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Numero do processo: 10860.900288/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL
Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido.
Numero da decisão: 3402-003.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito nos termos da diligência efetuada.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido.
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 02 88 /2 00 8- 11 Fl. 2149DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados, me valho do Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3801000.475 (fls. 135/141), da lavra do Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, o qual adoto como meu nos termos abaixo: (...). “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 8), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 9/14), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 1° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10860.900288/200811 Acórdão n.º 3402003.788 S3C4T2 Fl. 2.150 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3442, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 1015. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, devendo ser aplicado ao caso o princípio da verdade material, uma vez que ocorreu erro material na apuração do crédito, por parte da recorrente, o que foi levado a conhecimento da DRF posteriormente através da apresentação regular da PER/DCOMP, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, acrescidos de juros equivalentes a taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. (...). 2. Uma vez distribuído o recurso voluntário interposto neste tribunal, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, baixou o processo diligência nos seguintes temos: (...). Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. (...). No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase Fl. 2151DF CARF MF 4 processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialmente pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. 3. Realizada a diligência, assim concluiu a fiscalização (fls. 2.141/2.142): (...). Foi solicitada, na referida Resolução, a verificação da existência de créditos de COFINS, cujo valor no presente processo é de R$ 978,01. (...). À fl. 2126 dos autos consta extrato detalhado da DCTF Retificadora, cujos dados se reproduzem a seguir, acrescidos das informações dos pagamentos e depósitos judiciais efetuados e confirmados no sistema SIEF – Documentos de Arrecadação e dos valores informados na DIPJ/2004. (...). Foram anexados, às fls. 2134/2136, extratos de consulta do Sistema SIEF – Documentos de Arrecadação com os recolhimentos e depósitos judiciais efetuados pelo interessado, cujos valores cobrem os informados na DCTF e detalhados acima. Quanto à compensação no valor de R$ 5.269,78, foi anexado, à fl. 2137, extrato do sistema SIEF Processo comprovando a compensação efetuada. O pagamento efetuado pelo interessado foi de R$ 39.515,32 (fl. 2139), sendo que foi utilizado na DCTF Retificadora o montante de R$ 38.537,31, restando, assim, o crédito de R$ 978,01. A DIPJ original, apresentada em 29/06/2004, já apresentava o valor da COFINS a pagar no mesmo montante da DCTF Retificadora apresentada em 2008. (...) (grifos constantes no original). 4. Diante deste quadro, o contribuinte foi intimado para se manifestar a respeito, ficando inerte. 5. É o relatório. Voto Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10860.900288/200811 Acórdão n.º 3402003.788 S3C4T2 Fl. 2.151 5 Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 7. Em suma, o contribuinte apresentou Compensação (DCOMP) alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi posteriormente corrigido por intermédio da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes nas DIPJ's original e retificadoras apresentadas. 8. A Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação ao fundamento que o pagamento apontado como origem do direito creditório fora integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. 9. Em manifestação de inconformidade o contribuinte não apresentou toda a documentação necessária para atestar seu crédito, em especial DCTF retificadora e DIPJ's retificadoras, o que só foi realizado em sede de recurso voluntário, fato este, inclusive, que motivou a diligência aqui tratada. 10. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da retificação alhures mencionada, o contribuinte não possuía débito de PIS para o período mencionado, o que redundou no crédito utilizado na presente compensação e indevidamente glosado pela fiscalização. Dispositivo 11. 11. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 978,01. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 2153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002778/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA PORTARIA MF Nº 187/93. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO DE ORIGEM
Os requisitos exigidos na Portaria MF nº 187/93 são aplicáveis aos casos em que as falsidades constatadas nos documentos fiscais ensejam a emissão de súmulas administrativas. Tais requisitos não se aplicam aos documentos deste processo e não acarretam a nulidade da autuação face à inexistência de vício de origem alegada pela recorrente.
REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS SIMULADAS. GANHO OBTIDO COM A VENDA DE PARTICIPAÇÃO. SIMULAÇÃO E NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO
A reestruturação societária implementada com a prática de operações societárias simuladas, que se prestaram a acobertar a operação de compra e venda, não afasta a tributação do ganho obtido com a alienação da participação societária . A presença de dois negócios jurídicos, um formal, realizado com a integralização de capital seguida da retirada dos sócios, e o outro subjacente, caracterizado pela compra e venda de participação societária caracterizam simulação e não negócio jurídico indireto.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO . JURISPRUDÊNCIA À ÉPOCA DOS FATOS. NÃO-VINCULAÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Não há jurisprudência pacífica nos planejamentos tributários que devem ser analisados caso a caso. Os julgadores não se vinculam à jurisprudência dominante à época dos fatos e devem pautar suas decisões pelo princípio do livre convencimento motivado.
GANHOS TRIBUTÁVEIS. APLICABILIDADE DO ART. 51 DA LEI Nº 7.450/85.
O art. 51 da Lei nº 7.450/85 aplica-se a todos os ganhos e rendimentos de capital obtidos pela pessoa jurídica e não apenas às operações realizadas no mercado financeiro, nos termos do Parecer Normativo CST nº 46/87.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 72
Os tributos sujeitos a lançamento por homologação sujeitam-se à regra decadencial estabelecida pelo art.150, § 4º do CTN, todavia, nos casos em que comprovada a existência de simulação, o prazo decadencial desloca-se para a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Aplicação da Súmula CARF nº 72.
REFLEXO DE CSLL
A solução dada ao litígio principal, IRPJ, aplica-se à CSLL, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
Não compete ao CARF analisar os fundamentos legais para lavratura da representação fiscal para fins penais. Aplica-se a Súmula CARF nº 28.
Numero da decisão: 1301-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que afastavam a acusação de simulação e, em decorrência, afastavam também integralmente o lançamento por decadência. O Conselheiro Roberto Silva Júnior acompanhou a Relatora pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA PORTARIA MF Nº 187/93. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO DE ORIGEM Os requisitos exigidos na Portaria MF nº 187/93 são aplicáveis aos casos em que as falsidades constatadas nos documentos fiscais ensejam a emissão de súmulas administrativas. Tais requisitos não se aplicam aos documentos deste processo e não acarretam a nulidade da autuação face à inexistência de vício de origem alegada pela recorrente. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS SIMULADAS. GANHO OBTIDO COM A VENDA DE PARTICIPAÇÃO. SIMULAÇÃO E NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO A reestruturação societária implementada com a prática de operações societárias simuladas, que se prestaram a acobertar a operação de compra e venda, não afasta a tributação do ganho obtido com a alienação da participação societária . A presença de dois negócios jurídicos, um formal, realizado com a integralização de capital seguida da retirada dos sócios, e o outro subjacente, caracterizado pela compra e venda de participação societária caracterizam simulação e não negócio jurídico indireto. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO . JURISPRUDÊNCIA À ÉPOCA DOS FATOS. NÃO-VINCULAÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Não há jurisprudência pacífica nos planejamentos tributários que devem ser analisados caso a caso. Os julgadores não se vinculam à jurisprudência dominante à época dos fatos e devem pautar suas decisões pelo princípio do livre convencimento motivado. GANHOS TRIBUTÁVEIS. APLICABILIDADE DO ART. 51 DA LEI Nº 7.450/85. O art. 51 da Lei nº 7.450/85 aplica-se a todos os ganhos e rendimentos de capital obtidos pela pessoa jurídica e não apenas às operações realizadas no mercado financeiro, nos termos do Parecer Normativo CST nº 46/87. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 72 Os tributos sujeitos a lançamento por homologação sujeitam-se à regra decadencial estabelecida pelo art.150, § 4º do CTN, todavia, nos casos em que comprovada a existência de simulação, o prazo decadencial desloca-se para a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Aplicação da Súmula CARF nº 72. REFLEXO DE CSLL A solução dada ao litígio principal, IRPJ, aplica-se à CSLL, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao CARF analisar os fundamentos legais para lavratura da representação fiscal para fins penais. Aplica-se a Súmula CARF nº 28.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que afastavam a acusação de simulação e, em decorrência, afastavam também integralmente o lançamento por decadência. O Conselheiro Roberto Silva Júnior acompanhou a Relatora pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 644 1 643 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002778/200685 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de outubro de 2016 Matéria IRPJ e CSLL Exclusões Indevidas ao Lucro Líquido Recorrente S/A O ESTADO DE S.PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA PORTARIA MF Nº 187/93. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO DE ORIGEM Os requisitos exigidos na Portaria MF nº 187/93 são aplicáveis aos casos em que as falsidades constatadas nos documentos fiscais ensejam a emissão de súmulas administrativas. Tais requisitos não se aplicam aos documentos deste processo e não acarretam a nulidade da autuação face à inexistência de vício de origem alegada pela recorrente. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS SIMULADAS. GANHO OBTIDO COM A VENDA DE PARTICIPAÇÃO. SIMULAÇÃO E NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO A reestruturação societária implementada com a prática de operações societárias simuladas, que se prestaram a acobertar a operação de compra e venda, não afasta a tributação do ganho obtido com a alienação da participação societária . A presença de dois negócios jurídicos, um formal, realizado com a integralização de capital seguida da retirada dos sócios, e o outro subjacente, caracterizado pela compra e venda de participação societária caracterizam simulação e não negócio jurídico indireto. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO . JURISPRUDÊNCIA À ÉPOCA DOS FATOS. NÃOVINCULAÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Não há jurisprudência pacífica nos planejamentos tributários que devem ser analisados caso a caso. Os julgadores não se vinculam à jurisprudência dominante à época dos fatos e devem pautar suas decisões pelo princípio do livre convencimento motivado. GANHOS TRIBUTÁVEIS. APLICABILIDADE DO ART. 51 DA LEI Nº 7.450/85. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 78 /2 00 6- 85 Fl. 644DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 645 2 O art. 51 da Lei nº 7.450/85 aplicase a todos os ganhos e rendimentos de capital obtidos pela pessoa jurídica e não apenas às operações realizadas no mercado financeiro, nos termos do Parecer Normativo CST nº 46/87. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 72 Os tributos sujeitos a lançamento por homologação sujeitamse à regra decadencial estabelecida pelo art.150, § 4º do CTN, todavia, nos casos em que comprovada a existência de simulação, o prazo decadencial deslocase para a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Aplicação da Súmula CARF nº 72. REFLEXO DE CSLL A solução dada ao litígio principal, IRPJ, aplicase à CSLL, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao CARF analisar os fundamentos legais para lavratura da representação fiscal para fins penais. Aplicase a Súmula CARF nº 28. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que afastavam a acusação de simulação e, em decorrência, afastavam também integralmente o lançamento por decadência. O Conselheiro Roberto Silva Júnior acompanhou a Relatora pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente processo de autos de infração para a glosa de exclusões ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. De acordo com a fiscalização, os valores excluídos referiamse a ganhos obtidos com a alienação de ações em operação de reestruturação societária e teriam reduzido indevidamente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados no anocalendário de 2000. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 646 3 Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, conforme relatado no "Termo de Constatação Fiscal" (fls.198 a 209), foi apurado que a contribuinte obteve pretenso ganho de capital obtido em decorrência na variação na participação acionária na empresa "Popescu Participações S/A". Tal ganho no valor de R$7.118.821,39 foi contabilizado em 27/12/2000 como ganhos não operacionais e excluídos do resultado contábil para apuração do resultado tributável, com base no artigo 428 do RIR/99, que a baixo está reproduzido: Art. 428. Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (DecretoLei 1.598, de 1977, art. 33, §2º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso V). 2. A fiscalização, porém, apurou que na realidade o ganho apurado se referia ao lucro obtido na alienação da participação na empresa "Pisa Papel de Imprensa S/A". O valor do ganho faz parte da operação realizada pelo Grupo OESP com a venda das participações societárias nas empresas "Paranaprint", "Pisa Papel" e indiretamente na "Pisa Florestal" (controlada pelas anteriores) para a "Norske Skogindustrier Asa", fabricante de papel jornal. Foi utilizada para a operação sua subsidiária integral sediada no Brasil "Norske Skog Pisa"; 2.1. A fiscalização menciona que "fica evidente o negócio jurídico q u e efetivamente existiu (dissimulação), considerados os aspectos contábeis: o Grupo Oesp alienou à Norske Skog Pisa (controlada da Norske Skog Industrier), investimentos na Paranaprint e na Pisa Papel por R$112.667.441,50 (US$57.307.955,57), para recebimento em 26/04/2001". 3. A operação da transferência do controle acionário das empresas, acima mencionadas, foi realizada através uma reestruturação acionária que está detalhadamente demonstrada no 'Termo de Constatação Fiscal" e que apresento reduzidamente abaixo: Fl. 646DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 647 4 3.1 Em 12/07/2000 foi constituída a "Popescu Participações S/A" com capital de R$100,00 sendo que 99% das ações foram integralizadas pela 'Texpar Participações Ltda.", e 1% pela "Pacaembu Serviços e Participações Ltda."; 3.2 Em 26/12/2000 o Grupo OESP, mediante conferência de ações nas investidas "Paranaprint", "Pisa Papel" e indiretamente "Pisa Florestal" (controlada pelas duas primeiras investidas) passa a participar da "Popescu", que passa a apresentar a seguinte composição do capital: Acionista Investida R$ S/A O E. de S.Paulo Pisa Papel 2.645.425,98 OESP Participações Paranaprint 25.163.136,53 OESP Gráfica Pisa Papel 30.617,11 Paranaprint 1.613.200,67 Pessoas Físicas Pisa Papel 2.276,90 Paranaprint Florestal 1.048.683,92 Total 30.503.341,11 3.3 As integralizações foram realizadas com 100% de ágio. No caso da contribuinte o valor do investimento na "Pisa Papel" era de R$1.322.717,82 sendo integralizado o capital da "Popescu" com ágio de R$1.322.709,14; 3.4 Em 27/12/2000 a "Fletcher Challenge Produtos Florestais Ltda.", atual "Norske Skog Pisa" ingressa na sociedade, mediante a subscrição de ações, sendo R$4.129.204,50 destinado ao capital e R$108.538.237,00 creditados à reserva de capital (ágio na emissão de ações). A integralização do capital social e do ágio foi realizada mediante a entrega de uma nota promissória "prósoluto" no valor de U$57.307.955,57, correspondente a R$112.667.441,50, emitida por "Norske Skog Industrier Asa", (controladora da Fletcher Challenge); 3.5 A composição do capital antes do rateio aos demais acionistas do ágio pago pela "Norske", ficou o seguinte: Valores em R$0,00 Acionista Capital R$ Ágio R$ Capital+Ágio Fl. 647DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 648 5 R$ S/A o Estado SP 1.322.717 1.322.709 2.645.426 OESP Particip. 12.581.658 12.581.575 25.163.233 OESP Gráfica 821.911 821.906 1.643.817 Pessoas Físicas 525.483 525.479 1.050.962 Norske Skog 4.129.204 108.538.237 112.667.441 Total 19.380.975 123.789.907 143.170.882 3.6. Após o rateio do ágio pago pela "Norske" a composição do capital ficou: Valores em R$0,00 Acionistas Capital R$ Ágio Inicial R$ Ágio Recalculado Capital + Ágio R$ Ganho de Ágio R$ S/A o ESP 1.322.717 1.322.709 8.442.471 9.765.189 7.119.762 OESP Particip. 12.581.658 12.581.575 80.364.407 92.946.065 67.782.832 OESP Gráfica 821.911 821.906 5.248.692 6.070.603 4.426.785 Pessoas Físicas 525.483 525.479 3.354.706 3.880.189 2.829.226 Norske Skog 4.129.204 108.538.237 26.379.629 30.508.833 82.158.607 Total 19.380.975 123.789.907 123.789.907 143.170.882 0 3.7 Em 27/12/2000 a contribuinte registra como ganho, não tributável, em participação em controlada no valor de R$ 7.118.821,39. Tal valor apresenta uma pequena diferença a menor de R$ 941,16 do valor acima demonstrado; 3.8 Em 28/12/2000 o Grupo OESP e os seus acionistas retiramse da sociedade "Popescu Participações", mediante o resgate de ações ordinárias classe A, com a entrega da nota promissória emitida em 27/12/2000 no valor de R$112.667.441,50, correspondente a US$57.307.955,57. A "Norske Skog" fica a única proprietária da "Popescu"; 3.9 A fiscalização menciona que, pelos registros contábeis fica evidenciado que o ágio pago pela "Norske" pelo investimento na "Popescu" na realidade se Fl. 648DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 649 6 referiu ao ganho dos alienantes das participações nas empresas "Pisa Papel", "Paranaprint" e "Pisa Florestal"; 3.10. Em 30/11/2001 a "Paranaprint" (investida) incorpora a "Popescu Participações" (investidora) e em 18/12/2001 a controladora "Norske Skop Pisa", incorpora as investidas controladas "Paranaprint", "Pisa Papel" e "Pisa Florestal"; 4. Em decorrência do apurado foi oferecido à tributação o valor de R$7.118.821,39 que estava incluído na conta contábil 624, "Ganhos (Perdas) Resultado Participação Controlada" que apresentava um saldo de R$6.009.819,90. Tal valor foi considerado como exclusão do resultado tributável, tendo a fiscalização, considerado como glosa de exclusão indevida do lucro. Abaixo está demonstrada a retificação do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, apurados no anocalendário de 2000; 4.1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ: Descrição R$ Resultado do Período (Prejuízo) 10.424.357,38 + Glosa de exclusão indevida 6.009.819,90 Resultado ajustado (Prejuízo) 4.414.537,48 4.2. Contribuição Social sobre o Lucro líquido CSLL: Descrição R$ Resultado do Período (Base Negativa) 10.112.852,36 + Glosa de exclusão indevida 6.009.819,90 Resultado ajustado (Base Negativa) 4.103.032,46 5. Foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 11/12/2006, com os enquadramentos legais descritos nos mesmos (fls. 211 a 217): Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de Renda e Ajuste de Base de Cálculo da Contribuição Social. 6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação protocolada em 10/01/2007 (fls.225 a 273), alegando basicamente o seguinte: PRELIMINAR Decadência. 6.1 Alega que a fiscalização ignorou as regras do artigo 150 do CTN, que trata do lançamento por homologação que é o caso. Destaca que não tendo havido Fl. 649DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 650 7 no caso dolo, fraude ou simulação, o lançamento é, "no mínimo, intempestivo, o que leva à sua total ilegalidade", 6.2 Alega que os tributos exigidos (IRPJ e CSLL) são sujeitos ao lançamento por homologação e que sendo o fato gerador de 31 de dezembro de 2000, conclui em 31 de dezembro de 2005 o período em que o fisco poderia constituir o crédito tributário; Falsidade Material Da Ausência de Procedimento Administrativo Prévio. 6.3. Destaca que a fiscalização desconsiderou todos os contratos celebrados pela Impugnante, relativos aos atos societários, emissão de ações, resgate de ações e outros documentos que tinham o objetivo de reestruturar a sociedade, baseandose essencialmente na afirmativa de que "os procedimentos adotados não representam a verdade dos fatos e, por isso, não dão suporte válido à alienação das participações societárias"; 6.4 Alega que não houve por parte da impugnante qualquer prática simulação ou falsificação de contratos ou atos societários, que dessem causa a este entendimento. Porém, alega que, "para que prevaleça o entendimento de falsidade material e, por conseguinte, a existência da eventual geração de ganho de capital na alienação de ações, farseia necessário que a fiscalização obedecesse as regras e os procedimentos acerca da matéria, sem o que jamais poderia negar a existência de algum documento, seja ele público ou particular"; 6.5 Alega que os documentos, em casos tributários, apenas deixam de surtir seus efeitos, após analisados em "processo administrativo próprio, sejam oficialmente assim declarados, mediante decisão fundamentada, que deverá ser expressamente homologada pelo Sr. Delegado da Receita Federal"; 6.6 Menciona a definição de De Plácido e Silva ao tratar da falsidade material de documentos: "A falsidade material é a que se comete pela fabricação de coisa falsa, pela elaboração de documento falso, ou pela alteração da verdade em coisa ou documentos"; Fl. 650DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 651 8 6.7. Reproduz os artigos da Portaria MF nº. 197, de 28 de abril de 1993, que trata sobre indícios de falsidade material ou ideológica verificadas na ação fiscal: Art. Iº. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional, no efetivo exercício de suas atribuições de fiscalização e lançamento de tributos e contribuições devidos à Fazenda Nacional, DEVERÃO, SEMPRE QUE ENCONTRAREM DOCUMENTOS COM INDÍCIOS DE FALSIDADE MATERIAL ou ideológica apurar, em procedimento administrativo sumário, a inidoneidade desses documentos. Art. 2º. A apuração a que se refere o artigo anterior será homologada pelo Delegado da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio declarado ou indicado pelo emitente nos respectivos documentos fiscais. 6.8. Alega que a fiscalização caracterizou os atos societários apresentados como sendo ineficazes para comprovar a reestruturação implementada, "pois teoricamente seriam falsos, sem, contudo, demonstrar que essa conclusão (comprovação de que tais atos não foram efetivamente realizados) decorreu de decisão proferida em processo administrativo próprio, com homologação do Delegado da Receita Federal, o que macula todo o lançamento, pois, embasado em conclusão inválida"; 6.9. Destaca que não se pode alegar que seria dispensável a efetiva instauração de processo administrativo próprio no presente caso, com o pretexto de que a apuração havida no presente processo já seria suficiente para retirar os efeitos dos contratos. Alega que neste caso, não se estaria obedecendo ao princípio constitucional da legalidade, pois, a Administração Pública deve praticar todos os atos que a lei ordena, não havendo a possibilidade da liberalidade no cumprimento da mesma; MÉRITO 6.10 A impugnante faz um relato detalhado do contexto histórico e as motivações econômicas que levaram o Grupo Oesp a realizar a operação de reestruturação societária. Informa que por decisão estratégica decidiram pela alienação das participações societárias e celebraram um contrato com a Fl. 651DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 652 9 compradora. Informa que buscou amparo nos procedimentos a serem adotados junto a uma das principais bancas de advogados, quando lhes foi sugerida a implementação de uma operação lícita com o objetivo de evitar a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, em decorrência da apuração de ganho de capital pela alienação de suas participações societárias; 6.11 Informa que em razão disso a alienação foi realizada por meio da "conhecida e bastante utilizada Operação Ágio" que é de amplo conhecimento das autoridades fiscais, auditores e advogados tributaristas. Continuando a Impugnante faz um relato detalhado de como se processou tal operação e informa que a mesma foi apresentada aos seus auditores externos, uma das empresas mais respeitadas já existentes no País, que emitiu parecer relativo aos efeitos contábeis sem qualquer ressalva; 6.12 Informa que a transferência das participações societárias foi amplamente divulgada e que não há qualquer indício ou comprovação de que os atos praticados foram realizados com o fim de encobrir, enganar ou impedir o conhecimento do Fisco ou terceiros. Informa também, que após a publicação da Lei Complementar nº. 104, de 10 de janeiro de 2001, voltou a procurar seus advogados para a obtenção de um novo parecer e os mesmos se pronunciaram no sentido de que os procedimentos permaneciam em conformidade com a legislação de regência e voltaram a afirmar que a operação estava respaldada na jurisprudência administrativa e judicial em casos semelhantes; 6. 13 Diz que não pode ser alegada a existência de eventual simulação, pois, além do fato de que as operações não aparentarem direito diverso daquele que foi realmente contratado, também não contêm quaisquer declarações ou cláusulas não verdadeiras, caracterizada pelo inciso II, do artigo 102 do Código Civil Brasileiro vigente na época, conforme fundamentação constante do Termo de Constatação Fiscal. Destaca ainda, que não foi realizada qualquer operação com o intuito de prejudicar terceiros, muito menos o Fisco, não podendo prevalecer o entendimento da fiscalização no sentido de que é "justamente o contrário do caso presente, em que a simulação foi nocente e prejudicial aos interesses da Fazenda Pública"; Fl. 652DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 653 10 6.14 Ressalta que simulação não se presume e não se prova por meio de indícios, deve ser efetivamente comprovada, sob pena de infringirse todo o fim pretendido pelo legislador ao dispor sobre a interpretação e a integração da legislação tributária, constante nos artigos 107 a 112 do CTN; 6.15 Alega que no caso presente a fiscalização não conseguiu comprovar a ocorrência da simulação. "Muito antes pelo contrário. O que podese depreender dos documentos e informações detidas pela Fiscalização é que de fato as operações societárias em comento ocorreram. E mais, que a Impugnante nunca quis demonstrar operação diversa da que foi efetivamente realizada com o intuito de se evitar a ocorrência do fato gerador (típica operação de planejamento tributário), lastreada em pareceres de escritório de advocacia de renome, de empresa de auditoria de renome e de jurisprudência do Conselho de Contribuintes existentes à época. Tanto è assim que todos os livros contábeis e fiscais demonstram os lançamentos relativos às operações e seus efeitos tributários"; 6.16 Alega que, "Ademais, a intenção da Impugnante com a realização destas operações sempre foi a alienação das participações societárias detidas diretas ou indiretamente na Paranaprint, na Pisa Papel e na Pisa Florestal, o que foi, e está sendo feito, mas nunca com a intenção deliberada ou remota de gerar prejuízos a terceiros. O que foi realizado pela Impugnante foi a prática de um NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO, e não de ato simulado"; 6.17 A Impugnante reproduz algumas decisões do Conselho de Contribuintes, relativas a cisão, incorporação, etc, que apesar de não tratarem do mesmo assunto, trazem indicação dos elementos essenciais que caracterizam a simulação, que a Impugnante alega que na ausência de alguns deles, não ocorre simulação; 6.18 Alega que o planejamento tributário realizado não pode ser caracterizado em quaisquer das hipóteses de simulação e ainda que assim fosse, somente a título de argumentação, a Administração Tributária não comprovou de forma cabal que a reestruturação societária realizada pelas empresas do Grupo OESP não poderia ter sido realizada; Fl. 653DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 654 11 6.19 Volta a declarar que o que houve foi a realização de um NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO e reproduz comentário do doutrinador MARCO AURÉLIO GRECO, que ressaltou a diferença entre a realização de Negócio Jurídico Indireto e a ocorrência de SIMULAÇÃO. O doutrinador declara que "Ocorre negócio indireto quando o negócio é celebrado para obter um efeito prático equivalente àquele próprio de outro negócio, mas que as partes não desejam celebrar". "Em matéria tributária, o negócio indireto serviria para obter um fim equivalente a outro negócio para o qual a carga tributária seria mais elevada". "Portanto, o negócio indireto serviria de instrumento para obter uma elisão fiscal lícita"; 6.20 A Impugnante aborda detalhadamente cada uma das três características de um negócio jurídico indireto, mencionadas pelo doutrinador, ou seja: Ocorrência de Apenas Um Negócio Jurídico; Negócio Jurídico Típico e Ausência de Fraude à Lei. Faz uma correlação com o planejamento tributário realizado, que entende ter tais características; 6.21 A Impugnante menciona que houve uma evolução no entendimento do planejamento tributário, nas decisões do Conselho de Contribuintes, que vem tendo entendimentos não pacíficos sobre o tema. Alega que afastadas as verdadeiras fraudes à lei, bem como simulações absolutas de atos jurídicos, tanto a doutrina quanto a jurisprudência passaram a analisar os planejamentos tributários por meio das circunstâncias de fato e de direito que envolvem a (i) liberdade individual do contribuinte e (ii) o interesse público em arrecadar; 6.22 Alega que neste caso, tanto a doutrina e jurisprudência, em especial a administrativa, entende que nos planejamentos tributários, devem sempre guardar determinado conteúdo econômico. "Assim, a existência do substrato econômico na realização das operações passou a ser, nos últimos tempos, verdadeiro requisito de validade à realização dos atos e negócios jurídicos praticados pelos contribuintes com vistas a economizar tributos"; 6.23 Alega que também, passouse a verificar se os planejamentos tributários envolvem a prática de atos ou negócios jurídicos usuais, no mais das vezes, são praticados com a observância de um determinado lapso temporal. "A Fl. 654DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 655 12 verificação da brevidade não usual na prática de atos ou negócios jurídicos passou a ser encarado pela doutrina e jurisprudência como verdadeira patologia dos planejamentos tributários" "Acrescentese a tudo isso a edição da Lei Complementar nº. 104/2001, e da Medida Provisória nº. 66, de 29 de agosto de 2002"; 6.24 Alega que no anocalendário de 2000, o que se entendia como lícito em planejamento tributário no âmbito do Conselho de Contribuintes era totalmente diverso do que se tem hoje. Naquela época o Conselho considerava lícitos os planejamentos em que os contribuintes conferiam a devida formalidade aos atos praticados. "As decisões, em muitas oportunidades, estavam calcadas frente a observância do princípio constitucional da legalidade e em raríssimas oportunidades a análise da simulação da vontade estava presente"; 6.25 Destaca que, "Ou seja, no anocalendário de 2000, a Impugnante chegou á conclusão de que, diante de todos os argumentos jurídicos que lhe foram apresentados e da sua real intenção, os atos societários a serem por ela praticados poderiam afastar a incidência do IRPJ e da CSLL". "Não se subsumindo às regras de incidência do IRPJ e da CSLL aplicáveis à apuração do ganho de capital na alienação de participações societárias, a Impugnante procedeu então à reestruturação societária, associandose à Norske Skog Pisa, para fins de, em momento subseqüente, receber as importâncias constantes da nota promissória"; 6.26 Alega que, analisar a operação por meio da aplicação dos novos critérios aplicáveis pela doutrina e pela jurisprudência, quer pela verificação da brevidade em que os atos foram praticados, quer pela complexa estrutura implementada "seria verdadeira covardia". "Isto porque, quando da sua realização, os atos praticados pela Impugnante buscaram a realização de um negócio jurídico indireto, em conformidade com a doutrina e jurisprudência existente à época dos fatos"; 6.27. Alega que estes fatos foram ignorados pela fiscalização, que entendeu considerar dissimulados os atos praticados e pior, "consideralos praticados com dolo, sem qualquer prova"; Fl. 655DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 656 13 6.28. Alega que a fundamentação da presente autuação está calcada no Parecer Normativo nº. 46, de 17 de agosto de 1987, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da SRF, que conforme a fiscalização apresenta conclusões a respeito de operações simuladas. Destaca que segundo consta do Auto de Infração, mencionada norma infralegal encontra respaldo no artigo 51 da Lei nQ. 7.450/85, porém, tal artigo somente pode ser aplicado ao IRPJ e à CSLL incidente sobre o lucro real e ou lucro líquido oriundos de operações realizadas no âmbito do mercado financeiro; 6.28.1. Tal artigo prevê "Ficam compreendidos na incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos de previsto na norma específica de incidência do imposto de renda"; 6.29. Alega que em meados de 1987, com o referido Parecer Normativo nº. 46 a Administração Tributária manifestou entendimento que o comando contido no ditado artigo 51 seria aplicável para a toda e qualquer operação realizada pela pessoa jurídica, o que não poderia, visto que o referido artigo trata de ganhos de aplicações no mercado financeiro. Reproduz decisão do Conselho de Contribuintes que entendeu que tal artigo se aplica aos rendimentos decorrentes das aplicações previstas nos artigos 39 a 50 da norma. Destaca que, a referida argumentação, que sustenta a autuação lavrada pela fiscalização, não merece prosperar; 6.30. Alega que em nenhum momento a fiscalização apontou no Auto de Infração qualquer das condutas criminosas constantes dos artigos 1º e 2º da Lei nº. 8.137, de 27 de novembro de 1990. Declara que "nesse sentido, a referida Representação Fiscal para Fins Penais elaborada pelo Sr. Agente da Fiscalização caracterizase como verdadeiro absurdo no ordenamento jurídico em vigor, já que tal Representação somente poderia ser encaminhada ao Ministério Público Federal na ocorrência de qualquer das condutas apresentadas nos dispositivos transcritos, conforme determina o artigo 83 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996";" Fl. 656DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 657 14 Em julgamento realizado em 20 de agosto de 2007, a 1ª Turma da DRJ/SPOI prolatou o acórdão nº 1614.496, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE P ESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O direito de a Fazenda Pública lançar de ofício crédito Tributário referente a imposto somente decai após o prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. CSLL. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à contribuição CSLL decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO COM ÁGIO EM PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Não são válidos por si sós os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto". Devem ser desconsiderados os atos praticados se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada, reestruturação societária e a vontade real, venda de participação societária. AUTO REFLEXO CSLL O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Devidamente cientificado em 25/05/2009 (fls. 369), o sujeito passivo apresentou, em 15/06/2009, o recurso voluntário de fls. 374 a 431 alegando, em suma: I Preliminares I.1 Decadência do Direito de Lançar O acórdão recorrido aplicou a regra de contagem decadencial prevista no art. 173 do CTN para o IRPJ, todavia, o prazo para o Fisco efetuar a constituição dos créditos tributários no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é o previsto no art. 150, parágrafo 4º do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Em não tendo havido no caso dolo, fraude ou simulação, como será demonstrado no decorrer do processo, o lançamento efetuado pelo Fisco é intempestivo, pois o prazo inicial teria se iniciado em dezembro/2000 e o final se encerrado em dezembro de 2005; Transcreve jurisprudência deste Colegiado nesse sentido e conclui que, em não ocorrendo o lançamento de ofício pelo Fisco, relativamente ao supostamente devido e não recolhido, ou então a retificação do montante apurado pelo contribuinte, homologado estará o Fl. 657DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 658 15 lançamento e extinta a obrigação tributária cinco anos após a ocorrência do fato gerador. Cita doutrina confirmando este entendimento; Relativamente à CSLL, questiona a decisão da Turma Julgadora a quo que, fundamentandose no art. 45 da Lei nº 8.212/91, o qual estabeleceu o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições para a seguridade social, afastou a decadência do lançamento. Afirma que a Súmula Vinculante nº 8 do STF reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, bem assim, este Colegiado tem aplicado em suas decisões o prazo decadencial de 5 anos para as contribuições. Transcreve acórdãos confirmando o alegado; I.2 Falsidade Material Ausência de Comprovação Opõese ao acórdão recorrido que não acolheu a alegação de que os documentos com indícios de falsidade, em casos tributários, somente deixam de surtir efeitos após analisados em processo administrativo próprio, previsto na Portaria nº 187/1993. Para o acórdão recorrido, os casos especificados na portaria não abrangeriam o tratado neste processo; Transcreve o art. 1º da referida portaria e afirma que o mesmo não faz qualquer distinção quanto à natureza jurídica ou condição das pessoas jurídicas detentoras dos documentos com indícios de falsidade material ou ideológica. Afirma que apesar do art. 3º da Portaria MF nº 187/1993 fazer menção a algumas pessoas jurídicas específicas, não significa que todas as demais devam ser excluídas da norma, sob pena de interpretarse restritivamente todo o seu conteúdo. O acórdão recorrido manteve o entendimento da fiscalização no sentido de desconsiderar todos os contratos celebrados pelo recorrente com o objetivo de implementar a reestruturação societária sem qualquer procedimento específico para motivar tal atuação. Esta desconsideração baseouse na afirmativa de que os procedimentos adotados não representariam a verdade dos fatos, os atos praticados seriam simulados e não produziriam efeitos tributários; No entender da fiscalização, teria havido por parte da recorrente a tentativa de representar documentalmente uma operação não havida de fato, mediante a elaboração de contratos falsos. Transcreve, em seguida, a definição dada por De Plácido e Silva à falsidade material de documentos; Repisa que não houve, por parte da recorrente, qualquer prática de ato simulado ou falsificação de quaisquer contratos ou atos societários e, a despeito do equivocado entendimento Fl. 658DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 659 16 da Turma Julgadora, farseia necessário que a fiscalização obedecesse às regras e procedimentos previstos na Portaria MF nº 187/1993; Em atenção ao princípio da presunção de legitimidade, todos os documentos e lançamentos são válidos e verdadeiros, até que se prove o contrário. Nos casos tributários apenas deixariam de surtir seus efeitos após analisados em procedimento administrativo próprio, mediante decisão fundamentada e homologada pelo Delegado da Receita Federal, nos termos da Portaria MF nº 187/1993. Antes disso, a alegada falsidade seria apenas indício e, nesta condição, não teria o condão de tornar juridicamente nulo ou ineficaz o referido documento. Por fim, faz menção ao princípio da legalidade para afirmar que a administração deve praticar todos os atos que a lei ordena, assim entendidos também todos atos regulamentares. No caso a fiscalização teria deixado de cumprir o estabelecido na Portaria MF nº 187/1993 e, teria declarado, irregularmente e sem legitimidade, que todos os atos celebrados pela recorrente não teriam o condão de comprovar a causa dos pagamentos a ela efetuados. Prossegue afirmando que a autuação baseouse em suposições, as quais deveriam ter sido objeto de processo administrativo próprio, cuja decisão, após homologada pelo Delegado da Receita Federal, se fosse o caso, poderiam considerar nulos os referidos documentos. Conclui pedindo a nulidade dos autos de infração lavrados contra a recorrente por vício de origem ou fundamento. II Mérito Da Legalidade da Reestruturação Societária Implementada e os Efeitos Tributários Pretendidos No mérito, a recorrente repisa, em síntese, as alegações efetuadas em sede de impugnação, e assim contesta a decisão recorrida: Inicia sua defesa relatando que, por decisão estratégica dos Grupo OESP decidiuse pela alienação das participações societárias detidas nas empresas Paranaprint, Pisa Papel e, indiretamente na Pisa Florestal à Norske Skogindustrier Asa. Para tanto, celebraram um contrato onde foi definido todos os passos que seriam adotados com vistas à transferência do controle acionário das empresas envolvidas, contemplando ainda a utilização de uma holding destinada exclusivamente para este fim, a Popescu; Fl. 659DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 660 17 A estrutura implementada pelo Grupo OESP, bem como seus reflexos contábeis e tributários, foram analisadas e comprovadas sob seu aspecto de segurança jurídica e licitude, a fim de se evitar descompassos com a legislação e jurisprudência administrativa e judicial vigentes á época. Esta estrutura lícita evitaria a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, especificamente, a apuração de ganho de capital decorrente da alienação de suas participações societárias; A alienação das participações societárias nas empresas Paranaprint, Pisa Papel e Pisa Florestal pelo Grupo OESP foi feita por meio da conhecida e bastante utilizada "Operação Ágio", e consiste, basicamente na aceitação de um novo acionista ao capital social de uma sociedade veículo, o qual, após integralizar sua participação societária com ágio, retirase da sociedade remanescendo com as participações societárias objeto de alienação. O montante do ágio pago na emissão das novas ações a serem emitidas pela sociedade veículo holding está calcado em reais perspectivas de rentabilidade futura dos investimentos a serem adquiridos, apuradas em laudo de avaliação emitido por empresa especializada; Desta forma, o planejamento tributário, acabaria por gerar uma receita decorrente da aplicação do método de equivalência patrimonial em seu investimento na holding Popescu, sem quaisquer efeitos tributários, nos termos do art. 428 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99; Antes da efetiva alienação das participações, a recorrente procurou a mais gabaritada assessoria jurídica e contábil para sustentar, do ponto de vista legal e contábil que os atos a serem praticados estavam em sintonia com a legislação e jurisprudência administrativa da época em que a referida operação foi realizada; Muito embora a fiscalização tenha entendido pela caracterização da simulação constante no inciso II, do art. 102, do Código Civil vigente à época, os atos societários que envolveram a operação de alienação das participações societárias foram efetivamente praticados, e as declarações neles contidas guardaram estrita consonância com as deliberações de vontade das partes. Tal fato pode ser comprovado pelo arquivamento dos documentos na Jucesp, bem assim, pelo aprovação da operação, sob o ponto de vista da concentração, pelo CADE; Fl. 660DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 661 18 Repisa que não há qualquer indício ou comprovação de que os atos praticados pela recorrente objetivavam encobrir, enganar ou impedir o conhecimento do Fisco ou de quaisquer credores, da operação de alienação de sua participação societária no capital social das empresas em comento; Afirma que uma das formalidades previstas na legislação societária é a publicação do fato relevante da alienação do controle acionário detido em sociedade de capital aberto, como foi o caso da Pisa Papéis. Tais providências foram efetuadas, dandose publicidade da transferência do controle acionário da Pisa Papéis à Norske Skog. Ou seja, nada foi omitido de ninguém, mito menos do Fisco; Alega que todos os passos adotados para a operação de alienação das participações societárias foram registrados em seus livros contábeis e serviram de base para o preenchimento da DIPJ/2001, relativa anocalendário de 2.000. Com a edição da Lei Complementar nº 104/2001 submeteu novamente suas operações ao crivo de seus advogados que se pronunciaram no sentido de que os procedimentos adotados permaneciam em conformidade com a legislação de regência e encontravam respaldo jurisprudencial administrativo e judicial. Ademais, ressaltaram os advogados, os atos e negócios jurídicos praticados pela recorrente foram e são legalmente amparados e, portanto, lícitos; Cita jurisprudência Ao final, alega ter agido em conformidade com todos os dispositivos legais sob o aspecto formal, fato este não contestado na decisão ora recorrida. Aduz que a subsunção da operação econômica aos dispositivos legais foi reiteradamente chancelada por renomadas bancas de advocacia e auditores independentes, com notória idoneidade no mercado, além do fato de terem sido apresentados uma seleção de decisões favoráveis proferidas pelo órgão de julgamento do Ministério da Fazenda; Inexistiria motivo para realizar a operação de modo diverso, face à opção de optar pelo caminho menos oneroso, inclusive sob o ponto de vista fiscal, devendo este órgão julgador reconhecer a validade e legalidade das operações realizadas e, consequentemente, proceder ao cancelamento da autuação; II.1 Inexistência de Simulação Fl. 661DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 662 19 Rechaça o entendimento da 1ª Turma da DRJ/SPOI que concluiu pela existência da simulação relativa (dissimulação: sob o ato ou negócio praticado jaz outro negócio). Da decisão consta que, apesar das partes terem constituído uma sociedade, não tinham o objetivo de operarem em sociedade na medida em que os sócios, que detinham o controle das empresas que atuavam no ramo, se retiraram da empresa; Para a recorrente, restou comprovado que os atos societários de conferência de participações societárias ao capital de uma holding, de emissão e de resgate de ações foram efetivamente realizados e gozam de plena validade jurídica; Cita doutrina de Pontes de Miranda acerca do instituto da simulação e transcreve os art. 102 e 103 do Código Civil. Afirma que haverá simulação sempre que um ato apresente vontade diferente da aparentemente manifestada, porém, somente será considerado defeituoso quando houver o intuito de prejudicar terceiros ou violar dispositivo de lei. No caso, a suposta simulação dos atos societários, registros públicos, registros contábeis, laudo de avaliação e publicação de matérias em jornais de grande circulação não causou qualquer prejuízo a terceiros, sequer à Fazenda Pública; Opõese à alegação de existência de eventual simulação no caso concreto porque além do fato de as operações pactuadas entre as partes não aparentarem direito diverso daquele que foi realmente contratado, também não contém quaisquer declarações ou cláusulas não verdadeiras, como previsto no inciso II, do art. 102 do Código Civil à época, Inadmissível a existência de simulação nos atos da reestruturação societária porque as operações não se subsumem às disposições dos arts. 102 e 103 do antigo Código Civil; Ressalta que a simulação não se presume e não se prova por meio de indícios. Deve ser efetivamente comprovada, sob pena de, com isso, infringirse todo o fim pretendido pelo legislador ao dispor sobre a interpretação e integração da legislação tributária, constante dos arts. 107 a 112 do CTN; A fiscalização não conseguiu comprovar a ocorrência de simulação. Muito pelo contrário, de acordo com a documentação acostadas aos autos, as operações societárias em comento ocorreram e a recorrente nunca quis demonstrar operação diversa da que foi efetivamente realizada com o intuito de se evitar a ocorrência do fato gerador (típica operação de planejamento tributário), lastreada em pareceres de escritórios de advocacia de renome, de empresa de auditoria de renome e Fl. 662DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 663 20 de jurisprudência do Conselho de Contribuintes existentes à época. Tanto é assim, que todos os livros contábeis e fiscais demonstram os lançamentos relativos às operações e seus efeitos tributários; A alegação de que as declarações, confissões, condições ou cláusulas não verdadeiras estavam presentes em quaisquer dos atos assinados e efetivamente realizados pelos administradores não pode subsistir com base na verificação de que tais atos vieram a gerar à recorrente uma economia tributária. Fazse necessário a comprovação de que tais atos não ocorreram ou contém, efetivamente, declarações mentirosas, falsas, ou não verdadeiras, como literalmente aponta a legislação. A intenção da recorrente sempre foi a alienação das participações societárias detidas direta ou indiretamente na Paranaprint, Pisa Papel e Pisa Florestal, mas nunca com a intenção deliberada ou remota de gerar prejuízos a terceiros. O que foi realizado pela recorrente foi a prática de um negócio jurídico indireto, e não de ato simulado; Ao tentar conferir validade ao lançamento, a Turma Julgadora afirma que "as partes constituíram uma sociedade, porém, não tinham o objetivo de operarem em sociedade na medida em que os sócios, que detinham o controle das empresas que atuavam no ramo de papel jornal, se retiraram da empresa", de modo que, aonde restava consignada a intenção de alienar o controle das sociedades em questão, seria suficiente para caracterizar a operação como simulada, pois já se tinha estipulado o desfazimento da sociedade antes mesmo de se associarem. Contudo, a afirmação feita na decisão recorrida não merece prosperar porque no contrato estava previsto que efetivamente que a intenção das partes era a de associaremse e, posteriormente, a sociedade seria desfeita; De fato, todos os atos foram realizados como descritos, apesar de essa forma não ser muito usual ou normal para o efeito econômico pretendido. É por isso que se afirma que se trata de um negócio jurídico indireto, conforme se verá detalhadamente em tópico subseqüente. Portanto, não pode a Turma Julgadora pretender qualificar como simulação a conduta do recorrente com base na regras do contrato por ela realizado, especialmente porque todos os atos foram efetivamente praticados como descritos; Fl. 663DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 664 21 O negócio jurídico realizado pelo recorrente gerou uma economia tributária lícita e tal fato, não pode, por si só, ensejar a alegação de que a empresa realizou operações valendose de declarações mentirosas ou não condizentes com a verdade dos fatos; Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, no sentido de que "para que se possa materializar a simulação é necessário que o ato praticado não pudesse ser realizado, seja por vedação legal ou por outras circunstâncias fáticas, sendo que os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do mesmo, ou seja, se o ator era lícito, as consequências contrárias ao Fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal'; Conclui afirmando que as operações societárias foram todas lícitas, permitidas por lei, feitas de modo a produzir os efeitos que realmente expressavam, pelo que, não foram operações simuladas, mas sim negócio jurídico indireto praticado com o intuito de economizar tributos. O negócio jurídico indireto não é contrário à lei e todos os seus efeitos, inclusive os tributários, devem ser preservados. II.2 Da Existência de Negócio Jurídico Indireto Reitera que o que houve foi a realização de um negócio jurídico indireto, não defeso em qualquer lei vigente do ordenamento jurídico à época da operação, tampouco realizado com intuito de fraude ou mediante a celebração de atos jurídicos simulados; Cita doutrina de Marco Aurélio Greco a respeito da segregação entre a realização de negócio jurídico indireto e a ocorrência de simulação: "Ocorre negócio indireto quando o negócio é celebrado para obter um efeito prático equivalente àquele próprio de outro negócio, mas que as partes não desejam celebrar". "Em matéria tributária, o negócio indireto serviria para obter um fim equivalente a outro negócio para o qual a carga tributária seria mais elevada. Portanto, o negócio indireto serviria de instrumento para obter uma elisão fiscal lícita"; De acordo com o doutrinador, o negócio jurídico indireto possui as seguintes características: (i) ocorrência de apenas um negócio jurídico, (ii) negócio jurídico típico e (iii) ausência de fraude à lei; A recorrente realizou apenas um negócio jurídico, que foi a reestruturação societária, não tendo ocorrido qualquer outro negócio jurídico que não o pretendido pelas partes, Fl. 664DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 665 22 qual seja, a alienação das participações societárias por meio da referida reorganização das empresas; O negócio jurídico realizado caracterizase como típico no âmbito do direito societário. Os atos societários foram levados a registro público e são oponíveis a terceiros, inclusivo o Fisco, assim como a emissão de ações foi registrada em seus livros contábeis e fiscais e informadas ao Fisco quando do preenchimento de suas obrigações acessórias; Quando da realização das operações não havia qualquer norma que impedisse a recorrente de realizálas, pelo contrário, haviam normas permissivas e também que regulamentavam os requisitos, prazos e formalidades a serem observadas. As operações societárias foram realizadas às claras, com todos registros contábeis necessários, registros em órgãos públicos competentes, bem como publicação em jornal de grande porte, dentro do princípio da legalidade previsto na Constituição Federal. II.3 Evolução da Interpretação dos Planejamentos Tributários pela Doutrina e Jurisprudência Administrativa A respeito da aplicação de novos critérios para análise do que se considera um planejamento lícito, discordou da Turma Julgadora que considerou descabida a argumentação, sem sequer fundamentar seu posicionamento; A análise do conteúdo das decisões proferidas pelo antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda sobre a licitude da implementação de planejamentos tributários revela que as mesmas passaram por verdadeira evolução nos últimos tempos, e que os entendimentos não têm sido pacíficos, pelas características próprias de cada caso; Tanto a doutrina quanto a jurisprudência administrativa evoluíram no sentido de que os planejamentos devem sempre guardar determinado conteúdo econômico, e que a existência de motivação econômica passou a ser verdadeiro requisito de validade à realização dos atos e negócios jurídicos praticados pelos contribuintes com vistas a economizar tributos. A verificação da brevidade não usual na prática dos atos ou negócios passou a ser encarada como verdadeira patologia dos planejamentos tributários; Conclui que o entendimento do que se tem por planejamento tributário ou elisão fiscal vem se modificando gradualmente, conforme se comprova pela análise das decisões que Fl. 665DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 666 23 envolveram os últimos casos de planejamento tributário levados à verificação no Conselho de Contribuintes.. Argúi que no anocalendário de 2000, quando se iniciou a realização da sua reestruturação societária, o que se entendia como licito em planejamentos tributários no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes era totalmente diverso do que se tem hoje, e que naquela época se consideravam lícitos os planejamentos em que os contribuintes conferiam a devida formalidade aos atos praticados. As decisões estavam calcadas frente à observância do princípio da legalidade e em raríssimas oportunidades a análise da simulação da vontade estava presente; No meio deste contexto, juntamente com seus advogados, auditores e jurídico interno entenderam por lícitas e em conformidade com o ordenamento jurídico vigente, as operações realizadas. Pelo exposto, ao analisar a operação há que se verificar o ordenamento jurídico vigente à época em que os atos jurídicos foram praticados, ou seja, em 2000. A aplicação de novos critérios, quer pela verificação da brevidade em que os atos foram praticados, quer pela análise da complexidade da estrutura implementada seria sim covardia, diferentemente do alegado pela Turma Julgadora; Os atos praticados buscaram a realização de um negócio jurídico indireto, em conformidade com a doutrina e jurisprudência à época dos fatos. Sempre foi evidente que a estrutura implementada foi utilizada para evitar a geração de um eventual ganho de capital na alienação de suas participações societárias, nunca ocultando nenhum ato. Tanto a fiscalização quanto a Turma Julgadora entenderam por bem considerar dissimulados os atos praticados pela recorrente e, pior, considerálos praticados com dolo, sem qualquer prova. A simples qualificação do planejamento em arrojado não é suficiente para serem desconsiderados os atos praticados legalmente e não há nada na operação que lhe atribua o caráter de dissimulação, pelo contrário, a intenção da recorrente sempre foi muito clara e em conformidade com a lei; A fiscalização e a Turma Julgadora jamais poderiam considerar que estariam implícitos atos ilícitos na operação levada a efeito pelo recorrente, e pressupor uma evasão fiscal pelo simples fato de ter restado caracterizado um planejamento tributário e, ainda, autuar o recorrente com base em pressuposições, sem demonstrar cabalmente e documentalmente suas alegações; Fl. 666DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 667 24 Pelo princípio da segurança jurídica, a fiscalização somente poderia lavrar auto de infração se tivesse real ciência de determinados fatos que, em tese, tipificam ilícitos tributários, mediante a rigorosa observação dos procedimentos formais, previstos em lei, para provar que tais fatos ocorreram. Ao fim, afirma que não há como se manter o entendimento de que os atos praticados foram simulados e pede o cancelamento dos autos de infração. II.4 Inaplicabilidade do art. 51 da lei nº 7.450/85 Aponta equívoco da Turma Julgadora que entendeu que o dispositivo seria aplicável a toda e qualquer operação realizada pela pessoa jurídica que se inclua, direta ou indiretamente, no campo de incidência do IRPJ. É importante ressaltar que o art. 51 da Lei nº 7.450/85 somente pode ser aplicado ao IRPJ e CSLL incidentes sobre o lucro real e o lucro líquido oriundos de operações realizadas no âmbito do mercado financeiro; Cita acórdão do antigo Conselho de Contribuintes corroborando seu entendimento de que o IRPJ e a CSLL somente incidem sobre os rendimentos decorrentes das aplicações previstas nos arts. 39 a 50 da norma, independente da estrutura jurídica do negócio praticado pelas partes. Transcreve trecho do artigo de Alberto Xavier acerca da matéria ; Cita o entendimento de J.A. Lima Gonçalves e afirma ser pacífico na doutrina que o referido dispositivo legal constitui norma tributária em branco e, portanto, não gera efeitos jurídicos sendo impossível de ser aplicada, vez que não define nenhuma descrição completa da regra matriz de incidência tributária; Por todos fatos e motivos expostos, conclui que: "• . Tanto o Sr. Agente Fiscal quanto a Turma Julgadora não lograram comprovar que os atos societários praticados pelo Recorrente foram simulados, o que foi alegado com base apenas em indícios; • O Recorrente efetivamente realizou a reestruturação societária objeto de questionamento valendose de atos societários lícitos, registrados nos respectivos órgãos públicos competentes e deu publicidade a tais atos; • Em nenhum momento restou comprovado o intuito do Recorrente em prejudicar quem quer que seja, inclusive o Fisco, já que os procedimentos por ela adotados constaram de todas as obrigações tributárias acessórias; • Todos os procedimentos adotados pelo Recorrente guardaram consonância com a legislação e jurisprudência existentes até a ocorrência da reestruturação societária Fl. 667DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 668 25 realizada, o que foi assegurado por seus advogados que a assessoraram na operação em tela; • Os livros contábeis e fiscais do Recorrente, refletem todos os passos da estrutura implementada, bem como seus efeitos foram devidamente verificados por seus auditores independentes; • A operação caracterizou verdadeiro ato de concentração econômica para a Norske Skog Pisa, situação essa que foi devidamente levada ao conhecimento do CADE, que aprovou a operação sem qualquer restrição ou ressalva; e • A fiscalização não encontrou qualquer obstáculo na verificação dos fatos ocorridos, tampouco na obtenção de informações e documentos fornecidos pelo Recorrente;" II. 5 Da Ilegalidade da Representação Fiscal para Fins Penais A recorrente alega que, com o subterfúgio de se esquivar da decadência aplicável ao lançamento lavrado contra o Recorrente, o Sr. Agente Fiscal ainda tentou caracterizar os atos efetivamente praticados pelo contribuinte como sendo dolosos e com evidente intuito de fraude, o que foi mantido pela DRJ; Contesta o entendimento da 1ª Turma da DRJ/SPOI, que se eximiu de analisar o argumento apresentado pela recorrente, por alegar não ser de sua competência a análise do mérito desta questão e sim do Ministério Público Federal. Entende que é sim, da competência dos agentes fiscais e, consequentemente, da Turma Julgadora, a análise de existência dos requisitos para a lavratura da representação fiscal para fins penais, de acordo com o disposto no art. 1º da Portaria SRF nº 326/2005; Afirma que, em nenhum momento, a fiscalização ou a Turma Julgadora apontaram quaisquer das condutas criminosas constantes dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990, caracterizandose como verdadeiro absurdo no ordenamento jurídico em vigor, já que tal representação, de acordo com os procedimentos determinados na portaria, somente poderia ser encaminhada ao Ministério Público Federal, na ocorrência dessas condutas; Em momento algum o Grupo OESP se furou de prestar informações ou de dar publicidade a seus atos, de modo que, resta claro, a representação fiscal não encontra fundamento de validade e merece ser cancelada. As condutas criminosas deveriam ter sido cabalmente comprovadas e indicadas expressamente de forma individualizada Fl. 668DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 669 26 Cita doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello e Lourival Vilanova acerca da necessidade de prova produzida pela autoridade administrativa e ao fim, repisa os seguintes fatos: "• todos os atos estão registrados em seus respectivos órgãos públicos; • todos os atos estão devidamente escriturados os livros contábeis e fiscais; • estão devidamente preenchidas as informações nas obrigações acessórias DIPJ e • DCTF; • o Recorrente foi assessorada tanto quanto os aspectos jurídicos quanto os aspectos contábeis para a realização dos atos praticados; • todas as informações solicitadas pelo Sr. Agente Fiscal foram prontamente apresentadas; • todas as publicações relativas ao Fato Relevante na alteração do controle acionário da Pisa Papel foram realizadas, e, principalmente, • todos os atos foram praticados de acordo com as normas legais e entendimentos jurisprudenciais vigentes à época dos fatos (2000)." Alega que em nenhum momento omitiu informações, fraudou a fiscalização tributária, falsificou quaisquer documentos utilizados na operação, e, ainda, sequer foi mencionado no presente auto de infração qualquer conduta do recorrente constante dos art. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90, inexistindo portanto fundamento legal aplicável à representação fiscal para fins penais. Ante todo o exposto, requereu provimento ao recurso apresentado para reforma da decisão a quo, com o consequente cancelamento dos autos de infração. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A recorrente contesta o acórdão a quo que aplicou a regra de contagem decadencial prevista no art. 173 do CTN para o IRPJ. Afirma que o prazo para o Fisco efetuar a constituição dos créditos tributários seria o estabelecido no art. 150, parágrafo 4º do CTN, por se Fl. 669DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 670 27 tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e que, no caso, não teria havido dolo, fraude ou simulação. Tendo em vista que a solução para a lide implica, necessariamente, a análise da ocorrência ou não de dolo, fraude ou simulação, deixo para enfrentar a questão da decadência ao final, após análise do mérito da autuação. DA FALSIDADE MATERIAL AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A recorrente opõese à interpretação dada pela 1ª Turma da DRJ/SPOI aos arts. 1º e 3º da Portaria MF nº 187/1993, segundo a qual, a portaria seria aplicável aos casos nela especificados, não abrangendo os constantes deste processo. Após transcrever o art. 1º da portaria em questão, afirma que o mesmo não faz qualquer distinção quanto à natureza jurídica ou condição das pessoas jurídicas detentoras dos documentos com indícios de falsidade material ou ideológica. Aduz que apesar do art. 3º da Portaria MF nº 187/1993 fazer menção a algumas pessoas jurídicas específicas, não significa que todas as demais devam ser excluídas da norma, sob pena de interpretarse restritivamente todo o seu conteúdo. Não assiste razão à recorrente. A Portaria MF nº 187/1993 disciplina os casos em que a constatação de documentos fiscais com falsidade material ou ideológica ensejam a emissão de súmulas administrativas de documentações tributariamente ineficazes, com o escopo de declarálos inidôneos. Nestes casos exigese procedimento específico que dará origem a Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, com publicação no Diário Oficial da União. A exigência de homologação da apuração pelo Delegado da Receita Federal pretendida pela recorrente, consta do art. 2º da portaria em questão: Art. 2' A apuração a que se refere o artigo anterior será homologada pelo Delegado da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio declarado ou indicado pelo emitente nos respectivos documentos fiscais. Observese que a exigência recai sobre o delegado que jurisdiciona domicílio declarado ou indicado pelo emitente dos documentos fiscais. Ou seja, tratase de procedimento com vistas à declaração de ineficácia de documentos fiscais emitidos pelas pessoas jurídicas ali relacionadas. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 671 28 Inexiste na legislação a exigência de declaração de ineficácia para documentos outros que não os fiscais, sendo descabida tal exigência para os contratos celebrados pela recorrente atinentes aos atos societários. Admitir que os requisitos exigidos na Portaria MF nº 187/1993 seriam aplicáveis, indistintamente, todas as ações fiscais em curso na Receita Federal do Brasil, implicaria, necessariamente em um equivocada interpretação extensiva da norma. Assim tem sido o entendimento jurisprudencial deste Colegiado: DOCUMENTAÇÃO. INIDONEIDADE. PORTARIA MF 187/93. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A adoção dos procedimentos definidos na Portaria MF 187/93 para decretação da inidoneidade de documentação fiscal tem finalidade específica, não se constituindo em requisito à autuação fiscal baseada na constatação de que os documentos fiscais emitidos pela contribuinte não merecem fé. (Acórdão 310201.364, Sessão de 26/01/2012) DOCUMENTAÇÃO. INIDONEIDADE. PORTARIA MF 187/93.INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A adoção dos procedimentos definidos na Portaria MF 187/93 para decretação da inidoneidade de documentação fiscal tem finalidade específica,não se constituindo em requisito à autuação fiscal baseada na constatação de que os documentos fiscais emitidos pela contribuinte não merecem fé. (Acórdão 3102001.623, Sessão de 25/09/2012) Diante do exposto, correto o acórdão recorrido que não acolheu o pedido de nulidade dos autos de infração por suposto vício de origem ou fundamento. DO MÉRITO Consta do Termo de Constatação Fiscal, anexo aos autos de infração, que a recorrente era detentora de 836.074 ações ordinárias do capital social da Pisa Papel, no valor de R$ 2.645.325.98, e o restante das ações da Pisa Papel eram detidas pela OESP Gráfica e pelas pessoas físicas do Grupo OESP. Por decisão estratégica do Grupo OESP, no anocalendário de 2000, decidiuse pela alienação das participações societárias detidas nas empresas Paranaprint, Pisa Papel e, indiretamente na Pisa Florestal, à Norske Skog Pisa. Para tanto, as empresas envolvidas celebraram um contrato definindo todos os passos a serem adotados pelas partes com vistas a alcançar a transferência do controle acionário das empresas do Grupo OESP acima mencionadas, contemplando a utilização de uma holding destinada exclusivamente para esse fim, a Popescu Participações S/A. A operação foi, resumidamente, assim implementada: Fl. 671DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 672 29 Em 26/12/2000, as empresas do Grupo OESP aumentaram o capital social da Popescu Participações S/A, mediante a transferência de ações nas investidas Paranaprint, Pisa Papel e Pisa Florestal (controlada das duas primeiras). Assim, o capital inicial da Popescu Participações S/A, passou de R$ 100,00 para R$ 30.503.341,11, assim constituído: Acionista Investida R$ S/A O E. de S.Paulo Pisa Papel 2.645.425,98 OESP Participações Paranaprint 25.163.136,53 OESP Gráfica Pisa Papel 30.617,11 Paranaprint 1.613.200,67 Pessoas Físicas Pisa Papel 2.276,90 Paranaprint Florestal 1.048.683,92 Total 30.503.341,11 Em 27/12/2000, a Norske Skog Pisa ingressa na Popescu Participações S/A, mediante a subscrição de 412.921.803 ações ordinárias classe B, sendo R$ 4.129.204,50 destinadas ao capital social e R$ 108.538.237,00 creditados à reserva de capital (ágio na emissão de ações). Referida integralização se deu mediante a entrega de uma nota promissória no valor de U$ 57.307.955,57, correspondentes a R$ 112.667.441,50, emitida pela Nosrke Skog Industrier Asa (controladora da Nosrke Skog Pisa); Segundo os registros do Grupo OESP, o ágio foi assim rateado entre os acionistas, na proporção acionária: Acionistas Capital R$ Ágio Inicial R$ Ágio Recalculado Capital + Ágio R$ Ganho de Ágio R$ S/A OESP 1.322.717 1.322.709 8.442.471 9.765.189 7.119.762 OESP Particip. 12.581.658 12.581.575 80.364.407 92.946.065 67.782.832 OESP Gráfica 821.911 821.906 5.248.692 6.070.603 4.426.785 Pessoas Físicas 525.483 525.479 3.354.706 3.880.189 2.829.226 Norske Skog 4.129.204 108.538.237 26.379.629 30.508.833 82.158.607 Total 19.380.975 123.789.907 123.789.907 143.170.882 0 Fl. 672DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 673 30 A recorrente registrou, em 27/12/2000, a título de ganho não tributável em participação em controlada, o valor de R$ 7.118.821,39; Em 28/12/2000 o Grupo OESP e os seus acionistas pessoas físicas retiramse da sociedade "Popescu Participações S.A", mediante o resgate de ações ordinárias classe A, com a entrega da nota promissória emitida em 27/12/2000 no valor de R$112.667.441,50, correspondente a US$57.307.955,57. A fiscalização considerou o negócio jurídico simulado e tributou os rendimentos obtidos com a alienação da participação societária detida pela recorrente na Pisa Papel à Norsk Skog Pisa, com fulcro nos art. 51 da Lei nº 7.450/85 e art. 418 do Decreto nº 3.000/99. No recurso voluntário apresentado, a recorrente sustenta que os atos societários foram efetivamente realizados e gozam de plena validade jurídica. Não admite que houve simulação pois as operações pactuadas entre as partes não aparentaram direito diverso daquele que foi realmente contratado, não contém quaisquer declarações ou cláusulas não verdadeiras, assim como não causaram quaisquer prejuízos a terceiros, inclusive ao Fisco. Afirma que a intenção da recorrente com a realização destas operações "sempre foi a alienação das participações societárias detidas diretas ou indiretamente na Paranaprint, na Pisa Papel e na Pisa Florestal, o que foi, e está sendo feito, mas nunca com a intenção deliberada ou remota de gerar prejuízos a terceiros." Prossegue alegando que o que foi realizado pelo Recorrente foi a prática de um negócio jurídico indireto, e não de ato simulado. Feitas estas considerações, passo a uma das questões principais da lide e que reside na ocorrência ou não de simulação, nos termos dos arts. 102 e 103 da Lei n° 3.071, de 1916, Código Civil vigente à época: Art. 102. Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: I. Quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas das a quem realmente se conferem, ou transmitem. II. Quando contiverem declaração, confissão, condição, ou cláusula não verdadeira. III. Quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou posdatados. Art. 103. A simulação não se considerará defeito em qualquer dos casos do artigo antecedente, quando não houver intenção de prejudicar a terceiros, ou de violar disposição de lei. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 674 31 A simulação é instituto do Direito Civil e pode ser definida como o ato pelo qual as partes dissimulam o verdadeiro ato encobrindoo com um ato aparente. Segundo a doutrina de Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direito Civil, 18° ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 339, a simulação pode ser absoluta ou relativa: "...Consiste a simulação em celebrarse um ato, que tem aparência normal, mas que, na verdade, não visa ao efeito que juridicamente deveria produzir. Como em todo negócio jurídico, há aqui uma declaração de vontade, mas enganosa. Pode a simulação ser absoluta ou relativa. Será absoluta quando o ato encerra confissão, declaração, condição ou cláusula não verdadeira, realizandose para não ter eficácia nenhuma. Dizse aqui absoluta, porque há uma declaração de vontade que se destina a não produzir resultado.... A simulação dizse relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa ( ... ), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem ou transmitem (e.g., a venda realizada a um terceiro para que este transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem este, na verdade, tencionava desde logo transferila. E é relativa em tais hipóteses, porque à declaração de vontade deve seguirse um resultado, efetivamente querido pelo agente, porém diferente do que é o resultado normal do negócio jurídico.... ", Analisando as provas trazidas aos autos, firmei convicção de que os atos societários praticados pela recorrente são simulados. Ao contrário do que sustenta a recorrente, os negócios jurídicos realizados, se analisados isoladamente são formalmente válidos, entretanto, da análise conjunta, extraise que em sua essência se prestaram a fins diversos do que os declarados, caracterizando a hipótese de simulação prevista no inciso II do art. 102 do antigo Código Civil, conforme a seguir demonstrado: A empresa Popescu Participações S/A, a despeito de constar no contrato social que seu objeto seria a participação em outras sociedades, na verdade, foi verdadeira empresa veículo, criada especificamente para implementação do "planejamento tributário" engendrado. Tal fato é admitido pela própria recorrente em sua peça recursal, senão vejamos: "Referido contrato definiu ainda todos os passos a serem adotados pelas partes com vistas a alcançar a transferência do controle acionário das referidas empresas, contemplando ainda a utilização de uma holding destinada exclusivamente para esse fim, no caso a Popescu.." Fl. 674DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 675 32 Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, ao ingressarem na sociedade Popescu Participações S/A, as partes envolvidas não tinham o objetivo de operarem em sociedade, pois os sócios que detinham o controle das empresas que atuavam no ramo de papel se retiraram da sociedade no dia seguinte ao ingresso no novo sócio; A real vontade entre as partes nunca foi a de operarem em conjunto na sociedade Popescu Participações S/A mas, sim a alienação das participações societárias das empresas do Grupo OESP para a Norske Skog Pisa. A própria recorrente admite que a alienação das participações societárias foi feita por meio da conhecida "Operação Ágio", e foi definida em sua peça recursal nos seguinte termos (fls. 390): "Referida operação, como é de amplo conhecimento das autoridades fiscais, auditores e advogados tributaristas, consiste basicamente na aceitação de um novo acionista ao capital social de uma sociedade veiculo, o qual, após integralizar sua participação societária com ágio, retirase da sociedade remanescendo com as participações societárias objeto de alienação. Notese que o montante de ágio pago na emissão das novas ações a serem emitidas pelas sociedades veículo holding, não é entregue a esta Sociedade aleatoriamente, em qualquer valor. 0 montante pago a título de ágio em aquisições societárias, comumente, está calcado em reais perspectivas de rentabilidade futura dos investimentos que se pretende adquirir." Assim, nas operações societárias implementadas não se verifica a intenção efetiva das partes em compor uma sociedade. Certamente, a intenção dos contratantes não era aquela que aparentava ser, o que, efetivamente, caracteriza a simulação. A recorrente opõese à qualificação de simulação efetuada pela fiscalização afirmando que no contrato firmado entre as empresas envolvidas , constava que a intenção das partes era a de associaremse e, posteriormente, a sociedade seria desfeita. Ora, referido contrato se prestou a regular em detalhes o negócio jurídico verdadeiro, qual seja, a alienação das participações societárias e o fato de nele estarem previstos a forma com que o negócio se realizaria, não tem o condão de comprovar a efetiva realização das alterações societárias. As alegações da recorrente de que teria realizado um negócio jurídico indireto não merecem prosperar. Segundo a doutrina de Marco Aurélio Greco trazida aos autos pela recorrente no recurso voluntário, o negócio jurídico indireto caracterizase, dentre outros, pela realização de um único negócio, diferentemente do ocorrido no presente caso em que se identificam dois Fl. 675DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 676 33 negócios, um formal e outro subjacente. Os atos praticados configuraram simulação, por meio da qual a operação de compra e venda das participações societárias (negócio subjacente) foi acobertada pela integralização de capital seguida da retirada dos acionistas do Grupo OESP (negócio formal) na empresa Popescu Participações S. A. Afirma a recorrente que nenhum ato foi praticado com o intuito de lesar terceiros e não houve infração à lei, nos termos do art. 103 do Código Civil vigente à época. Diversamente do alegado, de igual sorte não assiste razão à recorrente. A fiscalização demonstrou que as partes realizaram um negócio jurídico que implicava em ganho de capital, fato gerador do IRPJ e da CSLL, entretanto, com o fim específico de não tributarem referido ganho, simularam negócio diverso registrando contabilmente o ato simulado na tentativa de não incorrer em hipótese de incidência. Afinal, não existe lógica em associarse a uma sociedade num dia e no dia seguinte dela se retirar. Ressalta a contribuinte em sua defesa que a simulação não se presume e não se prova por meio de indícios. Diversamente do alegado, os indícios possuem alta relevância na formação da convicção daquele que aprecia casos de simulação, são provas indiretas e têm como origem a investigação dos fatos ocorridos pela fiscalização. Oportuna ainda a lição de Maria Rita Ferragut, sobre o valor dos indícios, abordado no trabalho "Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação" (Revista Dialética de Direito Tributário n° 67 , Dialética, São Paulo, 2001, págs. 119 e 120), in verbis: "As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa." Ademais, no caso concreto, existe nos autos cópia do contrato firmado entre as partes e que é a prova direta e inequívoca do verdadeiro negócio jurídico realizado, qual seja, a alienação da participação societária das empresas do Grupo OESP à Norske Skog Pisa. Com relação à alegação da recorrente de que seria covardia se analisar a operação por meio da aplicação dos novos critérios aplicáveis pela doutrina e jurisprudência, pois, frente ao ordenamento jurídico vigente no ano de 2000 a operação era lícita e comumente aceita pelo Fl. 676DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 677 34 Conselho de Contribuintes, mais uma vez não lhe assiste razão. Não há jurisprudência pacífica nos planejamentos tributários, devendo os mesmos serem analisados caso a caso. O julgador a quo afirmou que sempre existiu o entendimento de que não bastava somente se fixar nos aspectos contratuais e formais das operações realizadas, todavia, ainda que esta não fosse a jurisprudência dominante à época, os julgadores não se vinculam às decisões administrativas proferidas por outras turmas deste Colegiado devendo pautar suas decisões pelo princípio do livre convencimento motivado, respeitando, obviamente as limitações impostas pelas súmulas e resoluções emitidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF. Confirase, nesse sentido, o art. 29 do Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. A recorrente admite no recurso voluntário que "sempre foi evidente que a estrutura implementada foi utilizada para evitar a geração de um eventual ganho de capital na alienação de suas participações societárias, nunca ocultando nenhum ato", para em seguida sustentar que a realização de negócio jurídico indireto era lícita frente ao ordenamento jurídico vigente em 2000 e comumente aceita pelo então Conselho de Contribuintes. Acontece que, diferentemente do alegado, restou comprovado nos autos a realização de atos simulados com o fim de afastar a ocorrência de fatos geradores, não podendo portanto a recorrente valerse de jurisprudência não vinculante à administração tributária para contestar o que não encontra respaldo na legislação tributária. Relativamente à afirmação de que o art. 51 da Lei nº 7.450/85 não seria aplicável a toda e qualquer pessoa jurídica, mas somente sobre os lucros oriundos de operações realizadas no âmbito do mercado financeiro, a recorrente repete os argumentos efetuados em sede de impugnação. Comungo do entendimento já mencionado na decisão recorrida, de que a Lei nº 7.450/85 trata de alterações na legislação tributária federal, aplicáveis tanto a pessoas físicas e jurídicas e, portanto, não se pode restringir a aplicação do art. 51 às operações realizadas no mercado financeiro porque os artigos que lhe antecedem referiamse a estas operações. Se o texto legal pretendesse atingir especificamente os dispositivos constantes dos arts. 39 a 50, deveria têlos referenciado ou detalhado as situações a que seriam aplicáveis. Ademais, não vejo equívocos no Parecer Normativo CST nº 46/87 da Receita Federal , que corrobora o entendimento no sentido de que o art. 51 da Lei nº 7.450/85 seria aplicável indistintamente a quaisquer pessoas físicas ou jurídicas: Fl. 677DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 678 35 DA DECADÊNCIA A recorrente contesta o acórdão a quo que aplicou a regra de contagem decadencial prevista no art. 173 do CTN para o IRPJ. Afirma que o prazo para o Fisco efetuar a constituição dos créditos tributários seria o estabelecido no art. 150, parágrafo 4º do CTN, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e que, no caso, não teria havido no caso dolo, fraude ou simulação. Para a solução da lide, transcrevo os arts. 150 e 173 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 679 36 De fato, por se tratarem de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tanto o IRPJ quanto a CSLL, sujeitamse à regra decadencial estabelecida pelo art.150, parágrafo 4º. Todavia, a regra excepciona os casos dos lançamentos em que comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, deslocandoos para a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Tal matéria encontrase pacificada neste Colegiado tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 72: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN." No presente caso, em que restou comprovada a ocorrência da prática de atos simulados, acima identificados quando da análise do mérito da autuação, os quais levaram a fiscalização, inclusive, a lavrar a representação fiscal para fins penais, aplicase a regra prevista no art. 173, inciso I. Assim, considerando que o lançamento relativo aos fatos geradores relativos ao anocalendário de 2000, somente poderiam ser lançados a partir de 01/01/2001, o termo inicial do prazo decadencial é em 01/01/2002 e o final 31/12/2006. Tendo em vista que o sujeito passivo foi regularmente cientificado dos lançamentos em 11/12/2006, os lançamentos não foram atingidos pelo instituto da decadência. Diante de todo o exposto, correto o acórdão recorrido que manteve a redução do saldo de prejuízos acumulados e a base de cálculo negativa da CSLL em virtude das exclusões indevidas ao lucro líquido dos ganhos obtidos com a alienação de participação societária, mediante a prática de atos simulados. DA ILEGALIDADE DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A recorrente insurgese também contra a decisão da Turma Julgadora a quo que se eximiu de analisar o argumento da falta de fundamento legal aplicável à lavratura da representação fiscal para fins penais. A Turma Julgadora alegou não ser dela mas sim do Ministério Público Federal a competência para análise do mérito da questão, entretanto, para a recorrente, é de competência dos agentes fiscais e, consequentemente, das turmas julgadoras a análise da existência dos requisitos para lavratura da representação fiscal para fins penais conforme art. 1º da Portaria SRF nº 326/2005. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 19515.002778/200685 Acórdão n.º 1301002.156 S1C3T1 Fl. 680 37 A matéria encontrase pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme a Súmula CARF nº 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, correta a decisão recorrida que deixou de analisar os fundamentos legais para lavratura da representação fiscal para fins penais. DA CSLL Quanto à exigência de CSLL, adoto a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 680DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.001020/00-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
Recurso Especial. Não Admissibilidade.
Nos termos do Regimento Interno do CARF, não serve como paradigma o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF.
Não deve ser conhecido o Recurso Especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 9101-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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NÃO ADMISSIBILIDADE. Nos termos do Regimento Interno do CARF, não serve como paradigma o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF. Não deve ser conhecido o Recurso Especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 10 20 /0 0- 58 Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 703 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 571/575, contra o Acórdão nº 1302001.381, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., incorporada por BANCO CITIBANK S.A., em face da decisão da DRJ em São Paulo/SPOI, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório que retificou o direito creditório anteriormente reconhecido e homologou as compensações somente até o valor do crédito retificado. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 ERROR IN PROCEDENDO. NULIDADE. As provas apresentadas com a manifestação de inconformidade devem ser objeto de julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, razão pela qual incorre em error in procedendo, a decisão que faz retornar os autos para novo julgamento da Delegacia da Receita Federal à luz das novas provas. No processo administrativo fiscal, não há previsão legal para que se exerça juízo de retratação de decisão já recorrida à instância superior. A decisão de mérito proferida pela Delegacia da Receita Federal em despacho decisório exaure a sua função dentro do processo administrativo que analisa pedido de restituição/compensação, razão pela qual é nulo o despacho decisório posterior, proferido pela mesma unidade, que reforma a sua decisão anterior. DECISÃO ULTRA PETITA. NULIDADE. É ultra petita a parte da decisão da DRJ que reduz o direito creditório já reconhecido pela DERAT, se tal matéria não lhe foi devolvida (tantum devolutum quantum apellatum). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPOSIÇÃO. O SNIRPJ não é composto só de IRPJestimativa paga a maior, mas também por todo e qualquer valor pago a título de IRRF e IRPJ, cujo o montante exceda o valor devido no período de apuração. COMPENSAÇÃO IRPJESTIMATIVA COM IRRF. NÃO DEMONSTRADA. O IRPJEstimativa só pode ser compensado com IRRF que incidiu sobre receita que tenha sido computada no cálculo da base estimada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 704 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A PFN apresentou, tempestivamente, Embargos de Declaração, em face do Acórdão nº 1302001.381, afirmando que o julgado teria sido omisso, por não ter justificado o "afastamento do art. 64 da Lei nº 9.784/99". Pelo Acórdão nº 1302001.579 (efls. 547/559), o colegiado rejeitou os aclaratórios e confirmou o quanto decidido pelo Acórdão nº 1302001.381. Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 16/01/2015, para fins de ciência do acórdão, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 14/02/2015, nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 (efl. 570). A PFN interpôs Recurso Especial em 19/01/2015 (efl. 576), alegando divergência jurisprudencial em relação ao entendimento do acórdão recorrido que considerou nula a parte da decisão de primeiro grau que agravou a situação do contribuinte ao analisar manifestação de inconformidade. Apresentou como paradigma o Acórdão nº 20312.659, de 12/12/2007, proferido pela 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NORMAS PROCESSUAIS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. REVISÃO. REFORMATIO IN PEJUS. POSSIBILIDADE. É possível que decisão do julgamento da Manifestação de Inconformidade piore a situação do contribuinte (reformatio in pejtts), nos termos do parágrafo único do art. 15 do PAF e do art. 64 da Lei do Processo Administrativo Federal (Lei n. 9.784/99) RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. MERA REVENDA. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, a receita oriunda da exportação de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a processo de industrialização pela empresa produtora e exportadora deve ser excluída do valor total da receita de exportação e também da receita operacional bruta. OPERACIONAL BRUTA. CONCEITO. EXCLUSÃO VENDAS AO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE. O cálculo do beneficio deve ser realizado com base na receita bruta de exportação do estabelecimento produtor exportador, excluindose as vendas ao mercado interno. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 705 4 A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN referese a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. Em sucinto arrazoado, aduz a recorrente que, em que pese a ampla aceitação da vedação do princípio da reformatio in pejus no âmbito judicial, o mesmo não se aplica na esfera administrativa, por força do parágrafo único do art. 64 da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Lei nº 9.784/99). Ressalta que o contribuinte foi regulamente notificado acerca da decisão da DRJ que agravou sua situação, adquirindo, portanto, plena ciência do posicionamento firmado pela Administração acerca da redução de crédito a ser restituído. Pede, ao final, pelo conhecimento e o provimento do Recurso Especial para que seja reformada, nesse ponto, a decisão recorrida. Pelo despacho de efls. 577/579, o Recurso Especial foi admitido. A interessada, cientificada, também interpôs Embargos de Declaração (efls. 600/620), e Contrarrazões ao Recurso Especial (efls. 646/688). Nos embargos declaratórios apontou obscuridade na apreciação da parcela do crédito de R$ 324.957,63, vez que, embora reconhecida expressamente a parcela de R$ 239.562,14, nada teria sido consignado neste sentido no decisum. Mas em despacho fundamentado (efls. 690/692), os embargos foram rejeitados. Em Contrarrazões, a interessada aduz, preliminarmente, que não deve ser admitido o REsp da PFN: (i) por falta de interesse recursal, já que a vedação à reformatio in pejus não teria sido o fundamento de decidir do acórdão recorrido, mas sim a ocorrência do error in procedendo e a ofensa ao princípio do tantum devolutum quantum apellatum. Nessas condições, eventual conhecimento do REsp não mudaria o resultado do acórdão recorrido, porque a anulação do despacho decisório retificador não foi contestada pela PFN; (ii) pela falta de caracterização de divergência jurisprudencial, já que o acórdão paradigma teve por fundamento o art. 15, § único, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 64, da Lei nº 9.784/99, enquanto que o acórdão recorrido fundamentouse no art. 71, do Decreto nº 7.574/11 e, assim, não haveria interpretação divergente acerca de um mesmo dispositivo legal; (iii) por descumprimento do art. 67, § 2º, do RICARF, tendo em conta que o aresto anulou, em matéria preliminar, a decisão de primeira instância, situação que impede o aviamento de REsp; (iv) por desatendimento do art. 67, § 6º do RICARF, vez que o REsp não fez o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o paradigma, tendo deixado de indicar os pontos divergentes entre os julgados; (v) por descumprimento do art. 67, § 2º, do RICARF, em vista de que o paradigma apresentado deduz tese superada pela CSRF Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 706 5 No mérito, a interessada pugna pela improcedência do REsp, em vista da vedação do princípio da reformatio in pejus, e do que dispõe o art. 71, do Decreto nº 7.574/11. Pugna, ao final, pelo não conhecimento do REsp, tendo em conta a inobservância dos requisitos para sua admissibilidade e, no mérito, pelo seu não provimento e conseqüente manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora 1 Preliminarmente 1.1 RELATO DOS FATOS Julgo pertinente, antes de adentrar ao exame de admissibilidade do REsp e do mérito do litígio, em contextualizar os fatos que envolvem o trâmite do presente processo. O processo trata de Pedido de Restituição, no valor de R$ 41.450.781,64, relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998, apresentado em 21/01/2000, ou seja, quando ainda não havia sido criada a Declaração de Compensação, instituída pela Lei nº 10.833/2003, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (fls. 2 do volume 1 digitalizado). O Pedido de Restituição de crédito de IRPJ foi cumulado com Pedido de Compensação com débitos de terceiros, no caso, débitos de responsabilidade do BANCO CITIBANK S.A., que, à época, era pessoa jurídica distinta da interessada FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. ( fls. 76 do volume 1 digitalizado). Em 08/10/2003, a DIORT/DERAT/SP proferiu decisão (fls. 86/87 do volume 1 digitalizado), indeferindo o pedido de restituição sob a alegação de que a recorrente sofrera autuação fiscal referente ao anocalendário 1998 e, assim, não haveria liquidez e certeza no crédito pleiteado. Entendeu que, nessas condições, não deveria haver pronunciamento sobre o pleito até o julgamento final do processo nº 16327.000873/200321, que tratou do auto de infração. Conseqüentemente, foi negada a homologação da compensação com débitos de terceiros. Ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra essa primeira decisão, a DRJ em São Paulo/SPOI proferiu o Acórdão nº 5.138, de 25/03/2004 (fls. 120 e ss do volume 1 digitalizado), entendendo que “eventual existência de lançamento de ofício não prejudica a análise do pedido de restituição de imposto pago a maior e solicitação de compensação”; afirmou que se aplicava ao caso a IN SRF nº 21/97, que previa que a competência para apreciação do mérito do direito creditório era do órgão de origem, razão pela qual determinou o retorno dos autos àquela autoridade, para que analisasse o mérito do direito creditório. Eis o trecho da referida decisão: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 707 6 [...] 3.5. De acordo com o artigo 6°, § 4°, da Instrução Normativa SRF n°21, de 10 de março de 1997 c/c art. 5°, § 1°, da IN 210/2002, em havendo débito pendente o valor a restituir deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de oficio, ficando a restituição restrita ao saldo resultante. 3.6. Tendo em vista que não foi examinado o mérito do Pedido de Restituição e conseqüentemente do Pedido de Compensação, os autos deverão retornar à autoridade competente, nos termos do art. 7°, da Instrução Normativa SRF n°21/97 c/c art. 31 da IN 210/2002, acima transcritos. 3.7. Assim, ainda que remanesça algum crédito decorrente do lançamento de oficio tal ocorrência não prejudica a análise do Pedido de Repetição de Indébito nos termo do § 4° do art. 6° da IN 21/97 c/c art. 5°, § 1° da IN 210/2002, acima transcritos. [...] Atendendo ao quanto determinado pela DRJ em São Paulo/SPOI, o órgão de origem proferiu o Despacho Decisório (fls. 138 e ss do volume 1 digitalizado), por meio do qual analisou a composição do saldo negativo do anocalendário 1998 da FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., e considerou que, dos montantes informados na Declaração de IRPJ, não fora comprovado o valor das estimativas ditas por recolhidas, no valor de R$ 6.021.528,85 e, assim, reconheceu a favor da interessada o saldo negativo no montante de R$ 35.249.252,79. Eis a conclusão da referida decisão: Dessa forma, considerando tudo o mais que do processo consta e que nas DIPJ dos exercícios subseqüentes verifiquei não constar que a interessada tenha utilizado o crédito ora examinado, PROPONHO, com base no artigo 6° da IN SRF 210/2002 e tendo em vista a presunção de veracidade dos documentos e das informações apresentados neste processo, o PARCIAL DEFERIMENTO do pleito à fl. 01 para reconhecer à interessada o direito creditório sobre saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1998 totalizando R$ 35.249.252,79 (trinta e cinco milhões, duzentos e quarenta e nove mil, duzentos e cinqüenta e dois reais, setenta e nove centavos), e a HOMOLOGAÇÃO da compensação solicitada limitada ao valor ora deferido. Na manifestação de inconformidade apresentada contra esse despacho decisório (fls. 146 e ss do volume 1 digitalizado), a contribuinte solicitou o reconhecimento da parcela do direito creditório que não fora deferida, no valor de R$ 6.201.528,85, por ter recolhido o valor atinente ao ano de 1998, de R$ 5.876.571,75, que alegou tratarse da diferença, de 70%, de prejuízos compensados de exercícios anteriores em 100%, por autorização judicial em ação judicial interposta, deduzidos dos prejuízos que deveriam ter sido compensados no limite de 30%, ação essa da qual desistiu em favor da anistia instituída pela Lei nº 9.779/99, afirmando, ainda, ter recolhido o montante de R$ 324.957,10, que alegou ter compensado com IRRF. Apresentou os DARF de fls. 166 e ss. do volume 1 digitalizado. Como o sujeito passivo apresentou novas provas aos autos, a DRJ em São Paulo/SPOI proferiu nova decisão, aduzindo os mesmos fundamentos de decidir adotados no acórdão anterior, ou seja, que a IN SRF nº 21/97 estabelece que a competência para apreciar o Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 708 7 mérito do pedido de restituição seria do órgão de origem, sob pena de supressão de instância. Por oportuno, transcrevo excertos do Acórdão nº 6.159, de 2004 (fls. 272 e ss do volume 1 digitalizado): [...] Instrução Normativa SRF n°210, de 30 de setembro de 2002: COMPETÊNCIA Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a titulo de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat), Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) ou Inspetoria da Receita Federal de Classe Especial (IRFClasse Especial) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo. § 1º A restituição ou a compensação de oficio do crédito do sujeito passivo com seus débitos para com a Fazenda Nacional caberá ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, a data da restituição ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo." [...] 3.3. Tendo em vista a juntada dos documentos de fls. 157 a 246, agora, na fase de Manifestação de Inconformidade, especialmente os DARF's de fls. 167 a 173, 182, efetuado na forma da Lei n° 9.779/99, art.17, acima transcrito; e Demonstrativo de fls. 181, os autos deverão retornar à autoridade competente, nos termos do art. 70, da Instrução Normativa SRF n° 21/97 c/c art. 31 da IN 210/2002, acima transcritos. CONCLUSÃO 3.4. Pelo exposto, VOTO pela procedência parcial da manifestação de inconformidade no sentido de que, os autos retornem a repartição de origem, devendo ser analisado o mérito do Pedido de Restituição pela ECRER/DIORT à luz dos novos documentos, especialmente no que tange aos pagamentos que teriam sido efetuados a maior no ano base de 1998, bem como o Pedido de Compensação requerido as fls.75, se for o caso, com observância das demais normas regulamentares inseridas na IN SRF n.° 21/1997, com as alterações introduzidas pela IN SRF n.° 73/1997, e IN SRF n.° 210/2002. O órgão de origem então proferiu um novo despacho decisório (segundo), que chamou de retificador (fls. 303 e ss do volume 1 digitalizado), analisando, novamente, toda a formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 da interessada FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., concluindo pela redução do valor do saldo negativo disponível para utilização, de R$ 35.249.252,79, para R$ 26.162.783,84 e homologou as compensações até esse limite. Isso porque constatou que o crédito pleiteado de R$ 6.201.528,53, correspondia, na parte que havia sido reconhecido anteriormente (RS 5.876.571,75), a pagamento indevido ou a maior, e não a pagamento de estimativa. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 709 8 Em sua terceira manifestação de inconformidade (fls. 319 e ss do volume 2 digitalizado), a interessada se insurgiu contra a redução de seu direito creditório anteriormente reconhecido e afirmou ser nula essa decisão, porque não poderia haver reformatio in pejus. Salientou, ainda, que não poderia ser reduzido o valor do crédito reconhecido porque se passaram mais de 5 (cinco) anos, entre a nova decisão e o deferimento do crédito, em face da coisa julgada administrativa e que cabia, à autoridade julgadora, se pronunciar, apenas, sobre a parcela do crédito não reconhecida, de R$ 6.201.528,85. Em seu terceiro Acórdão, de nº 1626.128, a DRJ em SPO, (fls. 441 e ss do volume 2 digitalizado) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações afirmando, em resumo, que: 1) o pedido do contribuinte não se converteu em DCOMP por se tratar de compensação de credito próprio com débito de terceiro e, assim, não submetido ao regramento do art. 74 da Lei nº 9.430/96; 2) o § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dispõe sobre casos em que a compensação deve ser não declarada, e o § 13 do mesmo artigo diz que no caso de compensação não declarada não deve o litígio seguir o rito do Decreto nº 70.235/72 PAF; 3) o despacho decisório retificador não é nulo, por não se enquadrar nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do PAF e foi proferido por determinação do Acórdão nº DRJ/SPOI N° 6.159, de 16/11/2004, para apreciar novas provas trazidas em manifestação de inconformidade; 4) compete a autoridade administrativa analisar a legalidade de seus atos e, como o despacho decisório anterior estava errado, por não ter analisado o oferecimento à tributação dos rendimentos que deram origem ao IRRF deduzido, foi ele então corrigido, com base em previsão legal; 5) como o pedido de restituição de crédito próprio com débito de terceiro não se converteu em DCOMP, a ele não se aplica a homologação tácita; 6) não houve reformatio in pejus porque tal princípio somente se aplica em relações jurídicas privadas, entre particulares e não no direito público, entre contribuinte e Fazenda Pública, o que é confirmado pelo § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. 7) deveria ser mantido o despacho decisório retificador. No Recurso Voluntário apresentado contra essa última decisão, a interessada alegou (fls. 473 e ss do volume 2 digitalizado) ofensa ao princípio da segurança jurídica. Aduziu ter ocorrido a coisa julgada administrativa e que o despacho decisório proferido em 11/05/2004, não poderia mais ser alterado em 28/07/2010, já que decorridos mais de 5 (cinco) anos. Repetiu que não se poderia reformar a decisão in pejus, e que careceria de fundamentação a argüição de que a vedação de tal princípio não se aplicaria no direito público e defendeu, no mérito, a procedência da parcela do direito creditório não reconhecido. Apreciando o Recurso Voluntário decidiu, o colegiado a quo, que: (i) ao se manifestar sobre o mérito do direito creditório e reconhecer o valor de R$ 35.249.252,79, o órgão de origem exauriu a sua função julgadora neste processo; Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 710 9 (ii) assim, nos termos do § 4º do art. 57 do Decreto nº 7.574/2011, seria competência da DRJ em São Paulo apreciar as provas trazidas pela interessada em sede de manifestação de inconformidade; (iii) são nulos o Acórdão nº 6.159/04, da DRJ/SPOI e o Despacho Decisório proferido pela DIORT/DERAT/SPO em 30/10/2009, pois conheceram de matéria que já estava definitivamente julgada na instância administrativa direito creditório no montante de R$ 35.249.252,79; (iv) a manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório de 11/05/2004, que reconheceu o direito creditório em R$ 35.249.252,79, só devolveu à DRJ/SPO1 o conhecimento da matéria relativa à parte indeferida, ou seja, o direito creditório no valor de R$ 6.201.528,85; (v) dessa forma, o Acórdão nº 1626.128, de 28 de julho de 2010, ofenderia o princípio do tantum devolutum quantum apellatum, pois somente a matéria impugnada poderia ser objeto de revisão pela DRJ; (vi) nessas condições, é ultra petita a parte da decisão da DRJ que reduz o direito creditório já reconhecido pela DERAT, se tal matéria não lhe foi devolvida. (vii) é inaceitável que, transcorridos mais de cinco anos da decisão que reconheceu o direito creditório no montante de R$ 35.249.252,79, possam os autos ser julgados novamente, pela mesma DERAT, para proferir decisão, em 30/09/2010, que reduz o direito creditório para R$ 26.162.783,84, já que isso fere o disposto no art. 54 da Lei 9.784/99; (viii) é nula a parte da decisão da DRJ que acatou o despacho decisório que reduziu o direito creditório antes reconhecido. No mérito, o colegiado a quo, manifestouse apenas sobre a matéria que entendeu ter sido devolvida em manifestação de inconformidade para apreciação pela DRJ, e que diz respeito a parcela do direito creditório não reconhecida, de R$ 6.201.528,85. Desse montante, reconheceu a favor da interessada, o direito creditório no valor de R$ 5.876.571,75, e homologou as compensações até o limite desse crédito. Como visto do relatório, a PFN embargou essa decisão, afirmando que o julgado teria sido omisso, por não ter justificado o "afastamento do art. 64 da Lei nº 9.784/99". Diante da negativa de admissibilidade dos embargos, apresentou o presente Recurso Especial, utilizandose da argumentação dos aclaratórios como prequestionamento, alegando divergência em relação ao entendimento do acórdão recorrido que considerou nula a parte da decisão de primeiro grau que agravou a situação do contribuinte, indicando como paradigma o Acórdão nº 20312.659, de 12/12/2007. Esse é o relato dos fatos. 1.2 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL Como demonstrado no relatório, o Recurso Especial é tempestivo. A interessada, em sede de Contrarrazões, afirma que falece ao REsp os requisitos regimentais para sua admissibilidade. São essas, em resumo, suas argumentações: Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 711 10 (i) falta de interesse recursal, já que a vedação à reformatio in pejus não teria sido o fundamento de decidir do acórdão recorrido, mas sim a ocorrência do error in procedendo e a ofensa ao princípio do tantum devolutum quantum apellatum. Nessas condições, eventual conhecimento do REsp não mudaria o resultado do acórdão recorrido, porque a anulação do despacho decisório retificador não foi contestada pela PFN; (ii) falta de caracterização de divergência jurisprudencial, já que o acórdão paradigma teve por fundamento o art. 15, § único, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 64, da Lei nº 9.784/99, enquanto que o acórdão recorrido fundamentouse no art. 71, do Decreto nº 7.574/11 e, assim, não haveria interpretação divergente acerca de um mesmo dispositivo legal; (iii) descumprimento do art. 67, § 2º, do RICARF, tendo em conta que o aresto anulou, em matéria preliminar, a decisão de primeira instância, situação que impede o aviamento de REsp; (iv) desatendimento do art. 67, § 6º do RICARF, vez que o REsp não fez o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o paradigma, tendo deixado de indicar os pontos divergentes entre os julgados; (v) descumprimento do art. 67, § 2º, do RICARF, em vista de que o paradigma apresentado deduz tese superada pela CSRF Vejamos, então, qual foi a alegação da PFN nas razões de seu Recurso Especial (efls. 571/575): [...] 1. DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. A 2ª Turma Ordinária anulou o acórdão proferido pela DRJ que reduziu o direito creditório reconhecido de R$ 35.249.256,79 para R$ 26.162.783,84. Segundo a e. Turma, a DRJ violou o Princípio da proibição do reformatio in pejus, ao rever atos para diminuir o valor do crédito anteriormente reconhecido. Diversamente, manifestouse a Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, conforme se extrai da ementa do acórdão paradigma nº 20312.659, abaixo transcrita integralmente: [...] Patente, portanto, a divergência jurisprudencial. Analisando igualmente casos onde a situação do contribuinte foi agravada após a apresentação de sua defesa, com a redução do valor inicialmente considerado passível de restituição, os Colegiados chegaram a conclusões diversas. A Turma a quo entendeu ser vedado à DRJ inovar o ato administrativo tributário, com alteração dos critérios jurídicos empregados pela DRF, e piorar a situação do contribuinte após a apresentação da manifestação de inconformidade. Diversamente, a Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes considerou ser possível que a decisão que julga a manifestação de inconformidade piore a situação do contribuinte (reformatio in pejus), nos termos do parágrafo único do art. 15 do PAF e do art. 64 da Lei do Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784/99). Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 712 11 Dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial. [...] Com efeito, o acórdão recorrido entendeu ser incabível que a DRJ em São Paulo determinasse que o órgão de origem revisse seu ato, no caso, o Despacho Decisório que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 35.249.252,79, apenas porque a interessada havia juntado, na manifestação de inconformidade, elementos e documentos para provar a parcela não reconhecida do direito creditório pleiteado, de R$ 6.201.528,85. Entendeu o colegiado a quo que a competência para apreciar os novos elementos e se pronunciar sobre a parcela do crédito não reconhecia seria da própria DRJ. Afirmou, ainda, que a manobra processual não pode ter o condão de legitimar o reformatio in pejus, e concluiu pela nulidade da segunda decisão da DRJ e do terceiro despacho decisório. Vejamos os seguintes excertos do acórdão recorrido (efls. 547/559): [...] O Acórdão nº 5.138, de 25 de março de 2004, entendeu que cabia à DIORT/DERAT analisar o mérito do pedido de restituição e, por isso, retornou os autos para a unidade de origem. Notese assim que a DRJ entendeu que havia um error in procedendo da DERAT ao se recusar ao julgar o mérito do pedido de restituição. , no momento em que a DIORT/DERAT proferiu o Despacho Decisório em 11/05/2004, no qual analisou o mérito e concluiu que o direito creditório montava em R$ 35.249.252,79, exauriu a sua função julgadora neste processo. Por outro lado, o Acórdão nº 6159, de 16 de novembro de 2004, incorreu em grave error in procedendo, pois não cabia o retorno dos autos a DERAT, para emissão de novo Despacho Decisório, em razão de ter a recorrente apresentado novas provas no momento da interposição da manifestação de inconformidade. Nem mesmo recusar a prova apresentada naquele momento era possível, já que, nos termos do § 4º do art. 57 do Decreto nº 7.574/2011, a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, o que se aplica também à manifestação de inconformidade, já que este Decreto rege também os processos de restituição de tributos, conforme disposto no seu art. 1º. Assim, naquele momento a competência para julgar a matéria e emitir juízo de valor sobre as provas apresentadas era da DRJ/SPO1, razão pela qual são nulos o Acórdão nº 6159/04 e o Despacho Decisório proferido pela DIORT/DERAT/SPO em 30/10/2009 (a fls. 305 e segs.), pois conheceram de matéria que já estava definitivamente julgada na instância administrativa (direito creditório no montante de R$ 35.249.252,79). Cabe salientar que o art. 7º da IN SRF 21/97 não teve a finalidade de subverter a ordem do processo administrativo fiscal, sob pena de se tornar ilegal. Assim, o que ela quis garantir foi apenas que, em processos de restituição, a primeira instância julgadora fosse a DRF. Agora, uma vez já proferido o julgamento de mérito pela DRF, equivocase rotundamente a DRJ quando alega que tal dispositivo autorizaria o retorno dos autos para novo julgamento pela DRF, apenas porque foram Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 713 12 apresentados documentos com a manifestação de inconformidade. Além disso, a manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório de 11/05/2004, que reconheceu o direito creditório em R$ 35.249.252,79, só devolveu à DRJ/SPO1 o conhecimento da matéria relativa à parte indeferida, ou seja, o direito creditório no valor de R$ 6.201.528,85. Assim sendo, o Acórdão nº 1626.128, de 28 de julho de 2010, ofende o princípio do tantum devolutum quantum apellatum, pois somente a matéria impugnada poderia ser objeto de revisão pela DRJ. Desse modo, é ultra petita a parte da decisão da DRJ que reduz o direito creditório já reconhecido pela DERAT, se tal matéria não lhe foi devolvida. Com efeito, a manobra processual que levou ao retorno dos autos à DERAT, quando já exaurida a sua função julgadora, não pode ter o condão de legitmar o reformatio in pejus, mesmo porque ofendeu, pela via oblíqua, o art. 71 do Decreto nº 7.574/2011, se não vejamos: [...] Por último, ainda que pudéssemos ultrapassar tudo quanto foi dito anteriormente, para adotar uma visão do processo administrativo fiscal menos formal, não chegaríamos a outra conclusão, pois é inaceitável que, transcorridos mais de cinco anos da decisão que reconheceu o direito creditório no montante de R$ 35.249.252,79 (em 11/05/2004), possam os autos serem julgados novamente, pela mesma DERAT, para proferir decisão (em 30/09/2010) que reduz o direito creditório para R$ 26.162.783,84, já que isso fere o disposto no art. 54 da Lei 9.784/99, in verbis [...] Por essas razões, voto por declarar nula a decisão recorrida na parte em que reduziu o direito creditório reconhecido, em 11/05/2004, pela DIORT/DERAT/SPO, no montante de R$ 35.249.252,79. [...] Ao seu turno, o paradigma indicado pela PFN Acórdão nº 20312.659 trouxe a seguinte ementa, na parte que importa à presente análise: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NORMAS PROCESSUAIS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. REVISÃO. REFORMATIO IN PEJUS. POSSIBILIDADE. É possível que decisão do julgamento da Manifestação de Inconformidade piore a situação do contribuinte (reformatio in pejtts), nos termos do parágrafo único do art. 15 do PAF e do art. 64 da Lei do Processo Administrativo Federal (Lei n. 9.784/99) Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 714 13 Constou do voto condutor do referido paradigma: [...] Preliminar: Da Reformado in Pejus. Preliminarmente o contribuinte requer a nulidade do segundo despacho decisório que, após a sua Manifestação de Inconformidade, reduziu o crédito que já havia sido reconhecido no montante de R$ 13.813.800,48 para R$ 8.023.561,67, pois sustenta que não se pode admitir que por força da sua defesa seja agravada a sua situação. Contudo, em que pese a ampla aceitação do referido princípio no âmbito judicial, o mesmo não se aplica na esfera administrativa de primeira instância, por força do parágrafo único do art. 15 do PAF, que assim dispõe: [...] Por tanto, rejeito a argüição de impossibilidade da autoridade fiscal rever seus atos. Verificase, de fato, que as conclusões do acórdão paradigma se opõem às do recorrido. Mas a interessada notou que o acórdão indicado como paradigma, pela PFN, havia sido reformado pela CSRF e, assim, descumpriria o quanto determinado pelo art. 67, § 2º, do RICARF, à época, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, como defendeu em suas Contrarrazões, no item "v" anteriormente mencionado. Com efeito, como dito do relatório, a PFN apresentou o Recurso Especial em 19/01/2015 (efls. 576), ocasião em que a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão realizada em 07/11/2011, já havia proferiu o Acórdão nº 9303001.725, reformando o entendimento manifestado no Acórdão nº 20312.659 e que deu azo à divergência suscitada. Observese, na parte em destaque: Acórdão nº 9303001.725 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo, o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício. NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DO NON REFORMATIO IN PEJUS. Deferida, ainda que indevidamente, a exclusão da parcela discutida da receita operacional bruta, a reforma de tal entendimento para que ela Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 715 14 integrea, bem como a receita de exportação, o que seria o correto, implicaria condenável reforma em prejuízo do recorrente, dado que leva a um valor ainda maior do incentivo discutido. RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1.150.188) Para melhor demonstrar que a tese do acórdão paradigma foi reformada, colaciono os seguintes trechos do voto proferido pela CSRF: [...] De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da melhor forma a legislação ao manter a exclusão daquela parcela da receita de exportação e determinar que ela fosse excluída também da Receita Operacional Bruta. Deveria, ao contrário, mantêla na Receita Operacional Bruta – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela fosse igualmente computada na receita de exportação. Até porque essa fora a postulação do recurso. É importante destacar que essa determinação levaria a que o direito do contribuinte fosse ainda maior do que o que lhe acabou deferido pela decisão extra petita. Aplicála agora, no entanto, pareceme impossível dado que levaria à reformatio in pejus contra a recorrente. Repitase que a primeira exclusão não é objeto do recurso fazendário. O que ele postula é que se determine apenas a inclusão na Receita Operacional Bruta, mantendose, ao mesmo tempo, sua exclusão da receita de exportação, o que é a forma de cálculo que leva ao menor dos valores. A isso, a meu ver, não se pode dar provimento. Nego, portanto, provimento ao recurso da Fazenda em relação a esse ponto. [...] Vêse, claramente, que o único paradigma indicado pela recorrente, sofreu reforma total na tese nele deduzida, ou seja, justamente na matéria indicada como divergente pela PFN, a CSRF alterou o entendimento do acórdão recorrido. Quando da apresentação do Recurso Especial pela PFN vigoravam as disposições do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovadas pela Portaria nº 256, de 2009, que, no art. 67, do Anexo II, disciplinava o Recurso Especial, dispondo: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 716 15 interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. (*) destaquei O atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 359, de 2015, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 39, de 2016, contém a mesma previsão, no art. 67, § 15, do Anexo II: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (*) destaquei Esta é exatamente a situação do acórdão apresentado como paradigma. Assim, o acórdão indicado pela PFN em seu Recurso Especial não pode ser admitido como paradigma. Tendo sido o único paradigma indicado, não há como conhecer do Recurso Especial. Outra razão levantada pela interessada para que não seja conhecido o Recurso Especial da PFN e que corrobora para o não conhecimento do recurso diz respeito ao descumprimento do art. 67, § 2º, do RICARF, tendo em conta que o aresto anulou, em matéria preliminar, a decisão de primeira instância, situação que impede o aviamento de REsp. O mencionado § 2º, do art. 67, do RICARF, então aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, assim dispunha: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. [...] (*) destaques acrescidos A mesma previsão se encontra no atual regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 717 16 Art. 67 [...] [...] § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. [...] (*) destaques acrescidos Como relatado à exaustão, o colegiado a quo decidiu anular o segundo acórdão proferido pela DRJ em São Paulo, que havia determinado que o órgão de origem proferisse um novo despacho decisório destinado, novamente, a analisar todo o direito creditório invocado, e não apenas o valor em litígio. Para que não pairem dúvidas a respeito disso, mais uma vez transcrevo os seguintes trechos do acórdão recorrido: [...] [...] Assim, naquele momento a competência para julgar a matéria e emitir juízo de valor sobre as provas apresentadas era da DRJ/SPO1, razão pela qual são nulos o Acórdão nº 6159/04 e o Despacho Decisório proferido pela DIORT/DERAT/SPO em 30/10/2009 (a fls. 305 e segs.), pois conheceram de matéria que já estava definitivamente julgada na instância administrativa (direito creditório no montante de R$ 35.249.252,79). [...] Além disso, a manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório de 11/05/2004, que reconheceu o direito creditório em R$ 35.249.252,79, só devolveu à DRJ/SPO1 o conhecimento da matéria relativa à parte indeferida, ou seja, o direito creditório no valor de R$ 6.201.528,85. Assim sendo, o Acórdão nº 1626.128, de 28 de julho de 2010, ofende o princípio do tantum devolutum quantum apellatum, pois somente a matéria impugnada poderia ser objeto de revisão pela DRJ. Desse modo, é ultra petita a parte da decisão da DRJ que reduz o direito creditório já reconhecido pela DERAT, se tal matéria não lhe foi devolvida. [...] Por essas razões, voto por declarar nula a decisão recorrida na parte em que reduziu o direito creditório reconhecido, em 11/05/2004, pela DIORT/DERAT/SPO, no montante de R$ 35.249.252,79. [...] Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) declarar nulos o Despacho Decisório proferido pela DIORT/DERAT em 30/10/2009 (a fls. 305 e segs) e o Acórdão nº 6159, de 16 de novembro de 2004, da DRJ/SPO1(a fls. 274/275) ; Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10880.001020/0058 Acórdão n.º 9101002.525 CSRFT1 Fl. 718 17 b) declarar nulo o Acórdão nº 1626.128, de 28 de julho de 2010, da DRJ/SPO1, na parte em que reduziu o direito creditório reconhecido, em 11/05/2004, pelo Despacho Decisório da DIORT/DERAT/SPO (a fls. 140/141), restabelecendo assim o direito da recorrente ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1998 no montante de R$ 35.249.252,79, e, conseqüentemente, a HOMOLOGAÇÃO da compensação solicitada limitada a esse valor; [...] Em face do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da PFN. Por conta disso, deixo de analisar os demais argumentos trazidos pela interessada, em suas contrarrazões, para o não conhecimento do recurso. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial da PFN. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 718DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12457.721236/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/06/2012, 02/07/2012, 05/07/2012, 11/07/2012
MULTA DE CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES.
A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 10/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/06/2012, 02/07/2012, 05/07/2012, 11/07/2012 MULTA DE CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 10/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/06/2012, 02/07/2012, 05/07/2012, 11/07/2012 MULTA DE CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 10/08/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 72 12 36 /2 01 3- 27 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório do acórdão nº 07 34.720, da 1ª Turma da DRJ/FNS: Trata o presente processo de autos de infração lavrados (fls. 183 a 305) para constituição de crédito tributário no valor de R$44.333,55 referente à aplicação da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação, por ceder seu nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Esta multa está prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. O Auto de Infração foi lavrado contra a PAN ASIA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (CNPJ n° 10.213.525/000169), empresa sediada em Itajaí/SC, doravante PAN ASIA. De acordo com a descrição dos fatos e o Relatório Fiscal de Procedimento Especial de controle aduaneiro, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Foz do Iguaçu submeteu a interessada ao rito previsto na Instrução Normativa SRF n° 1.169/2011, com o fim de verificar a aparente incompatibilidade econômico financeira da empresa importadora PANASIA e a opção questionável de logística para operação. O procedimento foi motivado pelo fato de haver indícios de estar a empresa acima identificada sendo usada para a realização de operações de terceiros. As Declarações de Importação n° 12/11791248; n° 12/12013427; n° 12/12317663; n° 12/12692782, n° 12/12646217 e n° 12/12886153 foram submetidas a procedimento especial de controle aduaneiro por suspeita de ocultação do real adquirente nas operações de importação, infração punível com pena de perdimento das mercadorias. A ação fiscal decorreu de operação realizada pela Receita Federal denominada "Operação Moinho de Vento" que teve por alvo, além do contribuinte supracitado, outras 3 (três) empresas que se utilizavam do mesmo modus operandi (simulação de operações de comércio exterior por intermédio da PANASIA). Esta ação fiscal foi concluída em 09/08/2012, e restou comprovado que a PAN ASIA registrou as Declarações de Importação cedendo seu nome para a empresa CANADENSE INDÚSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ n.° 08.868.725/000108, sediada em Foz do Iguaçu/PR, doravante CANADENSE), com o fim de ocultála da posição de verdadeiro sujeito passivo da operação. Comprovouse que a CANADENSE era o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas em nome da empresa PAN ASIA, configurando ocultação do verdadeiro sujeito passivo das operações com o fim de reduzir as despesas a título de ICMS, bem como burlar os procedimentos fiscais de habilitação e parametrização em sua atuação no comércio exterior. Assim, estas empresas teriam agido em conluio no cometimento da infração de ocultação do verdadeiro adquirente em operações de comércio exterior. O ilícito de ocultação do sujeito passivo ocorreu mediante simulação ajustada entre PAN ASIA e a CANADENSE, e esta irregularidade por si só Fl. 849DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12457.721236/201327 Acórdão n.º 3302003.253 S3C3T2 Fl. 3 3 configura dano ao erário punível com a pena de perdimento das mercadorias. Este auto de infração trata de aplicar a multa de valor equivalente de que trata o parágrafo 3° do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, às mercadorias objeto das Declarações de Importação analisadas nesta ação fiscal que não foram localizadas no estabelecimento do contribuinte em função de terem sido revendidas. O valor aduaneiro das mercadorias tomou por base o exposto nas Declarações de Importação que foram objeto da presente ação fiscal. Depois de analisadas as informações e documentos apresentados pelas interessadas, bem como aqueles constantes na internet e nos sistemas da Receita Federal, as razões que levaram a Fiscalização a essas conclusões foram as seguintes: Em análise das notas fiscais em conjunto com as informações obtidas no Siscomex referente às informações constantes nas Declarações de Importação, verificouse que todas as operações foram declaradas por conta própria da PAN ASIA, ou seja, esta empresa figurou como importadora e adquirente das mercadorias. Todas as negociações foram realizadas entre CANADENSE e os fornecedores estrangeiros sediados na Argentina e Paraguai, configurando, portanto, contrato de compra e venda internacional. Documentalmente, as operações aparentavam ser regulares. A empresa PAN ASIA registrava uma declaração de importação por conta própria, emitia uma nota fiscal de entrada destas mercadorias em seu estabelecimento em Itajaí/SC e em seguida revendia estas mercadorias à empresa CANADENSE, em Foz do Iguaçu, mediante a correspondente emissão de Nota Fiscal de Venda. Materialmente, as operações com farinha de trigo estavam estruturadas de forma que a empresa CANADENSE fechava negociação comercial de importação com os moinhos de farinha de trigo da Argentina e do Paraguai e solicitava a estes moinhos estrangeiros a emissão de fatura comercial em nome da empresa PAN ASIA. Em seguida a empresa CANADENSE contratava o transporte internacional de carga e solicitava o carregamento da mercadoria no moinho ou depósito no exterior. Posteriormente a empresa CANADENSE contratava despachante aduaneiro para fazer o registro das Declarações de Importação em nome da PAN ASIA e após o desembaraço aduaneiro da carga no Porto Seco de Foz do Iguaçu/PR, a PAN ASIA emitia a nota fiscal de entrada das mercadorias em seu estabelecimento (Itajaí/SC). Ato contínuo emitia a nota fiscal de venda dessa carga à empresa CANADENSE. Após o desembaraço os transportadores internacionais efetuavam a descarga das mercadorias em local determinado pela empresa CANADENSE, sempre em Foz do Iguaçu/PR. Desta forma, a empresa PAN ASIA figurava na operação somente cedendo seu nome para que as empresas reais adquirentes permanecessem ocultas na importação. A ida das cargas à Santa Catarina não passou de mera simulação documental, sem qualquer vinculação com a realidade. A operação de compra e venda no mercado interno da PAN ASIA para a empresa CANADENSE calçada por nota fiscal de venda, não passava de mera simulação, dado que a relação entre a PAN ASIA e as reais adquirentes não era, em momento algum, uma operação de compra e venda de farinha de trigo. Nesta mesma linha, a Declaração de Importação ao informar a PAN ASIA como adquirente apresentava informação falsa, bem como o MIC e o CRT. E, ainda, a fatura comercial que instruiu a declaração de importação por estar emitida para Fl. 850DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO 4 PAN ASIA como adquirente não representava a realidade dos fatos, logo é ideologicamente falsa. Um dos motivadores à ocultação foi a burla aos controles administrativos, como a não submissão aos procedimentos de habilitação no Siscomex e a interferência na avaliação de risco nas operações. Outro motivador à ocultação é a busca de benefícios fiscais estaduais. Como resultado dessas operações simuladas, a empresa CANADENSE conseguia uma redução no custo da importação de farinha de trigo devido à redução da alíquota efetiva do ICMS, utilizandose, de forma indevida, de benefício concedido pelo estado de Santa Catarina. Ao visitar o sítio da empresa PAN ASIA na internet, observase que lá ela vende seu serviço de cessão de nome de forma quase explícita, expondo inclusive as vantagens de importar com a PAN ASIA: "reduzem de forma matemáticafinanceira o imposto mais importante e significativo, ou seja, o ICMS". A análise dos documentos apreendidos e das informações prestadas indicou a existência de elementos característicos de simulação, não cabendo a idéia de planejamento tributário. O volume de operação da PAN ASIA é totalmente incompatível com sua habilitação concedida pela Receita Federal para que a empresa atuasse no comércio exterior. Considerando somente sua atuação com farinha de trigo nos primeiros 6 (seis) meses de 2012, a empresa extrapolou em mais de 31 (trinta e uma) vezes sua estimativa de operação. Em uma primeira constatação, merece destaque o fato de que, apesar de todas as 394 Declarações de Importação terem sido registradas por PAN ASIA, sendo ela importadora e adquirente por conta própria, estas não tinham uma forma padrão de atuação. As Declarações de Importação eram registradas por diferentes despachantes e usavam como transportador internacional, diferentes empresas sem qualquer explicação lógica, a princípio. Contudo ao cruzar os dados das Declarações de Importação com as respectivas notas fiscais de saída o que aparentava ilógica e não razoável, tornou se lógico, claro e evidente. Observase que a interposta PAN ASIA registrou 36 Declarações de Importação que tiveram como destino final da farinha de trigo a CANADENSE em 2012. Em 100% destas importações foi utilizada a empresa de transporte internacional de carga TRANSUNI, bem como em 100% delas foi o despachante SUELI BERTONCELO que registrou as Declarações de Importação em nome de PAN ASIA. Outra informação relevante é que em 14 destas operações, quase 40% do total, a carga foi exportada pelos moinhos estrangeiros EXPOHAR; PEREZ; BENVENUTO, AMERICA e LAGOMARSINO. E 100% destas cargas que foram importadas em nome de PAN ASIA originárias deste grupo de moinhos estrangeiros tiveram como destino final exclusivamente a empresa CANADENSE. Sendo que, 9 destas operações figurou como exportador somente o EXPOHAR S.R.L.. Importante ressaltar que as 5 (cinco) Declarações de Importação objeto deste relatório fiscal, fazem parte das 36 Declarações de Importação, escopo desta análise. A empresa CANADENSE era responsável por contratar o moinho, o despachante e o transportador internacional de sua preferência e somente tomar emprestado o nome da PAN ASIA para o registro formal da operação. A PAN ASIA não possuía qualquer ingerência sobre as escolhas dos intervenientes no comércio exterior, apesar de ser ela, documentalmente, o importador e adquirente por conta própria das mercadorias. Freqüentemente a empresa CANADENSE efetuava pagamentos na Argentina a basicamente dois entes: Cono Sur e Echeverria. Em consultas à internet foi Fl. 851DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12457.721236/201327 Acórdão n.º 3302003.253 S3C3T2 Fl. 4 5 constatado que tanto Echeverria como Cono Sur são empresas aduaneiras na cidade de Puerto Iguazu Argentina, que oferecem os serviços aduaneiros, de transporte, logístico e de armazenagem de cargas. Em diligência no estabelecimento do transportador TRANSUNI, foram identificados 7 (sete) arquivos digitais de faturas de importação de farinha de trigo. Esses arquivos têm em seu nome uma numeração não identificada, seguida do número da fatura e logo depois os nomes "PAN ASIA FABIANO". O Sr. Fabiano Antonelli é sócio administrador da empresa CANADENSE, demonstrando claramente que as faturas de importação já eram previamente designadas a ele, oculto na operação. Além da atuação como empresário o Sr. Fabiano Antonelli tem registro de despachante aduaneiro desde 21/11/1997, que estava ativo até a data da autuação. É, no mínimo, ilógico o fato de uma empresa situada em Foz do Iguaçu/Paraná, tríplice fronteira internacional, cujo sócioadministrador tem experiência no mercado estrangeiro de farinha de trigo e nas normativas de comércio exterior resolva passar a adquirir farinha de trigo no mercado interno de uma empresa situada em Itajaí Santa Catarina, que atua há somente 1 ano e meio no mercado de farinha de trigo. Farinha essa que é importada exatamente dos mesmos moinhos estrangeiros dos quais a CANADENSE e o Sr. Fabiano são clientes há anos. A Fiscalização traz aos autos diálogos entre funcionários da empresa CANADENSE e da TRANSUNI que comprovam que a CANADENSE de fato tem a posse das faturas comerciais das cargas. É ilógico um importador e adquirente solicitar a suposto seu cliente no mercado interno uma licença para importação. Em um dos documentos comerciais arquivados na empresa PAN ASIA, o Sr. Nilo Simas Jr. orienta empresa comercial importadora de Foz do Iguaçu/PR acerca dos procedimentos que devem ser adotados nas próximas importações de farinha de trigo, agora em nome de PAN ASIA. Em detalhes o Sr. Nilo descreve o fluxo negocial, passo a passo, das operações de importação de farinha de trigo via Foz de Iguaçu/PR. Este documento é de fato um roteiro para ocultação mediante interposição fraudulenta. A Fiscalização apresenta, de maneira geral, o fluxo financeiro documental das operações em contraponto ao material, bem como os cuidados adotados pela PAN ASIA pra afastar a questão do adiantamento de recurso. A PAN ASIA tenta operar sem receber o valor do câmbio antes do registro da DI. Para resolver este problema, bastou a PAN ASIA gerar um capital de giro inicial para bancar as operações por alguns dias aos reais adquirentes. Contudo, como a PAN ASIA somente adianta seu próprio capital para o fechamento do câmbio, ela tem pressa que este dinheiro retorne a sua conta. De fato, a PAN ASIA não tem qualquer preocupação com a importação em si, não demonstra qualquer atenção à carga de farinha de trigo, ela somente quer seu capital "emprestado" de volta, revestido na forma de operação de compra e venda no mercado interno. O propósito da "engenharia" montada por PAN ASIA e reais adquirentes foi a de dar forma aparentemente legal às operações, para evitar que as importações estivessem condicionadas a antecipações de recursos, ainda que a título de compra e venda no mercado interno, pois isso poderia ensejar a presunção de operações por conta e ordem de terceiros. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO 6 A PAN ASIA cobrava comissão somente para ceder seu nome e não uma comissão a título de uma operação por conta e ordem. Por mais que se alegue que de fato era uma importação por conta e ordem, a tipificação da irregularidade é idêntica, dado que, igualmente, está oculto o sujeito passivo, verdadeiro adquirente das mercadorias. E ainda, nestes casos não existe a possibilidade de emissão de nota fiscal de compra e venda, dado que não é a farinha de trigo que está sendo comercializada, é sim um serviço, logo o documento idôneo seria uma nota fiscal de prestação deste serviço e não uma venda simulada. As cargas de farinhas importadas e desembaraçadas no Porto Seco de Foz do Iguaçu/PR eram remetidas diretamente à empresa CANADENSE nesta mesma cidade, sem jamais transitar pelas dependências da importadora PAN ASIA, fato que pode ser facilmente comprovado pelo cotejamento entre as datas e horas dos documentos fiscais. As condutas adotadas pela PAN ASIA afastam a operação por encomenda, uma vez que a PAN ASIA carece de qualquer relação com os moinhos estrangeiros exportadores, e ainda, a operação no mercado interno é simulada, não sendo de fato uma compra e venda ou revenda. Foi comprovado que a CANADENSE tem por prática comercial contratação de empresa importadora, mediante comissão, para registrar Declarações de Importação em seu nome. O sujeito passivo PANASIA apresentou a impugnação de folhas 318 a 351, alegando, em síntese que: a impugnante já foi autuada no processo n° 10945.721212/201260 como sujeito passivo solidário relativamente à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, operandose um verdadeiro bis in idem. o Fisco não comprova a ocorrência de fraude ou simulação nas operações em comento, limitandose a imputar como fraudulentas importações que não se encaixam perfeitamente nas modalidades comerciais de importação reconhecidas. é uma trading e o próprio ordenamento jurídico brasileiro reconhece a possibilidade de uma empresa contratar uma trading para realizar operações de comércio exterior. após efetuar as negociações com o exportador, a CANADENSE repassa as operações para a PAN ASIA a qual as financia, com recursos próprios, desembaraça as mercadorias e as revende às suas clientes. Neste processo a PAN ASIA aufere lucro, até mesmo como remuneração pelo trabalho despendido e pelo capital próprio imobilizado com financiamento da operação em nome próprio. as importações foram registradas como importação direta haja vista ser a importadora a real adquirente das mercadorias, arcando, inclusive, com o pagamento do câmbio perante o exportador com recursos próprios. Não há qualquer adiantamento por parte dos clientes. A impugnante descreve a origem dos recursos utilizados para pagar o câmbio referente a cada DI constante no auto de infração. a compra da farinha de trigo é feita com recursos da PAN ASIA, a qual recupera seu capital somente após o desembaraço e a venda da farinha a seus clientes. em que pese a Fiscalização não tecer um comentário sequer questionando a origem dos recursos, comprovase a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior objetos dos autos com Fl. 853DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12457.721236/201327 Acórdão n.º 3302003.253 S3C3T2 Fl. 5 7 coincidência de datas e valores. Os recursos utilizados para as despesas aduaneiras também possuem origem em empréstimos bancários. as notas fiscais são consideradas documentos idôneos para comprovar a origem de receita, consoante posicionamento oficial do próprio Fisco, conforme exemplo de acórdão citado. Elas gozam de presunção de veracidade, só podendo ser afastadas por meio de robusta prova em sentido contrário. A Fiscalização não produziu qualquer prova apta a descaracterizar as operações de compra e venda mercantis realizadas, razão pela qual as notas fiscais são provas cabais da origem dos recursos. a PAN ASIA financia a operação e assume os riscos inerentes a este procedimento, como, por exemplo, inadimplência, deterioração etc, sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias. é inadequado o enquadramento da operação como sendo por conta e ordem da CANADENSE. Primeiro, porque da mesma forma o desfecho seria o perdimento da carga. Segundo, porque, além de os recursos utilizados na importação serem exclusivamente da impugnante, todos os documentos que acobertam a operação se encontram em nome da PAN ASIA. se a operação real fosse declarada como por conta própria da CANADENSE, ainda poderia ser caracterizada como interposição fraudulenta pela Fiscalização, porque os recursos que financiam a operação são da PAN ASIA. Se a operação dáse com recursos da PAN ASIA, e não pode ser classificada como conta e ordem da CANADENSE (porque os recursos que a financiam não são seus), nem como encomenda da CANADENSE (o próprio Fiscal descarta essa possibilidade), então tornase forçoso concluir que a operação deve ser classificada na regra geral, que é a conta própria. Uma operação não pode ser considerada fraudulenta apenas porque não se enquadra exatamente em qualquer das três modalidades regulamentadas pela RFB. há ausência de demonstração do dolo específico de fraudar. A interposição fraudulenta e a falsificação de documentos exigem a comprovação da fraude e simulação, cujo dolo não pode ser presumido, mas provados por elementos seguros de prova. a mercadoria importada situase fora do campo de incidência do IPI, de forma que a suposta fraude não possui qualquer potencialidade lesiva ao Erário. Cita Solução de Consulta n° 33/SRRF/7a RF/Disit, na qual a Receita Federal firmou entendimento de que a cessão de nome é uma conduta dolosa de natureza fraudulenta, que possui como objetivo a mitigação do valor dos tributos como IPI e outros. Requer que julgue improcedente o presente Auto de Infração pelos motivos expostos. A 1ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação para manter o crédito tributário exigido, conforme sintetizado na ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/06/2012, 02/07/2012, 05/07/2012, 11/07/2012 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO 8 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de piso em 30.10.2014, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16.06.2014, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso voluntário interposto pela Recorrente preenche os requisitos formais para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase auto de infração objetivando a cobrança da multa de 10% (dez por cento) sobre o valor das operações objeto das DI´s especificadas anteriormente, prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, por alegada cessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Conforme relatado, a empresa CANADENSE INDÚSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA e ora Recorrente foram acusadas de praticarem atos jurídicos simulados, com o fim de ocultação do real importador por meio da interposição da Recorrente, que, na situação de fato, apenas estaria cedendo seu nome para o registro das declarações de importação. A questão envolvendo a "Operação Moinho de Vento" deflagrada pela Receita Federal, onde a Recorrente e outras quatro empresas praticaram ato simulados, com intuito de ocultar o real adquirente da mercadoria não é nova neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme julgados proferidos nos processos nºs 12457.721234/201338 (acórdão 3101001.810); 12457.721235/201382 (acórdão 3101001.811); 12457.721273/201335 (acórdão 3101001.812); 10909.721592/201431 (acórdão 3402 003.009); 10909.721590/201441 (acórdão 3402003.007); e 10909.721591/201496 (acórdão 3402003.008), sendo que em todos os casos restou confirmado o ato simulado praticado entre a ora Recorrente e as demais empresas envolvidas na referida operação, a saber: Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 2011, 2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. SIMULAÇÃO. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12457.721236/201327 Acórdão n.º 3302003.253 S3C3T2 Fl. 6 9 Restando comprovada a interposição fraudulenta, em razão da empresa interposta não participar das negociações com os exportadores e de ser ressarcida pelas despesas incorridas nos despachos aduaneiros por meios de vendas simuladas com os reais adquirentes, é aplicável a pena de perdimento das mercadorias, que deve ser convertida na multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão das mercadoria não terem sido encontradas. Recursos Voluntários Negados. (acórdãos 3402003.008; 3402003.007 e 3402 003.009) Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 25/06/2012, 29/06/2012, 02/07/2012, 04/07/2012, 05/07/2012, 06/07/2012, 10/07/2012, 12/07/2012 MULTA DE CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO NO COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. (acórdãos 3101001.810; 3101001.811 e 3101001.812) Nesse diapasão, destacase trecho do voto proferido no processo 10909.721592/201431 (acórdão 3402003.009), o qual adoto como fundamento para julgar a presente demanda, vez que esclarecem claramente os motivos que caracterizaram o ato simulado praticado entre a Recorrente e as demais empresas, in verbis: Ao contrário do alegado, a fiscalização comprovou que as mercadorias eram destinadas previamente às quatro empresas comerciais importadoras de Foz do Iguaçu, pois todas as importações foram negociadas diretamente pelas comerciais importadoras localizadas em Foz do Iguaçu, e não pela PAN ASIA. No que concerne à alegação de as operações não poderem ser enquadradas na modalidade "por conta e ordem de terceiro", deve ser lembrado à recorrente que a fiscalização provou que os recursos que amparavam as importações ora autuadas provinham da WEIZEN e demais importadores de fato, e também que a PAN ÁSIA não participava das negociações internacionais. Não houve a alegada contradição da decisão recorrida na parte em que alegou que a recorrente "banca" o câmbio por alguns dias até ser reembolsada pela real adquirente, pois além da fiscalização ter analisado toda a movimentação financeira durante o Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, as mensagens eletrônicas trocadas pelas pessoas físicas envolvidas nas operações confirmaram que a PAN ÁSIA adiantava o dinheiro para o fechamento do câmbio depois de receber a ordem da despachante aduaneira, para ser ressarcida posteriormente por meio da simulação de uma operação de venda. No que concerne ao caráter penal do ilícito, ao contrário do alegado, a interposição fraudulenta se caracteriza pela ocultação do responsável pelas importações e não requer nenhuma ligação com a prática de delitos anteriores, a teor do que estabelece o art. 689, XXII, § 1º do RA/2009. Em momento algum o DecretoLei nº 1455/76 ou o Regulamento Aduaneiro mencionam a conexão com crimes anteriores. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO 10 No que tange à comprovação do dolo, a farta troca de emails e de mensagens entre as pessoas físicas envolvidas nas operações comprovaram a intenção de executar operações simuladas, com vistas à obtenção de benefícios fiscais no âmbito do ICMS. (...) Segundo informou a fiscalização (fls. 53/55), um dos motivos para o entabulamento da simulação, foi o incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina no âmbito do ICMS, pois a teor do art. 26, III, combinado com o art. 15 do Anexo II, do Regulamento do ICMS daquele Estado, as operações de importação de farinha de trigo são tributadas com 12% e no momento da venda o Estado concede um crédito presumido de 66,66%, resultando em uma alíquota efetiva de apenas 4%. Com isso, as quatro empresas comerciais importadoras localizadas em Foz do Iguaçu/PR, conseguiram uma redução de custos com a interposição fraudulenta da PAN ÁSIA, localizada em Itajai/SC, utilizando de forma indevida um benefício fiscal concedido por Santa Catarina na área do ICMS. (trecho extraído do voto 3402003.009) No presente caso, assim como nos demais processo, a Recorrente alega que as despesas incorridas no processo de importação foram arcadas exclusivamente por ela, que seria a responsável jurídica e financeira pelas operações. Em que pese as alegações apresentadas pela Recorrente, fato é que a fiscalização provou a existência da ato simulado nas negociações realizadas entre a Recorrente e a empresa CANADENSE INDÚSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA, conforme se verifica no Procedimento Especial de Controle Aduaneiro IN 1169/2011, fls. 187244. Com efeito, restou comprovado nos autos que a PAN ÁSIA não participava das negociações, as quais eram entabuladas pela empresa CANADENSE INDÚSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA, conforme se destaca dos trechos extraídos do referido relatório fiscal, a saber: 6.3 Da negociação com o fornecedor estrangeiro Neste tópico serão apresentados elementos que comprovam que a empresa CANADENSE é a responsável pela aquisição da farinha de trigo no exterior, figurando como real adquirente e importador. Mediante análise nos documentos obtidos em diligência fiscal na empresa foi possível identificar que frequentemente a CANADENSE efetua pagamentos na Argentina a basicamente dois entes: ConoSur e Echeverria. Com o objetivo de elucidar quem seriam estes entes, a fiscalização fez consultas na internet e constatou que tanto Echeverria como Cono Sur são empresas aduaneiras na cidade de Puerto Iguazu – Argentina que oferecem os serviços aduaneiros, de transporte, logístico e de armazenagem de cargas. (...) Em diligência no estabelecimento do transportador TRANSUNI, responsável pelo transporte internacional das cargas importadas pelo real adquirente CANADENSE, foram identificados 7 (sete) arquivos digitais de faturas de importação de farinha de trigo, esses arquivos têm em seu nome uma numeração não identificada, seguida do número da fatura e logo depois os nomes – “PANASIA – FABIANO”. O Sr. Fabiano Antonelli é sócio administrador da empresa CANADENSE, demonstrando claramente que as faturas de importação já eram previamente designadas a ele, oculto na operação. Tal fato fica ainda mais evidente quando é feito o cruzamento da data de modificação do arquivo magnético com a data do Fl. 857DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12457.721236/201327 Acórdão n.º 3302003.253 S3C3T2 Fl. 7 11 embarque, data do registro da DI e data de emissão da nota fiscal de venda simulada da PANASIA à CANADENSE, o que resulta na tabela abaixo. Observase que para cada fatura com nome PANASIA – FABIANO, foi registrada uma DI em nome de PANASIA e posterior nota fiscal de venda simulada de PANASIA à CANADENSE. 6.4. Da Licença de Importação Considerando que formalmente a PAN ASIA figura como importadora e adquirente das mercadorias, deveria ser ela, ou o despachante aduaneiro por ela eleito, quem deveria obter as Licenças de Importação em seu nome. Situação óbvia em se tratando de um importador regular de farinha de trigo, o qual adquire mercadoria por conta própria, como declarado perante o fisco. Entretanto, não é a maneira que opera a PAN ASIA, observase isso, pelo fragmento da conversa comercial abaixo (ANEXO 14). Nesta, a Sra. Maria Alessandra da PAN ASIA, pedi uma L.I. para a CANADENSE, a qual figura formalmente somente como um comprador de farinha de trigo no mercado interno, importada pela PANASIA. Tanto a Sra. Tayná como Mirella são funcionárias da empresa CANADENSE, comprovandose o PASSO 3.2 – fluxograma) Início da Sessão: quartafeira, 11 de julho de 2012 • Tayná Canadense (yonsatendimento02@hotmail.com) • Maria Alessandra (alessandra.panasia@hotmail.com) (15:44) Maria Alessandra: Ola boa tarde (15:58) Tayná Canadens: ola boa tarde (15:58) Maria oi eu ia pedir pra voce uma LI mas a MIrella ja me mandou! Obrigada! Alessandra: (16:18) Tayná Canadens: por nada De fato, o fluxo de solicitação de documentos é totalmente ilógico. Não faz sentido algum, um importador e adquirente de farinha de trigo importada solicitar a suposto seu cliente no mercado interno uma licença para importação. Isso somente acontece, porque o importador e o adquirente de fato é a empresa CANADENSE, oculta na operação pela interposta PANASIA. 6.5 Da negociação com o transportador internacional de carga Seguindo a cronologia: a empresa CANADENSE após negociar com CAFÉ ONKEL e solicitar a emissão da fatura em nome de PANASIA, dá ordem de carregamento ao transportador internacional por ela eleito em 27/06. Em 29/06 TRANSUNI efetua o embarque da carga. Em 02/07 a despachante (Sueli Bertoncelo) também pela CANADENSE eleita, registra a DI em nome de PANASIA. Após a liberação da carga na aduana, em 02/07, é emitida nota fiscal de entrada na PANASIA seguida por nota fiscal de venda simulada à CANADENSE, em 03/07. Por fim, a carga ao sair do Porto Seco é entregue na porta da real adquirente, CANADENSE. Seguindo a análise, é apresentado fragmento de outro documento – ANEXO 16, no qual a Sra. Mirella da CANADENSE conversa com a Sra. Lizete da TRANS UNI. Este fragmento é bastante completo, demonstra de forma direta o contato da CANADENSE com o exterior (PASSO 1), com o transporte internacional (PASSO 5 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO 12 e 6) e o quadro ao lado da conversa descreve o passo “C” da interposta PANASIA, igual aos outros casos já apresentados. Em três momentos evidenciase de forma direta o contato da CANADENSE com o exterior: i) “Arrecifes liberou a ROE (...) estou te avisando que liberou” – ROE é o registro de operação de exportação na Argentina; ii) “sim ontem Fabián ja confirmou pra mi q esta autorizada sim” ; iii) neste ponto a Sra. Mirella da CANADENSE, inclusive, copia seu contato comercial no dia anterior com o Sr. Rudy Fabian (Argentina): “rudyfabian@hotmail.com disse (Ontem às 18:27): *ja saiu o ROE *e ja pasamos P.E. para o agente de transporte da TransUni”, P.E. é a permissão de embarque, documento também de exportação na Argentina. 6.6 Da contratação do despachante aduaneiro A PANASIA sequer elege seu despachante aduaneiro, quem o faz, materialmente, é o real adquirente oculto – a CANADENSE. A despachante aduaneira eleita pela CANADENSE é: Sueli Bertoncelo, CPF: 809.365.80925. Em análise apresentada no capítulo 5, mas precisamente nos itens 5.5 e 5.6 ficou evidenciado que a Sra. Sueli Bertoncelo foi: 1) Responsável por registrar as 4 declarações de importação por conta própria de CANADENSE; 2) Responsável por registrar as 36 declarações de importação por conta própria declarada de PANASIA que tiveram posterior venda simulada à CANADENSE; Outras constatações que vinculam de forma inequívoca a despachante Sueli à CANADENSE: 1) Não foi responsável pelo registro de nenhuma outra DI em nome de PANASIA, mesmo a PANASIA tendo feito o registro de mais de 1.000 DIs via Foz do Iguaçu/PR entre 2011 e 2012, sendo mais de 500 DIs em 2012, das quais 394 para as quatro empresas objeto da operação Moinho de Vento. 2) Foi habilitada como representante da PANASIA no SISCOMEX em 16/12/2011, data que “coincide” com o início das notas fiscais de venda simulada de PANASIA à CANADENSE. (ANEXO 31 – Tela do SISCOMEX com data de início da representação) Assim, não parece razoável dizer que a despachante Sueli (empresa BETEL de despachos aduaneiros) tem alguma vinculação com a PANASIA, a não ser a representação formal no SISCOMEX, vinculação necessária para o registro das DIs em nome de PANASIA. Abaixo está fragmento do documento ANEXO 13, obtido em diligência na empresa CANADENSE. Neste a empresa CANADENSE programa pagamento para a empresa de despachos aduaneiros BETEL, da despachante Sueli Bertoncelo. Ressaltase que a despachante registrou em nome da PANASIA, em data próxima à 4 de julho (entre os dias 18/06 à 03/07) , 7 (sete) DIs que tiveram como adquirente oculta a CANADENSE (nota fiscal de venda simulada), uma inclusive no dia anterior a conversa abaixo, DI 12/12013427, registrada em 03/07/2012. Ainda, neste mesmo período na há operação de importação por conta própria de CANADENSE. (...) Todos os elementos direcionam materialmente a Sra. Sueli Bertoncelo à empresa CANADENSE e não à interposta PANASIA, uma vez que age a mando daquela em nome desta. (Passos 7.1 e 9.1 do fluxograma). Fl. 859DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 12457.721236/201327 Acórdão n.º 3302003.253 S3C3T2 Fl. 8 13 E não é só isso. A fiscalização conseguiu descobrir também o valor da comissão cobrada pela PAN ÁSIA dos reais adquirentes da farinha a título de comissão pela cessão do nome. Os valores eram de R$ 1.8000,00 por caminhão de farinha tipo 000 e R$ 1.900,00 por caminhão de farinha do tipo 0000, conforme demonstram os documentos encartados no referido relatório e trecho relatado abaixo: Segue abaixo correspondência comercial (ANEXO 25) obtida na sede da PANASIA que se refere ao valor cobrado (por caminhão) para que empresas de Foz do Iguaçu importem farinha de trigo utilizando o nome da PANASIA. No documento verificamos que o valor cobrado da CANADENSE seria de R$ 1.800,00 para farinha de trigo do tipo 000 e de R$ 1.900,00 para farinha de trigo do tipo 0000. Como se trata de uma mensagem interna destinada ao setor financeiro da PANASIA, o Nilo informa que nas operações com a CANADENSE, a PANASIA receberia seus valores, porém seria onerada por comissão a ser paga a terceiros. Isso acontece porque em algumas operações a PANASIA paga comissão para pessoas que indicaram o referido cliente, no caso o Sr. Mario André, conforme documento ANEXO 26. Com esses elementos trazidos pela fiscalização, em relação às operações realizadas nos anos de 2011 e 2012, envolvendo a PAN ÁSIA e as quatro empresas comerciais importadoras de Foz do Iguaçu, entre as quais se encontra a CANADENSE, restou plenamente demonstrada a simulação e a interposição da PAN ÁSIA nas referidas operações. Além disso, segundo o entendimento fiscal a operação sob análise não corresponde à verdadeira intenção negocial (importação direta), posto que as mercadorias importadas foram destinadas a outras empresas (os reais adquirentes das mercadorias), no presente caso, a CANADENSE. A PANASIA ao pretender aparentar ser, além de importadora, a real adquirente das mercadorias, serviu de interposta pessoa aos verdadeiros responsáveis pela operação. Apreciando a alegação fiscal, as provas colacionadas e as razões de defesa, entendo que ficou comprovada a ocultação da empresa CANADENSE nas operações de importação objeto das DIs n° 12/11791248; n° 12/12013427; n° 12/12317663; n° 12/12692782, n° 12/12646217 e n° 12/12886153 quando não registrou nas declarações de importação os responsáveis pelas operações, ocultandoos. A autoridade fiscal demonstra e comprova, através dos elementos de prova aqui especificados, que a empresa CANADENSE era responsável por contratar o moinho de sua preferência, contratar o despachante de sua preferência, contratar o transportador internacional de sua preferência e somente tomar emprestado o nome da PAN ASIA para o registro formal da operação. A PANASIA não possuía qualquer ingerência sobre as escolhas dos intervenientes no comércio exterior, apesar de ser ela, documentalmente, o importador e adquirente por conta própria das mercadorias. Deste modo, entendo que existiu a intenção deliberada da Recorrente em praticar o ilícito, esquivandose do devido controle aduaneiro na importação. A simulação das operações de importação é evidente, visto que ocorreu a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar a fiscalização. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO 14 Também é evidente a fraude praticada, caracterizada como uma ação dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação principal, no caso a sujeição passiva. Não bastasse isso, destacase a intenção da empresa PAN ÁSIA na prática do ilícito, tendo em vista a divulgação em seu próprio sítio na internet do "serviço" de cessão de nome de forma quase explícita, expondo inclusive apresentando as vantagens de importar com a PANASIA: "reduzem de forma matemáticafinanceira o imposto mais importante e significativo, ou seja, o ICMS": A penalidade aplicada nos presentes autos, com base no artigo 33 da Lei 11.488/2007, referese a penalidade especifica para empresas que fazem a cessão de seus nomes e documentos para realização de operações de comércio exterior, em substituição à inaptidão do CNPJ, sem, no entanto, excluir as demais penas previstas para o caso. Ficou demonstrado nos autos que o real adquirente das mercadorias importadas ficou oculto, a margem do devido controle aduaneiro, além de outras razões patrimoniais e fiscais porventura existentes. Também ficou comprovado que a empresa PAN ÁSIA cedeu seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, enquadrandose no tipo legal previsto pelo artigo 33 da Lei 11.488/2007. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 861DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 10980.724165/2010-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LEI 8.134/90, ART. 6º, III.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários nos termos do art. 6º, I, da Lei nº 8.134/90.
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A DESPESA E A PERCEPÇÃO DE RECEITA. NECESSÁRIA APRECIAÇÃO DA PROVAS
Nos termos do inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90 é cabível a dedução de despesas de custeio pagas, desde que demonstrado serem diretamente relacionadas a percepção da receita e indispensáveis à manutenção da fonte produtora.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. ARTIGO 44, DA LEI Nº 9.430, DE 1996, REDAÇÃO DADA, LEI Nº 11.488, DE 15/06/2007,
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão envolvidas normas distintas, editadas em diferentes momentos, restando clara tal condição nos acórdãos em confronto.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9202-004.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno à turma a quo para verificação do recurso quanto à comprovação da necessidade da despesa para manutenção da fonte produtora, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Heitor de Souza Lima Junior, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LEI 8.134/90, ART. 6º, III. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários nos termos do art. 6º, I, da Lei nº 8.134/90. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A DESPESA E A PERCEPÇÃO DE RECEITA. NECESSÁRIA APRECIAÇÃO DA PROVAS Nos termos do inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90 é cabível a dedução de despesas de custeio pagas, desde que demonstrado serem diretamente relacionadas a percepção da receita e indispensáveis à manutenção da fonte produtora. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. ARTIGO 44, DA LEI Nº 9.430, DE 1996, REDAÇÃO DADA, LEI Nº 11.488, DE 15/06/2007, Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão envolvidas normas distintas, editadas em diferentes momentos, restando clara tal condição nos acórdãos em confronto. Recurso Especial do Contribuinte Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno à turma a quo para verificação do recurso quanto à comprovação da necessidade da despesa para manutenção da fonte produtora, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Heitor de Souza Lima Junior, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LEI 8.134/90, ART. 6º, III. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários nos termos do art. 6º, I, da Lei nº 8.134/90. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A DESPESA E A PERCEPÇÃO DE RECEITA. NECESSÁRIA APRECIAÇÃO DA PROVAS Nos termos do inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134/90 é cabível a dedução de despesas de custeio pagas, desde que demonstrado serem diretamente relacionadas a percepção da receita e indispensáveis à manutenção da fonte produtora. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. ARTIGO 44, DA LEI Nº 9.430, DE 1996, REDAÇÃO DADA, LEI Nº 11.488, DE 15/06/2007, Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão envolvidas normas distintas, editadas em diferentes momentos, restando clara tal condição nos acórdãos em confronto. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 41 65 /2 01 0- 18 Fl. 382DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno à turma a quo para verificação do recurso quanto à comprovação da necessidade da despesa para manutenção da fonte produtora, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Heitor de Souza Lima Junior, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10980.724165/201018 Acórdão n.º 9202004.254 CSRFT2 Fl. 383 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício que resultou na constituição do crédito tributário de Imposto de Renda de Pessoa Física, no montante de R$ 58.025,00 de imposto suplementar, R$ 87.037,50 de multa de ofício de 150%, R$ 88.387,00 de multa isolada e encargos legais, relativos aos exercícios 2008, 2009, e 2010, anoscalendário 2007, 2008 e 2009, respectivamente. A autuação originouse na revisão das declarações de ajuste anual, a fls. 05/32, havendo sido constatadas infrações à legislação tributária consistentes na (i) dedução indevida de despesas médicas, bem como (ii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, com aplicação da multa qualificada à razão de 150%. Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 53/61. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0633.365 – 4ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 236/245, considerando como não impugnada e extinta pelo pagamento a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda, que resulta em R$ 30.353,16 de multa isolada, observados os recolhimentos de fls. 64 a 66 e extrato do processo à fl. 226, e julgando procedente a parte impugnada do lançamento, mantendo R$ 58.025,00 de imposto suplementar, R$ 87.037,50 de multa de ofício de 150%, R$ 58.033,84 de multa isolada, e consectários legais. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a fls. 252/263, requerendo, ao fim, o cancelamento da exigência fiscal. O Colegiado da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª SEJUL/CARF proferiu o Acórdão nº 2101002.089 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 21 de fevereiro de 2013, a fls. 270/274, acordando, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para desqualificar a Multa de Ofício, consoante ementa que se vos segue: Acórdão nº 2101002.089 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 IRPF. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO A PROFISSIONAIS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 75, I, do RIR/99, apenas é dedutível como despesa a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício. No presente caso, sendo certo que a remuneração se refere a serviços prestados sem vínculo empregatício, temse que absolutamente descabida a dedução. Precedentes do CARF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE. Fl. 384DF CARF MF 4 A multa de ofício qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Inteligência da Súmula n.º 14 do CARF e dos termos do art. 44, §1º, da Lei n.º 9.430/96. Recurso provido em parte. Em desfavor do Acórdão nº 2101002.089 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, insurgiuse o Contribuinte interpondo o Recurso Especial, a fls. 308/332, argumentando ter havido Divergência Jurisprudencial quanto à (a) possibilidade de dedução dos valores pagos a título de remuneração a prestadores de serviços sem vínculo empregatício e (b) ilegitimidade da aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício. Ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte foi dado seguimento, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a fls. 370/374. Contrarrazões pela Fazenda Nacional, a fls. 376/380, pugnando pelo não conhecimento do Recurso Especial, com a manutenção do Acórdão Recorrido, argumentando: A recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório, razão pela qual o recurso não merece ser sequer conhecido. O caput do artigo 6º, ora em análise, dispõe que o “contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (...).” Ou seja, a dedução, que resultará numa redução do imposto a recolher pelo contribuinte, é permitida desde que, concomitantemente: a) O contribuinte perceba rendimentos do trabalho não assalariado; e b) A dedução da receita seja decorrente da respectiva atividade, ou seja, da atividade do trabalho não assalariado. O § 3º, por sua vez, reza que as deduções “não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte.” É o relatório. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10980.724165/201018 Acórdão n.º 9202004.254 CSRFT2 Fl. 384 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, a fls. 370/374. Quanto ao conhecimento da matéria referente a concomitância de valor da multa de ofício com a multa isolada do carnê leão, não há como se conhecer do Resp do contribuinte, tendo em vista que os 2 paradigmas apresentados, foram proferidos sob a égide legislações distintas. No Recurso Especial, o Contribuinte visa rediscutir a questão da concomitância da multa de ofício com a multa isolada do carnêleão, dentro outros pontos mais a frente abordados, indicando como paradigmas os Acórdãos nºs 920202.196, e 9202002.767, dos quais colaciona as respectivas ementas: Primeiro Paradigma – Acórdão nº 920202.196 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei no. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes 2ª Turma da CSRF. Recurso especial negado. Segundo Paradigma – Acórdão nº 9202002.767: (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCÔMITÂNCIA A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. Recurso especial provido em parte. De plano, verificase que o acórdão recorrido é referente ao exercício 2008, 2009 e 2010, quando já estava vigente a Lei nº 11.488, de 15/06/2007, que deu nova redação ao artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Confirase trecho do voto condutor: "Em segundo, que é devido a aplicação da multa de ofício nos casos de lançamento de ofício nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 386DF CARF MF 6 inexata, e a multa de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal de conforme determina a Lei nº 9.430, de 1966: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" (grifei) Quanto aos paradigmas, os lançamentos referemse aos exercícios de 2001, 2002 (anocalendário 2000 e 2001 Paradigma 920202.196) e 2000 a 2004 (anocalendário 1999 a 2003 Paradigma 920202.767), respectivamente, quando ainda não se encontrava em vigor dita lei. Compulsandose o inteiro teor dos paradigmas, constatase que se trata da interpretação dada ao artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação vigente à época dos fatos, ou seja, nos anoscalendário descritos acima. Paradigma – Acórdão nº 920202.767 Concomitância da multa Relativamente à concomitância entre a multa de ofício e a multa isolada, a Procuradoria da Fazenda Nacional se insurge contra o cancelamento, pelo v. acórdão, da multa isolada, sustentando contrariedade ao artigo 44, §1º, III da Lei nº 9.430/1996. Como se verifica dos autos o contribuinte foi autuado por ter deixado de recolher o carnêleão relativamente a rendimentos recebidos de pessoas físicas. Em face de tal irregularidade, foram imputados os rendimentos omitidos e apurada a efetiva base de cálculo a ser considerada para fins de apuração do imposto de renda devido nos períodos sob comento. Sobre a diferença de imposto entre os valores declarados e os valores apurados pela fiscalização foram acrescidos multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora (SELIC). Adicionalmente, pelo não recolhimento do imposto por meio da sistemática do carnêleão foi imputado ao contribuinte multa isolada de 75%. Para fins de clareza, transcrevo abaixo os dispositivos legais que tratam da aplicação das multas, veiculados pela Lei nº Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10980.724165/201018 Acórdão n.º 9202004.254 CSRFT2 Fl. 385 7 9.430, de 1996 (conforme redação em vigor à época do lançamento): Paradigma – Acórdão nº 920202.196 A questão controvertida posta à apreciação tratase da possibilidade ou não da aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996). Entendo que deve ser reconhecida a impertinência do lançamento da multa vinculada ao imposto e da multa isolada do carnê leão, pois a conduta de não oferecer os rendimentos aqui vergastados no ajuste anual absorveu a conduta de não efetuar o recolhimento mensal obrigatório. Assim, a multa isolada do carnê leão deve ser cancelada, conforme remansosa jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo desta jurisprudência, vejase o Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15/06/2004, relatora a Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão Comparandose o lançamento que ensejou o acórdão recorrido com os paradigmas, verificase que eles possuem fundamentos distintos, uma vez que a lei tributária vigente não era a mesma, nas duas situações, não caracterizandose, assim, dissídio jurisprudencial. Com efeito, não há que se falar em dar interpretação divergente à lei tributária, quando estão envolvidas normas distintas, editadas em diferentes momentos, restando clara tal condição nos acórdãos em confronto. Destarte, não restou demonstrada a divergência interpretativa alegada, de sorte que o recurso NÃO PODE SER CONHECIDO em relação ao tema da concomitância da multa de ofício e da multa isolada do carnê leão. Já com relação a dedução dos valores pagos à título de remuneração entendo que correta a admissibilidade realizada, posto que pela leitura das ementas resta demonstrado a apreciação da mesma legislação de outra forma. Temse em pauta Recurso Especial, a fls. 308/332, interposto pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 2101002.089 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 21 de fevereiro de 2013, a fls. 270/274, que, por unanimidade de votos, DEU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. DO MÉRITO Fl. 388DF CARF MF 8 Da dedução dos valores pagos a título de remuneração a prestadores de serviços sem vínculo empregatício O Recorrente suscita divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdãos paradigmas nº 2102001.486 e 2102001.479, ponderando que, em situações fáticas idênticas, discutese a possibilidade de dedução dos valores pagos a título de remuneração a prestadores de serviços sem vínculo empregatício. Sustenta o Recorrente que, no Acórdão Recorrido, o Colegiado a quo considerou inadmissível a dedução como despesa os valores pagos a título de remuneração a profissionais sem vínculo empregatício. Diversamente, os Acórdãos paradigmas admitem tal hipótese, desde que os pagamentos caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. De fato, o aresto atacado considera que apenas é dedutível como despesa a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, conforme exposto em excerto de sua ementa, adiante transcrito: Acórdão nº 2101002.089 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária IRPF. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO A PROFISSIONAIS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 75, I, do RIR/99, apenas é dedutível como despesa a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício. No presente caso, sendo certo que a remuneração se refere a serviços prestados sem vínculo empregatício, temse que absolutamente descabida a dedução. Precedentes do CARF. O ponto relevante a ser enfrentado na presente controvérsia reside no reconhecimento da possibilidade, ou da impossibilidade, de os valores pagos a título de remuneração a profissionais sem vínculo empregatício poderem ser deduzidos da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física de profissionais que percebem rendimentos do trabalho não assalariado. Vejamos os dispositivos legais, mais precisamente o art. 6º da Lei nº 8.134/90, para a melhor compreensão dos fundamentos do lançamento: Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990. Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; (grifos nossos) II os emolumentos pagos a terceiros; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10980.724165/201018 Acórdão n.º 9202004.254 CSRFT2 Fl. 386 9 III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. §1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. §2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. §3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. §4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei n° 7.713, de 1988, e na Lei n° 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de 1° de janeiro de 1991. Deflui da leitura do inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/90 que a remuneração paga a terceiros, por Contribuinte que perceba rendimentos do trabalho não assalariado, podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPF, desde que tal remuneração decorra do vínculo empregatício desses terceiros com o Contribuinte. Podemos extrair do citado dispositivo legal que a restrição estabelecida no texto do seu inciso I visa a limitar, para os fins de dedução da base de cálculo do IRPF, as despesas com pessoal àquelas efetuadas com empregados ligados ao Contribuinte mediante vínculo empregatício, donde, por decorrência lógica, são excluídas do benefício fiscal as demais, ou seja, aquelas efetuadas a trabalhadores que eventualmente tenham prestados serviços ao Contribuinte, porém, sem relação de emprego. Ora, se houvesse a possibilidade legal de se acatar, como despesas dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física de Contribuinte que perceba rendimentos do trabalho não assalariado, as remunerações pagas a trabalhadores sem vínculo empregatício, não haveria razão para o Legislador Ordinário ter consignado no inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/90 norma limitativa de tal benesse fiscal, digase, “desde que com vínculo empregatício”. Fl. 390DF CARF MF 10 Contudo, atuando, para afastar qualquer dúvida a respeito, e considerando os fundamentos adotados pelas Turmas Julgadoras das quais emanaram os Acórdãos Paradigmas acostados pelo Recorrente, verificamos que tais julgados sempre vincularam a dedução dos pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício à comprovação de que tal pagamento tenha sido necessário à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Vejamos: Acórdão n° 2102001.486 – 1ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária DEDUÇÃO Do RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. LIVRO CAIXA. DESPESA COM PESSOAL. São dedutíveis as remunerações pagas a terceiros com vinculo. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora (art. 75 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99 e art. 6° da Lei n° 8.134/90) Acórdão n° 210201.479 1ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária LIVRO CAIXA. PAGAMENTOS EPETUADOS A TERCEIROS SEM VINCULO EMPREGATÍCIO. NECESSARIOS A PERCEPÇÃO DA RECEITA E A MANUTENÇÃO DA PONTE PRODUTORA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. CORREÇÃO. Podem também ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Nesse sentido, foi suscitado pelo recorrente que a possibilidade de dedução das despesas estariam abarcadas no inciso III da referida lei e não no inciso I. Notese que, no caso das despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, o §2º do art. 6º da Lei nº 8.134/90 determina, expressamente que “o contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência”. Assim, restarnosia apreciar se os recibos e declarações acostados às fls. 67/220 fazem prova de que tal despesa tenha sido necessária à percepção da receita respectiva, para verificar a possibilidade de aplicação do inciso III, e parágrafos do art. 6º da Lei nº 8.134/90. Todavia, entendo pela impossibilidade desse colegiado apreciar, nesse momento, a existência de vinculação entre a despesa nela consignada (documentos constantes dos autos) e a respectiva receita auferida por parte do Autuado, tendo em vista que o colegiado a quo não fez qualquer juízo de valor nesse sentido, posto que não avaliou o lançamento pela ótica do inciso III, mas tão somente do inciso I da referida lei. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10980.724165/201018 Acórdão n.º 9202004.254 CSRFT2 Fl. 387 11 Isto posto, voto pela provimento do recurso do contribuinte na parte conhecida, determinando o retorno dos autos a turma a quo para apreciação dos documentos constantes dos autos, frente a possibilidade de dedução prevista no inciso III, do art. 6º da lei 8.134/90, para apreciar se os mesmos se prestariam a comprovar que as despesas de custeio pagas a trabalhadores sem vínculo empregatício tenham sido necessárias à percepção da receita respectiva e à manutenção da fonte produtora. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por CONHECER EM PARTE do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo para verificação do recurso quanto à comprovação da necessidade da despesa para manutenção da fonte produtora É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.721355/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
BASE DE CÁLCULO PARA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECURSO REPETITIVO STJ. ART. 62, §2º RICARF.
Não se considera como base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias, as verbas pagas a título de auxílio-doença nos primeiros quinze dias e aviso prévio indenizado.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
A incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica "terço constitucional de férias" discutida no STJ (REsp 1230.957/RS) encontra-se sobrestado em função do RE 593.068/SC.
A vinculação de Conselheiro às decisões dos Tribunais Superiores somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito, ou seja, após o seu trânsito em julgado.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
As demais rubricas/verbas elencadas encontram-se no âmbito do conceito de salário de contribuição, art. 28, da Lei n.º 8.212/91.
ALÍQUOTA SAT/RAT. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO COMBATIDA NO RECURSO.
O Auto de Infração DEBCAD 51.025.700-3 resultante da diferença apurada relativa à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT, não foi expressamente impugnado, bem como não consta do recurso do contribuinte, nos termos do art. 17. do Decreto 70.235/72.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA.
O indeferimento da perícia não afronta o princípio da ampla defesa, quando os quesitos apresentados não contemplam dúvidas e/ou esclarecimentos que ensejam conhecimento específico, de modo a ser tornam prescindível para a solução da lide.
Numero da decisão: 2301-004.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às verbas pagas a título de terço constitucional de férias; vencidos a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo do lançamento as verbas pagas a título: (b.1) dos 15 dias que antecedem o auxílio-doença e (b.2) do aviso prévio indenizado, mantendo as demais verbas. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO PARA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECURSO REPETITIVO STJ. ART. 62, §2º RICARF. Não se considera como base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias, as verbas pagas a título de auxílio-doença nos primeiros quinze dias e aviso prévio indenizado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. A incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica "terço constitucional de férias" discutida no STJ (REsp 1230.957/RS) encontra-se sobrestado em função do RE 593.068/SC. A vinculação de Conselheiro às decisões dos Tribunais Superiores somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito, ou seja, após o seu trânsito em julgado. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As demais rubricas/verbas elencadas encontram-se no âmbito do conceito de salário de contribuição, art. 28, da Lei n.º 8.212/91. ALÍQUOTA SAT/RAT. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO COMBATIDA NO RECURSO. O Auto de Infração DEBCAD 51.025.700-3 resultante da diferença apurada relativa à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT, não foi expressamente impugnado, bem como não consta do recurso do contribuinte, nos termos do art. 17. do Decreto 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. O indeferimento da perícia não afronta o princípio da ampla defesa, quando os quesitos apresentados não contemplam dúvidas e/ou esclarecimentos que ensejam conhecimento específico, de modo a ser tornam prescindível para a solução da lide.
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RECURSO REPETITIVO STJ. ART. 62, §2º RICARF. Não se considera como base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias, as verbas pagas a título de auxíliodoença nos primeiros quinze dias e aviso prévio indenizado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. A incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica "terço constitucional de férias" discutida no STJ (REsp 1230.957/RS) encontrase sobrestado em função do RE 593.068/SC. A vinculação de Conselheiro às decisões dos Tribunais Superiores somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito, ou seja, após o seu trânsito em julgado. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As demais rubricas/verbas elencadas encontramse no âmbito do conceito de salário de contribuição, art. 28, da Lei n.º 8.212/91. ALÍQUOTA SAT/RAT. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA E NÃO COMBATIDA NO RECURSO. O Auto de Infração DEBCAD 51.025.7003 resultante da diferença apurada relativa à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, não foi expressamente impugnado, bem como não consta do recurso do contribuinte, nos termos do art. 17. do Decreto 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 13 55 /2 01 3- 13 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. O indeferimento da perícia não afronta o princípio da ampla defesa, quando os quesitos apresentados não contemplam dúvidas e/ou esclarecimentos que ensejam conhecimento específico, de modo a ser tornam prescindível para a solução da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às verbas pagas a título de terço constitucional de férias; vencidos a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo do lançamento as verbas pagas a título: (b.1) dos 15 dias que antecedem o auxíliodoença e (b.2) do aviso prévio indenizado, mantendo as demais verbas. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Trata o presente processo dos seguintes Autos de Infração, intimados via Aviso de Recebimento em 29/10/2013, conforme fls. 364: DEBCAD 51.025.6988, no valor de R$ 913.058,90, acrescido de juros e multa de ofício, totalizando R$ 1.851.552,31; referente a pagamento de segurados empregados e agentes políticos não declarados em GFIP. DEBCAD 51.025.6996, no valor de R$ 3.781.178,44, acrescido de juros e multa de ofício, totalizando R$ 7.638.274,89; contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados. DEBCAD 51.025.7003, no valor de R$ 24.375,25, acrescido de juros e multa de ofício, totalizando R$ 50.792,32; diferenças de SAT/RAT/FAP referentes a bases declaradas em GFIP. O Relatório Fiscal de fls. 65 a 77 aduz, em síntese, o seguinte: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 505 3 Durante o procedimento fiscal foram examinados os seguintes documentos, relativos ao período de janeiro/2009 a dezembro/2011: Planilha de dados auditados pelo Tribunal de Contas do Município – TCM, contendo as bases de cálculo devidas à Previdência Social dos anos de 2009 a 2011. Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Resumos de folhas de pagamentos. Balanços Anuais obtidos através do endereço https://www.contaspublicas.caixa.gov.br/sintncon_internet/index.jsp. Demonstrativos da Despesa Orçamentária por Categoria Econômica. Demonstrativo da Despesa Orçamentária da Câmara Municipal de Lagoa Real. Foram lavrados no procedimento fiscal os seguintes autos de infração: AI 51.025.6988 – lavrado em decorrência do não recolhimento, em época própria, da contribuição, devida à Previdência Social, descontada da remuneração dos segurados empregados, não declarada em GFIP, nas competências compreendidas entre 01/2009 a 13/2011, e não recolhida em época própria. AI 51.025.6996 – lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal relativa ao recolhimento da contribuição patronal devida à seguridade social correspondente às competências entre 01/2009 a 13/2011, dos seguintes fatos geradores: As remunerações resultantes da diferença entre as bases de cálculo dos segurados empregados, constantes nos resumos das folhas de pagamentos referentes ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS (FOPAG) apresentadas e às declaradas nas GFIP, para as competências de 01/2009 a 13/2011, conforme demonstrado na planilha de apuração de diferenças entre Folha de Pagamento e GFIP. As remunerações resultantes da diferença entre as bases de cálculo dos segurados empregados, constantes nos resumos das folhas de pagamentos (FOPAG) apresentados e os valores referentes a pagamento a segurados empregados contabilizados nos elementos de despesa 04 e 11 da Prefeitura, não declarados em GFIP, referentes às competências 01/2009 a 13/2011, obtidos nos Demonstrativos da Despesa Orçamentária por Categoria Econômica, conforme demonstrado na planilha de apuração das diferenças entre Folha de Pagamento e Contabilidade. AI 51.025.7003 – lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal, relativa ao recolhimento da contribuição patronal devida à Seguridade Social, nas competências compreendidas entre 01/2009 a 13/2011, referente ao seguinte fato gerador: O montante resultante da diferença apurada relativa à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. Da análise das GFIPs Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 constantes do sistema informatizado GFIP WEB, observouse que, nas competências 01/2009 a 13/2011, o percentual referente à alíquota SAT/RAT foi informado de maneira incorreta, ou seja, foi informado o percentual de 1% quando a alíquota correta seria 2% para este período. A partir da competência 01/2010 foi introduzido o Fator Acidentário Previdenciário (FAP), que consiste num multiplicador variável entre 0,5000 a 2,0000 a ser aplicado na alíquota de SAT/RAT, conforme artigo 202A do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e alterado pelo Decreto 6.957/09. Neste caso, o FAP correto para o ano de 2010 seria 1,4353 e para 2011, 0,500. A Prefeitura informou para todo o período 0,50000, gerando uma diferença que também se constitui em fato gerador de contribuições previdenciárias. Assim, para as competências 01/2010 a 13/2010, o SAT/RAT correto (2%) foi ajustado de acordo com o FAP trazido pelo sistema (1,4353), tendo sido multiplicado 2 x 1,4353 e, do resultado, 2,8706 foi abatido 0,5000 (1X0,5000), resultando 2,3706, utilizando 1,1853 para calcular a diferença de SAT/RAT (2,3706/2 = 1,1853). Para o ano de 2011 não houve diferença de FAP, existindo apenas a diferença de 1% referente a SAT. Aplicandose o FAP correto (1x0,50000) obtevese uma diferença de 0,5000 [(2x0,5000) – (1x0,5000)]. Vale ressaltar que foi criado o levantamento FP (FOLHA DE PAGAMENTO DECLARADA EM GFIP) que foi utilizado para o lançamento das bases de cálculo, relativas às remunerações, dos segurados empregados, declaradas nas GFIP, com base nas informações constantes dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil – GFIP WEB, e foi criado tão somente, para demonstrar a apropriação das guias de recolhimento e demais créditos previdenciários existentes, não sendo considerado para apuração de débitos. O Auto de Infração 51.025.6988 é composto do levantamento FN (FOLHA DE PGTO NÃO DEC GFIP) criado para o lançamento das diferenças a maior existentes entre os valores descontados dos segurados empregados constantes nos resumos das folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP. O Auto de Infração 51.025.6996 é composto dos seguintes levantamentos: Levantamento FN (FOLHA DE PGTO NÃO DEC GFIP) utilizado para o lançamento das bases de cálculo obtidas nos resumos das folhas de pagamento referentes a segurados empregados e a agentes políticos pertencentes ao RGPS e que não foram declaradas em GFIP. Levantamento CT (VL CONTABILIZADOS NÃO DEC GFIP) utilizado para o lançamento das bases de cálculo obtidas através da diferença entre os valores pagos a segurados empregados e agentes políticos encontrados na contabilidade, no Demonstrativo de Despesa Orçamentária por Categoria Econômica, abatido o valor dos pagamentos da Câmara, elementos de despesa 04 e 11 e os valores obtidos nos resumos das folhas de pagamento. Valores arbitrados de acordo com o § 3º do art. 33 da Lei 8.212/91 e não declarados em GFIP O Auto de Infração 51.025.7003 é composto pelo levantamento ST (DIFERENÇA DE SAT) utilizado para o lançamento das contribuições resultantes das diferenças de SAT/RAT e SAT/RAT X FAP não declarado em GFIP, obtido através das bases de cálculo constantes na GFIP. O Município apresentou impugnações às fls. 369 a 386, 391 a 408 e 413 a 430, alegando, em síntese, o seguinte: DOS DOCUMENTOS VERIFICADOS DURANTE A AÇÃO FISCAL. DADOS INFORMADOS AO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS. RESUMOS DE FOLHAS DE PAGAMENTO. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 506 5 Com base na relação de documentos verificados durante a ação fiscal, pode se concluir que a Auditora Fiscal que lavrou o presente auto de infração realizou o seu levantamento de dados tomando como base os documentos que foram encaminhados ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia, não realizando, o que seria imprescindível, uma visita à sede do Município para um acurado levantamento e conclusões embasadas nas folhas de pagamento dos servidores. DA BASE DE CÁLCULO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. Os Municípios, ao repassarem os dados correspondentes aos pagamentos dos seus servidores, informam todas as verbas pagas, tanto as verbas de natureza salarial quanto as verbas de natureza indenizatória (férias usufruídas, terço constitucional de férias, diárias, ajuda de custo, auxílioeducação, transporte, auxíliodoença, adicional noturno, adicional de insalubridade/periculosidade e salário maternidade). No entanto, já é entendimento pacífico que as verbas de natureza indenizatória não devem ser tributadas, ou seja, devem ser desconsideradas para o cálculo das contribuições previdenciárias. E, se assim for feito, a apropriação indébita estará sendo cometida pela Receita e não pelo Gestor, gerando, o que muito tem feito os Municípios, o direito de pleitear a compensação. Nem todas as verbas recebidas pelos empregados ou prestadores de serviço sofrem a incidência da contribuição previdenciária, entre elas destacamse as de natureza indenizatória ou eventual, como por exemplo, o adicional noturno, insalubridade, horaextra, saláriomaternidade, terço constitucional de férias e férias indenizadas, adicional de periculosidade, saláriofamília, aviso prévio, salárioeducação, auxíliodoença e auxíliocreche. A expressão “remuneração paga ao empregado” nada mais é que o próprio salário devido a eles. Forçoso concluir que as contribuições do art. 22, I da Lei 8.212/91, incidem, unicamente, sobre o salário, transcrevendo doutrina de Amauri Mascaro Nascimento, autor do Direito do Trabalho, acerca do conceito de salário. Valores percebidos pelos servidores de natureza indenizatória, assim como os encargos sociais, não possuem natureza jurídica de salário/remuneração, assim, não constituem fato gerador da contribuição previdenciária patronal calculada sobre a folha de salários, tampouco há que se falar na obrigação tributária das pessoas jurídicas recolherem o aludido tributo sobre estas parcelas. DA JURISPRUDÊNCIA PÁTRIA. RECENTES JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES DE 2012 E 2013 Quanto ao saláriomaternidade, o STJ entendeu recentemente pela não incidência da contribuição e isto porque o sujeito passivo da obrigação de pagar o saláriomaternidade é o INSS, sendo o empregador simples agente pagador que adianta à trabalhadora o valor de seu salário, efetuando Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 posteriormente a compensação quando do recolhimento de suas contribuições ao INSS, transcrevendo a ementa do Resp 1322945. Idem em relação às férias gozadas, também com base no Resp 1322945. Com relação ao 1/3 de férias, a jurisprudência pacífica considera que o abono possui a finalidade de permitir um reforço financeiro durante o período de férias, conforme AgRg no Resp 1283418. No que toca às horas extras e ainda terço constitucional de férias, transcreve a ementa do AI 727958 AgR. O STJ possui o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, porque estas verbas não têm natureza salarial, pois não há prestação de serviço no período, citando o AgRg no AREsp 88.704. Quanto aos valores pagos a título de auxílioeducação, o STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o “auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário “in natura”, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba para o trabalho, e não pelo trabalho”. Neste sentido, AgRg no AREsp 182.495. No que toca aos valores pagos a título de diárias de viagens, transcreve a ementa de julgado sem citar o número do mesmo o Tribunal que o emitiu, mas que confirma a regra segundo a qual as diárias que ultrapassarem 50% da remuneração integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Transcreve julgado do TRF1 quanto a não incidência de contribuições previdenciárias sobre ajudas de custo e adicionais. AC 1544 AP 2009.31.00.0015440. DO PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA Corolário do direito tributário, a regra da reserva legal dispõe que somente a lei em sentido estrito é apta para criação e majoração dos tributos e, dependendo da matéria, somente a lei complementar será meio hábil para este mister. A constituição discriminou taxativamente os casos reservados à lei complementar. Nestas situações não poderá o legislador infraconstitucional regular a matéria por meio de lei ordinária, sob pena de inconstitucionalidade da norma. Entre as hipóteses previstas pela CF destacase o artigo 195, § 4º, que estatui que cabe exclusivamente à lei complementar o exercício da competência tributária residual da União para a instituição de novas fontes de custeio para a previdência social. O Fisco Federal, ao exigir o pagamento de contribuições previdenciárias, não sujeitas ao âmbito de incidência do art. 195, I da CF, elencadas neste mandamus, está inovando em matéria tributária, pois o fato gerador dessas exigências não está adstrito ao conceito de salário perfilhado pela Constituição e pela jurisprudência. DA VERDADE REAL Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 507 7 O impugnante não pode concordar, nem por hipótese, do critério utilizado pela autuante para encontrar a base de cálculo para aplicação do suposto crédito tributário, mesmo porque milita em favor do impugnante o instituto do “in dúbio pro contribuinte”, perfeitamente aplicável no Direito Tributário. O poder da Autuante é vinculado ou regrado, equivalendo dizer que os seus atos terão que estar rigorosamente dentro do que determina a lei, caso contrário, é ato nulo, citando Hely Lopes Meireles. A autuante não poderia atuar da forma como fez, pois atos desta natureza constituem excesso de poder e ferem de morte o princípio da legalidade. DA EXTREMA NECESSIDADE DE DEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL Restando demonstrado o equívoco da Auditora Fiscal absterse à análise, pura e simplesmente, dos documentos apresentados pelo TCM, sem ter realizado sequer uma visita in loco para a verificação das folhas de pagamento dos servidores do Município de Lagoa Real e, tendo aqui demonstrado o impugnante que os documentos apresentados ao TCM abrangem não só as verbas de natureza salarial como também as verbas de natureza indenizatória, é que desde já fica requerida a produção de perícia contábil. À fl. 448, foi acostado memorando nº 44/2014/SARAC/DRF VCA/SRRF05/RFB/MFBA, em que foi solicitado a juntada do Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo, datado de 19/12/2012, para efeito de pedido de parcelamento. Consultando o Comprot, verificase que tramita desde 08/01/2013, processo de parcelamento “Assuntos Previdenciários”. Todavia, de acordo com o despacho de fl. 452, o processo foi encaminhado para prosseguimento do julgamento, uma vez que as impugnações foram ofertadas em data posterior 28/11/2013 ao Termo de Desistência. A Turma Julgadora de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação apresentada, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DOCUMENTAÇÃO ENTREGUE AOS TRIBUNAIS DE CONTAS. UTILIZAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. Os Órgãos da Administração Pública Direta são obrigados a apresentar à RFB a contabilidade entregue ao Tribunal de Controle Externo e a folha de pagamento. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 LOCAL DA AÇÃO FISCAL. OPORTUNIDADE E CONVENIÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. PODER DISCRICIONÁRIO Não há obrigatoriedade de deslocamento do Auditor Fiscal à sede do Município fiscalizado, devendo as intimações, termos, notificações e autuações, neste caso, serem efetuadas por correios mediante aviso de recebimento. EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. LISTA TAXATIVA. Somente as verbas expressamente discriminadas em lei é que não integram o salário de contribuição. DECISÕES JUDICIAIS INTERPARTES. AUSÊNCIA DE EFEITOS ERGA OMNES. As decisões judiciais sem eficácia Erga Omnes não podem ser opostas à Fazenda Pública, exceto quando há dispensa pela PGFN na forma da Lei. PROVA PERICIAL. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora indeferirá a perícia quando considerála prescindível. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O contribuinte foi cientificado da Acórdão 1271.50012ª Turma da DRJ/RJO, em 20/03/2015, conforme Aviso de Recebimento (fl. 476). Sobreveio recurso voluntário (fls. 481/500), postado em 20/04/2015, conforme tela dos Correios Rastreamento de Objeto (fl. 502) em que o recorrente repisa as razões da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. O Município recorrente insurgese alegando que a autoridade fiscal efetuou levantamento para lavrar o auto de infração, tomando como base os documentos que foram encaminhados os Tribunal de Contas e que no caso, seria imprescindível, uma visita in loco à sede do contribuinte para levantamento e conclusões embasadas nas folhas de pagamento dos servidores. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 508 9 Entretanto, não assiste razão ao recorrente, uma vez que, de acordo com o TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal (fl. 99/100), foi solicitada a apresentação do Resumo Geral das Folhas de Pagamento mensais de 2009 a 2011. Também no Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fl. 95), a fiscalização ainda solicitava os resumos gerais das folhas de pagamento. Como bem decidiu o julgador a quo, trecho abaixo transcrito, não há que se falar em irregularidade no procedimento adotado pela autoridade fiscal. A fiscalização buscou reiteradamente obter os documentos diretamente com a Prefeitura. O fato de a Fiscalização não ter se dirigido in loco, como alega a impugnante, à sede do Município fiscalizado, em nada atrapalha a auditoria fiscal, que é realizada, como é cediço, em bases documentais, estando no campo da conveniência e oportunidade, ou seja, da discricionariedade do agente fiscal o local onde o mesmo irá desenvolver seus trabalhos, sendo certo que foi informado, tanto no TIPF quanto nos TIF, o local e o modo para entrega dos documentos solicitados. Vale lembrar, de acordo com as fls. 318 dos autos, que o Município de Lagoa Real, através do Ofício 0131/2013, datado de 10 de maio de 2013, entre outros documentos, encaminhou o Resumo Geral das Folhas de pagamento mensais dos exercícios de 2009, 2010 e 2011. Quanto à base de cálculo para incidência de contribuições previdenciárias, o recorrente arrola uma série de verbas recebidas pelos empregados que entende que não sofrem incidência da contribuição previdenciárias, uma vez que entende se tratar de verbas indenizatórias. Menciona as seguintes: adicional noturno, adicional insalubridade, horaextra, saláriomaternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, adicional de periculosidade, salário família, aviso prévio, salário educação, auxíliodoença e auxílio creche. Antes de analisar quais as verbas que sofrem incidência de contribuições previdenciárias, insta consignar que esta Relatora deve observar o disposto do Regimento Interno desde E. Conselho: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sobre este tema, o STJ, no RESP 1.230.957/RS, em sede de repetitivo, já se manifestou, no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas, por entender se tratarem de natureza indenizatória/compensatória. Vale a transcrição do seguinte trecho da ementa: Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 509 11 mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ªTurma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. [...] 2.2. Aviso Prévio Indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ.” Importante destacar que, até a data do presente julgamento, o processo que originou o RESP 1.230.957/RS encontravase sobrestado. A par disso, o entendimento desta Relatora se coaduna com o entendimento do STJ. Salientese que o referido recurso encontrase sobrestado em função do Recurso Extraordinário 593.068/SC. Ainda, no RE 863.261/PR, interposto pela União, verificase não fora reconhecida repercussão geral quanto a não incidência de contribuições Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 510 13 previdenciárias nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença e quanto ao aviso prévio indenizado, negando seguimento ao recurso da União, cuja ementa segue abaixo transcrita: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 863.261 PARANÁ RELATORA :MIN. CÁRMEN LÚCIA RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) :RAUDI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) :JUARÉZ CASAGRANDE E OUTRO(A/S) DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS AO EMPREGADO NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIODOENÇA E SOBRE AVISO PRÉVIO INDENIZADO: INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO AO QUAL, NO PONTO, SE NEGA SEGUIMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NATUREZA. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. QUESTÃO SUSCETÍVEL DE REPRODUZIRSE EM MÚLTIPLOS FEITOS. ART. 543B DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO REGIMENTO INTERNO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. Sobre o tema, esse E. Conselho também já se manifestou, alinhandose à jurisprudência do STJ, conforme Acórdão 2803004.231 da 3ª Turma Especial, Processo 10320.005624/200810, Relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, julgado em 12/03/2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ADICIONAL DE 1/3 (UM TERÇO) DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.230.957/RS. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. SÚMULA CARF Nº 2. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO QUE NÃO AFRONTA PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. 1. No que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 do CPC , no sentido de que tal verba não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.(grifei) [...] Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na mesma linha, colaciono ementa ao Acórdão 2202003.125, processo 10480.734136/201267, Relator Eduardo de Oliveira, julgado em 27/01/2016. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA. FALTA DE DESCRIMINAÇÃO DOS TRABALHADORES E DA REMUNERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. TODAS OS RELATÓRIOS, PLANILHAS E ANEXOS NECESSÁRIOS A IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES, BASES DE CÁLCULO, ALÍQUOTA, SUJEITO PASSIVO, EM SUMA, MATÉRIA TRIBUTÁVEL E DEMAIS REQUISITOS ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS. BASE DE CÁLCULO DA EXAÇÃO. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO DOENÇA E ACIDENTE; TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS USUFRUÍDOS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. PARCELAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA JURISPRUDÊNCIA DO STJ NO RITO DO 543 C, DO CPC. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF. EXCLUSÃO DAS RUBRICAS DO LANÇAMENTO. (grifei) [...] Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por outro lado, o STJ firmou entendimento, de acordo com o repetitivo REsp 1.358.281/SP, com trânsito em julgado em 10/02/2016, no sentido de que incide contribuições previdenciárias sobre os adicionais noturno, insalubridade e periculosidade e horas extras: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. SÍNTESE DA CONTROVÉRSIA 1. Cuidase de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC para definição do seguinte tema: "Incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 511 15 trabalhistas: a) horas extras; b) adicional noturno; c) adicional de periculosidade". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA E BASE DE CÁLCULO: NATUREZA REMUNERATÓRIA 2. Com base no quadro normativo que rege o tributo em questão, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador" (REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/3/2014, submetido ao art. 543C do CPC). 3. Por outro lado, se a verba possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). CONCLUSÃO 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. Sendo assim, considerando que o STJ reconheceu a não incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de terço constitucional de férias, aos 15 dias que antecedem o auxíliodoença e aviso prévio indenizado, dou provimento a esta parte do recurso voluntário, nos termos do art. 62, §2º do RICARF, para excluir as rubricas mencionadas da base de cálculo de contribuições previdenciárias. No que concerne ao Auto de Infração DEBCAD 51.025.7003 resultante da diferença apurada relativa à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 do trabalho – GILRAT, o contribuinte não impugnou e não combateu expressamente a matéria em sede de recurso, nos termos do art. 17. do Decreto 70.235/72. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. As demais rubricas/verbas elencadas encontramse no âmbito do conceito de salário de contribuição. No art. 28, está a definição legal, que comporta todas as verbas, para o empregado e trabalhador avulso, exceto aquelas discriminadas no § 9º do mesmo artigo, não integrantes do salário de contribuição, bem como as já decididas pelo STJ em recurso repetitivo. Por fim, o recorrente alega que houve cerceamento de defesa pelo indeferimento de prova pericial e pugna pelo deferimento em sede recurso. Entretanto, o indeferimento da perícia não afrontou o princípio da ampla defesa, uma vez que os quesitos apresentados não contemplam dúvidas e/ou esclarecimentos que ensejam conhecimento específico, de modo a ser tornam prescindível para a solução da lide. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO para excluir da base de cálculo, as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, aos 15 dias que antecedem o auxíliodoença e aviso prévio indenizado, mantendose a incidência sobre as demais verbas. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora. Terço constitucional de férias. Peço vênia à conselheira relatora para discordar do posicionamento adotado no seu voto acerca da não incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica "terço constitucional de férias". Como bem ressaltado em seu voto, tal matéria encontrase em discussão nos Tribunais Superiores (no STJ REsp 1.230.957/RS; no STF RE 593.068/SC e RE 863.261/PR). Apesar de o STJ, no RESP 1.230.957/RS, em sede de repetitivo, já ter se manifestado, no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, por entender possuir natureza indenizatória/compensatória, tal recurso encontrase sobrestado em função do RE 593.068/SC. Também, no RE 863.261/PR, interposto pela União, foi reconhecida a repercussão geral quanto a discussão sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias. A vinculação dos conselheiros às decisões dos Tribunais Superiores, a teor do § 2º, do art. 62, do RICARF, ocorre em relação às decisões definitivas de mérito, o que, por sua vez, se dá com o seu trânsito em julgado. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10540.721355/201313 Acórdão n.º 2301004.796 S2C3T1 Fl. 512 17 Art. 62. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifamos) No mesmo sentido são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014, verbis: IV Terço constitucional de férias 15. Ainda no RESP nº 1.230.957/RS, o STJ decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária quanto ao adicional de um terço referido às férias indenizadas, bem como no caso das férias gozadas. Em relação às férias indenizadas, não há a exação, com base no art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91; já quanto às férias gozadas, o STJ, partindo da premissa de que o STF teria firmado a orientação de que o terço constitucional de férias possuiria natureza compensatória/indenizatória, a partir de precedentes do STF que se referiam a servidores sujeitos ao Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPPS), não haveria ganho habitual a ensejar a tributação. 16. A Corte Superior considerou, assim, que a importância paga a título de terço constitucional de férias gozadas não se destina a retribuir serviços prestados, tampouco configura tempo à disposição do empregador, de modo que não se enquadraria no disposto no art. 22, I, “d” da Lei nº 8.212/1991, nem se amoldaria no conceito de saláriodecontribuição do empregado previsto no art. 28, I, da Lei nº 8212/1991. 17. Todavia, como o entendimento do STJ, em relação à contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias dos empregados, derivaria de orientação do STF relativamente à exação sobre o terço constitucional de férias dos servidores públicos e, tendo em vista que o RE nº 593.068 teve sua repercussão geral reconhecida, justamente para tratar dessa questão, verificase que a matéria ainda não está pacificada, de maneira que também não é possível a inclusão do tema na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (grifamos) Sendo assim, considerando que a incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica "terço constitucional de férias" discutida no STJ (REsp 1230.957/RS) encontra se sobrestado em função do RE 593.068/SC e que a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática de recursos repetitivos, somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito, ou seja, após o seu trânsito em julgado, voto por manter a incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 30/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13884.901196/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA RECOLHIDA A MAIOR. MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE.
Comprovado que houve recolhimento a maior de estimativa, reconhece-se o direito creditório correspondente.
Constatado ainda que o recolhimento da estimativa se deu em atraso, antes da confissão da dívida e também do início de qualquer procedimento fiscal, ou seja, de forma espontânea, não há que se falar em cobrança de multa moratória. Precedente do STJ no RESP Nº 1.149.022 - SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC/1973.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 89.136,91, homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE. Comprovado que houve recolhimento a maior de estimativa, reconhecese o direito creditório correspondente. Constatado ainda que o recolhimento da estimativa se deu em atraso, antes da confissão da dívida e também do início de qualquer procedimento fiscal, ou seja, de forma espontânea, não há que se falar em cobrança de multa moratória. Precedente do STJ no RESP Nº 1.149.022 SP, julgado na forma do art. 543C do CPC/1973. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 89.136,91, homologandose as compensações pleiteadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 11 96 /2 00 9- 41 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 171 2 Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 172 3 Relatório TI BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1537.704 da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Salvador que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem representar o litígio até aquela fase processual, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandao ao final: A requerente, sujeita à apuração do IRPJ com base no lucro real anual, apresenta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 46 [...],que homologou parcialmente a compensação de débitos relativos ao IRPJ e à Cofins, referentes aos períodos de apuração de julho de 2004 e outubro de 2005, respectivamente, objeto da Declaração de Compensação nº 31022.55601.301105.1.3.04 6490 (fls. 39/43), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de estimativa de IRPJ do mês de novembro de 2003, sob a alegação de que o pagamento que deu origem ao crédito pleiteado foi parcialmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados na referida Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, anexada às fls. 02/10, a interessada alega, em síntese, que: DOS FATOS: • a defendente, no anocalendário de 2003, optou pela apuração do lucro real anual e efetuou recolhimentos de antecipações mensais com base em balancetes intermediários, informando os valores considerados devidos em DCTF trimestrais e, no final do ano, também informou os valores na DIPJ do exercício; • já no anocalendário de 2005, a empresa decidiu realizar uma revisão de seus procedimentos fiscais, quando constatou que as bases de cálculo mensais do IRPJ e da CSLL, no anocalendário de 2003, haviam sido incorretamente apuradas, razão pela qual providenciou a retificação de sua DIPJ/2004. Tendo em vista que as correções efetuadas revelaram pagamentos indevidos e a maior que o devido dos citados tributos, tomou providências para recuperar esses valores excedentes, através da apresentação de Declarações de Compensação; • ao negar parcialmente a homologação da compensação declarada, baseouse em informações equivocadas, já retificadas, [...]; DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL: • o presente caso deve ser analisado sob a luz do princípio da verdade material, [..]; DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA: • visando verificar a origem e o valor do crédito, as autoridades fiscais identificaram um DARF no valor total de R$682.237,52 e um débito informado em DCTF de R$601.879,30, concluindo que a defendente somente faria jus ao crédito correspondente à diferença, equivalente à Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 173 4 R$80.358,22; • entretanto, apesar de a defendente reconhecer que deixou de retificar sua DCTF, não se pode admitir que a DIPJ do período, que foi regularmente retificada pela empresa, bem como todos os documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, sejam desconsiderados para fins de verificação do crédito; • no presente caso, ao realizar a revisão de seus procedimentos fiscais, a empresa verificou que, dos R$601.879,30 originalmente declarados em DCTF, somente R$497.092,26 eram efetivamente devidos a título de estimativa de IRPJ em novembro de 2003, o que foi declarado ao Fisco Federal na DIPJ retificadora em agosto de 2005 (Doc. 2); • a defendente, então, realizou um levantamento dos valores recolhidos, que foram efetuados através de dois DARF, um no valor total de R$682.237,52 e outro no valor total de R$2.294,54 (Doc. 4). Considerando somente os valores do principal recolhidos, temse o recolhimento total, a título de estimativa de novembro de 2003, de R$668.881,93. Em confronto com o valor efetivamente devido, de R$497.092,26, a defendente apurou um valor a recuperar de R$171.789,67, que corresponde exatamente ao crédito pleiteado na Dcomp em análise; • com isso, concluise que os dados utilizados pela autoridade fiscal para analisar a Declaração de Compensação são incorretos, na medida em que eles foram retificados no curso do ano de 2005, antes mesmo da apresentação da referida Dcomp; DO PEDIDO: • em vista do exposto, a defendente, sob o enfoque da verdade material, requer seja reconhecido seu direito creditório e homologada a respectiva compensação, tendo em vista a comprovada existência do crédito de IRPJ em seu favor. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua parcialmente procedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. Deve ser homologada a compensação declarada, no limite do crédito reconhecido, uma vez comprovada a existência de crédito disponível, a título de pagamento a maior de estimativa de IRPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte foi cientificado da decisão em 15 de janeiro de 2015 (fls. 108 110), apresentando em 02 de fevereiro de 2015 (fl. 111) recurso voluntário de fls. 112119. Em resumo, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida, embora tenha confirmado que houve o recolhimento de estimativas maior do que o valor devido, não reconheceu a totalidade do crédito em razão de suposta falta de recolhimento da multa de mora Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 174 5 quando do pagamento das referidas estimativas, o que implicou a imputação de parte do pagamento do principal para quitação proporcional da suposta multa de mora não recolhida. Aduz, contudo, que o recolhimento das estimativas se deu sob o abrigo do art. 138 do CTN, ou seja, de forma espontânea, o que implica a impossibilidade de cobrança de multa moratória. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 175 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Passo à sua análise. 2 MÉRITO Tratase de declaração de compensação atrelada a suposto crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa de IRPJ relativa ao mês de novembro de 2003 (R$ 171.789,67). Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente, haja vista o tema ser alvo de súmula no âmbito desta Corte Administrativa, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. No caso concreto, a decisão recorrida confirmou que a Recorrente efetuou o pagamento de R$ 684.532,06 por meio de dois DARFs distintos. Relaciono abaixo cada um dos documentos de arrecadação, relembrando que o vencimento para recolhimento da estimativa de novembro de 2003 se deu em 30/12/2003: Data do Recolhimento Principal Multa Juros Total Fl. 27/02/2004 R$ 667.094,48 R$ 15.143,04 R$ 682.237,52 32 30/07/2004 R$ 1.787,45 R$ 357,49 R$ 149,60 R$ 2.294,54 34 TOTAL R$ 668.881,93 R$ 357,49 R$ 15.292,64 R$ 684.532,06 Concluiu ainda a decisão recorrida que o débito considerado pela unidade de origem foi o confessado em DCTF (fl. 89), no total de R$ 497.092,26. Ocorre que tanto a unidade de origem quanto a turma julgadora de primeira instância consideraram que incidia multa de mora no recolhimento realizado em 27/02/2004, uma vez que realizado após a data de vencimento (30/01/2004), devendo ser realizada imputação de pagamento para averiguar o crédito tributário efetivamente disponível após quitação da multa moratória devida. A esse respeito, assim consta na decisão recorrida: A requerente, em sua manifestação de inconformidade, alega que, ao realizar uma revisão de seus procedimentos fiscais, constatou que as bases de cálculo mensais do IRPJ e da CSLL, no anocalendário de 2003, haviam sido incorretamente apurados, razão pela qual providenciou a retificação de sua DIPJ/2004, antes mesmo da emissão do despacho decisório, mas, por um equívoco, deixou de retificar as DCTF correspondentes. Segundo a interessada, dos R$601.879,30 originalmente declarados em DCTF, somente R$497.092,26 eram Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 176 7 efetivamente devidos a título de estimativa de IRPJ em novembro de 2003, o que foi declarado ao Fisco Federal na DIPJ retificadora em agosto de 2005 (fl. 30), gerando um saldo a recuperar de R$171.789,67, correspondente ao crédito pleiteado na Dcomp em análise. Entretanto, o valor originalmente confessado em DCTF, a título de estimativa de IRPJ do mês de novembro de 2003, não foi de R$601.879,30, mas sim de R$497.092,26, não tendo sido objeto de questionamento por parte da autoridade fiscal no Despacho Decisório em questão. Como se observa do extrato do sistema informatizado da RFB que controla os pagamentos dos contribuintes, anexado à fl. 89, o que aconteceu foi que a interessada efetuou o recolhimento da estimativa de novembro de 2003 em atraso, apenas em 27/02/2004, mas sem a incidência da multa de mora, que seria de R$93.503,05. Diante disso, foi considerado como pagamento a maior a diferença entre o total recolhido (R$682.237,52) e o imposto devido com os acréscimos legais, multa de mora e juros de mora, no montante de R$601.879,30, ou seja, R$497.092,26+R$93.503.05+R$11.283,99. O despacho decisório, porém, considerou apenas o DARF no montante de R$682.237,52, recolhido em 27/02/2004 (fls. 32 e 89), deixando de observar o recolhimento efetuado através do DARF anexado à fl. 34, no montante de R$2.294,54, pago em 30/07/2004, confirmado no sistema informatizado da RFB (fl. 90). Alega a Recorrente, contudo, que seria indevida a cobrança de multa moratória no recolhimento realizado em 27/02/2004, uma vez que na DCTF original, transmitida em 12/12/2004, não houve qualquer confissão de dívida de IRPJ e de CSLL, tendo o débito de R$ 497.092,26 sido confessado somente em 01/12/2005, portanto, após o recolhimento da estimativa. Nesse cenário, o recolhimento teria sido espontâneo, uma vez que o débito em questão não havia sido confessado na data do recolhimento. Cita entendimento da própria RFB a respeito da impossibilidade de cobrança de multa moratória em situações como essa (Nota Cosit nº 1/2012). A respeito da incidência de multa moratória, convém destacar o decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.149.022, recurso representativo de controvérsia julgado na forma do art. 543C do CPC/1973, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 177 8 Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Resta analisar se no caso concreto os fatos enquadramse no entendimento firmado pelo STJ sobre o tema. À fl. 139 consta recibo de entrega da DCTF transmitida em 12/02/2004 no qual não constam débitos apurados de IRPJ e de CSLL em relação ao quarto trimestre de 2003. Já à fl. 140 consta recibo de entrega da DCTF Retificadora relativa ao quarto trimestre de 2003 transmitida em 01/12/2005, constando informações de débitos apurados de IRPJ e de CSLL (R$ 1.103.950,84 e R$ 401.293,24, respectivamente). Em relação a essa mesma declaração retificadora, consta à fl. 143 a discriminação do débito apurado de estimativa referente ao mês de novembro de 2003 (R$ 497.092,26), o qual, por oportuno, reproduzo a seguir: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 178 9 Conforme se observa, quando do recolhimento do DARF de R$ 667.094,48 (principal) em 27/02/2004, não havia qualquer confissão de dívida de IRPJ referente à estimativa de novembro de 2003, uma vez que a DCTF transmitida em 12/02/2004, relativa ao quarto trimestre de 2003, não acusou qualquer débito de IRPJ. Somente em 01/12/2005 o contribuinte transmitiu DCTF Retificadora fazendo constar o débito já recolhido em 27/02/2004. Logo, se à época do recolhimento o débito ainda não estava constituído, e inexiste nos autos qualquer indicação de procedimento fiscal iniciado antes desse recolhimento, o caso se amolda à perfeição ao decidido pelo STJ no REsp nº 1.149.022, mais precisamente ao entendimento exposto nos itens 2, 4 e 7 da ementa retrotranscrita, ou seja, não há que se falar em imputação do pagamento realizado para quitação de multa moratória. Esclareço que discordo do cálculo realizado pela decisão recorrida ao considerar também o valor dos juros e multa moratória pagos no DARF recolhido em Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 179 10 30/07/2004, já discriminado neste voto. Isso porque resta evidente que o pedido do contribuinte limitouse ao principal recolhido nos dois documentos de arrecadação em questão R$ 668.881,93 (conforme tabela à p. 5 deste voto), que, subtraído do débito confessado em DCTF R$ 497.092,26 – perfaz exatamente o direito creditório pleiteado pela Recorrente, no total de R$ 171.789,67, conforme declaração de compensação à fl. 96, a seguir reproduzida com os destaques insertos por este relator: Ressalto que há possibilidade de existirem outros pedidos de restituição/compensação atrelados à multa moratória recolhida indevidamente também em relação ao DARF pago em 30/07/2004 em razão de tal recolhimento também ter sido realizado espontaneamente, e, mais ainda, após já ter quitado completamente o débito com o recolhimento efetuado em 27/02/2004. Por essas razões, independentemente do ora decidido, não haveria como se utilizar tal recolhimento para adimplemento de quaisquer débitos atrelados a esses autos. É importante frisar que o mesmo critério já fora utilizado no despacho eletrônico que deu impulso inicial a este processo. Entendo que tal procedimento gera o risco de se reconhecer direito creditório maior que o pleiteado pelo contribuinte. Tal fato não ocorre nos presentes autos (mas poderia implicar problemas sérios em eventual pedido isolado de reconhecimento de crédito atrelado única e exclusivamente a multa e juros recolhidos indevidamente), pois não há pedido de restituição, somente declarações de compensação e limitadas ao principal recolhido. Nesse sentido, não haverá qualquer prejuízo ao Fisco, uma vez que, ao considerar devida a multa moratória no recolhimento efetuado em 27/02/2004, os acréscimos legais do DARF recolhido em 30/07/2004, ainda que parcialmente, foram utilizados para compensar a multa moratória. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13884.901196/200941 Acórdão n.º 1402002.230 S1C4T2 Fl. 180 11 Portanto, constatado o recolhimento de R$ 668.881,93 de estimativa referente a novembro de 2003 (valor do principal, conforme tabela à p. 5 deste voto), tendo sido confessado débito em DCTF no valor de R$ 497.092,26, resta demonstrado que a Recorrente faz jus à totalidade do indébito pleiteado, qual seja, R$ 171.789,67. Esclarecese ainda que os equívocos cometidos pela DRJ podem ser dirimidos nestes autos, bastandose excluir do total de indébito pleiteado os créditos já reconhecidos pela unidade de origem (R$ 80.358,22) e pela decisão de primeira instância (R$ 2.294,54). Assim sendo, entendo que deva ser reconhecido crédito adicional de R$ 89.136,91. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 89.136,91, homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13009.000474/2002-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
DÉBITO LANÇADO OBJETO DE QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Restando comprovado através de Documento Comprobatório de Compensação (DCC) a quitação do crédito tributário objeto do lançamento, por meio de compensação, em data anterior à lavratura do Auto de Infração, torna-se insubsitente o lançamento formalizado.
Numero da decisão: 3302-003.341
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède e Sarah Maria Linhares de Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 DÉBITO LANÇADO OBJETO DE QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Restando comprovado através de Documento Comprobatório de Compensação (DCC) a quitação do crédito tributário objeto do lançamento, por meio de compensação, em data anterior à lavratura do Auto de Infração, torna-se insubsitente o lançamento formalizado.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède e Sarah Maria Linhares de Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro e Walker Araújo.
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NÃO CABIMENTO. Restando comprovado através de Documento Comprobatório de Compensação (DCC) a quitação do crédito tributário objeto do lançamento, por meio de compensação, em data anterior à lavratura do Auto de Infração, tornase insubsitente o lançamento formalizado. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède e Sarah Maria Linhares de Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 04 74 /2 00 2- 93 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração eletrônico de fls. 08/ 13 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins no período de 12/97, exigindoselhe contribuição de R$ 86.797,02, multa de ofício de R$ 65.097,77 e juros de mora de R$73.629,91, perfazendo o total de R$225.524,70. Cientificada em 07/06/02, a interessada apresentou em 04/07/02 a impugnação de fls. 01/02, na qual alegou ter compensado o débito em questão conforme processo n° 13854.000009/9871, de 07/01/98, com crédito da Coinbra Frutesp S/A.(grifei). Requer a improcedência do lançamento.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997 Multa de Ofício. Retroatividade Benigna. O princípio da retroatividade benigna impõe o cancelamento de multa lançada de ofício com base em legislação posteriormente alterada no sentido de não mais tratar como infração a conduta apenada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte.” Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 22/03/2010, conforme AR de fl. 51, apresenta em 14/04/2010, flS. 62/65 e documentos de fls. 66/101, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual reitera os termos de sua impugnação, ratificando a informação de que foi homologada a compensação do crédito utilizado para pagamento do tributo, cujo débito foi formalizado pelo auto de infração em lide, acostando Documento Comprobatório de Compensação no intuito de comprovar suas alegações. Através da Resolução Carf nº 3802000.256, de 16/09/2014, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: A Recorrente fundamenta seu pedido de improcedência do auto de infração em decorrência de uma simples questão de fato. Isso porque o presente lançamento foi lavrado por falta de recolhimento de COFINS, enquanto a Recorrente alega que o crédito tributário foi extinto por compensação, em decorrência da utilização de crédito presumido de IPI de terceiros. A argumentação da Recorrente, em sede impugnatória, veio desacompanhada de qualquer documentação comprobatória. Em vista disso, assim se manifestou o voto condutor do Acórdão recorrido: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13009.000474/200293 Acórdão n.º 3302003.341 S3C3T2 Fl. 123 3 “Ocorre que, em primeira instância administrativa, a solicitação de reconhecimento de direito creditório da empresa Coinbra Frutesp S/A fora indeferida conforme consulta ao sistema Decisões da RFB. Não há nos autos, nem nos sistemas informatizados da RFB, registro que tenha havido, de fato, a compensação de parte do crédito pleiteado pelo terceiro interessado com o débito aqui formalizado por meio do auto de infração, ora contestado.” Em sede recursal, a Recorrente acosta aos autos Documento Comprobatório de Compensação (DCC), à fl. 60 (fl. 69 do processo digital), pelo qual a RFB atesta ter ocorrido a compensação de crédito no processo 13854.000211/9721. Mais especificamente, no que importa para o caso em tela, há confirmação da compensação do débito do código 2172, do período de apuração de dezembro de 1997, relativo ao processo 13009.000457/9737, no montante de R$ 86.797,02. Ora, tal débito é exatamente o que fora constituído pelo auto de infração ora sob exame. Aproveito o ensejo para destacar que, mesmo diante da dicção do Decreto 70.235/72 sobre a juntada de prova, temse que o DCC em tela somente foi juntado para comprovar uma alegação já existente desde a primeira manifestação defensiva do sujeito passivo, e ainda que, por ser documento de informação interna da RFB, seria a rigor já de conhecimento do órgão competente quando do julgamento da lide. Assim, instado o sujeito passivo pela decisão recorrida – que indicou não ter localizado o pagamento nos seus sistemas –, apresentando o pertinente DCC o faz em momento oportuno, e ainda tempestivo para os fins de checagem da verdade material, fim último do processo administrativo tributário. Por outro lado, há informação relevante da DRJ no sentido de que não foi localizada qualquer informação relativa ao DCC acima – bem como a qualquer outro documento referente a eventual compensação com o débito sob exame –, pelo que a cautela requer seja confirmada, pela DRF de origem, a materialidade do crédito. Diante do exposto, entendo razoável converter o processo em diligência, a fim de que a unidade de origem confirme as informações constantes do DCC anexado pela Recorrente.(grifei). Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para converter o processo em diligência, para fins de comprovação da autenticidade do DCC anexado pelo sujeito passivo e verificação se o mesmo quitou o crédito tributário objeto do lançamento, retornando os autos, após, para análise do mérito da causa.” Em decorrência da diligência foram juntados os documentos instrutórios de fls. 115/118 e Relatório de Diligência Fiscal de fls. l19/120. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Observase que a lide instaurada pela impugnação tinha como base argumentativa a alegação de que o crédito tributário objeto do presente auto de infração foi extinto por compensação, com a da utilização de crédito presumido de IPI de terceiros. Em sede recursal, a Recorrente acosta aos autos Documento Comprobatório de Compensação DCC, fls.76/78, objeto da Resolução Carf. Em decorrência da diligência foram juntados os documentos instrutórios de fls. 115/118 e Relatório de Diligência Fiscal de fls. l19/120, conforme a seguir reproduzido: Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência solicitada, consultouse o sistema interno da RFB – PROFISC como o intuito de buscar infomações sobre o processo nº 13009.000457/9737, que foi o processo indicado no DCC na identificação de alguns débitos compensados, vide fl. 69. Por meio de pesquisa no referido sistema, verificouse que o débito de Cofins, código: 2172, período de apuração: 12/1997, no valor de R$ 86.797,02, está com saldo devedor zero, e a forma de extinção foi “PAGAMENTO DE COMPENSAÇÃO – SIAFI” (nº do pagamento: 12249999416), com data de alocação (manual) em 16/04/2002, ou seja, anterior à data de lavratura do Auto de Infração (09/05/2002), vide Extrato do PAF nº 13009.000457/9737 às fls. 116 e 117.(sic)(grifei). 07. Verificouse, também, por meio do sistema interno da RFB – SIEF – Documentos de Arrecadação, o DARF referente ao PAGAMENTO DE COMPENSAÇÃO – SIAFI, de forma que se confirmou a existência desse DARF nos sistemas internos da RFB. Observandose as características desse DARF, confirmou se as informações existentes no Extrato do PAF nº 13009.000457/9737, que são elas: data de arrecadação: 09/01/1998, nº do pagamento: 12249999416, valor extinto: R$ 86.797,02 e sistema de controle do débito: PROFISC. Observou se, também, que o banco foi o 009 e agência 0001, que são informações características do Pagamento de Compensação – Siafi, vide telas do Sief –Documentos de Arrecadação à fl. 118.(grifei). 08. Diante do exposto, resta comprovada a existência do Documento Comprobatório de Compensação (DCC) anexado pelo sujeito passivo em fase recursal, pois as informações constantes do mesmo, relativas ao débito de Cofins, código: 2172, período de apuração: 12/1997, no valor de R$ 86.797,02, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13009.000474/200293 Acórdão n.º 3302003.341 S3C3T2 Fl. 124 5 foram efetivamente implementadas nos sistemas internos da RFB, conforme explanado nos parágrafos 06 e 07. 09. Concluise, portanto, que houve realmente a quitação do crédito tributário objeto do lançamento, por meio de compensação, em data (25/03/2002) anterior à data de lavratura do Auto de Infração (09/05/2002). Consultandose o extrato do PAF nº 13009. 000457/9737 chegase à mesma conclusão, pois a data de alocação (manual) da compensação ocorreu em 16/04/2002, vide fl. 117.(grifei). Estando constatado pelo Relatório de Diligência Fiscal de fls. l19/120 que o débito de Cofins, código: 2172, período de apuração: 12/1997, no valor de R$ 86.797,02, objeto da exigência que ora se discute, está com saldo devedor zero, e que a forma de extinção foi “PAGAMENTO DE COMPENSAÇÃO – SIAFI” (nº do pagamento: 12249999416), com data de alocação (manual) em 16/04/2002, ou seja, anterior à data de lavratura do Auto de Infração (09/05/2002), conforme extratos de fls.116 e 117, considerase resolvida a lide, dandose provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 13161.001798/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 98 /2 00 8- 71 Fl. 324DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 326DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.280. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 328DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 330DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 332DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 334DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 336DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 338DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 340DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 342DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 344DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 346DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 348DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 350DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 352DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 354DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 356DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 358DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 360DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 362DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 364DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 366DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 368DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13161.001798/200871 Acórdão n.º 3302003.280 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 370DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.723322/2015-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado
Numero da decisão: 9202-004.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 04/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI e GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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BANCO MÚLTIPLO (SUCESSORA DE LLOYDSTSB BANK PLC) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 33 22 /2 01 5- 82 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 2 FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI e GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda na Fonte, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, incidente sobre remessas de juros ao exterior, efetuadas durante o ano calendário 2004. Em sessão plenária de 14/04/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202002.615, assim ementado: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 09/01/2004 a 10/09/2004 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. IRRF. OPERAÇÕES DE RENDA FIXA. BENEFICIÁRIO RESIDENTE NO EXTERIOR. OPERAÇÕES CONJUGADAS. Sujeitamse à incidência de IRRF, à alíquota do 15%, os rendimentos decorrentes de operações de renda fixa, de contribuintes residentes no exterior, inclusive aquelas obtidas por meio de operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como, no mercado de balcão. Preliminares rejeitadas. Recurso negado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior que proviam o recurso. O Conselheiro Pedro Anan Junior apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto, OAB/SP 157.658." Fl. 878DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10980.723322/201582 Acórdão n.º 9202004.250 CSRFT2 Fl. 878 3 Cientificada do acórdão em 27/06/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 564), a Contribuinte opôs, em 03/07/2014, os Embargos de Declaração de fls. 566 a 573, rejeitados conforme o Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 619 a 627. Intimado da rejeição de seus Embargos em 13/03/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 635), o Contribuinte interpôs, em 27/03/2015, o Recurso Especial de fls. 637 a 806, suscitando as seguintes matérias: necessidade de aplicação da alíquota zero do IR fonte nas operações de Swap com finalidade de proteção (Hedge) de ativos e passivos da oscilação do dólar americano e do iene japonês; nulidade do lançamento fiscal fundamentado apenas em prova emprestada; e juros de mora sobre a multa de ofício. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento parcial, admitindose à Instância Especial apenas a matéria "juros de mora sobre a multa de ofício", conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 809 a 818, o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 819/820. No Recurso Especial, relativamente à matéria que teve seguimento, o Contribuinte alega, em resumo: é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada nesse processo, por absoluta ausência de previsão legal, merecendo reforma a decisão recorrida também com relação a esse ponto; isso porque o entendimento exarado no acórdão recorrido conflita com posição adotada pelo Plenário dessa E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em julgamento ocorrido nos autos do processo administrativo no 10680.002472/200723 (Acórdão paradigma no 910100.722), no dia 08.11.2010, negou provimento a recurso especial da PGFN, reconhecendo a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional: "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada." (Acórdão paradigma no 910100.722 g.n.) mbora a leitura da ementa acima transcrita já seja suficiente para demonstrar a existência de divergência, a leitura do voto condutor da lavra da Conselheira Relatora, Karem Jureidini Dias, a deixa ainda mais evidente nos seguintes termos: "Por fim, a Lei n° 9.430/97, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja:(...) Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão 'débitos decorrentes de tributos e contribuições'. A Receita Federal vem entendendo que a multa de oficio também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. No entanto, este Conselho Administrativo, por meio de diversos julgados Acórdão no 140200.213, sessão de 06/07/2010 e Acórdão no 10709526, sessão de 16/10/2008, por exemplo Fl. 879DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 4 interpretando a citada expressão do artigo 61 da Lei no 9.430/96, entendeu o seguinte: 'Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art 44 da Lei no 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração Inexata.' Em outras palavras a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre 'débitos decorrentes de tributos e contribuições', sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagá lo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão dos referidos acórdãos, dentre outros, foi no sentido de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei no 9.430/97:(...) Desde logo, tendo em vista não se tratar, in casu, da multa isolada prevista no artigo 43 da Lei no 9.430/96, configurase como inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora incidente sobre a multa de oficio. Com relação à interpretação dos artigos 43 e 61 da Lei no 9.430/96, importante, ainda, apontar relevante consideração feita em alguns julgados deste Conselho Administrativo (por exemplo no Acórdão no 10422.508, sessão de 13/06/2007), no sentido de que 'se a expressão 'débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições' constante no 'caput' do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do 'caput' do artigo já decorreria diretamente do artigo 61." (Fls. 06/07 g.n.) Ao final, o Contribuinte pede a reforma da decisão recorrida, seguindose o estabelecido no acórdão paradigma. O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 16/09/2015 (Despacho de Encaminhamento fls. 859) e, em 1º/10/2015, foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 860 a 866 (Despacho de Encaminhamento de fls. 867), contendo os seguintes argumentos, em síntese: de início, importa analisar a aplicação de juros sobre a multa de ofício com espeque no art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Fl. 880DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10980.723322/201582 Acórdão n.º 9202004.250 CSRFT2 Fl. 879 5 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” tratase, porém, de interpretação literal, que, como é cediço, consiste no processo hermenêutico mais simples; em uma análise sistemática do Código Tributário Nacional, concluirseá que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa; o art. 113, § 1º, do CTN, preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa, conforme leciona Luciano Amaro, que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário; a obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro; neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário; o conceito de crédito tributário está esculpido no art. 139 do CTN: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” desta forma, por ser a multa, indubitavelmente, obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa, logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional (cita doutrina de Hugo de Brito Machado); neste sentido, válido transcrever relevantes julgados do Colendo Superior Tribunal de Justiça, in verbis : “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido.” (2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJ 11/05/2010) “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 6 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido.” (2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, DJ 14/09/2009) especificamente sobre a questão, assim já se pronunciou o advogado Bruno Fajersztajn em artigo doutrinário publicado na Revista Dialética de Direito Tributário: “Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: ‘Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta’. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: ‘Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.’ (destaquei) Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis.” mais adiante, o mesmo jurista arremata: “O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: ‘Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º. O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.’ A redação desse dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre “crédito” não integralmente recolhido no vencimento. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10980.723322/201582 Acórdão n.º 9202004.250 CSRFT2 Fl. 880 7 Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. Sendo assim, considerando o disposto no “caput” do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas.” essas razões já seriam suficientes para se concluir pela incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário (principal mais multa de ofício); apesar disso, podese dizer que, a permanecer o entendimento literal segundo o qual na expressão “crédito não integralmente pago” não estaria incluída a multa de ofício, a eficácia de qualquer penalidade pecuniária, seja pelo descumprimento da obrigação principal, seja pelo da obrigação acessória, restaria comprometida; e que, como se sabe, a inobservância da obrigação acessória convertea em obrigação principal “relativamente à penalidade pecuniária”, consoante o § 3º, do art. 113 do CTN. E, como visto, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, a qual, na hipótese, tem por objeto o pagamento de penalidade pecuniária; assim, pela interpretação literal que se pretende aplicar, o crédito tributário decorrente de obrigação principal que tenha por objeto o pagamento de penalidade pecuniária não sofreria acréscimos de juros de mora, mesmo quando não integralmente pago no vencimento, pois poderia ser feita a mesma indagação sobre a que penalidades cabíveis estaria se referindo o caput do art 161 do CTN; tal interpretação não se coaduna com a legislação pátria e gera desestímulo ao seu pagamento, eis que o contribuinte pode lucrar com a sua mora, mediante aplicação do recurso em investimentos que sejam remunerados com base nessa taxa; assim, resta comprovada a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Ao final, a Fazenda Nacional pede que se negue provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o acórdão recorrido. Às fls. 858 consta informação da DRF em Curitiba/PR, datada de 16/09/2015, no sentido de que: o processo original 10980.016931/200852 teve seus débitos congelados para negociação de parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014, o que impediu o trabalho naquele momento para ajuste no sistema SIEF/Processo; o contribuinte ajuizou ação judicial, com decisão que suspende a exigência dos débitos exigíveis (Principal e juros moratórios e Multa de Ofício Ação Ordinária nº 504444593.205.4.04.7000/PR). Fl. 883DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 8 seguindo a orientação de nota técnica, foi formalizado o presente processo 10980723.322/201582 que segue com o litígio dos juros de mora sobre a multa de ofício. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e, relativamente à matéria que obteve seguimento juros de mora sobre a multa de ofício atendeu aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, nesta parte. Conforme o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidem juros de mora à taxa SELIC. Confirase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Quanto à aplicação da taxa Selic propriamente dita, a questão já se encontra sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Por outro lado, de acordo com os artigos 113, § 1º, e 139, do CTN, o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si, quanto a penalidade pecuniária, o que inclui a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Confira se: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Destarte, quando a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 61, utiliza a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", a única interpretação cabível é no sentido de Fl. 884DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10980.723322/201582 Acórdão n.º 9202004.250 CSRFT2 Fl. 881 9 que se trata da integralidade do crédito tributário, incluindose a multa de ofício proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em decisão de 04/12/2012: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Confirase o inteiro teor da decisão: "Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." Com efeito, a posição assumida pelo acórdão recorrido espelha a jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, confirase:(...)" (grifei) A matéria integrou inclusive o Informativo STJ nº 0511, de 06/02/2013: "DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681 MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012." Quanto à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, poem ser citados os seguintes julgados: "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a Fl. 885DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 10 multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic." (Acórdão nº 9101002.209, de 03/02/2016) "JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic." (Acórdão nº 9202003.700, de 27/01/2016) "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento." (Acórdão nº 9303003.385, de 25/01/2016) Diante do exposto, seguindo a jurisprudência do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 886DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 7/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
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