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Numero do processo: 10660.901879/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.165
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.901868/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 18 79 /2 01 3- 11 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.901879/201311 Acórdão n.º 1401003.165 S1C4T1 Fl. 3 2 decidido no julgamento do processo 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Tratase de Despacho Decisório, por meio do qual a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou declaração de compensação realizada pelo contribuinte. De acordo com o PER/DComp, o crédito pleiteado pelo contribuinte seria decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ. Todavia, a Autoridade Administrativa, ao exercer sua competência para examinar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, concluiu pela inexistência de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, tendo em vista a integral utilização para a quitação de estimativa mensal. Desta forma, no Despacho Decisório, indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte. Diante da resposta negativa, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em síntese, alegou que houve um erro de fato no preenchimento do PER/DComp e que o crédito pleiteado referiase, em verdade, a Saldo Negativo de CSLL. Juntou documentos. Em vista do erro de fato no preenchimento do PER/DComp, o contribuinte pediu que houvesse a retificação do PER/DComp para considerar o crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL e que fosse homologada a compensação. A DRJ, na decisão ora combatida, não conheceu do pedido do contribuinte por considerarse incompetente para decidir sobre a retificação de PER/DComp, uma vez que o contencioso tem o escopo determinado pela Manifestação de Inconformidade do contribuinte em face do Despacho Decisório, que versou exclusivamente sobre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e não de saldo negativo de CSLL. Considerou a DRJ que estaria invadindo a competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, a quem compete os atos primários, tais como lançamentos de ofício (autos de infração e notificações de lançamento) e despachos decisórios acerca de pedidos de repetição de indébito. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10660.901879/201311 Acórdão n.º 1401003.165 S1C4T1 Fl. 4 3 Na fundamentação, a DRJ destaca que a DRF tem competência para retificar de ofício o crédito declarado, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.158 de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.158): O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos legais. Passo a analisálo, ressalvandose o conhecimento parcial das matérias alegadas pelo contribuinte, conforme será exposto. No que tange às razões adotadas pela DRJ para não conhecer da Manifestação de Inconformidade, impende asseverar, de pronto, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) É oportuno reprisar que o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, com fulcro no artigo 170 do CTN, derivava de pagamento a maior ou indevido de CSLL. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10660.901879/201311 Acórdão n.º 1401003.165 S1C4T1 Fl. 5 4 O pedido de repetição decorrente do direito creditório calcado em pagamento a maior ou indevido de CSLL foi corretamente indeferido pela autoridade administrativa competente. E, na esteira dos ensinamentos acima mencionados, as autoridades julgadoras são incompetentes para efetuar o exame inaugural da liquidez e certeza de um crédito diverso, qual seja, de um crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. Todavia, na Manifestação de Inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte formulou dois pedidos. O primeiro deles versa sobre a retificação do erro de fato cometido no PER/DComp, de forma a se considerar o pedido de repetição de indébito de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. No segundo, pede o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação. Os pedidos demandam uma análise detalhada, em partes. Em relação ao primeiro pedido, adoto como razão de decidir a fundamentação exarada no Acórdão nº 1301003.599, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Embora aquele processo tratasse de IRPJ e não de CSLL, sua lógica jurídica é perfeitamente aplicável ao presente caso: O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10660.901879/201311 Acórdão n.º 1401003.165 S1C4T1 Fl. 6 5 determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. Vêse que tanto a decisão de piso sob análise, quanto o precedente acima mencionado destacam em suas fundamentações a possibilidade de retificação de ofício, por parte da autoridade da DRF, do crédito objeto do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10660.901879/201311 Acórdão n.º 1401003.165 S1C4T1 Fl. 7 6 PER/DComp, nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. No caso da decisão a quo, não se conheceu da Manifestação de Impugnação. Ao não tomar conhecimento, a DRJ evitou que a matéria fosse submetida ao contencioso, o que poderia redundar no afastamento da competência da DRF para realizar a revisão de ofício. Neste diapasão, havendo a comprovação do erro de fato na demonstração do crédito, a autoridade administrativa da DRF poderia, de ofício, considerar o crédito decorrente de saldo negativo e passar à análise de liquidez e certeza. No precedente da 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF supra, dáse um passo a mais ao conhecer parcialmente o primeiro pedido do contribuinte tãosomente para "afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada". Reconhece se, assim, o erro de fato que autoriza a autoridade administrativa a realizar a revisão de ofício, nos termos do Parecer COSIT já citado. É relevante ressaltar que a presente decisão não conhece do primeiro pedido do contribuinte, na parte que versa sobre a retificação de ofício do PER/DComp. Os órgãos julgadores, como asseverado alhures, são incompetentes para realizar o ato administrativo inaugural de revisão de ofício do PER/DComp do contribuinte com vistas à análise de crédito diverso, qual seja, saldo negativo de CSLL. Não se conhece, ademais, do segundo pedido, que trata do deferimento do crédito pleiteado e da homologação da compensação declarada. Desta forma, não se afasta a competência da autoridade da DRF de verificar a ocorrência da hipótese de revisão de ofício, de realizar o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se for o caso, de homologar a compensação com débitos vencidos ou vincendos, conforme Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de revisão de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10660.901879/201311 Acórdão n.º 1401003.165 S1C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901912/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
CSLL. PERDCOMP. COMPENSAÇÃO.
A legislação impede que os valores da CSLL Retida na Fonte por Pessoa Jurídica de Direito Privado utilizados como dedução na apuração das estimativas mensais sejam igualmente deduzidos no cálculo da CSLL ao término do ano calendário.
Numero da decisão: 1201-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 CSLL. PERDCOMP. COMPENSAÇÃO. A legislação impede que os valores da CSLL Retida na Fonte por Pessoa Jurídica de Direito Privado utilizados como dedução na apuração das estimativas mensais sejam igualmente deduzidos no cálculo da CSLL ao término do ano calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
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PERDCOMP. COMPENSAÇÃO. A legislação impede que os valores da CSLL Retida na Fonte por Pessoa Jurídica de Direito Privado utilizados como dedução na apuração das estimativas mensais sejam igualmente deduzidos no cálculo da CSLL ao término do ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 19 12 /2 00 8- 70 Fl. 240DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação n° 8973.96137.110706.1.3.03907 (efls. 64/70), transmitida em 11/07/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito no valor de R$ 5.329,16, referente a saldo negativo de CSLL do período de apuração 01/01/2005 a 31/12/2005. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775573134 (efl. 24), de 18/07/2008, que analisou as informações e concluiu que na DIPJ em questão não houve apuração de crédito correspondente a saldo negativo de CSLL informado no PER/DCOMP. O contribuinte recorrente apresentou manifestação de inconformidade (efls. 02/03) em que alegou que cometeu um erro no preenchimento da DIPJ, informando de forma incorreta o saldo negativo de CSLL que alega possuir. Afirmou, também, que ao receber o Despacho Decisório procedeu à retificação da DIPJ, preenchendoa corretamente e apontando o saldo negativo de CSLL, tendo em vista que, sob sua ótica, o PER/DCOMP entregue em 11/07/2006 fora corretamente preenchido. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 1232.215 4ª Turma da DRJ/RJ1, e fls. 141/149) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que a interessada utilizou a • importância de R$ 11.974,59, sob a rubrica CSLL Retida na Fonte por Pessoa Jurídica de Direito Privado, na apuração da CSLL mensal. Desta forma, não poderia utilizar o mesmo valor na Ficha 17 da DIPJ (cálculo da CSLL a pagar anual). (...) Analisando, então, a Ficha 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa) da DIPJ retificadora (fls. 26/29), constatase que a interessada utilizou a • importância de R$ 11.974,59, sob a rubrica CSLL Retida na Fonte por Pessoa Jurídica de Direito Privado, na apuração da CSLL mensal; (...) Desse modo, concluise que, a interessada somente poderia utilizar na Ficha 17 o valor de R$ 1.599,83, resultado da diferença entre a CSLL obtida da aplicação do percentual de 1% sobre os rendimentos informados nas DIRF R$ 13.574,42 — e o total de R$ 11.974,59 utilizado na apuração da CSLL mensal. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (efl. 154) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 08/09/2010 (efl. 156), em que aduz que realizou novamente a retificação da DIPJ Exercício 2006 (ano calendário 2005) e que reconhece um saldo negativo da CSLL de R$ 4.807,02, e não de R$ 5.329,16. (...) a Recorrente voltou a retificar a DIPJ/2006, em 27 de Agosto de 2010, recibo de entrega n. 24.72.78.69.4402, consignando corretamente os valores nas Fichas 50 e 17 (Linhas 50 e 52), conforme os registros do sistema da Receita Federal do Brasil, resultando, desta forma, no preenchimento CORRETO da DIPJ/2006. (...) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13888.901912/200870 Acórdão n.º 1201002.869 S1C2T1 Fl. 241 3 Isto é, houve uma falha no preenchimento, pois a Linha 17/52 foi preenchida apenas com os valores recolhidos mediante Darf, e no v. acórdão recorrido, o Relator Gastão da Silva Canario, apenas retificou a Linha 17/50, não imputando o valor da CSLL retida na fonte e aproveitada como dedução mensal retirada desta linha, na linha 17/52. Portanto, a Recorrente reconhece falha no preenchimento da referida ficha (17), onde os valores utilizados como dedução da CSLL retida na fonte, ao invés constarem na Linha 17/50, deveriam estar somados ás estimativas mensais pagas (R$ 2.944,80), totalizando o valor de R$ 14.919,39, na Linha 17/52. Reconhece, ainda, a Recorrente, a divergência da informação e da utilização do total da CSLL retida na fonte, onde, conforme declarado pelas fontes pagadoras, o valor correto é de R$ 13.096,42 (código 5952), ao contrário do valor de R$ 13.618,56, informado anteriormente pela Recorrente, acarretando uma compensação maior e incorreta da qual deveria realmente ter sido utilizada, da ordem de R$ 522,14, o que alterou o saldo negativo da CSLL a Pagar de R$ 5.329,16 para R$ 4.807,02. (...) Por todo o exposto, confiando na imparcialidade dessas nobres Autoridades Julgadoras, requer que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, para o fim de acatar a retificação da DIPJ/2006 efetuada em 27 de Agosto de 2010, homologando a compensação declarada no PER/DCOMP n 2 28973.96137.110706.1.3.039070 e orientando a Recorrente sobre a forma de recolher a diferença de CSLL apurada e, conseqüentemente, anular o Acórdão n 12 32.215, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, assim como o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, já que a Recorrente retificou a DIPJ/2006 e está disposta a quitar a diferença apurada. . Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Conforme disposto nos artigos 30 e 31, da Lei n° 10.833/2003, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado estão sujeitos a retenção na fonte da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. No caso da CSLL, os valores retidos poderão diminuir a CSLL devida, seja na apuração dos valores devido mensalmente, seja na apuração anual. Neste sentido orienta o Manual de Preenchimento da DIPJ/2006. Fl. 242DF CARF MF 4 Observo que a decisão de primeira instância reconhece o montante de CSLL retido por pessoas jurídicas de direito privado no montante de R$ 13.574,42. O que se evita é a diminuição em dobro deste valor, na ficha de Ficha 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa) e na Ficha 17 (Cálculo da CSLL anual): Da CSLL Retida p/Pessoa Jurídica de Direito Privado 11. A Ficha 50 (Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte) de ambas as declarações, original (fls. 95/102) e retificadora (fls. 45/47), não informa qualquer valor sob a rubrica CSLL Retida na Fonte. Entretanto, consultando o Sistema SiefWeb (fls.103/115), verificase a existência de diversas DIRF entregues pelas fontes pagadoras indicadas na Ficha 50, em que a interessada consta como beneficiária de CSLL retida na fonte, sob o código de receita 5952 (fls.116), o qual corresponde 5 retenção de contribuições (CSLUCOFINS/PIS) em face de pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado. (...) 13. No caso concreto, a soma dos rendimentos tributáveis informados nas DIRF, auferidos pela interessada, que se sujeitaram 5 retenção das citadas contribuições, atinge o montante de R$ 1.357.441,78. Aplicandose o percentual de 1%, obtémse o valor de R$ 13.574,42 a titulo de CSLL Retida na Fonte, que, em principio, poderia ser utilizado integralmente pela interessada para efeito de dedução na apuração da CSLL do ano calendário. 14. Entretanto, de acordo com o Manual de Instrução da DIPJ/2006, a pessoa jurídica somente poderá informar na linha 50 (CSLL Retida por Pessoa Jurídica de Direito Privado) da Ficha 17 (Cálculo da CSLL) os valores não utilizados na apuração da CSLL mensal, no curso do ano calendário, para o fim de evitar que ela seja duplamente beneficiada: Observo também que no recurso voluntário a recorrente volta a diminuir duas vezes os mesmos valores retidos (efls. 184/188). Desta forma resumo a seguir o cálculo da CSLL anual, alertandose que para chegar no Total da CSLL sobre o Lucro Liquido 11.234,20 já se deduziu os valores retidos (R$ 11.974,59, fichas 16, efls. 38/41): 39 Base de Cálculo da CSLL 124.824,43 40 CSLL por Atividade 11.234,20 42 Total da CSLL sobre o Lucro Liquido 11.234,20 50 () CSLL Retida p/Pessoa Jurídica de Direito Privado 1.599,83 52 () CSLL Mensal paga por Estimativa 2.944,80 54 CSLL a Pagar 6.689,57 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso para não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensação declaradas. (Assinado Digitalmente) Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13888.901912/200870 Acórdão n.º 1201002.869 S1C2T1 Fl. 242 5 Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002486/2007-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993
SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA. OBEDIÊNCIA AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL.
A sentença judicial transitada em julgado que determina como vai se dar a restituição e a compensação na esfera administrativa, deve ser acatada com obediência estrita aos termos do provimento judicial.
JUROS DE MORA. ART. 161 CTN.
Nos termos do art. 161, § 1º do CTN, aplica-se a taxa de 1% ao mês apenas se a lei não dispuser de modo diverso, pelo o que é legítimo o emprego da taxa Selic, assim como de outras taxas aplicadas anteriormente, quando definido em lei.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15.
A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7/1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Numero da decisão: 3002-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA. OBEDIÊNCIA AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. A sentença judicial transitada em julgado que determina como vai se dar a restituição e a compensação na esfera administrativa, deve ser acatada com obediência estrita aos termos do provimento judicial. JUROS DE MORA. ART. 161 CTN. Nos termos do art. 161, § 1º do CTN, aplica-se a taxa de 1% ao mês apenas se a lei não dispuser de modo diverso, pelo o que é legítimo o emprego da taxa Selic, assim como de outras taxas aplicadas anteriormente, quando definido em lei. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15. A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7/1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente).
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Recorrente BRACEL EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA. OBEDIÊNCIA AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. A sentença judicial transitada em julgado que determina como vai se dar a restituição e a compensação na esfera administrativa, deve ser acatada com obediência estrita aos termos do provimento judicial. JUROS DE MORA. ART. 161 CTN. Nos termos do art. 161, § 1º do CTN, aplicase a taxa de 1% ao mês apenas se a lei não dispuser de modo diverso, pelo o que é legítimo o emprego da taxa Selic, assim como de outras taxas aplicadas anteriormente, quando definido em lei. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15. A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7/1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 24 86 /2 00 7- 18 Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.327 2 Relatório Este processo foi formalizado para tratar do direito a restituição de PIS reconhecido na Ação Ordinária nº 93.00357557 (fls. 102 a 107), decorrente da decretação de inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, no valor originário de R$ 19.539,67. Na sequência, o contribuinte obteve provimento em outra Ação Ordinária, de nº 2000.61.00.0139246 (fls. 679 a 688), ajuizada para que fosse declarado o direito à compensação desse crédito já reconhecido. De se ressaltar que na decisão foram estabelecidos tanto o período já prescrito como os índices de correção a serem aplicados na parcela ainda vigente, nos seguintes termos: No entanto, considerando a data da propositura da ação na qual foi reconhecido o direito da as autoras aos créditos aqui, encontram prescritos os créditos anteriores a 20/11/1988, a correção deve se dará as seguinte forma: janeiro de 1989 (42,72%), fevereiro de 1989 (10,14%), março (84,32%), abril (44,80%), maio de 1990 (21,87%), fevereiro de 1991(7,87%), e com a SELIC (Lei nº 9.250/95) a partir de janeiro de 1996. (grifado) Entretanto, o pedido foi negado porque o contribuinte não havia pleiteado compensação, mas restituição, e este processo foi arquivado. Em decorrência do arquivamento do processo de restituição, tornouse impossível apresentar as compensações por meio do programa Per/Dcomp, motivo pelo qual o contribuinte passou a apresentar as compensações em formulário, que foram considerados inicialmente como não declaradas. Após manifestação de inconformidade, a unidade reverteu sua decisão para acatar tanto os pedidos quanto as declarações em formulário, que resultaram em processos individuais, todos apensados a este principal, conforme a tabela abaixo. Salientase que não há recurso em nenhum deles, devendo a decisão ser proferida apenas no presente processo. Processos com Pedido de Compensação 13896.000107/201123 13896.721222/201135 13896.720116/201215 13896.721917/201117 13896.720167/201247 13896.722150/201143 13896.720178/201227 13896.722457/201144 13896.720190/201231 13896.722733/201174 13896720595/201199 13896.722935/201116 13896720889/201111 Processos com Declaração de Compensação 13896.720359/201253 13896.721285/201272 13896.720559/201214 13896.720878/201211 Processo vazio 13896.721693/201313 Visando ao cumprimento das decisões judiciais, a DRF/Barueri procedeu à valoração do crédito, concluindo pelo reconhecimento parcial do direito creditório no montante Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.328 3 de R$ 12.001,50, insuficiente para a homologação integral de todas as compensações. Transcrevese os trechos pertinentes do Parecer Seort/BRE nº 229/2013 e Despacho Decisório (fls. 1.140 a 1.145): 2. RECONHECER PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO em favor do contribuinte, referente aos créditos discutidos na Ação Judicial 93.00357557, relativo a créditos de PIS, no montante de R$ 12.001,50 (Doze mil, um reais e cinquenta centavos), atualizado até a data da apresentação da primeira declaração de compensação, que ocorreu em 24/01/2011; 3. SEJAM HOMOLOGADAS TOTALMENTE AS COMPENSAÇÕES dos débitos contidos nos Processos 13896.000107/201123, 13896.720595/201199, 13896.720889 /201111, 13896.721222/201135, 13896.721917/201117, 13896.722150/201143, 13896.722457/201144, 13896.722733 /201174; 4. SEJA HOMOLOGADA PARCIALMENTE A COMPENSAÇÃO do débito contido no Processo 13896.722935/201116, no valor de R$ 957,13, restando saldo devedor de R$ 426,26; 5. NÃO SEJAM HOMOLOGADAS AS COMPENSAÇÕES dos débitos contidos nos processos 13896.720116/201215, 13896. 720167/201247, 13896.720178/201227, 13896.720190/2012 31, 13896.720359/201253, 13896.720559/201214, 13896 720878/201211, 13896.721285/201272, 13896.721693/2013 13. Diante disso, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.150 a 1.164), alegando cerceamento do direito de defesa, pela falta de discriminação do cálculo efetuado pela Receita Federal, e erro no resultado quanto à correção monetária, o que acarretou a homologação apenas parcial das compensações, no que foi atendido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, que determinou a anulação do despacho decisório impugnado, para que outro fosse proferido pela autoridade a quo – Acórdão nº 04 35.847 (fls. 1.187 a 1.189). A DRF/Barueri emitiu nova decisão, instruída com detalhado demonstrativo de cálculos, apresentados mês a mês, a partir do período de apuração 08/1990 até 09/1993 (fls. 1.193 a 1.226). Dessa revisão houve uma alteração mínima, que fez com que o processo nº 13896.722935/201116, antes homologado parcialmente, o fosse integralmente, e o processo nº 13896.720116/201215, antes não homologado, o fosse parcialmente. A decisão passou a ser, então: 1.Aprovar o Parecer SEORT/DRF/BRE nº 282/2014, do presente processo; 2. RECONHECER PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO em favor do contribuinte, referente aos créditos discutidos na Ação Judicial 93.00357557, relativo a créditos de PIS, no montante de R$ 13.143,36 (Treze mil, cento e quarenta e três reais e trinta e seis centavos), atualizado até a data da apresentação da primeira declaração de compensação, que ocorreu em 24/01/2011; Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.329 4 3. HOMOLOGAR TOTALMENTE AS COMPENSAÇÕES dos débitos contidos nos Processos 13896.000107/201123, 13896.720595/201199, 13896.720889/201111, 13896.721222/201135, 13896.721917/201117, 13896.722150/201143, 13896.722457/201144, 13896.722733/201174, 13896.722935/201116, 4. HOMOLOGAR PARCIALMENTE A COMPENSAÇÃO do débito contido no Processo 13896.720116/201215; 5. NÃO HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES dos débitos contidos nos processos 13896.720167/201247, 13896.720178/201227, 13896.720190/201231, 13896.720359/201253, 13896.720559/201214, 13896.720878/201211, 13896.721285/201272 e 13896.721693/201313. 6.Intimar o contribuinte a recolher os débitos cujas compensações não foram homologadas, no prazo de 30 dias, contados da ciência deste despacho decisório, ou apresentar manifestação de inconformidade, no mesmo prazo, à Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, a ser entregue nesta DRF/BRE; 7.Dar ciência deste despacho ao contribuinte e encaminhar o processo para as devidas providências. O contribuinte interpôs nova manifestação de inconformidade (fls. 1.229 a 1.243), protestando contra os cálculos e requerendo a homologação integral de todas as compensações. A DRJ/Campo Grande proferiu o Acórdão nº 0438.994 (fls. 1.270 a 1.273), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, apesar da omissão cometida pela unidade de origem em um primeiro momento, havia sido sanada e o contribuinte trazia protestos genéricos, sem apontar onde estaria o alegado erro de cálculo. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FUNDAMENTOS INCERTOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a manifestação de inconformidade baseada em simples conjecturas e em fundamentos incertos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 18.11.2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem constante à fl. 1.287, e protocolizou seu recurso voluntário em 17.12.2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 1.288. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.330 5 Em seu recurso (fls. 1.289 a 1.300), a recorrente repisa as alegações da manifestação de inconformidade, em especial sobre a aplicação da taxa de juros de 1% ao mês desde o recolhimento indevido até 12/1995, e informa haver feito o depósito administrativo dos débitos remanescentes, tendo juntado os comprovantes às fls. 1.304 a 1.321. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Devo esclarecer, preliminarmente, que não procede a anotação realizada na capa do recurso voluntário de que o patrono não teria apresentado procuração e que a assinatura na peça recursal não confere com os documentos, tendo sido o recurso juntado aos autos apenas por insistência do contribuinte. De fato, já foram incluídos neste processo diversas procurações expedidas para o mesmo patrono, a última delas juntada a partir da fl. 1.246. Assim, entendo por atendido o requisito de representação. A principal divergência da recorrente diz respeito ao fato de não haver encontrado nos cálculos efetuados pela DRF/Barueri a aplicação do percentual de 1%, desde a data do recolhimento indevido até dezembro/1995, quando passou, então, a incidir a taxa Selic. E, ainda de acordo com o seu raciocínio, em se confirmando a ausência dessa correção, haveria erro na apuração efetuada, o que entende ser o motivo para a discrepância entre o resultado por ela obtido e aquele obtido pela Receita Federal. Entendo o protesto pela ausência da aplicação da alíquota de 1%, que creio ser fundado, não foi realmente aplicado, mas não reside aí o problema. O cerne da questão é que não cabe a aplicação desse percentual. A recorrente está a exigir atualização indevida. Me explico. Acredito que, ao se referir ao percentual de 1%, o contribuinte tenha em mente o disposto nos art. 161 e art. 167 do CTN, que estabelecem que o crédito tributário não pago no vencimento está sujeito a juros de mora, aplicáveis igualmente à restituição, no percentual de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.331 6 ......................................................................................................... Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. (grifado) Todavia, no nosso caso concreto, para o período anterior à vigência da Selic houve determinação judicial para a aplicação de outro índice: o IPC – Índice de Preços ao Consumidor. Assim sendo, não cabe exigir a aplicação concomitante dos juros previstos no CTN porque isso nos levaria à situação absurda de aplicação de dois índices de atualização monetária em um mesmo período. Da decisão proferida pelo TRF 3ª Região no julgamento da apelação em ação ordinária, ajuizada pela recorrente com o objetivo de ter declarado o seu o direito à compensação de PIS pago a maior – processo nº 2000.61.00.0139246, transcrevo a fundamentação do voto (fls. 679 a 689): Eminentes pares, estou reformulando meu entendimento, quanto à correção monetária em sede de compensação. Vinha eu acompanhando o entendimento majoritário da Turma, de que a correção monetária de créditos do contribuinte, a serem utilizados em compensação, deveriam ser corrigidos apenas por índices oficiais, a propósito de tratamento paritário com a oficialidade, que não utiliza, para corrigir créditos seus, os chamados "índices expurgados". Contrapondo, agora, esse entendimento, penso que a paridade há de ser estabelecida não entre os contribuintes que indevidamente recolheram tributos aos cofres públicos e a Fazenda Pública, porque não há isonomia entre os entes públicos e os cidadãos. lsonomia há entre os entes políticos. E os cidadãos também hão de ser tratados paritariamente. Por isso que a devolução do indébito, em espécie ou por compensação de créditos e débitos recíprocos devem obedecer, em meu pensar à mesma sistemática quanto à apuração do quantum a ser restituído. Portanto, reformulando meu entendimento anterior, me posiciono agora pela aplicação dos seguintes índices de correção monetária: IPC referente aos meses de janeiro de 1989 (42,72%), fevereiro de 1989 (10,14%), março (84,32%), abril (44,80%), maio de 1990 (21,87%) e fevereiro de 1991 (7,87%), bem como SELIC (Lei nº 9.250/95) a partir de janeiro de 1996. Apenas observo que a aplicação desses índices é hoje absolutamente pacífica no âmbito da Primeira Seção do Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.332 7 Superior Tribunal de Justiça, consoante se vê do seguinte julgado, citado no que pertine: “TRIBUTÁRIO DECRETOSLEIS nº 2.445/88 E nº 2.449/88 – PIS – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – PRESCRIÇÃO – COMPENSAÇÃO – EXPURGOS INFLACIONÁRIOS 1. (omissis). 2 (omissis). 3 Deve ser admitida a inclusão dos expurgos inflacionários na compensação, pois sua aplicação não é uma penalidade; objetiva repor a perda do real valor da moeda, subtraído pela inflação. Precedentes. 4 Na repetição de indébito ou na compensação, com o advento da Lei 9.250/95, a partir de lº de janeiro de 1996, os juros de mora passaram ser devidos pela taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, não mais tendo aplicação o artigo 161 c/c artigo 167, parágrafo único do CTN. Tese consagrada na Primeira Seção, com o julgamento dos EREsp's 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC em 14.5.2003. Precedentes. 5 A taxa SELIC é composta de taxa de juros e taxa de correção monetária, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice de correção. 6 Recurso especial da Fazenda Nacional improvido e recurso especial do Hospital Antônio Targijo Ltda, provido em parte." [REsp 550.655/PB, registro 2003/966320, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 3/2/2005, DJ de 30.5.2005]. No entanto, considerando a data da propositura da ação na qual foi reconhecido o direito da as autoras aos créditos aqui, encontram prescritos os créditos anteriores a 20/11/1988, a correção deve se dará as seguinte forma: janeiro de 1989 (42,72%), fevereiro de 1989 (10,14%), março (84,32%), abril (44,80%), maio de 1990 (21,87%), fevereiro de 1991(7,87%), e com a SELIC (Lei n2 9.250/95) a partir de janeiro de 1996. Ressalvase expressamente o direito à Fazenda Pública, quanto à verificação da exatidão dos valores que lhe serão informados quando da compensação. (grifado) Destaco do excerto acima que, após anunciar a mudança de posição, o relator define quais são os índices que devem ser utilizados para a atualização monetária: IPC até dezembro/1995 e Selic após dezembro/1995. E destaco, também, da ementa do REsp 550.655/PB, acima transcrita, a afirmação de que, com a instituição da taxa Selic, não tinha mais aplicação o art. 161 do CTN. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.333 8 Entendimento similar, não idêntico, se aplica ao período anterior: ou se utiliza o art. 161 do CTN ou se utiliza outra referência, como, por exemplo, se utilizava a taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional (art. 84 da Lei nº 8.981/1995), mas, jamais, dois índices simultaneamente. Voltando para a decisão proferida pela DRF/Barueri após a anulação do primeiro despacho decisório pela DRJ, constatase a minudência das explicações sobre os critérios adotados na apuração do direito creditório, que trago com o propósito de demonstrar a impropriedade das reclamações trazidas pela recorrente (fls. 1.192 a 1.126): Deferido o pleito do contribuinte na via judicial, passamos então a calcular o direito creditório do mesmo, verificando os DARF anexados nos Autos do Processo Administrativo 13896.002486/ 200718, bem como os demonstrativos da apuração do valor pago do PIS a maior e cópias do livro razão. Foram analisadas também as DIPJ constantes dos sistemas da RFB. Todos os DARF juntados nos processo, cujo período fora abrangido na ação (a partir de 20/11/88), foram considerados nos cálculos e constam do relatório “demonstrativo dos pagamentos”, às fls. 1192/1194. Consideramos as informações referentes a período de apuração, data de vencimento e valor constantes de cada DARF juntado no processo (fls. 473/494). Ressaltamos que, para os meses para os quais não foi encontrada a respectiva base de cálculo (PA´s 0911/88), os DARF´s pagos referentes a tais períodos foram considerados quando do cálculo do direito creditório, mesmo não sendo conhecida a base de cálculo, para que o contribuinte não sofresse prejuizo. A base de cálculo levada em consideração, quando do cálculo do PIS devido à época, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Com isso, a contribuição devida no mês de julho de 91, por exemplo, deve ser calculada com base no faturamento do mês de janeiro de 1991, independente da data do recolhimento. Isso está disposto no parágrafo único do artigo 6º, da Lei Complementar 7/70 que regia a matéria à época e está em conformidade ao disposto na sentença proferida nos Autos do processo judicial: Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Repisese que os cálculos efetuados de acordo com a semestralidade da base de cálculo estão em consonância ao disposto na sentença, proferida nos autos da Ação Ordinária nº. 93.00357557: “Em face do exposto julgo PROCEDENTE o pedido, declarando "incidenter tantum" inconstitucionais os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, devendo as Autoras Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.334 9 proceder ao seu recolhimento sob o regime estabelecido nas Leis Complementares 7/70 e 17/73, obedecendo o prazo previsto na Lei e 8.850/94, art. 2º (...)” Em seus cálculos, o interessado utilizou a base de cálculo como sendo o sexto mês anterior à data de cada pagamento, o que gerou divergências nos cálculos. Consideramos todos os valores informados na tabela às fls. 696, item faturamento, levando em conta que a data base nada mais é que o mês do faturamento. Sendo assim, o faturamento da data base 06/1988 foi utilizado para calcular a contribuição para o PIS devida em dezembro/1988. Logo após, efetuamos a vinculação desse débito ao DARF referente à competência dezembro/1988. Quanto à alíquota aplicada, corresponde esta a 0,75% do valor da base de cálculo, conforme disposto nas Leis Complementares 7/70 e 17/73: Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (...) 4)no exercício de 1974 e subseqüentes, 0,50%. (LC 7/70) Art. 1º A parcela destinada ao Fundo de Participação do Programa de Integração Social, relativa à contribuição com recursos próprios da empresa, de que trata o art. 3º, letra b, da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, é acrescida de um adicional a partir do exercício financeiro de 1975. (...) b) no exercício de 1976 e subseqüentes 0,25%. (LC 17/73) Os índices de correção monetária determinados no Acórdão foram aplicados, sendo eles: IPC referente aos meses de janeiro de 1989 (42,72%), fevereiro de 1989 (10,14%), março (84,32%), abril (44,80%), maio de 1990 (7,87%) e fevereiro de 1991 (21,87%), bem como SELIC (Lei 9.250/95), a partir de janeiro de 1996 (fls. 688). (…) a correção se dará da seguinte forma: janeiro de 1989 (42,72%), fevereiro de 1989 (10,14%), março (84,32%), abril (44,80%), maio de 1990 (21,87%), fevereiro de 1991 (7,87%), e com a SELIC (Lei nº 9.250/95) a partir de janeiro de 1996. A atualização no sistema CTSJ foi realizada até 31/12/1995, no valor de R$ 3.539,60. Após isso, foi aplicada a taxa Selic, até a data da primeira compensação, que ocorreu em 24/01/2011. O valor atualizado até esta data foi de R$ 13.143,36. Deduzidos os Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 13896.002486/200718 Acórdão n.º 3002000.623 S3C0T2 Fl. 1.335 10 valores dos débitos, passouse a aplicar taxa selic até a data da próxima compensação, até que o crédito remanescente a cada compensação fosse totalmente esgotado. (grifado) Pelo exposto, podese concluir que a unidade de origem obedeceu aos critérios estabelecidos na decisão judicial e que a divergência entre os cálculos decorreria de: i) a recorrente querer aplicar a alíquota de 1% ao mês, estabelecida pelo art. 161 c/c art. 167 do CTN, mas não prevista na decisão obtida judicialmente; e ii) erro na aplicação da semestralidade, uma vez que o contribuinte fez o cálculo a partir do mês de pagamento, quando deveria ter feito a partir do mês de faturamento. A questão da semestralidade já foi inclusive objeto de Súmula Carf, que assim dispõe: Súmula Carf nº 15 A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7/1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Com essas considerações, nego provimento ao Recurso Voluntário, confirmando o despacho decisório contido à fl. 1.226 nos seus exatos termos. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 1335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901731/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Na hipótese de inexatidão imaterial verificada no preenchimento da DCOMP apresentada em formulário ou em meio eletrônico, a retificação somente é admitida para as declarações pendentes de decisão administrativa. Incabível a retificação de DCOMP através de manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Gisele Barra Bossa e Efigênio de Freitas Júnior, que davam provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Na hipótese de inexatidão imaterial verificada no preenchimento da DCOMP apresentada em formulário ou em meio eletrônico, a retificação somente é admitida para as declarações pendentes de decisão administrativa. Incabível a retificação de DCOMP através de manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Gisele Barra Bossa e Efigênio de Freitas Júnior, que davam provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 17 31 /2 00 8- 43 Fl. 95DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação n° 42233.07176.270105.1.3.02 2063 e n° 35815.72327.280905.1.3.021720 (efls. 25/35), transmitidas em 27/01/2005 e 28/09/2005, através das quais o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito no valor de R$ 15.290,89, referente a saldo negativo de IRPJ do período de apuração 01/01/2000 a 31/12/2000. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775557794 (efl. 16), de 18/07/2008, que analisou as informações e concluiu que na DIPJ em questão não houve apuração de crédito correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. O contribuinte recorrente apresentou manifestação de inconformidade (efls. 02/03) em que alegou que cometeu um erro no preenchimento da DIPJ, informando o ano calendário errado (2000, e não 2001); e que no intuito de sanear o equívoco, apresentou uma declaração retificadora. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 1234.130 8ª Turma da DRJ/RJ1, e fls. 54/57 julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que a interessada pleiteia a retificação de seus Per/DComp, para que o crédito neles utilizado seja aquele do período seguinte, mas o julgamento administrativo não é fórum adequado à retificação de declarações: (...) intimada previamente (fls. 16) quanto à inexistência do crédito que pretendeu utilizar, para que retificasse, ou a DIPJ do período, ou os Per/DComp afetos às compensações, a interessada ajustou a DIPJ do anocalendário seguinte, a partir do que apurou saldo negativo de IRPJ no valor do crédito que empregara; (...) a interessada pleiteia a retificação de seus Per/DComp, para que o crédito neles utilizado seja aquele do período seguinte, apurado na sobredita DIPJ retificadora. Nesse contexto, importa salientar que o julgamento administrativo não é fórum adequado à retificação de declarações, o que, pela sistemática atualmente admitida, se faz pela transmissão eletrônica de novos Per/DComp às bases de dados da Receita Federal do Brasil. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/01/2011 (efl. 58) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/02/2011 (efl. 46), em que aduz que, atendendo à intimação de Receita Federal, realizou a retificação da DIPJ Exercício 2001 (ano calendário 2000) e novamente cometeu o erro no ano calendário. Requer a retificação para Exercício 2002 (ano calendário 2001). Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A Recorrente admite ter cometido erro no preenchimento do crédito na PER/DCOMP n° 14260.64268.281207.1.3.03 5925 e pretende que seja feita a retificação desse documento. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13888.901731/200843 Acórdão n.º 1201002.877 S1C2T1 Fl. 96 3 No caso presente, a contribuinte não se insurge contra o despacho decisório e seus fundamentos em virtude de algum vício nele existente. Pelo contrário, limitase a apresentar pedidos de retificação da própria PERDCOMP (no caso. do crédito). Alega que mesmo antes de cientificada do despacho decisório tentou a retificação do crédito através da ajustou a DIPJ do anocalendário seguinte (2001), cometendo novo erro. Observo que a retificação pretendida era permitida pela IN SRF 600, de 28/12/2005, desde que a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59: Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Em face do exposto, não tendo sido apontado qualquer vício, nulidade ou erronia de qualquer espécie no despacho decisório, ele deve ser mantido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.901302/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.065
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para a Unidade de Origem intimar a Recorrente a apresentar a apuração do crédito com a documentação pertinente.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Relatório
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para a Unidade de Origem intimar a Recorrente a apresentar a apuração do crédito com a documentação pertinente. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório
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WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de declaração de compensação realizada pela contribuinte no PER/DCOMP 16686.84167.211211.1.3.044480 (fls. 258266) transmitida em 21/12/2011, informando um recolhimento a maior à título de COFINS na monta de R$ 121.166,01 (R$ 187.904,25 atualizado com SELIC na data da compensação) correspondente ao período de apuração setembro/2006, quitado por meio de DARF de fls. 6162. Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu a DCOMP acima mencionada, informando este crédito original na data da transmissão para compensar um débito de COFINS não cumulativo devido no período de apuração de novembro de 2011 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 01 30 2/ 20 13 -1 8 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 490 2 vencimento 23/12/2011, no montante total de R$ 187.904,26 (cento e oitenta e sete mil, novecentos e quatro reais e vinte e seis centavos). Em 03/05/2013 (fl. 268), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório com nº de Rastreamento: 050912504, para não homologar a compensação declarada, sob o fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando saldo disponível paro o crédito pretendido. Intimada do despacho eletrônico, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 0219) para impugnar a r. decisão e argumentar que seu crédito decorre de revisão de sua apuração fiscal e que realizou as respectivas retificações do DACON e da DCTF muito antes do despacho decisório: No período e apuração setembro/2006 apurou e declarou em DCTF o valor devido de COFINS de R$ 4.873.096,14; Ao revisar a escrita fiscal, constatou um equívoco na apuração do valor devido, verificando que o valor devido da contribuição era de R$ 4.751.930,13, o que resultou em um pagamento a maior de R$ 121.166,01; a apuração, o valor a pagar e o conseqüente crédito do pagamento a maior estão refletidos nas declarações retificadoras enviadas (DCTF e DACON), bastando um exame de tais declarações para verificar a legitimidade do procedimento realizado; apesar da exatidão da compensação, o procedimento não foi homologado com a justificativa de inexistência de crédito, pois o DARF discriminado estava alocado para um ou mais pagamentos, não restando saldo de crédito; a fiscalização se limitou a confrontar dados eletrônicos, considerando apenas as declarações DCTF e DACON originais, ignorando as declarações retificadoras; ressalta que as retificações foram feitas antes da emissão do despacho decisório, mais precisamente enviadas em 19/12/2011 (DACON fls. 6383) e 13/12/2011 (DCTF fls. 106180), sendo que o despacho decisório foi emitido em 03/05/2013; acredita que com o envio das retificadoras a tempo tenha comprovado o crédito decorrente do pagamento a maior; informa que o DACON retificador apresentou uma pequena diferença em relação à DCTF retificadora, mas o valor correto foi indicado em DCTF e recolheu o valor efetivamente devido, maior do que o indicado no DACON; estas informações já estavam à disposição da fiscalização quando da análise do pedido de compensação, portanto, o despacho decisório é nulo, pois emitido sem a análise destes documentos; não houve qualquer investigação adicional ou análise das declarações retificadoras, nem intimação para apresentação de documentos e esclarecimentos; Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 491 3 não existiu o necessário cuidado na análise dos documentos apresentados pela Recorrente, que efetivamente demonstram a correção dos procedimentos de compensação adotados, restando caracterizada a precariedade da Fiscalização que antecedeu a emissão do despacho decisório; cita as instruções normativas 1.1015/2010 e 1.110/2010, que trata das retificações do DACON e DCTF e, no caso concreto, nenhuma das situações indicadas nestas INs para que as declarações retificadoras fossem desconsideradas foram constatadas; menciona decisão do CARF que anulou despacho decisório proferido sem a análise das declarações retificadoras, ordenando a prolação de nova decisão; ressalta que a causa do pagamento a maior é um equívoco da apuração do valor devido no mês, sendo que o motivo do pagamento indevido é irrelevante para fins de reconhecimento do direito ao crédito do contribuinte, já que a legislação autoriza que os contribuintes utilizem um crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior para restituir na modalidade da compensação; entende que a documentação apresentada (DARF pago, DACON e DCTF) torna inquestionável o crédito decorrente de pagamento indevido, devendo ser reconhecido o crédito e homologada a compensação, de modo que o não reconhecimento do crédito representa uma resistência injustificada; argumenta que, em nome da verdade material, eventuais inconsistências decorrentes do cumprimento da obrigação formal não podem prevalecer sobre a efetiva existência do crédito do contribuinte. Tivesse o Fisco realizado análise detalhada das informações que lhe foram disponibilizadas quando do envio das declarações retificadoras, não haveria outra conclusão senão a de homologar a compensação. Em 23/02/2015 a 11ª Turma da DRJ/RPO, em razão da constatação do envio com antecedência das declarações retificadoras, proferiu o Acórdão 1456.868 (fls. 279282) para cancelar o despacho decisório e ordenando que a unidade de origem procedesse à intimação da Recorrente para apresentação de documentos para apuração da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação, pela análise dos registros contábeis e fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Comprovada a existência de DCTF retificadora anterior ao despacho decisório e afastado o motivo que impediu o correto exame de mérito do direito creditório em questão, os autos devem retornar à unidade de origem para análise da declaração de compensação controversa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Aguardando Nova Decisão afastou a nulidade do despacho decisório em razão do Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 492 4 art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 prever que são nulos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; reconheceu o equívoco da decisão sem considerar as declarações retificadora, mas justificou o erro em razão de o débito de PIS, do período setembro de 2006, estava suspenso no SIEF Fiscel, com base no processo nº 10530.720045/200825. Quando o contribuinte transmitiu a declaração retificadora, a mesma não foi processada, porque o débito já estava suspenso; reconheceu que o despacho decisório deveria levar em conta os dados informados nas retificadoras, uma vez que substitui as originais, e que o débito nelas informado referente ao período de apuração é menor do que o pagamento nele alocado; salientou que para a homologação da compensação, necessário se faz a verificação da existência do crédito que alega possuir e o seu efetivo montante, investigando a exatidão do procedimento que reduziu o valor devido da contribuição; o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo; para tanto, afirmou que é necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado; afirmou caber ao contribuinte fornecer registros contábeis e fiscais que comprovem a exatidão dos valores por ele declarados. Com estes argumentos a DRJ ordenou o retorno dos autos à DRF de origem para fins de verificar se há algum óbice na aceitação da DCTF retificadora. Inexistindo impedimento, o contribuinte deve ser intimado a apresentar a documentação contábil e fiscal aptas a comprovar o direito creditório, e, após, fosse feita a análise do mérito da declaração de compensação, considerando a DCTF retificadora apresentada. Os autos, então, retornaram à unidade de origem, que procedeu a intimação da contribuinte para (fl. 289): a) Justficar a redução do tributo (código 5856) apurado em setembro de 2006, de R$ 4.873.096,14 para R$ 4.751.930,13 (conforme informado em DCTF de 13/12/2011). b) Apresentar a apuração da base de cálculo que determinou o valor a ser pago, apontando os ajustes realizados para a obtenção da importância retificada e os correspondentes motivos de tais alterações, juntando ainda os documentos contábeis e fiscais que serviram de base para o procedimento. A contribuinte apresentou sua resposta à intimação em fls. 310311 para dizer: que identificou a inclusão de créditos de ICMS na base de cálculo da COFINS no período de setembro/2006. Ao perceber o erro, refez a apuração com a exclusão destes valores, enviando as retificadoras e a declaração de compensação; Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 493 5 juntou ainda planilha de cálculo para identificar o montante de crédito presumido de ICMS excluído da base de cálculo (fl. 305). A unidade de origem então proferiu nova intimação (fl. 313) para que a contribuinte apresentasse uma explicação sobre a a base legal para considerar o crédito fiscal ICMS, no montante de R$ 1.594.289,67, excluído da base de cálculo da COFINS. A contribuinte apresentou resposta em fls. 329330 para informar que a base legal é o art. 1º e seguintes das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002 que definem o fato gerador como o total das receitas auferidas no mês e que os créditos de ICMS em questão são decorrentes de benefício fiscal para recuperação de custos, situação que não configura receita. Com estas informações a Secretaria da Receita Federal prolatou novo despacho decisório (fls. 331334), não reconhecendo o direito de crédito e, consequentemente, não homologou a compensação: Assunto: Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para o PIS/PASEP referente a pagamento efetuado a maior Data do fato gerador: 30/09/2006 Comprovada a existência de DCTF retificadora anterior ao despacho decisório e afastado o motivo que impediu o correto exame de mérito do direito creditório em questão, aguardase nova decisão, conforme Acórdão da DRJ. Para as pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS/PASEP no regime de apuração não cumulativa, com base na Lei nº 10.637, de 2002, que estabelece como fato gerador o faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o valor do crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo da referida contribuição. Para fundamentar sua decisão, apresentou os seguintes argumentos: a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é o faturamento mensal, não havendo previsão para a exclusão do crédito presumido do ICMS da referida base de cálculo, podendo apenas ser excluído da base de cálculo no regime cumulativo, por não ser faturamento, mas somente após maio de 2009, quando publicada a Lei nº 11.941/2009. Intimada do novo despacho decisório, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 340344) sustentando, em síntese: a ausência de previsão de exclusão dos créditos presumidos de ICMS no art. 1º, § 3º da Lei nº 10.833/2003 não tem como consequência a conclusão de que estes créditos são receitas, já que não se pode falar de exclusão de algo que não está nem submetido à incidência do tributo; traz julgados do STJ no sentido de que créditos presumidos de ICMS não são receita ou faturamento, mas recuperação de custos na forma de incentivos fiscais, razão pela qual não integram a base de cálculo da COFINS; Em 08/04/2016 a 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão 1459.914 (fls. 364369) assim ementado: Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 494 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Estando a pessoa jurídica enquadrada no regime de apuração não cumulativa, o crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, por ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade por ela exercida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Para esta conclusão, os nobres julgadores apresentaram a seguinte fundamentação: o PIS não cumulativo incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil ou denominação; por não haver exclusão desta receita da base de cálculo da contribuição no art. 1º, § 3º da Lei 10.833/2003, esta parcela deve ser oferecida à tributação; cita solução de divergência nº 13/2001 para afirmar que as subvenções, mesmo as para investimento, têm natureza de receitas, classificadas pela legislação do imposto de renda como "outras receitas operacionais"; afirmou que a Lei nº 10.833/2003 não modificou o conceito de receita, mas simplesmente definiu a base de cálculo do PIS, discriminando as receitas que a comporiam e aquelas que estariam excluídas. Intimada do v. acórdão em 12/05/2016 (fl. 373), a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 376394) para repisar o que afirmou em sua manifestação de inconformidade, acrescentando o que segue: o crédito presumido de ICMS em discussão foi concedido pelo Estado de Santa Catarina; o beneficio concedido é um crédito calculado sobre o valor da operação de transferência de Santa Catarina e é utilizado para abater o valor do ICMSST devido ao mesmo Estado quando de operações sujeitas ao regime de substituição tributária; o lançamento do valor dos incentivos reflete mero ajuste em conta gráfica, tendo em vista que os créditos presumidos são apurados em cada operação de circulação de mercadoria e escriturado como crédito para compor a apuração mensal, e tem como único intuito refletir detalhadamente a operação; estes benefícios fiscais são registrados em momento anterior à quantificação do ICMS devido; traz uma discussão acerca do conceito de receita e a evolução jurisprudencial sobre o tema, incluindo a discussão sobre a extensão do conceito de faturamento realizada pela Lei nº 9.718/1998; Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 495 7 colaciona doutrina para argumentar que receita é um fator de aumento do patrimônio da pessoa jurídica, decorrente de sua atividade, não podendo ser confundido com o mero ingresso de recursos; as meras deduções de custos, como o crédito presumido de ICMS, não importam em valorações positivas e definitivas do patrimônio, não podendo serem tratadas como receitas; afirma que esta concepção de receita, como ingressos que acrescem o patrimônio líquido da empresa, também foi exposta pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC nº 30; este conceito extrajurídico de receita sofreu ajustes para fins de incidência do PIS e da COFINS em razão do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833/2003, que prevê a exclusão de determinadas receitas da base de cálculo do PIS, porém, continua sendo o ponto de partida para o conceito jurídico de receita; os créditos presumidos de ICMS, tipos de subvenção, claramente não se enquadram nesse conceito de receita. Tais subvenções objetivam incentivar algumas atividades ou empreendimentos vinculados ao interesse público; incluir os créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS é permitir a tributação pela União de algo que o Estado concedeu beneficio fiscal, interferindo diretamente na políticaeconômica de outros entes; crédito presumido não é receita porque não há alteração em seu patrimônio, mas apenas e tão somente registros, meramente escriturais, que embasaram a redução da medida do ICMS a pagar; cita jurisprudência do CARF e do STJ com o entendimento de que créditos presumidos de ICMS não são receita; a Recorrente recolhe a contribuição da COFINS sobre o valor de sua receita bruta, que inclui o valor cheio do ICMS destacado em suas notas fiscais de vendas, portanto, sem dedução do valor dos incentivos fiscais; em termos práticos, os créditos presumidos de ICMS mais se parecem com reversões de provisão, na medida em que reduzem o montante de uma obrigação inicialmente constituída. E as reversões de provisões não são tributáveis, conforme determinação expressa do art. 1, § 3o, V da Lei nº 10.833/2003; assim como os créditos presumidos de ICMS, reversão de provisão não é receita, e como tal, não está sujeito à tributação pela COFINS. Não se trata de hipótese de exclusão e sim de não tributação. Este é o breve relato. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 496 8 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos da legislação, apto a ser analisado em seu mérito. Depreendese do breve relato acima que a Recorrente apresentou declaração de compensação informando um crédito original R$ 121.166,01 (R$ 187.904,25 atualizado com SELIC na data da compensação) decorrente de um suposto pagamento indevido de COFINS para o período de apuração de setembro/2006. Para tanto, a Recorrente fez retificações da DCTF e do DACON em dezembro/2011, mesmo mês de transmissão da declaração de compensação. O despacho decisório veio mais de um ano depois, 03/05/2013, negando a homologação porque no sistema da Receita Federal o DARF indicado estava integralmente alocado para o pagamento de um ou mais débitos e não havia crédito para compensação. Assim, constatase que o despacho decisório foi proferido sem a análise das declarações retificadoras. Em sua primeira manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou seu direito de crédito em razão de uma revisão de sua apuração de PIS e COFINS, constatandose que realizou o pagamento a maior do que o devido no período de apuração de abril/2006, porém, não esclarece qual foi o erro na apuração formalizada nas declarações originais, tampouco traz à colação prova de seu crédito, como escrita contábil e livros de apuração, para demonstrar a origem do erro da primeira apuração, a liquidez e a certeza de seu crédito. Muito ao contrário, afirmou que o motivo do pagamento indevido é irrelevante para fins de reconhecimento do direito ao crédito do contribuinte, pois o crédito resta comprovado pelas declarações retificadoras e o comprovante do DARF pago, evidenciando o crédito decorrente de pagamento indevido. Este argumento, importante frisar, é totalmente descabido. A Recorrente fundase, tão somente, nas alegações de erro na apuração e que, por ter enviado as retificadoras antes do despacho decisório, este deveria ser cancelado e a compensação homologada pelo inafastável reconhecimento do crédito. No primeiro acórdão, a DRJ reconheceu o equívoco da decisão sem considerar as declarações retificadoras, mas justificou o erro em razão de o débito de PIS, do período setembro de 2006, já estar suspenso no SIEF Fiscel, com base no processo nº 10530.720045/200825. Quando o contribuinte transmitiu a declaração retificadora, a mesma não foi processada, porque o débito já estava suspenso A DRJ então ordenou a devolução dos autos à unidade de origem para verificar se o processo nº 10530.720045/200825 ainda causava impedimentos para recebimento das retificadora, caso contrário, deveria ser dado tratamento manual para a compensação, a fim de verificar a liquidez e certeza do crédito. Assim proferiu um acórdão para cancelar o despacho decisório e a publicação de um novo, após a conferência das causas da redução dos valores devidos na apuração, analisandose os livros contábeis e fiscais. A Recorrente então foi intimada para apresentar a justificação da redução do valor devido no período de apuração em referência, apontando os ajustes realizados para a Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 497 9 obtenção da importância retificada e os correspondentes motivos de tais alterações, juntando ainda os documentos contábeis e fiscais que serviram de base para o procedimento. Em atendimento da intimação, a Recorrente não apresentou nenhum documento contábil, nem demais documentos fiscais, ou a composição de sua apuração. Trouxe apenas uma planilha (fl 305), de uma página, com quadro comparativo da apuração original, onde foi incluída como "outras receitas" os créditos presumido de ICMS, e a revisão desta apuração, excluindo estes créditos presumidos da apuração, apontando o valor que seria devido à título de COFINS, valor este que corresponderia ao valor informado na DCTF retificadora e no DACON retificador. Novo despacho decisório foi proferido, não homologando a compensação, sob o fundamento de que não há previsão legal para exclusão de crédito presumido de ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS não cumulativos. Com nova manifestação de inconformidade, a DRJ julgou improcedente pelas mesmas razões, inexistência de hipótese legal do crédito presumido de ICMS da base de cálculo das contribuições. Assim, o Recurso Voluntário tem como mérito o conceito de receita, defendendose que estes créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina não são considerados receita para fins de PIS e COFINS. Todavia, não há nenhum tipo de comprovação de estes valores se referem ao crédito presumido, nem mesmo informações sobre a lei que instituiu o benefício fiscal, se deliberado no âmbito do CONFAZ, nem mesmo demonstração da apuração de tais créditos presumidos para trazer a certeza do crédito a compensar. Afirma a Recorrente que o crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina era calculado sobre o valor da operação em suas saídas interestaduais, compondo o montante de crédito para abater de seus débitos em cada período mensal de apuração do ICMS. Quanto à natureza de receita ou não das subvenções para investimentos, relacionadas ao crédito presumido de ICMS, assiste razão à Recorrente. Tratase de subvenção tida como transferência de capital do governo estadual para a pessoa jurídica para que esta aplique na sua atividade. Não se enquadra na hipótese de incidência nem do PIS, nem da COFINS, justamente por não ser receita, sendo desnecessária a existência de um dispositivo excluindo este numerário da base de cálculo das contribuições, ainda mais no caso de créditos presumidos, que são créditos escriturados no livro de apuração do ICMS e não subsumem ao critério material das contribuições (receita). Assim, tem decido, inclusive, esta colenda terceira turma ordinária deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão 3301005.533, bem como o próprio Superior Tribunal de Justiça TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. O crédito presumido de ICMS não pode ser caracterizado como receita ou faturamento, não podendo compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1.413.034/SC, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 29/5/2015). Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 498 10 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (...) II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). E mais recentemente: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS COMO RECEITA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 1.022, II. DO CPC. FALTA PARCIAL DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. (...) 3. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que o crédito presumido referente ao ICMS não tem natureza de receita ou faturamento, razão pela qual não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins. 4. Em recente julgamento, a Primeira Seção do STJ, ao apreciar o EREsp 1.517.492/PR, relatora para o acórdão Ministra Regina Helena Costa, ratificou o entendimento "segundo o qual o valor de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, constituindo mero ingresso de caixa, cujo destino final são os cofres públicos." (STJ, REsp 1.664.791/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 14/11/2018). Cabe ressaltar que este entendimento não é apenas jurisprudencial, mas decorre de lei. É que a Lei Complementar nº 160/2017 prevê que os incentivos fiscais e financeiros fiscais de ICMS, tais como os créditos presumidos, representam subvenção para investimento: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (grifei) Note ainda que o § 5º representa norma interpretativa, retroagindo seus efeitos para atingir fatos do passado, nos termos do art. 106, I do CTN. Perceba, entretanto, que incentivo fiscal de ICMS só pode ser concedido se houver deliberação dos Estados autorizando Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 499 11 a concessão, o que se faz por meio de um convênio aprovado no Confaz, nos termos do art. 155, § 2º, XII, "g" e art. 1º da Lei Complementar nº 24/1975. O convênio é fundamento de validade do incentivo fiscal de ICMS, devendo respeitar todos os contornos e limites deliberados e aprovados pelos Estados. Caso contrário, o incentivo fiscal concedido é um ilícito e se for um crédito presumido, não poderá ser considerado subvenção para investimento. Tanto é assim que a própria Lei Complementar nº 160/2017, em seu art. 10, estabelece que todos os incentivos fiscais de ICMS são considerados subvenção para investimento, inclusive aqueles concedidos sem convênio, desde que enquadrados no contexto desta lei complementar 160, pois serão considerados benefícios fiscais validados: Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (grifei) Esta Lei Complementar nº 160/2017 foi publicada para validar todos os incentivos fiscais ilícitos, isto é, concedidos sem convênioConfaz autorizativo, como forma de regularizar a situação fiscal dos Estados e reduzir a guerra fiscal de ICMS, mas desde que o incentivo tenha sido concedido antes desta lei complementar e desde que atenda todos os seus requisitos para a validação destes incentivos. In casu, a Recorrente juntou aos autos petição (fls. 402488), protocolizada no dia desta sessão, com informações sobre qual é este incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina, no contexto de cumprimento dos requisitos de validação do incentivo previsto na lei complementar nº 160/2017, publicando o benefício no Diário Oficial do Estado, registrando e depositando o texto legal no Confaz. Reconhecido o direito, é preciso analisar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente junta uma simples planilha (fl. 305), com um quadro comparativo e valores absolutos dos supostos créditos presumidos de ICMS, que nada comprovam, pois não há nem indícios de que tais valores são realmente decorrentes de um incentivo fiscal de ICMS. Inapta, portanto, a comprovar a origem do crédito decorrente de pagamento indevido. Cabe ressaltar que o caso em análise decorre de uma declaração de compensação, na qual a Recorrente alega possuir um crédito decorrente de um pagamento indevido. É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e declaração de compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, isso porque o art. 170 do CTN admite a compensação quando existir créditos e débitos recíprocos, líquidos e certos, não tendo a Recorrente se desincumbido da tarefa de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito. Desta feita, não basta ter o direito, é preciso demonstrar os fatos. Diante disso, para análise da liquidez e certeza do crédito, propõese a realização de diligência para que a Recorrente apresente, em 30 dias da publicação desta Resolução: Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10805.901302/201318 Resolução nº 3301001.065 S3C3T1 Fl. 500 12 a) livros contábeis e fiscais, incluindose o livro de apuração do ICMS, e demais documentos que entender necessários, para fins de identificação das operações; b) demonstrativo a operações e valores de crédito presumido de ICMS, a partir dos livros apresentados no item "a", conciliandoos com o montante reduzido no DACON retificador; c) identificar as folhas do processo onde constam tais valores no DACON original, bem como no DACON retificador, elaborando quadro comparativo; Cumprida esta obrigação, a unidade de origem elaborará relatório circunstanciado e conclusivo acerca das operações e cálculos apresentados pela Recorrente; Após, nova oportunidade deve ser concedida à Recorrente para se manifestar sobre o relatório no prazo de 30 dias. Retorne os autos para julgamento no CARF. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 500DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901353/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 13 53 /2 01 3- 27 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10882.901353/201327 Acórdão n.º 3301005.639 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição para o PIS, pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo, inicialmente, a nulidade do despacho decisório, em razão (i) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado para apurar a existência do crédito pretendido e (ii) de não constar do despacho decisório um relatório ou fundamentação que alicerçasse o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. No mérito, o contribuinte afirmou o direito ao crédito em razão do disposto no Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, a partir de 1º de abril de 2005. Assim, explicou o interessado que, ao efetuar a apuração das contribuições sobre a receita, constatara que grande parte dos recolhimentos, com base no imposto de renda devido (por força de liminar no Mandado de Segurança no 2003.61.00.0023490), era indevida porque a base de cálculo era composta, em sua maior parte, por receitas financeiras auferidas, sujeitas à alíquota zero. O contribuinte argumentou, ainda, que a demonstração do cálculo podia ser verificada no documento que juntou aos autos, devidamente comprovada no Dacon, o qual evidenciava as receitas auferidas sujeitas à alíquota zero. Explicou que, por erro de fato, informara na DCTF do período o valor do pagamento e, assim, pedia sua retificação de ofício. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07036.647, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de prévia retificação da DCTF, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório que se encontrava, segundo a autoridade julgadora, devidamente formalizado e fundamentado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10882.901353/201327 Acórdão n.º 3301005.639 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.636, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10882.901350/201393, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.636): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0736.644 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA RESTITUIÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do Pedido de Restituição, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, quando resta evidenciada a descrição dos fatos e os fundamentos do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO ELETRÔNICO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o despacho decisório eletrônico efetuado com os elementos necessários e suficientes à decisão, sem prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10882.901353/201327 Acórdão n.º 3301005.639 S3C3T1 Fl. 5 4 Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte trata preliminarmente acerca de alegada superficialidade da instrução probatória e ausência de requisitos motivadores da decisão, o que implicaria em nulidade da decisão por violar o princípio da verdade material. Assim expressa o Contribuinte em trecho do seu recurso (fls. 156 e 157): Como relatado, a Autoridade Fiscal que reputou inexistente o crédito pleiteado no pedido de restituição da Requerente, em momento algum ficou evidenciado no Despacho Decisório que a D. Fiscalização teria procedido a todas as diligências para apurar a existência do crédito em questão. (...) Na busca da verdade material, deveria a D. fiscalização se amparar em toda a documentação contábil e fiscal da Requerente, e somente após uma análise completa da mesma, proferir decisão, e não se basear apenas no que consta nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. (grifouse). Em seguida o Contribuinte adentra no mérito alegando que tem direito a restituição do crédito pleiteado diante da aplicação da alíquota zero em relação ao PIS incidente sobre receitas financeiras e, por fim, requer: Seja retificada de ofício a DCTF de Ago/2009, para excluir o débito na quantia de R$ 30.350,29, valor este pago indevidamente, pois conforme demonstrado em toda a escrituração contabil e fiscal anexada ao respectivo processo, evidenciase que não há débito de PIS no respectivo período e; Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reformado integralmente o Acórdão nº 0736.644 proferido pela 4ª Turma da DRJ/FNS, deferindose assim o pedido de restituição pleiteado; Se mesmo após análise de toda a documentação contábil e fiscal juntada aos autos (LALUR, Balancete, DACON e demonstrativos de cálculos de PIS do período em discussão), este E. Egrégio Conselho não se convença do direito creditório da Contribuinte, requerse que seja convertido o respectivo julgamento em diligência, especificando outros documentos que avaliem necessários, como medida de Direito e Justiça. Em que pese os argumentos do Contribuinte, tanto em preliminar, quanto ao mérito, entendo correto o entendimento da decisão ora recorrida. Cito trechos da mesma como razões para decidir: 1 – Preliminar de nulidade: Como do relatório se viu, a contribuinte alega a nulidade do DD, em razão (a) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria diligenciar para apurar a existência do crédito pretendido e (b) de que não consta do DD um relatório ou fundamentação que alicerce o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. Diante do argumento posto, esclarecese que não compete à DRF apurar o crédito pleiteado, mas tão somente verificar se o interessado comprovou ou não o direito creditório. Se tiver dúvidas sobre as informações prestadas pelo interessado, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte, tendo em vista o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, in verbis: Art. 76 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10882.901353/201327 Acórdão n.º 3301005.639 S3C3T1 Fl. 6 5 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [grifei] O dispositivo legal acima transcrito é bem claro, no sentido de que a diligência é uma faculdade da autoridade administrativa. E não poderia ser diferente, já que o próprio artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/1993, estabelece que as autoridades administrativas determinarão a realização quando entendêlas necessárias. Se pelo PER apresentado já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Ademais, verificase que o Despacho Decisório é claro ao informar que a restituição foi indeferida porque o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Assim, a interessada teve pleno conhecimento dos fundamentos para indeferimento do pedido de restituição e pode exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa, o que se constata, facilmente, pelo arrazoado apresentado. Por fim, esclarecese que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, não torna o DD ora analisado, nulo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois, como adiante se verá, nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do PER, retifica regularmente a DCTF. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da legalidade, da motivação e do devido processo legal, portanto, improcedente é a alegação de nulidade do feito fiscal. 2 – Do pedido de restituição: No mérito, a contribuinte alega, em síntese, que, por erro de fato, informou na DCTF do período o valor do pagamento e não o valor do débito, assim, pede sua retificação de ofício. Da mesma forma, podese dizer que não tem razão a contribuinte em sua manifestação. Explicase. Primeiro, registrese que, como disposto de forma literal no artigo 165, inciso I, do CTN, o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo, em razão de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Ocorre que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10882.901353/201327 Acórdão n.º 3301005.639 S3C3T1 Fl. 7 6 menor). Desta forma, somente a partir da apresentação de uma DCTF retificadora poderseia reputar existente eventuais créditos do contribuinte, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior por terem sido vinculados a débitos declarados anteriormente em DCTF. Com isso, restaria, então, conformada juridicamente a existência de crédito tributário passível de restituição. Isto porque, como se sabe, a DCTF é o documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. No caso que aqui se tem, entretanto, a contribuinte não retificou a DCTF antes de apresentar o PER, de modo que não restou juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do aludido crédito requisito essencial que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. Ressaltese que a certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a PER apresentado posteriormente à retificação, mas não para validar pedido de restituição anterior. Independentemente da discussão acerca da apresentação ou não de uma DCTF retificadora, percebese que o Contribuinte alega, que em nome da verdade material, a fiscalização deveria comprovar o alegado crédito existente. Com a devida vênia, entendo que a alegação de respeito ao princípio da verdade material deve vir acompanhada de elementos de prova, e, estes, devem ser apresentados por quem alega a existência do direito. Portanto, diante dos autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928470/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
DILIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO NA FASE MANIFESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, a determinação de realização diligência fiscal, de ofício ou a pedido do contribuinte, é uma prerrogativa legal assegurada à autoridade julgadora, quando convencida da necessidade de complementação probatória iniciada pelas partes, não se constituindo, portanto, em obrigação.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA DE LONGO PRAZO. REAJUSTE PELO IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA PELO REGIME DE CUMULATIVO. POSSIBILIDADE.
A adoção do IGP-M não descaracteriza o preço pré-determinado, a priori, desde que sua variação não seja superior à evolução dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995.
Numero da decisão: 3302-006.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às receitas auferidas nos contratos CER- PA/2002 209-1, CER-PI/2002 210-1, CER-CO/2002 211-1, CER-CO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEE-D de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INEXISTÊNCIA DE PEDIDO NA FASE MANIFESTAÇÃO. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, a determinação de realização diligência fiscal, de ofício ou a pedido do contribuinte, é uma prerrogativa legal assegurada à autoridade julgadora, quando convencida da necessidade de complementação probatória iniciada pelas partes, não se constituindo, portanto, em obrigação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA DE LONGO PRAZO. REAJUSTE PELO IGPM. DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA PELO REGIME DE CUMULATIVO. POSSIBILIDADE. A adoção do IGPM não descaracteriza o preço prédeterminado, a priori, desde que sua variação não seja superior à evolução dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 70 /2 00 9- 50 Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 742 2 receitas auferidas nos contratos CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101, CERCO/2002 2111, CERCO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEED de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de processo de declaração de compensação não homologada, em razão de o DARF objeto do crédito ter sido integralmente utilizado para quitar débito declarado. A recorrente apresentou DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, tornando o crédito disponível e pleiteando a homologação da compensação, embora tivesse transmitido Daconn retificador, antes do referido despacho. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de provas, considerando que a simples entrega de DCTF retificadora, sem qualquer explicação e comprovação da base de cálculo, não consiste em elemento suficiente a comprovar o indébito pleiteado. Em recurso voluntário, a recorrente pugnou pela nulidade da decisão de primeira instância, expôs que parte de suas receitas decorriam de contratos de longo prazo (prazo superior a um ano) a preços prédeterminados, sujeitas ao regime cumulativo das contribuições, tendo elaborado em equívoco quando da apuração original das contribuições devidas, sendo o indébito decorrente da reclassificação das receitas do regime nãocumulativo para o regime cumulativo, com o estorno correspondente dos créditos da nãoumulatividade, além de antecipar em um mês o reconhecimento das receitas. Apresentou contratos de fornecimento de energia elétrica, balancetes contábeis e parte do Dacon retificador. Ao final, pleiteou a realização de diligência para verificação dos fatos alegados e das provas apresentadas, em homenagem ao princípio da verdade material. O julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal verificasse a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos. Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal verificou que os contratos sofreram reajuste preços em função do IGPM, fato que descaracterizava o preço prédeterminado, segundo o Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007. Em manifestação acerca da conclusão da autoridade fiscal, a recorrente pugnou pela não descaracterização do preço prédeterminado, em razão de que a própria IN SRF nº 658/2006 determinava que o reajuste de preços somente descaracterizaria o preço pré Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 743 3 determinado se fosse superior aos custos de produção ou à variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e que tal fato não provado pela autoridade fiscal. Além disso, defendeu que a cláusula de reajuste de preços não desnatura o preço prédeterminado, pois tratase de mera recomposição monetária, que o IGPM se enquadra na previsão do artigo 109 da Lei nº 11.196/2005. Na sessão de 28/02/2018, o julgamento foi convertido novamente em diligência para que a autoridade fiscal intimasse a recorrente a: 1. Discriminar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 3. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 4. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos de produção e o reajuste adotado, relativo aos períodos correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP, disponibilizando os lançamentos contábeis e fiscais que suportaram o comparativo, em meio digital ou papel, a critério da autoridade fiscal. Em cumprimento da diligência, a recorrente discriminou as receitas auferidas mensalmente, por contrato, identificando as contas contábeis respectivas, esclareceu que não houve revisão contratual destinada à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro e elaborou planilhas com os comparativos de custos incorridos x IGPM. A autoridade fiscal, com base nas premissas adotadas no voto vencedor da Resolução nº 3302000.695, nos demonstrativos apresentados pela recorrente e no §3º do artigo 3º da IN SRF nº 658/2006, atestou que a evolução dos custos préoperacionais decorrentes da formação do ativo imobilizado e dos custos operacionais no fornecimento de energia elétrica foram superiores à variação do IGPM, concluindo que as receitas auferidas decorrentes do contratos analisados se sujeitam ao regime cumulativo das contribuições, conforme o artigo 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003. Cientificada, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 744 4 Da preliminar de nulidade Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, ao deixar de determinar de ofício a realização de diligência. A respeito, transcrevo parte do voto vencido, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, na Resolução nº 3302000.695, cujos fundamentos adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99: "Em sede de preliminar, a recorrente alegou a nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que, ao determinar a realização de diligência de ofício, para fim de apurar a certeza e liquidez do indébito compensado, o órgão de julgamento de primeiro grau havia afrontado o princípio e causado evidente prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Previamente, cabe esclarecer que, na telegráfica impugnação de fls. 11/12, a recorrente limitouse a apresentar a DCTF retificadora, sem contudo apresentar qualquer documento comprobatório do valor do novo débito da Cofins declarado. E sequer a recorrente solicitou a realização de diligência. Nesse contexto, diferente do alegado pela recorrente, o órgão de julgamento de primeiro grau não estava obrigado a determinar a realização, de ofício, de diligência fiscal, para fim de produzir prova em favor da recorrente. Aliás, no âmbito do processo administrativo fiscal, a autoridade julgadora é destinatária da prova, que deve ser produzida por quem alega possuir o direito alegado. E na ausência dessa prerrogativa, seja por parte do sujeito passivo, seja por parte autoridade fiscal, a autoridade julgadora não tem a obrigação suprir, de ofício, a omissão de produção de prova a cargo das partes intervenientes no processo. Somente quando entender necessária a realização de diligência, a autoridade julgador determinará, de ofício, a realização da diligência. Portanto, em vez de obrigação, como alegou a recorrente, a realização de diligência é uma prerrogativa atribuída a autoridade julgadora que a determinará, de ofício ou a requerimento das partes, somente se se convencer de que tal providência revelase imprescindível para o deslinde da contenda. Esse é o entendimento que se extrai da interpretação combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 745 5 Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, por se tratar de uma prerrogativa e não de uma obrigação, a autoridade fiscal de primeiro grua não estava obrigada a determinar de oficio a realização da alegada diligência. Cabe ressaltar que, somente no recurso em apreço, além do expresso pedido de realização de diligência, a recorrente apresentou elementos probatórios, que convenceram a antiga composição deste Colegiada da realização da alegada diligência fiscal; e por meio da Resolução nº 330200.147, proferida na Sessão de 11 de agosto de 2011, os autos foram convertidos em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para fosse verificada “a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras”. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente." Do mérito A lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 746 6 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não seria considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 746DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 747 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. 1 A data é 31/10/2003. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 748 8 A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 748DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 749 9 A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 750 10 por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 751 11 De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou o arcabouço legislativo sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 752 12 Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do Decreto Lei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Fl. 752DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 753 13 inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 não se limitou, exatamente, à redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 754 14 A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". A redação da instrução normativa não exclui, a priori, a utilização do IGPM, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Concluindo, entendo que não se pode descaracterizar o preço pré determinado em função da aplicação do IGPM, a priori, devendo ser comparado o percentual Fl. 754DF CARF MF Processo nº 11080.928470/200950 Acórdão n.º 3302006.730 S3C3T2 Fl. 755 15 do reajuste do IGPM com o percentual do acréscimo dos custos de produção, uma vez que não existe, para este setor econômico, índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, para cada contrato, deve ser avaliado se o percentual utilizado é inferior à evolução dos custos de produção, apurado no mesmo período de variação do IGPM, sendo que a primeira apuração se refere ao período compreendido entre o último reajuste anterior a 31/10/2003 e o primeiro reajuste posterior a esta data. A comparação deverá se estender, período a período, até a data do reajuste imediatamente anterior ao período objeto da lide, sendo que uma vez detectado que o percentual de variação do IGPM seja superior à variação dos custos de produção, todas as receitas auferidas após tal reajuste ficam sujeitas ao regime nãocumulativo das contribuições, definitivamente. Esta comparação foi realizada mediante a Resolução nº 3302000.694, tendo a autoridade fiscal atestado que os reajustes pelo IGPM foram inferiores à evolução do custos incorridos, concluindo pela sujeição ao regime cumulativo das contribuições. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a aplicação do regime cumulativo às receitas auferidas nos contratos CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101, CERCO/2002 2111, CERCO/2002 212/1, de 17/10/2002, e CERCEEED de 11/11/2002, devendo a autoridade fiscal efetivar a homologação das declarações de compensação até o limite do direito creditório apurado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 755DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.908521/2016-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13884.908526/2016-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13884.908526/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio de PER/DCOMP em razão do DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando créditos disponíveis. De acordo com o despacho decisório, o crédito decorrente de pagamento indevido já havia sido utilizado para quitar débito do processo nº 13884.821058/201529 não restando crédito passível de compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .9 08 52 1/ 20 16 -2 6 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 3 2 Diante do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou o seguinte: a) Apurou no ajuste do ano calendário de 2013 IRPJ e CSLL a pagar nos montantes de R$ 2.283.488,51 e R$ 966.226,46, respectivamente. Esses débitos junto com os débitos de estimativas mensais dos meses de janeiro e abril de 2014 foram objeto de pedido de parcelamento no processo nº 13884.721058/201529, do qual foram pagas sete parcelas no montante de R$ 1.619.662,82. b) Todavia, o parcelamento constante do processo 13884.721058/201529 foi cancelado e em função do cancelamento a contribuinte procedeu o pagamento integral do IRPJ e CSLL correspondente ao ajuste de 2013, em 19/05/2016 por meio de DARF, os quais continham o número deste processo e o período de apuração 07/07/1980; c) Sendo assim, tendo em vista a liquidação do débito de IRPJ e CSLL do ajuste de 2013 e estando integralmente parcelados os débitos relativos ao ajuste de 2014 no processo nº 1384.721195/201444, resta comprovado o seu direito à compensação dos valores correspondentes às parcelas pagas no âmbito do processo 13884.721058/201529. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à manifestação de inconformidade, com base nos seguintes fundamentos: a) o processo nº 13884.721058/201529 encontrase cancelado, conforme alegou a contribuinte. Todavia, diferentemente do alegado na defesa, o cancelamento decorreu de requerimento da própria Manifestante para possibilitar o reparcelamento de seu saldo, adicionado a outros débitos de IRPJ e CSLL existentes no conta corrente da Requerente, conforme petição (fls. 34 do processo nº 13884.721058/201529). b) Após o cancelamento do processo 13884.721058/201529 foi mantido um percentual de amortização de 11.65% do tributo com código 2430 e de 13,48% do tributo com código 6773. Consta do mencionado processo termo de transferência de crédito onde se verifica que apenas foi transferida parte dos débitos parcelados correspondente às parcelas não quitadas. c) O valor do crédito no PER/DCOMP objeto de análise no presente processo continua alocado ao processo nº 13884.721058/201529. d) Conclui que a contribuinte não possui o direito creditório tendo em vista o valor recolhido, pleiteado no presente processo, continua alocado no processo nº 13884.721058/201529. Cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Preliminarmente, requer a reunião do presente processo com os processos listados abaixo, considerando que em todos eles discutese o suposto aproveitamento irregular de créditos decorrentes de pagamentos indevidos no âmbito de parcelamentos ordinários: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 4 3 b) Em 27/04/2015 requereu a concessão de parcelamento ordinário com a consequente realocação dos saldos de seu anterior parcelamento ativo para liquidar débitos de CSL (ajuste anual de 2013 e estimativas mensais de 2014) que encontravamse pendentes em seu relatório de situação fiscal; c) Considerando que a recorrente já possuía naquele momento parcelamento ordinário em andamento sob o número 13884.721750/201476, a RFB migrou os débitos nele administrados (IRPJ ajuste anual de 2013 e estimativas mensais de 2014) para o novo pedido de parcelamento, conforme se verifica pelo Termo de Recepção de Crédito Tributário, de 06.05.2015 acostado ao novo processo de parcelamento nº 13884.721058/201529. A composição desse novo parcelamento teria sido a seguinte: Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 5 4 d) Em 22/01/2016, tendo em vista a existência de novos débitos de IRPJ e CSL referentes ao ano de 2015, a contribuinte requereu novo parcelamento, com a consequente rescisão dos parcelamentos em curso, dentre eles, o de nº 13884.721058/201529, cujos débitos foram adicionados aos novos débitos pendentes no ano de 2015; e) Enquanto aguardava a manifestação da RFB sobre o novo pedido de parcelamento, a Recorrente foi cientificada, em 13/04/2016, sobre os autos de infração formalizados no processo nº 16062.720092/201629, por meio dos quais a fiscalização exigiu, dentre outros, o IRPJ e a CSL relativamente ao ajuste anual de 2014 calculados sem a dedução das estimativas mensais que tinham sido parceladas; f) De acordo com o "Relatório de Lançamento IRPJ e CSLL ajuste anual" do processo 16062.720092/201629 a autoridade fiscal concluiu pela impossibilidade de se considerar os valores que já haviam sido recolhidos no âmbito dos parcelamentos, uma vez que, nos termos do inciso VI, do art. 14 da Lei nº 10.522/02, era vedada a concessão de parcelamento para débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSL. Sendo assim, os pagamentos realizados no âmbito dos mencionados parcelamentos não poderiam ser considerados como antecipações dos tributos devidos ao final do anocalendário de 2014. g) Considerando que os débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSL relativos aos anos de 2014 e 2015 permaneceram pendentes no relatório de situação fiscal da Recorrente esta protocolou, em 09/05/2016, petição junto à RFB na qual solicita a exclusão dos referidos débitos uma vez que: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 6 5 g.1) As estimativas são antecipações de IRPJ e CSL e, por isso, possuem caráter meramente provisório. Sendo assim, somente por ocasião do ajuste anual seria verificado o valor do tributo efetivamente devido; g.2) No processo 16062.720092/201629 foram efetuados lançamentos de IRPJ e CSL relativos ao ajuste anual de 2014, calculados sem a dedução das antecipações parceladas. Sendo assim, além de manter a Recorrente como devedora dos débitos das estimativas mensais, as autoridades também lavraram autos de infração exigindo os tributos devidos no ajuste do mesmo anocalendário; h) Todavia, no intervalo de tempo entre o pedido de reparcelamento (22.1.2016), a intimação sobre os termos dos autos de infração (13.4.2016) e o pedido de baixa dos débitos de estimativas pendentes no Relatório de Situação Fiscal (11.5.2016), migrando os saldos do parcelamento objeto do processo nº 13884.721058/201529 para o novo parcelamento requerido em 22.1.2016, criando o processo nº 13884.721160/201613, a RFB imputou os diversos pagamentos realizados aos débitos parcelados de estimativas mensais, migrando para o novo parcelamento apenas seus saldos; i) Os procedimentos adotados pela RFB eram incoerentes, pois, ao mesmo tempo que exigiam o IRPJ e a CSL referentes ao ano de 2014 sem considerar os pagamentos realizados nos parcelamentos por reputálos ilegais, aceitaram o pedido de reparcelamento de débitos de estimativas mensais de 2014, imputando diversos pagamentos para amortização dos saldos originais. Diante dessa situação, em 01/06/2016, foi proferido despacho no processo nº 13884.721160/201613, por meio do qual a RFB determinou a extinção de todos os débitos de estimativas mensais relativos a 2014, tendo em vista a lavratura de auto de infração exigindo os tributos devidos. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 7 6 . j) Diante de todo o contexto narrado requer a procedência do pedido de compensação que se discute no presente processo. Isso porque: j.1) o despacho proferido no processo nº 13884.721160/201613 reconheceu a impossibilidade de cobrança concomitante dos débitos de estimativas mensais e débitos de ajuste anual do ano de 2014 extinguindo os saldos de parcelamento em curso. j.2) O Relatório Fiscal proferido no processo 16062.720092/201629 desconsiderou os pagamentos efetuados no âmbito dos sucessivos parcelamentos para formalizar o IRPJ e a CSL devido no final de 2014 e indicou que tais pagamentos deveriam ser objeto de restituição/compensação. l) Requer, subsidiariamente, que os valores indevidamente recolhidos no âmbito dos parcelamentos ordinários sejam amortizados do atual parcelamento requerido pela Recorrente para quitação dos débitos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2014. É o relatório VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.820, de 21/02/2019, proferida no julgamento do Processo nº 13884.908526/201659, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.820): O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 8 7 Conforme exposto no relatório, o Despacho Decisório proferido no presente processo não homologou a compensação por entender que o crédito, decorrente de pagamento indevido, já havia sido utilizado para quitar débito do processo nº 13884.821058/201529 não restando crédito passível de compensação. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte por entender que, embora o processo 13884.821058/201529 tenha sido cancelado, em razão de reparcelamento requerido pela contribuinte, os valores pagos no âmbito desse parcelamento teriam amortizados dos montantes incluídos no novo parcelamento não havendo, portanto, crédito a ser compensado. Antes do deferimento do novo pedido de parcelamento a Recorrente foi cientificada, em 13/04/2016, sobre os autos de infração formalizados no processo nº 16062.720092/201629, por meio dos quais a fiscalização exigiu, dentre outros, o IRPJ e a CSL relativamente ao ajuste anual de 2014 calculados sem a dedução das estimativas mensais que tinham sido parceladas. Sendo assim, não é possível afirmar que o crédito por ela utilizado carece de liquidez e certeza até que os referidos tenham decisão definitiva, tendo em vista o disposto no artigo 151, III, do CTN. Temse aqui uma relação de dependência na medida que a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, depende da análise dos demais processos mencionados no lançamento de ofício e nos diversos parcelamentos. O RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 9 8 § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Essa turma já firmou o entendimento no sentido de que não há como se prosseguir com o julgamento deste processo sem o desfecho dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação de compensação ulteriormente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Sendo assim, o julgamento, da forma como instruído, não tem condições de ter um julgamento justo, motivo pelo qual voto pela sua conversão em diligência para que: a) sejam juntados aos autos cópia integral dos processos 13884721058201529, 10662720092201629, 13884721160201613, 13884721750201474; b) a Delegacia de origem se manifeste sobre a situação atual dos pagamentos indicados nas DCOMPS dos débitos de estimativas Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13884.908521/201626 Resolução nº 1402000.823 S1C4T2 Fl. 10 9 parcelados e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas eventualmente aplicadas para o mesmo período; e c) Cientifique o sujeito passivo para se manifestar. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) sejam juntados aos autos cópia integral dos processos 13884721058201529, 10662720092201629, 13884721160201613, 13884721750201474; b) a Delegacia de origem se manifeste sobre a situação atual dos pagamentos indicados nas DCOMPS dos débitos de estimativas parcelados e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas eventualmente aplicadas para o mesmo período; e c) Cientifique o sujeito passivo para se manifestar. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa. Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900586/2015-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3402-006.198
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 05 86 /2 01 5- 82 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10865.900586/201582 Acórdão n.º 3402006.198 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de pagamento a maior de IPI que restou indeferido pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a decisão da Unidade foi imotivada, não tendo sido apreciado o crédito, limitandose a autoridade a verificar se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ou seja, não haveria esclarecimento do significado de “inexistência de crédito”, caracterizando cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual requer a nulidade da decisão. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº01033.667. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação, ou seja, continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa por parte do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.183, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.900572/201569, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.183): "5. O recurso voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10865.900586/201582 Acórdão n.º 3402006.198 S3C4T2 Fl. 0 3 6. Como visto ao longo do recurso voluntário interposto, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que redundou na não homologação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Assim, mister se faz neste instante destacar a motivação do aludido despacho, a qual segue abaixo transcrita: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito apontado pelo contribuinte teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 5441682672, com código n. 5123, referente a PERD/COMP apresentada em 31/12/2010, no valor de R$ 114.590,23. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, resta claro que ele atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação analisada. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10865.900586/201582 Acórdão n.º 3402006.198 S3C4T2 Fl. 0 4 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10865.900586/201582 Acórdão n.º 3402006.198 S3C4T2 Fl. 0 5 valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. 11. Convém lembrar que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10865.900586/201582 Acórdão n.º 3402006.198 S3C4T2 Fl. 0 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720358/2012-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido.
Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-008.324
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas
.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas .
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Recurso Especial do contribuinte não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 58 /2 01 2- 98 Fl. 16916DF CARF MF Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 9303008.324 CSRFT3 Fl. 3 2 . Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.778, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de contribuição não cumulativa. Nos termos do despacho decisório, foi decidido procedência parcial do pedido. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado de primeira instância. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que teve provimento negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte são as seguintes: 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo., com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; 2 as empresas fornecedoras de café para a recorrente não são as mesmas das citadas no acórdão recorrido; 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. Para comprovar a divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3401001.794 a fim de comprovar a matéria do item 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo, com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; e acórdão nº 3102002.341 Fl. 16917DF CARF MF Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 9303008.324 CSRFT3 Fl. 4 3 referente a matéria do item 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, para que seja rediscutida apenas a matéria do item 3– do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas, conforme despacho de fls. 16.889 a 16.895. O Contribuinte interpôs agravo, sendo que este não foi admitido. Inconformado com a decisão, o Contribuinte opôs novamente embargos de declaração, sendo que a petição não foi conhecida, mas foi admitida como veículo de alegações de lapso manifesto ou inexatidão material. Desta forma, foi indeferida por nada demonstrar neste sentido. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 16918DF CARF MF Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 9303008.324 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.320, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.720354/201218, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.320): 1 "Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Érika Autran, pois entendo que não houve divergência de interpretação de divergência da legislação entre o aresto recorrido e o paradigmático em relação à matéria admitida pelo despacho de admissibilidade (do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas), pelo que não deve ser conhecido o recurso em testilha. Isso porque ambos deram o mesmo entendimento em relação à possibilidade de apuração integral de créditos nas aquisições de café de cooperativa. Ambos proferiram entendimentos de que se o café adquiridos das cooperativas já tivessem sofrido as etapas industriais de que cuida a legislação, haveria direito ao crédito integral. Porém, no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovou esta condição (ressalta ainda no voto de que o próprio contribuinte havia declarado em atendimento a termo de intimação que ele próprio é quem realizava as operações de beneficiamento exigidos pela Lei). Por sua vez o acórdão paradigma entendeu que estas condições estavam comprovadas. Vejase trechos dos respectivos acórdãos: Acórdão recorrido: Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das 1 Transcrito apenas o entendimento vencedor no julgamento dos autos. Íntegra dos votos pode ser obtida no processo paradigma (10783.720354/201218). Fl. 16919DF CARF MF Processo nº 10783.720358/201298 Acórdão n.º 9303008.324 CSRFT3 Fl. 6 5 cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. Acórdão paradigma 3102002.341 (fls. 16.859 e segs.): Portanto, não há divergência de interpretação a ensejar o conhecimento do recorrido. CONCLUSÃO Ante o exposto, não conheço do recurso de divergência do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 16920DF CARF MF
score : 1.0
