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Numero do processo: 11128.001021/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2006
INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DECADÊNCIA.
Decadência em matéria aduaneira é contada da data da infração. No caso de multa por informação extemporânea, a infração ocorre no momento em que se esgota o prazo para prestá-la.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade quando a autuação indica de forma clara (ainda que em planilha) a ação infracional.
INFRAÇÕES ADUANEIRAS. MERA CONDUTA.
Regra geral, as infrações aduaneiras são de mera conduta (de perigo abstrato), o tipo é preenchido com a inobservância por ação ou omissão, voluntária ou involuntária de norma.
INFORMAÇÃO À DESTEMPO. PREJUÍZO.
Além de não permitir no tempo correto a fixação do tratamento da carga, a informação a destempo pode causar congestionamento de carga no pátio, ou seja, há perigo de lesão ao órgão de fiscalização e ao setor privado.
Numero da decisão: 3401-008.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação suscitada no recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar as sanções relativas aos embarques em 15 de dezembro de 2003 e 29 de janeiro de 2004.
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Joao Paulo Mendes Neto, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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DECADÊNCIA. Decadência em matéria aduaneira é contada da data da infração. No caso de multa por informação extemporânea, a infração ocorre no momento em que se esgota o prazo para prestá-la. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quando a autuação indica de forma clara (ainda que em planilha) a ação infracional. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. MERA CONDUTA. Regra geral, as infrações aduaneiras são de mera conduta (de perigo abstrato), o tipo é preenchido com a inobservância por ação ou omissão, voluntária ou involuntária de norma. INFORMAÇÃO À DESTEMPO. PREJUÍZO. Além de não permitir no tempo correto a fixação do tratamento da carga, a informação a destempo pode causar congestionamento de carga no pátio, ou seja, há perigo de lesão ao órgão de fiscalização e ao setor privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 21 /2 00 9- 79 Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-008.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.001021/2009-79 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação suscitada no recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar as sanções relativas aos embarques em 15 de dezembro de 2003 e 29 de janeiro de 2004. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Joao Paulo Mendes Neto, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). Relatório 1.1. Trata-se de auto de infração por embaraço à fiscalização e informação extemporânea sobre carga transportada. 1.2. Para tanto, descreve a autuação que “tendo em vista a Nota Audit/Diaad n ° 49 de 8 setembro de 2008, a qual apurou através de auditoria quantidade elevada de DDEs com informação dos dados de embarque no Siscomex fora do prazo legal, foi realizado levantamento no Setor de Exportação da Receita Federal do Brasil na Alfândega do Porto de Santos, que constatou haver informação fora do prazo por parte da transportadora MERCOSUL LINE NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA nos meses de maio a dezembro de 2004 em 47 embarques realizados através de 12 navios/viagem por ela representados”. 1.3. A Recorrente apresentou Impugnação em que defende: 1.3.1. Nulidade do auto de infração pois os dados da realidade que cercam a autuação devem ser veiculadas no corpo do auto e não em planilha apartada; 1.3.2. Violação da tipicidade uma vez que a multa é aplicada quando há omissão de informações e, em verdade houve apenas atraso na prestação de informações; 1.3.3. “À época dos fatos geradores vigorava a antiga redação do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, a qual estabelecia que o registro dos dados das mercadorias no Siscomex deveria ocorrer imediatamente após o embarque das mercadorias” sem contudo haver definição legal do que se deve entender por imediatamente após o embarque; 1.3.4. Afastamento da responsabilidade pela denúncia espontânea; Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-008.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.001021/2009-79 1.3.5. Inexistência de prejuízo ao Erário; 1.3.6. Afastamento da infração ante o postulado da proporcionalidade; 1.3.7. As infrações foram praticadas em concurso, logo deve ser aplicada uma penalidade por embarque e não por informação não prestada. 1.4. A DRJ Fortaleza manteve íntegra a autuação pelo seguinte: 1.4.1. “A fiscalização trouxe aos autos as informações necessárias e suficientes à perfeita compreensão dos fatos que repercutiram no lançamento, tendo verificado a ocorrência da infração; identificado o sujeito passivo; apresentado a fundamentação legal; além de ter dado ciência regular à empresa autuada do inteiro teor do Auto de Infração, assegurando-lhe o prazo legal para impugnação”; 1.4.2. “A arguição (...) [de decadência] não encontra ressonância no caso dos autos, visto que nele somente foram incluídos créditos referentes a fatos geradores ocorridos entre 05/05/2004 e 27/12/2004, descabendo falar-se em decadência”; 1.4.3. A infração de que é acusada a Recorrente “impunha, na época dos fatos, que o transportador registrasse no Sistema SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, tão logo este ocorresse, não havendo previsão de qualquer tempo de permeio entre o embarque e o cumprimento da obrigação”; 1.4.4. “No caso dos autos, a autoridade fiscal, tendo verificado que o transportador deixara de cumprir a obrigação acessória prevista no indigitado art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, considerou como praticadas as infrações tipificadas no art. 107, inciso IV, alíneas “c” e “e”, do Decreto-lei nº 37, de 1966”; 1.4.5. “Por se tratar de situação decorrente de norma que estabeleceu prazo para a prestação de informações, não se vislumbra, no procedimento referido pela impugnante, as características da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN e no art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, na redação dada pelo Decreto- lei nº 2.472, de 1º de setembro de 1988”; 1.4.6. “A obrigação acessória direcionada ao transportador, de prestar, no Sistema SISCOMEX, as informações relativas aos dados de embarque, com base nos documentos por ele emitidos, visa a atender, precipuamente, o interesse da fiscalização aduaneira, consistindo, a sua falta, em evidente prejuízo à adoção tempestiva das medidas necessárias ao controle das respectivas operações de comércio exterior, prejuízo este que configura, sim, embaraço às atividades de fiscalização aduaneira”; 1.4.6.1. “O tipo legal da infração de que se trata não inclui o dano ao Erário como elementar, tampouco depende da extensão dos efeitos do ato Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-008.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.001021/2009-79 infracional, de modo que basta, para a caracterização da infração, a comprovação da materialidade do ato”; 1.4.7. A administração pública não goza de competência para pronunciar-se sobre eventual violação do postulado Constitucional da Proporcionalidade; 1.4.8. “No caso concreto, nota-se que, apesar de ter identificado 47 ocorrências infracionais, a fiscalização aplicou a multa apenas uma única vez por veículo transportador, resultando em doze ocorrências que totalizaram os R$ 60.000,00, corretamente exigidos, portanto”. 1.5. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando apenas as teses da nulidade, da denúncia espontânea e destacando: 1.5.1. Não houve embaraço à fiscalização e sim, mero atraso na informação prestada sobre carga; Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. De plano, declaro PRECLUSAS as matérias sobre ATIPICIDADE POR FALTA DE CONCRETUDE DO TERMO e CONCURSO DE INFRAÇÕES por não repetidas em sede de Recurso Voluntário. 2.1.1. O mesmo caminho seguiria a alegação de DECADÊNCIA não fosse o fato desta ser cognoscível de ofício e alegável em qualquer tempo e grau de jurisdição. É cediço que o prazo decadencial de cinco anos para aplicação de penalidade por infração em matéria aduaneira conta-se da data desta (infração), ex vi art. 139 c.c. art. 138 do Decreto-Lei 37/66: Art.138 - O direito de exigir o tributo extingue-se em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Art.139 - No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 2.1.2. A infração imputada à Recorrente no caso em análise é deixar de informar sobre carga transportada na forma e nos prazos exigidos pelo órgão de fiscalização. O órgão de fiscalização, por meio do artigo 37 da IN SRF 28/94, dispunha que o prazo para informar os dados sobre a carga transportada era imediatamente (leia-se, na mesma data) do embarque das mercadorias. 2.1.3. O auto de infração é acompanhado por lista que descreve a data do embarque das cargas não informadas pela Recorrente; nela podemos observar que os dois primeiros embarques ocorreram em 15 de dezembro de 2003 e 29 de janeiro de 2004, mais de cinco anos, portanto, da data da intimação da autuação que ocorreu em 06 de março de 2009: Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-008.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.001021/2009-79 2.1.4. Portanto, ante a decadência devem ser afastadas as multas aplicadas relativas aos embarques acima relacionados (PONL BANTAM e MOL PRIDE). 2.2. Esta Corte editou Precedente Vinculante sobre o tema da denúncia espontânea (não obstante reserva de consciência) em sentido diametralmente oposto ao entendimento da Recorrente: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. 2.3. A Recorrente pleiteia NULIDADE da autuação POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, vez que a autuação não indica de forma clara a conduta a ela (Recorrente) imputada e cumula em um mesmo auto diversas multas. De outro lado, a DRJ afirma que o argumento de nulidade não se coaduna com o descrito no processo. 2.3.1. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são taxativas: incompetência e cerceamento do direito de defesa. A ampla defesa é composta de três fatores: possibilidade de conhecer a autuação, de contradita-la e de ter seus argumentos em consideração pela autoridade competente para prolatar a decisão. No caso, a Recorrente alega violação ao primeiro dos fatores, a possibilidade de conhecer a autuação. 2.3.2. No entanto, a acusação fiscal é clara, a Recorrente deixou de vincular conhecimentos de transporte a manifesto eletrônico no prazo descrito em planilha que acompanha a autuação. Desta forma, não há qualquer nulidade a sanar. 2.4. A Recorrente aponta ATIPICIDADE DO FATO uma vez que a fiscalização descreve que houve embaraço à fiscalização sem descrever qual e, de todo o modo, não houve PREJUÍZO com a mera informação a destempo posteriormente corrigida. De outro Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-008.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.001021/2009-79 lado, a DRJ descreve que a Lei 10.833/03 segregou o tipo único embaraço à fiscalização em vários menores e, de qualquer forma, no caso houve prejuízo às atividades da fiscalização. 2.4.1. O artigo 44 da IN SRF 28/94 (vigente à época dos fatos) determinava a aplicação da sanção descrita no artigo 107 do Decreto-Lei 37/66 em caso do descumprimento dos prazos fixados na mesma matrícula – a rigor, imediatamente após o embarque – para prestar informações sobre carga transportada. A mesma norma qualificava a sanção como embaraço à atividade de fiscalização aduaneira. Isto porque, antes da publicação da Lei 10.833/03 não existia previsão específica para multa por atraso de informações; foi a Lei 10.833/03 que incluiu a alínea ‘e’ ao artigo 107 que descreve como infração autônoma deixar de prestar informação sobre carga transportada – alínea esta citada expressamente pela autoridade autuante: 2.4.1.1. Em assim sendo, independentemente de qualquer discussão sobre embaraço, a multa em questão foi aplicada (também) por informação de carga a destempo – fato que, inquestionavelmente, ocorreu. 2.4.2. De mais a mais, ao prestar informação a destempo a Recorrente impede que a fiscalização saiba quais cargas estão na embarcação e, assim, de determinar de maneira prévia o tratamento das cargas. O caso concreto reveste-se de um adendo: em verdade a Recorrente deixou de informar conhecimento de transporte, ou seja, deixou de indicar para a fiscalização uma carga que saia do Brasil; fato que somente foi descoberto muito tempo depois – em alguns casos, mais de 100 dias depois. 2.4.3. Fora a importância da informação para a fiscalização (que justifica a sanção em abstrato), os demais players do setor privado se beneficiam da informação prestada de forma escorreita uma vez que, sem ela, certamente, as cargas ficariam nos pátios dos portos aguardando destinação, o que causaria congestionamento, incremento de custos, etc. 2.4.4. De todo o modo, regra geral, as infrações aduaneiras são de mera conduta (de perigo abstrato), o tipo é preenchido com a inobservância por ação ou omissão, voluntária ou involuntária de norma estabelecida no Decreto-Lei 37/66 (assim dispõe o artigo 94 desta matrícula). E a infração em questão não é exceção, para o preenchimento da hipótese de Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-008.654 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.001021/2009-79 incidência basta a omissão de informação no prazo e forma fixada pelo órgão de fiscalização aduaneira. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário, dando-o parcial provimento para afastar as sanções relativas aos embarques em 15 de dezembro de 2003 e 29 de janeiro de 2004. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.000093/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA.
FPAS. SAT. TERCEIROS.
São devidas contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do
RGPS, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.212/91.
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO EM GFIP. OBRIGATORIEDADE.
A compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de recolhimento a maior ou indevido de tal tributo somente produz efeitos tributários se o sujeito passivo declarar nas GFIP correspondentes o valor corrigido a compensar, efetivamente abatido em documento de arrecadação da Previdência GPS, assim como o período (competência inicial e competência final) em que foi efetuado o pagamento ou recolhimento
indevido.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATÓRIOS. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas.
MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-002.243
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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FPAS. SAT. TERCEIROS. São devidas contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do RGPS, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.212/91. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO EM GFIP. OBRIGATORIEDADE. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de recolhimento a maior ou indevido de tal tributo somente produz efeitos tributários se o sujeito passivo declarar nas GFIP correspondentes o valor corrigido a compensar, efetivamente abatido em documento de arrecadação da Previdência GPS, assim como o período (competência inicial e competência final) em que foi efetuado o pagamento ou recolhimento indevido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATORIOS. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 93 /2 00 8- 66 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2005 Data da lavratura da NFLD: 28/12/2007. Data da Ciência da NFLD: 28/12/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa acima identificada, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 48/54 e anexos. As divergências foram apuradas competência a competência, considerandose como débito da empresa as contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores declarados nas GFIP e nas folhas de pagamento, e como crédito do contribuinte, os valores Fl. 743DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 743 3 efetivamente recolhidos pelo sujeito passivo, conforme registros no sistema informatizado da Receita Federal. Informa a Autoridade Lançadora que houveramse por lançados nos resumos de Folhas de Pagamentos da empresa valores de compensação. Questionado a respeito, o contador da empresa informou que tais valores eram oriundos de processo judicial, o qual não foi apresentado à fiscalização. Pesquisa ao histórico da empresa revelou que, em fiscalizações anteriores, fezse menção ao processo 2003.61.00.0328597. Nesse cenário, como tais valores de compensação não foram declarados em GFIP, estes foram considerados como falta de recolhimento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 98/122. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 662/686, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/08/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 690. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 696/710, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que o crédito tributário lançado é improcedente; · Que a cobrança concomitante de multa e juros de mora constituise bis in idem, por possuírem a mesma natureza jurídica; · Que o percentual aplicado a título de multa de mora sobre o valor devido é totalmente absurdo, uma vez que se deixou de ser levada em consideração a natureza tributária dessa multa e seu consequente aspecto de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento; · Que o Fisco não pode utilizar a SELIC como taxa de juros moratórios para os créditos fiscais, tendo em vista que a mesma, não possui características de indenização, própria dos juros moratórios. Ao fim, requer a declaração da inexistência de relação jurídicotributária. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/08/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DA PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Logo de plano mostrase relevante iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 744 5 Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona se aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Neste comenos, digressionando superficialmente sobre os meios de prova admissíveis em direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da CF/88, concluise ser aceitável a utilização no processo administrativo ou judicial de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, nossas retinas são expostas ao preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Código de Processo Civil Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em Fl. 747DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 745 7 contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918/SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 123930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte ex adversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 746 9 Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a falsidade dos assentamentos em realce. Tais conclusões não discrepam do entendimento esposado pelo Mestre Hely Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995), ad litteris et verbis: Os atos administrativos (...) nascem com a presunção de legitimidade (...). A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidação. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade, os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus efeitos (...). Outra consequência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. Cuide se de arguição de nulidade do ato, por vício formal, ou ideológico, a prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante e, até sua anulação, o ato terá plena eficácia. Diante desse quadro, tratandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos a partir do exame das declarações prestadas ao Fisco Federal, mediante Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, pelo sujeito passivo da obrigação tributária, sob sua responsabilidade, comando e domínio, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. 2.2. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS LANÇADAS. O Recorrente afirma que as contribuições previdenciárias lançadas são improcedentes. Não lhe confiro razão. O Agente Fiscal, no curso regular dos procedimentos administrativos de fiscalização, constatou divergências entre os valores das contribuições sociais decorrentes dos Fl. 750DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 fatos geradores declarados nas GFIP e nas folhas de pagamento e o montante efetivamente recolhido aos cofres da Seguridade Social. Conforme expressamente consignado no item 2.2. do Relatório Fiscal, a fls. 48/50, foram consideradas na apuração dos fatos geradores as últimas GFIP entregues em cada competência, uma vez que, a partir da versa 8.0, as GFIP retificadoras substituem integralmente as anteriores, deixando estas de existir no mundo jurídico. Por tal razão, as GFIP acostadas aos autos pelo sujeito passivo em sede de impugnação não produzem mais os efeitos pretendidos pelo Recorrente, uma que, sendo as originais e já tendo sido substituídas por outras, perderam sua validade. Dessarte, houveramse por considerados na apuração do crédito tributário os valores consignados no anexo intitulado “Planilha 3 — Dados de GFIP considerados pela Receita Federal do Brasil", a fl. 62, a qual realiza a exposição dos valores de remuneração de segurados e suas respectivas contribuições sociais, além das deduções a título de salário família e salário mínimo. Muito embora as folhas de pagamento das competências 09/2005 e 10/2005 registrem valores a serem compensados, na ordem de, respectivamente, R$ 3.320,27 e R$ 1.147,93 , tal compensação não se houve por declarada na GFIP, como assim determina a legislação previdenciária. Registrese que a lei determina que a empresa é também obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma, prazo e condições estabelecidos por esse órgão Federal, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) §2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Regulamentando o documento declaratório em apreço, o Manual da GFIP determina de forma expressa que a empresa deve “Informar os dados relativos ao movimento financeiro, quais sejam: remuneração dos trabalhadores, inclusive as remunerações Fl. 751DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 747 11 decorrentes de reclamatória trabalhista e dissídio coletivo, comercialização da produção, receita de eventos desportivos/patrocínio, compensação, retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei n° 9.711/98), recolhimento de competências anteriores, deduções, pagamento a cooperativas de trabalho, etc.” (os grifos são nossos) Analiticamente, assim dispõe o Manual da GFIP 7.0, aprovado pela IN INSS/DC nº 107, de 22/04/2004, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Manual da GFIP 7.0 2.17 COMPENSAÇÃO Informar o valor corrigido a compensar em documento de arrecadação da Previdência GPS, na correspondente competência da GFIP gerada, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido ao INSS, bem como eventuais valores decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei n° 9.711/98) não compensados na competência em que ocorreu a retenção e valores de saláriofamília e saláriomaternidade não deduzidos em época própria, obedecido ao disposto na Instrução Normativa que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação. Informar também o período (competência inicial e competência final) em que foi efetuado o pagamento ou recolhimento indevido, em que ocorreu a retenção sobre nota fiscal/fatura não compensada em época própria ou em que não foram deduzidos o saláriofamília ou saláriomaternidade. A GFIP da competência em que ocorreu o recolhimento indevido, ou em que não foram informados o saláriofamília ou saláriomaternidade deve ser retificada, por meio de formulários de retificação, exceto nas compensações de valores: a/) relativos a competências anteriores a janeiro de 1999; b/) declarados corretamente na GFIP, porém recolhidos a maior em documento de arrecadação da Previdência GPS; c/) decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei nº 9.711/98) não compensados na competência em que ocorreu a retenção. Em geral, a compensação não deve ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social (não inclui outras entidades e fundos), sendo este percentual calculado antes da dedução do valor relativo ao saláriofamília e ao saláriomaternidade e antes da compensação dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (Lei n° 9.711/98). No entanto, não estão sujeitas ao limite de trinta por cento as compensações relativas a: saláriofamília ou saláriomaternidade não deduzidos em época própria; saldo de retenção sobre nota fiscal/fatura de competências anteriores; saldo de retenção sobre nota fiscal/fatura, referente a obra de construção civil executada por empreitada total, com as Fl. 752DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 contribuições do estabelecimento da empresa ao qual se vincula a obra; . situações amparadas por liminar ou decisão judicial favorável à compensação acima do limite. No momento do fechamento, o SEFIP calcula o limite de trinta por cento e, sendo o valor da compensação informada superior ao limite, é aberta uma tela para a confirmação ou não do valor informado. O empregador/contribuinte é responsável pela correta informação do valor de compensação e pelo conhecimento do que pode ou não ser compensado acima do limite de trinta por cento. Havendo, na mesma GFIP, informação de compensação até o limite e acima do limite, cabe ao empregador/contribuinte o cálculo do valor correto da compensação permitida. Exemplos: a/) Valor das contribuições devidas à Previdência Social, antes da dedução do saláriofamília, saláriomaternidade e dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 12.000,00; Compensação de valor recolhido indevidamente (corrigido) = R$ 8.000,00; Limite de 30% = R$ 3.600,00 (R$ 12.000,00 x 30%). Caso o empregador/contribuinte informe o valor de R$ 8.000,00 no campo Compensação, no momento do fechamento o SEFIP abrirá uma tela alertando para a informação superior ao limite de 30% e solicitando a confirmação ou não do valor informado. Ao escolher a opção “não” (não confirma), o SEFIP interrompe o fechamento, devendo o empregador/contribuinte retornar ao campo Compensação e informálo corretamente, ou seja, com o valor de R$ 3.600,00. b/) Valor das contribuições devidas à Previdência Social, antes da dedução do saláriofamília, saláriomaternidade e dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 12.000,00; Compensação de retenção de competências anteriores (corrigido) = R$ 8.000,00; Limite de 30% = R$ 3.600,00 (R$ 12.000,00 x 30%). Neste caso, mesmo sendo permitida a compensação acima do limite de 30%, no momento do fechamento o SEFIP abrirá uma tela alertando para a informação superior ao limite de 30% e solicitando a confirmação ou não do valor informado. Ao escolher a opção “sim” (confirma), o SEFIP finaliza o fechamento, sendo mantido o valor de R$ 8.000,00 no campo Compensação. c/) Valor das contribuições devidas à Previdência Social, antes da dedução do saláriofamília, saláriomaternidade e dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 12.000,00; Compensação de retenção de competências anteriores (corrigido) = R$ 4.000,00; Compensação de valor recolhido indevidamente (corrigido) = R$ 5.000,00; Limite de 30% = R$ 3.600,00 (R$ 12.000,00 x 30%). Fl. 753DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 748 13 Neste caso, apenas a compensação de retenção de competências anteriores não se submete ao limite de 30%. Portanto, o empregador/contribuinte pode compensar integralmente os R$ 4.000,00, referentes à compensação de retenção de competências anteriores, mais R$ 3.600,00, referentes à compensação de valor recolhido indevidamente, totalizando R$ 7.600,00. No momento do fechamento, o SEFIP abrirá uma tela alertando para a informação superior ao limite de 30% e solicitando a confirmação ou não do valor informado. Embora o SEFIP calcule um limite de R$ 3.600,00, o empregador/contribuinte pode compensar até R$ 7.600,00. Ao escolher a opção “não” (não confirma), o SEFIP interrompe o fechamento, devendo o empregador/contribuinte retornar ao campo Compensação e informálo corretamente, ou seja, com o valor de R$ 7.600,00. Ao fechar o movimento, novamente o SEFIP vai alertar que os R$ 7.600,00 superam o limite de 30%. Deve ser escolhida a opção “sim” (confirma) para manter a informação e finalizar o fechamento. NOTAS: 1. A utilização dos códigos 150 ou 907 para a GFIP da administração possibilita ao SEFIP realizar a compensação de valores referentes aos vários tomadores/obras também das contribuições previdenciárias relativas aos trabalhadores administrativos, devendo, para tanto, que as GFIP, da administração e dos tomadores/obras, sejam geradas no mesmo movimento (o que gerará um único documento de arrecadação da Previdência GPS). Nestes casos, os valores a compensar podem ser informados na GFIP relativa ao pessoal administrativo ou nas GFIP relativas aos tomadores/obras. 2. Quando a empresa entregar GFIP por obra, com códigos de recolhimento 155 ou 908 (são geradas GPS distintas por obra), os valores a compensar devem ser informados nas GFIP relativas a cada obra e ao pessoal administrativo, conforme se refiram às obras e à administração, respectivamente. 3. Caso a obra de responsabilidade de pessoa jurídica já tenha sido encerrada, a compensação pode ser efetuada com as contribuições do CNPJ do estabelecimento responsável pela obra, sendo obrigatória a informação desta compensação na GFIP do referido estabelecimento (GFIP referente ao pessoal administrativo). 4. Os valores referentes à retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei nº 9.711/98), relativos à prestação dos serviços efetuados na competência devem ser informados no campo Valor de Retenção, pela empresa contratada, em GFIP relativa a cada tomador de serviço/obra de construção civil. Caso os valores relativos à retenção superem o montante das contribuições previdenciárias a serem recolhidas na competência (valor do INSS = segurados + empresa), o saldo de retenção a compensar/restituir pode ser lançado no campo Compensação da GFIP, em competências subsequentes. A empresa pode optar, no entanto, pelo pedido de restituição. Exemplo: Fl. 754DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 A empresa cedente de mãodeobra “A” emitiu várias notas fiscais no decorrer do mês 01/2000 ao tomador “X”, sofrendo retenções no valor total de R$ 10.000,00. Para a mesma competência, 01/2000, o montante devido à Previdência Social (excluindo outras entidades e fundos) pela empresa “A” foi de R$ 8.000,00. Na GFIP da empresa “A” da competência 01/2000, em relação ao tomador “X”, devese lançar R$ 10.000,00 no campo Valor de Retenção. Nesta competência será emitida GPS somente para Outras Entidades, pois a retenção (R$ 10.000,00) superou o valor devido ao INSS (R$ 8.000,00), deixando um saldo favorável de R$ 2.000,00. Nada é lançado no campo Compensação. Já na competência seguinte, 02/2000, o saldo remanescente de R$ 2.000,00, corrigido, não é lançado no campo Valor de Retenção, mas sim no campo Compensação, não se submetendo ao limite legal para compensação. É facultado o pedido de restituição do saldo remanescente. 5. No caso de obra de construção civil executada por empreitada total, é admitida a compensação de saldo de retenção sobre nota fiscal/fatura, referente à obra, com as contribuições do estabelecimento da empresa ao qual se vincula a obra. A compensação pode ser realizada na mesma competência da emissão da nota fiscal/fatura ou nas competências subseqüentes, não se sujeitando ao limite de trinta por cento. O valor a ser compensado com as contribuições do estabelecimento responsável pela obra deve ser informado no campo Compensação da GFIP deste estabelecimento e o valor da retenção sofrida deve ser integralmente informado no campo Valor de Retenção da GFIP referente à obra, observado o disposto nas notas Erro! A origem da referência não foi encontrada. e Erro! A origem da referência não foi encontrada. do subitem 3.1. Exemplo: Competência = 05/2004; Retenção sofrida pela obra “A”, executada por empreitada total = R$ 11.000,00; Valor das contribuições devidas à Previdência Social pela obra “A” (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 5.000,00; Saldo de retenção a compensar, que não pôde ser integralmente abatida das contribuições da obra = R$ 6.000,00; Valor das contribuições devidas à Previdência Social pelo estabelecimento ao qual se vincula a obra (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 7.000,00. GFIP da obra “A”, na competência 05/2004: Campo Valor de Retenção R$ 11.000,00. GFIP do estabelecimento ao qual se vincula a obra, na competência 05/2004: Campo Compensação R$ 6.000,00 (valor não corrigido por se tratar de compensação efetuada na mesma competência em que houve a retenção sobre a nota fiscal/fatura). Fl. 755DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 749 15 O manual da GFIP versão 8.0, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 9, de 24 de novembro de 2005, vigente à época em que o Recorrente promoveu a entrega das GFIP substitutas, também é expresso em determinar a obrigatoriedade da declaração de qualquer modalidade de compensação efetuada pelo declarante, devendo este declarar o valor corrigido a compensar, efetivamente abatido em documento de arrecadação da Previdência – GPS, na correspondente competência da GFIP/SEFIP gerada, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido à Previdência, assim como o período (competência inicial e competência final) em que foi efetuado o pagamento ou recolhimento indevido. Manual da GFIP 8.0 2.15 COMPENSAÇÃO Informar o valor corrigido a compensar, efetivamente abatido em documento de arrecadação da Previdência – GPS, na correspondente competência da GFIP/SEFIP gerada, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido à Previdência, bem como eventuais valores decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei n° 9.711/98) não compensados na competência em que ocorreu a retenção e valores de saláriofamília e salário maternidade não deduzidos em época própria, obedecido ao disposto na Instrução Normativa que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação. Informar também o período (competência inicial e competência final) em que foi efetuado o pagamento ou recolhimento indevido, em que ocorreu a retenção sobre nota fiscal/fatura não compensada em época própria ou em que não foram deduzidos o saláriofamília ou saláriomaternidade. A GFIP/SEFIP da competência em que ocorreu o recolhimento indevido, ou em que não foram informados o saláriofamília, saláriomaternidade ou retenção sobre nota fiscal/fatura deve ser retificada, com a entrega de nova GFIP/SEFIP, exceto nas compensações de valores: relativos a competências anteriores a janeiro de 1999; declarados corretamente na GFIP/SEFIP, porém recolhidos a maior em documento de arrecadação da Previdência GPS; decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei nº 9.711/98), saláriofamília ou salário maternidade não abatidos na competência própria, embora corretamente informados na GFIP/SEFIP da competência a que se referem. Em geral, a compensação não deve ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social (não inclui outras entidades e fundos), sendo este percentual calculado antes da dedução do valor relativo ao saláriofamília e ao saláriomaternidade e antes da compensação dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (Lei n° 9.711/98). No entanto, não estão sujeitas ao limite de trinta por cento as compensações relativas a: · saláriofamília ou saláriomaternidade não deduzidos em época própria; · saldo de retenção sobre nota fiscal/fatura de competências anteriores; Fl. 756DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 · saldo de retenção sobre nota fiscal/fatura, referente a obra de construção civil executada por empreitada total, com as contribuições do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra; · situações amparadas por liminar ou decisão judicial favorável à compensação acima do limite. No momento do fechamento, o SEFIP calcula o limite de trinta por cento e, sendo o valor da compensação informado superior ao limite, é aberta uma tela para a confirmação ou não do valor informado. O empregador/contribuinte é responsável pela correta informação do valor de compensação e pelo conhecimento do que pode ou não ser compensado acima do limite de trinta por cento. Havendo na GFIP/SEFIP informação de compensação até o limite e acima do limite, cabe ao empregador/contribuinte o cálculo do valor correto da compensação permitida. Exemplos: Valor das contribuições devidas à Previdência Social, antes da dedução do saláriofamília, saláriomaternidade e dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 12.000,00; Compensação de valor recolhido indevidamente (corrigido) = R$ 8.000,00; Limite de 30% = R$ 3.600,00 (R$ 12.000,00 x 30%). Caso o empregador/contribuinte informe o valor de R$ 8.000,00 no campo Compensação, no momento do fechamento o SEFIP abrirá uma tela alertando para a informação superior ao limite de 30% e solicitando a confirmação ou não do valor informado. Ao escolher a opção “não” (não confirma), o SEFIP interrompe o fechamento, devendo o empregador/contribuinte retornar ao campo Compensação e informálo corretamente, ou seja, com o valor de R$ 3.600,00. Valor das contribuições devidas à Previdência Social, antes da dedução do saláriofamília, saláriomaternidade e dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 12.000,00; Compensação de retenção de competências anteriores (corrigido) = R$ 8.000,00; Limite de 30% = R$ 3.600,00 (R$ 12.000,00 x 30%). Neste caso, mesmo sendo permitida a compensação acima do limite de 30%, no momento do fechamento o SEFIP abrirá uma tela alertando para a informação superior ao limite de 30% e solicitando a confirmação ou não do valor informado. Ao escolher a opção “sim” (confirma), o SEFIP finaliza o fechamento, sendo mantido o valor de R$ 8.000,00 no campo Compensação. Valor das contribuições devidas à Previdência Social, antes da dedução do saláriofamília, saláriomaternidade e dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 12.000,00; Compensação de retenção de competências anteriores (corrigido) = R$ 4.000,00; Compensação de valor recolhido indevidamente (corrigido) = R$ 5.000,00; Fl. 757DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 750 17 Limite de 30% = R$ 3.600,00 (R$ 12.000,00 x 30%). Neste caso, apenas a compensação de retenção de competências anteriores não se submete ao limite de 30%. Portanto, o empregador/contribuinte pode compensar integralmente os R$ 4.000,00, referentes à compensação de retenção de competências anteriores, mais R$ 3.600,00, referentes à compensação de valor recolhido indevidamente, totalizando R$ 7.600,00. No momento do fechamento, o SEFIP abrirá uma tela alertando para a informação superior ao limite de 30% e solicitando a confirmação ou não do valor informado. Embora o SEFIP calcule um limite de R$ 3.600,00, o empregador/contribuinte pode compensar até R$ 7.600,00. Ao escolher a opção “não” (não confirma), o SEFIP interrompe o fechamento, devendo o empregador/contribuinte retornar ao campo Compensação e informálo corretamente, ou seja, com o valor de R$ 7.600,00. Ao fechar o movimento, novamente o SEFIP vai alertar que os R$ 7.600,00 superam o limite de 30%. Deve ser escolhida a opção “sim” (confirma) para manter a informação e finalizar o fechamento. NOTAS: Nos códigos 150 e 211 a compensação é informada por tomador/obra, mas o valor é abatido do total das contribuições devidas pelo estabelecimento, sendo gerado um único documento de arrecadação da Previdência – GPS. No código 155 a compensação também é informada por tomador/obra, porém o valor é abatido somente das contribuições devidas pela respectiva obra e pela administração, se for o caso. Assim, é gerado um documento de arrecadação da Previdência GPS para cada obra a outro para a administração. Caso a obra de responsabilidade de pessoa jurídica já tenha sido encerrada, a compensação pode ser efetuada com as contribuições do CNPJ do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra, sendo obrigatória a informação desta compensação no referido estabelecimento (informações referentes ao pessoal administrativo). Os valores referentes à retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei nº 9.711/98), relativos à prestação dos serviços efetuados na competência devem ser informados no campo Valor de Retenção, pela empresa contratada, relativamente a cada tomador de serviço/obra de construção civil. Caso os valores relativos à retenção superem o montante das contribuições previdenciárias a serem recolhidas na competência (segurados + empresa), o saldo de retenção a compensar/restituir pode ser lançado no campo Compensação, em competências subsequentes. A empresa pode optar, no entanto, pelo pedido de restituição. Exemplo: A empresa cedente de mãodeobra “A” emitiu várias notas fiscais no decorrer do mês 01/2000, referentes ao tomador “X”, sofrendo retenções no valor total de R$ 10.000,00. Para a mesma competência, 01/2000, o montante devido à Previdência Fl. 758DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Social (excluindo outras entidades e fundos) pela empresa “A” foi de R$ 8.000,00. Na GFIP/SEFIP da empresa “A” da competência 01/2000, em relação ao tomador “X”, devese lançar R$ 10.000,00 no campo Valor de Retenção. Nesta competência será emitida GPS somente para Outras Entidades, pois a retenção (R$ 10.000,00) superou o valor devido à Previdência (R$ 8.000,00), deixando um saldo favorável de R$ 2.000,00. Nada é lançado no campo Compensação. Já na competência seguinte, 02/2000, o saldo remanescente de R$ 2.000,00, corrigido, não é lançado no campo Valor de Retenção, mas sim no campo Compensação, não se submetendo ao limite legal para compensação. É facultado o pedido de restituição do saldo remanescente. No caso de obra de construção civil executada por empreitada total, é admitida a compensação de saldo de retenção sobre nota fiscal/fatura, referente à obra, com as contribuições do estabelecimento da empresa responsável pelo faturamento da obra. A compensação pode ser realizada na mesma competência da emissão da nota fiscal/fatura ou nas competências subsequentes, não se sujeitando ao limite de trinta por cento. O valor a ser compensado com as contribuições do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra deve ser lançado no campo Compensação, juntamente com as informações deste estabelecimento (código 155 ou 150). O valor da retenção sofrida deve ser integralmente lançado no campo Valor de Retenção, juntamente com as informações da obra (código 155), observado o disposto nas notas Erro! A origem da referência não foi encontrada. e Erro! A origem da referência não foi encontrada. do subitem 3.1. Exemplo: Competência = 05/2004; Retenção sofrida pela obra “A”, executada por empreitada total = R$ 11.000,00; Valor das contribuições devidas à Previdência Social pela obra “A” (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 5.000,00; Saldo de retenção a compensar, que não pôde ser integralmente abatida das contribuições da obra = R$ 6.000,00; Valor das contribuições devidas à Previdência Social pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra (não inclui outras entidades e fundos) = R$ 7.000,00. GFIP/SEFIP – Informações da obra “A”, na competência 05/2004 (código 155): Campo Valor de Retenção – R$ 11.000,00. GFIP/SEFIP – Informações do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra, na competência 05/2004 (código 155 ou 150): Campo Compensação – R$ 6.000,00 (valor não corrigido por se tratar de compensação efetuada na mesma competência em que houve a retenção sobre a nota fiscal/fatura). Fl. 759DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 751 19 Diante de tais dispositivos decorre que a compensação de contribuições previdenciárias, para ser considerada como regular e para produzir os efeitos tributários que dela se espera, precisa ser, necessariamente, declarada na GFIP da competência em se procedeu a compensação em foco, pois somente dessa forma a Administração Tributária tomará ciência do procedimento de compensação levado unilateralmente a efeito pelo Titular do Crédito e, em consequência, poderá sindicar sua regularidade ou não. Cumpre, outrossim, alertar que, nos termos do §2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a declaração prestada mediante GFIP constituise confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nele aviado. Assim, de maneira objetiva, ao ser entregue a GFIP, a administração tributária realiza o cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela empresa relativas aos fatos geradores nela declarados, subtraindo, ato contínuo, do montante assim calculado, os créditos de titularidade do declarante consistentes em compensação, retenção de 11%, dedução de salário família e salário mínimo, etc. Nesse diapasão, a nãodeclaração de compensação na GFIP esvazia sua natureza de modalidade de extinção do crédito tributário, de maneira que o valor tido pelo sujeito passivo como “compensado” não será utilizado para abater o montante de tributo devido (eis que não foi informado), e restará então considerado, para todos os efeitos tributários, como falta de recolhimento, podendo ser objeto de lançamento de ofício, como assim se sucedeu no presente caso. Diante de tal panorama, a nãodeclaração da compensação alegada pelo Recorrente fez emergir dos documentos declaratórios em relevo um crédito tributário em favor do Fisco Federal. Nessa toada, configurandose a GFIP como documento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nele consignado, e observada a natureza plenamente vinculada da atividade fiscal, deparandose a fiscalização com atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, tem ela, por dever de ofício, que lavrar a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, como assim, de fato, procedeu o agente fiscal no caso de que ora se cuida. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. O Órgão Julgador de 1ª Instância já havia se manifestado em sentido contrário ao pleito pretendido pelo Notificado escorando seu juízo negativo de provimento na carência de declaração, via GFIP, das compensações alegadas pelo Impugnante. Nesse contexto, mesmo ciente de que o pleito formulado em sede de defesa administrativa houvera sido negado em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, não fazendo acostar aos autos os elementos de prova aptos a contrapor o conjunto probatório trazido à balha pela fiscalização, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das Fl. 760DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento tributário levado a efeito pelo Agente Fiscal, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização comprovou, no bojo da notificação de lançamento, mediante documentação idônea, elaborada sob a responsabilidade e domínio do próprio Recorrente, que este não promovera o integral recolhimento das contribuições previdenciárias a seu encargo incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS nas competências que integram o período de apuração suso delimitado. Tal NFLD, ante a debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos, possui conteúdo probatório robusto em favor do direito do Fisco. Ostentando, todavia, tal presunção, eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Notificado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo do Relatório Fiscal e dos demais termos e relatórios que a integram. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a alegar que o crédito tributário lançado correspondia a compensações por ele efetuadas nas competências em foco, sem, no entanto, rechear suas alegações com as provas materiais necessárias, sem promover a retificação das GFIP correspondentes e sem fazer coligir aos autos as provas documentais de que os valores apurados pela Autoridade Lançadora são, de fato, compensáveis com as contribuições previdenciárias devidas naquelas competências, gravitando à distância do núcleo jurídico sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de direito que forneceram esteio ao lançamento em debate. Nesse diapasão, não se mostra suficiente à elisão do lançamento em foco a mera alegação, em sede de recurso, de que o crédito tributário lançado fora objeto de compensação, muito menos as cópias não autenticadas das GFIP originais acostadas aos autos, eis que estas foram substituídas por outras, nas quais não restam consignadas quaisquer informações a respeito de eventuais compensações. Diante de tal cenário, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, deveria o Recorrente ter demonstrado, no bojo de sua peça recursal, com fundamento em indícios de prova material, que as rubricas ora exigidas pela fiscalização haviam sido objeto de compensação nas competências em realce. Mas assim não se sucedeu. Optou, a seu risco, por exortar asserções totalmente alheias aos fundamentos objetivos do presente lançamento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não obtendo sucesso, assim, em desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário, eis que não produziu os meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Nesse contexto, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 752 21 MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. 2.3. DO ALEGADO BIS IN IDEM Pondera o Recorrente a cobrança concomitante de multa e juros de mora constituise bis in idem, por possuírem a mesma natureza jurídica. Razão não lhe assiste. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Mostra auspicioso trazer à balha que a CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Nos limites do comando constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito de sua competência, o art. 113 do CTN estabeleceu um discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como acessórias, nos termos que se vos seguem: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A inobservância do cumprimento da obrigação principal até a data do seu vencimento sujeita o sujeito passivo ao pagamento de multa de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, in casu, a penalidade moratória, e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, a teor do art. 161 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) Realçadas as normas legais supracitadas, cumpre chamar atenção, na sequência lógica da demonstração de raciocínio, ao fato de que a natureza jurídica das parcelas pecuniárias em destaque são absolutamente distintas e inconfundíveis. Muito embora se consubstanciem a obrigação tributária principal, a multa de mora e os juros moratórios numa obrigação de dar, elas não se confundem. A primeira consiste na própria obrigação principal representada pelo tributo devido pelo sujeito passivo, em razão da ocorrência real do fato gerador estatuído na lei. A multa moratória, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal, enquanto que os juros representam o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda (o devedor) paga ao seu legítimo proprietário (o Fisco) pela posse temporária do numerário que, desde o vencimento da obrigação principal, já é de sua titularidade. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 753 23 Salientese que os preceitos normativos supra anunciados não se conflitam com as diretrizes vertidas na Lei Orgânica da Seguridade Social, a qual estabelece as sanções aplicáveis ao descumprimento de obrigação principal, assim como o custo pela retenção indevida do tributo, senão vejamos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Deflui das regras matrizes acima desfraldadas que a incidência de juros de mora e de multa moratória sobre o montante de tributo devido decorre de previsão expressa assentada em lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Tal conclusão decorre de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, não requerendo áurea mestria do exegeta. O alegado bis in idem, portanto, jamais poderá existir nas espécies ora em debate eis que as naturezas jurídicas dos acessórios da obrigação tributária principal postos em xeque são absolutamente diversas e distintas, ao contrário do que entende o Recorrente a respeito de natureza jurídica. 2.4. DA MULTA DE MORA Argumenta o Recorrente que o percentual aplicado a título de multa de mora sobre o valor devido é totalmente absurdo, uma vez que se deixou de ser levada em consideração a natureza tributária dessa multa e seu consequente aspecto de proporcionalidade entre o dano e o ressarcimento. Aduz que a Constituição Federal, no capítulo DAS LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR, no artigo 150, inciso IV, diz que, sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios utilizar tributo com efeito de confisco. A razão uma vez mais lhe falta. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Inicialmente, mostrase valioso elucidar uma questão de natureza jurídica que o Recorrente dá a transparecer não compreender bem. Com efeito, o inciso IV do art. 150 da CF/88 dispõe ser vedado à União a utilização de tributo com efeito de confisco. De outro eito, o art. 3º do CTN define legalmente tributo como “toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Os grifos são nossos. Em realidade, a multa de mora não se qualifica como tributo, mas, sim, sanção decorrente de ato ilícito tributário, consistente no nãorecolhimento de tributo no prazo e na forma determinada pela legislação tributária. Conforme já elucidado no tópico precedente, a multa de mora possui natureza jurídica de penalidade pecuniária (sanção) decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal (ato ilícito tributário). Multa de mora não é tributo, é penalidade. O preceito constitucional invocado pelo Recorrente aplicase a tributo. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, do exame dos Princípios Constitucionais realçados nos artigos 145 e 150 da CF/88, avulta que as vedações constitucionais ao poder de tributar são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 765DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 754 25 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser Fl. 766DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Escapa, contudo, à competência deste Colegiado Administrativo a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 767DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 755 27 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.5. DA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC pelo Fisco, como taxa de juros moratórios para os créditos fiscais, também foi alvo do inconformismo do Recorrente que concentrou sua fúria na alegação de a SELI não possui características de indenização, própria dos juros moratórios. A razão teima em não lhe sorrir. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 768DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, Fl. 769DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.000093/200866 Acórdão n.º 2302002.243 S2C3T2 Fl. 756 29 incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção uma vez mais para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 771DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.725061/2015-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2016
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA
Comprovada a existência de débitos em nome do contribuinte à data de emissão do Ato Declaratório, não regularizado no prazo de 30 (trinta) dias de sula ciência pelo contribuinte, é de se manter os efeitos da exclusão da empresa do Simples Nacional, que tomou por base esse fato.
Numero da decisão: 1301-004.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felicia Rothschild, Lucas Esteves Borges, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Rafael Taranto Malheiros.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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DÉBITOS. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA Comprovada a existência de débitos em nome do contribuinte à data de emissão do Ato Declaratório, não regularizado no prazo de 30 (trinta) dias de sula ciência pelo contribuinte, é de se manter os efeitos da exclusão da empresa do Simples Nacional, que tomou por base esse fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felicia Rothschild, Lucas Esteves Borges, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Rafael Taranto Malheiros. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, para manter a exclusão do Simples Nacional. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: Trata-se de manifestação de inconformidade contra a exclusão do regime tributário do Simples Nacional – SN - com efeitos a partir de 1/1/2016, veiculada através do Ato Declaratório Executivo (ADE) de Exclusão DRF/CPS Nº 1709298, de 1º de setembro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 50 61 /2 01 5- 59 Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725061/2015-59 de 2015 (fl. 11), com base na existência de débitos exigíveis do próprio SN referentes às competências 11 e 12/2013, 01 a 06, 08, 09 e 12/2014 e 04 e 05/2015. 2. A empresa reclamante apresenta manifestação de inconformidade (fls. 2/10), com os principais argumentos reproduzidos a seguir: (…) Nossas micros e pequenas empresas, além de passarem pelo sufoco que o mercado já vem lhes dando, ainda tem que sofrer pelas maldades legislativas a elas direcionadas, como por exemplo, sua exclusão do Simples Nacional pela falta de pagamento de seus tributos. Será que a LC 123/06, Estatuto das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, trouxe em seu bojo a solução para todas as dificuldades que um empreendimento pudesse passar, afastando-as de quaisquer intempéries externas, como crises financeiras e/ou econômicas como as que estão ocorrendo, ou mesmo internas, por dificuldades de gestão, falta de recursos para investimentos em infra-estrutura e/ou modernização, pesquisa e desenvolvimento, entre tantas outras dificuldades que os micros e pequenos empreendedores podem ter? Acho que não, pois se isto tivesse ocorrido o legislador brasileiro não teria legislado, mas sim, feito mágica. Prevendo as possíveis dificuldades que às micros e pequenas empresas pudessem passar, a Constituição Federal do Brasil de 1988 estabeleceu princípios que devem ser seguidos pelos legisladores de todos os níveis da federação, especialmente quanto ao tratamento favorecido, diferenciado e simplificado destinado às microempresas e empresas de pequeno porte, conforme f odemos extrair dos artigos 170, inciso IX, e 179, in verbis: (...) Em síntese, o legislador tem obrigação de proteger as empresas de pequeno porte, pois, é princípio constitucional conceder tratamento favorecido, diferenciado e simplificado para elas. Há ainda outros princípios que constitucionais que estão sendo violados, em especial o princípio da hierarquia das leis, que pode ser observado na redação do art. 59, incisos l i a VII, e Parágrafo Único, da Constituição Federal do Brasil de 1988, in verbis: (...) A grande maioria dos atos de exclusão do Simples Nacional emitidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), constam como motivo da exclusão o inciso V do art. 17 da LC 123/06, que trata das vedações ao ingresso no Simples Nacional (Capítulo IV, Seção II - Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional), a alínea "d" do inciso II do art 3o, combinada com o inciso I do art. 5º , ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, in verbis: (...) Ou seja, o art. 17, inciso V, da LC 123/06, que "Institui o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte" é inconstitucional, pois, determina que o empresário que se encontrar em débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, e cuja exigibilidade não esteja suspensa, conforme preconiza o art. 151, incisos I a'VI do Código Tributário Nacional (CTN), não poderá ingressar ou permanecer nesta condição favorecida, diferenciada e simplificada que a Constituição Federal reservou às empresas de pequeno porte. E na mesma senda, vão os art. 3 o , inciso II, aliena "d", e o art. 5o, inciso I, ambos da Resolução CGSN n. 15/2007. Ora, considerando a complexidade do ambiente econômico que as empresas de pequeno porte estão inseridas, seja pela competitividade acirrada (especialmente com os grandes players), globalização, inovação tecnológica extremamente rápida, custos financeiros exorbitantes, ausência de linhas de crédito, legislação empresarial, trabalhista e tributária confusas e burocráticas, crises financeiras nacionais e Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725061/2015-59 internacionais, não poderia o legislador constituinte querer que as micro e pequenas empresas não pudessem atrasar seus tributos, pois, seria como "dar com uma mão e tirar com a outra". É inconcebível achar que as micros e pequenas empresas não pudessem sofrer de problemas financeiros como qualquer outra empresa, isso seria utópico, e além da razão. A microempresa e a empresa de pequeno porte, se manter no mercado acaba vendendo com lucro reduzidíssimo, sem lucro ou até mesmo com prejuízo, infringindo facilmente aquele limite. (...) A exclusão das micro e pequenas empresas da sistemática do Simples Nacional, impondo-lhe a obrigatoriedade de optar por outra sistemática de tributação, Lucro Presumido ou Real, viola outro princípio constitucional, o da capacidade contributiva, pois, estas sistemáticas são muito mais onerosas que o Simples Nacional. Em síntese, este é o verdadeiro tratamento favorecido, diferenciado e simplificado que o legislador estabeleceu para as microempresas e empresas de pequeno porte em nosso país, ou seja, quem não tem condições de pagar seus tributos em dia dever ser onerado com uma carga tributária mais elevada, ou seja, tributada pelo Lucro Presumido ou Real, o que poderá levá-las ao estado falimentar ou para a informalidade, o que não é o objetivo declarado em nossa Constituição Federal. (...) Corroborando com esse entendimento, segue jurisprudência recente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE OPÇÃO PELO 'SIMPLES NACIONAL". INDEFERIMENTO, AO ARGUMENTO DE SER O INTERESSADO DEVEDOR DE TRIBUTO MUNICIPAL: IMPOSSIBILIDADE CONSTITUCIONAL. (...) Assim, por todos os motivos acima alegados, é inconstitucional excluir as microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional pela falta de pagamento de tributos, pois, não era este o espírito constitucional destinado para esse tipo de empreendimento, mas sim, dar a ele condições de se desenvolver e crescer, cumprindo com sua função social. DOS PEDIDOS Ante o exposto, REQUER seja julgada totalmente procedente a presente impugnação, cancelando-se o Ato Declaratório ora guerreado e mantendo-se a Requerente no regime do SIMPLES NACIONAL. A Turma da DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2016 ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ATO ADMINISTRATIVO REGULARMENTE EMITIDO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O ato administrativo de exclusão do Simples Nacional que obedece a todos os requisitos essenciais de validade legal, expondo de forma clara e precisa o motivo da exclusão a que se refere, permite o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao interessado e atende aos princípios constitucionais. Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725061/2015-59 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não possuindo competência para afastar normas mediante apreciação de sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITO NÃO SUSPENSO. Fica confirmada a exclusão do Simples Nacional quando não comprovada a regularização tempestiva do débito motivador. EXCLUSÃO POR MOTIVO DE DÉBITOS EM COBRANÇA. CONSTITUCIONALIDADE. SENTENÇA STF. REPERCUSSÃO GERAL. A corte máxima já se pronunciou favoravelmente, em decisão de repercussão geral, pela constitucionalidade da exclusão do Simples Nacional por motivo da existência de créditos tributários não suspensos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio decorre da exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional, por intermédio do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS nº 1709298, de 1 de setembro de 2015, fundamentado no disposto no inciso V do art. 17, inciso I do art. 29, inciso II do caput e §2º do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, com efeitos a partir de 1º/01/2016, em virtude da constatação da existência de débitos para com a Fazenda Pública Federal, de exigibilidade não suspensa. Em seu recurso a defesa reconhece a existência dos débitos, mas alega que, embora não tenham sido regularizado no prazo legal previsto no ADE, deve ser revisto o acórdão, dado que parcelou seu débito, ficando em dia com as regras do Simples Nacional que Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-004.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725061/2015-59 reza que todo contribuinte deve estar com todas as suas pendências regularizadas até a data de 31 de janeiro de cada ano. Em síntese, os principais argumentos apresentados pela Recorrente no âmbito do seu Recurso Voluntário, visando à reforma do Acórdão recorrido: - que desconhecia a origem dos supostos débitos, e que, posteriormente, em janeiro de 2016, constatou a veracidade dos débitos apontados no ADE e efetuou o parcelamento dos mesmos, cujos pagamentos estão rigorosamente em dia, conforme cópia dos extratos anexados ao recurso; - assim, regularizou suas pendências através de parcelamento, ficando em dia com as regras do Simples Nacional que reza que todo contribuinte deve estar com todas as suas pendências regularizadas até a data de 31 de janeiro de cada ano; - cita precedentes que, em sua ótica, abraça sua pretensão; - requer seja julgado procedente o recurso, cancelando-se o ADE em questão, para manter o contribuinte no regime simplificado do Simples Nacional, haja visto que na data limite para a opção em 31/01/2016 estava com os débitos apontados no ADE devidamente parcelados e com sua exigibilidade suspensa. O argumento de defesa não prospera. Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-004.949 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725061/2015-59 Como visto, o dispositivo que fundamentou a exclusão do Contribuinte do Simples Nacional é o art. 17,V da LC 123/06. Tal dispositivo prevê que a microempresa ou empresa de pequeno porte não podem recolher tributos na forma do Simples se possuírem débito com o INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Conjuntamente com esta disposição, o art. 31, § 2° da mesma lei dispõe que a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples será permitida, desde que comprove a regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Confira-se este dispositivo § 2o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em 29/09/2015, efetuando o pedido do parcelamento dos débitos que justificaram a lavratura de ADE apenas na data de 26/01/2016, ou seja, após o prazo estabelecido, sendo o primeiro pagamento realizado em 28/01/2016 (fl. 51). Portanto, é inconteste que as providências somente foram adotadas após o prazo de trinta dias de ciência do ADE em questão data em que o contribuinte ingressou com a defesa contra a exclusão do Simples Nacional. Haveria, porém, um aspecto que poderia favorecer o contribuinte. O §2º do artigo 31 acima citado estabelece que deva ser efetuada a comprovação de regularização do débito no prazo de 30 dias da ciência do ADE. Acaso o débito comprovadamente inexista, por exemplo, devido a erro na apresentação de uma declaração ou de um erro no preenchimento de DARF, poder-se-ia aceitar a hipótese em que o contribuinte, após os trinta dias, comprova a existência de um erro. No entanto, a partir da leitura do recurso apresentado, vê que o próprio contribuinte afirma a veracidade dos débitos apontados no ADE Por tais motivos, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13811.721551/2018-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 01 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 2201-007.184
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte do recurso voluntário, por este tratar de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2201-007.183, de 1 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10670.720911/2017-74, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PRECLUSÃO. Não pode ser apreciada em sede recursal, em face de preclusão, matéria não suscitada pelo Recorrente na impugnação. NORMAS GERAIS. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o artigo 173, I do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no artigo 150, § 4º do CTN. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data de sua constituição definitiva. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 15 51 /2 01 8- 45 Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-007.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13811.721551/2018-45 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte do recurso voluntário, por este tratar de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2201-007.183, de 1 de setembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10670.720911/2017-74, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adotam-se neste relatório excertos do relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento. A exigência é referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário com os argumentos a seguir sintetizados: Preliminarmente requer: - o recebimento do recurso com a suspensão da exigibilidade das multas lançadas consoante previsão contida no artigo 151, III do CTN; - a nulidade da decisão recorrida, em razão da presença de apenas dois julgadores e o teor notadamente automatizado da decisão, onde no mesmo dia, talvez centenas, de decisões foram proferidas, ferindo frontalmente os princípios da ampla defesa, do contraditório e da análise individualizada do processo e das provas; - o reconhecimento da prescrição e da decadência. Mérito: Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-007.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13811.721551/2018-45 - denúncia espontânea; - falta de razoabilidade e proporcionalidade do ato em se tratando de micro e pequenas empresas e - redução dos valores de penalidades às MPE – artigo 38-B, II da Lei Complementar nº 123 de 2006. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. No recurso apresentado o contribuinte acrescentou em suas razões, os seguintes tópicos: denúncia espontânea, falta de razoabilidade e proporcionalidade do ato em se tratando de micro e pequenas empresas e redução dos valores de penalidades às MPE – artigo 38-B, II da Lei Complementar nº 123 de 2006. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972 1 , tais matérias estão preclusas, motivo pelo qual não serão conhecidas. No tocante à decadência e à prescrição, por se tratarem de matérias de ordem pública que podem ser arguidas em qualquer tempo e grau de jurisdição, podendo, inclusive, ser reconhecidas de ofício pelo julgador, tais argumentos de defesa merecem análise no presente caso. Preliminares Da nulidade do auto de infração – cerceamento do direito de defesa O contribuinte aduz que a nulidade da decisão recorrida em virtude do cerceamento do seu direito de defesa. As hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Nos termos do referido dispositivo são tidos como nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto a autoridade julgadora de primeira instância apresentou de forma clara e precisa, a partir dos argumentos apresentados pelo contribuinte, os motivos pelos quais concluiu pela 1 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-007.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13811.721551/2018-45 improcedência da impugnação e consequente manutenção do crédito exigido por meio do auto de infração, não restando configurada a ocorrência de cerceamento de defesa. As DRJs são órgãos colegiados responsáveis pelo julgamento em primeira instância de processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal. A Portaria MF nº 341 de 12 de julho de 2011, disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), estabelecendo a sua composição no artigo 2º: Art. 2º As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. Logo, não há vedação alguma para que em uma sessão de julgamento a turma possa atuar com menos de 5 (cinco) julgadores, mas estabelece que cada uma das turmas pode funcionar com o limite máximo de 7 (sete) julgadores. A sessão que julgou o processo do Recorrente no âmbito de primeira instância era composta por 3 (três) julgadores (fl. 20): Manuela Drummond Duarte - Relatora e Presidente, tendo participado do julgamento: Yuri Gagharin de Assis Braga e Gilmar de Souza. Assim, não assiste razão ao Recorrente. Da decadência e da prescrição Em relação a decadência, ressalta-se que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é aquele previsto no artigo 173, inciso I do CTN. Ainda, conforme a Súmula CARF n° 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Tendo em vista que o auto de infração refere-se a multa por atraso na entrega da GFIP e que a ciência do lançamento foi realizada dentro do prazo quinquenal, não há que se falar em decadência no presente processo. Também não merece ser acolhida a prescrição suscitada pela Recorrente. De acordo com o artigo 174, caput do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data de sua constituição definitiva, ou seja, do momento em que a Fazenda Pública passa a ter o direito de exigir judicialmente do contribuinte a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, com a decisão do último recurso administrativo interposto. As impugnações e recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151 do CTN, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário O interessado requer seja reconhecida a suspensão de exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-007.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13811.721551/2018-45 Deste modo, as reclamações e recursos apresentados nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário em litígio, consoante artigo 151, III do CTN combinado com o artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972. Mérito Da multa aplicada De acordo com a prescrição contida no artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatada a infração, no caso o atraso na entrega da GFIP, a autoridade fiscal não só está autorizada como obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa prevista na legislação que rege a matéria. No caso em comento, a multa é exigida em função do não cumprimento no prazo da obrigação acessória e sua aplicação independe do cumprimento da obrigação principal, da condição pessoal ou da capacidade financeira do autuado, da existência de danos causados à Fazenda Pública ou de contraprestação imediata do Estado. A multa é aplicada, por meio de mesmo documento de lançamento, para cada GFIP entregue em atraso no período fiscalizado. Os valores são aplicados conforme definidos na lei, verificados os limites mínimos. Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, voto em não conhecer em parte do recurso voluntário, por este tratar de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. Na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer em parte do recurso voluntário, por este tratar de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. Na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente Redator Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 14489.000001/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 11/10/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se
fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
AUTO DE INFRAÇÃO. PREJUÍZO À FISCALIZAÇÃO.
IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade por infração à legislação tributária tem caráter objetivo, independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo irrelevante para a sua configuração a sindicância da culpa ou da intenção do infrator. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco mostra-se irrelevante para a lavratura do correspondente auto de infração e para a
imputação da respectiva penalidade pecuniária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.690
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constituise fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. PREJUÍZO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVANCIA. A responsabilidade por infração à legislação tributária tem caráter objetivo, independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo irrelevante para a sua configuração a sindicância da culpa ou da intenção do infrator. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco mostrase irrelevante para a lavratura do correspondente auto de infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Fl. 88DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Relatório Período de apuração: 03/2001 a 04/2007. Data de lavratura do Auto de Infração: 11/10/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 11/10/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no art. 32, III da Lei n° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de não haverem sido apresentadas as informações contábeis da empresa no padrão MANAD, estabelecido pela legislação previdenciária, conforme destacado no relatório fiscal a fl. 06. CFL 35 Deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Informa a Autoridade Lançadora haver intimado a empresa a presentar suas informações contábeis em meio digital, no padrão MANAD. Todavia, em esclarecimento prestado por escrito, a empresa informou não ter produzido os arquivos digitais solicitados. Ocorre que o autuado forneceu à fiscalização previdenciária sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, ano calendário 2004, onde na ficha Outras Informações (ficha 56A) informa possuir escrituração em meio magnético, restando comprovado que a empresa possuía sistema eletrônico de processamento de dados. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, ‘b’ e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, com o seu valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 142, de 11/04/2007, elevada em duas vezes em razão de circunstância agravante configurada pela reincidência genérica, em virtude da lavratura do Auto de Infração nº 35.410.9553 emitido em ação fiscal anterior, o qual se encontra em fase de cobrança pela Procuradoria. Fl. 89DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14489.000001/200899 Acórdão n.º 230201.690 S2C3T2 Fl. 74 3 Irresignado com a autuação, o autuado apresentou impugnação administrativa, a fls. 26/32. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 47/52, julgando procedente a autuação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/07/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 57. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 58/67, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que a decisão recorrida buscou sustentar a autuação fiscal exclusivamente em função da forma pela qual a Recorrente apresentou seus documentos fiscais e contábeis, não se atentando para o fato de que a documentação foi efetivamente disponibilizada, permitindo que a fiscalização pudesse realizar o procedimento fiscal, atendendo, assim, à finalidade da norma tributária; • Que não tendo ocorrido prejuízo fiscalização, a qual teve acesso a todos os documentos solicitados, é inadmissível a aplicação da multa agravada por descumprimento da obrigação acessória ora questionada; Ao fim, requer a declaração de improcedência da presente autuação. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 90DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/07/2009. Havendo sido o recurso protocolizado aos 26 dias do mês de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade de sua interposição. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA CONDUTA INFRACIONAL O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. De outro canto, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 91DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14489.000001/200899 Acórdão n.º 230201.690 S2C3T2 Fl. 75 5 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 92DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estabeleceu uma série de obrigações instrumentais a serem observadas pela empresa, dentre elas, o dever jurídico de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do seu interesse, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os Fl. 93DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14489.000001/200899 Acórdão n.º 230201.690 S2C3T2 Fl. 76 7 padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (grifos nossos) Tal obrigação acessória evidenciase como contínua, não se extinguindo com a mera apresentação de documentos. Ela pressupõe o dever de prestar esclarecimentos à Fiscalização a qualquer tempo, de molde que, mesmo após a apresentação de documentos, caso a Fiscalização solicite novos esclarecimentos, à empresa não é concedida a faculdade de se furtar a cumprir o objeto da intimação, tampouco se escudar na pueril suposição de que eventuais documentos já exibidos anteriormente seriam suficientes e bastantes, eis que a mera exibição de documentos não supre nem exclui qualquer demanda ulterior por esclarecimentos de ordem verbal ou escrita. Na mesma toada, complementando o dever instrumental insculpido no inciso III do art. 32 acima transcrito, o art. 8º da Lei nº 10.666/2003 impôs às empresas que utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária a obrigação acessória de arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Lei nº 10.666, de 08 de maio de2003 Art. 8o A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Determinação semelhante encontrase encartada no §22 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, inserido pelo Decreto nº 4.729/2003, in verbis: Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Fl. 94DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 (...) §22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) No caso em estudo, o item 16 da ficha 56A – Outras Informações da DIPJ, ano calendário 2005, a fl. 21, revela que a empresa recorrente se utiliza de escrituração contábil em meio magnético, circunstância fática que a faz se subsumir à hipótese genérica e abstrata estampada no art. 8º da Lei nº 10.666/2003. Conferindo as condições de contorno necessárias à implementação da obrigação acessória ora em foco, a Portaria MPS/DIREP 42, de 24 de junho de 2003, estabeleceu em seu Anexo Único as Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos, a Documentação de Acompanhamento, o Modelo de Relatório de Acompanhamento, assim como o lay out dos Arquivos digitais Padronizados, assim dispondo ad litteris et verbis: PORTARIA INSS/DIREP nº 42, de 24 de junho de 2003 Art. 1º As pessoas jurídicas de que trata o art. 66 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003, a partir de 1º de julho de 2003, quando intimadas por AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), deverão apresentar documentação técnica completa e atualizada dos sistemas e os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. §1º Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 01 de julho de 2003 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida neste ato. §2º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. §3º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata §1º do artigo anterior poderão ser apresentados em Fl. 95DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14489.000001/200899 Acórdão n.º 230201.690 S2C3T2 Fl. 77 9 forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. Art. 2ºA O sistema próprio do INSS a que faz referência o item 3 do Anexo Único, utilizado para a geração de código de identificação no ato da entrega dos arquivos pela pessoa jurídica, é o Sistema Gerador de Código (SGC), que está disponível no site oficial da Previdência Social. (Artigo acrescentado pela Portaria INSS/DIREP nº 07, de 20/01/2004) Notese que o art. 2º da aludida Portaria nº 42/2003 autoriza que o agente fiscal receba os arquivos digitais em foco apresentados em forma diferente da estabelecida nesse Ato, até mesmo em padrão diverso do MANAD, desde que, obviamente, dos arquivos se possa extrair as informações de interesse do fisco. Apesar disso, optou a autuada por declarar que “o seu atual sistema coorporativo não contempla a produção de arquivos digitais contendo as suas informações contábeis”, informação essa desmentida pelo item 16 da ficha 56ª da DIPJ, a fl. 21. A possibilidade de apresentação de arquivos digitais em padrão diverso do estabelecido na legislação previdenciária mantevese hígida até a publicação da Portaria MPS/SRP 58/2005, que aprovou o Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, assim dispondo: PORTARIA MPS/SRP nº 58, de 28 de janeiro de 2005 Art. 1° A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária, quando intimada por AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), deverá apresentar documentação técnica completa e atualizada de seus sistemas, bem como os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas, observadas as orientações; e especificações contidas no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD aplicado a Fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária — SRP. (grifos nossos)) §1º O Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD definirá a forma de cumprimento da obrigação acessória, criada pelo art. 8º da Lei nº 10.666 de 08 de maio de 2003, discriminando sua aplicabilidade nas empresas sob o regime de direito privado e as pessoas jurídicas de direito público cujas obrigações orçamentárias, financeiras, contábeis e patrimoniais estão elencadas na Lei nº 4.320 de 17 de março de 1964 e na Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000. §2º A especificação dos arquivos digitais, referente às obrigações fiscais, contábeis e patrimoniais das empresas sob o regime de direito privado, quando não definida de forma diversa pela Secretaria da Receita Previdenciária, obedecerá aos padrões definidos: Fl. 96DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 I. pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, em ato próprio; II. pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, em ato próprio; III. por atos de convênio firmados entre a Secretaria da Receita Previdenciária e os órgãos de administração tributária dos Estados e Municípios. Nesse contexto, a contar da publicação da suso transcrita Portaria MPS/SRP nº 058/2005, os arquivos digitais configurados em lay out diverso daquele estabelecido no MANAD não podem mais ser aceitos pela fiscalização, caracterizandose como descumprimento da obrigação acessória em realce a apresentação de arquivos digitais em formato distinto. Não procede a alegação do Recorrente de que “não tendo ocorrido prejuízo fiscalização, a qual teve acesso a todos os documentos solicitados, é inadmissível a aplicação da multa agravada por descumprimento da obrigação acessória ora questionada” A uma, porque as obrigações acessórias constituemse deveres instrumentais negativos ou positivos instituídos no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Logo, o prejuízo é evidente, eis que o interesse do fisco insculpido na obrigação descumprida houvese por não contemplado. No caso presente, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. A duas, porque nos termos do art. 136 do CTN, a responsabilidade por infração à legislação tributária tem caráter objetivo, independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo irrelevante, igualmente, a sindicância da culpa ou da intenção do infrator. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco mostrase irrelevante para a lavratura do correspondente auto de infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária. Também não procede a alegação de que a decisão recorrida teria buscado sustentar a autuação fiscal exclusivamente em função da forma pela qual a Recorrente apresentou seus documentos fiscais e contábeis, não se atentando para o fato de que a Fl. 97DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14489.000001/200899 Acórdão n.º 230201.690 S2C3T2 Fl. 78 11 documentação foi efetivamente disponibilizada, permitindo que a fiscalização pudesse realizar o procedimento fiscal, atendendo, assim, à finalidade da norma tributária. Conforme assentado nos parágrafos precedentes, a responsabilidade por infrações consistentes no descumprimento de obrigação acessória é objetiva, nos termos do §3º do art. 113 c.c. art. 136 ambos do CTN, de modo que “a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. Nesse contexto, a conduta omissiva assim perpetrada pelo Recorrente representa ofensa direta à obrigação acessória ordenada no art. 32, III da Lei Orgânica da Seguridade Social. Visando a conferir efetividade à obrigações instrumentais impostas, o art. 92 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu que a infração de qualquer dispositivo constante na citada Lei de Custeio, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), na forma como dispuser o regulamento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Vertendo em termos mais palatáveis, a lei formal cominou às infrações a dispositivos constante na Lei de Custeio da Seguridade Social penalidade pecuniária, variável em função de sua gravidade, outorgando ao regulamento a competência para dispor sobre a forma como essa penalidade, variável em sua origem legal, será aplicada às infrações em razão da sua maior ou menor gravidade ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Notese que, nos termos do art. 115 do CTN, o fato gerador da obrigação acessória é a situação que, na forma da legislação – não da lei , impõe a prática ou a abstenção do ato punível. Louvouse o Auto de Infração sub examine na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no inciso III do art. 32 da Lei 8.212/91, a qual finca o dever instrumental de o sujeito passivo prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Nessa vertente, atendendo à normatividade exigida pelo dispositivo legal em ênfase, a alínea ‘b’ do inciso III do art. 283 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, assim destacou: Regulamento da Previdência Social. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e Fl. 98DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No presente caso, o valor das penalidades foi atualizado pela Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007, publicada no Diário Oficial da União em 12/04/2007. Dessarte, revelase desprovido de razoabilidade o argumento do Recorrente no qual afirma que os limites das multas fiscais estão vinculados à observância da razoabilidade e da proporcionalidade da exação. Ora, o valor da multa aplicada encontrase expressamente estabelecido no art. 283, II, "b" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, com seus valores atualizados pelo inciso VI do art. 9º da Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007, do Ministro de Estado da Previdência Social, conforme disposto nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 99DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14489.000001/200899 Acórdão n.º 230201.690 S2C3T2 Fl. 79 13 Fl. 100DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1019.15364.IJZY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ARLINDO DA COSTA E SILVA em 19/03/2012 16:16:48. Documento autenticado digitalmente por ARLINDO DA COSTA E SILVA em 19/03/2012. Documento assinado digitalmente por: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA em 04/04/2012 e ARLINDO DA COSTA E SILVA em 19/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.1019.15364.IJZY Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 680990083A16FB76C2A8E7EADDB4D9DF39A0137E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 14489.000001/2008-99. 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Numero do processo: 13851.901774/2012-22
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Feb 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A alegação de erro no preenchimento de declarações, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar débito regularmente constituído.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Numero da decisão: 3201-007.768
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A alegação de erro no preenchimento de declarações, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar débito regularmente constituído. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
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ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A alegação de erro no preenchimento de declarações, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar débito regularmente constituído. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do direito creditório a ser compensado. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 17 74 /2 01 2- 22 Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-007.768 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901774/2012-22 Relatório Trata o presente processo de Despacho Decisório eletrônico que não homologou as compensações, já que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e foi utilizado integralmente na escrita fiscal em outros períodos de apuração. O ressarcimento solicitado é relativo ao IPI do 2º trimestre de 2006. Em manifestação de inconformidade a empresa informa que apurou os créditos de IPI passíveis de ressarcimento, após efetuadas as deduções e utilizou-os na compensação de débitos próprios. Junta cópia da DIPJ 2007, ano base 2006, Ficha 20 da Apuração do saldo do IPI. A DRJ Ribeirão Preto julgou a manifestação, resultando no acórdão nº14-45.005, de 25/09/2013 onde expõe que: A consulta às “Informações Complementares da Análise de Crédito”, alusivas ao DDE em questão, reproduzidas nos autos, revelam que não houveram glosas de créditos pelo Sistema de Controle de Créditos e que o saldo credor ressarcível calculado pelo sistema para o trimestre é igual ao valor solicitado. No entanto, o “Demonstrativo da Apuração após o Período do Ressarcimento” revela a existência de débitos (coluna “d”), tais débitos representam a alocação pelo sistema dos estornos de ressarcimentos, objeto de outros PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte, no último período de apuração do trimestre a que se referem. Conforme consulta ao Sistema Integrado de Informações Econômico-Fiscais – SIEF, foram localizados tais valores em PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte em períodos posteriores. Os débitos em questão consumiram integralmente aqueles objeto do PER/DCOMP sob análise, até a data de sua transmissão, resultando um menor saldo credor nulo, não restando valor a ser reconhecido. Conforme antes relatado, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitou-se a comentar que não foi aproveitado o saldo credor do trimestre anterior, o que não se pode aceitar, na medida que o ressarcimento é concedido por trimestre calendário. Logo, de acordo com o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do processo administrativo fiscal, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Após o julgamento pela DRJ a empresa protocolizou, em 09/04/2014, aditivo a manifestação de inconformidade. No termo de análise de solicitação de juntada a unidade da RFB informa que os documentos não foram aceitos: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ENTREGUE PELO CONTRIBUINTE, DATADA EM OUT/2010, JÁ FOI OBJETO DE JULGAMENTO POR PARTE DA DRJ/RPO. CASO O CONTRIBUINTE QUEIRA APELAR CONTRA CITADA DECISÃO DA DRJ, TERÁ QUE FAZÊ-LO NA FORMA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde informa que: - após a análise do PER/Dcomp verificou um equívoco no preenchimento, nas informações sobre demonstrativos de débitos (janeiro/2008 saídas); Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-007.768 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901774/2012-22 - conforme ficha do livro de Apuração do IPI, existe valores que foram computados indevidamente como estorno de créditos, em abril/2007 , julho/2007, outubro/2007, janeiro/2008, fevereiro/2008, o que deve ser considerado. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme relatado a recorrente insurge-se contra despacho decisório eletrônico alegando que houve equívoco no preenchimento das declarações. Em manifestação de inconformidade a recorrente limitou-se a contestar genericamente o despacho decisório, e juntar cópia das páginas 19 e 20 da DIPJ 2007 – Ano Base 2006. Como é sabido o despacho decisório eletrônico consiste da verificação da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte apurando-se o saldo credor passível de ressarcimento. Para isso é verificado se os créditos passíveis de ressarcimento apurados ao fim do trimestre-calendário a que se refere o pedido se mantêm na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP, ou seja, se já não foram utilizados para se abater outros débitos. A DRJ no acórdão recorrido afirma que em consulta às “Informações Complementares da Análise de Crédito”, reproduzidas nos autos, revelou-se que não houveram glosas de créditos pelo Sistema de Controle de Créditos e que o saldo credor ressarcível calculado pelo sistema para o trimestre é igual ao valor solicitado. No entanto, o “Demonstrativo da Apuração após o Período do Ressarcimento” revela a existência de débitos (coluna “d”), tais débitos representam a alocação pelo sistema dos estornos de ressarcimentos, objeto de outros PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte, no último período de apuração do trimestre a que se referem. E no Sistema Integrado de Informações Econômico-Fiscais – SIEF, foram localizados tais valores em PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte em períodos posteriores. No Recurso Voluntário, a recorrente, apenas informa que após a análise do PER/Dcomp verificou um equívoco no preenchimento, nas informações sobre demonstrativos de débitos, e que conforme ficha do livro de Apuração do IPI, existe valores que foram computados indevidamente como estorno de créditos, em abril/2007 , julho/2007, outubro/2007, janeiro/2008, fevereiro/2008, o que deve ser considerado. Desde a sua primeira manifestação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. Examinando os autos, observa-se que o sujeito passivo não apresentou, na fase de manifestação de inconformidade ou no Recurso Voluntário, escrituração contábil-fiscal nem documentos que a suportem, suficientes para demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado. Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-007.768 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.901774/2012-22 Segundo o PAF, Decreto nº 70.235/72, a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) ... Há de se lembrar que a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Nesse contexto, no âmbito de pedidos de restituição, ressarcimento e compensações, o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado recai sobre o sujeito passivo, a teor do que dispõe o Código de Processo Civil, art. 373. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13839.723040/2016-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2017
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
Acarreta a exclusão de ofício do Simples Nacional, a existência de débitos com exigibilidade não suspensa.
Numero da decisão: 1402-005.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Paula Santos de Abreu, Iágaro Jung Martins, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Acarreta a exclusão de ofício do Simples Nacional, a existência de débitos com exigibilidade não suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Paula Santos de Abreu, Iágaro Jung Martins, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis - SC, através do acórdão 07-40.633, que julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 30 40 /2 01 6- 98 Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 Do litígio fiscal e manifestação de inconformidade: Por bem descrever os termos do litígio fiscal e respectiva manifestação de inconformidade, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Trata o presente processo do Ato Declaratório Executivo DRF/JUN nº 2358031, de 09/09/2016, por meio do qual a Interessada foi excluída de ofício do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2017. A exclusão foi motivada pela existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme previsto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Os débitos em questão são os seguintes: Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de f. 3 a 8, na qual alega, em síntese, que: - O Impugnante tem por objeto social a prestação de serviços decorrentes de Contrato de Franquia Empresarial celebrado com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e, para recolhimento de seus tributos está enquadrada, nos termos do art. 12 e seguintes da Lei Complementar nº 123/2006, no Simples Nacional. - Pretendendo afastar a cobrança do ISS mediante a declaração incidenter tantum da inconstitucionalidade do art. 1º, itens 17.08 (atividade de franquia) e 26.01 (serviço postal), da Lei Complementar nº 116/03 que incluiu na lista de serviços atividades que não se subsumem ao conceito de “serviço”, a ora Impugnante ingressou com ação judicial nº 0003631-59.2004.8.26.0309 (doc. 4), na qual deposita mensalmente o valor exato do ISS devido, a fim de garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. - É exatamente o caso dos supostos débitos apontados pela Receita Federal do Brasil no ADE referentes aos anos de 2014, 2015 e 2016, valores estes que foram integralmente depositados na ação judicial, conforme comprovantes anexos (doc. 5), de tal forma que resta comprovada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. - Especificamente em relação ao período de apuração de fevereiro de 2014, a ora Impugnante esclarece que o valor depositado foi complementado (doc. 6), acrescido de multa e juros, de tal forma que a ele também se aplicam as disposições contidas no inciso II do art. 151 do Código Tributário Nacional, devendo ser reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. - Por todo exposto, inexistente a causa ensejadora da exclusão da ora Impugnante, requer-se o imediato cancelamento do ADE. Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 Da decisão da DRJ: Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu por NEGAR PROVIMENTO TOTAL à mesma, por unanimidade. A decisão foi ementada nos seguintes termos: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2017 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL. HIPÓTESE. Acarreta a exclusão de ofício do Simples Nacional, a existência de débitos com exigibilidade não suspensa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, transcreve-se os fundamentos utilizados para a sua decisão final: A manifestante alega que os débitos estão com exigibilidade suspensa por força do inciso II, ao art. 151 do Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] II - o depósito do seu montante integral; Para comprovar a realização dos depósitos judiciais, juntou aos autos cópias das guias de depósito (doc. 5 e 6, f. 57 a 93). Todavia, compulsando referidas guias constata-se que os depósitos foram todos feitos após o prazo de vencimento. De se ver alguns exemplos aleatoriamente:. (a) Período de apuração 01/2014, valor devido de R$ 5.310,42, vencimento dia 20/02 (quinta-feira), conforme agenda tributária divulgada pela RFB. Todavia, o depósito foi feito somente em 26/02, sem multa de mora: Os acréscimos moratórios são os mesmos previstos para o imposto de renda, conforme art. 35 da Lei Complementar nº 123, de 2006: Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 Art. 35. Aplicam-se aos impostos e contribuições devidos pela microempresa e pela empresa de pequeno porte, inscritas no Simples Nacional, as normas relativas aos juros e multa de mora e de ofício previstas para o imposto de renda, inclusive, quando for o caso, em relação ao ICMS e ao ISS. Deste modo, a manifestante deveria incluir multa de mora calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, de acordo com o previsto no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998) (b) Período de apuração 02/2014, valor devido de R$ 5.197,99, vencimento dia 20/03 (quinta-feira), conforme agenda tributária divulgada pela RFB. Todavia, o depósito foi feito somente em 25/03, sem multa de mora: A manifestante alega que fez o depósito da parcela faltante de R$ 95,78, com multa de mora de 20% (R$ 19,15) e juros de mora (R$ 31,19), o que demonstra a partir do comprovante de f. 92 (doc. 6). Entretanto, nada foi mencionado sobre a multa de mora sobre o valor recolhido em 25/03. (c) Período de apuração 03/2014, valor devido de R$ 5.692,22, vencimento dia 22/04 (terça-feira), conforme agenda tributária divulgada pela RFB. Todavia, o depósito foi feito somente em 25/04, sem multa de mora: Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 (d) Período de apuração 10/2015, valor devido de R$ 9.474,82, vencimento dia 20/11 (sexta-feira), conforme agenda tributária divulgada pela RFB. Todavia, o depósito foi feito somente em 25/11, sem multa de mora: (e) Período de apuração 02/2016, valor devido de R$ 10.565,21, vencimento dia 21/03 (segunda-feira), conforme agenda tributária divulgada pela RFB. Todavia, o depósito foi feito somente em 24/03, sem multa de mora: Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 Como se infere dos exemplos acima, a manifestante não fez o depósito integral do crédito tributário, de modo que não pode se amparar na suspensão da exigibilidade prevista no inciso II, do art. 151 do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, não havendo comprovação da suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do ADE, é de se referendar o Ato Declaratório Executivo que excluiu a Interessada do Simples Nacional. Do Recurso Voluntário: Nos autos, não foi localizado nenhum documento que comprove a ciência do contribuinte da decisão a quo, cuja sessão de julgamento foi em 20/09/2018. Há apenas um pedido de cópia do processo em 16/03/2018, e o recurso voluntário apresentado em 09/03/2018 (efls. 111 e segs.). Na sua peça recursal, há menção que tomara a ciência em 07/02/2018. Não há nos autos nenhum despacho de encaminhamento ao CARF (como tende a acontecer), e muito menos alguma menção da questão da ciência e/ou eventual tempestividade do recurso voluntário. Assim, considerando os itens acostados aos autos e descritos acima, e na falta de algo que comprove o contrário, vou assumir como tempestivo o recurso voluntário. No mesmo, em essência reforça os pontos já alegados na sua peça manifestação de inconformidade, dos quais destaco abaixo: - reclama pelo efeito suspensivo da sua exclusão, até o trânsito em julgado administrativo do presente processo; - alega que houve cerceamento de defesa, pois no seu entender, os fundamentos da DRJ (que os pagamentos não foram integrais) seria fato novo e distinto dos fundamentos do ato declaratório da sua exclusão (débitos sem exigibilidade suspensa); - requer que seja considerada a sua boa-fé dado o contexto, e homologação do quantum depositado; - inexistem os débitos em questão (ISSQN) perante a prefeitura municipal, pelo que anexo certidão negativa de débitos de tributos municipais; Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 - alega que logo após tomar ciência do acórdão a quo procedeu ao recolhimento das diferenças apontadas. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. Conforme relatório que precede o presente voto, o recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. Do recurso voluntário: O presente processo trata de ADE de exclusão do simples nacional, com efeitos a partir de 01/01/2017. A motivação de tal ADE foi a existência de débitos com a Fazenda Pública Federal com a exigibilidade não suspensa, conforme previsto no inciso V do art. 17 da LC nº 123/2006. Os débitos em questão foram os seguintes: Na sua defesa em peça manifestatória, alegou, em síntese, que tais débitos seriam de ISS, a qual estaria discutido na justiça, por não se entender contribuinte de tal tributo, e que em virtude desta ação judicial, estaria depositando mensalmente este valor. A decisão da DRJ, após analisar os elementos e alegações, entendeu por negar provimento, pois verificou que os depósitos foram todos feitos após o prazo de vencimento, sem os devidos acréscimos moratórios. Para alguns depósitos, apesar de recolhido posteriormente tal diferença, remanesceram débitos sem tal recolhimento. Assim, entendeu a DRJ que o contribuinte não fez o recolhimento integral do crédito tributário em discussão, não se podendo aplicar a suspensão da exigibilidade nos termos do inciso II do art. 151 do CTN. Fl. 319DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 Em peça recursal, tece as seguintes alegações: - reclama pelo efeito suspensivo da sua exclusão, até o trânsito em julgado administrativo do presente processo; - alega que houve cerceamento de defesa, pois no seu entender, os fundamentos da DRJ (que os pagamentos não foram integrais) seria fato novo e distinto dos fundamentos do ato declaratório da sua exclusão (débitos sem exigibilidade suspensa); - requer que seja considerada a sua boa-fé dado o contexto, e homologação do quantum depositado; - inexistem os débitos em questão (ISSQN) perante a prefeitura municipal, pelo que anexou certidão negativa de débitos de tributos municipais; Parto a análise destas alegações. - do efeito suspensivo da sua exclusão: Tal proteção, conforme suas alegações, está prevista no inciso III do art. 151 do CTN, ou seja, durante o processo administrativo fiscal, enquanto não transitada a decisão final, cabe a suspensão dos efeitos do ADE do simples nacional, só implementado após, contudo, com os efeitos desde a data ali prevista. - da alegação de cerceamento de defesa: Na sua peça recursal alega que houve cerceamento de defesa, pois no seu entender, os fundamentos da DRJ (que os pagamentos não foram integrais) seria fato novo e distinto dos fundamentos do ato declaratório da sua exclusão (débitos sem exigibilidade suspensa). Contudo, não acompanho tal posicionamento. O fato dos pagamentos não serem integrais exclui a suspensão da exigibilidade, do mesmo modo que ato declaratório. Ou seja, a exclusão foi por conta de débitos sem exigibilidade suspensa, e assim constam nos sistemas da RFB. O contribuinte traz a questão da discussão judicial e alega que estaria depositando tais valores, contudo, para suspender a exigibilidade nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, tais valores devem ser no seu montante integral. No caso, como os depósitos foram feitos após o prazo devido, há parcelas obrigatórias não depositadas, o excluiria tal suspensão. Tal condição é fundamental, pois antes e posteriormente da decisão da DRJ, o contribuinte depositou as parcelas faltantes dos valores, para tentar regularizar a situação. Assim, não vislumbro nenhum cerceamento de defesa, pelo que VOTO em REJEITAR tal alegação. - da alegação que seja considerada a sua boa-fé Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 A recorrente requer que seja considerada a sua boa-fé dado o contexto, e homologação do quantum depositado. A questão nos autos envolve a aplicação de uma norma bem clara, no seguintes termos: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte: (...) V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Inclusive, há uma liberalidade que permite a regularização dos débitos no prazo de 30 dias após ciência do ADE, nos seguinte termos: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) § 2o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Tal situação que permite a regularização está descrita na relação dos débitos motivadores da exclusão de ofício do simples nacional, consultável quando da ciência do ADE do simples nacional. Não se torna um mero detalhe depositar o valor em discussão no juízo após o vencimento do mesmo, pois, como já mencionado, tal ato retira a característica de montante integral se não vier acompanhado dos acréscimos legais devidos (multa por atraso e juros legais). Assim, não se aplicaria a previsão da suspensão da exigibilidade nos termos do inciso II do art. 151 do CTN. Assim, abstraindo qualquer mérito, nos termos legais, os débitos não estavam com a sua exigibilidade suspensa, e assim, há uma sanção prevista na LC 123/06. Tentar alegar a boa-fé, como faz o contribuinte, seria ignorar o teor inconteste da normativa aplicável ao caso, bem como ignorar que houve um alerta para regularizar a situação em 30 dias, e não o fez. Não basta para elidir sua responsabilidade, como alega na sua peça recursal, que tinha a premissa de que estava em dia com o Fisco Municipal, pois mensalmente efetuava o depósito do valor integral do imposto discutido judicialmente. Esta é a questão, o montante depositado não era do montante integral. O fato da outra parte interessada do processo judicial – Fisco Municipal, não ter eventualmente questionado a integralidade de tais depósitos (como alega a recorrente), não elide Fl. 321DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 tal fato e gera os efeitos replicáveis, como do caso em discussão nos autos – exclusão do simples nacional por estar com débitos sem exigibilidade suspensa. E o mesmo vale para a certidão negativa de débitos da recorrente, do fisco municipal, não convalida a situação fática aqui discutida, como analisado abaixo. - da certidão negativa de débitos apresentada Continua na sua defesa de que inexistem os débitos em questão (ISSQN) perante a prefeitura municipal, pelo que anexou imagem da certidão negativa de débitos de tributos municipais na sua peça recursal. Nas suas palavras: Tal documento é prova cabal e inconteste que a Recorrente não tem débitos de ISSQN em aberto perante a Municipalidade, não havendo o que se falar em exclusão do Simples Nacional motivada por pendências de ISSQN dos períodos de 01/2014 até 03/2016. Primeiramente, em análise aos autos, e relembrando, a ciência do ato declaratório de exclusão do simples nacional se deu em 31/10/2016, tendo 30 dias para regularizar os débitos listados que não estavam com a exigibilidade suspensa. A certidão de débitos apresentadas foi emitida em 07/03/2018, ou seja, bem além do prazo previsto no parágrafo anterior, não servindo, mesmo em hipótese de se concordasse com o contribuinte, como prova cabal, como alega. Além do mais, mesmo que ignorássemos tal aspecto temporal, a eventual emissão de uma certidão negativa de débitos não está relacionado no art. 151 do CTN para determinar a caracterização da suspensão da exigibilidade de determinado(s) débitos. É este artigo do CTN que regula a situações que determinam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, devendo ser como referência quando se fala nesta situação jurídica. Assim, não acompanho neste raciocínio do contribuinte neste ponto. - No mérito: Apesar de não defendido diretamente na sua peça recursal, cabe ressaltar que o contribuinte não contesta as diferenças de valores para constar como depósito do montante integral, como se posicionou a DRJ na sua decisão. Enfatiza que o fisco municipal não questionou as diferenças e eles não tinham autuado de ofício tais diferenças até a apresentação da peça recursal, dando a entender também que não os depositou até então. Assim, lateralmente, se defende que o valor do principal do crédito tributário estaria depositado, mas como já ressaltado no presente voto (e com detalhes na decisão a quo), os acréscimos moratórios acompanham o débito, inclusive, com as regras vigentes, havendo imputação proporcional do principal quando paga nas circunstâncias como ocorreu nos autos. Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-005.296 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.723040/2016-98 Assim, não se pode, ratificando a decisão a quo, dizer que pagando (no caso, depositando em juízo) o valor do principal após o seu vencimento, que se estaria regularizando o débito, pois remanesceria os acréscimos moratórios devidos. E sobre a processo judicial citado pelo contribuinte, TJ de SP, nº 0003631- 59.2004.8.26.0309, aguardando decisão final, e na pesquisa que efetuei, não fica claro o posicionamento até o momento, dadas as limitações para acessar o teor que encontrei para tanto. Mas como o contribuinte não alegou nenhuma liminar em mandado de segurança em seu favor na sua peça recursal (e nem na manifestação de inconformidade), presume-se que não exista. Conclusão: Assim, considerando o todo exposto acima, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do simples nacional. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13855.720096/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2007
DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA.
Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. A diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas ao fato que, por sua natureza, prova-se por meio documental.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A imposição de penalidades, no âmbito tributário, é norteada pela responsabilidade objetiva, ou seja, independente de dolo ou de culpa.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observar o requisito legal da aptidão agrícola, e o Recorrente deixar de refutá-lo mediante laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos estabelecidos na NBR 14.653 da ABNT.
ÁREA DE CULTIVO UTILIZADA. COMPROVAÇÃO.
A comprovação da área utilizada no cultivo de produtos vegetais pode ser realizada com relatórios de produção acompanhados de notas fiscais de entrada que atestem uma produção compatível com a área declarada.
Numero da decisão: 2402-009.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer 109,77 ha de Área de Produtos Vegetais em acréscimo à área de 167 ha já restabelecida pela decisão de primeira instância.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: RAFAEL MAZZER DE OLIVEIRA RAMOS
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PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. A diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas ao fato que, por sua natureza, prova-se por meio documental. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A imposição de penalidades, no âmbito tributário, é norteada pela responsabilidade objetiva, ou seja, independente de dolo ou de culpa. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observar o requisito legal da aptidão agrícola, e o Recorrente deixar de refutá-lo mediante laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos estabelecidos na NBR 14.653 da ABNT. ÁREA DE CULTIVO UTILIZADA. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área utilizada no cultivo de produtos vegetais pode ser realizada com relatórios de produção acompanhados de notas fiscais de entrada que atestem uma produção compatível com a área declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer 109,77 ha de Área de Produtos Vegetais em acréscimo à área de 167 ha já restabelecida pela decisão de primeira instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 96 /2 01 0- 05 Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Relatório Tratou-se de impugnação e documentos apresentados à exigência formalizada mediante notificação de lançamento, a qual se exigiu o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do exercício 2007, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Santa Maria, com área total de 464,0 hectares, localizado no município de Franca-SP. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR em relação à área de produtos vegetais e VTN. Em julgamento pela DRJ, a mesma entendeu pela manutenção do lançamento, julgando-o procedente, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2007 NIRF: 0.772.740-2 - Fazenda Santa Maria DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. A diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas ao fato que, por sua natureza, prova-se por meio documental. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais o laudo técnico emitido por profissional habilitado e as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 Inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, acatando a r. decisão e protestou pela reforma da mesma. Sem contrarrazões. Quando do julgamento por este Conselho, converteu-se em diligência para que a Secretaria de origem apresentasse a consulta SIPT mencionada. Cumprida a diligência (fl. 291) e ofertada vistas à Contribuinte, esta permaneceu inerte. Após, os autos retornaram para julgamento para este mesmo Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Relator. Dos Documentos Trazidos Juntamente com o Recurso Voluntário Inicialmente, como parte da solução do litígio, peço vênia para me valer, como razões de decidir, de trechos do voto vencedor que prevaleceu no julgamento do acórdão nº 1302002890, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, julgado aos 14 de junho de 2018, relativamente à preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício naquele caso pelo conselheiro relator: “(...) Ousa-se discordar do ilustre relator no ponto em que entendeu pela impossibilidade de o contribuinte juntar documentos aos autos, após a apresentação da impugnação administrativa. É que o processo administrativo fiscal é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos, está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confira-se: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes. Deve-se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que como mencionado, ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, nos quais o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estriba-se na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radica-se na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazê-lo buscando a verdade material, ao invés de satisfazer-se com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494). (...) Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confira-se: IRPJ. PREJUÍZO FISCAL. IRRF. RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO. Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, deve-se admitir a juntada de documentos, que, supostamente, confirmariam o direito creditório do contribuinte.” Fl. 302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 Nesse mesmo sentido, cito julgado recente deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral a prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte apresentado os documentos comprobatórios no voluntário, razoável se admitir a juntada e a realização do seu exame, pois seria por demais gravoso e contrário ao princípio da verdade material a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. Além disso, esta é a ultima instância administrativa para derradeiro reconhecimento, e não sendo atendido, o contribuinte não hesitará em buscar a tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco enfrentar a mesma situação, com as provas apresentadas em juízo. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. As contribuições para a previdência privada do contribuinte são dedutíveis, desde que devidamente comprovadas. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis as despesas com saúde pagas dentro do ano calendário. Comprovado que o gasto se refere ao contribuinte e seus dependentes as despesas glosadas devem ser restabelecidas em razão de ter havido a comprovação documental das deduções. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DA DEDUÇÃO. São dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de pensão alimentícia quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e dentro dos parâmetros do normativo fiscal. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. 1 Por todo o exposto, voto por conhecer os documentos acostados aos autos pelo Recorrente quando da interposição do Recurso Voluntário. Das Preliminares Da Diligência ou Perícia A Recorrente alegou nulidade do feito, em razão de ter requerido perícia e diligência na primeira fase. Tal como negado no julgamento pela DRJ, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do artigo 16, do § 4º, do Decreto n.º 70.235/1972. E, neste sentido, a diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas ao fato que, por sua natureza, prova-se por meio documental. 1 2201-003.357 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 2ª Seção de Julgamento Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 Logo, não merece deferimento tal preliminar e requerimento. Da Multa de Ofício – Confisco Sobre o propalado caráter confiscatório da multa aplicada, demonstrou-se acima que a autoridade autuante pautou-se nas disposições legais relativas à matéria para a determinação da multa aplicada. Do mesmo modo, já se esclareceu que o CARF não tem competência para afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade. De mais a mais, a vedação ao confisco referida no texto constitucional é regra dirigida ao legislador, e que deve ser observada por ocasião da elaboração das leis. À autoridade administrativa, em vista do disposto no artigo 3º, do CTN, cabe aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Ainda, independente do seu quantum, a multa, ora em análise, decorre de lei e deve ser aplicada, pela autoridade tributária, sempre que for identificada a subsunção da conduta à norma punitiva, haja vista o disposto no art. 142, § único, do CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sendo assim, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade tributária aplicá- la, sem relevância ou critério acerca da justiça ou injustiça dos efeitos dela decorrentes. Portanto, voto no sentido de manter a multa aplicada. Do Mérito Do VTN do Imóvel Fiscalizado Sobre o Valor da Terra Nua, a Recorrente alega que a autoridade fiscal valeu-se de critérios subjetivos ao proceder ao arbitramento do valor da terra nua pela aplicação do SIPT, que, na verdade, trata-se de sistema supostamente estabelecido com base no artigo 14 da Lei nº 9.393/96. Constata-se dos artigos 2º e 3º da Portaria SRF nº 447/02, que aprova o aludido sistema, que a RFB não franqueia o acesso ao contribuinte aos dados nele inseridos, o que impossibilita que ele confira as informações levantadas, os cálculos efetuados e se cumprem efetivamente os critérios legais, afrontando, assim, o princípio da legalidade e o próprio direito de defesa do contribuinte. E, neste ponto, a mencionada tela SIPT constou nos autos quando da notificação de lançamento (fl. 04) e reapresentada na diligência (fl. 291), nos mesmos valores. O SIPT - Sistema de Preços de Terras, como importante instrumento de atuação do Fisco na fiscalização do ITR, possui bases legais que justificam a sua existência, qual seja o artigo 14 da Lei n° 9.393/96. Contudo, o fato de ter previsão em lei não significa, em absoluto, uma legitimidade incondicional. Muito ao contrário. A mesma lei que o legitima também prevê o seu regramento. Ou seja, os seus limites. Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 Nessa linha, o próprio regramento do Sistema de Preços de Terra - SIPT prevê que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretárias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, e o objetivo desse direcionamento, é, evidentemente, realizar o princípio da verdade material, tão caro ao Direito Tributário. Assim é que para que dispõe o artigo 14, da Lei nº 9.393/96 o seguinte: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. O artigo 12, inciso II, § 1º, a Lei nº 8.629/93, assim prevê: Art. 12. Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I - localização do imóvel; II - aptidão agrícola; III - dimensão do imóvel; IV - área ocupada e ancianidade das posses; V - funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1 o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder-se-á à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendo-se o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2 o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3 o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. E, neste caso, entendo que não assiste razão à Recorrente, pois ao observar os extratos que serviram de base para a fiscalização arbitrar o VTN do ITR, verifiquei que constam todos os elementos para apuração do VTN, inclusive a informação que considerasse a aptidão agrícola para fins de arbitramento. Neste caso, com base nos extratos anexados aos autos, nota-se que o arbitramento do VTN realizado pela fiscalização, levou em consideração a aptidão agrícola e utilizou para o lançamento o VTN médio das declarações entregues no município. Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 Portanto, entendo que a fiscalização cumpriu o mandamento legal do disposto nos artigo 14, § 1°, da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, c/c com o artigo 12, da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, quando utilizou, para efeito do arbitramento, o VTN médio informado no SIPT, sem levar consideração o fator de aptidão agrícola. Ainda, o laudo apresentado (fls. 185-187) não cumpre as normas estabelecidas na NBR 14.653 da ABNT, inclusive o mínimo de comparativo para com outros imóveis em mesma situação com o objetivo de confrontar o VTN arbitrado. Neste sentido, julgo improcedente o recurso, neste mérito, para manter o valor do VTN apurado pela fiscalização, mantendo-se a decisão da DRJ. Da Área de Produtos Vegetais A decisão de primeira instância conheceu parcialmente da área de cultivo declarada, dando-se parcial provimento ao lançamento, conforme destaco da decisão: [...] Foram apresentados os seguintes documentos relacionados à matéria: 1) demonstração dos custos dos produtos no período 01/2007 a 12/2007, f. 173; 2) demonstração do resultado do exercício do período de 01/2007 a 12/2007, f. 174-176; 3) notas fiscais emitidas pela impugnante no ano de 2007, vinculadas ao imóvel fiscalizado, referentes à transferência de café para depósito, no total de 3.112 sacas, f. 177-183. 4) laudo de vistoria técnica emitido por engenheiro agrônomo em 23/12/2010, f. 185- 187, consignando que: “(...) As lavouras cafeeiras são tradicionais na propriedade, fazendo-se presentes desde o ano de 1982, quando ocorreu a implantação das primeiras plantas. Ao decorrer do tempo, algumas lavouras foram erradicadas por motivo fisiológico, porém renovadas em seguida.(...)”. Informa a seguinte distribuição de uso de solo: a) área de preservação permanente (cerrado e pasto sujo) de 68,23ha; b) área de preservação permanente averbada (cerrado e pasto com árvores esparsas) de 22,97ha; c) área de preservação permanente não averbada (cerrado e pasto com árvores esparsas) de 4,58ha; d) área de café de 167,04ha; e) área de cana-de-açúcar de 105,12ha; f) área de pasto de 21,37ha; g) área de eucalipto de 23,01ha; h) área de carreadores de 19,55ha e i) área sede de 15,71ha. Os documentos “1” e “2” consignam dados de produção da interessada, mas não vinculam a produção ao imóvel fiscalizado. As notas fiscais a que se refere o item “3” acima constituem prova eficaz da produção cafeeira no imóvel fiscalizado, mas não são suficientes para comprovar a área utilizada. A produção comprovada pelas notas fiscais, no total de 3.112 sacas de café, não condiz com a área declarada como utilizada com produtos vegetais, de 395,5 hectares, pois a produtividade de 7,8 sacas por hectare está muito abaixo da média do setor, e, de acordo com o laudo juntado aos autos, as lavouras de café da propriedade apresentam alta produtividade (cf. item “2” do laudo, f. 185). Considerando isso, é acatada como área de produtos vegetais no ano de 2006 a área informada no laudo técnico como utilizada no plantio de café, de 167,0 hectares (cf. item “4”). Embora o laudo se refira ao ano de 2010, dele se extrai que a área destinada à cultura cafeeira sofreu poucas alterações desde o ano de 1982. Os demais dados informados no laudo técnico, referentes à distribuição do uso do solo, são aqui rejeitados principalmente porque o laudo trata da situação existente no ano de 2010, cujo período não foi abarcado pelo lançamento. Além disso, a aceitação das áreas do laudo para o exercício 2007 dependeria de provas complementares de acordo com a natureza da destinação da área. Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 Visto isso, conclui-se que as provas apresentadas são eficazes para comprovar a utilização com produtos vegetais no período do lançamento, da área de 167,0 hectares, que corresponde ao grau de utilização do imóvel de 42,2% e à alíquota de 2,3%. Em recurso, o Contribuinte ataca novamente a glosa apresentando novos documentos, entre eles notas fiscais, contratos de arredamento e comprovantes de recebimentos, como destaco: [...] A propósito, o biênio de 2006/2007 foi o ano de menor produtividade do imóvel. Daí que, em apelo ao PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL, a Recorrente anexa à presente as notas fiscais de colheita do biênio 2007/2008, onde se verifica uma colheita de mais de 10.000 sacas de café, a fim de demonstrar a lisura do contribuinte ora recorrente. Em todo caso, os anexos não têm o condão de inovar a matéria impugnada e sim corroborar com as alegações e o Laudo juntado na ocasião. [...] Na área informada pelo laudo, referente a cana-de-açúcar de 105,12 ha, existiu uma lavoura de café de 25 anos de idade. Essa lavoura foi erradicada em meados de 2006. Logo em seguida, foi feito o preparo e correção do solo com o intento de ser implantada a lavoura de cana, o que ocorreu no mês de outubro de 2006, sendo a primeira safra dessa lavoura em 2008, 8.404,6 toneladas, conforme notas fiscais anexas, e que condiz com a área informada no laudo. Mais uma vez, em homenagem à Verdade Material, anexa-se o mapa onde se verifica a medição realizada em 23.11.2006, da área de cana e carreadores (108,83ha), bordadura APP (0,94ha), totalizando 109,77 ha., além das retrocitadas notas fiscais. Ou seja, extrai-se que, do cotejo das notas fiscais referente à entrega da cana para Usina Batatais, que ora se anexo, do mapa de Medição de Perímetro elaborado em 23.11.2006, bem como do laudo de uso de solo e da legislação sobre exaustão, depreende-se que além do café em 2006, o imóvel foi composto por áreas com culturas de eucalipto e cana-de-açúcar. Ou seja, há plausibilidade nas informações prestadas na DITR/2007 da Recorrente e o Laudo de Uso de Solo. Por outro lado, e ainda protestando o Princípio da Verdade Material, o Laudo aponta a existência de áreas preservacionistas em maior quantidade que a declarada na DITR/2007. Da mesma forma em relação ao tamanho da propriedade, que é menor conforme aponta o laudo, ou seja, 451,63 hectares ao invés de 464 hectares. - destaques originais - E, baseada no volume de produção e sua compatibilidade com a área contestada, conclui-se por restabelecer a área declarada de 451,63 hectares, utilizada para a produção de produtos vegetais. Neste sentido: Numero do processo: 13888.721754/2011-71 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 BRT 2012 Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 BRST 2013 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ÁREA UTILIZADA. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área utilizada no cultivo Fl. 307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-009.388 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720096/2010-05 de produtos vegetais (cana de açúcar) pode ser realizada com relatórios de produção acompanhados de notas fiscais de entrada que atestem uma produção compatível com a área declarada. Numero da decisão: 2201-001.885 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator. EDITADO EM: 09/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ewan Teles Aguiar (suplente convocado) e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS Neste sentido, reconheço a área de cultivo de 109,77 hectares, além da área já reconhecida pela DRJ, para ser reestabelecida, dando provimento nesta parte no recurso. Conclusões Face ao exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao recurso voluntário para reestabelecer a área de 109,77 hectares de produtos vegetais em acréscimo à área de 167,00 hectares já reestabelecida pela decisão de primeiro grau. (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720879/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3301-001.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem : a) aprecie os documentos de fls. 2275 a 3292 destes autos, apresentados em 13/03/2015, pela recorrente, b) verifique suas implicações no lançamento formalizado pelo auto de infração, c) deve ser elaborado relatório da análise e da eventual reapuração efetivadas, d) deve ser dada ciência á recorrente do relatório, concedendo-lhe prazo para manifestação, e) após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais para acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e declarar a preclusão para apresentação de prova.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Breno do Carmo Moreira Vieira, José Adão Vitorino de Morais e Ari Vendramini
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem : a) aprecie os documentos de fls. 2275 a 3292 destes autos, apresentados em 13/03/2015, pela recorrente, b) verifique suas implicações no lançamento formalizado pelo auto de infração, c) deve ser elaborado relatório da análise e da eventual reapuração efetivadas, d) deve ser dada ciência á recorrente do relatório, concedendo-lhe prazo para manifestação, e) após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais para acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e declarar a preclusão para apresentação de prova. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Breno do Carmo Moreira Vieira, José Adão Vitorino de Morais e Ari Vendramini Relatório 1. Tratam-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3301-005.692,exarado em 31/01/2019, por este colegiado. 2. Preliminarmente, antes de adentrarmos nos termos meritórios dos Embargos interpostos, é necessário repassar os fatos constantes dos autos até o presente momento. 3. Por economia processual, e por bem relatar os fatos, adoto os dizeres do relatório constante do Acórdão DRJ/BELÉM: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 87 9/ 20 13 -6 1 Fl. 4064DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 "Trata-se de auto de infração para exigência de ofício da Contribuição para o PIS/PASEP, no total de R$ 5.376.943,98, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1954/1964: “(...) 3 DOS VALORES DO PIS/PASEP E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS OMISSOS DE DECLARAÇÃO EM DCTF: Intimamos o sujeito passivo, através dos Termos de Intimação Fiscal de 12/08/2011, 20/01/2012, 11/05/2012 e 15/02/2013, para apresentação dos Memoriais de Cálculo da composição analítica das Bases de Cálculo paia efeito de apuração do PIS e da COFINS Não Cumulativos no período em análise. Tais Memoriais deveriam conter os valores especificados de acordo com as Fichas 06A (para créditos) e 07A (para débitos) do DACON. (...) 3.1 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO: As Memórias de Cálculo, com o detalhamento dos valores informados nas Fichas 07A do DACON, juntamente com os elementos de suporte foram apresentados em 25/02/2013. Os arquivos denominados: "Oxisa_Jan2008, (...) Oxi_Dez2008", foram devidamente identificados em conjunto com os outros arquivos apresentados pelo programa SVA, versão 3.10 com o seguinte "Hash Code", Código de Identificação Geral: 711D86ec692a036855e2c03cf87a1c8b". Tais arquivos detalharam as Receitas totais do período, contendo as Receitas sujeitas a Contribuição do PIS/COFINS e também os valores das exportações realizadas no período. Note-se que o item 4 da Intimação de 15/02/2013 ressaltou que os Memoriais deveriam detalhar o conteúdo das linhas 01, 02, 04, 07 e 09 das Fichas 07A e 17A do DACON. DA SUSPENSÃO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 09 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas efetuadas com suspensão, especificando o CNPJ das empresas compradoras e os ADE Atos Declaratórios de habilitação, se fosse o caso. Não foram apresentados quaisquer documentos, alegou não possuir controles que pudessem diferenciar as vendas com suspensão e as vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Assim, os valores contidos na linha 09 conteriam os 02 tipos de vendas. A empresa foi reintimada a apresentar os mesmos documentos em 15/02/2013. DA ALÍQUOTA ZERO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 04 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Apresentou em 23/08/2012, o arquivo denominado "Cópias de Notas 2008 Trib Cofins Zero". Ocorre que as Notas Fiscais relacionadas não possuíam valores compatíveis com os declarados nas Fichas 07A/ 17ª Linha 04 do DACON e não foram apresentados os CFOP das operações. Além disso, testes por amostragem demonstraram que as NF deveriam ter sido tributadas. Questionado, informou que a linha 04 das Fichas 07/17A conteriam apenas as receitas financeiras e os valores das vendas com alíquota zero estariam informadas na linha 09, conjuntamente com as vendas com suspensão. Em 04/10/2012 a Oxiteno nos apresentou nova Planilha contendo a relação das Vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero conjuntamente. Esta planilha também apresentou diversas inconsistências, conforme descrito a seguir: - A Planilha apresentou um total de Receitas de Vendas com Suspensão e Alíquota zero num montante de R$ 250.628.718,80. Ocorre que o DACON contém um total de R$ 65.774.755,18 na linha 09 das Fichas 07A e 17A; Fl. 4065DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 - A Planilha apresentou diversas NF com números idênticos e valores distintos ou descrições distintas. A Planilha foi desconsiderada e, em 15/02/2013, reintimamos a empresa a apresentar estes mesmos dados, ressaltando, nos itens 2 e 3 da intimação, a necessidade da inclusão do CFOP, NCM e o CNPJ dos compradores para que pudéssemos identificar e validar os valores informados. Em 25/02/2013, o sujeito passivo apresentou o arquivo denominado "344_AGRO_ANUALIZADO_1". Trata-se de uma planilha que incluiu parte das vendas informadas nos arquivos "Oxisa_Jan2008 a Oxisa_Dez2008". A Planilha não incluiu: O NCM e o CNPJ dos compradores. Também não apresentou a descrição da mercadoria vendida, ou seja, não foi possível identificar as mercadorias vendidas e quais seriam as suas classificações quanto à alíquota aplicável. A Planilha apresentou um total de Vendas de R$ 79.765.120,93 e R$ 72.338.231,51 (Valor total das Vendas sem IPI). Tal Receita não é compatível com os dados informados no DACON. Concluímos que a empresa não possui controles das vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero, ou não os apresentou. (...) Assim, as Bases de cálculo de PIS/COFINS consideradas contêm as Vendas com Suspensão e alíquota zero, uma vez que, por falta de condições técnicas, não foi possível separá-las e validá-las. 3.2 BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS INFORMADOS: (...) considerando a inconsistência entre os valores declarados pelo próprio sujeito passivo, optamos pela utilização dos valores declarados na Contabilidade apresentada, conforme o Anexo I do presente. 3.2.1 DOS VALORES APRESENTADOS NOS MEMORIAIS DE CÁLCULO: Em 02/02/2012, foram apresentados os Memoriais de Cálculo dos créditos das linhas 02 e 07 das Fichas 06/16A (...). Apesar de intimado, os arquivos não continham as descrições das mercadorias. Analisando os arquivos apresentados, verificamos que na composição destes créditos foram utilizadas despesas com CFOP - Código Fiscal de Operações e Prestações que não geram créditos de PIS/COFINS. Segue alguns dos principais CFOP, cujas NF foram desconsideradas pela presente auditoria: (...) Considerando que o sujeito passivo não apresentou os Memoriais dos meses 09 a 12/2008, utilizamos nestes meses o último valor de glosa aplicável (do mês 08/2008). (...) Apesar da utilização dos créditos ser uma faculdade do sujeito passivo, a presente Auditoria utilizou todos os créditos disponíveis no período. (...) 3.4 VALORES TOTAIS DEVIDOS: A presente Auditoria reajustou os DACONs transmitidos pelo sujeito passivo, conforme o Anexo I e apurou os seguintes valores devidos de PIS/COFINS: (...) 4.2 OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA NO DACON: 4.1 DACON 02/2008: O sujeito passivo transmitiu o DACON de 02/2008 com todos os valores das Contribuições e Créditos "zerados". Intimado, retificou o DACON em 13/06/2012, porém informou incorretamente o Saldo Inicial da Ficha 24 Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação. (...) Fl. 4066DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 Desta forma, o sujeito passivo apresentou DACON com as seguintes incorreções: (...) Fundamentação Legal da Multa: Artigo 19 da Lei 11.051, de 29/12/2004, que sumarizamos a seguir: Constatado que a Pessoa Jurídica apresentou o DACON com incorreções ou omissões quanto às informações prestadas, aplicamos a multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A multa mínima aplicável é de R$ 500,00. Para o caso concreto, aplicamos as multas mínimas, conforme a tabela acima. Este Termo passa a fazer parte integrante e indissociável dos Autos de Infração, juntamente com seus anexos e demonstrativos.” Cientificado em 26/04/2013, o interessado apresentou, em 28/05/2013, a impugnação de fls. 1.985/2.012, na qual alega: “DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Deveras. O auto de infração ora combatido foi lavrado sem a devida descrição dos fatos e instrução dos elementos de evidência (...). O "Termo de Verificação Fiscal" aponta que os supostos débitos decorreriam da glosa de créditos das contribuições (...) ao argumento genérico e apriorístico de que ‘na composição destes créditos foram utilizadas despesas com CFOP Código Fiscal de Operações e Prestações, que não geram créditos de PIS/COFINS’. (...) Como se vê, deparando-se com códigos que comportam operações mais abrangentes, a auditoria inferiu ipso facto que as compras não gerariam direito a créditos, deixando, pois, de indicar, topicamente, quais notas fiscais foram desconsideradas e o motivo pelo qual os inúmeros produtos adquiridos pela impugnante foram desqualificados como insumos, ensejando a glosa dos créditos de PIS/COFINS no período. (...) Ou seja, a fiscalização não se deteve na análise dos bens e produtos cujos créditos foram glosados ou na sua qualificação como insumos, à vista de sua utilização no ciclo produtivo da empresa. Efetuou a glosa das notas fiscais de entrada, ceifando, de roldão, indiscriminadamente, grande parte das aquisições no período, por presumir, com base única e exclusivamente nos CFOP (refere decisão administrativa), que não se tratariam de insumos. Ora, se o CFOP fosse determinante para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS, por certo, as leis que instituíram o regime não cumulativo (10.637/02 e 10.833/03) teriam eleito referido código como parâmetro para disciplinar os créditos! A glosa, promovida sem critério jurídico, por simples presunção, baseia-se, ademais, na suposta insuficiência/divergência de informações que teriam sido prestadas pela impugnante em planilhas, memórias de cálculo, enfim, simples demonstrativos que não constituem documentos fiscais ou contábeis e, bem por isso, jamais poderiam substituí-los e muito menos poderiam dispensar o exame, pelo auditor, dos registros e repositórios oficiais. (...) Como se vê, a Fiscalização pautou-se, unicamente, em planilhas extraoficiais de compilação de dados, a despeito de a impugnante ter colocado à sua disposição toda documentação contábil/fiscal apta à comprovação dos créditos de PIS/COFINS apurados no período. (...) Em suma, para o controle do cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte, importam apenas as informações hauridas dos livros, registros e lançamentos contábeis e fiscais. Conforme já Fl. 4067DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ‘não assiste ao Fisco a prerrogativa de substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável’. (...) Considerando, pois, que o crédito de PIS/COFINS apurado pela impugnante no ano de 2008 encontra-se devidamente escriturado, com base em Notas Fiscais de Entrada registradas em sua contabilidade, a Fiscalização não poderia ter efetuado o lançamento por amostragem, com base na descrição imprecisa do CFOP, sem apontar quais operações foram desconsideradas e o motivo pelo qual não gerariam direito a creditamento, constituindo, assim, o crédito tributário por presunção. Com esse procedimento, a Fiscalização infringiu, a um só tempo, o disposto nos arts. 9º e 10, inc. III, do Decreto 70.235/72 (...): (...) Essa conduta ensejou grave preterição do direito de defesa da impugnante, na medida em que não é possível identificar, sequer, as notas fiscais de entrada que foram glosadas e os motivos pelos quais foram desconsideradas pela Fiscalização. Para os meses de setembro a dezembro de 2008 o prejuízo à defesa é ainda mais flagrante, porque a auditoria limitou-se a reproduzir o mesmo valor glosado para o mês de 08/2008, sem qualquer esclarecimento acerca dos critérios adotados para aferição dos montantes. (...) Nesse sentido, já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...): (...) Em suma, diante da ausência de descrição clara e precisa dos fatos e instrução deficiente dos elementos de evidência que ensejaram a constituição do crédito tributário de PIS, de rigor o reconhecimento da nulidade do auto de infração ora combatido. (...) DA DECADÊNCIA Com efeito, o prazo para o Fisco constituir crédito tributário relativo ao PIS é de cinco anos contados dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, §4°, do CTN e da Súmula 08 do STF, como apontam os seguintes julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) Nesse sentido, a supor que fosse procedente, o débito de PIS relativo a março/2008, bem como as multas por supostos erros de preenchimento dos DACON's relativas aos períodos de jan/08 a mar/08, encontram-se fulminados pela decadência. É que, quando lavrado o auto de infração, em 26/04/2013, já havia decorrido mais de cinco anos desde os correspondentes fatos geradores. Ademais, a teor do Termo de Verificação Fiscal, o apontado débito foi constituído em decorrência da glosa de créditos das contribuições, relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2008. Embora essas glosas (de jan/08 e fev/08) não tenham gerado saldo de PIS a pagar nos respectivos períodos, reduziram o saldo acumulado de créditos, acarretando cobrança indevida de PIS relativa a períodos subsequentes. Todavia, como adverte o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ‘a glosa de créditos indevidos deverá ser procedida dentro contados dos cinco anos da data do creditamento, decaindo o direito da Fazenda Pública após tal lapso temporal’. (...) Fl. 4068DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 DA GLOSA DE CRÉDITOS ATINENTES AO PERÍODO DE SET/08 A DEZ/08 (...) Ou seja, por conta da suposta falta de informação (sic!), sem se deter na receita de cada um dos períodos e nos correspondentes custos/despesas, para os meses de set/08 a dez/08 a auditoria "replicou a glosa" (sic!) dos créditos de PIS, relativa a ago/08, a saber: R$9.452.552,63 na linha 02 da Ficha 16A (bens utilizados como insumos) e R$29.835,79 na linha 07 da Ficha 16A (armazenagem e frete). Sem prejuízo da nulidade do presente auto de infração por força desse procedimento da fiscalização (cf. itens 02/12 supra), supondo-se ad argumentandum que a glosa fosse cabível, de acordo com os próprios critérios (equivocados) da auditoria, diversos seriam os valores que a ensejariam, em cada um dos períodos. Com efeito, a teor planilha anexa (doc. 06), no mês de set/08, o total de custos/despesas, relacionado aos CFOP's "glosados" indiscriminadamente pela auditoria, seria de R$2.747.287,25 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração). Já no período de out/08, esse total de custos/despesas corresponderia a R$2.675.626,47 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração (doc. 07). Por fim, em dez/08, o total de tais custos/despesas somaria R$4.412.112,04 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração (doc. 08). Ora, é inadmissível que, para efeitos de lançamento, a auditoria paute- se em cifras correspondentes a determinado mês, estendendo-as a seu alvitre para glosar créditos de outros períodos. Constatado o procedimento írrito da auditoria, bem como os corretos custos/despesas de cada período (docs. 06/08), de rigor a revisão das glosas. (...) DA NÃO CUMULATIVIDADE DO PIS E DO DIREITO AOS CRÉDITOS (...) Ao invés de desconsiderar apenas as notas fiscais de entrada de produtos que, a seu ver, não se enquadrariam no conceito de "insumo", a auditoria glosou todas as NF's de entrada concernentes aos CFOP's n°s 1407, 1551, 1555, 1556, 1557, 1901, 1902, 1906, 1907, 1910, 1915, 1916, 1921, 1922, 1949, 2911, 2407, 1556, 2949, 3351, 3356 e 3949, indistintamente, sem se deter na Qualificação do produto. Com isso, impediu o creditamento de PIS sobre diversos insumos que se enquadram perfeitamente no conceito adotado pela própria Administração tributária (cf. IN/SRF 247/02) o que soa verdadeiramente teratológico. Diante da imensa quantidade de notas glosadas (mais de 30.000), referentes aos mais diversos insumos, e sem embargo da impossibilidade material de impugnar o auto à vista de suas graves deficiências acima apontadas, ad cautelam a impugnante procurará demonstrar a improcedência da glosa, sem prejuízo da necessária realização de perícia técnica para análise de todo o processo produtivo da impugnante e do emprego de cada um dos itens glosados. As planilhas apresentadas à auditoria no curso do procedimento de fiscalização (que pautaram a glosa) revelam que foram glosados créditos relativos à compra de insumos tais o álcool etílico anidro, a água clarificada, o fenol, dentre outros de suma relevância para a fabricação dos produtos da impugnante. (...) Fl. 4069DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 O álcool etílico anidro (também denominado etanol anidro) é utilizado como matéria prima no processo produtivo da impugnante. Na planta de Mauá/SP, o álcool etílico anidro é empregado na produção de éteres (monoéter, diéter e triéter), mediante reação química com óxido de etileno, conforme ilustra o diagrama abaixo: (...) A água clarificada é utilizada como insumo para produção de água desmineralizada (via processo de desmineralização), que, por sua vez, é empregada na geração de vapor. O calor gerado pelo vapor é utilizado para fornecimento de energia em algumas etapas da produção das unidades de óxido de etileno (...). (...) O vapor de que trata a espécie em nada difere da energia elétrica versada no precedente é produto intermediário que, embora não se integrando no produto final, é consumido no processo de industrialização; provê o aquecimento necessário para desatar as reações químicas com que se obtêm o óxido, os éteres, os glicóis e etoxilados. Ou seja, tal como a energia elétrica, a energia térmica (vapor) constitui produto intermediário consumido no processo produtivo, nada justificando a sua desconsideração como insumo. (...) O fenol também é utilizado como matéria prima no processo produtivo da impugnante (planta de Mauá/SP) na produção de nonilfenol e dinonilfenol que advêm da reação química entre o fenol e noneno, conforme diagrama abaixo: (...) Além da glosa dos insumos acima abordados, que constitui a parcela mais relevante dos créditos, o auto de infração impediu o creditamento sobre cerca de 4.000 outros itens, tais como DIETILENOGLICOL, ULTROL L 20, ACETATO DE SECBUTILA, ACIDO NÍTRICO, ÁLCOOL ISOTRIDECILICO, BITILGLICOL, DICROMATO DE POTÁSSIO ANIDRO PA, DIETILENOGLICOL, GÁS, HIDROXIETIL CELULOSE QP300, JUNTAS, ANÉIS, LÂMINAS, dentre outros. Mesmo sem se deter, item por item, no seu enquadramento como insumos, a simples análise das descrições constantes das planilhas que pautaram a lavratura do presente auto de infração evidencia que se trata de produtos não incluídos no ativo imobilizado que sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicoquímicas, em função da ação que exercem sobre o produto em fabricação e que, por isso, também ensejam o aproveitamento do crédito. Note-se que parte desses produtos refere-se também a peças e partes de máquinas e equipamentos responsáveis pela produção, tema sobre o qual já se deteve a Administração tributária, que concluiu pela possibilidade do creditamento: (...) DO CONCEITO DE INSUMO Mesmo que se entenda que os insumos e as peças e partes de reposição não se enquadrariam no conceito estrito de insumo, tal como previsto na IN/SRF 247/02, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim impõe-se o aproveitamento dos créditos, eis que, diversamente da norma infra legal, a Lei 10.833/03 permite o creditamento de insumos de forma ampla. (...) Vale dizer, mesmo que se admitissem como legítimas as disposições do art. 3º , inc. I e II da Lei 10.833/03 e o texto da Lei 10.637/02, inconcebível seria a pretensão do Fisco de restringir o creditamento Fl. 4070DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 por invocação do art. 66 da IN/SRF 247/2002, ou das IN/SRF 358/2003 e IN/SRF 404/04. É que, ao restringirem ainda mais a interpretação e aplicação do regime não cumulativo de PIS e COFINS, tais atos infra legais desbordaram manifestamente dos termos das Leis 10.833/03 e 10.637/02. (...) O conceito de insumo veiculado pelas IN/SRF 247/2002, IN/SRF 358/2003 e IN/SRF 404/04 é, pois, inoperante por estreitar a noção de "bens e serviços ... utilizados ...na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". (...) DAS VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO E SUSPENSÃO (...) Ou seja, a auditoria reconhece que autuou valores indevidos, concernentes às receitas não tributadas (isentas, sujeitas à alíquota zero e atinentes à vendas realizadas com suspensão), porque lhe teriam faltado "condições técnicas". Mirabile dictu! Essas receitas isentas e não tributadas (alíquota zero e suspensão), decorrem grosso modo de aplicações financeiras (...) , vendas sujeitas à suspensão do PIS e da COFINS (...) , exportações (...), venda de produtos destinados à utilização como matéria prima na produção de produtos classificados no Capítulo 31 ou indicados na posição 38.08 da TIPI (...), dentre outras. Por óbvio, não deveriam compor a base imponível eleita pela auditoria. À vista da insatisfação da auditoria com as planilhas elaboradas pela impugnante e considerando o elevado número de notas fiscais, informes de rendimento, atos declaratórios, declarações dos clientes e lançamentos contábeis (mais de 30.000 documentos), afigura-se imprescindível a realização de perícia, a ser conduzida por profissional com conhecimentos técnicos específicos nas áreas contábil e fiscal, para corroborar a parcela de receita autuada que, por se referir a operações não tributadas, devem ser excluídas do lançamento. Nem se diga que essa prova poderia ser feita apenas por meio de documentos apresentados juntamente com a impugnação, a teor do art. 16, parágrafo 4º do Dec. 70.235/72. (...) DAS PERÍCIAS (...) é imprescindível a análise técnica do processo produtivo da impugnante e de volumosas peças de suporte das receitas não tributadas (...)indicando-se como assistentes da impugnante: (i) para perícia técnica acerca do processo produtivo (...); e (ii) para perícia contábil (...)”." 4. A DRJ/BELÉM, analisando as razões de impugnação, decidiu por cancelar em parte a exigência fiscal, referente aos períodos de setembro a dezembro de 2008, por concluir que não restou evidenciado nos autos os motivos e o montante para parte das glosas referentes aos créditos, ementando da seguinte forma a sua decisão : “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 4071DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS PROCESSUAL DA PROVA. Faz-se incabível a realização de perícia ou diligência quando reputadas desnecessárias. A realização de diligência não se presta a suprir eventual inércia probatória do impugnante. PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. Nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a contagem do prazo decadencial das contribuições sociais rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que não há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, I, do Estatuto Tributário. PENALIDADE PECUNIÁRIA. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente de penalidade pecuniária é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser descontados créditos sobre valores que comprovadamente correspondam a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. O PIS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Somente se faz autorizada a exclusão de receitas da respectiva base de cálculo submetida à alíquota positiva quando resulte demonstrado que foram satisfeitas as disposições normativas estabelecidas para a espécie. PIS NÃO CUMULATIVO. GLOSA PRESUMIDA DE CRÉDITOS. INADMISSIBILIDADE. O auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar e demonstrar as razões de fato e de direito da infração apurada, fazendo-se inadmissível a glosa presumida de créditos decorrentes da não cumulatividade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 5. Concluindo o julgamento, a DRJ, considerando que o valor exonerado superou o limite de alçada, fez constar do Acórdão a necessidade de submeter a decisão ao CARF, em Fl. 4072DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 sede de recurso de ofício, determinando o retorno dos autos á Unidade de origem para a ciência da ora recorrente. 6. Cientificada, a interessada apresentou Recurso Voluntário, alegando, em apertada síntese : i) a tempestividade do recurso; ii) cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia técnica, tendo em vista que o acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação sob o argumento de ausência de prova; iii) a nulidade do auto de infração, em razão da Fiscalização em ter utilizado como critério de glosa de créditos, unicamente a análise dos CFOP dos bens adquiridos, sem ter analisado dos bens e produtos e sua efetiva qualificação como insumo e sua utilização no ciclo produtivo da empresa; iv) a decadência dos débitos do PIS relativos a março/2008, das glosas de janeiro a fevereiro de 2008 e das multas por supostos erros de preenchimento dos DACON´s, relativa aos períodos de janeiro de 2008 a março de 2008; v) Quanto ao mérito, alega que a Fiscalização utilizou critério genéricos para proceder as glosas das aquisições quanto ao crédito do PIS, segue afirmando que os itens glosados no lançamento são efetivamente utilizados no processo produtivo estando aptas a compro os créditos referente ao cálculo do PIS; vi) por fim, pede a exclusão na base de cálculo, das vendas com suspensão e alíquota zero, esclarecendo que o Termo de Verificação Fiscal, apesar de reconhecer que estas receitas não sofrem a incidência do PIS, decidiu por incluir tais valores na base de cálculo em razão da falta de condições técnicas de identificar e validar tais operações. A posição adotada pela Fiscalização, demonstra a existência de vendas com suspensão e alíquota zero e o seu não reconhecimento, demonstra a necessidade de revisão do acórdão recorrido para a exclusão das operações de vendas com suspensão e alíquota zero, que poderão ser aferidas em perícia técnica a ser realizada. 6. Em 13/03/2015 (fls. 2275/2277 dos autos digitais), a recorrente apresentou petição, devidamente recepcionada por este CARF, onde solicita : - trata-se de auto de infração que glosou créditos do período de janeiro a dezembro/2008, porque teriam sido “utilizadas despesas com CFOP que não geram créditos de PIS/COFINS” e cobrou débitos de PIS, referentes ao período de março a dezembro2008, ao argumento de que “a empresa não possui controle das vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero, ou não os apresentou.” - todas as questões aventadas no AI foram devidamente impugnadas, tendo a DRJ julgado parcialmente procedente a impugnação para afastar a glosa dos créditos relativos ao mperíodo setembro-dezembro/2008 - (...) a empresa prosseguiu em processo de levantamento dos documentos fiscais que embasaram os lançamentos no DACON a título de “Receita com Suspensão da Contribuição” do período remanescente (janeiro-agosto/2008). - os documentos ora apresentados (docs. 02/09) referem-se aos períodos de janeiro-agosto/2008 e são compostos por “I – planilha de composição das receitas não tributadas pelo PIS, discriminadas mês a mês, referentes a venda de matéria-prima para produção de adubos, fertilizantes ou defensivos agrícolas (classificados no Capítulo 31 ou indicados na posição 38.08 da TIPI, II - cópias de todas as notas ficais indicadas nas referidas planilhas.” Fl. 4073DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 - requer a juntada dos documentos reiterando o pleito para, a vista dos referidos elementos de evidência ora carreados aos autos, reformar o acórdão recorrido e cancelar integralmente o AI em causa. 7. Acompanham a planilha reproduzida acima, os seguintes documentos : - DOC. 02 – planilha/Notas Fiscais ref JAN/2008 – fls. 2389/2416 - DOC. 03 – planilha/Notas Fiscais ref FEV/2008 – fls. 2417/2523 - DOC. 04 – planilha/Notas Fiscais ref MAR/2008- fls. 2524/2633 - DOC. 05 – planilha/Notas Fiscais ref ABR/2008 – fls. 2634/2734 - DOC. 06 – planilha/Notas Fiscais ref MAI/2008 – fls. 2735/2821 - DOC. 07 – planilha/Notas Fiscais ref JUN/2008 – fls. 2822/2981 - DOC. 08 – planilha/Notas Fiscais ref JUL/2008 – fls. 2982/3134 - DOC. 09 – planilha/Notas Fiscais ref AGO/2008 – fls. 3135/3287 8. Em 20/03/2015 foi emitida a Resolução nº 3201-000.545, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 32943305), convertendo o julgamento em diligência pra que a Unidade de Origem “a) intime a recorrente a detalhar o seu processo produtivo e indicar de foram minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos e b) a Receita Federal deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento, com a possibilidade , se julgar necessário, de manifestar-se quanto aas informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias.” 9. Ás fls. 3878 consta a Informação Fiscal em resposta á Resolução. 10. Em 26/09/2017, a mesma 1ª Turma Ordinária da 2ª Camara desta 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 3939/3958 ), foi emitida a Resolução nº 3201-001.044, onde se decidiu : (...) Ou seja, em razão da diligência solicitada, a própria Fiscalização reconheceu Fl. 4074DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 que glosou indevidamente " aquisição de produtos químicos que são compatíveis com a destinação pretendida ", conforme Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte. Por conseguinte, foram elaboradas planilhas com a retificação das glosas e, conseqüentemente, reapuração do crédito admitido. O Contribuinte não foi intimado acerca do resultado da referida diligência. Não obstante, antes do julgamento do presente Recurso Voluntário, trouxe petição aos autos demonstrando que as referidas planilhas que apresentavam o somatório dos créditos decorrentes da aquisição dos produtos químicos considerados insumos apresentam erro de soma (planilhas apresentadas pela Fiscalização às fls. 3.746/3.749). . E, tal incorreção, acarreta substancial diferença no valor total do crédito apropriado pelo contribuinte. Trata-se de erro de fato que, em razão do princípio da legalidade, deve ser saneado sob pena de cobrança indevida de tributos, sem a efetiva ocorrência de fato gerador de obrigação tributária. Diante dessa constatação, reputo imprescindível que tais cálculos sejam reavaliados pela Fiscalização de modo a revisar os valores somatórios constantes das planilhas de fls. 3.764/3.749. Considerando que a revisão dos somatórios poderá acarretar a própria perda de objeto da presente demanda (suficiência de crédito / inexistência de débito) que a Fiscalização ainda esclareça se, após a verificação dos somatórios, se remanescem débitos em aberto em desfavor do contribuinte, apontando seu valor. Após, conceda-se o prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte se manifeste, devendo, então, retornar os autos para julgamento. 11. Ás fls. 3973 encontra-se Informação Fiscal em resposta a esta segunda diligência determinada. 12. Em 24/07/2018, a recorrente apresenta petição, onde , entre vários argumentos, a reiteração para análise dos documentos apresentados em 13/03/2015 (fls. 2275/2277), conforme o seguinte excerto desta petição : 7. No entanto, diante do grande volume de documentos necessários para comprovação da receita não tributada (mais de 1.500 folhas), a recorrente requereu perícia contábil, que fora indeferida pela DRJ. Diante desse indeferimento, não lhe restou outra alternativa senão realizar tarefa hercúlea para reunir todas as notas fiscais e demais documentos (declarações de adquirentes etc) e organizá-los para juntada no presente processo no âmbito do recurso voluntário, devidamente acompanhados de planilhas que segregam e consolidam a receita não tributada mês a mês (fls. 2.275/3.745). A despeito da documentação ter sido apresentada há mais de três anos, período em que o processo já foi baixado em diligência por duas vezes, a Fiscalização insiste em ignorar os fartos elementos apresentados, obstinando- se na existência de saldo remanescente por falta dessa prova! 8. Ora, a recorrente cuidou de comprovar que os valores informados a título de “Receita com Suspensão da Contribuição e Alíquota Zero” no DACON correspondem, em sua maior parte, à venda de matéria-prima para produção de adubos, fertilizantes ou defensivos agrícolas (classificados no Capítulo 31 ou indicados na posição 38.08 da TIPI – art. 1º da Lei 10.925/04), sujeitas à alíquota 0 (zero), à época dos fatos geradores, conforme determinava o art. 1º da Lei 10.925/04, (...) Além das notas fiscais (fls. 2.275/3.292) que compõem a receita tributada à Fl. 4075DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 alíquota zero, apresentou também declarações emitidas pelos adquirentes (fls. 3.688/3.745), ratificando que as matérias-primas vendidas foram empregadas na produção de adubos, fertilizantes ou defensivos agrícolas. (...) 9. Por fim, comprovou que os valores declarados no DACON como “Receita Tributada à Alíquota Zero” (fichas 07 e 17A – Linha 04) referem-se, em parte (R$8.181.433,46), a rendimentos de aplicações financeiras auferidos no ano-calendário de 2008, que, nos termos do art. 27, §2º da Lei 10.865/04 1 c/c art. 1º do Decreto nº 5.442/05 2, vigentes à época do lançamento, sujeitavam-se a alíquota zero (fls. 3.292). 10. Ignorando a prova produzida acerca das receitas não tributadas, a Fiscalização persiste em exigir a contribuição ao PIS sobre base de cálculo indevida. (...) 11. Diante de todo o exposto e considerando que a farta documentação comprobatória das receitas não tributadas já foi apresentada há mais de 3 anos, é a presente para reiterar o pedido de apreciação e julgamento, cancelando-se integralmente o lançamento em causa. 13. Em 31/01/2019 foi exarado o Acórdão nº 3301-005.092, por esta 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara/ 3ª Seção de Julgamento. Com a seguinte ementa : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL. Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, deve-se manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Parcialmente Provido 14. Contra este Acórdão a recorrente interpôs Embargos de Declaração (fls. 4047/4059). Fl. 4076DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 15. Os Embargos foram admitidos pela Presidência deste colegiado nos seguintes termos : DAS ALEGAÇÕES E DO CABIMENTO A embargante sustenta que o acórdão atacado padece de omissão quanto à análise dos documentos juntados às e-fls. 2275/3292, que comprovariam toda a composição das receitas e contradição na afirmação de que todas as notas fiscais foram consideradas pela fiscalização e não fora apresentada documentação probatória das receitas com suspensão e alíquota zero, apesar de oportunizado pela diligência deferida. Os embargos de declaração estão previstos no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF - aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. (...) A decisão embargada assim apreciou a matéria: “Quanto ao pedido para que sejam excluídas da base de cálculo as receitas referentes às vendas com alíquota zero e suspensão do tributo. O Relatório Fiscal esclarece que a glosa não ocorreu em razão de questões de direito, mas, pela ausência da comprovação documental dos valores constantes na DACON, conforme pode ser verificado nos trechos abaixo, extraídos do relatório fiscal. DA SUSPENSÃO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 09 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas efetuadas com suspensão, especificando o CNPJ das empresas compradoras e os ADE Atos Declaratórios de habilitação, se fosse o caso. Não foram apresentados quaisquer documentos, alegou não possuir controles que pudessem diferenciar as vendas com suspensão e as vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Assim, os valores contidos na linha 09 conteriam os 02 tipos de vendas. A empresa foi reintimada a apresentar os mesmos documentos em 15/02/2013. DA ALÍQUOTA ZERO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 04 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Apresentou, em 23/08/2012, o arquivo denominado "Cópias de Notas 2008 TribCofins Zero". Ocorre que as Notas Fiscais relacionadas não possuíam valores compatíveis com os declarados nas Fichas 07AI MA Linha 04 do DACON e não foram apresentados os CFOP das operações. Além disso, testes por amostragem demonstraram que as NF deveriam ter sido tributadas. Questionado, informou que a linha 04 das Fichas 07/17ª conteriam apenas as receitas financeiras e os valores das vendas com alíquota zero estariam informadas na linha 09, conjuntamente com as vendas com suspensão. Em 04/10/2012 a Oxiteno nos apresentou nova Planilha contendo a relação das Vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero conjuntamente. Esta planilha também apresentou diversas inconsistências, conforme descrito a seguir: Fl. 4077DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 A Planilha apresentou um total de Receitas de Vendas com Suspensão e Alíquota zero num montante de R$ 250.628.718,80. Ocorre que o DACON contém um total de R$ 65.774.755,18 na linha 09 das Fichas 07A e 17A; A Planilha apresentou diversas NF com números idênticos e valores distintos ou descrições distintas. A Planilha foi desconsiderada e, em 15/02/2013, reintimamos a empresa a apresentar estes mesmos dados, ressaltando, nos itens 2 e 3 da intimação, a necessidade da inclusão do CFOP, NCM e o CNPJ dos compradores para que pudéssemos identificar e validar os valores informados. Em 25/02/2013, o sujeito passivo apresentou o arquivo denominado "344_AGRO_ANUALIZADO_1". Tratase de uma planilha que incluiu parte das vendas informadas nos arquivos "Oxisa_Jan2008 a Oxisa_Dez2008". A Planilha não incluiu: O NCM e o CNPJ dos compradores. Também não apresentou a descrição da mercadoria vendida, ou seja, não foi possível identificar as mercadorias vendidas e quais seriam as suas classificações quanto à alíquota aplicável. A Planilha apresentou um total de Vendas de R$ 79.765.120,93 e R$ 72.338.231,51 (Valor total das Vendas sem IPI). Tal Receita não é compatível com os dados informados no DACON. Concluímos que a empresa não possui controles das vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero, ou não os apresentou.(grifo nosso). Portanto, a Fiscalização manteve na base de cálculo as receitas informadas como com suspensão e alíquota zero por falta de comprovação documental. A diligência determinada pelo CARF oportunizou à Recorrente apresentar as comprovações documentais o que não ocorreu, pois, todas as Notas Fiscais foram consideradas pela Fiscalização e não foi apresentado documentação comprobatória referente as alegadas receitas com suspensão e alíquotas zero. Cabe ressaltar, que a comprovação do crédito é da Recorrente e não da Fiscalização. Na diligência realizada pela turma do CARF, a autoridade fiscal acatou todas as 32 (trinta e duas) Notas Fiscais apresentadas, portanto para as demais discussões do processo não pode prosperar o recurso em razão da ausência de apresentação da prova documental. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” Inicialmente, é necessário reconhecer que a Resolução nº 3201-000.545 tratou apenas de diligência acerca da glosa de créditos de PIS e Cofins, não adentrando a questão das receitas sujeitas à alíquota zero ou suspensão. Já a Resolução nº 3201-001.044 tratou apenas de correção de erro material ocorrido na Resolução nº 3201-000.545, ou seja, ambas as resoluções não tiveram o escopo de esclarecimento quanto à identificação das receitas sujeitas à alíquota zero ou suspensas. Destarte, houve um equívoco no voto quanto à premissa fática de que a diligência ter-se-ia prestado a abordar tal matéria. A adoção de premissa fática equivocada é, excepcionalmente, aceita pelo STJ, conforme o EDcl no AgInt no REsp 1617742 / TO EMBARGOS DE Fl. 4078DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2016/0202610-2, cuja ementa abaixo transcrevo: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL – AÇÃO DE DEPÓSITO - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE AUTORA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante dispõe o artigo art. 1.022 do NCPC. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ "é admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 632.184/RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 2/10/2006). 2.1 Verificada a ocorrência de erro de premissa de julgamento, torna- se necessário o acolhimento da irresignação, com a consequente anulação da decisão colegiada impugnada. 3. Embargos de declaração acolhidos para anular o acórdão do agravo interno (fls. 3.750/3.753) e determinar o retorno dos autos ao relator para nova apreciação do reclamo. Quanto à omissão de apreciação dos documentos de e-fls. 2275/3292, com razão, a embargante. A petição de e-fls. 2275/2277, bem como os documentos de e-fls. 2278/3292, juntados após o recurso voluntário, não foram apreciados pela decisão, ainda que para não conhece-los, cabendo a admissão dos embargos. CONCLUSÃO Com base nas razões acima expostas, admito os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. Encaminho para inclusão em pauta de julgamento, por este presidente/relator. (destaques deste Relator) 16. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 17. Como bem destacado no despacho admissibilidade, a questão se fulcra na omissão de manifestação, no texto do Acórdão embargado, da petição de fls. 2275/2277 e os seus documentos anexos de fls. 2389/3292. 18. O despacho de admissibilidade dos Embargos assim destacou : Quanto à omissão de apreciação dos documentos de e-fls. 2275/3292, com razão, a embargante. A petição de e-fls. 2275/2277, bem como os documentos de e-fls. 2278/3292, juntados após o recurso voluntário, não foram apreciados pela decisão, ainda que para não conhece-los, cabendo a admissão dos embargos. Fl. 4079DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 da Resolução n.º 3301-001.591 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720879/2013-61 19. Deve-se elogiar o trabalho realizado pelas autoridades fiscais quando do trabalho de Fiscalização efetivados com relação á recorrente, pois que lhe ofereceu diversas oportunidades de oferecer tais provas, não tendo a recorrente apresentado tais documentos quando exposta aos trabalhos da Fiscalização, dando indícios de que realmente não possuía controle de tais documentos. 20. Entretanto, em petição apresentada não em sede de trabalho investigatório pela Fiscalização, nem em sede de razões impugnatórias contra o lançamento formalizado pelo auto de infração, mas, em intervalo de tempo muito superior, após a apresentação de Recurso Voluntário, demonstrando que realmente não possuía controle de tais documentos, por tal razão não os apresentou quando intimado e reintimado pela diligente e competente autoridade fiscal. 22. Portanto, em respeito ao direito de petição e aos Princípios da Ampla Defesa e da Verdade Material, este último fundamental ao processo administrativo fiscal, deve-se devolver os autos á Unidade de Origem para que verifique os documentos acostados aos autos, ás fls. 2275/3292, diante das acusações de não direito ao aproveitamento dos créditos e falta de comprovação das receitas com suspensão e sujeitas á alíquota zero. Conclusão 23. Por todo o exposto, deve ser convertido o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem : a) aprecie os documentos de fls. 2275 a 3292 destes autos, apresentados em 13/03/2015, pela recorrente, b) verifique suas implicações no lançamento formalizado pelo auto de infração c) deve ser elaborado relatório da análise e da eventual reapuração efetivadas d) deve ser dada ciência á recorrente do relatório, concedendo-lhe prazo para manifestação. e) após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. É como voto (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Fl. 4080DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13116.720640/2016-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2013
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE SEGURADO EMPREGADO. PRÁTICA REITERADA. NÃO OCORRÊNCIA.
A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária de segurado empregado que lhe preste serviço é causa de exclusão de ofício da empresa optante pelo Simples Nacional, que produz efeitos a partir do próprio mês em que incorrida, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos três anos calendários seguintes.
A prática reiterada configura-se com a segunda ocorrência de idênticas infrações. A infração tipificada é a falta de registro de empregado razão pela qual sua reiteração apenas pode ser compreendida ou ocorrer com a falta de registro de um segundo empregado não com a continuidade da primeira infração cometida.
Numero da decisão: 1401-005.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o Ato Declaratório de Exclusão nº 11, de 02/05/2017, editado pela Delegacia da Receita Federal de Anápolis/GO e determinar a reinclusão da Contribuinte no SIMPLES NACIONAL a partir de 01/06/2013.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2013 SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE SEGURADO EMPREGADO. PRÁTICA REITERADA. NÃO OCORRÊNCIA. A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária de segurado empregado que lhe preste serviço é causa de exclusão de ofício da empresa optante pelo Simples Nacional, que produz efeitos a partir do próprio mês em que incorrida, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos três anos calendários seguintes. A prática reiterada configura-se com a segunda ocorrência de idênticas infrações. A infração tipificada é a falta de registro de empregado razão pela qual sua reiteração apenas pode ser compreendida ou ocorrer com a falta de registro de um segundo empregado não com a continuidade da primeira infração cometida.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-02-02T22:44:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-02-02T22:44:52Z; Last-Modified: 2021-02-02T22:44:52Z; dcterms:modified: 2021-02-02T22:44:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-02-02T22:44:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-02-02T22:44:52Z; meta:save-date: 2021-02-02T22:44:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-02-02T22:44:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-02-02T22:44:52Z; created: 2021-02-02T22:44:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2021-02-02T22:44:52Z; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-02-02T22:44:52Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13116.720640/2016-50 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-005.194 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2021 Recorrente ROGER AUTO CENTER LTDA - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2013 SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE SEGURADO EMPREGADO. PRÁTICA REITERADA. NÃO OCORRÊNCIA. A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária de segurado empregado que lhe preste serviço é causa de exclusão de ofício da empresa optante pelo Simples Nacional, que produz efeitos a partir do próprio mês em que incorrida, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos três anos calendários seguintes. A prática reiterada configura-se com a segunda ocorrência de idênticas infrações. A infração tipificada é a falta de registro de empregado razão pela qual sua reiteração apenas pode ser compreendida ou ocorrer com a falta de registro de um segundo empregado não com a continuidade da primeira infração cometida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o Ato Declaratório de Exclusão nº 11, de 02/05/2017, editado pela Delegacia da Receita Federal de Anápolis/GO e determinar a reinclusão da Contribuinte no SIMPLES NACIONAL a partir de 01/06/2013. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 06 40 /2 01 6- 50 Fl. 443DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre (RS) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte em razão da exclusão do contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional. O Ato Declaratório Executivo - ADE nº 11, de 02/05/2017, publicado no DOU de 03/05/2017 (fl. 15), excluiu a empresa Roger Auto Center Ltda - ME do Simples Nacional, tendo em vista manter, informalmente, vínculo de emprego com trabalhador, a partir de junho de 2013, incorrendo na situação excludente prevista no inciso XII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Os efeitos da exclusão retroagiram a 01/06/2013, nos termos do § 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, ficando a empresa impedida de optar pelo Simples Nacional nos três anos-calendário seguintes. Cientificada do ADE nº 11/2017 em 26/05/2017 (fl. 18), a empresa Roger Auto Center Ltda - EPP apresentou impugnação tempestiva em 26/06/2017 (fls. 21 a 53), relatando que foi citada para se manifestar na ação trabalhista nº 0010737-86.2015.5.18.05171, movida por Alex Dante Lira de Farias, tendo sido feito um acordo na audiência ocorrida no dia 13/10/2015 para pagamento das verbas em parcela única de R$ 3.500,00 e as devidas anotações na carteira de trabalho. Afirma que todas as verbas devidas foram recolhidas pelo impugnante, que assinou a carteira de trabalho do funcionário. Informa que o Ministério Público do Trabalho abriu procedimento interno que resultou em um TAC firmado em 17/12/2015, em que o impugnante realizou o pagamento do valor do acordo em parcela única de R$ 1.500,00 e se comprometeu a não cometer atos semelhantes. Em seguida, a Receita Federal foi noticiada, tendo aberto processo administrativo para excluir o impugnante do Simples, que culminou com a publicação do Ato Declaratório nº 11, de 02/05/2017, com efeitos a partir de 01/06/2013. O contribuinte alega, em síntese, que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias junto ao Fisco, não possuindo nenhuma parcela do Simples em aberto, e nenhum parcelamento. Afirma que nunca teve nenhuma ação trabalhista proposta, tanto no passado como atualmente, sendo o caso em debate neste processo o único em toda a existência da empresa. Assim, entende que não pode ser considerado reincidente em ter funcionário sem carteira assinada em sua empresa. Não havendo outros casos de ações trabalhistas, sustenta que não há repetição e muito menos reiteração que justifique o Ato Declaratório nº 11/2017 para que seja excluído do Simples Nacional. Fl. 444DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 Aduz que, sendo primário em ações trabalhistas, é desproporcional a sanção de exclusão do Simples, ou até injusta, pois em outras situações de exclusão, como atraso no pagamento do tributo ou outras obrigações acessórias, o contribuinte é intimado para sanar a irregularidade, sob pena de exclusão. Salienta que o inciso XII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 foi inserido pela Lei Complementar nº 139/2011, colocando a forma reiterada como um critério mais rigoroso para a exclusão de ofício do Simples pelo Fisco, e que o artigo 29, § 9º, I, descreve o que deve ser considerado como prática reiterada: a ocorrência, em dois ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada, em relação aos últimos cinco anos-calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento. Alega que jamais recebeu outra notificação ou teve qualquer tributo lançado que justificasse a imposição de critério reiterado a sua atividade, pois nunca houve o envio de nenhuma notificação de caso semelhante. Entende que a pena da exclusão é desproporcional e não razoável, e deve ser reformada, pois não é reincidente e a pendência foi solucionada antes do conhecimento pela Receita Federal. Referindo-se à data da exclusão do Simples, 01/06/2013, afirma que, pelo princípio da irretroatividade das sanções, a lei não pode retroagir para aplicar sanções de fatos passados, somente podendo ser utilizadas as causas passadas para aplicar sanções no presente. A aplicação da sanção retroativa teria o efeito de decretar a sua falência, pois teria sua contabilidade alterada do Simples Nacional para o lucro presumido de 2013 até o presente momento. Entende que deve ser aplicado ao caso em tela o efeito suspensivo, nos termos do artigo 151, III, do CTN, até a decisão final. Ao final, requer o recebimento da impugnação e apresenta seus pedidos. O Acórdão ora Recorrido (10-61.353 - 6ª Turma da DRJ/POA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 01/06/2013 EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA. EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação apresentada tempestivamente suspende os efeitos do Ato Declaratório de Exclusão até a decisão definitiva desfavorável ao contribuinte. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 445DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do Fato Gerador: 01/06/2013 SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE SEGURADO EMPREGADO DE FORMA REITERADA DE GFIP. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária de segurado empregado que lhe preste serviço é causa de exclusão de ofício da empresa optante pelo Simples Nacional, que produz efeitos a partir do próprio mês em que incorrida, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos três anos calendários seguintes. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada configura-se com a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Sem Crédito em Litígio. Isto porque, segundo entendimento da Turma, (...) “a obrigação da empresa de entregar a GFIP mensalmente, a partir dos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999, consta do artigo 225, inciso IV e § 3º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Assim, no que diz respeito às informações para a Previdência Social, a cada mês em que a empresa descumpriu a obrigação de declarar o segurado empregado na GFIP ocorreu uma infração. Portanto, a prática do contribuinte de deixar de informar mensalmente segurado empregado na GFIP se insere nas disposições do inciso II do § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, sendo improcedente a alegação da impugnante de que não é reincidente”. “nestes termos, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade do interessado, mantendo sua exclusão do Simples Nacional nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 11, de 02 de maio de 2017, emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Anápolis/GO”. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário às fls. 413 dos autos - alegando em síntese os mesmos argumentos trazidos em sede manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte constitui-se em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação, salvo alguns poucos novos tópicos que, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram apreciadas pelo julgador a quo. O contribuinte alega, em síntese, que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias junto ao Fisco, não possuindo nenhuma parcela do Simples em aberto, e nenhum parcelamento. Afirma que nunca teve nenhuma ação trabalhista proposta, tanto no passado como atualmente, sendo o caso em debate neste processo o único em toda a existência da empresa. Assim, entende que não pode ser considerado reincidente em ter funcionário sem carteira assinada em sua empresa. Não havendo outros casos de ações trabalhistas, sustenta que não há repetição e muito menos reiteração que justifique o Ato Declaratório nº 11/2017 para que seja excluído do Simples Nacional. Por sua vez, a DRJ assim se posicionou quanto ao enquadramento de prática reiterada: Da exclusão do Simples Nacional A exclusão do Simples Nacional da empresa Roger Auto Peças Ltda – EPP está fundamentada no artigo 29, inciso XII, da Lei Complementar nº 123/2006, com os efeitos previstos no § 1º do mesmo artigo. Já o conceito de prática reiterada encontra-se no § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Transcreve-se a seguir os dispositivos citados: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: (...) XII – omitir de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço; (...) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 regime diferenciado e favorecido da Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos- calendário seguinte. (...) § 9º Considera-se prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I - a ocorrência em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anos-calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II - a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou de qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo. Conforme se verifica, a prática reiterada ocorre em duas situações, e não apenas na situação indicada pelo contribuinte em sua impugnação, correspondente ao inciso I do § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006. No caso sob exame, não localizei nos autos informação sobre a existência de auto de infração ou notificação de lançamento, a não ser a trazida pelo contribuinte, de que jamais recebeu outra notificação, ou teve qualquer tributo lançado que justificasse a imposição de critério REITERADO a sua atividade, pois nunca houve o envio de nenhuma notificação de caso semelhante (...). Portanto, o inciso I do § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 não pode ser aplicado como justificativa para a prática reiterada. No entanto, os documentos dos autos dão notícia, sem que tenha havido contestação pelo contribuinte, de que este manteve trabalhador sem registro em livro ou ficha competente, sem anotação na CTPS, sem comunicação de vínculo ao CAGED, à RAIS, omitindo reiteradamente os dados relativos ao trabalhador nas comunicações mensais pertinentes à GFIP-SEFIP. Tais informações permitem concluir que houve supressão de pagamento de tributo mediante utilização de meio fraudulento, já que o trabalhador que prestava serviços ao contribuinte como segurado empregado não tinha o vínculo de emprego registrado na carteira de trabalho, assim como não constava das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIPs no período de 05/06/2013 a 29/08/2015, obrigação acessória mensal a que a empresa está obrigada desde a competência 01/1999, em razão da edição da Lei nº 9.528/1997, que alterou a Lei nº 8.212/1991, e do Decreto nº 2.803/1998. O inciso IV do artigo 32 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, dispõe sobre a obrigação acessória para a empresa de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidas por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. A obrigação da empresa de entregar a GFIP mensalmente, a partir dos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999, consta do artigo 225, inciso IV e § 3º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 Assim, no que diz respeito às informações para a Previdência Social, a cada mês em que a empresa descumpriu a obrigação de declarar o segurado empregado na GFIP ocorreu uma infração. Portanto, a prática do contribuinte de deixar de informar mensalmente segurado empregado na GFIP se insere nas disposições do inciso II do § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, sendo improcedente a alegação da impugnante de que não é reincidente. A legislação de regência não dá margem à discricionariedade do agente público em razão da situação econômico-financeira do contribuinte. A atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Portanto, tendo sido identificado que o impugnante incorreu na hipótese de exclusão do Simples Nacional disciplinada no inciso XII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, agiu corretamente a autoridade tributária ao emitir o Ato Declaratório Executivo nº 11, de 02 de maio de 2017, estabelecendo os efeitos da exclusão a partir de 01/06/2013, conforme determina a Lei. Concordo com a decisão recorrida na conclusão de que o inciso I do § 9º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 não pode ser aplicado como justificativa para a prática reiterada no presente caso. Resta, portanto, a análise quanto ao enquadramento no inc. II do mesmo dispositivo legal, e neste ponto discordo da conclusão a que chegou a DRJ. O referido dispositivo legal assim dispõe: § 9º Considera-se prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I - a ocorrência em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anos-calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II - a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou de qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo. Para a configuração e análise da repetição da infração para fins de enquadramento como prática reiterada faz-se necessário analisar a amplitude da norma legal que fundamentou o presente ADE. Nos termos do inc. XII do art. 29 da LC 123/2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 (...) XII – omitir de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço; A infração descrita na norma possui como tipo legal omitir de forma reiterada da folha de pagamentos ou documentos acessórios segurado empregado. Em outras palavras, entendo que a infração punível com a exclusão do SIMPLES é a omissão de empregado. Por consequência, para fins de se considerar a pratica reiterada necessário se faz, no meu entendimento, que seja praticada nova infração de omissão de registro de outro empregado. A continuidade ou o período de tempo em que o contribuinte deixou de registrar o empregado não pode contar como reiteração de nova infração já que se trata de ato continuado. No caso concreto constam dos autos informações relativas à uma única reclamação trabalhista promovida contra a contribuinte onde fora realizado acordo além de TAC com o MPT, regularizando a sua conduta. Assim, para fins de reiteração da falta de registro de segurado empregado seria necessário comprovar que o contribuinte repetiu a infração deixando de registrar outro trabalhador, e essa prova não consta dos autos. Pelo contrário, o contribuinte traz certidão de distribuição de processos trabalhistas provando que não teve contra si nenhum outro processo. Cumpre relembrar que a CF em seu art. 179 garante o tratamento diferenciado aos pequenos contribuintes, exatamente por isso que a legislação do SIMPLES dá oportunidade para regularização de eventuais pendências que impeçam o ingresso. O objetivo é exatamente o de dar oportunidades e garantir o ingresso do pequeno contribuinte em um sistema de tributação diferenciado, e não o de impedir o seu ingresso ou excluir o contribuinte do regime pela prática de um erro ou infração. A função de julgador administrativo deve incorporar a capacidade de identificar situações nas quais a interpretação mais adequada da norma tributária se afaste da estrita literalidade, incorporando, entre outros, os aspectos finalísticos. Nesses casos – diferentemente do que ocorre com os sistemas automatizados – o decisum do julgador pode se afastar dos parâmetros objetivos para, tomando em conta o contexto, decidir segundo a hermenêutica que melhor se lhe afigure. Mas aqui não me parece nem que seja esse o caso. A compreensão que tenho da norma legal é objetiva, direta e literal. A infração tipificada é a falta de registro de empregado razão pela qual sua reiteração apenas pode ser compreendida ou ocorrer com a falta de registro de um segundo empregado. Procede a irresignação da Recorrente. Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.194 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.720640/2016-50 Por todo o exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário para anular o ADE 11 de 02/05/2017 bem como os efeitos da exclusão do Simples Nacional a partir de junho de 2013. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 451DF CARF MF Documento nato-digital
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