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Numero do processo: 19991.000267/2008-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem reanalise o pleito do sujeito passivo, desta feita, apreciando a documentação acostada ao presente recurso e, se entender necessário, intime-o a apresentar outros, manifestando-se concretamente, após, sobre a procedência do direito creditório sub judice.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem reanalise o pleito do sujeito passivo, desta feita, apreciando a documentação acostada ao presente recurso e, se entender necessário, intimeo a apresentar outros, manifestandose concretamente, após, sobre a procedência do direito creditório sub judice. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 265 a 272) interposto contra o Acórdão nº 0928.630, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA que, na sessão de julgamento realizada em 17.03.2010 (efls. 260 a 263), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologação da compensação declarada. Da síntese dos fatos A decisão de primeira instância, consubstanciada no citado acórdão recorrido, trata dos fatos que foram resumidos em seu respectivo relatório, que adoto para evidenciálos, verbis: Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 26 7/ 20 08 -7 5 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19991.000267/200875 Resolução nº 3001000.165 S3C0T1 Fl. 480 2 O interessado transmitiu Pedido de Ressarcimento (PER) nº 07664.17023.230106.1.1.090559, relativo a crédito de Cofins não cumulativa do 2º trimestre de 2004, e Dcomp nº 28356.99266.250106.1.3.096060, visando compensar os débitos nela declarados, com o crédito acima citado (fls. 02/10); A DRFPoços de Caldas/MG por meio da Decisão SARAC/DRF/PCS/nº 107/2008 não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, sob o argumento o crédito relativo à Cofins dos meses maio/2004 e fevereiro e março /2004 foram negados nos processos 13679000069/200525 e 13679.000095/200472 (fls. 24/25); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 28/34), na qual alega que na época dos fatos produzia mercadoria de origem vegetal pelas razões enumeradas: 1 Adquiriu em 2003 diversas máquinas, a fim de industrializar o café por ela adquirido; 2 Adquiriu café em coco de diversos produtores rurais e os enviava para beneficiamento, classificação por densidade de grãos, preparação (separação em peneiras) e misturar para definir sabor em armazéns de terceiros, remetendo ainda sacaria de juta vazio para acondicionar o café que seria industrializado; Por meio do Despacho nº 41/2009 2ª Turma DRJ/JFA, o processo foi baixado em diligência; Ao proceder a diligência requerida, a autoridade administrativa emitiu o despacho de fls. 194/195, no qual reconhece crédito presumido nos meses de abril e junho no valor de R$ 1.352,19 e R$ 14.004,90, respectivamente, e não reconhece crédito relativo a receita de exportação visto que 0 contribuinte não comprovou exercer essa atividade. A empresa foi cientificada do citado despacho 17/12/2009 (fl. 196) e apresentou razões adicionais à manifestação de inconformidade nas quais alega que: 4 A auditora não solicitou documentos que comprovassem a efetiva exportação nos meses de abril e junho de 2004, sendo que na Dacon foi declarada receita dessa atividade; É o breve relatório. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de sua demanda perante a instância a quo, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, para alegar que: (i) O presente processo cingese a PER/DComp relativo ao 2º trimestre de 2004, notadamente, aos meses de abril e junho de 2004; (ii) o voto condutor da decisão recorrida fez uso de legislação futura para embasar atos pretéritos, ou seja, anteriores a edição das leis nº 10.925 e 11.051, ambas de 2004. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 19991.000267/200875 Resolução nº 3001000.165 S3C0T1 Fl. 481 3 Neste sentido adverte que nenhuma lei tributária pode retroagir para prejudicar o contribuinte, pois é asseguradolhe certeza quanto a seus atos pretéritos em face da lei, em outras palavras, é o principio da irretroatividade das leis; (iii) sempre adequouse a legislação vigente, tanto que a Lei nº 10.833 de 2003, em seu texto original, vigente no mês de abril de 2004, não impunha qualquer condição contrária a terceirização no processo de produção das empresas, o que prova que agiu no estrito cumprimento do preceituado na referida norma, amparada ainda em legislação correlata que regulamenta o IPI; (iv) conforme mencionado na Manifestação de Inconformidade, em nenhum momento lhe foi solicitado a apresentação de documentos que comprovassem a efetiva exportação nos meses de abril e junho de 2004, desta forma não há que se falar em preclusão do direito de produzir a prova; (v) possui documentalmente o rastreamento total dos cafés que adquiridos, razão pela qual pugna pela baixa em diligencia, com a solicitação da documentação necessária, para ver comprovada a exportação do produto; (vi) possuía receita de exportação, no valor de R$ 137.190,00, em abril de 2004, e de R$ 365.942,30, em junho de 2004, ou seja, montante suficiente para originar crédito presumido e assim compensar com IR e CSLL devido, conforme demonstra o Dacon entregue naquele trimestre. E ainda, que possuía crédito presumido, decorrente da agroindústria, suficiente para compensar com a Cofins devida naqueles meses; (vii) a auditoria fiscal não atentou para os documentos juntados inicialmente, que provam de forma cabal que em 2003 foram adquiridas diversas máquinas para beneficiamento, rebeneficiamento, classificação por densidade de grãos, reensaque, padronização, mistura de tipos de café para definição de sabor, inclusive catação eletrônica dos grãos. Ainda, que enviou diversos lotes de café para beneficiamento, classificação por densidade de grãos ou preparação (separação em peneiras), em armazéns de terceiros remetendo ainda sacaria de juta vazio para acondicionar o café que seria industrializado; (viii) não é correto o entendimentos da auditoria fiscal que o fato de parte do café encontrarse e continuar no "São José Armazéns Gerais" descaracterizaria a industrialização pelo contribuinte. Não obstante, entretanto, aduz que tal assertiva não corresponde aos fatos. Neste sentido, alega possuir documentalmente o rastreamento do café adquirido, depositado ou não em armazéns gerais que foi remetido em seu estado original (beneficiado, bicacorrida e/ou em coco provido de cascas) e devolvido industrializado com sua nova nomenclatura já no momento da venda. Demais disso, alerta também que possui o controle de custos e de interligação dos lotes (misturas), fato que se comprova pelas citações de origem e destino no corpo das notas fiscais relativo aos meses de abril e junho de 2004 e ainda pelas notas fiscais dos serviços de industrialização e respectivos comprovantes de pagamento. Nestes termos, faz juntar aos autos os seguintes documentos: RELAÇÃO DE DOCUMENTO JUNTADOS: A) VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO EFETUADAS EM CONFORMIDADE COM A LEI 10.833 DE 29/12/2003. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 19991.000267/200875 Resolução nº 3001000.165 S3C0T1 Fl. 482 4 EMPRESA: TRISTÃO CIA. DE COMÉRCIO EXTERIOR 01) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS N°S 11164 E 11184 DE ABRILI2004; 02) CÓPIAS DOS MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO NºS 176/04, 184/04, 207104, 256104; 03) CÓPIAS DOS CONHECIMENTOS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA NºS 1932, 1557, 1552; 04) CÓPIAS DOS BLS: MSCUSR242179, QPD006339, MSCUSR264991, MSCUSR266681; 05) CÓPIAS DAS NFS DE EXPORTAÇÃO NºS: 59126, 58875, 60053, 60020; 06) CÓPIAS DOS RES NºS: 04/0631631001, 04/0543985001, 04/0841619 001, 04/0840988001; 07) CÓPIAS DOS DDES NºS: 2040514843I7, 20404607977, 20406835748, 20406836477. EMPRESA: EXPORTADORA POÇOS DE CALDAS LTDA. 08) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS NºS: 11457 E 11460 DE JUNHO DE 2004; 09) CÓPIAS DOS MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO NºS: 108 E 110/04; 10) CÓPIAS DOS CONHECIMENTOS DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS DE CARGA NºS: 18394 E 18395; 11) CÓPIAS DOS BLS NºS: EISU360400055786 E EISU360400055816; 12) CÓPIAS DAS NFS DE EXPORTAÇÃO NºS: 64/65/66/67; 13) COPIAS DOS RES NºS: 04/0877182001 E 04/0877124001; 14) CÓPIAS DOS DDES NºS: 20406870519 E 20406870594. B) VENDAS PARA EMPRESA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA DE CAFÉ COM REG. SECEX 3.0004/10.00028EFETUADAS EM CONFORMIDADE COM O ARTIGO 40 DA LEI 10.865 DE 30/04/04 EM VIGOR ATÉ A EDIÇÃO DA LEI 10.925 EM 23/07/2004 EMPRESA: MITSUI ALIMENTOS LTDA. 01) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS NºS: 11339,11340,11341, 11467, 11468, 11469,11470 DE JUNHOI2004. C) OUTROS DOCUMENTOS. 01) DEMONSTRATIVO DA MOVIMENTAÇÃO DO CAFÉ ADQUIRIDO NO MÊS DE ABRIL/2004; Fl. 482DF CARF MF Processo nº 19991.000267/200875 Resolução nº 3001000.165 S3C0T1 Fl. 483 5 02) DEMONSTRATIVO DA MOVIMENTAÇÃO DO CAFÉ VENDIDO NO MÊS DE ABRIL/2004; 03) DEMONSTRATIVO DA MOVIMENTAÇÃO DO CAFÉ ADQUIRIDO NO MÊS DE JUNHO/2004; 04) DEMONSTRATIVO DA MOVIMENTAÇÃO DO CAFÉ VENDIDO NO MÊS DE JUNHO/2004; 05) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS NºS: 11165. 11166, 11167, 11177, 11178, 11181, 11183, 11185 E 11186 DE SAÍDAS DE CAFÉ BENEFICIADO (BICA CORRIDA E EM COCO) REFERENTE AO MÊS DE ABRI/2004 DA NOVA SÃO JOSE COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA.; 06) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS NºS: 5302, 5303, 5304, 5306, 5308, 5309, 5312, 5313, 5322, 5323, 5324, 5342 E 5348 DO SÃO JOSÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA. REFERENTE DEVOLUÇÃO DE CAFÉS INDUSTRIALIZADOS (RESÍDUO TIPO 08 E OU PENEIRAS 14, 15, 16, 17 E 18) REFERENTE AO MÊS DE ABRIL/2004); 07) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS NºS: 11172, 11174, 11175, 11176, 11179, 11180 E 11182 DE VENDAS DE CAFÉS INDUSTRIALIZADOS (RESÍDUO TIPO 08 E OU PENEIRAS 14, 15, 16, 17, 18 REF. MÊS DE ABRIL/2008 DA NOVA SÃO JOSE COMERCIO DE CAFÉ LTDA.); 08) CÓPIA DA NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Nº 1435 DE 30/04/04 DO SÃO JOSE ARMAZÉNS GERAIS LTDA.; 09) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS NºS: 11301 A 11309, 11316 A 11330, 11332 A11338, 11343 A11350, 11451 A11456, 11463 A 11464 E 11471 A 11476 DE SAÍDAS DE CAFÉ BENEFICIADO (BICA CORRIDA E EM COCO) REFERENTE AO MÊS DE JUNHO/2004 DA NOVA SÃO JOSÉ COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA.); 10) CÓPIA DAS NOTAS FISCAIS Nºs 5361, 5362, 5364, 5365, 5366, 5367, 5369, 5370, 5371, 5372, 5373, 5376, 5377, 5378, 5379, 5580, 5384, 5385,, 5391, 5393 E 5396 DO SÃO JOSÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA. REFERENTE DEVOLUÇÃO DE CAFÉS INDUSTRIALIZADOS (RESÍDUOS TIPO 08 E PENEIRAS 14/15/16/17E18) REF. MÊS DE JUNHO/2004); 11) CÓPIAS DAS NOTAS FISCAIS NºS 11310, 11311, 11312, 11313, 11314 E 11315, VENDAS DE CAFÉS INDUSTRIALIZADOS (RESÍDUOS TIPO 08 E PENEIRAS 14/15/16/17E18) REF. MÊS DE JUNHO/2004 DA NOVA SÃO JOSÉ COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA.; 12) CÓPIA DA NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Nº 1458 DE 30/06/04 DO SÃO JOSÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA.; 13) CÓPIA DE CHEQUE Nº 000511 DE 30/06/04 DA NOVA SÃO JOSÉ COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA.; Fl. 483DF CARF MF Processo nº 19991.000267/200875 Resolução nº 3001000.165 S3C0T1 Fl. 484 6 14) CÓPIAS DE NOTAS FISCAIS NºS 5314 E 5381 DO SÃO JOSÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA. REFERENTE, DEVOLUÇÃO DE SACARIAS DE JUTA UTILIZADA PARA EMBALAR CAFÉ REF. AOS MESES DE ABRIL E JUNHO DE 2004. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 05.05.2010 (efl. 478), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em atenção ao prescrito no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04.06.2017 e por tratarse de contestação envolvendo crédito compatível com sua competência, cabe a este Colegiado Extraordinário apreciar o presente feito. Da tempestividade Dispõe o Despacho de efl. 478 que o "contribuinte acima citado teve ciência, no dia 29/03/2010 (AR fl. 258), do Acórdão 0928630 2ª Turma da DRJ/JFA. Em 28/04/2010 apresentou Recurso Voluntário, tempestivo, conforme fIs. 259 a 470 dos autos. Diante do exposto, encaminho o processo (...) para as providências que o caso requer". Corroborando a informação acima, reafirmo que presente recurso voluntário é tempestivo, pois atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, na medida que respeita o trintídio legal, conforme dicção do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Das razões da decisão recorrida Convém evidenciar os esclarecimentos e os motivos pelos quais a decisão recorrida concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Em sua decisão, o voto condutor traz os seguintes fundamentos: que a "autoridade administrativa não faz menção ao crédito relativo ao mês de maio de 2004, visto que ele foi apurado por meio do processo nº 13679.000069/200525 sendo utilizado para as compensações nele pleiteadas. Assim, a apuração do crédito relativo ao PER/DCOMP em análise se restringe aos meses de abril e junho de 2004. Quanto ao crédito relativo às receitas de exportação, que foram glosados por falta de comprovação, a empresa apenas alega que não foi intimada a apresentar os documentos que comprovem a efetiva exportação e afirma ter receitas relativas a essa atividade, porém não traz aos autos documentos que provem essa afirmação. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 484DF CARF MF Processo nº 19991.000267/200875 Resolução nº 3001000.165 S3C0T1 Fl. 485 7 processual”. Portanto deve ser mantida a glosa efetuada. No tocante ao crédito presumido, a autoridade preparadora reconheceu os valores relativos às mercadorias que comprovadamente foram processadas no estabelecimento do contribuinte. Quanto as que foram enviadas para estabelecimentos de terceiros para processamento, o que a própria manifestante informa fazer, tais créditos não foram e nem poderiam ser reconhecidos, visto que ela não exercia cumulativamente as atividades que caracterizam a produção de café para fins de utilização do beneficio pleiteado. O citado crédito presumido agroindústria, foi instituído em relação à Cofins, pelo § 5º, do artigo 3º, da Lei 10.833/2003, (...).Tal dispositivo foi extinto pela Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º estabeleceu nova redação para o benefício e definiu no § 6º o que se considera produção em relação ao café, (...). O parágrafo 6º acima transcrito prevê que, para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades nele previstas. Pela diligência efetuada, restou comprovado que a empresa não produz todo o café que revende, nos termos da legislação pertinente. Assim, o crédito relativo a Cofins não cumulativa do 2º trimestre de 2004, é o que consta do despacho de fls. 194/195, ou seja, R$ 15.357,09, ressaltando que tal valor foi totalmente utilizado como dedução da contribuição apurada no período". Da proposta de conversão do julgamento em diligência Vêse, pois, no que tange ao ônus da prova, que o fundamento da decisão recorrida para negar o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, está assentado na ausência da liquidez e certeza do crédito informado em PER/Dcomp. Não obstante, por considerar que o presente caso amoldase àquelas situações em que o sujeito passivo empreende ação no sentido de, ao menos, tentar provar o direito que alega assistirlhe, agindo portanto proativamente, consoante o novel princípio da cooperação, cuja redação expressa que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva" (artigo 6º do Novo Código de Processo Civil Lei 13.105 de 16.03.2015), faço uso do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que dispõe que "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis", corroborado pelas disposições do Decreto nº 7.574, de 29.09.2001, cujas regras, como é cediço, são absolutamente aplicáveis também aos Colegiados de Segunda Instância, para propor a conversão do presente julgamento em diligência. Da conclusão Neste contexto, considerandose a gama de documentos reapresentados no presente Recurso Voluntário, podese afirma, com razoável probabilidade de acerto, o direito vindicado. Neste sentido, nos termos da dicção dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, determino a realização de diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem reanalise o pleito do sujeito passivo, desta feita, apreciando a documentação acostada ao presente recurso e, se entender necessário, intimeo a apresentar outros, manifestandose concretamente, após, sobre a procedência do crédito sub judice. Neste sentido, devem os autos retornar para a DRF/Poços de CaldasMG, para seu atendimento. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 19991.000267/200875 Resolução nº 3001000.165 S3C0T1 Fl. 486 8 Finalizada a instrução processual em tela, deverá o Recorrente ser intimado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de trinta dias. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.721080/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO.
Conhece-se do recurso voluntário somente quando tempestivo.
Numero da decisão: 2301-005.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO. Conhece-se do recurso voluntário somente quando tempestivo.
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.000979/2005-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000
COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO FINSOCIAL. DECADÊNCIA CONFIGURADA. PRAZO 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. PLEITO FORMULADO APÓS O PRAZO DECENAL.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.
SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
COFINS. LEI 9718/98. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §1º. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF.
RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QO-RG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-227 DIVULG 27-11-2008 PUBLIC 28-11-2008 EMENT VOL-02343-10 PP-02009 RTJ VOL-00208-02 PP-00871 )
Numero da decisão: 3201-004.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassada a questão decidida no voto, aprecie o mérito do pedido formulado pela Recorrente.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ) e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999, 2000 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO FINSOCIAL. DECADÊNCIA CONFIGURADA. PRAZO 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. PLEITO FORMULADO APÓS O PRAZO DECENAL. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. COFINS. LEI 9718/98. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §1º. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QO-RG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-227 DIVULG 27-11-2008 PUBLIC 28-11-2008 EMENT VOL-02343-10 PP-02009 RTJ VOL-00208-02 PP-00871 )
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO FINSOCIAL. DECADÊNCIA CONFIGURADA. PRAZO 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. PLEITO FORMULADO APÓS O PRAZO DECENAL. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 CARF Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. COFINS. LEI 9718/98. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §1º. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF. “RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL00208 02 PP00871 ) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 79 /2 00 5- 96 Fl. 370DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassada a questão decidida no voto, aprecie o mérito do pedido formulado pela Recorrente. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ) e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, por relatar bem os fatos decorridos no Processo Administrativo Fiscal, transcrevo o relatório da DRJ: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de valores de COFINS relativos a períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 1999 e maio de 2000, no montante de R$ 5.792.869,18. 0 pedido foi formalizado em 8 de junho de 2005 (fls. 1). Em 25/04/2006 foi exarado o despacho de fls. 86/89, em que a autoridade administrativa não reconheceu o direito credit6rio pleiteado, nos seguintes termos: "NÃO RECONHECER qualquer direito creditório oriundo dos pagamentos a maior alegados de fls. 27/39 ou de valores compensados referentes a valores devidos a titulo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) para os períodos de apuração de fevereiro a maio de 2000, visto que, para os pagamentos de fls. 27/38, nos termos do art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional, encontrase extinto o direito a pleitear o suposto indébito, não estando caracterizada, também, a liquidez e certeza do direito creditório alegado no caso dos recolhimentos de fls. 39. INDEFERIR o Pedido de Restituição efetuado àfis. I, abrangendo os pagamentos/valores supra." Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.000979/200596 Acórdão n.º 3201004.586 S3C2T1 Fl. 2.671 3 Cientificada do despacho decisório, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 6/06/2006 (fls. 93/99), alegando em síntese o seguinte: a) É importante ressaltar que o julgamento de inconstitucionalidade de determinada exação tributária pelo Pleno do Supremo Tribunal, mesmo em sede de controle difuso de inconstitucionalidade (recurso extraordinário), pode, perfeitamente, produzir efeitos erga omnes, atingindo aqueles que não foram parte no litígio concretamente posto em discussão. b) Se o Plenário do Supremo Tribunal Federal já apreciou a desconformidade da lei em face da Constituição Federal, entendendoa inconstitucional, não há razão para essa lei continuar tendo eficácia no ordenamento até que um dos legitimados para a propositura de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou Ação Declaratória de Constitucionalidade ingressem com tais ações para que a lei perca a eficácia, já que o Senado Federal permanece sempre omisso na suspensão da execução de leis declaradas inconstitucionais em sede de controle difuso, ainda que oficiado da decisão. c) A declaração de inconstitucionalidade de uma lei, ainda que em sede de controle difuso, tem cunho declaratório, tendo o próprio STF já decidido que, declarada inconstitucional uma norma legal, seus efeitos não subsistem e essa insubsistência retroage A data de sua vigência, ou seja, essa norma é como se nunca houvesse penetrado no mundo jurídico (RE 93.173SP, RTJ 102/671). d) 0 art. 101 do Regimento Interno do STF prevê expressamente a possibilidade de a eclaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, pronunciada por maioria ualificada, aplicarse aos novos feitos submetidos As Turmas ou ao Plenário, conforme, inclusive, entendeu o Ministro Sepillveda Pertence, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 262.604SP, julgado em 19/02/2002. e) De acordo com precedente da Primeira Seção do STJ, apenas para as ações ajuizadas até 9 de junho de 2005 será aplicado o entendimento quanto ao prazo para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ou seja, 5 anos contados da data da homologação do lançamento que, se for tácita, ocorrerá, Fl. 372DF CARF MF 4 apenas, após o decurso do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. O A formulação do pedido administrativo de restituição dos valores recolhidos no período compreendido entre fevereiro a dezembro de 1999 e janeiro a maio de 2000 afigurase como forma juridicamente possível de afastar a restrição ao direito A restituição que, na linha do entendimento do STJ, não seria mais possível no período anterior a junho de 2000, ou seja, decorridos mais de 5 (cinco) anos de 9 de junho de 2005. Seguindo a marcha processual, foi proferido voto com a seguinte ementa: conforme, inclusive, entendeu o Ministro Sepillveda Pertence, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 262.604SP, julgado em 19/02/2002. e) De acordo com precedente da Primeira Seção do STJ, apenas para as ações ajuizadas até 9 de junho de 2005 será aplicado o entendimento quanto ao prazo para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ou seja, 5 anos contados da data da homologação do lançamento que, se for tácita, ocorrerá, apenas, após o decurso do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. O A formulação do pedido administrativo de restituição dos valores recolhidos no período compreendido entre fevereiro a dezembro de 1999 e janeiro a maio de 2000 afigurase como forma juridicamente possível de afastar a restrição ao direito A restituição que, na linha do entendimento do STJ, não seria mais possível no período anterior a junho de 2000, ou seja, decorridos mais de 5 (cinco) anos de 9 de junho de 2005. Inconformado com a r. decisão, o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário requerendo em síntese: a) que seja afastada a preliminar de decadência, uma vez, que o PER foi requerido antes da entrada em vigor da LC 118; b) da inconstitucionalidade da lei 9718/98 e aludindo qual o correto conceito de faturamento que deve ser aplicado. É o relatório. Voto Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.000979/200596 Acórdão n.º 3201004.586 S3C2T1 Fl. 2.672 5 Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso é tempestivo e deve ser conhecido. DECADÊNCIA Sustenta o Contribuinte sustenta que o prazo decadencial/prescricional é de 10 (dez) anos. É de notório conhecimento que a LC 118/05, inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontrase sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Devese afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento, e o pleito sendo anterior a 09/06/05, ressaltase que nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF, a mencionada súmula encontrase com efeito vinculante. Ao mais, sustenta o Contribuinte a inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3º., da Lei n° 9.718/98, demonstrando que é equivocado o entendimento da DRJ em compreender que os efeitos do RE 346.084, só teria efeito inter partes, não transcendo aquele julgado para os demais. É de ressaltar que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, encontrase vinculado nos termos do art. 62, §1º., II, b, do Regimento Interno, devendo observar os julgamentos em Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal, nesse sentido: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL02343 10 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Fl. 374DF CARF MF 6 Assim, o RE 585235, em questão de ordem, deu efeito vinculante ao julgado com o mesmo tema, como acima exposto. Ainda corroborando, notase que § 1º. do mencionado art. 3º foi revogado em 2009, pela Lei 11.941. Contudo, o processo não encontrase maduro para que seja exaurida a tese do Contribuinte sobre o conceito de faturamento (próprio e de terceiros), sob pena de supressão de instância. Ante o exposto, voto POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para anular a decisão proferida pela DRF, aplicando o prazo decadência de 10 (dez) anos, devendo a unidade preparadora apreciar o mérito formulado pelo Contribuinte. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digitalmente) Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000246/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2010
MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-006.119
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
15954000025201091
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. 15954000025201091
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PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 02 46 /2 01 0- 93 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13002.000246/201093 Acórdão n.º 3402006.119 S3C4T2 Fl. 3 2 15954000025201091 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando problemas com o provedor da internet, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 09042.213. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo alegando, em síntese, que a impugnação apresentada configurou forma de denúncia espontânea, sendo o tributo autodeclarado pela empresa antes de qualquer procedimento administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.109, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10840.000562/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.109): "Não obstante o Recurso Voluntário seja tempestivo, observese que os argumentos de mérito nele desenvolvidos não foram levados à análise da Delegacia de Julgamento, não merecendo ser conhecido. Com efeito, em seu Recurso Voluntário, sustenta a Recorrente, exclusivamente, a ocorrência de suposta denúncia espontânea, com fulcro no art. 138, do CTN. Por sua vez, em sua impugnação, a empresa se ateve a afirmar o descabimento da multa em razão dos problemas incorridos no provedor da internet. Observase, portanto, que a Recorrente pretende que seja aqui analisada matéria que não foi objeto de Impugnação e que não foi analisada pela DRJ (denúncia espontânea). Assim, como a discussão travada no Recurso Voluntário se restringe à matérias que não foram trazidas em sede de Impugnação, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13002.000246/201093 Acórdão n.º 3402006.119 S3C4T2 Fl. 4 3 do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. Com isso, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este colegiado, delas não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902520/2016-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ
O despacho decisório que não aponta claramente que o motivo do não reconhecimento do direito creditório deve-se ao fato de o pagamento informado como efetuado indevidamente estar alocado ao débito declarado em DCTF enseja a nulidade do ato por cerceamento do direito de defesa devendo haver retorno dos autos a DRJ a fim de não haver supressão de instância.
Numero da decisão: 1402-003.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a decisão de 1ª instância, divergindo os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa que não anulavam a decisão e prosseguiam na análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo Conselheiro Sérgio Abelson.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ O despacho decisório que não aponta claramente que o motivo do não reconhecimento do direito creditório deve-se ao fato de o pagamento informado como efetuado indevidamente estar alocado ao débito declarado em DCTF enseja a nulidade do ato por cerceamento do direito de defesa devendo haver retorno dos autos a DRJ a fim de não haver supressão de instância.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a decisão de 1ª instância, divergindo os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa que não anulavam a decisão e prosseguiam na análise do mérito. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 25 20 /2 01 6- 32 Fl. 360DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo Conselheiro Sérgio Abelson. Relatório Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16682.902520/201632 Acórdão n.º 1402003.697 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos decidiu afastar a preliminar de nulidade, reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade e, no mérito, não reconhecer o direito creditório pleiteado. A contribuinte apresentou 3 PER/DCOMP para compensar débito relativo a CSLL apurada em junho, julho de 2012 e outubro de 2013 contra crédito relativo a suposto pagamento indevido de estimativa mensal de CSLL relativa ao período de março de 2012: Referidas compensações foram indeferidas, pois se entendeu que inexistia o crédito pleiteado – que teria sido alocado ao débito correspondente. . A r. DRJ de Porto Alegre proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Na ausência do Aviso de Recebimento (AR) nos autos, considerase efetivada a ciência da intimação quinze dias após a data da sua expedição, quando, então, inicia se a contagem do prazo de trinta para a apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. O despacho decisório que aponta claramente que o motivo do não reconhecimento do direito creditório devese ao fato de o pagamento informado como efetuado indevidamente estar alocado ao débito declarado em DCTF não enseja a nulidade do ato por cerceamento do direito de defesa. Fl. 362DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. A utilização do pagamento para a redução da penalidade pelo não recolhimento da estimativa devida e na composição do saldo negativo do anocalendário, não caracteriza o indébito tributário passível de restituição. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta a nulidade do despacho decisório proferido. Segunda a recorrente, não há no despacho decisório as bases legais explícitas que levaram a decisão, e que sua defesa se baseou no que acreditava ser o cerne da questão, ante o risco existente na não apresentação da defesa. Sustenta que a apresentação de manifestação de inconformidade não é suficiente para afastar a ausência de motivação do despacho decisório. No mérito, alega que: 1. Em 30.04.2012, em razão da estimativa mensal de CSLLpagou o montante de R$8.607.745,49; 2. Verificou que este pagamento foi indevido, em razão da existência de base negativa de CSLL no montante de R$8.845.395,72 3. Em 31.05.2012, por equívoco, transmitiu a PER/DCOMP Nº 09851.29150.310512.1.3.042657, visado compensar o débito inexistente de março de 2013 com o montante pago indevidamente naquele mesmo mês; 4. Requereu o cancelamento desta PER/DCOMP através do processo nº 166829000.656/201365; 5. Na DCTF referente março de 2012, por equívoco, não foi alocado o crédito de Furnas; 6. Em 2013, resolveu utilizar o crédito de R$ 8.607.745,49, atualizado para R$ 9.369.530,97, da seguinte forma: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16682.902520/201632 Acórdão n.º 1402003.697 S1C4T2 Fl. 1.113 5 7. Quando da apresentação da Manifestação de inconformidade, tentou esclarecer os fatos, reiterando o pedido de cancelamento da primeira DCOMP e a homologação das demais. 8. Houve mero equívoco na transmissão da primeira DCOMP, devendo ser desconsiderada, sendo as demais devidamente processadas; 9. As soluções de consulta internas nº 19/11 e 233/12 resguardariam o procedimento adotado; 10. O Princípio da verdade material demanda que as autoridades fiscais examinem os fatos em sua inteireza; É o relatório. Fl. 364DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. PRELIMINAR Entendo não assistir razão à Recorrente, em relação a nulidade suscitada. A par do quanto sustentado pela Recorrente, consta do r. Despacho Decisório e seu conjunto instrutório todas as informações necessárias para a verificação das razões e motivos da não homologação da compensação pretendida. No presente caso foi proferido um r. Despacho Decisório eletrônico (fls. 103), com toda a instrução e detalhamento de praxe, não se verificando nenhuma anormalidade, falha ou ausência de componente de tal modalidade de decisão que compõe a atual realidade do processo administrativo fiscal federal. Assim decidido por essa turma nos autos do Processo Administrativo n 13603.901353/201061, acórdão nº 1402003.592, relatoria do Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella: DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS UTILIZADOS. NORMA ESPECÍFICA. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 traz norma especial e específica, que confere o prazo de 5 (cinco) anos, contados a partir da data da entrega da declaração de compensação, para a Autoridade Fiscal apurar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos indicados. Não se aplicam às manobras de compensação, operadas por meio de PER/DCOMP, as regras de caducidade contra a Fazenda Pública previstas nos arts. 150, § 4º, e 173 do CTN. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ADEQUAÇÃO LEGAL E PRECISÃO DA MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É improcedente a arguição de nulidade do despacho decisório, por cerceamento de defesa, quando esta decisão administrativa apresentase revestida das formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais específicos, assim como verificado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos, assegurandolhe o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade da decisão administrativa. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16682.902520/201632 Acórdão n.º 1402003.697 S1C4T2 Fl. 1.114 7 ESTIMATIVA CSLL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. OBJETO DE OUTRO FEITO. CONEXÃO. IMPERIOSIDADE DO MESMO DESFECHO MERITÓRIO EM MESMA INSTÂNCIA. Os autos em que se debate o mérito da procedência Auto de Infração referente a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa guardam relação de conexão, nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, com o feito em que o contribuinte pleiteia crédito formado pelas mesmas estimativas, cujo inadimplemento fora anteriormente constatado pelo Fisco. Sob pena de anacronismo e incongruência jurisdicional, o julgamento da matéria coincidente dos processos conexos deverá ter mesmo desfecho, na mesma instância de jurisdição, sendo medida de higidez e racionalidade processual. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA E QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. É ônus do contribuinte a prova da existência e da quantificação do seu crédito, devendo refutar todas as constatações das Autoridades Fiscais que fundamentaram a denegação do direito creditório. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. MULTA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. A compensação indevida de débitos com crédito não comprovado configura legítimo inadimplemento fiscal e a mora do contribuinte, sendo devida a aplicação de sanção e os acréscimos moratórios Isto posto, afasto a preliminar suscitada. 3. MÉRITO: Entendo que o r. acórdão proferido pela DRJ é eivado de vício de motivação. Decidiuse ali com base na premissa de que a multa referente a março de 2012 teria sido mantida na integra nos autos do processo administrativo nº 16682.720878/201304: O processo administrativo nº 16682.720878/201304 trata da exigência do IRPJ e da CSLL em função da dedução irregular de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL relativamente aos anoscalendário 2011 e 2012. No âmbito do referido processo, também houve a exigência da multa isolada decorrente do recolhimento a menor das estimativas do IRPJ e da CSLL. Referido processo encontrase em fase de recurso (embargos de declaração) perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tal recurso foi interposto após ter sido proferido acórdão que manteve a exigência da multa isolada em razão do recolhimento a menor das estimativas de IRPJ e CSLL. A exigência da multa isolada decorrente do recolhimento a menor da estimativa de IRPJ relativamente ao mês de março de 2012 restou mantida na íntegra. No âmbito do referido processo, o contribuinte alegou a efetividade do pagamento visando a redução da penalidade pelo não recolhimento da estimativa devida. Além disso, o referido pagamento integrou as parcelas de composição do saldo negativo apurado ao final do anocalendário, utilizado pelo contribuinte no PER/DCOMP nº 40372.860083.050913.1.7.02.9254 para fins de compensação com débitos nele declarados. Fl. 366DF CARF MF 8 Ocorre que, ao analisar o voto vencedor proferido nos autos daquele processo, o que se extrai é o cancelamento da referida multa, vejamos a tabela utilizada pela Ilma. Conselheira Eva Maria Los para embasar seu voto: Isto posto, sob o risco de supressão de instância encaminho voto no sentido da nulidade da decisão proferida pela r. DRJ, determinando o retorno dos autos para que sejam analisados com fundamento no quanto decidido nos autos do Processo Administrativo nº 16682.720878/201304. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 367DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917945/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2004
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado.
DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontram-se descritas e fundamentadas nos atos processuais.
Não caracteriza alteração de critério jurídico a decisão de 1ª instância que não reconhece o direito creditório sob o fundamento de ausência de comprovação de pagamento indevido ou a maior, no tocante ao inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório eletrônico que não localizou crédito disponível para extinguir debito por compensação. Ambos despachos assentam-se no mesmo fundamento: a não comprovação de existência de crédito.
Numero da decisão: 3201-004.695
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente MULTI OPTICA DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado. DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 79 45 /2 00 9- 38 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 3 2 matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontramse descritas e fundamentadas nos atos processuais. 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Relatório O interessado anteriormente identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I. O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de Cofins que teria sido recolhida a maior. A Derat/RJO, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF pelo contribuinte. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 4 3 Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade [...], na qual alega que: O sistema eletrônico para transmissão do PER/DCOMP apresenta inúmeras limitações probatórias, que inviabilizam a prestação imediata de quaisquer informações úteis ou necessárias à comprovação de plano do direito creditório, não se podendo sustentar que a Requerente teria "faltado" com o dever de apresentar todas as provas do seu crédito (uma vez impossibilitada de fazêlo). Além disso, a prolação do Despacho Decisório sem o detido exame do direito creditório alegado deixou de observar o disposto no artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, o qual estabelece o poderdever de a autoridade administrativa determinar a realização de diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório. Mostrouse prematura a prolação do Despacho Decisório independentemente de se abrir à Requerente o direito de comprovar o seu direito creditório, o que se faz nesta oportunidade. O crédito objeto do PER/DCOMP que originou este Processo Administrativo decorre do pagamento indevido de COFINS sobre receitas advindas de venda (remessa) de mercadorias à Zona Franca de Manaus ("ZFM"), (...) (...) A apuração do referido crédito decorre originalmente das disposições contidas no DecretoLei n° 288/67 (recepcionado pela Constituição Federal de 1988), que regulamentou a Zona Franca de Manaus ("ZFM"). O art. 4º do referido diploma dispôs que "A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Da leitura do supracitado dispositivo depreendese que as operações de remessa de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação para a Zona Franca de Manaus foram equiparadas as operações de exportação brasileira para o exterior. Dessa forma, por força daquele dispositivo legal as remessas de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação à Zona Franca de Manaus são contempladas por todos os benefícios existentes na legislação fiscal em favor das operações de exportação para o exterior. Posteriormente, foi editada a Lei Complementar n° 70/91, que, num primeiro momento, em seu artigo 7° estabeleceu isenção para a COFINS incidente sobre as vendas para o exterior, o que implicou a isenção desta contribuição para vendas de Fl. 161DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 5 4 mercadorias à ZFM, pois equiparadas as operações de exportação, nos termos do citado art. 4° do DecretoLei n° 288/67. Após sucessão de atos disciplinando os benefícios para as exportações de mercadorias, foi editada a Medida Provisória n° 1.8586, na qual restou consignada a isenção sobre as receitas de exportação do PIS e da COFINS, excluindo, no entanto, do alcance desse benefício as receitas de vendas para a ZFM a partir de 1° de fevereiro de 1999. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1' de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Diante da reedição sucessiva da referida MP, bem como do dispositivo legal supracitado, foi ajuizada, pelo Governador do Estado do Amazonas, em novembro de 2000, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) n° 2.348/DF no Supremo Tribunal Federal, para contestar a constitucionalidade da norma que restringia o benefício isentivo do PIS e da COFINS às vendas de mercadorias à "ZFM". Do julgamento da ADIN n° 2.348/DF restou consignada a suspensão de eficácia à restrição imposta às receitas de vendas de mercadorias destinadas à "ZFM" com efeitos retroativos à data da criação das restrições impostas pela MP n° 1.8586/ 99. Devese mencionar que possuindo efeitos erga omnes, a citada decisão aplicase a todos os contribuintes. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal, foi editada a Medida Provisória n° 2.03725 de 21/12/2000, que alterou o texto legal constante do inciso I, do §2°, do art. 14 da MP n° 1.8586/ 99. Confirase: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999; são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Conforme depreendese, a alteração supracitada retirou do texto legal o vocábulo "na Zona Franca de Manaus", restando claro que a partir dai não existia mais qualquer restrição à isenção da COFINS para as receitas referentes as vendas para a ZFM. Tal determinação legal foi ratificada pela Medida Provisória nº 2.15835/ 01 e permanece vigente no nosso ordenamento. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 6 5 Todavia, mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal, a Coordenadoria Geral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal do Brasil editou, dentre outras, a Solução de Divergência COSIT n° 06, de 13 de junho de 2002, na qual pretendeu, novamente, restringir a isenção de PIS/COFINS às vendas de mercadorias à ZFM. Diante desse novo óbice, o Governo do Estado do Amazonas ajuizou, no Supremo Tribunal Federal, a Reclamação n° 2.2161/ MC, com a qual afastou a eficácia da Solução de Divergência citada. Diante do cenário, a CoordenadoriaGeral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal publicou o Ato Declaratório Executivo n° 42, de 18 de dezembro de 2002, que afastou quaisquer restrições à isenção do PIS/COFINS sobre as receitas de vendas de produtos nacionais à ZFM: "COORDENADORAGERAL DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 213 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o deferimento de medida liminar, em 13 de dezembro de 2002, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos da Reclamação nº 2.216, ajuizada pelo Governador do Estado do Amazonas, com base na medida liminar deferida na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.3489, declara: Artigo único. Ficam suspensos os efeitos da Solução de Consulta Cosit nº 8, de 4 de junho de 2002, e das Soluções de Divergências Cosit nº 6 e nº 7, de 13 de junho de 2002, e nº 9, de 28 de junho de 2002." Diante do relatado, ao Fisco restou impossibilitada a imposição de restrição à isenção do PIS/COFINS sobre receitas destinadas à "ZFM", pois: (a) a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIN n° 2.348/MC vincula a Administração Pública, que não poderá negar a aplicabilidade da isenção às receitas de venda de mercadorias destinadas ao consumo ou posterior industrialização na "ZFM"; (b) no texto definitivo da MP n° 2.158/35/01 (última edição da MP no 1.8586), atualmente em trâmite legislativo, restou ratificada a isenção do PIS/COFINS para as exportações de forma retroativa a 1° de fevereiro de 1999, sem quaisquer restrições às vendas à "ZFM"; Neste contexto, considerando que no período (...), as vendas efetuadas pela Requerente à ZFM estavam albergadas pela isenção concedida pela MP n° 2.15835/ 01 c/c DecretoLei n° 288/67, o recolhimento de COFINS sobre estas operações configurouse indevido, tornandose, portanto, passível de restituição/compensação nos termos do art. 165 do CTN e do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 7 6 Desta maneira, tivesse a Autoridade Fiscal procedido assim como determinado na IN n° 900/2008 (art. 65), intimando a Requerente para apresentação de esclarecimentos e documentos relativos ao seu direito creditório, teria facilmente confirmado sua existência e homologada a compensação declarada. Não poderia, como o fez, rejeitar a compensação pelo fato de a Requerente, por um lapso, ter deixado de retificar sua DCTF relativa ao período de janeiro de 2003. Portanto, diante do esclarecimento apresentado, é de rigor o reconhecimento do direito creditório da Requerente, uma vez que fazia jus à isenção da COFINS no período em questão. Ressaltese que deve ser observado no presente caso o principio da verdade material, buscandose a essência (conteúdo) dos fatos postos em discussão, em detrimento dos aspectos estritamente formais, conforme tem ressaltado a doutrina especializada: "As faculdades fiscalizatórias da administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (..)." (James Marins, Direito processual tributário brasileiro administrativo e judicial, São Paulo, Dialética, 2001, p. 176). "No processo administrativo predomina o principio da verdade material, no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. O Conselho de Contribuintes, por exemplo, possui o hábito de converter o julgamento em diligência, mediante o uso de uma resolução, quando não se sente em condições de se pronunciar sobre o feito." (Antonio Cabral, Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, Saraiva, 1993, p. 75) E, completamente alinhada aos fundamentos acima, é a maciça jurisprudência dos antigos E. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, muitos dos quais tratam incisivamente os erros cometidos no preenchimento de declarações dos contribuintes: "COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido." (1° CC, 5ª Câmara, PA n° 10768.100409/200368, Rel. Valmir Sandri, j. em 27/06/2008) "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ (..) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 8 7 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado." (1° CC, 5ª Camara, PA no 10283.009117/9951, Rel. Wilson Fernandes Guimarães, j. em 14/09/2007) Assim, em homenagem ao principio da verdade material, deve ser superada a ausência de retificação da DCTF, reconhecendose o direito creditório e homologandose a compensação declarada. Ante o exposto, é a presente para requerer o acolhimento desta Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 12051.927, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Foram suscitadas nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida pois as respectivas autoridades não solicitaram em intimação a apresentação de documentos necessários ao esclarecimento do direito creditório. Entende igualmente que é nula a decisão da DRJ por inovação quanto ao critério jurídico para manter o indeferimento do direito pleiteado, qual seja, a falta de apresentação de documentos comprobatórios do alegado crédito decorrente de pagamento a maior da Contribuição. Junta aos autos planilhas de apuração do PIS e da Cofins, Guia de Apuração do ICMS e Folhas do Registro de Saídas, afirmando que esses documentos são suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito. Requer que seja determinada diligência, sob pena de cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.685, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.917936/200947, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.685): (...) "Introdução e Preliminares de Nulidade Enfrentamse as nulidades arguidas: do despacho decisório e da decisão por ausência de intimação para apresentação de documentos necessáiros ao esclarecimento do direito creditório e de inovação jurídica no fundamento da decisão recorrida para negar o direito pleiteado. A contribuinte desenvolve argumentação de que em procedimento eletrônico de análise de Perdcomp não se faz necessária a comprovação de certeza e liquidez do crédito. Raciocínio equivocado e desprovido de base jurídica, pois conquanto a análise de um Perdcomp seja eletrônica e sem intervenção da autoridade, o procedimento tem amparo no art. 170 do CTN1e no art. 74 da Lei nº 9.430/962 que em uma leitura sistêmica depreendese que o direito creditório deve ser apurado e comprovado pelo contribuinte interessado. Cabe explicitar que em verdade tal procedimento é destituído de qualquer complexidade por se resumir no batimento entre pagamento indevido/a maior caracterizado por Darf disponível (crédito) com débito declarado/confessado, de forma que o sistema eletrônico reconhece o crédito e homologa a compensação na hipótese de haver correspondência: crédito disponível para liquidação do débito. Observase que a realização desse batimento não dispensa a comprovação da certeza e liquidez, vez que é verificada na análise eletrônica da DCTF e do sistema em que se encontra alocado o respectivo DARF. Ressaltase que o contencioso se instaura exatamente no inconformismo do interessado ao ter seu pleito não deferido (não reconhecimento do crédito e não homologação 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 10 9 da compensação) e apresenta sua manifestação de inconformidade que deve ser instruída com as provas que irão contrapor o que restou assentado no despacho decisório e está adstritos às prescrições legais dos arts. 14 a 17 do PAF e art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, no tocante ao momento, qualidade e efeitos da ausência de apresentação ou a destempo do conjunto probatório: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Dessa forma, a decisão da DRJ que fundamenta a improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório não inova em seus fundamentos em relação àquele que constou no despacho decisório. Apenas assenta sua decisão na ausência de elementos comprobatórios (documentos fiscais e Livros contábeisfiscais) da certeza e liquidez do direito creditório que uma vez não reconhecido "eletronicamente", é ônus do contribuinte, naquela instância, demonstrar e provar seu direito. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 11 10 Assim, afastase a arguição de nulidade da decisão por inovação nos fundamentos para o indeferimento do pedido da contribuinte. Ademais, não há situações elencadas nos arts. 10 e 59 do PAF que caracterizariam incompetência de autoridade e, mormente, cerceamento do direito de defesa. Ainda no tocante à análise da pretensão manifestada em Perdcomp, entende a recorrente que autoridade fiscal e julgadora deveria intimála a apresentar esclarecimentos e documentos e não rejeitar a compensação pelo simples fato de não retificação de DCTF do período, que consignaria o novo valor do débito da Contribuição que alega ter caracterizado o pagamento a maior. De se apontar que em nenhum momento o indeferimento teve fundamento na ausência de retificação de DCTF. Não obstante, sabendo a contribuinte que esse fato teria contribuído (e fora determinante) para o reconhecimento do pagamento a maior (o crédito) deveria por força dos mencionados artigos do PAF não apenas esclarecer os fatos mas, sobretudo, trazer elementos de sua comprovação em sede de manifestação de inconformidade, ainda que não exaustivos. Na manifestação de inconformidade a contribuinte não trouxe sequer demonstrativo da apuração da Cofins em que evidenciasse o pagamento a maior e apontasse indubitavelmente para o direito creditório. Optou por discorrer acerca da legislação que trata das receitas brutas de PIS e Cofins nas vendas a pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus e posicionamentos dos Tribunais Superiores. Na decisão recorrida consignou a autoridade julgadora que a razão para não reconhecer o crédito é a ausência de elementos probatórios, assim assentado: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis –relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em janeiro de 2003, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. É evidente que a apresentação de documentos ao Fisco referese à fase posterior ao despacho decisório eletrônico, ou seja, a manifestação de inconformidade em que as alegações de pagamento a maior deveriam estar acompanhadas de suporte probatório, ou ao menos apresentação de elementos indiciários que apontassem para o indébito. Destarte, não vislumbro qualquer vício que macule de nulidade o despacho decisório ou a decisão recorrida, concernente à preterição ao amplo direito de defesa. Mérito O mérito do litígio acaba por se confundir com as preliminares pois o inconformismo da contribuinte cingese à decisão de manter o despacho decisório que não reconheceu o direito pois que não há crédito disponível para liquidar o débito por intermédio da compensação. A prova da existência de créditos somente poderia exsurgir nos autos com a demonstração de que haveria receitas brutas de vendas de mercadorias sobre as quais não incidiriam as contribuições. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 12 11 Não se discute o direito suscitado pela contribuinte, diante da legislação que prescreve isenções/não tributações das Contribuições nas vendas efetuadas para pessoas jurídicas da ZFM; contudo, o direito advindo do pagamento indevido/a maior deve ser demonstrado, e tal mister a contribuinte não se desincumbiu. Nenhum demonstrativo do direito fora apresentado à DRJ, que apontou para o conjunto probatório que se fazia necessário ( "comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis") No Recurso Voluntário foram juntados: Guia de apuração e arrecadação do ICMS; Registro de Saída com a apuração do ICMS e IPI; Planilha de apuração de PIS e Cofins; e folha única do razão com a indicação do PIS e Cofins a recolher em dezembro de 2005 (período de apuração da Contribuição a ser compensada com o crédito de janeiro de 2003). Esses documentos não são hábeis a demonstrar a existência de apuração incorreta da Contribuição no período em que se pleiteia o crédito. A GIA é documento de apuração do ICMS; no Registro de Saída apenas indica os totais de saída com fins à apuração do ICMS e IPI; a planilha desacompanhada de documentos (notas fiscais e livros contábeis e fiscais) é mera informação desprovida de respaldo documental; e a única folha do razão aponta para o valor apurado do tributo a ser compensado. Cabe repisar que à luz do art. 170 do CTN o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. O direito creditório que possui atributos de certeza e liquidez é aquele em que se revela inconteste em face da legislação e o interessado demonstre a materialidade e a exatidão de sua apuração mediante livros e documentos fiscais, além de outros elementos auxiliares (a exemplo de planilhas de cálculo). Somente diante da apresentação desses documentos o Fisco poderá exercer seu mister de verificação da exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido, comparálo ao pagamento efetuado e constatar a existência do indébito. Em relação à incumbência da demonstração da certeza e liquidez de um direito, cabe lembrar que nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, no que se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é sua atribuição a demonstração da efetiva existência deste. O ônus processual probatório é regido por dispositivos legais e se trata de um requisito de admissibilidade dos pleitos de natureza creditório, exigindo sua evidência desde a instauração do contencioso. Depreendese dos textos transcritos no tópico introdutório não ser aceitável que um pleito, onde se objetiva o ressarcimento de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. As situações em que se permitem a apresentação extemporânea de elementos probatórios encontramse bem delineados nas letras "a" a "c" do § 4º do art. 16 do PAF e não há demonstração nos autos de qualquer situação fática ou jurídica para superação da preclusão processual. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15374.917945/200938 Acórdão n.º 3201004.695 S3C2T1 Fl. 13 12 Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. De se ressaltar que não há dúvida envolvida no litígio a ser resolvida com diligência fiscal; ao contrário, é situação de completa ausência de prova material do direito pleiteado, em que a contribuinte apegase a supostas dificuldades na juntada, apresentação e análise de provas. Quanto à afirmação de que o princípio da verdade material impende a realização de diligência, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi, o que não se configura nos autos. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância e a inversão do ônus probatório Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000749/2010-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 estão sujeitos à incidência do imposto de renda, juntamente com os juros e atualização monetária, no mês do recebimento ou crédito, devendo ser informados ainda na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2001-000.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 estão sujeitos à incidência do imposto de renda, juntamente com os juros e atualização monetária, no mês do recebimento ou crédito, devendo ser informados ainda na declaração de ajuste anual.
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Os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 estão sujeitos à incidência do imposto de renda, juntamente com os juros e atualização monetária, no mês do recebimento ou crédito, devendo ser informados ainda na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 07 49 /2 01 0- 11 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Em 09/03/2010, foi interposto o pedido de restituição de fls. 3 a 14. Por meio do Despacho Decisório de fls. 40 e 41, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP indeferiu o pleito de fls. 3 a 14. Em 16/05/2011 (fl.41), a Interessada tomou ciência do Despacho Decisório de fls. 40 e 41 e, em 26/05/2011, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 42 a 58, valendose de diversos argumentos para buscar guerreado direito a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente através de aplicação de tabela progressiva. A DRJ Rio de Janeiro, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as suas alegações, pelos motivos expostos no acórdão, de forma detalhada e fundamentada. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa novamente nas mesmas questões levantadas na impugnação, buscando argumentos para aplicação da tabela progressiva para fins de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte recebido rendimentos acumuladamente decorrentes de ação judicial. Verificase, através da análise do processo e do acórdão da DRJ, que o contribuinte contesta a forma de tributação aplicada (ajuste anual). Pleiteia que seja aplicada a tabela progressiva mensal. Restou bem claro, através da decisão muito bem fundamentada da DRJ, que A tributação no momento do recebimento, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, é expressamente determinada no art. 56 do RIR/1999, com base no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Assim, os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10865.000749/201011 Acórdão n.º 2001000.980 S2C0T1 Fl. 3 3 deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Dessa forma, incabível realizar o cálculo nos moldes propostos pelo recorrente, restando correto o procedimento realizado pela fiscalização. Como se vê, a regra é o regime de caixa, à qual também se encontram vinculados os rendimentos recebidos acumuladamente. Vale destacar que não pode ser aplicado aos autos a regra de tributação do artigo 12A da Lei nº 7.713/1988, dispositivo que foi inserido pela Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010. O artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988, trata de um regime especial, pelo qual o imposto é calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Entretanto, a tributação, sob essa modalidade, está restrita aos rendimentos recebidos a partir de 1º de janeiro de 2010, conforme esclarece o § 7º do citado artigo. Assim sendo, verificando que os valores recebidos acumuladamente antes de 1º de janeiro de 2010 não se submetem ao regime especial do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, há que se aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente em 2006, em decorrência de decisão judicial, o regime de caixa do art. 12 daquele diploma legal. Acrescentese, como salientado na decisão a quo, que diferentemente do alegado pela Interessada, a Justiça do Trabalho determinou descontos fiscais na forma da Lei nº 8.541/92 (fls. 16 e 17), art. 46, caput e §2º. Foi exatamente dessa maneira que a fonte pagadora no caso em tela procedeu, conforme se observa na DIRF de fls. 63 e 64. Vale esclarecer que não existiu nenhum provimento judicial ordenando a aplicação do regime de tributação do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. Tampouco houve descumprimento de decisão judicial pelo Despacho Decisório de fls. 40 e 41, nem essa decisão administrativa contém interpretação distinta da decisão da Justiça do Trabalho, não havendo, assim, que se cogitar de nenhuma hipótese de nulidade ou afronta à sentença transitada em julgado. Por tudo o quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 101DF CARF MF 4 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, redator designado. Discordo do Relator em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente. Entendo que para os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, conforme o judiciário vinha reconhecendo, entendimento que foi referendado como jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). A PGFN, no uso da competência que lhe foi fixada pelo art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado por despacho do Sr. Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 13/05/2009, que recomendou que “sejam autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Essa recomendação foi adotada pelo Ato Declaratório (AD) PGFN nº 1, de 27 de março de 2009, que autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais mencionadas. Em 2010, Lei nº 12.350, de 2010, conversão da Medida Provisória nº 497, também de 2010, alterou o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, transpondo para a lei, o que judiciário já vinha reconhecendo. Lei nº 12.350, de 2010, dispôs assim: A Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 12A: “Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10865.000749/201011 Acórdão n.º 2001000.980 S2C0T1 Fl. 4 5 § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001745/2005-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1001-000.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
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Recorrente EQUIBORPEC PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Salvador (BA), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 17 45 /2 00 5- 74 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10530.001745/200574 Acórdão n.º 1001000.975 S1C0T1 Fl. 54 2 mediante o Acórdão nº 1518.188, de 22/01/2009 (efls. 30/31), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração, com exigência do crédito tributário no valor de R$ 200,00 referente à multa pelo atraso na entrega da Declaração de Simplificada do anocalendário de 1999. Como enquadramento legal citouse: art. 106, inciso II, letra "c", da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966, art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 27 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2004 e IN SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999. Inconformado com a exigência tributária, o interessado apresenta impugnação, por meio da qual argumenta, em síntese, que havia entregue a declaração no prazo, em 21/05/2000, através da Internet. Para comprovar, anexa o recibo eletrônico onde consta esta data. Como no registro da repartição só consta a declaração com data de recepção de 27/10/2001, o processo foi encaminhado a Delegacia da Receita Federal em Salvador para manifestarse sobre a autenticidade dos recibos de fls. 08 e 09. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese, verbis (grifos acrescidos): Inicialmente, cumpre esclarecer que estão obrigadas à apresentação da Declaração todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem seus fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, independentemente do seu código de atividade cadastrado na Receita Federal. O impugnante alega ter apresentado três declarações. Na repartição somente consta a declaração com data de recepção de 27/10/2001, então o contribuinte foi intimado para que apresentasse os originais dos recibos apresentados, não constando atendimento ao solicitado. As cópias dos recibos eletrônicos apresentados pelo impugnante não puderam ser autenticadas de modo que fosse verificada qualquer possível falha na recepção das declarações eletrônicas não constantes da base de dados da Receita, ficando, então, patente que a única declaração foi a apresentada em 27/10/2001. Ante o exposto, VOTO no sentido de considerar PROCEDENTE o lançamento para MANTER a exigência da multa por atraso na entre a da declaração objeto do auto de infração. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10530.001745/200574 Acórdão n.º 1001000.975 S1C0T1 Fl. 55 3 A apresentação da Declaração Simplificada pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 18/03/2009, conforme Aviso de Recebimento à efl. 33, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/04/2009 (efls. 34/36), conforme carimbo aposto à efl. 34. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto a recorrente reitera o argumento trazido em sede de impugnação, ou seja, que foram apresentadas três declarações, sendo a última por equívoco dando causa a multa. Alega que teria ocorrido um erro de fato, pois nas duas primeiras declarações informou CNPJ errado e que peticionou informando o erro e que não houve nenhuma alteração dos dados contidos nas declarações, apenas o CNPJ. A recorrente anexa os seguintes documentos: 1 Protocolo de abertura de processo, com data de 07/03/2008 (ou seja, quase três anos após a lavratura do Auto de Infração), Assunto: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO IRPJ; com a petição endereçada à DRF/Feira de Santana em que solicita a retificação; e 2 Cópia das seguintes declarações (apenas a última possui o CNPJ da recorrente): 2.1 D. Inativas 2000 Original (efls. 58/59), CNPJ 02.829.638/000140; EQUIBORPEC Pecas e Acessórios para Veiculas Ltda; Recibo de 26/04/2000; 2.2 DSPJ 2000 Original (efls. 52/53), CNPJ 02.829.638/000140; EQUIBORPEC Pecas e Acessórios para Veiculas Ltda; Recibo de 21/05/2000; 2.3 DSPJ 2000 Retificadora (efls.56/57), CNPJ 02.829.638/000140; EQUIBORPEC Pecas e Acessórios para Veiculas Ltda; Recibo de 22/05/2000; Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10530.001745/200574 Acórdão n.º 1001000.975 S1C0T1 Fl. 56 4 2.4 DSPJ 2000 Original (efls. 50/51), CNPJ 02.935.207/000183; EQUIBORPEC Pecas e Acessórios para Veiculas Ltda; Recibo de 27/10/2001; N° de controle: 37.20.42.13.49. Não obstante toda a documentação apresentada, observase que a DRJ, de modo diligente, buscou esclarecer todas as entregas das declarações junto à DRF, constatando de forma "patente que a única declaração foi a apresentada em 27/10/2001". Assim não há o que corrigir no voto condutor do acórdão recorrido, acima transcrito, cujas razões de decidir adiro, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917135/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.378
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 35 /2 01 3- 24 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917135/201324 Acórdão n.º 3302006.378 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.427, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917135/201324 Acórdão n.º 3302006.378 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917135/201324 Acórdão n.º 3302006.378 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.913468/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.604
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 13 46 8/ 20 12 -7 5 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.913468/201275 Resolução nº 3402001.604 S3C4T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de compensação da Contribuinte por concluir que não restou saldo disponível. No Recurso Voluntário ora em apreço, alega a Recorrente que: Transmitiu eletronicamente o Per/Dcomp para compensação de débitos diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa; A compensação não foi homologada face a erro de preenchimento da DCTF e da Dacon correspondente ao período do crédito submetido no Perd/Comp; Quando tomou ciência do indeferimento do pedido de compensação, imediatamente transmitiu as declarações retificadoras, a fim de que constasse o valor correto; Ressaltase que tais retificações foram efetuadas dentro do prazo legal de cinco anos, não tendo precluído o direito da Reclamante de fazêlo. Com isso, invocando o Princípio da Verdade Material, pede pela análise dos documentos anexados com o recurso para o fim de que seja possível confirmar a existência do crédito e a legitimidade da compensação efetuada, com a consequente homologação da compensação pleiteada e extinção do débito vinculado a referida declaração. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.601 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.913460/201217, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.601) "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.913468/201275 Resolução nº 3402001.604 S3C4T2 Fl. 189 3 Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Constatase às fls. 6 a 10 dos autos que a Recorrente apresentou em data de 29/10/2010 o PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.04 4640, pelo qual prestou as seguintes informações: Por sua vez, a retificação foi transmitida em 07/12/2012, sendo que a documentação mencionada pela defesa de fato foi anexada nestes autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Para julgamento deste processo, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado em PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Por tais motivos, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais acostados às fls. 57 a 184, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.044640 e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.913468/201275 Resolução nº 3402001.604 S3C4T2 Fl. 190 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais trazidos quando da apresentação do Recurso Voluntário, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP em tela e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 176DF CARF MF
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