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Numero do processo: 10680.905862/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2001 a 28/02/2004
DATA DE VALORAÇÃO. APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS NORMATIVOS.
As instruções normativas da Receita Federal, para cumprimento do disposto no §4º da Lei 9.430/96, estabelecem regras para as consideração das datas de valoração das compensações, que não vulneram direitos e devem ser acatadas.
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS COM CRÉDITOS E DÉBITOS DIFERENTES. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO.
A existência de outro processo administrativo de compensação, no qual os créditos e débitos são diversos daqueles do processo em julgamento, não interferem no resultado da compensação. O crédito solicitado, referente a determinado período de apuração, não é alterado quando o débito do mesmo período de apuração é objeto de compensação em outro processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-004.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que não se excluam da apuração os indébitos dos períodos de apuração 08/2003 e 09/2003.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS NORMATIVOS. As instruções normativas da Receita Federal, para cumprimento do disposto no §4º da Lei 9.430/96, estabelecem regras para as consideração das datas de valoração das compensações, que não vulneram direitos e devem ser acatadas. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. PROCESSOS ADMINISTRATIVOS COM CRÉDITOS E DÉBITOS DIFERENTES. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO. A existência de outro processo administrativo de compensação, no qual os créditos e débitos são diversos daqueles do processo em julgamento, não interferem no resultado da compensação. O crédito solicitado, referente a determinado período de apuração, não é alterado quando o débito do mesmo período de apuração é objeto de compensação em outro processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que não se excluam da apuração os indébitos dos períodos de apuração 08/2003 e 09/2003. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 58 62 /2 01 3- 03 Fl. 384DF CARF MF 2 (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: O presente processo trata de compensação de créditos da Cofins (recolhida na forma da Lei nº 9.718/1998) e retorna a esta Primeira Turma da DRJ/Belo Horizonte, em virtude de a Interessada discordar dos cálculos de apuração elaborados pela unidade jurisdicionante. O primeiro posicionamento expedido pela autoridade administrativa de jurisdição da Contribuinte indeferiu o pedido (Despacho Decisório 056388175, fl. 35) e foi revisto por esta Turma de Julgamento (Acórdão 0271.917, de 21 de fevereiro de 2017, fls. 59/65) que, tendo afastado a tese de prescrição (embasadora da decisão recorrida), determinou a prolação de novo despacho decisório, com exame de mérito. Nesse mister, emitiuse nova decisão (Despacho Decisório nº 545 – DRF BHE, fls. 274/276) com reconhecimento de um crédito no valor de R$ 1.211.933,46 (atualizado até 22/03/2013), crédito este inferior ao pretendido pela Interessada. Os cálculos executados pela autoridade administrativa abrangem os períodos de apuração 03/2001 a 01/2004. Consta do Despacho Decisório Nº 545 – DRF BHE que os valores de crédito demonstrados pela empresa foram acatados, à exceção dos períodos de apuração 08/2003 e 09/2003, os quais estão em discussão administrativa no processo nº 10680.903551/201059. Por isso, ante a ausência de certeza e liquidez, esses períodos de apuração foram desconsiderados na quantificação do direito creditório em análise. O valor do crédito apurado pela autoridade fiscal foi atualizado até 22/03/2013, data de envio da DComp nº 07339.91074.220313.1.3.570698. No encontro de contas débito/crédito restou constatado que o montante do crédito reconhecido fora insuficiente para liquidar todos os débitos compensados na Dcomp nº 07339.91074.220313.1.3.570698, o que resultou em sua homologação parcial e, ainda, no lançamento de multa isolada (50%) sobre o valor dos débitos remanescentes. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10680.905862/201303 Acórdão n.º 3201004.849 S3C2T1 Fl. 3 3 O lançamento da multa isolada está sendo controlado no processo administrativo nº 15173.720057/201771 (distribuído a esta Relatora) e irá a julgamento nesta mesma sessão. A Interessada foi devidamente cientificada do Despacho Decisório Nº 545 – DRF BHE e do auto de infração referente à multa de ofício em 08/06/2017 (fls. 285/286), tendo apresentado manifestação de inconformidade (contra o despacho decisório) e impugnação (ao lançamento da multa de ofício) em 10/07/2017 (fl. 287). Considerando que o presente processo tem por objeto as compensações declaradas na DComp nº 07339.91074.220313.1.3.570698, serão abaixo sintetizadas apenas os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. As razões de impugnação serão tratadas no processo pertinente (15173.720057/201771). Resumidamente, são estas as razões de inconformidade: Não procede a exclusão dos valores relativos aos períodos de apuração 08/2002 e 09/2003, pois tais valores não se encontram em discussão administrativa no processo nº 10680903551/2010 59 e nem em outro processo administrativo, senão neste feito (10680905.862/201303). O processo nº 10680903551/201059 trata de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL (Exercício 1999) compensado em Dcomp's diversas, as quais foram objeto do Despacho Decisório nº 893920283. Não há que se confundir crédito de saldo negativo de CSLL com crédito decorrente de pagamento a maior de Cofins, reconhecido judicialmente. Outro aspecto da diferença de valores encontrada diz respeito à atualização do crédito: a Requerente atualizou o valor do indébito apurado em 29/10/2010 (data da transmissão do PER inicial nº 05716.66928.261110.1.2.572722) até 22.03.2013, enquanto que a autoridade administrativa atualizou o indébito a partir das datas de seus respectivos pagamentos, até 22.03.2013. Consoante a legislação vigente à época dos fatos aqui tratados, o contribuinte que apurasse crédito judicial deveria entrar com Pedido de Habilitação, demonstrando em planilha o crédito e suas respectivas atualizações/correções, de acordo com a decisão passada em julgado. Sendo deferida a habilitação o contribuinte poderia transmitir o Per/Dcomp fazendo constar como valor inicial o valor demonstrado no processo de habilitação e, daí para frente, sobre esse valor deveria ser aplicada a Selic, até a restituição e/ou compensação. No caso, se o crédito fora habilitado pelo valor de R$ 1.052.145,76 (atualizado até 29/10/2010), a autoridade fiscal não poderia criar um novo marco temporal (22.03.2013) de atualização. Caberia, apenas, conferir se as parcelas contidas Fl. 386DF CARF MF 4 na planilha anexada ao Pedido de Habilitação (datado de 17.06.2009) estavam corretas, o que foi feito através do despacho decisório ora recorrido (DD 545 DRF BHE de 27.04.2017), sem encontrar incorreções. Como estão inteiramente corretos os valores demonstrados pela Manifestante, a homologação parcial das compensações informadas no Per/Dcomp nº 7339.91074.220313.1.3.570698 deve ser revista. A 1ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão 0277.655, de 30/10/2017, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/01/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Homologase a compensação somente se comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório pretendido. COFINS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos de pagamento indevido ou a maior são compensados com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente, tomandose como termo inicial da incidência o mês subseqüente ao do pagamento, e juros de 1% (um por cento) no mês em que houver a entrega da Dcomp. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE HABILITAÇÃO. DEFERIMENTO. O deferimento do pedido de habilitação administrativa do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso. No Recurso Voluntário, a empresa: renova notícias sobre a compensação objeto do processo 10680.903551/201059, e pede que se aguarde o seu julgamento definitivo, porque interferiria na análise do presente processo; reitera a impossibilidade de se excluir da análise, no presente processo, dos períodos de 08/2003 e 09/2003, em discussão no processo 10680.903551/201059; sustenta que o valor constante do pedido de habilitação, de R$ 1.052.145,76, atualizado até 22/03/2013, perfaz o montante que pretende ver reconhecido. Posteriormente ao Recurso Voluntário, junta petição onde informa o julgamento administrativo do processo 10680.903551/201059, onde o crédito lá pedido teria sido deferido. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10680.905862/201303 Acórdão n.º 3201004.849 S3C2T1 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira,Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 Exclusão dos períodos de 08/2003 e 09/2003 Verifico, à vista dos documentos de fls. 329, que o crédito discutido no processo 10680.903551/201059 é relativo a créditos de CSLL. Os débitos são de Cofins, cf. fls. 342, de 08/2003 e 09/2003. O resultado dessa compensação, no processo 10680.903551/201059 não interefere em nada no presente processo. Em qualquer hipótese, sendo homologado, homologado parcialmente, ou não homologado, os débitos de Cofins são os mesmos, aqueles declarados na Declaração de Compensação no processo 10680.903551/201059. Eventual saldo devedor, naquele processo 10680.903551/201059, será lá cobrado. Desse modo, no presente processo, devese adotar o débito lá declarado como recolhido, posto que, se não for extinto por compensação, será cobrado lá, no processo 10680.903551/201059, e não pode ser cobrado aqui, em duplicidade. Com efeito, o artigo 170 do CTN veda a compensação de créditos incertos e ilíquidos, e o crédito objeto do presente processo está sendo discutido somente no presente processo, e não no processo 10680.903551/201059, cujo crédito é de CSLL. Não há nem incerteza quanto ao valor do débito, mas somente sobre a forma de sua extinção, se por compensação, por pagamento ou prescrição da cobrança. De qualquer modo, a extinção do débito será objeto do processo 10680.903551/201059 (ou do respectivos processos de cobrança 10680.903787/201095 e 10680.904934/201088, conforme se indicam à fl. 342), sem influência alguma no presente processo. Observo que os débitos objeto de compensação no presente processo, de IRPJ e CSLL, também não se confundem com os débitos do processo 10680.903551/201059. Não foram apontados, pois, quaisquer dos impedimentos previstos na IN 900/2008, vigente à época dos pedidos: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. Fl. 388DF CARF MF 6 (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: 1 tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2 tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3 tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou 4 seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II o débito apurado no momento do registro da DI; III o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VI o débito que não se refira a tributo administrado pela RFB; VII o débito relativo a tributos de valor original inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) VIII o débito relativo ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física (carnêleão) apurado na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10680.905862/201303 Acórdão n.º 3201004.849 S3C2T1 Fl. 5 7 IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) X o saldo a restituir apurado na DIRPF; XI o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; XII o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, decorrente de pagamento indevido ou a maior; XIII o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento indeferido pela autoridade competente da RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; XIV o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à RFB, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da RFB, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; XV os tributos apurados na forma do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006; XVI o crédito resultante de pagamento indevido ou a maior efetuado no âmbito da PGFN; e XVII outras hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo. Além disso, Entendo que a extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. Com efeito, a própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007, do qual transcrevo alguns excertos: 20. Na linha do PN Cosit nº 8, de 2014 (item 35, já citado), extinto o crédito tributário não há mais falar em revisão de ofício de lançamento, sendo necessária a formalização de pedido de restituição em caso de haver erro de fato no lançamento. O pagamento ou a compensação do objeto da prestação pelo sujeito passivo representa a sua concordância com o seu dever jurídico, ou seja, com a existência da relação jurídica obrigacional entre ele e o sujeito ativo (Estado), bem assim com o lançamento realizado, responsável pela quantificação do objeto da relação. Tais atos ensejam a extinção da relação Fl. 390DF CARF MF 8 obrigacional e, por consequência, incabível, em princípio, revisão de ofício do lançamento. 21. Todavia, a incorporação ao patrimônio pelo sujeito ativo de valor a que não fazia jus como portador do direito subjetivo de sua percepção, ou seja, de tributo indevido, representaria uma violação ao princípio que veda o locupletamento sem causa, e permite nascer uma nova relação obrigacional, mas agora com os pólos invertidos Em vista disso, o legislador introduziu no CTN o art. 165, que autoriza a restituição da importância paga indevidamente pelo sujeito passivo. Nesse sentido, posicionamento de Luciano Amaro : O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. 22. Este pagamento de tributo indevido pode ter advindo de ato espontâneo do sujeito passivo, que recolheu valor superior ao objeto da relação obrigacional devido, ou de pagamento/compensação exatamente no montante do tributo lançado (cobrado), mas cuja quantificação foi feita de forma irregular. É o que se depreende dos incisos I e II do art. 165 do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 23. A hipótese de interesse do estudo aqui efetuado é a do pagamento indevido de tributo em virtude de erro na quantificação do crédito tributário, ou seja, de erro no lançamento. 24. Logo, a formalização de pedido de restituição, desde que no prazo de cinco anos estabelecido no art. 168 do CTN, com interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, é o caminho legal para que o sujeito passivo possa demonstrar a existência de erro no lançamento após a extinção do crédito tributário: CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10680.905862/201303 Acórdão n.º 3201004.849 S3C2T1 Fl. 6 9 LC nº 118, de 09/02/2005 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 25. Uma revisão do débito (e não do lançamento) decorrerá de provocação do contribuinte. Caso a postulação seja apenas para fins de cancelamento de um débito já quitado, sem expressamente requerer a restituição do valor pago, ainda assim deve ser aplicada a analogia para fazer incidir o art. 168 do CTN para se promover a revisão do débito e seu cancelamento, na linha do item 36 do PN Cosit nº 8, de 2014 (já transcrito), e os valores antes alocados ao débito cancelado poderão, a partir daí, ser utilizados pelo sujeito passivo ‒ quer seja para pleitear restituição ou para quitar outros débitos, p.ex., por meio de declaração de compensação, ou mesmo compensação de ofício ‒, atentandose que o prazo que alude o art. 168 do CTN remete, no caso, à data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento indevido (e não da data do cancelamento do débito). 26. Não foi estabelecida pelo CTN a necessidade de prévia alteração do lançamento efetuado de forma irregular para que o sujeito passivo possa pleitear e ter deferida a devolução do valor pago a maior ou indevidamente, ainda que seja necessária a utilização do elemento quantitativo ali contido para aferição dos cálculos e fins operacionais. Conclusão 27. Com base no exposto, concluise que depois de extinto o crédito tributário lançado de ofício ou confessado, seja por meio de pagamento ou por meio de compensação, não há que se cogitar em revisão de ofício do lançamento (ressalvados os casos de inexatidões e erros materiais, erros de cálculo) ou da declaração (seja a de obrigação acessória como a DCTF, seja a de compensação), mas sim a análise de pedido de restituição formulado nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. Portanto, por um lado, afastase o pedido preliminar para suspensão do presente processo, e por outro lado, deferese o pedido do contribuinte para que os indébitos (pagamentos de Cofins em valores maiores que os que constam em DCTF ou na Declaração de Compensação, os que forem maiores), relativos aos períodos de apuração de 08/2003 e 09/2003 sejam aqui contemplados como créditos passíveis de compensação. 2 – Diferenças de Atualização O contribuinte aponta do seguinte modo a origem da diferença de atualização (fl. 365): A diferença apurada decorre da forma como foi feito o cálculo: a Recorrente atualizou até 22.03.2013 o valor encontrado em Fl. 392DF CARF MF 10 29/10/2010 [no pedido de habilitação], de R$1.052.145,76, enquanto que a Autoridade administrativa atualizou os valores pagos a maior, mês a mês, até 22.03.2013. Todavia, o pedido de habilitação não tem o condão de confirmar o valor pedido pelo contribuinte, apenas permite o recebimento das declarações de compensação com base no direito creditório alegado. A única diferença entre os valores originais dos pagamentos indevidos é quanto à consideração dos períodos 08/2003e 09/2003, já apreciados. Quanto às datas de valoração, são aquelas previstas nos normativos pertinentes, art. 701 e Capítulo X – “Da Valoração dos Créditos”, da Instrução Normativa 1.717/2017, e dispositivos correlatos nas Instruções Normativas antecedentes, 210/2002, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012, 1.717/2017. Tais normativos prevêem a correção de créditos e débitos até a data do pedido de compensação, cumprem o dever de normatização previsto no §14 do art. 74 da Lei 9.430/96, que trata da compensação, e não vulneram direito do contribuinte. 3 Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso, para que não se excluam da apuração os indébitos dos períodos de apuração 08/2003 e 09/2003. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator 1 Art. 70. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista no Capítulo X, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da declaração de compensação. § 1º A compensação total ou parcial do débito será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios, na mesma proporção. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10680.905862/201303 Acórdão n.º 3201004.849 S3C2T1 Fl. 7 11 Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902708/2016-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.566
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 70 8/ 20 16 -0 1 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13851.902708/201601 Resolução nº 3402001.566 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13851.902708/201601 Resolução nº 3402001.566 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13851.902708/201601 Resolução nº 3402001.566 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.002968/2003-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998
DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. SUFICIÊNCIA.
Comprovada a realização de depósitos judiciais, se faz necessária a confirmação, pela Unidade de Origem, da conversão em renda da União e sua suficiência para a extinção dos débitos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar que a Unidade de Origem confirme a conversão em renda dos valores depositados judicialmente, referentes a novembro e dezembro de 1998, em caso positivo, extinga os referidos débitos, se suficientes, ou intime a contribuinte para o pagamento da diferença, se insuficientes.
.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar que a Unidade de Origem confirme a conversão em renda dos valores depositados judicialmente, referentes a novembro e dezembro de 1998, em caso positivo, extinga os referidos débitos, se suficientes, ou intime a contribuinte para o pagamento da diferença, se insuficientes. . (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 352 1 351 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.002968/200396 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.565 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO AUDITORIA INTERNA PIs Recorrente DOMÍNIO TRANSPORTADOR TURISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. SUFICIÊNCIA. Comprovada a realização de depósitos judiciais, se faz necessária a confirmação, pela Unidade de Origem, da conversão em renda da União e sua suficiência para a extinção dos débitos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar que a Unidade de Origem confirme a conversão em renda dos valores depositados judicialmente, referentes a novembro e dezembro de 1998, em caso positivo, extinga os referidos débitos, se suficientes, ou intime a contribuinte para o pagamento da diferença, se insuficientes. . (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 29 68 /2 00 3- 96 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10875.002968/200396 Acórdão n.º 3002000.565 S3C0T2 Fl. 353 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Petição do contribuinte (fl. 273/276) recebida pela Delegacia da Receita Federal em Guarulhos como Recurso Voluntário através do Despacho de folha 339. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o PIS/Pasep lavrado em 17/06/2003 (fls. 13) e cientificado ao contribuinte, por via postal m 11/07/2003 (fls. 240), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 194.787,06 com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude de não confirmação do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados para os períodos de janeiro a dezembro de 1998. Exigências semelhantes foram formalizadas para os períodos de 1997 no 10875.001071/200264. Em oposição à exigência fiscal, foi protocolizada em 11/08/2003 a impugnação de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/188, com alegação de que foram efetuados depósitos judiciais na Medida Cautelar de nº 96.00162441. Para justificar sua alegação apresenta cópia dos seguintes documentos: guias de depósitos judiciais e DARFDEPÓSITO (fls. 23/33); petição inicial da Medida Cautelar n° 96.00162441 em que formulado, entre outros, pedido de concessão de medida liminar para desobrigar as autoras do recolhimento da contribuição ao PIS na forma estabelecida pela Medida Provisória 1.212/95 e suas posteriores redações, com autorização do depósito do montante integral (fls. 146/184). decisão de indeferimento da liminar requerida (fls. 185); pedido de reconsideração (fls. 186 e 188); decisão de 08/07/1996 acolhendo o pedido como depósito preparatório da ação principal, devendo a Requerente providenciar junto à Caixa Econômica Federal os depósitos pretendidos (fls. 187). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10875.002968/200396 Acórdão n.º 3002000.565 S3C0T2 Fl. 354 3 Em análise prévia, a autoridade preparadora juntou os documentos de fls. 193/237 e informou, às fls.238/239: "... Quanto à Ação Ordinária n” 9600227608, tratase de ação protocolada em 05/08/1996, em que as autoras buscavam se eximirem do recolhimento do PIS nos moldes da MP 1212/95 e da LC 7/70 alegando, em síntese, não ter sido editada lei complementar para disciplinar a sua nova destinação constitucional e a vedação à instituição ou majoração de tributos por meio de medidas provisórias. Houve, anteriormente, a proposição de Medida Cautelar n” 9600162441 em 14/06/1996 (cópia da petição inicial às fls. 146 a 184), com pedido de liminar, para autorizar as autoras a efetuarem os depósitos judiciais das parcelas vincendas de PIS para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A liminar foi indeferida em 24/06/1996 0l. 53), mas pedido de reconsideração da decisão foi acolhido em 08/07/1996 0l. 55), autorizando os depósitos preparatórios da ação principal junto à Caixa Econômica Federal (CEF). O Juízo Federal da 3 “ Vara de SP, em decisões publicadas em 10/12/1998, declarou extintos os processos, com julgamento do mérito, considerando improcedentes tanto a cautelar quanto o pedido de ação ordinária 0ls. 193 a 195). As autoras interpuseram recurso de apelação, pleiteando a reforma da sentença. A 3” turma do TRF da 3” Região, em acórdão prolatado em 08/11/2000 0ls. 196 a 217), decidiu por unanimidade negar provimento às apelações interpostas nas ações principal e cautelar. O acórdão transitou em julgado em 06/03/2001 01. 218). Das cópias das DCTF 's apresentadas pelo contribuinte referentes aos períodos de apuração de jan/1998 a dez/1998 0ls. 34 a 145) verificouse que consta declaração de suspensão do PIS com base em liminar na Medida Cautelar n” 96. 000. 015. 2441 (número informado com erro). Analisando as cópias simples dos depósitos judiciais juntadas pelo contribuinte ao processo 0ls. 23 a 33), constatouse que o PA de 01/1998foi depositado incorretamente no CNPJ 86.815.917/000160 e os PA 's de 02/1998 a 12/1998 foram depositados no CNPJ 47.270.210/000163 (correto). Verificouse, também, que os débitos dos PA 's de JAN/98 a OUT/98 foram depositados utilizando “Guia de Depósito Judicial à Ordem da Justiça Federal " na conta 265/005/00163836 (fls. 23 a 32) e os débitos dos PA 's de NOV/98 a DEÚ98 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10875.002968/200396 Acórdão n.º 3002000.565 S3C0T2 Fl. 355 4 foram depositados utilizando DARF Depósito (DJE) na conta 265/635/00163836 01. 33). Foram localizados no sistema SINALDEP (fls. 219 a 224) os depósitos Íudicíais dos PA 's JAN/1998 a OU T/1 998 referentes à conta 0265/005/001638362 depositados entre 13/02/1998 e 13/11/1998. Contudo, o depósito do PA 01/1998 aparece no sistema S1NAL08 no CNPJ n” 868154917/000160 da empresa HENARES ADVOGADOS ASSOCIADOS (fl. 233). Pelas pesquisas de fls. 219 a 224 verificouse que a referida conta encontrase com saldo zero, constando conversão dos depósitos judiciais em renda da União em 17/12/2001. Foram localizados também no sistema SINALDEP 01s . 225 a 228) os depósitos judiciais dos PA 's NOV/1998 a DEZ/1998 referentes à conta 0265/635/00163836 depositados entre 15/12/1998 e 15/01/1999. Estes depósitos das PA 's NOV/98 e DEZ/98 aparecem no sistema SINAL08 01s. 229 a 232), porém não constam como transformados em renda da União." " Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS) julgou a Impugnação procedente em parte, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PROCESSO. JUDICIAL NÃO COMPROVADO. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Cancelase a exigência relativamente aos períodos para os quais confirmado 0 depósito judicial do principal declarado e sua conversão em renda da União antes da formalização do lançamento de ofício. DEPÓSITO JUDICIAL AINDA NÃo CONVERTIDO EM RENDA. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação de multa de ofício na constituição do crédito tributário de períodos para os quais foram efetuados depósitos judiciais no montante integral do tributo devido. Lançamento Procedente em Parte É o relatório, em síntese. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10875.002968/200396 Acórdão n.º 3002000.565 S3C0T2 Fl. 356 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Por oportuno, reproduzo trecho final do voto condutor do Acórdão recorrido: "Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a impugnação, por tempestiva, e considerar: IMPROCEDENTES as exigências relativas aos períodos de janeiro a outubro/98; PROCEDENTES EM PARTE as exigências relativas aos períodos de novembro e dezembro/98, para cancelar a multa de ofício sobre os valores depositados judicialmente, inclusive sem aplicação de multa de mora, remanescendo o valor principal lançado com exigibilidade suspensa enquanto presente causa para tanto." Dessa forma, percebese que a instância a quo extinguiu os valores lançados relativos aos períodos de janeiro e outubro de 1998, porque constatou que os depósitos judiciais de tais valores, assim como sua conversão em renda para a União haviam ocorrido antes da lavratura do Auto de Infração. Por outro lado, permaneceram somente as exigências relativas aos créditos tributários dos meses de novembro e dezembro de 1998 para os quais não houve confirmação da conversão em renda, contudo, a primeira instância também exonerou a cobrança relativa à multa de ofício sobre tais valores. Assim, a questão posta nos autos cingese apenas a conversão ou não dos valores depositados judicialmente, referentes aos meses de novembro e dezembro de 1998, e sua suficiência para a quitação do débito. Ressaltese que, embora a Unidade de Origem tenha recebido a petição retrocitada como Recurso Voluntário, a contribuinte apresentou nova petição (fl. 291/296) em 31/03/2009, onde afirma textualmente que não havia apresentado Recurso Voluntários, mas tãosomente queria ver cumprir o decisum emanado da Delegacia de Julgamento: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10875.002968/200396 Acórdão n.º 3002000.565 S3C0T2 Fl. 357 6 5. Pois bem. Uma vez atendida à Intimação n° 175/2009, cumpre destacar que a Requerente não interpôs Recurso Voluntário em face do v. acórdão proferido pela C. 5” Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP. Sem dúvida, considerando a questão posta atualmente nos autos e considerando os comprovantes apresentados pela contribuinte, entendo que a questão poderia ter sido resolvida pela própria Unidade de Origem. Sem embargo, considerando o Princípio da inafastabilidade da Jurisdição, ainda que administrativa, entendo que esse Colegiado não pode se furtar ao dever de decidir. Portanto, considerando as provas dos depósitos trazidas aos autos e considerando o que já foi decidido pela instância a quo, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar que a Unidade de Origem confirme a conversão em renda dos valores depositados judicialmente, referentes a novembro e dezembro de 1998, em caso positivo, extinga os referidos débitos, se suficientes, ou, em caso de serem insuficientes, intime a contribuinte para o pagamento da diferença. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.901821/2009-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 25181.55356.120905.1.3.04-6000 (e-fls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivando-se cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 25181.55356.120905.1.3.046000 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivandose cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 51/54) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 01 82 1/ 20 09 -9 5 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 346 2 pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 38/43), proferida em sessão de 15 de dezembro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1436.120, da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/13) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 07), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 25181.55356.120905.1.3.046000 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, e homologou parcialmente a compensação declarada, por não reconhecer a totalidade do direito creditório vindicado, afirmando, outrossim, não restar crédito suficiente disponível para compensação integral dos débitos informados no PER/DCOMP, a partir das características do DARF informado pelo contribuinte, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do fidedigno relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 5993) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, foi reconhecido parcialmente direito creditório a favor da contribuinte, no valor de R$ 1.828,97, e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi parcialmente utilizado para Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 347 3 quitação de débitos da contribuinte, “restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 28/04/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 12/13, na qual alega, em síntese: a) no anocalendário de 2004, efetuou recolhimento por estimativa de IRPJ no valor de R$ 13.579,94, conforme cópia de DARF em anexo; b) no fechamento do ano base de 2004, apurouse o IRPJ sobre lucro real, no valor de R$ 8.977,82, conforme página 11 da DIPJ/2005, transmitida em 24/04/2009; c) conforme linha 20 da página 11 da DIPJ 2005, recolheu a maior R$ 8.150,66 de IRPJ, que conforme legislação vigente à época poderia ser compensado a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; d) ao apurar IRPJ com base em balancete de redução nos meses de março/2005, maio/2005 e junho/2005, utilizou o valor constante da letra “c” para compensar parte dos valores devidos nos meses informados; e) ao transmitir as PER/Dcomp n.º 07090.68247.120905.1.3.040700, 25181.55356.120905.1.3.04.6000, 12254.35143.120905.1.3.045987, em 12/09/2005, e 05518.70102.310507.1.7.045121retificadora, em 31/05/2007, para compensar os débitos apurados conforme consta da letra “d”, por desconhecimento informou erroneamente como tipo de crédito: pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ; f) ao analisar as PER/Dcomp acima, o Auditor Fiscal concluiu que os créditos constantes das PER/Dcomp já tinham sido utilizados para quitação de débitos do anocalendário de 2004, não se atentando que no referido ano foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 8.150,66, valor esse que poderia ser compensado no anoseguinte. Ao final, solicita o cancelamento do débito e a homologação total da compensação declarada. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 2.424,11, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP no montante pleiteado. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento parcialmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não haver crédito suficiente disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi integralmente quitado, isto é, foi compensado apenas parcialmente. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/07/2004 5993 R$ 2.424,11 31/08/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Valor Original Disponível 4624204408 R$ 2.424,11 DB: Cód. 5993 PA 31/07/2004 R$ 595,14 R$ 1.828,97 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 348 4 Valor Total R$ 595,14 R$ 1.828,97 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 728,37 Multa: R$ 145,67 Juros: R$ 379,69 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae do voto unânime: Conforme relatado, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira (fl. 07) reconheceu parcialmente direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologou até o limite do crédito reconhecido a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado parcialmente para quitação de débitos da contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que por um equívoco informou como origem do crédito pagamento indevido ou a maior de IRPJ, quando em realidade a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de IRPJ. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para a pessoa jurídica optante pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa e o valor devido do IRPJ apurado. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: “Apuração Anual do Imposto Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 3.º). (....) Pagamento por Estimativa Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 3.º, parágrafo único). Base de Cálculo Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei n.º 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). (....) Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 349 5 Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). (....) Deduções do Imposto Anual Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 4.º): (....) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230”. Da leitura do texto legal podemos inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230. Conforme legislação acima, a interessada está obrigada, considerando que é optante pelo lucro real, apuração anual, a pagar mensalmente o imposto de renda devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Pode também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, somente o saldo negativo de IRPJ a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de três premissas: 1.ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2.ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; e 3.ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o saldo negativo de IRPJ. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração do imposto com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 350 6 nos termos dos artigos 7.º e seu § 4.º, e 8.º, inciso I, ambos do Decreto Lei n.º 1.598, de 1977, in verbis: “Art 7.º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (....) § 4.º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8.º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2.º e 3.º do artigo 6.º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1.º); (....).” Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 9.º, § 1.º)”. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tãosomente alegar que o indébito é proveniente de saldo negativo de IRPJ, apuração anual, do anocalendário de 2004, cujas estimativas foram pagas mediante DARF anexados às fls. 21/25 dos autos. Ora, tal qual o pagamento de tributos, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, o pagamento a maior também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 351 7 Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Especialmente, advoga que recolheu por estimativa mensal de IRPJ o valor total de R$ 13.579,94, no anocalendário de 2004, o que estaria demonstrado na folha 126 do Balancete de Encerramento na conta do ativo créditos diversos, além dos DARF´s apresentados e listados, sendo que no fechamento do balanço anual a demonstração do IRPJ para o lucro real resultou no valor devido de R$ 8.977,82, o que estaria comprovado na DIPJretificadora de 2005 (página 11, linha 20), transmitida em 24/04/2009, bem como no Balancete de Encerramento e na folha 136 da conta Demonstração de Resultado do Exercício, consubstanciando saldo negativo de IRPJ na ordem de R$ 8.150,66. Informa que, por força destes autos, possui processo de controle da cobrança dos valores não extintos pela homologação no Processo Administrativo n.º 10865.902309/200966 (Débito). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído eletronicamente para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Observo, em primeiro momento, a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 595,14. Em análise aos requisitos do Recurso Voluntário interposto observo que ele atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Igualmente, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 14/09/2012, efls. 48/50, protocolo recursal em 10/10/2012, efl. 51), Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 352 8 tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário e passo a apreciálo. Dos Processos em Julgamento Desde logo, consigno que nesta sessão de julgamento estão sendo apreciados outros recursos voluntários do mesmo contribuinte versando sobre a mesma temática (irresignação por não homologação integral de PER/DCOMP, transmitido como sendo de "pagamento indevido ou a maior", mas indicado em recurso que se cuida de "saldo negativo"), sendo integrados pelos seguintes outros Processos Administrativos Fiscais ns.º: (i) 10865.901820/200941, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 05/2004); (ii) 10865.901819/200916, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 06/2004); (iii) 10865.901822/200930, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 05/2004); (iv) 10865.901823/200984, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 10/2004); (v) 10865.901824/200929, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 06/2004); (vi) 10865.901825/200973, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 09/2004); (vii) 10865.901826/200918, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 04/2004). Estes autos (10865.901821/200995), como em linhas pretéritas relatado, é relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 07/2004). Mérito Considerações introdutórias Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 353 9 compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte, dentro da sistemática processual administrativa fiscal, as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva. De mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo, de modo a dar satisfatividade a resolução do litígio. A processualística dos autos tem regência pautada em normas específicas, principalmente, postas no Decreto n.º 70.235, de 1972, na Lei n.º 9.430, de 1996 e no Decreto n.º 7.574, de 2011, mas também tem regência complementar pela Lei n.º 9.784, de 1999, assim como pela Lei n.º 13.105, de 2015, sendo, por conseguinte, orientado por princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria e o dever de agir da Administração Pública conforme a boafé objetiva, pautandose na moralidade, na eficiência e na impessoalidade. Da necessidade de realização de Diligência Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, no qual constou indicação de crédito tendo por natureza suposto "pagamento indevido ou a maior", a Administração Tributária, em Despacho Decisório (DD), não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido havia sido utilizado integralmente em débito próprio do sujeito passivo. Por sua vez, o contribuinte destaca que, ao final do exercício, apurou saldo negativo, sendo erro de preenchimento a indicação de pagamento a maior. O recolhimento do referido DARF foi por estimativa mensal em forma de antecipação face ao regime escolhido. A DRJ, em breve síntese, analisando o caso, disse que "a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido." Dessarte, concluiu que o direito creditório, face as provas acostadas aos autos até aquele momento, não restava comprovado, necessitando ser demonstrado os lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do tributo apurado e o saldo negativo formado. Pontuou, inclusive, que o direito creditório vindicado não estava devidamente instruído. No Recurso Voluntário a contribuinte apresentou novos documentos, aliás, extenso rol de documentos relacionados ao direito creditório vindicado (efls. 65/343), consubstanciados nos lançamentos contábeis, apresentando livro diário, balancetes de verificação, balancete de encerramento, apuração de resultado, DIPJ, DARF's de recolhimentos das estimativas, balanço patrimonial e livro de registro de apuração do lucro real. Além do mais, o fez em relação ao exercício de 2004, objeto do litígio, mas também apresentou de anos anteriores. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 354 10 Compulsando os elementos de prova colacionados, ao menos em tese, em verossimilhança (em especial pela análise dos documentos efls. 65/69, 70, 75, 196, 207, 215, 217, 307), observo: (i) a constatação dos pagamentos das antecipações; (ii) a oferta à tributação das receitas do sujeito passivo; e (iii) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Consta, pelos documentos, que, em tese, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, o contribuinte apurou o lucro líquido do exercício, vindo a elaborar, com observância das disposições da lei comercial, o balanço patrimonial, a demonstração do resultado e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, bem como efetivando transcrição no Livro de Apuração de Lucro Real. Neste diapasão, a escrituração contábil e fiscal, mantida com observância das disposições legais, e não consta que seja inidônea, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o art. 923 do hoje revogado RIR/1999, que é aplicável ao caso em tela por força da máxima tempus regit actum. Contudo, não entendo que o direito creditório ainda esteja plenamente demonstrado, de fato, a título ilustrativo, não consta dos autos informações se o saldo negativo eventualmente já não foi utilizado em outro PER/DCOMP, assim como penso que é importante a verificação da documentação contábil e fiscal pela douta autoridade preparadora, a fim de ser confirmada, inclusive, a idoneidade dos registros. As provas apresentadas pela contribuinte, a despeito de não serem suficientes para comprovar cabalmente o direito creditório, demonstram fortes indícios de que o crédito passível de compensação pode existir. Certamente, o alegado erro de preenchimento, por si só, se estivesse sido mantida a pouca instrução probatória, ensejaria o não provimento de plano do recurso voluntário. Isto porque, não restam dúvidas de que a demonstração do direito creditório ou de sua verossimilhança, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas (quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a prova dos recolhimentos realizados ou das retenções suportadas) confrontado com o resultado fiscal apurado ao fim do exercício, a evidenciar o excedente antecipado/retido relativo ao tributo ao final devido, dando azo ao crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra ônus de prova a ser materializado, inicialmente, pelo contribuinte. De toda sorte, com a nova prova carreada com a irresignação recursal, materializandose a possível existência do indébito, entendo possível analisar o direito creditório, a exemplo da decisão deste Colegiado adotada no Acórdão n.º 1002000.026, de minha relatoria. No entanto, como naquele precedente, o caso passa a exigir realização de diligência. Sendo assim, passo aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela Unidade de Origem. A disciplina legal posta no Decreto n.º 70.235, de 1972, permite, inclusive de ofício, que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, determine a realização de diligência, quando entender necessária para formação da sua livre convicção (arts. 29 e 18). A Lei n.º 13.105, de 2015, impõe as partes o dever de cooperar para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6.º). Por sua vez, a Lei n.º 9.784, de 1999, prevê Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 355 11 que o administrado (contribuinte) tem direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente (art. 3.º, III), sendolhe facilitado o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações (art. 3.º, I). Por último, o Egrégio CARF tem entendido que é possível a apresentação de provas, ainda que em sede de Recurso Voluntário, quando vinculadas a matéria controvertida em litígio previamente instaurado (Acórdãos ns.º 9303005.065). Deveras, as novas provas juntadas com o recurso voluntário devem ser analisadas por estarem em sintonia com a matéria controvertida desde o primeiro momento em que o contribuinte se pronunciou nos autos instaurando o litígio, sendo complementar. De mais a mais, importante destacar a premissa em que se lastreou as razões de decidir do supramencionado Acórdão n.º 9303005.065, que é da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Nesse sentido, os documentos apresentados no recurso voluntário devem ser conhecidos e objeto da diligência a ser realizada pela douta autoridade preparadora, a fim de que apure a efetiva suficiência do crédito. A despeito da tese adotada pela DRJ, em homenagem a verdade material, há que se superar o equívoco cometido pelo contribuinte para analisar manualmente o PER/DCOMP deste processo como fundado em crédito de saldo negativo. Compreendase, de toda sorte, que um crédito que tem por natureza jurídica "pagamento indevido ou a maior" tem o seu valor corrigido desde o mês seguinte ao indébito, que se verifica na data da efetivação do pagamento indevido ou a maior, enquanto isso se o crédito tem por natureza jurídica "saldo negativo" a correção monetária se dá a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, os momentos para a atualização do crédito são bem distintos, pois as naturezas jurídicas são diversas, os efeitos jurídicos são distintos. Por conseguinte, doravante, o tratamento da atualização monetária do direito creditório vindicado, se restar cabalmente comprovado, deverá ser com base no momento de incidência de restituição de saldo negativo. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 356 12 Importa anotar, ainda, que, em verossimilhança, resta demonstrado a existência de saldo negativo em favor da recorrente, da qual faz parte a referida estimativa recolhida, conhecendose o caso sob a forma de saldo negativo. O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a possibilidade de analisar o pedido de restituição transmitido como sendo fundamentado em "pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal" como sendo um pedido de restituição fundamentado em "saldo negativo", que é composto pelas estimativas recolhidas e considera o recolhimento a maior delas em comparação com o total do tributo devido encontrado na apuração final do exercício, quando restar demonstrada a verossimilhança das alegações do recorrente quanto a seu possível direito creditório. Neste caso, prestigiase a verdade material e considerase o erro de fato do contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP, aplicandose o princípio do formalismo moderado no contencioso administrativo fiscal, de toda sorte, dáse o tratamento específico de análise de restituição de saldo negativo, pois contém, especialmente, particularidades quanto ao momento da atualização monetária, como outrora afirmado. Vejase precedentes do Egrégio Conselho, verbo ad verbum: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. (Acórdão 1302003.171) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, (...). (Acórdão 1301003.324) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO. INDICAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF NO LUGAR DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido o pedido de restituição e de compensação de forma incorreta, indicando como crédito IRRF quando o correto seria saldo negativo de IRPJ, é possível a Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 357 13 retificação de ofício pela autoridade julgadora. (...). (Acórdão 1201001.344) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, (...). (Acórdão 1301003.599) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Ao apresentar a retificação dos pedidos de compensação, fazendo constar destes o efetivo valor do saldo negativo apurado na DIPJ, a recorrente não está alterando o valor de seu crédito, mas sim corrigindo erro que se verificou quando do preenchimento do pedido de compensação. Recurso Voluntário em Parte. (Acórdão 1402001.667) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 358 14 DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. (...). (Acórdão 1102001.125) O que especialmente se extrai do entendimento colegiado do Colendo CARF é que havendo erro na declaração a autoridade administrativa deveria retificálo, inclusive, de ofício, em virtude do quanto disposto no § 2.º do art. 147 do Código Tributário Nacional CTN. Afinal, os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo. O erro é facilmente constatável diante do conjunto probatório e com a apresentação de argumentos e provas convincentes, pelo contribuinte, quanto a verdadeira natureza do direito creditório vindicado, pelo que devese analisar o pedido com fundamento no direito creditório efetivamente intencionado pelo recorrente, especialmente em homenagem ao princípio da verdade material, da eficiência, da economia processual, da razoável duração do processo e da satisfatividade na resolução do litígio, ainda que se possa, após diligência, ser negado o direito creditório do contribuinte, importando, nesta hipótese, que terá sido analisada a pretendida restituição do alegado crédito efetivamente pretendido. Além do mais, tãosomente com a efetiva análise documental, após exauriente verificação pela douta autoridade preparadora, terseá condições de se decidir, com base nas provas colacionadas e no relatório de diligência a ser exarado, acerca do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, outorgandolhe ou não o pretendido direito vindicado nestes autos. Por ora, os elementos dos autos apenas apontam uma verossimilhança nas alegações, prescindindo de confirmação. Alinhome, outrossim, ao entendimento de que a diligência objetiva garantir o amplo exaurimento da análise da materialidade das provas constantes do processo em busca da verdade material, bem como o exaurimento da situação que dá direito efetivo ao crédito. Anotese, igualmente, que, o direito creditório só deve ser negado quando for constatado: (i) a sua efetiva não comprovação, seja porque a documentação é realmente insuficiente para materializar o crédito, seja porque é inidônea ou contraditória ou, simplesmente, por não ter aptidão para atestar a certeza e liquidez do crédito; (ii) a decadência do direito de postular a restituição/ressarcimento; e (iii) se o montante a restituir/ressarcir já tiver sido utilizado, inclusive em outra compensação. Destarte, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Somente diante da comprovação, pela autoridade fiscal, de uma dessas três hipóteses acima apontadas é que o direito creditório não deve ser reconhecido. Procedimentos para efetivação da Diligência Para tanto, na diligência deverá a douta autoridade preparadora: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.901821/200995 Resolução nº 1002000.044 S1C0T2 Fl. 359 15 a) Informar se houveram declarações retificadoras relativas ao anocalendário de 2004 e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da SRFB, indicando a que prevaleceu, especialmente quanto a DIPJ, as DCTF´s, o DACON, o LALUR, devendo juntar a cópia integral da versão final ao processo, se ainda não constar dos autos, ou intimar o recorrente a apresentálas, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados; b) Verificar, a partir dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal no Brasil (SRFB) e com base na escrita contábil e fiscal incluída nos autos, além de outras que possa requisitar, se o contribuinte efetivamente apurou saldo negativo, inclusive verificando se realmente os pagamentos de estimativas estão registrados nos sistemas informatizados, verificando, ainda, se esse saldo negativo já não foi objeto de compensação ou de restituição em outro PER/DCOMP ou se não existem outros pedidos de compensação relativos a totalidade do montante do saldo negativo de 2004 pleiteado pela recorrente, considerando, inclusive, os processos anexos, de modo a realizar a diligência do presente feito em conjunto com a dos processos administrativos citados anteriormente e outros porventura existentes relativos ao anocalendário de 2004, efetivando o cotejamento necessário para atestar suficiência ao crédito vindicado, procedendo à análise para fins de verificação do crédito, considerandose, inclusive, homologação já efetivada. Em caso de dúvidas quanto à exatidão de informações prestadas pela contribuinte, a autoridade fiscal deve intimar a recorrente para prestar esclarecimentos complementares acerca do PER/DCOMP em análise, inclusive, como já registrado, podendo requisitar a apresentação de cópia de eventual escrituração contábilfiscal que entenda necessária a verificação da comprovação e suficiência do crédito vindicado. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 25181.55356.120905.1.3.046000 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivandose cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, demais disto, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado destas conclusões, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Posteriormente, retornemse os autos ao Egrégio CARF para julgamento. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.724835/2012-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
Numero da decisão: 2002-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente PAULO MARTINS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 48 35 /2 01 2- 12 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10845.724835/201212 Acórdão n.º 2002000.598 S2C0T2 Fl. 146 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 4/7), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$940,02 para saldo de imposto a pagar de R$4.983,65. A notificação noticia omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$14.704,11, consignando que procedeu à alteração com base na DIRF apresentada pela fonte pagadora à RFB e no informe de rendimentos juntado pelo contribuinte. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 19/9/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 9/10/2012, à fl. 2/53 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que preenchera sua declaração considerando decisão exarada nos autos do processo judicial nº 0002063 14.2007.4.03.6311. Aduz que sua fonte pagadora insiste em fornecer o comprovante de rendimentos sem considerar os termos da decisão judicial, o que o levou a fazer o ajuste necessário. Reclamou ainda da aplicação da multa de ofício, citando a Súmula CARF nº 14. A impugnação foi apreciada na 22ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 81/85): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A comprovação de rendimentos auferidos e não declarados, informados pela fonte pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, caracteriza omissão de rendimentos. PROVAS. Dissociadas de provas materiais que as sustentem as alegações do contribuinte não podem ser consideradas na solução do litígio. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício. Recurso voluntário Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10845.724835/201212 Acórdão n.º 2002000.598 S2C0T2 Fl. 147 3 Ciente do acórdão de impugnação em 14/5/2015 (fl. 89), o contribuinte, em 12/6/2015 (fl. 91), apresentou recurso voluntário, às fls. 91/141, no qual alega, em apertado resumo, que: o valor tido por omitido teria sido informado por ele como rendimento isento em decorrência da decisão judicial proferida nos autos da ação nº 0002063 14.2007.4.03.6311. segundo decisão exarada, 1/3 do valor recebido da PETROS estaria com exigibilidade suspensa. a aplicação da multa de ofício seria indevida, porque a acusação fiscal não procede e por força da aplicação da súmula CARF nº 14. o objeto da notificação de lançamento seria o mesmo da ação judicial citada, cabendo o cumprimento pelo Fisco da decisão judicial proferida. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre rendimentos pagos pela Petros, os quais o recorrente alega seriam objeto de ação judicial e o IR incidente sobre eles estaria com a exigibilidade suspensa. O colegiado de primeira instância julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência. A decisão analisou todos os documentos juntados pelo recorrente, concluindo que não seriam hábeis a comprovar as alegações do sujeito passivo. Em seu recurso, o recorrente apresenta os documentos já juntados a sua impugnação e analisados na decisão de piso. Dos documentos juntados, não existe qualquer elemento que demonstre que os efeitos da ação judicial se estenderiam para os rendimentos auferidos no anocalendário 2008. Nesse sentido, considero relevante o comprovante de rendimento emitido pela fonte pagadora (fl.76), o qual não consigna qualquer informação acerca de rendimento com exigibilidade suspensa. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10845.724835/201212 Acórdão n.º 2002000.598 S2C0T2 Fl. 148 4 O recorrente alega que sua fonte pagadora teria emitido o comprovante de rendimento sem observar os termos da decisão judicial. Entretanto, não junta qualquer documento de forma a demonstrar que teria solicitado sua retificação a Petros. Isto posto, acolho e adoto as razões de decidir do acórdão de primeira instância, o qual reproduzo: Com a impugnação apresenta os seguintes documentos: Petição ao Juiz de Direito do Juizado Especial Federal de Santos protocolada em 2006, de fls. 09/18 – Ação ordinária inespecífica de reconhecimento de restituição de imposto de renda por bitributação, descontado em folha de pagamento previdenciário e não repassada ao legítimo detentor pela ré (recebimento rendimentos de previdência complementar do período de 1994 a 2006); Sentença do Juizado Especial Federal da 3ª Região, de fls. 19/44, julgando parcialmente procedente o pedido vertido na petição inicial, declarando a inexigibilidade do crédito tributário exigido a titulo de imposto de renda incidente especificamente sobre as parcelas pertinentes às contribuições que a parte autora/empregada fez ao plano de previdência privada até o advento da Lei 9.250/95; Tabela dos cálculos dos anos de 2001 a 2007 e petição de encaminhamento da tabela à União Federal conforme determinação na sentença, fls. 45/48; Acórdão de indeferimento de recurso da união contra a sentença do Juizado Especial Federal da 3ª Região, fls. 49/51; Acórdão de rejeição dos embargos declaratórios opostos pela União Federal, fls. 52/53. Os documentos apresentados não comprovam as alegações do Impugnante de que 1/3 do valor recebido da PETROS está com a EXIGIBILIDADE SUSPENSA ou de que seriam isentos conforme decisão judicial. O Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte – AC 2008, da Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros, fl. 76, indica, no campo rendimentos tributáveis recebidos da Fundação Petrobrás – Petros, o valor de R$ 44.112,34. Consta às fls. 65/67 cópia de tela de consulta ao Processo 2006.61.04.0076213 do Juizado Especial Federal Cível de São Paulo, que também não traz informações relativas aos valores da sentença. Com base no exposto, devese manter o lançamento de omissão de rendimentos tributáveis integralmente. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10845.724835/201212 Acórdão n.º 2002000.598 S2C0T2 Fl. 149 5 No tocante à multa de ofício, não há que se falar em aplicação da Súmula CARF nº 14, uma vez que ela trata da aplicação da multa qualificada de 150% e, nestes autos, foi aplicada a multa de ofício de 75%. A penalidade aplicada, no percentual de 75%, é uma sanção pecuniária com origem no descumprimento de obrigação principal consistente na falta de pagamento do imposto. O percentual independe do dolo na conduta do sujeito passivo, incidindo proporcionalmente ao montante do imposto não pago que foi identificado quando do lançamento de ofício. A apuração de infrações no curso da ação fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante autuação e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.001742/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 COMBINADA COM SÚMULA CARF Nº 99.
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Não integra o salário-de-contribuição a parcela relativa ao fornecimento de alimentação in natura ainda que sem inscrição nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
TÍTULOS DA DIVIDA PÚBLICA. PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE.
Não existe lei autorizando o INSS a receber seus créditos tributários por meio de Títulos da Dívida Pública.
ALUGUEIS NÃO DESCONTADOS DO SALÁRIO.
Integra o salário-de-contribuição as verbas pagas a titulo de aluguel não descontadas dos salários dos empregados.
IMPERTINÊNCIA DE ENCARGOS TRIBUTÁRIOS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC SOBRE MULTA DE OFICIO. SUMULA CARF Nº 108.
Súmula CARF nº 108 - Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício."
CORESP. SÚMULA CARF 88.
Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2402-006.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do não atingimento do limite de alçada vigente, e conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida dar-lhe parcial provimento, reconhecendo a ocorrência da decadência até 31/12/1999 e excluindo do lançamento os valores relativos ao fornecimento de alimentação "in natura".
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros Da Silveira Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 COMBINADA COM SÚMULA CARF Nº 99. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Não integra o saláriodecontribuição a parcela relativa ao fornecimento de alimentação “in natura” ainda que sem inscrição nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. TÍTULOS DA DIVIDA PÚBLICA. PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. Não existe lei autorizando o INSS a receber seus créditos tributários por meio de Títulos da Dívida Pública. ALUGUEIS NÃO DESCONTADOS DO SALÁRIO. Integra o saláriodecontribuição as verbas pagas a titulo de aluguel não descontadas dos salários dos empregados. IMPERTINÊNCIA DE ENCARGOS TRIBUTÁRIOS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 17 42 /2 00 7- 33 Fl. 755DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 756 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC SOBRE MULTA DE OFICIO. SUMULA CARF Nº 108. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." CORESP. SÚMULA CARF 88. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do não atingimento do limite de alçada vigente, e conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida darlhe parcial provimento, reconhecendo a ocorrência da decadência até 31/12/1999 e excluindo do lançamento os valores relativos ao fornecimento de alimentação "in natura". (assinado digitalmente) Denny Medeiros Da Silveira – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Voluntário [Fls. 513/544] e de Oficio [Fl. 452] interpostos contra DECISÃONOTIFICAÇÃO nº 11.401.4/065/2006 [Fls. 441/452] que deu parcial provimento a Impugnação da Recorrente. O crédito em lide referese a Contribuições Previdenciárias e penalidades relacionadas totalizando R$17.992.014,17 (dezessete milhões novecentos e noventa e dois mil quatorze reais e dezessete centavos), consolidado em 20/06/2005, lançado pela fiscalização Fl. 756DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 757 3 contra a Recorrente que, de acordo com o Relatório Fiscal [fls. 120/125], referese aos seguintes fatos geradores: A Diferenças relativas às folhas de pagamento, período de 10/2001 a 13/2004 Levantamento FP1), conforme Anexo I; B Diferenças relativas às folhas de pagamento, período 0212001 a 0912001 (Levantamento FP2), conforme Anexo II; C Diferenças relativas às contribuições de Contribuintes Individuais: no período de 0511996 a 0811996, 0811997, 0111998 e 0211998 (Levantamento AU1) e no período 0811999 a 0312000 (Levantamento AU2), conforme Anexo III; D Diferenças relativas ao SAT/SalárioEducação, nas competências 0111999, 0311999 e 0411999 (Código Levantamento DIF), conforme Anexo IV; E Aluguéis pagos aos gerentes: no período de 0811998 a 1211998 (Levantamento AG1) e no período de 0111999 a 1212004 (Levantamento AG2), conforme Anexo V; F Contribuição destinada ao SEST/SENAT por serviços prestados por carreteiros autônomos: no período de 0511996 a 1211998 (Levantamento T1) e no período de 0111999 a 0112004 (Levantamento T2), conforme Anexo VI; G Salário in natura Lanches e Refeições fornecidos aos empregados sem a devida adesão ao PAT: no período de 0811997 a 1211998 (Levantamento LC1) e no período de 0111999 a 0911999 e 1211999 a 0312000 (Levantamento LC2), conforme Anexo VII; H Reclamatórias Trabalhistas, no período de 0811997 a 0911997, 1111997 a 0111998, 0411998 a 0511998, 0711998 a 1211998 (Levantamento RT), conforme Anexo VIII e, i Contribuição dos segurados (reclamatória trabalhista), na competência 0311997, relativo à Informação Fiscal de Débito — IFD, datada de 0311012000. Consta dos autos documentos juntados pela Recorrente, com especial destaque para o Laudo de Avaliação de Fls 561 e ss. O Recurso foi inicialmente indeferido em razão da ausência de depósito recursal, o que fora resolvido por meio de decisão judicial sendo tema já superado neste CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 758 4 1.1. DO RECURSO DE OFÍCIO. O Recurso de Ofício foi interposto em atenção ao que determinava o artigo 366, inciso I, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048199. O valor excluído consta da seguinte tabela: Nos termos da Súmula CARF nº 103, "para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.1" Com a edição da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, o novo limite passou a ser de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), portanto, o Recurso de Ofício não merece ser conhecido. 1.2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Originalmente o Recurso Voluntário teve seu seguimento negado [Fls. 599/602] em razão da ausência de deposito recursal depósito recursal previsto no §1º do art. 126 da Lei n° 8.21319, temática já superada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, no caso em específico, sob resolução judicial que determinou seu seguimento. Assim, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade o que impõe seu conhecimento. 2. PREJUDICIAIS DE MÉRITO DECADÊNCIA. Ainda na fase impugnatória a Recorrente apresentou pedido quanto ao reconhecimento da nulidade parcial do lançamento realizado ante a impossibilidade de sua constituição eis que o direito do fisco restou parcialmente fulminado pela decadência. Tal argumento foi rejeitado pelos julgadores a quo com fundamento no artigo 45 da Lei nº 8.212/91 que estabelecia prazo decadencial de 10 anos para a espécie tributária em lide. O Decisório recorrido foi prolatado em janeiro de 2006, período em que tais disposições estavam vigentes. Entretanto, em novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos dispositivos em que tal entendimento restou ancorado. Com os efeitos decorrentes da Súmula Vinculante nº 082, a conformação jurídica oposta a pretensão da recorrente já não encontra sustentáculo e merece ser revista por esta turma. Os 1 Acórdãos Precedentes 9202002.930, de 05/11/2013; 9202003.129, de 27/03/2014; 9202003.027, de 11/02/2014; 9303002.165, de 18/10/2012; 1101000.627, de 24/11/2011; 130100.899, de 08/05/2012; 1802 01.087, de 17/01/2012; 2202002.528, de 19/11/2013; 2401003.347, de 22/01/2014; e 3101001.174, de 17/07/2012 2 “SÚMULA VINCULANTE Nº8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.” Fl. 758DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 759 5 documentos de folhas 127 e seguintes indicam a existência de recolhimentos parciais o que, nos termos da Súmula CARF nº 993, impõe a aplicação do prazo de contagem decadencial previsto no Art. 150, § 4º do CTN. A Recorrente tomou ciência do lançamento em 22/06/2005 [Fl. 02]. Os lançamentos estão compreendidos entre 05/1996 e 13/2004, conforme pode ser verificado no DSD DISCRIMINATIVO SINTÉTICO DE DÉBITO [Fls. 60/74]. Com relação aos créditos constituídos até 10/2001 não identificamos documentos que indique recolhimentos nas respectivas competências, portanto, aplicase o disposto no Art. 173, I do CTN. Sob tais regras restariam atingidos pela decadência as obrigações geradas até 31/12/1999, sendo como voto neste ponto. Os lançamentos estavam distribuídos entre os seguintes levantamentos e competências: AU1 e AU2 (Diferenças relativas às contribuições de Contribuintes Individuais [código de levantamento AU1], período de 05/1996 a 08/1996, 08/1997, 01/1998 e 02/1998, [código de levantamento + AU2], período de 08/1999 a 03/2000); Tl e T2 (parcialmente) (Contribuição destinada ao SEST/SENAT por serviços prestados por carreteiros autônomos [código de levantamento T1], período de 05/1996 a 12/1998, [código de levantamento T2], período de 01/1999 até 01/2004]); LC1 e LC2 (Salário in natura Lanches e Refeições fornecidos aos empregados sem a devida adesão ao PAT [código de levantamento LC11, período de 08/1997 a 12/1998, [código de levantamento LC2], período de 01/1999 a 09/1999 e 12/1999 a 03/2000); DIF (Diferenças relativas ao SAT/ Salário Educação [código de levantamento DIF], período 01/1999, 03/1999 e 04/1999); RT (Reclamatórias Trabalhistas [código de levantamento RT], período de 08/1997 a 12/1998); V (Contribuição de segurados [reclamatórias trabalhistas], competência 03/1997, relativo a Informação Fiscal de Débito — IFD, datado de o 03/10/2000); AGI e AG2 (Aluguéis pagos aos gerentes [código de levantamento AG1], período de 08/1998 a 12/1998, [código de levantamento AG2], período de 01/1999 até 12/2004] 3 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 760 6 Ante ao encaminhamento dado por este relator, a lide persistirá apenas com as questões relacionadas as rubricas que não foram totalmente extintas pela decadência. Serão objeto da analise de mérito as seguintes temáticas: Diferenças relativas às contribuições de Contribuintes Individuais Levantamento AU2 em relação as obrigações ocorridas após 31/12/1999. Salário in natura Lanches e Refeições fornecidos aos empregados sem a devida adesão ao PAT Levantamento LC2 em relação as obrigações ocorridas após 31/12/1999. Aluguéis pagos aos gerentes Levantamento AG2 em relação as obrigações ocorridas após 31/12/1999. Deixo de analisar as alegações de mérito relativas as obrigações atingidas pela decadência, eis que prejudicadas pelo encaminhamento manifestado no presente ponto. Do recurso consta alegações relativas as Diferenças relativas folhas de pagamento Levantamento F1132 Em relação as obrigações ocorridas entre 02/2001 a 09/2001, entretanto, a Recorrente sagrouse vitoriosa neste ponto, como se pode perceber nos itens 20 e 21 da Decisão recorrida [Fl. 449], portanto, também não será objeto deste julgamento. No que concerne à contribuição destinada ao SEST/SENAT por serviços prestados por carreteiros autônomos Levantamento T2 em relação às obrigações ocorridas após 31/12/1999, não constam razões recursais fora da discussão quanto a decadência, assim temse por não recorrido tal lançamento. Ante ao exposto, passamos a analisar as demais alegações apresentadas no Recurso Voluntário. 3. MÉRITO. 3.1. DIFERENÇAS RELATIVAS ÀS CONTRIBUIÇÕES DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS LEVANTAMENTO AU2 EM RELAÇÃO AS OBRIGAÇÕES OCORRIDAS APÓS 31/12/1999. Neste ponto, a Recorrente articula essencialmente os mesmos argumentos trabalhados em sua Impugnação. Os fundamentos da decisão recorrida são adequados ao caso, não merecendo qualquer retoque, assim, em conformidade com o que autoriza o RICARF vigente, votamos por manter o lançamento neste ponto e adotaremos os fundamentos da decisão recorrida, conforme passamos a transcrever: No tocante aos argumentos relativos ao direito da contribuinte de ter quitado as suas obrigações previdenciárias com Apólices de Dívida Pública Externa, em decorrência de decisão liminar passada nos autos da Ação Ordinária, processo n° 2002.51050001468, temos que assim dispõe o art. 472 do CPC: "Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros." Fl. 760DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 761 7 14 Assim, a decisão definitiva que ocorrerá com a ação impetrada por ANA GERTURDES OZORIO não beneficiará a interessada na compensação devido ao limite da coisa julgada material. Uma coisa é a cessionária adquirir um título de crédito, que deve ser dotado de autonomia e cartularidade que lhe é peculiar, outra, é o INSS receber tal título para extinguir crédito sob a forma de compensação. Assim, o direito da cedente está sendo • discutido nos autos do Processo n° 2002.51050001488, não transferindo os efeitos jurídicos da sentença a quem adquirir tais créditos. 15 A compensação encontrase totalmente delimitada pelo princípio da legalidade restrita, devendo, assim, ser efetuada em conformidade com o art. 89 da Lei n° 8.21211991. No âmbito tributário a compensação é permitida nos limites e formas previstas em lei, diferentemente da de natureza civil. São requisitos à compensação tributária a autorização prevista em lei, a reciprocidade das obrigações entre o devedor e o credor e a liquidez e certeza dos créditos. 16 Há que se ressaltar, também, que a liberdade dos particulares em contratar não pode afetar as relações tributárias entre a Administração Pública e o sujeito passivo, uma vez que a incidência tributária ocorre nos limites da reserva legal, determinada pelo art. 150, inciso I, da Constituição Federal. Neste aspecto, temse o art.123 do CTN que visa a proteção do crédito tributário, o que impede manobras, em tese, fraudulentas, que podem transferir responsabilidade para terceiros. Assim dispõe o citado dispositivo: "Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." 17 Acrescese ainda, somente para efeito de argumentação, que caso a interessada possuísse ação judicial em que estivesse a discutir a sua pretensão, mesmo assim, caberia ao Auditor Fiscal o levantamento do crédito previdenciário em observância aos artigos 142 e 170A do CTN. Este último foi acrescentado pela Lei Complementar 104, de 1010112001, e veda a compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, nos seguintes termos: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." 18 Portanto, se a empresa não possui crédito perante o INSS, administrativamente ou amparado por decisão judicial Fl. 761DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 762 8 transitada em julgado, não há que se falar em compensação como forma de extinguir suas obrigações, conforme está previsto no inciso II do art. 156 do CTN. 19 Cabe, ainda, destacar o seguinte trecho do relatório da Procuradoria Especializada do INSS Serviço de Dívida Ativa, em Belo Horizonte, em manifestação nos processos de pedido de compensação da empresa impugnante: v ( ... ) Inobstante, independentemente da vigência ou não da referenciada antecipação da tutela, que houve por bem declarar a validade e a eficácia das Apólices da Dívida Pública Externa (...), inexiste previsão legal para que seja admitida a pretensão da requerente, pois, em que pese postule compensação de contribuições previdenciárias com Título da Dívida Pública, em verdade busca o pagamento destas contribuições mediante a aceitação destes Títulos, sob forma de dação em pagamento, porquanto postule o requerente que o INSS, como credor tributário, aceite receber para quitação de contribuições previdenciárias, prestação diversa que lhe é devida, a saber, dinheiro, ex vi artigo 162, 1, do Código Tributário Nacional. (...) Concluise assim, que sem a autorização legislativa, a postulação não possui respaldo jurídico, que é o caso da hipótese vertente, uma vez que não existe Lei autorizando o INSS a receber seus créditos tributários por meio de Títulos da Dívida Pública. (—) Por todo o exposto, somos pelo indeferimento da postulação da requerente. 3.2. SALÁRIO IN NATURA LANCHES E REFEIÇÕES FORNECIDOS AOS EMPREGADOS SEM A DEVIDA ADESÃO AO PAT LEVANTAMENTO LC2 EM RELAÇÃO AS OBRIGAÇÕES OCORRIDAS APÓS 31/12/1999. Ao que consta dos registros contidos no Refisc, este ponto de lançamento referese a disponibilização de café e lanches aos empregados sem inscrição no PAT. Vejamos seus termos: Tratase de crédito previdenciário, período de 1211999 a 0312000 (o período anterior, ou seja, 0411991 a 1111999, foi lançado na NFLD DBCAD 35.103.9511, datado de 2810212000), tendo como fato gerador o fornecimento de "café lanches e refeições" lançados na contabilidade da empresa, conta 3.2.1.03.0006, sem a devida adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, instituída pela Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976. [Fl. 123] Em regra, as empresas assumem os custos de alimentação de seus funcionários durante a jornada de trabalho e isso ocorre de três formas: em dinheiro, mediante entrega de ticket ou cartões (valerefeição) e fornecimento in natura (alimentos). No presente caso tomaremos como pressuposto que tal fornecimento se deu por meio de fornecimento in natura, fornecimento de alimentos, já que o Refisc não indica Fl. 762DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 763 9 forma diversa e os termos contabilizados evidenciam tal modalidade de fornecimento de alimentação. É preciso reprisar que a base de calculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento realizados em favor dos trabalhadores, nos termos plasmados no art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, compreende a "remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa." Assim, regra geral, qualquer beneficio economicamente avaliável, pago a empregados e trabalhadores avulsos, ainda que sob a forma de utilidade, estaria abarcado pela hipótese legal de incidência da espécie tributária em foco. Porém, o legislador excepcionou algumas verbas as excluindo da base de calculo das contribuições previdenciárias, sendo o caso da alimentação in natura, conforme dispõe o art. 28, §9º, alínea ‘c’ da Lei nº 8.212, nos seguintes termos: "a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;" Apesar de prever a exclusão de tal beneficio da base de calculo das contribuições previdenciárias, impõe como condição a regular inscrição no PAT, sendo este o cerne da presente lide. Apesar da norma ser clara quanto a condição de reconhecimento da isenção sobre tais rendimentos, correntes divergentes se estabeleceram, inclusive no âmbito deste Conselho, onde encontramos entendimentos diametralmente opostos. Sobre o tema, a PGFN emitiu o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 firmando o entendimento no sentido de não haver incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação, sendo este o entendimento prevalente neste CARF e neste Segunda Turma Ordinária. No mesmo sentido encontramos o REsp 1.051.294, de Relatoria da Ministra Eliana Calmon, DJe 05.03.2009 que mitigou a exigência de inscrição da empresa no PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador, para esses casos. Isto posto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 3.3. ALUGUÉIS PAGOS AOS GERENTES LEVANTAMENTO AG2 EM RELAÇÃO AS OBRIGAÇÕES OCORRIDAS APÓS 31/12/1999. Não vislumbramos novas razões ou provas que conduzam o julgamento para entendimento diverso do já adotado pela instancia precedente. Os argumentos recursais foram, em essência, mantidos e, pela confirmação probatória, nosso está alinhado ao exposto pelo decisório vergastado. Assim, votamos por negar provimento ao Recurso neste ponto e, conforme previsão regimental, adotaremos os fundamentos da decisão recorrida. 26 O empregador pode ceder um imóvel ao empregado, como vantagem decorrente do trabalho ou por locação. Na primeira hipótese, há um só contrato e o imóvel constitui salário "in Fl. 763DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 764 10 natura". Na segunda, há dois contratos autônomos entre as mesmas partes: o de trabalho e o de locação. Quando fornecida gratuitamente ao empregado, em regra, constitui salário, pois, todos pagam para ter moradia, quem não paga tem seu Patrimônio acrescido. Porém, se o empregador cobra aluguel da moradia, não é salário. Por outro lado, quando a habitação é fornecida como condição para o trabalho, via de regra nas frentes de trabalho e acampamentos residenciais de obra, não caracteriza salárioutilidade e não consiste em parcela integrante do salário de contribuição, conforme previsto na letra "m", do art. 28, § 9° da Lei 8.212191. Portanto a habitação fornecida ou paga pelo empregador, estipulada contratualmente ou recebida por força de costume, em desacordo com esta hipótese legal consiste em parcela integrante do salário de contribuição. 27 No presente caso, a empresa alocava de terceiros imóveis residenciais e os cedia para moradia dos gerentes das lojas e seus familiares dependentes diretos sem que os valores referentes aos aluguéis fossem descontados dos salários. Os imóveis cedidos não se tratam de condição para o trabalho como prevê a lei, em localidade distante da residência do empregado, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. 28 A notificada afirma que a disponibilização de moradia, por parte do contribuinte, em favor de eventual gerente de suas filiais, não teria o caráter de contraprestação, mas, apenas a viabilização da atividade que este gerente exerceria no local de trabalho, encaixandose na regra de exceção prevista no § 911, alínea "m", do artigo 28, da Lei 8.212191. O fato de os empregados beneficiados serem os transferidos para outras localidades não descaracteriza a natureza salarial da verba paga, afinal moradia é um gasto que o empregado arcaria mesmo se não fosse transferido, pois todos pagam para ter moradia, quem não paga tem seu patrimônio acrescido. Cabe lembrar que nos casos de transferência de empregados a empresa poderia optar por ressarcir os empregados por • suas despesas na forma disposta na letra "g" do § 9 0 do art. 28 da Lei n° 8.212191. 29 Por fim, a análise deve sempre partir do ponto de vista do aumento patrimonial do trabalhador e da habitualidade do pagamento (que, ao contrário do que pretende a empresa, não é descaracterizada pelo fato do contrato ser de curto prazo — 12 meses). Portanto, a fiscalização em verificando que as verbas pagas a título de aluguel não eram descontadas, dos salários dos empregados, eram pagas com habitualidade, com objetivo estritamente residencial em desacordo com o disposto na letra "m", do art. 28, § 9 11 da Lei 8.212191, agiu correta e legalmente ao considerar tais verbas como salariais. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 765 11 3.4. DA IMPERTINÊNCIA DOS ENCARGOS TRIBUTÁRIOS. Os argumentos da Recorrente neste ponto se voltam contra os encargos de multa e juros lastreando sua pretensão nulificante nos princípios da proporcionalidade e não confisco. De outro lado não constam argumentos quanto a qualquer descompasso entre os aspectos fáticos tomados para aplicação de penalidades e juros frente a legislação vigente. Julgar tal temática implicaria no exercício de um controle de constitucionalidade que se encontra fora dos limites de competência deste CARF conforme entendimento consolidado e vinculante exposto pela Súmula CARF nº 24. Isto posto voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 3.5. DA ILEGALIDADE DA TAXA 'SELIC'. Neste ponto a Recorrente argumenta pela ilegalidade da aplicação da 'SELIC', tendo como fundamento: (i) não há lei específica permitindo a sua incidência ou adoção, o que fere de frente o disposto no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal; (ii) a natureza da taxa 'SELIC' e exclusivamente remuneratória (para ser aplicada a títulos federais, conforme dispõe a Lei n.O 9.250/95), o que não deve ser confundido com juros moratórios ou, mesmo, correção monetária; (iii) para a hipótese, observase, no máximo, a disposição contida no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, que determina o percentual de 1% (um por cento) ao mês. Tal tese não merece ser encampada por este Conselho, eis que sua aplicação está relegada a um controle de constitucionalidade vedado a este Conselho conforme Súmula CARF nº 2, na medida em que sua aplicação está prevista no artigo 84 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, determinando o computo de juros SELIC nos débitos fiscais em atraso. Este CARF, no que concerne a aplicação da Taxa SELIC sobre multa de ofício, possui entendimento majoritário e vinculante quanto a legalidade de sua aplicação: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, não é possível acolher a pretensão da Recorrente também neste ponto. 3.6. DA RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS CONSTANTE DA 'NFLD' A insurgência da Recorrente quanto a inclusão de administradores em documento denominado Relação de CoResponsáveis tem por fundamento equivoco quanto a finalidade de tal termo. Sua denominação leva a crer que as pessoas ali constantes passam a ser coresponsáveis pelos créditos em lide, entretanto, não constam dos autos informações e elementos que possibilitem tal imputação. Tal tema encontrase abarcado pelos termos da Sumula CARF nº 88: 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 15504.001742/200733 Acórdão n.º 2402006.813 S2C4T2 Fl. 766 12 Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Isto posto tal pretensão não merece ser acolhida. Conclusão Ante a tudo que consta no presente, votamos por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de não atingir o valor de alçada vigente, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida darlhe parcial provimento reconhecendo a decadência parcial das obrigações ocorridas até 31/12/1999 e excluir do lançamento os valores relativos ao fornecimento de alimentação “in natura”. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 766DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951717/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 17 17 /2 01 0- 97 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.951717/201097 Acórdão n.º 3302006.273 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16031.402, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.951717/201097 Acórdão n.º 3302006.273 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.951717/201097 Acórdão n.º 3302006.273 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723043/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE.
O legislador tributário não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente. A reestruturação societária perpetrada pelo contribuinte, por si só, não desfigura a operação, notadamente quando a fiscalização não demonstra a ocorrência dolo, fraude ou simulação.
LANÇAMENTOS CONEXOS. CSLL.
Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplica-se o mesmo julgado
Numero da decisão: 1302-003.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Votaram pelas conclusões do relator, os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Carlos Cesar Candal e Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitaram a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Votaram pelas conclusões do relator, os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Carlos Cesar Candal e Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitaram a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. O legislador tributário não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente. A reestruturação societária perpetrada pelo contribuinte, por si só, não desfigura a operação, notadamente quando a fiscalização não demonstra a ocorrência dolo, fraude ou simulação. LANÇAMENTOS CONEXOS. CSLL. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Votaram pelas conclusões do relator, os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Carlos Cesar Candal e Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitaram a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 43 /2 01 3- 04 Fl. 4380DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.381 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, transcrevo o relatório da DRJ/SDR, complementandoo ao final. Tratase de procedimento fiscal instaurado em face de VIDEPLAST INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA (doravante VIDEPLAST EMBALAGENS) para verificação de obrigações tributárias relativas ao IRPJ e à CSLL do AC 2008, 3º e 4º trimestres do AC 2009, AC 2010 e 1º trimestre do AC 2011, que resultou na exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar IRPJ, no valor de R$ 6.604.537,20 (fls. 841/878), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 2.116.433,34 (fls.879/910), acrescidos da multa de ofício agravada e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 25.617.930,78 (vinte e cinco milhões seiscentos e dezessete mil novecentos e trinta reais e setenta e oito centavos), consolidado na data do lançamento. O procedimento foi iniciado em 02/05/2013 com a ciência da fiscalizada, por via postal, ao Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF) fls. 4 a 8. No período fiscalizado, a VIDEPLAST EMBALAGENS estava sujeita, por obrigação legal, ao regime de tributação pelo lucro real por ter auferido no ano anterior (2007) uma receita bruta de R$ 146 milhões. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 809/836), a VIDEPLAST EMBALAGENS valeuse da controlada VIDEPLAST INDUSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA (doravante apenas denominada VIDEPLAST PLÁSTICOS) para eludir cerca de R$ 12 milhões em tributos federais no Anocalendário 2008. Para tal desiderato, utilizou o que se denomina ilícitos atípicos, tais como a fraude à lei e o abuso do direito de autoorganização. Segundo a DIPJ (fls. 100 a 156), o LALUR (fls. 418 a 424) e as demonstrações contábeis (fl. 416) apresentadas, a VIDEPLAST EMBALAGENS auferiu quase R$ 38 milhões de lucro líquido no encerramento do AC 2008. Entretanto, apurou prejuízo fiscal ao final do Fl. 4381DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.382 3 ano, pois quando da apuração do lucro real excluiu significativos valores do seu resultado tributável. A principal exclusão foi via equivalência patrimonial de empresas então controladas pela fiscalizada (LALUR, pág. 419 a 423). Destacase a VIDEPLAST PLÁSTICOS, CNPJ 95.769.204/000106, de quem a VIDEPLAST EMBALAGENS reconheceu equivalência patrimonial positiva da ordem de R$ 30,5 milhões no AC 2008, toda ela decorrente de lucros auferidos pela controlada. A ação fiscal revelou que a relação da fiscalizada com sua controlada VIDEPLAST PLÁSTICOS incorreu em infração à legislação tributária. O artifício engendrado consistiu, basicamente, em "transferir" o lucro da atividade de fabricação de embalagens para um regime de tributação menos oneroso. Para tanto, incorreu em fraude à lei (foi burlada a norma legal que impunha a tributação com base no lucro real) e abuso do direito de autoorganização, de forma a eludir cerca de R$ 12 milhões em tributos federais no AC 2008. Constatada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, protocolizada sob o n° 11516.723044/201341 (Portaria RFB n° 2.439/2010). Elabora breve histórico da VIDEPLAST PLÁSTICOS: Em 1º/07/2007 foi formalizada a 7ª alteração contratual da VIDEPLAST PLÁSTICOS (fls. 585 e 586), apenas pra transferir a empresa para uma “nova sede”, na Rodovia SC 303, Km 3,9, em Videira/SC. A atribuição de um “novo endereço” não implicou, de fato, na alteração da Fl. 4382DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.383 4 localização do que se designava como sede da VIDEPLAST PLÁSTICOS. Isso porque ambos endereços (novo e antigo) tinham a mesma localização. A Rua Vereador Afonso Letti (endereço antigo) nada mais é do que o pequeno acesso que faz a ligação da Rodovia SC 303 (endereço novo) com o parque industrial do grupo VIDEPLAST na cidade de Videira/SC. A VIDEPLAST EMBALAGENS, por sua vez, tinha (e ainda tem) sua matriz no mesmo endereço (Rodovia SC 303, Km 4). Até agosto/2007 a matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS encontrava se inativa, conforme declarações prestadas por CARLOS ALBERTO VANZ e ALDO BADO (fl. 644), supervisor contábil e auditor interno da VIDEPLAST EMBALAGENS. A atividade de reciclagem e recuperação de resíduos plásticos, prevista no contrato social da VIDEPLAST PLÁSTICOS, àquela época, praticamente cingiase ao recebimento de sucata de plástico (NCM 3915.10.00) e à saída de polietileno reciclado (NCM 3901.10.91), materiais estes precipuamente provenientes e destinados à controladora VIDEPLAST EMBALAGENS, e era efetuada pela filial de Rio das Antas/SC – CNPJ 95.769.204/000360. Conforme as DIPJs da VIDEPLAST PLÁSTICOS, percebese que a atividade de reciclagem, realizada na filial de Rio das Antas/SC, era praticamente inexpressiva se comparado ao que aconteceu por conta de alterações societárias postas em prática pelos controladores do grupo. Nas informações constantes das Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIPs) constatouse que até agosto de 2007, a matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS não possuía funcionários em seus quadros. Em agosto de 2007, informou apenas 1 funcionário para aquele mês. Em setembro/2007 houve um ingresso de 911 funcionários na até então inativa matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS, provenientes da VIDEPLAST EMBALAGENS, que no mesmo mês desligou 959 funcionários. Em setembro/2007, após ter sido formalizada uma cisão parcial da VIDEPLAST EMBALAGENS, com a versão de seus ativos para a até então inoperante matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS, as receitas da empresa cindida passaram de menos de R$ 2 milhões (em 2005 e 2006) para mais de R$ 77 milhões (em 2008). Fl. 4383DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.384 5 Após a cisão, formalizada em 31/08/2007, a maior parte do Ativo Imobilizado da VIDEPLAST EMBALAGENS foi vertido para as empresas controladas, especialmente para a VIDEPLAST PLÁSTICOS: A partir da aparente retomada das operações da matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS, em setembro de 2007, seu imobilizado consistia, basicamente, naquilo que lhe foi vertido na cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS. Isso porque o saldo inicial do Ativo Imobilizado da VIDEPLAST PLÁSTICOS no AC 2008 tinha o total de R$ 26.691.679,68, ao passo que imobilizado vertido em 31/08/2007 teve o valor de R$ 25.317.873,28 (vide Tabela 5). Passados alguns meses, os sócios administradores da VIDEPLAST resolveram reverter os efeitos da cisão de 31/08/2007. Assim, em 31/12/2008 deliberaram pela incorporação da VIDEPLAST PLÁSTICOS pela VIDEPLAST EMBALAGENS e a consequente extinção da controlada. O laudo de avaliação que subsidiou a operação (fls. 633 a 637) está em desacordo com o art. 235, § 3°, do RIR/1999, haja vista ter sido levantado em 30/09/2008 (vide fl. 633), ao passo que a deliberação que aprovou a incorporação se deu em 31/12/2008 (fls. 626 a 630). Portanto, foi efêmera a duração da VIDEPLAST PLÁSTICOS como unidade formalmente à frente da principal atividade do grupo (produção de embalagens plásticas). Recebeu quase todo ativo imobilizado da VIDEPLAST EMBALAGENS em setembro/2007 e, alguns meses depois, foi extinta em razão de ter sido incorporada pela mesma VIDEPLAST EMBALAGENS. As justificativas apresentadas (inicialmente no protocolo de cisão e, depois, no de incorporação) foram absolutamente genéricas e imprecisas. Por exemplo: trazer vantagens às empresas e seus quotistas e ampliar seus negócios sociais (fl. 609); ou promover a "unificação das empresas, num propósito de reestruturação societária" (fls. 626 e 627). Fl. 4384DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.385 6 Tais operações societárias não tiveram outro propósito senão o de levar a cabo um planejamento tributário abusivo. Prestaramse apenas a promover uma forma elaborada de fraude fiscal. Descrição do planejamento tributário abusivo levado a cabo por meio da VIDEPLAST PLÁSTICOS: “O primeiro passo do planejamento posto em prática fundouse na necessidade de contornar a normal legal que impunha a tributação dos resultados da fiscalizada com base no lucro real. Àquela época havia a obrigação legal de se adotar o lucro real como base de cálculo do IRPJ e da CSLL para todas as empresas cuja receita total no anocalendário anterior fosse superior ao limite de R$ 48 milhões de reais ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses. Dos dados já apresentados notase que, até a cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS, a sua controlada VIDEPLAST PLÁSTICOS não tinha uma atividade de relevo para o grupo, ao ponto de alguns dos principais prepostos a definirem como “inativa” (fl. 644). A cindenda realizava, apenas, uma tarefa acessória, de reciclagem, na filial de Rio das Antas/SC, cuja receita correspondia a algo em torno de R$ 230 mil mensais. Com a cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS e a versão dos ativos para a VIDEPLAST PLÁSTICOS, a receita desta última passou, de imediato, da média mensal de R$ 230 mil reais para mais de R$ 5,2 milhões mensais. Já no decorrer do anocalendário 2008, exercício seguinte ao que foi operada a cisão, a VIDEPLAST PLÁSTICOS auferiu receita bruta de R$ 77.121.349,41. Ainda assim, foi tributada naquele período com base no lucro presumido, pois no anocalendário anterior (2007) havia auferido receita total de R$ 21.347.260,06. Essa “opção” pela tributação com base no lucro presumido se deu porque no anocalendário anterior (ou seja, em 2007) a VIDEPLAST PLÁSTICOS havia auferido uma receita total de R$ 21.347.260,06 (vide Tabela 3); inferior, portanto, ao limite de R$ 48 milhões anuais definido pelos arts. 13 e 14, I, da Lei nº 9.718/1998, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Mas percebase que se consideradas apenas as receitas pós incorporação de ativos, a VIDEPLAST PLÁSTICOS certamente incorreria na obrigação de ser tributada com base no lucro real no exercício seguinte (ou seja, no AC 2008), pois extrapolaria o limite legal de R$ 4 milhões multiplicado pelo número de meses na atividade de fabricação de embalagens. Então, nesse primeiro momento buscouse confundir (misturar) as pequenas receitas decorrentes da atividade acessória de reciclagem (antes da versão de ativos) com as grandes receitas oriundas da fabricação de embalagens (após a versão dos ativos) e, no cômputo de todo AC 2007, ficar dentro do limite que a permitiria ser tributada com base no lucro presumido. Fl. 4385DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.386 7 O segundo passo do artifício engendrado consistiu em “transferir” o lucro da atividade de fabricação de embalagens da VIDEPLAST EMBALAGENS para a VIDEPLAST PLÁSTICOS, submetendoos ao regime de tributação menos oneroso. Como as receitas da VIDEPLAST PLÁSTICOS preponderantemente provieram de serviços de industrialização por encomenda prestados à VIDEPLAST EMBALAGENS (vide subtópico 3.4.1), a “calibragem” dos resultados (lucro para a VIDEPLAST PLÁSTICOS e prejuízo para VIDEPLAST EMBALAGENS) dependeu de variáveis totalmente sob o domínio da administração comum das duas empresas. Assim, receitas, custos e despesas foram contabilmente ajustados entre controlada e controladora de forma que esta (tributada com base no lucro real) ficasse com prejuízo fiscal, ao tempo que aquela (tributada com base no lucro presumido) fosse altamente lucrativa. Analisandose os resultados do AC 2008 fica evidente a pretensão do planejamento ora desnudado: (i) A VIDEPLAST PLÁSTICOS auferiu um lucro de R$ 32.927.648,74 (antes dos IRPJ e da CSLL) frente a uma receita operacional bruta de R$ 77.121.349,41. Teve, portanto, uma lucratividade notável, equivalente a 42,7% de sua receita. Mas como foi tributada com base no lucro presumido, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL consistiram em apenas 8% e 12% de sua receita bruta, respectivamente. (ii)Por outro lado, a controladora VIDEPLAST EMBALAGENS, tributada com base no lucro real, apurou um prejuízo fiscal de R$ 5,2 milhões. De se notar também que, anteriormente à cisão, a VIDEPLAST EMBALAGENS vinha apurando lucro real tributável em sucessivos períodos. Por exemplo: R$ 2.561.900,07 no 1º trimestre de 2007; R$ 1.898.963,03 no 2º trimestre de 2007; e R$ 1.035.814,70 em julho e agosto/2007. Ou seja, a situação se inverteu (de lucro para prejuízo fiscal) em 2008, com o planejamento posto em prática. Também não se pode olvidar que a combinação dos regimes de incidência do PIS/Pasep e da COFINS geraram outra “vantagem” fiscal (indevida) para o grupo. A VIDEPLAST PLÁSTICOS, tributada no regime de incidência cumulativa, recolhia débitos equivalentes a 3,65% de sua receita. Concomitante, gerava créditos de 9,25% para sua controladora VIDEPLAST EMBALAGENS, que os aproveitava no regime de tributação não cumulativa das contribuições. Ou seja, uma outra “economia fiscal” equivalente a 5,6% da receita bruta atribuída à VIDEPLAST PLÁSTICOS. O terceiro passo se deu com a disponibilização do “lucro adicional” propiciado pela elusão fiscal ora descrita aos controladores do grupo. Fl. 4386DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.387 8 O fato de a VIDEPLAST PLÁSTICOS ter sido tributada com base no lucro presumido não foi óbice à disponibilização de lucros isentos em valor excedente ao que serviu de base de cálculo do IRPJ e da CSLL com base no lucro presumido (ou seja, mediante simples aplicação dos coeficiente de presunção do lucro). Isso porque a empresa mantinha escrituração contábil com base na lei comercial e seu lucro efetivo foi maior (Instrução Normativa SRF nº 93/1997, art. 48, § 2º, II). Assim, no AC 2008 a VIDEPLAST EMBALAGENS contabilizou equivalência patrimonial positiva proveniente de lucros auferidos por sua controlada VIDEPLAST PLÁSTICOS no total de R$ 30.517.490,86, conforme lançamentos transcritos na Tabela 6. Tais lucros foram excluídos quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL da VIDEPLAST EMBALAGENS por conta da autorização prevista no RIR/1999, art. 389. Como a composição do quadro societário das duas empresas guardava perfeita identidade (vide subtópico 3.4.6), os beneficiários finais desses lucros foram as mesmas pessoas.” Tabela 6 Lançamentos contábeis da VIDEPLAST EMBALAGENS (equivalência patrimonial da VIDEPLAST PLÁSTICOS) Por fim, não tendo mais a VIDEPLAST PLÁSTICOS a utilidade pretendida, pois no AC seguinte estaria indubitavelmente sujeita também à tributação com base no lucro real, o quarto passo consistiu na incorporação e consequente extinção da controlada em 31/12/2008, restituindo os ativos à VIDEPLAST EMBALAGENS, tal como era a situação antes da cisão de agosto de 2007”. Estimativa da “vantagem fiscal” auferida Elaborou uma estimativa da “vantagem fiscal” indevidamente auferida, com o objetivo de evidenciar um dos requisitos que a jurisprudência e a doutrina têm indicado como exigência para a inoponibilidade ao Fisco de patologias como a fraude à lei e o abuso de direito: que a causa real e predominante do(s) negócio(s) seja conduzir a uma menor tributação. Fl. 4387DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.388 9 A utilização da controlada VIDEPLAST PLÁSTICOS na forma descrita no subtópico 3.2 gerou uma “vantagem fiscal” vultosa, da ordem de 12 milhões, somente no AC 2008 (as “vantagens” já vinham sendo auferidas desde setembro/2007, após a cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS), sendo: R$ 6,7 milhões do IRPJ, R$ 2,1 milhões da CSLL e 3,2 milhões do PIS/Pasep e COFINS. Relativamente ao PIS/Pasep e a COFINS, vantagem decorre da combinação das alíquotas diferenciadas para os débitos da VIDEPLAST PLÁSTICOS (regime cumulativo) e créditos da VIDEPLAST EMBALAGENS (regime não cumulativo), as quais foram aplicadas sobre uma mesma base de cálculo, qual seja, as receitas provenientes dos serviços de industrialização por encomenda (CFOP 5124) e da revenda de mercadorias (CFOPs 5102 e 6102), ambos para VIDEPLAST EMBALAGENS. A concatenação desses artifícios foi facilitada pela atuação do mesmo contador, VALDIR JOSÉ BRIDI, responsável pela contabilidade das duas empresas. Portanto, a fiscalização considera que a causa real e predominante do negócio foi de conduzir a uma menor tributação. Apresenta como elementos: Fl. 4388DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.389 10 1) Ampla preponderância das operações da matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS com sua então controladora VIDEPLAST EMBALAGENS e outras empresas ligadas, que representaram 78,28% das receitas do ano calendário 2008. Relativamente à PERDIGÃO INDUSTRIAL, único cliente de relevo sem relação societária com a VIDEPLAST, menciona que sua sucessora (BR FOODS) no âmbito da diligência amparada pelo MPF nº 0900100 2013000568, respondeu (fl. 776) que o único contrato então vigente havia sido firmado com a VIDEPLAST EMBALAGENS (fls. 781 a 784). Portanto, nunca foi formalizado um contrato entre PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL e VIDEPLAST PLÁSTICOS, sendo aquelas operações mencionadas na Tabela 10 resultantes exclusivamente de negócios mantidos, havia muito tempo, com a VIDEPLAST EMBALAGENS. 2) Processos complementares e indissociáveis. Conforme Termo de Declarações dos prepostos da fiscalizada (fl. 644), entre agosto/2007 e dezembro/2008 as atividades das duas empresas foram separadas da seguinte forma: os processos fabris eram realizados pela VIDEPLAST PLÁSTICOS, ao passo que as atividades administrativas estavam a cargo da VIDEPLAST EMBALAGENS. Ou seja, na formatação apresentada uma apenas “fabricava”, a outra apenas “administrava”. Até porque praticamente todo ativo imobilizado da VIDEPLAST EMBALAGENS havia sido formalmente vertido para a VIDEPLAST PLÁSTICOS. Não havia, porém, uma clara separação física de uma e outra empresa; tudo estava situado no parque industrial localizado às margens da Rodovia SC 303, em Videira/SC. Com base nos arquivos digitais da escrituração fiscal das notas fiscais também se pode afirmar que praticamente todos produtos vendidos pela VIDEPLAST EMBALAGENS passavam pela VIDEPLAST PLÁSTICOS. Fl. 4389DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.390 11 Dos números acima, a Fiscalização conclui pela existência de uma espécie de correspondência biunívoca entre as duas empresas: quase toda produção da VIDEPLAST PLÁSTICOS seguia para a VIDEPLAST EMBALAGENS (vide Tabela 10) e quase todos produtos comercializados pela VIDEPLAST EMBALAGENS foram industrializados pela VIDEPLAST PLÁSTICOS (vide Tabela 11). Portanto, as duas empresas eram indissociáveis e não teriam como existir isoladamente. 3) Liberalidade nas transações entre as duas empresas. Em resposta à intimação fiscal, a fiscalizada respondeu informado que não existiram contratos entre VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS (fls. 747). Chama a atenção a total liberalidade das transações entre VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS, sobretudo quando resultaram em notório prejuízo a terceiro, a Fazenda Nacional. 4) Confusão patrimonial e descaracterização da relação comercial entre VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS. Dentre os ativos contabilizados pela VIDEPLAST PLÁSTICOS durante o AC 2008 havia vários “empréstimos” com empresas ligadas (conta sintética “13003 EMPRÉSTIMO EMPRESAS LIGADAS” – fls. 646 a 658). Ao final do AC 2008, e imediatamente antes de ser incorporada por sua controladora, as mesmas contas de “empréstimos” concedidos pela VIDEPLAST PLÁSTICOS a empresas ligadas somavam R$ 29.670.121,46 (de um valor inicial no ano de R$ 2.199.714,69). Enfatiza a magnitude desses “empréstimos” frente à receita bruta da empresa no mesmo período, que foi de R$ 77 milhões. Ou seja, a VIDEPLAST PLÁSTICOS teria chegado a destinar o equivalente a mais de 38% de sua receita bruta anual para financiar outras empresas do grupo. E, ainda assim, mantido liquidez e higidez financeira a ponto de alcançar uma lucratividade notável, da ordem de 43% de sua receita bruta. Dentre esses “empréstimos” com empresas ligadas, o de maior relevo referese ao mantido com sua controladora VIDEPLAST EMBALAGENS e contabilizado na conta analítica “002790 VIDEPLAST INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA C/COR” – Razão às fls. 659 a 670. Instada a apresentar os contratos relativos aos mencionados “empréstimos”, bem como identificar os lançamentos contábeis de reconhecimento das respectivas receitas de juros pela VIDEPLAST Fl. 4390DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.391 12 PLÁSTICOS (vide itens 1.1 e 1.2 do TIF nº 1 – fl. 9), a fiscalizada simplesmente informou que não existiam tais contratos e, por isso, não foram contabilizadas receitas de juros (fl. 752). A origem do saldo desse “empréstimo” foram os “serviços” de industrialização. Como visto no subtópico 3.4.1, o principal “cliente” da VIDEPLAST PLÁSTICOS foi justamente a VIDEPLAST EMBALAGENS (correspondeu a 77,85% de sua receita no AC 2008). Os valores relativos a essas transações sequer chegavam a ser recebidos pela controlada; apenas transitavam na contabilidade por meio de uma conta de disponibilidades (conta “000010 CAIXA CENTRAL”) e concomitantemente migravam para conta de “empréstimos” ativos (conta “002790 VIDEPLAST INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA C/COR”). Colaciona na Tabela 12, lançamentos contábeis da VIDEPLAST PLÁSTICOS, recebimentos do cliente VIDEPLAST EMBALAGENS econcomitante transferência para conta de “empréstimos” ativos. Já na conta analítica “002790 VIDEPLAST INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA C/COR” (Razão às fls. 659 a 670), verificase que as esporádicas amortizações do “empréstimo” (ou seja, os lançamentos a crédito) no mais das vezes não decorriam de pagamentos, mas sim do rateio de despesas originalmente assumidas pela VIDEPLAST EMBALAGENS. Na contabilidade da VIDEPLAST PLÁSTICOS, a Fl. 4391DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.392 13 contrapartida dessas amortizações consistia em débitos na conta de resultado “005870 – RATEIO DESPESAS DA VIDEPLAST IND DE EMBALAG.” – Razão às fls. 671 a 677, à guisa do rateio de despesas comuns entre as duas empresas, que estavam sediadas no mesmo local. De forma que o saldo do “empréstimo” contraído pela VIDEPLAST EMBALAGENS perante sua controlada VIDEPLAST PLÁSTICOS apenas aumentava vertiginosamente: variou entre R$ 561.558,23 (no início do AC 2008) e R$ 29.626.082,47 (no final do AC 2008 e imediatamente antes da incorporação). Ao longo desse período, o saldo médio ficou em R$ 13,840 milhões. Por tudo isso, podese afirmar que não havia uma relação comercial de fato entre as duas empresas. A VIDEPLAST EMBALAGENS não pagava pelos supostos serviços de industrialização prestados pela VIDEPLAST PLÁSTICOS, já que o “empréstimo” não era amortizado, ou sequer incidiam juros sobre o vultoso saldo. 5) Identidade do objeto social das duas empresas No interregno das operações descritas no Relatório Fiscal, todos objetos sociais da VIDEPLAST PLÁSTICOS, sem exceção, também estavam previstos para a VIDEPLAST EMBALAGENS. 6) Identidade do quadro societário das duas empresas e simultaneidade nas alterações Demonstra, acostando várias tabelas, como no período compreendido pelo histórico descrito no Relatório Fiscal, cuidaram os sócios da VIDEPLAST para que a composição do capital das duas empresas envolvidas no planejamento ora analisado guardassem, direta ou indiretamente, absoluta identidade. Até mesmo no ingresso de um novo sócio, em 1º/01/2008, foram observadas, com exatidão, proporcionalidade na participação e simultaneidade nas ações. 7) Identidade da direção das duas empresas A administração das duas empresas envolvidas no planejamento ora analisado guardavam absoluta identidade. Da mesma forma, merece menção o fato de as duas empresas também disporem do mesmo contador, VALDIR JOSÉ BRIDI. Fl. 4392DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.393 14 8) Precedentes da VIDEPLAST na utilização de planejamento tributário julgado ilícito. Os fatos ora relatados não foram a primeira tentativa envidada pela VIDEPLAST com o fito de submeter seus resultados a um regime de tributação menos gravoso. Vejase, por exemplo, o que ocorreu com o advento do regime nãocumulativo para a Contribuição para o PIS/Pasep. No AC 2003, a VIDEPLAST havia autoarbitrado seu lucro como “instrumento de seu planejamento tributário, objetivando reduzir a carga tributária”. Em seguida, pretendeu beneficiarse do crédito presumido relativo ao estoque de abertura na apuração do PIS/Pasep, conforme autorizado para o caso das empresas que migrassem do lucro presumido para o lucro real. O acórdão e o voto do Recurso Especial nº 1.047.361 (fls. 786 a 793) rechaçaram a pretensão de a VIDEPLAST se beneficiar tanto do crédito presumido referente ao estoque inicial quanto do auto arbitramento do lucro. Fraude à lei e inoponibilidade do abuso do direito de auto organização ao Fisco. Formalmente, as justificativas apresentadas para a cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS (em agosto/2007) e, depois, para a reversão da operação, com a incorporação da VIDEPLAST PLÁSTICOS (em dezembro/2008), foram absolutamente genéricas e imprecisas. Nada mudou de fato para VIDEPLAST no referido período: os produtos continuaram os mesmos, os processos produtivos continuaram sendo realizados no mesmo local, com os mesmos funcionários, sob a mesma administração e em proveito dos mesmos sócios. A diferença entre elas é que uma delas teve uma lucratividade espantosa, da ordem de 43% de sua receita bruta, enquanto a outra apurava prejuízos fiscais. O lucro decorrente da atividade de fabricação de embalagens acabou sendo integralmente submetido à tributação com base no lucro presumido. Cálculo do IRPJ e da CSLL devidos. Descreve como apurou o valor: Impõese tributar com base no lucro real a atividade de fabricação e comercialização de embalagens plásticas realizada pela VIDEPLAST. Apartar os resultados atribuíveis à filial e à matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS, posto que as atividades da filial (reciclagem) não foram, a priori, contaminadas pelo planejamento e, portanto, pode ser mantida a tributação com base no lucro presumido. A etapa seguinte consiste em apurar o lucro real decorrente das operações da matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS. No item 2.2 do TIF nº 2 encaminhado à fiscalizada (fl. 10) solicitouse a indicação dos ajustes Fl. 4393DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.394 15 (adições e exclusões) ao lucro líquido da VIDEPLAST PLÁSTICOS na sistemática de apuração com base no lucro real (ou seja, observado o disposto nos arts. 249 e 250 do RIR/1999). Na resposta de fl. 755 informaram não dispor dessa informação, razão pela qual a fiscalização deixa de considerar eventuais exclusões que, por faculdade do contribuinte, poderiam ser adotadas. Assim, o lucro real da matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS coincide com o lucro líquido calculado no ANEXO I (fls. 837 a 840). Por fim, devese deduzir o IRPJ e a CSLL recolhidos pela VIDEPLAST PLÁSTICOS na sistemática de apuração do lucro presumido, exceto as parcelas decorrentes da atividade da filial. Isto posto, procedese à: (i) inclusão do lucro auferido pela matriz da VIDEPLAST PLÁSTICOS (vide ANEXO I – fls. 837 a 840) na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da VIDEPLAST EMBALAGENS; e (ii) dedução de parte dos valores originalmente pagos pela VIDEPLAST PLÁSTICOS com base no lucro presumido na proporção das atividades atribuídas à matriz. Disposições legais infringidas: RIR/1999, arts. 247, 248, 251, 277 e 278; Lei nº 9.718/1998, art. 14, I, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002; DecretoLei nº 1.598/1977, arts. 6º, 7º e 11; Lei nº 8.981/1995, art. 37, § 1º, e art. 57; Lei nº 7.689/1988, art 2º Lei nº 9.430/1996, art. 28. Compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL Tendo em vista que os prejuízos fiscais originalmente apurados no AC 2008 tornaramse inexistentes após as conclusões da fiscalização, procedeuse à inclusão dos valores indevidamente compensados nos resultados tributáveis da fiscalizada. A compensação indevida de prejuízos fiscais teve início no 3º trimestre do AC 2009. Fl. 4394DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.395 16 Disposições legais infringidas: RIR/1999, arts. 247, 250, III, 251, 509 e 510; DecretoLei nº 1.598/1977, arts. 6º, 7º e 64; Lei nº 9.065/1995, art. 15; Lei nº 7.689/1988, art 2º; Lei nº 9.430/1996, art. 28. Penalidade aplicável No tocante à fraude, definida no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, considera que a autuada e seus administradores, através do planejamento levado a cabo por meio da VIDEPLAST PLÁSTICOS, atuaram de modo a reduzir o montante do IRPJ e da CSLL devidos. Para tanto, modificaram característica essencial da obrigação tributária principal, qual seja: a forma de tributação. Para que se verifique a hipótese de fraude resta, portanto, perquirir se houve dolo. E aqui calha relembrar as condutas (e a consequência) alhures descritas. Foi formalizada uma reorganização societária e, a partir de então, abusando do direito de autoorganização, os mesmos sócios valeramse de “duas empresas” (com o mesmo objeto social, estabelecidas no mesmo local, que atuavam de forma indissociável e sob a mesma administração) e forjaram uma relação comercial inexistente. Com estribo na total liberalidade dos “negócios” realizados entre si, transferiram o lucro da atividade de fabricação e comercialização de embalagens plásticas para um regime fiscal menos gravoso mediante fraude à lei que impunha a tributação com base no lucro real. Isto posto, aplicase multa de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, sobre os tributos ora lançados de ofício. Da Responsabilidade Solidária Os administradores da VIDEPLAST adiante nominados praticaram atos com infração de lei, mais precisamente dos arts. 50 e 187 do Código Civil. Daí resulta a extensão dos efeitos das obrigações da empresa aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. A primeira infração à lei diz respeito ao abuso de um direito: o de autoorganizar seus negócios. Comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social ou pela boafé (art. 187 do Código Civil). O abuso do direito de autoorganização se deu a partir da cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS e da “reorganização” dos negócios do grupo econômico, quando se excedeu, e muito, os limites impostos pelo fim econômico ou social e pela boafé. A segunda infração à lei se deu por conta da confusão patrimonial, o que caracteriza abuso da personalidade jurídica nos termos do art. 50 do Código Civil. Este se deu em uma etapa posterior (e independentemente de como se deram as operações de cisão e “reorganização” societária). O abuso da personalidade jurídica decorre do fato de ter havido confusão patrimonial entre as duas empresas. Apesar de aparentarem ser Fl. 4395DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.396 17 sociedadesindependentes, com personalidade jurídica própria, estavam economicamente unidas. Os sócios NEREU DE NARDI, CLAUDIR DE NARDI, GERALDO DENARDI e CÉLIO DE NARDI estiveram à frente da administração das duas empresas entre 31/08/2007 (cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS) e 31/12/2008 (incorporação da VIDEPLAST PLÁSTICOS). Portanto, ocorreu participação direta dos administradores na prática dos atos que denotam infração à lei, pois os quatro sócios administradores (NEREU DE NARDI, CLAUDIR DE NARDI, GERALDO DENARDI e CÉLIO DE NARDI) subscreveram as “justificações dos administradores” na cisão da VIDEPLAST EMBALAGENS (fl. 609) e na incorporação da VIDEPLAST PLÁSTICOS (fl. 626 e 627). Ademais, o sócio administrador CÉLIO DE NARDI subscreveu os demonstrativos de apuração do lucro real da VIDEPLAST EMBALAGENS no AC 2008 (fls. 419, 421, 422 e 424), bem como várias declarações (DIPJ e DCTFs, dentre outras), tanto da VIDEPLAST EMBALAGENS quanto da VIDEPLAST PLÁSTICOS, transmitidas eletronicamente para a Receita Federal do Brasil referentes ao AC 2008. Já o sócio administrador CLAUDIR DE NARDI subscreveu as demonstrações financeiras do AC 2008 da VIDEPLAST EMBALAGENS (fls. 414 a 416) e da VIDEPLAST PLÁSTICOS (fls. 536 a 547). Consequentemente, a Fiscalização incluiu os sócios administradores NEREU DE NARDI, CLAUDIR DE NARDI, GERALDO DENARDI e CÉLIO DE NARDI no pólo passivo da autuação, na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário ora constituído, conforme previsto no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. DA IMPUGNAÇÃO A empresa fiscalizada e NEREU DE NARDI, CLAUDIR DE NARDI, GERALDO DENARDI e CÉLIO DE NARDI apresentaram impugnação (fls. 926/1.308), na qual alegam, em síntese, que a empresa: Não realizou planejamento tributário ou agiu em fraude à lei. Efetuou reorganização social em razão da Dixie Toga S/A, cujo controle acionário pertence à multinacional Bemis Company Inc, ter formalizado, em 27/06/2007, interesse em adquirir integral ou parcialmente as cotas sociais da VIDEPLAST EMBALAGENS ou proceder à eventual associação. Assim, em 31/08/2007 procedeu à citada operação de cisão parcial, de forma a segregar as atividades por ela desenvolvidas, tornando se mais produtiva. Restou frustada a oferta de compra integral/parcial das cotas sociais da VIDEPLAST EMBALAGENS, pois os sócios resolveram não vender a empresa. Fl. 4396DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.397 18 Por outro lado, a estrutura idealizada em 2007 apresentou algumas ineficiências no decorrer de 2008 e, em 31/12/2008, a VIDEPLAST EMBALAGENS incorporou integralmente a VIDEPLAST PLÁSTICOS, sucedendolhe em todos os bens, direitos e obrigações. Nem todos os documentos apresentados pela empresa foram acostados aos autos. Ocorreu o menosprezo aos fundamentos econômicos e jurídicos do procedimento de cisão/incorporação realizado. Entende que a pretensão do Fisco Federal não merece guarida. Cita sete motivos principais: a) o Auto de Infração é nulo em relação à CSLL do AnoCalendário de 2008, pois nesse período o tributo não estava incluído no Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF) lavrado. A nulidade está fundamentada nos arts. 2o, 7o e 10° da Portaria RFB n° 3.014/2011 e no art. 59, I do Decreto n° 70.235/1972. Precedentes do CARF nesse sentido: Acórdãos n°s 106 13.156 e 230201.371. b) a reorganização societária perpetrada pela Impugnante é lícita e legítima: todos os atos foram praticados em conformidade com a lei e registrados na competente Junta Comercial (fls. 548 a 637 e Docs. 04 a 10); as operações societárias foram efetivadas antes da consumação do fato gerador dos tributos em comento; o propósito negocial da reorganização societária era precipuamente "extratributário", direcionado à preparação para a venda da VIDEPLAST EMBALAGENS, c) as condutas da empresa autuada não se amoldam aos tipos infracionais elencados pela Administração Fazendária. I A VIDEPLAST PLÁSTICOS jamais operou confusão entre as receitas decorrentes da atividade de reciclagem com aquelas oriundas da industrialização de embalagens: as receitas sempre estiveram devidamente segregadas em sua contabilidade, distinguindose claramente as provenientes da matriz ou das filiais (Doc. 15); II Não houve transferência do lucro da atividade de fabricação de embalagens da VIDEPLAST EMBALAGENS para a VIDEPLAST PLÁSTICOS, mediante "calibragem de resultados": as atividades sociais das empresas e os custos e despesas que lhe eram inerentes eram integralmente separados, consoante se infere dos balancetes e demais documentos anexos (Doc. 17). III Inexistência de disponibilização de "lucro adicional propiciado pela elusão fiscal ora descrita" aos controladores do grupo empresarial: ainda antes das operações de cisão/incorporação, a VIDEPLAST EMBALAGENS detinha R$ 40.527.607,40 de saldo de lucros acumulados passíveis de distribuição aos sócios e isentos do IRPJ (Doc. 19). De 2007 Fl. 4397DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.398 19 até 2012 (portanto, após os procedimentos de cisão parcial e incorporação) a Impugnante distribuiu menos de 5% desse saldo a título de dividendos (Doc. 20 e fls. 94 a 96, 152 e 153, 226 e 227, 311 e 312, 409 e 410). IV A vantagem tributária estimada pelo Fiscal, indevidamente imputada aos atos de reorganização societária encetados pela Impugnante, é absolutamente falaciosa: (a) foi potencializada por ato da RFB (sobre o qual os Impugnantes não detinham ingerência) que revogou o ADI/RFB n° 20/2007 e sedimentou o percentual de presunção do lucro para as operações de industrialização por encomenda em 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), em detrimento dos 32% vigentes à época da apuração do tributo; (b) o Auditor não deduz do cálculo aproximado os montantes de créditos tributários não ressarcíveis acumulados no decorrer de 2008 pela VIDEPLAST PLÁSTICOS e pela VIDEPLAST EMBALAGENS. V A relação comercial travada entre a VIDEPLAST PLÁSTICOS e sua Controladora (ora Impugnante) é comprovada pelo fluxo financeiro das empresas, pelos Livros Diário e pelos extratos bancários (Doc. 27) juntados ao presente petitório. Os Impugnantes provam também que a VIDEPLAST PLÁSTICOS mantinha negócios significativos com empresas de renome na área alimentícia, conforme documentos fiscais e bancários anexos (Doc. 21 e 22). d) inexiste dispositivo legal que autorize o Fisco a desconsiderar os efeitos da reorganização societária perpetrada em razão de subjetiva alegação de "abuso de direito": ofensa direta ao princípio da legalidade (art. 5º, II e 37, caput da CF e art. 2º, caput e inciso I da Lei n° 9.784/ 1999) e aos artigos 109, 116, § único e 142 do CTN. A Jurisprudência do CARF corrobora a tese dos Impugnantes. e) improcedência da multa qualificada: além de confiscatória e desproporcional, não se verifica nos autos "fraude" no sentido penal conferido ao termo. f) extinção de parcela do crédito tributário pela decadência (art. 156, V do CTN): como não há a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o critério decadência a ser aplicado no caso em apreço é o insculpido no art. 150, § 4o do CTN. Nesses moldes, os créditos de CSLL e IRPJ de março a setembro de 2008 foram fulminados pela decadência. g) se fosse efetivamente "ilegal" a opção da VIDEPLAST PLÁSTICOS pela tributação segundo o Regime do Lucro Presumido (consoante assevera o Auditor), o Auditor Fiscal deveria ter calculado o quantum devido a título de IRPJ e CSLL segundo as diretrizes do Lucro Arbitrado, consoante lhe impõe o art. 530 do RIR/1999. h) improcedência da responsabilidade tributária solidária que foi imputada automaticamente aos sócios diretores: não ocorreram na prática quaisquer atos dolosos dos sócios em infração à lei tributária e inexiste responsabilidade de terceiros por multas punitivas (arts. 132 e 135 do CTN e art. 13 do CP). De todo modo, mesmo que se admitisse a prática Fl. 4398DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.399 20 intencional de atos infracionais pelos sócios diretores, sua responsabilidade é subsidiária em relação ao contribuinte, devendose antes esgotar todas as hipóteses de cobrança do devedor principal (Repetitivo/STJ n° 1.101.728/SP e RExt/STF n° 562.276/PR). Assim, requer preliminarmente a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RELAÇÃO À CSLL DO ANO CALENDÁRIO DE 2008 POR VÍCIO FORMAL AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRÉVIO EM RELAÇÃO AO REFERIDO PERÍODO, em deferência aos arts. 2o, 7o e 10° da Portaria RFB n° 3.014/2011 e ao art. 59, I do Decreto n° 70.235/1972 Passa a discorrer longamente acerca das causa que desencadearam o processo de reorganização societária, a cisão parcial da Videplast Embalagens e a posterior incorporação integral da Videplast Plásticos. 27/06/2007 a Bemis Company Inc., controladora acionária da Dixie Toga S/A, formalizou interesse em adquirir integral ou parcialmente as cotas sociais da VIDEPLAST EMBALAGENS. Tal oferta despertou em seus sócios o desígnio e a necessidade de reorganizar o seu negócio, adaptandoo tanto à possibilidade de associação com a Bemis quanto à venda integral da empresa ou recusa da proposta. Antes da reorganização societária que se iniciou em 31/08/2007, a Videplast era composta pelas seguintes empresas: a) Videplast Indústria de Embalagens Ltda. (Doc. 04 25a AC da Videplast Embalagens): b) Videplast Indústria de Plásticos Ltda: c) Videplast Embalagens Plásticas Ltda. (Doc. 08 Contrato Social da Videplast Embalagens Plásticas): d) Videplast Centro Oeste Ltda. (Doc. 07 6a AC da Videplast Centro Oeste): e) Videplast Participações Ltda: Além dessas empresas, em 23/08/2007 foi criada a Trovi Transportes Ltda. (CNPJ n° 09.018.556/000180), para exercer a atividade de transportes rodoviário de cargas para as empresas do grupo e outras empresas (Doc. 06). Optouse por separar as empresas operacionais da VIDEPLAST EMBALAGENS. Uma das ideias era deixar a sociedade mais conhecida no mercado, a VIDEPLAST EMBALAGENS, como controladora do grupo, centralizando a gestão de todas as outras, que, por sua vez, seriam as empresas operacionais. Fl. 4399DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.400 21 Com a separação seria possível, por exemplo, vender a indústria e manter o fundo de comércio, que era da VIDEPLAST EMBALAGENS. Ou então o inverso, vender o fundo de comércio e continuar com a atividade industrial. Os sócios entendiam também que seria mais fácil abrir o capital da VIDEPLAST EMBALAGENS, que passaria a controlar as demais empresas. Bastaria apenas abrir o capital da VIDEPLAST EMBALAGENS, mantendo nas demais o tipo jurídico existente. Outro fator que se buscou ajustar com a reorganização societária foi a equalização das participações dos sócios no negócio, que eram díspares, o que gerava desconforto entre eles, notadamente em face da vultosa proposta de aquisição da VIDEPLAST EMBALAGENS. Portanto, a reorganização societária da Videplast iniciada em 31/08/2007 e concluída em 01/01/2008 teve como motivo principal o ajuste de participações societárias e a condução da VIDEPLAST EMBALAGENS à condição de controladora, em face do assédio sofrido pela Bemis. Muito além de ter uma causa exclusiva ou precipuamente tributária, o objetivo era efetivamente de reorganizar a empresa, ajustar as participações e uniformizar a estrutura, de modo que pudesse ser facilitada a concretização do negócio com a Bemis, tanto de venda quanto de associação. A reboque dessa motivação foram agregados os demais objetivos já mencionados de sua consolidação no mercado, ganhos de eficiência, produtividade, controles, redução de custos e maximização de resultados. Todavia, em 27/12/2007, a Videplast e seus sócios não se sentiram seduzidos pelo expressivo montante em dinheiro que a Bemis se dispôs a pagar e manifestaram sua intenção de não vender a empresa. Entre setembro de 2007 e dezembro de 2008 as empresas Videplast aumentaram em mais de 32% seu contingente de funcionários, sendo que a VIDEPLAST PLÁSTICOS foi a empresa que mais contratou nesse período. Além disso, somente no ano de 2008, a VIDEPLAST PLÁSTICOS investiu mais de R$ 19 milhões em imobilizado (fl. 534, linha 08). Consoante se extrai da tabela a seguir, esse valor foi expressivamente superior ao dos anos anteriores (fl. 61, 508, 534 Fl. 4400DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.401 22 Esses dados demonstram que os sócios não apenas idealizaram o desejo de crescer e se consolidar no mercado, como efetivamente investiram, contrataram e se organizaram para esse fim. Portanto, a vista dos documentos e informações ora apresentados é forçoso concluir que não procede a suposição fiscal de que foi a vantagem tributária que motivou a reorganização societária. DA LICITUDE DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA REALIZADA –ASPECTOS OPERACIONAIS E O REGIME DE TRIBUTAÇÃO: Sob o aspecto operacional, dentre as opções que dispunha (fabricação e venda direta de embalagens para os clientes, fabricação e venda de embalagens para a VIDEPLAST EMBALAGENS, que os revenderia para os clientes, industrialização por encomenda direta para os clientes, ou industrialização por encomenda para a VIDEPLAST EMBALAGENS, que os venderia para os clientes), a que se mostrou mais racional foi a industrialização por encomenda para a VIDEPLAST EMBALAGENS, que os venderia para os clientes. O aspecto tributário também foi analisado e, nesse ponto, a industrialização por encomenda também se mostrou menos onerosa que as demais. Em relação à VIDEPLAST PLÁSTICOS, que absorveu parte do capital vertido pela VIDEPLAST EMBALAGENS, não havia a possibilidade de optar pelo lucro real em 2007, pois ela já havia optado pelo lucro presumido quando do pagamento do IRPJ relativo ao 1o Trimestre (Doc. 12). A VIDEPLAST PLÁSTICOS continuou tributada pelo Lucro Presumido, pois esse regime fora optado antes do processo de reestruturação. Apenas recebeu um incremento produtivo, ao passo que a VIDEPLAST EMBALAGENS passou a realizar a vocação de controladora, a cujo posto fora alçada em função da concreta possibilidade de sua venda (Doc. 11). No início do ano de 2008, novamente surgiu a necessidade de definir qual seria o regime de tributação das empresas Videplast. A VIDEPLAST EMBALAGENS era obrigada a apurar seus tributos federais Fl. 4401DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.402 23 pelo regime do lucro real. Mas todas as demais empresas da Videplast poderiam optar pelo lucro presumido, por expressa autorização legal (art. 13 da Lei n° 9.718/98), e assim o fizeram, inclusive a VIDEPLAST PLÁSTICOS. Por isso, em 20/02/2008 a VIDEPLAST PLÁSTICOS apurou e recolheu suas contribuições pelo regime cumulativo, próprio das empresas optantes pelo lucro presumido, nos códigos 8109 para o PIS e 2172 para a COFINS. As contribuições dos meses seguintes também foram pagas nesses códigos (Doc. 13). Ocorre que, muito diferente da informação trazida pela Fiscalização, à época em que foi tomada e manifestada a opção pelo lucro presumido para a VIDEPLAST PLÁSTICOS, o percentual de presunção da base de cálculo do IRPJ e da CSLL aplicável às receitas de industrialização por encomenda não era os 8% e 12% referidos pela Fiscalização, mas sim de 32% (art. 25 da Lei n° 9.430/96, cumulado com o art. art. 15 da Lei n° 9.249/95), conforme determinava o Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 20, de 13/12/2007. Muito além do que se poderia prever, através do Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 26, de 25/04/2008, publicado em 28/04/2008, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil resolveu rever seu entendimento de modo a adequar a base de cálculo das operações de industrialização por encomenda. Em função desse ato fazendário é que voltou a valer o entendimento de que os percentuais de presunção do lucro nas operações de industrialização por encomenda seria de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. Portanto, a opção pelo lucro presumido no ano de 2008 em relação a VIDEPLAST PLÁSTICOS foi exercida dentro dos estritos limites estabelecidos em lei e com observância do direito e poder de gestão negócio da empresa, sem abuso, dentro de sua faculdade legal de reorganizarse de maneira a produzir mais, com menos custos e ônus fiscais. DA IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO COMBATIDO LICITUDE E LEGITIMIDADE DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA PERPETRADA PROPÓSITO NEGOCIAL EXTRATRIBUTÁRIO E AUSÊNCIA DE FRAUDE À LEI, SIMULAÇÃO OU ABUSO DE DIREITO ANTERIORIDADE DAS OPERAÇÕES SOCIAIS À CONSUMAÇÃO DO FATO GERADOR DOS TRIBUTOS CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA MAJORITÁRIA DO CARF Argumenta que os motivos que fundamentaram os atos de rearranjo societário encetados pela Impugnante pautaramse na: • Concreta possibilidade de venda das empresas do Grupo VIDEPLAST para a Bemis Company Inc. pela vultosa cifra de R$ 370 milhões. Fl. 4402DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.403 24 • Racionalização de operações e segregação de atividades (com o fito de tornar as unidades isoladamente mais rentáveis); • Necessidade de aumento da eficiência e rentabilidade do negócio, agregando valor patrimonial às empresas participantes do grupo; • Uniformização das participações para facilitar a abertura de capital e viabilizar associações e/ou a venda da empresa. Ora, os negócios jurídicos lícitos (como os perpetrados pela Impugnante) gozam da presunção da nãoabusividade, mormente em homenagem às garantias constitucionais de Legalidade (art. 5o, II da CF/1988) e Liberdade de Associação (art. 5º XVII). A separação patrimonial realizada refletiu na contabilidade das empresas (Doc. 14 e 15), na transferência de clientes e empregados (Doc. 30), nos preços praticados (Doc. 16), entre outros. As operações de cisão/incorporação foram realizadas em conformidade com as normas legais regentes e os instrumentos exigidos por essas mesmas leis foram tempestivamente levados ao Registro de Comércio (arts. 1.116 e 1.142 a 1.149 do CC/2002 art. 229, §§ 1 o e 3o da Lei n° 6.404/1976 e art. 133 do CTN), consoante se infere das alterações societárias (fls. 548 a 637 e Docs. 04 a 10) e dos Protocolos de Intenção carreados à presente Impugnação (fls. 607 a 616 e 625 a 630). Ademais, como a VIDEPLAST PLÁSTICOS havia auferido, no ano calendário anterior à operação de cisão parcial, receita bruta total inferior a R$ 48.000.000,00 (R$ 1.178.700,00, fls. 470 a 473), o art. 13 da Lei n° 9.718/1998 lhe autorizava a tributação segundo as diretrizes do Lucro Presumido. Igualmente, os lucros auferidos pela VIDEPLAST PLÁSTICOS poderiam ser excluídos da apuração pelo lucro real das bases de cálculo de IRPJ e CSLL da VIDEPLAST EMBALAGENS (exclusão da equivalência patrimonial) em virtude da permissão contida no art. 389 do RIR/ 1999 (Decreto n° 3.000/1999). Frisese que o ato fiscal impugnado não atribui à Impugnante nenhum ato de simulação. Apenas aduz à suposta ocorrência de "planejamento tributário abusivo". No presente caso os procedimentos societários encetados pela Impugnante jamais desvirtuaram o escopo da norma que prevê o regime de tributação pelo Lucro Real. Se a VIDEPLAST EMBALAGENS não poderia apurar seu IRPJ por outro regime que não fosse o Lucro Real, não significa que estava também impedida de dispor de seu patrimônio, transferindo ativos, diminuindo seu faturamento. Já a VIDEPLAST PLÁSTICOS não omitiu receitas. Tributouas sem nada sonegar. Ademais, a Impugnante não detinha elementos para antever o resultado que seria atingido pelas empresas incorporadoras de parcela de Fl. 4403DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.404 25 seu patrimônio. Tanto é que a TROVI, também tributada pelo lucro presumido, apurou prejuízo fiscal no mesmo período (Vide Tabela 2, fl. 810), circunstância deliberadamente ocultada pelo Auditor. Portanto, o fato de a operação societária ter involuntariamente acarretado menor onerosidade tributária à Impugnante não pode ser utilizado pelo Fisco como fundamento da acusação de "burla à lei tributária" que prevê a apuração pelo Lucro Real (art. 14 da Lei n° 9.718/1998). O Fisco não pode interpretar negócios privados praticados em conformidade com a lei (direta e indiretamente) apenas com o intuito de enquadrálos na hipótese tributariamente mais onerosa. Por imposição constitucional (art. 37 da CF/1988) deve submissão aos princípios da Livre Iniciativa (art. 170, IV da CF/1988), Propriedade (art. 5o, XXII e art. 170, II da CF/1988), Liberdade de Associação (art. 5o, XVII da CF/1988) e Legalidade (art. 5o, II da CF/1988). A alteração societária questionada pelo Fisco e reputada indevidamente como um "planejamento tributário abusivo" foi formalizada em 31/08/2007 com o registro do Protocolo de Intenção de Cisão Parcial da VIDEPLAST EMBALAGENS na competente Junta Comercial (fls. 608 a 616). Todos os fatos imponíveis das obrigações tributárias concernentes ao IRPJ e à CSLL corporificadas nos combatidos Autos de Infração consumaramse após o evento de cisão parcial da VIDEPLAST EMBALAGENS (com versão de parcela de seu patrimônio à VIDEPLAST PLÁSTICOS): em março/2008 a março/2011. Fl. 4404DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.405 26 Ademais, se observado o resultado do ano 2007, a VIDEPLAST PLÁSTICOS faturou R$ 21.490.519,65 e lucrou R$ 6.733.012,67, o que resultou na margem líquida de 31,33% (Doc. 15). Próximo, portanto, do percentual de presunção do lucro (32%) aplicável às receitas de industrialização por encomenda com base no ADI RFB n° 20/2007. Ocorreu que a VIDEPLAST PLÁSTICOS, então tributada pelo lucro presumido (segundo lhe facultava a legislação pertinente), recebeu incremento em sua atividade produtiva, proporcionandolhe a ampliação de seu faturamento, enquanto que as demais empresas participantes da cisão parcial apuraram prejuízos fiscais: a TROVI, também tributada pela sistemática do lucro presumido, e a VIDEPLAST EMBALAGENS, obrigada ao lucro real. Vejase que para amparar sua conclusão o Fiscal aponta a receita média de apenas três meses do 4° trimestre de 2007, no valor de R$ 5,2 milhões, olvidando, apenas para complementar o raciocínio, que a cisão parcial ocorreu de fato e de direito em 31/08/2007. A lei menciona a receita total e não a receita parcial. E quando se refere à receita proporcional condiciona ao número de meses de atividade no ano calendário anterior. A VIDEPLAST PLÁSTICOS auferiu uma receita total (Matriz e Filial) de R$ 21.347.260,06 no ano de 2007,composta pelos seguintes valores (Doc. 15): Fl. 4405DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.406 27 Dessa receita total, o valor atribuível à matriz da VIDEPLAST Dividindose essa receita bruta pelo número de meses de atividade, que foram cinco (agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro), a receita bruta mensal proporcional ao número de meses seria de R$ 3.810.940.96, ou seja, abaixo do limite estabelecido nos arts. 13 e 14 da Lei n° 9.718/98 para possibilitar a opção pelo lucro presumido no ano seguinte. Não se pode a priori aquilatar o que o Fisco entende por "calibragem de resultados", já que não aponta nenhum fato concreto. Essa circunstância, se não inviabiliza, certamente dificulta a defesa da Impugnante (art. 5o, LV da CF/1988). Fl. 4406DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.407 28 As operações das empresas VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS eram totalmente separadas e não sofreram ajustes contábeis. As receitas de uma não se confundiram com as de outra. Cada uma tinha a sua atividade e os seus clientes. O mesmo ocorria com os custos e despesas, que também correspondiam exclusivamente às atividades de cada uma delas. A Impugnante não se furta a juntar seu balancete (anual) do AC 2008 da VIDEPLAST PLÁSTICOS (Doc. 17), no qual podese facilmente extrair que os custos de produção dessa empresa advinham da sua atividade produtiva industrial, e que as despesas administrativas eram basicamente formadas pelos juros pagos sobre os financiamentos de suas máquinas e equipamentos. No que tange às receitas da VIDEPLAST PLÁSTICOS, é importante salientar que uma parte significativa delas (aproximadamente R$ 16 milhões) proveito de operações diretas com a Perdigão Agroindustrial, e, por esse motivo, estariam fora do raciocínio desenvolvido pela Fiscalização (de que tais operações estariam totalmente sob o controle da administração das duas empresas). Vejase, a partir da lista de preços praticados pela VIDEPLAST PLÁSTICOS nas industrializações para a VIDEPLAST EMBALAGENS, bem como as segundas vias das notas fiscais juntadas por amostragem (Doc. 18), que durante o período fiscalizado não houve qualquer alteração nos valores praticados entre as empresas. Do Balanço Patrimonial de 31/07/2008 da VIDEPLAST EMBALAGENS (Doc. 19) extraise que a empresa detinha, naquela data, R$ 40.527.607,40 de saldo de lucros acumulados passíveis de distribuição aos sócios e isentos do Imposto de Renda Pessoa Física. Se o objetivo fosse distribuir e beneficiar os sócios com lucros, bastava fazêlo. Esse saldo é confirmado na DIPJ às fls. 58. Esse valor de R$ 40 milhões de saldo de lucros, por si só, já seria suficientemente considerável para afastar a suposição apontada pela Fiscalização de disponibilização de lucro adicional aos controladores do grupo. Ou seja, se fosse o caso de oportunizar distribuição de lucros aos sócios o procedimento (reorganização societária) seria absolutamente desnecessário. De 2007 até 2012 a Impugnante distribuiu R$ 1.800.000,00 a título de dividendos. Esse valor não chega a 5% do saldo dos lucros acumulados da VIDEPLAST EMBALAGENS em 31/08/2007. Ao final de 2008, o saldo credor de ICMS da VIDEPLAST PLÁSTICOS era de R$ 3.072.426,23 (Doc. 32). Na VIDEPLAST EMBALAGENS havia R$ 1.257.362,44 em créditos acumulados de PIS/COFINS, mais R$ 5.960.398,66 a título de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL (fls. 450 a 452 e 155), o que geraria um "crédito" de IRPJ/CSLL de R$ 2.026.535,54. Somados, esses créditos acumulados e não ressarcíveis já haviam totalizado R$ 6.356.324,21, e não havia expectativa de parar de acumulálos, tampouco de aproveitálos. Essa Fl. 4407DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.408 29 circunstância mostrou que tributariamente aquela estrutura não foi pensada para tão somente auferir vantagem tributária, como supôs o Auditor Autuante. Isso demonstra novamente que o motivo primordial não era o suposto ganho tributário. No item 3.3 do Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Autuante aponta o valor estimado de "vantagem tributária" no montante de aproximadamente R$ 12 milhões. A vantagem tributária foi potencializada por um ato da própria Receita Federal do Brasil, ao revogar o ADI RFB n° 20/2007, através do ADI RFB n° 26/2008, alterando o percentual de presunção do lucro para operações de industrialização por encomenda. O cálculo da "vantagem tributária" não poderia ter sido elaborado sem deduzir os montantes de créditos tributários não ressarcíveis acumulados no decorrer de 2008, como, por exemplo, os R$ 3.072.426,23 acumulados a título de ICMS (Doc. 32), dos R$ 1.257.362,51 créditos de PIS/COFINS relativos a operações tributadas no mercado interno (Doc. 33) e os R$ 2.026.535,54 de IRPJ/CSLL incidentes sobre os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa acumulados ao final de 2008 (fls. 450 a 452 e 155). Considera que é inadmissível a tentativa da Fiscalização de desqualificar a relação negocial que havia entre a Perdigão Agroindustrial e a VIDEPLAST PLÁSTICOS. A Impugnante manteve registros da formalização dos pedidos mediante email e apresenta por amostragem exemplos dos referidos documentos (Doc. 21), que comprovam de modo irrefutável que os pedidos eram direcionados à VIDEPLAST PLÁSTICOS, tendo a BRF descrito, inclusive, o endereço e o CNPJ do fornecedor. A Impugnante apresenta também as segundas vias das notas fiscais de remessa e retorno de insumos, industrialização por encomenda e as impressões dos extratos bancários que comprovam o pagamento do preço da industrialização (Doc. 22), todas contendo de um lado a VIDEPLAST PLÁSTICOS e de outro a Perdigão Agroindustrial, o que confirma e comprova a existência de relação negocial entre ambas. Portanto, nos negócios havidos entre a VIDEPLAST PLÁSTICOS e a Perdigão: I. Quem encomendava era a Perdigão (Doc. 21). II. Quem remetia o material para industrialização era a Perdigão e quem os recebia era a VIDEPLAST PLÁSTICOS (Doc. 22). III. Quem industrializava era a VIDEPLAST PLÁSTICOS (Doc. 22). IV. Quem devolvia os materiais era a VIDEPLAST PLÁSTICOS (Doc. 22) V. Quem pagava as industrializações por encomenda era a Perdigão e quem recebia era a VIDEPLAST PLÁSTICOS (Doc. 22). O que Fl. 4408DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.409 30 regia as condições de cada negócio eram os pedidos, formulados pela Perdigão e endereçados à VIDEPLAST PLÁSTICOS, que equivalem a contratos (Doc. 21). Nas relações comerciais nunca foi da essência a formalização de um instrumento formal e específico para cada operação, valendo a simples comunicação epistolar, como consigna o vetusto Código Comercial no art. 127 e o art. 48 do Código de Defesa do Consumidor. Hoje as correspondências são eletrônicas, como é o caso dos autos, provado documentalmente conforme pedidos anexos (Doc. 21). Ademais, é fundamental que se afaste a ideia lançada pela Fiscalização de que haveria um único contrato de fornecimento de embalagens entre a Perdigão e a VIDEPLAST EMBALAGENS em vigor em 2008. Para o fornecimento de embalagens não havia qualquer contrato formal e específico. Nem entre a Perdigão e a VIDEPLAST EMBALAGENS e nem entre a Perdigão e a VIDEPLAST PLÁSTICOS. O que as partes avençaram ali foi uma obrigação de indenizar numa situação específica envolvendo o IPI Imposto sobre Produtos Industrializados. Analisandose detidamente o contrato, logo se vê que, muito embora a data seja de 26 de novembro de 1998, a aprovação pela Gerência Jurídica da Perdigão ocorreu apenas em 21/01/1999. Antes disso, mais precisamente em 20/01/1999, foi publicada a Lei n° 9.779/99, que veio alterar a legislação do IPI para permitir o ressarcimento e a compensação com quaisquer tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal do saldo credor acumulado do IPI. Com essa alteração legislativa o contrato perdeu seu propósito, pois o IPI destacado nas vendas de embalagens da Videplast deixou de representar um custo à Perdigão Agroindustrial, pois passou a ser ressarcível em espécie ou compensável com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, o contrato de fls. 781 a 784, celebrado entre a Perdigão e a VIDEPLAST EMBALAGENS não prova nenhuma alegação da autoridade fiscal, porque: I. Não se tratava de um contrato de fornecimento de mercadorias. Tampouco se tratava de um contrato de industrialização por encomenda. Era, sim, um contrato que previa uma obrigação de indenizar especificamente em relação à questão do IPI. II. Sequer chegou a ser perfectibilizado, pois a Videplast, mesmo amparada por medida liminar, não deixou de destacar o IPI nas embalagens vendidas à Perdigão. III. Perdeu tacitamente seu objeto, pois a partir da publicação da Lei n° 9.779/99, em 20/01/1999, o IPI cobrado nas vendas de embalagens passou a dar direito ao crédito ressarcível ou compensável para o adquirente. IV. Não estava em vigor no período fiscalizado. Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.410 31 QUANTO À ALEGAÇÃO DE PROCESSOS COMPLEMENTARES E INDISSOCIÁVEIS (ITEM 3.4.2 DO TVF), a VIDEPLAST EMBALAGENS e a VIDEPLAST PLÁSTICOS possuíam negócios próprios e diretos com seus clientes e, evidentemente, realizavam também negócios entre si. E mais, a partir da incorporação da Videplast Centro Oeste Ltda., em 01/05/2008, a VIDEPLAST EMBALAGENS passou a desempenhar toda a atividade industrial do parque fabril de Rio VerdeGO (fls. 569 a 576 e Doc. 07). A outra conclusão equivocada da Fiscalização é no sentido de que "não havia (...) uma clara separação física de uma e outra empresa". Inicialmente, cumpre esclarecer que não há nenhuma mácula ou ilicitude no fato de haver duas empresas do mesmo grupo no mesmo local. Além disso, se os estabelecimentos localizavamse em imóveis adjacentes, logicamente, não se situavam no mesmo local. E mais. A separação era clara. A VIDEPLAST EMBALAGENS situavase em prédios e imóveis de sua propriedade, distintos dos que estava estabelecida a VIDEPLAST PLÁSTICOS, como consignam seus documentos fiscais. A Fiscalização apresenta a Tabela 11, em que constam o custo das mercadorias vendidas pela VIDEPLAST EMBALAGENS, no valor de R$ 152.998.672,04, e o total das entradas provenientes da VIDEPLAST PLÁSTICOS a título de industrialização efetuada por encomenda e a título de retorno de mercadorias industrializadas por encomenda, no valor de R$ 145.760.565,89. A Impugnante apresenta separadamente o custo das vendas da Matriz, no valor de R$ 114.591.426,00, e o custo de vendas da Filial de Rio Verde, no valor de R$ 38.407.246,04. Ocorre que os custos de vendas da Filial de Rio Verde não se relacionam com as industrializações realizadas pela VIDEPLAST PLÁSTICOS para a matriz da VIDEPLAST EMBALAGENS, com o que não deveriam fazer parte da comparação realizada na Tabela 11 do TVF. O valor dos custos de vendas da Matriz de R$ 114.591.426,00 é significativamente inferior aos R$ 145.760.565,89 relativos às entradas provenientes da VIDEPLAST PLÁSTICOS pelo códigos CFOPs 1.124 e 1.902. No item 3.4.3 do TVF (fl. 822) a Fiscalização aborda sob o título "liberalidade nas transações entre a VIDEPLAST EMBALAGENS e a VIDEPLAST PLÁSTICOS" uma suposta ausência de contratos entre elas formalmente documentados. De fato, não existia contrato escrito entre a VIDEPLAST PLÁSTICOS e a VIDEPLAST EMBALAGENS, disciplinando pormenorizadamente as relações comerciais entre ambas. Como também não existia entre elas (empresas VIDEPLAST) e seus grandes clientes. Todavia, diferentemente do que sugere a Fiscalização, não há nada de incomum nisso e nem quer isso significar que não haja nenhuma disciplina. A uma, porque as operações de compra e venda, na prática Fl. 4410DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.411 32 comercial, nem sempre se reduzem a termo escrito e específico; a duas, porque o sigilo das operações comerciais, em face da concorrência, nem sempre permite formalizar todas as condições do negócio, que, muitas vezes, ficam restritas às partes e baseadas exclusivamente na fidúcia e na fidelidade do cliente. Vejase que também não havia contrato de fornecimento de embalagens entre a VIDEPLAST PLÁSTICOS e a Perdigão, bem como não existia contrato de fornecimento entre a VIDEPLAST EMBALAGENS e a Perdigão. Portanto, o usual nas relações comerciais em que atuavam as empresas residia especificamente na confiança e nas tratativas tomadas pelos seus responsáveis, seja entre o grupo, seja em relação a toda a sua clientela. Foi justamente baseado na boafé, na confiança e na idoneidade das empresas do grupo que elas conseguiram projeção no mercado. No item 3.4.4 a Fiscalização pretende demonstrar a evidência de uma suposta confusão patrimonial e descaracterizar a relação comercial entre a VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS. Em nenhum momento a Fiscalização solicitou esclarecimentos de como se daria o fluxo financeiro das relações comerciais mantidas entre a VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS. Os documentos anexos (Doc. 27) comprovam que a VIDEPLAST EMBALAGENS pagava sim pelas industrializações realizadas pela VIDEPLAST PLÁSTICOS. Consoante se extrai dos mencionados documentos, parte dos pagamentos era realizada via banco e parte era realizada via caixa. Tanto não havia confusão patrimonial que a própria administração fazendária (fls. 14 do TVF) reconhece a existência de rateio de despesas realizado entre todas as empresas do grupo, inclusive VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS. Os custos e despesas da VIDEPLAST PLÁSTICOS eram por ela suportados, independentemente de ser ela tributada pelo lucro presumido ou não; independentemente de deixarem de gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos. O mesmo ocorria com os funcionários, com os financiamentos de máquinas e equipamentos e com as demais despesas. No item 3.4.5 do TVF (fl. 824) a Fiscalização aponta a identidade do objeto social das duas empresas como uma das supostas evidências de planejamento tributário abusivo. Todavia, esse fato, por si só, não tem o condão de justificar ou de evidenciar a existência de planejamento tributário abusivo. É justamente no que divergem os objetos sociais de uma e de outra que se encontra a grande diferença entre ambas. A VIDEPLAST EMBALAGENS tinha a característica de ser a empresa controladora das demais. Portanto, embora todos os objetos sociais da VIDEPLAST Fl. 4411DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.412 33 PLÁSTICOS estivessem presentes na VIDEPLAST EMBALAGENS, a recíproca não é verdadeira, permitindo a adequada distinção entre elas. No item 3.4.6 do TVF (fls. 824 e 826), a Fiscalização aponta a identidade do quadro societário das duas empresas e a simultaneidade nas alterações contratuais como supostas evidências de planejamento tributário abusivo. Mas isso, por si só, não tem o condão de evidenciar a existência de planejamento tributário abusivo. Os atos de rearranjo social situamse na esfera de disponibilidade do patrimônio empresarial, cuja oportunidade e conveniência (de negócios) não podem e não devem sofrer ingerência do Poder Público, quando, como no caso, são lícitos e realizados dentro de um propósito igualmente lícito e útil aos sócios. No item 3.4.7 do TVF (fl. 826), a Fiscalização aponta a identidade da direção das empresas VIDEPLAST PLÁSTICOS e VIDEPLAST EMBALAGENS como suposta evidência de planejamento tributário abusivo. Assim o fez por questão de estratégia de gestão, controle dos negócios e redução de custos e despesas. Esse fato isolado não contribui para evidenciar essa suposta acusação de planejamento tributário abusivo. No item 3.4.8 do TVF a Fiscalização alega a existência de precedentes da VIDEPLAST na utilização de planejamento tributário julgado ilícito. A VIDEPLAST EMBALAGENS pretendia ver assegurado o direito à manutenção dos créditos presumidos de PIS e COFINS nãocumulativos em relação ao saldo inicial dos estoques no primeiro trimestre de 2004, quando ela voltou a ser tributada pelo lucro real, depois de ter autoarbitrado o lucro em 2003. O que restou decidido na esfera judicial é que a VIDEPLAST EMBALAGENS não teria direito ao crédito. Em nenhum momento o Poder Judiciário declarou o pleito da empresa como sendo ilícito. E nem houve qualquer questionamento ou decisão relacionada com o regime de tributação pelo IRPJ. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA QUE FISCO DESCONSIDERE OS EFEITOS DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA PERPETRADA Ademais, em consonância com a jurisprudência majoritária do CARF, inexiste previsão legal que autorize a autoridade fazendária a utilizar o conceito de "abuso de direito" (art. 187 do CC/2002) para, desconsiderando atos jurídicos e afastando uma série de preceitos legais, efetuar lançamentos de ofício. Refirase que o art. 116, parágrafo único do CTN, que talvez pudesse ser alegado em favor da tese do "abuso de direito", não possui aplicabilidade imediata, pois ainda não foi regulamentado por lei ordinária. A Administração Pública submetese ao Princípio da Legalidade estrita (art. 37 da CF/1988): só pode fazer o que a lei expressamente autorizar. INCIDÊNCIA DA MULTA AGRAVADA AUSÊNCIA DE ELEMENTOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DO TIPO PENAL: A conduta apontada pelo Auditor Autuante não se amolda ao tipo penal descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/1964, pois é impossível falarse em Fl. 4412DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.413 34 "modificação das características essenciais do fato gerador" antes de sua ocorrência. Entende que não ocorreu dolo. Os Impugnantes comprovaram que as causas motivadoras da prática de atos de reorganização societária relacionavamse principalmente à busca pela eficiência das empresas, à possibilidade de venda total ou parcial da VIDEPLAST EMBALAGENS à Bemis Company Inc. e a cogitada associação da empresa com a multinacional. De todo modo, mesmo que se pudesse vislumbrar eventual e falaciosa "fraude à lei tributária" (segundo arguido pelo Auditor Fiscal), não seria ela apta a justificar a incidência da multa agravada de 150%, capitulada no art. 44 da Lei n° 9.430/ 1996. EXTINÇÃO DE PARCELA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DECADÊNCIA Os Impugnantes consideram que não ocorreu dolo, fraude ou simulação. Ocorreu, também, o pagamento parcial antecipado dos tributos exigidos (IRPJ e CSLL). Diante dessas circunstâncias, ao revés do que assevera o Auditor Autuante, o critério decadencial a ser aplicado é o previsto no art. 150, § 4o do CTN, que define a data de ocorrência do fato imponível do tributo como dies a quo para a contagem do prazo de decadência. Esse é o entendimento pacífico do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, uniformizado no julgamento do Recurso Especial Representativo de Controvérsia n° 973.733/SC, ao qual submetese a Administração Fazendária segundo imposição expressa do art. 62A do Anexo II da Portaria do Ministro da Fazenda n° 586/2010. Nesses termos, como os Autos de Infração foram lavrados em 18/09/2013 (fls.842 e 879), considera que alguns períodos lançados pela autoridade administrativa foram fulminados pela decadência (art. 156, v do CTN). Pelas razões expostas devem ser cancelados os Autos de Infração de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores consumados em março/2008 e junho/2008, porque aniquilados pela decadência (art. 150, § 4o do CTN). Confirase do quadro abaixo: Fl. 4413DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.414 35 DEVER FAZENDÁRIO DE APLICAR O LUCRO ARBITRADO NOS CASOS EM QUE CONCLUIR PELA "ILEGALIDADE DA OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO LUCRO PRESUMIDO" OFENSA AO ART. 530 DO RIR/1999: A opção legislativa por arbitrar o lucro das pessoas jurídicas que optaram indevidamente pelo Lucro Presumido decorre da impossibilidade da Fiscalização elaborar o LALUR com as adições e exclusões do Lucro Líquido contábil, para se apurar o Lucro Fiscal (Real). Igualmente, a não elaboração do LALUR pela Impugnante (Livro obrigatório de acordo com o art. 260 do RIR/1999) também conduz ao arbitramento do lucro. QUANTO À MULTA QUALIFICADA VIOLAÇÃO À GARANTIA CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO OFENSA AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE E CONTRARIEDADE À JURISPRUDÊNCIA UNÂNIME DO STF; Mesmo que se admitisse a incidência da multa qualificada, o que se afirma apenas para argumentar, também não procederia em relação ao montante cobrado, de R$ 13.081.455,85 (fls. 846 e 879). Se cotejada com o valor dos tributos exigidos, mostrase exorbitante, confiscatória e desproporcional, sem prejuízo de ser absolutamente indevida quanto ao mérito. IMPROCEDÊNCIA DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Os Impugnantes explanam que é absolutamente imprópria a responsabilização dos seus administradores no caso em apreço. Não se compulsam nos autos quaisquer atos praticados dolosamente pelos administradores em excesso de poder, infração à lei ou ao contrato social (art. 135 do CTN). De todo modo, mesmo que se admitisse a prática de atos dolosos dos diretores em infração à lei tributária, a sua responsabilidade é subsidiária em relação ao contribuinte e pessoal, devendose antes esgotar todas as hipóteses de cobrança do devedor principal. O art. 135 do CTN, que prevê a responsabilidade de terceiros, é inaplicável às exigências de multas punitivas (como na hipótese em apreço): a teor do art. 3o do CTN, tributo é uma prestação pecuniária que não constitui sanção de ato ilícito. A penalidade de multa pela prática de suposta infração não se transfere a terceiros por solidariedade, sendo exigível tão somente do sujeito ativo do ato infracional. INOCORRÊNCIA DE ATOS PRATICADOS DOLOSAMENTE PELOS SÓCIOS, APTOS A ENSEJAREM A SUBSUNÇÃO DO ART. 135 DO CTN RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA, INDIRETA E PESSOAL Fl. 4414DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.415 36 VIOLAÇÃO DIRETA AO ART. 135 DO CTN E À JURISPRUDÊNCIA UNÂNIME DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PÁTRIOS. Em virtude do que já foi exposto acima, considera que não há que se falar, portanto, em infração à lei apta a ensejar a responsabilização dos administradores da Impugnante. Alega que o Auditor Autuante não comprovou a atuação direta e dolosa dos administradores nos atos considerados indevidamente como infracionais. Cita o art. 13 do Código Penal, segundo o qual "o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considerase causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido" (grifos e destaques do subscritor) e o art. 1.052 do Código Civil de 2002, que consagra o princípio da "intangibilidade do capital social”, fundado na ideia de que a garantia dos credores (mesmo o Fisco), frente ao risco da atividade econômica, está no capital e no patrimônio social, e não nos bens das pessoas físicas associadas. Esse é o posicionamento unânime dos Tribunais Superiores Nacionais, consagrados nos seguintes precedentes: Recurso Extraordinário n° 562.276/PR (Tribunal Pleno do STF) e Recurso Especial Representativo de Controvérsian° 1.101.728/SP (laSecão do STJ). Frisase, por oportuno, que como o entendimento supra referido foi esposado pela Corte Superior e pela Corte Suprema em decisões definitivas de mérito processadas sob o rito dos arts. 543B e 543C do CPC, a submissão da Administração Fazendária às exegeses jurisprudenciais é irretorquível, mormente face à disposição expressa do art. 62A, Anexo II da Portaria do Ministro da Fazenda n° 586/2010. INAPLICABILIDADE DO ART. 135 DO CTN ÀS MULTAS PUNITIVAS ORA EXIGIDAS IMPOSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE PENALIDADE DE MULTA PELA PRÁTICA DE INFRAÇÕES A TERCEIROS – OFENSA AOS ARTS. 3° E 132 DO CTN: O art. 135 do CTN (responsabilidade de terceiros) é aplicável única e exclusivamente às dívidas tributárias. Assim, em deferência ao art. 3o, 135 e 142 do CTN e à jurisprudência consolidada do STJ e do STF (as quais vinculam a Administração Pública por força do art. 62A, Anexo II da Portaria do Ministro da Fazenda n° 586/2010), é absolutamente ilegal a responsabilidade que foi automática e imotivadamente atribuída aos então sócios da Impugnante. Ao longo de sua impugnação, citam fartamente acórdãos do CARF, entre eles: Acórdãos n° 2202002.187; 10515.822; 110100.708; 1101.00.709; 110100.710; Recursos n° 42.688; n° 132.617 n° 149.524 e 107.137256 (Conselho Contribuintes) e a doutrina. Os Impugnantes requerem que a presente Impugnação seja julgada procedente, cancelandose o Auto de Infração ora combatido, em face dos argumentos manifestados na presente Impugnação. Pedem também que sejam cancelados e extintos os Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados em desfavor dos Sócios Impugnantes. Fl. 4415DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.416 37 Da análise do caso em comento, entendeu a DRJ na forma delineada no acórdão transcrito: Acórdão 1541.960 2ª Turma da DRJ/SDR Sessão de 27 de março de 2017 Processo 11516.723043/201304 Interessado VIDEPLAST INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA CNPJ/CPF 79.687.588/000153 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ILÍCITOS ATÍPICOS. O abuso de direito e a fraude à lei configuram ilícitos atípicos, cuja ocorrência torna inválido o planejamento tributário devendo ser aplicada a norma de tributação que a contribuinte pretendeu evitar. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A constatação de conduta dolosa do sujeito passivo autoriza a cominação da multa de ofício em sua forma qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Restando configurada nos autos a existência de obrigações tributárias decorrentes de atos praticados com infração de lei, resultantes da conduta dolosa mantida pelo gestor da pessoa jurídica autuada, é correta sua inclusão como solidariamente responsável pelo pagamento do crédito tributário devido. IRPJ. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação devese contar o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do inciso I do art. 173, do CTN. PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Mantidas as infrações no presente voto, mantêmse por decorrência as compensações, de ofício, dos prejuízos fiscais Fl. 4416DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.417 38 e da base de cálculo negativa da CSLL da impugnante nos períodos autuados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente as impugnações do sujeito passivo e dos responsáveis solidários, afastandose as preliminares de decadência e nulidade, e mantendose os lançamentos na sua integralidade e a sujeição passiva solidária aos administradores. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Em síntese, os principais argumentos expostos no acórdão da DRJ, para manter a autuação referida, foram os seguintes: a) Preliminares: Decadência parcial / Nulidade do Auto de Infração em relação à CSLL do AC 2008/ Cerceamento de defesa Inicialmente, no tocante à análise da decadência parcial, o acórdão postergou a análise para o final do voto, posto que era necessário adentrar na questão de mérito, se houve fraude ou não. Por fins de economia processual, podese adiantar que o acórdão entendeu pela existência de fraude, julgando improcedente o pleito no que toca a decadência. Afirma ainda não ter havido qualquer nulidade em relação ao Auto. A defesa teria alegado que a CSLL para o ano calendário de 2008 não constava do MPF. Sobre esse ponto, transcrevese o posicionamento do acórdão: Assim, o fato de a CSLL para o anocalendário 2008 porventura não estar constando no MPF não impede que o AuditorFiscal efetue o lançamento do crédito Fl. 4417DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.418 39 tributário, por força da vinculação de sua atividade, considerando, inclusive, que o lançamento da CSLL é decorrente do IRPJ. Descabe, portanto, razão a alegação do contribuinte de nulidade do autoem relação à CSLL do AnoCalendário de 2008. Afirma ainda não ter havido cerceamento de defesa, posto ter o Auditor Fiscal descrito minunciosamente a conduta praticada pela VIDEPLAST EMBALAGENS, além de ter acostado farta documentação. Em seguida, o voto adentra no mérito, aduzindo os seguintes pontos: b) Identidade entre as duas empresas: Inicialmente, o acórdão recorrido entende haver identidade de objeto social, do quadro societário e da direção entre a VIDEPLAST EMBALAGENS e a VIDEPLAST PLÁSTICOS. Entende que a presença de todos esses fatores corrobora a constatação de que a VIDEPLAST PLÁSTICOS serviu apenas como uma interposição formal para propiciar à VIDEPLAST EMBALAGENS a transferência de sua base tributária para o regime do lucro presumido. Apontou ainda, organogramas e gráficos para fundamentar tal conclusão, bem como para demonstrar a evolução da receita bruta da VIDEPLAST PLÁSTICOS, após a cisão parcial da VIDEPLAST EMBALAGENS, com a cessão da maior parte de seus ativos para a matriz da primeira. Anexou gráficos para demonstrar o aumento das receitas da VIDEPLAST PLÁSTICOS. Entendeu que a cisão buscou apenas transferir o lucro da atividade par aa VIDEPLAST PLÁSTICOS, tributada por um regime menos oneroso, qual seja, o de apuração por Lucro Presumido. Se utilizou de tais dados para manter a tese exposta pela Autoridade Fiscal, qual seja, de que “O objetivo buscado foi de transferir a receita oriunda do processo de fabricação de embalagens para outra empresa que, até então, tinha apenas uma baixa receita oriunda de processos de reciclagem, de modo a submetêla a um regime de tributação mais vantajoso – a que a VIDEPLAST EMBALAGENS não poderia optar por ter receitas superiores ao limite legal de opção.” Segue nessa linha, indicando que “no anocalendário seguinte, quando a manobra tributária já não teria mais efeito – vide que a receita decorrente da atividade de fabricação de embalagens já havia superado o limite legal, optaram os dirigentes por desfazer a cisão, através de uma operação de fusão com a incorporação da VIDEPLAST PLÁSTICOS pela VIDEPLAST EMBALAGENS.” c) Separação física das empresas (inexistência) Em seguida, indica, baseada em mapas fotos, que não há uma separação de fato entre as empresas, uma vez que a distância formal entre elas é de apenas 100 metros. Seria assim mais um indício de que as duas empresas se confundiam. d) Relação com o cliente PERDIGÃO Fl. 4418DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.419 40 Nesse ponto, analisa tópico da defesa que indica que parte significativa das receitas da VIDEPLAST PLÁSTCOS advinha de operações com a empresa PERDIGÃO. Indica que a documentação acostada é apta a demonstrar que a cisão não trouxe vantagem, uma vez que a VIDEPLAST EMBALAGENS manteve um extenso rol de clientes, enquanto a VIDEPLAST PLÁSTICOS tinha apenas a PERDIGÃO, além da própria VIDEPLAST EMBALAGENS. Ainda analisando a documentação, afirma que a PERDIGÃO já era cliente da VIDEPLAST EMBALAGENS há muito tempo, no mínimo, desde 2005. Entende, assim, que tal cliente foi transferido da VIDEPLAST EMBALAGENS para VIDEPLAST PLÁSTICOS, com o intuito de mascarar fraude no planejamento tributário. e) Confusão Patrimonial entre as empresas O acórdão recorrido apontou ter sido demonstrado que “a VIDEPLAST PLÁSTICOS emprestava dinheiro às empresas ligadas (conta sintética “1303 – EMPRÉSTIMO EMPRESAS LIGADAS” – saldo inicial em 2008 de R$ 2.199.714,69 e final de R$ 29.670.121,46 fls. 646 – 658). Para a VIDEPLAST EMBALAGENS, tais empréstimos estavam contabilizados na conta analítica “002790 – VIDEPLAST INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA – C/COR.” Indicou ainda a inexistência de contratos sobre tais empréstimos, bem como a não contabilização de juros. Baseado nesses pontos, entendeu que a finalidade dessa operação era apenas “dar a aparência de que havia uma industrialização por encomenda prestada pela VIDEPLAST PLÁSTICOS à VIDEPLAST EMBALAGENS, quando, a realidade dos fatos era que as duas empresas operavam como uma só – exceto para fins tributários (transferir a base tributária da VIDEPLAST EMBALAGENS para uma empresa sujeita a regime tributário menos oneroso)”. f) Resultado da equivalência patrimonial operacional Nesse ponto, indica que os lucros provenientes da empresa controlada VIDEPLAST PLÁSTICOS foram excluídos da apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL quando houve a apuração do Lucro Real da controladora, VIDEPLAST EMBALAGENS. Entende que essa exclusão ocorreu de forma ilícita, via elusão fiscal, por ter sido proveniente de manobra tributária fraudulenta. g) Distribuição do lucro Nessa seara, o acórdão não se alonga. Apenas demonstra entendimento de que a reserva de lucros constituída anteriormente não é apta, por si, a demonstrar a licitude da operação tributária efetuada. h) Custo de produção Fl. 4419DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.420 41 O acórdão da DRJ rebate argumento defensivo que afirma que os custos de vendas da filial de Rio Verde não estão relacionados com as industrializações realizadas pela VIDEPLAST PLÁSTICOS para a VIDEPLAST EMBALAGENS. Por entender que o contribuinte não fez prova dessa afirmação, a afastou. i) Da vantagem fiscal alcançada O Acórdão analisa argumentação defensiva, contra o valor da suposta vantagem fiscal alcançada. Citando trecho do voto, “O Contribuinte, por sua vez, alega que foram ignorados R$ 3.072.426,23 acumulados a título de ICMS (Doc. 32), R$ 1.257.362,51 créditos de PIS/COFINS relativos a operações tributadas no mercado interno (Doc. 33) e R$ 2.026.535,54 de IRPJ/CSLL incidentes sobre os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa acumulados ao final de 2008 (fls. 450 a 452 e 155). O voto rebate essa argumentação, por entender que: h.1) o saldo de prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa acumulados em 2008 decorreram expressamente do planejamento tributário efetuado pelo contribuinte; h.2) que a Receita Federal não aceita a dedutibilidade dos créditos de ICMS para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo do CSLL; h.3) em relação ao PIS/PASEP, transcrevemos trecho do voto que explica o raciocínio aplicado: Em relação aos créditos de PIS/Pasep e Cofins, observase que, ao contrário do alegado pela impugnante, o planejamento tributário abusivo gerou uma vantagem fiscal indevida para o grupo, graças à combinação dos regimes de incidência do PIS/Pasep e da COFINS. Conforme expõe a Fiscalização, a VIDEPLAST PLÁSTICOS, tributada no regime de incidência cumulativa, recolhia débitos equivalentes a 3,65% de sua receita. Concomitante, gerava créditos de 9,25% para sua controladora VIDEPLAST EMBALAGENS, que os aproveitava no regime de tributação não cumulativa das contribuições, gerando uma diferença de R$ 3.212.286,01. Pelo tanto, afirma que a vantagem fiscal é apta a demonstrar uma preponderância do interesse tributário na manobra efetuada pela empresa. j) Atos Declaratórios Interpretativos RFB nº 20, 13/12/2007 e nº 26, de 25/04/2008 Nesse momento, o acórdão não recepciona a tese do contribuinte de que, à época da cisão, a alíquota aplicável aos serviços efetuados pela VIDEPLAST PLÁSTICOS pelo regime do Lucro Presumido era de 32%, mais severos do que se fosse pelo regime de Lucro Real. A defesa alegou ainda que a revogação do ADI RFB nº 20 reduziu tal alíquota a 8%. O acórdão entende, contudo, que à época do planejamento tributário, já era sobre a alíquota de 8%. Pelo tanto, não acatou a tese de defesa. Fl. 4420DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.421 42 k) Abuso do direito de autoorganização O acórdão da DRJ cita trechos da doutrina e da legislação pátria para fundamentar sua tese, qual seja, de que o direito de autoorganização não é absoluto. Interessante a transcrição de trecho do voto, nesse sentido: “Percebese ao analisar os fatos e os argumentos do impugnante, acima relatados, que ocorre no caso uma estreita ligação econômica, financeira, administrativa e patrimonial entre as duas pessoas jurídicas. A única separação, a formal, é utilizada para fins de redução da carga tributária. Não se contesta a criação da VIDEPLAST PLÁSTICOS, mas a forma de sua operacionalização, que se confunde em todos os aspectos com a da VIDEPLAST EMBALAGENS, quer social, financeira, administrativa, funcional, localização física dosestabelecimentos e atividades, e cuja principal fonte de receitas justamente provém da VIDEPLAST EMBALAGENS “ Entende ainda que a argumentação apresentada pela empresa para justificar a reorganização societária foi deveras genérica. Em relação ao argumento de que o propósito negocial restara demonstrado por uma possível venda para a empresa Dixie Torga S.A., julgou insuficiente l) Fraude à lei Para a DRJ, o contribuinte buscou burlar a legislação tributária, para fugir da norma legal que impunha tributação dos resultados com base no lucro real. Tal fato resultaria em fraude à legislação tributária. m) Inoponibilidade atos ao Fisco Reafirma que o direito à autoorganização não é absoluto, e que a operação efetuada pelo contribuinte foi artificial. n) Tributação pelo Lucro Arbitrado A DRJ apenas demonstra seu entendimento de que o procedimento correto de apuração do lucro é de “fazer com que a receita indevidamente transferida seja tributada pela sistemática de apuração correta – que no caso é o lucro real”. o) Lançamento decorrente. CSLL e compensações indevidas do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Manteve o lançamento pelos fatos elencados nos autos. Manteve também as compensações de ofício dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL nos períodos impugnados. Fl. 4421DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.422 43 p) Qualificação da multa de ofício Resumidamente, entende a DRJ de que restou demonstrada fraude fiscal, e que tal fato é apto a atrair a aplicação da multa de ofício. q) Responsabilidade Solidária O acórdão recorrido segue entendimento de que “os sócios NEREU DE NARDI, CLAUDIR DE NARDI, GERALDO DENARDI e CÉLIO DE NARDI estavam à frente da administração da VIDEPLAST EMBALAGENS e VIDEPLAST PLÁSTICOS e tiveram participação direta nos atos que resultaram na infração à lei tributária, conforme demonstrado no item 6.3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 835). Logo, entendeu correta a imputação a estes como responsáveis solidários. o) Demais questões referentes à alegação de inconstitucionalidade, não confisco,razoabilidade, proporcionalidade e jurisprudência Na análise final do voto, a DRJ argumentou que as Autoridades Fiscais agiram de acordo com os ditames constitucionais e legais. Alegou ainda, em relação à jurisprudência, “cabe destacar que decisões judiciais e administrativas não atinentes ao caso concreto, eventualmente apresentadas nos autos como paradigmas jurisprudenciais, são, em verdade, atos jurídicos que produzem efeitos interpartes, não tendo eficácia erga omnes e não constituem legislação tributária, à luz do CTN, artigos 96 e 100. Por conseguinte, não vinculam esta instância julgadora, conforme a dicção do artigo 472 do Código de Processo Civil (CPC), a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros”. Inconformada com a decisão prolatada, o contribuinte e os coresponsáveis tributários interpuseram Recurso Voluntário. Nele, foram elencadas diversas razões pelas quais entenderam equivocada a decisão supra, sendo elas: a) Existência de causas extrafiscais que desencadearam as operações societárias (cisão parcial da videplast embalagens e posterior incorporação da videplast plásticos) – objetivos prevalentemente comerciais, produtivos e societários – improcedência da conclusão de que houve um“planejamento tributário abusivo: Dentro desse tópico, alegam razões que julgam apta a demonstrar a legalidade das operações societárias realizadas, e que estas não tinham como objetivo precípuo e único a redução de carga tributária. Dentre os principais argumentos, elenca: a.1) alteração do cenário em que estava inserido o grupo Videplast com a proposta de aquisição de quotas por empresa multinacional líder no comércio de embalagens flexíveis – necessidade de adequação do negócio e de fracionamento das operações face à abertura ao mercado externo, possibilidade de crescimento e manutenção de parte das atividades com os sócios em outras empresas: Nesse ponto, alega, em síntese, que a possibilidade da empresa ser incorporada por uma multinacional ensejou em razão apta a modificar sua estrutura societária, sendo isso inclusive indicado pela empresa proponente; Fl. 4422DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.423 44 a.2) vantagens produtivas, comerciais e societárias referidas nos protocolos de cisão/incorporação e provenientes das operações societárias promovidas pelos recorrentes – aumento das admissões de funcionários, incremento de lucros, investimentos em imobilizado e tecnologias modernas e abertura de novas filiais em regiões antes não atendidas: a.3) dos aspectos operacionais envolvidos e do regime de tributação aplicável – no momento que a Videplast plásticos optou pelo lucro presumido (janeiro/2008) a tributação que vigorava para seus resultados era mais onerosa do que a suposta pelo acórdão recorrido – vigência do adi/rfb no 20/2007, para as prestações de serviço de industrialização por encomenda. Nesse ponto, demonstra que, quando houve a operação societária, a ADI/RFB nº 20/2007 estava em vigor. Pela aplicação desta, a VIDEPLAST PLÁSTICOS, ao ser tributada pelo Lucro Presumido, seria sobre alíquota de 32%, ou seja, não seria monetariamente vantajosa. b) Aplicação da jurisprudência majoritária do carf (acórdãos nº 1101 00.710, 2202002.187 e 3302003.138) – licitude e legitimidade da reorganização societária – propósito negocial extratributário e ausência de fraude à lei, simulação ou abuso de direito – anterioridade das operações sociais à consumação do fato gerador dos tributos: Nesse ponto, a defesa intende demonstrar a compatibilidade entre a operação realizada e as balizas delineadas pelos julgados do CARF, aptos a auferir a legalidade da operação; sendo elas: b.1) existência comprovada de causas extrafiscais motivadoras da realização de atos de organização societária – inocorrência de abuso do direito de autoorganização e de abuso da personalidade jurídica – ofensa às garantias fundamentais da legalidade, liberdade de associação e livre iniciativa; b.2) da licitude dos atos praticados pelas sociedades – da inexistência de simulação e fraude à lei tributária; b.3) da anterioridade das operações societárias ao fato gerador do IRPJ e da CSLL exigidos na autuação fiscal; c) Desconstituição de todas as premissas sobre as quais se assenta a ação fiscal – inexistência das “evidências” apontadas de planejamento tributário abusivo – inocorrência de infrações à legislação tributária; Na terceira razão elencada para reforma do acórdão, a defesa se debruça sobre as evidências apontadas no Termo de Verificação Fiscal, e busca desconstituílas, uma a uma, nos seguintes termos: c.1) Ausência de identidade entre as duas empresas – as semelhanças entre os objetos sociais decorriam justamente do fato de a videplast plásticos prestar serviços de industrialização por encomenda à videplast embalagens : Alega o recorrente que há diferença entre os objetos sociais das referidas empresas, e que a semelhança entre eles decorria de operação integrada entre as empresas; Fl. 4423DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.424 45 c.2) Efetiva separação física entre as empresas – situadas em imóveis próprios, assim contabilizados e registrados nos órgãos competentes – decisões do carf que permitem a instalação de empresas do mesmo grupo na mesma área geográfica: A defesa se baseia em decisões do CARF, dentre outros pontos, a demonstrar que a proximidade entre os endereços das empresas em análise não são aptos a levar a conclusão de que houve simulação na cisão societária; c.3) Da relação do grupo videplast com a cliente “perdigão” – serviços de industrialização por encomenda prestados pela videplast plásticos ainda antes da cisão parcial – no ano de 2008 a videplast embalagens continuou vendendo produtos à Perdigão: nesse ponto, é atacado ponto do Acórdão recorrido, que indica ter sido o cliente Perdigão transferido da VIDEPLAST EMBALAGENS a VIDEPLAST PLÁSTICOS, para disfarçar o real objetivo da operação. Em sua defesa, alega que não há transferência, posto que a primeira permanecia vendendo embalagens plásticas, enquanto a segunda lhe prestava um serviço diverso (industrialização por encomenda), em consonância com o propósito de segregação de atividades operacionais após cisão parcial da empresa controladora; c.4) Inexistência de confusão patrimonial entre a videplast plásticos e a videplast embalagens – segregação de atividades,receitas, bens e custos e existência de rateios de despesas entre as empresas integrantes do grupo videplast: A fiscalização aponta que a existência de empréstimos entre controladora e controlada são indicativos de confusão patrimonial, uma vez que não havia contratos entre tais empréstimos, e tampouco eram contabilizados juros. Entende que os empréstimos eram uma forma de efetuar o retorno à VIDEPLAST EMBALAGENS de valore pagos por ela a VIDEPLAST PLÁSTICOS, a título de industrialização por encomenda. Rebate tal tese, alegando que a VIDEPLAST PLASTICOS emprestou dinheiro a outras empresas do grupo, que não encomendavam serviços de industrialização. Demonstra ainda que a própria alegação de que os rateios de despesa funcionavam como amortização dos referidos empréstimos afastam a tese fazendária de que estes ocorriam como devolução do pagamento realizado à VIDEPLAST PLÁSTICOS pela industrialização por encomenda. Elenca ainda dispositivos legais que julga aptos a pugnar pela legalidade dos empréstimos, na forma ocorrida; c.5) do resultado da equivalência patrimonial – estrita observância à determinação contida no art. 389 do rir/1999: a defesa elenca julgados do CARF e disposições legislativas com o intuito de demonstrar a legalidade da operação de equivalência patrimonial entre as empresas do grupo econômico; c.6) Ponderações quanto ao lucro distribuível aos sócios da VIDEPLAST EMBALAGENS: Nesse ponto, foca em rebater o argumento da administração fazendária de que um dos indícios de planejamento tributário abusivo seria a disponibilização do lucro adicional propiciado pela elusão fiscal descrita aos controlados do grupo. Para tanto, afirma que as empresas, em especial AVIDEPLAST EMBALAGENS tinham consideráveis valores acumulados e contabilizados de lucro, em exercícios anteriores – aponta o valor de R$ 40.527.607,40 de saldo de lucros acumulados passíveis de distribuição aos sócios e isentos do Imposto de Renda Pessoa Física .Pelo tanto, afirma que, ser desnecessário um planejamento tributário abusivo para tanto, por já haver uma reserva considerável de lucro acumulado. Aponta em seguida dispositivos legais, em especial do Código Civil, que indicam ser o lucro o fim precípuo da sociedade empresária; Fl. 4424DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.425 46 c.7) Do custo de produção: visa rebater ponto afirmado, tanto no TVF quanto no acórdão recorrido, de que praticamente todo o custo contabilizado pela VIDEPLAST EMBALAGENS ser proveniente das industrializações realizadas pela VIDEPLAST PLÁSTICOS é apenas mais um indício do planejamento tributário. Em defesa, afirma a legalidade da operação de industrialização por encomenda prestada pela VIDEPLAST PLÁSTICOS à VIDEPLAST EMBALAGENS. Afirma ainda que tal constatação demonstra apenas não ter ocorrido confusão patrimonial, por restar caracterizada a individualização dos custos; e que, após a cisão, a VIDEPLAST PLÁSTICOS prestava serviços de industrialização por encomenda à VIDEPLAST EMBALAGENS, que não eram fictícios ou simulados e que eram efetivamente cobrados da Controladora, gerandolhe um custo; c.8) Da vantagem fiscal alcançada – consequência involuntária potencializada pela revogação fazendária do adi nº 20/2007 –propósito extrafiscal prevalente já comprovado nos autos: a defesa reafirma o já exposto em outro momento do Recurso: de que, a época da operação societária analisada, a alíquota prevista para a VIDEPLAST PLÁSTICOS, para Lucro Presumido, era de 32%. Essa foi de reduzida a 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL em razão da revogação da ADI nº 20/2007. Afirma que a vantagem fiscal apurada decorreu dessa revogação ato próprio da administração, e impossível de ser previsto pelas empresas analisadas. d) Inexistência de autorização legal para que fisco desconsidere os efeitos da reorganização societária perpetrada sob a alegativa de “abuso de direito” – ofensa ao princípio da legalidade e violação direta aos arts. 109, 116, § único e 142 do ctn – contrariedade à jurisprudência do carf expressa nos acórdãos nº 110100.710, 110100.708 e 110100.709: Alega a defesa que a jurisprudência majoritária do CARF entende não existir previsão legal que autorize a autoridade fazendária a utilizar o conceito de “abuso de direito” (art. 187 do CC/2002) para, desconsiderando atos jurídicos e afastando uma série de preceitos legais, efetuar lançamentos de ofício. Cita outras jurisprudências da mesma corte com o intuito de afastar a aplicação do art. 116, p.u., CTN, por não possuir aplicabilidade imediata, não tendo sido regulamentado por lei ordinária. e) Improcedência da multa qualificada inocorrência de fraude no sentido penal, única apta a autorizar a incidência da multa agravada – ausência de elementos objetivos e subjetivos do tipo penal Ponto da defesa no qual o contribuinte pretende ver afastada a multa qualificada de 150%. Fundamenta sua tese na suposta ausência dos elementos objetivos e subjetivos do tipo penal previsto no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Elenca doutrina e decisões do CARF. f) Extinção de parcela do crédito tributário pela decadência – inocorrência de dolo, fraude ou simulação – violação ao art. 150, § 4º do CTN: Fl. 4425DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.426 47 Em seguida, afirma, como decorrência lógica de sua argumentação pela ausência de dolo, fraude ou simulação, que o prazo decadencial do tributo deveria respeitar o art. 150, §4º, CTN, cujo marco inicial é a ocorrência do fato imponível. Requer, assim, que os tributos cujo fatos geradores se concretizaram em 31/03/2008 e 30/06/2008 sejam declarados decaídos. g) Quanto à multa qualificada de 150% – violação à garantia constitucional do não confisco – contrariedade à jurisprudência unânime do STF firmada em sede de repercussão geral (art. 62, § 2º do RICARF): Retorna à questão da multa qualificada de 150%, dessa vez, pugnando seu afastamento por violação ao princípio constitucional do não confisco. Colaciona jurisprudência do STF quanto ao tema. h) Improcedência da responsabilidade tributária solidária automática e imotivadamente imputada aos sócios diretores da empresa impugnante (parcialmente cindida) Pede pela exclusão dos administradores da VIDEPLAST EMBALAGENS, por entender não ter restado configurado qualquer ato dolosamente pelos administradores em excesso de poder, infração à lei ou ao contrato social (art. 135 do CTN), bem como pela inaplicabilidade do art. 135 CTN a exigências de multas punitivas. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Inicialmente, cumpre destacar que, da análise da documentação acostada, observase que os Recursos Voluntários apresentados cumprem os requisitos de tempestividade, portanto, deles conheço. Em apertada síntese, a fiscalização entendeu que a reorganização societária teve como único objetivo burlar normas tributárias, conforme exposto no relatório, e nos autos do processo. O contribuinte, por sua vez, aduz que a não cabe à Administração Tributária perfazer tal análise, posto que carece de fundamentação legal adequada. Indica que tais operações continham propósito negocial, elencando argumentos para corroborar tal tese. Aduz que, ainda que se adentrasse nesse mérito, o referido propósito existe, tendo apresentado uma série de fatos que entendeu apto a fundamentar esse ponto. O caso em comento, em que pese o grande número de tópicos analisados tanto pela Administração Tributária, quanto pelo contribuinte, gira em torno de uma questão: a legitimidade – ou não – das operações societárias perpetradas pelo contribuinte. Fl. 4426DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.427 48 Da análise dos autos, não demanda maiores ilações a conclusão de que, entendendo ter sido o planejamento societário e tributário lícito, deve ser afastada a autuação combatida. A contrario sensu, caso entenda ter sido este abusivo, fraudulento, a autuação é mantida. As questões relativas a decadência de parcela do crédito tributário tem correlação com a abusividade ou não do planejamento analisado. Por tal razão, serão analisadas posteriormente neste voto. Não há como tratar da questão da abusividade ou não de um planejamento tributário sem fazer menção a alguns dispositivos legais. Inicialmente, a inovadora alteração legislativa trazida pelo Código Civil de 2002, em seu artigo 187: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes Sobre a aplicação desse artigo, importante a lição de Maria Rita Ferragut, no clássico “As provas e o Direito Tributário – Ed. Saraiva, 2016, pg.121: Somos do entendimento de que não há, no direito positivo brasileiro, enunciado que determine ao contribuinte a busca da via negocial mais onerosa em termos tributários, nem a proibição pela menos onerosa. (...) E segue: O CTN trata de forma específica dos defeitos de um ato ou negócio jurídico (arts. 116, parágrafo único, 149, VII, 150, § 4º, 154, 155, I e 180) contemplando somente as hipóteses de dolo, fraude e simulação, inclusive à relativa (dissimulação). Em razão disso, entendemos que o legislador não submeteu o abuso de direito e o conteúdo econômico dos fatos ao tratamento dispensado pela legislação civil. Abuso de direito e abuso de formas jurídicas são figuras referidas apenas na exposição de motivos da Lei Complementar nº 104/2001, que circunscreveu a possibilidade de requalificação à ocorrência de dissimulação. Havendo na legislação tributária tratamento específico para os defeitos dos atos ou negócios jurídicos, é essa legislação – e não a de natureza civil – que deverá pautar os limites da autuação do contribuinte. Assim, a requalificação de fatos típicos tributários, por autoridade administrativa ou judicial, Fl. 4427DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.428 49 só poderá ocorrer se restar devidamente comprovada a ocorrência de dolo, fraude, simulação ou dissimulação. (pg. 127) Entendemos acertada tal posição. Nessa linha, vejamos a previsão do art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária Como se sabe, tal lei jamais foi criada. Esse fato gera grande insegurança jurídica, tanto para os contribuintes quanto para a Administração Pública, deixando importantes questões relacionadas à arrecadação tributária à mercê de subjetividades. Com o intuito de minorar tal dano, a doutrina e jurisprudência do CARF tem tentado conferir critérios mais objetivos aptos a determinar quando uma operação tributária é abusiva ou não. A supracitada obra de Maria Rita Ferragut, referência nesse sentido, estabeleceu a diferença entre elisão fiscal – permitida – e evasão fiscal – vedada pelo ordenamento: Elisão fiscal é a quantificação do ato ou da série de atos que visam à economia fiscal, mediante a utilização de alternativas menos onerosas, autorizadas em lei. Não há simulação. Dentre ao menos duas alternativas possíveis, o sujeito opta pela menos onerosa, tal como ocorre com o planejamento fiscal. Já evasão fiscal é a qualificação do ato omissivo ou comissivo, de natureza ilícita, praticado com o fim único de diminuir ou eliminar a carga tributária, ocultando o verdadeiro o ato ou a real situação jurídica do contribuinte. Dado seu caráter ilícito e danoso, é dever do Estado combater preventivamente a evasão, bem como punir severamente seus responsáveis, segundo graduações variáveis conforme características de cada caso. Após importante diferenciação, a renomada doutrinadora apresenta a título exemplificativo, exemplos de operações consideradas como elisão: 1. Constituir dentro de um mesmo grupo econômico duas pessoas jurídicas, uma industrial e outra prestadora de serviços, se os negócios forem Fl. 4428DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.429 50 efetivamente distintos e as estruturas forem autônomas ou, se compartilhadas, que exista remuneração. 2. Aproveitamento de ágio nas hipóteses legais. 3. Compensação de prejuízo fiscal acumulado por sociedade que incorpora outra lucrativa. 4. Estabelecimento de empresa em município com menor alíquota do ISS. 5. Integralização de imóvel no capital da pessoa jurídica, em vez de operação de compra e venda do bem. 6. Construção de fábrica e centro de distribuição em Estado que ofereça benefícios fiscais de ICMS. A despeito da clara insegurança jurídica que a análise da motivação dos contribuintes, em situações como a descrita acima, ou seja, apesar do contrassenso que seria permitir aos julgadores deste Conselho que averiguassem o intuito daqueles que agiram em conformidade com a lei tributária, o assunto merece uma análise mais detida. Em sua marcante tese de doutoramento (“Teoria da Imposição Tributária”, Ed. Saraiva, 1983) Ives Gandra da Silva Martins, apresentou pela primeira vez, à luz do direito tributário moderno, que o tributo correspondia a uma norma de rejeição social. Na sua brilhante obra, argumentou que a norma tributária não goza da mesma aceitação que normas como a do direito à vida. Neste sentido, chegou à conclusão de que, quanto à norma tributária, tratavase de norma de restrição de direitos em favor da sobrevivência do Estado, retirando da sociedade parcela daquilo que produz, objetivando o preenchimento das finalidades públicas. A norma de rejeição social implica sempre restrição de direitos. No mesmo sentido, a norma tributária implica restrição do direito à propriedade, aos rendimentos e ganhos do trabalho e capital e proventos de qualquer natureza, razão pela qual os princípios pertinentes à norma de rejeição social são igualmente aplicáveis à norma tributária. Na vanguarda de tais princípios, estão aqueles que compõem o primado da legalidade, estes: o princípio da estrita legalidade (apenas o que estiver plenamente desenhado na lei obriga), da tipicidade fechada (impõe que o legislador preveja, na maior medida do possível, os aspectos necessários à constituição do fato gerador) e o princípio da reserva da lei (vincula a imposição tributária à reserva de lei formal, entendida como aquela elaborada com participação precípua da representação popular). Para o debate em tela, reservome à análise do princípio da estrita legalidade que, em outras palavras, decorre do caráter de restrição imputados tanto à Administração quanto ao Administrado. Sobre o referido princípio Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 35ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 41.) expressa: “A legalidade, como princípio de administração (CF, art. 37, caput), significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de Fl. 4429DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.430 51 praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. A eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da Lei e do Direito. É o que diz o inc. I do parágrafo único do art. 2º da Lei n. 9.784/99. Com isso, fica evidente que, além da atuação conforme à lei, a legalidade significa, igualmente, a observância dos princípios administrativos.” Como exposto, o princípio da estrita legalidade aplicado à Administração, compreende a ideia de subordinação da Administração Pública às leis, sendo que esta somente poderá fazer aquilo determinado em lei, e não aquilo que a lei expressamente proibir. Estando, o ato administrativo, estritamente aprisionado aos quadrantes da lei, não cabe à Administração adentrar na motivação do particular em proceder conforme os ditames legais. A alegação de que as operações realizadas não tiveram real propósito negocial advém de construção jurisprudencial estrangeira que não encontra validade no nosso Ordenamento Jurídico, justamente por conflitar com uma gama de princípios, como o da Legalidade Tributária, descrito acima, além de outros princípios como a livre de iniciativa, estes últimos provenientes da Ordem Econômica. Como leciona Maria Rita Ferragut em obra de rara importância sobre as provas no direito tributário, e pelo tanto, amplamente citada nesse voto, o planejamento fiscal é constitucional e legal. Assim como Fisco, o contribuinte pode e deve organizarse, planejarse e buscar as alternativas legais mais vantajosas para a realização de seus objetivos sociais De posse de tais informações, o confronto da teoria com o caso concreto simplifica o deslinde do caso. Na situação em análise, observase que não há nenhuma ilicitude no planejamento tributário perpetrado pelo contribuinte, posto que não há vedação legal a tal. Segue, nesse sentido, alguns acórdãos do CARF, aptos a corroborar tal entendimento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SIMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Simular é o ato de fingir, mascarar, esconder a realidade, camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro, eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado será nulo. Não é simulação o desmembramento das atividades por empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Recurso de Ofício Negado (Acórdão 3302003.138; Relator: Walker Araújo; Data da Sessão:17/03/2016) Fl. 4430DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.431 52 DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas s6 pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. ( Acórdão 110100.710; Relator(a):Edeli Pereira Bessa; Data da sessão: 11/04/2012) CONTRATOS DE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. ART. 565, CÓDIGO CIVIL. DESCABIMENTO DA ANÁLISE ACERCA DA EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Os contratos de locação de veículos automóveis não podem ser desconsiderados quando atendidos os requisitos previstos no art. 565, do Código Civil, ou seja, a cessão de coisa a outrem; por tempo determinado ou não; coisa não fungível e mediante certa retribuição. Afastase a possibilidade de desconsideração do contrato com base na alegada inexistência de propósito negocial, por inexistir de disposição legal a determinar, identificar, ou apontar o que deva ser tido por “propósito negocial”; do mesmo modo, não cabe à autoridade fiscal a discricionariedade de apontar em quais operações existe e em quais não existe proposta negocial. (Acórdão 1302002.623; Relator(a): Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa; Data da Sessão: 13/03/2018) Fl. 4431DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.432 53 As ementas acima são contundentes ao afirmarem que a existência de propósito negocial seria apenas um “plus” para demonstrar a validade e lisura das operações societárias; não havendo fundamento para a referida exigência no âmbito da legalidade, nem cabendo à Administração realizar exigências diversas das previstas em lei. Neste ponto, é importante pontuar que a lei tributária assume seu atributo de imperatividade quando constatada a ocorrência do fato jurídico tributário, não tolerando outra conduta do sujeito passivo que não o adimplemento da obrigação tributária, sob pena de sanção punitiva. Contudo, a imperatividade da lei tributária reside, justamente, no consequente de sua norma, ou seja, na obrigação do sujeito passivo em recolher um valor exprimível em moeda ao sujeito ativo da prestação. Esta obrigação decorre da verificação de um fato ocorrido em determinada local e tempo, e constituída por meio do lançamento tributário. Assim, se o atributo imperativo da lei tributária está em seu consequente, concluise que somente haverá fraude à referida lei, se seu comando (recolher tributo) for frustrado por quem incorra no fato jurídico tributário. Não existe, contudo, qualquer comando imperativo no antecedente da norma tributária obrigando o particular a incorrer no fato jurígeno tributário, sendo ele livre para organizarse da forma que, licitamente, lhe oferte menor oneração. Por outro lado, é importante ressaltar que mesmo os atos procedidos pelo contribuinte em plena atenção às disposições legais podem ser desconsiderados uma vez constatada a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, isto é, quando se comprove que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, o ato cujo efeito é consoante o ordenamento, não pode ser considerado como abusivo. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros. A liberdade de iniciativa e autoorganização de que dispõe a iniciativa privada é uma garantia constitucionalmente assegurada que, como tal, não deve sofrer restrições. Assim, se o legislador emite norma que permite a utilização de métodos como a equivalência patrimonial possibilitando sua dedução da base de cálculo de impostos como o IRPJ e da CSLL, bem como da escolha de regimes de tributação – Lucro Presumido e Lucro Real a não tributação não pode ser considerada resultado abusivo. Logo, não cabe à administração tributária desconsiderar atos acobertados pela legislação pátria, por total ausência de previsão legal. Ad argumentandum, contudo, ainda que se adentrasse no mérito se houve propósito negocial ou não, assistiria razão ao recorrente. A fiscalização não apresentou provas aptas a demonstrar qualquer abusividade na conduta do contribuinte. Partiu de meras ilações e suposições para desconstituir operações acobertas pelo manto da legalidade. Fl. 4432DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.433 54 O contribuinte, por sua vez, demonstrou em sua defesa a legitimidade das operações societárias produzidas. Dentre os pontos levantados pela defesa, entendese importante destacar alguns, aptos a corroborar as operações perpetradas. Inicialmente, cumpre citar a proposta de venda do grupo econômico em questão à empresa DIXIE/BEMIS. Alterações estruturais de empresas são comuns em momentos que precedem esse tipo de operação, em especial no tocante à divisão entre as atividades de administração e as de fabricação, como ocorreu no caso em comento, entre a VIDEPLAST EMBALAGENS e VIDEPLAST PLÁSTICOS. Tal ponto, aliado à perspectiva de abertura de novas filiais, aumentar o número de empregados e aumento no investimento de imobilizados, demonstram que a motivação não foi unicamente tributária. Esse argumento também vale para a posterior incorporação da VIDEPLAST PLÁSTICOS pela controladora, VIDEPLAST EMBALAGENS. Não há nos autos qualquer prova que demonstre que tal incorporação tinha como objetivo burlar o fisco. Em contrário, há demonstrações de que o grupo econômico legitimamente entendeu não haver mais razão para a divisão das empresas, e pelo tanto, procedeu a unificação destas. O método de equivalência patrimonial, atacado pela administração fazendária, é legítimo, previsto em lei, e foi utilizado corretamente. A proximidade entre as sedes das empresas não presta, por si só a demonstrar confusão patrimonial. O CARF já se manifestou nesse sentido: Processo n°.11516.002464/200407 Recurso n 132.617 Voluntário Matéria IPI Auto de Infração Acórdão n° 20181.306 • Sessão de 06 de agosto de 2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI • Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 IPI. SIMULAÇÃO.' INEXISTÊNCIA. Não é simulação a instalação .de duas empresas na mesma área geográfica com. o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta,de depósito Mantida junto a instituição financeira, Fl. 4433DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.434 55 quando o contribuinte, .regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e 'idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SALDO CREDOR DE CAIXA. MAIOR SALDO DO ANO. Demonstrada a existência de saldo credor da conta Caixa em diversos momentos do período de apuração, é permitido computar o maior ,saldo 'credor do período como valor da receita omitida para fins de tributação. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à* autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio, nos moldes da legislação que a instituiu. . JUROS DE MORA.. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. " INTIMAÇOES. DESTINATARIO. 'Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser emitidas em nome do sujeito passivo e endereçadas ao domicílio fiscal por ele eleito. Recurso voluntário provido em parte. A fiscalização também não se desincumbiu de demonstrar indício de fraude ou simulação na escolha dos regimes de tributação por parte da recorrente. O que se percebe, da análise dos autos, é que este respeitou os ditames legais. Desta feita, restando demonstrado o propósito negocial das operações, não há como a fiscalização afastar os efeitos desta. Neste sentido, colaciono as seguintes ementas provindas de Acórdãos deste Conselho: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente.A Fl. 4434DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.435 56 utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude (Acórdão nº 1302002.045; 3ª Câmara; Relator: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa; Data da sessão: 16/02/2017) TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. Bem como, notase que tal regra não está presente em nenhum outro dispositivo legal de nosso sistema jurídico, seja nacional ou federal. Neste tom, registrase, nenhuma norma pátria veda que a realização de negócios tenha por finalidade a redução da carga tributária deforma lícita. É o que se observa no §3º, art. 2 o da Lei das SA, o qual dispõe que a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades (empresa veículo), também, como forma de beneficiarse de incentivos fiscais. Somese a tal assertiva o fato de que a contribuinte possuía motivação negocial, clara, posto que encontravase impedida, por regras da ANEEL, de realizar a incorporação diretamente. Motivo pelo qual se valeu de uma empresa veículo. (Acórdão nº 1302001.978; Relatora: Talita Pimenta Felix; Data da Sessão: 14/09/2016) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresa veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. (Acórdão nº 1201001.507;Relator: Luis Fabiano Alves Penteado; Data da Sessão: 14/09/2016). Fl. 4435DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.436 57 LEGITIMIDADE DO ÁGIO. PARTES INDEPENDENTES. Do ponto de vista negocial que é o enfoque relevante para fins de verificação da legitimidade de ágio , mesmo que combinem a estruturação de um negócio, as partes permanecem ocupando polos de interesses antagônicos, desde que não submetidas a um comando único. Em outras palavras, o fato de as partes interessadas conjuntamente definirem a estruturação do negócio não retira delas o atributo de independência, caso se verifique que não se encontrem submetidas a um único polo de interesses. (...) EMPRESA VEÍCULO. COMPRA ALAVANCADA. PROPÓSITO NEGOCIAL. Na hipótese em que restar evidenciada a presença de outra finalidade além da economia tributária produzida que justifica a existência, ainda que efêmera, de sociedade investidora que venha a ser incorporada pela sociedade na qual possuía participação societária adquirida anteriormente com ágio, como no caso da chamada “compra alavancada”, é legítimo o aproveitamento das amortizações do referido ágio pela incorporadora, à luz do que dispõe o inciso III do art. 386 do RIR/99. (Acórdão 1301003.469; Relator(a): Carlos Augusto Daniel Neto; Data da Sessão:20/11/2018) ÁGIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. DEDUTIBILIDADE. É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio tiver sido regularmente constituído em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes, lastreadas em expectativa de rentabilidade. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. Fl. 4436DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.437 58 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃOREVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA. No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.(Acórdão 1301 003.284; Relator(a):Amélia Wakako Morishita Yamamoto; Data da Sessão:14/08/2018) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. SUBSIDIARIAMENTE. EXISTÊNCIA DE EFETIVA RAZÃO EXTRA TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. No caso concreto as Recorrentes comprovaram existir razões de ordem negocial e restrições impostas pela Resolução CMN 2.325/1996 que justificam as operações realizadas. (Acórdão 1401002.835; Relator(a): Daniel Ribeiro Silva; Data da Sessão:15/08/2018) Logo, em face do exposto, tendo os atos sido procedidos em conformidade com a lei; não havendo fraude, dolo ou simulação na execução dos mesmos, e não sendo dada Fl. 4437DF CARF MF Processo nº 11516.723043/201304 Acórdão n.º 1302003.290 S1C3T2 Fl. 4.438 59 a análise quanto à existência, ou não, de propósito negocial, considero PROCEDENTE o pedido de cancelamento integral dos autos de infração recorridos. Por fim restam prejudicados a apreciação dos argumentos de decadência, qualificação da multa e responsabilidades dos sócios administradores. Do reflexo do julgamento quanto a CSLL Por fim, quanto ao auto de infração de CSLL decorrente da exigência principal, o decidido quanto ao IRPJ, deve ser aplicado à exigência reflexa. Conclusão Conforme o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte para cancelar a presente exigência e os Termos de Sujeição Passiva Solidária, decorrentes dos Autos de Infração em tela. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 4438DF CARF MF
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Numero do processo: 12267.000076/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/1991. PAGAMENTOS VINCULADOS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não atestados recolhimentos por parte da prestadora, vinculados especificamente aos serviços prestados à empresa tomadora, prova que essa poderia realizar houvesse observado a legislação, mantém-se a imputação de responsabilidade solidária.
Numero da decisão: 2202-004.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Waltir de Carvalho.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/1991. PAGAMENTOS VINCULADOS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não atestados recolhimentos por parte da prestadora, vinculados especificamente aos serviços prestados à empresa tomadora, prova que essa poderia realizar houvesse observado a legislação, mantémse a imputação de responsabilidade solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Waltir de Carvalho. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 76 /2 00 8- 59 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 338 2 Relatório Na condição de Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que tanto o Relator originário, Dilson Jatahy Fonseca Neto, quanto o Redator Designado para o voto vencedor na sessão de julgamento, Waltir de Carvalho, não mais integram o Colegiado. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro Relator, conforme a seguir. Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias por solidariedade em relação ao Contribuinte devedor principal. Intimado, o sujeito passivo protocolou Impugnação. A DRJ deu provimento parcial à impugnação. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Acompanhando o Auto de Infração, o Relatório Fiscal esclareceu que: · O débito correspondente à NFLD supra referese às Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social e a Terceiros, incidentes sobre a remuneração de empregados a serviço da empresa notificada, mediante contrato de cessão de mãodeobra com empresa prestadora de serviço. · Aplicou o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 com a redação dada pela Lei nº 9.032/1995 · Constituiu o crédito em nome da tomadora do serviço, responsável solidária pelo débito tributário, ora autuada, uma vez que esta não comprovou o recolhimento das contribuições previdenciárias pela Contribuinte, a empresa contratada; Aberto prazo para a autuada se defender, esta protocolou Impugnação. Analisando a peça, a DRJ entendeu que o crédito tributário pode ser constituído diretamente na pessoa do devedor solidário independentemente da constituição em relação ao Contribuinte. Também entendeu que, apesar de haver decisão judicial determinando a verificação se houve ou não pagamento por parte das prestadoras de serviço, não foi possível vincular os eventuais recolhimentos efetuados pelas prestadoras de serviços aos valores que compõem o presente auto de infração em todas as competências, razão pela qual não é possível afastar o lançamento nesse ponto em relação a esses períodos. Cientificada, a devedora solidária protocolou Recurso com os seguintes argumentos: Fl. 338DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 339 3 · Que tem decisão judicial determinando que a autoridade fiscalizadora verificasse se as prestadoras realizaram o recolhimento das cotas previdenciárias, para evitar o recebimento em duplicidade; · Que a prestadora de serviços realizou o recolhimento em todo o período de autuação; · Que eventual diferença apurada a menor na prestadora de serviço não pode ser imputada à Recorrente, vez que os valores que lhe eram referentes foram pagos, sendo que a eventual diferença seria referente a outros serviços prestados pela contratada, que não em favor da Contribuinte; · Que a atribuição de responsabilidade solidária não dispensa o fisco de comprovar a inexistência do pagamento pela Contribuinte. Nesse caminho é necessário fiscalizar a prestadora do serviço para verificar o efetivo não pagamento antes de constituir o crédito em desfavor da responsável solidária; e · Que, subsidiariamente, caso seja mantida a autuação, sejam compensados/deduzidos os valores já recolhidos pela prestadora de serviços, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto disponibilizado pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase, em resumo, de lançamento lastreado no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.032/1995. Convém transcrição da Legislação: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas Fl. 339DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 340 4 para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). Conforme a legislação então vigente, o tomador do serviço era responsável solidário, ao lado do Contribuinte prestador do serviço, pelas Contribuições Sociais Previdenciárias nascidas em função da cessão de mãodeobra específica. O prestador do serviço, Contribuinte, continuava tendo a obrigação de recolher as Contribuições Sociais. O tomador de serviço tinha o ônus de exigir a comprovação do recolhimento prévio, quando do pagamento das notas fiscais ou faturas correspondentes aos serviços executados, bem como exigir folha de pagamento e guia de recolhimento distinta para si. Diante desse ambiente normativo, a autoridade lançadora fiscalizou a ora Recorrente e, diante da não apresentação de comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada ou porque as guias apresentadas não atendem os requisitos, atribuiulhe a responsabilidade solidária descrita acima. Para apurar o montante devido, escorouse no art. 33 da mesma Lei nº 8.212/1991, e apurou a base de cálculo por aferição indireta. Argumenta a Recorrente que há decisão judicial determinando que, antes de executar o presente lançamento, seja apurado se o valor cobrado já não foi recolhido pela Contribuinte do débito, ou seja, pela empresa prestadora do serviço. Argumenta também que a Contribuinte, prestadora do serviço, recolheu os valores e, se não o fez integralmente, não se pode presumir que a parte não paga se refira aos serviços prestados a si e não a outrem. Enfim, pede a compensação dos valores recolhidos pela Contribuinte, prestadora de serviço, e cobrança apenas da diferença. A situação deve ser observada por diversos ângulos. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 341 5 De um lado, a Lei efetivamente atribui à tomadora do serviço, in casu a Recorrente, a obrigação de comprovar a regularidade do pagamento. Regularidade essa não apenas no tocante à efetividade do pagamento, mas também à apuração do montante devido. Nesse contexto, uma vez que não preencheu esses requisitos, pode e deve ser responsabilizada solidariamente pelo eventual inadimplemento tributário. De outro lado, não se pode olvidar que se trata de responsabilidade solidária. Em outras palavras, o débito é da Recorrente mas também o é da Contribuinte, a prestadora do serviço. Portanto, só há inadimplemento se nenhuma das duas tiver efetuado o pagamento. Exatamente por esse ângulo é que a autoridade judiciária concluiu ser necessário que a autoridade lançadora verificasse se houve o pagamento por parte da prestadora do serviço. Registrase que essa determinação foi feita no âmbito de decisão que anulou os atos do processo administrativo desde a autuação e determinou o reinício da sua tramitação. Também, que a DRJ já determinou a realização da diligência, na qual se concluiu não ser possível vincular os pagamentos efetuados pela Contribuintes executora do serviço às Contribuições Sociais devidas em função dos serviços prestados à Recorrente. Pois bem. O instituto da responsabilidade solidária tem por escopo aumentar a garantia do adimplemento do débito. Na seara tributária, o sujeito passivo assume a qualidade de responsável solidário, passando a ser devedor, mas não o alça à condição de Contribuinte. Exatamente por isso que a Lei foi expressa em atribuir ao tomador do serviço a obrigação acessória de exigir do prestador do serviço a elaboração de folhas de pagamento especificas. Seja como for, a responsabilidade solidária não afeta os demais critérios do fato gerador. Nesse contexto, cabe ao fisco o ônus de comprovar a existência do fato gerador, inclusive apurando a sua base de cálculo. Pode, para tanto, utilizarse dos instrumentos legais, inclusive das prerrogativas do art. 33 da mesma Lei nº 8.212/1991. Foi o que fez a autoridade lançadora. Uma vez que a Recorrente não apresentou a documentação referente à apuração da base de cálculo, aferiu indiretamente o débito. Fêlo, contudo, sem buscar obter tais informações da Contribuinte propriamente dita. Não solicitou da prestadora do serviço quando da fiscalização e lançamento informações quanto à existência do pagamento nem quanto à apuração do débito. Simplesmente presumiu a inexistência da documentação ante a não apresentação pela responsável solidária. Há que se registrar que o STJ tem inúmeros precedentes no sentido de que não é possível a constituição do crédito tributário nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/1991 por arbitramento no período anterior à Lei nº 9.711/1998, sem que antes tenha sido averiguado se o prestador do serviço reconheceu o débito. Nesse sentido, o recente acórdão de 2017: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE MÃO DEOBRA. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO, A FIM DE CERTIFICAR A Fl. 341DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 342 6 AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A responsabilidade do tomador do serviço pelas Contribuições Previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. 2. Todavia, no período pretérito à edição da Lei 9.711/1998, há necessidade de prévia aferição na contabilidade do prestador dos serviços, cedente de mãodeobra, para certificar a ausência do reconhecimento da Contribuição Previdenciária, sendo incabível a aferição indireta nas contas do tomador dos serviços antes de tal providência. Precedentes: REsp. 1.518.887/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 30.6.2015; AgRg no REsp. 1.375.330/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 4.12.2014. 3. Agravo Interno em Recurso Especial da Fazenda Nacional desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp 1141989/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2017, DJe 28/06/2017) Dentre os acórdãos menos recentes, mas que demonstram a consolidação da posição do STJ, e que inclusive baseou o acórdão acima, pode se enumerado o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. AFERIÇÃO INDIRETA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. IMPOSSIBILIDADE. ART. 124 DO CTN. CONSTITUIÇÃO VÁLIDA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 83/STJ (...) 2. o acórdão recorrido não nega a existência de responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições entre tomadora e prestadora dos serviços. O que sustenta o acórdão é que a responsabilidade solidária supõe a existência de regular constituição do crédito tributário, que não teria ocorrido. In casu, como bem fundamentou o acórdão recorrido, a constituição do crédito tributário, referente ao período anterior a 1º.02.1999, não poderia ser feita por meio da aferição indireta nas contas do tomador dos serviços. Precedentes: REsp 1.175.075/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31.5.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10.6.2011; REsp 1.174.976/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 11.5.2010. 3. Dessumese que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ. 4. Acrescentese que, nos contratos de cessão de mão de obra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/91, não comportando benefício de ordem, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Precedentes: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 343 7 AgRg no REsp 1.213.709/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.12.2012, DJe 8.02.2013; REsp 1.281.134/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 13.12.2011, DJe 19.12.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 7.6.2011, DJe 10.6.2011. (...) 6. Recursos Especiais não providos. (REsp 1518887/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 30/06/2015) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182/STJ. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO VIGENTE ATÉ 1.2.1999). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. CONSTITUIÇÃO EFETIVADA COM OBSERVÂNCIA DA CONTABILIDADE DA CEDENTE. MODIFICAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. De início, observase que as razões do agravo regimental não impugnam o fundamento da decisão agravada quanto à ausência de violação aos arts. 165, 458 e 535 do CPC. Incidência da Súmula 182/STJ. 2. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, que a responsabilidade do tomador do serviço é solidária quanto às contribuições que deveriam ser recolhidas pelo prestador. Outrossim, reconhece a jurisprudência que a constituição do crédito tributário implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora ou, ao menos, a concomitância , a fim de que se certifique se a empresa cedente recolheu as contribuições devidas. Súmula 83/STJ. 3. Se a conclusão da Corte de origem foi no sentido que houve efetivamente a prévia fiscalização da prestadora de serviço e, de consequência, a constituição do crédito tributário, para só então estabelecer a responsabilidade da tomadora, a modificação do julgado demandaria incursão na seara fática dos autos, inviável na via estreita do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental conhecido em parte e improvido. (AgRg no REsp 1375330/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/11/2014, DJe 04/12/2014) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de Fl. 343DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 344 8 certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1348395/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/11/2012, DJe 04/12/2012) Nessa senda, não pode prevalecer o lançamento tal como feito, vez que não comprovou ter intimado a Contribuinte, prestadora do serviço, antes de arbitrar ou aferir indiretamente base de cálculo. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. Eis o voto vencido que me coube redigir. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson (voto de Dilson Jatahy Fonseca Neto) Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Conforme mencionado no relatório, o Redator Designado para o voto vencedor na sessão de julgamento, Waltir de Carvalho, não mais integra o CARF. Diversamente do que ocorreu no caso do Relator originário, entretanto, referido Redator não disponibilizou em meio magnético o voto que lhe incumbiu. Não obstante, havendo este conselheiro então acompanhado o voto vencedor, apresentarei na qualidade de redator ad hoc também do voto vencedor, na sequência, as razões de convencimento que prevaleceram no Colegiado quanto à controvérsia examinada. Pois bem, diversamente do que refere o voto do D. Relator, e cogitado pelo recorrente, o mandamento judicial, conforme referido à fl. 170 e à fl. 327, foi no sentido de que fossem verificados se teriam havido pagamentos das contribuições no período por parte da prestadora de serviços, e não de que nela fosse efetuada fiscalização completa, com exames aprofundados de livros contábeis e providências do gênero. E a determinação judicial foi devidamente cumprida pela auditoria fiscal, que expediu a informação de fls. 243 e ss, dentre outras, manifestandose por haver fortes indícios de que a prestadora de serviços não realizara os recolhimentos em questão, tendo em vista o Fl. 344DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 345 9 cotejo entre os dados da RAIS e os valores recolhidos constantes nos sistemas de conta corrente da autarquia previdenciárias. Também foi frisado em informação fiscal à fl. 167 que não havia como afirmar que os recolhimentos do conta corrente da prestadora correspondia aos serviços prestados ao recorrente. Notese que a indigitada empresa não põde ser objeto de eventual fiscalização até mesmo porque não mais se encontrava no seu domicílio fiscal, quedando sem sucesso as tentativas do Fisco de localizála. Assim, a demanda por verificação "in loco" na prestadora restaria improfícua, além de inapropriada, considerando que os elementos dos autos são suficientes para a manutenção da exigência. Noutro giro, cabe destacar que a legislação aplicável prevê que a empresa tomadora "deverá exigir" ou seja, não se trata aqui de uma faculdade da tomadora, mas sim um dever legal "do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento" (§ 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.032, de 28/4/1995). Tal acompanhamento visa justamente a salvaguardar a tomadora, e, em última análise, os interesses previdenciários, face ao possível inadimplemento da prestadora ("executor") frente as suas obrigações tributárias. Reiterese que houve o devido cumprimento da decisão judicial, com a expedição de sucessivas informações fiscais (fls. 213/215, fls. 234/237) resultantes de procedimentos para verificação dos recolhimentos, e, ao contrário do que alardeia a peça recursal, não houve comprovação de que os pagamentos constatados se referem ao "serviço contratado pela requerente", e que os valores em litígio estão "já satisfeitos anteriormente pela empresa contratada". Houvesse o autuado tido a diligência de ter exigido da prestadora as cópias das guias quitadas, e respectiva folha de pagamento, poderia perfeitamente sustentar seus argumentos com o devido respaldo. Contudo, quedouse inerte, e no contencioso limitase a imputar o ônus de prova que é seu à fiscalização. E, em se tratando de responsabilidade solidária, que não comporta benefício de ordem, não havendo, como visto, sido comprovados os recolhimentos das contribuições pelo prestador de serviços quanto às relações específicas examinadas, temse resultante a lavratura do lançamento no tomador de serviço. Por oportuno, há que se rejeitar a menção que a peça recursal faz a reportar se, "no mais", às "manifestações protocoladas anteriormente", pois as razões de inconformidade tidas como aptas a reformar a decisão combatida devem estar expressas no corpo do recurso voluntário, não se admitindo mera remissão a aduções precedentes. Cabe afastar também a necessidade de verificação de que os débitos em questão já estariam sendo cobrados junto à prestadora, na ausência de evidência de que teria havido lançamento de ofício decorrente de eventual fiscalização sobre aquela, além de se tratar de matéria estranha aos presentes autos. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 12267.000076/200859 Acórdão n.º 2202004.454 S2C2T2 Fl. 346 10 E o aproveitamento dos recolhimentos atestados como já efetuados pela prestadora para compensação é medida de todo sem amparo, pois o constatado pela fiscalização é justamente que não há como se associar tais pagamentos à prestação de serviços ao recorrente, o que, não é demasiado reiterar, poderia esse perfeitamente comprovar, houvesse observado a legislação tributária. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Eis o voto vencedor que me coube redigir. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000261/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifeste-se sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifeste-se sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifestese sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .0 00 26 1/ 20 10 -6 5 Fl. 6889DF CARF MF Processo nº 12585.000261/201065 Resolução nº 3401001.546 S3C4T1 Fl. 6.890 2 Relatório Versam os autos sobre análise e acompanhamento de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS nãocumulativa, vinculados a receitas de exportação relativas ao 2o trimestre de 2008 e de Declarações de Compensação (DCOMP) onde se pretendem compensar vários débitos com o crédito oriundo do ressarcimento. Após realizar as devidas análises e verificações, a DERAT/SP exarou Despacho Decisório, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações declaradas, vinculadas ao pretenso crédito. Desafiando o referido Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, juntado documentos, e argumentando que: 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno: A fiscalização alterou o índice de rateio proporcional dos créditos da Cofins calculados sobre custos e despesas comuns à receita do mercado, interno e de exportação. Seu entendimento era de que o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, conforme o art.1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002. Considerou como receita de exportação os valores constantes no SISCOMEX conforme a data de embarque das mercadorias, extraindo os dados do sistema DWAduaneiro. Contudo, resta totalmente equivocado o entendimento fiscal, quer em razão de que o ADI SRF nº 22/2002 não é aplicável na apuração de créditos de COFINS nãocumulativa, quer por este entendimento não possuir base legal, bem como violar as normas de apuração da contribuição. Ademais, a interpretação fiscal colidiria com o §3º do art.6º, c/c§8º do art.3º da Lei nº 10.833 de 2003, que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas exportação. 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos: no DD foram glosados créditos de COFINS ao fundamento de que a empresa teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração. A Fiscalização sustenta que a data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (...) referentes a bens e serviços utilizados como insumo. No entanto, no momento da emissão de uma NF não há como sustentar que o bem foi adquirido pela empresa, pois esta aquisição somente se dará no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários. O procedimento da empresa está correto ao reconhecer o crédito da COFINS no regime da não cumulatividade no momento da entrada em seu estabelecimento do insumo adquirido, quando efetivamente recebe a NF emitida pelo vendedor. É nesse momento que há a efetiva tradição da coisa, podendo ser considerado o bem adquirido. No que tange aos serviços, somente após a efetiva conclusão dos serviços é que o prestador passa a ter o direito à retribuição que é imanente a este tipo de contrato. Apenas com a prestação encerrada é que se pode considerar como adquiridos os serviços. No caso concreto, a empresa reconheceu o crédito de eventuais serviços no momento em que recebeu do prestador a NF demonstrando a conclusão do trabalho. É neste momento que o serviço é adquirido pelo contratante e surge para o prestador o direito de receber a retribuição. Antes do trabalho finalizado somente existe uma expectativa de direito sobre a prestação de serviços, até porque em caso de inadimplência o contratante não poderá exigir do contratado Fl. 6890DF CARF MF Processo nº 12585.000261/201065 Resolução nº 3401001.546 S3C4T1 Fl. 6.891 3 a obrigação de fazer, mas tão somente uma indenização. Desta forma, o procedimento da empresa atendeu de forma precisa a legislação em comento, razão pela qual deve ser acolhida sua manifestação de inconformidade. 3) Aproveitamento do crédito em meses subsequentes Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF: o Fisco nega a possibilidade de aproveitamento do crédito em período subsequente, denominando aproveitamento de créditos extemporâneos. Depois diz ser possível esse aproveitamento, condicionandoo, entretanto, à retificação de DACON/DCTF pela empresa. Neste particular o equívoco da autuação é manifesto. As leis da nãocumulatividade em momento algum fixaram período para o contribuinte exercer o direito potestativo de descontar o crédito. Não há obrigação de realização do desconto/aproveitamento no mesmo mês de referência de determinação do crédito. A referência a determinado mês (§ 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) delimita apenas o valor do crédito apurado naquele mês, mas não limita o aproveitamento do crédito mediante o desconto com o débito àquele mês. A norma legal é expressa ao dizer que o aproveitamento do crédito pode se dar em determinado mês, sendo este o mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo – quando efetivamente surge o direito ao crédito – ou, se não utilizado naquele mês, poderá sêlo nos meses subsequentes. Não há nenhuma regra determinando a escrituração e, consequentemente, o aproveitamento do crédito em determinado mês. Simplesmente não existe norma jurídica neste sentido. Na nãocumulatividade não se pode dizer que há aproveitamento extemporâneo de créditos, visto que inexiste um período definido para o aproveitamento, podendo este se dar no mês em que surgiu o direito ao crédito, no mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo, ou em meses subsequentes, dependendo dos contribuintes. Além disso, o DACON, por ser de natureza declaratória e não constitutiva, não pode restringir o direito da empresa ao crédito, razão pela qual deve ser acolhida a manifestação da empresa. 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004 (...) b) créditos sobre bens/serviços insumos (...) c) insumos glosados indevidamente: (...) d) crédito sobre a formação de florestas – ativo imobilizado exaustão: (...) e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros (...) f) crédito sobre fretes: (...) 5) Créditos vinculados à receita de exportação: (...) 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivoco conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão Fl. 6891DF CARF MF Processo nº 12585.000261/201065 Resolução nº 3401001.546 S3C4T1 Fl. 6.892 4 das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matériaprima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa, bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esses se constituem custos de produção; h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão, ou no conceito de insumo, analogicamente. E assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/PORTO ALEGRE, sobre o contencioso: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. Fl. 6892DF CARF MF Processo nº 12585.000261/201065 Resolução nº 3401001.546 S3C4T1 Fl. 6.893 5 As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Inconformada com a r. decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 28/05/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, interpôs Recurso Voluntário, em 29/06/2015, no qual reiterou seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o Fl. 6893DF CARF MF Processo nº 12585.000261/201065 Resolução nº 3401001.546 S3C4T1 Fl. 6.894 6 mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. O Recurso Voluntário reúne os pressupostos legais para interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A matéria a ser enfrentada no presente processo já o foi em outro processo (PAF 12585.000259/201096), onde a Primeira Turma Ordinária da 3ª Câmara deste CARF decidiu, à unanimidade de votos, que fosse o julgamento convertido em diligência (Resolução nº 3301 000.808). Em ambos os processos se tem a empresa Fibria Celulose S/A como Recorrente e a Fazenda Nacional como Recorrida. Também há identidade quanto ao objeto, qual seja Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS/Cofins nãocumulativa, vinculados a receitas de exportação. Também os argumentos e discussões e documentos trazidos em ambos os processos são os mesmos. Diferem apenas com relação à competência, pois o processo já analisado se refere ao 4º trimestre de 2006. Conforme relatado, diversos foram os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, as quais são resumidas em 4 (quatro) grandes grupos: (i) Método de Apropriação de Custos – Rateio proporcional; (ii) Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos; (iii) Aproveitamento de créditos extemporâneos; e (iv) Insumos da nãocumulatividade. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. Para corroborar seus argumentos sobre a essencialidade à tomada de créditos, a descrição do processo produtivo, desde a sua operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, e ainda, a fase industrial da celulose e do papel, a Recorrente juntou, como já se disse, laudo técnico elaborado pela Escola Superior de Agricultura da USP, o que, na assentada da referida Resolução, entendeuse ser um fato novo, demandando a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Comungase da decisão tomada na aludida Resolução, fazendo esta, parte integrante do presente, evitando a repetição dos referidos fundamentos. Pelo exposto, assim como já definido na Resolução 3301000.808, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: (i) manifestese sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) Fl. 6894DF CARF MF Processo nº 12585.000261/201065 Resolução nº 3401001.546 S3C4T1 Fl. 6.895 7 cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 6895DF CARF MF
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