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ACORDÃO Nrre-WM-9,072 Recurso n°-RP/201-0.086 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: INDUSTRIA DE ARTEFATOS DE BORRACHA RUFFO LTDA. IPI - Classificação Fiscal. As peças deno- minadas "breques brunidores" de borracha vul canizada, não endurecida, destinadas a má::: quinas de beneficiamento de arroz, classi- ficam-se pela posição destas, e não na 40.14.99.00 .Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso a que se nega pro vimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re,.... curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, negar ir-àvimento ao recurso. Vencido o Cons. Lourierdes Fiuza dos Santos6111 ah. , Sala das Sp A ,b-s-- ODE , em 30 de setembro de 1983. I/ ,. li i' i AMADOR O i Ni ' • . 4; F .frifE Z - PRESIDENTE ''''----f-e----e--- s ANDO 1 EVES D Á ', Á - RELATOR4Áll iFERo l f LUIZ FERNANDO OEI° Á DE MORAES - PROCURADOR DA FAZEN / DA NACIONAL __ v.v Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros HAMILTON DE SÃ DANTAS, JOSÉ FAÇANHA MAMEDE, EDWALDO REIS DA SILVA, NE TON PARANHOS e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. . , Mk-::, 41 • ..,, . ,-.- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0865/050.489/81 RECURSO N.° :— RP/2 01-0 . 0 86 ACÓRDÃO N.° :— CSRF/02-0 .072 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: INDUSTRIA DE ARTEFATOS DE BORRACHA RUFFO LTDA. RELATÓRIO Adoto como relatório o acórdão recorrido que leio em Plenário. Acrescento que a Fazenda Nacional, por seu procurador, apresenta o recurso voluntário de Lis, 79/86, arguindo, em prelimi- nar, a existência de coisa julgada na esfera administrativa, em ra- zão da existência de solução contrária ao contribuinte, em processo de consulta. Diz a recorrente que a decisão em processo de consulta não e suscetível de ser derrogada em julgamento perante o Conselho de Contribuintes. Quanto ao mérito, discute a classificação dada aos pro dutos em questão, afirmando que a Conselheira Selma "força o alcance da expressão uso técnico para além de seu universo". Diz ainda que: "O que, a ilustre Conselheira advoga e consegue inclusive impor ao entendimento da maioria do Colegiado é que a norma não deve ser considerada quando traz co- mo corolário a inclusão num universo muito amplo,cujos limites ainda não se logrou alcançar. Ora, tal problema - parece-nos, como tantas outras vezes ocorre em julgame , A--4 D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0865/050.489/81 2. Acórdão n9-CSRF/02-0.072 tos neste Colegiado, está colocado no campo preenchido pelas normas "de lege ferenda". Então, seria a pura e simples consideração da conveniência ou não da persis- tência de tal universo - "peças para uso técnico" - mas nunca na sua desconsideração. O universo existe, ao longo da TIPI, é considerado da maneira como foi pela decisão de primeira instância administrativa, neste e noutros casos similares, envolvendo, a expressão "uso técnico". Não vemos porque haveremos de agora levantar a sua inutilidade, para trazer a limitação "uso univer sal". O melhor estudo sobre a matéria, da lavra do emi- nente Prof. DURVAL FERREIRA DE ABREU, em suamonografia "ARTÍCULOS PARA USOS TÉCNICOS EM LA NOMENCLATURA DEL CONSEJO DE COOPERACIÓN ADUANEIRA", apresentada na OEA, em suas conclusões, é claro a respeito: "Se pude concluir, por lo tanto, dei estudio que se hizo de los textos legales y de todo el mate- rial disponible para su comprensiOn e interpreta ci6n, que la expressión "usos técnicos" en la NU menclatura dei Consejo alcanza a partes, pieza-j sueltas y accesorios para máquinas, aparatos,ins trumentos y dispositivos mecánicos e elétricos V otros articulos de los tipos comonmente utiliza- dos en maquinaria, fábricas y otros fines indus- triales". (p.21). Assim, não se trata de uma tendência, como diz a Conselheira SELMA, de classificação na 40.14, mas uma imposição legal que resulta de claros e expressos man- damentos legais. Agora se isso tem levado a não encon- trar casos em que não se vislumbre a hipótese de "uso técnico", é outra questão que cabe resolver "de lege fe renda", se a política tributária assim aconselhar." - Contra raz5es do o tribuinte à fls. 110/112, invocando/él decisão desta Câmara Superio .dp É o relatório. , -:-i '''''-' 4; - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0865/050.489/81 3. Acórdão n9-CSRF/02-0.072 VOTO Conselheiro: FERNANDO NEVES DA SILVA, Relator Conheço do recurso por satisfeitos os pressupostos for mais. Rejeito a preliminar. Não me parece existir,aqui,coisa julgada administrativa que teria ido violada pela Câmara recorrida. Como se verifica do auto de infração, fls. 14, o con- tribuinte foi intimado a recolher o credito tributário ali discrimi nado, ou a impugná-lo no prazo de trinta dias. E, escolheu a segunda hipótese, prevista, aliás, nos artigos 10, V e 15 do Decreto 70.235/ 72. Não encontrei, na legislação pertinente, nenhum óbice a impedir a impugnação de exigência feita com base em solução dada no processo de consulta. No mérito, também sem razão a recorrente, data venia. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já firmou o entendimento de que só se excluem do capitulo 84 os artefatos de bor racha endurecida quando se trata de produtos para uso técnico(acór- dão CSRF 02.048). Por isso mesmo o Segundo Conselho de Contribuintes de- cidiu: "IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL: As peças denominadas "bre ques brunidores" de borracha vulcanizada, não endureci da, destinadas a máquinas de beneficiamento de arroz 7 classificam-se pela posição destas, e não na 40.14.99.00. Entendimento confirmado pela Câmara Supe- rior de Recursos Fiscais. Recurso provido." Não encontro, nas eruditas razões de recurs argumen ,//72 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0865/050.489/81 4. Acórdão n9-CSRF/02-0.072 sólido, que me leve a modificar meu entendimento na Câmara recorri- da, sufragado por esta Câmara Superior. Saliento, finalizando, que o acórdão recorrido, a meu ver, não resultou de uma imposição da Conselheira Selma Salomão co- mo afirma a recorrente, m.s sim do consenso da maioria, face à le- I/ gislação de regência. Nego, o tudo isso, provimento ao recurso dí (//'--- Brasilia, DF, em 3/97 de/fetembro de 1983. - FERNANDO NEVES DA INA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 12259.000577/2008-34
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2004
LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, PELO FISCAL AUTUANTE, DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
Apesar do método da aferição indireta ser uma prerrogativa do Fisco para os casos em que a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, quando da lavratura do auto de infração deve ser demonstrada a presença de todos os requisitos indispensáveis para a sua validade, e não simplesmente desconsiderar parte dos documentos apresentados pela empresa.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4º DO CTN.
Havendo o recolhimento de parte dos valores devidos, deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN, que determina que o Fisco teria o prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, para exigir quaisquer parcelas eventualmente faltantes.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2004 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, PELO FISCAL AUTUANTE, DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do método da aferição indireta ser uma prerrogativa do Fisco para os casos em que a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, quando da lavratura do auto de infração deve ser demonstrada a presença de todos os requisitos indispensáveis para a sua validade, e não simplesmente desconsiderar parte dos documentos apresentados pela empresa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4º DO CTN. Havendo o recolhimento de parte dos valores devidos, deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN, que determina que o Fisco teria o prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, para exigir quaisquer parcelas eventualmente faltantes. Recurso de Ofício Negado.
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AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, PELO FISCAL AUTUANTE, DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do método da aferição indireta ser uma prerrogativa do Fisco para os casos em que a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, quando da lavratura do auto de infração deve ser demonstrada a presença de todos os requisitos indispensáveis para a sua validade, e não simplesmente desconsiderar parte dos documentos apresentados pela empresa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4º DO CTN. Havendo o recolhimento de parte dos valores devidos, deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN, que determina que o Fisco teria o prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, para exigir quaisquer parcelas eventualmente faltantes. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 05 77 /2 00 8- 34 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12259.000577/200834 Acórdão n.º 2402003.348 S2C4T2 Fl. 96 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 07/01/2008 (fl. 32), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e às outras entidades e fundos, no período de 01/04/2002 a 30/04/2004. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 38/70) requerendo a total improcedência do lançamento, sob o argumento de que a taxa SELIC é ilegal para a atualização do crédito tributário. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, ao analisar o presente caso (fls. 75/88), julgou nulo o lançamento, entendendo que (i) a autuação não foi devidamente fundamentada e motivada; (ii) a aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, devendo respeitar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; (iii) a autoridade fiscal deveria ter justificado de forma clara os motivos pelos quais foram desconsideradas as folhas de pagamento e as GFIP’s na presente autuação; (iv) apesar de ter efetuado o lançamento por aferição indireta através das informações contidas na RAIS, no Discriminativo Analítico de Débitos foram utilizados os valores lançados em GFIP; (v) a autoridade fiscal não discriminou corretamente os valores devidos a título de contribuição dos segurados e das outras entidades, lançando tudo como se fosse contribuição das empresas; (vi) está decaído o crédito tributário do período de 04/2002 a 12/2002. Ante o exposto, a Presidente da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ recorreu de ofício a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do artigo 366, inciso I e §§ 2° e 3° do Decreto 3.048/99, em razão de o montante exonerado ultrapassar o valor de alçada de que trata o art. 1° da Portaria/MF n° 03, de 03/01/2008. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Preenchidos todos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso de ofício e passo ao exame do mérito. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ entendeu pela nulidade do lançamento, uma vez que (i) a autuação não foi devidamente fundamentada e motivada; (ii) a aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, devendo respeitar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; (iii) a autoridade fiscal deveria ter justificado de forma clara os motivos pelo qual foram desconsideradas as folhas de pagamento e as GFIPs na presente autuação; (iv) apesar de ter efetuado o lançamento por aferição indireta através das informações contidas na RAIS, no Discriminativo Analítico de Débitos foram utilizados os valores lançados em GFIP; (v) a autoridade fiscal não discriminou corretamente os valores devidos a título de contribuição dos segurados e das terceiras entidades, lançando tudo como se fossem contribuição das empresas; (vi) está decaído o crédito tributário do período de 04/2002 a 12/2002. De fato, analisando o relatório fiscal (fls. 26/28), verificase que a aferição indireta realizada na presente autuação não encontra justificativa, uma vez que a autoridade fiscal teve a sua disposição não apenas a RAIS, mas também as folhas de pagamento, as GFIP’s e as DIPJ’s do período fiscalizado, como é possível verificar no parágrafo abaixo: “Tais divergências foram encontradas entre as Folhas de Pagamentos, a Relação Anual de Informação Social – RAIS, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP e Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIPJ, referente ao período objeto desta auditoria”. Assim, após analisar o trabalho realizado pela fiscalização nos presentes autos, não há como concluir que a Autoridade Fiscal demonstrou da forma necessária as razões que a levaram a adotar o procedimento da aferição indireta para o cálculo do tributo devido, principalmente porque teve acesso a vários documentos que poderiam auxiliála na busca dos valores efetivamente devidos à Seguridade Social. Ou seja, não poderia a fiscalização ter lavrado o presente auto de infração unicamente com base na aferição indireta realizada sobre a totalização mensal das remunerações dos empregados informadas nas RAIS/CNIS (fl. 27). Em que pese este julgador não desconheça o fato de que este E. Conselho Administrativo entende que o método de aferição indireta é uma prerrogativa do Fisco, esta prerrogativa e eficaz arma da fiscalização contra os sonegadores não pode ser aplicada desprovida dos requisitos mínimos para a sua verificação. Ao realizar o lançamento por esse método de aferição, a Autoridade Fiscal teria que, obrigatoriamente, demonstrar de maneira clara e exaustiva onde estariam os diversos equívocos na contabilidade da empresa que justificaram o lançamento por arbitramento, juntando, inclusive, toda documentação que foi analisada e que poderia comprovar o estado Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12259.000577/200834 Acórdão n.º 2402003.348 S2C4T2 Fl. 97 5 precário da contabilidade da empresa, e não simplesmente desconsiderar parte da documentação apresentada. Por fim, como ficou demonstrado na decisão da DRJ, considerando que a intimação da presente autuação ocorreu apenas em 07/01/2008 (fl. 32), e que houve pagamento parcial de parte dos débitos (fl. 27), está correta a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN, que determina que o Fisco teria o prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, para exigir quaisquer parcelas eventualmente faltantes. Sendo assim, aplicandose as regras decadenciais previstas no CTN em seu art. 150, § 4º, correta está a extinção parcial dos créditos tributários do período de 04/2002 a 12/2002 pela decadência. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 36190.001802/2005-15
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2001
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO DOCUMENTOS APRESENTADOS NÃO SÃO APRECIADOS.
A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2301-003.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2001 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO DOCUMENTOS APRESENTADOS NÃO SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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OCORRÊNCIA QUANDO DOCUMENTOS APRESENTADOS NÃO SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Decisão de Primeira Instância Anulada. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 19 0. 00 18 02 /2 00 5- 15 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.690.9140, lavrada em 27/06/2005, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações apuradas em folhas de pagamento e em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP) , no período de 01/1995 a 13/2001, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 913.938,45, fls. 02. Após tomar ciência postal da autuação em 30/06/2005, fls. 02, a recorrente apresentou impugnação, fls. 237/254, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 269/279, a DRP/Salvador concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em data que não pudemos apurar nos autos. O recurso voluntário, apresentado em 09/04/2007, fls. 295/306, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta que a decisão de primeira instância é nula, pois não enfrentou em totum seus argumentos. Teria inserido 07 CDs com documentos e estes sequer foram analisados. Em tais documentos poderia ser observado que realizou pagamentos. Especialmente em relação à competência 13/2001, a recorrente concorda com o valor do tributo, mas alega que fez pagamentos conforme comprovam os documentos contidos nos CDs. Entende que o saláriofamília deveria ter sido deduzido da base de cálculo. O lançamento incluiu as diárias na base de cálculo sem observar os limites do saláriodecontribuição. Por conta disso, requer o sobrestamento do feito até o julgamento final da exigência fiscal na qual se discute a questão das diárias. Aponta que não tem obrigação de reter e recolher contribuição sobre serviços de frete. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36190.001802/200515 Acórdão n.º 2301003.493 S2C3T1 Fl. 337 3 Voto Reconhecemos a intempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, pois a não existência nos autos de prova de ciência da decisão de primeira instância não pode resultar em cerceamento de defesa. A recorrente aponta que juntou 07( sete) CDs e que estes não foram analisados pelo órgão julgador de primeira instância. Em tais CDs estariam os comprovantes de pagamentos da competência 13/2001, única competência que remanesceria após a consideração da decadência. De fato, observamos que a decisão de primeira instância não levou em conta os documentos por entender que não cumpriam os parâmetros das normas infralegais. Não temos dúvida que ficou evidenciado o cerceamento de defesa em tal negativa de análise de documentos, se considerarmos que no processo administrativo fiscal estamos sob a égide dos princípios da verdade material e da informalidade. Ademais, o principal argumento é de que a única competência que restará no lançamento restará totalmente quitada após a análise dos documentos. Logo, restando caracterizado o cerceamento defesa, a decisão de primeira instância deve ser anulada com fulcro no art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER o Recurso Voluntário e ANULAR a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001543/2008-37
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2003, 2004
ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. Devem ser excluído da base de cálculo os crédito relativos a empréstimos bancários.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os
julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia
normativa.
ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO 75%. ASPECTO CONFISCATÓRIO.
A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confíscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária.
JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na
Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores
administrativo
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recuso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 1.036.348,98, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2003, 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. Devem ser excluído da base de cálculo os crédito relativos a empréstimos bancários. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO 75%. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confíscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativo Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. Devem ser excluído da base de cálculo os crédito relativos a empréstimos bancários. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO 75%. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confíscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativo Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11522.001543/200837 Acórdão n.º 140201.025 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recuso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 1.036.348,98, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório FRIOS VILHENA IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor total de R$ 1.723.975,76, incluídos os acréscimos legais, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004. A autuação fiscal fundamentouse em depósitos bancários não comprovados, embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado. Cientificado do lançamento em 30/06/2008 apresenta impugnação em 29/07/2008 onde alega em síntese que: 1. o crédito tributário deve ser definitivamente constituído pelo ato jurídico do lançamento, no prazo máximo de 5(cinco) anos contados da data de ocorrência do fato gerador; 2. a fiscalização ao apurar a base de cálculo do imposto considerado como devido, o fez de forma equivocada posto que incluiu na sua composição os valores declarados em DCTF 3. houve inclusão de financiamentos bancários, creditados nas contas correntes da impugnante, na base de cálculo do imposto supostamente devido; Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11522.001543/200837 Acórdão n.º 140201.025 S1C4T2 Fl. 4 3 4. a multa aplicada foi equivalente a 75%, em manifesta ofensa ao princípio constitucional do não confisco, consagrado implicitamente pela Constituição; 5. a taxa SELIC não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, o STJ recentemente se manifestou sobre a inconstitucionalidade da adoção da taxo SELIC; 6. requer a improcedência da presente autuação em face da inexigibilidade do IRPJ nos moldes constantes do auto. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN, de outra forma, aplica se a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ENCARGOS LEGAIS . MULTA DE OFÍCIO 75%. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confíscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua legalidade/inconstitucionalidde. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11522.001543/200837 Acórdão n.º 140201.025 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado tratase de exigência de tributos por omissão de receitas, com base em depósitos bancários, cujos extratos foram apresentados á fiscalização pelo próprio contribuinte, tendo sido aplicada a multa de 75% sobre os tributos devidos. A fiscalização arbitrou o lucro da empresa diante do montante das omissões e desconsiderou os valores declarados em DCTF, porém não recolhidos. A decisão de 1a. instância acolheu a preliminar de decadência do 1o. trimestre do anocalendário de 2003, aplicando a regra de contagem do art. 150 do CTN (data do fato gerador). Em seu recurso a contribuinte repisa, em parte as alegações da peça impugnatória, que a meu ver foram esgotadas na decisão recorrida, cujos fundamentos, a seguir transcritos não merecerem reparos, pelo que peço vênia para adotalos como razões de decidir: ARBITRAMENTO DO LUCRO IRPJ E CSLL Conforme art. 530, inciso III, do RIR/99, abaixo transcrito, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais, por si só, é suficiente para o arbitramento do lucro. Tal arbitramento se justifica porque, na ausência dos livros e documentos o fisco não tem como apurar o lucro do contribuinte. Art. 530 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n? 9.430, de 1996, art. 1?): I a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou bjdeterminar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...]. A impugnante insurgese contra a forma da fiscalização apurar a base de cálculo do imposto considerado como devido, posto que incluiu na sua composição os valores declarados em DCTF. Ocorre que em face de não possuir a escrituração para cotejar os valores informados em DCTFxDepósitos Bancários, a fiscalização não tem como aferir a receita bruta da impugnante, restandolhe como alternativa o arbitramento do lucro. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11522.001543/200837 Acórdão n.º 140201.025 S1C4T2 Fl. 6 5 Registrese que arbitramento não é penalidade, já que o teor do disposto no art. 3o do CTN, tributo não decorre de sanção de ato ilícito, constitui, tão somente, uma forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das pessoas jurídicas. DEPÓSITO BANCÁRIO A impugnante alega que nos demonstrativos elaborados pela fiscalização foram incluídos financiamentos bancários, creditados nas contas correntes da impugnante. Dos autos depreendese que embora regularmente intimado para comprovar a origem dos recursos depositado" fl suas contas, não apresentou documentação comprobatória. No caso de omissão de receitas detectada por intermédio da movimentação bancária caberia à contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea coerente em datas e valores, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas, o que não foi feito. A presunção legal é de que estes depósitos são omissão dc receitas, ou seja, estão à margem do faturamento da empresa. Fazse oportuno, discorrer superficialmente sobre o uso de presunções nos trabalhos fiscais. As provas, via de regra, simbolizam determinado acontecimento por intermédio de articulações lingüísticas, existindo sempre uma probabilidade associada. Isso porque, a verdade material é inatingível. As provas são apenas instrumentos que possibilitam reconstruir e evidenciar a verdade, cuja validade depende do sistema de referência cm que sc encontra contextualizada. No que diz respeito à classificação, as provas dividemse em diretas e indiretas. As primeiras representam, de forma imediata, a ocorrência do fato de implicações jurídicas, constituindo uma versão do evento. Já a segunda exprime fatos secundários ou indiciários, diversos do fato principal, que se considera existente em virtude do uso de inferência lógica e de raciocínio dedutivo. Geralmente, as provas indiretas possuem maior probabilidade de erro que as provas diretas, devido à necessidade de se efetuar uma operação lógica. Porém, a soma de indícios que apontam a um mesmo resultado aumenta significativamente o grau de certeza, conduzindo, muitas vezes, a uma convicção tão segura, quanto àquela amparada em provas diretas. Nesse sentido, as presunções constituem meios indiretos de provas plenamente capazes de embasar o lançamento tributário. Certamente, por serem uma prova indireta, quanto maior o número de indícios concatenados, mais evidenciados fica o acontecimento investigado. Importante observar que para as presunções legais basta comprovar o fato tipificado na norma, pois o próprio legislador reconheceu a força desta prova indireta, dispensando a busca por mais evidências. No caso em concreto, a fiscalização fundamentou o lançamento justamente em uma presunção legal. Com a edição do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a partir de 01/01/1997, a existência de depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida â condição de presunção legal de omissão de receita. Ari. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11522.001543/200837 Acórdão n.º 140201.025 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, a partir de 01/01/1997, a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente. Com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o ônus probandi a seu cargo. (...) Portanto, impróprias as alegações da reclamante. Na verdade, a autuação ^corrente da falta de comprovação da origem dos recursos depositados na conta corrente da defendente encontrase perfeitamente enquadrada no dispositivo citado e só pode ser afastada com a apresentação por parte do sujeito passivo de provas em contrário, motivo pelo qual se prestigia a exigência formalizada pelo fisco. Assim, restam perfeitamente comprovadas as origens das receitas utilizadas pela fiscalização como base para o arbitramento do lucro e para a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins. Quanto às alegações do defendente de que os depósitos bancários não se traduzem em omissão de receitas, já asseverei acima que se trata de uma hipótese de presunção de omissão de receita. Se o sujeito passivo não comprovou as origens desses depósitos bancários, passam a ser considerados receita omitida, com todos os reflexos nas bases de cálculo dos tributos ora exigidos. Além do mais, verificase que o fiscal autuante analisou individualizadamente os extratos bancários, tanto que baseou o lançamento nos valores lançados a crédito. DECISÕES JUDICIAIS. São improfícuos os julgados e argumentações judiciais trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN) determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. Logo, não se conhece das decisões judiciais aduzidas pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO 75%. ASPECTO CONFISCATÓRIO. Sobre a cobrança da multa de ofício de 75%, digase que esta decorre de estrita previsão legal, emanada pelo art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Com referência à alegação de confisco, ressaltese que a vedação do art. 150, IV da Constituição Federal dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no ''caso de falta de recolhimento. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11522.001543/200837 Acórdão n.º 140201.025 S1C4T2 Fl. 8 7 (...) a jurisprudência administrativa tem o entendimento de que o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102,1, "a", III da Constituição Federal de 1988. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos, de forma original, reconhecer alegada inconstitucionalidade da lei que fundamenta o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não v se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142, acima citado, a autoridade encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame, uma vez que às autoridades tributárias cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. (...) JUROS DE MORA. SELIC. Incabível, também, o protesto da impugnante contra a ilegalidade na aplicação dos juros de mora, exigido no presente auto de infração com amparo legal no art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/1996, in verbis: (...) Assim, é bastante para manutenção dos juros com base na taxa SELIC que o art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/1996 tenha estabelecido a legalidade da cobrança. Não se trata, pois, de aumento de tributo. A cobrança de juros referese apenas a frutos civis calculados sobre o tributo não pago, ou em outras palavras, cuida de simples remuneração do capital. Por fim, no que tange a alegação de que no processo 11522.001542/200892, relativo ao PIS/Cofins a DRJ Belém aceitou a comprovação dos empréstimos bancários, cabe razão à contribuinte, devendo ser excluído da base cálculo o valor total de R$ 1.036.345,98 (discriminado às fls. 1120 e 1121). Registrese que apesar de não ter trazido a provas dos empréstimos, tais valores estão registrados nos próprios extratos. Registrese, ainda, que os valores declarados em DCTF dos mesmos períodos de apuração não devem ser objeto de cobrança, haja vista que foram objeto do lançamento de oficio de que trata o presente processo. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 1.036.348,98 (conforme discriminado às fls. 1120 e 1121). (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 11522.001543/200837 Acórdão n.º 140201.025 S1C4T2 Fl. 9 8 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
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RIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO PROCESSO N9 13673/G00.158/90-84 Sessão de 28 de agosto de L g 92 ACORDÃO N2 CSRF/01---01„ 329 Recurso n e : RD/104-0, . 451 Recorrente: ARGENTUM ARTES LTDA — ME Recorrido : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL , I.R.P.J. - MICROEMPRESA - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - DEVER DE PRESTAR - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DISPENSA. A microempresa, "ex vi" do disposto no artigo 13 da Lei ng 7.256, de 1984, está dispensada do cumprimento da obrigação acessória que consiste na apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica. Incabível, portanto, a aplicação de penalidade pelo desatendimento a intimação do Fisco para que fosse feita a entrega da citada declaração. Recurso Especial a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por ARGENTUM ARTES LTDA -- ME, ACORDAM os Membros da Cámara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos] dar provimento ao recurso, nos termos dO relat6rio e voto que passam a integrar o presente julgado, Ven- cidos os Cons. EVandro Pedro Pinto, Carlos Walberto Chaves- Rosas e Mário Albertino Nunes (suplente) que lhe negavam provimento. ;ala d:.s Ses..es- (DF)_, em 28 de agosto de 1992, Milli . MAR 'Ai S.' .: , — PRESIDENTE I/ SEBAS TI'l e R t n D ',,..:.%:----. CABRAL — RELATOR--- . , . • FON;:i ' Cf 4 F R4 : NrÁ D -.°, POS - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL (substituto) v.v. .1 OAMEFP/DF- SECOB N ç 054/90 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros; IRINEU SIMIANER, WALDEVAN ALVES- DE OLIVEIRA, CANDIDO RODRIGUES NEUBER, DÍCLER DE ASSUNÇÃO, JUAREZ DE MORAIS, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES (substituto), Ausentes o Cons. AQUILES RODEI- GUES DE OLIVEIRA (substitutdo por WILFRIDO AUGUSTO MARQUES) e o Pro- curador, Dr. IRAN DE LIMA (substitutdo por AFONSO CELSO FERREIRA DE CAM POS). ' ;4. !---: SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 13673/G00.158/90-84 RECURSO N9: RD/104-0,451 ACORMA00: CSRF/01-01329 RECORRENTE: ARGENTUM ARTES LTDA - ME RECORRIDA QUARTA CÂMARA DO PRIMEI-RO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO O sujeito passivo na presente relação jurídico tributária, já qualificado nos presentes autos, inconformado com a decisão prolatada pela Colenda Quarta Câmara do Colendo Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão ns2 104-8,403 de 18 dee,hxil de 1991 ,recorre a esta 'Câmara Superior na pretensão de reforma do mencionado Aresto, o qual tem esta ementa: - "OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA - ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - IRPJ - A falta de entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, ou sua apresentação fora do prazo legal, caracteriza infração ao disposto no artigo 592 do regulamento do imposto (RIR/ 80), sujeita à aplicação da multa prevista no artigo 723, do mesmo ato legal. Cientificada dessa decisão em 10 de junho de 1991 , o contribuinte ingressou com Recurso Especial para esta Superior Instância Administrativa, sustentando em resumo: a) além de Microempresa, necessitada de recursos financeiros, pouco importaram os direitos de sua isenção até mesmo pelo que prescreve o Código Civil: "onde não há devedor não há credor", apesar de na persistente obstinação de tão somente punir com a imposição da multa desconhecem de forma injusta que pelo menos o seu dever de entregar a declaração de rendimentos foi cumprida de forma espontânea, o que afasta qualquer alegação em contrário, pois se existente tal obrigação acessória, a mesma foi cumprida sem omissão; x' tf gi4 SERVIU) PUBUCO FEDERAL PROCESSO N9 13673/000„158/90-84 3. AcôrdÃo n9-CSIW/G1-01.329 b) em razão da obsessiva persistência na imposição da penalidade, injustificando-se os inúteis esforços da empresa e de seu contador, caso continuem a desmerecer as afirmações coerentes contidas no documento que anexa por cópias, a qual vem complementar outros anteriorwente juntados, como a decisão unânime de Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e tantas outras razões de defesa . simplesmente desprezadas, cometendo assim uma injustiça para com a firma; c) se a razão de direito e justiça possui obrigatoriedade de igualdade para todos, também não é justo que apenas a região caipira seja vítima de incoerentes respostas quanto a aplicação discriminada da multa, pois se trata de lei ou obrigação de caráter geral, nacional, referente à Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica; d) para refotçá1-- ainda mais as incabíveià'hormas empregadas de uma aparente e normal discriminação, estranha principalmente a persistência pela ocorrência de pequena anormalidade diante das circunstâncias que apresenta: as contradições de atitudes quanto a impunidade para tantas empresas que se omitiram e não entregaram suas declarações, o que se constitui em mais uma injusta medida, já que sequer vem sendo molestadas, punidas, multadas ou simplesmente notificadas. É o relatório. fr,4\ 7(94 v 4.SERVICO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N Q 13673/000_158/9a-84 Acórdão nQ CSRF/01-01.329 VOTO Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL - Relator: O recurso atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Devendo, pois, ser conhecido. Como visto do relato, o ponto central da controvérsia reside em definir se a pessoa jurídica enquadrada como MICROEMPRESA está ou não sujeita a apresentar, à Fiscalização, Declaração do Imposto de Renda, por ser mencionado ato classificado como uma OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA e, como tal, expressamente dispensado através do artigo 13 da Lei nQ 7.256, de 1984. Mencionado diploma legal declara isenta a Microempresa do pagamento do Imposto de Renda, desde que observados os requisitos por ela fixados, dispondo textualmente os seus artigos 13 a 16: "Art. 13 - A isenção referida no art. 11 abrange a dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias, salvo as expressamente previstas nos arts. 14, 15 e 16 desta Lei. Art. 14 - O cadastramento fiscal da microempresa será feito de ofício, mediante intercomunicação entre o órgão de registro e os órgãos cadastrais competentes. Art. 15 - A microempresa está dispensada de escrituração, ficando obrigada a manter arquivada a documentação relativa aos atos negociais que praticar ou em que intervir. Art. 16 - Os documentos fiscais emitidos pelas microempresas obedecerão a modelo simplificado, aprovado em regulamento, que servirá para todos os fins previstos na legislação tributária." (3.-41 SERVICO PUBLICO FEDERAL pROCRSSQ N9 13673/000,158J90-84 5. Acórdão n9-CSRIV01-01.329 Da leitura dos artigos retro transcritos fica evidente que a Lei dispensou a microempresa de cumprir qualquer obrigação tributária de natureza acessória, exceto: a) o cadastramento, efetivado "ex officio"; b) a manutenção da documentação que tenha dado causa ou seja decorrente de todos os atos negociais por ela praticados ou nos quais venha a intervir; e c) na emissão de documentos seja obedecida a forma denominada de "modelo simplificado", conforme dispuser o Regulamento. Dispõe o artigo 113 da Lei nQ 5.172 de 1966 (C.T.N.): "Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1Q - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2 2 - A obrigação acessória decorre da legislação tributária, tem por objeto as prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3 Q - A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A obrigação tributária decorre sempre de Lei e se traduz como uma relação jurídica que se estabelece entre duas pessoas: a) de um lado, a pessoa jurídica de direito público, o sujeito ativo ou titular da competência para exigir o cumprimento da obrigação; e b) do outro lado, no polo passivo da relação jurídica, está a pessoa, física ou jurídica, obrigada a satisfazer tal obrigação, e que geralmente tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária (obrigação principal). O objeto da obrigação tributária acessória, como se depreende do texto legal transcrito, são prestações (positivas ou negativas) de fazer ou de não fazer alguma coisa, sempre impostas pela Lei, e visam primordialmente, a arrecadação ou a fiscalização dos tributos. „- // rRocEsso N9 13673/000.158/90-84 6. SER VICO PUBLICO FEDERAL Ac6rdão n9-CSRFJ01-01.329 O mestre Aliomar Baleeiro, "in" DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 10 A1 ed., Forense, R.J., p. 450, nos ensina: "II. OBRIGAÇÃO DE DAR E FAZER ETC. - Como adverte Pugliese (Der. Financ., México, 1939, p. 57), a lei tributária geralmente encerra preceitos de fazer, não fazer ( ou abster-se), tolerar. Isso se reflete na obrigação tributária que é precisamente a de dar quantum do tributo, fazer (declaração, informar etc.), não fazer (importações proibidas, transportar mercadorias desacompanhadas de guia, concorrência a monopólio fiscal etc.), tolerar (exames de livros e arquivos, apuração de stocks, inspeção de mercadorias nos envoltórios etc.)." Comentando o artigo 115 do C.T.N., o renomado autor, à página 457 da obra citada, preleciona: "Separadamente, refere-se o Código ao fato gerador da obrigação principal e ao da acessória. O desta é a situação prevista em lei, que obriga alguém a praticar ou abster-se de certos atos diversos do pagamento do tributo ou de pena pecuniária. Exemplos: informar o Fisco sobre terceiros, remeter certos documentos, não transportar mercadoria desacompanhada de guia, prestar-se à inspeção de livros mercantis e arquivos, balanço ou verificação do stock etc. (ver arts. 113, 121 e 122). O CTN estatui que fato gerador da obrigação acessória "é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prãtica -ou abstenção do ato...". Mas - acreditamos -, da definição desse fato gerador há de constar expressa e especificamente quais delas. Isso não poderá ficar ao arbítrio da autoridade fiscal (C.F., art. 153, S 2Q)." No caso do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, a legislação impõe às pessoas físicas e jurídicas, ,contribuintes ou não, inúmeras obrigações relacionadas, na sua grande maioria, com a prestação de informações, esclarecimentos, manutenção de registros ou assentamentos, emissão de documentos etc.. _AN .0 7. SEAVICO PUBL . 00 FEDERAL PROCESSO N9 13673/G0a.158190-84 AcOrdão n9-CSRF/01-a1,329 O Regulamento aprovado com o Decreto n s2 85.450, de 1980, no "LIVRO IV, TITULO I, CAPÍTULO I, SEÇÃO I a III" (arts. 587 a 618), elenca várias normas que devem ser observadas pelas pessoas físicas e jurídicas quanto à apresentação da declaração de rendimentos, inclusive indicando modelos aprovados pelo órgão competente e exigindo a assinatura do contribuinte ou seu representante legal. A declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte, como se sabe, tem por objeto colocar à disposição da pessoa jurídica de direito público, titular da competência para lançar e exigir o cumprimento da correspondente obrigação (sujeito ativo), os elementos considerados necessários à formalização da exigência tributária. DE PLÁCIDO E SILVA, em sua obra NOÇÕES DE FINANÇAS E DIREITO FISCAL", 2 ã ed., Guaira, p.1 279, analisando alguns aspectos da legislação do Imposto de Renda, editadas através do Decreto-lei nQ 5.844, de 23.9.43, registra: "116. LANÇAMENTO E NOTIFICAÇÃO DO IMPOSTO - O imposto sobre a renda é de ordem dos lançados. A declaração serve de índice para esse lançamento, que é promovido, após o exame e verificação dos esclarecimentos nela constantes, pela autoridade encarregada desse serviço. Antes que se processe o lançamento, belo qual se procura cumprir a incidência legal do imposto, a repartição competente, pelo funcionário encarregado da revisão, fará um exame da declaração, solicitando esclarecimentos do contribuinte ou determinando diligências, que julgue necessárias. Julgado exatas tódas as informações prestadas pelo contribuinte, dará o lançamento por efetivo. E dele notificará o contribuinte, pessoalmente ou por carta registrada." Vê-se, pois, que sempre foi a declaração de rendimentos considerada uma peça cujas informações ali contidas possibilitam (mas não integram) o lançamento tributário, cuja competência, apesar da evolução tecnológica, dos meios de comunicação etc., continua sendo privativa da autoridade administrativa e, de tal ato, decorre a constituição do crédito tributário. . \I"A Áll SERVICO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 136731000.158/90-84 8, AceirdÃo n?-CSRF/01-01,329 É inegável que a apresentação da declaração de rendimentos sí traduz numa obrigação acessória que, uma vez descumprida, ensejé aplicação de penalidade pecuniária e, nesse caso, se converte ei obrigação principal (CTN, art. 113, S 3Q). Tendo a Lei nQ 7.256, de 1984, dispensado a MICROEMPRESA de apresentar declaração de rendimentos, e sendo certo que se trata de obrigação acessória, não pode haver aplicação de penalidade pecuniária. No caso, não há falar em descumprimento do objeto da prestação positiva ( de fazer), pois o sujeito passivo, no caso a Microempresa, está expressamente afastada do rol daquelas pessoas obrigadas a entregar o formulário declarando seus rendimentos. Se inocorre a obrigação acessória, como admitir sua conversão em obrigação principal para o fim de exigir o pagamento de penalidade pecuniária. A decisão recorrida, no caso, merece reforma. Dou provimento ao Recurso Especial interposto. Brasília - D.F., em 28 de ,gos o •e 1992. .1 _ fSEBASTIÃO • 01/ 040;CABRAL - RELATOR. - / , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 00007.110070/56-80
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Numero do processo: 10283.900589/2006-76
Data da sessão: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA NÃO OCORRÊNCIA.
Consoante o que decidido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543-B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005.
Numero da decisão: 1301-001.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário para os fins específicos de afastar a decadência antes reconhecida, determinando o encaminhamento destes autos à autoridade administrativa de origem para que se manifeste sobre o conteúdo material do pedido de compensação, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA NÃO OCORRÊNCIA. Consoante o que decidido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543-B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário para os fins específicos de afastar a decadência antes reconhecida, determinando o encaminhamento destes autos à autoridade administrativa de origem para que se manifeste sobre o conteúdo material do pedido de compensação, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1812; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900589/200676 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.151 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de fevereiro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente BENARROS VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA NÃO OCORRÊNCIA. Consoante o que decidido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário para os fins específicos de afastar a decadência antes reconhecida, determinando o encaminhamento destes autos à autoridade administrativa de origem para que se manifeste sobre o conteúdo material do pedido de compensação, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 05 89 /2 00 6- 76 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Belém/PA. Em análise do presente processo administrativo verifico tratarse de declaração de compensação (fls.15), apresentada via PER/DCOMP 34040.80361.291003.1.3.021220, mediante o qual o contribuinte informa crédito de saldo negativo IRPJ 3º trimestre/1998 no valor de R$ 20.555,16 para compensar débito de IRPJ de outubro/2002, no valor de R$ 38.253,15. Verificase que por meio do Despacho Decisório de folha 6 a 8, o direito creditório não foi reconhecido, pois segunda a autoridade administrativa "já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo”, ou seja, reconheceuse a decadência do direito de a Recorrente pleitear a restituição/compensação dos valores considerados indevidos. Devidamente notificada (fl.10), a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.11 17), alegando em síntese que a análise da Receita Federal sobre os pedidos de compensação foi efetuada somente com base na data da transmissão das PER/DCOMP, de forma que não espelharia a condição da tempestividade das compensações efetuadas internamente (na escrituração contábil), assinalando o que o artigo 14 da INSRF 21/97 prescrevia. Afirmou que naquele momento não estava obrigada a apresentar requerimento ou pedido de compensação junto à Receita Federal, de formas que a compensação foi efetivada dentro do prazo de cinco anos, na forma da documentação sujeita a fiscalização por parte da Receita Federal, destacando que a INSRF320/2003 veio para instituir a criação do programa eletrônico de compensação e somente quando da vigência da INSRF323/2003 é que foram modificados alguns dispositivos, da INSRF210/2002, notadamente no que diz respeito à compensação com débitos da mesma espécie; (transcreve a redação dada pela INSRF'323/2003 ao artigo 21 da INSRF210/2002). Concluiu, destarte, que na data das compensações efetivadas nos registros contábeis, que se deu em dezembro/2002, em se tratando de crédito e débito da mesma natureza, não estava obrigada a apresentar declaração de compensação à Receita Federal e que ao efetuar compensações com crédito relativo a saldo negativo do imposto de renda com débito da mesma natureza, ou seja, imposto de renda, escriturou débito e crédito tanto no Diário Geral de n° 63, quanto no Razão, atendendo a exigência contida na INSRF21/97. Voltou a referir que pedido de compensação por formulário, como dito alhures, só veio a ser instituído em 24/04/2003, por meio da Instrução Normativa n° 323, ao mesmo tempo em que se tornou obrigatório o pedido de compensação via internet, de forma que não havendo previsão legal para tanto, foi a compensação devidamente registrada no Diário Geral de n° 63 e no Razão, sendo que a transmissão dos PER/DCOMP só foi efetivada Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10283.900589/200676 Acórdão n.º 1301001.151 S1C3T1 Fl. 3 3 em 29/10/2003, visando ratificar as compensações efetuadas e evitar o perecimento do direito da mesma, uma vez que a partir daquele momento passou a ser obrigatório o Pedido de Compensação Eletrônico. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA, nos termos do acórdão e voto de folhas 46 a 49, indeferiu a solicitação da Recorrente reafirmando a decadência antes reconhecida, ao fundamento de que “o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição de saldo negativo IRPJ, apuração trimestral, é de cinco anos contados a partir do encerramento do período de apuração”. Devidamente notificada da decisão desfavorável (fl. 50), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 51 – 59), reiterando os argumentos já relatados e pugnando pro provimento do seu recurso. Em sessão de 31/11/2011, a 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste CARF aprovou a Resolução nº 1302000.130, sobrestando o feito nos termos do artigo 62A do Regimento Interno, ate que sobreviesse posicionamento final acerca da questão alusiva à decadência (tese dos cinco mais cinco). É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Apresentase para análise questão alusiva à decadência do direito de o contribuinte pleitear a compensação/restituição de valores pagos indevidamente ou a maior que o devido. As decisões primitivas proferidas nestes autos reconheceram que o prazo aqui tratado, é de cinco anos contados a partir do encerramento do período de apuração. Conquanto a questão tenha sido resolvida com a edição da Lei Complementar nº 118/2005, que estabeleceu que o dito prazo é de cinco anos contados do pagamento indevido, tal fato, como reconhecido na Resolução nº 1302000.130 da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste CARF, deve ser analisado à luz da jurisprudência firmada com finalidade uniformizadora. Sem maior esforço, tratandose de questão eminentemente constitucional, consoante Regimento Interno deste Conselho, entendo que deve prevalecer o que decidido no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, no qual o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que ao tempo da publicação da Lei Complementar nº 118/05 já estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação dos arts.150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN, sufragandose ainda, que a supracitada lei complementar não era meramente interpretativa, pois reduziu o prazo de repetição de 10 para 5 anos, reconhecendo a inconstitucionalidade do art.4º, segunda parte, da LC 118/2005, devendo ser aplicada ao art. 3º a vacatio legis de 120 dias, período consignado aos contribuintes para que não apenas tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Sendo o referido caso representativo de controvérsia foilhe conferida repercussão geral, devendo, assim, ser acolhido nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Confirase, por oportuno, trecho do referido Recurso Extraordinário nº 566.621/RS: Ementa DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. (Negritei e grifei) Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10283.900589/200676 Acórdão n.º 1301001.151 S1C3T1 Fl. 4 5 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Diante disso, considerando que o PER/DCOMP foi apresentado em 29/10/2003 (fl. 01), afasto a decadência reconhecida pela decisão recorrida, devendo tal prazo ser contado da forma estabelecida acima. Considerando, no entanto, que a compensação de créditos tributários está adstrita à aferição dos requisitos de certeza e liquidez e, que tais aspectos não foram apreciados nas decisões anteriores, para preservar o equilíbrio processual e não usurpar competências, de rigor que o processo seja encaminhado à autoridade administrativa de origem para que se manifeste sobre o conteúdo material do pedido de compensação. Diante de tais fundamentos encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário para os fins específicos de afastar a decadência antes Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 reconhecida, determinando que o feito seja encaminhado à autoridade administrativa de origem para que se manifeste sobre o conteúdo material do pedido de compensação. Sala das Sessões, em 06 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 02/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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I.R.P.F. - RENDIMENTOS DA CÉDULA "D" - RECEITAS DE FRETES - DEDUÇÕES CEDULARES - NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO - POSSIBILIDADE - O direito de pleitear dedução cedular, até o limite fixado pela legislação de regência, independentemente de comprovação, pode ser exercido quer no ato da entrega da declaração de rendimentos, quer por ocasião da impugnação a lançamento "ex officio". Inteligência do disposto no artigo 53, S I Q , c/c o artigo 48, ambos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto n g 85.450, de 1980. Recurso Especial a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente jul- gado. Vencidos os Cons. Carlos Walberto Chaves Rosas e Mariam Seif, que proviam o recurso. es -s-DF em 20 de novembro de 1992. 7 " MARI, S - PRESIDENTE SEBASTI , ymeffik GUES CABRAL - RELATOR \. v.v PAPAEFP/DF-6Ecpa N e 064/90 /4",,ej?IZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZEN -NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: IRINEU SLMIANER, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, DICLER DE ASSUNÇÃO, EVANDRO PEDRO PINTO, JUAREZ DE MORAES, AFONSO CEL- SO MATTOS LOURENÇO, MARIA DA GLÓRIA DE OLIVEIRA COELHO LEAL erMIZERIDO AUGUSTO MARQUES-,(Sübstituto). c , ,, PROCESSO N Q 11030/000.677/90-19 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL RECURSO N Q : RP/ 104.243 ACÓRDÃO N Q : CSRF/01-01.448 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: HÉLIO LUIS COPPINI RELATÓRIO O Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Colenda Quarta Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, com fundamento no artigo 3 Q , I, do Decreto nQ 83.304, de 1979, recorre a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais na pretensão de reforma do Acórdão nQ 104-8.805, de 18 de setembro de 1991, assim ementado: "IRPF - CÉDULA "D" - FRETES - DEDUÇÃO SOBRE RENDIMENTOS OMITIDOS - Considerando a natureza da atividade de trasportador autônomo de carga, na qual há uma constante relação entre o valor dos fretes contratados e as despesas necessárias à sua efetivação deve ser admitida a dedução cedular de 60% mesmo nos procedimentos de oficio. Recurso provido." Sustenta o Procurador da Fazenda Nacional que não há dúvida de que ao decidir pela dedutibilidade da despesa a Câmara . recorrida incorreu em erro, pois é incabível, no caso, a dedução pleiteada pelo sujeito passivo, uma vez que a inclusão de rendimentos omitidos e apurados pela repartição, independentemente de qualquer iniciativa do contribuinte, não assegura ao mesmo o direito à dedução cedular prevista no S 2 Q do artigo 48 do RIR/80. É sempre um ato de iniciativa do contribuinte e a sua concessão se vincula, à espontaneidade em oferecer à tributação os respectivos rendimentos. É inaplicável à questão presente os fundamentos da Lei ng 7.713, de 1988, invocados pelo insurgente, pois a mesma passou a ter eficácia somente a partir de 1 Q de janeiro de 1989. - A pretensão do reclamante não deve ser atendida, negando- lhe, em conseqüência, o dedução pleiteada. dl .0 ‘ ji n11 , Imprensa Nacional _ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N 2 11030/000.677/90-19 ACÓRDÃO N 2 : CSRF/01-01.448 Não assiste razão ao reclamante quanto a aplicação dos preceitos contidos na Lei n2 7.450, de 1985, pois a mesma passou a vigir após a ocorrência dos fatos descritos nos autos, razão pela qual requer o provimento do Recurso Especial. O Sujeito Passivo ofereceu contra-razões, onde sustenta a manutenção da decisão consubstanciada no Aresto recorrido, sendo que nesta oportunidade passo a ler o inteiro teor da peça de fls. 61 a 63, para conhecimento por parte dos demais membros deste Colegiado. É o relatório. VOTO Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, Relator. O Recurso Especial, conforme consta do despacho exarado às fls. 57, atende aos pressupostos legais exigidos para sua admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Nos termos do artigo 18 do Decreto-lei n 2 5.844, de 1943, o rendimento líquido é determinado pela diferença entre o rendimento bruto e as deduções cedulares. Estabelece, ainda, o citado dispositivo legal, em seu parágrafo único, que na hipótese de o contribuinte não solicitar a dedução a que tem direito, ou quando, incabível a dedução solicitada, o rendimento bruto será tomado como se fora líquido. A legislação de regência permite que o contribuinte, tendo declarado rendimentos classificáveis na cédula "D", deduza gastos relacionados com a atividade profissional exercida, a título de despesas operacionais, desde que realizadas no curso do ano-base e necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora. Sendo certo que o objetivo é tributar o lucro auferido pelo contribuinte, e reconhecendo a legislação, por outro lado, a existência de um custo mínimo, suportado pelo profissional para a obtenção do rendimento, é permitido que, em alguns casos, o contribuinte deduza, a título de despesas necessárias, sem a necessária comprovação, um percentual da receita brut? auferida. b. A il 49 i I Imprensa Nacional , , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N I, 11030/000.677/90-19 ACÓRDÃO N g. : CSRF/01-01.448 No caso da prestação de serviços de transporte de carga, com i utilização de veículo próprio, locado, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária em garantia, o limite foi estabelecido em 60% (sessenta por cento) da receita bruta auferida, repita-se, como despesas necessárias à percepção do rendimento. 1 , , , , Se a lei confere ao contribuinte o direito de deduzir, independentemente de comprovação, parte da receita bruta auferida, por considerar ser esse o valor mínimo necessário para o auferimento da receita, e, por outro lado, como referenciado anteriormente, o rendimento bruto só será tomado como se fora liquido quando " o contribuinte não solicitar a dedução" ou quando a mesma for incabível, não há razão para deixar de reconhecer o direito à dedução pois é exatamente isto que vem pleiteando o contribuinte desde a fase impugnativa. , Como é cediço, duas são as formas que o contribuinte dispõe para solicitar a dedução cedular: i) quando, declarando o , rendimento, registra no próprio formulário o valor que julga ser dedutível como despesa necessária; e ii) ocorrendo lançamento "ex officio", ao impugnar a exigência tributária, conforme lhe faculta a legislação em vigor. ,A exigência imposta pela norma legal está satisfeita, vez que o sujeito passivo, utilizando-se dos meios que o ordenamento jurídico lhe confere, solicitou a dedução da parcela que corresponde, ainda que não haja comprovação, a despesas necessárias à percepção dos rendimentos tributáveis. Em suma, as despesas mínimas necessárias, que foram suportadas pelo contribuinte, para auferir os rendimentos tributados, estão estimadas e seus valores podem alcançar até o limite fixado que, no caso sob exame, é de 60% da receita bruta classificável na cédula "D" da declaração de rendimentos. Como observa o Insigne Conselheiro Relator designado para redigir o voto condutor do Aresto recorrido, com o advento da Lei n g 7.713, de 1988, o reconhecimento do direito de deduzir a parcela que corresponda às despesas necessárias está explicitado 1no mencionado diploma legal, pois a tributação passou a incidir sobre 40% (quarenta por cento) do rendimento bruto, o que corresponde, na essência, a permitir que sejam deduzidas despesas equivalentes a 60 % da receita auferida, independentemente de comprovação. 10 A, 4 4‘ À4 \ Imprensa Nacional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N Q 11030/000.677/90-19 ACÓRDÃO NQ: CSRF/01-01.448 A Douta Procuradoria sustenta mas não comprova e nem convence com seus argumentos que a Câmara recorrida tenha incorrido em erro, deixando de indicar, de forma precisa, qual o dispositivo legal que veda ao contribuinte o direito à dedução cedular quando se trate de lançamento "ex officio". Também é certo que no voto vencedor não está dito que a Lei n Q 7.713, de 1988, aplica-se ao caso concreto, mas sim que reforça aquela norma o entendimento de que a dedução cedular, até o limite fixado, e que independa de comprovação, pode e deve ser reconhecido como um direito do contribuinte, quando solicitado através de impugnação ao lançamento tributário efetuado por iniciativa da fiscalização. Diante do exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. Brasília-DF, fd-fovembro de 1992. 041 .,40111mowSEBASTIÃO • OD! .11 ,,,dipp: CABRAL - Relator. 4 P- { g Imprensa Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:16:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:16:23Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:16:23Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:16:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:16:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:16:23Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:16:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:16:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:16:23Z; created: 2009-07-08T14:16:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-08T14:16:23Z; pdf:charsPerPage: 1197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:16:23Z | Conteúdo => ki* MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 13836.006208/95-94 Recurso n°. : RD/102-0.926 Matéria : IRPF Recorrente : GERALDO PADOVIN I Recorrida : SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de : 13 de março de 2000 Acórdão n°. : CSRF/01-02.861 IRPF - NULIDADE DE LANÇAMENTO - A notificação de lançamento como ato constitutivo do crédito tributário deverá conter os requisitos previstos no Art. 142 do CTN e Art. 11 do Decreto n°. 70.235/72. A ausência de qualquer deles implica em nulidade do ato, notadamente após a edição da Instrução Normativa n°. 54/97. Lançamento anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GERALDO PADOVINI. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar suscitada pelo Relator, para anular o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SON P ODRIGUES PRESIDENTE - MIS ALMEIDA EST•L RELATOR FORMALIZADO EM: 24 ABR 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTÔNIO DE FREITAS DUTRA, JOSÉ CARLOS PASSUELO, CÂNDIDO RODRIGUES MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 13836.006208/95-94 Acórdão n°. : CSRF/01-02.861 NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, MARIA GORETTI A. A. DOS SANTOS, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, FRANCISCO DE SALLES R. DE QUEIROZ, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA~, 2 jrl •„ . MINISTÉRIO DA FAZENDA -.••= CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 13836.006208/95-94 Acórdão n°. : CSRF/01-02.861 Recurso n°. : RD/102-0.926 Recorrente : GERALDO PADOVI N I RELATÓRIO O contribuinte GERALDO PADOVINI, protocola recurso especial de divergência, eis que inconformado com o decidido através do Acórdão n.° 102-42.535, da Egrégia Segunda Câmara deste Conselho, assim ementado: "IRPF — MULTA — ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — A entrega intempestiva da Declaração de Rendimentos, a partir de 1995, ainda que dela não resulte imposto devido, sujeita a pessoa física ou jurídica ao pagamento de multa, equivalente, no mínimo, a 200 UFIR ou 500 UFIR, respectivamente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA — Exclusão de responsabilidade pelo cometimento de infração à legislação tributária — a norma inserta no artigo 138 do CTN não abrange as penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento de obrigações acessórias. Recurso Negado." Como razões de recorrer, aponta os fundamentos constantes do Acórdão divergente, requerendo a reforma do julgado que lhe foi desfavorável. Ao recurso foi dado seguimento pelo ilustre Presidente da referida Câmara, que identificou o dissídio jurisprudencial em relação ao Acórdão CSRF n.° 01-02.465, com a seguinte ementa: 3 jrl - MINISTÉRIO DA FAZENDA 44 2= CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 13836.006208/95-94 Acórdão n°. : CSRF/01-02.861 "IRPF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Não há incompatibilidade entre o disposto no art. 88 da Lei n.° 8.981/95 e o art. 138 do CTN, que pode e deve ser interposto em consonância com as diretrizes sobre o instituto da denúncia espontânea estabelecidas pela Lei Complementar. Recurso Provido." Convenientemente intimada, comparece a douta Procuradoria da Fazenda Nacional com contra razões sustentando a manutenção do Julgado. É o Relatório. 4 irl :,) MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 13836.006208/95-94 Acórdão n°. : CSRF/01-02.861 VOTO Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, Relator A exemplo do despacho que deu seguimento ao apelo, também vejo devidamente comprovada a divergência, de modo que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Entendo que é dever do julgador, antes de qualquer outra investigação, verificar a regularidade e legalidade processuais. Nesse sentido é de se observar que a Notificação de Lançamento não contém o nome, cargo e matricula da autoridade lançadora, o que afronta o artigo 142 do CTN e o artigo 11 do Decreto n.° 70.235/72. Não bastasse, foi editada a Instrução Normativa n.° 54/97, que assim enfrenta a matéria nos seus artigos 5.° e 6.°: "Art. 5. 0 - Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN) e do art. 11 do Decreto n.° 70.235, de 05 de março de 1972, a notificação de que trata o artigo anterior deverá conter as seguintes informações: 1 - sujeito passivo; 11 - matéria tributável; III - norma legal infringida; IV - base de cálculo do tributo ou da contribuição devida; 5 jrl oí, -.4w• • MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 13836.006208/95-94 Acórdão n°. : CSRF/01-02.861 V - penalidade aplicável, se for o caso; VI - nome, cargo, matrícula da autoridade responsável pela notificação, dispensada a assinatura; Par. 1. 0 - A notificação deverá observar o modelo constante do Anexo único desta Instrução Normativa Art. 6.° - Na hipótese de impugnação do lançamento, o titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento — DRJ da jurisdição do contribuinte declarará, de ofício, a nulidade do lançamento, cuja notificação houver sido emitida em desacordo com o disposto no art. 5.°, ainda que essa preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo." Apenas como esclarecimento ao Colegiado, essa mesma matéria já foi enfrentada nesta Câmara Superior, em sessão de 15 de Março de 1999 quando do julgamento do RP/106-0.391, dando causa ao Acórdão CSRF/01-2.594, com decisão unânime e assim ementado: "IRPF — NOTIFICAÇÃO EMITIDA SEM OS REQUISITOS ESSENCIAIS — NULIDADE DO LANÇAMENTO — A notificação de lançamento como ato constitutivo do crédito tributário deverá conter os requisitos previstos no artigo 142 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) e artigo 11 do Decreto n.° 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). A ausência de qualquer deles implica e nulidade do ato.. Lançamento anulado." Assim, na esteira dessas considerações e suscitando preliminar de nulidade, meu voto é no sentido de ANULAR o lançamento. Sala das Sessões - DF, em 13 de março de 2000 - MIS ALMEIDA E OL 6 jr1 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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