registros pertinentes em função dos objetivos de apuração das diferentes realidades: com obediência aos preceitos da ciência contábil indicativa do regime de competência para apuração do resultado da entidade que, como já vimos, interessa para dimensionamento da base de cálculo de outros tributos (IRPJ e CSLL), não das contribuições incidentes sobre a receita (COFINS e PIS), para as quais só tem relevância o efetivo ingresso proveniente da comercialização das mercadorias bonificadas. [...]” Nessa linha, trago também o entendimento exarado pelo antigo 2º Conselho de Contribuintes, esposado abaixo (Grifos Meus): “BONIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NÃOINCIDÊNCIA. Não se subsume ao conceito de faturamento, nem no conceito de receita, a obtenção de descontos mediante a bonificação de mercadorias, eis que tais vantagens não se originam da venda de mercadorias nem da prestação de serviços, mas estão ligadas essencialmente a operações que ensejam custos e não receitas”. (2º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, RV nº 223.405, Rel Cons. José Henrique Longo, j 18.05.05) Evidente, portanto, em vista do exposto, que: · O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício. · A bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda; · Os descontos incondicionais concedidos não possuem natureza de receita – e, por conseguinte, não devem ser tributados pelo PIS e Cofins. Fl. 85822DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.810 25 Concluo, então, no caso vertente, que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, o que, por conseguinte, resta por óbvio afastálos da tributação pelo PIS e Cofins. Não obstante direcionarme à essa conclusão, trago também que, no caso de se entender que tais descontos não poderiam se enquadrar como incondicionais pela inobservância de sua descrição em nota fiscal ou por considerar – o que seria impossível, considerando a realidade dos fatos (de que as mercadorias são registradas pelo valor líquido – sem alteração por evento futuro) que tais descontos estavam condicionados a eventos futuros, e, portanto, configurariam, a rigor, como despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador, não se deve ignorar o disposto no Decreto 5.164/04 – vigente no período de 30.7.04 até 9.5.05 e no Decreto 5.442/05 (que revogou o Decreto 5.164/04) – vigente no período de 9.5.05, produzindo efeitos até 1º.7. 15. Ora, tendo em vista que o presente caso envolve o período de apuração de 1.4.05 a 31.12.07, impossível desconsiderar o disposto nos Decretos – se assim considerasse equivocadamente como desconto condicional – eis que, se assim fosse, deveria ser tratado pelo adquirente como receita financeira. Para melhor elucidar os termos do Decreto 5.164/04, publicado no DOU de 30.7.04, peço licença para transcrevêlo: “Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Fl. 85823DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 26 Art. 2o O disposto no art. 1o aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 2 de agosto de 2004. Brasília, 30 de julho de 2004; 183º da Independência e 116º da República. Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.7.2004 Edição Extra” Além do Decreto 5.442/05, que revogou o Decreto 5.164/04: “Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1o de abril de 2005. Art. 3º Fica revogado o Decreto no 5.164, de 30 de julho de 2004, a partir de 1o de abril de 2005. Brasília, 9 de maio de 2005; 184o da Independência e 117o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Antonio Palocci Filho Este texto não substitui o publicado no DOU de 9.5.2005 Edição extra.” Fl. 85824DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.811 27 Com tais dispositivos, tornase claro também que se não fossem enquadrados como desconto incondicional – deveriam ser tratados, a rigor, como receita financeira. O que, em respeito à sistemática do PIS e Cofins observada pelo sujeito passivo, no presente caso, considerando o período em discussão, devese aplicar a alíquota zero dessas contribuições às referidas receitas financeiras. Dissecando ainda todas as possibilidades “impossíveis” de caracterização da natureza do desconto ora em lide, caso se entenda que os descontos concedidos ao Bompreço estão longe de se representar descontos incondicionais ou descontos condicionais – configurando, de per si, como remuneração de atividades que são próprias do Bompreço – o que forçaria a ideia de prestação e serviço. Ou seja, caso se direcione à uma interpretação ilógica de que o desconto é decorrente de serviços logísticos prestados pelo Bompreço – tais como entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e/ou ferramentas de controle, é de se considerar que a própria DRJ de Campo Grande já havia se pronunciado sobre essa questão posta pela Fiscalização nos autos do processo de nº 10580.730133/2013 15 envolvendo o mesmo sujeito passivo. Aquela DRJ havia afastado tal alegação feita pela fiscalização, concluindo que não se afigura correto considerar que os valores contabilizados pela impugnante como descontos possam ser classificados para receitas de prestação de serviços. Para melhor elucidar seu entendimento, trago parte do voto constante do acórdão daquela DRJ (Grifos Meus): “[...] Considerando os documentos constantes dos autos, a atividade econômica da impugnante e o objeto principal dos contratos firmados entre ela e seus fornecedores, enfim, considerando todos esses aspectos, não se pode concluir ter havido efetiva prestação de serviços que fosse, ou pudesse ser, a causa daquelas receitas (ou daqueles descontos). Isso se evidencia pela Fl. 85825DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 28 comparação do modelo do contrato de prestação de serviço com os dados da situação fática em exame. O contrato de prestação de serviços se caracteriza pela bilateralidade, tendo necessariamente duas partes: de um lado o que se obriga a prestar uma atividade e do outro aquele em favor de quem a atividade é prestada, o qual, por sua vez, deve remunerar o primeiro, o prestador. O acordo de vontades recai sobre uma determinada atividade, o objeto da prestação. Do conceito se extrai que ninguém pode prestar serviço para si mesmo e que toda prestação de serviço é onerosa, envolvendo prestações recíprocas de cunho econômico (atividade x remuneração). No caso em tela, o contrato teria por objeto serviços de logística a serem prestados pela impugnante a seus fornecedores, especificamente, entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e ferramentas de controle. Esse tipo de serviço, entretanto, não poderia ter sido desenvolvido na situação específica que se examina. Isso porque, de acordo com o Direito Civil, a propriedade de bem móvel se transfere pela tradição, ou seja, pela entrega da coisa. Antes da tradição não há transferência de propriedade, diz o art. 1.267 do Código Civil. No caso de compra e venda de mercadoria, bem móvel por definição, a entrega física da coisa aperfeiçoa a transmissão da propriedade, que pode ocorrer no estabelecimento do comprador, se o vendedor assumir a responsabilidade pela entrega; ou no estabelecimento do vendedor, se couber ao comprador fazer a retirada dos bens. Porém, em qualquer caso, no momento em que o comprador receba fisicamente as mercadorias, estas ingressam em seu patrimônio, pela aquisição da propriedade que se consuma com tradição. Daí em diante, o manuseio, o transporte, a remoção e a armazenagem se fazem por conta e risco do comprador, já então o proprietário dos bens. Fl. 85826DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.812 29 Tais atividades, quando realizadas pelo proprietário das mercadorias, não assumem a natureza de prestação de serviço, porque ninguém pode prestar serviço a si mesmo, mercê da bilateralidade que caracteriza esse tipo de contrato. Por outro lado, tais atividades não podem ser tidas como serviço prestado ao vendedor, porquanto a este não proporcionam nenhuma vantagem ou benefício. No contrato de prestação de serviço, o tomador é aquele em favor de quem a atividade é prestada e para quem ela proporciona uma vantagem. Logo, se o vendedor já não é o proprietário das mercadorias e se para ele o transporte, a remoção, o manuseio e a armazenagem não representam nenhum benefício, então ele não pode ser parte em um suposto contrato de prestação de serviço, que tenha por objeto aquelas atividades. Essas são, em resumo, as razões pelas quais não se afigura correto considerar que os valores contabilizados pela impugnante como descontos possam ser reclassificados para receitas de prestação de serviço. É verdade que foi a própria impugnante quem denominou, em cláusula do acordo comercial, a situação como prestação de serviços. Mas é igualmente verdade que a natureza jurídica de um contrato não depende da denominação que se lhe dê, mas sim dos elementos essenciais afetos à sua dinâmica e estrutura. [...]” Vêse, portanto, que não há como se observar também essa possiblidade de desconsiderar a natureza dos descontos sob a alegação de que se trata de receita pela prestação de serviço – pois se assim fosse – o que não é, pois não há que se falar em prestação de serviço para si próprio (confusão jurídica) – o sujeito passivo poderia até mesmo se creditar das despesas incorridas com tal “prestação de serviço. Fl. 85827DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 30 Em vista de todo o exposto, voto por admitir o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento ao considerar os descontos como incondicionais e, portanto, não sujeitos à tributação pelo PIS e Cofins. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator para o acórdão Apesar do extenso e muito bem fundamentado voto da eminente relatora, ousou o colegiado, por maioria, dele divergir, cabendo a mim, que integrei essa maioria, a espinhosa missão de transcrever os motivos. E é ela espinhosa porque partilho vários argumentos aí expostos. O primeiro deles, e provavelmente o mais importante para o deslinde do caso, é o princípio de que o funcionamento e a consequente classificação de uma conta contábil não se extraem unicamente de seu nome. Com efeito, devem eles, funcionamento e classificação, ser buscados nos eventos que a conta busca registrar. Assim, concordo inteiramente que se de receita não trata uma conta pouco importa que seu nome contenha tal expressão e mesmo que ela esteja incluída num grupo de receitas. Assim, não é porque um dado desconto seja chamado de receita que receita é. Mas, do mesmo modo, o princípio se aplica em sentido contrário: não é porque algo esteja sendo contabilmente chamado de, digamos, variação monetária passiva, que o será. Deveras, todos dentre que operamos na fiscalização tivemos por certo oportunidade de nos deparar com tais tipos de registro quando as variações monetárias ativas eram (ou são) base de cálculo das contribuições: a variação ativa é lançada a crédito de uma conta destinada a registrar variações passivas. Trago esse argumento como inicial porque, me parece, em diversas das autuações desse tipo que foram muitas, como bem registrado no voto recorrido a fiscalização tem separado bem a discussão dos tais descontos. De fato, há registradas contabilmente como descontos tanto parcelas vinculadas a contraprestações contratualmente estabelecidas, como outras que não partilham tal circunstância. E elas têm sido abordadas nas diversas decisões como se do mesmo fato se tratasse. Quanto a isso, divirjo, ainda que aparentemente esteja isolado nesse ponto. É que, a meu ver, o que a autuação está a dizer quanto às primeiras é que, embora registradas como desconto, de desconto efetivamente não se trata. É preciso explicar melhor. Realmente, a fiscalização identificou e vinculou obrigações a serem cumpridas pela autuada e não pelo fornecedor que constituem a origem dos valores ali registrados. Como exemplos, aí se têm propaganda, exposição em espaço de maior visibilidade, atividades de promoção etc. Fl. 85828DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.720722/201062 Acórdão n.º 9303003.515 CSRFT3 Fl. 85.813 31 Consoante a peça de acusação, essa contraprestação, embora não obrigatória, é o motivo único, digase para que os fornecedores, dentre os quais encontramse gigantes não menores do que o autuado aceitem reduzir o valor recebido pelos seus produtos. Para essas parcelas, a acusação fiscal é de que, por meio dos tais descontos, se está em verdade lidando com um verdadeiro encontro de contas entre fornecedor e supermercado. A este último cumpre pagar pelas mercadorias; ao primeiro, pelos serviços que do supermercado recebe. O abatimento ocorrido no preço nada mais é, pois, do que este último pagamento efetuado pelo vendedor. E é por isso, e só por isso, que devem eles ser incluídos na base de cálculo do comprador: receitas de prestação de serviços que são. E, a meu sentir, a acusação está perfeita, sendo absolutamente irrelevante discutir a natureza de um "desconto" que desconto não é. Igualmente nenhum relevo possui, com todas as vênias, a afirmação repetida pela defesa de que o supermercado não presta serviço porque assim não dispõe o seu contrato social: o que importa é o que de fato faz e não o que diz que não faz. Do mesmo modo, não faz sentido dizer que se trataria de um serviço prestado a si mesmo: o serviço de que cuida a acusação fiscal é prestado pelo supermercado ao fornecedor. Ela se materializa seja na propaganda que este último recebe, seja na divulgação maior de sua marca, seja ainda na distribuição dos produtos nas lojas da rede. Em todos eles, é a rede de supermercados quem realiza algo que é do interesse do fornecedor e é por isso, e só por isso, que ele aceita receber menos pelos produtos que entrega. Há uma segunda parcela dos tais descontos que não comporta, efetivamente, nenhuma contraprestação por parte do supermercado que possa ser tachada de prestação de serviço. Para essas, concordo que a discussão é realmente bem mais complexa, mas não as diviso na relação elaborada pelo relator da decisão recorrida. De fato, além dos descontos contraprestacionais, ali só identifico as pretensas bonificações, que passo a tratar. Quanto a elas nada tenho a acrescer ao que foi argumentado pelo n. relator que me precedeu: apenas se podem considerar bonificadas as mercadorias recebidas em quantidade maior do que aquela objeto de uma específica e vinculada operação de compra e venda. E para que tal ocorra, há de estar isso registrado na nota fiscal correspondente àquela operação. Esse é, aliás, o próprio significado econômico da expressão bonificação1: "Vantagem concedida pelo vendedor ao comprador, seja pela diminuição do preço da mercadoria vendida, seja pela entrega de uma quantidade maior que a estipulada. No mercado de ações, bonificação é a distribuição gratuita de ações novas aos acionistas (na proporção da quantidade de ações já possuídas por cada acionista) em virtude da incorporação ao capital de reservas ou lucros acumulados ou da realização do ativo de uma empresa". Quase com as mesmas palavras, as define o nosso maior lexicógrafo2: 1 Sandroni, Paulo. Dicionário de Economia do Século XXI. Ed. Record. Rio de Janeiro 2005. 2 Holanda. Aurélio Buarque de. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 2ª ed. revista e ampliada. Ed. Nova Fronteira. Fl. 85829DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 32 bonificação (...) 3. concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior do que a estipulada. E é por se referirem a uma dada operação de compra, na qual encontram sua razão de ser, que podem ser tratadas como se fossem um desconto incondicional: o vendedor está entregando uma quantidade maior do que estaria obrigado, o que equivale a cobrar menos por cada uma das efetivamente entregues. Notese que, por serem gratuitas, não há, a princípio, diferença entre elas e uma simples doação. Além disso, nada dizem sobre elas as leis específicas das contribuições, que apenas autorizam a nãotributação dos descontos incondicionais. É, pois, apenas a equiparação a eles que permite que não sejam elas incluídas na base de cálculo. Quando, entretanto, as mercadorias são recebidas em operações isoladas, isto é, descasadas de uma concomitante operação de compra e venda, de bonificações não se trata, mas meramente de doações. O valor das mercadorias assim recebidas constitui receita de quem as recebe, pois aumenta o seu patrimônio líquido. Com tais considerações, votou o colegiado por negar provimento ao recurso do contribuinte. E é esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator para o acórdão. Fl. 85830DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/08/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.721545/2013-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009
ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO.
A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços.
CIDE. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. DESNECESSIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA.
A incidência da CIDE na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia, de acordo com o §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000.
CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
Nos termos do art. 2º da Lei nº. 10.168/2000, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE corresponde exclusivamente à quantia efetivamente remetida ao exterior a título de remuneração, o que não inclui os valores recolhidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF.
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Exonerado em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE o Imposto de Renda Retido na Fonte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento ao Recurso e os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que davam integral provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHIO - Relator.
Paulo Guilherme Deroulede Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. CIDE. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. DESNECESSIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. A incidência da CIDE na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia, de acordo com o §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000. CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Nos termos do art. 2º da Lei nº. 10.168/2000, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE corresponde exclusivamente à quantia efetivamente remetida ao exterior a título de remuneração, o que não inclui os valores recolhidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 15 45 /2 01 3- 94 Fl. 27003DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.004 2 Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE o Imposto de Renda Retido na Fonte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araújo e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento ao Recurso e os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que davam integral provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. RICARDO PAULO ROSA Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHIO Relator. Paulo Guilherme Deroulede – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por PETRÓLEO BRASILEIRO S/A – PETROBRÁS, visando modificar o julgado de piso que manteve na integra o lançamento referente ao crédito tributário para CIDE sobre remessa para o exterior decorrentes de contratos de fretamento ou aluguel, no período de 01.01.2009 a 31.12.2009. O motivo da lavratura do auto de infração está consubstanciado em execução simultânea de contratos de afretamento ou de aluguel de embarcações marítimas e prestação de serviços relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas. Em síntese, tratase de acusação de que a Petrobrás ao celebrar contrato de fretamento ou aluguel com empresa situada no exterior e de prestação de serviços com empresa nacional vinculada diretamente ao afretador, e, ao bipartir os contratos, um em locação e outro em serviço teria o intuito de reduzir a carga tributária incidente sobre remessa ao exterior a título de pagamento pelos serviços técnicos contratados, o que por si só configuraria manobra artificial. O entendimento da fiscalização encontra sustentado no fato de que o contrato de afretamento corresponde aproximadamente 90% (noventa por cento) do total do valor do Fl. 27004DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.005 3 contrato entre o aluguel e a prestação de serviço, este com empresa nacional. Segundo autuação a desproporção da remuneração entre os dois contratos é fator determinante a descaracterizar o pacto de afretamento e a autorizar a transformálo em contrato de prestação de serviço técnico, considerado um único contrato e tributálo, exigindo a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE. Essa conclusão decorre de análise de aproximadamente 162 contratos pelo Fisco, da qual entendeu que 73 (setenta e três) se referiam à locação e prestação de serviços, em sendo assim, tratavase de remuneração a título de prestação de serviços da mesma natureza. Desse modo concluiu tratar de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior sujeito, a partir de primeiro de janeiro de 2002, incidência da CIDE. Constatase do Termo de Verificação Fiscal que o convencimento para o lançamento dimana de outros procedimentos fiscais anteriores onde Receita Federal do Brasil teve o ensejo de examinar alguns destes contratos, e, narra que os créditos foram mantidos pelo CARF, assim como, a tentativa de anular auto de infração perante o judiciário restou frustrada. Ao examinar o relatório fiscal constatase de que o convencimento para o lançamento dimana de outros procedimentos fiscais anteriores cujo desfecho decorreu de comprovação da repartição formal de dois contratos, afretamento e prestação de serviços, consta do mesmo "TVF" que o entendimento é de que não há de se falar em afretamento autônomo, que o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, sem as unidades não poderia ser prestados os serviços de sondagem, perfuração, armazenamento, etc. A base legal do lançamento da CIDE é o artigo 2º e parágrafos da Lei nº 10.168/2000; artigo 10, inciso III do Decreto nº 4.195/2002. Rebatendo sustenta a empresa Interessada alega tratarse de dois pactos diferentes, sendo um de serviço e outro de afretamento, bem como, inexistência do fato gerador da CIDE em razão das remessas ao exterior por não remunerar serviços técnicos. Sustenta que no caso concreto, poderia o Fisco atribuir ao afretamento os efeitos tributários que a lei prevê jamais transformar o contrato em contrato de prestação de serviço técnico e tributálo como tal, passando exigir a CIDE. Feito em essa síntese, transcrevo o relatório da decisão recorrida por descrever minudência dos fatos: "Relatório. Trata o processo de auto de infração, fls. 26.684/26.688, para cobrança da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE, relativo ao anocalendário de 2009, no valor de R$ 716.273.594,70, com multa de ofício e juros de mora, incidente sobre remessa de valores ao exterior. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 26.543/26.663, consta: 1) Origem, escopo do procedimento fiscal, da legislação e da presente ação fiscal o procedimento de fiscalização teve por escopo apurar a possível incidência do imposto de renda retido na fonte e CIDE sobre pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de plataformas, navios e sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás. Fl. 27005DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.006 4 a autoridade fiscal esclarece que o artigo 691 do RIR/99 tem como base legal o artigo 1º da Lei n° 9.481/97, com redação dada pela Lei n° 9.532/97, e determina que os rendimentos auferidos por residentes ou domiciliados no exterior decorrentes de receitas de fretes, afretamentos, aluguéis e arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais têm a alíquota de IRRF reduzida para zero. a Lei n° 9.779/99, em seu artigo 8o, introduziu ressalva à aplicação do benefício acima citado, determinando a aplicação da alíquota de 25% quando o beneficiário for residente em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida. menciona, ainda, que o Ato Declaratório SRF n° 08, de 29/01/1999, esclarecia que caberia ainda a aplicação da alíquota zero para os contratos firmados até 31/12/1998; entretanto, este Ato foi expressamente revogado pela IN SRF n° 252/2002. assim, o benefício da alíquota zero para determinação do IRRF seria vinculado a quatro requisitos cumulativos: 1) natureza do pagamento receita de frete, afretamentos, aluguéis e arrendamentos. 2) natureza do bem necessariamente embarcação estrangeira ou aeronave. 3) regularidade da operação autorização da autoridade competente. 4) domicílio do beneficiário não domiciliado em paraíso fiscal ou em país com tributação favorecida, o conceito de embarcação, por sua vez, está definido no artigo 2o, inciso V da Lei nº 9.537/97, e inclui qualquer construção, inclusive plataformas flutuantes, sujeita à inscrição na autoridade marítima e suscetível de locomoção na água, transportando pessoas ou cargas. já houve autuações anteriores em razão de as plataformas não se enquadrarem no conceito de embarcação, e que foram levadas a juízo em Ação Ordinária Anulatória de Lançamento Fiscal n° 2012.51.01.0028870, julgada improcedente pelo Juízo de Ia instância. a sentença foi clara ao afirmar que plataformas e FPSO (navios plataformas) não podem ser considerados embarcações, não se beneficiando da alíquota zero prevista no artigo 1° da Lei n° 9.481/97. por outro lado, outros lançamentos junto a empresas brasileiras contratadas pela autuada descrevem a seguinte situação: são firmados dois contratos, constando a PETROBRAS como contratante, sendo um de prestação de serviços, com empresa brasileira (autuada naqueles lançamentos), e outro de afretamento com empresa estrangeira controladora da primeira; Fl. 27006DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.007 5 atribuiuse o valor de 90% ao contrato de afretamento, e 10 % ao contrato de prestação de serviços. no entanto, naqueles procedimentos, constatouse que o pagamento relativo à prestação de serviços não era suficiente para fazer frente aos custos dos serviços prestados, razão pela qual parte do valor pago à controladora estrangeira retornava na forma de aporte em favor da empresa nacional; estes repasses foram tributados, sob o entendimento de que os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira, a título de afretamento, incluíam, de fato, remuneração pela prestação de serviços. a aplicação da alíquota zero, prevista no artigo 1º da Lei nº 9.481/97, depende da natureza dos pagamentos em favor de empresas estrangeiras, sendo que estes não são simples decorrência de cláusulas contratuais, mas da realidade fática produzida no desempenho do contrato. além disso, cita outra autuação na qual concluiuse que o serviço de perfuração absorveria o afretamento, visto que a prestação do serviço de perfuração é a atividadefim para a qual o afretamento é atividade meio. a presente autuação teve início em 31/01/2013, com a intimação para apresentar relação dos valores pagos a título de afretamento, a empresas com sede/domicílio no exterior, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, e também as cópias dos contratos que deram origem a estes pagamentos. os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram analisados, com a conclusão de que correspondiam à situação já descrita, ou seja, que o afretamento é parte secundária, integrante e inseparável dos serviços contratados. no presente caso, após várias intimações e esclarecimentos, constatouse que foram efetuados 2.051 pagamentos de afretamento, totalizando R$ 11.169.288.791,02, a 83 beneficiários com sede no exterior. constatouse, ainda, que 52 maiores beneficiários concentravam um valor de pagamento na ordem de R$ 10.180.759.779,72, que representam 91,1% do total, e eram proprietários de 162 equipamentos, para os quais foi restringindo o escopo da ação fiscal. 2) Infrações da análise dos documentos, confirmouse tratar de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado contratante PETROBRAS, e de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Fl. 27007DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.008 6 a maior parte do preço é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da CIDE, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. em que pese a repartição formal dos contratos, não há que se falar em afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. registrese que em alguns casos, mesmo na hipótese de pagamentos a título de simples afretamento, o IRRF seria devido à alíquota de 25% pois a beneficiária é empresa estrangeira sediada em paraíso fiscal/país com tributação favorecida. apresenta as características dos contratos de afretamento e de prestação de serviços para cada uma das 162 unidades operacionais, ressaltando a vinculação entre eles, de forma a comprovar que os contratos não são autônomos. ao final da descrição dos contratos relativos a cada unidade, a autoridade fiscal concluiu que a autuada infringiu a legislação tributária, ao efetuar os pagamentos ao exterior, a título de afretamento, sem a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte e da CIDE, em razão dos seguintes fatos, comuns aos contratos: 1) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade era parte integrante e indissociável dos serviços contratados. 2) o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições relativas ao fornecimento da unidade. 3) o fornecimento da unidade era do grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação dos serviços; 4) tratase de uma só contratação, bipartida com intuito de evitar a incidência do IRRF e da CIDE. nos casos das unidades ALASKAN STAR SS39 e ATLANTIC STAR, ainda que se tratasse de afretamento de embarcação, incidiria o imposto de renda na fonte à alíquota de 25% pelo fato de a beneficiária ser sediada em paraíso fiscal, visto que o Ato Declaratório SRF n° 8/99 foi expressamente revogado pela IN SRF n° 252/2002. da análise dos documentos, restou demonstrado que os serviços contratados pela autuada, perante os beneficiários Fl. 27008DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.009 7 selecionados, correspondem à definição de "serviços técnicos", sujeitandose à incidência do IRRF com alíquota de 15%, e da CIDE com alíquota de 10%, com exceção dos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos ao IRRF à alíquota de 25%, por força do artigo 8° da Lei n° 9.779/99. na apuração do IRRF, observouse o disposto no artigo 725 do RIR/99, com o reajustamento da base de cálculo. BASE LEGAL para o lançamento da CIDE– artigo 2º e parágrafos da Lei nº 10.168/2000; artigo 10, inciso III do Decreto nº 4.195/2002. A ciência da autuação foi pessoal, e ocorreu em 20/12/2013. Inconformada, apresentou impugnação em 17/01/2014, fls. 26.694/26.753, alegando: 1) Dos fatos. a fiscalização selecionou 27 beneficiários de remessas ao exterior, em razão de 73 contratos de afretamento de embarcações firmados com empresas sediadas no exterior, e 73 contratos de prestação de serviços firmados com empresas sediadas no país. a fiscalização sustenta tratarse de um único contrato de prestação de serviços, em razão do que o valor pago a título de afretamento para empresas domiciliadas no exterior seria, na verdade, remuneração de prestação de serviços da mesma natureza daquele prestado pela empresa brasileira, e as respectivas receitas seriam receitas de prestação de serviços técnicos, a justitificar a exigência de IRRF e CIDE, com multa de ofício e juros de mora. 2) A coligação/união de contratos é figura conhecida e reconhecida pela doutrina civilista mesmo na hipótese da contratação de apenas da empresa no estrangeiro, ainda assim tratarseia de dois contratos distintos formalizados em um único instrumento, ou contratos coligados, um de prestação de serviços e outro de afretamento de embarcação, cada um deles mantendo sua individualidade e se sujeitando às regras tributárias que lhes são próprias. os indícios apontados pelo fisco denotam a existência de contratos coligados união de contratos com dependência recíproca necessária/voluntária. o fato de as empresas contratadas pertencerem ao mesmo grupo econômico em nada interfere na autonomia e individualização dos contratos de afretamento e de prestação de serviços porque, ainda que tais contratos tivessem sido firmados num só instrumento e com a mesma pessoa jurídica, eles permaneceriam individualizados. Fl. 27009DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.010 8 no caso concreto, embora os contratos tenham sido firmados em instrumentos separados e com pessoas jurídicas distintas, tratase de contratos que por vontade das partes contratantes e/ou imposição legal foram unidos/vinculados com dependência recíproca, de modo que um contrato não exista sem o outro. a união de contratos não é ilegal ou irregular, não perdendo os contratos sua individualidade, sendo aplicáveis o conjunto de regras próprias e peculiares a cada tipo individualmente. cita a IN SRF n° 884/2008 que prevê a união de contratos, do que se conclui que a operação é legítima, e não autoriza a desqualificação de um e sua pretensa absorção pelo outro. a contratação de parte das atividades com empresa nacional e outra parte com empresa estrangeira não tem nada de anormal, ilegal ou irregular, tanto que prevista na IN SRF n° 884/2008. a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo exige a IN citada que se trate de empresa devidamente qualificada pela Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) como Empresa Brasileira de Navegação (EBN). assim, nos contratos de afretamento a tempo (que abrange a gestão náutica), é a EBN, em associação com a empresa estrangeira e proprietária/possuidora da embarcação, que deve exercer as atividades vinculadas à operação da embarcação (gestão náutica), recebendo, para tanto, a correspondente remuneração no País (parcela da taxa de afretamento nacional ou "hire"). se cada uma das empresas recebe uma parcela da taxa total de afretamento (calculada a partir de medições), nada mais natural que em ambos os contratos esteja previsto que as respectivas remunerações são calculadas a partir das medições. nessa estrutura de negócio, as empresas são solidariamente responsáveis pela disponibilização da embarcação livre e desembaraçada de qualquer encargo aduaneiro ou tributário, sem que tais circunstância interfiram na qualificação jurídica do contrato que continua sendo de afretamento a tempo. assim, os questionamentos da fiscalização acerca da atribuição de até 90% do valor total da licitação ao afretamento de embarcações com remessa ao exterior sem Fl. 27010DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.011 9 IRRF e no mínimo 10% do mesmo valor à prestação de serviços pago no País com incidência de IRRF, não têm razão de ser e, de qualquer forma, jamais poderiam ser invocados para justificar a desconsideração do contrato de afretamento com a empresa no exterior sob a alegação de que seria ele parte do contrato de prestação de serviços firmado com a empresa nacional. em razão da complexidade técnica, as embarcações são bens de vultoso valor e absolutamente necessários ao desenvolvimento da atividade a que se destinam, representando o seu afretamento efetivamente a maior parcela do valor total da licitação; na hipótese de contrato único, o lógico seria o contrato de afretamento abarcar a prestação de serviços. caso a fiscalização tivesse comprovado atribuição irreal de preços aos contratos, seria eventual glosa de excesso de custo do afretamento ou tributação de parte como serviço, nada justificando ou autorizando a desqualificação do contrato de afretamento para atribuirlhe a natureza de prestação de serviços e com isso tributálo integralmente como tal, como fez a fiscalização no caso concreto. o Acórdão DRJ/RJ2 n° 1328.138, referido pela fiscalização, não pode ser aproveitado pois considera possível, no caso de preços irreais, que não haveria isenção de IRRF incidente sobre o valor da parte que corresponde aos serviços pagos à empresa no exterior, e não sobre a totalidade do contrato de afretamento, como se serviço fosse. 3) Dos contratos de Afretamento. houve equívoco no entendimento do conteúdo e alcance dos contratos de afretamento dessas embarcações especiais e das atividades de pesquisa, sondagem, perfuração e exploração de poços de petróleo e gás. o contrato de afretamento pode ser na modalidade de a casco nu,por viagem e a tempo. quanto à utilização, há a gestão náutica (manutenção da embarcação) e gestão comercial (utilização da embarcação para atingir os fins a que se propõe); caso o contrato de afretamento inclua a gestão náutica, como é o caso da modalidade a tempo, este não se transforma em contrato de prestação de serviço. a gestão comercial é sempre transferida ao afretador, no caso, a impugnante, que poderá exercêla de forma terceirizada. já é possível vislumbrar o equívoco da fiscalização quando à vista do contratos de afretamento entendeu que eles não seriam contratos autônomos mas parte integrante de outro contrato de prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços que a toda evidência são atividades inerentes à gestão Fl. 27011DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.012 10 comercial da embarcação, a qual, como demonstrado, no âmbito do contrato de afretamento, é necessariamente transferida sempre e exclusivamente ao Afretador, no caso, a impugnante, que pode exercer de forma indireta, como ocorreu no caso. a prova disso é que, caso a impugnante estivesse desenvolvendo a gestão comercial de forma direta, o contrato de afretamento não perderia efeito ou deixaria de ser necessário, tudo a evidenciar a sua absoluta autonomia. traz ementa de julgados em situação similar à dos autos, com entendimento favorável à tese da impugnante. optou por desenvolver essa atividade de forma terceirizada, e ambos os contratos coexistem de forma independente e com objetos diversos, não obstante sejam conexos e voltados para o mesmo fim, seja quem for a prestadora dos serviços a empresa domiciliada no exterior (e dona da embarcação) ou a empresa domiciliada no país, por ela indicada, do mesmo grupo ou não. 4) Da violação dos artigos 109 e 110 do CTN e 170 da CF/88 a fiscalização está alterando a forma e substância dos contratos típicos do direito privado, violando os artigos 109 e 110 do CTN. não poderia a fiscalização transformar o contrato de afretamento, firmado com empresa no exterior, em contrato de prestação de serviço técnico, firmado com empresa residente no Pais, e pretender tributálo como tal para cobrança do 1RF e CIDE. apresenta jurisprudência no sentido de que não é possível o desmembramento de contrato complexo para efeitos fiscais, assim como não pode unificar, também para efeitos fiscais, contratos autônomos, firmados por pessoas jurídicas distintas, uma situada no exterior e outra no País, sendo irrelevante que pertençam ao mesmo grupo econômico. os valores remetidos ao exterior em pagamento de afretamento não são receitas decorrentes de qualquer prestação de serviços, muito menos de perfuração, sondagem, pesquisa e exploração de poços e outros, quer porque a obrigação em si não implica prestação de serviços desta natureza, quer porque não podem ser considerados parte do preço de outro contrato, de prestação de serviços, cujos beneficiários são outras empresas residentes no País. o entendimento da fiscalização de que ocorreu um único contrato com a empresa sediada no exterior implica em inaceitável ingerência na liberdade de contratar e de organização dos negócios da impugnante, violando o artigo 170 da CF/88. na atualidade a preponderância é para afretamento por tempo, que é típico quanto à forma, mas atípico quanto ao conteúdo: em contratos antigos há anexos com relação de pessoal especializado em funções básicas, já que é obrigação do locador Fl. 27012DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.013 11 fornecer a embarcação “em estado de servir ao uso a que se destina”; já os contratos de afretamento mais recentes ou contemplam as atividades inerentes à gestão náutica da embarcação ou não fazem referência a nenhuma prestação de serviço. reafirma que as remessas ao exterior em pagamento ao afretamento de embarcações jamais poderia ser consideradas parte do preço de prestação de serviços que sequer precisaria existir (caso a impugnante desenvolvesse diretamente as atividades para as quais as embarcações foram construídas) de modo que a alteração via interpretação da qualificação da relação jurídica entre a impugnante e os fretadores implica violação dos artigos 109 e 110 do CTN e 170 da CF/88. 5) Não incidência da CIDE em razão da inexistência de transferência de tecnologia na hipótese de se admitir a ocorrência de contrato de prestação de serviços, ainda assim não caberia a cobrança pois não houve transferência de tecnologia. a fiscalização entendeu que a nova redação do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, trazida pela Lei nº 10.332/2002, permite a incidência da CIDE em remuneração referente a todo e qualquer serviço técnico, ainda que não haja transferência de tecnologia. no caso concreto, os prestadores entregam o resultado do serviço de perfuração, avaliação e completação de poços de petróleo, bem como o de produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás, sem que ocorra qualquer transferência de tecnologia. se não adquire qualquer tecnologia, não há razão para exigir a contribuição cuja finalidade é o desenvolvimento de tecnologia. esclarece que, a exemplo da Quota de Contribuição ao IBC, Contribuição ao IAA, e outros, é necessário que o sujeito passivo da CIDE pertença ao grupo dos que sejam beneficiados, direta ou indiretamente, pela intervenção estatal. além disso, devese aferir se há relação de proporcionalidade entre a contribuição criada (meio) e o âmbito da intervenção estatal (fim). não justifica a cobrança da CIDE, pois os prestadores de serviços usam da tecnologia para entregar o produto, não podendo haver confusão entre os dois, segundo o doutrinador Marco Aurélio Greco. 6) A Impugnante já contribui para o FNDCT via parcela dos royalties: ilegitimidade da cobrança em duplicidade para financiar a mesma atividade. a impugnante já contribui de forma específica para programa de amparo à pesquisa científica, e ao desenvolvimento Fl. 27013DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.014 12 tecnológico, também administrado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT. com o Decreto nº 2.851/98, dois anos antes da CIDE, a impugnante passou a financiar, mediante parcela dos royalties pagos, programas de amparo à pesquisa cientifica e ao desenvolvimento tecnológico da indústria e petróleo, ou seja, programas específicos para o seu setor de atividade. enumera 3 (três) semelhanças, e conclui que o Decreto nº 2.851/98 instituiu programa de financiamento de pesquisas científicas e desenvolvimento tecnológico específico para a exploração e produção de petróleo e gás natural, e a Lei nº 10.168/2000 criou programa geral de financiamento de pesquisas científica e desenvolvimento tecnológico. não pode a Administração exigir contribuição em duplicidade, cabendo ao julgador administrativo afastar a exigência da CIDE em razão do “bis in idem”, o que já foi feito pelo antigo Conselho de Contribuintes. 7) Impossibilidade do reajustamento (Gross up) da base de cálculo ainda na possibilidade de manter o lançamento, deverá ser afastado o reajustamento da base de cálculo da CIDE, efetuado pela autoridade lançadora sob o fundamento do artigo 725 do RIR/99, conforme a própria Administração se manifestou em soluções de consulta, e também o Conselho de Contribuintes. com o reajustamento, ocorre a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, o que é ilegal por 3 (três motivos): (1) a base de cálculo da CIDE prevista no § 3º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000 não permite a sua incidência sobre o IRRF; a base de cálculo da CIDE é a remuneração (o que efetivamente foi remetido) e o IRRF é receita tributária da Fazenda. (2) impossibilidade de exigência da CIDE sobre o IRRF em face de ausência de previsão legal; a Lei nº 10.168/2000 não determina que a CIDE incida “depois” ou, em outras palavras, que esta integre a base de cálculo daquela, não podendo, assim, o IRRF integrar a base de cálculo da CIDE. (3) o artigo 725 do RIR/99 é norma própria do imposto de renda não podendo ser aplicada à CIDE, em razão do princípio da legalidade e da vedação do aumento de tributo com base na analogia. 8) Não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no caso de prevalecer a exigência fiscal, vem impugnar a cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, ressaltando que este é entendimento adotado pelo CARF, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais. os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, enquanto que as multas decorrem de violações à norma legal. Fl. 27014DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.015 13 ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições'", a Lei n° 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora. é equivocado interpretar que débito se refere ao principal e a multa de ofício, pois seria o mesmo que admitir a cobrança de multa de mora incidente sobre multa de ofício, no caso de seu inadimplemento, ou até que débito incluiria o principal mais o juros de mora, e ocorreria juros sobre juros. a única interpretação possível do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 seria incidência dos juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício. além disso, o próprio artigo 43 da Lei n° 9.430/96 vem evidenciar que o artigo 61 prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições. assim, não existe base legal para exigência de juros de mora sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada), que não pode prevalecer sob pena de violação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, mas também aos artigos 5º, II e 150, I da CF/88 e 97 do CTN. É o relatório." A Fazenda Nacional apresentou contrarazões sustentando em síntese o acerto do lançamento, reforça os argumentos traçados no voto, ao final pede o improvimento do voluntário. É o que tinha a relatar. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filhio, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. A controvérsia versa sobre exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE sobre o somatório dos desembolsos de remuneração dos contratos de afretamento e prestação de serviço. Assim, o primeiro ponto a dirimir se refere a desqualificação do ajuste de afretamento, e o segundo o enquadramento da prestação de serviço como sendo serviço técnico sujeito à contribuição. Atividade de exploração e prospecção de petróleo é complexa, emprega sofisticados equipamentos, entre tantos, plataformas, navios, navios sondas, rebocador, flutuantes, armazenamento, etc, em sua quase totalidade locados de empresas situadas no exterior, bem como, a tomada de diversos serviços, seja no campo de operação, manutenção, ou assistenciais, etc, sem os quais a produção restaria inviabilizada. Fl. 27015DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.016 14 O debate envolve a execução simultânea do contrato de afretamento e de prestação de serviço pactuada com empresa coligadas, uma localizada no exterior e outra em território nacional. A desqualificação do contrato de afretamento procedido pela fiscalização ao fundamento de manipulação com intuito de reduzir o montante da contribuição, a meu sentir, inexiste elementos capazes dar azo a lavratura do auto de infração, primeiro, o fato do afretamento corresponder ao percentual próximo ou igual a 90% (noventa por cento) do total do desembolso do somatório dois contratos, afretamento e prestação de serviços, assim como, a relação estreita entre a empresa no exterior e a prestadora de serviço no Brasil por tratarse pessoas jurídicas vinculadas, não justifica transmudação do afretamento para prestação de serviço. Extraíse do raciocínio traçado pelo Fisco tratarse de ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade, ou fuga ao cumprimento de dever. Enxergo no caso concreto intromissão do Fisco na relação privada, a Constituição Federal assegura a livre iniciativa, a forma de contratação deve obedecer às normas civilistas brasileiras, e, os pactos de caráter privado não podem sofrer interferência do fisco. Pelo o que se extraí do relatório a fiscalização chegou a Recorrente convicta de que o modo de contratação operacionalizada configurava ilícito, certeza que se extraí do próprio relatório fiscal ao afirmar que a Receita Federal teve o ensejo de examinar esses mesmos contratos e concluiu no sentido de lançar, o que restou confirmado em última instância administrativa, assim como, a tentativa de anular o lançamento perante o Poder Judiciário tornou sem sucesso. A contribuinte não nega ser interessante de o ponto comercial contratar afretamento de embarcações e do contrato com empresas vinculadas entre si por proporcionar grau maior de segurança. A fiscalização traça raciocínio de comparação equivocada quando justifica a inexistência de autonomia entre os dois contratos, locação e prestação de serviço, utilizando para tanto o exemplo de uma empresa contratada para retirar do local da obra o entulho gerado pela construção, assegurando a impossibilidade de se realizar o trabalho sem o caminhão caçamba, por isso não se justifica pagar o aluguel do equipamento dissociado do serviço. Ao contrário desse pensamento, no dia a dia é comum locar equipamento e contratar com terceiro a operacionalização sobre a sua supervisão. Sendo que a especificidade é característica de cada contrato, atendendo o interesse dos contratantes, não dever ser interpretado pelas Autoridades Tributárias como meio de manipulação para pagar menos tributos, esse juízo a subsistir deve acontecer lastreado em elementos concreto contrário o arcabouço jurídico norteador. Tanto é assim, que levou o Supremo Tribunal editar a Súmula Vinculante nº 31, ao afirmar não incidência do ISS sobre o valor total da operação, deixando clara a possibilidade de locar equipamento sem uso da mão de obra, razão pela qual impõe reconhecer o contrato de locação de bens móveis autônomo a qualquer outro ajuste, mesmo se este for formalizado com pessoa jurídica vinculada ao proprietário locador dos bens móveis. Fl. 27016DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.017 15 A doutrina afirma que fraude tributária implica necessariamente violação grave frontal de deveres tributários principais e acessórios, como falsificar documento livros fiscais capazes de caracterizar evasão de tributos configurados pelo comportamento criminoso. Lendo o relatório da decisão recorrida, verifica da transcrição do relato extraído do Termo de Verificação Fiscal, nada tem haver com o lançamento neste caderno processual administrativo: "no entanto, naqueles procedimentos, constatouse que o pagamento relativo à prestação de serviços não era suficiente para fazer frente aos custos dos serviços prestados, razão pela qual parte do valor pago à controladora estrangeira retornava na forma de aporte em favor da empresa nacional; estes repasses foram tributados, sob o entendimento de que os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira, a título de afretamento, incluíam, de fato, remuneração pela prestação de serviços. a aplicação da alíquota zero, prevista no artigo 1º da Lei nº 9.481/97, depende da natureza dos pagamentos em favor de empresas estrangeiras, sendo que estes não são simples decorrência de cláusulas contratuais, mas da realidade fática produzida no desempenho do contrato. além disso, cita outra autuação na qual concluiuse que o serviço de perfuração absorveria o afretamento, visto que a prestação do serviço de perfuração é a atividadefim para a qual o afretamento é atividade meio." Ressaltase, o assunto acima foi tratado em outros procedimentos fiscais, não sendo causa do lançamento neste feito, o registro dessa passagem nada influi na decisão, pois a discussão aqui encontra alicerçada em outras causas. Repitase, o motivo do lançamento encontra embasado nos contratos de locação e prestação de serviços terem sido firmados em datas próximas com pessoa jurídicas vinculadas, e, o valor do afretamento ser superior ao montante pago a título de prestação de serviços. As razões elencadas a justificar desqualificação do contrato de afretamento e locação e rotulálo como prestação de serviço, a meu ver, não são suficientes a levar concordar com os argumentos da fiscalização com referência inexistência de autonomia entre os dois contratos. Outra razão descrita como sendo preponderante a desconsiderar o contrato de locação é o fato de existência de previsão em cláusula contratual de remuneração vinculada direta à produtividade, o entendimento do fisco, bem como, do julgador de piso, que essa vinculação demonstrar tratarse de um só contrato. “Tanto é assim que, da leitura dos contratos de afretamento, e como bem destacou o auditor fiscal, em sua extensa análise dos acordos, encontramse cláusulas vinculando a remuneração à produtividade." Fl. 27017DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.018 16 Penso ao contrário, com todo respeito àqueles que pensam igual à fiscalização e o julgador de piso, não precisa ser expert na atividade de exploração, prospecção de petróleo e extração de gás para saber, de conhecimento de leitura de revistas, periódicos e revistas técnicas, tratarse de custo elevadíssimo a locação de embarcações marítimas e outros equipamentos diretamente envolvidos nas tarefas aqui descritas, atribui ao proprietário da unidade contratada a responsabilidade de mantêla em condições perfeitas de funcionamento na entrega total de capacidade de produção, essa é visão que se tem da leitura da referida clausula. Temse, ai, uma das razões para contratar os serviços com pessoa jurídica vinculada ao grupo, à incapacidade da entrega interfere tanto na remuneração do locador, assim como, do prestador de serviços, ocorrência desse tipo afeta diretamente a outra ponta, o que estaria inviabilizado se a prestação de serviço fosse firmada com outra pessoa jurídica desvinculada, sem sombra de dúvida tal condição seria inaceitável, e, no caso da incapacidade de uma unidade locada deixar de operar em capacidade máxima em nada afetaria o prestador de serviço. Assim, o fato de constar contratualmente essa condição, ela é desprovida de condão a autorizar desqualificação de um determinado tipo de contrato a permitir concluir a inexistência. Lendo o relatório da decisão recorrida, verifica da transcrição do relato extraído do Termo de Verificação Fiscal, que nada tem haver com o lançamento neste caderno processual administrativo: "no entanto, naqueles procedimentos, constatouse que o pagamento relativo à prestação de serviços não era suficiente para fazer frente aos custos dos serviços prestados, razão pela qual parte do valor pago à controladora estrangeira retornava na forma de aporte em favor da empresa nacional; estes repasses foram tributados, sob o entendimento de que os pagamentos efetuados em favor da empresa estrangeira, a título de afretamento, incluíam, de fato, remuneração pela prestação de serviços. a aplicação da alíquota zero, prevista no artigo 1º da Lei nº 9.481/97, depende da natureza dos pagamentos em favor de empresas estrangeiras, sendo que estes não são simples decorrência de cláusulas contratuais, mas da realidade fática produzida no desempenho do contrato. além disso, cita outra autuação na qual concluiuse que o serviço de perfuração absorveria o afretamento, visto que a prestação do serviço de perfuração é a atividadefim para a qual o afretamento é atividade meio. O contexto descrito acima é assunto tratado em outros procedimentos fiscais, não sendo causa do lançamento neste feito, o registro dessa passagem, tanto no "TVF", assim como, no voto da decisão recorrida, não influi no deslinde da questão, haja vista, a matéria nesse processado ser outra. Fl. 27018DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.019 17 O julgador não pode fiar em comentários do ocorrido em feitos distintos daquele que se examina, mesmo sobre forte argumentação de que se trata do mesmo assunto, pois deve se ater aos elementos carreados aos autos. Há figuras distintas da fraude, entre essas destaca abuso de direito, abuso de forma, simulação e dissimulação. Abuso de direito, consiste na idéia a qual não há direito ilimitado, o abuso de forma, encontra tipificado na utilização de forma jurídica “atípica” ou “não comum” para realização do negócio jurídico, visando menor incidência fiscal. Segundo a doutrina o abuso de forma está intrinsecamente relacionado com os efeitos econômicos do ato praticado e como a intenção do agente. Afirma a doutrina se a forma utilizada está em desacerto com as normas de direito privado, nesse caso estaríamos diante de uma ilegalidade, no entanto, se a forma utilizada for legal, ai, cabe ao direito tributário regular as situações em que as condutas serão consideradas não lícitas para efeitos fiscais. No dizer do eminente jurista Ives Gandra Martins, o abuso de formas não encontra acolhido no direito brasileiro em decorrência da inexistência de normas legais que autorizam sua aplicação. (MARTINS, Ives Gandra da Silva; MENEZES, Paulo Lucena. Elisão Fiscal, Revista Tributária e de Finanças Públicas. São Paulo, nº 36, 2001, p. 232). O fato de pactuar os dois contratos simultaneamente não há de ser considerado comportamento elisão abusiva, pois se permiti ao contribuinte, no limite da lei, pessoas físicas e jurídicas, traçar rumo dos seus negócios com o objetivo único de pagar menos impostos. No caso concreto os acordos comerciais pactuados, mesmo com empresas vinculadas são acordo negociais, devem ser examinados quanto à forma utilizada, se esta está ajustada com as normas de direito privado. Do contrário, se a forma é legal, cabem ao direito tributário regular as situações em que as condutas serão consideradas não lícitas no campo fiscal. Hermes Marcelo Huck, ao se referir à regra do parágrafo único do art. 116 do CTN: “menciona que país como Espanha e Alemanha editam normas genéricas, que autorizam ao Estado desconsiderar a forma jurídica para ir buscar o objetivo econômico do ato ou negócio e, se for o caso, sujeitálo à tributação. Diz ele, Nem abuso de direito pelo contribuinte nem abuso de poder pelo Fisco é a resposta moderna que oferece o direito comparado.” Gilberto Ulhoa Canto, como lhe é peculiar, esclarece a aplicação da teoria do abuso de forma: “O desacerto da teoria do abuso de formas de direito privado parece evidente. Se as formas são de direito privado e elas não são legitimadas pelas normas desse ramo do direito, então estaremos diante de um caso comum de ilegalidade ou nulidade, pura e simples. Mas, se face ao direito privado tais formas são legítimas, não vemos como se possa acusar alguém de estar cometendo abuso destas formas apenas para efeitos legais. Se o legislador tributário não quiser que as formas de direito privado que forem lícitas e legais em face das normas deste ramo do direito produzam os efeitos que os agentes poderiam ter em vista Fl. 27019DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.020 18 quando a eles recorrem, o que ele tem a fazer é, simplesmente, dizer que para fins especificamente tributários os atos que segundo o direito privado seriam lícitos e eficazes serão tratados como se fossem atos de natureza idêntica a um modelo predeterminado; ou poderia, ainda, o legislador tributário definir, para fins especificamente fiscais, determinados institutos originados do direito privado de modo substancialmente distinto daquele pelo qual estão definidos nesse departamento do Direito.” No caso tratado, o legislador ordinário ao alterar a redação do parágrafo segundo da Lei nº 9.481/97, cuidou da execução simultânea de contrato de afretamento/aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviços vinculados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, ao inserir regra definindo o norte do comportamento dos contribuintes, veja: “2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionado à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrado com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos e parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (floating Production Sistems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações." Observado os parâmetros traçados pela norma legal, e, ausente acusação de desacerto com as normas de direito privado, assente é os pactos, pois em momento algum se alegam conduta contrária as regras do direito privado. Com razão a recorrente no tocante a legalidade das modalidades de contratos, pois a legislação autoriza o Ministro da Fazenda elevar ou reduzir os percentuais de aceitação dos contratos de prestação de serviço e afretamento ou locação de embarcações marítimas, sendo assim, a pratica de contratação de afretamento de embarcações marítimas e prestação de serviço, mesmo com empresa do mesmo grupo, tornou clara e evidenciou que o exercício da execução simultânea desses pactos encontram na órbita legal permitida: Em novembro de 2014, foi editada a Lei nº 13.043, contrariando a tese de bipartição artificial de contratos sustentada até então pela fiscalização, o legislador federal reafirma a legalidade de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, quando relacionado à prospecção e exploração de petróleo ou gás, matéria tratada no §2º, do art. 1º, in verbis: "§2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de Fl. 27020DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.021 19 embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionado à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoa jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a:" Como se vê, a forma de contratação é coesa com a novel disposição legal, o contrato de afretamento ou locação é autônomo, os parâmetros fixados pelo legislador confirmam o fato de que a contratação de afretamento ou locação de embarcações marítimas e prestação de serviço são reconhecidas pela legislação, distorcer dessa realidade o entendimento do fisco ao assegurar que o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Não há dúvida tratar de modalidade de contratação a assegurar o bom desempenho das unidades contratadas como asseverado pela Petrobrás. Portanto a execução simultânea desses contratos, afretamento e prestação de serviço de embarcações marítimas, longe de tratar de manipulação e artificialidade como quer crer o fisco. Não prevalece o argumento da decisão recorrida, ao manter o lançamento se refere ao fato de que outros lançamentos em diferentes procedimentos fiscais decorrente da mesma matéria foram mantidos pelo CARF, cada caso com sua peculiaridade, o julgamento está estritamente ligado aos fatos trazidos aos autos, aquilatar as provas é função de cada juiz, sendo assim, o desdobramento só depende do convencimento de cada um dos julgadores. Embora se avente o percentual de 90% (noventa por cento), inexiste demonstração cabal de desembolso a título de pagamento de afretamento ou locação nesse patamar, diante da ausência comprovação dessa acusação, impõe o afastamento, caso existisse ajuste excessivo a 80% (oitenta por cento) deveria o excesso ser tributado, e, não todo o pagamento. Em sendo assim, penso assistir razão a recorrente, nesse ponto. FATO GERADOR DA CIDE. O outro ponto a ser dirimido se refere propriamente aos serviços tomados, se estes enquadram na qualidade de serviços técnicos. Contra o entendimento da fiscalização, que considera os serviços tomados enquadrados como sendo técnicos, em razão disso poderia onerara remuneração a todo e qualquer serviço, mesmo que não haja transferência de tecnologia. Sustenta a recorrente que os serviços técnicos lhe prestados são serviços de perfuração, avaliação e completação de poços de petróleo, bem como de produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás, serviços esses que o prestador entrega tãosó o resultado, sem qualquer transferência de tecnologia. Examinei esse assunto no processo nº 11080.010264/200819 já com as alterações provocadas pela Lei nº 10.332, de 2001. É de conhecimento geral que a contribuição de Intervenção no Domínio EconômicoCIDE, instituída em 30 de dezembro de 2000 pela Lei nº 10.168, o objetivo é de financiar o Programa de Estímulo à Integração UniversidadeEmpresa para Apoio à Inovação tecnológica, seu texto foi modificado com advento da edição do artigo 2º da Lei nº 10.332, de Fl. 27021DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.022 20 2001, posteriormente em 2007 pela Lei nº. 11.452, pela codificação do parágrafo primeiro – letra “a”. No caso concreto os fatos aconteceram no ano calendário de 2009, assim sendo, com a redação atualizada pela Lei nº 10.332/2001, in verbis: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1.º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2." A partir de 1." de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. “ Cabe dirimir se os serviços prestados transferem tecnologia ao tomador, isso é patente que não pela descrição contida no voto: “De acordo com os dispositivos acima, concluise que a CIDE, além de incidir sobre contratos cujo objeto seja o fornecimento de tecnologia (inciso I), também incide quando a remuneração for relativa à contratos que tenham por objeto prestação de serviços técnicos (inciso III), ainda que não tenha transferência de tecnologia. É o que ocorre no caso concreto. A própria autuada afirma que os serviços prestados seriam de perfuração, avaliação e completação de poços de petróleo, bem como de produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás. Não importa que a autuada receba o produto apenas, sem a transferência de tecnologia. Restou comprovado que houve a ocorrência da hipótese prevista em lei para incidência da CIDE, ou seja, remuneração a residentes no exterior, em decorrência de contratos para prestação de serviços técnicos.” A Petrobras como se sabe é detentora de tecnologia e perícia em perfuração de poços de petróleo e gás, não necessita de contratar serviços desse tipo, além do que, o prestador de serviço encontra estabelecido no país. Ao contrário asseverado pela fiscalização, argumento mantido pelo julgador de piso, os serviços técnicos corresponde qualificação formal, como é o caso dos técnicos Fl. 27022DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.023 21 químicos, radiologia, engenheiro, tecnólogo, etc., em síntese é o detentor de conhecimento que permite executar a técnica e transferi lá. Diversamente da motivação do lançamento, serviço técnico não é qualquer serviço, se a prevalecer o entendimento da Administração Tributária, temse de alterar o artigo primeiro da Lei nº 10.168/2000. Os serviços descritos não dependem qualificação formal, em resumo se referem serviços operacionalizados por pessoas despidas de conhecimento tecnológicas, porque serviços é toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para o tomador, definição prevista pelo art. 6º da Lei Federal de nº 8.666/93, ao tratar dos interesses da Administração Pública. Tecnologia depende de utilização de conhecimentos técnicos específicos com a participação de profissionais habilitados, especificamente, no caso de engenharia encontra disciplinado pela Lei Federal de nº 5.194/66, o fato do pedreiro saber edificar não dá espaço para afirmar tratar de serviço técnico, pode ele transferir conhecimento prático e não cientifico diversamente do engenheiro ou do tecnólogo, de qualificação formal acedida em graduação, esse sim pode transferir conhecimento, portanto, seus serviços são técnicos. Considera técnico o indivíduo que domina uma técnica. Podese tratar de um grau ou de uma qualificação a que se acede a partir da educação formal, como é o caso dos técnicos químicos ou dos técnicos de radiologia. O técnico conhece e domina diversas ferramentas, podendo ser intelectuais ou físicas, que lhe permitem executar a técnica em questão. Em recém (01.04.2014) artigo publicado por Cândida Ribeiro Caffé, como coautores Romero Lobão Soares e Juliana B. Monteiro de Barros, em sitio “Dannemann Siemsen Bigler & Ipanema Moreira, in verbis: “A Receita Federal do Brasil editou recentemente a Instrução Normativa RFB nº 1.455/2014, revogando a Instrução Normativa SRF nº 252/2002, que tratava da incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos pagos, creditados, empregados, entregues ou remetidos para pessoas jurídicas domiciliados no exterior. Dentre as modificações trazidas pela norma em referência, destacase a ampliação da definição de serviço técnico, anteriormente prevista no artigo 17, inciso II, alínea “a”, da Instrução Normativa SRF nº 252/2002. A partir da vigência da Instrução Normativa nº 1.455/2014, a Receita Federal do Brasil passou, portanto, a considerar como serviço técnico a execução de serviço: I. Que dependa de conhecimentos técnicos especializados; II. Que envolva assistência administrativa ou prestação de consultoria, por profissionais independentes ou com vínculo empregatício; III. Decorrente de estruturas automatizadas com claro conteúdo tecnológico. Como se observa, o conceito de Fl. 27023DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.024 22 serviço técnico foi alargado para contemplar os serviços executados relativamente às estruturas automatizadas que contenham claro conteúdo tecnológico, sem, contudo, promover os devidos esclarecimentos relativamente ao que se considera como tal.” Como se vê, a Receita Federal do Brasil, explora o termo tecnológico de modo genérico, não esclarece o que ela considera como tal, deixando ao alvedrio e bom senso da administração pública. Com razão a Recorrente, se qualquer serviço é técnico, faz letra morta o disposto no artigo 1º da Lei nº 10.168/2000, pois da simples leitura, conclui diversamente da autuação, nesse caso o Legislador Ordinário disse que o objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, veja, in verbis: “Art. 1º Fica instituído o Programa de Estimulo à Integração UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa cientifica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo”. (destaque é meu). Por essa razão e outras, dizse que a atividade tecnológica tem influência no progresso social e econômico da sociedade. Portanto, aceitar o discurso da Administração Tributária de que a CIDE incide sobre qualquer serviço técnico, independentemente do que resta definido pelo artigo primeiro transcrito acima, é rasgar a lei e deixar de lado o instrumento instituído para o desenvolvimento tecnológico brasileiro, transformandoa, simplesmente em uma ferramenta de arrecadação sem qualquer compromisso com o progresso social e econômico da sociedade. É oportuno trazer à baila os comentários do ilustre jurista Marco Aurélio Greco: “Regulamentação extensiva ilegal. “já temos a contribuição de intervenção ao domínio econômico sobre royalties. O que aconteceu com esta contribuição de intervenção no domínio econômico? Vamos parar um pouquinho. Nós que atuamos nesta área, vimos uma lei, em grandes linhas bem desenhadas que previa uma contribuição de intervenção no domínio econômico ligada à transferência de tecnologia. Cobravase a contribuição de quem consumia tecnologia importada, e o produto da arrecadação era transferido para universidades ou entidades educacionais brasileiras de pesquisa, para que se desenvolvesse tecnologia nacional, tudo à luz do art. 218 da CF./88. O que aconteceu depois da lei? Veio a regulamentação prevendo: não é bem assim. A contribuição é sobre tecnologia, mas também sobre royalty, e royalty não é só tecnologia. Royalty é qualquer coisa que a empresa estrangeira receba, e, portanto, a Receita Federal passou a cobrar CIDE sobre uma séria de pagamentos feitos ao exterior que não estão ligados à tecnologia propriamente dita. O que é isto? Em minha opinião, pelo lado Fl. 27024DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.025 23 normativo, uma deturpação ilegal e inconstitucional. No plano dos fatos, é não querer deixar passar um elefante. Ou seja, percebeuse que há um relevante conjunto de pagamentos ao exterior, a inúmeros títulos e sem que, via regulamentação e interpretação – ai a critica que faço – estender uma incidência para outras hipóteses que não aquelas que a contribuição alcança e às quais ela é atrelada por determinação constitucional.” (GRECO, Marco Aurélio, Tributação dos intangíveis. RET/ 37/130, jun/04). A preocupação do jurista tem forte razão, recentemente, foi publicada a Lei nº 13.243/2016, que estabelece medidas de incentivo à inovação e a pesquisa cientifica e tecnológica no ambiente produtivo, com vista à capacitação tecnológica, tudo isso para que o país alcance autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional, insere mudanças substanciais à Lei nº 8.666/93, estabelecendo nova hipótese de dispensa de licitação para a contratação de bens e serviços destinados a atividade de pesquisa e desenvolvimento. Com esses comentários, também é oportuno trazer parte da decisão pelo STF em relação ao art. 218 da Carta Política de 1988: “Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação. (Redação da EC 85/2015)” "O termo ‘ciência’, enquanto atividade individual, faz parte do catálogo dos direitos fundamentais da pessoa humana (inciso IX do art. 5º da CF). Liberdade de expressão que se afigura como clássico direito constitucionalcivil ou genuíno direito de personalidade. Por isso que exigente do máximo de proteção jurídica, até como signo de vida coletiva civilizada. Tão qualificadora do indivíduo e da sociedade é essa vocação para os misteres da Ciência que o Magno Texto Federal abre todo um autonomizado capítulo para prestigiála por modo superlativo (capítulo de nº IV do título VIII). A regra de que ‘O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas’ (art. 218, caput) é de logo complementada com o preceito (§ 1º do mesmo art. 218) que autoriza a edição de normas como a constante do art. 5º da Lei de Biossegurança. A compatibilização da liberdade de expressão científica com os deveres estatais de propulsão das ciências que sirvam à melhoria das condições de vida para todos os indivíduos. Assegurada, sempre, a dignidade da pessoa humana, a CF dota o bloco normativo posto no art. 5º da Lei 11.105/2005 do necessário fundamento para dele afastar qualquer invalidade jurídica (Ministra Cármen Lúcia)." (ADI 3.510, rel. min.Ayres Britto, julgamento em 2952008, Plenário,DJEde 2852010.)” Dissociar a exigência de transferência de tecnologia e onerar a remuneração de todo e qualquer serviço técnico, como é o caso de: perfuração, avaliação e completação de poços de petróleo, bem como de produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás, é fazer letra morta o artigo 1º da Lei nº 10.168/2000. Além disso, essa discussão só tem lugar se desconsiderar os contratos de afretamento, e, passar a considerar todos de prestação de serviços, como se não existisse alocação, e, só prestação de serviço, daí incidir a contribuição sobre toda remessa e acrescida dos pagamentos efetuados no Brasil. Fl. 27025DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.026 24 Por essa razão continuou pensando do mesmo jeito de quando voltei à matéria nos autos do processo nº 11080.010264/200819, que resultou no Acórdão nº 3403 0001717, pois é incabível exigir a CIDE sem transferência de tecnologia por tratar de exigência contida na lei. MODIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PELA AUTORIDADE FISCAL. No que concerne a modificação introduzida pela Autoridade Fiscal à base de cálculo, deve ser reformada, pois restou definida pela legislação, sendo assim, não há de se aceitar qualquer modificação, sob pena de violar a norma. Adoto como razão de decidir excerto extraído do voto do i. Conselheiro Walker Araújo, proferido nos autos do processo de nº 11634.000206/200946: “II. 3 A base de cálculo da CIDERoyalties Neste ponto a decisão de primeira instância deve ser reformada. Isto porque, depreendese que o artigo 2º, §3º, da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, determina que a CIDE terá como base de cálculo os valores, pagos, creditados, entregues, empregados, ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados nos exterior como remuneração das obrigações, a saber: Art. 2º. Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês , a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no §2º deste artigo. No presente caso, verificase no Termo de Verificação Fiscal que a fiscalização utilizou na composição da base de cálculo da CIDE, os valores relativos ao IRRF incidente nas operações realizadas pela Recorrente, o qual, por total inexistência de previsão legal, não se insere no conceito de "valores pagos, creditados, entregues, empregados, ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados nos exterior como remuneração das obrigações". Com efeito, o IRRF suportado pela Recorrente na remessa de valores ao exterior não se coaduna com o conceito de valores pagos a residente ou domiciliado no exterior, considerando que o tributo recolhido é destinado ao Erário e não é transferido exterior. Fl. 27026DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.027 25 A própria Secretaria da Receita Federal já se posicionou no sentido de ser indevido o reajustamento da base de cálculo deste tributo, conforme se verifica da decisão proferida no Processo de Consulta nº 357/2007: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Cide INCIDÊNCIA empresa que pagar, creditar, entregar, empregar, ou remeter importâncias ao exterior a título de royalties, está sujeita ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000. BASE DE CÁLCULO A contribuição deve ser apurada com base no valor bruto a ser pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao exterior. Neste caso, pelo fato de esta contribuição ser devida pela empresa que pagar creditar, entregar, empregar, ou remeter importâncias ao exterior a título de royalties, não ocorre o reajustamento da base de cálculo (grifado) Portanto, não subsiste a autuação neste ponto, posto que indevida a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE Royalties. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para excluir da base de cálculo da CIDE os valores suportados pela Recorrente a título de IRRF. É como voto. Walker Araujo Domingos de Sá Filhio” Com essas considerações, concluo, no caso destes autos não vejo a hipótese de incidência da contribuição, motivo pelo qual dou provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à qualificação do ajuste de afretamento e sobre a necessidade de transferência de tecnologia como pressuposto jurídico para a incidência da CIDE. A fiscalização iniciouse no âmbito do MPF nº 07.1.85.002013000238, e sua conclusão resultou na lavratura de Autos de Infração de IRRF, processo 16682.721312/201391, e de CIDE, de que trata este processo. O processo referente à lavratura de Auto de Infração para o IRRF foi julgado pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento na sessão Fl. 27027DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.028 26 de 9/12/2015, ocasião em que o Conselheiro relator Marco Aurélio de Oliveira Barbosa analisou a questão meritória quanto à bipartição dos contratos, análise com a qual me coaduno e cujos fundamentos adoto como razão de decidir, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/19991. Assim, transcrevo o voto proferido no Acórdão nº 2202003.063, processo 16682.721312/201391: “Mérito Da bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços A Recorrente afirma que a Fiscalização desconsiderou a existência de dois contratos distintos afretamento e prestação de serviços firmados também com pessoas jurídicas distintas uma situada no exterior e outra no Brasil para considerar artificialmente existir um único contrato. Alega que mesmo se a prestação de serviços e o afretamento das embarcações necessárias à sua execução tivessem sido firmados num único instrumento e apenas com a empresa sediada no exterior, teríamos dois contratos distintos, ou contratos coligados como os denomina a doutrina, um de prestação de serviços e outro de afretamento de embarcação, cada um deles mantendo a sua individualidade e se sujeitando às regras tributárias que lhes são próprias. Afirma que a contratação de parte das atividades (no caso a prestação de serviços) com empresa nacional e de outra parte (no caso o afretamento) com empresa estrangeira não tem nada de anormal, ilegal ou irregular. Defende que os questionamentos da Fiscalização sobre a atribuição de até 90% do valor total da licitação ao afretamento de embarcações com remessa para o exterior sem IRRF e no mínimo 10% do mesmo valor à prestação de serviços pago no País com incidência de IRRF não têm razão de ser e jamais poderiam ser invocados para justificar a desconsideração do contrato de afretamento com a empresa no exterior. Assevera que os contratos de afretamento, tendo como partes o Fretador que oferece a embarcação e o Afretador que a recebe, podem ser de várias modalidades, sendo as mais conhecidas as seguintes: a) afretamento a casco nu, b) afretamento a tempo e c) afretamento por viagem. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...]. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 27028DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.029 27 Argumenta que o contrato de afretamento pode ou não envolver prestação de serviço náutico (gestão náutica), dependendo da modalidade escolhida, e nem por isso se transforma em contrato de prestação de serviços. Sustenta que o Fisco está alterando a forma e a substância de contratos típicos de direito privado e com isso violando os artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional e o artigo 170 da CF/88, porquanto as remessas ao exterior em pagamento ao afretamento de embarcações jamais poderiam ser consideradas parte do preço de prestação de serviços, que sequer precisaria existir caso a Recorrente desenvolvesse diretamente as atividades para as quais as embarcações foram construídas. Observase pelos autos que a autoridade fiscal analisou todos os documentos relativos às contratações dos 162 equipamentos selecionados, tendo concluído pela tributação de 73 deles, com base na constatação de que essas contratações referentes a prestação de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, eram artificialmente bipartidas em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante Petrobrás, e de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuavam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. A Fiscalização afastou da tributação as remessas ao exterior relativas aos contratos que ficaram devidamente caracterizados como de afretamento de equipamentos, sem vinculação com contratos de prestação de serviços, tais como as referentes às unidades de nºs 001 a 020, 033 a 044, 048 a 079, 088, 090, 092 a 113 e 145. Em relação às 73 contratações que foram tributadas, a autoridade fiscal demonstrou que não existia afretamento autônomo, pois o contrato de prestação de serviços continha diversas disposições relativas ao fornecimento da unidade, a qual era apenas parte integrante e indissociável dos serviços contratados. Conforme descreve o Termo de Verificação Fiscal, esses contratos possuem os seguintes aspectos comuns: a) contrato de afretamento vinculado ao contrato de prestação de serviços, assinado na mesma data com uma empresa brasileira do mesmo grupo econômico; b) rescisão do contrato de serviços é base para rescisão do contrato de afretamento; c) solidariedade entre a contratada (fretadora) e a interveniente (prestadora de serviços); d) seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente (prestadora de serviços) a fretadora como cosegurada; e) cláusulas do contrato de afretamento prevêem obrigações relativas à prestação de serviços. Fl. 27029DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.030 28 A título exemplificativo, sintetizo abaixo as conclusões da autoridade fiscal em relação a algumas contratações, que demonstram com clareza a vinculação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviços: NºReferência Equipamento Conclusões da Fiscalização 021 Ocean Alliance Contrato de afretamento firmado com a Diamond Offshore Drilling é vinculado ao contrato de prestação de serviços com a Brasdril, assinados na mesma data; a fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços Brasdril; no contrato de afretamento, a Brasdril assina como solidariamente responsável (cláusula 17.1); a cláusula 9.2 do contrato de afretamento diz que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos; a rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9); o anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, estando listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Perfuração, Sondador, Assistente de Sondador etc.; a Brasdril é o braço da Diamond Offshore no Brasil. 032 Navio Sonda Peregrine I Contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data entre a Petrobrás e a interveniente; a rescisão do contrato prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.3); no contrato de afretamento, assina como solidariamente responsável com a fretadora, a interveniente (cláusula 19.1); a fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente (prestadora de serviços), conforme cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento; as cláusulas 3.18.1 e 14.1.1 do contrato de afretamento prevêem que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente (contratada para serviços de perfuração); a cláusula 3.28 do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos; a tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora (cláusulas 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3 e 3.3.7 do contrato de afretamento); Fl. 27030DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.031 29 a fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço de determinados profissionais (cláusula 3.3.6); o anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, estando listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista etc.; a interveniente, ETESCO Construções e Comércio Ltda. detinha 100% do capital da fretadora (ETESCO Drilling Company B.V.); pesquisa no site da ETESCO Construções e Comércio Ltda. na internet revela que ela opera e gerencia o navio sonda Peregrine I. 084 Noble Leo Segerius Os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram assinados na mesma data, prevendo o mesmo prazo; os contratos de afretamento e de prestação de serviços declaramse vinculados ao mesmo Convite Petrobras nº 187.8.042.019; os contratos de afretamento e de prestação de serviços declaramse mutuamente vinculados (cláusula 16.1 no contrato de afretamento e 15.1 no de prestação de serviços); a rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 10.1.9); no contrato de afretamento assina como interveniente a contratada para prestação de serviços. No contrato de prestação de serviços assina como interveniente a empresa contratada para fornecer o afretamento; a fretadora e a prestadora de serviços assinam como solidariamente responsáveis, pelas obrigações decorrentes de ambos os contratos (cláusula 17.1 no contrato de afretamento e 16.1 no de prestação de serviços); a fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente (prestadora de serviços), conforme cláusula 3.15.1 do contrato de afretamento); a cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a prestadora de serviços (cláusula 3.6.2 do contrato de afretamento e 3.21.2 do de prestação de serviços); a tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora (cláusula 3.10 do contrato de afretamento); o anexo V do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, estando listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista etc.; a prestadora de serviços, Noble do Brasil, era controlada pela fretadora Noble Drilling Holding LLC (99,99%). 89 Stena Drillmax I A fretadora no contrato de afretamento é interveniente no contrato de prestação de serviços; consta do contrato de afretamento determinação de que este deve ser executado simultaneamente com o contrato de prestação de serviços; Fl. 27031DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.032 30 a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de serviços acarreta a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de afretamento (cláusula 7.5, tanto no contrato de afretamento como no de prestação de serviços); a cláusula 4.12.3 do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as partes; a cláusula 4.12.4 do contrato de serviços também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição; o período de medição do afretamento é o mesmo adotado 42 para a medição dos serviços; a cláusula 4.12.1.m) (ii) do contrato de prestação de serviços diz que, caso a Petrobras deixe de pagar pelos serviços prestados, a prestadora poderá retirar a plataforma, pondo fim ao contrato; a cláusula 7.1.3.d) do contrato de prestação de serviços diz que, finda a execução dos serviços, a Petrobras deverá devolver a plataforma no estado em que a recebeu, com o desgaste natural; a cláusula 11.5 do contrato de prestação de serviços dispõe sobre "ÔNUS SOBRE EQUIPAMENTO DA CONTRATADA", e diz que a contratada (STENA) "se compromete a não criar ou praticar qualquer ato, compromisso ou coisa que resulte na criação de qualquer ônus sobre o EQUIPAMENTO DA CONTRATADA, impedindo (ou que possa de qualquer forma impedir) a CONTRATADA de desempenhar os SERVIÇOS diligentemente e de acordo com este CONTRATO e/ou que possa ferir o exercício apropriado pela COMPANHIA de seus direitos sob as disposições de penhora por erro da CONTRATADA. Para que se evitem dúvidas, o indicado acima não impede a CONTRATADA ou qualquer de suas AFILIADAS de oferecer garantias a respeito da PLATAFORMA com relação a financiamento no curso normal dos negócios.". Ou seja, disposições do contrato de prestação de serviços tratam do regular fornecimento da plataforma, inclusive sobre garantias; A STENA INTERNATIONAL S.A.R.L., proprietária da unidade, detinha 99% do capital da prestadora de serviços STENA SERVICES BRASIL LTDA. no de ano 2009. 155 Deepwater Navigator Fretadora: Transocean UL Limited; prestadora de serviços: Transocean Brasil Ltda.; o contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços, assinados na mesma data; conforme a cláusula 3.2.8 do contrato de afretamento, a fretadora deve elaborar Atestado Diário de Operações ADO segundo instruções contidas no item 1.7 do Anexo IV do contrato de prestação de serviços. A cláusula seguinte determina que este documento terá quatro vias, sendo duas para a Petrobras e as outras duas para a contratada, isto é, a fretadora; a cláusula 9.3.4 do contrato de afretamento prevê multa de 20% sobre a taxa diária de operação no caso de não Fl. 27032DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.033 31 atendimento ao item 1.8 do Anexo IV do contrato de prestação de serviços; a rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusula 11.1.13 do contrato de afretamento); a cláusula 14.1.1 do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente (contratada para os serviços de perfuração); a fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços (cláusula 23.1.1 do contrato de afretamento); o site do grupo Transocean contém lista da sua frota, em que consta a DEEPWATER NAVIGATOR, a serviço no Brasil e traz os endereços dos escritórios da empresa em todo o mundo, entre os quais figura o endereço da Transocean Brasil. 161 Blue Shark Originalmente, o contrato se intitulava "de afretamento e prestação de serviços", formato este definido no Convite da PETROBRAS; o Adendo E do referido Convite previa a divisão do valor do contrato em duas parcelas, a primeira de 90%, em dólares americanos, a ser depositada em conta da contratada no exterior, e a segunda de 10%, em reais, a ser depositada em contacorrente nacional, em favor de representante da contratada no país. A partir do Aditivo 5, assinado em 01/09/2006, o contrato passou a ser apenas de serviços, com novos valores, transferindose o afretamento para contrato em separado; ocontrato de afretamento foi assinado na mesma data do Aditivo 5 do contrato de serviços, prevendo ambos o mesmo prazo; O contrato de prestação de serviços atribui às contratadas obrigações de ARMAÇÃO DA EMBARCAÇÃO, devendo estas fornecer a tripulação, operar a unidade e regularizar sua permanência no Brasil, obtendo avais e fianças (cláusula 3.2 do Aditivo 5). Tais atribuições normalmente recairiam sobre o fretador, em contratos de afretamento por tempo, como é este caso; a rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento (cláusulas 2.3 e 13.6.3 do contrato de afretamento); a prorrogação do contrato de prestação de serviços acarretou idêntica prorrogação no contrato de afretamento (aditivo 7 do contrato de serviços e aditivo 2 do afretamento); a fretadora e a prestadora de serviços assinam como solidariamente responsáveis, pelas obrigações decorrentes de ambos os contratos (cláusula 29.1 no contrato de afretamento e 23.1 do aditivo 5 do contrato de prestação de 44 serviços); a cláusula 6.1 do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as partes. A cláusula 7.1 do Fl. 27033DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.034 32 contrato de serviços (Aditivo 5) também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição; o período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços; a prestadora de serviços BJ Services do Brasil era controlada pela BJ Services International S.A.R.L, fornecedora da unidade. Pelo exposto, resta evidente que os contratos de afretamento e de prestação de serviços se confundiam e, portanto, devem ser considerados como únicos, correspondentes à prestação de serviços técnicos de pesquisa e exploração de petróleo e gás. A bipartição dos contratos pela contratante, ora Recorrente, era puramente formal e deuse unicamente com o intuito de evitar a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre as remessas efetuadas às empresas sediadas no exterior. As empresas contratadas a estrangeira e a brasileira atuavam de forma conjunta, solidária e contínua, prestando serviços técnicos, embora sob a forma de contratos distintos, segredados formalmente. Os contratos, porém, eram de fato vinculados, entrelaçados, amarrados, sem independência, o que demonstra que não havia afretamento autônomo. Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor do Acórdão nº 3403002.702, que julgou lançamento referente a CIDE, relativo a mesma empresa (Petrobras) e envolvendo contratos similares, nesse mesmo sentido: "Em primeiro lugar, os contratos ditos de afretamento de afretamento (sic) não são, pois não têm como objeto embarcação. Ademais, as unidades de perfuração e de produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras estruturas metálicas, sobre as quais desembarcam e atuam os operadores da companhia prestadora de serviço contratada. Em absoluto. As unidades são, justamente, os equipamentos que serão operados para a consecução do objetivo último da Petrobrás, que é a perfuração ou produção do poço de petróleo. E, penso ser evidente, tratase de equipamentos sofisticados, construídos sob encomenda, com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento da tecnologia. Nesse sentido, seus operadores são designados já durante a fase de construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com equipamento requerida para operálos. Saliento esse aspecto porque, ainda que se considere a natureza genérica dos contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único, de prestação de serviços, fosse com a nacional ou com a empresa estrangeira, ainda assim as unidades seriam fornecidas, simplesmente, porque não há como prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, Fl. 27034DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.035 33 pois é ilógico, desnecessário, antieconômico2. E, se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a Petrobrás insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos fossem operados por terceiros. Portanto, pareceme que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento” e prestação de serviços – a também, por óbvio, a sua coligação voluntária3 é artificial, desnecessária, sem propósito. A recorrente nessa hora bradará princípios constitucionais como da Livre Iniciativa (art. 1º, IV), da Livre Concorrência (art. 170, IV) ou mesmo da Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga ao contribuinte o direito de organizarse de forma que se lhe imponha a menor carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob uma concepção estritamente formal da legalidade. Enfim, invocará a clássica cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em matéria de planejamento tributário, tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito ao contribuinte. Marciano Seabra de Godoi diagnostica que essa postura parte de certos valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, quais sejam, o tributo visto como uma agressão ou um castigo que se aceita mas não se justifica; a segurança jurídica como um valor absoluto; a aplicação mecânica e não valorativa da lei como um mito sagrado; o individualismo e a autonomia da vontade sobrevalorizados e hipertrofiados, como se vivêssemos em pleno século XIX4. Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste cenário, a interpretação dos atos jurídicos e das operações não se pode valer da máxima de hipossuficiência dos contribuintes frente ao todo poderoso Estado, sob pena de se obstar a aplicação de outros princípios constitucionais. Há diversos outros que podem ser tolhidos caso planejamentos sejam indiscriminadamente considerados válidos e legítimos tãosomente porque adotaram forma jurídica prevista em texto de lei (Dignidade da Pessoa Humana, Função Social da Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, 2 No insight de Michael J. Graetz, "...a deal done by very smart people that, absent tax considerations, would be very stupid". Disponível em <http://www.nytimes.com/2008/09/10/business/businessspecial3/10TAX.html?pagewanted=all&_r=0> Acessado em 31/08/2013 3 4 apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 173 Fl. 27035DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.036 34 solidariedade social e justiça” 5. Enfim, exigese, para além de uma economia de tributos, um propósito negocial. Nesse sentido, a doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito negocial6: a) o elemento temporal: já que muitas vezes se verifica que o planejamento, em geral atividade pensada e preparada, é realizada às pressas, com a assinatura de vários documentos em um único momento, alguns desfazendo transações que se celebram no mesmo instante; b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações se dão apenas como forma de alocar perdas e ganhos entre empresas de mesmo grupo, sempre visando à redução da tributação; c) ausência de coerência, quando se realizam transações que não se inserem na rotina da empresa ou na lógica empresarial. Marco Aurélio Greco7 revela os indícios de mera tentativa despropositada de economia de tributo: a) operações estruturas (sic) em seqüência, em que uma etapa não tem sentido a não ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...]; b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada; c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os critérios de eqüitatividade em que devem ser feitas certas operações quando comparadas com operações com terceiros; d) o uso de pessoas jurídicas para realizar determinadas operações, pois além de poderem configurar uma interposta pessoa, estas sociedades podem se apresentar como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a terceiros (conduint companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras; e) operações que impliquem deslocamento da base tributável para o exterior, pois isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária; 5 GRECO. Marco Aurélio. Planejamento tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 195 6 SCHOUERI, Luís Eduardo. O desafio do planejamento tributário. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITRAS, Rodrigo de (org,). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187. 7 GRECO, Marco Aurélio. Perspectivas teóricas do debate sobre planejamento tributário. Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, ano 7, n. 42, ano 2009. Apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187 Fl. 27036DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.037 35 f) as substituições ou montagens jurídicas em que as formas contratuais são construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais e efetivas que as justifiquem. O modelo de contratação da Petrobrás sucumbe em todos os testes que lhe são pertinentes: a) Quanto ao aspecto temporal, revelase a simultaneidade da celebração dos pares de contratos; b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira; c) Ausência de coerência: a Petrobrás não reproduz o modelo de contratação bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres; d) Deslocamento da base tributável para o exterior: a Petrobrás atribui ao contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo); e) Montagem jurídica: a bipartição de contrato que tem causa unitária – a exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada. (grifos não são do original)." A Recorrente se insurge também quanto à tributação do total do preço pago, argumentando que o Fisco deveria ter efetuado um arbitramento, nos termos do artigo 148 do CTN. No entanto, o que se colhe das provas dos autos é que os contratos firmados entre a Petrobras e as empresas sediadas no exterior cujas remessas estão sendo tributadas tratam na realidade de prestação de serviços de exploração de petróleo e gás, sendo o afretamento parte integrante e indissociável do serviço, que é único, nos termos da legislação vigente à época dos fatos. Os serviços contratados exigem a utilização de plataformas e outros equipamentos pelo prestador, não havendo que se falar em repartição de valores relativos a afretamento e a prestação de serviços, como pretende a Recorrente, porquanto se trata de um único contrato de prestação de serviços, apesar de formalmente dividido em dois.” Além da questão relativa à desqualificação do contrato de afretamento, a recorrente defendeu em sua peça recursal as seguintes matérias, que serão objeto deste voto de divergência: a) A inexistência de transferência de tecnologia, implicando a não incidência da Lei nº 10.168/2000; b) A ocorrência de bis in idem e ofensa ao princípio constitucional da isonomia, pelo fato de a recorrente já contribuir para o FNDCT com parcelas de royalties; Fl. 27037DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.038 36 c) A não incidência de juros sobre a multa de ofício. Quanto à necessidade de transferência de tecnologia, transcrevese, parcialmente, o artigo 2º da Lei nº 10.168/2000 que instituiu a contribuição: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) Verificase que o §2º do artigo 2º estipula que a contribuição passa também a ser devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, o que levou ao acréscimo do inciso III no artigo 10 do Decreto nº 4.195/2002 em comparação com a redação do artigo 8º do Decreto nº 3.949/2001, que até então regulamentava a CIDE instituída pela Lei nº 10.168/2000. Transcrevemse ambos para melhor esclarecimento: Decreto nº 3.949/2001, artigo 8º Art. 8o A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de róialtes ou remuneração previstos nos respectivos contratos relativos a: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; Fl. 27038DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.039 37 b) serviços técnicos especializados; III cessão e licença de uso de marcas; IV cessão e licença de exploração de patentes. Decreto 4.195/2002, artigo 10: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Assim, os serviços prestados enquadrados no inciso III prescindem da transferência de tecnologia, posto que não abarcados pela definição do §1º do artigo 2º, cuja redação dispõe que “§ 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica.” Observase, ainda, que a introdução do §1ºA no artigo 2º, excluindo da incidência da CIDE a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, corrobora o entendimento de que a transferência de tecnologia não é pressuposto jurídico para toda e qualquer incidência de CIDE. De outro giro, a recorrente propugna pela ocorrência de bis in idem na tributação pela CIDE, por já contribuir com parcelas de royalties ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT, em ofensa ao princípio da isonomia consagrado na Constituição Federal. Neste aspecto, deixo de conhecer de tal argumentação por envolver apreciação de inconstitucionalidade na aplicação da Lei nº 10.168/2000, o que é vedado a este Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 2. Por fim, a recorrente pugnou pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Neste ponto, analisase, inicialmente, a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multas. O artigo 161 do CTN dispõe: Fl. 27039DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.040 38 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta, conforme disposto no art. 139 do Código. Esta, por sua vez, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (artigos 113, §1º e 139 do CTN). Depreendese, assim, que o crédito tributário mencionado no artigo 161 do CTN abrange os tributos e as penalidades pecuniárias, sujeitandose à incidência dos juros de mora. A respeito, citase o Recurso Especial 1.129.990 PR (2009/00543162), julgado em 01/09/2009, de relatoria do Ministro Castro Meira: EMENTA TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 1º de setembro de 2009(data do julgamento). Transcrevese, ainda, excerto do voto condutor, esclarecedor da questão: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de Fl. 27040DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.041 39 exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546). De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades.(grifos não originais) Fl. 27041DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.042 40 Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos não originais) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). Fl. 27042DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.043 41 Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial Na mesma direção, ensina Hugo de Brito Machado8: “A denominada multa de ofício caracterizase pela inafastável necessidade de ação fiscal para que se considere devida. Assim, mesmo em face da jurisprudência que tem predominado, em se tratando de multa de ofício não se pode falar da existência de uma obrigação que a tenha como conteúdo, antes de regularmente constituído o crédito tributário. Assim, somente com a lavratura do auto de infração é que se pode considerar devida a multa de ofício. E como em face do auto de infração o contribuinte é notificado a fazer o correspondente pagamento, é a partir daí que se pode cogitar da configuração da mora, , em conseqüência, do início da incidência de juros de mora correspondentes” Inferese, de fato, que a multa de ofício é constituída na lavratura do auto de infração e vence no prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação ao lançamento. Após este prazo, considerase devida e, portanto, sujeita a juros de mora, não fazendo sentido algum permanecer seu montante imutável ao longo do tempo até que se ultime sua extinção. Assim, o artigo 161, §1º do CTN, determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês. Destarte, ultrapassada a questão da pertinência da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, resta verificar se a taxa Selic, aqui em discussão, deve ser utilizada como os juros de mora a que se refere o artigo 161. Sobre a legitimidade da Selic como juros moratórios, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Cabe frisar que no julgamento dos recursos especial e extraordinário, acima referidos, a discussão girou em torno da isonomia entre a aplicação da Selic na repetição de indébito como na atualização dos débitos: “Forçoso esclarecer que os debates nesta Corte gravitaram em torno da aplicação da taxa SELIC em sede de repetição de indébito. Nada obstante, impõese, mutatis mutandis, a incidência da referida taxa nos cálculos dos débitos que os contribuintes tenham para com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal. 8 MACHADO, Hugo de Brito. Juros de Mora sobre Multas Tributárias. RDDT 180/82, set/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 14º ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE: 2012. Fl. 27043DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.044 42 Aliás, raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias.”(REsp 879.844/MG) Assim, sob este aspecto abordado nos julgamentos dos recursos especial e extraordinário, é legítima a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício após seu vencimento, pois que eventual indébito referente à multa paga a maior que a devida, necessariamente seria corrigido pela referida taxa. Por outro lado, diversos diplomas legais trataram da Selic como juros de mora incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional. Assim, citamse: Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (grifei) Art. 91. O parcelamento dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, autorizado pelo art. 11 do DecretoLei nº 352, de 17 de junho de 1968, com a redação dada pelo DecretoLei nº 623, de 11 de junho de 1969, pelo inciso II, do art. 10 do DecretoLei nº 2.049, de 01 de agosto de 1983, e pelo inciso II, do art. 11 do DecretoLei nº 2.052, de 03 de agosto de 1983, com as modificações que lhes foram introduzidas, poderá ser autorizado em até trinta prestações mensais. Parágrafo único. O débito que for objeto de parcelamento, nos termos deste artigo, será consolidado na data da concessão e terá o seguinte tratamento: a) se autorizado em até quinze prestações: a.1) o montante apurado na consolidação será dividido pelo número de prestações concedidas; a.2) o valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) b) se autorizado em mais de quinze prestações mensais: Fl. 27044DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.045 43 b.1) o montante apurado na consolidação será acrescido de encargo adicional, correspondente ao número de meses que exceder a quinze, calculado à razão de dois por cento ao mês, e dividido pelo número de prestações concedidas; b.2) sobre o valor de cada prestação incidirão, ainda, os juros de que trata a alínea a.2 deste artigo.(Revogado pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Fl. 27045DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.046 44 Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 17. Fica acrescentado o seguinte parágrafo ao art. 84 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: "Art. 84. ......................................................... § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) (grifei) ... Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (grifei) § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) (grifei) Destacase que o artigo 30 da Lei nº 10.522/2002, expressamente prevê a incidência dos juros de mora à taxa Selic, a partir de1º/01/1997, relativamente aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional referidos no artigo 29, cujos fatos geradores tivessem ocorridos até 31/12/1994. Já a mesma lei acrescentou ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, o §8º, a disposição de que aos demais créditos da Fazenda Nacional, aplicamse as disposições do artigo 84, o que determina a aplicação dos juros de mora aos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorressem a partir de 1º/01/1995. Fl. 27046DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.047 45 § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) A Lei nº 10.522/2002, é conversão da MP nº 2.17679/2001, fruto da reedição de sucessivas medidas provisórias, desde a original de nº 1.110, de 30 de agosto de 1995. A inclusão do §8º no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, pela MP nº 1.110/95, bem como a inclusão dos artigos 29 e 30 pela MP nº 1.542/96 (nove dias antes da publicação da Lei nº 9.430/96) estabeleceram, expressamente, a incidência da taxa Selic sobre quaisquer débitos da Fazenda Nacional (até 1994 pelo artigo 30 e após 1º/01/1995, pelo §8º do artigo 84). Constatase que, por sua vez, a Lei nº 9.430/96, ao prever a aplicação da Selic em seus artigos 43 e 61 convalidou o que já estava sendo previsto pela MP nº 1.542/96 (atual Lei nº 10.522/2002). Concluise, portanto, que é legítima a incidência da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício vinculada ao tributo. Neste sentido, citamse, recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário quanto à manutenção dos efeitos dos contratos de afretamento, quanto à necessidade de haver transferência de tecnologia como pressuposto jurídico à incidência da CIDE e quanto à não incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 27047DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.721545/201394 Acórdão n.º 3302003.095 S3C3T2 Fl. 27.048 46 Fl. 27048DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/04 /2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 19647.006899/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Tratando-se de qualificação da multa, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando os paradigmas não tratam de situação fática similar, tampouco evidenciam a adoção de critério diferente daquele aplicado no acórdão recorrido.
IRPF - DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - DECADÊNCIA - COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO - ART. 150, §4º - NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO
Sendo o imposto sobre a renda da pessoa física, sujeito ao pagamento antecipado pelo contribuinte sem prévio exame da autoridade administrativa, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento tributário deve ser realizada a partir do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro do ano calendário, sempre que houver pagamento a título de imposto sobre a renda do contribuinte e não se comprovar fraude, dolo ou simulação.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9202-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Tratandose de qualificação da multa, não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando os paradigmas não tratam de situação fática similar, tampouco evidenciam a adoção de critério diferente daquele aplicado no acórdão recorrido. IRPF DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DECADÊNCIA COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO ART. 150, §4º NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Sendo o imposto sobre a renda da pessoa física, sujeito ao pagamento antecipado pelo contribuinte sem prévio exame da autoridade administrativa, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento tributário deve ser realizada a partir do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro do ano calendário, sempre que houver pagamento a título de imposto sobre a renda do contribuinte e não se comprovar fraude, dolo ou simulação. Recurso Especial do Procurador Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 68 99 /2 00 6- 09 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 434 a 443, integrado por demonstrativos e pelo Relatório de Fiscalização de fls. 440 a 443. Exigese do interessado o Imposto de Renda da Pessoa Física no valor de R$ 1.191.469,27, acrescido da multa de ofício de 150% e juros de mora, em razão da não comprovação dos recursos movimentados na conta corrente da Sra Maria Helena Pereira Aguiar, CPF 292.807.88434, mantida no Banco Bradesco, agência 14591, conta corrente 15.0967, no período de 01/01/2000 a 31/12/2000. A ciência do auto de infração, via correio, ocorreu em 11 de agosto de 2006, consoante se comprova pela cópia do AR acostado às folhas 451. De acordo com o Relatório da fiscalização (fls 440): 1. INFORMAÇÕES PRELIMINARES Atendendo à determinação do Juiz da 4a Vara Criminal Federal de Pernambuco nos autos do Procedimento Criminal 2004.83.00.0240958 , encaminhada através do ofício n° 1739/2005, de 24 de maio de 2005 (fls. 79), foi expedido o MPF 04..1.01.002005008272 com o objetivo de se proceder uma ação fiscal na contribuinte MARIA HELENA PEREIRA DE AGUIAR, CPF 292.807.88434, tendo em vista os valores expressivos movimentados em sua conta corrente no Banco Bradesco, agência 14591, c/c 150967, no ano de 2000, valores estes que não foram informados na sua Declaração de Imposto de Renda (VII, fls. 249/251). O Procedimento Criminal, acima referido, originouse do Procedimento Administrativo Criminal n° 1.26.000.001575/200410, em tramitação no Ministério Público Federal, Procuradoria da República em Pernambuco (fls 06/60), no qual foi requerido ao Juízo da 4a Vara Criminal Federal de Pernambuco a quebra do sigilo bancário da contribuinte MARIA HELENA PEREIRA DE AGUIAR, tendo em vista as investigações realizadas em conjunto pelo Ministério Público Federal e o Departamento da Polícia Federal que detectaram a remessa ilegal de divisas através da conta CC5, por várias pessoas jurídicas e pessoas físicas residentes no país, enviadas por intermédio do BANESTADO 2. OS FATOS No Relatório de Análise n° 415/04, do Ministério Público Federal, Procuradoria da República no Distrito Federal, às fls. 38/53, consta que, de acordo com o Relatório de Movimentação Financeira ("em contas de laranja"), a Sra. MARIA HELENA PEREIRA DE AGUIAR, CPF 292.807.8843, remeteu em 28/01/97 duas parcelas no montante de R$ 3.681,82 para o "laranja" titular da conta corrente 111685, mantida na Fl. 658DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 agência 0224 do Banco 038 e, em 20/01/97, outra parcela de R$ 1.266,00 para o "laranja" titular da conta 333935, agência 0025, do Banco 038 (fls. 39) . As mencionadas contas são mantidas no Banco Banestado S/A da cidade de Foz do Iguaçu. Os recursos foram transferidos da conta 150967, mantida pela investigada no Banco Bradesco, agência 1459. No mencionado relatório, com base nas informações prestadas pela Receita Federal, consta que a investigada teve, no ano calendário 2000, uma movimentação financeira de R$ 5.366.831,77, enquanto que os rendimentos totais declarados a Receita Federal foram de R$ 35.105,33, apresentando uma Variação Patrimonial a Descoberto mais expressiva comparada com os anos calendários 1999 e 1998. Com base nas informações contidas no Relatório, o Ministério Público Federal Procuradoria da Republica em Pernambuco, requereu, em 11 de novembro de 2004, a quebra do sigilo bancário da Sra. MARIA HELENA PEREIRA DE AGUIAR, CPF 292.807.8843 , ao juiz da da 4a Vara Criminal Federal de Pernambuco (fls. 06/22), sendo deferida em 19/01/05 (fls. 59/60). (...) 3 DAS PROVIDÊNCIAS ADOTADAS PELA DRFRECIFE Foi expedido Mandado de Procedimento Fiscal 04.1.01.00 2005008272, em 15 de setembro de 2005 (fls 01), com o objetivo de se proceder uma ação fiscal na contribuinte MARIA HELENA PEREIRA DE AGUIAR, CPF 292.807.88431, residente e domiciliada na rua Prof. José Brandão, n° 331, apto. 104, Boa Viagem, nesta cidade, abrangendo o período de 01/01/2000 a 31/12/2000. a) Em 16/09/2005 foi lavrado o Termo de Início de fiscalização intimando a contribuinte, acima identificada, no prazo de 20 (dias), comprovar a origem dos valores creditados/depositados no Banco Bradesco, agência 14591 contacorrente n° 15.096 7, movimentados no período de 03/01/2000 a 22/12/2000 (fls. 80). Foram anexados ao termo cópias dos extratos que foram encaminhados à Receita Federal pelo Juiz Federal da 4a Vara Criminal Seção Judiciária de Pernambuco, através do processo n° 2004.83.00.024095(fls. 81/193). b) A intimação foi recebida em 21 de setembro de 2005 (fls. 194) e, decorrido o prazo contido na mesma, a contribuinte não compareceu a este Serviço de Fiscalização nem encaminhou, por escrito, os esclarecimentos solicitados. c) Em 30/12/2005 a contribuinte foi novamente intimada para prestar os mesmos esclarecimentos (fls 195). d) A intimação foi recebida em 04 de janeiro de 2006 (fls. 196) e, decorrido o prazo para prestar esclarecimentos, a contribuinte mais uma vez não compareceu a este Serviço de Fiscalização.. e) Tendo em vista que a Sra. MARIA HELENA PEREIRA DE AGUIAR, CPF 292.807.88431, não atendeu as intimações anteriores foi emitido o MPF extensivo (fls. 2) com o objetivo de Fl. 659DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 4 5 se intimar o Sr. MARCOS VINÍCIUS PEREIRA AGUIAR, CPF 203.775.50400, filho da fiscalizada, na condição de seu procurador junto ao Bradesco S/A , conforme ficha cadastral (fls. 70/73) para prestar os seguintes esclarecimentos (fls. 199/231): (...) O Sr. MARCUS VINÍCIUS PEREIRA AGUIAR, no seu requerimento , traz algumas informações imprecisas e sem apresentar documentação hábil e idônea que comprovem tais afirmativas, sendo assim desconsideradas pela fiscalização. Ressalto que o Sr. MARCUS VINÍCIUS PEREIRA AGUIAR, é procurador da Sra. MARIA HELENA PEREIRA AGUIAR, com poderes para assinar cheques conforme ficha cadastral encaminhada pelo Bradesco, às fls. 72, e cópias de cheques às fls. 202/223. Na condição de procurador, e filho da fiscalizada, é natural que detivesse todas as informações da outorgante para o fiel cumprimento do mandado, o que leva a fiscalização concluir que houve omissão de informação para o Fisco. Às fls. 252/413, anexei a planilha de extrato de créditos no período de 03/01/2000 a 14/09/2000 apurados com base nos extratos encaminhados pelo Bradesco, às fls. 81/193, excluindose os estornos, cheques devolvidos e outros lançamentos que não significavam ingressos de novos recursos sem comprovação da origem , o que totalizou a quantia de R$ 4.348.324,64 (quatro milhões, trezentos e quarenta e oito mil, trezentos e vinte e quatro reais e sessenta e quatro centavos) os quais estão detalhados e totalizados mensalmente. 4 CONCLUSÃO Tendo em vista o acima exposto, e, considerando que o contribuinte não apresentou a documentação hábil e comprobatória da origem dos recursos movimentados na conta corrente da Sra. Maria Helena Pereira Aguiar, CPF 292.807.88434, mantida no Banco Bradesco, agência 14591. contacorrente n° 15.0967, no período de 01/01/2000 a 31/12/2000, concluímos pela Lavratura do auto de infração (fls. 414/419) com a constituição do Crédito Tributário (quadro a seguir), correspondente ao período fiscalizado de 01/01/2000 a 31/12/2000, concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física, e qualificação da multa de ofício majorada em 100%, de 75% para 150%,, em função de haver indícios de fraude, tendo em vista os valores expressivos de movimentação financeira e sem declaração destes valores à Receita Federal (cópia da DIPF às fls. 249/251) . (...)" (destaques não constam do Relatório Fiscal) Foi proferida decisão pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife/PE, fls. 495, que manteve integralmente a autuação nos seguintes termos: "ante o exposto, e considerando tudo o mais que do processo consta, VOTO pela PROCEDÊNCIA do Fl. 660DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 lançamento, para manter integralmente a exigência constante do Auto de Infração. Salientese que todos os valores deverão sofrer o acréscimo de taxa Selic, conforme legislação que rege a matéria" Inconformado o recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 520. Nele, conforme consta do relatório do acórdão recorrido a Contribuinte apresenta quatro motivos para pleitear a reforma da decisão de 1º grau: i) nulidade da decisão; ii) decadência; iii) erro na identificação do sujeito passivo; iv) não cabimento da multa qualificada. Vejamos os argumentos constantes do recurso voluntário (fls 527): "No caso específico, a decisão deixou de abordar o ponto central da lide, ignorando a comprovação documental que lastreou a argumentação de defesa. 4.1.1. Tratamse dos documentos postos às fls. 202 a 232, os quais, em síntese, são cópias de depósitos bancários com a indicação dos seus depositantes e cópias de cheques emitidos a favor dos mesmos. 4.1.2. Esses documentos, obtidos pelo próprio fisco, são prova cabal de que as pessoas jurídicas titulares dos depósitos motivadores da autuação são as mesmas beneficiadas com cheques emitidos a seu favor, constituindose prova específica que mereceria valoração pelo órgão julgador, que a eles se referiu apenas de passagem6. 4.2. Mas foi mais fácil à relatoria ignorar a existência de tais documentos e concluir não constar do processo nenhuma documentação idônea que pudesse comprovar o alegado na defesa, ementando no acórdão que "DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações (...) b) SOBRE A DECADÊNCIA (...) 5.2. Ora, o período de apuração a que se reporta o auto de infração e, à evidência, a própria decisão recorrida está contido entre os dias 03.01.2000 e 28.12.2000, inclusive, sendo fácil notar que, havendo o referido auto de infração sido lavrado aos 08.08.2006, todo o direito de constituição do crédito tributário, considerada a ocorrência do fato gerador, estaria como está fulminado pela decadência. 5.3. Nesse sentido, é o entendimento, Inclusive, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: "116228696 PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 1. Verificandose que o lançamento, na hipótese dos autos, decorreu da lavratura de auto de infração, por não ter o contribuinte apresentado a folha de pagamento dos segurados a seu serviço, aplicase o Fl. 661DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 5 7 disposto no art. 173. I. do C T N . que prevê o prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. Auto de Infração lavrado em 16.4.2002, para débitos relativos ao período de janeiro/1992 a dezembro/1994, ou seja, quando já transcorridos mais de cinco anos. 3. Agravo regimental a que s e nega provimento. (STJ A G A 200500525955 (670366 S C ) I a T. Rela Mina Denise Arruda D J U 29.08.2005 p. 00171)" c) SOBRE 0 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO (...) 6.2 No caso em tela, restou demonstrado que a contacorrente onde ocorreram os lançamentos sob debate apenas pertence formalmente à RECORRENTE, sendo que a mesma não dispôs de qualquer numerário, porquanto os valores ali depositados possuíam titularidade definida, apontada e comprovada nos autos. 6.3. A RECORRENTE, portanto, como exsurge de modo incontestável do simples exame dos autos, é mera pessoa interposta, limitandose a autorizar, mediante procuração, o Sr. Marcus Vinícius Pereira de Aguiar, seu filho8 , a realizar movimentação bancária de valores a ele pertencentes ou de titularidade de terceiros9. (...)" (grifamos) Em sessão plenária de 02/06/2009, a 1ª TO da 4ª Câmara do CARF decidiu por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário, , prolatandose o Acórdão nº 340100.100 (fls556), assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 Ementa: IRPF MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICADORA FRAUDE As condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, exige do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. A multa aplicável é aquela a ser imposta pelo não pagamento do tributo devido, cujo débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização, com esteio no art. 44,1, da Lei n° 9.430, de 1996. DECADÊNCIA — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário Fl. 662DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 o do CTN). Recurso provido." A Procuradoria da Fazenda Nacional devidamente cientificada, tempestivamente, interpôs Recurso Especial contra a decisão proferida pela 1ª Turma da 4ª Câmara alegando divergência quanto à contagem do prazo decadencial e desqualificação da multa. Tal Recurso foi admitido pelo Sr Presidente da 4ª Câmara em 02 de junho de 2011, consoante despacho de folhas 596 Após a cientificação dos despacho de admissibilidade do Recurso do Procurador, o contribuinte interpôs embargos de declaração (fls 605), e anexou contrarrazões que se encontram às folhas 615, ambos dentro do prazo regimental. Os embargos propostos foram rejeitados em 03 de julho de 2015, por meio de despacho anexado às folhas 647. Como dito, o Recurso Especial foi regularmente admitido, e dele fez constar o Procurador, o que segue (575): " A respeito do prazo para o lançamento do Imposto de Renda, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e.Câmara a quo, e está representado no acórdão paradigma cuja ementa está abaixo transcrita (cópia anexa): Acórdão 10246355 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA O "DIES A QUO" É ESTABELECIDO PELO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extingue se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). (...) A propósito, consignase que os rendimentos omitidos, ou seja, que não foram declarados, por não integrarem a atividade do contribuinte de apuração do imposto de renda pessoa física (IRPF) informada ao Fisco mediante a entrega da Declaração de Ajuste Anual e nem terem sido objeto de pagamento antecipado, não estão abrangidos pelo lançamento por homologação (CTN, art. 150, § 4o), porque não há o que homologar, pois a atividade do contribuinte informada ao Fisco não abrange os rendimentos omitidos. Se assim não fosse, teríamos que admitir que bastaria o contribuinte declarar R$ 1,00 para homologar tacitamente quaisquer rendimentos omitidos do Fisco Ora, consoante a linha de interpretação adotada pelo acórdão paradigma, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 6 9 173,1 do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°, como ficara decido no aresto recorrido. No caso em tela, verificada a ausência de pagamento, deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173,1, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Conforme se depreende da leitura do voto condutor do aresto recorrido, na presente hipótese não houve qualquer pagamento antecipado de seu montante pelo contribuinte, devendose efetuar a contagem da decadência nos termos do art. 173. inc. I, do CTN. Confirase: "No caso dos autos, argumenta a autoridade fiscal que o autuado não apresentou, em sua declaração de ajuste anual do exercício de fiscalização, dados sobre as contas bancárias mantidas em instituições financeiras e também não submeteu os valores objetos dos depósitos bancários à tributação, o que configuraria flagrante descumprimento ao art. 25 da Lei n° 9.250, de 26/12/1996, o que seria suficiente para configurar a existência de dolo, fraude ou simulação, inclusive com a majoração do percentual da multa de ofício para 150% do valor do tributo devido." (fl. 541) Dessa forma, demonstrado o dissídio jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso. DA MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL L A semelhança entre os casos confrontados reside no fato de que, em ambos, houve a autuação para tributação do IRPF decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por reiterados depósitos bancários de origem não comprovada, o que demonstra evidente intuito de fraude. Com esses procedimentos, tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Ressaltese que a reiteração dessa prática aliada aos resultados obtidos evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por meio da ação dolosa prevista no inciso I, do art. 71, da Lei n° 4.502/64. Tratase realmente de um comportamento planejado com o propósito de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo pela autoridade fiscal e, desse modo, reduzir o montante do tributo devido. Nesse processo fiscal, o fundamento da qualificação da multa é o dolo, é a vontade livre e consciente de omitir da autoridade fazendária a renda auferida, muito embora tenha a obrigação Fl. 664DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 legal de informar a ocorrência do fato gerador à administração pública. E certo que a linha entre o dolo ou a culpa é, muitas vezes, tênue. Todavia, nos autos, há elementos suficientes para caracterizarmos o dolo. O entendimento exposto é ratificado por outros julgamentos do CARF. Vejamos: Acórdão 10707937: "MULTA QUALIFICADA Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco, evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. Acórdão 20178336: MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. A adoção de prática reiterada de ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios, tipifica o intuito de fraude." (destaques originais) Por fim, requer seja dado provimento ao recurso especial, reformadose o acórdão recorrido a fim que seja "afastada a decadência acolhida relativamente ao IRPF incidente sobre o acréscimo patrimonial a descoberto do sujeito passivo em 2000, restabelecendose o respectivo lançamento, bem como para manter a multa de ofício em seu percentual qualificado (150%)". Relativamente ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a Contribuinte ofereceu contrarrazões, fls. 615, argumentando: · Que o Recurso Especial do Procurador é intempestivo, posto que protocolizado no mesmo dia da ciência da Fazenda Nacional, o que é verossímil. · Que os paradigmas indicados não guardam relação com o caso julgado. · Que o RICARF não admite apresentação de decisão divergente quando da edição de súmula sobre a matéria. Nesse ponto, a questão do cabimento da multa qualificada nos casos de lançamento por omissão de receita ou de rendimentos foi consolidada pelo Súmula CARF Nº 25 · Que se sobreste o julgamento do Recurso Especial até que se decida sobre os embargos interpostos pela Contribuinte. · Requer seja negado seguimento ao recurso especial interposto pelo Fazenda. É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Procuradoria é tempestivo, contudo antes de apreciar o mérito de suas alegações, importante tecer algumas considerações acerca da demonstração de divergência, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 596. Duas foram as matérias suscitadas pela recorrente: Decadência e Qualificação da Multa. Primeiramente, vejamos da decisão recorrida, para que possamos determinar o escopo do presente recurso especial: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 Ementa: IRPF MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICADORA FRAUDE As condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, exige do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. A multa aplicável é aquela a ser imposta pelo não pagamento do tributo devido, cujo débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização, com esteio no art. 44,1, da Lei n° 9.430, de 1996. DECADÊNCIA — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 o do CTN). Recurso provido." Com relação a decadência foi apresentado o Acórdão 10246355, abaixo transcrito: Fl. 666DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA O "DIES A QUO" É ESTABELECIDO PELO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). Pela análise da ementa, resta demonstrado que o acórdão paradigmático entendeu que, em existindo lançamento de ofício, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, §4º do CTN. Apenas para reforçar, assim descreveu o recorrente para demonstração da divergência: Ora, consoante a linha de interpretação adotada pelo acórdão paradigma, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173,1 do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°, como ficara decido no aresto recorrido. No caso em tela, verificada a ausência de pagamento, deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173,1, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Conforme se depreende da leitura do voto condutor do aresto recorrido, na presente hipótese não houve qualquer pagamento antecipado de seu montante pelo contribuinte, devendose efetuar a contagem da decadência nos termos do art. 173. inc. I, do CTN. Assim, entendo que para a matéria decadência resta demonstrada a divergência, uma vez que no acórdão recorrido a autoridade aplicou a tese do art. 150, § 4º do CTN, mesmo inexistindo recolhimento, enquanto no paradigma aplicouse a tese do art. 173, I do CTN. Quanto a multa qualificada, excluída pelo acórdão recorrido, apresentou o recorrente diversos paradigmas, contundo para apreciação da questão, utilizouse, nos termos o regimento vigente, os dois primeiros acórdãos, senão vejamos: Acórdão 10707937: IRPJ LUCRO ARBITRADO – FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS – A não apresentação dos livros e da documentação contábil e fiscal, apesar de intimada para tanto, impossibilita ao fisco a verificação do correto procedimento por parte do contribuinte, restando, como única alternativa, o arbitramento da base tributável. MULTA QUALIFICADA Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco, evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, a partir de 1°/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – Fl. 667DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 8 13 PIS – COFINS – DECORRÊNCIA – Às exigências decorrentes aplicase a decisão do matriz, quando não se encontra qualquer nova questão de fato ou de direito. PUBLICADO NO DOU Nº 132 DE 12/07/05, FLS. 51 A 53. Acórdão 20178336: NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONAL1DADE DE LEIS. DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Os Conselhos de Contribuintes somente podem afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade nas hipóteses previstas em lei, decreto presidencial e regimento interno. IPI. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI N2 9.311/96. NORMA PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. A adoção de prática reiterada de ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios, tipifica o intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO FISCAL. EXIGÊNCIA FORMULADA COM BASE EM ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR E EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. A movimentação de conta bancária ocultada e nãoalcançável por uma singela auditoria fiscal é prática sujeita à multa majorada. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. A presença comprovada de fraude desloca a regra de contagem do prazo decadencial para a do inciso I do art. 173 do CTN. Recurso negado. Nos dois acórdãos apresentados, pela própria ementa, podemos concluir que a motivação para qualificação da multa, foi a prática reiterada de desviar receitas, fato esse reforçado pelos argumentos apresentados no Resp. podemos aqui destacar: Com esses procedimentos, tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Ressaltese que a reiteração dessa prática aliada aos resultados obtidos evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por meio da ação dolosa prevista no inciso I, do art. 71, da Lei n° 4.502/64. Tratase realmente de um comportamento planejado com o propósito de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo pela autoridade fiscal e, desse modo, reduzir o montante do tributo devido. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Nesse processo fiscal, o fundamento da qualificação da multa é o dolo, é a vontade livre e consciente de omitir da autoridade fazendária a renda auferida, muito embora tenha a obrigação legal de informar a ocorrência do fato gerador à administração pública. E certo que a linha entre o dolo ou a culpa é, muitas vezes, tênue. Todavia, nos autos, há elementos suficientes para caracterizarmos o dolo. Apenas para reforçar, no primeiro paradigma a exigência fiscal foi em relação aos anos calendários de 96 a 2001, ademais, assim, foi descrito no voto Do arbitramento de lucros Como visto do relatório, o caso sob exame trata de arbitramento dos lucros da contribuinte, tendo em vista a falta de apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais, bem como em face da sistemática omissão de receitas da atividade. Devidamente intimada à apresentação dos citados documentos, a interessada limitouse a informar que havia incinerado os mesmos, tendo deixado de comprovar tal evento, e desistindo de recompor a escrituração. [...] A Recorrente, de forma sistemática, durante todo o período abrangido pela ação fiscal (1996 a 2001), consignou nas declarações de rendimentos, apenas uma pequena parcela das receitas auferidas, permanecendo indevidamente no SIMPLES, desde o anocalendário de 1997. Já no acórdão recorrido, pelo que podemos extrair do relatório fiscal, fls. 443 a motivação da qualificação da multa foi o alto valor dos depósitos bancários de origem não comprovada, em um único exercício, situação não encontrada nos acórdãos paradigmas. Assim, encontrase descrito no relatório fiscal: Tendo em vista o acima exposto, e, considerando que o contribuinte não apresentou a documentação hábil e comprobatória da origem dos recursos movimentados na conta corrente da Sra. Maria Helena Pereira Aguiar, CPF 292.807.88434, mantida no Banco Bradesco, agência 14591. contacorrente n° 15.0967, no período de 01/01/2000 a 31/12/2000, concluímos pela Lavratura do auto de infração (fls. 414/419) com a constituição do Crédito Tributário (quadro a seguir), correspondente ao período fiscalizado de 01/01/2000 a 31/12/2000, concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física, e qualificação da multa de ofício majorada em 100%, de 75% para 150%,, em função de haver indícios de fraude, tendo em vista os valores expressivos de movimentação financeira e sem declaração destes valores à Receita Federal (cópia da DIPF às fls. 249/251) . Ademais, vale destacar que além da motivação para qualificação da multa ser diversa, os acórdãos paradigmas foram proferidos em contextos fáticos distintos, posto que a matéria ali julgada referese a IRPJ e IPI. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 9 15 Dessa forma, entendo ao contrário do entendimento descrito no despacho de admissibilidade, entendo não deve ser dado seguimento em relação a matéria "qualificação da multa. Isto posto, passemos a apreciar os argumentos de mérito em relação a matéria "decadência". Do mérito Decadência do lançamento tributário Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que deseja ver provido seu recurso afastando a decadência integral do lançamento verificada pela turma recorrida. Segundo a Recorrente, no caso em tela não houve recolhimento do tributo, o que afasta a contagem do prazo decadencial pela regra esculpida no artigo 150, § 4º do CTN. Alega ainda que a decisão vergastada divergiu de outras decisões prolatadas por turmas distintas do colegiado que entenderam que a contagem do prazo decadencial deve ser realizada nos termos prescritos pelo inciso I do artigo 173 no caso do imposto sobre a renda da pessoa física. Com o devido perdão pela repetição, que faremos por amor à clareza, observemos novamente os argumentos da Procuradoria: "Acórdão 10246355 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA O "DIES A QUO" É ESTABELECIDO PELO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extingue se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). (...) A propósito, consignase que os rendimentos omitidos, ou seja, que não foram declarados, por não integrarem a atividade do contribuinte de apuração do imposto de renda pessoa física (IRPF) informada ao Fisco mediante a entrega da Declaração de Ajuste Anual e nem terem sido objeto de pagamento antecipado, não estão abrangidos pelo lançamento por homologação (CTN, art. 150, § 4o), porque não há o que homologar, pois a atividade do contribuinte informada ao Fisco não abrange os rendimentos omitidos. Se assim não fosse, teríamos que admitir que bastaria o contribuinte declarar R$ 1,00 para homologar tacitamente quaisquer rendimentos omitidos do Fisco Ora, consoante a linha de interpretação adotada pelo acórdão paradigma, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173,1 do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°, como ficara decido no aresto recorrido. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 No caso em tela, verificada a ausência de pagamento, deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173,1, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Entendo equivocada a interpretação trazida pelo recorrente em seu recurso e nas decisões desse Conselho transcritas. Vejamos. O artigo 150 do Codex Tributário é claro em asseverar que, nos tributos nos quais a lei determine ao sujeito passivo a antecipação do pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, chamado de lançamento por homologação, se a lei não fixar prazo para essa homologação, ele será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovado fraude, dolo ou simulação. Esse é o caso do imposto sobre a renda da pessoa física. A posição do STJ é unânime sobre a matéria e o Acórdão AgRg no AREsp 252942/PE abaixo reproduzido, de lavra do Ministro Herman Benajmin, de 06/06/2013, promulgado pela Segunda Turma em caso análogo ao que aqui se analisa, com clareza, reforça o acima dito: "TRIBUTÁRIO. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS. SÚMULA 7/STJ. DISPOSITIVOS LEGAIS IMPERTINENTES. SÚMULA 284/STF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I, DO CPC. 1. Cuidase, originariamente, de Ação Anulatória que pretende desconstituir lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto relativo a 1994 e 1995. 2. Não está configurada a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal local julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 3. O Tribunal a quo, mediante análise da prova documental produzida pelo contribuinte, concluiu pela comprovação parcial da origem dos rendimentos tributados. A reforma de tal entendimento demanda revolvimento fáticoprobatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 4. Da mesma forma, o exame das alegadas nulidades havidas no processo administrativofiscal exigem revolvimento de prova documental, uma vez que o Tribunal a quo atestou que "os documentos acostados aos autos demonstram que, ao demandante, foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, nas diversas fases do processo administrativo, tendo sido devidamente observadas as formalidades do Decreto 70.235/72" (fl. 592). 5. Os arts. 333, I, do CPC e 204 do CTN que disciplinam o ônus da prova e a presunção de certeza e liquidez da CDA não possuem carga normativa suficiente para amparar a tese da Fazenda Nacional, no sentido da necessidade de averbação do Fl. 671DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 10 17 contrato na matrícula do imóvel. Incide, por analogia, a Súmula 284/STF. 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos." (destacamos) Nesse mesmo sentido, da contagem do prazo decadencial pela regra constante no artigo 150, § 4º, do CTN para o imposto sobre a renda da pessoa física, no caso da existência de pagamento, observase a decisão do Ministro Mauro Campbell no REsp 1239470/RS, julgado em 13/08/2013, também pela Segunda Turma do STJ: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE ACERCA DA GLOSA DE SUA DECLARAÇÃO, O QUE LEVOU À RESTITUIÇÃO APENAS DE PARTE DO VALOR DO IMPOSTO A RESTITUIR INFORMADO EM SUA DECLARAÇÃO. 1. Não procede a alegada ofensa ao art. 535 do CPC. É que o Poder Judiciário não está obrigado a emitir expresso juízo de valor a respeito de todos os argumentos invocados pelas partes, bastando fazer uso de fundamentação adequada e suficiente, ainda que não espelhe qualquer das teses invocadas, o que restou atendido pelo Tribunal de origem. 2. Quanto ao prazo decadencial, o termo final para a revisão do lançamento é o mesmo previsto para o lançamento revisado, consoante dispõe o parágrafo único do art. 149 do CTN. Especificamente na hipótese de imposto de renda das pessoas físicas com saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, o termo final do prazo decadencial para a revisão da declaração ocorre cinco anos após o fato gerador, nos termos dos arts. 149 e 150, caput e § 4º, do CTN. Logo, o Tribunal de origem decidiu com acerto quando proclamou que, tendo já se passado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, sem qualquer notícia de lavratura de Fl. 672DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 auto de infração ou notificação de lançamento complementar, a Fazenda decaiu do direito de revisar a declaração do contribuinte, devendo a este restituir a integralidade do saldo a restituir do imposto apurado na declaração. 3. Recurso especial não provido." (destacamos) Do exposto, e consoante o entendimento do STJ, temos que sendo o imposto sobre a renda da pessoa física, sujeito ao pagamento antecipado pelo contribuinte sem prévio exame da autoridade administrativa, podemos afirmar que a contagem do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento tributário deve ser realizada a partir do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro do ano calendário, sempre que houver pagamento a título de imposto sobre a renda do contribuinte e não se comprovar fraude, dolo ou simulação. Essa regra geral deixa de ser aplicada nos casos em que não há pagamento, ao menos parcial, do imposto sobre a renda devido no ano calendário ou quando, comprovadamente, verificouse a existência de fraude, dolo ou simulação. Assim, no caso em análise, devemos, com o fito de verificar a procedência dos argumentos da Procuradoria, determinar a inexistência de pagamento ou a comprovação da ocorrência de fraude dolo ou simulação. Quanto ao primeiro requisito, existência de pagamento, ainda que parcial, podemos observar pelas DAA anexadas aos autos, em especial pela constante da página 266, que houve pagamento do imposto no exercício 2001, referente ao ano calendário 2000. Não obstante, nos restaria, verificar a comprovação de fraude, dolo ou simulação. Impende realçar que tal análise foi realizada pela turma recorrida e a essa matéria não foi dado seguimento ao recurso especial, pela ausência de demonstração de divergência, razão pela qual não nos compete reapreciar a questão. Observase no voto condutor da decisão, que a Conselheira Relatora analise todas as situações ensejadoras das condutas reprovadas pela lei tributária no caso concreto, concluindo pela inexistência da comprovação das condutas reprováveis no agir da contribuinte. Recordemos sua conclusão (fls 566): "Como dito pelo agente fiscal, a autuada omitiu em suas declarações de ajuste anual os rendimentos caracterizados pelos depósitos em suas contas bancárias cuja origem não foi comprovada. Data vénia, não foi especificada uma ação ou omissão dolosa visando a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda. Em tais casos, é primordial explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do sujeito passivo. Concessa vénia, exagerase ao afirmar que qualquer pagamento a menor de imposto é sonegação. Devese distinguir a falta de pagamento inadimplência fiscal do ato de sonegar, que é a intenção deliberada de fraudar a apuração do imposto devido. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19647.006899/200609 Acórdão n.º 9202003.903 CSRFT2 Fl. 11 19 (...) Com efeito, na espécie, não tendo a fiscalização demonstrado a existência de dolo por parte do contribuinte em relação às infrações apuradas, nas condições impostas pela norma legal, descabe a qualificação da multa de ofício em 150%, devendo ser reduzida para 75%, nos termos do artigo 44,1, da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, em não se configurando a fraude, o dolo ou a simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar tomandose os mandamentos do artigo 150, § 4 o do CTN, tendose por dies a quo para a contagem do prazo decadencial o dia 31 de dezembro do ano calendário em que foi apurada a infração fiscal." Tendo sido afastada a situação de dolo, fraude ou simulação pela turma a quo e existindo recolhimento antecipado à título de IRPF, não há como adotar outro posicionamento, senão a aplicação da decadência a luz do art. 150, §4º do CTN. Em conclusão, por todo o exposto, forçoso reconhecer que a contagem do prazo decadencial para o lançamento tributário que aqui se analisa deve seguir as determinações do artigo 150, § 4º, ou seja, cinco anos a partir do fato gerador. Sendo o momento de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda os instantes finais do dia 31 de dezembro do ano calendário, temos que tal o fato imponível para o lançamento em curso se deu no dia 31 de dezembro de 2000. Assim, o Fisco perdeu seu direito de constituir o crédito tributário relativo ao imposto sobre a renda em 01 de janeiro de 2006, o que nos obriga a reconhecer a decadência do crédito tributário lançado em 11 de agosto de 2006. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10166.725006/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível.
MULTA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/1991, incluindo a penalidade.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não atendidas às condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, além dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CONSCIÊNCIA DA CONDUTA PRATICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA MANTIDA.
Quando restar comprovado nos autos que a contribuinte tinha pleno conhecimento de que os valores que se julgava credora estavam sendo discutidos em ações judiciais, cuja origem era duvidosa, deve-se manter a multa isolada, já que a falsidade se caracteriza pela consciência, por parte do agente, da irregularidade de sua conduta.
Numero da decisão: 2201-003.205
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cláudio Farag, OAB/DF nº 14.005.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível. MULTA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/1991, incluindo a penalidade. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Não atendidas às condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, além dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CONSCIÊNCIA DA CONDUTA PRATICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA MANTIDA. Quando restar comprovado nos autos que a contribuinte tinha pleno conhecimento de que os valores que se julgava credora estavam sendo discutidos em ações judiciais, cuja origem era duvidosa, devese manter a multa isolada, já que a falsidade se caracteriza pela consciência, por parte do agente, da irregularidade de sua conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 50 06 /2 01 3- 87 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cláudio Farag, OAB/DF nº 14.005. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo a contribuições devidas à seguridade social, abrangendo o período de 02/2011 a 13/2012, consubstanciado no Auto de Infração, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor R$ 14.271.134,95. A fiscalização apurou glosa de compensações indevidas e, consequentemente, aplicou a multa isolada por falsidade na declaração. O Auto de Infração é composto pelos seguintes levantamentos: GL – GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA, debcad nº 51.012.1586, contendo contribuições glosadas, decorrentes de compensações indevidamente declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). MI – MULTA ISOLADA, debcad nº 51.012.1608, contendo a multa por falsidade da declaração (150%), sobre os valores indevidamente compensados. De acordo com a autoridade de primeira instância, o procedimento fiscal ocorreu em razão: ... das compensações efetuadas nas GFIP da autuada decorreram de alegados direitos creditórios junto ao INSS, adquiridos por meio de escrituras públicas de cessão de direitos (de 27/01/2011) das empresas INVESTPLAN AGROINDUSTRIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A e NEW STYLLUS SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS Ltda, os quais foram Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 991 3 originariamente obtidos da empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS Ltda; tudo de acordo com sentença transitada em julgado na Ação Ordinária n.º 94.00493690, da 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, utilizandoos para compensar as contribuições previdenciárias nas GFIP do período de 02/2011 a 13/2012. Segundo a fiscalização, não há na legislação tributária a possibilidade de aproveitamento de créditos de outro sujeito passivo para a compensação de contribuições previdenciárias. Ainda, a autuada (DISBRAVE) já havia protocolizado junto à Receita Federal do Brasil (RFB) processos de Declaração de Compensação (Dcomp), para compensar tributos fazendários, utilizando como suposta origem dos créditos a escritura pública datada de 27/01/2011; para os quais foram emitidos, em 23/05/2011, Despachos Decisórios (DD) indeferindo os pedidos e considerando as compensações “não declaradas”. Destaca que já foi autuada antes, no processo n.º 10166.728777/201164, DEBCAD 37.359.6693), pelos mesmos motivos expostos, já que baseou suas compensações em várias escrituras públicas semelhantes, com supostos créditos advindos da mesma ação judicial, a qual ainda tramita na Justiça do Rio de Janeiro, com risco de nulidade dos atos processuais praticados pela SERVPORT. Assim, foram glosados os valores indevidamente compensados, já que tal compensação realizouse em desacordo com a legislação (art. 170 do CTN, art. 89 da Lei nº 8.212/91 e art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 (DOU de 21/11/2012). Sobre os valores compensados indevidamente, foi aplicada a multa de mora prevista no § 9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91 (0,33% ao dia, limitado a 20%), com redação pela Medida Provisória (MP) nº 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Foi ainda lançada a multa isolada prevista no art. 89 e § 10 da Lei nº 8.212/91, em decorrência de falsidade na declaração, por ter inserido na GFIP créditos inexistentes, relacionados à compensação a que não teria direito; e da qual já teria sido informado, em vários despachos decisórios e até mesmo autuações de empresas do grupo. Os valores apurados das glosas de compensações e da multa isolada estão demonstrados, por estabelecimento, no relatório Discriminativo do Débito (DD), anexo ao AI. Os juros e multas aplicados sobre o presente crédito e a legislação correspondente estão discriminados no DD e no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD). Também constam os fundamentos legais das contribuições exigidas. O Relatório Fiscal menciona a sujeição passiva solidária em relação ao crédito apurado, com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, identificando as empresas componentes (em número de sete) do grupo econômico, juntamente com a autuada – Distribuidora Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Brasília de Veículos S/A – o GRUPO DISBRAVE, assim considerado pelas próprias empresas. Destaca as circunstâncias motivadoras da configuração: similaridade de pessoas no quadro societário, existência de empresa controladora (a autuada), mesmo endereço comercial e cadastral, atividades comerciais relacionadas (venda, aluguel, financiamento, corretagem de seguros, consórcios para aquisição etc), e a estrutura administrativa apresentada no sítio www.disbrave.com.br, na internet. Foram anexadas cópias de: procuração, contrato social e alterações, escrituras públicas de cessão de direitos creditórios, tela de internet com a estrutura administrativa do grupo econômico, planilhas de compensação, Despachos Decisórios (DD), termos de sujeição passiva solidária, dentre outros. Cientificadas do lançamento, a interessada e as responsáveis solidárias apresentaram impugnação única, alegando, conforme se extrai do relatório da autoridade recorrida, verbis: Da consulta anterior ao INSS que consultou a Arrecadação do INSS em São Paulo, onde estavam habilitados os créditos tributários da cedente, atestando a regularidade do procedimento de compensação. Do cerceamento de defesa e da violação do contraditório que os documentos comprobatórios de seus direitos créditos foram mostrados à fiscalização, e omitidos ou desconsiderados por esta na formalização do AI, acarretando cerceamento de defesa e violação do contraditório; pelo que deve ser julgado nulo. Dos créditos adquiridos da SERVPORT, oriunda da ação judicial n.º 94.00493690 e da compensação realizada em extenso arrazoado, alega que detém o crédito cedido por meio de escritura pública, oriundo do processo judicial n.º 94.00493690 da 24.ª Vara Federal do Rio de JaneiroRJ, cuja cedente e titular daquela ação judicial é a empresa Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda, com sentença transitada em julgado, possibilitando o direito de transferir a terceiros. que a cessão de créditos deuse mediante instrumento público, conferindo à DISBRAVE a legítima propriedade e subrogação naqueles, estando a compensação amparada no art. 368 do Código Civil/2002. que compensou os créditos adquiridos segundo o CTN (art. 170A), ou seja, após o trânsito em julgado. que realizou compensações previdenciárias anteriormente, todas oriundas do mesmo crédito (AI nº 10166.728777/201164, debcad nº 37.359.6693), tendo sido todas glosadas pelo Fisco, conforme já mencionado no Relatório Fiscal, pelo que pede a reconsideração daquela decisão, haja vista a consulta e autorização do INSS para as referidas compensações. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 992 5 que são improcedentes os AI, requerendo a validade da compensação. Dos vínculos – solidariedade que o Fisco não pode solidarizar pessoas e dirigentes com base no art. 134 e 135 do CTN sem o trânsito em julgado do processo administrativo. que no rol dos vínculos do AI consta o nome do Contador (Sr. Lindomar Ferreira Gomes) e o Sr. Yoshime Suguieda; o primeiro contador contratado, e o segundo é procurador do fundador do grupo. Ambos devem ser retirados da responsabilidade solidária e do relatório de vínculos. Da multa isolada de 150% da falsidade que não ocorreu falsidade na declaração (GFIP), pois os créditos são verdadeiros e decorrem de negócios jurídicos privados e válidos e de decisão judicial. Não ocorreu fraude. A falsidade na declaração deve ser provada e não presumida. Pede a improcedência da multa. Da duplicidade na aplicação da multa isolada que a aplicação da multa Isolada (art. 89 e § 10º da Lei nº 8.212/91) conjuntamente com a multa de ofício do art. 35, I, II e III da Lei nº 8.212/91 é inconcebível (junta jurisprudência administrativa). Da representação Fiscal para Fins Penais – RFFP que ficou comprovado a inocorrência de falsidade na declaração, pelo que não se pode tipificar qualquer conduta praticada contra a ordem tributária. Deve ser arquivada a RFFP. Da juntada de documentos, oitiva de testemunhas, depoimento pessoal e perícia. requer, genericamente, a juntada de documentos, oitiva de testemunhas, depoimento pessoal e perícia. Documentos anexados aos autos pelo contribuinte: cópias de procuração, atas, de contrato social e alterações, de decisões judiciais e de certidões, e de escritura de cessão de direitos, dentre outros. A 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo, em que é oferecida plena oportunidade de contraditar a imputação fiscal somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida, Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 e amplamente exercida pela autuada esta oportunidade de defesa, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa e violação do contraditório. COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. LIMITES E CONDIÇÕES. CESSÃO DE CRÉDITOS. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. FALTA DE LIQUIDEZ. INADMISSIBILIDADE. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo é ressarcido das próprias contribuições recolhidas ou pagas indevidamente, deduzindoas das contribuições devidas à Previdência Social. Pode a lei editada pela pessoa política competente estabelecer limites e condições ao seu exercício. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos adquiridos de terceiros, através da cessão de direitos creditórios, mormente quando parte deles ainda se encontra pendente de liquidação na esfera judicial. A aquisição de créditos ilíquidos e incertos junto a terceiros não autoriza a adquirente deixar de recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração paga a trabalhadores empregados e autônomos a seu serviço, sob o argumento de que houve compensação. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LEGALIDADE. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO (150%). FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONDUTA DOLOSA E REITERADA. COMPROVAÇÃO. DUPLICIDADE DE PENALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Sobre os valores compensados indevidamente, e glosados pela fiscalização, deve incidir a multa de mora disposta no § 9.º do art. 89 da Lei n.º 8.212/91, limitada a 20%, nos exatos termos da legislação vigente, com redação da MP n.º 449/2008 lei n.º 11.941/2009. Diante da comprovação nos autos de que os créditos a serem compensados, declarados nas GFIP durante vasto período de tempo, eram de origem duvidosa (jurídica e materialmente) e já submetidos anteriormente a vários procedimentos de compensação administrativa todos sem sucesso, podese concluir que não são correspondentes à realidade fáticojurídica que permeia a situação, além de representar uma conduta marcada pela intencionalidade e persistência, tornase cabível a aplicação da multa isolada no percentual de 150% prevista no § 10 do referido art. 89, devendo ser esta mantida da autuação. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 993 7 A cominação dessas duas multas cada qual com sua tipicidade específica na legislação não caracteriza a duplicidade de penalização alegada. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a legalidade ou constitucionalidade de atos normativo com plena vigência. DIRETOR E CONTADOR. PESSOAS FÍSICAS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. MENÇÃO INFORMATIVA. AUSÊNCIA DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A menção a pessoas físicas na condição de diretor ou contador da autuada tem finalidade meramente informativa e não implica a atribuição de responsabilidade tributária a elas, já que o Auto de Infração foi lançado unicamente contra a pessoa jurídica (empresa). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP) . DEVER FUNCIONAL. LEGALIDADE. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), dirigida a autoridade competente, constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo, no julgamento administrativo, a apreciação do conteúdo dessa peça enviada às autoridades competentes. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. PERÍCIA E PROVA TESTEMUNHAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções previstas legalmente. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia formulados pela impugnante, quando não atendidos os requisitos legais ou ainda quando desnecessários para se formar a convicção acerca dos fatos e motivos do lançamento. Deve ser afastado o pedido de tomada de depoimento pessoal ou oitiva de testemunhas por não haver, no rito do Decreto n.º 70.235/72, previsão para esse tipo de instrução e quando os elementos constantes dos autos fazemse suficientes para a livre formação de convicção e entendimento. Caso imprescindível ou de relevância para o julgamento, deveriam ser reduzidos a termo e juntados no prazo legal para a impugnação. Impugnação Improcedente Intimadas da decisão de primeira instância (fls. 460/475), a autuada e as responsáveis solidárias apresentaram, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 476/625), Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação, conforme se observa do pedido formulado, verbis: DOS PEDIDOS Requer, cumulativamente e alternativamente: a) O conhecimento do recurso por ser tempestivo; b) Que seja anulado o auto de infração em razão da violação à coisa julgada; c) Que seja anulado o auto de infração por vicio material em face da violação ao direito de defesa que determina a validade da cessão à luz do código civil; d) Que seja anulado o auto de infração por vicio formal, facultando a devida produção de provas; e) Que seja reduzida a multa qualificada pela inexistência de dolo, nos termos de procedentes do CARF e ainda pelo fato e que não se pode negar a boa fé de um contribuinte que atua amparado por decisões judiciais. f) Que em que pese a súmula 28 do CARF que seja reconhecida a inexistência de dolo e de qualquer violação de Índole criminal; g) Que seja retirada a solidariedade pela violação ao art. 124 do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, tratase de lançamento relativo à glosa de contribuições decorrentes de compensações indevidamente declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), além de multa isolada de 150%, calculado sobre os valores indevidamente compensados. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelos recorrentes. No que tange ao pedido de nulidade, em razão de violação da coisa julgada, entendo que a matéria se confunde com o mérito e com ele será tratada. Quanto à alegação de nulidade do auto de infração, por vicio formal, penso que o argumento é estéril e não merece prosperar. Analisando detidamente o lançamento, não se constatam inexatidões, incorreções, omissões ou qualquer insuficiência de forma ou conteúdo, portanto a exigência fiscal levada a efeito encontrase alicerçada nos preceitos legais, Fl. 647DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 994 9 o que confere liquidez e certeza ao crédito tributário apurado. Verificase, também, que a recorrente ao questionar a autuação, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciada no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, jurisprudência do CARF. Portanto, não se identifica no lançamento qualquer vício que possa prejudicar o direito de defesa da autuada. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, devese rejeitar a preliminar suscitada. Em relação ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as consideradas prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972). Os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pela interessada. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. A esse respeito escreveu o Professor Marcos Vinicius Neder na importante obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Ed. Dialética, pág. 210: Como já dissemos, a perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se, justificadamente, entendê la desnecessária, não acolher o pedido formulado pelo interessado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demande juízo técnico. Verificase que, dificilmente, as autoridades de primeira instância têm se curvado aos pedidos formulados pelos contribuintes sob a alegação de ser desnecessária. Já nos Conselhos de Contribuintes, com certa freqüência, admitese a descida dos autos para a realização de diligências, como meio de melhor apuração da verdade material. De qualquer forma, o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadorajulgadora, sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão, sobretudo quando os autos demonstram a sua prescindibilidade. No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. Portanto, relativamente ao pedido de diligência, acompanho integralmente a decisão recorrida no sentido de que sua realização revela prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Relativamente à alegação de que a autoridade fiscal não poderia imputar ao grupo econômico qualquer solidariedade, verificase que a sujeição passiva solidária foi constituída em relação ao crédito apurado, com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 30, IX, da Lei nº 8.212/1991, identificando as empresas componentes do grupo econômico, juntamente com a autuada (Distribuidora Brasília de Veículos S/A – o GRUPO DISBRAVE). Nesse passo, constatase que as circunstâncias motivadoras da configuração são: similaridade de pessoas no quadro societário, existência de empresa controladora (a autuada), mesmo endereço comercial e cadastral, atividades comerciais relacionadas (venda, aluguel, financiamento, corretagem de seguros, consórcios para aquisição etc), e a estrutura administrativa apresentada no sítio www.disbrave.com.br, na internet. Com efeito, o inciso IX do art. 30 a Lei nº 8.212/1991 descreve solidariedade em razão da existência de grupo econômico: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Em razão dos fatos narrados pela autoridade fiscal, verificase que a recorrente se enquadra, perfeitamente, nos requisitos definidos pela legislação e, consequentemente, aplicável à espécie o inciso II do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Portanto, correto o procedimento efetuado pela autoridade fiscal. No mérito, verificase que as compensações efetuadas nas GFIP da autuada decorreram de alegados direitos creditórios junto ao INSS, adquiridos por meio de escrituras públicas de cessão de direitos das empresas INVESTPLAN AGROINDUSTRIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A e NEW STYLLUS SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS Ltda, os quais foram originariamente obtidos da empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS Ltda; tudo de acordo com sentença transitada em julgado na Ação Ordinária n.º 94.0049369 0, da 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, utilizandoos para compensar as contribuições previdenciárias nas GFIP do período de 02/2011 a 13/2012. De início, cumpre transcrever a pesquisa efetuada pela autoridade recorrida que identificou inúmeros incidentes/inconsistências processuais demonstrando a falta de certeza e liquidez do direito creditório: ... o desfecho judicial ainda se encontra totalmente indefinido, mormente quanto ao valor e à própria existência do crédito tributário negociado e posto à compensação tributária. Seguemse transcrições dos últimos despachos e decisões da 24ª Vara Federal (RJ), proferidas no curso de tais ações judiciais: 004936904.1994.4.02.5101 Número antigo: 94.00493690 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 995 11 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 19/12/1994 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: EURICO SAD MATHIAS REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTROS 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Juiz Despacho: ALFREDO DE ALMEIDA LOPES DistribuiçãoSorteio Automático em 09/01/1995 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Juiz(a) ALFREDO DE ALMEIDA LOPES em 12/11/2009 para Despacho SEM LIMINAR por JRJIBZ Conforme nos autos do processo nº. 2006.51.01.0087400, exposto às fls. 6965/6966, existem fundadas dúvidas quanto à identidade dos verdadeiros representantes legais da empresa SERVPORT, autora do presente feito. Isto posto, suspendase o feito até que seja definido, por decisão judicial transitada em julgado, quem são os verdadeiros responsáveis legais da autora, de modo que possa ser avaliada a validade das diversas cessões de créditos noticiadas nos autos. Edição disponibilizada em: 16/07/2010 Data formal de publicação: 19/07/2010 Prazos processuais a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação. Conforme parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei 11.419/2006 (...) 004936904.1994.4.02.5101 Número antigo: 94.00493690 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 19/12/1994 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: EURICO SAD MATHIAS REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTROS 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Juiz Despacho: RODRIGO GASPAR DE MELLO Distribuição Sorteio Automático em 09/01/1995 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Juiz(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 15/05/2012 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Fls.7260. Defiro a vista requerida pela Procuradoria da Fazendas Nacional, por 15 (quinze) dias. Após, retornem conclusos. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Registro do Sistema em 15/06/2012 por JRJPMR. (...) 004936904.1994.4.02.5101 Número antigo: 94.00493690 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 19/12/1994 Consulta Realizada em 06/03/2014 às 10:54 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS Ltda ADVOGADO: EURICO SAD MATHIAS REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTROS 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Magistrado(a) THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO DistribuiçãoSorteio Automático em 09/01/1995 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Processo suspenso a partir de 19/09/2013 Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIÁRIAS Concluso ao Magistrado(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 08/08/2012 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Cumprase a decisão proferida ás fls. 6700/6701, desentranhandose e juntandose por linha as petições de cessão de crédito, a saber: Fls.7.116/7.189, Fls.7.198/7.210, Fls.7.246/7.250, Fls.7.278/7.322, Após, suspendase o feito tendo em vista a tramitação do Processo nº 2006.51.01.0087400. P.I. Edição disponibilizada em: 15/08/2013 Data formal de publicação: 16/08/2013 Prazos processuais a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação. Conforme parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei 11.419/2006 (...) 000874065.2006.4.02.5101 Número antigo: 2006.51.01.0087400 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 05/04/2006 AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTRO 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Juiz Despacho: ALFREDO DE ALMEIDA LOPES Distribuição por Dependência em 06/04/2006 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Juiz(a) ALFREDO DE ALMEIDA LOPES em 27/02/2012 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Fl. 651DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 996 13 1) Fls.1288/1292. Conforme acórdão proferido pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nos autos das apelações cíveis nº 2008.001.45473, 2008.001.45442, 2008.001.45413 e 45460, ( fls. 7219/7236 do Proc. nº 94.00493690), que deverão ser trasladadas para estes autos, restou decidido que o legítimo representante da Autora, Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda é o Sr. Haylton Bassini. Portanto, mister se faz que a parte Autora indique objetivamente quais as cessões que não foram firmadas pelos legítimos proprietários apontando em quais folhas as mesmas se encontram juntadas. Atendido, procedase ao desentranhamento das mesmas juntandose por linha para posterior devolução aos cessionários, mediante recibo nos autos. Quanto às cessões que foram firmadas pelos legítimos representantes da empresa, deverão também ser desentranhadas e apensadas por linha em volume em como já determinado às fls. 372, para evitar tumulto processual. 2)Conforme se depreende do título judicial a liquidação deverá ser feita na modalidade de arbitramento, razão pela qual, não se tendo até o momento elementos que comprovem que a Autora é detentora de créditos a compensar perante o Fisco, não há que se cogitar em convalidar ou ratificar as operações de cessões. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional às fls. 1300/1301 informa que a empresa autora já não detinha mais crédito junto ao INSS desde 01/03/2000. 3)Anotese no rosto dos autos as seguintes penhoras/reserva de crédito: Fls.255.18ª Vara Cível do RJ, no valor de R$2.968.337,00 Fls.300 45º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$32.321,81 Fls.301 61ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$442,19 Fls.303 2ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$2.376,30 Fls.306 68º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$56.293,28 Fls.310 35º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$23.994,67 Fls.337 45º Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$7.596,04 Fls.380 47ª Vara do Trabalho/RJ, no valore de R$17.607,23 Fls.684 8ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$37.800,00 Fls.1076 2ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$23.099,63 Fls.1079 45ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$41.399,77 Fls.1083 49ª Vara do Trabalho/RJ , no valor de R$9.236,59 Fls.1086 3ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$3.453,976,07 Fls.1103 17ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$16.927,32 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fls.1104 42ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$39.283,02 Fls.1105 17ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$16.927,32 Fls.1107 42ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$39.283,02 Fls.1109 45ª Vara do Trabalho/RJ, no valor de R$41.399,77 Fls.1273 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$141.147,29 Fls.1274 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$43.014,52 Fls.1275 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$10.653.852,14 Fls.1276 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$466.378,83 Fls.1277 1ª Vara Federal de Execuções Fiscais, no valor de R$3.554.411,54 Dêse ciência à PFN. Publiquese . Intimese. Edição disponibilizada em: 07/02/2013 Data formal de publicação: 18/02/2013 Prazos processuais a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação. Conforme parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei 11.419/2006 Em decorrência os autos foram remetidos para Procuradoria da Fazenda por motivo de Vista A contar de 14/05/2013 pelo prazo de 10 Dias (Simples). Disponibilizado em 14/05/2013 por JRJPMR (Guia 2013.000021) e entregue em 14/05/2013 por JRJJSD Disponível para Autor por motivo de Vista A contar de 18/02/2013 pelo prazo de 10 Dias (Simples). Localização atual: 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro (...) 000874065.2006.4.02.5101 Número antigo: 2006.51.01.008740 0 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 05/04/2006 – AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTRO 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Magistrado(a) THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Distribuição por Dependência em 06/04/2006 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Magistrado(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 15/08/2013 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Anotese as reservas de crédito solicitadas pelos doutos Juízos da 2ª Vara de Família da Barra da Tijuca nos autos do Processo Fl. 653DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 997 15 nº 000991055.2010.8.19.0209 no valor de R$49.528,13 e 68ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro no Processo nº 0029700 28.2001.5.01.0068 no valor de R$36.148,36. P.I. Edição disponibilizada em: 09/09/2013 Data formal de publicação: 10/09/2013 (...) 000874065.2006.4.02.5101 Número antigo: 2006.51.01.008740 0 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Autuado em 05/04/2006 – AUTOR : SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES REU : UNIAO FEDERAL ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE E OUTRO 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Magistrado(a) THEOPHILO ANTONIO MIGUEL FILHO Distribuição por Dependência em 06/04/2006 para 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro Objetos: CONTRIBUICOES PREVIDENCIARIAS Concluso ao Magistrado(a) RODRIGO GASPAR DE MELLO em 28/11/2013 para Despacho SEM LIMINAR por JRJPMR Oficiese ao Juízo da 42ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro informando que na data de 18/06/2010 foi efetuado a penhora no rosto dos presentes autos no valor de R$39.283,02 referente ao Processo 007550060.2001.5.01.0042 conforme carta de vênia expedida naqueles autos. Edição disponibilizada em: 10/12/2013 Data formal de publicação: 11/12/2013 Inequívoco concluir, portanto, que a Autuada adquiriu crédito ilíquido, o qual, por conta disso nem ao menos em tese poderia ser utilizado na compensação de contribuições previdenciárias devidas. E mais: caso prevaleça judicialmente, na ação de liquidação da sentença supracitada, o entendimento de que a autora (Servport) já não mais detinha crédito junto ao INSS desde 01/03/2000, aliado à anotação (no rosto daqueles autos judiciais) de uma série nada desprezível de penhoras/reservas de crédito de ordem trabalhista e fiscal, tornase factível a hipótese de que os créditos são até mesmo incertos. De todo o exposto, não tem lastro legal ou judicial a compensação efetivada pela impugnante nas GFIP de 02/2011 a 13/2012. É de se julgar correta a glosa que culminou na presente Fl. 654DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 autuação, apurando e lançando os valores indevidamente compensados, com os acréscimos moratórios pertinentes. De fato, entendo que não há nos autos documentos efetivos de que as cedentes possuíam o direito líquido e certo a esses créditos. Na verdade, sequer constam as cedentes no pólo ativo do processo judicial utilizado nas compensações. Embora tenha a recorrente juntado aos autos decisão judicial a qual liberaria a autora (Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda) a negociar livremente os créditos, entendo que não há como afirmar, com segurança absoluta, que de fato tais créditos existia e/ou que não foram consumidos em razão de penhoras/reservas de crédito de ordem trabalhista e fiscal. Não se pode perde de vista que a cessão de crédito é perfeitamente possível; entretanto, ainda que os créditos fossem líquidos, por falta de previsão legal, não há como compensar os débitos ou tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com crédito de terceiros. Ante a esses argumentos, devese manter a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. Quanto à aplicação da multa isolada de 150%, entendo que também deve ser mantida. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado, consoante dispõe o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (g. n.) In casu, penso que não é razoável entender que a contribuinte ignorava o fato de que os valores que se julgava credora (de origem duvidosa, digase), estavam sendo discutidos em ações judiciais. Da mesma forma, também não é razoável entender que a contribuinte, quando da compensação, desconhecia que não havia elementos que comprovavam que a Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda detinha créditos a compensar com o fisco. Ademais, como bem pontuou a autoridade recorrida, “a autuada, na condição de adquirente (cessionária) desses supostos créditos, já havia sido informada, em diversos procedimentos administrativos (incluindo Autos de Infração), a respeito da inservibilidade dos referidos créditos para compensações no âmbito tributário e, ainda assim, persistiu em declarálos em GFIP, no intuito de compensálos com as contribuições previdenciárias”. Além do mais, como é de conhecimento geral, a suposta titular dos créditos, SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS Ltda; cedeu para incontáveis empresas os créditos tidos como líquidos pela recorrente. Na verdade, quem adquiriu os supostos créditos, sabia o que estava comprando. Tal ação se choca com o princípio da presunção da inocência. Assim, entendo que a falsidade na compensação se consumou, já que o comprador do suposto crédito, no caso, a recorrente, pretendeu utilizar valores de origem duvidosa para amortizar débitos previdenciários, em flagrante ofensa as normas que regem a matéria. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.725006/201387 Acórdão n.º 2201003.205 S2C2T1 Fl. 998 17 Corroborando, em recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais restou firme o entendimento de que a multa isolada deve ser mantida quando comprovada a consciência do sujeito passivo da impossibilidade da compensação realizada. Transcrevese o Acórdão nº 9202003.929, de 12/04/2016: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMPENSAÇÃO REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CRÉDITOS DE TERCEIROS A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, desde que observados os requisitos legais inscritos na legislação de regência, a qual impossibilita a utilização de créditos de terceiros para tal fim. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação, sendo aplicável multa no caso de falsidade. O conceito de falsidade não se confunde com o conceito de fraude, sonegação ou conluio. Fraude, sonegação e conluio somente ficam caracterizados quando se comprova procedimento tendente a prejudicar o conhecimento do fato pela autoridade fazendária, alterar as características do fato gerador, inclusive com ajuste doloso entre pessoas. A falsidade, por seu turno, se caracteriza quando se comprova a consciência por parte do agente da irregularidade de sua conduta. Hipótese em que restou comprovada a consciência do sujeito passivo da impossibilidade da compensação conforme realizada. Recurso especial provido. Isso posto, entendo que não há como afastar a penalidade isolada imposta pela autoridade autuante. Por fim, alega a suplicante que em razão da ausência de falsidade na declaração, a representação penal deve ser arquivada. No que tange ao pedido supra, impende registrar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme dispõe a Súmula nº 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 656DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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