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Numero do processo: 19515.002354/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
ERRO NA PREMISSA FÁTICA. DECISÃO NULA.
Verificada a ocorrência de erro de premissa fática no julgamento do recurso voluntário, acolhem-se os embargos de declaração para anular o acórdão exarado.
Numero da decisão: 1302-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o acórdão embargado, para que seja proferida uma nova decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 ERRO NA PREMISSA FÁTICA. DECISÃO NULA. Verificada a ocorrência de erro de premissa fática no julgamento do recurso voluntário, acolhemse os embargos de declaração para anular o acórdão exarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o acórdão embargado, para que seja proferida uma nova decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração (fls. 1475 e segs.) opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 1801001.776 (fls. 1465 e segs.), cuja a ementa assim dispõe: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 54 /2 00 5- 30 Fl. 1491DF CARF MF 2 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2002,2003 LANÇAMENTO DECORRENTE. Os lançamentos de PIS e de Cofins sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento destes feitos acompanhem aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte o ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora” O voto condutor do acórdão embargado assim dispõe: “O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Temse que os autos de infração formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova (art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1976). Nesse sentido também a norma regimental, prevê que “verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, os processos podem ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” (art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Pesquisando no eprocesso, temse que em relação ao mesmo sujeito passivo, houve a formalização do processo nº 19515.002353/200595 que está instruído com a totalidade do conjunto probatório dos ilícitos para fins de constituição do presente lançamento e ainda dos seguintes créditos tributários: o Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.491.969,77, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional (fls. 917921 do processo principal de nº 19515.002353/200595); e o Auto de Infração com a exigência do crédito tributário no valor de R$987.151,68 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302002.105 S1C3T2 Fl. 1.492 3 (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional, (fls. 930934 do processo principal de nº 19515.002353/200595). No Termo de Verificação Fiscal, fls. 895909, que é parte integrante dos Autos de Infração, está detalhado o procedimento fiscal levado a efeito e consta que nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 a Recorrente apresentou movimentação bancária superior à receita declarada, sendo autuada por depósitos bancários não contabilizados e/ou de origem não comprovada e resultados operacionais não declarados no anocalendário de 2000. Cabe esclarecer que o lançamento principal de IRPJ e o lançamento reflexo de CSLL formalizados no processo nº 19515.002353/200595, já se encontram com julgamento nessa segunda instância, em conformidade com as informações constantes no sítio institucional: JULGADO EM SESSÃO – DECISÃO Unidade: 1ª Seção Órgão Julgador: 2ª Turma da 1ª Câmara da Primeira Câmara Relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Data da Sessão: 08/10/2013 Hora da Sessão: 14:00 Tipo da Pauta: Ordinária Tipo Sessão: Normal Redator Designado: Jose Evande Carvalho Araújo Decisão: Acórdão Número Decisão: 1102000.937 Resultado:RECURSO VOLUNTÁRIO Recurso Voluntário Provido em Parte POR VOTO DE QUALIDADE O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo. Os lançamentos de PIS e Cofins sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento destes feitos acompanhem aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Cabe esclarecer que a exigência relativa ao IRPJ foi mantida em parte em sede de segunda instância de julgamento, de modo que são procedentes em parte os lançamento de PIS e de Cofins. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário.”. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (a fls. 1475 e segs.), no qual sustenta para depois requere o que se segue: Fl. 1493DF CARF MF 4 “A União (Fazenda Nacional), por intermédio da procuradora ao final assinada, com fulcro no artigo 64, I, c/c artigo 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, verificando omissão no r. acórdão proferido pela col. Primeira Turma Especial desta Câmara, no processo em epígrafe, vem, tempestivamente, perante Vossa Excelência, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, consoante as razões a seguir aduzidas. Tratase do julgamento de autos de infração lavrados para a exigência de COFINS e de PIS, sendo estes decorrentes da mesma infração tributária dos autos do Processo Administrativo nº 19515.002353/200595, que contém o lançamento principal de IRPJ e o lançamento reflexo de CSLL. Registrase que o lançamento principal de IRPJ e o lançamento reflexo de CSLL constantes dos autos do Processo Administrativo nº 19515.002353/200595 foram julgados na Sessão de 08/10/2013 pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção, onde foi dado provimento parcial, por voto de qualidade, ao recurso voluntário. Contudo, tal acórdão ainda encontrase pendente de formalização, sendo portanto, uma decisão precária, inapta a definir o julgamento dos lançamentos de PIS e COFINS em discussão nestes autos. Não obstante, na análise do recurso voluntário dos presentes autos, este Colegiado decidiu dar provimento parcial à insurgência do sujeito passivo em razão do nexo causal entre as exigências de créditos tributários, tendo em vista que os lançamentos de PIS e de COFINS destes autos são decorrentes da mesma infração tributária do IRPJ e CSLL reflexa lançados nos autos do Processo Administrativo nº 19515.002353/200595. Eis a ementa do acórdão 1801001.776: (…) Verificase, pois, que o Colegiado entendeu que os autos de infração de PIS e de COFINS devem ter o mesmo destino do lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa. Ocorre que, independente da relação de causalidade entre os lançamentos, não houve o trânsito em julgado do processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento de IRPJ e CSLL reflexa, não tendo as partes sido ainda intimadas do teor do r. acórdão; que sequer, diga se de passagem, foi devidamente formalizado, conforme se constata em consulta ao eprocesso. Assim sendo, fazse mister sobrestar o presente feito até que advenha decisão definitiva no referido processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa, ou, ainda, apensar os processos a fim de que corram juntos. Destaquese que tal providência é relevante tendo em vista que, caso assim não se proceda, abrirseá espaço para decisões conflitantes e incompatíveis entre si. Cabe ressaltar a possibilidade de que a decisão proferida no lançamento principal de IRPJ seja objeto de recurso por ambas as partes, vez que o provimento foi parcial, sendo, neste caso, passível de reforma pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Devem, pois, ser adotadas medidas para evitar a situação absurda do lançamento do processo considerado principal (IRPJ e CSLL reflexa) ser julgado procedente e os lançamentos dos processos de lançamento de PIS e Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302002.105 S1C3T2 Fl. 1.493 5 de COFINS decorrentes serem considerados inválidos em face de razões que não mais subsistam. Assim sendo, imperioso que o Colegiado se pronuncie acerca da ausência de definitividade da decisão no processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa e os possíveis reflexos, no presente feito, no caso de decisão diversa da decidida ainda poder ser tomada pela CSRF naquele processo (nº do processo nº 19515.002353/200595). Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que os presentes Embargos de Declaração sejam recebidos, conhecidos e providos para que seja sanado o vício apontado, tendo em vista a interdependência entre os autos de infração decorrentes da mesma infração, PIS e COFINS decorrentes do IRPJ e CSLL reflexa. Requerse, também, sejam adotadas medidas a fim de evitar decisões conflitantes, tais como a suspensão do presente feito até que sobrevenha decisão final no processo considerado principal (19515.002353/200595) ou, ainda, a reunião destes feitos aos de nº 19515.002353/200595.” O despacho de admissibilidade da Presidente da 3ª Câmara (a fls. 1487 e segs.) assim dispõe: “Notificada da referida decisão em 07.01.2014, a PGFN opôs embargos de declaração em 15.01.2014(§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: (...) Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: (...) A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, é imperioso que o Colegiado se pronuncie acerca da ausência de definitividade da decisão no processo nº 19515.002353/200595, referente ao lançamento principal de IRPJ e CSLL reflexa e os possíveis reflexos, no presente feito, no caso de decisão diversa da decidida ainda poder ser tomada pela CSRF naquele processo (nº do processo nº 19515.002353/200595). Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos.” Fl. 1495DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator O despacho de encaminhamento a fls. 1474 informa que a data de remessa dos autos para ciência do acórdão recorrido pela Fazenda Nacional, ora embargante, se deu em 07/01/2014, logo houve a intimação pessoal presumida da embargante em 05/02/2014 (quartafeira), nos termos do art. 7º, §§ 1º e 3º, da Portaria MF nº 527/2010, razão pela qual os embargos de declaração opostos em 15/01/2014 (vide despacho de encaminhamento a fls. 1479) são tempestivos (art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, RICARF). Os embargos de declaração são o remédio processual adequado quando a decisão embargada incorre em obscuridade, em contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou em omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. No entanto, a jurisprudência tem acolhido embargos quando a decisão embargada parte de premissa equivocada, se não vejamos o seguinte julgado: "EDcl no REsp 1237176 SP 2011/00314200 Orgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Publicação DJe 28/08/2013 Julgamento 20 de Agosto de 2013 Relator Ministra ELIANA CALMON 1.1.1 . Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO DE PREMISSA FÁTICA. ACOLHIMENTO PARA ANULAR JULGAMENTO ANTERIOR. POSTERIOR INCLUSÃO EM PAUTA. 1. Verificada a ocorrência de erro de premissa fática no julgamento do recurso especial, consistente no julgamento de matéria diversa da constante nos autos, acolhemse os embargos de declaração para anular o acórdão exarado e, posteriormente, reincluir o feito em pauta. 2. Embargos de declaração acolhidos.". Ora, a decisão embargada partiu de uma premissa equivocada, por entender que a decisão proferida nos autos do PAF nº 19515.002353/200595 era definitiva. Tanto tal decisão não era definitiva que os embargos de declaração opostos em face dela foram julgados nesta mesma assentada, tendo sido dado efeitos infringentes a tais embargos. Somese a isso o fato de que a matéria destes autos deveriam ter sido enfrentadas pela Relatora, mesmo porque, se já havia sido julgado o recurso voluntário objeto do PAF 19515.002353/200595 no momento deste julgamento, sequer havia possibilidade de se solicitar a conexão dos processos, já que se encontravam em fases distintas. É legítima a adoção da técnica de fundamentação referencial (per relationem), Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200530 Acórdão n.º 1302002.105 S1C3T2 Fl. 1.494 7 utilizada quando há expressa alusão a decisão anterior, mas, no caso em tela, a Relatora sequer fez alusão a fundamentos, nem muito menos de decisão anterior, mas apenas reportou o resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 19515.002353/200595 e vinculou a sorte deste processo àquele, embora sequer houvesse decisão definitiva naquele. Ressaltese que a anulação do acórdão embargado, importa em submeter esses autos ao sorteio de um novo relator, já que este Relator não foi o relator do acórdão que julgou o recurso voluntário, tendo recebido os presentes embargos por direcionamento. Assim, voto por acolher os embargos de declaração, para anular o Acórdão nº 1801001.776 e, consequentemente, submeter estes autos ao sorteio de novo Relator, para que seja proferida nova decisão. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1497DF CARF MF
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Numero do processo: 13677.000013/99-72
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO.
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomía.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação também do Decreto n092.698/86 e Decreto-lei n° 2049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n0111O/95 e suas reedições, especificamente a MP. n° 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18,9 2°, culminando na Lei nº 10522/02, do art.77 da Lei nº 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF nº 31/97, do Decreto n° 20910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias
predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação
das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos
órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a
aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios
constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8429/92, art 4° e Lei n° 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-30.972
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio Fonseca Soares votaram pela conclusão.
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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DRJ/JUIZ DE FORA/MG FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomía. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - sua não ocorrenCla ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação também do Decreto n092.698/86 e Decreto-lei n° 2049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade admínistrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n0111O/95 e suas reedições, especificamente a MP. n° 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18,9 2°, culmínando na Lei nO 10522/02, do art.77 da Lei nO9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF nO31/97, do Decreto n° 20910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e admínistrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a ~nterpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos admínistrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8429/92, art 4° e Lei n° 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Mastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 301- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio Fonseca Soares votaram pela conclusão. Brasília-DF, em 03 de dezembro de 2003 ~---- ~EIRO~ Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e ROOSEVELT BALDOMIR SOSA. • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.478 301-30.972 MINERAÇÃO ROCHA DAS PEDRAS LTDA DRJ/JUIZ DE FORAlMG JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • A contribuinte acima identificada requereu à' fl.01, com juntada de documentos de fls. 02/26, a compensação de valores recolhidos a título de FINSOCIAL referentes aos períodos de apuração janeiro de 1991 a março de 1992, que considera ter pago a maior ou indevidamente, conforme demonstrado às fls. 05, com débitos vincendos da COFINS e CSLL. A Decisão SASIT/DRF/DNS nO 10665.000148/00, às fls. 28/30, exarada pela Delegacia da Receita Federal em DivinópolislMG. Em 27/1012000, indeferiu a solicitação da interessada, em síntese, com base no decurso do prazo decadencial previsto no artigo 168 da Lei nO5.172/1966 (CTN) e no Ato Declaratório SRF nO96 de 26 de novembro de 1999. A interessada manifestou sua inconformidade às fls. 32/39, quando, após ressaltar que nenhum outro óbice foi exposto pela autoridade administrativa para indeferir o pleito exceto o da extinção do seu direito nos termos dos artigos 165, I e 168, I da Lei 5.172/66 (CTN), argumenta, em resumo, que, segundo o entendimento de nossos tribunais pátrios, por ser o FINSOCIAL uma contribuição cujo lançamento é feito por homologação o prazo de cinco anos para a decadência do direito de compensar o indébito tributário começa a fluir a partir de sua homologação ou, se inerte o Fisco, após o término do prazo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, como se infere do 9 40 do art. 150 do CTN. Alega também que, reconhecido o seu direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o FINSOCIAL, a correção monetária deve ser aplicada em toda a sua plenitude desde a data do efetivo pagamento indevido. Para corroborar sua defesa, transcreveu trechos retirados de Acórdãos emanados dos Tribunais Regionais Federais. A DRJ/Juiz de Fora indeferiu a solicitação da contribuinte alegando que: "O direito de pleitear a compensação extingue-se com decurso do pra:zo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado nos casos de lançamento por homologação." 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Inconformada a contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes reiterando os argumentos anteriores, os quais reforça citando trecho de Acórdão da 23 Turma do TRF/43 Região que diz: " • O recolhimento do FINSOCIAL em percentual superior a 5% constitui pagamento indevido passível de compensação nos termos do artigo 66 da Lei n° 8383/91, com parcelas vincendas da COFINS. • • A semelhança de que ocorre na repetição de indébito, deve serreconhecido o direito à correção monetária integral nacompensação (Súmula nO37 do TRF), segundo a variação do BTNF, INPC e UFIR, sendo igualmente devidos, no cálculo da correção monetária, os expurgos do IPC nos meses de março, abril e maio de 1990, e fevereiro de 1991 (Súmula nO 37 do TRF da 43 Região) • • O direito de repetir o indébito no caso de tributo autolançado e sobre o qual não houve manifestação expressa do Fisco extingue-se após o decurso de 10 (dez) anos contados da ocorrência do fato gerador." A contribuinte encerra requerendo que seja recebido e processado o recurso ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, para reexame da matéria e julgamento, devendo a final, ser reconhecido o direito pleiteado pela recorrente, à compensação de seu crédito por pagamento indevido da contribuição a FINSOCIAL, atualizado plenamente, sem nenhum expurgo inflacionário. . É o relatório. 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 VOTO • • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) o Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; lI. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; III. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista no inciso I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nos incisos lI, III e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; 1II. Na hipótese prevista no inciso V do art. 201, da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista no inciso VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: "446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também erga omnes, sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 feito, isto é, por quem haja ingressado em juízo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afIora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, senc!o nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática. Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, írrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 42). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada. pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, 6 MINlsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • redundante ou inútil seria a provlsao do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45 ) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: . I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBillNTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • IH. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: 1. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e H do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; H. Na hipótese prevista na alínea IH do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; • lII. Nas hipóteses previstas na alínea IV do.artigo 130,da data emque transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que severificar o inadimplemento da condição suspensiva ou oimplemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, á Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. o Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 nOI) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nOI). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e. 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente aquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu'o sistema do vigente decreto n° 20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. IOdo Decreto n° 20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfãndegas (interpretado pelo decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei n° 5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos ex nunc. A mens legislatori dá lugar à mens legis. As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 126.478 301-30.972 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso II do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto nO 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • • esse direito, in casu se ongmou da declaração de inconstitucionalidade. • o Código Tributário Nacional vigente, passou então, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 11- PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei n° 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei nO9.784/99, aplicável aos processos adminístrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão nO CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário . Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público nO2/93, pp. 267/276). 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. (Do Controle da Constitucionalidade, ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário nO 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, pp.70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há - de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 - p. 143) Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • • diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores. Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico, há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se Justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (...)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma. de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRA TIVA A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • • Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode. ser afàstado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • A Constituição, sensível aos VICIOS identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade . Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, ta!llbém, ao seguinte: ...." A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar. de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não-moralidade. (grifei). 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 • o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juízes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer beneficios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucional, resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 pp. 209/222) 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpIO da. moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. o princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não) '." Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constituc~onal incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a sen1idão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o minimo de recursos e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22).(grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. Exclui. também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se toma válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. o princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas- intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legal. buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pública. Não permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral. uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público nO11/95 pp. 45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União qae o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 e tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais, visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gera~o, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argüi a inconstitucionalidade m FAZENDÁRIO INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE o interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica". Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extrajurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais, limitam o poder de tributar e sancionar. O propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal, predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito Público nO13/96, p. 16) O interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. O interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer nO 877/03, aprovado e publicado no D.O.V. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV- NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL: 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN n° 1238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p 169). Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 38 Região 68 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 48 T. do TRF 38 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado 1).0 Dm de 02/04/93, devendo a partir desta data ter inicio o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão nO 1999.03.074347-5-SP-TRF 38 Região- 68 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11.- Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. 111 - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 agosto de 1995 e da Medida Provisória nO1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da Lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 38 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes: Trancham S/A Ind. e Com. E União Federal/Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos_ DJU 02/10/01 p. 159 - ementa oficial" Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto nO20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. nO 20.910, de 06/01132, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. 1° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). O art. 146, inciso IH, alínea "b", da c.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com status de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória n° 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei n° 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas. A partir da edição da MP. n° 1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: "9 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição "ex oflicio" de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/OI-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto - lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei nO2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional ; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01103/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da : promulgação da Constituição). o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. v- COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso 11, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de nO111, verbis: "111- fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado - Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF -06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 07/05/99). 126.478 301-30.972 Há também o Parecer AGU n° 02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI- ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar nO73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria - Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IH e arts. 39 a 44 da referida Lei. . Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99. • Parecer PGFN/CAT nO550/99 - termo "a quo" nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF la Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. • Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo. a respeito (Lei nO20910/32). • Conclui pela .atenuação ex tune de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF439/96 • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF n° 439/96, incluindo também as DRJ, além dos C.C., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 1) 2) 3) 126.478 301-30.972 Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva". constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: decisão do STF, ainda que única, em ADIN; idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3 - Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • • • • • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). o Senado não conferiu a eficácia erga omnes à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos erga omnes no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavoráve~ às partes envolvidas. 27 MINIsTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 126.478 301-30.972 o Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9784/99, aplicável subsidiariamente, que, em seus arts. 2°, parágrafo único, inciso I prescreve: "Art. 2° . Parágrafo único_Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: II - Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. VII- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRATIVOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Além disso, o Dec. nO 2346/98 em seu art.4° apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 I. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 111. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos:. 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MF nO227/98 (revogada), artigos 1° e 190, e pela Portaria MF nO259/01, artigos l° e 209. Por elas, vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo l°, inciso V e artigo 209, incisos XXVII e XXVIII, da Portaria MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante à restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recursaIS. 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Ainda na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT n° 58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. VID- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos (Ias decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11,da Constituição Federal. A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150,11, da c.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade .de lei foi confirmado pela Lei nO9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S IOdo art. 102 da Constituição Federal. 30 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de. lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei n° 9868, de 10/11199. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei n° 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia éonstitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o ~3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do ~ 1° do art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da c.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. . IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I -Tributos Lançados por homologação No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo l° do Decreto nO20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II - Necessidade de Lei Complementar 31 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.478 301-30.972 Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146, 111,"b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, inciso 111. o FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei nO 2.049/83, regulamentado pelo Decreto nO92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o "status"de lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei nO 2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111- Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP n° 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. nO1621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2003 OSÉ LENCE CARLUCI - Relator 32 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001198/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA.
A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE.
Considera-se salário-de-contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-005.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE. Considera-se salário-de-contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 115 1 114 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001198/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.027 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria REMUNERAÇÃO INDIRETA: VEÍCULOS Recorrente M & G FIBRAS E RESINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 98 /2 00 9- 13 Fl. 116DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19515.001198/200913 Acórdão n.º 2301005.027 S2C3T1 Fl. 116 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 08/04/2009 para constituição da contribuição destinada a entidades e fundos SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e FNDE, sobre remuneração indireta, veículo para uso particular do segurado empregado. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas aos Terceiros devem ser recolhidas juntamente com as contribuições previdenciárias, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil efetuar sua cobrança. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), de sua própria elaboração. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 118DF CARF MF 4 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, através do Auto de Infração n° 37.208.1150, de 08/04/2009, correspondente a parte destinada aos terceiros SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA c FNDE, para a matriz e todas as filiais da empresa, no período de 01/2004 a 12/2004, no montante de R$ 35.630,55 (Trinta e cinco mil seiscentos e trinta reais e cinqüenta e cinco centavos). O Relatório Fiscal, de fls.08/13, informa que constitui fato era or do presente lançamento veículos disponibilizados aos empregados de forma permanente no período de 01/2004 a 12/2004 Levantamento código VEI. ... Informa ainda o Relatório Fiscal, em síntese, que: No exame da contabilidade da empresa e dos documentos apresentados, constatouse ser prática do contribuinte a colocação de veículos à disposição de seus empregados, vendedores, gerentes e diretores, de forma permanente, conforme relação de veículos em planilha anexa, fornecida pela própria empresa, em meio magnético, e anexada ao presente processo. Tais veículos ficam à disposição desses segurados de forma permanente, fora do horário normal de expediente, sábados, domingos, feriados e férias, caracterizando, portanto, salário indireto. Para apuração da base de cálculo da contribuição em pauta, foram considerados os valores lançados a titulo de depreciação dos citados veiculos, seguros de veículos, licenciamento, IPVA/DPVAT e manutenção, na contabilidade da empresa, conforme detalhado em planilha elaborada pela fiscalização também em meio magnético e anexada ao processo. Tais valores de depreciação, seguros, IPVA/DPVAT, licenciamento e manutenção, foram informados pela própria empresa em planilha fornecida em meio magnético, também anexada ao processo, e estão de acordo com a contabilidade apresentada. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 19515.001198/200913 Acórdão n.º 2301005.027 S2C3T1 Fl. 117 5 A contabilidade da empresa foi apresentada em arquivo magnético padrão MANAD (anexado aos autos) para o ano verificado de 2004, assim como sua folha de pagamento. Os veículos são disponibilizados para Diretores e Gerentes e para vendedores externos, sendo que, tais vendedores utilizam os veículos também durante o horário de expediente para a execução do seu trabalho. Sendo assim, utilizamos um critério para os veiculos cedidos aos Diretores e Gerentes (empregados administrativos) e outro para os veiculos cedidos aos Vendedores externos. Para os veículos cedidos aos Diretores e Gerentes, consideramos como base de cálculo de contribuição previdenciária o total (100%) dos valores mensais relativos à depreciação, seguro, licenciamento, IPVA/DPVAT e manutenção de tais veículos, apurados conforme planilha elaborada pela fiscalização, em meio magnético, baseada nas informações fornecidas pela própria empresa, devidamente contabilizadas. Para os veiculos cedidos aos vendedores externos, consideramos como base de cálculo de contribuição previdenciária 35% (trinta e cinco por cento) dos valores mensais totais relativos à depreciação, seguro, licenciamento, IPVA/DPVAT e manutenção de tais veiculos, também apurados conforme planilha elaborada pela fiscalização em meio magnético, baseada nas informações fornecidas pela própria empresa, devidamente contabilizadas. Consideramos o percentual de 35% do valor total das despesas de veiculos como base de cálculo das contribuições previdenciárias em razão de: Os beneficiários dos veículos cedidos os utilizam durante os cinco dias úteis da semana. Dessa forma, os veículos são utilizados de forma particular por cada beneficiário apenas em 52 domingos, mais 52 sábados, mais 10 feriados (9 nacionais e 1 municipal), e durante 15 dias de férias (descontados os dias não úteis das férias) o que totaliza 129 dias. Dessa forma, 129 dias multiplicado por 100, dividido por 365 nos levam a um percentual aproximado de 35%. Portanto, aplicandose o percentual de 35% sobre o valor lançado pelo contribuinte a título das despesas anteriormente mencionadas, encontramos a base de cálculo para apurarse a contribuição não recolhida, conforme detalhado na já citada planilha. Constam das referidas planilhas elaboradas pela fiscalização e também da planilha fornecida pela própria empresa, os nomes dos empregados para os quais foram disponibilizados tais veículos, sejam eles Diretores, Gerentes ou Vendedores. Não calculamos a parte dos segurados da contribuição devida, pois os empregados beneficiados por esse salário indireto já se Fl. 120DF CARF MF 6 encontram contribuindo pelo teto máximo do salário de contribuição da previdência social. Foram examinados durante a ação fiscal os seguintes documentos: GPS, GFIPS, Folhas de Pagamento, Planilha de veículos fornecida pela empresa, Contabilidade da empresa apresentada em arquivo magnético padrão MANAD e outros. Como os elementos de prova citados neste processo foram os mesmos utilizados no Auto de Infração n° 37.208.1150, lavrado nesta ação fiscal e lançado separadamente por razões procedimentais, informamos que tais elementos estão anexados apenas neste AI, mas servem de prova e de anexos para os demais já citados, emitidos nessa mesma ação fiscal. O recorrente reitera as alegações em impugnação, em síntese: PRELIMINARES DE DIREITO Apresentamse uma preliminar de direito e um protesto: a) houve cerceamento de defesa na medida em que se constata a ausência de um Discriminativo do Débito escrito em que apresenta os beneficiados pelos pagamentos e os valores mensais de cada um deles, o que configura um constrangimento ao direito constitucional de ampla defesa (CF, art. 5º, LV). b) protesta pela juntada de documentos, provas, perícias e pareceres favoráveis ao procedimento da defendente e também, quando for o caso, pela apresentação das GPS relativas a contribuições recolhidas como devidas pelo contribuinte. DO DIREITO A cessão de veículos aos empregados é matéria tormentosa no Direito do Trabalho, repercutindo na previdência social. Além do valetransporte e dos ônibus contratados pela empresa existem, grosso modo, pelo menos duas modalidades básicas de fornecimento que envolve a presente autuação: a) para o exercício da atividade profissional, hipótese em que não é considerado salário, mas ferramenta de trabalho; e b) entrega pura e simples, constituindose em salário in natura. As despesas com o transporte necessário ao trabalho em fontes de trabalho são tidas como imprescindíveis à execução do serviço e, consequentemente, não integram o saláriode contribuição, no entender do venerando DNPS (Resolução CD/DNPS n° 362/71 Proc. MTPS n° 13.327/71, in BS/DS n° 154, de 13.8.71 e do subitem 39.2, c, da Portaria SPS n° 2/79). A defendente cede os veículos para que os empregados possam realizar as suas incumbências laborais. Se em alguma circunstância, deles se servem como meio de locomoção de suas residências para trabalho e do trabalho para suas residências, ela o faz visando a ter certeza de um transporte ideal. E, ainda, se com eles permanecem no pernoite, essa disponibilidade do veículo faz parte de uma concessão que visa otimizar a relação jurídica trabalhista, propiciando conforto aos Fl. 121DF CARF MF Processo nº 19515.001198/200913 Acórdão n.º 2301005.027 S2C3T1 Fl. 118 7 seus colaboradores. Não há aí “animus contrahendi " de ter o valor correspondente como remuneração. De modo geral, o máximo que a jurisprudência tem acolhido é considerar 5/7 por semana como sendo ferramenta de trabalho e 2/7 como remuneração, conclusão que induz ao recolhimento da contribuição correspondente. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 123DF CARF MF Processo nº 19515.001198/200913 Acórdão n.º 2301005.027 S2C3T1 Fl. 119 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento quanto a ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento, entendo que no presente caso a motivação apresentada no lançamento é suficiente para o pleno conhecimento por parte da recorrente desses beneficiários, bastando para tanto examinar suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. Não há prejuízo à defesa quando o lançamento alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Fl. 124DF CARF MF 10 Ainda assim, está consignado no relatório fiscal que o recorrente recebeu em meio magnético uma planilha nominal. Ressaltase, também, que vícios de nulidade na decisão, em regra, não contaminam os atos processuais anteriores, como dispõe o artigo 59, §1º do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. No mérito, o recorrente não demonstra a proporção do uso a serviço, apenas traz o entendimento de que o deslocamento residência/trabalho e viceversa teria natureza de auxíliotransporte; portanto, também não sujeito à incidência. Porém, no presente caso, a fiscalização, de forma diligente e cálculo coerente, traz para a incidência tributária somente o valor correspondente ao período em que os veículos se destinaram a uso particular. Nesse caso, de fato, caberia a recorrente trazer elementos de prova de que não se trataria de remuneração indireta, mas de uma uso para o trabalho, o que não o fez. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 125DF CARF MF Processo nº 19515.001198/200913 Acórdão n.º 2301005.027 S2C3T1 Fl. 120 11 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907929/2012-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.824
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.823, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 29 /2 01 2- 78 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907929/201278 Acórdão n.º 9303004.824 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10875.907929/201278 Acórdão n.º 9303004.824 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10875.907929/201278 Acórdão n.º 9303004.824 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901103/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 03 /2 01 3- 91 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901103/201391 Acórdão n.º 1302002.257 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901103/201391 Acórdão n.º 1302002.257 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901103/201391 Acórdão n.º 1302002.257 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000157/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2007
NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL - INOCORRÊNCIA
Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo.
Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa.
NULIDADE - UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA - POSSIBILIDADE - RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
A utilização de conjunto probatório - utilizado como prova subsidiária - produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária.
A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
ATOS ADMINISTRATIVOS - PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - AFERIÇÃO INDIRETA - POSSIBILIDADE.
O § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Tendo o conjunto probatório demonstrado a real relação de trabalho acobertada por interposta pessoa jurídica, é legalmente permitido à fiscalização que se presuma essa relação, para efeitos de lançamento de crédito tributário previdenciário, cujo ônus da sua desconstituição cabe ao contribuinte.
PROVAS - CAPACIDADE PARA VALIDAREM RELAÇÃO SOCIETÁRIA E DIRETIVA - DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DOS PRESTADORES DE SERVIÇO EM SEDE ADMINISTRATIVA PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS - POSSIBILIDADE
Tendo o conjunto probatório demonstrado que os sócios únicos de empresas interpostas exerciam cargos de gestão na empresa autuada, resta configurada com estas a relação societária e diretiva daqueles, fato que, no caso, revelou a prestação de serviço pessoal, habitual e onerosa dos mesmos à contribuinte, o que enseja a desconsideração do contrato de prestação de serviço para que se efetue o lançamento fiscal, decorrente da ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária.
São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho.
PROCESSO JUDICIAL CRIMINAL - ABSOLVIÇÃO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA.
As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo judicial criminal, ao ponto de uma absolvição neste campo não refletir, nem interferir na constatação de fato gerador tributável.
RELAÇÃO DE TRABALHO - INOBSERVÂNCIA EM INSPEÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA.
As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo administrativo trabalhista, ao ponto da regularização de uma relação de trabalho, ou a não constatação de relação trabalhista nesta seara não refletir, nem interferir, na verificação de fato gerador tributável.
DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO - ARTIGO 173, I, DO CTN - INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de lançamento de ofício de crédito tributário previdenciário cujos fatos geradores foram omitidos em GFIP, para apuração da decadência, aplica-se o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I)
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, são sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC (Lei 8.212/91, Art. 35; Lei nº 9.430/96, Art. 61, § 3º e 5º, § 3º; Súmula CARF nº 04).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 25/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2007 NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL - INOCORRÊNCIA Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. NULIDADE - UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA - POSSIBILIDADE - RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. A utilização de conjunto probatório - utilizado como prova subsidiária - produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária. A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. ATOS ADMINISTRATIVOS - PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - AFERIÇÃO INDIRETA - POSSIBILIDADE. O § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tendo o conjunto probatório demonstrado a real relação de trabalho acobertada por interposta pessoa jurídica, é legalmente permitido à fiscalização que se presuma essa relação, para efeitos de lançamento de crédito tributário previdenciário, cujo ônus da sua desconstituição cabe ao contribuinte. PROVAS - CAPACIDADE PARA VALIDAREM RELAÇÃO SOCIETÁRIA E DIRETIVA - DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DOS PRESTADORES DE SERVIÇO EM SEDE ADMINISTRATIVA PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS - POSSIBILIDADE Tendo o conjunto probatório demonstrado que os sócios únicos de empresas interpostas exerciam cargos de gestão na empresa autuada, resta configurada com estas a relação societária e diretiva daqueles, fato que, no caso, revelou a prestação de serviço pessoal, habitual e onerosa dos mesmos à contribuinte, o que enseja a desconsideração do contrato de prestação de serviço para que se efetue o lançamento fiscal, decorrente da ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho. PROCESSO JUDICIAL CRIMINAL - ABSOLVIÇÃO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo judicial criminal, ao ponto de uma absolvição neste campo não refletir, nem interferir na constatação de fato gerador tributável. RELAÇÃO DE TRABALHO - INOBSERVÂNCIA EM INSPEÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo administrativo trabalhista, ao ponto da regularização de uma relação de trabalho, ou a não constatação de relação trabalhista nesta seara não refletir, nem interferir, na verificação de fato gerador tributável. DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO - ARTIGO 173, I, DO CTN - INOCORRÊNCIA. Em se tratando de lançamento de ofício de crédito tributário previdenciário cujos fatos geradores foram omitidos em GFIP, para apuração da decadência, aplica-se o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, são sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC (Lei 8.212/91, Art. 35; Lei nº 9.430/96, Art. 61, § 3º e 5º, § 3º; Súmula CARF nº 04). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. NULIDADE UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. A utilização de conjunto probatório utilizado como prova subsidiária produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária. A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 57 /2 00 8- 17 Fl. 1200DF CARF MF 2 ATOS ADMINISTRATIVOS PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE. O § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tendo o conjunto probatório demonstrado a real relação de trabalho acobertada por interposta pessoa jurídica, é legalmente permitido à fiscalização que se presuma essa relação, para efeitos de lançamento de crédito tributário previdenciário, cujo ônus da sua desconstituição cabe ao contribuinte. PROVAS CAPACIDADE PARA VALIDAREM RELAÇÃO SOCIETÁRIA E DIRETIVA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DOS PRESTADORES DE SERVIÇO EM SEDE ADMINISTRATIVA PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS POSSIBILIDADE Tendo o conjunto probatório demonstrado que os sócios únicos de empresas interpostas exerciam cargos de gestão na empresa autuada, resta configurada com estas a relação societária e diretiva daqueles, fato que, no caso, revelou a prestação de serviço pessoal, habitual e onerosa dos mesmos à contribuinte, o que enseja a desconsideração do contrato de prestação de serviço para que se efetue o lançamento fiscal, decorrente da ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho. PROCESSO JUDICIAL CRIMINAL ABSOLVIÇÃO REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo judicial criminal, ao ponto de uma absolvição neste campo não refletir, nem interferir na constatação de fato gerador tributável. RELAÇÃO DE TRABALHO INOBSERVÂNCIA EM INSPEÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo administrativo trabalhista, ao ponto da regularização de uma relação de trabalho, ou a não constatação de relação trabalhista nesta seara não refletir, nem interferir, na verificação de fato gerador tributável. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ARTIGO 173, I, DO CTN INOCORRÊNCIA. Em se tratando de lançamento de ofício de crédito tributário previdenciário cujos fatos geradores foram omitidos em GFIP, para apuração da decadência, aplicase o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I) Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.166 3 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, são sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC (Lei 8.212/91, Art. 35; Lei nº 9.430/96, Art. 61, § 3º e 5º, § 3º; Súmula CARF nº 04). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 628/709) interposto contra decisão da DRJSPOI (fls. 561/624) que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através do Auto de Infração DEBCAD nº 37.211.3060 (fls. 01/79) no valor de R$ 68.083,03, sendo R$ 42.205,59 de principal, R$ 12.661,77 de multa de ofício e R$ 13.215,67 de juros; lavrado em decorrência de procedimento fiscal realizado nos registros da Recorrente, precedido de Mandado de Procedimento Fiscal nº 0812800.2008.00106 e Termo Fl. 1202DF CARF MF 4 de Intimação para Apresentação de Documentos (fls. 391, 394, 406) – relativo às Contribuições devidas à Previdência Social pelo segurado enquadrado na categoria "contribuinte individual" (empresário/administrador), rubrica "Contrib indiv", nas competências novembro de 2003 a outubro de 2007, incidentes sobre a remuneração recebida na empresa, não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, "Levantamento: "PLA PRO LABORE AFERIDO". Segundo consta de trechos do relatório do Acórdão da DRJ (fls. 564/565), o Relatório Fiscal acostado às fls. 25/74 esclarece que o procedimento fiscal é reflexo: “(...) das ações desenvolvidas na "Operação Persona", deflagrada em 16 de outubro de 2007, fruto de dois anos de investigações conjuntas do Departamento da Polícia Federal DPF, da Receita Federal do Brasil RFB, do Ministério Público Federal MPF e da Justiça Federal, objetivando apurar a existência de diversos ilícitos, tais como, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, entre outras, que resultou na retenção judicial de mercadorias em despacho e trânsito aduaneiro, retenção judicial dos estoques de mercadorias e na apreensão de vasto material que comprovam os ilícitos; 2.2. a ação principal sobre o assunto tramita na 4a Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo SP (Processo n° 2005.61.81.0092851). De acordo com manifestação judicial, todo o material apreendido ficou a disposição para manuseio pela Receita Federal do Brasil RFB mediante solicitação ao Departamento da Polícia Federal; 2.3. como fontes subsidiárias de informação foram utilizados, também, os documentos e arquivos magnéticos apreendidos, conforme autorização judicial contida no Ofício n° 3693/2008 S & SVZ da Quarta Vara Criminal 18a Subseção Judiciária de São Paulo. Os documentos analisados, além dos apreendidos, foram: Folhas de Pagamento, Livros Diário e Razão, notas fiscais de serviço, recibos de pagamento e contratos de prestação de serviços; 2.4. verificouse que o contribuinte possuía, além dos sócios ostensivos constantes no contrato social e alterações, sócios ocultos, integrantes do capital social da empresa por intermédio de instrumento particular de cessão de ativos e participações societárias e contrato associativo de investimentos não registrados na Junta Comercial, que demonstram a participação de todas as pessoas físicas integrantes deste lançamento fiscal; 2.5. verificouse, também, que estas pessoas físicas recebiam parte (sócios ostensivos) ou a totalidade (sócios ocultos) da remuneração pelos serviços prestados ao contribuinte por intermédio de pessoas jurídicas por eles constituídas. Os valores lançados no presente auto referemse à constatação da utilização destas empresas interpostas; 2.6. as contribuições previdenciárias referentes à cota patronal foram apuradas à alíquota de 11% (vinte por cento), observados os limites máximos dos salários de contribuição mensais, incidentes sobre a base de cálculo apurada mensalmente; 2.7. embora tenham sido lançadas as contribuições dos segurados empresários na forma do art. 4o da Lei n° 10.666/2003, não ficou caracterizado o crime de apropriação indébita previdenciária, uma vez que Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.167 5 estas contribuições não foram arrecadadas pela empresa dos segurados. Tal fato, porém, não exime o contribuinte de seu recolhimento, conforme dispõe o art. 33, § 5 o da Lei n° 8.212/91; 2.8. a base de cálculo compreende a remuneração aferida à razão de 100% (cem por cento) do valor das notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas, cujos sócios foram considerados como segurados empregados do contribuinte, conforme demonstrativo elaborado, e foram extraídas dos livros contábeis cm lançamentos não escriturados em contas contábeis próprias para a demonstração dos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, fato constatado através da análise e utilização da documentação apreendida. Estes valores não constaram da base dc cálculo das contribuições previdenciárias da empresa, nem foram lançados nas Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, e correspondem ao levantamento "PLA PRO LABORE AFERIDO. 2.9. através destes documentos comprovouse que os sócios do contribuinte utilizaramse de pessoas jurídicas interpostas para o recebimento de sua remuneração (prólabore), razão pela qual seus sócios foram enquadrados como segurados empresários (contribuintes individuais a serviço do contribuinte), aferindose como remuneração de cada um os valores pagos às pessoas jurídicas por eles constituídas; 2.10. as bases de cálculo utilizadas correspondem aos valores integrais constantes em notas fiscais e recibos discriminados na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", que informa o beneficiário, o serviço prestado, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o correspondente Livro Diário onde se encontra o lançamento; 2.11. a aferição tem fundamento no art. 33, §§ 3 o e 6o , da Lei n° 8.212/91, que determinam, inclusive, a inversão do ônus da prova; 2.12. os Livros Diário utilizados encontramse relacionados, à exceção dos períodos de 21/12/2004 a 31/12/2004 (n° 36), 29/12/2005 a 31/12/2005 (n° 62) e 01/2006 a 10/2007, que foram apresentados apenas em meio magnético; 2.13. as provas anexadas são decorrentes das ações de busca e apreensão efetuadas pela Polícia Federal e tiveram sua utilização autorizada pela Justiça Federal. São documentos apreendidos nos endereços diligenciados para o cumprimento dos mandados, e arquivos magnéticos encontrados nos computadores apreendidos com os Srs. Fernando Machado Grecco (diretor da área de marketing), Marcelo Naoki Ikeda (diretor da área comercial), Marcílio Palhares Lemos (gerente do departamento financeiro) e Ronaldo Bertoni Chiarelli (Gerente do Departamento de Comunicação de Dados), sócios das empresas que prestaram serviços supostamente terceirizados Orpheus Comércio e Serviços Ltda., Marcelo Naoki Ikeda EPP, PLCON Fl. 1204DF CARF MF 6 Serviços Administrativos Ltda. EPP e Bertoni Chiarelli Tecnologia e Informática Ltda. EPP, respectivamente;” Na sequência do seu relatório, a autoridade fiscal expõe os motivos que a convenceram da ocorrência de simulação nos serviços prestados pelas pessoas físicas relacionadas, representadas por empresas interpostas, porém tipificadas pela fiscalização como sócios da Recorrente, que entendeu presentes os elementos configuradores da hipótese disposta no artigo 12, V, “f”, da Lei 8.212/91 – segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de contribuinte individual, titular de firma individual urbana que recebe remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana. Após discorrer sobre cada elemento jurídico configurador do vínculo econômico entre a Recorrente e as pessoas físicas nominadas, como a pessoalidade, a onerosidade, a habitualidade, a autoridade fiscal concluiu que a Recorrente encobriu relação de trabalho, pois utilizou contratos de prestação de serviços com empresas interpostas para ocultar a verdadeira situação jurídica laboral, qual seja, a prestação de serviços essenciais ao funcionamento da empresa por pessoas físicas, que no caso em questão, são os seus sócios ostensivos e ocultos. Cientificada do lançamento fiscal em 16/12/2008 (fls. 473), a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva em 15/01/2009 (fls. 474/540), cujas alegações, resumidas com clareza e pormenores no relatório do acórdão proferido pela DRJSPOI, adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcritas: “Das Preliminares Do cerceamento de defesa da Impugnante. Da violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa 6.1. O presente lançamento foi efetuado com base nos valores das notas fiscais de prestação de serviços, as quais, segundo a Fiscalização, seriam, em verdade, remuneração paga aos sócios da Impugnante. Ocorre que, não obstante as diversas menções a essas notas fiscais de serviços, bem como sua indicação na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas Através de Empresas Interpostas", não houve a juntada aos autos de nenhuma dessas notas. Tal expediente caracteriza cerceamento do direito de defesa da Impugnante, uma vez que não há nos autos qualquer elemento que lhe permita verificar a correção dos valores lançados pelas Autoridades Fiscais como base de cálculo das contribuições em cobrança, o que macula a autuação fiscal de completa e insanável nulidade, conforme manifestação dos Conselhos de Contribuintes; 6.2. Além disso, as Autoridades Fiscais fazem o cotejo dos pagamentos das notas fiscais com os lançamentos nos Livros Diário da Impugnante. Contudo, não houve, da mesma forma, ajuntada de cópia desses documentos aos autos, o que reforça a ocorrência de cerceamento de defesa. Dessa forma, diante da inexistência da prova da ocorrência dos fatos geradores e do montante apurado como base de cálculo das exações ora em cobrança, há que se reconhecer a nulidade do presente Auto de Infração; Da Nulidade das "Provas" Trazidas aos Autos Finalidade Exclusivamente Penal das "Provas" (...) Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.168 7 6.4. Ocorre que, muito embora alguns documentos apreendidos sejam de natureza comercial ou fiscal, portanto passíveis de exame pelo Fisco (art. 195 do CTN), os documentos que realmente fundamentam a autuação são aqueles obtidos com o único objetivo de instruir ação criminal e, sendo assim, jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal; 6.5. Com efeito, os mesmos elementos alçados ao patamar de "provas" pelo Ministério Público, que fundamentam as acusações penais, colhidas naquele procedimento específico, são utilizados pela Fiscalização para embasar a autuação fiscal em comento, conforme se verifica pela leitura do Relatório Fiscal. Contudo, esse procedimento fiscal viola o artigo 5º da Constituição Federal, incisos X, XI e XII, devendo a Turma Julgadora, já por esse motivo, determinar a desconstituição dos créditos tributários; (...) 6.7. A indevida utilização de provas penais acarreta outra dificuldade intransponível. A sua utilização implicaria considerar também as provas e os mecanismos à disposição da defesa no âmbito criminal, transportandose aquele contraditório especialíssimo para o bojo do procedimento fiscal, o que se mostra totalmente inviável. Assim, não há como utilizar provas penais sem assegurar à defesa os critérios garantidores do processo penal. Portanto, as informações e eventuais provas colhidas por meio de interceptação de telefonemas e de comunicações telemáticas somente poderão ser utilizadas para fins penais e jamais será admitida a sua utilização para outros fins, muito menos tributários; 6.8. Dessa forma, considerandose que as supostas provas utilizadas pela Fiscalização para fundamentar o Auto de Infração são elementos que somente poderiam, quando muito, ser aproveitados para fins penais, deverá ser reconhecido que o Auto de Infração carece de fundamentação fático probatória, determinando o seu cancelamento, pois excluídas as provas produzidas para fins exclusivamente penais, assim taxativamente consideradas pela lei, observarseá que não houve trabalho fiscal propriamente dito, decorrendo disto a insubsistência do Auto. Prova disso é que a Fiscalização afirma, expressamente, que a verificação dos supostos fatos geradores "não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida"; 6.9. O presente tópico não trata de pedido de declaração de inconstitucionalidade de norma (o que é reservado ao Poder Judiciário), mas sim de pedido para que essa Turma Julgadora reconheça a invalidade da pertinência de tais pretensas provas colhidas no âmbito criminal ao presente processo administrativo fiscal, nos termos da Lei e da Constituição, evitandose a aplicação do artigo 10 da Lei n° 9.296/96; Da Ausência de Relação entre as "Provas" e o Lançamento 6.10. Além do fato de que as supostas provas teriam, quando muito, finalidades única e exclusivamente penais, mesmo que assim não fosse, não poderiam ser utilizadas para fundamentar o lançamento, pois são documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de "minuta para discussão"; Fl. 1206DF CARF MF 8 6.11. Para constituição dos créditos previdenciários a Fiscalização, para concluir pela existência de vínculo societário e diretivo, valeuse de documentos como planilhas eletrônicas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, relatórios de auditoria e trechos de petições iniciais de Reclamações Trabalhistas. Esses documentos são relativos a apenas parte dos períodos autuados ou sequer possuem data, de forma que, mesmo que pudessem ser utilizados como prova de infração à legislação previdenciária, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim não poderiam gerar qualquer obrigação em relação a outros períodos; 6.12. A título de exemplo, vale citar os organogramas. Ora, com base em organograma supostamente relativo ao ano de 2006 (frisese, sem qualquer comprovação de autenticidade e não assinados), a Fiscalização atribuiu uma determinada estrutura organizacional à Impugnante, aplicandoa indistintamente e de forma genérica a todos os períodos e todos os prestadores de serviços que supostamente possuíam poder de comando e de direção na Impugnante. Da mesma forma, com base em suposto documento intitulado "Acordo de Associação com Opção de Compra de Quotas/Ações", datado de maio de 2007, atribuise valor fundamental para caracterizar como "sócios ocultos" todos aqueles que participariam do acordo associativo, com exceção óbvia dos sócios ostensivos, dandolhe efeitos para períodos anteriores a tal documento. E princípio basilar de direito que as provas devem ter relação direta com os fatos tidos como infracionais. Assim, não se pode admitir que documentos, por exemplo, do ano de 2006 ou 2007 (supostamente, já que vários não possuem data) sejam base para aferição indireta de contribuições previdenciárias dos anos de 2003, 2004 ou 2005; 6.13. O Conselho de Contribuintes já se deparou com questão semelhante, decidindo pela impossibilidade de manutenção do auto de infração. No caso os I. Conselheiros levantaram outro ponto de fundamental relevância: se a autuação for realizada com base em provas que se refiram a períodos distintos do auto de infração, tal lançamento é realizado, de fato, com base em simples suposições. E suposições jamais podem fundamentar autuações fiscais. 6.14. Desse modo, tais elementos probatórios não poderão ser aproveitados para fundamentar a constituição da contribuição previdenciária em tela, de modo que essa Turma Julgadora deverá determinar a anulação de tais lançamentos. Da Superficialidade da Fiscalização e da Falta de Verificação da Verdade Material Autuação com Base em Suposições. Nulidade. 6.15. Ante o princípio da estrita legalidade, e tendo em vista o fato de a atividade administrativa de lançamento ser plenamente vinculada, para que se verifique a efetiva realização da hipótese de incidência tributária, é muito importante e indispensável que se tenha certeza acerca dos fatos descritos no lançamento. Portanto, comete a fiscalização ilegalidade ao exigir da Impugnante contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido (suposta existência de vínculo societário e diretivo) e não provado. No caso em tela, para que o Auto de Infração pudesse subsistir, seria necessário que a fiscalização comprovasse, documentalmente, por meios diretos e não indiretos (presuntivos) a alegada existência de vínculo societário e diretivo, ante toda a documentação que lhe foi apresentada; Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.169 9 6.16. As supostas "evidências" descritas no Relatório Fiscal, tais como planilhas eletrônicas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, relatórios de auditoria e trechos de petições iniciais de Reclamações Trabalhistas, dentre outros, nada provam contra a Impugnante, principalmente no sentido de evidenciarse relação societária e diretiva. Resumiuse a fiscalização a apresentar meras ilações e a emitir juízos de valor sobre supostos documentos que jamais podem ser considerados como provas, e nem mesmo como meros indícios. Tratase, pois, de presunção das autoridades fiscais; 6.17. Mencionese que a Fiscalização não empreendeu quaisquer diligências às dependências ou estabelecimentos da Empresa, com a finalidade de efetuar verificação física dos segurados em serviço, para confronto com os registros e documentos da empresa, como lhe faculta o art. 229, § I o do Decreto n° 3.048/99; 6.18. Ora, nem que as supostas irregularidades em questão fossem possíveis, isso não autorizaria o Fisco considerálas fato jurídico tributável, pois, na hipótese de a presunção não corresponder à verdade como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará à mercê de ato indiscutivelmente arbitrário por parte do Poder Público, e que implicará penalidade injusta por uma falta que, de fato, não foi cometida. Justamente para resguardar os particulares de eventuais atos arbitrários por parte do Poder Público, é necessário que toda e qualquer irregularidade eventualmente verificada esteja severamente atrelada ao princípio da verdade material. Nessas condições, para que o Fisco Federal pudesse lavrar algum Auto de Infração em face da Impugnante, deveria, segundo o que preceituam os principias da verdade material e da legalidade, ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a alegada existência de sócios ocultos remunerados através de empresas interpostas; 6.19. Mais grave do que isso: na lavratura do Relatório Fiscal, as Autoridades Fiscais tomaram como base a documentação e as acusações que estão sendo objeto de verificação em processo criminal próprio, as quais, além de não poderem ser utilizadas no Processo Administrativo Fiscal e se referirem a períodos diferentes, nada provam em face da Impugnante, e ainda serão objeto de verificação no decorrer do processo criminal, com produção de provas específicas que serão submetidas ao Juízo responsável pelo caso; 6.20. Verificando todos esses fatos, quer parecer à Impugnante que está sendo vítima de arbitrariedades por parte dos Agentes Fiscais que lavraram o auto. Frisese que não ficou evidenciado durante o procedimento fiscalizatório que os Agentes Fiscais teriam procedido a todas as diligências para apurar os supostos fatos ocorridos, que ensejariam a lavratura do presente Auto de Infração, notadamente porque não há um único documento de conhecimento da Impugnante que demonstre de forma segura e irrefutável a existência de vínculo societário e diretivo dos prestadores de serviço. Assim, é evidente que a fiscalização não se valeu de todos os elementos de prova para a verificação dos fatos narrados na autuação fiscal, infringindo também o princípio da tipicidade da tributação, o que, segundo os Conselhos Fl. 1208DF CARF MF 10 de Contribuintes, invalida o lançamento por falta de certeza e segurança jurídicas. 6.21. Como bem sabido, a Fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais se destaca o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, jamais poderiam os Agentes Fiscais ter lavrado o Auto de Infração ora impugnado sem fazer o levantamento e o exame completo de toda a documentação contábil da Impugnante, bem como dos fatos aceitos pela fiscalização como verdadeiros. Sobressai do art.142, parágrafo único do CTN a imposição à Fiscalização de averiguar a ocorrência do fato concreto nos termos previstos na norma geral e abstrata, individualizandoo e tipificandoo, tudo mediante prova concreta e material. 6.22. Caberia, portanto, à Fiscalização analisar todos os fatos informados na presente Impugnação, que foram também apresentados no procedimento fiscalizatório, para fins de verificação do cumprimento da obrigação tributária pela Impugnante e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base em presunções, razão pela qual o Auto de Infração é absolutamente nulo, devendo ser rechaçado; Da Impossibilidade de Utilização de Prova Emprestada 6.23. A autuação fiscal tem como base as supostas "provas" produzidas no âmbito criminal, por força de autorização judicial concedida naquela esfera. Tal procedimento não poderá ser admitido, já que se tem auto de infração lavrado com base em prova emprestada produzida no âmbito criminal, pois a Fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais se destaca o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, jamais poderiam os Agentes Fiscais ter lavrado o Auto de Infração sem fazer o levantamento e exame completo de toda a documentação contábil das empresas que participaram da fiscalização, e sem ter diligenciado nos estabelecimentos da Impugnante para fins de verificação dos supostos sócios remunerados por empresas interpostas; 6.24. Como visto, ao longo de todo o Relatório da autuação, a Fiscalização exprime seu juízo de valor e baseia suas convicções a partir de elementos obtidos exclusivamente por meio da operação deflagrada pela Polícia Federal para fins criminais, valendose até mesmo de depoimentos pessoais prestados à Autoridade Policial. Tanto é assim que as Autoridades Fiscais afirmam expressamente que a constatação dos supostos fatos geradores "não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida". Sobre a utilização de prova emprestada, seguem decisões dos Conselhos de Contribuintes que determinam o cancelamento do lançamento tributário lavrado nessa situação; 6.25. Dessa forma, também em função da incorreta utilização das "provas" emprestadas, não poderá prevalecer o lançamento ora impugnado, devendo essa Delegacia de Julgamento determinar o inevitável cancelamento do Auto de Infração; Do Mérito Da Inexistência de Vínculo Societário e de Direção – Impossibilidade de Cobrança de Contribuições Previdenciárias. Da Ausência de Prova Individualizada Acerca dos Supostos Vínculos e dos Fatos Geradores Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.170 11 6.26. Inexiste o afirmado vínculo societário e de direção entre a Impugnante e as pessoas físicas remuneradas por meio de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, de maneira que resta incabível a cobrança das contribuições por meio de aferição indireta, seja porque a realidade dos fatos demonstra o contrário, seja porque as Autoridades Fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações; 6.27. A Fiscalização, não realizou análise individualizada acerca da atividade desenvolvida por cada uma das pessoas físicas supostamente sócias da Impugnante, para fins de comprovação, de maneira individual e em relação a cada caso concreto, da existência de vínculo societário e da atribuição de poder de mando. O trabalho fiscal não poderia se ater à verificação analítica do "acordo associativo" e do "instrumento particular de cessão de quotas sociais não registrados em órgãos próprios" e a fazer inferências sobre demais documentos que dizem respeito a apenas alguns dos períodos. Em se tratando e lançamento fiscal não caberia a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Como poderiam as Autoridades Fiscais comprovar a ocorrência de cada um dos fatos geradores se nem sequer juntaram aos autos as notas fiscais de serviços com os valores que foram indicados como base de cálculo das contribuições? 6.28. Como a Fiscalização preferiu concentrar seus esforços na construção de discurso extremamente longo e confuso, partindo de ilações e analisando documentos que não servem sequer como indícios da presença dos elementos que caracterizariam o vínculo societário e de direção, acabou deixando totalmente de lado a comprovação da efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Por esses motivos, o Auto de Infração carece de suporte fáticoprobatório, que se mostraria essencial tanto para embasar a alegação de existência de vínculo societário e diretivo em relação a cada uma das pessoas físicas, como para demonstrar a ocorrência dos fatos geradores; Da Inexistência dos Requisitos Necessários à Configuração do Vínculo Societário e de Direção 6.29. A Fiscalização não apenas afirma que houve prestação de serviço com pessoalidade, habitualidade e onerosidade, mas também que existe poder de direção das pessoas em relação à Impugnante, para daí inferir que haveria não uma relação de emprego, mas verdadeira relação societária e diretiva. Entretanto, não se desincumbiram da tarefa de comprovar nos autos a alegada relação societária e de direção como base da cobrança das contribuições previdenciárias. Ao contrário, a Impugnante passa a esclarecer que não há motivos para se considerar as empresas prestadoras de serviço como interpostas; (...) 6.31. Com base em documento intitulado "Acordo de Associação com Opção de Compra de Quotas/Ações", o qual conteria acordo associativo para a exploração de negócios de distribuição de produtos da área de informática entre os Srs. Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Pedro Luis Alves Costa, Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Luiz Scarpelli Filho e José Roberto Pernomian Rodrigues, a Fiscalização infere Fl. 1210DF CARF MF 12 que todas essas pessoas são sócias da Impugnante. Em que pese a tentativa da Fiscalização de extrair desse documento a existência de "sócios ocultos" na Impugnante, tal documento é tão somente uma minuta apócrifa, com marcas de revisão e não assinada. Disso decorre que é texto sem nenhum valor jurídico de forma que quaisquer inferências sobre seu conteúdo e efeitos serão mera hipótese. Tal texto não é sequer documento, na acepção jurídica do termo; 6.32. Já o poder diretivo e de comando exercido pelos "sócios ocultos" decorreria de outros grupos de documentos. Não é necessário muito esforço para perceber que referidos documentos não tem o condão de comprovar materialmente a presença de poder de comando/gerência e, principalmente, de affectio societatis. Referidos organogramas e planilhas, quando muito, poderiam ser tomados como meros indícios, extremamente tênues, inservíveis, portanto, para demonstrar a existência de suposto poder diretivo e societário. Seriam necessários elementos concretos que dessem consistência probatória a esses supostos indícios; 6.33. Além disso, os organogramas a que a Fiscalização atribui valor probante fundamental, e que supostamente foram encontrados em computadores apreendidos, estavam armazenados em pasta virtual com o título "Planejamento", ou seja, ainda que se dê qualquer relevância a estas informações, não há como se afirmar se teria havido a implementação da estrutura lá prevista. E, a propósito, esse planejamento nunca foi realmente implementado, não passando de mera intenção futura, não se sabe de quem; 6.34. A Impugnante fazia diversos planejamentos sobre possíveis estruturas, até mesmo para fins prospectivos, em que citava nomes de colaboradores e parceiros que eventualmente seriam chamados a compor seu quadro de pessoal, o que não é nada incomum em se tratando do mercado altamente especializado em que atua. Aliás, a Impugnante tem como certo que existiam, nos computadores apreendidos, diversos outros planejamentos dessa espécie, com outras informações, mas que, por não serem interessantes às conclusões da Fiscalização, naturalmente não foram apresentados aos autos; 6.35. Os mesmos comentários podem ser feitos em relação ao item "4C", em que a Fiscalização analisa supostas planilhas intituladas "Estudo Salarial Revisão 081206.xls", "Remuneração Estrutura 2005 v03.xls", e "Cópia Folha Total (2).xls", nas quais o contribuinte supostamente indicaria os cargos e as respectivas remunerações de seus colaboradores. Tais planilhas nada provam contra a Impugnante. Tanto é assim que a Fiscalização não traz qualquer comprovação acerca do efetivo desembolso desses valores por parte da Impugnante. Em outras palavras, as Autoridades Fiscais não demonstram materialmente a própria validade dessas informações como elemento de prova, como "retrato da realidade"; 6.36. A Fiscalização atribui grande importância ao fato de que os cargos supostamente ocupados pelas pessoas físicas na Impugnante teriam a denominação de "Diretor" para concluir pela existência de poder de gerência. Ora, a denominação de um cargo é irrelevante para determinar a verdadeira natureza de sua atividade numa empresa. Deveria haver a comprovação de quaisquer atos de gestão por parte dessas pessoas o que, contudo, não foi feito em momento algum pelas Autoridades Fiscais; 6.37. As Autoridades Fiscais aduzem que a simulação da existência de pessoas jurídicas prestadoras de serviço seria reforçada pela suposta Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.171 13 emissão de notas fiscais sequenciais por essas prestadoras, além de supostos pagamentos de valesrefeição e convênio médico e outros elementos que nada provam contra a Impugnante, pois não demonstram a presença dos elementos indispensáveis à caracterização do alegado vínculo, mormente o poder de gerência; 6.38. As "provas" alegadas pela Fiscalização organogramas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, descritivos de cargos e salários, entre outros, não têm o condão de comprovar, materialmente, a presença dos requisitos do artigo 12, V, " f da Lei n° 8.212/91. Todos esses documentos, quando muito, poderiam ser tomados como meros indícios, extremamente tênues, aliás, inservíveis, portanto, para demonstrar a existência de suposto vínculo societário e de direção Transcreve acórdão do Tribunal Regional Federal da 3 a Região, salientando que "Não constituem elementos da relação jurídica laboral 'riscos no exercício da função', reembolsos e ajudas de custo, convênio médico, prestação de serviço apenas a uma empresa, tampouco a existência de supervisor de vendas"; 6.39. Não há nos presentes autos qualquer elemento que evidencie o poder de mando das pessoas físicas em relação a seus supostos subordinados ou às decisões da empresa. Notas de despesas com fornecimento de alimentação e convênio médico para pessoas físicas prestadoras de serviços por intermédio de pessoas jurídicas, recibos de pagamento de cursos, atividades empresariais e treinamento para referidas pessoas físicas, etc., nada comprovam no sentido da existência de vínculo societário e de direção, da mesma forma que, contrario sensu, a ausência desses dispêndios não comprovaria a inexistência do vínculo. O oferecimento de determinados benefícios, treinamentos e cursos nada mais significam do que uma política de melhoria de produtividade e de aproximação da Impugnante com seus melhores prestadores de serviços, o que reverteria em benefício daquela, já que, via de regra, pessoas melhor qualificadas e mais identificadas com seus parceiros comerciais tendem, naturalmente, a dar mais resultados; 6.40. Verificase, portanto, que as Autoridades Fiscais não poderiam ter se valido do procedimento de aferição indireta, nos termos do art. 33, §§ 3o e 6o da Lei n° 8.212/91, uma vez que, previamente à adoção desse procedimento, deveriam deixar explicitamente comprovada, de forma individualizada, a existência dos pressupostos para a alegada relação das pessoas físicas com a Impugnante, devendo ser reconhecida a nulidade do lançamento pela ausência de comprovação dos pressupostos necessários à ocorrência do fato gerador da contribuição em cobrança; As Únicas "Provas" do Vínculo Societário e de Direção São Documentos Eletrônicos Apócrifos e Interpretados Erroneamente pela Fiscalização 6.41. Os Fiscais exprimem seu juízo de valor e baseiam suas convicções a partir de elementos obtidos exclusivamente por meio da operação deflagrada pela Polícia Federal para fins criminais, valendose até mesmo de depoimentos pessoais prestados à Autoridade Policial. Tanto é assim que as Autoridades Fiscais afirmaram expressamente que a constatação dos supostos fatos geradores "não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida"; Fl. 1212DF CARF MF 14 6.42. No entanto, os documentos trazidos aos autos pela Fiscalização para basear o entendimento pela existência de vínculo societário e de direção entre a Impugnante e as pessoas físicas ligadas às empresas prestadoras de serviços são extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de "minuta para discussão", interpretados pela Fiscalização sempre da maneira mais desfavorável possível para a Impugnante, com isso se desincumbindo das diligências que seriam próprias à fiscalização; 6.43. Diante desse expediente, fica a indagação: se a prestação de serviços por pessoas físicas remuneradas através de pessoas jurídicas interpostas é tão evidente como afirmam as Autoridades Fiscais, por que teriam sido utilizados apenas documentos de valor probante tão questionável? Aonde estariam as evidências materiais dessa prática? 6.44. Na página 19 do Relatório Fiscal, é feita análise de textos indicados como "Questionários para Análise de Cargos" e "Mapeamento de Competências", supostamente encontrados em computadores apreendidos de pessoas físicas (Ronaldo Chiarelli, Marcílio Lemos e Fernando Grecco), textos estes sem data e nãoassinados. Na visão do fisco, tais documentos fazem parte de uma estratégia de implementação de endomarketing, cuja finalidade seria motivar os empregados para que possam prestar melhores serviços aos clientes. Tais análises e o mapeamento reforçariam a existência do suposto poder diretivo em nome dos "sócios ocultos", na medida em que pessoas físicas que, na visão do Fisco, a eles se subordinariam, reconheceramlhes posição hierárquica privilegiada dentro da estrutura organizacional da Impugnante; 6.45. No entanto, esta alegação da Fiscalização não merece subsistir. Ainda que se considere que tais textos apócrifos são válidos como prova o que se admite apenas ad argumentandum, visto que não possuem data e não estão assinados, eles não passam de uma mera ferramenta de melhoria da comunicação com seus principais parceiros comerciais, aumentando a sinergia e a produtividade, nada demonstrando a respeito da presença de poder de comando/gerência e, principalmente, de affectio societatis; 6.46. O mesmo pode ser dito em relação ao "Plano de Treinamentos", que, segundo as Autoridades Fiscais, demonstrariam pessoalidade no tratamento da Impugnante com os prestadores de serviços. No entanto, o oferecimento de treinamento às pessoas físicas ligadas às empresas prestadoras de serviços não comprova vínculo algum, pois a Impugnante tem como política oferecer cursos e treinamentos não só aos seus empregados (celetistas), mas também para os demais prestadores de serviços, conforme atestam os anexos documentos, relativos a algumas das campanhas de relacionamento e de incentivo a seus colaboradores e parceiros comerciais (doe. 03). Além disso, a Fiscalização não comprova que esses cursos foram efetivamente pagos pela Impugnante; 6.47. Em outro trecho do Relatório Fiscal, os Fiscais tecem comentários acerca de "Relatórios de Auditorias Fiscais" em que empresas de auditoria manifestariam entendimento de que serviços prestados com habitualidade por profissionais remunerados por meio de pessoas jurídicas podem configurar vínculo empregatício. Mais uma vez, ainda que se considere que tais textos apócrifos são válidos como prova, visto que não possuem data, Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.172 15 não estão assinados e são apresentados aos autos em forma de "minuta para discussão", esses documentos nada provam contra a Impugnante; 648. Ora, a suposta existência de vínculo é apenas uma advertência de risco feita pelos auditores, mas não um enunciado de certeza, não sendo possível determinar com base em que documentos e em relação a quais profissionais foi realizada a auditoria, tanto que a maior parte dos comentários dos auditores é genérica. Além disso, esses Relatórios de Auditoria falam apenas em possível existência de vínculo empregatício, não fazendo qualquer comentário acerca do vínculo societário e de direção de que ora se cuida, o que reforça o entendimento de que são documentos que em nada socorrem as Autoridades Fiscais; 6.49. Frisese que é ilícita a utilização desse tipo de prova! Relatórios de Auditoria são documentos confidenciais, cujo conteúdo é protegido por contrato e só interessa à Impugnante e à empresa de auditoria. E totalmente inadmissível a utilização de tal espécie de documento como prova em um processo administrativo fiscal; 6.50. Enfim, são apenas alguns exemplos que demonstram que os documentos trazidos aos presentes autos pela Fiscalização nada provam contra a Impugnante, ficando nítido que há, ao longo do Relatório Fiscal, meras inferências, ilações e juízos de valor com base em convicções pré concebidas. E todos os documentos, por menor valor probante que tenham, são sempre interpretados da maneira mais desfavorável possível para a Impugnante. Não há qualquer certeza quanto à existência da alegada simulação da terceirização, mas, quando muito, apenas meros indícios e suposições. Logo, requer a Impugnante o cancelamento da autuação fiscal; Da Ausência de Comprovação da Simulação Alegada e da Impossibilidade de Desconsideração da Personalidade Jurídica das Prestadoras de Serviço 6.51. Para caracterizar a simulação, para fins fiscais, há que se comprovar que houve intencional dano ao Erário Público por meio de vantagens fiscais obtidas pelas partes envolvidas, além da existência, na operação praticada, dos demais elementos necessários à configuração do ilícito. Referida comprovação não ocorreu, na medida em que apoiada na pretensa comprovação de (inexistente) vínculo societário e diretivo; 6.52. Os Auditores Fiscais, assumindo a premissa inconsistente de simulação, valeramse da prerrogativa da chamada "aferição indireta", conferida pelo art. 33, §§ 3 o e 6o, da Lei n° 8.212/91. Foge à atividade e competência estatais impor qualificação própria aos fatos econômicos analisados, com base em seus particulares índices tipológicos, em afronta direta à vontade manifesta das partes, de reconhecimento social e legalmente garantido; (...) 6.54. Assim, considerando o quanto exposto sobre simulação e tendo em vista o direito constitucional à livre iniciativa, resta irrefutavelmente inconsistente a pretensão dos Auditores Fiscais. Neste particular, cumpre nos abordar a impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica Fl. 1214DF CARF MF 16 por parte das autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, por carecerem de lei que regulamente tal atuação; 6.55. Importante mencionar que a Lei Complementar n° 104/01, através da inserção de parágrafo único ao artigo 116 do CTN, introduziu um amplo mecanismo anti evasão de tributos no Brasil ao permitir que as Autoridades Fiscais desconsiderem atos ou transações efetuados com a intenção de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos. Contudo, depreendese desta regra que a sua aplicabilidade não é automática, uma vez que o próprio texto ressaltou carecer de futura regulamentação. Em verdade, houve tentativa de regulamentação do disposto na LC n° 104/01, com a edição dos artigos 13 a 19, da MP n° 66/02. Não obstante, por ocasião da conversão desta MP em lei, a Lei n° 10.637/02, tais artigos, regulamentadores da LC em questão, foram integralmente suprimidos. Ou seja, retomouse, após a conversão da MP n° 66/02 em Lei, ao status quo ante, qual seja, o de inexistência de regulamentação da LC n° 104/01; 6.56. Portanto, como a LC mencionada ainda não foi devidamente regulamentada, seus dispositivos não são atualmente aplicáveis, não existindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o caso objeto da autuação ora impugnada. Desta forma, para fins dos fatos contestados na presente peça impugnatória, a desconsideração da personalidade jurídica pretendida pelos Auditores Fiscais não só padeceria de materialidade para fins de sua caracterização, como também careceria a própria Administração de competência legal para fazêlo; (...) 6.59. Considerando o período fiscalizado (2003 a 2007) e a vigência da Lei n° 11.196/05, cabe, aqui, esclarecer o caráter meramente interpretativo da referida norma, e, como tal, retroativo à lei que pretende interpretar, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN. As contribuições para a seguridade social encontram fundamento de validade no artigo 195, inc. I da CF/88, o qual revela que somente podem advir do pagamento ou creditamento, a pessoa física, de valores remuneratórios do trabalho por ela realizado; 6.60. No caso das sociedades de serviços profissionais/intelectuais, a tributação por meio das contribuições segue, mutaíis mutandis, o sistema referente ao imposto sobre a renda, tributandose apenas a pessoa jurídica, mas agora, por meio de contribuição sobre o faturamento (jamais de contribuição previdenciária)". Para fins de imposto de renda, com exceção do período compreendido entre 1988 e 1996, a teor do Decretolei n° 2.397/87, os resultados econômicos positivos obtidos por sociedades civis de prestação de serviços profissionais são tributados à luz da legislação aplicável às pessoas jurídicas (sistema reafirmado com a Lei n° 9.430/96, artigo 55); 6.61. Assim sendo, no caso concreto, não há que se falar em vínculo empregatício, ou em simulação/fraude, nem em desconsideração da personalidade por inconsistência dos conceitos cotejados e pela ausência de provas que atestem e respaldem os atos alegados e ora combatidos; Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.173 17 Decadência do Direito de Constituir Contribuições Relativas a Fatos Geradores Ocorridos Há Mais de Cinco Anos 6.62. Verificase que parte do crédito tributário constituído nos presentes autos foi atingida pela decadência prevista no art. 150, § 4o do CTN, de modo que não se poderá permitir a manutenção da cobrança de tais valores, determinandose a desconstituição do lançamento. Tanto é assim que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n° 8, por meio da qual declarou em definitivo a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Desse modo, tendo em vista que a ciência do Auto de Infração se deu em 15/12/2008, impera seja reconhecida a extinção dos créditos referentes aos períodos anteriores a 15/12/2003; Da Ilegalidade da Utilização da Taxa SELIC 6.63. Ainda que não se admitam os argumentos trazidos pela Impugnante, não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios (se devidos) mediante a utilização da taxa Selic, eis que é uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. Portanto, a sua fixação visa a remuneração do investidor, de uma forma competitiva, e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação. Ademais, ressaltase que referida taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, § I o do CTN. Como não existe lei ordinária que tenha criado a taxa Selic, os juros (se devidos) estão limitados a 1% ao mês. Do Pedido 6.64. Pelo exposto, a Impugnante requer o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, seja em razão das preliminares, seja em razão do mérito, com a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o cancelamento do auto de Infração.” A DRJSPOI julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 LANÇAMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS DA EMPRESA. JUNTADA DE CÓPIA. DISPENSÁVEL. O lançamento fiscal atende à legislação pertinente, encontrandose o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa plenamente assegurado, pois o Relatório Fiscal discrimina clara e precisamente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, fazendose acompanhar de planilha individualizando as bases de cálculo apuradas. Tendo sido apresentados pela própria empresa os documentos utilizados para o lançamento fiscal é totalmente dispensável a anexação de cópia Fl. 1216DF CARF MF 18 destes ao Auto de Infração, eis que se encontram em poder da empresa, mormente porque o prejuízo à defesa não restou demonstrado. LANÇAMENTO FISCAL. PROCESSO CRIMINAL. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. DESVINCULAÇÃO. Inexiste impedimento para utilização pelo Fisco de provas obtidas em processo criminal para o fim de caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária, sobretudo quando o acesso da Receita Federal do Brasil a tais provas foi autorizado judicialmente para fins de procedimento administrativo fiscal mediante a garantia do contraditório. A prova da inexistência dos supostos crimes apurados em processo penal não interfere no processo administrativo fiscal, vez que este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária apuradas mediante lançamento fiscal. ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Os atos praticados pela fiscalização, calcados em documentos e informações prestadas pelo contribuinte, além daqueles constantes de processo penal, obtidos com autorização judicial, constituem elementos lícitos de prova, e revestemse da presunção relativa de veracidade própria dos atos administrativos, cabendo ao sujeito passivo a produção de provas factuais hábeis a elidir tal presunção. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação contendo informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil podem lançar de ofício a importância que reputarem devida, cabendo à empresa, o ônus da prova em contrário. O fato gerador tributário emerge da realidade fática do desenvolvimento da atividade empresarial, e não do nomen júris ou revestimento formal dado pelas partes ao negócio. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. PRESSUPOSTOS DO VÍNCULO SOCIETÁRIO E DE GESTÃO EMPRESARIAL. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LEGALIDADE. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho e o administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada. Por efeito do princípio da primazia da realidade, presentes os requisitos da prestação de serviço com vínculo societário e de gestão empresarial deve a auditoria fiscal desconsiderar o contrato de prestação de serviços originalmente pactuado c efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias devidas. DESCONSIDERAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. AUDITORIA FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. MINISTÉRIO ATRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE CONFLITO. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.174 19 A autoridade fiscal ao aplicar a norma previdenciária ao caso cm concreto, tem autonomia para caracterizar uma relação societária e de gestão empresarial onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, sendolhe permitido desconsiderar atos, negócios e personalidade jurídica para fins de lançamento das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. PRESTADORES DE SERVIÇO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INTENÇÃO DO AGENTE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE. Para fins tributários, não importa perquirir se o ato ilícito praticado gerou efeitos, nem interessa saber qual a natureza do ato ou a extensão dos seus efeitos, pois a penalidade a ser aplicada no campo tributário independe das circunstâncias ou dos efeitos das infrações, bastando, para sua aplicação, que se caracterize o fato ocorrido como desobediência à legislação tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATOS GERADORES PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. É irrelevante a discussão sobre natureza dos serviços prestados como sendo a de serviços intelectuais, quando resta comprovado que os serviços foram prestados com pessoalidade, não eventualidade e onerosidade, cuja prova cm contrário não foi satisfeita pelo sujeito passivo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de lançamento de ofício aplica se o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Cientificada do Acórdão da DRJ (fls. 561/624) em 17/08/2011 (fls. 630), a Recorrente interpôs tempestivamente, em 16/09/2011, Recurso Voluntário (fls. 628/709), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação, conforme relatam os trechos do relatório do Despacho de Conversão do Julgamento em Diligência proferido pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF (fls. 1.129/1.135), que adoto como parte deste relatório, a seguir transcritos: “Preliminarmente, alega cerceamento de defesa, por não terem sido juntadas, aos autos, as notas fiscais que serviram de base para o lançamento, argumentando que, mesmo que elas tenham sido mencionadas e indicadas em planilha, não há, nos autos, elementos que permita à recorrente verificar a correção dos valores lançados como base de cálculo Fl. 1218DF CARF MF 20 das contribuições cobradas, o que, segundo entende, macula a autuação fiscal de completa nulidade. Traz julgado do antigo CC para reforçar suas alegações e acrescenta que a falta de juntada de cópia dos Livros Diários aos autos reforça a ocorrência de cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, defendendo que é dever da Administração dar publicidade do motivo do ato, independentemente se o administrado possui uma via em seu poder, e discorrendo sobre os elementos que dão validade ao atonorma administrativo, citando a doutrina e concluindo que, não disponibilizar ao contribuinte os meios de prova implica nulidade do atonorma, por vício de motivo. Insiste na impossibilidade de utilização de prova emprestada, entendendo que os elementos trazidos do processo PCD 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Criminal de SP é exclusivo para o âmbito penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial, sendo que tais documentos nunca poderiam ser utilizados para embasar a exigência em tela. Entende que, embora muitos dos documentos apreendidos seja de natureza fiscal ou comercial, passíveis, portanto, de exame pelo fisco, os documentos que realmente fundamentaram a autuação em questão são aqueles obtidos com o único objetivo de instituir ação criminal, e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal. Frisa que a fiscalização preferiu juntar aos autos apenas elementos emprestados de processo criminal e que nada provam acerca da materialidade das contribuições previdenciárias lançadas, deixando, assim, de provar a ocorrência dos fatos geradores, para, em seu lugar, buscar comprovar tão somente a alegada ocorrência de relação societária e de direção dos prestadores de serviços que supostamente se utilizaram de empresas interpostas. Sustenta que mesmo havendo autorização judicial para emprestar provas, não poderia a fiscalização basear o lançamento apenas em tais elementos, e traz parecer encomendado pela recorrente a Professores Titulares da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para tentar demonstrar a ausência de motivação e a ilegalidade no processo de obtenção dos meios probatórios, ressaltando que a referida autorização é somente para se ter acesso, e não para servir de meios de prova para outros fins que não os criminais. Reitera que as referidas provas não poderiam ser utilizadas para fundamentar o lançamento ora discutido, pois são documentos extra contábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados, ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de “minuta para discussão”, e que seria inviável à fiscalização concluir, com base em documentos fiscais sem natureza societária qualquer, pela existência de sócios ocultos. Repete que não se pode admitir que documentos supostamente do ano de 2006 sejam base para aferição indireta de contribuições dos anos de 2003, 2004 ou 2005, não cabendo, à fiscalização, chegar a uma conclusão sem que haja provas concretas sobre os fatos, vinculando informações vagas e incertas a períodos desconhecidos para concluir que houve a ocorrência do fato gerador. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.175 21 Assevera que a fiscalização comete ilegalidade ao exigir da recorrente contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido e não provado, entendendo ser necessária a comprovação, por meios diretos e não indiretos, da alegada existência de vínculo de emprego, ante toda a documentação que lhe foi apresentada, sendo que as supostas evidências descritas no relatório fiscal nada provam contra a recorrente, principalmente no sentido de evidenciarse relação societária e diretiva. Observa que, no caso presente, a fiscalização não obedeceu as regras aplicáveis ao procedimento de aferição indireta, inaugurando procedimento criado a seu bel prazer e, portanto, sem previsão legal, que foi o de considerar como base de cálculo as notas fiscais de prestação de serviços, imaginando existir suposto vínculo societário. Ressalta que não houve aferição indireta, mas apenas mera presunção, sem previsão legal, a partir de elementos que nada podem provar quanto à existência do vínculo societário e diretivo entre a recorrente e as pessoas físicas por meio de interposição de pessoa jurídica. Quanto ao argumento da DRJ de que seria descabida a verificação física dos segurados em serviço na empresa para confronto com seus registros fiscais, questiona se a diligência não se presta para verificação de fatos ocorridos nos períodos de 2003 a 2007, o que dizer de documentos genéricos, não datados, fundamentarem uma autuação relativa a período anterior Discorre sobre a verdade material e cita a doutrina para argumentar que, para que a fiscalização pudesse lavrar algum auto de infração em face da recorrente, deveria ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a alegada existência de sócios ocultos remunerados por intermédio de empresas interpostas, restando evidente, no caso em tela, que a fiscalização não se valeu de todos os elementos de prova para a verificação dos fatos narrados, infringindo, dessa forma, o princípio da tipicidade da tributação, o que invalida o lançamento por falta de certeza e seguranças jurídicas. Frisa que tem certeza de que não existe uma prova sequer no processo que subsidie as afirmações de existência de vínculo societário e diretivo a basear a cobrança das contribuições em questão, sendo que as supostas provas apresentadas, e acolhidas pela DRJ, não passam, quando muito, de meros indícios. No mérito, repete que inexiste o vínculo societário, o que impossibilita a cobrança das contribuições em tela por meio de aferição indireta, seja porque a realidade dos fatos demonstra o contrário, seja porque as autoridades fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações. Atenta para o fato de que a fiscalização não produziu prova individualizada acerca da existência do vínculo societário e de direção das pessoas físicas sócias das prestadoras de serviço em relação à recorrente e, em consequência, não logrou êxito em comprovar, de forma individualizada, a ocorrência dos fatos geradores, sendo que várias das pessoas físicas supostamente remuneradas por meio de empresas interpostas eram assessores e consultores de gestão e prestadores de serviços intelectuais, como consultores, advogados, etc, cujas atividades não se caracterizam pela existência de vínculo societário diretivo. Fl. 1220DF CARF MF 22 Insiste que, para que se pudesse considerar válida a apuração fiscal, seria necessária a produção de prova material, com a análise individual de cada uma das relações supostamente existentes e demonstrar, de maneira individual, a ocorrência de cada um dos fatos geradores, não cabendo a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Quanto à inversão do ônus da prova, sustenta que essa só seria cabível se a fiscalização tivesse comprovado a existência do vínculo societário e de direção, e a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, o que não foi feito, não cabendo à recorrente apresentar prova em contrário, como quer a DRJ, e não se aplicando, ao caso, o disposto no art. 33, da Lei 8.212/91, uma vez que não houve recusa de entrega de documentos e tampouco exame de escrituração contábil. Reafirma a inexistência dos requisitos necessários à configuração do vínculo societário e de direção, discorrendo acerca da administração de sociedades e administradores, sócios ou não sócios, citando doutrina sobre a matéria, concluindo que a fiscalização nada comprovou a respeito, se baseando fundamentalmente em um suposto acordo associativo e outros documentos que sequer podem ser considerados como indícios. Cita alguns documentos utilizados pela fiscalização para frisar que os mesmos não têm o condão de comprovar materialmente a presença do poder de comando/gerência e, principalmente, de affectio societati,, sendo que tais documentos poderiam, quando muito, ser tomados como indícios, inservíveis, portanto, para demonstrar a existência de suposto poder diretivo e societário, sendo necessários elementos concretos. Com relação à pasta virtual com o título “Planejamento”, aduz que não há como afirmar se teria havido a implementação da estrutura lê prevista, afirmando que esse planejamento nunca foi realmente implementado, não passando de mera intenção futura, não se sabe de quem. Relativamente ao item “4C”, assevera que as planilhas ali referidas nada provam contra a recorrente, e as autoridades fiscais não demonstram materialmente a própria validades dessas informações como elemento de prova. Quanto à denominação “Diretor” para alguns cargos ocupados pelas pessoas físicas, defende que a denominação de um cargo é irrelevante para determinar a verdadeira natureza de sua atividade numa empresa, e alega que as autoridades fiscais deveriam ter buscado elementos que caracterizassem objetivamente o poder de comando/gerência das pessoas físicas em relação à recorrente. Reitera que as provas utilizadas pela fiscalização não têm o condão de comprovar, materialmente, a hipótese do artigo 12, V, “f”, da Lei 8.212/91, que remetem aos requisitos de pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e poder de direção, podendo, quando muito, ser tomados como meros indícios da existência de suposto vínculo societário e de direção. Esclarece que o oferecimento de determinados benefícios, treinamentos e cursos nada mais significam do que uma política de melhoria de produtividade e de aproximação da recorrente com seus melhores prestadores de serviços, e reafirma que a fiscalização não se revestiu de um único documento que comprovasse, de maneira suficiente, a existência de poder de mando pro parte das pessoas físicas, não havendo um único email, Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.176 23 uma única comunicação interna que demonstre atos de gestão e de gerência por parte dessas pessoas. Tece comentários sobre alguns documentos utilizados pela fiscalização, para tentar demonstrar o desacerto das conclusões por ela esposadas, e conclui que o conjunto probatório reunido pelas autoridades fiscais é extremamente frágil, e nada prova contra a recorrente, ficando nítido que há, ao longo do relatório fiscal, meras inferências, ilações e juízos de valor com base em convicções préconcebidas, não havendo qualquer certeza quanto à existência da alegada simulação da terceirização, mas, quando muito, apenas meros indícios e suposições. Discorre sobre o conceito de simulação e de livre iniciativa, para argumentar que, no direito brasileiro, os particulares têm a prerrogativa de escolher o meio, dentre os lícitos, para a realização de uma determinada atividade econômica, restando inconsistente a pretensão da fiscalização de caracterizar os contratos de prestação de serviços firmados pela recorrente como artifícios simulatórios de reais relações societárias e de direção. Aborda a impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pelas autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, por carecerem de lei que regulamente tal atuação, sendo que tal recurso extremo deverá ser levado a efeito somente por um juiz. Transcreve o art. 116, do CTN, lembrando que o referido dispositivo ainda não foi devidamente regulamentado, não sendo, portanto, aplicável, inexistindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o caso em tela. Analisa a abrangência do conceito de “serviços intelectuais”, de que trata o art. 129, da Lei 11.196/95, para concluir que restou comprovada a subsunção dos casos concretos ora recorridos à letra da lei, e observa que, apesar da alegação de existência de simulação, nenhuma multa qualificada foi imputada ao contribuinte, o que representa uma contradição em termos. Se reporta à absolvição, na esfera penal, em 17/02/2011, de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como sócios ocultos da recorrente, o que, segundo entende, resulta na total improcedência do AI em questão, tendo em vista demonstrar o completo equívoco nas conclusões arbitrárias que foram formalizadas no caso em questão, uma vez que tais pessoas não participaram de qualquer ilícito de que foram acusados, inexistindo qualquer prova que possam lhe imputar responsabilidade, seja criminal, cível ou administrativa. Argumenta que, se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar essas pessoas, supostamente vinculadas à recorrente, menos ainda as pretensas provas podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária, sendo a aplicação da decisão penal ao presente processo, de forma a desconstituir o quanto alegado pela fiscalização, é imperiosa. Diante desse fato superveniente, requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do AI em questão e, caso assim este Conselho não entenda, Fl. 1222DF CARF MF 24 requer o cancelamento das contribuições indevidamente cobradas em razão do suposto vínculo societário e diretivo relacionado ao Sr Helio Benetti Pedreira que, conforme exposto, foi inocentado no processo criminal, logrando comprovar não possuir qualquer relação jurídica e comercial com a recorrente. Traz outro fato superveniente, que consiste na inspeção pelo MTE, que, na ocasião, solicitou a regularização do registro de seis prestadores de serviços, o que foi efetuado pela recorrente, sendo que a fiscalização daquele Ministério, após análise de todas as circunstâncias fáticas e jurídicas envolvendo a recorrente e seus prestadores, considerou os contratos de prestação de serviços regulares, tendo concluído pela existência de poucos vínculos empregatícios e tão somente esses, determinando que referidos empregados fossem regularmente registrados, o que foi feito no prazo de 48 horas pela recorrente. Informa que, muito embora o escopo dessa fiscalização tenha sido a verificação de relações de emprego, o MTE e a Procuradoria Regional do Trabalho do MPU não constataram nenhum vínculo societário e de direção entre a recorrente e as pessoas arroladas pela fiscalização. Insiste na aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, para reafirmar que os lançamentos ocorridos antes de 15/12/2003 estariam atingidos pela decadência, e insurgese contra a incidência de juros sobre a multa de ofício, alegando ilegalidade de sua cobrança. Alega, por fim, inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, e requer a reforma integral da decisão recorrida, e que seja julgado procedente o presente recurso voluntário, cancelando in totum o Auto de Infração. Encaminhado para julgamento, a Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF decidiu por converter o julgamento em diligência (fls. 1.129/1.135), em razão: i) do recurso inovar as alegações firmadas na Impugnação, ao informar que algumas das pessoas físicas consideradas pela autoridade fiscal como sócias ocultas da Recorrente foram absolvidas na esfera penal em 17/02/2011 (após a apresentação da Impugnação), sob a fundamentação de que as provas não foram suficientes para incriminálas; e ii) das alegações da Recorrente no sentido de que, se no juízo penal as provas foram julgadas insuficientes para incriminar aludidas pessoas, não seriam suficientes, na esfera administrativa, para lhes atribuir responsabilidade tributária. Dessa forma, o processo foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal se pronunciasse quanto aos argumentos trazidos no recurso, em especial no seu item “III.3 – Da Absolvição em Âmbito Criminal / Improcedência das Alegações das Autoridades Fiscais” (fls. 649), para investigar a veracidade das informações ali prestadas e se manifestar, de forma conclusiva, se tais fatos supervenientes foram suficientes para a retificação do débito. Foi determinada, outrossim, ciência à Recorrente sobre o teor dos esclarecimentos que viessem a ser prestados pela fiscalização, com abertura de prazo para sua manifestação, com o fim de se evitar o cerceamento do direito de defesa. Em cumprimento ao quanto determinado pelo E. CARF, a Divisão de Fiscalização II da DEMACSP (Delegacia Especial da RFB de Maiores Contribuintes) lavrou o Termo de Diligência Fiscal (fls. 1.141/1.154), cujos trechos pertinentes são abaixo transcritos: “(...) 6. Tais documentos atestam a participação de todas as pessoas físicas relacionadas na autuação e que, consequentemente, foram consideradas pela Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.177 25 fiscalização como sócios da fiscalizada, por terem sido constatados os elementos que os enquadram no art. 12, inciso V, "f", da Lei 8.212/91 . 7. Constatouse que para o desempenho das atividades desempenhadas por estas pessoas físicas a empresa disponibilizou assinaturas eletrônicas da MUDE (email institucional), instalações físicas adequadas e equipamentos, tais como, notebook, celular, mesa, cadeira, etc. 8. À época, verificouse, também, que estas pessoas físicas recebiam parte (sócios ostensivos) ou a totalidade (sócios ocultos) de suas remunerações, pelos serviços prestados em caráter pessoal ao contribuinte, por intermédio de pessoas jurídicas por elas constituídas. Os valores lançados no presente auto referemse à constatação da utilização destas empresas interpostas. 9. Os documentos analisados na ação fiscal, além dos apreendidos, foram as notas fiscais de serviços, Livros Diário e Razão, contratos de prestação de serviços, GFIP, Folhas de Pagamentos, recibos de pagamentos, notas fiscais de cupons de alimentação, boletos bancários de planos de assistência médica, notas fiscais de despesas incorridas com treinamentos, cursos de aperfeiçoamento, seminários, recrutamento e confecção de cartões de visitas. Estes documentos, apresentados pelo contribuinte em atendimento a intimações fiscais, fls. 386/399 e 402/408, se estendem em períodos contínuos o que indica sua prática habitual. (..) 21. Em vista das alegações, a priori, cabe relembrar que os elementos examinados durante a ação fiscal não se restringiram a documentação apreendida. Parte dos documentos que embasaram o lançamento fiscal foram fornecidos pela própria empresa em decorrência do atendimento de intimações fiscais e parte foram formalmente solicitadas ao juízo competente que as deferiu. 22. Salientese que, todos os documentos utilizados foram informados no Relatório Fiscal e dado o volume expressivo, cópias foram acostadas aos autos por amostragem. A auditoria fiscal constatou, também, que os mesmos são frequentes e se distribuem em períodos contínuos o que indica sua prática habitual. 23. Quanto a ação fiscal propriamente dita, informo que as análises efetuadas no conjunto de documentos apresentados pelo contribuinte foram complementadas pela disponibilização judicial da documentação apreendida e pelos depoimentos prestados na Policia Federal. Tal fato permitiu que a fiscalização constatasse a ausência de propósito negocial das empresas interpostas, bem como a incoerência entre a finalidade dos serviços contratados e a forma adotada para sua exteriorização. 24. Ao passo que nos documentos extracontábeis apreendidos, como por exemplo "Cópia Folha Total (2).xls", encontrada no HD de FERNANDO MACHADO GRECCO, às fls.161/5, e "Folha de PagamentoFolha 2004 Folha 200407.xls", encontrada no HD de MARCÍLIO PALHARES LEMOS, às fls.265/281, é demonstrado o vínculo entre o contribuinte e as pessoas físicas, na escrituração contábil está registrado o serviço prestado pela empresa interposta, conforme lançamentos efetuados nas contas contábeis Fl. 1224DF CARF MF 26 "5.03.02.01 PRESTACAO DE SERVICOS” e “5. O3. O 1.01 CONSULTORIA E AUDITORIA”. (...) 27. Quanto a alegação de que as irregularidades imputadas à Recorrente na esfera criminal são idênticas às apontadas pela Fiscalização, entendo que esta não deve prosperar. (...) 30. Como visto no processo penal informado pela empresa, a discussão diz respeito a apuração dos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha, ao passo que no presente processo administrativo fiscal o que se discute é a ocorrência de fato gerador tributárioprevidenciário. 31. Fatos jurídicos totalmente distintos. 32. Por outro lado, a prova da inexistência dos supostos cines apurados em processo penal não interfere no procedimento administrativo fiscal, vez que este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. 33. Inicialmente, é bom que se reforce, que o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA, NIT Número de Identificação do Trabalhador no 1.082.143.3277, não é um sócio oculto como informado no Recurso da fiscalizada. 34. Ele e FERNANDO MACHADO GRECCO, NIT no 1.247.991.6814, são os sócios ostensivos a que se refere o Relatório Fiscal. De acordo com as peças societárias exercem as funções de sócios administradores. (...) 38. É certo, portanto, que estes sócios ostensivos se enquadram no art. 12, inciso V, "f", da Lei 8.212/91. 39. Portanto, da leitura do texto legal acima, mesmo que o contribuinte alegue que o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA não fazia parte da administração da empresa como alegado no processo penal, ou que as peças societárias não refletiam a realidade de comando existente na empresa, que o seu trabalho era desenvolvido apenas no Conselho de Administração, etc., o fato de receber remuneração o torna segurado obrigatório do regime previdenciário e mais, por integrar o quadro societário de empresa interposta, a ele deve ser atribuída parte da remuneração aferida sobre as notas fiscais da pessoa jurídica descaracterizada como foi feito na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", fs. 75 a 78. 40. Como relatado anteriormente, as provas têm toda relação com o lançamento debatido e os fatos jurídicos analisados nas esferas penal e tributária são totalmente distintos. O tributário visa a cobrança de crédito previdenciário enquanto o penal diz respeito a apuração dos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha. Desse modo, entendo não caber razão também nestes quesitos. 41. Em vista da gama de documentos analisados durante a fiscalização levada a efeito no contribuinte, a falta ou insuficiência de provas para fins penais não implica necessariamente falta ou insuficiência de provas para Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.178 27 caracterizar a conduta como infração tributária no presente processo administrativo fiscal. 42. Não raro existirão condutas consideradas ilícitas nestes dois ramos. Contudo, é perfeitamente legítimo a um deles impor sanções em face de fatos que para o outro sistema sejam irrelevantes, de menor gravidade ou que não sejam provados incontestavelmente. 43. De qualquer forma, é largamente difundida a ideia de que existe diferença jurídica entre a absolvição por falta de prova e por não constituir o fato infração penal, pois, na primeira, restará sempre a dúvida da prática de um crime que não se logrou provar, enquanto que, na segunda, temse a certeza de que o fato imputado não constitui infração penal. 44. De início, a ligação societária entre a fiscalizada e o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA já foi analisada. Os elementos apontados comprovam que o mesmo é sócio ostensivo integrante do quadro societário contido nas alterações do contrato social, é contribuinte obrigatório da previdência social e recebeu parte de sua remuneração por intermédio de pessoa jurídica interposta. 45. Assim, também, entendeu o juiz ao se referir sobre ele: “d.7) HELIO BENETTI PEDREIRA HÉLIO BENETTI PEDREIRA, era sócio da empresa MUDE, contudo o Ministério Público Federal não se desincumbiu do ônus de comprovar sua participação na administração da referida empresa. A responsabilidade penal é subjetiva, não podendo haver condenação de quem quer que seja somente por figurar no contrato social de empresa. Não há comprovação de que HÉLIO participasse dos fatos ilícitos praticados na empresa MUDE, aliás, bem ao contrário, os elementos dos autos indicam que ele não participava da administração da referida empresa. Em seu interrogatório judicial, HÉLIO afirmou que nunca administrou a MUDE, mas na época dos fatos estaria mais afastado ainda da empresa, em função de uma disputa de poder interna. (FIs. 961). (...) Nessa medida, não havendo provas da participação de HÉLIO nos Crimes descritos na inicial, ele deve ser absolvido, com fulcro no art. 386, V do Código de Processo Penal." (FIs. 966). Grifei. 46. Como visto, o juízo entendeu que as provas anexadas ao processo penal não tiveram o condão de ligar HÉLIO BENETTI PEDREIRA aos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha. Não reconheceu, portanto, que o mesmo não era sócio ou não possuía qualquer relação jurídica e comercial com a empresa. Aliás, este nem é o escopo daquele processo, haja vista a condenação ou absolvição de outras pessoas físicas que não foram consideradas sócias ostensivas ou ocultas da fiscalizada. 47. Com relação aos demais quesitos não merecem prosperar os argumentos do contribuinte, eis que, diferentemente de sua interpretação, as conclusões judiciais já se declararam pelo vínculo societário entre as demais pessoas Fl. 1226DF CARF MF 28 físicas arroladas no presente processo administrativo fiscal e a fiscalizada vez que reconheceu que os mesmos realmente administravam a MUDE. (...) 50. Diante do acima exposto, concluo pela manutenção total do lançamento fiscal, uma vez que os fatos supervenientes não são suficientes para a sua retificação.” Cientificada do teor do Termo de Diligência Fiscal em 27/03/2015 (fls. 1.156), através pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 1.155, a Recorrente não se manifestou, conforme atestado pelo Termo de Constatação de fls. 1.159, vindo os autos, na sequência, em retorno a este E. CARF. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Nulidade – Cerceamento de defesa Preliminarmente, a Recorrente alega cerceamento de defesa por não terem sido juntadas aos autos as notas fiscais que serviram de base para o lançamento, argumentando que, mesmo que elas tenham sido mencionadas e indicadas em planilha, não há, nos autos, elementos que lhe permita verificar a correção dos valores lançados como base de cálculo das contribuições cobradas, o que macula de nulidade a autuação fiscal. Aduz que a ausência de cópia dos Livros Diários nos autos reforça a ocorrência de cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, defendendo que é dever da Administração dar publicidade do motivo do ato, independentemente se o administrado possui uma via em seu poder, e discorrendo sobre os elementos que dão validade ao atonorma administrativo, citando doutrina e concluindo que não disponibilizar ao contribuinte os meios de prova implica nulidade do ato, por vício de motivo. Neste ponto, não devem proceder as alegações da Recorrente, senão vejamos. A despeito de não terem sido acostados aos autos as notas fiscais e os Livros Contábeis da Recorrente, como esta quer fazer imprescindível à validade desta demanda, o certo é que as informações trazidas nestes documentos já foram obtidas pela fiscalização de forma processada e oficial, decorrente de procedimento prévio de fiscalização ocorrido legal e oficialmente no âmbito do Poder Judiciário. Este ponto é incontestável. Outro ponto que reforça a fragilidade das alegações da Recorrente é que os documentos por ela mencionados se encontram em seu poder e, assim, passíveis de conferência para averiguação da higidez do lançamento fiscal. Por isso, entendo desnecessária a anexação de cópia destes documentos nos autos, posto seus dados já constarem do mesmo. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.179 29 Dessa forma, não se vislumbra prejuízo ao contraditório e ao direito de defesa da Recorrente, que foi regularmente intimada nos autos para apresentar documentos e esclarecimentos em sua defesa, o que o fez oportunamente, o que demonstra assegurado seus direitos constitucionais, inocorrendo afronta ao artigo 5º, LV, da CF/88. Assim, neste tópico, afasto a preliminar de nulidade. Nulidade – Utilização de prova emprestada Sustenta a Recorrente a impossibilidade da utilização de prova judicial criminal emprestada para lavratura de auto de infração tributário, entendendo serem estas exclusivas do âmbito judicial penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial, sendo que tais documentos nunca poderiam ser utilizados para embasar a exigência em tela. Entende que, embora muitos dos documentos apreendidos seja de natureza fiscal ou comercial, passíveis, portanto, de exame pelo Fisco, os documentos que realmente fundamentaram a autuação em questão são aqueles obtidos com o único objetivo de instituir ação criminal, e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal. De igual forma, não merecem acolhida as alegações da Recorrente, pois é perfeitamente lícito o uso de provas obtidas no âmbito do Poder Judiciário ou pelo Ministério Público para o desenvolvimento de trabalhos no âmbito administrativo fiscal, em especial pela fiscalização tributária, com vistas à apuração de créditos tributários não pagos por contribuintes. Aliás, este tema já foi abordado e utilizado como fundamento da decisão a quo, cujo trecho incorporo a este voto e aproveito como razão e fundamento para decidir: “11.1. Através do OFÍCIO/DIFIS/N0 34/2008 foi solicitada à Quarta Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo: i) "autorização para acesso e utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas constantes do Relatório elaborado pela Polícia Federal referente à Operação Persona e utilização do teor de documentos apreendidos no âmbito daquela operação (papel ou outras mídias), além dos depoimentos de pessoas envolvidas", relacionados à empresa Mude Comércio e Serviços Ltda., CNPJ 04.867.975/000172 e 04.867.975/000253; ii) "autorização para acesso e utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas bem como do teor da documentação apreendida no âmbito da Operação Persona das seguintes pessoas físicas": Fernando Machado Grecco, CPF 154.002.54896; Marcelo Naoki Ikeda, CPF 174.047.79871; Marcílio Palhares Lemos, CPF 455.587.95620; Patrícia Saviolli Folchito, CPF 140.481.12813; Ronaldo Bertoni Chiarelli, CPF 158.578.86864, com o objetivo de "instruir procedimento de fiscalização, conforme Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.28.002008001068, iniciado em 28/02/2008 e instrução de processos administrativos no âmbito da Fl. 1228DF CARF MF 30 Receita Federal do Brasil, para constituição e exigência de crédito tributário". 11.2. Nos termos do OFÍCIO N° 3693/2008 S.7 SVZ / Inquérito Policial n° 2007.61.81.0147551, a Quarta Vara Federal Criminal Ia Subseção Judiciária de São Paulo autorizou a utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal referente às pessoas físicas e jurídicas, conforme solicitado no Ofício/Difis n° 34/2008. Segue trecho do despacho decisório do MM. Juiz Federal Alexandre Cassettari naqueles autos: "Fls. 1809/1810 (Waytec), 1824 (Brastec), 1827/1828 (Telecon) e 1836/1840 (diversos): Em relação ao requerido pela 5" região fiscal da Receita Federal Ilhéus e aos 03 (três) pedidos formulados pela Receita Federal do Brasil em São Paulo, acerca da utilização de conteúdo de interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal para fins de instrução de procedimentos fiscais visando lançamentos tributários em autuações fiscais, abstratamente falando é legal e constitucional a utilização de elementos desse procedimento criminal para outros fins, inclusive para fins administrativos (prova emprestada). A jurisprudência do STF já tem mais de um caso de autorização ou aceitação de utilização de provas sigilosas obtidas em processo penal para outros fins. A legal obtenção da prova para apuração de crimes, mesmo no caso de interceptações telefônicas, não inviabiliza a posterior utilização dessas provas para outros fins judiciais ou administrativos. O que precisa ficar devidamente comprovado é que a interceptação foi originalmente solicitada e deferida visando efetivamente sua utilização em apurações de crimes e isso, inegavelmente, é o caso dos autos. As interceptações telefônicas e telemáticas, bem como as demais quebras de sigilo de dados, foram regularmente deferidas para apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários. Com isso, perfeitamente cabível, em um segundo plano, que esses elementos possam ser utilizados como provas em outros procedimentos, mesmo que administrativos (prova emprestada). (...) Assim, como estamos diante de pedidos de utilização de provas emprestadas em relação a fatos direta ou indiretamente relacionados com os fatos apurados nesse procedimento criminal, com objetivos fiscais administrativos, entendo cabível a autorização de uso desses dados sigilosos. (...) Obviamente, a autoridade administrativa só poderá utilizar os dados sigilosos das pessoas indicadas para o fim específico de apuração administrativa referente às próprias pessoas ou às pessoas jurídicas que integrem como diretoras ou sócias, bem como com o fim específico da solicitação feita a este Juízo, devendo ser total o sigilo dos dados em relação a terceiros. Com essas limitações, fica deferida a obtenção de cópia de documentos e dados referentes às pessoas indicadas no pedido, devendo os Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.180 31 auditores fiscais indicarem quais elementos de prova têm interesse para, por sua vez, a Secretaria e a Autoridade Policial (quando retirada diretamente das mãos da polícia) certificarem ou indicarem nos autos quais documentos ou provas foram entregues à Receita Federal nos termos dessa decisão. " 11.3. Como demonstrado, as provas do processo criminal utilizadas no procedimento fiscal que deu origem aos presentes autos foram formalmente solicitadas ao juízo competente que as deferiu. Ressaltese que a ordem judicial que permitiu o acesso dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil às provas do processo penal não deixa dúvida quanto à legalidade das interceptações telefônicas e telemáticas e das quebras de sigilo de dados, que foram regularmente deferidas para apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários. Ademais, a fiscalização utilizou também os livros contábeis apresentados pela empresa, inexistindo qualquer irregularidade no procedimento administrativo fiscal. 11.4. Resta claro, portanto, a ausência de impedimento da utilização desses elementos como prova em procedimentos administrativos, não havendo que se falar em ofensa a qualquer dispositivo constitucional. Por pertinente, transcrevemos recente decisão do Superior Tribunal de Justiça em situação análoga: PROCESSO PENAL COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA INCLUSIVE POSSIBILIDADE PRECEDENTES DO STF E DA CORTE ESPECIAL DO STJ. (...). 2. E possível compartilhar a prova, colhida em processo criminal em tramitação, com o MPF e outros órgãos administrativos, para fim disciplinar. 3. Incluise no rol dessas provas os diálogos colhidos mediante interceptação autorizada. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg na APn 536 / BA; AGRAVO REGIMENTAL DA AÇÃO PENAL n° 2006/02588679; Ministra ELIANA CALMON; DJe 14/05/2009)” Assim, pela análise do trecho da fundamentação da decisão de piso ora transcrito, verificase que, relativamente às pessoas físicas e jurídicas de que tratam os autos, houve autorização do Juízo da 4ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de São Paulo para utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal, conforme OFÍCIO N° 3693/2008 S.7 SVZ / Inquérito Policial n° 2007.61.81.0147551, que atendeu solicitação constante do Ofício/Difis n° 34/2008. Outrossim, é necessário frisar que a Auditoria Fiscal não se utilizou apenas das informações contidas nos autos do processo criminal – que, ressaltese, foram utilizadas como prova subsidiária – mas também analisou os livros contábeis, folhas de pagamento, além de outros documentos e informações fiscais da Recorrente para lavrar o Auto de Infração contestado, conforme se verifica da leitura dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD anexados aos autos, bem como do próprio Relatório Fiscal. Fl. 1230DF CARF MF 32 Dessa forma, temse que não houve qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, pois lhe foi oferecida possibilidade de manifestação para que prestasse suas alegações, na garantia do exercício do seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Posto isso, diante dos procedimentos hábeis e idôneos (ofícios judiciais) e das autorizações judiciais incontestáveis, não há que se contestar a legalidade da utilização das provas obtidas na seara judicial criminal para a execução dos trabalhos de fiscalização tributária, entendimento que, aliás, é compartilhado pelo Egrégio CARF, que inclusive já decidiu contra a Recorrente sobre a mesma matéria ora tratada; e pelo Poder Judiciário, senão vejamos: “PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos do processo administrativo fiscal extraída de escuta telefônica se a coleta e o repasse à fiscalização da RFB foram judicialmente autorizados.” (CARF, Ac. 3302003.225. Terceira Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 3ª Turma. Rel. José Fernandes do Nascimento. Contribuinte: Mude Comércio e Serviços Ltda. Sessão: 21/06/2016) “Direito Processual Penal. Inquérito. Prova emprestada. 1. É assente na jurisprudência desta Corte a admissibilidade, em procedimentos administrativos ou civis, de prova emprestada produzida em processo penal, mesmo que sigilosos os procedimentos criminais. 2. Agravo regimental provido.” (STF, Inq. 3305/RS. Primeira Turma. Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 23/02/2016. DJe137: 01072016) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO ADMINISTRATIVO. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. COMPETÊNCIA. CONCURSO MATERIAL. FRAUDE. SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. ADMINISTRADOR DE HOSPITAL. SIGILOS BANCÁRIO E FISCAL. PROVA EMPRESTADA. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEI. CARÁTER SANCIONADOR. 1. A competência da TCU é fixada a partir da origem dos recursos públicos, logo independe da natureza do ente envolvido na relação jurídica, inclusive na seara do Sistema Único de Saúde. 2. É possível a utilização em processo administrativo de provas emprestadas de processo penal, quando haja conexão entre os feitos.” (STF, RE 934233/RS. Primeira Turma. Min. EDSON FACHIN. Julgamento: 14/10/2016. DJe234: 04112016) Como demonstrado, entendo que os autos não padecem dos vícios apontados pela Recorrente e, por isso, afasto as alegações de nulidade por esta invocadas. Da alegação de incapacidade das provas para validarem relação societária e diretiva. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.181 33 A despeito do quanto demonstrado, ainda insiste a Recorrente na incapacidade das provas emprestadas para fundamentarem o lançamento ora discutido, pois, no seu entendimento, se tratam de documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados, ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de “minuta para discussão”, e que seria inviável à fiscalização concluir, com base em documentos fiscais sem natureza societária qualquer, pela existência de sócios ocultos. Neste ponto, melhor razão não assiste à Recorrente, que apenas contrariou com alegações as imputações lançadas, sem ao menos ter logrado apresentar documentos hábeis e idôneos a desconstituílas. Pelo contrário, constam dos documentos societários e particulares de acordos celebrados entre os sócios da Recorrente e de empresas vinculadas aos fatos constatados no Relatório Fiscal (fls. 25/74) que aqueles exerciam cargos de gestão nas respectivas entidades, o que valida os termos da imputação fiscal. Neste tópico, por sua clareza e pormenores, merecem ser adotados como razão de decidir os esclarecedores fundamentos da decisão a quo, que passo a transcrever adiante: “12.1. Notase que os arquivos que subsidiaram a conclusão fiscal foram localizados em computadores pessoais, devidamente identificados quanto ao objeto e às pessoas que deles faziam uso e, como antes demonstrado, legalmente obtidos. Ademais, todos os quesitos identificados pela auditoria fiscal, seja nos computadores pessoais (organogramas, relatórios de estudos salariais, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, consultorias tributárias e trabalhistas, folhas de pagamento), seja nos documentos fornecidos pela empresa (folhas de pagamento, livro de registro de empregados), abrangem períodos contínuos que indicam sua prática habitual. 12.2. Por outra, é indiscutível que as bases de cálculo tiveram por alicerce as notas fiscais de prestação de serviços contabilizadas pela Impugnante, relacionando o Auditor Fiscal os Livros Diário utilizados, à exceção dos períodos de 21/12/2004 a 31/12/2004 (n° 36), 29/12/2005 a 31/12/2005 (n° 62) e 01/2006 a 10/2007, que foram apresentados pela empresa apenas em meio magnético, bem como a análise das folhas de pagamento e das GFIP entregues pelo contribuinte e Livro de Registro de Empregados para todo o período do lançamento. Temse, ainda, a planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", que informa o beneficiário, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o correspondente Livro Diário onde se encontra o lançamento. 12.3. Observase, ainda, que a análise fiscal baseouse não apenas em relatórios emitidos pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços à Impugnante, mas também em documentos da empresa fornecidos pela própria Impugnante como, por exemplo: 12.3.1. documentos relativos a "treinamento, cursos, seminários e recrutamento" ofertados pela Impugnante tanto aos segurados empregados como aos prestadores de serviço no período 2003 a 2007, cujas Notas fiscais Fl. 1232DF CARF MF 34 foram apresentadas pelo contribuinte em decorrência do atendimento das intimações fiscais, conforme informado no Relatório Fiscal; 12.3.2. os documentos relativos aos "Cupons de Alimentação", fornecidos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços e aos segurados empregados, cujas Notas fiscais também foram apresentadas pelo contribuinte em decorrência do atendimento das intimações fiscais, e escriturados na conta de despesa "5.01.03.03 Vale Refeição", conforme consta do Relatório Fiscal. 12.4. Como visto, para concluir que as pessoas jurídicas prestadoras de serviço na realidade mantinham com a Impugnante uma relação societária e diretiva a auditoria fiscal não se valeu apenas de planilhas eletrônicas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, relatórios de auditoria, organogramas, utilizou também documentos fiscais que lhe foram fornecidos pela própria empresa e lançados em sua contabilidade. 12.5. Tampouco, como se observa do Relatório Fiscal e dos exemplos citados, as conclusões foram fundamentadas em documentos relativos a apenas uma parte dos períodos lançados. Pelo contrário, o conjunto de elementos (provas) existentes em todo o período de 2003 a 2007 conduziu a uma única e possível conclusão relativamente ao período objeto do lançamento do crédito tributário previdenciário, restando perfeitamente demonstrado nos autos a impertinência dos argumentos apresentados pela Impugnante. 12.6. Há que se considerar, ainda, que se considerar que a Impugnante não apresenta nos autos argumentos consistentes ou qualquer elemento ou documento capaz de fazer prova em contrário às conclusões da auditoria fiscal.” Como se vê, o Relatório Fiscal detalha os documentos informações que levaram a auditoria fiscal a concluir que os titulares das pessoas jurídicas prestadoras de serviço contratadas pela Recorrente preenchiam os pressupostos necessários à caracterização do vínculo societário e diretivo com a mesma (onerosidade, pessoalidade, não eventualidade), razão pela qual aquelas pessoas físicas foram enquadradas como segurados empresários da Recorrente, tendo aferido como remuneração dos valores a elas pagos, com base de cálculo correspondente aos valores das notas fiscais e recibos da contabilidade da Recorrente e discriminados na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas através de Empresas Interpostas", que informam o nome do beneficiário, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o Livro Diário onde se encontra o lançamento. Isto posto, entendo por comprovada a relação societária e diretiva, para com a Recorrente, das pessoas físicas vinculadas às empresas que lhe prestaram serviço, restando evidenciada, assim, a caracterização da prestação de serviço à Recorrente diretamente por essas pessoas físicas, o que conduz ao afastamento das alegações da Recorrente neste ponto. Autuação com Base em Fato Jurídico Presumido. Possibilidade. Comprovação da Real Relação de Trabalho Encoberta por Interpostas Pessoas Jurídicas. Aduz a Recorrente que a fiscalização cometeu ilegalidade ao lhe exigir contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido e não provado, entendendo ser necessária a comprovação, por meios diretos. Ressalta que não houve aferição indireta, mas Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.182 35 apenas mera presunção, sem previsão legal, a partir de elementos que nada podem provar i) quanto à existência do vínculo societário e diretivo entre ela e as pessoas físicas, por meio de interposição de pessoa jurídica, nem ii) quanto à ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária; e, por ser assim, não é aplicável ao caso o instituto da inversão do ônus da prova, não lhe cabendo apresentar prova em contrário. A legislação previdenciária (Lei nº 8.212/91) permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, conforme disposição legal abaixo transcrita: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Nesse contexto, como o Auto de Infração está devidamente fundamentado, cabe à Recorrente comprovar que cada um dos prestadores de serviço caracterizados como segurados contribuintes individuais em exercício de cargos de gestão efetivamente não se enquadram nesta categoria, eis que o artigo 373 do Código de Processo Civil dispõe que o ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que, no caso, é o Fisco. Da análise dos contratos assinados entre a Recorrente e as pessoas jurídicas contratadas, resta claro que na consecução de seus objetivos sociais esta utilizouse do trabalho desenvolvido pelos seus diretores em caráter pessoal, simulando a utilização dos serviços dessas pessoas jurídicas para remunerálos. Essa situação, inclusive, foi esclarecida e utilizada como fundamento do voto da decisão de piso, que adoto como fundamento deste voto, a saber: “19.5. Assim é absolutamente procedente o trabalho da auditoria fiscal, quando conclui: 19.5.1. os contratos firmados entre a empresa e os diversos prestadores seguem um padrão préestabelecido para todas as situações e evidenciam que sua existência busca apenas caracterizar uma situação formal que não existe na prática. As notas fiscais emitidas indicam, pela sua numeração, exclusividade no serviço prestado, periodicidade quinzenal e que a sede da pessoa jurídica corresponde a um endereço residencial; 19.5.2. em que pese cláusulas contratuais obrigando a contratada à "responsabilizarse pela conduta de seus prepostos, quando na execução dos Fl. 1234DF CARF MF 36 serviços Requisitados (...) verificase que faticamente isso nunca ocorreu, pois as empresas contratadas nunca tiveram empregados registrados, conforme GFIP Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações a Previdência Social por elas enviadas e constantes do banco de dados da Receita Federal do Brasil. Os serviços foram sempre prestados, pessoalmente, pelos sócios das empresas contratadas, os quais, inclusive, ocupam "na contratante" cargos de diretores e compõem sua estrutura organizacional; 19.5.4. a mudança da composição societária da empresa prestador; de serviços configura motivo para rescisão contratual, evidenciando que quem está sendo contratado de fato é a pessoa física, conforme cláusula padrão existente nos contratos firmados, a exemplo daquele firmado com a empresa interposta Orpheus Comércio e Serviços Ltda., cujas notas fiscais representam os serviços prestados pelo diretor de marketing Fernando Machado Grecco: "8.3 Facultase a rescisão de pleno direito do presente contrato, independentemente de qualquer aviso, interpelação ou notificação judicial ou extrajudicial nos casos de: (...) 8.3.3 alteração do controle societário da CONTRATADA." 19.5.5. os prestadores de serviços assinam documentos em nome do contribuinte, que criam deveres, obrigações e direitos junto a terceiros, utilizamse de linhas telefônicas, endereços e assinaturas eletrônicas do mesmo. 19.5.6. tais circunstâncias comprovam o vínculo jurídico da Impugnante com as pessoas físicas, sócios ostensivos ou ocultos, responsáveis pela administração da Mude, que recebiam remuneração por interpostas "pessoas jurídicas". Pessoas físicas que, na realidade, prestavam pessoalmente os serviços, em caráter não eventual, mediante remuneração e em decorrência do exercício de gestão e de comando desempenhados na Impugnante. São, portanto, as características reais da prestação do serviço que indicam o enquadramento destas pessoas físicas no art. 12, inc. V, alínea " f da Lei n° 8.212/91: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei n° 9.876, de 1999).” Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.183 37 Não é outra a conclusão que se chega a partir da análise dos relatórios apresentados pelas empresas de auditoria contratadas pela Recorrente para diagnosticar sua situação fiscal e trabalhista, para emissão de parecer sobre as demonstrações contábeis, que confirma o resultado da ação fiscal, a qual culminou no Auto de Infração, conforme abaixo transcrito o “Item II.4.” do documento “RELATÓRIO DE COMENTÁRIOS E RECOMENDAÇÕES CEI 16704 Carta da Directa Auditoria Prévia 2004ll16.doc." encontrado no HD portátil de Marcílio Palhares Lemos, elaborado pela empresa BDO Directa Auditores S/C (fls. 294): “4. Contratos os de Prestação de Serviços Responsabilidade Solidária Possibilidade de Vínculo Empregatício A MUDE: mantém em seu quadro de colaboradores, profissionais que vêm prestando serviços com habitualidade, sendo remunerados através de Contato de Prestação d e Serviços e respectiva Nota Fiscal. Lembramos que, nestes casos, fica caracterizada a relação de emprego, estando presentes os requisitos constantes do artigo 3o, da CLT, que trata do conceito de empregado: "toda pessoa física que prestar, serviço de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Deste conceito, a doutrina trabalhista extrai e analisa os principais elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Entre eles, figura a habitua idade da prestação do serviço e o estado de subordinação. Ainda sobre o assunto, vejamos a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: "A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços (. ..)". O procedimento atualmente adotado pela MUDE poderá ocasionar futuras Reclamações Trabalhistas por parte dos prestadores de serviços, pleiteando vínculo empregatício de todo o período. Além disto, poderá vir a ser questionado pelas autoridades fiscais, estando a MUDE sujeita ao recolhimento dos encargos trabalhistas e previdenciários incidentes sobre as remunerações pagas." Outro exemplo encontrase descrito em trecho da fundamentação do voto da decisão a quo, às fls. 612, abaixo transcrito: “b) do documento "Revisão Geral Mesquita Neto.doc" encontrado no notebook de Fernando Machado Grecco (fls. 54/56), que consiste em Minuta para Dissolução elaborada pela empresa Mesquita Neto Advogados em decorrência dos trabalhos "desenvolvidos com o intuito de assessorar a Administração da Sociedade, com respeito aos aspectos relevantes da legislação fiscal que devem ser observados no cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias": “No que se refere à incidência das Contribuições Previdenciárias, Fundiárias e do Imposto de Renda na modalidade retenção na fonte, nosso trabalho foi efetuado mediante análise das Notas Fiscais emitidas contra essa Sociedade, no mês de Julho do corrente ano, pelas Pessoas Jurídicas prestadoras de serviços de Representação Comercial e Consultoria, bem assim dos respectivos Contratos, nos quais os serviços são pautados”. Fl. 1236DF CARF MF 38 "(...) Verificamos também que alguns dos sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviço foram, antes desse fato, empregados dessa Sociedade, passando do regime de CLT para o de prestador de serviço, sem qualquer intervalo de tempo, o que evidencia a nítida mudança do regime de contratação, sem a perda do cargo/função. E igualmente importante ressaltar que, principalmente quando da constituição, as pessoas jurídicas prestadoras de serviços possuíam sua sede no domicílio dos sócios. Ainda, pudemos verificar que, para algumas contratadas, as Notas Fiscais são emitidas contra essa Sociedade em número sequencial e mensalmente, evidenciando assim a ausência de prestação de serviços a outros tomadores. Também pudemos identificar uma identidade de datas entre a constituição das pessoas jurídicas e o início da prestação de serviços. Estas evidências corroboram para a identificação do vínculo empregai lei o, tão almejado pela Administração Pública seja em razão da arrecadação, seja em razão da preservação dos direitos do empregado, esta advinda dos elementos que caracterizam o sistema normativo trabalhista brasileiro, pautado por princípios como proteção ao vínculo empregatício, indisponibilidade e irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, primazia da realidade sobre a forma etc. (...) Conforme observamos, o desenvolvimento das atividades de consultoria contratadas e o tratamento mantido entre os profissionais denotam a existência de subordinação, já que aos mesmos são imputados cargos e funções na estrutura da Contratante, nos quais ou respondem a superiores hierárquicos, ou exercem as funções de gerência e diretoria. (...) Todavia, na prática, podemos perceber que as pessoas físicas executam as tarefas que lhe são passadas por conta e ordem da Contratante, o que denota nítida divergência entre o conteúdo pactuado e a realidade". Outras provas do vínculo societário e diretivo entre a Recorrente e os respectivos prestadores de serviços são verificados pelos seguintes documentos: organogramas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, descritivos de cargos e salários, relatório de auditorias, benefícios concedidos aos prestadores de serviço pessoas jurídicas contratadas pela Recorrente (NFs de despesas com fornecimento de alimentação e de convênio médico, recibos de pagamento de cursos, atividades empresariais e de treinamento). Desse modo, a partir da situação descrita no Relatório Fiscal, se conclui que a efetiva natureza do serviço prestado, bem como as condições sob as quais este é prestado, revelam o caso tratarse de relação jurídica com vínculo societário e diretivo. Outrossim, no tocante à alegação da Recorrente de que as planilhas encontradas nos computadores dos sócios diretores das pessoas jurídicas interpostas entre a relação de trabalho não comprovam o desembolso de valores desta para as referidas empresas, esta não merece prosperar, conforme trecho da decisão a quo (fls. 613), abaixo trazido: “20.11 Quanto à alegação de que as planilhas nada provam contra a Impugnante, posto que a Fiscalização não trouxe qualquer comprovação acerca do efetivo desembolso desses valores por parte da empresa, verifica Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.184 39 se que tais valores foram extraídos dos livros Diário da própria Impugnante, conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 29): "3.3)As bases de cálculo utilizadas correspondem aos valores integrais constantes em notas fiscais e recibos discriminados na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", que informa o beneficiário, o serviço prestado, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o correspondente Livro Diário onde se encontra o lançamento". Demonstrado acima a existência de relação vinculativa societária e diretiva das pessoas físicas “sócias” das empresas prestadoras de serviços (exclusiva e unicamente para) com a Recorrente, passase a analisála frente à legislação trabalhista e previdenciária. A legislação trabalhista dispõe que, havendo prestação de serviço pessoal, não eventual (habitual) e onerosa, resta configurado o vincula da relação de trabalho, na forma dos artigos 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (DL nº 5.452/43), a seguir trazidos: “Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Estes requisitos relacionados à configuração do vínculo da relação de trabalho foram identificados e comprovados no Relatório Fiscal, e descritos pela fundamentação da decisão a quo (fls. 608), cujo trecho se destaca abaixo: “19.5.8. a pessoalidade é constatada pela prestação de serviço pelas próprias pessoas físicas, sem intermédio de outrem. Embora os contratos firmados contenham cláusulas que prevêem utilização de pessoal pelas empresas contratadas, verificase, na realidade, que o trabalho sempre foi prestado de maneira exclusiva e pessoal pelos próprios "sócios" das empresas contratadas, que nunca tiveram empregados registrados. O contrato de trabalho é intuito personae, ou seja, as pessoas físicas não podem se fazer substituir em seu mister, tendo de prestálo pessoalmente. Tendo em vista a natureza pessoal de seus serviços, são identificados individualmente no organograma da empresa, recebem vale alimentação, cobertura de assistência médica e participam de cursos técnicos suportados pelo contribuinte. O serviço foi contratado na verdade com a pessoa física, inclusive o contrato formal de prestação de serviços restará extinto na hipótese de alteração na estrutura societária da prestadora; 19.5.9. a não eventualidade e a habitualidade estão presentes na execução de serviços ligados diretamente aos empreendimentos do contribuinte (atividades essenciais e de necessidade permanente), ou seja, diretor de marketing, diretor de operações, diretor presidente, etc. As características destes serviços não são excepcionais e nem transitórias, pois formam a estrutura que permite o funcionamento normal da empresa. São serviços de natureza não eventual, essenciais à existência da empresa, motivo pelo qual Fl. 1238DF CARF MF 40 essas pessoas trabalharam ou ainda trabalham, de maneira continuada, objetivando atender às atividades diárias do contribuinte. As pessoas físicas, ora consideradas segurados contribuintes individuais, apresentamse a terceiros como representantes da Impugnante, assinando documentos que pactuam obrigações e direitos entre as partes. Os serviços são prestados diariamente e todos os empregados a eles estão subordinados. Assim é que as notas fiscais emitidas pelos supostos prestadores de serviços pessoa jurídica são sequenciais, o que demonstra a exclusividade e continuidade na prestação de serviços; 19.5.10. a onerosidade fica por conta dos valores pagos aos profissionais pelos serviços prestados. E, também, na forma do pagamento que se encontra outro elemento para a caracterização do vínculo entre a Impugnante e estas pessoas físicas. Os valores pagos aos diretores são quinzenais e comportam parcelas fixa e variável, esta em decorrência do alcance de metas individuais e coletivas por eles estabelecidas. As mesmas metas coletivas que definem a parcela variável do salário dos empregados. Os diversos elementos apreendidos demonstram os valores que são despendidos com cada um dos diretores. As folhas de pagamento, anexadas por amostragem, refletem os ganhos mensais individualmente;” Por sua vez, a legislação previdenciária (Lei nº 8.212/91) considera como segurado obrigatório o contribuinte individual titular de firma individual urbana, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana, na forma abaixo trazida: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;” A lei mencionada é regulamentada pelo Decreto nº 3.049/99 (Regulamento da Previdência Social RPS), que no ponto ora tratado assim dispõe: “Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) h) o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho e o administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou rural;” Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.185 41 Noutra seara, combinados seus dispositivos, o Código Tributário Nacional – art. 114 , e a Constituição Federal – art. 195, I, “a”, dispõem sobre o fato gerador da Contribuição para a Seguridade Social à cargo do empregador, na forma adiante: Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66) “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Constituição Federal “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Pela compreensão da legislação acima transcrita, se percebe que constitui fato gerador da obrigação previdenciária o exercício de atividade remunerada pelo contribuinte individual, cuja contraproposta na forma de remuneração denominada “salário de contribuição”, serve de base para a incidência da contribuição previdenciária, conforme dispõe o artigo 28, III, da Lei 8.212/91, abaixo trazido: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;” Neste ponto, imperioso destacar que a legislação previdenciária (Decreto nº 3.049/99 – RPS – Art. 201, § 1º) entende por “remuneração” a totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título, destinados a retribuir o trabalho prestado, segundo a norma abaixo: “Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; § 1º São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9º do art. 214 e excetuado o lucro distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5º.” Fl. 1240DF CARF MF 42 Demonstrado acima a existência de relação vinculativa societária e diretiva das pessoas físicas “sócias” das empresas prestadoras de serviços (exclusiva e unicamente para) com a Recorrente, entendo afastar esse tópico também. Por essa razão, neste tópico, entendo por negar provimento às alegações da Recorrente. Desconsideração da Personalidade Jurídica dos Prestadores de Serviço Para Fins Previdenciários. Possibilidade. A Recorrente sustenta a impossibilidade da desconsideração da personalidade jurídica pelas autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, ante a ausência de lei que regulamente tal procedimento, entendendo que aludida medida extrema somente pode ser manejada pelo Poder Judiciário. Transcreve o parágrafo único do artigo 116, do CTN, lembrando que o referido dispositivo ainda não foi devidamente regulamentado, não sendo, portanto, aplicável, inexistindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o seu caso. Ocorre que não se sustenta esse posicionamento da Recorrente, conforme será demonstrado. O parágrafo único do artigo 116 é considerado por muitos uma norma antielisiva genérica e entendo que não há necessidade de regulamentação para sua aplicabilidade, sendo que o próprio CTN já dispõe de procedimentos para tanto, no caso o artigo 142 do CTN, bastando para sua aplicabilidade a verificação de conceitos do Direito Privado indicados no parágrafo único com as limitações impostas de acordo com a interpretação dada pelo artigo 110 do CTN. Uma das formas de fraude fiscal é a simulação constante do artigo 167 § 1º do CTN, sendo um defeito do ato jurídico: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Como bem asseverado por Marcos Bernardes de Mello:1 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.186 43 Simulação é o resultado do ato de aparentar, produto de fingimento, de hipocrisia, de disfarce. O que caracteriza a simulação é, precisamente, o ser não verdadeira, intencionalmente, a declaração de vontade. Na simulação quer se o que não aparece, não se querendo o que efetivamente aparece. Apesar da legislação indicar o termo dissimulação, talvez por falta de maior técnica legislativa, sabemos que são muito próximos esses termos. Parte da doutrina distingue a simulação em absoluta e relativa. Francesco Galgano2 distingue a simulação absoluta e a simulação relativa. A primeira ocorre quando as partes celebram um contato e, através de uma contradeclaração, afirmam não desejar que o negócio produza qualquer efeito, criando apenas uma aparência de negócio perante terceiros. Já, a simulação relativa ocorre quando as partes criam uma aparência de negócio diferente daquele que efetivamente desejam, hipótese em que há dois negócios o simulado e o dissimulado. Nesse ponto a doutrina majoritária segue a ideia de que há aproximação da simulação relativa com a dissimulação, uma vez que na simulação o agente engana sobre a existência de uma situação inverídica, enquanto que na dissimulação o agente engana sobre a existência de uma situação real. Edmar Oliveira Andrade Filho3 declara igualmente que “o ato ou negócio jurídico dissimulado é aquele que foi contornado por intermédio de acordo de simulação. Sob essa perspectiva, a dissimulação é uma resultante da simulação, de modo que aquela não existe sem essa”. Por derradeiro Marco Aurélio Greco4 salienta que “o sentido de “dissimular”, previsto no parágrafo único do art. 116, abrange o sentido de “simular”, mas tem maior amplitude que este, pois alcança, pelo novo dispositivo, todas as hipóteses de simulação e mais alguma outra figura”. Assim, neste tópico, não prosperam as alegações da Recorrente. Fato Superveniente Da alegada improcedência fiscal decorrente da absolvição na seara judicial criminal Incansavelmente, continua a Recorrente na sua defesa e agora se reporta à absolvição, na esfera penal, em 17/02/2011, de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como seus sócios ocultos e, no seu entender, esse fato resulta na total improcedência do auto de infração combatido, pois demonstra o equívoco nas conclusões arbitrárias da fiscalização, sendo que tais pessoas não participaram de qualquer ilícito de que foram acusados, inexistindo prova que possa lhes imputar responsabilidade, seja criminal, cível ou administrativa. Fl. 1242DF CARF MF 44 Argumenta que, se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar as pessoas supostamente a ela vinculadas, menos ainda as pretensas provas podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária contra a Recorrente, sendo imperiosa a aplicação da decisão penal ao presente processo administrativo, de forma a desconstituir o quanto alegado pela fiscalização. Diante desse fato superveniente, a Recorrente requer a reforma da decisão e o cancelamento do Auto de Infração e, caso assim este Conselho não entenda, requer o cancelamento das contribuições indevidamente cobradas em razão do suposto vínculo societário e diretivo relacionado ao Sr. Hélio Benetti Pedreira que, conforme exposto, foi inocentado no processo criminal, tendo comprovado não possuir qualquer relação jurídica e comercial com a Recorrente. Apesar do esforço da Recorrente em tentar cancelar as infrações administrativotributárias embasada na informação de que um dos “sócios” de uma das empresas interpostas que lhe prestava serviço foi absolvido em processo criminal, entendo não merecer acolhida sua alegação, ante a independência de atuação e tomada de decisão entre a justiça criminal e a administrativatributária. Como claramente distinguiu o julgador de piso na fundamentação do seu voto: “11.6. No processo penal a discussão estará pautada na apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários, enquanto neste processo administrativo o que se discute é a ocorrência do fato gerador tributário previdenciário e a exigência das contribuições correspondentes mediante lançamento de ofício. Tratamse, pois, de fatos jurídicos distintos. A prova da inexistência dos supostos crimes apurados no processo penal não interfere no processo administrativo fiscal que apura a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Neste sentido, confirase o Acórdão n° 105 17389, de 04/02/2009, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Ementa: (...) DESVIO DE FINALIDADE CAUSA DE INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL PROCESSO PENAL – COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO Ainda que o procedimento de fiscalização tenha sido iniciado por fatos apurados em procedimentos penais ou perante Comissão Parlamentar de Inquérito, a atividade de fiscalização da Receita Federal do Brasil é autônoma e independente, não se vinculando aos resultados de investigações realizadas em outros planos do Poder do Estado. Mesmo porque, ainda que não haja crime ou ainda que não haja infração sujeita à investigação parlamentar, a Receita Federal do Brasil pode identificar a existência de tributos devidos e não pagos, cuja competência exclusiva para lançar lhe pertence. (...) 11.7. Na mesma esteira, corroborando a legalidade do procedimento administrativo fiscal, transcrevemos recente pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça (MS 14017/DF; MANDADO DE SEGURANÇA n° 2008/02714966; Ministro HERMAN BENJAMIN; DJe 01/07/2009): "14. Como se sabe, no Direito brasileiro, as instâncias penal, civil e administrativa não se confundem. Vale dizer: se o processo Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.187 45 administrativo observou os trâmites legais, e nele foi produzida prova suficiente para bem caracterizar a conduta reprovável, a sanção (ou, no caso dos autos, medida administrativa) pode ser aplicada independentemente de prévia condenação criminal. " 11.8. Como demonstrado, é perfeitamente possível a utilização de prova emprestada de processo penal para fundamentação do lançamento fiscal, mormente quando este foi regularmente formalizado, motivo pelo qual não se reconhece o pedido da Impugnante para desconhecimento de tais provas no presente processo administrativo fiscal.” Reforça o quanto decidido pela DRJ o superveniente Termo de Diligência Fiscal de fls. 1.141/1.154, confeccionado pela Divisão de Fiscalização II da DEMAC/SP, cujos trechos primordiais e definidores desta análise são transcritos a seguir: “(...) 27. Quanto a alegação de que as irregularidades imputadas à Recorrente na esfera criminal são idênticas às apontadas pela Fiscalização, entendo que esta não deve prosperar. 28. Os focos investigados são diferentes. 29. Vejamos a informação contida na sentença acostada aos autos pelo contribuinte e que resume bem o alcance daquela ação no processo penal: "O primeiro ponto a ser ressaltado é que os fatos que serão apreciados e decididos na presente sentença dizem respeito única e exclusivamente à interposição fraudulenta em operações de importação que resultou no cometimento de Crimes Capitulados no art. 334, $ 1°, "c", além de uso de documentos ideologicamente falsos (art. 304 c.c. art. 299, quanto a pena, ambos do Código Penal) e quadrilha (art. 288 do Código Penal). Outros fatos mencionados na representação policial, denúncia e autuações da Receita Federal (como subfaturamento, corrupção de fiscais, entre outros) são objeto de investigações que prosseguem e, eventualmente, podem vir a consubstanciar ações penais no futuro. É certo que a chamada interposição fraudulenta pode ter reflexos em tributos internos como é o caso do IPl, tendo sido lavrados autos de infração contra a empresa MUDE e diversos devedores solidários, entre pessoas jurídicas e físicas. Em função do princípio da correlação, a presente sentença não tem o escopo de examinar tais fatos, porque não fazem parte da denúncia”. (fis. 729/730). 30. Como visto no processo penal informado pela empresa, a discussão diz respeito a apuração dos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha, ao passo que no presente processo administrativo fiscal o que se discute é a ocorrência de fato gerador tributárioprevidenciário. (...) e) E se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar essas pessoas, supostamente vinculadas à Recorrente na qualidade de sócias ocultas, menos ainda as pretensas provas (que Fl. 1244DF CARF MF 46 são exatamente as mesmas avaliadas no âmbito penal) podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária. Assim, a aplicação da decisão penal ao presente processo, de forma a desconstruir o quanto alegado pelas Autoridades Fiscais, e validado pela D. DRJ, é imperiosa. 40. Como relatado anteriormente, as provas têm toda relação com o lançamento debatido e os fatos jurídicos analisados nas esferas penal e tributária são totalmente distintos. O tributário visa a cobrança de crédito previdenciário enquanto o penal diz respeito a apuração dos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha. Desse modo, entendo não caber razão também nestes quesitos. 41. Em vista da gama de documentos analisados durante a fiscalização levada a efeito no contribuinte, a falta ou insuficiência de provas para fins penais não implica necessariamente falta ou insuficiência de provas para caracterizar a conduta como infração tributária no presente processo administrativo fiscal. 42. Não raro existirão condutas consideradas ilícitas nestes dois ramos. Contudo, é perfeitamente legítimo a um deles impor sanções em face de fatos que para o outro sistema sejam irrelevantes, de menor gravidade ou que não sejam provados incontestavelmente. 43. De qualquer forma, é largamente difundida a ideia de que existe diferença jurídica entre a absolvição por falta de prova e por não constituir o fato infração penal, pois, na primeira, restará sempre a dúvida da prática de um crime que não se logrou provar, enquanto que, na segunda, temse a certeza de que o fato imputado não constitui infração penal.” Assim, pela leitura do mencionado termo de diligência fiscal, se verifica que a própria sentença criminal segrega a apuração criminal e seus efeitos daqueles competentes à esfera administrativotributária. Além disso, identifica e distingue os objetivos da apuração criminal (apuração da ocorrência de crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha) daqueles relativos à apuração administrativa tributária (apuração da ocorrência de fato gerador tributárioprevidenciário). Ainda, quanto à alegação do reflexo da absolvição criminal sobre este processo administrativo, no intuito de se cancelar o lançamento neste debatido, o aludido termo fiscal entende que: “a falta ou insuficiência de provas para fins penais não implica necessariamente falta ou insuficiência de provas para caracterizar a conduta como infração tributária no presente processo administrativo fiscal.” E reforça seu entendimento ao dispor que: “Não raro existirão condutas consideradas ilícitas nestes dois ramos. Contudo, é perfeitamente legítimo a um deles impor sanções em face de fatos que para o outro sistema sejam irrelevantes, de menor gravidade ou que não sejam provados incontestavelmente.” Por todo o acima exposto, entendo que não devem prosperar as alegações da Recorrente ao fato superveniente ora tratado. Fato Superveniente Da alegada improcedência fiscal decorrente da falta de constatação de vínculo societário e diretivo pela inspeção do MTE Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.188 47 A Recorrente traz outro fato superveniente, que consiste na inspeção realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego junto aos seus documentos e registros administrativos trabalhistas, que após análise de todas as circunstâncias fáticas e jurídicas envolvendo ela e seus prestadores, considerou os contratos de prestação de serviços regulares, tendo concluído pela existência de seis vínculos empregatícios, tendo solicitado a regularização destes, o que foi por ela atendido no prazo de 48 horas. Informa que, muito embora o escopo dessa fiscalização tenha sido a verificação de relações de emprego, o MTE e a Procuradoria Regional do Trabalho do MPU não constataram nenhum vínculo societário e de direção entre a Recorrente e as pessoas arroladas pela fiscalização. Apesar de aguerridas as alegações da Recorrente, estas não merecem acolhida, pois como se observa da documentação acostada aos autos, em especial o Relatório Fiscal e o Termo de Diligência Fiscal, facilmente se constata que as pessoas físicas sócias das empresas prestadoras de serviços à Recorrente o realizavam de forma pessoal, habitual e onerosa, além de tomarem as decisões administrativas nesta, fatos que aqui já foram tratados e revelaram os vínculos societário e diretivo destas, motivo que entendo pela consideração destes como contribuintes individuais obrigatórios da Previdência Social. Esse posicionamento é reforçado pelo entendimento no mesmo sentido, presente no citado Termo de Diligência Fiscal às fls. 1.149, conforme abaixo: “44. De início, a ligação societária entre a fiscalizada e o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA já foi analisada. Os elementos apontados comprovam que o mesmo é sócio ostensivo integrante do quadro societário contido nas alterações do contrato social, é contribuinte obrigatório da previdência social e recebeu parte de sua remuneração por intermédio de pessoa jurídica interposta.” Assim, também neste ponto, entendo não prosperarem as alegações da Recorrente. Decadência Insiste a Recorrente na aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, para reafirmar que os lançamentos ocorridos antes de 15/12/2003 estariam atingidos pela decadência. Ocorre que sua reclamação não merece prosperar, conforme adiante esclarecido. Dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN que, nos casos de lançamento por homologação como é o caso da obrigação acessória previdenciária GFIP o prazo de decadência do direito do sujeito ativo da relação tributária efetuar o lançamento exigindo tributo recolhido de forma que entende insuficiente é de 5 (cinco) anos a partir da data do fato gerador, conforme o dispositivo legal abaixo transcrito: Fl. 1246DF CARF MF 48 “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Grifei Ocorre que essa previsão legal não se aplica ao caso em análise, pois não houve recolhimento insuficiente de contribuição previdenciária, mas sim, falta de recolhimento dessa contribuição, por ter deixado a Recorrente de declarar em GFIP fatos geradores da aludida exação (remunerações pagas às empresas cujos “sócios” lhe prestavam serviço de forma pessoal, habitual e onerosa). Para esse caso, o Código Tributário Nacional dispõe no seu artigo 173, I, que o prazo decadencial do Fisco para efetuar lançamento tendente a constituir seu crédito é de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, senão vejamos: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Esse entendimento é seguido pelo E. CARF: “PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO E A INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se comprovada a existência de fraude ou simulação e a inexistência de pagamento antecipado, a contagem do prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” Diante do exposto, se verifica que, no caso em apreço, a competência mais antiga que fundamentou o lançamento, qual seja aquela de novembro de 2003, tornouse exigível a partir da competência dezembro de 2003, podendo, portanto, ter sido lançada a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008. Assim, como se extrai da leitura do auto de infração, este foi lavrado em 09/12/2008, tendo a Recorrente sido cientificada em 16/12/2008, e, portanto, se conclui pela inocorrência da decadência, afastandose, assim, a alegação da Recorrente neste ponto. Aplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.189 49 A Recorrente questiona a aplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, por entender que o índice não foi instituído por Lei, devendo incidir, no caso, juros de mora à taxa de 1% a.a. Ocorre que não merece prosperar aludida colocação, conforme esclarecimentos a seguir. À época da lavratura do auto de infração contestado, vigorava o artigo 34 na Lei nº 8.212/91, conforme abaixo trazido: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento.” Ocorre que aludido artigo foi revogado pela vigência da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09) que, porém, instituiu na mencionada lei o artigo 35, que passou então a tratar desta matéria, senão vejamos: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Como foi mencionado no artigo acima trazido, o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos decorrentes de contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5° da mesma lei, conforme abaixo: “Art. 61 (...) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Por sua vez, o mencionado § 3º do artigo 5º da lei nº 9.430/96 prescreve que: Art. 5º (...) “(...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para Fl. 1248DF CARF MF 50 títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Portanto, segundo os dispositivos legais acima transcritos, não resta dúvida que, sobre as contribuições sociais arrecadadas pela Previdência Social (RFB), pagas com atraso, incluídas ou não em notificação de débito, sujeitamse aos juros equivalentes à taxa SELIC, em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento. Ademais, este entendimento resta simulado na Súmula CARF nº 04, a saber: “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, outro não poderia ser o entendimento do E. CARF, conforme faz exemplo o trecho (abaixo colacionado) extraído do Acórdão proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste colendo tribunal administrativo, da lavra do relator Daniel Melo Mendes Bezerra: “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (CARF. Segunda Sessão de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Rel. Daniel Melo Mendes Bezerra. Sessão: 04/04/2017) Como visto, a taxa SELIC é o índice legal utilizado na cobrança dos juros de mora por atraso no recolhimento das contribuições previdenciárias. Assim sendo, neste ponto, improcede a argumentação da Recorrente. Juros sobre a multa de ofício. Legalidade. A Recorrente contesta a incidência de juros sobre a multa de ofício, sustentando que, se os juros remuneram o credor pela privação do uso do seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal. Ainda, aduz que, como a multa não retrata o principal, sobre ela não incide juros. Por fim, informa que inexiste lei que autorize a incidência de juros sobre a multa aplicada sobre o principal. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente, haja vista a Lei dispor que incide juros de mora sobre o crédito tributário, o qual também é composto pela multa de ofício, senão vejamos. Ao tratar da incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, o Código Tributário Nacional preceitua o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.190 51 imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Assim, a alegação de que a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada seria ilegal é totalmente improcedente, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o dispositivo legal transcrito acima. Quer dizer, tanto a multa de ofício como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, inclusive no que tange a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Cabe observar, ainda, que tanto o artigo 43, como o artigo 61, ambos da Lei nº 9.430/96, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, conforme demonstrado abaixo: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Como se vê, a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, já que a multa de ofício se enquadra dentro do conceito de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Ademais, observase que a incidência de juros sobre a multa de ofício também está amparada pelo parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96, já que este estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário “correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente” incidem juros a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo. Fl. 1250DF CARF MF 52 Com efeito, em que pesem as alegações apresentadas pela Recorrente, não há que se falar em nenhuma irregularidade no que tange a incidência de juros sobre a multa de ofício, visto que ela se encontra expressamente prevista em lei e que as autoridades administrativas estão plenamente vinculadas à legislação em vigor. Nesse sentido, cabe citar o esclarecedor voto da ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, a saber: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.191 53 responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Fl. 1252DF CARF MF 54 Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10803.000157/200817 Acórdão n.º 2201003.658 S2C2T1 Fl. 1.192 55 vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." (grifei) Em consonância com o esclarecedor voto supra, cabe transcrever a seguir os seguintes precedentes judiciais e administrativos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (STJ, AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688 PR (2012/01537730). Relator Ministro Benedito Gonçalves. Decisão: 04/12/2012. Dje de 10/12/2012). “JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.” (...) (CARF, Acórdão nº 130100.810, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Conselheiro designado para o voto vencedor Waldir Veiga Rocha, Sessão de 01/02/2012) “JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região.” Fl. 1254DF CARF MF 56 (CARF, Acórdão nº 9202001.806, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro designado para o voto vencedor Elias Sampaio Freire, Sessão de 29/11/2011) Neste ponto, com fundamento na legislação competente e pelos fundamentos acima expostos, entendo pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício, negando provimento às alegações da Recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator 1MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da validade . 8 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 128 2GALGANO, Francesco apud BATALHA, Wilson de Souza Campos, 1985, p. 161 3 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009,p. 171 4GRECO, Marco Aurélio. “Constitucionalidade do parágrafo único do artigo 116 do CTN”. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord.). O Planejamento tributário e a lei complementar 104. São Paulo: Dialética, 2001, p. 194 Fl. 1255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720070/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO.
Os embargos interpostos que apontam omissões e contradições no acórdão recorrido devem ser conhecidos e/ou acolhidos quando configurados os vícios apontados.
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA. REQUISITOS.
As regras de dedutilibilidade previstas no art. 386, inc. III, § 2º do RIR/99, que tratam especificamente da dedução da amortização do ágio não estão dissociadas dos conceitos legais as normas gerais de dedutibilidade das despesas previstos no art. 299 do RIR/1999. Quando a lei define como "necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa" está a indicar a presença de dois elementos essenciais para a dedutibilidade de qualquer despesa: 1) serem pagas ou incorridas e, 2) serem necessárias a realização das atividades da empresa. A lei pode até estabelecer a dedutibilidade de despesas que não são imprescindíveis à atividade da empresa, como ocorre, p. ex., com os juros sobre o capital próprio, mas, em nenhum caso admite que a despesa não seja paga ou ao menos incorrida para fins de sua dedutibilidade.
ÁGIO INTERNO. CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO.
Se a base de cálculo da contribuição é determinada a partir do lucro líquido contábil e não se reconhece a despesa de ágio na composição de tal resultado, não há que se discutir a existência ou não de previsão legal de adição da provisão de amortização de ágio à base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos quanto às omissões analisadas no item 1 (Omissão Quanto à Glosa de Outros Débitos já Pagos ou Revertidos) e 2 (Omissão Quanto à Análise de Questão de Ordem Pública - Inovação Trazida pela Medida Provisória n° 627/13) do voto e, em rejeitar os embargos com relação às contradições analisadas no itens 4 (Da Contradição do Acórdão Embargado Quanto à Necessidade de um Terceiro Independente) e 5 (Da Contradição Quanto ao Ganho Auferido pela Larimus) do voto, e por maioria de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão e, no mérito em rejeitar as alegações analisadas no subitem 3.1 (Das normas aplicáveis quanto à dedutibilidade da despesa) do voto, vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, que votou, neste ponto, por não conhecer dos embargos; e, em acolher os embargos para suprir a omissão e, no mérito em rejeitar as alegações de omissão analisada no subitem 3.2 (Da inexistência de previsão legal para adição à Base de Cálculo da CSLL) do voto, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que votou, neste ponto, por acolher os embargos com efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. Os embargos interpostos que apontam omissões e contradições no acórdão recorrido devem ser conhecidos e/ou acolhidos quando configurados os vícios apontados. ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA. REQUISITOS. As regras de dedutilibilidade previstas no art. 386, inc. III, § 2º do RIR/99, que tratam especificamente da dedução da amortização do ágio não estão dissociadas dos conceitos legais as normas gerais de dedutibilidade das despesas previstos no art. 299 do RIR/1999. Quando a lei define como "necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa" está a indicar a presença de dois elementos essenciais para a dedutibilidade de qualquer despesa: 1) serem pagas ou incorridas e, 2) serem necessárias a realização das atividades da empresa. A lei pode até estabelecer a dedutibilidade de despesas que não são imprescindíveis à atividade da empresa, como ocorre, p. ex., com os juros sobre o capital próprio, mas, em nenhum caso admite que a despesa não seja paga ou ao menos incorrida para fins de sua dedutibilidade. ÁGIO INTERNO. CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Se a base de cálculo da contribuição é determinada a partir do lucro líquido contábil e não se reconhece a despesa de ágio na composição de tal resultado, não há que se discutir a existência ou não de previsão legal de adição da provisão de amortização de ágio à base de cálculo da CSLL.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 5.317 1 5.316 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720070/201123 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302002.111 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria Glosa de despesas Embargante EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. Os embargos interpostos que apontam omissões e contradições no acórdão recorrido devem ser conhecidos e/ou acolhidos quando configurados os vícios apontados. ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA. REQUISITOS. As regras de dedutilibilidade previstas no art. 386, inc. III, § 2º do RIR/99, que tratam especificamente da dedução da amortização do ágio não estão dissociadas dos conceitos legais as normas gerais de dedutibilidade das despesas previstos no art. 299 do RIR/1999. Quando a lei define como "necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa" está a indicar a presença de dois elementos essenciais para a dedutibilidade de qualquer despesa: 1) serem pagas ou incorridas e, 2) serem necessárias a realização das atividades da empresa. A lei pode até estabelecer a dedutibilidade de despesas que não são imprescindíveis à atividade da empresa, como ocorre, p. ex., com os juros sobre o capital próprio, mas, em nenhum caso admite que a despesa não seja paga ou ao menos incorrida para fins de sua dedutibilidade. ÁGIO INTERNO. CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Se a base de cálculo da contribuição é determinada a partir do lucro líquido contábil e não se reconhece a despesa de ágio na composição de tal resultado, não há que se discutir a existência ou não de previsão legal de adição da provisão de amortização de ágio à base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 70 /2 01 1- 23 Fl. 5317DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.318 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos quanto às omissões analisadas no item 1 (Omissão Quanto à Glosa de Outros Débitos já Pagos ou Revertidos) e 2 (Omissão Quanto à Análise de Questão de Ordem Pública Inovação Trazida pela Medida Provisória n° 627/13) do voto e, em rejeitar os embargos com relação às contradições analisadas no itens 4 (Da Contradição do Acórdão Embargado Quanto à Necessidade de um Terceiro Independente) e 5 (Da Contradição Quanto ao Ganho Auferido pela Larimus) do voto, e por maioria de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão e, no mérito em rejeitar as alegações analisadas no subitem 3.1 (Das normas aplicáveis quanto à dedutibilidade da despesa) do voto, vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, que votou, neste ponto, por não conhecer dos embargos; e, em acolher os embargos para suprir a omissão e, no mérito em rejeitar as alegações de omissão analisada no subitem 3.2 (Da inexistência de previsão legal para adição à Base de Cálculo da CSLL) do voto, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que votou, neste ponto, por acolher os embargos com efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 5318DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.319 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela EMPRESA FOLHA DA MANHÂ S/A, em face do Acórdão nº1101001.097, de 06 de maio de 2014, proferido pela (extinta) 1ª turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, pelo qual, acordaram os membros do colegiado, 1) relativamente às glosas de amortização de ágio: 1.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 1.2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, 1.3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 2) relativamente à glosa de exclusão vinculada à provisão para garantia de dividendos, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente à glosa de exclusão de provisões tributárias, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário; e 4) relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. A decisão do colegiado foi sintetizada na seguinte ementa, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. ELEMENTOS CONTÁBEIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. INEXISTÊNCIA. DESPROVIMENTO. Apesar de o surgimento do ágio em questão efetivamente ter ocorrido mais de 5 (cinco) anos antes da ciência das autuações em destaque, temse que os lançamentos aqui discutidos reportamse apenas às despesas lançadas em contrapartida da amortização do ágio atinentes aos anos calendários (sic) 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, razão pela qual não há de ser reconhecida a decadência do direito de o Fisco contestar esses registros que minoraram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ATUAÇÃO DO CONTRIBUINTE CONDIZENTE COM A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MERO EQUÍVOCO INTERPRETATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. PROVIMENTO. O sujeito passivo jamais agiu com vistas a ocultar fatos geradores de tributo ou a evitar a sua materialização, tendo atendido a todas as intimações que lhe foram dirigidas e revelando às autoridades fiscais todo o substrato da operação ab initio. Outrossim, a questão (julgada favoravelmente ao Fisco) decorre de equívoco na interpretação dispensada à legislação Fl. 5319DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.320 4 fiscal e societária, o que não justifica a majoração da penalidade de ofício. GLOSA DAS PROVISÕES PARA PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. NEUTRALIDADE FISCAL. PROVIMENTO. In casu, a constituição da provisão para pagamento de dividendos foi fiscalmente neutra, de modo que não há que se falar que a receita que vem à balha (sic) com a reversão da provisão devesse impactar o resultado para que referida neutralização fosse atingida, razão pela qual se revela correto o procedimento do sujeito passivo no sentido de excluir esses lançamentos a crédito em conta de resultado. GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO COMO ANTECIPAÇÃO DE DESPESA A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. PROVIMENTO PARCIAL. Naqueles processos em que o litígio acerca dos tributos provisionados já transitaram em julgado em desfavor do sujeito passivo, é razoável entender que o procedimento adotado pelo sujeito passivo foi mero reconhecimento antecipado de despesa, se e somente comprovar a quitação do tributo tendo em vista que, na esteira de precedentes da CSRF, o fato de o tributo ter tido, em um dado momento, a sua exigibilidade suspensa faz com que o reconhecimento da correlata despesa seja realizado pelo regime de caixa. De outro lado, nos casos em que o sujeito passivo sagrouse vencedor nos litígios em que estava envolvido, a glosa das despesas controvertidas apenas não poderia subsistir nas hipóteses em que a reversão da respectiva provisão engendrou lançamentos a crédito em conta de resultado que foram oferecidos à tributação do que decorre a neutralidade fiscal das vestibulares apropriações de despesas havidas no ano calendário de 2006. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Cientificada do acórdão recorrido em 17/09/2015, a embargante interpôs embargos de declaração em 21/09/2015. Em face do colegiado que julgou o recurso voluntário ter sido extinto, e tendo em vista o disposto no art. 49, §6º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a análise acerca da admissibilidade dos embargos foi atribuída a Conselheira redatora do acórdão embargado e, à época, Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento. No despacho que examinou os embargos a (então) presidente desta 2ª Turma, sintetizou as razões trazidas nos embargos e, em juízo de cognição sumária, admitiu os embargos, verbis: Fl. 5320DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.321 5 Omissão Quanto à Glosa de Outros Débitos já Pagos ou Revertidos. (Suposta Infração 2.2) A embargante aduz que a Turma Julgadora acabou sendo omissa quanto à aplicação do entendimento já decidido pelo acórdão recorrido, no que diz respeito ao reconhecimento da antecipação das despesas para os casos de pagamento (ocorrendo decisão judicial definitiva desfavorável) ou reversão das despesas (ocorrendo decisão judicial definitiva favorável), quanto às glosas relacionadas nos itens (i), de forma parcial, (v), (viii), (x), (xi), (xii), (xiv), (xviii), (xxiii), (xxv), (xxvii) e (xxviii). Assevera que, conforme parecer técnico anexo, as glosas relacionadas aos itens acima mencionados também deveriam ter sido canceladas por este E. CARF, na linha do quanto decidido no acórdão embargado. O voto condutor do julgado deu parcial razão à defesa no sentido de que a glosa não poderia ser integralmente mantida, por conta da situação de cada um dos processos à data da lavratura dos autos de infração originários do presente processo. Sob esta ótica e ante a constatação de que nos períodos subsequentes a contribuinte apurara resultados positivos, bem como frente à inexistência de qualquer acusação acerca de eventual aproveitamento em duplicidade das despesas, foram afastadas: 1) as glosas relativas a tributos discutidos em ações judiciais nas quais a contribuinte teve êxito, porque a reversão da provisão neutralizaria as apropriações promovidas no anocalendário 2006; e 2) as glosas correspondentes a tributos objeto de ações judiciais já transitadas em julgado em desfavor do sujeito passivo, acompanhados da prova de quitação do tributo, hábil a autorizar sua dedução posterior pelo regime de caixa. Nos pontos questionados pela embargante, o voto condutor do acórdão embargado expressa que as exigências estavam sendo mantidas por falta de comprovação dos requisitos estabelecidos para reversão da glosa. É neste sentido que as glosas abordadas nos itens (i), de forma parcial, (v), (xii), (xiv), (xviii), (xxv), (xxvii) e (xxviii) são mantidas por falta de comprovação de quitação do tributo, assim como as glosas referidas nos itens (viii), (x), (xxiii) são mantidas por falta de prova de decisão definitiva no âmbito da ação judicial correspondente. Já o item (xi), embora evidencie reconhecimento do débito pelo sujeito passivo em parcelamento, teve a glosa correspondente integralmente mantida por falta de apresentação dos documentos hábeis a precisar o valor dedutível. Embora a embargante não faça referência a prova que, presente nos autos à época do julgamento de seu recurso voluntário, tenha sido desconsiderada pelo Conselheiro Relator, reportase a provas demonstradas em parecer anexado aos embargos, que demandam exame de seu conteúdo e confrontação com os elementos que, antes juntados aos autos, determinaram o voto condutor do acórdão embargado. Assim, é necessária uma análise mais aprofundada das provas referidas pela embargante, impondo a admissibilidade dos embargos neste ponto. A embargante ainda consigna que considerandose não existir decisão judicial definitiva até o momento, os itens (iv), (xxiv) e (xxix) deveriam ser analisados a fim de se determinar a adoção dos mesmos procedimentos já definitivos pelo acórdão embargado, aspecto que também demanda a confrontação dos elementos trazidos em embargos com os presentes nos autos, reforçando a admissibilidade dos embargos. Omissão Quanto à Análise de Questão de Ordem Pública Inovação Trazida pela Medida Provisória n° 627/13 (Suposta Infração 1) Fl. 5321DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.322 6 A embargante argumenta que na época dos fatos, inexistia qualquer vedação ao aproveitamento fiscal desse ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da sociedade do mesmo grupo econômico, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e ressalta que a distinção de tratamento fiscal do "ágio interno" frente ao "ágio externo" apenas foi promovida por meio da Medida Provisória n° 627/2013, aspecto que corrobora a afirmação de que a legislação tributária anterior à edição de tal norma acolhia a presença do ágio interno para fins de amortização do ágio. Citando o Acórdão nº 1302001.145 que acolheu tal entendimento, a embargante entende que, por se tratar de inovação jurídica posterior ao protocolo do Recurso Voluntário da Embargante e anterior ao seu julgamento, trazida por meio de dispositivo legal que, claramente, representa questão de ordem pública que afeta o cerne da presente discussão, não poderia a c. Turma Julgadora furtarse à análise do mencionado dispositivo, que expressa reconhecimento por parte do Legislador positivo de que não havia qualquer vedação ao aproveitamento do ágio em casos como o em tela. A embargante também defende que os princípios da razoabilidade, da estrita legalidade tributária, do dever do CARF de controlar a legalidade do lançamento, e da economia processual também imporiam o dever de a autoridade julgadora abordar a inovação antes referida. A embargante, portanto, caracteriza como questão de ordem pública a edição de lei que, em seu entendimento, conduziria à interpretação, a contrario sensu, de que inexistiria vedação legal semelhante à vislumbrada no voto condutor do julgado para afirmar a validade das glosas promovidas pela autoridade lançadora. Demonstrada objetivamente a omissão, cumpre submeter ao Colegiado a análise de sua efetiva ocorrência, razão pela qual os embargos devem ser admitidos também neste ponto. Omissão do Acórdão Embargado Quanto ao Julgamento dos Itens II.8 e 11.10 do Recurso Voluntário (Suposta Infração 1) A embargante assevera que o acórdão embargado encontrase omisso, também, quanto às seguintes alegações desenvolvidas em seu recurso voluntário: II.8 Do Equívoco Cometido pela Fiscalização com Relação às Normas Aplicáveis à Dedutibilidade de Despesas p. 90 II.8.1 Da Sobreposição da Norma Específica Sobre a Norma Geral Princípio da Especialidade p. 91 II.8.2 Regra Geral de Dedutibilidade das Despesas (artigo 299 do RIR/99) X Regra Específica para a Dedutibilidade da Despesa com Amortização do Ágio (artigo 386, inciso III, §2° do RIR/99) p.92 II.10 Ad Argumentandum Da Inexistência de Previsão Legal para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização. p. 118 No primeiro grupo de alegações (II.8), a recorrente questionara a fundamentação da exigência no art. 299 do RIR/99, defendendo que as autuações se submeteriam à regra específica prevista no art. 386, III, §2º do RIR/99. No segundo grupo (II.10), argumentara que não foi apontada legislação que fundamentasse a necessidade de adição da despesa com ágio à base de cálculo da CSLL, e que esta exigência não está presente na legislação tributária, na medida em que o ágio sempre foi amortizado na contabilidade societária, e a restrição a seus efeitos fiscais foi Fl. 5322DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.323 7 imposto pelo Decretolei nº 1.598/77, sem ser cogitada na Lei nº 7.689/88, ou mesmo na Lei nº 9.532/97. A omissão está validamente demonstrada. O voto condutor do acórdão recorrido limitouse a refutar os argumentos apresentados no voto vencido do Conselheiro Relator para dar provimento ao recurso voluntário, e não abordou os argumentos acima referidos, subsidiariamente apresentados pela recorrente. Conclusão A embargante, portanto, demonstrar omissões nos três tópicos abordados, razão pela qual, neste juízo de cognição sumária, com fundamento no art. 65, §2o, e no art. 49, §6º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente distribuição para relatoria por esta Conselheira. Tendo em vista que o mandato da Conselheira Edeli Pereira Bessa expirou, o processo foi devolvido para sorteio nesta turma, sendo, na sequencia, sorteado a este relator. O recurso foi incluído na pauta de julgamento na sessão de 22 de março de 2017, tendo sido retirado de pauta para saneamento do despacho de exame de admissibilidade dos embargos ao ser constatada a necessidade de sua complementação, com o exame de dois pontos adicionais que não foram examinados no primeiro despacho. Em 29 de março de 2017, foi proferido despacho complementar admitindo os embargos quanto aos subitens 3.1 e 3.2 da peça recursal, nestes termos: Da Contradição do Acórdão Embargado Quanto à Necessidade de um Terceiro Independente (Suposta Infração l) A recorrente alega que o acórdão embargado foi contraditório ao concluir "que sem a presença de uma terceira sociedade independente, o ágio eventualmente apurado na operação de contribuição de ações seria uma "maisvalia" indedutível, calculada "com base em meras projeções estatísticas" (...) isto porque de acordo com os II. Conselheiros, não haveria aquisição e, consequentemente, a geração de um ágio, nos termos do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/1977, sem a intervenção de um terceiro independente que chancelasse o preço da operação". A contradição se caracterizaria no ponto em que a turma julgadora teria admitido "a possibilidade de se integralizar o capital de uma sociedade com participação societária detida em outra por valor maior que o patrimonial, independentemente das sociedades serem ou não do mesmo grupo, desde que existam razões que justifiquem essa diferença", e que não haveria "necessidade de pagamento em sentido estrito para que uma participação societária seja alienada (ou seja, adquirida por outrem), bastando que haja uma alteração substancial no patrimônio do alienante". Segundo a embargante, o acórdão seria contraditório, ainda neste ponto, uma vez que teria reconhecido "de forma transversa que, ao contribuir ações de uma sociedade ao capital de outra, com valor superior ao registrado em sua contabilidade, o contribuinte aufere um ganho, cuja tributação era diferida nos termos do artigo 36 da Lei n° 10.637/2002, independentemente das sociedades pertencerem ao mesmo grupo econômico". Conclui seu raciocínio quanto à alegada contradição, verbis: Fl. 5323DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.324 8 Ora, se os II. julgadores entendem que, independentemente de se estar tratando de operações dentro de um mesmo grupo econômico ou não, (i) o contribuinte pode contribuir ações ao capital de uma outra sociedade por valor maior que o contábil, desde que existam razões passadas para tanto; ( i i ) h á aquisição quando o alienante aufere um ganho e que (iii) o contribuinte aufere um ganho ao realizar referida contribuição mesmo em sociedade pertencente ao mesmo grupo, como podem, contraditoriamente, concluir pela necessidade da participação de um terceiro independente para que ocorra uma aquisição e se apure ágio? Tendo em vista que a embargante aponta diversos aspectos pelos quais considera contraditórios os fundamentos do acórdão embargado, não passíveis de serem examinados com a devida profundidade em juizo de cognição sumária, que é próprio do exame de admissibilidade dos embargos, entendo que este ponto deve ser admitido para análise do colegiado. 3.2 Da Contradição Quanto ao Ganho Auferido pela Larimus (Suposta Infração l) Neste ponto, a embargante alega que o acórdão embargado teria reconhecido que "o montante correspondente à diferença entre o valor de contribuição da Embargante ao capital da Sardinelle Participações Ltda. e o de seu registro na contabilidade da Larimus Participações Ltda. teve sua tributação diferida nos termos do artigo 36 da Lei 10.637/2002"¸ e que "se a Turma Julgadora entende que incidiria imposto de renda sobre referido montante, por via transversa, entende que houve ganho, uma vez que, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional ("CTN"), o fato gerador deste tributo é o acréscimo patrimonial". Aponta que, "Não obstante, de forma contraditória, a Turma Julgadora tentou afastar a geração do ágio sob a justificativa de que não haveria um ganho real". Conclui que, "uma vez que se reconhece que houve ganho de capital para a sociedade alienante da Recorrente (i.e., a Larimus Participações Itda.), devese reconhecer também que a operação de integralização de capital da Sardinelle gerou um ágio por expectativa de rentabilidade futura, que passou a ser amortizável após a sua incorporação pela Embargante, levandose ao cancelamento dos autos de infração em questão quanto à Suposta Infração 1." Considerando que a embargante apontou objetivamente os fundamentos que considera contraditórios no acórdão embargado e, ainda, a necessidade de exame dos argumentos no contexto em que foram formulados dentro da decisão recorrido, admito os embargos quanto ao ponto, para exame do colegiado e, se for o caso, a integração do aresto recorrido. Conclusão Em face do exposto, complementando o exame de admissibilidade proferido por meio do Despacho de Admissibilidade exarado em 28/12/2015, admito os embargos interpostos quanto aos subitens 3.1 e 3.2 da petição de embargos, que deverá ser objeto de julgamento pelo colegiado da 2ª TO/3ª C da 1ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 5324DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.325 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos interpostos pela contribuinte são tempestivos e foram admitidos, nos termos do art. 65, § 3ª do Anexo II do Regimento Interno do CARF, com a redação vigente antes da alteração introduzida pela Portaria MFnº 39, de 2016) 1. Não obstante tenham sido admitidos pela presidente deste colegiado, entendo que impõese a este colegiado fazer um novo juízo de conhecimento de cada um dos pontos dos embargos, uma vez que sua admissão teve como pressuposto o mero apontamento das omissões ou contradições apontadas no recurso pela embargante, nos termos da disposição regimental então vigente. Não houve qualquer juízo quanto à sua efetiva configuração no referido despacho. Assim passo ao exame de cada ponto alegado. 1 Omissão Quanto à Glosa de Outros Débitos já Pagos ou Revertidos. (Suposta Infração 2.2) A embargante alegou que a Turma Julgadora foi omissa quanto à aplicação do entendimento já decidido pelo acórdão recorrido, no que diz respeito ao reconhecimento da antecipação das despesas para os casos de pagamento (ocorrendo decisão judicial definitiva desfavorável) ou reversão das despesas (ocorrendo decisão judicial definitiva favorável), quanto às glosas relacionadas nos itens (i), de forma parcial, (v), (viii), (x), (xi), (xii), (xiv), (xviii), (xxiii), (xxv), (xxvii) e (xxviii). Alega, com base em parecer técnico anexado aos embargos, que as glosas relacionadas aos itens acima mencionados também deveriam ter sido canceladas por este E. CARF, na linha do que restou decidido no acórdão embargado. Entendo que inexiste omissão no julgado quanto ao ponto alegado, pretendendo a recorrente, na verdade, rediscutir as provas examinadas neste tópico, para modificar o entendimento consubstanciado no voto condutor do acórdão, que assim se manifestou sobre os tópicos tidos como omissos: [...] 1 Anexo II do Regimento Interno do CARF: art. 65. [...] (Redação Original) § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. (Alteração da redação do §3ª dada Pela Portaria MF. nº 39/2016) § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 5325DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.326 10 Assim sendo, passemos à análise específica das ações judiciais, com vistas a verificar se são procedentes as razões que motivaram o entendimento das autoridades fiscais quanto à ilegitimidade do respectivo impacto no lucro real do sujeito passivo, sendo de rigor trazer a lume que foram mantidas as glosas nos casos em que as ações judiciais ainda estão em curso. Frisese (i) Processo n. 00913062.1999.4.03.6100 (R$26.070.073,93) Tema em debate: Ação ordinária versando sobre a exigência de PIS/COFINS nos moldes da Lei n. 9.718/98 e da EC n. 20/98. Status: Trânsito em julgado em 31/08/2010, após (i) renúncia quanto à majoração de alíquota e (ii) negativa de provimento à Apelação da União em relação ao alargamento da base. Efeitos: (i) Reconhecimento de que o valor relativo à majoração da alíquota da COFINS possui natureza de obrigação legal; e (ii) reversão contábil da parcela relativa ao alargamento da base de cálculo da provisão que estava no passivo, registrando uma receita, que foi oferecida à tributação. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa atinente ao alargamento da base de cálculo e manutenção da glosa relativa à majoração da alíquota, ante a falta de comprovação do pagamento do tributo. [...] (v) Processo n. 97.00.509958 (R$5.292.042,92) Tema em debate: Ação ordinária que discute a contribuição social do salário educação à alíquota de 2,5% desde abril/89. Status: Trânsito em julgado desfavorável à Recorrente em 03/07/2006 Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. [...] (viii) Processo n. 91.02.029391 (R$198.275,48) Tema em debate: Mandado de segurança visando o recolhimento de IPI na importação nos termos do art. 10, inc. II, da Lei n. 8.032/1990. Status: Após decisões favoráveis ao contribuinte nas instâncias ordinárias, pende de julgamento agravo contra decisão de inadmissibilidade do recurso especial da União. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. [...] (x) Processo n. 2.251.680 – Embargos à execução n. 4.571.592 (R$31.077,70) Fl. 5326DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.327 11 Tema em debate: Execução fiscal ajuizada para cobrança de FGTS do período de maio/1970 a dezembro/1970. Status: Aguardase julgamento de recurso especial da Recorrente no STJ. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. (xi) Processo n. 2001.61.00.0252468 (R$2.317.115,25) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado buscando reconhecimento de não submissão ao recolhimento das contribuições de custeio do FGTS instituídas pela Lei complementar n. 110/2001. Status: Aguardase julgamento de recursos excepcionais apresentados pela Recorrente no tocante ao anocalendário 2001. Em relação aos valores referentes ao anocalendário 2002, houve parcelamento do débito, com confissão de dívida. Consequência para o presente P.A.: Haveria possibilidade de cancelamento parcial da glosa, mas, por não ter sido possível a esse conselheiro identificar com precisão qual seria esse valor, julgo pela manutenção da glosa. (xii) Processo n. 1999.61.00.0269113 (R$23.429.148,58) Tema em debate: Mandado de segurança buscando reconhecimento do direito de não sofrer retenção de CPMF em razão de inconstitucionalidade do art. 75 do ADCT. Status: Homologação de desistência do feito em 15/12/2006. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. (xiv) Processo n. 2004.61.82.0469276 (R$1.764.177,50) Tema em debate: Execução fiscal ajuizada para cobrança de IRPJ, PIS, COFINS e demais valores relacionados ao anocalendário 1999. Status: Há pedido de desistência expresso em relação ao débito de COFINS de junho de 1999, no valor de R$417.336,62, o qual foi homologado em sentença proferida em 14/11/2012. Contudo, o processo permanece tramitando em relação aos demais valores. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo anteriormente discutido em relação ao qual pediu a desistência Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, já que não houve comprovação de recolhimento do tributo na parte em que houve desistência, e que remanesce discussão quanto ao mais. [...] Fl. 5327DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.328 12 (xviii) Processo n. 2000.61.19.0076058 (R$240.031,88) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado para ver reconhecido direito a imunidade ao ICMS devido na importação de mercadorias. Status: Após desprovimento de apelação da ora Recorrente, foi certificado decurso de prazo e o processo foi encaminhado à origem para arquivamento, que ocorreu em 22/11/2011. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. [...] (xxiii) Processo n. 2001.61.19.0011470 (R$280.245,10) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado para ver reconhecido direito imunidade do ICMS incidente sobre mercadorias importadas. Status: Após julgamento de provimento da apelação da Recorrente, a União interpôs recurso extraordinário. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. [...] (xxv) Processo n. 95.00.008521 (R$580.840,62) Tema em debate: Ação ajuizada para ver reconhecido o direito de proceder à compensação do prejuízo acumulado em períodobase anterior para efeito de apuração da CSLL. Status: Trânsito em julgado em 07/08/2009 em desfavor da Recorrente. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação da quitação do tributo. (xxviii) Processo n. 94.00017952 (R$3.579,05) Tema em debate: Mandado de segurança para ver afastada a exigência do IPMF em operações realizadas por empresa jornalística. Status: Trânsito em julgado em desfavor do contribuinte em 05/11/2012. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. Fl. 5328DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.329 13 (xxix) Processo n. 1999.61.82.0451948 (R$191.809,81) Tema em debate: Execução Fiscal ajuizada para cobrança de IR fonte incidente sobre rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, relativamente ao período de janeiro a abril de 1996. Status: Os embargos do devedor foram julgados improcedentes na primeira instância e aguardam julgamento de apelação. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. A embargante, por sua vez, comparece novamente aos autos, aportando, junto com os embargos, um parecer técnico de natureza contábil, elaborado a seu pedido, com vistas a demonstrar que as glosas devem ser canceladas, alegando que o acórdão teria sido omisso na análise desses pontos, verbis: Contudo, a Turma Julgadora acabou sendo omissa quanto à apli:ação do entendimento já decidido pelo acórdão recorrido, no que diz respeito ao reconhecimento da antecipação das despesas para os casos de pagamento (ocorrendo dec são judicial definitiva desfavorável) ou reversão das despesas (ocorrendo decisão judicial defhitiva favorável), quanto às glosas relacionadas nos itens (i), de forma parcial, (v), (viii), (x), (xi), (xii), (xiv), (xviii), (xxiii), (xxv), (xxvii) e (xxviii). De fato, conforme anexo parecer técnico de natureza contábil elaborado a pedido da Embargante (Doc. 03), as glosas relacionadas aos itens acima mencionados também deveriam ter sido canceladas por este E. CARF, na linha do quanto decidido no acórdão embargado, como se passará a detalhar item a item: Item (i) Ao analisar a glosa relativa à obrigação legal objeto da ação judicial n° 00913062.1) 99.4.03.6100, que discutia o aumento de alíquota da COFINS e o alargamento da base de Cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, previstos na Lei n° 9.718/98, este E. CARF entendeu pelo cancelamento definitivo apenas no que diz respeito ao alargamento da base de Cálculo do PIS/ COFINS (fis. 49 do acórdão embargado). Isto porque, embora a Embargante tenha comprovado o trânsito em julgado de decisão que lhe foi favorável quanto ao alargamento da base de cálculo, não teria comprovado o pagamento dos débitos referentes ao aumento de alíquota da COFINS, objeto de renúncia à discussão judicial, o que levou este E. CARF a determinar o cancelamento apenas dos débitos referentes à discussão quanto ao alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS. Ocorra que, conforme comprovado no parecer anexo (fls 20, 21 e 22), os débitos referentes à discussão quanto ao aumento da alíquota da COFINS que não foram atingidos pela decadência, no montante de R$ 18.114.576,06 (fatos geradores de novembro de 1999 a outubro de 2003), foram parcelados nos termos da Lei n° 11.941/2009. Já os valores que tiveram a decadência reconhecida por este E. CARF nos autos do processo administrativo n° 19515.002667/200415 (fatos geradores de fevereiro a outubro de 1999), no montante de R$ 3.621.341,48, foram revertidos (fls. 20 e 21 do parecer). Fl. 5329DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.330 14 Por fim, um valor excedente de R$ 1.217.691,06 também foi revertido, como igualmente comprovado no parecer anexo (fls. 20 e 21 do parecer). Salientese que todos os montantes revertidos foram devidamente oferecidos à tributação. Desse modo, deve ser cancelada integralmente a glosa, na linha do que foi decidido, por exemplo, com relação ao item (iii). Item (v) O v acórdão embargado manteve a glosa no montante de R$ 5.292.042,92 relativa à obrigação legal referente a salário educação, pois a Embargante não teria comprovado o pagamento do débito (fls. 50 do v. acórdão embargado). Ocorre que, conforme parecer técnico anexo (fls. 23 e 24 do parecer), o débito foi incluído no parcelamento veiculado pela Lei 11.941/2009, de modo que esta glosa deveria ter sido igual nente cancelada. Item (viii) Conforme se constata do anexo andamento processual e da decisão proferida pelo Tribunal Regic nal Federal da 3a Região (Doe. 04), transitou em julgado decisão favorável à Embargante nos autos do Mandado de Segurança n° 91.02029391, motivo pelo qual, no curso de 2013, o valor total da contingência, no montante de R$198.275,48, foi revertido, conforme atesta o anexo parecer técnico (fls. 24 e 25 do parecer) Sendo assim, nos termos do v. acórdão embargado, tratase de uma situação de neutralidade fiscal, devendo ser cancelada a respectiva glosa. Conforme se verifica do anexo parecer técnico (fls. 25 e 26 do parecer), em 06/11/2002, foi proferida sentença extinguindose a Execução Fiscal n° 00.0225168 0, face ao pagamento do débito, não havendo dúvidas quanto à possibilidade da Embargante ter deduzido a suposta provisão relacionada a este feito no ano calendário de 2006. Sendo assim, deve ser cancelada também a glosa no montante de R$ 31.077,70 vinculada a esse Execução Fiscal. Item (xi) Este E. CARF manteve a glosa do débito no montante de R$ 2.336.781,95, referente às contribuições de custeio do FGTS instituídas pela Lei complementar n° 110/2001, por não ter conseguido segregar o montante que foi objeto de pagamento e o que remanesceu em discussão nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0252468. Isto porque, os débitos referentes ao anocalendário de 2002 e períodos subsequentes foram incluídos em programa de parcelamento, mas os de 2001 permaneciam em discussão nos autos do referido wrít, no qual pendia exame de admissibilidade do Recurso Extraordinário da Embargante. Contudo, o anexo parecer atesta que o montante provisionado se refere apenas a 2002 e anos subsequentes e foi integralmente parcelado (fls. 19 do parecer), de modo que referida glose também deveria ter sido integralmente cancelada. Fl. 5330DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.331 15 Item (xii) Conforme se verifica do v. acórdão embargado (fls. 51 e 52), a glosa foi mantida neste caso tão somente por não ter sido comprovado o pagamento do débito de CPMF que, em 2006, constituía uma obrigação legal no montante de R$ 23.455.610,23. Ocorre que, conforme parecer (fls. 19), este débito foi incluído em parcelamento ordinário e, posteriormente, a Embargante optou por incluílo do programa de parcelamento previsto na Lei ri° 11.941/2009, tornandose, portanto, despesa efetiva, de forma que a glosa correspondente não poder ser mantido na linha do que já restou decidido no acórdão embargado. Itens (xiv), (xviii), (xxiii), (xxv); (xxvii) e (xxviii) Conforme demonstrado e comprovado no anexo parecer técnico (fls. 14 a 19 do parecer), as contas de provisão contábil de n° 221127, 221120 e 221121 foram revertidas e foi constituída uma nova provisão de n°221130. Contudo, essa nova conta contábil não comtemplou todos os débitos lançados nas antigas cortas, algumas dessas obrigações legais foram revertidas e oferecidas à tributação. As obrigações legais revertidas foram as no montante de R$ 12.715, 24; R$ 580.840,62; R$ 1.704.177,50; R$ 280.245,10; R$ 240.031,88 e R$ 3.579,05, cuja glosa foi mantida pelo v. acórdão embargado (itens xiv, xviii, xxiii, xxv, xxvii e xxviii do v. acórdão embargado, respectiva mente). Assim, uma vez demonstrado que tais valores não foram excluídos do lucro real, imperioso se faz O cancelamento da glosa de tais montantes, na linha do restou decidido por este E. CARF. Ademais, o débito de R$ 1.764.177,50, vinculado à execução Fiscal n° 2004.61.82.0469276 (item xiv), foi parcialmente incluído no parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009, como comprova o anexo parecer (fls. 18), não podendo ser mantida a glosa também por esta razão. Itens (iv), (xxiv) e (xxix) Com relação a tais itens, considerandose não existir decisão judicial definitiva até o momento, requerse sejam analisados a fim de se determinar a adoção dos mesmos procedimentos já definidos pelo acórdão embargado, quais sejam, cancelamento da glosa em caso de decisão definitiva contrária, com a demonstração do pagamento, ou cancelamento da glosa em caso de decisão definitiva favorável, em razão da reversão da provisão. Não se pode admitir a omissão quanto à aplicação do entendimento já decidido pela decisão recorrida com relação, também, a esses itens. Com a devida vênia, entendo que os novos documentos apresentados pela recorrente (Parecer Técnico de Natureza Contábil e seus Anexos fls. 4852/4954), junto com os embargos, com vistas a comprovar situações não reconhecidas no acórdão embargado, não podem ser conhecidos nesta etapa processual. Com efeito, o acórdão embargado não padece de qualquer omissão, uma vez que o voto proferido tomou por base os elementos trazidos aos autos até aquela fase recursal. Fl. 5331DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.332 16 A embargante demonstra plena consciência de que tais elementos e argumentos estão sendo trazidos aos autos extemporaneamente, quando apela para seu acolhimento à luz do princípio da economia processual, pois seriam meros complementos ao quanto já teria sido decidido pelo acórdão embargado. Ora, embora o processo possua característica dialética, não se pode admitir nova análise dos fatos, em sede de embargos, a partir de novas informações e elementos apresentados pela recorrente. Tal prática tornaria os processos infindáveis e não encontra abrigo nas normas que regem o processo administrativo fiscal. De se observar, ainda, que o parecer e seus anexos não poderiam ser aceitos sem uma verificação da autenticidade e fidedignidade dos dados e elementos apresentados, o que demandaria a realização de diligências, algo impensável nesta etapa processual. Por fim, também não se pode acolher a pretensão final manifestada, neste ponto, quanto aos itens (iv), (xxiv) e (xxix) que, considerando não existir decisão judicial definitiva até o momento, requer o cancelamento da glosa em caso de decisão definitiva contrária, com a demonstração do pagamento, ou cancelamento da glosa em caso de decisão definitiva favorável, em razão da reversão da provisão. Além de não existir qualquer omissão quanto ao ponto, a pretensão da embargante só poderia ser atendida mediante um decisão condicional, ou seja, suspendendo a execução do acórdão embargado e vinculandoa, por tempo indeterminado, à sorte do processo judicial. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos neste ponto. 2. Omissão Quanto à Análise de Questão de Ordem Pública Inovação Trazida pela Medida Provisória n° 627/13 (Suposta Infração 1) Neste ponto, a embargante argumenta que na época dos fatos, inexistia qualquer vedação ao aproveitamento fiscal desse ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da sociedade do mesmo grupo econômico, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e ressalta que a distinção de tratamento fiscal do "ágio interno" frente ao "ágio externo" apenas foi promovida por meio da Medida Provisória n° 627/2013, aspecto que corrobora a afirmação de que a legislação tributária anterior à edição de tal norma acolhia a presença do ágio interno para fins de amortização do ágio. Citou o Acórdão nº 1302001.145 que acolheu tal entendimento, para justificar que, por se tratar de inovação jurídica posterior ao protocolo do Recurso Voluntário da Embargante e anterior ao seu julgamento, trazida por meio de dispositivo legal que, claramente, representa questão de ordem pública que afeta o cerne da presente discussão, não poderia a c. Turma Julgadora furtarse à análise do mencionado dispositivo, que expressa reconhecimento por parte do Legislador positivo de que não havia qualquer vedação ao aproveitamento do ágio em casos como o em tela. Suscitou os princípios da razoabilidade, da estrita legalidade tributária, do dever do CARF de controlar a legalidade do lançamento, e da economia processual que imporiam o dever de a autoridade julgadora abordar a inovação antes referida. Embora este ponto tenha sido admitido pela D. Presidente desta Turma, responsável pela apreciação da admissibilidade destes embargos, em face da previsão regimental à época, que limitava o exame ao mero apontamento da suposta omissão, entendo que esta matéria não deve ser conhecida. Fl. 5332DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.333 17 Não vislumbro questão de ordem pública a justificar a apreciação desses novos argumentos, não suscitados por ocasião do julgamento. Tendo a decisão recorrida apresentado fundamentação suficiente para enfrentar os argumentos presentes nos autos, não há que se falar em omissão na apreciação de tal argumento. Nos termos da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, o julgador “não está obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão”, conforme se extrai do julgado abaixo: “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.130.754 RS (2009/01224909) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : VITASSIR ÂNGELO FERRAREZE ADVOGADO : LUIZ JUAREZ NOGUEIRA DE AZEVEDO E OUTRO(S) AGRAVADO : DARCI ÂNGELO TICIANI ADVOGADO : CAITANO GATTO EMENTA 1. A leitura do acórdão evidencia que a decisão foi proferida de maneira clara e precisa, contendo fundamentos de fato e de direito suficientes para uma prestação jurisdicional completa. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (...)”. O acolhimento desse fundamento em outro acórdão poderia indicar, eventualmente, a existência de divergência jurisprudencial, a ser apontada ou manejada noutra espécie recursal, mas não a justificar a sua apreciação em sede de embargos, se não suscitada no acórdão embargado. Ante ao exposto, voto no sentido de não se conhecer dos embargos quanto a esta alegação. 3. Omissão do Acórdão Embargado Quanto ao Julgamento dos Itens II.8 e 11.10 do Recurso Voluntário (Suposta Infração 1) 3.1 Das normas aplicáveis quanto à dedutibilidade da despesa A embargante alega, neste ponto, que o acórdão embargado encontrase omisso, também, quanto às seguintes alegações desenvolvidas em seu recurso voluntário: Fl. 5333DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.334 18 II.8 Do Equívoco Cometido pela Fiscalização com Relação às Normas Aplicáveis à Dedutibilidade de Despesas p. 90 II.8.1 Da Sobreposição da Norma Específica Sobre a Norma Geral Princípio da Especialidade p. 91 II.8.2 Regra Geral de Dedutibilidade das Despesas (artigo 299 do RIR/99) X Regra Específica para a Dedutibilidade da Despesa com Amortização do Ágio (artigo 386, inciso III, §2° do RIR/99) p.92 O despacho de admissibilidade observa que, o primeiro grupo de alegações '(II.8), a recorrente questionara a fundamentação da exigência no art. 299 do RIR/99, defendendo que as autuações se submeteriam à regra específica prevista no art. 386, III, §2º do RIR/99, reconhecendo que o voto condutor do acórdão recorrido limitouse a refutar os argumentos apresentados no voto vencido do Conselheiro Relator para dar provimento ao recurso voluntário, e não abordou estes argumentos, apresentados pela recorrente, de forma subsidiária. Tendo sido apresentado o argumento, ainda que de forma subsidiária, entendo que os embargos devam ser conhecidos quanto a este primeiro subitem. A recorrente alega que é equivocado o entendimento do colegiado a quo quanto este alega a indedutibilidade do ágio com base no conceito de despesas necessárias estabelecido no art. 299 do RIR/99 uma vez que existe regra específica de dedutibilidade das despesas com amortização de ágio (art. 386, inc. III, §2ºdo RIR/99), pois que, diferente da condição geral imposta pelo artigo 299 do RIR/99, a norma específica acima transcrita não estabelece, como requisito para a dedutibilidade da amortização do ágio, que a despesa seja necessária ou incorrida, como indevidamente sustentouse na decisão recorrida. Embora tenha sido demonstrado tanto no Termo de Verificação Fiscal e no acórdão de primeiro grau que as operações que deram ensejo ao ágio não encontram amparo nas regras de dedutilibilidade previstas no art. 386, inc. III, §2º do RIR/99), que tratam especificamente da dedução da amortização do ágio, estas não estão, e nem poderiam estar dissociadas dos conceitos legais as normas gerais de dedutibilidade das despesas previstos no art. 299 do RIR/1999, amparado no art. 47 da Lei 4.506/1964. Quando a lei define como "necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa" está a indicar a presença de dois elementos essenciais para a dedutibilidade de qualquer despesa: 1) serem pagas ou incorridas e, 2) serem necessárias a realização das atividades da empresa. Obviamente, a lei poderá estabelecer a dedutibilidade de despesas que não são imprescindíveis à atividade da empresa, como ocorre, p. ex., com os juros sobre o capital próprio. Mas, certamente em nenhum caso se admite que a despesa não seja paga ou ao menos incorrida para fins de sua dedutibilidade. Penso que se trata de um princípio geral de dedutibilidade de despesas e que, no mínimo, reforçam a necessidade de que o ágio dedutível é aquele que foi suportado por um dispêndio (sacrifício patrimonial) efetivo. De qualquer sorte, no caso concreto, o fundamento adotado pelo colegiado para negar provimento são, por si só, suficientes para a manutenção da glosa. Fl. 5334DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.335 19 Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos para suprir a omissão e, no mérito, por rejeitar a alegação da embargante. 3.2 Da inexistência de previsão legal para adição à Base de Cálculo da CSLL II.10 Ad Argumentandum Da Inexistência de Previsão Legal para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização. p. 118 A embargante alega ainda que no subitem II.10 do recurso voluntário, que não foi apontada legislação que fundamentasse a necessidade de adição da despesa com ágio à base de cálculo da CSLL, e que esta exigência não está presente na legislação tributária, na medida em que o ágio sempre foi amortizado na contabilidade societária, e a restrição a seus efeitos fiscais foi imposto pelo Decretolei nº 1.598/77, sem ser cogitada na Lei nº 7.689/88, ou mesmo na Lei nº 9.532/97. O despacho de admissibilidade reconheceu a omissão do acórdão embargado sobre este ponto, admitindoo. O acórdão de primeiro grau assim se pronunciou sobre os argumentos da recorrente: 62. Não é o caso de haver explicitamente na lei esta adição da amortização do ágio, pois não estamos tratando de ágio normal na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, mas sim, de ágio fictício intragrupo. Logo, a fiscalização entendeu corretamente que não seria aceita esta amortização para apuração do lucro líquido base para apuração da CSLL e do IRPJ. A fiscalização corretamente enquadrou o lançamento no artigo 2º, da Lei nº 7.689/88 (indicado no Auto de Infração da CSLL, na folha “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”). In verbis: [...] omitido 63. Como previsto na lei, a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício (lucro líquido) e este tem que ser apurado com observância da legislação comercial que implica na consideração dos princípios contábeis. Logo, como já mencionado, não sendo aceita para efeito de apuração do lucro líquido a amortização deste ágio, não será também para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A fiscalização afastou objetivamente o registro da despesa com ágio, por considerála inexistente, uma vez que não foram pagas, nem incorridas, sendo, portanto indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Examinando o caso concreto, entendo que a despesa não pode afetar a base de cálculo da CSLL uma vez que o ágio gerado nas operações societárias reportadas sequer poderiam ter sido reconhecidos contabilmente, pois tais despesas foram artificialmente criadas, não se revestindo dos requisitos necessários para seu registro e consideração na apuração do lucro líquido. Fl. 5335DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.336 20 A alegação da recorrente de que não existe previsão legal que determine a adição da amortização do ágio ao lucro líquido não pode ser aceita, na medida em que a própria existência do ágio contábil é afastada. Considerandose que a base de cálculo da contribuição é determinada a partir do lucro líquido contábil e que esta despesa não poderia compor o resultado, nos termos já expendidos no voto vencedor proferido no acórdão embargado, não há que se discutir a existência ou não de previsão legal de adição da provisão de amortização de ágio à base de cálculo da CSLL. Vista a questão sob outra perspectiva, é possível interpretar que não existe previsão legal para que o contribuinte exclua da base de cálculo apurada a partir do lucro líquido apurado, de qualquer outro valor que não aqueles expressamente previstos na legislação que rege a contribuição, dentre os quais, não se encontra a previsão da amortização do ágio. Assim, se considerada a amortização antecipada do ágio um favor fiscal e, interpretandose restritivamente a norma autorizadora da dedução, esta deve aplicarse unicamente na apuração do lucro real; leiase: apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. Nesta perspectiva, independentemente da materialidade da despesa, inexiste previsão legal para a dedutibilidade das despesas do ágio aqui tratado da base de cálculo da CSLL. Pelos fundamentos acima, voto por acolher os embargos com vistas a suprir a omissão apontada, para, no mérito, negarlhes provimento, mantendo a exigência da CSLL. 4. Da Contradição do Acórdão Embargado Quanto à Necessidade de um Terceiro Independente (Suposta Infração l) A embargante, após transcrever alguns excertos do voto vencedor, assim resume a contradição que entende existir: Ora, se os II. julgadores entendem que, independentemente de se estar tratando de operações dentro de um mesmo grupo econômico ou não, (i) o contribuinte pode contribuir ações ao capital de uma outra sociedade por valor maior que o contábil, desde que existam razões passadas para tanto; ( i i ) há aquisição quando o alienante aufere um ganho e que (iii) o contribuinte aufere um ganho ao realizar referida contribuição mesmo em sociedade pertencente ao mesmo grupo, como podem, contraditoriamente, concluir pela necessidade da participação de um terceiro independente para que ocorra uma aquisição e se apure ágio? Examinando o acórdão embargado e os trechos citados pela embargante verificase claramente que esta busca, de maneira capciosa, embaralhar o raciocínio desenvolvido no voto condutor do acórdão embargado, mediante a citação isolada e deslocada de alguns excertos, visando a dar verossimilhança à sua alegação de existência de contradição, com vistas à rediscutir as alegações trazidas no recurso voluntário. A simples transcrição de trechos do voto vencedor que examinam a existência do ágio, na ordem em que foram proferidos, deixa patente a inexistência de contradição, verbis: [...] Fl. 5336DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.337 21 Os dispositivos transcritos somente se referem ao ágio formado na aquisição de investimentos e, ainda, o art. 7o da Lei nº 9.532/97 frisa que deve ser ele apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, o qual, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. E somente há aquisição quando há intervenção de terceiro e efetiva transmissão de propriedade do direito. [...] Observese que não se diz, aqui, que a alienação de uma participação societária somente se dá mediante pagamento, em sentido estrito. O que se exige é uma alteração substancial no patrimônio do alienante, a qual somente se verifica se ele passar a dispor de algo que antes não possuía, condição ausente neste caso, em que, como bem relatado pela autoridade julgadora de 1a instância, em 09/11/2005 retornase à situação societária do dia 03/11/2005, ou seja: (i) Pessoas Físicas com 100% do capital da Folha Participações; (ii) a Folha Participações com 99,9% do capital da Larimus; (iii) que controla em 99,9% a Folha da Manhã. [...] Ocorre que a lei apenas difere a tributação do ganho de capital verificado no momento em que o direito da pessoa jurídica convertese em outro de maior valor, por ação única e exclusiva do titular deste direito, e sem que tal direito deixe, efetivamente, seu patrimônio. Na prática, a lei apenas equivale a situação fiscal do sujeito passivo que assim age àquela na qual permanece o sujeito passivo que não promove qualquer transferência de seu investimento para outra pessoa jurídica sob seu controle. E, somente por esta razão, já seria possível afastar o outro efeito aventado para esta operação, qual seja, a formação do ágio. Isto porque inexiste ganho real por parte da pessoa jurídica que transfere seus investimentos para outra pessoa jurídica, mas continua a deter sua titularidade de forma indireta. O diferimento da tributação, assim, não representa qualquer benefício, mas apenas a anulação de uma incidência que se materializaria por ato exclusivo do titular do direito. De outro lado, em momento algum o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 admite que na nova investida este direito reavaliado tenha a sua maisvalia reconhecida contabilmente como ágio, nem cogita que esta maisvalia seja amortizável. Os autores também não se reportam a qualquer ato normativo, solução de consulta ou julgamento administrativo que assim tenha concluído. Interpretação naquele sentido somente é possível olvidandose dos elementos conceituais de uma aquisição, quais sejam, partes independentes e preço. Vejase que estes elementos integram um conceito uniforme tanto na esfera contábil (na redação da Lei nº 6.404/76, ao menos até sua alteração pela Lei nº 11.638/2007) como na esfera tributária (art. 20 do Decretolei nº 1.598/77), determinante do que representa o custo de aquisição de um investimento. De outro lado, o ágio nada mais é do que a diferença entre o custo de aquisição e a equivalência patrimonial da participação societária, e no presente caso o primeiro restou majorado por conta do valor que lhe foi atribuído pelo seu titular ao subscrever capital na sociedade intermediária que passou temporariamente a deter o controle direto da investida. Assim, somente olvidando que custo de aquisição é o valor efetivamente despendido em transações com o mundo exterior (art. 7o da Resolução CFC nº 750/93), é possível construir o ágio amortizado pela recorrente. Do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um mecanismo para evitar a tributação do ganho escriturado em razão da Fl. 5337DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.338 22 transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir e o ganho se tornasse real. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29a edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: [...] Mas, também relevante neste caso, é atentar para o fato de que a controladora não apenas integraliza capital em uma empresa recentemente agregada ao mesmo grupo societário, nela aportando ações de empresa controlada por valor maior que o patrimonial, fazendo surgir o que se denominou ágio, o qual passou a ser amortizado depois de a controlada incorporar a pessoa jurídica intermediária, cuja existência se prolongou por menos de uma semana. Mais que isso, o resultado final desta operação é que, em razão da mencionada incorporação, a controladora restabelece o controle direto sobre aquela controlada, de modo que tudo volta a ser como era antes, embora com uma “novidade”: o surgimento, no patrimônio da investida, de um item classificado como ágio, no valor de R$ 234.277.000,00 que se presta a reduzir seu lucro tributável nos cinco anos subsequentes, tendo como fundamento, justamente, a expectativa da controladora de que este lucro fosse auferido. A operação, nestes termos, busca atribuir à participação societária um valor futuro, que não reúne qualquer materialidade como justificativa para o incremento patrimonial. Distinguese, assim, essencialmente do que se verifica nos verdadeiros casos de aquisição, quando um terceiro paga pela expectativa de rentabilidade futura e antecipa no patrimônio da investidora esta realidade. É possível concluir, assim, que a integralização de capital com participação societária por valor maior que o patrimonial somente é possível quando existam razões passadas que justifiquem esta diferença. Neste sentido, inclusive, é o texto de autoria de Edison Carlos Fernandes (Imposto sobre a renda, planejamento tributário, o revogado artigo 36 da Lei nº 10.637/02 e a extinta correção monetária de balanço. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 129 (jun/2006), p. 27): [...] Por meio desta reavaliação a pessoa jurídica atribui valor atualizado a itens de seu patrimônio que não mais se sujeitam a correção monetária de balanço, e o resultado positivo daí decorrente não tem tributação imediata, sendo diferido para o momento em que esta riqueza se materializar com a efetiva alienação daquele direito a terceiros. De outro lado, esta operação não gera o tão almejado “ágio fundamentado em rentabilidade futura”, realidade que somente pode ser antecipada no patrimônio de uma pessoa jurídica quando um terceiro, parte independente, reconhece sua viabilidade e por ela remunera o titular do investimento. Fl. 5338DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.339 23 Inadmissível, portanto, a redução das bases tributáveis pelos motivos alegados pela recorrente. Nenhum óbice legal existiria, à época, em o grupo societário buscar meios para atribuir ao patrimônio da empresa operacional seu valor real, presente. Inadmissível é antecipar resultados com base em meras projeções estatísticas, sem a chancela de um terceiro/parte independente, e ainda, no âmbito tributário, denominar esta maisvalia de ágio apenas para construir o cenário que, na presença de verdadeiro ágio, permitiria a amortização com efeitos na apuração do lucro tributável. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio. Ora, a leitura na íntegra do voto proferido deixa muito claro que em momento algum o colegiado valida, para efeito de reconhecimento de ágio, as operações realizadas entre pessoas ligadas (mesmo grupo econômico), nem que exista ganho nas operações de mera subscrição de ações com valor reavaliado em outra empresa, sem alteração do real controlador. Ao contrário, o voto condutor da decisão embargada, refuta todas as alegações da recorrente e demonstra que tais operações não produzem o efeito almejado pela recorrente, seja pela ótica do suposto ganho de capital, seja pela ótica da existência de ágio, inexistindo, desta forma, a apontada contradição. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos neste ponto. 5. Da Contradição Quanto ao Ganho Auferido pela Larimus (Suposta Infração l) A embargante alega que, a decisão recorrida foi contraditória, pois teria reconhecido o diferimento da tributação " do montante correspondente à diferença entre o valor de contribuição da Embargante ao capital da Sardinelle Participações Ltda. e o de seu registro na contabilidade da Larimus Participações Ltda. (...) nos termos do artigo 36 da Lei 10.637/2002", isto é reconhece que houve ganho de capital para a empresa Larimus Participações, mas afastou a dedutibilidade do ágio sob a justificativa de que não haveria ganho real. Aqui, mais uma vez, a embargante busca, por meio de um jogo de palavras, extraído de fragmentos descontextualizados da decisão recorrida, ver reexaminada suas teses. Tal discussão, aliás, já estaria contida no exame do tópico anterior, mas para que não pairem dúvidas quanto ao exame da alegação transcrevo trechos do acórdão em que a redatora do voto condutor expressou o entendimento do colegiado quanto à correta interpretação do art. 36, verbis: Do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um mecanismo para evitar a tributação do ganho escriturado em razão da transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir e o ganho se tornasse real. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura.[...] Fl. 5339DF CARF MF Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1302002.111 S1C3T2 Fl. 5.340 24 (grifei) [...] A operação, nestes termos, busca atribuir à participação societária um valor futuro, que não reúne qualquer materialidade como justificativa para o incremento patrimonial. Distinguese, assim, essencialmente do que se verifica nos verdadeiros casos de aquisição, quando um terceiro paga pela expectativa de rentabilidade futura e antecipa no patrimônio da investidora esta realidade. [...] Por meio desta reavaliação a pessoa jurídica atribui valor atualizado a itens de seu patrimônio que não mais se sujeitam a correção monetária de balanço, e o resultado positivo daí decorrente não tem tributação imediata, sendo diferido para o momento em que esta riqueza se materializar com a efetiva alienação daquele direito a terceiros. De outro lado, esta operação não gera o tão almejado “ágio fundamentado em rentabilidade futura”, realidade que somente pode ser antecipada no patrimônio de uma pessoa jurídica quando um terceiro, parte independente, reconhece sua viabilidade e por ela remunera o titular do investimento. (grifei) O voto é totalmente congruente ao expor o entendimento de que não existe um ganho real na operação, mas mera reavaliação do investimento, de modo que, em na interpretação dada, o art. 36 teria o condão de, meramente adiar a tributação do suposto ganho escriturado, para o momento futuro, quando a participação indireta deixasse de existir e o ganho se tornasse concreto, mediante a alienação a terceiros. Ante ao exposto, voto por rejeitar os embargos quanto a este ponto. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente dos embargos e acolhêlos, na parte conhecida, para suprir as omissões apontadas, sem efeitos modificativos no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 5340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720499/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito.
PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL.
A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta.
DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO.
Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas.
DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE.
O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção.
SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE.
É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
Numero da decisão: 1402-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 04 99 /2 00 8- 67 Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.004 2 NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.005 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve o decidido no Despacho Decisório, que por sua vez, adotou a Informação Fiscal, fundamentada no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010, onde relatou um esquema de fraude, simulação e conluio entre empresas, com origem remota em negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados entre as empresas dos grupos empresariais CEC Internacional S/A e Grupo Marquise, com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da fazenda nacional. Segundo consta do Relatório de Análise Tributária da SAPAC, o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, "tais créditos" eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Destaca a autoridade fiscal que os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Ao Grupo CEC, estão ligadas as empresas: Sul Diesel S/A; Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda e Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP; Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda; Xingu Administração e Participação S/A; à RCA International Commodities S/A estão ligadas as empresas BEX Internacional S/A; Canavieira Florestamento e Reflorestamento S/A e Panagra do Brasil S/A; Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A e quanto ao Grupo capitaneado pela Construtora Marquise S/A, a Capitalize Fomento, Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e Ecofor Ambiental S/A. Segundo a autoridade fiscal, conforme descreve no Anexo do Relatório de Análise Tributária, temse os quadros (abaixo colacionados) e a auditoria cruzada das operações intragrupos para rastreamento da origem dos créditos, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais. Vejamos o fluxograma e em seguida as notas explicativas com o panorama global do planejamento tributário ocorrido entre os grupos CEC e MARQUISE. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.006 4 Seguem as explicações do fluxograma com enfoque global do planejamento tributário entre os grupos empresarias. I) PRINCIPAIS CARACTERES DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 Instrumentação por Contratos de Promessa de Compra e Venda de Imóveis formalizados apenas "no papel". 2 — Ausência do substrato material especifico de uma efetiva compra e venda imobiliária (animo de pagar o preço objetivando a transcrição no Cartório de Registro de Imóveis). 3 — Inserção de clausula previsora de multa desarrazoada com o objetivo de entabular a incidência de IRFONTE e conseqüente conversão em crédito transferível de IRRF/Saldo Negativo de IRPJ com destinação posterior préconcebida. 4 — Presença de clausula estipulatória, temporalmente delimitada, de ENCARGOS FINANCEIROS especialmente superavaliados até o mês de Julho/2004, com o objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativos para posterior transferência. 5 — Agregação daqueles encargos financeiros, conforme nova clausula especialmente alocada para tal, de multa imotivada a Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.007 5 ser reconhecida no especifico mês de Julho/2004, com o mesmo objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativo. 6 — Operações sempre concebidas e entabuladas como sendo a Prazo, onde o adquirente nada paga (por absoluta inexistência de recursos para tal), e o alienante nada cobra (por ter a operação de compra e venda função outra que não a ordinária aquisição de imóvel). 7 — Operações concebidas sempre em meio a pessoas ligadas. 8 — Operações realizadas em circulo, com vendas sucessivas, reclamando a utilização igualmente simulada do artifício das cessões fictícias de crédito, ante o registro meramente contábil da "venda anterior' ainda não recebida. 9 — Utilização de operações com imóveis , superavaliados, dado o alto valor atribuído aos bens, considerado como método IDEAL a garantir ao Grupo Empresarial transmitente a maior cifra possível de Créditos Fiscais Fictícios, proporcionando maiores vantagens ao Grupo Empresarial recepcionador. II) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS INTERMEDIÁRIOS PRATICADOS COMO CONDIÇÃO NECESSÁRIA À IMPLEMENTAÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO QUE OBJETIVOU A TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A PARTIR DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 — Manipulação contábil das empresas adquirentes e alienantes dos bens imóveis geradores dos créditos fiscais fictícios. 2 — Receitas e despesas com origens apenas nas operações intragrupo ou intergrupos empresariais, adequando valores e resultados contábeis/fiscais, sendo sempre aquelas inferiores a estas. 3 — Preparação das empresas para as operações de CISÕES SELETIVAS, com criação de PJs para cumprirem vida efêmera e papéis préordenados. 4 — Segregação dos créditos de tributos fictícios vertidos para as Pessoas Jurídicas então surgidas das Cisões Seletivas. 5 — Negociação simulada das ações/quotas das pessoas jurídicas criadas a partir das Cisões Seletivas com os integrantes do Grupo Empresarial interessado na captação dos créditos fictos. 6 — Incorporações intermediárias das pessoas jurídicas surgidas das Cisões Parciais Seletivas por outras pessoas jurídicas ligadas ao Grupo Empresarial solvente e lucrativo, interessado na captação dos créditos fiscais fictos. III) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS DE RECEPÇÃO FINAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FICTÍCIOS PRATICADOS NO SEIO DAS EMPRESAS DO GRUPO EMPRESARIAL. SOLVENTE E LUCRATIVO INTERESSADO NA CAPTAÇÃO ESPECÍFICA DE CRÉDITOS COM O FIM DE EXTINGUIR SEUS DÉBITOS PRÓPRIOS SEM QUALQUER DESEMBOLSO REAL. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.008 6 1 — Chamamento das situações postas pelas Cisões seletivas para o patrimônio das pessoas jurídicas componentes do Grupo Empresarial lucrativo e solvente. 2 — Captação final dos créditos precedida de transações comerciais/financeiras simuladas, tendentes a ofuscar e obscurecer a visão imediata da recepção direta e pré ordenada dos créditos fiscais fictícios. 3 — Incorporações intermediárias dissimuladoras da recepção direta e imediata dos créditos pelo Grupo Empresarial interessado na captação final. 4 — Incorporações finais (préordenadas) das diversas pessoas jurídicas de vida efêmera recheadas todas de créditos fiscais fictícios. 5 — Usufruto do almejado "recheio fiscal" via PER/DCOMPs pelo Grupo Empresarial economicamente lucrativo, em flagrante prejuízo do Fisco. A autoridade fiscal elaborou longo despacho, descrevendo as transações realizadas entres as empresas adiante citadas. Consta do relatório, que o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, os créditos eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Como destacado pela autoridade fiscal, os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma em si mesmo, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Segundo a autoridade fiscal, temse os seguintes quadros, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais: Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.009 7 Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.010 8 Por fim, o trabalho fiscal objetivou oferecer sólida fundamentação probatória e a motivação legal para o indeferimento liminar de qualquer pedido de restituição/compensação que envolva os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte (convertido ou não em Saldo Negativo de IRPJ) e das Contribuições para o PIS Não Cumulativo e COFINS Não Cumulativo, cujas origens — imediata ou remota — decorra das transações celebradas entre as empresas Cio Grupo CEC e do Grupo Marquise. Foram analisados no documento os fundamentos primáiros da origem dos créditos utilizados finalisticamente pelas empresas do Grupo Marquise em PER/DCOMPs diversas entregues ora pela Construtora Marquise S/A, ora pela ECOFOR Ambiental S/A, ora pela Capitalize Fomento Comercial Ltda. Também forma procedidas as demonstrações dos vícios insanáveis dos negócios jurídicos presentes e considerados em todas as etapas do planejamento tributário evasivo que, ao fim, almejou como objetivo real e querido pelas partes, a geração ficta de créditos para aproveitamento dos mesmos em PER/DCOMPs. Conclusivamente, pretendese que as elementares "simulação", "fraude" e "conluio", qualificadoras da conduta das partes nos casos concretos examinados, sejam não só inseridas na análise, como também e principalmente, pautem a razão de decidir por parte dos Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.011 9 julgadores, no sentido do indeferimento liminar daqueles pedidos restitutórios/compensatorios, fundamentados na origem que apontamos. Assim, tendo em vista que o ponto inicial que criou os créditos que se pretende restituir e compensar é o mesmo dos processos abaixo indicados, tendo em vista a relação de causa e efeito, todos devem ser julgados conjuntamente. 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A No presente caso, aconteceram os seguintes fatos conforme relatório do v. acórdão recorrido: Versam os presentes autos sobre o Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação — PER/DCOMP de n° 02512.08544.031006.1.7.027006 (fls. 03/07), mediante o qual a Interessada pleiteou a restituição de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ relativo ao anocalendário 2000, no valor de R$ 498.414,82, havido por sucessão de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, e sua utilização para compensar débitos próprios de IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativos a períodos de apuração compreendidos entre maio de 2003 e dezembro de 2003. Compulsando os autos, verifico que o mesmo direito creditório reclamado pela Interessada no PER/DCOMP acima mencionado fora objeto de Pedido de Restituição de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, formalizado pela sucedida Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.012 10 (detentora original do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000), RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, por meio do PER/DCOMP de n° 06689.19743.241003.1.2.049202 (fls. 15/17), "baixado" para análise manual por via do processo de n° 10380.901899/200618. Consulta ao sistema COMPROT, de extrato anexado as fls. 805, revela que esse processo foi arquivado, com o que se conclui que o direito creditório atinente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 apurado por RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A remanesceu discutido apenas nos autos do presente processo. Exame dos autos do processo arquivado, anexados por cópia ao processo ora analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza — DRF/FOR, informa que, intimada de que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do pagamento indevido ou a maior não fora encontrado nos sistemas da RFB (fls. 20), RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A — já sucedida por AGROPECUARIA E REFLORESTADORA PARENTE S/A, CNPJ 07.795.271/000120 — apresentou requerimento solicitando a retificação do tipo de crédito postulado no PER/DCOMP de n° 06689.19743.241003.1.2.049202 para saldo negativo de IRPJ do exercício 2001 (fls. 19 e 21/27). Também se verifica nos ditos autos que, em 27/02/2008, RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A foi intimada a apresentar no prazo de 20 (vinte) dias os seguintes documentos: "a) comprovante(s) de rendimento e do respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, fornecidos pelas fontes pagadoras, das quais o contribuinte era beneficiário, referentes aos anoscalendário 1999 e 2000; b) comprovação dos registros contábeis dos rendimentos e do respectivo IRRF, referentes aos anoscalendário 1999 e 2000 no livro Razão e lançamentos na conta IRPJ a Recuperar para o referido período; c) declaração, sob as penas da lei, de que os créditos pleiteados não foram compensados com o mesmo tributo ou contribuição apurados em períodos subseqüentes" (fls. 37 e 41). As fls. 55/58, repousam, por cópia, DIRF de IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA., consignando retenções de IRRF (Código 8045 — Outros Rendimentos) de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A nos meses de junho e dezembro de 2000, no idêntico valor de R$ 340.725,00; duas páginas do Livro Razão do ano de 2000' de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, registrando, na conta Impostos a Recuperar, "IRRF s/ Multa Contrato" nos mesmos meses e valores informados na DIRF de IRACEMA; e Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica emitido por IRACEMA em favor de RCA, contendo os mesmos valores de IRRF informados nos documentos antes mencionados. Em 23/05/2008, novamente a empresa foi intimada a apresentar, agora no prazo de 10 (dez) dias, os seguintes documentos: "a) documento constitutivo da CISÃO; b) Ato constitutivo da empresa com todas as suas alterações; c) apresentar cópia de contratos firmados com a empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, CNPJ 11.828.258/000105, juntamente com cópia da matricula atualizada do imóvel objeto da negociação" (fls. 38 e 42). Às fls. 44/52, encontramse cópias de um Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel, celebrado em 28 de dezembro de 1998, entre IRACEMA, na condição de alienante, e RCA, na Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.013 11 condição de adquirente; Ata da AssembléiaGeral Extraordinária de RCA, datada de 30/08/2004, que aprovou o Protocolo e Justificação relativos à incorporação dessa sociedade a AGROPECUÁIRA E REFLORESTADORA PARENTE S/A; Ata da AssembléiaGeral Extraordinária de AGROPECUÁRIA E REFLORESTADORA PARENTE S/A, datada de 31/08/2004, que aprovou o Protocolo e Justificação relativos à incorporação de RCA por essa sociedade; e Ata da AssembléiaGeral Extraordinária de RCA, datada de 31/07/2004, que aprovou a cisão parcial dessa sociedade e a constituição de três novas empresas, com parcelas do patrimônio cindido: FIBRA CONSTRUÇÕSE E EDIFICAÇÕES S/A; CONCE — CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A e FORTEFACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA. Da leitura dos autos, é possível reconstituir os fatos jurídicos que ensejaram a formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 em RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A e sua transposição para o patrimônio de CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. Esse encadeamento de fatos está muito bem descrito pela Interessada na Manifestação de Inconformidade que esta manejou contra o Despacho Decisório relativo ao processo n° 10380.720384/200872. Dito processo cuida de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, apurado por RCA com fundamento nos mesmos fatos de que trata o presente processo, e transposto por sucessão para o patrimônio de CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. A partir da descrição feita pela Interessada nos autos do mencionado processo, colhese que: Em 28/12/1998, foi celebrado entre as Empresas IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. e RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A., contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel, cujo descumprimento gerou a imposição de multa contratual, nos termos do parágrafo primeiro da cláusula segunda, in verbis: "CLAUSULAS E CONDIÇÕES: (.) SEGUNDA: Omissis Parágrafo Primeiro: Em caso de descumprimento desta, a Outorgante Promitente Vendedora pagará sobre o valor do prep da venda, semestralmente, a Outorgante Promitente Compradora, 18% de multa em 1999, 11% em 2000, 12% em 2001 e 5,5% ern 2002, valores estes acrescidos ainda, de 1% por mês de juros moratários". Por ocasião do pagamento da referida multa h Empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, em 2000, foi retido o imposto de renda então incidente, no valor total original de R$ 681.450,00, conforme a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF da fonte pagadora. Referidos valores, inclusive, foram registrados contabilmente no Livro Razão de ambas as Empresas. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.014 12 O valor então retido formou o saldo negativo de Imposto de Renda da RCA INTERNACIONAL COMMODITIES S/A do anocalendário de 2000, sendo este passível de utilização para compensação com demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Para garantir o reconhecimento dos referidos créditos e evitar a prescrição dos mesmos, a RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A apresentou Pedido de Restituição em 24/10/2003, retificado manualmente em 20/09/2006, no valor original de R$ 340.725,00. Com a cisão da Empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A., detentora do crédito requestado, o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 foi transferido para uma das Empresas resultantes da cisão, qual seja a FORTEFACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA., posteriormente incorporada pela TAMBAO PROMOÇÕES E EVENTOS LTDA., cuja quase totalidade das cotas foi transferida à empresa CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA., ora Requerente. Ato continuo, a Requerente passou a utilizarse dos valores em comento, para compensação com débitos de IRPJ e CSLL, através da apresentação da PER/DCOMP de n° 02512.08544.031006.1.7.027006, posteriormente baixada para análise manual através do processo administrativo de n°. 10380.720499/200867. Em seguida, veio aos autos, a Informação Fiscal (fls.705/715), que se fundamentou no Relatório de Análise Tributária da SAPAC, que concluiu o seguinte: A empresa sucessora acima identificada requer o acolhimento das compensações declaradas mediante os PER/DCOMPs, fls.03/07 e fls. 15/17, abaixo discriminados, relativamente ao suposto crédito decorrente, a priori, de saldo negativo do IRPJ da empresa sucedida RCA INTERNATIONAL (CNPJ 09.488.677/000195), informado na DIPJ/2001 (anocalendário 2000), com débitos vinculados a períodos posteriores. Ao presente processo, juntaramse cópias, fls.15/219, do processo n° 10380.901899/200618, onde constam fatos correlatos ao PER n° 06689.19743.241003.1.2.049202, correspondendo ao suposto crédito da sucedida, RCA International Commodities S/A, anocalendário 2000. Nesses PER/DCOMPs a empresa almeja o direito de ver compensado débitos referentes à IRPJ/CSLL, com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente foi reivindicada a retificação do referido pagamento, aduzindose que o crédito se tratava de saldo negativo de I RPJ. Em 05/09/2006, a empresa sucedida foi intimada por este Órgão sobre a inexistência do pagamento apontado como indevido em seus PER/DCOMPs ora sob análise, sendo concedido o prazo de 20(vinte) dias para que esta, se fosse o caso, procedesse às devidas retificações (fls. 20 e 81). Em 20/09/2006, a empresa intimada já 'Sucedida por AGROPECUÁRIA E REFLORESTADORA PARENTE S/A, CNPJ Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.015 13 07.795.271/000120 apresentou requerimento visando o acolhimento das retificações dos referidos PER/DCOMPs, sob fundamento de que não foi possível transmitilos eletronicamente, face a rejeições pelos seguintes motivos: a) a empresa estava com CNPJ cancelado por ter sido incorporada; b) o programa do PER/DCOMP não permitiu que seja retificado o tipo de crédito, apresentando mensagem de erro "tipo de crédito informado neste documento diferente do tipo de crédito informado no PER/DCOMP retificado"; c) o programa PER/DCOMP não permitiu que seja feita as retificações pela sucessora, o qual apresenta mensagem de erro "PER/DCOMP retificado não pertence ao contribuinte". Em seu pedido de retificação, a empresa declara que o tipo de seu suposto crédito não se trata de pagamento indevido como informado em PER/DCOMP, mas de saldo negativo do IRPJ, exercício 2001 (fls. 21, 25/27). Em 27/02/2008, a empresa foi intimada a apresentar no prazo de 20(vinte) dias os seguintes documentos: a) comprovante(s) de rendimento e do respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, fornecidos pelas fontes pagadoras, das quais o contribuinte era beneficiário, referentes aos anoscalendário 1999 e 2000; b) comprovação dos registros contábeis dos rendimentos e do respectivo IRRF, referentes aos anoscalendário 1999 e 2000 no livro Razão e lançamentos na conta IRPJ a Recuperar para o referido período; c) declaração, sob as penas da lei, de que os créditos pleiteados não foram compensados com o mesmo tributo ou contribuição apurados em períodos subseqüentes (fls. 37 e 41). Em 23/05/2008, novamente a empresa foi intimada a apresentar, agora no prazo de 10(dez) dias, os seguintes documentos: a) documento constitutivo da CISÃO; b) Ato • constitutivo da empresa com todas as suas alterações; c) apresentar cópia de contratos firmados com a empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, CNPJ 11.828.258/000105, juntamente com cópia da matricula atualizada do imóvel objeto da negociação (fls. 38 e 42). De acordo com a Ficha 12A da DIPJ/200I, anocalendário 2000, da empresa sucedida, com cópia ás fls. 68, observase que não foi informado nenhum saldo negativo do IRPJ. A empresa não computou em sua DIPJ a suposta retenção de R$ 340.725,00. Tal valor corresponderia ao pretenso saldo negativo ora reivindicado que se originaria, na sua integralidade, da inexistência de imposto sobre o lucro real e da dedução do IRE que teria sido retido na fonte, por ocasião do registro contábil de multa contratual que seria devida em decorrência de operação da compra e venda do imóvel denominado Gleba Caraiba, registrado na matricula n° 1148, sob o R9/1148, fls. 137v do livro 2FRegistro Geral da Comarca do Canto do Buriti, Cartório Manoel Barbosa e Silva, fruto da negociação com a empresa Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. 0 suposto saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2000, seria todo fundado nos valores das referidas multas e retenções. Sem tais multas e pretensas retenções nenhum crédito seria cogitado. A operação no entendimento da empresa estaria comprovada com a cópia do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel de fls. 44/46. Todavia, em procedimento investigatório ou de diligência realizado por este órgão perante o grupo empresarial CEC e empresas vinculadas ao Grupo Empresarial Marquise, entre as quais, a empresa sucessora (CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA) e a empresa Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.016 14 sucedida (RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A), foi encaminhado a este Serviço o "Relatório de Análise Tributária", fls. 170/242. Em tal relatório consta que a operação da compra e venda do imóvel que originaria o saldo negativo do IRPJ ora em pauta é fictícia, conforme se conclui da extração dos seguintes contextos: I) operações sucessivas com o mesmo objeto (bem imóvel) — os imóveis objeto dos alegados Contratos são sucessivamente "vendidos" e "comprados" pelas empresas do Grupo CEC, com a utilização da técnica da cessão de créditos para implementar a venda sucessiva à primeira; II) limitação subjetiva quanto as partes nos negócios — as características inusuais de cada um dos negócios, reclamavam a condição de que, alienante e adquirente, se circunscrevessem ás empresas do interior do Grupo CEC (operações domésticas); iii) ausência absoluta de qualquer fluxo financeiro decorrente do pretenso negócio imobiliário — dada a falta de realização de qualquer atividade econômica nas empresas do Grupo CEC hábeis a gerar receitas de qualquer ordem — salvo, obviamente, as simuladas "receitas de vendas de imóveis" — não há qualquer pagamento do prego atribuído ao imóvel por parte do "adquirente". De outro lado, à mingua de, sequer, o recebimento do valor da "entrada", não há nenhum procedimento de cobrança por parte do alienante; iv) precedência de reavaliações do valor contábil dos imóveis sempre em relação ao momento das alegadas vendas — para operacionalizar as vendas dos bens imóveis o alienante sempre recorria à técnica de reavaliações meramente formais do valor contábil v) vendas a prazo com implicações financeiras definidas em relação as partes, mas nunca resolvidas no tempo — os encargos contratuais constituíam receita financeira para o alienante e despesa financeira para o adquirente. Mas aquele que reconhecia a receita (apenas provisionando o crédito) tinha seu resultado fiscal neutralizado por despesas originárias de outros contratos imobiliários em circularização; vi) prep dos bens imóveis fora da realidade econômica — mesmo a despeito das condições jurídicas em que se encontravam os imóveis ao tempo das "vendas", as alienações se deram por valores astronômicos, onde alguns imóveis alcançaram a expressiva cifra de mais de R$ 20.000.000,00, sendo que os "adquirentes" sequer tinham receitas geradas para assunção de tamanho negócio; vii) previsão desproporcional, desarrazoada e sem qualquer justificativa no Direito dos Contratos de pagamentos de multas pelo alienante — cláusula do Contrato previa "pura e simplesmente" o pagamento de multas pelo alienante. Independentemente do pagamento da "entrada" pelo adquirente, a exigência dessa multa era imperativa. Os valores das multas praticamente se aproximavam do prego de venda do bem. Há caso em que a multa chegou a R$ 14.080.000,00 e o prep de venda do imóvel teria sido de R$ 8.800.000,00; vii) incompatibilidade da consideração simultânea entre a permanência dos efeitos do Contrato de Compra e Venda e da eficácia Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.017 15 da cláusula previsora da multa — como o objeto do Contrato (compra e venda do imóvel) seguiu produzindo os efeitos queridos (nas contabilidades, o alienante registrou o Direito Creditório a Receber e suas correções, enquanto o adquirente registrou a obrigação junto àquele, além dos encargos decorrentes da mora), não há como conceber qualquer fato gerador da incidência da multa imputada ao alienante, porque não incidira em inadimplência contratual, mormente porque o "adquirente", sequer pagara qualquer centavo pela "entrada" prevista nos Contratos. Não podia a adquirente reclamar a multa, se não adimplira sua obrigação de pagar a "entrada". A escrituração mostra o absurdo do fato de que a multa devida pelo "alienante" é abatida (descontada) do montante do crédito a receber do adquirente. Na verdade, a presença dessas "multas" nesses Contratos fictícios cumprem uma função especial (vantagem prédefinida) querida pelas partes; ix) uso de preço artificial dos bens imóveis "vendidos" para proporcionar vantagens prédefinidas — as cifras (mnnetárias) com que os bens eram "vendidos" foram previamente mensuradas, de modo que fossem hábeis a garantir vantagens financeiras ao Grupo CEC, vantagens essas dignas de se constituir em fonte de recursos para serem negociadas junto a terceiros. Como se poderá ver logo a frente, constituíram também esses negócios em grande vantagem para o Grupo Marquise, o qual é identificado como o próprio "terceiro" negociador com o Grupo CEC, intervindo diretamente como parte interessoda no produto gerado por aquelas transações i mobiliárias fictícias: x) vantagem tributária especifica da existência de Cláusula previsora de multas — as mulias contratuais atuaram no planejamento tributário como pretenso fato constitutivo da incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo como beneficiários os supostos adquirentes. Esses créditos de tributos compuseram os Ativos (Tributos a Recuperar) das empresas do Grupo CEC que, logo depois, sofrem Cisão Parcial, segregando exclusivamente (na pratica) o exato montante daquele crédito de tributo, o qual comporá o Ativo de outra empresa, especialmente constituída para absorver o crédito fiscal transferido. 0 passo seguinte, ou é a venda do "controle acionário" da nova empresa (então surgida da Cisão) para empresas do Grupo Marquise, para, em ato continuo a essa aquisição, o Grupo Marquise adquirente promova a incorporação dessa "nova empresa'', ou, de modo diferenciado, a incorporação direta dessa "nova empresa" por empresas do grupo Marquise. Cumpridas essas etapas, aparentemente licitas, conforme a legislação de regência, fica o Grupo Marquise com a disponibilidade do crédito de IRRF remotamente gerado nos negócios imobiliários entre as empresas do Grupo CEC; xi) vantagens tributdrias especificas das aquisições em si dos Imóveis constantes dos Contratos de Compra e Venda celebrados entre as empresas do Grupo CEC — a mera aquisição (fictícia, porque só existente no papel) dos imóveis cumpriram no planejamento tributário função própria. Pela compra — e titulandoa como "insumo" ou bem adquirido para revenda — o pretenso adquirente se creditava de PIS e COFINS Não Cumulativo, conduta pela qual garantiu apreciáveis valores de Créditos de Contribuições de PIS/COFINS nos Ativos de algumas empresas do Grupo CEC. Mas a mera aquisição como fundamento dos créditos de PIS/COFINS não era bastante para os agentes participes do planejamento tributário fraudulento como não havia nenhum fluxo de recursos nessas Compra e Venda (tal como já explicamos) os negócios eram feitos a Prazo. Isso fazia o adquirente incorrer em encargos financeiros decorrentes da compra, sendo tais Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.018 16 encargos — até onde a legislação permitiu (julho/2004) — fatos geradores de créditos de PIS/COFINS. A dupla conduta garantiu mais um conjunto apreciável de Tributos a Recuperar (Créditos de PIS/COFINS) para algumas empresas do Grupo CEC. A partir dai — constatou o Fisco — seguemse as mesmas etapas (cisão/incorporação com fins distintos dos ordinários atribuidos a esses institutos) referidas no inciso anterior, quando descrevemos os caminhos percorridos por estes créditos de tributos que, ao final, chegam para disponibilização pelas empresas dc Grupo Marquise. E, uma vez compondo (aparentemente de forma incensurável) o patrimônio do Grupo Marquise, os pedidos de Restituição/Compensação tornaramse mera implementação final da fraude seguida de conluio na geração/utilização dos créditos fiscais fictícios, xii) existência explicita de uma "causa simulan di" expressa a fundamentar o planejamento tributário fraudulento engendrado entre as empresas do Grupo CEC e as do Grupo Marquise — comprovamos a existência de cobrança executiva Gudicial — Processo n° 2006.0020.13266/0) de valores por parte da Construtora Marquise junto a "controladora" do Grupo CEC ''CEC INTERNACIONAL S/A". Esses "valores" não representavam qualquer operação que tivessem origem na atividade operacional da Construtora (venda de Aptos CEC ou realização de obras civis, por exemplo). A divida da CEC perante a Construtora decorria, na verdade, de "PROMESSA DE VENDA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS GERADOS PELA CEC E NEGOCIADOS PARA A CONSTRUTORA". Os créditos negociados eram de CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ocorre que, uma vez indeferidos pela DRF FORTALEZA os créditos presumidos de IPI pretensamente alegados pelo Grupo CEC, restou a CEC INTERNACIONAL S/A como devedora da Construtora Marquise, dando azo ao Processo de Execução desta contra aquela. Mas as partes encerraram o Processo Judicial mediante acordo em juízo (Composição Amigável, cf docto. anexo). Dessa forma, uma vez indeferido na DRF Fortaleza o pleito creditório relativo ao tributo IPI, planejaram as partes resolver o Contrato de Promessa de Venda de Créditos Tributários Federais, mediante a utilização de tributos diversos daquele. Dai todo o estratagema de gerar — num primeiro momento — IRRF a partir de pretensas Multas sobre Contratos de Compra e Venda de Imóveis (todos simulados), além de PIS e COFINS Não Cumulativo pela simples aquisição (fictas) desses imóveis. Num segundo momento, cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas) fizeram com que os CRÉDITOS FISCAIS (agora de IRRF e PIS/COFINS) chegassem ao Grupo Maquise; xiii) presença de fortes indícios da lavratura de documentos "antedatados" na conduta que formalizava os Contratos, o que revela outra característica de hipótese legal de simulação — para que se operassem as cisões (seletivas) seguidas de incorporações (pré ordenadas), convinha primeiramente, que Contratos Fictícios de Compra e Venda de Imóveis levassem datas antigas, para que implementassem o nascimento de créditos de IRRF e/ou de PIS/COFINS Não Cumulativo. H6 casos de Contratos de Compra e Venda de Imóveis datados de 1998, sendo que, os efeitos quanto aos alegados "Créditos de IRRF sobre Multas" — que teriam suposta incidência nos anos de 1999/2000/2001 e 2002 — só foram reconhecidos em DIRFs entregues globalmente em fins de 2003. Há outro caso de Contrato da mesma natureza, em que se consigna em Cláusula especifica, a cobrança de Multa, a qual fora levada em cômputo a Despesa Financeira, exatamente no mês de JULHO/2004. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.019 17 Este momentolimite é o mês/ano em que a legislação permitiu que "Encargos Financeiros" dessem origem a créditos fiscais de PIS/COFINS. Evidentemente, esses créditos (de IRRF/PIS/COFINS), tão engenhosamente gerados a partir daqueles Contratos simulados quanto ao objeto, pela via de Cisão (seletiva) que, logo após, seguiuse de Incorporação (préordenada), chegou aonde se almejava chegar: ao beneficiário Grupo Marquise. [...] Segundo o referido Relatório, no tocante à negociação do imóvel ora em pauta entre as empresas Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. e RCA International Commodities S/A, o negócio operouse totalmente a prazo, sem qualquer fluxo de recursos financeiros, cabendo citar os seguintes fatos dignos de destaque extraídos do referido Relatório: i) executada sem qualquer registro, a opera cão não alterou a titularidade real do imóvel contida na Certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Ou seja, o bem permanece titulado pela IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. E não pela simulada adquirente RCA International Commodities S/A. Aliás, essa alegada venda (supostamente ocorrida em 28.12.1998) seria, na verdade o desfazimento do negócio real registrado em Cartório na data de 03.08.1998 onde a IRACEMA adquire da RCA; ii)esse fato é de tal importância para se compreender que venda nenhuma houve da IRACEMA para a RCA, dado que, em 1999, aquela titular do imóvel (Iracema Florestamento) promove ato de disposição do bem, com o seu desmembramento em 03 (três) subglebas contíguas (Gleba A, com 500 Ha, Matricula 4417; Gleba B, com 300 Ha, Matricula 4418 e Gleba C, com 2200 Ha, Matricula 4419); iii) o valor da "venda" do imóvel alcança a cifra de R$ 20.650.000,00. Tendo em vista que a "venda" teria se dado em 28.12.1998, época em que havia uma estreita paridade entre as moedas "real" e "dólar americano", cabe dizer que a GLEBA CARAIBA teria sido vendida por cerca de US$ 20,000,000.00 (vinte milhões de dólares americanos). A escolha de um valor assim irreal e grandioso tinha sua razão de ser: proporcionar a criação de multas proporcionais ao prep:, de venda, igualmente imensuráveis com finalidade préordenada; iv) o Contrato, evidentemente, traz cláusula previsora de MULTA aplicável à parte alienante (1RACEMA) em beneficio da parte adquirente (RCA), se aquela não transferir a posse e a propriedade para esta ultima. Esta multa, de valor praticamente igual ao "valor da venda" do imóvel constitui, na visão das partes, fato gerador de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); v) a multa se fez incidida (com o conseqüente IR Fonte) mesmo que a parte adquirente (beneficiária da multa) não tenha cumprido a sua obrigação de pagar o valor da "entrada" a que se obrigara pelo Contrato. Ignorando a cláusula da "exceptio non adimpleti contractus" e seus efeitos próprios, a incidência imediata da multa, a despeito de ser graciosa e ilegítima, cumpriu papel fundamental estranho ao Contrato em si de Compra e Venda, que foi o de gerar crédito fictício de IRRF para posterior transferência ao Grupo Marquise; vi) ainda que incidente a multa (tida como Clausula Penal pela inadimplência da vendedora, substitutiva, pois, da obrigação principal, que era a de "entregar "o imóvel à parte compradora), o Contrato Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.020 18 seguiu produzindo os efeitos próprios de uma Compra e Venda a prazo. Ou seja, o alienante reconhece receitas financeiras pelo não recebimento do prego, enquanto que o adquirente se apropria de encargos financeiros pelo pagamento que não fizera. Convém registrar que os efeitos de reconhecimento de receitas são neutralizados por outras operações igualmente fictas. A incompatibilidade entre a incidência da multa e a continuidade do Contrato salta aos olhos do simples intérprete do Direito dos Contratos. Fato curioso neste contexto é que, perdida no emaranhado de atos simulados, a empresa MAXIMAR, sucessora da 1RACEMA, apresenta ao Fisco cópias de recibos nos quais a RCA teria feito alguns pagamentos para a IRACEMA entre janeiro a agosto de 2004. Mas cabem duas observações sobre esses supostos pagamentos: são eles todos simulados porque os recursos vêm da empresa CAPITALIZE (Grupo Marquise) e a ela retornam; fossem eles verdadeiros, desmenteriam a hipótese de rescisão do contrato, a qual é o fato gerador da pretensa multa e do IRRF dela pretensamente decorrente; vii) em verdade verdadeira, ainda que legitima fosse (no campo contratual) a incidência dessa multa, não teria ela o condão de fazer incidir a regra do IRRF sobre Multas prevista no art. 70 da Lei n° 9.430/96. Se o elemento fatico que faria incidir a multa era a inadimplência do alienante prevista na Cláusula Segunda do Contrato (a falta de transferência em 180 dias da posse e propriedade do imóvel, mesmo que como já registramos o adquirente e beneficiário da multa não tivesse pago sequer o valor da "entrada" pela aquisição do imóvel), a conduta omissiva do alienante (1RACEMA) geraria uma multa contratual que não se adequa à hipótese de incidência (HI) prevista na referida lei. Para que esta HI seja ativada, exigese a efetiva rescisão do contrato (art. 70, Caput). E, como já demonstramos, esse fato da rescisão contratual não se configurou no caso concreto. Outrossim, ainda que alegasse a adquirente a reparação de danos patrimoniais, também não seria caso de incidência da multa legal, conforme expressa exclusão prevista no art. 70, § 5° da Lei n° 9.430/96; viii) observando as condutas que foram direcionadas ao Fisco, praticadas pelas empresas alienante (IRACEMA) e adquirente (RCA) constatamos a presença de fortes indícios do uso de documentos antedatados (os Contratos de Promessa de Compra e Venda). 0 respaldo fático para essa conclusão reside na concentração de atos realizados no anocalendário de 2003 e 2004, quando as DIRFs foram entregues em bloco e as DIPJs retificadas dessa mesma forma. Notar que os Srs. ANTONIO EUGENIO CARNEIRO PORTO, SEBASTIÃO OLIVEIRA SOUSA E MARIA DO SOCORRO VASCONCELOS OLIVEIRA são titulares comuns de ambas as empresas envolvidas (IRACEMA e RCA); ix) diante dessas constatações, fácil ficou para o Fisco visualizar o motivo mesmo desta PRIMEIRA VENDA do imóvel GLEBA CARAÍBA. 0 mote do planejamento tributário era gerar créditos fictícios do tributo IRRF, desde tempos remotos até o anocalendário de 2002 (dai a concentração de atos no ano de 2003 e 2004). 0 instrumento (meio) para tal seriam os Contratos de Promessa de Compra e Venda antedatados para o ano de 1998. 0 objetivo final era a transferência desses IRRF do Grupo CEC. para o Grupo Marquise em etapa posterior. Os valores originários de IRRF fictos gerados em beneficio da RCA estão na Tabela abaixo com dados da DIRFs (valores em R$); Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.021 19 DIRFs ENTREGUES POR IRACEMA/MAXIMAR BENEFICIÁRIO RCA: Comentados esses detalhes relativos a PRIMEIRA VENDA DA GLEBA CARAÍBA da empresa IRACEMA para a empresa RCA, e, como se já não fossem bastante para a demonstração da natureza simulatória da opera cão (a qual visava mesmo a geração ficta de IRRF para "negociação" junto ao Grupo Marquise), passamos a detalhar as circunstancias da SEGUNDA VENDA DO IMÓVEL GLEBA CARAÍBA. Dissemos que o Contrato relativo a primeira venda não fora rescindido de fato (circunstância que, como demonstramos, exclui a eficácia da multa contratual para gerar IRRF). Dissemos também que o valor da venda, compreendendo a intecralidade da área da GLEBA CARAÍBA (3.000 ha) foi considerado no Contrato como sendo de R$ 20.650.000.00. Dissemos ainda, que o terreno fora desmembrado em 03 (três) subglebas de áreas menores (com 500 ha; 300 ha e 2200 ha). Pois bem. Em data de 31.08.2004 a empresa MAXIMAR (na qualidade de sucessora da IRACEMA, titular de direito da Gleba Caraiba com área total) vende conforme mera informação em DOI, mas sem a devida transcrição no Registro Imobiliário, a porção "B" da Gleba Caraiba desmembrada (também denominada Gleba Caraiba 2), com 300 ha objeto da Matricula n° 4418, para a mesma empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES, pelo valor de R$ 20.650.000,00. A constatação do fato desta SEGUNDA VENDA da Gleba Caraiba constitui um verdadeiro acinte à inteligência do Fisco. Nesta transação há evidências grosseiras da presença de fraude e simulação, além de incompatibilidades lógicas entre as condutas quando observadas panoramicamente. Vejamos as principais aberrações e o objetivo dissimulado desta SEGUNDA VENDA: i) em primeiro lugar, a inconsistência mesma do negócio como legitima operação de Compra e Venda do imóvel. É que a Gleba Caraiba (total com 3000 ha) já tinha sido "alienada" na PRIMEIRA VENDA em operação envolvendo as mesmas partes. Contrato respectivo não fora rescindido, o que constitui fato impeditivo da concepção de uma segunda venda. Dentro daquele primeiro negócio simulado (dado que só serviu para gerar o IRRF formatado para transferência ao Grupo Marquise) as partes — uma vez perdida em seus próprios atos fraudulentas — promove o absurdo de apresentar ao Fisco recibos igualmente simulados de "pagamento" parciais feitos em Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.022 20 2004, pela primeira aquisição. Se assim fosse, como justificar essa SEGUNDA AQUISIÇÃO?; ii) outra questão vazia de significado é quanto ao valor da venda, quando consideradas as áreas das Glebas "vendidas" (em 1998 e 2004). Já tendo "comprado", em 1998, a Gleba Caraiba total (com 3000 ha) por R$ 20.650.000,00 junto à IRACEMA, a RCA resolve comprar "de novo" uma porção daquilo que já dispunha. É que em 31.08.2004, à vista do desmembramento do terreno, ela "adquire" da 1RACEMA a Gleba Caraiba "B" ou Gleba Caraiba 2, com apenas 300 ha. Mesmo a despeito de comprar o que já teria em totalidade, neste novo momento, por uma área de apenas 10% (dez por cento) daquele todo (a Gleba Caraiba total tem 3000 ha) ela se com promissa em 2004 com a obrigação de pagar o mesmo preço avençado quando comprara "o todo" em 1998. Ou seja, se obrigou a pagar R$ 20.650.000,00 por apenas 300 (trezentos) hectares de terra, que compõe a Gleba Caraíba "B". Não há como admitir veracidade neste negócio; iii) mas outro objetivo (dissimulado, escondido) movia os Grupos Empresariais envolvidos para entabular essa nova venda. Esse motivo é que, pela "aquisição" da Gleba Caraíba "B", a RCA se creditou de PIS e COFINS Não Cumulativo, almejando o repasse, em ato continuo, para o Grupo Marquise; iv) considerando o imóvel como se mercadoria fosse para aquele efeito creditório, a RCA se credita de exatos R$ 347.822,00 de PIS e de R$ 1.675.877,00 de COFINS. Logo depois, vem sua (da RCA) Cisão Seletiva, por meio da qual, criase a empresa efêmera CONCE CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A, cujo Capital soma R$ 2.023.699,00 (curiosamente o somatório daquelas duas cifras relativas aos créditos de P1S/COFINS). Durando apenas pouco mais de 03 (três) meses, e sem qualquer atividade operacional (ou nãooperacional) vem a CONCE (então recheada de créditos fictícios de PIS/COFINS) a ser incorporada pela MULTIPLA COMERCIAL EXPORTADORA S/A. Desta última, que serviu apenas como mera ponte, o recheio da CONCE seguiu para a Construtora Marquise que, incorporando a MÚLTIPLA, traz definitivamente para si, aqueles preciosos créditos fictos de tributos. Com estas observações o Fisco põe a nu a real finalidade das operações de Compra e Venda do imóvel Gleba Caraiba, envolvendo diretamente as empresas IRACEMA/MAXIMAR e RCA, com efeitos e reflexos diretos e préordenados nas empresas do Grupo Marquise. Mas não pararam por ai. Inacreditavelmente, outras operações de Compra e Venda envolvendo as porções desmembradas da Gleba Caraíbas se sucederam. Em 10/09/2004 a empresa Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A (sucessora da RCA remanescente) "vende" para a BEX Internacional S/A a Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraiba 01), com 500 ha, pelo valor de R$ 20.650.000,00. Em 06/12/2004, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraiba 01) para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, a qual se apropria de créditos de PIS/COFINS Não Cumulativo, transferindoos, por eventos de sucessão à empresa NO VAX CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A, que, depois, os transfere para a Construtora Marquise. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.023 21 Em 30/11/2003, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "B" (Gleba Caraiba 02) para a PANA GRA DO BRASIL S/A. Por esse negócio a adquirente (PANAGRA) se escritura de encargos financeiros e Multa geradores, até Julho/2004, de créditos de tributos P1S/COFINS. Por evento de sucessão (Cisão Parcial Seletiva ) os créditos fiscais fictícios chegam à Construtora Marquise. Em 29/10/2004, a empresa PANA GRA DO BRASIL S/A "vende" para a CEC Internacional S/A a Gleba Caraiba "B", pelo valor de R$ 23.660.000,00. Tudo em opera coes de faz de conta, mas todas com objetivos implícitos: gerar créditos fictícios de tributos, além de manter valores meramente escriturais na contabilidade de cada uma delas, de forma a permitir a inserção de transações de interesse do Grupo Marquise, com quem aquelas empresas do Grupo CEC se interrelacionam com freqüência mediante negócios de consistência simulada. [...] As Informação Fiscal, sintetiza as operações de compra e venda do imóvel/terreno entre as empresas do mesmo grupo, onde na primeira compra, gerou crédito indevido de IRRF e na segunda de PIS/COFINS. Com base nas conclusões que extraiu do Relatório de Análise Tributária elaborado pela Sapac/DRF/FOR, o Seort/DRF/FOR propôs, então, o não reconhecimento do direito credit6rio almejado pela empresa sucessora, relativamente a saldo negativo do IRPJ da empresa sucedida RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, declarado no ano calendário 2000, e a nãohomologação das compensações de que trata o presente processo, bem como de todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório não reconhecido. Devido a tais fatos, os pedidos de restituição e de compensação foram negados, conforme r. Despacho Decisório de fls.716, abaixo colacionado. Com base nos fundamentos consubstanciados na Informação Fiscal, fls.705/715, que aprovo, decido: a) NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado pela empresa sucessora (CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA), relativamente a saldo negativo do IRPJ da empresa sucedida RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A do anocalendário 2002, e, por conseguinte, INDEFERIR o PER n° 06689.19743.241003.1.2.049202; b) Não HOMOLOGAR as compensações de que trata o presente processo (PER/DCOMP: n° 02512.08544.031006.1.7.027006) e todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório não reconhecido; c) intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência da presente decisão da não homologação e do não reconhecimento do direito creditório almejado, recolher os débitos indevidamente compensados, assegurandolhe o direito manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pleito perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza DRJFOR, como lhe faculta o art. 66 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.024 22 A Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade de fls. 718/731, sem juntar documentos novos, referente ao não reconhecimento do direito creditório. Os autos forma encaminhados para Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, que se manifestou e informou que para os pedidos de compensação do processo em epígrafe, feitos com estes créditos dos pedidos de restituição destes autos em epígrafe, foi lavrado Auto de Infração exigindo multa isolada, formalizado no processo administrativo 10380.722709/201076. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão de fls.851 e seguintes, mantendo o Despacho Decisório, registrando a ementa abaixo colacionada e concluindo da seguinte forma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ONUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDA.DE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo fático, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.025 23 NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. 0 fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito credit6rio pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMÔNIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por fim, concluiu da seguinte forma: Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.026 24 Em seguida, foi interposto Recurso Voluntário pela Capitalize Fomento Comercial LTDA, incorporadora da RCA Internacional Commodities, descrevendo os fatos ocorridos, requerendo basicamente a reforma do v. acórdão recorrido, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade e basicamente alegando (fls.5/9 do RV) que não pode ser responsabilizada por atos ilícitos praticados por suas sucedidas e terceiros, eis que agiu de boa fé e não tinha conhecimento das irregularidades para a criação dos créditos, no momento em que incorporou a parte da RCA. Alega que a empresa IRACEMA, teria parcelado no âmbito do PAES Lei 10.684/2003 o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno e, por tal motivo, restaria comprovado o direito ao crédito no momento da incorporação. É o relatório. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.027 25 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves O Recurso Voluntário é tempestivo e foi interposto por seu representante com poderes para tanto, motivo pelo qual deve ser admitido. Em relação as alegações de que a empresa IRACEMA, vendedora, teria parcelado o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno, entendo que tais créditos não podem ser opostos face ao Fisco, pois os atos jurídicos, que geraram a multa contratual prevista no instrumento de compra e venda do terreno, restaram comprovadamente inexistentes, eis que foram praticados por meio de fraude, com dolo, simulação e conluio. Vejamos as constatações da Fiscalização que restaram comprovas nos autos por meio do Relatório de Análise Tributária fls. 170 e seguintes, relativas as operações empresariais: I) operações sucessivas com o mesmo objeto (bem imóvel)— os imóveis objeto dos alegados Contratos são sucessivamente "vendidos" e "comprados" pelas empresas do Grupo CEC, com a utilização da técnica da cessão de créditos para implementar a venda sucessiva à primeira; II) limitação subjetiva quanto às partes nos negócios — as características inusuais de cada um dos negócios, reclamavam a condição de que, alienante e adquirente, se circunscrevessem às empresas do interior do Grupo CEC (operações domésticas); III) ausência absoluta de qualquer fluxo financeiro decorrente do pretenso negócio imobiliário dada a falta de realização de qualquer atividade econômica nas empresas do Grupo CEC hábeis a gerar receitas de qualquer ordem salvo, obviamente, as simuladas "receitas de vendas de imóveis" não há qualquer pagamento do preço atribuído ao imóvel por parte do "adquirente". De outro lado, à mingua de, sequer, o recebimento do valor da "entrada", não há nenhum procedimento de cobrança por parte do alienante; iv) precedência de reavaliações do valor contábil dos imóveis sempre em relação ao momento das alegadas vendas para operacionalizar as vendas dos bens imóveis o alienante sempre recorria à técnica de reavaliações meramente formais do valor contábil; v) vendas a prazo com implicações financeiras definidas em relação às partes, mas nunca resolvidas no tempo — os encargos contratuais constituíam receita financeira para o alienante e despesa financeira para o adquirente. Mas aquele que Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.028 26 reconhecia a receita (apenas pro visionando o crédito) tinha seu resultado fiscal neutralizado por despesas originárias de outros contratos imobiliários em circularização; vi) preço dos bens imóveis fora da realidade econômica mesmo a despeito das condições jurídicas em que se encontravam os imóveis ao tempo das "vendas", as alienações se deram porvalores astronômicos, onde alguns imóveis alcançaram a expressiva cifra de mais de R$20.000.000,00, sendo que os "adquirentes" sequer tinham receitas geradas para assunção de tamanho negócio; vii) previsão desproporcional, desarrazoada e sem qualquer justificativa no Direito dos Contratos de pagamentos de multas pelo alienante cláusula do Contrato previa "pura esimplesmente" o pagamento de multas pelo alienante. Independentemente do pagamento da"entrada" pelo adquirente, a exigência dessa multa era imperativa. Os valores das multas praticamente se aproximavam do prego de venda do bem. Há caso em que a multa chegou a R$ 14.080.000,00 e o prego de venda do imóvel teria sido de R$ 8.800.000,00; viii) incompatibilidade da consideração simultânea entre a permanência dos efeitos do Contrato de Compra e Venda e da eficácia da clausula previsora da multa como o objeto do Contrato (compra e venda do imóvel) seguiu produzindo os efeitos queridos (nas contabilidades o alienante registrou o Direito Creditório a Receber e suas correções, enquanto o adquirente registrou a Obrigação junto àquele, alem dos encargos decorrentes da mora), não há como conceber qualquer fato gerador da incidência da multa imputada ao alienante, porque não incidira em inadimplência contratual, mormente porque o "adquirente", sequer pagara qualquer centavo pela "entrada" prevista nos Contratos. Não podia a adquirente reclamar a multa, se não adimplira sua obrigação de pagar a "entrada". A escrituração mostra o absurdo do fato de que a multa devida pelo "alienante" é abatida (descontada) do montante do crédito a receber do adquirente. Na verdade, a presença dessas "multas" nesses Contratos fictícios cumprem uma função especial (vantagem prédefinida) querida pelas partes; ix) uso de preço artificial dos bens imóveis "vendidos" para proporcionar vantagens predefinidas as cifras (monetárias) com que os bens eram "vendidos" foram previamente mensuradas, de modo que fossem hábeis a garantir vantagens financeiras ao Grupo CEC, vantagens essas dignas de se constituir em fonte de recursos para serem negociadas junto a terceiros. Como se poderá ver logo à frente, constituíram também esses negócios em grande vantagem para o Grupo Marquise, o qual é identificado como o próprio "terceiro" negociador com o Grupo CEC, intervindo diretamente como parte interessada no produto gerado por aquelas transações imobiliárias fictícias; Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.029 27 x) vantagem tributária especifica da existência de Cláusula previs ora de multas as multas contratuais atuaram no planejamento tributário como pretenso fato constitutivo da incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo como beneficiário os supostos adquirentes. Esses créditos de tributos compuseram os Ativos (Tributos a Recuperar) das empresas do Grupo CEC que, logo depois, sofrem Cisão Parcial, segregando exclusivamente (na prática) o exato montante daquele crédito de tributo, o qual comporá o Ativo de outra empresa, especialmente constituída para absorver o crédito fiscal transferido. 0 passo seguinte, ou é a venda do "controle acionário" da nova empresa (então surgida da Cisão) para empresas do Grupo Marquise, para, em ato continuo a essa aquisição, o Grupo Marquise adquirente promova a incorporação dessa "nova empresa", ou, de modo diferenciado, a incorporação direta dessa "nova empresa" por empresas do grupo Marquise. Cumpridas essas etapas, aparentemente licitas, conforme a legislação de regência, fica o Grupo Marquise com a disponibilidade do crédito de IRRF remotamente gerado nos negócios imobiliários entre as empresas do Grupo CEC; xi) vantagens tributárias especificas das aquisiciies em si dos Imóveis constantes dos Contratos de Compra e Venda celebrados entre as empresas do Grupo CEC a mera aquisição (fictícia, porque s6 existente no papel) dos imóveis cumpriram no planejamento tributário função própria. Pela compra e titulandoa como "insumo" ou bem adquirido para revenda o pretenso adquirente se creditava de PIS e COFINS Não Cumulativo, conduta pela qual garantiu apreciáveis valores de Créditos de Contribuições de PIS/COFINS nos Ativos de algumas empresas do Grupo CEC. Mas a mera aquisição como fundamento dos créditos de PIS/COFINS não era bastante para os agentes participes do planejamento tributário fraudulento. Como não havia nenhum fluxo de recursos nessas Compra e Venda (tal como já explicamos) os negócios eram feitos a Prazo. Isso fazia o adquirente incorrer em encargos financeiros decorrentes da compra, sendo tais encargos até onde a legislação permitiu (julho/2004) fatos geradores de créditos de PIS/COFINS. A dupla conduta garantiu mais um conjunto apreciável de Tributos a Recuperar (Créditos de PIS/COFINS) para algumas empresas do Grupo CEC. A partir dai constatou o Fisco seguemse as mesmas etapas (cisão/incorporação com fins distintos dos ordinários atribuídos a esses institutos) referidas no inciso anterior, quando descrevemos os caminhos percorridos por estes créditos de tributos que, ao final, chegam para disponibilização pelas empresas do Grupo Marquise. E, uma vez compondo (aparentemente de forma incensurável) o patrimônio do Grupo Marquise, os pedidos de Restituição/Compensação tornaramse mera implementação final da fraude seguida de conluio na geração/utilização dos créditos fiscais fictícios; Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.030 28 xii) existência explicita de uma "causa simulandi" expressa a fundamentar o planejamento tributário fraudulento engendrado entre as empresas do Grupo CEC e as do Grupo Marquise comprovamos a existência de cobrança executiva (judicial Processo n° 2006.0020.13266/0) de valores por parte da Construtora Marquise junto a "controladora" do Grupo CEC "CEC INTERNACIONAL S/A". Esses "valores" não representavam qualquer operação que tivessem origem na atividade operacional da Construtora (venda de Aptos à CEC ou realização de obras civis, por exemplo). A divida da CEC perante a Construtora decorria, na verdade, de "PROMESSA DE VENDA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS GERADOS PELA CEC E NEGOCIADOS PARA A CONSTRUTORA" Os créditos negociados eram de CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ocorre que, uma vez indeferidos pela DRF FORTALEZA os créditos presumidos de IPI pretensamente alegados pelo Grupo CEC, restou a CEC INTERNACIONAL S/A como devedora da Construtora Marquise, dando azo ao Processo de Execução desta contra aquela. Mas as partes encerraram o Processo Judicial mediante acordo em juízo (Composição Amigável, cf docto. anexo! Dessa forma, uma vez indeferido na DRF Fortaleza o pleito creditório relativo ao tributo IPI, planejaram as partes resolver o Contrato de Promessa de Venda de Créditos Tributários Federais, mediante a utilização de tributos diversos daquele. Dai todo o estratagema de gerar num primeiro momento IRRF a partir de pretensas Multas sobre Contratos de Compra e Venda de Imóveis (todos simulados), além de PIS e COFINS Não Cumulativo pela simples aquisição (fictas) desses imóveis. Num segundo momento, cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas) fizeram com que os CRÉDITOS FISCAIS (agora de IRRF e PiS/C0FiNS) chegassem ao Grupo Marquise; presença de fortes indícios da lavratura de documentos "antedatados" na conduta que formalizava os Contratos, o que revela outra característica de hipótese legal de simulação para que se operassem as cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas), convinha primeiramente, que Contratos Fictícios de Compra e Venda de Imóveis levassem datas antigas, para que implementassem o nascimento de créditos de IRRF e/ou de PIS/COFINS Não Cumulativo. Há casos de Contratos de Compra e Venda de Imóveis datados de 1998, sendo que, os efeitos quanto aos alegados "Créditos de IRRF sobre Multas" que teriam suposta incidência nos anos de 1999/2000/2001 e 2002 só foram reconhecidos em DIRFs entregues globalmente em fins de 2003. Há outro caso de Contrato da mesma natureza, em que se consigna em Cláusula especifica, a cobrança de Multa, a qual fora levada em cômputo à Despesa Financeira, exatamente no mês de JULHO/2004. Este momentolimite é o mês/ano em que a legislação permitiu que "Encargos Financeiros" dessem origem a créditos fiscais de PIS/COFINS. Evidentemente, esses créditos (de IRRF/PIS/COFINS), tão engenhosamente gerados a partir daqueles Contratos simulados quanto ao objeto, pela via de Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.031 29 Cisão (seletiva) que, logo após, seguiuse de Incorporação (pré ordenada), chegou aonde se almejava chegar: ao beneficiário Grupo Marquise. Segundo o referido Relatório, no tocante à negociação do terreno ora em pauta entre as empresas Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. e a RCA International Commodities S/A, o negócio operouse totalmente a prazo, sem qualquer fluxo de recursos financeiros, sendo que a compradora não tinha condições financeiras para concretizar a compra no valor estipulado, cabendo acrescentar e citar os seguintes fatos dignos de destaque extraídos do referido Relatório: i) executada sem qualquer registro, a operação não alterou a titularidade real do imóvel contida na Certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Ou seja, o bem permanece titulado pela IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. E não pela simulada adquirente RCA International Commodities S/A. Aliás, essa alegada venda (supostamente ocorrida em 28.12.1998) seria, na verdade o desfazimento do negócio real registrado em Cartório na data de 03.08.1998 onde a IRACEMA adquire da RCA; ii)esse fato é de tal importância para se compreender que venda nenhuma houve da IRACEMA para a RCA, dado que, em 1999, aquela titular do imóvel (Iracema Florestamento) promove ato de disposição do bem, com o seu desmembramento em 03 (três) subglebas contíguas (Gleba A, com 500 Ha, Matricula 4417; Gleba B, com 300 Ha, Matricula 4418 e Gleba C, com 2200 Ha, Matricula 4419); iii) o valor da "venda" do imóvel alcança a cifra de R$ 20.650.000,00. Tendo em vista que a "venda" teria se dado em 28.12.1998, época em que havia uma estreita paridade entre as moedas "real" e "dólar americano", cabe dizer que a GLEBA CARAÍBA teria sido vendida por cerca de US$ 20,000,000.00 (vinte milhões de dólares americanos). A escolha de um valor assim irreal e grandioso tinha sua razão de ser: proporcionar a criação de multas proporcionais ao prego de venda, igualmente imensuráveis com finalidade préordenada; iv) o Contrato, evidentemente, traz cláusula previsora de MULTA aplicável à parte alienante (IRACEMA) em beneficio da parte adquirente (RCA), se aquela não transferir a posse e a propriedade para esta última. Esta multa, de valor praticamente igual ao "valor da venda" do imóvel constitui, na visão das partes, fato gerador de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); v) a multa se fez incidida (com o conseqüente IR Fonte) mesmo que a parte adquirente (beneficiária da multa) não tenha cumprido a sua obrigação de pagar o valor da "entrada" a que se obrigara pelo Contrato. Ignorando a cláusula da "exceptio non adimpleti contractus" e seus efeitos próprios, a incidência imediata da multa, a despeito de ser qraciosa e ilegítima, cumpriu papel fundamental estranho ao Contrato em si de Compra e Venda, que foi o de gerar crédito fictício de IRRF para posterior transferência ao Grupo Marquise; vi) ainda que incidente a multa (tida como Cláusula Penal pela inadimplência da vendedora, substitutive, pois, da obrigação principal, que era a de "entregar "o imóvel 5 parte compradora), o Contrato seguiu produzindo os efeitos próprios de uma Compra e Venda a prazo. Ou seja, o alienante reconhece receitas financeiras pelo não Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.032 30 recebimento do prego, enquanto que o adquirente se apropria de encargos financeiros pelo pagamento que não fizera. Convém registrar que os efeitos de reconhecimento de receitas são neutralizados por outras operações igualmente fictas. A incompatibilidade entre a incidência da multa e a continuidade do Contrato salta aos olhos do simples intérprete do Direito dos Contratos. Fato curioso neste contexto é que, perdida no emaranhado de atos simulados, a empresa MAXIMAR, sucessora da IRACEMA, apresenta ao Fisco cópias de recibos nos quais a RCA teria feito alguns pagamentos para a IRACEMA entre janeiro a agosto de 2004. Mas cabem duas observações sobre esses supostos pagamentos: são eles todos simulados porque os recursos vêm da empresa CAPITALIZE (Grupo Marquise) e a ela retornam; fossem eles verdadeiros, desmentiriam a hipótese de rescisão do contrato, a qual é o fato gerador da pretensa multa e do IRRF dela pretensamente decorrente; vii) em verdade verdadeira, ainda que legitima fosse (no campo contratual) a incidência dessa multa, não teria ela o condão de fazer incidir a regra do IRRF sobre Multas prevista no art. 70 da Lei n° 9.430/96. Se o elemento fatico que faria incidir a multa era a inadimplência do alienante prevista na Cláusula Segunda do Contrato (a falta de transferência em 180 dias da posse e propriedade do imóvel, mesmo que como já registramos o adquirente e beneficiário da multa não tivesse paqo sequer o valor da "entrada" pela aquisição do imóvel), a conduta omissiva do alienante (IRACEMA) geraria uma multa contratual que não se adequa à hipótese de incidência (HI) prevista na referida lei. Para que esta HI seja ativada, exigese a efetiva rescisão do contrato (art. 70, ca put). E, como já demonstramos, esse fato da rescisão contratual não se configurou no caso concreto. Outrossim, ainda que alegasse a adquirente a reparação de danos patrimoniais, também não seria caso de incidência da multa legal, conforme expressa exclusão prevista no art. 70, § 5° da Lei n° 9.430/96; viii) observando as condutas que foram direcionadas ao Fisco, praticadas pelas empresas alienante (IRACEMA) e adquirente (RCA) constatamos a presença de fortes indícios do uso de documentos antedatados (os Contratos de Promessa de Compra e Venda). 0 respaldo fático para essa conclusão reside na concentração de atos realizados no anocalendário de 2003 e 2004, quando as DIRFs foram entregues em bloco e as DIPJs retificadas dessa mesma forma. Notar que os Srs. ANTONIO EUGENIO CARNEIRO PORTO, SEBASTIÃO OLIVEIRA SOUSA E MARIA DO SOCORRO VASCONCELOS OLIVEIRA são titulares comuns de ambas as empresas envolvidas (IRACEMA e RCA); ix) diante dessas constatações, fácil ficou para o Fisco visualizar o motivo mesmo desta PRIMEIRA VENDA do imóvel GLEBA CARA IBA. 0 mote do planejamento tributário era gerar créditos fictícios do tributo IRRF, desde tempos remotos até o anocalendário de 2002 (dai a concentração de atos no ano de 2003 e 2004). 0 instrumento (meio) para tal seriam os Contratos de Promessa de Compra e Venda ante datados para o ano de 1998. 0 objetivo final era a transferência desses IRRF do Grupo CEC. para o Grupo Marquise em etapa posterior. Os valores originários de IRRF fictos gerados em beneficio da RCA estão na Tabela abaixo com dados da DIRFs (valores em R$); Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.033 31 DIRFs ENTREGUES POR IRACEMA/MAXIMAR BENEFICIÁRIO RCA [...] Comentados esses detalhes relativos a PRIMEIRA VENDA DA GLEBA CARAÍBA da empresa IRACEMA para a empresa RCA, e, como se já não fossem bastante para a demonstração da natureza simulatória da operaçaão (a qual visava mesmo a geração ficta de IRRF para "negociação" junto ao Grupo Marquise), passamos a detalhar as circunstâncias da SEGUNDA VENDA DO IMOVEL GLEBA CARAÍBA. Dissemos que o Contrato relativo a primeira venda não fora rescindido de fato (circunstância que, como demonstramos, exclui a eficácia da multa contratual para gerar IRRF). Dissemos também que o valor da venda, compreendendo a integralidade da área da GLEBA CARAÍBA (3.000 ha) foi considerado no Contrato como sendo de R$ 20.650.000,00. Dissemos ainda, que o terreno fora desmembrado em 03 (três) subglebas de áreas menores (com 500 ha; 300 ha e 2200 ha). Pois bem. Em data de 31.08.2004 a empresa MAXIMAR (na qualidade de sucessora da IRACEMA, titular de direito da Gleba Caraiba com área total) vende conforme mera informação em DOI, mas sem a devida transcrição no Registro Imobiliário, a porção "B" da Gleba Caraiba desmembrada (também denominada Gleba Caraiba 2), com 300 ha objeto da Matricula n° 4418, para a mesma empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES, pelo valor de R$ 20.650.000,00. A constatação do fato desta SEGUNDA VENDA da Gleba Caraíba constitui um verdadeiro acinte à inteligência do Fisco. Nesta transação há evidências grosseiras da presença de fraude e simulação, além de incompatibilidades lógicas entre as condutas quando observadas panoramicamente. Vejamos as principais aberrações e o objetivo dissimulado desta SEGUNDA VENDA: i) em primeiro lugar, a inconsistência mesma do negócio como legitima operação de Compra e Venda do imóvel. É que a Gleba Caraiba (total com 3000 ha) já tinha sido "alienada" na PRIMEIRA VENDA em operacão envolvendo as mesmas partes o Contrato respectivo não fora rescindido, o que constitui fato impeditivo da concepção de uma segunda venda. Dentro daquele primeiro negócio simulado (dado que só serviu para gerar o IRRF formatado para transferência ao Grupo Marquise) as partes — uma vez perdida em seus próprios atos fraudulentas — promove o absurdo de apresentar ao Fisco recibos igualmente simulados de "pagamento" parciais feitos em 2004, pela primeira aquisição. Se assim fosse, como justificar essa SEGUNDA AQUIS100?; ii) outra questão vazia de significado é quanto ao valor da venda, quando consideradas as áreas das Glebas "vendidas" (em 1998 e 2004). Já tendo "comprado", em 1998, a Gleba Caraiba total (com 3000 ha) por R$ 20.650.000,00 junto à IRACEMA, a RCA resolve comprar "de novo" uma porção daquilo que já dispunha. É que em 31.08.2004, vista do desmembramento do terreno, ela "adquire" da IRACEMA a Gleba Caraiba "B" ou Gleba Caraiba 2, com apenas 300 ha. Mesmo a despeito de comprar o que já teria em totalidade, neste Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.034 32 novo momento, por uma área de apenas 10% (dez por cento) daquele todo (a Gleba Caraiba total tem 3000 ha) ela se compromissa em 2004 com a obrigação de pagar o mesmo preço avençado quando comprara "o todo" em 1998. Ou seja, se obrigou a pagar R$ 20.650.000,00 por apenas 300 (trezentos) hectares de terra, que compõe a Gleba Caraiba "B". Não há como admitir veracidade neste negócio; iii) mas outro objetivo (dissimulado, escondido) movia os Grupos Empresariais envolvidos para entabular essa nova venda. Esse motivo é que, pela "aquisição" da Gleba Caraíba "B", a RCA se creditou de PIS e COFINS Não Cumulativo, almejando o repasse, em ato continuo, para o Grupo Marquise; iv) considerando o imóvel como se mercadoria fosse para aquele efeito creditório, a RCA se credita de exatos R$ 347.822,00 de PIS e de R$ 1.675.877,00 de COFINS. Logo depois, vem sua (da RCA) Cisão Seletiva, por meio da qual, criase a empresa efêmera CONCE CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A, cujo Capital soma R$ 2.023.699,00 (curiosamente o somatório daquelas duas cifras relativas aos créditos de PIS/COFINS). Durando apenas pouco mais de 03 (três) meses, e sem qualquer atividade operacional (ou não operacional) vem a CONCE (então recheada de créditos fictícios de PIS/COFINS) a ser incorporada pela MULTIPLA COMERCIAL EXPORTADORA S/A. Desta ultima, que serviu apenas como mera ponte, o recheio da CONCE seguiu para a Construtora Marquise que, incorporando a MÚLTIPLA, traz definitivamente para si, aqueles preciosos créditos fictos de tributos. Com estas observações o Fisco põe a nu a real finalidade das opera coes de Compra e Venda do imóvel Gleba Caraiba, envolvendo diretamente as empresas IRACEMA/MAXIMAR e RCA, com efeitos e reflexos diretos e préordenados nas empresas do Grupo Marquise. Mas não pararam por ai. Inacreditavelmente, outras operações de Compra e Venda envolvendo as porções desmembradas da Gleba Caraíbas se sucederam. Em 10/09/2004 a empresa Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A (sucessora da RCA remanescente) "vende" para a BEX Internacional S/A a Gleba Caraíba "A" (Gleba Caraiba 01), com 500 ha, pelo valor de R$ 20.650.000,00. Em 06/12/2004, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraíba 01) para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, a qual se apropria de créditos de PIS/COFINS Não Cumulativo, transferindoos, por eventos de sucessão empresa NOVAX CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A, que, depois, os transfere para a Construtora Marquise. Em 30/11/2003, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "B" (Gleba Caraiba 02) para a PANAGRA DO BRASIL S/A. Por esse negócio a adquirente (PANAGRA) se escritura de encargos financeiros e Multa geradores, até Julho/2004, de créditos de tributos PIS/COFINS. Por evento de sucessão (Cisão Parcial Seletiva) os créditos fiscais fictícios chegam à Construtora Marquise. Em 29/10/2004, a empresa PANAGRA DO BRASIL S/A "vende" para a CEC Internacional S/A a Gleba Caraiba "B", pelo valor de R$ 23.660.000,00. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.035 33 Tudo em operações de faz de conta, mas todas com objetivos implícitos: gerar créditos fictícios de tributos, além de manter valores meramente escriturais na contabilidade de cada uma delas, de forma a permitir a inserção de transações de interesse do Grupo Marquise, com quem aquelas empresas do Grupo CEC se interrelacionam com freqüência mediante negócios de consistência simulada. Como se viu, os Contratos/promessas de Compra e Venda do terreno, constituindose com documentos remotos, que originaram todas as demais operações que envolveram os Grupos Empresariais (CEC e Marquise), nos leva à conclusão de que nenhuma operação imobiliária de fato ocorreu, dado o elenco de provas indiciárias graves, precisas e concordantes entre si, apontadas pelo Relatório de Análise Tributária. Diante dessas constatações, não pode o Fisco têlos (os contratos) como produtores dos efeitos pretendidos pelas partes. Em conseqüência, não se pode homologar as compensações vinculadas ao crédito descabido. No caso vertente, inexiste pagamento indevido, muito menos saldo negativo do IRPJ, no anocalendário 2000, ou em qualquer outro ano. Destarte, tendo em vista as operações praticadas pelos grupos empresariais, podese concluir, assim como a Fiscalização, que: a) inexiste o crédito alegado pela Interessada, uma vez que, como restou fartamente demonstrado nos autos, ele decorreria de um ato simulado (venda fictícia de imóvel), engendrado com o concurso de terceiros, por meio de conluio, objetivando, segundo referido Relatório, burlar a Fazenda Nacional, para extinguir débitos tributários legítimos, por meio de pretensos créditos cuja titularidade teria sido adquirida pela CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA, em processo de sucessão societária; b) inexiste motivação jurídica para a imposição da multa contratual que teria dado causa A incidência do IRFF, que veio a constituir o pretenso direito de crédito adquirido pela CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA, uma vez que a pretensa adquirente do imóvel (RCA International Commodities S/A), nem ao menos cumpriu a obrigação de pagar A pretensa alienante (Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda) o valor correspondente 6 entrada da respectiva operação; assim, é óbvio que, se se tratasse de uma transação normal, não cabia a esta transferir a posse e a propriedade do imóvel para terceiros, sem qualquer contrapartida da parte adquirente, o que torna injustificável o acatamento pacifico do reconhecimento da divida relativa 6 aludida multa; c) inexiste hipótese fática para a incidência do IRF na situação tratada nos autos, em razão de a multa de que se cuida — ainda que fosse legitima não corresponder à rescisão de contrato, única situação eleita pelo legislador como hipótese de incidência do tributo no caso de pagamento ou crédito de multas contratuais, nos termos do art. 70 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Ou seja, como a operação de compra e venda do terreno não existiu devido a fraude e simulação da compra e venda, logo a multa que acompanha o contrato, também não. Devido a tal fato, não se configurou hipótese de incidência do IRRF a ser parcelado pela vendedora do terreno IRACEMA. (cláusula onde prevê multa quando a vendedora não entrega o bem estipulada no contrato que foi vendido). Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.036 34 Desta forma, como entendo que não deveria incidir o IRRF, pois não existiu hipótese de incidência de tal imposto, o parcelamento feito pela empresa IRACEMA, não pode gerar crédito para a empresa incorporadora da compradora (RCA Recorrente CAPITALIZE), face ao Fisco. A empresa IRACEMA, que parcelou IRRF, pagou/parcelou equivocadamente, devendo ela pedir a restituição de tais valores. Os valores parcelados pela empresa vendedora IRACEMA, não fazem parte da discussão dos autos e não podem compor o saldo negativo do IRPJ da compradora RCA, que foi incorporada pela Recorrente, que pretende compensar com seus débitos de imposto. Também é importante ressaltar, que o artigo 136, da Seção III do CTN, que trata de responsabilidade de terceiros, descreve que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, da natureza, extinção e extensão dos feitos do ato. (responsabilidade objetiva). Esta responsabilidade objetiva prevista no dispositivo acima indicado, tem presunção relativa (artigos 108, IV e 112 do CTN) e pode ser afastada quando comprovada pelo sujeito passivo, que agiu de boafé, não participou dos atos ilícitos e que não tinha condições de saber, no momento em que determinado ato foi praticado, das ilicitudes que geraram determinados créditos. Ocorre, que no presente caso, ficou constatado no Relatório de Análise Tributária da SAPAC, que o grupo empresarial do qual a Recorrente pertence (Grupo Marquise), que incorporou a compradora do terreno RCA, fez parte (conluio) das operações fraudulentas que criaram os créditos tributários irregulares, agravando ainda mais a situação da Recorrente, não tendo como aceitar determinados créditos e compensações. Neste diapasão, entendo que os valores do parcelamento do IRRF, não deveriam compor o saldo negativo do IRPJ, relativo ao pedido de restituição retificado, feito pela RCA, e muito menos ser transportado para empresa incorporadora, a CAPITALIZE, para requerer a compensação. No mais, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido, os quais entendo que devem ser mantidos. Em relação as alegações de que a sucessão da empresa RCA, não poderiam prejudicar a Recorrente, também entendo que não devem ser providas. Restou comprovado nos autos, que tanto as pessoas físicas, como as empresas dos dois grupos, tinham participação nas operações fraudulentas e detinham participação acionária em ambas empresas, na RCA e na incorporadora CAPITALIZE, não tendo como a Recorrente alegar que não poderia ser responsabilizada por atos da empresa que incorporou. No presente caso, fico comprovado que a Recorrente incorporadora e seus representantes, participaram direta e indiretamente das irregularidades tributárias que geraram os créditos indevidos. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.037 35 Também é importante ressaltar, que todos os atos societários e participações da simulação de promessa/compra e venda do terreno, que ocasionaram as créditos indevidos estão devidamente relacionados e comprovados nos processos abaixo indicados, onde somando todas informações neles contidas, podese facilmente detectar que todas as empresas dos dois grupos agiram em conjunto para fraudar o erário e deixar de pagar impostos. (seguem os processos) 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo integralmente o v. acórdão recorrido, negando deferimento aos pedidos de restituição e não homologando as compensações. Em relação a alegação do Auto de Infração de multa isolada, aplicada pela não homologação da compensação, em tramite nos autos do processo 201076, tendo em vista a constatação da fraude, simulação e conluio nas operações que criaram os créditos, entendo que deve ser mantido em seus termos e deve ser analisada nos autos daquele processo. Esta alegações relativas ao Auto de Infração será analisadas no processo de final 201076. O Auto de Infração foi lavrado exigindo multa isolada qualificada a 150%, com base no artigo 80 da Lei 10833/03. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10380.720499/200867 Acórdão n.º 1402002.483 S1C4T2 Fl. 1.038 36 O dispositivo e a legislação que fundamentaram a multa, não foram alterados até o momento, não se aplicando o pedido de retroatividade benigna da Recorrente, que trata de multa disposta no artigo 74 da Lei 9.430/99. Em relação a impossibilidade de aplicação da multa de ofício em casos de sucessão, entendo que tal pedido também não pode ser acatado, eis que existe a Sumula 47 do CARF/MF. No mais, todas as alegações relativas ao Auto de Infração lavrado exigindo multa isolada serão analisadas no processo de final 201076. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1038DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910853/2009-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.862
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 53 /2 00 9- 60 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11065.910853/200960 Acórdão n.º 9303004.862 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.157, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11065.910853/200960 Acórdão n.º 9303004.862 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11065.910853/200960 Acórdão n.º 9303004.862 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11065.910853/200960 Acórdão n.º 9303004.862 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 604DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902735/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário:2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.319
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário:2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 35 /2 01 1- 28 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10120.902735/201128 Acórdão n.º 3301003.319 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 03050.592. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10120.902735/201128 Acórdão n.º 3301003.319 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10120.902735/201128 Acórdão n.º 3301003.319 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10120.902735/201128 Acórdão n.º 3301003.319 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10120.902735/201128 Acórdão n.º 3301003.319 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 148DF CARF MF
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