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Numero do processo: 15215.720116/2017-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2012
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA.
Nos termos do artigo 29, VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, a exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária.
EXCLUSÃO. EFEITOS. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE
É possível a retroatividade dos efeitos da exclusão do Simples Nacional, posto previsto na própria Lei Complementar nº 123/2006, a qual cuidou de instituir o regime simplificado.
Numero da decisão: 1301-005.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA. Nos termos do artigo 29, VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, a exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. EXCLUSÃO. EFEITOS. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE É possível a retroatividade dos efeitos da exclusão do Simples Nacional, posto previsto na própria Lei Complementar nº 123/2006, a qual cuidou de instituir o regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 16 /2 01 7- 77 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 Relatório Por bem retratar os fatos, reproduz-se inicialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (“DRJ/JFA"), o qual será complementado ao final: O presente processo trata de exclusão da empresa do Simples Nacional, através do Ato Declaratório Executivo DRF/GVS nº 15, de 08 de novembro de 2017, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG, com efeitos a partir de 01/02/2012, impedindo a opção pelo aludido regime diferenciado e favorecido até 31/12/2019. O Auditor Fiscal esclarece que a fiscalizada explora o ramo da prestação de serviço de construção civil (edificação, reforma, ampliação). Cita a legislação que rege o Regime Especial Unificado de Arrecadação de tributos e Contribuições pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, destacando que a empresa declarou a opção pelo Simples Nacional nos anos calendários de 2012 a 2016, com regime de tributação de competência. Assevera que ao analisar os Livros Caixa de 02/2012 a 07/2016, verificou que a sua escrituração não permite a identificação da movimentação financeira e bancária, visto que não submete-se à sistemática exigida pelo Regime de Competência. 6.1- Vale ressaltar, que com respeito à atividade de prestação de serviços, no Regime de Competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, neste caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Já o Regime de Caixa, considera o recebimento e o desembolso efetuado, fazendo, portanto o registro dos documentos na data de seu efetivo recebimento ou pagamento. (Solução de Consulta n° 114- Cosit, de 22/04/2014) Relata que os Livros Contábeis Diário e Razão apresentados, de 02/2012 a 07/2016, não estavam revestidos das formalidades legais intrínsecas e extrínsecas. Informa que, a partir do batimento entre as Notas Fiscais de Serviço x DEFIS x PGDAS-D x Livros Caixa, verificou as seguintes condutas: - As notas fiscais de serviços, ora são lançadas na data de emissão, ora são lançadas na data do recebimento. (...) - Ou, ainda, ocorre de não serem lançadas. (...) - As guias de FGTS e INSS são lançadas no mês do pagamento. Afirma que o Livro Caixa não permite a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, sendo motivo para a sua exclusão de ofício do Simples Nacional. (Resol. CGSNn° 94/11, art 75 e 76). Conclui que está presente a hipótese de exclusão de ofício do Simples Nacional do art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar n.° 123/ 2006. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 A empresa foi cientificada da exclusão do Simples Nacional em 30/11/2017, sendo postada a Manifestação de Inconformidade em 22/12/2017. Inicialmente disserta sobre o início das atividades e a sua atuação no mercado. Afirma que não quis provocar embaraço à fiscalização ou que consumasse em má fé, apresentando todos os documentos solicitados. Afirma "que a empresa não possui conta bancária específica e o livro caixa é gerado pelo sistema contábil adotado por este escritório, cujos lançamentos são efetuados à luz de documentos em mãos no ato da escrituração e se não foi claro o bastante para atender o propósito da fiscalização, não pode caracterizar embaraço ou omissão e sim falha do sistema contábil adotado". Alega que se não houver reversão quanto à exclusão da empresa do Simples Nacional terá que encerrar suas atividades. Diz que não há razão para aplicação do art.29 em seu parágrafo 1°, pois a "empresa jamais deixou de cumprir as exigências na solicitação de documentos para colaborar com a fiscalização, mesmo que no entendimento não atenderam à expectativa do fisco. A empresa cumprirá a solicitação de quaisquer documentos que tornará de forma clara para efeito do procedimento desejado". Por fim pede a revogação do processo administrativo n° 15215.720116/2017-77. Em sessão de 29/08/2019, a DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á, dentre outras hipóteses, quando Livro Caixa não permite a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária do sujeito passivo. Nos fundamentos do voto do relator (fls. 138/139 do e-processo): A empresa foi excluída do Simples a partir de 01/2012 em razão da empresa apresentar escrituração que não submete-se à sistemática do Regime de Competência, conforme opção feita pelo contribuinte, não permitindo, portanto, a identificação da movimentação financeira e bancária. Apesar do contribuinte afirmar que atendeu a fiscalização apresentando a documentação, o que se verifica que a exclusão do Simples Nacional não está fundamentada na ausência de apresentação de documentos, mas sim no art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar n.º 123/2006, ou seja a exclusão ocorreu pela falta de escrituração contábil que não permite a identificação da movimentação financeira [...] [...] Observa-se que o Auditor Fiscal apontou diversos problemas na documentação apresentada, os quais podemos resumir: - a empresa declarou o seu regime de tributação é o Regime de Competência, porém a escrituração contábil não obedece o citado regime; - os Livros Caixa não permites a correta identificação da movimentação financeira e bancária; Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 - os Livros Contábeis Diário e Razão apresentados não possuem os termos de abertura e encerramento, e nem autenticação da Junta Comercial e encadernação; - as notas fiscais de serviços, ora são lançadas na data de emissão, ora são lançadas na data do recebimento; - algumas notas fiscais não foram lançadas; - as guias de FGTS e INSS são lançadas no mês do pagamento. A defesa não apresenta qualquer explicação para as discrepâncias apontadas pelo Auditor Fiscal, mas apenas se limita a afirmar que atendeu prontamente a fiscalização e que os lançamentos contábeis seguiram a ordem de sua apresentação. Portanto, não restando comprovado que o Livro Caixa, ou mesmo os Livros Diário e Razão permitem a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária do sujeito passivo, VOTO no sentido de julgar IMPROCEDENTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, mantendo a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual alega em síntese (fls. 150/ do e-processo): III.2 – QUANTO ÀS INFRAÇÕES EM SI E AO EXCESSO DE PUNIÇÃO – POSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA POR MEIOS ALTERNATIVOS Referida exclusão somente se deu porque a infração apontada na Representação Fiscal foi precipitada, baseada num trabalho fiscal deficiente. Inicialmente, é bom fixar alguns pontos: 1) a Recorrente possuía os livros fiscais que foram desconsiderados, embora, no tocante a alguns exercícios, realmente tenha havido falha em seu registro; 2) todos os serviços prestados pela Recorrente durante tais exercícios foram acobertados por notas fiscais idôneas, fato que não foi infirmado pela Autoridade Fazendária; 3) 100% (cem por cento) da receita auferida pela Recorrente era corretamente informada à Receita Federal do Brasil, pois isso era indispensável para fins de cumprimento de obrigações acessórias relativas a outros tributos federais, o que quer dizer que havia sim elementos formais aptos a demonstrar o volume de faturamento correspondente ao período fiscalizado; 4) na linha do item anterior, em momento algum a Auditoria Fiscal imputou à Recorrente o cometimento de crime de sonegação, assim como não afirma, nem mesmo por vias indiretas, ter havido omissão de receitas; 5) a Recorrente é empresa que tem a esmagadora maioria de seu faturamento vinculado a contratos firmados com órgãos públicos, que formalizam os pagamentos que fazem de maneira muito mais rígida do que as entidades privadas; 6) partindo da premissa acima, não é razoável presumir que seja impossível chegar aos recebimentos que constituíam o faturamento da empresa, ou seja, sua movimentação financeira. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 Tudo isso quer dizer que a Autoridade Fiscal poderia ter realizado uma conjugação de documentos muito mais abrangente, se seu objetivo era chegar ao volume de receitas e à movimentação financeira da Recorrente. Não precisava ficar adstrita a notas fiscais, declarações e Livros Caixa. [...] No caso concreto, se o motivo da exclusão foi a suposta impossibilidade de identificação da movimentação financeira, o que se deu foi, com a devida vênia, uma aplicação automática do inc. VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Isto porque, na situação específica da Recorrente, essa identificação era possível, mesmo que não através do Livro Caixa. Embora seja literal o dispositivo, não custa alertar: falhas de lançamento no Livro Caixa não atraem a incidência do inc. VIII do art. 29 acima referido. Não o possuir é o que deve ser interpretado como infração. Obviamente, não era essa a realidade da Recorrente. [...] Para debater essa infração, importa primeiro reprisar o que seriam as falhas que o Auditor Fiscal diz terem sido cometidas pela Recorrente. Segundo ele, a empresa: - optava pelo Regime de Competência, mas promovia sua escrituração contábil baseada no Regime de Caixa; - os Livros Diário e Razão não possuíam os termos de abertura e encerramento, nem encadernação e não estavam autenticados pela Junta Comercial; - as notas fiscais de serviços emitidas pela empresa ora eram lançadas na data de emissão, ora eram lançadas na data do recebimento dos valores nela espelhados; - algumas notas fiscais não foram lançadas nos livros; - as guias de recolhimento do FGTS e INSS eram lançadas no mês do pagamento. No que diz respeito ao segundo item, isto é, às formalidades nos Livros Diário e Razão, a rigor em nada interferem na questão ora tratada. Isoladamente, jamais atrairiam a incidência do inc. VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, dispositivo invocado pelo Fisco. Já quanto aos demais itens, há que se estabelecer uma premissa fundamental: em momento algum o Fisco identificou elementos que o levassem a concluir ter havido prestação de serviço sem emissão do correspondente documento fiscal. Da mesma forma, não se verificou qualquer omissão de receitas nas declarações que a empresa transmitia à Receita Federal do Brasil. Um terceiro aspecto relevante é que todos os custos da atividade desenvolvida pela Recorrente eram plenamente identificáveis, em especial aquele relativo à folha de salários. Afinal, todos os documentos de arrecadação de contribuições previdenciárias, assim como os comprovantes de recolhimento, eram devidamente arquivados Perceba-se, então, que o único problema foi realmente o descompasso temporal que maculou a escrituração contábil da Recorrente. Mas o acervo documental mantido pela empresa era capaz de contornar o desencontro de informações que esse descompasso causava nos livros-caixa. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 As digressões postas até aqui remetem a uma questão que precisa ser reforçada tanto quanto possível: somente pelo livro-caixa se pode chegar ao movimento financeiro da empresa num determinado período? A pergunta é pertinente porque, se houver outros meios, fica descaracterizada a hipótese do inc. VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Considerando a quantidade de documentos e informações de que dispunha a Autoridade Fazendária, é impossível crer que somente o livro-caixa lhe permitisse chegar ao resultado que buscava (conhecer a movimentação financeira do contribuinte). Primeiro que a Recorrente não deixava de manter escrituração contábil e fiscal. Se realmente cometeu o equívoco de escriturar mal um livro caixa ou não levar a registro este ou outro livro, isso não culminou na desqualificação de seu acervo contábil inteiro. Segundo que, insista-se, nenhum serviço prestado pela Recorrente jamais foi desacompanhado da correspondente nota fiscal de prestação de serviços, e nessas notas, decerto estava informado o valor do serviço prestado, que é a base da receita da empresa. Terceiro que em nenhum momento se falou em omissão de receitas, tanto que a Recorrente as declarava rigorosamente. Ademais, a Recorrente faz questão de manter cuidadosamente arquivados todos os comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias correspondentes a todas as obras de engenharia que executa. A mesma coisa se aplica às notas fiscais de compra de materiais empregados em suas obras. Tudo isso junto conduz à conclusão de que era perfeitamente possível recompor o fluxo financeiro da Recorrente, ainda que seu livro-caixa apresentasse falhas ou fosse descompassado do regime de apuração (competência) eleito por ela. Se houver dúvida quanto à possibilidade de o Auditor Fiscal chegar à movimentação financeira do contribuinte ainda que tenha identificado falhas em sua escrituração contábil, isso já vicia o ato de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional, pois haverá incerteza quanto à idoneidade do motivo para esse ato. III.3 – QUANTO ÀS INFRAÇÕES EM SI E AO EXCESSO DE PUNIÇÃO – NECESSÁRIO TEMPERAMENTO NA APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 A realidade das pequenas empresas brasileiras não lhes possibilita investimento suficiente em mão de obra especializada para a adoção de um compliance fiscal adequado, o que resulta no inevitável descumprimento de obrigações tributárias e, eventualmente, no surgimento de débitos que passam a ser prontamente exigíveis. Para piorar, o art. 30 da Lei Complementar nº 116/2006 ainda determina a exclusão do Regime dos contribuintes que cometam falhas as mais variadas, que vão desde a efetiva omissão de receitas submetidas à tributação até o mero cumprimento incorreto de obrigações acessórias, hipótese em que se insere a Recorrente. Acontece que, como se sabe, a Administração Pública está objetivamente vinculada à finalidade da norma. Nesse sentido, o art. 1º da referida lei revela que o escopo da criação do Simples Nacional foi promover e dar contornos concretos ao valor que inspirou a redação do art. 179 da Constituição, segundo o qual “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei.”. [...] Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 Feitas estas primeiras observações, importa dizer que, do que foi dito no tópico anterior, fica claro que a Recorrente jamais agiu de má-fé. Apenas cometeu erros contábeis que nem de longe significam lesão ao Fisco. Diante de um contexto como esse, em que o contribuinte claramente age de boa-fé e não há sinais de sonegação mediante omissão de receitas ou prestação de serviço de forma irregular (desacobertada de documento fiscal idôneo), é de se reconhecer a desproporcionalidade da medida que foi imposta, isto é, a exclusão do Simples Nacional, ainda que a Autoridade Fazendária tenha lastreado sua decisão em disposição legal. Aliás, quanto a ter havido fundamento legal para a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, é de se ter em mente que a literalidade do inciso VIII do art. 29 da LC nº 123/2006 não pode ser aplicada indistintamente a todo e qualquer contexto. A situação da Recorrente é emblemática. Ainda que tenha cometido um erro que prejudicou a análise das informações contidas em seu livro caixa, isso não quer dizer que sua movimentação financeira não pudesse ser recomposta. Afinal, o que não faltavam eram elementos, tais como declarações, notas fiscais, livros Diário e Razão, guias de recolhimento de tributos e FGTS etc. Se por tais elementos fosse possível – como era – recompor a referida movimentação, tornar-se-ia irrelevante o conflito identificado pelo Fisco entre o regime de apuração (competência) e o regime observado pela escrituração contábil (caixa). Por outro lado, se as falhas contábeis da Recorrente não implicaram prejuízo algum à Fazenda Pública, certo é que a manutenção do ato de exclusão do Simples Nacional trará para a empresa danos irreparáveis. [...] III.4 – EXCLUSÃO DO SIMPLES – INCONSTITUCIONALIDADE DOS EFEITOS RETROATIVOS DO ATO Na Representação Fiscal que subsidiou a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, foram invocados os arts. 75 e 76 da Resolução CGSN nº 94/2011. A invocação só serviu a um propósito: permitir que os efeitos de tal exclusão retroajam a 01 de fevereiro de 2012. Tal retroação implica diferenças quanto às obrigações tributárias, prejudicando a empresa que, de boa-fé, vinha optando pelo Simples desde então e por este regime pagando seus tributos, sem nunca antes ter sido notificada. Assim, é clara a hipótese de retroatividade in pejus, alterando a situação tributária pretérita da empresa que até então recolhia seus tributos, acertadamente, via Simples Nacional. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 Como se denota dos autos, o contribuinte tomou ciência acórdão recorrido em 11/12/2019 (fls. 142 do e-processo), apresentando o recurso voluntário, ora analisado, no dia 08/01/2020 (fls. 144 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, é tempestiva a defesa apresentada e, por isso, deve ser analisada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito Como visto pelo breve relato do caso, o contribuinte foi excluído do Simples Nacional em razão de o seu livro caixa não permitir a identificação da sua movimentação financeira, nos termos do que dispõe o artigo 29, VIII da Lei Complementar nº 123/2006, abaixo transcrito: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se- á quando: [...] VIII – houver falta da escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Após a manutenção da exclusão pela DRJ/JFA, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual questiona basicamente (A) excesso de punição, o qual na sua visão seria devido ao fato de a sua movimentação financeira ser possível por outros meios, que não exclusivamente o livro caixa; (B) a necessidade de temperamento quanto à aplicação da Lei Complementar nº 123/2006; além da (C) inconstitucionalidade dos efeitos retroativos do ato de exclusão. Com a finalidade de deixar o presente acórdão o mais didático possível, abordaremos cada uma dessas questões em tópico próprio. (A) QUANTO ÀS INFRAÇÕES EM SI E AO EXCESSO DE PUNIÇÃO – POSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA POR MEIOS ALTERNATIVOS Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 Segundo alega o contribuinte (fls. 153 do e-processo), as formalidades nos Livros Diário e Razão, a rigor em nada interferem na questão ora tratada. Isoladamente, jamais atrairiam a incidência do inc. VIII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, dispositivo invocado pelo Fisco. Embora seja verdade que isoladamente tais equívocos não atrairiam a incidência do dispositivo em questão, é importante ressaltar que eles foram determinantes para a conclusão feita pela Fiscalização de que o livro caixa escriturado pelo contribuinte não permitiria a identificação de sua movimentação financeira. Isto porque caso houvesse o registro de outros livros, tais como o razão e o diário, eles poderiam em conjunto com outros documentos de suporte, tais como notas fiscais, contratos e extratos bancários, configurar um meio alternativo para apuração da movimentação financeira. E embora o contribuinte afirme que o acervo documental mantido pela empresa era capaz de contornar o desencontro de informações e o descompasso temporal da sua escrituração contábil, não explica de que forma isso seria possível, posto que tanto o seu livro caixa, como os livros razão e diários não seguiam o prescrito pela legislação. O contribuinte também afirma que o Fisco não teria qualquer elemento nos autos demonstrando a prestação de serviço sem emissão de nota fiscal ou omissão de receita nas declarações prestadas. Contudo, tais constatações não são relevantes ao caso, posto que a legislação estabelece como condição para a exclusão tão somente a impossibilidade de identificação da movimentação financeira. Conforme expressamente consignado pela DRJ/JFA (fls. 139 do e-processo): - a empresa declarou o seu regime de tributação é o Regime de Competência, porém a escrituração contábil não obedece o citado regime; - os Livros Caixa não permites a correta identificação da movimentação financeira e bancária; - os Livros Contábeis Diário e Razão apresentados não possuem os termos de abertura e encerramento, e nem autenticação da Junta Comercial e encadernação; - as notas fiscais de serviços, ora são lançadas na data de emissão, ora são lançadas na data do recebimento; - algumas notas fiscais não foram lançadas; Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 - as guias de FGTS e INSS são lançadas no mês do pagamento. Embora mencionado pelo contribuinte em defesa, não é possível localizar nos autos meios alternativos os quais permitissem a correta identificação de sua movimentação financeira no período, razão pela qual a causa para exclusão se encontra devidamente configurada. (B) – QUANTO ÀS INFRAÇÕES EM SI E AO EXCESSO DE PUNIÇÃO – NECESSÁRIO TEMPERAMENTO NA APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 Nesse tópico específico o contribuinte afirma que (fls. 157 do e-processo) jamais agiu de má-fé. Apenas cometeu erros contábeis que nem de longe significam lesão ao Fisco, motivo pelo qual é de se reconhecer a desproporcionalidade da medida que foi imposta, isto é, a exclusão do Simples Nacional, ainda que a Autoridade Fazendária tenha lastreado sua decisão em disposição legal. Adverte ainda que a sua situação seria emblemática, pois (fls. 157 do e-processo), ainda que tenha cometido um erro que prejudicou a análise das informações contidas em seu livro caixa, isso não quer dizer que sua movimentação financeira não pudesse ser recomposta. Afinal, o que não faltavam eram elementos, tais como declarações, notas fiscais, livros Diário e Razão, guias de recolhimento de tributos e FGTS. Não menciona, contudo, que o seu livro diário e razão não seguia as formalidades necessárias, e que as notas fiscais foram incorretamente contabilizadas, em total desrespeito aos regimes de caixa e competência, tendo o mesmo acontecido com as guias de FGTS e INSS as quais eram lançadas no mês de pagamento. O recurso voluntário menciona uma série de precedentes, todos eles judiciais e nenhum administrativo. A Lei Complementar nº 123/2006 foi bastante objetiva ao prever a exclusão do Simples Nacional da empresa que seja omissa na escrituração do livro caixa ou quando ela não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação da legislação com base em argumentos de proporcionalidade ou razoabilidade como pretende o contribuinte. Embora Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 concordemos que em alguns casos seria necessário um exame da norma de maneira peculiar, não é possível o seu afastamento dissociado de algum outro fundamento legal, quer dizer, somente seria possível o afastamento do artigo 29, VIII, na hipótese de existir um outro dispositivo legal aplicável ao presente caso concreto, o que não parece ser o caso, posto que o único argumento apresentado é pela proporcionalidade ou então pelo objetivo da lei, cujo efeito prescricional é nulo ou inexistente. Ainda nesse sentido, convém mencionar a redação da Súmula CARF nº 02, segundo a qual este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Perceba-se que o argumento de desproporcionalidade da norma é incapaz de por si só acarretar na sua inaplicabilidade, cabendo a este Conselho apenas a sua aplicação. Ao julgador administrativo é dado o poder-dever de interpretar as normas em consonância com o sistema como um todo, inclusive, com as normas constitucionais, sem, contudo, afastar a aplicação das normas com base em argumentos único e exclusivamente constitucionais. (C) – EXCLUSÃO DO SIMPLES – INCONSTITUCIONALIDADE DOS EFEITOS RETROATIVOS DO ATO Alega o contribuinte que a retroatividade do ato de exclusão até 01/02/2012 significaria clara hipótese de retroatividade in pejus, o que seria vedado pelo artigo 106 do Código Tributário Nacional. Em que pese a menção ao disposto no CTN, esquece o contribuinte de que a legislação específica do Simples Nacional também regulamentou os efeitos da exclusão de forma precisa, veja-se: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: VIII - houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos- calendário seguintes. Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-005.495 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15215.720116/2017-77 Como se vê, a retroatividade dos efeitos do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional é determinada pela própria lei instituidora do regime simplificado. Trata-se de verdadeira escolha do legislador, o qual atribuiu um marco inicial para o início da produção dos efeitos da exclusão. Não se trata de uma escolha discricionária ou arbitrária da Fiscalização. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.915320/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Resolvem os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 15 32 0/ 20 12 -8 1 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11080.915320/201281 Resolução nº 1401000.566 S1C4T1 Fl. 199 2 Relatório Diante da análise do processo e das consultas efetuadas aos sistemas de controle da RFB, verificouse que em 29/04/2011, a empresa efetuou o pagamento do DARF no valor de R$ 446.174,97 Código de receita – 3373 – IRPJ , período de apuração 31/03/2011. Em 18/05//2011, a empresa transmitiu DCTF ORIGINAL MENSAL Março/2011 – com um Débito Apurado do IRPJ no valor de R$ 447.348,58, fls. 51 a 57. Em 21/08/2012, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, objeto da lide do presente processo, utilizandose respectivamente dos valores apontados na tabela abaixo para quitação valor de R$ 446.174,97, citado acima, para compensação dos débitos nela indicados para o primeiro trimestre de 2011. Os Per/Decomps não homologados, seus respectivos valores e processos administrativos de cobrança, são os seguintes: processo Tributo período Per Dcomp valor originário 11080.915322/201271 IRPJ 31/03/2011 37274.19310.300512.1.3.048772 R$2.004,04 11080.915326/201259 IRPJ 31/03/2011 10626.20282.250912.1.3.043870 R$ 1.303,74 11080.915323/201215 IRPJ 31/03/2011 04554.76710.290612.1.3.048707 R$ 1330,98 11080.915321/201226 IRPJ 31/03/2011 11627.08751.070512.1.7.041105 R$ 16.871,14 11080.917014/201280 IRPJ 31/03/2011 15626.60096.231112.1.3.040942 R$ 1.314,55 11080.915324/201260 IRPJ 31/03/2011 32185.30771.170712.1.3.049931 R$ 1.216,81 11080.915327/201201 IRPJ 31/03/2011 11639.43635.171012.1.3.044604 R$ 1.004,78 11080.915320/201281 IRPJ 31/03/2011 15589.11951.070512.1.7.045401 R$ 2.832,83 11080.915325/201212 IRPJ 31/03/2011 30005.88638.210812.1.3.047058 R$ 1.290,11 Em 03/01/2013, a DRF/Porto Alegre – MG. emitiu Despachos Decisórios Eletrônicos não homologando a compensação declarada na PER/DCOMP, em cada um dos processos acima relacionados sob o argumento de que o pagamento fora totalmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP pleiteado. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11080.915320/201281 Resolução nº 1401000.566 S1C4T1 Fl. 200 3 Pretendendo obter a reforma do julgado, a Recorrente ingressou com as repectivas Manifestações de Inconformidade, todas julgadas improcedentes, mantendose todos os Despachos Decisórios integralmente, sob o argumento de que pedido de retificação de DCTF, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que as DRJs limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. Assim, mesmo o contribuinte tendo apresentando a DCTF RETIFICADORA, qualquer alegação de erro no preenchimento desta, deveria vir acompanhada dos livros e documentos que indicassem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior, ante a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, a não homologação foi mantida. Inconformada, no dia 08 de julho de 2015, interpôs recurso voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, reproduzindo em suma os argumentos trazidos na impugnação, acrescidos de pedido de acolhimento e apreciação de provas produzidas em momento posterior a elaboração do Despacho Decisório. Com o objetivo de apressar o julgamento de seus recursos impetrou Mandado de Segurança feito 18012318270609900000004193447, 4a Vara Federal Cível da SJDF, cuja liminar foi concedida em 19 de janeiro de 2018, com o seguinte teor: "Diante do exposto, DEFIRO LIMINARMENTE O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA para determinar à autoridade coatora que pratique todos os atos de sua atribuição tendentes a apreciar e julgar imediatamente os recursos voluntários interpostos pela autora , no prazo de 90 (noventa) ) dias, desde que seja apenas caso de mora administrativa e não haja outras exigências técnicas". Intimação ao CARF registrada em 25/01/2018. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. VOTO: Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. No primeiro trimestre do ano de 2011, a Recorrente apurou o valor de R$ 447.348,58 relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), que restou declarado regularmente em DCTF. O crédito tributário em questão foi adimplido em parcela de R$ 1.173,61 mediante PER/DCOMP (nº. 02649.18284.290411.1.3.024381), e o restante através de guia DARF no montante de R$ 446.174,97. Ocorre que, após o recolhimento do IRPJ nos termos acima descritos, ela percebeu o cometimento de equívoco relativamente ao prejuízo compensável apontado na Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11080.915320/201281 Resolução nº 1401000.566 S1C4T1 Fl. 201 4 apuração do referido imposto. Assim, constatouse que o valor corretamente devido de IRPJ no primeiro trimestre de 2011 era de R$ 381.572,70, nos termos da DIPJ apresentada à época. Diante do pagamento a maior realizado, correspondente ao IRPJ equivocadamente apurado no primeiro trimestre de 2011, a recorrente formalizou, no ano seguinte – 2012, diversos pedidos de compensação (PER/DCOMP) perante a Receita Federal, objetivando a quitação de seus débitos. No bojo dos referidos pedidos de compensação encaminhados em 2012, sobrevieram Despachos Decisórios de não homologação contra a empresa impetrante. As referidas decisões adotaram como fundamento o fato de ter o referido DARF emitido para o pagamento do IRPJ apurado no primeiro trimestre de 2011 , contemplado a totalidade dos valores anteriormente declarados mediante DCTF, ou seja, o DARF estava em consonância com o valor originalmente declarado pela empresa, a qual ainda não havia procedido as retificações das aludidas declarações, a fim de reduzir o débito anteriormente declarado. Como consequência do não reconhecimento do crédito da recorrente, constituiuse saldo devedor correspondente aos débitos cuja compensação restou frustrada. Isto porque, segundo a decisão recorrida verificouse que o pagamento que daria origem ao crédito informado na PER/DCOMP pela interessada e apontado no Despacho Decisório, teria sido integralmente utilizado pela Receita Federal para quitação do Débito Declarado pelo contribuinte através da DCTF original do mês de março/2011 (entregue em 18/05/2011), correspondente ao mesmo período de apuração (31/03/2011). Em Voluntário, a Recorrente junta documentos indicativos da existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em valor aparentemente suficiente à compensação dos créditos exigidos nos autos, requer como pedido alternativo a realização de diligência para constatação pela autoridade fiscal para aferição da real composição do saldo negativo do ano de 2011, mediante a análise dos efetivos recolhimentos das estimativas e contabilização do prejuízo fiscal, sem prejuízo da constatação de existência de outro formato de utilização do aludido crédito, como maneira de evitar o perecimento de seu direito. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Ementa: COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Acórdão nº 1803000.751 – 3ª Turma Especial Sessão de 16/12/2010 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11080.915320/201281 Resolução nº 1401000.566 S1C4T1 Fl. 202 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. Recurso provido. Acórdão nº 103 19.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”. (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa, conforme art. 29 do Decreto 70.235/72 e para a apreciação dos documentos indicativos da existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em valor aparentemente suficiente à compensação dos créditos exigidos nos autos, voto pela conversão do processo em DILIGÊNCIA, nos seguintes termos: 1 Apurar, mediante análise da escrituração contábil e fiscal do contribuinte o real valor devido a título de IRPJ do 1º trimestre de 2011; 2 Realizar a comparação entre o valor devido e o montante pago por meio do DARF recolhido a título deste período no montante de R$ 446.174,97, informando, se e qual, valor foi pago a maior. 3 Existindo valor pago a maior, elaborar os cálculos de compensação com os débitos informados em todos os PER/DCOMP vinculados ao mesmo pagamento, indicando os valores compensados e os saldos a pagar, se houver, apurados. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. É o meu voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004560/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado as razões de fato e de direito que amparam lançamento fiscal lavrado em observância à legislação, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AI. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CFL 21.
Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de atender, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal.
INTIMAÇÃO DOS ADVOGADOS. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE.
Não encontra acolhida a pretensão de que as intimações no processo administrativo fiscal sejam dirigidas aos advogados da parte, conforme Súmula CARF nº 110.
Numero da decisão: 2202-008.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Wilderson Botto (Suplente convocado), Sonia de Queiroz Accioly e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado as razões de fato e de direito que amparam lançamento fiscal lavrado em observância à legislação, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AI. CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CFL 21. Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de atender, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. INTIMAÇÃO DOS ADVOGADOS. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE. Não encontra acolhida a pretensão de que as intimações no processo administrativo fiscal sejam dirigidas aos advogados da parte, conforme Súmula CARF nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 60 /2 00 9- 16 Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Wilderson Botto (Suplente convocado), Sonia de Queiroz Accioly e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 69 e ss ) interposto contra R. Acórdão proferido pela 11ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (fls. 56 e ss) que manteve o lançamento, em razão da empresa ter deixado de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para apresentação dos arquivos com informações em meio digital, correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras – CFL 21. Segundo o Relatório do R. Acórdão recorrido: DA AUTUAÇÃO Trata-se de Auto de Infração (AI) DEBCAD n.° 37.222.988-3 lavrado, pela fiscalização, contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 11, parágrafos 3° e 4° da Lei n.° 8.218, de 29/08/1991, na redação dada pela Medida Provisória (MP) n.° 2.158, de 24/08/2001, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 06, ela deixou de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para apresentação dos arquivos com informações em meio digital, correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. O Relatório Fiscal da Infração, de fls. 06, informa, ainda, que: foi iniciada a fiscalização na empresa em 04/07/2008; o contribuinte foi intimado por TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos) a apresentar informações em meio digital com leiaute previsto no MANAD (Manual Normativo de Arquivos Digitais) da Receita Federal do Brasil, atual ou em vigor a época (01/2004 a 12/2004) de ocorrência dos fatos geradores – a forma exigida para a apresentação das informações mencionadas fora estabelecida pela Ponaria INSS/DIREP n.° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria INSS/DIREP n.° 07, de 20/01/2004; em razão do não atendimento do TIAD, no quesito mencionado, procedeu-se à reintimação, através do TIF-2 (Termo de Intimação Fiscal), não tendo, novamente, o contribuinte apresentado à fiscalização os arquivos digitais no leiaute previsto no MANAD; o contribuinte disponibilizou à fiscalização as folhas de pagamento e os livros Diário e Razão em arquivos de extensão PDF; o CD contendo as folhas de pagamento foi autenticado pelo SVA (Validação e autenticação de arquivos digitais) e está anexado ao Auto 37.222.990-5, ao qual este esta apenso, juntamente com o recibo de sua entrega à fiscalização; o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) foi gravado em meio digital e entregue via postal ao contribuinte, com aviso de recebimento. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 07, informa que: foi aplicada multa de R$ 60.479 01 (sessenta mil e quatrocentos e setenta e nove reais e um centavo), correspondente a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, relativa ao ano-calendário em que as operações foram realizadas, conforme previsto no art. 12 da Lei n.° 8.218, de 29/08/1991; Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 a receita bruta do ano-calendário de 2004, constante da DIPJ (Declaração de Informações Econômicas e Fiscais da Pessoa Jurídica) entregue em 19/01/2007, conforme registro do banco de dados da Receita Federal do Brasil, possui o valor de R$ 12.095.802,00; foram anexadas ao presente Auto as folhas da DIPJ onde constam as informações sobre a receita bruta do contribuinte; o valor do presente Auto de Infração será atualizado pela SELIC, conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF 10, de 14/11/2008, publicada no D.O.U. de 17/ll/2008, bem como a legislação que a ampara. Encontram-se anexos ao AI, entre outros, os seguintes documentos: IPC - Instruções para o Contribuinte; e, cópias do TIAF - Termo de Início da Ação Fiscal; TIAD - Termo de Intimação para Apresentação de Documentos; Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; e, TEPF - Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. E, consta, às fls. 30, termo de juntada de processo, segundo o qual este processo foi apensado ao de n.° 19515004556/2009-40. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada em 04/1 1/2009 (fls. 02, 28 e 29), a empresa apresentou, em 04/12/2009, conforme despacho de fls. 54, a impugnação de fls. 32 a 37, com documentos anexos às fls. 31, 38 a 51 (Procuração, envelope e cópias de documento de identificação do subscritor da impugnação, da 30” Alteração do Contrato Social, de 22/06/2009), deduzindo, em sua defesa, as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Relata a impugnante que está se cobrando, por meio deste Auto de Infração (AI), o pagamento de multa originada por suposto descumprimento de obrigação acessória, consistente na não apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme o previsto no artigo ll, parágrafos 3° e 4° da Lei n° 8.218/91, tendo sido a multa aplicada impingida nos termos do artigo 12, inciso I, do referido dispositivo legal. Do direito: Sustenta, aqui, a empresa, a ocorrência de cerceamento de defesa, por falta de instrução do Auto de Infração e violação ao princípio da busca da verdade material. Informa que a Constituição prevê a obrigatoriedade de se conceder aos acusados e litigantes em geral a mais ampla defesa, com os recursos a ela inerentes, assegurando- lhes o devido processo legal e garantindo-lhes, outrossim, o direito ao contraditório, conforme dispõe o artigo 5°, LIV e LV. Afirma que, no caso vertente, no entanto, tais princípios não teriam sido cumpridos pela fiscalização, que teria procedido a autuação sem sequer ter informado quais elementos do “layout” do MANAD não teriam sido obedecidos na apresentação dos arquivos referentes a folha de pagamento no exercicio de 2004, de forma minimamente inteligivel e satisfatória. Para ela, ao não instruir o Auto de Infração corretamente para demonstração dos itens da folha de pagamento que, em tese, não teriam sido informados de maneira adequada de acordo com o “layout” do MANAD, a fiscalização teria impedido a análise mais apurada dos documentos que deram origem à multa, o que implicaria na nulidade da autuação, nos termos dos artigos 10, 59, 60 e 61 do Decreto 70.23 5/72. Alega que a documentação, necessária ao exame da validade do ato de imposição de penalidade, teria sido desprezada pela fiscalização, razão porque não pôde identificar de forma eficiente as supostas irregularidades apontadas pelas autoridades administrativas, Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 para exercer o seu direito de ampla defesa e do contraditório, e, que, ante essa manifesta violação ao direito de defesa, o ato administrativo seria nulo. Ressalta a ocorrência, no caso, de ausência da descrição exata dos fatos geradores dos tributos cobrados no AI, não sabendo dizer especificamente quais seriam os elementos das folhas de pagamento utilizados pela fiscalização, para compeli-la ao pagamento da referida multa. Entende que o auto de infração seria nulo de pleno direito, em razão da falta de motivação fática e legal, que justificasse a manutenção da imposição de penalidade, tendo se valido a autoridade fiscal de apuração inconclusiva, que culminou na não apresentação exata dos elementos caracterizadores do alegado descumprimento de obrigação acessória, em manifesta afronta à busca da verdade material. Em suma, segundo ela, a autuação não teria sido devida e adequadamente motivada, 0 que implicaria em nulidade do ato administrativo de lançamento e imposição de penalidade, tendo a fiscalização se limitado a informar que o “layout” dos documentos apresentados não era aquele previsto no MANAD, sem, contudo, informar exatamente quais elementos não estariam em conformidade com o referido “layout”, sendo que todos os dados necessários para a apuração dos tributos efetivamente devidos foram devidamente apresentados através de arquivos digitais enviados em PDF contendo todos os elementos legalmente previstos para o fornecimento de informações referentes a folhas de pagamento e recolhimentos previdenciários. Destaca, por fim, a impugnante, que a análise das preliminares e do mérito levaria a conclusão de que o crédito tributário reclamado não seria efetivamente devido ao Erário, afirmando que não teria cometido a infração que lhe foi imputada. Dos pedidos: Requer, então, a empresa, o recebimento e o acolhimento de sua impugnação, para o fim de se julgar totalmente nulo este auto de infração, por falta de motivação legal e fática caracterizadora de cerceamento de defesa. E protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, notadamente pela juntada de novos documentos, se assim se fizer necessário. É o relatório. O Colegiado de 1ª instância manteve a atuação, em Acórdão proferido com a seguinte ementa: Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE ATENDER A FORMA ESTABELECIDA PARA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS COM INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. Deixar a empresa de atender à forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal constitui infração punível nos termos da legislação federal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa à autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 Cientificado da decisão de 1ª Instância, aos 15/12/2010 (fls. 67), o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 14/01/2011 (fls. 69 e ss), insurgindo-se contra o R Acórdão ao fundamento de nulidade da autuação por violação ao direito de defesa/verdade material. Segundo alega, Pela análise do Auto de lnfração não é possivel depreender-se quais elementos do lay out do MANAD que não foram observados pela Recorrente. Referidas informações são de vital importância para apresentação de defesa pela Recorrente, bem como para a subsistência da própria multa aplicada, restando evidenciado a nulidade do Auto de Infração em caso de sua omissão.(..) Desta forma, mostra-se necessária a reforma do v. acórdão recorrido, de forma a reconhecer a nulidade do ato de instauração do processo administrativo, sob pena de violação ao princípio constitucional da ampla defesa e da busca da verdade material. Requer a declaração de nulidade da autuação. Pede que as intimações sejam remetidas ao seu advogado. Esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheira Sonia de Queiroz Accioly, Relatora. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Nulidades Antes de examinar as teses trazidas pela defesa, impõe-se destacar o artigo 142 do Código Tributário Nacional e os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72, que estabelecem os requisitos de validade do lançamento, além daqueles previstos para os atos administrativos em geral: Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Também importa ressaltar os casos que acarretam a nulidade do lançamento, previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.(...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, depreende-se que ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Analisando o tema nulidades, a Professora Ada Pellegrini Grinover (As Nulidades do Processo Penal, 6° ed., RT, São Paulo, 1997, pp.26/27) afirma que o “princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestra do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para correta aplicação do direito”. Da Nulidade do Lançamento - Dos princípios constitucionais. É de se observar que o procedimento fiscal é uma fase oficiosa em que a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Nessa fase, o Fisco submete-se à regra geral do ônus da prova prevista no Processo Civil – que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Como, ainda, não há processo instaurado, mas tão-somente procedimento, não cabe falar em direito de defesa. Antes da impugnação não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco, de forma a restarem afastadas de plano as alegações de ofensa ao contraditório e ampla defesa, bem como a ofensa à verdade material. Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 O ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo (CTN, art.142). Nesse sentido, a Autoridade Fiscal pode valer-se de algumas peças processuais, e sobrepô-las, sem que com isso advenha qualquer irregularidade ou nulidade ao feito. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, bem observou o R. Acórdão recorrido que: Não merece acolhida, aqui, a alegação da impugnante no sentido da ocorrência de cerceamento de defesa, por falta de instrução do AI e violação ao princípio da busca da verdade material. Cabe observar que o presente Al encontra-se revestido das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigo 2° e 3° da Lei n.° 11.457, de 16/03/2007, e no artigo 293, caput do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 6.103, de 30/04/2007, a seguir transcrito, tendo sido formulado de modo que a autuada tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa. (...) Houve, no caso, a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada (“... o contribuinte deixou de atender à forma estabelecida pela RFB para apresentação de informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras...”; “... não tendo... o contribuinte apresentado à fiscalização os arquivos digitais leiaute MANAD”, “...contribuinte disponibilizou à fiscalização as folhas de pagamento e os livros Diário e Razão em arquivos de extensão PDF...”), e a indicação do dispositivo legal infringido (“... Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 11, parágrafos 3. e 4., com redação da MP n. 2.158, de 24.08.01”), da penalidade aplicada e dos critérios de gradação (“... Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 12, 1, parágrafo único.”), e local, dia e hora da lavratura do A1, conforme se pode verificar na capa do A1, às fls. 02, e nos Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa, às fls. 06 e 07. Cumpre salientar que o ato administrativo consubstanciado neste A1 possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado, e estando os seus fundamentos legais discriminados na capa do AI e nos Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa, bem como motivo de fato, tendo havido, pela fiscalização, a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato, e estando informada, nos referidos relatórios, com objetividade, precisão e clareza, a origem da autuação (apresentação de informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras em desacordo com a forma estabelecida pela RFB; não apresentação dos arquivos digitais relativos as folhas de pagamento e aos Livros Diário e Razão com o leiaute previsto no MANAD - Manual Normativo de Arquivos Digitais), permitindo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo, não havendo que se falar em nulidade da autuação. No que diz respeito à afirmação da empresa no sentido de que não teriam sido informados, pela fiscalização, os elementos do “layout” do MANAD que não teriam sido obedecidos na apresentação dos arquivos digitais, cabe observar que consta, expressamente, no Relatório Fiscal da Infração, que a “forma exigida para a apresentação das informações mencionadas fora estabelecida pela Portaria INSS/DIREP Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 n° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria INSS/DIREP n° O7, de 20/01/2004”, sendo, desta Portaria, publicada no Diário Oficial da União (D.O.U.), transcritas alguns trechos a seguir. Ressalte-se, também, que se menciona, ainda, neste relatório, que o contribuinte disponibilizou à fiscalização “as folhas de pagamento e os Livros Diário e Razão em arquivos de extensão PDF”. (...) É de se destacar, assim, no caso, que, houve, pela fiscalização, a devida especificação dos fatos que levaram à presente autuação, bem como a apreciação da documentação da empresa, que lhe havia sido apresentada, respeitando o principio da busca da verdade material e permitindo o pleno exercício do direito de defesa. Cabe ressaltar, por fim, que a lavratura do presente Al se deu com base em documentos da própria empresa, e que esta não trouxe aos autos, em sua defesa, quaisquer documentos no sentido de comprovar a sua alegação de que a infração objeto deste Al não teria sido cometida, devendo ser mantida, assim, a presente autuação. Realmente, o Relatório Fiscal (fls.7 e ss) pormenoriza em todos os seus elementos a prática infratora tributária, possibilitando a plena compreensão dos fatos e a ampla defesa. Extrai-se do Relato Fiscal: 1. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal - MPF n° 08l9000.2008.04374-3 foi iniciada a fiscalização na empresa em 04/07/2008, data da ciência do MPF pelo contribuinte, com o fim de verificar a regularidade no cumprimento das obrigações referentes às contribuições previdenciárias. 2. O contribuinte foi intimado por TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos) a apresentar informações em meio digital com leiaute previsto no MANAD (Manual Normativo de Arquivos Digitais) da Receita Federal do Brasil, atual ou em vigor a época (01/2004 a 12/2004) de ocorrência dos fatos geradores. A forma exigida para a apresentação das informações mencionadas fora estabelecida pela Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria INSS/DIREP n° 07, de 20/01/2004.. Em razão do não atendimento do TIAD no quesito mencionado procedeu-se a reintimação, através do TIF-2 (Temo de Intimação Fiscal), não tendo, novamente, o contribuinte apresentado à fiscalização os arquivos digitais leiaute MANAD. 3. O contribuinte disponibilizou à fiscalização as folhas de pagamento e os livros Diário e Razão em arquivos de extensão PDF. O CD contendo as folhas de pagamento foi autenticado (866d8b6d-3177e53d-36bd805dedda2db0)pelo SVA (Validação e autenticação de arquivos digitais) e juntamente com o recibo de sua entrega à fiscalização, está anexado ao Auto 37.222.990-5, ao qual este está apenso. 4. Pelo descrito acima o contribuinte deixou de atender a forma estabelecida pela RFB para apresentação de informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, infringindo a Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. ll, §§ 3° e 4°, com a redação dada pela MP n° 2.158-35, de 24/08/2001. 5. O presente AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) foi gravado em meio digital e entregue via papel ao contribuinte com aviso de recebimento. 6 A fiscalização foi atendida pelo Sr. Aparecido Donizete Raszeja, CPF 937.975.598- 87, preposto da empresa, que ficou ciente da origem e da natureza do débito. A instrução processual, especialmente o Termo de Intimação Fiscal nº 2, a fls. 22, comprova o relato fiscal e lastreia a autuação. Das nulidades alegadas Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.388 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.004560/2009-16 É de se ressaltar que o direito de ampla defesa foi devidamente garantido ao Recorrente com abertura de prazo para apresentação de defesa ao lançamento, e recurso da decisão colegiada. Desta forma, uma vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração ou do Acórdão recorrido. Por fim, cumpre ressaltar que a autuação foi lavrada em razão do cometimento de infração tributária, prevista no artigo 11, §§ 3° e 4° da Lei n.° 8.218, de 29/08/1991, caracterizado o descumprimento de obrigação acessória, As alegações trazidas em sede de recurso são as mesmas já apresentadas e bem sopesadas pelo Colegiado de 1ª Instância, nada havendo para acrescentar à fundamentação que ora acolho integralmente. Por fim, o Recorrente requer que as intimações sejam encaminhadas aos procuradores. Essa pretensão não encontra respaldo na legislação de regência, especialmente no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Neste diapasão, a matéria foi consolidada no âmbito do CARF por meio da Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10070.001839/2006-99
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO. NULIDADE. NOTIFICAÇÃO SEM ASSINATURA. INOCORRÊNCIA.
No auto de infração consta o nome do auditor notificante, sua matricula, bem como a assinatura.
Ademais, prescinde de assinatura a autuação emitida por processo eletrônico, nos termos do art. 11, IV e parágrafo único, do Decreto 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
O sujeito passivo e responsável pelas informações na Declaração de Ajuste Anual do IRPF é o beneficiário do rendimento, não podendo alegar erro da fonte pagadora para se elidir da responsabilidade de informar proventos efetivamente recebidos.
Numero da decisão: 2003-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA
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NULIDADE. NOTIFICAÇÃO SEM ASSINATURA. INOCORRÊNCIA. No auto de infração consta o nome do auditor notificante, sua matricula, bem como a assinatura. Ademais, prescinde de assinatura a autuação emitida por processo eletrônico, nos termos do art. 11, IV e parágrafo único, do Decreto 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. O sujeito passivo e responsável pelas informações na Declaração de Ajuste Anual do IRPF é o beneficiário do rendimento, não podendo alegar erro da fonte pagadora para se elidir da responsabilidade de informar proventos efetivamente recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 18 39 /2 00 6- 99 Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-003.515 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10070.001839/2006-99 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente). Relatório A recorrente supra identificada foi autuada por omitir rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício das seguintes fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE DUQUE DE CAXIAS, CNPJ nº 29.138.328/0001-50, no valor de R$50.143,83 e retenção de R$4.020,92; da SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, CNPJ nº 42.498.634/0001-66, o valor de R$18.152,00 e retenção na fonte de R$518,88; e da PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, CNPJ nº 42.498.733/0001-48, o valor de R$12.497,01. A autuada apresentou impugnação em 22/11/2006, dentro do prazo legal, requerendo de forma preliminar a nulidade do auto de infração sob alegação de que o mesmo não foi assinado pelo auditor-fiscal autuante, tendo apenas a assinatura eletrônica do mesmo. Insurge-se contra a multa aplicada no percentual de 75% do imposto suplementar sem o devido embasamento legal. Alega ilegalidade por não citar o fundamento legal da penalidade e, desta forma, prejudica o direito de defesa do autuado Além do mais, apontou como equivocadas a descrição dos fatos que geraram o auto de infração com base nas seguintes alegações: a) não especificação do CNPJ das fontes pagadoras; b) falta dos documentos que comprovam a retenção do IRRF; c) aduz que as informações sobre os rendimentos auferidos na Secretaria de Administração e Reestruturação do Estado do RJ e da Prefeitura Municipal de Duque de Caxias não correspondem ao informado na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003, ano-calendário 2002, não havendo omissão de fontes pagadoras; e d) não há especificação da alíquota utilizada para cálculo do imposto suplementar. Alega que a falta do CNPJ impossibilitou a identificação das fontes pagadoras e que a omissão da alíquota aplicada também trouxe prejuízos a sua “defesa”. Requer, por fim, a improcedência total do auto de infração. Na sequência, os autos foram encaminhados para a autoridade julgadora de 1ª instância apreciar a impugnação e, aí, em Acórdão de fls. 39/42, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria – RS entendeu por julgá-la improcedente, conforme se verifica da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ O sujeito passivo e responsável pelas informações na Declaração de Ajuste Anual do IRPF é o beneficiário do rendimento, não podendo alegar erro da fonte pagadora para se elidir da responsabilidade de informar proventos efetivamente recebidos. Lançamento Procedente.” A contribuinte foi notificada do resultado da decisão de 1ª instância em 12/07/2010 (fls. 44) e entendeu por apresentar Recurso Voluntário de fls. 46/50, protocolado em 10/08/2010, sustentando, pois, as razões do seu descontentamento. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-003.515 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10070.001839/2006-99 E, aí, os autos foram encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para que o recurso seja apreciado. É o relatório. Voto Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. Verifico, inicialmente, que o presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciar as alegações tais quais formuladas. Preliminares Nulidade – Ausência de Assinatura do Auto Preliminarmente, requer a autuada a nulidade do auto de infração sob o argumento de que o mesmo não foi assinado pelo auditor conforme determina o inciso VI do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. No mesmo diploma legal o artigo 59 define as situações em que são admitidas as nulidades do Processo Administrativo Fiscal – PAF. É ver-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa” Portanto, não estando enquadrado nas hipóteses anteriores, não há como acatar o pedido de nulidade do ato administrativo. Ademais, observa da e-fl. 17 que o Auto de Infração foi devidamente assinado. Não sendo o bastante, o artigo 11 do referido Decreto nº 70.235/72 preceitua justamente o oposto do que entende a interessada, dispensando a assinatura das notificações de lançamento emitidas por processo eletrônico. Confira-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (...) Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” (grifei). Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-003.515 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10070.001839/2006-99 Portanto, o lançamento revestiu-se de todas as formalidades para sua validade, quais sejam: a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme DIRF entregues pela fonte pagadora; a identificação do sujeito passivo; a identificação do valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação, não havendo prejuízo na possibilidade de conhecimento dos fatos e das infrações imputadas, não cabe o pedido de nulidade posto que em nenhum momento impediu a autuada o exercício do seu direito ao contraditório. Nulidade – Ausência de fundamentação A contribuinte alega cerceamento de defesa, defendendo que a autoridade fiscal não trouxe os fundamentos para aplicação da multa e dos juros. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que trata-se de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Lei nº 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível.” De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura do Auto de Infração, anexos e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram-se maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-003.515 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10070.001839/2006-99 Conforme já visto no tópico anterior, concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. Especificamente quanto ao argumento de cerceamento de defesa por falta de capitulação legal e a indicação da alíquota aplicada no imposto complementar, entendemos que estão equivocadas as alegações da recorrente, pois toda a fundamentação legal, sobre alíquotas e períodos, está contemplada no item “Enquadramento Legal” da folha 09, e constitui parte integrante do auto de infração. Ao omitir valores, deixou a autuado de recolher o imposto devido e por este motivo, sujeito as penalidades previstas na legislação tributária e descritas na folha 13, “Demonstrativo de Apuração da Multa de Ofício e dos Juros de Mora” , mais especificamente no item “Enquadramento Legal”. A multa de ofício está prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488 de 15.06.2007, conversão da Medida Provisória nº 351 de 22.01.2007, como segue: “Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Da mesma forma os juros de mora estão previstos no artigo 84 da Lei nº 8.981/1995 com as alterações da Lei nº 10.522/2002: “Lei nº 10.522/2002 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I - juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. (...) § 6º O disposto no § 2º aplica-se, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta Lei.” Portanto, infundadas as alegações da recorrente quanto ao cerceamento de defesa, ou a impossibilidade de exercê-lo plenamente por falta de fundamentação legal ou descrição dos fatos geradores da autuação. Passemos, então, ao exame das alegações de mérito. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-003.515 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10070.001839/2006-99 Mérito Apesar de afirmar que questiona o mérito da demanda, observa-se do recurso voluntário que não há argumentos específicos para rechaçar a pretensão fiscal, fixando sua defesa nas questões preliminares. Sendo assim, embora tenha tido prazo legal e oportunidade para justificar os valores não declarados e informados pelas fontes pagadoras, ou seja , informou rendimentos tributáveis recebidos da Prefeitura Municipal de Duque de Caxias no montante de R$35.530,72 e retenção de R$3.885,01 enquanto a fonte informou rendimentos tributáveis de R$50.143,83 e retenção de R$4.020,92, rendimentos recebidos e retenções efetuadas pela Secretaria de Administração e Reestruturação do Estado do Rio de Janeiro correspondem as declaradas pela autuada e aqueles recebidos da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, CNPJ nº 42.498.733/0001-48 foram omitidos completamente. Não havendo provas nos autos de que houve erro pela fonte pagadora e/ou que não houve o recebimento dos rendimentos informados em DIRF, entendo pela manutenção da autuação fiscal aqui discutida. Conclusão Por todas essas razões e por tudo que consta nos autos, conheço do presente recurso voluntário e entendo por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.001264/2004-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Impugnação. Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 35 a 42, lavrado em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de RS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 26 4/ 20 04 -4 1 Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 3.371.588,63, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 03/2000, 07/2000, 09/2000 a 02/2001, 05/2001 a 07/2001, 11/2001, 12/2001, 02/2002, 05/2002, 07/2002, 08/2002, 10/2002 e 11/2002, à multa de ofício de 75% e aos juros de mora calculados até 31/05/2004. Relata o Autuante, à fl. 40, no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do Auto de Infração que os valores foram apurados conforme Termo de Verificação Fiscal anexo (fls.33/34). No referido Termo, informa o Autuante que: No exercício das funções legais de Auditor-Fiscal da Receita Federal e no curso da fiscalização levada a efeito junto à empresa acima qualificada, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano calendário de 1999,intimamos através do “Termo de Início da Ação Fiscal”, que fossem preenchidos os formulários denominados “Verificações Obrigatórias” (ANEXO 5),referentes à Contribuição para o PIS e à Cofins, no que fomos atendidos; e Constatamos, no que se refere à Cofins, diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos, bem como diferenças relativas às bases de cálculo, conforme foi apurado na escrituração contábil. Os dispositivos legais infringidos constam na “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 41 do referido Auto de Infração. Cientificada em 29/06/2004 (fl. 39), a Interessada ingressou, em 29/07/2004 (fl. 44), com a impugnação de fls. 45/49, na qual alega: Preliminarmente, que: E de se considerar que o auto de infração impugnado é nulo, e como tal deverá ser declarado por esse colegiado, por não atender aos requisitos de liquidez e certeza, prejudicando até a elaboração da presente defesa; O Sr. Agente Fiscal modificou substancialmente a base de cálculo da contribuição para o PIS considerada pela Impugnante, majorando-a de forma significativa em vários meses dos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, sem esclarecer as razões que o levaram a adotar esse procedimento; No Termo de Verificação anexo ao auto de infração impugnado, o agente lançador limita-se a informar que “constatamos, no que se refere à Cofins, diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos, bem como diferenças relativas às bases de cálculo, conforme foi apurado na escrituração contábil", sem indicar, contudo, como chegou ao valor das referidas bases de calculo; De acordo com o disposto no art.-142 do Código .Tributário Nacional, a autoridade fiscal está obrigada a determinar a matéria tributável e apurar o montante do tributo devido. Ocorre que o Sr. Agente Fiscal não foi claro acerca dos motivos que levaram ao reajustamento da base de cálculo, e tampouco à apuração de divergências entre os valores pagos e os efetivamente devidos; Para que não paire qualquer dúvida sobre o assunto, a Impugnantè junta à presente as planilhas detalhadas esclarecendo minuciosamente como apurou a base de cálculo da referida contribuição (does. 2, 3, 4 e 5, fls. 110 a 142), indicando, ao final de cada uma, a forma como se deu o pagamento, e protesta desde logo pela juntada de todo e qualquer documento que confirme tais informações; No mérito, que: Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 O Agente Fiscal, ao lavrar o auto de infração em tela, deixou de considerar não apenas que a exigibilidade dos créditos lançados está, na sua quase totalidade, suspensa, como também que parte das receitas ali mencionadas não está sujeita à tributação da Cofins; Conforme se depreende da anexa planilha de cálculo, as receitas auferidas pela Impugnante foram, quase que em sua totalidade, de natureza financeira. Tais receitas, contudo, que não se confundem com aquelas oriundas da venda de bens e da prestação de serviços, estão com a exigibilidade suspensa, por força de provimento judicial emanado dos autos do mandado de segurança n° 2002.61.00.025611-9 (doc. n°6, fls. 76 a 109); Em relação a esta parcela do auto de infração, não poderia o D. Agente Fiscal ter exigido o que quer que fosse da Impugnante sem excluir multa e juros, porquanto sua exigibilidade encontra-se suspensa por medida judicial; No mês 07/2000, o D. Agente Fiscal fez incluir na base de cálculo da Cofins os valores decorrentes da reversão de provisão operacional de créditos de liquidação duvidosa, valores estes que não integram a base de cálculo da contribuição em relevo, conforme dispõe o artigo 3 o , § 2 o , inciso II, da Lei n° 9.718, de 27/11/1998; e Idêntico raciocínio é aplicável às recuperações de créditos baixados, que tampouco integram a base de cálculo da Cofins — conforme preceito contido no mesmo dispositivo legal — mas que vieram ser computadas pelo D. Agente Fiscal quando da lavratura do combatido auto de infração, resultando na constituição de crédito maior do que aquele que poderia ser efetivamente formalizado. Por fim requer que seja acolhida a preliminar de nulidade do lançamento e determinado o imediato cancelamento da exigência fiscal, e no mérito, que seja julgada improcedente a exigência contida no Auto de Infração ora combatido. Foram por mim anexadas, às fls. 171/180, extratos das pesquisas efetuadas nos sítios da Justiça Federal/SP (fls. 171/176) e do TRF-3 a Região (fls. 177/180). É o relatório. Em 28 de dezembro de 2007, através do Acórdão n° 03-53.420, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro II /RJ, por unanimidade de votos, julgou: Admitir em parte a preliminar de nulidade suscitada, para considerar nulo o lançamento efetuado referente ao mês 07/2002, no valor de R$ 10.573,30, conforme discriminado na planilha constante do item “49” do voto; Julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento para: a) anular o lançamento tributário referente ao mês de julho de 2002, no valor de R$ 10.573,30, acolhendo nessa parte a preliminar de nulidade; b) excluir dos valores lançados o montante de R$ 16.252,26, sendo R$ 15.656,95 referentes à competência de julho de 2000 e R$ 625,31 referentes à competência de janeiro de 2001; c) excluir dos valores lançados o montante de R$ 1.004.963.53, correspondente à multa de ofício indevidamente imposta sobre os créditos suspensos, nulos ou cancelados; Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 d) reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário no valor de R$ 1.313.095,86, em razão de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025611-9, transferindo-se para os autos do Processo Administrativo n° 16151.000087/2009-78 o acompanhamento desses créditos; e) manter o lançamento referente aos meses de novembro e dezembro de 2000; junho, novembro e dezembro de 2001; fevereiro, outubro e novembro de 2002, que totalizam o valor de R$ 109.808,83. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 16 de abril de 2009, às e-folhas 308. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 18 de maio de 2009, e- folhas 309 à 317. Foi alegado: Da não incidência da COFINS sobre as “Outras Receitas Operacionais” registradas na conta 7.19.99.00.9; Da natureza das receitas contabilizadas na conta 7.19.99; Da Inexigibilidade do Crédito Tributário Remanescente: Efeitos de Decisão Judicial Transitada em Julgado. - Do Pedido Diante de tudo quanto exposto, requer-se seja o presente recurso voluntário conhecido e provido, para o fim de: a) reformar o v. acórdão recorrido, para reconhecer a extinção definitiva do crédito tributário remanescente, correspondente aos valores mantidos nesses autos e àqueles transferidos para o Processo Administrativo n° 16151.000087/2009-78, em razão do trânsito em julgado de decisão final favorável obtida nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.005733-4; b) ou, na remota hipótese de assim não se entender reformar parcialmente o v. acórdão recorrido, para reconhecer que os créditos remanescentes nesses autos (COFINS apurada em nov/02, dez/02, jun/01, nov/01, dez/01, fev/02, out/02 e nov/02) correspondem à contribuição incidente sobre receitas financeiras e sobre o resultado de equivalência patrimonial e, consequentemente, deverão ter o mesmo tratamento dado aos créditos transferidos para o Processo Administrativo n° 16151.000087/2009-78, com o cancelamento da multa de ofício relacionada e o reconhecimento expresso de sua suspensão de exigibilidade, por força do provimento concedido nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025611-9. Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 Na hipótese de Vossas Senhorias entenderem necessários esclarecimentos ou comprovações adicionais das questões fáticas suscitadas no presente recurso, especialmente no que diz respeito à identificação da natureza jurídica das receitas registradas na conta 70.19.99.00.9, requer-se que, antes do julgamento final da causa, seja determinada a conversão do julgamento em diligência a fim de que a repartição fiscal de origem confirme os fatos ora alegados. Protesta-se, por fim, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos para a comprovação do alegado, especialmente a juntada de novos documentos. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 16 de abril de 2009, às e-folhas 308. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 18 de maio de 2009, e- folhas 309. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Da não incidência da COFINS sobre as “Outras Receitas Operacionais” registradas na conta 7.19.99.00.9; Da natureza das receitas contabilizadas na conta 7.19.99; Da Inexigibilidade do Crédito Tributário Remanescente: Efeitos de Decisão Judicial Transitada em Julgado. Passa-se à análise. Cuidam os autos de processo administrativo instaurado a partir da lavratura de auto de infração para a constituição de crédito tributário referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“COFINS”), no período de 2000 a 2002, no valor de R$ 3.371.588,63, incluídos principal, multa e juros. O crédito constituído, como se extrai do Auto de Infração, teria fundamento em supostas diferenças entre os valores escriturados e os declarados pela ora Recorrente; e entre os valores declarados e os efetivamente recolhidos aos cofres públicos. Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 Os dispositivos legais infringidos constam na “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 41 do referido Auto de Infração, dentre outros, são: Artigos 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. De acordo com o informado no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 41, do Auto de Infração, os lançamentos em questão foram efetuados com base no art. 3° da Lei n° 9.718/1998, dispositivo, este, declarado incidentalmente inconstitucional, por meio da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025611 -9. O tema central em discussão é o conceito de faturamento de instituições financeiras, base de cálculo do PIS e da COFINS, de acordo com os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98 (regime cumulativo). Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 Em linhas gerais, o Fisco entende que todas as receitas derivadas de atividades típicas de instituição financeira integram a receita bruta e, por conseguinte, devem ser computadas nas bases tributáveis. Enquadram-se no faturamento, portanto, as receitas financeiras derivadas de operações de intermediação financeira. - Da não incidência da COFINS sobre as “Outras Receitas Operacionais” registradas na conta 7.19.99.00.9. É alegado nos itens 06 à 12 do Recurso Voluntário: Como se nota da leitura do item 33 do v. acórdão recorrido, foram mantidos, sem o registro da suspensão da exigibilidade, os créditos correspondentes à COFINS supostamente incidente sobre as receitas da Recorrente compreendidas em sua conta 7.19.99.00.9 denominada “Outras Rendas Operacionais”. Ocorre que as receitas contabilmente registradas na conta 7.19.99.00.9 não são receitas operacionais, mas sim receitas de natureza financeira, juros sobre capital próprio ou resultado positivo de equivalência patrimonial. Logo, são receitas que não estão sujeitas à incidência da COFINS, a exemplo do que se constatou em relação àquelas registradas nas contas 7.14, 7.15 e 7.39. Nesse ponto, é importante destacar que a natureza das receitas não se define pelo nome da conta contábil em que elas são registradas. O que determina a natureza de uma receita é, na verdade, a sua origem, ou seja, a forma pela qual ela foi auferida. Assim, receitas financeiras não terão sua natureza alterada apenas pelo fato de terem sido registradas sob a rubrica contábil de “Outras Rendas Operacionais”. No caso, o v. acórdão recorrido considerou devida a COFINS incidente sobre as receitas indicadas na conta 7.19.99.00.9 apenas em razão do nome a ela atribuído, sem que fosse levada em conta a verdadeira natureza de tais receitas. Essa conduta viola o princípio da verdade material e demonstra que não foi integralmente cumprido o dever de investigação que a lei impõe aos agentes administrativos. Como já afirmado, as receitas contabilmente lançadas na conta 7.19.99.00.9 não estão sujeitas à incidência da COFINS, porque correspondem a (i) receitas financeiras e (ii) resultado de equivalência patrimonial. A planilha anexa (doc. 01), elaborada a partir dos balancetes e demais registros contábeis da Recorrente, demonstra precisamente a composição da conta 7.19.99.00.9 nos meses considerados pela fiscalização, discriminando os valores compreendidos em cada uma das categorias acima mencionadas. A planilha ora apresentada abriu em detalhes a composição da conta 7.19.99, sobre a qual o v. acórdão recorrido manteve a exigência da COFINS. Do simples confronto entre os valores indicados na planilha da Recorrente (5a coluna) e os valores indicados nas planilhas constantes no item 35 do acórdão é possível perceber que as informações ora fornecidas pela Recorrente correspondem exatamente às receitas consideradas pelos dignos julgadores de primeira instância. Nos itens 16 à 18 do Recurso Voluntário apresenta a seguinte informação: A incidência da COFINS sobre as receitas financeiras teria respaldo no art. 3 o , §1° da Lei n° 9.718/98, que expandiu a base de cálculo da contribuição, para fazê-la incidir sobre todas as receitas das pessoas jurídicas, inclusive aquelas não compreendidas no conceito de faturamento. Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 Como já visto, a Recorrente discute judicialmente o direito de não se sujeitar à base de cálculo expandida da COFINS e, no âmbito dessa discussão, obteve provimentos favoráveis que a dispensaram de tal recolhimento. Tanto é assim que a DRJ- RJ reconheceu a efetividade e o alcance de tais decisões judiciais e gravou com a suspensão da exigibilidade parte do crédito originalmente constituído nesses autos. Por essa mesma razão — existência e vigência de decisão judicial que afasta a incidência da COFINS sobre as receitas financeiras — deverá ser reconhecida a inexigibilidade da contribuição sobre aquelas receitas financeiras que foram registradas sob a rubrica contábil de “outras receitas operacionais”. Alega a Recorrente que as receitas contabilizadas na conta 7.19.99.00.9 referem-se a receitas financeiras decorrentes de variações monetárias ativas, rendimentos de operações de crédito, mútuos de sociedades ligadas, juros sobre capital próprio, etc. Alega também que as receitas por ela auferidas foram, quase que em sua totalidade, de natureza financeira; que tais receitas não se confundem com aquelas oriundas da venda de bens e da prestação de serviços; e que a Cofins lançada com base nessas receitas está com a exigibilidade suspensa, por força de provimento judicial emanado dos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025611-9 (doc. n° 6, fls. 76 a 109). Quanto à mencionada ação judicial, observa-se que: Em 06/11/2002, a Recorrente, em litisconsórcio com outras empresas, impetrou Mandado de Segurança Preventivo, com pedido de liminar, contra ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO - SP, visando assegurar o afastamento das alterações introduzidas pelo art. 3o da Lei n° 9.718/98 na base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS, desobrigando a parte impetrante de efetuar o recolhimento das exações com base na legislação questionada (fls. 77 e 173); Concluindo sobre a questão levada à apreciação do Poder Judiciário, aduzem as Impetrantes na petição inicial (item “39”, fl. 87) que têm o direito líquido e certo de não considerarem como base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS a "totalidade das receitas” imposta pela Lei n° 9.718/98 e, sim, a receita bruta de venda de bens (mercadorias) e de prestação de serviços, conforme descrita na Lei Complementar n° 70/91 (artigo 2o) e na Lei n° 9.715/98 (artigo 3o), respectivamente, não se incluindo nessas bases de cálculo as receitas provenientes da venda de bens do ativo permanente e de operações financeiras. O pedido do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025611-9 é o seguinte (e- folhas 141): VII - O PEDIDO Diante de todo o exposto, servem-se as Impetrantes do presente para requerer se digne V.Exa. conceder segurança no sentido de lhes assegurar o direito de adotar com base de cálculo da COFINS e da contribuição para o PIS o faturamento, entendido como a receita decorrente da venda de bens e serviços, definido no artigo 2o da Lei Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991 e no artigo 3o da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, respectivamente, afastando-se, independentemente da imposição de qualquer penalidade por parte do Fisco, a exigência da base de cálculo expandida determinada pelo art. 3 o da indigitada Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Requerem, de outra parte, seja concedido provimento liminar inaudita altera pars que autorize as Impetrantes a procederem desde logo na forma do pedido acima formulado. Para tanto, as Impetrantes invocam em seu favor a consistência dos seus argumentos quanto ao mérito da impetração e os riscos a que ficam sujeitas caso lhes seja negado esse provimento. Requerem também que após concessão da medida liminar por esse Juízo, haja notificação da digna autoridade Impetrada para que a cumpra, bem como para prestar as informações que entenda pertinentes. A conta 7.19.99.00.9 é referente a “Outras Receitas Operacionais”. Para que se saiba se os valores lançados da Cofins referente a esses períodos de apuração encontram-se, ou não, alcançados pelo mandado de segurança n° 2002.61.00.025611-9, é preciso verificar se as “Outras Receitas Operacionais” registradas na conta 7.19.99.00.9 possui base de cálculo tributada composta por receitas provenientes do faturamento, entendido como a receita decorrente da venda de bens e serviços. O Recurso Voluntário, no item 19, assim assinala: 19. Como indica a planilha anexa (doc. 01) as receitas contabilizadas na conta 7.19.99.00.9 referem-se a receitas financeiras decorrentes de variações monetárias ativas, rendimentos de operações de crédito, mútuos de sociedades ligadas, juros sobre capital próprio, etc. A planilha anexada é a seguinte: Fl. 496DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 Destarte, proponho baixar os autos em diligência para que a autoridade preparadora: 1. Identifique a natureza contábil das “Outras Receitas Operacionais” registradas na conta 7.19.99.00.9, discriminadas no anexo 1 do Recurso Voluntário, a partir das e-folhas 321, e sendo o caso, solicitar ao contribuinte todos os documentos necessários para tanto; 2. Apure os reflexos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.025611-9 no presente Auto de Infração, constatando quais rubricas devem permanecer para serem julgadas. Após realizados esses procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 497DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 da Resolução n.º 3302-001.765 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001264/2004-41 Posteriormente, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 498DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10280.904808/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Tratase de processo em que a contribuinte transmitiu Pedido de Restituição em que o direito creditório pleiteado tem como origem o pagamento a maior, ou indevido, de IRPJ Lucro Presumido; Entretanto, a unidade de origem da RFB indeferiu o pedido de restituição, pois referido valor reclamado fora consumido, utilizado integralmente pela contribuinte para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 80 8/ 20 12 -6 4 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 3 2 Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que requer: a) restituição de valores do IRPJ e da CSLL pagos indevidamente com coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% (atividade em geral); que, entretanto, sua atividade envolveria prestação de serviço de natureza hospitalar e, assim, os percentuais dos coeficientes de presunção do lucro seriam inferiores aos que utilizara na apuração e pagamento desses tributos; b) o pedido de repetição do indébito tributário, para verificação do alegado erro de fato atinente à aplicação dos coeficientes de presunção na apuração e pagamentos dos tributos; a existência do erro de fato na apuração dos débitos desses tributos e recolhimentos, cujos coeficientes corretos de presunção do IRPJ e da CSLL seriam, respectivamente, de 8% e 12% e não 32%; Por fim, a contribuinte reiterou o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado. Obs: O procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795 se restringiu apenas ao anocalendário 2006. A 3ª Turma da DRJ/Recife, por inexistir conexão processual/probatória, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, conforme Acórdão, cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, bem como, no que pertinente, o seu voto condutor, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição ou compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. Mantémse o despacho decisório que indeferiu pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Inconformada com a decisão da DRJ/Recife a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, argumentando, in verbis: (...) A causa do indeferimento, por outro lado, foi essencialmente o fato, relatado pela autoridade fazendária, de que tal pagamento, [...], seria relacionado a tributo (IRPJ) declarado pelo contribuinte, em DCTF por ele apresentada [...] Ocorre que, embora seja inegável que a recorrente apresentou a referida DCTF, é preciso observar que aquela declaração se deu quando ela erroneamente apurava o imposto de renda (IRPJ) e a CSLL, pela sistemática do lucro presumido, mediante aplicação do percentual de 32% para apuração da base de cálculo sobre a qual incidiriam referidos tributos, quando na realidade, por exercer Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 4 3 atividades hospitalares, deveria aplicar o percentual de apenas 8% para o IRPJ, e 12% para a CSLL, em tal determinação, tendo sido exatamente esta, a causa para os recolhimentos indevidos. (...) É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1301 000.538, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/201245. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1301000.538): O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e atende às demais condições de admissibilidade. Por isso, tomo conhecimento do recurso. A lide objeto dos autos trata do pedido de repetição do indébito tributário de pagamento indevido ou a maior de tributo (s) apurado (s) pelo regime do lucro presumido, no (s) período (s) especificado (s) no PER. Argumenta a recorrente que, nesse (s) períodos (s), exerceu atividade de prestação de serviços hospitalares, fazendo jus à utilização dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro, ou seja, 8% (oito por cento) para o IRPJ e 12% (doze por cento) para a CSLL quanto a receitas (faturamento) dessa atividade; que, entretanto, apurara e pagara os tributos com coeficiente de presunção de 32% (atividade em geral), gerando o crédito reclamado nestes autos. As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 5 4 nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: Serviços hospitalares: O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251PR). Serviços hospitalares são "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Custos diferenciados: A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. Sociedade empresária: Entende o STJ que a partir da data da vidência da Lei 11.727 , de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249 /95 para atividade de serviços de natureza hospitalar. Nesse sentido, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp nº 951.251PR da 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Castro Meira, Sessão de Julgamento de 22/04/2009, publicado no DJe 03/06/2009, in verbis: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇAO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, 1º, III, A, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. O art. 15, 1º, III, a, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa . Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei nº11.727/2008. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 6 5 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (STJ REsp: 951251 PR 2007/01102360, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 22/04/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: 20090603 > DJe 03/06/2009 Ainda, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, que se reporta ao citado REsp nº 951.251PR in verbis: (...) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1 . Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares"prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 7 6 restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR , da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso Especial não provido. (...) Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 8 7 Por fim, ainda por ser esclarecedor e sintetizar o entendimento do STJ, quanto às condições para apuração do IRPJ e da CSLL mediante coeficientes reduzidos de presunção do lucro, transcrevo a ementa do Acórdão do TRF/4ª Região, Primeira Turma, Sessão de Julgamento de 22/04/2015, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, in verbis: Ementa TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. LEI Nº 9.249/95. LEI 11.727/98. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. 1. Os artigos 15, § 1º, III, a e 20, da Lei nº 9.249/1995, prevêem a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSSL para as prestadoras de serviços hospitalares. 2. O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos 'relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade' (RESP nº 951.251). 3. A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. 4. A partir da data da vidência da Lei 11.727, de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249/95. (TRF4 APELREEX: 50285396820124047000 PR 5028539 68.2012.404.7000, Relator: MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, Data de Julgamento: 26/11/2014, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 27/11/2014) Como visto, pelo entendimento do STJ o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251). Compulsando os autos, constato que: 1) Quanto à natureza da atividade prestação de serviço hospitalar: No seu objeto social, a contribuinte possui diversas atividades, além da prestação de serviço hospitalar. Ou seja, juntou aos autos cópias dos Atos Constitutivos e Alterações, com objeto social diversificado, senão vejamos: a) consta do Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Civil de Quotas de Responsabilidade Ltda, com denominação de PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LIMITA, de novembro/1989, registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, em 18/01/1990 (efls. 18/30), como objeto social, conforme CLÁUSULA, in verbis: SEGUNDA O Objeto da sociedade será o de prestação de serviços, na área de saúde, através de assistência médica, odontológica, farmacêutica e outras atividades afins. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 9 8 b) consta do Instrumento Particular de Alteração Contratual da Firma PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/12/2001, registrado no 1º Ofício de Belém do Pará Registro Civil das Pessoas Jurídica, em 20/12/2001 (efls. 18/30), como objeto social, na Cláusula Quinta, in verbis: CLÁUSULA QUINTA O objetivo da sociedade passa a ser o seguinte: 1 Prestação de Serviço na Área de Saúde, através de Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica; inclusive, Laboratoriais e de Diagnóstico, Plano de Saúde, Consultoria, Planejamento, Assessoria, Auditoria, Perícia Médica, Medicina do Trabalho, Administração de Sistemas e Serviço de Saúde, Locação de Mão de Obra, Limpeza, Agenciamento, Conservação, Higienização, Assepsia e Aluguel de Imóveis, Utensílios e Equipamentos. c) consta da cópia da Décima Alteração do Contrato Social da Sociedade PRE SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/06/2007, registrado 03/07/2007 na Junta Comercial do Estado do Pará, como objeto social consignado na Cláusula Segunda (efls. 18/30): Cláusula Segunda DO OBJETIVO SOCIAL O objetivo social é a prestação de serviços nas Atividades de Atenção à Saúde Humana, através de: Serviços Móveis de Atendimento a Urgências e de Remoção de Pacientes; Atividades de Atenção Ambulatorial executada por Médicos e Odontólogos; Atividades de Serviços de Complementação Diagnóstica e Terapêutica; Atividades de Profissionais da Área de Saúde; Atividades de Apoio à Gestão da Saúde; Atividades de Atenção à Saúde Humana Integrada com Assistência Social, Prestada em Residências Coletivas e Particulares. Planos de Saúde; Fornecimento e Gestão de Recursos Humanos Para Terceiros; Limpeza em Prédios e em Domicílios e Aluguel de Bens Móveis, Imóveis, Utensílios e Equipamentos; Atividade Odontológica com Recursos para Realização de Procedimentos Cirúrgicos; Laboratórios Clínicos; Serviços de Diagnósticos por Registro Grágico ECG, EEG e Outros Exames Análogos. Como demonstrado, a contribuinte tem por objeto social atividades diversificadas, e algumas atividades não configuram serviço hospitalar quanto ao (s) PA (s) objeto dos autos, conforme se observa dos seus atos constitutivos. Mesmo em relação à atividade que se considera, em tese, serviço hospitalar, a contribuinte não juntou provas aos autos de que só exercera atividade de serviço hospitalar, que sua receitas decorreram exclusivamente da prestação de serviços hospitalares, quanto ao (s) PA objeto (s) do pedido de restituição de pretenso pagamento indevido ou maior. A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 10 9 Por outro lado, a contribuinte juntou cópia do resultado do procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795, mas, diversamente do alegado pela contribuinte, referese apenas ao ano calendário 2006, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, de 23/03/2011. Portanto, período de apuração diverso do objeto destes autos. A propósito quanto à falta de provas da existência do direito creditório pleiteado, transcrevo, nessa parte, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) 19. Não há, nos autos, prova alguma de que a interessada atendeu, no período de apuração de que se cuida, aos pressupostos estabelecidos para que fosse enquadrada como prestadora de serviços hospitalares. 20. O procedimento fiscal invocado pela inconformada, cujo termo se acha às fls.31/32, dá conta de que o Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, à vista da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, bem como das notas fiscais, contratos de serviços e atestado da Secretaria Municipal de Saúde, concluiu que, no anocalendário 2006, 71% das receitas da empresa tiveram origem em serviços hospitalares, razão pela qual poderia utilizarse dos percentuais de presunção de 8% e de 12% respectivamente para o IRPJ e para a CSLL. (...) Assim, em relação à natureza da atividade exercida pela contribuinte, quanto ao (s) P.A (s) objeto do pedido de restituição do direito creditório, tornase necessário instrução processual complementar para apuração da receita especificamente da atividade de prestação de serviço hospitalar, seu percentual em relação à receita bruta total do (s) do (s) respectivo (s) período (s) considerado (s) objeto (s) dos autos. 2) Custos diferenciados: Em observância do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na interpretação da Lei nº 9.249/1995 ao julgar Recurso Especial representativo de controvérsia, na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento de que há necessidade do contribuinte comprovar a existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual, de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Portanto, a contribuinte terá que comprovar custos diferenciados da sua atividade de prestação de serviços hospitalares em relação ao mero exercício intelectual e pessoal de profissão regulamentada, atividade exercida nos consultórios médicos (consultas médicas). 3) Forma da exploração da atividade hospitalar: Diz respeito à organização da atividade de prestação de serviço hospitalar em caráter empresarial, existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Segundo o STJ, a partir da vigência da Lei 11.727/2008 (art.29), ou seja, a partir de 01/01/2009, ainda é condição sine qua non a Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10280.904808/201264 Resolução nº 1301000.562 S1C3T1 Fl. 11 10 exploração da atividade de serviços hospitalares na forma de sociedade empresária para fazer jus ao benefício fiscal da redução dos coeficientes de presunção do lucro. Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.720422/2020-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2020
SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Havendo demonstração de mero erro de fato, capaz de caracterizar a suspensão da exigibilidade dos débitos que teriam ensejado o indeferimento da opção ao Regime Tributário do Simples Nacional, o deferimento de referida opção é medida que se impõe.
Numero da decisão: 1001-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2020 SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Havendo demonstração de mero erro de fato, capaz de caracterizar a suspensão da exigibilidade dos débitos que teriam ensejado o indeferimento da opção ao Regime Tributário do Simples Nacional, o deferimento de referida opção é medida que se impõe.
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INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Havendo demonstração de mero erro de fato, capaz de caracterizar a suspensão da exigibilidade dos débitos que teriam ensejado o indeferimento da opção ao Regime Tributário do Simples Nacional, o deferimento de referida opção é medida que se impõe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão n.º 110-001.035 da 6ª Turma da DRJ10, de 24 de setembro de 2020 (fls. 50 a 53): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 04 22 /2 02 0- 49 Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.565 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.720422/2020-49 Do indeferimento da opção pelo Simples Nacional O contribuinte solicitou o ingresso no Simples Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no ano-calendário 2020, que foi indeferido em razão da existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não estava suspensa, relacionados a seguir: Da manifestação de inconformidade O contribuinte teve ciência do indeferimento da opção pelo Simples Nacional em 14/02/2020 e apresentou manifestação de inconformidade em 28/02/2020, cuja tempestividade está atestada às fls. 37/38 dos autos. A empresa alega, em síntese, que efetuou o pagamento do DARF de adesão ao parcelamento com o CPF do sócio em 29/01/2020. No dia 30/01/2020 efetuou o pagamento do mesmo DARF, porém com o CNPJ da empresa. Solicitou o pedido eletrônico de retificação (REDARF) em 11/02/2020, o que foi deferido pelo órgão competente. A DRJ, por sua vez, julgou improcedente o pedido da empresa recorrente contido em sua impugnação (fls. 3 e 4), que intentava afastar o indeferimento de opção pelo SIMPLES NACIONAL (fl. 6) em decorrência da existência de débitos de tributos com exigibilidade não suspensa, com destaque para o seguinte trecho: De acordo com os extratos de fls. 17/19 dos autos, a negociação para parcelamento dos débitos apontados no Termo de Indeferimento, iniciada em 27/01/2020, foi cancelada por não ter sido confirmado o pagamento tempestivo da primeira parcela de todos os tributos envolvidos na negociação. Os débitos apontados no Termo de Indeferimento foram inscritos em Dívida Ativa da União em 13/04/2020, sob a inscrição nº 90420007962-09 (fls. 28/30). Considerando que não houve regularização das pendências existentes até o final do prazo legal, o indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional deve ser mantido. Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.565 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.720422/2020-49 Face ao referido Acórdão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 62), requerendo o deferimento de opção pelo SIMPLES, considerando que teria pago a 1ª parcela do débito no dia 30/01/2020, em que pese tenha ocorrido erro quanto à indicação do CNPJ (já que foi inserido CPF do sócio). É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2.º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF n.º 329/2017, considerando-se tratar de análise quanto à inclusão da empresa no regime de tributação pelo Simples Nacional, desvinculada de exigência de crédito tributário ainda objeto de lide pendente de julgamento administrativo. Ainda, observo que o recurso é tempestivo (protocolado em 11 de novembro de 2020, fl. 59, face à publicação de Edital, em 10/11/2020, fl. 58), e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Relativamente ao mérito, necessário indicar que remanesce como objeto de lide a identificação ou não do pagamento tempestivo do débito em cobrança (ou sua regularização) já definitivamente constituído (exigibilidade não suspensa). Nesses termos, necessário indicar que a empresa recorrente afirma ter quitado a 1ª parcela do débito (regularização do débito) no dia 31/01/2020, conforme doc. de fl. 61: Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.565 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.720422/2020-49 Ademais, na fl. 10, consta também outra forma de pagamento, desta vez, em 29/01/2020, que condiz com o argumento da recorrente, de que, em que pese tenha informado o CNPJ da empresa, o agente arrecadador tenha promovido o recolhimento associando-o ao CPF do sócio, a saber: Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.565 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.720422/2020-49 Entendo, portanto, pela possibilidade de reconhecimento, no curso da lide, da caracterização da existência de erro de fato, devidamente demonstrado por referido DARF, capaz de fazer prova em favor da empresa recorrente, à luz da máxima efetividade do processo e à luz do formalismo moderado. Nesses termos, entendo cumprido o artigo 6º, §2º, inciso I, da Resolução CGSN nº 140, de 22/05/2018, que indica que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.565 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.720422/2020-49 (último dia útil do mês de janeiro), o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Nesse sentido, sido verificada a regularização tempestiva do débito que deu ensejo ao indeferimento, o provimento do Recurso Voluntário é medida que se impõe. Dispositivo Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.911447/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência .
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência . (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência . (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em SP Deinf proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 11 44 7/ 20 09 -1 8 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16327.911447/200918 Resolução nº 1402000.622 S1C4T2 Fl. 3 2 sob o fundamento de que foi constatada improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compro saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que os valores excedentes dos pagamentos das suas estimativas mensais, superiores ao apurado de IRPJ/CSLL a pagar no período de apuração, e que tal diferença deva ser necessariamente reconhecida como saldo negativo. Neste sentido, o artigo 74 da Lei 9. 430/96 dispõe que aquele que apurar crédito em decorrência de pagamento indevido ou a maior de tributos federais, poderá, mediante à entrega de declaração de compensação/restituição à RFB pleitear a compensação e/ou restituição de seus créditos com débitos vencidos ou vincendos dos tributos também administrados pela RFB. Logo, valendose desta previsão legal o ora requerente procedeu à entrega da presente declaração de compensação. O aludido pedido de compensação só foi entregue após o encerramento do período de apuração, e portanto, após a efetiva constatação de que não havia montante a pagar de IRPJ/CSLL na apuração, tendo sido apurado saldo negativo do referido tributo. Pela leitura do despacho decisório depreendese que a compensação não foi homologada por supostamente não existirem créditos suficientes para tanto, uma vez que, segundo a Fiscalização, não seria possível a utilização de montante recolhido a título de estimativa mensal da IRPJ/CSLL — que evidentemente compõe o saldo negativo do imposto ou contribuição apurado ao final do anocalendário em questão — para a compensação de seus débitos, mas somente para a eventual composição de saldo negativo ou mesmo para a compensação com o próprio IRPJ e a CSLL devidos. Não assiste razão ao Fisco devendo ser reconhecido o seu direito à compensação do débito de IRPJ ou CSLL em foco no presente processo, com créditos líquidos e certos advindos de parte do seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL apurados no período. Apesar do crédito de IRPJ ou CSLL oferecido à compensação ter sido apurado em momento anterior ao encerramento do exercício, a entrega da declaração de compensação somente ocorreu quando já havia se encerrado o anocalendário, quando já se havia constatado a existência de saldo negativo. Portanto, não assiste razão à fiscalização quanto à alegação de que o pagamento informado pelo requerente teria origem no recolhimento a maior de estimativa mensal, mas sim, efetivamente, do saldo negativo apurado ao final do ano. Isto porque uma vez constatado que os valores pagos por estimativa mensal superam o montante efetivamente devido da exação no encerramento do exercício a diferença deve ser reconhecida como saldo negativo do período em questão. Tanto que o Conselho de Contribuintes já manifestou o entendimento de que os recolhimentos efetuados a título de estimativas mensais deve compor o saldo negativo e consequentemente integram o montante de créditos a ser objeto de compensação. O que se verifica no presente caso é o mero cometimento de um simples erro formal no preenchimento do PER/DCOMP pois, ao invés de a Requerente informar que a Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16327.911447/200918 Resolução nº 1402000.622 S1C4T2 Fl. 4 3 origem do seu crédito decorre da apuração de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acabou informando que seu crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior. O cometimento de mero erro formal não pode, em hipótese alguma, prejudicar a utilização de seu saldo negativo para a quitação, via compensação, de seus débitos, isto porque o preenchimento de declarações, como a declaração de compensação, encontrase no rol das obrigações acessórias, que tem como razão de ser a garantia do cumprimento da obrigação tributária principal, ou seja, visa possibilitar o controle, por parte do Fisco, das atividades exercidas pelo contribuinte, com o objetivo de verificar a adequação dos montantes levados por este a título de tributos aos cofres públicos. Se por qualquer outro meio, a autoridade administrativa puder verificar a adequação dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, bem como proceder ao devido controle de suas atividades, temse que reconhecer que o eventual descumprimento dos deveres instrumentais não poderá prejudicar o direito do contribuinte, no presente caso o direito do requerente à compensação de seus débitos com saldo negativo de IRPJ ou CSLL devidamente comprovado, sendo certo que a fiscalização possuía todas as informações necessárias à verificação deste direito. Assim, segundo o § 2° do artigo 147 do CTN deve ser efetuada a retificação de ofício da PER/DCOMP ora analisada, a fim de que passe a constar a informação de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado. Por fim, solicita que seja a presente manifestação de inconformidade julgada integralmente procedente, reconhecendose o direito à compensação declarada com a conseqüente extinção do débito vinculado, bem como seja determinada a retificação de ofício do referido pedido de compensação para que passe a constar a informação de que a origem do crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do exercício em foco no presente processo, nos termos em que autorizados pelo artigo 147 § 2° do CTN ou, sucessivamente, que seja aplicada a mesma interpretação dada na Solução de Consulta n° 90/2009. Requer ainda, enquanto perdurar o julgamento, que o crédito tributário advindo da não homologação da compensação tenha a sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN e conforme a previsão constante do artigo 66, § 5° da IN SRF n° 900, de 30.12.2008. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. No seu fundamento, estabelece os seguintes pontos: o alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP apresentado envolveria num efetivo erro de critério jurídico por parte da recorrente, uma vez que a alteração do tipo de crédito interfere na natureza do próprio direito que se pretende demonstrar, alterando sua essência. Haveria a necessidade da reanálise de todos os elementos, agora com a sua perspectiva de ser um saldo negativo. Além do mais, da leitura do artigo 78 da IN 900/2008 (que repete o artigo 58 da IN SRF 600/2005), combinado com o artigo 32 do Decreto n° 70.235/72, haveria a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP, tanto do contribuinte quanto de ofício. No caso em tela, deveria ter sido cancelada a DCOMP e apresentada outro PER/DCOMP; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.911447/200918 Resolução nº 1402000.622 S1C4T2 Fl. 5 4 mesmo que se adentrasse no mérito, a eventual análise do crédito de saldo negativo alegado, envolveria a geração de novo Despacho Decisório, já que a autoridade administrativa competente não fez a análise devida com base no informado no PER/DCOMP entregue. Isso confirma que um novo pedido de compensação deveria ter sido formalizado em instrumento próprio, para ser possível esta análise; o Despacho Decisório que denegou o pedido formulado no PER/DCOMP encontrase perfeito, pois à luz do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, havia mesmo o impedimento ali apontado, sendo que o suposto indébito só poderia ser utilizado para reduzir o tributo apurado ao final do período de apuração ou na composição do saldo negativo; apesar da publicação da IN RFB nº 900/2008, que revogou a IN SRF nº 600/2005, que retirou a restrição do art. 10 desta, numa eventual análise do mérito, a manifestação de inconformidade não apresentou provas de que à época o pagamento tenha sido efetuado de forma maior que o efetivamente devido, isto porque a primeira DCTF entregue, com o débito de onde o crédito supostamente se originaria, mostrava que o pagamento era totalmente alocado ao valor declarado, não restando assim qualquer diferença a ser aproveitada pelo contribuinte. A DCTF retificadora não veio acompanhada de documentação hábil e idônea que demonstrasse que a retificada estava equivocada. Entendeu a recorrente bastar alegar que seu crédito seria na realidade saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, o que também não comprovou originalmente. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: a DRJ optou se apegar ao rigor formal, em detrimento ao direito da recorrente, pois bastaria ter baixado os autos para reanálise dos créditos pleiteados. Ou melhor, ter acatado sua confissão acerca do erro cometido; a posição do CARF é de constatado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, e a existência do crédito em favor do contribuinte, a compensação deve ser homologada. Cita ementas de acórdãos do CARF para tanto; a recorrida, no caso, RFB, teria a obrigação de retificar de ofício o erro cometido na DCOMP apresentada pela recorrente, nos termos do art. 147 § 2º do CTN; a solução de consulta interna Cosit nº 19/2001 orientou que deixou de existir a vedação no que concerne à compensação de parcelas pagas a maior a título de estimativa, devendo ser aplicado ao caso concreto o princípio da retroatividade benigna; desnecessário à recorrente apresentar elementos comprobatórios que viessem a retratar a apuração do tributo a menor, pois a retificação das declarações do contribuinte, ao serem admitidas, consubstanciam confissões de dívida e substituem integralmente as originalmente apresentadas. Colocase a disposição para eventuais esclarecimentos adicionais. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.911447/200918 Resolução nº 1402000.622 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.606, de 11.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 16327.911446/200965, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.606): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. A discussão aqui cingese ao fato de que a recorrente tenta compensar, nas suas palavras, valores recolhidos a maior de estimativa de IRPJ/CSLL, com débitos do mesmo período de apuração, ou seja, antes do encerramento do exercício respectivo. Para tanto, aduz no seu PER/DCOMP que houve o pagamento indevido de estimativas, como fundamento do seu direito creditório. O Despacho Decisório denegou tal pleito, pois, no seu entender, o pagamento de estimativa mensal só poderia utilizado na dedução do IRPJ e CSLL devido ao final do período de apuração ou compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL, com base no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, que criava, então, tal impedimento. Contudo, com a edição da IN RFB nº 900/2008, não subsiste mais tal impedimento motivador do despacho decisório. A decisão a quo analisou tal circunstância, e entendeu que mesmo entendendo não mais aplicável tal regramento do art. 10 da IN SRF nº 600/2005, não há provas acostadas nos autos de que à época do pagamento, tenha sido efetuado de forma maior que o efetivamente devido. Compulsando os autos, notase nitidamente que os únicos elementos trazidos para comprovar a situação pela recorrente, na esfera a quo foram partes da DIPJ e DCTF, ambos retificadoras, sem condições de se precisar exatamente se se referem após o primeiro Despacho Decisório emanado. Cabe lembrar que o tema aqui envolve direitos creditórios referentes a períodos dos anos de 2004 e 2005, todos sob a mesma alegação da recorrente, e todos com decisão a quo negando com praticamente os mesmos fundamentos. Já na sua peça impugnatória, a recorrente alega que no preenchimento da sua PER/DCOMP, houve um erro formal, pois acabou preenchendo tal documento fazendo constar como tipo de crédito o "pagamento indevido ou a maior" em lugar do "saldo negativo de IRPJ" e que o Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.911447/200918 Resolução nº 1402000.622 S1C4T2 Fl. 7 6 mero erro apontado não pode ilidir o seu real direito à compensação supostamente comprovado por meio dos elementos trazidos. Aqui, cabe destacar a importância da distinção entre o direito creditório se baseie em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual, e há valores de vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos. Não seria admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito, conforme já sumulado nesta Corte (súmula nº 841). Contudo, não resta comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte. Há poucos elementos disponíveis nos autos para se verificar tal situação, partes da DCTF e DIPJ, em parte retificados pela recorrente já transcorrido um lapso grande temporal, e quando possível verificar, após o Despacho Decisório de algum período do anocalendário constante em outro processo. Nestes elementos verificase que apurou a estimativa, simplesmente, pagou e depois de algum tempo, entendeu que formaria saldo negativo, ou seja, estaria recolhendo acima do necessário, e passou a solicitar a compensação como se indébito fosse. Não agiu de forma a requerer um balanço de redução ou suspensão, como seria esperado. Não há elementos para se apurar o porque disso. Um indébito, válido para qualquer tributo, e igualmente para uma estimativa recolhida a maior ou totalmente indevida, é com base em erro de apuração da sua base de cálculo. Na prática, no transcorrer do ano, quando optante do lucro real anual, a estimativa convertese numa situação similar ao lucro presumido, em que sua base de cálculo são as receitas brutas e acréscimos mensais do contribuinte. Eventualmente, neste cálculo, pode adicionar valores indevidos, e notar somente depois, mas ainda dentro do exercício em foco. Há nitidamente um erro de apuração, e o contribuinte acabou recolhendo a maior que deveria. Nestes casos, cabível o pedido de repetição, e a 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.911447/200918 Resolução nº 1402000.622 S1C4T2 Fl. 8 7 atualização monetária ocorrer a partir do mês seguinte do recolhimento. Contudo, não está demonstrado nos autos tal situação de indébito. Alias, na sua argumentação, resta bem nítido que quer se valer do direito de tratar o saldo negativo como indébito, provavelmente procurando a atualização monetária mais próxima possível do recolhimento da estimativa. Para tanto, aparente que desde que reconheça sua PER/DCOMP nos moldes que foi transmitida, não se importa com o critério jurídico a ser aplicado ao seu direito creditório. Contudo, conforme já explicitado, envolveria em atualização monetária dos valores bem antes do devido, em prejuízo ao Erário. Tal situação fica mais manifesta quando rejeitado seu PER/DCOMP no Despacho Decisório, aceita ser alterado o crédito como saldo negativo. O quer que seja feito de ofício, e provavelmente alterando só esta referência, certamente, sem prejudicar as demais variáveis envolvidas. Necessário, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, o que não foi realizado até o momento em nenhuma instância a quo A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução do período do crédito pleiteado, e a sua adequação para a formação do indébito, e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ ou CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER EM DILIGÊNCIA ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.015292/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
DO VTN ARBITRADO - Considera-se o VTN efetuado com base no SIPT, por aptidão agrícola, por não ter sido atendido os requisitos estabelecidos em lei.
ÁREAS ISENTAS. ADA - Por força de Lei, é obrigatório que as áreas não-tributáveis sejam informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), entregue em prazos e condições fixados em ato normativo, para que o contribuinte possa se beneficiar da isenção tributária.
Numero da decisão: 2301-009.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso .
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 DO VTN ARBITRADO - Considera-se o VTN efetuado com base no SIPT, por aptidão agrícola, por não ter sido atendido os requisitos estabelecidos em lei. ÁREAS ISENTAS. ADA - Por força de Lei, é obrigatório que as áreas não-tributáveis sejam informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), entregue em prazos e condições fixados em ato normativo, para que o contribuinte possa se beneficiar da isenção tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso . (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-31T18:33:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-31T18:33:26Z; Last-Modified: 2021-08-31T18:33:26Z; dcterms:modified: 2021-08-31T18:33:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-31T18:33:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-31T18:33:26Z; meta:save-date: 2021-08-31T18:33:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-31T18:33:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-31T18:33:26Z; created: 2021-08-31T18:33:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2021-08-31T18:33:26Z; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-31T18:33:26Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.015292/2007-27 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-009.394 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2021 Recorrente PETROPAR PETROLEO E PARTICIPAÇOES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 DO VTN ARBITRADO - Considera-se o VTN efetuado com base no SIPT, por aptidão agrícola, por não ter sido atendido os requisitos estabelecidos em lei. ÁREAS ISENTAS. ADA - Por força de Lei, é obrigatório que as áreas não- tributáveis sejam informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), entregue em prazos e condições fixados em ato normativo, para que o contribuinte possa se beneficiar da isenção tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso . (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 52 92 /2 00 7- 27 Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 Relatório Contra a interessada supra foi lavrado Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 13 a 22, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 2.138.293,19, relativo ao imóvel rural denominado Assento do Salto do Ipiranguinha, com área total de 8.779,7 ha., NIRF 6394040-0, localizado no município de Guaraqueçaba/PR. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 18 a 21) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que o contribuinte foi intimado para apresentar os documentos comprobatórios e não atendeu, dentro do prazo estipulado, a intimação recebida e não manifestou qualquer justificativa para a não apresentação dos documentos solicitados; que o valor da terra nua foi o valor apurado com base no SIPT - Sistema de Preços de Terra da Receita Federal. Cientificada do lançamento, em 21/11/2007, por via postal (AR às fls. 24), a interessada apresentou a impugnação de fls. 25 a 35, em 21/12/2007, acompanhada dos documentos de fls. 36 a 45, onde argumentou, em suma, o que segue: => ilegalidade do Auto de Infração; ausência de autorização normativa para o lançamento; a notificação não foi recebida pelo responsável legal da empresa, ficando obstruída a defesa, impedindo a aplicação da norma que prevê o lançamento de ofício e o arbitramento, que somente é autorizado pelo art. 14 da Lei 9.393/1996 na hipótese de omissão da DIAC ou DIAT, o que não ocorreu; => a autoridade fiscal reconheceu que o imóvel está inserido no Bioma da Mata Atlântica, no qual é impossível a extração da mata nativa ou o uso para plantio e extração vegetal; não obstante, contratou escritório de engenharia especializado para demonstrar que a área enquadra-se nos moldes da isenção tributária; => o arbitramento deve observar o princípio da legalidade e o da verdade material; a base de cálculo e alíquota apurados no lançamento apresentam valores ilegais e desvirtuados do princípio da verdade material, caracterizando confisco; => no lançamento foi omitida a fundamentação legal que levou o fisco a aplicar a alíquota de 20%, que é destinada a áreas improdutivas; e sua área é de reserva legal e preservação permanente, com uso restrito; sendo nula a aplicação da alíquota, também é nulo o auto de infração. Ao final, requereu a produção da prova técnica especificada e a juntada de novos documentos e improcedência do lançamento. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 Em 08/12/2008, a interessada apresentou novo requerimento (fls. 48 a 56), acompanhado dos documentos de fls. 57 a 105, onde alegou em suma, o que segue: o imóvel não existe; por escritura pública de cessão de direitos hereditários adquiriu parte ideal do que seria um imóvel situado na comarca de Guaraqueçaba/PR, para investimento na área ambiental; jamais exerceu a posse do imóvel, que seria uma área de preservação ambiental, destinada à compensações previstas no protocolo de Kyoto; a única razão para a aquisição era o potencial de créditos previstos nesse acordo internacional; após notificado do auto de infração, iniciou diligência para demonstrar que o imóvel se encontra em área de reserva legal, e o técnico contratado constatou que o imóvel não existe, conforme relatório em que o mesmo afirma que as confrontações descritas no instrumento público não fecham um perímetro; a escritura não encontra respaldo no registro imobiliário que compete a averbação da matrícula do imóvel; não havendo o imóvel, inexiste fato gerador do ITR, sendo que a legislação tributária permite a retificação da declaração do ITR, sem qualquer penalidade ao contribuinte, o que já foi reconhecido pela jurisprudência administrativa que transcreveu; se necessário, que seja deferido a produção de prova pericial. A DRJ CAMPO GRANDE, depois da análise da impugnatória, documentos juntados e provas colacionadas, manifesta seu entendimento no sentido de que : => o lançamento é ato privativo da Administração Pública pelo qual se verifica e registra a ocorrência do fato gerador, a fim de apurar o quantum devido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, prevista no artigo 113 da Lei 5.172/1966 - Código Tributário Nacional- CTN. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no parágrafo 1° do art. 142 do CTN. Com a entrada em vigor da Lei 9.393, de 1996, o ITR passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei 5.172, de 25 de outubro 1966 - Código Tributário Nacional – CTN. A disposição contida no § 7° do artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001, ao dispensar a prévia comprovação de algumas das áreas afastadas da tributação pelo ITR não trouxe nenhuma inovação, posto que esse é o próprio espírito do lançamento por homologação, desde sua origem no art. 150 do CTN e conforme previsto no caput do artigo 10 da Lei n° 9.393/1996. O citado §7° nada mais fez do que informar que não há necessidade de comprovação dos dados declarados quando do cálculo do imposto e entrega da DITR, o que é observado pela Receita Federal. Mas, tal previsão não dispensa o contribuinte de comprovar o declarado, quando solicitado pelo Fisco, e tampouco afasta a atribuição da autoridade fiscal de proceder à verificação desses dados e de efetuar o lançamento de ofício, se o contribuinte não lograr comprovar, quando solicitado, que os dados declarados correspondem à situação existente no imóvel na data do fato gerador do ITR. Entendimento diverso implicaria em afastar da autoridade fiscal sua atribuição de verificar a regularidade fiscal dos recolhimentos feitos pelo contribuinte e de proceder ao lançamento de ofício quando o contribuinte não lograr comprovar o declarado. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 O princípio da verdade material, ou da liberdade na prova, que vigora no processo administrativo, confere ao julgador administrativo maior elasticidade na apreciação das provas, podendo lançar mão de provas por ele próprio coletadas, além de poder determinar a produção de novas provas não produzidas pelas partes, se entender necessário. Esse princípio está ligado ao princípio da legalidade, pois o julgador deve buscar exatamente o que determina a lei, e ao princípio do informalismo, que dispensa formas rígidas para o processo administrativo, bastando as formalidades necessárias à obtenção da certeza jurídica e à segurança procedimental, o que permite concluir que a verdade material pode não corresponder à realidade dos fatos, para fins tributários, se o fato comprovado não encontrar previsão na lei tributária. O lançamento notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em decorrência da apresentação da impugnação, conforme disposto no art. 145, I, do CTN, se existir justificativa suficiente para tanto. De acordo com o sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, conforme seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária, cabe ao impugnante fazer a prova do direito ou do fato afirmado na impugnação, o que, não ocorrendo, acarreta a improcedência da alegação. A apresentação de provas pelo impugnante deve ser feita no momento da impugnação, conforme disposto no parágrafo 4° do art. 16 do Decreto 70.235/1972,acrescido pelo art. 67 da Lei 9.532/1997. É possível a juntada posterior de documentos, mas desde que observado o disposto no 5° do artigo citado. Do exposto, verifica-se que não é possível deferir-se o pedido de juntada posterior de provas, de forma genérica, sem que haja justificativa suficiente para a não apresentação com a impugnação. O ônus de produção de provas cabe a quem dela se aproveita. À autoridade fiscal cumpre formalizar o lançamento, instruindo os autos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, conforme caput do art. 9° do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/1993, e ao contribuinte compete expor na impugnação os motivos de fato e de direito de sua discordância e as razões e provas que possuir, conforme art. 16, inciso III, do mesmo Decreto. O pedido de realização de diligência ou perícia deve constar da impugnação, conforme art. 16, inciso IV, do mesmo Decreto 70.235/1972, o qual exige ainda a exposição dos motivos que a justifiquem, a formulação de quesitos referentes aos exames desejados e o nome, endereço e qualificação profissional do perito. Cabe à autoridade julgadora de primeira instância determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, consoante disposto no “caput” do art. 18 do mesmo Decreto, que segue a linha adotada pelo nosso direito processual, expresso no art. 420 do Código de Processo Civil. Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 Esses dispositivos consagram a ideia de que a prova pericial deve ser produzida, antes de qualquer outra razão, com o fim de firmar o convencimento do juiz, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiar-se de mais elementos de prova. Assim, as perícias se destinam à formação da convicção do julgador, devendo limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão as perícias estender-se à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Não se pode conceber o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório a cuja apresentação está a parte pleiteante obrigada e, principalmente, para resolver questões que se encontram fora do âmbito de competência de autoridade administrativa tributária, como se observa no caso aqui tratado, onde se pretende o reconhecimento da invalidade de registro público de um imóvel rural. A questão da inexistência do imóvel deve ser tratada em processo judicial, no qual certamente será exigida prova exaustiva para comprovação dos fatos e onde será possível ao autor valer-se de todos os meios de prova admitidos juridicamente. E, pelo fato de caber ao Judiciário decidir de forma definitiva a questão, é desnecessária a realização de diligência ou perícia por parte da autoridade administrativa para comprovação da existência do imóvel. Assim, verifica-se que não há justificativa para a perícia pleiteada. A interessada apresentou nos autos cópia da Escritura Pública de Cessão de Direitos Hereditários sobre o imóvel com área de 8.779,7 ha., localizado no município de Guaraqueçaba/PR, e da matrícula do mesmo imóvel junto ao Registro de Imóveis da Comarca de Antonina/PR, além de cópia de documentos relativos ao processo de inventário dos bens deixados pelo falecimento de Miguel Camacho Sanches e Dolores Munhos, cujo herdeiro concedeu a ela os direitos hereditários sobre um dos imóveis inventariados. E não há nos autos comprovação de que a adquirente tomou qualquer providência visando ao cancelamento da citada escritura ou desfazimento do negócio respectivo. Em consulta ao Cafir - Cadastro de Imóveis Rurais verifica-se que a interessada apresentou as Declarações do ITR do imóvel em seu nome desde o Exercício 1998. Certamente que causa grande surpresa a alegação da interessada de que adquiriu uma área de mais de oito mil hectares e não tomou nenhuma providência para sua localização antes da aquisição e nem depois de tanto tempo do fato consumado, e ainda ter se beneficiado com créditos por compensações ambientais previstas em acordo internacional, sem nem ter conhecimento do imóvel. Mas, além disso, o que realmente importa é que não há comprovação de que ocorreu cancelamento da matrícula do imóvel e que, portanto, a interessada continua figurando como sua proprietária, para todos os efeitos legais. Nesse caso, deve ser observado o que dispõe o Código Civil. No caso de ser obtida decisão judicial que torne improcedente o auto de infração aqui questionado, cabe à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem cumprir o que for decidido, após o trânsito em julgado da sentença. Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 Conforme disposto na Lei 9.393/1996, artigo 4°, “Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. Assim, seguindo o disposto na legislação tributária quanto ao contribuinte do ITR, diante da comprovação de que a interessada adquiriu a propriedade do imóvel e que vem apresentando normalmente as DITRs em seu nome, enquanto não for apresentada comprovação efetiva que justifique reconhecer erro no preenchimento da declaração, não há como afastar a impugnante do polo passivo do ITR relativo ao imóvel de sua propriedade. Quanto à existência de jurisprudência em sentido contrário, impõe-se observar o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros... As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, o que se depreende do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional. No âmbito do processo administrativo fiscal, inexiste, até o momento, norma legal que atribua às decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa tal efeito. Destaco que o Acórdão 04-9642, de 2006, desta DRJ/Campo Grande/MS, citado pelo impugnante, é exemplo claro da necessidade de comprovação do cancelamento do cadastro do imóvel para justificar a anulação do lançamento do ITR respectivo. Já o Acórdão 11-22272, de 2008, tratou de imóvel formado por várias áreas, adquiridas e cadastradas no Cafir após a ocorrência do fato gerador do ITR do Exercício ali tratado. Quanto ao mérito, as áreas do imóvel rural afastadas da tributação pelo ITR estão discriminadas no art. 10, parágrafo 1°, inciso II, da Lei 9.393, de 19/12/1996. A Receita Federal, considerando o disposto no caput desse artigo, editou Instruções Normativas com descrição detalhada das áreas isentas e as exigências necessárias para seu reconhecimento, inclusive a apresentação, pelo contribuinte, do Ato Declaratório Ambiental- ADA perante o Ibama. A exigência de apresentação do ADA está prevista expressamente na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-O, § 1 °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1°. Para as áreas de preservação permanente, além da comprovação do cumprimento da obrigação de protocolar o ADA junto ao Ibama, dentro do prazo estipulado na legislação tributária, sua existência deve ser comprovada com a apresentação de Laudo Técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado da ART, que apresente uma perfeita indicação do total de áreas do imóvel que se enquadram nessa definição e mencione especificamente em que artigo da Lei 4.771/1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei n.° 7.803/1989, a área se enquadra. São consideradas de preservação permanente as áreas definidas nos artigos 2° e 3° do Código Florestal, sendo que, para as áreas indicadas no art. 3°, também ê exigida declaração por ato do Poder Público, consoante previsão nele contida. Para o reconhecimento da área de reserva legal é necessário comprovar sua averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis, obrigação essa que está prevista, originariamente, no § 2°, do art. 16, do Código Florestal, com redação dada pela Lei 7.803/1.989. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 Posteriormente, o art. 1° da Medida Provisória n° 2.166/2001, embora tenha conferido nova redação ao art. 16 do Código Florestal, manteve a obrigação ora tratada, agora prevista no § 8° do art. 16, da referida Lei. Ao reportar-se à Lei n° 4.771/1.965, a Lei 9.393/1.996, em seu art. 10, caput e § 1°, inciso II, alinea “a”, está condicionando, implicitamente, a não tributação da área de reserva legal ao cumprimento da aludida exigência. Nos termos do disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional - CTN, deve ser interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Deve ser observado ainda o princípio da legalidade previsto no art. 176 do mesmo CTN, o qual dispõe que “a isenção (..) é sempre decorrente de lei”. O fato de o imóvel estar inserido em uma área maior onde há restrições de exploração, nos termos da legislação ambiental, não é suficiente para que suas áreas sejam consideradas isentas de tributação, cabendo a comprovação efetiva das áreas enquadradas nas isenções previstas na legislação tributária. Registre-se que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea “e” ao art. 10, parágrafo 1°, inciso II, da Lei 9.393, de 1996, anteriormente transcrito. E, portanto, não há justificativa para se reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária da Mata Atlântica se enquadravam como área isenta de ITR, somente por essa condição, antes da alteração no artigo citado. Portanto, está correto o procedimento da fiscalização de, após afastar a isenção sobre as áreas de preservação permanente não comprovadas, refazer os cálculos para apuração do ITR e aplicar a alíquota sobre a nova base de cálculo apurada. Considerando-se que a produtividade do imóvel é medida pelo Grau de Utilização da terra, que é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável do imóvel, nos termos do inciso VI do §1°, art. 10, da Lei 9.393/1996, efetuada a glosa das áreas isentas, altera-se também o Grau de Utilização e a alíquota de cálculo do imposto. Quanto ao Valor da Terra Nua, VTN, o procedimento utilizado pela fiscalização para sua apuração, com base nos valores constantes em sistema mantido pela Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei 9.393/1996. A determinação para alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR constou do art. 3° da Portaria 447 de 28/03/2002. O valor do SIPT somente é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte logra comprovar o VTN efetivo de seu imóvel. A tela SIPT com aptidão agrícola se encontra na fls.13. O VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por. Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, 'Arquitetura e Agronomia - CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. Não tendo sido apresentada comprovação que justifique reconhecer VTN menor, não há justificativa para alteração desse item. Diante de todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares arguidas, indeferir pedido de perícia e, no mérito, em julgar improcedente a impugnação, mantendo a exigência tributária. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte segue sustentando os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e é tempestivo. Portanto, dele conheço. Mais uma vez, em sede de Recurso Voluntário, a impugnante suscita a existência de vícios e ilegalidade no procedimento fiscal, com o objetivo de ver efetuada a revisão do lançamento ou ser declarada a nulidade do lançamento. Repito o quanto salientado na decisão de piso, no sentido de que a nulidade alegada e o suposto cerceamento de defesa não existiram no presente caso. Constata-se que a referida Notificação permitiu à contribuinte tomar conhecimento dos aspectos relativos ao lançamento, assim como apresentar sua defesa, de forma que não se verifica nenhuma das hipóteses constantes do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento. Quanto à glosa da área de reserva legal e preservação permanente, declaradas, foram glosadas uma vez que não foi apresentado ADA tempestivamente e NEM averbação tempestiva na matricula do imóvel. Ou seja, nenhuma das informações referentes a preservação permanente e reserva legal constavam da matrícula do imóvel. Portanto, caberia ao impugnante apresentar ADA dos Exercícios em analise ou ao menos a averbação da matricula como acima mencionado. Entretanto, não consta dos autos nenhum de tais documentos com as informações necessárias para o reconhecimento da isenção do ITR. Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 Apenas a título argumentativo, merece trazer a baila entendimento predominante no CARF. Quando se verifica o cumprimento da exigência específica da averbação dessas áreas no cartório de registro de imóveis, nos termos da legislação de regência da matéria (art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/1.965, com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.803/1989, e redação dada pelo art. 1º da Medida Provisória nº 2.166-67, de 24/08/2001; art. 11, § 1º, da IN/SRF nº 256/2002, e art. 12, § 1º do Decreto nº 4.382/2002 – RITR), o direito do contribuinte é reconhecido. No presente caso, NÃO constam as averbações tempestivas da propriedade. Nesse sentido, o Acórdão nº 9202003.437, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 22/10/2014, entendeu que averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel antes da data de ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA, o que NÃO se verifica no presente caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou- se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrida não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. (grifamos) Quanto ao VTN, ratifico e concordo que o impugnante deixou de apresentar laudo de avaliação com eficácia para provar o valor da terra nua da propriedade em questão e, na falta da peça técnica adequada, deve ser mantida a avaliação fiscal realizada nos estritos temos do art. 14 da Lei 9.393/96. SALIENTE-SE QUE HÁ EVIDENCIA DE SIPT POR APTIDÃO AGRÍCOLA, conforme verifica-se na fl.13. Quanto à alegação de inexistência do imóvel, também compartilho do entendimento de que deve ser tratada em processo judicial, no qual certamente será exigida prova exaustiva para comprovação dos fatos e onde será possível ao autor valer-se de todos os meios de prova admitidos juridicamente. E, pelo fato de caber ao Judiciário decidir de forma definitiva a questão, é desnecessária a realização de diligência ou perícia por parte da autoridade administrativa para comprovação da existência do imóvel. Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-009.394 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.015292/2007-27 De fato gera grande surpresa a alegação da interessada de que adquiriu uma área de mais de oito mil hectares e não tomou nenhuma providência para sua localização antes da aquisição e nem depois de tanto tempo do fato consumado, e ainda ter se beneficiado com créditos por compensações ambientais previstas em acordo internacional, sem nem ter conhecimento do imóvel. Mas, além disso, o que realmente importa é que não há comprovação de que ocorreu cancelamento da matrícula do imóvel e que, portanto, a interessada continua figurando como sua proprietária, para todos os efeitos legais. Assim, seguindo o disposto na legislação tributária quanto ao contribuinte do ITR, diante da comprovação de que a interessada adquiriu a propriedade do imóvel e que vem apresentando normalmente as DITRs em seu nome, enquanto não for apresentada comprovação efetiva que justifique reconhecer erro no preenchimento da declaração, não há como afastar a impugnante do polo passivo do ITR relativo ao imóvel de sua propriedade. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento e manter o crédito tributário lançado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13780.720104/2019-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 2003-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem informe se houve correção e consequente deferimento dos REDARF relativos ao período de janeiro a abril/2016, bem como registre, se for o caso, o motivo da manutenção dos respectivos indeferimentos. Após, intime o contribuinte do resultado da diligência para, querendo, se manifestar no prazo legal.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a unidade de origem informe se houve correção e consequente deferimento dos REDARF relativos ao período de janeiro a abril/2016, bem como registre, se for o caso, o motivo da manutenção dos respectivos indeferimentos. Após, intime o contribuinte do resultado da diligência para, querendo, se manifestar no prazo legal. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo de exigência de IRPF referente ao ano-calendário de 2016, exercício de 2017, no valor de R$ 5.668,61, já acrescido de multa e juros de mora, em razão da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 2.240,52, e da compensação indevida de carnê-leão, no valor de R$ 2.022,56, conforme se depreende da notificação de lançamento constante dos autos, importando na apuração do imposto a pagar de R$ 4.263,08 (fls. 74/78). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 11-63.225, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife - DRJ/REC (fls. 92/95): Contra o interessado acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento 2017/568602235329649 (fls. 71-78) em decorrência da revisão da Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2017, ano-calendário 2016. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 80 .7 20 10 4/ 20 19 -6 4 Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 2003-000.048 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13780.720104/2019-64 O crédito tributário constituído importou em R$ 5.668,61, sendo R$ 4.263,08 de imposto, R$ 852,61 de multa de mora e R$ 552,92 de juros de mora calculados até 31/01/2019. As infrações apuradas foram: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte e compensação indevida de Carnê-Leão. Regularmente intimado da notificação de lançamento, o representante do contribuinte apresentou a impugnação de folhas 2 a 68 com vistas a cancelar o crédito tributário cobrado. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, para restabelecer a compensação do IRRF de R$ 2.240,52, reduzindo o imposto a pagar para R$ 2.022,57, mas acréscimos legais. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 18/07/2019 (fls. 104/105), o espólio do contribuinte, por sua inventariante interpôs, em 05/08/2019, recurso voluntário (fls. 125/126), repisando as alegações da peça impugnatória e trazendo outros argumentos, no sentido de que somente parte dos REDARF apresentados foram deferidos, tendo sido solicitada explicações acerca do real motivo que causou a diferença apurada, entendendo que se houver novo recolhimento se constatará em bitributação, uma vez que os valores já foram depositados aos cofres públicos, requerendo, ao final, o arquivamento dos autos, por ser medida de justiça. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 127/132. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto – Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/REC, que manteve parcialmente o lançamento em litígio decorrente da dedução indevida de carnê-leão, no valor de R$ 2.022,56, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do processado, no sentido do acatamento da aludida dedução declarada na DAA/2017. Alega o Recorrente que os REDARF correspondem ao pagamento dos aluguéis dos meses de janeiro a abril/2016, cujos DARF foram recolhidos indevidamente em nome da Sra. Larissa da Silva Tinoco e com código de receita 3208, quando na verdade deveriam ser recolhidos em nome do Recorrente como carnê-leão código de receita 0190, tendo promovido as devidas correções. Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 2003-000.048 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13780.720104/2019-64 Pois bem. A controvérsia recursal cinge-se ao indeferimento dos REDARF relativos ao período de janeiro a abril/2016 (fls. 17/18 e 20/22), no valor de R$ 2.022,56. Da leitura da peça recursal constato que o Recorrente não informa se houve a correção posterior dos REDARF, contudo argumenta que enviou novamente à RFB os documentos pertinentes para que possa de fato entender o real motivo que causou a diferença apurada, sobretudo levando-se em conta que a decisão recorrida registra que nos sistemas da RFB os recolhimentos a título de carnê-leão referente ao ano-calendário de 2016 “somam (ainda) R$ R$ 4.493,96, e não R$ 6.516,52, conforme DAA” (fls. 94). Portanto, considero imprescindível verificar se houve posterior correção e consequente deferimento dos REDARF remanescentes indeferidos, cuja informação entendo ser de suma importância ao deslinde da controvérsia recursal instaurada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem informe se houve correção e consequente deferimento dos REDARF relativos ao período de janeiro a abril/2016, bem como registre, se for o caso, o motivo da manutenção dos respectivos indeferimentos. Após, intime o contribuinte do resultado da diligência para, querendo, se manifestar no prazo legal. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital
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