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Numero do processo: 11557.001025/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/10/2003
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150 §4o, CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
NFLD. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 05/1999, a teor do § 4º do art. 150 do CTN, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150 §4o, CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. NFLD. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 10 25 /2 00 9- 05 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 05/1999, a teor do § 4º do art. 150 do CTN, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001025/200905 Acórdão n.º 2402005.055 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LABORATORIO QUINTAO LIDA , em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD debcad n.° 35.377.3131 lavrada em razão da falta de recolhimento por parte da recorrente de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração não contabilizada de seus empregados no período abrangido entre 1994 e 2003. Verificase que a apuração do débito foi feita via aferição indireta, uma vez que a contabilidade da empresa autuada não demonstrou a real remuneração dos segurados seu serviço além de não retratar a situação econômicofinanceira da Empresa a vista dos fatos apurados pela fiscalização e descritos no Relatório Fiscal, fls.95/108. O lançamento compreende as competências de 01/1994 a 10.2003, tendo sido o contribuinte cientificado em 24/06/2004(fls.642). O recorrente apresentou impugnação (fls.574/594), restando mantido em parte lançamento da NFLD em comento. Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a Recorrente interpôs o competente recurso voluntário (fl. 679/704), através do qual sustenta, em síntese: Decadência de todos os créditos previdenciários nos períodos anteriores a 24.06.99; A fiscalização não buscou a verdade real, mas fundouse em presunções e em um pleito trabalhista que ainda está em trâmite, além de distorcer a realidade dos fatos; Que inexiste objetividade para a ação fiscal, a contrário do que estabelece a súmula 439 do Supremo Tribunal Federal, Que os documentos foram examinados pela fiscalização de forma aleatória e indiscriminadas, o que foi feito, inclusive, com documentos prescritos; Nulidade da NFLD por cerceamento do direito de defesa, pois não restou demonstrada de forma insofismável a irregularidade e a indicação precisa da infração cometida. Não restou provada a capacidade profissional da Auditora Fiscal e não está apta profissionalmente para proceder a exame de livros contábeis. Aduz a fiscalização incorre em uso ilegal da profissão uma vez que suas conclusões são meras opiniões, sem embasamento científico e que tal ato resta viciado; Todo o cálculo se sustentou em uma folha de salários de abril de 1997 sem levar em conta as alterações ocorridas no período, pilar de sustentação do fisco previdenciário é um processo Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 judicial trabalhista ainda em trâmite. Ademais, apesar de asseverar que a contabilidade é deficiente a fiscalização a utiliza como baldrame para lavrar a NFLD, inclusive para balizar um percentual presumido da folha em relação ao faturamento. Requer seja declarada a insubsistência do Auto de Infração e consequentemente nula a multa aplicada. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001025/200905 Acórdão n.º 2402005.055 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES A recorrente sustenta a nulidade do presente lançamento por cerceamento do direito de defesa, pois não restou demonstrada de forma evidente a irregularidade e a indicação precisa da infração cometida. No entanto, não é o que vislumbro nos autos. Depreendese do relatório fiscal, que fora observado o que dispõe o art. 142 do CTN a seguir: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Da análise do relatório fiscal, ao revés do que sustenta a recorrente, verifica se que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos da NFLD em tela, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, assim, todos os fundamentos, de fato e de direito, e documentos que ensejaram a lavratura da NFLD restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. No tocante a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: "Súmula Vinculante nº 8. “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Neste tópico, razão assiste ao Recorrente uma vez que no caso dos autos, a regra incidente deve ser aquela prevista no art. 150, 4o do CTN, considerando que o presente lançamento fora relativo a remuneração não contabilizada em folha de pagamento, de modo que houveram pagamentos de contribuições sobre os valores de remuneração declarados pela contribuinte. Logo, acolho a decadência para declarar extinto o lançamento das competências até 05/1999. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001025/200905 Acórdão n.º 2402005.055 S2C4T2 Fl. 5 7 MÉRITO Quanto as alegações da Recorrente acerca da falta de capacidade técnica da fiscalização na avalição/apreciação da documentação contábil da empresa autuada, tenho que tais argumentos não merecem guarida. Tratase de prerrogativa funcional estabelecida por lei, para tanto, trago as mesmas razões apontadas na decisão a quo, senão vejamos: “Relativamente à alegação sobre o exame dos documentos, incluindo ai os livros contábeis, não merece guarida as afirmações da Defendente. As alegações acerca do trabalho fiscal, em geral, e o desenvolvimento da constituição dos créditos apenas demonstra que a Defendente desconhece o oficio que pretende comentar e criticar. E mais, demonstra total desconhecimento do disposto na legislação previdenciária. De acordo com o art. 33, §1°, da Lei N° 8.212/91, temos: Art. 33.(...)§1°. 8 prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Departamento da Receita Federal DRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados.(Atualmente Secretaria da Receita Federal, conforme caput deste artigo e Lei N° 8.490/92) (Grifamos) Ainda, de acordo com o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto N° 3.048/99, temos: Art. 231. 8 prerrogativa do Ministério da Previdência e Assistência Social, do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Federal o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Cédiqo Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (Atualmente Ministério da Previdência Social, conforme a MP no 103/2003) (Grifamos) Conforme se verifica, o Auditor Fiscal da Previdência Social tem a prerrogativa atribuida por Lei de examinar a contabilidade da empresa. Não há a exigência de que a formação acadêmica do Auditor Fiscal da Previdência para examinar a contabilidade da empresa seja em ciências contábeis." Assim, desfalecem as alegações da Recorrente. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Ante todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência, declarando extinto o lançamento das competências até 05/1999, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10240.001354/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE DE GARIMPO.
São tributáveis dez por cento do rendimento bruto percebido por garimpeiros na venda, a empresas legalmente habilitadas, de metais preciosos, pedras preciosas e semipreciosas por eles extraídos.
Numero da decisão: 2201-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo ao valor de R$ 273.125,66, no ano-calendário de 1998.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah
Nome do relator: FRACISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE DE GARIMPO. São tributáveis dez por cento do rendimento bruto percebido por garimpeiros na venda, a empresas legalmente habilitadas, de metais preciosos, pedras preciosas e semipreciosas por eles extraídos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo ao valor de R$ 273.125,66, no ano-calendário de 1998. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. Excluemse da presunção apenas os valores devidamente comprovados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE DE GARIMPO. São tributáveis dez por cento do rendimento bruto percebido por garimpeiros na venda, a empresas legalmente habilitadas, de metais preciosos, pedras preciosas e semipreciosas por eles extraídos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo ao valor de R$ 273.125,66, no anocalendário de 1998. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 13 54 /2 00 4- 34 Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10240.001354/200434 Acórdão n.º 2201002.577 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração (fls. 2.373 a 2.380), no qual se apurou o Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 407.321,30, com a multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os juros de mora. O lançamento foi decorrente das seguintes omissões de rendimentos: 1 atividade de garimpeiro, no anocalendário 1998; e 2 depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada, nos anos calendários 1998 e 1999. O contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim reproduzidos na decisão recorrida: 4.1 Analisou as tabelas Demonstrativos Consolidado de Rendimento do ano calendário 1998, e concluiu que este se encontra deficiente, pois quando pela segunda vez fora requerido ao contribuinte cópia das notas fiscais referente à comercialização de minérios, o mesmo entregara a esta autarquia as notas referentes ao ano de 1999, pois o ano de 1998, já havia sido entregue na primeira oportunidade (primeira notificação) no ano de 2002; 4.2 Não haveria a possibilidade da não entrega de notas fiscais, em face de que o contribuinte é beneficiário do que dispõe o art. 48 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda, consolidado pela Lei 7.713/88 em seu art. 10 com espeque na Lei 7805/89, em seu art. 22 do qual dispõe que somente são tributáveis 10% por cento do rendimento bruto percebido, na venda para empresas legalmente habilitadas; 4.3 Juntamos cópia da nova planilha e cópia das notas fiscais novamente referente ao anocalendário 1998; 4.4 Os depósitos feitos no Banco Bradesco são transferências bancárias do mesmo titular e requereu ao Banco cópia da integra dos extratos bancários, bem como cópia de cheques emitidos para provar que não há outro rendimento a não ser de lavra garimpeira, pois as transferências eram apenas pra cobrir empréstimos e pagamentos de financiamentos de bens para a lavra garimpeira, desta forma não pode o contribuinte ser agravado por rendimentos não comprovados que nunca existira. Pede a dilação de prazo para impugnação de tais valores já que não existe tempo hábil para esta finalidade; 4.5 É vedada a atualização da multa até 2004, pois se houve falha, a falha é da autarquia quando da demora do Auto de Infração; 4.6 Questiona a validade da utilização da taxa Selic; 4.7 Pede pela anulação do Auto de Infração e refazimento dos cálculos. Os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), por unanimidade de votos, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Cientificado em 18 de setembro de 2007 (fl. 2.648), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 11 do mês subsequente (fls. 2.657 a 2.666), no qual acosta diversos documentos e apresenta planilhas com novos cálculos, uma vez que haveria divergência nas planilhas apresentadas pela fiscalização. Traz também uma listagem e as cópias de notas fiscais que alega não terem sido entregues durante o procedimento fiscal e pede que sejam consideradas na apuração da base de cálculo tributável. Analisando o recurso voluntário, os membros desta Turma Ordinária, por meio do Acórdão nº 220100.345, de 29 de julho de 2009 (fls. 3.053 a 3.067), acordam, por maioria de votos, em acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1998, suscitada de oficio pelo Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator) e o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah e, parcialmente, o Conselheiro Edgar SilvaVidal, que acolhia a decadência até o mês de novembro de 1999. No mérito, por unanimidade, em reduzir a base de cálculo em relação ao item 2 do auto de infração, no ano 1999, para R$ 362.527,71. Designado para fazer o voto vencedor, em relação à decadência, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. A PGFN, intimada da decisão, interpôs o recurso especial Recurso Especial (fls. 3.071 a 3.080) visando rediscutir a questão da decadência. Ao recurso foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 220100.138, de 28 de junho de 2010 (fls. 3.082 a 3.085). Por meio do Acórdão nº 9202002.785, de 6 de agosto de 2013, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao Recurso Especial para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara a quo, para julgamento do mérito relativo ao exercício de 1999, anocalendário de 1998. Sendo as partes cientificadas da decisão acima, o processo redistribuído para o julgamento da questão apontada. É o relatório. Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10240.001354/200434 Acórdão n.º 2201002.577 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. As questões recorridas tinham sido apreciadas pelo Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, relator do voto vencido, o qual, por considerar correto seu raciocínio, bem como os cálculos já efetuados, tomo a liberdade de transcrever: Fundamentação Como se vê, o Contribuinte não reafirma as manifestações da impugnação contra a incidência da multa de oficio e dos juros de mora. Reivindica apenas o recálculo dos valores, considerando as novas informações sobre receitas de garimpo e transferências entre contas. Sobre a transferência entre contas, como ressaltou a decisão de primeira instância, o Contribuinte não demonstra o fato alegado. A planilha de fls. 2.677, desacompanhada dos documentos que demonstrem que, de fato, os recursos depositados em uma conta foram efetivamente sacados da outra, não socorre a defesa. Não há como acolher a alegação da defesa, portanto, quanto a este item. Quanto às receitas da atividade de garimpeiro, os documentos trazidos aos autos pelo Recorrente (notas fiscais de venda de minério) confirmam o alegado. Adotando o mesmo critério observado pela autoridade lançadora é de se excluir, portanto, a totalidade dos valores das notas fiscais. Tomando por base as planilhas elaboradas pela Fiscalização (fls. 2.422/2.423) e pelo Recorrente (fls. 2.674/2.677), o total de depósitos de origem não comprovada fica conforme o quadro a seguir, anualizados: DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS 1998 1999 1 Total da conta 27.2400, ag. 11789 Banco do Brasil 4.200.707,57 6.639.274,18 2 Vendas de ativ. Garimpeiro Antonio Rodrigues da Silva 1.981.990,76 2.465.865,87 3 Vendas de ativ. Garimpeiro Alice 384.330,63 4 Vendas ativ. Garimpeiro Adalberto 393.531,46 2.112.966,33 5 Vendas ativ. Garimpeiro Antonio Carlos 956.378,29 430.624,43 6 Total das vendas 3.331.900,51 5.393.607,26 7 Subtotal: depósitos não comprovados [1 – 6] 868.807,06 1.245.666,92 8 Rateio 25% 217.201,77 311.416,73 9 Total da conta 9916, ag. 01448 Bradesco 167.771,67 153.332,94 10 Rateio conta 9916, ag. 01448 – Bradesco [33,33%] 55.923,89 51.110,98 11 Total dos depósitos não comprovados [8 – 10] 273.125,66 362.527,71 Registrese que, diferentemente dos cálculos feitos pelo Recorrente, quando o total das notas fiscais em um mês supera o total dos depósitos na conta 27.2400, do Banco do Brasil, a diferença não justifica a origem dos depósitos na conta n° 9.9167 do Bradesco. É que o critério adotado é o de que a primeira conta, mantida em conjunto pelas mesmas quatro pessoas associadas na atividade de garimpo se presta para receber os depósitos desta atividade. Dai admitirse a comprovação da origem, ainda que não haja coincidência de datas e valores, de forma individualizada. Porém, para admitirse essa origem para a outra conta, Contribuinte teria que comprovar individualizadamente, a relação entre a origem e o credito bancário. Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Assim, em conclusão, entendo que a base de cálculo do lançamento, com relação ao item 02 da autuação, deve se reduzido para R$ 273.125,66 e R$ 362.527,71, para os anos de 1998 e 1999, respectivamente. O anocalendário 1999, exercício 2000, já foi julgado pelo Acórdão nº 2201 00.345, integrante destes autos, que reduziu a base de cálculo da infração do item 2 para R$ 362.527,71, restando, portanto, neste acórdão apenas a apreciação do lançamento referente às omissões de receita do anocalendário 1998, exercício 1999. Vale salientar que no anocalendário 1998 não há alteração do lançamento em relação ao item 1, devendo ser mantida a tributação como determinado pela auditoria, com fundamento no Art. 48 do Decreto 3.000, de 1999, por ter o contribuinte auferido rendimentos na exploração da atividade de garimpo. Porém, como demonstrado no acórdão transcrito, deve ser reduzida a base de cálculo sobre a qual foi apurada a omissão de rendimentos levantada a partir dos depósitos bancários sem comprovação de origem. Isto posto, voto em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo do lançamento, com relação ao item 2 da autuação, referente o anocalendário 1998, para R$ 273.125,66. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728587/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
MOLÉSTIA GRAVE . OCORRÊNCIA
Reconhecida a existência da alienação mental, impõe-se admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88.
DATA DE INICIO DA ISENÇÃO
Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2201-003.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 10/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah -Presidente.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 MOLÉSTIA GRAVE . OCORRÊNCIA Reconhecida a existência da alienação mental, impõe-se admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. DATA DE INICIO DA ISENÇÃO Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico. Recurso Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora. EDITADO EM: 10/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah -Presidente.
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OCORRÊNCIA Reconhecida a existência da alienação mental, impõese admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. DATA DE INICIO DA ISENÇÃO Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 85 87 /2 01 2- 97 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 EDITADO EM: 10/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah Presidente. Relatório Tratase de recurso contra a decisão proferida no acórdão 1253.636 da 18ª Turma da DRJ/RJ1, de 13 de março de 2013, fls.49/52, que julgou improcedente a impugnação oferecida contra exigência por omissão de rendimentos ,no anocalendário de 2010. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por definir o litígio: Contra a contribuinte foi lavrada notificação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.11 a 14) anocalendário 2010, para apurar imposto a restituir de R$5.961,76. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército no valor de R$121.039,50. O curador da interessada não concorda com o indeferimento da SRL conforme Ciente da decisão em 11/04/2013, conforme fls.50, há oferecimento de recurso voluntário às fls.63/67, em 09/05/2013, interposto pelo inventariante, legalmente constituído, do Espólio da Contribuinte. Inicia noticiando a juntada da decisão judicial, transitada em julgado, proferida em 12 de maio de 2012, pelo Des. Aluísio Gonçalves de Castro, no mandado de segurança nº000613658.2011.4.02.5101(doc.05), que reconheceu a isenção dos rendimentos recebidos pela Contribuinte, ante a constatação da moléstia grave, a partir de janeiro de 2007. Requer ao final o cancelamento da exigência no valor de base de cálculo de R$ 121.039,50, referente ao ano de 2010, bem como a restituição de todos os valores pagos a título de imposto de renda daquele ano calendário. O processo é distribuído, por sorteio, em 09/12/2015, conforme despacho de fls.134. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728587/201297 Acórdão n.º 2201003.117 S2C2T1 Fl. 160 3 Como anteriormente relatado tratase exigência do imposto de renda de pessoa física referente ao ano calendário de 2010. A pensão recebida do Ministério do Exercito, pela Recorrente, no valor de e R$ 121.039,50, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal,fls.12, foi considerado como rendimento omitido. O lançamento retificou o valor a restituir para R$ 5.961,75. A recorrente, através de retificação da declaração do ano calendário de 2010, fls.39, em 01/04/2012, pretendeu a restituição no valor de R$ 28.890,23. No voto condutor da decisão recorrida, a negativa se deu nos termos seguintes: (...) De todos os documentos apresentados o único que menciona doença expressamente prevista na lei isentiva é o de fl.27, assinado em 14 de junho de 2011, com a informação de que a interessada é portadora de alienação mental,tendo como diagnóstico firmado em 09/02/2011, data posterior ao da presente lide. (...) Dessa forma, concluise que os documentos apresentados são inábeis para comprovação do estado clínico do paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que a contribuinte é portadora de alienação mental em 2010. Portanto a contribuinte não tem direito à isenção prevista na Lei nº 7.713/1988, artigo 6º, inciso XIV, com a redação da Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei nº 9.250/1995 Ou seja, a autoridade julgadora entendeu que o início da doença só poderia ser contado a partir da data consignada no laudo de fls.26/27, ou seja 09 de fevereiro de 2011, data posterior à lide. Já em sede de recurso voluntário o Recorrente, às fls.84 e seguintes , junta cópia da Apelação/Reexame necessário de nº 006132658.2011.4.02.5101, oriunda do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Em pesquisa no site da Justiça Federal em 21/03/2016, temse a movimentação do processo e a notícia do seu arquivamento, na forma seguinte: Processo:Nº0006136 58.2011.4.02.5101 (TRF2 2011.51.01.0061364) IV APELAÇÃO / REEXAME NECESSÁRIO ( APELRE /541124 ) AUTUADO EM 31.01.2012 PROC. ORIGINÁRIO Nº201151010061364JUSTIÇA FEDERAL.RIO DE JANEIRO.VARA: 20CI Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 APTE THALITHA VIEIRA LIMA REP/ P/ RICARDO VIEIRA DE LIMA ADV: MARCELO PEREIRA REPSOLD APDO OS MESMOS ADV: RELATOR: J.F.CONV.ALUISIO GONCALVES DE CASTRO MEN 3A.TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Todas as Partes Movimentos: · Em 23/08/2012 13:15 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(O) Vigésima Vara Federal do Rio de Janeiro (GR 00/0115090) 12/0115090 · Em 23/08/2012 13:03 Trânsito em Julgado EM,22/08/2012 DATA DO ÚLTIMO PRAZO: 22.08.2012 Em 24/07/2012 16:38Recebimento NA(O) SUBSECRETARIA DA 3A.TURMA ESPECIALIZADA O acórdão do Tribunal está assim ementado: TRIBUTÁRIO.MANDADO DE SEGURANÇA.ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.ALIENAÇÃO MENTAL.ARTIGO 6º,INCISO XIV,DA LEI Nº7713/88.DATA DE INÍCIO DA ISENÇÃO QUE DEVE RETROAGIR AO MOMENTO EM QUE SE DIAGNOSTICOU A PATOLOGIA.EFEITOS PATRIMONIAIS PRETÉRITOS EM MANDADO DE SEGURANÇA.MANIFESTA DIVERGENCIA COM AS SÚMULAS 269 E 271 DO STF.LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ NÃO CARACTERIZADA. I Reconhecida a alienação mental da impetrante, que sofre do Mal de Alzheimer, impõese admitir seu direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. II No que diz respeito à data de início do benefício, nossos tribunais possuem entendimento de pacificado no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria , deve ser a partir da data em que comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico, e não da emissão do laudo oficial, o qual certamente é sempre posterior à moléstia e não retrata o objetivo primordial da Lei 7713/88. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728587/201297 Acórdão n.º 2201003.117 S2C2T1 Fl. 161 5 III Inviável a devolução das quantias descontadas em período anterior a impetração, já que o mandado de segurança não é via adequada para pleitear a concessão de efeitos patrimoniais pretéritos, a teor do contido nas Súmulas 269 e 271 do STF. A base legal para a concessão do benefício legal é , a Lei n.º 7.713/88, art. 6º, incisos XIV e XXI, com redação dada pelas Leis nº 8.541/92, nº 9.250/95 e nº 11.052/2004, reproduzida no inciso XXXIII e §§ 4º e 5º do art. 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999,nos termos seguintes: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional,tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) “§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” E a decisão de primeiro grau já reconheceu a natureza dos rendimentos , contudo negou a restituição do Contribuinte, por entender que no laudo de fls. 25, a data de início da isenção se deu em 09/02/2011. Contudo, a decisão judicial consignou que a data do início da doença foi 02 de janeiro de 2007, conforme fls.98 quando assim versou: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 Assim sendo, merece prosperar o apelo da impetrante, neste particular, para fixar como termo inicial do benefício de isenção de imposto de renda, o mês de janeiro de 2007. E mais, às fls.104, último parágrafo, assim constou: Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento à remessa necessária e ao recurso de apelação da União e dar parcial provimento aquele interposto pela impetrante, tão somente para reconhecer como termo inicial do benefício de isenção de imposto de renda o mês de janeiro de 2007. Nessa conformidade encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 10980.722816/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO.
Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA ANTERIOR. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO.
Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de base de cálculo negativa anterior sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Numero da decisão: 1401-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, AFASTAR a não aplicação da "trava de 30%" (trinta por cento) na incorporação.Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini de Carvalho; II) Por maioria de votos, CANCELAR parcialmente as multas isoladas referentes ao ano-calendário de 2008. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) que negavam provimento. Os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho davam provimento em maior extensão para cancelar integralmente as multas isoladas; e III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA ANTERIOR. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de base de cálculo negativa anterior sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 28 16 /2 01 1- 16 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, AFASTAR a não aplicação da "trava de 30%" (trinta por cento) na incorporação.Vencidos os Conselheiros Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini de Carvalho; II) Por maioria de votos, CANCELAR parcialmente as multas isoladas referentes ao anocalendário de 2008. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) que negavam provimento. Os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório e Aurora Tomazini de Carvalho davam provimento em maior extensão para cancelar integralmente as multas isoladas; e III) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão de piso, fls. 246250: Em decorrência de verificação efetuada pela Malha Fazenda, foram lavrados, em 31/05/2011, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Auto de Infração de IRPJ 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 117123) exige o recolhimento de R$ 6.633.791,83 de imposto e R$ 4.975.343,87 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, além dos acréscimos legais e de R$ 3.622.228,42 de multa de ofício isolada. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos do art. 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), efetuado em nome da interessada na condição de sucessora por incorporação da INCOEX Indústria Comércio e Exportação Ltda. (CNPJ nº 06.071.705/000186), com base no art. 132 do CTN, referese às seguintes infrações: 3.1. compensação de prejuízos fiscais em valor superior ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, pela empresa incorporada INCOEX Indústria, Comércio e Exportação Ltda., com infração ao disposto nos arts. 247, 250, III, 251, parágrafo único, e 510 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999: 22/12/08 R$ 44.658.297,94 O valor tributável foi assim apurado pela autoridade fiscal: (=) lucro real antes comp. Prej. Fisc. em 22/12/2008 R$ 63.797.568,48 () prejuízo fiscal compensado declarado R$ 63.797.568,48 (+)limite 30% do lucro líquido ajustado R$ 19.139.270,54 (=)compensação acima do limite de 30% R$ 44.658.297,94 3.2. multa de ofício isolada pela falta de recolhimento do imposto incidente sobre a base de cálculo estimada do mês de dezembro/2008, em função de balanços de suspensão ou Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 4 redução, com infração ao disposto nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999, arts. 43 e 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, e art. 106, II, “c”, da lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966: 31/12/08 R$ 3.622.228,42 Auto de Infração de CSLL 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 127133), exige o recolhimento de R$ 2.388.885,05 de contribuição e R$ 1.791,663,78 de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, além dos acréscimos legais e de R$ 1.304.362,23 a título de multa de ofício isolada. 5. O lançamento decorre: a) da compensação de base de cálculo negativa em montante superior ao limite do 30% do lucro líquido ajustado (R$ 44.658.297,94) no período de apuração encerrado em 22/12/2008, com infração ao disposto nos arts. 2º, e seus §§, e 3º (com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008) da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995 (com a redação dada pelo art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995; b) multa de ofício isolada pela falta de recolhimento da CSLL devida por estimativa no mês de dezembro/2008, com fundamento nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999, art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Impugnação 6. Regularmente intimada, com ciência do lançamento por via postal (AR recebido em 03/06/2011, à fl. 137), a interessada, por intermédio de seu representante legal (Gaia, Silva, Gaede & Associados Advocacia e Consultoria Jurídica, mandato às fls. 166168), apresentou, em 11/11/2009, a tempestiva impugnação de fls. 139164, cujo teor é sintetizado a seguir. a) no tópico “Da possibilidade de compensação integral do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL quando da incorporação – improcedência dos autos de infração” argúi que no final de 2008, buscando maior eficiência e sinergia de sua atividade empresarial, o Grupo IMCOPA realizou alterações em sua constituição societária que resultaram na incorporação, em 22/12/2008, da INCOEX Indústria, Comércio e Exportação Ltda. pela IMCOPA Investimentos e Administração de Bens S/A; b) que a INCOEX possuía saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa anterior de CSLL de R$ 72.258.613,60 e R$ 72.244.731,60, respectivamente; que, considerando a impossibilidade de utilização desse saldos em períodos futuros, a INCOEX compensouos com a integralidade do lucro real e base de cálculo de CSLL apurados no encerramento das atividades, no valor de R$ 63.797.568,48; c) que a limitação de compensação em 30%, prevista no art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995 (IRPJ), e no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995 (CSLL), não é aplicável na hipótese de encerramento das Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 4 5 atividades da empresa, quando esta é incorporada; que, renda e proventos de qualquer natureza representam efetivo acréscimo patrimonial experimentado pela empresa, assim compreendido a totalizada dos rendimentos obtidos deduzidos dos prejuízos e perdas verificados na sua obtenção; d) que, de acordo com a doutrina majoritária, a limitação de 30% é inconstitucional por configurar tributação do próprio patrimônio do contribuinte; que na atual sistemática de compensação de prejuízos fiscais, os prejuízos fiscais acumulados acabarão sendo consumidos pelos lucros gerados em períodos futuros da empresa que permanece em atividade; que situação diversa ocorre quando uma empresa está encerrando suas atividades, mais especificamente em razão de uma incorporação; e) que, caso uma empresa com lucros incorpore uma com prejuízos fiscais acumulados, a sucessora não terá direito a se apropriar de tais prejuízos (art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 1987), ao mesmo tempo em que a empresa sucedida, no caso a incorporada, não poderá utilizar integralmente seus prejuízos acumulados em função da limitação de 30%; isto acabaria por inutilizar total ou parcialmente o referido prejuízo fiscal, em evidente prejuízo à empresa incorporada e afronta à Constituição Federal; f) que, ao se vedar o aproveitamento do prejuízo acumulado das empresas, tanto pelas incorporadoras, quanto pelas próprias incorporadas (extintas pela incorporação), estarseá criando hipótese de tributação do patrimônio da pessoa jurídica; que a limitação de 30%, com nítido escopo de regular o fluxo de caixa do governo, tem como pressuposto básico a continuidade da atividade empresarial; contudo, com a extinção da empresa, como ocorre no caso de incorporação, não haveria mais a possibilidade de aproveitamento dos prejuízos, o que viola o preceito constitucional; que o mesmo entendimento é aplicável à CSLL, devendo ser reconhecida a inaplicabilidade do art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995; g) no tópico “Da impossibilidade de exigência da multa isolada (art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/1996)” alega que, considerando a inaplicabilidade da limitação da compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL no caso em tela, temse que a multa isolada aplicada também é improcedente em face de inexistir estimativa a pagar em dezembro/2008; h) que o pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL se presta à antecipação do tributo que seria devido ao final do ano calendário, quando do ajuste anual; que, a apuração da estimativa só faz sentido quando realizada antes do encerramento do período de apuração e da realização do ajuste anual; que, após o encerramento do período de apuração o recolhimento da estimativa mensal deixa de ser exigível, pelo que não há que se falar na aplicação da multa do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, por falta de recolhimento de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 6 estimativa; que somente há que se falar em falta de recolhimento de estimativa quando esta foi apurada pelo contribuinte; i) que a estimativa se presta a adiantar ao fisco o valor do tributo que eventualmente será apurado no ajuste anual, sendo que, no caso de apuração de prejuízo, ou de tributo em valor inferior ao antecipado, é garantido o direito de crédito ao contribuinte; que tal sistemática é valida e funciona perfeitamente quando se trata de situações usuais, nas quais não há qualquer ocorrência de evento especial tal como fusão, cisão, incorporação; j) que, na apuração normal, o contribuinte apura a estimativa e a recolhe até o último dia útil do mês subsequente, inclusive a estimativa de dezembro, enquanto o ajuste anual deve ser recolhido até o final de março do ano seguinte (art. 6º, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996); que, quando do encerramento das atividades de uma empresa em razão de incorporação, a apuração do ajuste é antecipada para a data do evento, devendo o tributo ser recolhido até o último dia útil do mês seguinte (art. 5º, § 4º, da Lei nº 9.430, de 1996), de modo que a apuração da estimativa do mês de encerramento fica prejudicada, haja vista não haver nada a estimar ou antecipar, pois já é realizada a apuração efetiva relativa ao período de apuração; que não faz qualquer sentido apurar a estimativa se no próprio mês já é apurado o ajuste, pois o prazo de vencimento nas duas situações é o mesmo; k) que, a estimativa somente pode ser apurada após o encerramento do mês de sua apuração, mas a incorporação da INCOEX ocorreu em 22 de dezembro de 2008, quando sequer teria havido o encerramento do período mensal para o cálculo da estimativa; l) no tópico “Da impossibilidade da cumulação da multa de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) com a multa isolada (art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/1996) assevera que, considerando que as apurações do IRPJ e da CSLL do ajuste anual de 2008 e das estimativas de dezembro/2008 dos referidos tributos são idênticas, temse que, ao aplicar a multa isolada de 50% sobre o valor das estimativas não recolhidas, a autoridade fiscal está punindo a impugnante em duplicidade por uma mesma suposta infração, pois já houve a aplicação da multa de ofício de 75% sobre essa infração; m) no tópico “Da não incidência de juros de mora (Selic) sobre a multa de ofício” assevera que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições não pagos no seu vencimento, mas não autorizou a aplicação de juros de mora sobre multas de ofício, tal como se está exigindo no processo em tela; que a penalidade pecuniária não é um débito com a União decorrente de tributos, mas sim do descumprimento de uma obrigação legal de efetuar o recolhimento de crédito tributário ou de preenchimento/observância de obrigação acessória; que, enquanto o débito tributário com a União é decorrente de ‘tributos e contribuições’, o débito de multa é decorrente de um descumprimento de lei; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 5 7 n) ao final requer sejam julgados improcedentes os autos de infração de IRPJ e CSLL, haja vista a possibilidade de compensação integral do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL pela INCOEX quando da sua extinção por incorporação; quer seja reconhecida a inexigibilidade da multa de oficio isolada e dos juros de mora sobre a multa de ofício. A 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 245246: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA ANTERIOR. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de base de cálculo negativa anterior sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica tributada com base no lucro real anual, detectada pela autoridade fiscal após o encerramento do período de apuração, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DEVIDA NO MÊS DE EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA INCORPORADA. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 8 É descabida a alegação de desnecessidade de apuração da estimativa do mês de extinção da pessoa jurídica incorporada, ao argumento de não fazer qualquer sentido efetuar antecipação se no próprio mês já é apurado o ajuste do período, porquanto a apuração das antecipações devidas por estimativa em todos os meses do período de apuração, sem exceção alguma, constitui condição prévia ao ajuste para apuração de eventual saldo a pagar no encerramento do período de apuração. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida com a multa de ofício incidente sobre a exigência de tributo apurada ao final do anocalendário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 28/11/2011, conforme documento de fls. 258 e apresentou recurso voluntário em 26/12/2004 (v. fls. 260284), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, tratase de exigências de IRPJ e CSLL decorrentes da compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL em valor superior ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, por parte da pessoa jurídica incorporada INCOEX Indústria, Comércio e Exportação Ltda.. Formalizouse, ainda, a exigência da multa de ofício isolada pela falta de recolhimento do imposto e contribuição incidentes sobre a base de cálculo estimada do mês de dezembro/2008. Do limite (trava) de 30% para compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa anterior de CSLL A contribuinte (IMCOPA Investimentos e Administração de Bens S/A), incorporou a pessoa jurídica INCOEX Indústria, Comércio e Exportação Ltda. (CNPJ nº 06.071.705/000186), em 22/12/2008, conforme consta da Ata de Reunião de Quotistas da INCOEX (fls. 189) e da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da IMCOPA (fls. 1922 e 190198). Tendo em vista sua extinção mediante incorporação, a INCOEX apresentou, em 30/01/2009, a DIPJ 2008 de evento especial de incorporação relativa ao anocalendário de 2008. Na Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real da aludida DIPJ, a contribuinte informou ter apurado um lucro real de R$ 68.521.974,13. A INCOEX, contudo, compensou integralmente este valor com saldo de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores. Da mesma forma, na Ficha 17 – Cálculo da CSLL, a INCOEX declarou os mesmos R$ 68.521.974,13 como base de cálculo de CSLL do período. Este valor também foi integralmente compensado com saldo de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Assim sendo, os presentes lançamentos referemse à tributação do valor de R$ 44.658.297,94, correspondente à parcela excedente ao limite de 30% de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa anterior de CSLL. A referida trava de 30%, como é amplamente sabido, encontrase prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, verbis: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto sobre a Renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 10 [...] Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto, no artigo 58 da Lei nº 8.81/95. [...] Afirmou a decisão de piso, com total correção, que, com exceção da exploração da atividade rural (artigo 14 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990), não há qualquer outra hipótese que permita a inobservância do limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais e base negativa anterior de CSLL (nem mesmo a eventual extinção da pessoa jurídica, por incorporação). A decisão de piso esclareceu, outrossim, que a possibilidade de compensar prejuízos fiscais de períodos anteriores constitui uma mera liberalidade do legislador, pois, a rigor, o fato jurídico tributário, “acréscimo patrimonial”, expressado pela existência do lucro real, é observado dentro de um período de apuração, não existindo obrigatoriedade de se levar em conta eventuais resultados negativos apurados em períodosbase anteriores. Ainda segundo a decisão de piso, fls. 252, nos casos de tratamento fiscal favorecido (como no presente caso), a legislação fiscal deve ser interpretada literalmente, conforme art. 111 do CTN, não se podendo cogitar de interpretação sistemática e/ou teleológica das regras que instituíram a trava para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. A decisão de piso destacou, por derradeiro, que este entendimento encontra respaldo na jurisprudência deste Egrégio CARF e da Egrégia CSRF, conforme ementas de Acórdãos que reproduzo a seguir: INCORPORAÇÃO. DECLARAÇÃO FINAL. Inexiste amparo para, a luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Recurso negado” (Acórdão nº 10515908 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 16/08/2006). BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE 30%. INCORPORAÇÃO. A partir do anocalendário de 1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado no período. Cabível a exigência de ofício de Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 7 11 contribuição incidente sobre diferença compensada a maior na declaração de incorporação, uma vez inexistente qualquer exceção ao limite imposto pela legislação ainda que na hipótese de encerramento da empresa. (Acórdão nº 10515999 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 21/09/2006) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.” (Acórdão nº 910100401 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 02/10/2009) Com base na legislação e jurisprudência retrocitadas, considero cristalina a conclusão de que inexiste amparo legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais e base negativa anterior de CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, mesmo no caso de declaração final apresentada por pessoa jurídica extinta por incorporação. Pelas razões expostas, em relação ao presente tema, voto por afastar a possibilidade de não aplicação da "trava de 30%" (tearinta por cento) na incorporação, razão pela qual nego provimento ao presente recurso voluntário. Da multa de ofício isolada de IRPJ e CSLL Repetindo o que fez na fase impugnatória, a recorrente questionou a exigibilidade da multa de ofício isolada de IRPJ e CSLL, pelo fato de inexistir débito de estimativa de IRPJ e de CSLL a pagar no mês de competência dezembro/2008. Segundo a recorrente, a estimativa se presta apenas a adiantar ao fisco o valor do tributo que eventualmente será devido no ajuste anual. Assim sendo, não faria sentido apurar a estimativa do mês de extinção da empresa, posto que neste próprio mês já é apurado o ajuste do período de apuração. Ressltou, outrossim, que o prazo de vencimento do imposto anual é o mesmo prazo da suposta estimativa, qual seja, até último dia útil do mês de ocorrência do evento. No entender da recorrente, o Fisco estaria aplicando duas multas sobre o mesmo fato jurídico tributário: a) a multa de ofício, proporcional ao valor do imposto/contribuição apurado (75%); b) outra multa sobre a mesma base de cálculo, a título de multa de ofício isolada (50%). Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, razão pela qual transcrevo parcialmente e adoto as suas razões de decidir, fls. 253254 (grifado no original): Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 12 22. [...] tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, ela obrigavase aos recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL calculados por estimativa, existindo, no caso, duas infrações distintas: . uma pelo descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subsequente ao mês a que se referir, o imposto/contribuição mensal apurado por estimativa; e . outra pela caracterização de declaração inexata e falta de recolhimento, com base no lucro real anual, do imposto/contribuição devido no ajuste do período de apuração. 23. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação tributária: . uma incide isoladamente, tem como base de cálculo as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o ano calendário (que não têm a característica de lançamento por homologação e não extinguem o crédito tributário respectivo, a teor do art. 150, § 1º do CTN, uma vez que, na consolidação dos resultados, a estimativa – até então obrigatória – pode resultar em restituição integral, se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL); e . outra, que dela independe, decorrente de declaração inexata e cujo valor é cobrado juntamente com o saldo de imposto ou de contribuição eventualmente devido, apurado no encerramento do período de apuração. 24. Acrescentese que a aplicação de mais de uma penalidade em uma mesma ação fiscal é perfeitamente possível, desde que se trate de infrações distintas, conforme disposto no art. 74 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, in verbis: Art. 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas [...] Para maior clareza, considero oportuno analisar o inteiro teor do art. 44, I e II, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 8 13 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Vale lembra que, de acordo com o art. 35 da Lei nº 8.981, de 20/01/95, os contribuintes tem a possibilidade de suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido por estimativa em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Como se vê, a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável. A referida penalidade decorre do descumprimento da obrigação de recolher as estimativa mensais, nada tendo a ver, na hipótese de declaração inexata, com a exigência de multa incidente sobre a diferença de valor do imposto ou da contribuição apurados no ano calendário. Com muita propriedade, a IN SRF nº 93/97 disciplinou o procedimento fiscal, nos casos de falta ou insuficiência de pagamento da estimativa, verbis: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1º. As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o ‘caput’ sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. (...) Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I – a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II – o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Também não deve prosperar a alegação da recorrente, no sentido de que não faria sentido a apuração da estimativa do mês de extinção da pessoa jurídica (por incorporação), uma vez que no próprio mês já é apurado o ajuste do período decorrido até o evento, ambos com prazo de recolhimento no último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 14 Conforme bem apontado pela decisão de piso, na apuração do resultado tributável com base no lucro real anual, a contribuinte se sujeita ao recolhimento de todas antecipações mensais obrigatórias do imposto/contribuição – sejam elas calculadas por estimativa ou com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução do pagamento – sem exceção alguma. Sobre o tema, mais uma se manifestou com propriedade a decisão de piso, fls. 256: 32. Tanto a apuração da estimativa do mês de encerramento do período de apuração é obrigatória que o § 3º do artigo 6º da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe expressamente que a estimativa de dezembro deve ser recolhida até o último dia útil do mês de janeiro do ano subsequente, mesmo sendo dezembro o mês de encerramento do período de apuração anual. Assim sendo, é forçoso concluir que, ainda que o prazo de vencimento da estimativa do mês de extinção mediante incorporação da pessoa jurídica seja o mesmo do eventual saldo a pagar apurado na data do evento, não há previsão legal que autorize a dispensa dessa antecipação. Não há que se cogitar, in casu, da aplicação da Súmula CARF nº 105, posto que a presente multa isolada referese a fatos geradores ocorridos após a edição da Medida Provisória nº 351/2007, publicada no DOU em 22/01/2007. Diante do exposto, em relação ao presente tema, também voto por negar provimento ao recurso voluntário. Incidência de juros de mora sobre multa de ofício Insurgese a recorrente contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício, utilizandose do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa está consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Ora, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 9 15 Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poderseia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário no tocante a esta questão. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 16 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes É de longa data meu posicionamento acerca da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa proporcional. Abaixo, reproduzo meu voto, relativo à situação idêntica à presente neste feito, que conduziu o Acórdão nº 120100.235, de 07 de abril de 2010: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 10 17 Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES 18 menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72): R$ 631.537,55 O mesmo fundamento deve ser aplicado para a estimativa de CSLL: Base estimada remanescente (R$ 8.672.863,50 – R$ 1.736.870,86): R$ 6.935.992,64 Estimativa remanescente (R$ 6.935.992,64 x 9%): R$ 624.239,34 Multa isolada mantida (R$ 624.239,34 x 50%): R$ 312.119,67 Multa isolada excluída (R$ 390.278,86 – R$ 312.119,67): R$ 78.159,19 É nessa linha que voto e, assim, apresento o cálculo da concomitância: Multa proporcional IRPJ: R$ 4.975.343,80 Montante concomitante das multas isoladas = R$ 3.316.895,87 ((50%/75%) x R$ 4.975.343,80) Montante das multas isoladas: R$ 3.622.228,40 Multa isolada das estimativas de IRPJ mantida: R$ 305.332,53 (R$ 3.622.228,40 R$ 3.316.895,87) Multa isolada das estimativas de IRPJ exonerada: R$ 3.316.895,87 Multa proporcional CSLL: R$ 1.791.663,70 Montante concomitante das multas isoladas = R$ 1.194.442,47 ((50%/75%) x R$ 1.791.663,70) Montante das multas isoladas: R$ 1.304.362,20 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Processo nº 10980.722816/201116 Acórdão n.º 1401001.541 S1C4T1 Fl. 11 19 Multa isolada das estimativas de IRPJ mantida: R$ 109.919,73 (R$ 1.304.362,20 R$ 1.194.442,47) Multa isolada das estimativas de IRPJ exonerada: R$ 1.194.442,47 Por todo o exposto, voto para afastar parcialmente as multas isoladas nos valores acima determinados. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 0/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Numero do processo: 35884.000923/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/1995
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.
Havendo sido extinto pela decadência, por aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, eventual reconhecimento administrativo de vício na autuação original e consequente realização de lançamento substitutivo não possui o condão de restaurar aquele direito, já fenecido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 107 1 106 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35884.000923/200641 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.330 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. Havendo sido extinto pela decadência, por aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, eventual reconhecimento administrativo de vício na autuação original e consequente realização de lançamento substitutivo não possui o condão de restaurar aquele direito, já fenecido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 88 4. 00 09 23 /2 00 6- 41 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35884.000923/200641 Acórdão n.º 2402005.330 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de retorno de diligência demandada pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em julgamento realizado em 11/12/2007. Reproduzo, com a devida vênia e no essencial, o relatório daquela decisão, por bem resumir os fatos decorridos até então. Tratase de lançamento de contribuições devidas a seguridade social, correspondentes à contribuição dos segurados (calculadas pela aplicação da alíquota mínima) e da empresa, incluindo a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Informa o Relatório Fiscal (fls. 22/27) que em NFLD anterior de n° 35.521.1386, foram lançadas contribuições por responsabilidade solidária em razão da notificada haver contratado a empresa Ultratec Engenharia S/A para execução de contrato de n° 851.2.041.945, cujo objeto eram serviços de montagens industriais das bases de distribuição de Joinville, Itajaí e Florianópolis. Quanto da apresentação da defesa na citada NFLD foi constatado que o contrato havia sido executado também pela empresa Siemens Ltda e outra, que faturaram diretamente contra a Petrobrás. Em razão da constatação, a notificação foi declarada nula para que fossem lançadas separadamente as contribuições correspondentes a cada uma das contratadas, conforme decisão de fls. 34/39. Como a contratante não apresentou os documentos suficientes a elidir a solidariedade, foi lavrada a NFLD nº 35.699.7073, ora examinada. Foi utilizado percentual de 40% sobre o valor da nota fiscal de serviço para apuração do saláriodecontribuição, pois as notas fiscais não continham valor de mãodeobra e materiais discriminados. Em razão da existência do grupo econômico entre a notificada e as empresas, Petrobrás Distribuidora S/A BR, Petrobrás Gás S/A — Gaspetro, Petrobrás Transportes S/A — Transpetro e Petrobrás Química S/A — Petroquisa, todas as citadas figuraram como responsáveis solidárias pelos créditos, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei n° 8.212/1991. A contratada Siemens apresentou defesa, bem como a Petrobrás Distribuidora S/A, alegando esta a ocorrência de cerceamento de defesa pelo fato de não ter recebido cópia das NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e dos documentos que as instruem, mas tão somente oficio informando lançamentos diversos. Entendeu ilegal a responsabilidade em relação a sujeito passivo indireto, pois a escolha de um terceiro para figurar como sujeito passivo não pode ser feita arbitrariamente. Argumentou que se a lei que elege terceiro como responsável deve prever mecanismos pelos quais o pagamento do tributo possa ser efetuado sem onerálo. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A Petrobrás apresentou defesa (fls. 123/134) onde alegou prejudicial de decadência e que o INSS não efetuou os procedimentos necessários a verificar se os créditos lançados já não estariam extintos pelo pagamento. Arguiu a inexistência de cessão de mãode obra e que não foi considerado que nas notas fiscais estariam incluídos materiais, insumos, etc. Pela DecisãoNotificação n° 17.401.4/0126/2005 (fls. 164/172), o lançamento foi considerado procedente. A Petrobrás e a Petrobrás Distribuidora S/A apresentaram seus recursos, repetindo as alegações já apresentadas em defesa. A Siemens Ltda. trouxe recurso, alegando existência de lacunas e omissões na decisão recorrida. No mais, em nada inovou. Também a Gaspetro e a Petroquisa apresentaram recursos. Diante da alegação de omissão no recurso da prestadora, a SRP entendeu por emitir Reforma de DecisãoNotificação n° 17.401.4/0019/2006 (fls. 319/335). Cientificadas da reforma da decisão de primeira instância, apresentaram recursos a Petrobrás (fls. 363/374), a Gaspetro (fls. 375/382), a Petroquisa (fls. 410/416) e a Petrobrás Distribuidora S/A (fls. 443/447), todas apresentando os mesmos argumentos anteriores. A empresa Siemens Ltda recorreu (fls. 452/470), alegando que a nova decisão recorrida enseja ser reformada integralmente, uma vez que baseada em afirmações incorretas. Em contrarazões (fls. 472/480), a SRP defendeu a decisão recorrida. A Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes não conheceu dos recursos da Gaspetro e da Petroquisa por ausência de impugnação (fls. 481/486). Na sequência, propôs a realização de diligência visando esclarecer os aspectos da situação enfrentada, nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre lembrar que nos casos de responsabilidade solidária em que empresa não apresenta guias de recolhimento e folhas de pagamento especificas, essa câmara tem decidido que comprovada qualquer das situações abaixo, considera se elidida a responsabilidade solidária do contratante. São elas: Fiscalização com cobertura contábil no período do lançamento. A contratada haver aderido aos parcelamentos REFIS ou PAES abrangendo as competências objeto do lançamento. Dessa forma, entendo necessário esclarecer que ocorreu qualquer das situações encimadas para que se possa efetuar o julgamento. Em resposta, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro exarou "Análise de Interesse Fiscal", considerando ser inócua a diligência requerida, face à decadência de todas as competências (fl. 490). É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35884.000923/200641 Acórdão n.º 2402005.330 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os recursos já foram admitidos pelo Segundo Conselho de Contribuintes, razão pela qual passo direto à questão prejudicial da decadência, levantada pela recorrente e pela administração tributária, e, ademais, conhecível de ofício, como cediço. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal (CF) e da Lei nº 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública federal. Tais ditames são observados, aliás, na alínea 'a' do inciso II do § 1º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF, Portaria MF nº 343/15). Nesse contexto, e no tocante ao prazo decadencial do direito do Fisco de constituir as contribuições previdenciárias, foi publicado em 20/6/2008 o seguinte enunciado sumular do STF: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No precedente representativo da Súmula, o RE nº 556.664, j. 12/6/2008, foi explicitado pelo Relator Ministro Gilmar Mendes que "o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN, de exigir as contribuições da seguridade social". Então, o prazo decadencial que rege o lançamento dessas contribuições segue as normas insculpidas no Código Tributário Nacional (CTN), no § 4º do art. 150 ou art. 173 e respectivos incisos. No caso em tela, os fatos geradores que deram azo à autuação reportamse aos períodos de maio/1995 e de julho a novembro de 1995. Portanto, ainda que inexistisse pagamento antecipado das contribuições em comento, o que ensejaria a aplicação do prazo previsto no inciso I do art. 173 do CTN, a extinção do direito da autoridade fazendária de constituir o crédito tributário relativo àqueles períodos teria se dado, o mais tardar, em dezembro de 2000. Destarte, quando lavrada a NFLD original, de nº 35.521.1386, em 25/9/2002, já havia se escoado o prazo para o exercício do direito potestativo do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício. O superveniente entendimento da administração tributária de que tal ato jurídico teria sido nulo por erro na identificação do sujeito passivo situação acerca da qual não há consenso se acarretaria nulidade, e se essa seria de natureza material ou formal e a Fl. 557DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 lavratura do lançamento substitutivo, ora guerreado, em virtude de tal constatação, em nada afeta a realidade de que já havia perecido há muito o direito de ser constituído crédito tributário relativamente aos períodos focados, de acordo com a cogente interpretação da legislação aplicável levada a efeito pelo STF, na multicitada Súmula nº 8. Entendimento diverso implicaria em aceitar, insolitamente, que o Fisco teria a faculdade de ressuscitar obrigações tributárias já decaídas, pelo mero reconhecimento da existência de vício formal em lançamentos já fulminados pela decadência. Nesse sentido, há precedentes do CARF, dentre eles o Acórdão nº 2302 002.970, j. 23/1/2014, no qual foi relator o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, cabendo transcrever a respectiva ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART.173, II DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art.45 da Lei nº 8.212/91. O reconhecimento do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN, não tem o condão de convalescer a decadência do direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído. Encontrase extinto o crédito tributário decorrente de todos os fatos geradores apurados pela Fiscalização. Não bastasse, a própria autoridade fiscal admitiu a ocorrência de decadência no que concerne a todas as competências lançadas, consoante "Análise de Interesse Fiscal" datada de 18/6/2009 (fl. 490), a qual assevera inexistir "o direito de constituição do crédito tributário". Nesse contexto, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário veiculado no presente processo, dandose provimento, por consequência, aos recursos voluntários interpostos. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO aos recursos voluntários. Ronnie Soares Anderson. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11128.006874/2009-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/09/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.629
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 74 /2 00 9- 05 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 182 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.285, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 183 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 184 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 185 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 186 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 187 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 188 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 9303003.629 CSRF‐T3 Fl. 189 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.026432/99-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle.
DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA.
Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratando-se de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizá-lo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA.
Tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório.
TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo".
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
Numero da decisão: 1301-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle. DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratando-se de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizá-lo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA. Tratando-se de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle. DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratandose de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 64 32 /9 9- 90 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 146 2 Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA. Tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 147 3 Relatório RIGESA DO NORDESTE S/A, já devidamente qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, que indeferiu solicitação veiculada por meio de Manifestação Inconformidade anteriormente apresentada, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o presente processo de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO (fls. 01), em que o crédito indicado para o encontro de contas é de TITULARIDADE DE TERCEIRO. O Relatório contido na decisão de primeira instância, assinala. Tratase de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros no valor de R$ 10.846,67, apresentado em 09/09/1999 (fl. 01), em que a detentora do crédito, segundo relato da fiscalização, não atendeu à intimação para apresentar os documentos que comprovariam o direito creditório pleiteado, impossibilitando a apreciação do mérito. A Diort da Derat/São Paulo/SP, diante da impossibilidade acima descrita, considerou não homologadas as compensações pleiteadas, incluindo a solicitada pela contribuinte em epígrafe, partindo do entendimento de que as hipóteses de compensação com créditos de terceiros não haviam sido alcançadas pela conversão dos pedidos em declarações, motivo pelo qual inexistiria a homologação tácita prevista na legislação que rege a matéria. Ciente do Despacho Decisório em 11/12/2007, a empresa acima identificada apresentou, tempestivamente, em 09/01/2008, sua manifestação de inconformidade (fls. 21/42) alegando, em síntese, o seguinte: 1. que tem direito a apresentar manifestação de inconformidade, na condição de interessado, em respeito aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório 2. que seu pedido teria sido convertido em declaração de compensação, motivo pelo qual já estaria homologada tacitamente a compensação por decurso de prazo, para a qual pede reconhecimento, e que incabível o entendimento contido na decisão a quo de que os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros não teriam sido convertidos em declaração de compensação. Colaciona julgados do Conselho de Contribuintes que corroborariam a sua tese. 3. no que diz respeito ao direito creditório, que não se pode aceitar, para fins de indeferimento do pedido de restituição/ressarcimento, "o fraco argumento de que não teria ficado claro o fato da não existência de processo de execução nos autos da ação ordinária n° 90.00.035325", pois, "se não há necessidade de instauração de fase executiva em processo que se declarou a inexistência de relação jurídica, (...), não há que se falar em comprovação de desistência da referida ação." 4. que uma vez que a manifestante possui o direito à denúncia espontânea, no prazo de 30 dias contados da data da intimação do indeferimento definitivo do Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 148 4 processo de compensação, o Fisco não poderia, de imediato, sem prévia intimação desta decisão, exigir qualquer tipo de multa. 5. que não cabe a cobrança de juros pela taxa Selic, por entender que tal cobrança é ilegal. 6. que "sem que haja o competente lançamento de oficio por parte do fisco, o mesmo não pode alastrar seus tentáculos sobre os créditos que entende devido, de forma que a simples cobrança derivada da não homologação do pedido de compensação não pode ter o condão de qualquer obrigatoriedade." 7. que o fisco não pode vir a exigir valores supostamente não recolhidos a titulo de tributos, vez que teria decorrido período superior a cinco anos desde a ocorrência dos fatos geradores, sem que lançamento e ou qualquer tipo de cobrança tivesse sido formulada. Requer, ao final, seja conhecida sua manifestação de inconformidade e declarados extintos os valores exigidos. A já citada 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, apreciando as razões trazidas pela requerente em sede de Manifestação de Inconformidade, decidiu, por meio do acórdão nº 0813.560, de 26 de junho de 2008, pela improcedência dos pedidos formulados. O referido julgado restou assim ementado: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS. Os "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", pendentes de apreciação, ficaram de fora do rol daqueles que foram convertidos em "Declaração de Compensação", quando das modificações impostas pelas Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se falar em homologação tácita para os mesmos. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS. ILEGITIMIDADE DO DEVEDOR PARA INTERPOR MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O INDEFERIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Negado o direito de restituição/ressarcimento de tributo ao titular do pedido, idêntica decisão se aplica ao terceiro que tenha compensado dividas com o pretenso indébito fiscal daquele. Conseqüentemente, o devedor do débito que se pretende compensar é parte ilegítima para interpor manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pleito. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 103/127, em que, em apertada síntese, sustenta: que, se é ela quem está sendo compelida ao pagamento dos valores advindos da não homologação dos autos do processo administrativo n.° 10380.026432/9990 atrelado ao processo administrativo n.° 13811.002062/9985, resta evidente a plena aplicabilidade do inciso II do art. 9º da Lei n.° 9.784/99; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 149 5 que o Fisco deveria ter procedido ao pertinente lançamento de oficio, e não simplesmente exigilos mediante simples carta de cobrança; que, uma vez que os valores exigidos estão adstritos ao lançamento por homologação, podese afirmar que o direito do Fisco em exigilos se encerraria após o transcurso do prazo de 05 (cinco) anos contados da ocorrência dos fatos geradores, sob pena de se operar, via de conseqüência, o instituto da decadência; que, estando pendente de apreciação o pedido de compensação no momento da edição da MP 66/02, convertida na Lei n.° 10.637/02, inevitável seria transformálo em Declaração de Compensação nos termos do § 4° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96, na redação dada pelos mencionados atos legais; que o entendimento sufragado pela Autoridade Fiscal na decisão ora combatida, só teria aplicação caso os pedidos de compensação fossem protocolados após 31/12/2004, data de publicação da Lei n.° 11.051/04 que acrescentou algumas disposições à Lei n.° 9.430/96, entre elAs o § 12; que, decorrido período superior a 05 (cinco) anos entre a data do protocolo do pedido de restituição dos valores a serem devolvidos (10/08/1999) e a primeira decisão na via administrativa acerca da homologação ou não do direito creditório pleiteado (24/08/2007), necessariamente, o direito pretendido deveria ser considerado homologado em definitivo, conforme mandam os §§ 2°, 4° e 5° do art. 74 da atual Lei n.° 9.430/96; que, a teor do consignado na decisão recorrida, o Julgador apegouse ao fraco argumento de que não teria ficado claro o fato da não existência de processo de execução nos autos da ação ordinária n.° 90.00.035325; que, após concretização, em definitivo, do pedido de restituição/compensação da empresa SID (o que para ela ainda não teria ocorrido), seria necessário intimação para que ela, no prazo de 30 dias, recolhesse o tributo não pago em virtude de procedimento de compensação, sem a inclusão de qualquer tipo de multa, conforme o disposto no art. 160 do Código Tributário Nacional e demais legislações pertinentes à matéria; que, uma vez que ela possui o direito à denúncia espontânea, no prazo de 30 dias contados da data de intimação do indeferimento definitivo do processo de compensação autuado sob o n.° 10380.026432/9990, atrelado ao PA n.° 13811.002062/9985, o Fisco Federal não poderia, de imediato, sem prévia intimação desta decisão, exigir qualquer tipo de multa; que, considerando os efeitos da verdade material inerentes ao processo administrativo, bem como o teor da Lei n.° 9.784/999, que a leva à condição de interessada, a falta de intimação dela, no sentido de solicitar esclarecimentos e/ou juntada de documentos acerca da matéria ventilada nos autos, leva à total nulidade dos atos processuais efetivados sem este mandamento (intimação), a teor dos princípios seculares do contraditório, ampla defesa e due process of law, todos arraigados no seio constitucional; que na exigência trazida no respectivo DARF de cobrança foi incluída a cobrança de juros pela taxa SELIC, com o que ela não pode concordar, vez que a referida taxa não fora criada por lei para fins tributários. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 150 6 Por entender essencial à solução da controvérsia, a então 2ª Turma Especial desta Primeira Seção de Julgamento, em sessão realizada em 02 de agosto de 2010, resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse apensado ao presente o processo nº 13811.002062/9985 (Resolução nº 180200.015). Promovida a apensação requerida, a 2ª Turma Especial desta Primeira Seção, por meio do DESPACHO de fls. 140/141, restituiu os autos para uma nova distribuição, haja vista o fato de o montante do crédito apontado para compensação ultrapassar o seu limite de alçada. É o Relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 151 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Aprecio, inicialmente, os pressupostos de admissibilidade do apelo. Trata o presente processo de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO (fls. 01), em que o crédito indicado para o encontro de contas é de titularidade da pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA S/A. À época em que a compensação tributária em referência era autorizada, o seu disciplinamento era dado pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Abaixo, as disposições do referido ato normativo relacionadas com a COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. [...] Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Observase, portanto, que: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 152 8 a) a compensação em questão deveria ser requerida pelos contribuintes titulares do crédito e do débito e formalizada por meio do formulário PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS; b) no caso em que os contribuintes estivessem sob jurisdição de Delegacias da Receita Federal distintas, o formulário acima referenciado deveria ser preenchido em duas vias, e cada contribuinte deveria protocolizar uma via na Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição; c) a via do formulário entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do DÉBITO tinha caráter exclusivo de COMUNICADO; d) a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos correspondentes era da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do TITULAR DO CRÉDITO. No caso vertente, extraise dos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985, apenso ao presente, as seguintes informações: i) embora também tenha protocolado um PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, a detentora do crédito, SID MICROELETRÔNICA S/A, domiciliada em SÃO PAULO, protocolou, no período de agosto a novembro de 1999, PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS; ii) os TERCEIROS titulares de DÉBITOS foram: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, domiciliada em VALINHOS, SÃO PAULO; RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/001820, estabelecimento localizado em BLUMENAU, SANTA CATARINA, e, RIGESA DO NORDESTE S/A, CNPJ Nº 00.310.707/000102, domiciliada em PACAJUS, Ceará; iii) referidos PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO foram protocolizados em unidades administrativas vinculadas à Delegacia da Receita Federal em São Paulo, unidade de jurisdição da pessoa jurídica detentora do CRÉDITO, ou seja, em conformidade com as disposições da IN SRF nº 21, de 1997; iv) a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), apreciando o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO protocolizado e os PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO a ele vinculados, não reconheceu o direito creditório pleiteado (despacho decisório, fls. 299/306 do citado processo nº 13811.002062/9985); v) a Derat/SPO cientificou a detentora do crédito em 1º de outubro de 2007, SID MICROELETRÔNICA S/A, do Despacho Decisório acima mencionado (fls. 309); vi) em 06 de novembro de 2007, RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, assinalando ser domiciliada na cidade de CAMPINAS, SÃO PAULO, e colocandose na posição de INTERESSADA, apresentou petição à Derat/SPO objetivando ser cientificada de todos os atos processuais e decisões relacionados aos pedidos de compensação (fls. 314/315); Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 153 9 vii) em 28 de novembro de 2007, RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, protocolizou na Delegacia da Receita Federal em Campinas MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 357/379); viii) constatase, às fls. 421 dos autos, que a Delegacia da Receita Federal em Campinas, por meio de intimação datada de 25 de outubro de 2007, cientificou a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS do Despacho Decisório emitido pela Derat/SPO, momento em que a intimou a recolher os débitos cujas compensações não haviam sido homologadas; ix) às fls. 436/442, consta o acórdão nº 1619.205, de 28 de outubro de 2008, prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, do qual releva extrair, do Relatório ali contido, os seguintes fragmentos: Trata o presente feito de Pedido de Restituição (fl. 01) protocolizado em 10/08/1999, de valores pagos a titulo de CSLL por empresa por ela incorporada STC Telecomunicações Ltda. — CNPJ 57.043.036/000170, referentes aos anos calendário 1990, 1994, 1995 e 1996, no valor de R$ 3.818.319,02, em razão de ação judicial transitada em julgado no processo judicial n° 90.00.035325. ... Por meio do Despacho Decisório de fls. 299/306 proferido pela DERAT/SPO/DIORT, datado de 31/08/2007, foi indeferido o pedido e, assim, não homologada as compensações solicitadas em razão de não ter o contribuinte comprovado se possuía titulo judicial referente à Ação Ordinária n° 90.00.035325 e se o referido titulo se encontraria em fase de execução ou se já teria sido executado. O contribuinte foi cientificado por via postal, conforme AR de fls. 309v em 01/10/2007 e não apresentou manifestação de inconformidade contra a repetição do indébito e conseqüente indeferimento do pedido da autorização de compensação. Em fls. 357/379, consta petição endereçada ao Delegado desta DRJ/SPOI, datada de 28/11/2007, pela empresa Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., insurgindose contra a cobrança dos seus débitos em aberto, formalizada pela Intimação 10.830/SEORT/DRJ/CPS/1611/2007 (cópia em fls. 421), datada de 25/10/2007, no seguinte teor: ... As alegações apresentadas pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., na petição de fls. 357/379 podem ser assim sintetizadas: em face da Intimação 10.830/SEORT/DRPCPS/1611/2007, recebida pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., em 01/11/2007, restaria clara a pertinência da presente Manifestação de Inconformidade, vez que a própria intimação fiscal fora construída sob a égide do art. 17 da Lei n°10.833/03. considerando que a própria autoridade fiscal houve por intimar esta contribuinte aqui Manifestante, com base no art. 17 da Lei no 10.833/93, que alterou o art. 74 da Lei no 9.430/96, e levando em consideração que a referida norma outorga direito à Manifestação de Inconformidade em caso da não homologação do pedido de compensação (hoje declaração de compensação), emerge para esta contribuinte, na condição de sujeito passivo da obrigação fiscal, o Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 154 10 direito à ampla defesa e ao contraditório, aqui sob a pele da Manifestação de Inconformidade. o interessado teria direito à ampla e irrestrita defesa nos termos do inciso II, do art. 90 da Lei n° 9.784/1999, bem assim em face dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório e do devido processo legal. teria ocorrido a homologação tácita do pedido de restituição, por força do art. 74, §§4° e 5°, da Lei n° 9.430/96. o direito aos créditos solicitados no PA n° 13811.002062/9984 seria líquido e certo, pois uma vez que não haveria a necessidade da instauração de fase executiva em processo em que se declara a inexistência de relação jurídica, não se haveria que se falar em comprovação de desistência da referida ação. a multa que está sendo exigida da Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda. seria indevida, e a aplicação da taxa SELIC no cômputo dos juros morat6rios seria ilegal. seria necessário o lançamento de oficio para a cobrança dos débitos em aberto e não simplesmente exigilos mediante simples carta de cobrança. seria ilegal qualquer exigência de créditos tributários já extintos em face da decadência, visto que as compensações que foram indeferidas, ou seja, não homologadas, e que deram azo à malsinada cobrança de valores supostamente devidos, datam de agosto de 1999 a março de 2000. Após desenvolver suas teses de defesa a Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda. apresentou pedido formulado em fls. 379 e abaixo transcrito: a) conhecer da presente Manifestação de Inconformidade, e recebêla no efeito suspensivo, conforme autoriza o art. 74, §§ 9° e 11º da Lei n° 9.430/96, c/c art, 151, inciso III do CTN; b) julgar a mesma totalmente procedente, de modo que as compensações praticadas sejam todas homologadas em razão do §§ 4° e 5° do art. 74 da Lei n°9.430/96; c) que caso o pedido na alínea 'b' acima não seja atendido, que seja afastada a exigência de comprovação da não interposição de execução de sentença dos autos da ação declaratória de inexistência de relação jurídica autuada sob o n° 90.00.035325, e, por conseguinte, que as compensações praticadas sejam homologadas. Ou ainda, assim, não se entendendo, que todos os atos e procedimentos sejam anulados em face da falta de intimação da interessada, aqui Manifestante; d) que caso o pedido na alínea "c" acima não seja atendido, que ao menos, os valores exigidos sejam declarados extintos, seja pela falta de lançamento de oficio, seja pelos efeitos irradiados da decadência; e) que uma vez não atendida um dos pedidos elaborados entre as alíneas `b' a 'd' acima, que, ao menos seja afastada a exigência da multa e dos juros visto que totalmente ilegais; f) determinar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil proceda às devidas e necessárias anotações em seus registros e arquivos magnéticos, afim de que não figure como 'pendência' e/ou inadimplência desta Manifestante, o crédito Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 155 11 tributário ora questionado, de modo a permitir a rápida obtenção da CND — Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, bem como que seja adotado o endereço constante na primeira página desta peça para fins de intimação referente a este processo; g) determinar a realização de diligência fiscal, a fim de comprovar a veracidade e/ou existência dos documentos ora juntados e outros que se tornem necessários, tudo em homenagem ao principio da verdade real, bem como visando um melhor convencimento da Vossa Senhoria, caso entenda conveniente e necessário. x) no acórdão acima mencionado, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo decidiu não acolher a Manifestação de Inconformidade apresentada por RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: nos termos do § 3º do art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21/97, o pedido de compensação apresentada na Delegacia da Receita Federal de jurisdição do titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado, demandando, assim, atos de mero controle administrativo; diversamente, os pedidos de restituição e pedidos de compensação com débitos próprios são convertidos em Declarações de Compensação, submetendose ao rito processual previsto no Decreto 70.235/72; os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados em conformidade com a IN SRF n° 21/97, pendentes de compensação em 01/10/2002, não foram convertidos em Declaração de Compensação, haja vista o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96; embora o § 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002, autorize a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em Declaração de Compensação (DCOMP), "há que se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tãosomente aqueles que possibilitassem a compensação com débitos próprios"; extraise de tal entendimento que, independentemente do resultado da apreciação do direito creditório indicado, não há que se falar em homologação tácita de pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros; não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento a apreciação de contestação relativa ao não acolhimento da compensação em questão, sendo aplicável no caso o rito previsto na Lei 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito federal, que não prevê a suspensão da exigibilidade dos débitos em aberto; a pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA S/A foi cientificada em 01/10/2007 do despacho decisório que não reconheceu o seu direito creditório, mas não apresentou manifestação de inconformidade; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 156 12 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não detém competência para apreciar a petição apresentada pela pessoa jurídica RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA; no caso de pedido de compensação de débito de terceiros, as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a contestação da não homologação da compensação de crédito não pertencente ao próprio contribuinte; no que diz respeito à eventual irregularidade na cobrança, cabe ao contribuinte a interposição de "recurso hierárquico", "dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior", nos termos do artigo 56 da Lei n° 9.784/99; xi) às fls. 443/446, constam: intimação de ciência à pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA LTDA, datada de 09/02/2009; ciência por EDITAL, cuja desafixação foi promovida em 30/04/2009; e despacho de arquivamento do processo. É importante salientar que o acórdão nº 1619.205, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, registra que o presente processo encontravase apensado ao de nº 13811.002062/9985. Pelo que se pode supor, o presente processo foi formalizado a partir da protocolização, pela pessoa jurídica RIGESA DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 00.310.707/000102, em 14/09/1999, em órgão de protocolo do Ministério da Fazenda no estado do CEARÁ, do PEDIDO DE COMPENSAÇÃO de fls. 01. Protocolado o PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza encaminhou o processo à Delegacia da Receita Federal São Paulo, que limitouse a anexar o Despacho Decisório exarado no processo nº 13811.002062/9985, restituindo os autos à unidade de jurisdição da requerente (DRF Fortaleza). A requerente, então, cientificada do Despacho Decisório acima mencionado, apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, e a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, assinalando que "a manifestação de inconformidade acostada aos autos é tempestiva, tendo sido apresentada por parte legitima, atendendo aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações implementadas pela Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993" conheceu a peça de defesa. Apreciando a Manifestação de Inconformidade, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza a indeferiu, servindose, em apertada síntese, dos seguintes fundamentos: a requerente não tinha legitimidade para manifestarse contra o indeferimento do DIREITO CREDITÓRIO; os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiro não foram convertidos em Declaração de Compensação, descabendo, assim, falar em homologação tácita; improcedentes as alegações acerca da incidência da multa de mora, vez que o débito foi confessado em DCTF; a cobrança de juros de mora com base na TAXA SELIC encontra amparo na legislação de regência e inexiste pronunciamento do STF acerca da sua inconstitucionalidade. Como já visto, em conformidade com as disposições da IN SRF nº 21/97, tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 157 13 TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, no caso, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, e tal análise, também como já foi constatado, foi efetuada pela referida unidade administrativa nos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985. Diante de tal circunstância, revelase absolutamente equivocado, a meu ver, o tratamento dispensado pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza ao PEDIDO DE COMPENSAÇÃO de fls. 01. Não custa repisar que, em conformidade com § 3º do art. 15 da IN SRF nº 21/97, "a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado". Pelo que depreendo, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, inobservando os comandos da IN SRF nº 21/97, segregou a apreciação da Manifestação de Inconformidade em dois segmentos, quais sejam: DIREITO CREDITÓRIO e COMPENSAÇÃO. Para o primeiro, considerou que a requerente não detinha legitimidade para contestar o decidido por meio do processo administrativo nº 13811.002062/9985, e, para o segundo, analisou cada uma das alegações trazidas pela contribuinte. Penso que o tratamento dado ao pedido de compensação em referência pela Turma Julgadora a quo não encontra lastro na legislação que rege matéria. Com efeito, o denominado PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO é uno e a competência para a sua apreciação, como reiteradamente destacado, é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso vertente, portanto, a análise do pleito (PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO) foi efetivada nos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985, sendo o ali decidido (ausência de reconhecimento do direito creditório e consequente não homologação das compensações a ele associado) irreformável administrativamente, haja vista a ausência de apresentação Manifestação de Inconformidade por parte da titular do CRÉDITO. Ainda que assim não seja, penso que o "recurso" interposto nos presentes autos não pode ser provido, pelas razões a seguir esposadas. Inaplicável, ao meu ver, o disposto no inciso II do art. 9º da Lei n.° 9.784/99, por força do que dispõe o art. 69 do mesmo diploma, de modo que as questões processuais suscitadas no presente processo devem ser dirimidas à luz das disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. Não obstante, na medida em que as razões de defesa trazidas em sede de recurso estão sendo objeto de apreciação, revelase despiciendo avançar sobre tal questão. Absolutamente improcedente a argumentação de que, no presente caso, o Fisco deveria ter promovido o lançamento de ofício dos valores cujas compensações não foram homologadas, visto que, como assinalado no ato decisório de primeiro grau, tais valores foram objeto de confissão de dívida por meio de DCTF, não sendo, assim, passíveis de constituição de ofício. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 158 14 Uma vez declarados, confessados e indeferida a extinção por compensação, revelase incabível falarse em caducidade do direito de constituir os correspondentes créditos tributários. No que diz respeito à conversão do PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO em DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, curvome, em convergência com o decidido em primeira instância, ao entendimento esposado no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/05, vez que, de fato, não se pode admitir que a interpretação do disposto nos parágrafos quarto e quinto do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhes foi dada pelas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, possa ser feita sem levar em conta o que dispõe o caput do artigo em referência. À evidência, não se pode considerar que a norma contida em um parágrafo de um determinado artigo da lei possa ser considerada dissociada da preconizada pelo caput desse mesmo artigo. Nesse sentido, ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Assim, o estabelecido nos parágrafos quarto e quinto do artigo em debate, a meu ver, só pode ser compreendido na exata delimitação feita pelo seu caput, isto é: a) os pedidos de compensação pendentes de apreciação que foram considerados, desde o seu protocolo, declaração de compensação, são aqueles cujos créditos foram apurados pelo sujeito passivo e os débitos, da mesma forma, são próprios; e b) o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada, no que diz respeito ao pedidos pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data da vigência da Lei nº 10.637, de 2002, só alcança as compensações que envolvam créditos e débitos próprios. Apesar de entender que o litígio instaurado no presente processo, considerada as disposições da IN SRF nº 21, de 1997, foi definitivamente apreciado no âmbito do processo que cuidou de analisar o crédito apontado para o encontro de contas (processo nº 13811.002062/9985), em virtude dos equívocos cometidos na tramitação do processo, debruçome sobre as razões trazidas pela contribuinte em sede de recurso voluntário. Contudo, faço isso tão somente em relação aos argumentos que dizem respeito especificamente à compensação pleiteada, vez que, em conformidade com a decisão de primeiro grau, não identifico legitimidade da ora Recorrente para, no presente processo, sustentar a procedência do direito creditório que não lhe pertence. Com isso, deixo de apreciar os argumentos declinados na peça de defesa acerca da ação ordinária nº 90.00.035325. Inaplicável, à evidência, a aplicação das disposições do art. 160 do Código Tributário Nacional (CTN), vez que o tributo que a Recorrente pretendeu extinguir por compensação, servindose de crédito de terceiro, tem o vencimento previsto em lei, e, além disso, foi declarado e confessado por ela. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.026432/9990 Acórdão n.º 1301002.001 S1C3T1 Fl. 159 15 No que tange à alegação de que, em virtude de denúncia espontânea, o Fisco não poderia, de imediato, exigir qualquer tipo de multa, releva notar que, nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". No caso vertente, como já visto, o débito que a contribuinte pretende extinguir por meio de compensação, foi declarado e confessado por meio de DCTF. Descabe, também, falar em nulidade dos atos processuais em decorrência de ausência de intimação da ora Recorrente, pois, como reiteradamente afirmado, nos termos da legislação de regência, na circunstância em que o pedido de compensação envolve crédito de terceiro, a unidade administrativa competente para apreciar o pedido é a da jurisdição do detentor do crédito, sendo a entrega de uma via do pedido de compensação à unidade distinta medida de mero controle. Decorre de tal disposição que, no presente caso, eventuais contestações acerca do pedido deveriam ter sido direcionadas para o processo nº 13811.002062/9985. No que diz respeito à incidência da TAXA SELIC na cobrança de juros de mora, a questão resta pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme SÚMULA CARF nº 4 abaixo transcrita. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante das razões expostas, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 12782.000006/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009
IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA.
A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009
PROVAS EMPRESTADAS. LICITUDE.
A prova emprestada, quando submetida a contraditório, é admitida no processo administrativo fiscal.
SIGILO BANCÁRIO E DE COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
É licito o acesso a dados bancários e de comunicações telefônicas autorizados em processo judicial.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Nos termos do artigo 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se aquele que, embora não integrante do quadro societário, é sócio de fato da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3201-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Elias Fernandes Eufrásio. Apresentará declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
Compareceu ao julgamento o advogado Júlio Cesar Soares, OAB/DF nº 29266.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 PROVAS EMPRESTADAS. LICITUDE. A prova emprestada, quando submetida a contraditório, é admitida no processo administrativo fiscal. SIGILO BANCÁRIO E DE COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É licito o acesso a dados bancários e de comunicações telefônicas autorizados em processo judicial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Nos termos do artigo 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se aquele que, embora não integrante do quadro societário, é sócio de fato da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Elias Fernandes Eufrásio. Apresentará declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Compareceu ao julgamento o advogado Júlio Cesar Soares, OAB/DF nº 29266. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 PROVAS EMPRESTADAS. LICITUDE. A prova emprestada, quando submetida a contraditório, é admitida no processo administrativo fiscal. SIGILO BANCÁRIO E DE COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É licito o acesso a dados bancários e de comunicações telefônicas autorizados em processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/05/2009 a 26/08/2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Nos termos do artigo 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose aquele que, embora não integrante do quadro societário, é sócio de fato da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 78 2. 00 00 06 /2 01 0- 96 Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.041 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Elias Fernandes Eufrásio. Apresentará declaração de voto a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Compareceu ao julgamento o advogado Júlio Cesar Soares, OAB/DF nº 29266. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo baixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.460.676,09 (hum milhão quatrocentos e sessenta mil seiscentos e setenta e seis reais e nove centavos) referente a multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração este procedimento fiscal (que teve como foco as importações registradas pela empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, ora impugnante, nas operações identificadas, de fato, como realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 04.867.975/0001721, beneficiando o Grupo MUDE/CISCO) teve início como resultado nas investigações propiciadas pelo Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal na Ia Subseção Judiciária de São PauloSP, através do qual os Escritórios de Pesquisa e Investigação da 5a e 8a Regiões Fiscais da Receita Federal do Brasil designaram servidores para atuar na investigação criminal. Consta que o grupo MUDE/CISCO usava informar à Receita Federal, por intermédio de importadoras "interpostas", que os equipamentos de telecomunicações importados (hardwares) estavam desprovidos de softwares. Entretanto, documentos e planilhas encontrados (controles dos processos de importação), como também laudo pericial elaborado pela Polícia Federal Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.042 3 (ANEXO 02), demonstram que os softwares acompanhavam os hardwares e que os valores dos mesmos não eram declarados nos documentos instrutivos da importação. Destacou a fiscalização que os valores inicialmente declarados (subfaturados) pelo importador nos itens identificados como subfaturados não correspondiam àqueles efetivamente praticados, reduzidos mediante fraude. Passou à apuração da diferença de valor ocultada pelo subfaturamento, adicionando tal diferença aos valores das transações inicialmente declarados. O resultado desta adição é a base e cálculo para a aplicação da referida multa. Cabe, para fiquem bem esclarecidos os fatos, a descrição de parte do Relatório de Auditoria Fiscal Volume I: "Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos aprendidos em 16 de Outubro de 2007 pela Polícia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal motivados por investigação, realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal, de uma organização dedicada à prática de diversas fraudes, inclusive em operações de comércio exterior. Os procedimentos de investigação conduzidos sob a denominação de "OPERAÇÃO PERSONA " iniciaramse em 2006 e culminaram com a deflagração de uma grande operação ostensiva em vários endereços comerciais e residenciais em diversos estados. .../... O presente procedimento fiscal teve como foco as importações pela empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, CNPJ 05.110.380/000130, nas operações identificadas, de fato, como realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 04.867.975/000172, beneficiando o Grupo MUDE/CISCO. .../... Com o objetivo de reduzir a base de cálculo do imposto de importação, o grupo simulava efetuar a separação dos hardwares de seus softwares, visando recolher menos tributos vinculados à Importação de Mercadorias Estrangeiras. A análise dos documentos permitiu a identificação e quantificação das operações realizadas, bem como a perfeita caracterização dos elementos de fato das reais operações comerciais. .../... Assim, a presente auditoria tratou de proceder à vinculação das operações de importação registradas no SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior, utilizado pela Receita Federal do Brasil) com as efetivas compras efetuadas pelo Grupo Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.043 4 MUDE/CISCO, apropriandose àquelas os elementos de fato das operações comerciais. Dessa forma, o presente trabalho de auditoria seguiu as etapas abaixo discriminadas: Recuperação das Declarações de Importação (DI) registradas no SISCOMEX em nome da empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, nas operações que identificamos como realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, em beneficio do Grupo MUDE/CISCO, a partir da vigência da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007; Identificação dos elementos de prova de subfaturamento vinculando as operações efetuadas pela empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA com a real adquirente MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA; Apuração dos preços efetivamente praticados, a partir das invoices emitidas pela empresa CISCO, no exterior; Determinação da base de cálculo para aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007; Caracterização da solidariedade entre importador efetivo e demais responsáveis pessoas físicas.” O GRUPO K/E é comandado por CID GUARDIA FILHO, CPF n° 037.619.00864, conhecido como "KIKO" e ERNÂNI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704, Auditor Fiscal da Receia Federal do Brasil AFRFB, aposentado. Pelo material obtido em interceptação autorizada judicialmente, é possível constatar o controle, por este GRUPO, de diversas pessoas jurídicas. O GRUPO K/E era responsável pelas IMPORTADORAS E DISTRIBUIDORAS INTERPOSTAS sediadas no Brasil. Estas empresas tinham como função (I) ocultar o REAL ADQUIRENTE (MUDE LTDA) e o BENEFICIÁRIO (CISCO BRASIL), (II) propiciar redução ilícita do recolhimento de tributos, notadamente o IPI e o ICMS. Tendo em vista o disposto no art. 124,1 da Lei n° 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), foi declarada a responsabilidade solidária das seguintes pessoas: CID GUARDIA FILHO CPF 037.619.00864; ERNÂNI BERTINO MACIEL CPF 239.033.84704. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA. Intimada do Auto de Infração em 20/05/20101 (fl. 2), em 21/06/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1127/1143, onde alegou: no procedimento administrativo tendente à apuração de supostos ilícitos fiscais, é vedado à Administração Fiscal basear Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.044 5 se exclusivamente em elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento criminal, como ocorre no caso sob análise, cita decisão do STJ; a utilização de dados obtidos mediante interceptação telefônica e telemática (quebra de sigilo dos envolvidos) deve observar o disposto na Lei n° 9.296/96, que regulamenta o artigo 5o , XII, parte final, da Constituição Federal, que limita a sua utilização ao âmbito do procedimento penal; é nulo o procedimento fiscal por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; a fiscalização pretende imputar aos elementos probatórios extraídos do processo penal um caráter de verdade absoluta que não lhe é próprio, na medida em que ainda não foram submetidos ao regular contraditório no âmbito do procedimento criminal; não há, no Relatório Fiscal, uma única linha sequer abordando especificamente as operações de importação das mercadorias às quais a Fiscalização pretende exigir diferenças de tributos sobre o valor supostamente não declarado; não se pode presumir a ocorrência de determinado fato simplesmente porque em outra ocasião ele se verificou, utilizandose da chamada "prova emprestada"; não houve qualquer antecipação de recursos para a realização, pela Impugnante, das operações em tela, não se caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros, conforme acusa a Fiscalização; o traço fundamental que distingue entre os dois tipos de operação (por conta própria e por conta e ordem) está na titularidade dos recursos empregados na operação de comércio exterior, como se verifica do disposto na Lei n° 10.637/02 que estabelece "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001". (destacamos); a própria Fiscalização parece não se aperceber do fato de que as transferências bancárias por ela referidas nada mais são pagamentos por mercadorias devidamente entregues aos seus adquirentes. Vejase, por exemplo, o trecho do Relatório Fiscal, em que a Fiscalização afirma que "a conta da TECNOSUL é alimentada exclusivamente, por recursos oriundos da MUDE decorrentes de notas fiscais emitidos contra a mesma, sendo tão logo, transferidos para o exportador, que irá providenciar o fechamento do câmbio "; (grifou) tratase de regular negócio de compra e venda de mercadorias. Sendo assim, os recursos legitimamente pertenciam à empresa vendedora das mercadorias, que deles poderia se utilizar Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.045 6 inclusive para o fechamento do contrato de câmbio, que normalmente ocorre em momento posterior à entrega dos produtos no mercado interno; a multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 foi calculada pela fiscalização sobre o valor das operações declaradas ao Fisco, bem como sobre os montantes que teriam sido supostamente subfaturados; caso não seja a multa imposta integralmente cancelada, o que se admite apenas para argumentar, quando menos deverá ser determinado o seu redimensionamento, a fim de que seja excluído o valor relacionado ao suposto subfaturamento, na medida em que, além de ter sido presumido com base em provas emprestadas, o que não pode ser admitido, a Impugnante não teve qualquer participação nos atos que teriam acarretado a diminuição fraudulenta do valor das operações; as alegações da Fiscalização quanto ao suposto subfaturamento baseiamse na Declaração de Importação DI n° 07/13031594, registrada pela empresa Brastec Tecnologia e Informática Ltda., conforme fl. 149/279. Do mesmo modo, a perícia técnica que teria comprovado o "split" entre hardware e software foi realizada nas mercadorias que se encontravam no EADI de Salvador (cf. fls. 212/279), pertencentes a outra empresa, que não a Impugnante; concluise, portanto, que a Fiscalização tomou e empréstimo considerações referentes a mercadorias que não são objeto do Auto de Infração ora impugnado. Tratase, inequivocamente, de presunção baseada em provas emprestadas de outras operações, o que, como visto no item 3 supra, é manifestamente ilegítimo, não servindo para fundamentar a acusação de subfaturamento. Deve ser excluído do cálculo da multa, portanto, o valor equivalente ao suposto subfaturamento; todos os indícios apontados pela Fiscalização como indicadores do subfaturamento referemse, exclusivamente, à MUDE e a CISCO; além da multa objeto do auto de infração ora impugnado, a Fiscalização cominou pelo lançamento, sobre parte das operações de outras duas multas em face da ora Impugnante (processo administrativo n° 12782.000010/201054) a multa majorada de 150% sobre as diferenças de tributos supostamente devidas (art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96) cumulada com a multa de 100% sobre as supostas diferenças entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação (art. 88, § único, da MP n° 2.15835/01); a Fiscalização impõe várias sanções ou multas em face da Impugnante, ambas decorrentes do mesmo alegado ato ilícito. Pretende, dessa maneira, penalizar com várias penas, uma única suposta infração, configurando, sem dúvida, inaceitável, "bis in idem", aplicado às obrigações acessórias; Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.046 7 as infrações, juntas, representam quase 350% do valor do suposto débito tributário. A exigência de penalidades não pode atingir proporções tão absurda; requer seja acolhida a impugnação. DA IMPUGNAÇÃO DE ERNÂNI BERTINO MACIEL Intimada do Auto de Infração em 20/05/2010 (fl.287), em 21/06/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1243/1264, onde alegou: deve ser cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, por falta de adequada motivação para a inclusão de pessoa física no pólo passivo do auto de infração; ainda que o Impugnante pudesse vir a ser considerado como "sócio de fato" da empresa autuada, o que se admite exclusivamente para efeito de argumentação, de qualquer maneira não poderia prosseguir a exigência. Isso porque o auto de infração não contempla qualquer motivação que pudesse demonstrar o preenchimento dos requisitos mínimos que autorizariam a responsabilização solidária de pessoa física por infração alegadamente cometida pela pessoa jurídica; a atribuição de responsabilidade solidária a pessoa física, em decorrência de fatos praticados pela pessoa jurídica do qual é sócio, depende da demonstração, pelo fisco, da ocorrência de uma situação de fato capaz de ensejar o interesse comum da situação que constitui o fato jurídico tributário; não consta do Relatório Fiscal, uma única linha sequer comprovando o interesse jurídico que poderia ter o Impugnante na situação ensejadora do fato jurídico tributário, o que seria essencial para fundamentar a sua inclusão no pólo passivo do auto de infração; no caso do procedimento administrativo tendente à apuração de supostos ilícitos fiscais, é vedado à Administração Fiscal basearse exclusivamente em elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento criminal, como ocorre no caso sob análise; deve ser declarado nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; a Fiscalização pretende imputar aos elementos probatórios extraídos do processo penal um caráter de verdade absoluta que não lhe é próprio, na medida em que ainda não foram submetidos ao regular contraditório no âmbito do procedimento criminal; verificase, ainda, que a exigência fiscal não teria condições de prosseguir, na medida em que todas as alegações da Fiscalização são genéricas, não possuindo nenhuma pertinência Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.047 8 com as operações que são objeto do auto de infração lavrado originariamente contra a empresa ABC Industrial; o simples fato de todos os elementos probatórios colacionados pela Fiscalização não serem específicos para as operações objeto da autuação tornaos imprestáveis para a comprovação das alegações que constam do Termo de Sujeição Passiva Solidária; a fiscalização, sem demonstrar a mínima preocupação de apontar indícios específicos relacionados às operações em tela, optou por presumir a existência de um "modus operandi" e de um "esquema de importações fraudulentas" (nas palavras da própria Fiscalização), e, sob tal presunção, concluiu pela responsabilização solidária do ora Impugnante pelos valores imputados à empresa ABC Industrial nas operações por ela realizadas no mercado interno; não foi demonstrada a suposta vinculação do ora Impugnante especificamente com as operações objeto da autuação originaria, o que em tese poderia caracterizar hipótese de responsabilização solidária; não se pode presumir a ocorrência de determinado fato simplesmente porque em outra ocasião ele se verificou, utilizandose da chamada "prova emprestada"; a acusação é de que o Impugnante participaria do suposto esquema no pólo da importação. O termo de Sujeição Passiva Solidária ora impugnado referese a imposições relacionadas ao comércio exterior multa prevista no art. 33 d Lei n° 11.488/2007, IPI, PIS e COFINS incidentes na importação, além de multa administrativa em decorrência de alegado sub faturamento; ocorre, que a própria Fiscalização já imputou ao Impugnante a responsabilização solidária por multa regulamentar e IPI incidentes nas operações de mercado interno; de fato, em relação ao período abrangido pelo auto de infração impugnado (operações realizadas no ano de 2007), a Fiscalização lançou, em face da Mude Comércio e Serviços Ltda. (sujeito passivo) o auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 10803.000071/200967, por meio do qual são exigidos a multa regulamentar por entrega a consumo de mercadorias importadas irregularmente, além do IPI incidente nas operações de saída das mercadorias da MUDE com destino ao consumidor, acrescido de multa majorada (doe. 03); naquela ocasião, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente pelos encargos impostos à MUDE em decorrência de supostas irregularidades verificadas nas operações de mercado interno (conforme Termo de Sujeição Passiva doe. 03); Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.048 9 em outras palavras, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente, em um primeiro momento, sob a acusação de que teria atuado conjuntamente com a MUDE nas operações de mercado interno que destinaram os produtos ao consumidor. Na sequência, o Impugnante vem a ser responsabilizado solidariamente pelas multas e tributos supostamente incidentes nas operações de importação; parece, assim, que nem a própria Fiscalização conseguiu concluir qual seria o suposto papel do Impugnante nas operações autuadas. Mesmo analisando hipoteticamente a questão, uma vez que o Impugnante não admite, em hipótese alguma, as acusações fiscais, a conclusão é uma só: ou bem ele poderia em tese ser equiparada ao importador, ou bem ele poderia em tese ser responsável pelas operações internas que destinaram as mercadorias ao consumidor final; o que não se pode admitir é que a ele seja imputada a responsabilidade solidária pelas multas regulamentares e pelas exigências tributárias incidentes em ambos os pólos da operação, como pretende fazer a Fiscalização; todas as alegações da Fiscalização baseiamse em meros indícios e presunções, que não emprestam sustentação às conclusões fiscais; a Fiscalização reportase a arquivos magnéticos apreendidos na sede da empresa Cider Assessoria Empresarial. Alega a Fiscalização que tais documentos demonstrariam que o Impugnante teria "controle das importações" realizadas por diversas empresas; no entanto, a própria Fiscalização reconhece que a empresa Cider Assessoria Empresarial, da qual o Impugnante é sócio, presta serviços de assessoria a diversas empresas, entre elas Brastec, Prime e ABC (conforme referido expressamente no relatório do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em face de Ernâni Bertino Maciel). Justificase, dentro do contexto da relação existente entre as pessoas jurídicas, a existência de arquivos magnéticos de controle das operações de importação realizadas pelas contratadas, bem como de documentos envolvendo a situação jurídica das empresas. Ora, a mera prestação de serviços de assessoria, que envolvem assessoria financeira, tributária, aduaneira, planejamento, coordenação, programação, organização empresarial e controle da produção industrial" (cf. contratos juntados pela própria Fiscalização), não sustenta a conclusão da Fiscalização de que teria havido importações fraudulentas, a justificar a responsabilização solidária do ora impugnante como pretende a Fiscalização; com base em arquivos magnéticos, alega a Fiscalização que a empresa Tecnosul Distribuidora de Produtos Eletroeletrônicos Ltda, seria utilizada "para suprir o caixa da LIVON (empresa da qual são sócios ERNÂNI BERTINO MACIEL, CID GUARDIÃ FILHO e JOSE CARLOS MENDES PIRES)", sugerindo que " rendimentos auferidos pelas atividades da TECNOSUL são Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.049 10 transferidos para que a empresa LIVON os utilizasse em suas atividades" (cf. Termo de Sujeição Passiva); caso a Fiscalização cumprido minimamente com seu dever e busca da verdade material dos fatos, como lhe determina o art. 142, do CTN, teria verificado que, ao contrário do quanto afirmou, tratase de empresas que possuem relação comercial absolutamente transparente e idônea, conforme se verifica, exemplificativamente, das notas fiscais anexas e folhas do Livro Razão da empresa Livon Indústria e Tecnologia de Eletrônico Ltda (doe. 04); quanto à empresa WKR Brasil Ltda., a qual afirma a Fiscalização "aparentemente não possuir qualquer relação comercial com a empresa "TECNOSUL", foi colacionado arquivo magnético em que constam transferências que seriam "provavelmente retiradas deste para capitalizar a sua empresa WKR", o que daria "forte indicação" de que "a empresa TECNOSUL pertence de fato ao grupo K/E, de propriedade de CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL" (fl. Termo de Sujeição Passiva); verificase que os aportes destacados na referida planilha referemse ao pagamento de parcelas (3x R$ 30.000,00) relativas à venda de materiais da empresa WKR para a Tecnosul, como demonstra a Nota Fiscal, cuja cópia, a exemplo de outras, segue anexa (doc. 05); como se não bastasse tamanha desídia, há, ainda, transcrições de comunicações telemáticas absolutamente irrelevantes para o caso, muito embora a elas pretenda a Fiscalização emprestar a qualidade de elemento probatório da responsabilidade solidária do Impugnante; os indícios apontados pela Fiscalização, além de genéricos (não relacionados especificamente às operações autuadas) não são claros, precisos e concordantes, sendo imprestáveis para sustentar a presunção fiscal no sentido da ocorrência de interposição fraudulenta nas importações; a hipótese fática que enseja a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 somente pode ser realizada por pessoa jurídica; a Fiscalização se esforça para demonstrar que a MUDE seria a destinatária das mercadorias importadas. Entretanto, a mera presença de comprador predeterminado não caracteriza a importação por conta e ordem, conforme veio a reconhecer o artigo 11 da Lei n° 11.280/2006; os indícios reunidos pela Fiscalização não se revestem dos requisitos de gravidade, precisão e concordância, porquanto não possibilitam convencimento seguro de que as operações eram por conta e ordem da empresa autuada (MUDE) admitindo conclusões diferentes, como se demonstrou, sendo, destarte, frágeis e imprestáveis para os fins a que se destinam; Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.050 11 requer a improcedência da exigência que lhe é imputada. DA IMPUGNAÇÃO DE CID GUARDIA FILHO Intimada do Auto de Infração em 20/05/2010 (fl.287), em 21/06/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1380/1401, onde alegou: deve ser cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, por falta de adequada motivação para a inclusão de pessoa física no pólo passivo do auto de infração; ainda que o Impugnante pudesse vir a ser considerado como "sócio de fato" da empresa autuada, o que se admite exclusivamente para efeito de argumentação, de qualquer maneira não poderia prosseguir a exigência. Isso porque o auto de infração não contempla qualquer motivação que pudesse demonstrar o preenchimento dos requisitos mínimos que autorizariam a responsabilização solidária de pessoa física por infração alegadamente cometida pela pessoa jurídica; a atribuição de responsabilidade solidária a pessoa física, em decorrência de fatos praticados pela pessoa jurídica do qual é sócio, depende da demonstração, pelo fisco, da ocorrência de uma situação de fato capaz de ensejar o interesse comum da sição que constitui o fato jurídico tributário; não consta do Relatório Fiscal, uma única linha sequer comprovando o interesse jurídico que poderia ter o Impugnante na situação ensejadora do fato jurídico tributário, o que seria essencial para fundamentar a sua inclusão no pólo passivo do auto de infração; no caso do procedimento administrativo tendente à apuração de supostos ilícitos fiscais, é vedado à Administração Fiscal basearse exclusivamente em elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento criminal, como ocorre no caso sob análise; deve ser declarado nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; a Fiscalização pretende imputar aos elementos probatórios extraídos do processo penal um caráter de verdade absoluta que não lhe é próprio, na medida em que ainda não foram submetidos ao regular contraditório no âmbito do procedimento criminal; verificase, ainda, que a exigência fiscal não teria condições de prosseguir, na medida em que todas as alegações da Fiscalização são genéricas, não possuindo nenhuma pertinência com as operações que são objeto do auto de infração lavrado originariamente contra a empresa ABC Industrial; o simples fato de todos os elementos probatórios colacionados pela Fiscalização não serem específicos para as operações Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.051 12 objeto da autuação tornaos imprestáveis para a comprovação das alegações que constam do Termo de Sujeição Passiva Solidária; a fiscalização, sem demonstrar a mínima preocupação de apontar indícios relacionados às operações em tela, optou por presumir a existência de um "modus operandi" e de um "esquema de importações fraudulentas" (nas palavras da própria Fiscalização), e, sob tal presunção, concluiu pela responsabilização solidária do ora Impugnante pelos valores imputados à empresa ABC Industrial nas operações por ela realizadas no mercado interno; não foi demonstrada a suposta vinculação do ora Impugnante especificamente com as operações objeto da autuação originaria, o que em tese poderia caracterizar hipótese de responsabilização solidária; não se pode presumir a ocorrência de determinado fato simplesmente porque em outra ocasião ele se verificou, utilizandose da chamada "prova emprestada"; a acusação é de que o Impugnante participaria do suposto esquema no pólo da importação. O termo de Sujeição Passiva Solidária ora impugnado referese a imposições relacionadas ao comércio exterior multa prevista no art. 33 d Lei n° 11.488/2007, IPI, PIS e COFINS incidentes na importação, além de multa administrativa em decorrência de alegado subfaturamento; ocorre, que a própria Fiscalização já imputou ao Impugnante a responsabilização solidária por multa regulamentar e IPI incidentes nas operações de mercado interno; de fato, em relação ao período abrangido pelo auto de infração impugnado (operações realizadas no ano de 2007), a Fiscalização lançou, em face da Mude Comércio e Serviços Ltda. (sujeito passivo) o auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 10803.000071/200967, por meio do qual são exigidos a multa regulamentar por entrega a consumo de mercadorias importadas irregularmente, além do IPI incidente nas operações de saída das mercadorias da MUDE com destino ao consumidor, acrescido de multa majorada (doe. 03); naquela ocasião, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente pelos encargos impostos à MUDE em decorrência de supostas irregularidades verificadas nas operações de mercado interno (conforme Termo de Sujeição Passiva doe. 03); em outras palavras, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente, em um primeiro momento, sob a acusação de que teria atuado conjuntamente com a MUDE nas operações de mercado interno que destinaram os produtos ao consumidor. Na sequência, o Impugnante vem a ser responsabilizado Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.052 13 solidariamente pelas multas e tributos supostamente incidentes nas operações de importação; parece, assim, que nem a própria Fiscalização conseguiu concluir qual seria o suposto papel do Impugnante nas operações autuadas. Mesmo analisando hipoteticamente a questão, uma vez que o Impugnante não admite, em hipótese alguma, as acusações fiscais, a conclusão é uma só: ou bem ele poderia em tese ser equiparada ao importador, ou bem ele poderia em tese ser responsável pelas operações internas que destinaram as mercadorias ao consumidor final; o que não se pode admitir é que a ele seja imputada a responsabilidade solidária pelas multas regulamentares e pelas exigências tributárias incidentes em ambos os pólos da operação, como pretende fazer a Fiscalização; todas as alegações da Fiscalização baseiamse em meros indícios e presunções, que não emprestam sustentação às conclusões fiscais; a Fiscalização reportase a arquivos magnéticos apreendidos na sede da empresa Cider Assessoria Empresarial. Alega a Fiscalização que tais documentos demonstrariam que o Impugnante teria "controle das importações" realizadas or diversas empresas; a própria Fiscalização reconhece que a empresa Cider Assessoria Empresarial, da qual o Impugnante é sócio, presta serviços de assessoria a diversas empresas, entre elas a ABC (conforme referido expressamente no relatório do Termo de Sujeição Passiva Solidária). Justificase, dentro do contexto da relação existente entre as pessoas jurídicas, a existência de arquivos magnéticos de controle das operações de importação realizadas pelas contratadas, bem como de documentos envolvendo a situação jurídica das empresas. Ora, a mera prestação de serviços de assessoria, que envolvem assessoria financeira, tributária, aduaneira, planejamento, coordenação, programação, organização empresarial e controle da produção industrial" (cf. contratos juntados pela própria Fiscalização), não sustenta a conclusão da Fiscalização de que teria havido importações fraudulentas, a justificar a responsabilização solidária do ora impugnante como pretende a Fiscalização; com base em arquivos magnéticos, alega a Fiscalização que a empresa Tecnosul Distribuidora de Produtos Eletroeletrônicos Ltda, seria utilizada "para suprir o caixa da LIVON (empresa da qual são sócios ERNÂNI BERTINO MACIEL, CID GUARDIÃ FILHO e JOSE CARLOS MENDES PIRES)" , sugerindo que "rendimentos auferidos pelas atividades da TECNOSUL são transferidos para que a empresa LIVON os utilizasse em suas atividades" (cf. Termo de Sujeição Passiva); caso a Fiscalização cumprido minimamente com seu dever e busca da verdade material dos fatos, como lhe determina o art. 142, do CTN, teria verificado que, ao contrário do quanto Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.053 14 afirmou, tratase de empresas que possuem relação comercial absolutamente transparente e idônea, conforme se verifica, exemplificativamente, das notas fiscais anexas e folhas do Livro Razão da empresa Livon Indústria e Tecnologia de Eletrônico Ltda (doe. 04); quanto à empresa WKR Brasil Ltda., a qual afirma a Fiscalização "aparentemente não possuir qualquer relação comercial com a empresa "TECNOSUL", foi colacionado arquivo magnético em que constam transferências que seriam "provavelmente retiradas deste para capitalizar a sua empresa WKR", o que daria "forte indicação" de que "a empresa TECNOSUL pertence de fato ao grupo K/E, de propriedade de CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL" (fl. Termo de Sujeição Passiva); verifícase que os aportes destacados na referida planilha referemse ao pagamento de parcelas (3x R$ 30.000,00) relativas à venda de materiais da empresa WKR para a Tecnosul, como demonstra a Nota Fiscal, cuja cópia, a exemplo de outras, segue anexa (doe. 05); como se não bastasse tamanha desídia, há, ainda, transcrições de comunicações telemáticas absolutamente irrelevantes para o caso, muito embora a elas pretenda a Fiscalização emprestar a qualidade de elemento probatório da responsabilidade solidária do Impugnante; os indícios apontados pela Fiscalização, além de genéricos (não relacionados especificamente às operações autuadas) não são claros, precisos e concordantes, sendo imprestáveis para sustentar a presunção fiscal no sentido da ocorrência de interposição fraudulenta nas importações; a hipótese fática que enseja a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 somente pode ser realizada por pessoa jurídica; a Fiscalização se esforça para demonstrar que a MUDE seria a destinatária das mercadorias importadas. Entretanto, a mera presença de comprador predeterminado não caracteriza a importação por conta e ordem, conforme veio a reconhecer o artigo 11 da Lei n° 11.280/2006; os indícios reunidos pela Fiscalização não se revestem dos requisitos de gravidade, precisão e concordância, porquanto não possibilitam convencimento seguro de que as operações eram por conta e ordem da empresa autuada (MUDE) admitindo conclusões diferentes, como se demonstrou, sendo, destarte, frágeis e imprestáveis para os fins a que se destinam; requer a improcedência da exigência que lhe é imputada. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em.São Paulo II, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.054 15 crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/02/2010 Ementa DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. SOLIDARIEDADE Segundo a legislação do Comércio Exterior, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Os responsáveis solidários CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL, inconformados com a decisão, apresentaram, tempestivamente, recurso voluntário. Na oportunidade, reiteraram os argumentos colacionados em suas impugnações. A empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA apresentou recurso voluntário de forma intempestiva. A contribuinte, contudo, sustenta sua tempestividade, pois o acórdão recorrido teria sido encaminhado para o antigo endereço de sua sede, e o novo endereço já teria sido comunicado previamente à RFB. A contribuinte foi cientificada desta decisão por correspondência encaminhada para o endereço “Rua Silvanir F. Chaves, 528, Lauro de Freitas, Bahia”. Anexa, para comprovar o alegado, protocolo de transmissão da FCPJ, solicitando a alteração de endereço entre municípios do mesmo estado, datado de 6/5/2010. Em 22/08/2013, decidiu a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF pela conversão do julgamento em diligência para verificação da regularidade da intimação fiscal. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.055 16 A unidade de origem, em atendimento ao pedido de diligência, informa que a correspondência citada pela interessada, de fato, foi encaminhada a endereço diverso do domicílio fiscal da mesma. Ilustra, contudo, que a contribuinte foi intimada por meio de outro procedimento, qual seja a intimação por edital (Edital ALF/SDR nº 41/2011, publicado no DOU de 22/08/2011), procedimento previsto no artigo 23, § 1º, inciso III do Decreto nº 70.235/72, que prescreve a ciência editalícia como modalidade a ser adotada quando se tratar de contribuinte cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. Em sendo esta a situação da recorrente, conclui pela validade e eficácia da “ciência formalizada por meio do Edital ALF/SDR nº 41 (fl. 1594), de 20 de setembro de 2011, publicado no Diário Oficial da União em 22 de setembro de 2011. Por conseguinte, o prazo para apresentação do Recurso Voluntário expirou em 8 de novembro de 2011, de modo que o Recurso interposto em 24 de maio de 2012 deve ser considerado intempestivo”. As partes foram intimadas do resultado desta diligência, não apresentando novas razões. É o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Da admissibilidade Os recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL atendem aos requisitos de legitimidade, razão pela qual deles se toma conhecimento. Em relação ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, contudo, constatase que o mesmo foi apresentado de forma intempestiva, o que impede a sua apreciação por este colegiado. Conforme verificado em procedimento de diligência fiscal, a contribuinte foi declarada inapta pela RFB, encontrandose nesta situação em 22/09/2011, quando foi publicado no DOU o Edital ALF/SDR nº 41, que intima a contribuinte do acórdão objeto do recurso. O Decreto nº 70.235/72, que rege o Contencioso Administrativo Fiscal Federal, estabelece que, em se tratando de sujeito passivo que possui inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação pode ser feita por meio de edital: Art. 23. Farseá a intimação: [...] § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.056 17 intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Desta forma, tendo em vista que a contribuinte foi intimada da decisão por meio de edital publicado no Diário Oficial da União em 22/09/2011, a mesma poderia ter apresentado seu recurso voluntário até o dia 08/11/2011. Como seu recurso voluntário foi apresentado apenas em 24/05/2012, resta configurada a sua intempestividade, razão pela qual dele não será tomado conhecimento. Das preliminares Os recorrentes sustentam a nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Em se tratando de contencioso administrativo tributário, as hipóteses de nulidade encontramse previstas no artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segundo este dispositivo, são duas as hipóteses de nulidade relacionadas ao processo administrativo fiscal federal: a primeira corresponde a um pressuposto subjetivo de atos processuais, qual seja a incompetência funcional do emissor do ato; já a segunda se refere a um pressuposto processual das decisões administrativas, este com fundamento na CF/88, que exige respeito ao contraditório e a ampla defesa. Por conseguinte, considerase nulo o ato praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. As recorrentes sustentam a nulidade dos termos devido à falta de adequada motivação e por acarretar insegurança na determinação do sujeito passivo. Em análise aos Termos de Sujeição Passiva Solidária, constatase que ambos definem com clareza os responsáveis passivos solidários (CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL), bem como informam com detalhes que a responsabilidade solidária decorre de os contribuintes serem proprietários de fato da empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA. Desta forma, não se mostram presentes os vícios alegados. A recorrente sustenta ainda a nulidade dos atos por serem baseados apenas em provas emprestadas de procedimento criminal e destinadas exclusivamente a fins penais. Por prova emprestada entendese os documentos, depoimentos, perícias, etc., formados em determinado processo administrativo ou judicial e aproveitados em outro processo, com a finalidade de demonstrar a verdade dos fatos alegados neste novo processo. Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.057 18 Constitui meio de prova que, embora não previsto expressamente no Código de Processo Civil, se faz admissível sempre que a prova emprestada guarde pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. O uso da prova emprestada na esfera administrativa encontra ampla aceitação na jurisprudência pátria, como demonstra a decisão do Supremo Tribunal Federal cuja ementa transcrevese abaixo: PROVA EMPRESTADA. Penal. Interceptação telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e produção para fim de investigação criminal. Suspeita de delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à colheita dessa prova. Admissibilidade. Resposta afirmativa a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, inc. XII, da CF, e do art. 1º da Lei federal nº 9.296/96. Precedente. Voto vencido. Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas e em escutas ambientais, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessa prova (InqQO 2424/RJ Relator: Min. CEZAR PELUSO Julgamento: 20/06/2007 Órgão Julgador: Tribunal Pleno DJ 24 082007) (grifo nosso) O presente processo teve por base o conteúdo de interceptações telefônicas e telemáticas, bem como outras quebras de sigilo de dados. Tais procedimentos foram regularmente deferidos judicialmente para apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários. Desta forma, confirmada a regularidade da obtenção dos dados no processo original, é lícita sua utilização como prova para a caracterização de infração à legislação tributária em processo administrativo fiscal. O motivo de uma eventual rejeição da prova emprestada resulta unicamente do possível cerceamento ao direito de defesa da parte contra a qual é oposta. Observase, contudo, que os recorrentes foram cientificados de todos os documentos anexados ao processo, sendolhes ofertada a oportunidade de defesa, a qual os contribuintes aproveitaram com a apresentação de peças impugnatórias e de recursos voluntários. Constatase, ainda, que o fato das alegações da Fiscalização não se referirem especificamente às operações objeto do auto de infração originário não corresponde às hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O procedimento, portanto, nada teve de ilegal, sendo mantidos os direitos constitucionais da recorrente. Do mérito Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.058 19 Os recorrentes alegam que os indícios colacionadas pela Fiscalização não demonstram a ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros. Antes de ingressarmos efetivamente no ponto objeto do recurso, mostramse necessários alguns esclarecimentos acerca da matéria, iniciandose pelo seu histórico legislativo, em especial pela Medida Provisória nº 2.15835/01, que modificou o artigo 32 do Decretolei 37/66: Art. 32 É responsável pelo imposto: [...] Parágrafo único. É responsável solidário: [...] III – o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: [...] V – conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A citada norma tratou de disciplinar os efeitos tributários das operações de importação realizadas por conta e ordem de terceiros. O adquirente da mercadoria importada por sua conta e ordem tornouse responsável solidário pelo Imposto de Importação devido pelo importador, assim como por infrações cometidas. A MP nº 2.15835/01, em seus artigos 79 e 81, trata ainda de equiparar o contratante de importação por conta e ordem a estabelecimento industrial, tornandoo contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados, bem como define a aplicação para este das normas de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS próprias do importador: Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Ainda seguindo as alterações promovidas por este diploma legal, o artigo 80 da MP nº 2.15835/01 permite à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) estabelecer os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro: Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.059 20 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I – estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II – exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social u o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. A matéria foi regulamentada pela Instrução Normativa nº 225/02, que estabeleceu as regras para consecução da importação por conta e ordem de terceiro. Restou definido em seu artigo 1º, parágrafo único, que a operação por conta e ordem de terceiro corresponde à importação promovida no nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado. Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Merece destaque ainda a previsão contida no inciso I do artigo 4º desta IN, segundo o qual as informações a respeito da operação devem, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias: Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I – inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); [...] Após a publicação da IN SRF nº 225 de 2002, o artigo 23 do Decretolei 1.455/76 foi alterado pela Lei 10.637/02, criando previsão específica de infração punível com a perda dos bens no caso de inobservância dos critérios definidos pela RFB para importação por conta e ordem: Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. ...................................................................................... Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.060 21 V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) No ano seguinte, a Lei nº 10.833/2003 tratou de excluir da incidência do Imposto de Importação as mercadorias cuja pena de perdimento tenha sido convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria: Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: [...] III – que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) Posteriormente, ainda na busca de adequar o ordenamento jurídico ao comércio internacional, tratou a Lei 11.281/06, em seu artigo 11, de disciplinar uma nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.061 22 incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Restou mantida a atribuição da RFB de definir os critérios e as exigências as quais devem se submeter os interessados. Foi publicada, então, a IN nº 634/06, definindo as regras à serem observadas nas importações realizadas por encomenda, como a prevista no artigo 2º: Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I – nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II – prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Do exposto, constatase que foram definidas regras rígidas para a atuação de empresas prestadoras de serviço de importação, regras que almejam não apenas sujeitar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem às mesmas regras e condições próprias do importador, mas também evitar que a negociação fosse dissimulada, definindoa, se assim ocorresse, como hipótese de ocultação e/ou interposição fraudulenta de terceiros. Dentro deste panorama, alcançase o dispositivo infringido, inserido em nosso ordenamento jurídico pela Lei nº 11.488/2007, em seu artigo 33: Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.062 23 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esta norma apresenta forte ligação com o já citado artigo 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, em especial quanto ao seu inciso V, que estabelece a pena de perdimento de mercadoria importada quando verificada a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, bem como a conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta não for localizada ou tenha sido consumida: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3 A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (redação vigente à época dos fatos suscitados neste processo) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) A conduta infracional corresponde, portanto, a ocultação dolosa de algum dos participantes de procedimentos de importação ou exportação, quais sejam do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador, ou do responsável pela operação. Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.063 24 Ressaltese, de pronto, que entre estes sujeitos ocultos encontrase o encomendante predeterminado de mercadorias importadas. Este entendimento fica claro à luz do § 2º do artigo 11 da Lei 11.281/06, que estabelece que a operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos estabelecidos pela RFB presumese por conta e ordem de terceiro. Exigese, contudo, para o aperfeiçoamento da infração, que a conduta tenha sido praticada mediante fraude ou simulação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros. Não basta, portanto, ocultar o sujeito passivo; há de se fazer mediante fraude ou simulação, que pode se dar por qualquer meio, inclusive pela interposição fraudulenta de terceiros. O conceito de fraude encontrase previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, sendo que, para a sua configuração, é necessária uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente a obrigação tributária. A interposição fraudulenta de terceiros, por sua vez, corresponde a presunção legal estabelecida no parágrafo 2º deste mesmo art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, segundo a qual “Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”. Destacase, contudo, a possibilidade de desconstituição da presunção legal pela comprovação, segundo as peculiaridades próprias de cada caso e mediante elementos de prova igualmente particulares, que se tratou de mero erro formal escusável. Ainda em relação as condutas descritas no artigo em comento, a sua prática, por expressa determinação legal, configura dano ao erário independentemente de demonstração da efetiva ocorrência de prejuízo aos cofres públicos. Isto pois o que a norma legal claramente intenta coibir é a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo. A penalidade tem origem em um histórico de transações praticadas de forma simulada por operadores do comercio internacional, que impediam ou, no mínimo, causavam grande dificuldades à atuação da Fiscalização Tributária. Buscouse, assim, prevenir o abuso de forma, o negócio jurídico atípico e sem motivação aparente, de conformação nitidamente lesiva ao interesse público. No tocante à figura da simulação, este instituto é conceituado por De Plácido e Silva como “o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Simulação corresponde, portanto, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.064 25 declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Ainda a respeito do tipo infracional, verificase que o mesmo tem por propósito coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Ao dificultar o controle da valoração aduaneira e do preço de transferência praticado entre partes relacionadas, o infrator pode obter a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada, bem como do IRPJ e da CSLL. Logo, nas operações de importação, a infração é caracterizada sempre que um determinado sujeito passivo denominado importador oculto , visando a evasão dos órgãos de fiscalização, age em conluio com outrem importador ostensivo para que este figure formalmente como importador e omita a identificação do real adquirente perante as autoridades competentes. Dito isto, esclarecese que a multa por cessão do nome da pessoa jurídica, prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 e objeto dos recursos em julgamento, tem por finalidade punir a empresa que foi utilizada no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários. Punese, portanto, a real adquirente por meio da pena de perdimento da mercadoria, que pode ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando a mercadoria não seja localizada ou tenha sido consumida, e a empresa que cedeu irregularmente seu nome para a importação com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. Observase, ainda, a respeito das penalidades em comento, que o parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/07 estipula como consequência da aplicação da multa de dez por cento a exclusão da hipótese de declaração de inaptidão da empresa cedente do nome. Ultrapassada a definição conceitual da infração, iniciase a análise do conjunto probatório trazido pela fiscalização com o objetivo de comprovar a sua ocorrência, por meio da demonstração do modus operandi da autuada. Tratase de uma farta documentação, em grande parte obtida em investigação criminal por meio de mandados de busca e apreensão, interceptação telefônica e telemática, que inclui extratos bancários, planilhas, fluxogramas financeiros e documentos fiscais. Toda essa documentação reunida nos autos demonstra de forma inequívoca que as operações de comércio exterior auditadas se davam entre a CISCO SYSTEM, nos Estados Unidos, e a MUDE, no Brasil, e que a empresa autuada ABC, entre outras, foi utilizada para ocultar o real adquirente das mercadorias importadas. As importações do grupo pela ABC eram revendidas sempre para a NACIONAL distribuidora, que por sua vez revende os mesmos produtos para a MUDE. A operação tinha como objetivo ocultar o real exportador, e ocultar no Brasil o real importador, evitando a sua equiparação a industrial para fins de incidência do IPI. Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.065 26 As comunicações interceptadas pela Polícia Federal demonstram de forma cabal o modus operandi do grupo. Mas é preciso ressaltar que a autuação não se baseou só nessas comunicações, que se referem, em sua maioria, a fatos ocorridos em 2007, o ano em que se instaurou o inquérito policial. Para cada anocalendário, a fiscalização cotejou o fluxo financeiro entre a MUDE e as supostas importadoras e distribuidoras, e verificou que sempre que uma dessas empresas tinha mercadorias da CISCO para desembaraçar, a MUDE realizava pagamentos ao respectivo fornecedor, por duplicadas vencidas ou a vencer. Ocorre que esses pagamentos da MUDE não seguiam nenhuma lógica razoável. Algumas faturas, apesar de vencidas eram pagas parcialmente, e outras faturas, apesar de não estarem vencidas, eram pagas antecipadamente. Curiosamente, no fim das contas, o valor pago era sempre muito próximo ao valor que deveria ser pago nas importações que se avizinhavam, incluídos os tributos, o câmbio e outras tarifas administrativas. Isso quando esse valor não era exatamente igual ao valor da importação. Nos anos de 2006 e 2007, que são objeto deste julgamento, a empresa ABC Industrial da Bahia apresentase como uma das principais empresas interpostas, com um volume de importações surpreendentemente elevado se comparado ao capital nela investido. Destaco, neste ponto, que a ABC iniciou suas operações com capital inicial registrado de R$ 300.000,00, tendo este sido alterado em 2006 para R$ 1.000.000,00. A empresa atuou no comércio exterior, havendo registrado a primeira importação em 23/09/2002. Nos anos de 2003, 2004 e 2005 a empresa não realizou importações. A partir do 2° semestre de 2006, a ABC retomou as importações que somaram, no ano, US 4.556.284,00, sendo que em 2007, aumentou, consideravelmente, o volume de importações que, até maio, já atingia um total de U$ 22.309.048,00. Entre os documentos anexados encontrase a agenda de Patrícia Saviolli, funcionária da MUDE LTDA, encontrada no endereço da MUDE LTDA. (fls. 562 a 580). Nesta agenda encontramse inúmeras anotações sobre como o esquema funcionava, como a de fls 566, que detalha as variações do procedimento citando as empresa envolvidas. A anotação de fls. 572, datada de 01/09/2006, explicita ainda diversos valores associados a operações praticadas formalmente pela ABC. A anotação da folha 573 é ainda mais explícita – apresenta opções de procedimento decorrentes de problemas da ABC com o sistema RADAR. Após ser descartada a opção MUDE => INDUSTRIAL/ABC => MUDE => Cliente por ser muito arriscada, sugere como opção 1 o seguinte trâmite das mercadorias: COTIA => ABC => NACIONAL => MUDE => Cliente; opção 2: WAYTEC => ABC => NACIONAL => MUDE; e como opção 3: WAYTEC => TECNOSUL => MUDE Consta ainda do presente processo relatório da empresa Mesquita Neto Advogados sobre revisão nos procedimentos fiscais adotados pela empresa MUDE LTDA. Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.066 27 Neste documento são apontados diversos problemas que, segundo o relatório, “[...] poderão levar os Fiscos Federal e do Estado de São Paulo a rastrear as operações da Sociedade[...]”. Transcrevo, abaixo, algumas das constatações deste escritório (fls. 582 a :634). [...] Uma pesquisa na Internet revela que essa Sociedade é um dos maiores distribuidores dos produtos fabricados pela Cisco; entretanto, os parceiros Brastec, Waytec, ABC Industrial, Nacional e Tecnosul, não são encontrados, na rede de computadores, como parceiros da Cisco. As importações de determinados produtos fabricados pela Cisco Systems e revendidos no mercado brasileiro por essa Sociedade são realizadas pelas empresas Brastec, Waytec e ABC, que vendem as mercadorias à Tecnosul e Nacional, que por sua vez, as revendem a essa Sociedade. As referidas empresas (exceto a Cisco) têm as suas operações totalmente comprometidas com o atendimento da demanda dessa Sociedade, o que denota a existência de um acordo de exclusividade vinculando toda a cadeia de comercialização dos equipamentos importados. Outro ponto de destaque é que desde o momento do desembarque das mercadorias até a efetiva venda final a essa Sociedade (ou seja, importação/desembaraço aduaneiro, venda aos distribuidores e revenda a Sociedade), são transcorridos aproximadamente 04 (quatro) dias, o que pode sugerir que tanto o importador quanto o distribuidor não têm estrutura física (depósito) para abrigar as mercadorias cuja real importadora seria essa Sociedade. Corrobora esse entendimento o fato de que o transporte das mercadorias no território nacional é realizado pela mesma transportadora, desde o desembaraço aduaneiro, seja este praticado pelos importadores Brastec, Waytec, ou ABC, ate a revenda final a Sociedade, seja esta realizada pelos distribuidores Tecnosul ou Nacional. [...] De fato, são muito próprias as ponderações, sendo que todos os fatos ali expostos acabaram por ser comprovados pelos documentos anexados ao presente processo. Outro ponto a ser observado neste processo referese a atuação da empresa What’s Up, que foi criada para coordenar e concentrar as informações referentes a todos os procedimentos do grupo (fls. 680 a 702). Entre os documentos apreendidos judicialmente em sua sede encontramse computadores e HDs externos que trazem informações sobre todas as empresas participantes, com diretórios distintos referentes a todas as importadoras interpostas, entre elas a ABC. Os arquivos, que contêm cada processo de importação, trazem os preços das mercadorias em todas as empresas da cadeia. Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.067 28 Foram encontrados ainda modelos usados para a confecção de faturas no próprio escritório da What’s Up, faturas estas que deveriam ser emitidas pela empresas exportadoras interpostas para as empresas importadoras também interpostas. Tais informações corroboram que esta empresa funcionava como o centro de controle do esquema, ao menos no que tange aos procedimentos de importação. Interessante ainda é a situação do Sr. Reinaldo de Paiva Grillo, que se encontra formalmente como administrador da empresa What’s Up, e afirma em declaração que nunca trabalhou para a MUDE. Consta dos autos, contudo, organograma da MUDE na qual o Sr. Reinaldo de Paiva Grillo consta como responsável pela área de importação e Logística da própria MUDE (fls. 732), bem como relatórios da empresa CC&G Gestão de Pessoas que o trata como Gerente de Importação (fls 748 e 753). Tais informações incoerentes tem apenas uma explicação racional: tratase de uma tentativa de ludibriar o Fisco, por meio da criação de mais uma empresa de fachada, com o objetivo de deixar a MUDE mais distante das operações de importação. Merece transcrição, para corroborar a versão da Fazenda, a seguinte conversa telefônica: 1141915926 20070423145306 1 5210389 23/04/07 14:53 MARCOS ZENATT1 (TECNOSUL/ABC) X EVERALDO (WHAT'S UP) Audio importante porque demonstra que MARCOS ZENATTI e EVERALDO têm consciência da fraude praticada entre as empresas. EVERALDO inicia o diálogo perguntando a MARCOS se a MUDE pode vender para a ABC. (mostra que a WHAT'S UP tem completo domínio sobre as empresas utilizadas pelo grupo e opta pela empresa interposta mais conveniente). MARCOS ZENATT1 diz a EVERALDO que não misture ABC com NACIONAL senão vai dar merda. MARCOS ZENATTI se irrita e pergunta a EVERALDO o que a ABC tem haver com a TECNOSUL. Aos 1:45 MARCOS ZENAM diz: "eles não podem dar esta vacilada porque senão começam a ligar uma coisa com a outra". MARCOS ZENATTI diz que o motivo de tudo isso é se livrar e deixar a MUDE zeradinha. Aos 3:10: MARCOS ZENATTI diz que não podem ligar uma coisa com outra. MARCOS ZENATTI diz ainda que não deveriam falar essas coisas por telefone. Comentário: Segundo MARCOS ZENATTI a ABC deve manter a independência em relação à TECNOSUL. MARCOS ZENATTI diz que a MUDE deve devolver o produto para a NACIONAL e não para a TECNOSUL (Provavelmente MARCOS teria dito isso porque os produtos que são importados pela ABC utilizam a NACIONAL como empresa interposta, e não a TECNOSUL). Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.068 29 A comunicação corrobora a afirmação que a ABC tinha a função de importadorainterposta, que, na sequência da cadeia engendrada, funcionava ainda como fornecedora da NACIONAL DISTRIBUIDORA DE ELETRONICOS LTDA, sediada em Salvador/BA, que, por sua vez, era quem aparecia como fornecedora direta da importadora de fato, a MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA. Outro áudio ilustra de onde vem o suporte econômicofinanceiro da empresa: 1142087736 20070427155857 1 5233742 27/04/07 15:58 — FÁBIO (MUDE) X MARCOS ZENATTI (TECNOSUL) MARCOS pergunta a FABIO se o mesmo enviará o valor para pagamento do IPI da ABC. FABIO diz que pagou tudo, ontem teria enviado 500 mil. MARCOS diz que o IPI deles era de 300 e alguma coisa, portanto, concordam que é suficiente. FABIO diz que teria falado com ALEXANDRE, que teria pedido dinheiro, e disse a ele (ALEXANDRE) que na semana que viriam os impostos e então lhe perguntara se este já teria feito a reserva, ao respondera que não, e FABIO então lhe disse que não teria dinheiro para semana que viria. FÁBIO pondera que, nesse sentido, MARCILIO reuniuse com o KIKO, e que ALEXANDRE teria sido contratado justamente para controlar estes pagamentos, e que, portanto, não seria ele, FÁBIO, que teria de ficar administrando o dinheiro. FÁBIO acrescenta que neste mês já teria enviado 10 MILHÕES DE REAIS para todas as empresas. Pondera que lógico que as empresas teriam pago os impostos, mas que teriam de fazer previsão e deixar um dinheiro de reserva, porque uma hora poderia fazer falta. MARCOS diz que preocupacão dele também é essa. FÁBIO diz que ALEXANDRE lhe pediu hoje mais 500 mil para fazer pagamento na NACIONAL, mas lhe respondeu que não poderia, e que a única empresa a que ainda poderia mandar dinheiro era para a BRAS (BRASTEC). Que leria mandado dinheiro a mais para a TECNOSUL e para a PRI (PRIME). FÁBIO poderia transferir dinheiro da TECNOSUL para a BRASTEC. FABJO continua dizendo que enviou dinheiro a mais para a PRI (PRIME), NACIONAL e ABC. FÁBIO diz que não consegue enviar para a NACIONAL (FABIO pode transferir dinheiro da TECNOSUL ou da BRASTEC para a NACIONAL porque não há operacão de compra e venda entre as empresas, não da para justificar qualquer transacão financeira entre estas empresas).FABIO diz que a MUDE também tem os próprios impostos para pagar. (FÁBIO quer uma organizacão melhor dos impostos das empresas a pagar). FÁBIO acrescenta e. diz que tem o meu salário (MUDE), tem o salário de vocês (empresas interpostas). FÁBIO diz que é isso que MARCÍLIO defende, uma pessoa para controlar todo esse fluxo financeiro, A conversa é longa e detalhada. Como se não bastasse todos estes indícios de que a empresa MUDE controlava todo o processo de importação, a planilha TECNO TOTAL, anexa a um email enviado por Patricia Saviolli, funcionária do setor de produto da MUDE LTDA a Reinaldo Grillo, com cópia para Marcilio Lemos (gerente financeiro da MUDE LTDA), veio jogar a pá de cal na discussão (fls. 1076/1077). Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.069 30 Nesta planilha constam informações detalhadas acerca de todos os custos da operação, desde a entrada da mercadoria no pais até a chegada na MUDE LTDA, passando pela importadora e pela distribuidora interpostas. Pois bem, tais informações, dentre as inúmeras apuradas pela fiscalização e que se encontram anexadas aos autos, são uníssonas ao apontar que o real importador, a pessoa que suportava financeiramente as importações, que controlava de fato todas as etapas das operações, era a MUDE, e que a empresa ABC apenas emprestava seu nome para a prática das operações. O esquema resultava no subfaturamento em importações de equipamentos da marca CISCO, obtendose uma redução indevida dos tributos incidentes sobre o comércio exterior. Para afastar os reais adquirentes da operação fraudulenta, os equipamentos eram importados, sob aspecto formal, pela empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA,. Restou demonstrado ainda que as importações realizadas em nome da ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA tinham toda a operação comercial e logística comandada pela MUDE LTDA, diretamente ou através da empresa WHAT'S UP. A empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA limitavase ao registro das declarações de importação, interpondose de modo fraudulento entre o real fabricante/exportador CISCO SYSTEMS INC. e o real adquirente, a MUDE. Desta forma, em tendo sido confirmado que a empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA cedeu seu nome em operações de comércio exterior com o objetivo de acobertar o real importador, qual seja a empresa MUDE LTDA, mostrase correto o lançamento fiscal. Responsabilidade solidária Ingressandose na análise da responsabilidade solidária atribuída aos recorrentes, estes afirmam que o instituto não seria aplicável ao caso em tela, pois a multa imposta pelo auto de infração originário não tem natureza tributária, bem como porque a hipótese fática ensejadora de sua aplicação somente pode ser cometida por pessoa jurídica, nunca por pessoa física. Afirmam ainda que os indícios colacionados pela Fiscalização, a par de não serem claros, precisos e concordantes, não demonstram que os recorrentes seriam sócios da empresa importadora. Em atenção ao alegado, esclarecese que a imputação da responsabilidade solidária foi baseada no inciso I do art. 124, do Código Tributário Nacional – CTN, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Segundo o citado dispositivo legal o que define a solidariedade entre a autuada e os intervenientes é justamente o interesse comum na situação que constitua o fato Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.070 31 gerador, isto é, o nexo existente entre os fatos ensejadores da autuação do contribuinte e as pessoas a quem se imputa a solidariedade. Observase ainda que o CTN foi recebido pela Constituição Federal com status de Lei Complementar, definindo normas gerais a serem observadas em matéria tributária, inclusive em relação ao comércio exterior. O Decreto nº 37/66, por sua vez, estabelece regras mais específicas, explicitadas em Regulamento Aduaneiro, atualmente estabelecido pelo Decreto nº 6.759/2009. Temse, desta forma, que o citado dispositivo regula, também, a responsabilidade solidária em decorrência de ilícitos aduaneiros. Pois bem, constam dos autos diversos elementos que embasam a atribuição de responsabilidade solidária aos recorrentes. A empresa ABC possui em seu quadro societário o Sr. Marcos Zenatti, com participação de 30%, e uma empresa offshore sediada no Panamá chamada World Control Financial, proprietária dos outros 70%. Os documentos trazidos aos autos, contudo, demonstram que os verdadeiros proprietários da empresa, seus controladores de fato são os Srs. CID GUARDIA FILHO, conhecido como Kiko, e ERNANI BERTINO MACIEL. Estes senhores se utilizavam das empresas CIDER ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. e CM GUARDIA ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO S/C LTDA, das quais são sócios formais, para adquirir de fato os valores a que tem direito. Para tanto, firmavam contratos de prestação de serviços genéricos, como “planejamento, coordenação, programação e organização" de atividades, junto às empresas importadoras de fachada. Como prova deste esquema podem ser citados documentos apreendidos no endereço da CIDER em São Paulo/SP, quais sejam as planilhas: PAGAMENTORECEBIMENTOS13 07.xls (SP37IT3 \Documents and Settings\ADM\Meus documentos\PAGAMENTORECEBIMENTOS 1307.xls); NACIONAL0808.xls (SP37IT3 Docume and Settings\ADM\Meus documentos\NACIONAL0808.xls); e Livon35000,00.doc (SP37IT3 \Documents and Settings\ADM\Meus documentos\Livon35000,00.doc). Neste documentos encontrase todo o controle das importações efetuadas pela ABC com destino para a empresa NACIONAL DISTRIBUIDORA DE ELETRÔNICOS LTDA, sendo que no arquivo de nome LIVON consta uma operação cambial efetuada entre a ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA e uma empresa constituída nos EUA de nome JUKI AUTOMATION SYSTEMS, INC. Outro documento importante é a planilha EXTRATO ABC 071.11.xls, que contém lançamentos da contacorrente da empresa interposta ABC mantida no Banco Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.071 32 Bradesco. Lembrese que estes documentos estavam em poder da empresa CIDER ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. Consta ainda deste processo cópia de email enviado por CID GUARDIA FILHO no qual ele gerencia negócios da empresa ABC, qual seja a aquisição de um terreno e o pagamento do corretor (fls 962). Outras duas correspondências eletrônicas deixam ainda mais evidente que o controle da empresas pertencia aos Srs. CID GUARDIA FILHO, conhecido como Kiko, e ERNANI BERTINO MACIEL. O email de fls. 962, infra, traz a informação ao Sr. CID GUARDIA FILHO que a empresa ABC teria sido submetida a procedimento de controle especial. Já o email de fls. 963, abaixo transcrito, demonstra claramente que o responsável pelas empresas ABC e Brastec é o Sr. CID GUARDIA FILHO: From: Kiko <kikoguardia@uol.com.br> MessageId: <000801c77c31$3c327550$583d06c9@kikoab8a697ff2> Date: Wed, 11 Apr 2007 09:02:10 Subject: Fw:_Negócios_no_Brasil Original Message From: "Jstagni" <jstagni@picomponentes.com.br > To: <kikoguardia@uolcom.br> Sent: Tuesday, April 10, 2007 8:14 PM Subject: Negócios no Brasil Ola Kiko.. Estou muito frustrado com o desenrolar dos acontecimentos... Definitivamente lido vejo sinergia nas operações no Brasil.. ( Bem diferente da operação USA que funciona muito bem há tempos..) Note que não quero eleger os culpados... apenas não está rolando.... Acho melhor finalizarmos as operações no Brasil ( ABC e Brastek) por enquanto... quem sabe em outro momento de nossas empresas possamos tentar novamente Não acho que vale à pena continuarmos neste nivel de stresse....né....Creio que podemos empregar melhor nossas Energias em outros negócios/atividades.... não? Os pagamentos estarão sendo efetuados amanhã, conforme combinado, e vamos tentar "passar a regua" logo.. Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.072 33 De qualquer forma gostaria de discutir com vc alguns detalhes da operação FOB... Ligo para a sua secretária no fim desta semana para tentar agendar um bate papo... Abs, Zeca (grifo nosso) Foram ainda encontrados, na residência de CID GUARDIA FILHO, documentos contendo relação de processos de comércio exterior envolvendo as empresas 3TECH, LATAM, ROMFORD, ABC e BRASTEC. A ligação de ERNANI BERTINO MACIEL com a empresa ABC também é clara. Ele era o responsável por solucionar os problemas contábeis e judiciais das empresas. Em diversos diálogos, os advogados, contratados pelo próprio ERNANI, comunicam a ele o andamento dos processos das empresas do grupo. Quando as empresas BRASTEC, PRIME e ABC tiveram problemas com o Fisco, foi ERNANI quem contratou advogados para questionar os procedimentos fiscais no âmbito judicial, demonstrando que o mesmo seria o controlador das empresas. Em seu escritório foram apreendidos diversos documentos referentes a ABC e as demais empresas interpostas, como, por exemplo, fax versando sobre mandado de segurança impetrado pela ABC (fls. 793). Pois bem, em análise aos documentos trazidos, mostrase claro que os contribuintes CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL são controladores/proprietários de fato da empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA. Assim, uma vez constatado que pessoas não integrantes do quadro societário são sócios de fato da pessoa jurídica, recai sobre eles a condição de devedor solidário, dado o interesse comum na prática da conduta definida como infração à legislação. Desta forma, caracterizada a hipótese prevista pelo artigo 121, inciso I, do CTN, correta a atribuição de responsabilidade solidária. Quanto ao fato de que a conduta é apenas praticada por pessoa jurídica, o que se está caracterizando aqui é a responsabilidade solidária de pessoas físicas com a pessoa jurídica que praticou a conduta, e não se imputando a pessoas físicas a conduta. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 12782.000006/201096 Acórdão n.º 3201002.122 S3C2T1 Fl. 2.073 34 Consoante manifestações prévias nessa Turma Julgadora, entendo que para a caracterização de fraude, notadamente no que se refere à extensão de responsabilidade tributária aos sócios e/ou administradores, é necessária a comprovação robusta por parte da Fiscalização. Não se afirma, a rigor, que a prova emprestada, utilizada no presente caso, seja inadmissível no procedimento administrativo tributário. O que se afirma é que a prova emprestada não pode, jamais, ser utilizada como único meio de prova para se verificar a ocorrência de fato gerador tributário, a conduta fraudulenta ou a corresponsabilidade tributária. Na hipótese dos autos, notase que as provas emprestadas utilizadas pela Fiscalização sequer é contemporânea aos fatos geradores aos quais se atribuiu a responsabilidade tributária. Nesse caso, quando muito, estarseia diante da existência de indícios de prova da conduta fraudulenta do contribuinte e eventuais responsáveis tributários. Caberia ao Fisco, assim, atuar no sentido de obter demais provas cabais das condutas fraudulentas apresentadas. Desse modo, entendo que o Fisco, na lavratura do Auto de Infração, não se desincumbiu do ônus de comprovar as condutas fraudulentas atribuídas àqueles caracterizados como corresponsáveis tributários, notadamente quanto aos período objeto do lançamento, sendo, portanto, inviável a sua inclusão como devedores do crédito tributário lançado. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002054/92-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
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(assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 35 .0 02 05 4/ 92 -7 9 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10835.002054/9279 Resolução nº 3301000.255 S3C3T1 Fl. 1.098 2 Relatório Conforme decisão constante de fls. 1073/1078 do eprocesso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por anular os atos praticados no presente processo a partir da apresentação dos embargos pela PGFN, de fls. 698/700 dos autos (fls. 793/795 do e processo). Nesse contexto, por economia processual, relatarei a seguir, de forma sucinta, os fatos ocorridos nos presentes autos até os referidos embargos, uma vez que os fatos subsequentes não possuem mais validade, em face da decisão acima indicada. Tratase de Auto de Infração lavrado para fins de prevenir a decadência, por meio do qual é exigido o pagamento da contribuição sobre o Açúcar e Álcool (IAA), no valor correspondente a 4.605.366,84 UFIRs, relativa ao período de maio de 1989 a dezembro de 1990, conforme disposto no art. 3º do Decretolei nº 308/67, c/c o Decreto nº 96.022/88 e o art. 3º do Decretolei nº 2.471/88. Em 25 de novembro de 1992, a Usina tomou ciência da lavratura do auto de infração. Anteriormente à lavratura do auto de infração, o contribuinte havia impetrado, em 21 de agosto de 1989, Ação Ordinária com medida cautelar, tendo obtido, inicialmente, autorização para realizar depósitos judiciais dos valores discutidos, e, posteriormente, para substituir tal forma de garantia por fiança bancária. Em 26 de março de 1996, a DRF em Ribeirão Preto decidiu por não conhecer da impugnação apresentada, em razão da renúncia à instância administrativa, declarando firme a exigência do crédito nos termos em que fora constituído (sujeito, contudo, à decisão final da ação judicial) (vide fls. 399/402 do eprocesso). Tal decisão restou embasada em declaração realizada pela própria impugnante no sentido de que "os motivos pelos quais insurgiuse contra a cobrança dos tributos, achamse expostos nas iniciais das ações impetradas e que todas essas razões integram a presente impugnação". Outro fundamento desta decisão foi o fato de encontrarse o lançamento em perfeita sintonia com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não havendo qualquer nulidade no mesmo, uma vez que todos os requisitos formais exigidos teriam sido atendidos. Inconformado, o contribuinte interpôs em 17 de maio de 1996 recurso voluntário (fls. 405417 do eprocesso), com fundamento nas seguintes razões de fato e de direito: (i) Preliminarmente, com base no art. 62, do Decreto n° 70.235/72, diz que o lançamento estava vedado por decisão judicial. Na sua ótica, alega que não caberia a autuação do contribuinte, inclusive com aplicação de multas e de acréscimos, dispondo que a norma de lei é expressa ao determinar que "contra o sujeito passivo" não será instaurado procedimento administrativo na matéria subjudice, durante a vigência da ordem judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo. (ii) ressalta o cabimento da sua impugnação na esfera administrativa com base no art. 38 da Lei 6.830/80 e § 2°, art. 1°, do DL 1737/79, uma vez que, se o a autuação fiscal precede a iniciativa do contribuinte em Juízo, e se este opta pela via judicial de discussão, não poderia este, concomitantemente, litigar na via administrativa. Ressalta, contudo, que no caso Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10835.002054/9279 Resolução nº 3301000.255 S3C3T1 Fl. 1.099 3 em questão o contribuinte foi autuado posteriormente ao ajuizamento do feito, pelo que teria direito de ver julgado, no mérito, o processo administrativo. (iii) no mérito, aponta que o art. 3°, do Decretolei n° 1.712, com a redação que lhe deu o Decretolei n° 1.952, não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, porque os dispositivos legais mencionados conferiram competência ao Conselho Monetário Nacional para a fixação da Contribuição do Instituto do Açúcar e do Álcool, criada pelo Decretolei n° 308/67 e para a fixação de seu adicional. Nessa ótica, argumenta que após a promulgação da a CF/88, a exigência da contribuição e do adicional do IAA passou a ser ilegítima, posto que o Poder Executivo deixou de ser competente para alterar as suas alíquotas e base de cálculo. Ou seja, interpôs o contribuinte recurso ao então Segundo Conselho de Contribuintes, onde versou sobre: (i) a impossibilidade de ser constituído crédito a favor da Fazenda Nacional na vigência de medida judicial que discutia tal crédito; (ii) a necessidade de, uma vez instaurado o litígio, prosseguir à análise da lide até o final; e (iii) outros aspectos constitucionais e legais das normas que deram suporte ao auto de infração. Em 28 de junho de 1996, a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou sobre dito recurso (vide fls. 541/542 do eprocesso). Em 27 de novembro de 1996, o contribuinte juntou aos autos argumentos e documentos complementares ao seu recurso (um memorial, encaminhado ao relator e cópias de vários documentos vide fls. 549/625 do eprocesso). Acontece que a Procuradoria da Fazenda Nacional não foi intimada para se manifestar sobre tais documentos. Ato contínuo, em 10 de junho de 1997, o processo foi julgado pela primeira vez neste Conselho de Contribuintes, cujo acórdão, de número 20209.260 (vide fls 630 a 678 do e processo), possui o seguinte teor: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ABANDONO DE INSTÂNCIA INOCORRÊNCIA DA HIPÓTESE O fato de o sujeito haver ajuizado Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Tributária junto ao Poder Judiciário, não implica proteção contra o ato do lançamento do crédito pela Fazenda Pública, nem impede que sua impugnação e recurso sejam julgados de acordo com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. Processo que se devolve para decisão da autoridade julgadora singular, assegurandose, assim, a ampla defesa e observandose o principio do duplo grau de jurisdição. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive." (Grifos apostos). Em 29 de março de 1999, a Delegada de Julgamento de Ribeirão Preto encaminhou o processo à PGFN, para que esta informasse sobre a tramitação da Ação Ordinária 911G/89 e sobre o pedido de desistência da Medida Cautelar nº 831PC/89; (vide fl. 689 do eprocesso). Obteve, então, resposta em 15 de setembro de 1999 (vide fl. 694 e seguintes do eprocesso). Em 5 de novembro de 1999, a DRF informou, mediante Despacho de nº 66/1999 (fls 753 a 757 do eprocesso), não poder cumprir a determinação da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por considerar que a solução tecnicamente correta seria não julgar o que já foi julgado pelo Judiciário, pelo que determinou a remessa dos autos à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Presidente Prudente, a fim de que aguarde o desfecho da ação ordinária nº 89.00070215. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10835.002054/9279 Resolução nº 3301000.255 S3C3T1 Fl. 1.100 4 Face à tal decisão, o contribuinte interpôs novo recurso voluntário em 12 de julho de 2000 (fls 763/773), repisando os argumentos apresentados em suas peças anteriores. Em 17 de outubro de 2000, o processo foi distribuído ao Conselheiro Adolfo Montelo, o qual propôs o encaminhamento dos autos à PGFN, uma vez que teria observado uma possível nulidade processual por falta de vistas à PGFN quanto à petição e documentos anexados às fls. 549/625 do eprocesso), bem como para oferecimento de contrarrazões ao novo Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (vide despacho de fls. 789/791 do eprocesso). A Procuradoria, então, teve ciência deste despacho em 5 de novembro de 1991 e interpôs embargos, datado de 10 de novembro de 1991 (vide fls 793/795 do eprocesso). Os embargos tiveram como fundamento omissão e lapso manifesto na decisão consubstanciada no Acórdão nº 20209.260 (acima transcrito), visto que a autoridade preparadora colocou o processo para julgamento sem que a PGFN tivesse tido oportunidade de exercer o contraditório, não tendo sido intimada para se manifestar quanto aos documentos constantes de fls. 549/625 do eprocesso, em que foram introduzidos novos elementos ao debate até então travado pelas partes. Requereu, então, que se anule a decisão proferida no Acórdão nº 202 09.260, e que outra seja proferida após assegurado o exercício do contraditório pela PGFN. Uma vez que os atos subsequentes foram declarados nulos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (vide decisão constante de fls. 1073/1078 do eprocesso), vieramse os autos conclusos para análise dos referidos embargos, opostos pela PGFN. Ainda, em petição protocolizada nestes autos em 17/05/2016, o contribuinte traz aos autos a informação de que a ação ordinária nº 89.00070215 já foi julgada pelo STF no RE n. 597098, em decisão publicada em 17/02/2011, o qual, reconheceu a constitucionalidade da contribuição ao IAA, porém, com base na alíquota ao tempo da promulgação da Constituição de 1988, ou seja, antes de outubro de 1988. Nesse contexto, em face da decisão do STF, defendo que o auto de infração, ora em julgamento, deveria ser cancelado, eis que as bases de cálculo fixadas por Atos do Conselho Montário Nacional são posteriores a março de 1989, consoante se extrai da cópia do auto de infração (fls. 23/26 dos autos). É o relatório. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10835.002054/9279 Resolução nº 3301000.255 S3C3T1 Fl. 1.101 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Consoante acima narrado, os embargos foram opostos em razão de omissão e lapso manifesto constante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 20209.260 (acima transcrito), visto que a autoridade preparadora colocou o processo para julgamento sem que a PGFN tivesse tido oportunidade de exercer o contraditório, uma vez que não fora intimada para se manifestar quanto aos documentos constantes de fls. 549/625 do eprocesso, em que foram introduzidos novos elementos ao debate até então travado pelas partes. Diante da análise dos autos e dos fatos supra descritos, constatase que, de fato, a PGFN não fora intimada para se manifestar quanto aos documentos insertos às fls. 549/625 do eprocesso. E, mesmo não tendo sido intimada, o processo restou julgado por este Conselho de Contribuintes, conforme acórdão nº 20209.260 (vide fls 630 a 678 do e processo), que possui o seguinte teor: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ABANDONO DE INSTÂNCIA INOCORRÊNCIA DA HIPÓTESE O fato de o sujeito haver ajuizado Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Tributária junto ao Poder Judiciário, não implica proteção contra o ato do lançamento do crédito pela Fazenda Pública, nem impede que sua impugnação e recurso sejam julgados de acordo com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. Processo que se devolve para decisão da autoridade julgadora singular, assegurandose, assim, a ampla defesa e observandose o principio do duplo grau de jurisdição. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive." (Grifos apostos). Por oportuno, trazse à colação os dispositivos legais indicados pela PGFN como infringidos, aplicáveis ao caso vertente: Regimento Interno do CARF vigente à época da oposição dos embargos (Portaria nº 55/1998) Artigo 18. Os recursos a distribuir serão previamente relacionados e agrupados em lotes numerados, reunindo igual quantidade, se possível, cabendo a cada Conselheiro o lote cuja numeração coincidir com o algarismo que retirar da urna, quando do sorteio. (...). § 7º É facultado ao sujeito passivo e ao Procurador da Fazenda Nacional, enquanto o processo estiver com o Relator, mediante requerimento ao Presidente da Câmara, apresentar esclarecimentos ou documentos, hipótese em que será dada vista a parte contraria, e requerer diligência, que se deferida do resultado darseá ciência as partes. *** Lei nº 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10835.002054/9279 Resolução nº 3301000.255 S3C3T1 Fl. 1.102 6 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Ou seja, constatase que, ainda que facultado ao sujeito passivo a apresentação de esclarecimentos ou documentos enquanto o processo estivesse com o Relator, deverseia ter aberto vistas à parte contrária, no caso à PGFN, para que esta tivesse a oportunidade de se manifestar sobre tais documentos, antes do julgamento da demanda, o que não ocorreu. De outro norte, constatase ainda que, em petição protocolizada nestes autos em 17/05/2016, o contribuinte traz aos autos informação nova, da qual a PGFN ainda não foi intimada, com a informação de que a ação ordinária nº 89.00070215 já foi julgada pelo STF no RE n. 597098, em decisão publicada em 17/02/2011, por meio da qual teria restado reconhecida a constitucionalidade da contribuição ao IAA, porém, com base na alíquota ao tempo da promulgação da Constituição de 1988, ou seja, antes de outubro de 1988. Nesse contexto, em face da decisão do STF, defendeu que o auto de infração, ora em julgamento, deveria ser cancelado, eis que as bases de cálculo fixadas por Atos do Conselho Monetário Nacional são posteriores a março de 1989, consoante se extrai da cópia do auto de infração (fls. 23/26 dos autos). Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10835.002054/9279 Resolução nº 3301000.255 S3C3T1 Fl. 1.103 7 Nesse contexto, considerando as diversas nulidades suscitadas no presente processo, algumas inclusive já reconhecidas pela Câmara Superior deste CARF, e no intuito de evitar outras discussões processuais, entendo que, para fins de saneamento deste processo, a PGFN deva ser intimada para se manifestar sobre os argumentos e documentos trazidos aos autos pelo contribuinte em relação aos quais ainda não fora oportunamente intimada (petição de fls. 549/625 do eprocesso e petição protocolizada pelo contribuinte em 17/05/2016). Até porque, não é demais destacar que o Conselheiro Adolfo Montelo, o qual propôs o encaminhamento dos autos à PGFN ao observar a nulidade processual em questão (vide fl. 791 do eprocesso), já havia prenunciado a necessidade desta medida. Trouxe à colação, inclusive, o teor da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.299366, da Seção Judiciária do Distrito Federal, em que fora determinada a anulação de decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, em caso idêntico. Nesse sentido, a presente medida tornase imperativa, inclusive para fins de evitar que haja posteriormente novo reconhecimento de nulidade processual, apta a postergar ainda mais o fim de demanda tão antiga. De outro norte, é possível inclusive que, em razão da informação trazida pelo contribuinte em sua petição protocolizada em 17/05/2016, a PGFN não tenha mais interesse na continuidade da discussão trazida à tona em seus embargos declaratórios opostos. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para fins de que seja efetuada a intimação da PGFN para que se manifeste quanto ao teor dos documentos insertos às fls. 549/625 do eprocesso, bem como sobre a petição protocolizada pelo contribuinte em 17/05/2016. Após a manifestação da PGFN, os autos deverão retornar a este Conselho, para fins de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 28/06/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10580.725838/2009-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-004.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral..
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 38 /2 00 9- 26 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 296 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 220201.278, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 26 de julho de 2011 (efls. 142 a 153). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário de forma a se excluir a multa de ofício do lançamento, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 297 3 IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996 Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez Enviados os autos ao contribuinte para fins de ciência do decisum, ciência esta ocorrida em 29/04/2013 (efl. 162), o autuado apresentou, em 13/05/2013, Recurso Especial, com fulcro nos arts. 64, II e 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 163 a 193 e anexos). Após pleitear pelo sobrestamento do feito com base na repercussão geral reconhecida pelo STF no âmbito dos REs 614.232 e 614.406 e caracterizar o prequestionamento das matérias objeto de recurso, o recorrente alega, no pleito: a) Que os julgadores a quo, ao desconsiderar o teor de Lei Estadual para fins de definição ou não da incidência do IRPF sobre as verbas em análise, a tendo considerado incompatível com dispositivo constitucional, teriam violado o art. 62 do Regimento Interno deste Conselho e a Súmula CARF no. 02, estabelecida aqui divergência em relação ao decidido no âmbito do Acórdão 101 94.876, da 1a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 298 4 b) O lançamento, uma vez que realizado através da reconstituição de bases anuais e não mensais, apresentaria "erro na construção" e, assim, ao não se anular o crédito tributário em questão, teria se estabelecido posicionamento divergente em relação ao Acórdão 19200.015, de lavra da 2a. Turma Especial do 1o. Conselho de Contribuintes; c) Ressalta terem decorrido os pagamentos sob análise de ações ordinárias que findaram desfavoráveis à Fazenda Pública Baiana e que foram quitados com receita originária do Estado da Bahia, retomando uma vez mais o argumento, já exaustivamente descrito em sede de impugnação e Recurso Voluntário, no sentido de entender não ser legítima a exigência pela Receita Federal do Brasil do Tributo em questão. Utiliza, ainda, do mesmo item para alegar divergência interpretativa em relação ao Acórdão CARF 2.10201.746; d) Defende como incabível a incidência de IR sobre os juros recebidos, tendo em vista entender que as verbas principais tem natureza indenizatória, colacionando diversos julgados do STF e STJ que suportariam sua pretensão de não incidência, pugnando pela observância do art. 62A do Regimento Interno deste CARF então em vigor e concluindo pela existência de divergência em relação ao decidido no Acórdão CARF 280102.138; e) Encerra seu recurso com nova defesa do argumento de ilegitimidade ativa da União para cobrança do tributo sob análise, sem indicação de paradigmas. Resumidamente, destarte, requer que o recurso seja conhecido e provido. para que seja declarado totalmente improcedente o lançamento, seja pela forma equivocada de sua constituição, seja pela natureza indenizatória da parcela em exame, que foi expressamente prevista por lei estadual plenamente válida e eficaz. O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 263 a 273, exclusivamente quanto às matérias tratadas no item "c" e "d", supra, a saber, "diferenças remuneratórias de URV" e "não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios". Foram encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência dos despachos de admissibilidade recursal, ocorrida em 16/10/2015 (efl. 276). Posteriormente, quando encaminhados os autos à PGFN em 06/01/2016, esta apresenta contrarrazões tempestivas, datadas de 07/01/2016 (efls. 287 a 298), onde: a) Defende que as diferenças objeto de tributação em questão tinham natureza salarial, estando assim sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda e, somente nas situações excepcionalmente elencadas nas Leis nºs 9.665/98 e 10.477/2002, conforme Resolução nº 245/2002 do STF, encampada pelo Ministro da Fazenda por meio do Parecer PGFN nº 923/2003, é que a incidência de IRPF deve ser afastada; b) A interpretação de regra isentiva deve ser literal e a isenção é exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação e deve ser veiculada por meio de lei; c) No que se refere à Resolução STF nº 245/2002 cabe observar, que a mesma restringese ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 299 5 dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Nesta seara, atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto, elastecendose a concessão de uma isenção por analogia, diante da inexistência de previsão legal, o que não se pode permitir; d) Quanto à incidência sobre os juros de mora, ressalta que Na tabela que acompanha o Auto de Infração não consta que foi calculado IRPF sobre juros de URV como afirma o recorrente. Entende que o acórdão n. 280102.138 não se mostra com apto à configuração do dissenso, pois trata de outra questão totalmente estranha e diversa da discutida nestes autos e sequer se reporta à possibilidade de exclusão dos juros do lançamento, como quer o recorrente. Cita, ainda, a necessidade de aplicação das Súmulas CARF no. 04 e no. 05. Requer, assim, a Fazenda Nacional que seja mantido o inteiro teor do recorrido, com o não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, prequestionamento, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço quanto às matérias para as quais se deu seguimento. Quanto aos juros de mora, verifico que, contrariamente ao argumento dispendido pela Douta Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, nos demonstrativos detalhados de efls. 33 a 35, notase o recebimento de juros pelo recorrente e que o Acórdão paradigma trata, sim, da mesma situação fática presente, daí configurada a divergência quanto à matéria. Passandose à análise de mérito, o litígio será abordado através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pelo recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 300 6 indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Estadual, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 301 7 Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 18. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 302 8 Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 303 9 a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 18, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 18 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 18, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 304 10 Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repita se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico, porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada de efl. 19: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 305 11 Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado de efls. 33 a 35. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 306 12 Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 307 13 campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.725838/200926 Acórdão n.º 9202004.213 CSRFT2 Fl. 308 14 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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