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Numero do processo: 12267.000211/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006
CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Tendo sido depositado em juízo o montante integral do tributo aplicável a decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN, posto que no caso, houve par parte do recorrente os depósitos do tributo lançado na presente NFLD.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) quanto a recurso voluntário, por unanimidade de votos: a) declarar a decadência até a competência 08/2002; e b) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir juros e multa considerando que os depósitos judiciais realizados não tenham sido levantados pelo recorrente até o trânsito em julgado do contencioso administrativo dos presentes autos.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Tendo sido depositado em juízo o montante integral do tributo aplicável a decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN, posto que no caso, houve par parte do recorrente os depósitos do tributo lançado na presente NFLD. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
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Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito. A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. JUROS E MULTA DE MORA DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL NÃO LEVANTAMENTO ATÉ O TRANSITO EM JULGADO. Quanto a aplicação de juros e multa entendo que a partir do depósito judicial na época oportuna (CONFORME DESCRITO NO RELATÓRIO FISCAL), não são devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância e não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição da União. Da mesma forma ao identificar que os depósitos foram sendo realizados desde o ingresso em juízo, entendo inaplicável a multa m oratória. No que concerne aos juros e multa, ressaltese que a exclusão do mesmo está condicionada ao fato de que os depósitos não tenham sido levantados até o transito em julgado do processo administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 02 11 /2 00 8- 66 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tendo sido depositado em juízo o montante integral do tributo aplicável a decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN, posto que no caso, houve par parte do recorrente os depósitos do tributo lançado na presente NFLD. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) quanto a recurso voluntário, por unanimidade de votos: a) declarar a decadência até a competência 08/2002; e b) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir juros e multa considerando que os depósitos judiciais realizados não tenham sido levantados pelo recorrente até o trânsito em julgado do contencioso administrativo dos presentes autos. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n 37.107.8946, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, apuradas com base nas informações constantes das folhas de pagamento de contribuinte individual, fornecidas em meio magnético, envolvendo as competências 01/2000 a 09/2006. Segundo o relatório fiscal da NFLD em apreço, o sujeito passivo apresentou Guias de Depósito Judicial referentes ao Mandado de Segurança n° 2000.51.01.0066224, da 14” Vara Federal do RJ, em que discute a existência do fato gerador das contribuições ora levantadas, qual seja o pagamento a médicos e dentistas credenciados ao plano de saúde, ainda sem trânsito em julgado. Para resguardar o crédito previdenciário dos efeitos da decadência, foi o mesmo constituído mediante lançamento tributário regular. A empresa exibiu Guias de Depósito Judicial referentes ao processo em questão. Os valores descontados dos segurados contribuintes individuais (a partir de 05/2003) nas competências que integram esta NFLD foram devidamente recolhidos em época própria e informados em GFIP; Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 27/09/2007, tendo a cientificação ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 98 a 111, onde alega basicamente a decadência pelo art. 150, § 4º do CTN e serem indevidos juros e multa em face do reconhecimento do depósito judicial da contribuição previdenciária. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, conforme fls. 183 a.192, Recorre de ofício, considerando omontante do crédito exonerado.Transcrevo ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 30/09/2006. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. DECADÊNCIA PARCIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. I A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre sobre o qual trate O processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 II A suspensão preventiva da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata; III O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que O crédito poderia ter sido constituido; IV Tratandose de lançamento destinado a resguardar O crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais, visto que indisponível o interesse público subjacente à controvérsia. Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 197 a 208 . Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: 1. DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO REFERENTE AO PERÍODO DE DEZEMBRO DE 2001 A AGOSTO DE 2002com base no art. 150, § 4°, do CTN, vez que os Tribunais têm decidido pela inconstitucionalidade do art. 45, da Lei 8.212/1991; 2. DO INDEVIDO LANÇAMENTO DOS JUROS DE MORA E MULTA MORATÓRIA EM FACE DO RECONHECIMENTO DO DEPÓSITO JUDICIAL DA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 197. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. RECURSO DE OFÍCIO Quanto a admissibilidade do recurso de ofício, entendo que o mesmo preenche os requisitos para seu conhecimento. O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Com relação ao mérito do RO, observase que o mesmo deuse face a aplicação da decadência quinquenal. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Dessa forma, correto o posicionamento da autoridade julgadora que afastou a aplicação da decadência consubstanciada no art. 45 da lei 8212/91, passando a apreciar a mesma a luz do CTN. Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: No recurso apresentado pelo recorrente, o mesmo resumiuse a atacar a decadência e a aplicação de juros e multa, considerando o depósito do montante integral. DECADÊNCIA Conforme descrito acima, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 5 7 segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Dessa forma, quanto a decadência, entendo que razão assiste ao recorrente para que se determine a decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN, tendo em vista considerar que o depósito do montante integral, assemelhase a antecipação de pagamento, já que os valores foram depositados e sendo a ação julgada improcedente serão automaticamente convertidos em renda, bem como, pelos relatórios contidos nos autos, em especial o relatório TEAF, é possível identificar a existência de guias de pagamento para outros fatos geradores. Devese considerar ainda, que a existência de recolhimentos de outros fatos geradores, tem levado a aplicação do art. 150, § 4 do CTN, conforme posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão firma entendimento de que existindo recolhimento parcial de contribuições a qualquer título, mesmo Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por conseqüência, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Nesse sentido, foi editada a Súmula n. 99 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso em questão, o lançamento foi efetuado se em 27/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. . Os fatos geradores remanescentes (após a aplicação da decadência na primeira instância, ocorreram entre as competências 11/2001 a 12/2006, sendo assim, devem ser excluídos do lançamento os fatos geradores até 08/2002. DO MÉRITO Destacase de pronto, que não será conhecido o recurso acerca do mérito da NFLD em tela, tendo em vista o recorrente encontrarse em processo judicial a respeito da mesma matéria. Vejamos, os termos do relatório fiscal: Segundo o relatório fiscal da NFLD em apreço, o sujeito passivo apresentou Guias de Depósito Judicial referentes ao Mandado de Segurança n° 2000.51.01.0066224, da 14” Vara Federal do RJ, em que discute a existência do fato gerador das contribuições ora levantadas, qual seja o pagamento a médicos e dentistas credenciados ao plano de saúde, ainda sem trânsito em julgado. Para resguardar o crédito previdenciário dos efeitos da decadência, foi o mesmo constituído mediante lançamento tributário regular. Em primeiro lugar, entendo que os pontos trazidos pelo recorrente em seu recurso dizem respeito a impossibilidade de cobrança das contribuições lançadas na presente NFLD face a exigibilidade encontrarse suspensa, a aplicação da decadência quinquenal, bem como serem indevidos os juros e multa aplicados, tendo em vista a realização do montante integral do tributo lançado. Nos termos do art. 19, Parágrafo Único da Lei 8870/94, c/c como art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, não cabe apresentação de defesa à presente NFLD para discussão de matéria objeto de ação judicial , cabendo porém discussão administrativa , nos termos do art. 37, § 1º da Lei 8212/91, relativamente aos demais aspectos não contemplados pelo litígio judicial, sob pena revelia. JUROS E MULTA Já quanto a aplicação de juros e multa entendo que a partir do depósito judicial na época oportuna (CONFORME DESCRITO NO RELATÓRIO FISCAL), não são Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 6 9 devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância e não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição da União. Conforme previsto no § 5º acima transcrito, caso o recorrente efetue o depósito durante o prazo para impugnação, a partir de então não flui a multa moratória, uma vez que o crédito já está garantido. Sendo assim, após o depósito judicial ter sido realizado não há que se cobrar multa moratória, desde que o valor depositado fique à disposição do credor. No caso em questão, os depósitos foram sendo realizados desde o ingresso em juízo, razão pela qual entendo inaplicável a multa ora imputada. Também há que ser observado, que a multa moratória é devida até que ocorra o implemento da obrigação. Dessa forma, somente poderá ser cobrada multa caso tenha o depósito sido realizado em momento posterior ao vencimento da obrigação, o que pelos termos trazidos pela autoridade fiscal em seu relatório não é o caso. Notese, ainda que em se tratando de NFLD lavrada para evitar a decadência, de contribuições discutidas em juízo, a cobrança de dita NFLD só poderá ser realizada após o trânsito em julgado do processo judicial. Contudo, entendo que no que concerne aos juros e multa, ressaltese que a exclusão do mesmo está condicionada ao fato de que os depósitos não tenham sido levantados até o transito em julgado do processo administrativo, o que atende a pretensão do recorrente que requer o afastamento dos mesmos, justamente para que não gere diferença entre os valores depositados em juízo e os valores originais lançados na presente NFLD no momento em que ocorrer o fim da discussão administrativa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso de OFÍCIO, para negarlhe provimento. Quanto ao recurso VOLUNTÁRIO, voto pelo conhecimento, para, excluir do lançamento os fatos geradores até 08/2002 face a aplicação da decadência e no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARA EXCLUIR JUROS E MULTA, considerando que os depósitos judiciais realizados não tenham sido levantados pelo recorrente até o trânsito em julgado do contencioso administrativo dos presentes autos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 18471.002292/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL.
Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer das arguições de inconstitucionalidade; ii) rejeitar as preliminares de nulidade e, iii) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 92 /2 00 8- 08 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.294 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer das arguições de inconstitucionalidade; ii) rejeitar as preliminares de nulidade e, iii) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.295 3 Relatório INTERGLOBAL TRADING LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1229.735 da 7ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro/RJI, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, exonerando parcela do crédito tributário constituído de ofício em razão de decadência. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração, com ciência em 05/09/2008 (fls. 348), para cobrança do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 276/286), de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 287/294), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 295/303), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 304/311), relativo aos anoscalendário de 2003 e 2004, nos seguintes valores: Principal Juros de Mora * Multa Total IRPJ 144.298,42 84.601,07 108.223,79 337.123,28 PIS 45.938,42 27.581,46 34.453,76 107.973,64 CSLL 76.328,56 44.743,42 57.246,39 178.318,37 COFINS 212.023,77 127.299,63 159.017,75 498.341,15 TOTAL 1.121.756,44 * Juros de Mora até 29/08/2008 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 189/200, a presente autuação decorre das seguintes constatações: IRPJ – Movimentação Financeira Incompatível com receita declarada – período de 2003 a 2005 · A programação detectou que os valores entre Movimentação Financeira e Receita Declarada nos três anoscalendário, superam, por presunção, em mais de 10 vezes, justificando a requisição de informações bancárias, por via administrativa, com base no Decreto 3.724/2001. · Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização solicitando livros Comerciais e Fiscais e demais documentos, foi informado que houve incêndio, apresentando cópia do jornal EXTRA, de 21/09/2006, comunicando a perda de livros e documentos. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.296 4 · Obtidos os extratos bancários por meio de RMF, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos recursos referentes a valores creditados junto às instituições financeiras (Banco ABN AMRO Real – Banco do Brasil – Banco Amazônia – Unibanco). Trouxe resposta com explicações sobre o “modus operandi” da empresa junto às instituições financeiras, explicações sobre os principais códigos das contascorrentes, mas não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que comprovassem a origem desses créditos, conforme dispõe o RIR/99, artigo 287 e a Lei nº 9.430/96, artigo 42. · As intimações foram acompanhadas de planilhas, por ano calendário, contendo os créditos informados pelas instituições financeiras, discriminadas por banco, agências e contascorrentes, individualizados por data, histórico e nº dos documentos bancários, quando existentes e destacados mês a mês e o Quadro Comparativo entre os créditos não comprovados, individualizados por bancos, mês a mês, e as receitas brutas declaradas em DIPJ, mensais e trimestrais. · A autuada também foi intimada a responder, por duas vezes (02/06/2008 e 13/06/2008) se já havia providenciado as 2ª vias dos Livros Comerciais e Fiscais. Metodologia de Análise das Informações Bancárias · Foram desconsideradas todas as transferências DOC ou TED, de mesma titularidade, quando informadas pelos próprios bancos ou encontrados nos extratos dos outros bancos analisados, com coincidência de datas e valores. · Não foram considerados créditos advindos de empréstimos e avisos de créditos, que funcionam como adiantamento de empréstimos. · As cobranças bancárias creditadas são adiantamentos de Duplicatas Descontadas ou simples cobranças. Tais operações correspondem a receitas de vendas/faturamento da empresa e como não há contabilidade disponível para a devida conferência, foram consideradas como receita. · A autuada informou, em 19/08/2008, que depósitos em cheque, depósitos em dinheiro, depósito entre agência, depósito de PJ/Título Descontado, Líquido de desconto, DOC e TED de outra titularidade, depósito compensado, depósito on line, desbloqueio de depósito, depósito cheque liberado e cobranças referemse a receitas, advindas de pagamentos de clientes, exceto Aviso de Crédito, que seria antecipação de empréstimo. · A alegação da autuada que a cobrança com código 624 estaria inclusa na cobrança do código 607, correspondente a Desconto de Duplicatas, não foi confirmada nos extratos bancários. · Todos os recursos creditados e não comprovados foram considerados omissão de receita, com base no artigo 42 da Lei nº Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.297 5 9.430/96, e artigo 287 do RIR/99, sendo abatidas as receitas declaradas. · Como não foram apresentados os Livros Comerciais e Fiscais, e nem o Livro Caixa, bem como nenhuma documentação comercial e fiscal, o lucro foi arbitrado para os anoscalendário de 2003 e 2004, com base no artigo 530 do RIR/99, tendo como base de cálculo os valores considerados como omissão de receita, e a receita declarada na DIPJ/2004 e DIPJ/2005. · Os impostos e contribuições pagos a título de IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 2003 e 2004, informados em DIPJ, declarados em DCTF e pagos, foram devidamente considerados a abatidos dos resultantes da omissão de receita. Inconformada, a interessada ingressou com impugnação, em 02/10/2008, de fls. 350/370, com as seguintes argumentações: Preliminares 1. Da quebra indevida do sigilo bancário administrativamente · A quebra do sigilo bancário afrontou o artigo 5º, inciso X e XII da CF/88. · A Lei Complementar nº 105/2001 é inconstitucional, tanto do ponto de vista da quebra do sigilo fiscal quanto do procedimento fiscal nela previsto. · A LC nº 105/2001 e o Decreto 3.724/2001 configuramse abuso de poder ao desrespeitar a separação dos poderes quando despersonifica a necessidade de ordem judicial para quebra do sigilo bancário. · Traz ementa do RE 461366 / DF. 2. Da decadência do PIS e da COFINS. · Alega a decadência dos créditos tributários de PIS e COFINS dos períodos de julho e agosto de 2003, considerando que a ciência ocorreu em 04/09/2008, nos termos do artigo 150, §4º do CTN. Dos Fatos e Do Direito 1. Dos depósitos bancários sem Comprovação da Origem · O fiscal autuante optou por considerar como omissão de receita a totalidade dos valores discriminados nas planilhas. · Tais créditos, na sua maioria, referemse, entre outros lançamentos, a: PJ/TÍTULO DESCONTADO; LIQ. COB., COBRANÇA. · Os títulos foram colocados para cobrança nas instituições financeiras, em decorrência de vendas a prazo anteriormente efetuadas, conforme se pode verificar em relação anexa, que é parte integrante do Auto de Infração. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.298 6 · Muitos valores representam reingresso de numerários já depositados e tributados. · Só podem ser considerados como omissão de receitas os valores que, efetivamente, não tiveram sua origem comprovada, nos termos do artigo 287 e 849 do RIR/99. · A origem da maioria está estampada no próprio extrato (PJ/TÍTULO DESCONTADO; LIQ. COB., COBRANÇA), e referese a recebimentos de títulos de cobrança bancária ou desconto de duplicatas (antecipação). · Se a origem foi comprovada, e não tributada, deverão se submeter às normas específicas previstas na legislação e nunca ser tributados como presunção de omissão de receita capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. · Os valores decorrentes dos recebimentos de cobrança ou descontos de duplicatas referemse a vendas pretéritas, sendo relativas à receita já ocorridas, declaradas ou não. · O fato gerador dos tributos está bem definido na legislação como regime de competência. · Definir a ocorrência do fato gerador do tributo no momento de seu recebimento, seria regime de caixa, afrontando o artigo 142 do CTN. · A atividade fiscal é vinculada, devendose reportar à data de ocorrência do fato gerador, no caso em pauta, por ocasião da realização das vendas, e não no momento do seu recebimento. 2. Do arbitramento com base na receita declarada. · Com relação a este tópico, teve cerceamento do direito de defesa. · O Termo de Verificação Fiscal não esclareceu ou justificou o motivo da sua opção pelo arbitramento do lucro, impedindo de fazer uso de seu direito previsto no artigo 5º, inciso LV da CF/88, o contraditório. · Tudo leva a crer que o arbitramento deuse pela não apresentação dos livros e documentos em decorrência do incêndio. · A escrituração já havia sido efetivada, bem como realizada tempestivamente a entrega da declaração de rendimentos dos anoscalendário correspondentes, quando da ocorrência do sinistro. · A destruição decorreu de infortúnio casual, sem culpa da autuada, não sendo questionado pelo Fisco. · Tomou as providências legais exigidas no que concerne à ocorrência de um incêndio em estabelecimento comercial, não cabendo o arbitramento. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.299 7 Da inaplicabilidade dos autos de infração reflexos (PIS, COFINS e CSLL) · Da total improcedência do auto de infração matriz (IRPJ), solicita a anulação integral dos respectivos lançamentos, devida à íntima relação de causa e efeito que vincula um aos outros. No julgamento da impugnação apresentada, a decisão recorrida manteve parcialmente a decisão, exonerando tão somente os créditos tributários de PIS e Cofins referentes aos meses de julho e agosto de 2003 em face da decadência, matéria não objeto de recurso de ofício em razão do valor exonerado ser inferior a R$ 1.000.000,00. A ementa de tal julgado recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ARBITRAMENTO DO LUCRO Cabível o arbitramento quando a autuada não apresenta os livros contábeis e fiscais durante a ação fiscal (artigo 530 do RIR/99) SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LEI Nº 105/2001. PREVISÃO LEGAL. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. LEI Nº 105/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Publicada uma lei, pressupõese que os princípios constitucionais estão nela contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, que cuida do controle a posteriori, não pode deixar de ser aplicada estando em vigor. Ademais, ressaltase que as autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade de lei, já que tal competência está adstrita à esfera judicial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. PIS COFINS DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extinguese em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito do fisco de proceder ao lançamento de ofício, salvo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Intimada do resultado do julgamento em 28 de maio de 2010 (fl. 2254), a interessada apresentou recurso voluntário de fls. 22662300 em 24 de junho de 2010. Em síntese, reafirma os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.300 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, R elator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de analisar lançamento referente ao IRPJ e reflexos, cujo substrato decorre de omissão de receitas, baseada em depósitos bancários sem origem justificada, da qual se obteve a base para o arbitramento do lucro. 1 PRELIMINARES 1.1 SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE. Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da Recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.301 9 lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não desconheço que em 15/12/2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.302 10 Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Além disso, merece destaque que o acesso à documentação financeira do contribuinte se deu com base em autorização da própria Recorrente. A decisão recorrida muito bem aborda o tema, merecendo ser reproduzida: A própria autuada, em resposta à intimação, apresentada em 17/10/2007, acostada aos autos às fls. 107/109, informa que solicitara no Banco a 2ª via dos extratos bancários, mas por estarem em processo de negociação de dívidas em aberto, ainda não havia sido Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.303 11 liberado, e teria que pagar pelo serviço. Por conseguinte, solicitou que tal informação, ou seja, os extratos bancários, partissem da Secretaria da Receita Federal, evitando, assim, dispêndio por parte da autuada. Este foi o procedimento adotado pela Administração, de modo que ao final da ação fiscal, os extratos bancários foram entregues à sócia Marlucia Camilo Alves, conforme Termo de fls. 162, datado em 04/09/2008, a fim de garantir o direito ao contraditório e ampla defesa. Ainda na mesma linha de argumentação a respeito do acesso aos dados bancários, aduz a Recorrente que o procedimento fiscal seria nulo em razão de suposta “quebra” de seu sigilo bancário. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Compulsando os autos, não se encontra qualquer documentação que poderia, em tese, comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias. Em sede de impugnação e recurso voluntário também não se anexou um só documento que infirmasse as conclusões fiscais. Ressaltase que tais pontos serão melhor abordados no exame do mérito da exigência. Ademais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase inquisitorial do procedimento fiscal, uma vez que a fase litigiosa somente se inicia com a Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.304 12 apresentação da impugnação (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972), momento a partir do qual o contraditório e a ampla defesa devem ser observados de forma ampla. No decorrer do procedimento de fiscalização o agir da autoridade fiscal se deu em estrito cumprimento das normas estabelecidas, inclusive quanto à intimação prévia para comprovação da origem dos créditos bancários, conforme estatui o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Desse modo, rejeito as preliminares suscitadas. 2 MÉRITO 2.1 DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.305 13 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. Em sede de recurso voluntário não foram apresentados quaisquer novos documentos. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.306 14 A respeito do argumento da Recorrente de que a origem dos depósitos poderia ser retirada do próprio histórico dos lançamentos, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, os quais reproduzo como razões de decidir: No presente caso, o principal argumento de defesa seria que a origem dos recursos estaria estampada no histórico dos depósitos bancários, a saber: PJ/TÍTULO DESCONTADO; LIQ. COB., COBRANÇA. Assim, todos teria sua origem comprovada, cabendo a tributação com base nas normas específicas previstas na legislação, e não como presunção de omissão de receita. Este argumento não pode prosperar. A origem dos recursos depositados não pode ser comprovada pelo histórico que consta nos extratos bancários. Não pode a Administração Fazendária constituir o crédito tributário, que é uma atividade vinculada e deve seguir os ditames do artigo 142 do CTN, afirmando que é receita omitida, considerando como prova direta tão somente uma descrição sumária que consta nos extratos bancários, sendo que cada instituição financeira tem seus códigos e padrões próprio, sem qualquer regulamentação por parte da Fazenda Pública. Para comprovação da origem dos recursos, devem ser apresentados documentos hábeis e idôneos que representem os negócios jurídicos praticados pela autuada. Como exemplo, uma COBRANÇA pode decorrer de uma venda, de uma prestação de serviços, ou até mesmo de um empréstimo a terceiros cuja garantia se deu por Nota Promissória. No caso de empréstimo, não cabe a tributação sobre o montante emprestado. Caberia, no caso, a tributação dos juros decorrentes desta transação. Ratificando este entendimento, a própria autuada afirma, em sua defesa, fls. 365, que “Na maioria dos casos, os títulos foram colocados para COBRANÇA nas instituições financeiras, em decorrência de vendas a prazo anteriormente efetuadas pela Impugnante, conforme se pode verificar através da relação anexa, que é parte integrante do Auto de Infração.”(negritei). Ora, a contrário senso, a autuada afirma que há depósitos a titulo de COBRANÇA que não se referem à receita. Daí, no presente caso, a aplicação da presunção de receita omitida. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.307 15 [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.308 16 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.309 17 A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. No que tange ao argumento de que houve tributação com base no regime de caixa, e não de competência, outra sorte não assiste à Recorrente, pois, tratandose de tributação com base em depósitos bancários, a data da ocorrência do fato gerador deve ser aferida com base no período de apuração correspondente aos créditos bancários, tal qual realizado pela autoridade lançadora. Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apurada em depósitos bancários de origem não comprovada. No que tange ao arbitramento de lucros, a Interessada, devidamente intimada, deixou de apresentar os documentos e livros comerciais e fiscais solicitados. Nesse cenário, a autoridade lançadora considerou como receita bruta o valor de receitas omitidas apurado durante o procedimento fiscal, procedendo ao arbitramento de lucros. Não há reparos a fazer ao lançamento e à decisão recorrida, isso porque o art. 530, III, do RIR/1999 assim determina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifou se) No que tange aos argumentos relativos ao incêndio que teria destruído os livros e documentos, perfeitas as considerações da decisão recorrida, as quais adoto como fundamento de meu voto, transcrevendoas a seguir, como permite o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: Alega que houve cerceamento de defesa já que não foi esclarecido o motivo da opção pelo arbitramento do Lucro. Tal afirmação não procede, já que no Termo de Verificação Fiscal restou claro o motivo, que transcrevo a seguir: “IRPJ – MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (...) Registrese que não foram apresentados nenhum Livro Comercial e Fiscal e nem o Livro Caixa, bem como nenhuma documentação comercial e fiscal, restando à fiscalização ora procedida apenas as Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.310 18 informações bancárias e as informações das DIPJ. Registrese, também, que os recursos creditados nas instituições financeiras e não comprovados por documentação hábil e idônea superaram em média 8,65 vezes as receitas declaradas em DIPJ. Desta forma, foi solicitada, em 19/08/2008, autorização para arbitrar o lucro, para os anoscalendário de 2003 e 2004 e na mesma data, elaborada a Representação Fiscal para Exclusão do Simples, para o anocalendário de 2005, tendo em vista, que no ano calendário de 2004, a receita omitida foi da ordem de R$ 4.671.091,31, já descontada a receita oferecida na DIPJ 2005/2004, superando em muito o limite de opção de R$ 1.200.000,00, fixado pelo art. 9º da Lei nº 9.317/96.” A seguir, consta no Termo o embasamento legal do arbitramento, transcrevendo os artigos 527, 530, 532 e 537, todos do RIR/99. Logo, não tem cabimento a alegação que o arbitramento do lucro não foi motivado. Em sua defesa, também alega que a destruição decorreu de infortúnio causal, e que teria tomado as providências legais exigidas, não cabendo o arbitramento. O artigo 264, § 1º do RIR/99 determina o procedimento que o contribuinte deve observar nos casos de extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração. Transcrevo o referido comando regulamentar, in verbis: Seção IV Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento,aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.311 19 comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Não há nos autos provas de que a autuada tenha procedido conforme o referido mandamento regulamentar, pois não consta a comunicação ao órgão competente do Registro do Comércio (Junta Comercial), sequer o envio da cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal. Ademais, a autuada, em 17/10/2007, respondendo ao Termo de Início de Fiscalização, afirmou que, quantos aos Livros de Registro de IPI, Registro de Inventário e de Controle de Produção e do Estoque, Livros Comerciais e Fiscais referentes aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, já teria providenciado a 2ª via, mas por motivos financeiros, referentes a não quitação integral do sinistro, estaria sem condições de fazer os procedimentos de novos registros, até que a ação seja finalizada. Resposta acostada aos autos às fls. 107/109. Em 02/06/2008, a autuada foi intimada a informar se já teria providenciado as 2ªs vias dos Livros Comerciais e Fiscais, conforme a resposta do dia 17/10/2007 (fls. 147). Foi reintimada em 13/06/2008. Somente em 20/06/2008 respondeu que “esclarecemos que já foram providenciadas as 2ªs vias dos livros comerciais e fiscais, entretanto, em função do incêndio ocorrido nas instalações da empresa, não conseguiram concluir a sua escrituração.” Ou seja, após 9 meses da primeira resposta, a autuada não pode providenciar a nova escrituração dos Livros Comerciais e Fiscais. Logo, diante da total impossibilidade de apurar o imposto de renda com base no lucro presumido, conforme Declarações apresentadas nos anoscalendário de 2003 e 2004, e considerando a constatação de presunção de omissão de receita, a fiscalização se viu obrigada a constituir o crédito tributário com base no lucro arbitrado. A falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais não pode obstruir a ação fiscal no sentido de apurar os tributos devidos se apurada a presunção de omissão de receitas. Logo, foi correto o procedimento de arbitramento do lucro para determinação dos créditos tributários devidos em razão da presunção de omissão de receita, assim como das receitas já declaradas, no que tange a determinação do IRPJ e da CSLL. Assim sendo, correta também a forma de apuração de lucro levada a efeito pelo lançamento, que merece ser integralmente mantido também nesse ponto. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.312 20 2.2 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lucro Arbitrado) foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispões o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, que assim dispõe: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências nas mesmas condições, ante a íntima relação e causa e efeito. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer das arguições de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10880.962164/2008-83
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa.
Numero da decisão: 1801-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa.
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CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 21 64 /2 00 8- 83 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 126 2 Relatório LICYN MERCANTIL INDUSTRIAL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1629.317 (fl. 34), pela DRJ São Paulo I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 27754.44630.211004.1.3.049180 (fl. 10), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 7: 0(s) DARF indicado(s) abaixo, não foi(ram) localizado(s) nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do(s) DARF objeto(s) do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser as constantes da retificação. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que faz as seguintes afirmações: 12. Ocorre que a Impugnante, por mero erro técnico, apesar de cumpridas as exigências legais, estabelecidas pelo Código Tributário Nacional para a extinção do crédito tributário (art. 156, I) elaborou Pedido de Compensação vinculando o débito declarado com o crédito oriundo do próprio pagamento do imposto. 13. 0 IR devido, como já comprovado, possuía apuração trimestral, sendo devido, então, um único débito correspondendo ao lucro presumido acumulado no trimestre. 14. Ocorre que a Impugnante quitou o débito através de três DARF, todos recolhidos na mesma data, cujo montante foi superior ao valor devido na apuração trimestral, conforme detalhado a seguir: ... 15. 0 principal ponto de análise é, então, a inexistência de qualquer razão para a entrega da PER/DCOMP, haja vista sua irrelevância com o contexto, sendo totalmente dispensável para a análise dos débitos em questão. 16. Deve prevalecer, portanto, a verdade material do fatos, a qual pode ser constatada e comprovada através dos próprios DARF's pagos, que servem de premissa para o erro inequívoco então cometido pela Impugnante. Ao final, requer o cancelamento da referida DCOMP, nos seguintes termos: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 127 3 21. Pelo exposto, requerse o seu integral acolhimento, para que, reformandose a r. decisão proferida, seja cancelada a exigência do crédito tributário, cancelandose a PER/DCOMP n°. 27754.44630.211004.1.3.049180, determinandose, ao final, o arquivamento do presente procedimento administrativo. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dando a seguinte ementa à sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Corroborada a inexistência de DARF com os exatos atributos certificados pelo sujeito passivo para fins caracterização da origem do crédito tipificado na qualidade de pagamento de indevido ou a maior na respectiva declaração de compensação, impõese ratificar a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO E DESISTÊNCIA. A retificação ou desistência da declaração de compensação somente são admitidas com observância das condicionantes legais estabelecidas pela norma de regência, bem como desde que requeridas antes da prolação de decisão administrativa pela autoridade administrativa competente. Cientificado dessa decisão em 22/03/2011, por meio de remessa postal (fl. 44), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 59), em 19/04/2011, em que faz a seguinte afirmação: Merece reforma o v. acórdão preferido pela 7a. Turma da DRJ/SP1, não por seus bem lançados fundamentos, mas sim porque a recorrente encontrou em seus arquivos o DARF de recolhimento do imposto gerador do crédito que pretende reconhecimento, evidenciando assim a legitimidade do registro na declaração de compensação e procedência do crédito pleiteado, guia esta que se tornou o cerne da questão. Ao final, requer a realização de diligência. Junta cópia de DARF à fl. 63. Em 14/02/2014, o recorrente apresenta aditamento às suas razões de defesa, juntado à fl. 82, a título de “esclarecimentos ao recurso”, em que afirma: Em decorrência de auditoria interna na apuração de seus tributos, a contribuinte verificou que realizou compensação de débito do IRPJ Código Receita 2089 no valor de RS 1.588,49 ao Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 128 4 qual serviu para liquidar quota do mesmo imposto do 2o Trim/2002 que já havia sido quitado com o pagamento em DARF conforme demonstrado abaixo: Débito Declarado em DCTF: Débito em DCTF Código Receita Tributo Valor P.A Vencimento 2089 IRPJ 4.118,88 2º T/2002 31/07/2002 Valor da quota liquidada com DARF: Pagamento em DARF Código receita Tributo Valor da 1ª quota P.A Vencimento Código do Pagamento 2089 IRPJ 1.660,27 30/04/2002 31/07/2002 35256193984 Como podemos observar, não houve vinculação da Per/DCOMP número 27754.44630.211004.1.3.049180 na DCTF (doc.03) do 2o Trimestre de 2002, e sim do DARF extinguindo o crédito tributário. Portanto, é certo o dever de demonstrar ao fisco, que tal erro não gerou nenhum prejuízo ao erário, tendo em vista que a compensação pretendida no Per/DCOMP n° 27754.44630.211004.1.3.049180, não foi absorvida com débito declarado em DCTF do 2o Trimestre/2002, ou seja, não foi utilizada como pagamento do tributo devido pela empresa. Destarte que tal erro levou a duplicidade do lançamento de débito declarado pela contribuinte, uma vez que, tanto a DCTF quanto a Per/DCOMP, tem força para constituir o crédito tributário, este que foi extinto com o pagamento conforme previsto no inciso I do art. 156 do CTN. Ponderase também que, o objetivo desse esclarecimento é a extinção do crédito tributário declarado na Per/DCOMP n° 27754.44630.211004.1.3.049180 não homologada, tendo em vista que a compensação realizada nem se quer foi vinculada a DCTF do 2o Trimestre de 2002. Ao final, requer a extinção do crédito tributário declarado na DCOMP em análise. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado não atende aos pressupostos de admissibilidade, conforme as razões seguintes. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual pretendeu extinguir débito de IRPJ do 2º trimestre de 2002, código da receita 2089 (lucro presumido), no valor de R$ Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 129 5 1.588,49. Para isso apontou um indébito oriundo de pagamento a maior/indevido de IRPJ, no valor de R$ 1.660,27, recolhido em 21/10/2004, relativo ao período de apuração 30/04/2002. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento apontado não havia sido localizado. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que cometeu um “erro técnico” ao transmitir a DCOMP em tela, “vinculando o débito declarado com o crédito oriundo do próprio pagamento do imposto”, uma vez que o pagamento apontado na DCOMP faz parte do conjunto de três pagamentos realizados para quitar o débito declarado. Já no recurso voluntário, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeira instância em razão de ter encontrado o DARF apontado na DCOMP, juntando cópia. Ao final, requer a realização de diligência. Mais adiante, atravessa petição em que requer a extinção do crédito tributário confessado na DCOMP, em razão deste já ter sido confessado em DCTF e ter sido extinto por pagamento, evitando a duplicidade de exigência do mesmo crédito tributário. Junta comprovante de arrecadação e cópia da DCTF. Acreditandose na versão apresentada pelo contribuinte, ele utilizou uma DCOMP para vincular um pagamento parcial de IRPJ do 2º trimestre de 2002 ao débito já confessado em DCTF do mesmo tributo e período de apuração. Assim, o contribuinte desvirtua a finalidade da DCOMP. Ademais, ao descrever o pagamento na DCOMP, informao com dados que não permitem vinculálo ao débito de IRPJ do 2º trimestre de 2002. Mesmo olvidando o vício no procedimento, a conclusão a qual se chega é a de que os pagamentos são devidos e, portanto, não são passíveis de gerar indébito tributário. Assim, não há como homologar tal compensação. Todavia, o contribuinte não pede a homologação da compensação, mas sim o seu cancelamento, para evitar a duplicidade de cobrança do crédito tributário confessado duas vezes. Assim, o contribuinte desvirtua a finalidade do recurso no processo administrativo fiscal. Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a manifestação de inconformidade é destinada apenas para combater o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação: Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. O pedido de cancelamento deve ser realizado conforme o rito previsto no artigo 93 do mesmo instrumento normativo: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 130 6 Art. 93. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Os erros no procedimento do contribuinte não podem ser escusados para o fim de homologação das compensações apresentadas, todavia não podem levar ao enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, cabendo à Administração Tributária as providências necessárias para evitar a exigência em duplicidade do mesmo crédito tributário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15504.722067/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ASSISTÊNCIA À SAÚDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DISPOSIÇÃO DO BENEFÍCIO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
Somente goza de isenção previdenciária o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, §9o, q, da Lei n o 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.514
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja aplicada a multa de mora considerando às disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Vencido na votação o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, por entender que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ASSISTÊNCIA À SAÚDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DISPOSIÇÃO DO BENEFÍCIO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Somente goza de isenção previdenciária o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, §9o, q, da Lei n o 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ASSISTÊNCIA À SAÚDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DISPOSIÇÃO DO BENEFÍCIO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Somente goza de isenção previdenciária o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, §9o, q, da Lei n o 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja aplicada a multa de mora considerando às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 20 67 /2 01 2- 47 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Vencido na votação o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, por entender que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.722067/201247 Acórdão n.º 2302003.514 S2C3T2 Fl. 952 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo integralmente os créditos tributários lançados. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 904 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Autos de Infração – AI lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: AI DEBCAD nº 37.334.8592, com valor consolidado em 19/4/2012, de R$ 998.775,89, referente a contribuições destinadas à previdência social inclusive (relativas às competências de 01/2007 a 13/2007) parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados e contribuintes individuais e referente a Diferenças de Acréscimos Legais –DAL (competência 02/2008). AI DEBCAD nº 37.334.8606, com valor consolidado em 19/4/2012, de R$ 420.806,03, referente a contribuições destinadas à outras entidades e fundos – terceiros (FNDE, Incra, Senac, Sesc e Sebrae) (relativas às competências de 01/2007 a 13/2007) parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados. Consta no relatório dos autos de infração (fls. 34/51) conforme segue. As contribuições apuradas são incidentes sobre a remuneração de empregados e sócios, incluídas nas folhas de pagamento; remuneração de empregados não incluídas em folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, valores de assistência médica oferecida a segurados que não abrangem a totalidade de empregados e dirigentes. Também foram lançadas diferenças de acréscimos legais e multa recolhidas a menor. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO FG As contribuições recolhidas a menor, incidentes sobre a remuneração incluída em folha de pagamento foi identificada nos autos com o código de levantamento FG. Para apuração dessas diferenças de recolhimento foram considerados os recolhimentos normais efetuados pelo contribuinte, as retenções de 11% destacadas em notas fiscais emitidas, e os parcelamentos efetuados antes do início do Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 procedimento fiscal. No Anexo 01 (fl. 76) estão discriminadas, por competência, as remunerações dos empregados e sócios, as contribuições devidas por esses trabalhadores descontadas de sua remuneração, as deduções de saláriofamília, e as retenções de 11% destacadas nas notas fiscais de serviço. Nesse demonstrativo foram indicadas as informações prestadas por meio de GFIP e aquelas que foram omitidas nessa declaração. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO FC Foram identificados alguns empregados ausentes nas folhas de pagamento apresentadas à fiscalização. Intimado a esclarecer tal situação e a indicar os valores efetivamente pagos a esses trabalhadores, por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 04, o contribuinte informou que “[...] o não apontamento de seus lançamentos ocorreu em função da base de dados do sistema gerador da folha de pagamento ter sido parcialmente corrompido e não ter sido possível recuperar o back up da mesma”, e apresentou demonstrativo no qual identificou, por competência, os segurados omitidos nas folhas de pagamento e os valores pagos. Tais fatos geradores foram identificados, nos autos, com o código de levantamento FC e foram discriminados no demonstrativo Anexo 02 (fl. 77). CÓDIGO DE LEVANTAMENTO AM/AM1 Constatouse que o sujeito passivo, por for força do que dispõe a cláusula 52ª da Convenção Coletiva de Trabalho – CCT de 2007, contribuiu para o custeio de assistência médica dos empregados vinculados ao Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de Minas Gerais, ao Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança e Vigilância de Uberlândia, e ao Sindicato dos Empregados em Empresas de Vigilância e Segurança e Transporte de Valores do Norte de Minas Gerais. A concessão de tal benefício deuse, exclusivamente, por meio da Promed Assistência Médica Ltda, CNPJ nº 00.558.356/000145, tendo sido utilizada a conta 2.1.1.1.01.01.0063 para contabilizar as obrigações do contribuinte para com essa pessoa jurídica. O contribuinte foi intimado, por meio do TIF nº 03, a indicar, por competência, os nomes dos beneficiários do plano de saúde que ele contratou. Com base na documentação apresentada, constatouse que nem todos os segurados foram beneficiados com o custeio do plano de saúde da Promed Assistência Médica Ltda. Especificamente, não foram incluídos no plano de saúde os empregados que prestaram serviços no tomador “Decaf Min e Abast Juiz de Fora”, no período de 01/2007 a 12/2007, e no Banco do Brasil S. A., “lotes 02 e 03”, nas competências de 08/2007 a 12/2007. Também não foram incluídos, os dirigentes e vários empregados lotados nos “setores” denominados como “feristas” e “reserva”. O demonstrativo Anexo 03 (fls. 78/119) contém os empregados não favorecidos com o custeio de plano de saúde. Tendo em vista o que dispõe a legislação previdenciária, os valores despendidos com plano de saúde, pelo contribuinte, informados nos demonstrativos que ele elaborou (Relação Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.722067/201247 Acórdão n.º 2302003.514 S2C3T2 Fl. 953 5 Promed de 01/2007 a 12/2007), foram considerados base de cálculo de contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos. Esses fatos geradores foram identificados com os códigos de levantamento AM/AM1 estão discriminados no Anexo 04 (fls.120/338). DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS – DAL Foram lançados valores recolhidos a menor que os devidos relativos a juros e multa pelo pagamento em atraso para algumas competências. MULTA Tendo em vista as modificações da legislação previdenciária levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e considerandose o que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c”, foi realizada a comparação entre as multas aplicáveis com base na legislação de regência (antes da publicação da MP nº 449/2008) e com base na legislação modificada após a publicação da MP nº 449/2008. Constatouse que as últimas GFIP válidas e relativas às competências 04/2007, de 07/2007 a 13/2007, omitindo os fatos geradores e contribuições, foram enviadas na vigência da MP nº 449/2008. Por essa razão, para essas competências, foi aplicada a multa vigente antes da publicação dessa MP no lançamento das contribuições não recolhidas –obrigação principal (24%) e a multa prevista na legislação modificada pela MP nº 449/2008 pelo descumprimento de obrigação acessória (deixar de declarar todos os fatos geradores e contribuições previdenciárias por meio de GFIP). A apuração e o comparativo das multas aplicadas foram apresentados nos Anexos de 05 a 10 (fls. 339/503). A fiscalização juntou cópias de documentos, dentre os quais: Resumos de folhas de pagamento (fls. 510/516); Planilha “Relação complementar de empregados”, elaborada pelo contribuinte (fl. 516); Respostas do contribuinte aos TIF (fls. 517/520, 524 e 526); Relatório de funcionários vinculados ao Plano Promed Assistência Médica, elaborado pelo contribuinte (fls. 527/691); Relação de usuário do plano de saúde elaborado pela Promed Assistência Médica (fls. 692/721); Convenção Coletiva de Trabalho – CCT (fls. 722/725). Telas de consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB relativas às GFIP enviadas pelo contribuinte (fls. 726/745). Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 O contribuinte foi cientificado das autuações em 24/4/2012, conforme assinatura às fls. 3 e 19, e apresentou impugnação (fls. 747/756) em 24/5/2012 (conforme carimbo de protocolo à fl. 747) na qual, basicamente: (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: * a assistência médica contratada e fornecida pela entidade sindical laboral representativa dos vigilantes, por força de norma convencional, não pode ser considerada para fins de saláriodecontribuição; * a exclusão de alguns empregados se deve ao fato de a empresa facultar ao empregado a opção por aderir ou não ao plano de saúde, isentando a empresa de custear os valores relativos àqueles que optaram por não aderir ao plano de saúde. Indica que do rol de excluídos encontravamse funcionários que se opuseram formalmente à adesão, funcionários em afastamento previdenciário, funcionários que trabalhavam em outras empresas (já cobertos pela contratação em outra empresa); funcionários com contratos por prazo determinado e funcionários que trabalhavam em cidades não cobertas pelo plano de saúde contratado pelo Sindicato. É o relatório. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.722067/201247 Acórdão n.º 2302003.514 S2C3T2 Fl. 954 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Assistência à Saúde. Alega a recorrente que a assistência médica contratada e fornecida pela entidade sindical laboral representativa dos vigilantes, por força de norma convencional, não pode ser considerada para fins de saláriodecontribuição; Ocorre que a norma coletiva é lei entre as partes, não podendo ser oposta ao Fisco para designar a natureza jurídica da verba. Vale dizer, ou o ajuste atende aos requisitos legais estabelecidos para o gozo da isenção ou sofrerá incidência. Vejamos se a situação encontrada pela autoridade fiscal enquadrase na norma isentiva. Quanto ao que se apurou, consta do Relatório Fiscal que houve o pagamento em espécie e a recorrente não comprovou o atendimento dos requisitos constantes no art. 28, § 9o, q, da Lei n o 8.212/91, que estabelece que somente goza de isenção previdenciária o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Aduz a empresa que a exclusão de alguns empregados se deve ao fato de a empresa facultar ao empregado a opção por aderir ou não ao plano de saúde, isentando a empresa de custear os valores relativos àqueles que optaram por não aderir ao plano de saúde. Indica que do rol de excluídos encontravamse funcionários que se opuseram formalmente à adesão, funcionários em afastamento previdenciário, funcionários que trabalhavam em outras empresas (já cobertos pela contratação em outra empresa); funcionários com contratos por prazo determinado e funcionários que trabalhavam em cidades não cobertas pelo plano de saúde contratado pelo Sindicato. Ora, não se vislumbra dos autos a comprovação de que houve oposição formal dos empregados excluídos. Ademais, para que fosse cumprido o requisito da norma isencional de extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, a empresa teria que ofertar a utilidade até mesmo aos que optassem por contratação direta de plano de saúde, a fim de não criar discriminação remuneratória, atendendo assim à finalidade última do requisito de cobertura da totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. O mesmo vale para a exclusão de funcionários que trabalhavam em cidades não cobertas pelo plano de saúde contratado pelo Sindicato. Portanto, estes fatos bastariam para manter o lançamento. Quanto ao argumento de que foram excluídos funcionários que trabalhavam em outras empresas (já cobertos pela contratação em outra empresa), não houve nos autos comprovação de tal fato, constando nos autos que foram excluídos os empregados que prestaram serviços à “Decaf Min e Abast Juiz de Fora”, no período de 01/2007 a 12/2007, e no Banco do Brasil S. A., “lotes 02 e 03”, nas competências de 08/2007 a 12/2007, além dos dirigentes e vários empregados lotados nos “setores” denominados como “feristas” e “reserva”. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Ademais, não parece adequado o suposto critério de discriminen que exclui os funcionários em afastamento previdenciário. Portanto, não tendo a recorrente cumprindo com seu ônus de comprovar o cumprimento dos requisitos legais e havendo provas da discriminação remuneratória (benefício exclusivo de parte dos funcionários), deve ser mantido o lançamento. Multas. Direito Intertemporal. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à multa aplicada. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.722067/201247 Acórdão n.º 2302003.514 S2C3T2 Fl. 955 9 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que se aplica a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 960DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.722067/201247 Acórdão n.º 2302003.514 S2C3T2 Fl. 956 11 Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%) em parte das competências. Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo à multa pelo descumprimento de obrigação principal ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 962DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903327/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 33 27 /2 00 9- 01 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0936.509, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O interessado transmitiu Dcomp nº 30903.34072.231205.1.3.048745, visando compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Pasep, efetuado em 15/10/2001; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório Eletrônico no qual não homologa as compensações pleiteadas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade as fls. 07/10 na qual alega, em síntese, que "examinou a sua última Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) transmitida, referente ao 3° trimestre de 2001/Setembro com código de receita 81092 sob o número 0000.100.2006.52000770 recepcionada pelo sistema da Receita Federal em 27/09/2006 inclusive confirmada pelas informações extraídas do sistema gerencial da RFB. Verificase na referida declaração que do valor total do DARF pago R$ 16.803,09 a recorrente declara que utilizou o valor de R$ 12.028,15 para quitação do débito apurado"; É o breve relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 2ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito credit6rio liquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903327/200901 Acórdão n.º 3802001.918 S3TE02 Fl. 112 3 Direito Creditório Não Reconhecido Não se resignando com a decisão recorrida, o contribuinte oferece Recurso Voluntário no qual reitera seus argumentos expendidos no primeiro grau, reforçando a existência de prova a seu favor pela materialidade do crédito tributário. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a ver reconhecido direito creditório decorrente de retificação de DIPJ e, posteriormente, de DCTF. A DRJ houve por bem não acolher o pleito do sujeito passivo, por entender (i) que a DCTF deve ser retificada antes da apresentação de DCOMP, para que a compensação possa ser refutada válida e (ii) que não há comprovação da materialidade dos créditos habilitados à compensação. O contribuinte, ao seu turno, argumenta que (i) nada há de errado em seu procedimento, inclusive porque a DCTF foi retificada antes mesmo do despacho decisório, e (ii) resta demonstrada a materialidade do seu direito creditório ante farta documentação franqueada à fiscalização. Com relação ao primeiro argumento da decisão recorrida, temos que de fato, mesmo que a lógica pressuponha que a DCTF (enquanto instrumento de confissão de dívida) seja antecessora, ou ao menos contemporânea da DCOMP, não há qualquer norma que exija a retificação da DCTF anteriormente à apresentação da DCOMP. Assim, ao meu ver, equivocou se a DRJ ao negar a análise do direito creditório por uma questão de forma, que extrapola as normas vigentes, e que resumo no seguinte parágrafo do voto condutor do julgado recorrido: Assim, a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e o comunicado à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora). É dizer que, para ser considerado liquido e certo, o crédito há de estar demonstrado em DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Sem o estabelecimento dessa relação lógicotemporal, a compensação não pode ser homologada. Vale lembrar que a administração, especialmente a tributária, se desenvolve pelo princípio da reserva legal, o que acarreta que a prática de seus atos deve ser feita somente nos termos expressos das normas vigentes. Isso é decorrência da proteção natural das liberdades dos cidadãos, pois a ação do Estado (lato sensu) restringe as liberdades políticas dos administrados. O particular, ao contrário, tem plena liberdade de agir, adotando medidas que não sejam vedadas pelas normas vigentes. A própria noção de autotributação, a que se refere Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ricardo Lobo Torres nas suas considerações acerca do princípio da legalidade, reflete que, fora das restrições permitidas pelo povo, por intermédio dos seus representantes, para que ocorra ação estatal, o cidadão tem plena liberdade de agir. O mesmo se dá com relação às normas administrativas, pois, como cediço, estas não podem extrapolar os preceitos legais, e se destinam à perfeita regulamentação e fiel execução das regras decorrentes de processo legislativo. Logo, a conclusão a que chegou a decisão recorrida – valendose da lógica para criar restrições à aceitação da DCTF retificadora que não existem nas regras pertinentes – revelase equivocada. Todavia, quanto a segunda razão de decidir, entendo correta a decisão recorrida. O Acórdão recorrido, ultrapassando o aspecto formal da DCTF, entendeu que “a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, para que se possa certificar a sua correção.” A Recorrente apresenta, em seu arrazoado, a explicação de que o ajuste da base de cálculo se deu diante da percepção de que houve a tributação equivocada de vendas de produtos isentos. No entanto, não se apresenta quais seriam esses produtos, nem mesmo a documentação fiscal de suporte, para que pudéssemos confirmar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta mais do que em primeiro grau. Dentre a documentação acostada, realço a juntada de uma planilha na qual se apresenta, de forma didática, a evolução das retificações de sua DIPJ que demonstra a diferença numérica da base de cálculo. Além disso, a Recorrente apresenta uma cópia de parte dos balancetes, e frisa em sua petição que: Ocorre que, em sede de processo de compensação, a aceitação de juntada posterior de documentos é excepcional, e pressupõe que o contribuinte tenha suscitado dúvida legítima no julgador com base no quanto já apresentado. Especificamente com relação à comprovação da materialidade do crédito, esta Turma Especial já possui entendimento sedimentado no sentido de que, em sede recursal, para que se possa acolher o pleito do contribuinte, os documentos precisam atestar de plano a existência, com liquidez e certeza, dos créditos. Por maior que seja o prestígio à verdade material, o formalismo moderado do processo administrativo não pode fazer tabula rasa das normas vigentes, em especial o art. 17 do Decreto 70.235/72, que traz regra preclusiva para juntada da documentação probante. Assim é que, uma vez instaurado o procedimento de revisão de compensação, passa a ser ônus do contribuinte demonstrar que atende aos pressupostos do art 170 do CTN. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903327/200901 Acórdão n.º 3802001.918 S3TE02 Fl. 113 5 Para tanto, não basta argumentar que houve erro na tributação de vendas de produtos isentos, e franquear documentação para análise. Se não a totalidade, em caso de grande quantidade de documentos, ao menos parte da comprovação de quais seriam esses produtos, com apresentação das notas fiscais comprovando as operações, e um relatório discriminado dessas vendas que permitisse a totalização das vendas que levaram à recomposição das bases de cálculo, deveria ter sido apresentada. Ausentes tais documentos, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732749/2011-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2010
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2010 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 27 49 /2 01 1- 54 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.732749/201154 Acórdão n.º 2803003.945 S2TE03 Fl. 460 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da incidência de contribuições previdenciárias apuradas da seguinte forma: a) Levantamentos CO/CO1 – PAGTOS COOPERATIVAS: correspondem à contribuição de 15% devida pelo sujeito passivo em competências compreendidas entre 07/2007 e 11/2008 em razão dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, verificados mediante análise de contratos firmados com o contribuinte e respectivas notas fiscais/faturas; b) Levantamentos PA/PA1/PA2 – PAGTOS PRESTADORES SERVIÇOS: correspondem à contribuição patronal de 20% incidente sobre a remuneração a segurados contribuintes individuais prestadores de serviços diversos, apurada nos pagamentos constantes das contas de dotação orçamentária 3.3.90.36.99000000 – Outros Serviços e 3.3.90.36.00000000 – Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física. O lançamento abrange as competências 01/2007 a 12/2008. Foram examinados os Recibos de Pagamentos de Autônomos destes segurados e confrontados com os valores de pagamentos constantes das relações apresentadas. Estes valores não estão declarados em GFIP; c) Levantamentos SM/SM1/SM2 – SERV MÉDICOS E ODONTOLÓGICOS: correspondem à contribuição patronal de 20% incidente sobre a remuneração a segurados contribuintes individuais prestadores de serviços médicos e odontológicos, cujos pagamentos estão relacionados na conta orçamentária do Fundo Municipal de Assistência Médica código 3.3.90.36.30000000. O lançamento abrange as competências 01/2007 a 12/2008. Foram excluídos do lançamento os segurados com remuneração já declarada em GFIP. A ciência do lançamento realizouse em 19.12.2011. Em recurso voluntário, alega que os valores pagos foram superiores aos declarados em GFIP, nulidade do lançamento por não ter observado questões fáticas e não ter sido deferido a prorrogação de prazo para apresentação probatória na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.732749/201154 Acórdão n.º 2803003.945 S2TE03 Fl. 461 3 Voto 1) O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade recursal, assim deve o mesmo ser conhecido. 2) O lançamento está correto, pois foram cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo, pois houve a oportunização de defesa e contraditório pleno à parte. Observese que não houve presunções, mas os dados foram todos obtidos com base nos documentos e registros à parte, conforme os anexos ao relatório, bem como demonstrou os cálculo do crédito. Remetese ao julgamento de primeiro grau, em que ressalta a inexistência de elemento probatório contrário ao lançamento, apenas provas contraditórias entre si. O pedido de prorrogação de prazo da parte não afeta o julgamento, pois indiferentemente de haver a prorrogação deferida ou não, em razão o princípio da verdade material, bem como na forma do art. 16, do Dec. 70235, poderia ter apresentado os documentos que alegava ter. Inclusive, após a resposta à solicitação de diligência de primeiro grau, a parte teve concedido novo prazo para apresentar documentos. Também, não houve especificação ou apresentação de indício de qualquer elemento da prova que pretendia produzir, não havendo prejuízo à sua defesa, e, conseqüência, não incidência do art. 59, do decreto retro indicado. 3) Quanto aos valores declarados em GFIP serem menores que os recolhimentos, demonstrouse nos autos que eram pequenas diferenças, bem como foram apropriadas pelo lançamento e reconhecidas pela decisão recorrida. Contudo, o âmago do lançamento é formado de créditos que tiveram por base valores pagos não declarados em GFIP. Logo, a defesa nesse aspecto não corresponde com a realidade. 4) Isso posto, conheço o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe o provimento. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.732749/201154 Acórdão n.º 2803003.945 S2TE03 Fl. 462 4 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10730.720228/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.164
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à localização do imóvel no Parque Estadual e à apresentação de Ato Declaratório Ambiental. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Relatório
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Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório O contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão 0349.004 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o auto de infração de ITR para o exercício 2006, relativamente ao imóvel FAZENDA BRASIL (NIRF 3.331.8727), com área total declarada de 1936,0 ha., localizada no município de Cachoeiras de MacacuRJ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 22 8/ 20 10 -1 7 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720228/201017 Resolução nº 2101000.164 S2C1T1 Fl. 3 2 O referido acórdão manteve o crédito tributário tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória das alegações relativas à reserva legal e área de preservação permanente. No recurso voluntário repisa os mesmos argumentos apresentados na impugnação sem, contudo, trazer documentação comprobatória aos autos. A área declarada para o NIRF 3.331.8728, denominada Fazenda Brasil, tem 1.936 ha. sendo 1.935 de área de preservação permanente, pois está inteiramente dentro do Parque Estadual dos Três Picos, conforme Decreto 31343/2006. O restante, 1 ha. é de reserva legal. Informa que declarou a ADA para o exercício 2006 em nome da pessoa física cuja área, está localizada totalmente dentro do Parque Estadual dos Três Picos e, por isso, isenta do ITR/2006. O referido ADA para o exercício 2006 não consta dos autos do processo. No processo foram anexados os documentos a seguir. ADA exercício 2008 (fls. 44) para o imóvel Fazenda Brasil, protocolo do IBAMA n. 10833330009222, transmitido em 01/08/2008; Este imóvel foi declarado com 19.360,00 ha, definidos como reserva legal. ADA exercício 2009 (fls. 47), número do recibo 10933330244480, transmitido em 28/12/2009, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. Não foi declarada a área, nem a localização do imóvel. ADA exercício 2010 (fls. 46) –número do recibo 11033330504170, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. O imóvel foi declarado com 1936ha de área de preservação permanente e 1 há com mineração. Também neste documento foi informada a localização geográfica da sede, sendo Latitude 22o26’ 57 8’ ‘S, e Longitude 42o 36’ 45,6 ‘ W. Cópias de diário oficial do Estado Rio de Janeiro que cria o Parque Estadual dos Três picos e do decreto estadual 31343/2002. Laudo agronômico para fins de recadastramento de propriedade rural junto ao INCRA (fls. 33). Cadastro técnico federal– certificado de regularidade – IBAMA – permitindo o uso de Recursos Naturais para atividade agrícola e pecuária.(fls. 45) Declaração da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu de que as fazendas Reunidas Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil encontrase em área de preservação permanente, datado de 2003.(fls. 32) Apesar de ter sido tratado no acórdão recorrido, o contribuinte insurgese novamente contra a aplicação da multa de 75%, por ser improcedente o lançamento. Menciona os dispositivos legais que garantiriam a isenção do ITR na propriedade sob análise, a saber, art. 104 da lei 8171/91, par. 1o. art. 10 da lei 9393/96, decreto 4382/02. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720228/201017 Resolução nº 2101000.164 S2C1T1 Fl. 4 3 Argumenta com decisões do Conselho de Contribuintes sobre a desnecessidade do ADA para o reconhecimento da exoneração. Cita também decisões das Cortes superiores que corroborariam o entendimento da desnecessidade de ADA para isenção de ITR nas áreas de preservação permanente. Embasa o pedido no Decreto Estadual do Estado do Rio de Janeiro n. 31343/2002 que criou o Parque Estadual dos Três Picos. Solicita que seja declarado insubsistente o crédito tributário e que seja cancelada a Notificação de Lançamento n. 07102/00006/2010, tendo em vista que a área declarada em sua declaração de ITR é de preservação permanente, sendo, portanto, isenta to imposto. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Conforme legislação vigente, já amplamente mencionada no acórdão recorrido, o reconhecimento de isenção de ITR tanto de área de preservação permanente quanto de área de reserva legal dependem de documentos bastante comprobatórios de que o imóvel realmente está inserido no contexto que alega. O legislador, para garantir o direito do proprietário do imóvel junto à Receita Federal, previu documentos que não poderiam ser refutados pela Receita Federal para conceder a isenção, quais sejam: Ato Declaratório Ambiental Lei 6938/81 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Averbação da área de Reserva Legal – Lei 6938/81 Lei 9393/1996 Decreto 4382/2002 Art.12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável(Lei nº4.771, de 1965, art. 16,com a redação dada pelaMedida Provisória nº2.16667, de 2001). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720228/201017 Resolução nº 2101000.164 S2C1T1 Fl. 5 4 §1ºPara efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere ocaputdeste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Como já repisado no acórdão de impugnação, a documentação acostada aos autos não comprova a quantidade de área da propriedade que estaria comprometida com reserva legal ou com preservação permanente. Os documentos comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade está inserida, e que áreas da a propriedade teriam sido objeto de preservação permanente/reserva legal. Um laudo anexado aos autos para fins de recadastramento da propriedade junto ao INCRA informa que a propriedade estaria dentro do referido parque. Contudo, não existe qualquer documento que comprove tal afirmação. Mais ainda, não há nos autos, documentação hábil que comprove a quantidade de área de reserva legal ou de preservação permanente na propriedade, no exercício 2006. O contribuinte faz referência à apresentação de ADA no ano 2005, entretanto, não juntou o documento aos autos em nenhum momento. O art. 150 do Código Tributário Nacional (lei 5172/1966) define o lançamento por homologação como “aquele em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Contudo, caso seja intimado para prestar esclarecimentos em procedimento de fiscalização, o contribuinte deverá apresentar os documentos comprobatórios dos dados utilizados para o cálculo do tributo. A aplicação das multas é uma imposição legal e está determinada no art. 14 da lei 9363/1996 e definidas no art. 44, inc I da lei 9430/1996. As decisões em processos tanto administrativos quanto judiciais são aplicáveis às partes nos respectivos processos, i.e., no contexto em que foram proferidas. Dado o exposto, negase provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins Relatora Voto Vencedor Conselheiro EDUARDO DE SOUZA LEÃO, Redator Designado Não obstante as lúcidas informações trazidas no Relatório e no bem fundamentado Voto da Ilustre Conselheira Relatora, entendo que o feito em julgamento carece de esclarecimentos quanto a questões de fato, objetivando realizar a melhor justiça fiscal administrativa. Ora, conforme identificado pela Ilustre Conselheira Relatora, foram trazidos aos autos documentos que comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade do imóvel em análise, estaria inserida. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720228/201017 Resolução nº 2101000.164 S2C1T1 Fl. 6 5 Do mesmo modo se observou a existência de um laudo realizado para fins de recadastramento do imóvel junto ao INCRA, contendo informação que a propriedade estaria dentro do referido parque. Portanto, percebemse fortes indícios de que áreas do imóvel referente à “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, sejam objeto de preservação permanente e/ou de reserva legal. Nesse sentido, para evitar qualquer injustiça, em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação, voto no sentido de converter o julgado em diligência a ser realizada pela Repartição de origem, para que: sejam intimados os Cartórios de Registro de Imóvel porventura existentes no Município de Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, para que informem, por meio de certidão, todos os registros ocorridos relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto a averbação de áreas de reserva legal e de preservação permanente; seja oficiado o INCRA, por meio da sua Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o IBAMA, por meio da sua Superintendência no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, relativo à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental no ano de 2005, e em especial sobre as áreas identificadas como de preservação permanente e de reserva legal, existentes no referido imóvel. Após a obtenção das respostas, a Recorrente deverá ser cientificada e informada de que poderá se manifestar sobre o resultado da diligência dentro do prazo de 30 dias. É como voto. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Numero do processo: 16327.901781/2011-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.329
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 78 1/ 20 11 -7 0 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901781/201170 Resolução nº 3802000.329 S3TE02 Fl. 190 2 A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 37299.03852.030807.1.3.043801 em 03/08/2007 (fls. 111/115), pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior efetuado em 12/11/2004 para o Programa de Integração Social – PIS (código de receita 4574). Apenso a este processo, encontrase o processo de cobrança protocolado sob o nº 16327.902594/201111; e os dossiês de atendimento protocolados sob os nº 10010.004963/061157 e 10010.005003/061112. Observese que os números de folha mencionados no presente processo se referem à numeração digital do processo digital. Por meio do Despacho Decisório de fl. 41, emitido em 04/05/2011 pela DEINF/SP, a compensação declarada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão em 13/05/2011, conforme AR (fl. 110), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/11) em 13/06/2011 alegando, em síntese, que: A presente manifestação é tempestiva, uma vez que está sendo apresentada dentro do prazo de 30 (trinta) dias. O Manifestante é entidade fechada de previdência complementar instituída pelo Banco Nossa Caixa S/A, sem fins lucrativos, e tem como objeto social a administração e execução de planos de benefícios de natureza previdenciária e assistenciais à saúde. Em razão de erro quando do preenchimento de DCTF Declaração de Créditos Tributários Federais, seu pedido de compensação não foi homologado. A pretensão do Manifestante era compensar o crédito apurado em virtude de recolhimento de valor superior ao devido no período de apuração de outubro de 2004. O DARF informado na declaração de compensação não foi utilizado integralmente no referido período de apuração. Havia sim crédito restante neste recolhimento e o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901781/201170 Resolução nº 3802000.329 S3TE02 Fl. 191 3 Cita os cálculos do valor declarado em DCTF e do valor que alega ser realmente devido, para demonstrar o recolhimento a maior e o direito a compensálo. É claro o seu direito à restituição do pagamento realizado a maior, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado. Cita doutrina para corroborar com seu entendimento. Os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária. O valor declarado não existia de fato, uma vez que o Manifestante incorreu em erro material ao preencher sua DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser incluídos, ocasionando uma apuração maior que a devida. Traz planilha para demonstração da “base real” apurada. O Manifestante recolheu 0,65% de PIS e 3% de COFINS conforme legislação vigente à época, qual seja a de PIS pelo inciso I, do artigo 8 da Lei nº 9.715/98 e de COFINS pelo artigo 8 da Lei n° 9.718/98. Como se observa com a demonstração de suas receitas, que serviram de base de cálculo para o PIS e com os dispositivos que determinam as alíquotas dos referidos tributos, constatase que o valor declarado foi superior ao realmente devido. Pelo fato do Manifestante não ter retificado sua DCTF à época a fim de informar que tinha apurado valor menor do que o declarado, a Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido de compensação. Após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o Contribuinte de retificar a declaração, caso fosse permitido, o Manifestante regularizaria esta pendência e esta Secretaria conseguiria visualizar a existência do crédito. Cita o disposto no art. 57 da IN nº 600/2005. O Código Tributário Nacional é expresso ao reconhecer o direito à restituição, independentemente de prévio protesto através de seu art. 165, caput, inciso I. O CTN conferiu ao contribuinte o direito de repetir ou compensar o débito pago a maior fruto de erro no cálculo ou preenchimento de documentos relativos ao pagamento, no caso a DCTF. Requer que a Manifestação de Inconformidade seja julgada procedente, e que seja homologada a compensação declarada, extinguindose o crédito tributário correspondente ao que a Delegacia considerou indevidamente compensado. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901781/201170 Resolução nº 3802000.329 S3TE02 Fl. 192 4 É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1635.314, de 13/12/2011, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 CITAÇÃO DE DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A manifestação de inconformidade deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações da defesa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901781/201170 Resolução nº 3802000.329 S3TE02 Fl. 193 5 Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do PIS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de outubro de 2004. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do PIS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de PIS para esta competência. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do PIS de outubro de 2004, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901781/201170 Resolução nº 3802000.329 S3TE02 Fl. 194 6 do PIS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.906108/2009-32
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da DIPJ. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf.
Numero da decisão: 1803-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da DIPJ. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 61 08 /2 00 9- 32 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 348 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 30237.90545.300305.1.3.033340, em 30.03.2005, 08839.14057.290405.1.3.032148, em 29.04.2005, 16938.58846.300505.1.3.037219, em 30.05.2005, 03997.89890.300605.1.3.037005, em 30.06.2005, 03019.74011.220705.1.3.030268, em 22.07.2005 e 25045.24602.290805.1.3.03 1889, em 29.08.2005, fls. 0209, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$524.374,93 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1012, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO PAGAMENTOS Soma das Parcelas do Crédito PER/DCOMP 852.520,09 852.520,09 CONFIRMADAS 395.804,38 395.804,38 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$524.374,93 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$852.520,09 CSLL devida: R$328.145,16 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 349 3 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) Valor do saldo negativo disponível: R$67.659,22 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar Integralmente os débitos Informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 30237.90545.300305.1.3.033340 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 08839.14057.290405.1.3.032148 16938.58846.300505.1.3.037219 03997.89890.300605.1.3.037005 03019.74011.220705.1.3.030268 25045.24602.290805.1.3.031889 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei no 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º e art. 26 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1430, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: A — DOS FATOS Tratase de Declarações de Compensação, formalizadas através do programa eletrônico "Per/DComp", por intermédio das quais a Impugnante pugnou pela Restituição de créditos de saldos negativos de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, apurados no exercício de 2003 e 2004, pela via da compensação de tais créditos com débitos da própria Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, apurados do 1° ao 3° Trimestres do exercício de 2005. Ao analisar as Declarações de Compensação o Sr Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil entendeu que as parcelas de composição do saldo negativo informadas na pasta "Crédito" do Per/DComp, não foram suficientes para compensar os débitos informados pela Impugnante, razão pela qual: homologou parcialmente a compensação declarada no Per/DComp nº 30237.90545.3000305.1.3.0333340; e não homologou a compensação declarada nos seguintes Per/DComp:08839.14057.290405.1.3.032148; 16938.58846.300505.1.3.03 7219; 03997.89880.300605.1.3.037005; 03019.74011.220705.1.3.030268; 25045.24602.290805.1.3.03 1889. Em razão disso, afirma a D. Fiscalização que a Impugnante deixou de efetuar o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, do período pleiteado, restando um saldo a recolher no valor de R$ 487.283,20 (quatrocentos e oitenta e sete mil e duzentos e oitenta e três reais e vinte centavos), mais incidência de multa no valor de R$ 97.456,61 (noventa e sete mil quatrocentos e cinqüenta e seis reais e sessenta e um centavos) e juros no valor de R$249.295,57 (duzentos e quarenta e nove mil duzentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e sete centavos). Data máxima vênia, certa da necessidade da reforma da decisão acima reproduzida e do cancelamento da cobrança a ela imputada, a Impugnante analisará adiante os seus fundamentos, demonstrando, ao final, a sua flagrante inconsistência. [...] Fl. 349DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 350 4 3 Do Mérito Dispõe o art. 143 do Código Tributário Nacional (CTN) que o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza pela pessoa física ou jurídica. Conforme preleciona Hugo de Brito Machado, a apuração do imposto devido pelas pessoas jurídicas pode se dar de três formas: por meio do lucro real, presumido ou arbitrado. De acordo com a primeira (lucro real), o sujeito passivo, ao abater as despesas das receitas auferidas no período de apuração, obtém o lucro liquido da empresa e calcula o montante do imposto devido. Conforme a segunda (lucro presumido), aplicase a receita bruta anual da empresa o coeficiente estabelecido em lei para sua atividade econômica, determinandose o lucro e calculandose o IRPJ. Com base na terceira (lucro arbitrado), a autoridade administrativa, considerando o patrimônio da empresa, as operações financeiras realizadas ou ainda o lucro liquido auferido pelo sujeito passivo em períodos anteriores, arbitra a base de cálculo sobre a qual incidirá a alíquota, resultando no imposto devido [...]. Considerando que o lucro real constitui a base de cálculo do imposto de renda da maioria das pessoas jurídicas no Brasil, o legislador autorizou nesta modalidade, a antecipação do tributo devido por meio do pagamento mensal de estimativas, calculadas com base no lucro presumido aferido no período. Encerrado o anobase, a empresa abate as estimativas recolhidas do saldo de imposto devido ao fim do exercício, obtendo, conforme o caso, tributo a pagar ou a ser restituído o que dispõe o art. 2° da Lei n° 9.430/96, [...]. As empresas que optarem pelo pagamento mensal do IRPJ por estimativa com base na receita bruta deverão também pagar a CSL pelo mesmo critério (art.28, Lei 9.430/1996). No presente caso, convém esclarecer que a forma de tributação escolhida pela Impugnante para o exercício de 2003, 2004 e 2005 foi o lucro real anual com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Assim, no final de cada exercício, após elaborar o balancete mensal acumulado, a Impugnante constatava se o imposto e a contribuição estimada/recolhida eram maiores do que as realmente devidas. Vejamos: No exercício de 2003 a Impugnante encerrou o exercício com um saldo negativo de CSLL no valor de () R$433.684,92 (quatrocentos e trinta e três mil seiscentos e oitenta e quatro reais e noventa e dois centavos), apurados da seguinte forma: PA/2003 CSLL Apurada Com Base Em Estimativa, Antes De Efetuadas As Compensações Forma De Extinção Do Débito Janeiro R$30.574,11 Compensação com saldo negativo de 31/12/2002, formalizada através da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Fevereiro R$33.588,27 Compensação com saldo negativo de 31/12/2002, formalizada através da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Março R$62.121,37 Compensação com saldo negativo de 31/12/2002, formalizada através Fl. 350DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 351 5 da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Abril R$71.121,71 Compensação com saldo negativo de 31/12/2002, formalizada através da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Maio R$176.870,54 Compensação com saldo negativo de 31/12/2002, formalizada através da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Junho R$109.606,16 Compensação com saldo negativo de 31/12/2002, formalizada através da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Julho R$112.244,35 Compensação com saldo negativo de 31/12/2002, formalizada através da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Agosto R$135.357,69 Compensação realizada com crédito oriundo de saldo negativo de 31/12/2002, no valor de R$115.971,42, e com crédito dos Autos Judiciais nº 8700005444, formalizada através da DComp. 5751.26864.13080.41303.3961 Setembro R$114.266,64 Compensação realizada com crédito dos Autos Judiciais n. 8700005444. Outubro R$158.794,69 Compensação realizada com crédito dos Autos Judiciais n. 8700005444. Novembro Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução Dezembro Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução Total () R$1.004.545,53 Saldo Negativo de CSLL [AnoCalendário 2003] CSLL Valor Devido R$570.865,61 Antecipações R$1.004.550,53 Saldo Negativo () R$433.684,92 Como, a Impugnante iniciou o exercício de 2004 com um saldo negativo, realizou as seguintes compensações ao longo do ano: PA/2004 CSLL Apurada Com Base Em Estimativa, Antes De Efetuadas As Compensações Forma De Extinção Do Débito Janeiro R$23.661,99 Compensação com saldo negativo de 31/12/2003, formalizada através da DComp. 10663.19228.140504.1.3.033280 Fevereiro R$46.713,66 Compensação com saldo negativo de 31/12/2003, formalizada através da DComp. 10663.19228.140504.1.3.033280 Março R$92.395,99 Compensação com saldo negativo de 31/12/2003, formalizada através da DComp. 10663.19228.140504.1.3.033280 Abril R$84.112,29 Compensação com saldo negativo de 31/12/2003, formalizada através da DComp. 14241.71318.310504.1.3.039346 Maio R$107.661,70 Compensação com saldo negativo de 31/12/2003, formalizada através da DComp. 00762.27544.300604.1.3.039561 Junho R$132.137,14 Foram recolhidos R$29.967,06 (vinte nove mil novecentos e sessenta e sete reais e seis centavos) através de Guia DARF, e R$102.170,08 foram compensados com saldo negativo de 31/12/2003, formalizada através da DComp. 33681.44068.160704.1.3.033807. Julho R$97.643,46 Valor Recolhido através da Guia DARF Agosto R$75.805,21 Valor Recolhido através da Guia DARF Setembro R$78.491,41 Valor Recolhido através da Guia DARF Fl. 351DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 352 6 Outubro R$113.897,25 Valor Recolhido através da Guia DARF Novembro Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução Dezembro R$328.145,16 Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução Saldo Negativo de CSLL [AnoCalendário 2004] CSLL Valor Devido R$328.145,16 Antecipações R$852.520,09 Saldo Negativo () R$524.374,93 Nota se , Ilustres Julgadores, que a Impugnante ao terminar de utilizar o saldo negativo do exercício de 2003, passou a efetuar o recolhimento da contribuição via DARF. Novamente, no final do exercício de 2004, ao perceber que havia recolhido um valor de contribuição social superior ao devido, suspendeu o pagamento, transportando o saldo negativo para ser compensado no exercício de 2005. Vejamos: PA/2005 CSLL Apurada Com Base Em Estimativa, Antes De Efetuadas As Compensações Forma De Extinção Do Débito Janeiro R$57.897,76 Compensação com saldo negativo de 31/12/2004, formalizada através da DComp. 19326.11642.210808.1.7.039886 Fevereiro R$48.909,89 Compensação com saldo negativo de 31/12/2004, formalizada através da DComp. 30237.90545.3000305.1.3.03 3340 Março R$70.344,08 Compensação com saldo negativo de 31/12/2004, formalizada através da DComp. 08839.14057.290405.1.3.032148 Abril R$75.909,58 Compensação com saldo negativo de 31/12/2004, formalizada através da DComp. 16938.58846.300505.1.3.037219 Maio R$131.835,96 Compensação com saldo negativo de 31/12/2004, formalizada através da DComp. 03997.89880.300605.1.3.037005 Junho R$112.852,36 Compensação com saldo negativo de 31/12/2004, formalizada através da DComp. 03019.74011.220705.1.3.030268 Julho R$58.667,43 Compensação com saldo negativo de 31/12/2004, formalizada através da DComp. 25045.24602.290805.1.3.031889 Ocorre, que ao analisar as Declarações de Compensação apresentadas pela Impugnante, o Sr Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil., no momento de conferir o somatório das parcelas de composição do crédito, considerou apenas as quantias recolhidas no exercício de 2004 via guia DARF desprezado todas as compensações efetuadas pela Impugnante. Assim, em vez de apurar um saldo negativo de () R$852.520,09, apurou u saldo negativo de () R$395.804,38 (total de valores recolhidos via DARF em 2004). Logo, segundo o entendimento da D. Fiscalização, se a Impugnante possuía um saldo negativo de apenas () R$395.804,38, e um débito de contribuição social de R$328.145,16 (PA:12/2004), o saldo negativo a ser transportado para o exercício de 2005 seria apenas R$67.659,22. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 353 7 Notase, que o valor apurado pelo Sr Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil foi suficiente para saldar apenas a competência de janeiro de 2005, de forma integral, razão pela qual a DComp 19326.11642.210808.1.7.039886 foi homologada, e de forma parcial a DComp 30237.90545.3000305.1.3.033340, referente a competência de fevereiro de 2005, ensejando sua homologação parcial. A exclusão das compensações efetuadas, no somatório das parcelas de composição do crédito, gerou um saldo remanescente de R$487.283,20, que no entender do Sr. Auditor seria uma infração a legislação tributária, ensejando a aplicação de multa e juros. Ocorre, Ilustre Julgadores, que o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil cometeu um equivoco ao excluir do somatório das parcelas de composição do crédito as contribuições liquidadas através de compensação, uma vez que todas foram devidamente declaradas através de Dcomp’s devidamente informadas nas DCTF's de cada exercício [...]. Nos termos do art. 156, II, do CTN, a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário. A Lei n° 9.430/96, ao minudenciar a matéria, estabelece que esta extinção sujeitase a condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Inexistindo manifestação da autoridade administrativa firme no sentido da nãohomologação da compensação, não há maiores divergências, na doutrina e na jurisprudência, sobre os efeitos da compensação. Logo, as compensações efetuadas pela Impugnante ao longo do exercício de 2004, devidamente declaradas, com o intuito de saldar a contribuição estimada em cada período de apuração, devem, sem qualquer sombra de dúvida, compor o crédito do saldo negativo utilizado para saldar as competências de 2005, objeto do presente processo de crédito. 3.1 — Suspensão Da Exigibilidade Dos Valores Compensados Mister salientar que a presente manifestação de inconformidade, nos termos da Lei 9.430/96, com as recentes alterações que lhe foram introduzidas pela Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, suspende a exigibilidade dos valores cujas compensações não foram homologadas. Ou seja, desde o momento em que instaurado o contencioso administrativo, o valores compensados estão com a exigibilidade suspensa. A esse propósito, vejase a redação do artigo 74 da Lei 9.430/96 que trata do assunto: [...]. Se mais não bastasse, o entendimento de que manifestação de inconformidade e recursos na seara administrativa suspendem a exigibilidade dos valores objetos de compensação é seguido também pelo Poder Executivo, que redigiu o artigo 48, parágrafos 2° e 3°, I da IN/SRF 460 de 18/10/2004, ratificado pelos artigo 48, parágrafos 2° e 3°, I, da IN/SRF 600 de 28/12/2005 DOU 30/12/2005 [...]. Desse modo, temse, pois, que os valores compensados pela Impugnante e ainda não homologados expressamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil estão com a exigibilidade suspensa até que o processo administrativo n° 11020 906.108/200932 seja definitivamente decidido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 354 8 Conclui que: Diante de todas as considerações acima apontadas, outra não pode ser a conclusão extraída do presente caso, sendo a de que a decisão de homologação parcial da compensação declarada na DCOMP nº 30237.90545.3000305.1.3.03 33340; e a não homologação da compensação declarada nas seguintes DCOMP: 08839.14057.290405.1.3.032148; 16938.58846.300505.1.3.03 7219; 03997.89880.300605.1.3.037005; 03019.74011.220705.1.3.030268; 25045.24602.290805.1.3.03 1889, realizadas pela Impugnante, está equivocada, razão pela qual requer: i) sejam consideradas homologadas as compensações formalizadas pela Impugnante; ii) seja deferida a totalidade do crédito inicialmente pleiteado, qual seja R$ 852.520,09 (oitocentos e cinqüenta e dois mil quinhentos e vinte reais e nove centavos), bem como seja o referido valor devidamente atualizado pela taxa SELIC desde a sua apuração até a efetiva compensação, nos termos da Lei n° 9.250/95. iii) Requer, outrossim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo do 151, inciso III, do CTN. Protesta, outrossim, com fundamento no artigo 16, §4°, do Decreto 70.235/72, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 44.906, de 05.07.2013, fls. 263265: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. A compensação tributária exige crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 12.07.2013, fl. 286, Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.08.2013, fls. 289338, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: 6. Todavia, conforme consta da própria decisão ora recorrida, a não homologação dessas compensações, objeto do PA n.° 11020.000422/200586, está sendo discutida em sede de recurso voluntário , também interposto na data de hoje, portanto pendente de julgamento perante esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 7. Não bastasse a circunstância do efeito suspensivo produzido pela interposição do recurso voluntário no PA n.° 11020.000422/200586 por si só Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 355 9 impedir que o Fisco não reconheça parte do Saldo Negativo, a recorrente demonstrará que a extinção dos débitos das estimativas mensais de 01/2004 a 06/2004 inevitavelmente se confirmará, e que, portanto, a cobrança em tela é indevida, dada a legitimidade da totalidade do crédito declarado. Preliminarmente. Necessário Apensamento aos Processos n.° 11020.915115/200925 e 11020.900902/201014. 8. Na petição de interposição do presente recurso, a recorrente requereu à repartição de origem o apensamento do presente feito aos Processos Administrativos n.° 11020.915115/200925 e 11020.900902/201014, relativos a Saldos Negativos de CSLL dos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente, a fim de que os recursos voluntários interpostos, todos na mesma data, sejam julgados em conjunto. 9. O presente processo referese a Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2004, que causa reflexos ou sofre a influência dos referidos Processos Administrativos n.° 11020.915115/200925 e 11020.900902/201014. 10. Em suma, o provimento do presente recurso voluntário e daqueles interpostos nos referidos processos, fará com que os Saldos Negativos dos demais períodos também sejam reconhecidos e que as compensações de débitos efetuadas sejam devidamente homologadas. 11 . Ademais, o apensamento é necessário para que não haja decisões conflitantes sobre um único contexto que envolve os 3 (três) processos administrativos . C Das Razões Para A Reforma Da R. Decisão Recorrida. C.1 Da Situação Dos PA’s N.° 11020.000422/200586, Que Abarca As Compensações Dos Débitos Que Formaram A Parcela Do Saldo Negativo Não Confirmado. 12. O artigo 156, inciso II, do CTN dispõe que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. 13. O instituto da compensação de créditos tributários, previsto no artigo 170 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), disciplina: [...]. 14. No âmbito da Administração Pública Federal é a Lei n.° 9.430/1996, especialmente e em seus artigos 73 e 74, que regulamenta a compensação de débitos com créditos administrados pela Receita Federal do Brasil. [...] 16. Dessa forma, as compensações efetuadas pela recorrente, devidamente declaradas à Receita Federal do Brasil, tiveram o condão de extinguir os débitos do imposto estimado dos períodos de apuração 01/2004 a 06/2004. Portanto, esses débitos, apurados pelo regime de estimativa mensal, uma vez regularmente extintos, são aptos a compor o Saldo Negativo de CSLL utilizado para saldar os débitos com vencimento em 2005. 17. A Recorrente não desconhece o fato de a Receita Federal do Brasil ter proferido a decisão no PA nº 11020.000422/200586 as compensações dos débitos dos períodos de apuração 01/2004 a 06/2004, a qual foi mantida pela DRJ/POA. Porém, a recorrente interpôs recurso voluntário, os quais ainda não foi julgado por esse E. CARF, conforme certifica do pela própria r. decisão recorrida. 18. Os §§ 10 e 11, da Lei n.° 9.430/96, dispõe: [...] Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 356 10 19 . Desse modo, enquanto não houver decisão definitiva desse E. CARF nos autos do PA 11020.000422/200586, os débitos neles abarcados, e que compuseram ou refletem nos Saldos Negativos de CSLL utilizados no presente processo, encontramse suspensos, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. 20. Isso significa dizer que somente a "não homologação" definitiva das compensações controladas pelo PA nº 11020.00422/200586 teria como consequência a "não confirmação" do Saldo Negativo de CSLL utilizado pela recorrente. E, se isso não ocorreu, e nem deverá ocorrer, como será demonstrado a seguir, há evidente falta de motivação na decisão do Fisco de não homologar as compensações aqui abarcadas sob a fundamentação de "não confirmação" da parcela do crédito. 21. Portanto, as compensações abarcadas no presente feito devem ser homologadas, na medida em que, para todos os efeitos, permanece o efeito extintivo dos débitos compensados por meio do PA nº 11020.000422/200586, a menos que esse E. CARF diga o contrário futuramente. 22. Na hipótese de não ser esse o entendimento, o presente processo deverá permanecer sobrestado até decisão irrecorrível a ser proferida nos autos do PA nº 11020.000422/200586, quando será confirmada, ou não, a parcela do crédito que o Fisco deixou de reconhecer no presente feito. C.2 Da Legitimidade Das Compensações Abarcadas No PA N.° 11020.000422/200586, Que Inevitavelmente Serão Homologadas Por Esse E. Carf. 23. Às fls. 146/153 dos presentes autos consta o acórdão proferido DRJ/POA no PA n.° 11020.000422/200586, que trata dos PER/DCOMP n.° 10663.19228.140504.1.3.033280, 14241.71318.310504.1.3.03 9346.00762.27544.300604.1.3.039561 e 33681.44068.160704.1.3.033807 [...] 24. No referido acórdão a DRJ POA não homologou esses PER/DCOMP do PA n.° 11020.000422/200586 sob a alegação de que o Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2003 não teria sido confirmado, em razão da não homologação das compensações relativas ao PA n.° 11020.000423/200521 (parcelas das estimativas de janeiro a julho e parte de agosto de 2003, no valor total de R$712.102,93); e das compensações relativas das demais estimativas devidas no ano relativas ao PA n.° 11020.000037/200377, PA de crédito do processo judicial n.° 87.00005444 , atual processo n.° 2005.34.00.0083599 5 (R$292.44,60). 25. Quanto ao PA n.°11020.000037/200377, referese a processo de restituição de créditoprêmio de IPI de titularidade da recorrente, reconhecido por decisão transitada em julgado nos autos do processo n.°2005.34.00.0083595 (antigo processo n.°87.00.005444). 26. Tendo em vista que o Fisco vinha impondo óbices nas homologações das compensações com o crédito do PA n.° 11020.000037/200377, a recorrente peticionou ao MM. Juízo da 7ª Vara Federal do Distrito Federal requerendo cumprimento da coisa julgada. 27. O MM. Juízo da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, em razão de coisa julgada produzida na referida ação judicial, determinou à DRFB de Caxias do Sul/RS a apuração do crédito e a homologação de todas as compensações com ele efetuadas [...]. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 357 11 28. Na decisão de 21/10/2009 o MM. Juiz determinou que fossem procedidas as compensações fixando os critérios de cálculo do crédito. Já em decisão proferida em 24/11/2009 determinou expressamente que "a compensação alcança os débitos da matriz e das filiais, abrangendo todos as compensações vinculadas ao PA 11020.000037/200377, nos termos disciplinados pela IN RFB 900/2008". 29. Portanto, não há dúvidas de que todas as compensações apresentadas pela recorrente como crédito do PA n.°11020.000037/200377, da primeira até a última, devem ser homologadas pelo Fisco, o que, consequentemente, confirma, de uma vez por todas as extinções das estimativas mensais relacionadas ao Saldo Negativo de CSLL aqui abarcado e também dos períodos anteriores. 30. Em relação ao PA n.° 11020.000423/200521 a recorrente informa que se trata de compensações com Saldo Negativo de CSLL dos períodos de 01/2002 a 11/2002, no valor de R$712.102,93. Há um desmembramento. As parcelas relativas aos meses de 01/2002 a 06/2002 e parte de 07/2002 originaramse de compensações do PA n.°11020.000424/200575, já a outra parte de 07/2002 a 11/2002 originaram se de compensações doPA n.°11020.000037/200377, PA de crédito do processo judicial n.°87.00005444,atual processo n.°2005.34.0r0083595. 31. Ou seja, a confirmação do Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2004 (objeto deste PA) depende da confirmação do Saldo Negativo de CSLL do PA n.° 11020.000423/200521 que, por sua vez,depende das confirmações das extinções das parcelas de estimativas compensadas tratadas nos PA n.° 11020.000424/200575 e11020.000037/200377. 32. Quanto ao PA n.° 11020.000037/200377 a recorrente já esclareceu acima que o Fisco encontrase obrigado a homologar todas as compensações efetuadas pela recorrente, não havendo mais nenhuma dúvida sobre as confirmações das extinções das estimativas mensais mediante as compensações tributárias com esse crédito. 33. Resta, então, demonstrar a situação do PA n.° 11020.000424/200575. 34. Com o advento da Lei n.° 11.941/2009, e diante da resistência ilegal do Fisco em homologar as compensações vinculadas ao PA n.° 11020.000424/200575, a recorrente entendeu por bem consolidar todos os débitos nele abarcados no parcelamento, tendo informado essa consolidação. 35. Com a consolidação dos débitos do PA n.° 11020.000424/200575 no parcelamento, que vem sendo devidamente cumprido pela recorrente, resta igualmente confirmada a composição do Saldo Negativo de CSLL abarcado no PA n.° 11020.000423/200521, que, portanto, deverá ser provido por esse E. CARF em futuro julgamento. 36. Vejase, na medida em que os débitos das estimativas mensais foram consolidados no parcelamento e estão sendo pagos, mesmo que de forma parcelada, não há que se falar em "não confirmação" das extinções e consequentemente, vedação à utilização dos respectivos valores na composição do saldo negativo. 37. Portanto, o Saldo Negativo de CSLL do PA n.°11020.000422/200586 é plenamente legítimo e apto a compensar os débitos dos PER/DCOMP n.° 10663.19228.140504.1.3.033280, 4241.71318.310504.1.3.039346, 00762.27544.300604.1.3.039561 e 33681.44068.160704.1.3.033807, através dos quais foram liquidados os débitos do período de 01/2004 a 06/2004. D Da Possibilidade De Conversão Do Julgamento Em Diligência. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 358 12 38. A recorrente acostou documentação suficiente demonstrando que o recurso voluntário interposto nos autos do PA n.° 11020.000422/200586 deverá ser provido por esse E. CARF, na medida em que, por força da coisa julgada produzida no processo judicial n.° 2005.34.00.0083595 (antigo processo n.° 87.00.005444), o Fisco deverá homologar todas as compensações feitas como crédito do PA n.°11020.000037/200377. 39. Além disso, a regularização dos débitos do PA n.° 11020.000424/200575 ,mediante a consolidação no parcelamento instituído pela Lei n.° 11.941/2009, também confirmam a composição do Saldo Negativo de CSLL em questão. 40. Em suma, as extinções das estimativas mensais que geraram o Saldo Negativo de CSLL utilizado no PA n.° 11020.000422/200586, e consequentemente do presente PA e também do PA nº 11020.906108/200932, estão sendo devidamente confirmadas. 41. E caso esse E.CARF entenda necessário, poderá determinar diligência perante a DRF de Caxias do Sul/RS, a fim de que a referida repartição certifique a regularidade no parcelamento e quais compensações/extinções das estimativas mensais já foram confirmadas e, diante de tais confirmações, qual o Saldo Negativo de CSLL atual da recorrente. 42. Com essa certificação, esse E. CARF poderá verificar o atual montante do Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2004 da recorrente e homologar os Per/DComp nºs 19326.11642.210808.1.7.039886; 30237.90545.300305.1.33340; 08839.14057.290405.1.3.032148, 16938.58846.300505.1.3.037219, 03997.89880.300605.1.3.037005, 03019.74011.220705.1.3.030268 e 25045.24602.290805.1.3.031889. E – Do Pedido. 43. Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para que, reformandose o acórdão [...], seja reconhecido o direito creditório no valor total de R$456.715,71, bem como homologadas totalmente as compensações objeto dos Per/DComp nºs 19326.11642.210808.1.7.039886; 30237.90545.300305.1.33340; 08839.14057.290405.1.3.032148, 16938.58846.300505.1.3.037219, 03997.89880.300605.1.3.037005, 03019.74011.220705.1.3.030268 e 25045.24602.290805.1.3.031889. 44. Na hipótese de não ser esse o entendimento, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para que seja determinado o sobrestamento do presente feito, a fim de que seja aguardado o julgamento final o PA n.° 11020.000422/200586. 45. Por fim, caso esse E. CARF entenda necessário, requer seja o julgamento convertido em diligência, a fim de que a repartição de origem certifique quais compensações/extinções das estimativas mensais já foram confirmadas e, diante de tais confirmações, quanto ao Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 2004 da recorrente, possibilitando a homologação dos citados Per/DComp. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 359 13 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 360 14 legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1012 e o Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1044.906, de 05.07.2013, fls. 263265, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente defende que os presentes autos devem ser sobrestados, pois são conexos com os processos nºs 11020.000422/200586, 11020.915115/200925 e 11020.900902/201014. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 361 15 Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) O instituto da conexão somente implica prorrogação relativa de competência enquanto não proferida a decisão do órgão encarregado do julgado do primeiro processo. Se este já foi julgado, o instituto não tem mais efeito, podendo o outro órgão julgador proferir decisão consoante as suas próprias convicções. Não restou identificada de forma clara, explícita e congruente os presente autos são conexos com os processos nºs 11020.000422/200586, 11020.915115/200925 e 11020.900902/201014, que tratam de análise de Per/DComp com utilização dos créditos relativos aos saldos negativos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados pelo regime de tributação com base no lucro real dos anoscalendário de 2003, 2005 e 2006. A contestação aduzida pela defendente de que o presente processo deve ser sobrestado, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que os Per/DComp devem ser deferidos. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 362 16 compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 7. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício8910. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 11, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF12. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais13. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 9 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 10 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 11 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 12 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 13 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 363 17 imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial14. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais em 31 de dezembro de cada ano. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza15. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, 14 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 15 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 364 18 determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza16. Além disso, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Sobre a possibilidade jurídica de utilização da CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, objeto de extinção sob condição resolutória de ulterior homologação da compensação, para dedução da CSLL devida no cálculo do saldo negativo apurado no encerramento do período, a Procuradoria da Fazenda Nacional mediante Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 manifestouse no seguinte sentido: PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. I OBJETO DA CONSULTA Tratase de consulta cuja origem remonta a Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo sido encaminhada para manifestação acerca da ratificação ou retificação dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, os quais trataram da impossibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada. 16 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 365 19 2. A consulta, realizada por meio da Nota Cosit nº 31, de 20 de novembro de 2013, propugna pela revisão dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, nos seguintes termos: “a) dada a regra geral de que a estimativa não paga não é passível de cobrança, excepcionalmente a estimativa estaria sujeita a cobrança e inscrição em DAU, quando objeto de parcelamento inadimplido ou de compensação não homologada ou considerada não declarada; b) se a lei permite a compensação de estimativa por meio de DComp, pode advir decisão administrativa de não homologação, com posterior manifestação de inconformidade, bem como de suspensão do débito; c) sendo possível, ao final da análise da DComp e do julgamento pela CRJ e pelo CARF, manterse não homologada a compensação de valores de estimativa, temse, por consequência lógica, a possibilidade de sua cobrança após o ajuste anual; d) se a lei especial admite o parcelamento de valores de estimativa informados em DComp não homologada, eventual inadimplência levará à sua cobrança e execução por parte da PGFN; e) do contrário, a manter o entendimento dos referidos pareceres, que se pronuncie quanto aos questionamentos constantes dos itens 48 e 52.” 3. A angústia dos consulentes reside na preocupação quanto ao fato de não saberem como proceder na hipótese de manutenção dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, como pode ser percebido do item (e) acima, o qual faz referência aos itens 48 e 52, cujo teor transcrevemos: “48. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que os valores de estimativas devidos foram confessados em DComp e que, após o encerramento do anocalendário, não há mais que se falar em estimativa, pois as antecipações passam a revestir o caráter de tributo, tanto que passam a compor o resultado apurado no final do anobase, questionase: a) Na hipótese de o contribuinte utilizar como dedução na apuração anual do tributo valores de estimativas que tenham sido confessadas em DComp, cuja compensação não tenha sido homologada, a RFB não pode efetuar a cobrança da diferença devida com base na DComp, cobrando esse valor como tributo e não mais como estimativa, mesmo que seja após a ocorrência do fato gerador (31 de dezembro)? b) Qual seria o marco para início da incidência dos acréscimos legais: (i) o vencimento da estimativa não paga (último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir), ou (ii) o vencimento do tributo (último dia útil do mês de março do ano calendário subsequente ao ano base)? Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 366 20 c) Qual seria o termo inicial do prazo de que a Fazenda disporia para efetuar a cobrança dos valores confessados e indevidamente deduzidos do ajuste anual? Seria a data da confissão do débito de estimativa em DComp, considerando, ainda, que o prazo prescricional não corre no período que medeia a entrega da DComp e a não homologação da compensação? d) Em se mantendo o entendimento de que as estimativas não são créditos tributários, por isso não podem ser cobradas com base na DComp não homologada, mas devem ser objeto de lançamento de ofício, perguntase: não sendo crédito tributário, as estimativas poderiam ser compensadas, uma vez que a legislação sempre trata da compensação entre créditos tributários líquidos e certos? ...omissis... 52. Importante mencionar, todavia, que dos R$ 169 bilhões relativos aos créditos de saldos negativos, R$ 930 milhões (0,55%) referese a estimativas parceladas. Sendo assim, diante da existência de permissão legal, tanto que existente crédito tributário nessa situação, questionase: a RFB pode, por ato infralegal, restringir o direito do contribuinte, vedando a inclusão de tais antecipações no parcelamento simplificado, com base no argumento de que, ao final do anobase, as estimativas são substituídas pelo tributo apurado? E quando o parcelamento for de estimativas cuja compensação não foi homologada e se der depois de 31/12 do anocalendário a que correspondem as antecipações?” 4. A grande diferença das consultas anteriores é que essa ressalta o questionamento em relação aos valores da estimativa que foram contabilizados após o ajuste anual, ou seja, não seriam mais estimativas, mas valores que foram contabilizados no ajuste como tributos efetivamente pagos ou compensados, portanto, os valores seriam parte do tributo que teve sua compensação não homologada, como é possível constatar em trecho da Nota Técnica Cosit n.º 31/2013: “Entretanto, a PGFN não considerou a possibilidade de que as estimativas parceladas fossem aquelas objeto de compensação nãohomologada e, quase sempre, efetuado o parcelamento depois de anocalendário encerrado. Ou seja, as estimativas parceladas podem ser aquelas que compuseram o ajuste anual do imposto apurado e deste foi deduzido por compensação que veio a ser nãohomologada” 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 367 21 alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. II TRANSFORMAÇÃO DA ESTIMATIVA EM TRIBUTO 6. O imposto de renda tem sua matriz no Art. 153, Inciso III da Constituição Federal, estabelecendo princípios para sua regência no § 2º do mesmo artigo, além dos já previstos nos Arts. 150 e 151 da Carta Magna, porém, o delineamento do tributo consta no Código Tributário Nacional, ao definir o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.” 7. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto sobre a renda, valendo trazer a lição a seguir a respeito do conceito de renda: “...o acréscimo de valor patrimonial, representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou simples aumento do valor do patrimônio, de natureza material ou imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente esta separado, que pode ou não ser periódico Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 368 22 ou reprodutível, normalmente líquido, e que pode ser de índole monetária ou em espécie.” 8. Outro aspecto deve ser levando em consideração para aferir a renda, o interstício temporal, a partir da combinação de acréscimos e decréscimos patrimoniais relevantes, que vão apontar o ganho de renda do sujeito passivo num determinado período. Vejamos lição de Hugo de Brito Machado: “em se tratando de imposto de incidência anual, podese afirmar que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável dizerse também que se trata de fato gerador complexo” 9. Mesmo o fato que enseja à incidência do imposto de renda ocorrendo apenas ao final do ano, a legislação estabelece o pagamento de valores mensais, cujo valor real se apresentará apenas no ajuste anual, com a apuração do lucro real, a qual ocorrerá em 31 de dezembro, consoante definido no Art. 2º da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 369 23 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” 10. Por sua vez, o Art. 6º da Lei n.º 9430, de 1996, também deixa bastante claro que o imposto será apurado em 31 de dezembro, estruturando o imposto de renda anual para o seu devido valor, superando as antecipações de recolhimento designadas como estimativa. Vejamos o dispositivo: “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” 11. Esse pagamento a que nos referimos acima se assemelha a antecipação do imposto de renda por meio de retenção na fonte, a qual tem sua natureza abordada em nota na clássica obra de Aliomar Baleeiro: “Generalizouse a retenção do imposto de renda na fonte. Com o advento da Lei nº 7713/88, a partir de 01.01.1988, todos os rendimentos de pessoa física, recebidos de pessoas jurídicas, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo quando pagos em juízo. Incluemse, portanto, no rol, os rendimentos pagos ao trabalho assalariado (salários, remunerações e despesas pagas pelo empregador), ao autônomo, aluguéis e outros. As exceções são os ganhos de capital, mesmo se pagos por pessoas jurídicas, os alimentos e pensões. ...omissis.. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 370 24 Originariamente, o imposto de renda (fonte) incidia apenas sobre os rendimentos ao portador e dos residentes e domiciliados no exterior. Surgiu, portanto, por razões de praticidade ou pelas limitações territoriais da lei brasileira, como incidência única e exclusiva, cabendo às fontes pagadores reter e recolher o tributo as repartições competentes. ...omissis... Posteriormente, estendeuse o imposto de fonte a outras hipóteses, até a ampla generalização que tem hoje. Não configura, em nenhum caso, tributo diferente do imposto de renda, mas, antes, deve ser analisado como mera antecipação de imposto que se presume devido. Se, ao final do anobase em que está periodizado (ver comentários seguintes, no tópico 13), o imposto não for devido, em decorrência de saídasdespesas elevadas, deverá ser devolvido ao contribuinte.” 12. O entendimento quanto à natureza de antecipação do imposto foi tratada em decisões do Supremo Tribunal Federal, a seguir colacionadas: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS EFETUADOS PELO PODER PÚBLICO. CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO. INSUFICIÊNCIA DAS RAZÕES RECURSAIS. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA. DISCUSSÃO ACERCA DE SEUS REQUISITOS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 38 da Lei 8.038/1991 e do art. 21, § 1º do RISTF, cabe ao relator negar seguimento aos pedidos ou aos recursos manifestamente improcedentes. Nestes casos, devese preservar a possibilidade de recurso ao Colegiado, pela exposição precisa dos fundamentos da decisão monocrática. Requisito observado neste caso. 2. Considerada a sistemática de retenção na fonte como instrumento de antecipação do Imposto de Renda (realidade diversa da retenção na fonte como mecanismo de tributação definitiva), para que fosse possível bem compreender a alegada dimensão constitucional do debate, seria necessário examinar não apenas a norma de retenção, mas também a contramedida de compensação, destinada a reconduzir a carga tributária ao patamar autorizado pela Constituição e pela legislação. Ausente discussão sobre elemento essencial do modelo, as razões recursais são ineficazes para promover o debate constitucional da matéria. 3. Ademais, as razões recursais desviamse de outro elemento determinante para o controle da validade da tributação, que referese aos limites à mensuração da carga tributária que pode ser exigida em antecipação. Como há a previsão para o reequilíbrio da carga tributária com a compensação, a questão de fundo deixa de ser propriamente a violação imediata do conceito de renda, para se desdobrar em duas: (a) a razoabilidade e a proporcionalidade dos valores retidos, considerado o direito constitucional ao exercício de Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 371 25 atividade econômica lícita e (b) a eficácia do mecanismo de compensação para reconduzir a carga tributária ao patamar permitido pela Constituição e pela legislação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 628845 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe061 DIVULG 30032011 PUBLIC 31032011 EMENT VOL0249301 PP00194) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. ANTECIPAÇÃO. “DUODÉCIMOS”. VALIDADE. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. 1. O acórdão prolatado pelo Tribunal de origem está devidamente fundamentado, ainda que com sua conclusão não concorde a parteagravante. Ausência de violação do art. 93, IX da Constituição. 2. A orientação firmada por esta Corte considera válida a cobrança do IRPJ pela modalidade de antecipação conhecida como “duodécimos” (DecretoLei 2.354/1987 e Lei 7.787/1989). A suposta violação do princípio da vedação do uso de tributo com efeito confiscatório depende do exame de provas específicas, relativas ao caso concreto. Ausente quadro probatório capaz de confirmar a alegação da parteagravante. Impossibilidade de revisão de fatos e provas (Súmula 279/STF). Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 255379 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 08/02/2011, DJe060 DIVULG 29032011 PUBLIC 30032011 EMENT VOL02492 01 PP00043) 13. Ao final do período ocorre à substituição das estimativas pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa, razão pela qual é impossível a inscrição e cobrança das estimativas, conforme exposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir: 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 372 26 32. De fato, conforme preceitos do art. 2° c.c. art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. 14. A mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, conforme excerto a seguir: “12. A existência da compensação não implica em sua possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a estimativa é substituída pelo imposto apurado, consoante exposto no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e assim como é definido pela própria Receita Federal do Brasil no Art. 16 da Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: “Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.” Fl. 372DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 373 27 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013: “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no anocalendário, mas de estimativa extinta por meio da compensação, cujo efeito legal é o mesmo do pagamento, conforme se depreende da leitura do art. 156, Incisos I e II, do CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991. 21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse antecipado por forma diversa do pagamento, in casu, a compensação, cujas regras próprias possibilitam a contestação dessa antecipação por meio da nãohomologação, que ocorre, via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois de a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ser entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado. 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a Fl. 373DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 374 28 incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (grifos acrescentados) Podese concluir que somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Voto condutor do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 44.906, de 05.07.2013, fls. 263265: A contribuinte informou no PER/Dcomp que o crédito seria originário do pagamentos de estimativas. Contudo, a informação não coincide integralmente com o que foi declarado em DCTF, pois as parcelas não confirmadas, no montante de R$456.715,71 (R$852.520,09 – R$395.804,38), seriam compensações com saldos negativos de CSLL do anocalendário 2003, como abaixo demonstrado: P. A. Estimativa Per/DComp Jan/04 23.661,99 10663.19228.140504.1.3.033280 Fev/04 46.713,66 10663.19228.140504.1.3.033280 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 375 29 Mar/04 92.395,99 10663.19228.140504.1.3.033280 Abr/04 84.112,29 14241.71318.310504.1.3.039346 Mai/04 107.661,70 00762.27544.300604.1.3.039561 Jun/04 102.170,08 33681.44068.160704.1.3.033807 Total 456.715,71 As compensações mencionadas na tabela estão sendo tratadas no processo administrativo 11020.000422/200586. Não foram homologadas pela DRF. Assim, consideramse efetivamente pagos os valores de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada objeto de compensações solicitadas por meio dos Per/DComp nºs 10663.19228.140504.1.3.033280, 14241.71318.310504.1.3.039346, 00762.27544.300604.1.3.039561 e 33681.44068.160704.1.3.033807 formalizados no processo nº 11020.000422/200586 no total R$456.715,71 no anocalendário de 2004, conforme demonstrado na Tabela 1. AnoCalendário 2004 (A) Valores Reconhecidos Despacho Decisório R$ (B) Valores Reconhecidos Segunda Instância de Julgamento R$ (B) CSLL Devida 328.145,16 328.145,16 () CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo Estimada Paga com Darf (395.804,38) (395.804,38) () CSLL Determinada Sobre a Base De Cálculo Estimada Paga com Per/DComp 0,00 (456.715,71) Saldo de CSLL (67.659,22) (524.374,93) Por conseguinte, deve ser reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$456.715,71 (R$524.374,93 – R$67.659,22) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$456.715,71 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 375DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.906108/200932 Acórdão n.º 1803002.454 S1TE03 Fl. 376 30 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10855.907036/2012-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2008
SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.
O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação.
Numero da decisão: 1802-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 70 36 /2 01 2- 61 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Tratase de Pedido de Restituição das contribuições sociais retidos na fonte por ocasião de pagamento de serviços de terceiros. Na fundamentação do Despacho Decisório que indeferiu o Pedido, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: o crédito, cuja restituição se pretende decorrente de retenção indevida praticada pela Impugnante referente a serviço prestado por pessoa jurídica optante do SIMPLES Nacional, nos termos em que instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. ... Consoante relatado e conforme comprovam os respectivos documentos fiscais, a Impugnante contratou a prestação de serviços da pessoa jurídica de direito privado ‘Guarapuã Florestal Ltda – EPP’ (...). Com base nas disposições do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 e da Lei nº 10.833/2003, a Impugnante é obrigada a reter os valores concernentes ao imposto de renda e às contribuições sociais CSLL, PIS e COFINS Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 4 3 incidentes sobre as operações e repassálos (...) na condição de substituta tributária. Todavia, a Impugnante constatou posteriormente que a pessoa jurídica substituída fornecedora dos serviços contratados à época dos fatos geradores ora considerados, era optante do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, situação em que permaneceu no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, como bem comprovam os documentos inclusos. ... Por esta peculiar sistemática, o adimplemento dos mencionados tributos dáse de modo unificado, por meio de uma alíquota única, ao encargo da pessoa jurídica optante do SIMPLES, o que indelevelmente a desonera as empresas porventura obrigadas às retenções de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, como a Impugnante, a assim procederem. ... Nesta esteira, a retenção praticada pela Impugnante não teve sentido algum e o montante recolhido por ela por ocasião da operação retratada notadamente constitui indébito, cuja restituição se justifica (...).” A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 30/12/2008 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. Ainda que indevida a retenção de tributos devidos por prestadora de serviços optante pelo Simples, a restituição de valores depende da demonstração da assunção do ônus tributário por parte da tomadora dos serviços que efetuou as retenções por ocasião do pagamento das respectivas notas fiscais, sem o que esta última não preenche os requisitos para que lhe sejam restituídos os valores eventual e indevidamente recolhidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 29/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2013. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 5 4 No Recurso faz arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário, eis que tem autorização expressa da empresa para a qual o encargo foi transferido para pleitear a devolução do indébito. Este é o Relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. A análise feita sobre o pedido apresentado pela contribuinte se deu no âmbito do processamento eletrônico de declarações, meio legítimo e eficiente de verificação dos pleitos formalizados pelos sujeitos passivos, também de forma eletrônica, em busca dos créditos que entendem possuir contra a Fazenda Pública. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na sequ ência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Desse modo, para a homologação desse crédito a Administração Fazendária solicitou que o contribuinte juntasse ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento ao pedido de restituição. A Recorrente por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade juntou: a) consulta feita na internet em que consta a informação de que a empresa Guarapuã Florestal Ltda – ME estaria compreendida no Simples no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, o que abarca os pagamentos tidos por indevidos. b) notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços nas quais estão destacadas as parcelas referentes aos tributos que teriam sido indevidamente retidos. Os valores segundo análise da DRJ são compatíveis com o montante do crédito inscrito no Pedido de Restituição. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 7 6 c) documento endereçado à contribuinte, no qual consta a seguinte solicitação: “GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, cadastrada no CNPJ sob o nº 10.296.543/000151, estabelecida à Rua Ruy Barbosa, nº 685 – Centro, município de Buri/SP, vem solicitar através desta a restituição de imposto descontado indevidamente em notas fiscais devido empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL, conf. Demonstrativo abaixo” Com isso a Recorrente requer a restituição de apenas uma parcela do valor recolhido por meio do DARF inscrito no Pedido, razão pela qual não foi possível a verificação, a partir dos valores, da exata composição do DARF de forma a aferir se o valor recolhido corresponde efetivamente ao tido por indevido. Uma demonstração da composição do DARF seria indispensável para a efetiva comprovação da inclusão dos valores eventualmente indevidos nos recolhimentos efetuados. Seria caso de baixar esse processo em diligência, caso a Recorrente não viesse reiteradamente se evadindo em demonstrar que de fato assumiu o ônus do tributo retido da prestadora de serviço indevidamente. Pelo contrário, deu todos os indícios, inclusive com a declaração da empresa Guarapuã Florestal Ltda – EPP, que não assumiu o ônus, mas que apenas se prendeu a parte final do CTN, artigo 166, onde mediante autorização de quem sofreu o ônus do tributo, haveria a possibilidade de efetuar o pedido de restituição em nome próprio. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Nesse sentido a Lei nº 9.430/96, art, 74, § 12, II, “a” veda expressamente a trasferência de créditos tributários para terceiros. A esse respeito já há jurisprudência consolidada, senão vejamos: "TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A TERCEIROS – LEI 9.430/96 – IN SRF 21/97 E 41/2000 – LEGALIDADE. A Lei 9.430/96 permitiu que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, autorizasse a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O art. 15 da IN 21/97, permitiu a transferência de créditos do contribuinte que excedessem o total de seus débitos, o que foi posteriormente proibido com o advento da IN 41/2000 (exceto se se tratasse de débito consolidado no âmbito do REFIS) e passou a constar expressamente do art. 74, § 12, II, "a" da Lei 9.430/96. Dentro do poder discricionário que lhe foi outorgado, a Secretaria da Receita Federal poderia alterar os critérios da compensação, sem que isso importe em ofensa à Lei Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 8 7 9.430/96. (REsp 677874/PR Ministra ELIANA CALMON DJ 24.04.2006)". A autorização de restituição a quem não teve o ônus seria o mesmo que a Administração Fazendária anuir com o enriquecimento ilícito ou sem causa, também denominado enriquecimento indevido, ou locupletamento, pois configuraria aumento patrimonial sem causa jurídica, ou o que se perderia sem causa legítima. Isso porque em momento algum está estabelecido que o produto da restituição será repassado a quem teve o ônus. Nesse sentido prescreve o Código Civil: “Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido.” Isso porque a despesa já incorrida foi integralmente registrada em conta de resultado atribuida ao fornecedor, sendo sua contrapartida registrada em conta de passivo, uma parte devida ao fornecedor e o restante em tributos retidos de terceiro. A recuperação do crédito tributário daria ensejo ao registro em conta redutora de passivo com a contrapartida em caixa / bancos. Essa prática daria ensejo a obteção de uma receita decorrente da cessão de créditos tributários, essa vedada pela legislação ora em vigor, sem qualquer tributação. No presente caso, havendo crédito tributário a ser restituído, caberia somente a empresa GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, contribuinte do tributo para solicitar a restituição. Sendo assim, resta claro que a parte final do caput do art. 166 do CTN deve ser interpretado de acordo com o restante do sistema jurídico que rege a matéria, em especial os citados anteriormente. Por oportuno cabe salientar ainda que se trata apenas de “Pedido de Restituição”, pois em caso de “Pedido de Compensação” a Recorrente estaria sujeita à multa correspondente a compensação não declarada, nos termos do diploma legal supra citado. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo a decisão da delegacia de origem. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 9 8 Declaração de Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Faço a presente declaração de voto para demonstrar os fundamentos que me levam a acompanhar o relator no não provimento do recurso voluntário. O art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN, trazido à baila para o exame das questões suscitadas, guarda relação com a antiga classificação dos contribuintes em “contribuinte de direito” e “contribuinte de fato”. O chamado “contribuinte de fato”, na lógica dos tributos indiretos (p/ ex., IPI e ICMS), desimportante para o direito tributário num primeiro momento, adquire relevância nos casos de restituição de indébito, eis que de acordo com o referido artigo: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. O problema é que essa lógica não se aplica aos tributos retidos na fonte. Ocorrida a retenção de tributo e presente o respectivo beneficiário do pagamento que ensejou essa retenção, tal situação refoge ao campo do art. 166 do CTN. A fonte pagadora é encarregada de cumprir um dever administrativo (de reter e recolher o tributo), na condição de mero responsável, mas não ocupa a posição do chamado “contribuinte de direito” (que se perfaz na pessoa do fabricante, no caso do IPI, e do comerciante, no caso do ICMS). Tratandose de retenção na fonte, a condição de contribuinte, desde o início, cabe ao beneficiário do pagamento/rendimento, ou seja, àquele que sofreu a retenção do tributo, e é somente ele quem poderá reivindicar a repetição do tributo retido e que se configurou como indébito tributário. Nesse caso, a fonte pagadora não possui legitimidade para figurar no pólo ativo da repetição de indébito. Não se aplica aqui a autorização mencionada no art. 166 do CTN, eis que a situação seria de apropriação/aproveitamento de crédito de terceiro, o que não é admitido pela legislação (Lei nº 9430, art. 74), e a referida autorização não poderia servir a esse fim – transferência de direito creditório de um contribuinte para outro. Por essas razões, acompanho o relator e também nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907036/201261 Acórdão n.º 1802002.463 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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