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Numero do processo: 18088.000583/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES -EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO
Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito - DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa.
Não importa cerceamento do direito de defesa, a apuração de contribuições com base em FPAS, da qual a empresa já tem conhecimento acerca de seu enquadramento, tendo em vista fiscalizações anteriores.
A alegação de erro de base de cálculo não tem o condão de refutar o lançamento, quando apurada a base em documentos do próprio recorrente e o mesmo não traz qualquer outro documento para refutar que a base apurada encontra-se equivocada.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
DISCUSSÃO JUDICIAL - RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO
A obtenção de certificado com efeitos retroativos por meio de medida liminar em data posterior ao lançamento não o invalida, mas também impede aos órgãos administrativos a apreciação da questão, face o ingresso com ação judicial.
DIREITO A ISENÇÃO - EFEITOS DA LEI 12.101/2009
As exigências previstas na lei 12.101/2009, produz efeitos a partir de sua publicação, regendo-se em relação aos fatos geradres anteriores a sua emissão as regras contidas no art. 55 da lei 8.212/91, não havendo que se falar em aplicação retroativa de seus dispositivos para restabelecer isenção.
Numero da decisão: 2401-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) no mérito, na parte conhecida, negar provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES -EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito - DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Não importa cerceamento do direito de defesa, a apuração de contribuições com base em FPAS, da qual a empresa já tem conhecimento acerca de seu enquadramento, tendo em vista fiscalizações anteriores. A alegação de erro de base de cálculo não tem o condão de refutar o lançamento, quando apurada a base em documentos do próprio recorrente e o mesmo não traz qualquer outro documento para refutar que a base apurada encontra-se equivocada. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado DISCUSSÃO JUDICIAL - RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO A obtenção de certificado com efeitos retroativos por meio de medida liminar em data posterior ao lançamento não o invalida, mas também impede aos órgãos administrativos a apreciação da questão, face o ingresso com ação judicial. DIREITO A ISENÇÃO - EFEITOS DA LEI 12.101/2009 As exigências previstas na lei 12.101/2009, produz efeitos a partir de sua publicação, regendo-se em relação aos fatos geradres anteriores a sua emissão as regras contidas no art. 55 da lei 8.212/91, não havendo que se falar em aplicação retroativa de seus dispositivos para restabelecer isenção.
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando identificada a ocorrência de fatos geradores por meio dos documentos fornecidos pelo Tribunal de Contas e não proceder, o recorrente, a apresentação dos documentos. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. ENTIDADE ISENTA DIREITO ADQUIRIDO EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO. O descumprimento das exigências legais quanto a condição de entidade isenta, retira o direito a isenção de contribuições previdenciárias patronais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 83 /2 01 0- 00 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Não se pode alegar direito adquirido para deixar de efetivar as contribuições patronais, considerando inclusive a emissão de ato cancelatório transitado em julgado, anterior ao lavratura do AIOP. Mesmo para as entidades isentas/imunes, existe a obrigação do desconto e posterior recolhimento da contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. DISCUSSÃO JUDICIAL RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO A obtenção de certificado com efeitos retroativos por meio de medida liminar em data posterior ao lançamento não o invalida, mas também impede aos órgãos administrativos a apreciação da questão, face o ingresso com ação judicial. DIREITO A ISENÇÃO EFEITOS DA LEI 12.101/2009 As exigências previstas na lei 12.101/2009, produz efeitos a partir de sua publicação, regendose em relação aos fatos geradres anteriores a sua emissão as regras contidas no art. 55 da lei 8.212/91, não havendo que se falar em aplicação retroativa de seus dispositivos para restabelecer isenção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Não importa cerceamento do direito de defesa, a apuração de contribuições com base em FPAS, da qual a empresa já tem conhecimento acerca de seu enquadramento, tendo em vista fiscalizações anteriores. A alegação de erro de base de cálculo não tem o condão de refutar o lançamento, quando apurada a base em documentos do próprio recorrente e o mesmo não traz qualquer outro documento para refutar que a base apurada encontrase equivocada. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) no mérito, na parte conhecida, negar provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.252.5563, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados no período compreendido entre as competências 01/2005 a 12/2007. O crédito ora lançado encontrase assim descrito no relatório fiscal: corresponde a remuneração dos segurados contribuintes individuais não declarados em GFIP, remunerações dos segurados segurados contribuintes individuais apuradas por aferição indireta. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 05, os levantamentos constantes desse auto de infração, foram assim divididos: · LN – 01/2005 a 12/2007 – Lançamentos contábeis feitos a prestadores – CI; · DS – 01/2005 a 12/2007 – Remuneração de contribuintes individuais não declarado em GFIP. Foi emitido em 28/09/2008 ato cancelatório por ter a empresa deixado de cumprir o art. 55, II da lei 8212/91. Consusbtanciado nesse fato, procedeu a autoridade fiscal ao lançamento das contribuições, considerando a perda da condição de isenta. De acordo com o relato da Auditoria Fiscal, em 28/09/2008, a Autuada teve cancelada a isenção das contribuições previdenciárias e as de Terceiros, a partir de 01/01/2001, uma vez que não obteve seu pedido de renovação do CEAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, descumprindo, assim, o inc. II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, em consonância com o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias nº 06/2008, de cuja decisão não cabe recurso, nos termos do § 9º do art. 206 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 20/09/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 28/09/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 83 a 139. Foi colacionado aos autos documentos no qual pede a recorrente a renovação de seu Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social, nos termos da lei 12101/2009. Foi exarada decisão de 1° instância na qual a DRJ julga o lançamento procedente em parte, fl. 231 a 248, face a aplicação da decadência quinquenal Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 256 a 316. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Decadência até 08/2005 nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 4 5 2. Existe pedido de renovação da filantropia, protocolizado em 18/12/2009, o pedido de renovação de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, perante o Ministério da Saúde, e de acordo com a legislação vigente o pedido de renovação do certificado de entidade importa extensão de sua validade até que o requerimento venha a ser decidido. 3. Assim não há que se falar em perda da isenção, O auditor concluiu pela perda da isenção sem se ater a aspectos importantes, mormente a pendência de análise acerca da renovação da certificação, nem mesmo levou em consideração os termos da lei 12.101/2009. 4. Reportase sobre a imunidade da isenção, sendo que em se tratando de imunidade, não pode ser cancelada, quando muito ser declarada suspensa, e somente por determinado período, devendo ser declarado nulo o AI. 5. Destaca vício na realização do lançamento, devendo a administração pública obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. No caso em questão o contribuinte encontra dificuldades para montar a defesa de seus direitos e cola aos autos o art. 142 do CTN. Deve restar no lançamento demonstrado nos autos os fatos que ensejaram o ato administrativo, a ocorrência do fato jurídico tributário, chamado impropriamente de fato gerador. Observase equívocos, posto que o lançamento deuse por presunção e a soma da base cheia comparandoa com a receita bruta da entidade em alguns meses corresponde a 81%, 57,7% e mais de 100%. 6. Destaca doutrina sobre o princípio da verdade material, o que faz com que o auditor deva demonstrar de forma cabal a ocorrência da hipótese descrita no antecedente da norma tributária. O auditor baseou o trabalho em premissas equivocadas. 7. Foi equivocadamente incluído os profissionais médicos, sendo que o hospital figura como mero repassador de valores oriundos do SUS, não gerado qualquer vinculo obrigacional, e por conseguinte não gera qualquer obrigação. 8. A lei 8.212./91 não pode definir a figura de empregado e empregador, sendo esta competência da legislação trabalhista. Da mesma forma não ter a RFB, bem como os auditores fiscais competência para formação de vinculo de emprego. 9. Inobservouse o principio da proporcionalidade, sendo que o próprio código de processo civil destaca que as execuções devem ser levadas a efeito de forma menos onerosa ao devedor. Ocorre verdadeira desproporção em relação a multa aplicada, que não guarda qualquer respeito à razoabilidade e a proporcionalidade, caracterizando verdadeiro confisco. 10. Ao final requer a provimento do recurso para que se anule a autuação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 320. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES Quanto ao argumento de decadência, abstenhome de apreciálo uma vez que a autoridade de primeira instância bem apreciou a questão, aplicando inclusive o art. 150, § 4º para as competência onde restou constatado recolhimento, como requereu o recorrente. Dessa forma, em não havendo recurso de ofício não nos compete reapreciar a questão. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de 1 instância. O recorrente não contestou objetivamente nenhum dos geradores descritos no AIOP, seja com relação aos valores extraídos de sua FOPAG, Recibos ou registro contábeis, resumindose a alegar que o montante é exacerbado, alcançando percentual significativo do seu faturamento, o que representa um verdadeiro absurdo. Dita alegação, no entender dessa relatora não é suficiente para questionar os valores ali descritos. O auto de infração de obrigação principal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado e por consequência sua impugnação expressa. Assim, como fez o comparativo com o faturamento deveria a empresa, apreciar, mesmo que por amostragem, se os valores lançados em cada um dos levantamentos, corresponderiam ao montante da sua folha de pagamento, ou ao montante informado em GFIP. O relatório DAD, em conjunto com o RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS e o próprio relatório fiscal, possibilitam ao recorrente o exercício da ampla defesa e do contraditório. Simplesmente alegar, não demonstra a impropriedade do lançamento, vez que não rebateu pontualmente os pontos que entende indevidos. Contudo, competenos ainda afastar os argumentos de ser indevida a aferição. Ao observar o relatório fiscal, , fl. 43, item 21.1 do processo 18.088.000582/201057, identificase que o auditor fiscal demostra como foram realizados os pagamento aos contribuintes individuais. Os valores apurados foram incluídos neste AI, sendo os fatos que deram origem ao levantamento fiscal, foram apurados sob os seguintes títulos: remuneração dos segurados empregados, apuradas em arquivos digitais em confronto com entre os valores das remunnerações. Já em relação a remuneração dos CI, foi constatada que os valores, identificados na contabilidade não estavam incluídos em GFIP, tendo sido lançados valores com base na contabilidade e descritos ditos lançamentos em planilhas e nos relatórios constantes nesse auto de infração. Por isso, assim como já afastado em sede de preliminar, não Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 5 7 entendo que o processo padeça de qualquer vicio, capaz de anulálo., tendo procedido a comparação entre os valores das folhas de pagamento e GFIP, portanto não há que se falar em vício na constituição do lançamento. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Novamente, uma vez que não houve recurso expresso presumese a concordância com relação aos fatos geradores descritos, e por consequência lide não se instaurou. devendo ser mantida a Decisão de primeira instância. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período compreendendo as competências maio de 1996 a fevereiro de 2000, é regulada pela Lei Complementar n ° 84/1996, nestas palavras: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Com relação aos levantamentos referentes a contribuintes individuais, sejam enquanto trabalhadores autônomos, destacase que a prestação remunerada de serviços por pessoa física à empresa atinge simultaneamente dois contribuintes: a pessoa física (prestadora) e a empresa (tomadora). Até a competência abril de 2003, o encargo do recolhimento das contribuições devidas pelos trabalhadores autônomos (enquadrados no RGPS como contribuintes individuais) era do próprio segurado, possuindo a empresa a obrigação apenas em relação a parcela patronal. Destacase, ainda, as alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Quanto ao argumento de que era mera repassadora entre os médicos e o SUS, não há como atribuirlhe razão sendo que o auditor identificou a prestação de serviços médicos em seu nome, valores esses que eram financiados por recursos do SUS. Não há como acatar esse liame jurídico, posto inexistente no nosso ordenamento essa figura de mero intermediário de serviços médicos. A estrutura de atendimento era disponibilizada pelo hospital, dessa forma, em sendo caracterizada a prestação de serviços, correto o lançamento em apurar contribuições na condição de contribuintes individuais. Da mesma forma, quanto a alegação de competência para formação de vinculo de emprego, ao contrário do que entende o recorrente vislumbro a competência do auditor fiscal para identificação de condição de empregado para efeitos previdenciários, posto a definição legal (lei 8212/91), que descreve s requisites de empregado. DA APRECIAÇÃO ACERCA DA IMUNIDADE. Notese, assim como já rebatido pela autoridade julgadora de primeira instância, que o direito a isenção não alcança as contribuições descontadas, ou que deveria ter sido descontada dos segurados empregados. Dessa forma, o apreciação da isenção em nada afetaria o lançamento, posto a isenção referirse apenas a prcela patronal e destinada a terceiros. Contudo, como o lançamento em questão encontrase em julgamento em apenso a parcela patronal e de terceiros, transcrevo abaixo o posicionamento adotado naqueles autos, apenas para esclarecer ao recorrente a apreciação da isenção, já que dita questão também foi objeto de recurso: O cerne do recurso é a entidade ter ou não, direito à isenção ou mesmo imunidade, face a confusão entre as expressões face a redação dada pelo próprio texto constitucional. Para melhor entender a questão reportome a fatos trazidos pela autoridade fiscal em seu relatório no tópico: “CANCELAMENTO DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS”, itens 10 a 19, onde destacase: Assim, após apreciar a legislação que abarca a matéria, entendo relevante apenas fazer um apanhado dos argumentos, que entendo são relevantes para o deslinde da questão: 11. Lançamento em 20/09/2010, período de 01/2005 a 12/2007, referente a parcela patronal, segurados e terceiros, está última ora em julgamento. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 6 9 12. Em 28/09/2008, cancelada isenção, consubstanciado no art. 206, § 8° a partir de 01/01/2001, por entender ter a empresa descumprido o art. 55, II da lei 8212/91, conforme Ato Cancelatório 06/2008. 13. Menciona o art. 206, § 9°, que descreve a impossibilidade de recurso em relação a ato cancelatório com fundamento no descumprimento do art. 55, I, II, III da lei 8212/91. 14. Destaca com relação a emissão do CEAS, que a empresa protocolou perante o CNAS em 29/12/2000, pedido de renovação do CEAS, processo 44.006.005.180/200041 para período de 01/01 a 12/03 (julgamento indeferindo – Resolução CNAS 94/2004, publicada no DOU de 03/09/2004). 15. Além de ter o pedido de renovação para o período de 01/00 a 12/03 julgado indeferido; a mesma protocolou intempestivamente o novo pedido de renovação CEAS para 01/2004 a 12/06, sob n° 71.010.003.698/200648. 16. Assim, entendeu a fiscalização que a partir de 01/01/2001 não era a empresa isenta de contribuições previdenciárias referentes a parcela patronal. 17. Empresa foi cientificada em 23/08/2008, conforme informação fiscal acerca do cancelamento de sua isenção, com efeitos a partir de 01/2001. 18. Em 03/11/2009, diante da apresentação do relatório anual circunstanciado previsto no art. 209 (decreto 3048/99), referente ao ano de 2008, foi emitido comunicado 835/2009, esclarecendo a empresa a obrigação de recolhimento em relação a parcela patronal, informando novamente o cancelamento de sua isenção. 19. Em 15/01/2010 foi constatado pela DRFB que a entidade vinha informando GFIP com código 639, quando o correto era cód. 515. Dessa forma, foi emitido novo comunicado n° 14/2010 pela Seção de acompanhamento e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal de Araraquara, ratificando a informação do cancelamento da isenção. Assim, entendo que a posição adotada pelo auditor encontrase correta, posto que a época da realização do lançamento o contribuinte não preenchia todos os requisitos do art. 55 da lei 8212/91. A recorrente não possuía direito à isenção das contribuições previdenciária no período objeto do lançamento em virtude de decisão por meio do Ato Cancelatório emitido em 2008. Dessa forma, não possuindo direito à isenção, não cabe o enquadramento no código FPAS n. 639, sendo correto o enquadramento realizado pela fiscalização tributária. Não há qualquer irregularidade no procedimento adotado pelo Fisco, haja vista o relatório fiscal indicar precisamente o motivo do não enquadramento no código FPAS n. 639, e esclarecimentos sobre como procedeu a autoridade fiscal da emissão do ato cancelatório até a lavratura do AIOP. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. RELATO ACERCA DA LEGISLAÇÃO QUE TRATA DO DIREITO A ISENÇÃO/IMUNIDADE. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que mesmo que a entidade em questão se enquadrasse em algum dos casos descritos acima, para enquadrarse como detentora do direito adquirido a isenção, a emissão de ato cancelatório lhe afastaria tal direito, pois o direito a isenção pode ser cassado, pelo descumprimento das obrigações inerentes as entidades filantrópicas. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 7 11 Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 8 13 IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, a recorrente teve sua isenção regularmente cancelada, sendo não comprovou ter requerido a isenção junto ao INSS em data posterior, pelo contrário, continuou mesmo após a emissão do referido ato, informando GFIP com o código FPAS 639, como se isenta fosse. Dessa forma, em existindo cancelamento e não tendo o Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 recorrente em data posterior cumprido os requisitos da lei para nova concessão, entendo que não há que se falar em direito a isenção. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação ou mesmo não poderia ser cancelado. É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Dessa forma, a decisão proferida em primeira instância, encontramse em perfeita consonância com a exigência legal, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente quanto ao encontrarse previsto na constituição, tratarseia de imunidade, fato é que não cumpriu os limites legais para que se usufrua do benefício, o que não conseguiu o recorrente demonstrar ao descumprir um dos preceitos do art. 55 da lei 8212/91. QUANTO A OBTENÇÃO DE RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO POR FORÇA DE LIMINAR APÓS O LANÇAMENTO FISCAL Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 9 15 Quanto a apresentação pelo recorrente de cópias dos CEAS emitidos em 15/02/2011 por força de medida liminar no processo 543994.2009.4.013400 em que questiona a aplicação da MP 446/2008 Quanto ao novo fato trazido aos autos, quanto a empresa possuir CEAS por força de liminar, entendo que não há o que ser apreciado, posto ter ingressado o recorrente com medida judicial para obtenção do referido certificado. Notese que a época do lançamento o recorrente não possuía dita medida, razão porque entendo legitimo o lançamento realizado. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Ao ingressar em juízo para obtenção do certificado, e por consequência restabelecer seu direito a isenção abriu mão a partir de então o recorrente, de ter tal matéria apreciada no âmbito administrativo. QUANTO A APLICAÇÃO DA LEI 12.101/2001. Por fim, entendo que deva ser apreciada a alegação quanto a aplicação da lei 12.101/09, posto que entendeu o recorrente que o auditor agiu de forma apressada, concluiu pela perda da isenção sem se ater a aspectos importantes, mormente a pendência de análise acerca da renovação do certificado. Com relação ao argumento acerca da aplicabilidade, devese observar que apesar do lançamento ter sido realizado no ano de 2010, mas precisamente em 20/10/2010, a empresa já havia perdido a isenção desde 2008 com a emissão de regular ato cancelatório retroativamente a 01/01/2001. No caso, entendo que a aplicação da legislação de isenção no tempo deve observar como requisitos a legislação em vigor na data da ocorrência dos fatos geradores, sendo que o procedimento a ser utilizado corresponde ao em vigor no momento do lançamento. Quanto a este ponto, também entendo que não existe qualquer irregularidade no lançamento, posto que no momento da lavratura, conforme muito bem descrito pela autoridade fiscal em seu relatório o recorrente não cumpria os requisitos para considerarse isento, ou mesmo imune, posto encontrarse com a isenção cancelada, tendo sidolhe, inclusive, informado por duas vezes antes do lançamento a declaração incorreta no FPAs 639. O regime jurídico de concessão de benefício fiscal deve ser interpretado literalmente nos termos do art. 111 do CTN. A Lei n ° 8.212/1991 é a todos imposta, e para não afastar o princípio da isonomia, não seria o caso de não se aplicar à recorrente. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Já a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos elencados no seu art. 29 abaixo descritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capitulo II fará jus isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006. Notese que de acordo com o art. 31 da mesma lei, o direito à isenção poderá ser exercido a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, mas não podemos falar que dita previsão afastaria as exigências legais vigentes até a alteração legislativa. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 10 17 Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Todavia, identificamos que o lançamento em questão envolve apenas competências anteriores a publicação da lei 12.101, razão porque correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar contribuições previdenciárias. DA MULTA IMPOSTA A multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. DAS ILEGALIDADES APONTADAS E INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Por fim, alega o recorrente afronta a princípios constitucionais, dentre eles o da legalidade. Nesse sentido, no que tange a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições em especial quanto a competência para realizar o lançamento, ou mesmo o montante da multa aplicada, entendo que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo administrativa recusarse a cumprir norma cuja legalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras previstas na Lei n ° 8.212/1991. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000583/201000 Acórdão n.º 2401002.400 S2C4T1 Fl. 11 19 Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente ilegal/inconstitucional, razão pela qual são exigíveis contribuições, bem como juros e multa legalmente aplicáveis. Entendo que a Constituição da República é clara ao definir as competências para apreciar questionamentos de constitucionalidade, seja por via de controle abstrato (concentrado), seja em via de controle concreto (difuso). E clara também a Carta Magna em reservar apenas aos órgãos do Poder Judiciário a competência para declarar a constitucionalidade ou não de atos normativos. Assim sendo, a esfera administrativa não é o foro adequado para discussões acerca da constitucionalidade das leis e dos atos normativos, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto n° 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória n° 449/2008, e posterior lei 11.941/2009, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. " § 6o 0 disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) I — que _Id tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) II— que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER EM PARTE do recurso para no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13971.003312/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 03 31 2/ 20 10 -1 0 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13971.003312/201010 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.242 S2C3T1 Fl. 311 2 RELATÓRIO: Tratase de lançamento nº 37.276.2450, lavrado em 13/07/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições de terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados, no período de 06/2005 a 12/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 451.270,78, fls. 01. O lançamento foi realizado considerando a existência de grupo econômico entre as empresas Marcenaria São João e a recorrente, bem como a exclusão desta do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES FEDERAL) constante dos processos 13971.003096/201011 e 13971.003097/201057. Após tomar ciência postal da autuação em 21/07/2010, fls.57, a recorrente apresentou impugnação, fls. 61/117, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A responsável solidária, Marcenaria São João, apresentou sua impugnação em fls. 126/182 com argumentos similares aos da recorrente. A 6ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão de fls. 194/209, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/07/2011, fls. 266. A responsável solidária Marcenaria São João não foi intimada do Acórdão a quo. O recurso voluntário, apresentado em 29/08/2011 pela recorrente, fls. 249/307, apresentou argumentos que deixamos de relatar em face da proposta de diligência que iremos formular por conta de problemas processuais e da existência de questão prejudicial. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13971.003312/201010 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.242 S2C3T1 Fl. 312 3 Voto: Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Duas questões impedem o prosseguimento do julgamento. A primeira, relativa à regularidade processual. A segunda, relativa a uma questão prejudicial. Observamos uma irregularidade processual na medida em que não foi encontrado a prova de que a responsável solidária, Marcenaria São João, tenha sido cientificada do Acórdão a quo. À toda vista, se não suprirmos tal omissão, estará configurado cerceamento de defesa da solidária. A questão prejudicial que vislumbramos diz respeito à existência de processo de exclusão do SIMPLES ainda pendente de decisão definitiva. Os deslindes dos processos 13971.003096/201011 e 13971.003097/201057, se favoráveis à recorrente, tornam improcedentes os lançamentos ora em discussão, o que afasta qualquer dúvida sobre a prejudicialidade dos citados processos para o caso presente. Logo, é recomendável, atendendo aos princípios da eficiência e da moralidade da Administração Pública, que o presente julgamento aguarde a definitividade da discussão sobre a exclusão do SIMPLES. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o Recurso e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: 1. seja a responsável solidária, Marcenaria São João, intimada do Acórdão a quo, facultandolhe a apresentação de Recurso Voluntário no prazo de trinta dias; 2. após tal providência, seja o presente processo apensado aos processos 13971.003096/201011 e 13971.003097/201057, aguardando a decisão DEFINITIVA EM AMBOS sobre a exclusão do SIMPLES; 3. após a conclusão dos processos citados, sejam juntadas cópias das respectivas decisões e retornem os autos para prosseguirmos com o julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 312DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10935.001122/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS -CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS- AÇÕES TRABALHISTAS.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - COOPERATIVA DE TRABALHO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO -DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso referente ao AI n. 37.285.991-7(AIOP) e ao AI 37.285.992-5(AIOA); II) rejeitar o pedido de sobrestamento; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP AI DEBCAD n. 37.285.9925 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 11 22 /2 01 1- 97 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AÇÕES TRABALHISTAS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVA DE TRABALHO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso referente ao AI n. 37.285.9917(AIOP) e ao AI 37.285.992 5(AIOA); II) rejeitar o pedido de sobrestamento; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001122/201197 Acórdão n.º 2401002.683 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração, lavrado em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho, no período de 02/2006 a 12/2007. O AI em questão contém em seu bojo 2 infrações, assim, especificadas: AI n. 37.285.9917 O fato gerador da contribuição objeto do Auto de Infração Al n° 37.285.9917 é a prestação, pelos cooperados intermediados pela cooperativa de trabalho, de serviços remunerados à associação. AI 37.285.9925 No decorrer da ação fiscal, verificouse que a associação declarou GFIP's Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social dos meses de 02/2006 a 12/2007 informando como valor pago a cooperativas de trabalho. Ocorre que a fiscalização apurou a existência de pagamentos para cooperativas de trabalho durante todo o período. A omissão de fatos geradores na GFIP constitui infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV e § 5o, acrescentados pela Lei 9.528/97. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 01 a 09, o lançamento e referese a contribuições previdenciárias, devidas e não repassadas a Seguridade Social — INSS, constituída da contribuição de 15% (quinze) incidente sobre as faturas da prestação de serviços por cooperativas de trabalho UNIMED. As bases de cálculo das contribuições previdenciárias foram apuradas pelo exame dos contratos de prestação de serviços e das faturas de prestação de serviços emitidas pela UNIMED DE CASCAVEL COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, em favor da ACIC. As faturas emitidas pela UNIMED apresentam como padrão a discriminação dos valores dos serviços prestados em 'ATO COOPERATIVO PRINCIPAL', 'ATO COOPERATIVO AUXILIAR', 'ATO NÃO COOPERATIVO' e 'OUTROS'. A UNIMED apresentou declaração, em resposta a solicitação da Receita Federal no ano de 2007, esclarecendo o significado destas expressões: "ATO COOPERATIVO PRINCIPAL: são os serviços executados por médicos cooperados; ATO COOPERATIVO AUXILIAR: todos os serviços realizados para que o ato médico se realize, exames, internações; ATO NÃO COOPERATIVO: são os serviços executados por médicos não cooperados; Fl. 537DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 OUTROS: são os serviços como taxa remoção aérea e emissão de segunda via de cartão." Cópias das faturas de prestação de serviços emitidas nos meses 04/2006, 10/2006, 03/2007 e 09/2007 estão anexadas na via do Auto de Infração da RFB Receita Federal do Brasil. A declaração da UNIMED citada acima está anexada na via do Auto de Infração da RFB e na entregue à associação. Estes documentos comprovam as informações do parágrafo anterior. Quando da aplicação das multas, observase no relatório fiscal, que a autoridade fiscal procedeu ao comparativo entre as multas, senão vejamos: Na aplicação de multas esta auditoriafiscal considerou as alterações na legislação trazidas pela MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, assim como foi observado o princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n° 449/2008. Encontrase em anexo relatório com comparação das multas, onde fica demonstrado que a multa mais benéfica para as competências 02/2006 a 12/2007 é a soma da multa de mora de 24%, aplicada através do Auto de Infração Al 37.285.9917, com a multa do Auto de Infração Al 37.285.9925. No relatório de comparação das multas, a multa de 24% está na coluna identificada como 'Multa Anterior', a multa do Auto de Infração 37.285.9925 está na coluna 'Al 68', a soma destas multas está na primeira coluna identificada como 'Total Multa' e se refere à regra anterior à MP n° 449/2008. A coluna 'Multa Atual' foi obtida pelo cálculo de 75% sobre a contribuição previdenciária originária devida no auto de infração Al 37.285.991 7. A segunda coluna que possui o título Total Multa' apresenta os mesmos valores da coluna 'Multa Atual' e representa a regra de aplicação de multas posterior à MP n° 449/2008. Finalmente, a coluna 'Multa Menos Severa' indica a multa efetivamente aplicada, após a comparação das regras anterior e posterior à MP n° 449/2008. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/02/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/02/2011. Foi anexado aos autos cópia de mandado de segurança, 621, donde o autor (dentre eles o autuado), requer seja concedida liminar determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, no termos do art. 151, IV do CTN. Foi concedida liminar, fls. 540, no sentido de deferir para suspender a exigibilidade da exação prevista no art. 22,TV, da Lei n.° 8.212/91, pela nova redação dada pela Lei n.° 9.876/99. Foi anexada ainda, sentença datada de 13/03/2001, fl. 660, onde restou julgado o mérito, cassando a liminar concedida, convertendo os depósito em renda. Dessa Fl. 538DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001122/201197 Acórdão n.º 2401002.683 S2C4T1 Fl. 4 5 decisão recorreu o autuado em sede de apelação conforme fls. 653, e posteriormente interpôs Recurso Extraordinário, fl. 674. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 352 a 371 e 399 a 439 . Foi exarada a Decisão de 1 instância, fls. 449 a 457, que confirmou a procedência ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 AI NÚMEROS 37.285.9917 e 37.285.9925 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial, antes ou posteriormente à notificação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo da impugnação apresentada. MATÉRIA DIFERENCIADA. APRECIAÇÃO. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada. MULTA. APLICABILIDADE. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A constatação da existência de crédito tributário devido e não recolhido pelo sujeito passivo configura ilícito tributário que sujeita o infrator à aplicação de multa pecuniária nos termos da legislação de regência. CONFISCO. VEDAÇÃO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É legal a aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios no recolhimento do crédito tributário em atraso. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. À esfera administrativa não cabe conhecer de argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga à administração impulsionar o processo até sua decisão final, não havendo previsão normativa para sobrestamento de processo administrativo de determinação e exigência de crédito lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 461 a 487 e 499 a 519. Em síntese, a recorrente traz as mesmas alegações da impugnação, para os dois AI contidos no lançamento em questão, quais sejam: 1. A Associação Comercial e Industrial de CascavelACIC, vem alegar, preliminarmente, que a inexistência de recolhimentos dos valores decorre de medida judicial impetrada contra a exigência da contribuição, tendo obtido, em primeiro grau, liminar determinando que o contribuinte se abstivesse de tais recolhimentos. 2. Alega que, por ocasião do julgamento do mérito da ação, o juízo da 2ª Vara Federal de Cascavel, acolheu o pedido de inconstitucionalidade da Lei que estabeleceu a cobrança dessa contribuição, sendo deferida a liminar. Diz que os autos se encontram em grau de Recurso Especial e Extraordinário no TRF da 4ªRegião, carentes de apreciação (RE 515080 REx, Resp 691447). 3. Argúi que a aplicação dos Autos de Infração se opõe ao entendimento jurídico de inconstitucionalidade da contribuição pela empresa tomadora de serviços, na posição de contribuinte, sobre a nota fiscal relativa a serviços prestados por cooperativas de trabalho, que, também, se encontra fortalecido pelo Parecer expedido pelo Procurador da República na ADIN 25945/ 600, intentado pela Confederação Nacional das Indústrias – CNI, e que tanto a ação proposta pela Associação Comercial e Industrial Cascavel, como a proposta pela CNI, ainda não foram julgadas, permanecendo em discussão a exigibilidade da contribuição. 4. No mérito argumenta que o sujeito passivo e a base de cálculo definida na Lei nº9.876, de 1999, estão em descompasso com o art. 195, I, da Constituição Federal, pois, a incidência seria sobre os rendimentos do trabalho pago ou creditado à pessoa física, e não sobre o valor da nota fiscal ou fatura emitida, sendo assim, tratase de uma nova contribuição que só poderia ser criada por meio de lei complementar (art. 195,§4º e 154, I, da Constituição Federal). Pede a improcedência do AI em face da inconstitucionalidade da contribuição exigida. 5. Prossegue, alegando que não há legitimidade para a exigência da adoção da taxa SELIC como juros moratórios dos débitos fiscais federais, como pretende a Lei nº9.065/95, já que a mesma não possui característica de indenização, própria dos juros moratórios. 6. Contesta a aplicação da multa, argüindo que essa tem natureza de confisco e que não poderia exceder o percentual de 30% do valor da contribuição lançada. 7. Por fim, pede o acolhimento da preliminar suscitada ou sobrestamento do feito até decisão definitiva a ser proferida na ADIN nº25945/ 600 pelo STF, caso contrário, acolhimento das razões de mérito e improcedência do AI. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001122/201197 Acórdão n.º 2401002.683 S2C4T1 Fl. 5 7 O processo foi encaminhado a este conselho para julgamento É o Relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 460 e 461. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A SUSPENSÃO DO PROCESSO Primeiramente, quanto ao requerimento de suspensão do processo até o julgamento final da ação em que o recorrente questiona a contribuição sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho, ressaltese, que assim, como já o fez a autoridade julgadora, entendo que não existe respaldo para o pedido do recorrente. Apesar de inicialmente ter obtido medida liminar acerca do questionamento da contribuição objeto deste lançamento, observamos que nas sentenças proferidas tanto no 1 grau, como na esfera recursal não obteve o recorrente êxito em sua empreitada, estando pendente apenas o recurso extraordinário que digase não lhe confere direito ao pedido de suspensão. Dessa forma, tanto o procedimento fiscal, poderia ter sido realizado, assim, como o foi, como deve ser dado seguimento ao julgamento da lide, sendo que apenas a cobrança do crédito deverá aguardar a decisão definitiva. Os argumentos do recorrente quanto a nulidade do procedimento, face a ação judicial, só vingariam se o mesmo tivesse obtido medida liminar para impedir a realização de procedimento fiscal, o que não é o caso. Ademais, até o transito em julgado, não há que se falar em definitividade do direito do recorrente quanto ao não recolhimento da contribuição lançadas nos presentes autos. Ademais, caso no mérito o recorrente não alcance sua pretensão no momento da apreciação final, os efeitos da liminar retroagem até a data de sua concessão, razão porque a inércia do fisco, poderia ensejar a decadência do direito de lançar as contribuições aqui descritas. SUSPENSÃO DO PROCESSO ATÉ JULGAMENTO FINAL DE AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto a questão de sobrestamento até o julgamento definitivo da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI n. 2594/DF. Afirma que tem sido esse o procedimento adotado pelo Pretório Excelso, que tem atribuído efeito suspensivo aos recursos que questionam a constitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n. 8.212/199, como se pode verificar de decisões exaradas no bojo das Ações Cautelares AC n. 805 QO e n. 9936 – QO. Adoto aqui posicionamento trazido pelo ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo em outro processo envolvendo a mesma matéria, onde deuse seguimento ao julgamento da matéria relativa a contribuição sobre a contratação de cooperativa de trabalho. Consultando as decisões nas referidas AC, verifico o STF deu provimento ao pedido das recorrentes para conferir efeito suspensivo aos Recursos Extraordinários manejados contra a exigência da contribuição incidente sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho. Como se pode ver da ementa abaixo transcrita, não há o que se falar em sobrestamento de processos pele Corte Constitucional em razão da referida ADI, a qual se Fl. 542DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001122/201197 Acórdão n.º 2401002.683 S2C4T1 Fl. 6 9 encontra pendente de julgamento (conforme consulta a http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp, efetuada em 23/04/2011). EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MEDIDA CAUTELAR CONCEDIDA EM DECISÃO MONOCRÁTICA E POSTERIORMENTE REFERENDADA PELO ÓRGÃO COLEGIADO. POSSIBILIDADE DE NOVA APRECIAÇÃO DA MEDIDA. Nos termos da orientação predominante do Supremo Tribunal Federal, a ação cautelar destinada ao empréstimo de efeito suspensivo a recurso extraordinário é ato que se exaure em si mesmo, não demandando citação nem contestação. Possibilidade de reavaliação da medida concedida ou indeferida, quando há modificação do quadro fáticojurídico que lhe servira de suporte. MEDIDA CAUTELAR CONCEDIDA COM BASE EM DECISÃO TOMADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES.MANUTENÇÃO ATÉ JULGAMENTO DE MÉRITO DA CAUSA. Ausentes novas razões relevantes ou modificação do quadro fáticojurídico, impõese a manutenção da medida cautelar concedida. AÇÃO CAUTELAR 9936 SÃO PAULO, Min. Relator JOAQUIM BARBOSA, DJe 20/10/2006). Vêse que o Acórdão acima é válido apenas entre as partes litigantes naquele processo, apenas conferiu efeito suspensivo ao RE, não tratando de sobrestamento de processos. Diante disso, podese afirmar que não existem motivos para que se proceda ao sobrestamento do julgamento, haja vista que inexiste na legislação processual tributária norma que preveja a suspensão dos processos em razão de pendência de julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Importante destacar que as associações em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e Fl. 543DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Assim, irrelevantes os argumentos de que em sendo associação estaria desobrigada de efetuar as devidas retenções quando da contratação de cooperativas. DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL Destacase de pronto, que não será conhecido o recurso acerca do mérito de ser devida contribuição sobre a contratação de cooperativa de trabalho, tendo em vista o recorrente encontrarse em processo judicial a respeito da mesma matéria. Conforme ofício às fls. 540 a 674, o recorrente ingressou com ação na qual discute a constitucionalidade da incidência de contribuição sobre cooperativas. Nos termos do art. 19, Parágrafo Único da Lei 8870/94, c/c como art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, senão vejamos: “ A propositura pelo Beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aliás esse foi o posicionamento já exarado pela autoridade julgadora. Transcrevo abaixo, trecho do voto, do qual concordo, com vistas a esclarecer ao recorrente a concomitância da ação judicial: Em consulta à página da Justiça Federal na internet Portal da Justiça Federal da 4ª Região, verificouse que o lançamento incluso no presente Auto de Infração foi objeto de ação judicial Tratase do Mandado de Segurança nº2002.70.05.0103877(PR) impetrado pela Associação Comercial e Industrial de Cascavel ACIC contra o INSS, 2ª Vara Federal de Cascavel, para Fl. 544DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001122/201197 Acórdão n.º 2401002.683 S2C4T1 Fl. 7 11 suspender a exigibilidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei nº8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.876, de 1999, onde a Sentença concedeu a segurança. Por sua vez, o INSS adentrou com recurso de Apelação, sendo os autos remetidos ao TRF da 4ª Região, que declarou a constitucionalidade do recolhimento de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Admitidos Recursos Especial e Extraordinário. Atualmente, os autos encontramse na Secretaria de Recursos na seguinte situação: SUSPENSO/SOBRESTADO. Sabese que a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso. Nos termos do art. 62, parágrafo único do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, somente pode ser apreciado por este órgão julgador o que for diferente do argüido judicialmente: Art. 62 A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. . (Alterado MEDIDA PROVISÓRIA Nº 232, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2004 DOU DE 30/12/2004 Edição extra_). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. . (Alterado MEDIDA PROVISÓRIA Nº 232, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2004 DOU DE 30/12/2004 Edição extra_). Da mesma forma, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) n.º 3/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, que dispõe: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); Tratando este lançamento de objeto correlato àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou inexigibilidade pela via da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº9.876, de 1999, que acrescentou o inciso IV no artigo 22 da Lei nº8.212, de 1991, esta Delegacia de Julgamento carece de competência para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Assim sendo, em face dessa orientação, não cabe conhecimento da preliminar que pretende discutir a constitucionalidade da contribuição previdenciária a ser paga pela empresa, tomadora de serviços, na posição de sujeito passivo da obrigação tributária, sobre a nota fiscal relativa a serviços prestados por cooperativas de trabalho. Desta forma, esta decisão somente conhece e aprecia a matéria diferenciada daquela submetida ao Poder Judiciário, no caso, a redução da multa aplicada a patamares razoáveis. DA APRECIAÇÃO DOS DEMAIS ARGUMENTOS NÃO DESCRITO NA AÇÃO JUDICIAL QUANTO AS INCONSTITUCIONALIDADES ARGUIDAS. QUANTO A TAXA SELIC Com relação à arguição de ser indevida a cobrança de juros, razão não assiste ao recorrente. Está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001122/201197 Acórdão n.º 2401002.683 S2C4T1 Fl. 8 13 similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 3 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA Nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AI DEBCAD nº 37.285.9925 Exigibilidade das contribuições e da sua consequente informação em GFIP : matéria idêntica discutida na esfera judicial. Impossibilidade de apreciação na esfera administrativa. DA MULTA IMPOSTA Insurgese o recorrente quanto a multa aplicada. Quanto a este ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, no caso em tela, considerando a edição da lei 11.941/2009, e em se tratando de AI de Obrigação Principal e Acessória diretamente relacionados, importante observação como se deu a aplicação dos dispositivos legais. Conforme se extrai do relatório fiscal na aplicação de multas a auditoria fiscal considerou as alterações na legislação trazidas pela MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, assim como foi observado o princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n° 449/2008. Encontrase anexo ao relatório fiscal, fl. 03 a 06 relatório com comparação das multas, onde fica demonstrado que a multa mais benéfica para as competências 02/2006 a 12/2007 é a soma da multa de mora de 24%, aplicada através do Auto de Infração Al 37.285.9917, com a multa do Auto de Infração Al 37.285.9925. No relatório de comparação das multas, a multa de 24% está na coluna identificada como 'Multa Anterior', a multa do Auto de Infração 37.285.9925 está na coluna 'Al 68', a soma destas multas está na primeira coluna identificada como 'Total Multa' e se refere à regra anterior à MP n° 449/2008. A coluna 'Multa Atual' foi obtida pelo cálculo de 75% sobre a contribuição previdenciária originária devida no auto de infração Al 37.285.991 7. A segunda coluna que possui o título Total Multa' apresenta os mesmos valores da coluna 'Multa Atual' e representa a regra de aplicação de multas posterior à MP n° 449/2008. Finalmente, a Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 coluna 'Multa Menos Severa' indica a multa efetivamente aplicada, após a comparação das regras anterior e posterior à MP n° 449/2008. Dessa forma, assim como bem agiu a autoridade fiscal para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que o cálculo adotado pela autoridade fiscal, encontrase em perfeita consonância com a norma então vigente, não havendo qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Digase que a empresa alega que o percentual não poderia ultrapassar 30%, todavia, o cálculo da multa deuse estritamente dentro dos limites legais, não havendo qualquer reparo a ser realizado. Assim, no que tange a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade da aplicação de juros e multa frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis contribuições sobre as faturas emitidas pela contratação de Cooperativas de Trabalho médico Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.001122/201197 Acórdão n.º 2401002.683 S2C4T1 Fl. 9 15 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mesmo sentido, incabível a apreciação, conforme já mencionado, pela suposta inconstitucionalidade da contribuição sobre a contratação de cooperativas de trabalho, uma vez que a matéria encontrase alvo de ação judicial. Ai 37.285.9925 Destacase que nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que os fatos geradores que embasaram a autuação estarem descritos nos AIOP de obrigação principal. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita, inclusive observando a aplicação de norma mais benéfica para cálculo da multa aplicada. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária a partir das informações contidas no Relatório Fiscal constatase que o recorrente deixou de informar os valores das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre os valores pagos por meio de salários indiretos, o que gerou uma informação incorreta na GFIP. Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que os fatos geradores que embasaram a autuação estarem descritos na AIOP de obrigação principal. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da do AIOP conexa, julgada em conjunto com o AIOA neste mesmo processo Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Isto posto, entendo correto o procedimento adotado pelo auditor na multa aplicada, assim como descrito no relatório fiscal, que apurou a multa de acordo com as alterações promovidas pela MP 449, convertida na lei 11.941. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da referida Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL dos recursos AI n. 37.285.9917(AIOP) e AI 37.285.9925(AIOA) para rejeitar a preliminar de sobrestamento e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10970.000480/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INEXISTÊNCIA. DOCUMENTOS NOS AUTOS SUFICIENTES PARA CONVICÇÃO DO JULGADOR
Não há cerceamento de direito de defesa do contribuinte recorrente, por indeferimento do pedido de realização de perícia, quando estão contidos nos autos todos os elementos suficientes para a convicção do julgador, e a perícia não é imprescindível para o deslinde da questão.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 40.000,00. Vencido no mérito o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INEXISTÊNCIA. DOCUMENTOS NOS AUTOS SUFICIENTES PARA CONVICÇÃO DO JULGADOR Não há cerceamento de direito de defesa do contribuinte recorrente, por indeferimento do pedido de realização de perícia, quando estão contidos nos autos todos os elementos suficientes para a convicção do julgador, e a perícia não é imprescindível para o deslinde da questão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 04 80 /2 00 8- 51 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 793 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 40.000,00. Vencido no mérito o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/JFA (Fls. 85), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado em 17/10/2008 o Auto de Infração de fls. 02/08, com ciência pessoal do sujeito passivo em 29/10/2008 (fls. 03), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício 2006, anocalendário 2005, sendo apurado os seguintes valores: Imposto 340.185,38 Juros de Mora – calculados até 30/09/2008 97.972,38 Multa Proporcional – 75% (passível de redução) 255.139,03 Total do crédito tributário apurado 693.297,79 Segundo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/06), motivou o lançamento de ofício a constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada por documentação hábil e idônea, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentála, implicando apuração de imposto sobre a renda no valor de R$ 1.257.343,94, no anocalendário 2005. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 794 3 Os valores creditados em conta bancária do sujeito passivo cuja origem não foi comprovada estão discriminados nas planilhas de fls. 56/58 dos autos. Relata a fiscalização que o contribuinte alega, basicamente, que os valores creditados em suas contas bancárias são oriundos da atividade do pai, senhor Ireni Geraldo Dornelas. Que para justificar suas alegações, o interessado anexou cópia de cheques emitidos a débito de sua conta no Bradesco, em favor de terceiras pessoas, afirmando que tal procedimento comprova a atividade exercida pelo pai, que utilizava suas contas e que sendo as contas bancárias de responsabilidade única e exclusiva do seu pai, não há que se falarem omissão de rendimentos capaz de justificar eventual lançamento fiscal. Conclui afirmando que entende que o intimado não comprovou a origem dos créditos em conta, pois os cheques emitidos por ele não estão acompanhados de outros documentos que demonstrem as afirmações feitas e que tampouco ficou evidenciada a suposta utilização da conta pelo senhor Ireni Geraldo Dornelas, pois não foi apresentada procuração para tal e, principalmente, quem assina os cheques emitidos apresentados à fiscalização é o próprio sujeito passivo. No Auto de Infração são transcritos os dispositivos legais que fundamentam a ação fiscal, inclusive quanto as penalidade aplicadas, de multa de ofício no percentual de 75 % e respectivos juros de mora. Os elementos probatórios que basearam o lançamento tributário constam do intervalo de fls. 09/196 do processo. O sujeito passivo apresentou em 27/11/2008, a impugnação de fls. 203/217, instruída com os documentos de fls. 218/713, na qual, em síntese e entre outros aspectos, alega: durante o processo de fiscalização informou que as contas bancárias eram utilizadas, única e exclusivamente, pelo seu pai, o Sr.Ireni Geraldo Dornelas, na intermediação de negociações de pedras preciosas extraídas por garimpeiros do município de Coromandel/MG e região; as cópias de cheques comprovam, de forma inequívoca, que era o Sr. Ireni Geraldo Dornelas quem movimentava as contas correntes que possuía junto a Agência do Banco Bradesco e Banco do Brasil; saiu de Coromandel no ano de 1998 para cursar a faculdade de direito em Uberaba, concluindo o curso em julho de 2003; neste período fez estágios em vários órgãos do judiciário e no último ano de faculdade trabalhou em um escritório de advocacia como estagiário, no qual entrou como sócio após a conclusão do curso; Fl. 794DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 795 4 morou em Uberaba de 1998 até o mês de junho de 2007, quando, então mudou para Catalão, no estado de Goiás, onde permaneceu até agosto de 2008, ano em que retornou a Coromandel/MG; todas as movimentações registradas nas suas contas bancárias e nas de irmão, Clayton Gonçalves Dornelas, foram efetuadas por seu pai. “Consoante demonstram as provas anexas, entre elas, declarações de empresários, fazendeiros e alguns dos vários garimpeiros que fizeram negociações com o Sr. Ireni Geraldo Dornelas, bem como cópias de parte do Inquérito da Polícia Federal e da denúncia do Ministério Público Federal, na operação batizada de “Operação Carbono”, quem movimentava as contas bancárias de seus filhos era o Sr. Ireni”; a procuração pública outorgada em dezembro de 2004 mostra que o Sr. Ireni tinha amplos poderes para realizar movimentações em suas contas bancárias; são inúmeros os garimpeiros do município de Coromandel e região que vendiam pedras preciosas através do Sr. Ireni, que intermediava os negócios, efetuandolhes os pagamentos em dinheiro ou através de cheques emitidos das contas bancárias de seus filhos, Clayton e Cláudio; tenta demonstrar através de vários cheques que estes foram emitidos para pagamento aos diversos garimpeiros que fizeram negócios com o Sr. Ireni, destacando que em alguns casos observase no verso que o pagamento foi autorizado e confirmado pelo Sr. Ireni e que basta uma análise superficial para constatar que a grafia é diferente de sua letra, que ele somente assinou os cheques; junta declarações de vários garimpeiros que efetuaram negócios com o Sr. Ireni recebendo da mesma forma o pagamento e de alguns proprietários de fazendas onde existiam ou ainda existem atividades garimpeiras no município de Coromandel, que negociaram com o Sr. Ireni; o próprio Sr. Ireni declara que movimentava com exclusividade as contas bancárias de seus filhos, com o uso de cheques que, muitas vezes, já ficavam assinados; o Sr. Ireni tinha amplos poderes para movimentar as suas contas bancárias e as de seu irmão Clayton, tanto no Banco Bradesco, como no Banco do Brasil, desde o ano de 2004, conforme comprova a procuração que anexa; o gerente da Agência de Coromandel do Banco Bradesco declara que o SR. Ireni era quem movimentava sua conta bancária e a de seu irmão, comparecendo quase todos os dias na referida agência, sacando na “boca do caixa” os cheques nominais aos seus titulares; junta declaração de proprietários de postos de gasolina de que o Sr. Ireni comprava combustíveis efetuando o pagamento com Fl. 795DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 796 5 cheques de seus filhos, e que segundo aa testemunha o Sr. Ireni custeava a manutenção de garimpos da região, fornecendo óleo diesel e lubrificantes; contra o Sr.Ireni foi lavrado Auto de Infração PAF nº 10675.003055/200696 (MPF nº 0610900/00059/06), assim como foi o mesmo denunciado pelo Ministério Público Federal, nos autos do Processo Crime nº 2007.38.00.0280690, no qual é acusado do crime de evasão de divisas em razão da comercialização de pedras preciosas extraídas do garimpo de Coromandel; no extrato do Banco Bradesco há um crédito no dia 20/06/2005 no valor de R$40.000,00 e no Processo Crime consta interceptação telefônica de conversa realizada nesta mesma data, entre o Sr. Ireni e o Sr. Leandro Maurício do Santos, onde se verifica que o Sr. Ireni passou os dados de sua conta bancária para que fosse realizados depósito no valor de R$40.000,00; cita vários cheques e diz que são de valores consideráveis, que se referem a rendimentos de terceiros, já que é impossível que possa despender gastos dessa vultuosidade, considerando o padrão de vida e o patrimônio que possui; as cópias de cheques trazidas aos autos, por amostragem, chegar ao valor aproximado de R$700.000,00 que correspondem a 65% da movimentação financeira junto ao Bradesco, tida como não comprovada pelo Auditor Fiscal; trouxe aos autos cópias dos cheques relativos à conta do Bradesco por se tratar da movimentação e dos valores individuais mais significantes, mas todos os fatos narrados servem de prova quanto à utilização da conta corrente de sua titularidade junto a agência do Banco do Brasil de Coromandel, que da mesma forma era utilizada, única e exclusivamente por seu pai, o Sr. Ireni; as agências bancárias, assim como as pessoas pagas (físicas ou jurídicas) encontramse em Coromandel, cidade onde sempre morou o Sr. Ireni; o crédito de R$80.000,00, realizado no dia 14/10/2005, corresponde a mais de 50% do valor movimentado na conta corrente do Banco do Brasil, se refere a um cheque devolvido, e não pode ser considerado rendimento tributável; a presunção legal contida no caput do art.42 da Lei nº 9.430/96 é relativa devendo ser afastada, quando os elementos trazidos aos autos inferem a inexistência de omissão de rendimentos e ainda o § 5º prevê a hipótese de exclusão de responsabilidade do titular da conta bancária, quando comprovado que os valores depositados pertencem à outra pessoa; considerando que os documentos anexos comprovam que não é o responsável pela movimentação financeira realizada nas suas Fl. 796DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 797 6 contas bancárias não há dúvidas de que deve ser afastada a combatida presunção de omissão de rendimentos; no processo administrativo tributário sempre deverá prevalecer a verdade material, portanto os créditos efetuados em suas contas bancárias não podem ser considerados omissão de rendimentos quando os documentos demonstram, de modo inequívoco, não ser o mesmo responsável pela referida movimentação financeira; o lançamento tributário deve apresentar uma congruência lógica, devendo ser afastada presunções discrepantes das provas trazidas aos autos; o Fisco deve comprovar os fatos que embasaram o lançamento tributário que não deve ser baseado em meras presunções ou indícios incapazes de determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; não restam dúvidas quanto à ilegalidade do lançamento tributário baseado na mesma presunção de fatos totalmente dissonantes da verdade material, a qual dá conta de que é o Sr. Ireni a pessoa responsável pela movimentação financeira realizada nas contas bancárias; também não pode prosperar a incidência de multa de 75% do valor do imposto supostamente devido, visto que, além de não ser razoável, é totalmente desproporcional à alegada infração; a multa aplicada é inconstitucional e excessiva gerando o proibido efeito confiscatório vedado pelo art. 150, IV da CF, o qual tem como conseqüência a destruição da propriedade e dos meios econômicos indispensáveis a manutenção da atividade produtiva. Requer: seja a impugnação recebida e cancelado o Auto de Infração, na medida em que demonstra a nulidade do lançamento fiscal, que se contrapõe a verdade material, a qual dá conta de que não auferiu os rendimentos registrados nas contas bancárias em questão, cuja movimentação é de responsabilidade do Sr. Ireni Geraldo Dornelas; caso se entenda pela insubsistência da obrigação tributária, que seja excluída a multa aplicada, ou, no mínimo, reduzida a a patamares razoáveis; a produção de qualquer prova em Direito admitida, que julgar necessária ao deslinde da questão, enquanto não houver decisão administrativa definitiva acerca do lançamento recorrido; com base no art. 16, §4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/1972, que seja concedido o prazo de 15 (quinze) dias para a ajuntada de prova testemunhal complementar, a ser apresentada por meio de declarações firmadas por pessoas que Fl. 797DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 798 7 tem conhecimento dos fatos, na maioria garimpeiros da região de Coromandel, cujo acesso e transporte são precários; a produção de prova pericial, que deverá responder a um único quesito: “Analisandose as cópias de cheques anexadas ao presente PAF, podese afirmar que há divergência entre as grafias da pessoa que preencheu e da pessoa que assinou os mesmos?”; o prazo de 15 (quinze) dias para indicar o nome do perito. Em 02/01/2009 apresenta a petição de fls. 717, onde informa o nome e o endereço do assistente técnico para a realização da perícia nos documentos apresentados na impugnação. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos,por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessa operação. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentala em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 799 8 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Cientificado em 16/06/20110 (Fls. 737), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/07/2011 (fls. 742 a 763), reforçando os argumentos expostos quando da impugnação e argumentando ainda, em síntese, que: PRELIMINARMENTE NULIDADE DO JULGAMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO 7. O Recorrente, em sua impugnação, pleiteou, expressamente, a realização de prova pericial, com a devida apresentação do quesito necessário para tanto, solicitando ainda o prazo de 15 dias para a indicação de assistente técnico. Na data de 26 de dezembro de 2008, protocolou a devida nomeação técnica, momento em que aguardou a intimação para a produção daquela prova. 8. Ocorre que acabou surpreendido com o julgamento da impugnação sem a devida realização da prova pleiteada, a qual se mostra fundamental para comprovar o mérito recursal, pois capaz de demonstrar documentalmente a ausência efetiva de participação do Recorrente nas operações bancárias autuadas, por meio da dissociação entre a grafia de preenchimento (pessoa que efetivamente utilizou) e a grafia de assinatura dos cheques emitidos, juntados como prova imprescindível das argumentações. 9. No entanto, houve por bem a e. Turma Julgadora afastar a necessidade desta prova, sob o argumento de que “constatou pela semelhança” que alguns chegues poderiam ter sido preenchidos pelo Recorrente. 10 . Ora, não há como concordar com dito posicionamento, visto que a prova de que o Recorrente somente assinava os cheques depõe ao seu favor, e, assim não poderia ser indeferida som o fundamento de que “o simples exame do quesito proposto evidência a improbabilidade e a desnecessidade da perícia, cuja resposta pode ser facilmente obtida em um simples exame da documentação acostada aos autos”. 11. Com a devida vênia, não há como se admitir que os excelentíssimos julgadores queiram fazer o papel de perito, diante de prova que exige claramente a análise por profissional técnico habilitado. (...) Fl. 799DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 800 9 14. Assim, é inquestionável que, no processo administrativo, além de perfeitamente admissível a produção de outras provas – lícitas e necessárias – visando à busca da verdade material, o seu deferimento, quando pleiteado, poderá somente ser afastado, nos termos do art. 28, do Decreto 70.735/72, mediante “decisão fundamentada”, o que na espécie não ocorreu, tornando nulo o julgado. (...) 72. Em suma, muito embora não tenha o Recorrente conseguido obter junto aos bancos a identificação do responsável pelo depósito ou transferência concernente aos créditos apontados nas contas correntes de sua titularidade, temse, em contrapartida, devidamente provado o verdadeiro responsável pela movimentação dos valores, é dizer, Sr. Ireni, pai do Recorrente, em razão da vasta, detalhada e exaustiva prova produzida acima, a qual não pode ser ignorada pelo simples fato de ausência de contraprova de quem realizou depósitos. 73. O que importa restou provado, o responsável por eventuais rendas de valores que transitaram na conta de titularidade do Recorrente, não se vislumbrando como poderia ser mais importante do que isto – o real beneficiado e eventual contribuinte de Imposto de Renda – a identificação exata de depositantes. DA INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL 74. O Imposto de Renda Pessoa Física foi instituído atendendo ao disposto no art. 153, inciso III da Constituição Federal, que estabelece compelir a União instituir imposto sobre a renda e proventos de fato gerador do imposto de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, conceituando renda como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e proventos, os demais acréscimos patrimoniais. (...) 77. No presente caso não houve acréscimo patrimonial no ano de 2005, apenas movimentações bancárias. (...) 80. O fisco se utilizou de uma presunção ou ficção para lavrar o Auto de Infração: a de que todos os valores que transitaram pelas contas do Recorrente são acréscimos patrimoniais. Utilizouse dessa ficção e ignorou as informações do Recorrente no sentido de que os mesmos pertenciam a terceiros, em virtude da prova produzida de que o verdadeiro responsável pelas movimentações financeiras de suas contas, era seu pai. (...) 82. Do aqui exposto, podemos extrair a seguinte conclusão: é defeso ao legislador ordinário utilizarse de ficções para aumentar o campo de incidência tributário previsto na Fl. 800DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 801 10 Constituição Federal e explicitado pelo Código Tributário Nacional; assim, falece competência à lei do imposto de renda para tributar, mesmo através de ficções, algo que não seja efetivamente renda ou aumento patrimonial. 83. Ora, se “...falece competência à lei do imposto de renda para tributar, mesmo através de ficções, algo que não seja efetivamente renda ou aumento patrimonial”, o que se dirá da competência das autoridades fiscais para fazelo? 84. Em resumo, não é permitido ao fisco presumir que as movimentações financeiras ingressaram como acréscimo patrimonial do contribuinte. (...) 93. Ante o exposto, requer seja o presente Recurso Voluntário recebido e provido, declarandose nulo o julgamento de primeira instância, em razão da clara demonstração de cerceamento de defesa do Recorrente, no sentido de negativa não fundamentada da produção da prova pericial, pleiteada nos moldes legais. 94. Outrossim, caso assim não se entenda,m requer que, analisando todas as questões suscitadas, seja dado integral provimento ao Recurso, cancelandose o Auto de Infração expedido nos autos do Mandado de Procedimento fiscal nº 0610900/00327/08, conforme Processo Administrativo nº 10970.000480/200851. 95.Subsistindo o Auto de Infração, hipótese admitida a título de argumentação, pleiteia a exclusão da multa aplicada, ou no mínimo, reduzida a patamares razoáveis. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Primeiramente, cabe analisar o pedido de nulidade do julgamento da DRJ, em virtude de um possível cerceamento do direito de defesa decorrente do indeferimento de perícia. Tal perícia seria efetuada nas cópias dos cheques apresentados pelo contribuinte, no sentido de verificar possível divergência entre a assinatura dos cheques e os seus preenchimentos. Por seu turno, a DRJ assim se pronunciou; in verbis: Fl. 801DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 802 11 Requereu o impugnante a realização de perícia, informando o nome e o endereço de assistente técnico, para que fosse respondido um único quesito, qual seja, "Analisandose as cópias de cheques anexadas ao presente PAF, podese afirmar que há divergência entre as grafias da pessoa que preencheu e da pessoa que assinou os mesmos? " . No tocante a realização de perícia, vale transcrever o que dispõe o art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 (PAF): IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n" 8.718, de 1993) A perícia é prova técnica e, como tal, só se justifica nas hipóteses em que se exige conhecimento técnico ou científico para obteremse informações úteis ao processo. No caso dos autos, o simples exame do quesito proposto evidencia a impropriedade e a desnecessidade da perícia, cuja resposta pode ser facilmente obtida em um simples exame da documentação acostada autos. Aliás, como visto no início deste voto, não há dúvidas de que alguns cheques foram preenchidos por terceiras pessoas, no entanto, ainda que preenchidos por terceiros, tal fato não confirma a movimentação da conta bancária por estas pessoas, visto que quem assinava os cheques era o próprio sujeito passivo. Portanto, a realização de perícia mostrase prescindível para a solução da lide, devendo ser indeferida com fundamento nos art. 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72.(pág. 733 dos autos) Tenho o mesmo entendimento da DRJ, no sentido de que a perícia solicitada não era essencial para o deslinde da questão; pois, mesmo que a perícia fosse realizada, e comprovasse que os cheques foram preenchidos por terceiros, ainda assim, pelas razões abaixo expostas, não haveria modificação no julgamento. Deste modo, entendo que o indeferimento da perícia solicitada não acarretou prejuízo para a defesa do contribuinte; e que, portanto, o julgamento da DRJ não está eivado de vicio de nulidade. Passo então a analisar o mérito da questão. Afirma o recorrente que os depósitos bancários pertenciam ao seu pai, o Sr. Ireni Geraldo Dornelas. Alega como prova de tal afirmação, o fato de não morar em Coromandel/MG no ano de 2005, e anexa uma série de documentos que provariam o alegado. A DRJ assim se pronunciou sobre tal alegação; in verbis: Diz que o fato de não residir em Coromandel/MG no ano de 2005. comprova sua alegação. No entanto, cumpre registrar que Fl. 802DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 803 12 tal situação não impede que possua contas em agências bancárias desta cidade, tampouco de que as movimente normalmente, como aconteceu no presente caso. Aliás, as facilidades de acesso atualmente disponibilizadas pelos bancos, seja através de inúmeras agências existentes, terminais de auto atendimento, acesso pela internet, dentre outros, permitem que o cliente realize operações de qualquer local do país, logicamente havendo algumas exceções.(pág. 727 dos autos) Entendo como a DRJ; ressaltando que os documentos apresentados pelo recorrente não comprovam que ele residia fora de Coromandel/MG no ano de 2005. Na verdade, os documentos apresentados provam que o recorrente residiu fora de Coromandel/MG até sua formatura, no ano de 2003, e posteriormente, nos anos de 2006 e 2007. Não há nos autos prova de residência fora de Coromandel/ MG no ano de 2005. Ademais, a DIRPF apresentada pelo recorrente, do ano base 2005, informa um endereço em Coromandel/MG. (pág. 259 dos autos) Afirma também o recorrente que as contas bancárias eram movimentadas por seu pai, o Sr. Ireni, e apresenta como prova desta alegação cheques assinados pelo recorrente, mas preenchidos por terceiros, uma procuração com poderes para movimentar contas bancárias, declarações de terceiros afirmando terem recebidos cheques do recorrente para pagamentos de débitos do Sr. Ireni, e cópia de processo penal, no qual constam depoimentos do Sr Ireni, e transcrição de uma conversa telefônica entre este e um terceiro. Sobre as cópias dos cheques apresentados a DRJ assim se posicionou; in verbis: Todavia, não se discute, no caso, que muitos dos cheques anexados autos, foram preenchidos por terceiras pessoas. No entanto há que se ressaltar que do mesmo modo é possível constatar, pela semelhança da grafia, que vários deles foram preenchidos pelo próprio contribuinte. E, ainda que preenchidos por terceiros, quem assinava os cheques era o sujeito passivo, o que prova que ele pessoalmente movimentava suas contas bancárias. Ora, além do explanado pela DRJ, o fato de cheques emitidos pelo contribuinte terem sido utilizados para pagamentos de débitos do seu pai, de per si, não significam que os valores creditados nas contas bancárias pertenciam ao pai do contribuinte. Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, provando que tais valores pertenciam ao seu pai; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 803DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 804 13 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O fato de um filho pagar contas do seu pai, não significa que os valores que ingressaram nas contas bancárias pertencem ao pai. Ainda mais quando os cheques apresentados se referem a uma única conta corrente, quando o lançamento se refere a duas contas bancárias, e quando o pai do contribuinte possuía conta bancária própria à época dos fatos. Destaco que, de acordo com documentos apresentados pelo próprio contribuinte, o Sr. Ireni só foi fiscalizado pela RFB em 2006; não havendo razão, portanto, para estar o Sr. Ireni movimentando as contas bancárias dos seus filhos no ano de 2005, em razão desta fiscalização. Notese que, de acordo com o Termo de Declaração prestado pelo Sr. Ireni em face do IPL 1742/20045 SR/DPF/MG, às fls. 275/276, o Sr. Ireni diz que "era comum os garimpeiros sequer possuírem contas bancárias, esclarecendo o declarante que, por vezes, depósito do valor da venda era efetuado em sua conta corrente" (g.it), ou seja, os depósitos eram feitos na conta corrente do próprio Sr. Ireni e não de terceiros. Não se fala naqueles autos que o Sr. Ireni se utilizava, habitualmente, das contas bancárias de seus filhos, exceto uma única vez, em que no monitoramento telefônico o Sr. Ireni passou os dados do impugnante para que fosse efetuada a transferência bancária para pagamento aos garimpeiros (fls. 269/272 e 352 dos autos). O recorrente afirma ainda que a procuração pública apresentada provaria que o Sr. Ireni, pai do mesmo, é quem movimentaria as contas bancárias. Com muita propriedade, a DRJ, ao analisar tal documento, assim se expressou: Também, no caso, é importante destacar os termos da procuração de fls. 236, datada 29/12/2004, na qual o interessado nomeia e constitui o Sr. Ireni seu bastante procurador, concedendolhe amplos poderes para representálo "perante quaisquer instituições bancárias, especialmente Banco do Brasil e Bradesco, agências de Coromandel, podendo para tanto, assinar cheques, efetuar saques e depósitos, transferências, financiamentos, enfim, praticar todos os atos que se fizerem necessários... " (g.n.J. Assim, se realmente era o Sr. Ireni quem movimentava as contas bancárias, não haveria necessidade de que o impugnante assinasse cheques "em branco" para serem posteriormente preenchidos. O próprio Sr. Ireni poderia preencher e assinar os cheques quando realizasse algum negócio, já que tinha poderes para tanto, conforme procuração outorgada pelo contribuinte.(pág. 753 dos autos) Quanto as declarações apresentadas pelo recorrente, além de entender que lhes cabem o mesmo tratamento dispensado aos cheques apresentados, adoto integralmente o acórdão da DRJ; in verbis: Fl. 804DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 805 14 Outro ponto a ser tratado são as declarações de fls. 237/249, de garimpeiros, proprietários de fazendas e fornecedores, com o quais o Sr. Ireni supostamente negociava, que declararam que receberam seus pagamentos por meio de cheques da contas bancárias de seus filhos ou em dinheiro, além da própria declaração do Sr. Ireni neste mesmo sentido. Em que pese a idoneidade das informações prestadas nas mencionadas declarações, é oportuno esclarecer que, na verdade, tratase de documentos particulares, e. como tais, mesmo que tragam ás informações elencadas na lei tributária, no contorno jurídico, dão notícias apenas dos fatos e da forma como esses possivelmente teriam ocorrido, devendo o interessado, quando exigido, demonstrar por meio de outros documentos a veracidade de suas ocorrências artigo 368 do CPC, in verbis: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. (g.n.) E mais, além do disposto no art. 368 do CPC, supra transcrito, cabe mencionar, ainda, sobre declarações prestadas em documentos particulares, as seguintes citações: as declarações presumemse verdadeiras apenas em relação ao signatário (Código Civil, art. 219); quando enunciam o recebimento de um crédito fazem prova apenas contra quem os escreveu (CPC, art. 376); e vale somente entre as partes nele consignadas, não em relação a terceiros, estranhos ao ato (Código Civil, art. 221), no caso a Receita Federal. Deste modo, entendo que tais declarações não comprovam que todos os valores que ingressaram nas constas correntes do recorrente pertenciam ao pai do mesmo. Penso que há evidencias que o Sr. Ireni, pai do recorrente, utilizava as contas correntes aqui tratadas; porém não é possível afirmar que todos os valores depositados pertenciam ao Sr. Ireni, nem mesmo, com uma exceção, determinar quais dos valores depositados pertenciam ao Sr. Ireni. Quando menciono uma exceção, me refiro ao depósito de R$40.000,00, no Banco Bradesco, na data de 20/06/2005. (extrato pág. 44 autos) É que, interceptação telefônica, constante na ação penal apresentada pelo contribuinte, nas folhas 269/272 e 352, comprova que um terceiro deveria depositar o valor acima mencionado na conta bancária do Bradesco pertencente ao contribuinte, em razão de uma intermediação de compra e venda de diamantes. Deste modo, provado a origem de referido depósito, é dever excluílo de base de cálculo do lançamento. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10970.000480/200851 Acórdão n.º 2801002.762 S2TE01 Fl. 806 15 Por fim, alega o recorrente que a multa aplicada é inconstitucional, em razão da sua natureza confiscatória. Contudo, este Conselheiro não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade alegada; em razão da Súmula CARF n 2, de aplicação obigatória: Alegações de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, o pedido de não aplicação da multa de ofício, não pode ser acatado, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a omissão de rendimentos, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmada a omissão de rendimentos, é cabível a aplicação da multa de ofício. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$40.000,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 806DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 15889.000005/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO FEITO COM BASE EM PROCESSO QUE NÃO GUARDA RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE COM O OBJETO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do feito, sob a justificativa da existência de processo com questão prejudicial, quando a requerente não comprova a existência de relação de dependência entre os processos. VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto à prorrogação do MPF e substituição de Auditores não causam nulidade no lançamento, posto que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade: II) indeferir o pedido para sobrestamento do feito; e III) no mérito, por negar provimento do recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO FEITO COM BASE EM PROCESSO QUE NÃO GUARDA RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE COM O OBJETO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do feito, sob a justificativa da existência de processo com questão prejudicial, quando a requerente não comprova a existência de relação de dependência entre os processos. VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto à prorrogação do MPF e substituição de Auditores não causam nulidade no lançamento, posto que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 357 1 356 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000005/201122 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.618 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente TRANSPORTADORA RINALDO GARCIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006 FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE ALEGAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea somente pode ser argüida se o sujeito passivo saneou a infração antes de qualquer procedimento fiscalizatório relacionado ao ilícito administrativo praticado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 05 /2 01 1- 22 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO FEITO COM BASE EM PROCESSO QUE NÃO GUARDA RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE COM O OBJETO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do feito, sob a justificativa da existência de processo com questão prejudicial, quando a requerente não comprova a existência de relação de dependência entre os processos. VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto à prorrogação do MPF e substituição de Auditores não causam nulidade no lançamento, posto que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada. Uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade: II) indeferir o pedido para sobrestamento do feito; e III) no mérito, por negar provimento do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000005/201122 Acórdão n.º 2401002.618 S2C4T1 Fl. 358 3 Relatório O processo em questão abrange três lavraturas, quais sejam: a) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 37.322.7175 (01/2006 a 13/2006)abrangendo as contribuições da empresa para o Fundo de Previdência, incluindo as contribuições para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. b) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 37.322.7183 (01/2006 a 13/2006) abrangendo as contribuições da empresa para outras entidades e fundos. c) Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA n.º 37.253.6484 (08 a 10/2006) decorrente da não declaração das contribuições devidas pela empresa em GFIP. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 42/55, Em 10/12/2009, houve decisão pela exclusão da empresa do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2006, nos termos do Ato Declaratório Executivo ADE n.º 078 expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Bauru em 14/12/2009, ao qual o contribuinte não manifestou inconformismo. Informase que a verificação se restringiu às Folhas de Pagamentos em confronto com o que a empresa declarou em GFIP antes do início do procedimento fiscal em 23/01/2009. Afirma o fisco que, efetuando comparativo para verificar a multa mais benéfica no conjunto das lavraturas efetuadas, verificou que, apenas nas competências 08 a 10/2006, a penalidade menos gravosa é aquela calculada conforme a legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Assim, apenas essas competências figuram no AIOA, com aplicação nas mesmas de multas nos AIOP de 24% da contribuição devida(art. 35 da Lei n.º 8.212/1991). Para as demais competências foi aplicada a multa no percentual de 75% da contribuição devida (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), sem imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. O fisco informa que foram abatidas as contribuições ao INSS decorrentes da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica prestada pela empresa. A empresa ofertou impugnação, fls. 237/256, na qual alegou em apertada síntese que: a) sobrestamento do feito até o julgamento do processo n.º 15889.000366/200954, o qual, no seu entender, teria influência na presente lide; b) nulidade do MPF que deu origem à ação fiscal, por falta de ciência ao contribuinte de prorrogações efetuadas e de substituição de Auditores Fiscais no transcorrer da auditoria; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 c) não foram consideradas as GFIP retificadoras apresentadas pela empresa, além de que os débitos decorrentes da exclusão do SIMPLES foram incluídos no parcelamento da Lei n.º 11.941/2009; d) devem ser excluídas da base de cálculo as verbas indenizatórias, as quais podem ser identificadas mediante perícia contábil; e) as multas foram aplicadas incorretamente, haja vista que as declarações de GFIP foram prestadas dentro da sistemática do SIMPLES; f) a multa aplicada no percentual de 75% é confiscatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente as autuações. Concluiu a DRJ que o processo mencionado pela então impugnante não tem qualquer influência na lide sob destaque, uma vez que trata de lançamento do anocalendário de 2005, portanto, anterior à exclusão da empresa do SIMPLES. Aduziu o órgão recorrido que o MPF original, ou a sua prorrogação, não se constituem em atos essenciais à validade do procedimento fiscal, tratandose de meros instrumentos de controle interno, por esse motivo, alguma falha verificada quanto a esse aspecto não tem o condão de nulificar os lançamentos. Quanto às GFIP retificadoras, o órgão a quo asseverou que as mesmas somente foram apresentadas após o início do procedimento fiscal, quando a empresa já houvera perdido a espontaneidade. A suposta inclusão dos débitos em parcelamento foi rechaçada pela DRJ, que sustentou que a empresa, apesar de ter seu requerimento de adesão deferido, não apresentou no prazo estabelecido pela Administração Tributária os créditos em discussão, para sua consolidação no parcelamento especial. A DRJ não concordou com a suposta inclusão de verbas indenizatórias na base de cálculo, alegando que, se os valores foram obtidos das folhas de pagamento da empresa, caberia a esta demonstrar quais parcelas teriam que ser excluídas do saláriode contribuição. Quanto ao percentual de multa aplicado, o órgão recorrido chancelou o procedimento de cálculo da multa mais benéfica efetuado pela Autoridade Fiscal e afastou os argumentos de inconstitucionalidade suscitados. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 310/331, no qual apresenta os mesmos argumentos lançados na impugnação, à exceção da inclusão dos débitos em parcelamento, e requer o cancelamento dos AI. É o relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000005/201122 Acórdão n.º 2401002.618 S2C4T1 Fl. 359 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Sobrestamento do feito em razão de existência de processo contendo questão prejudicial Alega o sujeito passivo que o processo em questão é dependente do n° 15889.000366/200954, o qual está pendente de julgamento. Por essa razão, caberia a suspensão do julgamento até o desfecho do processo que contém questão prejudicial. A DRJ asseverou que a relação de dependência inexiste, posto que a discussão administrativa sobre a exclusão do SIMPLES já transitou em julgado e que o processo citado diz respeito à exigência de tributos integrantes do SIMPLES no ano calendário de 2005, não abrangendo sequer o período do lançamento em tela. Entendo que a recorrente carece de razão. É que a motivação dos lançamentos tratados no presente julgamento foi a exclusão da empresa do regime simplificado de tributação, cujo processo transitou em julgado com decisão desfavorável ao contribuinte, o qual não interpôs recurso. Assim, o processo que poderia servir como prejudicial já tem decisão com caráter de definitividade na seara administrativa, não sendo cabível sobrestar o feito em razão da existência de processo cujas matérias tratadas não irão influenciar na contenda sob enfoque e que se refere a período diferente daquele a que estão circunscritos os lançamentos aqui tratados. Mandado de Procedimento Fiscal MPF Agora vou à apreciação da suscitada nulidade do lançamento em razão de defeitos no MPF. Alegase que a cientificação de mandado complementar após a expiração do anterior seria causa a contaminar todo o procedimento fiscal. Outra mácula apontada diz respeito à falta de ciência ao sujeito passivo de substituição de Auditores Fiscais nos mandados. Acerca dessa questão, inclinome pelo entendimento firmado pela DRJ de que falhas verificadas na MPF não são causas de nulidade do lançamento. Nesse sentido, alinhome à jurisprudência atual deste Colegiado e, principalmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que afasta a mácula no lançamento decorrente de pretensas irregularidades naquele ato, consoante se infere do julgado com sua ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso voluntário negado.” (2ª Turma da CSRF, Processo nº 10280.001818/200355 – Acórdão nº 920201.757– Sessão de 27/09/2011) Em vista do posicionamento majoritário deste Egrégio Conselho, o qual não acolhe a nulidade do lançamento decorrente de eventuais irregularidades na emissão do MPF, deixo de analisar pontualmente os vícios suscitados pela recorrente, uma vez restar totalmente infrutífero o exame destas questões, o que impõe seja rejeitada a preliminar de nulidade argüida. Reaquisição da espontaneidade e apresentação de gfip retificadoras Uma outra tese construída pela empresa é que as falhas do MPF teriam ocasionado a aquisição da espontaneidade. Em razão das nossas considerações sobre a invalidação do MPF, por coerência, tenho que manter o posicionamento de que não há invalidação do MPF, por conseguinte, não há alteração do marco de início do procedimento fiscal, afastandose a afirmação de que houve reaquisição da espontaneidade. Alega a empresa que retificou as GFIP e incluiu os créditos objeto da discussão no parcelamento especial instituído pela Lei n.º 11.941/2009. A intimação de início do procedimento fiscal ocorreu em 23/01/2009, tendo apresentado GFIP retificadoras em 26/01/2010. Assim, essa providência não surtiu os efeitos desejados, posto que a espontaneidade já não existia, conforme dispõe o CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assinase que o fisco reconheceu, em razão de ampliação do período de apuração, que, para as competências 01/2007 a 06/2007, a empresa se encontrava sob espontaneidade quando enviou os arquivos de retificação e, portanto, seus valores não foram objeto de lançamento fiscal. Portanto, não há como acatar a alegação de que as retificações da GFIP relativas às competências incluídas no lançamento deveriam ter sido consideradas pelo fisco. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000005/201122 Acórdão n.º 2401002.618 S2C4T1 Fl. 360 7 Verbas indenizatórias A empresa afirma que a Fazenda não pode lançar contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias. De fato tem razão. A exação para a Seguridade Social tem como campo de incidência apenas as verbas decorrentes de retribuição pelo trabalho prestado pelos segurados. Para provocar a retificação dos lançamentos, solicita a empresa a exclusão das verbas que considera indenizatórias. Todavia, o faz de forma genérica, sem fazer a indicação específica de qual parcela deveria ser expurgada da base de cálculo do AI. Considerando que as informações acerca da base de cálculo foram coletadas das folhas de pagamento e GFIP da empresa, esta deveria indicar quais valores estariam incluídos indevidamente nas bases de cálculo. Notese que a recorrente não indica que tenha feito exclusão de nenhuma verba nas GFIP retificadoras, levandome a concluir que esse argumento é improcedente. Aplicação da multa Sobre essa questão, devese levar em conta que, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas incidentes sobre as contribuições devidas e daquelas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa sobre os créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa isolada prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro Fl. 363DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfica ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. A par dessas disposições, o fisco procedeu ao comparativo das multas, verificando que apenas para as competências de 08 a 10/2006 seria mais benéfico ao sujeito passivo a aplicação da legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, para essas competências foi imposta a multa de 24% (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) para o lançamento da contribuição para a Seguridade Social, impondose para o AI relativo ao descumprimento de obrigação acessória a penalidade de 100% da contribuição não declarada, limitada ao teto legal (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). Com relação às demais competências, a regra nova é mais favorável, prevalecendo, então, a multa de ofício de 75% (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), não havendo aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Cabe ressaltar que esse comparativo não se aplica ao AI n.º 37.322.7183, posto que o mesmo se refere a contribuições destinadas a outras entidades e fundos, sobre as quais não há obrigação de declaração em GFIP. Por esse motivo, para esse crédito aplicase a legislação revogada, que é sempre mais benéfica, quando comparada isoladamente, sem levar e conta a multa decorrente de falta de declaração da contribuição. A aplicação da multa no patamar de 20% mostrase inviável nessa situação, posto que sua utilização restringese aos casos em que as contribuições tenham sido declaradas em GFIP, o que somente ocorreu após o início do procedimento fiscal. Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 364DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000005/201122 Acórdão n.º 2401002.618 S2C4T1 Fl. 361 9 vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade, por indeferir o pedido para sobrestamento do feito e, no mérito, pelo não provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 365DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.020610/2009-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 06 10 /2 00 9- 72 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020610/200972 Acórdão n.º 2403001.440 S2C4T3 Fl. 128 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – RIO RANCHO AGROPECUÁRIA SA. contra Acórdão nº 0229.324 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.238.0255, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 1.329,18. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14 a 16, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de incluir em suas folhas de pagamento valores pagos a seus empregados, a titulo de alimentação, nas competências 01/05 a 12/05, e pagamentos efetuados a contribuintes individuais(autônomos e empresário), nas competências 01/2005 a 12/2005. O Relatório Fiscal, às fls. 40 a 46, informa em relação a PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO — LEVANTAMENTO "PAT": 1 Após análise da contabilidade da empresa, foram constatados diversos lançamentos relativos à despesas com alimentação de empregados, lanches e refeições, cestas básicas e ticket refeição. 2 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal — TIPF, foram solicitados, dentre outros, o documento comprobatório da adesão da empresa ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, bem como a comprovação do recadastramento relativo ao ano de 2004, previsto nas Portarias SIT/DSST números 66 e 81, datadas de 19/12/03 e 27/05/04, respectivamente. 2.1 Em 07/12/09, a empresa declarou não ter efetuado a adesão ao referido programa nos anos de 2004 e 2005 (documento em anexo). 2.2 Como não houve a adesão ao referido programa, os valores pagos a titulo de alimentação foram considerados como salário indireto, à luz das Leis 6.321, de 14/04/76 e 8.212, de 24/07/91 (...) 2.4 — As bases de cálculo das contribuições foram apuradas pelos lançamentos contábeis efetuados nas contas discriminadas no Anexo "Alimentação sem PAT", parte integrante do presente relatório. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). O Relatório Fiscal, às fls. 40 a 46, informa em relação a PAGAMENTOS A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL — LEVANTAMENTO "AUT": 1 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal datado de 21/05/09, foram solicitadas, dentre outros documentos, as folhas de pagamento de todos os segurados a serviço da empresa (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos). 2 — Foram apresentadas folhas de pagamento contendo remunerações relativas apenas aos segurados empregados, o que ensejou a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. 3 — Após análise da contabilidade da empresa, foram constatados pagamentos a diversas pessoas físicas, sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. 3.1 — Além disso, constatouse que não foram prestadas em GFIP as informações relativas ao citado fato gerador 4 As bases de cálculo consideradas para a apuração das contribuições previdenciárias correspondem aos valores contabilizados nas contas relacionadas no Anexo "Remuneração — Pessoas Físicas", parte integrante do presente auto de infração. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). O Relatório Fiscal, às fls. 40 a 46, informa em relação a PAGAMENTOS EFETUADOS A ACIONISTA DA EMPRESA, A TÍTULO DE RETIRADA PRÓLABORE — LEVANTAMENTOS PRO: 1 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal datado de 21/05/09, foram solicitadas, dentre outros documentos, as folhas de pagamento de todos os segurados a serviço da empresa (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos). 2 — Foram apresentadas folhas de pagamento contendo remunerações relativas apenas aos segurados empregados, o que ensejou a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. 3 — Verificouse, pelo exame da contabilidade, que foram efetuados pagamentos a acionista da empresa , a titulo de retirada pro labore, sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. 3.1 — Além disso, constatouse que não foram prestadas em GFIP as informações relativas ao citado fato gerador. 4 As bases de cálculo consideradas para a apuração das contribuições previdenciárias correspondem aos valores Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020610/200972 Acórdão n.º 2403001.440 S2C4T3 Fl. 129 5 contabilizados nas contas relacionadas no Anexo "Retirada Pro Labore — Segurados", parte integrante do presente auto de infração. 4.1 Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes e atenuantes previstas nos artigos 290 e 291, respectivamente, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. Foi emitido o TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 24 a 26, contendo o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0811800.2010.002916. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é 01/2005 a 12/2005. A Recorrente teve ciência da AIOP no dia 30.12.2009, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 64 a 73, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Não incidência de contribuição sobre o pagamento in natura de alimentação consubstanciado em fornecimento de cestas básicas, lanche e refeições pela impugnante aos empregados, tendo em vista que tal fornecimento não possui natureza remuneratória, mas sim indenizatória, independentemente de inscrição no PAT. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0229.324 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FOLHA DE PAGAMENTO FORA DOS PADRÕES LEGAIS. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu Fl. 263DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 serviço, de acordo com os padrões e normas, constitui infração à legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração DEBCAD 37.238.0255. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 10 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 110 a 119, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação: (i) Não incidência de contribuição sobre o pagamento in natura de alimentação consubstanciado em fornecimento de cestas básicas, lanche e refeições pela impugnante aos empregados, tendo em vista que tal fornecimento não possui natureza remuneratória, mas sim indenizatória, independentemente de inscrição no PAT. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 125. É o Relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020610/200972 Acórdão n.º 2403001.440 S2C4T3 Fl. 130 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 138. DAS PRELIMINARES (a) Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.238.0255 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020610/200972 Acórdão n.º 2403001.440 S2C4T3 Fl. 131 9 Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. NO MÉRITO (i) Não incidência de contribuição sobre o pagamento in natura de alimentação consubstanciado em fornecimento de cestas básicas, lanche e refeições pela impugnante aos empregados, tendo em vista que tal fornecimento não possui natureza remuneratória, mas sim indenizatória, independentemente de inscrição no PAT. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14 a 16, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de incluir em suas folhas de pagamento valores pagos a seus empregados, a Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020610/200972 Acórdão n.º 2403001.440 S2C4T3 Fl. 132 11 titulo de alimentação, nas competências 01/05 a 12/05, e pagamentos efetuados a contribuintes individuais(autônomos e empresário), nas competências 01/2005 a 12/2005. O Relatório Fiscal, às fls. 40 a 46, informa em relação a PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO — LEVANTAMENTO "PAT": 1 Após análise da contabilidade da empresa, foram constatados diversos lançamentos relativos à despesas com alimentação de empregados, lanches e refeições, cestas básicas e ticket refeição. 2 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal — TIPF, foram solicitados, dentre outros, o documento comprobatório da adesão da empresa ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, bem como a comprovação do recadastramento relativo ao ano de 2004, previsto nas Portarias SIT/DSST números 66 e 81, datadas de 19/12/03 e 27/05/04, respectivamente. 2.1 Em 07/12/09, a empresa declarou não ter efetuado a adesão ao referido programa nos anos de 2004 e 2005 (documento em anexo). 2.2 Como não houve a adesão ao referido programa, os valores pagos a titulo de alimentação foram considerados como salário indireto, à luz das Leis 6.321, de 14/04/76 e 8.212, de 24/07/91 (...) 2.4 — As bases de cálculo das contribuições foram apuradas pelos lançamentos contábeis efetuados nas contas discriminadas no Anexo "Alimentação sem PAT", parte integrante do presente relatório. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). O Relatório Fiscal, às fls. 40 a 46, informa em relação a PAGAMENTOS A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL — LEVANTAMENTO "AUT": 1 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal datado de 21/05/09, foram solicitadas, dentre outros documentos, as folhas de pagamento de todos os segurados a serviço da empresa (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos). 2 — Foram apresentadas folhas de pagamento contendo remunerações relativas apenas aos segurados empregados, o que ensejou a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. 3 — Após análise da contabilidade da empresa, foram constatados pagamentos a diversas pessoas físicas, sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 3.1 — Além disso, constatouse que não foram prestadas em GFIP as informações relativas ao citado fato gerador 4 As bases de cálculo consideradas para a apuração das contribuições previdenciárias correspondem aos valores contabilizados nas contas relacionadas no Anexo "Remuneração — Pessoas Físicas", parte integrante do presente auto de infração. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). O Relatório Fiscal, às fls. 40 a 46, informa em relação a PAGAMENTOS EFETUADOS A ACIONISTA DA EMPRESA, A TÍTULO DE RETIRADA PRÓLABORE — LEVANTAMENTOS PRO: 1 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal datado de 21/05/09, foram solicitadas, dentre outros documentos, as folhas de pagamento de todos os segurados a serviço da empresa (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos). 2 — Foram apresentadas folhas de pagamento contendo remunerações relativas apenas aos segurados empregados, o que ensejou a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. 3 — Verificouse, pelo exame da contabilidade, que foram efetuados pagamentos a acionista da empresa , a titulo de retirada pro labore, sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. 3.1 — Além disso, constatouse que não foram prestadas em GFIP as informações relativas ao citado fato gerador. 4 As bases de cálculo consideradas para a apuração das contribuições previdenciárias correspondem aos valores contabilizados nas contas relacionadas no Anexo "Retirada Pro Labore — Segurados", parte integrante do presente auto de infração. 4.1 Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). Observase que a Recorrente contestou apenas, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, a incidência de contribuição social previdenciária relativa ao levantamento “PAT”. Desta forma, como a Recorrente não contestou a incidência de contribuição social previdenciária relativa aos levantamentos “AUT” e “PRO”, que fundamentam o presente Auto de Infração, considerase não impugnada a matéria relacionada aos levantamentos “AUT” e “PRO”, nos termos do art. 17, Decreto 70.235/1972: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020610/200972 Acórdão n.º 2403001.440 S2C4T3 Fl. 133 13 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Logo, considerandose os princípios da economia processual, da efetividade e da celeridade, deixo de analisar o mérito relativo ao levantamento “PAT” porque restam não impugnadas as matérias relativas aos levantamentos “PRO” e “AUT”de forma a se manter a higidez do presente Auto de Infração. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 271DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.723552/2010-04
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS QUANDO DA VENDA, NO MERCADO INTERNO, DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. AUTORIZAÇÃO LEGAL SOMENTE A PARTIR DE 09/08/2004.
O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep, apurado na forma do artigo 3o da Lei no 10.637, de 2002, em virtude de vendas para o mercado interno de produtos sujeitos à alíquota zero, poderá ser aproveitado para compensação com débitos próprios ou para ressarcimento somente a partir de 09/08/2004.
Base legal: artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004, c/c parágrafo único do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005.
Recurso a que se dá provimento em parte.
Numero da decisão: 3802-001.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, para conhecer parcialmente do recurso, dando-lhe, nessa parte, por maioria de votos, parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Regis Xavier Holanda, que negavam provimento ao recurso. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS QUANDO DA VENDA, NO MERCADO INTERNO, DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. AUTORIZAÇÃO LEGAL SOMENTE A PARTIR DE 09/08/2004. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep, apurado na forma do artigo 3o da Lei no 10.637, de 2002, em virtude de vendas para o mercado interno de produtos sujeitos à alíquota zero, poderá ser aproveitado para compensação com débitos próprios ou para ressarcimento somente a partir de 09/08/2004. Base legal: artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004, c/c parágrafo único do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005. Recurso a que se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 35 52 /2 01 0- 04 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, para conhecer parcialmente do recurso, dandolhe, nessa parte, por maioria de votos, parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Regis Xavier Holanda, que negavam provimento ao recurso. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn. Relatório O presente processo diz respeito a recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Fortaleza (fls. 298/301), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), no valor de R$ 172.553,08, relativo ao PIS/PASEP nãocumulativo de competência do segundo trimestre de 2004. O valor glosado pela unidade preparadora, portanto, o montante envolvido no presente litígio, é de R$ 40.085,40. As instância julgadora a quo assim descreve os fatos atinentes à presente lide: Tratase de processo contendo Pedido de Ressarcimento de crédito correspondente ao Pis/Pasep Não Cumulativo – Exportação, referente ao 2º Trimestre de 2004, totalizando R$ 172.553,08, formalizado mediante a transmissão do PER/DCOMP de nº 25865.83876.260907.1.1.086761, fls. 89/92. Posteriormente foi transmitido o documento nº 14384.18824.270907.1.3.086416, contendo compensações efetivadas com base nesse mesmo crédito. Tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização, fls. 69/71, por meio de Despacho Decisório, fl. 119, a DRF Fortaleza reconheceu a título de crédito a quantia de R$ 132.467,68 e homologou parcialmente as compensações. O não reconhecimento integral do direito creditório postulado decorreu das glosas a seguir detalhadas: Bens Utilizados como Insumos Vendas Merc. Interno com Alíquota Zero Despesas de Depreciação Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Total das Glosas Consideradas 16.500,00 6.290,43 9.173,03 8.121,94 40.085,40 · bens utilizados como insumos – conforme registrado no Relatório Fiscal, a empresa informou no Dacon do mês de abril/2004, no item 02 – bens utilizados como insumos, ficha créditos, o valor de R$ 3.671.756,04; entretanto, a planilha apresentada pela pessoa jurídica contemplou despesas que totalizaram somente R$ 2.671.756,04; por conseguinte, foi observado que a impugnante descontou R$ 16.500,00 de créditos sem respaldo legal (R$ 1.000.000,00 x 1,65%); Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 196 3 · receitas de vendas no mercado interno sujeitas à alíquota zero – foram glosados créditos correspondentes às vendas efetuadas, nos meses maio e junho de 2004, para o mercado interno posto que, a partir de 01/05/2004, as receitas de vendas de frutas no mercado interno (capítulo 8 da TIPI) passaram a ser contempladas, no que tange ao Pis/Pasep e à Cofins, conforme estabelecido pelo art. 28, inc. III da Lei nº 10.865, de 2004, com a alíquota zero; tal glosa decorreu do fato de que somente a partir de 09/08/2004 haver sido autorizada a manutenção dos créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero (art. 16 c/c o art. 17, inc. III da Medida Provisória nº 206, de 06/08/2004, publicada no DOU em 09/08/2004); tendo presente que as receitas de vendas de frutas no mercado interno representaram 5,59% das receitas totais dos meses de maio e junho de 2004, esse percentual foi aplicado sobre o montante dos créditos apurados nesses meses, de R$ 112.530,12, chegandose à glosa de R$ 6.290,43; · despesas de depreciação – foram glosados créditos correspondentes a despesas de depreciação, no valor de R$ 9.173,03, conforme planilha I do Relatório Fiscal, em relação às quais não houve a apresentação das notas fiscais que comprovassem a efetivação das aquisições dos bens do ativo fixo que dariam suporte às depreciações, indevidamente consideradas pela pessoa jurídica; · pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagens destinadas ao transporte – as glosas a esse título, conforme consta da planilha II do Relatório Fiscal, atingiram o valor de R$ 8.121,94, tendo sido efetivadas com base nos fundamentos especificados nos itens subsequentes. Foi afirmado pela autoridade fiscal responsável pelos procedimentos de diligência, efetivados para fins de apuração do direito creditório em questão, que de acordo com esclarecimentos e fotos apresentados pela empresa, “os pallets e as cantoneiras são utilizados no processo como embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”. Ante a situação explanada, com base no disposto pelo inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o § 5º do art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, afirmou a autoridade local que “somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito do PIS”. No Despacho Decisório, fl. 119, a autoridade com competência para reconhecimento do crédito reiterou o posicionamento versado na Informação Fiscal e deliberou pelo seu reconhecimento parcial, no valor de R$ 132.467,68. A ciência deuse em 10/11/2010, fl. 121/124. [...] Fl. 197DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo em sua manifestação de inconformidade não foram acatados pela primeira instância, tendo a mesma, como já dito, indeferido o pleito conforme ementa do Acórdão correspondente, abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PALLETS, CANTONEIRAS E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinandose tãosomente ao transporte, não geram direito ao crédito. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Somente a partir de 09 de agosto de 2004, com o advento da Medida Provisória nº 206, de 6 de agosto de 2004, convertida na Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, ficou estabelecido que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. Referentemente à primeira instância administrativa, inexiste previsão legal para a autorização da sustentação oral, durante a sessão de julgamento, por parte de representante legal do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/02/2012 (fls. 170), a interessada, em 01/03/2012 (fls. 171), apresentou o recurso voluntário de fls. 171/192, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, os quais, em síntese, abordam as questões na sequência relatadas: a) o acórdão recorrido procurou ratificar as glosas a partir do conceito de insumo objeto da IN 247/02; b) também não considerou os pallets, cantoneiras e demais produtos como matéria prima ou produto intermediário, tendo, para tanto, diferenciado “embalagem de apresentação” de “embalagem de transporte”, além de se alicerçar na legislação do IPI (artigo 4o da Lei no 4.502/64), a qual não poderia ser utilizada para fins da nãocumulatividade do PIS/PASEP, posto Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 197 5 que enquanto, no IPI, o fato gerador é a industrialização, no PIS/PASEP o fato gerador decorre das receitas provenientes da produção da empresa; c) ressalta que sua atividade não se caracteriza como industrialização, mas produção de frutas frescas, sem qualquer beneficiamento; d) a diferença entre embalagem de apresentação e embalagem de transporte só faz sentido para fins de incidência do IPI, e não para fins de ressarcimento do PIS/PASEP; e) assevera que a legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos autoriza expressamente o creditamento decorrente de embalagens utilizadas na produção; f) quanto às embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados no processo produtivo), destaca sua imprescindibilidade para a conservação dos produtos exportados até sua chegada no porto de destino, ressaltando ainda que as mesmas não compõem o ativo imobilizado da empresa, uma vez que não retornam à empresa exportadora, sendo colocadas nos containers e entregues aos seus clientes; g) uma vez que as embalagens são agregadas aos produtos que acondicionam, deveriam as mesmas, portanto, seguir o mesmo tratamento tributário do produto principal; h) cita soluções de consulta de Superintendências Regionais da Receita Federal, as quais, segundo entende, levariam ao entendimento de que as embalagens classificarseiam como produtos intermediários; i) assevera que a distinção entre “embalagem de apresentação” e “embalagem de transporte”, trazida no acórdão contestado, “é totalmente descabida, uma vez que o próprio Superior Tribunal de Justiça comunga com o entendimento do CARF quanto a extensão do conceito de insumo para fim (sic) de creditamento de PIS e COFINS”; j) a legislação do IPI não poderia ser utilizada para fins da não cumulatividade do PIS/PASEP, posto que enquanto no IPI o fato gerador é a industrialização, no PIS/PASEP o fato gerador decorre das receitas provenientes da produção da empresa; k) quanto às glosas decorrentes de depreciação, ressalta que, diferentemente do que foi asseverado na decisão de primeira instância, tal assunto fora contraditado, dada a inconformidade do contribuinte com a totalidade das glosas, como consta no item V, letra “b”, de sua contestação; e, l) já em relação aos créditos oriundos da receita de vendas no mercado interno (com alíquota zero – art. 28, III, da Lei 10.865/04), defende a existência do direito creditório mesmo antes da edição da MP 206/2004, uma vez que o artigo 16 da referida Medida Provisória seria elucidativo, tendo apenas clarificado direito anteriormente vigente. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Por todo o exposto, requer seja suspensa a exigibilidade dos créditos até o proferimento da decisão definitiva e reformada integralmente a decisão de primeira instância, com a consequente homologação das compensações vinculadas ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e apresentado por parte legítima. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. Porém, há que registrar que parte da matéria objeto das glosas dos créditos pleiteados não foi realmente contraditada. Isso ocorreu em relação às glosas decorrentes de depreciação, assim como em relação à informação divergente entre a DACON e à planilha apresentada pela empresa. Nesse sentido, contrariamente ao que alega a interessada, não vale apenas contestar de forma geral a totalidade das glosas, mas abordar fundamentadamente as razões de fato e de direito que entende, fundamentam seu recurso. Vale lembrar que o motivo da glosa correspondente à depreciação foi a não comprovação da referida despesa, portanto, matéria de fato, o que torna impossível qualquer exame diante da inexistência de apresentação de argumentos específicos da interessada inerentes ao problema. Portanto, impende seja aplicado ao caso o disposto no artigo 17 do Decreto no 70.235/72, conhecendose, consequentemente, do recurso, apenas no que diz respeito ao aduzido direito em relação às embalagens, assim como concernente às receitas pelas vendas no mercado interno. Mérito Como dito, o recurso se restringe a exame de questão de direito relacionada à possibilidade ou não de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da nãocumulatividade em relação a despesas com embalagens (pallets, cantoneiras, dentre outros), bem como relativamente à manutenção dos créditos pelas vendas realizadas no mercado interno. Do direito creditório relativamente às despesas com embalagens Sobre a primeira questão (aduzido direito creditório decorrente das despesas com “embalagens”), entendeu a instância recorrida que os gastos efetuados com a aquisição de pallets, cantoneiras e demais produtos que o contribuinte emprega para embalar e proteger as frutas comercializadas até o destino final não geram direito creditório, posto que referidos produtos são utilizados apenas para armazenagem, movimentação e transporte dos produtos, se agregando ao produto apenas depois de encerrado o ciclo produtivo. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 198 7 Com efeito, a legislação pertinente ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (respectivamente, Leis nos 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003) autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das citadas leis ordinárias. Relevante para a questão em exame o disposto no inciso II do dispositivo retromencionado, que autoriza o desconto de créditos relativos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. A DRJ Fortaleza, ao examinar o problema, atribuiu a insumo o sentido do termo extraído da legislação do IPI. Esse, aliás, foi o alcance dado ao termo pela própria Receita Federal ao editar as Instruções Normativas nos 247, de 2002 (relativa ao PIS não cumulativo) – artigo 66 –, e 404, de 2004 (inerente à COFINS nãocumulativa) – artigo 8o. Essa questão já foi amplamente discutida neste colegiado, tendo esta Turma, em sessão realizada em outubro de 2012, pacificado o entendimento sobre o alcance do termo “insumo” para fins do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Nesse sentido, reproduzo trecho do voto do conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo no 16366.000288/200937 (acórdão no 3802001.418, de 23/10/2012), que, por sua vez, se reporta a voto do conselheiro Regis Xavier Holanda proferido em setembro de 2012 (acórdão nº 3802001.309). Aqui, adoto o entendimento dos i. colegas, abaixo reproduzido: A divergência de entendimento, a meu ver, decorre da utilização de regimes jurídicos distintos para definir o significado e alcance jurídicos do termo insumo, pois, enquanto a fiscalização adota como referência o regime jurídico próprio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Recorrente utiliza como referencial o regime jurídico da não cumulatividade que rege a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep. Assim, por utilizar um referencial jurídico estranho ao regime de cobrança da referida Contribuição, o entendimento esposado pela fiscalização, ao meu ver, discrepa do sentido e alcance jurídico do termo insumo, explicitado no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais). A questão foi analisada com brilhantismo pelo i. Conselheiro Regis Xavier Holanda no voto vista que serviu de fundamento para o Acórdão nº Fl. 201DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 3802001.309, proferido por esta Turma Especial, na Sessão de 26 de setembro de 2012, de extraio os trechos a seguir reproduzidos: A interpretação dada pela Receita Federal ao conceito de insumo, no caso de bens assim utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adotou conceito ínsito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – tributo que apresenta contornos normativos – materialidade – distinta da Contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, como já visto, a legislação da Contribuição para o PIS e da COFINS têm como referencial de incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional. Já a legislação do IPI adota como referencial, não a receita, e sim o produto, ao estabelecer como fato gerador a sua saída de estabelecimento industrial (ou equiparado) e como base de cálculo o valor dessa operação. Portanto, enquanto o IPI grava uma operação de industrialização, as referidas contribuições incidem sobre as receitas auferidas pelo sujeito passivo. E não por outro motivo, tais exações apresentam modelos distintos de apuração e apropriação de créditos (regime de débito e crédito no caso do IPI, e o método indireto subtrativo no caso das presentes contribuições). Dessa forma, a interpretação adotada pela Receita Federal acaba por restringir o conceito de insumo, no caso de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a), a apenas uma parcela dos custos de bens utilizados no processo produtivo da empresa os que sofram industrialização (as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem). O escopo da lei, sem dúvidas, é mais abrangente. Não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. As Instruções Normativas em debate trouxeram, portanto, neste específico ponto, restrição ao creditamento de custos de produção não amparada em lei. Ademais, as referidas Instruções Normativas ao preverem o creditamento relativo a bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (item b) dão ensancha à tomada de créditos em uma base maior do que a restringida na primeira hipótese (item a). Da mesma forma, a previsão de creditamento relativo a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (item c) acaba por permitir, em consonância com a base legal, o crédito de custos de produção relativos a serviços que, potencialmente, podem utilizarse de insumos que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação – industrialização. Assim, referidos normativos deveriam ter adotado para essa primeira hipótese de creditamento de insumos, a mesma técnica redacional utilizada para as outras três hipóteses: a previsão de creditamento relativo aos bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos. Dessa forma, atento à dicção legal que expressamente remete à utilização do insumo na produção ou fabricação de bens, entendo que devem ser considerados como insumos os bens utilizados Fl. 202DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 199 9 diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva1. Noutro giro, a par de conferir à legislação ordinária uma interpretação mais ampla que a dada pelos normativos da Receita Federal (fulcrada na legislação do IPI), também afasto a idéia, a meu ver, data máxima vênia, demasiadamente elástica e sem base legal, de se conferir ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Com efeito, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa2. Se assim tivesse querido o legislador, teria se utilizado de redação outra e.g., custos e despesas necessários a manutenção da atividade empresarial. Ainda, tanto é verdade que o conceito de insumo utilizado pelo artigo 3º, II das Leis em estudo não se confunde com o de despesa previsto na legislação do imposto de renda que, acaso assim o fosse e o dispositivo em testilha tivesse tão larga amplitude, restaria desnecessária a remissão expressa às despesas outras previstas nos demais incisos desse mesmo artigo (aluguéis, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica e outras). Com efeito, se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas previstas na legislação do IR, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Nessa trilha, no Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.246.317 (ainda em curso), o Ministro Relator apresentou voto – já acompanhado por outros dois Ministros de um total de cinco entendendo que o conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva, e também não corresponde exatamente aos conceitos de ‘Custos e Despesas Operacionais’ utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos3. Na mesma toada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento dos processos fiscais nºs 13053.000112/200515 e 1 Assim, podem ser considerados insumos, por exemplo, as partes, peças de reposição e serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos industriais utilizados no processo produtivo da empresa quando possuírem tempo de vida útil inferior a 1 (um) ano (Acórdão 3102.01.143) caso contrário, devem integrar o ativo imobilizado sujeitandose à depreciação e também o frete e seguro na aquisição de insumos por integrarem o custo dos mesmos. 2 Assim, , em termos gerais, por não serem utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, não são considerados insumos nos termos da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa – art. 3º, II das Leis em estudo, exempli gratia, despesas administrativas, serviços de almoxarifado, propaganda e publicidade, despesas com viagens, custos com programa de formação profissional, despesas com assessoria, consultoria e planejamento (Acórdão 330200.175), serviços de limpeza – a depender do tipo de atividade empresarial, combustíveis para veículos não utilizados diretamente no processo produtivo (Acórdão 310201.143), despesas de comercialização e cobrança (Acórdão 340200.259). 3 No caso, se pleiteia o direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS advindos da aquisição de materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização aplicados no ambiente produtivo de empresa que tem objeto relacionado à indústria alimentícia. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 13053.000211/200672, em 09 de novembro de 2011, também afastou a aplicação da legislação do IPI e do IRPJ na conceituação de insumo previsto na legislação das contribuições em análise. Dessa forma, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que – no caso dos bens não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como bem ressaltado pelo nobre Conselheiro, a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep tem como referencial de “incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional”. Com base nesse entendimento, é inevitável a conclusão no sentido de que, no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, todos os bens e serviços que compõem o custo de produção são considerados insumos habilitados a gerar crédito, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 10.637, de 2002. Corrobora ainda com o entendimento aqui esposado, o teor do art. 290, I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), a seguir transcrito: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) Reforça o entendimento supra – no sentido de que não se pode dar ao conceito de insumo o sentido próprio da legislação do IPI – o fato de a legislação inerente ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS também prever creditamento em relação a insumos de serviços, o que, para o IPI, não faz nenhum sentido. Assim, o termo deverá ser tratado especificamente para as contribuições em tela, como já fartamente demonstrado no julgado cujo entendimento adotamos para dirimir a presente lide. No caso presente, em que a empresa exporta frutas frescas, é incontroverso que referido transporte necessite do adequado acondicionamento da mercadoria a fim de preservar sua integridade até a chegada no porto de destino. Com efeito, de acordo com o relatório fiscal, os pallets, as cantoneiras e os demais produtos utilizados para acomodação das caixas de frutas são utilizados no processo como embalagens, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais de destino. Portanto, o gasto com tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadra no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, devendo, pois, ser computado na base de cálculo dos créditos do PIS/PASEP nãocumulativo. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 200 11 Do aduzido direito creditório sobre as vendas realizadas no mercado interno com alíquota zero A lide também envolve discussão acerca do reconhecimento de créditos do PIS/PASEP nãocumulativo sobre as vendas realizadas no mercado interno. Conforme relatado, as glosas decorreram do fato de as receitas de vendas de frutas terem passado a ser contempladas com a alíquota zero (em relação ao Pis/Pasep e à COFINS) a partir de 01/05/2004, mesmo quando destinadas ao mercado interno (artigo 28, inciso III, da Lei no 10.865/20044). O montante glosado foi obtido pela aplicação do percentual correspondente às vendas de frutas no mercado interno sobre o somatório dos créditos no período, posto que, segundo a autoridade administrativa, somente a partir de 09/08/2004, por força dos artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/20045, é que passara a ser autorizada a manutenção dos créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero. Assim, o cálculo da glosa foi o seguinte: Receita de vendas no mercado interno x Créditos no período = Crédito glosado Receita total Em outras palavras, a autoridade administrativa entendeu que deveria ser glosada a parte do crédito proporcional às receitas de vendas no mercado interno (sujeitas à alíquota zero). É verdade que a legislação pertinente ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS (artigo 3o, § 2o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) faz algumas ressalvas concernentes ao direito de desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Assim, não dará direito a crédito, dentre outras hipóteses, as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição (vide artigo 3o, § 2o, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Vêse, pois, que o creditamento vedado pelo artigo 3o, § 2o, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 se dá em relação à aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições (PIS e COFINS). A condição impeditiva ao creditamento amarrada à saída, ou seja, à revenda de produtos ou sua utilização como insumo em produtos “sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”, no âmbito das 4 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) [...] III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; e 5 Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 17. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] III na data de sua publicação [em 09/08/2004], nas demais hipóteses. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 vedações de que trata o inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ocorre somente quanto aos produtos isentos adquiridos. Porém, há ainda uma questão legal relevante que aponta para a inexistência de direito a socorrer a interessada. A autoridade administrativa entendeu que o direito ao creditamento em relação à aquisição de insumos utilizados nos produtos agrícolas comercializados somente teria passado a viger a partir de 09/08/2004, isso por força dos artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004, que posteriormente foi convertida na Lei no 11.033, de 21/12/2004. Reproduzo os dispositivos da Medida Provisória no 206/04 acima referenciados: Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 17. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] III na data de sua publicação [em 09/08/2004], nas demais hipóteses. É correto o entendimento adotado pela autoridade fiscal, o qual é corroborado pelo parágrafo único do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, resultado da conversão da Medida Provisória no 227, de 06/12/2004. Com efeito, nos termos do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, o saldo credor da contribuição para o PIS/Pasep ou COFINS, apurado na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (além do saldo pela incidência das referidas contribuições sobre as importações) em virtude do disposto no artigo 17 da Lei no 11.033, de 21/12/2004 (vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela – artigo 16 da Medida Provisória no 206/04) poderá também ser aproveitado da mesma forma que a prevista no artigo 5o da Lei 10.637/02 e artigo 6o da Lei 10.833/03, ou seja, mediante compensação com débitos próprios de outros tributos federais, ou ainda, ressarcimento em dinheiro, nos termos estabelecidos pelo comentado preceito legal. Tal direito, contudo, é limitado pelo parágrafo único do preceito em tela (artigo 16 da Lei no 11.116/05), segundo o qual, “relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004” (ou seja, início da vigência do artigo 16 da Medida Provisória no 206/04) até o último trimestrecalendário anterior ao da publicação da Lei mesma 11.116/05, é que a compensação ou o ressarcimento poderá ser efetuado. Para melhor clareza, reproduzo o dispositivo em tela: Lei nº 11.116, de 18/05/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 201 13 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifo nosso) Correto, portanto, o entendimento oficial, uma vez demonstrado que a autorização legal para a manutenção dos créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero somente passou a viger a partir de 09/08/2004. Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer do recurso apenas no que diz respeito ao aduzido direito em relação às embalagens, assim como concernente às receitas pelas vendas no mercado interno, dando parcial provimento ao mesmo para reconhecer o direito creditório somente em relação aos gastos da empresa com embalagens necessárias ao acondicionamento da mercadoria (pallets, cantoneiras, e demais produtos utilizados para acomodação das caixas de frutas), posto que tais produtos se enquadram no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, devendo, pois, ser computados na base de cálculo dos créditos do PIS/PASEP segundo o regime da nãocumulatividade. Sala de Sessões, em 28 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 Declaração de Voto Contribuição para o PIS e COFINS. Regime nãocumulativo. Conceito de insumos O regime de não cumulatividade na cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS encontra seus contornos normativos, em âmbito legal estrito, na Lei nº 10.637, de 2002, e na Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente. Inicialmente, restou definido pelo artigo 1º das referidas Leis que essas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e como base de cálculo o valor desse faturamento6. Já com o objetivo de delinear o regime de incidência nãocumulativa dessas contribuições, o artigo 3º dessas Leis previu um rol taxativo de créditos que podem ser descontados do valor do tributo inicialmente apurado. Vejamos7: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 6 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. ............................................................ 7 Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 202 15 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) .................................. Destaques apostos. Essa é, portanto, em linhas gerais, a arquitetura legal pensada para dar efetividade ao regime de incidência nãocumulativa das presentes contribuições: o estabelecimento de um rol taxativo de operações aptas a gerar créditos a serem descontados do valor determinado da contribuição. Dentre essas operações, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637 de 2002, bem como o correspondente preceito da Lei no 10.833/2003, prevêem o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Daí surge a necessidade de se definir, para fins de creditamento, o que são insumos no regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A previsão de tomada de créditos inserta no artigo 3º, II, pode ser assim quadripartida: a) bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; b) bens utilizados como insumo na prestação de serviços; c) serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; d) serviços utilizados como insumo na prestação de serviços. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 16 Neste ponto, muito controvérsia se estabeleceu no contencioso administrativo e judicial em relação, por enquanto, à situação relacionada à utilização de bens como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a). O nascedouro das discordâncias repousa principalmente na interpretação dada pela Receita Federal a esse dispositivo especialmente ao item a acima indicado através das Instruções Normativas nºs 247, de 2002, e 404, de 2004. Vejamos, e.g., o primeiro desses normativos: IN SRF Nº 247/02 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” A interpretação dada pela Receita Federal ao conceito de insumo, no caso de bens assim utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adotou conceito ínsito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – tributo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 203 17 que apresenta contornos normativos – materialidade – distinta da Contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, como já visto, a legislação da Contribuição para o PIS e da COFINS têm como referencial de incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente – a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional. Já a legislação do IPI adota como referencial, não a receita, e sim o produto, ao estabelecer como fato gerador a sua saída de estabelecimento industrial (ou equiparado) e como base de cálculo o valor dessa operação. Portanto, enquanto o IPI grava uma operação de industrialização, as referidas contribuições incidem sobre as receitas auferidas pelo sujeito passivo. E não por outro motivo, tais exações apresentam modelos distintos de apuração e apropriação de créditos (regime de débito e crédito no caso do IPI, e o método indireto subtrativo no caso das presentes contribuições). Dessa forma, a interpretação adotada pela Receita Federal acaba por restringir o conceito de insumo, no caso de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a), a apenas uma parcela dos custos de bens utilizados no processo produtivo da empresa os que sofram industrialização (as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem). O escopo da lei, sem dúvidas, é mais abrangente. Não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. As Instruções Normativas em debate trouxeram, portanto, neste específico ponto, restrição ao creditamento de custos de produção não amparada em lei. Ademais, as referidas Instruções Normativas ao preverem o creditamento relativo a bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (item b) dão ensancha à tomada de créditos em uma base maior do que a restringida na primeira hipótese (item a). Da mesma forma, a previsão de creditamento relativo a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (item c) acaba por permitir, em consonância com a base legal, o crédito de custos de produção relativos a serviços que, potencialmente, podem utilizarse de insumos que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação – industrialização. Assim, referidos normativos deveriam ter adotado para essa primeira hipótese de creditamento de insumos, a mesma técnica redacional utilizada para as outras três hipóteses: a previsão de creditamento relativo aos bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos. Dessa forma, atento à dicção legal que expressamente remete à utilização do insumo na produção ou fabricação de bens, entendo que devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 18 não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva8. Noutro giro, a par de conferir à legislação ordinária uma interpretação mais ampla que a dada pelos normativos da Receita Federal (fulcrada na legislação do IPI), também afasto a idéia, a meu ver, data máxima vênia, demasiadamente elástica e sem base legal, de se conferir ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Com efeito, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa9. Se assim tivesse querido o legislador, teria se utilizado de redação outra e.g., custos e despesas necessários a manutenção da atividade empresarial. Ainda, tanto é verdade que o conceito de insumo utilizado pelo artigo 3º, II das Leis em estudo não se confunde com o de despesa previsto na legislação do imposto de renda que, acaso assim o fosse e o dispositivo em testilha tivesse tão larga amplitude, restaria desnecessária a remissão expressa às despesas outras previstas nos demais incisos desse mesmo artigo (aluguéis, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica e outras). Com efeito, se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas previstas na legislação do IR, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Nessa trilha, no Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.246.317 (ainda em curso), o Ministro Relator apresentou voto – já acompanhado por outros dois Ministros de um total de cinco entendendo que o conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva, e também não corresponde exatamente aos conceitos de ‘Custos e Despesas Operacionais’ utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos10. Na mesma toada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento dos processos fiscais nºs 13053.000112/200515 e 13053.000211/200672, em 09 de novembro de 2011, também afastou a aplicação da legislação do IPI e do IRPJ na conceituação de insumo previsto na legislação das contribuições em análise. 8 Assim, podem ser considerados insumos, por exemplo, as partes, peças de reposição e serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos industriais utilizados no processo produtivo da empresa quando possuírem tempo de vida útil inferior a 1 (um) ano (Acórdão 3102.01.143) caso contrário, devem integrar o ativo imobilizado sujeitandose à depreciação e também o frete e seguro na aquisição de insumos por integrarem o custo dos mesmos. 9 Assim, , em termos gerais, por não serem utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, não são considerados insumos nos termos da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa – art. 3º, II das Leis em estudo, exempli gratia, despesas administrativas, serviços de almoxarifado, propaganda e publicidade, despesas com viagens, custos com programa de formação profissional, despesas com assessoria, consultoria e planejamento (Acórdão 330200.175), serviços de limpeza – a depender do tipo de atividade empresarial, combustíveis para veículos não utilizados diretamente no processo produtivo (Acórdão 310201.143), despesas de comercialização e cobrança (Acórdão 340200.259). 10 No caso, se pleiteia o direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS advindos da aquisição de materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização aplicados no ambiente produtivo de empresa que tem objeto relacionado à indústria alimentícia. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10380.723552/201004 Acórdão n.º 3802001.424 S3TE02 Fl. 204 19 Dessa forma, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que – no caso dos bens – não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Contribuição para o PIS e COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias. No caso presente, deseja a recorrente ver reconhecido direito creditório relativo a contribuição para o PIS relativamente a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior. De início, diante do sentido próprio a ser conferido ao conceito de insumo previsto pela legislação da contribuição para o PIS e da COFINS (art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003), extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, tenho que referidas despesas não se enquadram no referido conceito. Com efeito, as despesas com embalagens, no caso presente, foram feitas para utilização, não no processo produtivo da empresa, mas em etapa posterior à produção do bem, relacionada ao transporte inerente à fase de comercialização do produto. Dessa forma, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Portanto, não há previsão legal que admita as despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias para fins de creditamento da contribuição para o PIS e da COFINS uma vez que as mesmas não são aplicadas diretamente durante o processo de industrialização, tratandose, na verdade, de despesas agregadas em momento posterior à conclusão do processo produtivo, razão pela qual não se qualificam como insumo. Assim, pelo exposto, voto pelo integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 01/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13857.000499/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 10/12/2008 a 31/12/2008
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, a mão-de-obra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
ENQUADRAMENTO
O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento.
O enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra.
Para fins de enquadramento deve ser considerada cada edificação como uma unidade autônoma.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 10/12/2008 a 31/12/2008 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, a mão-de-obra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. ENQUADRAMENTO O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. O enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra. Para fins de enquadramento deve ser considerada cada edificação como uma unidade autônoma. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 127 1 126 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13857.000499/200972 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.214 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria Construção Civil: Arbitramento de Contribuições Recorrente ALCIONE GONÇALVES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 10/12/2008 a 31/12/2008 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, a mãodeobra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. ENQUADRAMENTO O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. O enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra. Para fins de enquadramento deve ser considerada cada edificação como uma unidade autônoma. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 04 99 /2 00 9- 72 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13857.000499/200972 Acórdão n.º 2302002.214 S2C3T2 Fl. 128 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 15/09/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 21/09/2009, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados que prestaram serviço em obra de construção civil de sua propriedade, apuradas através de ARO – Aviso de Regularização de Obra, obtido com informações prestadas pelo contribuinte na DISO – Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil, na competência 12/2008. Após a apresentação da defesa, Resolução de fls.73/74, baixou o processo em diligência para pronunciamento acerca do enquadramento da classificação da obra e para retificar o período decadente, frente a aplicação da Súmula n.º 08, do STF. Informação Fiscal de fls. 77/78, diz que foi procedido ao reenquadramento da obra, frente à constatação da presença de pilares e excluído o período decadente de 01/2003 a 12/2003, 07/2004 e 08/2004. Acórdão de fls. 93/101, julgou o lançamento procedente em parte, frente a reemissão do ARO e a exclusão do período decadente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, requerendo a convalidação de todos os elementos expostos na peça de defesa e argüindo em síntese: a) que vários valores recolhidos não foram considerados no AI, juntando planilha e dizendo que com estes recolhimentos e o reenquadramento da obra como galpão, o crédito está praticamente extinto; b) que a obra é um depósito fechado, uma particularidade do gênero “galpão”, o que é comprovado por laudo de engenheiro que foi ignorado pela decisão recorrida; c) que a obra foi construída com o fim específico de ser um depósito fechado de supermercado; d) que o imóvel não tem as destinações dos incisos I, II e III do artigo 437, da IN 03/2005; e) que o artigo 436, da citada IN diz que o enquadramento será feito conforme a destinação do imóvel e, no caso, a destinação é um depósito fechado, ou seja galpão; f) que a lei não veda que o galpão faça parte da edificação. Requer o provimento do recurso, a reforma da decisão, o cancelamento dos autos de infração e o arquivamento deste processo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13857.000499/200972 Acórdão n.º 2302002.214 S2C3T2 Fl. 129 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. O lançamento referese às contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil de propriedade da recorrente e foi apurada através de ARO – Aviso de Regularização de Obra, conforme as informações prestadas pela própria recorrente na DISO de fls.20/27, onde todos os recolhimentos efetuados e informados pelo contribuinte foram aproveitados para quitar a metragem da obra. A argüição da recorrente de que vários valores recolhidos não foram aproveitados não se sustenta, porque desprovida de qualquer prova. Não há qualquer apontamento ou indicação, por parte da recorrente, de qual valor recolhido não foi apropriado para a obra de construção civil aqui tratada. A simples alegação não tem o condão de ilidir ou retificar o lançamento. Quanto ao mérito do levantamento, as contribuições previdenciárias incidentes sobre mão de obra empregada na construção civil são devidas por expressa determinação legal. O crédito foi lançado de acordo com o que prescreve o parágrafo 4º, do artigo 33, da Lei n.º 8.212/91: §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo de mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Cabe ao fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável, procedimentos que foram adotados corretamente pela autoridade fiscal, conforme comprova o relatório fiscal e posteriormente a informação fiscal, que retificou a classificação da obra e excluiu o período alcançado pela fluência do prazo decadencial. Entretanto, o contribuinte se mostra inconformado com a não aceitação do enquadramento da obra como galpão, pois informa, veementemente, que a destinação de uma parte da obra é para depósito fechado de supermercado. Ocorre que de acordo com a Instrução Normativa n.º 03/2005, art.436, o enquadramento de uma edificação é realizado de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra e o enquadramento será único por projeto, que será Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 considerado integralmente não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento: Art. 436. O enquadramento da obra de construção civil, em se tratando de edificação, será realizado de ofício, de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra, e tem por finalidade definir o CUB aplicável à obra e o procedimento de cálculo a ser adotado. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 24, de 30/03/2007) § 1º O enquadramento será único por projeto, ressalvado o disposto no § 3º do art. 437 e no § 3º deste artigo. § 2º O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento. § 3º No caso de fracionamento do projeto conforme disposto nos § § 1º e 2º do art. 25, o enquadramento deverá ser efetuado em relação a cada bloco, a cada casa geminada ou a cada unidade residencial que tenha matrícula própria. § 4º As áreas comuns do conjunto habitacional horizontal serão enquadradas em um único projeto, ainda que nele constem edificações independentes entre si. Art. 437 (...) § 3º Caso haja, no mesmo projeto, construções com as características mencionadas nas tabelas previstas nos incisos I, II ou III e construções com as características das tabelas previstas nos incisos IV ou V, todos do caput, deverão ser feitos enquadramentos distintos na respectiva tabela, sendo que as obras referidas nas tabelas dos incisos IV ou V serão consideradas, para efeito de cálculo, como acréscimo das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III, observado o disposto no §1° deste artigo e no art. 461. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 24, de 30/03/2007) No caso em questão, a área que a recorrente quer que seja designada como galpão não compõe uma unidade autônoma, ela está inserida no corpo da edificação que foi enquadrada como PROJETO COMERCIAL SALAS E LOJAS. A permissão contida no §3º do artigo 437, da IN N.º 03/2005, pressupõe a existência de uma edificação separada, autônoma, e não como no caso da presente obra, onde o depósito faz parte da área edificada do supermercado, apenas tendo a destinação de depósito de mercadorias, como diz a recorrente. Ademais, o Habitese de fls. 54, não faz qualquer menção à edificação GALPÃO e a recorrente não trouxe qualquer prova da existência de uma edificação autônoma destinada a depósito, que pudesse ser enquadrada como galpão. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13857.000499/200972 Acórdão n.º 2302002.214 S2C3T2 Fl. 130 7 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001842/2010-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE.
O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador, a seus empregados, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Não existe diferença entre a alimentação in natura e o fornecimento de vale-alimentação, o qual somente pode ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios.
Numero da decisão: 2403-001.307
Decisão: Recurso Voluntário provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Jhonatas Ribeiro da Silva
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE. O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador, a seus empregados, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Não existe diferença entre a alimentação in natura e o fornecimento de vale-alimentação, o qual somente pode ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios.
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decisao_txt : Recurso Voluntário provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Jhonatas Ribeiro da Silva Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT. DESNECESSIDADE. O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador, a seus empregados, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, ainda que o empregador não esteja inscrito no PAT. Não existe diferença entre a alimentação in natura e o fornecimento de valealimentação, o qual somente pode ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios. Recurso Voluntário provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 42 /2 01 0- 01 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Jhonatas Ribeiro da Silva Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente), PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, IVACIR JULIO DE SOUZA, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS, JHONATAS RIBEIRO DA SILVA, MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Fl. 395DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001842/201001 Acórdão n.º 2403001.307 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de janeiro I, Acórdão 1237.865 da 12ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.258.4357) relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, do período de 01/2006 a 12/2007. 2. Consta do "Relatório Fiscal do Auto de Infração" (fls. 54/60) o seguinte: 2.1. Da matriz 2.1.1. Os fatos geradores apurados na matriz foram as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de alimentação, através do fornecimento de "TiCKET'S ALIMENTAÇÃO"; 2.1.2. Após ser intimada, a empresa informou que fornece alimentação aos seus funcionários na forma de ticket alimentação, para uso mensal, em atendimento às convenções coletivas de trabalho; 2.1.3. Os valores pagos foram obtidos através dos controles de recebimento dos tickets pelos empregados (fls. 113/163) e das notas fiscais de fornecedores, todos fornecidos pela empresa, consoante detalhado na planilha de fls. 61/86 (ANEXO I); 2.2. Das filiais 2.2.1. No caso das filiais, em que a empresa informou não possuir controle de entrega dos tickets, as importâncias dispendidas com a alimentação dos empregados foram apuradas através das notas fiscais de fornecedores (fls. 164/277) e da conta "Alimentação" do livro contábil Razão Analítico, conforme detalhado na planilha de fls. 87/91 (ANEXO II); 2.3. Foi constatado através do exame das folhas de pagamentos que os empregados não participam do custo do auxilio alimentação; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 2.4. A empresa não se encontrava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT no período objeto do débito; 2.5. 0 valor total das multas devidas A época dos fatos geradores, fundadas no art. 35, II, da Lei 8.212/91 (multa moratória de 24%) e no art. 32, IV e § 50 (multa punitiva de 100% da contribuição omitida em GFIP), foi comparado com a penalidade prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 11.941/09 (multa de oficio de 75%, prevista no art. 44 da Lei 9.430/96), em cada competência, para efeitos de aplicação da mais benéfica ao infrator, consoante exigência do art. 106, II, "c", do CTN. Do cotejo das penalidades concluiuse pela aplicação da legislação atual para todo o período do débito, consoante demonstrado na planilha de fls. 59. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que não incide tributação sobre parcelas indenizatórias, especialmente sobre o auxílio alimentação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento tem por base de cálculo os valores correspondentes aos tíckets alimentação distribuídos aos funcionários. Para o auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001842/201001 Acórdão n.º 2403001.307 S2C4T3 Fl. 4 5 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento é legal e correto. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 398DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Vencedor Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva, Redator Designado: Com a devida vênia, divirjo do entendimento do relator no que diz respeito à incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de auxilio alimentação, pelas razões que passo a expor. Inicialmente, esclareço que adoto o relatório do relator. A autuação em tela decorreu do fato de o recorrente fornecer a seus empregados alimentação in natura e de valealimentação sem estar inscrito Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Consoante depreendese da alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, a parcela “in natura” recebida de acordo com o programa de alimentação de que trata a Lei 6.321, de 14 de abril de 1976, não integra o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária. Apesar do posicionamento inicial da administração de que o fornecimento de alimentação somente estaria fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, se viesse acompanhado da inscrição junto ao PAT, após reiterada jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, ela curvouse ao entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação. É o que se vê do Ato Declaratório PGFN 3, de 2011. No caso concreto, entendemos que o fato de o alimento ser fornecido sob a forma de valealimentação ou de alimentação in natura não desvirtua a sua natureza de alimento. Isso porque os valesalimentação são simples documentos de legitimação, cuja utilização destinase, com exclusividade, à aquisição de gêneros alimentícios, não podendo lhes ser dada outra destinação. Com isso, na prática, o fornecimento de valealimentação é simplesmente uma forma alternativa de fornecer o alimento in natura, tendo, como único diferencial em relação a este, o fato de permitir que o trabalhador escolha o tipo de alimento que pretende consumir. Mas esse simples fato, por si só, não retira a sua natureza indenizatória. Nesse sentido, tanto a parcela correspondente ao fornecimento de alimentação in natura, como o valor do valealimentação não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária, motivo pelo qual, não há, por parte do empregador, qualquer infração à legislação previdenciária. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001842/201001 Acórdão n.º 2403001.307 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Diante do exposto, nessa ordem de razões, conheço do recurso e doulhe provimento parcial para afastar a incidência da contribuição sobre as parcelas pagas a título de vale alimentação e de alimentação in natura, nos termos do voto. Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13502.900573/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. IDENTIFICAÇÃO COM O PROCESSO PRODUTIVO.
Na legislação que trata do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos não existe um comando para que, para a identificação do que seja insumo capaz de gerar créditos, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como se deu em relação ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363, de 14 de dezembro de 1996. Desta forma, o conceito legal de insumos e que está contido no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, e no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, não está restrito às matérias-primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não incluídos no ativo imobilizado, mas, sim, se estende, além desses, àqueles itens capazes de serem perfeitamente identificados com o processo produtivo da empresa.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. IDENTIFICAÇÃO COM O PROCESSO PRODUTIVO.
De se manter a glosa de créditos da não-cumulatividade da Cofins originados da aquisição de gás natural, pela falta de comprovação e quantificação daquilo que foi empregado no processo produtivo. Não podem ser aceitas estimativas feitas em períodos de apuração posteriores àquele em que se apurou o crédito pleiteado.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COFINS-IMPORTAÇÃO. CRÉDITO RELACIONADO TAMBÉM ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A Cofins-importação, paga nos termos do art. 1º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, pode ser relacionada às receitas de exportação para fins de apuração do montante do crédito a ser ressarcido a título de Cofins-exportação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário na parte em que caracterizada a concomitância de objeto e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial. Ausente justificadamente a Conselheira Fábia Regina Freitas.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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(sucessora por incorporação da Monsanto do Nordeste Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 LIMITE TEMPORAL PARA ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Os prazos de decadência fixados pelos artigos 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional, não se prestam para a regular o tempo de que dispõe a administração tributária para conferir as apurações de créditos do PIS/Pasep e da Cofins em pedidos de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. IDENTIFICAÇÃO COM O PROCESSO PRODUTIVO. Na legislação que trata do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos não existe um comando para que, para a identificação do que seja insumo capaz de gerar créditos, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como se deu em relação ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363, de 14 de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 05 73 /2 01 0- 14 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 dezembro de 1996. Desta forma, o conceito legal de insumos e que está contido no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, e no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, não está restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não incluídos no ativo imobilizado, mas, sim, se estende, além desses, àqueles itens capazes de serem perfeitamente identificados com o processo produtivo da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. IDENTIFICAÇÃO COM O PROCESSO PRODUTIVO. De se manter a glosa de créditos da nãocumulatividade da Cofins originados da aquisição de gás natural, pela falta de comprovação e quantificação daquilo que foi empregado no processo produtivo. Não podem ser aceitas estimativas feitas em períodos de apuração posteriores àquele em que se apurou o crédito pleiteado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COFINS IMPORTAÇÃO. CRÉDITO RELACIONADO TAMBÉM ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. A Cofinsimportação, paga nos termos do art. 1º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, pode ser relacionada às receitas de exportação para fins de apuração do montante do crédito a ser ressarcido a título de Cofins exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário na parte em que caracterizada a concomitância de objeto e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial. Ausente justificadamente a Conselheira Fábia Regina Freitas. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 963 3 Relatório O Recurso Voluntário se insurge contra o Acórdão prolatado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA, na parte em que lhe foi desfavorável quando da apreciação de sua Manifestação de Inconformidade apresentada em face das glosas parciais efetuadas pela DRF em Camaçari – BA em relação ao seu Pedido eletrônico de ressarcimento de créditos da Cofins – Exportação (§ 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, regime da nãocumulatividade) do 4º trimestre de 2005, cuja entrega fora formalizada em 5/7/2010. Preliminarmente, a Recorrente requereu a este colegiado que, a título de cautela, fosse aguardado o desfecho definitivo na esfera judicial da ação anulatória de débitos que propusera em 26/5/20111 em face da inscrição em Dívida Ativa da União dos débitos cuja compensação não fora homologada por conta do deferimento apenas parcial do pedido de ressarcimento de créditos da Cofins constante em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 13502.900572/201061. Argumentou que naquele referido processo a fiscalização não reconhecera no mesmo montante em que indicado em seu Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) os créditos da Cofins relativos ao 3º trimestre de 2005, tanto os relacionados às operações no mercado interno, quanto às do mercado externo, o que refletiu de forma direta no pedido de ressarcimento dos créditos da Cofins do 4º trimestre de 2005, objeto do presente processo, porquanto na apuração dos saldos finais disponíveis para ressarcimento, considerou se como saldo inicial de períodos anteriores justamente aqueles saldos finais do 3º trimestre, objeto da glosa. Dito de outra forma, defende a Recorrente que, primeiro seja definida na esfera judicial a sorte do crédito do 3º trimestre de 2005, para, somente após, se leve adiante o presente julgamento, considerandoo, ou não, na formação do saldo credor do 4º trimestre de 2005. A Recorrente juntou cópia da sua petição inicial na referida Ação Condenatória e Anulatória de Débitos, de 26/5/2011, na qual se observa que o seu objeto é o reconhecimento dos créditos do PIS/Pasep e da Cofins apurados pelo regime da não cumulatividade no 4º trimestre de 2004 e nos 1º e 3º trimestres de 2005, mediante o afastamento do entendimento bastante restrito então manifestado pela autoridade fazendária quanto ao conceito de insumos. Outra preliminar suscitada pela Recorrente no presente Recurso Voluntário versa sobre a alegada nulidade do acórdão da DRJ, sob o argumento de que sua defesa fora cerceada na medida em que negado o pedido de diligência para que se confirmasse a validade dos créditos aproveitados em função da utilização no seu processo produtivo da água desmineralizada, da água clarificada, e do ar comprimido. 1 Processo judicial nº 19880.21.2011.4.01.3300. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Também viu a recorrente motivo para suscitar a nulidade do acórdão ora vergastado por entender que a instância de piso não teria enfrentado a todas as questões colocadas em discussão, limitandose apenas a alegar que não poderia enfrentar temas ligados a uma suposta inconstitucionalidade da IN SRF nº 404, de 2004, bem como por vislumbrar a caracterização de uma decisão extra petita. Adentrando nas questões de mérito, a Recorrente suscitou a decadência do direito da autoridade administrativa verificar a sua atividade de apuração dos créditos da Cofins – Exportação do 4º trimestre de 2005, o que se deu em 22/2/2011, após terem transcorridos mais de cinco anos. No caso, invocou a aplicação da regra contida no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional e rechaçou, por outro lado, a aplicação da regra contida no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata das homologações tácitas das compensações. Prosseguindo, passou a defender um conceito de insumos mais amplo que aquele pugnado pela autoridade fiscal, de modo a se levar em conta todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou na prestação de serviços e não apenas aqueles cujo desgaste decorra do contato direto com o bem produzido. Nessa linha, mediante explicação de seu processo produtivo e a transcrição de trechos doutrinários e de decisões do Carf, defendeu o creditamento da Cofins sobre as aquisições de nitrogênio, do vapor d’água à alta e à baixa pressão, da água desmineralizada, da água clarificada, do gás natural, e do ar comprimido. Em seguida, passou a defender o aproveitamento nesse seu pedido de ressarcimento de créditos da Cofins – Exportação, dos créditos da Cofins originados nas importações, na proporção de suas receitas de exportação, valendose, para tanto, de instruções do manual de preenchimento do Dacon, ficha 16A, e socorrendose dos incisos I e II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. Alternativamente ao pedido de perícia que formulou em relação à aplicação de alguns insumos no seu processo produtivo, insistiu na realização da diligência que lhe fora negada pela instância de piso No essencial, é o Relatório. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 964 5 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 09/04/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 09/05/2012, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Delimitação da lide A questão de fundo desse julgamento envolve uma glosa parcial no montante dos créditos indicados pela Recorrente em seu Dacon do 4º trimestre de 2005, por conta do entendimento restrito da administração tributária quanto ao conceito de insumo de que trata o inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Outros temas não menos relevantes suscitados pela Recorrente referemse ao seu pedido para que a esse julgamento aguarde o desfecho de uma ação ordinária condenatória e anulatória de débitos que interpôs em maio de 2011, cujos efeitos, argumenta, se refletirão no presente processo [em discussão na referida ação as glosas efetuadas pelo Fisco noutro processo administrativo envolvendo créditos da Cofinsexportação do 3º trimestre de 2005]; à nulidade do acórdão da DRJ [não apreciação de todas as argumentações postas na manifestação de inconformidade e decisão extra petita]; à ocorrência da decadência do direito da Fazenda proceder à verificação de seus créditos após terem transcorridos mais de cinco anos; e aos pedidos de diligência e/ou de perícia. Ação judicial em curso – reflexos neste processo – concomitância parcial Na reconstituição da ficha 17B do Dacon feita pela fiscalização observase, na fl. 384, que a linha “13. Saldo de créditos do mês anterior mercado interno”, passou a constar R$ 452.731,06, em vez dos R$ 592.082,72, originalmente indicados pela interessa conforme fl. 9, e, na fl. 385, que a linha “14. Saldo de créditos do mês anterior – mercado externo”, passou a constar zero, em vez dos R$ 9.160.183,64, originalmente indicados pela interessada conforme fl. 9. A justificativa apresentada pela fiscalização para tais modificações de oficio constaria de outro relatório fiscal, parte de outro processo, qual seja, o já citado alhures de nº 13502.900572/201061, que trata da análise de créditos da Cofins do 3º trimestre de 2005. Quanto ao desfecho desse processo nº 13502.900572/201061 na esfera administrativa, é a própria Recorrente que informa: [...] durante o julgamento da Manifestação de Inconformidade relativa a este processo, a impugnação apresentada em face da glosa de créditos da Cofins do 3o trimestre de 2005 foi julgada intempestiva. Diante desse fato, a Recorrente propôs ação anulatória (doc 7), bem como efetuou depósito integral dos valores objeto de discussão, conforme discriminação de guias na ação ordinária em anexo (doc.8). Fl. 966DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Essa é a razão pela qual a Recorrente postula que, “por cautela”, se aguarde o desfecho, na esfera judicial, dos pedidos que formulou junto ao poder judiciário por meio de ação ordinária condenatória de anulatória de débitos. Para que se tenha a noção exata dos termos em que a Recorrente encaminhou sua postulação junto ao Poder Judiciário por meio da referida Ação Ordinária, reproduzo a imagem colhida do arquivo “pdf” acostado aos presentes autos relativo ao seu item “IV. CONCLUSÕES E OS PEDIDOS” (fls. 616/665.pdf): Fl. 967DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 965 7 Fl. 968DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Fl. 969DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 966 9 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 967 11 Com base nessas informações, concluo que, não obstante a ação judicial esteja postulando o afastamento daquele entendimento da administração tributária quanto ao conceito de insumos para fins de creditamento da Cofins sob o regime da nãocumulatividade, resta claro que o pedido foi restrito às apurações dos créditos do 4º trimestre de 2004 e dos 1º e 3º trimestre de 2005, o que afastaria a caracterização da concomitância de objeto, já que no presente caso lidamos com a apuração de créditos do 4º trimestre de 2005. De outra parte, não se pode desconsiderar que, na hipótese do resultado da referida ação ordinária ser favorável aos interesses do contribuinte, aquelas glosas efetuadas nos créditos do 3º trimestre, ao menos a que se refere aos créditos da Cofins no mercado interno, refletirão diretamente no montante do saldo de crédito disponível apurado ao final do 4º trimestre, objeto deste processo. E, nesse ponto, resta caracterizada a concomitância de objeto, o que nos impede de conhecer a parte do Recurso Voluntário que “contesta” a utilização dos saldos iniciais (relativos ao 3º trimestre de 2005) na apuração do saldo final do 4º trimestre de 2005, a teor do enunciado da Súmula Carf nº 1, consolidada no Anexo III da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, segundo o qual "importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo". Fl. 972DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Isso implica em que, de forma indireta, seja atendido parcialmente o pleito da Recorrente, no sentido de que a execução desse julgado na esfera administrativa aguarde o desfecho da mencionada ação ordinária condenatória e anulatória de débitos, porquanto, repita se, a utilização dos saldos iniciais do 3º trimestre de 2005 interfere diretamente na apuração dos saldos credores finais do 4º trimestre de 2005. Voto, pois, pela caracterização da concomitância de objeto apenas em relação à discussão que envolve os saldos iniciais das linhas “9” e “14”, da “Ficha 17B”, do Dacon, que se referem, respectivamente, aos saldos iniciais dos créditos do mercado interno e do mercado externo. Nulidade do acórdão da DRJ Todos os argumentos lançados pela Recorrente para a caracterização da nulidade do acórdão da DRJ estão relacionados à discussão neste processo sobre o conceito de insumos em face dos créditos glosados. Não obstante não concorde com nenhum desses argumentos da Recorrente, no que se refere à suposta nulidade do acórdão, não os enfrentarei em face da regra constante do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que estabelece: Art. 59. [...] [...] § 3º. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fica evidente, desde já, o meu alinhamento à tese defendida pela Recorrente quanto ao conceito de insumos, cujos argumentos, porém, serão lançados em tópico específico, mais adiante. Inexistência de prazo para o Fisco conferir os créditos da não cumulatividade A Recorrente entende que não poderia a administração tributária ter conferido seus créditos da Cofins do 4º trimestre de 2005 após terem transcorridos os cinco anos de que trata o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, aqui ressaltando que o pedido fora entregue em 5/7/2010 e que a ciência do Despacho Decisório da DRF se deu em 22/02/2011. Quanto ao fato de não ter levado essa discussão à instância de primeiro grau, ponderou que o relator do acórdão da DRJ deveria ter reconhecido a decadência de oficio. Argumenta que, sendo a Cofins um tributo que está sujeito ao lançamento por homologação, pode ocorrer, como no presente caso, em que, em vez de se apurar valores a serem recolhidos, exsurjam, do confronto entre débitos e créditos, um saldo credor em favor do contribuinte, o que caracterizaria também o lançamento por homologação. Transcrevendo o caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, depreende o entendimento de que “[...] o que se homologa é a atividade exercida pelo contribuinte, ou seja, é toda a apuração prévia realizada e declarada por ele, [...]”, e não necessariamente o pagamento realizado. Nessa linha, transcreveu ementas de acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes publicados entre 1999 e 2008. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 968 13 Preventivamente, defendeu a inaplicabilidade ao presente caso da regra constante do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece em cinco anos, contados da entrega da declaração de compensação, o prazo para que as compensações sejam homologadas pela autoridade administrativa, sob pena de serem homologadas tacitamente. Nesse caso, entende que a Lei nº 9.430, de 1996, uma lei ordinária, não poderia estabelecer prazo decadencial em face da norma já existente no CTN. Transcreveu acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes na linha de seu entendimento. Salvo engano, é a primeira vez que essa matéria – existência de prazo para que o Fisco analise os créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins é submetida ao crivo desta Turma. Tratamos de caso semelhante durante a sessão de 26/01/2012, porém, relacionado à verificação de créditos do IPI, cuja legislação possui nuanças, especialmente em relação à decadência, que a diferencia da legislação do PIS/Pasep e da Cofins, ainda mais quando se trata do regime da nãocumulatividade. Vejase a ementa do Acórdão nº 3401 01.681, proferido naquela sessão, de minha relatoria: [...] PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. LIMITE TEMPORAL PARA O NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. APLICABILIDADE DOS PRAZOS DECADENCIAIS PREVISTOS NO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. Não obstante admitase que o saldo credor de IPI, a teor das específicas regras contidas no Regulamento do IPI, pode ser considerado como uma forma de pagamento antecipado para fins de caracterização da homologação tácita, não é de se aplicar qualquer limite temporal à análise do Fisco quanto à sua formação, mormente se postulado em pedido de ressarcimento para utilização em procedimento de compensação de débitos. A observância do prazo decadencial deve estar voltada para a constituição de crédito tributário e não para os casos, como este, em que a desconsideração do saldo credor não implicou no exsurgimento de saldo devedor. [...] Naquele julgamento, que, ressaltese, tratou de ressarcimento de créditos de IPI, esta Turma, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira e Ribeiro, acompanhou o meu entendimento de que a regra do § 4º do art. 150 do CTN valeria apenas para os casos de constituição de crédito tributário em desfavor do contribuinte e não para os casos de “crédito” do contribuinte em relação ao Fisco. A questão suscitada pela Recorrente é bastante complexa e sua análise deve levar em conta algumas premissas, as quais, da mesma forma, encerram controvérsias de toda ordem. A primeira delas é estabelecerse o que se entende por “homologação tácita”, neste caso, tendose em conta a Cofins. Com a devida vênia e admitindo a existência de opiniões divergentes, tais como a da ora Recorrente, e até mesmo nesta Turma, além de não menos respeitáveis doutrinadores, tais como Eurico Marcos Diniz de Santis, segundo o qual “Não há de se falar de Fl. 974DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 homologação de pagamento, pois, basta estar o crédito regularmente declarado para que se dê a homologação”2, considero que o que se homologa não é a atividade do contribuinte, mas, sim, aquele pagamento antecipado que efetuou. Em outras palavras, se não se efetuou pagamento algum, não há o que ser homologado. Explico, a partir da transcrição do caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. (grifei) Para mim, a "atividade assim exercida pelo obrigado" a que se refere a parte final do caput do art. 150 do Código Tributário Nacional não é outra senão a de antecipar o pagamento "sem prévio exame da autoridade administrativa". Em outras palavras, o que a autoridade administrativa expressamente homologa (verifica a sua existência e confere o seu montante) é o pagamento antecipado e não a simples atividade do sujeito passivo que, inclusive, pode consistir em nada pagar ou a de ficar inerte em face de suas obrigações para com a Fazenda. Tanto o referido enunciado está se referindo a “pagamento”, e não simplesmente à “atividade” do contribuinte, que, em seu parágrafo 1º, consta: “§ 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Assim, tendo o contribuinte recolhido/pago, qualquer importância diferente de zero terá antecipado o pagamento do tributo no montante por ele próprio apurado, o qual ficará, desde então, à disposição do Fisco para ser homologado, ou não, no prazo de cinco anos. Havendo, por outro lado, a homologação expressa dentro do prazo de cinco anos, extinta está a obrigação tributária e, em não a havendo no referido prazo, ocorre a homologação tácita e decaído está o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário decorrente de eventuais diferenças no recolhimento efetuado. Eis o pensamento de Luciano Amaro a respeito3: “E o lançamento? Este – diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em ‘homologação do pagamento’, se é isso que o Código parece ter querido dizer.” (grifei) Essa é, portanto, a leitura que faço da regra contida no referido § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, o que, inexoravelmente, me impele para que sempre adote a regra do inciso I do artigo 173 nas hipóteses em que não haja o pagamento antecipado e para 2 in Lançamento Tributário, 3ª ed.,São Paulo, Saraiva, 2010, p. 156. 3 in Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., São Paulo, Saraiva,2005, p. 364. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 969 15 fins de contagem do prazo decadencial envolvendo a constituição do crédito tributário. Claro, referindome sempre aos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Penso que tal entendimento não discrepa daquele esposado em algumas decisões do STJ em que se dá ênfase para a existência de pagamento antecipado para que algo seja homologado, a teor, por exemplo, do voto proferido pelo Ministro Castro Meira nos EDcl no REsp 947988/Al, de 02/12/200/, Dje 19/12/2008, conforme ementa abaixo transcrita: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. No lançamento por homologação, o contribuinte, ou o responsável tributário, deve realizar o pagamento antecipado do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, ficando a extinção do crédito condicionada à futura homologação expressa ou tácita pela autoridade fiscal competente. Havendo pagamento antecipado, o Fisco dispõe do prazo decadencial de cinco anos, a contar do fato gerador, para homologar o que foi pago ou lançar a diferença acaso existente (art.150, § 4º, do CTN). 2. Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, não há o que homologar, nem se pode falar em lançamento por homologação. Surge a figura do lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, cujo prazo decadencial se rege pela regra geral do art. 173, I, do CTN: cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o pagamento antecipado deveria ter sido realizado. 3. A tese segundo a qual a regra do art. 150, § 4º, do CTN deve ser aplicada cumulativamente com a do art. 173, I, do CTN, resultando em prazo decadencial de dez anos, já não encontra guarida nesta Corte. Precedentes. 4. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos.” (grifei) De qualquer modo e aproveitando o ensejo da menção do posicionamento do STJ, temse que esse Tribunal sedimentou a jurisprudência, em sede, inclusive, de Recurso Repetitivo [REsp 973.733/SC, de 12/08/2009, Dje 18/09/2009], na linha de que a existência do pagamento antecipado se reveste no fator determinante para fins de adoção da regra de contagem do prazo decadencial de que dispõe a Fazenda Pública para constituir crédito tributário mediante lançamento de oficio, ou seja, se a regra do § 4º do artigo 150, ou se a do inciso I, do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. Essas são as minhas razões, portanto, para divergir da Recorrente quanto a “o quê” se está homologando. Levandose em conta essa premissa de que havendo o pagamento antecipado, começa a fluir o prazo para a homologação do lançamento efetuado , é preciso verificar a segunda questão, qual seja, se o presente caso – que versa sobre a análise de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade – pode ser considerado também como um “lançamento já homologado”, por ter sido feita tal análise depois de transcorridos mais de cinco anos entre a data em que originados os créditos e a data em que houve a manifestação da autoridade fiscal. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Essa análise, contudo, não poderá ser feita com base no regulamento do PIS/Pasep e da Cofins, instituído pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, visto que os dispositivos nele constantes que tratam dos prazos para a guarda de livros e de documentos fiscais, bem como da decadência e da prescrição estão baseados em regras extirpadas do nosso ordenamento jurídico pelo STF, notadamente os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. Observese o texto do regulamento e, em seguida, a Súmula Vinculante 08 do STF: Regulamento do PIS/Pasep e da Cofins [...] CAPÍTULO IV GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS Art. 94. A pessoa jurídica deve manter durante o prazo de 10 (dez) anos, em boa guarda, à disposição da SRF, os livros e documentos necessários a apuração e ao recolhimento destas contribuições (Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, art. 4º, Decretolei nº 2.052, de 3 de agosto de 1983, art. 3º, e Lei nº 8.212, de 1991, art. 45). CAPÍTULO V DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO Seção I Decadência Art. 95. O prazo para a constituição de créditos do PIS/Pasep e da Cofins extinguese após 10 (dez) anos, contados (Lei nº 8.212, de 1991, art. 45): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vício formal o lançamento do crédito tributário anteriormente efetuado. Seção II Prescrição Art. 96. A ação para a cobrança de créditos das contribuições prescreve em 10 (dez) anos contados da data da sua constituição definitiva (Decretolei nº 2.052, de 1983, art. 10, e Lei nº 8.212, de 1991, art. 46). [...] (grifei) Súmula Vinculante 08: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Com esse entendimento do STF, restou sedimentado no âmbito do Carf que os prazos decadenciais são aqueles dados pelo artigo 150, § 4º, e pelo art. 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, fazendo eu a repetida ressalva de que esses dispositivos estão Fl. 977DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 970 17 afeitos apenas à constituição de crédito tributário em favor do Fisco,isto é, não se aplicam aos créditos dos contribuintes contra o Fisco. E é justamente nessa ressalva que busco apoio para defender a ação ilimitada no tempo da autoridade fiscal para poder conferir a procedência dos créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, porquanto não há qualquer dispositivo legal em sentido contrário. A figura do “ressarcimento de créditos” de alguma forma se assemelha ao pedido de “repetição de indébito”, em que o contribuinte postula o reconhecimento de um direito por conta de alegado pagamento a maior ou indevido de tributo ou contribuição. Pode se dizer que a diferença entre ambos é que neste há o ingresso de recursos nos cofres públicos, enquanto que naquele há apenas o registro fiscal e contábil dos valores postulados. Em ambos os casos estamos diante de uma situação que demanda a ação do interessado, no caso o contribuinte, ou seja, é dele o ônus de provar à autoridade tributária mediante a apresentação de documentação hábil e idônea a existência do direito postulado. Contrario sensu, é do Fisco a tarefa de buscar à exaustão elementos probatórios para imputar ao contribuinte o cometimento de uma infração tributária, exigindo lhe o correspondente tributo e a penalidade pecuniária correspondente, sob pena de ver seu procedimento invalidado por falta de motivação ou de amparo legal. Neste caso, contudo, haverá de observar a limitação temporal de cinco anos a que nos referimos alhures. Mas, em se tratando do reconhecimento da existência de créditos por parte da Fazenda, deverá o Fisco, na hipótese de encontrar o descumprimento da legislação tributária, independentemente da época em que tiver realizado sua análise, e de oficio, refazer os cálculos do contribuinte. Desta forma, entendo que a regra do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, deve ser observada para fins da constituição de crédito tributário, mas, não para inibir o direito do Fisco de proceder à verificação, e, se for o caso, a desconsideração, de um saldo credor então postulado, mormente quando referido “crédito” tenha sido indicado em procedimento de compensação de débitos. A meu ver, isso implicaria num enriquecimento sem causa por parte do contribuinte. Em face do exposto, nego provimento ao recurso quanto à decadência alegada. Insumos – processo produtivo Sob o argumento de que, para serem considerados como insumos, os bens deveriam sofrer desgaste, dano ou a perda de duas funções físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, a autoridade fiscal, valendose das regras contidas na IN SRF nº 404, de 2004, glosou os créditos da Cofins calculados sobre as aquisições de: nitrogênio; vapor d’água a alta pressão; vapor d’água a baixa pressão; água desmineralizada (na parte em que atua similarmente ao vapor d’água); água clarificada; gás natural (neste caso, também por ter uma parte – não quantificada destinada ao refeitório da empresa); ar comprimido. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Esclarecenos a Recorrente que o produto que fabrica e exporta é o Ácido N Fosfonometil iminodiaético, por ela denominado de PIA, sendo que as etapas de seu processo de fabricação, conforme reprodução da imagem das fls. 716/717, em pdf, são: Fl. 979DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 971 19 A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, estabelece em seu artigo 3º que, “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, [...]”. Eu, em julgamentos anteriores, já adotei esse mesmo posicionamento defendido pela Administração Tributária, o tendo feito para prestigiar a existência de uma Fl. 980DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 restrição expressa numa instrução normativa, mais especificamente falando, no artigo 8o da IN SRF nº 404, de 2004, para a Cofins. Porém, após algumas reflexões, mudei de opinião. A meu ver, a pretensa definição dada pela Administração do que seja “insumos” foi copiada integralmente de um dispositivo que trata dos requisitos para a fruição de créditos básicos do IPI, qual seja o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, sendo certo que na legislação que trata da Cofins não cumulativa não existe um comando para que, para a identificação do que seja insumo capaz de gerar créditos, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como se deu em relação ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363, de 14 de dezembro de 1996. Desta forma, o conceito legal de insumos e que está contido no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, e no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, não está restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não incluídos no ativo imobilizado, mas, sim, se estende, além desses, àqueles itens que são capazes de serem perfeitamente identificados com o processo produtivo da empresa. E nem deveria mesmo existir tal comando, pois, como se sabe, a incidência do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos se dá apenas sobre as receitas e por conta disso essa não cumulatividade só pode ser concretizada mediante a utilização dos créditos originados das operações ensejem a geração de receitas. “Por isso é que a legislação do IPI, que faz referência apenas aos custos relativos à industrialização de bens (insumo como matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem), não poderia abranger todos os insumos na sistemática do PIS e da COFINS. Ora, se as receitas submetidas a tais contribuições não são oriundas apenas de vendas de produtos industrializados, os conceitos encontrados no IPI não são suficientes, portanto, para abarcar todos os custos que poderiam gerar crédito” 4. Nessa mesma linha, em processo ainda em julgamento [apenas o voto do Relator, Ministro Mauro Campbell Marques, foi proferido), REsp nº 1.246.317, Segunda Turma do STJ, o referido Relator assim se pronunciou: “conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de ‘insumos’, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva.” Vêse, portanto, o descabimento da adoção das referidas instruções normativas como norte para o enquadramento no conceito de insumos. De outra parte, comungo do mesmo entendimento daqueles que não admitem que sejam utilizadas as mesas regras de “dedutibilidade” das “despesas e custos operacionais” válidas para a apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, porquanto se mostram muito elásticas visto que referido imposto incide sobre o lucro e não sobre as receitas. Em outras palavras, nem todas as aquisições de bens podem gerar créditos no regime da não cumulatividade. 4 Trabalho ainda em construção intitulado "Os insumos no regime da não cumulatividade do Pis e da Cofins", de autoria da Procuradora da Fazenda Nacional, Dra. Bruna Garcia Benevides. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 972 21 Após essas considerações, recorro à letra da lei garantidora do aproveitamento dos créditos do PIS/Pasep e da Cofins no regime da não cumulatividade, segundo a qual os créditos devem ser calculados em relação aos gastos com bens e serviços, que, de forma direta e, em alguns casos, até de forma indireta, tenham sido utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso, e em face das considerações acima, e tendo em vista ainda que o processo produtivo da Recorrente reproduzido não deixa qualquer dúvida quanto a utilização daqueles insumos objetos da glosa efetuada pela fiscalização é de se dar provimento ao recurso, exceção feita em relação aos créditos originados das aquisições do gás natural. É que nesse caso, em que a própria Recorrente admitiu a sua utilização também no refeitório, não há como permitir o seu aproveitamento, pois não se desincumbiu ela de comprovar qual montante foi destinado à produção do PIA, não podendo ser aceitas, para esse fim, estimativas realizadas com base em utilizações posteriores ao período de apuração do crédito em discussão. Além disso, também não houve a quantificação dos gastos com o gás natural destinado ao refeitório do pessoal encarregado da área de produção. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de aproveitamento dos créditos da Cofins originados das aquisições de nitrogênio; vapor d’água a alta pressão; vapor d’água a baixa pressão; água desmineralizada (na parte em que atua similarmente ao vapor d’água); água clarificada; e ar comprimido. Cofins/importação inclusão no ressarcimento da Cofins/exportação Neste tópico a divergência reside na utilização, para fins de apuração dos créditos passíveis de ressarcimento da Cofinsexportação, dos valores pagos pela Recorrente a título de Cofinsimportação. De um lado, a Recorrente defende o aproveitamento como crédito do valor pago a título de Cofinsimportação, repartindoo, ou relacionandoo às suas receitas de venda no mercado interno e às suas receitas no mercado externo, conforme o percentual de rateio utilizado para os demais créditos, o que permitiria fosse tal valor considerado na apuração dos valores a serem ressarcidos a título de Cofinsexportação. De outro, a autoridade fiscal e a DRJ, que entendem não ser possível esse rateio, de forma que referido crédito só pode ser relacionado às receitas de venda no mercado interno, o que permitiria o seu aproveitamento somente como desconto do valor a ser pago a título da Cofins. Esse entendimento do Fisco levou a uma redução no montante dos créditos da Cofinsexportação da ordem de R$ 3.555,39 e de R$ 89.425,82, respectivamente, nos meses de novembro e dezembro de 2005, consoante se vê na recomposição dos valores da linha “22. Créditos a descontar de Cofinsimportação”, da ficha 12 do Dacon, às fls. 607 pdf. Para o Fisco, o aproveitamento do crédito da Cofins paga na importação de bens deve obedecer ao disposto no caput do art. 15, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, isto é, à observância das regras contidas no artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, notadamente a do seu inciso II, que estabelece: § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 982DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 22 [...] II – aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no Pais; [...] (grifei) A DRJ, por sua vez, acrescenta que nem mesmo com a edição da referida Lei nº 10.865, de 2004, houve alteração no parágrafo 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, de sorte que o crédito correspondente à Cofins paga na importação só pode ser somado aos demais créditos relacionados às operações do mercado interno. A propósito, vejase o enunciado do referido artigo 6º: Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receitas de correntes das operações de : I – exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito na forma do artigo 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios [...]; § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. A Recorrente se defende buscando apoio no enunciado do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, segundo o qual as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, bem como no enunciado do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, segundo o qual: Art. 16 O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs. 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre no anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I – compensação com débitos próprios [...]; II – pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. [...] Por oportuno, reproduzo o teor do caput do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs. 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: Fl. 983DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 973 23 [...] A Recorrente tem razão. O regime da nãocumulatividade estabelece como regra geral que os créditos apurados tenham uma única utilização, qual seja, o de reduzirem o valor da contribuição a pagar no mês de sua apuração. Caso sobre algum valor, ou, dito de outra forma, caso os créditos superem o débito apurado, o saldo remanescente poderá ser utilizado nos meses subsequentes com a mesma finalidade, até o seu completo exaurimento. Nas situações em que a empresa, porém, por realizar operações de venda para o exterior, em que não há a incidência das contribuições, acumule créditos em montantes superiores ao valor das contribuições a pagar, o regime autoriza que os créditos relacionados às operações de exportação sejam utilizados, não só para reduzir o valor da contribuição devida nas operações no mercado interno, mas, também, na compensação de débitos próprios (tributos administrados pela Receita Federal do Brasil) e, em remanescendo saldos credores, que sejam objeto de pedido de ressarcimento em dinheiro. Essa é, portanto, a diferença básica quanto ao aproveitamento dos créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins relacionados às atividades internas e as de exportação. De outra parte, em relação à apuração dos créditos em geral, uma das condições originalmente impostas, sejam eles relacionados às vendas no mercado interno ou às exportações, foi a de que decorressem de aquisição de bens e serviços de pessoas jurídicas domiciliada no Pais. Essa condição, todavia, foi flexibilizada com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que instituiu a Cofins sobre os bens e serviços pagos de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, a chamada Cofinsimportação. Que essa Cofinsimportação é um crédito que pode ser utilizado no desconto do valor devido da Cofins no período não há qualquer dúvida, haja vista o enunciado do caput do art. 15 da referida Lei nº 10.865, de 2004. A dúvida é se, nas situações em que a empresa realiza operações de venda no mercado interno e no mercado externo (como no presente caso), referido crédito[Cofins importação] pode, a exemplo dos demais, ser rateado e associado a cada uma dessas duas operações, ou se somente pode ser relacionada às operações do mercado interno. A afirmativa da DRJ, de que o crédito da Cofinsimportação só é possível para valores calculados de acordo com o artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, de bens adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no Pais, não está coerente com o que se pretendeu quando da instituição das Leis nºs. 11.033, de 2004, e 11.116, de 2005, reproduzidas acima. Ora, a leitura conjunta dos artigos 17, da primeira, e 16, da segunda das leis citadas no parágrafo anterior está a dizer, palavras minhas, primeiro, que as vendas efetuadas sem a incidência da Cofins [dentre as quais se inserem as receitas de exportações] não impedem a manutenção pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, e, segundo, que o saldo credor da Cofins apurado, quer na forma do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, Fl. 984DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 24 quer na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, o qual, trata da Cofinsimportação, pode ser utilizado na compensação e, posteriormente, no ressarcimento. Entendo ainda que o artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004, é uma forma adicional de se apurar saldo credor, além daquela já existente e que está prevista no artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003. É o que se depreende da leitura do caput do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Além disso, entre as orientações ao contribuinte para o preenchimento do Dacon, não há qualquer restrição quanto ao rateio do valor da Cofinsimportação em duas partes: uma relacionada às receitas do mercado interno e outra às receitas do mercado externo. Na versão “2.0” do Programa Gerador de Documentos (PGD) do Dacon, utilizada para o ano de 20055, extraemse as seguintes orientações: [...] Ficha 12 – Apuração dos Créditos da Cofins – Regime NãoCumulativo (Incidência Total ou Parcial) Devem preencher esta ficha as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, que aufiram, em qualquer dos meses do período abrangido pelo Demonstrativo, receitas sujeitas, total ou parcialmente, à incidência nãocumulativa da Cofins. Atenção: [...] 4)Devem ser utilizadas as colunas Receita no Mercado Interno ou Receita de Exportação, conforme os custos, despesas, encargos e créditos estejam vinculados à prestação de serviços ou à produção ou fabricação de bens ou produtos destinados, respectivamente, ao mercado interno ou ao exterior, diretamente ou por meio de empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 5) O direito a crédito decorrente de operações de importação aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. [...] Linha 12/22 – Créditos a Descontar de Cofins Importação – Alíquota de 7,60% Informar nesta linha os créditos decorrentes da CofinsImportação calculados mediante a aplicação do percentual de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre o valor que serviu de base de cálculo da incidência da contribuição paga na importação, acrescido do valor do IPI vinculado, quando integrante do custo de aquisição, de: [...] Linha 12/26 – TOTAL DE OUTROS CRÉDITOS Esta linha é preenchida automaticamente pelo programa e corresponde à soma dos valores constantes nas Linhas 12/16 a 12/25. 5 Disponível no site www.receita.fazenda.gov.br/declarações/dacon. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13502.900573/201014 Acórdão n.º 3401002.074 S3C4T1 Fl. 974 25 [...] Por todo o exposto, dou provimento ao recurso quanto a este tópico. Conclusão Voto por não conhecer a parte do Recurso Voluntário em que caracterizada a concomitância de objeto e, na parte conhecida, por não me pronunciar quanto à nulidade do acórdão da DRJ em face da aplicação da regra contida no § 3º, do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; por afastar a decadência do direito da Fazenda revisar os créditos da nãocumulatividade depois de transcorridos cinco anos de seu nascimento; por reconhecer o direito ao creditamento dos insumos, exceção feita ao gás natural; e por dar provimento ao recurso quanto ao creditamento, dentre as receitas relacionadas à exportação, da Cofins importação. A autoridade preparadora, na execução deste Acórdão, deverá levar em conta, para fins de apuração no novo saldo credor a ser reconhecido no 4o trimestre de 2005 (em função das glosas ora revertidas) e utilizado nas compensações, o valor do saldo inicial admitido pelo despacho Decisório. A recorrente, por sua vez, juntamente com a autoridade preparadora, deverão adotar as suas respectivas providências para que a decisão judicial produza os efeitos no presente processo, o que se dará somente para o caso de a mesma ser favorável ao sujeito passivo. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 986DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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