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Numero do processo: 18470.721900/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. TERMO DE INDEFERIMENTO. INCOMPETÊN-CIA DO CARF PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Constitui motivo de indeferimento pelo Simples Nacional a existência de débitos junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa e não regularizados dentro do prazo determinado em lei.
Dispõe a Súmula CARF nº2 que O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. TERMO DE INDEFERIMENTO. INCOMPETÊN CIA DO CARF PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 2. Constitui motivo de indeferimento pelo Simples Nacional a existência de débitos junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa e não regularizados dentro do prazo determinado em lei. Dispõe a Súmula CARF nº2 que O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 19 00 /2 01 2- 65 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O Termo de Indeferimento, registrado em 16/02/2012, negou o ingresso da recorrente ao Simples Nacional ao constatar débitos de natureza previdenciária perante a Secretaria da RFB, cujas exigibilidades não estavam suspensas, sendo eles, Competência 07/2008: valor R$128,65, Competência 09/2008: valor R$128,65, Competência 11/2008: valor R$128,65 e Competência 12/2008: valor R$128,65. Irresignado com o teor decisório de impedir o gozo do referido benefício tributário, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/17), em 05/03/2012, expondo razões, as quais pontuamse: Notificação e demais correspondências sejam encaminhadas ao endereço Rua Santo Amando, 234, Campo Grande, CEP 23052430, aos cuidados de Alair Maquinez da Cruz ou através do Fax 212416 0709; Cadastramento do processo nas contas de email previamente cadastradas no pushprocesso/COMPROT, indicando alair.advogado@pop.com.br e vteamc@superig.com.br; Das formalidades e princípios a serem aplicados ao processo administrativo citou entendimento doutrinário de Ely Lopes Meirelles, em sua obra Direito Administrativo Brasileiro, o qual leciona a simplicidade do processo administrativo, despido de exigências excessivas, contudo, capaz de atender as normas pertinentes do órgão processante, bem como, assegurar a defesa do acusado ou autuado. E por fim, menciona os princípios assecuratórios do contraditório e ampla defesa pertinentes aos litigantes no processo judicial e administrativo; Requereu que constasse do sistema da Receita Federal, em consulta, as empresas optantes do simples, que o contribuinte visualize sua situação quanto a opção do simples nacional como “em análise de recurso administrativo”, deixando de constar como não optante; Do efeito suspensivo aduz que consumandose a não inclusão do contribuinte no Simples Nacional, acarretaria efeito em todas as esferas, qual seja, federal, estadual e municipal, acrescentando que o presente recurso administrativo tem caráter suspensivo de toda exigibilidade decorrente do “indevido” não ingresso no Simples Nacional, nos termos do art. 151, incisos III e VI do CTN, até que o mesmo seja apreciado; Tendo em vista a edição da Súmula Vinculante do STF que trata da prescrição dos créditos tributários, requereu sua aplicação imediata, tendo em vista os exorbitantes juros cobrados, bem como multas excessivas aplicadas a débitos junto a Fazenda Nacional, com a atualização dos débitos consoante ao princípio da capacidade contributiva e a conversão em UFIR da época para que após aceitação da parte sejam objeto de parcelamento; Apresenta que embora explícito no CTN a possibilidade de parcelamento de débito para com a Fazenda Nacional, os princípios consagrados de proteção e tratamento diferenciado aos micro e pequenos empresários, as leis, instruções normativas, ofícios e outros normativos, são emanados no sentido de restringir a possibilidade de Fl. 56DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 4 3 regularização dos créditos em aberto, criando uma casta de excluídos e vedando diversos direitos consagrados na nossa ordem vigente; Menciona a troca de favores no que tange a simplificação tributária versus a negativa do crédito, aduzindo que o problema é que a negativa de crédito (impedimento de parcelar) pode ter efeitos mais devastadores que o tributo pleno. A troca de favores, do dar com uma mão para tomar com a outa, atenta contra o direito (tratamento diferenciado) garantido pela Constituição Federal em seu art. 179; Questiona, ainda, a simetria jurídica ao expor que, a LC 104 de 10/01/2001 trouxe uma norma de agir, no sentido de “será concedido”, afastando o sentido do termo como uma faculdade. Alega que, não há simetria em impor os precatórios de 10 anos, garantir o parcelamento para todos, mas negálo para os pequenos. Assim, a lei nº 10.522/2002, posterior à do Simples, que é de 1996, prevalece sobre o caráter geral daquela e proíbe o parcelamento às micros e às EPPs. Ainda, menciona que na medida em que SRF nega o direito ao parcelamento, implica em usurpar a garantia do tratamento diferenciado do art. 179, da CF e cita o despacho do TRF 5ª Região; Noticia matéria publicada no website da RFB, intitulada de “Simples Nacional começa a vigorar em 1º de julho”, e aponta que, a RFB condiciona a adesão dos contribuintes em débito à confissão e parcelamento das obrigações, entretanto, não há previsão legal que obrigue os contribuintes, e que o parcelamento somente seria alcançado caso o sujeito passivo desistir de forma irretratável da impugnação ou do recurso interposto ou da ação judicial e cumulativamente renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais; Relata a violação a preceitos enraizados no ordenamento jurídico, contrariando o art. 16, §4º da LC 123/06, e seguindo mesmo entendimento, menciona as lições de Cláudio Carneiro B. P. Coelho no informativo ADV 27/07 sob o título O Simples Nacional, e Raul Haidar no artigo intitulado “Super Complicado – Quem confessar o que não deve vai se arrepender”; Aponta a desorganização no fornecimento das informações decorrentes da própria Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, na qual inviabilizou qualquer tentativa de regularização dos débitos, uma vez que protocolado o pedido de informações em 13/08/2008, o documento sequer havia sido enviado para análise conforme cópia do andamento processual, que fora devolvido em 22/08/08; No que tange a ilegalidade do art. 20 da Resolução 4 CGSN (30/05/07) c/c o art. 79 da LC nº 123 (14/12/06) em exigir a desistência de recursos administrativos e/ou judiciais relativos a impostos e tributos como regra de adesão, o recorrente aduz que, ao conceder a possibilidade de parcelamento, cujo vencimento alcance a data limite de 31/01/06, os arts. 20 a 23 da Resolução, eivados de completa ilegalidade, condiciona o deferimento do parcelamento à desistência dos recursos no âmbito administrativo e judicial, em nítido confronto ao texto constitucional e seu art. 150, I; Desta forma, a submissão da entidade política de impedir acesso ao Judiciário configura violento ataque aos direitos e garantias individuais, insuscetíveis de supressão até por via de Emendas, quanto mais por LC ou Resolução; Em defesa aos interesses das microempresas e empresas de pequeno porte, frisa que o tratamento diferenciado, por falha legislativa, veio ao Fl. 57DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 5 4 mundo jurídico eivado de ilegalidades e obscurantismos capazes de ferir os princípios norteadores do direito tributário; Ao final requer que, seja julgado favoravelmente o recurso administrativo, bem como a suspensão de todos os débitos relativos aos tributos, taxas e outros valores que sejam impeditivos a opção pelo Simples Nacional, ou ainda que seja deferido parcelamento de todos os débitos retro mencionados em tantas parcelas quantas se façam necessárias, sem prejudicar a liquidez e/ou alternativamente, seja decretada a prescrição do crédito tributário cabível nos termos do art. 174 do CTN c/c art. 269, IV do CPC e que seja deferida com data retroativa a 01/07/07 a sua inclusão da empresa requerente no Simples Nacional, por uma questão de justiça; Requer recebimento e provimento do recurso, bem como havendo exigência de juntada de documentos seja informada no corpo do processo, concedendo prazo razoável; Ainda requer que todos os débitos existentes contra o recorrente, sejam declarados extintos, tendo em vista a prescrição tributária, seja o crédito de qual natureza for originário de qualquer ato judicialmente aceito em lei ou ainda em face da decisão judicial ou extrajudicial; Que os cálculos existentes em desfavor da Recorrente sejam recalculados a razão de que preceitua a Lei de Ursa c/c o CTN, no tocante ao limite de juros a serem observados para atualização monetária, desconsiderando portanto a aplicação dos escorchantes juros a razão da Taxa Selic; Requereu, também, seja lhe concedida planilha demonstrativa dos débitos eventualmente existentes, e após, conceder prazo especial de 60 dias para análise dos débitos, e, na hipótese de reconhecimento da dívida, sejalhe deferido parcelamento; Aplicação do efeito suspensivo, em até 48 horas, dos débitos constantes da base de dados que mirem no Impedimento a adesão do Simples Nacional, bem como débitos oriundos de outros entes; Requer que os termos do recurso sejam levados ao conhecimento das respectivas administrações tributárias, do estado, do Rio de Janeiro e do Município do qual possui domicílio tributário, para manifestarse acerca dos créditos relativos à suas respectivas competências; Acusa deficiência no sistema da RFB em não processar a regularização das pendências, penalizando o contribuinte; E, requer a juntada de documentos probatórios que, notadamente seriam os comprovantes de pagamento de parcelamentos, etc.; Reitera o caráter suspensivo do Recurso Administrativo em todas e quaisquer obrigações e/ou exigibilidades legais decorrentes do “indevido” não ingresso ao Simples Nacional; E, caso o contribuinte não tenha deferido tempestivamente seu ingresso ao Simples Nacional, bem como, que, não se tenha deferido tempestivamente seu ingresso, reitera os termos que o sistema da RFB aponte a situação do contribuinte como “análise de recurso” e, não como não optantes ao regime. Por fim, requer a manutenção da recorrente no Simples Nacional com efeito ex tunc. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 6 5 O Acórdão nº 1257.258, lavrado pela 12ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I, de 25 de junho de 2013, entendeu que as comunicações deveriam manterse enviadas ao domicílio eleito pelo sujeito passivo consoante ao sistema da RFB. Além disso, desconstituiu a aplicação do prazo prescricional de 5 anos e as alegações de impedimento da possibilidade de parcelamento dos débitos. Alertou que não cabe na esfera administrativa a discussão acerca da legalidade das normas, e que, o interesse em ter os débitos parcelados se dá pelo meio adequado que não o eventual recurso que não teria o condão de solicitar o parcelamento. E, ao final considerou que o recorrente não havia regularizado os débitos que impediram sua inclusão no Simples Nacional e resolveu negar provimento à Manifestação de Inconformidade. Transcrevese: 4. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela conheço. 5. Em preliminar, o contribuinte pede que as comunicações da RFB sejam enviadas para um domicílio diferente daquele por ele eleito e constante no sistema da RFB, não podendo ser atendido seu pleito, portanto, posto que está em desacordo com o art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; 6. No que tange ao pedido de aplicação ao caso do prazo prescricional de 5 anos, em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8, do STF, cumpre registrar que o Termo de Indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional foi registrado em 16/02/2012, quando os débitos que impediram o deferimento de sua opção ainda eram exigíveis, posto que são referentes às competências 07/2008, 09/2008/ 11/2008 e 12/2008. 7. Desse modo, por se tratar de débito exigível, o mesmo obsta o deferimento da opção pelo Simples Nacional, em conformidade com o que dispõe o art. 17, inciso V, da Lei complementar nº 123/2006, transcrito a seguir: Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 8. No que tange às questões de mérito apresentadas pela empresa requerente, em sua manifestação de inconformidade, podemos sintetizar as mesmas na discussão acerca da impossibilidade de Fl. 59DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 7 6 as empresas optantes pelo Simples Nacional terem seus débitos incluídos em parcelamento, além da discussão acerca da ilegalidade das normas que dispõem que, para a manutenção das empresas já optantes do Simples Federal no Simples Nacional, seria obrigatória a confissão irretratável de suas dívidas e o parcelamento das mesmas. 9. No entanto, toda a discussão levada a efeito pelo contribuinte não merece prosperar, primeiro, porque o indeferimento de sua inclusão no Simples Nacional deuse em virtude de o mesmo possuir débitos de natureza previdenciária, com fundamento no art, 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, sendo que tal norma, em seu art. 21, nos §§ 15 a 24, incluídos pela Lei Complementar nº 139/2011, trata justamente da possibilidade de parcelamento, senão vejamos. Art. 21. (...) § 15. Compete ao CGSN fixar critérios, condições para rescisão, prazos, valores mínimos de amortização e demais procedimentos para parcelamento dos recolhimentos em atraso dos débitos tributários apurados no Simples Nacional, observado o disposto no § 3º deste artigo e no art. 35 e ressalvado o disposto no § 19 deste artigo.( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) § 16. Os débitos de que trata o § 15 poderão ser parcelados em até 60 (sessenta) parcelas mensais, na forma e condições previstas pelo CGSN. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) § 17. O valor de cada prestação mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado, na forma regulamentada pelo CGSN. ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) § 18. Será admitido reparcelamento de débitos constantes de parcelamento em curso ou que tenha sido rescindido, podendo ser incluídos novos débitos, na forma regulamentada pelo CGSN. ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) § 19. Os débitos constituídos de forma isolada por parte de Estado, do Distrito Federal ou de Município, em face de ausência de aplicativo para lançamento unificado, relativo a tributo de sua competência, que não estiverem inscritos em Dívida Ativa da União, poderão ser parcelados pelo ente responsável pelo lançamento de acordo com a respectiva legislação, na forma regulamentada pelo CGSN. ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) Fl. 60DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 8 7 § 20. O pedido de parcelamento deferido importa confissão irretratável do débito e configura confissão extrajudicial. ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) § 21. Serão aplicadas na consolidação as reduções das multas de lançamento de ofício previstas na legislação federal, conforme regulamentação do CGSN. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) § 22. O repasse para os entes federados dos valores pagos e da amortização dos débitos parcelados será efetuado proporcionalmente ao valor de cada tributo na composição da dívida consolidada. ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) § 23. No caso de parcelamento de débito inscrito em dívida ativa, o devedor pagará custas, emolumentos e demais encargos legais. ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) § 24. Implicará imediata rescisão do parcelamento e remessa do débito para inscrição em dívida ativa ou prosseguimento da execução, conforme o caso, até deliberação do CGSN, a falta de pagamento: ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) I de 3 (três) parcelas, consecutivas ou não; ou ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) II de 1 (uma) parcela, estando pagas todas as demais. ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) 10. Ademais, não cabe na esfera administrativa a discussão acerca da ilegalidade das normas, porquanto cumpre à Administração a observância das leis em vigor, sendo defeso à autoridade fiscal a não aplicação dos dispositivos legais sob o argumento de que os mesmos seriam ilegais ou inconstitucionais, devendo ser levada tal discussão ao Poder Judiciário. 11. Cumpre ressaltar, quanto ao suposto interesse do requerente em ter seus débitos parcelados, que deve o mesmo buscar o meio adequado para tanto. 12. Importa esclarecer que a manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional não é o meio próprio para solicitar o parcelamento de débitos, tampouco para os pedidos sintetizados nos itens 2.2 e 2.3 supra. 13. Por fim, considerando que o requerente não regularizou os débitos que impediram sua inclusão no Simples Nacional, resolvo negar provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão que indeferiu o seu pedido de inclusão no Simples Nacional no anocalendário 2012. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 9 8 Intimação do acórdão nº 12057.258 da DRJ, apresentouse em dois momentos nos autos, a primeira (fls. 47) datada de 02/07/2013 e logo na página seguinte a segunda intimação (fls.48) com a data de 22/11/2013. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/12/2013 (fls. 50), cujas razões transcrevese a seguir: Sinteticamente reclama a obediência ao princípio constitucional da Isonomia, bem como do tratamento diferenciado a ser dispensado as Micro e Pequenas Empresas, aliado a decisões do STF que impedem ao FISCO utilizase de mecanismos coercitivos para obrigar o pequeno a pagar (ainda que sem meios) os impostos e contribuições de períodos dos quais não teve capacidade contributiva, sendo certo que repisamos todos os argumentos ali originalmente expedidos. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, a recorrente interpôs recurso voluntário, na qual a análise da tempestivamente fazse prejudicada, uma vez que estão acostadas aos autos duas intimações com datas divergentes (02/07/2013 e, respectivamente, 22/11/2013), não sendo possível, sobretudo, precisar quando o contribuinte tomou ciência do acórdão guerreado, sendo que o recurso foi interposto em 19/12/2013. A recorrente regularmente representada. Em tais condições, conheço do recurso. Tratase de Recurso Voluntário que sintetiza as mesmas pretensões e reforça as mesmas alegações carreadas na Manifestação de Inconformidade, requerendo a submissão do recurso à instância imediatamente superior, em desfavor do acordão nº 12057.258 da DRJ/RJ1, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. NÃO REGULARIZAÇÃO NO PRAZO. INCLUSÃO NÃO ADMITIDA. A não regularização das pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, no prazo regulamentar, impede a inclusão no regime especial de tributação. OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL. PARCELAMENTO DE DÉBITO. POSSIBILIDADE. É possível, para os optantes pelo Simples Nacional, o parcelamento de seus débitos. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DAS NORMAS. FORO INADEQUADO. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 10 9 O contencioso administrativo não é o meio adequado para a discussão acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade das normas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Preliminarmente, assiste razão a DRJ/RJ1 ao desconstituir a pretensão do recorrente em ter as comunicações da RFB enviadas a domicílio diferente do eleito pelo sujeito passivo no sistema da RFB, como bem dispõe o art 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Doutro modo, vale ressaltar que as informações constantes do sistema da RFB, enquanto há análise de recurso, não são equivocadas, uma vez que a opção pelo Simples Nacional é o objeto de análise, sendo que, ao não serem cumpridas as exigências legais, o contribuinte não teria a sua pretensão alcançada, e, desta forma, restaria constatado que ele não é optante do sistema por não preencher os requisitos impostos pela legislação. No que tange ao efeito suspensivo, o recorrente apresenta o art. 151, incisos III e VI do CTN como indicativo de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. E, nesse sentido, é legítima a pretensão do contribuinte, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, e consoante a Solução de Consulta Interna nº:18 – Cosit, de 3 de agosto de 2012: A terceira fase do processo se desenvolve no Carf (segunda instância administrativa), ao qual o contribuinte pode recorrer da decisão da DRJ, em recurso voluntário. Ainda em segunda instância podese recorrer de acórdão do Carf mediante recurso especial, à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). É a quarta fase do processo administrativo. O § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB nº 900 estabelece que a manifestação de inconformidade e o recurso (voluntário e especial) obedecem ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dotados de efeito suspensivo, conforme art. 33. Ocorre que, em nenhum momento o recorrente trouxe aos autos discussão sobre os valores ou real existência dos débitos apurados pela RFB, e tampouco, apresentou comprovantes de parcelamento ou pagamento desses débitos, os quais foram motivos de indeferimento pela opção do Simples Nacional. Ademais, vale lembrar que não há previsão legal de efeito suspensivo para a manifestação de inconformidade apresentada contra termo de indeferimento pela opção do SIMPLES Nacional. Assim, o art. 151 do CTN não se aplicaria por analogia, pois trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Referente a Súmula Vinculante nº 8 do STF, temse que o prazo prescricional de dez anos contido nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 foi declarado inconstitucional, tendo esses dispositivos sido revogados expressamente pelo artigo 13, da Lei Complementar nº 128, de 19/12/2008. Logo, a prescrição de contribuições previdenciárias estaria disposta nos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional. E, nesse sentido, a discussão do parcelamento do débito verificado pela RFB seria a confissão da dívida pelo contribuinte, caso em que se suspende a prescrição, conforme art. 174, parágrafo único, inciso IV do CTN. A todo o momento o recorrente aduz que as leis tributárias, normas e instruções normativas afrontam os princípios constitucionais no sentido de prejudicar o contribuinte microempresário e empresas de pequeno porte na tentativa de regularização do Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18470.721900/201265 Acórdão n.º 1302001.893 S1C3T2 Fl. 11 10 débito, entretanto, é entendimento sumulado deste Conselho Administrativo sua incompetência para julgar a matéria, senão vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste mister, coerentemente se posiciona a DRJ no sentido de afastar de sua competência o julgamento sobre a ilegalidade das normas, bem como sobre a possibilidade de parcelamento dos débitos, uma vez que o presente recurso não seria o instrumento cabível para angariar tal pretensão. Transcrevese: 10. Ademais, não cabe na esfera administrativa a discussão acerca da ilegalidade das normas, porquanto cumpre à Administração a observância das leis em vigor, sendo defeso à autoridade fiscal a não aplicação dos dispositivos legais sob o argumento de que os mesmos seriam ilegais ou inconstitucionais, devendo ser levada tal discussão ao Poder Judiciário. 11. Cumpre ressaltar, quanto ao suposto interesse do requerente em ter seus débitos parcelados, que deve o mesmo buscar o meio adequado para tanto. 12. Importa esclarecer que a manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional não é o meio próprio para solicitar o parcelamento de débitos, tampouco para os pedidos sintetizados nos itens 2.2 e 2.3 supra. 13. Por fim, considerando que o requerente não regularizou os débitos que impediram sua inclusão no Simples Nacional, resolvo negar provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão que indeferiu o seu pedido de inclusão no Simples Nacional no anocalendário 2012. Assim, pelo fato não haver nos autos documentos comprobatórios da regularização fiscal do recorrente, bem como pelo fato de que este Conselho não é competente para julgar ilegalidades das normas ou afronta aos princípios constitucionais, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose o indeferimento a opção pelo Simples Nacional. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 10314.013543/2010-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/10/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.650
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 35 43 /2 01 0- 97 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 220 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.808. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 221 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 222 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 223 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 224 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 225 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 226 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 227 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 228 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 229 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 9303003.650 CSRF‐T3 Fl. 230 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11128.000194/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/01/2011
MERCADORIA IMPORTADA. PENALIDADE. FISCALIZAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA.
O consumo de mercadoria estrangeira não desembaraçada por exigências formais dispares da administração fiscal, sem a utilização de nenhum artifício fraudulento que objetivasse reduzir ou burlar os encargos tributários, não configura pena de perdimento. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que impossibilita a aplicação da penalidade.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento o recurso voluntário. Os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Andrada Márcio Canuto Natal acompanharam pelas conclusões.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
VALCIR GASSEN- Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques DOliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 06/01/2011 MERCADORIA IMPORTADA. PENALIDADE. FISCALIZAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. O consumo de mercadoria estrangeira não desembaraçada por exigências formais dispares da administração fiscal, sem a utilização de nenhum artifício fraudulento que objetivasse reduzir ou burlar os encargos tributários, não configura pena de perdimento. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que impossibilita a aplicação da penalidade. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento o recurso voluntário. Os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Andrada Márcio Canuto Natal acompanharam pelas conclusões. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. VALCIR GASSEN- Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques DOliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/01/2011 MERCADORIA IMPORTADA. PENALIDADE. FISCALIZAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. O consumo de mercadoria estrangeira não desembaraçada por exigências formais dispares da administração fiscal, sem a utilização de nenhum artifício fraudulento que objetivasse reduzir ou burlar os encargos tributários, não configura pena de perdimento. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que impossibilita a aplicação da penalidade. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento o recurso voluntário. Os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Andrada Márcio Canuto Natal acompanharam pelas conclusões. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 01 94 /2 01 1- 94 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 1755.658 (fls. 210 a 217), de 29 de novembro de 2011, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SP2 – que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O referido acórdão tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/01/2011 DANO AO ERÁRIO O consumo de mercadoria estrangeira não desembaraçada tem por conseqüência a introdução da mercadoria de forma irregular no país, consoante prescrição do art. 689, inciso X, do Decreto nº 6.759/2009, configurando, pois, dano ao Erário. A penalidade pela infração é o perdimento da mercadoria, a ser convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro quando consumida, conforme prescrição do § 1º do art. 689 do Decreto nº 6.759/2009. Visando a elucidação do caso e a economia processual adotase o relatório do acórdão ora recorrido: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em face do interessado em referência, formalizando a exigência do recolhimento da multa equivalente ao valor aduaneiro pela conversão da pena de perdimento a que estava sujeita a mercadoria então importada, no montante de R$ 5.548.999,23, em conformidade com o § 1º do art. 689 do Decreto no 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro – RA/2009), uma vez constatada a impossibilidade de apreensão da mesma. Relata a Fiscalização da Alfândega do Porto de Santos, que no dia 26/07/2010 a Impugnante solicitou, por intermédio do PCI EQGRAN 010/600.254, “que 23.683.238 Kg de coque de petróleo não calcinado, mercadoria amparada pelo despacho 10/12544283...registrado na modalidade antecipado, fosse, com base no dispositivo no artigo 2º da In SRF 175/2002, descarregada diretamente para as dependências do recinto não alfandegado situado à Fazenda Vargem Alegre, s/no, Pedro Leopoldo – MG....” (fl. 05) No dia 20/08/2010 – informa a Fiscalização – o despacho fora recepcionado na Alfândega do Porto de Santos. Prosseguindo, relata que “Atendidas todas as exigências formuladas ao longo do exame documental, foi por treŝ vezes, em 14/10/2010, em 08/11/2010 e em 17/11/2010..., solicitado que o signatário do Termo de Compromisso (fl. 22) firmado na PCI 010/600.254 informasse se a mercadoria, objeto da descarga direta, ainda aguardava no recinto não alfandegado seu efetivo desembaraço ou se já havia sido consumida...” (fl.5) Segundo mencionado em fl. 05 deste processo, em 25/11/2010, “o interessado declarou que, embora não estivesse desembaraçada, consumiu em sua totalidade a mercadoria amparada pelo despacho de importação no 10/12544283, descumprindo o firmado no Termo de Compromisso integrante da PCI EQGRAN 010/600.254”. Em assim acontecendo, a Fiscalização conclui em fl. 06 que “o fato da mercadoria ter sido consumida antes do seu desembaraço aduaneiro, tornandoa portanto indisponível para o prosseguimento do despacho, caracteriza caso clássico de presenca̧ no país de mercadoria em situação irregular, sendo recomendada a aplicação da pena de perdimento ou da multa substitutiva, quando desconhecida seu Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.000194/201194 Acórdão n.º 3301002.939 S3C3T1 Fl. 273 3 paradeiro.”; conseqüentemente, por tal fato, a impugnante fora “intimado a recolher a multa prevista no § 1o do artigo 689 do Decreto 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro)...”. (fl. 05) Por seu turno, a Impugnante alega ser uma “empresa que atua na fabricacã̧o de cimento e uma das principais matériasprimas utilizadas neste processo produtivo é o coque de petróleo não calcinado...”. (fl.89) Que no caso sob análise, a Impugnante “efetuou a importação da matéria prima coque de petróleo, consubstanciada em 39.683,238 toneladas do produto que foram remetidos para as unidades da empresa localizada nos Municípios de Cantagalo, Barroso e Pedro Leopoldo. Por se tratar de volumosa mercadoria transportada a granel, a Impugnante solicitou autorização para descarga do coque diretamente no estabelecimento do importador (conforme permitido pelo art. 2o da IN SRF 175/2002). Para tanto, a empresa firmou o Termo de Compromisso....declarando que as mercadorias permaneceriam em suas dependências até posterior desembaraço aduaneiro, a teor do que prevê o art. 47, §1o, II da IN SRF 680/2006.”. (fl. 89) Continuando, informa a Impugnante que “Em seguida, exatamente em função desta descarga direta, efetuou o registro antecipado da Declaração de Importação (DI), nos termos do art. 17, da IN SRF 680/2006...”, chamando a atençaõ para o fato de que “para o registro da DI mister se faz a apresentação da documentaca̧õ listada no já citado art. 18 da IN SRF 680/2002, sendo certo que, como a mercadoria originouse da Venezuela, o registro da DI dependeu da apresentacã̧o do Certificado de Origem emitido pelo Ministério de Industrias Ligeras Y Comercio. Ocorre que, não obstante tivessem sido emitidas 3 (três) invoices (n° 10010388, 10010389, 10010390 – doc. 05), onde restou claramente informado que das 39.683,238 toneladas de coque de petróleo, 8.000 toneladas seriam destinadas a Barroso (MG), 8.000 toneladas seriam destinadas a Cantagalo (RJ) e 23.683,238 toneladas seriam destinadas a Pedro Leopoldo (MG), apenas (um) Certificado de Origem foi emitido (doc. N° 06)..”.sendo “...este equívoco que, em última instan̂cia, deu origem a este auto de infração. Isso porque, ao registrar as DI’s (10/12545174, 10/12544160 e 10/12544283 – doc. 07) seguindo as informações contidas nas invoices...., a impugnante enumerou as quantidades específicas destinadas para cada planta industrial, apesar de ter apresentado para todas elas o mesmo Certificado de Origem.” . (fl. 90) Menciona a Impugnante, em fl. 91, que em relação as mercadorias destinadas às plantas de Barroso (DI no 10/12544160) e Cantagalo (DI no 10/12545174), uma vez esclarecido o equívoco a respeito do Certificado de Origem e recolhido o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, os processos de importação foram concluídos e liberados os respectivos Comprovante de Importaca̧õ. Entretanto, em relação às 23.683,238 toneladas de coque destinadas à planta de Pedro Leopoldo, “mesmo tendo sido prestados os mesmos esclarecimentos e também tendo sido quitado o AFMM, a Fiscalizaçaõ entendeu ser necessária a retificacã̧o do Certificado de Origem, razão pela qual o desembaraço aduaneiro da mercadoria foi postergado e condicionado ao cumprimento desta exigência.”. (fl. 91) Entrementes, continua a Impugnante, “dada a absoluta necessidade de atendimento à demanda de fabricacã̧o de cimento, sob pena de paralisaca̧õ da fábrica por insuficiência de estoque de coque de petróleo, a totalidade do coque importado para a planta de São Leopoldo foi consumida antes de seu desembaraço aduaneiro. Nesse contexto foi lavrado o auto de infraca̧õ ora impugnado, aplicandose a pena de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 4 perdimento de bens, convertida em multa nos termos do § 1o do art. 689 do Decreto no 6.759/2009. Todavia, a autuação não merece prosperar, pois, como já relatado, a negativa do Comprovante de Importação para a mercadoria destinada à planta de Pedro Leopoldo foi ocasionada por mero equívoco na emissão do Certificado de Origem que, apesar de consistir em irregularidade formal , não acarretou efetivos danos ao Erário, na medida em que...” todos os tributos relacionados à operaca̧õ em comento, inclusive o AFRMM, foram quitados. (fl. 92) Ademais, prossegue em fl. 94, “a mercadoria em relação à qual se aplicou a pena de perdimento foi examinada em seus aspectos qualitativo e quantitativo tão logo ingressou em território nacional, sendo inconteste que os laudos produzidos confirmaram as informacõ̧es constantes da Declaração de importação...”, sendo possível concluir, portanto, levando em conta os documentos apresentados à Fiscalização “que o consumo antecipado do coque importado não inviabilizou sua verificaçaõ, que foi procedida antecipadamente por peritos certificados pela própria Secretaria da Receita Federal.”. (fl. 95) Assevera a Interessada, em fl. 96, que, pelas “razões expostas, revelase indevida a multa aplicada em razão da atipicidade da conduta da Impugnante, haja vista que a importação foi regular, tendo havido tão somente o consumo antecipado de uma mercadoria já fiscalizada quando de sua descarga no porto em relaçaõ a qual todos os tributos aduaneiros foram devidamente recolhidos.” . Em fls. 99/102, a Impugnante discorre acerca “Da modificacã̧o de critério jurídico lesiva ao contribuinte”, considerando os procedimentos diversos utilizados pela Fiscalização em relação às DI’s que acobertavam mercadorias destinadas a Barroso e Cantagalo, quando confrontados com o procedimento adotado relacionado à DI que amparava a mercadoria destinada a Pedro Leopoldo, situaca̧õ que, segundo a Impugnante, contraria os preceitos do art. 146 do CTN. Em suma, alega a Impugnante que: “No que toca ao coque destinado às plantas de Barroso e Cantagalo, a Fiscalização, reconhecendo o integral recolhimento dos tributos devidos e a regularidade do procedimento, entendeu não haver razões que justificassem a sua retencã̧o. Assim, em 24.08.2010 as 16.000.000 toneladas de coque destinadas a Barroso e Cantagalo foram desembaraçadas, conforme atestam os Comprovantes de Importaçaõ emitidos na mesma data... Não foi o que aconteceu com a mercadoria destinada a Pedro Leopoldo, que não pôde ser desembaraçada naquela ocasião porque o Fiscal responsável entendeu ser imprescindível a obtenção de um novo Certificado de origem. Vêse, portanto, que diante de um mesmo contexto, a Administracã̧o Fazendária agiu de 2 (dois) modos diametralmente opostos: a mercadoria importada pela DI’s 10/12545174 e 10/12544160, destinadas a Cantagalo e Barroso, respectivamente, foram nacionalizadas independentemente da retificação do Certificado de Origem, ao passo que o desembaraço da mercadoria objeto do DI 10/12544283 foi condicionado a tal providência que, enquanto não concluída, tornava o coque indisponível em razão do termo de compromisso firmado...” . (fl. 100) Prosseguindo, e considerando a situação em comento, a Impugnante conclui que se “a situaca̧õ fática era exatamente a mesma – destacandose que todas as Declarações de Importaca̧õ, juntas, compunham 1 (uma) única carga que desembarcou no país na mesma data e cuja irregularidade formal não destoava de um caso para outro (fato gerador único, portanto) – exigirse do importador a obtenção de novo Certificado de Origem para o desembaraço das mercadorias objeto do DI 10/12544283 implicou em inovação de critério jurídico lesiva ao contribuinte, mormente ao se considerar que neste interstício a mercadoria enviada para Pedro Leopoldo estava indisponível para uso e consumo. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.000194/201194 Acórdão n.º 3301002.939 S3C3T1 Fl. 274 5 Defendese a Impugnante, em fls. 102/106, argumentando acerca da aplicação da equidade para o cancelamento da penalidade então aplicada, utilizandose das seguintes alegações: “Em casos como o presente, em que existem dúvidas quanto à interpretaçaõ da legislação tributária que define infrações ou comine penalidade, essa deve se dar da maneira mais favorável ao contribuinte, em atençaõ ao princípio da equidade, nos termos do art. 112 c/c art 108 do CTN.”; (fl. 103) “Tais dispositivos prevêem que a norma aplicadora de penalidade por descumprimento de obrigacõ̧es tributárias deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado quando houver dúvida quanto à natureza, circunstâncias materiais do fato e à extensão de seus efeitos, dentre outras hipóteses...”. (fl. 104) Continuando, em fl. 106, a Impugnante tece os seguintes argumentos:: “A obrigação acessória, no sistema do CTN, tem por finalidade exclusiva garantir o cumprimento da obrigação principal, na medida em que facilita a sua fiscalizacã̧o. Inexistindo tributo a pagar (inexisten̂cia de obrigação principal), a obrigação acessória transformase em simples formalidade, destituída de qualquer função, sendo desarrazoada a punição excessiva de seu descumprimento. (...) Deveras, o caso versa sobre a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, não consumir a mercadoria importada até seu efetivo desembaraço aduaneiro. E, na esteira do que está expresso no inciso II e fartamente demonstrado pelo contribuinte ao longo desta impugnação, ao menos para a Fiscalização, há dúvida quanto aos fatos e a extensão de seus efeitos. Primeiramente, observese que o auto de infracã̧o não relatou a origem da irregularidade, pois nada disse sobre a emissão de apenas um Certificado de Origem, assim como se omitiu acerca da regularidade da situação fiscal do contribuinte relativamente a esta importação. Quedouse silente também quanto ao fato de que o restante mercadoria importada nas mesmas condicõ̧es foi regularmente desembaraçada....Houve omissão, portanto, de elementos essenciais à análise do caso, seja quanto aos seus pressupostos fáticos seja quanto à extensão de seus efeitos, o que por si só, trás dúvidas haveis a ensejar a interpretaca̧õ mais favorável ao contribuinte. Neste contexto, como a pena de perdimento imposta está vinculada à noca̧õ de importação (IR) regular (art.. 689, X do Decreto no 6.759/009), conceito este a ser interpretado sob a ótica de elementos fáticos sobre os quais há dúvidas, requerse, em decorren̂cia dos dados e documentos trazidos na presente impugnação, seja referido conceito interpretado de maneira mais favorável ao contribuinte, cancelandose a multa aplicada.”. Por sua vez o Contribuinte, verificada a negativa do citado acórdão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 238 a 251), em 9 de abril de 2012, visando o cancelamento da multa imposta no PTA nº 11128.000194/201194, a extinção do crédito por ele exigido e, ainda, o seu arquivamento. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 6 Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face ao Acórdão nº 1755.658 (fls. 221 a 228) é tempestivo. O presente Recurso Voluntário visa reformar a decisão da 1ª Turma da DRJ/SP2 que julgou improcedente a Impugnação do Auto de Infração e manteve o crédito tributário exigido. Por intermédio do Auto de Infração (fls. 4 a 7) aplicouse ao Contribuinte a multa que consta no art. 83, I da Lei n° 4.502 de 1964 por entenderse que o mesmo consumiu em sua integralidade o produto importado antes do seu desembaraço perante as autoridades alfandegárias, implicando na caracterização de presença no país de mercadoria em situação irregular. Por sua vez, o Contribuinte esclarece em sua Impugnação (fls. 86 a 107) que apesar de ter emitido três invoices diferentes para a importação da Venezuela do coque de petróleo não calcinado o órgão responsável emitiu apenas um Certificado de Origem para a totalidade dos três pedidos – 39.683,238 toneladas. Ao desembarcar no Brasil a mercadoria foi dividida em três partes para que fosse destinada a localidades diferentes, sendo que duas destas – 8.000 toneladas cada – foram encaminhadas a Barroso (MG) e Cantagalo (RJ), e outra carga – 23.683,238 toneladas – foi destinada a Pedro Leopoldo (MG). Ressaltase que a soma dos pesos descritos em cada invoice coincide com o montante contido no Certificado de Origem. As mercadorias destinadas a Barroso (MG) e Cantagalo (RJ) tiveram seu processo de importação concluídos e os Comprovantes de Importação – CI – foram liberados após os devidos esclarecimentos . O mesmo não ocorreu com a mercadoria que seguiu para Pedro Leopoldo (MG) que, apesar de terem sido apresentados os mesmos esclarecimentos, teve o desembaraço postergado e condicionado ao cumprimento da retificação do Certificado de Origem. Para evitar a paralisação das atividades dos sistema produtivo, o Contribuinte decidiu pelo consumo da mercadoria antes que houvesse sido feito o desembaraço da carga destinada a Pedro Leopoldo (MG). O Acórdão ora recorrido entendeu que ouve, por parte do Contribuinte, o consumo de mercadoria estrangeira não desembaraçada, conforme se observa (fl. 226): É fato incontroverso que a Impugnante consumiu a mercadoria antes que a autoridade fiscal efetuasse o desembaraço aduaneiro. Daí a razão da sujeicã̧o da mercadoria à penalidade de perdimento nos termos do inciso X do art. 689 do RA/2009, uma vez considerada aquela introduzida irregularmente. Dessa forma: “Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e Decreto Lei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; (...) § 1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.000194/201194 Acórdão n.º 3301002.939 S3C3T1 Fl. 275 7 (Decreto Lei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59). (...)”. No caso em comento, tendo em vista a indisponibilidade da mercadoria em razão do seu consumo pela Impugnante, a Fiscalização houve por bem lavrar o presente auto de infração em conformidade com o § 1º do artigo anteriormente transcrito. A Instrução Normativa n° 175, de 17 de julho de 2002, disciplina acerca da descarga direta e o despacho aduaneiro de importação de mercadoria transportada a granel de acordo com o Regulamento Aduaneiro. Estabelece que: Art. 4° O desembaraço aduaneiro será procedido de acordo com a quantidade de mercadoria manifestada, à vista do conhecimento de carga e demais documentos exigíveis no despacho aduaneiro. § 1° No caso de apresentação incompleta dos documentos exigidos, a mercadoria somente poderá ser desembaraçada e entregue ao importador mediante a formalização de Termo de Responsabilidade. § 2° Na hipótese do parágrafo anterior, os documentos deverão ser apresentados no prazo de dez dias, contado da data da assinatura do Termo de Responsabilidade. § 3° Tratandose de importação de petróleo e seus derivados, o prazo referido no parágrafo anterior será de cinqüenta dias. (grifouse). A IN 175/2002 estabelece procedimentos para apurar a quantidade e a qualidade da mercadoria importada desta forma: Art. 5° A mensuração da quantidade de mercadoria descarregada será conduzida pela fiscalização aduaneira, que poderá designar perito, e será realizada utilizando os métodos julgados apropriados em cada caso mediante expedição de laudo ou certificado de medição. Art. 6° A coleta de amostras para análise laboratorial para perfeita identificação da mercadoria importada, quando julgada necessária, será realizada pela fiscalização aduaneira ou sob seu acompanhamento. Neste sentido observase no processo que o Contribuinte realizou, a suas custas, laudos técnicos para comprovar a quantidade e qualidade do produto antes do seu consumo, conforme se verifica no trecho do Recurso Voluntário (fls. 231/232): Nestes termos, por ser objeto de descarga direta, a mercadoria em relação à qual se aplicou a pena de perdimento foi examinada em seus aspectos qualitativo e quantitativo tão logo ingressou em território nacional, sendo inconteste que os laudos produzidos confirmaram as informações constantes da Declaração de Importação, conforme abaixo: Laudo de análise nº 2496/20101, elaborado pelo Centro Tecnológico Falcão Bauer, laboratório certificado pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Santos (doc. Nº 11 da impugnação) – confirmou que a mercadoria objeto da DI 10/12544283 era coque de petróleo não calcinado, na forma sólida, transportado a granel e próprio para ser usado como combustível em cimenteiras (confirmação da materialidade do produto) Laudo pericial – Solicitação de assistência técnica nº 4372/2010, elaborado em atendimento ao pedido formulado pela Inspetoria da Alfândega em Santos (doc. Nº 12 da impugnação) – confirmou a quantidade total de coque descarregado, apurando Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 8 irrisório acréscimo ao montante inicialmente enviado no navio (0,0655% confirmação de quantidade do produto). Constatase assim que o Contribuinte comprovou de forma regular, por ser a mercadoria de descarga direta, por intermédio do Laudo de Análise n° 2496/20101 e Laudo Pericial – Solicitação de Assistência Técnica n° 4372/2010 –, a quantidade e a qualidade da mercadoria objeto da DI 10/12544283 Não havendo controvérsia nestes aspectos voltase a questão da exigência de Certificado de Origem que individualizasse a importação destinada a Pedro Leopoldo (MG), sendo que a RFB já tinha aceito o Certificado de Origem da totalidade da importação em Barroso (MG) e Cantagalo (RJ). Estabelece a IN n° 175/2002 em relação a mercadoria importada a granel o seguinte: Art. 2° A mercadoria importada a granel poderá ser descarregada do veículo procedente do exterior diretamente para tanques, silos ou depósitos de armazenamento, ou para outros veículos, sob controle aduaneiro. § 1° A descarga direta para armazenamento em recinto não alfandegado exigirá autorização do titular da unidade local da Secretaria da Receita Federal (SRF) com jurisdição sobre o local alfandegado em que ocorra a operação de descarga e, no caso de mercadoria sujeita a controle de outros órgãos, também a anuência da autoridade competente. § 2° Na hipótese de existência, no porto alfandegado de descarga, de recintos alfandegados para armazenagem do correspondente tipo de carga a granel, a solicitação para descarga direta em recinto não alfandegado deverá estar acompanhada de manifestação dos respectivos permissionários ou concessionários, atestando a incapacidade de recepção da mercadoria. § 3° Autorizada a descarga direta e formalizada a entrada do veículo transportador o responsável pelo local alfandegado de descarga deverá informar, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), a presença da carga, nos termos do art. 1° da Instrução Normativa no 138, de 23 de novembro de 1998. (grifouse). A mesma instrução normativa estabelece o seguinte em relação a autorização para a descarga direta para armazenamento em recinto não alfandegado: Art. 10. A autorização de que trata o § 1° do art. 2° será outorgada a título precário, ficando o autorizado sujeito às seguintes sanções: I advertência, no caso de descarregamento de mercadoria antes de adotada a providência prevista no § 3° do art. 2°; ou II suspensão: a) até a apresentação dos documentos faltantes ou a regularização do despacho aduaneiro pendente de retificação, se ocorrer o vencimento do prazo previsto no § 2° do art. 4° ou no art. 8° sem que tenha adotado as providências que lhe competem; b) pelo prazo de quinze dias, em caso de reincidência da falta prevista no inciso I deste artigo; c) pelo prazo de trinta dias, em caso de reincidência, no tocante a não adoção das providências a seu cargo previstas na alínea "a"; ou d) pelo prazo de sessenta dias, em razão do descumprimento, por prazo superior a trinta dias, da obrigação estabelecida no § 2° do art. 4° ou no art. 8°. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.000194/201194 Acórdão n.º 3301002.939 S3C3T1 Fl. 276 9 Como se percebe na leitura dos dispositivos legais o não atendimento da autorização concedida a título precário para a descarga direta alcança a pena de advertência ou suspensão, nada constando acerca da pena de perdimento. Portanto, não se deve aplicar pena tão severa quanto a do perdimento uma vez que o não cumprimento da exigência de um Certificado de Origem individualizado não pode obstar o despacho aduaneiro e a sua regularidade, visto que este Certificado tem o condão de indicar a procedência da mercadoria para que o Contribuinte possa ter direito ao benefício fiscal. Não comprovado a origem, e no presente caso foi comprovado, implica em cobrar o tribute devido sem o direito ao benefício. Acrescentase ainda que no presente processo percebese a existência inconteste de um Certificado de Origem da integralidade da importação e que na soma das três descargas diretas totalizam de forma correta o indicado pelo Contribuinte e atestado pelos laudos quantitativos e qualitativos. Compulsando os autos não há a formalização de exigência, escrita ou inserida no Siscomex, efetivamente realizada pela autoridade fiscal aduaneira para que a autuada procedesse à substituição ou correção do Certificado de Origem. O que se tem em verdade são cópias de telas do Siscomex, inseridas às folhas 76 a 80, onde constam exigências de manifestação da autuada no sentido de informar quanto ao armazenamento e a não em relação a utilização da mercadoria. Deveras, o Contribuinte prestou tal informação às folhas 50/53 aduzindo quanto às razões para o consumo da mercadoria armazenada pendente de desembaraço aduaneiro. Entretanto, acoimar a importação do Contribuinte com as irregulares previstas nos inciso X, do art. 689, Decreto 6.759/2009, sob o argumento de descumprimento de exigência fiscal para uma simples manifestação, tal como exigida da autuada, equivale a colocar em um mesmo patamar de igualdade o despacho aduaneiro do presente caso, interrompido para prestar uma informação, às situações de mercadorias descaminhadas, as quais se aplicam a pena de perdimento à mercadoria "estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular". Assim é completamente desarrazoado à luz do que prevê a legislação que trata da importação da autuada, com suas peculiaridades demonstrada alhures. Portanto, a pena cabível pela não apresentação por parte do Contribuinte do Certificado de Origem individualizado não pode ser de não desembaraçar, mas sim, de não gozar do benefício fiscal concernente. Entendese que a ausência do Certificado de Origem individualizado não é um documento obrigatório para a correta regularidade do despacho aduaneiro, tanto que a autoridade administrativa não contesta o Certificado de Origem, apenas solicita que seja parcial. Logo não cabe lavrar um Auto de Infração por descaminho no presente caso, conforme se verifica no art. 689 do Decreto 6.759 de 2009: “Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e Decreto Lei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 10 X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulacã̧o comercial no País, se não for feita prova de sua importacã̧o regular; O fato do Contribuinte ter apresentado um Certificado de Origem que comprova de forma inconteste a mercadoria importada e não ter apresentado um Certificado de Origem individualizado não tem correspondência com previsão legal da pena de perdimento. Fica evidente a falta de subsunção do fato concreto à norma legal em abstrato da pena de perdimento da mercadoria visto que foi feita prova de sua importação regular. Neste caso, com as suas especificidades, o fato da apresentação do Certificado de Origem do total da mercadoria importada comprovando a sua procedência, situação não contestada pela autoridade administrativa fiscal, e o não atendimento da apresentação do certificado individualizado, fato concreto, não configura a subsunção à norma jurídica, norma tipo, da pena de perdimento. Neste sentido o Auto de Infração deste processo é nulo uma vez que eivado de penalidade viciada que configura vício material e faz com que tal ato nunca tenha existido no mundo jurídico e que não possa ser convalidado conforme as regras do direito. Além desta questão central no presente caso, há que se notar que não ocorreu dano ao Erário. Tanto que no voto do acórdão ora recorrido, reconhecese (fl. 226/217) que o equívoco na emissão do Certificado de origem não caracterizou dano ao Erário. Desta forma, entendese que não deve prosperar o entendimento do acórdão ora recorrido visto que no presente processo a conduta do Contribuinte não implicou em dano ao Erário e que não se subsume a sua conduta ao tipo previsto na norma jurídica de pena de perdimento. Portanto, em observância a legislação vigente e a análise dos autos, voto no sentido de prover o Recurso Voluntário do Contribuinte, cancelando a multa por nulidade material imposta no PTA nº 11128.000194/201194, com a extinção do crédito nele exigido. Valcir Gassen Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720176/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 01 76 /2 01 3- 12 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720176/201312 Acórdão n.º 2201003.194 S2C2T1 Fl. 140 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 111), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação contra Notificação de Lançamento (fls. 18/22) referente ao imposto de renda pessoa física exercício 2011; anocalendário 2010. Detectada omissão de rendimentos de R$ 235.288,50, pagos pelo Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, apurouse imposto de renda suplementar de R$ 5.675,05, em substituição a imposto a restituir declarado de R$ 50.715,93. O contribuinte, representado por procurador (fls. 14/15), impugna o lançamento (fls. 2/13) e alega a tempestividade da contestação porque, cientificado do lançamento, em 11/01/2013 (fl. 95), realizou diversas tentativas de protocolala diretamente em uma das unidades da RFB, nos dias 07 e 08/02/2013, mas orientado a obter o protocolo por meio de senha, disponibilizada para 14/02/2013 (fl. 98). Mesmo assim, neste dia, teve seu pedido de protocolo negado, sob alegação de intempestividade, recebendo novo agendamento para 20/02/2013 (fl. 99). No mérito alega o direito à isenção porque proventos de pensão de portador de moléstia grave. Passo adiante, 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar a impugnação intempestiva, em decisão que restou assim ementada: IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, o que impede o exame do mérito. Cientificado em 23/10/2014 (Fls. 116), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 24/11/2014 (fls. 119 a 132), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação; e acrescentando: I – CERCEIO DE DEFESA E DIREITO DE PETIÇÃO (...) Reparese que agendamentos mantém uma cronologia de agendamentos em data anterior ao prazo, corroborando que o Contribuinte tentou, dede antes do vencimento do prazo, não havendo conseguido apresentar sua impugnação, que por conseguinte sequer foi apreciada, por decretação da intempestividade, por conta de dificuldades apresentadas pela Administração Pública, ou seja, por motivos alheios à sua conduta, caracterizando verdadeiro cerceamento de defesa e ao seu direito de petição, constitucionalmente garantidos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720176/201312 Acórdão n.º 2201003.194 S2C2T1 Fl. 141 3 O Cerceamento de defesa ocorre quando a parte é impedida de produzir prova que a ela compete e, depois, tem contra si uma decisão fundamentada justamente nessa falta de prova. No caso em comento, o Recorrente deixou de ter sua Impugnação apreciada por empecilhos impostos pela administração pública. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em primeiro plano cumpre analisar a questão da intempestividade da impugnação do lançamento; posto que se não superada esta questão não será apreciada qualquer outra alegação do recurso, que não seja esta. Conforme se observa nos autos, o contribuinte foi notificado do lançamento no dia 11/01/2013 ( folha 95 dos autos). Contudo a impugnação somente foi apresentada no dia 20/02/2013. Segundo o recorrente, teria tentado fazer o protocolo em unidades da SRFB nos dias 07 e 08/02/13, mas fora orientado a só conseguir o protocolo por meio de senha, só disponibilizada para o dia 14/02/13; Verificase a senha de atendimento às fls.98. Alega que ao chegar para promover o protocolo, teve seu pedido de protocolo negado, sob a alegação da intempestividade, recebendo novo agendamento, agora para o dia 20/02/2013 (Verificase a senha de atendimento às fls. 99) e, que ao comparecer a unidade, no dia e horário agendado, fora surpreendido com a informação do agente da Receita de que só na unidade de Volta Redonda seria competente para receber a presente, devendo requerer novo agendamento; desta forma, tentou agendar no sitio da Receita Federal, na unidade determinada e fora surpreendido com a impossibilidade de agendamento, em razão de não haver esse serviço na unidade determinada. Alega que os agendamentos mantém uma cronologia de agendamentos que é em data anterior ao prazo, portanto, o presente recurso deve ser recebido e analisado. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte realmente agendou nos dias 07/12/2013 e 14/02/2013, via sitio da Receita Federal na internet, atendimentos nas sede da Receita Federal do Brasil, conforme os comprovantes de agendamento, para tratar de “Processos Tributos Internos Impugnação”; no entanto, não há qualquer outro documento que seja capaz de formar o convencimento das alegações feitas pelo contribuinte. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.720176/201312 Acórdão n.º 2201003.194 S2C2T1 Fl. 142 4 Contudo, não há como atestar, somente com agendamentos feitos via internet, que a SRFB recusouse a receber a impugnação dentro do trintídio legal. Convém reproduzir a norma que aborda a matéria questionada pelo recorrente, o art. 14 e 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Vêse que os dispositivos citados deixam claro que somente a impugnação, interposta dentro do prazo recursal, é instrumento jurídico hábil a instaurar o processo administrativo, sendo a tempestividade dessa, pressuposto intransponível para a prática do ato processual. Insta mencionar ainda, que este Conselho já decidiu diversas vezes, que o fato da impugnação ser intempestiva, não instaura o processo administrativo fiscal e só cabe ao colegiado se pronunciar sobre matéria que venha a se insurgir contra a declaração de intempestividade propriamente dita, ou seja, caso o recorrente alegue que não houve intempestividade Desta forma, uma vez que a impugnação foi apresentada somente em 20/02/2013, após o vencimento do prazo, entendese que a mesma foi intempestiva, e que assim, deve ser mantida a decisão da DRJ de não conhecer da impugnação. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000206/2008-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por unanimidade de votos e, no mérito, negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu, Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por unanimidade de votos e, no mérito, negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu, Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por unanimidade de votos e, no mérito, negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 02 06 /2 00 8- 80 Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.183 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu, Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ALCATELLUCENT BRASIL S/A (efls. 1094/1107) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1302001.163 (efls. 1046 e segs), pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 10/09/2013, no qual foi negado provimento recurso voluntário da contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal constatou que a contribuinte, optante pelo método PRL na apuração dos Preços de Transferência, não teria se utilizado da fórmula prevista pela IN SRF nº 243, de 2002. Assim, foi efetuada uma nova apuração, tendo sido a diferença dos excessos de custos praticados nas importações com pessoas jurídicas vinculadas objeto de lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, referente ao anocalendário de 2003. Foi apresentada impugnação, discorrendo sobre nulidade em razão de imprecisão na descrição dos fatos e protestando sobre a ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. A primeira instância (DRJ) afastou a preliminar de nulidade e julgou o lançamento procedente. O recurso voluntário interposto pela contribuinte protestou sobre a ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) manteve a decisão da DRJ na integralidade, para negar provimento do recurso voluntário da contribuinte. A Contribuinte interpôs recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade, sendo a única matéria devolvida a ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 893 e segs). A 2ª Turma da DRJ/São Paulo I julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão nº 1621.002 (efls. 995 e segs.), conforme ementa a seguir. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.184 3 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Evidenciado, na impugnação, que o contribuinte identificou o motivo exato da autuação e se defendeu tempestiva e plenamente do teor da mesma, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº 9.95912000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 24312002. À esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, vez que tal competência resta atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Ademais, é certo que a normatização do denominado método "PRL60", empreendida no art. 12 da IN SRF n°. 243/2002, se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei n°. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2° da Lei n° 9.959/2000. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. APLICAÇÃO À APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DE CSLL. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI N°. 9.95912000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243/2002. A legislação relativa aos preços de transferência aplicase à base de cálculo da CSLL por força da norma veiculada no art. 28 da Lei n°. 9.430/96. À esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, vez que tal competência resta atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Ademais, é certo que a normatização do denominado método "PRL60", empreendida no art. 12 da IN SRF n°. 243/2002, se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei n°. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2° da Lei n°. 9.959/2000. Foi interposto recurso voluntário (efls. 1026/1038) pela contribuinte, apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 10/09/2013. Decidiu o Acórdão nº 1302001.163 (efls. 1046 e segs) negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF 243/02. MÉTODO PRL. LEGALIDADE. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.185 4 A proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 se constitui em uma interpretação que atende aos critérios da: a) razoabilidade, pois é mais conforme com o espírito de uma norma (art. 18, II, da Lei 9.430/96) que visa o controle de preços de transferência na importação, garantindo um tratamento isonômico de contribuintes que se encontrem na mesma situação; b) adequação, pois não cabia ao legislador pormenorizar, em texto de lei, o método de cálculo do preço parâmetro, bastando que desse contornos legais, os quais são observados pela IN 243/02; e c) necessidade, pois retificou a equivocada interpretação dada pela IN SRF 32/01, tornando efetivo o método PRL.l FRETE e SEGURO. Frete e seguro devem compor o preço do insumo importado, pois assim expressamente dispunha o § 6 º do art. 18, sendo que a própria margem de lucro fixada pelo legislador levou em conta tal base. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 1094/1107.), protestando sobre o método adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, que teria trazido inovações na forma de cálculo do preço parâmetro do método PRL60, contrariando o disposto na Lei nº 9.430, de 1996. Assim, pugna pelo provimento do recurso e cancelamento da exigência de IRPJ e CSLL. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 1159/1161 deu seguimento ao recurso em relação à única divergência que entendeu estar demonstrada no recurso especial, qual seja, a ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 1163/1179), no qual se requer pela manutenção do acórdão recorrido, na medida em que a sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Em relação á admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 1159/1161, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.186 5 do Recurso Especial da Contribuinte. Registrese que o despacho devolve para o presente Colegiado unicamente a matéria "Ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002" e registra, com clareza, que os demais questionamentos sobre devolução de vendas, percentual de 75% da multa de ofício, aplicação da taxa SELIC para juros de mora e incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, não contam com nenhuma demonstração de divergência jurisprudencial. Sobre a ilegalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 2. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. 2 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.187 6 E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 3, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 4 : 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.188 7 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 5 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 5 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.189 8 E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 6. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: 6 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.190 9 PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total7. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o 7 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.191 10 custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.192 11 onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 8, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this 8 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.193 12 method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.194 13 participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.195 14 produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.196 15 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.197 16 efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.198 17 Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na reunião de maio de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto por ALCATELLUCENT BRASIL S.A. (doravante “ALCATEL”, “contribuinte” ou “recorrente”), em que é parte a Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrida”), no processo n. 16561.000206/2008 80. Em tal recurso, a recorrente requer a reforma do acórdão n. 1302001163 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 2a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido, proferido pela Turma a quo que, por maioria dos votos, negou provimento ao recurso voluntário, restou assim ementado (fls. 1.046 e seg. do eprocesso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF 243/02. MÉTODO PRL. LEGALIDADE. A proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF243/02 se constitui em uma interpretação que atende aos critérios da: a) razoabilidade, pois é mais conforme com o espírito de uma norma (art. 18, II, da Lei 9.430/96) que visa o controle de preços de transferência na importação, garantindo um tratamento isonômico de contribuintes que se encontrem na mesma situação; b) adequação, pois não cabia ao legislador pormenorizar, em texto de lei, o método de cálculo do preço parâmetro, bastando que desse contornos legais, os quais são observados pela IN 243/02; e c) necessidade, pois retificou a equivocada interpretação dada pela IN SRF 32/01, tornando efetivo o método PRL. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.199 18 FRETE e SEGURO. Frete e seguro devem compor o preço do insumo importado, pois assim expressamente dispunha o § 6 º do art. 18, sendo que a própria margem de lucro fixada pelo legislador levou em conta tal base. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. No julgamento do recurso especial interposto, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu negar provimento ao recurso especial, mantendo a cobrança do tributo, multa e juros lançados no AIIM. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo provimento do recurso especial interposto pela contribuinte, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, tendo em vista que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Tais fundamentos serão organizados do seguinte modo: 1. A evolução da legislação do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). 2. As fórmulas adotadas em cada etapa da evolução legislativa para o cálculo do PRL60. 3. O extravasamento das funções da IN 243/2002, em cotejo às fontes formais do Direito tributário, perpassando por pontos pertinentes como: a impossibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00; a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 4. Conclusões finais quanto ao caso em análise. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.200 19 Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.201 20 (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.202 21 I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora não tenha sido realizada nenhuma reforma por meio de Lei, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Esse é o cerne do recurso especial em análise. Os enunciados da IN 243/2002 relativos à matéria seguem transcritos, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.203 22 § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.204 23 serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Em 2012, por sua vez, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações na Lei n. 9.430/96, contemplando todo o inciso II desse dispositivo e tornandoo mais apto a fundar a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.205 24 vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. As diferenças textuais em questão são relevantes para a solução do recurso especial em análise, conforme tópicos abaixo. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL 60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.206 25 L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal tanto na IN 113/2000 quanto na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.207 26 Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Tornouse notório o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”. O referido estudo abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.208 27 serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme o citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL 60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.209 28 que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI9, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Do mesmo modo, as evidentes distinções em relação a essas fórmulas foram bem sintetizadas por LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD10, in verbis: “(i) enquanto a Lei n. 9.959/00 estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o valor do preço líquido de venda, diminuindose o valor agregado, a IN 243/02 determinou a incidência da margem de 60% sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem importado; e (ii) enquanto a Lei determina que o preçoparâmetro corresponde à diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60%, a IN 243/02 estabeleceu que corresponde à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. Assim, o preço parâmetro calculado sob a sistemática da IN 243/02 será menor, 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. 10 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 241. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.210 29 resultando em maior risco de ajustes nos lucros tributáveis da empresa brasileira, tendo em vista o provável excesso de preço pago no exterior”. Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge a questão crucial do presente recurso especial: a referida Instrução Normativa possui legitimidade para tanto e agiu nos lindes de sua competência regulamentar? É o que será analisado no tópico seguinte do deste voto. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade estabelecida pela Constituição Federal, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística11, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias12 e fontes secundárias13 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que nenhuma das partes discorda da função limitada e secundária das Instruções Normativas: essa é uma questão de direito incontroversa nesse processo administrativo. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e restando despida de validade. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, a segunda, que 11 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 12 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 13 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.211 30 supostamente daria fundamento à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96 com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 3.1. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que todos e quaisquer elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária estejam expressa e exaustivamente previstos em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori a esse princípio, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos14. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, não pode o Poder Legislativo delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA15, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da 14 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. 15 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.212 31 base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser resolvida com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre a matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF16 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de outorgar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60. No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado no tópico “2”, acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. As normas da Lei n. 9.430/96 que prescrevem a fórmula para o cálculo do PRL60 são autoaplicáveis, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 3.1.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferiria à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal 16 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.213 32 nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação, pois o seu resultado corrobora com a conclusão do presente voto: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a reestruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.214 33 A referida tese não esconde a sua complexidade. Concluída essa reestruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não se chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. Nesse seguir, a IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresenta como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduz a um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal e a adoção de novos fatores nas fórmulas “traduzidas” pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Contudo, uma análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. O expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”17. No caso, não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É relevante repetir que a referida construção argumentativa, que supostamente daria suporte à IN 243/2002, conduz a uma fórmula muito distinta, com resultados extremamente dispares. E apenas por essa disparidade em relação à lei já deve o ato infralegal em questão ser desconsiderado. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? 17 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.215 34 Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção normativa. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI18 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Ainda que se considere possível abstrair mais do que uma fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, as seguintes constatações são suficientes para a desconsideração da fórmula indicada pela IN 243/2002: não há decisão expressa ou mesmo implícita do legislador ordinário para que a SRF procurasse arquitetar uma fórmula “melhor” do aquela que se compreende imediatamente do texto legal; a interpretação sustentada, que daria suporte à IN 243/2002, parte de uma construção argumentativa complexa, que por si só coloca em dúvida a sua correção; os limites da IN 243/2002 estão adstritos à regulamentação administrativa da aplicação do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para tornálo mais operacional, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais, esclarecer à sociedade interpretações específicas e, assim, dotar a norma legal de maior eficácia social. Qualquer previsão presente na IN 243/2002 que conduza ao incremento de ônus tributário, que não decorra da precedente decisão do legislador ordinário, devem ser desconsideradas. No subtópico seguinte, será analisada sob uma série de perspectivas a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2006, p. 169. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.216 35 3.2. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 3.2.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é “diferente” daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a Instrução Normativa deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais e dotar a norma legal de maior eficácia social. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano, reclamando desconsideração pelos aplicadores do Direito. Como se pôde observar no tópico “1”, acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.217 36 produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Não obstante, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também estipulou qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Correta ou não, cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe tratar privativamente sobre a tema em discussão. Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.218 37 Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.219 38 que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. (CARF, Acórdão 1301001.235, sessão de 13.06.2013) Nesse mesmo sentido, há substancial consenso doutrinário quanto ao extravasamento da IN 243/2001 na regulamentação do PLR6019. Citese, por exemplo, GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.20, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. 19 Vide: GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo: MP, 2007. 20 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo: Dialética, 2009, p. 105. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.220 39 Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 3.2.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar maior respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: Como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); Como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); Excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante desse cenário, a fórmula para o cálculo do PRL que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012 deverá se submeter a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: os princípios da anterioridade e da irretroatividade. O art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR para o dia 01.01.2013, fazendo referência específica à alteração que introduzira por meio seu art. 48 ao art. 18 da Lei n. 9.430/1996. É o que se observa textualmente na Lei n. 12.715/2012: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.221 40 Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente sem qualquer incrementar a obrigação tributária, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. Além disso, referida norma poderia ser considerada interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: por tratarse de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida deve respeitar a anterioridade e não pode ser aplicada retroatividade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” Assim, se a Lei n. 12.715/2012 apresenta alguma eficácia interpretativa, seria a de esclarecer que a fórmula adotada pela IN 243/2002 par o cálculo do PLR60 não encontrava fundamento de validade na vigência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, devendo ser mantida a incontroversa fórmula indicada pela IN 32/2001. No caso concreto sob julgamento, o período de apuração relevante é 2003, não sendo de forma alguma aplicáveis as normas da Lei n. 12.715/2012, o que atentaria contra o princípio da irretroatividade da lei tributária. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.222 41 Para o período relevante, é preciso reconhecer que a IN 243/2002 extravasou os limites a que estaria adstrita. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. 3.2.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostas nos subtópicos anteriores sejam suficientes para o afastamento da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que justificam a desconsideração do ato infralegal. Há incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, especialmente pertinente à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI21, que toca alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 21 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.223 42 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seriam aplicáveis, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 teria prescrito critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados que possibilitassem à administração fiscal exigir ajustes a partir preços parâmetros compreendidos em um intervalo de “ R$10,00” a “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com os ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita por si só com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, efetivamente elegeu expressamente os critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica aos critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei tivesse permitido a adoção de fórmulas que tão dispares, possivelmente a constitucionalidade de tal lei poderia inclusive vir a ser questionada perante o Poder Judiciário. 3.2.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.224 43 vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.000206/200880 Acórdão n.º 9101002.324 CSRFT1 Fl. 1.225 44 A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. Assim, se a IN 243/02 apresenta outros vícios, inclusive formais, que justificam a sua desconsideração para a apuração do PRL60, também é possível observar vícios materiais que a tornam imprópria para o controle dos preços de transferência. 4. Conclusões. Por todo o exposto, há evidências mais do que suficientes para se afirmar que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Se há uma “segunda fórmula” alternativa àquela da IN 32/2001, que se adeque à moldura prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, não se trata da fórmula indicada pela IN 243/2002. Voto, assim, para que seja dado PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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Numero do processo: 13052.000506/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
IMPOSTOS QUE NÃO INCIDIRAM SOBRE VENDAS. INDEDUTIBILIDADE DA RECEITA BRUTA.
Só podem ser deduzidos da receita bruta os impostos que incidiram sobre vendas.
VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE RECONHECIMENTO.
Para fins de apuração do resultado, deve ser adotado o regime de reconhecimento das variações cambiais pelo qual a autuada optou, no caso, o regime por liquidação.
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VALORAÇÃO. PRODUTOS NÃO MANUFATURADOS.
No caso de produtos manufaturados ou não manufaturados (como, no caso, o tabaco classificado na posição 24.01 da NCM), o valor da receita de exportação é contabilizada com base na taxa de câmbio da data do embarque.
DIVERGÊNCIA ENTRE O REGISTRO DE INVENTÁRIO E O VALOR CONTÁBIL DOS ESTOQUES.
No caso, restou demonstrado que a divergência entre o registro de inventário e o valor contábil dos estoques não teve influência na apuração do resultado.
MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA.
Embora mantidas no passivo obrigações já pagas, a presunção de omissão de receitas restou afastada, uma vez que estas foram escrituradas e incluídas no resultado tributável.
Numero da decisão: 1401-001.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar o item referente à omissão de receitas de exportação.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 IMPOSTOS QUE NÃO INCIDIRAM SOBRE VENDAS. INDEDUTIBILIDADE DA RECEITA BRUTA. Só podem ser deduzidos da receita bruta os impostos que incidiram sobre vendas. VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE RECONHECIMENTO. Para fins de apuração do resultado, deve ser adotado o regime de reconhecimento das variações cambiais pelo qual a autuada optou, no caso, o regime por liquidação. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VALORAÇÃO. PRODUTOS NÃO MANUFATURADOS. No caso de produtos manufaturados ou não manufaturados (como, no caso, o tabaco classificado na posição 24.01 da NCM), o valor da receita de exportação é contabilizada com base na taxa de câmbio da data do embarque. DIVERGÊNCIA ENTRE O REGISTRO DE INVENTÁRIO E O VALOR CONTÁBIL DOS ESTOQUES. No caso, restou demonstrado que a divergência entre o registro de inventário e o valor contábil dos estoques não teve influência na apuração do resultado. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Embora mantidas no passivo obrigações já pagas, a presunção de omissão de receitas restou afastada, uma vez que estas foram escrituradas e incluídas no resultado tributável.
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Associated Tobacco Company Brasil Ltda. Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IMPOSTOS QUE NÃO INCIDIRAM SOBRE VENDAS. INDEDUTIBILIDADE DA RECEITA BRUTA. Só podem ser deduzidos da receita bruta os impostos que incidiram sobre vendas. VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE RECONHECIMENTO. Para fins de apuração do resultado, deve ser adotado o regime de reconhecimento das variações cambiais pelo qual a autuada optou, no caso, o regime por liquidação. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VALORAÇÃO. PRODUTOS NÃO MANUFATURADOS. No caso de produtos manufaturados ou não manufaturados (como, no caso, o tabaco classificado na posição 24.01 da NCM), o valor da receita de exportação é contabilizada com base na taxa de câmbio da data do embarque. DIVERGÊNCIA ENTRE O REGISTRO DE INVENTÁRIO E O VALOR CONTÁBIL DOS ESTOQUES. No caso, restou demonstrado que a divergência entre o registro de inventário e o valor contábil dos estoques não teve influência na apuração do resultado. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Embora mantidas no passivo obrigações já pagas, a presunção de omissão de receitas restou afastada, uma vez que estas foram escrituradas e incluídas no resultado tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 05 06 /2 01 0- 35 Fl. 12762DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar o item referente à omissão de receitas de exportação. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 1267712681: 1. Introdução Tratase de autos de infração lavrados para lançar créditos tributários de IRPJ e CSLL dos anos de 2006 e 2007. A atuada apresentou impugnações específicas para o IRPJ e para a CSLL, com o mesmo teor. Passa a detalhar cada uma das diversas infrações apontadas pela fiscalização, bem como a respectiva defesa por parte da autuada. 2. Dedução da receita bruta de valores de tributos que não incidiram sobre vendas Por não terem incidido sobre vendas, a fiscalização glosou valores de IPI e ICMS utilizados pela autuada como dedução da receita bruta no primeiro e no segundo trimestres de 2006. Os valores são os seguintes: Trimestre ICMS IPI Total 1º 2.721.514,06 354.873,87 3.076.387,83 2º 3.066.689,83 233.367,37 3.300.057,20 Total 5.788.203,89 588.241,24 6.376.445,03 A autuada reconhece que os valores de IPI e de ICMS deduzidos da receita bruta não incidiram sobre vendas. A respeito do ICMS alega que: Fl. 12763DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000506/201035 Acórdão n.º 1401001.552 S1C4T1 Fl. 3 3 parte de seu valor era composto pelo saldo acumulado de ICMS decorrente de exportação, e poderia ter sido deduzido do lucro tributável, tendo em vista a baixa liquidez desses créditos de ICMS; além disso, esse equívoco foi corrigido no 4º trimestre, quando foram adicionados à receita bruta R$ 5.788.203,89; com esse ajuste, no decorrer do ano ela teria deduzido em 2006 tão somente os R$ 91.786,54 de ICMS constantes em Livro Registro de Apuração de ICMS (fls. 3.077). Não houve alegações a respeito do IPI. 3. Variações cambiais deduzidas em excesso no segundo e no terceiro trimestres de 2006 No termo de início da ação fiscal, a autuada foi intimada a informar se sua opção era por reconhecer as variações cambiais por liquidação ou por competência, tendo respondido que era por liquidação. Com base nessa resposta, a fiscalização detectou excessos decorrentes de erros de duas naturezas, acontecidos no Lalur: a) erro nos valores informados para as variações cambiais (ativas e passivas) apuradas pelo regime de liquidação e b) ausência de adição das variações cambiais passivas contabilizadas por competência e de exclusão das variações cambiais ativas, também contabilizadas por competência. A autuada limitase a contestar ter optado pelo regime de competência, afirmando: a) ter adotado no primeiro trimestre o regime de liquidação e, nos demais trimestres o regime de competência e b) que o erro se encontra no primeiro trimestre, e não, como entendeu a fiscalização, no segundo e no terceiro. Não contesta os valores de variações cambiais apontados pela fiscalização. 4. Omissão de receitas de exportação De acordo com a fiscalização, a autuada declarou em DIPJ receitas de exportação de R$ 142.299.577,75 para o ano calendário de 2007, mas nos livros de apuração de ICMS e de IPI essas receitas seriam de R$ 143.509.023,50. A diferença – R$ 1.209.445,75 – foi considerada receita omitida. A autuada alega que a diferença é decorrente do fato de que no registro de saídas as exportações foram escrituradas tendo como base a taxa de câmbio do dia da emissão da nota fiscal, enquanto na contabilização como receita foi utilizado “o dólar convertido pela taxa do dia do embarque, em conformidade com a Portaria nº 356, de 05.12.98, que dispõe que a receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em moeda nacional, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior”. Juntou demonstrativo das diferenças, por nota fiscal (fls. 968). Fl. 12764DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 5. Diferenças de estoques no início de 2007 Mais uma vez se trata de divergência na escrituração da autuada, desta vez entre a contabilidade e o livro de registro de inventário. Naquela o valor inicial dos estoques é de R$ 84.730.890,23, enquanto neste é de R$ 81.209.679,81. A fiscalização considerou que a diferença – R$ 3.521.210,42 – correspondeu a custos indevidamente levados a resultado, e glosouos. A autuada alega que a diferença entre contabilidade e inventário seria de apenas R$ 2.816.229,79 e que ela seria causada pela conta estoques em formação, na qual no período de setembro a dezembro são registrados custos relacionados com matéria prima que só será recebida e beneficiada a partir de janeiro do ano seguinte, custos esses que não foram registrados no inventário físico. Segundo ela: [...] os valores da conta estoques em formação são custos de campo e fábrica de entresafra (neste caso específico de outubro a dezembro de 2006) que são diferidos para a safra do ano seguinte. Todos os custos transitam pelo resultado e, no final de cada mês, após a realização das conciliações, é efetuado um lançamento credor no resultado (Reversão para Estoques), zerando o valor do resultado e debitando o Ativo Estoques – Estoques em Formação. Além disso, aponta o fato de que nas DIPJ o estoque final de 2006 é igual ao inicial de 2007, o que “prova que a sistemática adotada em nada prejudicou, ou melhor dizendo, somente beneficiou ao Erário”. 6. Manutenção no passivo de obrigações já pagas Conforme o relato da fiscalização, a autuada, em 31/08/2007, baixou valores – R$ 11.844.054,35 – diretamente de contas de passivo para contas de patrimônio líquido, sem trânsito por resultado, portanto. A fiscalização intimou a autuada a apresentar os contratos em que se fundavam essas dívidas e, examinadoos, concluiu que as dívidas já haviam sido pagas em 2005 e 2006 e que “há que se autuar esse valor e acrescêlo às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a título de omissão de receitas”. As dívidas decorrem de contratos de exportação, com pagamento antecipado por parte dos clientes da autuada. A autuada se defende alegando que as dívidas foram pagas mediante a exportação de mercadorias, que essas receitas de exportação foram contabilizadas e que a presença no passivo dos valores já pagos foi causada por erros contábeis. Alega também que as omissões de receitas só poderiam ser consideradas como ocorridas nos anos em que as dívidas foram contraídas. Ainda segundo a autuada, no caso das dívidas pagas em 2005, as obrigações figuraram no passivo equivocadamente, pelo fato de nesse ano ter sido abandonada a contabilidade anterior, levantandose novo balanço de abertura. Fl. 12765DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000506/201035 Acórdão n.º 1401001.552 S1C4T1 Fl. 4 5 Já no tocante a 2006, de acordo com a autuada, foram outras as causas da manutenção, no passivo, das obrigações pagas. Diz ela que (negritos do original): Por ocasião de cada contratação de 2006, foi lançado o valor do pagamento antecipado na conta do Ativo Banco Conta Movimento e a crédito da conta do Passivo Pagamento Antecipado de Clientes (doc. 2.1.10). Depois, por ocasião da efetiva entrega/exportação do tabaco, lançouse o valor a débito da conta do Ativo Clientes Mercado Externo e a crédito da conta de Resulta Receita de Exportações. O problema, Srs. Julgadores, por um lapso da contabilidade, surgiu no lançamento seguinte. O lançamento seguinte correto seria débito da conta do Passivo Pagamento Antecipado de Clientes e a crédito da conta do Ativo Clientes Mercado Externo. A Impugnante, contudo, lançou a débito da conta de Resultado Variações Cambiais Passivas e a crédito da conta do Ativo Clientes Mercado Externo (doc. 2.1.11). Esse foi o erro corrigido em 31/08/07, quando o atual contador promoveu novo lançamento, debitando conta de Passivo (Pagamentos Antecipados de Clientes) e creditando a conta de Ajuste de Exercícios Anteriores do Patrimônio Líquido (doc. 2.1.12). A grande questão é que, apesar do lapso no lançamento e que o mesmo represente inicialmente em redução do lucro, não houve, de fato, prejuízo algum ao erário. Isso porque o lançamento errôneo a débito foi feito na conta Variações Cambiais Passivas, cujo saldo é revertido (anulado) no LALUR quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, procedimento este obrigatório para as empresas optantes do “regime de liquidação” na tributação das variações cambiais, conforme determinação do art. 30 da MP nº 2.258 35/01. [...] E ainda mais, pelas provas apresentadas, e se não houvesse a reversão obrigatória das variações cambiais passivas para a apuração do lucro real, haveria sim uma glosa de despesas e não uma omissão de receita como diz o Auto de Infração. 7. Ajustes nas compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas – apuração das variações cambiais do 4º trimestre de 2006 De acordo com a fiscalização, em decorrência do lançamento, os prejuízos declarados no segundo e terceiro trimestres de 2006 foram convertidos em resultados positivos. Em conseqüência, foi glosada a compensação feita no anocalendário de 2007 de R$ Fl. 12766DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 555.511,22, tanto de prejuízo fiscal, como de base de cálculo negativa de CSLL. Ao se manifestar sobre esse tópico do lançamento, a autuada tomou o caminho de fazer a seguinte reclamação: A questão, aqui, é bem simples: se for correto o cálculo feito pelo fisco para o 2º e 3º trimestres de 2006, há também que ser efeito, nesse mesmo raciocínio, o cálculo da tributação do 4º trimestre de 2006. Não se está concordando com os lançamentos efetuados pelo fisco para o 2º e 3º trimestres. Mas também não se pode olvidar que, se forem julgados válidos os lançamentos, devem eles ser repetidos para 4º trimestre de 2006, pois, aí, haveria prejuízo a ser compensado pela impugnante e não lucro, com pagamento de IRPJ, como de fato aconteceu. 8. Pedido de perícia Pede perícia, visando a demonstrar que a manutenção no passivo de obrigações já pagas não configurou omissão de receitas. Expôs os quesitos que deseja ver respondidos e indicou nome, qualificação e endereço de seu perito. A 1ª Turma da DRJ Porto Alegre, por unanimidade de votos, decidiu: a) considerar não impugnada a glosa da dedução de IPI não incidente sobre vendas e de parte das variações cambiais b) na parte controversa, julgar procedente em parte a impugnação para cancelar parcialmente o crédito tributário lançado. O Acórdão nº 1037.227, de 8 de março de 2012, recebeu a seguinte ementa (fls. 12676): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IMPOSTOS QUE NÃO INCIDIRAM SOBRE VENDAS. INDEDUTIBILIDADE DA RECEITA BRUTA. Só podem ser deduzidos da receita bruta os impostos que incidiram sobre vendas. VARIAÇÕES CAMBIAIS. REGIME DE RECONHECIMENTO. Para fins de apuração do resultado, deve ser adotado o regime de reconhecimento das variações cambiais pelo qual a autuada optou, no caso, o regime por liquidação. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VALORAÇÃO. PRODUTOS NÃO MANUFATURADOS. No caso de produtos não manufaturados (como, no caso, o tabaco classificado na posição 24.01 da NCM), o valor da receita de exportação é contabilizada com base na taxa de câmbio da data da emissão da nota fiscal. Fl. 12767DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000506/201035 Acórdão n.º 1401001.552 S1C4T1 Fl. 5 7 DIVERGÊNCIA ENTRE O REGISTRO DE INVENTÁRIO E O VALOR CONTÁBIL DOS ESTOQUES. No caso, restou demonstrado que a divergência entre o registro de inventário e o valor contábil dos estoques não teve influência na apuração do resultado. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Embora mantidas no passivo obrigações já pagas, a presunção de omissão de receitas restou afastada, uma vez que estas foram escrituradas e incluídas no resultado tributável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista o valor do crédito tributário cancelado, houve apresentação de recurso de ofício dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Cientificada do Acórdão em 23/03/2012 (fls. 12746), a contribuinte apresentou em 13/04/212 o recurso voluntário de fls. 1269512729, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Recurso de ofício A decisão de piso cancelou duas parcelas da presente exigência, referentes às seguintes infrações: 1) Diferenças de estoques no início de 2007; 2) Manutenção no passivo de obrigações já pagas. Para maior clareza, tais itens serão individualmente analisados. 1) Diferenças de estoques no início de 2007 Conforme relatado, ao apurar o custo dos produtos vendidos no ano calendário de 2007, a autuada informou na DIPJ (fls. 289) estoque inicial no valor de R$ 84.730.890,23. O relatório de fls. 2.910 indica que o aludido valor correspondia à totalidade de seu inventário (R$ 82.783.333,63), deduzidas as mercadorias para revenda (R$ 868.673,19) e adicionados os custos incorridos entre outubro e dezembro de 2006, relacionados com formação da safra de 2007 (R$ 2.816.229,79). Fl. 12768DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 A autoridade autuante, contudo, entendeu que o valor do estoque no início de 2007 deveria ser de R$ 81.209.679,81. Para chegar a este valor, a autoridade fiscal considerou o valor dos estoques de fumo (fls. 33), sem considerar as mercadorias para revenda, o material de embalagem, o material de almoxarifado e a lenha. Como se percebe, a divergência correspondia aos custos incorridos em 2006 para formação da safra de 2007, ao material de embalagem (R$ 351.176,12), ao material de almoxarifado (R$ 352.215,21) e à lenha (R$ 1.589,00). Para maior clareza, passo a analisar estes subitens: 1.a) Custos incorridos em 2006 para formação da safra de 2007 Em relação a este subitem, a contribuinte anexou à sua impugnação o razão contábil (fls. 2.979 2.981) e balancetes de verificação (fls. 2.983 a 2.985), visando demonstrar que os custos de formação de safra foram inicialmente lançados nas contas de custos, mas que posteriormente foram revertidos para estoques (creditados à conta de custo de produção e debitados à conta de ativo custos de produção a apropriar, com o histórico de “reversão p/estoques”). Ao analisar tais documentos, concluiu o colegiado julgador a quo (fls. 12683): Assim, de acordo com a documentação: a) tratase de valores de custos ocorridos em 2006, que b) não foram deduzidos em 2006, sendo c) contabilizados no ativo como custos de produção a apropriar em 2007. Em conseqüência, não vejo como tais valores, em que pese não constarem no livro de inventário, poderiam causar uma redução indevida do lucro de 2007. Considero irretocável a conclusão da decisão de piso, razão pela qual, em relação a este subitem, nego provimento ao recurso de ofício. 1.b) Estoques de insumos a serem empregados no processo produtivo (embalagens e lenha) Em relação a este item, a decisão de piso se manifestou com suficiente clareza e objetividade, fls. 12683: Os estoques de embalagem e de lenha, representam insumos a serem empregados no processo produtivo, de forma que não representa irregularidade computar seus valores na rubrica “estoques no início do período de apuração” (linhas 04A/01 da DIPJ). Considero que a simplicidade da matéria dispensa maiores digressões. Em relação a este item, também nego provimento ao recurso de ofício. 1.c) Material de almoxarifado Em relação a este item, a decisão de piso considerou que as despesas incorridas com material de almoxarifado são dedutíveis, seja como custo de produção, seja como despesas. Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor da decisão recorrida, fls. 1268312684: Fl. 12769DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000506/201035 Acórdão n.º 1401001.552 S1C4T1 Fl. 6 9 No balancete de verificação (fls. 2.983), vêse que os gastos relacionados com esse tipo de material também estão vinculados contabilmente com a apuração dos custos de produção. Assim, não fica caracterizada qualquer possibilidade de duplicidade de redução do resultado e, além disso, mesmo que haja (o que não foi provado) uma inadequação nesse tratamento contábil, o fato é que, seja como custo de produção, seja como despesa, o consumo do material de almoxarifado é dedutível para fins de apuração do resultado. Também em relação a este subitem concordo com o entendimento adotado pelo colegiado julgador de primeira instância, razão pela qual nego provimento ao recurso de ofício. 2. Manutenção no passivo de obrigações já pagas Conforme relatado, a autoridade autuante constatou que no passivo da contribuinte, em 2007, havia o registro de obrigações já pagas em 2005 e 2006. Tal fato ensejou o lançamento por presunção legal de omissão de receitas. As obrigações em questão eram dívidas com bancos e decorrerem de operações de câmbio. 2.a) Obrigações contraídas e pagas em 2005 A autuada alegou que as obrigações pagas em 2005 (cerca de R$ 13 milhões) apenas permaneceram no passivo por erro contábil. Afirmou que as receitas de exportação utilizadas em seu pagamento foram contabilizadas, o que elidiria a presunção de omissão de receitas. A autuada afirmou que em 2005 ela desconsiderou sua contabilidade, razão pela qual optou pela tributação pelo lucro arbitrado. As obrigações em questão teriam sido incluídas por equívoco no balanço de abertura levantado no início de 2006. Esclareceu que as citadas dívidas correspondiam aos contratos de câmbio de números 05/003757, 05/03758, 05/2930, 05/17507, 05/18514, 05/004040 e 05/004238 (relatório de fiscalização, fls. 34; impugnação, fls. 335). A tabela (fls. 559), elaborada pela contribuinte, vinculou cada um desses contratos aos registros de exportação e às notas fiscais de exportação de mercadorias que foram utilizadas para liquidação dos adiantamentos de câmbio. Conforme bem apontado pela decisão de piso, fls. 12684, a contribuinte também trouxe aos autos toda a documentação de onde foram extraídos os dados para montagem da tabela, bem como as correspondências autorizando as instituições financeiras credoras a utilizarem os valores das exportações na liquidação do adiantamento de câmbio. A título exemplificativo, transcrevo a pormenorizada análise que consta do voto condutor da decisão de piso, fls. 12684: [...] Assim, por exemplo, o contrato 05/003757, de US$ 500 mil, conforme o documento das fls. 568, foi em parte (US$ Fl. 12770DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 269.006,42) liquidado com a exportação com número de registro RE 05/1677910001 (fls. 567), para o qual foram emitidas as notas fiscais 081652, 081653, 081681, 081682, 081683, 081684, 081685 e 081686 (fls. 569 a 576). Por sua vez, essas notas fiscais, emitidas em novembro de 2005, constam do registro de saídas (fls. 511), que deu origem à apuração de ICMS (fls. 469). Com base nisso, já é possível afirmar que as obrigações contraídas e pagas e 2005 e que em 2007 constavam ainda constavam indevidamente no passivo não foram pagas com recursos à margem da escrituração. Haveria ainda a possibilidade que essas receitas, mesmo escrituradas nos livros fiscais, não estivessem contidas na receita que serviu de base à apuração do lucro arbitrado de 2005. Todavia, não há margem para tanto, pois as receitas em questão representam quase 10% das receitas que a autuada declarou naquele ano (quase R$ 150 milhões). O valor da receita na DIPJ é inclusive ligeiramente superior ao valor das vendas registradas no livro de apuração do ICMS (R$ 145 milhões). Diante do exposto, também em relação a esta parcela da exigência, nego provimento ao recurso de ofício. 2.b) Obrigações contraídas e pagas em 2006 A autuada alegou que as obrigações pagas em 2006 (R$ 3.261.659,25) também permaneceram no passivo por erro contábil, assim exemplificados no voto condutor da decisão de primeira instância (fls. 1268412685): i) pelo recebimento do adiantamento do câmbio: Débito: Ativo Banco Conta Movimento Crédito: Passivo Pagamento Antecipado de Clientes ii) pela exportação do tabaco: Débito: Ativo Clientes Mercado Externo Crédito: Resultado Receita de Exportações Esses dois lançamentos estão corretos. No terceiro ocorreu um erro: iii) pela liquidação da operação de câmbio Débito: Resultado Variações Cambiais Passivas (em vez de Passivo Pagamento Antecipado de Clientes) Crédito: Ativo Clientes Mercado Externo Com base nesta explicação, o colegiado julgador a quo considerou que os recursos utilizados para liquidação das obrigações em questão compuseram o resultado da autuada, ficando descaracterizada a presunção de omissão de receitas, baseada na constatação de passivo fictício. Fl. 12771DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000506/201035 Acórdão n.º 1401001.552 S1C4T1 Fl. 7 11 Paralelamente a isso, contudo, o colegiado julgador a quo constatou, corretamente, que houve dedução indevida de variações cambiais passivas (que será analisada no recurso voluntário). Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 12685: Todavia, por outro lado, constatase que houve dedução indevida de variações cambiais passivas, fato com o qual a autuada concorda, alertando para o fato de que esse valor de variações cambiais passivas foi englobado em outra infração apontada pela fiscalização (redução indevida do lucro real por erro na apuração de variações cambiais segundo o regime de liquidação). Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso de ofício. Recurso voluntário Excluindose as parcelas do lançamento não impugnadas pela contribuinte, bem como as parcelas do lançamento excluídas pelo colegiado julgador de 1ª instância, verificase que somente remanesce litígio em relação às seguintes matérias: 1) Dedução de ICMS que não incidiu sobre receitas de vendas; 2) Glosa de variações cambiais (regime de liquidação x regime de competência); 3) Omissão de receitas de exportação. Procederei à análise individualizada de cada uma dessas parcelas do lançamento. 1) Dedução do ICMS que não incidiu sobre receitas de vendas Em decorrência da constatação de deduções indevidas a título de ICMS, as autoridades autuantes: a) adicionaram ao resultado positivo do primeiro trimestre de 2006 o valor de R$ 2.721.514,06; b) reduziram ao resultado do resultado negativo do segundo trimestre do mesmo ano o valor de R$ 3.066.689,83. Em sua defesa, a contribuinte defendeu que havia permissão legal para a dedução que promoveu, de créditos escriturais de ICMS decorrentes de exportações. Adicionalmente, alegou que não houve prejuízo para o Fisco, uma vez que adicionou , no quarto trimestre de 2006, os valores indevidamente deduzidos nos dois primeiros trimestres daquele ano. Estes argumentos foram refutados com muita precisão, clareza e objetividade pela decisão de piso: Os argumentos da autuada não procedem. O primeiro, porque não existe dispositivo legal admitindo a baixa, por falta de liquidez, de créditos de ICMS decorrentes de exportações. Segundo, porque a adição em período posterior (quarto trimestre de 2006) não sana a indevida redução em R$ 5.788.203,89 dos resultados tributáveis do primeiro e do segundo trimestres de 2006, em especial se tivermos em conta que foi apurado prejuízo nos dois trimestres subseqüentes e que no trimestre da adição a autuada apurou tanto lucro real quanto Fl. 12772DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 base de cálculo da CSLL em valores (R$ 151.443,94, em ambos os casos) muito inferiores ao valor que deixou de ser anteriormente tributado. Com base nestes argumentos,.nego provimento ao recurso voluntário, no que tange à presente parcela do lançamento. 2) Variações cambiais – liquidação x competência Conforme relatado, faltou consistência de critério por parte da autuada, no reconhecimento contábil das variações cambiais ao longo do anocalendário de 2006. A contribuinte reconheceu as variações cambiais pelo regime de liquidação no primeiro trimestre e pelo regime de competência nos demais. Conforme bem apontado pelas autoridades autuantes, a legislação não admite essa diversidade de regimes, determinando que a opção feita seja válida para todo o ano calendário. Importante destacar que a fiscalização intimou a autuada a esclarecer por qual regime efetivamente optou para o anocalendário de 2006. Em resposta, por meio de correspondência assinada por sóciodiretor (fls. 47), a contribuinte informou que “a opção adotada para o oferecimento das Variações Cambiais para os anoscalendário 2005, 2006 e 2007 foi pelo regime de Variações Cambiais segundo as Operações Liquidadas”. Sobre o tema, posicionouse com suficiente clareza o colegiado julgador a quo, fls. 12682: Essa foi, portanto, a opção da autuada, não sendo cabível em sede de impugnação tentar alterála. Em conseqüência, afigura se correto o critério que a fiscalização utilizou para fins de auditoria, na qual apurou que deveriam ser acrescidos ao resultado R$ 13.679.865,10 do segundo semestre e de R$ 2.286.167,08 ao do terceiro. Devese lembrar ainda que a autuada reconheceu expressamente que no segundo semestre contabilizou a maior R$ 3.261.359,25 a título de variações cambiais passivas, restando, no tocante a essa matéria e nesse semestre, controvérsia a respeito tão somente do valor restante, isto é, R$ 10.418.505,85. Com base neste argumento, considero que também em relação ao presente tema o acórdão voluntário não merece ser provido. 3) Omissão de receitas de exportação Conforme relatado, a autuada declarou em DIPJ receitas de exportação de R$ 142.299.577,75 para o anocalendário de 2007, mas nos livros de apuração de ICMS e de IPI essas receitas seriam de R$ 143.509.023,50. A diferença, no valor de R$ 1.209.445,75, foi considerada receita omitida. Em sua peça recursal, a contribuinte insistiu na tese de que a divergência apontada pela fiscalização decorre da aplicação da Portaria MF nº 356/88, por parte da contribuinte. Segundo a recorrente, as notas fiscais efetivamente devem ser emitidas em função do fato gerador do IPI ou do ICMS (saída do estabelecimento). No entanto, por força da aludida Portaria MF nº 356/88, a receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais deve ser determinada pela conversão, em moeda nacional, pela taxa Fl. 12773DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13052.000506/201035 Acórdão n.º 1401001.552 S1C4T1 Fl. 8 13 de câmbio vigente na data de embarque dos produtos para o exterior (data averbada na Guia de Exportação ou documento equivalente). Esta tese, contudo, não foi aceita pela decisão de piso, fls. 12683: Todavia, examinando as notas fiscais de exportação, verificase que os produtos exportados estão classificados na NCM 24.01, que corresponde ao tabaco não manufaturado. Assim, considerando que, de acordo com a classificação NCM, os produtos que a autuada exporta são considerados não manufaturados, não incide a regra prevista na Portaria MF nº 356/88, devendo a receita de exportação ser tomada com base no valor da nota fiscal. Portanto, está correto o lançamento no tocante a essa matéria. Analisando a matéria, considero que a razão situase ao lado da contribuinte, ora recorrente. Sobre o tema, devese levar em conta o disposto no art. 22 da IN SRF nº 243/2002, verbis: IN SRF 243/2002 Art. 22. A receita de vendas de exportação de bens, serviços e direitos será determinada pela conversão em reais à taxa de câmbio de compra, fixada no boletim de abertura do Banco Central do Brasil, em vigor na data: I de embarque, no caso de bens; II da efetiva prestação do serviço ou transferência do direito. Deve ter em conta que a Portaria 356/88, invocada pela decisão de piso, apenas regulamenta os artigos 290 e 293 do RIR/80, que trata de isenção do IRPJ sobre o lucro na exportação de manufaturados. A citada Portaria ratifica (não inova, até porque a portaria não teria esse poder) o entendimento de que a receita de produtos manufaturados deve ser reconhecida no momento do embarque. Essa era a sua única finalidade, expressamente posta. Assim, não faria sentido se referir às exportações em geral. Assim sendo, temos que para fins de utilização da taxa de câmbio do dia do embarque, revelase irrelevante a natureza dos bens exportados (industrializados ou não). Pelas razões expostas, considero que em relação ao presente tema o recurso voluntário merece ser provido. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recursos de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar o item referente à omissão de receitas de exportação. Fl. 12774DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 12775DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11051.720193/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 13/09/2008
Ementa:
LICENÇA DE IMPORTAÇÃO VÁLIDA. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE VINCULAÇÃO À DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MULTA POR FALTA DE LI. IMPOSSIBILIDADE.
O erro de preenchimento em destaque NCM, ocasionando a falta de vinculação à declaração de importação (DI) de uma licença de importação (LI) válida, e nunca utilizada, em nome do importador, e que ampara exatamente a mesma mercadoria (em quantidade e qualidade) e a mesma operação descrita na DI, não enseja a aplicação da multa por falta de LI.
Numero da decisão: 3401-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE VINCULAÇÃO À DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MULTA POR FALTA DE LI. IMPOSSIBILIDADE. O erro de preenchimento em destaque NCM, ocasionando a falta de vinculação à declaração de importação (DI) de uma licença de importação (LI) válida, e nunca utilizada, em nome do importador, e que ampara exatamente a mesma mercadoria (em quantidade e qualidade) e a mesma operação descrita na DI, não enseja a aplicação da multa por falta de LI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Relator. ROSALDO TREVISAN Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 01 93 /2 01 3- 62 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Este processo chega a esta instância de julgamento tendo como objeto o auto de infração referente à multa do controle administrativo (de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias) por falta de Licença de Importação (LI). Além dessa, também a autuação exigiu a multa (de 1% sobre valor aduaneiro) por erro ou insuficiência nas informações prestadas na Declaração de Importação. Essas multas são as previstas respectivamente no art. 169, inciso I, "b" e § 2°, inciso I do DecretoLei n° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 2003 e art. 84 da Medida Provisória n° 215835, de 2001 c/c art. 69 e art. 81, inciso IV da Lei Em consulta aos sistemas informatizados da RFB, verificouse que, na vigência do destaque 030 da NCM 3504.00.20, o contribuinte realizou, em 2008, 22 diferentes importações de proteína de soja na NCM 3504.00.20 e, destas, 21 importações informaram o destaque 030 correto. A autoridade fiscal, em procedimento de revisão aduaneira, constatou que, na declaração de importação (DI) n° 08/13772553, para a mercadoria (proteína de soja) classificada na NCM 3504.00.20, o importador apresentou o destaque 999, ao invés de informar o destaque 030 (esse destaque sinaliza que a mercadoria tem uma destinação específica, qual seja: "somente destinado à indústria alimentícia"). E que a falta da informação do destaque 030 implicou que deixou de haver a vinculação à DI de uma Licença de Importação previamente homologada pela autoridade sanitária. Os respeitáveis julgadores da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza consideraram procedente em parte a impugnação, mantendo a multa de controle administrativo, e cancelando a multa devida por erro ou insuficiência das informações prestadas na DI. O Acórdão n. 0830.345, de 30/06/2014, ficou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/09/2008 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Restando demonstrada a indicação indevida de destaque quando de indicação obrigatória, impedindo a anuência do órgão responsável tornase cabível a multa por falta de LI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2008 MULTA DE UM POR CENTO. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. É incabível a exigência de penalidade quando constatado nos autos que os fatos ocorridos posteriormente às alterações promovidas pelo art. 69 e art. 81, inciso IV da Lei n° 10.833, de 2003 não se se subsumem à referida base legal utilizada pela fiscalização. Impugnação Procedente em Parte Fl. 324DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11051.720193/201362 Acórdão n.º 3401003.105 S3C4T1 Fl. 324 3 Crédito Tributário Mantido em Parte A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não recorreu de ofício contra a sua decisão de exonerar a parte do crédito tributário referente à multa de 1% sobre o valor aduaneiro por ela estava abaixo do limite legal de dispensa. O contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual trouxe suas alegações de defesa: 1. realizou, em 2008, 22 diferentes importações de proteína de soja na NCM 3504.00.20 (todas rigorosamente do mesmo produto) e, destas, 21 importações informaram o destaque 030 correto, apenas essa DI autuada foi informado o destaque 999, ao invés do destaque 030, mas isso se deu por simples erro humano. 2. o contribuinte tinha a licença de importação (LI n. 08/18982303) previamente homologada pela autoridade sanitária exatamente destinada a instruir exclusivamente a DI em questão, portanto, não é verdade que a importação estava desamparada de licença de importação. 3. A multa tem como motivo a importação feita sem licença de importação, mas não é o caso, pois a licença de importação existia e era válida na ocasião da importação; 4. não agiu com dolo ou má fé; e reconheceu o erro. è uma situação em que há boa fé. Cita julgados e jurisprudências judiciais e administrativa. Este processo chegou no CARF e foi submetido à sessão de 24 de fevereiro de 2015, quando teve o julgamento convertido em diligência para que a unidade de jurisdição juntasse os comprovantes de ciência do acórdão recorrido e do protocolo de entrega do recurso voluntário, através da Resolução 3803000.636 3a Turma Especial. Essa diligência foi atendida pela unidade local. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, relator Fl. 325DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos. Não há questionamentos preliminares, podemos, assim, passar diretamente ao mérito. As partes concordam: 1. a declaração de importação da DI n. 08/13772553, registrada em 03/09/2008 e desembaraçada pelo canal verde, trazia a informação de destaque 999, quando deveria ser o destaque 030; e não tinha vinculada a si licença de importação homologada pela autoridade sanitária; 2. a licença de importação n. 08/18982303, registrada em 07/08/2008, foi homologada pela autoridade anuente, e estava destinada às mercadorias tratadas na DI autuada; a validade prevista para essa LI era 12/10/2008, mas ela foi cancelada em 16/01/2009 por prazo de utilização vencido; e essa LI não foi vinculada a qualquer DI. 3. o produto em questão exige licença de importação, com destaque 030 na NCM indicada. 4. a contribuinte efetuou 21 importações do mesmo produto no mesmo ano, s em ter cometido esse erro; essas DI's tinham vinculadas as competentes LI's. apenas essa DI estava sem a LI necessária. Prevê a lei a aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro quando se constata importação que não está acobertada pela licença de importação, quando ela for exigível: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei n.º 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei n.º 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória tf 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei n.º 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei n.º 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e Temos, com o que está diante de nós, a meu ver, que decidir se a importação se deu sem a competente licença de importação. Temos que decidir se a declaração de importação que não tem vinculada a si licença de importação, apesar de validamente Fl. 326DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11051.720193/201362 Acórdão n.º 3401003.105 S3C4T1 Fl. 325 5 homologada, é uma importação desamparada de licença de importação ou documento equivalente. De um lado o contribuinte que alega que não, pois estava a importação amparada por licença de importação que identificava a fatura comercial respectiva, produto, fornecedor, preços, quantidade, datas de operação, etc. Mas que apenas não foi vinculada à declaração de importação. E que, ademais, a situação não se subsume à letra da lei, pois ela não pune a DI que não tenha vinculada a si LI necessária, mas pune a importação desamparada de LI que não é o caso. Do outro lado, temos a autoridade fiscal e os julgadores de 1o piso que afirmam o contrário e justificam que é a situação prevista na Lei para aplicar a discutida multa. Pareceme que a razão está com a autoridade fiscal. Explicome. A importação se dá através do despacho de importação. A declaração de importação é o documento base do despacho de importação (art. 44 do Decretolei n. 37, de 1966). A vinculação da licença de importação à declaração de importação é a forma de trazer essa anuência, expressa na LI, ao despacho de importação; ou seja, a LI vinculada á DI é a forma de amparar a importação com a competente licença de importação. A Licença de Importação, apesar de homologada, que não foi vinculada à correspondente Declaração de Importação não realizou sua efetividade, pois não ingressou no procedimento de importação, consubstanciado pelo despacho de importação. A autorização administrativa contida na licença de importação permanece no plano da possibilidade enquanto não se associar a uma declaração de importação. Portanto, na situação posta, a importação estava desamparada da licença de importação, pois ela não foi vinculada formalmente à declaração de importação. Nem o contribuinte trouxe documento equivalente. Donde se pode concluir ser devida a multa em discussão. Acrescento ainda que não se trata aqui de discutir a boa fé do contribuinte; ou de se tratar de erro humano, ambos caracterizados pelo fato do contribuinte ter efetuado muitas outras importações no mesmo período sem ter cometido esse erro de preenchimento da DI e vinculação da LI. A legislação aduaneira, neste caso, não prevê a possibilidade de exclusão ou contemporização da multa, tendo em vista as circunstâncias e o comportamento do infrator. Por isso, entendo que não cabem as alegações de boa fé, para afastar a penalidade. Além disso, a lei que define a infração e a pena é clara, não há dúvidas de sua significação e da penalidade que deve ser aplicada. A situação não se enquadra na inteligência do artigo 112 do CTN, como pretende o recorrente. Com essas considerações, concluo propondo a este colegiado negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 327DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Registro, no presente voto, discordância em relação ao posicionamento externado pelo relator, no que se refere à aplicação da multa por importação sem licença (de 30% do valor aduaneiro das mercadorias), sendo a divergência motivada exclusivamente pela análise das circunstâncias do caso concreto. A autuação concentrase na declaração de importação (DI) no 08/13772553, registrada em 03/09/2008, referente a proteína de soja (NCM 3504.00.20), e fundamentase no fato de não ter sido inserido, na DI o destaque "030", cabível para a mercadoria (e que demandaria anuência do Ministério da Saúde para mercadorias destinadas somente à indústria alimentícia), mas sim o destaque "999" (que ensejou dispensa de anuência pelo órgão competente, conforme Portarias SECEX no 25/2008, art. 10, § 2o; e no 10/2010, art. 10, § 3o). A autuação narra que nas 22 importações que a empresa fez da mercadoria, em 2008, 21 delas indicaram o destaque correto ("030"), residindo o problema unicamente na DI objeto da autuação, que acabou sendo realizada ao desamparo de licença de importação (LI), em função da indicação incorreta do destaque. A empresa, ao ser intimada pelo fisco, reconheceu o equívoco no preenchimento da DI (ao indicar destaque "999" ao invés de "030"), mas informou que a importação estava ao amparo da LI no 08/18982303, de 07/08/2008, concordando com a multa de 1% do valor aduaneiro por erro na indicação, mas divergindo da aplicação da multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de LI. A fiscalização checou a LI indicada, e percebeu que foi deferida em 13/08/2008, e permaneceu válida até 12/10/2008, quando foi "cancelada por prazo de utilização vencido", por não ter sido vinculada a nenhuma DI. Na data de registro da DI, portanto, a LI estava válida, mas não foi vinculada à DI objeto da autuação (nem a qualquer outra). E isso ensejou a seguinte conclusão, pela fiscalização (fl. 77): Uma vez que deixou de vincular a LI à DI na forma acima, importador deixou de fornecer, no curso do despacho aduaneiro, a informação da existência da suposta correspondente LI. Não tendo sido oferecida para análise no curso do despacho aduaneiro, o importador não pode alegar que realizou a importação ao amparo da LI. E, uma vez que a LI encontrase CANCELADA pelo Siscomex, tornase incabível reconsiderála. E, entendendo bastante verificar isso, diante da responsabilidade objetiva pela infração, a fiscalização sequer se dedica a cotejar os dados da LI com a mercadoria descrita na DI. e ainda informa ter feito representação fiscal para fins penais, por ter ficado constatada a ocorrência de fatos e condutas que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária. O cotejo de dados da LI com a DI poderia (e pode) ser facilmente efetuado, visto que a LI se encontra à fl. 83 do processo, e a DI à fl. XX. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11051.720193/201362 Acórdão n.º 3401003.105 S3C4T1 Fl. 326 7 Vejamos o conteúdo da LI, em nome da recorrente, e que jamais foi utilizada: Percebese que restou autorizada a importação de 48.000 quilos de mercadoria classificada na NCM 3504.00.20, destaque "030", com valor FOB de US$ 127.200, fornecida pelo exportador chinês "SHANDONG GUSHEN Import & Export Co. LTD.". E verifiquese, agora, a mercadoria para a qual se imputa a infração, na DI no 08/13772553: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Da DI brota cristalinamente que se trata da mesma importação de 48.000 quilos de mercadoria classificada na NCM 3504.00.20 (com destaque "999" indevidamente preenchido"), com valor FOB de US$ 127.200, fornecida pelo exportador chinês "SHANDONG GUSHEN Import & Export Co. LTD.". Diante desse cenário, não é preciso muito esforço para perceber o que efetivamente ocorreu. A empresa, em uma de suas importações, preencheu incorretamente o campo "destaque", o que fez com que o SISCOMEX não vinculasse à DI uma licença de importação válida, que a empresa possuía. Tivesse sido preenchido o campo com o destaque "030" ao invés de "999", a LI válida teria sido vinculada à DI. É correto, assim, afirmar que houve erro de preenchimento à empresa, ensejador de multa específica, de 1% do valor da mercadoria (para a qual o fisco informava haver concordância da empresa, mas que a DRJ já afastou, não pelo mérito, mas por ter sido incorretamente capitulada pelo autuante). Mas é incorreto imputar à empresa multa por falta de LI, documento que ela possuía, mas não foi vinculado à DI por um erro de preenchimento do campo "destaque". Portanto, deve ser afastada a autuação em relação a tal multa, a única que permanecia hígida nestes autos. Deve, assim, ser dado provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 330DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado d igitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10480.725910/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Presenciaram o julgamento o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345, advogado da recorrente, e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Presenciaram o julgamento o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345, advogado da recorrente, e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 25 91 0/ 20 14 -1 9 Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 112 2 (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a concessão de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 51.105.893,52, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Das Infrações Referentes ao IOF IOF : Anoscalendário de 2010 e 2011. 6) A Fiscalização constatou que a empresa Fiscalizada deixou de cobrar e recolher o IOF de sua responsabilidade, incidente sobre os empréstimos concedidos a outras pessoas jurídicas, conforme a seguir será demonstrado. (...) 9) Em correspondência encaminhada à Fiscalização, recebida em 02/06/2014, a Fiscalizada apresenta demonstrativos (DOC. 30) bem como, esclarecimentos acerca dos recursos contabilizados nas contas neles indicadas. A Fiscalizada apresenta ainda contratos de gestão que anexamos a este Termo (DOC. 29). 10) A partir da contabilidade da Fiscalizada, obtida em meio digital no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, foram reproduzidos os Balancetes acostados a este Termo (DOC. 02 e 03), a partir dos quais se constata que os créditos concedidos encontramse registrados nas contas do ativo não circulante, conforme indicadas nas tabelas a seguir: Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 113 3 11) Em relação a conta ativa de controle dos empréstimos concedidos, de nº 13633115 C/C PARTES RELACIONADAS UBA X SORV, a Fiscalização constatou que a mesma foi usada apenas para registro dos saldos de abertura e fechamento de cada mês. Constatouse que os lançamentos que modificam os saldos da referida conta estão registrados na conta 15533115 – CONTA CORRENTE UBR GELADOS X UBA (DOC. 08 e 13). Vale dizer, no início de cada mês a Fiscalizada promove a baixa dos saldos da conta 13633115 (lançamentos a crédito) com contrapartida a débito na conta 15533115. No final do mês retorna os saldos apurados na conta 15533115 (lançamento a crédito, com contrapartida a débito na conta 13633115). No histórico dos lançamentos nas referidas contas está registrado: “Recl Sld Mútuo Juros Cta Corrente UBA x SORV”. 12) Como resultado da sistemática de contabilização acima referida, temse que a conta ativa de controle dos empréstimos concedidos pela Fiscalizada (13633115) permanece com os saldos zerados no decorrer dos demais dias do mês. Ocorre que, este procedimento adotado pela Fiscalizada repercute na apuração do IOF, visto que o tributo tem como base de cálculo o somatório dos saldos devedores diários, bem como, o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, apurados no último dia de cada mês. Como explicado acima, a conta 13633115 não possui os registros dos saldos devedores diários, fato que acarreta distorção na apuração do somatório mensal. 13) Diante do exposto, considerando que os registros e saldos diários dos demais dias do mês, referentes às operações que modificaram os saldos devedores informados na conta 13633115, constam lançados na conta 15533115, a Fiscalização considerou ambas as contas na apuração do IOF devido pela Fiscalizada. Contudo, registrase, os lançamentos de transferências entre as contas não integraram as bases de cálculo do referido tributo. (...) 16) Assim, tendo em vista os contratos de empréstimos e aditivos apresentados (DOC. 28), nos quais consta registrado que a Fiscalizada se compromete a emprestar recursos, podendo ser em parcelas, mas sem definição do valor e vencimento de cada parcela, a Fiscalização adotou como base de cálculo do IOF, em relação aos valores contabilizados nas contas 13602111 / 13602112 / 13633106 / 13633115 / 15533115, o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, bem como, o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores. Cientificado do lançamento em 20/06/2014, no dia 22/07/2014 o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 907/929) na qual reconhece ser devedor de parte do valor lançado, informa o respectivo pagamento e contesta o restante do lançamento. Inicia sua contestação alegando que o IOF somente poderia incidir em transações envolvendo instituições financeiras. (...) Sustenta, a seguir, que as operações que foram objeto do lançamento não se refeririam a mútuos nem teriam natureza financeira. Tais Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 114 4 operações corresponderiam a lançamentos em contas de gestão centralizada de caixa. Afirma: (...) “Isto porque tais operações correspondem a lançamentos em contas de gestão centralizada de caixa. E, conforme já esclarecido durante a fiscalização, a gestão centralizada de caixa tinha origem quando a empresa autuada vendia produtos para a Unilever Brasil LTDA. (distribuidora dos produtos da fiscalizada). A empresa distribuidora, por sua vez, mantinha consigo os valores relativos ao pagamento dos produtos adquiridos e administrava o caixa de forma centralizada. Vale destacar que a comprovação da gestão centralizada, além de toda a movimentação nas contas das empresas, se dá pelo contrato de gestão de pagamentos e recebimentos apresentado à fiscalização (doc. 7) que, entre outras disposições, permite à Unilever Brasil LTDA. efetuar pagamentos de débitos pertencentes à Impugnante. (...) Para comprovar o ora alegado, a Impugnante apresenta, por amostragem, os documentos que compõem o lançamento diário das operações entre a Impugnante e a empresa Unilever Brasil LTDA, a saber: notas fiscais de venda de mercadorias da Impugnante para a empresa citada (Unilever Brasil Ltda.), com a correspondência entre os valores dos lançamentos e valores das referidas Notas Fiscais, para as seguintes datas: 01/03/10 (doc. 08) 11/02/10 (doc. 09) 19/05/10 (doc. 10) 11/06/10 (doc. 11) 13/12/10 (doc. 12) (...) A seguir, sustenta a necessidade de que os autos sejam baixados em diligência, e apresenta quesitos. (...) Prossegue alegando a inconstitucionalidade “das multas instituídas pela Lei”, que a seu ver teriam “evidente caráter confiscatório”. Discorre exaustivamente sobre o tema, citando doutrina e jurisprudência que entende respaldarem seu ponto de vista. Em outra linha de argumentação, sustenta que a multa seria indevida por que não teria ocorrido infração à legislação tributária. (...) Reafirmando, sem apresentar novos argumentos, a inexistência de base legal para o lançamento, sustenta a “necessidade de exclusão dos valores lançados a título de multa e juros”. (...) Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 115 5 Depois, sob alegação de que teria agido de boafé, reitera a necessidade de “exclusão da multa punitiva”. A seguir, sustenta a “inocorrência de sonegação ou lesão ao erário”. Sobreveio então o Acórdão 1454.882, da 16ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: IOF. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, independentemente da denominação que a contribuinte dê a tais operações. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de alegações de inconstitucionalidade de diploma legal regularmente inserido no ordenamento jurídico não se encontra na esfera de competência das instância de julgamento administrativo. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 2007/2030, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. VOTO A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 06/01/2015, pela abertura dos arquivos digitais no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e CAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos (fls. 2004) e apresentou em 30/01/2015 o recurso voluntário de fls. 2007/2030, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e os demais requisitos de admissibilidade encontramse preenchidos, portanto dele tomo conhecimento. Já passando à análise da controvérsia, saliento que a Recorrente afirma que não ocorreu o fato gerador do IOF in casu. Isto porque os valores vinculados às Contas que foram objeto de autuação dizem respeito à operações entre ela e outra pessoa jurídica do mesmo grupo econômico. No seu sentir, tal situação não se enquadra na hipótese de incidência traçada pela legislação para o referido imposto, o mútuo, capaz de lhe atribuir a condição de responsável pelo pagamento do IOF (artigo 13 da Lei n. 9.779/99 e artigos 2º, inciso I, alínea “a” e 3º, §3º, inciso III, do Decreto n. 6.306/2007). Nesse sentido, a Recorrente assegura que as operações que levaram aos lançamentos tributários são relativos a conta corrente, cujo objeto é a centralização de caixa das empresas, com gestão unificada das disponibilidades. Assim, ao tributar tais valores pelo IOF, que fora do mercado financeiro só incide sobre os contratos de mútuo, a Fiscalização estaria infringindo o princípio da legalidade, ao ir na contramão do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. Tal diferenciação entre contrato de mútuo e contrato de conta corrente, existente de fato, deve ser precisamente aplicada ao caso concreto, demonstrandose que as transações Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 116 6 entre empresas relacionadas se subsomem a uma ou outra hipótese. No presente caso, a análise da natureza jurídica das transações deve ser aferida de acordo com os documentos e informações prestadas pelo contribuinte. Sobre tais situações, com a precisão com que sempre proferiu seus votos, o Conselheiro Natanael Martins, coloca que: Ementa IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA ART. 21 DO DL. 2.065/83 CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS CARACTERIZAÇÃO COMO MÚTUO IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO O mútuo, a teor do disposto no artigo 1256 do Código Civil, pressupõe o empréstimo de coisas fungíveis, não se caracterizando como tal a figura do contrato de conta corrente. (...) Voto Assim, não teria o contrato de conta corrente o condão de modificar a causa jurídica das remessas individualmente consideradas, ocorrendo, apenas, espécie de paralisação de sua exigibilidade, ao menos até o encerramento da conta. O Conselho de Contribuintes, em reiterados acórdãos, tem exarado o entendimento de que o contacorrente e o mútuo são institutos jurídicos distintos, de modo que, casuisticamente, deve ser avaliada a origem das remessas que integram a contacorrente para que se possa discernir sua real natureza. Ocorre que, como já se disse, o contrato de conta corrente é, na verdade, contrato normativo, destinado a regular, apenas e tão somente, o tratamento a ser dados a cada uma das remessas, não interferindo em suas respectivas causas. Nesse contexto, um contrato de conta corrente poderia, entre suas remessas, conter adiantamentos ou reembolsos de despesas, dívidas ou adiantamentos comerciais, remessas para gestão unificada de caixa e, até mesmo, mútuos, sem que, pelo fato de serem escrituradas em conta corrente se desvinculassem de suas origens. In casu, resta comprovado que o contrato de conta corrente compreende remessas decorrentes de duplicatas recebidas pela interligada em nome da Recorrente, como também despesas a pagar pela Recorrente à interligada, liquidandose o saldo apurado ao final de cada mês. Ou seja, os valores lançados na conta corrente em análise não caracterizam contra to de mútuo, de modo que não se deve pretender seja aplicado à hipótese o DecretoLei n° 2.065/83." Corroborando esse entendimento, confirase a ementa do Acórdão n° 10180.803, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 117 7 "IRPJ — Negócios de mútuo. A contacorrente relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar negócio de mútuo. Há que se investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento, separando aquelas que realmente espelhem mútuo." (Recurso n° 132.337, Sétima Câmara, Acórdão n° 10706.903, Rei. Natanael Martins) Disto, percebese que a questão central é averiguar se a conta corrente foi utilizada para a concretização de operação de crédito correspondente a mútuo entre as empresas. In casu, explica a Recorrente que operações comerciais, de compra e venda de mercadorias, eram registradas nas Contas Contábeis auditadas pela Fiscalização. São operações que correspondem à gestão centralizada de caixa, de situações nas quais a Recorrente vendia produtos para a Unilever Brasil Ltda, que atua como distribuidora de seus produtos (sorvetes). Esta última então, mantinha os valores relativos ao pagamento dos produtos adquiridos e administrava o caixa de forma centralizada. Para corroborar tais informações, apresenta o Contrato de gestão de pagamentos e recebimentos, que não dispõe sobre empréstimos de moeda corrente, mas sim sobre as citadas operações entre as empresas. No intuito de comprovar que o referido contrato era efetivamente respeitado, ou seja, não se tratava de uma máscara de eventual empréstimo realizado entre as partes, a Recorrente anexou à sua impugnação amostragem (fls 997 a 1001) de documentos que compõe o lançamento diário das citadas operações com as notas fiscais de venda das mercadorias (da Recorrente à Unilever Brasil Ltda, sua distribuidora), com a correspondência entre os valores dos lançamentos e respectivas notas fiscais (fls 1002 a 1972). Assim, todo o trabalho de defesa da Recorrente resumese à demonstração de que as contas autuadas são o caixa de gestão centralizada do grupo, utilizado para a extinção das obrigações das empresas relacionadas. Diante desse contexto, entendo que tem razão a Recorrente quando reclama seu direito de produzir prova pericial. Pareceme que efetivamente as citadas operações comerciais praticadas entre as empresas, as quais não se confundem com operações de crédito correspondente ao mútuo, eram contabilizadas nas Contas utilizadas como base de cálculo para a exigência do IOF. O Contrato de gestão de pagamentos e recebimentos, o fato de a Unilever Brasil operar como distribuidora da Recorrente e demais provas apresentadas pela Contribuinte sinalizam nesse sentido. Contudo, a própria Recorrente assume no caso há uma enormidade de lançamento contábeis nas Contas Contábeis em questão, sendo que as provas apresentadas foram feitas por amostragem. Por isso insiste na necessidade de baixar os autos em diligência, para comprovar seu direito com relação à totalidade dos lançamentos. É de fato importante tal demonstração, há medida que, embora as notas fiscais e relatórios apresentados pela Recorrente levem à conclusão de que realmente os lançamentos no Razão dizem respeito a operações comerciais entre ambas as empresas, é possíveis encontrar Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 118 8 lançamentos com descrição como as seguintes: 13633106 – C/C Partes Relacionadas SORV X UBR, as seguintes expressões: “Juros Conta Corrente SORV X UBR”, “Baixa de dividendos 2008 – via mutuo”, “Taxa para Retificação Ref Pagto Mutuo”, “Reclass Mutuo”. Dessa forma reputo necessária perícia para a individualização de eventuais operações efetivamente sujeitas à incidência IOF (mútuo de recursos financeiros), segregando as dos montantes que configuram simplesmente operações comerciais entre as empresas do grupo. CONCLUSÃO Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de produção de perícia in casu, como requer o artigo 18 caput do PAF, bem como o artigo 464, §1º, inciso II e III do Novo Código de Processo Civil, para a conclusão do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem¸ nos termos do artigo 18, §1º do Decreto 70.235/72: i) designar servidor preferencialmente diverso daquele responsável pelo lançamento tributário para, como perito da União, proceder a prova pericial e apresentar o respectivo laudo, relativo aos anos de 2010 e 2011, sobre os lançamentos nas Contas do Razão 13633106 e 13602112, respondendo os quesitos formulados pela Recorrente em sua impugnação relativamente à autuação da conta corrente entre empresas do grupo, quais sejam: Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402000.787 S3C4T2 Fl. 119 9 ii) dar ciência do laudo técnico à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iii) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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Numero do processo: 15586.720623/2014-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2013
COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO.
Comprovada a omissão de receitas que integram a base de cálculo da COFINS deverão ser as mesmas exigidas mediante a formalização de lançamento de ofício.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício.
SONEGAÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. LEGITIMIDADE.
A sonegação de receitas tributáveis legitima a constituição de crédito tributário pelo lançamento de ofício com exigência da multa qualificada de 150% capitulada no artigo 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODER OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2013 COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. Comprovada a omissão de receitas que integram a base de cálculo da COFINS deverão ser as mesmas exigidas mediante a formalização de lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício. SONEGAÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. LEGITIMIDADE. A sonegação de receitas tributáveis legitima a constituição de crédito tributário pelo lançamento de ofício com exigência da multa qualificada de 150% capitulada no artigo 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODER OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Recurso voluntário negado.
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OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. Comprovada a omissão de receitas que integram a base de cálculo da COFINS deverão ser as mesmas exigidas mediante a formalização de lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício. SONEGAÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. LEGITIMIDADE. A sonegação de receitas tributáveis legitima a constituição de crédito tributário pelo lançamento de ofício com exigência da multa qualificada de 150% capitulada no artigo 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODER OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 23 /2 01 4- 40 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 743 2 representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Fortaleza (efls. 613/642), proferida em 31/03/2015, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação formalizada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O processo trata de impugnação de auto de infração de IRPJ, com reflexos nas contribuições CSLL, Cofins e Pis, lavrado sobre a empresa YMPACTUS COMERCIAL S/A, CNPJ 11.669.325/000188, referente ao anocalendário de 2013. De acordo com o cadastro CNPJ, em consulta realizada na presente data, a empresa YMPACTUS COMERCIAL, nome fantasia TELEXFREE INC, exerce, como atividade econômica principal, a CNAE 6319400: Portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet. Seu quadro societário é composto por CARLOS ROBERTO COSTA (CPF 997.944.20778), CARLOS NATANIEL WANZELER (CPF 003.287.88775) e JAMES MATTHEW MERRILL (CPF 703.167.79121). Tratase de empresa que entregou DIPJ nos AC 2012 e 2013 com os seguintes dados de Receita Bruta: Fl. 743DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 744 3 AC (ano calendário) Forma de Tributação Receita Bruta Informada 3º trimestre de 2012 4.600.000,00 4º trimestre de 2012 Lucro Presumido 18.500.000,00 2013 Lucro Real 30.850.000,00 A receita declarada pela empresa decorre da atividade de serviços de intermediação, seriam receitas decorrentes das comissões pagas à autuada (Ympactus) por sua contratante (a empresa Telexfree). As declarações DCTF/2013 apresentam os seguintes valores confessados para o IRPJ, consideradas as declarações apresentadas antes do início da ação fiscal, que ocorreu em 08/04/2014: Trimestre Valor do débito de IRPJ confessado (R$ 1,00) 1º trim/2013 1.398.000,00 2º trim/2013 1.060.000,00 Para melhor contextualizar a atividade exercida pela empresa, utilizarseá o Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 2/28, referente à ação fiscal realizada para o ano calendário de 2012, portanto um ano anterior à ação fiscal de que trata o presente processo. Seguese um resumo da ação fiscal realizada referente ao AC 2012. A ação fiscal foi iniciada em decorrência dos indícios de irregularidades na opção do contribuinte pelo Simples, regime de tributação privilegiado, por suspeita de execução de atividades não permitidas naquele regime. Como resultado inicial houve a exclusão do contribuinte do SIMPLES Nacional pelo ADE n ° 06/2014, tendo se tornado necessária a apuração dos tributos sob a sistemática do lucro presumido. Quando ocorreu a fiscalização a empresa era investigada com relação à eventual atuação como gestora de uma pirâmide financeira. Em decorrência desta situação as atividades da empresa foram suspensas, bem como foram bloqueadas as quantias depositadas em instituições financeiras por ação cautelar da Justiça Estadual no Acre. A intermediação de negócios realizada pela Ympactus Comercial contempla a formação de uma "rede de divulgadores" que fariam a publicidade e venda de pacotes VOIP. Segundo informações da empresa é utilizada a organização do marketing multinível, que se trata de um modelo em cadeias verticais onde os níveis superiores recebem remuneração pelos ganhos dos níveis inferiores. A Ympactus Comercial informa fazer a intermediação de negócios exclusivamente da Telexfree Inc, e que utiliza comercialmente a marca Telexfree, por meio do sítio na internet cujo domínio é www.telexfree.com. O nome de fantasia da empresa registrado no Brasil é Telexfree Inc. A contribuinte não apresentou receitas significativas nos anos de 2010 e 2011. A empresa, na data de 31/08/2012, efetuou sua exclusão do SIMPLES NACIONAL e fez a opção pelo lucro presumido. A empresa tem vínculos com duas outras empresas: Telexfree INC e Telexfree LLC que atuam com nomes similares e são empresas americanas com base em Massachussets e Nevada respectivamente. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 745 4 A Telexfree Inc tem como diretores os Srs James Merrill e Carlos Wanzeler (Presidente). A empresa Telexfree LLC tem como integrantes os senhores Carlos Wanzeler, James Merrill e Carlos Costa. Em 14/02/2014 o contribuinte foi excluído do SIMPLES através do ADE n ° 06/2014 devido à atividade vedada (intermediação de negócios) e receitas acima do limite para o regime. A empresa realizou, em 2012, segundo informações prestadas pelo contribuinte, apenas as atividades de intermediação (CNAE 7490104). A fiscalizada informou que intermedeia a venda de portas VOIP ("voice over internet protocol" ou voz sobre protocolo de internet) "fornecidas pela Telexfree Inc, empresa sediada nos Estados Unidos. Para tanto usaria um sistema de vendas/divulgação batizado de marketing multinível, no qual colaboradores se agregariam à empresa através de contratos de adesão, através dos quais são obrigados a pagar uma taxa de adesão e a comprar pacotes com portas VOIP, e em contrapartida seriam remunerados pelos serviços de divulgação prestados, bem como pela agregação de novos colaboradores num nível abaixo na sua cadeia, e assim, receberiam uma remuneração originária destes até o 5° nível”. O contrato de adesão de serviços de publicidade que regularia a relação entre os agregados e a Ympactus (com nome Telexfree) assim define as atividades desenvolvidas pela Ympactus: "2.1 DAS ATIVIDADESFIM DA CONTRATADA A TELEXFREE, nome de fantasia da CONTRATADA, desenvolve atividades de divulgação, intermediação e agenciamento de negócios, desenvolvendo uma rede de divulgadores, oferecendolhes treinamento, material de apoio, controle, acompanhamento e suporte e, ainda, remunerandoos sob a estrutura lógica do marketing multinível binário." Em depoimento prestado, o Sr. Carlos Costa, presidente da Telexfree, detalhou o modelo de negócio que, no Brasil, seria exercido através da Ympactus. Existiriam duas figuras distintas: partner (parceiro) e divulgador. As explicações prestadas em depoimento encontramse abaixo transcritas: "Partner (parceiro) A forma de adesão se dá pelo pagamento de US$ 50 tornandose parceiro da Telexfree (pela intermediação da Ympactuss) tendo um subdomínio e passa a ter o direito da venda de VOIP da própria Telexfree, recebendo bonificação de 10% para cada plano vendido a terceiros e o ganho é continuado a cada mensalidade relativa ao plano vendido. A mensalidade é um crédito para uso da linha VOIP no mesmo valor da compra US$ 49,90 vendidos a terceiros (clientes). O funcionamento do VOIP 99Telexfree é semelhante ao funcionamento do Skype. Divulgador Para ser divulgador a pessoa obrigatoriamente deve ter sido um parceiro (partner). Deve adquirir contas VOIP no atacado para revenda (Adcentral US$ 289 = 10 contas, e Adfamily US$ 1375 = 50 contas). O preço de venda de cada linha é de US$ 49,90 e deste 90% é repassado ao divulgador, enquanto que 10% fica com a empresa. O valor de US$ 49,90 prépago, dá o direito de uso por 30 dias corridos. Sobre a mensalidade o divulgador continua a receber 10% do valor de US$ 49,90. O divulgador, por sua vez, pode atrair novos divulgadores e desta forma obter uma outra remuneração: se o novo divulgador adquirir VOIPS para Fl. 745DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 746 5 revenda no atacado o divulgador que o trouxe para rede recebe US$ 20 (Adcentral) ou US$ 100 (Adfamily)." O contrato de adesão dos divulgadores apresenta ainda outras formas de remuneração, e vincula sempre o divulgador à obrigação de postar anúncios diários em sítios prédefinidos na internet. O Termo de Verificação fiscal referente ao AC 2012 segue com outras considerações sobre a receita percebida pela Ympactus nessas operações e também apresentando vária provas de que, na verdade, as empresas aqui envolvidas (as Telexfree e a Ympactus) não seriam empresas separadas, ou seja, à Ympactus pertenceria a receita resultante das operações aqui descritas. No decorrer do voto, estes fatos, quando necessário, serão melhor detalhados. Em resumo, a ação fiscal apresenta comprovações de que os valores recebidos como adesão dos divulgadores é receita da Ympactus (empresa contratada), e não da Telexfree (empresa contratante). E busca ainda caracterizar que na verdade “inexiste a separação pretendida pelo contribuinte entre Ympactus e Telexfree no Brasil”. Como prova de que os valores recebidos como adesão dos divulgadores é receita da Ympactus o auditor transcreve, à fl. 11, parte do contrato celebrado entre as duas empresas (Ympactus e Telexfree) concluindo que “Não há nada neste item IV do contrato que se refira à repasse a Telexfree dos valores recebidos como adesão dos divulgadores, portanto tratase de receita da Ympactus”. A ação fiscal do AC 2012 é concluída da seguinte forma, (fl.21): 4. INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS Desta forma, todas as evidências fáticas obtidas no curso da fiscalização mostram que inexiste a separação pretendida pelo contribuinte entre Ympactus e Telexfree no Brasil. Não se pode confirmar o negócio de vendas de VOIP como o sustentáculo da atividade econômica aqui realizada. Pelo contrário, os indícios apontam que vendas VOIP é apenas o pretexto para a formação da rentável rede de divulgadores pela Ympactus, embora a Ympactus afirme que o negócio é venda VOIP o que se conclui da fiscalização é que o negócio é a rede de divulgadores, os recebimentos destes e sua remuneração. Tais entidades se confundem, atuando a Ympactus, sob o nome fantasia Telexfree INC como se Telexfree INC fosse. Na verdade o que se vê é que Ympactus e Telexfree têm mesma origem e uma "existe" em função da outra. Estas possuem mesmos sócios, seus recursos no Brasil encontramse nas mesmas contas bancárias. Há utilização de recursos contábeis de uma pela outra. Inexistem, faticamente, os instrumentos caracterizadores da relação comercial: pagamentos, remessas, notas fiscais, etc. No exterior a Ympactus inexiste, sendo a rede de divulgadores gerida pela Telexfree Inc, mostrandose desnecessária à atividade a existência de eventual intermediário. A alegação da existência de ambas empresas pelo contribuinte somente lhe seria conveniente para evitar a tributação sobre as receitas resultantes das atividades aqui realizadas. (grifei) (...) A ação fiscal resultou em um auto de infração, cujo crédito tributário total alcançou R$ 89.776.156,45 referente ao IRPJ e seus reflexos na CSLL, PIS e COFINS. Passase ao relato da Ação Fiscal referente ao AC 2013, objeto deste processo. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 747 6 O Termo de Verificação Fiscal, fls. 469 /485, trata de procedimento fiscal referente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, AC 2013, iniciado em 08/04/2014, conforme determinado no Mandado de Procedimento Fiscal n ° 0720100.2014004305. Inicialmente o auditor informa que a empresa foi fiscalizada para o AC 2012, sob o MPF 2013.008196, resultando em lançamentos de IRPJ e reflexos, bem como contribuições previdenciárias. Tal lançamento não foi impugnado pelo contribuinte e os valores lançados foram parcialmente quitados por compensação com créditos decorrentes de pagamentos de IRRF realizados em 2013. Assim, houve a necessidade de realização de fiscalização para o AC 2013 para confirmar a existência dos créditos. O auditor informa que “neste procedimento fiscal houve o lançamento de IRRF para o ano de 2013, análise das compensações e lançamento de multa qualificada por compensação indevida, anteriormente realizados”. No relatório sob análise neste processo, encontramse registradas as informações relacionadas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A princípio a autoridade fiscal informa que a empresa está com bens e direitos bloqueados, bem como com as atividades suspensas, por decisão judicial sob a acusação de patrocinar uma pirâmide financeira. O contribuinte transmitiu DIPJ 2014, AC 2013, em 30/06/2014 no regime do lucro real com apuração anual. Nesta, à ficha 06 A Demonstração do Resultado, apurou prejuízo de R$ 64.281.773,14. Tendo sido as principais contas abaixo listadas: Receita da prestação de serviços 30.850.000,00 Receitas financeiras ................................. 8.975.981,13 Despesas financeiras .............................. 4.978.909,25 Despesas operacionais ......................... 96.275.219,72 Informa o auditor que o demonstrativo de apuração das contribuições para o PIS e COFINS (DACON) foi apresentado no regime cumulativo e não foi retificado pelo contribuinte. O termo segue com os seguintes esclarecimentos: As DCTFs apresentadas até o início do procedimento fiscal foram juntadas ao processo. Nestas encontramse débitos declarados no regime do lucro presumido e contribuições apuradas no regime cumulativo. As DCTFs apresentadas após ciência do início da fiscalização foram desconsideradas, dada a perda de espontaneidade do contribuinte. (grifei) Existem pagamentos para IRPJ e CSLL no regime de apuração do lucro presumido e PIS e COFINS do regime cumulativo. Estes foram alocados aos débitos das DCTFs originais. Os tributos aqui fiscalizados para o ano de 2013 são no lucro real e contribuições no regime não cumulativo, porém, foram considerados para abater no valor do débito lançado. Durante o procedimento fiscal, foram realizadas 13 intimações ao contribuinte com a solicitação de informações e documentos (algumas destas intimações visavam a atender as fiscalizações dos demais tributos já realizadas). O auditor segue elencando uma série de irregularidades encontradas pela fiscalização referente ao AC 2012, cujo Termo de Verificação Fiscal foi anexado ao presente processo (fls. 2/28), dentre elas que o contribuinte apresentou movimentação de recursos, entradas e saídas em suas contas Fl. 747DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 748 7 bancárias, muito mais expressivas que suas receitas e despesas declaradas e que havia uma completa indistinção de entidades (Ympactus/Telexfree) nos registros contábeis e nas transações informadas. O relatório segue nos seguintes termos: No trabalho realizado para 2012, constatouse uma série de irregularidades e fragilidades nas argumentações do contribuinte que mostraram que havia uma completa indistinção de entidades nos registros contábeis e nas transações informadas. As análises criteriosas realizadas pela fiscalização mostraram que inexistia a comprovação desta separação de valores e que todas as receitas que trafegavam nas contas bancárias da Ympactus Comercial no Brasil eram de propriedade desta. Abaixo, se encontram registrados os principais tópicos do relatório elaborado para 2012 (sugerese a leitura do documento original, cuja cópia encontrase juntada ao processo): Contrato: Receitas da Ympactus x Receitas da Telexfree A cláusula 5.2 do contrato entre Ympactus e Telexfree previa que apenas os valores referentes à venda VOIP deveriam ser repassados à Telexfree e define também que sobre os valores decorrentes da adesão dos divulgadores nada servirá de base para a remuneração da contratante (§ 2 ° da cláusula VI). O contribuinte entretanto alegava que toda a receita seria da Telexfree; Utilização pela Ympactus de valores que diziam ser da Telexfree Os investimentos imobiliários realizados pela Ympactus tiveram por base recursos que seriam da Telexfree. A utilização destes recursos contrariou as argumentações apresentadas pelo contribuinte que informavam que os valores eram da Telexfree. Para sanar a questão o contribuinte apresentou um contrato de mútuo entre a Telexfree e Ympactus completamente sem valor; A necessidade de recursos para fazer os pagamentos aos divulgadores. O pagamento aos divulgadores, remuneração pelo trabalho sem vínculo empregatício e demais encargos foi feito pela Ympactus, conforme comprovado pela DIRF e contabilidade apresentada e, portanto, esta deveria ter recursos para cobrir estas despesas; Não houve transferência de recursos da Ympactus para Telexfree O contrato apresentado previa a remessa mensal de recursos para a telexfree, no entanto, não houve qualquer remessa de valores à Telexfree, permanecendo todos os recursos em contas bancárias da Ympactus; Ausência de notas fiscais de serviço. Inexistiam notas fiscais de prestação de serviços da Ympactus para a Telexfree.; Forma de cálculo da comissão da Ympactus. O contribuinte negouse a apresentar a forma de cálculo da remuneração à Ympactus (comissão) pela Telexfree, sob a alegação que era de interesse interno da companhia; Falta de separação na gestão dos recursos. Inexistia qualquer separação entre os recursos das entidades nas contas "bancos". Tendo sido verificado nos registros contábeis e nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte que a empresa atuava da mesma forma em 2013, exercendo a mesma atividade identificada em 2012, fezse desnecessário realizar novamente todas as análises e diligências já realizadas no sentido de comprovar que as receitas recebidas e administradas pela Ympactus seriam de sua titularidade. No entanto, o contribuinte foi intimado, através do termo de intimação fiscal n ° 5, item 11, em 07/08/2014 a apresentar novos argumentos / fatos novos em sua defesa, tendo em vista que não impugnara o lançamento anterior. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 749 8 Em resposta ao item 11 do TIF n ° 5, o contribuinte não acrescentou fatos novos, limitandose a fazer considerações sobre Direito, ao afirmar que não haveria competência administrativa para a descaracterização da personalidade jurídica pela Receita Federal e que o fato de não ter apresentado recurso contra a multa não implica aceitação de razões outras. Teríamos, portanto, a mesma situação fática caracterizada pela fiscalização para o ano de 2012. Sobre este ponto é necessário esclarecer que o procedimento fiscal mostrou que inexiste qualquer comprovação do ponto de vista tributário que exista uma transação comercial entre Ympactus Comercial e Telexfree em território nacional. Nesta linha, não cabem prosperar argumentos que coloquem a Telexfree como sujeito passivo (contribuinte) em relação às obrigações tributárias decorrentes das receitas auferidas e administradas pela Ympactus, em face da total ausência de comprovação destes argumentos. As informações colhidas pela fiscalização não permitiram identificar duas entidades com responsabilidades tributárias distintas nesta relação. O auditor segue apresentando novas evidências colhidas nas diligências realizadas no curso da presente ação. a) Ativo Intangível – marca Telexfree. A primeira verificação diz respeito à inclusão da marca Telexfree como marcas e patentes no ativo intangível da empresa Ympactus, no valor de R$ 659.629.591,00. Tal informação foi verificada na DIPJ/Ex 2014 e na ECD (escrituração contábil digital) conta 1.2.04.03.001.0001, em 31/07/2013. O auditor afirma que inexiste na contabilidade da fiscalizada em 2012 e 2013 qualquer lançamento contábil referente à aquisição da marca TELEXFREE, a qual desta forma concluiu que a marca não foi adquirida. O contribuinte foi intimado a apresentar laudo de reavaliação, informado na contabilidade, referente ao registro da marca Telexfree. O Laudo de Avaliação Econômica apresentado pela empresa, anexado ao processo às fls. 265/355, foi analisado pelo auditor que conclui da seguinte forma (fl.476): O laudo mostra a evidente manipulação de informações pela fiscalizada: Para a fiscalização tributária a alegação é que TELEXFREE e Ympactus são empresas distintas e que as receitas oriundas dos divulgadores pertencem à TELEXFREE; Para a avaliação da marca e "explosão" do ativo as receitas são da Ympactus e não da TELEXFREE. O laudo pode ser assim resumido: objetiva avaliar o valor de mercado do ativo intangível marca TELEXFREE da Ympactus S/A, empresa do ramo de telecomunicações que opera a prestação de serviço de telefonia VOIP, e para tanto utilizase de informações prestadas por executivos e funcionários da Ympactus, dentre elas o demonstrativo de resultado de 2013, que mostra lucro da Ympactus de R$ 1.259.118.336. Comprovase que as atividades que o contribuinte diz serem da Telexfree no Brasil são realmente da Ympactus. b) Encargos sociais (inclusive FGTS) O auditor constata que na contabilidade digital transmitida via ECD, na conta 5.1.02.01.002.0007 INSS EMPRESA, consta o valor de R$ 78.634.414,85, encontramse os lançamentos das contribuições ao INSS Patronal, ou seja, sobre os pagamentos aos trabalhadores sem vínculo empregatício. Os mesmos valores também foram informados em DIRF. Conclusão do auditor: Fl. 749DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 750 9 Notase, no entanto, que na apuração contábil do resultado do exercício o contribuinte considera as despesas relativas à previdência social (encargos sociais) como próprias (da Ympactus), sem considerar da mesma forma as respectivas receitas. Ora, se as receitas recebidas dos divulgadores não são da Ympactus e se tampouco o são as despesas, como registrar como despesa própria o pagamento da previdência oficial sobre estes rendimentos pagos aos divulgadores? Por outro lado: como poderia ser despesa da Ympactus o pagamento da previdência social sobre a remuneração dos divulgadores se a receita total declarada é de apenas R$ 30.850.000,00 referente à prestação de serviços, ou seja insuficiente para pagamento da previdência oficial. Novamente verificase a manipulação contábil pelo contribuinte, separando, ou não, segundo sua conveniência as receitas e despesas entre Ympactus eTelexfree. c) Empréstimos aos sócios sem lastro nas receitas O contribuinte foi intimado a esclarecer de onde obteve recursos para conceder empréstimos aos sócios (os contratos de mútuo constam às fls. 72/80). Como resposta, a Ympactus informou que “os valores emprestados aos sócios originamse de adiantamentos de clientes referente a serviços futuros” (fl.379) e ainda, posteriormente que “os valores tem origem na antecipação do cliente Telexfree Inc”. Conclui o auditor: Ocorre que os lançamentos tem como contrapartida a conta "Banco do Brasil", e inexiste qualquer lançamento na contabilidade de 2013 que trate de adiantamento de cliente. Na verdade inexiste qualquer fluxo financeiro da Telexfree Inc para a Ympactus, ou seja, não há nenhuma evidência de que o Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 Ympactus, a luz da contabilidade e dentro da argumentação apresentada tivesse como realizar os empréstimos aos sócios. Concluise, assim como anteriormente verificado em 2012, que os recursos das contas correntes pertencem à Ympactus, que os utiliza da forma que quiser, inclusive transferindoos aos sócios. Também é necessário registrar que o contrato social da empresa determina que operações desta natureza precisariam ser assinadas por todos os sócios. O que não é fato nos documentos apresentados. d) Notas fiscais de prestação de serviços Neste item o auditor apresenta o seguinte comentário: No ano de 2012 verificouse a inexistência de notas fiscais referentes aos serviços que teriam sido prestados pela Ympactus à Telexfree, conforme alegações do contribuinte, serviços estes, definidos no contrato entre partes decorrente da formação da cadeia de divulgadores. Em 2013 o contribuinte apresenta algumas notas fiscais, porém, conforme posteriormente descrito neste relatório referemse a serviços com ênfase em dados de internet, portanto, sem qualquer vinculação com o contrato de prestação de serviços e uso da marca. Neste mesmo sentido é importante ressaltar que neste contrato a remuneração da Ympactus ocorreria mediante o recebimento de uma comissão pela prestação do serviço de formação da rede de divulgadores. Não há nenhuma nota fiscal nesta atividade. O contribuinte fora intimado a esclarecer os cálculos de apuração desta comissão, tendo à época respondido tratarse de critérios internos entre as partes, impedindo, portanto, a auditoria pelo fisco. Notase, que para 2013 os valores das notas fiscais de serviço não guardam proporcionalidade com as receitas dos divulgadores, o que permite concluir que as bases destes serviços não se vinculam às receitas decorrentes dos divulgadores. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 751 10 O Termo de Verificação Fiscal segue com o levantamento das receitas e despesas não levadas ao resultado, levando em consideração os dados da escrituração digital do contribuinte transmitida via SPED em 07/08/2014. Verificouse que o contribuinte não leva para o resultado as receitas decorrentes da atividade de formação da rede de divulgadores (contabilizadas na conta TELEXFREE INC 2.1.02.02.001.0002). Conforme tabela, à fl.479, de janeiro a junho/2013, perfazem um total de R$ 2.338.904.506,88. Conforme informação do relatório, o contribuinte levou ao resultado apenas o serviço discriminado como “Prestação de serviços com ênfase em dados de internet”, totalizando, dos meses de janeiro a junho/2013, um valor total de R$ 30.850.000,00. Ainda conforme o relatório fiscal, foi detectada “uma distorção entre a contabilidade e as notas fiscais, visto que, pelo regime de competência, obrigatório na apuração pelo lucro real, as receitas foram auferidas nos meses de janeiro a maio, enquanto que o contribuinte contabilizou de fevereiro a junho. Esta distorção apresenta conseqüências na apuração das contribuições ao PIS e COFINS.” “As despesas, por sua vez, foram parcialmente levadas ao resultado. Não foram consideradas pelo contribuinte as despesas com divulgadores, as quais foram nesta apuração consideradas, abatendose no resultado do período.” O Termo de Verificação Fiscal passa então a enumerar as infrações tributárias encontradas no decorrer da ação fiscal, nos seguintes termos: 3 – INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS Verificase que o contribuinte não leva ao resultado e não oferece à tributação receitas decorrentes de sua atividade, caracterizando omissão de receitas. O faz de forma reiterada e intencional, visto que a mesma infração foi encontrada na fiscalização realizada para o ano de 2012. Esta omissão de receitas provoca conseqüências tributárias para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 3.1 IRPJ e CSLL sobre lucro real apurado Os dados contábeis utilizados são aqueles da tabela no anexo I, obtidos da Escrituração Digital apresentada pelo contribuinte. O valor da base tributável para o IRPJ e CSLL e contempla a inclusão das receitas e despesas decorrentes dos divulgadores, conforme demanda a apuração pelo lucro real. 3.1.1 Multa sobre estimativas não recolhidas para o IRPJ e CSLL Ainda quanto ao IRPJ e CSLL verificouse que o contribuinte não efetuou a apuração da estimativa mensal e tampouco fez os devidos recolhimentos (os pagamentos efetuados para IRPJ e CSLL apurados mensalmente na metodologia do lucro presumido foram considerados). A lei n ° 9430/96 no art. 44, inc. II, prevê a multa de 50% exigida sobre o valor do pagamento mensal. Desta forma, foi elaborado o demonstrativo do Anexo II, que apura o valor da multa sobre a estimativa não recolhida para o IRPJ e CSLL. 3.2 PIS e COFINS não cumulativos sobre receitas levadas ao resultado. O contribuinte não apresentou DACON (demonstrativo de apuração das contribuições) com a apuração das contribuições no regime da não cumulativa. Desta forma o PIS e a COFINS foram apurados no regime da não cumulatividade, através da apuração da base de cálculo mensal das Fl. 751DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 752 11 contribuições, descontados os créditos decorrentes das despesas sobre as quais é permitida a apuração de créditos. Esta apuração foi realizada com base na escrituração do contribuinte. A tabela do anexo III apresenta a base tributável para o PIS e COFINS. Importante ressaltar que as receitas de prestação de serviço registradas na contabilidade, conforme tabela acima, com dados das notas fiscais, são decorrentes de atividade diversa da receita omitida, sendo mantidas na apuração dos tributos. A multa lançada foi a qualificada de 150% conforme previsto a Lei n ° 9430/96, art. 44, inc I e § 1º, por entender o auditor que o contribuinte incidiu nas ocorrências de que tratam os art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, ou seja, sonegação, fraude e conluio, assim concluindo: Para o ano de 2012 a fiscalização não identificou, com a clareza necessária, o dolo do contribuinte. No entanto, a conduta reiterada do contribuinte ao omitir as receitas decorrentes dos divulgadores com objetivo de reduzir tributos, mesmo após ter sido confrontado com as conclusões da Receita federal do Brasil, que serviram de base para o lançamento no ano de 2012, bem como pelos fatos novos que mostraram que o contribuinte manipula as informações conforme sua conveniência, permitiram caracterizar a conduta dolosa do contribuinte. No caso em análise, resta claro que os procedimentos adotados pelo contribuinte tiveram por objetivo reduzir ou não pagar tributos de forma fraudulenta. Em virtude das irregularidades e da conduta acima, sobre os valores lançados aplicouse a multa de 150% prevista no art. 44, inc. I, § 1 ° da Lei 9430/96. O Termo de Verificação Fiscal é concluído conforme abaixo (fl.481): Diante dos fatos acima expostos lavrei os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as receitas omitidas que resultaram nos seguintes valores: (...) Tendo em vista a ocorrência de sonegação e fraude, é verificada a hipótese do art. 135 do CTN onde os sócios diretores agiram com infração a lei, gerando obrigações tributárias. Desta são estes pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários. Assim, o lançamento realizado em nome da fiscalizada, Ympactus Comercial S/A é acompanhado do termo de sujeição passiva solidária aos sócios diretores abaixo listados, cabendo a todos a possibilidade de manifestação quanto ao lançamento: Carlos Roberto Costa, CPF 997.944.20778 ; Carlos Nataniel Wanzeler, CPF 003.287.88775; James Merrill, CPF 703.167.79121. O valor apurado foi dividido em 3 processos da seguinte forma: Tributo Processo Valor (R$ 1,00) IRPJ 650.272.158,92 CSLL 15586.720626/201483 234.110.771,17 COFINS (*) 15586.720623/201440 471.254.189,05 PIS 15586.720624/201494 102.313.250,70 Total 1.457.950.369,84 (*) Presente processo Fl. 752DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 753 12 Seguemse as planilhas, fls. 482/484, com cálculos. O auto de infração, com cálculos e demonstrativos referentes à COFINS e acréscimos, foi anexado ao processo, às fls. 486/495. A ação fiscal foi encerrada em 24/10/2014, tendo sido emitido TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTO(S) E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL à Ympactus e a todos os seus sócios (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA), conforme fls. 496/507. A ciência do lançamento ocorreu em 03/11/2014, conforme AR à fl.508. Em 03/12/2014 a empresa apresentou impugnação ao lançamento, fls.515/553, conforme abaixo se relata. Em sua defesa o contribuinte informa que: Em nenhum momento se negou a apresentar seus registros contábeis à fazenda, conforme alega o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal. O que ocorreu foi que requereu dilatação de prazos para a apresentação de documentação. Encontrase com suas atividades empresariais paralisadas e, por esse motivo, não possui equipe que suporte o atendimento das solicitações com agilidade. Abaixo, continuase a relatar a defesa do contribuinte conforme os tópicos por ele abordados: Um necessário conserto dos fatos( fl.517) Alega que jamais houve por parte da empresa qualquer negativa em apresentar documentos solicitados. Discorda da afirmação do fisco de que as retenções de pagamentos informados no curso da fiscalização mostravam incompatibilidade com os valores dos extratos bancários. Informa que “a contribuinte apurou na fase final de conciliação dos lançamentos contábeis que diversos pagamentos foram efetuados via Banco do Brasil que não foram processados por inconsistência no número do CPF do correntista em confronto com o cadastro interno. Esta disparidade gerou um lançamento a apurar (beneficiário) que não provocou uma distorção também na planilha que foi anteriormente encaminhada para a fiscalização. Para o ajuste destes lançamentos requeremos ao Banco do Brasil que informe o número do CPF dos beneficiários destes pagamentos (devidamente juntados aos autos em questão) para que, em seguida, os lançamentos contábeis sejam corrigidos.” Afirma que o contrato firmado entre a contribuinte e a Telexfree é ato legal e que não existe qualquer irregularidade no documento inclusive que permitia que a impugnante registrasse a marca Telexfree no Brasil. Transcreve as notas explicativas às suas demonstrações contábeis afirmando que, no período compreendido na autuação, o ativo circulante da empresa era de R$ 1.867.354.575, 49 e o seu Passivo Circulante de R$ 1.867.354.575,49, considerando que “é absolutamente desproporcional e absurdo o entendimento do FISCO de que todo o ativo deve ser tratado como receita da Contribuinte mas sim como de terceiros (TELEXFREE e ou Divulgadores”). E ainda que sua receita efetiva a ser considerada como tributável é de R$ 30.850.000,00. Discorda da aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto na Lei 9.430/96, art.44 e que jamais ocorreu a figura da sonegação Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 754 13 tipificada nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4502/64. Continua afirmando que “Não houve qualquer ação ou omissão por parte da Contribuinte no intuito de maliciosa e intencionalmente lograr o Fisco”. Sobre as DCTFs da empresa, afirma que o preenchimento da declaração “e sua retificação pela Contribuinte espelha não somente a verdade dos fatos, bem sua realidade tributária”. E ainda que “Não se pode olvidar que é direito do Contribuinte a retificação, sendo que o simples fato de efetuála não pode ser considerado como ato de máfé ou fraudulento, caso a retificação reduza o Imposto de Renda a ser pago”. O contribuinte segue sua defesa nos seguintes termos: Da inexistência de confissão – (fl. 523) Alega o FISCO que a própria Contribuinte Ympactus reconheceu que seus Divulgadores são segurados contribuintes autônomos e nesta qualidade quitou a importância relativa a este crédito tributário, tendo quitado parte dos autos de infração que compõem o Processo Administrativo Fiscal nº 15586720090/2014 0.04 (sic). Ora, o fato do Contribuinte ter pago tributo não lhe retira o direito de eventualmente discutir, posteriormente requerendo judicialmente sua repetição. O contribuinte segue a defesa apresentando decisão do STJ no sentido de que não se pode afirmar que é inviável questionar dívidas tributárias objeto de confissão ou de parcelamento. As argumentações da defesa vão no sentido de que eventual pagamento anterior do tributo não pode retirar do Contribuinte o direito de discutir posteriormente sua validade. Da boafé da Contribuinte e da impossibilidade de imposição de multa (fl.528) O contribuinte afirma que agiu com cristalina boafé, e, que assim sendo, não cabe o pagamento de multa e outros encargos. A título de argumentação utilizase de notícias publicadas em jornais de circulação veiculando notícias de que “O STJ isenta contribuinte de boa fé de pagar multa”; transcrevendo ainda o acórdão do STJ sobre o tema. O interessado cita ainda ementa de acórdão de processo julgado no CARF que considera descabida a aplicação de multa qualificada de 150% sobre débitos da CSLL lançados de ofício, não confessados em DCTF no caso de declaração de compensação indevida, com a utilização de créditos referentes a título público quando não demonstrada a prática de evidente intuito de fraude. Do caráter confiscatório da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) excesso de poder e da impossibilidade de aplicação de multa em valor superior a 20% (vinte por cento do supostamente devido Ofensa ao Principio da Razoabilidade (fl. 531) O contribuinte considera abusiva a cobrança da multa qualificada de 150%, fundamentandose no que afirma que garantias constitucionais restringem as ações dos poderes estatais, entende ainda que não pode o fisco cobrar multa acima de 20% e utilizarse de taxa selic de juros superior a 12% ao ano. Segue transcrevendo entendimentos de renomados tributaristas, frisando que “A doutrina e a jurisprudência já firmaram posicionamento no sentido de que as multas não podem assumir caráter confiscatório, sendo Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 755 14 imperiosa a sua redução, em respeito ao art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco”. O contribuinte transcreve ainda julgados do STF e etc. Cita ainda a Súmula nº 4 do CARF, a qual transcreve da seguinte forma: "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Conclui o contribuinte que “a multa e os juros de mora apenas são devidos em caso de inadimplemento, o que, à evidência, não é o caso da Contribuinte”. Afirma ainda o interessado que “a cobrança de qualquer multa em patamar superior a 20% sobre o valor originário do imposto ofende o disposto no art. 59 da Lei 8.383/1991, bem como o art. 985, caput, do Regulamento do Imposto de Renda, que assevera (...)”. O impugnante argumenta que em nenhum momento ficou demonstrada a ocorrência de fraude de sua parte. O contribuinte segue sua defesa nos seguintes termos: Importante se faz verificar que entre a lavratura do "Termo de Verificação Fiscal" final relativo ao exercício de 2012 (10 de abril de 2014) e a lavratura do Termo de Fiscalização Inicial" relativo ao ano fiscal de 2013 (25 de abril de 2014) decorreu menos de trinta (30) dias o que impediu que a primeira recorrente (Ympactus) procedesse a contento os ajustes contábeis, sendo absolutamente ilegal e injusta a aplicação das sanções elencadas no processa administrativo. E conclui da seguinte forma: Por estas razões, impõese a exclusão da multa e, alternativamente, diminuição da multa para o patamar de no máximo 20% (vinte por cento) sobre o valor originário da exação, por se tratar de verdadeiro confisco, vedado na legislação pátria, não significando este requerimento confissão, concordância ou renúncia aos eventuais recursos aplicáveis à espécie. Da impossibilidade de extensão da sanção tributária aos sócios (fl. 545) Entende o contribuinte que a extensão da responsabilidade aos sócios é ilegal, fundamentandose no CTN, art. 135, III, que “prevê a possibilidade de responsabilização dos sócios nos casos de terem agido com excesso de poder, com infração à lei, contrato social ou estatutos”. Segue transcrevendo entendimento do STJ sobre a matéria além de citar o posicionamento de renomados advogados e professores sobre o tema. Transcrevemse abaixo alguns trechos da defesa apresentada pelo contribuinte: Não há nos autos, e tampouco foi apurado no processo administrativo, qualquer evidência ou até mesmo indícios de que os sócios tenham praticado qualquer das causas autorizadoras previstas no artigo 135 do CTN. Assim, não poderia este Juízo, ainda mais sem pedido do credor, ter autorizado a inclusão dos sócios. O mero inadimplemento da obrigação tributária, sem dolo ou fraude, constitui simplesmente mora da empresa contribuinte, que contém nas normas tributárias pertinentes as respectivas Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 756 15 sanções; não se configura, por si só, violação à lei ou ao estatuto social a que deve observância o administrador, seja ele sóciocotista ou não. Em se tratando de responsabilização do sócio, não há que se perder de vista o princípio da separação patrimonial das pessoas física e jurídica; não se olvide também a necessária diferenciação que deve haver entre a responsabilidade por infração praticada pela sociedade e a infração de lei, praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos praticada pelo sócio. (...) A responsabilidade tributária solidária prevista no artigo 135 alcança tão somente o sóciogerente que liquidou irregularmente a sociedade limitada, respondendo, não por ser sócio, mas sim por ser gerente. Ele responde não pela circunstância da sociedade estar em débito, mas sim por haver dissolvido irregularmente a pessoa jurídica. (...) Por estas razões, não havendo a prova préconstituída de que os sócios da Impugnante tenham praticado qualquer ato contrário à lei ou ao contrato social da empresa, como manda o artigo 135 do CTN e, ainda, não estando a empresa dissolvida irregularmente, devem ser excluídos os sócios do pólo passivo da autuação impugnada. O impugnante conclui requerendo que seja considerada improcedente a autuação tributária, a exclusão do pagamento de multa mas, na hipótese de aplicação de multa, que a mesma não ultrapasse o equivalente a 20% do valor do tributo e que sejam os sócios da empresa eximidos do pagamento de qualquer obrigação tributária. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, conforme citado, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2013 COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovada a existência de omissão, pelo contribuinte, de receita tributável auferida, cabe o lançamento do tributo e acréscimos nos termos da legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 BOAFÉ DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE MULTA. No Direito Tributário a responsabilidade por infrações à legislação fiscal existirá, tenha ou não o sujeito passivo intenção de prejudicar o fisco. MULTA QUALIFICADA DE 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. AÇÃO DE FORMA REITERADA. AÇÃO FRAUDULENTA. A jurisprudência administrativa já consolidou o entendimento de que caracteriza o evidente intuito de fraude a prestação de informação sistemática e reiterada à Receita Federal em valores expressivamente menores do que os efetivamente devidos com base na legislação vigente. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 757 16 A manipulação de informações pelo contribuinte, de acordo com sua conveniência, com o intuito de impedir ou retardar conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, excluindo ou modificando as suas características essenciais, caracteriza ação fraudulenta. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS Uma vez comprovado que os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica participaram intencionalmente de operações que objetivaram exclusivamente a sonegação da receita bruta auferida pela empresa autuada com o intuito de burlar a lei, inclusive tendo estes comprovadamente agido com excesso de poder, devem ser responsabilizados nos termos do inciso III do art.135 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA. Os Julgadores das Delegacias da Receita Federal de Julgamento exercem atividade vinculada à legislação vigente no ordenamento jurídico nacional, portanto, qualquer argumentação do contribuinte sobre aplicação de multas em percentual divergente do que dispõe a legislação não pode ser oponível na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os responsáveis solidários Carlos Nataniel Wanzeler e Carlos Roberto Costa foram cientificados da decisão da DRJ em 22/04/2015 (conf. intimações de efls. 649 e 651, e AR de efls. 655 e 660). Quanto ao responsável solidário James Matthew Merrill este foi cientificado mediante publicação do edital de efls. 658, afixado em 28/04/2015 e desafixado em 13/05/2015. Já a empresa autuada foi cientificada em 29/04/2015, conforme comunicado de ciência eletrônica por decurso de prazo de efls. 659. O advogado da contribuinte, Horst Vilmar Fuchs, também foi cientificado da decisão de primeira instância em 23/04/2015, de acordo com a comunicação de efls. 652 e AR de efls. 661. Em 19/05/2015 (efls. 663), sujeito passivo e responsáveis solidários protocolizaram o recurso voluntário de efls. 663/700, onde reiteram os argumentos aduzidos na primeira instância, notadamente no seguinte sentido: a) o entendimento da fiscalização não encontraria respaldo na prova dos autos; b) a receita oriunda da adesão de divulgadores sempre teria sido da Telexfree, que receberia diretamente tais valores em dólares, em território norteamericano; c) o fato de a recorrente ter recebido valores no Brasil, decorrentes da venda de produtos VOIP pela Telexfree nos EUA e não ter repassado para a empresa americana se justificaria em razão do bloqueio das contascorrentes da Ympactus, determinado pela 2ª Vara Cível de Rio Branco; d) o fato de a Ympacutus ter apresentado movimentação de recursos muito mais expressiva que suas receitas e despesas declaradas não autorizaria a presunção de sonegação ou de fato gerador de dívida tributária. Segundo informa, a Ympactus foi contratada Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 758 17 para gerenciar a rede da Telexfree no Brasil e tal fato implicaria, necessariamente, na administração de recursos da empresa estrangeira; e) defende que não há que se falar que Ympactus e Telexfree seriam a mesma empresa, em vista da documentação acostada aos autos; seria irrelevante o fato de as pessoas jurídicas em tela terem os mesmos sócios; f) nega a sonegação, a conduta caracterizadora da fraude, e qualquer ação ou omissão da empresa no intuito de prejudicar o Fisco de forma maliciosa e intencional; g) aduz que a multa qualificada teria caráter confiscatório, e que não seria possível aplicar multas em percentual superior a 20%; h) argumenta ser ilegal a extensão da responsabilidade aos sócios, uma vez que não haveria nos autos evidências de que os sócios teriam praticado quaisquer das condutas elencadas no artigo 135 do CTN; o mero inadimplemento da obrigação tributária, sem dolo ou fraude, seria apenas mora da empresa, e não configuraria infração à lei ou ao estatuto social; ressalta também que não houve dissolução irregular da empresa. Os recorrentes requerem, ao final, seja provido o recurso para: julgar improcedente a autuação; excluir a imposição de multa; caso seja mantido o entendimento pela legitimidade da multa, que esta seja reduzida a 20% do valor do tributo; e, que sejam os sócios da contribuinte eximidos do pagamento de qualquer obrigação tributária. Posteriormente, em 23/06/2015, o sujeito passivo, mediante expediente de e fls. 704, requereu a juntada de matéria jornalística publicada no jornal Valor Econômico, bem como consulta ao Ag.Reg. no Agravo de Instrumento nº 727.872RS, relativamente à limitação da multa pelo atraso de pagamento de tributo ao percentual de 20%, e a 100% no caso das multas de ofício (v. efls. 705/719). Por seu turno, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional formalizou contrarrazões onde, depois de descrever os fatos, apresenta os argumentos abaixo discriminados. Depois de destacar trechos e evidências resultado do trabalho da fiscalização, ressalta que os elementos trazidos aos autos permitiriam afirmar que o crescimento da rede de divulgadores e a remuneração gerada por este crescimento seria o real objetivo da empresa, de modo que a atividade econômica desenvolvida pela autuada seria a de formação de rede de divulgadores através da captação de recursos destes e sua posterior remuneração, tendo como base a contínua ampliação da base de divulgadores agregados. Afirma que essa teria sido a conclusão do Ministério Público e do Poder Judiciário nos autos do processo nº 0000566976.2013.8.01.0001, em trâmite perante a 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco/AC, ajuizado em razão de suposta formação de pirâmides financeiras, em que se concluiu que o simples recrutamento de pessoas é remunerado pela Telexfree, independentemente da prestação de serviços de vendas e que o divulgador da Telexfree tem na venda e revenda de contas VOIP fontes secundárias de receitas. Assim, as receitas operacionais típicas da atividade da recorrente seriam aquelas obtidas com a adesão de novos divulgadores a essa “rede”. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 759 18 A fim de corroborar este entendimento ressalta que os contratos de adesão celebrados entre a fiscalizada (denominada, no contrato, por Telexfree) e os novos divulgadores que passarão a compor a rede, além de preverem que a empresa desenvolve atividades de divulgação, intermediação e agenciamento de negócios, desenvolvendo uma rede de divulgadores, exigem destes o pagamento de uma taxa de adesão. Em contrapartida, eles seriam remunerados pelos serviços de divulgação prestados, assim como pela adesão de novos colaboradores em um nível inferior da cadeia. Ressalta que em análise do contrato de prestação de serviços celebrado entre a Ympactus e a Telexfree, não se vê nenhuma referência à obrigação de repasse, e que a própria recorrente teria informado que não fez os repasses para a contratante no exterior, embora justifique essa conduta diante da impossibilidade de movimentar contas bancárias em razão do bloqueio de bens determinado pelo Poder Judiciário nos autos do processo judicial outrora mencionado. Afirma haver provas nos autos que demonstram que as receitas obtidas pela recorrente são muito maiores do que aquelas declaradas, o que confirma a omissão de receitas então identificada. Assevera que investimentos imobiliários realizados pela Ympactus tiveram por base recursos que seriam da Telexfree, permitindose a conclusão de que não há distinção entre a Ympactus e a Telexfree nos registros contábeis e nas transações realizadas, de modo que as receitas auferidas com a adesão de divulgadores são, em última análise, de titularidade da própria recorrente. Ressalta que valores da Telexfree foram usados para pagar investimentos imobiliários da Ympactus, numa clara demonstração de inexistência de separação entre ambas e de auferimento de receitas próprias e operacionais. Cita evidências abordadas pela fiscalização que corroboram o entendimento em prol de uma confusão patrimonial entre as empresas citadas, e que as receitas de adesão de divulgadores seriam, na verdade, receitas típicas da atividade da ora recorrente, nos exatos termos em que se concluiu a decisão recorrida. Ressalta que embora a recorrente afirme não ter havido omissão de receitas, sua defesa é genérica, destituída de provas suficientes para afastar as conclusões oficiais. Quanto à exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, I, c/c § 1º da Lei nº 9.430/96 (multa de ofício de 75% duplicada em vista da subsunção dos fatos ao disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), ressalta que "ao não contabilizar parte significativa de suas receitas operacionais durante dois anos consecutivos, o contribuinte praticou omissão dolosa tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos que ora lhe são exigidos.". Reproduz trechos da decisão de primeira instância e cita precedente do CARF segundo o qual a prática reiterada e sistemática de declarar de forma demasiadamente reduzidas as receitas dá ensejo ao agravamento da multa punitiva (acórdão nº 10809.757). No que concerne ao caráter confiscatório da multa, a Fazenda Pública ressalta que tal argumento representa indireto questionamento quanto à inconstitucionalidade da norma jurídica, o que não se admite em sede do processo administrativo fiscal por força da Súmula CARF nº 2. Cita ainda o acórdão nº 3101001.809, e doutrina de Hugo de Brito Machado, segundo a qual a vedação do confisco é atinente ao tributo, e não à penalidade pecuniária. Por fim, inerente à responsabilização solidária dos sócios, transcreve trecho da decisão vergastada onde a responsabilização em tela é motivada pela aduzida participação dos sócios em Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 760 19 [...] operações que objetivaram exclusivamente a sonegação da receita bruta auferida pela empresa autuada, inclusive assinando contratos frágeis com o objetivo de justificar irregularidades encontradas no registros contábeis da empresa. [...] A existência de contratos de mútuo concedendo empréstimos vultuosos aos diretores da empresa, inclusive em valores excessivamente superiores à receita declarada pela autuada, bem como o contrato de prestação de serviços (fl. 623/626) firmado entre a Ympactus e Telexfree, assinado pelos diretores em comum das duas empresas, caracteriza terem estes agido com excesso de poder". Ainda no que concerne à solidariedade, afirma a Fazenda Pública que, nos termos do Contrato Social da recorrente, "contratos de mútuo feitos aos dirigentes deveriam ser assinados por todos os sócios, de modo que a celebração de contrato de empréstimo que não observasse essa exigência – tal como se deu nos autos – consubstancia infração ao contrato social". Em face do exposto, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Admissibilidade do recurso O recurso voluntário apresentado conjuntamente pela empresa autuada e pelos responsáveis solidários é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Dos fatos Extraise dos autos que a empresa Ympactus Comercial, que utiliza como nome de fantasia Telexfree Inc, exerce, como atividade econômica principal, a CNAE 63194 00: Portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet. Como declarado pela própria empresa, esta faz intermediação da venda de portas VOIP ("voice over internet protocol" voz sobre protocolo de internet) fornecidas pela americana Telexfree Inc. Para tanto, a empresa faria uso de um sistema de vendas/divulgação batizado de marketing multinível, no qual colaboradores se agregariam à empresa através de contratos de adesão, através dos quais são obrigados a pagar uma taxa de adesão e a comprar pacotes com portas VOIP. Em contrapartida seriam remunerados pelos serviços de divulgação prestados, bem como pela agregação de novos colaboradores num nível abaixo na sua cadeia, e assim, receberiam uma remuneração originária destes até o 5° nível (conforme declarado pela própria empresa). Os resultados da ação fiscal dão conta de que os valores recebidos pela autuada como adesão dos divulgadores são receita da Ympactus (empresa contratada), e não da Telexfree (empresa contratante). Segundo o Termo de Verificação Fiscal, que reproduz a ação fiscal conduzida para o anobase de 2012, Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 761 20 [...] embora a Ympactus afirme que o negócio é venda VOIP o que se conclui da fiscalização é que o negócio é a rede de divulgadores, os recebimentos destes e sua remuneração. Tais entidades se confundem, atuando a Ympactus, sob o nome fantasia Telexfree INC como se Telexfree INC fosse. Na verdade o que se vê é que Ympactus e Telexfree têm mesma origem e uma "existe" em função da outra. Estas possuem mesmos sócios, seus recursos no Brasil encontramse nas mesmas contas bancárias. Há utilização de recursos contábeis de uma pela outra. Inexistem, faticamente, os instrumentos caracterizadores da relação comercial: pagamentos, remessas, notas fiscais, etc. No exterior a Ympactus inexiste, sendo a rede de divulgadores gerida pela Telexfree Inc, mostrandose desnecessária à atividade a existência de eventual intermediário. A alegação da existência de ambas empresas pelo contribuinte somente lhe seria conveniente para evitar a tributação sobre as receitas resultantes das atividades aqui realizadas. (grifos nossos) A fiscalização também apurou que a autuada apresentou movimentação de recursos, entradas e saídas em suas contas bancárias, muito mais expressivas que suas receitas e despesas declaradas, e que havia indistinção de entidades (Ympactus/Telexfree) nos registros contábeis e nas transações informadas. Ressaltou também que não existe nenhuma comprovação, do ponto de vista tributário, acerca de transação comercial entre Ympactus e Telexfree em território nacional. E os demais fatos relatados pela autoridade fiscal corroboram tal entendimento. Nos anoscalendário de 2012 e 2013 a autuada declarou o que seriam receitas inerentes a serviços de intermediação, no caso, comissões pagas à Ympactus por sua contratante, Telexfree: no ano de 2013 o montante dessas comissões correspondeu a R$ 30.850.000,00. A empresa tem vínculos com duas empresas americanas: Telexfree INC (que tem como diretores os Srs. James Merrill e Carlos Wanzeler Presidente) e Telexfree LLC (que tem como integrantes os senhores Carlos Wanzeler, James Merrill e Carlos Costa, ou seja, os mesmos sócios da autuada arrolados nos autos como responsáveis solidários pelo crédito lançado. O demonstrativo do resultado de 2013 mostra lucro da Ympactus de R$ 1.259.118.336; aludido demonstrativo foi utilizado pela empresa para subsidiar laudo de reavaliação econômica relativo ao registro da marca Telexfree (incluído como marcas e patentes no ativo intangível da empresa Ympactus pelo valor de R$ 659.629.591,00). O auditor também constatou que na contabilidade digital transmitida via ECD, na conta 5.1.02.01.002.0007, INSS EMPRESA, consta o valor de R$ 78.634.414,85, referente a lançamentos das contribuições ao INSS Patronal, ou seja, sobre os pagamentos aos trabalhadores sem vínculo empregatício. Apesar de, na apuração contábil do resultado do exercício, o contribuinte considerar as despesas relativas à previdência social como próprias da Ympactus, não seguiu a mesma linha em relação ao cômputo das receitas. Tal forma de agir é contraditória e incompatível inclusive com o montante da receita total declarada, de apenas R$ 30.850.000,00. A autoridade fiscal conclui que isso se trata de mais uma manipulação contábil do contribuinte, que separa ou não, segundo sua conveniência, as receitas e despesas entre Ympactus e Telexfree. O auditor fiscal também demonstrou incompatibilidade entre as receitas declaradas e os montantes emprestados aos sócios (de janeiro a junho de 2013 foram emprestados aos sócios R$ 41.720.806,45, ou seja, mais do que o total da receita declarada (R$ Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 762 21 30.850.000,00). Ademais, tais empréstimos, nos termos do contrato social da empresa, deveriam ter sido assinados por todos os sócios, o que não restou comprovado nos documentos apresentados (em contrato de empréstimo em nome de Carlos Roberto Costa, correspondente à quantia de R$ 7.879.349,95, este assina como mutuante e mutuário). No Termo de Verificação Fiscal consta o levantamento das receitas e despesas não levadas ao resultado, o que foi feito com base nos dados da escrituração digital do contribuinte transmitida via SPED em 07/08/2014. Constatouse com tal levantamento que o contribuinte não levou para o resultado as receitas decorrentes da atividade de formação da rede de divulgadores (contabilizadas na conta TELEXFREE INC 2.1.02.02.001.0002), num total de R$ 2.338.904.506,88 (soma dos valores de janeiro a junho/2013 da tabela de e fls. 479). Como dito linhas acima, o montante informado no resultado como receitas soma, apenas, R$ 30.850.000,00 (vide tabela de efls. 479). E resume toda a questão da seguinte forma (efls. 479 3 INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS): Verificase que o contribuinte não leva ao resultado e não oferece à tributação receitas decorrentes de sua atividade, caracterizando omissão de receitas. O faz de forma reiterada e intencional, visto que a mesma infração foi encontrada na fiscalização realizada para o ano de 2012. Esta omissão de receitas provoca conseqüências tributárias para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (destaques do original) A meu ver está comprovado o ilícito, até porque o sujeito passivo, com seus argumentos, não consegue abalar minimamente a autuação fiscal. A recorrente alega que teria sido contratada pela empresa americana TelexFree para gerenciar sua rede no Brasil, e que os valores recebidos pela Ympactus só não teriam sido repassados à TelexFree em razão do bloqueio das contascorrentes da empresa brasileira pela 2ª Vara Cível de Rio Branco, nos autos da ação civil pública nº 0800.224.44.2013.8.0001. No entanto, não faz nenhuma comprovação nesse sentido. Ademais, de acordo com as peças dos autos, a verdadeira fonte de remuneração da empresa não seria a prestação do serviço VOIP, mas a remuneração decorrente da formação de uma rede de divulgadores, conforme seguinte trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal: 3.1 Atividades da Fiscalizada Embora a empresa informe atuar em duas atividades distintas, intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários, (CNAE 7490104), bem como a atividade de provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet (CNAE 6319400), esta somente realizou no ano de 2012, segundo informações prestadas, as atividades de intermediação (CNAE 7490104). Quanto às suspeitas de gestão de pirâmide financeira, a empresa fiscalizada informou, logo no início da fiscalização, em resposta à intimação que intermedeia a venda de portas VOIP (“voice over internet protocol” ou voz sobre protocolo de internet) fornecidas pela Telexfree Inc, empresa sediada nos Estados Unidos. Para tanto usaria um sistema de vendas/divulgação batizado de marketing multinível, no qual colaboradores se agregariam à empresa através de contratos de adesão, através dos quais são obrigados a pagar uma taxa de adesão e a comprar pacotes com portas VOIP, e em contrapartida seriam remunerados pelos serviços de divulgação prestados, Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 763 22 bem como pela agregação de novos colaboradores num nível abaixo na sua cadeia, e assim, receberiam uma remuneração originária destes até o 5º nível. O contrato de adesão de serviços de publicidade que regularia a relação entre os agregados e a Ympactus (com nome Telexfree) assim define as atividades desenvolvidas pela Ympactus: “2.1 DAS ATIVIDADESFIM DA CONTRATADA A TELEXFREE, nome de fantasia da CONTRATADA, desenvolve atividades de divulgação, intermediação e agenciamento de negócios, desenvolvendo uma rede de divulgadores, oferecendolhes treinamento, material de apoio, controle, acompanhamento e suporte e, ainda, remunerandoos sob a estrutura lógica do marketing multinível binário.” Em depoimento prestado em 16/01/2014 o presidente da Telexfree Sr Carlos Costa detalhou a forma de ingresso e remuneração no modelo de negócios da Telexfree, que no Brasil seria feito através da Ympactus. Existiriam duas figuras distintas: partner (parceiro) e divulgador. As explicações prestadas em depoimento encontramse abaixo transcritas: “Partner (parceiro) A forma de adesão se dá pelo pagamento de US$ 50 tornandose parceiro da Telexfree (pela intermediação da Ympactus) tendo um subdomínio e passa a ter o direito da venda de VOIP da própria Telexfree, recebendo bonificação de 10% para cada plano vendido a terceiros e o ganho é continuado a cada mensalidade relativa ao plano vendido. A mensalidade é um crédito para uso da linha VOIP no mesmo valor da compra US$ 49,90 vendidos a terceiros (clientes). O funcionamento do VOIP 99Telexfree é semelhante ao funcionamento do Skype. Divulgador Para ser divulgador a pessoa obrigatoriamente deve ter sido um parceiro (partner). Deve adquirir contas VOIP no atacado para revenda (Adcentral US$ 289 = 10 contas, e Adfamily US $1375 = 50 contas). O preço de venda de cada linha é de US$ 49,90 e deste 90% é repassado ao divulgador, enquanto que 10% fica com a empresa. O valor de US$ 49,90 prépago, dá o direito de uso por 30 dias corridos. Sobre a mensalidade o divulgador continua a receber 10% do valor de US$ 49,90. O divulgador, por sua vez, pode atrair novos divulgadores e desta forma obter uma outra remuneração: se o novo divulgador adquirir VOIPS para revenda no atacado o divulgador que o trouxe para rede recebe US$ 20 ( Adcentral) ou US$ 100 ( Adfamily).” O contrato de adesão dos divulgadores apresenta ainda outras formas de remuneração, e vincula sempre o divulgador à obrigação de postar anúncios diários em sítios prédefinidos na internet. Embora a explicação seja didática na forma da remuneração, notase que a sustentação do negócio e da remuneração dos agregados passa, necessariamente pela venda crescente e indefinida de portas VOIP ou sua renovação (mensalidades que equivalem à nova aquisição). [...] Chama também a atenção para a falta de informações sobre o serviço VOIP “vendido”. Quais seriam os termos, garantias, etc. Também é relevante neste contexto uma idéia, em números, da dimensão do negócio apresentado. No mesmo depoimento o Sr Carlos Costa informa a existência em junho de 2013 de pouco mais de um milhão de divulgadores. Considerando que o divulgador adquire, dependendo do plano, no mínimo de 10 a 50 portas VOIP, teríamos acima de 10 milhões de portas VOIP disponíveis. Duas questões mostramse relevantes: Fl. 763DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 764 23 1) No Brasil haveria aproximadamente 250 milhões de linhas telefônicas em meados de 2013. Controlando estas linhas diversas empresas de telefonia. A Telexfree, com o elevado número de portas VOIPS comercializadas seria um dos grandes “players” no mercado brasileiro de telecomunicações, no entanto, é patente que não há este reconhecimento por parte do mercado, pois não há nenhuma evidência de sua utilização em larga escala. 2) Neste depoimento reconheceuse que o VOIP 99 Telexfree é semelhante ao Skype TM . Dados divulgados na internet informam que nesta mesma data o número de usuários do Skype TM seria no Brasil de 18 milhões. É relevante assinalar que o Skype TM é gratuito, enquanto que US$50,00 é o valor da assinatura mensal de direito ao uso do VOIP, em valores atuais cerca de R$ 125,00. Tratase de valor elevado se comparado aos planos de telefonia hoje disponíveis no Brasil. Por fim é necessário esclarecer que a Ympactus não emite notas fiscais dos chamados pacotes VOIP visto que, a todo momento, informa que apenas intermedeia a venda realizada pela Telexfree. Dos dados acima, verificase difícil a confirmação da comercialização de portas VOIP da Telexfree com objetivo de sua utilização pelos adquirentes. Ou seja, não há evidências que a prestação do serviço VOIP seja o negócio fim da Telexfree. Os indícios caminham no sentido oposto: o crescimento da rede de divulgadores, e a remuneração gerada por este crescimento é que seria o negócio fim, independentemente da existência ou não do serviço/produto VOIP. Em outras palavras, a atividade econômica desenvolvida no País pela Ympactus é de formação de rede de divulgadores através de captação de recursos destes e sua posterior remuneração, tendo como base a contínua ampliação da base de divulgadores agregados tendo como fachada suposta venda de pacotes VOIP, vendas estas não comprovadas. Neste mesmo sentido encontrase a petição do Ministério Público do Acre na Ação Cautelar 0000566976.2013.8.01.0001, fl 492, de onde se extrai o seguinte trecho: “o “kit” 99 Telexfree é apenas para mascarar o pagamento da adesão propriamente dito, ou seja, o simples recrutamento de pessoas é remunerado pela Telexfree, independentemente da prestação dos serviços (ou venda como quer parecer a Telexfree).” Também merece destaque o trecho da sentença proferida nos autos, (fl. 91217) em 21/11/2013 pela Excelentíssima Juíza de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco” “O primeiro ponto a ser destacado após a assertiva acima é que, ao contrário do que ocorre no marketing de rede, em que o revendedor foca sua atuação na revenda dos produtos ou serviços e no recrutamento de pessoas também aptas a aumentar o volume de vendas, auferindo ganhos proporcionais a todas estas vendas (suas próprias e dos revendedores que recrutou), o divulgador da Telexfree tem na venda e revenda de contas VOIP 99 Telexfree fontes secundárias de receitas.” O crescimento das operações da Ympactus Comercial (rede de divulgadores) foi explosivo no ano de 2012, conforme demonstrativo gráfico abaixo. Notase que neste gráfico é possível verificar o número de divulgadores (contas) que operaram no ano de 2012 com base nos dados obtidos da contabilidade do contribuinte (conta 210700000000000 C Fl. 764DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 765 24 Transitória Adesão divul (Telexfree Inc)). Verificase que os divulgadores ao aderirem à rede efetuam pagamentos em valores diferenciados, conforme planos ofertados (vide contrato de adesão), e que sob determinadas situações recebem remuneração. A análise numérica indica que no ano de 2012 um pequeno número de divulgadores com lucro (ou seja, receberam mais do que pagaram). As CONTAS LUCRATIVAS são sustentadas por um grande número de divulgadores que ainda não recuperaram os valores investidos CONTAS DEFICITÁRIAS. [...] No modelo informado pelo contribuinte o fornecimento do serviço de VOIP seria proveniente do exterior, porém os pagamentos seriam feitos em moeda brasileira à Ympactus. Notase que não seria possível a circularização dos dados fiscais da Telexfree nos USA, porém é sabido que tanto a importação de serviços, como a remessa de divisas teriam que ser tributados. Na verdade, não é possível confirmar sequer a existência da prestação do serviço de VOIP na escala em que atua a Ympactus no mercado brasileiro. De toda forma, a Anatel informa que a empresa Telexfree não teria permissão em 2012 para prestação do serviço VOIP com utilização de linhas telefônicas, que seria o serviço por ela comercializado. (grifos nossos) Portanto, todas as evidências colacionadas nos autos revelam que a principal fonte de renda da empresa advinha de uma pirâmide financeira cujo foco era o recrutamento de pessoas, e não a prestação do serviço VOIP, como quer fazer crer a interessada. A atividade, do tipo pirâmide, e assim, sem sustentatibilidade, gerou grandes prejuízos a divulgadores e parceiros, o que, por sinal, motivou o ajuizamento de ação, primeiramente, pelo Ministério Público do Acre, o que redundou na condenação e dissolução da empresa. Isso fica bastante claro diante dos termos dos contratos de adesão celebrados entre a autuada e os novos divulgadores, onde está consignado que a empresa desenvolve atividades de divulgação, intermediação e agenciamento de negócios mediante uma rede de divulgadores, cobrando destes o pagamento de uma taxa de adesão. Em contrapartida, os divulgadores são remunerados pelos serviços de divulgação prestados, assim como pela adesão de novos colaboradores em um nível inferior da cadeia. Não há obrigação contratual de repasse dos valores recebidos pela autuada à empresa americana. Consta apenas como obrigação do sujeito passivo a remessa dos valores recebidos por serviços VOIP (e não em relação a repasse de valores de taxa de adesão de divulgadores). Essas e outras questões apontadas no Termo de Verificação Fiscal são suficientes para demonstrar a omissão de receitas. E a defesa genérica do sujeito passivo não abala minimamente as conclusões a que chegou a autoridade fiscal. O lançamento também é hígido no que diz respeito à qualificação da multa, uma vez demonstrado que o sujeito passivo agiu de forma deliberada com fulcro na sonegação do tributo efetivamente devido. Ficou demonstrado, pois, que houve uma intenção deliberada do sujeito passivo de, mediante ação comissiva, "impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, [...] da ocorrência do fato gerador da Fl. 765DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 766 25 obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais" (Lei nº 4.502/, art. 71, inciso I), ação dolosa que remete à aplicação do disposto no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, inerente à duplicação da multa de ofício de 75% prevista no inciso I do mesmo dispositivo. O arcabouço operacional engendrado pela pessoa jurídica somente é explicado tendose em conta os elementos subjetivos inerentes a uma conduta deliberada com fulcro na maximização dos ganhos monetários mediante duplo artifício: pirâmide financeira e sonegação fiscal. Legítima, pois, não apenas a exigência do principal do tributo com a multa qualificada de 150%, mas também a responsabilização solidária de seus sócios, com fundamento no artigo 135, inciso III, do CTN, segundo o qual "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". Como muito bem dito na decisão de primeira instância: Após análise do processo, entendo que os diretores, gerentes e representantes das pessoas jurídicas envolvidas devem ser responsabilizados nos termos do inciso III do art. 135 do CTN, uma vez que participaram intencionalmente de operações que objetivaram exclusivamente a sonegação da receita bruta auferida pela empresa autuada, inclusive assinando contratos frágeis com o objetivo de justificar irregularidades encontradas no registros contábeis da empresa. Considero que há no processo várias provas da forma de atuação dos administradores, inclusive da participação direta destes, com o intuito de burlar a lei. A existência de contratos de mútuo concedendo empréstimos vultuosos aos diretores da empresa, inclusive em valores excessivamente superiores à receita declarada pela autuada, bem como o contrato de prestação de serviços (fl. 609/612) firmado entre a Ympactus e Telexfree, assinado pelo diretores em comum das duas empresas, caracteriza terem estes agido com excesso de poder. A conduta configura excesso de poder, infração de Lei e ao contrato social, porquanto a grave ilicitude não deve ser tolerada em qualquer dos universos normativos que prescrevem os limites de atuação dos administradores. Devemse citar os contratos de mútuo dos empréstimos feitos aos dirigentes, ressaltese a observação constante no Termo de Verificação Fiscal, fl. 478: Também é necessário registrar que o contrato social da empresa determina que operações desta natureza precisariam ser assinadas por todos os sócios. O que não é fato nos documentos apresentados. Inclusive, observamse contratos de mútuo, fls. 77/79, entre a Ympactus e o Diretor Carlos Roberto Costa, onde este assina como representante da empresa e como beneficiário do empréstimo, caracterizando ter o sócio agido com excesso de poder. Portanto, concluo pela manutenção da responsabilização dos sócios pelos créditos apurados no auto de infração sob análise neste processo. Finalmente, a autuada também alega que a multa lavrada contra si teria caráter confiscatório, e que deveriam ter sido observados os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 767 26 Não obstante, tal argumento não pode servir como fundamento para que o julgador administrativo afaste a exação, eis que a legislação tributária há que ser interpretada literalmente, dentre outras hipóteses, quando trate de exclusão do crédito tributário (CTN, art. 111, inciso I). Ademais, os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco são dirigidos ao legislador e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. De fato, é vedada à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Compete ao julgador administrativo, no entanto, examinar e interpretar as normas, resolvendo, pela técnica interpretativa, eventuais lacunas ou antinomias encontradas na legislação aplicável ao caso fático. Não representa nulidade o fato de referida autoridade dar maior relevo a determinada conduta e aplicar a norma que entende se subsume ao caso. Portanto, falece à autoridade administrativa competência para excluir crédito tributário com fundamento em alegado caráter confiscatório da norma. No mais, ressaltese que o STF, em acórdão proferido em 29/10/2015, reconheceu a repercussão geral no RE nº 736.090, concernente ao alegado efeito confiscatório da multa qualificada de 150% nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Aludido recurso, porém, ainda carece de julgamento. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário formalizado pelo sujeito passivo e pelos responsáveis solidários. Sala de Sessões, em 26 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 767DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.720623/201440 Acórdão n.º 3301002.918 S3C3T1 Fl. 768 27 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 14033.000690/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 90 /2 01 0- 12 Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 02/05/2011 (fl. 1.419), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 1.421 a 1.460) em 31/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.184, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 1.532 a 1.542), e Resolução CARF nº 2803000.281, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls. 1.792 a 1.794), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 1.806/1.808 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.1797 a 1804), nas matrículas CEI nº 50.047.09467/77 e 50.075.02434/73, bem como nos dados da Base Central do sistema RestWeb (fl.1796). 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa a título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT também declarados em GFIP, dos valores retidos a Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000690/201012 Acórdão n.º 2402005.405 S2C4T2 Fl. 1.822 3 título de retenção da Lei 9.711/1998, restou saldo a ser restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 14321.30005.181209.1.2.150430, referente à competência 10/2007(sic!), conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo(fl.1805): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 29122.55743.181209.1.2.152912, referente à competência 03/2008, no valor originário de R$ 40.149,77 (quarenta mil cento e quarenta e nove reais e setenta e sete centavos)." É o relatório. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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