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Numero do processo: 13982.001055/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2008
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a
arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem
como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato
administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.927
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 893DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Walter Murilo Melo Andrade, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 894DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001055/200919 Acórdão n.º 2401001.927 S2C4T1 Fl. 893 3 Relatório KADE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 07 19.567/2010, às fls. 849/859, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 02/2006 a 10/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 44/49. Tratase de Auto de Infração (antiga NFLD), lavrado em 17/09/2009, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 582.835,71 (Quinhentos e oitenta e dois mil, oitocentos e trinta e cinco reais e setenta e um centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário ora exigido decorre das diferenças apuradas no confronto dos valores lançados em GFIP’s e os efetivamente recolhidos em GPS, a partir da análise da documentação contábil da contribuinte, especialmente as remunerações informadas em folhas de pagamento, não declaradas em sua totalidade na Guia de Informação pertinente, consoante os seguintes levantamentos: 1) FP e Z1 – Remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamentos; 2) FP2 e Z2 – Remunerações dos segurados empregados apurados em face de equívoco na elaboração da GFIP com informação de código relativo à prestação de serviços de maneira equivocada (Código 155), enquanto o correto seria o Código 150, concernente aos serviços prestados na modalidade de empreitada parcial; 3) PCI e Z3 – Remunerações dos contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, a qual devidamente intimada a comprovar/justificar os diversos pagamentos realizados a pessoas físicas, quedouse inerte; Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 865/888, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções. Fl. 895DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 4 Acrescenta que os anexos da autuação não demonstram com a clareza que exige as normas que regulam a matéria, se as retenções, pagamentos e/ou lançamentos anteriormente realizados foram, concretamente, abatidos dos débitos constituídos, visto que nas colunas referentes aos “créditos considerados” não se encontra, ao menos em sua maior parte, a dedução da totalidade desses valores. Contrapõese à exigência fiscal sub examine, aduzindo para tanto que o presente crédito previdenciário encontrase devidamente informado/declarado em GFIP, o que dispensa a lavratura de auto de infração com aplicação de multa de ofício para se exigir tais contribuições previdenciárias, sobretudo por se caracterizar a GFIP instrumento de confissão de dívida, nos termos do artigo 5° do Decretolei n° 2.124/84. Sustenta ser indevida a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos prestadores de serviços pessoas físicas (contribuintes individuais), com arrimo no artigo 30, inciso II, da Lei n° 8.212/91, por entender que o recolhimento das contribuições em epígrafe é de responsabilidade de tais pessoas e não da empresa contratante, razão pela qual o fisco só poderia lançar referidos tributos na hipótese de comprovação de não recolhimento por parte daqueles, sob pena de incorrer em bin in idem. Insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando que o Fisco não detém competência para reconhecer vínculo empregatício entre os prestadores de serviços e a contribuinte, sendo defeso atrair para si competência exclusiva da Justiça do Trabalho. Opõese ao lançamento em comento, defendendo não haver a devida comprovação da existência dos requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício entre os prestadores de serviços pessoas físicas e a recorrente, de maneira a fundamentar a pretensão fiscal, não tendo a autoridade lançadora se aprofundado no exame dos documentos ofertados pela contribuinte durante a fiscalização, os quais seriam capazes de rechaçar qualquer entendimento a respeito da relação laboral, apoiado em meras subjetividades, a partir de critérios discricionários. Entende ser inaplicável a multa de ofício, eis que a contribuinte confessou as contribuições previdenciárias sob análise em GFIP, sendo devida tão somente a multa de mora, nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Defende não ser possível, neste momento processual, a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, sobretudo quando não se comprovou a ocorrência de qualquer crime contra a ordem tributária. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 896DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001055/200919 Acórdão n.º 2401001.927 S2C4T1 Fl. 894 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Em suas razões recursais, pretende a recorrente seja declarada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, às fls. 39/40, e Relatório do Auto de Infração, às fls. 44/49, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das Folhas de Pagamento de Salários, Recibos de Pagamentos e demais documentos contábeis fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. MÉRITO No mérito, repisa a contribuinte os argumentos suscitados em sua defesa inaugural, requerendo a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, sustentando que as contribuições previdenciárias objeto da presente autuação Fl. 897DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 6 se encontram devidamente informadas em GFIP que, na condição de instrumento de confissão de dívida, nos termos do artigo 5° do Decretolei n° 2.124/84, dispensa a necessidade de lavratura de auto de infração com aplicação de multa de ofício para a sua cobrança. Mais uma vez, inobstante o esforço da recorrente, suas alegações não merecem acolhimento, sobretudo porquanto a ilustre autoridade lançadora deixou bem claro em seu Relatório Fiscal que as contribuições ora exigidas não foram declaradas em GFIP ou informadas equivocadamente, com o código de recolhimento 155, enquanto o correto seria o código 150. Aliás, referida questão fora devidamente refutada pelo julgador de primeira instância, ressaltando os equívocos incorridos pela contribuinte ao elaborar as GFIP, mormente quanto a não declaração dos tributos sob análise em GFIP ou mesmo sua informação errônea, afastando de uma vez por todas a pretensão da recorrente. Pretende, ainda, a contribuinte seja declarada a improcedência do feito, por entender estar desobrigada a promover o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos prestadores de serviços pessoas físicas (contribuintes individuais), os quais são responsáveis pelo pagamento de tais tributos. Com arrimo no artigo 30, inciso II, da Lei n° 8.212/91, acrescenta que somente seria possível prevalecer a presente exigência fiscal na hipótese de comprovação que referidos contribuintes individuais não promoveram o recolhimento das contribuições devidas, entendimento que, igualmente, não tem o condão de macular o lançamento, senão vejamos. Ao contrário do alegado pela contribuinte, a legislação de regência utilizada como fundamento à autuação, mais precisamente os artigos 22, inciso III, e 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei n° 8.212/91, rechaça a sua tese, oferecendo proteção ao lançamento fiscal, como segue: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do Fl. 898DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001055/200919 Acórdão n.º 2401001.927 S2C4T1 Fl. 895 7 mês subsequente ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos).” Como se observa dos dispositivos legais supratranscritos, as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, a cargo da empresa, deverá ser retida e recolhida por esta no prazo ali elencado, não se cogitando na aplicação do artigo 22, inciso I, ou 30, inciso II, da Lei n° 8.212/91, na forma que pretende fazer crer a recorrente. Por sua vez, no que concerne à pretensa falta de competência dos auditores fiscais da Receita para reconhecer a existência de vínculo empregatício entre a empresa e os prestadores de serviços, deixaremos de abordar aludida matéria, uma vez não guardar relação de causa e efeito com a hipótese vertente, onde não se cogita no procedimento de caracterização de segurados empregados. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 899DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, Fl. 900DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL Processo nº 13982.001055/200919 Acórdão n.º 2401001.927 S2C4T1 Fl. 896 9 atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 901DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 09/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002392/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional CTN.
Somente se aplicase
o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento
referese
a descumprimento de obrigação tributária principal, houve
pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e
inexiste fraude, dolo ou simulação.
RELEVAÇÃO DA MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL. INAPLICABILIDADE.
Não cabe a relevação da multa moratória, aplicada pela fiscalização em
notificação fiscal de lançamento de débito, uma vez que a previsão legal
existente restringe-se
às penalidades incidentes por descumprimento de
obrigação acessória.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As
contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.110
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art.
173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrentes MOEMPIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Somente se aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. RELEVAÇÃO DA MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INAPLICABILIDADE. Não cabe a relevação da multa moratória, aplicada pela fiscalização em notificação fiscal de lançamento de débito, uma vez que a previsão legal existente restringese às penalidades incidentes por descumprimento de obrigação acessória. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 466 2 hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da Sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 30/05/2007, em desfavor de MOEMPIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, face às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, referentes à empresa e aos segurados empregados, bem como ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho SAT (até 06/1997), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (a partir de 06/1997), inclusive, das Entidades e Fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos seus segurados empregados no período de 01/1997 a 02/2007 (até mesmo 13° Salário). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 67/69, a ora recorrente fora intimada para apresentar os documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, em 13/04/2007, e deveria têlos apresentados até a data de 18/04/2007. Ocorre que na data de vencimento da intimação, a referida recorrente não apresentou nenhum dos documentos solicitados, limitandose apenas a apresentar cópia de um Boletim de Ocorrência, datado de 12/08/2005, em que consta que infratores desconhecidos entraram de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 467 3 madrugada no estabelecimento onde funciona a empresa, causando alguns danos materiais e queimando alguns papéis e livros que se encontravam sobre a mesa. Relata o AFRFB que, em consulta ao Sistema de Informática da Previdência Social, averiguou que, embora a empresa funcione desde 1995, só houve apresentação, até a presente data, das informações através da RAIS dos períodos de 1995 e 1996, bem como não há recolhimentos para o FPAS desde 01/1997. Ademais, no sistema informatizado, observouse ainda que até os dias atuais a empresa não findou suas atividades. Sendo assim, não tendo acesso aos documentos que permitiria apurar o valor real do débito do contribuinte para com o INSS, a fiscalização se utilizou da RAIS do ano de 1996, constante no Sistema de Informática da Previdência Social e calculou a média mensal do salário de contribuição do aludido ano, bem como dos descontos efetuados nos salário dos empregados no mesmo período, transformando essas médias em número de salários mínimos e projetaram para todos os meses do período fiscalizado, ou seja, 01/1997 a 02/2007. Em decorrência da não apresentação dos documentos solicitados, fora lavrado também o Auto de Infração, com base legal no artigo 32, I, da Lei n.° 8.212/91, cumulado com o art. 225, I, §9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fl. 74, tendo sido proferido acórdão de fls. 120/124, que julgou procedente o lançamento e mantido o crédito tributário, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PARTE SEGURADOS EMPRESA, SAT E TERCEIROS. APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Lançamento Procedente Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 127/131, alegando, em síntese: a) Que quando o contribuinte cumpre, mesmo que extemporaneamente, sem estar sob ação fiscal, a obrigação acessória, há na seara previdenciária a possibilidade daquele, dentro do prazo de defesa à autuação, corrigir a infração, isto é, cumprir a referida obrigação, e requerer a relevação da multa aplicada, nos termos do art. 291, §1°, do RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99; b) Que, sendo a correção da falta um dos requisitos para a relevação da multa por descumprimento de dever instrumental, a empresa, para suprir Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 468 4 aquela, enviou as informações e apresentou os documentos exigidos, ainda que extemporaneamente, de modo que o prejuízo provocado pela omissão inicial fora superado, razão pela qual a multa deveria ser relevada, ou até mesmo, ser extinta a obrigação. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Do recurso genérico Das razões recursais ora em apreço, verificase a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 469 5 “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da Decadência Primeiramente, em que pese não ter sido alegada pela Recorrente, a decadência do crédito tributário é matéria que deve ser conhecida de ofício, independentemente de provocação da parte interessada, haja vista a extinção do direito da Fazenda Pública de lançar os valores apontados como devidos, nos termos da lei. No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 470 6 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 471 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 472 8 Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso dos autos, verificase que a própria empresa afirma que se encontrava inativa no período fiscalizado, enquanto o Relatório Fiscal aponta que não foi apresentado qualquer documento contábil que apontasse arrecadação de contribuições previdenciárias, de modo que pode se concluir que, no período autuado, não houve qualquer recolhimento para a Previdência Social. Deste modo, afastase a aplicação do art. 150, §4º do CTN para que seja observado o art. 173, I do CTN. Portanto, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 01/06/2007, quando da intimação do contribuinte do seu lançamento, e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre 01/1997 e 02/2007, tenho como certo que estão decaídas as competências de 01/1997 a 12/2001, uma vez que o lançamento dos valores correspondentes a este último período somente poderia ter sido efetivada até 31/12/2006. Da impossibilidade de relevação da multa O recurso voluntário ora interposto limita a defender a relevação da multa, sob o fundamento de que teria sido corrigida a falta nos termos do art. 291, §1º do RPS. Ocorre que tal instituto não tem qualquer aplicação no caso em comento, haja vista que se trata de autuação por descumprimento de obrigação principal, isto é, notificação de lançamento de débito fiscal em razão do não recolhimento de contribuições previdenciárias apontadas como devidas. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 473 9 A relevação da multa, por sua vez, é aplicada apenas nos casos em que há a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória, de modo que não tem qualquer pertinência no caso dos autos. Deste modo, fica afastado o requerimento efetuado pela Recorrente. Da multa moratória No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13888.002392/200730 Acórdão n.º 2301002.110 S2C3T1 Fl. 474 10 a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante o exposto, deve ser DADO PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, apenas para reconhecer a decadência dos períodos de 01/1997 a 12/2001, isto é, anteriores a janeiro/2002, bem como aplicar a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, 7 de junho de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 19515.003632/2005-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/10/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUTO
DE INFRAÇÃO. LAVRATURA INCABÍVEL.
A declaração de compensação (DCOMP) apresentada a partir de 31 de
outubro de 2003 constitui confissão de dívida, sendo portanto instrumento
hábil e suficiente para a cobrança dos débitos nelas informados. Verificandose
sua entrega antes do início da ação fiscal, é descabida a lavratura de auto
de infração.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-000.967
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela
recorrente, o Dr. Carter Gonçalves Batista, OAB/DF 31.586.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA INCABÍVEL. A declaração de compensação (DCOMP) apresentada a partir de 31 de outubro de 2003 constitui confissão de dívida, sendo portanto instrumento hábil e suficiente para a cobrança dos débitos nelas informados. Verificando se sua entrega antes do início da ação fiscal, é descabida a lavratura de auto de infração. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade/maioria de votos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Carter Gonçalves Batista, OAB/DF 31.586. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão no 1622.008, de 02 de julho de 2009, da 6ª Turma da DRJ/SPO I (fls. 119 a 125), cientificado à Interessada em 02 de julho de 2010, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de agosto a outubro de 2004, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/10/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E AUTO DE INFRAÇÃO. As declarações de compensação (DCOMP) apresentadas a partir de 31/10/2003 constituem confissão de dívida, sendo portanto instrumento hábil e suficiente para a cobrança dos débitos nelas informados. Assim, verificandose que sua entrega se deu antes do início da ação fiscal, não se justifica o lançamento dos débitos confessados nessas declarações. RECOLHIMENTOS RELATIVOS AOS DÉBITOS LANÇADOS. Cabe à unidade jurisdicionante do sujeito passivo alocar aos débitos mantidos os respectivos DARF, cancelando a multa de ofício na mesma proporção em que o valor recolhido quitar o principal e os eventuais acréscimos decorrentes da mora. MULTA DE OFÍCIO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. É incabível a exigência de multa de ofício relativamente a valores já confessados pelo sujeito passivo antes do início da ação fiscal. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 27 de dezembro de 2005, de acordo com o termo de fls. 25 a 27. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 5. O processo em exame versa sobre lançamento de ofício efetuado contra a contribuinte acima pela DEFIS/SPO em 26/12/2005 em virtude da insuficiência de declaração da Cofins referente ao período de agosto a outubro de 2004, conforme registram o termo de verificação fiscal (fls. 25/27) e o auto de infração (fls. 30/32), cujos demonstrativos se acham nas fls. 28/29. 6. O crédito tributário lançado, composto do principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2005, perfaz o montante de R$ 3.926.624,78. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.003632/200576 Acórdão n.º 330200.967 S3C3T2 Fl. 137 3 7. Irresignada, a suplicante apresentou a impugnação anexa às fls. 35/46, acompanhada dos documentos das fls. 47/104, cujo teor resumo a seguir. 7.1. Alega inicialmente haver quitado “no tempo e modo devidos” os débitos apontados pela autoridade fiscal parte mediante pagamento em espécie, parte mediante compensação , ponderando que sua cobrança se deve única e exclusivamente ao preenchimento incorreto das respectivas DCTF. 7.2. Relaciona a seguir, como mostra o quadro abaixo, os recolhimentos e declarações de compensação de que se teria valido para quitar os débitos em apreço. 7.3. Observa que o possível motivo de não se terem considerado os valores que recolheu reside na utilização do código de receita 2172 (Cofins cumulativa) em lugar do código 5856 (Cofins não cumulativa), procedimento que adotou a despeito do disposto no Ato Declaratório CORAT nº 80, de 18/12/2003 por entender que o regime de apuração a que se submete, denominado “pauta”, não se acha, a rigor, abrangido pelo sistema não cumulativo. 7.4. Salientando a possibilidade de retificar os DARF na hipótese de a autoridade julgadora entender que os recolhimentos foram efetuados sob código incorreto de receita, assinala que a subsistência da cobrança do crédito tributário impugnado caracterizaria dupla exigência sobre o mesmo fato gerador, causando locupletamento ilícito do Poder Público. 7.5. Passa a discorrer sobre os institutos do pagamento e da compensação, entremeando suas considerações de alguns excertos de doutrina e jurisprudência administrativa, com o fito de demonstrar ser incabível o lançamento de ofício de tributo sempre que comprovada a extinção do crédito tributário por meio de pagamento ou compensação. 7.6. Citando ainda um trecho de doutrina e um acórdão do Conselho de Contribuintes, afirma que o fato de não ter declarado em DCTF o montante recolhido erro cometido involuntariamente não pode justificar a cobrança impugnada. 7.7. Encerrando o arrazoado, requer que este órgão julgador declare totalmente quitado o valor lançado, cancelando o auto de infração. 7.8. Solicita outrossim que todos os avisos e intimações sejam dirigidos diretamente a seu patrono, cujos dados informa na fl. 46. Total Valor Fl. Valor Declaração de Compensação Fls. Valor 08/2004 715.128,85 178.782,21 53 536.346,64 DCOMP nº 01992.35063 56 e 70 715.128,85 09/2004 984.889,38 246.222,34 54 738.667,04 DCOMP nº 35782.29260 79 e 87 984.889,38 10/2004 323.516,86 80.879,21 55 242.637,65 DCOMP nº 26336.38530 93 e 101 323.516,86 PA Recolhimentos alegados Valor lançado Compensação alegada Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 Relativamente aos períodos de agosto a outubro de 2004, a DRJ cancelou o lançamento, pelo fato de os débitos terem sido confessados previamente à ação fiscal em declaração de compensação, conforme reproduzido abaixo: 13. A defendente, por sua vez, ao impugnar o feito, alega que empregou o código 2172 porque, a seu ver, o regime de apuração a que se submete não se acha, a rigor, abrangido pelo sistema não cumulativo. 14. Entendo todavia que tal discussão é estéril. Isso porque até o ano de 2004 somente o “saldo a pagar” declarado em DCTF era tido como confissão de dívida, de modo que os valores informados nas demais linhas mesmo quando fundados em informações incorretas ou não comprovadas não podiam ser cobrados administrativamente nem tampouco inscritos em Dívida Ativa. Esse estado de coisas perdurou até o advento da IN SRF nº 482, de 21/12/2004, a partir da qual se passou a considerar confissão de dívida não somente os valores lançados na linha “saldo a pagar”, senão também “os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade”. 15. Ora, compulsando os extratos das DCTF relativas ao terceiro e ao quarto trimestres de 2004 (fls. 102/104), verificase que os débitos de Cofins objeto do lançamento em apreço apresentam valor “zero” na coluna “saldo a pagar”, de modo que, ao menos no que diz respeito a eles e independentemente do código utilizado, tais declarações não constituem confissão de dívida. 16. Por outro lado, é necessário reconhecer que parte dos débitos em questão fora informada nas declarações de compensação a que aludi no parágrafo 7.2 deste julgado todas apresentadas no ano de 2004, antes portanto do início da ação fiscal, encetada em 10/02/2005 (fls. 6/7). 17. Naturalmente, não se pode olvidar que somente constituem confissão de dívida as declarações de compensação apresentadas a partir de 31/10/2003, data de publicação da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na lei nº 10.833, de 29/12/2003), que incluiu o parágrafo 6º no art. 74 da Lei nº 9.430/96: “§ 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)” 18. Portanto, os valores informados nas declarações em apreço constituem confissão de dívida. 19. O quadro abaixo resume a situação do crédito tributário lançado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.003632/200576 Acórdão n.º 330200.967 S3C3T2 Fl. 138 5 20. Vêse, portanto, que apenas parte do valor dos débitos lançados se achava confessada pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, nos termos dos documentos de fls. 56 a 104, a Interessada apresentou três declarações de compensação em 15 de setembro, 08 de outubro e 09 de novembro de 2004, envolvendo débitos da Cofins lançada nos presentes autos, cujo procedimento de fiscalização iniciouse em fevereiro de 2005. Essas declarações de compensação, conforme ressaltado pelo acórdão de primeira instância, representam confissão de dívida e, portanto, independentemente de declaração em DCTF, prescindem de lançamento de ofício para serem exigidos. O entendimento exarado no acórdão de primeira instância corresponde ao da Receita Federal do Brasil e ao do Carf, de modo que não há ressalvas a serem efetuadas à decisão, uma vez que confirmadas as hipóteses em que se lastreou. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Saldo a pagar Fl. Valor Data de entrega Número da declaração Fls. 08/2004 715.128,85 0,00 102 536.346,64 15/09/2004 DCOMP nº 01992.35063 56, 70 e 107/108 536.346,64 09/2004 984.889,38 0,00 103 738.667,04 08/10/2004 DCOMP nº 35782.29260 79, 87 e 109/110 738.667,04 10/2004 323.516,86 0,00 104 242.637,65 09/11/2004 DCOMP nº 26336.38530 93, 101 e 111/112 242.637,65 Valor confessado PA Declaração de compensaçãoDCTF Valor declarado Valor lançado Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 13/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 37094.003314/2006-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 04/12/2006
RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. INOCORRÊNCIA.
Conforme dispõe o art. 89 da Lei n° 8.212/1991, a restituição ou
compensação somente é cabível nos casos de recolhimento a maior ou
indevido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.953
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 04/12/2006 RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. INOCORRÊNCIA. Conforme dispõe o art. 89 da Lei n° 8.212/1991, a restituição ou compensação somente é cabível nos casos de recolhimento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente THEREZINHA DE JESUS BRITTES HESEL Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 04/12/2006 RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. INOCORRÊNCIA. Conforme dispõe o art. 89 da Lei n ° 8.212/1991, a restituição ou compensação somente é cabível nos casos de recolhimento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Alegando recolhimento indevido, a requerente solicitou a restituição das contribuições previdenciárias. Alega que já havia sido aposentado quando do desconto das contribuições previdenciárias referente à reclamação trabalhista, fl. 01. O INSS indeferiu o pleito do recorrente, fl. 46, considerando que os valores pleiteados são devidos tendo em vista ser de período em que a requerente exercia atividade e não ultrapassa o teto de contribuição. Inconformada, a requerente interpôs recurso, fls. 50. Alega que os valores retidos e depositados diretamente ao INSS não contribuirão para o aumento do valor do beneficio previdenciário a ser recebido, pois o beneficio recebido pela aposentada já foi calculado e não modificará seu valor, sendo, portanto, injusto tais descontos. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37094.003314/200676 Acórdão n.º 230200.953 S2C3T2 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 80. Pressuposto superado, passo ao exame das questões de mérito. O argumento recursal de que os valores não serão computados no benefício não é suficiente para ensejar a restituição. A segurada foi aposentada em 2004, a reclamação que gerou a retenção e recolhimento de contribuições referese ao período de 1977 a 1996, portanto período em que a segurada exercia atividade laborativa. Ao exercer as atividades laborativas de forma remunerada são devidas as contribuições. Conforme dispõe o art. 89 da Lei n ° 8.212/1991, a restituição ou compensação somente é cabível nos casos de recolhimento a maior ou indevido, nestas palavras: Art.89.Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) §1ºAdmitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. §2ºSomente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. §4ºNa hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. § 5ºObservado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios. Conforme demonstrado nos autos, verificase que o presente caso não se trata de recolhimento a maior, pois teria ficado abaixo do limite máximo do saláriodecontribuição. Caberia à recorrente ao invés de pleitear a restituição ter solicitado a revisão do benefício previdenciário com base em tal recolhimento. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001599/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 24/07/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. RECURSO SOBRE MATÉRIA NÃO MAIS CONSTANTE DO LANÇAMENTO PERDA
DO OBJETO.
O recorrente não apresentou recurso aos termos da DN, tendo em vista que a autoridade julgadora já havia procedido a exclusão das faltas.
Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-001.917
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 24/07/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. RECURSO SOBRE MATÉRIA NÃO MAIS CONSTANTE DO LANÇAMENTO PERDA DO OBJETO. O recorrente não apresentou recurso aos termos da DN, tendo em vista que a autoridade julgadora já havia procedido a exclusão das faltas. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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RECURSO SOBRE MATÉRIA NÃO MAIS CONSTANTE DO LANÇAMENTO PERDA DO OBJETO. O recorrente não apresentou recurso aos termos da DN, tendo em vista que a autoridade julgadora já havia procedido a exclusão das faltas. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 35.783.8181, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, II da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização do INSS, a recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. No caso em questão Em ação fiscal na empresa, ao serem examinados os documentos comprobatórios das despesas lançadas no livro Diário, foi constatado que a contabilidade não registrou o movimento real do faturamento. Mais especificamente deixou de lançar na conta 137 – 3.4.2.01.01.0001 – honorários os pagamento feitos a contadores no período de 01 a 03/2005. Constatouse também que a empresa não contabilizou os pagamentos do funcionário Anésio Guerra. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 24/07/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/07/2006.. O processo foi baixado em diligência, fl. 21, para que a autoridade fiscal, preste esclarecimentos acerca dos pagamentos omitidos na contabilidade, bem como outros documentos que comprovem o vínculo do sr. Anésio. Foi emitida informação fiscal, fls. 24 a 26, onde esclareceu a autoridade fiscal: Conforme os recibos de pagamento do Sr. Aldecimar Esperandio, contador, as folhas 12 e 13, e analisando a conta 137 3.4.2.01.01.0001, as folhas 11, verificase que os mesmos não foram contabilizados. Quanto ao Sr. Anésio Guerra ele é apenas GERENTE e não SOCIO GERENTE, portanto o seu nome não aparece no contrato social, deveria sim de aparecer na folha de pagamento, porem não consta na mesma. A folha de pagamento apresentada esta contabilizada, porem sem o nome do Sr. Anésio Guerra. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência da autuação, conforme fls. 51 a 54, tendo enfatizado a autoridade fiscal que a autuação deve restar pautada apenas nos pagamentos do Sr. Aldecimar Esperandio, onde ficou contatado a falta de contabilização de recibos de pagamento do período de 01 a 03/2005. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 82 a 83 . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: A autuação acusa a falta de lançamentos na contabilidade dos fatos geradores dos contribuintes, quais sejam: a) honorários contábeis dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2.005, na conta 137; e b) pagamentos efetuados ao funcionário Sr. Anésio Guerra. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001599/200734 Acórdão n.º 240101.917 S2C4T1 Fl. 73 3 O parecer solicitou informações quanto os pagamentos efetuados ao Sr. Anésio Guerra que não foram contabilizados — valor/competência, sugerindo ajuntada aos autos do contrato social e suas alterações ou outro documento que comprove o vinculo Sr. Anésio Guerra. As folhas 23/26 o Auditor Fiscal autuante discorre sobre os princípios contábeis, sem, no entanto, informar quais os pagamentos efetuados ao Sr. Anésio Guerra não foram contabilizados. Da mesma forma, não juntou comprovante da vinculação do Sr. Anésio Guerra com a empresa. Ainda em diligência, o Sr. Auditor Fiscal se limitou a afirmar que o Sr. Anésio Guerra é apenas gerente e não sócio gerente, contudo, não fez provas de suas alegações. A diligência demonstrou que a autuação não pode prevalecer. Pelo exposto, requer a reforma do Acórdão para julgar improcedente o lançamento ou relevada a multa . .A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 61. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DO MÉRITO: Quanto ao mérito destacase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto da autuação importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. O recorrente não apresentou recurso aos termos da DN, tendo em vista que a autoridade julgadora de primeira instância destacou que a autuação pautada na falta de contabilização do vínculo do sr. Anésio não poderia prevalecer, tendo em vista que a autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo empregatício. Assim, a autuação mantida fundouse nos pagamentos do Sr. Aldecimar Esperandio, onde ficou constatado a falta de contabilização de recibos de pagamento do período de 01 a 03/2005. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação. CONCLUSÃO: Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso tendo em vista que o recurso referese a fatos geradores já excluídos da autuação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 75DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001599/200734 Acórdão n.º 240101.917 S2C4T1 Fl. 74 5 Fl. 76DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001214/2004-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada, com documentos hábeis e idôneos, a despesa com instrução, deve-se reconhecer o direito á dedução até o limite legalmente autorizado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.032
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DESPESA COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada, com documentos hábeis e idôneos, a despesa com instrução, devese reconhecer o direito á dedução até o limite legalmente autorizado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 18/11/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Fl. 53DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 ARISTIDES DA ROSA PINHEIRO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ II (fls. 25) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 02/04 que alterou o resultado da declaração de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF apresentada pelo contribunte, referente ao exercício de 2003, de imposto a pagar de R$ 1.169,27 para imposto a pagar de R$ 2.068,52. O lançamento decorre da glosa da dedução com dependente (R$ 1.272,00) e da dedução de despesa com instrução (R$ 1.998,00), com a consequente alteração dos demais campos da declaração. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual afirma que incorreu em erro no preenchimento da declaração, mas reafirma que tem uma dependente de oito anos de díade e que faz jus á dedução, bem como do valor correspondente à despesa com instrução. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou procedente em parte o lançamento para acolher a dedução como dependente. Não reconhece, contudo, a dedução de despesa com instrução uma vez que o comprovante apresentado referese a pagamentos feitos no ano calendário de 2003 quando o lançamento se refere ao anocalendário de 2002. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 11/12/2007 (fls. 30) e, em 10/01/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 33/34 no qual afirma que apresentou os comprovantes referentes ao período errado e que apresenta com o recurso os comprovantes referentes a pagamentos feitos no ano de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o litígio permanece apenas quanto à comprovação das despesas com instrução. A DRJ não acolheu a alegação da defesa sob o fundamento de que os comprovantes de pagamentos apresentados na impugnação referemse ao anocalendário de 2003 e o lançamento referese ao anocalendário de 2002. No recurso, o Contribuinte apresenta, então, os documentos de fls. 35/46 que são comprovantes de pagamentos feitos a Centro Educacional Pontes de M., , dependente do Recorrente, ao longo do ano de 2002, referentes a despesas de Maria Prado Fernandes Pinheiro e que totalizam R$ 3.628,00. Os documentos acima, portanto, comprova a despesa com instrução, cujo limite de dedução, para o exercício de 2003, anocalendário de 2002, era de R$ 1.998,00. Devese restabelecer, pois, a dedução, a título de despesa com instrução no valor de R$ 1.998,00. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10730.001214/200444 Acórdão n.º 220101.032 S2C2T1 Fl. 2 3 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 55DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10680.008218/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese
à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose,
para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental.
RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA
GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos
severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN os
fatos que ensejaram o cálculo da multa até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, ao cálculo da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A
da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN os fatos que ensejaram o cálculo da multa até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, ao cálculo da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leoncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 230101.872 S2C3T1 Fl. 140 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/11/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 21/22, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 01/1999 a 12/2005, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 10.123,75. Após tomar ciência pessoal da autuação em 24/11/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 35/43, na qual alegou: decadência, preenchimento correto da GFIP no período 02/2003 a 12/2005, inexistência de prejuízo para o erário público, existência de hipótese de relevação da multa, necessidade de reabrir prazo para retificação das GFIPs. A 8ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 99/110, julgou o lançamento procedente em parte, tendo relevado parcialmente a multa e afastado a multa relativa ao código FPAS nas competências 01/99 a 02/2003, de modo a reduzir a multa para R$ 7.231,25. A recorrente foi cientificada do decisório em 10/12/2007, fls. 113. O recurso voluntário, apresentado em 09/01/2008, fls. 124/132, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Informa que recorre apenas de períodos anteriores a 11/2001, sendo a parte restante já está quitada. Com relação à parte recorrida alega a decadência com base no art. 150, §4º do CTN. Alternativamente, requer a aplicação do art. 173, inciso I do CTN. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento na parte que não houve reconhecimento do débito(anterior a 11/2001). DECADÊNCIA A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 230101.872 S2C3T1 Fl. 141 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 230101.872 S2C3T1 Fl. 142 7 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 230101.872 S2C3T1 Fl. 143 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 230101.872 S2C3T1 Fl. 144 11 Tratamos de lançamos de ofício motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, levanos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN. Considerando que o lançamento foi cientificado em 24/11/2006, estão atingidos pela decadência os fatos geradores até 31/12/2000, o que coincide com uma das alternativas do pedido da recorrente. Multa por não apresentação da GFIP. Adequação ao art. 32A. O valor da multa por apresentação da GFIP com incorreções ou omissões sofreu modificações com o advento da Lei 11.941/09 que introduziu o art. 32A na Lei 8.212/91, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Com relação ao tema, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 Logo, a perfeita adequação do lançamento à legalidade exige que a multa aplicada seja confrontada com a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que resultar em menor ônus para a recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER em parte e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (i) excluir do cálculo da multa os fatos geradores até 12/2000, o que inclui as competências 12 e 13/2000; e (ii) aplicar o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 12DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 02/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11543.003641/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS.
COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
Numero da decisão: 2101-001.174
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________________ JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, José Evande Carvalho Araújo, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 49DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em desfavor de MARIA LUIZA DOS SANTOS VELLOZO foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 06, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2004 (exercício 2005), no valor total de R$ 6.100,66 (seis mil e cem reais e sessenta e seis centavos) que, acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31 de outubro de 2007, perfaz um crédito tributário total de R$ 12.859,57 (doze mil, oitocentos e cinqüenta e nove reais e cinquenta e sete centavos). Em 19 de novembro de 2007, foi apresentada Impugnação (fls. 01 a 05), na qual a contribuinte alega ter havido lançamento tributário sem que tivesse sido deferido pedido de prorrogação de prazo para prestar esclarecimentos, o que teve de ser feito por meio de carta com AR. Reporta ter a Secretaria da Receita Federal do Brasil proibido o protocolo de referida carta, tanto no setor de atendimento ao contribuinte quanto no protocolo geral, sob alegação de ter expedido a notificação, muito embora a contribuinte não a tivesse recebido. Sustenta ainda que, na notificação, foram apontados aspectos poucos técnicos e nada jurídicos para pretender tributação sem base legal. As infrações apontadas pela Fiscalização e mantidas na decisão da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 07. A Fiscalização procedeu a glosa de despesas médicas, alegando falta de comprovação/amparo legal, por terem sido utilizadas pela contribuinte sem que tivesse sido justificada a sua necessidade e sem que fosse fornecida a descrição dos procedimentos médicos realizados, entre outros motivos. As glosas efetuadas referemse às seguintes deduções: 1. CODI Centro Odontológico R$16.180,00 2. Health Center R$ 1.150,00 3. Clínica de Reabilitação CRAVV R$ 600,00 4. Unimed Vitória R$ 168,85 5. Rogério Jahel R$ 360,00 6. Denis Ottoni R$ 200,00 7. Carlos Mariano R$ 150,00 8. Carlos José Cardoso R$ 435,00 Às fls. 12 a 16 constam comprovantes de despesas médicas referentes ao Centro Odontológico de Diagnóstico por Imagem Ltda (CODI), no valor de R$ 16.180,00, bem como dois recibos no valor de R$ 90,00 cada, emitidos por Rogério Joel Nascif, dois recibos de emitente ilegível, no valor de R$ 90,00 cada e três recibos de R$ 145,00 cada, emitidos por Carlos José Cardoso. A Recorrente reconhece, na sua Impugnação, ter cometido erro no preenchimento da declaração, no tocante ao pagamento feito a Health Center Medicina e Fl. 50DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11543.003641/200780 Acórdão n.º 210101.174 S2C1T1 Fl. 45 3 Atividades Físicas Integradas e Comércio S/A: ao invés de R$ 1.150,00, o valor do crédito pago é de R$ 150,00. Admite também o extravio dos comprovantes nos valores de R$ 770,00; R$ 500,00 e R$1.083,55, e pede, em sua Impugnação, que seja confirmado nos sistemas da Receita Federal o recebimento desses valores pelos respectivos credores. Alega não haver razão para a Notificação de Lançamento exigir os efetivos pagamentos por falta de previsão legal, já que o § 2°, inciso II, do art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995, não se reporta e nem prescreve esta exigência, apenas descreve que, na falta de documentação, poderá ser feita a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Sendo assim, entende que a exigência é afrontosa, ilegal e sem fundamento jurídico. Sustenta, ainda, que “quanto a exigência da parte final do TIAF, contida na letra B, demonstra a fiscalização tentativa de cerceamento do mais amplo direito de defesa constitucionalmente assegurado, ameaça e coação estas que não se coadunam com o regime democrático” (sic). Requer seja encerrada a ação fiscal por falta de razoabilidade, haja vista não ter havido violação da legislação em vigor. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, em seu Acórdão n.º 0338.683, anexo aos presentes autos às fls. 32 a 36, julgou improcedente a Impugnação e manteve integralmente o crédito tributário lançado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. Tendo a contribuinte sido intimada a comprovar o efetivo desembolso das despesas médicas e sendo essa uma das razões da glosa, não há como restabelecer a despesa sem que haja tal comprovação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificada dessa decisão em 25 de novembro de 2010 (fls. 41), a contribuinte ingressou, em 17 de dezembro do mesmo ano, com tempestivo Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos da Impugnação, alegando que as razões e fundamentos da defesa não foram apreciados em sua totalidade e propugna pela reforma do Acórdão e pela nulidade da “autuação notificação”. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Voto Conselheiro Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Em sua peça recursal, a contribuinte reitera todas as razões da impugnação. Pede a reforma do Acórdão, com nulidade da “autuação notificação”. Alega ter havido lançamento tributário sem que tivesse sido deferido pedido de prorrogação de prazo para prestar esclarecimentos, o que teve de ser feito por meio de carta com AR. Sustenta que a Secretaria da Receita Federal do Brasil proibiu o protocolo de referida carta, tanto no setor de atendimento ao contribuinte quanto no protocolo geral, sob alegação de ter expedido a notificação, muito embora a contribuinte não a tivesse recebido. Sobre o assunto, o Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, assim prescreve: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Tendo em vista que a contribuinte não juntou quaisquer documentos demonstrando o alegado e, ainda, que apresentou, tempestivamente, impugnação às fls. 01 a 05, reportandose à Notificação de Lançamento constante às fls. 06 a 09, não vislumbro qualquer prejuízo ao direito de defesa. Afasto, portanto, a ocorrência de nulidade no processo. A Recorrente sustenta ainda que, na Notificação de Lançamento, foram apontados aspectos poucos técnicos e nada jurídicos para pretender tributação sem base legal. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. O caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, assim prescreve: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Temos ainda que o lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo legal prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11543.003641/200780 Acórdão n.º 210101.174 S2C1T1 Fl. 46 5 declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Da regra do caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas. Desse modo, no presente caso, ao exigir as comprovações das despesas médicas e odontológicas utilizadas como deduções na declaração de ajuste do imposto sobre a renda da contribuinte, o agente da Administração agiu em consonância com o que prevê a legislação reguladora do tema. E, assim sendo, é de se afastar qualquer ilegalidade por parte do Auditor Fiscal no ato do lançamento. A contribuinte entende não haver razão para a Notificação de Lançamento exigir os efetivos pagamentos, correspondentes às despesas utilizadas como deduções em sua declaração de imposto de renda de ajuste, por falta de previsão legal, haja vista que o § 2°, inciso II, do art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995, não se reporta e nem prescreve esta exigência, apenas descreve que, na falta de documentação, poderá ser feita a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, assim prescreve o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, cuja matriz legal é o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Depreendese, do dispositivo acima transcrito, que os comprovantes de despesas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem demonstrar tanto o efetivo pagamento feito pelo contribuinte quanto o recebimento do valor correspondente pelo prestador do serviço, em decorrência da referida prestação, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, tudo de forma especificada. As deduções correspondentes aos pagamentos feitos a: Health Center (R$ 1.150,00), Clínica de Reabilitação CRAVV (R$ 600,00), Unimed Vitória (R$ 168,85), Denis Ottoni (R$ 200,00) e Carlos Mariano (R$ 150,00) não foram comprovadas por meio de qualquer documento. Ficam mantidas, portanto, as glosas. Compulsandose os dados constantes dos recibos fornecidos pela contribuinte com a regra do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto n.º 3.000, de 1999, acima transcrito, verificase o seguinte: a) A nota fiscal anexa às fls. 16, no valor de R$ 16.180,00 não é suficiente para atender aos requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Notese que, nos termos do seu inciso II, os pagamentos devem estar comprovados. Não é proibido, a qualquer pessoa, efetuar pagamentos a médicos e dentistas em dinheiro. No entanto, para que esses pagamentos possam ser utilizados como deduções do imposto sobre a renda, eles devem estar devidamente comprovados, tal como determina a legislação que rege a matéria. Quando o contribuinte alega pagamento em espécie, convém apresentar prova do efetivo desembolso, tal como, por exemplo, um comprovante de saque, em valor compatível em data e valor, da conta bancária do titular. Todavia, tal não foi providenciado pela Recorrente. Sendo assim, reputo insuficiente a prova apresentada para o fim de comprovar a dedução e mantenho a glosa. b) O recibo anexo às fls. 12 e os dois recibos anexos às fls. 14, emitidos por Carlos José Cardoso, no valor de R$ 145,00 cada, assim como os dois recibos anexos às fls. 13, emitidos por Rogério Nahel Nascif, no valor de R$ 90,00 cada e os dois recibos anexos às fls. 15, no valor de R$ 90,00 cada, também não cumprem os requisitos previstos no mencionado dispositivo. Além de estarem irregulares por não conterem informações relevantes, tais como o nome legível do emitente, endereço e CPF, não estão acompanhados de comprovantes do efetivo pagamento dos valores, tal como exige o inciso II do § 1.º do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999. Ao reportar o extravio dos comprovantes nos valores de R$ 770,00; R$ 500,00 e R$1.083,55, a Recorrente pede que seja confirmado nos sistemas da Receita Federal o recebimento desses valores pelos respectivos credores. Tal pedido não pode ser atendido, pois a Secretaria da Receita Federal do Brasil não dispõe, para o exercício em questão, de sistema que contemple tais informações. A Recorrente alega, por fim, que “quanto a exigência da parte final do TIAF, contida na letra B, demonstra a fiscalização tentativa de cerceamento do mais amplo direito de Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11543.003641/200780 Acórdão n.º 210101.174 S2C1T1 Fl. 47 7 defesa constitucionalmente assegurado, ameaça e coação estas que não se coadunam com o regime democrático” (sic). Considerandose que o “TIAF” ao qual a Recorrente se refere é a Notificação de Lançamento às fls. 06 a 09 dos presentes autos, temos que trata a letra “B” de Demonstrativo de Apuração da Multa de Mora e dos Juros de Mora, item que não se aplica ao caso da Recorrente. Ao seu caso aplicase a letra “A”: Demonstrativo de Apuração da Multa de Ofício e dos Juros de Mora. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13882.000412/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.058
Decisão: Acrodam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao, recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-04T11:38:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-04T11:38:04Z; Last-Modified: 2011-08-04T11:38:04Z; dcterms:modified: 2011-08-04T11:38:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2b87ed59-0384-48e4-9120-ee64a160202a; Last-Save-Date: 2011-08-04T11:38:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-04T11:38:04Z; meta:save-date: 2011-08-04T11:38:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-04T11:38:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-04T11:38:04Z; created: 2011-08-04T11:38:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-08-04T11:38:04Z; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-04T11:38:04Z | Conteúdo => S2-C1T2 Fl. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13882.000412/2007-98 Recurso n° 509.812 Voluntário Acórdão n° 2102 -01.058 — la Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 9 de fevereiro de 2011 Matéria IRRF Recorrente MILTON PERES Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR I provimento ao recurso, nos termos do vo r do Relator Gio anni Christian N - Presidente Ru ator DITADO EM: 28/ /2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos Ai dré Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo ate o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fis. 69 a 73 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 07, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2002, exercício 2003, que lhe exige credito tributário no montante de R$ 20.079,67, sendo R$ 8.250,00 referentes ao imposto de renda pessoa fisica suplementar, R$ 6.187,50 A multa de oficio e R$ 5.642,17 aos juros de mora (cálculo válido até agosto de 2007). 2. No anexo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" é informado que foram glosados R$ 30.000,00 indevidamente deduzidos a titulo de despesas médicas, uma vez que o contribuinte, após ter sido intimado, não comprovou a efetividade dos pagamentos aos seguintes profissionais: • Sandra Cecilia Ferreira de Oliveira — R$ 12.000,00; • Paulo Roberto Camargo Coelho — R$ 4.000,00; • Maira de Brito Ferraz — R$ 2.000,00; 2.1 Foram também glosadas as despesas com Maria Aparecida Peres de Carvalho, no total de RS 12.000,00, uma vez que não foram apresentados os recibos. 2.2 Foram aceitas as seguintes despesas médicas: • Ministério da Saúde: R$ 1.216,08; • UNIMED Guaratinguetá: R$ 372,00; DA IMPUGNAÇÃO 3. Após a ciência da autuação o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 01, através da qual alega, em síntese, que: 4. Apresentou recibos das despesas médicas regularmente fornecidos pelos profissionais que lhe prestaram serviços, coin todos requisitos legais, os quais, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda, são perfeitamente válidos e suficientes para a comprovação das referidas despesas. 4.1 Reafirma que os pagamentos referentes as despesas médicas foram todos efetuados em dinheiro e com cheques de terceiros, explicando que a retirada efetuada mensalmente em suas contas bancárias e registradas nos extratos não coincidem, exatamente, com os valores e datas de cada um dos recibos porque o numerário referente As aludidas retiradas também era normalmente usado para saldar diversas outras despesas mensais, não exclusivamente as despesas médicas, o que é perfeitamente natural. 4.2 Vale acrescentar que, normalmente, os profissionais eram pagos semanalmente, em dias variados, fornecendo um único recibo no final de cada período, referente ao Ines anterior da efetiva prestação de serviços. 4.3 Nessas condições, aguarda a anulação da,a - tuação, ressaltando que, quanto As despesas médicas não comprovadas .or' cibos, assumirá todas as responsabilidades e consequências decorrentes. 2 Processo n° 13882.000412/2007-98 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.058 Fl. 13 5.É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os recibos e os extratos apresentados foram insuficientes, no seu entender, para considerar dedutiveis as despesas médicas glosadas, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 MATÉRIA NJ() CONTESTADA. A matéria não contestada e.xpressamente na impugnação considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. GLOSA DE DEDUCA- 0 COM DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas médicas, haja vista que o direito sua dedução condiciona-se et comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de ils. 77 /78, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese que os recibos e os saques indicados fazem prova suficiente e que não há qualquer motivo para se duvidar da veracidade de seus conteúdos. Registra que se o recurso não for provido it'd buscar no Judiciário, a anulação da autuação, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de mat-go de 1972. Assim sendo, dele conheço. Cuida o presente processo de glosa dedução pleiteada a titulo de despesas medicas, na Declaração de Ajuste Anual, relativa aos exercícios 2003. Para o exame da questão transcrevem-se a seguir os dispositivos regulam a matéria: 3 Lei n" 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8" — A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano- calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II— das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, .fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (Decreto-lei n" 5.844, de 1943, art. 11, § 3). , s se .forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto- lei n°5.844, de 1943, art. 11, § 4). Confonne se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em principio, admite-se como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto a. idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não so da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Trata o presente processo de glosas de despesas médicas realizadas para o ano-calendário 2003 do IRPF, onde foi declarado um Rendimento Bruto de R$ 90.239,52 c despesas médicas no valor total de R$30.000,00, representando aproximadamente 1/3 do primeiro valor. Na impugnação o sujeito passivo não impugnou R$ 12.000,00 tomando essa base de cálculo definitiva e a glosa de R$ 18.000,00 remanescente que conforme análise dos recibos apresentados As fls. 29 a 33 e 52 a 58, está assim distribuída: Sandra Leite T. holistica e Florais Paulo Coelho Cir. Miopia Maira Ferraz Psicoterapia . Total jan 1.000,00 500,00 1.500,00 fey 1.000,00 500,00 1.500,00 mar 1.000,00 500,00 1.500,00 abr 1.000,00 580,00 1.580,00 mai 1.000,00 420,00 1.420,00 jun 1.000,00 500,00 1.500,00 Jul 1.000,00 1.000,00,v 4 Processo n° 13882.000412/2007-98 S2-C1T2 Acórd5o n." 2102-01.058 Fl. 14 ago 1.000,00 500,00 1.500,00 set 1.000,00 500,00 1.500,00 out 1.000,00 500,00 1.500,00 nov 1.000,00 500,00 1.500,00 dez 1.000,00 1.000,00 2.000,00 12.000,00 4.000,00 2.000,00 18.000,00 Ressalto que em todos os recibos apresentados falta o endereço do local onde os serviços foram prestados. Juntou ainda, alguns extratos bancários indicando alguns saques que suportariam as despesas como prova do pagamento em dinheiro, onde o próprio contribuinte reconhece que não ha identidade de datas e valores com os recibos, pois, tais saques seriam também utilizados por outras despesas pessoais. Ora, a apresentação destes extratos, em nada reforça ou complementa a prova. Deveria o contribuinte ter apresentado documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheques, extratos bancários corn valores e datas coincidentes, se não na sua totalidade mas pelo menos parcialmente e, especialmente, exames e laudos medicos atestando o serviço prestado. Por exemplo, no caso das despesas de cirurgia de miopia, com certeza é produzida vasta documentação dessa intervenção cirúrgica mas nenhum documento sequer foi anexado. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tern relação direta corn os fatos econômicos. Quando a urn ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, corno comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 0 ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Conclui-se, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Desta forma, tem-se que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que o Fisco deveria comprovar o não-pagamento dos valores consignados nos recibos e a não-efetivação dos serviços. Quanto à doutrina e jurisprudência trazida aos autos, embora representem respeitável posição dos órgãos julgadores, não produzem non -na geral e abstrata, restringindo sua vinculação aos casos particulares analisados. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF — DESPESAS MÉDICAS — DEDUÇÃO — Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, 5 cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legitima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. I° CC 104 — 16647/1998) A opção pelo pagamento em espécie, embora licita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa das deduções de despesas médicas efetuadas no Auto de Infração em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Rubens Mauricio Carvalho - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000573/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na
determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).”
Neste sentido, havendo comprovação satisfatória acerca da existência de decisão judicial com efeitos declaratórios, reconhecendo, destarte, a oferta de alimentos desde 2001, há que se admitir referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. CONCOMITÂNCIA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. IMPOSSIBILIDADE NA AUSÊNCIA DE ESTIPULAÇÃO EM ACORDO OU DECISÃO JUDICIAL.
Para a dedutibilidade das despesas médicas, deve ser comprovada a efetiva realização do serviço e os respectivos desembolsos, desde que prestada diretamente ao contribuinte e aos seus dependentes. (art. 80, “caput” e §2º, II, do RIR/99).
Nos termos da legislação tributária em vigor, é vedada a dedução conjunta de despesas médicas ou de instrução em concomitância com pensão alimentícia nas hipóteses em que a decisão judicial ou acordo nada dispuser a este respeito.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-001.061
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão judicial, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).” Neste sentido, havendo comprovação satisfatória acerca da existência de decisão judicial com efeitos declaratórios, reconhecendo, destarte, a oferta de alimentos desde 2001, há que se admitir referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. CONCOMITÂNCIA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. IMPOSSIBILIDADE NA AUSÊNCIA DE ESTIPULAÇÃO EM ACORDO OU DECISÃO JUDICIAL. Para a dedutibilidade das despesas médicas, deve ser comprovada a efetiva realização do serviço e os respectivos desembolsos, desde que prestada diretamente ao contribuinte e aos seus dependentes. (art. 80, “caput” e §2º, II, do RIR/99). Nos termos da legislação tributária em vigor, é vedada a dedução conjunta de despesas médicas ou de instrução em concomitância com pensão alimentícia nas hipóteses em que a decisão judicial ou acordo nada dispuser a este respeito. Recurso parcialmente provido. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A Processo nº 10384.000573/200712 Acórdão n.º 210101.061 S2C1T1 Fl. 74 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão judicial, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 67/71) interposto em 04 de janeiro de 2008 (fl. 67) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 55/61), do qual o Recorrente teve ciência em 06 de dezembro de 2007 (fl. 66), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07/10, lavrado em 22 de janeiro de 2007, em decorrência de deduções indevidas de previdência privada, FAPI, despesas médicas e pensão alimentícia judicial, verificadas no ano calendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A Processo nº 10384.000573/200712 Acórdão n.º 210101.061 S2C1T1 Fl. 75 3 As despesas médicas somente são acatadas como dedução da base de cálculo quando efetuadas com o próprio contribuinte ou com seus dependentes. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente são dedutíveis as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família e quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Lançamento Procedente” (fl. 55). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 67/71), pedindo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No que se refere ao mérito, verificase que o presente recurso cingese à aferição (i) da dedutibilidade de valores decorrentes de pensão alimentícia judicial, paga pelo Recorrente em favor de seus filhos, e (ii) da possibilidade de dedução, como despesas médicas, de valores desembolsados com plano de saúde da família. Quanto ao primeiro aspecto ventilado, decidiram os doutos julgadores a quo não reconhecer a dedutibilidade do montante gasto a título de pensão alimentícia, eis que, segundo se posicionaram, referidos pagamentos teriam sido feitos por mera liberalidade, e não por meio de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Nada obstante o entendimento manifestado pelo órgão a quo, entendo legítima a dedução pretendida na espécie. Nesse sentido, dispõe o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99) que: “Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A Processo nº 10384.000573/200712 Acórdão n.º 210101.061 S2C1T1 Fl. 76 4 §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” Na esteira do referido dispositivo legal, o Código Civil de 2002, da mesma forma que já dispunha em linhas gerais o Estatuto de 1916, estabelece, em caráter geral, o dever dos pais de sustentar os filhos, independentemente, vale ressaltar, de sua idade. No tocante ao capítulo específico relativo aos “alimentos”, determina o citado codex o seguinte: “Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (...) Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor.” À luz dos aludidos normativos, observase que, no presente caso, o contribuinte autorizou, consoante se infere dos autos, ao final do anocalendário de 2001, que sua respectiva fonte pagadora descontasse, de seu salário, o montante de 50% de sua remuneração, a título de pensão alimentícia, que deveria ser repassado diretamente aos seus 5 filhos, Janayna Maria Nunes Barbosa, Lucíola Nunes Barbosa, Patricia Nunes Barbosa, Michelle Nunes Barbosa e José do Egito Barbosa Júnior. Com vistas à obtenção de sentença declaratória de seu direito, o ofertante ajuizou, em 04/12/2006, ação de oferta de alimentos em favor dos citados alimentandos, domiciliados, frisese, no mesmo endereço do ofertante. Relativamente à referida ação judicial, foram acostados aos autos parecer favorável do Ministério Público Estadual, bem como decisão judicial acatando, em caráter expresso, a pretensão contida na exordial, determinando, destarte, a retroação de seus efeitos à data em que se iniciou o desconto de sua remuneração em favor de seus filhos (fls. 41 e 42). Verificase, portanto, à luz dos documentos acostados aos autos, que (i) o valor da pensão alimentícia já vinha sendo descontado pela fonte pagadora, consoante atesta, inclusive, o Ministério Público Estadual, e (ii) houve, após o ajuizamento da ação de oferta de alimentos, expressa determinação judicial acolhendo a pretensão do autor, isto é, fazendo Fl. 82DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A Processo nº 10384.000573/200712 Acórdão n.º 210101.061 S2C1T1 Fl. 77 5 retroagir a referida oferta à data em que repassados os valores diretamente aos seus filhos. Sendo assim, portanto, entendo restarem cumpridos os pressupostos estabelecidos pelo art. 78 do RIR/99, eis que, além do citado normativo não estabelecer limites em relação à idade do alimentando, igualmente aponta para a dedutibilidade do montante pago nas hipóteses em que fundado em decisão judicial. Por esta razão precípua, em que pese haver a Recorrida entendido tratarse de mero despacho, verificase o nítido condão decisório da manifestação feita pelo MM. Juízo de primeiro grau, consistindo, portanto, em autêntica decisão interlocutória, nos termos o art. 162, parágrafo 3º, do Código de Processo Civil. Nesse sentido, releva ressaltar que a referida decisão judicial, in casu, possui caráter declaratório. É dizer, muito embora tenha sido proferida em período posterior à ocorrência do fato gerador, retroage sua eficácia à época em que formalizado o desconto em folha de pagamento do Recorrente (fls. 27/28), período a partir do qual deixou de ter, o Recorrente, disponibilidade jurídica, na forma do art. 43 do CTN, sobre referida verba alimentar, consoante consta, inclusive, do parecer exarado pelo Ministério Público Estadual. Por esta razão, pois, havendo decisão judicial declaratória dos efeitos da prestação de alimentos por parte do contribuinte, e, bem assim, reconhecendose a inexistência de disponibilidade jurídica por parte do Recorrente, no tocante aos valores descontados diretamente em sua folha de salários em favor de seus filhos, entendo que merece reforma o acórdão recorrido, passandose a admitir a dedutibilidade, na forma do art. 78 do RIR/99, aplicandose, à hipótese vertente, a seguinte diretriz jurisprudencial, in verbis: “PENSÃO JUDICIAL DEDUTIBILIDADE A decisão judicial que homologa expressamente obrigação anterior de prestar alimentos, efetivamente prestada, tem o condão de validar a dedução pleiteada a título de pensão alimentícia. Recurso provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Acórdão 10416.894, relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, publicado em 22/02/1999) Em virtude do exposto, pois, assiste razão ao contribuinte, fazendose mister, assim, a reforma do acórdão recorrido, admitindose, pois, a dedução do montante relativo à pensão alimentícia. No que toca à dedutibilidade das despesas médicas, entendo não assistir razão ao Recorrente. De fato, muito embora pretenda o Recorrente deduzir, a título de despesas médicas, valores pagos durante o ano de 2004 à Unimed, relativamente à mensalidade do plano de saúde seu e de seus filhos e esposa (fl. 11), verificase, a partir de uma análise de sua declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2005, que o contribuinte não declarou nenhum deles como seus dependentes. Assim sendo, considerando o disposto pelo art. 8º, §2º, II, da Lei n. 9.250/95, sendo certo que a dedutibilidade é extensível, apenas, ao contribuinte e aos seus dependentes, não há como se admitir a dedução pretendida. Além disso, vale citar que o art. 78, §4º do RIR/99, determina, expressamente, que “Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo Fl. 83DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A Processo nº 10384.000573/200712 Acórdão n.º 210101.061 S2C1T1 Fl. 78 6 homologado judicialmente”, razão pela qual não se deve admitir a dedutibilidade concomitante quando assim não estipular a decisão ou acordo judicial. Nesse sentido, iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “AÇÃO JUDICIAL DE ALIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO SIMULTÂNEA DA DESPESA DE DEPENDENTE COM A DESPESA COM PENSÃO JUDICIAL. CONTRIBUINTE OBRIGADO A PENSIONAR A DESPESA DE INSTRUÇÃO DO DEPENDENTE ALIMENTADO. HIGIDEZ DA DEDUTIBILIDADE DA DESPESA DE INSTRUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Inviável a dedução simultânea da despesa do dependente com a pensão alimentícia judicial na declaração de ajuste anual do obrigado à pensão. De outra banda, se houve determinação judicial que obrigue o alimentante a pagar a pensão ao alimentado, adicionado das despesas com instrução deste, viável a dedução de ambas as despesas da base de cálculo do imposto de renda. Recurso parcialmente provido.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 2ª Seção, 2ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão 210200.889, publicado em 25/01/2011) Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 84DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOK A
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