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Numero do processo: 13971.001164/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA
O ônus da prova é de quem alega deter o direito. Se o contribuinte não comprova ter efetivamente realizado as aquisições e consumo no processo industrial dos insumos e serviços de industrialização por enconmenda, por meio da conciliação das notas fiscais com os comprovantes de pagamento ou os registros contábeis ou os lançamentos no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou controle equivalente), não devem ser acatados os créditos.
Numero da decisão: 3301-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA O ônus da prova é de quem alega deter o direito. Se o contribuinte não comprova ter efetivamente realizado as aquisições e consumo no processo industrial dos insumos e serviços de industrialização por enconmenda, por meio da conciliação das notas fiscais com os comprovantes de pagamento ou os registros contábeis ou os lançamentos no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou controle equivalente), não devem ser acatados os créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 11 64 /2 00 5- 31 Fl. 916DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 917 2 Relatório Adoto o relatório da Resolução n° 3301000.285, de 22/02/17: "Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Ribeirão Preto/SP (fls.782/784): 'Através do programa PER/DCOMP, a contribuinte enviou, pela internet, pedido de ressarcimento de créditos de IPI apurados no 3º trimestre de 2004 (fls. 7 e 8) no valor de R$ 225.644,95, informando como origem dos créditos o valor de R$ 369.031,23 de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 10.276/2001, e R$ 1.578,86 de crédito básico. A autoridade da Delegacia da Receita Federal em Blumenau prolatou o Despacho Decisório de fls. 518/532, no qual defere parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 208.099,05, e autoriza o ressarcimento até este limite. Foram reconhecidos os valores de R$ 1.578,86 de crédito básico, e R$ 207.227,68 de crédito presumido, com desconto de R$ 634,63 de débitos no período, e R$ 72,86 de excesso de débitos de outubro que resultou na utilização de créditos apurados no trimestre em análise. Foram realizadas as seguintes retificações nos cálculos: 1. A análise do direito creditório pleiteado atendeu a ordem judicial exarada nos autos de mandado de segurança nº 2005.72.05.0019680, da Vara Federal Criminal de Blumenau, conforme cópia acostada às fls. 29/34, a qual, em face de interposição de embargos de declaração por parte da Fazenda Pública, teve alterado o seu dispositivo mandamental, conforme sentença proferida em 07/07/2005; 2. No cálculo do crédito presumido, retificação do valor da receita de exportação do mês de julho para R$ 2.307.490,04, considerandose as devoluções ocorridas, de acordo com o Livro Registro de Saídas; 3. No cálculo do crédito presumido, exclusão dos insumos adquiridos da empresa ACQUAPLANT QUÍMICA DO BRASIL LTDA, visto que tais insumos não podem ser considerados matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem para fins de créditos de IPI, à luz do que dispôs o Parecer Normativo nº 65/79; 4. Exclusão das compras dos insumos adquiridos das empresas V.D. MADEIRAS LTDA, MADEIREIRA SANTO EXPEDITO LTDA E MADEIREIRA PÉROÇA LTDA ME, tendo em vista que tais empresas declararamse inativas no período de emissão dos documentos fiscais; 5. Exclusão de valores correspondentes a aquisições de insumos, bem como de operações de prestações de serviços de industrialização por encomenda, cujos pagamentos não foram comprovados pela contribuinte; Cientificada em 14/10/2005, a postulante apresentou, em 14/11/2005, manifestação de inconformidade de fls. 536/549, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Esclarece, inicialmente, o mandado de segurança, autuado sob nº 2005.72.05.0019680, no qual requeria a fixação do prazo de 30 dias para que a autoridade tributária analisasse o pedido de ressarcimento em questão. O Juiz Federal competente concedeu o prazo de 30 dias para que a Administração Fl. 917DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 918 3 Tributária solicitasse todos os documentos necessários à instrução, 90 dias para instrução e 30 dias para julgamento. No presente caso, a contribuinte entregou os documentos em 13/07/2005, logo, teria a autoridade fiscal até 11/11/2005 para realizar o julgamento e intimar a requerente do resultado. Em 14/10/2005, a manifestante foi intimada da decisão, portanto, embora a autoridade fiscal tenha indicado que o prazo era exíguo, teria mais 28 dias para realizar a devida análise do pleito, não podendo recorrer à expressão interesse público para negar o crédito presumido de IPI; 2. Defende que a exclusão das aquisições de insumos das empresas que se declararam inativas não tem condições de prosperar, visto que cabe à autoridade tributária fazer prova de que as referidas empresas realmente não existiram ou não operaram no ano mencionado. Na continuação, diz que à época da emissão das notas fiscais glosadas a situação das empresas era regular perante a Receita Federal. 3. Rebelase contra a exclusão das aquisições de insumos cujos pagamentos não foram comprovados, uma vez que não foi lançada dúvida sobre a idoneidade e licitude dos documentos; 4. Sustenta que a imposição fiscal carece de fundamento legal, na medida em que não cabe ao Fisco intervir na relação privada entre a requerente e o fornecedor. desconto Em segundo lugar, a interessada alega que os valores foram pagos com “cheque prédatados” e mediante lançamentos contábeis em sua conta “Caixa”. Finaliza este tópico argumentando que se a requerente não tivesse providenciado os pagamentos mencionados, os credores já teriam providenciado o protesto dos títulos ou as devidas cobranças judiciais; 5. Alega erro na planilha de cálculo elaborada pela fiscalização (fls. 514/517), pois foram excluídos valores dos campos “compras com direito a crédito” e “compras totais” sem qualquer respaldo ou fundamentação no despacho decisório. Por fim, requereu a reforma da Decisão, nos termos do recálculo realizado na manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do crédito presumido de R$ 367.559,62, e o crédito básico de R$ 871,37. Em 06/06/2007, mediante a Resolução nº 849 da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 766/768), o processo foi encaminhado para diligência fiscal, com o objetivo de se verificar o procedimento adotado na planilha de fls. 514/517, para os valores consignados nos campos “compras com direito ao crédito” (campos 11, 12 e 13), e “compras totais” (campos 14, 15 e 16). A delegacia de origem elaborou a informação fiscal de fls. 774/775, em que reconhece o equívoco, juntando nova planilha de cálculo (fls. 770/773) retificando os valores relativos aos campos “compras com direito ao crédito” e “compras totais”, resultando em crédito presumido final de R$ 210.349,22, valor este ligeiramente superior ao anteriormente deferido de R$ 207.227,68. Em conseqüência, considerandose o valor básico reconhecido e o desconto de débitos, o direito creditório a ser reconhecido no trimestre passa de R$ 208.099,05 para R$ 211.220,59. Regularmente cientificada, a postulante se manifestou às fls. 777/778, alegando que, apesar de devidamente intimado, o auditor diligenciador apenas promoveu o recálculo referente às “compras com direito ao crédito” e às “compras totais”, deixando de reincluir os valores das aquisições de insumos e de operações Fl. 918DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 919 4 de serviços de industrializações por encomenda, indevidamente excluídas, deixando de excluir as compras de insumos do fornecedor Aquaplant, e sem ajustar o valor das exportações no mês de julho. Requereu ainda, a determinação de nova diligência fiscal, para que sejam observados integralmente os fundamentos apresentados na manifestação de inconformidade original.' Em sessão do dia 07/11/2007, a DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte (fls. 796/806). O Acórdão n° 1417.563, foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NOTAS FISCAIS SUPOSTAMENTE INIDÔNEAS. AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. GLOSA INDEVIDA D E CRÉDITO. Quando a fiscalização não demonstra que a empresa fornecedora não existia de fato, não se pode inverter o ônus da prova, sendo a nota fiscal, até prova em contrário, o documento hábil para comprovar a efetividade da transação. NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. GLOSA. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. QUESTÃO DE FATO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É imprescindível que as alegações contraditórias a questão de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Solicitação Deferida em Parte" O processo veio para o CARF. Em sessão do dia 01/03/2011, decidiuse converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator, Conselheiro Luiz Roberto Domingo (Resolução CARF n° 3101000.135, fls. 1/5): 'É certo que a legislação não autoriza o Fisco glosar o crédito de IPI relativos a notas fiscais de entrada cujo pagamento tenha sido realizado em dinheiro, pois, juridicamente, o pagamento em moeda corrente é prestígio ao Fl. 919DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 920 5 Estado de Direito, de modo que desconsiderar essa forma de pagamento constituiria desrespeito aos símbolos nacionais. Da mesma forma, o direito a crédito não depende da realização do pagamento do preço na aquisição de MP, PI e ME, nem do pagamento do imposto da fase que antecede à aquisição. Contudo, não se pode desconsiderar a contradição evidenciada nos documentos (NF) de entrada contabilizados pela Recorrente, e que trouxeram ao Fisco a incerteza quanto a sua regular aquisição e por conseguinte a conclusão pela glosa. Há no entanto, questão que deve ser aprofundada, acerca da comprovação da materialidade da aquisição e utilização no processo produtivo da Recorrente. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência a repartição de origem com o fim de que relacione em três grupos distintos: (i) as notas fiscais de entrada glosadas por terem sido emitidas quando a empresa fornecedora já se encontrava inativa; (ii) as notas fiscais de entrada glosadas por conterem a contradição entre a forma de pagamento (anotação de pagamento em cheque e recibo de pagamento em dinheiro); e (iii) as notas fiscais de entrada glosadas por não haver prova de pagamento. Intimar o contribuinte para apresentar o livro modelo 3 ou sistema de controle equivalente nos termos do RIPI, no qual tenham sido lançadas as referidas NFs glosadas pela falta de pagamento. Após, intimese a Recorrente para, querendo, manifestarse acerca da conclusão da diligência, no prazo de 30 dias, retornando os autos ao Conselho para solução da lide.' A diligência foi realizada e o relatório encontrase nas fls. 871 a 877. Em suma, o agente fiscal separou as notas fiscais em dois grupos (itens "ii" e "iii" da Resolução CARF 3101000.134, acima reproduzidos) e registrou que encontravase no anexo o arquivo digital, contendo o Livro Modelo 3. Na fl. 881, consta a manifestação tempestiva do contribuinte sobre o relatório da diligência. O contribuinte protestou, pois entendeu que não foi respondida a questão formulada pela CARF. É o relatório." Em 22/02/17, por meio da Resolução n° 3301000.285, a turma decidiu por realizar nova diligência, nos seguintes termos: "A Resolução CARF 3101000.134 (o número correto é 3101000.135) foi muito clara: diante da ausência de comprovantes de pagamento e das divergências encontradas entre os comprovantes de pagamento apresentados e os correspondentes lançamentos contábeis, requereu que fosse confirmada a entrada das mercadorias e sua utilização no processo produtivo, por meio da conciliação das notas fiscais com os registros constantes do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (Livro Modelo 3). Fl. 920DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 921 6 Da leitura do relatório (fls. 874 a 880), verificase que o agente fiscal separou as notas fiscais em dois grupos (itens "ii" e "iii" da Resolução CARF 3101000.134 , reproduzidos no relatório o número correto é 3101000.135) e anexou arquivo digital, contendo o Livro Modelo 3. Contudo, a conciliação entre as notas fiscais e os registros do Livro Modelo 3 não foi efetuada. Assim, proponho à Turma que determinemos que seja realizada nova diligência, nos seguintes termos: 1) Intimese o contribuinte a apresentar conciliação entre as notas fiscais para as quais não foi apresentado comprovante e as notas fiscais em que foram detectadas divergências entre as formas de pagamento consignadas no documento fiscal e nos registros contábeis com os registros do Livro Modelo 3, a fim de comprovar que efetivamente entraram no estabelecimento e foram empregadas no processo industrial. 2) Em resposta à intimação para cumprimento da diligência (fl. 862/863), a Recorrente chamou a atenção para o fato de que, entre as notas fiscais de entrada auditadas, havia aquisição de serviços de industrialização, cujo valor não é lançado no Livro de Controle da Produção e do Estoque. Nestes casos, como forma alternativa de comprovação, a partir de seus mapas de rateio e controle de custos de produção, que a Recorrente seja intimada a relacionar as notas fiscais de aquisição de serviços de industrialização efetuada por terceiros com as correspondentes notas fiscais de remessa de insumos (ex: matéria prima, produto intermediário, material de embalagem etc.) e retorno de produtos beneficiados e correspondentes registros no Livro Registro do Controle da Produção e do Estoque (livro Modelo 3). A conciliação deverá ser submetida à unidade de origem para validação e posterior emissão de relatório conclusivo da diligência. Deverá ser dada ciência do relatório ao contribuinte, que poderá manifestarse dentro do prazo legal. Em seguida, o processo deverá retornar ao CARF para julgamento." (inserções nossas em itálico e negrito)" A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fl. 908) encontrase nos autos, da qual extraio os trechos finais: "(. . .) 5. E, para fins de atender a diligência determinada, o contribuinte foi intimado nos termos da Intimação Fiscal de fls. 903/903. 6. A ciência da intimação se processou diretamente no processo eletrônico, por meio do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), tendo ocorrido em 14/03/2018, conforme consta no Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, de fl. 907. 7. Transcorrido in albis o prazo concedido para o atendimento à citada intimação, retornese o processo à 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, para prosseguimento. Blumenau, 27 de abril de 2018." (g.n.) É o relatório Fl. 921DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 922 7 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. DA CONTENDA Tratase deferimento parcial de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos presumidos de IPI do 3° trimestre de 2004. Conforme consta no relatório, três infrações deram causa a glosas de créditos, das quais apenas a seguinte ainda encontrase em litígio: falta de comprovação de aquisições de insumos e de prestações de serviços de industrialização por encomenda, assim descrita no Despacho Decisório (fl. 532): "(. . .) Em atendimento ao solicitado, como comprovantes dos pagamentos a interessada apresentou somente cópias das notas fiscais com assinaturas nos seus versos, na maioria dos casos sem qualquer identificação da pessoa que firmou o referido recibo (fls. 450/502). Denotase, inclusive, que os recibos foram obtidos em razão da intimação fiscal, embora todos estejam datados da mesma época da emissão das notas fiscais (como se todos os pagamentos tivessem sido feito à vista). De fato, é possível observar, por exemplo, que nas cópias das notas fiscais de fls. 493, 468, 464, 465, 462, 450, 475, 471 e 499 aparecem na frente das mesmas os sinais do recibo aposto em seus versos, o que não se observa nas cópias das mesmas notas fiscais que já haviam sido anteriormente apresentadas, acostadas às fls. 327, 336, 341, 344, 347, 359, 366, 368 e 370. Ademais, quanto aos lançamentos contábeis referentes ao supostos pagamentos, em alguns casos constatouse que os mesmos não guardam fidelidade com os respectivos recibos. De fato, se tomarmos a nota fiscal n° 3541 (fl. 502), emitida por COMÉRCIO DE MADEIRAS MAGAYVER LTDA (CNPJ n° 73.223.398/000107), verificase que o recibo aposto no verso da mesma informa que o pagamento (integral) teria se dado no dias 19/08/2004 e 01/09/2004. Ocorre que, nestas datas, no livro Diário só consta os lançamentos de pagamentos no montante total de R$ 26.243,03 (fls. 504/509), enquanto que o valor da referida nota fiscal é igual a R$ 42.088,70. De outra parte, no mesmo livro as notas fiscais n°s 699 (fl. 500) e 700 (fl. 501), emitidas por INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS HOFFMANN LTDA (CNPJ n° 76.869.700/000189), foram lançadas a crédito da conta "fornecedores" (fls. 510/511) nas datas dos recibos dos seus pagamentos e não a débito de conta do ativo circulante (caixa, bancos) como seria o caso se efetivamente o valor total tivesse sido quitado, como atesta o citado recibo. Em outras palavras, nem os recibos e nem a contabilidade, cujos lançamentos dos pagamentos devem ser lastreados em documentos comprobatórios, fizeram prova a favor da interessada, em resposta ao solicitado na intimação fiscal. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 923 8 Desta forma, considerando a necessidade de conclusão dos trabalhos em face do exíguo prazo concedido pela referida ordem judicial, o qual nos impede de aprofundar as investigações, em resguardo do interesse público, entendo ser necessário excluir da base de cálculo do crédito presumido as aquisições arroladas na tabela que se segue, porquanto a interessada não logrou comprovar o pagamento das referidas aquisições, razão porque as mesmas também estão sendo excluídas do cômputo das compras com direito ao crédito e das compras totais (CFOP X.11) ou das aquisições de prestações de serviços (CFOP X.13) — linha 49 do DCP, conforme o caso. (. . .)" (g.n.) Em suas defesas, a recorrente apresentou suas alegações em três tópicos, a saber: a) "Ausência de previsão legal": a fiscalização glosou créditos, por falta de comprovação dos pagamentos. Contudo, tal exigência não tem respaldo legal. Ademais, não foram levantadas dúvidas acerca da idoneidade das notas fiscais e correspondentes lançamentos contábeis ou dos fornecedores. Ou ainda de que a recorrente ou os fornecedores não teriam quitado o IPI ou os PIS e COFINS, objetos do ressarcimento. Para fins de comprovação, são suficientes os documentos apresentados, quais sejam, as notas fiscais e os correspondentes lançamentos contábeis e no Livro de Entradas. b) "Da comprovação do pagamento": a DRJ destacou que houve pagamentos contabilizados contra a conta contábil "caixa", como se realizados em espécie, quando o adequado, para fins de comprovação da realização da operação mercantil, seria a demonstração da quitação por meio de operação bancária. Esta exigência também não tem previsão legal. Ademais, apresentou declarações dos fornecedores, atestando que não havia débito em aberto. c ) "Internação da matériaprima": a DRJ trouxe mais uma exigência que não se encontra na legislação aplicável: prova de que a mercadoria efetivamente ingressou no estabelecimento industrial, por meio de registros no Livro de Controle de Produção e Estoque. Tais lançamentos somente ratificariam as entradas demonstradas pelas notas fiscais e correspondentes lançamentos nos Livros de Entradas e Razão. Se a fiscalização entendeu que fora cometida alguma infração, que tivesse providenciado as provas e não lançar mão de suposições. DAS 1° e 2° DILIGÊNCIAS Em 01/03/11, o presente processo foi pela primeira vez trazido a julgamento. E, por meio da Resolução n° 3101000.135, foi convertido em diligência. Na ocasião, o relator se manifestou no sentido de que assistia razão à recorrente, quando alegara que não havia dispositivo legal que exigisse a comprovação da liquidação financeira das compras e, muito menos, que esta tivesse sido efetuada por meio de transação bancária e não em espécie. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 924 9 Não obstante, em razão das inconsistências apontadas pela fiscalização e ratificadas pela DRJ, propôs a realização de diligência, para que fossem sanadas, por intermédio da conciliação das notas fiscais com o Livro de Controle da Produção e do Estoque. Não foi estabelecido, de forma clara, de quem seria a atribuição de realizar a conciliação Fisco ou contribuinte. A recorrente destacou, em resposta `a intimação para cumprimento da diligência (fl. 866), que, dentre as notas fiscais auditadas, algumas eram de prestação de serviços de industrialização e que, por conta disto, não tinham sido escrituradas no Livro de Controle da Produção e do Estoque. A diligência foi realizada e, segundo a "Informação Fiscal" (fls. 874 a 880), os arquivos digitais do livro foram providos pelo contribuinte. Contudo, não foi realizada a conciliação. Diante disto, esta turma propôs que nova diligência fosse realizada (Resolução n° 3301000.285). Porém, desta feita, determinou que o contribuinte fosse intimado a realizar a conciliação proposta na primeira diligência, cujo objetivo era o de provar que a mercadoria havia, efetivamente, entrado no estabelecimento e aplicada no processo industrial. E acrescentou que, para os casos de notas fiscais de serviços de industrialização, cujo valor não era registrado no livro, que fossem conciliadas com as notas fiscais de remessas de insumos e retorno de produtos beneficiados e os correspondentes registros no Livro de Controle da Produção e do Estoque. A diligência foi realizada. A recorrente foi intimada, porém não respondeu. CONCLUSÃO Antes de proferir meu voto, consigno que concordo apenas parcialmente com as opiniões manifestadas pelo relator da primeira resolução. De fato, não há óbice à liquidação financeira de compra de insumos ser efetuada em espécie. Contudo, divirjo sobre a comprovação da legitimidade dos créditos. Primeiro, reproduzo a regra básica (inciso I do art. 164 do RIPI/02, em vigor no período auditado): "Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (. . .)" Fl. 924DF CARF MF Processo nº 13971.001164/200531 Acórdão n.º 3301005.360 S3C3T1 Fl. 925 10 Depreendo que a fiscalização, em cumprimento de seu dever legal, além das notas fiscais e correspondentes lançamentos nos Livros de Entrada e Razão, tem de exigir a comprovação da liquidação da operação de compra das mercadorias ou, caso a selecionada para exame não tenha sido quitada, da existência de registro no livro contábil da correspondente obrigação em aberto. Tratase de verificar a efetiva realização da operação mercantil. Sobre as diligências e seus resultados. Como a recorrente logrou êxito em comprovar cerca de 60% do crédito pleiteado e, em relação ao restante, possuía as notas fiscais e os correspondentes lançamentos no Livro de Entrada, porém pairavam dúvidas acerca da veracidade dos recibos apostos nas notas fiscais e dos lançamentos contábeis na conta contábil "caixa" e por valores que, em alguns casos, divergiam das notas fiscais, foilhe oferecida uma forma alternativa de comprovação dos créditos, qual seja, a conciliação das notas fiscais de compra de insumos com o Livro de Controle da Produção e das notas fiscais de serviços de industrialização, com as notas fiscais e registros naquele livro, das saídas dos insumos e retorno dos produtos beneficiados. Contudo, em razão do não atendimento à intimação, não há alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 925DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.900786/2006-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5-A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente MAGAMA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 00 78 6/ 20 06 -9 5 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10283.900786/200695 Resolução nº 3001000.135 S3C0T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO. Adoto, por transcrição, o bem elaborado relatório do acórdão recorrido (fls. 188/190), verbis. Tratase de declaração de compensação transmitida em 30/07/2003 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 8109, do período de apuração de 30/04/2003, com arrecadação em 15/05/2003, no valor originário de R$ 1.661,54. A Delegacia de origem, em análise datada de 16.06.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 26.08.2008, manifestação de • inconformidade na qual alega (fls. 10/19): a) No ano de 2003, notadamente no mês de abril, toda a sua produção foi vendida a parceiros que também gozavam dos incentivos da Sufram. Assim, nos termos do art. 5° A da Lei n° 10.637/2002, acrescentado pela Lei n° 10.684/2003, fazia jus à isenção do PIS e da Cofins sobre a receita decorrente da comercialização de seus produtos. Oportuno referir que, apesar de a publicação da Lei n° 10.684/2003 ter ocorrido em 31.05.2003, o mencionado artigo passou a produzir efeito desde 1°.02.2003. Assim, num primeiro momento encontravase obrigada a pagar o PIS. Contudo, por força da legislação superveniente, tal tributo deixou de ser exigível. b) Por equivoco, a DCTF do 2° trimestre/2003 foi informada erroneamente,.com.informação_a_maior da base de calculodoPIS, considerandose que a receita decorrente da comercialização de produtos intermediários produzidos na ZFM, para estabelecimentos ali radicados, também era tributável. Caso a RFB tivesse confrontado os dados da PER/Comp e da DCTF com os dados informados na DIPJ, ficaria fácil perceber o equivoco das informações da DCTF. c) A contribuinte entregou, na forma da legislação tributária, a DCTF do 2° trimestre de 2003, em 18/08/2003, quando já estava vencido o débito do IRPJ ora cobrado (31/07/2003). Portanto, forçoso concluir, até porque assim o diz o STJ, que a ação de execução fiscal deveria ter sido proposta até 18/08/2008, para que a cobrança do débito tributário não fosse extinto pela prescrição. 0 direito positivo e a jurisprudência do STJ determinam que, entregue a DCTF e vencido o tributo declarado, a Fazenda Pública já tem condições de inscrever o crédito tributário diretamente em divida ativa, não se fazendo necessária qualquer outra providência. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10283.900786/200695 Resolução nº 3001000.135 S3C0T1 Fl. 4 3 d) A despeito da isenção em favor da contribuinte, esta equivocouse ao informar em DCTF que a referida receita integrava a base de cálculo do tributo. Isso significa que a "confissão de divida" não se aplica no caso concreto, tendo em vista que a divida sequer existia. Aliás, cabe ressaltar que o Conselho de Contribuintes entende que o equivoco no preenchimento da DCTF não prevalece ante a verdade dos fatos. Cabe advertir, ainda, que a confissão de divida decorrente da apresentação da DCTF nada mais é do que uma presunção juris tantum, sendo que os documentos carreados aos autos comprovam todos os fatos constitutivos do direito da contribuinte, o que afasta a presunção relativa da confissão de divida. Assim, caso reste alguma dúvida, a determinação da realização de diligência se torna obrigatória, sob pena de cerceamento de defesa. e) Esclarece que depositou, mediante DARF, a quantia que eventualmente poderá ser mantida após o julgamento. Tal depósito, contudo, não deve ser considerado o reconhecimento jurídico do débito, mormente porque a contribuinte entende que já restou caracterizada a prescrição da totalidade da quantia cobrada. Requereu, ao fim, que: a) seja determinada diligencia para a averiguação da isenção sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela Suframa, permitindo se constatar o equivoco o preenchimento da DCTF; b) seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para declarar prescrito o débito tributário, determinandose a baixa do seu registro; c) subsidiariamente, seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para que seja homologada parcialmente o PER/DComp referente ao processo. Regularmente intimada em 02.06.2009 da decisão que indeferiu a compensação pretendida (fls. 198), ingressou o contribuinte com Recurso Voluntario em 22.06.2009 (fls. 200/232), que assim concluiu (fls. 232), verbis. Ante o exposto, requerse: 1. Em razão do inequívoco cerceamento de defesa, seja anulada a r. decisão recorrida, determinandose a realização de diligência para (i) averiguar a isenção do PIS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermedidrios produzidosna..ZFM, a estabelecimentdeiridustriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; e, (ii) conseqüentemente, determinar ) base de cálculo do PIS, o que permitirá constatar o equivoco no preenchimento da DCTF e a correção da informação constante da DIPJ; 2. SUBSIDIARIAMENTE, seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, para declarar prescrito o débito tributário, determinandose a baixa do seu registro no sistema; 3. SUBSIDIARIAMENTE, seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para que seja utilizado o montante de R$ 430,72 (quatrocentos e trinta reais Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10283.900786/200695 Resolução nº 3001000.135 S3C0T1 Fl. 5 4 e setenta e dois centavos), homologandose parcialmente a PER/DECOMP referente a este processo.´ É o relatório. VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Julgo tempestivo o recurso voluntário a este colegiado, posto que o AR intimando da decisão recorrida está datado de 02/06/2009 e petição Recurso Voluntário foi protocolizada no dia 22/06/2009, motivo pelo qual tomo conhecimento do apelo do contribuinte. Primeiramente, cumpre analisar a questão da prescrição. A requerente trouxe aos autos julgado do STJ (REsp 673.585/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, 1ª Seção, julgado em 26/04/2006, DJ 05/06/2006, p. 238), em que se acolheu a conhecida tese dos cinco mais cinco, no qual se defende a tese de que, in verbis: Em se tratando de tributo lançado por homologação, tendo o contribuinte declarado o débito através de Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF) e não pago no vencimento, considerase desde logo constituído o crédito tributário, tornandose dispensável a instrauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. Nessa hipóteses, se o débito declarado somente pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, nesse momento é que começa a fluir o prazo prescricional. (...) Considerando que, quando da entrega da DCTF em 10/06/2003 o débito do IRPJ já estava vencido (15/04/2003), imperativo reconhecer que, nos termos do art. 174 do CTN, em 10/06/2008, já ocorrera a prescrição do débito tributário, segundo o entendimento já consagrado pela Corte Superior. No acórdão recorrido em que se negou provimento a pretensão do recorrente, argumentase que a jurisprudência do STJ não tem o condão de obrigatoriedade, posto que a Receita Federal não estaria vinculada a tais pronunciamentos. Se, por um lado, a RFB não está vinculada ao entendimento dos Ttribunais Superiores, por outro, a jurisprudência desses Tribunais é de fundamental importância para a análise de situações específicas já julgadas, e a sua não observância pode acarretar maior insegurança jurídica e decisões desproporcionais em outros temas, em detrimento do interesse das partes e da própria Justiça Tributária. Se negada essa questão preliminar de prescrição (suscitada desde antes da decisão recorrida, fato reiterado no Recurso Voluntário), estarseá cerceando o constitucional direito de defesa da parte, haja vista que vem o contribuinterecorrente, desde a instância recorrida, insistindo em que seja realizada diligência para (I) averiguar a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10283.900786/200695 Resolução nº 3001000.135 S3C0T1 Fl. 6 5 estabelecimentos industriais sediados na ZFN e incentivados pela SUFRAMA, a fim de determinar a base de cálculo da COFINS e, conseguinte, comprovar o equívoco no preenchimento da DCTF e a correção da informação constante na DIPJ. A autoridade recorrida, porém, negou a restituição e a Diligência suscitada, ao fundamento de que a nova DCTF retificadora não fora apresentada atemporada e adequadamente. Contudo, em sede de recurso voluntário, a requerente anexou a foto da tela no sistema da RFB que impossibilitou a retificação, quando da apresentação da manifestação de inconformidade (fls. 380). Ademais, salientase que o erro material na DCTF resulta, sobretudo, do fato de que a isenção conferida pela Lei 10.684/03, promulgada apenas em maio de 2003, gerou mudanças naturais nas declarações dos contribuintes. Ora, não se pode penalizar um contribuinte por preencher a declaração a maior, que até um mês antes era devida, quando, a posterior, recebe um isenção com base no art. 25 c/c o art. 29 da Lei 10.684/03, trazida no art. 5ºA da lei 10.637/02, in verbis: Ficam isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS as receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA" Além disso, identificase que, no acórdão da DRFBelém (fls. 318328), elenca se duas condições para a desconstituição do débito: a comprovação inequívoca do pagamento a maior e a apresentação de DCTF retificadora, alegando faltar essa à requerente para fazer jus ao seu direito, ou seja, já foi reconhecido o pagamento a maior que resultou no indébito fiscal. Contudo, haja vista a impossibilidade comprovada de retificar a declaração (fl.380), a negação da diligência perseguida vai de encontro aos direitos da ampla defesa, do contraditório e, principalmente da verdade material. Registrese mais que, na decisão no Processo Administrativo Fiscal de número 10768.000402/200266, esse Conselho já decidiu que “O erro na indicação (..) na DCTF não prevalece ante a verdade dos fatos”. Ou seja, erro material escusável não pode prejudicar direito das partes. Ademais, ainda que a RFB não esteja vinculada aos julgados administrativos, como o próprio acórdão recorrido ressaltou, nos casos de decisões dos Tribunais Superiores, existe disciplina própria insculpida no § 2º do art. 62 do RICARF, verbis. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isto posto, preliminarmente, tomo conhecimento do Recurso e VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA à unidade de origem, para analisar e responder aos seguintes quesitos, verbis. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10283.900786/200695 Resolução nº 3001000.135 S3C0T1 Fl. 7 6 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5 A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; 4) ao final, que se dê ciência do relatório a recorrente, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse; e, 5) Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento, com as observações que entender pertinentes. Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721012/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
As importâncias correspondentes ao resgate de contribuições pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, no caso de contribuintes não optantes pelo regime de tributação específica de que trata a Lei nº 11.053,de 2004, estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda na fonte e devem ser informadas como rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual da pessoa física.
Numero da decisão: 2402-006.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. As importâncias correspondentes ao resgate de contribuições pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, no caso de contribuintes não optantes pelo regime de tributação específica de que trata a Lei nº 11.053,de 2004, estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda na fonte e devem ser informadas como rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual da pessoa física.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente LAURINDO REDANTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. As importâncias correspondentes ao resgate de contribuições pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, no caso de contribuintes não optantes pelo regime de tributação específica de que trata a Lei nº 11.053,de 2004, estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda na fonte e devem ser informadas como rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual da pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 10 12 /2 01 6- 11 Fl. 260DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0960.612, da 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 238) que julgou improcedente impugnação apresentada pelo contribuinte em face da Notificação de Lançamento, emitida pela DRF/Porto Alegre/RS, que lhe deu o direito à restituição de R$ 4.143,24, a ser atualizado, em detrimento da importância de R$ 76.372,41 pleiteada na DAA/2012. Nos termos do relatório da decisão de piso, temse que: Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – entregue pelo(a) interessado(a), relativa ao exercício financeiro de 2012, quando foram constatadas, conforme a Descrição dos Fatos, as seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no total de R$ 304.850,10 (com IRRF de R$ 83.141,00), a título de “resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi”, tendo como fonte pagadora o Instituto Aerus de Seguridade Social. Constou da Descrição dos Fatos o seguinte esclarecimento: Haja vista a ausência de previsão legal para enquadramento do rendimento recebido na tributação exclusiva prevista no artigo 2º da IN RFB 1.127/2011 (vigente e aplicável na ocasião), segue esse lançado no Ajuste. 2. Compensação indevida de IRRF sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva, no valor de R$ 83.141,00, tendo como fonte pagadora o Instituto Aerus de Seguridade Social. O(A) notificado(a) apresentou impugnação, instruída por elementos, os quais, no seu entender, comprovam os argumentos de defesa, que são os seguintes: * A Fiscalização não observou o que estabelece a Lei nº 7.713/1988, em seu art. 12A, c/c a Instrução Normativa RFB nº 1.127/2011, com relação aos rendimentos recebidos acumuladamente. * Os rendimentos apontados na Notificação são efetivamente do exercício de 2011, conforme documentação já apresentada. O rendimento é proveniente de aposentadoria ou suplementação de aposentadoria, enquadrável, sim, no disposto na citada IN. * Em atendimento à intimação recebida anteriormente, este contribuinte fez a juntada de uma enorme gama de documentos comprobatórios dos fatos lá narrados e que devem ser considerados para esta impugnação, sendo que muitos deles foram juntados inclusive na forma original. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11080.721012/201611 Acórdão n.º 2402006.667 S2C4T2 Fl. 3 3 * Esperando haver demonstrado sua inconformidade quanto à Notificação de Lançamento, vem reiterar sua impugnação como medida de justiça, requerendo a devolução do imposto de renda retido, com as devidas correções e depósito na conta bancária já informada. A DRJ, por meio do Acórdão nº 0690.612, julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, asseverando, em síntese, que a natureza tributável dos rendimentos recebidos pelo contribuinte e questionados pela Fiscalização é exatamente a que foi esclarecida na SCI/Cosit nº 34/2003 e, não, conforme pretendido pelo Autuado, aquela prevista no art. 12A, da Lei nº 7.713/1988, c/c a IN/RFB nº 1.127/2001 (vigente à época dos fatos aqui tratados). Equivocouse, portanto, o peticionário. Não se trata, pois, do mesmo tipo de rendimento ou, em outras palavras, tais rendimentos não têm a mesma natureza tributável. Cientificado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 249, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Em sua impugnação o ora Recorrente se limitou a alegar que os valores recebidos em função do plano de previdência privada não foram declarados como rendimentos tributáveis, uma vez que estariam sujeitos a tributação exclusiva. Na Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 08) foi apontada omissão de rendimentos no montante de R$ 304.850,10, nestes termos: O resgate dos rendimentos do Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL, regese pela legislação abaixo transcrita. O art. 33 da Lei 9.250/1995 dispõe: Fl. 262DF CARF MF 4 Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Merece destaque o fato de que o resgate de contribuições para plano de previdência privada somente possui tributação exclusiva na fonte se o contribuinte optar pelo regime regressivo de tributação, a teor do art. 1º da Lei 11.053, de 29 de dezembro de 2004: Art. 1º É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. Caso o contribuinte não tenha exercido a opção pelo regime regressivo de tributação, os valores resgatados de previdência de Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL sujeitamse ao regime progressivo de tributação, ou seja, sofrem retenção na fonte de 15% e devem ser incluídos dentre os rendimentos tributáveis submetidos ao ajuste anual, conforme art. 3º da mesma Lei: Art. 3º A partir de 1º de janeiro de 2005, os resgates, parciais ou totais, de recursos acumulados relativos a participantes dos planos mencionados no art. 1º desta Lei que não tenham efetuado a opção nele mencionada sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), como antecipação do devido na declaração de ajuste da pessoa física, calculado sobre: I os valores de resgate, no caso de planos de previdência, inclusive FAPI; II os rendimentos, no caso de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto nos arts. 1º e 2º desta Lei. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11080.721012/201611 Acórdão n.º 2402006.667 S2C4T2 Fl. 4 5 Ou seja, apesar do imposto retido na fonte, na declaração de ajuste anual, os rendimentos percebidos e a retenção devem ser informados para a determinação de diferenças a serem pagas ou restituídas. Assim, correto o lançamento que incluiu o valor do resgate de contribuições à previdência privada dentre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e efetuou a compensação do imposto de renda retido na fonte. CONCLUSÃO Concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa, voto por CONHECER do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723587/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA SUPOSTAMENTE CONTRATADA. INEXISTÊNCIA DE FATO DA PRESTADORA.
Para que se possa deduzir despesas com serviços da base de cálculo dos tributos é necessário comprovar não apenas a efetiva prestação mas também que o serviço foi prestado conforme contratado, ou seja, que foi realizado pela pessoa jurídica que se diz prestadora. Uma vez não demonstrada a efetiva existência da prestadora de serviços como pessoa jurídica autônoma e, pelo contrário, havendo provas de que a prestadora existia apenas no papel, não se admite a dedução como despesas dos pagamentos a ela efetuados.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA.
Somente se admite a dedução das despesas após o encerramento da lide com a determinação de pagamento do tributo devido.
JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA.
O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade.
Numero da decisão: 1401-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos imputados como responsáveis solidários. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga que afastavam a qualificação da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA SUPOSTAMENTE CONTRATADA. INEXISTÊNCIA DE FATO DA PRESTADORA. Para que se possa deduzir despesas com serviços da base de cálculo dos tributos é necessário comprovar não apenas a efetiva prestação mas também que o serviço foi prestado conforme contratado, ou seja, que foi realizado pela pessoa jurídica que se diz prestadora. Uma vez não demonstrada a efetiva existência da prestadora de serviços como pessoa jurídica autônoma e, pelo contrário, havendo provas de que a prestadora existia apenas no papel, não se admite a dedução como despesas dos pagamentos a ela efetuados. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA. Somente se admite a dedução das despesas após o encerramento da lide com a determinação de pagamento do tributo devido. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos imputados como responsáveis solidários. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga que afastavam a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.930 1 2.929 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.723587/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.008 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria GLOSA DE DESPESAS. CONLUIO. Recorrente JUBIABA AUTOS E COMERCIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA PESSOA JURÍDICA SUPOSTAMENTE CONTRATADA. INEXISTÊNCIA DE FATO DA PRESTADORA. Para que se possa deduzir despesas com serviços da base de cálculo dos tributos é necessário comprovar não apenas a efetiva prestação mas também que o serviço foi prestado conforme contratado, ou seja, que foi realizado pela pessoa jurídica que se diz prestadora. Uma vez não demonstrada a efetiva existência da prestadora de serviços como pessoa jurídica autônoma e, pelo contrário, havendo provas de que a prestadora existia apenas no papel, não se admite a dedução como despesas dos pagamentos a ela efetuados. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA. Somente se admite a dedução das despesas após o encerramento da lide com a determinação de pagamento do tributo devido. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 35 87 /2 01 3- 17 Fl. 2930DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos imputados como responsáveis solidários. Acordam ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga que afastavam a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, em razão de a fiscalização ter considerado que as despesas que a contribuinte deduziu da base de cálculo no regime de lucro real não foram comprovadas e/ou seriam inexistentes. A multa foi qualificada em 150%, foram cobradas também multas isoladas de 50% por falta de recolhimento de estimativas mensais e lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os diretores Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira e Luiz José Pimenta, com fundamento no artigo 135 do CTN (fls. 6585). O Termo de Verificação Fiscal de fls. 2955 detalha as infrações apuradas, das quais destaco os trechos abaixo: fls. 3941 (...) Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.931 3 Fl. 2932DF CARF MF 4 (...) fl. 46 O voto da decisão recorrida assim resume os argumentos da impugnação: O impugnante, por sua vez, refuta os argumentos do autuante, com as alegações descritas na impugnação e reproduzidas no relatório deste acórdão, que resumidamente são as seguintes: • a autoridade autuante não poderia decretar a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, pois tal regime só pode ser decretado pela autoridade judicial, consoante se infere do art. 50 do Código Civil; • na mesma esteira, o regime jurídico de simulação do art. 167 da lei civil, evocado pela autoridade autuante para fundamentar o seu ato de desconsideração da personalidade jurídica, também requer a intervenção do órgão do Poder Judiciário; • a MC Assessoria foi criada para prover as empresas do Grupo empresarial MC, composto de uma dezena de empresas do ramo do varejo automotivo, do qual faz parte a Jubiabá Autos e Comerciais Ltda, nas necessidades de serviços meio e back office (serviços contábeis, de recursos humanos, tecnologia da informação, serviços gerais, dentre outros tipicamente abrangidos sobre uma estrutura de serviços compartilhados), através de uma Central de Serviços Compartilhados e central de compras, como estratégia de gestão, eficiência Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.932 5 e plataforma para a expansão das atividades e negócios do grupo empresarial; • a auditoria não analisou a contabilidade da MC Assessoria, que é empresa distinta, não arrolou os negócios em que esta figura, não abriu seus custos e despesas, que são insumos para a prestação dos serviços às demais empresas do grupo e justificam o preço cobrado e as despesas incorridas nas contratantes. A única referência, no Termo de Verificação Fiscal, às atividades da MC Assessoria, é o seu quadro de funcionários; • todas as despesas, custos, contratos, negócios e atividades em geral, promovidas pela MC Assessoria, estão amparados e lastreados em documentos anexos, notadamente a contabilidade da empresa (Doc. N° 05), além de instrumentos, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas (Doc. N° 06); • a fiscalização, de fato, não conseguiu reunir qualquer elemento de prova, apenas se apegou, como em todo o curso da peça de lavratura, a uma idéia pré concebida, verdadeira presunção ad hoc, de que toda a atividade do contribuinte é fraudulenta, o que, à luz da dialética do PAF, não é expediente idôneo a fundamentar, com suporte fático e probatório suficiente, a sua pretensão fiscal; • é inaplicável, no caso, a multa qualificada de 150%, a título de penalidade, pelo não recolhimento dos valores apurados como devidos, sob alegação de atuação com evidente intuito de fraude, sem descrever os elementos de fato, especialmente o dolo, o ânimo de fraudar, e sem apresentar elementos de prova, não tem o condão de lastrear a aplicação da multa agravada; • ainda que não se entenda pela integral improcedência do auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, há que se reconhecer a improcedência da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. • considerando que são várias as empresas do grupo às quais a MC Assessoria presta serviços, a fiscalização utilizou como critério de rateio, para imputação, a cada uma das empresas, dos valores pagos a título de IRPJ e CSLL pela empresa desconsiderada, o faturamento de cada uma em face da soma total de todas, o que, decerto, é um critério razoável, admitido, inclusive, pela própria Receita Federal, como critério para rateio de despesas. Ocorre que a imputação, rateada segundo percentuais acima descritos, foi realizada pela autoridade fiscal de forma apenas parcial, restrita aos IRPJ e CSLL recolhidos pela MC Assessoria, quando deveria também promover o rateio de todas as despesas incorridas pela MC Assessoria, inclusive despesas com tributos, despesas com fornecedores, enfim, todas as despesas dedutíveis assim contabilizadas na MC Assessoria e declaradas ao fisco; • também a imputação ampla de todas as despesas, deve ser considerada na correção dos recolhimentos das estimativas mensais, apropriandose os saldos de despesas mensais da MC na proporção do rateio, ou seja, na proporção da participação da empresa na receita bruta total. Decorrente disso, a imputação das despesas na apuração das estimativas mensais implicará redução da multa isolada aplicada, o que desde logo se requer; • em qualquer hipótese é inexigível a multa isolada na hipótese em que, ao final do exercício, a base de cálculo efetivamente apurada é inferior aos valores mensais de estimativa, um exemplo típico do que é exatamente a hipótese em que é apurado prejuízo ao final do exercício, ou seja, não há lucro tributável sujeito à incidência de IRPJ ou CSLL. Fl. 2934DF CARF MF 6 Em 11 de junho de 2014 a DRJ em Salvador BA julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovado que o autuado simulou a prestação de serviços por empresa que, apesar de criada atendendo às formalidades legais, de fato não existe, cabe a responsabilização dos diretores da empresa autuada por infração de lei e do contrato social, restando caracterizada a solidariedade e justificada a reunião da empresa e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.933 7 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da contribuição social deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no anocalendário correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento foi parcial porque a DRJ permitiu que as despesas da MC Assessoria que a própria autoridade fiscal reconhece que existem e que devem ser rateadas pelas empresas do grupo fossem a estas imputadas segundo o mesmo critério utilizado para o rateio do IRPJ e CSLL. Cientificada em 1o de agosto de 2014 (fl. 2.593), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18 de agosto de 2014 (fl. 2.595), reiterando os argumentos da impugnação e afirmando, ademais, a contradição da decisão recorrida, na medida em que, ao permitir o rateio das despesas da MC Assessoria entre as empresas do grupo, acaba por admitir que "todas as despesas da empresa que não existe existem". Os responsáveis foram intimados nas seguintes datas, tendo apresentado recurso voluntário em 9 de dezembro de 2014: Florisberto Ferreira de Cerqueira 12 de novembro de 2015 (fl. 2.734) Modezil Ferreira de Cerqueira 13 de novembro de 2015 (fl. 2.736) Luiz José Pimenta 13 de novembro de 2015 (fl. 2.735) Recebi o processo em distribuição realizada em 19 de setembro de 2018. Fl. 2936DF CARF MF 8 Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto deles conheço. Recurso voluntário da contribuinte Conforme relatado, a fiscalização glosou as despesas com prestação de serviços pagas à empresa MC Assessoria Ltda., por basicamente duas razões. Em primeiro lugar, a autoridade autuante aponta que os documentos apresentados como prova da prestação dos serviços não se mostraram aptos a tal comprovação, na medida que as notas fiscais não descrevem os serviços prestados e não foram apresentados relatórios de atividades. Não obstante a inidoneidade da documentação comprobatória que por si só seria suficiente para a glosa das despesas , a autuação aponta, como argumento adicional para a glosa (e como argumento para a qualificação da multa) a inexistência material da prestadora de serviços. A Recorrente baseia sua defesa na alegação de que as atividades foram desempenhadas e que a razão para os custos com as atividades terem aumentado é, principalmente, que as empresas não realizam rateio de despesas, mas contrato de prestação de serviços compartilhados, o que envolve margem de lucro para a prestadora, por ser este o seu objeto social e principal atividade. Esta seria a justificativa para que as atividades, que até então eram desempenhadas por funcionários dela ou de empresas ligadas, passarem a ser contratadas da empresa MC Assessoria (para onde tais funcionários foram transferidos), o que levou a Recorrente a ver elevadas as suas despesas com tais atividades. Os argumentos da Recorrente são convincentes em tese, mas esta não consegue comprovar que, na prática, os serviços eram efetivamente prestados pela MC Assessoria como empresa independente. Até é possível admitir que os supostos funcionários da MC Assessoria trabalhavam e as atividades eram realizadas tanto é que a decisão recorrida inclusive permitiu a dedução dos custos comprovados, proporcionalmente ao faturamento das empresas envolvidas. Ocorre que a Recorrente não logrou comprovar que a MC Assessoria existia de fato como empresa, já que, na prática, mesmo após a sua constituição, as atividades permaneceram sendo desenvolvidas pelas mesmas pessoas, no mesmo local, sob as mesmas condições, ou seja, na prática nada mudou, era como se a MC Assessoria não existisse. Não houve, assim, comprovação da despesa no montante pretendido pela Recorrente, o que incluiria a margem de lucro pretensamente devida à MC Assessoria. Por isso a conclusão de que ela era apenas uma "casca", existente apenas formalmente, e que portanto as despesas com a prestação do serviço seriam indedutíveis: porque embora comprovado o desempenho da atividade, não restou comprovada a prestação do serviço pela pessoa jurídica dita prestadora. Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.934 9 Neste sentido, o TVF apontou, por exemplo, os seguintes fatos (fls. 3941): (...) Fl. 2938DF CARF MF 10 (...) fl. 46: A decisão recorrida ressaltou também os seguintes fatos apurados pela autoridade autuante, para então concluir (grifamos): • a empresa MC Assessoria iniciou suas atividades com 46 funcionários (dados limitados até 11/06/2007), sendo que 42 deles oriundos do próprio grupo econômico, conforme mostra a planilha de fls. 38/39; • ainda de acordo com os citados arquivos de folha de pagamento, os funcionários transferidos das empresas do grupo econômico para a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda continuaram a receber, em sua grande Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.935 11 maioria, os mesmos proventos e não tiveram alteração do cargo após transferência. Notase também que todos os funcionários transferidos, bem como os novos contratados pela MC Assessoria, trabalham fisicamente nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda, que inicialmente a constituiu, juntamente com a Norauto Caminhões Ltda, Norauto Veículos Ltda, Anira Veículos Ltda e Jacuípe Veículos Ltda; • o autuante compareceu ao endereço cadastral da empresa Anira Veículos Ltda e constatou que a empresa MC Assessoria está localizada fisicamente nas dependências daquela, no segundo andar. Inquirido acerca da localização da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, o Sr. Aurivalter C. P. Silva Júnior, Diretor Executivo da Anira Veículos Ltda. se limitou a dizer que a mesma funciona numa sala, com uma mesa e algumas cadeiras e que não há responsável pela gerência naquele local; • a autoridade fiscal lavrou Termo de Intimação Fiscal n° 0004, cuja ciência ao contribuinte (Jubiabá Veículos Ltda) se deu de forma pessoal, contendo constatação acerca do que fora observado na visita acima mencionada, todavia, não houve qualquer manifestação por parte da empresa. Salientase também que a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, corroborou a informação de que os funcionários lotados na área contábil/financeira, inclusive staff, das empresas investigadas nesta auditoria trabalham nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda., exceção feita aos funcionários da empresa TV Subaé Ltda, localizada no município de Feira de Santana – Bahia; • a empresa MC Assessoria foi intimada pessoalmente a apresentar cópias das contas de luz e aluguel, bem como informar motivo da constituição da empresa, já que funciona no mesmo local e dispõe de quadros societário idêntico ao das empresas tomadoras do serviço. Em resposta a intimação fiscal, a empresa MC informa que não possui contas de luz, utilizando, portanto, a energia da cedente Anira Veículos Ltda. Apresenta ainda, contrato de cessão de uso sem ônus do espaço físico referente ao imóvel localizado a Via Urbana, n° 5.520, Centro Industrial de Aratu, Cia Sul, Simões Filho Bahia, de propriedade da empresa Anira Veículos Ltda. Em relação ao motivo da constituição da citada empresa, o contribuinte alega que a sociedade foi criada para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico, entre outros; • a escrita contábil da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda mostra que os saldos das contas de luz e aluguéis estão zerados, ou seja, não apresentaram movimentação, tendo estas contas apresentado o mesmo padrão em 2008 e 2009; • intimada a apresentar o relatório de atividades desenvolvidas pela empresa MC Assessoria a empresa Jubiabá Autos e Comerciais Ltda respondeu inicialmente, de modo verbal, Fl. 2940DF CARF MF 12 através do procurador, Sr. José Carlos dos Santos Campos, que não dispunha de tal controle, essencial para existência/dedutibilidade de despesas contabilizadas e deduzidas da base de cálculo do lucro tributável. Posteriormente, apresentou arrazoado cujo teor versava sobre rol de serviços genericamente prestados referente a cada área operacional da empresa, tais como, Contabilidade, Escritório pósvendas, entre outros, mas as notas fiscais emitidas pela prestadora para a contratante não discriminam os serviços prestados, contendo apenas indicação genérica de prestação de serviços. Concluise, portanto, que o arrazoado produzido não demonstra quais são os serviços oferecidos, os custos, tampouco a mão de obra envolvida, não se prestando a comprovar a efetividade da prestação. Outrossim, não se pode olvidar que as tarefas elencadas no arrazoado, genericamente, são idênticas as prestadas por qualquer funcionário em uma empresa; • a responsável pelo preenchimento das DIPJ, ano calendário 2007 a 2009, das diversas empresas do grupo, é a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, anteriormente lotada na empresa Morena Veículos Ltda e transferida para a empresa MC Assessoria. Destaquese que o correio eletrônico informado nas DIPJ citadas é idêntico, qual seja, CONTABILIDADE@MORENAVEICULOS.COM.BR; • converge ainda, na linha de artificialidade na constituição da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda o fato do contato informado na GFIP da empresa Jubiabá Autos e Comerciais Ltda ser a Sra. Rosane Ferreira Andrade, supervisora de pessoal, admitida no quadro de funcionários da Morena Veículos Ltda em 17/06/1997 e transferida para a MC Assessoria em 01/06/2007; • a despeito da MC Assessoria ter sido constituída para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico sequer é responsável pelo envio da GFIP da Jubiabá Veículos Ltda, tarefa esta realizada pelo próprio impugnante e, em alguns meses pela Morena Veículos (novembro, dezembro e décimo terceiro de 2009). Constatouse também que a MC Assessoria sequer envia sua própria GFIP, em alguns meses, tarefa esta realizada pela empresa Morena Veículos Ltda; • estas constatações demonstram cabalmente, no mínimo, a confusão patrimonial que existia entre as empresas acima citadas; • assim, resta comprovado que a empresa MC Assessoria possui endereço cadastral no mesmo local da Anira Veículos Ltda, não possui qualquer estrutura física/operacional condizente com uma empresa prestadora de serviços, tais como despesas de luz, aluguel, ou qualquer outra comum à atividade empresarial. Ressaltase que de acordo com a DRE 2007, apresentada pela empresa MC Assessoria, só é possível observar despesas com pessoal (ordenados da administração e bolsa de estagiários) e seus encargos, bem como pagamento de tributos; • constatouse, ainda, que a MC Assessoria iniciou suas atividades com a transferência de funcionários das empresas Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.936 13 para as quais prestaria serviço, cuja remuneração destes alterou infimamente, com auferimento de receitas e elevada margem de lucro; • observase, por fim, que a empresa MC Assessoria utiliza as dependências físicas da empresa Morena Veículos Ltda, bem como presta os mesmos serviços que os funcionários transferidos prestavam na lotação anterior (empresas do grupo econômico), inclusive com mesmos proventos. Atentese ainda para o fato de que todo o atendimento a esta Auditoria, para prestação de informações, foi realizado pela mesma pessoa, qual seja, Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo. Estas afirmações estão corroboradas, entre outros, pelos seguintes fatos: a) envio das GFIP por pessoa comum ao grupo (Rosane Ferreira Andrade), sem alteração após a constituição da MC Assessoria; b) envio das DIPJ por pessoa comum ao grupo (Rita dos Santos Campos) sem alteração após a constituição da MC Assessoria; c) manutenção dos proventos pagos antes da constituição da MC e após a transferência dos funcionários mencionados na planilha; d) data de admissão dos funcionários na empresa MC Assessoria convergente com a data de admissão na antiga lotação conforme dados obtidos nos arquivos de folha de pagamento apresentado pelas empresas do grupo investigado; e) ausência de relatórios de atividades comprovando a efetividade dos serviços prestados, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, bem como, identificação genérica dos serviços prestados no corpo das notas fiscais; f) gestão dos negócios realizada pelos mesmos responsáveis, quais sejam, Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, ambos quotistas/administradores das empresas investigadas por esta auditoria; g) prestação de serviços pela empresa MC Assessoria apenas a empresas do grupo econômico com elevada margem de lucro. h) endereço cadastral similar/idêntico e comprovação posterior de localização no mesmo lugar entre a Anira Veículos Ltda e MC Assessoria, está última sem qualquer estrutura física/operacional; i) ausência de rubricas contábeis na empresa MC Assessoria, referentes a despesas convencionais observadas em qualquer sociedade; • esta Auditoria comprovou ao término deste Termo de Verificação Fiscal que a empresa MC Assessoria em Gestão Fl. 2942DF CARF MF 14 Empresarial Ltda não existe de fato, tendo sido constituída apenas com fito de reduzir tributos e maximizar distribuição de lucros aos quotistas, utilizandose do instituto da simulação para consecução dos objetivos. (...) • do todo acima exposto, concluise que a constituição da empresa MC Assessoria se deu apenas no papel, respeitando as formalidades legais, todavia, restou comprovado que de fato a empresa não existe e cumpre apenas seu objetivo de redução da tributação e aumento da distribuição de lucros de forma ilícita. Insta salientar que esta conduta perpetrada pela empresa Jubiabá Autos e Comerciais Ltda tem como consequência a glosa de despesas com a referida prestação de serviços e lavratura de Auto de Infração, referentes aos anos calendário 2008 a 2009; (...) Notese que a justificativa apresentada pelo impugnante de que a MC Assessoria foi criada para prover as empresas do Grupo empresarial MC, composto de uma dezena de empresas do ramo do varejo automotivo, do qual faz parte a Jubiabá Autos e Comerciais Ltda, nas necessidades de serviçosmeio e back office (serviços contábeis, de recursos humanos, tecnologia da informação, serviços gerais, dentre outros tipicamente abrangidos em estrutura de serviços compartilhados), através de uma Central de Serviços Compartilhados e central de compras, como estratégia de gestão, eficiência e plataforma para a expansão das atividades e negócios do grupo empresarial, não é hábil para infirmar a alegação do autuante de que a criação da referida empresa se deu apenas no papel, respeitando as formalidades legais, mas que de fato a empresa não existe. Não se trata de discutir o direito de autoorganização do contribuinte, destacandose, inclusive, que a citada Central de Serviços Compartilhados mencionada pelo impugnante poderia ser criada como um departamento de qualquer uma das empresas do Grupo Empresarial, para efetuar os mencionados serviçosmeio e back office para todas as empresas do Grupo, e ter os seus custos repartidos entre as diversas empresas, ou mesmo com a criação de uma outra empresa – que de fato existisse –, desde que isso representasse uma efetiva redução dos custos gerais. Não há, entretanto, qualquer lógica empresarial na criação de uma empresa, com o objetivo de lucro, para prestar serviços apenas para as empresas do Grupo, tributadas pelo lucro real, onerandoas demasiadamente. Atentese, ainda, que conforme informa o autuante, o impugnante não comprovou que os serviços foram efetivamente prestados (a indicação dos serviços prestados no corpo das notas fiscais foi feita de forma genérica), através dos relatórios de atividades desenvolvidas na atividade comercial, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, sobretudo por se tratar de empresas de um mesmo grupo econômico. Só isto já justificaria a glosa das despesas com a suposta prestação de serviços. Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.937 15 Ademais, entendo que o conjunto de fatos levantados pela Fiscalização, transcritos resumidamente neste voto, e minuciosamente detalhados no Termo de Verificação Fiscal, comprovam claramente que a Jubiabá Autos e Comerciais Ltda, juntamente com as demais empresas do Grupo, simulou a prestação dos referidos serviços cumprindo as formalidades legais, com objetivo claro de redução da carga tributária e maximização da distribuição dos lucros e dividendos, de modo que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, e seus resultados não poderão ser oponíveis ao Fisco. A defesa da Recorrente se limita a fazer afirmações sem, efetivamente, provar que, no caso, a existência da MC Assessoria trouxe alguma alteração material (prática) no panorama das atividades exercidas e das relações jurídicas criadas a partir de sua suposta constituição. Analisandose os fatos apurados pela fiscalização e não concretamente infirmados pela Recorrente , a conclusão a que se chega é que a criação da MC Assessoria ocorreu apenas no papel, sem que nada se alterasse nas atividades que já eram exercidas pelos funcionários para ela formalmente transferidos, ou seja, não restou comprovada a efetiva existência da MC Assessoria como "empresa" (atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços, cf. artigo 981 do Código Civil). Ressaltese que não se está, aqui, a desconsiderar a personalidade jurídica da MC Assessoria, mas apenas a considerar que, não obstante as atividades tenham na prática sido desempenhadas, estas não o foram pela MC Assessoria como pessoa jurídica autônoma, já que permaneceram sendo exercidas tal como antes da constituição formal da MC Assessoria. De se observar que o instituto da desconsideração da personalidade jurídica tem por objetivo "levantar o véu" da personalidade para atingir os sócios, sendo que nos presentes autos não foi isso o que ocorreu, já que o que a autoridade autuante fez foi tributar os fatos tais como eles substancialmente ocorreram, a despeito da constituição (meramente formal) da MC Assessoria, nos termos do artigo 149, VII, do CTN. A Recorrente pleiteia, também, a dedução dos valores de PIS e COFINS exigidos no auto de infração objeto do processo 10530.728135/201241, referentes aos anos calendário 2008 e 2009. Tal pedido não consta da impugnação (apresentada em 2013) e, apenas por tal motivo, não mereceria ser admitido em razão da preclusão. Observo, outrossim, que se fôssemos adentrar no mérito da questão a decisão seria de improcedência, já que, por se tratar de tributos com exigibilidade suspensa, sua dedução não é permitida. Assim tem decidido a Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2004 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do Fl. 2944DF CARF MF 16 art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão (Lei 9.249, de 1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249, de 1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981, de 1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL. (acórdão 9101003.069, de 13 de setembro de 2017) Também a qualificação da multa foi acertada, na medida em que houve conluio entre as empresas do grupo para a criação da situação artificial apontada pela fiscalização. É dizer, tendo a fiscalização apurado que houve conluio entre empresas de um mesmo grupo para a criação, apenas no papel, de empresa optante pelo regime de lucro presumido, para faturar serviços exclusivamente para empresas do grupo sujeitas à tributação no regime de lucro real, resultando essencialmente na majoração das despesas deduzidas por estas últimas, sem qualquer alteração material na realização de tais atividades, resta caracterizada a hipótese de exasperação da multa prevista nos artigos 44 da Lei 9.430/1996 e 73 da Lei 4.502/1964. Assim, de se manter a decisão recorrida quanto à exasperação da multa baseada nos artigos 44 da Lei 9.430/1996 e 73 da Lei 4.502/1964. As multas isoladas também devem ser mantidas no caso em questão. De fato, a Recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, tendo em vista que apurou prejuízo ao final dos exercícios de 2007 a 2009. A Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, expressamente prevê a aplicação das multas isoladas mesmo quando se apure prejuízo ao final do exercício. Quanto à questão da concomitância entre multas isoladas e a de ofício, primeiramente ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo aos anoscalendário de 2008 e 2009, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, "b", da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais não está pacificada neste CARF. Dos inúmeros julgados a respeito do tema extraemse, pelo menos, três correntes de entendimento. Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10530.723587/201317 Acórdão n.º 1401003.008 S1C4T1 Fl. 2.938 17 Em um extremo está a corrente que defende que, mesmo após a Lei 11.488/2007, uma vez encerrado o anocalendário não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Por outro lado, há os que entendem que a imposição da multa independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. Em uma posição intermediária está a corrente adotada pelo presente voto, segundo a qual a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Ocorre que, no caso, como a própria recorrente sustentou, "Ainda que se efetue a glosa das despesas contratadas perante a MC ASSESSORIA, nos termos pretendidos pela Autoridade Autuante, ainda permanece negativo o resultado final apurado pela Recorrente, ..." (fl. 2.694). Assim, não há que se falar em consunção no caso concreto. Portanto, no caso em questão, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas. Quanto aos juros sobre a multa, a jurisprudência deste CARF se consolidou pela incidência, nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Os enunciados de súmula CARF são de observância obrigatória por parte desta Relatora, conforme preceito do artigo 45, VI, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 343/2015). Em resumo, ante o exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Recurso voluntário dos responsáveis Quanto aos responsáveis, entendo que o recurso voluntário deve ser provido. Isso porque os Termos de Sujeição Passiva Solidária não descrevem condutas individuais, trazendo apenas a responsabilidade em razão de os imputados responsáveis serem diretores da contribuinte que praticou "Esta conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir tributos, aumentou as despesas operacionais da Jubiabá Autos e Comerciais Ltda., reduzindo sensivelmente o valor tributo a recolher, mediante comportamento doloso, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como alteração das características fundamentais do fato gerador, qual seja, o lucro tributável." (fl. 76). Fl. 2946DF CARF MF 18 Ora, o artigo 135, III, do CTN, responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de "atos praticados" (comissivos) com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Ou seja, para a configuração de tal responsabilidade, é imprescindível que o auto de infração descreva especificamente a conduta praticada em excesso de poder ou de infração de lei ou contrato social e identifique o agente, no que o auto de infração em questão foi falho. Embora analisando todo o contexto dos fatos até se possa cogitar que as pessoas físicas apontadas como responsáveis tinham conhecimento dos fatos, tal circunstância não consta expressamente da imputação fiscal, não sendo possível admitir a responsabilização de pessoas físicas com base em mera suposição. Neste sentido, oriento meu voto para dar provimento aos recursos voluntários dos imputados responsáveis. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para (i) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, e (ii) dar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2947DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.001346/2003-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.457
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 13 46 /2 00 3- 48 Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 382 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 324/339) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 307/317), proferida em sessão de 09 de julho de 2010, consubstanciada no Acórdão n.º 1232.108, da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, por maioria de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (efls. 143/144, 227/243), para reformar o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/05/2007 (efl. 126), baseado em informação fiscal (efls. 124/125), reconhecendo o direito creditório adicional de R$ 9.048,35, que, acrescidos aos R$ 144.773,90 já reconhecidos pela DRF Ribeirão Preto, totalizam a soma de R$ 153.822,25, decorrente de saldo negativo do ano de 2002 (exercício 2003), e, via de consequência, homologou as compensações declaradas na Declaração de Compensação (efls. 02/04) e nos PER/DCOMP ns.º 03161.38585.200407.1.7.024260 (fls. 97/100), 11448.66039.200407.1.7.028991 (fls. 101/104), 02406.09518.200407.1.7.029448 (fls. 105/108), 38359.37173.200407.1.7.022069 (fls. 109/112), 05648.53977.200407.1.7.026459 (fls. 113/118) e 40201.97783.200407.1.7.02 2075 (fls. 119/122), no limite do total do direito creditório reconhecido, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se o interessado provar que existe informe de rendimentos emitido em seu favor que comprove a retenção do imposto de renda, bem como o montante e a natureza dos rendimentos auferidos. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEFERIMENTO ATÉ LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Homologase, no limite do direito creditório reconhecido, as declarações de compensação de débitos próprios pleiteadas pelo contribuinte com créditos originados do direito creditório reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 383 3 Tratase das seguintes Declarações de Compensação que utilizam, como crédito, saldo negativo do IRPJ dos anos de 2001 e 2002: Do Despacho Decisório Por meio do Despacho Decisório datado de 03/05/2007 (fl. 124) [efl. 126], a DRF Ribeirão Preto, com base na Informação de fls. 122/123 [efls. 124/125], reconheceu direito creditório no valor de R$ 144.773,90, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, e homologou a Declaração de Compensação de fl. 1 [efls. 02/04], na parte em que utiliza o crédito de 2002, e os PER/DCOMP listados na tabela do parágrafo anterior, até o limite do crédito reconhecido. Em síntese, a Informação de fls. 122/123 [efls. 124/125] apresentou as seguintes razões: Que, em virtude de o crédito referente a 2001 ter sido objeto do processo administrativo n.º 12861.000003/2006 96 (fls. 82/86) [efls. 84/88], a análise restringiuse ao crédito do anocalendário de 2002; Que, para o mês de janeiro de 2002, a Interessada indicou em DCTF que compensara a estimativa mensal de IRPJ com saldos negativos dos anos de 1999 e 2000, nos valores de R$ 11.901,90 e R$ 15.536,17, respectivamente; Que, no entanto, já nos autos do processo administrativo n.º 12861.000003/200696 (fl. 84) [efl. 86], havia sido constatada a inexistência de saldo negativo no ano de 1999, razão pela qual não se pode aceitar a compensação na sua integra, mas somente no que é afeto ao ano de 2000 (R$ 15.536,17); Que, para os meses de fevereiro, março e abril de 2002, a Interessada indicou em DCTF que compensara as estimativas mensais de IRPJ com saldo negativo somente do ano de 2000, nos valores, respectivamente, de R$ 60.256,03, R$ 12.486,40 e R$ 22.395,84; Que, conforme planilha de fl. 89 [efl. 91], a extinção do crédito tributário, por compensação, do mês de abril foi de apenas R$ 6.795,42, haja vista que o saldo negativo do ano de 2000 é de R$ 79.208,09, conforme Despacho Decisório e Informação constantes do processo administrativo n.º 12861.000003/200696 reproduzidos nestes autos às fls. 82/86 [efls. 84/88]; Que, com relação a esse saldo negativo de 2000, como consignado na Informação de fls. 82/85 [efls. 84/87], a estimativa de dezembro de 2000 foi parcialmente compensada — R$ 10.527,87 — com saldo negativo do ano de 1999, o qual não fora reconhecido; Que a Interessada informou, em sua DIPJ, retenções de IRF no valor total de R$ 161.908,61 (R$ 125.365,30 Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 384 4 no decorrer do ano e R$ 36.543,31 no encerramento), ao passo que, de acordo com as DIRF localizadas nos sistemas informatizados da RFB, as retenções totalizaram R$ 152.845,55 (fl. 14) [efl. 16]; Que, intimada a esclarecer a diferença acima apontada (fl. 24) [efl. 26], a Interessada trouxe os comprovantes de retenção de fls. 25/60 [efls. 27/64]; Que os comprovantes de fls. 51/54 [efls. 53/56] foram desconsiderados, pois, além de não refletirem as informações contidas nas DIRF, não identificam o beneficiário dos rendimentos e, por conseguinte, não trazem a informação da pessoa que sofreu a retenção; Que, assim, as retenções informadas nos comprovantes totalizam valor inferior ao informado nas DIRF, razão pela qual a DRF Ribeirão Preto considerou, para abater do imposto devido, a quantia total informada nas DIRF — R$ 152.845,55; e Que, a partir desses dados, confeccionou a planilha de fl. 121 [efl. 123], por meio da qual se constata a existência de saldo negativo no valor de R$ 144.773,90. A Interessada tomou ciência do Despacho Decisório, bem como foi comunicada das compensações efetuadas, em 09/05/2008, conforme Intimação N.º 236/2008/DRF/RPO/Seort (fls. 133/135) [efls. 135/139]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada, apresentou, em 10/06/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 141/142 [efls. 143/144], na qual alega, em síntese: Que o direito ao crédito para as Declarações de Compensação não homologadas encontramse nas DIPJ 2001 a 2003, conforme documentos que serão juntados posteriormente; e Que anexa cópia da DIPJ 2003 às fls. 156/209 [e fls. 158/211]. E, em 01/04/2009, aditou à sua Manifestação de Inconformidade as seguintes alegações (fls. 224/240) [efls. 227/243]: SALDO NEGATIVO REFERENTE AO ANOCALENDÁRIO 1999 Que a autoridade fiscal sustenta a inexistência de saldo negativo do ano de 1999 amparada em entendimento equivocado firmado nos autos de outro processo administrativo (n.º 12861.000003/200696); Que, de fato, o crédito tributário exigido nos autos daquele processo remonta ao ano de 1996, quando a Interessada utilizou valores indevidamente pagos a título de ILL, para compensar débitos de estimativa, autorizados por decisão judicial exarada nos autos do processo n.º 95.00622335 pela Justiça Federal em São Paulo; Que a não homologação da extinção do crédito tributário relativo às estimativas de IRPJ do ano de 1996 devese ao entendimento do TRF da 3.ª Regido que não admitiu a compensação de créditos atingidos pela prescrição quinquenal prevista no art. 3.º, da Lei Complementar n.º 118/2005; Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 385 5 Que, no entanto, o STJ concedeu efeito suspensivo ativo (fls. 265/280) [efls. 268/283] ao recurso especial interposto nos autos do processo judicial n.º 96.00048193 (ação principal da Medida Cautelar n.º 95.00622335) para determinar que o prazo prescricional para se pleitear a restituição do indébito inaugurase cinco anos após o lançamento por homologação tácita, o que permite a compensação do recolhimento indevido do ILL com as estimativas de IRPJ do ano de 1996; Que, assim, o saldo negativo de IRPJ do ano de 1996 passa a ser de R$ 353.757,74, sendo, portanto, suficiente para as compensações realizadas no processo administrativo n.º 12861.000003/200696, bem como para justificar o saldo negativo de IRPJ do ano de 1999; SALDO NEGATIVO REFERENTE AO ANOCALENDÁRIO 2000 Que também é indevida a diminuição do crédito da Interessada referente à antecipação de estimativa de IRPJ do mês de abril de 2002 de R$ 22.395,84 para R$ 6.795,42; Que a diferença entre o saldo negativo informado pela Interessada e o apurado pela DRF Ribeirão Preto (R$ 91.921,33 contra R$ 79.208,09) decorre da não aceitação da compensação de parte da estimativa referente ao mês de dezembro de 2000 com saldo negativo de 1999; Que, como exposto no tópico acima, o crédito decorrente do saldo negativo de 1999 teve origem no saldo negativo de 1996 decorrente da compensação com pagamentos indevidos de ILL; Que, portanto, o saldo negativo de 2000 é aquele apurado pela Interessada no valor de R$ 91.921,33; AS RETENÇÕES UTILIZADAS PELA CONTRIBUINTE Que sustenta a autoridade fiscal que somente podem ser utilizadas as retenções no valor total de R$ 152.818,79, eis que, em relação aos comprovantes de fls. 51/54 [efls. 53/56], não haveria registro em DIRF e identificação da pessoa retida; Que eventual incorreção ou falta de dados nos comprovantes emitidos pelas instituições financeiras não podem ser imputadas à Interessada que efetivamente sofreu a retenção do IRF; devem ser cobradas das instituições financeiras; e Que, além disso, apesar dos informativos de fls. 51/54 [efls. 53/56] não identificarem a pessoa retida, apontam as contas a que se referem, que são titularizadas pela Interessada, conforme extratos de fls. 282/284 [efls. 285/287]. A tese de defesa foi acolhida em parte pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Como observou a DRF de Ribeirão Preto, a análise nestes autos cingese ao anocalendário de 2002 e, após a verificação das estimativas de IRPJ recolhidas e/ou compensadas e do imposto de renda retido na fonte, constatou a existência de saldo negativo ao final do ano no valor de R$ 144.773,90 contra um pleito de R$ 181.339,28 (ver fl. 5) [efl. 7]. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 386 6 A divergência referese às estimativas de IRPJ concernentes aos meses de janeiro e abril de 2002 que não foram consideradas plenamente adimplidas e ao imposto de renda retido na fonte que não foi considerado plenamente comprovado. No que se refere às estimativas: A de janeiro de 2002 não foi considerada adimplida na parte que se refere à compensação — no valor de R$ 11.901,90 — com saldo negativo de 1999, o qual, de acordo com decisão proferida nos autos do processo administrativo n.º 12861.000003/200696 (fl. 84) [efl. 86], inexiste; e A do mês de abril fora compensada com saldo negativo do ano de 2000, que, conforme Despacho Decisório e Informação constantes do processo administrativo n.º 12861.000003/200696, reproduzidos nestes autos às fls. 82/86 [efls. 84/88], fora reduzido a R$ 79.208,09, medida, essa, contestada pela Interessada, em razão de a estimativa de dezembro de 2000 ter sido parcialmente compensada — R$ 10.527,87 — com saldo negativo do ano de 1999, não reconhecido na decisão referida no parágrafo anterior. Existem, portanto, em resumo, dois aspectos que devem ser abordados neste voto: o saldo negativo do ano de 1999 e a retenção de imposto de renda na fonte no ano de 2002. Do Saldo Negativo de 1999 Quanto ao saldo negativo de 1999, a Interessada alega que, em razão da decisão proferida pelo STJ nos autos da Medida Cautelar n.º 12.822, que autorizou a compensação dos pagamentos indevidos de ILL com as estimativas de IRPJ do ano de 1996, houve saldo negativo neste ano que deu também origem ao saldo negativo no ano de 1999 devido às compensações daquele saldo negativo (de 1996) com as estimativas de IRPJ no ano de 1999. Vale conferir (fls. 224/240) [efls. 227/243]: Na verdade, (...), o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ no ano calendário 1999, utilizado para compensações tais como a discutida no presente caso, teve origem em saldo negativo de IRPJ do ano de 1996 decorrente de pagamento indevido de ILL, eis que as estimativas de IRPJ do ano calendário 1999 foram liquidadas com referido saldo negativo de 1996. Ocorre, contudo, que a controvérsia entre o saldo negativo informado pela Interessada e o apurado pela DRF de Ribeirão Preto para o ano de 1999 restringese ao imposto de renda retido na fonte naquele ano. Não houve, segundo a Autoridade que lavrou a Informação de fls. 82/85 [efls. 84/87], pagamentos com DARF ou mesmo compensação das estimativas com saldo negativo de anos anteriores. Por oportuno, reproduzo, abaixo, o trecho da aludida Informação, que dispõe sobre o saldo negativo de 1999, o qual pode ser encontrado no primeiro parágrafo da fl. 84 [efl. 86]: Em relação ao anocalendário de 1999, o contribuinte teve imposto devido no valor de R$ 272.601,57 (...). Utilizou retenções na fonte no valor de R$ 284.768,16 no decorrer do ano, como antecipações, e R$ 14.060,95 no encerramento. Intimado a apresentar os comprovantes dessas retenções (...), não se manifestou. Assim, o valor das retenções sofridas a ser considerado passível de aproveitamento deve ser limitado por aquele encontrado no sistema Dirf, o qual é de R$ Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 387 7 239.880,26, conforme consulta de fl. do (...). Não fez pagamentos com Darf, nem compensou estimativas com saldo negativo de períodos anteriores. Assim, o resultado da apuração é um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 32.721,31 (...). Confirmo que, de fato, no ano de 1999, as estimativas mensais de IRPJ calculadas pela Interessada em sua Declaração foram sempre suportadas pelo imposto de renda retido na fonte do período (fls. 291/303) [efls. 294/306]. Ressalto, também, que a Interessada não traz aos autos qualquer outro elemento que pudesse refutar as conclusões da DRF de Ribeirão Preto. Dessa forma, não há como reformar a decisão a quo no que se refere aos valores de estimativa efetivamente adimplidos no ano de 2002 e aptos a influir no saldo negativo deste mesmo ano. Da Retenção de IRF no Ano de 2002 Quanto a este aspecto, a DRF de Ribeirão Preto deixou de considerar as retenções efetuadas pelo Banco Bradesco S/A, no valor total de R$ 9.048,35, tendo em vista que os informes de fls. 51/54 [efls. 53/56] não consignavam o beneficiário dos rendimentos das aplicações financeiras. Entretanto, apesar de não indicar o beneficiário dos rendimentos, os informes apontavam as contas a que se referiam. A partir dos extratos juntados pela Interessada as fls. 282/284 [efls. 285/287], que demonstram que várias das contas informadas são titularizadas pela Interessada, entendo que esses informes, ante o novo dado trazido aos autos, passam a cumprir os requisitos exigidos pelo art. 13, § 2.º, da Lei n.º 4.154/62 (art. 815 e 942, do RIR/99), bem como pelo art. 55, da Lei n.º 7.450/85, que possuem as seguintes redações: Lei n.º 4.154/62 Art. 13. As pessoas físicas e jurídicas, as repartições públicas federais, estaduais e municipais e os órgãos autárquicos e paraestatais que pagarem, ou creditarem os rendimentos a que se refere o artigo 5.º do Regulamento expedido com o Decreto n.º 47.373, de 7 de dezembro de 1959, deverão fornecer ao beneficiário documento comprovante de todos os pagamentos ou créditos de rendimentos em cada exercício. (...) § 2.º As pessoas físicas ou jurídicas, bem como as repartições públicas que efetuarem retenção do imposto na fonte, deverão fornecer ao contribuinte documento comprobatório dessa retenção, em duas vias, com indicação da natureza e montante do rendimento a que o mesmo se refere. Lei n.º 7.450/85 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Diante do exposto, há que se reformar a decisão da DRF Ribeirão Preto para reconhecer que os informes de fls. 51/54 [e fls. 53/56] comprovam a retenção na fonte de imposto de renda no valor de R$ 9.048,35. Dessa forma, considero como imposto de renda retido na fonte no ano de 2002 a quantia total de R$ 161.893,90 (R$ 152.845,55 já reconhecidos pela DRF Ribeirão Preto, acrescidos de R$ 9.048,35) assim dividida: IRRF usado nos meses — R$ 125.365,30; e Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 388 8 IRRF no encerramento — R$ 36.528,60. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, o saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 passa a ser o seguinte: Do recurso voluntário No recurso voluntário (efls. 324/339) o contribuinte reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade (efls. 143/144, 227/243) para vindicar o direito creditório pretendido. Nesse contexto, sobreveio determinação para encaminhamento destes autos para o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (efl. 380). Posteriormente, os processos foram distribuídos para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 05/08/2010, efls. 321/323, e protocolo recursal realizado em 06/09/2010, segundafeira, e fl. 324), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 389 9 como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 27.517,03. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, oportunidade em que o sujeito passivo efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. Compulsando os autos, verifico que estamos diante de DCOMP's decorrente de saldo negativo do anocalendário de 2002 (exercício 2003). A recorrente, neste ponto da lide, insurgese quanto a não homologação integral das DCOMP's tendo por base saldos negativos de 1999 e 2000 que, segundo ela, vão influenciar no saldo negativo do anocalendário de 2002. O saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999 teria origem em saldo negativo de IRPJ de 1996 (ILL), sendo a matéria discutida no Processo n.º 12861.000003/200696, mas a fiscalização não o reconheceria. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 teria por fundamento o saldo negativo de IRPJ de 1999, que seria glosado pelo próprio efeito cascata do não reconhecimento anterior. Sustenta, assim, que a raiz de toda a problemática tem nascedouro com o saldo negativo de Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 390 10 IRPJ de 1996 (composto com crédito de ação judicial que discutia ILL exigido indevidamente da empresa), o qual foi sendo transportado ano a ano até 1999. Deste modo, a recorrente vindica o reconhecimento dos créditos de saldos negativos de 1999 e 2000 não aceitando a redução, razão do inconformismo da contribuinte, para tanto, junta especialmente documentação do Processo n.º 12861.000003/200696 demonstrando reversão judicial para reconhecer a homologação de compensações, cujas apreciações limitamse à parte em que o crédito decorre de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001. Ocorre que, como relatado pela DRJ (efl. 314), a controvérsia entre o saldo negativo informado pela recorrente e o apurado pela DRF de Ribeirão Preto para o ano de 1999 restringese ao imposto de renda retido na fonte naquele ano, não havendo, segundo a Autoridade que lavrou a informação fiscal (efls. 84/87), pagamentos com DARF ou mesmo compensação das estimativas com saldo negativo de anos anteriores. Vale dizer, especialmente a composição de 1999 não vem do saldo negativo de 1996 da ILL. Aliás, este ponto de observação da decisão vergastada não é refutado convincentemente pelo sujeito passivo. Vejase o trecho (efl. 86) da informação fiscal mencionada (efls. 84/87), a qual foi proferida no famigerado Processo n.º 12861.000003/200696: Em relação ao anocalendário 1999, o contribuinte teve imposto devido no valor de R$ 272.601,57 (...). Utilizou retenções na fonte no valor de R$ 284.768,16 no decorrer do ano, como antecipações, e R$ 14.060,95 no encerramento. Intimado a apresentar os comprovantes destas retenções (...), não se manifestou. Assim, o valor das retenções sofridas a ser considerado passível de aproveitamento deve ser limitado por aquele encontrado no sistema Dirf, o qual é de R$ 239.880,26, conforme consulta ... Não fez pagamentos com Darf, nem compensou estimativas com saldo negativo de períodos anteriores. (...). A inclusão deste ano na análise se fez necessária para evidenciar a razão pela qual as compensações futuras cujo crédito se referir ao saldo negativo de 1999 serão desconsideradas. Por sua vez, consta o seguinte trecho (efl. 314) na decisão vergastada (e fls. 307/317): Ocorre, contudo, que a controvérsia entre o saldo negativo informado pela Interessada e o apurado pela DRF de Ribeirão Preto para o ano de 1999 restringese ao imposto de renda retido na fonte naquele ano. Não houve, segundo a Autoridade que lavrou a Informação de fls. 82/85 [e.fl. 84/87], pagamentos com DARF ou mesmo compensação das estimativas com saldo negativo de anos anteriores. Por oportuno, reproduzo, abaixo, o trecho da aludida Informação, que dispõe sobre o saldo negativo de 1999, o qual pode ser encontrado no primeiro parágrafo da fl. 84 [efl. 86]: Em relação ao anocalendário de 1999, o contribuinte teve imposto devido no valor de R$ 272.601,57 (...). Utilizou retenções na fonte no valor de R$ 284.768,16 no Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 391 11 decorrer do ano, como antecipações, e R$ 14.060,95 no encerramento. Intimado a apresentar os comprovantes dessas retenções (...), não se manifestou. Assim, o valor das retenções sofridas a ser considerado passível de aproveitamento deve ser limitado por aquele encontrado no sistema Dirf, o qual é de R$ 239.880,26, conforme consulta de fl. do (...). Não fez pagamentos com Darf, nem compensou estimativas com saldo negativo de períodos anteriores. Assim, o resultado da apuração é um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 32.721,31 (...). Confirmo que, de fato, no ano de 1999, as estimativas mensais de IRPJ calculadas pela Interessada em sua Declaração foram sempre suportadas pelo imposto de renda retido na fonte do período (fls. 291/303) [efls. 294/306]. Apresentados tais pontos, importante consignar que não comprovado o saldo negativo de 1999 o saldo negativo de 2000, que seria influenciado pelo mesmo, também não se comprova. De mais a mais, consta, ainda, na decisão recorrida, a seguinte observação em seu relatório (efls. 307/317, especialmente o trecho na efl. 309), a qual elucida que, realmente, que o Processo n.º 12861.000003/200696 não influência neste caso: (...) Que, em virtude de o crédito referente a 2001 ter sido objeto do processo administrativo n.º 12861.000003/200696 (fls. 82/86) [efls. 84/88], a análise restringiuse ao crédito do anocalendário de 2002. Este ponto explica a separação dos autos. Tais pontos não são infirmados de modo a convencer este relator do contrário, pelo que, ao meu ver, devese manter a decisão da DRJ. Ora, no Processo n.º 12861.000003/200696 é dito que especialmente 1999 não guarda relação com a discussão judicial que o contribuinte alega invocando o retorno para 1996 e o questionamento em torno da ILL. Por conseguinte, mão se demonstra nos autos a comprovação do crédito que restou em controvérsia, muito menos de forma líquida e certa. Aliás, como já afirmado, não se comprova o montante necessário do imposto de renda retido na fonte para o ano de 1999, que atestaria a formação do saldo negativo no montante que o contribuinte deseja. O fato é que, pela prova dos autos, as estimativas de 1999 estão indicadas como suportadas pelo suposto imposto de renda retido na fonte (efls. 294/306), mas num volume de retenções que não integralmente comprovados como retidos. A verificação das informações prestadas, constantes na base de dados da Administração Tributária, conforme relatos dos autos e ausência de outras provas, não atesta certeza e liquidez para garantir transparência a homologação das diferenças vindicadas. A documentação constante dos autos, incluindo a processual e a fiscal, por si só, não é suficiente para atestar a liquidez e certeza. O ônus probatório do direito creditório, de forma clara, harmoniosa e elucidativa, é de responsabilidade do contribuinte e não vejo nos autos elementos para plena convicção. A referida temática já foi objeto de apreciação neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), vejase: Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 392 12 ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Por conseguinte, o fato é que para a diferença não homologada, que não foi reconhecido o crédito, assiste razoável razão para a Administração Tributária em desfavor do contribuinte e este poderia afastar efetuais dúvidas, mas não o fez, havendo controvérsia quanto a certeza e liquidez da parcela do crédito não reconhecido. É fato que a demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação de documentação hábil a afastar as dúvidas, com a evidenciação da composição inconteste do crédito, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação por carecer de certeza e liquidez. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e outras da escrita fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, compondo o vindicado saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Observese que nos autos não foram juntados outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais. Não constam dos autos, por exemplo, o Livro Diário, o Livro de Apuração do Lucro Real, os balancetes transcritos na escrita contábil, deixandose, igualmente, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova mais contundentes, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado direito creditório, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito, demonstração detalhada da formação do saldo negativo. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confirmar o crédito. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10840.001346/200348 Acórdão n.º 1002000.457 S1C0T2 Fl. 393 13 declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 393DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000038/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2008
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos
quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA.
A cooperativa é equiparada a empresa para fins previdenciários, sujeitando-se ao recolhimento de contribuições sociais quando do crédito de importâncias, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF N°02.
A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedadoa este tribunal, conforme Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2402-006.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini (relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA. A cooperativa é equiparada a empresa para fins previdenciários, sujeitando se ao recolhimento de contribuições sociais quando do crédito de importâncias, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF N°02. A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedadoa este tribunal, conforme Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini (relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 00 38 /2 00 8- 24 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0920.462, da 6ª Turma da DRJ de Juiz de Fora (fls. 113/121), que julgou procedente o lançamento constituído por meio do Auto de Infração DEBCAB nº 37.156.5499, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de processo de Auto de InfraçãoAI Debcad n° 37.156.5499, regularmente lavrado em 04/06/2008, tendo o interessado tomado conhecimento em 06/06/2008, pessoalmente, conforme fls. 01 dos autos. De acordo com o Relatório Fiscal às fls. 44/47, o crédito lançado, no montante de R$ 615.680,96 (seiscentos e quinze mil, seiscentos e oitenta reais, noventa e seis centavos), consolidado em 03/06/2008, referese a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre a remuneração paga e/ou creditada aos contribuintes individuais (cooperados), no período de 08/2004 a 06/2006, 08/2006 a 12/2007 e a diferenças de acréscimos legais nas competências 12/2004, 03/2005, 10/2005 a 04/2006, 09/2006, 11/2006, 05/2007 a 01/2008. A cooperativa foi enquadrada como de produção conforme itens 2.4 a 2.8 do relato fiscal, abaixo transcritos: “2.4 Em análise ao Estatuto da Cooperativa, no art. 2°, verificase que o seu objetivo social é a execução de serviços na área educacional, podendo criar e manter instituição de ensino com observação do que prescreve a Lei n° 9.394/96 que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 4 3 2.5 Verificamos que, de fato e direito, a cooperativa, que é constituída com a associação de vários professores, criou e mantém uma instituição de ensino, conhecido como Sistema Ápice de Ensino, e disponibiliza para a sociedade o ensino médio regular, conforme comprovam as cópias de contrato particular de prestação de serviços educacionais celebrados entre a cooperativa e o aluno ou seu responsável. Dessa forma, à luz da legislação notase que não se trata de uma cooperativa de trabalho, mas uma cooperativa de produção, pois os seus associados contribuem com serviços profissionais para produção em comum de um bem, que é oferecer a educação regular ao contratado. Este último contrata uma vaga na sala de aula para cursar o ensino médio em alguma série/período oferecido pela cooperativa. Assim, fica claro que não pode ser enquadrada como uma cooperativa de trabalho que tem por objetivo a intermediação da prestação de serviços dos cooperados, expressos em forma de tarefa, obra ou serviço, com seus contratantes, pessoas físicas ou jurídicas, portanto, não produzindo bens. Em outras palavras, na cooperativa de trabalho o que se contrata é o serviço do profissional de um cooperado filiado. 2.6 A definição de cooperativa de produção está claramente disposta no § 3° do art. 1° da Lei n° 10.666, de 08/05/2003, que ora transcrevemos: (...) 2.7 À vista da documentação analisada por esta fiscalização, constatouse que professores se associaram e criaram uma instituição de ensino para fornecer um produto final à sociedade que é a disponibilidade de educação básica nos termos das diretrizes do Sistema Nacional de Ensino, tendo como corpo docente os próprios cooperados e professores contratados sob forma de empregados, portanto, o seu objetivo está perfeitamente dentro da disposição legal citado no item anterior. 2.8 Diante do acima exposto, estamos enquadrando a cooperativa como de produção e por essa razão, os cooperados integram a categoria de contribuintes individuais como nas empresas em geral, nos termos da alínea “n” do inciso V, do art. 9°, do Decreto n° 3.048/99, acrescentada pelo Decreto n° 4.032, de 26/l 1/2001. Assim, apuramos a parte patronal dos cooperados como está discriminado no DAD e no RL Relatório de Lançamentos, anexos integrantes do Auto de Infração.” O débito foi apurado com base nas folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais, sendo os fatos geradores das contribuições lançadas discriminados no levantamento “FPG FOLHA DE PAGTO GFIP” do Relatório de LançamentosRL às fls. 20/23. A parte descontada dos segurados contribuintes individuais foi recolhida pela cooperativa. No levantamento “DAL Diferença de Ac. Legais” foram lançados os acréscimos legais (juros e multa) resultantes das Guias de Previdência SocialGPS com o código 2127, recolhidas no dia 15 do mês subseqüente, que foram transformados em documentos de crédito e deduzidos das contribuições devidas pela cooperativa (levantamento FPG), cujo vencimento era no dia 02 do mês subseqüente. A apuração destes valores está demonstrada no anexo Diferença de Acréscimos LegaisDAL às fls. 27/31. Para a constituição do crédito foram examinados os seguintes documentos: Estatuto Social e atas de Assembléias Gerais, Livros Diário e Razão, folhas de pagamento, Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 5 4 GFIP, contratos de prestação de serviços educacionais e documentos de caixa por amostragem. O lançamento encontrase respaldado na legislação relacionada no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, que constitui fls. 32/34 do processo. Tempestivamente o contribuinte contestou o feito fiscal através da impugnação protocolada na DRF Uberlândia/MG em 08/07/2008 (fls. 84/90), alegando em síntese o que se relata a seguir: Afirma que os sujeitos passivos das contribuições referidas no art. 195, inciso I da Constituição Federal são o empregador, a empresa e a entidade a ela equiparada na forma da lei. Prossegue dizendo que a escolha do empregador se justifica, pois é estabelecido um vínculo entre patrão e trabalhador formalizado pelo contrato de trabalho, o que motiva a sua participação no custo da seguridade social, pois são os empregados os seus destinatários. Conceitua empresário de acordo com o art. 966 do Código Civil por não haver no ordenamento jurídico o conceito de empresa. Diz que conforme parágrafo único do citado artigo não se considera empresário aquele que “exerce profissão intelectual, de natureza cientifica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores”, o mesmo acontecendo com as associações e fundações. Entende que se enquadra como associação, que de acordo com o art. 53, caput e art. 62, parágrafo único do Código Civil, não pode possuir fins lucrativos, como é o seu caso. Conclui, argumentando que não pode ser equiparada a empresa e, por conseguinte a empregador, porque não existe hierarquia entre os cooperados, inexiste vínculo de emprego e subordinação, o que afasta a incidência do art. 22, inciso I da Lei n° 8.212/91. Em seguida, sustenta através de vasta argumentação que a multa aplicada é exorbitante e supera o valor do imposto em mais de 200%, além do caráter confiscatório proibido pelo art. 150, inciso IV da CF/88. Por fim, requer que seja recebida a impugnação, apreciado o mérito e decidido pela improcedência da autuação, determinando o cancelamento do AI e da multa, ou alternativamente, que seja reconhecido o caráter confiscatório da multa aplicada uma vez que esta é superior a 15% da contribuição devida. É o relatório. A decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ de Juiz de Fora, de início, chamou a atenção para a preclusão das matérias não impugnadas pela defesa, posto que uma vez que não que impugnadas, não se tornaram controvertidas, conforme prescreve o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, obstando, assim o seu conhecimento. Por fim, analisando apenas o quanto impugnado, julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PRVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2008 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. COOPERATIVA. EQUIPARAÇAO A EMPRESA. A sociedade cooperativa é equiparada a empresa para fins previdenciários, sujeitandose ao recolhimento de contribuições sociais quando do crédito de importâncias a qualquer título a segurados contribuintes individuais. Considerase cooperativa de produção aquela em que seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção. MULTA. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER CONFISCATORIO. Não procede a alegação de confisco se a multa aplicada, decorrente da falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições sociais, foi calculada nos moldes fixados em lei. Lançamento Procedente Cientificada dessa decisão aos 30 de outubro de 2008, a autuada apresentou recurso voluntário aos 28 de novembro de 2008, alegando, em síntese: 01) Que as cooperativas foram instituídas para prestar serviços aos seus associados, nos termos do art. 4° da Lei nº 5.764/71, sendo a reunião de esforços e recursos de um grupo que pretende a melhoria de sua condição social, sob os aspectos econômicos e profissionais; 02) Conforme art. 2º da Ata de Assembleia Geral de Constituição, a recorrente é uma cooperativa de trabalho sem fins lucrativos, constituída nos moldes da mencionada lei, formada por pessoas da mesma profissão que, na qualidade de cooperados, prestam serviços a terceiros por seu intermédio; 03) Que cumpre todos os requisitos elencados no supramencionado art. 4º, que a caracterizam como cooperativa, e que não possui a finalidade de obtenção de lucro, nem de receita; 04) Que foi constituída pela associação de vários professores e disponibiliza para a sociedade, por meio deles, o ensino médio regular, conforme comprovam cópias de contrato particular de prestação de serviços educacionais celebrado entre a cooperativa e o aluno ou seu responsável legal; 05) Que se trata, assim, de cooperativa de trabalho, não de produção, uma vez que seus cooperados não contribuem com serviços profissionais para a produção em comum de um bem, não havendo como enquadrála como Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 7 6 tal, nem como qualificar seus cooperados como contribuintes individuais, conforme disposto no art. 9º, V, “n” do Decreto 3.048/99; 06) Que não se enquadra na definição legal de cooperativa constante do art. 1º, §3º da Lei nº 10.666/06, conforme decidiu a DRJ de Juiz de Fora; 07) Que os cooperados não podem ser equiparados a contribuinte individuais, como nas empresas em geral, porque numa cooperativa, como é o caso, não há subordinação entre eles; 08) Também não há vínculo empregatício entre os cooperados e a cooperativa, conforme norma expressa no art. 90 da Lei nº 5.764/71, norma esta reforçada pela Lei nº 8.949/94, que deu nova redação ao parágrafo único do art. 442 da CLT, que contém disposição no mesmo sentido; 09) Que nos termos do art. 966 do Código Civil, não pode ser equiparada a empresa e, por conseguinte, a empregador, não havendo que se falar em infração aos dispositivos da Seguridade Social, uma vez que o art. 195, I da CF dispõe que a seguridade social será financiada por contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, não tendo sido a cooperativa eleita pela Constituição como responsável pelo financiamento da Seguridade Social; 10) Por todas essas razões, afirma que não está sujeita à contribuição social de 20% sobre o total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas aos cooperados, conforme disposto no art. 201, II, § 19 do Decreto nº 3.048/99 e que os recolhimentos efetivados o foram dentro do prazo legal; 11) Ademais, alega que a multa que lhe foi imposta é confiscatória, pois supera o valor do tributo em mais de 200%; e 12) Por fim, por todas essas razões, requer seja dado provimento ao recurso voluntário para declarar improcedente a autuação, cancelandose o Auto de Infração ou, subsidiariamente, reconhecendose o caráter confiscatório da multa e dos juros aplicados, declarandose nula a sua aplicação e isentandose o Autuado de tais pagamentos. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 8 7 Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, pelo que dele conheço. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA A SER JULGADA Como mencionado, a decisão recorrida, logo de início, traz observação no sentido de que “as matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, na redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (...)”. Nesse sentido, conforme se verifica da análise da impugnação e do recurso voluntário, constatase que no recurso ora sob análise, o recorrente deduz matéria que não foi levada à apreciação da DRJ em sede de impugnação. Com efeito, confrontandose ambas as peças de defesa, verificase que a recorrente inova na fase recursal ao apresentar tese não levada a conhecimento do colegiado de primeiro grau. Analisando o conteúdo das razões de impugnação, bem como do recurso voluntário, constatase que a recorrente inova neste último relativamente a todos os argumentos em torno de sua constituição à luz da Lei nº 5.764/71. Salientese que tais alegações poderiam e, mais, deveriam ter constado de suas razões de defesa desde a impugnação, máxime se as considera aptas a influenciar no resultado do julgamento. Por conseguinte, entendo que esses argumentos, trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não teve oportunidade de conhecer e de se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância, não podem ser apreciados por este colegiado em grau de recurso, dada a ocorrência de preclusão consumativa. Sobre o assunto, sendo a preclusão a perda da faculdade de praticar o ato processual, ensinanos a doutrina que: “5.Preclusão consumativa: Dizse consumativa a preclusão, quando a perda da faculdade de praticar o ato processual decorre do fato de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, isto é, de o ato já haver sido praticado e, portanto, não pode tornar a sêlo. (...)” (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. COMENTÁRIOS AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – NOVO CPC – LEI 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 744)” “Contestação. Uma vez apresentada a contestação, com bom ou mau êxito, não é dada ao réu a oportunidade de contestar novamente ou de aditar ou completar a já apresentada (RTJ 122/745). No mesmo sentido: RT 503/178.” (Idem, p. 745) Nesse sentido, inúmeros são os precedentes deste tribunal no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido submetida à apreciação e julgamento de primeira instância, dos quais cito apenas alguns, ilustrativamente: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2006 2007 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 9 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente /contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. DECADÊNCIA Tendo a contribuinte sido cientificado no transcurso do quinquênio legal não há que se falar em decadência. NULIDADE DO MPF Tendo sido realizadas as prorrogações e inclusões no procedimento de fiscalização, não há que se acolher a nulidade do procedimento. (Acórdão 3301002.475, autos do processo nº 19515.004887/201013) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou Manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de Fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância Ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. (1001000.297, autos do processo nº 10830.722047/201331) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 10 9 Aplicase à cooperativa de crédito a legislação da contribuição ao PIS e COFINS relativa às instituições financeiras, sendo irrelevante a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido. (3402004.942, autos do processo nº 16327.000840/200381) Sendo assim, não conheço das razões do recurso voluntário, sintetizadas nos tópicos 01 a 03, 07 e 08 do relatório, acima, que se trata de matéria inédita, trazida pela primeira vez pelo recorrente apenas no recurso voluntário, em face da ocorrência do fenômeno processual da preclusão consumativa. No mais, alega a recorrente que o inciso I do art. 195 da CF dispõe que a Seguridade Social será financiada por meio de contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, na forma da lei. E nessa linha, traz à colação o conceito de empresário expresso no art. 966 do Código Civil, segundo o qual: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Diante dos termos de tal dispositivo, argumenta que não pode ser equiparada a empresa e, por conseguinte, a empregador, pelo que não se há falar em infração de sua parte aos dispositivos que disciplinam as obrigações para com a Seguridade Social. Acresce que a cooperativa não foi definida pela Constituição como responsável pelo financiamento da Seguridade Social, que será custeada pelos trabalhadores e pelas empresas, e que sendo uma cooperativa, os cooperados não estão vinculados a uma hierarquia patrão/empregado, não havendo vínculo empregatício entre cooperativa e cooperados. Alega, também, que não se trata de uma cooperativa de produção, nos termos do art. 1º, § 3º da Lei nº 10.666/03, enquadramento que lhe conferiu o auditor fiscal e ensejou o lançamento, e que foi respaldado pela 6ª Turma da DRJ de Juiz de Fora na decisão recorrida, uma vez que não há falar que seus cooperados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens. Pois bem. Sobre este último tópico, esclareçase, por oportuno, que embora ele não tenha sido suscitado na impugnação, como foi enfrentado pelo acórdão recorrido, os argumentos a respeito foram trazidos pelo recorrente em seu recurso como resposta aos fundamentos da decisão recorrida, pelo que devem ser conhecidos. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 11 10 O auto de infração tem por objeto o lançamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, nos termos do art. 22, III da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99, conforme abaixo: “Art 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditados a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (destacamos) Como visto, a recorrente procura ilidir a responsabilidade pelo pagamento do tributo ao argumento, dentre outros, de que não se trata de empresa, nem a ela pode ser equiparada para fins de cumprimento de obrigações principais e acessórias frente à Seguridade Social, seja à luz do que dispõe o art. 966 do CC, seja porque se trata de entidade sem fins lucrativos. Ademais, afirma que também não se trata de empregador, pois não existe vínculo empregatício entre si e seus cooperados. Quanto a esse ponto, entendemos que não lhe assiste razão, uma vez que a própria Lei nº 8.212/90, em seu art. 15, parágrafo único, é clara ao equiparar expressamente a cooperativa, dentre outras pessoas jurídicas, à empresa, para fins de cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, nos seguintes termos: “Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.” (destacamos) Esse posicionamento, aliás, como não poderia deixar de ser, vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em várias decisões, dentre as quais citamos, a título ilustrativo, a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ÓBICE DA SÚMULA 284/STF. 1. Em suas razões recursais, a recorrente limitase a apontar ofensa ao art. 4º da Lei 5.764/71. Contudo, esse dispositivo não tem comando suficiente para infirmar a fundamentação do acórdão recorrido, não servindo de amparo para a tese no sentido de que é inconstitucional o art. 1º, II, da LC 87/96. Nesse contexto, mostra se deficiente a fundamentação recursal. Aplicase, por analogia, a incidência da Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." 2. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ é pacífica no sentido de que as cooperativas são equiparadas à empresa para fins de aplicação da legislação do custeio da previdência social, razão pela qual é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos seus associados, pelos serviços prestados a terceiros (REsp 503.057/RN, 1ª Turma, Rel. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 12 11 Min. Luiz Fux, DJ de 15.9.2003; AgRg no REsp 376.200/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 29.11.2007; REsp 962.297/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 3.9.2009). 3. Agravo regimental não provido. (destacamos) (AgRgREsp 1390778/RJ, 2ª T, rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 10/09/13, DJe 17/09/13) Desse modo, a equiparação das cooperativas à empresa para fins previdenciários, a par de qualquer argumento, decorre de lei, motivo pelo qual não tem razão a recorrente quanto a esse aspecto de sua irresignação. A recorrente também argumenta que não se trata de uma cooperativa de produção, nos termos do art. 1º, § 3º da Lei nº 10.666/03, enquadramento legal que lhe conferiu o auditor fiscal e fundamentou o lançamento, afirmando que não há falar que os seus cooperados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens. Vejamos, novamente, pela relevância, os termos em que o auditor fiscal fundamentou a autuação: 2.6 A definição de cooperativa de produção está claramente disposta no § 3° do art. 1° da Lei n° 10.666, de 08/05/2003, que ora transcrevemos: (...) § 3o Considerase cooperativa de produção aquela em que seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção.(destacamos) 2.7 À vista da documentação analisada por esta fiscalização, constatouse que professores se associaram e criaram uma instituição de ensino para fornecer um produto final à sociedade que é a disponibilidade de educação básica nos termos das diretrizes do Sistema Nacional de Ensino, tendo como corpo docente os próprios cooperados e professores contratados sob forma de empregados, portanto, o seu objetivo está perfeitamente dentro da disposição legal citado no item anterior. 2.8 Diante do acima exposto, estamos enquadrando a cooperativa como de produção e por essa razão, os cooperados integram a categoria de contribuintes individuais como nas empresas em geral, nos termos da alínea “n” do inciso V, do art. 9°, do Decreto n° 3.048/99, acrescentada pelo Decreto n° 4.032, de 26/l 1/2001. Assim, apuramos a parte patronal dos cooperados como está discriminado no DAD e no RL Relatório de Lançamentos, anexos integrantes do Auto de Infração Pelo que consta da letra da lei, qual seja o mencionado art. 1º, § 3° da Lei n° 10.666/03, é necessário, portanto, que sejam satisfeitos dois requisitos para que uma cooperativa seja enquadrada como uma cooperativa de produção, quais sejam: 01) a produção em comum de bens; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 13 12 02) Deter a cooperativa, por qualquer forma, os meios de produção desses bens. E nessa linha, esclarece o relatório fiscal que “professores se associaram e criaram uma instituição de ensino para fornecer um produto final à sociedade, que é a disponibilidade de educação básica nos termos das diretrizes do Sistema Nacional de Ensino, tendo como corpo docente os próprios cooperados e professores contratados sob forma de empregados”, concluindo, assim, tratarse, portanto, de uma cooperativa de produção, pois os seus associados contribuem com serviços profissionais para a produção em comum de um bem, que é oferecer a educação regular ao contratado, que contrata uma vaga na sala de aula para cursar o ensino médio em alguma série/período oferecido pela cooperativa. Neste ponto, é necessário que busquemos no Direito Civil o conceito de "bem" para, assim, concluirmos se uma "vaga" em uma sala de aula para cursar o ensino médio (ou qualquer outro grau que seja) se enquadra nesse conceito. Vejamos. A doutrina civilista nos ensina a respeito que: “Filosoficamente, bem é tudo quanto pode proporcionar ao homem qualquer satisfação. Nesse sentido se diz que a saúde é um bem, que a amizade é um bem, que Deus é o sumo bem. Mas, se filosoficamente, saúde, amizade e Deus são bens, na linguagem jurídica não podem receber tal qualificação. Juridicamente falando, bens são valores materiais ou imateriais, que podem ser objeto de uma relação de direito. O vocábulo, que é amplo no seu significado, abrange coisas corpóreas e incorpóreas, coisas materiais ou imponderáveis, fatos e abstenções humanas. Como diz Scuto, o conceito de coisa corresponde ao de bens, mas nem sempre há perfeita sincronização entre as duas expressões. Às vezes, coisas são o gênero e bens, a espécie; outras, finalmente, são os dois termos usados como sinônimos, havendo entre eles coincidência de significação. Não são todas as coisas materiais que interessam ao mundo jurídico. Somente interessam ao direito coisas suscetíveis de apropriação exclusiva pelo homem, como prédios, semoventes, mercadorias, livros, quadros e moedas. Se as coisas materiais escapam à apropriação exclusiva pelo homem, por ser exaurível sua quantidade, como o ar atmosférico, a luz solar e a água dos oceanos deixam de ser bens em sentido jurídico. O conceito de coisa, na linguagem do direito, é ministrado pela economia. (...) Coisas e bens econômicos constituem o patrimônio da pessoa, natural ou jurídica. Mas, para que possam integrála, preciso é sejam economicamente apreciáveis, idôneos à estimação pecuniária. Se não suscetíveis de aferição monetária, escapam ao raio de ação do direito. (MONTEIRO, Washington de Barros. CURSO DE DIREITO CIVIL. 1º Volume. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 144145). À luz desses ensinamentos, parecenos claro que o conceito de "bem", ainda que "amplo no seu significado", como nos alerta a doutrina, não é amplo o suficiente para alcançar uma "vaga" em uma sala de aula. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 14 13 Da lição acima transcrita, extraise que "bem" é um conceito intrinsecamente ligado ao de "coisa", senão como sinônimos, certamente como de espécie e gênero. Mas, se há controvérsias acerca da posição de um em relação ao outro nessa equação, fato é que não há dúvida na doutrina civilista acerca de que "bem" é algo economicamente apreciável, que integra o patrimônio da pessoa. E nessa linha de raciocínio, honestamente, não conseguimos vislumbrar uma vaga em uma sala de aula como algo passível de integrar o patrimônio o patrimônio de quem quer seja, de modo que parecenos muito claro que a realidade descrita no relatório fiscal não preenche os requisitos exigidos no dispositivo legal que embasou o lançamento para que a recorrente seja enquadrada como uma cooperativa de produção. Relembrando novamente, segundo a fiscalização, a recorrente se trataria de uma cooperativa de produção porque seus associados contribuem com serviços profissionais para a produção em comum de um bem, que é oferecer educação regular ao contratado, que contrata uma vaga na sala de aula para cursar o ensino médio. Entendemos que esse raciocínio, por mais engenhoso e criativo que seja, não está correto. Com efeito, não há como se equiparar uma vaga em uma sala de aula a um bem, ainda que se a considere como um bem imaterial. Parecenos claro que o que há, no caso, é a descrição de uma atividade. Nesse passo, ainda a doutrina civilista nos ensina que “o objeto do Direito pode traduzirse também em uma atividade da pessoa; uma prestação; um fazer ou deixar de fazer algo. As ações humanas, como objeto do Direito, manifestamse no direito obrigacional, que é pessoal, une uma pessoa a outra por meio de um vinculo jurídico. O objeto do Direito, porém, pode recair sobre coisas corpóreas e incorpóreas, como um imóvel, no primeiro caso, e produtos do intelecto, no segundo”. (VENOSA, Sílvio de Salvo. DIREITO CIVIL. Parte Geral. São Paulo: Atlas: 2005, p. 327). Ora, entendemos que o que se tem, no caso, é um autêntico serviço, não um bem. E reforça esse entendimento o fato de que a atividade em questão foi eleita pelo legislador complementar federal como hipótese de incidência, justamente, do imposto sobre serviços. Realmente, a atividade descrita pela fiscalização e que ensejou o enquadramento da recorrente como cooperativa de produção, sendo o fundamento da autuação, consta do item 8.01 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, conforme abaixo: Lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. “8.01 – Ensino regular préescolar, fundamental, médio e superior.” (destacamos) Não nos esqueçamos de que o art. 110 do CTN dispõe que “a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 15 14 Nesse sentido, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também nos ensina que não se pode desprezar o sentido de palavras e conceitos consagrados pelo Direito: “toda ciência pressupõe a adoção de escorreita linguagem, possuindo os institutos, as expressões e os vocábulos que a revelam conceito estabelecido com a passagem do tempo, por força dos estudos acadêmicos e pela atuação dos pretórios. Já se disse que “as questões de nome são de grande importância, porque, elegendo um nome ao invés de outro, tornase rigorosa e não suscetível de malentendido uma determinada linguagem. A purificação da linguagem é uma parte essencial da pesquisa científica, sem a qual nenhuma pesquisa poderá dizerse científica” (Studi Sulla Teoria Generalli del Diritto, Torino – G. Giappichelli, edição 1955, página 37). Realmente, a flexibilidade de conceitos, o câmbio do sentido destes, conforme os interesses em jogo, implicam em insegurança jurídica incompatível com o objetivo da própria Carta (...)”. (RE 166.777/RS, rel. Min. Marco Aurélio, j. 12/05/1994, DJ 16/12/1994) Assim, quando o art. 1º, § 3º da Lei 10.666/06 se refere a bens, somente pode utilizar esse vocábulo no sentido consagrado pelo Direito Civil, relacionado a coisa, produto, que são aptos a integrar o patrimônio do indivíduo, mas não a serviços como a atividade descrita pelo fiscal, que, s.m.j, não tem essa aptidão, o que, por si só, a exclui do conceito de "bem". E aqui lembremos da lição da doutrina acerca do fenômeno da incidência. Como nos ensina Paulo de Barros Carvalho, "Seja qual for a natureza do preceito jurídico, sua atuação dinâmica é a mesma: operase a concreção do fato previsto na hipótese, propalandose os efeitos jurídicos prescritos na conseqüência. Mas esse quadramento do conceito do fato ao conceito da hipótese normativa tem de ser completo, para que se dê, verdadeiramente, a subsunção.É aquilo que se tem por tipicidade, que no Direito Tributário, assim como no Direito Penal, adquire transcendental importância. Para que seja tido como fato jurídico tributário, a ocorrência da vida real tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese. Que apenas um não seja reconhecido, e a dinâmica que descrevemos ficará inteiramente comprometida." (CARVALHO, Paulo de Barros. CURSO DE DIREITO TRIBUTÁRIO. São Paulo, Saraiva: 1999, 243) Nesse sentido, mesmo que se considere que o fornecimento de um curso de ensino médio à sociedade, criado e mantido pela recorrente, demanda, necessariamente, o trabalho conjunto dos cooperados e que é a cooperativa que detém os meios de produção dessa atividade, esse fato, ainda assim, não se enquadra na hipótese tributária, pois não há, no como expusemos acima, a produção de bens, conforme o conceitua a doutrina civilista. Por fim, argumentou, ainda, a autoridade fiscal ao proceder ao enquadramento da recorrente como cooperativa de produção que fica claro que ela não poderia “ser enquadrada como uma cooperativa de trabalho que tem por objetivo a intermediação da prestação de serviços dos cooperados, expressos em forma de tarefa, obra ou serviço, com seus contratantes, pessoas físicas ou jurídicas, portanto, não produzindo bens. Em outras palavras, na cooperativa de trabalho o que se contrata é o serviço do profissional de um cooperado filiado.” Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 16 15 Ocorre que se a recorrente não se enquadra na categoria “cooperativa de trabalho”, igualmente, como acima expusemos, não se enquadra na categoria “cooperativa de produção”. Com efeito, conforme nos ensina a doutrina especializada, as cooperativas compõem ramos distintos do cooperativismo, que se distinguem nos temos do art. 10 e seu § 10 da Lei nº 5.764/71, segundo o qual: “Art. 10. As cooperativas se classificam também de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas ou por seus associados. § 1º Além das modalidades de cooperativas já consagradas, caberá ao respectivo órgão controlador apreciar e caracterizar outras que se apresentem.” À época da edição da mencionada lei, apenas estavam consagrados dois ramos do cooperativismo, quais sejam as cooperativas de trabalho e as de produção. Coube, então, à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), conforme estabelece o § 1º do art. 10, o reconhecimento de novos ramos do cooperativismo. Desse modo, “as cooperativas de trabalho se dedicam à organização e administração dos interesses inerentes à atividade profissional dos trabalhadores associados para a prestação de serviços não identificados com outros ramos já conhecidos, a saber: as cooperativas de professores (ramo educacional), de profissionais da saúde, como médicos e odontólogos (ramo de saúde), de taxistas, caminhoneiros, perueiros, motoboys (ramo de transporte), artistas, esportes, profissionais do turismo e do entretenimento (ramo do turismo e lazer). As cooperativa de produção se dedicam à produção de um ou mais tipos de bens ou produtos, quando detenham ao meios de produção. Os associados são trabalhadores, o que os distingue das cooperativas agropecuárias, compostas por produtores rurais”. (KRUGER, Guilherme. Ato cooperativo e seu adequado tratamento. Belo Horizonte: Mandamentos, 2004, p. 232237). Sobre o ramo educacional, ensina, ainda, a doutrina, que “é composto por cooperativas de profissionais da Educação, por cooperativas de alunos, por cooperativas de pais de alunos, por cooperativas de Empreendedores Educacionais e por cooperativas de atividades afins.” E prossegue, ainda, tratando das cooperativas formadas por profissionais da educação, esclarecendo que “são cooperativas que objetivam agregar profissionais que têm objetivos comuns e que podem prestar serviços tanto para cooperativas educacionais de pais de alunos como para outras escolas que não sejam cooperativas”. (Idem, p. 212, 214) Assim, à vista de todo exposto, a recorrente se enquadra em um terceiro ramo do cooperativismo, qual seja o ramo educacional, de modo que não se trata, realmente, de uma cooperativa de produção, como quer o r. auditor fiscal, data maxima venia. Desse modo, entendemos incorreto o enquadramento da recorrente como cooperativa de produção e, por conseguinte, ilegítimo o lançamento nos termos do art. 22, III da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 9º, “n” do Decreto nº 3.048/99. Vejase que não se está, aqui, a dizer que as cooperativas seriam isentas ou imunes à tributação pelas contribuições previdenciárias. O que ocorre, no presente caso, é que o embasamento do lançamento foi o enquadramento da recorrente pela fiscalização como uma cooperativa de produção, o que, como demonstramos, está incorreto e não tem respaldo em nosso ordenamento jurídico. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 17 16 MULTA E JUROS APLICADOS EFEITO CONFISCATÓRIO Alega, por fim, que o valor da contribuição consolidado, aos 03/06/08, que lhe está sendo cobrado, é de R$ 44.666,26, com juros de mora no valor de R$ 128.075,02 e multa, no valor de 62.938,60. Argumenta, em síntese, que dada a exorbitância desses valores, “a ilegalidade e o efeito confiscatório das multas impostas à recorrente decorrem da violação frontal aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como ao disposto no artigo 150, inciso IV da nossa Constituição Federal, que determina ser vedado ao Estado utilizar tributo com efeito de confisco”. Como é sabido, a vedação ao confisco é mandamento constitucional dirigido ao legislador, e deve orientálo no momento do exercício do poder legiferante, de modo a observar o princípio da capacidade contributiva, não dando a novo tributo a ser instituído conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, resta à autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça de seus efeitos, mesmo porque o princípio da legalidade é inerente à atividade administrativa. Isso também vale no âmbito desse Tribunal Administrativo, órgão integrante que é do Poder Executivo. Desse modo, a análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que, pelas razões já acima expostas, é vedado a este tribunal, conforme Súmula CARF nº 2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Redator O período do lançamento do crédito previdenciário esta compreendido entre 08/2004 a 06/2006, 08/2006 a 12/2007 conforme identificado no Díscriminativo Analítico do Débito DAD. Os valores apurados correspondem às contribuições previdenciárias relativas à parte Patronal incidentes sobre os valores pagos e/ou creditados a segurados contribuintes individuais (cooperados) e a alíquota aplicada foi de 20%. A Recorrente recolheu aos cofres da Previdência à parte descontada dos contribuintes individuais (cooperados), entendendo não ser contribuinte da parte patronal, argumento acolhido pela Relatora. A despeito do brilhante e detalhado voto da ilustre Relatora Renata Toratti Cassini, peço vênia para discordar de seu encaminhamento e votar pelo indeferimento do Recurso Voluntário neste ponto. O excelente voto condutor deste julgamento está ancorado em dois pontos, o primeiro consiste no fato da cooperativa recorrente não ser cooperativa de produção e o segundo sustentado pela conclusão de que somente poderiam ser enquadradas como de produção as cooperativas que orientam sua atividade econômica para produção de bens físicos e não serviços como os educacionais prestados pelos sócios da Recorrente através de unidade escolar mantida pela pessoa jurídica. De inicio é preciso observar que a classificação das cooperativas em ramos é elemento essencialmente didático e não reflete uma obrigação legal ou encerra em si um conceito seguro e rígido capaz de definir a realidade de uma cooperativa ou a incidência de determinada obrigação tributária. Um dos fundamentos em que a Ilustre Relatora ancora seu entendimento consiste no fato da cooperativa em questão não se enquadrar como cooperativa de produção e sim como educacional, o que seria um ramo diverso. Entretanto, é preciso observar que cooperativas são a manifestação produtiva única de um sistema econômico próprio e diverso do predominante em nossa ordem econômica. Diferente do que ocorre com o sistema econômico predominante, que possuí uma grande variedade de pessoas jurídicas com aptidão diversa para operação de unidades Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 19 18 produtivas, as unidades produtivas baseadas no cooperativismo têm uma única espécie societária apta a exercer qualquer tipo de atividade econômica.1 Se tomarmos as cooperativas do ramo educacional como exemplo, verificaremos que sob uma mesma denominação classificatória (educacional) teremos cooperativas de: Professores Cooperativas criadas para manter e operacionalizar uma ou mais unidades educacionais (escolas, faculdades ou universidades) de propriedade conjunta dos professores que através da sinergia e convergência de esforços cooperaram para entrega de seu serviço educacional, sem que tenham de alienar sua força de trabalho. Trabalho Educacional É possível ainda organizar cooperativas de professores que prestarão serviço a empresas com educação corporativa ou in company, por exemplo ou mesmo e processos de terceirização. Alunos Cooperativas organizadas para manter e operar unidades educacionais de qualquer espécie, inclusive cursos de extensão, profissionalizantes e outros de todos os níveis e por qualquer meio (presencial ou online). Pais de alunos Apresentam os mesmos objetivos do exemplo anterior, mas os cooperados são os pais e os beneficiários dos serviços educacionais são os filhos desses cooperados. Percebam que nos dois primeiros exemplos uma relação laboral esta presente, em realidade, finalidade da reunião dessas pessoas em sociedade objetiva viabilizar o exercício de sua profissão sem que tenham de alienar sua força de trabalho, são cooperativas onde os sócios, em atenção ao principio da dupla qualidade, ostentam o status de sócios e trabalhadores. No casos das cooperativas de alunos e de pais de alunos, em que pese serem tipicas cooperativas do ramo educacional, sua finalidade é democratizar o acesso dos sócios ou dos filhos dos mesmos a serviços educacionais de qualidade e com preço justo. São cooperativas educacionais que não apresentam relação de trabalho entre sócios e cooperativa, já que professores são empregados. Analisando pelo principio da dupla qualidade, nestes tipos de cooperativas integrante do ramo educacional os cooperados seriam sócios e clientes da cooperativa. Com esses exemplos acreditamos ter demonstrado a inadequação da classificação por ramos tanto para fazer incidir, quanto para ilidir obrigações de qualquer ordem, ainda mais as tributárias marcadas pela verdade material. A legislação de regência da obrigação lançada, por sua vez, é marcada por uma falta de esmero terminológico ao definir as cooperativas educacionais como de produção e 1 Lei 5.764/71 Art. 5° As sociedades cooperativas poderão adotar por objeto qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, assegurandoselhes o direito exclusivo e exigindoselhes a obrigação do uso da expressão "cooperativa" em sua denominação. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 20 19 vincular a entrega de produtos, nos forçando a promover uma interpretação quanto a finalidade da norma e sua incidência sobre os elementos próprios da operação. O que diferencia a cooperativa de produção daquela tipicamente de trabalho é o fato da primeira deter os meios de produção, não necessariamente aquilo que se produz. A definição de cooperativa de produção está claramente disposta no § 3° do art. 1° Lei n° 10.666, de 08/05/2003, que ora transcrevemos: “Art. 1° ..... .. §3° Considerase cooperativa de produção aquela em que seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção." A interpretação adequada ao termo "bens" não deve estar limitada a um bem material, sendo possível considerar o conjunto de serviços educacionais como um produto da sinergia empregada pelos sócios e que advém da conjugação do trabalho dos sócios da cooperativa conjuntamente considerados e dos meios de produção, no presente caso a unidade escolar. É fato inequívoco que os pagamentos que as pessoas físicas receberam se deram em razão do trabalho realizado nas unidades educacionais mantidas pela recorrente, sendo assim pagamentos pelo trabalho e se amoldam a hipótese de incidência do tributo lançado. Esse é o entendimento contido na Instrução Normativa SRFB nº 971: Art. 51. Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal: a) a prestação de serviços remunerados realizados por segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho; Art. 55. Entendese por saláriodecontribuição: § 5º O salário de contribuição para o segurado cooperado filiado a cooperativa de trabalho é o valor recebido ou a ele creditado resultante da prestação de serviços a terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, por intermédio da cooperativa, observado o disposto no § 2º, e o valor decorrente da prestação de serviços à própria cooperativa. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) Tratase de norma interpretativa que apesar de também não ter sido feliz em suas escolhas terminológicas reflete a realidade da operação em lide. O que de concreto temos é o fato da recorrente ser proprietária dos meios de produção, unidade escolar e, por meio dessa unidade produtiva, em regime de sinergia, o cooperador prestar serviços educacionais que somente se conformam com a conjugação dos esforços coletivos, já que a formação educacional é o resultante do trabalho coletivo e não individual. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 21 20 É claro ainda que cabe a cooperativa arrecadar os valores devidos pelo conjunto dos serviços educacionais e distribuílos aos cooperados na proporção da atuação de cada um, recebendo assim a remuneração do seu trabalho por intermédio da cooperativa. Na época do lançamento estava vigente a Instrução Normativa nº 03 de 2005 que continha a seguinte definição para cooperativas de produção: Art. 282. Cooperativa de produção, espécie de cooperativa, é a sociedade que, por qualquer forma, detém os meios de produção e seus associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens ou serviços. Notem que a Lei nº 10.666 é de 08 de maio de 2003, sendo o entendimento manifestado pela referida IN posterior a referida Lei. A finalidade da Lei nº 10.666/03 foi permitir que as disposições legais sobre aposentadoria especial do segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social aplicamse, também, ao cooperado filiado à cooperativa de trabalho e de produção que trabalha sujeito a condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou a sua integridade física. Sua redação não possui esmero técnico demandando uma interpretação finalística e nesse sentido não é possível admitir resultado que implique na exclusão das cooperativas educacionais da condição de contribuintes da referida contribuição, sob pena de excluir seus sócios do direito a aposentadoria financiada por tal contribuição. Por derradeiro é preciso destacar que a educação é vista por muitos economistas e juristas adeptos ao liberalismo como um bem de consumo de natureza incorpórea, ou como um bem posicional ou ainda bem conspícuo2. Tratase de discussão quanto aos aspectos econômicos da educação e sua natureza jurídica própria. Educação fornecida por intermédio da cooperativa recorrente é resultante do conjunto de atividades dos seus sócios conjugados com os meios de produção, não podendo ser enquadrados como uma prestação de serviço típica das cooperativas de trabalho, em que cada sócio cede sua força laboral a um terceiros e não podendo ser excluídas do alcance das disposições legais adotadas para o lançamento pelo simples fato da norma fazer referência ao termo bem. 2 Como exemplo: TINOCO, Tatiana. Does education matter? Myths about education and economic growth. RAE. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 43, n. 4, 2003. p. 110111. TOOLEY, James. The beautiful tree: a personal journey into how the world’s poorest people are educating themselves. Wahington, D. C.: Cato Institute, 2009. ______. Educating Amaretch: private schools for the poor and the new frontier for investors. Economic Affairs, Vol. 27, No. 2, pp. 3743, June 2007. DALE, Roger. O marketing do mercado educacional e a polarização da educação. In: GENTILI, Pablo (Org.). Pedagogia da exclusão: crítica ao neoliberalismo em educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. APPLE, Michael. A educação e os novos blocos hegemônicos. In: RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da educação. 6. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007. p. 93122. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10970.000038/200824 Acórdão n.º 2402006.479 S2C4T2 Fl. 22 21 As discussões da Recorrente quanto ao ato cooperativa e seu adequado tratamento tributário não têm grande impacto na questão, pois não se nega tratase de ato com tal natureza, sendo o mesmo tributado por representar operação econômica que se amolda a hipótese de incidência do tributo lançado. Conclusão Por todo exposto voto por negar provimento a Recurso Voluntário neste ponto. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720383/2016-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. NECESSIDADE DO ALIMENTANDO.
Só são dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia a filhos maiores de 24 anos quando comprovada a necessidade de existir a pensão, na incapacidade ao sustento, como por exemplo ocorre na incapacidade ao trabalho.
Numero da decisão: 2001-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. NECESSIDADE DO ALIMENTANDO. Só são dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia a filhos maiores de 24 anos quando comprovada a necessidade de existir a pensão, na incapacidade ao sustento, como por exemplo ocorre na incapacidade ao trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de pensão alimentícia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 03 83 /2 01 6- 84 Fl. 168DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A ausência de comprovação das despesas, mediante documentação hábil e idônea, conforme estabelece a legislação de regência, impede o sujeito passivo de usufruir a respectiva dedução na apuração da base de cálculo do imposto de renda na Declaração de Ajuste Anual. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A Notificação de Lançamento fundamentou da seguinte maneira a glosa de pensão: Glosa de pensão paga por liberalidade a filhos maiores; Não comprovada a condição de inválidos; São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, a própria mantença (...) Foram apresentadas relações de trabalho dos filhos; O acórdão de impugnação fundamentou assim dispôs suas razões para manter a glosa: Versa o presente processo sobre Dedução Indevida de Pensão Judicial, no montante de R$ 68.839,86, dos quais R$ 22.946,62 foram pagos, em 2011, aos três filhos maiores da contribuinte, André Augusto Marão (nascido em 13/06/1978), José Luiz Marão Júnior (nascido em 11/04/1981) e João Paulo Marão (nascido em 03/03/1980), em decorrência de acordo homologado judicialmente. A impugnante argúi que, no caso em tela, a pensão alimentícia paga aos filhos foi fixada em determinação judicial, conforme Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13873.720383/201684 Acórdão n.º 2001000.726 S2C0T1 Fl. 3 3 processo judicial n° 535/1995, bem como comprovado seu efetivo pagamento e recebimento, tudo de acordo com as normas do Direito de Família. A homologação do mencionado acordo, cumpre prelecionar, não produz efeitos na esfera fiscal, pois a legislação tributária somente considera válido o direito à dedução dos alimentos quando decorrente das normas do Direito de Família. Este ramo do Direito concede aos pais diversos direitos para que possam criar seus filhos sob proteção do Estado, entretanto, em contrapartida, exige também o cumprimento de deveres diversos, dentre os quais o de sustento (Código Civil, art. 1.630 a 1.638). Fazse mister frisar que o Código Civil (Lei n° 10.406/2002) trata especificamente Dos Alimentos em seu Subtítulo III, arts. 1.694 a 1.710. Os artigos 1.696 e 1.698 do Código Civil prescrevem, com clareza meridiana, que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros, somente se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. O exame desta questão não pode ficar adstrito à interpretação literal das normas pertinentes, sendo necessário determinar a natureza dos pagamentos efetuados pela contribuinte e verificar, por meio de interpretação finalística e sistemática das normas tributárias e de direito de família, o alcance da dedução de pagamentos a título de pensão alimentícia à filho maior e capaz. É conhecida a lição do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau, (A Ordem Econômica na Constituição de 1988, 5ª.ed., São Paulo: Malheiros, 2000, p. 222) de que: “jamais se aplica uma norma jurídica, mas sim o direito, não se interpretam normas constitucionais, isoladamente, mas sim a Constituição, no seu todo. Não se interpreta a Constituição em tiras, aos pedaços”. Não há como interpretar o art. 8°, II, “f”, da Lei nº 9.250/95, como se fosse norma isolada no sistema. É importante identificar a natureza dos pagamentos efetuados por meio de sentenças ou acordos judiciais, pois nem todos têm a natureza jurídica de pensão alimentícia, embora possam ter sido assim denominados como no presente caso. Neste ponto, necessário se faz reportarmos à Constituição Federal, ao Código Civil, bem como ao RIR/1999 para Fl. 170DF CARF MF 4 esclarecer as condições de dedutibilidade da pensão alimentícia. Seguem textos legais com grifos nossos: (...) Como se pode ver, são deveres dos pais, o sustento, guarda e educação de seus filhos os quais estão sujeitos ao poder familiar enquanto menores, sendo que tal poder se extingue com a maioridade dos mesmos. Notase, ainda, que são devidos alimentos para maiores quando quem “os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença”. A obrigação alimentar obedece a certos requisitos para sua concessão, são eles: a. existência de um vínculo de parentesco; b. necessidade do reclamante; c. possibilidade econômicofinanceira da pessoa obrigada; d. proporcionalidade. Repisese o que preceitua de forma mais explícita o art. 1.695 do Código Civil: "São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento". Repitase que, no que se refere ao primeiro pressuposto (vínculo de parentesco), nem todos os parentes são obrigados a prestar alimentos, uma vez que, de acordo com a lei, somente o são os ascendentes, descendentes e, na falta destes, os irmãos (art. 1.697 do Código Civil). Em relação ao segundo pressuposto (necessidade do reclamante), importa considerar que o credor da prestação alimentar deve, efetivamente, encontrarse em estado de necessidade, de maneira que se não vier a receber os alimentos, isso poderia pôr em risco a sua própria subsistência. Basta que tal necessidade seja involuntária e inequívoca, colocandoo impossibilitado de prover à própria subsistência. Sua origem pode ser social (desemprego), física (enfermidade, velhice ou invalidez), moral ou qualquer outra que o coloque impossibilitado de prover à própria subsistência. E é em relação à necessidade dos beneficiários, filhos da contribuinte, todos maiores de 24 anos de idade, que o caso em concreto se desvincula das normas do Direito de Família. Conforme observado pela autoridade fiscal autuante, João Paulo Marão integra a Carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores e José Luiz Marão Júnior trabalhou na Duratex S/A até 2012 e posteriormente como Analista de Planejamento e Gestão da Fundação Instituto Brasileiro de Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13873.720383/201684 Acórdão n.º 2001000.726 S2C0T1 Fl. 4 5 Gerografia e Estatística. O fisco acrescentou, portanto, que ambos trabalham e têm rendimentos e que, inclusive, José Luiz informou em sua Declaração de Ajuste Anual ter como cônjuge, Ausra Marão, e que segundo o art. 1.708 do Código Civil, cessa o dever de prestar alimentos por ocasião do casamento, união estável ou concubinato do credor. Com efeito, segundo pesquisas nos sistemas informatizados da RFBDIRF, verificase que João Paulo Marão e José Luiz Marão Júnior, auferiram rendimentos sob o código 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado, no anocalendário em análise. Quanto ao filho André Augusto Marão, esclarece a contribuinte que ele não tem residência fixa no Brasil e que somente para efeitos tributários – eleição do domicílio fiscal, optou por estabelecer como domicílio fiscal o de sua mãe. Cumpre enfatizar que o ônus da prova para a dedução de pensão alimentícia é da contribuinte e, no presente caso, a mesma não trouxe aos autos documentos que comprovem a incapacidade para o trabalho de seu filho André Augusto Marão. Ressaltese ainda que as peças processuais referemse ao ano de 1995 (processo judicial 535/95), quando os filhos eram menores de idade e, de forma expressa, determinou o pagamento de pensão alimentícia aos filhos menores, hipótese essa que não mais se aplica ao anocalendário em análise. Pelas razões expostas, as deduções pretendidas não podem ser aceitas como provenientes de pensão alimentícia judicial devida em face das normas de Direito de Família, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda. Consequentemente, tais repasses financeiros devem ser considerados como mera liberalidade. Neste contexto, destaco o magistério de Sílvio de Salvo Venosa, in Direito Civil, Terceira Edição, Editora Atlas, São Paulo, 2003, página 385: “temse entendido que, por aplicação do entendimento fiscal quanto à dependência para o Imposto de Renda, que o pensionamento deva ir até os 24 anos de idade. Outras situações excepcionais, como condição de saúde, poderão fazer com que os alimentos possam ir além da maioridade, o que deverá ser examinado no caso concreto.” A doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência. Reiterese, por outro lado, que para que eventuais repasses financeiros a filho maior de 24 anos de idade pudessem ser classificados como pensão alimentícia, necessário seria que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a Fl. 172DF CARF MF 6 falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, nos termos do art. 1.695 do Código Civil.O Sob o enfoque do Direito Tributário, a partir da maioridade dos filhos, qualquer repasse de numerário efetuado pelo pai/mãe alimentante se equipara aos repasses efetuados pelos demais pais que nunca estiveram obrigados a efetuar pagamentos a título de pensão alimentícia. Entender o contrário seria dar aos pais que estão na situação da interessada, de forma não isonômica, um benefício que os demais pais, que jamais pagaram pensão alimentícia, não possuem, qual seja, o de abater da base de cálculo do Imposto de Renda eventuais deduções relativas a seus filhos. Portanto, descabidas as alegações da recorrente de que em nenhum momento o Ente Tributante estaria sendo lesado e de que o mesmo imposto de renda estaria incidindo duas vezes sobre o mesmo rendimento. O recurso voluntário alega que a pensão alimentícia foi paga dentro das regras do direito de Família, fixada judicialmente, e portanto, dentro das regras legais para ser deduzida. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de pensão alimentícia. A dedução de Pensão Alimentícia, pode ocorrer: com a apresentação da Decisão Judicial, do Acordo Homologado Judicialmente ou da Escritura Pública a que se refere o art. 1.124A da Lei n.º 5.869/1973; com a comprovação do pagamento, ou seja, a transferência efetiva dos recursos aos alimentandos, em face das normas do Direito de Família. A discussão está em saber se a pensão de filhos maiores de 24 anos, ao ser interpretada no Direito Tributário, considerase estabelecida em face das norma do direito de família. Aqui surge a separação da obrigação de estabelecer pensão para sustentar quem dela necessita, e a liberalidade de estabelecer pensão nos demais casos. A interpretação de que para deduzir deve haver a necessidade do alimentando foi explicitada ao contribuinte, tanto na notificação de lançamento, como mais detalhadamente no acórdão de impugnação. Não basta haver vínculos com o Direito de Família, há que existir a necessidade de pagar a pensão pelo Direito de Família. Esse entendimento, com o qual Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13873.720383/201684 Acórdão n.º 2001000.726 S2C0T1 Fl. 5 7 concordamos, ficou bem explicado no acórdão de impugnação, e destacamos a seguir algumas passagens: Não há como interpretar o art. 8°, II, “f”, da Lei nº 9.250/95, como se fosse norma isolada no sistema. É importante identificar a natureza dos pagamentos efetuados por meio de sentenças ou acordos judiciais, pois nem todos têm a natureza jurídica de pensão alimentícia, embora possam ter sido assim denominados como no presente caso. Como se pode ver, são deveres dos pais, o sustento, guarda e educação de seus filhos os quais estão sujeitos ao poder familiar enquanto menores, sendo que tal poder se extingue com a maioridade dos mesmos. Notase, ainda, que são devidos alimentos para maiores quando quem “os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença”. Repitase que, no que se refere ao primeiro pressuposto (vínculo de parentesco), nem todos os parentes são obrigados a prestar alimentos, uma vez que, de acordo com a lei, somente o são os ascendentes, descendentes e, na falta destes, os irmãos (art. 1.697 do Código Civil). Em relação ao segundo pressuposto (necessidade do reclamante), importa considerar que o credor da prestação alimentar deve, efetivamente, encontrarse em estado de necessidade, de maneira que se não vier a receber os alimentos, isso poderia pôr em risco a sua própria subsistência. Basta que tal necessidade seja involuntária e inequívoca, colocandoo impossibilitado de prover à própria subsistência. Sua origem pode ser social (desemprego), física (enfermidade, velhice ou invalidez), moral ou qualquer outra que o coloque impossibilitado de prover à própria subsistência. E é em relação à necessidade dos beneficiários, filhos da contribuinte, todos maiores de 24 anos de idade, que o caso em concreto se desvincula das normas do Direito de Família. Dessa maneira, concordamos com a interpretação fiscal, de que deve existir a necessidade de prestar os alimentos para que esses alimentos sejam dedutíveis como pensão alimentícia, e ela foi apresentada ao contribuinte de maneira clara; e por outro lado os elementos dos autos não indicam a necessidade ou incapacidade dos filhos; assim, entendo pela manutenção do lançamento. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 174DF CARF MF 8 Jorge Henrique Backes Relator Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.005340/00-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1991
COMPENSAÇÃO. VALOR PROBANTE DA DOCUMENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em processos de restituição/compensação, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos dos artigos 36 da Lei 9.784/99 e 373, I, do CPC. O Fisco tem o dever de aferir a correção e idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos dos artigos 142, 195 e 197 do CTN.
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO.
O prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos contados a partir da declaração. Dentro desse prazo, a Fazenda Pública pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos alegados, indeferindo aqueles ilegais ou inexistentes, de qualquer período, conforme teor do artigo 170 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Júnior.
(assianatura digital)
Charles Mayer de Castro Silva - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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VALOR PROBANTE DA DOCUMENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em processos de restituição/compensação, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos dos artigos 36 da Lei 9.784/99 e 373, I, do CPC. O Fisco tem o dever de aferir a correção e idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos dos artigos 142, 195 e 197 do CTN. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. O prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos contados a partir da declaração. Dentro desse prazo, a Fazenda Pública pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos alegados, indeferindo aqueles ilegais ou inexistentes, de qualquer período, conforme teor do artigo 170 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Júnior. (assianatura digital) Charles Mayer de Castro Silva Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 53 40 /0 0- 61 Fl. 1076DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: A Contribuinte retroidentificada pleiteou, em 12/05/2000, a restituição de valores recolhidos a título de Finsocial, nos períodos de apuração Setembro/1989 a Dezembro/1991, em alíquotas superiores a 0,5%. Segundo seus cálculos, à época do pedido seu crédito perfazia o montante de R$ 609.346,68 (fl. 02). Posteriormente foram atravessados nestes autos, pedidos de compensação do crédito com débitos próprios e de terceiros (fls. 71 e seguintes). A documentação que consta do processo revela que a Interessada foi litisconsorte ativa no Mandado de Segurança nº 93.00207687, impetrado com o objetivo de "compensar valores recolhidos indevidamente a título de Finsocial, com parcelas vincendas da contribuição sobre o lucro (Lei nº 7.689/88), contribuição sobre a folha de salários (lei nº 7.787/89) ou outros tributos". A decisão de primeira instância denegou a segurança pretendida (fls. 172/175), nos seguintes termos: DISPOSITIVO 16. DENEGO A SEGURANÇA requerida pelo BANCO DO ESTADO DE MINAS GERAIS S/A BEMGE E OUTROS, por inexistir direito liquido e certo a ser amparado pela via estreita do "mandamus". EXCLUINDO da lide o SUPERINTENDENTE REGIONAL DO INSS, em face da sua ilegitimidade passiva. Em grau de apelação, a decisão monocrática foi revista parcialmente restando assentado que o Finsocial devido pelas prestadoras de serviços fora recepcionado pela CF/88, na alíquota de 0,5% sobre o faturamento, assim permanecendo até a LC nº 70/1991. Quanto ao pedido de compensação, o TRF da Primeira Região firmou o entendimento de não ser possível realizála em juízo e, tratandose de débito posterior a 01/01/1992, os contribuintes poderiam fazêla por sua própria iniciativa, salvo se o débito ou o crédito, ou ambos, tivessem origem em processo administrativo fiscal, ou se o crédito derivasse de desconstituição de decisão condenatória (fls. 192/200). Aviado Recurso Especial pela Impetrantes, este restou assim ementado (fls. 253/263): Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10680.005340/0061 Acórdão n.º 3201004.566 S3C2T1 Fl. 3 3 TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a compensação prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, constitui um incidente desse procedimento, no qual o contribuinte , ao invés de antecipar o pagamento, registra em sua escrita fiscal o crédito oponível à Fazenda, que tem cinco anos, contados do fato gerador, para a respectiva homologação (CTN, Art. 150, §4º), esse procedimento tem natureza administrativa, mas o juízo pode, independentemente do tipo de ação declarar que o crédito é compensável, decidindo desde logo os critérios da compensação (v.g., data do início da correção monetária). Recurso especial não conhecido. Opostos embargos de divergência ao r. acórdão, os mesmos tiveram seguimento negado (fls.280/282). O E. STJ também negou provimento ao Agravo Regimental interposto nos Embargos de Divergência (fls. 289/298). Conforme Certidão de fl. 299, em 30/03/1999, operouse o trânsito em julgado. Ao analisar o pleito da Interessada, a unidade jurisdicionante, em 05/06/2003, decidiu por não homologar as compensações efetuadas, por entender consumado o prazo decadencial para repetição do indébito de Finsocial (fls. 300/305). Em 22 de dezembro de 2003, esta Primeira Turma da DRJ/Belo Horizonte, houve por bem confirmar o entendimento da autoridade administrativa, nos termos do Acórdão DRJ/BHE Nº 5.046 (fls. 330/335), assim ementado: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01 /09/1989 a 31 /12/1991 Ementa: Finsocial. O prazo prescricional para pleitear a restituição/compensação extingue se em cinco anos, contados do pagamento do crédito tributário. Solicitação Indeferida Contudo, no julgamento administrativo de segunda instância, houve reforma integral dessa decisão da DRJ/BHE, nos termos do Acórdão nº 30332.268, prolatado pela Terceira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 356/361). Segue a ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A data em que transitou em julgado sentença que reconheceu o direito creditório da recorrente relativo a diferenças de importâncias pagas a título de Contribuição para o Finsocial com o adendo de que a empresa poderia, administrativamente, pleitear a compensação na via administrativa nos moldes do previsto na Fl. 1078DF CARF MF 4 Lei n° 9.430/96, artigo 74, é o termo inicial para a contagem do prazo para o pleito de restituição. PAF. Considerando que foi reformada a decisão recorrida no que concerne à decadência, em obediência ao princípio do duplo grau de jurisdição e ao disposto no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 deve a autoridade julgadora de primeiro grau apreciar o direito à restituição/compensação. A Fazenda Nacional teve provimento negado ao seu Recurso Especial de Divergência (Acórdão CSRF/0305.434, fls. 428/434), assim como também foi negado seguimento ao seu Recurso Extraordinário (fls. 452/454). Os autos foram restituídos à unidade de origem que, ao realizar nova análise do pleito repetitório, emitiu novo despacho decisório, desta feita para deferir parcialmente o pedido de restituição de créditos de Finsocial e homologar as compensações declaradas, até o limite do direito creditório reconhecido (fls. 954/959). Da leitura do novo despacho decisório, concluise que o deferimento parcial do pedido deuse pela falta de comprovação das bases de cálculo do Finsocial. Segundo aquela autoridade administrativa, embora intimada a apresentar documentação comprobatória dos valores que compuseram as bases de cálculo do tributo (Item 3, TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 356/2011, fl. 930/931) a empresa permaneceu silente, tendo cumprido, apenas, um outro termo de intimação (TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 362/2011, fl. 932), expedido posteriormente, o qual lhe requisitava Certidão de Objeto e Pé atualizada da ação que lhe reconhecera o direito ao indébito do Finsocial recolhido a maior. De tal sorte que, à mingua de documentação comprobatória da composição das bases de cálculo do Finsocial recolhido indevidamente, apenas o anocalendário 1991 – cujos valores foram obtidos do processamento da respectiva DIRPJ (fl. 945) – foi levado a cálculo na apuração do crédito vindicado. Nestes termos, a unidade jurisdicionante apurou um crédito de Finsocial no montante de R$ 473.855,97 (atualizado até 12/05/2000), inferior ao que fora pleiteado pela empresa (R$ 609.346,68, em 12/05/2000). Há nos autos dois Avisos de RecebimentosAR : a) o primeiro, com carimbo de postagem datado de 11/02/2012 (fl. 961) e b) o segundo, com carimbo de postagem datado de 16/02/2012 (fl. 994). A Interessada apresentou, em 19/03/2012, manifestação de inconformidade (fls. 962 e seguintes) para alegar, em síntese, o que se segue: O direito creditório não reconhecido pela unidade administrativa perfaz os montantes de R$ 100.574,61 (AC 1989) e R$ 89.228,99 (AC 1990), atualizados até 31/05/2000. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10680.005340/0061 Acórdão n.º 3201004.566 S3C2T1 Fl. 4 5 A fim de obter a documentação comprobatória desses créditos, documentação esta referente a fatos geradores ocorridos há mais de 20 anos, a Interessada requereu dilação de prazo, mas teve seu pedido indeferido, sem qualquer justificativa. Não é possível que a Manifestante tenha mantido um contencioso administrativo e judicial por mais de duas décadas, para discutir um crédito inexistente. Os comprovantes de recolhimento anexados aos autos são prova suficiente para a demonstração do indébito tributário. O que pretende a fiscalização é trazer novo argumento para, mais uma vez, indeferir o direito creditório reivindicado. Tanto isso é verdade que o ato combatido reconhece o crédito referente ao anocalendário 1991, com base na DIRPJ/92 e nos recolhimentos. É evidente que a Manifestante manteve sua apuração e seus recolhimentos com base na legislação vigente. Não fosse isso verdade, a fiscalização certamente teria lavrado o auto de infração para constituição de eventual diferença, o que não ocorreu, demonstrando, mais uma vez, seu direito à restituição do Finsocial recolhido indevidamente. Ante o exposto, requer a reforma da decisão recorrida, com o consequente reconhecimento do crédito pleiteado. A 1ªTurma da DRJ/Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão 0272.760, de 11/04/2017, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade.Transcrevo a ementa: FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. A liquidez e a certeza do direito creditório são condições essenciais para a repetição de indébito tributário. A falta de comprovação desses atributos justifica a não homologação da compensação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. GUARDA DE DOCUMENTOS. FATOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO NO FUTURO. O contribuinte está obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração e os documentos que se refiram a fatos que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fl. 1080DF CARF MF 6 No Recurso Voluntário, a recorrente reforça os argumentos de defesa, sustentando que os Darf´s seriam suficientes para apuração do indébito, e que os pagamentos foram homologados tacitamente, não podendo ser revistos pela Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer indébito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito tributário (lançamento) ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito, se não tiver materialidade. A legislação da compensação tributária é expressa em estabelecer o prazo de 5 anos para a homologação da compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Não se homologa pedido de crédito ou restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, se o prazo de homologação da compensação é contado a partir da Declaração de Compensação, o indébito poderá ser anterior a 5 anos. Segue abaixo quadro para ilustrar tais conceitos. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10680.005340/0061 Acórdão n.º 3201004.566 S3C2T1 Fl. 5 7 Exemplo de cálculo de compensação de Finsocial indevido (desconsiderando índices de atualização para facilitar) mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 Base de cálculo legal correta (controle da RF) 100.000,00 100.000,00 100.000,00 100.000,00 Finsocial devido 2% (inconst.) 2.000,00 2.000,00 2.000,00 2.000,00 Finsocial devido 0,5% Dec. Jud. 500,00 500,00 500,00 500,00 Valor recolhido darf/confessado 2.000,00 1.000,00 0,00 300,00 Valor a restituir 1.500,00 500,00 0,00 0,00 Valor pago a menor que o devido jud. 0,00 0,00 500,00 200,00 Valor a lançar/cobrar decadência 0,00 0,00 0,00 0,00 * Não há restituição quando os valores recolhidos são menores que os valores devidos * Não há lançamento ou cobrança de nenhum mês, mesmo de valores recolhidos a menor que os valores devidos, por causa da decadência * insuficiências de recolhimento em determinado mês não podem ser compensadas com créditos de outro mês A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 1082DF CARF MF 8 Desse modo, impedido o Fisco de aferir a exatidão das compensações, por omissão da recorrente em lhe fornecer os documentos necessário, correto o indeferimento parcial, em cumprimento ao artigo 170 do CTN. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 1083DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.922906/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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INOCORRÊNCIA. Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 29 06 /2 00 9- 91 Fl. 46DF CARF MF 2 direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0636.895 proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a negativa de homologação da compensação. Por bem descrever os fatos ocorridos no presente processo, transcrevese a seguir o relatório da decisão de primeira instância: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 22/07/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 33473.53599.130706.1.7.041974, nos termos do despacho decisório emitido em 22/06/2009 pela DRF em Curitiba/PR (rastreamento nº 842579517). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 13/07/2006 para retificar a Dcomp nº 26378.85333.130706.1.3.044105, a contribuinte indicou um crédito de R$ 746,94 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/01/2003, sob o código 2172, no valor de R$ 71.869,87), e um débito de Cofins (5856), do período de apuração 06/2006, vencido em 14/07/2006, no valor original de R$ 74,99. Segundo o despacho decisório, cientificado em 29/06/2009, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.922906/200991 Acórdão n.º 3402005.686 S3C4T2 Fl. 47 3 para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de Cofins (2172) de dezembro de 2002, no valor de R$ 71.869,87. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. É o relatório. Intimada do acórdão da DRJ/CTA, em data de 09/08/2014 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fls. 35), a Contribuinte tempestivamente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 38 a 43 em data de 22/08/2014 (protocolo físico) com os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO ACÓRDÃO COM BASE NO ARTIGO 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972, EM RAZÃO DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ARTIGO 31 DO MESMO DIPLOMA LEGAL. MÉRITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PELA LEI Nº 9.718/98 E DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Fl. 48DF CARF MF 4 Preliminar A Recorrente invoca os Artigos 31 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, arguindo a nulidade do Acórdão recorrido em razão de ausência de análise dos argumentos expostos em manifestação de inconformidade, sob alegação de falta de competência para analisar a inconstitucionalidade de lei. Sem razão. A Contribuinte havia alegado em manifestação de inconformidade (fls.12 a 17) que apurou crédito tributário de PIS e COFINS com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, aproveitando parte do referido crédito para compensar com débitos de natureza tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Alegou que extinguiu o débito da COFINS, conforme declarado em DCTF, com DARF referente ao período de apuração 31/12/2002 (código de receita 2172) recolhido em 15/01/2003 e, posteriormente, utilizou o crédito tributário referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 746,94, sendo indicado no preenchimento do PERD/COMP que o crédito estava vinculado ao DARF em que deu origem ao recolhimento. Invocou o artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório por concluir que não foi apresentada prova documental sobre a origem do crédito em referência, não cabendo à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais, uma vez não se enquadrar nas hipóteses previstas nos Artigos 1º e 4º, Incisos I, II, III, IV e Parágrafo Único do Decreto nº 2.346/1997. Neste caso, não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do decreto nº 70.235/1972, considerando que foram analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade, além de não restar configurada a alegada preterição do direito de defesa. Portanto, afasto a preliminar invocada no recurso em análise e passo à análise das razões de mérito invocadas pela defesa. Mérito A Recorrente invoca o reconhecimento da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da COFINS pela Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Com razão. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.922906/200991 Acórdão n.º 3402005.686 S3C4T2 Fl. 48 5 O PER/DCOMP n° 33473.53599.130706.1.7.041974 (FLS. 6 a 11), com Código da Receita 585601 (Cofins não Cumulativa), transmitido em data de 13/07/2006 em retificação ao PERD/COMP nº 26378.85333.130706.1.3.044105, teve origem no pagamento indevido ou a maior de COFINS (Código da Receita: 2172), realizado em 15/01/2003 no valor de R$ 71.869,87 (setenta e um mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta e sete centavos). O crédito indicado se refere a R$ 746,94 (que corresponde a uma parte deste pagamento efetuado em 15/01/2003), e um débito de Cofins, do período de apuração 06/2006, vencido em 14/07/2006, no valor original de R$ 74,99. Considerando o vencimento do tributo em data de 14/07/2006 e a transmissão do PER/DCOMP em data de 13/07/2006, considerase tempestivo o pedido, afastando a incidência da mora. O despacho decisório (Rastreamento nº 842579517) de fls. 2 a 5, não homologou a compensação declarada por concluir pela localização de um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Manifestação de Inconformidade (fls. 1217) demonstrou a origem do crédito com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, em Sessão Plenária de 09/11/05, apontando a base de cálculo utilizada para apuração deste crédito. Cabe consignar que o RE 357.950/RS foi precedente reconhecido em Plenário para julgamento do RE 585235RGQO, com repercussão geral (TEMA 110) e cuja Ementa se transcreve: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Ao que pese o precedente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e vinculado ao RE 585235, a 3ª Turma da DRJ/CTA embasou a decisão por não atribuir o efeito erga omnes ao 357.950/RS. Vejamos o texto extraído da decisão recorrida: Ou seja, apesar de não ser esse o entendimento da contribuinte, claro está que a atribuição dos julgadores está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, no caso em análise, apesar da existência de entendimentos do STF, expressos em julgamentos proferidos, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, Fl. 50DF CARF MF 6 afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte). Sobre o assunto, aliás, é oportuno mencionar também o que dispõe o enunciado nº 2 do CARF do MF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Este, a propósito, também é o comando contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar as alegações da impugnante, já que a exigência em questão encontra respaldo em leis válidas e vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada – com os efeitos erga omnes – pelo STF, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (pois não restou caracterizado o pagamento a maior). Quanto à jurisprudência apresentada, não há como considerá las, seja pela inexistência de norma legal para lhes conferir eficácia normativa, seja pelo seu caráter inter partes. Da análise dos autos, verificase que o ponto controvertido invocado pela DRJ/CTA para negar o crédito requerido pela Contribuinte cingese à produção de efeitos do RE 357950, não havendo dúvidas levantadas quanto à origem e valores lançados na declaração de compensação. Considerando que a matéria suscitada versa sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585235, já citado, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito tempestivamente informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Está correta a Recorrente ao afirmar pela aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.922906/200991 Acórdão n.º 3402005.686 S3C4T2 Fl. 49 7 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/2001 03): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por tais razões, deve ser reconhecido o direito creditório da Contribuinte, para que seja analisado o PERD/COMP afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal e, após a devida apuração, proceda à compensação para fins de extinção do crédito tributário, nos termos previstos pelo artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional cumulado com artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96. Fl. 52DF CARF MF 8 Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, reconheço a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.000822/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
Revela-se indevido o pagamento de multa de mora se a contribuição lançada com vistas a prevenir a decadência foi recolhida dentro do prazo de 30 dias contados da publicação da decisão judicial que a julgou devida.
MULTA DE MORA. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Há que se reconhecer indevido o pagamento de multa de mora somente quando o débito do tributo ou contribuição, efetivamente pago após o vencimento e com acréscimo de juros legais, não constar de declaração regularmente prestada ao sujeito ativo.
Numero da decisão: 1201-000.850
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso, para: a) reconhecer integralmente o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos da Cofins relacionados no
processo; b) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de IRPJ relacionados no processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre o IRPJ referente aos meses de abril, maio e junho de 1999, ao mês de agosto de 2000 e aos meses de junho e dezembro de 2001; c) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de CSLL relacionados no processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre a CSLL referente aos meses de setembro e outubro de 1999 e ao mês de janeiro de 2000; d) considerar homologadas as
DCOMPs de que cuida o processo, até o limite do crédito aqui reconhecido.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Revela-se indevido o pagamento de multa de mora se a contribuição lançada com vistas a prevenir a decadência foi recolhida dentro do prazo de 30 dias contados da publicação da decisão judicial que a julgou devida. MULTA DE MORA. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Há que se reconhecer indevido o pagamento de multa de mora somente quando o débito do tributo ou contribuição, efetivamente pago após o vencimento e com acréscimo de juros legais, não constar de declaração regularmente prestada ao sujeito ativo.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para: a) reconhecer integralmente o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos da Cofins relacionados no processo; b) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de IRPJ relacionados no processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre o IRPJ referente aos meses de abril, maio e junho de 1999, ao mês de agosto de 2000 e aos meses de junho e dezembro de 2001; c) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de CSLL relacionados no processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre a CSLL referente aos meses de setembro e outubro de 1999 e ao mês de janeiro de 2000; d) considerar homologadas as DCOMPs de que cuida o processo, até o limite do crédito aqui reconhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Revelase indevido o pagamento de multa de mora se a contribuição lançada com vistas a prevenir a decadência foi recolhida dentro do prazo de 30 dias contados da publicação da decisão judicial que a julgou devida. MULTA DE MORA. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Há que se reconhecer indevido o pagamento de multa de mora somente quando o débito do tributo ou contribuição, efetivamente pago após o vencimento e com acréscimo de juros legais, não constar de declaração regularmente prestada ao sujeito ativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para: a) reconhecer integralmente o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos da Cofins relacionados no processo; b) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de IRPJ relacionados no processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre o IRPJ referente aos meses de abril, maio e junho de 1999, ao mês de agosto de 2000 e aos meses de junho e dezembro de 2001; c) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de CSLL relacionados no processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre a CSLL referente aos meses de setembro e outubro de 1999 e ao mês de janeiro de 2000; d) considerar homologadas as DCOMPs de que cuida o processo, até o limite do crédito aqui reconhecido. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 08 22 /2 00 5- 15 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 3 2 Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da presente Sessão de Julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior (VicePresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1515.669, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Salvador – BA. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 482 e ss.): O sujeito passivo manifesta inconformidade (fls. 321 a 337), ao PARECER TÉCNICO 178/2005 da DRF de AracajuSE (fls. 312 a 314), que não homologou as compensações dos débitos do IRPJ, IRRF, IOF, CSLL e CPMF, referentes aos períodos de apuração de novembro a dezembro de 2004, objeto das Declarações de Compensação às fls. 75 a 260. As fundamentações do Parecer, fls. 312/314, ao negar a homologação solicitada, foram no sentido de que os valores considerados como crédito pelo sujeito passivo, relativos a pagamentos de multa de mora de débitos em atraso, declarados em DCTF, não constituem direito creditório contra a Fazenda Pública. Cientificada do Parecer Técnico SAORT nº 178/2005 e Despacho Decisório s/n, de 03/05/2005, proferidos pelo Delegado da Receita Federal de AracajuSE, o sujeito passivo apresentou as seguintes razões de defesa (petição às fls. 321/337): A Recorrente, em 12/05/1999, impetrou Mandado de Segurança contra o Delegado da Receita Federal em Aracaju, objetivando sua exclusão da relação jurídicotributária obrigacional em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, balizandose para tanto, no preceito legal contido na Lei Complementar nº 70/91; Ao apreciar o pleito formulado pela Recorrente nos autos do Processo n º 99.00023650, o juiz deferiu a liminar nos seguintes termos: Isto posto, concedo a liminar para proibir o Impetrado de efetuar quaisquer atos tendentes à cobrança da COFINS instituída na forma dos artigos 2º e 3º, da Lei 9.718/98, bem como sua majoração na forma do art. 8º, assegurando ao Impetrante o direito de efetuar o pagamento do tributo sem as alterações previstas pela mencionada lei. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião da r. decisão, foram opostos pela Recorrente, Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos, resultando no seguinte despacho: Com efeito, ao grafar a expressão “assegurado ao impetrante o direito de efetuar o pagamento do tributo sem as alterações previstas pela mencionada lei”, evidentemente que, se há diploma legal que a própria lei reporta, também este deve ser observado, não cabendo, entretanto, aprofundar a questão. O que importa é que ao impetrante está assegurado o afastamento da aplicação da lei 9.718/98. Intimese. Aracaju, 09 de junho de 1999. No período compreendido entre 1999 e 2001, a Recorrente valendose da liminar concedida, informou em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF’s, os valores a título de COFINS os quais encontravamse suspensos por força da referida liminar; Não obstante, a conduta da Recorrente estar amparada legalmente, por determinações internas, a Recorrente optou, em 31 de maio de 2002, bem como em 29 de novembro de 2002, pelo pagamento dos tributos, entregando, em 07 de novembro de 2003, a retificadora das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF’s, incluindose, portanto, na previsão legal do art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN; O cálculo efetuado para o referido pagamento considerou o valor principal acrescido das atualizações monetárias (SELIC), já que não havia que se cogitar em multa moratória, pois a decisão judicial estava vigente e não se observava o início de qualquer procedimento administrativofiscal; A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN (transcreve); Até o ano de 2004 não houve qualquer procedimento por parte da Fazenda, quanto aos pagamentos efetivados, merecendo destaque que nesse período não houve qualquer óbice na emissão de suas Certidões Negativas de Tributos e Contribuições Federais; Todavia, em setembro de 2004, nos extratos de verificação de situação fiscal da Recorrente constavam os débitos relativos às multas moratórias incidentes sobre os pagamentos efetuados; Ao tomar conhecimento dessa situação, a Recorrente protocolizou petição processada sob o nº 10510.001732/200452, aduzindo em sua inicial que a cobrança de tais débitos não poderia prosperar, haja vista que diziam respeito à infração não aplicável aos recolhimentos efetivados, já que os havia realizado espontaneamente, sem qualquer determinação ou autuação do Fisco; Fl. 937DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 5 4 Indiferente às razões de fato e de direito apresentadas pela ora Recorrente, na impugnação do processo nº 10510.001732/200452, a r. Delegacia da Receita Federal em Aracaju, por meio do Despacho SACAT nº 188/2004 de 18/10/2004, indeferiu o Pedido de Cancelamento dos supostos débitos cobrados; O indeferimento dos referidos débitos ocorreu sob o fundamento de que o pleito não se tratava de caso de denúncia espontânea por ter a Recorrente apresentado DCTF – Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – bem antes de efetuar o pagamento, alegando, portanto, que a Fazenda Nacional já tinha conhecimento do débito e bem assim da mora, constituindo confissão de dívida e possibilidade de cobrança; O r. despacho, sequer admitia a interposição de qualquer recurso, pois a recorrida alegava tratarse de despacho sem caráter decisório, uma vez que a inconformidade manifestada não fora reconhecida como uma impugnação; Indignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, visando a reapreciação de seu pleito; É fato ainda, que não obtendo expedição de sua Certidão Negativa de Tributos e Contribuições Federais ou mesmo uma Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, a Recorrente pleiteou a tutela jurisdicional via Mandado de Segurança, visando a obtenção da referida certidão; Embora tendo agido estritamente dentro dos parâmetros legais, na iniciativa de suas proposituras judiciais e administrativas, a Recorrida destaca em seu Parecer essas informações como se a Recorrente não fizesse jus ao amparo judicial para reconhecimento de seu direito, e pior estivesse se valendo de manipulações processuais para atingir seu objetivo; A Recorrente sem dispor da Certidão Positiva de Débito com Efeito de Negativa expedida pela Receita Federal estava na iminência de sofrer sérios prejuízos, eis que estava impedida de firmar convênios e contratos, bem como as demais operações inerentes às suas atividades; Tal situação fez com que efetivasse o pagamento das multas cobradas, gerando para a Recorrente um crédito decorrente de pagamento a maior que o devido, a título de multa moratória, bem como na liberação expedição de sua Certidão; Todavia, a Recorrente visa demonstrar que dúvida não pode haver quanto ao contribuinte que haja feito a apuração dos valores devidos, e oferecido à autoridade administrativa não só a informação, mas efetuado o pagamento sem têlo feito em decorrência de autuação ou procedimento fiscal administrativo. Tem o direito resguardado legalmente de não ser compelida ao Fl. 938DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 6 5 recolhimento da multa, conforme preceituado pelo art. 138 do CTN; Transcreve várias ementas de decisões judiciais em defesa da sua tese, fls. 328 a 336; Por fim, pede seja acolhida a manifestação de inconformidade, analisado o mérito das declarações de compensação, reconhecendo seu direito em efetivar a compensação dos valores recolhidos a maior que o devido, a titulo de multa moratória, determinandose, ainda, a suspensão de quaisquer atos de cobrança ou mesmo inscrição no Cadastro de Inadimplentes, bem assim na Dívida Ativa da União dos débitos tributários. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados pelo sujeito passivo, e recolhidos fora do prazo de vencimento, não se caracteriza a denúncia espontânea com a conseqüente exclusão da multa moratória. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Descabe homologar a compensação em virtude de inexistência de crédito. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na manifestação de inconformidade (fl. 499 e ss.). Ao examinar os autos o relator do processo no CARF verificou que neles não havia elementos suficientes à formação da sua convicção, razão pela qual elaborou despacho solicitando que a autoridade local emitisse “parecer conclusivo quanto ao conhecimento pelo Fisco do crédito tributário do IRPJ e da CSLL, na data dos recolhimentos alegadamente espontâneo em novembro de 2002 e outubro de 2003” (fl. 836 e ss.). A autoridade local elaborou relatório de diligência contendo demonstrativo dos débitos declarados em DCTF pela contribuinte, e concluiu afirmando o seguinte (fl. 875 e ss.): Com base nas informações extraídas dos resumos de débitos das DCTF localizadas, fls. 845/870, elaboramos os demonstrativos às fls. 871/874 e os quadros que seguem abaixo, nos quais resta evidente que ainda que considerássemos o afastamento da multa de mora como um dos efeitos da denúncia espontânea, este só Fl. 939DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 7 6 teria eficácia em relação aos pagamentos do IRPJ dos meses de fevereiro e março de 1999 e novembro de 2001, pois para todos os demais períodos já existiam débitos declarados em DCTF em data anterior aos pagamentos realizados em 29/11/2002 e 30/10/2003. Inclusive, na maioria dos casos, em valores superiores aos que foram recolhidos. Intimada para tanto, a interessada apresentou contrarrazões ao relatório de diligência nos seguintes termos (fl. 882 e ss.): a) o indébito relativo à multa de mora incidente sobre a Cofins não faz parte do escopo da diligência, haja vista que os recolhimentos foram realizados sob amparo de liminar em mandado de segurança, posteriormente confirmado por sentença; b) quanto ao indébito relativo à multa de mora incidente sobre os demais tributos deve se dizer, preliminarmente, que é nula a diligência, uma vez que a autoridade local indevidamente pronunciouse sobre o mérito da questão de direito (denúncia espontânea), bem como deixou de responder objetivamente ao quesito formulado no pedido de diligência, razão pela qual outra deve ser realizada em seu lugar; c) reafirma que estava amparada pelo instituto da denúncia espontânea quando, em 29 de novembro de 2002 e em 30 de outubro de 2003 pagou débitos do IRPJ e CSLL relativos a fatos geradores ocorridos nos anos de 1999, 2001 e 2001, pois quando desses recolhimentos, ou inexistia valor declarado por meio de DCTF, ou aqueles declarados já se encontravam devidamente e tempestivamente quitados. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade da Diligência Não há razão para declararse a nulidade da diligência realizada pela autoridade de jurisdição do sujeito passivo. De fato, se é certo que a autoridade, mesmo sem ter sido provocada, manifestou seu entendimento sobre a questão de direito controvertida, qual seja, o instituto da denúncia espontânea, também é verdade que a recorrente, regularmente cientificada do relatório de diligência, teve oportunidade para exercer o contraditório, como efetivamente o fez em suas contrarrazões. Quanto à alegação de que a autoridade local deixou de responder objetivamente à questão formulada no pedido de diligência, devese enfatizar que isso não é causa de nulidade do ato. Se verdadeira a afirmação da defesa, o Colegiado deverá decidir se o Fl. 940DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 8 7 julgamento será realizado somente com os elementos presentes nos autos, ou se pedirá a complementação da diligência. 3) Do Direito Creditório Reconhece a interessada haver pago em atraso, sem o acréscimo de multa de mora, os débitos de Cofins, IRPJ e CSLL relativos a fatos geradores ocorridos ao longo dos anos de 1999, 2000, 2001, bem como a Cofins devida nos meses de janeiro a março de 2002. Os débitos de Confins foram pagos em 31/05/2002, os débitos de IRPJ em 29/11/2002 e os de CSLL parte em 29/11/2002 e parte em 30/10/2003, todos com acréscimos apenas de juros de mora, conforme demonstrativo de fls. 281/283. Alega a recorrente não haver recolhido a multa de mora sobre os débitos acima indicados em razão de: a) em relação à Cofins, por encontrarse amparada por liminar em mandado de segurança, posteriormente confirmada por sentença, o que a desobriga ao pagamento da multa de mora, a teor do disposto no art. 63, § 2°, da Lei n° 9.430/96; b) em relação do IRPJ e à CSLL, por estar acobertada pela denúncia espontânea, haja vista que o Fisco não tinha conhecimento dos débitos quando de seu pagamento. Em 20/12/2004, diante da impossibilidade de ver emitidas as certidões negativas de débitos tributários federais de que necessitava, a interessada recolheu a multa de mora incidente sobre os débitos antes referidos. Por entender haver pago indevidamente a multa de mora sobre os débitos acima referidos, entre 29/12/2004 e 11/01/2005 a interessada transmitiu diversas DCOMPs (fl. 75 e ss.) informando como direito creditório justamente o valor das multas de mora pagas em 20/12/2004. Examinemos a seguir as razões trazidas pela recorrente. 3.1) Do Direito Creditório Relativo à Multa de Mora sobre a Cofins Em 12/05/1999 a interessada impetrou mandado de segurança com pedido concessão de medida liminar com vistas a não se submeter à exigência da Cofins estabelecida na Lei nº 9.718/98 (fl. 559 e ss.) Em 27/05/1999 a liminar foi concedida pela 1ª Vara do TRF da 5ª Região da Seção Judiciária em Sergipe, nos seguintes termos (fl. 601 e ss.): Isto posto, concedo a liminar para proibir o Impetrado de efetuar quaisquer atos tendentes à cobrança da COFINS instituída na forma dos artigos 2º e 3º, da Lei 9.718/98, bem como sua majoração na forma do art. 8º, assegurando ao Impetrante o direito de efetuar o pagamento do tributo sem as alterações previstas pela mencionada lei. Em 18/08/1999, ao apreciar o mérito do pedido do autor, o juízo de 1º grau decidiu pela concessão da segurança (fl. 604 e ss.). Consta ainda no relatório desta sentença a Fl. 941DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 9 8 informação de que a União interpôs agravo do instrumento contra a decisão liminar, havendo o TRF da 5ª Região negado o efeito suspensivo solicitado pela ré. Em 21/03/2002 o TRF da 5ª Região, ao apreciar o mérito da remessa oficial e da apelação, decidiu pelo provimento desses recursos (fl. 608 e ss.). O acórdão foi publicado no DJ da União em 05/06/2002, conforme consulta feita por este relator ao sítio do TRF da 5ª Região na internet (processo nº 2000.05.00.0061726). Em 31/05/2002, conforme consta dos autos do presente processo administrativo, a contribuinte recolheu, sem o acréscimo de multa de mora, a Cofins objeto da discussão judicial. Pois bem, sobre o assunto o art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Grifamos) Ora, no caso sob exame a medida liminar que autorizou a contribuinte a não recolher a Cofins nos termos da Lei nº 9.718/98 foi concedida em 27/05/1999, enquanto a decisão judicial que considerou devido o tributo foi publicada em 05/06/2002. Isso posto, segundo a norma acima transcrita, a contribuinte teria até o dia 05/07/2002 para recolher, sem o acréscimo da multa de mora, a Cofins questionada judicialmente. Como a recorrente efetuou o recolhimento dessa contribuição em 31/05/2002, não há que se falar em incidência da multa de mora. Há que se ressaltar, ainda neste ponto, ser incorreta a suposição da DRJ segundo a qual a Cofins recolhida em atraso, sem a multa de mora, seria relativa à parcela não litigiosa do processo judicial em comento. Isso porque, afastada liminarmente a aplicação da Lei 9.718/98, a interessada, como instituição financeira que é, não estava obrigada ao pagamento da contribuição, a teor do disposto no art. 11, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/1991, in verbis: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no§ 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social Fl. 942DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 10 9 sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Isso posto, como em 20/12/2004, para fins de obter certidão negativa da débitos, a contribuinte recolheu a multa de mora sobre a Cofins sob exame, tal recolhimento revelase indevido, daí porque não há razão para deixarse de homologar as DCOMPs que estiverem amparadas nesse indébito. 3.2) Do Direito Creditório Relativo à Multa de Mora sobre o IRPJ e a CSLL Quanto aos pagamentos de IRPJ e CSLL alega a recorrente têlos feito sem o acréscimo de multa de mora em virtude de estar sob o manto da denúncia espontânea. Sobre o instituto da denúncia espontânea o art. 138 do CTN assim estabelece: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A interpretação da norma acima transcrita gerava controvérsia tanto na doutrina quanto na jurisprudência, até que o STJ pacificou a questão por meio da súmula nº 360, que assim dispõe: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Posteriormente, nos autos do REsp 886.462 – RS, a mesma Corte confirmou seu entendimento em feito processado segundo o regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), conforme ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 11 10 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Isso posto, conforme a acima referida interpretação do STJ, e por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, compete a esta Turma tão somente verificar se os débitos relativos ao IRPJ e à CSLL sob exame já haviam, ou não, sido informados pela contribuinte ao Fisco por meio de DCTF ou outra declaração dessa natureza, quando do efetivo pagamento desses tributos. Pois bem, conforme visto acima, em 29/11/2002 e em 30/10/2003 a contribuinte recolheu em atraso, sem o acréscimo de multa de mora, débitos de IRPJ e CSLL relativos a fatos geradores ocorridos ao longo dos anos de 1999, 2000 e 2001. Posteriormente, em 20/12/2004, diante da impossibilidade de ver emitidas as certidões negativas de que necessitava, a interessada recolheu a multa de mora incidente sobre os citados débitos. Ato contínuo, entre 29/12/2004 e 11/01/2005 transmitiu diversas DCOMPs informando como direito creditório justamente o valor das multas de mora pagas. Contesta a não homologação das DCOMPs sob o argumento de que os pagamentos de IRPJ e CSLL foram realizados com base em denúncia espontânea, sendo portanto indevida a multa de mora paga. Em seu relatório de diligência a autoridade local elaborou demonstrativo (fl. 875verso e fl. 876) informando, para cada um dos débitos de IRPJ e CSLL sob exame, a data em que o débito foi declarado pela contribuinte em DCTF, o número da DCTF e o valor do débito. Necessário esclarecer aqui que, como a contribuinte apresentou diversas DCTFs retificadoras, a DCTF referida no demonstrativo de diligência é aquela que encontravase ativa quando dos pagamentos em atraso do IRPJ e CSLL sem acréscimo da multa de mora (29/11/2002 e 30/10/2003). Reconhece o autor da diligência que, quanto aos débitos de IRPJ relativos aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro e março de 1999 e no mês de novembro de 2001, a contribuinte encontravase amparada pelo denúncia espontânea quando de seu efetivo pagamento. Assim sendo, considerase desde logo indevido o pagamento da multa de mora em relação a esses débitos. Quanto aos demais débitos de IRPJ e CSLL, reafirma a autoridade diligenciante que haviam sido informados pela contribuinte em DCTF antes de seu efetivo pagamento. Por sua vez, em suas contrarrazões ao relatório de diligência, em especial à fl. 891 e ss., a interessada apresenta demonstrativos contendo, entre outras informações, os períodos de apuração débitos de IRPJ e CSLL, as datas em que foram apresentadas as respectivas DCTF, os valores dos débitos e a forma de sua extinção (DARF e/ou compensação). Ademais, para fins de comprovar os pagamentos espontâneos citados nos demonstrativos, apresenta em anexo às contrarrazões DARFs e planilhas de compensação (fl. 906 e ss.). Mas antes de examinarmos os DARFs e planilhas de compensação anexados às contrarrazões à diligência, é preciso destacar que o fato de a contribuinte haver declarado “saldo a pagar” igual a zero em suas DCTFs não implica concluir que os pagamentos feitos posteriormente, em 29/11/2002 e em 30/10/2003, refiram a débitos não declarados em DCTF. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 12 11 De fato, constam nas DCTFs ativas no momento desses pagamentos, débitos de IRPJ e CSLL vinculados a pagamentos com DARF e/ou extintos por compensação, resultando em “saldo a pagar” igual a zero. Porém, é importante reparar que os débitos estão declarados em DCTF, restando apenas confirmar se sua efetiva extinção por DARF e/ou compensação realmente se deu antes dos pagamentos feitos em 29/11/2002 e em 30/10/2003. Dito isso, pelo exame dos DARF e planilhas de compensação juntados pela recorrente é possível concluir o seguinte: a) IRPJ relativo aos meses de abril, maio e junho de 1999 – os débitos, bem como sua extinção por compensação com saldos negativos de IRPJ e CSLL de períodos anteriores, foram declarados em DCTF em 31/03/2000. Referida compensação, todavia, não se efetivou, daí porque a contribuinte viuse obrigada a realizar a quitação mediante DARF, o que se deu somente em 29/11/2002. Isso posto, não há dúvida de que na data de seu pagamento o Fisco já tinha conhecimento dos referidos débitos; b) IRPJ relativo ao mês de julho de 2000 e aos meses de junho e dezembro de 2001 – os débitos foram informados em DCTFs apresentadas, respectivamente, em 13/11/2000, 14/08/2001 e em 14/02/2002. A recorrente, entretanto, ao contrário do que fez para os demais períodos de apuração, não se manifestou expressamente sobre esses períodos. Assim, devese considerar que a contribuinte não logrou êxito em comprovar ser indevida a multa de mora paga relativamente a esses débitos; c) CSLL relativa ao mês de setembro de 1999 – o débito, no montante de R$ 124.602,68, foi informado em DCTF apresentada em 31/03/2000. Em sua defesa a recorrente apresenta um pagamento realizado tempestivamente em 29/10/1999, no valor de R$ 91.791,35. Quanto à diferença, no montante de R$ 32.811,33, alega a interessada haver compensado com pagamento indevido a título de Cofins. Tal compensação todavia não se efetivou, daí porque a contribuinte viuse obrigada a realizar a quitação da diferença mediante DARF, o que se deu somente em 30/10/2003. Assim, resta claro que na data deste pagamento o Fisco já tinha conhecimento do referido débito; d) CSLL relativa ao mês de outubro de 1999 – o débito, no montante de R$ 135.119,00, foi informado em DCTF apresentada em 15/02/2000. Em sua defesa a recorrente apresenta um pagamento realizado tempestivamente em 30/11/1999, no valor de R$ 102.307,67. Quanto à diferença, no montante de R$ 32.811,33, nada alega a interessada Assim, resta claro que em 30/10/2003, data do pagamento desta diferença, o Fisco já tinha conhecimento do débito; e) CSLL relativa ao mês de janeiro de 2000 o débito, no montante de R$ 167.228,15, foi informado em DCTF apresentada em 15/05/2000. Em sua defesa a recorrente apresenta um pagamento realizado tempestivamente em 29/02/2000, no valor de R$ 147.558,16. Quanto à diferença, no montante de R$ 19.669,99, alega a interessada haver compensado com pagamentos indevidos ou a maior. Tal compensação todavia não se efetivou, daí porque a contribuinte viuse obrigada a realizar a quitação da diferença mediante DARF, o que se deu somente em 30/10/2003. Assim, resta claro que na data deste pagamento o Fisco já tinha conhecimento do referido débito; f) demais débitos de IRPJ e CSLL – a contribuinte provou estarem extintos mediante pagamentos com DARF realizados nas datas de seus vencimentos. Isso posto, é de se concluir que os pagamentos para os mesmos fatos geradores realizados em 29/11/2002 e em 30/10/2003 Fl. 945DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000822/200515 Acórdão n.º 1201000.850 S1C2T1 Fl. 13 12 referemse à complementação dos débitos, e como essa complementação não estava informada em DCTF a multa de mora é indevida. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade da diligência e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) reconhecer integralmente o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de Cofins relacionados no presente processo; b) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de IRPJ relacionados no presente processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre o IRPJ referente aos meses de abril, maio e junho de 1999, ao mês de julho de 2000 e aos meses de junho e dezembro de 2001; c) reconhecer o direito creditório da interessada relativo à multa de mora paga, incidente sobre os débitos de CSLL relacionados no presente processo, com exceção da multa de mora paga, incidente sobre a CSLL referente aos meses de setembro e outubro de 1999 e ao mês de janeiro de 2000; d) considerar homologadas as DCOMPs de que cuida o presente processo, até o limite do crédito aqui reconhecido. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 946DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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