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Numero do processo: 19740.720129/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005
Ementa:
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 30. DEPENDÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL.
A multa do CFL 30 está intimamente ligada à existência do crédito principal. Dessarte, só deve ser mantida punição quando se constatar que havia remuneração paga e não incluída nas folhas de pagamento.
Numero da decisão: 2202-004.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que lhe negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 30. DEPENDÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. A multa do CFL 30 está intimamente ligada à existência do crédito principal. Dessarte, só deve ser mantida punição quando se constatar que havia remuneração paga e não incluída nas folhas de pagamento.
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CFL 30. DEPENDÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. A multa do CFL 30 está intimamente ligada à existência do crédito principal. Dessarte, só deve ser mantida punição quando se constatar que havia remuneração paga e não incluída nas folhas de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que lhe negava provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 29 /2 00 9- 49 Fl. 750DF CARF MF Processo nº 19740.720129/200949 Acórdão n.º 2202004.800 S2C2T2 Fl. 751 2 Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente à multa do CFL 30. Intimada, esta protocolou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 07/07/2009 foi formalizado auto de infração DEBCAD nº 37.179.5974 (fl. 2) para constituir crédito referente à multa do CFL 30, em função de a empresa ter deixado de "preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dcreto n. 3.048, de 06.05.99." Conforme o Relatório Fiscal (fls. 10/11), "1. No curso da auditoria fiscal, verificouse que a empresa não preparou as folhas de pagamento informando a totalidade das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados. 2. Deixando o sujeito passivo de informar nas folhas de pagamento de julho de 2004 e janeiro de 2005 os valores referentes a remuneração variável, vinculada a avaliação de desempenho, paga a seus empregados, por meio de aportes em Plano Gerador de Benefício Livre PGBL. 3. A análise material da parcela remuneratória está detalhada nos Autos de Infração 37.179.6024, 37.179.6032, 37.179.6040 e 37.179.6059. (...) 5. Diante do exposto, o sujeito passivo agiu em desacordo com a legislação previdenciária. Sendo autuado conforme previsão do Art. 32, inciso I da Lei nº 8.212, de 24/07/91 c/c art. 225, inciso I, § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/99. (...) 10. É fato que a transferência de parcelas do patrimônio de uma pessoa jurídica para outra sociedade empresarial, ainda que a cindida continue a existir, caracteriza a cisão parcial. Para esse tipo de sucessão o legislador tributário definiu, artigos 124 e 132 do Código Tributário Nacional, que a responsabilidade será Fl. 751DF CARF MF Processo nº 19740.720129/200949 Acórdão n.º 2202004.800 S2C2T2 Fl. 752 3 solidária em relação às obrigações ocorridas até a data do evento." Foi formalizado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 37/38), no qual se incluiu no polo passivo a CETIP S.A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos. Tanto a Contribuinte quanto a Responsável Solidária foram intimadas em 14/07/2009 (fls. 65/66), protocolando uma única Impugnação em 11/08/2009 (fls. 70/82 e docs. anexos fls. 83/604). Analisando a defesa, a DRJ proferiu o acórdão nº 1235.613, de 10/02/2011 (fls. 613/618), no qual manteve integralmente o crédito tributário e que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar de informar em folha de pagamento a totalidade dos valores pagos a segurados empregados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimadas em 18/05/2011 (fls. 621/622), e ainda inconformadas, a Contribuinte e a Responsável Solidária protocolaram um único Recurso Voluntário (fls. 623/635), em 15/06/2011, argumentando, em síntese, · Que o julgamento do presente processo deve ser feito em conjunto com aquele dos DEBCAD's nº 37.179.6040; nº 37.179.6032; nº 37.179.602 4; nº 37.179.5982; nº 37.179.6059 e nº 37.179.5990, uma vez que todos têm por base os mesmos fatos; · Que o lançamento tem por base a tese de que os pagamentos de previdência privada compõem o saláriodecontribuição para fins das Contribuições Previdenciárias. Porém, o art. 202, § 2º, da CF/1988 expressamente determina que a previdência complementar não integra a remuneração dos beneficiários. Também o art. 28, § 9º, 'p', da Lei nº 8.212/1991 excluiu tais valores da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Que a regra ainda foi ratificada pelo art. 458, § 2º, VI, da CLT; · Que a única regra estabelecida pela legislação é que o benefício seja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes das empresas. Não impõe nenhuma outra exigência; · Que o lançamento se lastreou em fundamentos contrários à legislação, criticando a habitualidade dos pagamentos e a forma de apuração dos mesmos (política de metas e avaliação de desempenho); e Fl. 752DF CARF MF Processo nº 19740.720129/200949 Acórdão n.º 2202004.800 S2C2T2 Fl. 753 4 · Que a fiscalização em momento algum contesta que a Contribuinte oferecia o benefício da previdência privada a todos os seus empregados. O presente processo foi apensado aos autos do processo de nº 19740.720137/200995 (fl. 68). Também, foram desentrenhadas as fls. 605/610 por erro de numeração dos itens do acórdão (fl. 612). É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Julgamento Conjunto Argumenta a contribuinte pelo julgamento conjunto do presente processo com aqueles que contém os demais débitos tributários constituídos em função dos mesmos fatos. Constatase que, conforme despacho de fl. 68, o presente processo já foi apensado ao de nº 19740.720137/200995, que contém o crédito referente à parte da empresa, no qual foram apensados os demais AI's, bem como vieram todos a julgamento conjunto. MÉRITO A Contribuinte reitera no presente processo os fundamentos apresentados nos processos que contêm os créditos principais Admitindo que já votei no sentido de curvarme ao resultado alcançado no processo principal, diante das discussões na turma, tenho alterado o meu raciocínio. Efetivamente, há duas situações distintas: (1) quando o crédito principal já está constituído de maneira definitiva, não mais cabendo discussão no âmbito administrativo; e (2) quando o crédito principal ainda está em discussão. Na primeira hipótese (1), como descrito, o crédito já está definitivamente constituído, não havendo mais que se discutir, no âmbito administrativo, se houve ou não o fato gerador. Nessa linha, devese tomar esse dado concreto como premissa, replicando no julgamento do AIOA a mesma conclusão. Na segunda hipótese (2), diferentemente, também conforme a própria descrição, o crédito ainda está em discussão. Nessa linha, é plenamente possível que seja mantido ou exonerado. Em outras palavras, não há uma premissa firme sobre a qual calcar o julgamento do AIOA, razão pela qual cabe ao julgador dessa analisar sim se, no seu entendimento, há ou não o fato gerador. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 19740.720129/200949 Acórdão n.º 2202004.800 S2C2T2 Fl. 754 5 No presente caso, os créditos principais foram julgado nessa mesma sentada. Neles, entendi que no mérito o lançamento dos tributos principais deve ser revisto, tendo votado, pelo cancelamento dos AIOP's. Nessa linha, a mesma conclusão deve ser aplicada no presente caso: não havendo crédito principal, não era necessário incluir os valores nas folhas de pagamento e, em última análise, não é possível impor a multa do CFL 30. Nessa linha, assiste razão à recorrente. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio (voto de Dilson Jatahy Fonseca Neto) Fl. 754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720103/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. GRUPO ECONÔMICO.
Os sócios administradores que agem com infração à lei são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído.
As empresas que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal e integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei de custeio previdenciário.
ALEGAÇÕES DE NULIDADE.
O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A instância administrativa não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nos termos da Súmula CARF n. 2.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
A DRJ é incompetente para apreciar pedidos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A compensação declarada nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIPs pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório.
MULTA DE MORA.
Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento.
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
A empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração a segurados empregados, lançadas de ofício por não terem sido declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIPs.
MULTA QUALIFICADA.
A identificação de uma ou mais hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 motiva a aplicação da multa de ofício duplicada..
Numero da decisão: 2301-005.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) em relação ao recurso do contribuinte: não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator; (b) respeitante aos recursos dos responsáveis solidários, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. GRUPO ECONÔMICO. Os sócios administradores que agem com infração à lei são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. As empresas que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal e integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei de custeio previdenciário. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nos termos da Súmula CARF n. 2. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ é incompetente para apreciar pedidos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais. GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação declarada nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIPs pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório. MULTA DE MORA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração a segurados empregados, lançadas de ofício por não terem sido declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIPs. MULTA QUALIFICADA. A identificação de uma ou mais hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 motiva a aplicação da multa de ofício duplicada..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) em relação ao recurso do contribuinte: não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator; (b) respeitante aos recursos dos responsáveis solidários, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
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INFRAÇÃO À LEI. GRUPO ECONÔMICO. Os sócios administradores que agem com infração à lei são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. As empresas que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal e integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei de custeio previdenciário. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nos termos da Súmula CARF n. 2. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ é incompetente para apreciar pedidos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais. GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação declarada nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório. MULTA DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 03 /2 01 1- 89 Fl. 136DF CARF MF 2 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração a segurados empregados, lançadas de ofício por não terem sido declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs. MULTA QUALIFICADA. A identificação de uma ou mais hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 motiva a aplicação da multa de ofício duplicada.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) em relação ao recurso do contribuinte: não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator; (b) respeitante aos recursos dos responsáveis solidários, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório O presente processo compreende os Autos de Infração: a) Debcad nº 51.082.6911, que corresponde à glosa da compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo e declarada nas Guias de Recolhimento do FGTS Fl. 137DF CARF MF Processo nº 19515.720103/201189 Acórdão n.º 2301005.603 S2C3T1 Fl. 3 3 e Informações à Previdência Social GFIPs das competências 01/2011 a 13/2011. O montante do crédito, consolidado em 09/11/2015, é de R$ 7.717.833,10 (sete milhões, setecentos e dezessete mil, oitocentos e trinta e três reais e dez centavos); b) Debcad nº 51.082.6920, que corresponde ao lançamento nas competências 01/2011 a 13/2011 das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, e que não foram calculadas pelo sistema SEFIP em razão da empresa não ter preenchido o campo “código outras entidades” da GFIP. O montante do crédito, consolidado em 09/11/2015, corresponde a R$ 2.340.967,54 (dois milhões, trezentos e quarenta mil, novecentos e sessenta e sete reais e cinqüenta e quatro centavos). c) Debcad nº 51.078.1969, que foi lavrado em razão da apresentação pelo sujeito passivo nos meses de 02/2011 a 01/2012 das GFIPs com falsidade da declaração, já que informou créditos inexistentes. O montante da multa isolada, consolidada em 09/11/2015, corresponde R$ 7.164.004,07 (sete milhões, cento e sessenta e quatro mil e quatro reais e sete centavos). De acordo com o relato fiscal de fls. 35 a 50, o sujeito passivo, mediante intimação para esclarecer a compensação efetuada, inicialmente apresentou um histórico relativo à ação fiscal desenvolvida junto à Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo, vinculando os valores de compensação declarada aos créditos previdenciários lançados através dos processos 19311.720395/201146 e 10911.720411/201109, que se referiam à retenção de 11%, prevista na Lei nº 9.711/98, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda – CNPJ 04.828.667/000138, no período de 01/2006 a 12/2010. Posteriormente, esclareceu que o campo “compensação” foi preenchido erroneamente, porque não havia embasamento para estes créditos. Questionado sobre o vínculo existente entre a Viação Bristol Ltda e a Via Sul Transportes Urbanos Ltda, o sujeito passivo informou que alguns sócios fazem parte do quadro societário de ambas as empresas e, em virtude do esclarecimento referente à compensação, não há nenhuma relação entre os valores lançados indevidamente nas GFIPs e os valores lançados nos Autos de Infração dos citados processos administrativos. Diante da declaração em GFIP pelo sujeito passivo de créditos inexistentes, a fiscalização efetuou a glosa da compensação indevida informada nas competências 01/2011 a 13/2011 e aplicou a multa isolada prevista no artigo 89, § 10 da Lei nº 8.212/1991. A fiscalização evidenciou forte vinculação entre o sujeito passivo e a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, CNPJ nº 04.828.667/000138, e relatou tratarse de um grupo econômico de fato pelos seguintes motivos: a) coincidência de endereços, já que ambas as empresas estão sediadas à Avenida do Cursino, 5797 – Vila Moraes – São Paulo SP; b) mesmo objeto social, que é transporte rodoviário de passageiros; c) quadro societário coincidente, com sete sócios administradores em comum, que são Armelin Ruas Figueiredo, José Ruas Vaz, Francisco Pinto, Carlos de Abreu, Manuel Bernardo Pires de Almeida, Marcelino Antonio da Silva e Francisco Parente dos Santos. Fl. 138DF CARF MF 4 Com a conclusão pela fiscalização de que estes fatores podem conduzir ao uso comum de recursos materiais, tecnológicos ou humanos que representam confusão patrimonial, financeira e gerencial, que são características de grupos econômicos, e por força do artigo 124 do CTN, a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda foi chamada a responder solidariamente pelo crédito tributário exigido nos Autos de Infração Debcad nº 51.082.6911 e nº 51.078.1969. O Termo de Sujeição Passiva Solidária Nº 10 está juntado às fls. 130 e 131 dos autos. O relato fiscal descreve que, à época dos fatos geradores, eram sócios administradores do sujeito passivo Armando Alexandre Videira, Armelin Ruas Figueiredo, Manuel Bernardo Pires de Almeida, José Ruas Vaz, Carlos de Abreu, Francisco Pinto, Marcelino Antonio da Silva, Francisco Parente dos Santos e Enide Mingossi de Abreu. A conduta dos administradores de gerir a fiscalizada prestando declaração falsa em GFIP no que concerne à compensação mediante créditos inexistentes, bem como deixando de informar em GFIP o código de outras entidades e fundos, com o evidente intuito de zerar a contribuição devida aos terceiros, levou a fiscalização a responsabilizálos solidariamente nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, devido à atuação com infração de lei, e do artigo 124 do CTN. Os Termos de Sujeição Passiva Solidária Nº 01 a 09 , relativos aos Autos de Infração Debcad nº 51.082.6911 e nº 51.078.1969 estão juntados às fls. 112 a 129 dos autos. No Auto de Infração Debcad nº 51.082.6920, relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/1996, em razão de ter sido identificado que o sujeito passivo, sistematicamente, com a intenção de iludir a autoridade tributária, deixou de preencher o campo “outras entidades” das GFIPs de 01/2011 a 13/2011, de forma que o sistema SEFIP não calculasse a contribuição devida. A conduta da fiscalizada, conforme o relato fiscal, se enquadra nos conceitos de fraude e sonegação, na medida em que revela todo o percurso que resulta na falta de recolhimento de tributos e de contribuições previdenciárias mediante omissão de informações, falsidade ideológica e cometimento de fraude, autorizando a aplicação da multa de 150%. Cientificada da autuação em 21/12/2015 (AR às fls. 147), a empresa Viação Bristol Ltda apresentou impugnação em 15/01/2016 (fls. 150 a 181), alegando, em síntese, que: a) o lançamento é nulo por imprecisão da capitulação legal, configurando cerceamento de defesa. A fundamentação legal em que se baseou a imposição tributária não foi cotejada de forma minuciosa, bem como foi omitida a descrição da matéria tributável; b) repudia a aplicação da multa qualificada, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 44 e § 1º da Lei nº 9.430/1996, que não poderia ter disposto a respeito de matéria reservada à lei complementar. A multa aplicada possui nítido caráter confiscatório; c) é inaceitável a qualificação da exação, sendo certo que os fundamentos para majorar a multa fiscal são infundados, restando evidenciado que se deu em caráter nitidamente arrecadatório, valendose como tributo disfarçado; d) há evidente ausência probatória a fim de ensejar a majoração da multa, a luz da verdade real, o dolo ou fraude exigidos pelo artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996; e) a multa deve ser reduzida para o patamar de 20%; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 19515.720103/201189 Acórdão n.º 2301005.603 S2C3T1 Fl. 4 5 f) deve ser descaracterizada a aplicação da multa qualificada, pois não houve conduta dolosa ou fraudulenta que autorizasse sua aplicação, já que apresentou toda a documentação contábil e prestou todos os esclarecimentos exigidos pela fiscalização, reconhecendo, inclusive, que houve a interpretação equivocada do comando normativo que estabeleceu a retenção dos 11% previsto na Lei nº 9.711/1998, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviços. O simples erro de preenchimento das GFIPs não é causa, por si só, para autorização da multa qualificada; g) deve ser afastada a aplicação conjunta da multa moratória e da multa isolada/ofício, dada a natureza punitiva de ambas exações, caracterizando desta maneira uma dupla punição sobre a mesma base de incidência; h) ante a inexistência da prática de qualquer conduta dolosa praticada pelo contribuinte, o procedimento de representação para fins penais deve ser cancelado. Cientificados da autuação entre 19/12/2015 e 19/01/2016 (ARs e edital eletrônico às fls. 136 a 144 e 146), os sujeitos passivos solidários Via Sul Transportes Urbanos Ltda, Armelim Ruas Figueiredo, Manuel Bernardo Pires de Almeida, José Ruas Vaz, Carlos de Abreu, Francisco Pinto, Marcelino Antônio da Silva e Francisco Parente dos Santos apresentaram impugnação conjunta em 15/01/2016 (fls. 196 a 217), insurgindose contra a atribuição de responsabilidade tributária nos termos do artigo 124, II e 135, III do CTN, artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991 e artigo 124, I do CTN sob os seguintes argumentos: a) as alegações invocadas pela fiscalização para fins de redirecionar a cobrança em face de terceiros consistem em meros indícios; os reais motivos que ensejaram o redirecionamento da dívida foram a simples ausência do recolhimento do suposto tributo e o fato da Via Sul Transportes Urbanos ter sócios em comum com a devedora principal; b) a mera ausência de pagamento de tributos não pode ser caracterizada como infração à lei, contrato social ou estatuto. Não foram apresentadas provas substanciais de que os recorrentes tenham se beneficiado pessoalmente com a inadimplência ou tenha dissolvido irregularmente a sociedade; c) o artigo 13 da Lei nº 8.620/1993, que previa a inclusão indiscriminada dos sócios administradores no pólo passivo da obrigação tributária foi revogado pela MP 449/2008, convertido na Lei nº 11.941/2009. O próprio Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade deste artigo; d) sem qualquer embasamento ou elemento probatório foram incluídas no pólo passivo da obrigação pessoas físicas e jurídicas que não guardam qualquer relação com o fato jurídico tributário, que ainda nem é líquido, certo e exigível, pois tais valores estão sendo contestados na esfera administrativa neste mesmo processo; e) em nenhum momento houve atos praticados com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, e sequer foi diligenciado qualquer tipo de prova que pudesse enquadrálos como responsáveis tributários; f) a existência de formação de grupo econômico constitui elemento insuficiente para realizar a inclusão de outras pessoas jurídicas ou dos sócios administradores como devedores solidários, nos termos do artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. Para o Fisco Federal valerse da norma do artigo 124, I do CTN, este deve demonstrar que o devedor Fl. 140DF CARF MF 6 solidário participou ou concorreu para a realização do fato jurídico tributário, caracterizando se, desta forma, interesse comum na situação que constitui o fato gerador do tributo, o que não ocorreu no caso em tela. Cientificada da autuação em 21/12/2015 (fls. 145), a responsável solidária Enide Mingozzi de Abreu apresentou impugnação em 09/03/2016 (fls. 248 a 251), onde afirma, em síntese, que recebeu as cotas de seu falecido marido José de Abreu pouco antes de sua morte, em 1995, mas jamais administrou ou praticou qualquer ato de gestão na empresa e, embora estivesse como sócia de fato, jamais fora considerada pelos demais sócios como sócia de direito. Alega que em 16/04/2004 deixou de fazer parte do quadro de quotistas da empresa, pois vendeu a totalidade das cotas que lhe pertenciam ao Sr. Carlos de Abreu, conforme demonstra o “Instrumento Particular de Promessa, Cessão e Transferência de Cotas de Capital Social e outras Avenças”. Requer ao final sua exclusão do pólo passivo da demanda. O Acórdão da DRJ (fls. 273 e ss.) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. GRUPO ECONÔMICO. Os sócios administradores que agem com infração à lei são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído. As empresas que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal e integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei de custeio previdenciário. MANIFESTAÇÃO NÃO CONHECIDA. A petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ é incompetente para apreciar pedidos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19515.720103/201189 Acórdão n.º 2301005.603 S2C3T1 Fl. 5 7 GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A compensação declarada nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs pelo sujeito passivo deve ser objeto de glosa se não comprovada a existência do direito creditório. MULTA DE MORA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração a segurados empregados, lançadas de ofício por não terem sido declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs. MULTA QUALIFICADA. A identificação de uma ou mais hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 motiva a aplicação da multa de ofício duplicada.. Irresignada, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 368 e ss.) reiterando os argumentos trazidos na impugnação. Além disso, as demais partes ingressaram com Recurso Voluntário (fls. 399 e ss) requerendo a sua exclusão do pólo passivo da relação jurídicotributária, seja pela ausência dos requisitos para autorizar a aplicação do art. 135, III, do CTN, seja pelo fato de que o simples fato de existir a formação de grupo econômico ser insuficiente para se postular o redirecionamento da dívida tributária, ou ainda pela ausência de certeza, liquidez e exigibilidade dos créditos em cobro, uma vez absolutamente comprovado que os Recorrentes não guardam qualquer relação com o fato gerador do tributo. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo, no entanto, há menção à inconstitucionalidade da multa devido à potencial ofensa ao princípio de vedação ao confisco (fls. 375). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade supramencionada relativa a potencial ofensa ao princípio da vedação ao confisco. Preliminar de Nulidade Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração, diante da imprecisão da fundamentação legal, que implicaria cerceamento de defesa. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19515.720103/201189 Acórdão n.º 2301005.603 S2C3T1 Fl. 6 9 No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que a Recorrente conseguiu apresentar com precisão todos os argumentos de sua defesa. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Qualificação da Multa Afirma a recorrente que a sanção aplicada é totalmente arbitrária, pois para aplicação da multa qualificada, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 é necessário restar nitidamente demonstrado pela fiscalização a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, circunstâncias estas que de forma alguma restou caracterizada no caso em comento. A multa aplicada ao lançamento objeto do auto de infração, que é contestada pelo contribuinte está prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, de modo que para a aplicação da multa isolada de 150%, se faz necessário a comprovação de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Lei 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502, de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 144DF CARF MF 10 Assim, se faz necessária a comprovação de sonegação, fraude ou conluio para qualificação da multa. A partir da leitura do relatório de fiscalização, verificase no item 14.3 (fl. 376) que houve uma compensação indevida com falsidade da declaração apresentada, o que caracterizaria em tese os crimes de sonegação de contribuição previdenciária (artigo 337A do Código Penal), de apropriação indébita previdenciária (artigo 168A do Código Penal) e contra a ordem tributária (artigo 1º, I e II da Lei 8.137/90). Todavia, a Recorrente não apresentou razões suficientes que pudessem afastar tais alegações. Ante o exposto, voto por manter a qualificação da multa. Da Questão da Cumulação das Multas de Ofício e de Mora No tocante à potencial cumulação de multas de ofício e de mora, verificase que ambas as multas foram aplicadas conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 4). Todavia, ao se analisar o cálculo das multas aplicadas no auto de infração (fl. 3884), verificase que não houve aplicação concomitante de multas de ofício e de mora para períodos idênticos. O que houve foi a aplicação da multa mais benéfica entre a multa de ofício e a multa de mora (denominação utilizada pela legislação previdenciária anterior à Lei n. 11.941/09), o que pode ser demonstrado na análise comparativa das multas aplicadas (fl. 3884). Diante do exposto, rejeito a argumentação trazida pela Recorrente acerca da cumulação das multas de ofício e de mora, visto que inexistiu cumulação em nenhum período. Da Questão da Responsabilidade Solidária Com relação aos devedores solidários, também não merecem prosperar as alegações preliminares de nulidade, uma vez que não houve cerceamento de defesa, o que é comprovado inclusive pelas impugnações e recursos apresentados, que são exaustivos na argumentação trazida. No tocante à responsabilidade solidária da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, cabe destacar que ela não nega a existência de grupo econômico, mas sustenta que o Fisco, para valerse da norma do artigo 124, I do CTN, deve demonstrar que o devedor solidário participou, ou ainda, concorreu, para a realização do fato jurídico tributário, caracterizandose, desta forma, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador do tributo, o que não ocorreu em nenhum momento no caso em tela. O artigo 124, incisos I e II do CTN, assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Entendo que não assiste razão ao responsável solidário, já que a fiscalização trouxe elementos que indicam o interesse comum das empresas: a existência de sete dirigentes Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19515.720103/201189 Acórdão n.º 2301005.603 S2C3T1 Fl. 7 11 em comum no controle das sociedades, o que indica uma unidade voltada para a obtenção de lucros empresariais, a coexistência no mesmo endereço e a identidade no objeto social. Ademais, a Viação Bristol Ltda informou em GFIP ser possuidora de créditos decorrentes de processo de que não participava, mas sim a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, configurandose a confusão patrimonial entre as empresas. De qualquer forma, também ficou demonstrada a responsabilidade solidária decorrente do artigo 124, II do CTN, ou seja, das pessoas expressamente designadas por lei, que, no caso, é o grupo econômico. De acordo com a legislação previdenciária, quando existente grupo econômico de qualquer natureza, as empresas que o integram respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei ou regulamento. Vejase o teor do inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Por esta norma basta que seja identificada a formação de grupo econômico de qualquer natureza, seja de direito, seja de fato, para que as empresas respondam solidariamente pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/1991. Portanto, verificase que a responsabilização da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda deuse em obediência ao comando legal, cuja aplicação pela autoridade tributária é obrigatória, em razão de sua atividade vinculada. Com relação à responsabilidade solidária dos sócios administradores, temos as seguintes considerações. A responsabilização dos sócios administradores do sujeito passivo Armelin Ruas Figueiredo, Manuel Bernardo Pires de Almeida, José Ruas Vaz, Carlos de Abreu, Francisco Pinto, Marcelino Antonio da Silva, Francisco Parente dos Santos e Enide Mingossi de Abreu pelos créditos tributários cobrados nos Autos de Infração Debcad nº 51.082.6911 e nº 51.078.1969 não teve como fundamento a simples falta do pagamento do tributo, situação que não configura, como asseverado na impugnação e como julgado na sistemática do artigo 543C do CPC em 11/03/2009 pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.101.728 – SP, hipótese de infração à lei que acarrete a responsabilidade solidária do sócio prevista no artigo 135, III do CTN. Na realidade, a inserção de créditos inexistentes no campo “compensação” e a ausência de informação do “código outras entidades” das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs é que materializou a infração à lei prevista no artigo 135, III do CTN, que assim dispõe: Fl. 146DF CARF MF 12 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Devem responder pela infração todos os sócios que, na condição de administradores do sujeito passivo, detinham o poder decisório quanto às declarações a serem prestadas ao Fisco. Os artigos V e VII do Contrato Social Consolidado registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 154.897/012, na sessão de 30/07/2001, estabelecem que a gerência da sociedade é exercida por todos os sócios e que os cargos de gerência são pessoais e intransferíveis, não podendo ser exercidos por terceiros, mediante delegação de poderes ou por procuração. Pelo exposto, deve ser mantida a responsabilidade solidária dos sócios administradores do sujeito passivo Armelin Ruas Figueiredo, Manuel Bernardo Pires de Almeida, José Ruas Vaz, Carlos de Abreu, Francisco Pinto, Marcelino Antonio da Silva, Francisco Parente dos Santos e Enide Mingossi de Abreu pelos créditos tributários cobrados neste lançamento, com base no artigo 135, III do Código Tributário Nacional – CTN. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário do contribuinte, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. Por sua vez, voto por conhecer o Recurso Voluntário dos devedores solidários para rejeitar as preliminares e negarlhe provimento. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003262/2010-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/06/2008
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 9303-007.556
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 30/06/2008 MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 30/06/2008 MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 32 62 /2 01 0- 43 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10711.003262/201043 Acórdão n.º 9303007.556 CSRFT3 Fl. 119 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3403001.834, de 27 de novembro de 2012 (fls. 85 a 88 do processo eletrônico), proferido Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem auto de infração lavrado em face do Contribuinte, no valor de R$ 5000,00, para exigência de penalidade pecuniária prevista no artigo 107, IV, “e”, do Decreto Lei n.º 37/66 e no artigo 45, da IN/RFB n.° 800/07, em razão da prestação intempestiva de informações relativas à desconsolidação de carga proveniente do exterior. O Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: o artigo 50 da IN n.° 800/2007 postergou a vigência da multa após o dia 04/04/2009, uma vez que os fatos narrados ocorreram em junho de 2008, não houve descumprimento de norma que dê azo à penalidade; a impugnante solicitara alteração da informação, sendo que, nos termos da IN, alteração é diferente de retificação, sendo que o prazo para a alteração é de 30 dias, conforme artigo 44 do RA2002; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10711.003262/201043 Acórdão n.º 9303007.556 CSRFT3 Fl. 120 3 a multa possui caráter arrecadatório, e não educativo, sendo a impugnante primária e sua conduta não causou prejuízo ao Fisco, devendo a responsabilidade objetiva merecer atenuações interpretativas. Por fim, requer a nulidade da autuação fiscal, subsidiariamente solicita aplicação da multa de R$ 200,00 do artigo 729, II, do novo RA. A 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 ADUANEIRO. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INFORMAÇÕES INTEMPESTIVAS. MULTA REGULAMENTAR. A prestação intempestiva de informações relativas à desconsolidação de cargas enseja a aplicação de multa regulamentar, consoante artigo 107, IV, “e”, do Decreto Lei nº 37/66. Recurso voluntário negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls.93 a 103) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte, diz respeito às seguintes matérias: 1 a informação intempestiva de desconsolidação de carga antes de qualquer procedimento fiscal é denúncia espontânea e exclui a responsabilidade do informante nos termos do art. 138 do CTN e § 2º do art. 102 do Decretolei n. 37, de 1966, e é matéria de ordem pública; 2 a retroatividade benigna que afasta a norma que justifica a aplicação da multa, mas que entrou em vigência após o fato e a denúncia espontânea. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10711.003262/201043 Acórdão n.º 9303007.556 CSRFT3 Fl. 121 4 Para comprovar as divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de número 3201001.084. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro teor da ementa do acórdão paradigma no corpo da peça recursal. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 106 a 109 sob o argumento que o paradigma trouxe entendimento divergente do adotado pelo acórdão recorrido sobre as duas matérias. Desta forma, entendeuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 111 a 116, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade Depreendendose da análise do Recurso interposto pelo Contribuinte, entendo que devo conhecêlo, eis que tempestivo e comprovada a divergência entre os arestos – acórdão recorrido e o indicado como paradigma. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho de fls. 106 a 109. Do mérito A discussão dos presentes autos se refere aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº. 37/66, na redação dada pela Lei nº. 12.350/2010. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10711.003262/201043 Acórdão n.º 9303007.556 CSRFT3 Fl. 122 5 Esta matéria já está totalmente superada, sendo editada recentemente a Súmula CARF nº 126, que possui o seguinte teor: "A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Contribuinte, negandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903061/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2002
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2002 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 61 /2 01 1- 87 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.903061/201187 Acórdão n.º 3302005.943 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16038.291. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.903061/201187 Acórdão n.º 3302005.943 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.903061/201187 Acórdão n.º 3302005.943 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903431/2015-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 31 /2 01 5- 28 Fl. 213DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903431/201528 Acórdão n.º 1302003.259 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 215DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903431/201528 Acórdão n.º 1302003.259 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 217DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903431/201528 Acórdão n.º 1302003.259 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 219DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903431/201528 Acórdão n.º 1302003.259 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 221DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.903431/201528 Acórdão n.º 1302003.259 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 223DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000929/2007-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 09 29 /2 00 7- 88 Fl. 54DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2003, anocalendário de 2002, em que foram glosadas deduções de despesas médicas, por não haver sido comprovada a efetividade do pagamento. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora de f. 39/43. Cientificado, a interessado apresentou recurso voluntário de f. 50/51. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13629.000929/200788 Acórdão n.º 2001000.452 S2C0T1 Fl. 3 3 Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Fl. 56DF CARF MF 4 Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13629.000929/200788 Acórdão n.º 2001000.452 S2C0T1 Fl. 4 5 A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001863/2007-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
COMPETÊNCIA RESIDUAL. COMPENSAÇÃO.
Compete à 1ª Seção processar e julgar recurso em processo administrativo de compensação quando o crédito alegado corresponder a tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções de Julgamento.
Numero da decisão: 9101-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de incompetência da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, suscitada pelo patrono do contribuinte, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Flávio Franco Corrêa, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial para declarar a nulidade do Acórdão nº 3403-002.256, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção, e demais atos processuais posteriores, devendo o processo ser sorteado e julgado no âmbito da Primeira Seção de Julgamento. A relatora e o conselheiro André Mendes de Moura alteraram o voto em relação ao que ficou consignado na ata da reunião anterior.
Julgamento iniciado na reunião de 10/2018.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado,Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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COMPENSAÇÃO. Compete à 1ª Seção processar e julgar recurso em processo administrativo de compensação quando o crédito alegado corresponder a tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de incompetência da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, suscitada pelo patrono do contribuinte, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Flávio Franco Corrêa, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial para declarar a nulidade do Acórdão nº 3403002.256, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção, e demais atos processuais posteriores, devendo o processo ser sorteado e julgado no âmbito da Primeira Seção de Julgamento. A relatora e o conselheiro André Mendes de Moura alteraram o voto em relação ao que ficou consignado na ata da reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 10/2018. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 18 63 /2 00 7- 19 Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 947 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado,Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Flávio Neto. Relatório A FAZENDA NACIONAL, com fundamento no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial contra o Acórdão nº 3403002.256 que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, reduzindo a multa isolada objeto do litígio de 150% para 75%. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Nos casos de compensação não declarada, infligese a multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado, aplicandose o percentual previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, nos casos em que a conduta do contribuinte não se amolde ao previsto nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SONEGAÇÃO E FRAUDE. QUALIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. Os conceitos penais de sonegação e fraude diferem dos conceitos de sonegação e fraude como qualificadoras da penalidade administrativa por descumprimento de obrigações tributárias. Sendo assim, da desqualificação da sanção administrativa, não decorre logicamente a conclusão pela exclusão do crime. ERRO MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Recurso voluntário provido em parte. Da Autuação O presente processo trata de auto de infração lavrado para exigir a multa isolada sobre os valores indevidamente compensados nos processos administrativos nº 10925.000142/200783 e 10925.001779/200797. Das provas e razões da autuação Segundo a descrição dos fatos e o termo de verificação fiscal, as compensações analisadas nos processos administrativos 10925.000142/200783 e 10925.001779/200797 foram consideradas não declaradas em razão de: 1) o contribuinte ter Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 948 3 utilizado crédito de terceiro; 2) o crédito não se referir a tributo administrado pela receita federal; e 3) o crédito ser originário de ação judicial. A autoridade administrativa descobriu que para poder transmitir as declarações de compensação, o contribuinte precisou falsear as informações prestadas quanto à origem, à natureza e à titularidade do crédito, caso contrário a transmissão das declarações teria sido bloqueada pelo sistema. Segundo a fiscalização, o contribuinte declarou que o crédito não seria oriundo de ação judicial e que o CNPJ do detentor do crédito era o CNPJ do próprio contribuinte. Entretanto, foi constatado que o crédito era originalmente da empresa P & P – Porciúncula Participações Ltda e que tinha origem em processo judicial, além de se referir à sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações, que não é tributo administrado pela Receita Federal. Posteriormente, o Poder Judiciário informou à Receita Federal que os créditos utilizados estavam prescritos. Em razão do evidente intuito de fraude, consistente na inserção pelo contribuinte de informações inverídicas nas declarações de compensação com a intenção de compensar débitos seus com créditos que não dispunha, a multa prevista no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/2003, foi aplicada em dobro (150%). Da Defesa da Contribuinte nas instância a quo e respectivos resultados de julgamento. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: 1) divergências entre os valores compensados, listados no despacho decisório e utilizados como base de cálculo da multa isolada, e os valores por ela declarados em DCTF, conforme relatório apresentado junto com a impugnação (Anexo I); 2) litispendência deste processo com o processo administrativo nº 13807.006828/200470, que trata do pedido de restituição dos valores pretendidos em compensação; 3) quanto ao crédito utilizado em compensação, alegou que no processo 13807.006828/200470 discutese o direito à restituição da sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações, que surgiu com a Lei nº 4.117, de 1962. O STF declarou a inconstitucionalidade desse tributo, ato que recebeu eficácia erga omnes por meio de resolução do Senado Federal e, em especial pela Lei nº 10.522, de 2002, consubstanciando reconhecimento de dívida pela União. Portanto, o crédito tem natureza jurídica tributária; 4) adquiriu esses créditos da empresa P & P – Porciúncula Participações Ltda; 5) nulidade e improcedência do auto de infração, pois a aplicação da multa isolada por compensação indevida só pode ocorrer nos casos em que haja a prática de sonegação ou fraude por parte do contribuinte, que não é o caso, pois apresentou declaração, informou os valores devidos e a existência do crédito; 6) em momento algum teve a intenção de sonegar tributos, pois os mesmos estavam declarados; 7) a atual redação do art. 18, da Lei nº 10.833, de 2003 excluiu a possibilidade de aplicação da multa isolada por compensação indevida nas hipóteses em que haja vedação legal (crédito de terceiros e/ou não decorrente de tributo administrado pela Receita Federal), sendo o caso de se aplicar o princípio da retroatividade benéfica. Tendo o lançamento sido integralmente mantido em primeira instância, os argumentos acima foram reforçados em sede de recurso voluntário. Mediante o acórdão nº 3403002.256, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa isolada, reduzindoa ao patamar de 75%. Afastadas as preliminares suscitadas, o voto do Relator atacou o mérito da questão e manifestouse, inicialmente, quanto à previsão legal para a incidência da multa isolada em questão, nos seguintes termos: Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 949 4 No mérito, a previsão legal para a inflição da multa isolada se encontra no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e seus pressupostos são os seguintes: a) não homologação de compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (art. 18, caput); e b) quando a compensação for considerada não declarada em razão de o crédito ser terceiro, se referir ao “créditoprêmio à exportação”, se referir a título público, seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado ou se refira a tributo não administrado pela Receita Federal (art. 18, § 4º). Assim, ao contrário do alegado, não há espaço para a aplicação do princípio da retroatividade benéfica ao caso concreto, pois mesmo após a alteração introduzida pela Lei nº 11.488/2007, permaneceu intocada a previsão legal para inflição da multa isolada nos casos da compensação ser considerada não declarada em razão de o crédito ser de terceiro ou de se referir a tributo não administrado pela Receita Federal. No caso em tela, a fiscalização capitulou a multa isolada no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/2003, pois as compensações analisadas nos processos nº 10925.000142/200783 e 10925.001779/200797 foram consideradas não declaradas, em razão de o contribuinte ter utilizado créditos de terceiro e de se referir à sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações, que é um tributo não administrado pela Receita Federal. O contribuinte argumentou no recurso no sentido de demonstrar a legitimidade do crédito, em razão da inconstitucionalidade da exação que teria sido declarada pelo STF. Entretanto, além dessa questão não poder ser tratada no âmbito deste processo, por ter sido objeto dos processos 10925.000142/200782 e 10925.001779/200797, a decisão quanto à existência ou inexistência do crédito é irrelevante para o deslinde deste processo, uma vez que a multa isolada foi infligida não porque o crédito é ilegítimo, mas sim porque as compensações foram consideradas não declaradas, em razão de o crédito ser de terceiro e de não se referir a tributo administrado pela Receita Federal. Sendo definitivos na esfera administrativa os despachos proferidos nos processos nº 10925.000142/200783 e 10925.001779/200797, por meio dos quais as compensações foram consideradas não declaradas, está presente o pressuposto de fato para a incidência da multa isolada, com base no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/2003, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488/2007. A seguir, o Relator abordou a questão da qualificação da penalidade. Eis o que consta do voto: Relativamente à base de cálculo e à gradação da penalidade, o § 4º estabelece que a multa incide sobre o valor total do débito indevidamente compensado, aplicandose o percentual previsto o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (75%), duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. O § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 trata da qualificação da multa de ofício, quando presentes as circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, hipóteses em que deve ser aplicado o percentual de 150%. No caso concreto, o exame das declarações de compensação tratadas nos processos administrativos nº 10925.000142/200783 e 10925.001779/200797 revela que o contribuinte declarou que o crédito não era oriundo de ação judicial e também não informou que se tratava de crédito de terceiro (informou seu próprio CNPJ em Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 950 5 vez de informar o CNPJ da empresa detentora do crédito). Entretanto, a própria recorrente confessou na resposta à intimação de fl. 147 que o crédito era de terceiro (da empresa P & P – Porciúncula Participações Ltda) e que tinha origem em processo judicial. Constatase também que nas declarações de compensação tratadas no processo 10925.000142/200783 (fls. 187 a 250), o contribuinte declarou que o crédito havia sido informado em processo administrativo anterior, citando o processo nº 13807.006828/200470, de titularidade da empresa P & P – Porciúncula Participações. Contudo, nas declarações de compensação transmitidas em 2007, tratadas no processo nº 10925.001779/200797 (fls. 334 a 349), o contribuinte passou a omitir o número do processo 13807.006828/200470, pois em março de 2007 o Judiciário comunicou à Receita Federal que havia considerado aqueles créditos prescritos. Na correspondência enviada pela MM Juíza da ação à autoridade administrativa, foi citado expressamente o processo 13807.006828/200470, conforme se verifica na fl. 304. Dessa forma, o conjunto probatório carreado aos autos pela fiscalização não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o contribuinte, dolosamente, inseriu informações falsas nas declarações de compensação e omitiu determinadas informações, com o objetivo de utilizar créditos dos quais não dispunha para quitar débitos seus, suprimindo o recolhimento do crédito tributário devido. Não obstante tais considerações, o Relator, acompanhado pela maioria do Colegiado, entendeu que a conduta do sujeito passivo, no caso concreto, seria posterior ao fato gerador tributário e não se amoldaria ao descrito no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964 e, por consequência, não seria cabível a qualificação da penalidade discutida nos presentes autos. Confirase o voto: Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 estabelecem as circunstâncias qualificativas da multa de ofício, definindo o que se considera sonegação, fraude e conluio para o fim de exasperar a sanção administrativa ao descumprimento da obrigação tributária principal. Esses artigos não definem crimes, mas sim hipóteses de exasperação da multa administrativa. Interessa no caso concreto estudar as figuras da sonegação e da fraude, previstas na Lei nº 4.502/64, uma vez que de conluio evidentemente não se trata. O art. 71 da Lei nº 4.502/64 estabelece que: [...] E o art. 72 da mesma lei estabelece que: [...] A simples leitura dos dois dispositivos revela que para restar caracterizada a fraude ou a sonegação, o efeito da conduta do sujeito passivo deve recair sobre o fato gerador da obrigação tributária ou sobre as condições pessoais do contribuinte. No caso da sonegação, a conduta do contribuinte é posterior à ocorrência do fato gerador. Este ocorre normalmente, mas o contribuinte, impede ou retarda o conhecimento da materialidade ou da autoria do fato gerador por parte da administração tributária. Por outro lado, a fraude geralmente antecede a prática do fato gerador. Por meio dela, o contribuinte tenta impedir ou retardar a ocorrência do Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 951 6 fato gerador, ou então modificar suas características essenciais para escapar da tributação. Ora, no caso concreto a conduta do contribuinte consistiu na apresentação de declarações de compensação com informações falsas e com omissões de informações relevantes para tentar aproveitar um crédito do qual não dispunha com a finalidade de liquidar seus débitos. Essa conduta foi posterior aos fatos geradores, mas não teve nenhuma influência sobre eles. Os fatos geradores ocorreram, o crédito tributário foi declarado à repartição, só que no momento de satisfazer a obrigação, o contribuinte ardilosamente vinculou créditos que não podia utilizar por expressa vedação legal. E para evitar ser descoberto pelo fisco, falseou e omitiu informações na declaração de compensação. Portanto, embora a fiscalização tenha comprovado que o contribuinte praticou uma ação que se amolda à fórmula legal estabelecida nas leis penais, esse fato não rende ensejo à qualificação da multa isolada, pois a ação do contribuinte, embora penalmente relevante, não retardou, não impediu a ocorrência ou o conhecimento do fato gerador por parte da administração e nem modificou sua condição pessoal de contribuinte, pois afinal de contas ele se declarou devedor e ofereceu créditos para quitar seus débitos. O problema foi que em um momento posterior à ocorrência dos fatos geradores, o contribuinte falseou e omitiu dados nas declarações de compensação para poder utilizar os créditos cuja utilização é expressamente vedada pela lei (art. 74, § 12, II, alíneas “a” e “e”). A dificuldade neste processo quanto à manutenção da qualificadora da multa não é a falta de prova do dolo, não é a descrição deficiente dos fatos e nem a capitulação legal. O problema é que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 regulou uma situação que é posterior à ocorrência dos fatos geradores, mas determinou a utilização de circunstâncias qualificadoras criadas para outro tipo de situação, o que torna praticamente impossível o trabalho da autoridade administrativa de aplicar a multa de 150% aos contribuintes que fraudam as declarações de compensação. Para dar aplicabilidade à multa qualificada do art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/2003, o legislador deveria ter adotado as definições de sonegação e de fraude previstas nas Leis nº 4.729/65 e 8.137/91. [...] Desse modo, a multa isolada por compensação indevida deve ser desqualificada e reduzida ao percentual de 75%, que se encontra previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Do RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Da divergência Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial em relação à desqualificação da multa isolada, por ter divergido da orientação nos acórdãos paradigmas que mantiveram a qualificação da multa em situação assemelhada (o crédito informado em DCOMP não passível de compensação por expressa disposição legal e configuração de evidente intuito de fraude, diante da informação falsa inserida em DCOMP). Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 952 7 Foram indicados pela Recorrente dois acórdãos paradigmas. Entretanto, o recurso somente foi admitido por um dos paradigmas (despacho de efls. 759/760), sendo o outro rejeitado (despacho complementar de efls. 941/944). Transcrevese, a seguir, a ementa do paradigma admitido para fins de comprovação da divergência: Acórdão nº 20401.421: NORMAS GERAIS. COMPENSAÇÃO. Nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação do art. 49 da Lei n° 10.637/2002, somente são passíveis de compensação, créditos próprios do contribuinte, e, quando decorrentes de postulação judicial, apenas após o trânsito em julgado da decisão autorizativa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. É devida a multa capitulada no art. 44 da Lei n° 9.430/96, lançada isoladamente, sobre débitos informados como compensados quando os créditos que dariam direito à compensação estão entre os listados no art. 18 da Lei n° 10.833/2003. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A inserção de informação falsa em documento oficial Dcomp apresentada configura a hipótese de fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502/64, justificando a qualificação da multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com base no art. 18 da Lei n° 10.833/2003. A Fazenda transcreve, ainda, o seguinte excerto do voto condutor do paradigma admitido: Lançamse, pois, de ofício, multas isoladas, calculadas sobre as diferenças decorrentes das compensações indevidas. O percentual das multas será de 75% ou de 150% das diferenças encontradas. No segundo caso, quando caracterizarse alguma das circunstâncias elencadas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502/64. Ora, resta amplamente demonstrado nos autos que o contribuinte inseriu na própria Dcomp entregue uma informação que sabia não ser verdadeira, isto é, fez constar uma data de trânsito em julgado da ação. Não o tivesse feito, aliás, sequer teria conseguido enviar a declaração. Por isso, a teor do inciso II do artigo acima transcrito, as multas foram aplicadas no percentual de 150% das diferenças em respeito ao que dispõe o art. 72 da Lei n°4.502/64. Confirase: ART. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. A conduta praticada amoldase à perfeição ao trecho final do dispositivo, justificando a majoração da multa na forma prevista no inciso mencionado no auto de infração. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 953 8 Das Razões Recursais da Fazenda Nacional Nas razões do seu recurso especial para reformar o acórdão recorrido, a Fazenda Nacional inicialmente faz um apanhado sobre a legislação de regência, em particular o art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003; o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996; e o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. A seguir, a Fazenda Nacional lembra que: Além disso, conforme reconhecido pelo próprio votovencedor do acórdão recorrido, "o conjunto probatório carreado aos autos pela fiscalização não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o contribuinte, dolosamente, inseriu informações falsas nas declarações de compensação e omitiu determinadas informações, com o objetivo de utilizar créditos dos quais não dispunha para quitar débitos seus, suprimindo o recolhimento do crédito tributário devido" configurouse a prática da infração prevista no art 72 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, fazendo também incidir a multa isolada, nos termos do art 18 da Lei 10.833/2003. Dessarte, também esse fato constitui fundamento para a imposição da multa isolada, e justifica a aplicação do percentual de 150%, por caracterizar evidente intuito de fraude, consoante determina a redação do inc II, art 44, da Lei 9.430/96, vigente à época. Essa situação não foi alterada na redação vigente do art. 18 da Lei 10.833, de 2003, dada pela Lei 11.488, de 2007. [...] Constatase, assim, que a conduta praticada (declaração falsa em Dcomp com o intuito de extinguir débitos mediante compensação indevida) amoldase com perfeição ao dispositivo acima transcrito, justificando a aplicação e majoração da multa no presente lançamento. Como se observa, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou de uma ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública. Traduzse, portanto, em um propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. [...] Enfim, não há a menor dúvida da configuração do evidente intuito de fraude do contribuinte que, procurando extinguir seus débitos com créditos não reconhecidos por lei, prestou falsa declaração em Dcomp. Tudo no intuito de causar dano aos cofres públicos. Tal fato restou provado nos autos, conforme bem reconheceu a decisão de primeira instância, que assim se manifestou: [...] A Recorrente remete, ainda, às razões declinadas na declaração de voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que consta do acórdão recorrido. E, ao final, conclui: Nesse sentido, tratandose de crédito informado em Dcomp não passível de compensação por expressa disposição legal (art 74 da Lei 9.430/96) e demonstrado nos autos o evidente intuito de fraude na ação dolosa do contribuinte em prestar falsa informação em Dcomp, impõese a reforma do acórdão recorrido para que seja Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 954 9 mantida a multa isolada qualificada, corretamente lançada nos termos do art 18 da Lei n. 10.833/03 c/c art.44, inc. II da Lei n. 9.430/96. Conforme adiantado, a divergência alegada foi tida como comprovada tão somente no que se refere ao paradigma nº 20401.421, tendo sido o Despacho de efls. 759/760 fundamentado, em sua essência, nos seguintes termos: Como já visto, os julgados em questão, recorrido e paradigma, se referem à aplicação da multa de ofício no percentual de 150% em virtude de compensação lastreada em créditos nãopassíveis de compensação por expressa disposição legal. No entanto, os Colegiados chegaram a conclusões diversas quanto ao seu percentual: no acórdão recorrido decidiuse pela aplicação da multa de 75%; e no paradigma foi mantida a multa de 150%. Com essas considerações, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apontada. Contrarrazões do Sujeito Passivo ao Recurso Especial da Fazenda Nacional O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional (efls. 795/819) assim sintetizadas: Contesta a divergência jurisprudencial arguida pela PGFN. Inicialmente, porque a divergência diria respeito à interpretação do art. 72 da Lei nº 4.502/1964, e esse artigo não teria sido especificado pela Fiscalização como tendo sido infringido. E conclui que "considerando a imprecisão na tipificação da conduta da Contribuinte em face da Lei nº 4.502/1964 (art. 71 ou 72), não existe divergência de interpretação porque as situações examinadas nos dois acórdãos são distintas". A divergência também não estaria caracterizada porque os dispositivos legais que embasam os respectivos lançamentos (recorrido e paradigma) são distintos. O acórdão paradigma trataria da multa isolada de que cuida o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em sua redação original, incidente sobre compensações não homologadas. Por outro lado, o acórdão recorrido teria como fundamento legal a multa isolada prevista no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2011 (sic), que possui outra hipótese de incidência, a saber, compensações tipificadas como não declaradas. Quanto ao mérito, o sujeito passivo se louva nas razões do voto condutor do acórdão recorrido, que transcreve, para concluir, ao final: Vêse, que a decisão recorrida consubstanciada no Acórdão nº 3403002.256 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, em estudo lógico e robusto, refuta de toda maneira a existência de razões fáticas ou jurídicas para qualificação da multa isolada aplicada. Desse modo, tanto pela ausência de dissenso jurisprudencial entre o paradigma apresentado e acolhido no despacho de admissibilidade e o Acórdão recorrido, quanto pela inexistência no Relatório da Atividade Fiscal ou no Auto de Infração de lançamento da multa isolada de situação capaz de subsumirse às previsões dos art. 71 ou art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, o Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional não se encontra apto para admissibilidade por esta Egrégia Corte Superior Administrativa. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 955 10 É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Do julgamento do presente recurso especial pela 1ª Turma da CSRF Em sustentação oral, bem como por meio de memoriais (efls. 946/952), o patrono do sujeito passivo suscitou a incompetência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para julgar o Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista que o acórdão recorrido foi prolatado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento e o exame de admissibilidade do recurso foi realizado pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. A partir da análise da matéria de que trata o presente processo e à luz do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e regimentos internos anteriores, concluiuse, na verdade, pela incompetência da 3ª Seção de Julgamento para o julgamento do feito, conforme passase a esclarecer. Conforme visto no relatório, o presente processo cuida de multa isolada em face de compensações tidas como "não declaradas" nos processos administrativos fiscais nº 10925.000142/200783 e nº 10925.001779/200797. Destaquese, inicialmente, que a competência para julgamento de recursos de ofício, voluntários e de natureza especial, no âmbito do Decreto nº 70.235/1972, é deferida ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos dos arts. 25 e 37 desse diploma legal: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais será constituído por seções e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o As seções serão especializadas por matéria e constituídas por câmaras.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 956 11 Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) A especialização das seções por matéria, prevista no § 2º do art. 25, acima, foi disciplinada no Regimento Interno do CARF (RICARF) em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes, no Anexo II, artigos 1º a 10. De especial interesse as disposições acerca dos processos de compensação: Art. 7º Incluise na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. [...] Ressaltese que, apesar de não ser este propriamente um processo administrativo de compensação, o lançamento discutido nestes autos decorre diretamente das decisões proferidas nos processos nº 10925.000142/200783 e nº 10925.001779/200797, aqueles, sim, de compensação. E, buscando lá o crédito alegado, verificase que se trata de suposto direito creditório decorrente da sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações. Ora, esse alegado crédito não se inclui na especialização por matéria de qualquer das três Seções de Julgamento do CARF, atraindo a aplicação das disposições1 do inciso VII do art. 2º do Anexo II do RICARF vigente, verbis: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] VII tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Não havendo disposição regimental que se aplique diretamente ao caso em tela, há que se buscar aquela interpretação que da melhor forma preserve a coerência do conjunto das disposições legais e regimentais sobre a especialização por matéria das Seções de Julgamento. E isso conduz ao entendimento de que as lides que gravitam em torno da compensação, ainda que de forma indireta, devem ser decididas pela Seção de Julgamento à qual compete o direito creditório alegado na dita compensação, ainda que por competência residual. Tudo aponta, pois, para a 1ª Seção de Julgamento. Fixado esse entendimento, o inciso I do art. 9º do Anexo II do RICARF em vigor indica, inequivocamente, que o recurso especial aqui discutido deve ser julgado por esta 1ª Turma da CSRF: 1 Conhecidas como "competência residual". Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 957 12 Art. 9º Cabe à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar o recurso especial de que trata o art. 64, observada a seguinte especialização: I à 1ª (primeira) Turma, os recursos referentes às matérias previstas no art. 2º; [...] Registrese que, apesar de ao tempo da prolação do Acórdão nº 3403 002.256, de 25 de junho de 2013, vigorar o Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, tanto a definição da competência residual da 1ª Seção quanto a definição da competência para julgamento de processos de compensação eram idênticas à atual, do que depreendese que não se trata de incompetência superveniente da 3ª Seção. Nesse sentido, cumpre transcrever os dispositivos regimentais que disciplinavam a questão: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. [...] Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. [...] Constatada a incompetência da 3ª Seção de Julgamento para apreciação do processo administrativo fiscal em análise, por decorrência, deve ser reconhecida a nulidade da decisão de 2ª instância proferida por turma ordinária da 3ª Seção (Acórdão nº 3403002.256) e todos os demais atos posteriores, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10925.001863/200719 Acórdão n.º 9101003.872 CSRFT1 Fl. 958 13 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Em face do exposto, deixase de conhecer do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, devendo o processo ser sorteado e julgado no âmbito das Turmas Ordinárias da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 965DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721846/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. REVISÃO DE OFÍCIO.
O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo somente é passível de alteração nos casos de impugnação, recurso de ofício ou revisão de lançamento nas hipóteses em que esta é possível. Sendo defeso ao Fisco efetuar novo lançamento exclusivamente para alteração de critério jurídico.
Por falta de previsão legal, é incabível revisão de lançamento por iniciativa do Fisco nos casos em que se identifica erro de direito no lançamento anterior.
Numero da decisão: 2201-004.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. REVISÃO DE OFÍCIO. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo somente é passível de alteração nos casos de impugnação, recurso de ofício ou revisão de lançamento nas hipóteses em que esta é possível. Sendo defeso ao Fisco efetuar novo lançamento exclusivamente para alteração de critério jurídico. Por falta de previsão legal, é incabível revisão de lançamento por iniciativa do Fisco nos casos em que se identifica erro de direito no lançamento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 18 46 /2 01 4- 51 Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.258 2 Trata o presente de recurso voluntário formalizado em face do Acórdão nº 0438.119, de 17 de dezembro de 2014, exarado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, fl. 936 a 967, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de processo de Impugnação em face da obrigação tributária relativa a Contribuições Sociais Previdenciárias apurada mediante Auditoria Fiscal que resultou no lançamento de crédito fiscal lavrado na data de 21/03/2014, referente ao período de apuração de 01/03/2009 a 31/12/2009 dos seguintes documentos de créditos: Em resumo, segundo o Relatório Fiscal (fl. 1940), e demais relatórios integrantes e complementares, foram consignados os seguintes pontos acerca do lançamento: INTRODUÇÃO 1. Este relatório é parte integrante do Processo n° 10166.721846/2014 51, que é composto de documentos Autos de Infração AI, acima identificados, lavrados durante ação fiscal junto ao contribuinte BRASIL TELECOM CALL CENTER S A, conforme Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) N° 01.1.01.00 2014003772, para proceder a novo lançamento de contribuições previdenciárias exoneradas em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme acórdão n° 04034.373, de 05/12/2013 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, ciência do contribuinte em 08/01/2014, no julgamento do Processo Administrativo Fiscal n° 10166.723933/201362. [...] 4. A natureza do procedimento fiscal é o novo lançamento de contribuições previdenciárias de período já fiscalizado, desta forma, foram utilizados os mesmos documentos apresentados pelo contribuinte na ação fiscal RPF n° 01.1.01.002012 000075, que originaram as contribuições exoneradas. DO PROCEDIMENTO FISCAL 8. O procedimento fiscal na BRASIL TELECOM teve início em 24/02/2014, com a ciência pelo contribuinte do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, enviado por via postal. Durante a ação fiscal foi requerida a apresentação dos documentos constante do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF em anexo. Os documentos solicitados foram: Ato constitutivo e alterações e cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador. 9. A empresa não apresentou os documentos solicitados, razão porque foi agravada a multa de ofício, nos termos do inciso I do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96. CONSTITUIÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO 15. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica da empresa OI S A, CNPJ: 76.535.764/000143, 2010, relaciona na ficha 62 Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.259 3 Participação Permanente em Coligadas e Controladas, as empresas controladas pela OI S/A. 16. Com base na informação constante da DIPJ, a fiscalização considerou as empresas a seguir como componentes do Grupo OI e, portanto, solidariamente responsáveis pelo crédito previdenciário resultante deste procedimento fiscal: a) OI S A CNPJ: 76.535.764/000143 b) BRT SERVIÇOS DE INTERNET S/A CNPJ: 04.714.634/000167 c) 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A CNPJ: 05.423.963/000111 d) BRT CARD SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA CNPJ: 10.213.810/0001 80 e) VANT TELECOMUNICAÇÕES S/A CNPJ: 01.859.295/000119 f) BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS LTDA CNPJ: 02.934.071/000197 g) BRASIL TELECOM COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA CNPJ: 02.041.460/000193. 17. Dessa forma, tendo ficado evidente a interligação dessas empresas e sua subordinação a um comando centralizado, no caso em questão o controle acionário exercido pela empresa OI S/A, concluise que elas integram Grupo Econômico, estando, portanto, solidariamente obrigadas entre si, relativamente aos créditos previdenciários apurados em qualquer uma delas. LANÇAMENTO DE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS 25. Com a análise da contabilidade da Brasil Telecom, verificaramse registros na conta 0310357000 C.O. Serviços de Call Center, de pagamentos efetuados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, CNPJ: 02.917.870/000155. 26. Por intermédio do Termo de Intimação n° 5, ciência da empresa em 24/10/2012, a fiscalização solicitou documentos que embasaram os registros contábeis, como o contrato firmado entre Brasil Telecom e a Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás, doravante denominada ADFEGO, assim como as Notas Fiscais emitidas por esta última. 27. A empresa apresentou o contrato de prestação de serviços, entretanto, não entregou as Notas Fiscais, sendo reintimada, por meio do Termo de Intimação n° 09, quando atendeu esta fiscalização. Esses documentos são as Notas Fiscais e o contrato de prestação de serviço celebrado entre a Brasil Telecom e a ADFEGO. 28. Para melhor fundamentar o trabalho da fiscalização foi aberta diligência fiscal na Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, para coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização e complementar as informações fornecidas pela BRASIL TELECOM. [...] 52. Mediante as circunstâncias presentes no caso em tela, a fiscalização concluiu pela existência de elementos caracterizadores do vínculo empregatício nos Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.260 4 termos do artigo 3° da CLT e da legislação previdenciária conforme o artigo 12, I, alínea "a" da Lei 8.212/91. 53. Assim, a Fiscalização caracterizou estes trabalhadores como segurados empregados da BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. [...] 66. Portanto, considerando que a BRASIL TELECOM simulou negócio jurídico com intuito de reduzir o montante de tributos efetivamente recolhidos ao fisco, terceirizando sua atividade fim, em afronta direta à Súmula 331/TST, foram lavrados Autos de Infração para lançamento das contribuições devidas, considerando, ainda, que os trabalhadores foram enquadrados como segurados empregados e que os pagamentos efetuados pela fiscalizada por intermédio da Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO têm natureza salarial, incorporam a remuneração para todos os efeitos legais e são considerados base de cálculo de contribuições sociais. 67. Consideramse como base de cálculo das contribuições previdenciárias as remunerações, assim como os valores descontados dos segurados, declarados em GFIP pela Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, para o tomador BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A 68. O conjunto probatório referente aos pagamentos efetuados à ADFEGO pela RASIL TELECOM encontramse nos anexos IX, X, XI, XII e XIII. MULTA APLICADA SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO 74. Conforme descrito neste relatório, o contribuinte remunerou segurados empregados que lhe prestaram serviços por meio da ADFEGO. A tentativa do sujeito passivo de simular situação que não reflete a realidade dos fatos para se eximir do pagamento de tributos, gerando lucro para a fiscalizada por intermédio da redução de encargos trabalhistas e diferenças salariais, através de utilização de empresa interposta, caracteriza a fraude. 75. Não pode deixar de ser mencionado também, que a BRASIL TELECOM utilizouse de uma instituição filantrópica como prestadora dos serviços, logo, isenta do recolhimento de contribuições previdenciárias. 76. Portanto, para os levantamentos referentes aos pagamentos efetuados por meio da ADFEGO foi aplicada a multa qualificada (150 %) conforme determina o § 1° do art. 44 da Lei n. 9.430/96. 77. Como no caso em tela não foi atendida a intimação, pela pessoa jurídica, para apresentação de informações cadastrais, o percentual da multa de 150% foi agravado para 225% como definido na Lei n° 4.502, de 1964. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE OS FATOS GERADORES 78. A situação acima descrita configura, EM TESE, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, do Código Penal, com redação dada pela Lei n° 9.983/2000, razão pela qual foi emitida representação fiscal para fins penais por sonegação de contribuição previdenciária. 79. Conforme exposto, e como não há legislação que isente a BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. da incidência de contribuições sociais sobre a verba em comento, as remunerações pagas, conforme discriminado nos itens acima, Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.261 5 aos segurados que prestaram serviços ao sujeito passivo em questão, são consideradas fatos geradores de contribuições previdenciárias. 80. Diante dessa previsão legal, a auditoria fiscal calculou as contribuições de responsabilidade da empresa, aquelas descontadas dos segurados considerando como base de cálculo as remunerações mensais dos empregados constantes da GFIP da ADFEGO para o tomador BRASIL TELECOM. 81. Constatouse, assim, que o sujeito passivo em tela deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços, referentes aos fatos geradores acima mencionados. 82. Nesse contexto, os saláriosdecontribuição (remunerações) foram determinados pela fiscalização com base nas informações declaradas em GFIP, representam os fatos geradores destes AI e estão devidamente discriminados no relatório "RL Relatório de Lançamentos". Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo em 31/03/2014, conforme despacho da autoridade preparadora (fl. 686). IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou Impugnação (fl. 689727), na data de 24/04/2014, conforme autenticação digitalmente (fl. 689), com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: II. DOS FATOS Este lançamento configura novo lançamento de contribuições incidentes sobre rubrica, também objeto do PAF n° 10166.723933/201362, declaradas improcedentes pelo Acórdão de n° 04304.373, da 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande. II IMPOSSIBILIDADE DE NOVO LANÇAMENTO FACE À IDENTIDADE DE OBJETOS ENTRE O PRESENTE E O PAF N. 10166.723933/201362, HOJE OBJETO DE RECURSO DE OFÍCIO A autoridade fiscal adota como motivação para este "novo lançamento", o fato de tais contribuições terem sido exoneradas "em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme acórdão n. 04034.373, de 05.12.2013 4. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, ciência do contribuinte em 08/01/2014, no julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.723933/201362." Diante desta alegação fiscal tornase necessário relatar os fatos para se concluir que este novo lançamento é precipitado! O PAF n. 10166.723933/201362 é composto por vários autos de infração, dentre eles os de ns 51.033.2528 e 51.033.2536., através dos quais, respectivamente, foram exigidas contribuições previdenciárias patronais e devidas pelos segurados, relativas ao mesmo fato gerador motivador do presente lançamento. Naquela oportunidade o fisco utilizouse do método de arbitramento e adotou como base de cálculo o valor bruto das notas fiscais, mesmo conhecendo o Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.262 6 valor da efetiva remuneração dos trabalhadores com quem presumiu existir vínculo de emprego. Inconformadas, as empresas impugnaram e obtiveram sucesso na sua argumentação, tendo a DRJ decretado através do Acórdão 04034.373 (Anexo I): [...] Estarse diante de verdadeira coexistência de processos administrativos de idêntico objeto, ambos ainda na fase administrativa, logo inaplicável a súmula 011 do CARF. Manter os dois lançamentos é permitir excesso de cobrança e verdadeira ofensa á garantias mínimas das Impugnantes. Logo, outra alternativa não há, devendo ser declarado precipitado tal procedimento de novo lançamento, e conseqüentemente ser extinto o presente até que se julgue definitivamente o PAF n. 10166.723933/20'362. III DO DIREITO DAS NULIDADES O Auto de Infração deve, obrigatoriamente e sob pena de insanável nulidade, ser instruído com todas as provas que demonstrem claramente as alegações da Administração, cabendolhe integralmente o ônus probatório .. . [...] Antes de tudo, advertese problemas relacionados à identificação dos sujeitos passivos solidários, de modo que antes de se adentrar no exame das outras nulidades, vale destacar que tal fato compromete a validade do procedimento administrativo, de modo que o lançamento somente pode ser considerado ato administrativo capaz de produzir efeitos a partir da ciência do último dos coobrigados e nesse particular vale apontar vários equívocos por parte da autoridade fiscal. • Enviou intimação dirigida à Vant Telecomunicações S.A, empresa incorporada pela Brasil Telecomunicação Multimídia Ltda quando a primeira foi incorporada pela segunda, fato já de conhecimento do fisco, conforme comprova Consulta ao CNPJ, fls.676. • Enviou intimação dirigida para a Brasil Telecom Cabos Submarinos, empresa vendida para a Globenet Cabos Submarinos Ltda (: Av. Doutor Cardoso de Melo, 1155, 2 andar, Vila Olímpia São Paulo), indicando endereço diverso daquele constante no CNPJ (Av. Brigadeiro Faria Lima, 3477,14 andar, parte, pátio Victor Malzoni), conforme comprova fls. 674 e os dados do CNPJ. • Enviou intimação para a 14 Brasil Telecom Celular S.a, quando a atual denominação social desta empresa é OI Móvel S.a, fls.672. • Enviou intimação em nome da OI S.a também com o endereço errado. Enviado para Rua General Polidoro.n. 99.5 andar, Parte Botafogo, quando o endereço correto é Rua do Lavradio, 71, 2 andar, Centro. O mais grave de todos referese à intimação da Globenet Cabos Submarinos que está vindo aos autos após ter conhecimento deste auto de infração por terceiros, já que foi vendida por empresa que não tem nenhuma relação com a primeira das impugnantes. É entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil: [...] E considerando os problemas de identificação dos sujeitos passivos acima identificados, e com base na decisão supra, concluise que verdadeiramente a Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.263 7 intimação somente pode ser considerada válida na própria data da impugnação, de modo que também deveriam ser considerados decaídos e não lançados os créditos relativos ao mês de março de 2009 e, considerando que o fato gerador das contribuições impugnadas é prestação de serviço, proporcionalmente aqueles valores relativos às datas das prestações de serviços relativas à parte do mês de abril. A) AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO A auditoria fiscal no relatório fiscal concluiu pela existência de elementos caracterizadores do vínculo empregatício nos termos do art. 3o da CLT. [...] Ocorre que tais requisitos não se encontram presentes no caso em debate. [...] Do referido dispositivo se extrai que é necessário constatar, simultaneamente, a existência real dos seguintes elementos fáticos jurídicos: 1 Trabalho por Pessoa Física, 2 Pessoalidade, 3 Não eventualidade, 4 Onerosidade e 5 Subordinação. [...] No caso, o agente fiscal através dos itens extraídos do relatório fiscal tentou caracterizar três desses requisitos (subordinação, pessoalidade e não eventualidade), deixando de mencionar a existência de outros dois (trabalho por pessoa física e onerosidade). Entretanto, não logrou êxito, conforme será a seguir demonstrado. [...] Frisese que dada a subjetividade desse requisito caracterizador da relação empregatícia, o ideal é que fosse constatado através da verificação In loco. Mas nada disso sequer foi pretendido pela autoridade fiscal. Aliás vale frisar que neste procedimento a fiscalização chegou a realizar diligência junto à ADFEGO, mas esta foi restrita à solicitação de documentos, deixando mais uma vez a autoridade fiscal de investigar adequadamente os fatos que foram adotados como geradores das contribuições em discussão. [...] Quando nos deparamos com um vicio de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque a adoção do sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração da nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincumbido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado." Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.264 8 Diante da patente ausência de comprovação dos elementos táticos jurídicos inerentes à relação empregatícia, subordinação, pessoalidade, não eventualidade e a onerosidade, o lançamento tributário está eivado de vício material, razão pela qual requer a necessária decretação de nulidade por vício material. B) INCERTEZA QUANTO À BASE DE CÁLCULO APURADA PELA FISCALIZAÇÃO Adotada como premissa relação de emprego entre empregados da ADFEGO e a Brasil Telecom Cali Center S.A, a auditoria fiscal apresenta o Anexo XIII GFIP da ADFEGO como a comprovação da base de cálculo apurada. Todavia este documento é inservível! A referida GFIP é contraditória, pois o campo tomador dos serviços indica Brasil Telecom Call Center e no campo que deveria constar o CNPJ do tomador consta o da OI S.A, 76.535.764/032851. Do seu exame paira a seguinte dúvida: Aqueles trabalhadores prestaram serviços para a Brasil Telecom Cali Center S.A ou para a OI S.A? E no intuito de esclarecer recorremos ao Relatório Fiscal, itens 28 e seguintes que descrevem a diligência realizada na ADFEGO e não encontramos respostas porque diz que a Associação apresentou os documentos solicitados pela fiscalização entre eles a folha de pagamento dos empregados que prestaram serviço à Brasil Telecom. Ora, OI S.A é a atual denominação social da Brasil Telecom S.A, que de acordo com o próprio relatório fiscal também contratou a ADFEGO (item 31): °31. Pela análise do contrato observase que, inicialmente, foi pactuado entre Brasil Telecom S.A (76.535.764/000143,..." E diante da persistência desse dúvida, o que podemos concluir mais uma vez é pela ausência de certeza na definição da matéria tributável, o que inevitavelmente cerceia o direito de defesa das Impugnantes e se alia aos outros motivos apresentados para a necessária decretação de nulidade por vício material por manifesta afronta ao art. 142 do CTN. C) APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS DESENVOLVERAM ATIVIDADES DE RECEPCIONISTAS, AUXILIAR DE ESCRITÓRIO, ETC. Será adiante demonstrado que os serviços contratados não se assemelham à atividade fim da Brasil Telecom Cali Center S.A, de modo que a auditoria não poderia lançar contribuições sobre nenhuma das remunerações relacionadas que compõem o Anexo XII. Dentre aqueles trabalhadores existem casos absurdos, que são objeto dessas breves linhas. Alega a autoridade no item 43 que os serviços prestados são de teleatendimento, atividade fim da empresa contratante. Todavia, a análise do Anexo citado revela que alguns empregados exerceram atividades de recepção e operação de computadores, atividades verdadeiramente consideradas como intermediárias. Constatase tal ocorrência com os seguintes empregados: Recepcionistas: [...] Operador de Computador: Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.265 9 [...] Nesse cenário a fiscalização não motivou porque apurou contribuições em tais circunstâncias, cerceando nitidamente o direito de defesa das Impugnantes, restando caracterizada nítida violação ao art. 142 do CTN. D) LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGAS A MENORES APRENDIZES O relatório fiscal insiste em constatar relação de emprego entre empregados da ADFEGO e a Brasil Telecom Call Center S.A. Todavia, ao confrontar o Anexo XIII, composto pela GFIP da ADFEGO, constatase que o universo de trabalhadores é composto por duas categorias de segurados: 01 empregados e 07 menores aprendizes. E comparando este anexo com os Discriminativos de Débitos percebese que foram lançadas contribuições sobre remunerações pagas a menores aprendizes, sem que fosse apresentado nenhum motivo para tanto. Ora o contrato de aprendizagem não é de emprego. A CLT afasta relação de emprego de forma clara ao prever no seu art. 431: ... [...] Deste modo, os motivos utilizados pelo auditor fiscal para motivar o presente lançamento não se aplicam aos lançamentos sobre remunerações pagas a menores aprendizes. Consequentemente a ausência de descrição clara dos verdadeiros motivos que levaram a autoridade fiscal a adotar tal conduta acabam por cercear o direito de defesa das Impugnantes, constituindo tal constatação em mais um motivo decretador de nulidade material por manifesta afronta ao art. 142 do CTN. E) AUSÊNCIA DE PROVA DE INADIMPLEMENTO PELA ADFEGO Para finalizar os argumentos em sede de preliminar, partese à apresentação do último dos motivos que clamam por decretação de nulidade. A autoridade fiscal mesmo tendo realizado diligência junto à ADFEGO, itens 28 e seguintes do relatório fiscal, e tendo examinado as folhas de pagamento que este associação apresentou, deixou de investigar se esta descontou e recolheu as contribuições a cargo dos segurados. Aliás sequer exigiu. O Anexo IX acostado aos autos revela que a autoridade fiscal tentou ser cautelosa ao intimar a Associação para apresentar os documentos abaixo relacionados, não tendo tido o zelo de solicitar as Guias de Recolhimento das contribuições descontadas dos segurados. [...] Referida prova é necessária para garantir validade ao presente lançamento. Não se pode aceitar um lançamento sem constatar verdadeiro inadimplemento, especialmente quando a fiscalização dispunha de todos os meios para tanto, já que realizou diligência junto à ADFEGO. A falta de constatação do inadimplemento verdadeiramente constituí ausência descrição de motivos, e violação ao art. 142 do CTN. Da mesma forma que as justificativas apresentadas nos itens acima, esta também cerceia o direito de defesa das Impugnantes, e conseqüentemente reclama por uma decretação de nulidade material. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.266 10 III.2 DO MÉRITO 111.2.1) LICITUDE DA TERCEIRIZAÇÃO Como já dito, a pretensão fiscal nesse particular sustentase em presunção de existência de vínculo empregatício entre os empregados da ADFEGO e a BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. Entretanto, além do insucesso fiscal ao comprovar o vínculo de emprego, tal presunção não tem amparo fático para prosperar. Não houve qualquer ilicitude na tercerização motivadora do presente lançamento. Em primeiro lugar porque a Brasil Telecom Call Center S.A contratou a ADFEGO para prestar serviços de gestão operacional de call Center, atividade que em nada se assemelha à sua atividade fim. Nesse particular registrase que o Anexo II do contrato descreve atividades inerentes à atividade de gestão operacional de call Center. A título meramente exemplificativo vale apresentar as atividades de Telequalidade, que consistem em serviços ativos com o objetivo de identificar o grau de satisfação do cliente com a qualidade do serviço prestado pela equipe técnica e os serviços executados na célula TR que consistem em mero tratamento de suporte operacional de todas as ordens de serviço não executadas devido a impedimentos do cliente. Tais atividades são essencialmente serviços de gestão operacional de Call Center e não se assemelham à atividade fim da empresa contratante. Ademais, não restaram presentes no caso concreto os requisitos subordinação e pessoalidade. E quando não há subordinação nem pessoalidade, nos termos da súmula 33110 do TST, há plena licitude, posição reconhecida pela mais abalizada doutrina juslaboralista. ... [...] Os serviços realizados pelos empregados da ADFEGO não eram idênticos aos serviços realizados pelos empregados da Brasil Telecom Call Center S.A. Os empregados da ADFEGO não estavam subordinados a prepostos da empresa contratante. A contratante nunca exigiu que determinado empregado realizasse o serviço contratado. Também vale repetir que o contrato motivador do presente lançamento se traduz em solução de continuidade, de contrato firmado com a BRASIL TELECOM e a referida Associação, no intuito de apoiar a ADFEGO no seu objetivo primaz, inserir pessoas portadoras de necessidades especiais no mercado de trabalho. Como já dito, a história relatada por esta Associação em seu site demonstra com clareza o apoio dado pela TELECOM a este projeto. Ao contrário do que concluiu a fiscalização não se trata de meio utilizado para deixar de recolher tributo, mas sim de apoiar uma Associação a atingir o objetivo social pretendido. Comprovada licitude da terceirização motivadora do presente lançamento, e conseqüentemente a improcedência dos autos de infração, por amor à argumentação, cumpre comprovar também outros equívocos da autoridade fiscal, a favor da total improcedência desse lançamento. São eles: (i) o objetivo do contrato firmado entre ADFEGO e BRASIL TELECOM Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.267 11 Inocorrência de fraude, (ii) inaplicabilidade de multa qualificada, e (iii) o indevido acréscimo de multa Decorrente da não apresentação de documento e (iv) ausência de dedução dos valores recolhidos pela ADFEGO, a título de contribuições retidas dos segurados empregados, relativas ao contrato objeto do presente lançamento. A) DO OBJETIVO DO CONTRATO FIRMADO ENTRE ADFEGO E A BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A Inocorrência de fraude A fiscalização afirma ter a BRASIL TELECOM agido de forma simulada e fraudulenta. Sobre o tema, item 66 do Relatório Fiscal. A autoridade fiscal em um cenário de plena licitude de negócios jurídicos supôs tratarse de fraude. Entretanto, tal premissa fiscal merece ser desconstituída, e, de igual modo, devem se tomarem ineficazes as conseqüências dadas à equivocada constatação, tais como aplicação de multa de 150%. É imprescindível que se analise o objetivo da contratação para compreender o contexto objeto da autuação fiscal. A Associação, constituída com o objetivo de defender os interesses dos portadores de necessidades especiais, adotou medidas de inserção no mercado de trabalho dessas pessoas, objetivo que pode ser constatado através da descrição da história da ADFEGO no seu site: "Em 1994 essa oficina foi batizada com o nome Mão da Roda. Este foi um ano realmente marcante da história da ADFEGO, pois a Associação percebeu que a independência só seria alcançada por meio da inserção de seus associados no mercado de trabalho.” Assim, foram assinados com a Brasil Telecom e a Dataprev contratos de prestação de serviços que empregaram dezenas de pessoas com deficiência. Muitos tiveram a carteira assinada pela primeira vez na vida. E assim a Associação começou a virada que possibilitou a concretização de antigos sonhos. Outros convênios foram firmados com a Empresa Brasileira de Telégrafos, Caixa Econômica Federal, Saneago, VIVO e Detran." O contrato firmado com a BRASIL TELECOM CALL CENTER S/A DMS M 3300016833, prevê no item 5.1.1 que todos os empregados da ADFEGO são portadores de deficiência física, o que revela o alcance do objeto da contratação. O objeto do contrato se traduz em apenas uma de muitas outras atividades desenvolvidas pela ADFEGO para alcançar seu objetivo assistencial, de garantir o pleno exercício da cidadania das pessoas portadoras de deficiência física. No site da Associação é possível conhecer um pouco da sua história e constatar que em contratos como este, o objetivo norteador foi o de inserir no mercado de trabalho pessoas portadoras de necessidades especiais. O contrato com a BRASIL TELECOM foi um dos meios de atingir o objetivo pretendido. Vale destacar que a própria associação relata ter firmado vários tipos de contrato como o motivador da presente autuação, inclusive com empresas públicas, DATAPREV, Caixa Econômica Federal e Correios e Telégrafos. A comprovação do intuito assistencial de contratar a ADFEGO, aliada à ausência de subordinação e pessoalidade, deixa clara a ausência de fraude como Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.268 12 narrado pela autoridade. E, ausente a fraude, não há do que se falarem multa qualificada. B) INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA Baseada na premissa equivocada de ter ocorrido fraude, a fiscalização aplicou multa qualificada de 150%, item 76 do Relatório Fiscal. Em casos de aplicação de multa qualificada exigese à evocação da justiça fiscal. Para tanto, vale conhecer com precisão terminológica as circunstâncias autorizadas pelo art. 4413 da Lei n° 9.430. O texto da Lei n° 9.430 exige a busca na Lei n° 4.502 das circunstâncias que autorizam o fisco a aplicar a multa qualificada, sonegação, fraude e concluio . Pretende a autoridade fiscal caracterizar fraude (item 74). Entretanto, mais uma vez não logra êxito. Do conceito de fraude, extraído do art. 72 da Lei n. 4.502, percebese a necessidade de comprovação do dolo. E as condutas dolosas exigem a vontade livre e consciente de praticar uma conduta ilícita, o que não se constata no contrato firmado entre ADFEGO e BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. E não basta a indicação de conduta dolosa a partir de meras presunções e/ou subjetividades. Impõese à autoridade fiscal comprovar a intenção prédeterminada do contribuinte de fraudar, e essa prova tem que ser incontroversa, concreta e inequívoca. É por isso que em casos como o presente, que não foi comprovada fraude, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais costuma refutar a multa qualificada. ... [...] Vale mais uma vez afirmar que a conduta da BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A em contratar a ADFEGO para prestação de serviços não teve como objetivo impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Ao contrário, o objetivo da contratação foi puramente social, de possibilitar a inserção desses profissionais no mercado de trabalho. Por todos os argumentos acima expostos, requer que seja desconstituída a presunção fiscal de ocorrência de fraude e, por conseguinte, anulados os seus efeitos, deixando de aplicar a multa de forma qualificada (150%). C) DO INDEVIDO ACRÉSCIMO DE MULTA DECORRENTE DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO Absurdamente, a autoridade fiscal agrava a multa de ofício, acrescendoa de metade, fazendo com que esta atinja o abusivo percentual de 225%. Diz sustentar sua pretensão no art. 44,§2°, inciso I da Lei n. 9.430. Recorrendo à este comando normativo percebemos que a conduta de aumentar a penalidade em metade se aplica quando o sujeito passivo não atende tempestivamente intimação para: (i) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar arquivos ou sistemas digitais ou (iii) documentação técnica relativa a sistema de processamento de dados. [...] Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.269 13 No caso dos autos a autoridade fiscal aplicou esse dispositivo para conduta diversa daquela eleita pela lei, uma vez que a infração imputada descrita nos itens 8 e 77 foi não ter apresentado atos constitutivos e alterações, cópias de comprovante de residência CPF e RG dos representantes legais e contador, que não se assemelha á nenhuma das hipóteses legais. No caso vertente, está nítida ausência de tipicidade que possa deflagrar a exigência e acréscimo à multa, impondose o cancelamento de tal exigência como já se manifestou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ... . [...] Do exposto, requer que seja afastado o acréscimo de 50% aplicado por suposto falta de apresentação de documentos. D) AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS PELA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS RELATIVOS AO CONTRATO OBJETO DO PRESENTE LANÇAMENTO. Vale destacar que a ADFEGO, independente de ser portadora de certificado de entidade beneficente, assim como as empresas em geral tem o dever de descontar e repassar à Receita Federal do Brasil as contribuições a cargo dos segurados empregados art. 30, I17 da Lei n° 8.212/91. Logo, na improvável hipótese de ser rejeitada preliminar de nulidade apresentada para declarar a nulidade do Al n. 51.033.2595, destacase que em época própria foram recolhidos valores pela ADFEGO relativos às contribuições descontadas dos empregados com os quais manteve vínculo empregatício. Entretanto, a fiscalização sequer procurou abater dos valores lançados as contribuições recolhidas pela ADFEGO, informações acessíveis à própria administração pública, através do cotejamento das informações extraídas do Sistema GFIP WEB, folha de pagamento e o conta corrente de recolhimentos da empresa. A fim de comprovar, as alegações ora expendidas, informa sobre o pagamento, e ressalta que como não são mantidos sob sua guarda, deve, no mínimo ser realizada diligência para investigar tal fato imprescindível para o deslinde do presente feito. E como pagamento é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, I18 do CTN. Ao desconsiderar os pagamentos já realizados, age a Administração Pública com excesso de poderes, promovendo em seu enriquecimento ilícito e sem causa. Nesse cenário, com vistas à garantir o mínimo de certeza e liquidez ao presente lançamento, requer que sejam abatidos os valores recolhidos pela ADFEGO a título de contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados. II.2.2 DA INEXISTÊNCIA DE "GRUPO ECONÔMICO" PARA EFEITO DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A autoridade administrativa imputa as empresa elencadas no item 16, letras "a" a "g", do relatório fiscal, responsabilidade solidária pelo pagamento do débito previdenciário objeto do lançamento guerreado, nos termos do artigo 124, inciso II Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.270 14 do CTN e artigo 30, inciso IX da Lei n° 8.212/91, ao argumento de que àquelas constituem "grupo econômico de fato". Ainda segundo a autoridade administrativa, as empresas constituem "grupo econômico de fato" de acordo com o artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/09, uma vez que todas seriam controladas pela OI S.A. Com o devido respeito, o fato de as empresa estarem sob controle comum, por si só, não é suficiente para a caracterização de "grupo econômico de fato" e conseqüente imputação de responsabilidade solidária, como se passa a expor. [...] Extraise dos dispositivos acima que o Grupo Econômico apenas é constituído quando empresas, após firmarem uma convenção, combinam recursos financeiros e esforços para realização de atividades comuns. Com base nos referidos dispositivos, a mais abalizada jurisprudência sedimentouse no sentido de que a existência de Grupo Econômico apenas pode ser reconhecida quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou força laboral e gerencial comum, conforme se depreende das ementas a seguir transcritas: [...] Portanto, é patente que o simples controle acionário comum é irrelevante e insuficiente à caracterização de Grupo Econômico, falecendo de sustentação a pretensão fiscal no caso vertente. Ainda que as empresas constituíssem um "grupo econômico de fato", o que se admite apenas para argumentar, não seria possível imputarlhes solidariedade pelo pagamento da contribuição previdenciária objeto da autuação. Ocorre que as empresas constituintes de "grupo econômico de fato" detêm personalidade jurídica distinta e permanecem realizando negócios jurídicos próprios, independentes. Nesse sentido, trazemos à colação as lições de Modesto Carvalhosa, ... . [...] Havendo independência entre as empresas e cada uma mantendo sua própria personalidade jurídica, a responsabilidade solidária somente poderia ser imputada se fossem constatados os requisitos do artigo 50 do Código Civil e houvesse a decretação da desconsideração da personalidade jurídica das empresas. Este é o entendimento pacífico no Superior Tribunal de Justiça, que firmou entendimento no sentido de que não caracteriza a solidariedade o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Vejamos: [...] Vêse que sem a comprovação cabal da configuração das hipóteses previstas no artigo 50 do Código Civil a simples integração do mesmo grupo econômico não se apresenta como razão suficiente à imputação da responsabilidade. Portanto, por todos os ângulos que se analise a questão, não merece prosperar a pretensão fiscal, primeiro porque as empresas não constituem "grupo econômico de fato" e segundo porque não há como imputarlhes responsabilidade Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.271 15 solidária sem a prévia desconsideração da personalidade jurídica, o que seria incabível, uma vez que não estão presentes os requisitos do artigo 50 do Código Civil. II.2.3. DA EXCLUSÃO DOS DIRETORES E DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS DO PÓLO PASSIVO DO PROCESSO As Impugnantes entendem que as razões até aqui expendidas são suficientes para rechaçar integralmente a autuação fiscal. Entretanto, caso seja mantida, o que se admite apenas face ao princípio da eventualidade, impõese, ao menos, a exclusão das pessoas físicas listadas no "Relatório de Vínculos". O Relatório de Vínculos é composto por uma lista de pessoas físicas jurídicas de "interesse da administração pública" que mantém vínculo com o contribuinte. Entretanto, na prática o "interesse da administração" não se manifesta de forma singela e despretensiosa. O que se vê é a Fazenda Nacional em sede judicial responsabilizar todos os integrantes do Relatório de Vínculos, mesmo quando estes, sequer foram cientificados dos termos da autuação fiscal. [...] O prejuízo dessas pessoas físicas é imediato. Após o exaurimento do contencioso administrativo, terão inscrito no CADIN em seus nomes o débito tributário lançado contra a pessoa jurídica contribuinte da qual fizerem parte. [...] Em relação a todos os diretores e contador, a autoridade administrativa os indicou responsáveis pelo simples fato deles ocuparem tais cargos. Entretanto, deixou de explicitar qual seria a conduta dos mesmos a justificar responsabilização, se excesso de poderes, infração à lei ou infração ao estatuto social. E essa ausência de motivação fulmina a pretensão fiscal quanto à responsabilização dos mesmos. Ora, para o desencadeamento da responsabilidade tributária prevista no artigo 135, III do CTN, afigurase imprescindível a comprovação, pelo fisco, de que a pessoa física agiu com dolo e que sua conduta desencadeou a obrigação tributária. [...] Não há dúvidas, era mister da autoridade administrativa não apenas indicar a conduta dessas pessoas físicas, mas também provála cabalmente. Ou seja, provar que alguma ordem exarada diretamente e intencionalmente tinha o objetivo premeditado de lesar o fisco. Nesse ponto, calha ressaltar que o CARF já se manifestou sobre a necessidade de comprovação, pelo fisco, da conduta que caracteriza excesso de poderes ou infração a lei ou estatuto social, para fins de responsabilização: [...] No caso concreto, a autoridade administrativa não comprovou que as pessoas físicas agiram com dolo, ou seja, com a intenção, o animus consciente de cometer ato ilícito. [...] Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.272 16 Assim, por todos os ângulos que se analise a questão, verificase a ilegalidade quanto à responsabilização das pessoas físicas relacionadas no "Relatório de Vínculos", razão pela qual requer que seja determinada a imediata exclusão do pólo passivo da demanda. III DA NECESSÁRIA PERÍCIA Na remota hipótese destes D. Julgadores entenderem que os documentos já acostados não são suficientes a comprovar as alegações suscitadas pela Impugnante, o que se admite face ao princípio da eventualidade, pugna pela realização de diligência, nos termos do inciso IV, do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Nesta hipótese, a diligência será apta a demonstrar a insubsistência dos lançamentos, uma vez que atestará a ausência de fato gerador a deflagrar a incidência das contribuições previdenciária, bem como a existência de pagamentos realizados pela ADFEGO. Em se decidindo pela diligência, as Impugnantes indicam como assistente técnico o Sr. Luiz de Deus Pereira, Coordenador de RH, admitido em 13.01.2003, portador de Registro de Identidade n° 1.926.661 SSP DF, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas sob n° 460.305.06668, com o seguinte endereço SHC, Área Octogonal Sul, Entrequadras 6/8, Área Especial, lote 02 CEP 70.660685, e formulam os seguintes quesitos: IV DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA PUNITIVA Na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal, a despeito de todos os argumentos acima, o que se admite apenas para argumentar, as Impugnantes requerem seja afastada a incidência de juros sobre a multa de oficio aplicada, pelas razões a seguir expostas. A Lei n° 9.430 tratou da incidência de juros de mora no artigo 61, § 3°: [...] De acordo com referida norma, a incidência de juros ocorre apenas sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal", o que não abarca a penalidade pecuniária (multa de ofício), pois esta última não decorre de tributo ou contribuição, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Portanto, não há base legal para a exigência de juros de mora à Taxa SELIC sobre a multa de oficio. Nesse sentido, inclusive, já decidiu a primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa a seguir transcrita: ... Desta forma, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal, requer seja afastada a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, uma vez que inexiste fundamento legal para exigência dessa natureza. PEDIDO Em face de todo o exposto, e dada a relevância do fato de que as exigências objeto destes autos são também objeto do PAF n. 10166.723933/201362, requer que sejam afastadas por absoluta impossibilidade jurídica de coexistência de processos de idêntico objetos ambos na esfera administrativa. Se este não for o Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.273 17 entendimento deste colegiado, que julgue integralmente procedente a presente impugnação pelas razões de fato e direito acima expendidas, reconhecendo a nulidade dos autos de infração em face das preliminares arguidas. Caso as preliminares de nulidade não sejam acatadas, é a presente para requerer, no mérito, o conhecimento da presente impugnação, para o fim de cancelar integralmente o crédito tributário objeto dos Autos de Infração n°s 51.033.2587, 51.033.2595, inclusive juros e multa, bem como os juros exigidos sobre a multa de ofício. Caso assim não se entenda, requerse a realização de diligência fiscal, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, conforme fundamentos expostos. Pelos argumentos fartamente aduzidos na presente impugnação, e com vistas à evitar prejuízos à pessoas estranhas ao feito, requer ainda a necessária exclusão dos Diretores e contador do Relatório de Vínculos. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a 3ª Turma de Julgamento da RFB em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas excluindo o agravamento da penalidade de ofício, lastreada nas razões que estão sintetizadas na Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. SUJEIÇÃO PASSIVA. CIÊNCIA DOS COOBRIGADOS Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE ENTRE LANÇAMENTO E PROCESSO COM RECURSO DE OFÍCIO PENDENTE Somente há relação de prejudicialidade se ocorrer a identidade de objeto, com mesmos fundamento de fato e de direito entre os processos relacionados. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.274 18 O interesse comum é identificado quando há participação dos sujeitos da relação jurídica na ocorrência do fato gerador da obrigação. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. SEGURADO EMPREGADO O trabalhador que presta serviço com subordinação, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade, nos termos das disposições da legislação trabalhista e previdenciária, é caracterizado como segurado empregado. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada devido comprovação de ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS A discussão de eventual coresponsabilidade de pessoas indicadas em anexo da peça fiscal como vinculadas à empresa deve ser realizada no foro próprio, distinto daquele em que se desenvolve o processo administrativo fiscal. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ACRÉSCIMOS LEGAIS Os acréscimos legais devidos por força de lei, tem aplicação obrigatória com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.275 19 contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente das conclusões da DRJ em 02 de fevereiro de 2015, fl. 971, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 982 a 1033, no qual reitera as razões já expressas em sede de impugnação, as quais serão tratadas de forma mais detalhada no decorrer do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Após breve síntese dos fatos relacionados à presente lide administrativa, o recorrente aponta sua convicção de que não deve prosperar a decisão recorrida, a partir das considerações que se seguem. PRELIMINAR Impossibilidade de novo lançamento face à identidade de objetos entre o presente e o PAF 10166.723933/201362 Sustenta o recorrente que a Autoridade Fiscal adota, como motivação para "novo lançamento", o fato de que tais contribuições terem sido exoneradas "em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme Acórdão nº 04034.373, da 4ª Turma da DRJ de Campo Grande/MS, exarado nos autos do processo 10166.723933/201362. Afirma que, em sede de impugnação, apontou a precipitação do novo lançamento que, em seu entendimento, deveria ser extinto, para se evitar excesso de cobrança e que, diante de tal tema, a Decisão recorrida teria mantido a autuação, ainda que reconhecendo a necessidade de harmonização do resultado do presente processo com o verificado no processo citado no parágrafo precedente. Relata que o PAF 10166.723933/201362, dentre outros Autos de Infração, é composto pelos DEBCAD 51.033.2528 e 51.033.2536, pelos quais exigemse contribuições previdenciárias patronais e de segurados relativas aos mesmo fato gerador motivador do presente lançamento. Que naquela oportunidade, o fisco utilizouse do método de arbitramento e adotou como base de cálculo o valor bruto das notas fiscais, mesmo conhecendo o valor da efetiva remuneração dos trabalhadores. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.276 20 Que neste tema específico, a impugnação foi julgada procedente, tendo o Julgador de 1ª Instância recorrido de Ofício, nos termos da legislação de regência, do que resultou litígio ainda pendente por ocasião do novo lançamento. Sintetizadas as razões da defesa, relevante trazermos à balha algumas informações relacionadas ao lançamento em discussão e em que momento este tangencia o crédito tributário lançado nos autos do processo nº 10166.723933/201362. Vejamos o que diz o Relatório Fiscal, lavrado em 21 de março de 2014, fl. 20/40: 1. Este relatório é parte integrante do Processo nº 10166.721846/201451, que é composto de documentos Autos de Infração – AI, acima identificados, lavrados durante ação fiscal junto ao contribuinte BRASIL TELECOM CALL CENTER S A, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) Nº 01.1.01.002014003772, para proceder a novo lançamento de contribuições previdenciárias exoneradas em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme acórdão n° 04034.373, de 05/12/2013 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, ciência do contribuinte em 08/01/2014, no julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.723933/201362. 2. O Processo nº 10166.723933/201362 é resultado de procedimento fiscal, RPF nº 01.1.01.002012000075, realizado no contribuinte BRASIL TELECOM CALL CENTER, no período de 01/2009 a 12/2009. 3. Tendo em vista tratarse de novo lançamento de contribuições previdenciárias em período já fiscalizado, foi necessária Autorização do Delegado da Receita Federal do Brasil em Brasília, nos termos do artigo 7º, §2º da Lei nº 2.354, de 29/11/1954, c/c artigo 34 da Lei 3.470, de 28/11/1958. Este documento segue anexo a este Relatório. 4. A natureza do procedimento fiscal é o novo lançamento de contribuições previdenciárias de período já fiscalizado, desta forma, foram utilizados os mesmos documentos apresentados pelo contribuinte na ação fiscal RPF n° 01.1.01.002012000075, que originaram as contribuições exoneradas. O citado Acórdão n° 04034.373, de 05/12/2013, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, embora tenha considerado que a autoridade lançadora demonstrou adequadamente a ilicitude da contratação da Associação de Deficiente Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, entendeu que a apuração das contribuições previdenciárias não se mostrou apropriada, pelas seguintes razões: Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.277 21 INCORREÇÃO DA BASE DE CÁLCULO APURADA POR MEIO DE AFERIÇÃO INDIRETA A autoridade lançadora considerou os pagamentos registrados na contabilidade feitos à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, como sendo base de cálculo de contribuições previdenciárias decorrentes da caracterização do vínculo empregatício entre os empregados da referida associação e a autuada, utilizandose, portanto, do procedimento chamado de aferição indireta, cujos fundamentos legais transcrevemse abaixo: Lei nº 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O arbitramento, ou aferição indireta, é uma medida de exceção, que deve ser utilizada quando a autoridade lançadora não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para se chegar aos valores efetivos das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, que no caso seriam os salários decontribuição pagos aos empregados que mantinham vínculo empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, e o vínculo empregatício de fato com a Brasil Telecom Call Center S/A. A autoridade lançadora não fundamentou o motivo pelo qual considerou o total das notas fiscais de serviço emitidas pela Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, como sendo base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. Convém lembrar que os valores dos salários recebidos pelos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.278 22 Estado de Goiás – ADFEGO, estão disponíveis em vários tipos de documentos emitidos pela referida associação, tais como folhas de pagamento, RAIS, GFIP e DIRF, e as informações contidas em tais documentos estão disponíveis nos sistemas informatizados da RFB. Contudo, a autoridade lançadora não informou se tais documentos seriam inexistentes, ou porque motivos as informações constantes neles não mereceriam fé. Como bem alegou as impugnantes, a autoridade lançadora consultou a GFIP apresentada pela Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, para relacionar o nome de todos os empregados formalmente vinculados a esta (item 85 do relatório fiscal e anexo VII), para comprovar a pessoalidade dos serviços prestados à autuada. Por qual razão não teria a autoridade lançadora considerado os salários informados nessa GFIP como base de cálculo? Vêse, portando, que autoridade lançadora poderia dispor dos valores dos saláriosdecontribuição efetivamente pagos a cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, mas assim não o fez. Ainda que a autoridade lançadora tivesse apresentado os motivos para desconsiderar todas as informações acerca dos valores dos salários pagos aos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, prevê percentuais mínimos a serem considerados como custo de mãodeobra no caso de aferição indireta feita com base em notas fiscais: Art. 450. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde, no mínimo, ao percentual de: I 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II 50% (cinquenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Embora a norma citada acima preveja percentuais mínimos a serem considerados como remuneração da mãodeobra, mostrase evidente que considerar o percentual máximo do valor dos serviços informados em notas fiscais dependeria de justificativa por parte da autoridade lançadora, o que não ocorreu no presente caso. Esse procedimento adotado pelo sujeito passivo [sic] ainda não se mostra razoável, pois · considera que todos os valores constantes em notas fiscais corresponderiam a saláriosdecontribuição, não havendo qualquer tipo de pagamento sobre o qual não incidiria contribuições previdenciárias; Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.279 23 · considera que a empresa contratada faria a intermediação de mãode obra de forma gratuita. Em razão do exposto, devem ser excluídos do lançamento todos os valores das contribuições previdenciárias objeto dos seguintes levantamentos: · AS – PAGAMENTO À ADFEGO – SEGURADOS EMPREGADOS (EMPRESA); · CS – PAGAMENTOS À ADFEGO – CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS (SEGURADOS). Da decisão acima, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em conformidade com o art. 34, inciso I do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em razão do valor exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008. Em 08 de janeiro de 2014, o sujeito passivo tomou ciência da decisão da DRJ e, ainda inconformado, formalizou, em 07 de fevereiro do mesmo ano, recurso voluntário que, juntamente como o recurso de ofício, foi submetido ao crivo do Colegiado de 2ª Instância em 16 de agosto de 2016, concluindose pelo não provimento do recurso de ofício e pela consequente manutenção da exoneração de parte do lançamento. Na análise da impugnação formulada no presente processo, em particular no tema em que o contribuinte trata da relação de prejudicialidade entre lançamento e processo com recurso de ofício pendente, entendeu a Decisão recorrida que: Não há previsão legal específica quanto ao questionamento de concomitância de novo lançamento fiscal com processo pendente de recurso de ofício, mas podese fazer uma interpretação sistemática a partir de disposição acerca da simultaneidade de processo fiscal e outro decorrente de ação judicial pelo disposto no Decreto 70.235/1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal: Art. 62. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Além da cautela fiscal quanto à decadência do direito fazendário de lançar o crédito, devese se resguardar a ampla defesa do sujeito passivo, cuja ponto fulcral que exsurge do comando normativo referido, é a concorrência do objeto da matéria discutida, cujo entendimento, no mesmo sentido, também foi sacramentado mediante súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.280 24 Portanto, haveria relação de prejudicialidade se ocorresse a identidade de objeto que no presente caso, não se verifica pois os fundamentos de fato do lançamento são distintos. Cabe ressalvar que o resultado do processo com recurso de ofício pendente dever ser harmonizado com o presente de crédito, cuja autoridade preparadora competente, mediante procedimento específico, deverá velar pela congruência dos efeitos das decisões futuras. Não identifico a inexistência de identidade de objeto alegada pela decisão recorrida. Afinal, o que se buscava no lançamento originário era a cobrança dos tributos previdenciários devidos, em certo período de apuração, incidentes sobre determinada operação de terceirização julgada fraudulenta. Já no presente caso, o que se busca é a cobrança dos mesmos tributos previdenciários devidos incidentes sobre a mesma operação e do mesmo período de apuração. Ou seja, o objeto é o mesmo. Naturalmente, os fundamentos do lançamento são distintos, já que este segundo lançamento tem o nítido propósito de corrigir equívocos cometidos no anterior. Conforme dito alhures, houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo em 31/03/2014. Notase, portanto, que no momento da ciência do presente lançamento, ao contrário do que afirmou a autoridade lançadora, ainda não havia sido exonerada definitivamente qualquer parcela do crédito tributário lançado no processo 10166.723933/201362. Caso houvesse tal exoneração definitiva, sendo esta motivada por vicio formal, a Fazenda Nacional teria o prazo previsto no inciso II do art. 173, da Lei 5.172/66, (CTN) para constituir novamente o crédito tributário, ainda que relativo ao mesmo período de apuração e baseado nos mesmos fatos geradores. Não obstante, no caso em tela, o que temos é um novo lançamento que, em síntese, buscou corrigir falhas identificadas por ocasião de lançamento anterior, frisese, regularmente constituído, e em um momento em que este último ainda estava plenamente ativo. Assim dispõe o CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.281 25 I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A partir dos destaques acima, perece inequívoco que não seria possível que se promovesse novo lançamento sobre os mesmos fatos geradores enquanto o lançamento anterior ainda estivesse pendente de definitiva decisão administrativa. Quando muito, poderíamos conceber a alteração pretendida mediante revisão do lançamento, mas isso só poderia ocorrer nos casos elencados no art. 149 acima citado, dentre os quais não identifico nenhum que desse amparo à modificação julgada necessária, já que o novo procedimento não apreciou fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Por outro lado, há que se perquirir se o objeto do Agente Fiscal com o novo lançamento configuraria mácula à imutabilidade do lançamento prevista no art. 145 ou mesmo modificação de critério jurídico, que se mostra claramente restrita aos termos do art. 146, tudo do CTN. Sobre essa questão, são relevantes os ensinamentos que podem ser extraídos da REsp nº 1.130.545 RJ, sujeito ao procedimento do artigo 543C, do CPC, de relatoria do Ministro Luiz Fux. Embora a tese firmada não se ajuste perfeitamente ao presente, sua fundamentação é bastante esclarecedora: Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.282 26 Tese firmada: A retificação de dados cadastrais do imóvel, após a constituição do crédito tributário, autoriza a revisão do lançamento pela autoridade administrativa (desde que não extinto o direito potestativo da Fazenda Pública pelo decurso do prazo decadencial), quando decorrer da apreciação de fato não conhecido por ocasião do lançamento anterior, ex vi do disposto no artigo 149, inciso VIII, do CTN. Ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IPTU. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS DO IMÓVEL. FATO NÃO CONHECIDO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR (DIFERENÇA DA METRAGEM DO IMÓVEL CONSTANTE DO CADASTRO). RECADASTRAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. 1. A retificação de dados cadastrais do imóvel, após a constituição do crédito tributário, autoriza a revisão do lançamento pela autoridade administrativa (desde que não extinto o direito potestativo da Fazenda Pública pelo decurso do prazo decadencial), quando decorrer da apreciação de fato não conhecido por ocasião do lançamento anterior, ex vi do disposto no artigo 149, inciso VIII, do CTN. 2. O ato administrativo do lançamento tributário, devidamente notificado ao contribuinte, somente pode ser revisto nas hipóteses enumeradas no artigo 145, do CTN, verbis: "Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." 3. O artigo 149, do Codex Tributário, elenca os casos em que se revela possível a revisão de ofício do lançamento tributário, quais sejam: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.283 27 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." 4. Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.284 28 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Diz se que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.285 29 desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) 9. In casu, restou assente na origem que: "Com relação a declaração de inexigibilidade da cobrança de IPTU progressivo relativo ao exercício de 1998, em decorrência de recadastramento, o bom direito conspira a favor dos contribuintes por duas fortes razões. Primeira, a dívida de IPTU do exercício de 1998 para com o fisco municipal se encontra quitada, subsumindose na moldura de ato jurídico perfeito e acabado, desde 13.10.1998, situação não desconstituída, até o momento, por nenhuma decisão judicial. Segunda, afigurase impossível a revisão do lançamento no Documento: 11036185 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 12 Superior Tribunal de Justiça ano de 2003, ao argumento de que o imóvel em 1998 teve os dados cadastrais alterados em função do Projeto de Recadastramento Predial, depois de quitada a obrigação tributária no vencimento e dentro do exercício de 1998, pelo contribuinte, por ofensa ao disposto nos artigos 145 e 149, do Código Tribunal Nacional. Considerando que a revisão do lançamento não se deu por erro de fato, mas, por erro de direito, visto que o recadastramento no imóvel foi posterior ao primeiro lançamento no ano de 1998, tendo baseado em dados corretos constantes do cadastro de imóveis do Município, estando o contribuinte notificado e tendo quitado, tempestivamente, o tributo, não se verifica justa causa para a pretensa cobrança de diferença referente a esse exercício." 10. Consectariamente, verificase que o lançamento original reportouse à área menor do imóvel objeto da tributação, por desconhecimento de sua real metragem, o que ensejou a posterior retificação dos dados cadastrais (e não o recadastramento do imóvel), hipótese que se enquadra no disposto no inciso VIII, do artigo 149, do Codex Tributário, razão pela qual se impõe a reforma do acórdão regional, ante a higidez da revisão do lançamento tributário. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10166.721846/201451 Acórdão n.º 2201004.757 S2C2T1 Fl. 1.286 30 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Pontuadas as questões relevantes para o deslinde do caso concreto, entendo que a Autoridade Fiscal cometeu erro de direito ao formalizar o lançamento relativo à contribuição previdenciária por arbitramento, sem ponderar que este procedimento constitui medida de exceção que, nos exatos termos utilizados pelo julgador de 1ª Instância no processo originário, deve ser utilizada quando a autoridade lançadora não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para se chegar aos valores efetivos das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, que no caso seriam os saláriosdecontribuição pagos aos empregados que mantinham vínculo empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás. Observou a mesma instância julgadora que a Autoridade lançadora poderia dispor dos valores dos saláriosdecontribuição efetivamente pagos a cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, mas assim não o fez. Ademais, não foi justificada a não aplicação dos percentuais mínimos a serem considerados como custo de mãodeobra no caso de aferição indireta feita com base em notas fiscais. A par de tudo, evidente que o motivo que levou ao provimento da impugnação ao primeiro lançamento é um erro de direito, decorrente da escolha equivocada pelo arbitramento com base nas notas fiscais de serviço, que representa módulo normativo inservível ou não aplicável ao caso concreto. Assim, ao se efetuar um novo lançamento baseado nos mesmos elementos, estamos diante de uma mudança de critério jurídico que, nos termos do 146 do CTN, representa mácula insanável do presente lançamento. Tampouco há de se falar em revisão de lançamento, já que inexiste previsão de erro de direito, dentre as hipóteses elencadas no art. 149 do mesmo Código Tributário. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.100090/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL.
Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral).
IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA.
Na hipótese de rendimento isento ou não tributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a eventual apresentação de declaração retificadora, com a reclassificação dos rendimentos como isentos ou não tributáveis, implica a restituição do imposto na própria declaração.
Numero da decisão: 2402-006.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral). IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. Na hipótese de rendimento isento ou não tributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a eventual apresentação de declaração retificadora, com a reclassificação dos rendimentos como isentos ou não tributáveis, implica a restituição do imposto na própria declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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MOLÉSTIA GRAVE Recorrente GUILHERME ANTONIO KRESS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral). IRPF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. Na hipótese de rendimento isento ou não tributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a eventual apresentação de declaração retificadora, com a reclassificação dos rendimentos como isentos ou não tributáveis, implica a restituição do imposto na própria declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 10 00 90 /2 00 5- 81 Fl. 80DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, na qual o sujeito passivo pediu que fosse reconhecido o seu direito à isenção, em face da existência de moléstia grave. Segue abaixo a ementa da decisão: DECADÊNCIA. Tendo transcorrido, entre a data do recolhimento do tributo e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, considerase ocorrida a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. Na hipótese de rendimento isento ou nãotributável declarado na D1RPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a restituição do indébito de imposto de renda será pleiteada exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF retificadora. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 11/06/2010 (fl. 58 do PDF) e interpôs seu recurso voluntário em 12/07/2010, no qual basicamente reafirmando os mesmos termos de sua manifestação, alegou o seguinte: a) inexistência de decadência em relação ao pedido de resttiuição; b) em que pese o contribuinte ter alegado estar providenciando as declarações retificadoras referentes anoscalendários 2001 a 2004, nada impediria que o pedido de restituição que instrui os presentes autos incluísse tais anos. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10070.100090/200581 Acórdão n.º 2402006.634 S2C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da decadência Cuidase de pedido de restituição referente ao IRPF, anoscalendários 1999 a 2004, sob o argumento de que o sujeito passivo teria moléstia grave (neoplasia maligna) não passível de controle (v. fls. 2/4 do PDF). A solicitação foi indeferida pela unidade de origem (v. decisão de fl. 23), ao argumento de que teria transcorrido o prazo decadencial para o sujeito passivo pleitear a restituição. Vejase: Assim, o reconhecimento de direito creditório está condicionado à apresentação de pedido de restituição no prazo de cinco anos do pagamento indevido, incluindose ai também a retenção indevida efetuada pela fonte pagadora. No presente processo, o pedido foi apresentado em 26/12/2005. Assim, quando o contribuinte solicitou a restituição do imposto já estava extinto, pelo transcurso do prazo de cinco anos, o direito de pleitear restituição relativa a fatos geradores anteriores a 26/12/2000. Portanto, o exame de mérito relativo ao período solicitado está prejudicado. A DRJ manteve o fundamento da decadência e acrescentou que a restituição do IRPF somente seria deferida mediante a apresentação da DIRPF retificadora. Quanto à decadência, o acórdão recorrido manifestouse nos mesmos termos da decisão que indeferiu o pedido de restituição. Vejase: Portanto, quando o interessado solicitou a restituição do imposto, em 26/12/2005 (fls. 01 e 02), já havia mais de cinco anos da data da extinção do crédito relativo a fatos geradores anteriores a 26/12/2000, tendo decaído o direito de o contribuinte requerer a restituição do imposto retido indevidamente para este período. Como se vê, ao contrário do que alega o sujeito passivo, a unidade de origem e a DRJ não reconheceram a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2001 a 2004. É bem verdade que a decisão da unidade de origem talvez careça de maiores detalhamentos em relação a esses anos, como fez, acertadamente, a DRJ, mas o fato é que ambos os órgãos manifestaram entendimento semelhante, no sentido de reconhecer a decadência no período anterior a 26/12/2000, entendimento que está de acordo com a legislação tributária. Fl. 82DF CARF MF 4 Segundo o art. 168, inc. I, do CTN, o prazo para a apresentação do pedido de restituição de tributo indevidamente pago é de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. No que se refere aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o art. 3° da LC nº 118/2005 conferiu efeito interpretativo àquele dispositivo, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento. O art. 4° da mesma LC prescreveu a aplicação retroativa do citado preceito. Tal matéria veio a ser objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em julgamento com repercussão geral. Reconheceuse a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118, pois, embora com alegado caráter interpretativo, ele inovou no mundo jurídico, devendo ser tido como lei nova. Consagrouse a tese de que o prazo de 5 anos, contado da data do pagamento, teria aplicação somente nas ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da lei, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Para as ações ajuizadas anteriormente, mantevese o entendimento consolidado no STJ, que vinha reiteradamente reconhecendo a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Vejase: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10070.100090/200581 Acórdão n.º 2402006.634 S2C4T2 Fl. 4 5 mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF RE nº 566621/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04082011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011). Como sabido, este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF com repercussão geral, conforme determina o art. 62A do seu Regimento Interno: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste caso, o contribuinte apresentou o seu pedido no dia 26/12/2005, ou seja, em data posterior a 9 de junho de 2005, aplicandose, portanto, o prazo de cinco anos a partir do pagamento antecipado. Em sendo assim, quando o pedido foi apresentado, estavam realmente alcançados pela decadência os recolhimentos efetuados antes de 26/12/2000, o que abrange, portanto, todo o anocalendário 1999, e quase todo o anocalendário 2000 (o que deverá ser eventualmente aferido em sede de liquidação do julgado, quando a unidade de origem deverá verificar a existência ou não de recolhimentos efetuados entre os dias 26/12/2000 e 31/12/2000, período este não alcançado pelo prazo extintivo). É importante observar que, de acordo com os art. 66 da Lei 9784/99, e o art. 132, § 3º, do Código Civil, os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data, expirandose no dia de igual número ao de início. Vejase: Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. § 1o Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2o Os prazos expressos em dias contamse de modo contínuo. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente Fl. 84DF CARF MF 6 àquele do início do prazo, temse como termo o último dia do mês. Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computamse os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerarseá prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. § 2o Meado considerase, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contarseão de minuto a minuto. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido, porque a DRJ não reconheceu a decadência em relação aos anoscalendário 2001 e subsequentes, tendo reconhecido, de forma escorreita, que a decadência abrangeria os fatos geradores ocorridos antes de 26/12/2000. 3 Da possibilidade de deferirse o pedido de restituição Quanto ao período não alcançado pela decadência, o sujeito passivo advoga que, em que pese ter alegado estar providenciando as declarações retificadoras referentes aos anoscalendário 2001 a 2004, nada impediria que o pedido de restituição que instruiu os presentes autos incluísse tal período. Pois bem. Às fls. 11/12 do PDF, vêse que o contribuinte, logo após o despacho segundo o qual deveria ser observado o disposto no § 1º do art. 9º da IN SRF 460/2004, apresentou petição esclarecendo que estaria "providenciando as declarações retificadoras dos exercícios 2002 a 2005". Certamente, isso levou a unidade de origem a prolatar a decisão objeto da manifestação de inconformidade apenas em relação aos fatos geradores que não seriam retificados nas declarações de rendimentos. Está implícito que a decisão abrangia apenas os anoscalendário 1999 e 2000, mas não os anoscalendário subsequentes (2001 a 2004), os quais, nos dizeres do próprio contribuinte, seriam retificados através de declarações retificadoras. Eventualmente, e como já dito, talvez isso devesse ter constado de forma mais explícita na decisão da unidade de origem, mas o fato é que é incabível deferirse a restituição do imposto recolhido nos anoscalendário 2001 a 2004 neste PAF, diante da afirmação inequívoca do contribuinte de que estava providenciando as declarações retificadoras. Como sabido, a declaração retificadora substitui integralmente a declaração retificada, o que, no caso concreto, implica a restituição do imposto retido ou pago a maior na própria declaração retificadora. Melhor explicitando, a apuração do imposto a restituir em relação aos anoscalendário 2001 a 2004 deve ter ocorrido nas próprias declarações que o contribuinte afirmou que estaria apresentando. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10070.100090/200581 Acórdão n.º 2402006.634 S2C4T2 Fl. 5 7 É relevante frisar que o contribuinte não poderia alegar qualquer prejuízo ao seu direito de restituição, uma vez que ele afirmara, expressamente, que estava fazendo as declarações retificadoras. A rigor, e do que se depreende da decisão "SOLICITAÇÃO INDEFERIDA", a unidade de origem nem mesmo instaurou qualquer controvérsia fática ou jurídica a respeito dos fatos geradores que seriam retificados, diante da afirmação expressa do sujeito passivo. Destarte, a decisão recorrida é incensurável, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.723118/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (suplente convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (suplente convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, em razão das seguintes glosas: glosas de créditos presumidos de IPI de que tratam os artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440/1997, escriturados no estabelecimento ACUMULADORES MOURA S/A (CNPJ 09.811.654/000170), referente ao período de janeiro de 2011 a dezembro de 2012; glosa do valor de R$ 749.816,70 lançado em outros créditos correspondente ao Pedido de Ressarcimento Residual nãohomologado nº 30196.03984.310810.1.1.01.0501, por não ter sido localizado o lançamento anterior a débito quando da apresentação do referido pedido; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 35 .7 23 11 8/ 20 14 -6 7 Fl. 6213DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.214 2 glosa de R$ 8.081.680,37, correspondente entre a diferença do saldo credor em janeiro/2011 escriturado pela recorrente de R$ 10.332.711,79 e o saldo inicial reconstituído pela fiscalização no Auto de Infração constituído no processo nº 10480.720471/201369 de R$ 2.251.031,42. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório da decisão recorrida: "Tratase do lançamento de ofício do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 23.959.164,56 (incluindo principal, multa proporcional e juros), referente ao período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2012, conforme se vê no auto de infração de fls. 03/13. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/44, em síntese, que: a) O contribuinte possui o Certificado de Habilitação MDIC/SDP/Nº 001/01, o qual lhe habilitou, inicialmente, à fruição do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI instituído pelo art. 11 da Lei nº 9.440/97 até dezembro/2010. Em virtude do disposto no art. 8º do Decreto nº 7.422/2010, o contribuinte foi automaticamente habilitado para a fruição do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI instituído pelo art. 11A da Lei nº 9.440/97, a partir do anocalendário de 2011, sendo que o direito a tal incentivo fiscal foi estendido até 31/12/2015. O contribuinte também possui o Certificado de Habilitação Específico para as Baterias denominadas MOURA HIGH EFFICIENCY MDIC/SDP/Nº I/2012, o qual lhe habilitou à fruição do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI instituído pelo art. 11B da Lei nº 9.440/97, pelo prazo máximo de cinco anos contados a partir de 25/07/2012. b) A Acumuladores Moura S.A. se organiza em oito estabelecimentos: matriz (901) e filiais (902, 903, 904, 905, 906, 908 e 909), estando a matriz e as filiais 902, 904, 905, 908 e 909 localizadas na Região Nordeste. Na Região Sudeste, localizamse as filiais 903 e 906, estando a primeira situada em Betim – MG e a segunda em Itapetininga – SP. A matriz fabrica baterias e parte delas, semiacabadas, são transferidas para a filial 906. A filial 904 recicla sucata de baterias, inclusive através de terceiros. O processamento por terceiros retorna chumbo beneficiado e polipropileno moído e lavado. O chumbo, então, é transferido para a matriz e para as filiais 905 e 908. O polipropileno é transferido para a filial 905, que recicla o plástico, inclusive através de terceiros, produzindo tampas e caixas de plástico, que são transferidas para a matriz. Constatouse, ainda, que a filial 908 fabrica baterias tracionárias, recebendo insumos da matriz e das filiais 904, 905 e 906. Há a transferência também de baterias semiacabadas para a filial 906, conforme se atesta na planilha “Livro de Entradas do Estabelecimento 0006 (906) Relação das Transferências Recebidas de Produtos para Industrialização”. Na filial 906, as baterias semiacabadas recebem a solução eletrolítica, sendo carregadas e rotuladas. Enfim, as vendas das baterias da filial 906 são feitas diretamente ou através da filial 903, ressaltando que, além de comercializar, a filial 903 realiza operação de industrialização. Fl. 6214DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.215 3 c) Incentivo Fiscal do Crédito Presumido do IPI (arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97): O §1º da Lei nº 9.440/97, ao estabelecer que o incentivo do crédito presumido do IPI aplicase exclusivamente às empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste e que sejam montadoras e fabricantes dos produtos elencados naquela lei, o legislador não só delimitou a área geográfica de atuação das empresas beneficiadas, mas definiu também a atividade e os produtos que queria incentivar. E, na regulamentação do art. 11A da Lei nº 9.440/97, o Decreto nº 7.422/2010 determinou que o crédito presumido do IPI deveria ser calculado sobre o montante das contribuições devidas incidentes sobre as vendas no mercado interno dos produtos mencionados no inciso IV do art. 2º do Decreto nº 2.179/1997, multiplicado por dois, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2011, e por um inteiro e nove décimos, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2012. E, no que se refere à regulamentação do art. 11B da Lei nº 9.440/97, o Decreto nº 7.389/2010 dispõe que o crédito presumido do IPI será equivalente ao resultado da aplicação das alíquotas do art. 1º da Lei nº 10.485/2002, sobre o valor das vendas no mercado interno, em cada mês, dos produtos incentivados, multiplicado por dois, até o 12º mês de fruição do benefício. Registrase, entretanto, que, nas vendas dos produtos beneficiados pelo crédito presumido do IPI do art. 11B, ficou vedado o aproveitamento do crédito presumido previsto no art. 11A, nos termos do §3º do art. 11B da Lei nº 9.440/97. c.1) O Certificado de Habilitação Específico para as Baterias denominadas MOURA HIGH EFFICIENCY MDIC/SDP/Nº I/2012 faz menção expressa à concessão do benefício disciplinado no art. 11B da Lei nº 9.440/97 somente ao estabelecimento matriz (CNPJ 09.811.654/000170). Em relação ao Certificado de Habilitação MDIC/SDP/Nº 001/01, a empresa foi habilitada ao incentivo instituído pelo art. 11A da Lei nº 9.440/97, ressalvandose, no entanto, que a interpretação teleológica do referido incentivo conduz a uma noção de empresa restrita aos estabelecimentos situados na região beneficiada, os quais desempenhem as atividades industriais relacionados aos produtos incentivados, nos termos do art. 1º, §1º, da Lei nº 9.440/97. No caso concreto, constatouse que os estabelecimentos 901 (matriz – 0001) e 905 (filial 0005), ambos localizados na Região Nordeste, transferem baterias semielaboradas (automotivas, estacionárias e tracionárias) para o estabelecimento 906 (filial 0006), localizado na Região Sudeste, onde as citadas baterias recebem a solução eletrolítica, são carregadas e, por fim, rotuladas. Ao fim, essas baterias são vendidas diretamente pelo estabelecimento 906 ou transferidas para o estabelecimento 903 (filial 0003), o qual procede praticamente às vendas dos produtos produzidos pela filial 906. Ora, se a filial 906 opera como estabelecimento industrial, utilizando os produtos transferidos da região incentivada como insumo em nova industrialização, na Região Sudeste, não há embasamento legal para se incluir as receitas das vendas auferidas pelas filiais 906 e 903 na base de cálculo dos créditos presumidos do IPI, pois, literalmente, para fruição do benefício, o estabelecimento deve atender as duas condições: ser instalada nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e ser exclusivamente montadora e fabricante dos produtos relacionados nas alíneas “a” a “h” do §1º do art. 1º da Lei nº 9.440/97. Concluise, então, que, no que se refere ao crédito presumido do IPI instituído Fl. 6215DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.216 4 pelos art. 11A da Lei nº 9.440/97, os débitos e os créditos a descontar na apuração das contribuições do PIS e da COFINS, os quais formam a base de cálculo do crédito presumido (art. 11A da Lei nº 9.440/97), devem ser calculados exclusivamente sobre as vendas no mercado interno dos produtos incentivados, cujos estabelecimentos operem na área de abrangência do incentivo, observandose critério de rateio proporcional dos créditos do PIS e da COFINS eleito pelo sujeito passivo, nos termos do art. 3º, §§7º, 8º e 9º das Leis n(s)º 10.637/2002 e 10.833/2003. c.2) Seguindo a mesma linha de raciocínio manifestada acima, infere se que, em relação ao crédito presumido do IPI instituído pelos art. 11 B da Lei nº 9.440/97, a base de cálculo do crédito presumido (art. 11B da Lei nº 9.440/97) deve ser constituída exclusivamente pelas vendas no mercado interno dos produtos incentivados, cujos estabelecimentos operem na área de abrangência do incentivo. Ante o exposto, na apuração dos créditos presumidos do IPI, a fiscalização considerou apenas as receitas de venda no mercado interno das baterias automotivas e tracionárias, produzidas pelos estabelecimentos matriz e pela filial 908, bem como somente os créditos das contribuições do PIS e da COFINS (art. 11A da Lei nº 9.440/97) vinculados a esses produtos incentivados. d) Produtos Industrializados pela Acumuladores Moura: A contribuinte fabrica baterias automotivas, tracionárias, estacionárias e náuticas, ligas de metais nãoferrosos e artefatos de material de plástico, principalmente destinados à elaboração das baterias: d.1) Baterias Automotivas: As receitas de vendas dessas baterias automotivas no mercado interno, desde que produzidas por estabelecimentos localizados na Região Incentivada, se enquadram como receitas incentivadas para fins de fruição do benefício fiscal instituído pela art. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97. Enfim, ressaltase que as baterias automotivas classificadas dentro da tecnologia HIGH EFFICIENCY são identificadas nas notas fiscais de vendas pelos códigos HE1 (tipo 1) ou HE2 (tipo 2), as quais compõem a base de cálculo do crédito presumido do art. 11B da Lei nº 9.440/97. d.2) Baterias Estacionárias: Classificamse em Moura VRLA (UPS / nobreaks / estabilizadores, sistemas de segurança e alarme, telecomunicações, circuito fechado de TV, caixas eletrônicos 24h, caixas de lojas e supermercados, dispositivos eletroeletrônicos e equipamentos médico hospitalares), Moura Clean Nano (Energia solar, telecomunicações, fazendas de energia eólica, bóias e sinalização marítima para telecomunicações, cercas elétricas, monitoramento remoto e instalações solares fotovoltaicas) e Moura Clean Max (Telecomunicações, subestações elétricas, iluminação de emergência e sinalizações, energia eólica, UPS/ NoBreaks, PABX, centrais telefônicas, alarmes, vigilância eletrônica, energia Solar e Fazendas). Inferese que as receitas de vendas no mercado interno dessas baterias, as quais são identificadas pelas palavras CLEAN ou VRLA, não compõem as bases de cálculo dos créditos presumidos do IPI, pois não estão no rol dos produtos incentivados, nos termos do art. 1º, §1º, da Lei nº 9.440/97. Fl. 6216DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.217 5 d.3) Baterias Tracionárias: Classificamse em Moura Log Diesel (equipa caminhões, ônibus e tratores movidos a óleo diesel), Moura Log Monobloco (plataformas elevatórias, rebocadores e veículos industriais, carros de golfe, paleteiras e empilhadeiras, lavadoras e varredouras de piso) e Moura Log HDP (empilhadeiras elétricas, paleteiras elétricas, rebocadores elétricos e outros veículos de tração elétrica). Como as baterias tracionárias se destinam a empilhadeiras, constatase que as vendas no mercado interno das baterias tracionárias, desde que produzidas na Região beneficiada, compõem as bases de cálculo dos créditos presumidos do IPI, em conformidade com o disposto na alínea “e” do §1º do art. 1º da Lei nº 9.440/97 (empilhadeiras). d.4) Baterias Náuticas (BOAT): As baterias náuticas podem ser utilizadas para dar a partida no motor e para alimentar os equipamentos e utilidades elétricas das embarcações, tais como iluminação, rádio, GPS, radar, microondas, refrigerador, bombas e outros itens de consumo. Concluise, então, que as receitas de vendas no mercado interno dessas baterias, as quais são identificadas pelas palavras BOAT, não compõem as bases de cálculo dos créditos presumidos do IPI, pois não estão no rol dos produtos incentivados, nos termos do art. 1º, §1º, da Lei nº 9.440/97. d.5) Ligas Metálicas NãoFerrosas e Artefatos de Material de Plástico: A mesma observação feita em relação a baterias náuticas se aplica a esses produtos. Caso não sejam partes destinadas à elaboração dos produtos relacionados nas alíneas “a” a “h” do §1º do art. 1º da Lei nº 9.440/97, as vendas deles provenientes não podem ser incluídas nas bases de cálculo dos créditos presumidos do IPI. e) Da Apuração do Crédito Presumido do IPI: A partir dos dados constantes nas notas fiscais eletrônicas de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, procedeuse inicialmente à segregação das vendas dos produtos incentivados e dos não incentivados. Em relação aos produtos incentivados, identificaramse as vendas no mercado interno das baterias automotivas e tracionárias produzidas pelos estabelecimentos situados na região beneficiada (matriz e filial 0008), de acordo com o tipo do crédito presumido (11A ou 11B da Lei nº 9.440/97). No que se refere aos não incentivados, identificaramse as vendas para o exterior e para o mercado interno referente àquelas não tributadas pelo Pis/Cofins, às baterias automotivas e tracionárias produzidas/vendidas pelas filiais 0003 e 0006, às baterias estacionárias e náuticas e às ligas Metálicas nãoFerrosas, artefatos de material de plástico e outros itens adquiridos e revendidos. Logo em seguida, confeccionaramse as planilhas correspondentes à totalização mensal das receitas incentivadas (arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97) e não incentivadas, a fim de estabelecer o percentual de participação de cada uma delas em relação ao total mensal das receitas de vendas auferidas. Em seguida, levantaramse os créditos mensais, por rubrica, do PIS e da Cofins, de acordo com as informações constantes na DACON e na EFD – Contribuições, ressaltandose que os dados referentes aos encargos de depreciação foram obtidos nos arquivos magnéticos do Sped – Contábil. Em seguida, a partir da totalização mensal dos créditos do PIS e da Cofins, procedeuse ao rateio proporcional desses créditos de acordo com o critério eleito pelo sujeito passivo, nos Fl. 6217DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.218 6 termos do art. 3º, §§7º, 8º e 9º das Leis n(s)º 10.637/2002 e 10.833/2003, a fim de identificar a parcela desses créditos vinculados às receitas de vendas dos produtos incentivados e dos não incentivados. Dos créditos das contribuições vinculados às receitas incentivadas, estabeleceuse ainda a parcela desses créditos vinculados às receitas de vendas incentivadas pelo crédito presumido do IPI instituído pelo art. 11A da Lei nº 9.440/97, nos termos do art. 3º, §§7º, 8º e 9º das Leis n(s)º 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que o referido crédito presumido do IPI é calculado a partir do montante do valor das contribuições devidas do PIS e da Cofins. Não houve a necessidade de se assinalar a parcela dos créditos das contribuições vinculadas às receitas de vendas incentivadas pelo crédito presumido do IPI instituído pelo art. 11B da Lei nº 9.440/97, pois tal crédito presumido do IPI é equivalente ao resultado da aplicação das alíquotas do art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, sobre o valor das vendas no mercado interno. Na sequência, procedeuse à apuração dos débitos do PIS e da Cofins referentes às receitas de vendas incentivadas pelo crédito presumido do IPI do art 11A da Lei nº 9.440/97, enfatizando se acerca da aplicação das alíquotas de 1,65% (Pis) e 7,60% (Cofins) e de 2,30% (Pis) e 10,80% (Cofins) incidentes sobre as vendas sujeitas ao regime não cumulativo geral e ao regime monofásico, respectivamente, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.485/2002 c/c aos arts. 2º das Leis n(s)º 10.637/2002 e 10.833/2003. Então, a partir dos débitos e créditos mensais das contribuições (Pis e Cofins) vinculados às vendas incentivadas pelo crédito presumido do art. 11A da Lei nº 9.440/97, apuraramse os montantes das referidas contribuições devidas mensalmente, aplicandose, por conseguinte, os coeficientes estabelecidos nos incisos I e II do art. 11A da Lei nº 9.440/97 a fim de se calcular os valores correspondentes ao crédito presumido do IPI do 11A. E, enfim, como consequência dos levantamentos das vendas e das devoluções de vendas referentes às baterias HIGH EFFICIENCY ocorridas no mercado interno a partir de 25/07/2012, procedeuse à apuração do crédito presumido do IPI do art. 11B, nos termos do art. 11B, §2º, I, da Lei nº 9.440/97. f) Créditos Indevidos – Saldo Credor de Período Anterior Indevido: No curso do anocalendário de 2012, foi movida ação fiscal sobre o contribuinte, culminando na reconstituição, de ofício, da escrita do IPI e, por consequência, na lavratura do auto de infração do IPI, conforme formalizado no Processo Administrativo nº 10480.720471/201369. Em análise à planilha de reconstituição da escrita do IPI decorrente do procedimento fiscal supramencionado, constatase que o saldo credor apontado pela fiscalização, cujo período de apuração corresponde ao 4º trimestre/2010, foi de R$ 2.251.031,42. No entanto, em verificação ao Livro de Registro de Apuração do IPI da matriz apresentado no curso deste procedimento fiscal, notase que o sujeito passivo transportou erroneamente o saldo credor do 4º trimestre/2010 no valor de R$ 10.332.711,79, destoando, por conseguinte, do saldo credor apurado pela fiscalização anterior, o qual foi de R$ 2.251.031,42. Tornase, então, cristalino o equívoco do sujeito passivo ao não retificar o saldo credor do período inicial de janeiro/2011 constante no Livro de Registro de Apuração do IPI, o qual deveria corresponder ao valor de R$ 2.251.031,42. Diante disso, procedeuse à glosa no saldo credor inicial (janeiro/2011) no valor correspondente a R$ 8.081.680,37, o qual corresponde à diferença entre o valor escriturado Fl. 6218DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.219 7 no Livro de Registro de Apuração do IPI (R$ 10.332.711,79) e o valor efetivamente apurado pela fiscalização anterior (R$ 2.251.031,42). g) Créditos Indevidos – Crédito Presumido Indevido, Art. 11A da Lei nº 9.440/97: Comparandose os valores dos créditos presumidos do IPI demonstrados na planilha “Crédito Presumido do IPI Relacionado ao art. 11A da Lei nº 9.440/97” com os valores dos créditos escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI, os quais estão relacionados na planilha “Crédito Presumido do IPI Escriturado Referente aos arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97”, constatouse a necessidade de se efetuarem, de ofício, os seguintes ajustes: g.1) Glosas do Crédito Presumido do IPI, referentes ao excesso de crédito escriturado pelo sujeito passivo em confronto ao efetivamente apurado pela fiscalização; e g.2) Ajustes a Crédito, referentes à insuficiência de crédito escriturado pelo sujeito passivo quando cotejado ao efetivamente apurado pela fiscalização. Assim, procedeuse, de ofício, às glosas do Crédito Presumido do IPI do art. 11A da Lei nº 9.440/97, conforme planilha “Glosa ou Ajuste do Crédito Presumido IPI Relacionada ao art. 11A da Lei nº 9.440/97”. h) Créditos Indevidos – Crédito Presumido Indevido, Art. 11B da Lei nº 9.440/97: Diante da apuração dos créditos presumidos do IPI referentes ao art. 11B da Lei nº 9.440/97, os quais foram demonstrados na planilha “Crédito Presumido do IPI Relacionado ao art. 11B da Lei nº 9.440/97”, confrontaramse esses valores aos dos créditos escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI, os quais estão relacionados na planilha “Crédito Presumido do IPI Escriturado Referente aos arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97”. De tal cotejo, constatouse a necessidade de se efetuarem, de ofício, as glosas do crédito presumido do IPI, referentes ao excesso de crédito escriturado pelo sujeito passivo em comparação ao efetivamente apurado pela fiscalização. Diante disso, procedeuse, de ofício, às glosas do Crédito Presumido do IPI do art. 11 B da Lei nº 9.440/97, conforme planilha “Glosa ou Ajuste do Crédito Presumido IPI Relacionada ao art. 11B da Lei nº 9.440/97”. i) Créditos Indevidos – Crédito Indevido (Demais Modalidades de Crédito): Em análise ao Livro de Registro de Apuração do IPI referente ao mês de julho/2011, verificouse um lançamento a crédito que seria correspondente, em parte, a não homologação do Pedido de Ressarcimento Residual nº 30196.03984.310810.1.1.01.0501 no valor de R$ 749.816,70. Ressaltase, entretanto, que o referido lançamento a crédito deveria corresponder, na verdade, ao estorno de débito eventualmente contabilizado na data do Pedido de Ressarcimento Residual, que foi em 31/08/2010. Observase, ainda, que não consta nenhum lançamento a débito correspondente ao supracitado pedido de ressarcimento residual, o qual se refere ao 3º trimestre/2008, no período compreendido entre setembro/2008 a outubro/2010, conforme se verifica nos Livros fiscais obtidos junto ao Processo Administrativo nº 10480.7204712013/69. Enfatizase que, na reconstituição da escrita fiscal constante no Processo Administrativo nº 10480.7204712013/69 em decorrência de ação fiscal anterior, fica evidenciado que a autoridade fiscal procedeu aos estornos de débitos no valor de R$ 1.971.441,39 correspondente ao Pedido de Ressarcimento Original do 3º trimestre/2008. Por conseguinte, efetuase a glosa do lançamento a crédito (Outros Créditos), no valor de R$ 749.816,70, pois não se identificou o lançamento a débito correspondente ao Pedido de Ressarcimento Residual nº 30196.03984.310810.1.1.01.0501, o qual, se Fl. 6219DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.220 8 tivesse sido realizado oportunamente no RAIPI, justificaria o referido lançamento a crédito. j) Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI: Em virtude das infrações assinaladas, tornouse necessária a reconstituição da escrita fiscal do IPI da matriz da fiscalizada, procedendose, dessa forma, aos seguintes ajustes de débitos e de créditos: j.1) Lançamentos a Débitos: Valor referente ao Saldo Credor de Período Anterior Indevido; Valores correspondentes às glosas dos créditos presumidos do IPI, conforme relacionados nas planilhas “Glosa ou Ajuste do Crédito Presumido IPI Relacionada ao art. 11A da Lei nº 9.440/97” e “Glosa ou Ajuste do Crédito Presumido IPI Relacionada ao art. 11B da Lei nº 9.440/97”; e Valor da glosa do lançamento a crédito (Outros Créditos), cujo descrição do RAIPI faz menção ao Pedido de Ressarcimento Residual nº 30196.03984.310810.1.1.01.0501 não homologado. j.2) Lançamentos a Créditos: Valores dos Ajustes a Crédito, referentes à insuficiência de crédito presumido do IPI escriturado pelo sujeito passivo em comparação ao efetivamente apurado pela fiscalização, conforme planilha “Glosa ou Ajuste do Crédito Presumido IPI Relacionada ao art. 11A da Lei nº 9.440/97”; Reversão dos valores baixados a título de pedidos de ressarcimento e que se demonstraram como indevidos totalmente ou parcialmente depois da recomposição da escrita fiscal do IPI Cientificado em 18/11/2014 (fl. 5002), o contribuinte apresentou, em 17/12/2014 (fl. 5193) a impugnação de fls. 5063/5107, da qual consta: a) Preliminarmente, requer a reunião ao presente processo administrativo aos demais processos que tratam de pedidos de ressarcimento relativos ao mesmo período de apuração, para julgamento simultâneo. b) Há contradição na descrição dos fatos e adoção de premissa equivocada pela autoridade fiscal. No TVF afirmase que a filial 903, localizada em Minas Gerais, é estabelecimento comercial atacadista dos produtos fabricados pela matriz e, contraditoriamente, no mesmo TVF afirmase genericamente que a filial 903, além de comercializar as baterias da filial 906, realiza operações de industrialização, sem que, contudo, seja indicada qualquer operação realizada por aquele estabelecimento que se enquadre como atividade industrial. Ocorre que esta filial se presta, exclusivamente, ao atendimento às montadoras ali localizadas, sendo que a condição de estabelecimento comercial atacadista encontrase indicada no respectivo Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral. Ademais, em fiscalização recente, a própria RFB, após visita de auditorfiscal ao estabelecimento em questão, confirma a qualidade de estabelecimento comercial atacadista daquela filial, bem como a inexistência de qualquer estrutura que permitisse a realização de atividade industrial. A incongruência apontada é de extrema relevância para apuração da improcedencia da glosa de crédito presumido do IPI, calculado sobre a revenda de produtos incentivados fabricados na Região Nordeste e transferidos para filial 903 (Minas Gerais) para fins de comercialização. Isto porque, uma vez comprovado que a filial 903 tratase de Fl. 6220DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.221 9 estabelecimento puramente comercial, a receita decorrente da comercialização de baterias acabadas (produzidas em PE) realizada pela Filial 03 deve ser considerada no cálculo do incentivo previsto nos arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440/97. Em decorrência, deve ser cancelado o auto de infração em relação aos créditos glosados sob o pressuposto de que a filial 903 seria um estabelecimento industrial. c) Impõese o reconhecimento da nulidade do lançamento, por erro na identificação da matéria tributável, no tocante à apuração da base de cálculo do incentivo previsto no art. 11A da Lei n° 9.440/97, em ofensa às disposições do art. 142 do CTN. A identificação da matéria tributável nada mais é do que a transcrição, em linguagem inteligível pelo sujeito passivo, dos fatos ou atos motivadores do lançamento tributário. No presente caso, foi imputado à contribuinte o aproveitamento indevido de créditos presumidos de IPI apurados na sistemática do art. 11A da Lei n° 9.440/97, cuja base de cálculo é proporcional ao PIS e à COFINS devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno dos produtos incentivados. A autoridade fiscal, ao refazer a apuração do PIS e da COFINS que serviu como base de cálculo do incentivo automotivo, apurou novos créditos das contribuições com base nas informações contidas no SPEDContábil. Segundo a fiscalização, os novos créditos foram apurados considerando os encargos de depreciação. Ocorre que há diversas incongruências nos dados considerados pela autoridade fiscal, pois os valores considerados não correspondem aos valores declarados pela contribuinte e, além disso, a majoração dos créditos de PIS e COFINS não decorre apenas da soma dos créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação, como leva a crer o relatório fiscal. Considerando essa rubrica, a autoridade fiscal apurou novo valor do créditos das contribuições, para reduzir o valor devido, reduzindo, assim, o valor do crédito presumido. Contudo, os créditos de PIS e COFINS apurados pela contribuinte, consoante DACONs anexas, não chegam nem perto do valor indicado pela autoridade fiscal. A divergência entre tais créditos é bastante expressiva, não se justificando pela mera adição dos créditos sobre as depreciações apuradas de ofício. Ora, se o único ajuste a crédito feito pela autoridade fiscal foi referente aos valores das depreciações, nada justifica o aumento dos créditos em mais de 40% nas duas primeiras competências fiscalizadas, v.g. No TVF a autoridade fiscal não indicou a alteração de nenhuma das outras rubricas e tampouco os quadros elaborados pela fiscalização permitem a identificação de como a fiscalização chegou aos valores dos créditos. Em que pese a fiscalização informar que os dados foram apurados com base na DACON e DACON/EFD Contribuições (obrigatória apenas a partir do ano 2012), as rubricas indicadas não possuem correspondência nas DACONs apresentadas no período fiscalizado. Portanto, diante das incongruências apontadas, bem como da impossibilidade de se identificar como a fiscalização chegou aos valores apontados na Planilha “Totalização dos Créditos de PIS e COFINS”, está caracteriza a nulidade do Lançamento, por afronta ao art. 5o, LV, da Constituição Federal, art. 142 do CTN e art. 59 do Decreto n° 70.235/72. d) A habilitação para fruição do incentivo do art. 11B foi precedida da apresentação de projetos que contemplassem novos investimentos e a Fl. 6221DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.222 10 pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos de produtos já existentes. Assim, a contribuinte apresentou projeto para a industrialização de baterias denominadas Moura High Efficiency, sendo que a fruição do incentivo em questão é restrita à fabricação das baterias High Efficiency Tipos 1 e 2, nas Famílias 1, 2, 3 e 4 (como descritas no Projeto), pela empresa beneficiária. É a natureza da bateria e a tecnologia utilizada para a sua produção que definem a sua inclusão ou não na base de cálculo do benefício fiscal, não havendo qualquer ressalva quanto à necessidade de padrão de rotulagem específico da bateria incentivada. Contudo, no cálculo do crédito presumido, a autoridade fiscal considerou na base do incentivo tão somente a receita das vendas das baterias cuja descrição na nota fiscal continha a sigla “HEI” ou “HE2”. Ocorre que, na classificação adotada pela contribuinte, nem todas as baterias desenvolvidas com base na tecnologia High Efficiency, segundo as especificações do projeto aprovado pelo MDIC, possuem a sigla “HE” em sua descrição ou o destaque da tecnologia na respectiva nota fiscal, conforme comprova Laudo Técnico Descritivo em anexo, assinado pelo engenheiro de produtos da contribuinte. Desse modo, além das baterias “HEI” e “HE2”, são também incentivadas pelo art. 11B as baterias relacionadas à fl. 5084, fabricadas, na Região Nordeste, com a mesma tecnologia HE, devendo prevalecer a sua natureza e a destinação. Frisese que a eleição, pela fiscalização, das baterias que compuseram a base de cálculo do incentivo teve como único e exclusivo critério a indicação dessa sigla “HE” na nota fiscal. Em momento algum, a fiscalização contesta a natureza das demais baterias que foram desconsideradas na base de cálculo. A exclusão indevida da base de cálculo do incentivo da receita da venda de baterias produzidas nos moldes do projeto aprovado pelo MDIC, sem qualquer motivação plausível, constitui erro na construção do lançamento, devendo ser igualmente reconhecida a nulidade da INFRAÇÃO 0002, por afronta ao disposto no art. 142 do CTN. e) A Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 1.532/96 (convertida na Lei n° 9.440/97) esclarece que o incentivo tem por finalidade o estímulo ao desenvolvimento regional e aumento do nível de emprego nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, tornando atrativos os investimentos no setor. O incentivo fiscal em questão é destinado às empresas instaladas nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. No presente caso, a principal razão para lavratura do auto de infração é a confusão que o auditor fiscal fez dos conceitos de “empresa” e de “estabelecimento”, os quais não se equiparam. Ademais, a Lei n° 9.440/97, ao instituir o incentivo fiscal, não distinguiu, para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, as receitas que dariam ou não direito ao crédito de IPI; ao contrário, utilizou como base de cálculo do incentivo o valor das vendas no mercado interno da pessoa jurídica, que corresponde à receita total da comercialização dos produtos incentivados. Vale repetir a inteligência do incentivo da lei: quanto mais a empresa beneficiária cresceu, mais empregos foram gerados para atender a demanda, mais faturamento obteve, mais PIS e COFINS recolheu, e mais crédito presumido do IPI aproveitou. f) A autoridade Fiscal glosou parte dos créditos presumidos de IPI apurados com base nos arts. 11A e 11B da Lei n° 9.44097, sob os Fl. 6222DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.223 11 argumentos de que o mesmo é destinado a empresas que sejam exclusivamente montadoras e fabricantes dos respectivos bens e de que o incentivo deve ser calculado apenas sobre as vendas no mercado interno dos produtos incentivados, por estabelecimentos que operem na área de abrangência do incentivo. Quando a autoridade fiscal glosa da base de cálculo dos incentivos dos arts. 11A e 11B baterias comercializadas pelas unidades de Minas Gerais e São Paulo, está desconsiderando que estas mesmas baterias foram fabricadas em Belo Jardim, Estado de Pernambuco, região incentivada. Porém, ao intérprete não é dado alterar a mens legis e, assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. O incentivo não foi concedido de forma seletiva, por estabelecimento, mas foi concedido à empresa, porque ela está instalada na região incentivada, não havendo qualquer reserva de dedicação exclusiva à fabricação de produtos automotivos. Pelo contrário, quanto mais a empresa beneficiária desenvolver a região, mais atenderá à finalidade da lei. Portanto, se a lei determina que o crédito presumido será calculado com base nas contribuições devidas sobre a venda de produtos incentivado no mercado interno, deverão ser consideradas as receitas da matriz e de seus estabelecimentos filiais. A empresa é sempre uma só. Importante também destacar que, em momento algum, a Lei n° 9.440/97 restringe o incentivo às empresas com dedicação exclusiva à fabricação de peças automotivas, não restando dúvidas de que o incentivo do art. 11A da Lei nº 9.440/97 deve considerar todas as receitas de vendas dos produtos incentivados. É fato notório que o modelo de produção “just in time” adotado pelos fabricantes de veículos impõe que os fornecedores de bens e serviços operem bases avançadas/estabelecimentos industriais no entorno das plantas das montadoras, garantindo agilidade e eficiência no atendimento das demandas por suprimentos. É isto que exclusivamente faz a filial 903 da Contribuinte, atendendo como sistemista a FIAT/IVECO, sendo fato incontroverso que esta filial vende tão somente as baterias produzidas pela Contribuinte. Em relação à filial 906, a fase de formação realizada naquele estabelecimento consiste tão somente na adição de solução aquosa de ácido sulfúrico, que, somada aos demais componentes já existentes (produzidos e montados pela matriz e filiais 904 e 905), tornam a bateria apta a funcionar. No presente caso, toda a estrutura (parque industrial, tecnologia, mãodeobra) necessária à atividade incentivada é mantida no Nordeste, especificamente na cidade de Belo Jardim, no interior do estado Pernambuco. Apenas parte da produção das baterias, por questões logísticas e técnicas, é transferida, após sua fabricação, para a filial localizada em São Paulo (filial 906), onde é energizada e rotulada. Portanto, a estrutura industrial necessária à fabricação do produto incentivado é mantida no Nordeste. Com base em posicionamento extremado, a autoridade fiscal vai ao absurdo de glosar a integralidade das receitas decorrentes das vendas realizadas através das filiais 903 e 906 localizadas em Minas Gerais e São Paulo, apenas por ter havido a transferência do lugar onde ocorre a adição de solução eletrolítica e a embalagem comercial das baterias, para estabelecimento fora da região incentivada. Considerando que todas as baterias vendidas no mercado são fabricadas no Nordeste, a conquista de mercado em outras regiões do país apenas aumenta o volume da produção na região incentivada, com Fl. 6223DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.224 12 a consequente busca de novas tecnologias, aumento da mãodeobra e desenvolvimento do parque industrial para atender a demanda. Refere Solução de Consulta Interna e aduz que a própria Receita Federal do Brasil, no curso da fiscalização da contribuinte objeto do processo administrativo n° 10480.720471/201369, manifestou o entendimento no sentido de que a mera comercialização da produção da matriz fora da área incenvidada não contraria a Lei n° 9.440/97. Ademais, a Receita Federal do Brasil, manifestandose sobre a fruição de incentivo do IRPJ na área da SUDENE (em que pese esse incentivo ser destinado ao estabelecimento e o regime automotivo ser destinado à empresa, ambos são incentivos regionais), reconheceu o direito do contribuinte à fruição do benefício, ainda que a comercialização ocorra através de outro estabelecimento, localizado fora da área beneficiada. g) Ainda que se conclua que o regime automotivo tem por base o valor das vendas internas apenas dos estabelecimentos instalados nas regiões beneficiadas, ainda assim é improcedente a glosa da integralidade dos créditos de IPI proporcionalmente às vendas realizadas através das filiais 903 e 906 da base do cálculo do incentivo. A Lei nº 9.440/97, como meio de estimular e privilegiar o produto nacional, restringiu o uso de insumos importados de bens automotivos, por intermédio de índice médio de nacionalização de 60%, objetivando a manutenção das bases iniciais do incentivo (fomentar a indústria brasileira e o desenvolvimento regional). Por analogia, deve ser admitida a concessão do crédito presumido quando a fabricação do produto incentivado contiver menos de 40% de insumos importados, por atingir a finalidade do incentivo, também não deve haver, por erro de lógica, a glosa integral da base do incentivo das receitas das vendas realizadas por filial fora da área incentivada quando essa filial (906) fora do Nordeste realiza a mera energização da bateria, sendo inconteste que a maior parte do custo de produção foi incorrido na Região Nordeste. A energização e rotulagem das baterias, únicas atividades desenvolvidas na filial 906, corresponderam, nos anos 2011 e 2012, a aproximadamente 16% do custo total de produção das respectivas baterias comercializadas pela contribuinte através de suas filiais 906 e 903. Para comprovar o alegado, apresentará o Demonstrativo de Composição de Custos, cuja juntada posterior desde logo requer. Portanto, ainda que se considere que a Lei n° 9.440/97 restringiu o incentivo às vendas dos estabelecimentos localizados no Nordeste (interpretação, equivocada e contrária ao posicionamento da própria SRFB externado através da SCI Cosit n° 17/2012), deveria ter sido considerada, no lançamento, no mínimo, a proporcionalidade do custo na formação do preço de venda. h) Por ocasião da lavratura do auto de infração, a autoridade fiscal levantou os créditos mensais do PIS e da COFINS, por rubrica, computando o valor dos encargos de depreciação que não haviam sido aproveitados pela contribuinte, a partir das informações do SPED Contábil da Contribuinte. Ocorre que o procedimento realizado pela fiscalização é basedo em valores e rubricas divergentes daquelas constantes dos DACONs apresentados pela contribuinte. A motivação desse ajuste é unicamente a redução das contribuições para o PIS e COFINS devidas para, por consequência, reduzir a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Contudo, o ajuste pretendido pela autoridade Fl. 6224DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.225 13 fiscal, além de nulo, é ilegal, por ofensa ao disposto nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que determinam que os contribuintes podem descontar, do valor das contribuições, créditos calculados em relação a insumos, energia elétrica e encargos de depreciação. Ao utilizar a expressão “a pessoa jurídica poderá”, o legislador não deixa dúvidas de que a utilização de créditos para descontar das referidas contribuições é uma faculdade dos contribuintes, que podem, em uma determinada competência, escolher apurar créditos ou não. A consequência da sua escolha será a redução ou não do saldo da contribuição a pagar, não havendo qualquer imposição do aproveitamento. Dessa forma, se na apuração mensal das suas contribuições a contribuinte optou, no exercício da sua faculdade (e não obrigação), por não descontar créditos de depreciação, não caberia à autoridade fiscal, no momento da lavratura do auto de infração, proceder ao creditamento de ofício. Os arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440/97 autorizam a apuração do crédito presumido do IPI proporcionalmente ao valor das contribuições devidas em cada mês. Se a lei que concedeu o incentivo não faz qualquer ressalva à forma de apuração das contribuições, deve prevalecer a regra geral prevista nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Adicionalmente, a divergência entre os créditos de PIS e COFINS apurados pela fiscalização na Planilha “Totalização dos Créditos de PIS e COFINS” e os créditos apurados pela contribuinte em seu DACON é bastante expressiva, não se justificando pela mera adição dos créditos sobre as depreciações apuradas de ofício. Em virtude do exposto, deve ser desconsiderada a apuração realizada pela autoridade fiscal, mantendose os valores escriturados pela contribuinte a crédito de PIS e COFINS, de acordo com as informações prestadas em sua documentação fiscal. Alternativamente, devese, ao menos, ser reconhecido o direito creditório das contribuições em relação às saídas tributadas, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Isto porque, no regime não cumulativo, quanto maior o crédito de PIS e COFINS, menor será o saldo das contribuições a pagar por ocasião das saídas promovidas pela contribuinte. Desse modo, com a majoração dos créditos das contribuições, o saldo a pagar em cada período de apuração será necessariamente menor do aquele apurado e pago, configurando recolhimento a maior das contribuições. i) Como consta do auto de infração, no Livro de Registro de Apuração do IPI referente ao mês de julho/2011 há um lançamento a crédito que seria correspondente, em parte, à não homologação do Pedido de Ressarcimento Residual n° 30196.03984.3108.01.1.010501, no valor de R$ 749.816,70. Conforme o PER/DCOMP 4.3 anexo, a contribuinte de fato alocou o crédito de R$ 749.816,69 para a compensação de débitos. Ocorre que os mesmos débitos foram pagos pelo Contribuinte, em Julho/2011, conforme os quatro Comprovantes de Arrecadação em anexo. Foi essa a razão pela qual não houve o estorno do débito: ele foi integralmente pago após o indeferimento do PER/DCOMP. Diante dos documentos que comprovam a liquidação do débito objeto de anterior PER/DCOMP, resta demonstrado estar correto o lançamento do crédito não utilizado na compensação realizado pelo Contribuinte, no valor de R$ 749.816,70, sendo manifestamente improcedente a infração. Fl. 6225DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.226 14 j) A autoridade fiscal, tomando por base a fiscalização objeto do processo administrativo n° 10480.720471/201369, pendente de julgamento no CARF na data do lançamento, glosou parte do saldo credor de IPI disponível no 4o trimestre de 2010, para fins de recomposição do IPI devido nos anos 2011 e 2012. Naquela oportunidade, o saldo credor do IPI apurado pela fiscalização, em dezembro de 2010, foi de R$ 2.251.031,42. Contudo, considerando a pendência de julgamento daquele processo administrativo, a contribuinte transportou, para janeiro/2011, o total do saldo credor apurado em seu Livro de Apuração (R$ 10.332.711,79) anteriormente à citada fiscalização, razão por que a diferença (R$ 8.081.680,37) foi glosada por esta nova fiscalização. O procedimento realizado pela autoridade fiscal, contudo, é totalmente improcedente e absolutamente prejudicial à contribuinte. Isto porque, caso o lançamento objeto do processo administrativo n° 10480.720471/201369 seja julgado improcedente, a recomposição da escrita de IPI será desconsiderada e o saldo credor apurado pela contribuinte permanecerá inalterado. Diante da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do Processo Administrativo n° 10480.720471/201369 e da suspensão dos efeitos da própria glosa realizada naquele processo até julgamento final, não pode o auditor fiscal exigir que a contribuinte antecipadamente refaça a apuração de exercício subsequente e recolha os tributos, com base em premissas mutáveis, já que pendentes de decisão administrativa definitiva É o relatório." A Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o Acórdão nº 0131.948, julgando improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 11A DA LEI Nº 9.440/97. Nos termos do art. 11A, c/c o § 1º do art. 1º, todos da Lei nº 9.440/97, as empresas instaladas na região Nordeste e que sejam fabricantes de partes, peças, componentes, conjuntos, subconjuntos e pneumáticos destinados a veículos automotores terrestres poderão apurar crédito presumido de IPI, cuja base de cálculo corresponde ao montante do valor das contribuições efetivamente devidas, em cada mês, decorrentes das vendas dos produtos incentivados no mercado interno, considerandose os débitos e os créditos referentes a essas operações. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 11B DA LEI Nº 9.440/97. Nos termos do art. 11B, c/c o § 1º do art. 1º, todos da Lei nº 9.440/97, as empresas instaladas na região Nordeste e que sejam fabricantes de partes, peças, componentes, conjuntos, subconjuntos e pneumáticos destinados a veículos automotores terrestres poderão apurar crédito presumido de IPI, cuja base de cálculo é o montante das vendas no Fl. 6226DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.227 15 mercado interno, em cada mês, dos produtos constantes dos respectivos projetos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando as seguintes preliminares: 1. Necessidade de julgamento em conjunto com os pedidos de ressarcimento relativos aos mesmos períodos da autuação (falta vir o processo 10435.720595/201217): 2. Contradição na descrição dos fatos e adoção de premissa equivocada quanto à glosa das vendas efetuadas pela filial 903 em Minas Gerais; 3. Nulidade do lançamento por falta de identificação da matéria tributável relativa aos créditos de PIS e Cofins não escriturados; 4. Desconsideração das receitas de venda das baterias incentivas (HIGH EFFICIENCT HE) na base de cálculo do crédito presumido do artigo 11B da Lei nº 9.440/1997; No mérito, defendeu: 1. A regularidade da apuração do crédito presumido previstos nos artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440/1997, confusão entre os conceitos de empresa e estabelecimento feita pela fiscalização, devendo ser consideradas as vendas dos produtos incentivados pelas filiais 903 (MG) e 906 (SP), mas fabricados na região incentivada; 2. Subsidiariamente, o reconhecimento da proporcionalidade dos incentivos em relação ao custo de fabricação incorrido nos estabelecimentos instalados na região incentivada; 3. A improcedência da inclusão dos créditos de depreciação na apuração do PIS e Cofins, reduzindo as contribuições apuradas pela recorrente; 4. Que realizou o estorno do débito do ressarcimento residual relativo ao 3º trimestre de 2008 no mês de novembro de 2008, de R$ 749.819,70 dentro do valor de R$ 2.578.990,91 e que os débitos compensados relativos a tal pedido residual foram pagos; 5. A glosa do saldo credor inicial de janeiro de 2011, decorrente da reconstituição da escrita fiscal efetuada no processo nº 10480.720471/201369, ainda pendente de decisão definitiva no CARF, sendo improcedente a glosa efetuada. Mediante despacho de efls. 6066/6067, determinando a conexão dos julgamentos, este processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 6227DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.228 16 O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A primeira preliminar arguida se refere ao pedido de julgamento em conjunto, o que foi atendido e está sendo realizado. Esclareçase que o processo 10435.720595/201217 não compôs a pauta, mas que tal fato não causará prejuízo em razão da conclusão do julgamento ao final adotada. No que tange à contradição na descrição dos fatos e adoção de premissa equivocada quanto à glosa das vendas efetuadas pela filial 903 em Minas Gerais e à desconsideração das receitas de venda das baterias incentivas (HIGH EFFICIENCT HE) na base de cálculo do crédito presumido do artigo 11B da Lei nº 9.440/1997 e a falta de identificação da matéria tributável relativa aos créditos de PIS e Cofins não escriturados, tais questões são relativas ao mérito e, caso providas, implicariam a alteração do lançamento, nos termos do artigo 145, inciso I1 do CTN, mas não sua nulidade. Passando à análise do mérito, alguns pontos merecem maiores esclarecimentos. Atividades exercidas pela filial 903 A recorrente se insurge contra a afirmação de que a filial 903 MG realizaria operações de industrialização. De fato, a autoridade fiscal afirmou à efl. 25 que referida filial desempenhava a função de comercial por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores. Porém, à e.fl. 26, afirma que a filial 903, além de comercializar, realiza operação de industrialização. Por sua vez, a recorrente juntou Termo de Verificação Fiscal, elaborado no MPF nº 06.1.10.002013003983, processo nº 13603.723078/201381, consta informação de visita in loco da filial em Betim/MG, na qual se constatou que não existiam máquinas e/ou equipamentos capazes de realizar qualquer atividade industrial, conforme efls. 5170/5171. Assim, entendo necessário confirmar se a filial 903 realiza, ou não, atividade de industrialização e, em caso afirmativo, especificar quais produtos e quais operações de industrialização seriam ali realizadas, informando as receitas por CFOP e por produto, tendo em vista o já decidido no processo nº 10480.720471/201369. Nulidade de apuração com base no Dacon Concernente à falta de identificação da matéria tributável (item IV.3 do recurso voluntário), a recorrente alega que os créditos apurados pela fiscalização com base no Dacon ou EFD Contribuições não correspondem às informadas pela recorrente no Dacon. A autoridade fiscal informou no Termo de Verificação Fiscal TVF que os créditos mensais foram apurados de acordo com as informações constantes na DACON e na EFD Contribuições (efls. 36): 1 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 6228DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.229 17 "Dando continuidade aos trabalhos da fiscalização, levantaram se os créditos mensais, por rubrica, do Pis e da Cofins, de acordo com as informações constantes na DACON e na EFD – Contribuições, ressaltandose que os dados referentes aos encargos de depreciação foram obtidos nos arquivos magnéticos do Sped – Contábil, conforme as seguintes planilhas: • Créditos da COFINS e do PIS AnosCalendário de 2011 e de 2012, conforme Rubrica da DACONEFD CONTRIBUIÇÕES. • Encargos de Depreciação (SPED Contábil). • Créditos COFINS E PIS sobre ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. • Totalização Mensal dos Créditos do PIS e da COFINS Relativamente aos encargos de depreciação, não houve questionamento e os referidos estão demonstrados às efls. 4610/4612 e corresponderam às contas contábeis 13291002 Edifícios, 13291004 Obras civis, 13292001 Máquinas Aparelhos e equiptos nacio, 13292002 Máquinas Aparelhos e equipam estran. A insurgência da recorrente foi em relação aos valores constantes do demonstrativo de efls. 4620, denominado "Totalização Mensal dos Créditos do PIS e da COFINS" quando comparado com o informado pela recorrente. Verificase que a diferença desfavorável à recorrente corresponde principalmente aos meses de janeiro e fevereiro de 2011. Notase que a planilha de efl. 4620 derivou da de efls. 4613/4619, denominada "Créditos da COFINS e do PIS Anoscalendário de 2011 e de 2012, conforme rubrica da DACON/EFD CONTRIBUIÇÕES" e corresponde à soma das rubricas (tomando como exemplo, o mês de janeiro de 2011) "ajustes negativos de créditos", "bens utilizados como insumos", "créditos a descontar de importação alíquotas de 1,65% ou de 7,6%", "depreciação", "despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda", "despesas de energia elétrica", "devolução de vendas sujeitas à incidência nãocumulativa" e "serviços utilizados como insumos". Constatase, de fato, para o mês de janeiro de 2011, que a soma das referidas rubricas constantes do DACON, conforme efls. 5345/5346 do doc. juntado às efls. 5330/5354, totaliza R$ 2.488.695,67, ao passo que o considerado pela fiscalização corresponde ao valor de R$ 4.141.417,41. Analisando rubrica a rubrica, percebese que não há coincidência entre os valores do DACON juntado e a planilha da fiscalização. Assim, fazse necessário a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal esclareça as diferenças apontadas pela recorrente na efl. 5913 da peça recursal, apresentando os ajustes necessários, se for o caso. Estorno do débito do ressarcimento residual relativo ao 3º trimestre de 2008 no mês de novembro de 2008, de R$ 749.819,70 A fiscalização efetuou a glosa de crédito de R$ 749.816,70 em julho/2011, entendendo que este lançamento seria correspondente à parte da nãohomologação do Pedido de Ressarcimento Residual nº 30196.03984.310810.1.1.01.0501. Argumenta que o referido lançamento a crédito deveria corresponder ao estorno de débito eventualmente contabilizado em 31/08/2010, data do pedido. Porém, tal débito, no período de 09/2008 a 10/2010 não foi Fl. 6229DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.230 18 escriturado no Livro de Registro de Apuração do IPI. Enfatiza, ainda, que no processo nº 10480.720471/201369, a autoridade fiscal estornou débitos no valor de R$ 1.971.441,39, relativos aos ressarcimento original de R$ 1.971.441,39. Por seu turno, a recorrente alegou que o pedido residual efetuado em 31/08/2010 era oriundo do Pedido Original efetuado em 14/11/2008 no valor de R$ 2.578.990,91, efetuando o estorno na escrita fiscal em novembro/2008. A alegação da recorrente é nova em relação ao deduzido em impugnação. Naquele momento, a recorrente defendeu que não houve o estorno do débito, em virtude de os débitos, cuja compensações não restaram homologadas, foram extintos mediante recolhimentos em DARF. Porém, o Pedido de Ressarcimento 30196.03984.310810.1.1.01.0501, juntado às efls. 763/764, indica que o PER original era, de fato, no valor de R$ 2.578.990,91 e estava controlado no processo 10435.003185/200813. Além disso, o Livro Registro de Apuração de IPI juntado pela fiscalização às e fls. 807/944 não equivale às cópias juntadas pela recorrente às efls. 5996/5997. Comparando os dois documentos, ambos se referem ao CNPJ 09.811.654/000170 e ao mês de novembro/2008, porém, o doc juntado pela fiscalização possui a Inscrição Estadual nº 18105000088543, enquanto o juntado em recurso voluntário possui a IE de 000885444. Outrossim, os demonstrativos de créditos e débitos também são distintos, sendo que o Pedido de Ressarcimento teria sido feito no processo nº 10435.003182/200813 (na realidade, o número correto é 10435.003185/200813), referido em ambos documentos, possui valores distintos, sendo de R$ 1.971.441,39, no doc juntado pela fiscalização e conforme TVF e R$ 2.578.990,91, conforme doc juntado em recurso voluntário. O processo 10435.003185/200813 teve decisão proferida no Acórdão nº 3302 002.888, confirmando a intempestividade da manifestação de inconformidade, estando já encerrado, conforme andamento processual consultado no site CARF: Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 06/11/2017 RECEBER ORIGEM CARF TRIAGEMExpedido para: TRIAGSRRF04REC PE SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF 31/10/2017 EXPEDIR PROCESSO/DOSSIÊCEGAPCARFMFDF 17/04/2017 ENTRADA NO CARFTipo de Recurso: AGRAVOData de Entrada: 17/04/2017Unidade: SERETCEGAPCARFMFDF 17/04/2017 APRECIAR AGRAVO E ASSINAR O DESPACHOASTEJCARFMFDF Todavia, não há clareza sobre as informações sobre o Pedido de Ressarcimento Residual nº 30196.03984.310810.1.1.01.0501 no valor de R$ 749.816,70, ou seja, se está contido no julgamento do processo 10435.003185/200813 ou se foi objeto de outro processo administrativo. É de se destacar, ainda, que a recorrente somente poderia ter retornado o crédito objeto de ressarcimento indeferido se a situação se referisse a uma reclassificação de créditos, ou seja, créditos solicitados como ressarcíveis, mas que, embora fossem legítimos, não seriam ressarcíveis. Todavia, se o indeferimento teve como fundamento a ilegitimidade dos créditos, então não poderia a recorrente escriturálos novamente, ainda que efetuando os pagamentos Fl. 6230DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.231 19 dos débitos indevidamente compensados, pois que tal decorreria da própria ilegitimidade dos créditos. Dadas as incongruências observadas acima, solicito que a autoridade fiscal intime a recorrente a esclarecer as divergências entre os Livros de Apuração de IPI apresentados, assim como a fiscalização apresente suas considerações, bem como a autoridade fiscal esclareça qual o resultado final sobre o direito creditório R$ 749.816,70, isto é, se houve indeferimento definitivo por ilegitimidade ou se este crédito ainda está sendo discutido em outro processo administrativo que não o de nº 10435.003185/200813. Base de cálculo do benefício No mérito, a fiscalização lavrou o Auto de Infração pela diferença entre os créditos presumidos de IPI por ela apurados e os apurados/escriturados no Livro de Apuração de IPI pela recorrente, tendo como parâmetros, as vendas no mercado interno dos produtos incentivados dos estabelecimentos que operam na área de abrangência do incentivo, para os créditos estabelecidos nos artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440/1997, além de considerar que os produtos incentivados se referem às baterias automotivas classificadas dentro da tecnologia HIGH EFFICIENCY dos códigos HE1 e HE2 e baterias tracionárias, excluindo as baterias estacionárias (códigos VRLA ou CLEAN), baterias náuticas (BOAT) e Ligas Metálicas NãoFerrosas e Artefatos de Material de Plástico. Para o crédito presumido de que trata o artigo 11A da Lei nº 9.440/1997, a fiscalização apurou os créditos e os débitos das contribuições vinculadas às receitas incentivadas pelo crédito presumido, obtendo as contribuições devidas vinculadas às referidas receitas. Já o crédito do artigo 11B da Lei nº 9.440/1997 foi calculado, diretamente, com base nas vendas incentivadas, sem apuração das contribuições para o PIS e Cofins efetivamente devidas. A recorrente se insurge, em primeiro plano, contra a desconsideração das vendas dos produtos incentivados vendidos fora da região incentivada (filiais 903/MG e 906/SP), uma vez que todas as baterias incentivadas são totalmente ou parcialmente produzidas na região incentivada e que apenas o processo de formação das baterias e acabamento são, em parte, executados na filial 906/SP. Eventualmente, caso não acolhida a tese acima, pediu o acréscimo da proporcionalidade nas vendas dos produtos pelas filiais 903 e 906 relativas ao custo de produção incorrido na região incentivada. Questão similar foi tratada por esta turma no julgamento proferido no Acórdão nº 3302005.539, relativo à aplicação do artigo 11 da Lei nº 9.440/1997, cuja ementa restou consignada, parcialmente, nos termos abaixo: [...] CRÉDITO PRESUMIDO IPI. ART. 1º, IX, DA LEI Nº 9.440, de 1997. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DE PARTE DOS VALORES ATINENTES ÀS SAÍDAS DE PRODUTOS INCENTIVADOS, NA PROPORÇÃO DA INDUSTRIALIZAÇÃO OCORRIDA NAS REGIÕES INCENTIVADAS, PARA FILIAIS SITUADAS FORA DAQUELAS REGIÕES. Fl. 6231DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.232 20 A base de cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º, IX, da Lei nº 9.440, de 1997, deve levar em consideração parte dos valores de faturamento relativo às vendas dos produtos relacionados no art. 1º, §1º, da Lei nº 9.440, de 1997, industrializados nos estabelecimentos situados nas regiões favorecidas, na medida da industrialização ali realizada, ainda que a conclusão da industrialização e a venda dos produtos tenham se dado em filiais localizadas fora das regiões de incentivo. [...] Os fundamentos adotados na decisão acima estão resumidamente transcritos abaixo: "Sendo assim, a interpretação do inciso IX, do art. 1º da Lei nº. 9.440/97, deve levar em consideração os seguintes limites: 1 A lei busca estimular o desenvolvimento industrial de setores automotivos específicos, sendo tal propósito legal incorporado nos dispositivos legais transcritos. Como resultado, somente aqueles empreendimentos dedicados à fabricação dos produtos descritos nas alíneas "a" a "h" do § 1º, art. 1 º da Lei nº. 9.440/97, é que fazem jus ao crédito presumido de IPI. Em outras palavras, somente aquelas receitas provenientes da venda dos produtos incentivados na lei devem integrar a base de cálculo do crédito presumido; 2 A Lei nº. 9.440/97 visa, ainda, como explicitado em seu primeiro artigo, o desenvolvimento de regiões específicas, a saber, as regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, de maneira que somente aquela parcela do faturamento decorrente de vendas de bens e serviços dos produtos enunciados no art. 1 º da Lei nº. 9.440/97, fabricados nas unidades localizadas nas regiões de incentivo, podem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI. A medida do benefício deve guardar, portanto, simetria com o desenvolvimento promovido nas regiões incentivadas, em setores industriais especificamente enunciados pela lei: é o que se depreende da interpretação integrada da Lei nº. 9.440/97, em especial das normas contidas em seu art. 1º, inciso IX e §1º, e art. 12, parágrafo único. De tal simetria entre incentivo fiscal e estímulo industrial específico decorre a necessidade de se considerar, na composição da base de cálculo do crédito presumido de IPI base esta que tem como ponto de partida a base de cálculo do PIS/COFINS, mas que com ela não se confunde , aquela parcela de faturamento atinente às vendas de produtos incentivados produzidos nas regiões incentivadas, ainda que sua industrialização final e sua comercialização tenham sido realizadas em áreas não incentivadas. Se o incentivo fiscal deve manter correlação com a industrialização específica nas regiões de incentivo, afigurandose como contrapartida ao estímulo gerado, nada mais lógico do que fazer integrar sua base de cálculo a parcela do faturamento atinente às vendas dos bens incentivados, calculado segundo a proporção da industrialização ocorrida nas regiões de incentivo. Raciocínio análogo foi adotado pela RFB. Ao dispor sobre os benefícios de isenção e redução em relação ao lucro da exploração Fl. 6232DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.233 21 daqueles estabelecimentos instalados na área de atuação das extintas Sudene e Sudam, a Instrução Normativa (IN) nº. 267/2002 admitiu, mesmo sem explícita previsão legal, a extensão daqueles incentivos fiscais 1) a estabelecimentos situados em regiões incentivadas cujos produtos tenham sido comercializados em regiões não incentivadas e 2) a imputação proporcional do benefício nos casos de transferência de produtos, como insumos, de estabelecimentos incentivados a estabelecimentos situados fora das áreas de incentivo. Assim dispõe o art. 63 da citada IN: Art. 63. O disposto no art. 62 aplicase também à hipótese em que o estabelecimento beneficiado, instalado na área de atuação das extintas Sudene e Sudam, comercialize seus produtos por meio de outro estabelecimento da mesma empresa localizado fora da área abrangida pelo benefício fiscal. § 1º O valor a ser atribuído ao produto transferido para efeito de determinação da receita do estabelecimento beneficiado pela isenção ou redução, corresponderá: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente; ou II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo. § 2º Para efeito de determinação do benefício fiscal, a receita do estabelecimento remetente será reconhecida no momento da efetivação da venda pelo estabelecimento destinatário. § 3º Na hipótese de que o produto transferido venha a ser utilizado como insumo pelo estabelecimento destinatário, aplicase o disposto no inciso I do § 1º. Observase que o art. 63 da IN nº. 267/2002 veio explicitar que os incentivos de isenção e redução do lucro de exploração são também extensíveis aos estabelecimentos situados na região incentivada que comercializem seus produtos em regiões não incentivadas e, ainda, que nos casos de industrialização continuada, por estabelecimento não localizado nas regiões de incentivo, parte dos benefícios fiscais deveria ser considerada, levandose em conta a parcela de industrialização ocorria nas regiões incentivadas. Os dispositivos acima transcritos não se encontravam (nem se encontram) na Lei nº. 4.239/63. Nesse caso, não se pode falar em inovação legislativa por parte da IN, uma vez que o art. 63 da IN nº. 267/2002 nada mais fez do que explicitar permissão que já poderia ser deduzida da interpretação integrada da Lei nº. 4.239/63. Ao invés de inovação legislativa pela IN, houve explicitação de interpretação do regime de benefícios regulados pela Lei nº.4.239/63. No caso dos autos, a fiscalização reconheceu, para a apuração do crédito presumido de IPI, as receitas atinentes aos produtos incentivados cuja industrialização se deu inteiramente no nordeste. No entanto, a autuação desconsiderou, no cômputo da base de cálculo do crédito presumido, parte das receitas decorrentes da venda de produtos transferidos das filiais do nordeste para as filiais do sudeste (como Fl. 6233DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.234 22 insumos), com vistas à conclusão do processo de industrialização e posterior comercialização. Tendo em vista que o incentivo fiscal deve manter correlação com a industrialização específica nas regiões de incentivo, decorre daí a necessidade de se integrar, na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI, a parcela do faturamento relacionada àqueles bens incentivados produzidos nas regiões beneficiadas, ainda que a conclusão de sua industrialização com posterior comercialização tenha se dado em filiais situadas fora das regiões de incentivo. Tal conclusão é uma decorrência lógica da interpretação integrada dos dispositivos da Lei nº. 9.440/97. Nesse caso, por óbvio, a imputação do faturamento à base de cálculo do crédito presumido deve levar em conta apenas aquela parcela de faturamento correspondente à industrialização ocorrida no Nordeste. A partir das considerações acima expostas, devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores atinentes às saídas de produtos incentivados, definidos pela fiscalização baterias automotivas e tracionárias, suas partes e peças , industrializados pelos estabelecimentos localizados na região beneficiada e destinados para industrialização final e comercialização em filial situada em região não incentivada. Na implementação da presente decisão, a quantificação da base de cálculo do crédito presumido de IPI deverá levar em conta o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, relativamente aos produtos incentivados saídos das filiais nordestinas para as filiais do sudeste." No caso, tendo em vista o julgado no processo 10480.720471/201369 e que as filiais 903 e 906 não operam exclusivamente em vendas a varejo, converto o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal apure o valor o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, relativo às transferências para as filiais 903 e 906, com destinação à revenda ou ao complemento de industrialização dos produtos incentivados de que trataram os artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440/1997. Para apuração do preço corrente no mercado atacadista, aplicar as considerações do artigo 196 do Decreto nº 7.212/2.010 (RIPI/2.010), inclusive quanto à possível aplicação de seu parágrafo único. Crédito Indevido saldo credor de período anterior fiscalizado Neste ponto, a fiscalização informou que houve reconstituição da escrita fiscal em períodos anteriores, promovida no processo nº 10480.720471/201369, o que resultou em saldo credor de janeiro de 2011 no valor de R$ 2.251.031,42. Porém, a escrita fiscal da recorrente permaneceu com os valor original de R$ 10.332.711,79, fato que ensejou a glosa da diferença de R$ 8.081.680,37. Por sua vez, a recorrente pediu a nulidade da autuação, uma vez que o processo de final 10480.720471/201369 ainda estava pendente de julgamento. Todavia, não se trata de caso de nulidade, mas de suspensão do julgamento em razão da causa pendente. Referido processo foi julgado nesta turma no mês de junho/2018, mediante o Acórdão nº 3302005.539, no qual deuse provimento parcial ao recurso voluntário, Fl. 6234DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.235 23 o que poderá afetar a reconstituição da escrita fiscal, uma vez que o processo encontrase em fase de formalização da referida decisão, ainda sujeito a recursos. Concluise que este processo é decorrente, em parte, do processo nº 10480.720471/201369, nos termos do artigo 6º2, §1º, inciso II do Anexo II do RICARF, devendo a decisão ali a ser proferida pautar este julgamento. Destarte, nos termos do artigo 123 da Portaria CARF nº 34/2015, tratase de causa pendente deste julgamento, devendo este processo ser sobrestado para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no mencionado processo nº 10480.720471/201369, na DIPRO/COJUL, após a realização das diligências requeridas na unidade de origem. Caso ao finalizar a diligência, o processo nº 10480.720471/201369 já tenha se encerrado, deve a autoridade fiscal proceder ao eventual ajuste reflexo da decisão definitiva ali proferida neste processo. Baterias fabricadas com a tecnologia High Efficiency Outro ponto alegado pela recorrente disse respeito à desconsideração das receitas de vendas das baterias HIGH EFFICIENCY HE na base de cálculo do benefício de que trata o crédito presumido previsto no artigo 11B da Lei nº 9.440/1997. No TVF restou consignado que a recorrente possui o Certificado de Habilitação Específico para as baterias denominadas MOURA HIGH EFFICIENCY MDIC/SDP/Nº I/2012, em relação ao estabelecimento matriz, CNPJ 09.811.654/000170 e que referidas baterias são identificadas pelos códigos HE1 (tipo 1) ou HE2 (tipo 2). Por seu turno, a recorrente alega que o benefício se refere à natureza e tecnologia das baterias, não havendo qualquer ressalva quanto à necessidade de padrão de rotulagem. Por sua vez, a DRJ decidiu que o benefício é dado ao produto e não à tecnologia e que os produtos são identificados pela siglas HE1 ou HE2. O crédito presumido previsto no artigo 11B da Lei nº 9.440/1997 e regulamentado pelo Decreto nº 7.389/2010, está vinculado à aprovação de projetos que contemplem pesquisa e desenvolvimento de novos produtos ou novos modelo de produtos já existentes, conforme artigo 2º do referido decreto. A respeito, o certificado obtido está juntado às efls. 258/259, traz o produto incentivado: 2 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. 3 Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. Fl. 6235DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.236 24 Portanto, o produto incentivado é a bateria com alto conteúdo tecnológico denominada "Moura High Efficiency", de chumboácido, ventiladas, segimentadas em duas categorias, dentro da tecnologia High Efficiency, sendo de tipo 1 ou tipo 2. A questão que se põe é quanto à identificação dos produtos que se enquadram nesta descrição e não, propriamente, quanto à tipo de produto incentivado. O prospecto do projeto Moura High Efficiency (efls. 260/270) não especifica os modelos que estão abrangidos pelo projeto certificado. Já o Laudo Técnico descritivo das baterias High Efficiency doc.11 (efls. 5015/5016) contém apenas uma declaração do engenheiro técnico da recorrente de que os produtos ali listados possuem a teconologia "High Efficiency", embora não conste na descrição do item a sigla "HE". O laudo consistente em mera declaração de funcionário da recorrente não se presta a provar a natureza do produto. Ademais, não basta ser produzido com a tecnologia "High Efficiency", mas se enquadrar nas demais especificações constantes do certificado, como ser de chumboácido, ventiladas, utilizando grades positivas otimizadas com tecnologia fundida e grades negativas com tecnologia expandida etc, conforme descrito no certificado. No catálogo da recorrente, também não se localizam as informações necessárias para se identificar seu enquadramento nas especificações do certificado. Já nas efls. 6.080 a 6.212, a recorrente apresenta laudos que não foram entregues à fiscalização, uma vez que posteriores, sendo necessário que a autoridade fiscal teça suas considerações a respeito. Deste modo, entendo necessária diligência para que a autoridade fiscal intime a recorrente a: 1. Explicitar o conceito de tecnologia High Efficiency e qual sua diferença em relação à tecnologia até então utilizada, anexando a documentação que serviu de lastro à emissão do certificado de efls. 258/259; 2. Informar a definição de bateria ventilada; 3. Classificar suas baterias constantes da declaração de efls. 5015/5016, em função dos elementos constantes no certificado de efls. 258/259, ou seja, se de chumboácido, se ventilada, se utiliza a categoria tipo 1 ou tipo 2, dentro da tecnologia, Hihe Efficiency, juntando documentação probatória hábil a confirmar a referida classificação. Ante o exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que: Fl. 6236DF CARF MF Processo nº 10435.723118/201467 Resolução nº 3302000.825 S3C3T2 Fl. 6.237 25 1. A autoridade fiscal confirme se a filial 903 realiza, ou não, atividade de industrialização e, em caso afirmativo, especificar quais produtos e quais operações de industrialização seriam ali realizadas, informando as receitas por CFOP e por produto; 2. A autoridade fiscal esclareça as diferenças apontadas pela recorrente na efl. 5913 da peça recursal, apresentando os ajustes necessários, se for o caso; 3. A autoridade fiscal intime a recorrente a esclarecer as divergências entre os Livros de Apuração de IPI apresentados, assim como a referida autoridade apresente suas considerações a respeito, bem como esclareça qual o resultado final sobre o direito creditório de R$ 749.816,70, isto é, se houve indeferimento definitivo por ilegitimidade ou se este crédito ainda está sendo discutido em outro processo administrativo que não o de nº 10435.003185/200813 e, em caso afirmativo, qual o resultado quanto à sua legitimidade; 4. Tendo em vista o julgado no processo 10480.720471/201369 e que as filiais 903 e 906 não operam exclusivamente em vendas a varejo, a autoridade fiscal apure o valor o preço corrente no mercado atacadista da praça do estabelecimento remetente beneficiado com o incentivo, relativas às transferências para as filiais 903 e 906, com destinação à revenda ou ao complemento de industrialização dos produtos incentivados de que trataram os artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440/1997; 5. A autoridade fiscal intime a recorrente a: 5.1. Explicitar o conceito de tecnologia High Efficiency e qual sua diferença em relação à tecnologia até então utilizada, anexando a documentação que serviu de lastro à emissão do certificado de efls. 258/259; 5.2. Informar a definição de bateria ventilada; 5.3. Classificar suas baterias constantes da declaração de efls. 5015/5016, em função dos elementos constantes no certificado de efls. 258/259, ou seja, se de chumboácido, se ventilada, se utiliza a categoria tipo 1 ou tipo 2, dentro da tecnologia, Hihe Efficiency, juntando documentação probatória hábil a confirmar a referida classificação. Ao final, a autoridade fiscal deve elaborar relatório com as considerações que julgar cabíveis, facultando prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte, nos termos do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Após as providências acima, efetuar o ajuste decorrente de reflexo de eventual decisão definitiva proferida no processo nº 10480.720471/201369 ou retornar os autos para sobrestamento na DIPRO/COJUL do CARF, a fim de aguardar a decisão definitiva a ser proferida no mencionado processo nº 10480.720471/201369, caso não encerrado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 6237DF CARF MF
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