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Numero do processo: 13819.002049/2003-85
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ImPosto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
Ementa: IRRF — VALOR DECLARADOS EM DCTF — Só autoriza o
reconhecimento de erro de fato e consequente afastamento da exigência com base em valores declarados em DCTF a existência de prova consistente acerca do equivoco cometido.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso. NLSO L Presidente GUSTA S LIAN HA DAD - Relator EDITADO EM: 14/04/2011 Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Helenilson Cunha Pontes. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 17/06/2003, o auto de Infração de fls. 09, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte dos 2°, 3" e 4" trimestres de 1998, exercício 1999, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 238.233,14. Conforme se verifica dos autos o lançamento originou-se de auditoria interna nas DCTFs da contribuinte, com apuração de irregularidades nos créditos vinculados informados na referidas declarações, nos termos do Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF (Anexo la) de fls. 10/13. Cientificada do Auto de Infração em 18/07/2003 (fls. 27), a contribuinte apresentou, em 28/07/2003, a impugnação de fls. 01, e documentos de lis. 02/23, sustentando, em síntese, o pagamento dos valores objeto da autuação conforme guias DARF apresentadas. Em revisão de oficio (fls. 31/35) a Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo confirmou a quase totalidade dos recolhimentos, restando em aberto o montante de R$8.496,02, conforme despacho de fls. 36 e demonstrativo de fls. 35. Dessa forma, a 4a Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento para excluir os valores cujo pagamento foram comprovados pelo contribuinte, mantendo a cobrança do crédito no valor de R$8.496,02, conforme acórdão assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. A pretensão da empresa de alterar para menos o débito declarado em DCTF, com base nos dodos indicados na DIRF, deve ser acompanhada dos elementos probantes necessários demonstrar eventual erro de preenchimento da DCTF. A simples alegação, desacompanhada de maiores esclarecimentos, mostra- se insuficiente paro infirmar a exigência MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio, para débitos já declarados;ein DCTF." Cientificada da decisão de primeira instância em 06/07/2007, conforme AR de fls. 110, e não se conformando com a parte mantida pela decisão proferida pela DRJ, a recorrente interpôs, em 25/07/2007, o recurso voluntário de fls. 111/112, por meio do qual sustenta que houve de fato urn erro no preenchimento da DCTF que ocasionou o debito em discussão. o Relatório. 2 Processo o 0 13819.002049/2003-85 S2-C2T2 Aeórcl5o n.° 2202-00.565 Fl. 2 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Primeira cabe o exame de despacho da autoridade preparadora (fls. 128) que havia inicialmente "não conhecido" do recurso de fls. 111 e seguintes por entender que ele veiculava pedido de reconsideração da decisão de primeira instância. Apesar de não ter sido consignada a expressão recurso voluntário na peça de fls. 111 e seguintes, ela foi dirigida ao Conselho de Contribuintes (então órgão competente para julgamento administrativo em segunda instância) e veiculava insurgência explicita contra a decisão de primeira instancia, pelo que deve ser conhecido como recurso voluntário tendo em vista o principio da fungibilidade recursal. Conheço, assim, do pleito de revisão do contribuinte como recurso voluntário. Pois bem. Na peça de fls. 111/112 a Recorrente procurou trazer elementos de prova que pudessem justificar a diferença de R$ 8.496,02 exigida no presente auto de infração a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte de agosto de 1998 (cf. fls 34 — revisdo de oficio — e descrição As fls. 105 da decisão de primeira instância). Tal diferença de imposto decorreu de valores declarados em DCTF pela Recorrente. Apesar do esforço este julgador não conseguiu, a partir das explicações do Recorrente, identificar corn clareza a existência de erro a infirmar a informação prestada pelo Recorrente na DCTF. A diferença não corresponde aquilo que, segundo alega o Recorrente, teria sido erro no pagamento do IRRF relativo A folha do mês de julho de 1998, efetuado em agosto de 1998. Conforme a alegação de fls. 111, o valor recolhido foi de R$ 18.967,01, quando o correto seria R$ 9.585,08, ocasionando suposta diferença de R$ 9.381,93, que não corresponde a diferença apontada no auto de infração. Além disso, As fls. 111 consta em junho de 1998 teria sido retido IRRF de R$ 22.705,97 mas recolhidos os mesmos R$ 18.967,01. Não vislumbro, assim, corno afastar a exigência, ao menos diante do conjunto probatório produzido, votando por negar provimento ao recurso voluntário. .--1 Gustavo $ ran Haddad - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720027/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.120
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do recurso, vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, que o conheceu parcialmente e, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 3ª Seção/CARF para processar e julgar o recurso voluntário contra a decisão de primeira instância por ser processo administrativo de compensação cujo crédito alegado ser de ressarcimento de IPI,
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do recurso, vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, que o conheceu parcialmente e, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 3ª Seção/CARF para processar e julgar o recurso voluntário contra a decisão de primeira instância por ser processo administrativo de compensação cujo crédito alegado ser de ressarcimento de IPI. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro em 23.12.1998 em que o crédito é no valor de R$4.383,48 formalizado no processo 10954.000001/98-45 da pessoa jurídica Camargo Corrêa Metais S/A, CNPJ 04872.297/0001-36 e o débito é Recorrente de IRRF, código 0561 – rendimento de trabalho assalariado do período de 19.12.1998 com vencimento em 23.12.1998 no valor de R$4.383,18, fl. 02. Consta no Parecer Sorat nº 159, de 01.12.2005, fls. 10-16, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: 3.1 Diante de todo o exposto, conclui-se: 3.1.1 O novo regime de compensação de que trata o artigo 74 da Lei 9.430/1996, com as alterações dadas pelas Leis 10.637/2002 (MP 66/2002), 10.833/2003 (MP RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 02 7/ 20 05 -4 3 Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.18560.4QQI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 da Resolução n.º 1003-000.120 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10218.720027/2005-43 135/2003) e 11.051/2004 não se aplica ao caso presente, por se tratar de compensação com créditos de terceiros (Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1.499/05). 3.1.2 Em decorrência, não se aplica ao pedido o efeito da extinção imediata do crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação da compensação, como também igualmente não lhe beneficia o instituto da homologação tácita após o decurso de cinco anos contados da apresentação do pedido de compensação. 3.1.3 Assim sendo, ainda que se trate de pleito datado de dezembro/1998, deve-se aferir a certeza e liquidez do suposto crédito, para só depois homologar-se ou não o pedido de compensação. 3.1.4 Verificado embaraço aos procedimentos fiscais para reconhecimento de eventual direito creditório por parte do terceiro detentor originário do mesmo impõe-se seja não-homologado o presente pedido de compensação. 3.1.5 Eventual manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário (Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1.499/05). Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma DRJ/BEL/PA nº 01-10.910, de 08.05.2008, fls. 50-51: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O § 4° do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos dc compensação então pendentes de apreciação cm declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1' do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos cm declarações de compensação. Solicitação Indeferida Recurso Voluntário Notificada em 17.06.2008, fl. 57, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.06.2008, fls. 59-76, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II — DO DIREITO II.1 — DO CABIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DO SEU PROCESSAMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO 5. A CF/88, em seu art. 5°, LV, assegura a todos o direito ao contraditório e â ampla defesa, tanto na esfera administrativa como na judicial. Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.18560.4QQI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 da Resolução n.º 1003-000.120 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10218.720027/2005-43 6. Da mesma forma, é assegurado, a todos, o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder, conforme dispõe o artigo 5°, XXXIV, da CF. 7. Por sua vez, a norma do artigo 33, do Decreto n° 70.235/72, determina expressamente que das decisões proferidas em primeira instância cabe recurso voluntário com efeito suspensivo, no prazo de 30 dias. 8. 0 presente recurso também deve ser recebido com efeito suspensivo sob pena de ofensa direta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, além do artigo 151, III, do CTN [...] 10. Assim, independentemente do entendimento acerca da aplicação da Lei n° 9.430/96 nesse caso (que, inclusive, será comprovada no próximo tópico), o presente recurso deve ser recebido e processado com efeito suspensivo, nos termos das normas citadas, em especial, do Decreto n° 70.235/72, instrumento competente para regular o processo administrativo fiscal. [...] 15. Isso porque, caso não atribuído efeito suspensivo ao presente recurso e permitida a cobrança dos créditos cuja compensação não foi homologada, se vencedora na demanda, ou a RECORRENTE terá sido submetida a constrição de seu patrimônio, ou terá que se valer de novo processo administrativo ou judicial, sujeitando-se a tortuoso solve et repete. [...] 18. Por fim, reforçando o argumento relativo ao cabimento do recurso voluntário, bem como o seu recebimento no efeito suspensivo, deve-se destacar a norma do artigo 68, § 1º, da IN SRF no 460/04 (também mantida pela IN n° 600/05), [...]. 19. E, conforme se denota dos autos e a seguir ratificado, o caso presente é de evidente Pedido de Compensação, Convertido em Declaração de Compensação. 11.2 — DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITOS DE TERCEIROS E DA SUA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA 20. Com relação ao mérito, a decisão prolatada também deve ser reformada, uma vez que, ao caso concreto, é totalmente aplicável os dispositivos da Lei n° 9.430/96, com redação alterada após a apresentação do pedido de compensação. [...] 25. Ressalte-se, mais uma vez, que, na ocasião, a Lei n° 9.430/96 não vedava a utilização de créditos na compensação de débitos de terceiros, sendo que tal vedação somente foi inserida na legislação com as alterações das Leis n°s 10.637/02 e 11.051/04. [...] 32. Da mesma forma não pode prevalecer o entendimento proferido na decisão recorrida de que o Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros apresentado antes das Leis n's 10.637/02 e 10.833/03 (que alteraram a redação da Lei n° 9.430/96) não foi alcançado pela Sistemática da Declaração de Compensação. [...] 36. Diante da demonstração inequívoca de que o Pedido de Compensação, protocolado em dezembro de 1998 pela RECORRENTE, foi efetivamente convertido em Declaração de Compensação para os efeitos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, por consequência, a ele são aplicadas todas as demais normas reguladoras, inclusive com relação ao prazo para sua homologação. [...] 43. Ocorre que, referidas normas simplesmente foram afastadas pelo julgador, justificando, dessa forma, sua reforma integral. Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.18560.4QQI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 da Resolução n.º 1003-000.120 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10218.720027/2005-43 44. Com o devido respeito, a conclusão a que chega a RECORRENTE decorre da melhor hermenêutica e do atendimento a princípios constitucionais e de Estudo do Direito. Explica-se: a) Fato 1: à época em que apresentado o Pedido de Compensação, era possível a compensação com créditos de terceiros; b) Fato 2: a Administração não apreciou tal Pedido antes do advento de legislação superveniente restringindo tal possibilidade (compensação com créditos de terceiros); c) Fato 3: a mesma legislação superveniente determinou a conversão dos Pedidos de Compensação em Declaração de Compensação; d) Fato 4: a mesma legislação superveniente determinou que estariam tacitamente homologadas as Declarações de Compensação não apreciadas em 5 (cinco) anos de sua apresentação; e) Conclusão 1: se apreciado antes da legislação superveniente que restringiu a possibilidade de compensação com créditos de terceiros, certamente esse argumento (serem créditos de terceiro) não poderia ser utilizado para o indeferimento de tal pedido; f) Conclusão 2: se a própria Administração, ciente de sua demora na apreciação dos pedidos pendentes, determinou a conversão dos Pedidos de Compensação em Declarações de Compensação, determinando, ainda, a homologação tácita de tais declarações em 5 (cinco) anos, exatamente em função dessa demora, não pode justificar o indeferimento do presente feito com a superveniência de legislação menos favorável ao RECORRENTE (e que, somente por esse fato, já seria inaplicável); g) Conclusão 3: caso se sustentasse o argumento de que o Pedido de Compensação da RECORRENTE não foi convertido em Declaração de Compensação, ainda assim, há que se considerar que a apreciação de tal Pedido de Compensação sempre esteve adstrito às Regras Gerais de Direito Tributário, as quais, sabidamente, determinam que qualquer ato da Fiscalização deve ser praticado no prazo máximo de 5 (cinco) anos, seja para decadência, seja para prescrição, como, inclusive, salientou o E. STF na recente Súmula Vinculante no 08. h) Conclusão 4: A Administração não pode usar de "dois pesos e duas medidas", adotando o disposto no §1° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 como fundamento do indeferimento da compensação pretendida, mas ignorando, o disposto, por exemplo, no §4° do mesmo artigo, sendo que, ambos os dispositivos foram introduzidos por lei superveniente ao próprio Pedido de Compensação. II.3 - DA VALIDADE DA IN SRF N° 21/97 45. Em primeira instância, o julgador indeferiu o pedido de compensação seguindo a orientação proferida no Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1.499/05, no sentido de que o Pedido de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros é ilegal, e de que 6. espécie não se aplica a homologação tácita prevista no artigo 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96. 46. Ocorre que, conforme já demonstrado, o pedido da RECORRENTE teve amparo em norma proferida pelo próprio Poder Executivo, dotada de vigência, validade e eficácia, não podendo, posteriormente, ter seu pedido negado ao argumento de que aquela norma era ilegal, mormente se a norma foi expedida pelo mesmo órgão que aprecia pedido fundamentado nela! [...] II.4 — DA DECADÊNCIA PARA A COBRANÇA DOS DÉBITOS COMPENSADOS Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.18560.4QQI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 da Resolução n.º 1003-000.120 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10218.720027/2005-43 48. Não obstante aos argumentos expostos no sentido de que, no presente caso, ocorreu a homologação tácita do Pedido de Compensação convertido em Declaração de Compensação, o fato é que, nesse momento, o débito compensado não pode mais se exigido em razão decadência, nos termos do artigo 150, do CTN, posto que passados mais de cinco anos do Pedido de Compensação. II.5 — DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO NA COMPENSAÇÃO 49. Por fim, muito embora a questão aqui não tenha mais relevância diante da ocorrência da homologação tácita das compensações efetuadas, a RECORRENTE apresenta o Cópia do Livro de Apuração do IPI, do terceiro decêndio de 1997, em que fica comprovada a existência do crédito utilizado apara compensação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: III — DO PEDIDO 50. Diante todo o exposto, requer o recebimento e acolhimento desse recurso, em seu efeito suspensivo, para reformar integralmente o Acórdão n° 01-10.910, de 8/5/2008, tendo em vista a homologação tácita das compensações efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Declinação da Competência Com o escopo de identificação do crédito em litígio para fins de fixação da competência para processar e julgar o recurso voluntário contra a decisão de primeira instância cabe transcrever excertos do Parecer Sorat nº 105, de 18.08.2005 do processo nº 10954.000001/98-45 da pessoa jurídica Camargo Corrêa Metais S/A, CNPJ 04872.297/0001-36, que trata do crédito de terceiro: I - RELATÓRIO 1.1 O contribuinte acima identificado formulou, em 03/0211998, o pedido de ressarcimento de IPI relativamente ao período de apuração 01/01/1997 a 31/12/1997, de que trata a fl. 01 do presente, juntando para tal a documentação de fls. 02 e 03. 1.2 Apresentou, ainda, em 10/08/1998 e 23/10/1998 pedidos de compensação do suposto crédito com débitos próprios e dos contribuintes Reflorestadora Agua Azul S/A - Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.18560.4QQI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 6 da Resolução n.º 1003-000.120 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10218.720027/2005-43 CNPJ 34.645.176/0001-12 e Camargo Correa Industrial S/A — CNPJ 62.258.884/0002- 17 junto A SRF, consoante fls. 11 A 13. 1.3 Na busca de verificar-se a exatidão do valor pleiteado, procedeu a Fiscalização a procedimento o qual, segundo Relatório de Verificação Fiscal a fls. 44 a 48, terminou sem resultados, haja vista recusa do contribuinte em apresentação dos livros e demais documentos necessários à consecução da tarefa, bem como invocação por parte do sujeito passivo de que as compensações teriam sido homologadas tacitamente por decurso de tempo. 1.4 Extraídas cópias de instrumento de mandato e documentos (CPF e RG) do processo administrativo 13874.000276/98-56, apenso ao presente, para adequada instrução deste. (grifos acrescentados) Tem-se que o crédito alegado é de ressarcimento de IPI. Em relação à fixação da competência, o Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do CARF, determina: Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: [...] III - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); [...] Art. 7º Inclui-se na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. O crédito em litígio refere-se ao ressarcimento de IPI, cuja matéria compete a 3ª Seção/CARF. Verifica-se a ausência de competência desta 3ª Turma Extraordinária da 1ª Seção/CARF para exame do recurso voluntário. Em assim sucedendo voto em declinar da competência para a 3ª Seção/CARF para processar e julgar o recurso voluntário contra a decisão de primeira instância por ser processo administrativo de compensação cujo crédito alegado ser de ressarcimento de IPI. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.18560.4QQI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARMEN FERREIRA SARAIVA em 21/10/2019 14:03:00. Documento autenticado digitalmente por CARMEN FERREIRA SARAIVA em 21/10/2019. Documento assinado digitalmente por: CARMEN FERREIRA SARAIVA em 24/10/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP30.0520.18560.4QQI Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: FBC2EC3A062F733056DC8947E063011C96F1DC34C76F5A433086CBC8B56D8BCB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10218.720027/2005-43. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13117.000189/2007-50
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/11/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO.
CORREÇÃO,
Uma vez detectada a existência de contradição no dispositivo final do acórdão deve ser corrigido pela via dos embargos de declaração, notadamente para que fique expresso o exato alcance da decisão recorrida em relação à decadência, Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.576
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, na forma do voto do Relator.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/11/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. CORREÇÃO, Uma vez detectada a existência de contradição no dispositivo final do acórdão deve ser corrigido pela via dos embargos de declaração, notadamente para que fique expresso o exato alcance da decisão recorrida em relação à decadência, Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte
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score : 1.0
Numero do processo: 19647.004209/2004-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1103-000.098
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.004209/200415 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1103000.098 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 11 de julho de 2013 Assunto Diligência PIS e Cofins (reflexos) Recorrente Servitium Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 04 20 9/ 20 04 -1 5 Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 19647.004209/200415 Resolução nº 1103000.098 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1119.746/2007, da 2ª Turma da DRJ/Recife (fls. 761)1. Tendo em vista a clareza e a objetividade do relatório da decisão recorrida, transcrevoo naquilo que é essencial para o conhecimento dos fatos: "Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 03/06 (PIS) e 182/185 (Cofins) do presente processo, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos de janeiro de 2000 a dezembro de 2003: (...) De acordo com o autuante, os referidos Autos são decorrentes das diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos das mencionadas contribuições, conforme relatado às fls. 04/06 e 183/185 e no Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 18/19 e 197/198. Inconformada com as autuações, a contribuinte, por seus procuradores, instrumento às fls. 148 e 326, apresentou a impugnação de fls. 132/147 e 309/325, à qual anexou as fls. 148/166 e 326/344, onde requer sejam as mesmas recebidas e julgadas procedentes para decretar a nulidade dos referidos Autos de Infração, tendo em vista a alegada falta de requisitos formais ao procedimento adotado e divergências de elementos fáticos e jurisprudenciais apresentados; e para julgar totalmente improcedente a presente ação fiscal, determinandose o cancelamento dos referidos Autos de Infração, com o conseqüente arquivamento do processo fiscal em exame. (...) face aos argumentos acima expendidos, a Impugnante requer a realização de perícia em sua escrita fiscal e contábil, em homenagem ao princípio da ampla defesa. Até mesmo porque percebeu, através da leitura das peças que compõem os referidos Autos de Infração, uma disparidade entre os rendimentos brutos tributáveis apresentados pelo Fiscal com a verdadeira situação da Impugnante, através de seus livros e notas fiscais, a exemplo: (...) Em face da disposição contida na Portaria SRF nº 6.129, de 02 de dezembro de 2005, o processo nº 19647.004208/200462 foi juntado ao presente processo, conforme despacho de fl. 178." 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 19647.004209/200415 Resolução nº 1103000.098 S1C1T3 Fl. 4 3 A turma de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário, respeitado respectivo prazo regulamentar de defesa. EXIGÊNCIA LEGAL. CONTRIBUIÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS. O PIS, a COFINS, a multa de ofício e os juros de mora à taxa Selic exigidos nos Autos de Infração estão previstos nas normas válidas e vigentes à época da constituição do respectivo crédito tributário. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar lhe execução. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIAS/DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." Cientificada da decisão por via postal em 24/09/2007 (fls. 773), a contribuinte interpôs o recurso no dia 4 do mês seguinte (fls. 775), no qual suscitou preliminares de nulidade dos autos de infração e da decisão de primeira instância. No mérito, alegou violação do princípio da vedação do confisco quanto à multa imposta. Requereu perícia técnica sem, no entretanto, indicação de perito e quesitos. É o relatório. Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 19647.004209/200415 Resolução nº 1103000.098 S1C1T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O processo trata de exigência de PIS decorrente de lançamento de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ). Encontrase juntado a este o processo nº 19647.004208/200462 relativo a auto de infração de Cofins, igualmente decorrente do IRPJ. Portanto, o julgamento dos recursos referentes a PIS e Cofins dependem do julgamento de eventual recurso interposto no processo principal, do IRPJ. Contudo, os autos foram distribuídos por sorteio a este relator desacompanhados do processo principal (matriz), fato que motivou o então presidente da Turma 1101, da qual o relator era integrante, Dr. Antônio Praga, a determinar à Secretaria da Câmara, em 2009, a distribuição do processo principal ao mesmo relator, em razão da conexão, para julgamento conjunto dos lançamentos principal e reflexos. Contudo, até a presente data, o processo de exigência do IRPJ não chegou a este relator, impossibilianto o julgamento dos recursos deste processo, de PIS e Cofins. Assim, este processo deve ser encaminhado à Secretaria da Primeira Câmara da 1ªSJ para localizar o processo principal, após o que deve ser devolvido ao mesmo relator, juntamente com o processo principal, para inclusão em pauta de julgamento. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000599/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3401-000.243
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis.
Matéria: IOF- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONÇA
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Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Emanuel Carlos Dantas de Assis. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Jean Cleuter Simões Mendonça e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 3DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1021.09141.FNXN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13016.000599/200313 Resolução n.º 3401000.243 S3C4T1 Fl. 586 2 RELATÓRIO A Recorrente busca o ressarcimento do IOF, supostamente recolhido a maior entre junho de 2000 e março 2001, e traz como cerne do seu Recurso Voluntário o ônus da prova do recolhimento indevido do IOF, bem como divergência entre os valores declarados pela instituição financeira neste processo e em outro processo, referente ao mesmo mês. A Recorrente apresentou demonstrativo do crédito pleiteado em tabela acostada às fls. 26/80. Em seguida anexou os extratos bancários às fls. 82/259, a fim de provar o recolhimento do IOF. A autoridade fiscal intimou o banco para saber se o valor alega pela recorrente foi realmente recolhido e se houve estorno. Contudo, o banco respondeu (fl.387) que não possuía mais em seus arquivos os documentos referentes ao período de julho de 1998 a dezembro 2000. Com isso, parte do pedido da Recorrente foi negado. VOTO O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No período que restou a ser analisado, a sistemática do recolhimento do IOF foi regulamentado pelo Decreto nº 2.219, de 02 de maio de 1997, que assim determinava em seu art. 5o: “art 5o São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito” Como é possível perceber, a instituição financeira é a responsável pelo recolhimento. Por essa razão, os documentos por ela apresentados gozam de maior presunção de veracidade. Contudo, como não é possível ter certeza se houve o recolhimento alegado, não podendo os cofres públicos nem a Contribuinte serem prejudicados por falhas de terceiros, é o caso de realização de diligência, a fim de se descobrir se realmente houve o recolhimento ou não.os Sendo assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para verificar pelos sistemas internos da Receita Federal, se há o registros do recolhimento alegado pela Recorrente. Após verificação, deve ser elaborado relatório detalhado, de todo o recolhimento devido e indevido, ocorridos entre junho de 2000 e março de 2001 . Após conclusão do relatório, a Recorrente deve ser intimada para, querendo, se manifeste acerca do resultado da diligência. Fl. 4DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1021.09141.FNXN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13016.000599/200313 Resolução n.º 3401000.243 S3C4T1 Fl. 587 3 Ex positis, converto o julgamento em diligência, nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 5DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1021.09141.FNXN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 30/08/2011 11:46:41. Documento autenticado digitalmente por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 30/08/2011. Documento assinado digitalmente por: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 13/09/2011 e JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 30/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/10/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.1021.09141.FNXN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: B0254043D9C4CA584A70909EBB2202B8481B7CF3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13016.000599/2003-13. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10580.100060/2007-86
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3202-000.048
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento dos recursos voluntários em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento dos recursos voluntários em diligência, nos termos do voto do relator. José Luiz Novo Rossari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Octavio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso interposto pela contribuinte contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, que considerou parcialmente procedente a impugnação no que respeita à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e improcedente a impugnação no tocante à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, exigências essas feitas pelo Fisco em razão de a contribuinte não ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos. Como histórico inicial dos fatos, transcrevo e adoto o relatório constante do referido Acórdão, verbis: “Relatório Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte acima identificada, foram lavrados os autos de infração (fls. 07/19 e 20/32), que exige o recolhimento das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e para o Programa de Integração Social PIS, nos valores, respectivamente, de R$ 1.222.635,08 (um milhão, duzentos e vinte e dois mil, seiscentos e trinta e cinco reais e oito centavos) e R$ 264.917,14 (duzentos e sessenta e quatro mil, novecentos Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 349 2 e dezessete reais e quatorze centavos), acrescidas da multa de ofício e dos juros de mora, relativa aos períodos de apuração acima mencionados, tendo como fundamento legal os dispositivos mencionados às fls. 11, 18/19, 24 e 31/32. O autuante, no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 33/34, relata os termos em que se deram as autuações. Instruindo os autos encontramse os documentos de fls. 35/109. Regularmente cientificada a contribuinte apresentou as impugnações de fls. 111/139 e 164/196, cujos teores são sintetizados a seguir. • que, os auditores, em suas razões de autuação, informam que a entidade, ora impugnante, não preenche os requisitos para o gozo da isenção da Cofins e do PIS, por não ter apresentado o Certificado e o Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, solicitado por meio do Termo de Intimação no 001 (fl. 78); que, contudo, está equivocado o posicionamento dos auditores ao afirmarem de que a entidade não é portadora do Certificado, pois segundo afirmam os mesmos, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 33/34), o referido Certificado encontrase em fase de análise pelo Conselho Nacional de Assistência Social, único órgão competente para, em sede administrativa, concedêlo ou revogá lo; • que, portanto, não procede a afirmação de que a entidade não é portadora do já citado Certificado, pois acaso seja expedido, o novo Certificado terá validade retroativa conforme preceitua o Decreto no 2.536, de 6 de abril de 1998 em seu art. 3o, em seus § 2o “O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão” e § 3o “Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior”. Que, desta forma, devese afastar, desde logo, a legitimidade dos AI ora impugnados, vez que os auditores ao desconsiderarem a condição de isenta da entidade usurparam competência de outro órgão administrativo, praticando, por conseguinte, ato inválido, por ausência de respaldo legal que o legitime; • na seqüência passa a discorrer, em extenso arrazoado, sobre a imunidade da Cofins e do PIS e da necessidade de lei complementar diz que não está sujeita ao pagamento das contribuições em tela por fazer jus a imunidade tributária prevista no art. 195, § 7o, da CF, de 1988, posto que a regra contida em tal dispositivo contempla uma autêntica imunidade, tal como já advertido pelo Supremo Tribunal Federal (cf RTJ 137, 1965), e por ensinamentos de tributaristas ilustres, a exemplo da doutrina transcrita; que, sendo a imunidade uma limitação ao poder de tributar, aplicase o art. 146, II, da CF, de 1988; • que na falta de lei complementar específica para disciplinar as condições a serem preenchidas pelas entidades beneficentes de assistência social para fazerem jus ao benefício previsto no § 7o do art. 195, da CF, de 1988, o Supremo Tribunal Federal (STF), considerou prestantes as mesmas condições previstas nos arts. 9o e 14 do CTN para o gozo da imunidade de impostos de que trata o art. 150, VI, “c” da CF, ao reconhecer que entidade em tudo semelhante a ora defendente, faz jus à imunidade de contribuição social por preencher aqueles requisitos previstos no CTN; diz, após transcrever tais dispositivos, que são essas, portanto, as únicas condições estabelecidas por lei complementar para que as entidades, no atendimento das necessidades básicas Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 350 3 da população como é o caso das atividades de saúde, educação, etc., devem preencher para fazer jus a referida desoneração; • ainda que se entenda da possibilidade da matéria ser disciplinada por lei ordinária, as disposições contidas no art. 55, II, da Lei no 8.212, de 1991, não se aplicam à Cofins e ao PIS, sendo, portanto, inexigível a apresentação do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, como equivocadamente entende a fiscalização; • diz ser uma associação civil, sem fins lucrativos, reconhecida como entidade de utilidade pública pelo Ministério da Justiça em 1989, através de Decreto Presidencial, além de estar registrada no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS desde 08/05/1964, sendo detentora, ainda, do Certificado de Filantropia desde 07/11/1968; que, além do mais, a própria Lei no 8.212, de 1991 ressalvou, no § 1o do seu art. 55, o direito adquirido das entidades que já gozavam do benefício da isenção sob as regras do regime anterior; que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), já solidificou o direito adquirido das entidades que já possuíam o direito a isenção no regime da Lei no 3.577, de 1959 e do DecretoLei no 1.572, de 1977, transcrevendo, nesse sentido, vasta jurisprudência; • discorre também sobre vedação a regulamentação de dispositivos constitucionais por medida provisória – que a Lei Complementar no 70, de 30/12/1991, ao dispor sobre a isenção das entidades beneficentes de assistência social, revogou, por conseguinte, tacitamente o disposto no art. 23, da Lei no 8.212, de 24/07/1991, tendo em vista o que dispõe a Lei de Introdução ao Código Cível (LICC) no seu art. 2o, § 1o “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” que o art. 55 da Lei no 8.212, de 1991, ao se reportar aos seus arts. 22 e 23, para determinar os requisitos autorizadores ao gozo da isenção, não fez referência a Cofins, por estar esta disciplinada na LC no 70, de 1991; • que, em assim sendo, a revogação posterior do disposto na LC no 70, de 1991 por uma das edições da Medida Provisória no 2.15835 não tem o condão de ressuscitar o disposto na Lei no 8.212, de 1991, tendo em vista a inexistência no ordenamento jurídico vigente do fenômeno da repristinação, pelo qual a lei anteriormente revogada volta a viger quando a lei revogadora perde a vigência, conforme expressamente prevê a LICC no seu já citado art. 2o, § 3o “salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência”; ressalta ainda que não tem qualquer efeito o disposto no art. 17 da MP no 2.15835 ao estabelecer que as entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social deverão obedecer os requisitos do art. 55, da Lei no 8.212, de 1991 para gozo da isenção da Cofins; que admitir essa possibilidade seria o mesmo que conferir a MP o poder de dispor sobre os requisitos para o gozo da imunidade conferida pelo art. 195, § 7o, da CF de 1988, o que é vedado pela própria Constituição Federal, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF); • alega que houve equívoco na apuração das bases de cálculo da Cofins e do PIS, uma vez que foram consideradas na sua apuração todas as receitas da entidade, inclusive as financeiras e as decorrentes de outras atividades tais como aluguéis, em desobediência ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional o § 1o do art. 3o, da Lei no 9.718, de 1998, passando a discorrer, em extenso arrazoado, sobre a inconstitucionalidade da referida lei; conclui, desse modo, que não há como prosperar o presente AI lavrado em evidente contradição com a legislação na Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 351 4 sua interpretação dada pelo STF, órgão máximo para dizer o direito no sistema jurídico; • alega, no que se refere ao PIS, que houve cobrança em duplicidade em razão do não abatimento, pelos autuantes, dos valores já pago, sobre a sistemática da folha de pagamento, demonstrando assim um evidente excesso de exação, além de confisco e enriquecimento ilícito do Erário Público, citando nesse sentido, doutrina e dispositivo da CF, de 1988; ressalta, ainda, o seu direito a compensação dos valores já pagos uma vez que não pode ficar inerte aguardando o término do processo administrativo, que irá decidir se o PIS deve incidir sobre a folha de pagamento e/ou o faturamento, para que então proceda ao pedido de compensação o qual decai em 5 (cinco) anos; • na seqüência requer, tendo em vista a ocorrência de uma série de omissões e equívocos cometidos pelos autuantes, além da repercussão que tal autuação pode causar na sua esfera econômica, uma revisão fiscal para que seja depurado do suposto débito os valores indevidamente exigidos a título de Cofins e PIS, conforme acima demonstrado; • requer, ante o exposto, que sua impugnação seja julgada procedente e, por conseguinte, improcedente os autos de infração, e, ainda, que: a) acaso assim não entenda, que seja procedida revisão fiscal para que seja depurado do suposto débito os valores indevidamente exigidos a título de Cofins e PIS, ou, em sendo necessária a produção de prova pericial; b) sejam expurgados do montante supostamente devido os valores já pagos sob a rubrica de PIS sobre a folha de salários; c) protesta, ainda, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a juntada posterior de documentos. Em face do despacho de fl. 246, o presente processo veio a esta DRJ/SDR para julgamento.” A lide foi decidida pela 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA, nos termos do Acórdão DRJ/SDR no 1520.587, de 9/9/2009 (fls. 274/280), no qual, por unanimidade de votos, concluiuse por manter parcialmente a exigência do crédito tributário, em decorrência da procedência parcial da impugnação quanto ao PIS, tendo o julgado recebido a seguinte ementa, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir da vigência da Lei no 9.718, de 1998, as receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTOS. COFINS. INAPLICABILIDADE. A imunidade do art. 150, VI, “c” da CF, de 1988, somente se aplica a impostos, espécie tributária distinta das contribuições para a seguridade social, entre as quais se insere a Cofins. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 352 5 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ENTIDADE PRIVADA DE SERVIÇOS DE SAÚDE. NÃO ENQUADRAMENTO. Não se enquadram como entidades beneficentes de assistência social, para gozo da imunidade prevista no art. 195, § 7o da CF, de 1988, as Entidades Privadas de assistência à saúde, mesmo sem fins lucrativos, que não atendam aos requisitos previstos no art. 55, da Lei no 8.212, de 1991. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir da vigência da Lei no 9.718, de 1998, as receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTOS. PIS. INAPLICABILIDADE. A imunidade do art. 150, VI, “c” da CF, de 1988, somente se aplica a impostos, espécie tributária distinta das contribuições para a seguridade social, entre as quais se insere o PIS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ENTIDADE PRIVADA DE SERVIÇOS DE SAÚDE. NÃO ENQUADRAMENTO. Não se enquadram como entidades beneficentes de assistência social, para gozo da imunidade prevista no art. 195, § 7o da CF, de 1988, as Entidades Privadas de assistência à saúde, mesmo sem fins lucrativos, que não atendam aos requisitos previstos no art. 55, da Lei no 8.212, de 1991. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO, MAS NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerandose o contribuinte da multa de ofício. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. Impugnação Procedente em Parte” No julgamento, a DRJ entendeu que: ● no que respeita à alegada inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, carecem de competência para se pronunciar a respeito de conformidade de lei ou ato normativo com preceitos emanados da Constituição Federal, por ser matéria reservada exclusivamente ao Poder Judiciário, também por força de dispositivo constitucional; ● quanto às exigências para o gozo da imunidade, as alegações em torno de um suposto direito adquirido incorrem em equívoco, visto que o art. 55 da Lei no 8.212/1991 estabeleceu os requisitos a serem preenchidos cumulativamente pelas entidades beneficentes de assistência social para o gozo do referido benefício fiscal; ● cumpridas as exigências legais, o benefício tributário será reconhecido pela Administração Tributária por meio de requerimento Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 353 6 encaminhado pela entidade; ● o art. 195, § 7o da CF prevê a isenção/imunidade das Contribuições para a Seguridade Social para as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, ou seja, para usufruir o benefício da isenção é necessário que a entidade atenda cumulativamente aos requisitos previstos no art. 55 da Lei no 8.212/1991, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil verificar se todos os requisitos para a obtenção desse benefício encontramse atendidos; ● o contribuinte em sua impugnação não comprova a sua condição de entidade isenta de contribuições previdenciárias, uma vez que não apresenta o ato pelo qual a Administração Tributária reconhece o seu direito à isenção; do mesmo modo, não comprova que atende aos requisitos previstos no referido art. 55; ● assiste razão à impugnante quanto à alegação de já ter sido feito o recolhimento do PIS sobre a folha de salários, por DARF, antes da ação fiscal, razão pela qual foi acatado o seu pedido para que fosse considerado na apuração do PISFaturamento objeto de lançamento; entretanto, considerando que os aludidos pagamentos foram efetuados sem terem sido declarados em DCTF, necessário se faz à vinculação dos mesmos aos períodos apurados, posto que os pagamentos efetuados antes do início da ação fiscal e que não estejam informados integralmente na DCTF devem ser tratados como indébito tributário, devendo ser incluídos no lançamento para efeito de alocação; ● assim, mantémse o lançamento efetuado sobre débitos extintos por pagamento mas não informados em DCTF; no entanto, tendo em vista a denúncia espontânea exonerase a multa de ofício dos valores pagos, conforme consta da planilha anexa ao acórdão. A autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 290/316 e 318/345), ratificando as alegações já trazidas por ocasião da impugnação e acrescentando que: ● a auditoria da Previdência Social promoveu informação fiscal pugnando pela expedição de Ato Cancelatório da Isenção (imunidade) que goza a entidade e, em que pesem as razões de defesa, foi cancelada a isenção, o que motivou a impetração em 19/12/2005 de mandado de segurança na 8ª Vara Federal de Salvador/BA, com o intuito de preservar o direito líquido e certo da entidade interpor recurso contra a decisão que cancelou sua imunidade tributária. Foi concedida a liminar determinando a suspensão dos efeitos do ato de cancelamento e a admissão do recurso administrativo que a entidade pretendia interpor, tendo sido a liminar mantida em sede de sentença; ● o cancelamento da imunidade está suspenso por força da liminar e da confirmação da sentença até o julgamento do recurso administrativo, decorrendo daí que a imunidade tributária da entidade tem validade plena, não podendo ser desconsiderada em nenhuma hipótese, o que caracteriza, por conseguinte, o total descabimento do PIS e Cofins cobrados pelo Fisco, por ter sido atribuído ao recurso efeito suspensivo, a teor da literalidade do art. 206, § 8o, IV do Decreto no 3.048 que aprova o Regulamento da Previdência Social; ● o recurso tem efeito suspensivo e admitir a lavratura do Auto de Infração antes de julgado o recurso quanto ao cancelamento da imunidade significa antecipar os efeitos de eventual e futura decisão desfavorável; ● a jurisprudência é pacífica no sentido de que, caracterizada a denúncia espontânea, não é cabível a multa de mora. Pelo exposto, requer o acolhimento dos recursos, para que sejam julgados procedentes, com a improcedência dos autos de infração; caso não seja assim entendido, requer a reforma parcial do acórdão recorrido, para que sejam expurgados os valores pertinentes a receita de terceiro e multa de mora. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 354 7 Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Verificase que o fundamento da autuação foi o fato de a recorrente não ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, nos termos do art. 55, inciso II da Lei no 8.212/1991 e art. 5o da Lei 9.429/1996. Cumpre observar, inicialmente, que o art. 195, § 7o, da Constituição Federal é claro no que respeita aos requisitos para o gozo de isenção das contribuições para a seguridade social das entidades de assistência social, ao determinar que, verbis: “§ 7o São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” (destaquei) As exigências referidas na CRFB foram estabelecidas pela Lei no 8.212/1991 (Lei Orgânica de Seguridade Social) em seu art. 55, que fixou os requisitos cumulativos para o gozo da isenção, entre os quais encontrase o previsto em seu inciso II, que determinou, na redação dada pelo art. 5o da Lei no 9.429/1996, que a entidade beneficente de assistência social deve ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, renovado a cada 3 anos. Esse inciso II foi alterado pelo art. 3o da Medida Provisória no 2.187 13/2001, que manteve integralmente esse requisito, verbis: “II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; De outra parte a IN SRF no 247/2002 foi clara ao se referir a essa exigência em relação aos benefícios fiscais de PIS e de Cofins, esclarecendo em seu art. 47, § 1o, que, verbis: “§ 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991.” O referido art. 55 foi revogado pela Lei no 12.101/2009, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social, conforme dispõem os arts. 1o e 35, verbis: “Art. 1º A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 355 8 lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei.” “Art. 35. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados e ainda não julgados até a data de publicação desta Lei serão julgados pelo Ministério da área no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da referida data. (destaquei) § 1º As representações em curso no CNAS, em face da renovação do certificado referida no caput, serão julgadas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias após a publicação desta Lei. § 2º Das decisões de indeferimento proferidas com base no caput caberá recurso no prazo de 30 (trinta) dias, com efeito suspensivo, dirigido ao Ministro de Estado responsável pela área de atuação da entidade.” Destarte, a exigência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é requisito básico para a isenção das contribuições para a seguridade social, sendo regra atualmente em vigor e existente desde a Lei no 8.212/1991, em sua redação original. No caso em exame a recorrente alega que a partir de informação da auditoria da Previdência Social foi cancelada a isenção que a entidade goza, o que motivou a impetração de mandado de segurança a fim de que pudesse interpor recurso contra essa decisão, tendolhe sido concedida liminar suspendendo os efeitos do referido cancelamento e admitindo o recurso administrativo, o que foi mantido na sentença judicial. Verificase que não consta nos autos do processo a decisão relativa ao recurso administrativo interposto pela interessada. No entanto, no Termo de Verificação anexo ao Auto de Infração consta informação fiscal de que em “25 de setembro o contribuinte enviou por fax uma certidão expedida pelo CNAS onde é informado que os processos pertinentes aos pleitos de isenção encontramse em fase de análise”, o que é elemento que comprova a afirmativa da recorrente no que diz respeito à interposição de recurso. Entendo que é peça relevante para os autos o conhecimento da decisão administrativa proferida no referido recurso, visto que tal elemento é fundamental para a decisão da lide de que trata o presente processo, decorrente que é do processo de cancelamento da isenção por parte da Previdência Social. Diante do exposto, voto por que o julgamento seja convertido em diligência à unidade da RFB de origem, a fim de que: a) seja providenciada a juntada aos autos da decisão final administrativa referente ao recurso interposto pela contribuinte no CNAS, bem como, se existente, do correspondente Certificado, podendo a autoridade fazendária, se considerar relevante para efeitos da lide, proceder a informação fiscal a respeito dos fatos pertinentes e decorrentes da referida decisão; e b) na hipótese de ser satisfeita a juntada do Certificado, informar detalhadamente sobre cada tipo de receita e respectivos valores de Cofins, de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10580.100060/200786 Resolução n.º 3202000.048 S3C2T2 Fl. 356 9 forma a permitir o pleno conhecimento das receitas derivadas de atividades próprias da entidade, de que trata o art. 47, II e § 2o da IN SRF no 247/2001. Antes do retorno do processo a este Conselho, deverá a recorrente ter ciência das informações prestadas e lhe ser concedido o prazo de 30 dias para manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/2011. José Luiz Novo Rossari Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 11330.000040/2007-11
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/10/1999
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.084
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/10/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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Numero do processo: 10680.720198/2009-30
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006
ITR. SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO. CESSÃO DE USUFRUTO. COMPROVAÇÃO.
Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título na data do fato gerador.
Numero da decisão: 2402-009.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento, anulando-se o lançamento, por vício material, em razão de ilegitimidade passiva, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem, Honório Albuquerque de Brito, Francisco Ibiapino Luz, e Denny Medeiros da Silveira, que não reconheceram a ilegitimidade passiva.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Honório Albuquerque de Brito (Suplente Convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Ausente o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
Nome do relator: Ana Claudia Borges de Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR. SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO. CESSÃO DE USUFRUTO. COMPROVAÇÃO. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título na data do fato gerador.
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SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO. CESSÃO DE USUFRUTO. COMPROVAÇÃO. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título na data do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento, anulando-se o lançamento, por vício material, em razão de ilegitimidade passiva, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem, Honório Albuquerque de Brito, Francisco Ibiapino Luz, e Denny Medeiros da Silveira, que não reconheceram a ilegitimidade passiva. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Honório Albuquerque de Brito (Suplente Convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Ausente o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 03-31.487 da 1ª Turma da DRJ/BSA (fls. 141 a 149), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito constituído pela Notificação de Lançamento nº 06101/00078/2009, no valor total de R$ 136.122,44, correspondente ao lançamento do ITR, Exercício 2006, acrescido da multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 98 /2 00 9- 30 Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.218 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720198/2009-30 proporcional (75%) e dos juros de mora, incidente sobre o imóvel “Fazenda Maquiné de Cima” (NIRF 0.641.218-1), com 957,3 ha, no município de Santa Bárbara - MG. A autoridade fiscal glosou integralmente a área declarada de preservação permanente (919,9 ha) e desconsiderou o VTN declarado R$ 84.082,00, arbitrando-o em R$ 1.427.468,32 (R$ 1.491,14/ha), com base no SIPT (fl. 10), tendo sido apurado imposto suplementar de RS 66.982,80. A DRJ julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006 DO SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Deverá ser mantida a glosa integral da área de preservação permanente informada na DITR/2006, efetuada pela autoridade autuante, por não ter sido comprovada a protocolização tempestiva do novo ADA (com natureza de retificador) no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA – VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR/2006 com base no SIPT, por falta de documento hábil para comprovar o valor declarado e as peculiaridades do imóvel, que o justificassem. Lançamento Procedente A contribuinte foi cientificada da decisão em 14/08/2009 (fl. 153) e apresentou Recurso Voluntário em 11/09/2009 (fls. 155 a 169) sustentando: a) preliminarmente, ilegitimidade passiva; no mérito, b) indevida desconsideração da área de reserva legal e de preservação; c) incorreção quanto ao valor total do imóvel e valor da terra nua arbitrados e; d) necessidade de realização de perícia. o relatório Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais 1. Preliminarmente - Da sujeição passiva. Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.218 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720198/2009-30 A recorrente aduz ilegitimidade passiva porque cedeu seu direito de usufruto a título oneroso em 14 de março de 2005 e o tributo em exigência, relativo ao exercício 2006, tem como fato gerador o dia 1º/01/2006. O aresto combatido rejeitou a alegação de ilegitimidade passiva com fundamento na Certidão do Cartório de Registro de Imóveis, datada de 17 de setembro de 2008 (fls. 22 a 24), que apresenta a recorrente como usufrutuária vitalícia do imóvel em questão e o seus três herdeiros como nu-proprietários. Para fins de contextualização, colaciono trecho do relato feito pela recorrente, atualmente com 96 anos, quanto aos fatos que envolvem o imóvel (fl. 17): Da análise do Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel Rural e outras avenças (fls. 25 a 33) mencionado pela recorrente no relato acima, verifico que o imóvel em questão foi vendido pelos herdeiros (na condição de proprietários e possuidores do imóvel) para a empresa Maquiné de Cima Agropastorial Ltda., em 1º de março de 2005, cujo quadro de sócios e administradores segue abaixo: Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.218 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720198/2009-30 A recorrente, Sra. Elvira, figurou neste contrato de compra e venda na condição de usufrutuária do imóvel, ocasião em que renunciou ao direito de usufruto, nos termos do art. 1.410, I, do Código Civil 1 . É o que consta na Cláusula Nona do citado contrato (fl. 31): De acordo com a Cláusula Quinta, a empresa compradora do imóvel ficou com a responsabilidade exclusiva de registrar o contrato no Cartório de Registro (fl. 28): 1 Art. 1.410. O usufruto extingue-se, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de Imóveis: I - pela renúncia ou morte do usufrutuário; Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.218 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720198/2009-30 Em 2 de março de 2005, a empresa compradora emitiu Recibo (fl. 37) declarando o recebimento dos documentos listado na Cláusula Quinta do contrato acima, quais sejam: guias de quitação do ITR dos últimos 5 anos, último Certificado de Cadastro de Imóvel (1998/1999), certidões de casamento e de óbito do Sr. Ângelo, averbação do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta junto ao IEF, Ato Declaratório Ambiental – ADA e a última guia de recolhimento da Contribuição Sindical Rural. A Guia do ITCD mencionada no parágrafo segundo está anexada às fls. 83 a 87. Seguindo, em 14 de março de 2005, foi celebrado Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel Rural e outras avenças (fls. 34 a 36), onde a recorrente cede o direito do usufruto, por título oneroso, em favor da Maquiné de Cima Agropastoril Ltda. A recorrente informou em sua DIRPF 2005/2006 a venda do imóvel em referência, conforme documentos anexados às fls. 92 a 130. Veja-se (fls. 104 e 114): Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.218 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720198/2009-30 E fl. 114: Nos termos do art 146, III, alínea “a”, da Constituição Federal (CF) 2 , exige-se que lei complementar de caráter nacional defina o fato gerador, a base de cálculo e o contribuinte do imposto. No atendimento do comando constitucional, dispondo sobre o aspecto material da incidência do ITR, o Código Tributário Nacional em seus arts. 29 a 31 define que o ITR tem por fato gerador a propriedade, o domínio útil, ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município; por base de cálculo o seu valor fundiário e como contribuinte o proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título. Os contribuintes do ITR estão elencados no art. 31 do CTN: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.218 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720198/2009-30 A Lei Federal nº 9.393/96, em atendimento ao comando disciplinado pelo CTN, delimita os contornos do fato gerador, do contribuinte e da base de cálculo do referido imposto. Em seu art. 4º dispõe que o contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Da legislação de regência, verifica-se que a responsabilidade pelo pagamento do tributo é tanto do proprietário, como daquele que detém o domino útil ou a posse do imóvel. A controvérsia cinge-se em saber se a recorrente, em 1º/01/2006, detinha a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel objeto do lançamento contestado e, assim, pode ser considerada contribuinte do ITR, Exercício 2006. Passo, então, à análise do usufruto como instituto jurídico. O usufruto é espécie de direito real, conforme rol taxativo do art. 1.225 do Código Civil 3 . Conforme explica Flávio Tartuce (2016, p. 1.113), o usufruto é o direito real de gozo ou fruição por excelência. O usufrutuário tem os atributos de usar (ou utilizar) e fruir (ou gozar) a coisa, sendo esses “os atributos diretos, que formam o domínio útil” Nos termos do art. 1.393 do Código Civil, o usufruto não pode ser transferido por alienação, mas o seu exercício pode ser cedido a título gratuito ou oneroso. Veja-se: Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode ceder-se por título gratuito ou oneroso. Além disso, extingue-se o usufruto, pela renúncia ou morte do usufrutuário, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de Imóveis, nos termos do art. 1.410, I, do Código Civil. Ao ceder o exercício do usufruto, a recorrente perdeu os atributos de usar e fruir e gozar, de modo que não possuía mais o domínio útil do imóvel. A DRJ concluiu que os documentos particulares acostados aos autos “não têm o condão de oficializar a transferência dos direitos do imóvel, que deve ser efetuada por meio de escritura pública, registrada no Cartório de Registro de Imóveis competente, nos termos da Lei nº 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos)” (fl. 174). Hugo de Brito Machado leciona que o ITR pode ser cobrado daquele que está na posse do imóvel, ainda que a transferência ainda não tenha sido registrada na matrícula do imóvel: Aliás, mesmo que o proprietário seja conhecido, vale dizer, mesmo existindo registro do imóvel no cartório competente, pode ocorrer que a posse tenha sido transferida a outra pessoa mediante contrato de promessa de compra e venda ou escritura pública ainda não levada a registro no Cartório de Imóveis. Neste caso pode ser considerado fato gerador a posse, e feito o lançamento correspondente em nome do titular da posse 4 . Assim, a responsabilidade tributária prevista no art. 130 do CTN (responsabilidade por transferência) alcança os créditos já constituídos, os que estão em curso de 3 Art. 1.225. São direitos reais: (...) IV - o usufruto; 4 Curso de direito tributário, 2009, p. 344-345. Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-009.218 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.720198/2009-30 constituição à época da sucessão e os que forem posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão, o que não é o caso dos autos. No presente caso, nos termos do art. 1.393 do Código Civil, a cessão por título oneroso do exercício do usufruto sobre o imóvel denominado Fazenda Maquiné de Cima, restou devidamente comprovada pelo acervo probatório dos autos. Ademais, a recorrente já tinha informado em sua DIRPF 2005/2006 a venda do imóvel em referência, conforme documentos anexados às fls. 92 a 130, quando o crédito tributário foi constituído em 16/02/2009 (fl. 133). Os documentos colacionados não deixam dúvidas quanto à transmissão da propriedade do imóvel, antes do exercício a que se refere o lançamento atacado. O processo administrativo fiscal tem como finalidade precípua permitir a tributação que esteja de acordo com o ordenamento jurídico e a assegurar os direitos fundamentais dos cidadãos. Além disso, é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, uma vez que o lançamento não pode prevalecer pelo fato do sujeito passivo nele indicado não mais se revestir da qualidade de contribuinte do imposto. Deixo de apreciar as demais matérias que restaram prejudicadas diante do reconhecimento da ilegitimidade passiva. Conclusão Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário para cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11634.001426/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos conta-se a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do auto de infração, inclusive no que respeita ao uso de provas obtidas de forma lícita.
EXAME DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRESCINDIBILIDADE.
Tese fixada pelo STF com repercussão geral assentou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Por força dos princípios da eventualidade e da dialeticidade, não se conhece de alegação que inova na argumentação, trazendo apenas em sede recursal a discussão de fatos e provas que não constaram na impugnação e sequer foram objeto da decisão recorrida. Art. 17 do Decreto nº 70.235.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS.
Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais.
MULTA QUALIFICADA.
Devidamente caracterizada a intenção de ocultar informações, a ocorrência do fato gerador e de reduzir o montante de tributo devido, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, uma vez que tais condutas configuram sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64.
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe ao CARF analisar alegações de violação a princípios constitucionais. Aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CORREÇÃO DOS JUROS MORATÓRIO PELA SELIC.
Aplicação da Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 1302-005.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, e, quanto à parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos conta-se a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do auto de infração, inclusive no que respeita ao uso de provas obtidas de forma lícita. EXAME DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRESCINDIBILIDADE. Tese fixada pelo STF com repercussão geral assentou que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Por força dos princípios da eventualidade e da dialeticidade, não se conhece de alegação que inova na argumentação, trazendo apenas em sede recursal a discussão de fatos e provas que não constaram na impugnação e sequer foram objeto da decisão recorrida. Art. 17 do Decreto nº 70.235. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. MULTA QUALIFICADA. Devidamente caracterizada a intenção de ocultar informações, a ocorrência do fato gerador e de reduzir o montante de tributo devido, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, uma vez que tais condutas configuram sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao CARF analisar alegações de violação a princípios constitucionais. Aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CORREÇÃO DOS JUROS MORATÓRIO PELA SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos conta-se a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER HIPÓTESE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do auto de infração, inclusive no que respeita ao uso de provas obtidas de forma lícita. EXAME DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRESCINDIBILIDADE. Tese fixada pelo STF com repercussão geral assentou que “o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Por força dos princípios da eventualidade e da dialeticidade, não se conhece de alegação que inova na argumentação, trazendo apenas em sede recursal a discussão de fatos e provas que não constaram na impugnação e sequer foram objeto da decisão recorrida. Art. 17 do Decreto nº 70.235. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 14 26 /2 01 0- 21 Fl. 3269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. MULTA QUALIFICADA. Devidamente caracterizada a intenção de ocultar informações, a ocorrência do fato gerador e de reduzir o montante de tributo devido, correta a aplicação da multa no percentual de 150%, uma vez que tais condutas configuram sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao CARF analisar alegações de violação a princípios constitucionais. Aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CORREÇÃO DOS JUROS MORATÓRIO PELA SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, e, quanto à parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora Fl. 3270DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 14-32.499 (e-fls. 3244-3253), proferido pela 3ª Turma da DRJ/POR Ribeirão Preto, que julgou procedente o lançamento de IPI lavrado contra a ora recorrente, por meio do auto de infração (e-fls. 3026- 3031) que apurou saídas de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de receita não comprovada/meia nota. Na origem, tem-se fiscalização destinada inicialmente a apurar indícios de movimentação financeira incompatível com os valores declarados na DIPJ 2006. Assim, a contribuinte foi intimada a esclarecer divergências apuradas e descritas no Termo de verificação e encerramento da ação fiscal (e-fls. 3008-3016), cujos fatos mais relevantes ora transcrevo: Da análise dos extratos apresentados (fls 934 a 1365), foi constatado que a contribuinte não apresentou todos os extratos, tendo em vista que o montante dos créditos apurados, são muito inferior ao apontado no sistema da RFB-Secretaria da Receita Federal do Brasil, que foram solicitados através do Termo de Intimação Fiscal n° 010(fls. 141 e 142), cientificado em 27/05/2010(fl 143). De posse dos demais extratos(fls 1366 a 1670), foram constatadas diferenças entre o total dos depósitos/créditos constantes de sua escrituração contábil (que, aliás, é feita por partidas mensais — fls 1671 a 1964) e os valores constantes dos extratos bancários (fls 934 a 1670), indicando a existência de contas bancárias mantidas à margem da contabilidade, o mesmo procedimento adotado pela empresa fiscalizada no ano anterior(ano-calendário de 2005). (...) Para chegar à conclusão de que os recebimentos constantes das contas correntes Banco do ltaú AG: 0083, C/C 39865-1 e Banco do Brasil AG: 3407-X, C/C:25040-6, são de vendas efetuadas com emissão de meia nota pela empresa Linea, as informações constantes dos demonstrativos de folhas 2154 a 2232(ano-calendário 2005) e demonstrativo de folhas 2498 a 2697(anos-calendário 2006 e 2007), apresentados em atendimento às intimações efetuadas pela fiscalização e que compreendem todas as suas contas bancárias, foram cotejadas entre si e o resultado desse confronto deixa evidente que uma parte das vendas era recebida em uma conta bancária (contabilizada) e a outra parte era recebida em outra conta corrente (não contabilizada). (...) Face ao exposto foi lavrado auto de infração do Imposto Sobre Produtos Industrializados-IPI tendo em vista os recursos movimentados nas contas correntes acima, mantidas respectivamente nos Bancos do Itaú AG: 0083, C/C 39865-1 e Banco do Brasil AG: 3407-X, C/C:25040-6 à margem da escrituração contábil, cuja origem se deu pela prática de emissão de "meia nota" no período de janeiro/2005 a dezembro/2007. [Grifos nossos] (...) Fl. 3271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Assim, lavrou-se em separado auto de infração de IRPJ e reflexos, que tramitou nos autos do processo administrativo de nº 11634.001427/2010-75, já definitivamente julgado neste CARF. E em decorrência dos mesmos fatos apurados, lavrou-se o presente auto de infração (e-fls. 3026-3031). Em sede de impugnação (e-fls. 3033-3055), a mesma apresentada em face do auto e infração de IRPJ, contribuinte alegou os seguintes pontos: • O auto de infração é nulo, pois se baseou em presunção, não sendo carreada ao processo nenhuma prova conclusiva da pretensa ilicitude. Ficou comprovado que os valores da omissão de receitas se referiam a pagamento de dívidas pelos clientes, relativas a períodos de apuração anteriores; • Em matéria tributária, é necessária a existência de prova do fato gerador, que demonstre a efetiva ocorrência dos fatos tributáveis. Simples indício não autoriza a lavratura do auto de infração, arrimado apenas na suposição de que houve o ilícito. À exceção das presunções tipificadas em lei, o ônus da prova cabe a quem acusa. Não pode o Fisco exigir tributo baseado em suposições que se tomam por verdadeiras, sem que se tenha um fato conhecido e provado; • Nos termos do art. 150, I, do Código Tributário Nacional (CTN), ocorreu a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 2005; • Como restou comprovado pelos fatos e fundamentos acima demonstrados não se tipificou nenhuma das condutas que embasariam a elevação da multa para os patamares de 150% pretendidos nos termos do auto de infração aqui impugnado; • A multa aplicada de 150% configura-se excessiva e violadora do art. 150, IV da Constituição, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco; • Solicita o cancelamento do auto de infração, a anulação da multa de 150% e o cancelamento da representação para fins penais. O acórdão ora recorrido descreve o percurso da fiscalização, que consistiu essencialmente em diversas intimações dirigidas à ora recorrente para apresentação de documentos fiscais e contábeis destinados a esclarecer as discrepâncias verificadas entre valores relativos a depósitos bancários contabilizados e os apurados em extratos de contas bancárias. Afastou a preliminar de decadência, em suma, pois entendeu aplicável ao caso o art. 173, I do CTN, face à ocorrência de fraude. Do mesmo modo, rejeitou a arguição de nulidade, diante da ausência de qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e da inexistência de qualquer nulidade formal. No mérito, adotou os seguintes fundamentos: Trata-se de analisar exigência referente ao IPI, nos anos-calendário de 2005, 2006 e 2007, em que se apurou falta de lançamento do IPI caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada por meio da ação fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias referentes ao IRPJ. Inicialmente, é curial transcrever o dispositivo do RIPI, de 2002 que trata da omissão de receitas, ou seja, o art. 448, principalmente no que pertine ao § 2º, já que não é o caso da pesquisa de elementos subsidiários (caput e § 1º) como insumos (auditoria de produção Fl. 3272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 ou de estoque), mas sim da apuração de receitas com origem inexistente ou não comprovada, com a aplicação da alíquota mais elevada, para a cobrança do imposto devido, tendo em vista a impossibilidade de separação pelos elementos da escrita fiscal. [Grifo nosso] (...) Destarte, em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 2º). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1º da norma regulamentar em comentário. No processo relativo ao IRPJ, conforme acórdão de fls. 3001 a 3010, considerou-se improcedente a impugnação, tendo em vista que a contribuinte não conseguiu ilidir a acusação de omissão de receitas. Nesse passo, caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Ademais, a decisão de piso afastou as alegações de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria cuja análise compete unicamente ao Judiciário e por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72. Por fim, manteve a multa qualificada de 150%, tendo em vista que reputou presente o dolo e a conduta fraudulenta a que aludem os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Em seu recurso voluntário (e-fls. 3096-3217), a recorrente argumenta inicialmente que o procedimento para obtenção dos extratos bancários teria sido “totalmente inconstitucional”. Alega que haveria movimentações bancárias decorrentes de mútuos. Cita jurisprudência do TJ/RJ e defende a incorreção da alíquota de 5% de IPI, e pede o cancelamento do auto em razão disto. Defende a interpretação dos fatos junto com o art. 112 do CTN. Argumenta que movimentação bancária não é base de cálculo do IPI, que está equivocada a base legal utilizada para aplicação da alíquota de 5%, e menciona o seu entendimento de quais a hipóteses seriam permitidas pela lei, sem, contudo, indicar qualquer dispositivo legal. Insurge-se contra a adoção dos valores das receitas omitidas como base de cálculo, e defende que se a autoridade fiscal estava de posse dos documentos contábeis, deveria tê-los analisado, e não causar-lhe tantos dissabores. Entende que diante de tantos equívocos, o auto deveria ser cancelado. Cita jurisprudência administrativa e judicial, doutrina e argumenta que o ônus da prova seria da fiscalização, e que não poderia presumi-las. Discorre sobre presunções e afirma que o lançamento com base em presunção foge ao §1º do art. 448 do RIPI. Defende que com base nos documentos, notadamente as notas Fl. 3273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 fiscais emitidas, tanto “cheias quanto as meia nota”, se vinculadas aos contratos de mútuo (um único apresentado apenas com o recurso voluntário), os valores seriam inexpressivos. Alega que teria faltado empenho da fiscalização em na busca por resultados diversos, pois seria fácil, no seu entender, localizar os produtos vendidos sem nota. Defende que quando da lavratura do auto de infração, em 13/10/2010, o Decreto nº 4.544/02 já teria sido revogado, o que não foi mencionado no acórdão recorrido. Entende que isso afastaria a liquidez e certeza do auto. Afirma, ainda, que o sistema de alíquota fixa adotado pela auditora fiscal fere o princípio da capacidade contributiva. Defende que a multa de 150% seria confiscatória, o que é proibido pela Constituição. Cita jurisprudência do STF. Insurge-se contra a aplicação da SELIC, e pede seu afastamento. Ademais, reitera o argumento da impugnação de que teria transcorrido o prazo decadencial relativo ao período de 01/2005 a 31/10/2005. Alfim, pede a nulidade do auto de infração, sua reforma integral e manifesta intenção de realizar sustentação oral. Requer, ainda, a juntada de documentos em momento oportuno. Com o recurso, acostou um contrato de mútuo (e-fls. 3137-3140), sem que a ele tenha feito menção expressa nas suas razões recursais. Juntou, ainda, cópias do livro registro de inventário (e-fls. 3141-3218). O feito foi inicialmente distribuído para a 3ª Seção em razão da matéria relativa ao IPI, a qual declinou da competência (e-fl. 3236) por força do disposto no inciso IV do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 343/2015: À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, o presente processo foi encaminhado a 1ª Seção de julgamento, e distribuído a esta relatora por sorteio. Fl. 3274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Consta nos autos, ainda, comunicação no âmbito do inquérito policial n° 5017553-42.2018.4.04.7001/PR, consistente em ofício dirigido ao Delegado-Chefe para que comunique a conclusão do presente processo administrativo fiscal (e-fl. 3240). Por fim, foram acostados memoriais pleiteando a aplicação do entendimento firmado no acórdão 1402-001.309, que afastou a multa qualificada e reconheceu parte da decadência em caso correlato (e-fls.3256-3268). É o relatório. Voto Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Relatora. Do conhecimento A recorrente teve ciência do acórdão em 21/03/2011 por meio de aviso de recebimento (e-fl. 3095) e em 11/04/2011 (e-fl. 3096) interpôs o Recurso Voluntário. Assim, o recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de modo que o conheço, à exceção da inovação recursal representada pelas alegações da existência de contratos de mútuo, não arguidas em sede de impugnação, o que será detalhado em tópico específico. Do pedido de sustentação oral Quanto ao pedido da recorrente para realizar sustentação oral, passo a descrever o procedimento para tanto: publicada a pauta de julgamentos, o direito à realização de sustentação oral poderá ser exercido por meio de solicitação no sítio do CARF, onde consta formulário específico para isso. Para os julgamentos virtuais, tais como o presente, o CARF divulgou orientações aos contribuintes acerca dos procedimentos a serem adotados para realização de sustentação oral, a exemplo do que consta em seu sítio: Sustentação oral No caso de sustentação oral, a ser realizada por meio de áudio/vídeo previamente gravado, o respectivo pedido deverá ser apresentado com antecedência de até 48 horas úteis do início da reunião, por meio de formulário próprio constante da Carta de Serviços disponível no sítio do CARF.1 Assim, descabe analisar o pedido formulado em sede de recurso voluntário. Da preliminar de nulidade 1 http://carf.economia.gov.br/consultas/sessoes-virtuais Fl. 3275DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Ao final, junto com seus pedidos, a recorrente formula pedido genérico para que se reconheça a nulidade do auto de infração. No ponto, adoto os bem postos fundamentos do acórdão recorrido, conforme segue: Quanto à nulidade, cabe pontuar que, conforme o disposto no art. 59 do PAF, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, assim como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente, o que aqui não se verificou. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, somente ocorre nas decisões de primeira e segunda instância, quando são aplicáveis os princípios do contraditório e da ampla defesa. Antes da apresentação da impugnação, não há litígio, não há contraditório, o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. Também, não se verificou qualquer nulidade formal no lançamento ocasionada pela inobservância do que dispõe o art. 10 da mesma norma. O auto de infração foi lavrado cumprindo-se as formalidades legais essenciais, informando a origem da autuação, a capitulação legal clara e coerente com a descrição dos fatos dados como infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal. Ele se fez acompanhar pelo Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 2942 a 2950), que especificou as infrações apuradas e os cálculos feitos pela autuante. Estão presentes no processo todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, nos termos do disposto no art. 9º do PAF. Assim, diante da inexistência de qualquer das circunstâncias do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, afasto a preliminar de nulidade. Do mérito 1. Da alegação de inconstitucionalidade no procedimento de obtenção dos extratos bancários A alegação da recorrente, que se limitou a afirmar a total inconstitucionalidade do procedimento de obtenção dos extratos bancários, não se sustenta, especialmente após a decisão do STF no tema 225 . Com efeito, por ocasião do julgamento do RE 601314, com repercussão geral, confirmou-se a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, conforme se observa da ementa abaixo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, Fl. 3276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-198 DIVULG 15-09-2016 PUBLIC 16-09-2016) [Grifo nosso] Como se infere, o STF firmou entendimento de caráter geral e vinculante no sentido de que a previsão contida no art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário. No âmbito deste CARF assim tem se decidido: Numero do processo: 11052.001422/2010-93 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 BRT 2018 Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 BRT 2018 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, é constitucional as normas dispostas na Lei Complementar nº 105/01 que autorizam que a Receita Federal obtenha dados bancários diretamente pelas instituições financeiras quando da existência de procedimento fiscal. Não há que se falar em nulidade do auto de infração. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. [Grifo nosso] (...) Numero da decisão: 1201-002.095 Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA Fl. 3277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Assim, mantenho o acórdão recorrido e afasto a alegação de inconstitucionalidade. 2. Da alegação acerca da existência de contrato de mútuo Como se disse no relatório, apenas no recurso voluntário a recorrente argumentou que haveria contratos de mútuo, o que justificaria a existência de valores a receber. No entanto, essa matéria não constou das razões de impugnação e tampouco do acórdão recorrido. A norma que se extrai do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 indica que matéria inédita, que não foi objeto de contestação na impugnação, não poderá ser trazida no recurso, como se infere: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Essa também é a lição do Professor e Conselheiro desta Turma, Cleucio Santos Nunes, ao esclarecer que: Na impugnação, o requerente apresentara argumentos contra todos os fatos que entender necessário refutar, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. 2 Como se infere, o Decreto nº 70.235/72 adotou o princípio da eventualidade, segundo o qual toda matéria litigiosa, de fato e de direito, deve ser arguida na impugnação. É o que se observa em decisão da lavra do antigo Presidente deste Colegiado, Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: Numero do processo: 10980.013028/2006-78 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 BRT 2013 Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 BRT 2013 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Devem ser conhecidos os embargos relativamente à matéria suscitada no recurso voluntário e não apreciada pelo acórdão embargado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Face ao princípio da eventualidade, toda a matéria de defesa, seja de fato, seja de direito, deve ser suscitada na impugnação, sob pena de não poder ser conhecida na fase processual posterior. Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. Preclusão caracterizada. Numero da decisão: 1302-001.103 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos interpostos para, no mérito, rejeitá-los, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado 2 NUNES, Cleucio Santos. Curso completo de direito processual tributário. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. p. 336. Fl. 3278DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 digitalmente) Eduardo De Andrade - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente momentaneamente o /conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO [Grifo nosso] Assim, se a matéria objeto do recurso não foi prequestionada na impugnação, a oportunidade de fazê-lo se esgotou naquele momento, por força da preclusão. Nesse sentido, há diversos julgados deste CARF: Numero do processo: 15374.002137/2007-11 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Apr 01 00:00:00 BRT 2020 Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 BRT 2020 Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2000 INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. À exceção de questões de ordem pública, é inviável o conhecimento de matérias arguidas no Recurso Voluntário não aventadas em sede de Manifestação de Inconformidade, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Numero da decisão: 1002-001.141 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA Numero do processo: 14041.000091/2006-13 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 BRST 2017 Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 BRST 2017 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. PEQUENAS OBRAS. COMPROVAÇÃO. IN SRF N° 84/2001. POSSIBILIDADE. Tributa-se, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis. In casu, é permitido incorporar ao custo de aquisição o somatório dos gastos previstos em lei, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 Numero da decisão: 2401-005.159 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo o montante de R$ 3.419,64, a título de dispêndios com pequenas obras, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Fl. 3279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA [Grifos nossos] Além disso, enfrentar matéria inédita em sede recursal importa em supressão de instância, o que é vedado, pois viola o contraditório e a ampla defesa. Diga-se, por fim, que recurso que não ataca os fundamentos da decisão recorrida não supre a necessária dialeticidade recursal, que igualmente importa em não conhecimento do recurso. Nas palavras de Araken de Assis, “é preciso que haja simetria entre o decidido e o alegado no recurso.” 3 Pelo exposto, em face da inovação recursal que conduz à preclusão e da ausência de simetria entre os fundamentos do acórdão recorrido e esta alegação do recurso voluntário, deixo de conhecê-la. Em face disso, não conheço da alegação relativa à existência de contrato de mútuo. 3. Da alíquota aplicável e da legislação vigente no momento da lavratura do auto de infração No que diz com o mérito propriamente, a recorrente aponta dois equívocos que teriam sido cometidos pela autoridade fiscal e que estão intimamente ligados: um relativo à alíquota de 5%, e outro relativo à legislação vigente quando da lavratura do auto de infração. Conforme relatado, a recorrente insurge-se, em suma, contra a aplicação do §1º do art. 448 do RIPI/2002, invocado no acórdão recorrido e que reza: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias-primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão-de-obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias-primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir-se-á o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) 3 ASSIS, Araken de. Manual dos recursos. 9. ed. São Paulo: RT, 2017. p. 127. Fl. 3280DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4859.htm#art448 Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Defende, no ponto, que com base nos documentos, notadamente as notas fiscais emitidas, tanto “cheias quanto as meia nota”, se vinculadas aos contratos de mútuo (um único apresentado apenas com o recurso voluntário), os valores seriam inexpressivos. Alega que teria faltado empenho da fiscalização em na busca por resultados diversos, pois seria fácil, no seu entender, localizar os produtos vendidos sem nota. O que observa no acórdão, recorrido, contudo, é a adoção do § 2º do dispositivo legal citado, que contava com a seguinte redação: § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar-se-ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) É o que se infere do trecho da decisão recorrida: Inicialmente, é curial transcrever o dispositivo do RIPI, de 2002 que trata da omissão de receitas, ou seja, o art. 448, principalmente no que pertine ao § 2º, já que não é o caso da pesquisa de elementos subsidiários (caput e § 1º) como insumos (auditoria de produção ou de estoque), mas sim da apuração de receitas com origem inexistente ou não comprovada, com a aplicação da alíquota mais elevada, para a cobrança do imposto devido, tendo em vista a impossibilidade de separação pelos elementos da escrita fiscal. Com efeito, o que se observa tanto na descrição dos fatos no TVF é que se adotou a maior alíquota do IPI em face da impossibilidade de se verificar todos os elementos da escrita fiscal, a exemplo dos seguintes trechos, com destaques meus para os pontos mais relevantes: Da análise dos extratos apresentados (fls 934 a 1365), foi constatado que a contribuinte não apresentou todos os extratos, tendo em vista que o montante dos créditos apurados, são muito inferior ao apontado no sistema da RFB-Secretaria da Receita Federal do Brasil, que foram solicitados através do Termo de Intimação Fiscal n° 010(fls. 141 e 142), cientificado em 27/05/2010(fl 143). De posse dos demais extratos(fls 1366 a 1670), foram constatadas diferenças entre o total dos depósitos/créditos constantes de sua escrituração contábil (que, aliás, é feita por partidas mensais — fls 1671 a 1964) e os valores constantes dos extratos bancários (fls 934 a 1670), indicando a existência de contas bancárias mantidas à margem da contabilidade, o mesmo procedimento adotado pela empresa fiscalizada no ano anterior(ano-calendário de 2005). (...) Para chegar à conclusão de que os recebimentos constantes das contas correntes Banco do ltaú AG: 0083, C/C 39865-1 e Banco do Brasil AG: 3407-X, C/C:25040-6, são de vendas efetuadas com emissão de meia nota pela empresa Linea, as informações constantes dos demonstrativos de folhas 2154 a 2232(ano-calendário 2005) e demonstrativo de folhas 2498 a 2697(anos-calendário 2006 e 2007), apresentados em Fl. 3281DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4859.htm#art448 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4859.htm#art448 Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 atendimento às intimações efetuadas pela fiscalização e que compreendem todas as suas contas bancárias, foram cotejadas entre si e o resultado desse confronto deixa evidente que uma parte das vendas era recebida em uma conta bancária (contabilizada) e a outra parte era recebida em outra conta corrente (não contabilizada). (...) Essa circunstância não escapou à analise do julgador de piso, que assim se manifestou: Destarte, em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 2º). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1º da norma regulamentar em comentário. Em acréscimo, defende a recorrente que quando da lavratura do auto de infração, em 13/10/2010, o Decreto nº 4.544/02 já teria sido revogado, o que não foi mencionado no acórdão recorrido. Entende que isso afasta a liquidez e certeza do auto. Tem razão a recorrente unicamente quanto à vigência do Decreto nº 7.212 de 15 de junho de 2010 (RIPI 2010) e não do RIPI 2002 no momento da lavratura do auto de infração. No entanto, embora tenha revogado o decreto anterior, as disposições concernentes à hipótese fática do caso concreto remanesceram rigorosamente as mesmas, como se observa do quadro comparativo abaixo: Decreto nº 4.544/02 - RIPI 2002 Decreto nº 7.212/10 - RIPI 2010 Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias-primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão-de-obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias-primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir-se-á o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar-se-ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) Art. 522. Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção e correspondente pagamento do imposto dos estabelecimentos industriais, o valor e a quantidade das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão de obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1 o Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigir-se-á o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. § 2 o Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerar-se-ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1 o . Tendo em vista que a recorrente auferiu receitas sem comprovação da origem, deixando-as ao largo da escrituração, que não apresentou toda documentação requisitada, vendeu mercadorias desacompanhadas de nota fiscal, dentre outras condutas, correto o procedimento Fl. 3282DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4859.htm#art448 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4859.htm#art448 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4859.htm#art448 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4502.htm#art108 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4502.htm#art108 Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 fiscal que apurou o IPI com base na alíquota mais elevada, pois não foi possível à autoridade fiscal separar os elementos da escrita contábil da recorrente, nos termos da legislação indicada. Equivoca-se a recorrente, ademais, quando defende a aplicação do art. 112 do CTN no ponto, pois não há qualquer dúvida no que diz com a capitulação legal do fato; ou em relação à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, tampouco quanto à autoria e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Afirma a recorrente, por fim, que o sistema de alíquota fixa adotado pela auditora fiscal fere o princípio da capacidade contributiva. Tendo em vista que a alíquota aplicada decorre de lei, e que a autoridade fiscal a a ela está subordinada por força da legalidade, a análise da alegação da recorrente implicaria em verificar a constitucionalidade da lei que fixou a alíquota de IPI. No entanto, essa análise fica obstada neste órgão por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de aplicação obrigatória e vinculante: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, nenhum reparo a ser feito no ponto. 4. Da multa de ofício qualificada A recorrente se insurge, também, contra a multa de ofício qualificada de 150%, a qual entende confiscatória. No ponto, o acórdão recorrido informou a base legal da aplicação da multa qualificada, os arts. 71 a 73 e 80 da Lei nº 4.502/64 e assentou o quanto segue: Verifica-se que a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, mediante a utilização de subterfúgios que escamoteiem a ocorrência do fato gerador ou retardem o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. No presente caso, constam no processo documentos que comprovam que a contribuinte, durante os anos-calendário de 2005, 2006 e 2007, utilizou de contas correntes bancárias mantidas à margem da escrituração, cujos recursos são advindos de emissão de meia nota, com o objetivo de não oferecer as respectivas receitas à tributação, caracterizando a intenção de omitir receitas e diminuir o resultado tributável. Ressalte-se que, na impugnação, a contribuinte não apresentou qualquer documento capaz de alterar as constatações feitas pela fiscalização. Ficou, assim, constatada a intenção de fraudar o Fisco, reputando-se, portanto, aplicável ao caso a multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). [Grifo nosso] Fl. 3283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 No ponto, estou inteiramente de acordo com os fundamentos do acórdão recorrido, destacando que a conduta da recorrente foi praticada no ano-calendário de 2005 e reiterada nos anos seguintes. Assim, entendo que a multa qualificada deva ser mantida, em face da evidente intenção de recolhimento do tributo devido a menor, conforme bem indicado no TVF, já reproduzido no relatório quanto aos pontos de interesse. A consequência da conduta reiteradamente praticada pela recorrente, que não ofereceu valores à tributação porque os auferiu e deixou de escriturá-los, bem como vendeu produtos sem a correspondente nota fiscal, importou em falta de recolhimento do IPI. E essa conduta – comprovada pela documentação constante nos autos - se identifica com as hipóteses de sonegação e fraude previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4502/64, causas da aplicação de multa qualificada na Lei nº 9.430/96, os quais transcrevo: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. As condutas praticadas pela recorrente vem sendo reconhecidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais como fraude e sonegação, o que atrai a aplicação da multa qualificada, a exemplo do seguinte julgado: Numero do processo: 10120.724403/2014-49 Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 BRT 2019 Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 BRT 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010, 2011 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A prática reiterada de não declarar ao fisco valores de receitas efetivamente auferidas constitui procedimento doloso tendente à fraude e à sonegação, o que respalda a aplicação da multa qualificada. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. LUCRO PRESUMIDO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. [Grifo nosso] Numero da decisão: 1301-003.992 Fl. 3284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO Numero do processo: 10825.721567/2017-20 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 BRT 2019 Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 BRT 2019 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano- calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 OMISSÃO DE RECEITAS. A práticas de atos, comissivos ou omissivos, praticados de forma dolosa, com intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, caracteriza-se como sonegação e autoriza a constituição do crédito tributário pelo agente competente. LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação, como por exemplo, quando há declaração de imprestabilidade das demonstrações contábeis do sujeito passivo. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória. LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. OMISSÃO DE RECEITAS. A omissão de receitas, que se mostra relevante e feita de forma reiterada, sendo comprovada, inclusive, quando da análise de controles e planilhas apreendidos pela fiscalização e que eram mantidos à margem das demonstrações contábeis, autoriza a declaração de imprestabilidade da contabilidade e, por consequência, o arbitramento do lucro do contribuinte . MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de ocultar, excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação. (...)[Grifo nosso] Numero da decisão: 1302-004.095 Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS A recorrente afirma, ainda, que a multa qualificada seria confiscatória. Considerando que sua aplicação decorre de lei, e que a autoridade fiscal a ela está subordinada por força da legalidade, a análise da alegação da recorrente implicaria em verificar a constitucionalidade da lei que previu a multa qualificada. No entanto, essa análise fica obstada neste órgão por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de aplicação obrigatória e vinculante: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Diante do exposto, nada a prover, devendo ser mantida a multa qualificada. 5. Da alegação de decadência A recorrente alega teria transcorrido o prazo decadencial relativo ao período compreendido entre 01/2005 e 31/10/2005, uma vez que o auto de infração foi lavrado em Fl. 3285DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 06/10/2010. Para justificar sua tese, alega que seria aplicável ao caso concreto o art. 150, I do CTN. Tenho que não assiste razão à recorrente. Com efeito, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos conta-se a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. No entanto, esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. Na hipótese dos autos – conforme já indicado no relatório - há inúmeras provas apuradas em sede de fiscalização que confirmam a prática de conduta dolosa e fraudulenta, com a clara intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador e de recolher o tributo em montante inferior ao devido, a exemplo do auferimento de receitas à margem da escrituração contábil. Assim, adotando o termo inicial da contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, verifica-se não estarem decaídos os créditos tributários do período de 01/2005 e 31/10/2005, como bem apontado na decisão recorrida: Com efeito, para os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 2005, o prazo decadencial iniciou-se em 01/01/2006 e teve seu termo final em 31/12/2010. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 13/10/2010, conforme auto de infração, deve ser afastada a preliminar de decadência do direito de lançar o tributo ora exigido. Assim, rejeito a alegação de decadência. Por oportuno, esclareço que a matéria relativa à decadência, no específico caso dos autos - somente pode ser analisada após verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual não constou dentre as preliminares, muito embora a boa técnica processual assim determine. 6. Da aplicação da SELIC aos juros de mora O recorrente ataca, ainda, a aplicação da SELIC aos juros de mora, por meio de diversos argumentos, como inconstitucionalidade e ilegalidade. Tendo em vista o enunciado da Súmula CARF nº 4, de aplicação obrigatória, dada a sua eficácia vinculante, deixo de enfrentar os argumentos recursais. Dispõe a súmula o quanto segue: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 3286DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-005.727 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11634.001426/2010-21 Como se observa, a SELIC é o correto índice de correção dos juros moratórios incidentes sobre o débito tributário apurado no caso concreto. Rejeito, assim, a alegação do recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço em parte do recurso voluntário, afasto as preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert Fl. 3287DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000080/00-83
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. Somente a
pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial, em face das normas do Direito de Família, pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis na declaração, no montante comprovado com documentação hábil.
DEDUÇÃO. DEPENDENTE. PENSÃO ALIMENTÍCIA. VEDADA A CONCOMITÂNCIA. O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial não pode incluir o alimentando como seu dependente para efeitos do
imposto de renda, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do ano-calendário.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.068
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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DEDUTIBILIDADE. Somente a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial, em face das normas do Direito de Família, pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis na declaração, no montante comprovado com documentação hábil. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. PENSÃO ALIMENTÍCIA. VEDADA A CONCOMITÂNCIA. O responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial não pode incluir o alimentando como seu dependente para efeitos do imposto de renda, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do anocalendário. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Ewan Fl. 184DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13678.000080/0083 Acórdão n.º 220201.068 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, Antônio Sérgio Ferreira Magalhães, inscrito no CPF/MF sob o nº de 283.487.37634, lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 02/04, em nome de Antônio Sérgio Ferreira Magalhães, relativo ao exercício de 1998, anocalendário 1997, para redução do imposto a restituir calculado em sua declaração de ajuste anual, no montante de 8.331,21, para R$219,46. O crédito tributário é decorrente da revisão da declaração de rendimentos do interessado, relativa ao exercício 1998, tendose apurado as infrações descritas às fls. 03/04 dos autos. Fundamentalmente ocorreu a glosa total das despesas de dependentes, despesas com instrução e pensão alimentícia, por outro lado as despesas médicas foram glosadas parcialmente reduzidas a R$ 878,00. Inconformado com a exigência, o contribuinte, apresentou impugnação em 30/05/2000 (fl. 01), alegando, em síntese, que não tomou ciência do auto de infração, pois teria mudado de endereço, e que junta todos os documentos comprobatórios das despesas glosadas pelo Fisco. Em primeira análíse ao processo, o mesmo foi submetido a julgamento, nos termos do Acórdão n° 6.806, de 29 de novembro de 2004, de modo que se declarou não conhecida a impugnação, por unanimidade de votos, conforme fls. 115/118 dos autos. Inconformado, o Sr. Antônio Sérgio Ferreira Magalhães, impetrou Recurso Voluntário junto ao Conselho de Contribuintes (fls. 125/130), alegando, em síntese, que os documentos juntados aos autos estão com data de 10/05/2000, dentro do prazo legal. Em suas razões, acostadas aos autos às fls. 125/130, em síntese, sustenta que apresentou a impugnação no prazo determinado juntamente com os comprovantes das deduções informadas em sua Declaração Anual. Registra “embora o carimbo de protocolo aposto às fls. 01 date de 30 de maio de 2000, é importante ressaltar que todos os documentos anexados a ele (fls. 02/32) foram protocolados em 10 de maio daquele ano, ou seja, dentro do prazo legal, o que nos leva a supor que houve equívoco quanto ao protocolo daquele documento”. Aviva de outro lado o despacho de fls. 41 oportunidade em que foi ventilada a tempestividade da impugnação. Daí entende que houve equívoco da Turma julgadora ao não conhecer da impugnação vez que foi apresentada a tempo e modo. De outro lado contrapõe a “interpretação dada pela digna relatora deste processo que manifesta entendimento no sentido de que para ser válida a intimação ou notificação feita por via postal, é necessário que seja recebida no domicílio do sujeito Fl. 186DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 passivo, ainda que a assinatura aposta no AR não seja do contribuinte” apoiado em lições de Humberto Theodoro Júnior, Uadi Lammêgo Bulos e Alexandre de Moraes. Argumenta que tal entendimento fere “os princípios que regem o direito processual” violando ainda o seu direito a ampla defesa e ao contraditório. Traz a colação julgados onde se afirma que a intimação tem que ser pessoal nos termos do disposto no art. 23 do Decreto 70.235/72. Invoca a interpretação mais favorável fundado no disposto no art. 112, do CTN. Diante do exposto, requer seja acolhida a preliminar de tempestividade a fim de que se aprecie os documentos comprobatórios das deduções (fls. 15/32) para que seja cancelado o lançamento do crédito tributário e restituído o valor apurado em sua declaração. Os membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidem converter o julgamento em diligência. A dúvida surge pois como ressaltado pelo recorrente, às fls. 41 o despacho de encaminhamento dos autos onde se certifica a tempestividade da impugnação. Com o resultado da diligência as fls. 139, a Quarta Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ II, para apreciação da impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A DRJRJ II ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Para serem dedutíveis na declaração de ajuste anual da pessoa fisica os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, fazse necessária a devida comprovação dos pagamentos eventualmente efetuados a esse título. GLOSA DE DEPENDENTES. Contribuinte que paga pensão alimentícia judicial a excônjuge e filhos não pode considerálos dependentes na declaração. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO. São dedutíveis as despesas com instrução pagas em face às normas do Direito de Família, em virtude de sentença judicial ou de acordo homologado judicialmente, e que não ultrapassaram o limite anual individual previsto na legislação tributária. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13678.000080/0083 Acórdão n.º 220201.068 S2C2T2 Fl. 3 5 Para que sejam dedutíveis as despesas médicas pagas pelo contribuinte, fazse necessária a devida comprovação por documentação hábil e idônea. Apenas são dedutíveis aquelas despesas realizadas em beneficio do contribuinte, de seus dependentes ou em face às normas do Direito de Família, em virtude de sentença judicial ou de acordo homologado judicialmente. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida de sua apreciação concluiu por restabelecer o valor de R$6.112,00, a título de dedução dos rendimentos tributáveis no ajuste anual, sendo R$1.080,00 relativos a dedução com a dependente Cândida F Magalhães, mãe do contribuinte, e R$5.032,00, relativos a dedução de despesas com instrução de alimentando. Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde questiona a dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia. Indica que juntou aos autos cópia da sentença que fixou os alimentos (fls. 29/31). Dela se extrai que o recorrente ficava obrigado ao pagamento de pensão alimentícia equivalente a um salário mínimo a cada um dos seus filhos. Complementa, que além de glosar a dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, aquele órgão glosou também a dedução dos filhos do contribuinte como seus dependentes, ao argumento de que aquele pagaria pensão a estes. Portanto, aquela decisão apresenta contradições, que não se coadunam com os princípios que norteiam o direito brasileiro. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O contribuinte questiona fundamentalmente a glosa da pensão alimentícia, argumentando que caso esta não seja aceita faria jus a dedução de dependentes. No seu entendimento a glosa de ambas despesas é inaceitável e contraditória. Do exame da Declaração de Ajuste Anual apresentada no modelo completo (extrato às fls. 154), verificase que o(a) contribuinte pleiteou em sua declaração de rendimentos a título de pensão alimentícia, o valor de R$21.600,00. A autoridade recorrida assim se pronuncia em seu voto: Quanto a glosa do valor de R$21.600,00, declarado a título de pensão alimentícia, o contribuinte juntou os documentos de fls. 29/32, para comprovar que paga pensão judicial, em decorrência de decisão judicial, conforme normas do Direito de Família. Em tais documentos, consta a obrigação de pagar um salário mínimo para cada filho, totalizando três salários mínimos mensais. Entretanto, não consta no processo nenhum documento que comprove o efetivo pagamento de qualquer valor relativamente a pensão alimentícia paga no curso do ano calendário 1997. Ressaltese que, no comprovante de rendimentos juntado às fls. 76, consta o valor zero no campo relativo ao pagamento de pensão alimentícia, e, ainda, que as cópias de recibos juntadas às fls. 94/102 dizem respeito ao anocalendário 1998 e não ao anocalendário 1997, de que trata o presente processo. Assim sendo, há que ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização nesse mister. Para fazer jus à dedução pleiteada, é indispensável que o contribuinte apresente documentos hábeis à comprovação tanta da obrigação de pagar pensão alimentícia judicial quanto de seu cumprimento. Ou seja, somente as importâncias cabalmente demonstradas como despendidas em decorrência de acordo ou sentença judicial proferida em face das normas do Direito de Família podem ser admitidas como dedução da base de cálculo do IRPF. Não ocorre a suposta contradição identificada pelo recorrente. A autoridade recorrida ao apreciar a impossibilidade de lançar o dependente, para o qual há a obrigação de pagamento da pensão, assim se pronunciou: Com relação aos dependentes pleiteados sob o código 21, foram juntadas as respectivas certidões de nascimento, que comprovam que Thiago B Magalhães (fls. 16), Gabriela B Magalhães (fls. 15) e Matheus B Magalhães (fl.s 12) são filhos do interessado. Entretanto, como o contribuinte paga pensão alimentícia judicial Fl. 189DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13678.000080/0083 Acórdão n.º 220201.068 S2C2T2 Fl. 4 7 para seus filhos, conforme documento juntado às fls. 29/32, e, conseqüentemente, não possui a guarda judicial dos mesmos, não pode considerálos dependentes na declaração. Notase portanto que a filho sob a guarda de outrem não pode figurar como dependente na declaração do contribuinte. É vedada a dedução concomitante dos valores correspondentes à pensão alimentícia e a dependentes, quando se referirem às mesmas pessoas, exceto na hipótese de modificação da relação de dependência dentro do anocalendário. No caso concreto em face da documentação acostada aos autos o recorrente reúne uma das condições para deduzir a pensão alimentícia, mas para caracterizar plenamente o direito seria necessário a comprovação do pagamento. Uma vez que existia a obrigação do recorrente de pagar pensão, não seria possível tratálo como dependente sem uma prova de que essa situação tivesse sido invertida. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 190DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 26/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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