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Numero do processo: 10920.001407/2003-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde o julgamento definitivo do processo nº 10920.001611/2002-17, retornando os autos para julgamento com a informação das decisões nele proferidas.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente SCHULZ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde o julgamento definitivo do processo nº 10920.001611/2002 17, retornando os autos para julgamento com a informação das decisões nele proferidas. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 01 40 7/ 20 03 -8 7 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10920.001407/200387 Resolução nº 1102000.313 S1C1T2 Fl. 204 2 Tratase de recurso voluntário interposto por SCHULZ S/A contra acórdão proferido pela DRJ/Curitiba que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002. Do despacho decisório da unidade de origem, DRF/JoinvilleSC, destaco os seguintes trechos: Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação (fls. 01/02), apresentada pelo contribuinte acima identificado na data de 14/05/2003, na qual informa a utilização de créditos originados de saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, apurados no anocalendário de 2002, nos montantes respectivos de R$ 1.070.284,47 (um milhão, setenta mil, duzentos e oitenta e quatro reais e quarenta e sete centavos) e R$ 614.235,29 (seiscentos e quatorze mil, duzentos e trinta e cinco reais e vinte e nove centavos), na compensação de débitos de IRPJ e CSLL (códigos 2362 e 2484, respectivamente), períodos de apuração 01/03 a 03/03, no valor originário total de R$ 645.461,66. Em 05/07/2004, o contribuinte foi intimado (fls. 38/39) a esclarecer a composição do montante indicado na linha 35 da Ficha 09A da DIPJ/2003, a titulo de Outras Exclusões ao lucro liquido, de R$ 7.109.429,77, informando, então, na data de 27/07/2004 (fls. 68/69), serem estas exclusões atinentes a ganho de causa conquistado no processo judicial n° 94.01033072, com trânsito em julgado em 2002, em contrapartida a adições ao lucro liquido efetuadas no anocalendário de 2000, no valor correspondente aos débitos inseridos no parcelamento alternativo ao REFIS, débitos esses lançados por meio dos processos nos 10920.001692/9916, 10920.001693/9989, 10920.000453/0045 e 10920.000454/0016. Tais esclarecimentos foram complementados na data de 14/09/2004 (fls. 70/96), com as seguintes informações: a) a adição indicada na linha 22 da Ficha 09A da DIPJ/2001, no montante de R$ 7.924.022,36, referese a valores indedutíveis incluídos na linha 36 da Ficha 06A (Outras Despesas Financeiras); b) a exclusão indicada na linha 35 da Ficha 09A da DIPJ/2003, no montante de R$ 7.109.429,77, corresponde à parte do valor anteriormente adicionado, integrando, também, o valor declarado na linha 30 da Ficha 06A (Outras Receitas Operacionais). (...) Pela análise dos documentos acostados aos autos, verificase que, no ano calendário de 2002, o interessado optou pela apuração anual do lucro real (fl. 16), determinando mensalmente as bases de calculo do imposto de renda e da contribuição social por estimativa com base em balanços ou balancetes de redução ou suspensão, conforme indicado, respectivamente, nas Fichas 11 e 16 da DIPJ/2003 (fls. 19/22 e 24/27), apurando imposto/contribuição a pagar somente em relação aos meses de março e junho. Cabe aqui um pequeno parêntese, atinente à exclusão indicada na linha 35 da Ficha 09A da DIPJ/2003 (fl. 18): tendo em vista ser ela uma contrapartida de adição anteriormente efetuada, constante da D1PJ/2001, não cabe, a principio, reparo a seu respeito. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10920.001407/200387 Resolução nº 1102000.313 S1C1T2 Fl. 205 3 Em relação ao imposto de renda, o interessado efetuou o recolhimento discriminado na DCTF referente ao período de apuração 03/02 (fl. 30), o qual, confirmado na tela do sistema SINAL09 de fl. 34, perfaz a importância de R$ 159.663,08. O montante de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de aplicações financeiras, utilizado como dedução do IRPJ a pagar e listado na Ficha 43 da DIPJ/2003 (fl. 29), achase confirmado na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do beneficiário constante do sistema SIEF (fl. 36), no valor de R$ 30.070,72. A outra DCTF apresentada pelo contribuinte, concernente à estimativa de IRPJ obtida no período de apuração 06/02 (fl. 31), informa a utilização, para sua compensação, de credito pleiteado no processo administrativo de n° 10920.001611/200217, no montante de R$ 880.541,95. Quanto a contribuição social, temse que o interessado, no anocalendário de 2002, efetuou os pagamentos declarados na DCTF correspondente a março de 2002 (fl. 32), os quais achamse confirmados na tela do sistema SINAL09 de fl. 35, perfazendo, em valores originários, a importância de R$ 42.162,05. A outra DCTF entregue no decorrer do anocalendário de 2002, relativa ao período de apuração 06/02 (fl. 33) estampa a compensação sem DARF de R$ 754.364,76, para quitação de estimativa de CSLL apurada mediante balanço/balancete de redução, informando ter sido esse crédito pleiteado no âmbito do mesmo processo administrativo de no 10920.001611/200217. Ocorre que o pedido de restituição constante do processo n° 10920.001611/2002 17, indicado pelo interessado como origem do crédito utilizado nas compensações de débitos de 1RPJ e CSLL, período de apuração 06/02 inseridos na composição dos saldos negativos que ora se trata foi indeferido, conforme despacho decisório desta SAORT/DRF/Joinville (cópia as fls. 106/112), bem assim não homologadas as declarações de compensação a ele vinculadas. Da leitura do mencionado despacho decisório, verificase que o contribuinte apresentou, naquele processo, pedido de restituição, acompanhado de pedidos e declarações de compensação, referente a supostos pagamentos indevidos efetuados a titulo de parcelas do REFIS, indicando como origem de crédito pedido de revisão do saldo consolidado no âmbito desse programa de parcelamento, apresentado ao seu Comitê Gestor e protocolado sob o nº 10168.003537/200242. Argumentou, então, que a sentença transitada em julgado nos autos do processo n° 94.01033072 faria reduzir o valor dos créditos tributários de IRPJ e CSLL lançados nos processos nºs 10920.000453/0045 e 10920.000454/0016, ensejando a sua revisão (exclusão de débitos de 1RPJ e CSLL nos valores respectivos de R$ 14.811.181,39 e R$ 3.419.865,76), e que já teria pago, a titulo de amortização da divida e atualização monetária, o montante de R$ 17.550.890,98, restando, desse modo, na condição de credor junto ao referido programa. Necessário se torna salientar que o indeferimento do pleito do contribuinte tomou por base análise da situação referente à pretendida revisão dos autos de infração acima referidos, levada a efeito pela SACAT/DRF/Joinville, conforme consta do despacho decisório de fls. 106/112, (...) (...) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10920.001407/200387 Resolução nº 1102000.313 S1C1T2 Fl. 206 4 Assim sendo, os débitos indicados para compensação no bojo do processo nº 10920.001611/200217, considerada indevida, foram encaminhados para cobrança, estando, no momento, em fase de impugnação (em julgamento) perante a DRJ/Florianópolis, de acordo com telas de fls. 113/114. Portanto, as compensações efetuadas pelo interessado, relativamente ao IRPJ e CSLL, encontramse pendentes de decisão administrativa, donde se conclui que o direito creditório a elas vinculado não se reveste, ao menos por ora, das condições de liquidez e certeza essenciais ao seu reconhecimento, condições essas que lhe serão imputadas somente quando se der o seu adimplemento, por quaisquer das formas de extinção do crédito tributário. Ou seja, somente a extinção do crédito tributário, sob a forma de efetivo pagamento ou efetiva compensação, configura a hipótese textualmente referida na redação do artigo 6°, § 1º, II, da Lei n° 9.430/1996, para fins de reconhecimento de indébito tributário decorrente do confronto entre a soma das estimativas mensais e o valor do imposto/contribuição apurado na declaração de ajuste anual. Face ao exposto, tendo o contribuinte apurado, em 31/12/2002, prejuízo fiscal (linha 45 da Ficha 09A da DIPJ/2003 fl. 18), resta, em seu favor, no momento, saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 189.733,80, composto pelos créditos líquidos e certos advindos dos pagamentos efetuados e do IRRF. Em relação à CSLL, no entanto, não há, presentemente, direito creditório a ser reconhecido, posto que o crédito liquido e certo de que o contribuinte dispõe, consubstanciado nos recolhimentos a esse título efetuados, perfaz importância inferior à apurada ao final do exercício, de R$ 182.291,52, estampada na linha 36 da Ficha 17 da DIPJ/2003 (fl. 28). Diante do exposto, tendo em vista o teor do despacho decisório constante do processo n° 10920.001611/200217, proponho que seja parcialmente homologada a Declaração de Compensação de que ora se trata, ratificandose a utilização de crédito liquido e certo relativo a saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2002, no montante originário de R$ 189.733,80, mais juros SELIC, conforme art. 38, I, d, da acima mencionada instrução normativa, na compensação, até o limite desse crédito, de débitos de IRPJ (código 2362), períodos de apuração 01/03 a 07/03, e CSLL (código 2484), períodos de apuração 01/03 a 04/03, 06/03, 07/03 e 10/03, indicados nas Declarações de Compensação de fls. 01 e 40/67 (estas vinculadas ao presente processo, identificadas sob os nºs 27874.38263.130603.1.3.023607, 22423.99594.130603.1.3.030068, 04120.00428.250603.1.3.020444, 09635.64593.310703.1.3.027802, 21246.42885.310703.1.3.033097, 36493.74224.280803.1.3.032364 e 01205.58753.251103.1.3.037101) e reproduzidas nas DCTF de fls. 115/128. Em sua manifestação de inconformidade, a empresa interessada alegou que protocolou “Revisão de Ofício cumulada com Manifestação de Inconformidade” reiterando o fato de que havia manifestação judicial transitada em julgado (processo nº 94.01033072) reconhecendo a improcedência dos débitos exigidos pelos autos de infração consubstanciados nos processos nº 10920.000453/0045 e 10920.000454/0016. Ademais, havia obtido liminar no Mandado de Segurança nº 2004.72.01.0020688 para que seu direito não fosse afrontado em face da desobediência da autoridade administrativa à coisa julgada. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10920.001407/200387 Resolução nº 1102000.313 S1C1T2 Fl. 207 5 Provocada pela instância a quo, a unidade de origem informou que prestou informações à justiça sustentando ter aplicado o resultado obtido pela interessada na ação ordinária nº 94.01.033072 nos limites permitidos pela legislação tributária e dentro das técnicas contábeis. Como resultado disso, contudo, não teria havido modificação do crédito tributário formalizado nos processos administrativos nº 10920.000453/0045 e 10920.000454/0016. A 1ª Turma da já mencionada DRJ/Curitiba proferiu, então, o Acórdão nº 06 18269, de 05 de junho de 2008, por meio do qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Não se evidenciando, até o presente momento, a existência de crédito liquido e certo, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n 2 5.172, de 25 de outubro de 1966), devem ser consideradas não homologadas as compensações dele decorrentes. O voto condutor dessa decisão fundamentou sua decisão no fato de que o pedido de revisão do saldo consolidado no Refis, objeto do processo de nº 10168.003537/200242, bem como o pedido de revisão de ofício dos processos nº 10920.000453/0045 e 10920.000454/0016, foram indeferidos. Destarte, remanescia não reconhecido o crédito pleiteado no processo nº 10920.001611/200217. Nada obstante, noticiou a existência do mandado de segurança referido na manifestação de inconformidade opinando que a questão da pretensa existência do alegado crédito havia sido extrapolada do âmbito administrativo para o judicial. Inconformada, a empresa interessada apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, adverte que o processo nº 10920.001611/200217 ainda encontrase pendente de uma decisão final por parte do ente administrativo, o que automaticamente acarreta a suspensão de qualquer exigência das compensações que dele dependem. É o relatório. Voto Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10920.001407/200387 Resolução nº 1102000.313 S1C1T2 Fl. 208 6 Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator De acordo com o relato da unidade do origem, o fato que motivou a não homologação integral da compensação solicitada foi a não confirmação do pagamento dos débitos de estimativa do IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração junho/2002. Tais débitos foram incluídos em outro pedido de compensação, protocolado no processo nº 10920.001611/200217, que havia sido indeferido pela mesma unidade, a DRF/JoinvilleSC. Todavia, na época daquele relato, como ressalvado, tal indeferimento ainda não possuía o caráter definitivo porque o caso estaria ainda em fase de “impugnação (em julgamento) perante a DRJ/Florianópolis”. A situação daquele processo não se alterou com a obtenção de liminar em mandado de segurança uma vez que, no entendimento da unidade de origem, a aplicação do resultado da ação ordinária nº 94.01.033072 nos limites permitidos pela legislação tributária e dentro das técnicas não conduziria à modificação do crédito tributário formalizado nos processos administrativos nº 10920.000453/0045 e 10920.000454/0016. Essa modificação seria a razão da existência do crédito indicado para a compensação pleiteada no processo nº 10920.001611/200217. Como a situação do indeferimento da compensação do processo nº 10920.001611/200217 não havia ainda se modificado, a DRJ/Curitiba decidiu referendar o despacho decisório da unidade de origem no presente processo. Sem embargo, a recorrente insiste que aquele processo ainda está pendente de uma decisão final e, por isso, deveria haver uma suspensão de qualquer exigência das compensações dele dependem. Diante desse quadro, compulsando os autos do referido processo nº 10920.001611/200217, constato que ele se encontra na situação “suspenso por medida judicial”. A razão dessa suspensão está explicada no despacho (fls. 528 a 534 da numeração digital daquele processo) de uma auditorafiscal da SAORT/DRF/Joinville, do qual transcrevo os seguinte excertos: Em resposta ao despacho de fls. 509/518, a 3ª Turma da DRJ/Florianópolis produziu o despacho de devolução de fls. 519/524, por meio do qual devolveu o processo a esta SAORT para adoção dos procedimentos de sua alçada, (...) (...) Verificase, portanto, que ocorreu uma mudança na abordagem da questão por parte da Justiça Federal de Santa Catarina, posto que, em provimento anterior, de fevereiro de 2009, a 1ª Vara Federal decidiu, nos autos do mandado de segurança nº 2004.72.01.0020688, “que a interpretação dada pela DRF/Joinville/SC, em relação à decisão judicial passada em julgado na Ação Ordinária nº 94.01.033072 – de que o expurgo inflacionário do Plano Verão não poderia ser despesado em maio de 1994 – não deveria prevalecer, cabendo àquela unidade administrativa dar imediato cumprimento à ordem judicial, no sentido de reconhecer, no mês de maio de 1994, os efeitos da inflação expurgada pelo Plano Verão na correção monetária do balanço Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10920.001407/200387 Resolução nº 1102000.313 S1C1T2 Fl. 209 7 patrimonial do exercício findo em 31/12/1989, utilizandose, como parâmetro de cálculo, o IPC de janeiro de 1989 no percentual de 70,28%”. Segundo o interessado, a DRF/Joinville estaria se negando a reconhecer o direito obtido pela parte, (...) (...) A despeito do acima reproduzido, é de se mencionar que a matéria em litígio em comento longe está de pacificação, sendo de de se registrar que outros casos insertos em idêntica polêmica encontramse no aguardo de julgamento perante o STJ, de que são exemplos os Recursos Especiais nºs 1203375/SC e 1260818/SC. Dessa forma, considerando que “enquanto não solucionada a questão envolvendo a sistemática dos cálculos adotada pela Fazenda Nacional, não há como se aquilatar os valores devidos pela impetrante ao Fisco”, sendo “indevida a exigência do crédito tributário apurado nos PA's 10920.000454/0016 e 10920.000453/0045”, que, segundo o interessado, é a origem dos créditos empregados nas compensações controladas sob o presente processo, concluise que este crédito tributário objeto do presente processo encontrase suspenso até que se chegue à decisão terminativa nos autos nº 2004.72.01.0020688. Por conseguinte, cumpre manterse a suspensão do crédito tributário controlado sob o presente processo, alterandose, no entanto, a sua motivação, que passa de “julgamento de impugnação” para “julgamento definitivo nos autos do mandado de segurança nº 2004.72.01.0020688”. Assim, a decisão sobre a compensação dos débitos de estimativa do IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração junho/2002 está suspensa aguardando o julgamento definitivo do mandado de segurança. Nesse contexto, persistem dúvidas sobre a efetividade da extinção daqueles débitos e, por conseguinte, sobre a autenticidade do crédito pleiteado no presente processo. Entendo, portanto, que seja prudente aguardar a decisão definitiva a ser pronunciada no âmbito do processo nº 10920.001611/200217. Diante do exposto, proponho a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde o julgamento definitivo do processo nº 10920.001611/2002 17, retornando os autos para julgamento com a informação das decisões nele proferidas. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 13837.000083/2005-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO MECÂNICA. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996.
Não poderá ser confundida como atividade similar a de engenharia mecânica privativa de engenheiros ou assemelhados, ramo de manutenção mecânica de máquinas. Atividade desempenhada por pessoas sem habilitação profissional legalmente exigida. Possibilidade da opção pelo regime especial do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valrnir Sandri, Plinio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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EXCLUSÃO INDEVIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO MECÂNICA. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996. Não poderá ser confundida como atividade similar a de engenharia mecânica privativa de engenheiros ou assemelhados, ramo de manutenção mecânica de máquinas. Atividade desempenhada por pessoas sem habilitação profissional legalmente exigida. Possibilidade da opção pelo regime especial do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 00 00 83 /2 00 5- 69 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valrnir Sandri, Plinio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 23/02/2010 (fls. 195), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado junto à Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 23/02/2010, seu Recurso Especial (fls. 197/203), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 380100.069, de 17/03/2009 (fls.193/194) cuja decisão, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, suscitada através do recurso voluntário interposto, em 06/09/2007, pelo contribuinte Rubens Rondina Atibaia ME (fls. 21/36). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no então art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que em ação fiscal desenvolvida junto à empresa acima citada, foi constatada a situação de vedação/exclusão à opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Ato contínuo, formalizouse representação fiscal, com base no art. 15 § 4º da Lei n° 9.317, de 05 de Dezembro de 1996, na redação da Lei n°. 9.732, de 11 de Dezembro de 1998. Em 18 de fevereiro de 2005, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em JundiaíSP apreciou e concluiu que a Representação Fiscal é procedente, excluindo o Contribuinte da sistemática do Simples a partir de 01/01/2002, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que de acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/JUN n° 559.075, de 02.08.2004, o que motivou a exclusão da empresa foi a prática de atividade econômica vedada (Instalação, reparação e manutenção de máquinasferramenta CNAE 29408/02); que a fundamentação legal do Ato Declaratório foi a seguinte: art. 9º, inciso XIII, art. 12, art. 14, inciso I e art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13837.000083/200569 Acórdão n.º 9101001.681 CSRFT1 Fl. 3 3 Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/2001; art. 20, inciso XII, art. 21, art. 23, inciso I e art. 24, inciso II c/c parágrafo único da Instrução Normativa SR.F nº 355, de 29/08/2003; que após analisar documentação apresentada pela empresa e realizar as devidas consultas nos Sistemas da Receita Federal, esta Sacat entende que o CNAE da empresa (29408/02) está perfeitamente de acordo com o seu Objeto Social (Instalação, reparação e Manutenção de máquinasferramenta), atividade esta vedada para opção ao Simples por caracterizar prestação de serviços profissionais de engenharia, assemelhados ou de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; que é relevante observar que o fato desta atividade não ser prestada por profissionais legalmente habilitados não autoriza o enquadramento no Simples. Irresignado com a decisão da autoridade administrativa singular, o requerente apresenta, de forma tempestiva, em 06/04/2005, a sua peça de Manifestação de Inconformidade (fls. 01/03), solicitando a revisão da decisão, com a declaração de regularidade de sua inclusão no Simples, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que cabenos informarmos à V. Sas., com o advento da contestação inicial, deixamos de mencionar, quando da unificação do CNAE, a empresa procurou fazer a adaptação de sua atividade, perante aos órgãos competente; JUCESP, RECEITA FEDERAL e SECRETARIA ESTADUAL, no decorrer dos procedimentos da regularização houve um equivoco na descrição da atividade, e este foi assim citado "Instalação, Reparação e Manutenção de Máquinas Ferramentas" e apropriando o CNAE de n.° 29.40/802. Não obstante a firma RUBENS RONDINA ATIBAIA ME., vem esclarecer que desde sua constituição a atividade executada é tão e somente de "serviços de usinagens e soldas", enquadrandose no CNAE de n.° 28398/00. Quando de seu enquadramento perante a SECRETARIA ESTADUAL, decorrente de uma diligência fiscal, foi constatada pela fiscalização que através da atividade exercida, o CNAE a ser especificado na DECA seria o de n.° 28398/00 e não o CNAE 29.40802, conforme cópia da DECA anexa registrada em 01/06/2000. E esta alertounos para efetuarmos a regularização nos demais órgãos. Na época fatos ocorridos alheio a nossa vontade não foi possível fazer tal regularização, de tal forma aproveitamos este momento e já tomamos as dividas providencias para regularização da divergência junto aos órgãos da JUCESP e RECEITA FEDERAL; que diante dos fatos acima expostos que esclarece o evidente erro no registro da CNAEFISCAL, requer que seja o presente recurso recebido e processado para efeitos de impugnação da notificação e cancelamento da vedação para o enquadramento no Simples, Por oportuno, também requeremos para que não ocorra cobrança retroativa da exclusão do simples com efeitos a partir do dia 01/01/2002, pois até então tomamos ciência desta em 08/2004. Após resumir os fatos constantes do Despacho de exclusão do Simples e as principais razões da manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, a Primeira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Jundiaí SP conclui pelo indeferimento da solicitação mantendo a exclusão do Simples, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que ao mérito, vêse que o Contribuinte foi excluído do Simples à conta da atividade atrelada ao CNAEfiscal. Nesse passo, convém deixar claro, desde logo, que dito CNAEfiscal, justamente porque se apresenta como um rol de códigos/atividades imune a Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO 4 qualquer influência volitiva do Contribuinte, não passa de um indício da real atividade por ele desempenhada; que nos autos, seja por instrução da DRF de origem, seja do próprio Contribuinte, há elementos que confirmam o específico CNAE fiscal ora impugnado; que junto a estes, segue cópia dos atos constitutivos (fls. 06/08) levados a arquivamento na repartição pública competente. Aí, sim, particularmente no que tange ao objeto de atividade econômica, domina a vontade do Contribuinte, chancelada, a propósito, por ato de terceiro desinteressado, isto é, pelas repartições públicas do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou do Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Significa isto que os atos constitutivos levados a arquivamento (contrato ou estatuto social, declaração de firma individual) são meios de prova mais vigorosos que o CNAE fiscal para efeito de se permitir melhor e precisa aproximação sobre a real atividade desempenhada pelo Contribuinte; que as pessoas, todas elas, vinculamse aos efeitos jurídicos que naturalmente decorrem das declarações que emitem, sob pena de total insegurança jurídica. Por outro tanto, presentes os elementos existenciais, de validade do ato/negócio jurídico e, ainda, salvo eventuais vícios de consentimento, pressupõe o Direito que a declaração de vontade é sempre intencional, ou seja, é serviente ao fiel retrato do pensado (da vontade), bem como é sempre, ela, declaração de vontade, absolutamente séria, pena de não se ter estabilidade jurídica no trato comum da vida. Demais disso, não exigindo a lei forma específica, vale desde logo a declaração de vontade, isto é, gera efeitos jurídicos que vinculam as partes interessadas e/ou envolvidas; que há de se supor, parafraseando o Prof. Fábio Ulhoa Coelho, que quando o Contribuinte declara às repartições públicas competentes do Registro do Público das Empresas Mercantis e Atividades Afins ou do Registro Civil de Pessoas Jurídicas (e, por via de consequência à SRF, na qualidade de interessada) que exerce, conforme atos constitutivos levados à registro (contrato ou estatuto social, declaração de firma individual), tal e qual atividade, que isto seja sério, ou seja, que aqueles atos constitutivos apanhem, testemunhem o evento verdadeiramente ocorrente na sociedade empresária a título de seu objeto social (entre outros tantos eventos); que fixado esse parâmetro de verdade, temse que o presente Contribuinte exerce, no que interessa como critério decisivo ao pleito e à época em que indicada como de ocorrência do evento impeditivo (14/06/2000; Il. 09), a atividade de "instalação, reparação e manutenção de máquinasferramenta"; que a partir da conclusão retro, não é possível dizer, peremptoriamente, que o Contribuinte, ao exercer sua atividade, prescinde de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional de engenharia (Lei n° 9.317/96, art. 9º, inciso XIII), isto para o desempenho do(s) serviço(s) retro mencionado(s). Por outra, sem maiores especificações, digase, sem mais elementos tendentes (prova) a colocar à luz a real atividade desempenhada pelo Contribuinte, realmente, não se tem condições de saber se o interessado incide n'alguma vedação para efeito de ingresso/permanência no Simples respeitante ao quesito "atividade econômica". Não se deixe esquecer: o Simples é um benefício fiscal, logo, se o interessado quer fazer jus a ele não pode deixar campo aberto à dúvida sobre a satisfação das condições exigidas; que a vedação estampada no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, é de ordem objetiva, nada que ver com qualquer aspecto subjetivo. Explicase. O impedimento traçado tem assento na atividade (critério objetivo) e não na pessoa que desempenha dita atividade (que se constituiria num critério subjetivo). Por outra, não importa quem desempenha Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13837.000083/200569 Acórdão n.º 9101001.681 CSRFT1 Fl. 4 5 a atividade, mas senão se tal atividade encontrase, ou não, especificamente atribuída a algum dos profissionais (ou assemelhados) elencados no referido inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317/96. Se a atividade sob consideração inserese no domínio de conhecimento técnico científico próprio daqueles profissionais (ou assemelhados), tal é uma circunstância impeditiva para o ingresso ou a permanência no Simples. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/08/2007, conforme Termo constante à fl.40, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 06/09/2007, o seu Recurso Voluntário (fls.21/36), com instrução de documentos adicionais (fls. 37/189), o qual, ao ser apreciado, pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 380100.069, de 17/03/2009 (fls.193/194), acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, conforme se verifica em sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. Manutenção e reparação de automóveis. Pequena oficina mecânica. Se o objeto social da empresa referese a atividade econômica vedada, mas que o recorrente, por boa fé, comprova que exerce atividade permitida no ordenamento, deve o mesmo ser deferido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 23/02/2010, conforme Termo constante à fl. 195, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (23/02/2010), o seu Recurso Especial de fls.197/203, com amparo no art. 7º, inciso II, Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o r. acórdão ora recorrido deu ao caso em análise interpretação da legislação tributária divergente da que lhe deu o acórdão nº 20212341, prolatado pela antiga Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (cópia da ementa em anexo); que, segundo o r. acórdão ora combatido, o simples fato do objeto social da empresa citar atividade econômica vedada pela Lei nº 9.317/1996 não é motivo bastante para ensejar a exclusão do contribuinte do SIMPLES; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO 6 que DIVERSAMENTE, o acórdão paradigma ora trazido, ao analisar situação idêntica ao presente processo, perfilha interpretação da legislação tributária diversa; que segundo o acórdão nº 20212341, a previsão no objeto social da pessoa jurídica de qualquer das atividades vedadas pela Lei n.° 9.317/96, ainda que a empresa não as esteja exercendo efetivamente, é suficiente para excluíla do SIMPLES; que sendo assim, vêse que, enquanto o acórdão recorrido entende que a simples menção no objeto social de uma empresa de atividade vedada pela Lei nº 9.317/1996 não enseja a sua exclusão do SIMPLES, o acórdão paradigma advoga que tal previsão, ainda que a empresa não a esteja exercendo, é justo motivo para tanto; que assim comprovada que a atividade da contribuinte está incluída no elenco do art. 92, da Lei nº 9.317/96, é legítima a sua exclusão do SIMPLES; que foi exatamente o que se deu no caso dos autos. Ao analisar o objeto social do contribuinte, em especial a declaração de firma individual entregue à Receita Federal, a Fiscalização verificou que a empresa tinha como atividade comercial Instalação, reparação e manutenção de máquinasferramenta (fl. 06), atividade esta vedada pelo art. 92, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, eis que ela exige para sua realização habilitação profissional de engenheiro, nos termos da Resolução nº 218/1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia; que o fato de constar no objeto social da empresa atividade econômica vedada à opção pelo SIMPLES é matéria incontroversa nos autos. Tal aspecto não fora contestado pelo contribuinte, tendo este, inclusive, confessado que o alterou após a sua exclusão do SIMPLES, mais especificamente, após a intimação da decisão administrativa de primeira instância; que ora, ilustres Julgadores, se, enquanto estava no SIMPLES, o recorrido possuía previsão em seu objeto social de atividade vedada pela Lei nº 9.317/1996, como restará comprovado o não exercício de tal atividade durante este período? O fato de o recorrido alegar que não desenvolveu essa atividade, hipótese que aqui só se admite com objetivo de demonstrar que o argumento levado a efeito pelo acórdão recorrido é manifestamente frágil, tal circunstância não assegura que, eventualmente, a empresa não tenha praticado, em algum momento, tal atividade impeditiva, e, mesmo assim, tenha permanecido nesse sistema especial de tributação; que o fato de o recorrido ter carreado aos autos comprovantes de sua regularidade perante o SIMPLES e fotos dos trabalhos por ele executados, não é suficiente para se afirmar, peremptoriamente, que o mesmo não prestou serviço cuja execução dependa de habilitação de engenheiro durante todo o período em que esteve participando desse sistema especial de tributação. Não obstante a ausência de comprovação da efetiva realização da atividade vedada, a empresa possuía a capacidade para praticála. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado (fl. 200), do qual transcrevo as respectivas ementas na parte que interessa: Acórdão nº 20212341 Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II A previsão Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13837.000083/200569 Acórdão n.º 9101001.681 CSRFT1 Fl. 5 7 no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 92, inciso XIII, da Lei n 2 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro em presas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso que se nega provimento. (grifo nosso) Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 184/2010, de 11/08/2010 (fl.207) dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, em 30/09/2010 (fl.214), nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 14/10/2010, as suas contrarrazões (fls.215/220), baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que o acórdão paradigma trazido à luz pela União referese à atividade econômica indicada no contrato social pelo contribuinte e vedada pela legislação à opção simplificada de tributação; que não obstante, o acórdão paradigma tratase de atividade totalmente diversa da realizada pelo ora contribuinte; que a União suscita acórdão paradigma (documento em anexo) referente ao exercício de atividades de Publicidade e Propaganda, não guardando nenhuma relação com as atividades permitidas e exercidas pelo contribuinte; que a atividade exercida pelo contribuinte nunca foi típica de engenheiro, conforme apurado no v. acórdão recorrido e a título de argumento, ainda que fosse, o acórdão paradigma não faz menção de que a suposta atividade exercida pelo contribuinte seja realizada por engenheiro, conforme consignado na decisão de 1° grau; que oportuno mencionar que no acórdão paradigma apresentado, o contribuinte da área de Publicidade e Propaganda não logrou êxito em comprovar que exercia atividade não vedada pela legislação para se manter no sistema simplificado de tributação, ao contrário do ora contribuinte; que assim, o acórdão paradigma suscitado pela União não serve de parâmetro para demonstrar a divergência, conforme preceitua o artigo 67 § 10 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria MF n° 256/09. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO 8 Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em julho de 2013, passo a formalizar o voto do relator: Depreendese do relatado, que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo no então art. 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 23/02/2010 (fls. 195) e tendo protocolizado o presente apelo em 23/02/2010 (fls. 197/203), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o presidente da então 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 184/201, de 11/08/2010 (fls. 207), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar, que a Fazenda Nacional, cumpriu com os requisitos previstos nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, para interpor Recurso Especial da Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese à interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a exclusão da opção pelo Simples de empresa que opera, de forma Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13837.000083/200569 Acórdão n.º 9101001.681 CSRFT1 Fl. 6 9 individual, com instalação e montagem de equipamentos elétricos (discussão da exceção do inciso XIII do art. 9º, da Lei n° 9.317/96). Ou seja, serviços de usinagens e soldas. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Observase que a Fazenda Nacional insurgese contra decisão da então Primeira Turma Especial da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 380100,069, de 17/03/2009, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso interposto pelo contribuinte. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente à exclusão da contribuinte da opção pelo Simples. Resta claro nos autos, que o contribuinte foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 559.075, de 02/08/2004, exarado pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí SP, sob a presunção de praticar atividade impeditiva da opção pelo regime do SIMPLES. Observase, ainda, que a exclusão tem como base dado extraído da Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) Fiscal que informou no seu cadastro no CNPJ/MF e fundamentase no exercício de atividade impeditiva correspondente à serviço de inspeção, manutenção, assistência técnica em equipamentos industriais metalúrgicos e siderúrgicos que se equipararia às atividades reservadas a profissional de engenharia, ou equivalente, base para o impedimento contido no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame referese à exclusão da contribuinte do SIMPLES, com fundamento no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996, que veda esta opção à pessoa jurídica que: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Alega o recorrente que tem sua atuação preponderante nos serviços de usinagens e soldas. Alega que são serviços de pouca complexidade técnica e para a realização destas atividades, não há necessidade de profissionais com habilitação legalmente exigida, como engenheiros. Representam serviços de reparo corriqueiros executados por um simples operador de soldas ou consertador de máquinas e equipamentos. A decisão recorrida apontou como motivo para deferir o pedido da contribuinte, o de que a atividade alegada e descrita no Contrato Social da empresa não seria assemelhada a engenharia ou profissão que requer habilitação legal. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO 10 Não existem dúvidas, que os serviços de montagem, de reparo ou conserto de pequenos equipamentos (serviços de usinagens e soldas) até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se tratem de peças ou partes de equipamento pesado, integrantes de uma estrutura complexa de produção industrial produzidas pelo prestador de serviço fora do local da prestação dos serviços, cuja montagem por sua complexidade, ou por se tratar de um sistema de produção exclusivo, ou qualquer outra peculiaridade, de fato exija a supervisão de um engenheiro. Porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso. Seria de se esperar, por prudência, que a repartição de origem no seu trabalho corriqueiro, antes de pretender um fato grave como é a exclusão, ou o impedimento de uma microempresa ou empresa de pequeno porte do Programa SIMPLES que, pelo menos, verificasse principalmente no Livro de Prestação de Serviços, nas Notas Fiscais de Serviços, com diligência ao local da prestação do serviço, qual de fato é a natureza dos serviços realizados, para se for o caso poder caracterizar, conforme parece apenas supor a administração tributária, pratica de serviços de assessoria, consultoria, projetos de equipamentos, algo que pudesse caracterizála como empresa que pratique serviço de engenharia ou assemelhado. É fora de dúvida que o serviço de engenheiro habilitado seja exigível para atividades de projeto de máquinas, ou até de supervisionar certos serviços de instalação e manutenção de equipamentos específicos. Mas, é fora de dúvida igualmente que as cidades estão cheias de pequenas empresas que consertam e reparam máquinas e equipamentos, ou auxiliam a instalação do equipamento que vendem, sendo serviços que, em geral, absolutamente dispensam a participação de engenheiro ou qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida, requerendo mão de obra não especializada de um prático, que na realidade do nosso país, em geral, muitas vezes não chegou nem a completar o segundo grau escolar. Esse tipo de atividade evidentemente não está vedado ao SIMPLES, e qualquer interpretação que pretenda equiparar o serviço prestado por um simples instalador, ou consertador de máquinas e equipamentos usados, com mera substituição de peças nos casos corriqueiros, ao serviço de engenheiro, tem de ser vista com desconfiança. Ademais, no tocante às atividades descritas no contrato social, destacase que não encontram mais vedação para sua inclusão no SIMPLES, pois com o advento da Lei 11.051, de 2004, tais atividades deixaram de ser vedadas, nos seguintes termos: Art. 15. O art. 4º da Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei te 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13837.000083/200569 Acórdão n.º 9101001.681 CSRFT1 Fl. 7 11 § 1° Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2° As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 3° Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2º deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal — SRF promoverá a reinclusão de oficio dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. § 4° Aplicase o disposto no art. 2º da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1º de janeiro de 2004. Registrese, ainda, que com o advento do ato declaratório executivo ADE SRF nº 8, de 18/01/2005 do Secretário da Receita Federal, o motivo indicado como fundamento para a permanência da recorrente no Simples (inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996) foi fortalecido: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 40 da Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, declara: Artigo único. Ficam cancelados os Atos Declaratórios Executivos, emitidos pelas unidades descentralizadas da Secretaria da Receita Federal em 2004, para a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em decorrência, exclusivamente, do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, das pessoas jurídicas que exerçam as seguintes atividades: I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO 12 IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. A atividade econômica atribuída à empresa (serviços de usinagens e soldas) pode ser tipificada, por semelhança, no inciso I supramencionado, sem maiores complicações. Considerar a atividade desenvolvida pelo Recorrente como sendo de Engenheiro Mecânico/Eletricista é atribuir aplicação extensiva à Lei do Simples, sem que haja situação fática compatível para esta interpretação. Aliás, ainda que precisasse realizar eventualmente algum serviço de maior complexidade e rigor técnico, próprio dos engenheiros, isso não poderia, por si só, ensejar a sua exclusão do SIMPLES. Neste sentido, são as decisões das então Primeira e Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, proferida nos Acórdãos 30130.581 e 30236.086, cujas ementas se transcrevem: Acórdão nº 30130.581 PRESTAÇÃO ESPORÁDICA DE SERVIÇOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE TERCEIROS — AUSÊNCIA DE SEMELHANÇA COM ATIVIDADE DE ENGENHEIRO — O reparo e manutenção de máquinas e equipamentos de terceiros somente impedem a opção pelo SIMPLES quando constitua atividade típica e inserida no campo das atribuições do profissional de engenharia, ainda que seja irrelevante para a exclusão do Sistema a prestação ocasional do serviço, não impede a opção pelo SIMPLES. Provido por unanimidade. Acórdão nº 30236.086 SIMPLES. OPÇÃO. OFICINA DE MANUTENÇÃO DE APARELHOS ELETRO ELETRÔNICAS. POSSIBILIDADE. As pessoas Jurídicas que exploram o ramo de manutenção de aparelhos eletrônicos igualmente às oficinas de manutenção de veículos, que utilizam mãodeobra não qualificada e prestam os serviços no próprio estabelecimento, não se assemelham às atividades de engenheiro e podem optar pelo SIMPLES RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negar provimento. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 13837.000083/200569 Acórdão n.º 9101001.681 CSRFT1 Fl. 8 13 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO
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Numero do processo: 12448.735952/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) a composição do montante alegado pelo contribuinte como custo de suas ações, evidenciando cada investimento ou capitalização ocorrida, (b) Livro razão analítico ou fichas contendo os lançamentos individualizados, bem como livro diário esclarecendo as respectivas contrapartidas, para todas as contas patrimoniais envolvidas, nos períodos de capitalizações de lucros. Vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Designado o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior para redação do voto vencedor.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
MARIA CLECI COTI MARTINS
Relatora
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Relatório
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) a composição do montante alegado pelo contribuinte como custo de suas ações, evidenciando cada investimento ou capitalização ocorrida, (b) Livro razão analítico ou fichas contendo os lançamentos individualizados, bem como livro diário esclarecendo as respectivas contrapartidas, para todas as contas patrimoniais envolvidas, nos períodos de capitalizações de lucros. Vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Designado o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior para redação do voto vencedor. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (a) a composição do montante alegado pelo contribuinte como custo de suas ações, evidenciando cada investimento ou capitalização ocorrida, (b) Livro razão analítico ou fichas contendo os lançamentos individualizados, bem como livro diário esclarecendo as respectivas contrapartidas, para todas as contas patrimoniais envolvidas, nos períodos de capitalizações de lucros. Vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Designado o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior para redação do voto vencedor. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 35 95 2/ 20 11 -3 9 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.426 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contestando o Acórdão de Impugnação n. 12 49.882 21a. Turma da DRJ/RJ1 que considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte relativamente ao lançamento fiscal objeto deste processo. O Acórdão de Impugnação está assim ementado: ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. No Recurso Voluntário o contribuinte informa que o auto de infração foi lavrado para exigir diferença de IRPF incidente sobre ganho de capital, supostamente quantificado a menor pelo recorrente, por ocasião da alienação de suas ações do BANCO PACTUAL S.A. realizada em 31/12/2006. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.427 3 Alega as seguintes razões de recorrer. 1. Antes da reestruturação, o recorrente possuía 3,52% da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA., sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18 do capital da PACTUAL S.A., também uma sociedade holding e titular de ações representativas de 100% do capital do Banco Pactual. 2. A reestruturação foi efetuada pelos seguintes atos: a. aumento do capital de Participações mediante capitalização de lucros gerados pelo banco e reconhecidos pela holding em função do método de Equivalência Patrimonial(MEP). Isso resultou acréscimo do custo dos investimentos do recorrente no valor de R$ 16.284.872,00. b. aumento de capital de holdings mediante capitalização de lucros gerados pelo banco e reconhecidos pelo MEP. c. incorporação de Participações por PACTUAL, sua controlada (incorporação reversa) e transferência ao recorrente dos investimentos diretos na incorporadora (PACTUAL), tendo em vista substituir a participação no capital da incorporada extinta com a incorporação. d. aumento de capital de PACTUAL mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP. Assim, o custo dos investimentos do recorrente em PACTUAL aumentou em R$ 22.411.981,00. e. incorporação da PACTUAL pelo BANCO (incorporação reversa), tendo o recorrente recebido investimentos diretos na incorporadora (BANCO), em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação. 3. Após reestruturação, as ações do BANCO foram alienadas a empresa do Grupo UBS pelo preço total de R$ 117.981.469,62, do qual uma parcela foi recebida em 2006 e outra em 2009. 4. A capitalização de lucros gerados pelo BANCO, por suas investidoras (holdings), seguida da incorporação dessas mesmas investidoras por suas investidas elevou o custo de aquisição dos investimentos do recorrente no Banco para R$ 58.545.680,31, reduzindo o montante do ganho do capital e o IRRF incidente. 5. O Grupo PACTUAL era composto por três holdings (PARTICIPAÇÕES, HOLDINGS e PACTUAL). A existência das holdings era exclusivamente para organizar o exercício do controle do banco e propiciar distribuição adequada dos resultados. A alienação do banco a terceiros fazia com que as holdings se tornassem desnecessárias. Assim, poderiam ser extintas antes ou depois da realização do negócio. Contudo, era da essência do negócio que o banco fosse vendido pelos acionistas e não por empresa que lhes pertencesse, de forma indireta. 6. O caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco foi o mais lógico, rápido e econômico entre todos disponíveis, e o acréscimo do custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor, em especial, do art. 135 do RIR. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.428 4 RIR, Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único ). 7. A preferência por promover a extinção de empresas por simples incorporação decorre da complexidade do processo de liquidação que envolve, por exemplo, manifestação de credores em prazo de até 90 dias (art. 1084 do Código Civil de 2002). 8. A incorporação provoca a extinção da incorporada, que é absorvida pela incorporadora (art. 227, par. 3 da Lei 6404/76), que lhe sucede em todos seus direitos e obrigações. A incorporação do BANCO seria extremamente complexa e onerosa, com riscos inclusive para os negócios em andamento. 9. A incorporação reversa das holdings pelo BANCO, era a forma mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal. A lei 9532/97 (art. 8) definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações das holdings fora a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária. Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.429 5 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. 10. A incorporação inversa é perfeitamente lícita e foi adotada por representar a forma mais rápida, prática e eficiente para o negócio e o recorrente discorda do Termo de Verificação Fiscal que entende que a reestruturação foi realizada com o objetivo de aumentar fraudulentamente o custo de aquisição dos investimentos do recorrente. 11. Na incorporação, a incorporadora aumenta seu capital social conforme o patrimônio líquido da incorporada, que se extingue (par. 3, art. 227, Lei 6404/76). Não há que se falar em apuração de ganho ou perda de capital. Da mesma forma, as ações da incorporadora recebidas pelos sócios da incorporada ingressam em seus patrimônios por valor não diverso daquele pelo qual se encontravam registradas as ações/quotas da incorporada. (grifei) 12. Nas incorporações reversas, contudo, a incorporadora (investida) passa a ter ações representativas de seu próprio capital (provenientes da incorporada), que são canceladas no próprio ato ou, mantidas em tesouraria. Assim, ocorre um aumento de capital (para a Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.430 6 emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora) e uma subsequente redução de capital, para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida. 13.O conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido. 14.A conversão automática de todas as contas do patrimônio líquido (capital, lucros e reservas) em capital da incorporadora é reconhecida pela CVM e também pelo fisco, e no processo, ocorre a capitalização de lucros e reservas. 15. Cita a IN 77/86 e o Decreto Lei 1598/77 (arts. 376 e 377 do RIR/80) que dispôs que, se a pessoa jurídica restituísse capital aos sócios nos cinco anos subsequentes à capitalização de lucros, o montante do capital restituído seria tratado como dividendo. O DL 1598/77 dispunha que a obrigação de não restituir os lucros capitalizados se estendia à incorporadora da pessoa jurídica incorporada, cujos lucros já tivessem sido capitalizados (art. 63, par. 7). A IN 77/86 contempla a hipótese de aumento de capital da sucessora com lucros e reservas de sucedida, deixando claro que, nas incorporações não é necessária a capitalização prévia de lucros da sucedida (a incorporada). Entende que o fisco deixou claro então que o aumento de capital das incorporadoras resultante da capitalização de lucros e reservas da incorporada, ocorrida no bojo do processo de incorporação, produz os mesmos efeitos da incorporação de lucros da incorporada por deliberação de seus acionistas, antes da incorporação. 16. O recorrente apresenta exemplos que corroborariam o fato de que a opção pela capitalização dos lucros antes das incorporações seria irrelevante em termos fiscais. No caso, a razão da distribuição ter ocorrido antes, vinculase ao fato da distribuição de lucros ser de forma desproporcional, conforme autoriza o art. 1007 do CC/2002. Entende que os lucros de Participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação. 17. O recorrente entende que o Termo de Verificação Fiscal concorda em tese com esses efeitos das incorporações (integração dos lucros da incorporada no capital da incorporadora) até mesmo com relação a lucros correspondentes ao exercício social no curso do qual ocorre a incorporação. 18. Não teria havido nenhum estratagema na reestruturação. A capitalização prévia dos lucros antes da reestruturação ocorreu apenas para viabilizar a distribuição adequada das ações da incorporadora entre os acionistas e não para aumentar o custo dos investimentos destes. Argumenta que o acionista André Esteves e Gilberto Sayão da Silva antes da 4a. alteração contratual detinham em conjunto, 42,4% das quotas representativas do capital de Participações, e 28,6% após a alteração contratual. Desta forma, teriam aberto mão da participação indireta no Banco para se beneficiarem de economia fiscal desprezível se confrontada com o valor das participações societárias que, com a distribuição/capitalização de lucros de Participações, deixaram de ter. 19.Afirma que, nas incorporações reversas, os acionistas da incorporada recebem ações representativas de aumento de capital da incorporadora em valor correspondente ao do patrimônio líquido da incorporada refletido no balanço que servir de base para a operação, pouco importando a natureza do lucro que compõe o referido patrimônio líquido. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.431 7 20. A situação patrimonial da incorporadora não é afetada pela incorporação. Não há nenhuma "bolha patrimonial" e o aumento de capital é essencial a que se atribuam ações aos acionistas da incorporada. Seriam essas ações novas, emitidas em razão de aumento de capital. 21. A RFB jamais questionou a realização de aumentos de capital com base em balanços outros que não os de encerramento de exercício. Do contrário, até disciplinou os efeitos dos aumentos de capital realizados com balanços intercalares, conforme o Ato Declaratório Normativo CST n. 3/79. Entende o recorrente que o balanço levantado para efeitos de incorporação é um balanço como outro qualquer e pode ser utilizado para a realização de aumento de capital e ou para a incorporação. 22. É irrelevante que o acervo líquido da incorporada, a ser transferido à incorporadora, tenha como contrapartida conta de lucro, reserva ou capital; a transferência dos lucros correntes para conta de capital, realizada antes da ocorrência da incorporação, como no caso, não conflita com o tratamento que o art. 21 da Lei 9.249/95 dá à matéria. Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, observada a legislação comercial. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) § 3º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 4º A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento. 23. A redistribuição do capital de Participações decorre da distribuição/capitalização adequada de seus lucros (provenientes da incorporada por meio de equivalência patrimonial que também considerou os lucros que serão capitalizados na incorporada), pois eles deveriam ser distribuídos entre seus quotistas de forma proporcional às respectivas contribuições para a formação dos mesmos, e não na proporção do capital social, que nada representa para sociedades de serviços com as características das empresas do Grupo Pactual. Assim, o capital das incorporadas reflete adequadamente a participação de cada um dos acionistas no grupo. Afirma que qualquer outro método para atingir esse resultado seria artificial, incorreto e capaz de gerar contingências para os acionistas cujas participações no acervo líquido das incorporadas fossem elevadas. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.432 8 24. O recorrente não vê razão para que os ganhos de equivalência patrimonial relativos a exercícios já encerrados tenham tratamento diversos dos mesmos ganhos incluídos nos resultados de exercício em curso. Tanto os ganhos de MEP reconhecidos no exercício em curso quanto os ganhos de exercícios encerrados integram o patrimônio líquido da investidora/incorporada e, por isso, são suscetíveis de serem capitalizados antes ou no processo de incorporação. O Termo de Verificação Fiscal rejeita a capitalização dos lucros correntes, mas não faz restrição à capitalização dos lucros acumulados. 25. A legislação (art. 130, par. 1 e art. 135 do RIR) determina que Par. 1, art. 130 do RIR No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei 7.714/88, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. Art. 135 RIR No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. 26. No caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, entretanto, a capitalização existiria independentemente desta deliberação. Entende que o aumento do custo de aquisição do valor dos investimentos do recorrente no Banco se verificaria de qualquer forma, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings como houve quer não. 27. O custo de aquisição, conforme legislação, seria o custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados conforme item 25 acima. Assim, o ajuste do custo dos investimentos do recorrente decorre da aplicação da lei e não há como rejeitálo. 28. Cita outros processos fiscais lavrados contra outros acionistas do grupo a RFB teria utilizado diferentes fundamentos, o que por si só já seria uma forma de revelar a deficiência na legislação. 29. A argumentação do Termo de Verificação Fiscal só serve para afastar os efeitos da reestruturação com relação à capitalização de lucros correntes (conforme o relatório, "o tratamento dado aos lucros do exercício em que ocorre a incorporação deve ser preconizado na norma especial sobre incorporação..."). 30. Afirma que, de acordo com o relatório fiscal, uma parcela dos lucros capitalizados na NOVA PACTUAL, no valor de R$ 302.511.403,00 foi gerada em exercícios anteriores. Assim, há que se concluir que, ao menos com relação ao aumento de capital resultante do aproveitamento desses lucros, o Termo de Verificação Fiscal reconhece a inexistência de lei que impeça o registro de acréscimo do custo dos investimentos do recorrente. 31. Os quadros apresentados pela fiscalização mostram as distorções provocadas pelo texto da lei e a RFB reconhece esse fato desenvolvendo exemplos rigorosamente a partir da aplicação da lei. Assim ainda que a majoração do custo dos investimentos do recorrente no Banco Pactual, em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco Pactual seja Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.433 9 encarada como uma distorção, ela resultará da aplicação das normas societárias e fiscais em vigor. Tais distorções acontecem em outras situações. No caso a capitalização de ganhos de MEP é capaz de favorecer o contribuinte. Não cabe à fiscalização deixar de aplicar a lei por considerar que ela gera distorções injustificáveis. 32. A operação no caso deste processo não tem propósito exclusivamente fiscal conforme já analisado. Cita outros casos similares já julgados em favor dos contribuintes. 33. Em 31/12/2005 o custo dos investimentos do recorrente no grupo Pactual era de R$ 19.848.827,81. Com a reestruturação o custo foi ajustado em duas oportunidades: i) na capitalização de lucros de participações, gerando um acréscimo ao custo no valor de R$ 16.284.872,00; e ii) na capitalização de lucros da PACTUAL(empresa que veio a incorporar Participações), gerando um acréscimo ao custo no valor de R$ 22.411.981,00. Considerando que o montante dos lucros capitalizados somase ao custo dos investimentos, ainda que tenham sido reconhecidos em razão de MEP, após a capitalização dos lucros existentes em participações, o custo dos investimentos do recorrente atingiu R$ 36.133.699,81. Este seria o valor a ser utilizado como ponto de partida para a quantificação do ganho de capital, caso os efeitos da reestruturação sejam negados. 34. O custo calculado pela fiscalização para os investimentos do recorrente, de R$ 15.263.034,81 é inferior até mesmo ao existente em 31/12/2005, um ano antes da reestruturação. O critério adotado para esse cálculo é ímpar e diverge dos adotados nos demais autos lavrados contra os acionistas do grupo. Entende que foram glosados, sem justificativa, parte dos custos dos investimentos do recorrente existentes em 31/12/2005. 35. Foram realizadas 2 (dois) conjuntos de operações casadas de aumento de capital por utilização dos lucros da incorporada seguida de incorporação da controladora. Entende que as duas operações de reestruturação consistem na realização de aumentos de capital, com distribuição/capitalização de lucros e que tais operações são incapazes de afetar negativamente o custo dos investimentos. Assim, o cálculo do custo inicial dos investimentos deveria ser revisto. 36. Houve apenas uma alienação do Grupo Pactual para o Grupo UBS e o ajuste das quantidades em estoque e o custo médio ponderado não deveriam ser afetados, nesse caso. 37. O recorrente contesta o agravamento da multa argumentando os pontos explicitados no Termo de Verificação Fiscal, que separou os elementos do agravamento: dolo caracterizado pelas informações falsas, a característica do tipo penal que seria a redução de tributo mediante omissão de informação ou a apresentação de informação falsa, e a culpabilidade, em decorrência do Estatuto Social do Banco Pactual que indicaria que todos seus acionistas, diretos ou indiretos, deveriam estar a par de tudo que com o BANCO PACTUAL ocorresse, e que o nível intelectual e capacidade psíquica dos acionistas estariam acima à do homem médio. Mais ainda, que o recorrente fazia parte do Grupo Pactual desde 1998, tinham conhecimento de que os lucros das holdings derivavam apenas do BANCO PACTUAL. 38.O recorrente afirma que não há restrição legal à capitalização dos lucros correntes, como ocorreu no caso concreto. Também a lei não veda o cômputo dos lucros assim capitalizados no custo dos investimentos dos acionistas da incorporada. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.434 10 39. Entende que não há o registro de reserva no BANCO e nem o fato que justificaria a sua constituição. Os auditores independentes do BANCO e o Banco Central do Brasil em nenhum momento recomendaram o registro da reserva. 40. Considerando outras autuações de acionistas do BANCO, fica evidente a existência de intercâmbio entre auditores da RFB sobre a matéria. Contudo, há divergências na RFB quanto à forma pela qual o custo dos investimentos dos acionistas deve ser calculado. Cita formas de cálculo utilizadas em outros processos fiscais. 41. A reestruturação produziu efeitos favoráveis ao recorrente, contudo não houve ofensa à lei. A única mudança decorrente do processo de reestruturação estaria no quadro de acionistas. 42. Cita a Súmula 14 do CARF, que determina que "a simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". 43. O recorrente rejeita as alegações de que o recorrente não poderia ignorar estar agindo em desacordo com a lei ao quantificar seu ganho de capital, e de estar prestando informações falsas ao preencher formulários relativo a tal quantificação. 44. Argumenta que a decisão de primeira instância deve ser julgada improcedente porque não houve violação de dispositivo legal pelo contribuinte. A aplicação do método da equivalência patrimonial é uma obrigatoriedade imposta pela lei, que objetiva fazer com que a sociedade investidora já reconheça como seu um ganho, uma receita ainda potencial, correspondente aos lucros retidos na sociedade investida. Entende, entretanto, que isso não torna o lucro da investida lucro da investidora. 45. A lei não faz distinção entre uma holding pura, que não tem atividade operacional própria e outros tipos de holdings. 46. Admite no item 5.11 do recurso que, no caso concreto, o custo de aquisição das ações do BANCO detidas pelo recorrente aumentou em função da capitalização dos lucros das PARTICIPAÇÕES e, posteriormente, da capitalização dos lucros da PACUTAL, de cujo capital passou a participar com a extinção da PARTICIPAÇÕES. Contudo, entende que as capitalizações deramse com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do BANCO. 47. O fato de não ter ainda distribuído dividendos não impede juridicamente a distribuição dos ganhos de MEP pela investidora, ou porque esta tem recursos disponíveis para isso, ou mediante crédito a acionistas, ou mesmo capitalizados. 48. O tratamento que uma investida dá a seus lucros afeta as investidoras, mas o contrário não pode ocorrer, pois o patrimônio da investida é alheio ao da investidora, que são pessoas jurídicas distintas e o que a última fizer não poderá interferir na situação patrimonial da primeira. A decisão é contraditória pois ora afirma que ganhos de MEP não podem ser capitalizados quando mantidos na investida e depois, que a capitalização dos referidos ganhos pela investidora afeta o tratamento dos lucros de que derivam, na investida. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.435 11 49. A RFB não poderia adotar critérios diferenciados de avaliação do custo do investimento, como aconteceu para os autos lavrados em São Paulo e em Minas Gerais, para o mesmo fato que desencadeou o fato gerador. Cita vários processos administrativos fiscais. 50. Atribui o lançamento ao inconformismo do fisco com o acréscimo de custo de seus investimentos, resultante da aplicação do art. 135 do RIR, no caso concreto, mas que pela lei, esse acréscimo é inquestionável. 51. Por fim questiona a legalidade da multa de mora sobre a multa de ofício afirmando que não está contemplada na lei 9430/96 e também no art. 161 do CTN que prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso voluntário apresentado pelo contribuinte é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. A título de esclarecimento, neste processo existem três empresas envolvidas diretamente, a PARTICIPAÇÕES (da qual o recorrente é sócio), a PACTUAL S/A (do qual PARTICIPAÇÕES é sócia) e o BANCO PACTUAL S/A. As duas primeiras são efetivamente holdings que detém o capital social do BANCO PACTUAL S/A (que desenvolve atividades empresariais e aufere lucros). Ao final dos processos de capitalização de lucros e incorporações, visando eliminar as holdings, o Banco Pactual S/A é vendido. Primeiramente convém estabelecer o que seria o Método de equivalência patrimonial, que originou os lucros distribuídos pelo BANCO PACTUAL às holdings. Esse método corresponde à aplicação do percentual de participação que a investidora tem no capital social da investida sobre o patrimônio líquido da investida. Por esse método, a sociedade investidora ajusta periodicamente o valor de seu investimento com base no percentual de participação no patrimônio líquido da investida. Assim, a diferença decorrente do método é distribuída na forma de lucros para as controladoras/holdings. O art. 248 da Lei 6404/76 define a forma de cálculo do método da equivalência patrimonial, conforme a seguir: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.436 12 I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. Observase então que, no caso dos autos, o lucro que é obtido aplicandose o Método da Equivalência Patrimonial é distribuído para as holdings que o utiliza como forma de capitalização antes da incorporação. Foram efetuadas duas incorporações reversas, todas utilizando antes a capitalização de lucros da única empresa que poderia gerar lucros, o Banco Pactual. Destacase a particularidade neste caso de incorporação reversa que, diferentemente do alegado no item 50, o patrimônio da investida(BANCO PACTUAL S/A.) NÃO é alheio ao patrimônio das investidoras (PACTUAL S/A, etc.). Muito pelo contrário, o patrimônio da investida é o único patrimônio das investidoras. Assim, ao utilizar os lucros decorrentes de equivalência patrimonial da investida para capitalizar as investidoras e posteriormente fazer a incorporação das investidoras ainda com esses mesmos lucros estáse utilizando o mesmo valor (lucro), duplamente, na capitalização antes da incorporação e, na manutenção desses valores na investida(BANCO PACTUAL S/A). Esse é um dos motivos pelo qual o fisco se insurge, pois quando da incorporação, por exemplo, na segunda incorporação em que PACTUAL S/A. é incorporada pelo BANCO PACTUAL, ocorre o aumento "artificial" do custo das ações, uma vez que o patrimônio da incorporadora não se altera. Ora, se não houve o efetivo aumento do capital, não se pode concluir que teria havido capitalização efetiva. O recorrente argumenta que teria sido glosada parte do custo dos investimentos do recorrente que, primeiramente teria sido considerado R$ 19.848.827,81 e posteriormente, no lançamento foi considerado R$ 15.263.034,81. Contudo, não assiste razão ao contribuinte, pois, primeiramente esse foi o custo médio calculado pela fiscalização feito conforme a legislação explicitada no Termo. Num primeiro momento o relatório fiscal transcreve as movimentações patrimoniais na forma como estão descritas nos documentos e atas relativas. Num segundo momento, após a análise e a desconsideração dos valores dos lucros capitalizados decorrentes de incorporações às avessas (pelo fato do lucro estar sendo aproveitado duplamente em função da metodologia de cálculo utilizada) é feita a tabela de Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.437 13 ajuste constante da fl. 48 do Termo de Verificação Fiscal, e o valor de custo das ações do recorrente em 31/12/2005 fora recalculado para R$ 15.263.034,81, não mais se alterando desde então. Observase que no valor de custo do investimento considerado pela fiscalização foi desconsiderada a capitalização de lucros de equivalência patrimonial ocorrida antes da primeira incorporação reversa entre holdings. Ocorreram duas incorporações reversas precedidas de capitalização de lucros de equivalência patrimonial. Novamente o recorrente alega que o custo dos investimentos é o valor pago pelos mesmos, acrescidos das bonificações que lhes forem distribuídas, e não o valor correspondente ao capital social. Contudo observase que foram feitos dois aumentos de capital por incorporação de lucros (por equivalência patrimonial) da incorporada: · primeiro, aumento de capital de PARTICIPAÇÕES(holding) e incorporação por PACTUAL (as duas operações no mesmo dia) · segundo, aumento de capital de PACTUAL(holding), seguido de incorporação pelo BANCO PACTUAL (as duas operações no mesmo dia) Observase que o custo médio dos investimentos calculado pela autoridade fiscal desconsiderou as capitalizações ocorridas, tendo em vista evitar a utilização dos lucros em dois momentos. O custo dos investimentos não é calculado em função das ações vendidas ao grupo UBS, mas em função dos valores efetivamente pagos nos momentos de aquisição dos investimentos pelo recorrente. Importante salientar que nenhuma das capitalizações de lucros provenientes de equivalência patrimonial ocorridas foi capaz de produzir aumento no capital social do BANCO PACTUAL S.A. que teria continuado inalterado. O recorrente admite no item 5.11 do recurso que, no caso concreto, o custo de aquisição das ações do BANCO detidas pelo recorrente aumentou em função da capitalização dos lucros das PARTICIPAÇÕES(holding) e, posteriormente, da capitalização dos lucros da PACTUAL, de cujo capital passou a participar com a extinção da PARTICIPAÇÕES. Contudo, entende que as capitalizações deramse com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do BANCO. Ora, o lucro das holdings advém do único investimento que gera lucro, i.e. o BANCO. Verificase que a autuação ocorreu porque o recorrente utilizou o mesmo lucro duas vezes para aumentar o custo da participação no Grupo, sem contudo, que se tivesse aumentado o capital do grupo. Uma mágica feita pelo esquema, muito bem delineado pelo recorrente, que "inflou" o custo de aquisição do investimento no Grupo Pactual, reduzindo o valor do ganho de capital. O lucro das holdings, neste caso, é obtido exclusivamente com o lucro do BANCO e tais lucros não são distintos, vez que as holdings não têm atividade própria a não ser administrar o BANCO, isto é, não geram novas riquezas. Não bastasse a utilização indevida dos lucros da incorporada, originados na equivalência patrimonial da incorporadora, para acrescer o patrimônio do sócio, observase que houve uma engenharia para a manipulação de instrumentos legais dentro de operações, no mínimo, improváveis, com capitalização de lucros e incorporação de empresas no mesmo dia, que aumentou o custo dos investimentos resultando em uma vantajosa redução do ganho de capital. Várias operações importantes em tempos exíguos, aonde participam empresas compradoras e vendedoras e seus sócios. Não se pode admitir que todos esses procedimentos, no conjunto, não tivessem como objetivo final também a redução dos tributos devidos. O Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.438 14 contribuinte "aparentemente" não violou lei formal. Contudo, não significa que não tenha utilizado excessivamente a forma legal, com entendimentos tortuosos, para alcançar, após vários atos lícitos, objetivo não justificável contabilmente. Apesar do exposto, não se pode deduzir a existência do dolo, da intenção de prejudicar o fisco como único objetivo do modo de operação do grupo do qual o contribuinte é sócio ativo. Entendo que deve ser aplicada a Súmula 14 deste CARF. Observo que as decisões deste Conselho mencionadas na peça recursal valem apenas entre as partes e dentro do contexto processual em que estão inseridas. Os critérios utilizados pela autoridade fiscal para o lançamento são adstritos aos dados e informações do processo em conjunto com o dispositivo legal violado. No caso de lançamento tributário de ofício, entendo que o crédito tributário devido compreende o tributo e a multa de ofício. Desta forma, os juros de mora devem ser calculados sobre o montante devido, nos termos do art. 161 do CTN. Por outro lado, os juros de mora acrescentados não isentam o contribuinte de outras penalidades cabíveis, como por exemplo, a representação fiscal para fins penais no caso de dolo. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O art. 43 da Lei nº 9.430/1996 deixa claro que a multa de ofício é um dos tipos de crédito tributário, conforme a seguir: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Decisões do Superior Tribunal de Justiça nos processos AgRg no REsp 1.335.688PR e REsp nº 1.129.990/PR corroboram o entendimento expresso nesta decisão. O ilustre Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, analisando situação similar a destes autos, de engenharia fiscal produziu decisão que está assim ementada no que concerne ao ganho de capital: GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS REFLETIDOS NAS HOLDINGS. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na incorporação societária é indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados pela empresa investidora (operacional) refletidos nas investidas (holdings), apurados pelo Método de Equivalência Patrimonial, por se tratar dos mesmos lucros. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. INTENSIDADE DOLOSA DO INFRATOR. NECESSÁRIA Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.439 15 COMPROVAÇÃO. Diferente da multa de oficio de 75%, que é objetiva e decorre do tipo (lei), imposta com culpa ou dolo, na imposição da multa qualificada de 150% é necessário aferir o aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de assumir o risco da sonegação. A imposição da multa qualificada exige, assim, a comprovação da intensidade dolosa do infrator. Mero erro na interpretação da lei não implica dolo. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora. Por pertinente, reproduzo parte da decisão do Ilustre Conselheiro Odmir Fernandes no Acórdão nº 2201002.196, em 13/08/2013, com situação bastante similar à tratada neste processo. A conduta do Recorrente estaria perfeita se não houvesse a extinção e incorporação inversa nas sociedades holdings, ou se os lucros ou reservas de lucros – gerados pela sociedade operacional – pudesse existir de forma isolada nas sociedades investidoras, sem mero reflexo da sociedade operacional investidora. O efeito contábil de os mesmos resultados da investida, geradora dos lucros, refletir nas sociedades investidoras existe para efeito da demonstração dos resultados apurados pelo Método da Equivalência Patrimonial, exigência contábil da legislação societária, e existe enquanto sociedades autônomas, sem a incorporação e a extinção delas. Mas sociedades que não geram resultados próprios para compor o custo de aquisição da participação societária, como entendeu o Recorrente ao aplicar o art. 135, do RIR/99. Não houvesse a incorporação e a extinção das sociedades holdings não teríamos a discussão porque não se somam ao custo de aquisição – na apuração do ganho de capital – os resultados refletidos entre as sociedades investidas e investidoras. Não se somam pela simples razão de as sociedades, não sendo extintas, elas conservarem entre si a independência e autonomia patrimonial, e o investidor, cotista ou acionista, não detém a participação direta entre as sociedades investida e investidora. O duplo ou triplo efeito é mera ficção, necessária na apuração de resultados da participação societária em cada sociedade e somente se tornou possível no imaginário do autuado em face da incorporação e a extinção das holdings. No Balanço Patrimonial Consolidado, se houvesse nos autos, seria espelhada a total impropriedade da tese do Recorrente, que não se sustenta, com o conhecimento dos fatos, ao menor argumento. A independência e a autonomia patrimonial entre as sociedades investida, investidoras, entre os sócios, acionistas e controladores, não socorre o Recorrente para permitir a dupla ou tripla utilização dos mesmos lucros e reservas na composição do custo de aquisição, se eles Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.440 16 apenas refletem na demonstração dos resultados das sociedades investidoras, extintas pela incorporação. Diferente do que sustenta o Recorrente, não há equivoco na lei e na sua interpretação. O detalhe é qualificação do fato – que é único – os lucros ou reservas de lucros – da sociedade operacional – investidora refletir nas sociedades holdings – investida, mas isto, repetimos, não permite – artificialmente – computar o mesmo resultado no custo de aquisição. [...] Também não se cuida ainda de tributar o efeito econômico do fato gerador, mas de qualificar o fato, representado pelos lucros ou reservas de lucros refletidos nos resultadas das sociedades holdings – investida. Por todo o exposto, voto por desconsiderar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. MARIA CLECI COTI MARTINS – Relatora Voto Vencedor Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Tratase de litígio relacionado à apuração de custo, a ser computado quando do cálculo do ganho de capital decorrente da alienação de ações pelo autuado, com a contraprestação recebida em parcelas. Confrontamse aqui duas teses jurídicas fundamentais, assim sintetizadas: a) A tese de impossibilidade de majoração do custo, pelos acionistas das holdings do Grupo Pactual, quando da capitalização de lucros originados via Método de Equivalência Patrimonial que permaneceram na disponibilidade do Grupo Pactual mesmo após as referidas capitalizações e incorporações realizadas nas holdings do grupo, caracterizada, inclusive, no litígio em questão, fraude à fiscalização tributária (tese da autoridade fiscal), versus b) A plena aplicabilidade do art. 135 do RIR/99, inclusive no caso de capitalização de lucros originados de resultados auferidos via Método de Equivalência Patrimonial (tese do autuado). Verifico que, no presente caso, o litígio, consiste, na forma de efl. 1074, das glosas dos seguintes aumentos de custo, decorrentes: a) da capitalização de lucros ocorrida em Pactual Participações Ltda. em 31/12/2005 (aumento de custo de R$ 4.585.793,00); b) da capitalização de lucros ocorrida em Nova Pactual Participações Ltda. em 13/10/2006 (aumento de custo de R$ 16.284.872,00) e c) da capitalização de lucros ocorrida em Pactual S.A. em 03/11/2006 (aumento de custo de R$ 22.411.981,00). Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.441 17 Assim, a glosa perpretada pela fiscalização atingiu um total de R$ 43.282.646,00, o que fez com que o custo alegado pelo contribuinte de R$ 58.545.680,81 (vide resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal – doc. 21 de efls. 34 a 38, a menos de pequenos arredondamentos) fosse reduzido, no âmbito da ação fiscal, para R$ 15.263.034,81, para fins de cômputo do ganho de capital quando da alienação de sua participação societária. In casu, noto que, ainda que o montante alegado pelo contribuinte como custo de suas ações alienadas esteja perfeitamente determinado a partir de cada capitalização ou investimento, na forma de demonstrativo de efl. 1074, entendo ter a Fiscalização utilizado como pressuposto o fato de que todas as capitalizações glosadas provieram de resultados auferidos pelas respectivas empresas onde ocorreram as capitalizações através do método de equivalência patrimonial, pressuposto este que entendo que deva ser validado a fim de que se reste seguro acerca da correção ou não da glosa efetuada, conforme se adote uma ou outra tese. Entendo, assim, inicialmente necessário que se esclareça, de forma exaustiva, a partir de cada capitalização ocorrida nas empresas Holdings objeto de glosa, que parcela do montante capitalizado de lucros ou reservas se originou através do método de equivalência patrimonial. Ou seja, deverá ser elaborado, para cada capitalização objeto de glosa, demonstrativo que segregue, da parcela capitalizada, que montante teria se originado de resultados de equivalência patrimonial e que parcela teria se originado de resultados próprios das holdings (se existentes), confirmandose ou refutandose, assim, a tese utilizada de que todo o montante capitalizado nas capitalizações objeto de glosa teria se originado através do resultado de participações societárias intragrupo. Ou seja, me posiciono no sentido de que, a fim de que se reste seguro na determinação do cálculo do custo a ser atribuído as ações, para ambas as hipóteses, se deva, a cada aumento efetuado via capitalização de lucros, poder segregar o quanto do montante capitalizado efetivamente proveio de resultados de equivalência patrimonial e o quanto não, mesmo aqui considerada a evidência nos autos de que todas as capitalizações provieram de resultados exclusivamente auferidos em investidas via método de equivalência patrimonial e originariamente auferidos no Banco Pactual S/A, evidência esta que porém, não julgo suficientemente esclarecedora de forma a firmar minha convicção. Entendo, a propósito, que tal validação esclarecedora, possa ser feita através da obtenção adicional : a) de demonstrativo onde, a partir do montante alegado como custo de ações pelo contribuinte, esteja segregada, para cada capitalização objeto de glosa pela autoridade fiscal (a saber: a) capitalização de lucros ocorrida em Nova Pactual Participações Ltda. em 31/12/2005 aumento de custo de R$ 4.585.793,00; b) capitalização de lucros ocorrida em Nova Pactual Participações Ltda. em 13/10/2006 aumento de custo de R$ 16.284.872,00 e c) capitalização de lucros ocorrida em Pactual S/A em 03/11/2006 aumento de custo de R$ 22.411.981,00), que parcelas do montante capitalizado teriam seria se originado de reservas ou lucros auferidos através do método de equivalência patrimonial (resultados de investida) e que parcelas teriam se originado de resultados próprios, se existentes. b) Nas empresas Pactual S/A (CNPJ 02.220.758/000160), Nova Pactual Participações Ltda. – antiga Pactual Participações S/A (CNPJ 02.220.756/000171), Pactual Holdings S/A (CNPJ 02.220.757/000116), Pactual Participações Ltda. (CNPJ 02.244.808/000140) e Banco Pactual S/A (CNPJ 30.306.294/000145), de razão analítico: Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.442 18 b.1) para todas as contas patrimoniais envolvidas em quaisquer aumentos de capital, destinação de resultados e eventos societários (todas as contas de patrimônio líquido, eventuais contas de passivo utilizadas para fins de capitalização, como créditos a receber por acionistas e contrapartidas ativas decorrente da integralização) e, ainda, para contas de apuração e destinação de resultados, desde o investimento inicial do autuado em empresas do grupo Pactual até a alienação de ações ocorridas em 2006. b.2) para as contas patrimoniais destinadas ao registro de Investimentos e para aquelas que registraram os resultados auferidos via Método de Equivalência Patrimonial, acompanhado, aqui, dos devidos balanços/balancetes da respectiva investida que suportaram tal contabilização, também para o mesmo período, desde o investimento inicial do autuado em empresas do grupo Pactual até a alienação de ações ocorridas em 2006. Assim, resumindo as considerações acima, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que sejam obtidos os seguintes elementos: a) de demonstrativo onde, a partir do montante alegado como custo de ações pelo contribuinte, estejam segregadas, para cada capitalização objeto de glosa pela autoridade fiscal, que parcelas do montante capitalizado teriam seria se originado de reservas ou lucros auferidos através do método de equivalência patrimonial (resultados de investida) e que parcelas teriam se originado de resultados próprios das holdings (se existentes). b) Nas empresas Pactual S/A (CNPJ 02.220.758/000160), Nova Pactual Participações Ltda. – antiga Pactual Participações S/A (CNPJ 02.220.756/000171), Pactual Holdings S/A (CNPJ 02.220.757/000116), Pactual Participações Ltda. (CNPJ 02.244.808/000140) e Banco Pactual S/A (CNPJ 30.306.294/000145), de razão analítico: b.1) para todas as contas patrimoniais envolvidas em quaisquer aumentos de capital, destinação de resultados e eventos societários (todas as contas de patrimônio líquido, eventuais contas de passivo utilizadas para fins de capitalização, como créditos a receber por acionistas e contrapartidas ativas decorrente da integralização) e, ainda, para todas as contas de apuração e destinação de resultados, desde o investimento inicial do autuado em empresas do grupo Pactual até a alienação de ações ocorridas em 2006. b.2) para as contas patrimoniais destinadas ao registro de Investimentos e para aquelas que registraram os resultados auferidos via Método de Equivalência Patrimonial, acompanhado, aqui, dos devidos balanços/balancetes da respectiva investida que suportaram tal contabilização, também para o mesmo período, desde o investimento inicial do autuado em empresas do grupo Pactual até a alienação de ações ocorridas em 2006. c) Excertos do livrosdiário, com a formalidade devida, onde estejam registrados os lançamentos constantes dos livrosrazão citados nos itens b.1 e b.2 supra, acompanhados de suas contrapartidas. O resultado da diligência deverá ser encaminhado através de relatório circunstanciado, com a devida ciência à autuada, abrindose prazo de 30 dias para sua manifestação. É como voto. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 12448.735952/201139 Resolução nº 2101000.204 S2C1T1 Fl. 1.443 19 HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Redator designado Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726886/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
DESCONSIDERAÇÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM EMPRESA CONTROLADA. POSSIBILIDADE.
Reveste-se de legalidade a ação do Fisco, sendo cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, uma vez evidenciado robustamente em procedimento fiscal a existência de ações praticadas pelo contribuinte visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, uma vez que o contribuinte se valeu de empresa controlada, gerada formalmente, com a aparente ocorrência de sociedade, para criar ou majorar artificialmente despesas relacionadas com as suas operações normais e para omitir receitas.
DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações, da efetividade, da normalidade e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Ademais, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Numero da decisão: 1402-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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POSSIBILIDADE. Revestese de legalidade a ação do Fisco, sendo cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, uma vez evidenciado robustamente em procedimento fiscal a existência de ações praticadas pelo contribuinte visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, uma vez que o contribuinte se valeu de empresa controlada, gerada formalmente, com a aparente ocorrência de sociedade, para criar ou majorar artificialmente despesas relacionadas com as suas operações normais e para omitir receitas. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações, da efetividade, da normalidade e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 68 86 /2 01 2- 63 Fl. 4758DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 2 ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Ademais, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 4759DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.759 3 Relatório Relatório elaborado pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez.: BANCO SEMEAR S.A, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 00.795.423/000145, com domicílio fiscal na cidade de Belo Horizonte, Estado da Minas Gerais, na Rua Paraíba Bairro Funcionários, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 4678/4714, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 4724/4756. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado, em 17/07/2012, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG os Autos de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 03/25), com ciência por AR, em 23/07/2012 (fl. 3511), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.308.041,33 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos da multa de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2008. Acrescidos, ainda, da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculos estimadas. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu que deveria haver as seguintes irregularidades: 1 OMISSÃO DE RECEITA DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITA: Dos R$ 9.023.774,90 declarados e escriturados pela SNV a título de Receita Bruta R$ 7.760.274,90 foram pagos pelo BANCO SEMEAR e o saldo restante (R$ 1.263.500,00) foi pago por outra empresa do grupo denominada Séculus da Amazônia Ind. e Com S/A. O que constata que a SNV prestou serviços no anocalendário fiscalizado única e exclusivamente ao grupo econômico a que pertence, não tendo prospectado clientes no mercado. Como concluiu se que a SNV nada mais é do que o próprio Banco Semear, destarte fica claro que os serviços prestados à Seculus da Amazônia foram efetivamente prestados pelo Banco Semear, o que enseja o lançamento dessa receita de prestação de serviços e demais receitas operacionais na qualidade de receita omitida na escrituração do Banco Semear no anocalendário de 2008, nos termos do art. 288 do RIR/1999 (Lei 9.249, de 1995). Ainda reconstituindo a verdade material dos fatos, uma vez que comprovado no presente feito que a SNV nada mais é do que filiais do Banco Semear, mascaradas com CNPJ próprio, deduzimos do IRPJ e CSLL apurados de ofício os valores declarados e pagos pela SNV dos tributos em questão. Infração capitulada nas seguintes normas legais: Lei nº 4.506, de 1964, arts. 45 e 47; Lei nº 6.404, de 1976, arts. 2°, 44 e 187, inciso II; Decreto Lei n° 1.598, de 1977, arts. 6°, 11 e 12; Lei nº 7.450, de 1985, art. 18; Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1°; e Lei nº 9.249, de 1995, arts. 4°, 6°, 24 e 25; 2 CUSTOS, DESPESAS OPERACIOAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS GLOSAS DE DESPESAS SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESAS CONTROLADAS: Em conformidade ao artigo 299 do RIR/1999, são Fl. 4760DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 4 inexistentes as despesas com serviços prestados ao Banco Semear S/A pela SNV. Buscando chegar à proximidade possível da verdade material dos fatos, simultaneamente à não aceitação da dedutibilidade das despesas com serviços prestados pela SNV, empresa controlada do Banco Semear, sem qualquer estrutura operacional e autonomia administrativa, trouxemos ao resultado do Banco a dedutibilidade de todas as despesas operacionais escrituradas pela mesma (grupo contábil 8.1, que inclui além das despesas administrativas as despesas de ISS, COFINS e PIS), chegando ao resultado tributável (glosas de despesas) de R$ 1.927.882,90, conforme se verifica nos demonstrativos. Infração capitulada nas seguintes normais legais: Lei nº 4.506, de 1964, arts. 45 e 47; Lei nº 6.404, de 1976, arts. 2°, 44 e 187, inciso II; Decreto Lei n° 1.598, de 1977, arts. 6°, 7°, 11 e 12; Lei nº 7.450, de 1985, art. 18; Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1°; e Lei nº 9.249, de 1995, arts. 4°, 6°, 24 e 25; 3 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Em decorrência da glosa das despesas e da receita omitida apurada nos meses em que o contribuinte fez opção pelo Balancete de Suspensão, fizemos a recomposição da estimativa que deveria ter sido recolhida e lançamos a multa isolada de 50% sobre a diferença entre o apurado e o Declarado/pago, conforme disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. Nos meses de fevereiro, março e abril em que a opção de estimativa foi pela Receita Bruta e acréscimos, fizemos também a recomposição e aplicamos o percentual de 16% sobre receita omitida, conforme demonstrado nos quadros abaixo. Outra relevante observação é a de que o contribuinte aplicou a alíquota de 16% para apurar a base de cálculo sobre receitas não operacionais sem guarida na legislação que determina acréscimo integral dessa receita. Infração capitulada nas seguintes normas legais: Lei nº 9.430 de 1996, arts. 2° e 44, inciso II; Decreto Lei nº 1598/77, arts. 6°, 11 e 12; Lei nº 8.981 de 1995, art. 37, § 1°; Lei nº 9.249 de 1995, arts. 4°, 6° e 24; Lei 7.450/85, art. 18; arts. 222 e 843 do RIR/99; Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430 de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11. 488/07. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 26/84) e Termos adicionais, baseado, em síntese nas seguintes considerações: que não é defeso que uma empresa terceirize suas operações a uma controlada, quando efetivamente os serviços são por ela executados, obedecendo ao princípio do “arms length” (negócios feitos sem favorecimento, ou seja, mesmo tratamento que confere a partes não relacionadas), e que tenha uma razoabilidade econômica, o que de fato n ao ocorreu, conforme a seguir exposto; que a empresa SNV (controlada do Banco Semear e seu correspondente bancário), embora tenha declarado no anocalendário de 2008 receita de serviços prestados na ordem de nove milhões de reais, manteve, ao longo de todo o período, Ativo Permanente de valor inferior a R$ 3.000,00, não possuindo, portanto, estrutura operacional para desempenhar seu objeto social. A maioria de suas filiais não possui Alvará de Licença, Localização e Funcionamento, e todas as notas fiscais de prestação de serviços no referido período foram emitidas pela matriz; que prestou serviço, única e exclusivamente, ao grupo econômico a que pertence, representando os serviços prestados ao Banco Semear 86% do total de sua receita, tendo optado pelo lucro presumido no período fiscalizado. No entanto, nem a SNV, nem o Banco Semear lograram comprovar a efetividade dos serviços prestados, apesar de intimados reiteradas vezes; Fl. 4761DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.760 5 que ausência de racionalidade econômica, na referida terceirização, uma vez que as despesas do Banco com os serviços supostamente prestados pela SNV foram superiores às despesas operacionais incorridas pela referida prestadora. Ou seja, seria menos oneroso ao Banco ele próprio arcar com os serviços terceirizados à sua controlada SNV, caso sua gestão fosse pautada por objetivos econômicos e empresariais verdadeiros; que O BANCO SEMEAR pagou um valor tão acima dos custos da SNV que possibilitou a esta a distribuição de lucros no montante de R$1.909.129,02. A conseqüência deste ato de superestimação da despesa foi uma redução do lucro real a que o BANCO SEMEAR está obrigado a declarar e a distribuição de lucros pela SNV, que optou pelo lucro presumido, a seus sócios que, não por acaso, são acionistas do Banco. Aliás, essa distribuição antecipada de lucros foi motivo de questionamento junto à SNV por contrariar o prazo legal para distribuição e por não guardar correspondência com os percentuais individuais de participação no capital social; que, no entanto, as aprovações para distribuição antecipada de lucros SÓ OCORRERAM nas Atas de Reunião de Sócios de 10/10/2008, de 05/11/2008, de 01/12/2008, de 17/12/2008 e 02/01/2009, quando praticamente todo o valor já havia sido distribuído ao longo do ano. Como explicar a distribuição antecipada sem o aval tempestivo dos Sócios? Por que os demais funcionários não foram contemplados exatamente no mesmo mês dessa distribuição de lucros? Qual o real motivo da distribuição em percentuais divergentes da participação no capital social? Fica bem claro que já era sabido o quanto seria o resultado na arquitetura desse planejamento tributário abusivo e qual a sua destinação; que o Banco Semear, em desconformidade isonômica com os demais Correspondentes Bancários, além da diferenciação nos percentuais de remuneração (já comentado no item 16 do presente termo), cedeu em comodato à SNV o espaço físico das instalações do Banco, conforme cláusula firmada no contrato e prestação de serviços; que não sendo ainda o bastante, o BANCO SEMEAR cedeu à SNV toda a estrutura mobiliária e de equipamento necessária, conforme resposta desta ao Termo de Diligência Fiscal lavrado em 15/07/2011; que analisandose o quadro de procuradores do BANCO SEMEAR e da SNV verificouse que à semelhança do que ocorre no quadro societário, tratamse praticamente dos mesmos mandatários; que analisando, ainda, a documentação apresentada pelo BANCO SEMEAR e pela SNV constatouse que sistematicamente os documentos (notas fiscais, contas de água, luz etc.) do Banco Semear eram recepcionados e autorizados os respectivos pagamentos por funcionários registrados na SNV, ocorrendo até o caso de alguns deles portarem carimbo do BANCO SEMEAR S/A; que apesar de não possuir filiais, foram identificados na escrituração do Banco Semear lançamentos contábeis de despesas administrativas, cujos históricos descrevem como sendo de escritórios em Aracaju, Londrina, Curitiba, Natal, Rio de Janeiro, São Luiz e Venda Nova, localidades estas onde, coincidentemente, constam filias da SNV; que com a glosa de despesas, infração cometida pela empresa fiscalizada, é alterado também o valor da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido levantado com base em balanço ou balancete de suspensão; Fl. 4762DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 6 que comprovado o artificialismo nas operações do Banco Semear S/A com a SNV Serviços e Negócios de Varejo Ltda., no procedimento fiscal, que culminou com a lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL com imposição de multa de ofício qualificada, foi constatada a prática de planejamento tributário abusivo envolvendo a simulação de contrato de terceirização de serviços firmado entre o Banco Semear S/A e sua controlada SNV, empresa esta existente apenas no mundo jurídico, pois, apesar de constituída formalmente, restou caracterizado no procedimento fiscal a inexistência de espaço físico próprio e estrutura operacional na empresa controlada, falta de autonomia administrativa, confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de administradores e procuradores, bem como funcionários registrados pelas empresas em questão interagindo no mesmo espaço físico e conferindo/assinando documentos do próprio Banco, comprovando que, de fato, trabalham e subordinamse a este, cujos objetivos principais são a desoneração da carga trabalhista (fuga da contratação de funcionários na categoria de bancário), incidência de menor tributação e facilidade de distribuição de lucros na opção lucro presumido (SNV), estando presentes, portanto, o dolo e o intuito de fraude, efetuamos o lançamento com imposição da multa de ofício de 150%, conforme disposto no art. 44, §1º da Lei 9.430/96. Em sua peça impugnatória de fls. 3519/3548, instruída pelos documentos de fls. 3549/4676 apresentada, tempestivamente, em 21/08/2012, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que de acordo com o Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração lavrado, o auditor fiscal não admitiu a dedutibilidade das despesas com pagamentos feitos à SNV Serviços e Negócios de Varejo Ltda., sob a alegação de que não houve a prestação dos serviços correspondentes. O auditor fiscal tenta justificar sua alegação amparado, em síntese, nos argumentos de que (a) a SNV é uma empresa controlada pelo Banco Semear S/A e (b) que não possuiria estrutura operacional para prestar tais serviços; que, nessa linha, tratou a impugnante e a SNV como se fossem uma só empresa. Assim, somou ao resultado da impugnante as receitas e despesas operacionais escrituradas pela SNV, bem como glosou as despesas escriturada pela impugnante relativas aos pagamentos pela prestação de serviços da SNV ao Banco; que exigiu multa isolada de 50% sobre os valores supostamente não recolhidos a título de antecipação no curso do anocalendário de 2008, bem como, multa de ofício qualificada por entender que houve “planejamento tributário abusivo envolvendo a simulação de contrato de terceirização de serviços firmados entre o Banco Semear e sua controlada SNV”; que, quanto a interpretação abusiva e equivocada do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Impugnante e a SNV. Desconsideração da existência de duas pessoas jurídicas distintas, é de se dizer que a Impugnante e a SNV possuem personalidades jurídicas distintas e, por força de lei, autonomia e independência patrimonial em relação uma à outra. Nesse sentido, determina o art. 985 do Código Civil; que o primeiro aspecto levantado pela Fiscalização para buscar descaracterizar a existência da SNV diz respeito à similaridade de acionistas verificada entre as duas empresas. Ora, a existência de pessoas jurídicas distintas, com objetos sociais distintos, CNPJ’s diferentes, mas com o mesmo (ou similar) quadro societário não é argumento suficiente para se desconstituir uma delas. Não existe norma que estabeleça que se duas ou mais empresas possuem os mesmos controladores, é sinal que uma delas não exista!; Fl. 4763DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.761 7 que o segundo aspecto abordado pela Fiscalização diz respeito à prestação de serviços entre empresas do mesmo grupo econômico. Também nesse ponto não assiste razão à Fiscalização. Isto porque não existe qualquer diploma legal que vede a contratação entre empresas de um mesmo grupo econômico; que o terceiro aspecto a ser analisado envolve a alegação da Fiscalização da ausência de racionalidade econômica da Impugnante na terceirização dos serviços à SNV. Essa assertiva, se já não fosse absurda, ainda viola o princípio da livre contratação, que garante às partes o poder de manifestar a própria vontade, contratando com quem quiser da maneira que escolherem. E a opção da Impugnante foi contratar a SNV, independentemente do preço do serviço por ela cobrado; que o último elemento diz respeito à alegação de ausência de estrutura operacional e autonomia administrativa da SNV (fls. 49). Também nesse ponto não merecem ser aceitas as conclusões da Fiscalização. Esse argumento se desmonta a partir da simples análise das folhas de pagamento da empresa (doc. nº 06) que demonstram a existência de mão deobra própria e em montante suficiente para as prestações dos serviços propostos; que a impossibilidade de a SNV ser uma “agência mascarada” da Impugnante. Normas que regulam as atividades das instituições financeiras, portanto, somente pelo fato de a Impugnante ser uma instituição financeira é possível afastar a assertiva do Fisco que culminou com a desconsideração da existência da SNV. Isso porque, por ser instituição financeira, a Impugnante está submetida a regras específicas desde a sua constituição e ao longo do desenvolvimento de suas atividades; que o Fisco afirma que “a contabilidade do BANCO SEMEAR S/A está em desacordo com o Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional – COSIF”. Se essa assertiva fosse verdadeira, caberia ao Banco Central do Brasil e aos Auditores Independentes tomarem as medidas cabíveis contra o descumprimento de normas regulamentadoras. Ocorre que qualquer medida foi adotada conta a Impugnante, pelo simples fato que se trata de mais uma afirmação que não possui qualquer respaldo; ao contrário, o que ocorre na realidade com a Impugnante é que ela obteve parecer favorável da Auditoria Externa para o anocalendário de 2008, atestando a adequação de seus registros contábeis EM PERFEITA CONFORMIDADE COM O COSIF. (doc. nº 07); que das multas impostas à impugnante, portanto o não cabimento da multa de ofício qualificada, a inexistência da comprovação de dolo ou fraude, sendo assim, essa suposta conduta da Impugnante culminou na aplicação, pelo Fisco, da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96; que por absurdo, se admitisse o entendimento do Fisco de que os sócios da ora Impugnante constituíram a SNV somente para prestar serviços a ela (Impugnante), com o intuito de reduzir a carga tributária, nem nessa hipótese seria cabível a multa de ofício qualificada de 150%. Essa é a posição do CARF; que a impossibilidade de cumulação de penalidades para o mesmo fato é exorbitância das multas aplicadas, ou seja, pela leitura dos dispositivos citados, é indubitável que a Fiscalização fez cumular a aplicação da multa isolada e da multa e ofício sobre a mesma base de cálculo; Fl. 4764DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 8 que o caráter confiscatório das penas cumulativamente impostas à Impugnante, sendo assim, não bastasse o fato de que constitui verdadeiro bis in idem a cumulação das multas de ofício e isolada sobre a mesma infração (mesma base de cálculo), a ilegalidade da conduta fiscal é reforçada, ainda, pelo fato de que referida cumulação implica patente confisco ao patrimônio da Impugnante. Na Sessão de Julgamento de 22 de janeiro de 2013, resolvem os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para sanar uma possível falha ocasionada em função de uma eventual cientificação incompleta do TVF e no intuito de garantir a ampla defesa do contribuinte, requisito fundamental, necessário e indispensável à regular formação do processo administrativo fiscal, proponho o retorno do presente processo à DRF de origem para que seja realizada diligência, exclusivamente para cientificar o contribuinte das folhas faltantes do TVF original (arquivo PDF de fls. 49/51), anexadas aos autos na fase de julgamento, documento de fls. 4630/4632. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 21/01/2014, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG concluíram pela procedência do lançamento e pela manutenção do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, quanto a admissibilidade e tempestividade da impugnação, é de se dizer que o Decreto nº 70.235, de 1972, rege o processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da união (art. 1°). No art. 15 consta que a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência; que, quanto ao resumo da lide, é de se dizer que o presente lançamento da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, e respectivo reflexo, a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, bem como das respectivas Multas Isoladas pela falta do recolhimento mensal do imposto e da contribuição devidos com base em balancetes de suspensão ou redução; que discordando do lançamento, o Contribuinte apresentou argumentos de defesa, onde combateu as infrações ou irregularidades que o Fisco lhe imputou. Nesse sentido, substancialmente, (i) questiona os demonstrativos fiscais de apuração do crédito tributário, (ii) alega que houve interpretação abusiva e equivocada do contrato de prestação de serviços firmado entre o Banco Semear e sua controlada a SNV, (iii) argumenta a impossibilidade de a SNV ser uma “agência mascarada” do Banco Semear e (iv) discorda das multas exigidas de ofício, combatendo a qualificação no percentual de 150%, por inexistência de sonegação ou fraude, aplicada ainda simultaneamente (bis in idem) à multa exigida isoladamente pelo falta do recolhimento mensal do imposto e da contribuição devidos com base em balancetes de suspensão ou redução; que, quanto ao IRPJ CSLL, despesas/custos não efetivos omissão de receitas e planejamento tributário, é de se dizer que conforme pormenorizadamente descrito no TVF e nos demonstrativos fiscais, a presente tributação envolveu um planejamento tributário perpetrado pelo Banco Semear que se valeu de empresa controlada, a SNV, para criar ou majorar artificialmente despesas relacionadas com as suas operações normais vinculadas às atividades pertinentes a uma instituição financeira (p.ex, captação de crédito) e para omitir receitas de serviços prestados indiretamente através da sua controlada, a SNV, a outra empresa do mesmo grupo econômico, a Séculus da Amazônia; Fl. 4765DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.762 9 que na defesa a Impugnante disse que houve uma interpretação abusiva e equivocada do contrato de prestação de serviços pactuado entre ela e a sua controlada a empresa SNV e que o Fisco desconsiderou que existem, segundo a lei civil, duas pessoas jurídicas distintas, autônomas e independentes entre si, embora possuam o mesmo ou similar quadro societário; que as provas carreadas aos autos pela Fiscalização corroboram o procedimento por ela adotado; que a lei exige que os custos ou despesas sejam registrados na escrituração contábil da empresa, devendo ser identificadas, quer sob aspectos formais (documentação hábil e idônea, como notas fiscais ou recibos), quer sob aspectos intrínsecos (identificação da operação, efetividade da operação e do respectivo pagamento, identificação do beneficiário, etc.); que a glosa de custos/despesas não efetivos, no TVF, os demonstrativos, argumentos e fatos expostos pela Fiscalização evidenciam muito robustamente que houve sim um planejamento tributário abusivo, na medida em que os valores pagos, no período fiscalizado (anocalendário de 2008), pelo Banco Semear à sua controlada, a empresa SNV, ultrapassaram em muito ao que seria o razoável, acaso houvesse contrato pactuado entre partes independentes entre si; que, então, por ser indedutível, na medida em que não correspondiam a efetiva prestação de serviços, foram feitas as glosas dessas despesas, consoante os demonstrativos fiscais contidos no TVF (fls. 4630/4632); que, quanto à omissão de receita apurada, é de se dizer que no mesmo passo, no bojo do planejamento tributário considerado pela Fiscalização, as receitas de prestação de serviços escrituradas pela SNV, no período fiscalizado, recebidas de outra empresa do mesmo grupo econômico, a Séculus da Amazônia Ind. e Com. S/A, foram tratadas como receitas próprias do Banco Semear, tendo em vista a constatação feita no procedimento fiscal que a SNV nada mais era que o próprio Banco Semear; que, quanto aos demonstrativos de determinação dos valores lançados, é de se dizer que, no caso vertente, para determinar os valores devidos a título de IRPJ e CSLL, a Fiscalização efetuou os acertos que entendeu cabíveis, consoante devidamente indicado no TVF (fls. 4630/4632); que no intuito de reconstituir a verdade material dos fatos, o Fisco deduziu diretamente, nos respectivos anexos dos autos de infração, dos valores apurados de ofício a título de imposto e contribuição social, os correspondentes valores declarados ou pagos pela SNV relativamente aos mencionados tributos (vide fls. 09 e 20); que, portanto, não existem reparos a fazer nos demonstrativos fiscais de determinação dos valores lançados; que, quanto ao planejamento tributário, é de se dizer que resta evidente que restou evidenciado a realização de planejamento tributário, visando suprimir o recolhimento de valores relativos ao IRPJ e à CSLL, por via de criação artificial de despesas, geradas através de simulação, com a aparente ocorrência de prestações de serviços entre empresas do mesmo grupo econômico; Fl. 4766DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 10 que não encontra respaldo na Contabilidade, não sendo possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um custo ou despesa quando originada de uma transação entre partes relacionadas. Esse impedimento decorre da Ciência Contábil e foi consagrado pelo Conselho Federal de Contabilidade que o enunciou, expressamente, como conseqüência do Princípio do Registro pelo Valor Original, consoante art. 7º da Resolução CFC nº 750/1993; que, quanto aos princípios legais dos contratos e simulação, é de se dizer que cabe ressaltar alguns princípios básicos que norteiam os negócios jurídicos, os contratos e os seus vícios, à luz do Código Civil Brasileiro, instituído pela Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que entrou em vigor em janeiro de 2003; que, em suma, no caso concreto, verificase a simulação maliciosa em prejuízo da lei fiscal brasileira, fato esse que dá legalidade a ação do Fisco procedida a bem do interesse público no crédito tributário que deixou ser recolhido pelo Impugnante; que por decorrência, o mesmo procedimento adotado para o IRPJ (glosa de custos ou despesas e apuração de omissão de receitas) repercute diretamente na CSLL; que, quanto as multa aplicadas no lançamento, é de se dizer a base legal das penalidades aplicadas no presente lançamento está prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), “in verbis”; que as multas isoladas, com base no transcrito art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, no presente lançamento, exigemse as multas isoladas pela falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, devidos com base em balancetes de suspensão ou redução; que, mais ainda, nem mesmo entre os enunciados do CARF e as outras súmulas, para as quais não foi atribuído efeito vinculante, há qualquer um que afaste a aplicação simultânea da multa de ofício proporcional, incidente sobre o imposto ou a contribuição não recolhidos, com a exigida isoladamente, apurada em função das estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos ou balanços de suspensão/redução; que as súmulas e enunciados do CARF foram consolidados na Portaria/CARF nº 49, de 1º de dezembro de 2010, DOU de 09 de dezembro de 2010; que da multa qualificada, no caso concreto, o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996 (acima transcrito), segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964; que em suma, existiu, pois, uma simulação maliciosa feita no intuito de violar a lei fiscal brasileira (como se viu no tópico anterior). Vislumbrase, nessa montagem, a sonegação ou a fraude, nos termos definidos na Lei 4.502, de 1964 (acima transcrita); que, portanto, no TVF, restou devidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, fato esse definido em lei como suficiente para autorizar a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%; que as demais questões do confisco, a defesa discorre acerca de princípios constitucionais, tais como, Não Confisco Proporcionalidade e Capacidade Contributiva; Fl. 4767DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.763 11 que, entretanto, vale considerar que o princípio contido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco; que no caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança dos tributos e das multas de ofício lançados sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória ou da violação aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e moralidade. A decisão de Primeira Instância esta consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM EMPRESA CONTROLADA. Revestese de legalidade a ação do Fisco, sendo cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, uma vez evidenciado robustamente em procedimento fiscal a existência de planejamento tributário com fraude à lei fiscal, visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, uma vez que o contribuinte se valeu de empresa controlada, gerada formalmente, com a aparente ocorrência de sociedade, pra criar ou majorar artificialmente despesas relacionadas com as suas operações normais e para omitir receitas. CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. MULTA PROPORCIONAL E EXIGIDA ISOLADAMENTE. Verificada a falta de pagamento da contribuição por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não Fl. 4768DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 12 recolhidos; e a contribuição apurada em 31 de dezembro, caso não recolhida, acrescida de multa de ofício. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 08/02/2014, conforme Termo constante à fl. 4723, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (26/02/2014), o recurso voluntário de fls. 4724/4756, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que as razões para a reforma da decisão, portanto, como já foi dito, a Fiscalização cometeu equívocos na lavratura do Auto de Infração que não foram adequadamente analisados quando do julgamento da impugnação, mas que, um a um, serão novamente combatidos no presente Recurso Voluntário; que, finalmente, o último elemento diz respeito à alegação de ausência de estrutura operacional e autonomia administrativa da SNV (fls. 49). Também nesse ponto não merecem ser aceitas as conclusões da Fiscalização. Esse argumento se desmonta a partir da simples análise das folhas de pagamento da empresa outrora inseridas nos autos, que demonstram a existência de mãode obra própria e em montante suficiente para as prestações dos serviços propostos; que a impossibilidade de a SNV Serviços e Negócios de Varejo Ltda, ser “agência mascarada” do Banco Semear S.A, normas que regulam as atividades das Instituições Financeiras, ou seja, a afirmação do Fisco de que SNV Serviços e Negócios de Varejo é uma agência filial da Recorrente ainda merece ser analisada sob outro aspecto; que caberia ao Banco Central do Brasil e aos Auditores Independentes tomarem as medidas cabíveis contra o descumprimento de normas regulamentadoras. Ocorre que qualquer medida foi adotada contra a Instituição Financeira, pelo simples fato que se trata de mais uma afirmação que não possui qualquer respaldo; ao contrario, o que ocorre na realidade com a Recorrente é que ela obteve parecer favorável da Auditora Externa para o ano calendário de 2008, atestado a adequação de seus registros contábeis em perfeita conformidade com o COSIF; que independentemente dos equívocos cometidos pela Fiscalização na lavratura do Auto de Infração e que fulminam a existência da obrigação principal, nem mesmo as multas impostas à Recorrente merecem ser canceladas; que a inexistência da comprovação de dolo ou fraude, como já exaustivamente relatado, os Auditores Fiscais, ao efetuarem o presente lançamento, Fl. 4769DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.764 13 desconsideraram a personalidade jurídica da SNV Serviços e Negócios de Varejo Ltda, e entenderam que a Instituição Financeira valeuse da primeira Empresa para realizar um planejamento tributário abusivo; que incabível, a multa de ofício qualificada, no patamar de 150%; que da impossibilidade de cumulação de penalidades para o mesmo fato, a exorbitância das multas aplicadas, ou seja, conforme atestado no Termo de Verificação Fiscal (51 a 62), os Auditores responsáveis pela autuação aplicaram a multa isolada sobre os valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa não recolhidos; que a fiscalização ao cumular dupla penalidade sobre uma mesma, e suposta infração, ainda que o tenha feito em virtude da viciosa redação dos dispositivos que fundamentaram a punição. Diante disso, e porque a própria lei não permite, com clareza, saber qual das duas punições cumuladas foi equivocadamente imposta, impende afastar aquela que mais onerou o sujeito passivo (a multa de ofício, no caso), sob pena de ofensa direta e literal ao Código Tributário Nacional, art. 112; que o caráter confiscatório das penas cumulativamente imposta à Recorrente, não bastasse o fato de que constitui verdadeiro bis in idem a cumulação das multas de ofício e isolada sobre a mesma infração (mesma base de cálculo), a ilegalidade da conduta fiscal é reforçada, ainda, pelo fato que referida cumulação implica patente confisco ao patrimônio da Instituição Financeira; que e inadmissível que as sanções impostas ao contribuinte pelo não recolhimento de tributos superem o próprio valor do tributo alegadamente não pago (na hipótese, somadas as multas de ofício e isolada, chegase ao patamar de 200% a incidir sobre o valor do principal), com o que alcançam efetivamente intuito arrecadatório e, mais do que isso, dilapidam o patrimônio do sujeito passivo tido por infrator. É o relatório. Fl. 4770DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 14 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator ad hoc Tendo em vista impossibilidade do Conselheiro Paulo Roberto Cortez formalizar a decisão, passo a redigila ressalvando que o posicionamento aqui explanado reflete o entendimento do Relator original, expresso na decisão publicada na Ata de Reunião de Julgamento de 24/03/2015. “O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. Cuida o presente lançamento da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, e respectivo reflexo, a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, bem como das respectivas Multas Isoladas pela falta do recolhimento mensal do imposto e da contribuição devidos com base em balancetes de suspensão ou redução. A tributação decorreu das infrações constatadas no curso do procedimento fiscal, caracterizadas (i) pelas glosas de despesas decorrentes de serviços supostamente prestados por empresa controlada SNV, pelo Banco Semear ou cujos valores cobrados excedem em muito aos de mercado, ou seja, aqueles cobrados por empresas não ligadas pela prestação dos mesmos serviços; (ii) também as receitas auferidas pela SNV com prestação de serviços à Séculus da Amazônia Ind. e Com. S/A (outra empresa que faz parte do mesmo grupo econômico) foram consideradas no lançamento, como omissão de receitas do Banco Semear. A ação fiscal encontrase narrada no TVF. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, com base no art. 957, II, do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996), porque a Fiscalização entendeu que a conduta do recorrente não foi senão a prática de planejamento tributário abusivo, envolvendo a simulação de contrato de terceirização de serviços firmado entre o Banco Semear e a sua controlada a SNV, empresa essa existente apenas no mundo jurídico. Tal conduta (fatos pormenorizadamente descritos no TVF), caracterizou o evidente intuito de fraude, como definido na Lei nº 4.502, de 1964, arts. 71 a 73. Discordando do lançamento, o recorrente apresentou argumentos de defesa, onde combateu as infrações ou irregularidades que o Fisco lhe imputou. Nesse sentido, substancialmente, (i) questiona os demonstrativos fiscais de apuração do crédito tributário, (ii) alega que houve interpretação abusiva e equivocada do contrato de prestação de serviços firmado entre o Banco Semear e sua controlada a SNV, (iii) argumenta a impossibilidade de a SNV ser uma “agência mascarada” do Banco Semear e (iv) discorda das multas exigidas de ofício, combatendo a qualificação no percentual de 150%, por inexistência de sonegação ou fraude, aplicada ainda simultaneamente (bis in idem) à multa exigida isoladamente pelo falta do recolhimento mensal do imposto e da contribuição devidos com base em balancetes de suspensão ou redução. O presente voto procederá a análise dos fatos de acordo com a ordem seqüencial do lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Fl. 4771DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.765 15 1 IRPJ. CSLL. DESPESAS/CUSTOS NÃO EFETIVOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. No entendimento da autoridade fiscal lançadora, a presente tributação, resultou de um planejamento tributário perpetrado pelo Banco Semear que se valeu de empresa controlada, a SNV, para criar ou majorar artificialmente despesas relacionadas com as suas operações normais vinculadas às atividades pertinentes a uma instituição financeira e para omitir receitas de serviços prestados indiretamente através da sua controlada, a SNV, a outra empresa do mesmo grupo econômico, a Séculus da Amazônia. Dentre os vários argumentos utilizados pela autoridade fiscal lançadora, salientase: (i) “ambas as empresas, Banco Semear e SNV, tem a sua Matriz estabelecida no mesmo endereço; (ii) a SNV pertence aos diretores/administradores do Banco Semear;(iii) a SNV, no anocalendário fiscalizado, prestou única e exclusivamente serviços ao grupo econômico a que pertence (Banco Semear e Séculus da Amazônia Ind. e Com. S/A); (iv) o tratamento diferenciado conferido a uma empresa controlada (SNV), uma vez que os percentuais de remuneração não foram os mesmos aplicados aos demais correspondentes bancários; (v) o Banco Semear, após devidamente intimado, não comprovou a efetividade dos serviços prestados pela SNV, uma vez que apresentou apenas uma planilha relacionando a produção das operações de crédito realizadas pela SNV, mas sem a devida comprovação de que, “de fato”, foram realizadas pela SNV; (vi) a SNV não dispõe de Alvarás de Licenças para Funcionamento e Localização da maioria das suas filiais (foi apresentada cópia do Alvará de Licença da filial de LondrinaPR); (vii) o Banco Semear cedeu em comodato à SNV o espaço físico das instalações do Banco para sua utilização (da SNV), arcando também com as despesas de IPTU, condomínios e outras; (viii) cedeu ainda à SNV toda a estrutura mobiliária e de equipamento necessária para o seu funcionamento e (ix) a Fiscalização constatou que sistematicamente os documentos do Banco Semear (notas fiscais, contas de água, luz, etc.) era recepcionados e autorizados os respectivos pagamentos por funcionários registrados na SNV.” Não tenho dúvidas, que o raciocínio utilizado pela autoridade lançadora pode ser contestado, evidentemente, desde que seja feita de forma clara, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização. Ou seja, qualquer fato e/ou qualquer presunção utilizada pela fiscalização pode ser contestada, quando um juízo razoável de determinado fato não leva à existência do fato que se pretende provar. Da análise das peças processuais, não há dúvidas que o caso em discussão aborda a questão de simulação. Diante desse fato, se faz necessário em primeiro lugar uma abordagem nos tópicos ligados ao assunto (simulação), já que se trata de um assunto polêmico e, por vezes, controvertido. Os limites da legalidade, desses instrumentos utilizados nos planejamentos tributários, são fundamentadamente contestados sob o argumento que o ato imponível que deixa de ocorrer por manobras do contribuinte, deve ser tributado, pois a inteligência e a criatividade do planejamento tributário não podem ser ilimitadas, devem sofrer restrições. Etimologicamente, a palavra simulação significa fingir, negar a verdade, designar algo como um conceito contrário à representação mental de um determinado objeto, uma dissociação entre o real e o aparente. A simulação é considerada um instituto de Direito Civil e compreende, dessa forma, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em Fl. 4772DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 16 lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. Para Clóvis Beviláqua, numa visão tradicional, ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Definise, portanto, negócio simulado como aquele que não traduz a realidade, porque não existe realmente e é diverso daquele que aparenta ser, verificandose, sempre, a intenção de que o ato produza efeito diverso do indicado na sua feitura. Heleno Tôrres discorre a cerca da simulação considerando três visões doutrinárias baseadas na doutrina italiana: a declarativista, que conceitua a simulação como uma divergência entre a vontade do conteúdo e a vontade da declaração, tomando a declaração como elemento de identificação formal do negócio e o elemento subjetivo constituído pela vontade do conteúdo; a causalista, na qual a simulação é a divergência entre a intenção prática e a causa típica do negócio jurídico, estando, nesta acepção, o elemento de identificação formal do negócio fundado na causa do respectivo negócio e o elemento subjetivo determinado pela intenção prática; e a voluntarista, para qual a simulação decorre de uma vontade declarada pelas partes, deliberadamente desconforme com a intenção dos sujeitos. Destarte, o autor conclui que a grande dificuldade se concentra mais na definição de negócio jurídico, ou seja, uma tomada de posição prévia sobre o tipo de orientação a respeito da teoria dos negócios jurídicos em geral, do que propriamente na demarcação correta do conceito de simulação. A simulação lato sensu, pode ser dividida em simulação absoluta e relativa, residindo a diferença entre elas no querer, ou não, a realização do ato que aparece, ou de outro ato qualquer. Na simulação absoluta o ato é inexistente, não entra no mundo jurídico, pois nenhum ato jurídico se teve a intenção de praticar, nem o aparente, nem qualquer outro. Já na simulação relativa existe um ato que aparece, porém não condiz com a real intenção do agente quanto ao seu conteúdo, no todo ou em parte, que se realiza com o intuito de dissimular outro ato cujas conseqüências jurídicas são as efetivamente desejadas. Desse modo, podese observar que existem dois tipos de ato na simulação relativa, o ato simulado, aquele que aparece; e o ato dissimulado àquele que realmente se pretende, mas que não está aparente. Não tenho dúvidas de que a atividade exercida pelo contribuinte no sentido de buscar o menor ônus tributário possível em sua vida e seus negócios é legítima e conduz à elisão fiscal quando preenchidos os seguintes requisitos: a) Anterioridade ao fato gerador. Os atos sejam praticados antes da materialização da hipótese de incidência prevista hipoteticamente em lei; b) Licitude dos atos praticados. Os atos praticados sejam lícitos e possíveis e não vedados pelo ordenamento; e, c) Não caracterização de simulação. Os atos praticados sejam reais e não sejam simulados. Como assevera com o tradicional brilhantismo Ricardo Mariz de Oliveira (in "Reflexos do Novo Código Civil no Direito Tributário", Quartier Latin, p. 200), o terceiro requisito (não caracterização de simulação) é propositalmente redundante, já que está contido no segundo (licitude dos atos). Fl. 4773DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.766 17 De fato, a caracterização de simulação implica a ilicitude dos atos praticados, o que resulta no não preenchimento do segundo requisito. A ênfase à simulação, segregandoa em requisito apartado, decorre da circunstância de que experiência indica que na grande maioria dos casos é a sua verificação que conduz à evasão fiscal e à descaracterização dos efeitos fiscais mais vantajosos visados pelo contribuinte. Voltando à simulação, que é um dos objetos de discussão nos presentes autos, é em sua caracterização que surgem as maiores divergências, embora muitas vezes elas não restem bem explicadas conceitualmente. Nunca foi tradição de nosso ordenamento a instituição de uma regulação tributária de simulação, permanecendo esta no âmbito do direito privado, embora com possibilidade de utilização na esfera fiscal. O art. 102 do Código Civil de 1916 (reproduzido sem alterações no art. 167, parágrafo 1° do Código Civil de 2002), vigente à época dos fatos examinados nos presentes autos, assim estabelecia: Art. 102. Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: I — quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem se confere, ou transmitem; II — quando contiverem declaração, confissão, condição, ou cláusula não verdadeira; III — quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Todas as hipóteses no dispositivo conduzem a uma divergência entre a vontade real, efetiva, e a vontade declarada por quem pratica o ato. Nesse sentido, as hipóteses dos incisos I (declaração não verdadeira quanto à pessoa a quem se transmite o direito) e III (declaração não verdadeira quanto ao tempo da prática do ato) não deixam de estar contidas naquela mais genérica contida no inciso II, que sintetiza a formulação da simulação como o vicio que inquina os atos que não sejam reais por conter declaração ou confissão, condição, ou cláusula não verdadeira. Tal declaração falsa pode ter por objetivo fingir uma realidade inexistente (simulação absoluta) ou fingir que não existe uma realidade efetivamente existente (simulação relativa ou dissimulação). E é precisamente neste ponto que residem às grandes divergências práticas de qualificação dos atos na esfera fiscal, muitas vezes envoltas em falsas dicotomias como aquela que trata da prevalência da forma sobre a substância ou viceversa. Em matéria fiscal parece haver três aspectos envolvidos na adequada caracterização dos atos simulados pela fiscalização e desconstituição de seus efeitos. O aspecto relativo à substância dos atos praticados é o que envolve maior carga de subjetivismo, já que tem relação direta com a aferição da existência de uma declaração não verdadeira ou de uma divergência entre a vontade real e a declarada. Fl. 4774DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 18 Como não há forma de adentrar à psique de quem praticou os atos para aferir com exatidão a existência de tal divergência, mister se faz examinar a exteriorização dos atos para verificar se houve coerência entre as formas de direito privado adotadas e aquilo que efetivamente se praticou e se as partes assumiram todas as conseqüências e ônus, de toda sorte (jurídico, fiscais, operacionais, negociais, etc.) da forma jurídica adotada. Não se cuida, com isso, de tributar o ato segundo o resultado econômico por ele perpetrado, no moldes da teoria da interpretação econômica incompatível com o princípio da legalidade, eis que o contribuinte tem o direito de, dentre duas ou mais alternativas juridicamente viáveis para atingir determinado objetivo econômico ou de outra natureza, adotar aquela que seja menos onerosa do ponto de vista fiscal. Entretanto, ao escolher uma alternativa, ainda que motivado pelo objetivo de redução da carga tributária, deve o contribuinte assumir todas as conseqüências e ônus dela decorrentes e deve haver coerência jurídica, no âmbito do direito privado, entre a forma adotada e sua implementação prática, mesmo que referida forma não esteja sendo adotada para o seu fim típico ou tradicional, caracterizando o negócio jurídico indireto, plenamente viável em nosso ordenamento. Ora, a autoridade fiscal lançadora apontou diversas situações que demonstra claramente de que houve a simulação, entre eles, podemos citar as seguintes: (i) ambas as empresas, Banco Semear e SNV, tem a sua Matriz estabelecida no mesmo endereço; (ii) a SNV pertence aos diretores/administradores do Banco Semear; (iii) a SNV, no anocalendário fiscalizado, prestou única e exclusivamente serviços ao grupo econômico a que pertence (Banco Semear e Séculus da Amazônia Ind. e Com. S/A); (iv) o tratamento diferenciado conferido a uma empresa controlada (SNV), uma vez que os percentuais de remuneração não foram os mesmos aplicados aos demais correspondentes bancários; (v) o Banco Semear, após devidamente intimado, não comprovou a efetividade dos serviços prestados pela SNV, uma vez que apresentou apenas uma planilha relacionando a produção das operações de crédito realizadas pela SNV, mas sem a devida comprovação de que, “de fato”, foram realizadas pela SNV; (vi) a SNV não dispõe de Alvarás de Licenças para Funcionamento e Localização da maioria das suas filiais (foi apresentada cópia do Alvará de Licença da filial de LondrinaPR); (vii) o Banco Semear cedeu em comodato à SNV o espaço físico das instalações do Banco para sua utilização (da SNV), arcando também com as despesas de IPTU, condomínios e outras; (viii) cedeu ainda à SNV toda a estrutura mobiliária e de equipamento necessária para o seu funcionamento e (ix) a Fiscalização constatou que sistematicamente os documentos do Banco Semear (notas fiscais, contas de água, luz, etc.) era recepcionados e autorizados os respectivos pagamentos por funcionários registrados na SNV. Assim, não tenho dúvidas de que revestese de legalidade a ação do Fisco, sendo cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, uma vez evidenciado robustamente em procedimento fiscal a existência de ações praticadas pelo contribuinte visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, uma vez que o contribuinte se valeu de empresa controlada, gerada formalmente, com a aparente ocorrência de sociedade, para criar ou majorar artificialmente despesas relacionadas com as suas operações normais e para omitir receitas 1.1 – GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS NÃO EFETIVOS. Alega a autoridade fiscal lançadora que buscando chegar à proximidade possível da verdade material dos fatos, simultaneamente a não aceitação da dedutibilidade das despesas com serviços prestados pela SNV, empresa controlada do Banco Semear, sem qualquer estrutura operacional e autonomia administrativa, trouxemos ao resultado do Banco a Fl. 4775DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.767 19 dedutibilidade de todas as despesas operacionais escrituradas pela mesma (grupo contábil 8.1, que inclui além das despesas administrativas as despesas de ISS, COFINS e PIS), chegando ao resultado tributável (glosas de despesas) de R$ 1.927.882,90. É certo de que a lei, não podendo prever uma a uma as inumeráveis atividades e espécies de gastos da empresa, parte da definição genérica de que todos os custos e todas as despesas são admitidos na apuração da base de cálculo do imposto de renda e estabelece as exceções para o cálculo do lucro tributável, que consistem: (1) na não dedutibilidade, ou (2) na limitação do valor dedutível, ou (3) na subordinação da dedutibilidade ao preenchimento de determinadas condições. Excepcionalmente, há dispositivos relativos (1) ao momento em que o custo ou despesa pode ser debitado a lucros e perdas, ou (2) à opção para levar custos à despesa, ou (3) à dedução a título de incentivo fiscal. Em vista disso, não há na lei relação de custos e despesas dedutíveis. Ao contrário, há apenas as exceções. Assim, o procedimento para se saber se um custo ou despesa é dedutível, consiste no seguinte: ∙ verificar se existe dispositivo legal específico tratando da mesma; ∙ se existir, o tratamento fiscal seguirá o dispositivo específico; ∙ se não existir, os custos serão dedutíveis, observadas a sua distinção com o ativo permanente, circulante e realizável; Se não existir, as despesas serão dedutíveis se observadas as quatro regras gerais básicas para dedutibilidade, que são: 1ª Os valores não serem passíveis de apropriação direta em custos e não constituírem inversões de capital; 2ª Serem despesas necessárias, entendidas assim as essenciais, normais e vinculadas à fonte produtora dos rendimentos; 3ª Serem comprovadas e escrituradas; 4ª Serem debitadas no períodobase competente. Indubitavelmente, as regras dois e três oferecem as maiores dificuldades de análise. Deveras, à primeira vista, parece que o conceito de necessidade, por ser oposto ao de mera liberalidade, seria definido por critérios puramente subjetivos. Todavia, não é assim: ele deve ser corolário direto da relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. Portanto, consequência direta do confronto entre duas situações de fato: gastos versus receitas. A comprovação, por seu turno, resulta de outros fatores: primeiro, a contabilização há que estar respaldada na plena identificação da despesa tanto no seu aspecto formal, mediante faturas, notas fiscais, recibos, etc., como no aspecto intrínseco, com a identificação da operação, quantidade, valor, partes envolvidas, etc.; segundo, há de haver prova plena da efetividade da prestação do serviço ou da entrega do bem. Assim, é de se observar de que as despesas escrituradas, para serem dedutíveis na apuração do lucro real, devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea, cuja apresentação é obrigação da contribuinte, sendo que a sua inobservância sujeita a empresa à glosa dos valores não comprovados na determinação do lucro tributável. Fl. 4776DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 20 É de se ressaltar, que todos os encargos necessários à atividade da empresa e à sua manutenção, que não fazem parte do custo, classificamse como despesas operacionais. Para apuração do lucro operacional deduzse das receitas, além dos custos, as despesas administrativas, despesas com vendas, despesas financeiras e demais despesas operacionais. A dedutibilidade de despesa está condicionada que a mesma seja operacional, isto é, necessários à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Não deve o Fisco, portanto, desconsiderar as despesas que atendam às condições de operacionalidade que se caracterizam pela necessidade e pertinência com a atividade empresarial desenvolvida pela recorrente. De acordo o regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) são despesas operacionais e encargos: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; (...) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) Art. 299. São despesas operacionais as despesas não computas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fica evidente da análise do dispositivo supra transcrito que para que uma despesa seja considerada dedutível, para fins de Imposto de Renda da pessoa Jurídica, que ela não pode ser custo e tem que ser necessária à atividade da empresa e usual ou normal do tipo de operação desempenhada. Fl. 4777DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.768 21 Tais regramentos são claros e suficientes para que uma pessoa jurídica saiba exatamente que despesa pode deduzir. Afinal, cada empresa tem pleno domínio das despesas necessárias e usuais a sua atividade. Por outro lado, observase que mesmo com todo esforço administrativo, doutrinário e jurisprudencial, os questionamentos e discussões sobre o assunto se mantêm até hoje. Ainda mais com a constante e intensa diversificação da atividade produtiva das empresas que cada vez incorrem nas diferentes despesas para dar conta do seu funcionamento. No entanto, independentemente das situações se faz necessário que a fiscalização leve em consideração a diretriz objetiva da legislação do IRPJ e o funcionamento de tal imposto com base nos parâmetros constitucionais, e não as possíveis acepções que o termo despesas necessárias e usuais possa vir a ter nos mais variados contextos. É de se ressaltar, da mesma forma, que por períodobase competente entende se aquele em que a despesa ocorreu juridicamente, ou seja, ela passou a ser devida legal ou contratualmente. Este requisito determina, portanto, que a despesa seja reconhecida na contabilidade da empresa no momento em que ocorreu independentemente de já ter sido efetivamente paga ou não. Não há dúvidas de que além da escrituração, é imprescindível, para fins de dedutibilidade, que a pessoa jurídica comprove que a despesa realmente ocorreu e que ela se refere a uma atividade necessária e usual da empresa. A legislação que trata sobre o IRPJ, em especial a Lei nº 4.506, de 1964 – que serviu de base para o disposto no art. 299 do RIR/1999 em si, é clara e inequívoca ao determinar que as despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e usuais no tipo de operações da empresa. Não existe nesses diplomas legais qualquer tipo de enumeração, listagem, exemplificação de quais despesas podem ser consideradas necessárias. Ou seja, em última análise, não há restrições pré determinadas relacionadas às especificidades das despesas na qual cada pessoa jurídica possa vir a incorrer. As despesas utilizadas na apuração do resultado devem ser comprovadas pela apresentação de documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua efetividade. Ora, o grupo econômico formado pelo Banco Semear e a SNV não se constitui de partes independentes entre si. Mas ao revés, enquadramse no conceito legal de pessoas jurídicas ligadas, na medida em que essas empresas possuem praticamente o mesmo quadro societário, na qualidade de acionistas ou sócios. Enfim, a dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações, da efetividade, da normalidade e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora. Resta claro, nos autos do processo, que são despesas não dedutíveis na base de cálculo dos tributos, na medida em que não corresponde a efetiva prestação de serviços. 1.2 – DA OMISSÃO DE RECEITA APURADA. Fl. 4778DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 22 Alega a autoridade fiscal lançadora que dos R$ 9.023.774,90 declarados e escriturados pela SNV a título de Receita Bruta R$ 7.760.274,90 foram pagos pelo BANCO SEMEAR e o saldo restante foi pago por outra empresa do grupo denominada Séculus da Amazônia Ind. e Com S/A. O que constata que a SNV prestou serviços no anocalendário fiscalizado única e exclusivamente ao grupo econômico a que pertence, não tendo prospectado clientes no mercado. Como concluiuse que a SNV nada mais é do que o próprio Banco Semear, destarte fica claro que os serviços prestados à Seculus da Amazônia foram efetivamente prestados pelo Banco Semear, o que enseja o lançamento dessa receita de prestação de serviços e demais receitas operacionais na qualidade de receita omitida na escrituração do Banco Semear no anocalendário de 2008, nos termos do art. 288 do RIR/1999 (Lei 9.249, de 1995). Como já dito, anteriormente, neste voto, restou demonstrado que de fato que a empresa SNV nada mais é do que o próprio Banco Semear (recorrente). Razão pela qual as receitas de prestação de serviços escrituradas pela SNV, no período fiscalizado, recebidas de outra empresa do mesmo grupo econômico, a Séculus da Amazônia Ind. e Com. S/A, devem ser tratadas como receitas próprias do Banco Semear.” 2 DA MULTA QUALIFICADA APLICADA Quanto à multa qualificada, entendo que os argumentos de defesa apresentados, quanto à inexistência da comprovação de dolo ou fraude, não são suficientes para inquinar o lançamento. Adoto aqui os fundamentos da decisão recorrida para manter a autuação. “No caso concreto, o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996 (acima transcrito), segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Diante dos fatos narrados no TVF, a Fiscalização entendeu presente, no caso concreto, o evidente intuito de fraude, definido em lei e necessário à qualificação. À luz da legislação pertinente, constitui hipótese de qualificação da multa de ofício a prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, nos seguintes termos: (i) sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; (ii) fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; (iii) e conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos anteriormente como sonegação ou fraude. Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.769 23 Logo, as ações caracterizadas como sonegação ou fraude (o conluio é o ajuste que combina ambas), nos termos acima definidos, são as que autorizam a qualificação da multa. Ocorre que a simulação perpetrada pelo Impugnante, no intuito de majorar custos ou despesas e omitir receitas, por meio de planejamento tributário feito por empresas do mesmo grupo econômico, o foi no sentido de violar ou fraudar a legislação fiscal brasileira, feita no intuito único de reduzir o montante dos tributos devidos, modificando as características essenciais dos fatos geradores envolvidos objeto da presente ação fiscal. Em suma, existiu, pois, uma simulação maliciosa feita no intuito de violar a lei fiscal brasileira (como se viu no tópico anterior). Vislumbrase, nessa montagem, a sonegação ou a fraude, nos termos definidos na Lei 4.502, de 1964 (acima transcrita). Portanto, no TVF, restou devidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, fato esse definido em lei como suficiente para autorizar a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%.” 3 – DAS MULTAS ISOLADAS APLICADAS “No que diz respeito a aplicação das multas de ofício de isoladas em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa o recorrente alega não poderiam ser aplicadas, concomitantemente, a multa de ofício prevista nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a multa isolada, de que trata a alínea “b” do inciso II do art. 44 da mesma Lei. Afirma, em suma, que as referidas multas possuem a mesma base de cálculo e incidem sobre a mesma materialidade, razão por que a sua aplicação simultânea caracteriza um bis in idem. Não há dúvidas de que o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Significa dizer que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária. Sendo correto que o contribuinte não poderá ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. Enfim, o recorrente alega que as multas isoladas aplicadas são improcedentes tendo em vista que no final do exercício a empresa pode apurar prejuízo, porém temos a salientar que a obrigação de antecipar o pagamento do IRPJ e CSLL deve, conforme a legislação já citada, ser cumprida mês a mês, podendo o contribuinte suspender ou reduzir o pagamento através da comprovação, pelo levantamento de balancetes, de que já recolheu a totalidade ou parte desta, ou mesmo não teria nada a recolher. Como visto, o cerne da questão consiste em perquirir se é legítima, ou não a aplicação concomitante da multa de ofício prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, atual art. 44, § 1º, da mesma Lei, com a multa isolada de que trata o art. 44, § 1º, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea “b”, ambos da mesma Lei. A decisão recorrida manteve a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento por estimativa do IRPJ e CSLL, sobre as diferenças apuradas de ofício pela fiscalização. Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 24 Encontrase consolidado na maioria das câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) o entendimento acerca da impossibilidade de aplicação conjunta sobre mesma base de cálculo, das multas previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, com aquela relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa (art. 44, § 1°, IV) prevista para aplicação isoladamente do tributo Ora, da simples leitura do entendimento aplicado, se vê que a impossibilidade de se aplicar multa de oficio com multa isolada sobre mesma base de cálculo é matéria pacificada nesta Corte. Isto porque, cediço que o interesse do Estado é arrecadar o tributo que lhe é devido, não punir indevidamente os administrados. Frisese: não podem ser aplicadas duas penalidades pecuniárias sobre a mesma base para lançamento. Isto porque, em atenção ao principio da estrita legalidade, norteador da Administração Pública, a Autoridade Fiscal somente pode fazer ou deixar de fazer aquilo que estiver expressamente previsto na legislação. Sendo assim, ausente qualquer previsão legal no sentido de permitir a cumulatividade de multas, impossível a referida concomitância, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração, em evidente detrimento do principio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. O disposto no inciso IV, § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação vigente à época dos fatos estabelecia sanção que deveria ser aplicada na hipótese do sujeito passivo não promover o recolhimento mensal das antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social. Para que incida, a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Examinandose o conteúdo prescritivo dos textos legais acima transcritos, resta evidente que o caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no § 1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre o mesmo ato infracional, qual seja o não pagamento ou o pagamento a menor do tributo devido. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. Deste modo, a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas concomitantemente na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada, porquanto estarseía aplicando duas penalidades para ilícitos materialmente ligados, de forma que um (falta de recolhimento do imposto anual devido no ajuste) é conseqüência natural do outro (falta de recolhimento dos valores estimados devidos mensalmente), e não são verificáveis de forma concomitante em sua realidade fática. Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.770 25 É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, se sujeita à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Observase, que a autoridade lançadora calculou a multa isolada lançada de ofício, com fundamento no artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que o contribuinte optou pela tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base no lucro estimado (recolhimento através de estimativas). O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, estabelece: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do artigo 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. V – isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado que não houver sido pago ou recolhido. Os dispositivos acima transcritos têm como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento dos tributos e contribuições sociais declarados (inciso V) ou que deixou de efetuar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma estipulada no artigo 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, recolhimento por estimativa por empresas que estavam sujeitas ao pagamento pelo lucro real. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo. Ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 26 No presente caso a fiscalização aplicou a multa de lançamento de oficio, isoladamente, por entender que houve a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre os quais já incide multa de lançamento de ofício. A autoridade fiscal lançadora reconstituiu o lucro líquido contábil em cada períodobase, com os ajustes correspondentes aos valores incluídos no auto de infração, e apurou o valor do IRPJ e da CSLL que deveriam ter sido pago em cada mês, com a aplicação da multa de lançamento de ofício isolada. Como se vê, foi aplicada a multa isolada sobre os valores que deixaram de ser antecipados durante o anocalendário a título de estimativa e também da multa normal de lançamento de ofício, sobre os valores considerados ainda devidos. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, no seu inciso IV, do § 1°, autoriza a cobrança de tal multa, isoladamente, quando em procedimento fiscal verificarse a falta do recolhimento da estimativa e quando não houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Além do mais, transpondo para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições do artigo 112 do Código Tributário Nacional, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do Código Penal, concluise que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. A legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Por decorrência, deve ser cancelada a multa por falta de recolhimento do imposto por estimativa ou por balanço de suspensão/redução. Esta matéria já tem jurisprudência formada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão nº 10193.939, de 17/09/2002 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de adições/exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre o mesmo fato apurado em procedimento de ofício. Acórdão nº 10193.692, de 05/12/2001 PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.771 27 ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em de ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de custos/despesas operacionais e adições e exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. Acórdão nº 10320.475, de 07/12/2000 PENALIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOB BASE ESTIMADA. Incabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa calculada sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Acórdão nº 10320.572, de 19/04/2001. IRPJ RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido. Recurso provido. Acórdão nº 10320.931, de 22/05/2002 MULTA ISOLADA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CABIMENTO A multa isolada de lançamento de ofício só tem cabimento na existência do seu pressuposto fundamental como seja a falta de recolhimento de imposto. Não enseja assim sua aplicação a prática de qualquer ilícito, com ênfase para formal, que não denote inadimplência do sujeito passivo a qualquer obrigação principal. Recurso provido. Acórdão nº 10320.662, de 20/07/2001 CSSL. LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO ANTES E APÓS A ENTREGA DA DIRPJ. MULTAS DE OFÍCIO ISOLADA E EM CONJUNTO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de ofício isolada sobre os valores mensais estimados nãorecolhidos e a exigência de multa associada à parcela defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta, esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der no curso do anocalendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em toda a sua extensão e profundidade, do período investigado. Acórdão nº 10707.047, de 19/03/2003 PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 28 ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. Acórdão nº 10706.591, de 17/04/2002 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE No pagamento espontâneo de tributos, sob o manto, pois, do instituto da denúncia espontânea, não é cabível a imposição de qualquer penalidade, sendo certo que a aplicação da multa de que trata a Lei 9.430/96 somente tem guarida no recolhimento de tributos feitos no período da graça de que trata o artigo 47 da Lei 9.430/96, sem a multa de procedimento espontâneo. Acórdão CSRF nº 9101001.237, de 21/11/2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E CSLL Exercício: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de imposto/contribuição sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de ofício proporcional ao imposto que está sendo exigido. Acórdão CSRF nº 9101001.358, de 16/06/2002 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INDEVIDO BIS IN IDEM. AFASTAMENTO DA MULTA ISOLADA. Não se concebe a aplicação simultânea da multa isolada (fundamentada na falta de recolhimento por estimativa) e multa de ofício (baseada na falta de recolhimento de IRPJ) porque implica em dupla punição sobre o mesmo fato: a falta de recolhimento do IRPJ. Acórdão CSRF nº 9101001.207, de 17/10/2011 Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.772 29 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.335, de 26/04/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. No caso, tem razão o recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. Ademais, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Nesta linha de raciocínio entendo que também assiste razão ao recorrente, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa Isolada, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário. A Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a aplicação da multa isolada, se manifesta da seguinte forma: Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 30 determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A Lei nº 8.981, de 1995, se manifesta da seguinte forma: Art. 35 – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. [...] § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31/12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano Fl. 4787DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.773 31 calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Assim, não tenho dúvidas que é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Ora, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação, tãosomente, do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do Código Tributário Nacional, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, o auto de infração foi lavrado após o encerramento dos anoscalendário objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro líquido, efetivamente, devidos nos períodos. Logo, embora o recorrente não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo nos anoscalendário questionado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o anoscalendário questionado, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto e a contribuição efetivamente devidos, porquanto, impossível, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Assim sendo, é de se excluir da exigência as multas isoladas aplicadas de forma concomitante com a multa de ofício. 4 – DO CONFISCO Sem razão a alegação do recorrente que o lançamento na forma que foi efetuado caracterizaria um verdadeiro confisco de renda. Senão vejamos. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 4788DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 32 Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. Fl. 4789DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726886/201263 Acórdão n.º 1402001.948 S1C4T2 Fl. 4.774 33 No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Fl. 4790DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO 34 Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o imposto de renda é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos/receitas tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. 5 – DA TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência e a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir as irregularidades apuradas, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático.” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência as multas isoladas aplicadas. (Assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator ad hoc Fl. 4791DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10830.721014/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CONEXÃO. REGRA APLICÁVEL.
O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º).
Numero da decisão: 1103-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/2010-53, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 CONEXÃO. REGRA APLICÁVEL. O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/2010-53, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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REGRA APLICÁVEL. O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 14 /2 01 1- 11 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.721014/201111 Acórdão n.º 1103001.024 S1C1T3 Fl. 301 2 Relatório Tratase de PER/Dcomp (fls.02/37) de 23/4/09, 19/5/09, 24/6/09, 23/7/09, 24/8/09, 23/9/09 e 22/10/09, sendo a origem do direito creditório saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/07. Por meio do Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS nº 0491/11, de 11/5/11 (fls.89/91), cientificado ao contribuinte em 19/5/11 (fl.93), as compensações não foram homologadas com base nos seguintes fundamentos, in verbis: “[...] Pelo que encerra o processo em foco, cumpre inicialmente analisar a existência do alegado indébito. ..... Entretanto, analisandose o disposto no Sistema SAPLI, que reproduz os resultados de ações de fiscalização sobre o prejuízo fiscal e as bases de cálculo negativas do IRPJ e da CSLL apurados pelos contribuintes, observase que, por meio do procedimento fiscal constante dos autos do processo administrativo nº 16643.000274/201053, a autoridade administrativa responsável pelo feito adicionou R$100.826.209,81 à rubrica Base de Cálculo Antes da Compensação da Base de Cálculo Negativa do Próprio Período (Ficha 17, Linha 40), passando tal conta a ter o valor de R$377.075.796,57. Em adido, glosou os R$55.260.547,00 declarados pelo sujeito passiva na rubrica Compensação da Base de Cálculo Negativa de P.A. Anteriores – Atividades em Geral (Ficha 17, Linha 44). Do Termo de Verificação Fiscal extraído dos autos da aludida peça administrativa, temse que as supracitadas alterações advieram de redução tributária ocasionada por indevidas escriturações de despesas de amortização de ágio nos anos calendário 2005, 2006, 2007 e 2008. Como conseqüência, no que tange ao anocalendário em foco (2007), constatouse que a base de cálculo da CSLL, apurada na respectiva DIPJ, estava maculada, inferior à real. Ademais, e ainda referenciando o auto de infração consubstanciado no processo nº 16643.000277/201097, apontouse um excesso de compensação de base de cálculo negativa que, como é cediço, acaba por produzir reflexos na apuração do saldo dessa contribuição. ..... Dessa forma, o saldo de CSLL apurado passa de um valor negativo (creditório) de R$5.586.584,22, para um positivo (devedor) de R$8.532.029,30. Conseqüentemente, concluise inexistir, de fato, saldo negativo de IRPJ [rectius: CSLL] para o anocalendário em questão, pelo que não há se falar em crédito compensável e, por conseguinte, em homologação de compensação.” (destaquei) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.721014/201111 Acórdão n.º 1103001.024 S1C1T3 Fl. 302 3 Em primeira instância, a Quarta Turma da DRJ – Campinas (SP) considerou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão de fls.243/248, que recebeu a seguinte ementa: SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. BASE DE CÁLCULO. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Devidamente cientificado da decisão em 30/8/12 (fl.258), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 28/9/12 (fls.260/275), em que sustenta, em síntese, a necessidade de apensamento dos autos ao processo nº 16643.000274/201053 ou o sobrestamento do julgamento. Em 17/3/14, o Recorrente reiterou seus pedidos alternativos de redistribuição dos autos ao Cons. Valmir Sandri ou de sobrestamento até o julgamento final do processo administrativo nº 16643.000274/201053 (fls.292/295): “Diante do acima exposto, a Recorrente requer seja o presente processo administrativo redistribuido ao Conselheiro Valmir Sandri da Primeira Turma, da Terceira Câmara, da 1ª Seção deste E. Conselho para julgamento em conjunto com o processo administrativo 16643.000274/201053 (auto de infração), evitandose assim a prolação de decisões administrativas inconsistentes. Caso assim não entenda V.Sa., a Recorrente requer o sobrestamento do julgamento deste processo até o julgamento final do processo administrativo prejudicial (16643.000274/201053).” É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.721014/201111 Acórdão n.º 1103001.024 S1C1T3 Fl. 303 4 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Como relatado, na apuração de 31/12/07 a fiscalização adicionou o montante de R$100.826.209,81 à base de cálculo e procedeu a ajustes na compensação de bases negativas apuradas em períodos pretéritos, o que resultou em uma CSLL a pagar de R$8.532.029,30, em vez do saldo negativo pleiteado. Vêse, portanto, que a presente controvérsia, relacionada às compensações requeridas, não se resolve sem que antes a apuração ao final do anocalendário 2007 esteja integralmente equacionada, o que inclui a apreciação das glosas de despesas, matéria objeto de apreciação no processo nº 16643.000274/201053. Ou seja, a análise do direito creditório pleiteado, a ser empregado nas compensações declaradas, apenas poderá ser realizada após a decisão proferida naquele mencionado processo, especificamente no que concerne às glosas de despesas com amortização de ágio que impactaram exatamente na apuração daquele anocalendário 2007. É possível se entender, na espécie, pela caracterização de conexão por prejudicialidade, no caso homogênea (infração tributária apurada em um determinado ano calendário a influenciar na apreciação de compensações com direito creditório relacionado ao mesmo período de apuração, objeto de outro processo administrativo tramitando no mesmo órgão). Conforme consulta ao sistema eprocesso, o processo nº 16643.000274/2010 53 foi distribuído em 7/12/12 ao Cons. Valmir Sandri, bem antes, portanto, do sorteio dos presentes autos. Isto posto, duas soluções apresentamse para o presente caso: ou se aguarda o desfecho daquele processo na Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara para se analisar os efeitos da decisão que vier a ser proferida, o que implicará o sobrestamento quanto às compensações; ou se encaminha os presentes autos para julgamento conjunto, considerando que o processo nº 16643.000274/201053 foi distribuído antes para aquele colegiado, tendo o respectivo Relator, Cons. Valmir Sandri, conhecido primeiro da matéria. Em que pese a adoção da primeira solução ser defensável, depõe contra a garantia constitucional da razoável duração do processo, pois apenas após o trânsito em julgado do acórdão proferido naquele processo é que se poderá destravar o curso da análise das compensações. A seu turno, a segunda possibilidade permite, por exemplo, que os processos tramitem conjuntamente e que as decisões sejam proferidas pelo mesmo colegiado, sem o risco de serem conflitantes, tudo em prestígio à segurança jurídica. O Regimento Interno do CARF (Anexo II), ao tratar da conexão, dispôs que em tal situação os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio. O processo relativo às compensações deveria, então, ter sido distribuído juntamente Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.721014/201111 Acórdão n.º 1103001.024 S1C1T3 Fl. 304 5 com aquele que tratou especificamente das glosas de despesas e do ajuste nas bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas, a repercutirem diretamente na apuração ao final do ano calendário 2007. Vejamos: “Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. ..... Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” (destaquei) Pelo exposto, com fulcro no artigos 47 e 49, §7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, VOTO no sentido de encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.720746/2011-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. Antecipado o julgamento para o dia 18 de março no período matutino a pedido da recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. Antecipado o julgamento para o dia 18 de março no período matutino a pedido da recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. Antecipado o julgamento para o dia 18 de março no período matutino a pedido da recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 07 46 /2 01 1- 00 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.720746/201100 Acórdão n.º 3801005.320 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.720746/201100 Acórdão n.º 3801005.320 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.720746/201100 contra o acórdão nº 0728.385, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 18 de abril de 2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107,IV, alínea “e”, do Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pelas IN’s RFB n.ºs 510/2005 e 1.096/2010. A fiscalização descreve a prestação intempestiva dos dados de embarque referente ao transporte de carga amparado pela DSE n.º 2100085871/9, efetivado na data de 16/12/2010, quando o embarque se deu em 20/05/2010. Junta aos autos cópias das telas de dados de embarque e o histórico de despacho de exportação no Siscomex (fls. 08/11). Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1.Cerceamento do direito de defesa e ausência de provas da infração: não existem no processo cópias de telas do MANTRA que comprovem as informações da fiscalização constantes no auto. É latente o desrespeito ao art. 9.º do Decreto n.º 70.235/72 que determina a instrução do auto de infração com elementos de prova. Sequer consta nos autos o número do vôo. 2 A IN RFB n.º 1.096/2010, por não ser lei, não pode estabelecer um prazo que vincule o cumprimento de uma obrigação acessória. Tal matéria deve ser objeto de lei, com respaldo no art. 5.º, II, da CF/1988. O Código Tributário prescreve que a obrigação acessória decorre de legislação tributária. Cita jurisprudência judicial. A Lei n.º 10.833/2003 fere o princípio da legalidade pois disciplina uma punição pecuniária mas não determina qual conduta enseja tal sanção, sendo, portanto, norma de conduta incompleta, vazia e imprecisa. Além disto, o prazo de 07 dias estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não é nada plausível, conforme a própria RFB decidiu na Solução de Consulta n.º 215/2004 que afirma que os prazos não devem se iniciar às sextas férias, sábados, domingos, feriados ou dias que antecedem feriados. 3.Não cabe a aplicação da multa tendo em vista que a informação quanto embarque foi prestada e o texto da lei é claro que haverá a imposição da multa a quem não prestar a informação. Houve, por parte da impugnante, uma denúncia espontânea, devendo ser aplicado o art. 138 do CTN. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.720746/201100 Acórdão n.º 3801005.320 S3TE01 Fl. 5 4 4.Houve violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Existe previsão legal mais específica aplicável ao caso: art. 107 XI, do DecretoLei n.º 37/66. 5Ao final requer a improcedência do lançamento. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano Calendário:2010 EMENTA. Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 143/169, expondo que: 1 O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2 A recorrente espontaneamente inseriu todas as informações de embarque de mercadorias o Siscomex, por esse motivo não deve ser penalizada pela suposta infração; 3 O Siscomex apresenta falhas técnicas, que por diversas vezes geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo arcar com pesadas multas em virtude de um atraso; 4 A inexistência de embaraço à fiscalização, bem como necessária desoneração das exportações e também nítida violação à finalidade do ato administrativo, eis que não ocorreu qualquer prejuízo ao Fisco ou ao interesse público, sendo a multa em questão desvinculada do aumento à fiscalização ou arrecadação de tributos; 5 A denúncia espontânea é aplicável a todas as penalidades de natureza administrativa, exceto com relação ao perdimento. É o sucinto relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.720746/201100 Acórdão n.º 3801005.320 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.720746/201100 Acórdão n.º 3801005.320 S3TE01 Fl. 7 6 dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicarin casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.720746/201100 Acórdão n.º 3801005.320 S3TE01 Fl. 8 7 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso, sendo que e passo a analisar as demais matérias passam a ser prejudicadas. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.720746/201100 Acórdão n.º 3801005.320 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.003073/2004-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. PRECLUSÃO.
Inexistindo, no recurso interposto, qualquer discussão a respeito da (in)validade da aplicação da multa de ofício (tratada originariamente na impugnação apresentada), tem-se como efetivamente preclusa a matéria, e, a seu respeito, definitivo o lançamento efetivado.
PIS/COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. Inexistindo, no recurso interposto, qualquer discussão a respeito da (in)validade da aplicação da multa de ofício (tratada originariamente na impugnação apresentada), temse como efetivamente preclusa a matéria, e, a seu respeito, definitivo o lançamento efetivado. PIS/COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 73 /2 00 4- 13 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003073/200413 Acórdão n.º 1301001.678 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório A discussão mantida nos presentes autos, pelo que se verifica, referese, especificamente, à análise da validade da imputação pelas, competentes autoridades fiscais, da exclusiva aplicação da multa de ofício contra a contribuinte. Do relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Contra a interessada, antes qualificada, foram lavrados Autos de Infração com anexos para a exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referentes a fatos geradores ocorridos em 1999 (fls. 103125). Também foram lavrados o Termo de Constatação e Demonstrativos de compras e vendas não contabilizadas (fls. 95102). De acordo com os autos, os lançamentos ocorreram porque foram identificados valores de compras e vendas não escriturados nem contabilizados, infrações que evidenciam omissões de receitas. A fundamentação legal descrita nos autos é a seguinte: art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 41 da Lei n° 9.430, de 1996; arts. 249, II, 251 e Parágrafo único, 278, 279, 280, 283, 286, 288 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99). Os valores lançados são os seguintes: 1. IRPJ: R$ 252.633,50 conforme enquadramento legal acima descrito. 2. Contribuição para o PIS R$ 7.192,44 Enquadramento Legal: arts. 1° e 3°, da Lei Complementar 07, de 1970; art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; art. 2°, inciso I, 8°, I, e 9° da Lei n° 9.715, de 1998; arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998. 3. COFINS: R$ 33.195,99 Enquadramento Legal: art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 1991; art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n°9.718, de 1998, com alterações da MP n° 1.807, de 1999, e suas reedições, com as alterações da MP n° 1.858, de 1999 e reedições. 4. CSLL: R$ 107.997,62— Enquadramento Legal: art. 2° e §§, da Lei n° 7.6 : 9, de 1988; arts. 19 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 6° da MP n° 1.807, de 1999 e art. 6° da MP n° 1.858, de 1999, e reedições. Os valores acima estão acrescidos da multa de oficio com o percentual de 75%. Enquadramento legal: art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. Também foram lançados os juros de mora com base no art. 61, § 3 0, da Lei n° 9.430, de 1996. O total do crédito tributário lançado é de R$ 1.061.979,79 (fl. 4). Em 30/04/2004, a autuada, tempestivamente (conforme despacho de fl. 213), por meio de seus representantes legais, impugnou parcialmente os lançamentos (fls. 134200) juntando documentos. Nas impugnações, em síntese, consta o seguinte: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 O fisco utilizouse de acréscimos altamente exacerbados, equivalentes aproximadamente a 40% do total, que acabaram por aumentar a dívida, tornandoa quase impossível de adimplemento. Os juros cobrados foram calculados com base na Lei n° 8.981, de 1995, art. 84, que foi revogado pela Lei n° 9.065, de 1995, art. 13, passouse a aplicar a Taxa Selic. Esse índice extrapola o balizamento legal dos juros, que os limita em 12% ao ano, conforme art. 192, § 3° da Constituição Federal. Acrescenta que o índice é desconhecido até mesmo em publicações especializadas, podendo ser manipulado. Outra razão existe para sua não aceitação, qual seja, a cumulação da correção monetária com juros. Cita o art. 84, § 5°, da Lei n° 8.981, de 1995, que trata da data de início da incidência e, também, a Lei n° 6.899, de 1991, que trata de correção monetária sobre débitos resultantes de decisão judicial. Os juros de mora devem ser calculados a partir do dia seguinte ao do vencimento e sobre o valor do principal, nos termos do art. 161 do CTN. A Taxa Selic tem caráter remuneratório e não é definida por lei federal, por isso, deve ser afastada a sua cobrança, aplicandose somente juros legais de 1%. A multa "moratória" também não deve prevalecer, já que é calculada sobre o valor atualizado e tem natureza de ressarcimento dos prejuízos decorrentes do não pagamento do imposto no prazo legal. Mesmo que admitisse o cabimento da cobrança da multa moratória, está é excessiva e exorbitante, caracterizando confisco, vez que equivale a mais de 15% do valor atualizado da dívida cobrada. Em apoio ao seu entendimento transcreve ementa de decisão judicial. Ao finalizar, a defesa requer a revisão desses valores lançados e diz que esses acréscimos devem ser reduzidos aos limites legais. Tem em vista a impugnação parcial dos lançamentos, conforme despacho de fl. 213, os valores do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, sem as multas de ofício e com as multa de mora inibidas, foram transferidas para o processo n'ID8800031557200551:Portanto, a parte litigiosa dos autos referese à multa de oficio, conforme extrato do processo de fls. 208212 e aos juros de mora. Em atendimento à Portaria RFB n° 10.795, de 2007, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ para julgamento. Apreciando as razões de defesa apresentadas na impugnação, concluiu a douta DRJ pela sua total improcedência, mantendo, assim, o crédito exigido, destacando, na ementa de seu acórdão, o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada a correspondente multa, calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nas ocorrências de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003073/200413 Acórdão n.º 1301001.678 S1C3T1 Fl. 4 5 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Lançamento Procedente Regularmente intimada, pela contribuinte foi interposto o seu respectivo Recurso Voluntário, aduzindo, em suas razões, o seguinte: Que o art. 154, inciso I da Constituição Federal especificamente estabelece que cabe à Lei Complementar instituir impostos não cumulativos e sem identidade de fato gerador com os outros já ali disciplinados; Que o “PIS” foi julgado inconstitucional pelo STF, o que, por similaridade, deve também ser aplicado à “COFINS”; Não fosse por isso, constatase que o Fisco utilizouse de acréscimos altamente exacerbados, que acabaram por aumentar o tamanho da dívida; Que em análise perfunctória do que consta no Auto de Infração, verificase que o montante relativo ao montante de juros e multa aplicados aproximamse do montante de 40% (quarenta por cento) do valor da dívida; Que é indevida a aplicação da taxa SELIC; Que não poderia haver cumulação entre juros e correção monetári; Que deveria ser aplicado o percentual de 1% ao mês, nos termos do Art. 161 do CTN; Que a multa de mora também não deve prevalecer; Que por não existir prejuízo a indenizar, não cabe a cobrança da multa moratória; Que o montante da multa moratória é excessivo e exorbitante, constituindo verdadeiro “confisco”, vedado pela Constituição; Que não pode a multa sofrer correção, devendo incidir sobre o principal, apenas. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A primeira consideração que aqui se faz necessária, conforme destacado na parte inicial do relatório apresentado, é que a matéria de discussão mantida nos autos, conforme antes indicado, seria, exclusivamente, em relação à aplicação da multa de ofício, e, no caso, a invalidade da aplicação da referida Taxa SELIC, verificandose, entretanto, por outro lado, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário – mesmo sem tecer qualquer comentário direto em relação ao Despacho que delimitou a matéria discutida nos autos , simplesmente argui a “inconstitucionalidade” da cobrança dos montantes do PIS e da COFINS, e, ainda, além de destacar a invalidade da aplicação da TAXA SELIC, aduz também o excesso do montante aplicado de multa (de mora), juros e correção monetária. Pois bem. Em primeiro lugar, insta destacar que a contribuinte, em todas as suas razões de recurso, não traça uma linha sequer a respeito da discussão de validade da aplicação da apontada multa de ofício, o que, por sua vez, impõe, no presente caso, o reconhecimento de inexistência de recurso a respeito dessa matéria. Em relação à discussão a respeito da invalidade das Contribuições do PIS e da COFINS, além da constatação de que essa matéria não mais se mantinha do debate havido nos autos, é relevante destacar que, conforme amplamente pacificado na doutrina e jurisprudência especializada, ao CARF não cabe a análise a respeito da (in)constitucionalidade de quaisquer disposições legais, a ele sendo imposto, sempre, a aplicação de presunção de validade dos atos normativos, e, em cada caso, a sua concreta e regular aplicação. Aliás, nesse sentido inclusive são as disposições da Súmula CARF no 2, que, sobre o assunto, assim, inclusive, expressamente obtemperam: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face dessas razões, deixo, então, de conhecer a discussão apresentada pela recorrente em relação à suposta “inconstitucionalidade” das contribuições para o PIS e para a COFINS, e ainda, também, todos os apontamentos relativos à consideração das cobranças de juros, multa e correção monetária como “confisco”, todos esse assuntos, verifica se, por fundaremse, especificamente, na discussão sobre a validade/constitucionalidade dos específicos dispositivos legais de regência. Além dessas considerações, verificase ainda, nos autos, a discussão a respeito da invalidade da aplicação da Taxa SELIC, o que, da mesma forma, tratase de tema já amplamente pacificado por este Conselho, valendo aqui, a esse respeito, o destaque à aplicação das disposições da Súmula CARF no 4, que, por sua vez, expressamente estabelece: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003073/200413 Acórdão n.º 1301001.678 S1C3T1 Fl. 5 7 Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ademais, não fosse por isso, relevante destacar que, ao contrário do que pensa a recorrente, a aplicação da Taxa SELIC, ao menos no período de que tratam o lançamentos efetivados, acabam por impor um acréscimo menor que a aplicação daquele índice indicado pelas disposições do Art. 161 do CTN (1% um por cento), sendo certo que, nesse ponto, a pretensão recursal, acaso eventualmente admitida, imporia uma elevação do montante do crédito tributário aqui discutido, o que, com toda a certeza, não nos parece ser a pretensão da recorrente. Em face dessas razões, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 19679.009520/2003-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1998 a 10/04/1998, 21/04/1998 a 30/04/1998, 11/05/1998 a 20/05/1998, 21/05/1998 a 31/05/1998, 01/06/1998 a 10/06/1998, 11/06/1998 a 20/06/1998, 21/06/1998 a 30/06/1998, 01/07/1998 a 10/07/1998, 11/07/1998 a 20/07/1998, 11/10/1998 a 20/10/1998, 21/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 10/11/1998, 11/11/1998 a 20/11/1998, 21/11/1998 a 30/11/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998, 21/12/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE.
Sendo constituído, pelo próprio contribuinte, o crédito tributário através de declaração em DCTF e não pago o tributo, é cabível a lavratura de Auto de Infração Eletrônico.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de Janeiro de 1995 os juros de mora serão calculados pela Taxa SELIC.
Numero da decisão: 3801-004.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1998 a 10/04/1998, 21/04/1998 a 30/04/1998, 11/05/1998 a 20/05/1998, 21/05/1998 a 31/05/1998, 01/06/1998 a 10/06/1998, 11/06/1998 a 20/06/1998, 21/06/1998 a 30/06/1998, 01/07/1998 a 10/07/1998, 11/07/1998 a 20/07/1998, 11/10/1998 a 20/10/1998, 21/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 10/11/1998, 11/11/1998 a 20/11/1998, 21/11/1998 a 30/11/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998, 21/12/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE. Sendo constituído, pelo próprio contribuinte, o crédito tributário através de declaração em DCTF e não pago o tributo, é cabível a lavratura de Auto de Infração Eletrônico. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de Janeiro de 1995 os juros de mora serão calculados pela Taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 95 20 /2 00 3- 94 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo administrativo é originário de auto de infração nº 0067491, lavrado contra o contribuinte PAGÉ INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE BORRACHA LTDA., em decorrência de fiscalização eletrônica sobre a DCTF, relativamente a débitos do IPI. Como consignado no voto do acórdão recorrido, “o auto de infração decorreu de procedimentos de verificações eletrônicas (auditoria interna) das DCTF dos 2º e 4º trimestres de 1998, dos quais resultou a constatação de ausência de recolhimento do IPI relativo a diversos períodos de apuração do ano calendário de 1998, originando a exigência do IPI não pago (R$125.194,64), da Multa de Ofício de 75% (R$93.895,98) e dos Juros de Mora (R$111.414,98)”. Apresentada Impugnação Administrativa pelo Recorrente, na qual alegou o caráter confiscatório da multa de ofício e a inconstitucionalidade dos juros moratórios calculados pela taxa SELIC, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) entendeu por bem exonerar o recolhimento da multa de ofício, tendo em vista a retroatividade benigna da legislação, e manter a exigência do recolhimento do tributo e dos demais acréscimos legais decorrentes do não pagamento no prazo estipulado pela legislação tributária. Não concordando com a referida decisão, o Recorrente apresentou tempestivo Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual alega, em síntese, (i) a nulidade do Auto de Infração, uma vez que não houve por parte da fiscalização aferição da autenticidade das declarações do contribuinte; e (ii) a impossibilidade de aplicação da taxa SELIC para atualização dos débitos tributários, É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e apresenta os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço e passo ao julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 19679.009520/200394 Acórdão n.º 3801004.930 S3TE01 Fl. 12 3 Conforme mencionado alhures, o contribuinte se insurge contra Auto de Infração Eletrônico lavrado em face de declaração em DCTF de crédito tributário não pago dentro do prazo estipulado pela legislação. Em sede preliminar, o Recorrente alega que a fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração eletrônico, baseouse, tãosomente, em sua declaração (DCTF) para constituir o crédito tributário. No seu entendimento, deveria a fiscalização, em respeito ao princípio da verdade material, ter verificado a real operação do contribuinte e aferido a autenticidade dos créditos. Não assiste razão neste ponto ao Recorrente. É incontroverso nos autos que o próprio contribuinte constituiu o crédito tributário, quando da transmissão da sua DCTF. Com relação à constituição do crédito tributário, não se pode perder de vista que ela pode ser dar tanto pela autoridade fazendária, como pelo próprio sujeito passivo. Neste sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor Paulo de Barros Carvalho: “(...) entendo que o crédito tributário só nasce com sua formalização, que é o ato de aplicação da regramatriz de incidência. Formalizar o crédito significa verter em linguagem jurídica competente o fato e a respectiva relação tributária, objetivando o sujeito ativo, o sujeito passivo e o objeto da prestação, no bojo de norma individual e concreta. Essa é a configuração linguística hábil para constituir fatos e relações jurídicas, sendo o veículo apropriado à sua introdução no ordenamento. Cumpre assinalar que a formalização e consequente constituição do crédito tributário podem ser feitas tanto pela autoridade administrativa, por meio do lançamento (artigo 142 do CTN), quanto pelo próprio contribuinte, em cumprimento a normas que prescrevem deveres instrumentais (art. 150 do CTN)” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008 – 2ª edição. Pág. 432). Sem adentrar na necessidade de lavratura ou não do Auto de Infração Eletrônico por parte da autoridade fazendária para cobrança dos créditos, o que a princípio não seria necessário, não existe nos autos qualquer elemento que demonstre que a declaração e, por consequência, constituição do crédito tributário, pelo contribuinte, tem algum vício, ou seja, que não representa a realidade dos fatos ocorridos no mundo fenomênico. Pelo contrário, o Recorrente alega que a fiscalização não poderia se basear nas declarações que ele próprio prestou, mas não traz aos julgadores elementos que demonstrem os equívocos destas declarações. Neste norte, devese afastar também a argumentação, do Recorrente, de que a fiscalização se baseou em presunções para lavrar o auto de infração em comento. Ora, o que a fiscalização levou em consideração, ao lavrar o auto de infração, foi a constituição do crédito tributário pelo Recorrente, crédito este que não foi pago dentro do prazo estipulado pela legislação. Esclareçase que só haveria presunção caso não houvesse constituição do crédito pelo sujeito passivo e o agente fazendário se valesse de elementos que não refletissem a realidade dos fatos efetivamente ocorridos, o que não é o caso dos autos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 Com relação à correção dos créditos tributários pela taxa SELIC, também objeto de contestação no Recurso Voluntário ora analisado, melhor sorte também não assiste ao Recorrente. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já teve a oportunidade de analisar em diversas oportunidades a aplicação ou não da taxa SELIC na correção dos créditos tributários federais. Após inúmeros acórdãos que entendiam pela aplicação daquela Taxa referencial na correção dos créditos, foi editada a Súmula nº 04, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Como se não bastasse, esse também é o entendimento pacificado perante os tribunais pátrios. Neste sentido, citase posicionamento proferido pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. NULIDADE CERTIDÃO DÍVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DO DISSENSO. 1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 2. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. (...) 10. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1103085/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 03/09/2009). Por tudo, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento, mantendose o crédito tributário e os juros calculados pela taxa SELIC, nos exatos termos consignados no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 19679.009520/200394 Acórdão n.º 3801004.930 S3TE01 Fl. 13 5 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10909.006885/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 25/01/2004 a 12/01/2005
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração.
MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010.
O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do
art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 68 85 /2 00 8- 46 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório de decisão recorrida, por bem refletir a contenda. O presente Auto de Infração, no valor de R$ 145.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõem os artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 03/07), a multa pela infração deve ser aplicada uma vez por transportador e por veiculo, nos termos da legislação, em cada embarque, sendo irrelevante o número de despachos de exportação que tiverem seus dados informados fora do prazo, conforme as telas extraídas do Siscomex. Informa que as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005. Intimada da autuação (fl. 09), a interessada apresentou a impugnação de fls. 77/101, na qual, em breve síntese: Ilegitimidade Passiva: alega a sua ilegitimidade passiva, uma vez que não é empresa transportadora, mas mero agente marítimo e, nesta condição, não responde pela infração. Sendo representante do transportador, limitada fica a sua atividade como um mandatário mercantil. Da Denúncia Espontânea: alega que a impugnante providenciou, por conta e ordem do transportador, o registro dos dados dos embarques efetivados, anteriormente a qualquer ação fiscal, não cabendo a infração descrita como "não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada". Afirma ser pacifica a possibilidade de denúncia espontânea da infração na área aduaneira, o que afasta a responsabilidade do sujeito passivo. Da aplicação da multa singular para infrações de natureza continuada: argui que as infrações de uma mesma origem, apuradas em uma única ação fiscal, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação de penalidade cabível, não sendo Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 4 3 razoável efetuar o somatório da sanção por embarcação, em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer, pelos motivos expostos e alegando não ter havido embaraço, dificuldade ou mesmo impedimento à ação fiscal em tela, a desconstituição do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Segunda Turma de Julgamento, por unanimidade de votos julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 26.06.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 02.07.2012. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois sua “figura” de agente transportador marítimo, não se confundiria com o próprio transportador marítimo, o real responsável pela prestação de informações à Secretaria da Receita Federal. Verifico não assistir razão à Recorrente neste tópico. Vejamos. Nos termos do artigo 107, inciso IV, aliena “e” do DecretoLei º 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, temos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...). e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 5 4 serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. A norma exposta indica expressamente que, além da empresa de transporte internacional, também o agente de cargas pode ser penalizado caso deixe de prestar informações relativas aos dados de embarque, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Comprovada a vinculação entre o Recorrente e o transportador marítimo, não há que se falar em ilegitimidade passiva daquele que foi responsável pela coleta e aposição das informações acerca das importações no sistema, em sendo o sujeito passivo o representante do transportador marítimo no país. Ademais, o E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C / Recursos Repetitivos), assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do Decreto Lei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Portanto, na condição de agência marítima e mandatário do transportador, a recorrente é também responsável por prestar as informações acerca da carga transportada pelo seu representado. Assim, demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a alegação preliminar. Da denúncia espontânea e da inaplicabilidade da infração aduaneira. Alega a Recorrente estar amparada pelo instituto da denúncia espontânea, tendo em vista que todas as informações necessárias à importação da mercadoria foram prestadas antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, isentando dessa forma qualquer responsabilidade da Recorrente. O presente lançamento está fundamentado no seguinte dispositivo: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 6 5 Adiante o artigo 107 do mesmo diploma legal prevê: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" Por fim, nos termos do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66 temos: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Até a entrada em vigor da Lei nº 12.350/10, discutiase muito acerca da aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN e no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, nos casos relativos a descumprimento de obrigações acessórias e respectivas multas administrativas. A partir de então, o que se percebe do texto legal é que a inovação trazida pela Lei nº 12.350, de 2010, veio a ampliar o alcance do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para excluir dentre as hipóteses de aplicabilidade apenas as penalidades incidentes na hipótese de sujeição a perdimento. Ou seja, intenta alcançar as penalidades de natureza tributária e também as de natureza administrativa. O dispositivo legal, de per si, pode ser extensivamente interpretado. Assim, após a inclusão do § 2º, artigo 102 do DecretoLei nº 37/66, pela Lei nº 12.350/10 não restam mais dúvidas quanto a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em relação às penalidades administrativas. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste sentido o seguinte julgado: “PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. PROVAS A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea aplicase para exclusão de penalidade de natureza tributária ou administrativa”. Grifos nossos. (Acórdão nº 3402002.245. Sessão 24.10/2013 Neste ponto, destacamos o art. 106 do CTN, que prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, superado esse tópico, bem como demonstrado, no caso dos autos, que todas as informações foram prestadas anteriormente a qualquer procedimento administrativo, cuja materialização o auto de infração fora lavrado em 03.12.2008, posteriormente à Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 8 7 prestação das informações, não haveria o que se falar em aplicação de penalidades ao contribuinte. Primeiro motivo para seu cancelamento. Outro aspecto que devemos considerar é que a multa prescrita no artigo 107, IV “e” do Decreto nº 37/66, decorre de omissão da contribuinte que deixou de observar o prazo estabelecido em Instrução Normativa. Assim, uma vez transcorrido o prazo normativo e persistindo a omissão do contribuinte quanto às informações que está obrigado a fornecer à administração aduaneira, a autoridade competente pode e deve instaurar procedimento fiscal com vista ao lançamento da multa cominada pela lei. Todavia, antecipandose o Recorrente à fiscalização, com o adimplemento da obrigação acessória, não há mais que considerar a tese da fiscalização quanto a aplicação da multa punitiva, visto que o motivo, o fato gerador da multa não mais existiria, cumprida a obrigação acessória. De fato, às fls.08, verificase que foram devidamente prestadas todas as informações pela recorrente anteriormente a 03/12/2008, data da lavratura do auto, sendo a última informação prestada datada de 20/01/2005, que deveria ter sido prestada em 04/01/2005. Diante disso, e da omissão da fiscalização em averiguar o cumprimento dos prazos pelo contribuinte tempestivamente, contribuinte este que prestou as informações requeridas, merece pois o cabimento do previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. Da aplicação da multa singular infrações de natureza continuada. Por fim, alega a Recorrente que no presente caso deveria ser aplicado “... as infrações de uma mesma origem, apuradas em uma única ação fiscal, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação da penalidade cabível.” Caso mantida a multa apreciada anteriormente, cabível a discussão se esta infração seria continuada, e portanto haveria a incidência de uma penalidade, em vez da aplicação de várias multas ao longo do período. Entendo, nesse caso, ser esta uma infração de caráter continuado, a ser considerada como uma única infração, resultando na imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. Neste sentido, Paulo José da Costa Junior e Zelmo Denari sustentam: “O instituto penal dos crimes continuados supõe que crimes da mesma espécie sejam praticados em tais condições de tempo, lugar e maneira de execução que os subsequentes sejam havidos como continuação dos precedentes. Nesta hipótese, a lei penal prevê a aplicação da pena de um só dos crimes, ou a mais grave se diversos, aumentada de um sexto a dois terços (conforme art. 71 do Código Penal). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 9 8 Na área tributária, é possível, da mesma sorte, sustentar, em tese, a ocorrência de violações continuadas à lei tributária, caracterizadas pela prática sucessiva de infrações da mesma espécie, de tal sorte que, presentes as condições de tempo, lugar e maneira de execução, possam ser qualificadas como infrações continuadas. Um dos exemplos mais flagrantes de infrações continuadas é o que decorre da falta sistemática de emissão de documentos fiscais. De todo modo, nossa legislação não as contempla, o que faz crer que devemos dispensarlhes o mesmo tratamento do concurso material de infrações: cumulam se as penas pecuniárias aplicadas às infrações ainda que continuadas. (grifo nosso). (COSTA JÚNIOR, Paulo José da; DENARI, Zelmo. Infrações Tributárias e Delitos Fiscais. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 2728. A obra foi agraciada com o prêmio "Livro do Ano de 1995" pela Academia Brasileira de Direito Tributário) Em matéria aduaneira, inexiste previsão legal específica, muito embora o artigo 99 do DecretoLei nº 37/66 assim o preveja: “Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. § 1º Quando se tratar de infração continuada em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 2º Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado.”(grifo nosso) Como podemos perceber o referido diploma legal referese a um aspecto formal da junção de processos, quando se refere a “infração continuada”. Todavia, muito embora haja uma lacuna no ordenamento jurídico quanto a aplicação específica da infração continuada às infrações de natureza aduaneira, podemos nos apoiar tanto no art. 99 retromencionado, como também na jurisprudência do Poder Judiciário. Adiante: DIRETO ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO ADMINISTRATIVO C.C. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CERCEAMENTO DE DEFESA E AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO/MOTIVAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO INOCORRÊNCIA PRODUTO TABELADO NOS TERMOS DA RESOLUÇÃO CIP Nº 294/88 LEGITIMIDADE DECRETO Nº 63.196/68 MULTA DA SUNAB POR MAJORAÇÃO DE PREÇOS LEI DELEGADA Nº 4/62 LEGITIMIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DE VÍCIOS EXIGÊNCIA MANTIDA APELAÇÃO DESPROVIDA. I O indeferimento de provas pautouse no disposto no art. 37, § 1° do Ato anexo à Portaria n° 51/86 que rege o processo administrativo de apuração das Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 10 9 infrações à Lei Delegada n° 4/62. Com efeito, no caso em tela, a defesa apresentada pela autora na via administrativa (fls. 57/80) trouxe como documentos apenas as normas aplicáveis ao caso discutido e decisões proferidas na via judicial (fls. 105/204). Portanto, deveria a empresa, por ocasião de sua defesa, apresentar o laudo técnico sobre o produto que ensejou a autuação, a teor do que dispõe o artigo em referência, o que não foi feito à época. II De outro lado, não demonstrou, igualmente, a existência de força maior a justificar a concessão de novo prazo para a sua juntada, motivo pelo qual não há qualquer vício no procedimento fiscal a ensejar sua anulação. III Inexiste a alegada fundamentação insuficiente e a ausência de motivação do ato administrativo, posto que a fiscalização elencou de forma minuciosa as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura do auto de infração, o qual se encontra suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da apelante. IV A matéria sob controvérsia nestes autos diz respeito ao controle de preços, especialmente ao congelamento de preços aos níveis dos determinados pelo Conselho Interministerial de Preços CIP, estabelecidos com vistas à estabilização da economia e controle do abastecimento e do processo inflacionário. V Está pacificado que as normas de controle de preços, assim como os DecretosLei nº 2.283 e nº 2.284, de 1986 eram constitucionais e válidas no âmbito do poder do Estado para intervenção na economia. VI Em relação aos materiais objeto da autuação, a perícia realizada nos autos (fls. 348/372) comprovou que se tratam de fios isolados eletricamente, os quais diferem do fio meramente revestido. Diante da definição do material objeto de autuação fiscal, a questão a ser resolvida, nesse momento, referese em saber se a Resolução CIP nº 294/88 poderia tabelar os preços dos produtos arrolados no aludido Auto de Infração, os quais encontravamse com os preços liberados pela Portaria nº 353/87 do Ministro da Fazenda. VII A Resolução CIP nº 294/88 foi editada com o intuito de dar execução à Lei Delegada nº 4/62, assim como ao DecretoLei nº 2.335/87 e à Portaria do Ministro da Fazenda nº 297/87. VIII Nos termos do Decreto nº 63.196/68, cabe ao Conselho Interministerial de Preços fixar e promover a execução de medidas destinadas à implementação de regulação de preços, observada a orientação da política econômica governamental. Desse modo, a Resolução expedida pelo CIP tem legitimidade para regular os preços, tal como se deu com a Resolução combatida nesta demanda, a qual revogou a Portaria Ministerial nº 353/87, por total incompatibilidade entre as normas. IX Em relação à aplicação da penalidade imposta à apelante, no montante de NCZ$ 8.492,20 (oito mil, quatrocentos e noventa e dois cruzados novos e vinte centavos), o qual resultou do arbitramento individual de cada infração cometida, no valor de NCZ$ 424,61 (quatrocentos e vinte e quatros cruzados novos e sessenta e um centavos), correta a autoridade fiscal. X No caso em exame, a r. sentença entendeu que o auto de infração ao apurar a venda de mercadorias com preços acima da tabela a vários clientes e em momentos diversos no período de 17 a 29 de novembro de 1988, aplicou corretamente a penalidade imposta, Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 11 10 por se tratarem de infrações diversas. XI Tal entendimento deve ser reformado. XII Constitui infração continuada, a ser considerada como uma única infração, conforme o § 3º do mesmo dispositivo legal, quando "a apuração das infrações ocorre em uma mesma autuação, e constatada a seqüência de várias infrações da mesma natureza, permitese a imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, acrescida de até 2/3 (dois terços) do valor da primeira delas, conforme disposto no artigo 46 da Portaria nº 51/86 da SUNAB" (TRF 3ª Reg., 6ª T., vu. AC 207662, Processo: 94030808489 UF: SP. J. 24/08/2005, DJU 09/09/2005, p. 628. Rel. Des. Fed. LAZARANO NETO), "ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo" (TRF 3ª Reg., 4ªT., vu. AMS Processo: 92030023496 UF: SP. J. 02/03/1999, DJ 11/05/1999, p. 548. Rel. SOUZA PIRES). XIII No caso dos presentes autos, tratase de infrações continuadas, em razão da seqüência de infrações de igual natureza (mesma alínea) em curto período (apenas alguns meses) e apuradas em um mesmo Auto de Infração, pelo que assim deveria ter sido considerado pela Administração, conforme disposto no §3º do art. 23 da Portaria 51/86. A infração apurada no Auto de Infração deve ser mantida, mas a multa deve ser recalculada com base nos parâmetros legais das infrações continuadas, na forma exposta. XIV De outro lado, restou atendido o princípio da razoabilidade e proporcionalidade entre a infração cometida e a penalidade imposta, consoante bem asseverou a r. sentença ao observar que no Relatório Econômico anexo ao auto de infração, a empresa se enquadra como de grande porte, haja visto o elevado montante de suas vendas. XV Sentença parcialmente reformada nos termos do ora exposto, reconhecendose a parcial procedência da ação e a sucumbência recíproca para fins de compensação da verba honorária (CPC, art. 21, caput) e reembolso pela ré de metade das custas processuais desembolsadas pela autora. XVI Apelação da autora parcialmente provida. (AC APELAÇÃO CÍVEL – 1266647. Rel. JUIZ CONVOCADO SOUZA RIBEIRO. DJ 08.09.2009)grifos nossos ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SUNAB. LEI DELEGADA 4/62. AUTUAÇÕES FISCAIS. INFRAÇÕES CONTINUADAS. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. QUESTÃO APROPRIADA A SOBERANIA DAS INSTANCIAS ORDINÁRIAS. PREQUESTIONAMENTO. IMPRECISÃO NA INDICAÇÃO DE PADRÕES LEGAIS APONTADOS COMO MALFERIDOS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CPC, ART. 541 E PARÁGRAFO ÚNICO. SUMULAS 7 E 126/STJ. 1. O PREQUESTIONAMENTO E IMPOSITIVO. A DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DEVE OBEDIÊNCIA AS DISPOSIÇÕES DO ART. 541, PARÁGRAFO ÚNICO, CPC. DESATENDIDOS OS SEUS REQUISITOS FICA OBSTADO O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. 2. AS INFRAÇÕES SEQUENCIAIS, FERINDO O MESMO OBJETO DA TUTELA JURIDICA, GUARDANDO AFINIDADE COM IGUAL FUNDAMENTO FATICO, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.006885/200846 Acórdão n.º 3302002.731 S3C3T2 Fl. 12 11 CONSTITUINDO COMPORTAMENTO DE FEIÇÃO CONTINUADA, ESTÃO SUJEITAS A UMA UNICA SANÇÃO, APLICADO E GRADUADO O APENAMENTO CONFORME A SUA INTENSIDADE, REITERAÇÃO E CONSEQUENCIAS DANOSAS A ECONOMIA POPULAR. TIPIFICAÇÃO QUE DEVE SER DEMONSTRADA EM SINGULAR AUTO DE INFRAÇÃO. 3. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS ITERATIVOS. 4. RECURSO DA PARTE IMPETRANTE PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO. NÃO CONHECIDO O RECURSO DA SUNAB. (RESP RECURSO ESPECIAL – 94635. Rel. Milton Luiz Pereira. DJ 04.08.1997)grifos nossos Por todo exposto, conheço do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, e, no mérito, para provêlo para cancelar o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11686.000090/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO.
Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Inexiste previsão legal para o cálculo de créditos a descontar das contribuições de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes.
CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO.
Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presume-se normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Fez sustentação oral: Carlos Eduardo Amorim - OAB/DF 40881
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(Assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Inexiste previsão legal para o cálculo de créditos a descontar das contribuições de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presume-se normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Carlos Eduardo Amorim - OAB/DF 40881 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A demonstração de conhecimento pleno quanto às irregularidades que lhe foram imputadas, e a defesa meticulosa, abrangendo questões preliminares e de mérito, comprova a inexistência de cerceamento do direito de defesa. PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura de Mandado de Segurança com o mesmo objeto já constante em litígio no Processo Administrativo Fiscal, implica na renúncia às instâncias administrativas, com a desistência da anterior manifestação de inconformidade e a comprovação de cumprimento pela administração da determinação judicial leva à conclusão de que a matéria deixou de ser objeto de litígio administrativo na instância administrativa de julgamento posterior. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostra se ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 90 /2 00 8- 59 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Inexiste previsão legal para o cálculo de créditos a descontar das contribuições de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presumese normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora. Designado a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Carlos Eduardo Amorim OAB/DF 40881 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora Designada. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 757 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas,, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/10/2006 a 31/12/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no Mercado Interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: "I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo Fl. 760DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação do PIS/Pasep nãocumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins NãoCumulativo Receita Mercado Interno, referente ao 4º trimestre de 2006. Acerca porém das glosas efetuadas, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando: Preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à Constituição Federal e aos princípios do Processo Administrativo Fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, posto que, conforme fora lançado, ausente no processo a motivação do r.despacho/decisório, sem justificativa expressa para o afastamento de parte do direito creditório da ora impugnante. Sendo, alega, imprescindível para a compreensão da decisão a indicação dos pressupostos de fato e de direito que a determinaram. Bem como, alega ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa cerceamento de defesa na medida em que não estando expressa a fundamentação ocorre a ofensa à ampla defesa e ao contraditório, já que impede ao contribuinte/credor de utilizarse com proveito dos mecanismos de defesa na busca Fl. 761DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 758 5 da satisfação integral de seu crédito. E alega ainda que, pela falta de motivação, a decisão que homologou parcialmente o pedido de ressarcimento também recaiu em afronta à legalidade. No mérito, a contribuinte discorda da glosa parcial, pois não se conforma com o indeferimento da parcela dos créditos pleiteados, cujas alegações, em síntese, são transcritas do relatório do acórdão ora recorrido: “ Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse Fl. 762DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. Ao final, pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Requer ainda o recebimento de sua Manifestação de Inconformidade, para que seja declarada a nulidade do Despacho Decisório ora combatido, ou, alternativamente, a reforma do mesmo, com o deferimento total do crédito pleiteado”. Conforme documentos, decisões e certidões juntados ao processo, constatase que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, para discussão da questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ"). Tal ação judicial teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. A DRF/POA teve conhecimento desses fatos por meio do MEMO/SERDC/PGFN4ª REGIÃO/RS 1397/2009, de 15/09/2009. Destacase, para maior esclarecimento dos fatos, o relatório da referida sentença: “I I Relatório Tratase de mandado de segurança no qual a parte impetrante requer (a) a declaração de inexigibilidade da contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre os valores referentes ao crédito presumido de ICMS decorrente da comercialização de arroz em operação interestadual, como incentivo fiscal dos Estados de Pernambuco (PRODEPE Decreto n° 23.504/01) e do Mato Grosso (PROARROZ/MT Decreto n° 4.336/02); (b) a declaração de nulidade parcial dos despachos decisórios proferidos nos pedidos de ressarcimento n°: 11686.000075/200819; 11686.000079/200899; 11686.000080/200813; 11686.000081/200868; 11686.000082/200811; 11686.000077/200808; 11686.000097/200871; 11686.000098/200815; 11686.000099/200860; 11686.000076/200855; 11686.000084/200800; 11686.000087/200835; 11686.000088/200880; 11686.000089/200824; 11686.000090/200859; 11686.000085/200846; 11686.000094/200837; 11686.000095/20088l; 11686.000096/200826 e 11686.000086/200891 e, afastadas as glosas decorrentes do ato coator, (c) a determinação de ressarcimento das quantias glosadas acrescidas da correção Fl. 763DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 759 7 pela SELIC. Em síntese, sustentou que o crédito presumido do ICMS não constitui receita, mas ressarcimento de custos”. Em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010, nos seguintes termos: “Pela presente, dáse ciência do cumprimento da sentença do mandado de segurança em epígrafe, pela emissão de ordens bancárias em 19/10/2010, que diz respeito aos processos 11686.000079/200899, 11686.000087/200835, 11686.000080/200813, 11686.00081/200868, 11686.000089/200824, 11686.000082/200811, 11686.000090/200859, 11686.00077/2008 48,11686.000085/200846, 11868.000099/200860 e 1186.000096/200826. O referido mandado de segurança objetiva o reconhecimento da inexigibilidade das contribuições PIS/PASEP e COFINS sobre o crédito presumido de ICMS decorrente da comercialização de arroz em operação interestadual, como incentivo fiscal (PROARROZ Decreto n.° 4.336/02). Portanto, não alcança os processos 11686.000.075/200819; 11686.00076/200855; 11686.0084/200800 e 11686000086/200891, por estes tratarem do ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS não cumulativo, vinculados a receitas de exportação. Não haverá emissão de ordem bancária nos processos 11686.000095/200881, 11686.000088/200880, 11686.000097/200871 e 11686.000098/200815, pois tratam se de pedidos de compensação. O crédito restabelecido será compensado com débitos dos pedidos de compensação. No processo 11686.000094/200837, o crédito disponível foi liquidado com a compensação de ofício, conforme Intimação 1.940/2010.” Retornando os processos para a DRJ/POA, aquela proferiu seu julgamento do presente processo por meio do Acórdão 1032.699 2ª Turma da DRJ/POA, em 07 de julho de 2011, no qual os membros acordam, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Devidamente cientificado do Acórdão da DRJ/POA, a contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e sub títulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 760 9 II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Em 25 de Junho de 2013, estando o presente recurso pautado para julgamento neste Colegiado, acordaram os seus membros, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, tendo sido vencida esta Relatora e Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, o qual determinou o retorno à repartição de origem para as providências mencionadas. Em atendimento à determinação contida na Resolução, a Unidade de Origem realiza a diligência e, em decorrência, anexa aos autos cópias de notas fiscais, planilhas denominadas: RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS SEM MENSAGEM E SEM DECLARAÇÃO; RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS COM MENSAGEM E SEM DECLARAÇÃO; RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS NÃO LOCALIZADAS PELO CONTRIBUINTE, bem como o Relatório de Informação Fiscal, por meio do qual opina pela improcedência da utilização de crédito básico, pelo o fato de que tanto os fornecedores quanto o adquirente (ora recorrente) atendem aos requisitos legais exigidos para a ocorrência da suspensão do PIS e COFINS nas realizadas vendas de arroz com casca. A contribuinte manifestase acerca do resultado de diligência. Retorna os autos a este colegiado para realização do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO A contribuinte insiste em seu recurso Voluntário na solicitação de nulidade do Despacho Decisório da DRF de origem, reprisando os seus argumentos de defesa quanto a ausência de fundamentação, de motivação para a não homologação integral do direito creditório, verificandose latente a afronta aos princípios e critérios do processo administrativo fiscal tais como legalidade, motivação, ampla defesa, contraditório e segurança jurídica. E, acrescentando argumentos de que o fato da ora recorrente ter apresentado a sua Manifestação, com todos os fundamentos possíveis de defesa, não afasta a nulidade do despacho decisório por ter este incorrido em nulidade por ausência de motivação do indeferimento parcial do crédito pleiteado, razão pela qual o r. acórdão deve ser recorrido para o fim de que seja anulado parcialmente o despacho decisório, no tocante ao indeferimento parcial do direito creditório da ora Recorrente. Contundo, não assiste razão à recorrente. O caput do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 determina que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 761 11 Pois bem, consoante o disposto no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), dúvidas não pairam de que o cerceamento do direito de defesa é sim causa de nulidade do ato administrativo. Todavia, é de se ressaltar que o referido cerceamento se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, circunstância que não se configurou na espécie. Com efeito, verificase da Informação fiscal, que embasou e faz parte integrante do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, que a autoridade fiscal descreveu detalhadamente o procedimento de auditoria, as irregularidades constatadas, a informação da composição da base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS nos termos constantes da lei específica, a informação sobre os possíveis créditos decorrentes de fretes com informação dos dispositivos legais atinentes, bem como as condições para aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, quanto às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM,com menção aos art. 3º , incisos I e III, e § 1. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. Tanto foi assim, que a contribuinte, ora recorrente, teve sim, condições de efetuar plenamente a sua defesa por meio de apresentação da sua Manifestação de Inconformidade, com todos os fundamentos possíveis de defesa, conforme a própria atesta em seu recurso voluntário, no qual, também, elaborou plenamente sua defesa. Quanto à questão da ilegalidade do Despacho Decisório aduzida com base no art. 31 do Decreto 70.235/72, convém destacar que referido artigo está inserido na seção VI DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA do mencionado Decreto, o qual diz respeito às exigências processuais que devem conter na decisão de julgamento de primeira instância e não se refere à exigências de Despacho Decisório proferido pela autoridade preparadora da RFB competente para analisar a solicitação de restituição/ressarcimento/compensação da contribuinte e decidir sobre a mesma. Mesmo que tivesse havido no referido Despacho Decisório algum erro ou omissão na fundamentação legal, na motivação, o que não foi o caso, não há dúvida de que o mesmo cumpriu a sua finalidade e, ainda, ressaltese que há farta jurisprudência administrativa deste Conselho de que tais não acarretam a nulidade do ato ou despacho, por cerceamento do direito de defesa, quando neles conste judiciosa descrição dos fatos que possibilite a plena defesa da contribuinte, consoante se verifica nas ementas abaixo transcritas: “AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa”. (Acórdão n.º 10313.567, DOU de 28/05/1995); “LANÇAMENTO SEM MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento, por preterição do direito de defesa, se o sujeito passivo revelou ter pleno conhecimento dos seus fundamentos, rebatendoos um a um.( Acórdão nº 3201001.177 – Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013) CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. (Acórdão nº 2402003.296 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013); CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO POR NÃO INFORMAÇÃO DE TRIBUTO EM GFIP. DECORRENTE DO LANÇAMENTO DO PRINCIPAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O presente processo cuida de auto de infração que impôs multa pelo descumprimento de obrigação acessória: a falta de informação de contribuições previdenciárias em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. Os tributos não informados em GFIP decorreram de valores pagos à cooperativa de trabalho médico por empresas consideradas como filiais de fato do autuado, e que foram objeto de cobrança em notificação de lançamento constante de outro processo. Como não constavam nos autos quaisquer informações sobre o motivo porque as empresas que efetuaram os pagamentos foram consideradas filiais de fato do contribuinte, o acórdão recorrido entendeu que o auto de infração era nulo, maculado por vício material, por não descrever a infração de forma clara e precisa, o que teria prejudicado o direito de defesa do autuado. Entretanto, não é nulo o lançamento por preterição de direito de defesa, pois o contribuinte revelou conhecer sobejamente a relação entre os dois processos, defendendose deste com os mesmos argumentos do outro. De fato, não é possível se apreciar o mérito do auto de infração que cobra multa por descumprimento de obrigação acessória de forma desconexa da notificação de lançamento que lança as contribuições previdenciárias. Caso o lançamento dos tributos seja cancelado,o mesmo destino se dará às penalidades pelo descumprimento das obrigações acessórias a eles relativas. Por outro lado, caso o principal seja mantido, então haverá sentido em se discorrer se as obrigações acessórias decorrentes não foram cumpridas. Recurso especial provido. (Grifouse) (Acórdão CSRF nº 9202002.004, Rel. Cons. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Sessão de 22/03/2012) Dessa forma, rejeitase a preliminar de nulidade do Despacho Decisório, em face da inexistência de ofensa aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. DA PRELIMINAR SOBRE A PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL De fato, nesta questão específica, a contribuinte, ao impetrar o Mandado de Segurança N° 2008.71.00.03231407RS com o mesmo objeto já constante em litígio nos Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 762 13 presentes autos (questão da exclusão de créditos presumidos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais "PRODEPE"PE e "PROARROZ"MT, da base de cálculo do PIS e da COFINS), promoveu a renúncia às instâncias administrativas, com a desistência da anterior manifestação de inconformidade, nos termos do pronunciamento da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação no Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 03, de 14/02/961, fundamentado nos dispositivos contidos no artigo 1º, § 2º, do Decretolei n° 1.737, de 20.12.792, e no artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/803. Motivo pelo o qual, consoante já destacado no relatório, a DRJ/POA decidiu, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. Inclusive, ressaltese, tal questão já teve decisão judicial definitiva, favorável à contribuinte, e, consoante se constata nos autos, a unidade de origem já cumpriu a determinação judicial, de ressarcimento/compensação da parte glosada, com a respectiva atualização pela taxa SELIC, dando ciência à contribuinte, ora recorrente, desses cumprimento, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Desta forma, tal matéria não é mais objeto desse litígio, face à renúncia da contribuinte, que optou pela via judicial e cuja decisão que lhe foi favorável já foi devidamente cumprida pela unidade de origem da RFB. DO MÉRITO 1 O CoordenadorGcral do Sistema de Tributação, (...) Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a proposilura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) consequentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc); c) no caso da letra "a"', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá à inscrição em Dívida Ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos 11 (depósito do montante integral do debito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança) do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). 2 'Art 1º (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do credito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. 3 Art 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida , esta precedida do depósito preparatório do valor do debito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa cm renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 DO MÉRITO QUANTO AO DIREITO O apelo formalizado pela contribuinte, ora recorrente, devolve a esta instância de julgamento administrativo a apreciação, no mérito, de duas matérias ainda em litígios, a saber: (i) O direito ao crédito referente à fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos do contribuinte. Registrese que a recorrente, em sua peça recursal, em nenhum momento fez referência ao direito de crédito quanto ao frete utilizado nas devoluções. Portanto, tal item não será abjeto de análise nesse julgamento; e (ii) O direito à créditos sobre as aquisições de arroz junto à pessoas jurídicas, adquiridos, segundo a fiscalização, com suspensão da incidência das contribuições prevista no caput do artigo 9° da Lei 10.925/2004. Antes de adentrar especificamente nestas questões, tendo em vista que a recorrente apresentou em seus argumentos de recurso a sua defesa acerca dos conceitos da não cumulatividade das contribuições do PIS e COFINS e de insumos a ser utilizado como dedução na apuração não cumulativa de referidas contribuições, fazse necessário tecer algumas considerações sobre esses temas, como forma de demonstrar o meu posicionamento que, conseqüentemente, conduz o meu voto. DO SISTEMA DA NÃO CUMULATIVIDADE NO PIS E COFINS O sistema da não cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituído por meio das Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS, em face da conversão em lei das Medidas Provisórias nº 66/02 e 135/03, respectivamente e que tem por objetivo desonerar o contribuinte no pagamento das contribuições ao PIS e a COFINS, contribuições estas que incidem sobre o faturamento/receita. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu, em seu art. 195, §12, incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que: “ A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas.”. Até o momento da criação do sistema não cumulativo das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, a sistemática da não cumulatividade existia, apenas, para o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e para o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Especificamente para o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI, os princípios da não cumulatividade e o da seletividade foram introduzidos no arcabouço constitucional por meio da Emenda Constitucional (EC) nº 18/1965 e permanecem na Constituição Federal (CF) de 1988, que não trouxe alterações no tocante aos princípios em questão: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 763 15 I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...).” O Código Tributário Nacional, sobre o princípio da não cumulatividade do IPI, estabelece a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do IPI resulte do imposto pago pelo adquirente quando da entrada dos produtos em seu estabelecimento, in verbis: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” (grifouse) Nesta direção, o principio constitucional da não cumulatividade aplicado ao IPI teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia: "Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento." (negritos acrescidos) O Regulamento do IPI RIPI 2002 (Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002), por sua vez, em seu art. 163 (equivalente ao art. 225 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 Regulamento do IPI (RIPI/2010)) estabeleceu: “CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178.” Pelos dispositivos constitucional e legais acima dispostos verificase que a sistemática de não cumulatividade do IPI adotada pelo o Brasil operase mediante a apropriação e utilização de créditos, por meio da compensação entre o valor do IPI recebido dos adquirentes do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da aquisição dos insumos onerados, apurandose a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. Seu foco não está no valor agregado pelo o contribuinte aos insumos por ele adquirido, mas na diferença do confronto entre o imposto devido nas saídas de seu produto com o suportado nas aquisições dos insumos, técnica esta denominada “imposto sobre imposto”. Diferentemente do que se deu com a sistemática da não cumulatividade do IPI, para o caso específico da aplicação da sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e COFINS, o texto constitucional contido em seu art. 195, §12, incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/20034 não explicitou a forma de sua realização. Consoante trecho pertinente do esclarecimento do julgador Márcio André Moreira Brito5, em voto que efetuou sobre tal matéria, temse a destacar que: “58. Percebese acima que a Magna Carta, apenas e tão somente, veio a expressar a possibilidade, que já se podia extrair tacitamente do texto constitucional, de que a cobrança da contribuição para o PIS e da COFINS pudesse ser não cumulativa e, ainda, a permitir que a lei definisse setores da atividade econômica para os quais esta sistemática seria aplicável; todavia, nada abordou quanto à forma de implementação desta sistemática nãocumulativa. 59. Muito menos ainda, determinou a CF/88, no contexto da nãocumulatividade de nupercitadas contribuições, o que deveria ser considerado insumo. 4 CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...); b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...); § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (...). 5 Julgador da 2ª turma da DRJ/REC. Voto proferido no Acórdão nº 35977, de 31/01/2012. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 764 17 Logo, as questões expostas ficaram reservadas à legislação infraconstitucional, ...”. Sabese que o ponto nuclear da sistemática da não cumulatividade para qualquer tributo para o qual a lei preveja a sua aplicação é a redução da carga tributária. Mas, tendo em vista as diferenças de regra matriz dos mencionados tributos (IPI, PIS E COFINS), especificamente em relação ao seu aspecto material, há de se compreender que a aplicação da sistemática da não cumulatividade para as contribuições não pode ser exatamente igual àquela estabelecida para o IPI. Nesse sentido já se manifestou a julgadora dessa turma, Fabiola Cassiano Keramidas6: “As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita7 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é 6 Acórdão 3302001.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 29 de janeiro de 2013, proferido no processo 1065.724992/201197. 7 Lei nº 10.833/03 (COFINS) (De forma similar trata o art. 1º da Lei 10.637/2002PIS) Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Fl. 774DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco (MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004): “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam evitar a cumulatividade, para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições.” Assim é que para as contribuições do PIS E COFINS a legislação estabeleceu uma aplicação própria da sistemática da não cumulatividade, permitindo que se descontasse do valor das contribuições apuradas segundo as regras contidas nos arts. 2º das Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS, respectivamente, os créditos calculados em conformidade com as regras contidas nos arts. 3º das já citadas leis, tendo em conta que, para o caso de créditos para dedução do valor do PIS, houve uma extensão aos itens originalmente previstos no art. 3º da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, por meio da redação do art. 15, inciso II da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. À época dos fatos, as redações dos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 eram as seguintes: LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 765 19 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III – vetado. IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X – valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de Fl. 776DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. §2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) §3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. §4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. §5º (VETADO) §6º (VETADO) §7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) §8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no §7º e àquelas submetidas ao Fl. 777DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 766 21 regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. §9º O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. §10 (revogado ela lei nº 10.925,de 2004). §11 (revogado ela lei nº 10.925,de 2004). §12. Ressalvado o disposto no §2º deste artigo e nos §§1º a 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do §4º do art. 2ºo desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) §13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” – destaquei LEI N° 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003 “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008)(Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 778DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 767 23 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. § 5o (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6o (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 24 § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 4o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). Fl. 781DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 768 25 § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Como ressalvado acima, tem que se ter em conta que, para o caso de créditos para dedução do valor do PIS, houve uma extensão aos itens originalmente previstos no art. 3º da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, por meio da redação do art. 15, inciso II da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que assim determina: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º1 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004): II nos incisos VI, VII e IX do caput8 e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A leitura dos referidos dispositivos denota a diferenciação dada à sistemática da não cumulatividade das contribuições dos PIS/PASEP e COFINS, alcançando todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas e não somente os industriais, como ocorre no IPI. Isto, é claro, decorre do fato de que as contribuições ora sob análise incidem sobre o total das receitas 8 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...). Fl. 782DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 26 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consideradas como a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. E, visando minorar a incidência dos efeitos sobre a receita ou faturamento, foi instituída a não cumulatividade do PIS e da COFINS, por meio das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ressaltandose que são taxativas as hipóteses de créditos para o PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade previstas nos incisos dos referidos arts. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não cabendo alteração por analogia ou interpretação extensiva. É de se destacar que, para o cálculo da sistemática da não cumulatividade das contribuições do PIS e COFINS, além dos créditos atinentes aos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação ou produção de bens e produtos (art. 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), o próprio inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, estendeu a possibilidade de crédito relativos aos combustíveis e lubrificantes (que não são insumos para o IPI), bem como estendeu a possibilidade, também, de créditos advindos dos bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, e ainda, os citados artigos 3º das leis mencionadas relacionam expressamente nos demais incisos outros custos e despesas, não classificados como insumos, nos termos do inciso II, possíveis de gerar créditos na apuração não cumulativa das contribuições do PIS/PASEP e COFINS. A fundamentação acima posta para justificar a diferenciação da aplicação da sistemática da não cumulatividade para as contribuições do PIS e COFINS e para o IPI, não podem ser também utilizadas para defender a noção de “insumos”, referido no inciso II do art. 3º das leis de regência do PIS e COFINS, consoante fundamentarei em momento oportuno. Aqui, portanto, mister se faz ressalvar que relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica –IRPJ não se pode falar em sistema de não cumulatividade, pois que a esse imposto, tal sistemática não se aplica, haja vista ser este um imposto direto e progressivo. A tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real, se dá mediante a apuração contábil dos resultados, com os ajustes determinados pela legislação fiscal. O Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas legalmente. Daí, que os créditos a serem aproveitados na sistemática da não cumulatividade das contribuições do PIS/PASEP e COFINS não se confundem com os custos de produção e as despesas necessárias conforme conceito estabelecido na legislação do IRPJ (arts. 290 e 299 do RIR), sendo desarrazoada a pretensão de utilizar tal legislação, de maneira tão ampla e irrestrita. Demonstrado, então, que a sistemática da não cumulatividade para as contribuições do PIS/PASEP e COFINS, conforme determinado na Constituição Federal, ficaram reservadas à legislação infraconstitucional, e que não se extrai do texto constitucional a pretendida regra de obrigatoriedade de dedução de créditos relativos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido e utilizado nas atividades da empresa, é de se concluir, então, pela impertinência do argumento da recorrente acerca da violação ao texto constitucional. Ademais, aplicase também a Súmula Carf nº 2 (Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009): “Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 769 27 DA NOÇÃO DE INSUMO COMO CRÉDITO A DESCONTAR NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E DA COFINS – SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. Como já registrado, o texto dos arts. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em seu inciso II, faz referência ao crédito incidente sobre bens e serviços, utilizados como insumo tanto na prestação de serviços, quanto na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entretanto, como bem ressaltou o julgador do Acórdão 35977, de 31/01/2012, já acima mencionado, “Conquanto tenha apresentado algumas diretrizes, o texto dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pormenorizou o conceito do termo “insumos” para fins de desconto de créditos da contribuição para o PIS e da COFINS, razão pela qual a Receita Federal o fez, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66, da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92, da Lei nº 10.833/2003, por meio das IN SRF nº 247, de 21/11/2002, e nº 404, de 12/03/2004” 9, defendendo, para o PIS e para a COFINS, no que se 9 Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I I utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Instrução Normativa SRF n° 404, de 12 de março de 2004: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.l) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 784DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 28 refere às atividades industriais, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e dando os contornos da noção de insumos utilizados na prestação de serviços, este último, tema nunca debatido quando da análise da sistemática da não cumulatividade do IPI, por não lhe ser atinente. Exatamente por isso, a jurisprudência, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial, tem voltado sua atenção para análise desse tema (noções de insumos previstos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 – utilizados como créditos a serem descontados na apuração não cumulativa das contribuições de PIS e COFINS), em razão dos questionamentos dos contribuintes, tendo se instalado três correntes: a) Bens ou serviços qualificáveis como insumo para dedução no cálculo da não cumulatividade são: quanto à produção ou fabricação de bens e produtos, aqueles previstos na legislação do IPI, com a extensão dada pela lei relativamente à inclusão expressa dos combustíveis e lubrificantes (que não são insumos no caso de IPI); e os bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços (extensão dada pela lei, mas sem dar a noção do que sejam tais insumos na prestação de serviços). As demais hipóteses expressamente citadas nas leis de regência PIS e COFINS, nos demais incisos do art. 3º das leis de regência, são outros custos e despesas, que não se confundem com os insumos citados no inciso II dos arts. 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS). b) Bens ou serviços qualificáveis como insumo são os previstos nos conceitos de “custo de produção” e de “despesa operacional” aplicados pela legislação do imposto de renda (RIR artigos 290 e 299) – com as exceções previstas expressamente nas leis de regência PIS e COFINS. Convém registrar que esta corrente, na segunda Instância Administrativa Federal de julgamento (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), é minoritária. c) Bens ou serviços qualificáveis como insumo para apuração de crédito do PIS e da COFINS devem seguir critérios próprios. Mas, sempre considerando que somente os bens e serviços que forem utilizados como insumos na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito, esclarecendo que, os insumos devem ser utilizados direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser indispensável para a formação daquele produto/serviço final; e estar relacionado ao objeto social do contribuinte. Defenderei o meu posicionamento na análise do caso específico, a seguir: (i) Do direito ao crédito referente à fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos da contribuinte A glosa dos créditos vinculados a despesas com fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos do contribuinte e nas devoluções foi efetuada pela fiscalização sob o fundamento de que tais fretes contratados de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Afirma que dará direito ao crédito o frete b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 770 29 contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3º, inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/200310. A contribuinte defende o conceito de insumo para dedução da apuração das contribuições, de forma ampla, consoante as regras dispostas nos arts. 290 e 299 do RIR/99, tendo em vista o texto contido no parágrafo 3º, inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Não compartilho com este posicionamento. Para a concepção do termo “insumos” utilizado nas leis de regência das contribuições para o PIS e COFINS não cumulativos, fazse necessário analisar o tema à luz da sistemática constitucional, posto que tais contribuições são tributos especiais e assim, regidas por princípios, também especiais, haja vistas que as mesmas não possuem como principal finalidade a arrecadação de recursos financeiros para o sustento da máquina estatal, mas, sim, visam precipuamente à realização de políticas sócioeconômicas, para assegurar à todos existência digna, visando promover a justiça social. Tais contribuições têm como principal objetivo garantir os recursos financeiros necessários à efetivação do princípio da universalidade da cobertura e do atendimento da seguridade social. Nesse sentido, o caput do art. 195 da CRFB/88 estabelece a obrigatoriedade de a seguridade social ser financiada por toda a sociedade e, o inciso V do parágrafo único do art. 194 da CRFB/88 ressalta a necessidade de haver equidade na forma de participação de custeio. 10 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no §1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...); §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, efeitos a partir de nov/2008) (...); II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; (...)”. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)” Fl. 786DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 30 Em face, portanto, desse princípio constitucional da solidariedade social obrigatória, deve ser descartada qualquer interpretação que admita exceções à sua aplicação. A análise do termo “insumos” contida no inciso II do art.3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). deve ser efetuada tendo em mente este contexto constitucional. Vejamos: Assim dispõe os artigos 290 e 299 do RIR/99, que tratam dos “custos de produção” e de “despesas operacionais/necessárias”, respectivamente: "Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I – o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II – o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III – os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV – os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V – os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem." Da leitura das regras acima transcritas, constatase que os custos de locação de máquinas e equipamentos utilizados na produção, bem como os encargos de depreciação e amortização dos bens aplicados na produção já constam do conceito de custos de produção (incisos III e IV do art. 290 do RIR/99); Da mesma forma, a energia elétrica consumida nos Fl. 787DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 771 31 estabelecimentos da empresa caracterizase como despesa operacional, posto que necessária para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, nos termos do art. 299 do RIR/99. Em sendo assim, se fosse, de fato, o desejo do legislador aplicar ao termo “insumo” do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) a noção ampla de custos de produção e de despesas necessárias utilizadas na legislação do imposto de renda, não haveria a necessidade de discriminar, em vários incisos, apenas alguns custos de produção e algumas despesas operacionais que geram o direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da COFINS, a exemplo do que se deu com os custos e despesas destacados no parágrafo anterior, que foram expressamente mencionados nos incisos dos art. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). Bastaria, apenas, que assim tivesse determinado em um único dispositivo. A discriminação expressa desses custos de produção e dessas despesas necessárias em outros incisos dos art. 3º das leis de regência do PIS E COFINS não cumulativo, ao contrário do defendido pela recorrente, revela que o termo “insumo” autorizado no inciso II deste mesmo artigo não tem a conotação ampla da legislação do IRPJ. Nesta linha de pensamento, posicionouse o TRF4ª, consoante se demonstra com o entendimento consubstanciado nos trechos de ementas a seguir transcritos: “TRIBUTÁRIO. EPROC. PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. APLICAÇÃO. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. VALORES COBRADOS PELAS EMPRESAS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO E DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. (...) 4. Da análise das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verificase que o conceito de insumos, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS por elas instituído, abrange os elementos que se relacionam diretamente à atividade fim da empresa, não abarcando todos os elementos da sua atividade. Acaso fosse esta a intenção, não teria o legislador se preocupado em especificar as situações que ensejam os descontos ou aproveitamento de créditos nos incisos dos dispositivos legais que regem a matéria, concentrando tudo numa só estipulação. (...). 5. Sentença mantida.” (TRF 4ª Região, AC nº 5009177 42.2010.404.7100, Relator: Desembargador Federal Otávio Roberto Pamplona, decisão de 29/11/2011, publicada aos 05/12/2011, com g.n.) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO LEGAL. PIS. COFINS. IN 404/2004. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 32 1. Este Tribunal já decidiu acerca da restrição ao conceito de insumo, uma vez que, caso não fosse a intenção do legislador restringir as hipóteses de creditamento, não teria ele se preocupado em especificar as situações que ensejam os descontos ou aproveitamento de créditos nos incisos dos dispositivos legais que regem a matéria, concentrando tudo numa só estipulação.” (TRF4, AC 002772222.2008.404.7100, Primeira Turma, Relator Artur César de Souza, D.E. 03/08/2011) Sendo taxativas as hipóteses contidas nos incisos dos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) referente à autorização de uso de créditos aptos a serem descontados quando da apuração das contribuições, entendese que a referência feita no inciso II11, do §3º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, diz respeito exclusivamente aos custos e despesas explicitamente relacionados nos incisos do próprio artigo, salvo se os custos e despesas forem enquadrados como insumos utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, de acordo com a atividade da pessoa jurídica. Por ser oportuno, convém trazer à baila a manifestação feita pelo redator do voto vencedor do Acórdão 3302001.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 29 de janeiro de 2013, o conselheiro José Antônio Francisco: “A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito não é a circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, que, para o caso, é irrelevante.” Desta forma, em não sendo insumo utilizado na produção ou fabricação dos produtos ou na prestação de serviços, o frete só seria passível de ser utilizado como crédito dedutor na sistemática não cumulativa se se tratasse de frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II do art. 3º, quando o ônus fosse suportado pelo vendedor, o que não se dá no presente caso, haja vista que a própria contribuinte, em sua defesa e recurso, admite que “transfere os seus produtos para centros de distribuição de sua propriedade a fim de obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros para estocagem, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores do sudeste, centro ou até mesmo do norte e nordeste do país”, defendendo ser esta uma operação apenas de desdobramento da operação de venda, visto que a única razão de manter esses centros de distribuição é justamente a questão da logística da venda, que em não havendo essa disponibilidade de produtos à pronta entrega, inviabilizaria a mesma. Portanto, não há previsão legal para a dedução do referidos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos da recorrente. 11 Art. 3º (...) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I (...); II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...)." Fl. 789DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 772 33 Nesta direção, há precedentes no CARF, consoante se demonstra com a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de PIS por falta de previsão legal nesse sentido. (...). Recurso Voluntário Negado.”(Acórdão 220100.069 — 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Sessão de 04 de março de 2009, da relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte) Registro, ainda, que tal decisão já foi assim defendida nesta turma pela conselheira Fabíola Cassiano Keramidas, nos seguintes termos: “Inicialmente devo registrar meu posicionamento no sentido da impossibilidade de crédito no caso de frete entre estabelecimentos da empresa. Esta interpretação encontra supedâneo no próprio artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que definem que o insumo deverá estar vinculado à produção. Neste sentido, entendo que falta a este insumo um dos três requisitos que considero indispensáveis para a concessão do crédito, que determina que o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte em sua produção.”(Acórdão 3302001.916– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013) Também, nesta mesma direção, destacase julgado do TRF4: “PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA A nova sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. Insumo é tudo aquilo que é utilizado no processo de produção e, ao final, integrase ao produto, seja bem ou serviço. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 34 (...). Podem ser abatidos apenas os créditos previstos na legislação de regência do PIS e COFINS nãocumulativos, a qual não contempla as despesas com frete decorrente da transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.”(TRF4, AC 501596059.2010.404.7000, Segunda Turma, Relatora p/ Acórdão Carla Evelise Justino Hendges, D.E. 18/05/2011).(grifei) Diante do que foi acima exposto, é de se concluir pela improcedência da utilização de crédito atinente à fretes de transferências de mercadorias entre os diversos estabelecimentos da contribuinte na apuração das contribuições do PIS e COFINS, não merecendo reforma, nesta questão, o Acórdão recorrido. (ii) O direito à créditos sobre as aquisições de arroz junto à pessoas jurídicas, adquiridos, segundo a fiscalização, com suspensão da incidência das contribuições prevista no caput do artigo 9° da Lei 10.925/2004. A recorrente entende ter direito a calcular créditos básicos sobre as aquisições de arroz em casca junto à pessoas jurídicas, nos termos do art. 3º, II da Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003. Utilizase dos seguintes argumentos: 1) realiza operações de compra de arroz em casca de diversas cooperativas de produção, de pessoas físicas e de pessoas jurídicas. Este produto representa um insumo para o produto final comercializado pela Empresa no mercado, o arroz beneficiado. Relativamente ao objeto social perseguido pela Recorrente, a Lei 10.925/2004 estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, prevendo crédito presumido na aquisição dos insumos (art.8º) e a suspensão da incidência das contribuições sociais ao PIS e da Cofins referente a receita de venda dos produtos que menciona nos seus incisos (Art.9º). Mas, ressalta que tal suspensão restou condicionada à ulterior manifestação da então Secretaria da Receita Federal sobre as diretrizes a serem aplicadas às operações de, in casu, beneficiamento de arroz, o que somente ocorreu com a publicação das Instruções Normativas n° 636 e n° 660, em 24 de março de 2006 e 17 de julho de 2006, respectivamente. 2) de que, não foram cumpridos todos os requisitos formais exigidos no art. 4º da IN. 660, e que, em face desse descumprimento pelo fornecedor quando da venda do arroz em casca promovidas à Recorrente, tais vendas não se encontravam ao abrigo da suspensão da incidência do PIS e da COFINS prevista no art. 9º da Lei n° 10.925/04 e na IN n° 660, o que torna legítima a tomada de créditos pretendida pela ora Recorrente. Os requisitos formais que afirma terem sido descumpridos pelo fornecedor foram a falta da exigência da Declaração nos termos dos Anexos I ou II relativa à apuração de Imposto de Renda com base no Lucro Real e Enquadramento nos dizeres da IN nº 660/06; e a falta da Fl. 791DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 773 35 informação na Nota Fiscal de venda com suspensão explicitando tratarse de venda com suspensão de PIS e Cofins. 3) A suspensão prevista no art. 9º da IN 660/2006 era facultativa, tornandose obrigatória apenas com as alterações trazidas pela IN 977, de 14 de dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro de 2009. Pois, se não fosse esse o entendimento da Receita Federal não haveria razão de existir as inovações trazidas pela tal Instrução, que alterou o artigo 4º da IN n° 660/06. Bem como, por ser um benefício, a suspensão não é automática, e sim condicionada a subsunção a determinadas regras, fixadas na IN 660/2006 e que o não preenchimento dos seus requisitos acaba por inviabilizar a sua aplicação. 4) A Recorrente, também, adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras que não atendem aos requisitos previstos na Instrução Normativa n° 660/06 operações realizadas com pessoas jurídicas não cerealistas. Nestes casos, efetua crédito integral de PIS e Cofins, pois não caberia outro entendimento e procedimento. No sentido de efetuar a devida comprovação de tal argumento junta ao Recurso Voluntário as notas fiscais correspondentes. 5) Solicita perícia. Vamos à análise da questão aqui posta. Como a própria recorrente reconhece, relativamente ao objeto social12 perseguido pela Recorrente, a Lei 10.925/2004 estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, prevendo crédito presumido na aquisição dos insumos (art.8º) e a suspensão da incidência das contribuições sociais ao PIS e da Cofins referente a receita de venda dos produtos que menciona nos seus incisos (Art.9º). O artigo 8º da Lei n 10.925/04 que prevê o crédito presumido, versa: Lei nº 10.925/2004 “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00,07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o 12 A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 36 valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005); II – pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III – pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...).”).(destaquei). Como se constata pela redação do caput (“poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido”), o crédito presumido é uma opção a ser decidida pelo o adquirente dos insumos mencionados sobre os quais estejam submetidos à suspensão. Contudo, tal opção não se dá para a suspensão, quando satisfeitas as condições legais, contidas no art. 9º da mesma lei, que assim prescreve: LEI 10.925/2004 “Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009 )(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 ) (Vide arts 2º e 9º da MP nº 609, de 8 de março de 2013) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Fl. 793DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 774 37 III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 1º O disposto neste artigo: ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF.” ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) ).(destaquei). Como se denota, o caput da lei estabelece marco imperativo quando expressamente afirma que “fica suspensa” as contribuições nos casos que especifica e determina no inciso I do seu §1º a condição para que ocorra a suspensão, qual seja, que as vendas sejam efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Tratase, pois, de uma obrigatoriedade e não faculdade, como defende a recorrente. Quisesse o legislador que se tratasse de opção ou faculdade, teria se utilizado da expressão “poderá suspender”, tal qual o fez no art. 8º acima transcrito, quando deu a opção para o adquirente utilizarse do crédito presumido. É verdade que a lei, em seu §2º, em vista da redação trazida ao texto original pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, estipula que a suspensão darseá nos termos e condições estabelecidos pela, então, Secretaria da Receita Federal – SRF, e que esta assim o fez por meio da edição da Instrução Normativa n° 636, 24 de março de 2006, posteriormente revogada pela Instrução Normativa n° 660, em 17 de julho de 2006. Mas, as Instruções Normativas editadas apenas regulamentam as disposições legais, como norma regulamentar que é, consoante consta do art. 1º das referidas normas, que define o âmbito de Aplicação: “Art.1 º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8 º , 9 º e 15 da Lei n º 10.925, de 2004.” E, foi nesta condição que, referente à suspensão da exigibilidade das contribuições, assim estabeleceu, nos arts. 2º, 3º e 4º da Instrução Normativa n° 660, em 17 de julho de 2006: “Dos produtos vendidos com suspensão Art.2 º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: Fl. 794DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 38 Ide produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; IIde leite in natura ; IIIde produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IVde produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5 º . §1 º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput , devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2 º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art.3 º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2 º , alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º ; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2 º ; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2 º . §1 º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2 º ; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2 º da Lei n º 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. §2º Conforme determinação do inciso II do § 4 º do art. 8º e do §4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura , ou que exerça Fl. 795DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 775 39 atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput , deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. §3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. Das condições de aplicação da suspensão Art.4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1ºPara os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009 ) I a Declaração do Anexo I , no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II , nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no §1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial.” Vêse que a instrução, de fato, regulamenta as disposições legais, basicamente repetindo as regras legais, inclusive quanto aos requisitos exigidos para a ocorrência da suspensão e quando explicita alguns termos, tais quais, “cerealistas”, “atividade agropecuária” e “cooperativa de produção agropecuária” e efetuando alguns esclarecimentos operacionais. É de se entender que as disposições contidas nos §2º do art. 2º13 e §§1º e 2º do art. 4º14 da Instrução Normativa 660/2006 vigente à época dos fatos foram estabelecidas 13 INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660, EM 17 DE JULHO DE 2006 Art.2 º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: (...); §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 40 como forma de proporcionar melhor controle e operacionalização, mas, não, como regras impeditivas da suspensão prevista em lei. A informação na Nota fiscal acerca da suspensão, tratase, na verdade, de uma obrigação acessória do fornecedor, quando da venda de seus produtos sujeitos à suspensão nos termos da lei. Os requisitos exigidos no art. 4º da referida instrução para a ocorrência da suspensão das contribuições são apenas os relacionados nos incisos I a III do referido artigo15, que são meras repetições da regra legal. E ainda, tal como ressalvado no acórdão recorrido, acrescentese, “a IN SRF nº 660/2006 determina que tal informação deve constar da nota fiscal, entretanto não veda a venda com suspensão caso esta determinação não seja observada.” Inclusive, ressaltese que, inicialmente, sequer havia essa disposição na Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, o que reforça a idéia de que tais dispositivos vieram apenas no sentido de facilitar um controle, de facilitar, também, a operacionalização da regra (obrigatória) da suspensão, quando ocorre a subsunção dos fatos às regras. E, também, é de se entender que a alteração promovida no art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 660/2006 por meio da edição da Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009, ao contrário do que alega a recorrente, não trouxe nenhuma inovação, posto que tal obrigatoriedade já constava na redação original da lei. Podese entender que a alteração na instrução normativa foi efetuada com o propósito de tornar mais clara a redação da obrigatoriedade estabelecida em lei, desde a sua origem, consoante demonstrado, como uma forma de anular ou reduzir a litigiosidade nesses casos, tal como se dá nestes autos, posto ser este um dos objetivos estratégicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Em outra via, mesmo que haja a concordância de que a suspensão tributária das contribuições do PIS e COFINS prevista no art. 9º da Lei n° 10.925, de 2004 tratase de um benefício, consoante alegado pela recorrente, é certo que, havendo a subsunção dos fatos às regras legais, a suspensão se dá de forma obrigatória, por determinação da própria lei, consoante já acima demonstrado. Esta discussão foi trazida recentemente à esta turma, quando do julgamento de caso similar, por meio do Acórdão nº 3302001.916, proferido em 29/01/2013 e cujo voto da relatora Fabíola Cassiano Keramidas foi, neste item de seu voto, acompanhado pela turma, motivo pelo o qual transcrevo a seguir o trecho do voto atinente à questão, adotando e 14 INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660, EM 17 DE JULHO DE 2006 Art.4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: (...); §1ºPara os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009 ) I a Declaração do Anexo I , no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II , nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no §1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial 15 Art.4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...). Fl. 797DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 776 41 ratificando os fundamentos utilizados pela ilustre relatora, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: “Créditos Integrais sobre Compras de Milho e Trigo com Suspensão As questões aqui em discussão referemse à situações específicas ocorridas com a Recorrente. A primeira delas referese ao fato de as notas fiscais objeto do crédito integral ora contestado não estarem com o registro da informação do fornecedor de tributação suspensa. Isto é, não se discute aqui se os insumos adquiridos se sujeitam à regra da suspensão, o que resta comprovado pela classificação fiscal do insumo (milho – posição 1005 TIPI e trigo – 1001 TIPI) e pela resposta da circularização realizada com os fornecedores. O assunto em discussão consubstanciase na possibilidade de eximir a Recorrente por ter se aproveitado do crédito integral em virtude de o fornecedor ter descumprido a obrigação acessória de informar a suspensão do PIS e COFINS. A Recorrente traz em seu favor a argumentação de que a obrigação era do fornecedor, sendo que o crédito base só estaria obstado nesta hipótese, cita em seu favor a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal – IN/SRF – 660/2006, artigo 2º, §2º, que seria de aplicação obrigatória, a saber: IN/SRF – 660/2006 “Art.2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I – de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II – de leite in natura; III – de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV – de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente.” A desobediência do dispositivo supracitado, no entender da Recorrente, eximiria seu procedimento. Defende que “...o ato normativo não confere nenhuma outra alternativa...”, “...se assim não fosse, qual a razão para que o Fisco (SRFB) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 42 determinasse essa condição no ato normativo?” e traz para justificar seu entendimento as Soluções de Consulta nº 25 e 50/2008 SRRF 10ª/Disit e 249/2009 da SRRF/9ª Região Fiscal. Com razão a fiscalização. O crédito é concedido e restringido pela lei, as instruções normativas tem apenas a função de complementar e até mesmo tornar efetiva a aplicação das regras legais, sem mencionar os sistemas de controle da própria administração pública. Outro entendimento significaria conceber a possibilidade de Instrução Normativa restringir/ampliar a aplicação dos termos da Lei. Isto porque, neste raciocínio, a IN SRF 660/06 alteraria o direito ao crédito bem como a natureza do crédito aplicável ao insumo, e a mera ausência de registro de “suspenso” seria suficiente para permitir a utilização pelo contribuinte de crédito base, não presumido. Impossível tal interpretação, as normas complementares não tem este condão e é exatamente isso que é a IN 660, uma norma complementar, espécie jurídica de caráter secundário cuja normatividade está diretamente subordinada à lei. Esta função complementar das instruções normativas no sistema tributário está previsto no próprio Código Tributário Nacional CTN, artigo 96, combinado com o inciso I, do artigo 100, a saber: ‘Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.. ... Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas’ (destaquei) É indiscutível que a Lei determina, expressamente, a função das Instruções Normativas como normas complementares do ordenamento jurídico, devendo ser desta forma consideradas. E, se a Instrução Normativa é norma complementar, significa que não pode inovar o ordenamento jurídico, menos ainda alterar a natureza do crédito aplicável a referido insumo. O crédito é concedido pela Lei e vinculado ao insumo, e as obrigações acessórias neste caso existem, a meu ver, apenas para o controle dos contribuintes envolvidos e da própria fiscalização. Desta forma, correta a fiscalização ao realizar a glosa do crédito básico, definindo o aproveitamento como sendo crédito presumido, em vista da suspensão dos tributos. (...).” Portanto, o relatório fiscal exaustivamente comprovou o preenchimento de todas as condições legais previstas para que se verifique a suspensão das contribuições. E, estando demonstrado pela fiscalização que as vendas do arroz em casca efetuadas à recorrente Fl. 799DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 777 43 atendem aos requisitos para a aplicação da suspensão da incidência das contribuições previstas no caput do artigo 9° da Lei 10.925/2004, posto tratarse de vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006, à recorrente caberia, então, optar, ou não, pelo o crédito presumido, mas não caberia utilizarse do crédito básico. Há, no entanto, de forma alternativa, a alegação da recorrente de que teria adquirido arroz em casca, também, de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, que justificaria a dedução do crédito básico. Tal alegação foi efetuada igualmente na peça impugnatória, mas, desprovida da provas que comprovassem suas alegações, tendo o relator do voto recorrido assim se manifestado: “O interessado alegou que teria adquirido arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, sem juntar as correspondentes notas fiscais destas supostas aquisições. As notas juntadas ao processo em sua manifestação se referem a compras efetuadas de cooperativas, ou seja, de acordo com os requisitos para que seja aplicada a suspensão. Desta forma, inexiste razão para qualquer reparo na glosa efetuada pela fiscalização quanto a este item". A recorrente, então, em face do que foi decidido pela primeira instância de julgamento sobre essa alegação, consoante fundamentação acima destacada, anexa por amostragem, ao recurso voluntário, algumas notas fiscais, com base nas quais pretende demonstrar tal alegação. Como se vê, tratase de provas preclusas, mas referente à alegações postas na sua manifestação de inconformidade. Não se tratam de novas alegações. É sabido que o PAF utilizase da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil e da Lei n.o 9.784/1999, principalmente, em questões de prova, haja vista a pouca regulação da matéria no Decreto 70.235/72. Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Conforme bem destaca o Auditor Fiscal Gilson Wessler Michels, em seus comentários e anotações ao Decreto nº 70.235/7216: “Esta formulação foi trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (parte final do caput do artigo 9.º do 16 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Versão 17 Atualizada até 31/Agosto/2011. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 44 Decreto n.º 70.235/1972: os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”)”. Por sua vez, a Lei nº 9.784/1999 igualmente traz importante regra em matéria probatória em seu artigo 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” No caso específico, por se tratar de pedido de ressarcimento, portanto, um suposto direito da contribuinte, a esta caberia carrear aos autos todas as provas de suas alegações no prazo limitado por lei, tendo em conta que a impugnação ou manifestação de inconformidade do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário e seria naquela fase que deveria carrear aos autos as provas de suas alegações. Ressaltandose que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. E, ainda, que as provas são todas aquelas admitidas em lei, exceto as ilícitas, e cujo interesse de constituílas deveria ser da própria contribuinte, independentemente de exigência legal. Tal ressalva se faz, em face da alegação da contribuinte de que não haveria lei estipulando exigência de a contribuinte solicitar declaração de seus fornecedores (o que lhe foi solicitado pela fiscalização, por meio do Termo de Intimação nº 2) Nesta questão específica, ora sob análise (crédito atinente às aquisições de arroz em casca), é de se registrar que, já no procedimento de auditoria, a contribuinte, por meio do Termo de Intimação nº 1, foi intimada a: “1. Apresentar cópia das notas fiscais das aquisições de arroz referentes ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2004 e 30 de abril de 2008, separadas por pessoa jurídica; 2. Apresentar planilha por pessoa jurídica das aquisições de arroz referentes ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2004 e 30 de abril de 2008. Na planilha deve constar o nome da pessoa jurídica, CNPJ, n° da nota fiscal, data da aquisição, produto adquirido, quantidade adquirida, valor da aquisição e totalização mensal das compras.” Não obstante, não se visualiza nos autos, quaisquer manifestação acerca do atendimento dessa intimação. Tampouco, antes da realização da diligência, não se localizava nos autos planilha elaborada pela contribuinte relacionando a aquisição do arroz em casca e identificando os seus fornecedores, nos termos da intimação acima mencionada. Demonstrase, assim, o pouco interesse da contribuinte em apresentar as provas de suas alegações desde o procedimento de auditoria. Apenas, no recurso voluntário, é que apresenta, por amostragem, algumas notas fiscais. A juntada de documentos e provas em momento posterior à impugnação é vedada pelos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, salvo nas hipóteses descritas no parágrafo 4º mencionado17. 17 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). Fl. 801DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 778 45 No caso dos autos, a contribuinte traz em sede de recurso voluntário provas preclusas (Notas fiscais), no sentido de comprovar que alguns de seus fornecedores de arroz em casca não são cerealistas, sem a demonstração de ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais. Mas, como relatado, em julgamento anterior, tendo esta relatora sido vencida, decidiuse pela realização de diligência e como resultado da realização da mesma, juntouse aos autos cópias de notas fiscais e planilhas nas quais se identificam nomes e CNPJ dos seus fornecedores. Mesmo assim, as notas fiscais anexadas, nas quais constam as informações de revenda, não são suficientes, por si só, para atestar de forma contundente quais as atividades desenvolvidas pelos respectivos fornecedores de modo a concluir que os mesmos não são cerealistas, nos termos da lei18. Assim, diante do que foi acima exposto, considero como não comprovadas as alegações da contribuinte nesta questão específica. DA SOLICITAÇÃO DA PERÍCIA Arguindo equívocos praticados pela fiscalização e a necessidade de verificar se os procedimentos adotados pela ora Recorrente estão de acordo com os preceitos legais, bem como de demonstrar a origem e a composição dos créditos de PIS, a recorrente insiste no pedido de perícia, negado pelo Acórdão recorrido. Sem indicar perito, formula os seguintes quesitos: “1. É correto afirmar que o procedimento adotado pela Manifestante, de efetuar crédito integral de PIS e da Cofins sobre as compras de arroz em casca, está de acordo com a legislação vigente? 2. Os fornecedores de arroz em casca emitem nota fiscal sem a expressão: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) 18 Cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2 º da Instrução Normativa n° 660, em 17 de julho de 2006. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 46 "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", conforme estabelece o art.2°, §2°, IN 660 de 2006?” Os arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72 dispõem: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.” (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso”. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Em respeito aos comandos legais a autoridade de 1ª instância entendeu prescindível a perícia solicitada para a formação de convicção no julgamento, tendo citado a Ementa do Acórdão 10705172, de 16 de julho de 1998, do Primeiro Conselho de Contribuintes que assim se manifestou: "PERÍCIA A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. " De fato, constatase que os quesitos formulados não dizem respeito à questões técnicas que exijam a análise de um perito. O quesito 1 depende unicamente de analisar os fatos e constatar a subsunção dos mesmos à regra legal e o quesito 2 pode ser facilmente constatada pela juntada de documentos. Por outro lado, também a recorrente deixou de indicar perito, descumprindo requisito contido no inciso IV do art. 16 do decreto 70.235/7219. Não obstante, como já mencionado acima em diversos momentos, o presente processo pautado para julgamento anterior teve o seu julgamento convertido em diligência, atendendo, de certa forma, o pleito da contribuinte, especificamente o quesito 2. CONCLUSÕES Diante do que foi acima fundamentado, conduzo o meu voto no sentido de indeferir os pedidos de nulidades formulados, reconhecer a perda do objeto nos autos quanto à 19 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (...). § 1.º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Fl. 803DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 779 47 questão do crédito presumido de ICMS, face a opção pela via judicial e conseqüente renúncia às instâncias administrativa e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tomei vista destes autos para melhor analisar as questões fáticas. Após avaliar as razões trazidas pela contribuinte, bem como a documentação acostada aos autos, ouso divergir do ilustre voto da I. Conselheira relatora em relação ao crédito referente às Notas Fiscais que foram consideradas como referentes a operações com SUSPENSÃO de PIS e COFINS. Conforme constatase dos autos que em relação ao assunto “Nota Fiscal” (i) ocorreram glosas porque não havia nota fiscal; (ii) foram concedidos créditos integrais; (iii) alguns créditos foram considerados como presumidos; (iv) alguns créditos foram negados porque apesar de as mercadorias terem sido vendidas por pessoa jurídica, a nota fiscal referente à venda é de produtor rural e (v) outras glosas decorreram do fato de a fiscalização ter entendido que o produto saiu do estabelecimento vendedor em regime de suspensão, por entender aplicáveis automaticamente as regras de suspensão, independente da existência de registro neste sentido na nota fiscal. Especificamente, discutese, no que se refere aos créditos glosados as seguintes hipóteses: (a) notas inexistentes; (b) notas que tem o registro de suspensão e tem a declaração de suspensão; (c) notas de pessoas jurídicas que foram emitidas na forma de “produtor rural”; (d) Notas que não tem anotação nenhuma e não tem declaração. Divirjo da I. Relatora em relação aos itens (c) e (d) para os quais reconheço o direito ao crédito da contribuinte. A questão é que discordo do entendimento de que o comprador do produto tem a obrigação de conhecer e buscar informações acerca dos quesitos que tornam a operação comercial suspensa, especialmente quando o vendedor tem a obrigação de informar esta condição na Nota Fiscal. A fiscalização não pode transferir o seu dever de fiscalizar para o contribuinte, a responsabilidade deste procedimento é do agente Fiscal. Este Colegiado já decidiu neste sentido (processo administrativo 11686.000021/200926) em que analisamos a concessão de crédito em operações de venda de leite in natura. Para melhor compreensão do entendimento acima apresentado, cito o brilhante voto do Presidente desta Turma naquela oportunidade, a saber: “A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito da Cofins não cumulativa relativo as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus, com a representação comercial de seus produtos e, também, sobre as Fl. 804DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 48 despesas de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Também pretende a recorrente ver reconhecido o direito de calcular os créditos nas aquisições de leite in natura, realizada junto a pessoas jurídicas, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, consequentemente, ver reconhecido o direito ao seu ressarcimento. Sobre esta última matéria, a Fiscalização efetuou a glosa dos créditos com base em declaração prestada pelos fornecedores de leite in natura de que a venda realizada à recorrente foi com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Independente do argumento da recorrente de que não é uma empresa agroindustrial, a que se refere o art. 6º da IN SRF nº 660/06, é fato que a empresa vendedora de leite in natura, para dar saída ao mesmo com suspensão da exigibilidade de PIS e de Cofins, deveria adotar duas providências, quais sejam: (i) exigir e receber de seu cliente a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06; e (ii) consignar na nota fiscal de venda que a mesma está sendo realizada com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, conforme determina o art. 2º da mesma IN SRF. No caso sob exame, a Fiscalização não procurou verificar se as compras de leite in natura realizadas pela recorrente obedeceram às condições acima. A única medida tomada pela Fiscalização, para comprovar que as compras foram realizadas com exigibilidade suspensa, foi colher de alguns fornecedores de leite in natura uma declaração de que as vendas foram efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Portanto, a prova trazida pela Fiscalização não é suficiente para afirmarse, com convicção, que as compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas foram com suspensão de exigibilidade do PIS e da Cofins e, portanto, o crédito a que tem direito é o previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04 (crédito presumido) e, em assim sendo, não pode ser objeto de ressarcimento ou de compensação por falta de previsão legal. Por outro lado, também a recorrente não provou suas alegações de que as aquisições de leite in natura foram realizadas sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins e que nas notas fiscais de aquisição não constam a informação a que se refere o art. 2º da IN SRF nº 660/06. Baixado em diligência, a empresa recorrente juntou cópia das notas fiscais de aquisição de lei in natura e informou que, para as empresas cujos créditos foram glosados, não forneceu a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06. Não há nenhuma dúvida de que nas operações de aquisição de leite in natura realizadas pela recorrente, objeto da glosa, ocorreu um delito tributário. No entanto, está provado que a recorrente não o praticou. Ela recorrente não entregou a seus fornecedores de leite in natura a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06. No entanto, seus fornecedores de leite in natura declararam à RFB que deram saída no leite Fl. 805DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11686.000090/200859 Acórdão n.º 3302002.799 S3C3T2 Fl. 780 49 in natura com suspensão do PIS e da Cofins sem, contudo, consignar tal fato na nota fiscal de venda e também não apresentaram declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06, desrespeitando o disposto nos arts. 2º e 4º da IN SRF nº 660/06, abaixo reproduzidos. Art.2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: Ide produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; IIde leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IVde produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. [...]Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: Iapurar o imposto de renda com base no lucro real; IIexercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e IIIutilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: Ia Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou IIa Declaração do Anexo II, nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. Em razão da improcedência da glosa relatada no item 3 Aquisição de Leite “in natura” cujos fornecedores utilizaramse do benefício da suspensão da contribuição para a Cofins da Fl. 806DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 50 INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 121/133, tem a recorrente o direito ao ressarcimento do crédito da Cofins abaixo demonstrado. (...)” Desta forma, abro a divergência para o fim de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado pela Recorrente para conceder o crédito relativo às Notas Fiscais (c) de pessoas jurídicas que foram emitidas na forma de “produtor rural”; (d) que não possuem anotação nenhuma e não tem declaração de suspensão. É como penso, é como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 807DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 08/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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