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Numero do processo: 16561.720183/2015-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR SUBSIDIÁRIA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES.
Comprovada a existência de prejuízos de períodos anteriores, passível de compensação com os lucros a ser tributados no Brasil, cancela-se a exigência.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADOS BRASIL-ÁUSTRIA E BRASIL-HUNGRIA.
Verificando que a fiscalização não fundamentou o lançamento no dispositivo do art. 1º, §2, "b", IV, Lei de 9.532/97, que em tese daria sustento ao lançamento, como também não descreveu adequadamente os fatos de acordo com este dispositivo, cancela-se a exigência por vício de fundamentação, em decorrência de cerceamento do direito de defesa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1301-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR SUBSIDIÁRIA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. Comprovada a existência de prejuízos de períodos anteriores, passível de compensação com os lucros a ser tributados no Brasil, cancela-se a exigência. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADOS BRASIL-ÁUSTRIA E BRASIL-HUNGRIA. Verificando que a fiscalização não fundamentou o lançamento no dispositivo do art. 1º, §2, "b", IV, Lei de 9.532/97, que em tese daria sustento ao lançamento, como também não descreveu adequadamente os fatos de acordo com este dispositivo, cancela-se a exigência por vício de fundamentação, em decorrência de cerceamento do direito de defesa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
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COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. Comprovada a existência de prejuízos de períodos anteriores, passível de compensação com os lucros a ser tributados no Brasil, cancelase a exigência. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADOS BRASILÁUSTRIA E BRASILHUNGRIA. Verificando que a fiscalização não fundamentou o lançamento no dispositivo do art. 1º, §2, "b", IV, Lei de 9.532/97, que em tese daria sustento ao lançamento, como também não descreveu adequadamente os fatos de acordo com este dispositivo, cancelase a exigência por vício de fundamentação, em decorrência de cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 83 /2 01 5- 52 Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.639 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário contra o acórdão nº 0657.299, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo os seguintes tributos/valores: IRPJ, no valor de R$ 1.639.924,62, com a respectiva multa no valor de R$ 1.229.943,47 e CSLL, no valor de R$ 685.304,97, com a respectiva multa no valor de R$ 513.978,73, além dos respectivos juros de mora. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: 1. Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, os quais totalizaram os seguintes valores: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Imposto 18.022.428,14 Juros de Mora 6.844.918,21 Multa Proporcional 13.516.821,11 Valor do Crédito Apurado 38.384.167,46 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Contribuição 6.583.006,24 Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.640 3 Juros de Mora 2.500.225,77 Multa Proporcional 4.937.254,68 Valor do Crédito Apurado 14.020.486,69 Crédito tributário do processo em R$ 52.404.654,15 2. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1022 a 1041) e com base nos documentos constantes dos autos, afirma a Fiscalização que a contribuinte deixou de tributar lucros auferidos no exterior. Do Procedimento Fiscal 3. A contribuinte foi cientificada do início da ação fiscal em 05/12/2014 (fls. 003 a 007), oportunidade em que foi intimada a apresentar documentos e esclarecimentos sobre suas coligadas e controladas no exterior. 4. No decorrer do procedimento fiscal, foram encaminhados à empresa outros termos de intimação a fim de que a mesma apresentasse outros elementos necessários ao andamento da auditoria. Das participações societárias no exterior 5. Conforme informação prestada pela contribuinte, a mesma informou que no ano de 2011 detinha as seguintes participações em controladas sediadas no exterior: 6. De acordo com a Ficha 34 da DIPJ ND 1348900, ano calendário 2010, a fiscalizada também controlava a empresa Fibria International GMBH (100%), sediada na Áustria. Por esse motivo, a contribuinte foi instada a informar se tal situação permanecia no ano de 2011. Em resposta foi declarado o seguinte: “no ano de 2011 a Normus Empreendimentos e Participações Ltda., empresa incorporada por Fibria Celulose S/A, em 30 de setembro de 2013 (conforme Doc. 2), passou a ser controladora de Fibria International GMBH, no percentual de 100%, conforme Doc. 03”. 7. Assim, entendeu a Fiscalização que: • A pessoa jurídica “... Normus Empreendimentos e Participações Ltda tornouse controladora da Fibria International GMBH somente em 21/12/2011, data da assinatura do “Contrato Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.641 4 de Contribuição”, instrumento que transferiu a referida empresa austríaca para o controle da Normus”. • “... durante o ano de 2011, a fiscalizada Fibria Celulose S/A ainda detinha participação na Fibria International GMBH”. • “... no ano de 2011, as seguintes empresas abaixo eram controladas pela Fibria Celulose S/A: A isenção de impostos não é garantida pelos tratados 8. Segundo a Autoridade Fiscal “Os lucros das empresas localizadas na Áustria e na Hungria devem cumprir o disposto no item 1 do artigo 7º do Tratado para Evitar a Dupla Tributação. Para a Áustria, foi promulgado o Decreto nº 78.107 de 22 de julho de 1976 e para a Hungria , rege o Decreto nº 510 de 27 de abril de 1992. Ambos decretos possuem a mesma redação referente ao item 1 do artigo 7º”. 9. Destaca ainda “... que as convenções entre países para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre o rendimento, como o próprio nome indica, não é tratado internacional destinado a garantir isenção de impostos, mas, sim a evitar a dupla tributação jurídica internacional, portanto, antes mesmo de examinar o inteiro teor do tratado, podese concluir que é falsa a assertiva de que o lucro da pessoa jurídica domiciliada em país com acordo com o Brasil somente poderia ser tributado nesse país”. 10. Continua seus argumentos afirmando que: • “A pretensão do fisco brasileiro não recai sobre o contribuinte domiciliado em países estrangeiros, mas, sim, sobre o lucro auferido no exterior pela controladora brasileira por intermédio de suas controladas domiciliadas no exterior e que se considera disponibilizados na data do balanço, conforme o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835”. • “A legislação fiscal do Brasil, quando determina que os lucros auferidos no exterior por controladas domiciliadas em outros Estados sejam adicionados ao lucro líquido da controladora brasileira, permite que o Estado contratante (Brasil) exerça o direito de tributar seu próprio residente, que é a controladora brasileira – neste caso a Fibria Celulose S/A, de acordo com as disposições inerente à matéria em sua legislação local”. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.642 5 • “Este entendimento foi consolidado na Solução de Consulta Interna nº 18 –COSIT, de 08 de agosto de 2013”. Da compensação do imposto pago no exterior 11. O direito à compensação do imposto pago por intermédio das investidas estrangeiras tem previsão no artigo 26 da Lei nº 9.249, de 16/12/1995, que, por sua vez, foi regulamentada pelo artigo 14 da Instrução Normativa nº 213/02, que especifica detalhadamente as condições e os limites para compensação do imposto pago no exterior. Dos resultados obtidos pelas controladas no exterior 12. Analisando as demonstrações financeiras das controladas no exterior, as seguintes empresas auferiram resultado positivo no ano de 2011: a) Fibria Celulose (USA) Inc, antiga Aracruz Celulose (USA) Inc; b) Voto Votorantim Overseas Trading Operations IV Limited; c) Fibria Trading International Kft; d) Fibria International GMBH. 13. As controladas Newark Financial Inc e Fibria Overseas Finance não apuraram lucros passíveis de distribuição. 14. Ao verificar as Fichas 34 e 35 da DIPJ ND 1467365, ano calendário de 2011, a Fiscalização constatou que a empresa “... disponibilizou montantes relativos aos lucros obtidos somente pelas empresas Fibria Celulose (USA) Inc e Votorantim Overseas Trading Operations IV Limited, cujo total perfaz o valor declarado na Ficha 09, linha 07 – lucros disponibilizados do Exterior: R$ 8.616.212,81”. 15. Com relação ao resultado do exercício da controlada “... Fibria International GMBH, apresentado na data de 23/09/2015, em resposta ao termo de intimação de nº 06, o lucro antes dos impostos, auferido em 2011, foi de € 6.051.264,92 (seis milhões, cinquenta e um mil, duzentos e sessenta e quatro euros e noventa e dois centavos). A participação da Fibria Celulose S/A é de 100% na controlada austríaca”. 16. Para converter tal valor para reais, foi seguindo o que determina o parágrafo 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95, conforme abaixo: • “Câmbio do dia 31/12/2011: 2,4342 – fonte: Banco Central do Brasil. Portanto, ao efetuar o cálculo do lucro antes do tributo sobre o resultado do exercício em Euros, temos: € 6.051.264,92 X 2,4342 = R$ 14.729.989,07”. 17. Assim, a contribuinte “... não ofereceu à tributação em 2011 o resultado positivo apurado pela controlada Fibria International Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.643 6 GMBH , no valor de R$ 14.729.989,07 (quatorze milhões, setecentos e vinte e nove mil, novecentos e oitenta e nove reais e sete centavos)”, valor este lançado no presente processo. 18. Já relativamente à Fibria Trading International KFT, a interessada informou, em resposta ao termo de início de fiscalização, o seguinte: “Os lucros auferidos nos anos mencionados pela empresa Fibria Trading International Kft. (FTI), não foram adicionados ao lucro real da Peticionária, pois o prejuízo apurado no ano de 2008 pela FTI superou o valor dos lucros auferidos nos anos de 2009 a 2011, conforme se depreende do anexo (DOC.02)”, o qual é reproduzido na tabela abaixo: 19. A fiscalizada “... limitouse apenas a informar os valores contidos nesta tabela, não anexou demonstrações financeiras da controlada húngara que comprovassem tal assertiva. Apenas apresentou balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício referente ao ano fiscalizado de 2011”. Na mesma resposta, a empresa acrescentou o seguinte: “Inicialmente, cabe esclarecer que o período compreendido entre 2008 e 2010 já foi objeto de fiscalização, através dos Mandados de Procedimento Fiscal nº 08.1.85.002011003129; 08.1.85.00 2013000372; 08.165.00201400731; com a consequente lavratura dos Autos de Infração nº 16561720128/201309; 165617200057/201417 e 19515721205/201464”. 20. Ressalta a Fiscalização que um dos processos acima citado (de nº 16561.720.057/201417) “... trata das infrações constatadas na empresa Normus Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ 04.872.122/000129, e que foi incorporada pela Fibria Celulose S/A em 30/09/2013, conforme ata de Assembléia Geral Extraordinária desta mesma data. Nos documentos juntados a este auto de infração, constam as demonstrações financeiras da Fibria Trading International Kft a partir do ano de 2006 até o ano de 2010. Anexamos a esta fiscalização estes documentos comprobatórios. Assim, com dados referentes aos resultados da controlada húngara a partir de 2006, temse”: Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.644 7 21. Desse modo, incluindo “... os lucros/prejuízo auferidos antes do IR referente à Fibria Trading International Kft , computados a partir do ano de 2006, o resultado acumulado tornase positivo, e o lucro obtido no anocalendário de 2011 deve ser oferecido à tributação”, da seguinte forma: • Valor do lucro auferido em 2011: US$ 99.074.000,00; • Percentual de participação da Fibria Celulose S/A na controlada Fibria Trading International Kft: 48,3%; • US$ 99.074.000,00 X 48,3% = US$ 47.852.742,00. 22. Conversão para o Real, conforme o § 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95: • US$ 47.852.742,00 X 1,8758 (câmbio do dia 31/12/2011 conforme site do Banco Central do Brasil) = R$ 89.762.173,44, valor este que deixou de ser oferecido à tributação. Compensação dos impostos pagos no exterior 23. A contribuinte apresentou documentos relativos aos impostos pagos no exterior pela Fibria Trading International Kft, juntamente com “... notarização efetuada pela funcionária Mônica Nemeth, do Ministério dos Negócios Estrangeiros em BudapesteHungria, datado de 10/09/2013. Os documentos foram consularizados na Embaixada do Brasil em Budapeste, em 12/09/2013 e assinado pelo ViceCônsul Rafael Vieira Neves. Também foi acrescentada a tradução dos comprovantes para a língua portuguesa. Após análise destes documentos, constatase que o Imposto de Renda naquele país é denominado ‘Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares’”. 24. Com tais dados, a Fiscalização elaborou a tabela abaixo: Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.645 8 25. O percentual de participação da empresa fiscalizada em sua controlada húngara é de 48,3%, o que leva ao seguinte cálculo: R$ 545.963,36 X 48,3% = R$ 263.700,30. Esse último valor é o montante pago pela Fibria Trading International KFT no ano de 2011, passível de ser compensado. 26. Além disso, o valor do imposto sobre a renda pago no exterior está sujeito aos limites dispostos nos parágrafos do artigo 14 da IN SRF nº 213/02, quais sejam, a) de forma individualizada, por controlada, vedada a consolidação de valores de controladas diferentes (§ 4º); b) proporcionalmente ao montante de lucros no exterior adicionados ao lucro real no Brasil (§7º); e c) limitado ao montante do IR e adicional devidos no Brasil sobre os lucros respectivamente incluídos na apuração do lucro real (§9º), na forma dos §§ 10 e 11: Limite 1: o valor do imposto que foi pago no exterior correspondente aos lucros computados na apuração do lucro real no Brasil; Limite 2: diferença entre o valor do IR e adicional devidos com e sem a inclusão dos lucros auferidos no exterior; 27. Assim, a Fiscalização elaborou o demonstrativo abaixo com os valores máximos a serem compensados no presente auto de infração: Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.646 9 28. Desse modo, considerando o limite calculado, o valor de R$ 263.700,30 foi utilizado para compensação do IRPJ apurado neste processo: Ciência e Impugnação 29. Em 18/12/2015, a contribuinte foi cientificada, pessoalmente, do resultado da fiscalização (fl. 1020) e, em 18/01/2016, apresentou impugnação, a qual foi juntada às folhas 1050 a 1099. Impugnação 30. A empresa inicia sua impugnação afirmando que a mesma é tempestiva. Faz um resumo dos fatos e apresenta as razões de defesa que a seu ver conduzirão à reforma da autuação, conforme segue. Dos Prejuízos da Controlada Hungria de 2008 Compensação com Lucros de 2009 a 2011 31. Nos termos da legislação de regência, “... a empresa brasileira estava obrigada a reconhecer e tributar os lucros de suas controladas no exterior conforme o balanço levantado no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, independentemente da efetiva disponibilização de lucros para a empresa brasileira controladora”. 32. Ademais, foi assegurado também “... o direito de empresas brasileiras compensarem, individualmente, prejuízos de suas Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.647 10 controladas com lucros auferidos por essas mesmas controladas nos seus países de domicílio, não se aplicando a limitação prevista no artigo 15 da Lei n° 9.065/1995 (i.e., trava de 30% do lucro tributável)”. 33. No presente caso, não há controvérsia sobre a existência do direito à compensação de prejuízos de controladas no exterior com lucros auferidos por essas mesmas controladas e nem divergência em relação à existência dos prejuízos apurados pela controlada húngara, sendo que estes foram expressamente reconhecidos pela própria fiscalização. 34. No entanto, “... a forma como a fiscalização aplicou a referida regra de compensação de prejuízos de controlada no exterior no caso concreto da Controlada Hungria, acarretando as autuações de IRPJ e CSLL sob análise, foi equivocada”. 35. Da análise do quadro elaborado pela Autoridade Fiscal (abaixo), “... verificase que, para apurar o resultado tributável da Controlada Hungria de USD99,074,000.00 no anocalendário de 2011, a Ilma. Autoridade Fiscal indevidamente compensou, de forma retroativa, prejuízos incorridos por essa empresa estrangeira no ano base de 2008 com lucros da mesma empresa obtidos nos anos anteriores de 2006 e 2007. Em outras palavras, para apurar lucro tributável em 2011, a fiscalização implementou genuíno carry back de prejuízos incorridos em 2008 para os anos de 2006 e 2007, utilizandose de sistemática não prevista na legislação brasileira”: 36. Como se extrai do artigo 25, §5° da Lei nº 9.249/95, regulamentado pelo artigo 4º, §§ 2º e 3º da Instrução Normativa nº 213/2002, “... os prejuízos de uma controlada no exterior somente podiam ser compensados com lucros dessa mesma controlada. A utilização pela Receita Federal do Brasil do verbo ‘poder’ no tempo futuro teve dois relevantes objetivos, quais sejam: (a) estabelecer que a compensação de prejuízos em questão constituía verdadeira faculdade do contribuinte, e não uma obrigação; e (b) que os prejuízos da controlada apenas pod (sic) ser utilizados para compensar lucros dessa mesma Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.648 11 controlada incorridos no futuro, ou seja, em anoscalendários posteriores”. 37. Não há “... dispositivo nas referidas normas ou no ordenamento jurídico pátrio que indique conclusão ou pavimente entendimento em sentido contrário, ou seja, na linha de que os prejuízos de uma controlada em um dado anocalendário deveriam ser utilizados para compensar lucros dessa mesma controlada em anosbases anteriores para, somente após essa compensação retroativa, neutralizar lucros de anos posteriores. Tanto isso é verdade, Ilmos. Srs. Julgadores, que a fiscalização não indicou nenhum dispositivo, seja nas autuações (campo do enquadramento legal), seja em qualquer trecho do Termo de Verificação Fiscal, que fundamentaria o raciocínio de que prejuízos de uma controlada no exterior incorridos em um dado ano fiscal deveriam ser compensados, primeiro, com lucros dessa mesma controlada no exterior incorridos em anos anteriores e, segundo, com lucros futuros”. 38. Entende a empresa que “Caso a legislação em vigência em 2.011 pretendesse facultar ao contribuinte, posteriormente à apresentação da DIPJ de um dado anocalendário, reabrir e recalcular o lucro tributável desse ano, mediante reversão do lucro de controlada no exterior em decorrência de aproveitamento retroativo de prejuízo incorrido em período subsequente, com o surgimento de saldo negativo de IRPJ e CSLL, dada a complexidade da matéria, certamente existiriam dispositivos específicos para regular o tema e o exercício desse direito. Como deveria o contribuinte se comportar então? Deveriam ser realizadas retificações da DIPJ e da DCTF? Deveria ser retificado o LALUR? O crédito decorrente de recolhimento a maior de IRPJ e CSLL saldo negativo seria passível de aproveitamento imediato, logo após apresentação dessas declarações implementando compensação retroativa, mediante apresentação de PER/DCOMP? Com ou sem juros?”. 39. Desse modo, “... não há nada na legislação que embase o raciocínio utilizado pelo fisco para gerar renda tributável da Impugnante no anobase de 2.011, de tal modo que deve ser reconhecida a impossibilidade de compensação dos prejuízos da Controlada Hungria incorridos em 2008 com lucros dessa mesma controlada de 2006 e 2007. Como consequência, forçoso é reconhecer a existência de saldo de prejuízos da Controlada Hungria suficientes para neutralizar integralmente os lucros dessa controlada em 2011, o que acarreta a inquestionável improcedência das autuações sob litígio”. 40. Neste ponto, a contribuinte traz ensinamento de Roberto França de Vasconcellos, Flávio Rubinstein, e Gustavo Vettori e julgado do “... CARF no processo administrativo n. 16561.720128/201309, envolvendo a própria Impugnante e a Controlada Hungria, onde a própria fiscalização não fez o equivocado carryback de prejuízos dessa empresa estrangeira, como aqui ocorreu”. Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.649 12 41. Corroborando a tais argumentos, “... a Instrução Normativa n. 213/2002 autorizava a pessoa jurídica que tinha prejuízos no Brasil e tinha controlada no exterior com lucros inferiores a tais prejuízos, em um dado anocalendário, a aproveitar como crédito no Brasil, apenas e tão somente nos anoscalendários subsequentes, o imposto de renda pago no país de domicílio da controlada. Em outras palavras, o parágrafo 15 do artigo 14 da referida norma infralegal autorizava a pessoa jurídica brasileira com prejuízos a realizar o carryforward dos créditos de imposto de renda pago no exterior sobre lucros de controlada estrangeira para compensar o IRPJ e CSLL de anos subsequentes, mas não para anos passados. Ou seja, a norma estabeleceu, para utilização do crédito de imposto, a mesma lógica e regra existente com relação à faculdade de aproveitamento de prejuízos em anos futuros, com a impossibilidade de utilização em anoscalendários precedentes”. 42. Assim, “... por qualquer ângulo que se analise a questão, não poderia a fiscalização ter compensado retroativamente prejuízos da Controlada Hungria incorridos em 2008 com lucros dos anos calendários de 2006 e 2007, com o escopo de apurar lucro passível de tributação em 2011. Logo, imperioso é reconhecer a existência de saldo de prejuízos da Controlada Hungria suficientes para neutralizar integralmente os lucros dessa controlada em 2011”, conforme abaixo: 43. Por tudo isso, afirma a contribuinte que resta clara “... a improcedência das autuações de IRPJ e CSLL na parte que objetivam exigir da Impugnante tributação sobre lucros da Controlada Hungria em 2011, eis que tais lucros foram totalmente compensados com prejuízos dessa mesma empresa nãoresidente incorridos em 2008”. Dívida de IRPJ e CSLL Paga Controlada Áustria Cobrança em Duplicidade 44. Argumenta a empresa que a autuação que pretende exigir IRPJ e CSLL sobre lucros da Controlada Áustria, já reconhecidos e quitados, também não merece prosperar, pois a mesma econtrase extinta de acordo com o art. 156, I, do Código Tributário Nacional. Isso porque Brasil e Áustria celebraram tratado para evitar a dupla tributação. 45. Nesse sentido, “Os lucros da Controlada Áustria não eram submetidos ao IRPJ e à CSLL no Brasil no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, em razão da natureza jurídica especial e de hierarquia superior do tratado visavis o artigo 74 da Medida Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.650 13 Provisória n. 2.15435 e o art. 2° da Instrução Normativa n. 213/2002. Apesar da clareza desse direito, que inclusive vem sendo confirmado pelo Poder Judiciário e pelo próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Receita Federal do Brasil lavrou, no passado, autos de infração diante da Normus com o escopo de exigir IRPJ e CSLL sobre os lucros de sua controlada relativamente aos anoscalendários de 2002 a 2008, tendo sido ainda cobrados juros e multa”. 46. A controlada austríaca era a única com lucros no ano calendário de 2011, “... razão pela qual somente ela foi considerada para cálculo do IRPJ e CSLL quitados conforme o artigo 40 da Lei n. 12.865/2013. Desse modo, retificouse a declaração de créditos e débitos federais DCTF competente, procedimento esse que acarretou a abertura de outro processo administrativo para controle desses débitos e outros que ainda não haviam sido objeto de autuações, qual seja: o processo administrativo n. 16152.720170/201414”. 47. Baseandose nos lucros apurados pela Controlada Áustria, “... indicado no relatório de auditoria da PwC de EUR 6.051.264,92 às fls. 475 (tradução juramentada ora juntada doc. 04), a Impugnante considerou, em razão de divergência de critérios contábeis e, por equívoco, sem sequer considerar o crédito relativo do imposto de renda recolhido junto às autoridades fiscais austríacas, passível de aproveitamento, uma adição de R$10.707.164,00, para fins de recolhimento do IRPJ/CSLL. Aplicandose a alíquota de 25% de IRPJ sobre tais lucros, apurouse o débito de R$2.676.790,89 e, com relação à CSLL exigida à alíquota de 9%, reportouse o débito de R$963.644,72” (doc. 05). 48. Assim, considerando que os lucros da Controlada Áustria relativos ao anocalendário de 2011 já foram reconhecidos como inteiramente tributáveis pelo IRPJ e CSLL no Brasil pelo próprio contribuinte, tendo inclusive sido incluído em parcelamento, conforme as regras da Lei nº 12.865/2013, é forçoso reconhecer que os créditos tributários exigidos por meio das autuações ora guerreadas encontramse extintos pelo pagamento, do que decorre a integral improcedência das presentes autuações. Inocorrência dos Fatos Geradores de IRPJ e CSLL Controlada Áustria 49. Ainda em referência à “... tributação dos lucros da Controlada Áustria na Impugnante no dia 31 de dezembro de 2011, a fiscalização equívocamente entendeu, como se depreende do item 3. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS NO EXTERIOR do Termo de Verificação Fiscal, que o fato de a Normus ter se tornado proprietária da Controlada Áustria somente no dia 21.12.2011 seria irrelevante, já que até essa data a referida empresa austríaca era detida pela Impugnante”. 50. Segundo o raciocínio externado pela fiscalização, “... desprovido de base legal, os lucros da controlada no exterior seriam tributáveis na controladora que deteve a controlada por Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.651 14 mais tempo em um dado anocalendário, independentemente do fato de que outra empresa possa ser essa controladora no dia 31 de dezembro”. 51. Esclarece a empresa que “... os lucros de uma pessoa jurídica compõem o patrimônio dessa, e somente dessa pessoa, e tais lucros não são disponibilizados para sócio ou acionista até a data em que ocorre uma deliberação societária de distribuição de lucros ou dividendos. Ou seja, antes da referida deliberação, não há que se falar em tributação dos lucros da controlada no nível do sócio ou acionista, eis que os rendimentos decorrentes dos lucros ainda não foram disponibilizados. Referida regra aplicavase tanto para controladas residentes no Brasil ou no exterior”. 52. Com base no parágrafo segundo do artigo 43 do Código Tributário Nacional (incluído pela Lei Complementar nº 104/2001), foi editada a Medida Provisória nº 2.15834, em julho de 2001, cuja edição de nº 35, em seu artigo 74 “... determinou que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Ou seja, a data do balanço passou a ser relevante, independentemente da efetiva disponibilização, o que instituiu uma genuína distribuição ficta de lucros. Como o referido artigo 74 determina, restou ao regulamento estabelecer a data em que os lucros de controlada no exterior devem ser considerados como tributáveis na controladora no Brasil”. 53. De acordo com o §1° do artigo 7º da Instrução Normativa nº 213/2002, “... os lucros de controlada no exterior englobados na variação do investimento na controlada, avaliada por equivalência patrimonial, são computados na apuração do IRPJ e CSLL da controladora brasileira no dia 31 de dezembro de cada ano, o que pressupõe, evidentemente, que a controladora detenha o controle dessa controlada na referida data”. 54. No sentido do acima colocado é a posição da Receita Federal do Brasil, conforme os itens 16 e 17 da Solução de Consulta Interna n° 18/2013 da COSIT CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil. 55. Assim, “... toda legislação tributária que trata da matéria dispõe que os fatos geradores de IRPJ e CSLL sobre lucros de controladas no exterior ocorrem no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, sendo irrelevante toda a evolução do resultado ocorrida durante o período (e.g., lucros de janeiro a julho; prejuízos de agosto a outubro; e lucros em novembro e dezembro, com o encerramento do ano; considerando todos os meses, com lucro)”. 56. Com isso, conclui a contribuinte “... que, se a Controlada Áustria era detida pela Normus no dia 31 de dezembro de 2011, todos os lucros de referida controlada em 2011, componentes da variação do investimento respectivo avaliado pelo método de equivalência patrimonial, não poderiam ser integralmente Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.652 15 atribuídos pela fiscalização à Impugnante e tributados nela, inclusive com reversão de prejuízos fiscais de base de cálculo negativa de CSLL. Ou seja, não poderiam tais lucros correspondentes ao anocalendário inteiro de 2011 ter sido tributados na Impugnante, como se fossem renda dela, do que decorre a improcedência dos autos de infração lavrados”. 57. Além disso, a empresa descarta “... que a Contribuição da Controlada Austríaca feita pela Impugnante a Normus no dia 21 de dezembro de 2011 (vide fls. 345 e seguintes) teria acarretado a autuação diante da primeira, como se a distribuição de lucros tivesse ocorrido nessa data. Essa não é a fundamentação das autuações, como se pode facilmente extrair da leitura do item 3. Participações Societárias do Termo de Verificação Fiscal, e tal alegação seria genuína violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional”. 58. Ainda que essa fosse a alegação das autuações ora impugnadas, o que se admite apenas “... para fins de debate, mesmo assim o cancelamento delas seria de rigor, tendo em vista que a fiscalização teria então ficado obrigada a apurar os lucros auferidos entre 01 de janeiro e 21 de dezembro de 2011, período sob controle da Impugnante; bem como entre 22 e 31 de dezembro desse mesmo anocalendário, período sob controle da Normus”. 59. Desse modo, “... a não realização da apuração acima indicada configura erro na identificação da matéria tributável, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, desencadeando a improcedência das autuações”. Indevida Apuração Consolidada do IRPJ e da CSLL Controlada Áustria 60. Segundo as regras que regulam a apuração de IRPJ e CSLL, “... cada empresa deve apurar o seu resultado e, se o caso, fazer o recolhimento dos referidos tributos. No caso de haver duas empresas, ainda que uma controlada pela outra, cada uma delas deve determinar o seu resultado tributável pelo IRPJ e CSLL e, se aplicável, fazer o recolhimento de tais tributos. Na hipótese de duas pessoas jurídicas, ainda que uma controlada pela outra, apurarem lucros tributáveis pelo IRPJ e CSLL, haveria quatro DARFs: dois de recolhimento de IRPJ e dois de quitação da CSLL. Cada empresa preencheria e pagaria dois DARFs, um de IRPJ e outro de CSLL”. 61. Nesse sentido, “... considerando que, no anocalendário de 2011, a Normus e a Impugnante eram pessoas jurídicas independentes, com personalidade jurídica própria, não poderiam elas consolidar seus resultados a fim de apurar e, se o caso, recolher o IRPJ e a CSLL de forma conjunta. Havia no ano calendário de 2011, portanto, a incidência do IRPJ e CSLL sobre o resultado da Normus (que apresentou DIPJ/2012 própria) e, adicionalmente, a incidência de tais tributos, de forma totalmente independente e separada, relativamente ao lucro/prejuízo da Impugnante (cujo lucro real no mesmo período foi de Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.653 16 R$128.018.656,80, como reconhecido na própria autuação). Não poderiam a Normus e a Impugnante, se assim quisessem, consolidar seus resultados a fim de calcular e, se o caso, recolher em conjunto o IRPJ e a CSLL”. 62. Assim, entende a empresa que “... a fiscalização não poderia, sob circunstância alguma, acrescentar a integralidade dos referidos lucros no montante de R$14.729.989,07 ao resultado da Impugnante do ano base de 2011, reduzindo os prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL dessa, tal como fez na Planilha de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ e no Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Lucro Real que acompanharam o auto de infração, e nos documentos respectivos de CSLL”. 63. O referido valor compõe o que foi tributado “... no referido demonstrativo no total de R$104.492.162,51, sendo que a diferença corresponde aos lucros da Controlada Hungria atribuídos equivocadamente à Impugnante”. 64. Desse modo, resta clara, segundo a impugnante, “... a improcedência dos autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados, eis que, ao realizarem a ilegal consolidação demonstrada acima, eles acabaram por indevidamente adicionar ao resultado tributável da Impugnante no anocalendário de 2011 supostos lucros que a ela não pertenciam (e que eram da Normus), revertendo, equivocadamente, prejuízos fiscais e base de cálculo negativa dela”. 65. Além disso, consignase “... que o fato de a Normus ter sido incorporada na ora Impugnante não afeta e não altera os comentários e conclusão acima. Com efeito, a incorporação não altera a incidência e apuração de tributos ocorridos antes do ato de reorganização societária. Não há na legislação pátria qualquer regra nessa linha”. 66. Ademais, o artigo 132 do CTN “... apenas determina que o incorporador sucede o incorporado com relação aos tributos devidos pelo último (excluindo as penalidades de qualquer natureza). Assim, no máximo, a Impugnante poderia ter sido considerada responsável por sucessão pelo IRPJ e CSLL eventualmente não recolhidos pela Incorporada Normus em 2011, mas jamais lucros da Normus (e de controlada da Normus) poderiam ter sido adicionados ao resultado tributável da Impugnante, em completa distorção na aplicação das regras de IRPJ e CSLL”. 67. Em tal sentido, cita o acórdão nº 1276.406, no processo administrativo nº 19515.721205/201464, que também envolvia a impugnante e a Normus. 68. Desse modo, a empresa entende que são “... improcedentes as autuações de IRPJ e CSLL ora atacadas por pretenderem fazer apuração consolidada de tais tributos considerando o resultado da Normus e da Impugnante conjuntamente em 31 de dezembro de 2011”. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.654 17 Impossibilidade de se Tributar os Lucros Auferidos Pelas Controladas Art. VII dos Tratados 69. Segundo a contribuinte, “Em matéria tributária, o art. 98 do Código Tributário Nacional prevê que ‘os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela lei que lhes sobrevenha’”. 70. Afirma ainda que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça “... orienta que as disposições dos tratados internacionais tributários devem prevalecer sobre a legislação interna dissonante, pois se sustenta que as regras dos tratados são normas específicas, enquanto as constantes da legislação interna constituem normas gerais”. 71. Nesse sentido, traz “... trecho da ementa do acórdão proferido nos autos do Recurso Especial n° 1.161.467RS, onde o STJ analisou as disposições sobre lucros e outros rendimentos dos tratados Brasil Alemanha e BrasilCanadá (cláusulas VII e XXI, respectivamente) em face das disposições constantes do art. 7º da Lei n° 9.779/99”, do qual, entende a empresa “... que em caso de conflito entre a regra de um tratado em matéria tributária e disposições de direito interno devem prevalecer as disposições convencionais, por serem mais específicas”. 72. Destaca também, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, “... o voto proferido pelo Ministro Gilmar Mendes por ocasião do início do julgamento do Recurso Extraordinário n° 460.320/PR ilustra a posição da Corte Suprema a respeito do tema. Segundo ressaltou o Min. Gilmar Mendes, a orientação mais recente do STF é a de que as convenções e acordos internacionais, em cotejo com a legislação tributária interna infraconstitucional devem prevalecer, submetendose, obviamente, à Constituição, cuja superioridade não pode ser questionada”. 73. Relativamente ao presente processo, afirma a impugnante que “... é imprescindível ressaltar que o Brasil possui convenção destinada a evitar a dupla tributação com a Hungria e com a Áustria, países nos quais estão localizadas a Controlada Hungria e a Controlada Áustria”, nos quais os artigos VII “... dispõem que os lucros de uma empresa localizada em um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado”. 74. Desse modo, constatase “... a incompetência do Fisco brasileiro para tributar os lucros gerados pela Controlada Hungria e Controlada Áustria, que não têm estabelecimento permanente no Brasil. Por outro lado, a Hungria e a Áustria são os Estados competentes para exigir o imposto de renda sobre os lucros auferidos pelas referidas empresas estabelecidas em tais jurisdições”. 75. Tanto é que a própria Fiscalização “... reconhece no Termo de Verificação Fiscal: (a) crédito relativo ao imposto de renda Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.655 18 recolhido pela Controlada Hungria ao fisco deste país no montante de R$263.700,30 no item 8. IMPOSTOS PAGOS NO EXTERIOR CALCULO DA COMPENSAÇÃO; e (è) e que os lucros da Controlada Áustria neste ano, antes dos impostos (!), foram de EUR6.051.264,92 no item 7.1. Lucro auferido e não disponibilizado pela Fibria International GMBH em 2011”. 76. Desse modo, “... a exigência fiscal, ao determinar a adição do lucro auferido pela Controlada Hungria e pela Controlada Áustria ao lucro líquido da Impugnante, o fisco brasileiro ofende frontalmente o artigo VII dos tratados celebrados com tais países, acarretando, em última instância, a efetiva bitributação de rendimento (lucro). A consequência prática bitributação de um mesmo rendimento contraria a própria razão de ser dos tratados, que buscam exatamente evitar esse efeito indesejado, atribuindo à Áustria e à Hungria o direito exclusivo à tributação dos lucros lá auferidos”. 77. Nesse sentido, a interessada transcreve parte do julgado relativo ao Recurso Especial nº 1.325.709/RJ, proferido pelo STJ, no qual decidiu ser “... ilegítima a sistemática adotada pela Fazenda Pública de adicionar o lucro obtido pela empresa controlada estabelecida em país que firmou tratado com o Brasil no cômputo do lucro real da empresa controladora, porquanto tal sistemática configura ofensa ao respectivo tratado de bitributação firmado pelos países em que situados controlada e controladora”, tendo sido destacado ainda “... que a inobservância dos tratados por parte das autoridades fiscais brasileiras importa em ofensa ao princípio da boafé que rege as relações internacionais”. 78. Aplicandose as tais conclusões ao presente caso, outro não pode ser o entendimento senão pela não tributação “... dos lucros da Controlada Hungria e da Controlada Áustria no Brasil, pois qualquer exigência nesse sentido ofenderia o artigo VII do Tratado Brasil Hungria e da Convenção Brasil – Áustria”. 79. Ressalta finalmente: • “... que as disposições previstas no art. VII aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL, o que, inclusive, foi recentemente confirmado pelo artigo 11 da Lei n. 13.202/2015, que dispõe que ‘para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL’. • “... que o Tratado Brasil Hungria e a Convenção Brasil Áustria foram assinados antes de 1988, e que a CSLL foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, incidindo sobre as mesmas bases do IRPJ (lucro líquido), temse que, nos termos do mencionado artigo II, 2 do Tratado com a Hungria e do artigo 2.2 da Convenção com a Áustria, as respectivas disposições aplicamse, no Brasil, indistintamente ao IRPJ e à CSLL”. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.656 19 80. Por tudo isso, deve ser reconhecida a improcedência das autuações lavradas. Tributação Indevida de Dividendos da Controlada Áustria Violação do Art. 23.2 do Tratado 81. Caso não seja reconhecido “... o direito exclusivo da Áustria de tributar os lucros da Controlada Áustria nos termos do artigo VII do Tratado entre esse país e o Brasil, isso significará, na realidade e sob a luz da referida Convenção, que os autos de infração de IRPJ e CSLL pretenderiam exigir tais tributos sobre dividendos distribuídos de forma ficta em 31 de dezembro de 2011, como se fossem lucros da própria controladora”, conforme se extrai dos itens 27 e 28 da Solução de Consulta Interna n° 18/2013 da COSIT. 82. Especificamente, afirma a contribuinte que no “... Tratado de Dupla Tributação celebrado entre Brasil e Áustria, o Brasil concordou expressamente em isentar os dividendos de sociedade austríaca para sociedade no Brasil que possua no mínimo 25% das ações do capital da sociedade que distribui os dividendos”, confome dispõe o artigo 23.2 do referido Tratado. 83. Como os tratados de dupla tributação aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL e são normas especiais e de hierarquia superior diante da legislação interna, conforme o artigo 98 do CTN, a isenção “... conferida aplicase a esses dois tributos, o que, por consequência, implica a isenção dos referidos tributos sobre os lucros da Controlada Áustria em questão, seja no ano calendário em que auferidos, seja em momento posterior quando efetivamente distribuídos”. 84. Citando novamente a Solução de Consulta Interna nº 18/2013, argumenta a empresa que “... a própria Receita Federal do Brasil reconhece que dividendos de controlada no exterior, cujos lucros foram anteriormente tributados no Brasil, não estão sujeitos à nova tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Ou seja, o fisco reconhece que a tributação conforme a referida legislação incide sobre uma distribuição ficta de dividendos”. 85. Assim, a interessada afirma que é forçoso reconhecer que os autos de IRPJ/CSLL sobre os lucros da Controlada Áustria em 2011 devem ser cancelados, pois, representam uma violação flagrante e frontal ao Tratado de Dupla Tributação celebrado entre Brasil e Áustria. Compensação IR Pago na Áustria 86. Argumenta a contribuinte que, caso os autos de IRPJ e CSLL sejam mantidos, os tributos lançados deverão ser compensados com o imposto de renda recolhido aos cofres austríacos. 87. Nesse sentido, “... a fiscalização reconhece que os lucros da Controlada Áustria foram tributados lá, atribuindo os lucros de EUR 6.051.264,92, antes de impostos (!), salientese, à Impugnante” e o total “... do imposto de renda recolhido junto às Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.657 20 autoridades austríacas foi de EUR 1.512.186, como demonstra o mesmo relatório da PwC às fls. 475 referido pela fiscalização, cuja tradução ora se junta (doc. 04)”. 88. Para demonstrar o referido crédito, a contribuinte junta ao processo “... o comprovante de recolhimento do imposto austríaco na referida quantia e respectiva tradução juramentada (doc. 08), bem como a declaração de imposto de renda apresentada ao fisco austríaco (doc. 09)”. 89. Desse modo, “... nos termos dos artigos 14 e 15 da Instrução Normativa n. 213/2002, bem como do artigo 23.1 da Convenção para Evitar Dupla Tributação celebrada entre Brasil e Áustria, caso alguma parte das autuações sobre os lucros da Controlada Áustria seja mantida, o IRPJ e CSLL cobrados deverão ser compensados com o imposto recolhido ao fisco austríaco no montante de EUR1.512.186 que, convertido para reais no dia 31 de dezembro de 2011, corresponde a R$3.679.299,76”. Impossibilidade de Cobrança de Juros Sobre Multa de Ofício 90. Segundo a empresa, não há base legal para exigir juros de mora sobre a multa de oficio lançada. Nesse particular, o CTN tratou da incidência de juros de mora no artigo 161, do qual “... percebese que o CTN autorizou o legislador ordinário (seja ele federal, estadual ou municipal) a exigir juros de mora sobre o montante do crédito tributário apurado, o que pode abranger tanto o tributo quanto a multa, estabelecendo como taxa de juros máxima o percentual de 1% ao mês sobre o valor do crédito pendente de pagamento”. 91. Apesar de o CTN ter “... autorizado a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário (que, como salientado acima, inclui tributos e multas), o legislador ordinário federal decidiu exigir juros de mora apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal. Tal decisão, Ilmos. Srs. Julgadores, faz todo sentido, uma vez que uma multa de, por exemplo, 75% por si só já é penalidade suficientemente pesada ao contribuinte, que não precisa ser onerado ainda mais com a cobrança de juros sobre tal pena, o que geraria inclusive o enriquecimento injustificado da Administração Pública”. 92. Assim, “... desde a vigência da Lei n. 9430/96, não há base legal para se exigir juros de mora sobre as multas de ofício, de tal modo que, caso alguma parcela dos autos de infração venha a ser mantida, o que se admite apenas por hipótese, não poderão ser exigidos os juros de mora sobre a multa de ofício aplicada”. 93. Nesse sentido, a interessada traz julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais e argumenta ainda que: • “... se o legislador ordinário efetivamente pretendesse determinar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, ele teria feito essa determinação de forma clara e expressa Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.658 21 no próprio artigo 61 da Lei n° 9.430/96, da mesma maneira como fez com relação às multas impostas isoladamente, nos termos do parágrafo único do artigo 43 da mesma lei”. • “... é imperioso que esse E. Órgão Julgador reconheça a impossibilidade de o fisco exigir juros sobre a multa de ofício caso alguma parcela dos autos de infração de IRPJ e CSLL seja mantida, por absoluta ausência de previsão legal, tendo em vista que o art. 61 da Lei n° 9.430/96 referese somente a tributos e contribuições (e não às multas)”. • “Caso se entenda pela possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, o que se assume por amor ao debate, daí o presente recurso deverá ser provido para limitar esses juros ao percentual de 1% ao mês, em fiel observação ao parágrafo primeiro do artigo 161 do CTN...”. Do Pedido 94. Diante de todo o exposto, a contribuinte pleiteia: • A improcedência dos autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados, cancelandose, inclusive, a determinação de ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2011, com manutenção integral dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL; • Caso seja mantida tributação dos lucros da Controlada Áustria no Brasil, o presente recurso deverá ser acolhido a fim de reconhecer o direito da Impugnante a compensar o IRPJ e CSLL cobrados com o imposto de renda recolhido às autoridades austríacas com relação ao anocalendário de 2011 e afastar a exigência de juros à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Caso se decida que juros podem incidir sobre a multa de ofício, subsidiariamente, o presente apelo deverá ser acolhido para o fim de limitar os juros ao percentual de 1% ao mês. • Provar o aqui exposto por todos os meios em direito admissíveis. Juntada Posterior de Documentos 95. Em 18/03/2016, a contribuinte apresentou os documentos de folhas 1260 a 1322: • “... declaração de imposto de renda por ela apresentada ao fisco austríaco relativa ao mesmo anobase de 2011, que embasou o lançamento de imposto de renda realizado por essa autoridade fiscal, devidamente notarizada, consularizada e acompanhada da respectiva tradução juramentada (doc. 05)”. • “... carta/parecer emitido pela Ernst & Young Steuerberatungs und, o qual confirma que o imposto de renda devido e recolhido pela Controlada Áustria junto ao fisco austríaco, com relação ao anocalendário de 2011, foi de EUR1.512.186 (doc. 06)”. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.659 22 96. Tal documentação “... corrobora o item IX. da impugnação apresentada, de tal modo que, caso alguma parte das autuações lavradas diante da Peticionária sobre os lucros da Controlada Áustria de 2011 seja mantida, o IRPJ e CSLL cobrados deverão ser compensados com o imposto recolhido ao fisco austríaco no montante de EUR1.512.186 que, convertido para reais no dia 31 de dezembro de 2011, corresponde a R$3.679.299,76. Referida carta é acompanhada da respectiva tradução juramentada”. 97. Apesar de entender ser inquestionável o direito de apresentar os referidos documentos, a empresa argumenta que: • “A Lei n° 9.784/99, em seu artigo 2º, determina à Administração Pública Federal obedecer aos princípios da legalidade, ampla defesa, contraditório e verdade material, dentre outros, bem como ao direito à produção de provas na condução dos processos administrativos de sua competência”. • “... os artigos 3º e 38 da mesma lei asseguram ao contribuinte o direito de apresentar documentos em qualquer momento do processo administrativo, desde que antes da prolação de decisão pela Administração Pública”. 98. Ademais, especificamente na esfera tributária, ressalta a interessada “... que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material que determina que a Administração Pública Federal deve esgotar a investigação dos fatos e do direito aplicáveis a um caso sob análise, com o escopo de apenas exigir o tributo na hipótese em que esse for efetivamente devido conforme a lei. Nesse passo, a Administração Pública Federal deve, em qualquer fase do processo administrativo, antes ou depois da prolação da decisão de primeiro grau, aceitar e examinar qualquer documento probatório apresentado pelo contribuinte que trate do objeto da discussão no processo”. 99. Nesse sentido, a empresa destaca também julgados do CARF a esse respeito, os quais prestigiam o princípio da verdade material e os princípios expressamente referidos na Lei n° 9.784/99, sempre resguardando o direito de apresentação de provas pelo contribuinte em qualquer fase do processo administrativo, mesmo após a decisão de primeira instância, o que foi recentemente confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. 100. Com relação ao parecer/carta E&Y, salienta a contribuinte “... que esse constitui uma análise independente da comprovação do recolhimento do tributo aos cofres austríacos, demonstrando o quantum exato do imposto de renda efetivamente devido e pago pela Peticionária na Áustria no período objeto da autuação, o qual constitui crédito da Peticionária passível de compensação com o IRPJ e CSLL exigidos na autuação. Ou seja, tratase de questão relevante, cuja comprovação deve ser reconhecida em qualquer momento no presente processo administrativo, em conformidade com o princípio da verdade material”. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.660 23 101. Diante de todo o acima exposto, “... na eventualidade de alguma parte das autuações lavradas diante da Peticionária sobre os lucros da Controlada Áustria de 2011 ser mantida, a Peticionária reitera o pedido no sentido de que o IRPJ e CSLL cobrados em tais autos deverão ser compensados com o imposto recolhido ao fisco austríaco no montante de EUR1.512.186 que, convertido para reais no dia 31 de dezembro de 2011, corresponde a R$3.679.299,76”. Da Diligência 102. Após uma análise inicial, o processo foi encaminhado à DIFIS II/DEMAC/São Paulo (fls. 1324 a 1325) para, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, que fosse realizada diligência à contribuinte a fim de que fossem providenciados os seguintes documentos: • Balanço Patrimonial com a respectiva Demonstração do Resultado do Exercício, da empresa Fibria International GMBH (situada na Áustria), levantado em 21/12/2011; • Balanço Patrimonial com a respectiva Demonstração do Resultado do Exercício, da empresa Fibria International GMBH (situada na Áustria), que serviu de base para a transferência da quota de capital da mesma para a Normus Empreendimentos e Participações Ltda, a qual foi realizada com base nos valores contábeis (custo de aquisição), de acordo com o item 4.2 do Contrato de Contribuição (fl. 356); • Balanço Patrimonial com a respectiva Demonstração do Resultado do Exercício, da empresa Fibria International GMBH (situada na Áustria), levantado em 30/11/2011. Informação fiscal 103. Ao atender o pedido de diligência, a Autoridade Fiscal elaborou o Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 1416 a 1420), no qual informa que a referida diligência “... teve início em 24/05/2016 com a ciência do contribuinte acerca do termo de início de diligência fiscal. Em 23/06/2016 o sujeito passivo solicitou prazo adicional de 20 (vinte) dias para cumprimento da intimação e informou que o balanço da controlada Fibria International GMBH, datado de 21.12.2011 não era exigido pela legislação austríaca, motivo pelo qual não foi levantado o balanço patrimonial com a respectiva demonstração de resultado naquela data”. 104. Além de prazo adicional, foi solicitado “... a apresentação do item 4.2 da legislação austríaca que isentava a intimada do levantamento de balanço patrimonial e demonstração de resultado de empresa controlada e sediada na Áustria para o ato de contribuição de capital social (no presente caso, a aquisição da controlada Fibria International GMBH pela Normus Empreendimentos e Participações Ltda, ocorrida em 21/12/2011)”. Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.661 24 105. Em resposta, a empresa “... apresentou em 25/07/2016 a tradução para a língua portuguesa acerca do item da legislação da Áustria que, conforme afirmou a mesma, dispensa a elaboração de balanço patrimonial e demonstração de resultado da Fibria International GmbH” e, em 28/07/2016, as demonstrações de resultado levantadas em 31/10/2011 e 30/11/2011 da controlada sediada na Áustria. 106. Além disso, a Fiscalização fez as seguintes considerações: • “O valor utilizado como base de cálculo do imposto e não oferecido à tributação, foi extraído da resposta ao termo de intimação de n° 06 demonstração do resultado do exercício da Fibria International GMBH de 2011, traduzido do idioma húngaro para o inglês”. • “O montante de € 6.051.264,92 (seis milhões, cinquenta e um mil, duzentos e sessenta e quatro euros e noventa e dois centavos) referese ao lucro líquido antes do pagamento do Imposto de Renda, conforme reza a Instrução Normativa SRF n° 213/2002, artigo 1º, § 7º”. • “No curso da fiscalização que resultou no auto de infração ora impugnado, a única demonstração de resultado do exercício da controlada austríaca Fibria International GMBH apresentada pelo contribuinte foi levantada em 31/12/2011. Esta data é bastante próxima daquela em que o Contrato de Contribuição firmou como data de referência em que as quotas da controlada foram transferidas para outra sociedade (21/12/2011). Por conseguinte, o valor do lucro líquido anterior ao pagamento do tributo no exterior datado de 31/12/2011 foi utilizado como base de cálculo do imposto no Brasil (€ 6.051.264,92). Corroborou também o fato de que tal montante estava expresso em Euros, moeda oficial da Áustria”. • “O contribuinte alegou que não foi elaborada a demonstração de resultado do exercício da Fibria International GMBH em 21/12/2011 pelo fato de não ser exigido pela legislação austríaca. Por outro lado, não ilustrou por meio de nenhum documento que a demonstração financeira datada de 31/10/2011 foi aquela utilizada como base para a transferência da quota de capital para a Normus Empreendimentos e Participações Ltda. A 10a alteração do contrato social da Normus Empreendimentos e Participações Ltda, anexada a esta diligência, apenas confirma os dados fornecidos da leitura do Contrato de Contribuição que estipulou como data de referência da contribuição o dia 21/12/2011, conforme expresso no item 5.1 do mesmo”. • “Ademais, os balanços patrimoniais e demonstrações de resultados da controlada austríaca foram apresentados em Reais, dando margem à incerteza se os valores da moeda oficial da Áustria (Euros) foram convertidos corretamente para o Real, de acordo com a legislação em vigor”. 107. Diante disso, a Fiscalização reiterou “... o entendimento exarado no Termo de Verificação Fiscal, de que o resultado Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.662 25 referente à controlada Fibria International GMBH a ser oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2011 é aquele constante na demonstração de resultado do exercício de 31/12/2011, qual seja, €6.051.264,92, correspondente a R$ 14.729.989,07”. Manifestação da contribuinte 108. Inicialmente esclarece a empresa que sua manifestação é tempestiva, pois, teve acesso ao "Termo de Ciência de Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal" em 26/09/2016, com encerramento do prazo de 30 dias em 26/10/2016. 109. Argumenta a interessada que “... o critério adotado pela fiscalização foi no sentido de que a empresa brasileira que deteve controlada no exterior por mais tempo durante um dado ano calendário deve ser considerada como controladora, para fins de aplicação das regras de tributação de lucros de controladas no exterior, ainda que, no dia 31.12, essa controlada tenha como controlador outra pessoa jurídica”. 110. Nesse sentido, “Ao invés de tentar buscar na legislação base para tal critério utilizado nas autuações questionadas, a fiscalização afirmou que sua utilização decorreu do fato de a única demonstração de resultado da Controlada Áustria apresentada pela REQUERENTE no curso da fiscalização foi a encerrada em 31.12.2011, bem como de essa data ser próxima da data do Contrato de Contribuição, de 21.12.2011”. 111. A empresa destaca trecho do relatório de encerramento da diligência e afirma que: • A “... AuditoraFiscal reconhece o dia 21.12.2011 como sendo a data de referência em que as quotas da Controlada Áustria foram transferidas da REQUERENTE para a empresa Normus, admitindo ainda que utilizou o lucro líquido apurado em 31.12.2011, por aproximação, atribuindo à REQUERENTE lucro que deveria ter sido considerado na empresa Normus, o que resultou nas autuações”. • “... não há na legislação de regência aplicável ao caso base para o raciocínio adotado pela fiscalização, do que decorre a clara improcedência dos autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados”. • Como comentado na impugnação, “... na remota hipótese de se aceitar a tributação dos lucros da Controlada Áustria na REQUERENTE, muito embora esta não fosse a controladora de tal empresa no dia 31 de dezembro de 2011, não há, no Brasil, autorização legislativa que permita, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, a consolidação de resultados de distintos contribuintes pessoas jurídicas residentes no Brasil, ainda que do mesmo grupo econômico”. 112. Diante do exposto, a conribuinte “... reitera todos os termos de sua Impugnação e pleiteia que seja decretada a improcedência dos autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados, cancelandose, Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.663 26 inclusive, a determinação de ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2011, com manutenção integral dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL”. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR SUBSIDIÁRIA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. Comprovada a existência de prejuízos de períodos anteriores, passível de compensação com os lucros a ser tributados no Brasil, cancelase a exigência. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. EMPRESA CONTROLADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO. LUCROS NÃO TRIBUTADOS NO BRASIL. TRIBUTAÇÃO OBRIGATÓRIA. A alienação de controlada no exterior a qualquer título é hipótese para que a empresa brasileira controladora adicione, na apuração de seu lucro real, os lucros auferidos no exterior pela empresa alienada que ainda não foram tributados no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADOS BRASILÁUSTRIA E BRASILHUNGRIA. A aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação, pois (I) a norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros; (II) o Brasil não está tributando os lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os lucros auferidos pelos próprios sócios brasileiros; e (III) a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES. Para efeito de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. A pessoa jurídica fica dispensada dessa obrigação quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.664 27 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo, no lançamento questionado, a incidência de juros sobre a multa de ofício, não se conhece do recurso quanto à matéria por falta de competência. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Ressalvando a hipótese do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que versa sobre a edição de súmula vinculante na esfera administrativa, inexiste norma legal que atribua às decisões administrativas, no âmbito do processo administrativo fiscal a eficácia normativa prevista no CTN, dessa forma, elas têm eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. A extensão dos efeitos da jurisprudência judicial no âmbito da Secretaria da Receita Federal possui como pressuposto sua previsão do Decreto nº 70.235/1972, que elenca as hipóteses de afastamento das normas legais vigentes. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente do Acórdão recorrido em 31/03/2017, sextafeira, por meio eletrônico (fls. 1.502), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 02/05/2017, terçafeira (fls. 1.503), tempestivamente, Recurso Voluntário, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.665 28 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Breve Histórico Tratase de exigências de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2011, decorrentes da não inclusão de lucros auferidos no exterior na apuração dos referidos tributos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.022/1.040), no período fiscalizado, a recorrente informou que detinha as seguintes participações em controladas sediadas no exterior: Porém, ao apreciar a DIPJ do anocalendário anterior (AC 2010), a fiscalização verificou que o contribuinte, além das empresas acima listadas, detinha participação acionária, no percentual de 100 %, da empresa Fibria Internacional GMBH, sediada na Áustria. Intimada sobre este fato, a fiscalizada se manifestou: Assim, em face da resposta e documentos apresentados pelo contribuinte, depreendeuse que a Normus Empreendimentos e Participações Ltda tornouse controladora da Fibria Internacional GMBH, em 21/12/2011, data da assinatura do "Contrato de Contribuição". Em decorrência, concluiu a fiscalização que, no anocalendário de 2011, a recorrente controlava as seguintes empresas: Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.666 29 Ao analisar as demonstrações financeiras das empresas listadas acima, a fiscalização constatou que os lucros auferidos no exterior pelas empresas Fibria Trading Internacional Kft (denominada FTI ou controlada na Hungria), no valor de R$ 89.762.173,44 (oitenta e nove milhões, setecentos e sessenta e dois mil, cento e setenta e três reais e quarenta e quatro centavos) e Fibria Internacional GMBH (denominada FIG ou controlada na Áustria), no valor de R$ 14.729.989,07 (quatorze milhões, setecentos e vinte e nove mil, novecentos e oitenta e nove reais e sete centavos) não foram computados na determinação do Lucro Real da recorrente, na proporção da respectiva participação acionária. Em conseqüência, lavrou o lançamento em tela para exigir crédito tributário de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 52.404.654,15. Irresignada, a Recorrente apresentou sua impugnação, juntando aos autos os documentos que entendeu necessários, e, após diligência, a DRJ/CTA considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Assim, de acordo com este julgamento, reconheceuse a ilegalidade da aplicação do carry back, e, ao verificar que a controlada apurou resultado negativo em, 2008, sendo ele suficiente para neutralizar integralmente os resultados positivos posteriores de 2009, 2010 e 2011, cancelou a exigência. Neste mesmo julgamento, com referência à controlada na Áustria (FIG), o colegiado entendeu que o lucro deveria ser reduzido em R$ 3.852.132,41, pois, em sua ótica, a base para tributação dos lucros de tal controlada deveria ser o balanço de 30/11/2011 (lucros de R$ 10.877.856,66), ao invés do balanço de 31/12 do mesmo ano ( R$ 14.729.989,07), utilizado pela fiscalização. No sentir daquele colegiado, apenas os lucros da controlada na Áustria auferidos no período entre 01/01/2001 e 21/12/2001 deveriam ser oferecidos à tributação pela recorrente, e que esta deveria, segundo a legislação brasileira, e a despeito da legislação austríaca, ter levantado um balanço desta controlada em 21/12/2001. Como não havia demonstrações financeiras desta controlada com base no dia 21/12/2001, não poderia a autoridade fiscalizada ter utilizado o balanço de 31/12/2001, uma vez que, nesta data, a controlada Áustria era detida por uma outra empresa: a Normus. Assim, considerando que a transferência das quotas da controlada Áustria, da Recorrente para a Normus, se deu por valores contábeis, entendeu a DRJ/CTA que a fiscalização deveria ter utilizada a demonstração financeira da controlada Áustria de Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.667 30 30/11/2011, para fins de tributação dos seus lucros na Recorrente, eis que tal demonstração foi levantada em data próxima ao dia 21/12/2011, quando a recorrente ainda era titular da controlada Áustria. Não satisfeita com o julgamento, na parte em que lhe foi desfavorável, a Recorrente apresenta recurso voluntário, pugnando pela reforma parcial do Acórdão nº 06 57.299, com escopo de ser reconhecido a improcedência dos autos lavrados e, em decorrência, o reconhecimento do direito à manutenção dos saldos de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL, que foram indevidamente compensados na autuação. Da Existência de Tratados que Impossibilita a Tributação, no Brasil, dos Lucros Auferidos pela Controlada Áustria Como demonstrado acima, a presente discussão centrase na possibilidade (ou não) de tributar os lucros de controladas domiciliadas em países signatários (no caso a Áustria), que firmaram com o Brasil tratado para evitar bitributação. Contudo, antes de iniciar a análise dos argumentos apresentados pela recorrente, por força do que dispõe o art. 62 do RICARF, é preciso observar que a ADI nº 2588, julgado pelo STF, não possui abrangência sobre os pontos discutidos no presente processo administrativo. Em 10.04.2013, o Plenário do STF, prolatou decisão, declarando: A inconstitucionalidade do art. 74 da MP n. 2.15835/01 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; A inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.15835/01, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001, por força do princípio da irretroatividade; A constitucionalidade do art. 74 da MP n. 2.15835/01 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida ou não, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei). Esta decisão seria decisiva para o presente julgamento, acaso a MP 2.158 35/01 fosse declarada integralmente inconstitucional, o que ocasionaria o provimento do Recurso Voluntário sob análise. Contudo, a declaração de constitucionalidade em questão em nada altera o julgamento do presente caso, pois ainda que não houvesse nenhuma decisão do STF confirmando a validade da citada MP, o julgamento conduzido no âmbito do CARF deveria adotar, de qualquer forma, a premissa de sua constitucionalidade (RICARF, art. 62). Ressaltese que não foi objeto de análise, por parte da Suprema Corte, a implicação ou aplicação do disposto na MP no caso de a entidade controlada ser domiciliada em países que firmaram Tratados para evitar a dupla tributação da renda com o Brasil. Esta ausência de análise é clara quando se verifica o excerto da decisão proferida nos autos do Recurso Extraordinário n° 541.090, em que também se discutia a (in)constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01. Vejase: Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.668 31 Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para considerar ilegítima a tributação retroativa, nos termos do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, vencidos os Ministros Joaquim Barbosa (Relator), Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se pronuncie sobre a questão atinente à vedação da bitributação baseada em tratados internacionais, vencido o Ministro Dias Toffoli, não havendo se manifestado, no ponto, o Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Redigirá o acórdão o Ministro Teori Zavascki, que reajustou seu voto. Impedido o Ministro Luiz Fux. Plenário, 10.04.2013. (destacouse) Quanto à discussão sobre as implicações e hierarquia dos Tratados dentro do ordenamento jurídico brasileiro, adoto como premissa que os tratados integram a ordenamento jurídico e eventual conflito com normas internas deverão ser solucionadas de acordo com os critérios cronológico e da especialidade. O ponto aqui de partida advém do seguinte entendimento do Supremo Tribunal Federal: E M E N T A: EXTRADIÇÃO CRIMES DE CORRUPÇÃO PASSIVA E DE CONCUSSÃO DISCUSSÃO SOBRE MATÉRIA PROBATÓRIA INADMISSIBILIDADE DERROGAÇÃO, NESTE PONTO, DO CÓDIGO BUSTAMANTE (ART.365, 1, IN FINE), PELO ESTATUTO DO ESTRANGEIRO PARIDADE NORMATIVA ENTRE LEIS ORDINÁRIAS BRASILEIRAS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS PROCESSO EXTRADICIONAL REGULARMENTE INSTRUÍDO JURISDIÇÃO PENAL DO ESTADO REQUERENTE SOBRE OS ILÍCITOS ATRIBUÍDOS AOS EXTRADITANDOS JULGAMENTO DA CAUSA PENAL, NO ESTADO REQUERENTE, POR TRIBUNAL REGULAR E INDEPENDENTE RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO PENAL EXTRAORDINÁRIA CONCERNENTE AO DELITO DE CORRUPÇÃO PASSIVA ACOLHIMENTO PARCIAL DA POSTULAÇÃO EXTRADICIONAL UNICAMENTE QUANTO AO CRIME DE CONCUSSÃO PEDIDO DEFERIDO EM PARTE. CÓDIGO BUSTAMANTE ESTATUTO DO ESTRANGEIRO (...) A normatividade emergente dos tratados internacionais, dentro do sistema jurídico brasileiro, permite situar esses atos de direito internacional público, no que concerne à hierarquia das fontes, no mesmo plano e no mesmo grau de eficácia em que se posicionam as leis internas do Brasil. A eventual precedência dos atos internacionais sobre as normas infraconstitucionais de direito interno brasileiro somente ocorrerá presente o contexto de eventual situação de antinomia com o ordenamento doméstico, não em virtude de uma inexistente primazia hierárquica, mas, sempre, em face da aplicação do critério cronológico (lex posterior derogat priori) ou, quando cabível, do critério da especialidade. Precedentes. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.669 32 (...) .(Ext 662, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 28/11/1996, DJ 30051997 PP23176 EMENT VOL0187101 PP00015) O Superior Tribunal de Justiça, mesmo que partindo de outra premissa da que partiu o julgado acima (uma vez que coloca os Tratados no mesmo patamar das Leis Complementares), no julgado consubstanciado no REsp nº 1.161.467, afirma que os Tratados que tem como matéria de regulação a bitributação da renda, terão prevalência sobre o direito brasileiro, quando nitidamente se confrontarem (antinomia) com leis internas. O critério da especialidade é invocado pelo STJ. Confirase trecho da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. CONVENÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO. BRASILALEMANHA E BRASILCANADÁ. ARTS. VII E XXI. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À EMPRESA BRASILEIRA. PRETENSÃO DA FAZENDA NACIONAL DE TRIBUTAR, NA FONTE, A REMESSA DE RENDIMENTOS. CONCEITO DE "LUCRO DA EMPRESA ESTRANGEIRA" NO ART. VII DAS DUAS CONVENÇÕES. EQUIVALÊNCIA A "LUCRO OPERACIONAL". PREVALÊNCIA DAS CONVENÇÕES SOBRE O ART. 7º DA LEI 9.779/99. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. ART. 98 DO CTN. CORRETA INTERPRETAÇÃO. (...) 7. A antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolvese pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. 8. O art. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis derrogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. 9. A norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso especifico, mas não perde a sua existência ou validade em relação ao sistema normativo interno. Ocorre uma "revogação funcional", na expressão cunhada por HELENO TORRES, o que torna as normas internas relativamente inaplicáveis àquelas situações previstas no tratado internacional, envolvendo determinadas pessoas, situações e relações jurídicas específicas, mas não acarreta a revogação, stricto sensu, da norma para as demais situações jurídicas a envolver elementos não relacionadas aos Estados contratantes. (...) 11. Recurso especial não provido. (REsp 1161467/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2012, DJe 01/06/2012) (destacouse) Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.670 33 Extraíse deste entendimento que, em caso de conflito entre Tratado e disposições de direito interno, devem prevalecer as disposições internacionais, por serem mais específicas. No que se refere ao critério da especialidade, o jurista italiano Norberto Bobbio, que teve grande influência na formação do pensamento jurídico brasileiro, já pontificava em seu clássico “Teoria do Ordenamento Jurídico”, que esse critério deve ser utilizado para solução de antinomias dentro de um ordenamento jurídico. Em suas palavras: O terceiro critério, dito justamente da lex specialis, é aquele pelo qual, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda: lex specialis derogat generali. Também aqui a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que anula uma mais geral, ou que subtrai de uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diferente (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa (que abrange um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que abrange uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, compreendida como tratamento igual das pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral à regra especial corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias, e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. (...) Entendese, portanto, por que a lei especial deva prevalecer sobre a geral: ele representa um momento ineliminável do desenvolvimento de um ordenamento. Bloquear a lei especial frente à geral significa paralisar esse desenvolvimento. (BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 10ª edição, 1999. pág. 95 e 96) (destacouse) Fixadas essas premissas, passo a analisar se assiste razão ao Recorrente, quando alega que, no presente caso, deve prevalecer o Tratado firmado entre o Brasil e a Áustria (Decreto nº 78.107/1976), em detrimento do que preceitua a legislação interna que regula a tributação de controladas e coligadas domiciliadas no exterior. Da Tributação dos Lucros das Controladas no Exterior quando da Existência de Tratados que visam Evitar à Tributação. De pronto, devese ressaltar, que não há nos autos controvérsias acerca do fato de que a Fibria Internacional GMBH, com domicílio na Áustria, é uma controlada direta da Recorrente, nos exatos termos definidos pelo artigo 243, § 2º da Lei 6.404/76, que tem a seguinte redação: Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. (...) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.671 34 titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. O termo de verificação fiscal, com base na documentação carreada nos autos, é claro neste sentido e o próprio Recorrente não refuta a condição apontada à sua investida. Assim, no presente Auto de Infração, não se tem dúvida de que a obrigação tributária em discussão tem nascimento nos lucros auferidos por uma controlada domiciliada na Áustria (investida) de empresa domiciliada em território nacional (investidora). Por outro lado, nos termos da IN RFB nº 1.037/2010 (inclusive suas alterações posteriores), a Áustria não é considerada como paraíso fiscal pela Receita Federal do Brasil. A pergunta que precisa ser respondida para a solução do presente caso é: tendo em vista o tratado para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e a Áustria (Decreto nº 78.107/1976), teria o Estado brasileiro competência para tributar riqueza (lucro) produzida no outro Estado signatário daquele Tratado? Aos olhos da fiscalização, o artigo 74 da Medida Provisória 2.15835/2001 autoriza a tributação, independentemente de haver tratado para evitar a bitributação dos países onde estariam domiciliadas as empresas (investida e investidora). Contudo, pela leitura do artigo 7º do Tratado firmado, penso não haver dúvidas de que o Brasil está impedido (norma de bloqueio), pelo princípio da residência, de tributar lucros auferidos em sociedades independentes (mesmo que seja controlada direta), domiciliadas na Áustria. Vejase a redação do Decreto 78.107/76 (modelo OCDE): Artigo 7 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada exercendo atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.672 35 incluindo as despesas de administração e os encargos gerais de direção assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. 6. O disposto nos parágrafos 1 a 5 também se aplica aos rendimentos recebidos pelo "Stille Gesellschafter" de uma "Stille Gesellschaft" da lei austríaca. Paulo Ayres Barreto e Caio Augusto Takano, assim interpretam o citado artigo 7º do modelo OCDE: Parecenos correto asserverar, com apoio em Klaus Vogel, que há no art. 7º, parágrafo 1º duas normas jurídicas: (i) se uma empresa residente em um dos Estados contratantes exerça uma atividade e dela auferir lucros, então apenas o Estado de residência daquela empresa poderá tributálos (regra geral); e (ii) se uma empresa exercer suas atividades no outro Estado por meio de um estabelecimento permanente aí situado, então esse Estado (e não o Estado de residência) poderá tributar lucros, mas unicamente na medida em que forem imputáveis ao estabelecimento permanente (regra de exceção). (...) Destarte, não se tratando de estabelecimentos permanentes, mas de empresas dotadas de personalidade jurídica própria, sejam elas coligadas ou controladas, devese aplicar a regra geral, que contém, na feliz expressão de Alberto Xavier, uma 'norma de reconhecimento de competência exclusiva' do país em que se encontra domiciliada a sociedade controlada. (BARRETO, Paulo Ayres e TAKANO, Caio Augusto. Tributação do Resultado de Coligadas e Controladas no Exterior, em face da Lei nº 12.973/2014. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 368 e 369) O artigo 7º do Tratado firmado pelo Brasil é muito claro no que visa proteger: os lucros auferidos pela empresa no exterior, devendo estes serem tributados somente no país onde a empresa independente tenha domicílio. Não há dúvidas, data venia, quanto a interpretação do dispositivo. Por fim, devese ressaltar que as disposições previstas no artigo VII aplicam se tanto ao IRPJ quanto à CSLL, o que foi, inclusive, recentemente confirmado pelo artigo 11 da Lei nº 13.202/2015, que assim dispõe: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.673 36 Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. (destacouse) Neste sentido, por se tratar de uma lei interpretativa, os seus efeitos podem retroagir a fatos pretéritos, mesmo que ocorridos antes da entrada em vigor da legislação, nos exatos termos do comando do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Mas não é só. Como fui vencido na questão atinente à aplicação de Tratados, impõese analisar as demais questões de mérito. Da NãoIncidência do IRPJ e CSLL na Alienação de Participação Societária no exterior Desconsiderando a controvérsia quanto à aplicação ou não dos Tratados, o núcleo da discussão passa a residir no art. 1º, par. 2º, “b”, item 4, da Lei n. 9.532/97: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinacã̧o do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanco̧ no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferen̂cia do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praca̧, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.674 37 Ou seja, o deslinde da questão deve passar pela análise do alcance da expressão "emprego do valor", contido na norma legal acima referida, para fins de definir se a situação sob exame configura ou não hipótese de disponibilização de lucros contemplada na norma, capaz de desencadear a tributação da empresa brasileira por lucros no exterior. Porém, a fiscalização não fundamentou o lançamento no dispositivo acima mencionado (art. 1º, §2, "b", IV, Lei de 9.532/97), que em tese daria sustento ao lançamento, como também não descreveu adequadamente os fatos de acordo com este dispositivo. Em várias oportunidades, registrei o entendimento de que eventuais erros de enquadramento ou até ausência de dispositivo legal, não deve macular o lançamento, quando há uma descrição correta dos fatos que fundamenta o auto de infração. Compreendendo os fatos, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa, posto que não houve prejuízo à defesa. Porém, no caso em exame, há esse prejuízo, pois o Auto de Infração apenas cita genericamente o artigo 1º da Lei 9.532/97 e o TVF não faz referência a situação concreta descrita no art. 1º, §2, "b", IV, Lei de 9.532/97, o que impede, no meu modo de ver, que o contribuinte discuta o alcance da expressão "emprego de valor", previsto na citada norma jurídica. Ademais, não se pode inovar o lançamento, para acrescentar outros, o que impede, igualmente, avançar na análise da exgência para manter ou não a infração, de acordo com a fundamentação original utilizada. Assim, por vício de fundamentação, devese cancelar o lançamento. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Quanto ao exame de mérito deste recurso, verificase que a DRJ acolheu o argumento apresentado pela defesa de que a fiscalização compensou indevidamente e de forma retroativa, prejuízos incorridos pela empresa controlada sediada na Hungria (Fibria Trading Internacional Kft) no ano base de 2008, com lucros da mesma empresa obtidos nos anos anteriores de 2006 e 2007, de forma que na apuração do lucro tributável de 2011, implementouse o denominado carry back de prejuízos incorridos em 2008 para os anos de 2006 e 2007. Não há reparos a fazer a esta decisão. Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.675 38 Inferese dos autos que no ano de 2008 aquela empresa apurou resultado negativo, que suplanta os resultados positivos de 2009, 2010 e 2011, a saber: De acordo com a legislação de regência, o resultado negativo pode ser compensado com o resultado positivo ocorrido posteriormente. Por outro lado, os lucros obtidos nos anoscalendário de 2006 e 2007 não são objetos do presente processo, e não podem ter influência na presente decisão. Logo, havendo em 2011 saldo de prejuízo suficiente, apurado em 2008, para compensar totalmente o lucro obtido em 2011 pela controlada sediada na Hungria, devese manter a decisão que cancelou o lançamento relativo a este assunto. Com referência a redução lucros auferidos da controlada Áustria, nessa parte, o recurso encontrase prejudicado, em face do decidido quando da análise do recurso voluntário. Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, decretando a improcedência dos autos de infração de IRPJ e CSLL. Por conseqüência, reconheço o direito da Recorrente à manutenção dos saldos de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL que foram indevidamente compensados na autuação. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 16561.720183/201552 Acórdão n.º 1301003.464 S1C3T1 Fl. 1.676 39 Fl. 1676DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.905332/2015-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.743
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 32 /2 01 5- 55 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.133 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminares A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 5 Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 6 Mérito Do Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 7 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.905332/201555 Acórdão n.º 3402005.743 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903923/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA.SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbices superados, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito.
Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, torna-se mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO.ERRO DE FATO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA.
A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica.
Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência.
A produção de prova do indébito tributário, sua liquidez e certeza, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição e à compensação tributária, é ônus do contribuinte (autor do pedido de encontro de contas) (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72; art. 373, I, CPC/2015; art. 74 da Lei 9.430/96 e art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 1301-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e certeza, levando-se em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13896.908450/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA.SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbices superados, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito. Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, torna-se mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. INDÉBITO TRIBUTÁRIO.ERRO DE FATO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica. Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência. A produção de prova do indébito tributário, sua liquidez e certeza, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição e à compensação tributária, é ônus do contribuinte (autor do pedido de encontro de contas) (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72; art. 373, I, CPC/2015; art. 74 da Lei 9.430/96 e art. 170 do CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e certeza, levando-se em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13896.908450/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
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DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA.SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbices superados, impõese o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito. Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, tornase mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. INDÉBITO TRIBUTÁRIO.ERRO DE FATO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica. Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 39 23 /2 00 9- 76 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 3 2 A produção de prova do indébito tributário, sua liquidez e certeza, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição e à compensação tributária, é ônus do contribuinte (autor do pedido de encontro de contas) (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72; art. 373, I, CPC/2015; art. 74 da Lei 9.430/96 e art. 170 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e certeza, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13896.908450/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário em face do Acórdão da 4ª Turma DRJ/Belo Horizonte que, ao julgar a manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu o direito creditório pleiteado e, também, não homologou a compensação tributária informada nos autos. Quanto aos fatos, consta: que a contribuinte transmitiu pela internet PER/DCOMP, informando compensação tributária de débitos com direito creditório de pagamento indevido ou a maior do IRPJ Estimativa Mensal; que o direito creditório R$ 3.694.724,99 (valor original) decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ Estimativa Mensal do PA 31/05/2005, código de receita 2362, data de arrecadação 30/06/2005, valor do recolhimento R$ 3.694.724,99. DARF em nome da DU PONT PERFORMANCE COATINGS S/A, CNPJ: 00.910.496/000130 (empresa incorporada em 31/10/2005). A DRF/Barueri, mediante Despacho Decisório (eletrônico), denegou o crédito pleiteado na DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período (ajuste anual). Ciente desse Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, pedindo sua reforma, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a MANIFESTANTE, em 31/10/2005, incorporou a sociedade DU PONT PERFORMANCE COATINGS S.A. ("INCORPORADA"), sucedendolhe em todos os direitos e obrigações, conforme se comprova da análise dos atos societários relativos ao evento e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2005 de incorporação ("DIPJ"); que em maio de 2005, assim como nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e junho do mesmo anocalendário, a INCORPORADA não apurou débito de IRPJ, conforme se comprova da análise da Ficha 11 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2005 de incorporação ("DIPJ") e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF"); que, entretanto, mesmo não apurando débito de IRPJ nos referidos meses do anocalendário 2005, a INCORPORADA recolheu IRPJ, por meio de Documento de Arrecadação ("DARF"); Fl. 581DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 5 4 que tal constatação decorre da simples comparação entre: (i) IRPJ devido relativo aos citados meses do anocalendário 2005, informado na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTF"); (ii) valor apurado na Ficha 11 da DIPJ 2005 de incorporação; e, (iii) valor pago, recolhido por meio de DARF. que, para reforma do Despacho Decisório, invoca o artigo 11 da IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e o disposto no artigo 106, inciso II, alínea a, do Código Tributário Nacional (CTN); que a decisão atacada não se teria valido “de todos os meios de que dispunha para verificar a legitimidade do crédito”; que é ilegal a IN SRF 600, de 2005, ao vedar a restituição de pagamento a maior ou indevido de imposto estimativa mensal. que, ainda, invoca os princípios da verdade material, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, legalidade, ampla defesa e contraditório Na sequência, a DRJ/Belo Horizonte (4ª Turma) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base na seguinte fundamentação, em síntese, que se extrai do voto condutor do Acórdão recorrido: que, embora tendo afastado óbice da IN SRF 600, de 2005 (art. 10), o direito creditório pleiteado na DCOMP não se reveste de liquidez e certeza, pois a contribuinte não comprovou o erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora para redução do imposto confessado na DCTF. que é necessário, portanto, a comprovação do erro de fato (CTN, art. 147, § 1º); que a contribuinte não apresentou cópia da escrituração contábil para comprovar o erro de fato, ou seja, não comprovou que a receita bruta seria nula para zerar o imposto estimativa mensal do referido período de apuração mensal confessado na DCTF. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: 1) Nulidade da decisão a quo: que indeferiu o crédito pleiteado com fundamento diverso do despacho decisório (alteração do critério jurídico), sem oportunizar a ampla defesa e o contraditório; que, em relação aos fatos, na manifestação de inconformidade não foi juntada a escrituração contábil, pois entendia que o óbice seria apenas aquele manifestado no despacho decisório, ou seja, não devolução de estimativa mensal, mas sim eventual apuração de saldo negativo na declaração de ajuste anual; Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 6 5 que a decisão a quo deveria ter convertido o julgamento em diligência para oportunizar a contribuinte proceder a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito de crédito pleiteado; que, ainda, a decisão recorrida não enfrentou todos os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade, caso o crédito não fosse deferido, ou seja, o pedido de improcedência da exigência de multa moratória e dos juros de mora. 2) Quanto ao mérito: que a 4ª Turma da DRJ/Belém, se possuía dúvida acerca do valor do crédito, por que não converteu o julgamento em diligência? A Turma Julgadora, simplesmente, decidiu não homologar a compensação; que, ao assim decidir, afrontouse o princípio da verdade material; que, embora entenda sejam os documentos juntados aos autos quando da manifestação de inconformidade suficientes para atestar a existência do indébito, juntou ao presente recurso a apuração do IRPJ do referido PA mensal do anocalendário 2005, Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR e o balancete de verificação que lhe suporta, reforçando a comprovação do montante devido informado na DIPJ; que, com efeito, argumenta ainda a recorrente: (i) apurou prejuízo fiscal no referido período mensal de apuração, com base no critério de levantamento de balancete de suspensão/redução do imposto, nos termos da Lei nº 8.981/95 (art. 35); (ii) que até nesse ponto andou mal o julgador de primeira instância, dado que faz menção à apuração com base no critério de receita bruta (RIR/99, art. 232), não tendo sido esse o adotado pela recorrente em suas apurações, conforme consta da DIPJ; que, caso ainda sejam insuficientes as provas do direito creditório pleiteado, requer seja efetuada a conversão do julgamento em diligência com base no princípio da verdade material, principio esse que não foi observado pela decisão a quo; que, por fim, argumentou acerca da impossibilidade de exigência da multa de oficio e dos juros de mora no caso, na hipótese de indeferimento do credito reclamado, pois a DCOMP fora apresentada tempestivamente (não cabendo imputar mora). É o relatório. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.380, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13896.908450/2009 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.380): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Nas razões do recurso, a contribuinte suscitou preliminares de nulidade da decisão recorrida, argumentando que: I Foi surpreendida pela mudança de critério jurídico pela decisão a quo, ou seja: a) que despacho decisório indeferiu o crédito pleiteado com base no óbice do art. 10 da IN 600/05, não entrando no mérito acerca da matéria de fato, existência ou não do direito creditório; b) que, diversamente, a decisão recorrida, embora tendo suplantado o referido óbice em face do art. 11 da IN SRF 900/2008 (Súmula CARF nº 84), denegou o crédito demandado pela falta de produção de prova do erro de fato na apuração da exação fiscal do período mensal objeto dos autos, que implicou pagamento indevido e confissão indevida de débito na DCTF do respectivo PA mensal; que, assim, não comprovado o erro de fato, inexiste justificativa para a transmissão de DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório, visando a suprimir o débito confessado na DCTF primitiva. II Deixou de enfrentar matérias suscitadas acerca da multa moratória e dos juros de mora. Pois bem. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 8 7 Deixo de enfrentar as preliminares suscitadas contra a decisão a quo, pois superado o óbice do art. 10 da IN SRF 600, de 2005, pela decisão recorrida, em face do art. 11 da IN SRF 900, de 2008 e da Súmula CARF nº 84, e tendo em vista falhas nas decisões anteriores nestes autos, que implicaram não apreciação de matéria de fato acerca da formação e da certeza e liquidez do crédito pleiteado, e para evitar prejuízo à defesa, necessidade de oportunizar a complementação de provas pela contribuinte (saneamento do processo, instrução processual probatória complementar), afastar supressão de instância de julgamento (apreciação dos fatos e provas apenas na última instância recursal ordinária), entendo que devem retornar os autos do presente processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Barueri para enfrentar o mérito da lide, ou seja, a matéria de fato e provas acerca da existência ou não do direito creditório pleiteado pela contribuinte. Veja. O Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Barueri, com fundamento equivocado, denegou o crédito pleiteado de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal com fundamento no óbice de que o pagamento, a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, tem caráter de mera antecipação e que o valor recolhido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro liquido (CSLL) devidos no encerramento do anocalendário ou para compor o saldo negativo (ajuste anual). Como visto, realmente o Despacho Decisório não enfrentou matéria da fato atinente ao direito creditório demandado contra a Fazenda Nacional, ficando adstrito à matéria de direito. Na sequência a 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, embora tendo afastado esse óbice de que trata o referido despacho, indeferiu peremptoriamente, de forma equivocada, o crédito reclamado por outro fundamento, ou seja, por ausência de comprovação do erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora após ciência do despacho decisório, com intuito de suprimir o débito confessado na DCTF primitiva do respectivo período de apuração e, assim, justificar a origem do credito pleiteado. Como visto, a decisão a recorrida quanto à matéria de fato, simplesmente, denegou o pleito, com a fundamentação de que a contribuinte não produzira prova do erro de fato na apuração do IRPJ estimativa mensal do respectivo período de apuração que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora e justificar a origem do crédito reclamado. Sem dúvida, a 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, para evitar prejuízo à defesa, deveria ter baixado os autos em diligência fiscal para sanear o processo, ou seja, realizar instrução processual probatória complementar, possibilitar a Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 9 8 oportunidade da contribuinte produzir provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, uma vez que o despacho decisório a fez incorrer em erro (a recorrente) ao tratar apenas de matéria de direito, silenciando acerca de matéria de fato; porém, não procedeu assim a decisão recorrida, simplesmente, denegou o crédito pleiteado. Ora, a legislação de regência é clara, o contribuinte tem direito de repetição do que pagara indevidamente ou a maior. No mesmo sentido a jurisprudência do CARF: "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato" (Súmula CARF nº 84). Ônus da prova O ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório pleiteado é do autor do pedido, por aplicação subsidiária do art. 373, I, do CPC/2015. A entrega da DCTF retificadora após a ciência de despacho decisório, que vise a reduzir débito confessado, impõe a comprovação do erro de fato, mediante escrituração contábil e documentos de suporte dos registros contábeis (CTN, art. 147, § 1º). Há necessidade de comprovação e demonstração da escrituração contábil/fiscal em que houve o erro de fato e da escrituração contábil/fiscal já com correção do erro de fato, no sentido de identificar qual a razão ou motivo da ocorrência do erro de fato. A lei autoriza a compensação de débitos com créditos líquidos e certos (CTN, art. 170 e Lei 9.430/97, art. 74). O momento para produção das provas (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16). A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica. Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência A contribuinte juntou cópia de folhas do LALUR Parte A e Balanço Patrimonial nesta instância recursal ordinária . Porém, o processo ainda carece de saneamento, demanda instrução processual complementar, pois as provas juntadas são incompletas e ainda não foram juntadas cópias do livros Diário e Razão e dos balancetes de suspensão ou redução, especificamente quanto ao erro de fato (art. 35 da Lei 8.981/95). Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 10 9 Como já dito, a matéria probatória quanto aos fatos não foi enfrentada nestes autos pelas decisões anteriores. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não apreciaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado, pela inexistência de provas nos autos, o que denota existência de falhas do processo pela necessidade de saneamento, ou seja, realização de instrução processual complementar para produção de provas, ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova nesta instância recursal ordinária e retorno dos autos para julgamento de mérito, poderia, em tese, implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Ora, para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, supressão de instância de julgamento (julgamento dos fatos e provas apenas na última instância recursal ordinária), considerando ainda os princípios do formalismo moderado e da verdade material que norteiam o processo legal administrativo, entendo, volto a dizer, que devem ser devolvidos os presentes autos à Unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Barueri, para analisar a matéria de fato, enfrentar o mérito, acerca do fato constitutivo do direito creditório reclamando. A unidade de origem da RFB, então, deverá intimar a contribuinte a produzir prova cabal e idônea do fato constitutivo do seu direito alegado, comprovar o alegado erro de fato. Portanto, superados os óbices no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativa mensal e evitar cerceamento do direito de defesa em face da necessidade ainda de saneamento do processo (realização de instrução processual probatória complementar), voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, no caso à DRF/Barueri, para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão/redução, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e Fl. 587DF CARF MF Processo nº 13896.903923/200976 Acórdão n.º 1301003.383 S1C3T1 Fl. 11 10 certeza, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003547/2004-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF nº 49.
Numero da decisão: 1003-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF nº 49.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 35 47 /2 00 4- 04 Fl. 69DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 1611.704, de 26 de novembro de 2006, proferido pela 5a Turma da DRJ/SPOI, às fls. 1921, julgando procedente o lançamento (fls. 03) da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 1999. A ementa da decisão segue abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário requerendo sua reforma, e para tanto, argumentou, em síntese. que: (i) é empresa de pequeno porte; (ii) até 1999 estava dispensada da entrega da DCTF quando o total de débitos fosse inferior a dez mil reais; (iii) na alteração da legislação a partir de 1999, "não ficou claro no texto da lei a obrigatoriedade da entrega das DCTFs, para todos os contribuintes Lucro Real/Lucro Presumido, independentemente do valor da soma dos tributos", já que, no texto legal, empresas imunes ou isentas constavam dispensadas desta obrigação no mesmo capítulo em que se falava da obrigação da entrega das DCTF pelas empresas optantes pelo Lucro Real e Lucro Presumido, não tendo sido mantida a dispensa de entrega para empresas com débitos tributários inferiores a dez mil reais; (iv) assim que entendeu corretamente o texto legal, de forma voluntária efetuou a entrega das DCTF em questão, não tendo havido posterior reincidência; (v) não houve, com o descumprimento momentâneo de uma determinação legal dúbia, qualquer tipo de prejuízo para o Tesouro, visto que a Recorrente, independentemente da entrega das DCTF, recolheu todos os seus tributos e apresentou no prazo legal sua declaração de IRPJ, o que caracteriza a intenção de nunca burlar ou fraudar qualquer dispositivo em vigor, devendo o Fisco perdoála, e, (vi) o valor do auto de infração é vultoso e com a correção se torna impossível de ser quitado, face a dificuldade comercial que enfrentam os pequenos empresários de forma geral. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13811.003547/200404 Acórdão n.º 1003000.338 S1C0T3 Fl. 70 3 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário, de fls. 26/28, apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Ademais, conforme mencionado no relatório, versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2003. Contudo, não merece reforma o acórdão recorrido, fls. 26/28, ante a impossibilidade de prevalecer quais dos argumentos da Recorrente para exclusão da multa de aplicada. Inicialmente, no tocante à mudança legislativa mencionada pela Recorrente, de fato, até 30 de outubro de 1998, vigia a IN SRF nº 73/1996, que estabelecia, em seu art. 2º, inciso I, a obrigatoriedade de entrega da DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, pelo estabelecimento, cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar seja igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Porém, em 30 de outubro de 1998, a IN SRF nº 126/98 instituiu nova DCTF, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, prevendo em seu art. 3º, as hipóteses de dispensa de sua apresentação, conforme transcrito a seguir: Art. 3o Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4º da Instrução Normativa SRF Nº 28, de 05 de março de 1998; IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Parágrafo único. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do SIMPLES, a partir do 1º trimestre do ano subseqüente ao da exclusão; Fl. 71DF CARF MF 4 II cuja imunidade ou isenção houver sido suspensa ou revogada, a partir do trimestre do evento; III anteriormente inativa, a partir do trimestre em que praticar qualquer atividade. (grifouse) A despeito da efetiva ocorrência da mencionada alteração regulamentar, a leitura do dispositivo transcrito não se apresenta confusa nem induz a qualquer dúvida. Ainda que assim fosse, sua aplicação não poderia ser afastada por este colegiado, por absoluta falta de previsão legal. Além do mais, no Direito Brasileiro, como se sabe, não cabe invocar o desconhecimento de lei ou ato normativo para justificar seu descumprimento, conforme prescreve o art. 3° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, in verbis: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". Outrossim, quanto ao pleito para redução do valor lançado, também não há como prosperar, cabendo ressaltar que foi aplicada a multa mínima, de R$ 500,00, de acordo o previsto no artigo 7°, §3°, inciso II da Lei n° 10.426/2002, legislação vigente quando da ocorrência da infração. Já no que se refere à alegada espontaneidade na entrega da declaração em atraso, a Recorrente também não logra êxito, vez que a questão é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por outro lado, os argumentos relativos à suposta ausência de prejuízo para o Tesouro, à regularidade dos demais atos da referida pessoa jurídica, à ausência de intenção de burlar o fisco (o que ensejaria perdão por parte dos julgadores), não socorrem a Recorrente, por absoluta falta de previsão legal, lembrando que os atos produzidos no julgamento administrativo de processos fiscais são atos vinculados à estrita legalidade. Por fim, no que se refere ao suposto valor vultoso do auto de infração e da impossibilidade da Recorrente em quitálo, resta apenas lembrar que o valor original para pagamento até o vencimento, com redução legal de 50%, era de R$ 1.000,00 (um mil reais), valor que ela optou por não pagar, por acreditar indevido. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13811.003547/200404 Acórdão n.º 1003000.338 S1C0T3 Fl. 71 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001753/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera-se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais.
PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA.
Na existência de pagamento antecipado, a regra é dada pelo art. 150, § 4o, do CTN, sendo o prazo contado a partir da ciência do Auto de Infração. DEPÓSITO JUDICIAL.
Numero da decisão: 3302-006.089
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera-se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. Na existência de pagamento antecipado, a regra é dada pelo art. 150, § 4o, do CTN, sendo o prazo contado a partir da ciência do Auto de Infração. DEPÓSITO JUDICIAL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
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Recorrente LINK S/A CORRETORA DE CAMBIO, TITULOS E VALORES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considerase de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. Na existência de pagamento antecipado, a regra é dada pelo art. 150, § 4o, do CTN, sendo o prazo contado a partir da ciência do Auto de Infração. DEPÓSITO JUDICIAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 53 /2 00 7- 74 Fl. 660DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 276/278), o contribuinte impetrou perante a 24a Vara da Justiça Federal de São Paulo o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0062262 visando ter reconhecido o direito de não recolher a Cofins na forma dos arts. 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, e. sim para que os fatos geradores relativos à referida contribuição tivessem por base de cálculo exclusivamente o faturamento consoante os ditames da LC n° 70/91. Em 01.03.2000 foi concedida liminar, e em 21.09.2000 foi prolatada a sentença concedendo a segurança, garantindo à autora, a inexigibilidade do recolhimento da Cofins nos moldes estabelecidos pelo § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, impondo a manutenção do recolhimento da contribuição sobre o faturamento consoante anteriormente estabelecido pela LC n° 70/91. A apelação da União foi parcialmente provida no TRF da 3a Região em 17.04.2002, para manter a base de cálculo prevista na LC n° 70/91, porém com a aplicação da alíquota majorada pela Lei n° 9.718/98. Interpôs o contribuinte recurso especial e extraordinário perante o STF e, ainda, medida cautelar no TRF, esta última para fins de proceder depósito judicial da Cofins. Os valores começaram a ser depositados a partir de abril de 2003. Observa a autoridade fiscal que, embasado nas disposições contidas nas decisões proferidas, o contribuinte não promoveu os recolhimentos da Cofins nos moldes da LC n° 70/91 no período de julho de 2000 até setembro de 2003. Ante o constatado, e com fulcro no art. 1° da LC n° 70/91, nos arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da MP n° 1.807/99 e reedições, com as alterações da MP n° 1.858/99 e reedições, nos arts. 2°, inc. II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002, foi lavrado o Auto de Infração de Cofins às fls. 289/293, com exigibilidade suspensa por força da decisão proferida nos autos do MS 2000.61.00.0062262. O valor total exigido é de R$ 477.722,96, relativo aos fatos geradores ocorridos entre julho de 2000 e setembro de 2003, já incluídos os juros de mora calculados até 31.08.2007, tendo a ciência pessoal do autuado ocorrido em 01.10.2007 (fls. 289). Não foi lançada a multa de ofício de 75%, a teor do que dispõe o art. 63 da Lei n° 9.430/96 (fls. 278 e 288). Irresignado, o contribuinte apresentou em 31.10.2007 a Impugnação de fls. 296/315, alegando, em apertada síntese, que no tocante aos fatos geradores ocorridos de julho/2000 a setembro/2002, decaiu o direito de o Fisco efetuar o lançamento em função do decurso do prazo de cinco anos previsto no § 4°, do art. 150, do CTN. Alega também que os juros de mora não podem ser exigidos, pois desde abril de 2003 o interessado vem efetuando depósitos judiciais. Observa, ainda, que a impugnação deve ser recebida uma vez que não se trata de matéria questionada na esfera judicial. Em 9 de junho de 2009, através do Acórdão de Impugnação n° 1621.730, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO. Foi cancelada a exigência relativa aos fatos geradores atingidos pela decadência, conforme demonstrativo a seguir: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16327.001753/200774 Acórdão n.º 3302006.089 S3C3T2 Fl. 3 3 Fl. 662DF CARF MF 4 Entendeu a Turma que: ü No mérito, há que se reconhecer, em parte, a decadência arguida pelo Contribuinte; ü É bem verdade que a autoridade fiscal, ao lavrar o presente Auto de Infração, o fez com a precípua finalidade de prevenir a decadência, cujo prazo seria de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91; ü Ocorre que, em 20.06.2008, foi publicada no D.O.U. a Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, que tem o seguinte enunciado: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”; ü Ocorre que, consoante descreve o autuante às fls. 277, não houve nenhum recolhimento da Cofins relativamente ao período autuado. Na inexistência de pagamento antecipado, descabe falarse no prazo decadencial do lançamento por homologação previsto no § 4°, do art. 150, do CTN, como pretende o impugnante; ü Destarte, o prazo decadencial a se adotar no caso em apreço é o previsto no art. 173, inc. I, do CTN; ü Resulta que, pelo critério previsto no art. 173, inc. I, do CTN, apenas os fatos geradores ocorridos entre julho de 2000 a novembro de 2001 foram fulminados pelo instituto da decadência, enquanto que os fatos, geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001 foram autuados ainda dentro de seus respectivos prazos legais; ü Quanto à exigência dos juros de mora, cumpre reconhecer que a jurisprudência administrativa vem se consolidando no sentido de considerar indevida a cobrança dos juros de mora quando a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa por depósito do montante integral. Tanto é assim que, o Primeiro Conselho de Contribuintes publicou no ano de 2006 a Súmula n° 5; Fl. 663DF CARF MF Processo nº 16327.001753/200774 Acórdão n.º 3302006.089 S3C3T2 Fl. 4 5 ü Ocorre que, consoante se extrai das citadas súmulas, e a teor do que estabelece o inciso II, do art. 151, do CTN, apenas mediante o depósito do montante integral é que se suspende a exigibilidade do crédito tributário. Se o depósito não abranger a integralidade do crédito tributário não há que se falar em suspensão do crédito tributário, conforme entendimento já consolidado na Súmula n° 112 do STJ; ü Pelas guias de depósitos juntadas aos autos, verificase que o valor depositado é muito inferior ao valor da Cofins lançada. A soma do principal indicado nos DJE de fls. 269/275 perfaz R$ 59.775,83, enquanto o valor da contribuição lançada é de R$ 260.917,32. Sendo assim, não houve o depósito do montante integral, ou seja, não se trata da hipótese prevista no inc. II, do art. 151 do CTN. A empresa LINK S/A tomou ciência do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 24/07/2009 (folhas 437). A empresa LINK S/A ingressou com o Recurso Voluntário, em 24/08/2009, de folhas 441 à 454. Destacamse a seguir excertos da peça recursal: 15. Pois bem. No presente caso, contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no citado parágrafo 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional, os valores relativos à COFINS, cujos fatos geradores ocorreram nos meses de dezembro de 2001 a setembro de 2002, foram tacitamente homologados em dezembro de 2006 e setembro de 2007, respectivamente. Assim, o lançamento cientificado ao contribuinte em 01 de outubro de 2007 é PARCIALMENTE EXTEMPORÂNEO, não podendo prevalecer. 16. Logo, a partir daquelas datas não existe mais possibilidade de revisão do lançamento. Com a homologação tácita, todos os dados e cálculos realizados pela Recorrente foram aceitos pela Fazenda Pública. Através do despacho proferido na Ação Cautelar Inominada N° 2003.03.00.0198388/SP, de 27/10/2009, o Desembargador do TRF/3 assim se manifesta: Uma vez que a presente medida cautelar perdeu o objeto conforme decisão de fls. 232 e que já houve a conversão em renda da União Federal dos depósitos efetuados nos autos, remetamse ao arquivo. Intimemse. A unidade da RFB, através do despacho de fl.566, solicita ao CARF a devolução do processo, em face da conversão em renda da União dos valores depositados nos autos da Medida Cautelar 2003.03.00.0198388, da Link S/A Corretora de Câmbio Títulos e Valores Mobiliários, destacando que a empresa autora requer a conversão para quitar débitos junto à Receita Federal especificamente do presente processo. Fl. 664DF CARF MF 6 Após a devolução do processo, a empresa intimada a apresentar a planilha referente aos citados depósitos judiciais, apresenta referida planilha, fl.570, cujos valores atualizados à época, totalizam o valor de R$ 53.235,24. Em vista dos valores apresentados, foi emitida a Informação fiscal de fl.571(542 , processo físico), nos seguintes termos: Tratase de auto de Infração de COFINS, PAs 07/2000 a 09/2003. Estes débitos foram declarados, pelo contribuinte, em DCTFs como suspensos por depósito judicial e por força de sentença proferida em Mandado de Segurança n° 2000.61.000062262, junto à 24a Vara Federal do TRF da 3a Região. A situação atual da Lide é aguardando o julgamento de Recurso Extraordinário e Recurso Especial interposto pelas partes. Regularmente cientificado do lançamento do Auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva à DRJ, pugnando pela decadência do Auto de Infração em relação aos PAs julho/2000 a setembro/2002. Em julgamento realizado em 9/06/2009, a impugnação foi declarada parcialmente procedente para declarar cancelados por decadência os lançamentos dos PAs 07/2000 a 11/2001.(grifei). O contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF pugnando pela decadência dos lançamentos referentes aos PAs 12/2001 a 09/2002.(grifei). às fls. 539/541 encontrase cópia da intimação DEINF/SPO/DICAT n° 160/2010 (processo n° 16327.000441/200913) e sua resposta, onde o contribuinte apresenta depósito judicial de parte dos débitos referentes ao Auto de Infração. Tendo em vista a tempestividade da impugnação propõese: A atualização dos valores dos débitos do auto de infração em virtude do depósito judicial apresentado pelo contribuinte ter sido convertido em renda da União, A abertura de representação para apartar os débitos que não foram alvo da impugnação e O encaminhamento da impugnação ao CARF para seu regular processamento. O despacho de fl.574, informa que ...em cumprimento à ordem informação fiscal, à folha 542, o processo de número 16327000782/201014 foi para controlar os débitos que não foram objeto de contestação administrativa. Tabela exibe os créditos tributários transferidos deste para aquele. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 16327.001753/200774 Acórdão n.º 3302006.089 S3C3T2 Fl. 5 7 Ao analisar o caso, entendeu a ilustre Relatora que: ü No presente caso, inexistindo pagamento, conforme já esclarecido pelo autuante, tratandose a exigência referente aos fatos geradores referentes aos PAs de 12/2001 a 09/2002, e tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 01/10/2017, fl.292, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, a qual, por força regimental, artigo 62, § 2°, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, aplicarseia o disposto no inciso I, do artigo 173 do Código Tributário Nacional; ü Ocorre que, como já destacado, existe um fato a ser considerado no caso ora discutido, visto que embora inexistia pagamento nos termos do artigo 156, I, do CTN, há depósitos não integrais, efetuados em 24/04/2003, portanto antes do lançamento, já convertidos em renda, conforme informação fiscal de fl.571(542 , processo físico), questão que suscita a discussão quanto aos efeitos decorrentes dos depósitos judiciais; ü É certo pela jurisprudência já pacificada pelo STJ, quando da existência de depósito integral, pela desnecessidade de lançamento, conforme REsp n°1.140.956, submetido ao procedimento de recursos repetitivos; ü Também já decidiu o STJ, no REsp n° 1.351.073 RS, que depositado integralmente o valor correspondente ao montante da dívida, com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não há que falar em decadência; Fl. 666DF CARF MF 8 No presente caso, suscita o recorrente exatamente a aplicação da regra do artigo 150, §4° do CTN, em face dos depósitos parciais já convertidos em renda. Aplicandose ao caso concreto os fundamentos já reportados, verificase que em face de depósitos judiciais, parciais, portanto não integrais, convertidos em renda, os quais extinguem o crédito tributário no receptivo montante e nesse caso equiparados ao pagamento, por se tratar de lançamento por homologação, nos termos dos precedentes judiciais já citados, aplicase a regra do artigo 150, § 4° do CTN. No entanto considerando que o depósito judicial, convertido em renda, ocorreu em 25/04/2003, em uma única guia, no valor de R$ 53.235,24, fl.560, anterior ao lançamento, cuja ciência do auto de infração, para prevenir a decadência, ocorreu em 01/10/2007, fl.292 e sendo o valor da contribuição lançada, no montante de R$ 260.917,32, correspondendo portanto o valor do depósito a 20,42 % deste valor, fazse premente a imputação dos pagamentos feitos a destempo, com vistas a efetuar a distribuição proporcional desses valores entre as parcelas do crédito tributário, quais sejam o principal e os juros de mora, para que se possa determinar o termo final da decadência, haja vista que para os períodos de apuração, que inexista pagamento ou depósito não integral convertido em renda, a regra quanto ao prazo decadencial é do artigo 173, I do CTN, conforme já decidido na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ, já ressaltado no presente voto. Nesse mister, destaquese que a Informação fiscal de fl.571(542, processo físico), abaixo transcrita, assim se manifesta: 5. Tendo em vista a tempestividade da impugnação propõese: A atualização dos valores dos débitos do auto de infração em virtude do depósito judicial apresentado pelo contribuinte ter sido convertido em renda da União,(grifei) Ocorre que além da guia no valor de R$ 53.235,24, fl.560, convertido em renda conforme informação supra, argui a recorrente sobre a existência de outras guias de depósitos, a exemplo das cópias de fls.419/425, para as quais não há informação sobre a conversão em renda. Com efeito, tendo em vista o depósito efetuado em uma única guia, no valor de R$ 53.235,24, fl.560 e considerando a informação do item 5 acima destacada, com relação a atualização dos valores dos débitos, bem como a existência no processo das demais guias de depósito, de fls.419/425, conforme destaca a recorrente, votouse por converter o julgamento em diligência, através da Resolução n° 3302000.725, de 17 de abril de 2018, para que a unidade: 1. informe se há a conversão em renda dos demais valores depositados, conforme guias de fls.419/425; 2. anexe aos autos a imputação de todos os valores depositados, para fins de aferição do prazo decadencial, de acordo com os fundamentos acima colacionados. A diligência foi atendida pela autoridade preparadora, através de informação colacionada de folhas 614 a 617. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 16327.001753/200774 Acórdão n.º 3302006.089 S3C3T2 Fl. 6 9 Regularmente intimada, a empresa LINK S/A CORRETORA DE CAMBIO, TITULOS E VALORES MOBILIARIOS se manifestou às folhas 628 e 629. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte em 24 de setembro de 2009, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24 de agosto de 2009, por via eletrônica, às folhas 351 do processo digital. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. Foram questionados os seguintes pontos: ü Decadência; ü Não incidência dos juros de mora. Passase à análise. Inicialmente, é de se esclarecer que os lançamentos com fato gerador a partir de 01 de outubro de 2002 foram segregados para o processo 16327.000782/2701014. Da decadência. Tema preponderante a ser abordado para o deslinde da presente questão, é o instituto da decadência. Para tanto, acolhese o teor da decisão do RECURSO ESPECIAL N° 973.733, representativo de controvérsia, com fulcro no ARTIGO 543C, DO Contribuições referentes ao PIS e da COFINS incidentes na importação, que trata sobre a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. RECURSO ESPECIAL N° 973.733 SC (2007/01769940) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 668DF CARF MF 10 PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qümqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento podería ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Coâex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro. "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16327.001753/200774 Acórdão n.º 3302006.089 S3C3T2 Fl. 7 11 Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Foi informado pela autoridade preparadora às folhas 616 à 618 do processo digital: O contribuinte detalhou a composição do depósito de R$ 53.235,24 da seguinte forma (fl. 561): A tabela acima demonstra que houve depósito judicial parcial para o período de julho de 2000 a novembro de 2001, já considerados decadentes pela DRJ. Também houve depósito parcial para o período de dezembro de 2001 a setembro de 2002, discutidos neste processo administrativo. Tais depósitos, efetuados na conta judicial 1181/635/00001302, foram convertidos em renda da União em 28/08/2008 (fls. 601 a 602). Na mesma data também foram convertidos em renda da União os seguintes depósitos judiciais, alocados ao Processo Administrativo 16327000.782/201014: R$ 983,31; R$ 1.055,23; R$ 825,01; R$ 737,99; R$ 950,68 (fls. 597 a 600). Outros dois Darfs informados no processo R$ 1.988,37 e R$ 4.732,34 também foram transformados em renda da união, conforme extratos de fls. 603 a 604. Esses pagamentos, entretanto, não fazem parte deste processo administrativo. Fl. 670DF CARF MF 12 Foi apresentado extrato do Sicalc, correspondente à imputação proporcional dos valores convertidos em renda da União, referente aos lançamentos controlados neste processo administrativo, às fls. 605 a 613, cuja apuração é: folhas 612: folhas 613: Neste sentido, uma vez que existiu recolhimento de valores, deve ser aplicada a regra do artigo 150 § 4o do Código Tributário Nacional. No presente caso, contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no citado parágrafo 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional, os valores relativos à COFINS, cujos fatos geradores ocorreram nos meses de dezembro de 2001 a setembro de 2002, foram homologados em dezembro de 2006 e setembro de 2007, respectivamente. Assim, o lançamento cientificado ao contribuinte em 01 de outubro de 2007 (folhas 279) é PARCIALMENTE EXTEMPORÂNEO, não podendo prevalecer. Portanto, não estão eivados pela decadência, os lançamentos com fato gerador a partir de 01 de outubro de 2002. Esclarecese, mais uma vez, que os lançamentos com fato gerador a partir de 01 de outubro de 2002 foram segregados para o processo 16327.000782/201014. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16327.001753/200774 Acórdão n.º 3302006.089 S3C3T2 Fl. 8 13 Assim, os créditos tributários em discussão no presente processo estão eivados pela decadência. O tópico “ Não incidência dos juros de mora ” resta prejudicado. Com estas considerações, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 672DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.001946/00-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.001946/0014 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.412 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SELIC. Recorrente GRANJA REZENDE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 19 46 /0 0- 14 Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 3 2 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 20180.928. Na parte de interesse ao presente julgamento o colegiado a quo não reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas, nem o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento. O recurso especial foi admitido, consoante despacho do presidente da Câmara competente, com relação às seguintes insurgências da Contribuinte: a interpretação de que as aquisições de insumos de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96; e a interpretação de que não incide correção monetária ou juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. A Fazenda Nacional, devidamente intimada, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Contribuinte. É o Relatório. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.411, de 19/09/2018, proferido no julgamento do processo 13886.001231/200234, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.411): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Contribuinte cingese às seguintes matérias: (i) requer a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) postula a aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento. 1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI A possibilidade de inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS, como pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido de IPI, foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 6 5 sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 7 6 Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. 2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 8 7 O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado. No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi indeferido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP (fls. 87 a 88), direito de crédito indeferido também nas demais decisões da DRJ (fls. 108 a 117) e do CARF, consoante acórdão de recurso voluntário (fls. 138 a 150). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido, no caso tão somente quanto às aquisições de pessoas físicas, deferida no presente recurso especial. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas." (...)1 "Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. O Recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem como o termo inicial de incidência. Com efeito, na forma reiterada da jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do termo inicial para a incidência da taxa Selic, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto encontrase no acórdão do processo paradigma (9303007.411). Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 9 8 a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 10 9 ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 11 10 configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado pela lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito2, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)3 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. 2 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 3 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10675.001946/0014 Acórdão n.º 9303007.412 CSRFT3 Fl. 13 12 Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 602DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903171/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 71 /2 00 9- 17 Fl. 58DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903171/200917 Acórdão n.º 1402003.370 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 60DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903171/200917 Acórdão n.º 1402003.370 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 62DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903171/200917 Acórdão n.º 1402003.370 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 64DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913819/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 9/ 20 12 -2 2 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913819/201222 Resolução nº 1302000.683 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913819/201222 Resolução nº 1302000.683 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.676): "Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. [...] revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913819/201222 Resolução nº 1302000.683 S1C3T2 Fl. 5 4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do ano calendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901630/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/11/2001
PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO.
Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido
PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO.
No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
Numero da decisão: 3301-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocouse e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 30 /2 00 6- 54 Fl. 808DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 14779.03184.220503.1.3.042903 (fls. 6469) transmitido em 22/05/2003 informando um crédito de R$ 263,03 (duzentos e sessenta e três e três centavos) por um suposto recolhimento à maior de IOF impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguros, realizado em 16/01/2002 (período de apuração 09/01/2002). Para compensar com este montante, foi declarado um débito de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) supostamente devido para o período de apuração referente à segunda semana de fevereiro de 2003, com vencimento em 12/02/2003 Em 14/02/2008, a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado (fls. 60), sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 263,03 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Com a não homologação do pedido de compensação, o valor de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) declarado como débito restou constituído, mas sem pagamento. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 4953) para instaurar o contencioso administrativo, pleiteando a nulidade do "auto de infração" por cerceamento de defesa e, no mérito, juntou demonstrativos e argumentos para desconstituir a declaração do débito, pois houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP. Em 17/05/2010 a d. 3ª Turma da DRJ de Campinas proferiu o r. acórdão nº 0528.792 para negar o direito creditório pleiteado e manter a cobrança do débito declarado em PER/DCOMP, restando assim ementado (fls. 7783): Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2003 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.901630/200654 Acórdão n.º 3301005.174 S3C3T1 Fl. 809 3 Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face desta decisão, a DRJ enviou carta de cobrança com a Guia DARF para pagamento do débito informado (fls. 8586). Inconformada, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, que ora se julga, (fls. 8893), argumentando, em síntese: a não homologação da compensação pleiteada ocorreu por conta de equívocos cometidos pela Recorrente; a Recorrente possui um sistema de dados que captura os débitos de tributos de terceiros a serem recolhidos pelo Recorrente na qualidade de responsável tributário para recolhimento do IOF; Para o período de apuração da 2ª semana de fevereiro/2003, com vencimento de 12/02/2003, o sistema apurou um total de débito de R$ 257.109,48. Ainda, no final do mesmo dia, o sistema acusou um valor de complementar de R$ 601,17, totalizando o valor de R$ 257.710,65 devido de IOF para o período. Estes valores foram declarados em DCTF e recolhidos por guia DARF (fls. 74 e 98 respectivamente); Após alguns meses, o sistema indicou que o montante devido de IOF para o período da 2ª semana de fevereiro/2003 seria de R$ 271.040,71, o que resultou em um saldo a pagar de R$ 13.330,06; Fl. 810DF CARF MF 4 Para pagar esta diferença, a Recorrente realizou 35 PER/DCOMPs, informando créditos de IOF decorrentes de pagamentos a maior de 35 períodos diferentes, porém, ao invés de informar o débito equivalente ao crédito para compor a soma de R$ 13.330,06, realizou a declaração total do débito no montante de R$ 271.040,71, para o mesmo período de fevereiro/2003 em cada uma das 35 PER/DCOMPs; Em relação à PER/DCOMP específica destes autos, à Recorrente informou um valor original de crédito de R$ 263,03 por um pagamento a maior realizado em dezembro/2001, informando ainda o débito de R$ 271.040,71. Este valor do débito, como dito , foi erroneamente informado em cada uma das 35 PER/DCOMP, constituindo um crédito tributário, referente ao principal, de R$ 7.047.058,46 (sete milhões e quarenta e sete mil e cinqüenta e oito reais e quarenta e seis centavos) para a 2ª semana de fevereiro/2003; Quanto aos créditos, argumentou sobre sua existência e a necessidade de reconhecimento independentemente de retificação na DCTF, em nome da verdade material, porém, não indicou a origem do pagamento a maior, muito menos demonstrou documentalmente; Diante destes argumentos e das provas juntadas aos autos, em 14 de fevereiro de 2012 esta colenda 1ª turma ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, proferiu a resolução nº 3301000.145 (fls. 105109) para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa analisasse os documentos e argumentos da Recorrente e respondesse os seguintes pontos: (...) sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. O processo então foi baixado para DEINF/SPO para análise e elaboração de relatório de diligência. Para tanto, intimou a Recorrente (intimação 273/2013 fls. 111112) para apresentar registros contábeis para demonstrar o lançamento da despesa (desembolso) de IOF período de apuração 02/2003, a fim de que seja comprovado a existência do efetivo erro de declaração do débio na DCTF; Em relação aos créditos, pediu demonstrativo, acompanhado de notas explicativas, para demonstrar a existência do pagamento indevido ou maior que o Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.901630/200654 Acórdão n.º 3301005.174 S3C3T1 Fl. 810 5 devido quando dos pagamentos realizados por meio de DARF e apresentar os documentos fiscais e contábeis (lançamentos contábeis, retificação da dívida na DCTF, relatórios internos, etc) que comprovem a ocorrência do indébito; Relatório contendo o número das DCOMP e/ou processos administrativos utilizadas para extinguir a dívida R$ 13.931,23. relacionando a situação atual do débito (homologação/não homologação). Salientese que este processo administrativo foi considerado principal, tendo sido apensado a ele os processos nºs processos administrativos fiscais nº 16327.901612/2006 72, 16327.901635/200687, e 16327.901628/200685, conforme termos de apensação de fls. 785787. Assim, constatase que os supostos equívocos na PER/DCOMP, não homologação da compensação, defesa e recurso voluntário, bem como as decisões da DRJ, Resolução de diligência, documentos e relatório da diligência são idênticos nestes 04 processos administrativos, devendo, portanto, ter o mesmo julgamento. Em atendimento à intimação 273/2013, a Recorrente apresentou petição de fls. 222227 explicando seu equívoco na declaração do débito complementar, bem como buscou demonstrar a liquidez de seus créditos. Juntou documentos como DCTF e planilhas e lançamentos contábeis de contas do passivo (fls. 240324), no entanto, sem inovações em relação ao já apresentado no Recurso Voluntário. Nas conclusões da diligência fiscal, a autoridade de origem emitiu relatório (fls. 779783) confirmando as alegações e documentos da Recorrente no sentido de que houve um equívoco na informação do montante do débito, devendo ser retificado para o valor correto apurado pela diligência conforme demonstrativos da Recorrente e informações fiscais da RFB. A autoridade confirmou que este erro se repetiu em todas as 35 PER/DCOMPs envolvidas, merecendo a retificação de ofício para constar o valor correto do débito, no total de R$ 13.931,23 para as 35 DCOMPs, embora reconhecendo que em 09 delas já teria operado a homologação tácita. Quanto aos créditos, afirmou a inaptidão dos lançamentos contábeis juntados para demonstrar a liquidez de seus créditos, pelo fato de que os lançamentos representam contas do passivo (conta credora), sem a indicação da efetiva despesa e nem a ligação com DCTF e DARF. c) Verificouse que das 35 Declarações de Compensação transmitidas pelo contribuinte, 13 foram objeto de diligência fiscal cumprida por esta Delegacia Especial da Receita Federal (DEINF), cujo resultado foi pelo reconhecimento do erro no preenchimento das DCOMP transmitidas pelo contribuinte, porém sem a homologação da extinção do crédito. Nove delas, foram homologadas pelo sistema. E o restante, faz parte desta diligência fiscal. d) Restou comprovado pela documentação trazida aos autos, em resposta a intimação, de que, realmente, o contribuinte incorreu em erro ao informar nas DCOMP o valor de R$ 271.109,48 (sic) como valor principal do débito a extinguir. Assim, com base no princípio da verdade material, que norteia o direito administrativo fiscal , devese retificar de ofício a informação constante das 35 Declarações de Compensação apresentadas, conforme documento em anexo. Fl. 812DF CARF MF 6 e) Com relação ao suposto crédito de IOF, decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido, utilizados nas DCOMP visando a extinção da dívida no valor total de R$ 13.931,23, informase que foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte (Doc. 4 – relação demonstrando a baixa do passivo, conta 4801.354 – TR/IOF S/OPER. TVM, pelos recolhimentos dos DARF com retenção indevida), cuja conclusão foi a de que os mesmos em nada comprovam que houve a retenção indevida de IOF, pois os registros contábeis referemse a lançamento de conta de natureza credora que se presta a registrar a assunção ou extinção de dívidas. O que, de fato, comprovaria que houve o pagamento feito indevidamente, seria: o lançamento contábil do registro da dívida, do estorno do valor pago indevidamente, do crédito fiscal (razão contábil da conta IOF a recuperar), o registro na DCTF do valor real da dívida, bem como, a apresentação de termo circunstanciado das razões que levaram ao pagamento da obrigação a maior que o devido. A exigência da comprovação por meio de todos esses documentos é necessária pois se trata de obrigação tributária em que o contribuinte é tãosomente o responsável pelo recolhimento do tributo, e segundo o que preconiza o art. 166 do Código Tributário Nacional para ter direito à repetição do pagamento que alega indevido, precisa comprovar que assumiu o ônus da dívida. (...) 10. Desta forma, respondese aos questionamentos elaborados pelo Sr. Conselheiro da seguinte forma: a) O contribuinte incorreu em erro ao indicar o valor de R$ 271.040,71 em 35 Declarações de Compensação, a título de dívida de IOF, código 6854, período de apuração 2° semana de fevereiro de 2003, pois esse valor referese ao valor total da dívida apurada. O valor correto a ser compensado seria o de R$ 13.931,23. b) Não restou comprovado por meio de documentos contábeis e fiscais a existência de crédito líquido e certo, oriundo de pagamento indevido de IOF que possa ser utilizado na extinção da dívida da mesma natureza, declarada em DCOMP. (grifo não consta do original) Percebese que nesta diligência a autoridade fiscal apontou o valor total do débito decorrente das 35 DCOMPs, porém, ao contrário do que realizado nas outras diligências, não apontou o valor do débito específico para esta DCOMP nº 14779.03184.220503.1.3.042903. Apesar disso, consta de fls. 295 e seguintes, na resposta à intimação para atender a diligência fiscal, demonstrativos e documentos que informam o montante de R$ 313,26 para esta DCOMP específica. Estes documentos foram analisados em diligência e a autoridade fiscal emitiu parecer confirmando a veracidade dos valores. Intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência (Termo de Ciência nº 44 em 12/01/2015, fls. 784 Ciência em 13/01/2015, fls. 789), a Recorrente nada fez, apresentando apenas procuração de advogado. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.901630/200654 Acórdão n.º 3301005.174 S3C3T1 Fl. 811 7 É a síntese do necessário Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Da síntese acima, constatase que o problema envolvido neste processo deixou de ser o direito ao crédito alegado pela Recorrente informado na PER/DCOMP em questão, passando a ser mais relevante a discussão do equívoco na declaração do débito a compensar. Em fevereiro de 2003, o sistema informatizado de apuração tributária da Recorrente apurou como valor devido a titulo de IOF na segunda semana de fevereiro do ano calendário de 2003, como responsável tributário, o montante de R$ 257.109,48 (duzentos e cinqüenta e sete mil e cento e nove reais e quarenta e oito centavos), mais um complemento de R$ 601,17 (seiscentos e um reais e dezessete centavos), resultando no montante de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos). Este montante somado de débito foi informado em DCTF e foram pagos via Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) no código "6854", uma guia para cada valor, na data de vencimento da obrigação (dia 12 de fevereiro de 2003) e o valor total (R$ 257.710,65), conforme demonstrado em fls. 98. No entanto, em decorrência de um reprocessamento da base de cálculo do imposto, apurouse um valor adicional para a mesma competênciada segunda semana de fevereiro de 2003. O montante total do período em referência era de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos). Considerando o valor de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos) já declarado e pago, restou em aberto uma diferença no montante de R$ 13.330,06 (treze mil trezentos e trinta reais e seis centavos). Para declarar e recolher esta diferença, a Recorrente verificou que possuía créditos de IOF por recolhimentos a maior em outros períodos de apuração, então optou por realizar a quitação do correspondente valor da diferença via compensação, realizando de 35 (trinta e cinco) PER/DCOMP, cada uma com um montante de crédito próprio decorrente de um específico período de apuração, porém, ao informar o débito, informou em cada uma destas PER/DCOMPs o montante total do período de apuração da segunda semana de fevereiro/2003, qual seja, R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos), o que engloba inclusive os montantes que já haviam sido recolhidos. Estes supostos créditos teriam origem, como dito, em diferentes períodos de apuração. No caso desta PER/DCOMP específica, este suposto recolhimento a maior teria sido realizado em 16/01/2002 para a competência 09/01/2002, no montante de R$ 263,03 (duzentos e sessenta e três e três centavos), porém, não foi realizada a retificação da DCTF relativa à competência deste crédito, assim, o crédito foi negado. Fl. 814DF CARF MF 8 Consta dos autos que esse mesmo equívoco foi repetido em todas a 35 (trinta e cinco) declarações de compensação. Deste universo de declarações, 26 (vinte e seis) resultaram não homologadas, gerando igual número de processos de cobrança com o objetivo de exigir o pagamento dos débitos tributários informados em cada PER/DCOMP pela Recorrente. As outras 09 (nove) declarações de compensação foram homologadas tacitamente pelo decurso do tempo. Percebendo o equívoco após a não homologação da compensação, a Recorrente buscou evidenciar o equívoco na declaração do débito informado na DCOMP, pleiteando a retificação de ofício, porém, esquecendose de comprovar seu crédito. Quanto ao débito: por todos os documentos que constam dos autos, inclusive confirmado na resposta da diligência pela autoridade administrativa, o montante do débito está equivocado, pois foi informado o montante total do período de apuração, merecendo a retificação do quantum devido de ofício. O valor correto, conforme relatório da diligência, para esta PER/DCOMP específica, confirmando os documentos juntados aos autos, é o de R$ 313,26 (sem juros e multa), devendo ser, por isso, corrigido. Quanto ao crédito: consta dos autos lançamentos contábeis de contas do passivo com referências ao IOF (fls. 240324). No entanto, como bem salientado no relatório da diligência, tais documentos não se prestam a apurar e demonstrar a liquidez e certeza do crédito alegado, a uma porque são contas do passivo, a duas porque muitos lançamentos estão ilegíveis, a três porque não foi indicada a correspondência dos valores contábeis com declarações DCTF e recolhimentos em guias DARF, muito menos uma ligação entre estes dados, tampouco a demonstração da razão do pagamento indevido. A razão da não homologação do crédito foi a não retificação da DCTF do período de origem, de modo a informar à Receita Federal do Brasil a existência de um saldo credor a compensar. No entanto, a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), ao afirmar que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.901630/200654 Acórdão n.º 3301005.174 S3C3T1 Fl. 812 9 Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Entretanto, cabe à Recorrente a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a existência e liquidez de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Fl. 816DF CARF MF 10 (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para lhe dar parcial provimento, negando o direito de crédito pleiteado, mas reduzindo o montante de débito devido à Fazenda Nacional à título de IOF nos termos da diligência de fls. 779783. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 817DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.001075/2001-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
Numero da decisão: 2402-006.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima (relator) e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima (relator) e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 10 75 /2 00 1- 69 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 174 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 164/170) em face do Acórdão n. 17 41.919 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP) DRJ/SPO2 (efls. 151/160), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 122/126 e efls. 135/136 e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 23/04/2001 (efl. 120) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnoCalendário: 1995 no montante de R$ 97.938,68 sendo R$ 34.861,07 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 36.931,81 de juros de mora calculados até 30/03/2001 e R$ 26.145,80 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 05/09) com fulcro em acréscimo patrimonial a descoberto, conforme o discriminado no Termo de Conclusão Fiscal (efls. 10/14). Em face do lançamento em apreço (efls. 05/09), o sujeito passivo apresentou, em 22/05/2001, a impugnação de efls. 122/126 julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão n. 1741.919 (efls. 151/160), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex offícío, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte e sujeitos à tributação definitiva, está sujeito a lançamento de ofício por caracterizar omissão de rendimentos. Retificase a planilha de evolução patrimonial para excluir dentre as aplicações a aquisição de imóvel comprovadamente efetuada em ano anterior. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência considerado prescindível pela autoridade julgadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado do teor do Acórdão n. 1741.919 (efls. 151/160) em 07/07/2010 (efls. 161/163), o impugnante, agora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 164/170) na data de 04/08/2010, esgrimindo, em linhas gerais, preliminar de decadência, e, no mérito, a não inclusão de recursos no demonstrativo de variação patrimonial relativos aos mês de maio e de junho de 1995 não considerados pela autoridade lançadora. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 175 3 Voto Vencido Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 164/170) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide, delimitado na peça recursal (efls. 164/170), concentrase, preliminarmente, na decadência do lançamento em apreço, e, na não inclusão, pela autoridade lançadora, de recursos no demonstrativo de variação patrimonial relativos aos mês de maio e de junho de 1995. Da preliminar O Recorrente inaugura a peça recursal de efls. 164/170 protestando pelo advento da decadência do lançamento em apreço com fundamento no art. 150, § 4°., do CTN: [...] Todavia, não assiste razão ao Recorrente. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 176 4 É cediço que o fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Na espécie, visando à apuração do imposto devido no Exercício 1996 AC 1995 a autoridade lançadora intimou o Recorrente, mediante a Intimação SAFIS/GII/156/2001 (efls. 17/19), a apresentar o comprovante de retenção de imposto de renda no AC 1995, oportunidade em que foi informado IRRF no valor total de R$ 6.612,54 referentes às fontes pagadoras Spel Serviços de Pavimentação e Engenharia Ltda. CNPJ 50.426.388/000175 (R$ 4.693,35) e ArtSpel Ind. e Com. Ltda. CNPJ 57.762.882/0001 40 (R$ 1.919,19) conforme quadro de efl. 36 (que, frisese, sequer caracteriza DIRF) assinado pelo próprio Recorrente, desacompanhado, todavia, de qualquer comprovante de recolhimento do IRRF declarado. Ocorre que o Recorrente é sóciogerente das fontes pagadoras Spel Serviços de Pavimentação e Engenharia Ltda. CNPJ 50.426.388/000175 (efls. 62/72); ArtSpel Ind. e Com. Ltda. CNPJ 57.762.882/000140 (efls. 94/103) e Pedreira Spel Ltda. CNPJ 47.403.241/000145 (efls. 83/93) informadas na DIRPF/1996 (efls. 115/118), sendo, nessa condição, solidariamente responsável com as respectivas pessoas jurídicas pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre a renda descontado na fonte, nos termos do art. 8°. do DecretoLei n. 1.736/1979. Assim, a mera informação de retenção prestada pelo próprio Recorrente (efl. 36), sem que reste comprovado nos autos, de forma inequívoca, o recolhimento da retenção do IRRF, não caracteriza antecipação de pagamento a atrair a incidência da regra especial de decadência prevista no art. 150, § 4°., do CTN c/c Enunciado de Súmula CARF n. 123. É relevante destacar que o fato de a autoridade lançadora ter solicitado a apresentação de comprovantes de retenção do imposto de renda (IRRF), sinaliza, de forma inconteste, que tais recolhimentos não constam dos sistemas da RFB, vez que, se constassem, não haveria sentido em solicitar comprovantes ao Recorrente. De se observar que o valor de R$ 9.284,05 considerado pela autoridade lançadora como imposto pago não tem qualquer relação com o IRRF consignado na DIRPF/1996 (efls. 115/118), da mesma forma que não se caracteriza IRPF pago a título de, v.g, carnêleão, imposto complementar ou imposto pago no exterior. Não resta esclarecida nos autos a natureza do imposto pago no valor de R$ 9.284,05 considerado pela autoridade lançadora. Ao fim e ao cabo, concluise que não há recolhimento antecipado de IRRF AC 1995, seja no valor de R$ 9.284,05 (considerado pela autoridade lançadora como imposto pago), seja no valor de R$ 6.612,54 (declarado na DIRPF/1996 efls. 115/118), nem muito menos recolhimento antecipado de IRPF a título de, v.g, carnêleão, imposto complementar ou imposto pago no exterior, a atrair a incidência da regra especial de decadência prevista no art. 150, § 4°., do CTN, bem assim do Enunciado de Súmula CARF n. 123, sendo relevante destacar que este último normativo restringese expressamente a recolhimento antecipado de IRRF, e apenas deste. Por oportuno, transcrevo o referido enunciado: Enunciado de Súmula CARF n. 123 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 177 5 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (grifei) Nesse contexto, é óbvio que a afirmação da autoridade lançadora no Termo de Conclusão Fiscal (efls. 10/14) "com base nos documentos apresentados e demais dados disponíveis nesta Receita Federal" não compreende recolhimentos de IRRF no AC 1995, nem de pagamento antecipado de IRPF, pela simples razão de que tais pagamentos não existem. Nessa perspectiva, considerandose que o lançamento em apreço aperfeiçoou se em 23/04/2001 e os fatos geradores reportamse ao AC 1995, incide, no caso concreto, a regra geral do art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem do quinquênio decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso concreto, 1°. de janeiro de 1997, exaurindose, destarte, o direito da Fazenda Nacional proceder ao lançamento de IRPF referente ao exatamente em 31 de dezembro de 2001, do que se conclui que não há que se falar de decadência. Rejeito a preliminar. Do mérito No mérito, reclama o Recorrente a não inclusão, pela autoridade lançadora, de recursos no demonstrativo de variação patrimonial relativos aos mês de maio e de junho de 1995, verbis: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 178 6 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 179 7 De outra banda, a autoridade lançadora elaborou o demonstrativo de variação patrimonial a descoberto, abaixo reproduzido: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 180 8 Em relação à matéria, a decisão recorrida assim concluiu, in verbis: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 181 9 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 182 10 Nessa perspectiva, a instância de piso reduziu o lançamento em litígio de R$ 34.861,07 de imposto (Cód. Receita 2904) para R$ 20.861,08. Muito bem. Primeiramente, destaco que nenhum reparo há a se fazer à decisão da instância de piso quanto à exclusão da despesa no mês de fevereiro/1995 no valor de R$ 40.000,00, vez que a Certidão de Registro de Imóveis (efls. 145/147) elucida a efetiva data de aquisição do imóvel em apreço. Por sua vez, quanto às receitas oriundas da venda de dólares, verificase que o Recorrente recebeu, no mês de maio/1995, R$ 60.000,00 da Invest. Sul Dist. Títulos Valores Mobiliários Ltda. distribuídos em 10 cheques de R$ 6.000,00 cada, conforme efls. 21/24. Outrossim, no mês de junho/1995, o Recorrente recebeu R$ 145.044,61 da Invest. Sul Dist. Títulos Valores Mobiliários Ltda. distribuídos em 22 cheques nos valores de R$ 6.500,00 (1 cheque); R$ 7.800,00 (11 cheques); R$ 5.000,00 (9 cheques) e R$ 7.744,61 (1 cheque), conforme efls. 25/32. Nessa perspectiva, não prospera a irresignação do Recorrente quanto à equívoco na planilha de variação patrimonial nos meses de maio e junho/1995, ressaltandose, todavia, que na apuração da variação patrimonial a descoberto no mês de junho/1995 efetuada pela instância de piso, conforme acima reproduzido, deve ser corrigido o valor de dispêndios/aplicações de R$ 145.076,45 para R$ 145.044,61 (efetivamente recebidos, conforme cheques de efls. 21/32), decorrendo, assim, alteração do valor da variação patrimonial a descoberto de R$ 80.276,45 para R$ 80.244,61. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 183 11 Considerandose essa configuração, o imposto devido apurado pela instância de piso (R$ 20.861,08) deve ser reduzido para R$ 20.849,95. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 164/170), para REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido de reduzir o imposto (Código de Receita 2904) apurado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (efls. 05/09) para R$ 20.849,95. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Redator Designado Com o devido respeito, divirjo do ilustríssimo relator no tocante à decadência, o que implica a extinção de todo o crédito tributário. Em primeiro lugar, não há nenhuma notícia nos autos de que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, e a DRJ aplicou a regra do art. 173, inc. I, do CTN, apenas pelo singelo argumento de que "a decadência do lançamento de ofício é regulada exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional" (v. fl. 154 do PDF). Em segundo lugar, a existência de recolhimentos antecipados pode ser verificada na declaração de ajuste anual do anocalendário 1995 (fls. 109 e seguintes) e a própria autoridade lançadora deduziu a quantia de R$ 9.284,05 de imposto pago, dos quais R$ 6.612,54 correspondem ao imposto retido na fonte (v. fl. 115, quadro "IMPOSTO PAGO") e R$ 2.671,50 correspondem ao saldo de imposto a pagar (v. fl. 115, quadro "SALDO DE IMPOSTO A PAGAR"). Quer dizer, além de haver informação de retenção na fonte na declaração de ajuste anual (ou seja, de pagamento antecipado), a própria autoridade administrativa, que tem competência privativa para efetuar o lançamento, verificou e atestou a existência de imposto antecipadamente pago, deduzindoo do lançamento suplementar. Vejase a seguinte imagem extraída do demonstrativo de apuração de fl. 8, da qual se destaca a dedução de R$ 9.284,05 de imposto pago (imposto retido/imposto antecipadamente pago + saldo de imposto a pagar), denominado na respectiva coluna de "() Imposto Pago": Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 184 12 Cabe citar a Súmula CARF 123, segundo a qual o "imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional". Mas não é só. A autoridade administrativa, ao calcular o acréscimo patrimonial a descoberto, considerou como despesa/aplicação de recursos o IRRF. Vejase: Vejase, ainda, a planilha constante da folha 13, feita pelo próprio agente autuante: Logo, tendo inexistido dolo, fraude ou simulação, e tendo havido recolhimentos antecipados nesse anocalendário, concluise pela aplicação do disposto no art. 150, § 4º, do CTN. O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 185 13 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10840.001075/200169 Acórdão n.º 2402006.719 S2C4T2 Fl. 186 14 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Nesses termos, como o fato gerador em referência ocorreu no dia 31/12/1995 como admitido, aliás, pelo próprio conselheiro relator , quando o lançamento foi comunicado ao sujeito passivo, em 23/04/2001, realmente já havia transcorrido o prazo decadencial, devendo ser acolhida a preliminar. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 186DF CARF MF
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