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Numero do processo: 16561.720183/2015-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR SUBSIDIÁRIA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. Comprovada a existência de prejuízos de períodos anteriores, passível de compensação com os lucros a ser tributados no Brasil, cancela-se a exigência. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADOS BRASIL-ÁUSTRIA E BRASIL-HUNGRIA. Verificando que a fiscalização não fundamentou o lançamento no dispositivo do art. 1º, §2, "b", IV, Lei de 9.532/97, que em tese daria sustento ao lançamento, como também não descreveu adequadamente os fatos de acordo com este dispositivo, cancela-se a exigência por vício de fundamentação, em decorrência de cerceamento do direito de defesa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1301-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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1301­003.464  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2018  Matéria  LUCROS EXTERIOR  Recorrentes  FIBRIA CELULOSE S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  TRIBUTAÇÃO  DE  LUCROS  AUFERIDOS  POR  SUBSIDIÁRIA  NO  EXTERIOR.  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES.  Comprovada  a  existência  de  prejuízos  de  períodos  anteriores,  passível  de  compensação com os lucros a ser tributados no Brasil, cancela­se a exigência.  LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADOS BRASIL­ÁUSTRIA  E BRASIL­HUNGRIA.  Verificando que a fiscalização não fundamentou o lançamento no dispositivo  do  art.  1º,  §2,  "b",  IV,  Lei  de  9.532/97,  que  em  tese  daria  sustento  ao  lançamento, como também não descreveu adequadamente os fatos de acordo  com este dispositivo, cancela­se a exigência por vício de fundamentação, em  decorrência de cerceamento do direito de defesa.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2011  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.  A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no  julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber,  uma  vez  que  ambos  os  lançamentos,  matriz  e  reflexo,  estão  apoiados  nos  mesmos elementos de convicção.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.      AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 83 /2 01 5- 52 Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.639          2   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto  ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator.    Participaram do presente  julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto  Daniel  Neto,  Amélia Wakako Morishita  Yamamoto,  Leonam  Rocha  de Medeiros  (suplente  convocado)  e  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto  (Presidente).  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira  Bianca  Felícia  Rothschild,  substituída  pelo  Conselheiro  Leonam  Rocha  de  Medeiros.    Relatório  Trata­se de Recurso de Ofício  e Voluntário  contra o  acórdão nº 06­57.299,  proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos,  julgou procedente em  parte  a  impugnação,  mantendo  os  seguintes  tributos/valores:  IRPJ,  no  valor  de  R$  1.639.924,62,  com a  respectiva multa no valor de R$ 1.229.943,47 e CSLL, no valor de R$  685.304,97, com a respectiva multa no valor de R$ 513.978,73, além dos respectivos juros de  mora.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do  relatório  elaborado por ocasião  do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  1.  Trata  o  presente  processo  de  autos  de  infração  de  IRPJ  e  CSLL, os quais totalizaram os seguintes valores:  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  Imposto       18.022.428,14  Juros de Mora      6.844.918,21  Multa Proporcional     13.516.821,11  Valor do Crédito Apurado    38.384.167,46    Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  Contribuição      6.583.006,24  Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.640          3 Juros de Mora      2.500.225,77  Multa Proporcional     4.937.254,68  Valor do Crédito Apurado   14.020.486,69  Crédito tributário do processo em R$ 52.404.654,15  2. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1022 a 1041) e com base  nos documentos constantes dos autos, afirma a Fiscalização que  a contribuinte deixou de tributar lucros auferidos no exterior.  Do Procedimento Fiscal  3.  A  contribuinte  foi  cientificada  do  início  da  ação  fiscal  em  05/12/2014 (fls. 003 a 007), oportunidade em que foi intimada a  apresentar documentos e esclarecimentos sobre suas coligadas e  controladas no exterior.  4.  No  decorrer  do  procedimento  fiscal,  foram  encaminhados  à  empresa  outros  termos  de  intimação  a  fim  de  que  a  mesma  apresentasse  outros  elementos  necessários  ao  andamento  da  auditoria.  Das participações societárias no exterior  5.  Conforme  informação  prestada  pela  contribuinte,  a  mesma  informou que no ano de 2011 detinha as seguintes participações  em controladas sediadas no exterior:    6.  De  acordo  com  a  Ficha  34  da  DIPJ  ND  1348900,  ano­ calendário  2010,  a  fiscalizada  também  controlava  a  empresa  Fibria  International  GMBH  (100%),  sediada  na  Áustria.  Por  esse motivo, a contribuinte foi instada a informar se tal situação  permanecia  no  ano  de  2011.  Em  resposta  foi  declarado  o  seguinte:  “no  ano  de  2011  a  Normus  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  empresa  incorporada  por  Fibria  Celulose  S/A, em 30 de setembro de 2013 (conforme Doc. 2), passou a ser  controladora  de  Fibria  International  GMBH,  no  percentual  de  100%, conforme Doc. 03”.  7. Assim, entendeu a Fiscalização que:  •  A  pessoa  jurídica  “...  Normus  Empreendimentos  e  Participações Ltda tornou­se controladora da Fibria International  GMBH somente em 21/12/2011, data da assinatura do “Contrato  Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.641          4 de Contribuição”,  instrumento que transferiu a  referida empresa  austríaca para o controle da Normus”.  •  “...  durante  o  ano  de  2011,  a  fiscalizada  Fibria  Celulose  S/A  ainda detinha participação na Fibria International GMBH”.  •  “...  no  ano  de  2011,  as  seguintes  empresas  abaixo  eram  controladas pela Fibria Celulose S/A:    A isenção de impostos não é garantida pelos tratados  8.  Segundo  a  Autoridade  Fiscal  “Os  lucros  das  empresas  localizadas na Áustria e na Hungria devem cumprir o disposto no  item 1 do  artigo 7º do Tratado para Evitar  a Dupla Tributação.  Para  a  Áustria,  foi  promulgado  o  Decreto  nº  78.107  de  22  de  julho de 1976 e para a Hungria , rege o Decreto nº 510 de 27 de  abril  de  1992.  Ambos  decretos  possuem  a  mesma  redação  referente ao item 1 do artigo 7º”.  9. Destaca ainda “... que as convenções entre países para evitar a  dupla  tributação  em  matéria  de  impostos  sobre  o  rendimento,  como  o  próprio  nome  indica,  não  é  tratado  internacional  destinado  a  garantir  isenção  de  impostos,  mas,  sim  a  evitar  a  dupla tributação jurídica internacional, portanto, antes mesmo de  examinar o inteiro teor do tratado, pode­se concluir que é falsa a  assertiva de que o  lucro da pessoa  jurídica domiciliada em país  com  acordo  com  o  Brasil  somente  poderia  ser  tributado  nesse  país”.  10. Continua seus argumentos afirmando que:  • “A pretensão do fisco brasileiro não recai sobre o contribuinte  domiciliado  em  países  estrangeiros,  mas,  sim,  sobre  o  lucro  auferido  no  exterior  pela  controladora  brasileira  por  intermédio  de suas controladas domiciliadas no exterior e que se considera  disponibilizados  na  data  do  balanço,  conforme  o  artigo  74  da  Medida Provisória nº 2.158­35”.  • “A legislação fiscal do Brasil, quando determina que os lucros  auferidos  no  exterior  por  controladas  domiciliadas  em  outros  Estados  sejam  adicionados  ao  lucro  líquido  da  controladora  brasileira,  permite  que  o  Estado  contratante  (Brasil)  exerça  o  direito  de  tributar  seu  próprio  residente,  que  é  a  controladora  brasileira – neste caso a Fibria Celulose S/A, de acordo com as  disposições inerente à matéria em sua legislação local”.  Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.642          5 •  “Este  entendimento  foi  consolidado  na  Solução  de  Consulta  Interna nº 18 –COSIT, de 08 de agosto de 2013”.  Da compensação do imposto pago no exterior  11.  O  direito  à  compensação  do  imposto  pago  por  intermédio  das  investidas estrangeiras  tem previsão no artigo 26 da Lei nº  9.249, de 16/12/1995, que, por sua vez,  foi  regulamentada pelo  artigo  14  da  Instrução  Normativa  nº  213/02,  que  especifica  detalhadamente as condições e os limites para compensação do  imposto pago no exterior.  Dos resultados obtidos pelas controladas no exterior  12. Analisando as demonstrações financeiras das controladas no  exterior, as  seguintes empresas auferiram resultado positivo no  ano de 2011:  a)  Fibria  Celulose  (USA)  Inc,  antiga  Aracruz  Celulose  (USA)  Inc;  b) Voto ­ Votorantim Overseas Trading Operations IV Limited;  c) Fibria Trading International Kft;  d) Fibria International GMBH.  13.  As  controladas  Newark  Financial  Inc  e  Fibria  Overseas  Finance não apuraram lucros passíveis de distribuição.  14. Ao verificar as Fichas 34 e 35 da DIPJ ND 1467365, ano­ calendário de 2011, a Fiscalização constatou que a empresa “...  disponibilizou  montantes  relativos  aos  lucros  obtidos  somente  pelas  empresas  Fibria  Celulose  (USA)  Inc  e  Votorantim  Overseas  Trading  Operations  IV  Limited,  cujo  total  perfaz  o  valor  declarado na Ficha  09,  linha  07  –  lucros disponibilizados  do Exterior: R$ 8.616.212,81”.  15.  Com  relação  ao  resultado  do  exercício  da  controlada  “...  Fibria  International GMBH, apresentado na data de 23/09/2015,  em  resposta  ao  termo de  intimação  de  nº  06,  o  lucro  antes  dos  impostos, auferido em 2011, foi de € 6.051.264,92 (seis milhões,  cinquenta e um mil, duzentos e sessenta e quatro euros e noventa  e  dois  centavos).  A  participação  da  Fibria  Celulose  S/A  é  de  100% na controlada austríaca”.  16.  Para  converter  tal  valor  para  reais,  foi  seguindo  o  que  determina o parágrafo 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95, conforme  abaixo:  • “Câmbio do dia 31/12/2011: 2,4342 – fonte: Banco Central do  Brasil.  Portanto,  ao  efetuar  o  cálculo  do  lucro  antes  do  tributo  sobre o resultado do exercício em Euros,  temos: € 6.051.264,92  X 2,4342 = R$ 14.729.989,07”.  17. Assim, a contribuinte “... não ofereceu à tributação em 2011  o resultado positivo apurado pela controlada Fibria International  Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.643          6 GMBH  ,  no  valor  de  R$  14.729.989,07  (quatorze  milhões,  setecentos e vinte e nove mil, novecentos e oitenta e nove reais e  sete centavos)”, valor este lançado no presente processo.  18.  Já  relativamente  à  Fibria  Trading  International  KFT,  a  interessada  informou,  em  resposta  ao  termo  de  início  de  fiscalização,  o  seguinte:  “Os  lucros  auferidos  nos  anos  mencionados  pela  empresa  Fibria  Trading  International  Kft.  (FTI), não foram adicionados ao lucro real da Peticionária, pois o  prejuízo  apurado no ano de 2008 pela FTI  superou o valor dos  lucros  auferidos  nos  anos  de  2009  a  2011,  conforme  se  depreende do anexo (DOC.02)”, o qual é reproduzido na tabela  abaixo:    19.  A  fiscalizada  “...  limitou­se  apenas  a  informar  os  valores  contidos nesta  tabela,  não anexou demonstrações  financeiras da  controlada  húngara  que  comprovassem  tal  assertiva.  Apenas  apresentou balanço patrimonial  e demonstração do  resultado do  exercício  referente  ao  ano  fiscalizado  de  2011”.  Na  mesma  resposta, a empresa acrescentou o seguinte:  “Inicialmente, cabe esclarecer que o período compreendido entre  2008 e 2010 já foi objeto de fiscalização, através dos Mandados  de Procedimento Fiscal nº 08.1.85.00­2011­00312­9; 08.1.85.00­ 2013­00037­2;  08.165.0020140073­1;  com  a  consequente  lavratura  dos  Autos  de  Infração  nº  16561720128/2013­09;  165617200057/2014­17 e 19515721205/2014­64”.  20. Ressalta a Fiscalização que um dos processos acima citado  (de  nº  16561.720.057/2014­17)  “...  trata  das  infrações  constatadas  na  empresa  Normus  Empreendimentos  e  Participações  Ltda  –  CNPJ  04.872.122/0001­29,  e  que  foi  incorporada pela Fibria Celulose S/A em 30/09/2013, conforme  ata  de Assembléia Geral  Extraordinária  desta mesma  data. Nos  documentos  juntados  a  este  auto  de  infração,  constam  as  demonstrações financeiras da Fibria Trading  International Kft a  partir  do  ano  de  2006  até  o  ano  de  2010.  Anexamos  a  esta  fiscalização  estes  documentos  comprobatórios.  Assim,  com  dados referentes aos resultados da controlada húngara a partir de  2006, tem­se”:  Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.644          7   21. Desse modo, incluindo “... os lucros/prejuízo auferidos antes  do IR referente à Fibria Trading International Kft , computados a  partir do ano de 2006, o resultado acumulado torna­se positivo, e  o  lucro  obtido  no  ano­calendário  de  2011  deve  ser  oferecido  à  tributação”, da seguinte forma:  • Valor do lucro auferido em 2011: US$ 99.074.000,00;  •  Percentual  de  participação  da  Fibria  Celulose  S/A  na  controlada Fibria Trading International Kft: 48,3%;  • US$ 99.074.000,00 X 48,3% = US$ 47.852.742,00.  22. Conversão para o Real, conforme o § 4º do art. 25 da Lei nº  9.249/95:  •  US$  47.852.742,00  X  1,8758  (câmbio  do  dia  31/12/2011  conforme site do Banco Central do Brasil) = R$ 89.762.173,44,  valor este que deixou de ser oferecido à tributação.  Compensação dos impostos pagos no exterior  23. A contribuinte apresentou documentos relativos aos impostos  pagos  no  exterior  pela  Fibria  Trading  International  Kft,  juntamente  com  “...  notarização  efetuada  pela  funcionária  Mônica  Nemeth,  do  Ministério  dos  Negócios  Estrangeiros  em  Budapeste­Hungria, datado de 10/09/2013. Os documentos foram  consularizados  na  Embaixada  do  Brasil  em  Budapeste,  em  12/09/2013  e  assinado  pelo  Vice­Cônsul  Rafael  Vieira  Neves.  Também  foi  acrescentada  a  tradução  dos  comprovantes  para  a  língua  portuguesa. Após  análise  destes  documentos,  constata­se  que  o  Imposto  de  Renda  naquele  país  é  denominado  ‘Imposto  sobre o Rendimento das Pessoas Singulares’”.  24. Com tais dados, a Fiscalização elaborou a tabela abaixo:    Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.645          8   25. O percentual de participação da empresa fiscalizada em sua  controlada húngara é de 48,3%, o que leva ao seguinte cálculo:  R$ 545.963,36 X 48,3% = R$ 263.700,30. Esse último valor é o  montante pago pela Fibria Trading International KFT no ano de  2011, passível de ser compensado.  26.  Além  disso,  o  valor  do  imposto  sobre  a  renda  pago  no  exterior  está  sujeito  aos  limites  dispostos  nos  parágrafos  do  artigo  14  da  IN  SRF  nº  213/02,  quais  sejam,  a)  de  forma  individualizada,  por  controlada,  vedada  a  consolidação  de  valores  de  controladas  diferentes  (§  4º);  b)  proporcionalmente  ao montante de lucros no exterior adicionados ao lucro real no  Brasil (§7º); e c) limitado ao montante do IR e adicional devidos  no Brasil sobre os lucros respectivamente incluídos na apuração  do lucro real (§9º), na forma dos §§ 10 e 11:  ­Limite  1:  o  valor  do  imposto  que  foi  pago  no  exterior  correspondente  aos  lucros  computados  na  apuração  do  lucro  real no Brasil;  ­Limite 2: diferença entre o valor do IR e adicional devidos com  e sem a inclusão dos lucros auferidos no exterior;  27. Assim, a Fiscalização elaborou o demonstrativo abaixo com  os  valores máximos  a  serem  compensados  no  presente  auto  de  infração:  Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.646          9   28. Desse modo, considerando o limite calculado, o valor de R$  263.700,30  foi  utilizado  para  compensação  do  IRPJ  apurado  neste processo:    Ciência e Impugnação  29. Em 18/12/2015, a contribuinte foi cientificada, pessoalmente,  do  resultado  da  fiscalização  (fl.  1020)  e,  em  18/01/2016,  apresentou  impugnação,  a  qual  foi  juntada  às  folhas  1050  a  1099.  Impugnação  30. A empresa inicia sua impugnação afirmando que a mesma é  tempestiva.  Faz  um  resumo  dos  fatos  e  apresenta  as  razões  de  defesa  que  a  seu  ver  conduzirão  à  reforma  da  autuação,  conforme segue.  Dos Prejuízos da Controlada Hungria de 2008 ­ Compensação  com Lucros de 2009 a 2011  31.  Nos  termos  da  legislação  de  regência,  “...  a  empresa  brasileira  estava  obrigada  a  reconhecer  e  tributar  os  lucros  de  suas controladas no exterior conforme o balanço levantado no dia  31  de  dezembro  de  cada  ano­calendário,  independentemente  da  efetiva  disponibilização  de  lucros  para  a  empresa  brasileira  controladora”.  32.  Ademais,  foi  assegurado  também  “...  o  direito  de  empresas  brasileiras  compensarem,  individualmente,  prejuízos  de  suas  Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.647          10 controladas  com  lucros auferidos por essas mesmas  controladas  nos  seus  países  de  domicílio,  não  se  aplicando  a  limitação  prevista no artigo 15 da Lei n° 9.065/1995 (i.e., trava de 30% do  lucro tributável)”.  33. No presente caso, não há controvérsia sobre a existência do  direito  à  compensação  de  prejuízos  de  controladas  no  exterior  com  lucros  auferidos  por  essas  mesmas  controladas  e  nem  divergência em relação à existência dos prejuízos apurados pela  controlada  húngara,  sendo  que  estes  foram  expressamente  reconhecidos pela própria fiscalização.  34.  No  entanto,  “...  a  forma  como  a  fiscalização  aplicou  a  referida  regra  de  compensação  de  prejuízos  de  controlada  no  exterior no caso concreto da Controlada Hungria, acarretando as  autuações de IRPJ e CSLL sob análise, foi equivocada”.  35.  Da  análise  do  quadro  elaborado  pela  Autoridade  Fiscal  (abaixo), “... verifica­se que, para apurar o resultado tributável da  Controlada Hungria de USD99,074,000.00 no ano­calendário de  2011,  a  Ilma.  Autoridade  Fiscal  indevidamente  compensou,  de  forma  retroativa,  prejuízos  incorridos  por  essa  empresa  estrangeira no ano base de 2008 com lucros da mesma empresa  obtidos nos anos anteriores de 2006 e 2007. Em outras palavras,  para apurar lucro tributável em 2011, a fiscalização implementou  genuíno carry back de prejuízos incorridos em 2008 para os anos  de  2006  e  2007,  utilizando­se  de  sistemática  não  prevista  na  legislação brasileira”:    36.  Como  se  extrai  do  artigo  25,  §5°  da  Lei  nº  9.249/95,  regulamentado pelo artigo 4º, §§ 2º e 3º da Instrução Normativa  nº  213/2002,  “...  os  prejuízos  de  uma  controlada  no  exterior  somente  podiam  ser  compensados  com  lucros  dessa  mesma  controlada. A utilização pela Receita Federal do Brasil do verbo  ‘poder’  no  tempo  futuro  teve  dois  relevantes  objetivos,  quais  sejam:  (a)  estabelecer  que  a  compensação  de  prejuízos  em  questão  constituía  verdadeira  faculdade  do  contribuinte,  e  não  uma obrigação; e (b) que os prejuízos da controlada apenas pod  (sic)  ser  utilizados  para  compensar  lucros  dessa  mesma  Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.648          11 controlada  incorridos  no  futuro,  ou  seja,  em  anos­calendários  posteriores”.  37.  Não  há  “...  dispositivo  nas  referidas  normas  ou  no  ordenamento jurídico pátrio que indique conclusão ou pavimente  entendimento  em  sentido  contrário,  ou  seja,  na  linha  de  que  os  prejuízos  de  uma  controlada  em  um  dado  ano­calendário  deveriam  ser  utilizados  para  compensar  lucros  dessa  mesma  controlada  em  anos­bases  anteriores  para,  somente  após  essa  compensação  retroativa,  neutralizar  lucros  de  anos  posteriores.  Tanto  isso  é verdade,  Ilmos. Srs.  Julgadores,  que a  fiscalização  não  indicou  nenhum dispositivo,  seja  nas  autuações  (campo  do  enquadramento  legal),  seja  em  qualquer  trecho  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  que  fundamentaria  o  raciocínio  de  que  prejuízos de uma controlada no exterior  incorridos em um dado  ano fiscal deveriam ser compensados, primeiro, com lucros dessa  mesma  controlada  no  exterior  incorridos  em  anos  anteriores  e,  segundo, com lucros futuros”.  38. Entende a  empresa que “Caso a  legislação em vigência em  2.011  pretendesse  facultar  ao  contribuinte,  posteriormente  à  apresentação  da  DIPJ  de  um  dado  ano­calendário,  reabrir  e  recalcular  o  lucro  tributável  desse  ano,  mediante  reversão  do  lucro  de  controlada  no  exterior  em  decorrência  de  aproveitamento  retroativo  de  prejuízo  incorrido  em  período  subsequente,  com  o  surgimento  de  saldo  negativo  de  IRPJ  e  CSLL,  dada  a  complexidade  da  matéria,  certamente  existiriam  dispositivos específicos para  regular o  tema e o  exercício desse  direito.  Como  deveria  o  contribuinte  se  comportar  então?  Deveriam  ser  realizadas  retificações  da  DIPJ  e  da  DCTF?  Deveria  ser  retificado  o  LALUR?  O  crédito  decorrente  de  recolhimento  a maior  de  IRPJ  e CSLL  ­  saldo  negativo  ­  seria  passível  de  aproveitamento  imediato,  logo  após  apresentação  dessas  declarações  implementando  compensação  retroativa,  mediante apresentação de PER/DCOMP? Com ou sem juros?”.  39.  Desse  modo,  “...  não  há  nada  na  legislação  que  embase  o  raciocínio  utilizado  pelo  fisco  para  gerar  renda  tributável  da  Impugnante  no  ano­base  de  2.011,  de  tal  modo  que  deve  ser  reconhecida a  impossibilidade de compensação dos prejuízos da  Controlada Hungria incorridos em 2008 com lucros dessa mesma  controlada  de  2006  e  2007.  Como  consequência,  forçoso  é  reconhecer  a  existência  de  saldo  de  prejuízos  da  Controlada  Hungria  suficientes  para  neutralizar  integralmente  os  lucros  dessa  controlada  em  2011,  o  que  acarreta  a  inquestionável  improcedência das autuações sob litígio”.  40.  Neste  ponto,  a  contribuinte  traz  ensinamento  de  Roberto  França de Vasconcellos, Flávio Rubinstein, e Gustavo Vettori e  julgado  do  “...  CARF  no  processo  administrativo  n.  16561.720128/2013­09,  envolvendo  a  própria  Impugnante  e  a  Controlada  Hungria,  onde  a  própria  fiscalização  não  fez  o  equivocado  carry­back  de  prejuízos  dessa  empresa  estrangeira,  como aqui ocorreu”.  Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.649          12 41. Corroborando a tais argumentos, “... a Instrução Normativa  n.  213/2002 autorizava  a pessoa  jurídica que  tinha prejuízos no  Brasil e tinha controlada no exterior com lucros inferiores a tais  prejuízos, em um dado ano­calendário, a aproveitar como crédito  no  Brasil,  apenas  e  tão  somente  nos  anos­calendários  subsequentes, o  imposto de  renda pago no país de domicílio da  controlada. Em outras palavras,  o  parágrafo  15 do  artigo  14  da  referida  norma  infralegal  autorizava  a  pessoa  jurídica  brasileira  com prejuízos a realizar o carryforward dos créditos de imposto  de renda pago no exterior sobre lucros de controlada estrangeira  para compensar o  IRPJ e CSLL de anos  subsequentes, mas não  para anos passados. Ou seja, a norma estabeleceu, para utilização  do  crédito  de  imposto,  a  mesma  lógica  e  regra  existente  com  relação  à  faculdade  de  aproveitamento  de  prejuízos  em  anos  futuros, com a impossibilidade de utilização em anos­calendários  precedentes”.  42. Assim, “... por qualquer ângulo que se analise a questão, não  poderia a fiscalização  ter compensado retroativamente prejuízos  da Controlada Hungria incorridos em 2008 com lucros dos anos­ calendários  de  2006  e  2007,  com  o  escopo  de  apurar  lucro  passível de tributação em 2011. Logo,  imperioso é reconhecer a  existência  de  saldo  de  prejuízos  da  Controlada  Hungria  suficientes  para  neutralizar  integralmente  os  lucros  dessa  controlada em 2011”, conforme abaixo:    43.  Por  tudo  isso,  afirma  a  contribuinte  que  resta  clara  “...  a  improcedência  das  autuações  de  IRPJ  e  CSLL  na  parte  que  objetivam  exigir  da  Impugnante  tributação  sobre  lucros  da  Controlada  Hungria  em  2011,  eis  que  tais  lucros  foram  totalmente  compensados  com  prejuízos  dessa  mesma  empresa  não­residente incorridos em 2008”.  Dívida de IRPJ e CSLL Paga Controlada Áustria Cobrança em  Duplicidade  44.  Argumenta  a  empresa  que  a  autuação  que  pretende  exigir  IRPJ  e  CSLL  sobre  lucros  da  Controlada  Áustria,  já  reconhecidos e quitados,  também não merece prosperar, pois a  mesma econtra­se extinta de acordo com o art. 156, I, do Código  Tributário  Nacional.  Isso  porque  Brasil  e  Áustria  celebraram  tratado para evitar a dupla tributação.  45.  Nesse  sentido,  “Os  lucros  da  Controlada  Áustria  não  eram  submetidos ao IRPJ e à CSLL no Brasil no dia 31 de dezembro  de cada ano­calendário, em razão da natureza jurídica especial e  de hierarquia superior do tratado vis­a­vis o artigo 74 da Medida  Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.650          13 Provisória  n.  2.154­35  e  o  art.  2°  da  Instrução  Normativa  n.  213/2002.  Apesar  da  clareza  desse  direito,  que  inclusive  vem  sendo confirmado pelo Poder Judiciário e pelo próprio Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, a Receita Federal do Brasil  lavrou,  no  passado,  autos  de  infração  diante  da Normus  com  o  escopo de exigir IRPJ e CSLL sobre os lucros de sua controlada  relativamente  aos  anos­calendários  de  2002  a  2008,  tendo  sido  ainda cobrados juros e multa”.  46.  A  controlada  austríaca  era  a  única  com  lucros  no  ano­ calendário  de  2011,  “...  razão  pela  qual  somente  ela  foi  considerada para  cálculo do  IRPJ  e CSLL quitados  conforme o  artigo  40  da  Lei  n.  12.865/2013.  Desse  modo,  retificou­se  a  declaração  de  créditos  e  débitos  federais  ­  DCTF  competente,  procedimento  esse  que  acarretou  a  abertura  de  outro  processo  administrativo  para  controle  desses  débitos  e  outros  que  ainda  não  haviam  sido  objeto  de  autuações,  qual  seja:  o  processo  administrativo n. 16152.720170/2014­14”.  47.  Baseando­se  nos  lucros  apurados  pela Controlada  Áustria,  “...  indicado  no  relatório  de  auditoria  da  PwC  de  EUR  6.051.264,92 às fls. 475 (tradução juramentada ora juntada ­ doc.  04),  a  Impugnante  considerou,  em  razão  de  divergência  de  critérios  contábeis  e,  por  equívoco,  sem  sequer  considerar  o  crédito  relativo  do  imposto  de  renda  recolhido  junto  às  autoridades  fiscais  austríacas,  passível  de  aproveitamento,  uma  adição  de  R$10.707.164,00,  para  fins  de  recolhimento  do  IRPJ/CSLL. Aplicando­se a alíquota de 25% de IRPJ sobre tais  lucros,  apurou­se  o  débito  de R$2.676.790,89  e,  com  relação  à  CSLL  exigida  à  alíquota  de  9%,  reportou­se  o  débito  de  R$963.644,72” (doc. 05).  48.  Assim,  considerando  que  os  lucros  da  Controlada  Áustria  relativos ao ano­calendário de 2011 já foram reconhecidos como  inteiramente tributáveis pelo IRPJ e CSLL no Brasil pelo próprio  contribuinte,  tendo  inclusive  sido  incluído  em  parcelamento,  conforme as regras da Lei nº 12.865/2013, é forçoso reconhecer  que os créditos tributários exigidos por meio das autuações ora  guerreadas  encontram­se  extintos  pelo  pagamento,  do  que  decorre a integral improcedência das presentes autuações.  Inocorrência dos Fatos Geradores de IRPJ e CSLL Controlada  Áustria  49.  Ainda  em  referência  à  “...  tributação  dos  lucros  da  Controlada  Áustria  na  Impugnante  no  dia  31  de  dezembro  de  2011, a fiscalização equívocamente entendeu, como se depreende  do  item 3. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS NO EXTERIOR  do Termo de Verificação Fiscal, que o fato de a Normus  ter  se  tornado  proprietária  da  Controlada  Áustria  somente  no  dia  21.12.2011  seria  irrelevante,  já  que  até  essa  data  a  referida  empresa austríaca era detida pela Impugnante”.  50.  Segundo  o  raciocínio  externado  pela  fiscalização,  “...  desprovido  de  base  legal,  os  lucros  da  controlada  no  exterior  seriam  tributáveis  na  controladora  que  deteve  a  controlada  por  Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.651          14 mais  tempo em um dado ano­calendário,  independentemente do  fato de que outra empresa possa ser essa controladora no dia 31  de dezembro”.  51. Esclarece a empresa que “... os lucros de uma pessoa jurídica  compõem  o  patrimônio  dessa,  e  somente  dessa  pessoa,  e  tais  lucros não são disponibilizados para sócio ou acionista até a data  em  que  ocorre  uma  deliberação  societária  de  distribuição  de  lucros ou dividendos. Ou seja, antes da referida deliberação, não  há que se falar em tributação dos lucros da controlada no nível do  sócio ou acionista, eis que os rendimentos decorrentes dos lucros  ainda  não  foram  disponibilizados.  Referida  regra  aplicava­se  tanto para controladas residentes no Brasil ou no exterior”.  52.  Com  base  no  parágrafo  segundo  do  artigo  43  do  Código  Tributário  Nacional  (incluído  pela  Lei  Complementar  nº  104/2001),  foi  editada  a  Medida  Provisória  nº  2.158­34,  em  julho  de  2001,  cuja  edição  de  nº  35,  em  seu  artigo  74  “...  determinou que os lucros auferidos por controlada ou coligada no  exterior serão considerados disponibilizados para a controladora  ou  coligada  no Brasil  na  data  do  balanço  no  qual  tiverem  sido  apurados, na  forma do  regulamento. Ou seja, a data do balanço  passou  a  ser  relevante,  independentemente  da  efetiva  disponibilização,  o  que  instituiu  uma  genuína  distribuição  ficta  de  lucros.  Como  o  referido  artigo  74  determina,  restou  ao  regulamento estabelecer a data em que os lucros de controlada no  exterior  devem  ser  considerados  como  tributáveis  na  controladora no Brasil”.  53. De acordo com o §1° do artigo 7º da Instrução Normativa nº  213/2002, “... os lucros de controlada no exterior englobados na  variação  do  investimento  na  controlada,  avaliada  por  equivalência patrimonial, são computados na apuração do IRPJ e  CSLL da controladora brasileira no dia 31 de dezembro de cada  ano, o que pressupõe, evidentemente, que a controladora detenha  o controle dessa controlada na referida data”.  54.  No  sentido  do  acima  colocado  é  a  posição  da  Receita  Federal  do  Brasil,  conforme  os  itens  16  e  17  da  Solução  de  Consulta Interna n° 18/2013 da COSIT ­ Coordenação­Geral de  Tributação da Receita Federal do Brasil.  55.  Assim,  “...  toda  legislação  tributária  que  trata  da  matéria  dispõe  que  os  fatos  geradores  de  IRPJ  e CSLL  sobre  lucros  de  controladas no exterior ocorrem no dia 31 de dezembro de cada  ano­calendário,  sendo  irrelevante  toda  a  evolução  do  resultado  ocorrida  durante  o  período  (e.g.,  lucros  de  janeiro  a  julho;  prejuízos  de  agosto  a  outubro;  e  lucros  em  novembro  e  dezembro,  com  o  encerramento  do  ano;  considerando  todos  os  meses, com lucro)”.  56.  Com  isso,  conclui  a  contribuinte  “...  que,  se  a  Controlada  Áustria era detida pela Normus no dia 31 de dezembro de 2011,  todos os lucros de referida controlada em 2011, componentes da  variação  do  investimento  respectivo  avaliado  pelo  método  de  equivalência  patrimonial,  não  poderiam  ser  integralmente  Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.652          15 atribuídos  pela  fiscalização  à  Impugnante  e  tributados  nela,  inclusive  com  reversão  de  prejuízos  fiscais  de  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL.  Ou  seja,  não  poderiam  tais  lucros  correspondentes  ao  ano­calendário  inteiro  de  2011  ter  sido  tributados  na  Impugnante,  como  se  fossem  renda  dela,  do  que  decorre a improcedência dos autos de infração lavrados”.  57.  Além  disso,  a  empresa  descarta  “...  que  a  Contribuição  da  Controlada Austríaca feita pela Impugnante a Normus no dia 21  de dezembro de 2011 (vide fls. 345 e seguintes) teria acarretado a  autuação  diante  da  primeira,  como  se  a  distribuição  de  lucros  tivesse  ocorrido  nessa  data.  Essa  não  é  a  fundamentação  das  autuações, como se pode facilmente extrair da leitura do item 3.  Participações Societárias do Termo de Verificação Fiscal,  e  tal  alegação  seria  genuína  violação  ao  artigo  146  do  Código  Tributário Nacional”.  58.  Ainda  que  essa  fosse  a  alegação  das  autuações  ora  impugnadas,  o  que  se  admite  apenas  “...  para  fins  de  debate,  mesmo assim o cancelamento delas seria de rigor, tendo em vista  que a fiscalização teria então ficado obrigada a apurar os lucros  auferidos entre 01 de janeiro e 21 de dezembro de 2011, período  sob  controle  da  Impugnante;  bem  como  entre  22  e  31  de  dezembro desse mesmo ano­calendário, período sob controle da  Normus”.  59. Desse modo, “... a não realização da apuração acima indicada  configura erro na identificação da matéria tributável, nos termos  do  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional,  desencadeando  a  improcedência das autuações”.  Indevida  Apuração  Consolidada  do  IRPJ  e  da  CSLL  Controlada Áustria  60. Segundo as regras que regulam a apuração de IRPJ e CSLL,  “... cada empresa deve apurar o seu resultado e, se o caso, fazer o  recolhimento  dos  referidos  tributos.  No  caso  de  haver  duas  empresas, ainda que uma controlada pela outra, cada uma delas  deve determinar o seu resultado  tributável pelo IRPJ e CSLL e,  se aplicável, fazer o recolhimento de tais tributos. Na hipótese de  duas  pessoas  jurídicas,  ainda  que  uma  controlada  pela  outra,  apurarem  lucros  tributáveis  pelo  IRPJ  e  CSLL,  haveria  quatro  DARFs:  dois  de  recolhimento  de  IRPJ  e  dois  de  quitação  da  CSLL. Cada empresa preencheria e pagaria dois DARFs, um de  IRPJ e outro de CSLL”.  61.  Nesse  sentido,  “...  considerando  que,  no  ano­calendário  de  2011,  a  Normus  e  a  Impugnante  eram  pessoas  jurídicas  independentes, com personalidade jurídica própria, não poderiam  elas  consolidar  seus  resultados  a  fim  de  apurar  e,  se  o  caso,  recolher  o  IRPJ  e  a  CSLL  de  forma  conjunta.  Havia  no  ano­ calendário de 2011, portanto, a incidência do IRPJ e CSLL sobre  o  resultado  da  Normus  (que  apresentou  DIPJ/2012  própria)  e,  adicionalmente, a incidência de tais tributos, de forma totalmente  independente  e  separada,  relativamente  ao  lucro/prejuízo  da  Impugnante  (cujo  lucro  real  no  mesmo  período  foi  de  Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.653          16 R$128.018.656,80, como reconhecido na própria autuação). Não  poderiam  a  Normus  e  a  Impugnante,  se  assim  quisessem,  consolidar seus resultados a fim de calcular e, se o caso, recolher  em conjunto o IRPJ e a CSLL”.  62. Assim, entende a empresa que “... a fiscalização não poderia,  sob  circunstância  alguma,  acrescentar  a  integralidade  dos  referidos lucros no montante de R$14.729.989,07 ao resultado da  Impugnante do ano base de 2011, reduzindo os prejuízos fiscais e  base de cálculo negativa de CSLL dessa, tal como fez na Planilha  de  Compensação  de  Prejuízos  Fiscais  do  IRPJ  e  no  Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa  Jurídica Lucro Real que acompanharam o auto de infração, e nos  documentos respectivos de CSLL”.  63. O referido valor compõe o que foi  tributado “... no referido  demonstrativo  no  total  de  R$104.492.162,51,  sendo  que  a  diferença  corresponde  aos  lucros  da  Controlada  Hungria  atribuídos equivocadamente à Impugnante”.  64.  Desse  modo,  resta  clara,  segundo  a  impugnante,  “...  a  improcedência dos autos de  infração de  IRPJ e CSLL  lavrados,  eis que, ao realizarem a ilegal consolidação demonstrada acima,  eles  acabaram  por  indevidamente  adicionar  ao  resultado  tributável  da  Impugnante  no  ano­calendário  de  2011  supostos  lucros  que  a  ela  não  pertenciam  (e  que  eram  da  Normus),  revertendo, equivocadamente, prejuízos fiscais e base de cálculo  negativa dela”.  65. Além disso, consigna­se “... que o fato de a Normus ter sido  incorporada  na  ora  Impugnante  não  afeta  e  não  altera  os  comentários e conclusão acima. Com efeito, a  incorporação não  altera a incidência e apuração de tributos ocorridos antes do ato  de reorganização societária. Não há na legislação pátria qualquer  regra nessa linha”.  66. Ademais,  o  artigo  132  do CTN  “...  apenas  determina  que  o  incorporador  sucede  o  incorporado  com  relação  aos  tributos  devidos  pelo  último  (excluindo  as  penalidades  de  qualquer  natureza).  Assim,  no  máximo,  a  Impugnante  poderia  ter  sido  considerada  responsável  por  sucessão  pelo  IRPJ  e  CSLL  eventualmente  não  recolhidos  pela  Incorporada  Normus  em  2011, mas jamais lucros da Normus (e de controlada da Normus)  poderiam  ter  sido  adicionados  ao  resultado  tributável  da  Impugnante,  em  completa  distorção  na  aplicação  das  regras  de  IRPJ e CSLL”.  67.  Em  tal  sentido,  cita  o  acórdão  nº  12­76.406,  no  processo  administrativo nº 19515.721205/2014­64, que também envolvia a  impugnante e a Normus.  68. Desse modo, a  empresa  entende que  são “...  improcedentes  as autuações de IRPJ e CSLL ora atacadas por pretenderem fazer  apuração consolidada de tais tributos considerando o resultado da  Normus e da Impugnante conjuntamente em 31 de dezembro de  2011”.  Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.654          17 Impossibilidade  de  se  Tributar  os  Lucros  Auferidos  Pelas  Controladas ­ Art. VII dos Tratados  69. Segundo a contribuinte, “Em matéria tributária, o art. 98 do  Código  Tributário  Nacional  prevê  que  ‘os  tratados  e  as  convenções  internacionais  revogam  ou  modificam  a  legislação  tributária  interna,  e  serão  observados  pela  lei  que  lhes  sobrevenha’”.  70. Afirma ainda que a  jurisprudência do Superior Tribunal de  Justiça “... orienta que as disposições dos tratados internacionais  tributários  devem  prevalecer  sobre  a  legislação  interna  dissonante, pois se sustenta que as regras dos tratados são normas  específicas,  enquanto  as  constantes  da  legislação  interna  constituem normas gerais”.  71. Nesse sentido, traz “... trecho da ementa do acórdão proferido  nos  autos  do  Recurso  Especial  n°  1.161.467­RS,  onde  o  STJ  analisou  as  disposições  sobre  lucros  e  outros  rendimentos  dos  tratados Brasil­ Alemanha e Brasil­Canadá (cláusulas VII e XXI,  respectivamente) em face das disposições constantes do art. 7º da  Lei n° 9.779/99”, do qual, entende a empresa “... que em caso de  conflito  entre  a  regra  de  um  tratado  em  matéria  tributária  e  disposições  de  direito  interno  devem  prevalecer  as  disposições  convencionais, por serem mais específicas”.  72. Destaca  também,  no  âmbito  do  Supremo Tribunal  Federal,  “... o voto proferido pelo Ministro Gilmar Mendes por ocasião do  início  do  julgamento  do Recurso Extraordinário  n°  460.320/PR  ilustra a posição da Corte Suprema a respeito do tema. Segundo  ressaltou  o Min.  Gilmar Mendes,  a  orientação mais  recente  do  STF  é  a  de  que  as  convenções  e  acordos  internacionais,  em  cotejo  com  a  legislação  tributária  interna  infraconstitucional  devem  prevalecer,  submetendo­se,  obviamente,  à  Constituição,  cuja superioridade não pode ser questionada”.  73.  Relativamente  ao  presente  processo,  afirma  a  impugnante  que “... é imprescindível ressaltar que o Brasil possui convenção  destinada  a  evitar  a  dupla  tributação  com  a  Hungria  e  com  a  Áustria, países nos quais estão localizadas a Controlada Hungria  e  a  Controlada Áustria”,  nos  quais  os  artigos  VII  “...  dispõem  que  os  lucros  de  uma  empresa  localizada  em  um  Estado  contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que  a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por  meio de um estabelecimento permanente ali situado”.  74.  Desse  modo,  constata­se  “...  a  incompetência  do  Fisco  brasileiro para tributar os lucros gerados pela Controlada Hungria  e Controlada Áustria,  que  não  têm  estabelecimento  permanente  no Brasil. Por outro  lado, a Hungria e a Áustria são os Estados  competentes  para  exigir  o  imposto  de  renda  sobre  os  lucros  auferidos  pelas  referidas  empresas  estabelecidas  em  tais  jurisdições”.  75. Tanto é que a própria Fiscalização “... reconhece no Termo  de Verificação  Fiscal:  (a)  crédito  relativo  ao  imposto  de  renda  Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.655          18 recolhido  pela  Controlada  Hungria  ao  fisco  deste  país  no  montante de R$263.700,30 no item 8.  IMPOSTOS PAGOS NO  EXTERIOR ­ CALCULO DA COMPENSAÇÃO; e (è) e que os  lucros  da Controlada Áustria  neste  ano,  antes  dos  impostos  (!),  foram  de  EUR6.051.264,92  no  item  7.1.  Lucro  auferido  e  não  disponibilizado pela Fibria International GMBH em 2011”.  76. Desse modo, “... a exigência fiscal, ao determinar a adição do  lucro auferido pela Controlada Hungria e pela Controlada Áustria  ao  lucro  líquido  da  Impugnante,  o  fisco  brasileiro  ofende  frontalmente o artigo VII dos tratados celebrados com tais países,  acarretando,  em  última  instância,  a  efetiva  bitributação  de  rendimento (lucro). A consequência prática ­ bitributação de um  mesmo rendimento ­ contraria a própria razão de ser dos tratados,  que buscam exatamente evitar esse efeito indesejado, atribuindo  à Áustria e à Hungria o direito exclusivo à tributação dos lucros  lá auferidos”.  77.  Nesse  sentido,  a  interessada  transcreve  parte  do  julgado  relativo  ao  Recurso  Especial  nº  1.325.709/RJ,  proferido  pelo  STJ, no qual decidiu ser “... ilegítima a sistemática adotada pela  Fazenda  Pública  de  adicionar  o  lucro  obtido  pela  empresa  controlada estabelecida em país que firmou tratado com o Brasil  no cômputo do lucro real da empresa controladora, porquanto tal  sistemática configura ofensa ao respectivo tratado de bitributação  firmado pelos países em que situados controlada e controladora”,  tendo sido destacado ainda “... que a inobservância dos tratados  por parte das autoridades fiscais brasileiras importa em ofensa ao  princípio da boa­fé que rege as relações internacionais”.  78. Aplicando­se as tais conclusões ao presente caso, outro não  pode  ser  o  entendimento  senão  pela  não  tributação  “...  dos  lucros da Controlada Hungria e da Controlada Áustria no Brasil,  pois qualquer exigência nesse  sentido ofenderia o artigo VII do  Tratado Brasil ­ Hungria e da Convenção Brasil – Áustria”.  79. Ressalta finalmente:  • “... que as disposições previstas no art. VII aplicam­se tanto ao  IRPJ  quanto  à  CSLL,  o  que,  inclusive,  foi  recentemente  confirmado pelo artigo 11 da Lei n. 13.202/2015, que dispõe que  ‘para  efeito  de  interpretação,  os  acordos  e  convenções  internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa  do  Brasil  para  evitar  dupla  tributação  da  renda  abrangem  a  CSLL’.  •  “...  que  o  Tratado  Brasil  ­  Hungria  e  a  Convenção  Brasil  ­ Áustria  foram  assinados  antes  de  1988,  e  que  a  CSLL  foi  introduzida no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei n° 7.689,  de 15 de dezembro de 1988, incidindo sobre as mesmas bases do  IRPJ  (lucro  líquido),  tem­se  que,  nos  termos  do  mencionado  artigo  II,  2  do  Tratado  com  a  Hungria  e  do  artigo  2.2  da  Convenção com a Áustria, as respectivas disposições aplicam­se,  no Brasil, indistintamente ao IRPJ e à CSLL”.  Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.656          19 80.  Por  tudo  isso,  deve  ser  reconhecida  a  improcedência  das  autuações lavradas.  Tributação  Indevida  de  Dividendos  da  Controlada  Áustria  ­  Violação do Art. 23.2 do Tratado  81. Caso não seja reconhecido “... o direito exclusivo da Áustria  de tributar os lucros da Controlada Áustria nos termos do artigo  VII  do  Tratado  entre  esse  país  e  o  Brasil,  isso  significará,  na  realidade  e  sob  a  luz  da  referida  Convenção,  que  os  autos  de  infração de IRPJ e CSLL pretenderiam exigir tais tributos sobre  dividendos  distribuídos  de  forma  ficta  em  31  de  dezembro  de  2011, como se fossem lucros da própria controladora”, conforme  se  extrai  dos  itens  27  e  28  da  Solução  de Consulta  Interna  n°  18/2013 da COSIT.  82. Especificamente, afirma a contribuinte que no “... Tratado de  Dupla  Tributação  celebrado  entre  Brasil  e  Áustria,  o  Brasil  concordou expressamente em isentar os dividendos de sociedade  austríaca  para  sociedade  no Brasil  que  possua  no mínimo  25%  das  ações  do  capital  da  sociedade  que  distribui  os  dividendos”,  confome dispõe o artigo 23.2 do referido Tratado.  83.  Como  os  tratados  de  dupla  tributação  aplicam­se  tanto  ao  IRPJ  quanto  à  CSLL  e  são  normas  especiais  e  de  hierarquia  superior diante  da  legislação  interna,  conforme o  artigo  98  do  CTN,  a  isenção  “...  conferida  aplica­se  a  esses  dois  tributos,  o  que,  por  consequência,  implica  a  isenção  dos  referidos  tributos  sobre os  lucros da Controlada Áustria em questão,  seja no ano­ calendário em que auferidos, seja em momento posterior quando  efetivamente distribuídos”.  84.  Citando  novamente  a  Solução  de  Consulta  Interna  nº  18/2013, argumenta a empresa que “... a própria Receita Federal  do  Brasil  reconhece  que  dividendos  de  controlada  no  exterior,  cujos lucros foram anteriormente tributados no Brasil, não estão  sujeitos  à  nova  tributação  pelo  IRPJ  e  pela  CSLL.  Ou  seja,  o  fisco  reconhece  que  a  tributação  conforme  a  referida  legislação  incide sobre uma distribuição ficta de dividendos”.  85. Assim, a interessada afirma que é forçoso reconhecer que os  autos de  IRPJ/CSLL  sobre os  lucros da Controlada Áustria  em  2011  devem  ser  cancelados,  pois,  representam  uma  violação  flagrante  e  frontal  ao  Tratado  de  Dupla  Tributação  celebrado  entre Brasil e Áustria.  Compensação IR Pago na Áustria  86. Argumenta a contribuinte que, caso os autos de IRPJ e CSLL  sejam mantidos,  os  tributos  lançados deverão  ser  compensados  com o imposto de renda recolhido aos cofres austríacos.  87. Nesse sentido, “... a  fiscalização reconhece que os  lucros da  Controlada Áustria  foram  tributados  lá,  atribuindo  os  lucros  de  EUR  6.051.264,92,  antes  de  impostos  (!),  saliente­se,  à  Impugnante” e o total “... do imposto de renda recolhido junto às  Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.657          20 autoridades austríacas foi de EUR 1.512.186, como demonstra o  mesmo  relatório  da  PwC  às  fls.  475  referido  pela  fiscalização,  cuja tradução ora se junta (doc. 04)”.  88. Para demonstrar o referido crédito, a contribuinte  junta ao  processo  “...  o  comprovante  de  recolhimento  do  imposto  austríaco  na  referida  quantia  e  respectiva  tradução  juramentada  (doc.  08),  bem  como  a  declaração  de  imposto  de  renda  apresentada ao fisco austríaco (doc. 09)”.  89. Desse modo, “... nos termos dos artigos 14 e 15 da Instrução  Normativa n. 213/2002, bem como do artigo 23.1 da Convenção  para  Evitar  Dupla  Tributação  celebrada  entre  Brasil  e  Áustria,  caso  alguma parte  das  autuações  sobre os  lucros  da Controlada  Áustria  seja  mantida,  o  IRPJ  e  CSLL  cobrados  deverão  ser  compensados  com  o  imposto  recolhido  ao  fisco  austríaco  no  montante de EUR1.512.186 que, convertido para reais no dia 31  de dezembro de 2011, corresponde a R$3.679.299,76”.  Impossibilidade de Cobrança de Juros Sobre Multa de Ofício  90. Segundo a empresa, não há base  legal para exigir  juros de  mora sobre a multa de oficio lançada. Nesse particular, o CTN  tratou da incidência de juros de mora no artigo 161, do qual “...  percebe­se que o CTN autorizou o legislador ordinário  (seja ele  federal,  estadual  ou  municipal)  a  exigir  juros  de  mora  sobre  o  montante  do  crédito  tributário  apurado,  o  que  pode  abranger  tanto o tributo quanto a multa, estabelecendo como taxa de juros  máxima  o  percentual  de  1%  ao  mês  sobre  o  valor  do  crédito  pendente de pagamento”.  91. Apesar de o CTN  ter “...  autorizado a  cobrança de  juros de  mora  sobre  o  crédito  tributário  (que,  como  salientado  acima,  inclui  tributos  e  multas),  o  legislador  ordinário  federal  decidiu  exigir  juros  de  mora  apenas  e  tão  somente  sobre  os  tributos  e  contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal. Tal  decisão,  Ilmos.  Srs.  Julgadores,  faz  todo  sentido,  uma  vez  que  uma  multa  de,  por  exemplo,  75%  por  si  só  já  é  penalidade  suficientemente  pesada  ao  contribuinte,  que  não  precisa  ser  onerado ainda mais com a cobrança de juros sobre tal pena, o que  geraria  inclusive  o  enriquecimento  injustificado  da  Administração Pública”.  92. Assim, “... desde a vigência da Lei n. 9430/96, não há base  legal para se exigir juros de mora sobre as multas de ofício, de tal  modo que, caso alguma parcela dos autos de infração venha a ser  mantida,  o  que  se  admite  apenas  por  hipótese,  não  poderão  ser  exigidos os juros de mora sobre a multa de ofício aplicada”.  93.  Nesse  sentido,  a  interessada  traz  julgados  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  e  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais e argumenta ainda que:  •  “...  se  o  legislador  ordinário  efetivamente  pretendesse  determinar  a  incidência  dos  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício, ele teria feito essa determinação de forma clara e expressa  Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.658          21 no próprio artigo 61 da Lei n° 9.430/96, da mesma maneira como  fez com relação às multas impostas isoladamente, nos termos do  parágrafo único do artigo 43 da mesma lei”.  •  “...  é  imperioso  que  esse  E.  Órgão  Julgador  reconheça  a  impossibilidade  de  o  fisco  exigir  juros  sobre  a multa  de  ofício  caso alguma parcela dos autos de infração de IRPJ e CSLL seja  mantida, por absoluta ausência de previsão legal, tendo em vista  que  o  art.  61  da Lei  n°  9.430/96  refere­se  somente  a  tributos  e  contribuições (e não às multas)”.  • “Caso  se entenda pela possibilidade de  incidência de  juros de  mora  sobre  a  multa  de  oficio,  o  que  se  assume  por  amor  ao  debate,  daí  o  presente  recurso  deverá  ser  provido  para  limitar  esses  juros  ao percentual de 1% ao mês,  em  fiel  observação ao  parágrafo primeiro do artigo 161 do CTN...”.  Do Pedido  94. Diante de todo o exposto, a contribuinte pleiteia:  •  A  improcedência  dos  autos  de  infração  de  IRPJ  e  CSLL  lavrados, cancelando­se, inclusive, a determinação de ajuste na  base de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano­calendário de 2011,  com manutenção integral dos prejuízos fiscais e base de cálculo  negativa de CSLL;  • Caso seja mantida tributação dos lucros da Controlada Áustria  no  Brasil,  o  presente  recurso  deverá  ser  acolhido  a  fim  de  reconhecer o direito da Impugnante a compensar o IRPJ e CSLL  cobrados  com  o  imposto  de  renda  recolhido  às  autoridades  austríacas  com  relação  ao  ano­calendário  de  2011  e  afastar  a  exigência de juros à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Caso se  decida  que  juros  podem  incidir  sobre  a  multa  de  ofício,  subsidiariamente,  o  presente  apelo  deverá  ser  acolhido  para  o  fim de limitar os juros ao percentual de 1% ao mês.  •  Provar  o  aqui  exposto  por  todos  os  meios  em  direito  admissíveis.  Juntada Posterior de Documentos  95. Em 18/03/2016, a contribuinte apresentou os documentos de  folhas 1260 a 1322:  • “... declaração de imposto de renda por ela apresentada ao fisco  austríaco  relativa  ao mesmo  ano­base  de  2011,  que  embasou  o  lançamento  de  imposto  de  renda  realizado  por  essa  autoridade  fiscal, devidamente notarizada, consularizada e acompanhada da  respectiva tradução juramentada (doc. 05)”.  • “... carta/parecer emitido pela Ernst & Young Steuerberatungs­  und, o qual confirma que o imposto de renda devido e recolhido  pela Controlada Áustria junto ao fisco austríaco, com relação ao  ano­calendário de 2011, foi de EUR1.512.186 (doc. 06)”.  Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.659          22 96. Tal documentação “...  corrobora o  item  IX. da  impugnação  apresentada,  de  tal modo que,  caso  alguma parte  das  autuações  lavradas  diante  da  Peticionária  sobre  os  lucros  da  Controlada  Áustria de 2011 seja mantida, o IRPJ e CSLL cobrados deverão  ser compensados com o imposto recolhido ao fisco austríaco no  montante de EUR1.512.186 que, convertido para reais no dia 31  de  dezembro  de  2011,  corresponde  a R$3.679.299,76. Referida  carta é acompanhada da respectiva tradução juramentada”.  97. Apesar de entender ser inquestionável o direito de apresentar  os referidos documentos, a empresa argumenta que:  •  “A  Lei  n°  9.784/99,  em  seu  artigo  2º,  determina  à  Administração  Pública  Federal  obedecer  aos  princípios  da  legalidade, ampla defesa, contraditório e verdade material, dentre  outros, bem como ao direito à produção de provas na condução  dos processos administrativos de sua competência”.  • “... os artigos 3º e 38 da mesma lei asseguram ao contribuinte o  direito  de  apresentar  documentos  em  qualquer  momento  do  processo administrativo, desde que antes da prolação de decisão  pela Administração Pública”.  98.  Ademais,  especificamente  na  esfera  tributária,  ressalta  a  interessada  “...  que  o  processo  administrativo  é  regido  pelo  princípio da verdade material que determina que a Administração  Pública Federal deve esgotar a investigação dos fatos e do direito  aplicáveis a um caso sob análise, com o escopo de apenas exigir  o  tributo  na  hipótese  em  que  esse  for  efetivamente  devido  conforme  a  lei.  Nesse  passo,  a  Administração  Pública  Federal  deve,  em  qualquer  fase  do  processo  administrativo,  antes  ou  depois  da  prolação  da  decisão  de  primeiro  grau,  aceitar  e  examinar  qualquer  documento  probatório  apresentado  pelo  contribuinte que trate do objeto da discussão no processo”.  99. Nesse sentido, a empresa destaca também julgados do CARF  a  esse  respeito,  os  quais  prestigiam  o  princípio  da  verdade  material  e  os  princípios  expressamente  referidos  na  Lei  n°  9.784/99,  sempre  resguardando  o  direito  de  apresentação  de  provas  pelo  contribuinte  em  qualquer  fase  do  processo  administrativo, mesmo  após  a  decisão  de  primeira  instância,  o  que  foi  recentemente  confirmado  pela  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais do CARF.  100. Com relação ao parecer/carta E&Y, salienta a contribuinte  “... que esse constitui uma análise independente da comprovação  do recolhimento do tributo aos cofres austríacos, demonstrando o  quantum exato do imposto de renda efetivamente devido e pago  pela  Peticionária  na  Áustria  no  período  objeto  da  autuação,  o  qual  constitui  crédito  da  Peticionária  passível  de  compensação  com o  IRPJ  e CSLL  exigidos  na  autuação. Ou  seja,  trata­se  de  questão  relevante,  cuja  comprovação  deve  ser  reconhecida  em  qualquer  momento  no  presente  processo  administrativo,  em  conformidade com o princípio da verdade material”.  Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.660          23 101.  Diante  de  todo  o  acima  exposto,  “...  na  eventualidade  de  alguma parte das autuações lavradas diante da Peticionária sobre  os  lucros  da  Controlada  Áustria  de  2011  ser  mantida,  a  Peticionária  reitera o pedido no  sentido de que o  IRPJ e CSLL  cobrados em tais autos deverão ser compensados com o imposto  recolhido ao fisco austríaco no montante de EUR1.512.186 que,  convertido  para  reais  no  dia  31  de  dezembro  de  2011,  corresponde a R$3.679.299,76”.  Da Diligência  102.  Após  uma  análise  inicial,  o  processo  foi  encaminhado  à  DIFIS II/DEMAC/São Paulo (fls. 1324 a 1325) para, nos termos  do  artigo  18  do  Decreto  nº  70.235/72,  que  fosse  realizada  diligência à contribuinte a fim de que fossem providenciados os  seguintes documentos:  •  Balanço  Patrimonial  com  a  respectiva  Demonstração  do  Resultado do Exercício, da empresa Fibria International GMBH  (situada na Áustria), levantado em 21/12/2011;  •  Balanço  Patrimonial  com  a  respectiva  Demonstração  do  Resultado do Exercício, da empresa Fibria International GMBH  (situada na Áustria), que serviu de base para a transferência da  quota de capital da mesma para a Normus Empreendimentos e  Participações  Ltda,  a  qual  foi  realizada  com  base  nos  valores  contábeis  (custo  de  aquisição),  de  acordo  com  o  item  4.2  do  Contrato de Contribuição (fl. 356);  •  Balanço  Patrimonial  com  a  respectiva  Demonstração  do  Resultado do Exercício, da empresa Fibria International GMBH  (situada na Áustria), levantado em 30/11/2011.  Informação fiscal  103.  Ao  atender  o  pedido  de  diligência,  a  Autoridade  Fiscal  elaborou o Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls.  1416 a 1420), no qual informa que a referida diligência “... teve  início  em  24/05/2016  com  a  ciência  do  contribuinte  acerca  do  termo  de  início  de  diligência  fiscal.  Em  23/06/2016  o  sujeito  passivo  solicitou  prazo  adicional  de  20  (vinte)  dias  para  cumprimento  da  intimação  e  informou  que  o  balanço  da  controlada Fibria International GMBH, datado de 21.12.2011 não  era  exigido  pela  legislação  austríaca, motivo  pelo  qual  não  foi  levantado o balanço patrimonial com a respectiva demonstração  de resultado naquela data”.  104. Além de  prazo  adicional,  foi  solicitado  “...  a  apresentação  do  item  4.2  da  legislação  austríaca  que  isentava  a  intimada  do  levantamento  de  balanço  patrimonial  e  demonstração  de  resultado de empresa controlada e sediada na Áustria para o ato  de contribuição de capital social (no presente caso, a aquisição da  controlada  Fibria  International  GMBH  pela  Normus  Empreendimentos  e  Participações  Ltda,  ocorrida  em  21/12/2011)”.  Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.661          24 105.  Em  resposta,  a  empresa  “...  apresentou  em  25/07/2016  a  tradução para a língua portuguesa acerca do item da legislação da  Áustria que, conforme afirmou a mesma, dispensa a elaboração  de  balanço  patrimonial  e  demonstração  de  resultado  da  Fibria  International  GmbH”  e,  em  28/07/2016,  as  demonstrações  de  resultado levantadas em 31/10/2011 e 30/11/2011 da controlada  sediada na Áustria.  106. Além disso, a Fiscalização fez as seguintes considerações:  •  “O  valor  utilizado  como  base  de  cálculo  do  imposto  e  não  oferecido  à  tributação,  foi  extraído  da  resposta  ao  termo  de  intimação de n° 06 ­ demonstração do resultado do exercício da  Fibria  International  GMBH  de  2011,  traduzido  do  idioma  húngaro para o inglês”.  • “O montante de € 6.051.264,92 (seis milhões, cinquenta e um  mil,  duzentos  e  sessenta  e  quatro  euros  e  noventa  e  dois  centavos)  refere­se  ao  lucro  líquido  antes  do  pagamento  do  Imposto de Renda, conforme reza a Instrução Normativa SRF n°  213/2002, artigo 1º, § 7º”.  • “No curso da fiscalização que resultou no auto de infração ora  impugnado,  a  única  demonstração  de  resultado  do  exercício  da  controlada austríaca Fibria International GMBH apresentada pelo  contribuinte  foi  levantada  em  31/12/2011.  Esta  data  é  bastante  próxima  daquela  em  que  o  Contrato  de  Contribuição  firmou  como data  de  referência  em que  as  quotas  da  controlada  foram  transferidas para outra sociedade (21/12/2011). Por conseguinte,  o  valor  do  lucro  líquido  anterior  ao  pagamento  do  tributo  no  exterior datado de 31/12/2011 foi utilizado como base de cálculo  do  imposto  no  Brasil  (€  6.051.264,92).  Corroborou  também  o  fato de que tal montante estava expresso em Euros, moeda oficial  da Áustria”.  • “O  contribuinte  alegou que  não  foi  elaborada  a demonstração  de  resultado  do  exercício  da  Fibria  International  GMBH  em  21/12/2011 pelo fato de não ser exigido pela legislação austríaca.  Por outro lado, não ilustrou por meio de nenhum documento que  a  demonstração  financeira  datada  de  31/10/2011  foi  aquela  utilizada como base para a transferência da quota de capital para  a  Normus  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.  A  10a  alteração  do  contrato  social  da  Normus  Empreendimentos  e  Participações Ltda, anexada a esta diligência, apenas confirma os  dados  fornecidos  da  leitura  do  Contrato  de  Contribuição  que  estipulou  como  data  de  referência  da  contribuição  o  dia  21/12/2011, conforme expresso no item 5.1 do mesmo”.  •  “Ademais,  os  balanços  patrimoniais  e  demonstrações  de  resultados da controlada austríaca foram apresentados em Reais,  dando  margem  à  incerteza  se  os  valores  da  moeda  oficial  da  Áustria (Euros)  foram convertidos corretamente para o Real, de  acordo com a legislação em vigor”.  107.  Diante  disso,  a  Fiscalização  reiterou  “...  o  entendimento  exarado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  de  que  o  resultado  Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.662          25 referente à controlada Fibria International GMBH a ser oferecido  à  tributação  do  IRPJ  e  da  CSLL  no  ano­calendário  de  2011  é  aquele  constante  na  demonstração  de  resultado  do  exercício  de  31/12/2011,  qual  seja,  €6.051.264,92,  correspondente  a  R$  14.729.989,07”.  Manifestação da contribuinte  108.  Inicialmente  esclarece  a  empresa  que  sua manifestação  é  tempestiva, pois, teve acesso ao "Termo de Ciência de Relatório  de  Encerramento  de  Diligência  Fiscal"  em  26/09/2016,  com  encerramento do prazo de 30 dias em 26/10/2016.  109.  Argumenta  a  interessada  que  “...  o  critério  adotado  pela  fiscalização foi no sentido de que a empresa brasileira que deteve  controlada  no  exterior  por  mais  tempo  durante  um  dado  ano­ calendário deve ser considerada como controladora, para fins de  aplicação  das  regras  de  tributação  de  lucros  de  controladas  no  exterior,  ainda  que,  no  dia  31.12,  essa  controlada  tenha  como  controlador outra pessoa jurídica”.  110. Nesse sentido, “Ao invés de tentar buscar na legislação base  para  tal  critério  utilizado  nas  autuações  questionadas,  a  fiscalização  afirmou  que  sua  utilização  decorreu  do  fato  de  a  única  demonstração  de  resultado  da  Controlada  Áustria  apresentada pela REQUERENTE no curso da  fiscalização  foi a  encerrada em 31.12.2011, bem como de essa data ser próxima da  data do Contrato de Contribuição, de 21.12.2011”.  111. A empresa destaca trecho do relatório de encerramento da  diligência e afirma que:  • A “... Auditora­Fiscal reconhece o dia 21.12.2011 como sendo a  data de referência em que as quotas da Controlada Áustria foram  transferidas  da  REQUERENTE  para  a  empresa  Normus,  admitindo  ainda  que  utilizou  o  lucro  líquido  apurado  em  31.12.2011, por aproximação, atribuindo à REQUERENTE lucro  que  deveria  ter  sido  considerado  na  empresa  Normus,  o  que  resultou nas autuações”.  • “... não há na legislação de regência aplicável ao caso base para  o  raciocínio  adotado  pela  fiscalização,  do  que  decorre  a  clara  improcedência dos autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados”.  • Como comentado na impugnação, “... na remota hipótese de se  aceitar  a  tributação  dos  lucros  da  Controlada  Áustria  na  REQUERENTE, muito embora esta não fosse a controladora de  tal  empresa no dia 31 de dezembro de 2011, não há, no Brasil,  autorização  legislativa  que  permita,  para  fins  de  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL,  a  consolidação  de  resultados  de  distintos  contribuintes pessoas jurídicas residentes no Brasil, ainda que do  mesmo grupo econômico”.  112. Diante do exposto, a conribuinte “... reitera todos os termos  de sua Impugnação e pleiteia que seja decretada a improcedência  dos autos de  infração de  IRPJ e CSLL lavrados, cancelando­se,  Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.663          26 inclusive, a determinação de ajuste na base de cálculo do IRPJ e  da CSLL  do  ano­calendário  de  2011,  com manutenção  integral  dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL”.  Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, com o seguinte ementário:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR SUBSIDIÁRIA  NO  EXTERIOR.  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  DE  PERÍODOS ANTERIORES.  Comprovada  a  existência  de  prejuízos  de  períodos  anteriores,  passível  de  compensação  com  os  lucros  a  ser  tributados  no  Brasil, cancela­se a exigência.  TRIBUTAÇÃO  EM  BASES  UNIVERSAIS.  EMPRESA  CONTROLADA  NO  EXTERIOR.  ALIENAÇÃO  A  QUALQUER  TÍTULO.  LUCROS  NÃO  TRIBUTADOS  NO  BRASIL.  TRIBUTAÇÃO OBRIGATÓRIA.  A  alienação  de  controlada  no  exterior  a  qualquer  título  é  hipótese  para  que  a  empresa  brasileira  controladora  adicione,  na  apuração  de  seu  lucro  real,  os  lucros  auferidos  no  exterior  pela empresa alienada que ainda não foram tributados no Brasil.  LUCROS  AUFERIDOS  NO  EXTERIOR.  TRATADOS  BRASILÁUSTRIA E BRASIL­HUNGRIA.  A aplicação do art. 74 da MP nº 2.158­35, de 2001, não viola os  tratados internacionais para evitar a dupla tributação, pois (I) a  norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo  qualquer  conflito  com  os  dispositivos  do  tratado  que  versam  sobre a tributação de lucros; (II) o Brasil não está tributando os  lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os  lucros  auferidos  pelos  próprios  sócios  brasileiros;  e  (III)  a  legislação  brasileira permite à  empresa  investidora no Brasil  o direito de  compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada  a dupla tributação, independentemente da existência de tratado.  IMPOSTO  PAGO  NO  EXTERIOR.  COMPENSAÇÃO.  COMPROVANTES.  Para efeito de  compensação do  imposto de  renda  incidente,  no  exterior,  sobre  os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  computados no  lucro  real,  o documento  relativo ao  imposto de  renda  incidente  no  exterior  deverá  ser  reconhecido  pelo  respectivo  órgão arrecadador  e  pelo Consulado da Embaixada  Brasileira  no  país  em  que  for  devido  o  imposto.  A  pessoa  jurídica fica dispensada dessa obrigação quando comprovar que  a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de  capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido  pago, por meio do documento de arrecadação apresentado.  Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.664          27 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Não havendo, no lançamento questionado, a incidência de juros  sobre  a  multa  de  ofício,  não  se  conhece  do  recurso  quanto  à  matéria por falta de competência.  JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.  Ressalvando a hipótese do art.  113 da Lei nº 11.196, de 21 de  novembro  de  2005,  que  versa  sobre  a  edição  de  súmula  vinculante  na  esfera  administrativa,  inexiste  norma  legal  que  atribua  às  decisões  administrativas,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  a  eficácia  normativa  prevista  no  CTN,  dessa  forma, elas  têm eficácia  restrita aos  casos para os quais  foram proferidas.  JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS.  A  extensão  dos  efeitos  da  jurisprudência  judicial  no âmbito  da  Secretaria  da  Receita  Federal  possui  como  pressuposto  sua  previsão do Decreto nº 70.235/1972, que elenca as hipóteses de  afastamento  das  normas  legais  vigentes.  Não  estando  enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem  efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando  nem prejudicando terceiros.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2011  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.  A  decisão  relativa  ao  auto  de  infração  matriz  deve  ser  igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo,  decorrente  ou  reflexo,  no  que  couber,  uma  vez  que  ambos  os  lançamentos,  matriz  e  reflexo,  estão  apoiados  nos  mesmos  elementos de convicção.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Ciente do Acórdão recorrido em 31/03/2017, sexta­feira, por meio eletrônico  (fls. 1.502), e com ele inconformado, a  recorrente apresentou em 02/05/2017,  terça­feira (fls.  1.503),  tempestivamente, Recurso Voluntário,  pugnando por  seu provimento,  onde  apresenta  argumentos que serão a seguir analisados.  É o Relatório.    Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.665          28 Voto             Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator.  O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais  requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço.  DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO   Breve Histórico  Trata­se de exigências de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de  Contribuição  Social  sobre  Lucro  Líquido  (CSLL),  relativas  ao  ano­calendário  de  2011,  decorrentes da não inclusão de lucros auferidos no exterior na apuração dos referidos tributos.  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.022/1.040), no período  fiscalizado,  a  recorrente  informou  que  detinha  as  seguintes  participações  em  controladas  sediadas no exterior:  Porém,  ao  apreciar  a  DIPJ  do  ano­calendário  anterior  (AC  2010),  a  fiscalização  verificou  que  o  contribuinte,  além  das  empresas  acima  listadas,  detinha  participação  acionária,  no  percentual  de  100 %,  da  empresa  Fibria  Internacional  GMBH,  sediada na Áustria. Intimada sobre este fato, a fiscalizada se manifestou:     Assim,  em  face  da  resposta  e  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  depreendeu­se que a Normus Empreendimentos e Participações Ltda tornou­se controladora da  Fibria Internacional GMBH, em 21/12/2011, data da assinatura do "Contrato de Contribuição".   Em decorrência,  concluiu  a  fiscalização  que,  no  ano­calendário  de  2011,  a  recorrente controlava as seguintes empresas:  Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.666          29     Ao  analisar  as  demonstrações  financeiras  das  empresas  listadas  acima,  a  fiscalização  constatou  que  os  lucros  auferidos  no  exterior  pelas  empresas  Fibria  Trading  Internacional Kft (denominada FTI ou controlada na Hungria), no valor de R$ 89.762.173,44  (oitenta e nove milhões, setecentos e sessenta e dois mil, cento e setenta e três reais e quarenta  e  quatro  centavos)  e  Fibria  Internacional  GMBH  (denominada  FIG  ou  controlada  na  Áustria),  no  valor  de  R$  14.729.989,07  (quatorze  milhões,  setecentos  e  vinte  e  nove  mil,  novecentos e oitenta e nove reais e sete centavos) não foram computados na determinação do  Lucro Real da recorrente, na proporção da respectiva participação acionária. Em conseqüência,  lavrou o lançamento em tela para exigir crédito tributário de IRPJ e CSLL, no valor total de R$  52.404.654,15.  Irresignada, a Recorrente apresentou sua impugnação, juntando aos autos os  documentos que entendeu necessários, e, após diligência, a DRJ/CTA considerou parcialmente  procedente a impugnação apresentada.   Assim,  de  acordo  com  este  julgamento,  reconheceu­se  a  ilegalidade  da  aplicação do carry back, e, ao verificar que a controlada apurou resultado negativo em, 2008,  sendo ele suficiente para neutralizar integralmente os resultados positivos posteriores de 2009,  2010 e 2011, cancelou a exigência.  Neste mesmo  julgamento,  com  referência  à  controlada  na Áustria  (FIG),  o  colegiado entendeu que o lucro deveria ser reduzido em R$ 3.852.132,41, pois, em sua ótica, a  base para tributação dos lucros de tal controlada deveria ser o balanço de 30/11/2011 (lucros de  R$ 10.877.856,66), ao invés do balanço de 31/12 do mesmo ano ( R$ 14.729.989,07), utilizado  pela fiscalização.   No  sentir  daquele  colegiado,  apenas  os  lucros  da  controlada  na  Áustria  auferidos no período entre 01/01/2001 e 21/12/2001 deveriam ser oferecidos à tributação pela  recorrente,  e  que  esta  deveria,  segundo  a  legislação  brasileira,  e  a  despeito  da  legislação  austríaca,  ter  levantado  um  balanço  desta  controlada  em  21/12/2001.  Como  não  havia  demonstrações  financeiras  desta  controlada  com  base  no  dia  21/12/2001,  não  poderia  a  autoridade  fiscalizada  ter  utilizado  o  balanço  de  31/12/2001,  uma  vez  que,  nesta  data,  a  controlada Áustria era detida por uma outra empresa: a Normus.  Assim, considerando que a transferência das quotas da controlada Áustria, da  Recorrente  para  a  Normus,  se  deu  por  valores  contábeis,  entendeu  a  DRJ/CTA  que  a  fiscalização  deveria  ter  utilizada  a  demonstração  financeira  da  controlada  Áustria  de  Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.667          30 30/11/2011, para fins de tributação dos seus lucros na Recorrente, eis que tal demonstração foi  levantada  em  data  próxima  ao  dia  21/12/2011,  quando  a  recorrente  ainda  era  titular  da  controlada Áustria.  Não  satisfeita  com  o  julgamento,  na  parte  em  que  lhe  foi  desfavorável,  a  Recorrente  apresenta  recurso  voluntário,  pugnando  pela  reforma  parcial  do  Acórdão  nº  06­ 57.299, com escopo de ser reconhecido a improcedência dos autos lavrados e, em decorrência,  o  reconhecimento do direito à manutenção dos saldos de prejuízos  fiscais e base negativa de  CSLL, que foram indevidamente compensados na autuação.  Da Existência de Tratados que Impossibilita a Tributação, no Brasil, dos  Lucros Auferidos pela Controlada Áustria  Como  demonstrado  acima,  a  presente  discussão  centra­se  na  possibilidade  (ou  não)  de  tributar  os  lucros  de  controladas  domiciliadas  em  países  signatários  (no  caso  a  Áustria), que firmaram com o Brasil tratado para evitar bi­tributação.  Contudo,  antes  de  iniciar  a  análise  dos  argumentos  apresentados  pela  recorrente,  por  força  do  que  dispõe  o  art.  62  do RICARF,  é  preciso  observar  que  a ADI  nº  2588,  julgado  pelo  STF,  não  possui  abrangência  sobre  os  pontos  discutidos  no  presente  processo administrativo.  Em 10.04.2013, o Plenário do STF, prolatou decisão, declarando:  ­  A  inconstitucionalidade  do  art.  74  da  MP  n.  2.158­35/01  às  empresas  nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que  não sejam “paraísos fiscais”;  ­ A inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.158­35/01,  de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31  de dezembro de 2001, por força do princípio da irretroatividade;  ­  A  constitucionalidade  do  art.  74  da  MP  n.  2.158­35/01  às  empresas  nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida ou  não,  ou  desprovidos  de  controles  societários  e  fiscais  adequados  (“paraísos  fiscais”,  assim  definidos em lei).  Esta  decisão  seria  decisiva  para  o  presente  julgamento,  acaso  a MP  2.158­ 35/01  fosse  declarada  integralmente  inconstitucional,  o  que  ocasionaria  o  provimento  do  Recurso Voluntário sob análise. Contudo, a declaração de constitucionalidade em questão em  nada altera o julgamento do presente caso, pois ainda que não houvesse nenhuma decisão do  STF  confirmando  a  validade  da  citada  MP,  o  julgamento  conduzido  no  âmbito  do  CARF  deveria adotar, de qualquer forma, a premissa de sua constitucionalidade (RICARF, art. 62).  Ressalte­se  que  não  foi  objeto  de  análise,  por  parte  da  Suprema  Corte,  a  implicação ou aplicação do disposto na MP no caso de a entidade controlada ser domiciliada  em países que  firmaram Tratados para evitar  a dupla  tributação da  renda  com o Brasil. Esta  ausência  de  análise  é  clara  quando  se  verifica  o  excerto  da  decisão  proferida  nos  autos  do  Recurso Extraordinário  n°  541.090,  em  que  também  se  discutia  a  (in)constitucionalidade  do  art. 74 da MP 2.158/01. Veja­se:  Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.668          31 Prosseguindo  no  julgamento,  o  Tribunal,  por  maioria,  deu  parcial  provimento  ao  recurso  extraordinário  para  considerar  ilegítima a tributação retroativa, nos termos do parágrafo único  do  art.  74  da  MP  nº  2.15835/2001,  vencidos  os  Ministros  Joaquim  Barbosa  (Relator),  Ricardo  Lewandowski,  Marco  Aurélio e Celso de Mello. Determinado o retorno dos autos ao  Tribunal  de  origem  para  que  se  pronuncie  sobre  a  questão  atinente  à  vedação  da  bitributação  baseada  em  tratados  internacionais, vencido o Ministro Dias Toffoli, não havendo se  manifestado,  no  ponto,  o  Ministro  Marco  Aurélio.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Joaquim  Barbosa.  Redigirá  o  acórdão  o  Ministro  Teori  Zavascki,  que  reajustou  seu  voto.  Impedido  o  Ministro Luiz Fux. Plenário, 10.04.2013. (destacou­se)  Quanto à discussão sobre as implicações e hierarquia dos Tratados dentro do  ordenamento jurídico brasileiro, adoto como premissa que os tratados integram a ordenamento  jurídico e eventual conflito com normas  internas deverão ser  solucionadas de acordo com os  critérios  cronológico  e  da  especialidade.  O  ponto  aqui  de  partida  advém  do  seguinte  entendimento do Supremo Tribunal Federal:  E  M  E  N  T  A:  EXTRADIÇÃO  ­  CRIMES  DE  CORRUPÇÃO  PASSIVA E DE CONCUSSÃO ­ DISCUSSÃO SOBRE MATÉRIA  PROBATÓRIA  ­  INADMISSIBILIDADE  ­  DERROGAÇÃO,  NESTE PONTO, DO CÓDIGO BUSTAMANTE (ART.365, 1, IN  FINE),  PELO  ESTATUTO  DO  ESTRANGEIRO  ­  PARIDADE  NORMATIVA  ENTRE  LEIS  ORDINÁRIAS  BRASILEIRAS  E  CONVENÇÕES  INTERNACIONAIS  ­  PROCESSO  EXTRADICIONAL  REGULARMENTE  INSTRUÍDO  ­ JURISDIÇÃO PENAL DO ESTADO REQUERENTE SOBRE OS  ILÍCITOS  ATRIBUÍDOS  AOS  EXTRADITANDOS  ­ JULGAMENTO  DA  CAUSA  PENAL,  NO  ESTADO  REQUERENTE,  POR  TRIBUNAL  REGULAR  E  INDEPENDENTE  ­  RECONHECIMENTO  DA  PRESCRIÇÃO  PENAL EXTRAORDINÁRIA CONCERNENTE AO DELITO DE  CORRUPÇÃO  PASSIVA  ­  ACOLHIMENTO  PARCIAL  DA  POSTULAÇÃO  EXTRADICIONAL  UNICAMENTE  QUANTO  AO  CRIME  DE  CONCUSSÃO  ­  PEDIDO  DEFERIDO  EM  PARTE.  CÓDIGO  BUSTAMANTE  ­  ESTATUTO  DO  ESTRANGEIRO (...)  A  normatividade  emergente  dos  tratados  internacionais,  dentro  do  sistema  jurídico  brasileiro,  permite  situar  esses  atos  de  direito internacional público, no que concerne à hierarquia das  fontes, no mesmo plano e no mesmo grau de eficácia em que se  posicionam  as  leis  internas  do  Brasil.  A  eventual  precedência  dos atos internacionais sobre as normas infraconstitucionais de  direito  interno  brasileiro  somente  ocorrerá  presente o  contexto  de  eventual  situação  de  antinomia  com  o  ordenamento  doméstico,  não  em  virtude  de  uma  inexistente  primazia  hierárquica,  mas,  sempre,  em  face  da  aplicação  do  critério  cronológico  (lex  posterior  derogat  priori)  ou,  quando  cabível,  do critério da especialidade. Precedentes.  Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.669          32 (...)  .(Ext  662,  Relator(a):  Min.  CELSO DE MELLO,  Tribunal  Pleno,  julgado em 28/11/1996, DJ 30051997 PP23176 EMENT  VOL0187101 PP00015)  O Superior Tribunal de Justiça, mesmo que partindo de outra premissa da que  partiu  o  julgado  acima  (uma  vez  que  coloca  os  Tratados  no  mesmo  patamar  das  Leis  Complementares), no julgado consubstanciado no REsp nº 1.161.467, afirma que os Tratados  que tem como matéria de regulação a bitributação da renda,  terão prevalência sobre o direito  brasileiro,  quando  nitidamente  se  confrontarem  (antinomia)  com  leis  internas.  O  critério  da  especialidade é invocado pelo STJ. Confira­se trecho da ementa do julgado:  TRIBUTÁRIO. CONVENÇÕES  INTERNACIONAIS CONTRA A  BITRIBUTAÇÃO.  BRASIL­ALEMANHA  E  BRASIL­CANADÁ.  ARTS.  VII  E  XXI.  RENDIMENTOS  AUFERIDOS  POR  EMPRESAS  ESTRANGEIRAS  PELA  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  À  EMPRESA  BRASILEIRA.  PRETENSÃO  DA  FAZENDA  NACIONAL  DE  TRIBUTAR,  NA  FONTE,  A  REMESSA DE RENDIMENTOS. CONCEITO DE  "LUCRO DA  EMPRESA  ESTRANGEIRA"  NO  ART.  VII  DAS  DUAS  CONVENÇÕES.  EQUIVALÊNCIA  A  "LUCRO  OPERACIONAL". PREVALÊNCIA DAS CONVENÇÕES SOBRE  O ART. 7º DA LEI 9.779/99. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.  ART. 98 DO CTN. CORRETA INTERPRETAÇÃO.  (...)  7.  A  antinomia  supostamente  existente  entre  a  norma  da  convenção e o direito tributário interno resolve­se pela regra da  especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior  à internacional.  8. O art. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio lex  specialis  derrogat  generalis,  não  havendo,  propriamente,  revogação  ou  derrogação  da  norma  interna  pelo  regramento  internacional,  mas  apenas  suspensão  de  eficácia  que  atinge,  tão  só,  as  situações  envolvendo  os  sujeitos  e  os  elementos  de  estraneidade descritos na norma da convenção.  9.  A  norma  interna  perde  a  sua  aplicabilidade  naquele  caso  especifico,  mas  não  perde  a  sua  existência  ou  validade  em  relação  ao  sistema  normativo  interno. Ocorre  uma  "revogação  funcional", na expressão cunhada por HELENO TORRES, o que  torna  as  normas  internas  relativamente  inaplicáveis  àquelas  situações  previstas  no  tratado  internacional,  envolvendo  determinadas pessoas, situações e relações jurídicas específicas,  mas não acarreta a revogação, stricto sensu, da norma para as  demais  situações  jurídicas  a  envolver  elementos  não  relacionadas aos Estados contratantes.  (...)  11. Recurso  especial não  provido.  (REsp  1161467/RS, Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  17/05/2012, DJe 01/06/2012) (destacou­se)  Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.670          33 Extraí­se  deste  entendimento  que,  em  caso  de  conflito  entre  Tratado  e  disposições de direito interno, devem prevalecer as disposições internacionais, por serem mais  específicas.   No  que  se  refere  ao  critério  da  especialidade,  o  jurista  italiano  Norberto  Bobbio,  que  teve  grande  influência  na  formação  do  pensamento  jurídico  brasileiro,  já  pontificava  em  seu  clássico  “Teoria  do  Ordenamento  Jurídico”,  que  esse  critério  deve  ser  utilizado para solução de antinomias dentro de um ordenamento jurídico. Em suas palavras:  O terceiro critério, dito justamente da lex specialis, é aquele pelo  qual,  de duas normas  incompatíveis,  uma geral  e uma especial  (ou  excepcional),  prevalece  a  segunda:  lex  specialis  derogat  generali.  Também  aqui  a  razão  do  critério  não  é  obscura:  lei  especial é aquela que anula uma mais geral, ou que subtrai de  uma  norma  uma  parte  da  sua  matéria  para  submetê­la  a  uma  regulamentação  diferente  (contrária  ou  contraditória).  A  passagem  de  uma  regra  mais  extensa  (que  abrange  um  certo  genus)  para  uma  regra  derrogatória  menos  extensa  (que  abrange  uma  species  do  genus)  corresponde  a  uma  exigência  fundamental  de  justiça,  compreendida  como  tratamento  igual  das pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da  regra geral à regra especial corresponde a um processo natural  de  diferenciação  das  categorias,  e  a  uma  descoberta  gradual,  por  parte  do  legislador,  dessa  diferenciação.  (...)  Entende­se,  portanto, por que a  lei especial deva prevalecer sobre a geral:  ele representa um momento ineliminável do desenvolvimento  de  um  ordenamento.  Bloquear  a  lei  especial  frente  à  geral  significa paralisar esse desenvolvimento. (BOBBIO, Norberto.  Teoria  do  ordenamento  jurídico.  Brasília:  Editora Universidade  de Brasília, 10ª edição, 1999. pág. 95 e 96) (destacou­se)  Fixadas  essas  premissas,  passo  a  analisar  se  assiste  razão  ao  Recorrente,  quando  alega  que,  no  presente  caso,  deve  prevalecer  o  Tratado  firmado  entre  o  Brasil  e  a  Áustria  (Decreto  nº  78.107/1976),  em  detrimento  do  que  preceitua  a  legislação  interna  que  regula a tributação de controladas e coligadas domiciliadas no exterior.  Da Tributação dos Lucros das Controladas no Exterior quando da  Existência de Tratados que visam Evitar à Tributação.  De pronto,  deve­se  ressaltar,  que  não  há  nos  autos  controvérsias  acerca  do  fato de que a Fibria Internacional GMBH, com domicílio na Áustria, é uma controlada direta  da Recorrente, nos exatos  termos definidos pelo artigo 243, § 2º da Lei 6.404/76, que  tem a  seguinte redação:   Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os  investimentos  da  companhia  em  sociedades  coligadas  e  controladas  e  mencionar  as  modificações  ocorridas  durante  o  exercício.  (...)  §  2º  Considera­se  controlada  a  sociedade  na  qual  a  controladora,  diretamente  ou  através  de  outras  controladas,  é  Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.671          34 titular  de  direitos  de  sócio  que  lhe  assegurem,  de  modo  permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder  de eleger a maioria dos administradores.  O termo de verificação fiscal, com base na documentação carreada nos autos,  é claro neste sentido e o próprio Recorrente não refuta a condição apontada à sua investida.  Assim, no presente Auto de Infração, não se tem dúvida de que a obrigação  tributária em discussão tem nascimento nos lucros auferidos por uma controlada domiciliada na  Áustria (investida) de empresa domiciliada em território nacional (investidora).  Por  outro  lado,  nos  termos  da  IN  RFB  nº  1.037/2010  (inclusive  suas  alterações posteriores), a Áustria não é considerada como paraíso fiscal pela Receita Federal do  Brasil.  A  pergunta  que  precisa  ser  respondida  para  a  solução  do  presente  caso  é:  tendo  em  vista  o  tratado  para  evitar  a  dupla  tributação  firmado  entre  o  Brasil  e  a  Áustria  (Decreto  nº  78.107/1976),  teria  o Estado  brasileiro  competência  para  tributar  riqueza  (lucro)  produzida no outro Estado signatário daquele Tratado?  Aos olhos da  fiscalização, o  artigo 74 da Medida Provisória 2.158­35/2001  autoriza a tributação, independentemente de haver tratado para evitar a bitributação dos países  onde estariam domiciliadas as empresas (investida e investidora).  Contudo,  pela  leitura  do  artigo  7º  do  Tratado  firmado,  penso  não  haver  dúvidas de que o Brasil  está  impedido  (norma de bloqueio),  pelo princípio da  residência,  de  tributar  lucros  auferidos  em  sociedades  independentes  (mesmo  que  seja  controlada  direta),  domiciliadas na Áustria. Veja­se a redação do Decreto 78.107/76 (modelo OCDE):  Artigo 7  Lucros das empresas  1. Os  lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são  tributáveis  nesse  Estado,  a  não  ser  que  a  empresa  exerça  sua  atividade  no  outro  Estado  Contratante  por  meio  de  um  estabelecimento  permanente  aí  situado.  Se  a  empresa  exercer  sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no  outro  Estado,  mas  unicamente  na  medida  em  que  forem  atribuíveis a esse estabelecimento permanente.  2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua  atividade  no  outro  Estado  Contratante  através  de  um  estabelecimento  permanente  aí  situado,  serão  atribuídos  em  cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os  lucros  que  obteria  se  constituísse  uma  empresa  distinta  e  separada  exercendo  atividades  idênticas  ou  similares,  em  condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta  independência  com  a  empresa  de  que  é  um  estabelecimento  permanente.  3.  No  cálculo  dos  lucros  de  um  estabelecimento  permanente  é  permitido  deduzir  as  despesas  que  tiverem  sido  feitas  para  a  consecução  dos  objetivos  do  estabelecimento  permanente,  Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.672          35 incluindo as despesas de administração e os encargos gerais de  direção assim realizados.  4.  Nenhum  lucro  será  atribuído  a  um  estabelecimento  permanente  pelo  simples  fato  de  comprar  mercadorias  para  a  empresa.  5. Quando os  lucros  compreenderem elementos de  rendimentos  tratados  separadamente  nos  outros  artigos  da  presente  Convenção,  as  disposições  desses  artigos  não  serão  afetadas  pelas disposições deste Artigo.  6.  O  disposto  nos  parágrafos  1  a  5  também  se  aplica  aos  rendimentos recebidos pelo "Stille Gesellschafter" de uma "Stille  Gesellschaft" da lei austríaca.    Paulo  Ayres  Barreto  e  Caio  Augusto  Takano,  assim  interpretam  o  citado  artigo 7º do modelo OCDE:  Parece­nos correto asserverar, com apoio em Klaus Vogel, que  há  no  art.  7º,  parágrafo  1º  duas  normas  jurídicas:  (i)  se  uma  empresa residente em um dos Estados contratantes exerça uma  atividade  e  dela  auferir  lucros,  então  apenas  o  Estado  de  residência  daquela  empresa  poderá  tributá­los  (regra  geral);  e  (ii) se uma empresa exercer suas atividades no outro Estado por  meio  de  um  estabelecimento  permanente  aí  situado,  então  esse  Estado  (e  não  o  Estado  de  residência)  poderá  tributar  lucros,  mas  unicamente  na  medida  em  que  forem  imputáveis  ao  estabelecimento permanente (regra de exceção). (...)  Destarte, não se tratando de estabelecimentos permanentes, mas  de  empresas  dotadas  de  personalidade  jurídica  própria,  sejam  elas coligadas ou controladas, deve­se aplicar a regra geral, que  contém,  na  feliz  expressão  de  Alberto  Xavier,  uma  'norma  de  reconhecimento  de  competência  exclusiva'  do  país  em  que  se  encontra domiciliada a sociedade controlada. (BARRETO, Paulo  Ayres  e  TAKANO,  Caio  Augusto.  Tributação  do  Resultado  de  Coligadas  e  Controladas  no  Exterior,  em  face  da  Lei  nº  12.973/2014.  In  Grandes  questões  atuais  do  direito  tributário.  18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 368 e 369)  O  artigo  7º  do  Tratado  firmado  pelo  Brasil  é  muito  claro  no  que  visa  proteger: os lucros auferidos pela empresa no exterior, devendo estes serem tributados somente  no país onde a empresa  independente  tenha domicílio. Não há dúvidas, data venia, quanto a  interpretação do dispositivo.  Por fim, deve­se ressaltar que as disposições previstas no artigo VII aplicam­ se tanto ao IRPJ quanto à CSLL, o que foi, inclusive, recentemente confirmado pelo artigo 11  da Lei nº 13.202/2015, que assim dispõe:  Art.  11. Para efeito de  interpretação,  os acordos  e  convenções  internacionais  celebrados  pelo  Governo  da  República  Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.673          36 Federativa  do  Brasil  para  evitar  dupla  tributação  da  renda  abrangem a CSLL. (destacou­se)  Neste sentido, por se  tratar de uma  lei  interpretativa, os seus efeitos podem  retroagir a fatos pretéritos, mesmo que ocorridos antes da entrada em vigor da legislação, nos  exatos termos do comando do artigo 106 do Código Tributário Nacional.  Mas não é só.  Como  fui  vencido  na  questão  atinente  à  aplicação  de  Tratados,  impõe­se  analisar as demais questões de mérito.  Da Não­Incidência do IRPJ e CSLL na Alienação de Participação  Societária no exterior  Desconsiderando  a  controvérsia  quanto  à  aplicação  ou  não  dos Tratados,  o  núcleo da discussão passa a residir no art. 1º, par. 2º, “b”, item 4, da Lei n. 9.532/97:  Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais,  sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro  líquido,  para  determinacã̧o  do  lucro  real  correspondente  ao  balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano­calendário em  que  tiverem  sido  disponibilizados  para  a  pessoa  jurídica  domiciliada no Brasil.  §  1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  os  lucros  serão  considerados disponibilizados para a empresa no Brasil:  a)  no  caso  de  filial  ou  sucursal,  na  data  do  balanco̧  no  qual  tiverem sido apurados;  b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou  do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no  exterior.  § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior,  considera­se:  a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferen̂cia do registro  de  seu  valor  para  qualquer  conta  representativa  de  passivo  exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior;  b) pago o lucro, quando ocorrer:  1.  o  crédito  do  valor  em  conta  bancária,  em  favor  da  controladora ou coligada no Brasil;  2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária;  3.  a  remessa,  em  favor  da  beneficiária,  para  o  Brasil  ou  para  qualquer outra praça;  4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer  praca̧,  inclusive  no  aumento  de  capital  da  controlada  ou  coligada, domiciliada no exterior.  Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.674          37 Ou  seja,  o  deslinde  da  questão  deve  passar  pela  análise  do  alcance  da  expressão "emprego do valor", contido na norma legal acima referida, para fins de definir se a  situação  sob exame configura ou não hipótese de disponibilização de  lucros  contemplada na  norma, capaz de desencadear a tributação da empresa brasileira por lucros no exterior.  Porém,  a  fiscalização  não  fundamentou  o  lançamento  no  dispositivo  acima  mencionado (art. 1º, §2, "b", IV, Lei de 9.532/97), que em tese daria sustento ao lançamento,  como também não descreveu adequadamente os fatos de acordo com este dispositivo.  Em várias oportunidades, registrei o entendimento de que eventuais erros de  enquadramento ou até ausência de dispositivo legal, não deve macular o lançamento, quando  há  uma  descrição  correta  dos  fatos  que  fundamenta  o  auto  de  infração.  Compreendendo  os  fatos, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa, posto que não houve prejuízo à  defesa.   Porém, no caso em exame, há esse prejuízo, pois o Auto de Infração apenas  cita genericamente o artigo 1º da Lei 9.532/97 e o TVF não faz referência a situação concreta  descrita no  art.  1º,  §2,  "b",  IV, Lei de 9.532/97, o que  impede, no meu modo de ver,  que o  contribuinte  discuta  o  alcance  da  expressão  "emprego  de  valor",  previsto  na  citada  norma  jurídica.  Ademais,  não  se  pode  inovar  o  lançamento,  para  acrescentar  outros,  o  que  impede, igualmente, avançar na análise da exgência para manter ou não a infração, de acordo  com a fundamentação original utilizada.   Assim, por vício de fundamentação, deve­se cancelar o lançamento.  DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO  Quanto  à  admissibilidade  do  recurso  de  ofício,  deve­se  ressaltar  que  a  Portaria MF  nº  63,  de  2017,  estabeleceu  novo  limite  para  interposição  de  recurso  de  ofício  pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ).  Confira­se:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá de ofício  sempre que  a decisão  exonerar  sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior  a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais).  No caso  em  tela,  somando­se  os  valores  exonerados  em primeira  instância,  verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma  em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício.  Quanto  ao  exame de mérito deste  recurso,  verifica­se que  a DRJ acolheu o  argumento apresentado pela defesa de que a fiscalização compensou indevidamente e de forma  retroativa, prejuízos  incorridos pela empresa controlada sediada na Hungria  (Fibria Trading  Internacional  Kft)  no  ano  base  de  2008,  com  lucros  da  mesma  empresa  obtidos  nos  anos  anteriores  de  2006  e  2007,  de  forma  que  na  apuração  do  lucro  tributável  de  2011,  implementou­se  o  denominado  carry  back  de  prejuízos  incorridos  em  2008  para  os  anos  de  2006 e 2007.  Não há reparos a fazer a esta decisão.  Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.675          38 Infere­se  dos  autos  que  no  ano  de  2008  aquela  empresa  apurou  resultado  negativo, que suplanta os resultados positivos de 2009, 2010 e 2011, a saber:    De  acordo  com  a  legislação  de  regência,  o  resultado  negativo  pode  ser  compensado com o resultado positivo ocorrido posteriormente.  Por outro lado, os lucros obtidos nos anos­calendário de 2006 e 2007 não são  objetos do presente processo, e não podem ter influência na presente decisão.  Logo, havendo em 2011 saldo de prejuízo suficiente, apurado em 2008, para  compensar  totalmente  o  lucro  obtido  em  2011  pela  controlada  sediada  na  Hungria,  deve­se  manter a decisão que cancelou o lançamento relativo a este assunto.   Com referência a redução lucros auferidos da controlada Áustria, nessa parte,  o  recurso  encontra­se  prejudicado,  em  face  do  decidido  quando  da  análise  do  recurso  voluntário.  Dessa forma, nega­se provimento ao recurso de ofício.  CONCLUSÃO  Assim,  diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, decretando a improcedência dos autos de  infração de IRPJ e CSLL. Por conseqüência, reconheço o direito da Recorrente à manutenção  dos  saldos  de  prejuízos  fiscais  e  base  negativa  de  CSLL  que  foram  indevidamente  compensados na autuação.    (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza                              Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 16561.720183/2015­52  Acórdão n.º 1301­003.464  S1­C3T1  Fl. 1.676          39   Fl. 1676DF CARF MF

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7549930 #
Numero do processo: 11020.905332/2015-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.743
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.743  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. COFINS  Recorrente  KEKO ACESSORIOS S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2012  DESPACHO  DECISÓRIO.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  passível  de  nulidade  o  despacho  decisório  que  esteja  devidamente  motivado  e  fundamentado,  possibilitando  o  pleno  exercício  do  direito  de  defesa do contribuinte.  ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO  DE  CRÉDITO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  ARTIGOS  16  E  17  DO  DECRETO Nº 70.235/1972.  Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas  por  constar  perante  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  a  utilização  integral  do  crédito  para  quitação  de  outro  débito,  é  ônus  do  Contribuinte  apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e  certeza de seu direito creditório, aplicando­se o artigo 373, inciso I do Código  de Processo Civil.  MULTA E JUROS DE MORA.  Débitos  indevidamente  compensados  por  meio  de  Declaração  de  Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.  Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.  INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 32 /2 01 5- 55 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          2  Direito Creditório Não Reconhecido.        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.          (assinado digitalmente)      Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena  de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e  Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  Recorrente,  rejeitando  as  preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o  direito creditório postulado.  O Despacho  Decisório  negou  a  homologação  por  considerar  que  o  crédito  informado  no  PER/DCOMP  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  remanescente  para  a  compensação  declarada,  resultando  na  cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados.  Em manifestação de  inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte  que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos  realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser  declarado nulo em razão de:   i)Ausência  de  fundamentação,  resultando  em  desvio  de  finalidade  na  busca  pela  verdade  material,  uma  vez  que  não  foi  diligenciado  para  aferição  do  crédito  pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações;   ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72,  instruir o procedimento  fiscal, como a  solicitação de  informações ao Contribuinte,  apreensão  de  documentos  fiscais,  diligências  até  a  sede  da  Empresa,  entre  outros  expedientes;  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          3   iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa.  No mérito, alegou a Contribuinte que:   iv)  Deve  ser  possibilitada  posterior  juntada  de  documentos  que  comprovem  as  alegações  trazidas  em  manifestação  de  inconformidade,  em  respeito  ao  princípio  administrativo  da  verdade  material,  possibilitando  a  comprovação  do  direito  creditório;   v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido,  devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e  proporcionalidade;   vi) O  percentual  de multa  aplicado  para  o  caso  de  descumprimento  de  obrigação  principal,  mesmo  que  expressamente  previsto  na  legislação  pertinente,  deveria  sempre  guardar  proporção com o  valor  da  prestação  tributária  exigida,  bem como  adequar­se  e/ou  assemelhar­se  aos  novos  critérios  de  aplicação  de  multas  estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado.    O  Acórdão  nº  02­073.133  considerou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  face  a  ausência  de  comprovação  de  direito  creditório  líquido  e  certo.  Regularmente  cientificada  desta  decisão,  a  Recorrente  interpôs  tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em  sua manifestação de inconformidade.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.721,  de  24  de  outubro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  11020.900604/2016­10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­005.721):    "Pressupostos legais de admissibilidade  O Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.  Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          4  Preliminares  A  Recorrente  alega  preliminarmente  que  o  despacho  decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios  constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo  legal, resultando em desvio de finalidade.  Sem razão.  Está  correta  a  decisão  recorrida  ao  concluir  pela  aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Com  a  detida  análise  dos  autos  é  possível  constatar  que  tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade  e  o  Recurso  Voluntário,  não  estão  instruídos  com  documentos  passíveis de corroborar com as alegações da defesa.   Ao  invés  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  ou,  ainda,  proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do  direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não  homologou a compensação, a Recorrente cingiu­se em alegar a  ausência  das  razões  da  não  homologação,  invocando  os  Princípios  Constitucionais  do  Contraditório,  Ampla  Defesa  e  Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade  Fazendária.  Ao contrário do que alega a Recorrente, aplica­se o artigo  373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da  prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito.  Neste  sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª  Seção  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  proferiu o Acórdão nº 3401­003.907, acatando por unanimidade  o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao  negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo  Administrativo Fiscal  nº  13832.000095/9970,  conforme Ementa  abaixo transcrita:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992   ÔNUS  DA  PROVA.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  ARTIGO  170  DO  CTN.   Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de  restituição/compensação,  o  ônus  da  prova  recai  sobre  o  contribuinte,  que  deverá  apresentar  e  produzir  todas  as  provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de  seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.   Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          5  Transcreve­se abaixo parte do fundamento que embasou o  respeitável voto do julgado acima citado:  Em  se  tratando  de  pedido  de  restituição  combinado  com  pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que  possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o  que  implica  a  guarda  da  documentação  necessária  para  tanto  não  pelo  prazo  de  5  (cinco)  anos  da  realização  dos  pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente,  mas  até  o  encerramento  da  discussão  administrativa  ou  judicial  em  que  pretende  ver  aquele  direito  de  crédito  reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a  seguir:   CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm  aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores,  ou  da  obrigação  destes  de exibilos.   Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram".  (grifos  nossos)   Lei  nº  10.406,  de  2002  (Código  Civil):  "Art.  1.194.  O  empresário e a  sociedade empresária  são obrigados a conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e  mais  papéis  concernentes  à  sua  atividade,  enquanto  não  ocorrer  prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados"  . (grifos nossos)   Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram  a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar  sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º).         (...)   Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições  legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados  e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou  assim  definidos  em  preceitos  legais.  (DecretoLei  nº1.598,  de  1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos)   Neste  caso,  não  se  aplicam  as  hipóteses  de  nulidade  previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que  tanto  o  despacho  decisório,  quanto  o  acórdão  recorrido  estão  motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação  com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição  do direito de defesa da Contribuinte.  Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em  análise.  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          6  Mérito  Do Princípio da Verdade Material   A  Recorrente  invoca  o  Princípio  da  Verdade  Material  para  alegar  que  deveria  o  Agente  Fiscal  apurar  os  fatos  independentemente  de  suposições  ou  indícios,  possibilitando  à  manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar  o direito creditório.  Com  efeito,  a  busca  pela  verdade  material  deve  prevalecer,  possibilitando  ao  Contribuinte  apresentar  todos  os  meios de provas necessários para comprovação de seu direito.   No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de  contrapor  a  constatação  de  utilização  dos  créditos  declarados  para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  passível  de  comprovar o direito alegado,  tampouco procedeu à Retificação  da  DCTF  no  prazo  concedido  para  manifestação  de  inconformidade.  O  Artigo  37  da  Lei  nº  9.430/1996  prevê  que  "Os  comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos  que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros,  serão conservados até que se opere a decadência do direito de a  Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses  exercícios".  Reitera­se a aplicação do artigo 373,  inciso  I do Código  de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito,  bem  como  a  incidência  do  artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Neste  sentido,  cita­se  o  Acórdão  nº  3302­005.292,  proferido  pela  3ª  Câmara  da  2ª  Turma Ordinária  da  3ª  Seção  deste Tribuna Administrativo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  INDEFERIMENTO.  O direito creditório objeto de pedido de  ressarcimento de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido  se  o  contribuinte  não  apresentar  os  documentos  necessários  a  análise  e  confirmação  do  valor  do  crédito  pleiteado/compensado.  Para  esse  fim,  o  postulante  deve  apresentar  à  fiscalização,  quando  solicitado,  os  arquivos  digitais e os documentos  fiscais e contábeis necessários à  comprovação dos créditos apropriados.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          7  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA  O  PIS/PASEP  E  COFINS.  DEDUÇÃO,  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  O  aproveitamento  de  crédito  decorrente  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  seja  sob  a  forma  de  dedução,  compensação  ou  ressarcimento,  não  ensejará  atualização  monetária  ou  incidência de juros moratórios.  COMPENSAÇÃO  DECLARADA.  ANÁLISE  ANTES  DE  COMPLETADO  O  PRAZO  DE  CINCO  ANOS.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  homologação  tácita  da  compensação  declarada  quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório  não homologatório da compensação antes de completado o  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  apresentação  da  correspondente declaração de compensação.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  PEDIDO  DE  PERÍCIA/DILIGÊNCIA..  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  NOVA  PROVA.  INDEFERIMENTO.  Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários  e suficientes à formação da convicção do julgador quanto  às  questões  de  fato  objeto  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  E  DILIGÊNCIA.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE  JULGADORA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO  A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção  da prova pericial  somente  se  justifica nos  casos  a  análise  da  prova  exige  conhecimento  técnico  especializado.  Por  não  atender  tal  condição,  a  apreciação  de  documentos  contábeis  e  fiscais  prescinde  de  realização  de  perícia  técnica.  2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não  configura  vício  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos  em  que  a  autoridade  julgadora,  fundamentadamente,  demonstra que a produção da prova pericial e realização da  diligência  eram  desnecessárias  e  prescindíveis  para  o  deslinde da controvérsia.  Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          8  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVA  IMPRESCINDÍVEL  À  COMPROVAÇÃO.  NÃO  APRESENTAÇÃO  NA  FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA  E  INTENCIONAL.  PRINCÍPIO  DO  NEMO  AUDITUR  PROPRIAM  TURPITUDINEM  ALLEGANS.  REABERTURA  DA  INSTRUÇÃO  PROBATÓRIA  NA  FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.  Se  no  curso  do  procedimento  fiscal,  após  ser  intimada  e  reintimada  a  recorrente,  de  forma  deliberada  e  como  estratégia  de  defesa,  omite­se  de  apresentar  os  arquivos  digitais  e  a  documentação  contábil  e  fiscal  necessária  à  apuração  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  da  Cofins  pleiteado,  a  reabertura  da  instrução  probatória  na  fase  recursal, inequivocamente, implicaria clara  afronta  ao  princípio  jurídico  de  que  ninguém  pode  se  beneficiar  de  sua  própria  torpeza  (ou  nemo  auditur  propriam turpitudinem allegans).  DESPACHO  DECISÓRIO  PROFERIDO  POR  AUTORIDADE  COMPETENTE.  CERCEAMENTO  DE  DIREITO  DE  DEFESA  INEXISTENTE.  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDAE.  Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido  por  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  e  que  contenha  todos  os  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  suficientes  para  o  pleno  exercício do direito de defesa do contribuinte.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  em  que  formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório,  o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.  Recurso Voluntário Negado.  Com isso, está correta a decisão de primeira instância.  Da  alegação  de  Inaplicabilidade  da  multa  em  face  do  Princípio  Constitucional  do  Não  Confisco  e  dos  Princípios  Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade.  A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar­ se  de  penalidade  confiscatória,  ilegal  e  inconstitucional.  Alega  que:  O  valor  lançado  a  título  de  multa,  flagrantemente  ilegal  como  a  seguir  demonstrar­se­á,  é  manifestamente  excessivo,  ferindo,  desta  maneira  o  princípio  constitucional  do  não  confisco  e  dos  princípios  administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.    Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          9  Neste  contexto,  é  princípio  básico  que  a  pena,  no  caso  a  multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar  os  estritos  limites  da  lei  –  ou  ainda,  do  direito  como  um  todo ­ valendo para o caso específico do direito tributário,  a  definição  legal  do  tributo  como  insuscetível  de  servir  como instrumento de penalização do contribuinte.          (...)  De  outra  banda,  importa  consignar  que  as  obrigações  acessórias,  entre  elas  a  multa,  podem  ter  duas  naturezas,  sendo  uma  tributária  e,  neste  caso,  converter­se  em  principal,  e  a  outra  de  natureza  punitiva,  que,  ipso  jure,  converte­se também em principal.  No  primeiro  caso,  o  que  era  princípio  na  legislação  esparsa, converte­se em mandamento constitucional e legal  impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo,  vedando  o  bis  in  idem  a  partir  do  mesmo  fato  gerador,  expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado.  Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição  anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o  Código  Tributário  Nacional,  como  antes  dito,  mandava  converter  a  obrigação  acessória,  qualquer  que  fosse  sua  natureza,  administrativa  ou  punitiva,  em  obrigação  principal.  Contudo,  a  tolerância  tinha  origem  na  idéia  de  que  a  obrigação principal  ­  art.  113, 3º,  do CTN ­  surge  com a  ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o  pagamento  do  tributo,  mas  também  a  penalidade  pecuniária.          (...)  Assim,  a multa  em  questão  é  totalmente  inexigível,  uma  vez  que  fere  explicitamente  os  princípios  legais  e  constitucionais  acima  referidos,  devendo  ser  reformado  o  acórdão recorrido também neste ponto.  Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao  estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos:  Art. 61. Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de 1º de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento, por dia de atraso.   § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição  até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.905332/2015­55  Acórdão n.º 3402­005.743  S3­C4T2  Fl. 0          10  § 2º O percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado a  vinte por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se  refere este artigo  incidirão  juros de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.   A  multa  aplicada  atende  ao  limite  de  20%  (vinte  por  cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito.  Portanto,  não  há  que  se  alegar  caráter  confiscatório,  tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade.  Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.  Dispositivo  Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário,  rejeito as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  NEGO  PROVIMENTO  para manter na íntegra o acórdão recorrido."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  negar  provimento  para  manter  na  íntegra  o  acórdão recorrido.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                              Fl. 168DF CARF MF

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Numero do processo: 13896.903923/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA.SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbices superados, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito. Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, torna-se mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. INDÉBITO TRIBUTÁRIO.ERRO DE FATO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica. Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência. A produção de prova do indébito tributário, sua liquidez e certeza, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição e à compensação tributária, é ônus do contribuinte (autor do pedido de encontro de contas) (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72; art. 373, I, CPC/2015; art. 74 da Lei 9.430/96 e art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 1301-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e certeza, levando-se em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13896.908450/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.903923/2009­76  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1301­003.383  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de setembro de 2018  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  DU PONT DO BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  SUPERAÇÃO  DE  ÓBICES  EM  QUE  SE  FUNDAMENTARAM  AS  DECISÕES  ANTERIORES.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECISÃO  DE  MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA.SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.   No  julgamento  de  recurso  voluntário  em  que  as  decisões  anteriores  não  enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório  alegado em face de óbices superados, impõe­se o retorno dos autos à unidade  de origem da RFB para julgamento do mérito.   Equívocos  das  decisões  anteriores  nos  autos,  que  deixaram  de  apreciar  os  fatos,  impõe  o  saneamento  do  processo  (instrução  processual  probatória  complementar)  para  afastar  prejuízos  à  defesa  e  ainda  que  fosse  possível  sanear  o  processo  nesta  instância  recursal  ordinária mediante  conversão  do  julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última  instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito  de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria  probatória.  Assim,  torna­se  mister  a  devolução  dos  autos  do  processo  à  unidade  de  origem  da  RFB  para  analisar  os  fatos,  a  formação,  liquidez  e  certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte.  INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.ERRO  DE  FATO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  ÔNUS DA PROVA.  A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória,  na data de sua transmissão eletrônica.  Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a  Fazenda  Nacional,  devem  estar  preenchidos  na  data  da  transmissão  da  Declaração de Compensação,  sob pena de não  reconhecimento do crédito e  não homologação da compensação, conforme legislação de regência.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 39 23 /2 00 9- 76 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 3          2 A  produção  de  prova  do  indébito  tributário,  sua  liquidez  e  certeza,  fato  jurídico a dar fundamento ao direito de repetição e à compensação tributária,  é ônus do contribuinte (autor do pedido de encontro de contas) (arts. 15 e 16  do Decreto nº 70.235/72; art. 373, I, CPC/2015; art. 74 da Lei 9.430/96 e art.  170 do CTN).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar o  decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no  que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas,  e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem  para  que  analise  o mérito, matéria  de  fato,  acerca  da  crédito  pleiteado,  formação,  liquidez  e  certeza,  levando­se em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com  base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em  levantamento  de  balanço  de  suspensão,  proferindo  despacho  decisório  complementar,  retomando­se,  a  partir  daí,  o  rito  processual  de  praxe. O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo  13896.908450/2009­01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto­ Presidente e Relator.     Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior,  Jose  Eduardo Dornelas  Souza,  Nelso Kichel,  Amelia Wakako Morishita  Yamamoto,  Carlos  Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a  Conselheira Bianca Felicia Rothschild.          Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 4          3     Relatório  Cuida­se do Recurso Voluntário em face do Acórdão da 4ª Turma DRJ/Belo  Horizonte  que,  ao  julgar  a manifestação de  inconformidade  improcedente,  não  reconheceu  o  direito creditório pleiteado e, também, não homologou a compensação tributária informada nos  autos.  Quanto aos fatos, consta:  ­  que  a  contribuinte  transmitiu  pela  internet  PER/DCOMP,  informando  compensação tributária de débitos com direito creditório de pagamento indevido ou a maior do  IRPJ­ Estimativa Mensal;  ­  que  o  direito  creditório  R$  3.694.724,99  (valor  original)  decorreu  de  pagamento  indevido ou a maior do IRPJ­ Estimativa Mensal do PA 31/05/2005, código de  receita 2362, data de arrecadação 30/06/2005, valor do recolhimento R$ 3.694.724,99. DARF  em  nome  da  DU  PONT  PERFORMANCE  COATINGS  S/A,  CNPJ:  00.910.496/0001­30  (empresa incorporada em 31/10/2005).  A  DRF/Barueri,  mediante  Despacho  Decisório  (eletrônico),  denegou  o  crédito pleiteado na DCOMP, por  tratar­se de pagamento a  título de estimativa mensal de  pessoa  Jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  caso  em  que  o  recolhimento  somente  poderia  ser  utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social  sobre o Lucro liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo  negativo de IRPJ ou CSLL do período (ajuste anual).  Ciente desse Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de  Inconformidade, pedindo sua reforma, cujas razões, em síntese, são as seguintes:  ­  que  a  MANIFESTANTE,  em  31/10/2005,  incorporou  a  sociedade  DU  PONT PERFORMANCE COATINGS S.A. ("INCORPORADA"), sucedendo­lhe em todos os  direitos e obrigações, conforme se comprova da análise dos atos societários relativos ao evento  e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2005 de incorporação  ("DIPJ");  ­ que em maio de 2005, assim como nos meses de janeiro, fevereiro, março,  abril  e  junho  do  mesmo  ano­calendário,  a  INCORPORADA  não  apurou  débito  de  IRPJ,  conforme  se  comprova  da  análise  da  Ficha  11  da  Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  2005  de  incorporação  ("DIPJ")  e  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos Tributários Federais ("DCTF");  ­ que, entretanto, mesmo não apurando débito de IRPJ nos referidos meses do  ano­calendário  2005,  a  INCORPORADA  recolheu  IRPJ,  por  meio  de  Documento  de  Arrecadação ("DARF");  Fl. 581DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 5          4 ­ que tal constatação decorre da simples comparação entre:   (i) IRPJ devido relativo aos citados meses do ano­calendário 2005, informado  na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTF");  (ii) valor apurado na Ficha 11 da DIPJ 2005 de incorporação; e,  (iii) valor pago, recolhido por meio de DARF.  ­ que, para reforma do Despacho Decisório, invoca o artigo 11 da IN SRF nº  900,  de  30  de  dezembro  de  2008  e  o  disposto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  a,  do Código  Tributário Nacional (CTN);  ­  que  a  decisão  atacada  não  se  teria  valido  “de  todos  os  meios  de  que  dispunha para verificar a legitimidade do crédito”;  ­ que é ilegal a IN SRF 600, de 2005, ao vedar a restituição de pagamento a  maior ou indevido de imposto estimativa mensal.  ­  que,  ainda,  invoca  os  princípios  da  verdade  material,  razoabilidade,  proporcionalidade, moralidade, legalidade, ampla defesa e contraditório  Na  sequência,  a DRJ/Belo Horizonte  (4ª  Turma)  julgou  a Manifestação  de  Inconformidade improcedente, com base na seguinte fundamentação, em síntese, que se extrai  do voto condutor do Acórdão recorrido:  ­  que,  embora  tendo  afastado  óbice  da  IN  SRF  600,  de  2005  (art.  10),  o  direito creditório pleiteado na DCOMP não se reveste de liquidez e certeza, pois a contribuinte  não comprovou o erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora para  redução do imposto confessado na DCTF.  ­ que é necessário, portanto, a comprovação do erro de fato (CTN, art. 147, §  1º);  ­  que  a  contribuinte  não  apresentou  cópia  da  escrituração  contábil  para  comprovar o erro de fato, ou seja, não comprovou que a receita bruta seria nula para zerar o  imposto estimativa mensal do referido período de apuração mensal confessado na DCTF.  Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando,  em síntese:  1) Nulidade da decisão a quo:  ­  que  indeferiu  o  crédito  pleiteado  com  fundamento  diverso  do  despacho  decisório (alteração do critério jurídico), sem oportunizar a ampla defesa e o contraditório;  ­  que,  em  relação  aos  fatos,  na  manifestação  de  inconformidade  não  foi  juntada a escrituração contábil, pois entendia que o óbice seria apenas aquele manifestado no  despacho decisório, ou seja, não devolução de estimativa mensal, mas sim eventual apuração  de saldo negativo na declaração de ajuste anual;  Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 6          5 ­ que a decisão a quo deveria ter convertido o julgamento em diligência para  oportunizar a  contribuinte proceder  a  complementação de provas do  fato  constitutivo do  seu  direito de crédito pleiteado;  ­  que,  ainda,  a  decisão  recorrida  não  enfrentou  todos  os  argumentos  deduzidos  na manifestação  de  inconformidade,  caso  o  crédito  não  fosse  deferido,  ou  seja,  o  pedido de improcedência da exigência de multa moratória e dos juros de mora.  2) ­ Quanto ao mérito:  ­  que  a  4ª  Turma  da  DRJ/Belém,  se  possuía  dúvida  acerca  do  valor  do  crédito,  por  que  não  converteu  o  julgamento  em  diligência?  A  Turma  Julgadora,  simplesmente, decidiu não homologar a compensação;  ­ que, ao assim decidir, afrontou­se o princípio da verdade material;  ­  que,  embora  entenda  sejam  os  documentos  juntados  aos  autos  quando  da  manifestação  de  inconformidade  suficientes  para  atestar  a  existência  do  indébito,  juntou  ao  presente recurso a apuração do IRPJ do referido PA mensal do ano­calendário 2005, Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  –  LALUR  e  o  balancete  de  verificação  que  lhe  suporta,  reforçando a comprovação do montante devido informado na DIPJ;  ­ que, com efeito, argumenta ainda a recorrente:   (i) apurou prejuízo fiscal no referido período mensal de apuração, com base  no critério de levantamento de balancete de suspensão/redução do imposto, nos termos da Lei  nº 8.981/95 (art. 35);  (ii) que até nesse ponto andou mal o julgador de primeira instância, dado que  faz menção à apuração com base no critério de receita bruta (RIR/99, art. 232), não tendo sido  esse o adotado pela recorrente em suas apurações, conforme consta da DIPJ;  ­ que, caso ainda sejam insuficientes as provas do direito creditório pleiteado,  requer  seja  efetuada  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  com  base  no  princípio  da  verdade material, principio esse que não foi observado pela decisão a quo;  ­ que, por fim, argumentou acerca da impossibilidade de exigência da multa  de oficio e dos juros de mora no caso, na hipótese de indeferimento do credito reclamado, pois  a DCOMP fora apresentada tempestivamente (não cabendo imputar mora).  É o relatório.    Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 7          6     Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.380,  de  20/09/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  13896.908450/2009­ 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.380):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço.   A recorrente rebela­se contra a decisão recorrida que  denegou  o  direito  creditório  pleiteado  e  não  homologou  a  DCOMP objeto dos autos.   Nas  razões  do  recurso,  a  contribuinte  suscitou  preliminares  de  nulidade  da  decisão  recorrida,  argumentando  que:  I ­ Foi surpreendida pela mudança de critério jurídico  pela decisão a quo, ou seja:  a) que despacho decisório indeferiu o crédito pleiteado  com  base  no  óbice  do  art.  10  da  IN  600/05,  não  entrando  no  mérito  acerca  da matéria  de  fato,  existência  ou  não  do  direito  creditório;  b)  que,  diversamente,  a  decisão  recorrida,  embora  tendo suplantado o referido óbice em face do art. 11 da IN SRF  900/2008  (Súmula CARF nº 84), denegou o crédito demandado  pela falta de produção de prova do erro de fato na apuração da  exação  fiscal do período mensal objeto dos autos, que  implicou  pagamento indevido e confissão indevida de débito na DCTF do  respectivo  PA  mensal;  que,  assim,  não  comprovado  o  erro  de  fato,  inexiste  justificativa  para  a  transmissão  de  DCTF  retificadora  após  a  ciência  do  despacho  decisório,  visando  a  suprimir o débito confessado na DCTF primitiva.  II ­ Deixou de enfrentar matérias suscitadas acerca da  multa moratória e dos juros de mora.  Pois bem.  Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 8          7 Deixo de enfrentar as preliminares suscitadas contra a  decisão a quo, pois superado o óbice do art. 10 da IN SRF 600,  de 2005, pela decisão recorrida, em face do art. 11 da IN SRF  900, de 2008 e da Súmula CARF nº 84, e tendo em vista falhas  nas  decisões  anteriores  nestes  autos,  que  implicaram  não  apreciação de matéria de fato acerca da formação e da certeza e  liquidez  do  crédito  pleiteado,  e  para  evitar  prejuízo  à  defesa,  necessidade  de  oportunizar  a  complementação  de  provas  pela  contribuinte  (saneamento  do  processo,  instrução  processual  probatória  complementar),  afastar  supressão  de  instância  de  julgamento  (apreciação  dos  fatos  e  provas  apenas  na  última  instância  recursal  ordinária),  entendo  que  devem  retornar  os  autos do presente processo à unidade de origem da RFB, no caso  à  DRF/Barueri  para  enfrentar  o  mérito  da  lide,  ou  seja,  a  matéria de fato e provas acerca da existência ou não do direito  creditório pleiteado pela contribuinte.  Veja.  O Despacho Decisório da unidade de origem da RFB,  no caso a DRF/Barueri, com fundamento equivocado, denegou o  crédito  pleiteado  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  estimativa  mensal  com  fundamento  no  óbice  de  que  o  pagamento,  a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  Jurídica  tributada pelo lucro real, tem caráter de mera antecipação e que  o  valor  recolhido  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição  Social sobre o Lucro liquido (CSLL) devidos no encerramento do  ano­calendário ou para compor o saldo negativo (ajuste anual).  Como  visto,  realmente  o  Despacho  Decisório  não  enfrentou  matéria  da  fato  atinente  ao  direito  creditório  demandado  contra  a  Fazenda  Nacional,  ficando  adstrito  à  matéria de direito.  Na  sequência  a  4ª  Turma  da  DRJ/Belo  Horizonte,  embora  tendo  afastado  esse  óbice  de  que  trata  o  referido  despacho,  indeferiu  peremptoriamente,  de  forma  equivocada,  o  crédito reclamado por outro  fundamento, ou seja, por ausência  de  comprovação  do  erro  de  fato  que  pudesse  justificar  a  apresentação  de  DCTF  retificadora  após  ciência  do  despacho  decisório, com intuito de suprimir o débito confessado na DCTF  primitiva do respectivo período de apuração e, assim, justificar a  origem do credito pleiteado.  Como visto, a decisão a recorrida quanto à matéria de  fato,  simplesmente,  denegou  o  pleito,  com  a  fundamentação  de  que  a  contribuinte  não  produzira  prova  do  erro  de  fato  na  apuração  do  IRPJ  estimativa  mensal  do  respectivo  período  de  apuração  que  pudesse  justificar  a  apresentação  de  DCTF  retificadora e justificar a origem do crédito reclamado.  Sem dúvida, a 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, para  evitar  prejuízo  à  defesa,  deveria  ter  baixado  os  autos  em  diligência  fiscal  para  sanear  o  processo,  ou  seja,  realizar  instrução  processual  probatória  complementar,  possibilitar  a  Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 9          8 oportunidade  da  contribuinte  produzir  provas  do  fato  constitutivo  do  seu  direito  pleiteado,  uma  vez  que  o  despacho  decisório a fez incorrer em erro (a recorrente) ao tratar apenas  de  matéria  de  direito,  silenciando  acerca  de  matéria  de  fato;  porém,  não  procedeu  assim  a  decisão  recorrida,  simplesmente,  denegou o crédito pleiteado.  Ora,  a  legislação  de  regência  é  clara,  o  contribuinte  tem  direito  de  repetição  do  que  pagara  indevidamente  ou  a  maior.  No  mesmo  sentido  a  jurisprudência  do  CARF:  "Pagamento  indevido  ou  a maior  a  título  de  estimativa mensal  caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível  de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de  fato" (Súmula CARF nº 84).  Ônus da prova  O  ônus  probatório  do  fato  constitutivo  do  direito  creditório  pleiteado  é  do  autor  do  pedido,  por  aplicação  subsidiária do art. 373, I, do CPC/2015.  A  entrega  da  DCTF  retificadora  após  a  ciência  de  despacho decisório, que vise a reduzir débito confessado, impõe  a comprovação do erro de fato, mediante escrituração contábil e  documentos de suporte dos registros contábeis (CTN, art. 147, §  1º).  Há  necessidade  de  comprovação  e  demonstração  da  escrituração  contábil/fiscal  em  que  houve  o  erro  de  fato  e  da  escrituração contábil/fiscal já com correção do erro de fato, no  sentido de  identificar qual a  razão ou motivo da ocorrência do  erro de fato.  A lei autoriza a compensação de débitos com créditos  líquidos e certos (CTN, art. 170 e Lei 9.430/97, art. 74).  O  momento  para  produção  das  provas  (Decreto  nº  70.235/72, arts. 15 e 16).  A  Declaração  de  Compensação  extingue  os  débitos,  sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica.  Os  atributos  ou  requisitos  de  liquidez  e  certeza  do  crédito  objetado  contra  a  Fazenda  Nacional,  devem  estar  preenchidos  na  data  da  transmissão  da  Declaração  de  Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não  homologação da compensação, conforme legislação de regência  A  contribuinte  juntou  cópia  de  folhas  do  LALUR  ­  Parte  A  e  Balanço  Patrimonial  nesta  instância  recursal  ordinária  .  Porém,  o  processo  ainda  carece  de  saneamento,  demanda  instrução  processual  complementar,  pois  as  provas  juntadas são incompletas e ainda não foram juntadas cópias do  livros Diário e Razão e dos balancetes de suspensão ou redução,  especificamente quanto ao erro de fato (art. 35 da Lei 8.981/95).  Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 10          9 Como  já  dito,  a matéria  probatória  quanto  aos  fatos  não foi enfrentada nestes autos pelas decisões anteriores.  No  julgamento  de  recurso  voluntário  em  que  as  decisões  anteriores  não  apreciaram matéria  de  fato  atinente  a  fato constitutivo do direito creditório alegado, pela  inexistência  de  provas  nos  autos,  o  que  denota  existência  de  falhas  do  processo pela necessidade de saneamento, ou seja, realização de  instrução  processual  complementar  para  produção  de  provas,  ainda  que  fosse  possível  sanear  o  processo  nesta  instância  recursal  ordinária  mediante  conversão  do  julgamento  em  diligência  fiscal,  o  fato  é  que  a  produção  de  prova  ­  nesta  instância  recursal  ordinária  ­  e  retorno  dos  autos  para  julgamento de mérito, poderia, em tese, implicar cerceamento do  direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de  recurso em matéria probatória.  Ora,  para  evitar  prejuízo ao  contraditório  e  à  ampla  defesa,  supressão  de  instância  de  julgamento  (julgamento  dos  fatos  e  provas  apenas  na  última  instância  recursal  ordinária),  considerando ainda os princípios do formalismo moderado e da  verdade material  que norteiam o processo  legal administrativo,  entendo,  volto  a  dizer,  que  devem  ser  devolvidos  os  presentes  autos  à  Unidade  de  origem  da  RFB,  no  caso  à  DRF/Barueri,  para  analisar  a matéria  de  fato,  enfrentar  o mérito,  acerca  do  fato constitutivo do direito creditório reclamando.   A unidade de origem da RFB, então, deverá intimar a  contribuinte a produzir prova cabal e idônea do fato constitutivo  do seu direito alegado, comprovar o alegado erro de fato.   Portanto,  superados  os  óbices  no  que  diz  respeito  à  possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de  estimativa mensal e evitar cerceamento do direito de defesa em  face  da  necessidade  ainda  de  saneamento  do  processo  (realização  de  instrução  processual  probatória  complementar),  voto  para  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  determinar o retorno dos autos à unidade de origem, no caso à  DRF/Barueri,  para  que  analise  o  mérito  do  pedido  quanto  à  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado,  levando­se  em  consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa  com  base  na  receita  bruta,  mas  também  a  possibilidade  de  comprovação do indébito com base em levantamento de balanço  de  suspensão/redução,  proferindo  despacho  decisório  complementar,  retomando­se,  a partir daí,  o  rito processual de  praxe.  É como voto."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por ratificar o  decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no  que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas,  e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem  para  que  analise  o mérito, matéria  de  fato,  acerca  da  crédito  pleiteado,  formação,  liquidez  e  Fl. 587DF CARF MF Processo nº 13896.903923/2009­76  Acórdão n.º 1301­003.383  S1­C3T1  Fl. 11          10 certeza,  levando­se em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com  base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em  levantamento  de  balanço  de  suspensão,  proferindo  despacho  decisório  complementar,  retomando­se, a partir daí, o rito processual de praxe.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                              Fl. 588DF CARF MF

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Numero do processo: 13811.003547/2004-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF nº 49.
Numero da decisão: 1003-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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1003­000.338  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  06 de dezembro de 2018  Matéria  MULTA ATRASO ENTREGA DE DCTF  Recorrente  UNRUI E UNRUH ­ CORRETORA E ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS  S/C LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 1999  MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração.  Aplicação  da  Súmula CARF nº 49.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  CARMEN FERREIRA SARAIVA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carmen  Ferreira  Saraiva  (Presidente),  Bárbara  Santos  Guedes,  Sérgio  Abelson  e Mauritânia  Elvira  de  Sousa  Mendonça.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 35 47 /2 00 4- 04 Fl. 69DF CARF MF     2   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pela  Recorrente  por  discordar  do  acórdão de nº 16­11.704, de 26 de novembro de 2006, proferido pela 5a Turma da DRJ/SPOI,  às  fls.  19­21,  julgando  procedente  o  lançamento  (fls.  03)  da multa  por  atraso  na  entrega  da  Declaração  de Débitos  e Créditos Tributários  Federais  ­ DCTF,  referente  ao  1°,  2°,  3°  e  4°  trimestre do ano calendário de 1999.  A ementa da decisão segue abaixo transcrita:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 1999  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.  O  cumprimento  da  obrigação  acessória  ­  apresentação  de  declarações  (DCTF)  ­  fora  dos  prazos  previstos  na  legislação  tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.  Lançamento Procedente  Inconformada  com  a  decisão,  a  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário  requerendo sua reforma, e para tanto, argumentou, em síntese. que:  (i) é empresa de pequeno porte;  (ii) até 1999 estava dispensada da entrega da DCTF quando o total de débitos  fosse inferior a dez mil reais;   (iii) na alteração da legislação a partir de 1999, "não ficou claro no texto da  lei  a  obrigatoriedade  da  entrega  das DCTFs,  para  todos  os  contribuintes Lucro Real/Lucro  Presumido, independentemente do valor da soma dos tributos", já que, no texto legal, empresas  imunes ou isentas constavam dispensadas desta obrigação no mesmo capítulo em que se falava  da  obrigação  da  entrega  das  DCTF  pelas  empresas  optantes  pelo  Lucro  Real  e  Lucro  Presumido, não tendo sido mantida a dispensa de entrega para empresas com débitos tributários  inferiores a dez mil reais;  (iv)  assim  que  entendeu  corretamente  o  texto  legal,  de  forma  voluntária  efetuou a entrega das DCTF em questão, não tendo havido posterior reincidência;  (v)  não  houve,  com  o  descumprimento  momentâneo  de  uma  determinação  legal  dúbia,  qualquer  tipo  de  prejuízo  para  o  Tesouro,  visto  que  a  Recorrente,  independentemente  da  entrega  das  DCTF,  recolheu  todos  os  seus  tributos  e  apresentou  no  prazo  legal  sua  declaração  de  IRPJ,  o  que  caracteriza  a  intenção  de  nunca  burlar  ou  fraudar  qualquer dispositivo em vigor, devendo o Fisco perdoá­la, e,  (vi)  o  valor  do  auto  de  infração  é  vultoso  e  com  a  correção  se  torna  impossível de ser quitado, face a dificuldade comercial que enfrentam os pequenos empresários  de forma geral.  É o relatório.  Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13811.003547/2004­04  Acórdão n.º 1003­000.338  S1­C0T3  Fl. 70          3   Voto             Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora.  O  recurso voluntário,  de  fls.  26/28,  apresentado pela Recorrente atende aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos  nas  normas  de  regência,  em  especial  no  Decreto  nº  70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade.  Ademais,  conforme  mencionado  no  relatório,  versam  os  autos  sobre  a  aplicação  de  multa  por  atraso  na  entrega  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais ­ DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2003.  Contudo,  não  merece  reforma  o  acórdão  recorrido,  fls.  26/28,  ante  a  impossibilidade de prevalecer quais dos argumentos da Recorrente para exclusão da multa de  aplicada.  Inicialmente, no tocante à mudança legislativa mencionada pela Recorrente,  de fato, até 30 de outubro de 1998, vigia a IN SRF nº 73/1996, que estabelecia, em seu art. 2º,  inciso  I,  a  obrigatoriedade  de  entrega  da  DCTF  ­  Declaração  de  Contribuições  e  Tributos  Federais, pelo estabelecimento, cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar seja  igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).   Porém, em 30 de outubro de 1998, a IN SRF nº 126/98 instituiu nova DCTF,  a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, prevendo em seu art. 3º, as hipóteses  de dispensa de sua apresentação, conforme transcrito a seguir:  Art.  3o  Estão  dispensadas  da  apresentação  da  DCTF,  ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo:   I ­ as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas  no  regime  do  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte  ­ SIMPLES;  II ­ as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de  impostos  e  contribuições  a  declarar  na DCTF  seja  inferior  a  dez mil reais;   III ­ as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não  realizaram  qualquer  atividade  operacional,  não­operacional,  financeira  ou  patrimonial,  conforme  disposto  no  art.  4º  da  Instrução Normativa SRF Nº 28, de 05 de março de 1998;   IV ­ os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas.   Parágrafo  único.  Não  está  dispensada  da  apresentação  da  DCTF, a pessoa jurídica:   I  ­  excluída  do  SIMPLES,  a  partir  do  1º  trimestre  do  ano  subseqüente ao da exclusão;   Fl. 71DF CARF MF     4 II  ­  cuja  imunidade  ou  isenção  houver  sido  suspensa  ou  revogada, a partir do trimestre do evento;   III ­ anteriormente inativa, a partir do trimestre em que praticar  qualquer atividade. (grifou­se)  A  despeito  da  efetiva  ocorrência  da  mencionada  alteração  regulamentar,  a  leitura do dispositivo transcrito não se apresenta confusa nem induz a qualquer dúvida.   Ainda  que  assim  fosse,  sua  aplicação  não  poderia  ser  afastada  por  este  colegiado, por absoluta falta de previsão legal.  Além  do  mais,  no  Direito  Brasileiro,  como  se  sabe,  não  cabe  invocar  o  desconhecimento  de  lei  ou  ato  normativo  para  justificar  seu  descumprimento,  conforme  prescreve o art. 3° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, in verbis:    "Ninguém  se  escusa  de  cumprir  a  lei,  alegando  que  não  a  conhece".  Outrossim, quanto ao pleito para  redução do valor  lançado,  também não há  como prosperar, cabendo ressaltar que foi aplicada a multa mínima, de R$ 500,00, de acordo o  previsto  no  artigo  7°,  §3°,  inciso  II  da  Lei  n°  10.426/2002,  legislação  vigente  quando  da  ocorrência da infração.   Já  no  que  se  refere  à  alegada  espontaneidade  na  entrega  da  declaração  em  atraso, a Recorrente também não logra êxito, vez que a questão é objeto da Súmula CARF nº  49,  abaixo  transcrita,  com  entendimento  vinculante  na  administração  tributária  federal  determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018:  Súmula  CARF  nº  49:  A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente do atraso na entrega de declaração.  Por outro lado, os argumentos relativos à suposta ausência de prejuízo para o  Tesouro, à regularidade dos demais atos da referida pessoa jurídica, à ausência de intenção de  burlar o fisco (o que ensejaria perdão por parte dos julgadores), não socorrem a Recorrente, por  absoluta  falta  de  previsão  legal,  lembrando  que  os  atos  produzidos  no  julgamento  administrativo de processos fiscais são atos vinculados à estrita legalidade.  Por  fim, no que se  refere ao suposto valor vultoso do auto de  infração e da  impossibilidade  da  Recorrente  em  quitá­lo,  resta  apenas  lembrar  que  o  valor  original  para  pagamento até o vencimento, com redução  legal de 50%, era de R$ 1.000,00 (um mil  reais),  valor que ela optou por não pagar, por acreditar indevido.   Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13811.003547/2004­04  Acórdão n.º 1003­000.338  S1­C0T3  Fl. 71          5 Pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  e  manter  o  crédito tributário lançado.  (assinado digitalmente)  Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça  ­                                Fl. 73DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.001753/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera-se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. Na existência de pagamento antecipado, a regra é dada pelo art. 150, § 4o, do CTN, sendo o prazo contado a partir da ciência do Auto de Infração. DEPÓSITO JUDICIAL.
Numero da decisão: 3302-006.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD

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3302­006.089  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  Recorrente  LINK S/A ­ CORRETORA DE CAMBIO, TITULOS E VALORES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2000, 2001, 2002   PRAZO  DECADENCIAL  PARA  CONSTITUIÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.  Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio  de Súmula Vinculante n° 08, considera­se de cinco anos o prazo decadencial  para constituição das contribuições sociais.   PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA.  Na existência de pagamento antecipado, a regra é dada pelo art. 150, § 4o, do  CTN,  sendo  o  prazo  contado  a  partir  da  ciência  do  Auto  de  Infração.  DEPÓSITO JUDICIAL.         Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  Conselheiro  Paulo  Guilherme  Deroulede  votou  pelas  conclusões.   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Jorge Lima Abud ­ Relator      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 53 /2 00 7- 74 Fl. 660DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.  Relatório  Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 276/278), o contribuinte impetrou  perante  a  24a  Vara  da  Justiça  Federal  de  São  Paulo  o  Mandado  de  Segurança  n°  2000.61.00.006226­2 visando ter reconhecido o direito de não recolher a Cofins na forma dos  arts.  3°  e  8°  da  Lei  n°  9.718/98,  e.  sim  para  que  os  fatos  geradores  relativos  à  referida  contribuição tivessem por base de cálculo exclusivamente o faturamento consoante os ditames  da  LC  n°  70/91.  Em  01.03.2000  foi  concedida  liminar,  e  em  21.09.2000  foi  prolatada  a  sentença  concedendo  a  segurança,  garantindo  à  autora,  a  inexigibilidade  do  recolhimento  da  Cofins  nos  moldes  estabelecidos  pelo  §  1°,  do  art.  3°,  da  Lei  n°  9.718/98,  impondo  a  manutenção  do  recolhimento  da  contribuição  sobre  o  faturamento  consoante  anteriormente  estabelecido pela LC n° 70/91. A apelação da União  foi parcialmente provida no TRF da 3a  Região em 17.04.2002, para manter a base de cálculo prevista na LC n° 70/91, porém com a  aplicação da alíquota majorada pela Lei n° 9.718/98. Interpôs o contribuinte recurso especial e  extraordinário  perante  o  STF  e,  ainda,  medida  cautelar  no  TRF,  esta  última  para  fins  de  proceder depósito judicial da Cofins.     Os valores começaram a ser depositados a partir de abril de 2003.  Observa  a  autoridade  fiscal  que,  embasado  nas  disposições  contidas  nas  decisões proferidas, o  contribuinte não promoveu os  recolhimentos da Cofins nos moldes da  LC n° 70/91 no período de julho de 2000 até setembro de 2003.  Ante o constatado, e com fulcro no art. 1° da LC n° 70/91, nos arts. 2°, 3° e  8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da MP n° 1.807/99 e reedições, com as alterações da  MP n° 1.858/99 e reedições, nos arts. 2°, inc. II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto  n°  4.524/2002,  foi  lavrado  o Auto  de  Infração  de  Cofins  às  fls.  289/293,  com  exigibilidade  suspensa por força da decisão proferida nos autos do MS 2000.61.00.006226­2.   O  valor  total  exigido  é  de  R$  477.722,96,  relativo  aos  fatos  geradores  ocorridos entre julho de 2000 e setembro de 2003, já incluídos os juros de mora calculados até  31.08.2007,  tendo  a  ciência  pessoal  do  autuado  ocorrido  em  01.10.2007  (fls.  289).  Não  foi  lançada a multa de ofício de 75%, a teor do que dispõe o art. 63 da Lei n° 9.430/96 (fls. 278 e  288).  Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  em  31.10.2007  a  Impugnação de  fls.  296/315,  alegando,  em  apertada  síntese,  que  no  tocante  aos  fatos  geradores  ocorridos  de  julho/2000 a  setembro/2002, decaiu o direito de o Fisco  efetuar o  lançamento  em  função do  decurso do prazo de cinco anos previsto no § 4°, do art. 150, do CTN. Alega também que os  juros de mora não podem ser exigidos, pois desde abril de 2003 o interessado vem efetuando  depósitos judiciais. Observa, ainda, que a  impugnação deve ser recebida uma vez que não se  trata de matéria questionada na esfera judicial.  Em 9 de junho de 2009, através do Acórdão de Impugnação n° 16­21.730,  por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO.  Foi  cancelada  a  exigência  relativa  aos  fatos  geradores  atingidos  pela  decadência, conforme demonstrativo a seguir:  Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16327.001753/2007­74  Acórdão n.º 3302­006.089  S3­C3T2  Fl. 3          3           Fl. 662DF CARF MF     4     Entendeu a Turma que:  ü No mérito, há que se reconhecer, em parte, a decadência arguida pelo  Contribuinte;  ü É bem verdade que a autoridade fiscal, ao lavrar o presente Auto de  Infração,  o  fez  com  a  precípua  finalidade  de  prevenir  a  decadência,  cujo  prazo  seria  de  dez  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído, nos termos  do art. 45 da Lei n° 8.212/91;  ü Ocorre  que,  em  20.06.2008,  foi  publicada  no  D.O.U.  a  Súmula  Vinculante  n°  8  do  Supremo  Tribunal  Federal,  que  tem  o  seguinte  enunciado:  “São  inconstitucionais o parágrafo único do  artigo 5° do  Decreto­Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991,  que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”;  ü Ocorre  que,  consoante  descreve  o  autuante  às  fls.  277,  não  houve  nenhum recolhimento da Cofins relativamente ao período autuado. Na  inexistência  de  pagamento  antecipado,  descabe  falar­se  no  prazo  decadencial do lançamento por homologação previsto no § 4°, do art.  150, do CTN, como pretende o impugnante;  ü Destarte,  o  prazo  decadencial  a  se  adotar  no  caso  em  apreço  é  o  previsto no art. 173, inc. I, do CTN;  ü Resulta que, pelo critério previsto no art. 173, inc. I, do CTN, apenas  os fatos geradores ocorridos entre julho de 2000 a novembro de 2001  foram fulminados pelo instituto da decadência, enquanto que os fatos,  geradores  ocorridos  a  partir  de  dezembro  de  2001  foram  autuados  ainda dentro de seus respectivos prazos legais;  ü Quanto  à  exigência  dos  juros  de  mora,  cumpre  reconhecer  que  a  jurisprudência  administrativa  vem  se  consolidando  no  sentido  de  considerar  indevida  a  cobrança  dos  juros  de  mora  quando  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  estiver  suspensa  por  depósito  do  montante  integral.  Tanto  é  assim  que,  o  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes publicou no ano de 2006 a Súmula n° 5;  Fl. 663DF CARF MF Processo nº 16327.001753/2007­74  Acórdão n.º 3302­006.089  S3­C3T2  Fl. 4          5 ü Ocorre que, consoante se extrai das citadas súmulas, e a teor do que  estabelece  o  inciso  II,  do  art.  151,  do  CTN,  apenas  mediante  o  depósito  do montante  integral  é  que  se  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.  Se  o  depósito  não  abranger  a  integralidade  do  crédito  tributário  não  há  que  se  falar  em  suspensão  do  crédito  tributário,  conforme entendimento  já  consolidado na Súmula n° 112  do STJ;  ü Pelas  guias  de  depósitos  juntadas  aos  autos,  verifica­se  que  o  valor  depositado  é muito  inferior  ao  valor  da Cofins  lançada. A  soma  do  principal  indicado  nos  DJE  de  fls.  269/275  perfaz  R$  59.775,83,  enquanto o valor da contribuição lançada é de R$ 260.917,32. Sendo  assim, não houve o depósito do montante integral, ou seja, não se trata  da hipótese prevista no inc. II, do art. 151 do CTN.  A empresa LINK S/A tomou ciência do Acórdão de Impugnação, via Aviso  de Recebimento, em 24/07/2009 (folhas 437).  A empresa LINK S/A ingressou com o Recurso Voluntário, em 24/08/2009,  de folhas 441 à 454.  Destacam­se a seguir excertos da peça recursal:  15. Pois bem. No presente caso, contando­se o prazo de 5 (cinco)  anos  previsto  no  citado  parágrafo  4°,  do  art.  150,  do  Código  Tributário Nacional, os valores relativos à COFINS, cujos fatos  geradores  ocorreram  nos  meses  de  dezembro  de  2001  a  setembro de 2002, foram tacitamente homologados em dezembro  de  2006  e  setembro  de  2007,  respectivamente.  Assim,  o  lançamento  cientificado  ao  contribuinte  em  01  de  outubro  de  2007  é  PARCIALMENTE  EXTEMPORÂNEO,  não  podendo  prevalecer.  16. Logo, a partir daquelas datas não existe mais possibilidade  de revisão do lançamento. Com a homologação tácita,  todos os  dados e cálculos  realizados pela Recorrente  foram aceitos pela  Fazenda Pública.  Através  do  despacho  proferido  na  Ação  Cautelar  Inominada  N°  2003.03.00.019838­8/SP, de 27/10/2009, o Desembargador do TRF/3 assim se manifesta:   Uma  vez  que  a  presente  medida  cautelar  perdeu  o  objeto  conforme  decisão  de  fls.  232  e  que  já  houve  a  conversão  em  renda  da  União  Federal  dos  depósitos  efetuados  nos  autos,  remetam­se ao arquivo. Intimem­se.  A  unidade  da  RFB,  através  do  despacho  de  fl.566,  solicita  ao  CARF  a  devolução do processo, em face da conversão em renda da União dos valores depositados nos  autos da Medida Cautelar 2003.03.00.019838­8, da Link S/A Corretora de Câmbio Títulos e  Valores Mobiliários, destacando que a empresa autora requer a conversão para quitar débitos  junto à Receita Federal especificamente do presente processo.  Fl. 664DF CARF MF     6 Após  a  devolução  do  processo,  a  empresa  intimada  a  apresentar  a  planilha  referente  aos  citados  depósitos  judiciais,  apresenta  referida  planilha,  fl.570,  cujos  valores  atualizados à época, totalizam o valor de R$ 53.235,24.  Em  vista  dos  valores  apresentados,  foi  emitida  a  Informação  fiscal  de  fl.571(542 , processo físico), nos seguintes termos:  Trata­se  de  auto  de  Infração  de  COFINS,  PAs  07/2000  a  09/2003.  Estes  débitos  foram  declarados,  pelo  contribuinte,  em  DCTFs  como  suspensos  por  depósito  judicial  e  por  força  de  sentença  proferida  em  Mandado  de  Segurança  n°  2000.61.00006226­2,  junto à 24a Vara Federal do TRF da 3a Região. A situação atual  da Lide é aguardando o julgamento de Recurso Extraordinário e  Recurso Especial interposto pelas partes.  Regularmente cientificado do lançamento do Auto de infração, o  contribuinte  apresentou  impugnação  tempestiva  à  DRJ,  pugnando pela decadência do Auto de Infração em relação aos  PAs  julho/2000  a  setembro/2002.  Em  julgamento  realizado  em  9/06/2009, a impugnação foi declarada parcialmente procedente  para  declarar  cancelados  por  decadência  os  lançamentos  dos  PAs 07/2000 a 11/2001.(grifei).  O  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  ao  CARF  pugnando pela decadência dos  lançamentos  referentes aos PAs  12/2001 a 09/2002.(grifei).  às  fls.  539/541  encontra­se  cópia  da  intimação  DEINF/SPO/DICAT  n°  160/2010  (processo  n°  16327.000441/2009­13)  e  sua  resposta,  onde  o  contribuinte  apresenta  depósito  judicial  de  parte  dos  débitos  referentes  ao  Auto de Infração.  Tendo em vista a tempestividade da impugnação propõe­se:  A  atualização  dos  valores  dos  débitos  do  auto  de  infração  em  virtude  do  depósito  judicial  apresentado  pelo  contribuinte  ter  sido convertido em renda da União,  A  abertura  de  representação  para  apartar  os  débitos  que  não  foram alvo da impugnação e  O  encaminhamento  da  impugnação ao CARF para  seu  regular  processamento.  O despacho de  fl.574,  informa que  ...em cumprimento à ordem  informação  fiscal, à folha 542, o processo de número 16327000782/2010­14 foi para controlar os débitos  que não foram objeto de contestação administrativa.   Tabela exibe os créditos tributários transferidos deste para aquele.  Fl. 665DF CARF MF Processo nº 16327.001753/2007­74  Acórdão n.º 3302­006.089  S3­C3T2  Fl. 5          7     Ao analisar o caso, entendeu a ilustre Relatora que:  ü No  presente  caso,  inexistindo  pagamento,  conforme  já  esclarecido  pelo  autuante,  tratando­se  a  exigência  referente  aos  fatos  geradores  referentes aos PAs de 12/2001 a 09/2002, e tendo a ciência do auto de  infração ocorrido em 01/10/2017, fl.292, nos termos da jurisprudência  do  Egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  a  qual,  por  força  regimental,  artigo  62,  §  2°,  deve  ser  reproduzida  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF,  aplicar­se­ia  o  disposto no inciso I, do artigo 173 do Código Tributário Nacional;  ü Ocorre que,  como  já destacado, existe um fato a  ser considerado no  caso ora discutido, visto que embora inexistia pagamento nos termos  do  artigo  156,  I,  do CTN,  há  depósitos  não  integrais,  efetuados  em  24/04/2003,  portanto  antes  do  lançamento,  já  convertidos  em  renda,  conforme  informação  fiscal de  fl.571(542  , processo  físico), questão  que suscita a discussão quanto aos efeitos decorrentes dos depósitos  judiciais;  ü É  certo  pela  jurisprudência  já  pacificada  pelo  STJ,  quando  da  existência  de  depósito  integral,  pela  desnecessidade  de  lançamento,  conforme  REsp  n°1.140.956,  submetido  ao  procedimento  de  recursos repetitivos;  ü Também já decidiu o STJ, no REsp n° 1.351.073 ­ RS, que depositado  integralmente  o  valor  correspondente  ao montante  da dívida,  com o  objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não há que  falar em decadência;  Fl. 666DF CARF MF     8 No  presente  caso,  suscita  o  recorrente  exatamente  a  aplicação  da  regra  do  artigo 150, §4° do CTN, em face dos depósitos parciais já convertidos em renda.  Aplicando­se ao caso concreto os fundamentos já reportados, verifica­se que  em face de depósitos judiciais, parciais, portanto não integrais, convertidos em renda, os quais  extinguem o crédito tributário no receptivo montante e nesse caso equiparados ao pagamento,  por se tratar de lançamento por homologação, nos termos dos precedentes judiciais já citados,  aplica­se a regra do artigo 150, § 4° do CTN.  No  entanto  considerando  que  o  depósito  judicial,  convertido  em  renda,  ocorreu  em  25/04/2003,  em  uma  única  guia,  no  valor  de  R$  53.235,24,  fl.560,  anterior  ao  lançamento,  cuja  ciência  do  auto  de  infração,  para  prevenir  a  decadência,  ocorreu  em  01/10/2007,  fl.292  e  sendo o  valor  da  contribuição  lançada,  no montante  de R$ 260.917,32,  correspondendo  portanto  o  valor  do  depósito  a  20,42  %  deste  valor,  faz­se  premente  a  imputação dos pagamentos feitos a destempo, com vistas a efetuar a distribuição proporcional  desses  valores  entre  as  parcelas  do  crédito  tributário,  quais  sejam  o  principal  e  os  juros  de  mora, para que se possa determinar o termo final da decadência, haja vista que para os períodos  de  apuração,  que  inexista  pagamento  ou  depósito  não  integral  convertido  em  renda,  a  regra  quanto ao prazo decadencial é do artigo 173, I do CTN, conforme já decidido na sistemática do  artigo  543C  do  Código  de  Processo  Civil,  julgado  conforme  procedimento  previsto  para  os  Recursos Repetitivos no âmbito do STJ, já ressaltado no presente voto.  Nesse  mister,  destaque­se  que  a  Informação  fiscal  de  fl.571(542,  processo  físico), abaixo transcrita, assim se manifesta:  5. Tendo em vista a tempestividade da impugnação propõe­se:  A atualização dos  valores  dos  débitos  do  auto  de  infração  em  virtude  do  depósito  judicial  apresentado  pelo  contribuinte  ter  sido convertido em renda da União,(grifei)  Ocorre  que  além  da  guia  no  valor  de R$  53.235,24,  fl.560,  convertido  em  renda  conforme  informação  supra,  argui  a  recorrente  sobre  a  existência  de  outras  guias  de  depósitos,  a  exemplo  das  cópias  de  fls.419/425,  para  as  quais  não  há  informação  sobre  a  conversão em renda.  Com efeito, tendo em vista o depósito efetuado em uma única guia, no valor  de R$ 53.235,24, fl.560 e considerando a informação do item 5 acima destacada, com relação a  atualização dos valores dos débitos, bem como a existência no processo das demais guias de  depósito, de fls.419/425, conforme destaca a  recorrente, votou­se por converter o  julgamento  em  diligência,  através  da Resolução  n°  3302­000.725,  de  17  de  abril  de  2018,  para  que  a  unidade:  1.  informe se há a conversão em renda dos demais valores depositados,  conforme guias de fls.419/425;  2.  anexe  aos  autos  a  imputação  de  todos  os  valores  depositados,  para  fins de aferição do prazo decadencial, de acordo com os fundamentos  acima colacionados.  A diligência foi atendida pela autoridade preparadora, através de informação  colacionada de folhas 614 a 617.  Fl. 667DF CARF MF Processo nº 16327.001753/2007­74  Acórdão n.º 3302­006.089  S3­C3T2  Fl. 6          9 Regularmente intimada, a empresa LINK S/A CORRETORA DE CAMBIO,  TITULOS E VALORES MOBILIARIOS se manifestou às folhas 628 e 629.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator.  Da admissibilidade.  Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  e  presentes  os  requisitos  de  admissibilidade,  conheço  do  Recurso  Voluntário  tempestivamente  interposto  pelo  contribuinte  em  24  de  setembro  de  2009,  considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24 de agosto de  2009, por via eletrônica, às folhas 351 do processo digital.  O recurso voluntário é tempestivo.  Da controvérsia.  Foram questionados os seguintes pontos:  ü Decadência;  ü Não incidência dos juros de mora.  Passa­se à análise.  Inicialmente, é de se esclarecer que os lançamentos com fato gerador a partir  de 01 de outubro de 2002 foram segregados para o processo 16327.000782/27010­14.  ­ Da decadência.  Tema preponderante a ser abordado para o deslinde da presente questão, é o  instituto da decadência.  Para  tanto,  acolhe­se  o  teor  da  decisão  do  RECURSO  ESPECIAL  N°  973.733,  representativo  de  controvérsia,  com  fulcro  no  ARTIGO  543­C,  DO  Contribuições  referentes ao PIS e da COFINS incidentes na importação, que trata sobre a regra da decadência  do direito de  lançar nos casos de  tributos sujeitos ao  lançamento de ofício, ou nos casos dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento antecipado.  RECURSO ESPECIAL N° 973.733 ­ SC (2007/0176994­0)  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  Fl. 668DF CARF MF     10 PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4°,  e  173,  do  CTN. IMPOSSIBILIDADE.  O prazo decadencial qümqüenal para o Fisco constituir o crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento podería  ter sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rei. Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rei.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas,  entre  as  quais  figura  a  regra  da  decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3a  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  O dies a quo do prazo quinquenal da  aludida  regra decadencial  rege­se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o  "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos  nos  artigos  150,  §  4°,  e  173,  do  Coâex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3a  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro.  "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3a  ed.,  Max  Limonad,  São  Paulo, 2004, págs. 183/199).  In  casu,  consoante  assente  na  origem:  (i)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação;  (ii)  a obrigação ex  lege  de  pagamento  antecipado das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16327.001753/2007­74  Acórdão n.º 3302­006.089  S3­C3T2  Fl. 7          11 Destarte,  revelam­se  caducos os  créditos  tributários  executados,  tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para  que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.  Recurso  especial  desprovido. Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.      Foi  informado pela autoridade preparadora às  folhas 616 à 618 do processo  digital:  O  contribuinte  detalhou  a  composição  do  depósito  de  R$  53.235,24 da seguinte forma (fl. 561):    A  tabela  acima  demonstra  que  houve  depósito  judicial  parcial  para  o  período  de  julho  de  2000  a  novembro  de  2001,  já  considerados  decadentes  pela  DRJ.  Também  houve  depósito  parcial  para  o  período  de  dezembro  de  2001  a  setembro  de  2002,  discutidos neste  processo  administrativo.  Tais  depósitos,  efetuados  na  conta  judicial  1181/635/00001302,  foram  convertidos em renda da União em 28/08/2008 (fls. 601 a 602).  Na  mesma  data  também  foram  convertidos  em  renda  da  União  os  seguintes  depósitos  judiciais,  alocados  ao  Processo  Administrativo  16327­000.782/2010­14:  R$  983,31; R$ 1.055,23; R$ 825,01; R$ 737,99; R$ 950,68 (fls.  597 a 600).  Outros dois Darfs informados no processo ­ R$ 1.988,37 e  R$  4.732,34  ­  também  foram  transformados  em  renda  da  união,  conforme  extratos  de  fls.  603  a  604.  Esses  pagamentos,  entretanto,  não  fazem  parte  deste  processo  administrativo.  Fl. 670DF CARF MF     12 Foi apresentado extrato do Sicalc,  correspondente à  imputação  proporcional  dos  valores  convertidos  em  renda  da  União,  referente  aos  lançamentos  controlados  neste  processo  administrativo, às fls. 605 a 613, cuja apuração é:  ­ folhas 612:        ­ folhas 613:    Neste sentido, uma vez que existiu recolhimento de valores, deve ser aplicada  a regra do artigo 150 § 4o do Código Tributário Nacional.   No presente caso, contando­se o prazo de 5 (cinco) anos previsto no citado  parágrafo 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional, os valores relativos à COFINS, cujos  fatos  geradores  ocorreram  nos  meses  de  dezembro  de  2001  a  setembro  de  2002,  foram  homologados em dezembro de 2006 e setembro de 2007, respectivamente.   Assim, o lançamento cientificado ao contribuinte em 01 de outubro de 2007  (folhas 279) é PARCIALMENTE EXTEMPORÂNEO, não podendo prevalecer.  Portanto,  não  estão  eivados  pela  decadência,  os  lançamentos  com  fato  gerador a partir de 01 de outubro de 2002.  Esclarece­se, mais uma vez, que os lançamentos com fato gerador a partir de  01 de outubro de 2002 foram segregados para o processo 16327.000782/2010­14.  Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16327.001753/2007­74  Acórdão n.º 3302­006.089  S3­C3T2  Fl. 8          13 Assim,  os  créditos  tributários  em  discussão  no  presente  processo  estão  eivados pela decadência.  O tópico “ Não incidência dos juros de mora ” resta prejudicado.  Com estas considerações, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  É como voto.  Jorge Lima Abud.                                      Fl. 672DF CARF MF

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Numero do processo: 10675.001946/00-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­007.412  –  3ª Turma   Sessão de  19 de setembro de 2018  Matéria  IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE  PESSOAS FÍSICAS. SELIC.  Recorrente  GRANJA REZENDE S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998  CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS.  ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA  FORMA REGIMENTAL.  Havendo  decisão  definitiva  do  STJ  (REsp  nº  993.164/MG),  proferida  na  sistemática do art 543­C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da  inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei  nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas  físicas  e  cooperativas,  ela  deverá  ser  reproduzida  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, §  2º, do RICARF).  INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.   É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de  IPI  objeto  de  pedido  de  ressarcimento/restituição,  consoante  Resp  nº  1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois  submetido à  sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.   CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO.  TAXA  SELIC.  OPOSIÇÃO  ILEGÍTIMA  DO  FISCO.  TERMO INICIAL. 360 DIAS.  A Primeira Seção do Superior Tribunal de  Justiça  ­ STJ, no  julgamento do  REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543­C do CPC, firmou entendimento  no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá  ensejo  à  correção  monetária,  exceto  quanto  obstaculizado  injustamente  o  creditamento pela Fazenda.   É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao  seu  aproveitamento  decorrente  de  resistência  ilegítima  do  Fisco"  (Súmula     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 19 46 /0 0- 14 Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 3          2 411/STJ).  Em  tais  casos,  a  correção monetária,  pela  taxa  SELIC,  deve  ser  contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar  o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos  termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543­C do CPC e da  Resolução 8/STJ.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento parcial, para  reconhecer  o  direito  à  inclusão  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  de  IPI  dos  valores  relativos  às  aquisições  de  insumos  de pessoas  físicas,  bem  como determinar  a  incidência  da  taxa SELIC  sobre  referido montante  a  partir  do  prazo  de  360  (trezentos  e  sessenta  dias)  do  protocolo do pedido de  ressarcimento,  vencidas  as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello,  Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento.     (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     Relatório  Trata­se de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com  fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão  nº  201­80.928.  Na  parte  de  interesse  ao  presente  julgamento  o  colegiado  a  quo  não  reconheceu  o  direito  à  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  do  IPI,  das  aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas, nem o direito à  incidência da taxa  Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento.  O recurso especial foi admitido, consoante despacho do presidente da Câmara  competente, com relação às seguintes insurgências da Contribuinte: a interpretação de que as  aquisições  de  insumos  de  pessoas  físicas  não  compõem  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96; e a interpretação de que não incide correção monetária  ou juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes  de incentivos fiscais.   A  Fazenda  Nacional,  devidamente  intimada,  apresentou  contrarrazões  ao  recurso especial da Contribuinte.   É o Relatório.   Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 4          3   Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.411, de  19/09/2018, proferido no julgamento do processo 13886.001231/2002­34, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303­007.411):  "Admissibilidade  O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos  de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343,  de  09  de  junho  de  2015  (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento.  Mérito  No  mérito,  a  controvérsia  posta  no  recurso  especial  da  Contribuinte  cinge­se  às  seguintes matérias: (i) requer a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de  cálculo do crédito presumido de  IPI;  e  (ii)  postula  a aplicação da  taxa Selic  aos pedidos de  ressarcimento.  1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de  cálculo do crédito presumido de IPI  A  possibilidade  de  inclusão  das  aquisições  de  não  contribuintes  do  PIS  e  da  COFINS,  como  pessoas  físicas  e  cooperativas,  no  cálculo  do  crédito  presumido  de  IPI,  foi  reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela  sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS  PRODUTORAS  E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI  ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.  1.  O  crédito  presumido  de  IPI,  instituído  pela  Lei  9.363/96,  não  poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução Normativa  SRF  23/97,  ato  normativo  secundário,  que  não  pode  inovar  no  ordenamento  jurídico,  subordinando­se  aos  limites do texto legal.  Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 5          4 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do  PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições  de  que  tratam  as  Leis  Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de  dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de  matérias­primas, produtos  intermediários e material de embalagem, para utilização  no processo produtivo.  Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica­se,  inclusive, nos casos de venda a  empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior."  3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado  da  Fazenda  expedirá  as  instruções  necessárias  ao  cumprimento  do  disposto  nesta  Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do  crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e  aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo  produtor exportador".  4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria  38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido  instituído pela  Lei  9.363/96  e  autorizando  o  Secretário  da  Receita  Federal  a  expedir  normas  complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12).  5. Nesse  segmento, o Secretário da Receita Federal  expediu a  Instrução Normativa  23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa  313/2003,  também  revogada,  nos  mesmos  termos,  pela  Instrução  Normativa  419/2004),  assim  preceituando:  "Art.  2º  Fará  jus  ao  crédito  presumido  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  a  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais.  §  1º  O  direito  ao  crédito  presumido  aplica­se  inclusive:  I  ­  Quando  o  produto  fabricado goze do benefício da alíquota zero;  II  ­  nas  vendas  a  empresa  comercial  exportadora,  com  o  fim  específico  de  exportação.  § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme  definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria­ prima,  produto  intermediário  ou  embalagem,  na  produção  bens  exportados,  será  calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas,  sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º,  da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI  (instituído  pela  Lei  9.363/96),  no  que  concerne  às  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  produtos  oriundos  de  atividade  rural,  às  aquisições,  no  mercado  interno,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  às  contribuições  destinadas  ao  PIS/PASEP e à COFINS.  7.  Como  de  sabença,  a  validade  das  instruções  normativas  (atos  normativos  secundários)  pressupõe  a  estrita  observância  dos  limites  impostos  pelos  atos  normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais,  etc.),  sendo  certo  que,  se  vierem  a  positivar  em  seu  texto  uma  exegese  que  possa  irromper a hierarquia normativa sobrejacente,  viciar­se­ão de  ilegalidade  e não de  inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel.  Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno,  julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e  ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990,  DJ 15.03.1991).  8.  Conseqüentemente,  sobressai  a  "ilegalidade"  da  instrução  normativa  que  extrapolou os  limites  impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do  benefício  do  crédito  presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente  aos  produtos  oriundos  de  atividade  rural)  de  matéria­prima  e  de  insumos  de  fornecedores  não  Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 6          5 sujeito  à  tributação  pelo  PIS/PASEP  e  pela  COFINS  (Precedentes  das  Turmas  de  Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda  Turma,  julgado  em  19.08.2010,  DJe  28.09.2010;  AgRg  no  REsp  913433/ES,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.06.2009,  DJe  25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.  Ministro  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  julgado  em  16.04.2009,  DJe  06.05.2009;  REsp  1008021/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux,  Primeira  Turma,  julgado  em  12.12.2006,  DJ  15.02.2007;  REsp  617733/CE,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  03.08.2006,  DJ  24.08.2006;  e  REsp  586392/RN,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004).  9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão  embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor­exportador, mesmo não  havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 ­ Regulamento  do  IPI  ­,  posterior  à  Lei  9.363/96,  não  fez  restrição  às  aquisições  de  produtos  rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  (art.  2º),  sem  condicionantes"  (REsp  586392/RN).  10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula  de  reserva  de  plenário  (CF,  artigo  97)  a  decisão  de  órgão  fracionário  de  tribunal  que,  embora  não  declare  expressamente  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo  do  poder  público,  afasta  sua  incidência,  no  todo  ou  em  parte."  11.  Entrementes,  é  certo  que  a  exigência  de  observância  à  cláusula  de  reserva  de  plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não  estabelecido  confronto  direto  com  a  Constituição,  razão  pela  qual  inaplicável  a  Súmula Vinculante 10/STF à espécie.  12. A  oposição  constante  de ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  de  IPI  (decorrente  da  aplicação  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade),  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil),  exsurgindo  legítima a  incidência  de  correção monetária,  sob  pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da  Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543­C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13.  A  Tabela  Única  aprovada  pela  Primeira  Seção  (que  agrega  o  Manual  de  Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa  SELIC  (a  partir  de  janeiro  de  1996)  na  correção  monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010).  14. Outrossim, a apontada ofensa ao  artigo 535, do CPC,  não  restou  configurada,  uma vez que o acórdão recorrido pronunciou­se de forma clara e suficiente sobre a  questão posta nos autos. Saliente­se, ademais, que o magistrado não está obrigado a  rebater,  um  a  um,  os  argumentos  trazidos  pela  parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na  hipótese dos autos.  15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção  monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  17.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado  em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)   Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 7          6 Por  força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o  entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por  este  Conselho,  sendo  reconhecido  o  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI  com  relação  às  aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS ­ pessoas físicas e cooperativas.   2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI   No acórdão recorrido, entendeu­se pela impossibilidade de incidência da taxa Selic  sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido.   Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído  pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionou­se no sentido  de  ser  cabível  a  correção  monetária,  por  meio  do  julgamento  do  recurso  especial  nº  1035847/RS,  pela  sistemática  dos  recursos  repetitivos  do  art.  543­C do Código  de Processo  Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a  seguinte ementa:   PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1. A correção monetária não  incide sobre os créditos de IPI decorrentes do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos  escriturais),  por  ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte em sua escrita contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele  o  contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância que acarreta demora  no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos  judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo  legítima a necessidade de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.09.2005,  DJ  10.10.2005;  EREsp  613.977/RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953/PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp  430.498/RS,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel.  Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao  regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado  em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifou­se)  Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 8          7 O  caso  julgado  em  sede  de  recursos  repetitivos  pelo  Superior Tribunal  de  Justiça  aplica­se  ao  presente  processo  administrativo,  uma  vez  que  também  tratou  de  pedido  de  ressarcimento/compensação  de  crédito  presumido  de  IPI  da  Lei  nº  9.363/96,  decorrente  de  impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício.  Portanto,  deverá  haver  a  incidência  da  correção monetária  pela  taxa Selic  sobre  o  montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado.   No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do  crédito  presumido  de  IPI:  o  direito  creditório  da Contribuinte  foi  indeferido,  nos  termos  do  despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP (fls.  87 a 88), direito de crédito indeferido também nas demais decisões da DRJ (fls. 108 a 117) e  do CARF, consoante acórdão de recurso voluntário (fls. 138 a 150).   Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária  sobre o valor  a  ser  ressarcido, no  caso  tão  somente quanto  às  aquisições de pessoas  físicas,  deferida no presente recurso especial. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª  Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303­007.012, de  relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas."   (...)1  "Em  que  pese  os  argumentos  do  voto  da  Ilustre  Conselheira  Relatora,  discordo  diametralmente de seu entendimento.   O  Recurso  foi  apresentado  tempestivamente  e  atende  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir.   A matéria  divergente  posta  a  julgamento  nesta  E.Câmara  Superior,  diz  respeito  a  incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem  como o termo inicial de incidência.  Com  efeito,  na  forma  reiterada  da  jurisprudência  oriunda  do  STJ,  é  cabível  a  inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições  efetuadas  junto  a  pessoas  físicas  e  cooperativas  bem  como  a  aplicação  da  taxa  Selic  acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento  decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164).  Embora,  o  STJ  tenha  definido  aplicação  da  Taxa  Selic  acumulada  a  título  de  “atualização monetária”  do  valor  requerido,  quando o  seu  deferimento  decorre de  ilegítima  resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta  E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou  "ilegítima resistência por parte da Administração Pública".  Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o  aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto  quanto  obstaculizado  injustamente  pelo  fisco,  caracterizada  a  mora  administrativa  (REsp  1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543­C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também  justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que                                                              1 Deixou­se de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do termo inicial para a  incidência  da  taxa  Selic,  por  ser  entendimento  que  restou  vencido  na  votação,  não  se  aplicando,  portanto,  à  solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto encontra­se no acórdão do processo paradigma  (9303­007.411).  Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 9          8 a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época  do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o  REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543­C do CPC e da Resolução 8/STJ.  Neste  mesmo  diapasão,  a  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  sedimentou  o  entendimento  de  que,  nos  termos  do  artigo  24  da  lei  nº11.457/07,  a  Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de  ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido  ao rito do art. 543­C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em  consideração os  termos da Lei nº 11.457/2007,  é o  fim do prazo que  a Administração  tinha  para apreciar o pedido, que é de 360 dias.  Confiram­se recentes julgados:  PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO  ESPECIAL.  IPI.  CREDITAMENTO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  SÚMULA  411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  VERBA  HONORÁRIA  FIXADA  EM  R$  5.000,00.  VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O  VALOR  ATRIBUÍDO  À  CAUSA  (R$  200.000,00)  E  O  DECAIMENTO  PARCIAL  DAS  AUTORAS.  AGRAVO  INTERNO DAS  CONTRIBUINTES  A  QUE SE NEGA PROVIMENTO.  1.  Encontra­se  pacificado o  entendimento  da  1a.  Seção  desta Corte  de  que  eventual  possibilidade  de  aproveitamento  dos  créditos  escriturais  não  dá  ensejo  à  correção  monetária,  exceto  se  tal  creditamento  for  injustamente  obstado  pela  Fazenda,  considerando­se  a  mora  na  apreciação  do  requerimento  administrativo  de  ressarcimento  feita  pelo  Contribuinte  como  um óbice injustificado. Aplica­se a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula  do STJ,  segundo o qual  é devida a  correção monetária ao  creditamento do  IPI  quando  há  oposição  ao  seu  aproveitamento  decorrente  de  resistência  ilegítima  do  Fisco.  A  propósito,  1a.  Seção  do  STJ  consolidou  esse  entendimento  por  ocasião  do  julgamento  do  REsp.  1.035.847/RS,  relatado  pelo  ilustre Ministro  LUIZ  FUX  e  julgado  sob  o  regime  do  art.  543­C  do  CPC/1973.  2. O marco  inicial  da  correção monetária  só pode  ser o  término do prazo  conferido à Administração Tributária para o  exame dos  requerimentos de  ressarcimento,  qual  seja,  360  dias  após  o  protocolo  dos  pedidos.  Precedentes:  AgInt  no  REsp.  1.581.330/SC,  Rel.  Min.  GURGEL  DE  FARIA, DJe  21.8.2017; AgRg  no  AgRg  no  REsp.  1548446/RS,  Rel. Min.  HUMBERTO  MARTINS,  DJe  10.12.2015;  AgRg  no  AgRg  no  REsp.  1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015.  [...]  6.  Agravo  Interno  das  Contribuintes  a  que  se  nega  provimento.  (AgInt  no  REsp  1348672/SC,  Rel.  Ministro  NAPOLEÃO  NUNES  MAIA  FILHO,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017)  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CRÉDITOS  ESCRITURAIS.  APROVEITAMENTO.  RESISTÊNCIA  INJUSTIFICADA  DO  FISCO.  CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO.  1.  A  jurisprudência  do  STJ  firmou  o  posicionamento  de  que  éincabível  a  correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de  ocorrer  "vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 10          9 ingresso no Judiciário",  situação em que "posterga­se o  reconhecimento do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima  a  necessidade  de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco"  (REsp  1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/0044897­2, Relator Ministro LUIZ  FUX,  Primeira  Seção,  Data  de  Julgamento  24/06/2009,  DJe  03/08/2009,  julgado pela sistemática dos recursos repetitivos).  2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar  do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte,  para  que  seja  proferida  decisão  administrativa  (art.  24  da  Lei  n.  11.457/2007),  a  interpretação  literal  e  teleológica  de  tal  dispositivo  legal  conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve  incidir a correção monetária pela taxa Selic.  3. Agravo  interno  desprovido.  (AgInt  no REsp  1637361/RS,  Rel. Ministro  GURGEL  DE  FARIA,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  28/9/2017,  DJe  13/11/2017)  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NOS  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA.  CRÉDITO  ESCRITURAL.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  TERMO  A  QUO.  LEI  11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM  SINTONIA  COM  A  JURISPRUDÊNCIA  DAS  TURMAS  DE  DIREITO  PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ.  1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de  divergência  que  versam  sobre  o  termo  inicial  da  correção  monetária  de  créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento.  2. Não  há  similitude  entre  os  acórdãos  confrontados,  tendo  em  vista  que  o  acórdão  embargado,  para  decidir  a  questão  relativa  ao  termo  a  quo  da  correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a  Administração  analisar  o  pedido  de  ressarcimento,  sendo  que  essa  lei  nem  sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma.  3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a  vigência  do  art.  24  da  Lei  11.457/2007  a  correção  monetária  de  ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do  pedido  administrativo,  encontra­se  em  conformidade  com  a  jurisprudência  das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR,  Rel.  Ministro  Sérgio  Kukina,  Primeira  Turma,  DJe  24/3/2015;  REsp  1.240.714/PR,  Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima,  Primeira  Turma, DJe  10/9/2013;  AgRg  no  REsp  1.353.195/SP,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel.  Ministro  Napoleão  Nunes  Maia  Filho,  Primeira  Turma,  DJe  21/2/2013;  AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves,  Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ.  4.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  nos  EREsp  1490081/SC,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  24/6/2015, DJe 1º/7/2015.  Os  Tribunais  vem  decidido  da  mesma  forma,  ou  seja,  no  que  diz  respeito  a  incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de  que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários,  formulado  pela  Contribuinte,  a  eventual  "resistência  ilegítima"  da  Fazenda  Pública,  Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 11          10 configurada pela demora  em analisar o pedido,  ensejaria  a sua  constituição  em mora,  sendo  devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido.  Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de  Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária  deve  incidir  apenas  após  o  encerramento  do  prazo  legal  (360  dias  contados  da  data  do  protocolo  administrativo)  concedido  à  autoridade  fiscal  para  analisar  os  pedidos  administrativos de ressarcimento, senão vejamos:  TRIBUTÁRIO.  AÇÃO  ORDINÁRIA.  PEDIDO  ADMINISTRATIVO.  TAXA  SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a  mora  do  Fisco  ao  analisar  o  pedido  administrativo  de  reconhecimento  de  crédito  escritural ou presumido  (quando extrapolado o prazo de análise do  pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial  da  correção  monetária  de  ressarcimento  de  crédito  de  PIS/COFINS  não­ cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise  do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  quando  do  julgamento  dos  Embargos  de  Divergência  no  Recurso  Especial  n.º  1.461.607/SC.  (TRF­4  ­  AC:  50001491820184047117  RS  5000149­18.2018.4.04.7117,  Relator:  ROGER  RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA)  Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI  Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO.  TAXA  SELIC.  OPOSIÇÃO  ILEGÍTIMA  DO  FISCO.  TERMO INICIAL. 360 DIAS.  Não existe previsão  legal para a  incidência da Taxa SELIC nos pedidos de  ressarcimento  de  IPI.  O  reconhecimento  da  atualização  monetária  só  é  possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos,  quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente  os  pedidos,  e  o  entendimento  neles  consubstanciados  foi  revertido  nas  instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição  ilegítima ao  seu  aproveitamento. Configurada  esta  situação,  a  Taxa  SELIC  incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas  somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do  pedido,  pois,  antes  deste  prazo,  não  existe  permissivo,  nem  mesmo  jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.  (3ª  Turma  da  CSRF  ­  Acórdão  nº  9303007.011,  Relator:  Conselheiro  Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018).   Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do  artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias  para  decidir  sobre  os  pedidos  de  ressarcimento,  independentemente  da  época  do  requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543­C do CPC/73). Assim, o  marco  inicial  da  correção  monetária,  levando  em  consideração  os  termos  da  Lei  nº  11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de  360 dias.  Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 12          11 Sem  embargo,  as  conclusões  da  Ilustre  Relatora  vencida,  não  se  coaduna  com  os  princípios da eficiência e celeridade processual,  conclui­se que sua  leitura não atingiu os  objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos  administrativos  fiscais,  inclusive  aos  requerimentos  efetuados  antes  de  sua  vigência,  que  de  modo  vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja,  para  que  a  autoridade  administrativa  de  origem  desse  uma  solução  aos  pedidos  de  restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias.   Ora,  se  a  administração  tem  o  prazo  de  360  dias  para  solucionar  os  processos  administrativos  de  ressarcimento,  há  previsão  legal  para  incidência  da  correção  monetária  sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há  possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o  prazo razoável determinado pela lei.  Diametralmente  oposto  no  voto  vencido,  in  caso  como  se  observa  nas  razões  de  decidir  da Relatora Vencida,  é visível o prejuízo  suportado pela Contribuinte,  em  razão da  postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se  pode  justificar,  a  incidência  de  correção  monetária  pela  Taxa  Selic  desde  o  protocolo  do  pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência.  Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as  regras  positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior  Zanon  (pg.104,105­106)  o  qual  em  sua  tese  de Doutorado, Teoria Complexa  do Direito2,  esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis:  "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é  formado exclusivamente (ou ao  menos  preponderantemente)  por  Regras  Jurídicas,  como  sinônimo  de  Normas  Jurídicas  positivadas,  devidamente  fixadas  pelos  parlamentares  (no  sistema  codificado)  ou  estabelecidas  em  precedentes  judiciais  anteriores  (no  modelo  judiciário  ou  consuetudinário)3  No  primeiro  cenário  (civil  law,  statutory  law  ou  code  based  legal  system),  a Regra Jurídica  é  o  resultado  da  interpretação de um  texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar  o  dispositivo  normativo,  como  se  fosse  um  procedimento  de  adivinhação  de  qual  teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E,  no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída  não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço  de  verificar qual  seria a  solução que  teria  sido dada pelo Poder Legislativo para  reger  o  novo  caso,  nos  pontos  relevantes  em  que  é  precisamente  similar  ao  julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito  são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva  de Kelsen),  como meramente  reprodutoras de  sentidos  já previamente  fixados por  Regras  Jurídicas  anteriores,  que  já  guardam  a  resposta  para  solução  do  novo  problema emergido no tecido social”. (pg.104,105­106). [...].                                                              2 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013.  3  DIMOULIS,  Dimitri.  Positivismo  jurídico:  Introdução  a  uma  teoria  do  direito  e  defesa  do  pragmatismo  jurídico­político.  São  Paulo: Método,  2006.  p.  68:  “Isso  indica  que  ser  positivista  no  âmbito  jurídico  significa  escolher  como  exclusivo  objeto  de  estudo  o  direito  que  é  posto  por  uma  autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação  negativa,  o  PJ  stricto  sensu  afirma  a  absoluta  identidade  entre  o  conceito  de  direito  e  o  direito  efetivamente posto pelas autoridades competentes,  isto é,  pelas autoridades que, em  razão de uma  constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris:  teoría del derecho y de  la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395­457. Especialmente, p. 396:  “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o  causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas,  las normas son significados de  preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”.  Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10675.001946/00­14  Acórdão n.º 9303­007.412  CSRF­T3  Fl. 13          12 Dispositivo  Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao  Recurso, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI  dos  valores  relativos  às  aquisições  de  insumos  de  pessoas  físicas,  bem  como  determinar  a  incidência  da  taxa  SELIC  sobre  referido  montante  a  partir  do  prazo  de  360  (trezentos  e  sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do Contribuinte  foi conhecido e, no mérito, o colegiado deu­lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à  inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de  insumos de pessoas  físicas, bem como determinar a  incidência da  taxa SELIC sobre  referido  montante  a  partir  do  prazo  de  360  (trezentos  e  sessenta  dias)  do  protocolo  do  pedido  de  ressarcimento.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                                  Fl. 602DF CARF MF

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7552207 #
Numero do processo: 10725.903171/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).

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1402­003.370  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2018  Matéria  DCOMP  Recorrente  MEDICON LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE  A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida  na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos  e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do  art.  66,  caput  e §1º  da Lei  nº  8.383,  de 30/12/1991,  tornou­se  inadmissível  ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  CRÉDITO  PROVENIENTE  DA  APURAÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  DA  CSLL.  DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.  O  lapso  temporal  conferido  para  o  exercício  do  direito  de  compensação  mediante  utilização  de  crédito  proveniente  de  saldo  negativo  da  CSLL,  encerra­se  com  decurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  da  data  de  encerramento  do  período  de  apuração  correspondente,  a  teor  do  preceito  expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da  interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.  INEFICÁCIA  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  TRANSMITIDA  APÓS  O  DECURSO  DO  PRAZO  DECADENCIAL  ESTABELECIDO  PELA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  ALTERAÇÃO  DAS  VINCULAÇÕES  INFORMADAS  EM  RELAÇÃO  À  ESTIMATIVA  MENSAL  CONFESSADA.  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  INFORMADA  EXTEMPORANEAMENTE.  Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui­se  ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial  estabelecido  pela  legislação  tributária,  mormente  quando  as  alterações  levadas  a  efeito  pelo  sujeito  passivo  apresentam­se  desacompanhadas  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 71 /2 00 9- 17 Fl. 58DF CARF MF     2  material  probatório  competente  que  demonstre  cabalmente  a  ocorrência  de  erro de fato no preenchimento da declaração.  Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e  §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991,  revela­se necessária  a comprovação  da  validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora  e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal  associada ao crédito reivindicado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10725.903155/2009­24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges,  Caio  César  Nader  Quintella,  Sergio  Abelson  (Suplente  Convocado),  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros  (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).    Relatório    Trata  o  presente  feito  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  do  r.  despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a  DCTF­Retificadora foi apresentada extemporaneamente.  Aduz  em  síntese  a  Recorrente  a  nulidade  do  despacho  decisório  por  ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho  decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir  das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um  ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte.  Ocorre  que  ao  tempo  do  julgamento  já  teria  sido  transmitida  DCTF­ retificadora que deixou de ser considerada.   Segundo a recorrente:  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903171/2009­17  Acórdão n.º 1402­003.370  S1­C4T2  Fl. 3          3    Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito.  Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n  regime  de  apuração  do  lucro  presumido  quando  aplicou  erroneamente  o  percentual  de  presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços  hospitalares.  Afirma que apresentou DCOMP­retificadoras para corrigir dados da DCOMP  original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos.  Afirma que  não  há  prazo  fixado  em  lei  para  retificar  suas  declarações,  não  sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro.   Sustenta que divergência entre DCTF­retificadora e DIPJ não pode ser visto  como  impedimento  para  a  compensação,  tratando­se  tão  somente  de  obstáculo  de  natureza  formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações  prestadas por DCTF e/ou DIPJ.  Por fim, acrescenta que:     Conclui  sustentando  que  aplica­se  ao  caso  a  tese  do  5  +5,  consolidada  no  julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo.    É o relatório.   Voto               Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  Fl. 60DF CARF MF     4  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.353,  de  15/08/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10725.903155/2009­ 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.353):    "1. DA ADMISSIBILIDADE:  O  Recurso  é  tempestivo  e  interposto  por  parte  competente, posto que o admito.  2. DO MÉRITO  Conforme  bem  apontou  o  Conselheiro  Frederico  Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976:  De  acordo  com  as  normas  introduzidas  no  ordenamento  jurídico conferiu­se nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430,  de  27/12/1996,  passando  a  exigir  a  apresentação  de  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP)  com  a  finalidade  de  tornar  eficaz  o  exercício  da  compensação  de  débitos tributários com eventual indébito tributário apurado  pelo  contribuinte,  inclusive  em  relação  a  tributos  e  contribuições de mesma natureza.   Assim  sendo,  a  entrega  da PER/DCOMP  instituiu­se  como  premissa  para  a  determinação  da  extinção  do  crédito  tributário mediante compensação.   Diante  disso,  a  partir  da  vigência  do  referido  dispositivo  legal,  a  compensação  sem  processo,  entre  tributos  e  contribuições de mesma espécie e destinação constitucional,  formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei  nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  regulamentada  na  Instrução  Normativa  SRF  nº  21,  de  1997,  tornou­se  inadmissível  para  cumprimento  do  novel  regime  de  compensação introduzido no sistema tributário.   Sendo  assim,  não  merece  qualquer  reparo  as  conclusões  firmadas  pela  autoridade  administrativa  responsável  pela  análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto,  plenamente  legítima  a  delimitação  de  reconhecimento  do  direito creditório levada a efeito no despacho decisório  A  jurisprudência  consolidada  desta  turma  segue  no  sentido de que é possível a  compensação de débitos  tributários  via PER/DCOMP quando  transmitida DCTF retificadora desde  que exista prova inequívoca do crédito apontado.  Esse também foi o entendimento adotado pela Receita  Federal  quando  emitiu  o  Parecer  Normativo  COSIT  nº  2  de  2015:  Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO  PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903171/2009­17  Acórdão n.º 1402­003.370  S1­C4T2  Fl. 4          5  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO  DO  PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  As  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito  apto  a  ser  objeto  de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras  declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto  no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo,  no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para  analisar  outras  questões  ou  documentos  com  o  fim  de  decidir sobre o indébito tributário.   Não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original,  ainda  que  a  retificação  se  dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação,  respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de  2010.   Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação  de  inconformidade  tempestiva  contra  o  indeferimento  do  PER  ou  contra  a  não  homologação  da  DCOMP,  a  DRJ  poderá  baixar  em  diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a  revisão  do  despacho  decisório  implique  o  deferimento  integral  daquele  crédito  (ou  homologação  integral  da  DCOMP),  cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão  de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete  ao  órgão  julgador  administrativo  decidir  a  lide,  sem  prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do  sujeito passivo.   O  procedimento  de  retificação  de  DCTF  suspenso  para  análise por parte da RFB, conforme art. 9º­A da IN RFB nº  1.110,  de  2010,  e  que  tenha  sido  objeto  de  PER/DCOMP,  deve  ser  considerado  no  julgamento  referente  ao  indeferimento/não  homologação  do  PER/DCOMP.  Caso  o  procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua  homologação,  o  julgamento  referente  ao  direito  creditório  cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o  processo ser baixado para a revisão do despacho decisório.  Caso  o  procedimento  de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  não  homologação  de  sua  retificação,  o  processo  do  recurso contra tal ato administrativo deve, por continência,  ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao  direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não  ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação  da  DCTF,  a  autoridade  administrativa  deve  comunicar  o  resultado  de  sua  análise  à DRJ  para  que  essa  informação  seja  considerada  na  análise  da  manifestação  de  inconformidade contra o indeferimento/não­homologação do  PER/DCOMP.  A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de  fazê­la  em  decorrência  de  alguma  restrição  contida  na  IN  RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado  Fl. 62DF CARF MF     6  em  PER/DCOMP,  e  ainda  não  decaído,  seja  comprovado  por outros meios.   O  valor  objeto  de  PER/DCOMP  indeferido/não  homologado,  que  venha  a  se  tornar  disponível  depois  de  retificada  a  DCTF,  não  poderá  ser  objeto  de  nova  compensação, por força da vedação contida no inciso VI do  § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.   Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de  inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do  PER/DCOMP  compete  à  autoridade  administrativa  de  jurisdição  do  sujeito  passivo,  observadas  as  restrições  do  Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46  a 53.   Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172,  de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº  5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil  (CPC);  art.  5º  do Decreto­lei  nº  2.124,  de  13  de  junho  de  1984; art. 18 da MP nº 2.189­49, de 23 de agosto de 2001;  arts. 73  e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996;  Instrução Normativa RFB  nº  1.110,  de  24  de  dezembro  de  2010;  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.300,  de  20  de  novembro  de  2012;  Parecer  Normativo  RFB  nº  8,  de  3  de  setembro de 2014.   e­processo 11170.720001/2014­42  Se  de  um  lado  é  incontroversa  a  possibilidade  de  se  retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo  não  se pode afirmar quando a  retificação é posterior ao prazo  decadencial.  O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a  restituição  extingue­se  com  o  decurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos, contados: I ­ nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165,  da data da extinção do crédito tributário.   De  sua  parte  o  art.  165  do CTN  dispõe: Art.  165. O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a  modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do  artigo  162,  nos  seguintes  casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da  legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias  materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.  Por entender que a decadência objetiva a pacificação  das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco  lançar  como  de  o  contribuinte  aproveitar  dos  créditos,  através  de compensação.  Nessa  toada,  adiro  ao  precedente  desta  turma  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16306.000011/2010­75  em  que se decidiu :  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO. INADMISSIBILIDADE  Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903171/2009­17  Acórdão n.º 1402­003.370  S1­C4T2  Fl. 5          7  A  partir  da  vigência  da  Medida  Provisória  nº  66,  de  29/08/2002,  convertida  na  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002,  a  compensação sem processo, entre tributos e contribuições de  mesma  espécie  e  destinação  constitucional,  nos  termos  do  art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou­ se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da  Lei nº 9.430, de 27/12/1996.  COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO  PROVENIENTE  DA  APURAÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA  DE REGÊNCIA.  O  lapso  temporal  conferido  para  o  exercício  do  direito  de  compensação mediante utilização de crédito proveniente de  saldo  negativo da CSLL,  encerra­se  com decurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  da  data  de  encerramento  do  período  de  apuração  correspondente,  a  teor  do  preceito  expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional  (CTN)  à  luz  da  interpretação  dada  pelo  art.  3º  da  Lei  Complementar nº 118/2005.  INEFICÁCIA  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  TRANSMITIDA  APÓS  O  DECURSO  DO  PRAZO  DECADENCIAL  ESTABELECIDO  PELA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  ALTERAÇÃO  DAS  VINCULAÇÕES  INFORMADAS  EM  RELAÇÃO  À  ESTIMATIVA  MENSAL  CONFESSADA.  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.  Para  efeitos  de  determinação  da  pertinência  do  crédito  declarado,  constitui­se  ineficaz  a  DCTF  retificadora  transmitida  após  o  decurso  do  prazo  decadencial  estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as  alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam­ se desacompanhadas de material probatório competente que  demonstre  cabalmente  a  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento da declaração.  Ainda  que  alegada  a  realização  da  compensação  sob  a  égide  art.  66,  caput  e  §1º  da  Lei  nº  8.383,  de  30/12/1991,  revela­se necessária a comprovação da validade e existência  das  novas  vinculações  informadas  na DCTF  retificadora  e  da  efetividade  da  compensação  na  data  de  vencimento  da  estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.  Referido  precedente  é  aplicável  ao  caso  concreto.  A  recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou  cabalmente o pagamento a maior, restringindo­se a apontar que  aplicou  o  percentual  de  presunção  inadequado  sem  apresentar  as  provas  do  erro  ou  que  fazia  jus  ao  referido  percentual,  em  linha com as exigências da legislação tributária.  Esses motivos são o suficiente para além de manter a  decisão  recorrida  no mérito,  afastar  a  nulidade  suscitada  pela  Recorrente em sede preliminar.      Fl. 64DF CARF MF     8    3. CONCLUSÃO:     Por  todo  o  exposto,  voto  pela  manutenção  da  decisão recorrida.  É como voto."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de  negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                                  Fl. 65DF CARF MF

score : 1.0
7523191 #
Numero do processo: 10680.913819/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.913819/2012­22  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.683  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  18 de outubro de 2018  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  M.I. MONTREAL INFORMATICA S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  relatório  e  voto  do  relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10680.913812/2012­19,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Carlos  Cesar  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado  Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 9/ 20 12 -2 2 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913819/2012­22  Resolução nº  1302­000.683  S1­C3T2  Fl. 3          2   Relatório     Trata­se de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a  manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo.  A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório  que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título  de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL),  relativa ao ano­ calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº  13009.000062/2005­04.  O  indeferimento  foi  fundamentado  no  fato  de  que  o  pagamento  estava  integralmente  alocado  ao  referido  parcelamento,  inexistindo,  portanto,  saldo  passível  de  restituição.  O PER, por outro  lado, como esclarecido na Manifestação de  Inconformidade,  embasou­se  no  fato  de  que  o  referido  pagamento  por  estimativa  não  foi  reconhecido  no  processo administrativo nº 13009.000190/00­46, que  tratou do Pedido de Restituição relativo  ao saldo negativo de CSLL referente ao ano­calendário de 1999.  O  Acórdão  de  primeira  instância  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº  13009.000190/00­46  reconheceu a existência de  saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano­ calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados  no  âmbito  do  processo  administrativo  nº  13009.000062/2005­04,  a  título  de CSLL,  somente  totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir.  Na  primeira  oportunidade  em  que  apreciou  o  Recurso  Voluntário  do  contribuinte,  esta  Turma  Julgadora  resolveu  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  o  esclarecimento  dos montantes  liquidados  no  âmbito  dos  processos  nº  13009.000190/00­46  e  13009.000062/2005­04.  Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de  Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente.  É o Relatório.  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913819/2012­22  Resolução nº  1302­000.683  S1­C3T2  Fl. 4          3 Voto   Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº  1302­000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/2012­19,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302­000.676):  "Apesar  de  haver  sido  realizada  a  Diligência  determinada  por  esta  Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de  Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados,  de forma conclusiva.  É  que  o  citado  Relatório  informa,  inicialmente,  que  "o  processo  13009.000062/2005­04,  do  qual  constam  as  estimativas  da CSLL,  foi  extinto  por  quitação  do  parcelamento  e  controla  as  estimativas  da  CSLL do ano­calendário de 1999".  Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do  referido  processo  foi  de R$ 258.873,49 e  o  extrato de  fls.  [...]  revela  todos  esses  débitos  extintos,  sem,  contudo,  discriminar  quais  pagamentos foram utilizados para esta quitação.  Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo  nº 13009.000062/2005­04, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no  valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o  saldo parcelado de R$ 258.873,49.  Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito  passivo  possa  ter  realizado  em  relação  ao  saldo  de  estimativas  parceladas  no  processo  nº  13009.00062/2005­04,  no  âmbito  do  parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29  de  junho  de  2006  (após  a  rescisão,  em  agosto  de  2006,  do  parcelamento  de  que  trata  o  processo  nº  13009.00062/2005­04),  bem  como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de  2009  (após  a  rescisão  do  PAEX,  em  setembro  de  2009),  de  modo  a  justificar a extinção.  Ademais,  segundo  a  Discriminação  de  débitos  a  parcelar  (Dipar)  constante  do  processo  nº  13009.000062/2005­04,  o  montante  ali  parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir:  Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913819/2012­22  Resolução nº  1302­000.683  S1­C3T2  Fl. 5          4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos  valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL,  bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em  relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que  trata  o  presente  processo,  bem  como  na  análise  de  PER  similares  referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de  CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/2005­04.  É  que,  ao  contrário  do  afirmado  no  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  houve  sim,  por  parte  do  Recorrente,  pedido  de  restituição/compensação  referente  ao  saldo  de  CSLL  do  ano­ calendário  de  1999,  tratado  no  âmbito do  processo administrativo nº  13009.000190/00­46 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a  existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59.  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de  origem (DRF/Belo Horizonte), para que:  a)  discrimine  a  forma  de  extinção  de  todas  as  estimativas  de  CSLL  parceladas  no  âmbito  do  processo  nº  13009.00062/2005­04  (diretamente  naquele  processo  ou  em  parcelamentos  especiais  posteriores);  b)  informe  sobre  eventuais  saldos  disponíveis  dos  pagamentos  realizados no âmbito do referido processo;   c)  ao  fim,  elabore­se  relatório de diligência  contendo as  informações  acima  requeridas,  com  o  acréscimo  daquelas  que  entender  cabíveis  para  o  deslinde do  presente  processo,  dando  ciência  do  resultado  ao  sujeito passivo e concedendo­lhe prazo para, querendo, manifestar­se  nos autos.  Após, reencaminhe­se o processo a este Colegiado."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado  Fl. 182DF CARF MF

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7501261 #
Numero do processo: 16327.901630/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
Numero da decisão: 3301-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 808          1 807  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.901630/2006­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­005.174  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de setembro de 2018  Matéria  IOF ­ PERD/COMP  Recorrente  BANCO ITAÚ S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 28/11/2001  PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO  DEMONSTRADO.  Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da  liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o  que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido  PER/DCOMP.  PROVA  DO  EQUÍVOCO  NO  PREENCHIMENTO  DO  DÉBITO. PROVIDO.  No  momento  do  preenchimento  do  montante  do  débito  a  compensar,  a  contribuinte  equivocou­se  e  preencheu  um  montante  muito  superior  ao  devido, o que  foi  comprovado por documentos  e  confirmado por diligência  da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.    WINDERLEY MORAIS PEREIRA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR ­ Relator.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 30 /2 00 6- 54 Fl. 808DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (presidente  da  turma),  Valcir  Gassen  (vice­presidente),  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior    Relatório  Trata­se de pedido de restituição e compensação realizado pela contribuinte  no  PER/DCOMP  14779.03184.220503.1.3.04­2903  (fls.  64­69)  transmitido  em  22/05/2003  informando  um  crédito  de  R$  263,03  (duzentos  e  sessenta  e  três  e  três  centavos)  por  um  suposto recolhimento à maior de IOF ­ impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguros,  realizado  em  16/01/2002  (período  de  apuração  09/01/2002).  Para  compensar  com  este  montante, foi declarado um débito de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta  reais e setenta e um centavos) supostamente devido para o período de apuração referente à  segunda semana de fevereiro de 2003, com vencimento em 12/02/2003  Em 14/02/2008, a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho  decisório  indeferindo o crédito pleiteado  (fls. 60),  sob o  fundamento de que o pagamento da  guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos  débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis:  Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito  original  na  data  da  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  263,03  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Com  a  não  homologação  do  pedido  de  compensação,  o  valor  de  R$  271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta  reais e setenta e um centavos) declarado  como  débito  restou  constituído,  mas  sem  pagamento.  Intimada  da  decisão,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  49­53)  para  instaurar  o  contencioso  administrativo, pleiteando a nulidade do  "auto de  infração" por  cerceamento de defesa  e,  no  mérito,  juntou  demonstrativos  e  argumentos  para  desconstituir  a  declaração  do  débito,  pois  houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP.  Em 17/05/2010 a d. 3ª Turma da DRJ de Campinas proferiu o r. acórdão nº  05­28.792 para negar o direito creditório pleiteado e manter a cobrança do débito declarado em  PER/DCOMP, restando assim ementado (fls. 77­83):  Assunto:  Imposto  sobre  Operações  de  Crédito,  Câmbio  e  Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF  Anocalendário: 2003  Compensação.  Pagamento  indevido  ou  a  maior.  Argüição  de  nulidade. Despacho decisório. Motivação.  Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.901630/2006­54  Acórdão n.º 3301­005.174  S3­C3T1  Fl. 809          3 Válida  a  decisão  que  expressa  a  inexistência  de  direito  creditório  para  compensação  fundada  na  vinculação  total  do  pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.  Despacho  Decisório  Eletrônico.  Fundamentação.  Cerceamento  de Defesa.  Na medida em que o despacho decisório que não homologou a  compensação  declarada  teve  como  fundamento  fático  a  verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito  passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando  a  manifestação  de  inconformidade  demonstra  o  entendimento  das razões do despacho decisório.  Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade.  Retificação. Impossibilidade.  A  retificação  dos  débitos  declarados  em  declaração  de  compensação  está  submetida  a  procedimentos  e  parâmetros  específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede  de manifestação de inconformidade.  Compensação. Créditos. Comprovação.  É  prérequisito  indispensável  à  efetivação  da  compensação  a  comprovação  dos  fundamentos  da  existência  e  a  demonstração  do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode  ser admitida.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Em face desta decisão, a DRJ enviou carta de cobrança com a Guia DARF  para pagamento do débito informado (fls. 85­86). Inconformada, a contribuinte apresentou seu  Recurso Voluntário, que ora se julga, (fls. 88­93), argumentando, em síntese:  ­  a  não  homologação  da  compensação  pleiteada  ocorreu  por  conta  de  equívocos cometidos pela Recorrente;  ­ a Recorrente possui um sistema de dados que captura os débitos de tributos  de  terceiros  a  serem  recolhidos  pelo Recorrente  na  qualidade  de  responsável  tributário  para  recolhimento do IOF;  ­  Para  o  período  de  apuração  da  2ª  semana  de  fevereiro/2003,  com  vencimento de 12/02/2003, o sistema apurou um total de débito de R$ 257.109,48. Ainda, no  final do mesmo dia, o sistema acusou um valor de complementar de R$ 601,17, totalizando o  valor  de  R$  257.710,65  devido  de  IOF  para  o  período.  Estes  valores  foram  declarados  em  DCTF e recolhidos por guia DARF (fls. 74 e 98 respectivamente);  ­ Após alguns meses, o sistema indicou que o montante devido de IOF para o  período da 2ª semana de fevereiro/2003 seria de R$ 271.040,71, o que resultou em um saldo a  pagar de R$ 13.330,06;  Fl. 810DF CARF MF     4 ­  Para  pagar  esta  diferença,  a  Recorrente  realizou  35  PER/DCOMPs,  informando  créditos  de  IOF  decorrentes  de  pagamentos  a  maior  de  35  períodos  diferentes,  porém,  ao  invés  de  informar  o  débito  equivalente  ao  crédito  para  compor  a  soma  de  R$  13.330,06, realizou a declaração total do débito no montante de R$ 271.040,71, para o mesmo  período de fevereiro/2003 em cada uma das 35 PER/DCOMPs;  ­ Em relação à PER/DCOMP específica destes autos, à Recorrente informou  um  valor  original  de  crédito  de  R$  263,03  por  um  pagamento  a  maior  realizado  em  dezembro/2001, informando ainda o débito de R$ 271.040,71. Este valor do débito, como dito ,  foi  erroneamente  informado  em  cada  uma  das  35  PER/DCOMP,  constituindo  um  crédito  tributário,  referente  ao  principal,  de  R$  7.047.058,46  (sete milhões  e  quarenta  e  sete  mil  e  cinqüenta e oito reais e quarenta e seis centavos) para a 2ª semana de fevereiro/2003;  ­ Quanto  aos  créditos,  argumentou  sobre  sua  existência  e  a  necessidade  de  reconhecimento  independentemente  de  retificação  na DCTF,  em  nome  da  verdade material,  porém,  não  indicou  a  origem  do  pagamento  a  maior,  muito  menos  demonstrou  documentalmente;  Diante destes argumentos e das provas juntadas aos autos, em 14 de fevereiro  de  2012  esta  colenda  1ª  turma  ordinária  da  3ª  Câmara  da  3ª  Seção,  proferiu  a  resolução  nº  3301­000.145 (fls. 105­109) para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade  administrativa  analisasse  os  documentos  e  argumentos  da  Recorrente  e  respondesse  os  seguintes pontos:  (...)  sendo  constatada  a  veracidade  dos  argumentos  apresentados,  estar­se­ia  exigindo  pagamento  de  valores  extremamente  elevados  em  relação  ao  que  de  fato  pudesse  ser  devido.  Assim,  em  homenagem  aos  princípios  da  proporcionalidade,  formalidade  moderada  e  da  verdade  real,  que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de  modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do  fisco, proponho converter o  julgamento do presente recurso em  diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos  acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime  a  contribuinte  a  comprovar  a  pertinência  e  veracidade  das  alegações  supramencionadas,  em  duas  vertentes,  sendo  a  primeira  em  relação  às  declarações  ditas  equivocadas  e  a  segunda,  quanto  à  existência  e  disponibilidade  do  indébito,  conforme abaixo:  a)  visando  à  constatação  de  que  de  fato  as  declarações  apresentadas  encontram­se  equivocadas  e,  caso  os  equívocos  fossem  saneados,  a  exigência  correta  limitar­se­ia  ao  valor  a  compensar  pretendido,  ou  seja,  cerca  de  treze  mil  reais,  acrescidos de multa e juros:   b) demonstrar  e  existência  do  indébito  alegado,  bem  como  sua  condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na  qualidade de responsável.   O processo então foi baixado para DEINF/SPO para análise e elaboração de  relatório de diligência. Para  tanto,  intimou a Recorrente  (intimação 273/2013  ­  fls.  111­112)  para apresentar registros contábeis para demonstrar o lançamento da despesa (desembolso) de  IOF período de apuração 02/2003, a fim de que seja comprovado a existência do efetivo erro  de declaração do débio na DCTF; Em relação aos créditos, pediu demonstrativo, acompanhado  de  notas  explicativas,  para  demonstrar  a  existência  do  pagamento  indevido  ou maior  que  o  Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.901630/2006­54  Acórdão n.º 3301­005.174  S3­C3T1  Fl. 810          5 devido  quando  dos  pagamentos  realizados  por  meio  de  DARF  e  apresentar  os  documentos  fiscais e contábeis (lançamentos contábeis, retificação da dívida na DCTF, relatórios internos,  etc) que comprovem a ocorrência do indébito; Relatório contendo o número das DCOMP e/ou  processos  administrativos  utilizadas  para  extinguir  a  dívida  R$  13.931,23.  relacionando  a  situação atual do débito (homologação/não homologação).  Saliente­se que este processo administrativo foi considerado principal, tendo  sido apensado a ele os processos nºs processos administrativos fiscais nº 16327.901612/2006­ 72,  16327.901635/2006­87,  e  16327.901628/2006­85,  conforme  termos  de  apensação  de  fls.  785­787. Assim, constata­se que os supostos equívocos na PER/DCOMP, não homologação da  compensação,  defesa  e  recurso  voluntário,  bem  como  as  decisões  da  DRJ,  Resolução  de  diligência,  documentos  e  relatório  da  diligência  são  idênticos  nestes  04  processos  administrativos, devendo, portanto, ter o mesmo julgamento.  Em atendimento  à  intimação  273/2013,  a Recorrente  apresentou  petição  de  fls.  222­227  explicando  seu  equívoco  na  declaração  do  débito  complementar,  bem  como  buscou demonstrar a  liquidez de seus créditos. Juntou documentos como DCTF e planilhas e  lançamentos  contábeis  de  contas  do  passivo  (fls.  240­324),  no  entanto,  sem  inovações  em  relação ao já apresentado no Recurso Voluntário.  Nas conclusões da diligência  fiscal,  a autoridade de origem emitiu  relatório  (fls. 779­783) confirmando as alegações e documentos da Recorrente no sentido de que houve  um equívoco na informação do montante do débito, devendo ser retificado para o valor correto  apurado pela diligência conforme demonstrativos da Recorrente e informações fiscais da RFB.  A  autoridade  confirmou  que  este  erro  se  repetiu  em  todas  as  35  PER/DCOMPs  envolvidas,  merecendo  a  retificação  de  ofício  para  constar  o  valor  correto  do  débito,  no  total  de  R$  13.931,23  para  as  35  DCOMPs,  embora  reconhecendo  que  em  09  delas  já  teria  operado  a  homologação tácita.  Quanto aos créditos, afirmou a inaptidão dos lançamentos contábeis juntados  para  demonstrar  a  liquidez  de  seus  créditos,  pelo  fato  de  que  os  lançamentos  representam  contas  do  passivo  (conta  credora),  sem  a  indicação  da  efetiva  despesa  e  nem a  ligação  com  DCTF e DARF.  c)  Verificou­se  que  das  35  Declarações  de  Compensação  transmitidas  pelo  contribuinte,  13  foram  objeto  de  diligência  fiscal cumprida por esta Delegacia Especial da Receita Federal  (DEINF),  cujo  resultado  foi  pelo  reconhecimento  do  erro  no  preenchimento  das  DCOMP  transmitidas  pelo  contribuinte,  porém sem a homologação da extinção do crédito. Nove delas,  foram  homologadas  pelo  sistema.  E  o  restante,  faz  parte  desta  diligência fiscal.  d) Restou  comprovado  pela  documentação  trazida  aos  autos,  em  resposta  a  intimação,  de  que,  realmente,  o  contribuinte  incorreu  em  erro  ao  informar  nas  DCOMP  o  valor  de  R$  271.109,48  (sic)  como  valor  principal  do  débito  a  extinguir.  Assim, com base no princípio da verdade material, que norteia o  direito  administrativo  fiscal  ,  deve­se  retificar  de  ofício  a  informação  constante  das  35  Declarações  de  Compensação  apresentadas, conforme documento em anexo.  Fl. 812DF CARF MF     6 e)  Com  relação  ao  suposto  crédito  de  IOF,  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido,  utilizados  nas  DCOMP  visando  a  extinção  da  dívida  no  valor  total  de  R$  13.931,23,  informa­se  que  foram  analisados  os  documentos  apresentados pelo contribuinte (Doc. 4 – relação demonstrando  a  baixa  do  passivo,  conta  4801.354  –  TR/IOF  S/OPER.  TVM,  pelos  recolhimentos  dos  DARF  com  retenção  indevida),  cuja  conclusão  foi  a  de  que  os  mesmos  em  nada  comprovam  que  houve  a  retenção  indevida  de  IOF,  pois  os  registros  contábeis  referem­se  a  lançamento  de  conta  de  natureza  credora  que  se  presta a registrar a assunção ou extinção de dívidas. O que, de  fato,  comprovaria  que  houve  o  pagamento  feito  indevidamente,  seria: o lançamento contábil do registro da dívida, do estorno do  valor  pago  indevidamente,  do  crédito  fiscal  (razão  contábil  da  conta  IOF  a  recuperar),  o  registro  na DCTF  do  valor  real  da  dívida, bem como, a apresentação de termo circunstanciado das  razões que  levaram ao pagamento da obrigação a maior que o  devido.  A  exigência  da  comprovação  por  meio  de  todos  esses  documentos  é  necessária  pois  se  trata  de  obrigação  tributária  em  que  o  contribuinte  é  tão­somente  o  responsável  pelo  recolhimento do tributo, e segundo o que preconiza o art. 166 do  Código  Tributário  Nacional  para  ter  direito  à  repetição  do  pagamento que alega  indevido, precisa comprovar que assumiu  o ônus da dívida.  (...)  10.  Desta  forma,  responde­se  aos  questionamentos  elaborados  pelo Sr. Conselheiro da seguinte forma:  a)  O  contribuinte  incorreu  em  erro  ao  indicar  o  valor  de  R$  271.040,71  em  35  Declarações  de  Compensação,  a  título  de  dívida de IOF, código 6854, período de apuração 2° semana de  fevereiro  de  2003,  pois  esse  valor  refere­se  ao  valor  total  da  dívida apurada. O valor correto a ser compensado seria o de R$  13.931,23.  b) Não restou comprovado por meio de documentos contábeis e  fiscais  a  existência  de  crédito  líquido  e  certo,  oriundo  de  pagamento indevido de IOF que possa ser utilizado na extinção  da dívida da mesma natureza, declarada em DCOMP. (grifo não  consta do original)  Percebe­se que nesta diligência a  autoridade  fiscal  apontou o valor  total do  débito  decorrente  das  35  DCOMPs,  porém,  ao  contrário  do  que  realizado  nas  outras  diligências,  não  apontou  o  valor  do  débito  específico  para  esta  DCOMP  nº  14779.03184.220503.1.3.04­2903. Apesar disso,  consta de fls. 295 e  seguintes, na resposta  à  intimação  para  atender  a  diligência  fiscal,  demonstrativos  e  documentos  que  informam  o  montante de R$ 313,26 para esta DCOMP específica. Estes documentos foram analisados em  diligência e a autoridade fiscal emitiu parecer confirmando a veracidade dos valores.  Intimada  para  se  manifestar  sobre  o  resultado  da  diligência  (Termo  de  Ciência nº 44 em 12/01/2015, fls. 784 ­ Ciência em 13/01/2015, fls. 789), a Recorrente nada  fez, apresentando apenas procuração de advogado.  Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.901630/2006­54  Acórdão n.º 3301­005.174  S3­C3T1  Fl. 811          7 É a síntese do necessário    Voto             Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR  O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em  seu mérito.  Da  síntese  acima,  constata­se  que  o  problema  envolvido  neste  processo  deixou  de  ser  o  direito  ao  crédito  alegado  pela  Recorrente  informado  na  PER/DCOMP  em  questão,  passando  a  ser  mais  relevante  a  discussão  do  equívoco  na  declaração  do  débito  a  compensar.  Em  fevereiro  de  2003,  o  sistema  informatizado  de  apuração  tributária  da  Recorrente apurou como valor devido a titulo de IOF na segunda semana de fevereiro do ano­ calendário  de  2003,  como  responsável  tributário,  o montante  de R$  257.109,48  (duzentos  e  cinqüenta e sete mil e cento e nove reais e quarenta e oito centavos), mais um complemento de  R$  601,17  (seiscentos  e  um  reais  e  dezessete  centavos),  resultando  no  montante  de  R$  257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos).   Este montante somado de débito foi informado em DCTF e foram pagos via  Documento  de Arrecadação  de Receitas  Federais  (DARF)  no  código  "6854",  uma  guia para  cada valor, na data de vencimento da obrigação  (dia 12 de fevereiro de 2003) e o valor  total  (R$ 257.710,65), conforme demonstrado em fls. 98.  No  entanto,  em  decorrência  de  um  reprocessamento  da  base  de  cálculo  do  imposto,  apurou­se  um  valor  adicional  para  a  mesma  competênciada  segunda  semana  de  fevereiro de 2003. O montante total do período em referência era de R$ 271.040,71 (duzentos e  setenta  e  um  mil  e  quarenta  reais  e  setenta  e  um  centavos).  Considerando  o  valor  de  R$  257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos)  já declarado e pago, restou em aberto uma diferença no montante de R$ 13.330,06 (treze mil  trezentos e trinta reais e seis centavos).  Para  declarar  e  recolher  esta  diferença,  a  Recorrente  verificou  que  possuía  créditos de  IOF por  recolhimentos  a maior em outros períodos de apuração, então optou por  realizar  a  quitação  do  correspondente  valor  da  diferença  via  compensação,  realizando  de  35  (trinta e cinco) PER/DCOMP, cada uma com um montante de crédito próprio decorrente de um  específico  período  de  apuração,  porém,  ao  informar o  débito,  informou  em  cada  uma destas  PER/DCOMPs o montante total do período de apuração da segunda semana de fevereiro/2003,  qual  seja,  R$  271.040,71  (duzentos  e  setenta  e  um  mil  e  quarenta  reais  e  setenta  e  um  centavos), o que engloba inclusive os montantes que já haviam sido recolhidos.  Estes supostos créditos teriam origem, como dito, em diferentes períodos de  apuração. No caso desta PER/DCOMP específica, este suposto recolhimento a maior teria sido  realizado em 16/01/2002 para a competência 09/01/2002, no montante de R$ 263,03 (duzentos  e  sessenta  e  três  e  três  centavos),  porém,  não  foi  realizada  a  retificação  da DCTF  relativa  à  competência deste crédito, assim, o crédito foi negado.  Fl. 814DF CARF MF     8 Consta dos autos que esse mesmo equívoco foi repetido em todas a 35 (trinta  e  cinco)  declarações  de  compensação.  Deste  universo  de  declarações,  26  (vinte  e  seis)  resultaram não homologadas, gerando igual número de processos de cobrança com o objetivo  de  exigir  o  pagamento  dos  débitos  tributários  informados  em  cada  PER/DCOMP  pela  Recorrente. As outras 09 (nove) declarações de compensação foram homologadas tacitamente  pelo decurso do tempo.  Percebendo  o  equívoco  após  a  não  homologação  da  compensação,  a  Recorrente  buscou  evidenciar  o  equívoco  na  declaração  do  débito  informado  na  DCOMP,  pleiteando a retificação de ofício, porém, esquecendo­se de comprovar seu crédito.  Quanto  ao  débito:  por  todos  os  documentos  que  constam  dos  autos,  inclusive confirmado na resposta da diligência pela autoridade administrativa, o montante do  débito  está  equivocado,  pois  foi  informado  o  montante  total  do  período  de  apuração,  merecendo a retificação do quantum devido de ofício. O valor correto, conforme relatório da  diligência, para esta PER/DCOMP específica, confirmando os documentos juntados aos autos,  é o de R$ 313,26 (sem juros e multa), devendo ser, por isso, corrigido.  Quanto  ao  crédito:  consta  dos  autos  lançamentos  contábeis  de  contas  do  passivo com referências ao IOF (fls. 240­324). No entanto, como bem salientado no relatório  da diligência,  tais documentos não  se prestam  a  apurar  e demonstrar  a  liquidez  e certeza do  crédito alegado, a uma porque são contas do passivo, a duas porque muitos lançamentos estão  ilegíveis,  a  três  porque  não  foi  indicada  a  correspondência  dos  valores  contábeis  com  declarações  DCTF  e  recolhimentos  em  guias  DARF,  muito  menos  uma  ligação  entre  estes  dados, tampouco a demonstração da razão do pagamento indevido.  A  razão  da  não  homologação  do  crédito  foi  a  não  retificação  da DCTF  do  período de origem, de modo a informar à Receita Federal do Brasil a existência de um saldo  credor a compensar. No entanto, a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar  a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação  de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito.  Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste  E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/2008­12, manifestando o entendimento no  acórdão  nº  9303­005.520  (sessão  de  15/08/2017),  ao  afirmar  que, mesmo  no  caso  de  uma  a  retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do  pedido  quando  acompanhada  de  provas  documentais  comprovando  a  erro  cometido  no  preenchimento  da  declaração  original,  comparecendo  nos  autos  com  qualquer  prova  documental  hábil  a  demonstrar  o  erro  que  cometera  no  preenchimento  da  DCTF  (escrita  contábil e fiscal):  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004  DCTF  RETIFICADORA  APRESENTADA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.  A  retificação  da DCTF  após  a  ciência  do Despacho Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  não  é  suficiente  para  a  comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do  erro em que se funde.  Recurso Especial do Contribuinte negado.  Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.901630/2006­54  Acórdão n.º 3301­005.174  S3­C3T1  Fl. 812          9 Esta  colenda  1ª  TO  da  3ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF  tem manifestado  entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a  liquidez e  certeza do  crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de  prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente  acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2012  COMPENSAÇÃO.  APRESENTAÇÃO  DE  DCTF  RETIFICADORA  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  Se  transmitida  a  PER/Dcomp  sem  a  retificação  ou  com  retificação  após  o  despacho  decisório  da  DCTF,  por  imperativo  do  princípio  da  verdade  material,  o  contribuinte  tem  direito  subjetivo  à  compensação,  desde  que  prove a liquidez e certeza de seu crédito.  (...)  Recurso Voluntário provido.  (Número  do  Processo  11060.900738/2013­11.  Relatora  SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018.  Nº Acórdão 3301­004.545)  Entretanto,  cabe  à  Recorrente  a  demonstração  da  origem  e  liquidez  de  seu  crédito pleiteado. A Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova documental hábil capaz de  sustentar a existência e liquidez de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal).   É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação,  o  ônus  da  prova  da  existência  do  crédito  é  do  contribuinte,  não  tendo  a  Recorrente  se  desincumbido de tal tarefa.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006  PROVA.  APRECIAÇÃO  INICIAL  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  LIMITES.  PRECLUSÃO.  A  apreciação  de  documentos  não  submetidos  à  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  é  possível  nas  hipóteses  previstas  no  art.  16,  §  4º  do  Decreto  nº  70.235/1972  e,  excepcionalmente,  quando  visem  à  complementar  instrução  probatória  já  iniciada quando da  interposição da manifestação  de inconformidade.  COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.  Pertence  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  a  certeza  e  a  liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.  Fl. 816DF CARF MF     10 (Número  do  Processo  10880.674831/2009­54.  Relatora  LARISSA  NUNES  GIRARD.  Data  da  Sessão  13/06/2018.  Nº  Acórdão 3002­000.234) (grifos não constam do original)  Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado.  Conclusão  Por  todo  o  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário  para  lhe  dar  parcial  provimento, negando o direito de crédito pleiteado, mas reduzindo o montante de débito devido  à Fazenda Nacional à título de IOF nos termos da diligência de fls. 779­783.  SALVADOR  CÂNDIDO  BRANDÃO  JUNIOR  ­  Relator                             Fl. 817DF CARF MF

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Numero do processo: 10840.001075/2001-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1995 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
Numero da decisão: 2402-006.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima (relator) e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA

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2402­006.719  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  6 de novembro de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  FERNANDO JOSÉ PEREIRA DA CUNHA  Recorrida   FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 1995  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL.  DECADÊNCIA.  INEXISTÊNCIA DE DOLO,  FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA  DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN.   O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN,  se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso  voluntário,  reconhecendo  a  decadência  do  crédito  tributário  lançado.  Vencido  o  Conselheiro  Luís  Henrique  Dias  Lima  (relator)  e  designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente em Exercício  (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima ­ Relator  (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Redator designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Denny  Medeiros  da  Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci,  José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias  Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 10 75 /2 00 1- 69 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 174          2 Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário (e­fls. 164/170) em face do Acórdão n. 17­ 41.919  ­  7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  ­ São Paulo  II  (SP) ­ DRJ/SPO2 (e­fls. 151/160), que julgou parcialmente procedente a impugnação de e­fls.  122/126  e  e­fls.  135/136  e manteve  em  parte  o  crédito  tributário  consignado  no  lançamento  constituído  em  23/04/2001  (e­fl.  120)  mediante  o  Auto  de  Infração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  ­  IRPF  ­  Ano­Calendário:  1995  ­  no  montante  de  R$  97.938,68  ­  sendo  R$  34.861,07  de  imposto  (Cód.  Receita  2904);  R$  36.931,81  de  juros  de  mora  calculados  até  30/03/2001 e R$ 26.145,80 de multa proporcional calculada sobre o principal  (e­fls. 05/09)  ­  com  fulcro  em  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  conforme  o  discriminado  no  Termo  de  Conclusão Fiscal (e­fls. 10/14).   Em face do lançamento em apreço (e­fls. 05/09), o sujeito passivo apresentou,  em 22/05/2001, a  impugnação de e­fls. 122/126  julgada parcialmente procedente, nos  termos  do  Acórdão  n.  17­41.919  (e­fls.  151/160),  conforme  entendimento  sumarizado  na  ementa  abaixo transcrita:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Ano­calendário: 1995  DECADÊNCIA.  Tratando­se  de  lançamento  ex  offícío,  a  regra  aplicável  na  contagem  do  prazo  decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando­ se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o lançamento poderia ter sido efetuado.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.  O acréscimo patrimonial não  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis,  isentos  ou  não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte e sujeitos à tributação definitiva,  está sujeito a lançamento de ofício por caracterizar omissão de rendimentos.  Retifica­se a planilha de evolução patrimonial para excluir dentre as aplicações a  aquisição de imóvel comprovadamente efetuada em ano anterior.   PEDIDO DE DILIGÊNCIA.  Indefere­se  o  pedido  de  diligência  considerado  prescindível  pela  autoridade  julgadora.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Cientificado do teor do Acórdão n. 17­41.919 (e­fls. 151/160) em 07/07/2010  (e­fls. 161/163), o impugnante, agora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e­fls. 164/170)  na data de 04/08/2010, esgrimindo, em linhas gerais, preliminar de decadência, e, no mérito, a  não inclusão de recursos no demonstrativo de variação patrimonial relativos aos mês de maio e  de junho de 1995 não considerados pela autoridade lançadora.  Sem contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 175          3 Voto Vencido  Conselheiro Luís Henrique Dias Lima ­ Relator.  O Recurso Voluntário (e­fls. 164/170) é tempestivo e atende aos requisitos de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  n.  70.235/72  e  alterações  posteriores.  Portanto,  dele  CONHEÇO.  O  cerne  da  presente  lide,  delimitado  na  peça  recursal  (e­fls.  164/170),  concentra­se,  preliminarmente,  na  decadência  do  lançamento  em  apreço,  e,  na  não  inclusão,  pela autoridade lançadora, de recursos no demonstrativo de variação patrimonial relativos aos  mês de maio e de junho de 1995.   Da preliminar  O  Recorrente  inaugura  a  peça  recursal  de  e­fls.  164/170  protestando  pelo  advento da decadência do lançamento em apreço com fundamento no art. 150, § 4°., do CTN:            [...]  Todavia, não assiste razão ao Recorrente.  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 176          4 É  cediço  que  o  fato  gerador  do  IRPF  é  complexivo  ou  periódico,  vez  que  compreende  a  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  adquirida  pelo  contribuinte  em  determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de  cada ano­calendário.  Na espécie, visando à apuração do  imposto devido no Exercício 1996 ­ AC  1995  ­  a  autoridade  lançadora  intimou  o  Recorrente,  mediante  a  Intimação  SAFIS/GII/156/2001  (e­fls.  17/19),  a  apresentar  o  comprovante  de  retenção  de  imposto  de  renda no AC 1995, oportunidade em que foi informado IRRF no valor total de R$ 6.612,54 ­  referentes  às  fontes  pagadoras  Spel  ­  Serviços  de  Pavimentação  e  Engenharia  Ltda.  ­  CNPJ  50.426.388/0001­75 (R$ 4.693,35) ­ e Art­Spel ­ Ind. e Com. Ltda. ­ CNPJ 57.762.882/0001­ 40  (R$  1.919,19)  ­  conforme  quadro  de  e­fl.  36  (que,  frise­se,  sequer  caracteriza  DIRF)  assinado  pelo  próprio  Recorrente,  desacompanhado,  todavia,  de  qualquer  comprovante  de  recolhimento do IRRF declarado.   Ocorre que o Recorrente é sócio­gerente das fontes pagadoras Spel ­ Serviços  de Pavimentação e Engenharia Ltda. ­ CNPJ 50.426.388/0001­75 (e­fls. 62/72); Art­Spel ­ Ind.  e  Com.  Ltda.  ­  CNPJ  57.762.882/0001­40  (e­fls.  94/103)  e  Pedreira  Spel  Ltda.  ­  CNPJ  47.403.241/0001­45 (e­fls. 83/93) ­ informadas na DIRPF/1996 (e­fls. 115/118), sendo, nessa  condição,  solidariamente  responsável  com  as  respectivas  pessoas  jurídicas  pelos  créditos  decorrentes do não recolhimento do imposto sobre a renda descontado na fonte, nos termos do  art. 8°. do Decreto­Lei n. 1.736/1979.  Assim, a mera informação de retenção prestada pelo próprio Recorrente (e­fl.  36), sem que reste comprovado nos autos, de forma inequívoca, o recolhimento da retenção do  IRRF,  não  caracteriza  antecipação  de  pagamento  a  atrair  a  incidência  da  regra  especial  de  decadência prevista no art. 150, § 4°., do CTN c/c Enunciado de Súmula CARF n. 123.  É  relevante  destacar  que  o  fato  de  a  autoridade  lançadora  ter  solicitado  a  apresentação  de  comprovantes  de  retenção  do  imposto  de  renda  (IRRF),  sinaliza,  de  forma  inconteste, que tais recolhimentos não constam dos sistemas da RFB, vez que, se constassem,  não haveria sentido em solicitar comprovantes ao Recorrente.  De  se  observar  que  o  valor  de R$  9.284,05  ­  considerado  pela  autoridade  lançadora  como  imposto  pago  ­  não  tem  qualquer  relação  com  o  IRRF  consignado  na  DIRPF/1996  (e­fls. 115/118), da mesma  forma que não se caracteriza  IRPF pago a  título de,  v.g, carnê­leão, imposto complementar ou imposto pago no exterior.  Não resta esclarecida nos autos a natureza do imposto pago no valor de R$  9.284,05 considerado pela autoridade lançadora.  Ao fim e ao cabo, conclui­se que não há recolhimento antecipado de IRRF ­  AC 1995, seja no valor de R$ 9.284,05 (considerado pela autoridade lançadora como imposto  pago), seja no valor de R$ 6.612,54 (declarado na DIRPF/1996 ­ e­fls. 115/118), nem muito  menos recolhimento antecipado de IRPF a título de, v.g, carnê­leão, imposto complementar ou  imposto pago no exterior, a atrair a incidência da regra especial de decadência prevista no art.  150,  §  4°.,  do  CTN,  bem  assim  do  Enunciado  de  Súmula  CARF  n.  123,  sendo  relevante  destacar que  este último normativo  restringe­se  expressamente  a  recolhimento  antecipado de  IRRF, e apenas deste. Por oportuno, transcrevo o referido enunciado:  Enunciado de Súmula CARF n. 123  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 177          5 Imposto  de  renda  retido na  fonte  relativo  a  rendimentos  sujeitos  a  ajuste  anual  caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no  artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (grifei)  Nesse contexto, é óbvio que a afirmação da autoridade lançadora no Termo  de Conclusão  Fiscal  (e­fls.  10/14)  "com base  nos  documentos  apresentados  e demais  dados  disponíveis nesta Receita Federal" não compreende recolhimentos de IRRF no AC 1995, nem  de pagamento antecipado de IRPF, pela simples razão de que tais pagamentos não existem.  Nessa perspectiva, considerando­se que o lançamento em apreço aperfeiçoou­ se  em 23/04/2001 e os  fatos geradores  reportam­se  ao AC 1995,  incide,  no  caso  concreto,  a  regra  geral  do  art.  173,  I,  do  CTN,  iniciando­se  a  contagem  do  quinquênio  decadencial  no  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado, no  caso concreto, 1°. de janeiro de 1997, exaurindo­se, destarte, o direito da Fazenda Nacional  proceder ao lançamento de IRPF referente ao exatamente em 31 de dezembro de 2001, do que  se conclui que não há que se falar de decadência.  Rejeito a preliminar.  Do mérito    No mérito,  reclama o Recorrente a não  inclusão, pela autoridade  lançadora,  de recursos no demonstrativo de variação patrimonial relativos aos mês de maio e de junho de  1995, verbis:        Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 178          6         Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 179          7   De outra banda, a autoridade lançadora elaborou o demonstrativo de variação  patrimonial a descoberto, abaixo reproduzido:        Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 180          8       Em relação à matéria, a decisão recorrida assim concluiu, in verbis:              Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 181          9             Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 182          10     Nessa perspectiva, a instância de piso reduziu o lançamento em litígio de R$  34.861,07 de imposto (Cód. Receita 2904) para R$ 20.861,08.  Muito bem.  Primeiramente,  destaco  que  nenhum  reparo  há  a  se  fazer  à  decisão  da  instância  de  piso  quanto  à  exclusão  da  despesa  no  mês  de  fevereiro/1995  no  valor  de  R$  40.000,00, vez que a Certidão de Registro de Imóveis (e­fls. 145/147) elucida a efetiva data de  aquisição do imóvel em apreço.  Por sua vez, quanto às receitas oriundas da venda de dólares, verifica­se que  o Recorrente recebeu, no mês de maio/1995, R$ 60.000,00 da Invest. Sul Dist. Títulos Valores  Mobiliários Ltda. distribuídos em 10 cheques de R$ 6.000,00 cada, conforme e­fls. 21/24.  Outrossim, no mês de  junho/1995, o Recorrente  recebeu R$ 145.044,61 da  Invest. Sul Dist. Títulos Valores Mobiliários Ltda. distribuídos em 22 cheques nos valores de  R$ 6.500,00 (1 cheque); R$ 7.800,00 (11 cheques); R$ 5.000,00 (9 cheques) e R$ 7.744,61 (1  cheque), conforme e­fls. 25/32.   Nessa  perspectiva,  não  prospera  a  irresignação  do  Recorrente  quanto  à  equívoco na planilha de variação patrimonial nos meses de maio e junho/1995, ressaltando­se,  todavia, que na apuração da variação patrimonial a descoberto no mês de junho/1995 efetuada  pela  instância  de  piso,  conforme  acima  reproduzido,  deve  ser  corrigido  o  valor  de  dispêndios/aplicações  de  R$  145.076,45  para  R$  145.044,61  (efetivamente  recebidos,  conforme  cheques  de  e­fls.  21/32),  decorrendo,  assim,  alteração  do  valor  da  variação  patrimonial a descoberto de R$ 80.276,45 para R$ 80.244,61.  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 183          11 Considerando­se essa configuração, o imposto devido apurado pela instância  de piso (R$ 20.861,08) deve ser reduzido para R$ 20.849,95.  Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e­ fls. 164/170), para REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, e, no mérito, DAR­ LHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido de reduzir o imposto (Código de Receita 2904)  apurado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física ­ IRPF (e­fls. 05/09) para R$  20.849,95.  (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima    Voto Vencedor  Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Redator Designado  Com  o  devido  respeito,  divirjo  do  ilustríssimo  relator  no  tocante  à  decadência, o que implica a extinção de todo o crédito tributário.   Em primeiro lugar, não há nenhuma notícia nos autos de que o contribuinte  tenha agido com dolo, fraude ou simulação, e a DRJ aplicou a regra do art. 173, inc. I, do CTN,  apenas  pelo  singelo  argumento  de  que  "a  decadência  do  lançamento  de  ofício  é  regulada  exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional"  (v. fl.  154 do PDF).   Em  segundo  lugar,  a  existência  de  recolhimentos  antecipados  pode  ser  verificada  na  declaração  de  ajuste  anual  do  ano­calendário  1995  (fls.  109  e  seguintes)  e  a  própria autoridade lançadora deduziu a quantia de R$ 9.284,05 de imposto pago, dos quais R$  6.612,54 correspondem ao  imposto retido na fonte  (v.  fl. 115, quadro "IMPOSTO PAGO") e  R$  2.671,50  correspondem  ao  saldo  de  imposto  a  pagar  (v.  fl.  115,  quadro  "SALDO  DE  IMPOSTO A PAGAR").  Quer dizer, além de haver informação de retenção na fonte na declaração de  ajuste anual (ou seja, de pagamento antecipado), a própria autoridade administrativa, que tem  competência privativa para efetuar o  lançamento, verificou e  atestou a existência de  imposto  antecipadamente  pago,  deduzindo­o  do  lançamento  suplementar. Veja­se  a  seguinte  imagem  extraída do demonstrativo de apuração de fl. 8, da qual se destaca a dedução de R$ 9.284,05 de  imposto  pago  (imposto  retido/imposto  antecipadamente  pago  +  saldo  de  imposto  a  pagar),  denominado na respectiva coluna de "(­) Imposto Pago":     Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 184          12 Cabe citar a Súmula CARF 123, segundo a qual o "imposto de renda retido  na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a  aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional".   Mas  não  é  só.  A  autoridade  administrativa,  ao  calcular  o  acréscimo  patrimonial a descoberto, considerou como despesa/aplicação de recursos o IRRF. Veja­se:    Veja­se,  ainda,  a  planilha  constante  da  folha  13,  feita  pelo  próprio  agente  autuante:    Logo,  tendo  inexistido  dolo,  fraude  ou  simulação,  e  tendo  havido  recolhimentos antecipados nesse ano­calendário, conclui­se pela aplicação do disposto no art.  150, § 4º, do CTN.  O critério de determinação da regra decadencial aplicável  (art. 150, § 4º ou  art. 173,  inc.  I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída  na  sua  base  de  cálculo  a  rubrica  ou  o  levantamento  específico  apurado pela  fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do  tributo, mas em valor  inferior  ao  efetivamente  devido,  o  prazo  para  a  autoridade  administrativa  manifestar  se  concorda ou não  com o  recolhimento  tem  início;  em não havendo  concordância,  deve haver  lançamento  de  ofício  no  prazo  determinado  pelo  art.  150,  §  4º,  salvo  a  existência  de  dolo,  fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I.   Expirado  o  prazo,  considera­se  realizada  tacitamente  a  homologação  pelo  Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o  entendimento do  colendo Superior Tribunal de  Justiça,  em sede de  recurso  representativo de  controvérsia:   PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 185          13 DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado" corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10840.001075/2001­69  Acórdão n.º 2402­006.719  S2­C4T2  Fl. 186          14 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  quinquenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp  973.733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacou­se)  Nesses termos, como o fato gerador em referência ocorreu no dia 31/12/1995  ­ como admitido, aliás, pelo próprio conselheiro relator ­, quando o lançamento foi comunicado  ao  sujeito  passivo,  em  23/04/2001,  realmente  já  havia  transcorrido  o  prazo  decadencial,  devendo ser acolhida a preliminar.  (assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci                Fl. 186DF CARF MF

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