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Numero do processo: 10494.001472/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 03/11/1998 a 03/04/2002
DRAWBACK-SUSPENSÃO. MULTA MORATÓRIA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. PAGAMENTO NO PRAZO DE TRINTA DIAS.
Não é cabível a cobrança de multas moratórias sobre os débitos tributários pagos tempestivamente, dentro do prazo legal de trinta dias, após o inadimplemento do ato concessório do drawback suspensão.
Numero da decisão: 3402-005.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão e integrar o Acórdão n.º 3402-004.114 para afastar a cobrança de multas moratórias sobre os débitos tributários pagos tempestivamente após o inadimplemento do ato concessório do drawback suspensão.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 03/11/1998 a 03/04/2002 DRAWBACK-SUSPENSÃO. MULTA MORATÓRIA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. PAGAMENTO NO PRAZO DE TRINTA DIAS. Não é cabível a cobrança de multas moratórias sobre os débitos tributários pagos tempestivamente, dentro do prazo legal de trinta dias, após o inadimplemento do ato concessório do drawback suspensão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão e integrar o Acórdão n.º 3402-004.114 para afastar a cobrança de multas moratórias sobre os débitos tributários pagos tempestivamente após o inadimplemento do ato concessório do drawback suspensão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/11/1998 a 03/04/2002 DRAWBACKSUSPENSÃO. MULTA MORATÓRIA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. PAGAMENTO NO PRAZO DE TRINTA DIAS. Não é cabível a cobrança de multas moratórias sobre os débitos tributários pagos tempestivamente, dentro do prazo legal de trinta dias, após o inadimplemento do ato concessório do drawback suspensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão e integrar o Acórdão n.º 3402004.114 para afastar a cobrança de multas moratórias sobre os débitos tributários pagos tempestivamente após o inadimplemento do ato concessório do drawback suspensão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 14 72 /2 00 5- 41 Fl. 2546DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte opôs embargos de declaração contra o Acórdão no 3402 004.114, proferido em 23 de maio de 2017, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 03/11/1998 a 03/04/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade. A decisão foi assim registrada, com transcrição apenas da parte que interessa a este exame: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado, para determinar que os autos sejam remetidos à DRJ a fim de que seja proferida nova decisão, afastandose a exigência de comprovação da vinculação física entre os insumos importados e exportados em regime de drawbacksuspensão, para que se realize o cotejo entre as exportações comprovadas e as exigências dos Atos Concessórios para fins de verificação do seu adimplemento. A embargante alega que ocorreu omissão, contradição e obscuridade no acórdão embargado da seguinte forma: 1 – omissão em relação à matéria multa moratória; Alega a embargante que o acórdão não tratou da alegação contra a aplicação de multa moratória pela fiscalização no caso em que, tendo a empresa constatado o inadimplemento do regime, recolheu os tributos, sem multa moratória, dentro do período de até trinta dias do prazo fixado para exportação. 2 – contradição e obscuridade em relação à decisão de novo julgamento em primeira instância. Alega a embargante que o acórdão proferido por esta turma “substituiu” a decisão proferida pela DRJ ao afastar a obrigação de vinculação física, não a anulou. Ao afastar definitivamente os fundamentos do auto de infração, ficou inviabilizado o retorno à primeira instância para pronunciamento sobre outros fatos, que não foram objeto de lançamento. Ao final, admitiuse parcialmente os embargos de declaração nos seguintes termos: Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402005.236 S3C4T2 Fl. 3 3 Com base nos argumentos acima e no disposto no art. 65, § 3º do Regimento Interno do CARF, em redação da Portaria MF nº 39/2016, dou seguimento aos embargos de declaração quanto à Matéria 1) Multa moratória e nego seguimento aos embargos relativamente à Matéria 2) Novo julgamento em primeira instância, em virtude da improcedência das alegações. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Os Embargos de Declaração do Contribuinte são tempestivos e deles tomo conhecimento, por atenderem a todos os requisitos de admissibilidade. Segundo a fiscalização, no auto de infração: A Springer efetuou o pagamento espontâneo do Imposto de Importação devido em função dos inadimplementos parciais relativos aos Atos Concessórios de Drawback 169000/000025 5, 169000/0001235 e 169001/0001190, tendo, para as DI 98/10977115 e 99/09672383, recolhido a multa moratória em valor inferior ao devido, conforme descrito no Relatório de Fiscalização do Regime Especial de Drawback Suspensão das folhas. Neste ponto, a fiscalização não questionou a veracidade das informações prestadas pelo contribuinte nos Relatórios Unificados de Drawback, mas questionou o recolhimento espontâneo sem inclusão de multa moratória e juros de mora, o que gerou discrepâncias entre os valores pagos pelo contribuinte e aqueles entendidos como devidos pela RFB tudo isso foi minuciosamente apontado em fls. 8090 dos autos. Frisese que, no caso, se está tratando de multas moratórias e juros, e não multas punitivas. Para fins de aplicação da legislação tributária, a multa moratória incide quando, ultrapassado o vencimento demarcado pela lei, o contribuinte regulariza espontaneamente a situação, independente da atividade da fiscalização. Tal multa tem, como termo inicial, o dia seguinte ao do vencimento do prazo para pagamento do tributo e, termo final, o dia do efetivo pagamento. Sobre isto, parecenos que o art. 342 do Regulamento Aduaneiro de 2002, que reproduz dispositivo pretérito que se aplica ao caso em tela, é bastante claro: Art. 342. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: Fl. 2548DF CARF MF 4 I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; ou c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; II no caso de renúncia à aplicação do regime, adoção, no momento da renúncia, de um dos procedimentos previstos no inciso I; e III no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, requerimento de regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. Com a constituição do crédito tributário através do Termo de Responsabilidade e sua posterior suspensão em razão do regime especial do drawback, o Contribuinte se sujeita aos acréscimos moratórios na hipótese de posterior inadimplemento e necessidade de pagamento do tributo que fora suspenso. É o mesmo que se dá, por exemplo, quando um tributo tem sua exigibilidade suspensa ab ovo, e posteriormente cessa a causa de sua suspensão, tendo o contribuinte que pagálo, dentro do prazo legal, não se sujeitando a multas de natureza punitiva, mas apenas aos acréscimos moratórios. Todavia, mesmo no caso de inadimplemento, o contribuinte possui trinta dias para que seja efetuado o pagamento dos tributos suspensos incluindo aí os juros de mora devidos. Se pagos dentro desse prazo, não há que se falar em multa de mora, pois não se ultrapassou o vencimento do tributo, que se dará apenas ao término do prazo estipulado legalmente. Não há que se falar, pois, em cobrança de multas moratórias nos casos em que o tributo é espontaneamente recolhido dentro do prazo de 30 dias após o inadimplemento do ato concessório do regime de drawback suspensão, mas apenas dos juros de mora sobre o valor do débito constituído no termo de responsabilidade. Desse modo, voto por dar provimento aos Embargos de Declaração para sanar a omissão dando provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a cobrança de multas moratórias sobre os débitos tributários pagos tempestivamente após o inadimplemento do ato concessório do drawback suspensão, e integrar a decisão proferida no Acórdão nº 3402 004.114. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10494.001472/200541 Acórdão n.º 3402005.236 S3C4T2 Fl. 4 5 Fl. 2550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003291/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006
DECADÊNCIA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FATO GERADOR.
Pelo descumprimento de obrigação acessória, converte-se a respectiva penalidade pecuniária em obrigação principal. O fato gerador da obrigação principal é o momento em que a obrigação acessória foi descumprida. Aplica-se a regra decadencial prevista no art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional.
MULTA. DESPROPORCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL.
Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Não é desproporcional ou confiscatória a multa aplicada dentro dos ditames legais, se a lei não foi declarada inconstitucional.
Numero da decisão: 2301-005.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 DECADÊNCIA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FATO GERADOR. Pelo descumprimento de obrigação acessória, converte-se a respectiva penalidade pecuniária em obrigação principal. O fato gerador da obrigação principal é o momento em que a obrigação acessória foi descumprida. Aplica-se a regra decadencial prevista no art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional. MULTA. DESPROPORCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Não é desproporcional ou confiscatória a multa aplicada dentro dos ditames legais, se a lei não foi declarada inconstitucional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
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MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FATO GERADOR. Pelo descumprimento de obrigação acessória, convertese a respectiva penalidade pecuniária em obrigação principal. O fato gerador da obrigação principal é o momento em que a obrigação acessória foi descumprida. Aplicase a regra decadencial prevista no art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional. MULTA. DESPROPORCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Não é desproporcional ou confiscatória a multa aplicada dentro dos ditames legais, se a lei não foi declarada inconstitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 91 /2 00 8- 23 Fl. 570DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de ofício, Auto de Infração nº 35.900.4598, constituído para a exigência de multa por, regularmente intimada, deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias. Em razão do não atendimento às intimações, a empresa incorreu em infração ao disposto no Artigo 33, § 2º, da Lei n° 8.212/91, de 24 de julho de 1991, combinado com os Artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Lei nº 8.212, de 1991: Art. 33 ............................................................................................. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Regulamento da Previdência Social Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único.Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. A multa foi calculada com base no que dispõem a Lei n. 8.212, de 1991, arts. 92 e 102, e o RPS, art. 283, II, j, e art. 373. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 18050.003291/200823 Acórdão n.º 2301005.276 S2C3T1 Fl. 571 3 Na impugnação, a recorrente alegou que a multa teria efeito confiscatório e, ainda, que, quando do lançamento, já se havia operado a decadência dos períodos anteriores a 04/08/2001 (efls. 432 a 466). A DecisãoNotificação nº 04.401.4/009/2007 manteve o lançamento sob a alegação de que o princípio constitucional de vedação ao confisco não se aplica a multas e, ainda assim, a apreciação do lançamento sob o viés da constitucionalidade é incumbência exclusiva do Poder Judiciário (efl. 490, itens 18 e 19). Quanto à decadência, entendeu, a decisão a quo, que prazo para a decadência seria de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, e, portanto, o lançamento não teria sido atingido por esse instituto jurídico (e fls. 484 a 488, itens 11 a 15). No recurso voluntário (efl. 502 a 546), a Recorrente repisou as alegações que apresentara na impugnação. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo. Preliminarmente, a Recorrente questionou a decadência dos períodos anteriores a 04/08/2001. No mérito, alegou que a multa lançada é desproporcional e confiscatória. Em razão da Súmula Carf nº 2, deixo de conhecer das questões afetas à constitucionalidade e conheço das demais questões. 1 Decadência A decisão recorrida, exarada em 16 de janeiro de 2007, aplicou a regra prevista no art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia a decadência decenal para as contribuições previdenciárias, dispositivo que, posteriormente, foi declarado inconstitucional em 12 de junho de 2008 (Súmula Vinculante nº 8) e revogado pela Lei Complementar nº 123, de 19 de dezembro de 2008. Ao aplicar a decadência decenal nos termos em que vigia, era despicienda a verificação do momento da ocorrência do fato gerador, porquanto o amplo prazo de dez anos abarcaria todo e qualquer fato que pudesse vir a ser objeto de lançamento naquela ação fiscal, cujo período fiscalizado foi de 07/2000 a 01/2006 (efl. 123). Entretanto, com o advento da nova circunstância jurídica a regular a decadência da matéria, essa análise passa a ser fundamental. Para verificar a decadência, primeiramente é preciso definir qual a exação tratada nestes autos. Aqui se discute a multa isolada lançada em razão do descumprimento de intimações fiscais. Tratase de descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do art. 113, § 3º, do CTN, se converte em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 572DF CARF MF 4 Pois bem, o §1º do mesmo artigo estabelece que a obrigação principal surge com o fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Portanto, a exação em litígio é a penalidade pecuniária cujo fato gerador foi o descumprimento de obrigação acessória. Parece ter havido uma confusão entre o que seriam os fatos geradores das contribuições previdenciárias sob fiscalização e os fatos geradores das penalidades pecuniárias decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Pois bem. No caso sob exame, a hipótese de incidência prevista na legislação para a ocorrência do fato gerador é o não atendimento de intimações fiscais, fato este que não foi contestado pela Recorrente. Resta, então, identificar o momento em que o fato gerador teria ocorrido para, somente então, aplicarselhe a regra decadencial. Consta do Relatório Fiscal (efls. 129) que, apesar de regularmente notificada por meio dos Termos de Intimação para Apresentação de Documento, emitidos em 10/04/2006 (efl. 143), 18/04/2006 (efl. 21), 06/06/2006 (efls. 73 a 75) e 18/07/2006 (efls. 105 a 107), a empresa deixou de exibir os documentos abaixo relacionados: a) Notas fiscais solicitadas conforme planilha em anexo; b) Comprovante de Inscrição no SIMPLES referente ao período de emissão de notas fiscais das empresas prestadores de serviço a seguir relacionados: Empresa Período Inicial Período Final 1001 Serviço de instalação Elétrica Telefônica Ltda Janeiro de 2001 Agosto de 2002 Altel Engenharia de Telecomunicações Ltda Fevereiro de 2001 Agosto de 2002 UBF Serviços de Telecomunicações Ltda Julho de 2000 Agosto de 2002 Uniredes Telecomunicações Ltda Julho de 2000 Março de 2002 c) Talonários de nota fiscal referente ao estabelecimento 14.306.831/000796. d) A empresa não apresentou as Folhas de Pagamentos da ( Matriz e Filial 14.306.831/000877 referentes ao Décimo Terceiro de 2000 além da folha de pagamento referente à competência 07/2001 referente à Filial 14.306.831/001415. Ora, a obrigação principal surge com o descumprimento da obrigação acessória, portanto os fatos geradores das multas por desatendimento de intimações somente ocorreram após o descumprimento da regular intimação do contribuinte. Isto significa que todos os fatos geradores se deram a partir de 10/04/2006, quando foi emitida a primeira intimação descumprida. Aplicase, pois, a regra decadencial estabelecida no art. 173, inc. I, porque não há antecipação de pagamento da multa (precedentes: acórdão nºs. 9202005.575, 2301.005.009 e 2301.005.017). Sendo assim, considerando que todos os fatos geradores ocorreram em 2006, a decadência somente se operaria a partir de 01/01/2012. Tendo, o lançamento, ocorrido em 04/08/2006 (efl. 3), não há como invocar a decadência. 2 Da desproporcionalidade e do efeito confiscatório da multa A Recorrente alegou que a multa aplicada é absolutamente desproporcional ao descumprimento da obrigação acessória (simples falta de apresentação de alguns documentos), guardando nítido caráter confiscatório (efl. 544). Destacou que o Fl. 573DF CARF MF Processo nº 18050.003291/200823 Acórdão n.º 2301005.276 S2C3T1 Fl. 572 5 descumprimento das intimações não importou óbice ao trabalho fiscalizatório. Pleiteou sua anulação ou, ao menos, sua redução para valores compatíveis com a infração cometida. A multa aplicada foi calculada com base no que dispõem a Lei n. 8.212, de 1991, arts. 92 e 102, e o RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 1999, art. 283, II, j, e art. 373: Lei nº 8.212, de 1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. ......................................................................................................... .......... Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Regulamento da Previdência Social Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: ......................................................................................................... .......... IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: j)deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; ......................................................................................................... .......... Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são Fl. 574DF CARF MF 6 reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Além disso, aplicouse o disposto no art. 292, inc. IV, do RPS, em razão de a Recorrente ser, à época do lançamento, reincidente no cometimento de infrações a dispositivos da legislação previdenciária. Como se vê, a autuação ocorreu dentro dos estritos contornos legais e regulamentares. Os valores decorreram, pois, da legislação. Os princípios constitucionais, dentre eles o da proporcionalidade e o do não confisco, orientam o legislador. Estando, a lei, em vigor, sem que haja sido declarada a sua inconstitucionalidade, a autoridade fiscal deverá constituir o crédito tributário, porquanto o lançamento é atividade vinculada (art. 142 do CTN), sob pena de responsabilidade funcional. No mesmo sentido, não cabe ao julgador administrativo apreciar a ofensa de lei aos princípios constitucionais. A propósito, isto está bem inserto na Súmula Carf nº 2, que afirma que o Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, tendo sido efetuado de acordo com os limites e considerações legais, não há como anular ou modificar o lançamento sob a alegação de que o valor seria desproporcional ou que feriria o princípio constitucional do nãoconfisco. Conclusão Pelas considerações apostas, voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720890/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PERDAS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. HEDGE. DEDUTIBILIDADE. REGISTRO CETIP.
Demonstrado efetivo registro na CETIP, são dedutíveis as perdas. São plenamente dedutíveis na determinação do lucro real as perdas verificadas pela pessoa jurídica em aplicações financeiras em bolsa e em swap quando tais aplicações tiverem como finalidade o hedge. São plenamente dedutíveis na determinação do lucro real as perdas verificadas pela pessoa jurídica em aplicações financeiras em bolsa e em swap quando tais aplicações tiverem como finalidade o hedge.
APLICAÇÃO FINANCEIRA SWAP PARA FINS DE HEDGE. DEDUÇÃO DE PERDAS.
Os lançamentos fiscais aqui controvertidos partem da premissa errônea de que as perdas em operações de Swap para Hedge teriam finalidade especulativa, o que não se comprovou. Assim, dedutíveis todas as perdas e não somente até o limite dos ganhos, fato que também não é só aplicável às instituições financeiras, nos termos do inciso V do art. 77 da Lei n. 8.981/95, e art. 35, § 2°, da Instrução Normativa SRF n° 25/2001 razão pela qual é absolutamente insustentável o lançamento em destaque.
Numero da decisão: 1301-002.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Ângelo Antunes Nunes que votaram por lhe negar provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS. HEDGE. DEDUTIBILIDADE. REGISTRO CETIP. Demonstrado efetivo registro na CETIP, são dedutíveis as perdas. São plenamente dedutíveis na determinação do lucro real as perdas verificadas pela pessoa jurídica em aplicações financeiras em bolsa e em swap quando tais aplicações tiverem como finalidade o hedge. São plenamente dedutíveis na determinação do lucro real as perdas verificadas pela pessoa jurídica em aplicações financeiras em bolsa e em swap quando tais aplicações tiverem como finalidade o hedge. APLICAÇÃO FINANCEIRA “SWAP” PARA FINS DE HEDGE. DEDUÇÃO DE PERDAS. Os lançamentos fiscais aqui controvertidos partem da premissa errônea de que as perdas em operações de Swap para Hedge teriam finalidade especulativa, o que não se comprovou. Assim, dedutíveis todas as perdas e não somente até o limite dos ganhos, fato que também não é só aplicável às instituições financeiras, nos termos do inciso V do art. 77 da Lei n. 8.981/95, e art. 35, § 2°, da Instrução Normativa SRF n° 25/2001 razão pela qual é absolutamente insustentável o lançamento em destaque. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Ângelo Antunes Nunes que votaram por lhe negar provimento. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 08 90 /2 01 3- 02 Fl. 12619DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.620 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 12620DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.621 3 Relatório FRS S/A AGRO INDUSTRIAL, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DF) DRJ/POA, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário de IRPJ e CSLL no valor total de R$42.138.760,71, relativo ao ano calendário 2008. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ e CSLL (fls. 02/15), cumulados de juros e multa de ofício, com ciência em 08/05/2013, lavrado contra FRS S/A AGRO INDUSTRIAL., em razão da falta de adição ao lucro real, com base nos arts. 72, 74, 76, §4º e 77 da Lei 8.981/95 e art. 5º da Lei 9.065/95, art. 3º da Lei 9.249/95, arts. 247 e 249 do RIR/99, arts. 756, §7º, 772, 774 e 775 do RIR/99. Segundo o Relatório da Auditoria Fiscal, (fls. 16/37), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: 1.1 – Das Perdas no Mercado de Renda Variável A empresa realizou operações financeiras no mercado de renda variável,exceto DayTrade, informadas na DIPJ do anocalendário 2008, declarando ganho de R$ 40.148.327,48 e perda de R$ 88.646.343,77, obtendo um resultado líquido negativo de R$ 48.498.016,00. A perda líquida foi deduzida integralmente para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os resultados destas operações financeiras foram registrados nas contas a seguir, das quais foram transferidos ao resultado os valores da última coluna. Instada a esclarecer a razão do resultado negativo com tais operações, a contribuinte informou (fls. 79): 2. Em atenção ao requerimento disposto no item "2", informamos que o valor de R$ 48.498.016,00 diz respeito às perdas com instrumentos de derivativos sofridas em 2008, decorrentes da forte variação cambial depreciativa da moeda brasileira frente às moedas externas (dólar americano e euro), ocorrida naquele ano, esclarecido de que todas estas operações nunca foram especulativas (na medida em que todas elas sempre estiveram vinculadas às vendas no mercado externo). Tais perdas estão também relacionadas aos instrumentos contratuais que viabilizaram a depreciação do custo financeiro atrelados à variação cambial; A contribuinte foi intimada a apresentar os instrumentos de financiamento das exportações, entre eles, os Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC. Respondeu esclarecendo que inúmeras operações de derivativos não possuem dois documentos como sugerido (um ‘Contrato’ e um ‘Derivativo’). Continua (fl. 2196): Fl. 12621DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.622 4 O que existem são dois grandes tipos de derivativos, os derivativos vinculados a operações de financiamentos e os derivativos não vinculados a operações de financiamentos. Os derivativos vinculados a operações de financiamento visam reduzir o custo (juros remuneratórios) destas últimas e estes sim possuem um contrato de financiamento e um instrumento de derivativo. A fiscalizada foi, também, intimada a comprovar o registro, nos órgãos competentes, dos contratos de derivativos que deram origens às perdas. Em resposta, afirmou que todas as operações por ela realizadas prescindem de registro. 1.2. Quanto à necessidade de registro das operações de swap O autuante afirma que a legislação tributária impõe o registro das operações com swap como requisito de dedutibilidade. A previsão estaria no § 3º do art. 74 da Lei nº 8.981/1995, de 20 de janeiro de 1995: Art. 74. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1º A base de cálculo do imposto das operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação do respectivo contrato. § 3º Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas no termos da legislação vigente. Conclui o autuante (fl 20): Assim, não tendo a fiscalizada se desincumbido de comprovar o registro das operações de swap, embora intimada e reintimada, não há como aceitar as deduções das perdas nestas operações devendo ser glosado o valor total destas, não se limitando a diferença entre os ganhos e perdas previstas no § 4° do artigo 76 da Lei 8.981/95, transcrito adiante. O montante de perdas consta da planilha Total Perdas em Operações de Swap (fl. 4918, em anexo) e é de R$ 57.570.388,09. Esse foi o valor adicionado ao lucro líquido do período. 1.3 – Quanto ao Regime Tributário das Operações Financeiras As razões já relatadas foram consideradas, pelo autuante, como suficientes para a realização da glosa. No entanto, considerando a possibilidade de a fiscalizada apresentar, com a impugnação, os documentos comprobatórios dos registros, resolveu ele adentrar na análise de outros aspectos das operações com derivativos, especialmente quanto à legislação aplicável ao caso. O regime tributário das operações financeiras e as regras para dedução das perdas nas operações financeiras em renda variável, das operações no Brasil, encontramse previstos na Lei n° 8.981/1995, no Capítulo VI Da Tributação das Operações Financeiras, Seção II Do Mercado de Fl. 12622DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.623 5 Renda Variável (artigos 72 a 75) e na Seção III Das Disposições Comuns à Tributação das Operações Financeiras (artigos 76 e 77), com alterações posteriores. O artigo 76, § 4°, estabeleceu que as perdas nas operações de renda variável são dedutíveis até o limite dos ganhos em operações da mesma natureza: "Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) (...) § 3° As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade), realizadas em mercado de renda fixa ou de renda variável, não serão dedutíveis na apuração do lucro real. § 4° Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5° Na hipótese do § 4°, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anoscalendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) " (Sublinhei) O art. 77 da Lei nº 8.981/1995 excepciona a aplicação do regime de tributação previsto no Capitulo VI para os rendimentos ou ganhos líquidos, nas situações que especifica. Essa exceção não alcançaria o § 4º, do artigo 76, o qual trata de regra de dedutibilidade e não acerca do regime de tributação. Diz o autuante: Da exegese dessas normas, extraise que é o regime de tributação na fonte ou o pagamento em separado do imposto de renda que foram afastados nas operações classificadas como de cobertura (inciso V da Lei 8.981/95), mas não a limitação à dedutibilidade integral das perdas no próprio exercício, prevista no § 4° do artigo 76 da Lei 8.981/95, pois não se trata de um regime de tributação. Assim, o valor das perdas que excedeu os ganhos não poderia ser deduzido, fazendo com que a glosa subsistisse pelo montante de R$ 48.498.016,00. 1.4. Quanto às atividades das pessoas jurídicas O RIR/99, ao regulamentar as normas esparsas da legislação do imposto de renda, não teria permitido que as empresas não financeiras efetuassem a dedução integral de eventuais perdas quando estas superassem os ganhos nas mesmas operações. Essa interpretação seria coerente com a de que o artigo 77 da Lei 8.981/1995 somente afastou o regime de tributação previsto no capítulo, mas não a regra de dedutibilidade nele inserida. A contribuinte não é empresa financeira e, assim, não pode deduzir eventuais perdas. Traz jurisprudência acerca da matéria e conclui (fl. 26): Fl. 12623DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.624 6 Portanto, seja porque o artigo 77 da Lei n° 8.981/95 afasta o regime de tributação na fonte e não a regra de dedutibilidade prevista no § 4° ao artigo 76, ou porque a possibilidade de dedução integral das perdas só se aplique às instituições financeiras, a perda líquida de R$ 48.498.016,00, no anocalendário de 2008, relativa às operações financeiras no mercado de renda variável, deveria ter sido adicionada ao lucro líquido para apuração do lucro real, bem como à base de cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido, o que resultaria em lançamento do crédito tributário e seus reflexos se estes valores já não estivessem abarcados pelo lançamento cujas razões estão referidas nos itens 21 a 25. 1.5. O ACC e a necessidade de hedge O autuante traz outro argumento para sustentar o lançamento da perda líquida: o de que as operações realizadas pela contribuinte não podem ser classificadas como hedge. E ele próprio adverte que (fl. 26) para aceitar este argumentação teríamos que refutar os argumentos anteriores, para em seguida verificar se as operações que realiza podem ser caracterizadas como de ‘hedge’ Refere o autuante que a Lei n. 8.981/1995 trouxe um conceito normativo de hedge. De acordo com o parágrafo 1° do artigo 77 da citada Lei, são consideradas como tais as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: (a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; (b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. O autuante fez análise de qual seria a necessidade de hedge relativamente às exportações que estariam sujeitas as oscilações do câmbio, considerando as formas de financiamento às exportações utilizadas pela fiscalizada. Ela teria informado a utilização de Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC, Adiantamento sobre Cambiais Entregues – ACE e Prépagamento da Exportação. Os dois primeiros seriam créditos domésticos entre dois agentes residentes e o último constituiria uma modalidade de financiamento externo. A contribuinte não teria necessidade de realizar operações financeiras com derivativos para receitas que foram antecipadas por meio de ACC/ACE/Prépagamento, pois não haveria exposição a risco cambial. Trago excerto do relatório (fls. 34): Concluise, por conseguinte, que pelo lado comercial, as receitas das exportações recebidas antecipadamente, fruto dos contratos de câmbio mencionados, não são impactadas pelas variações da moeda, sendo desnecessárias operações de cobertura adicionais, pois só persiste o risco comercial da atividade. Por sua vez, no lado financeiro, também não há necessidade de hedge em relação às oscilações do câmbio, pois nos contratos de financiamento (ACC/ACE e PréPagamento) se comprometeu a entregar (vender) a moeda obtida com as mercadorias exportadas, ou então cedeu os direitos de recebimento ao banco, o que permite a liquidação do compromisso com as divisas recebidas, independente da taxa de câmbio praticada. Efetuado o confronto entre ACC/ACE/Prépagamento versus vendas externas, o autuante concluiu que a exposição a riscos cambiais da empresa seria de 1,64% ou 15,41% do total das vendas para o exterior, dependendo do critério adotado (item 58 do relatório fiscal). Os valores expostos a tais riscos seriam então de R$ 26,4 milhões ou R$ 248,1 milhões, mas a contratação de derivativos teria sido da ordem de R$ 2 bilhões. Diz o autuante (fl. 36): Fl. 12624DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.625 7 Portanto, a contratação dos derivativos foi muitas vezes superior às necessidades de cobertura, caracterizando que em sua maioria eram especulativos, visando obter ganhos financeiros, situação que não afastaria o limite de dedutibilidade, previsto § 4° do artigo 76 da Lei 8.981/95, resultando na adição ao lucro líquido do valor de R$ 48.498.016,00. Ainda, confrontando o quadro acima com o inserido no item 51, constatase que os valores base dos derivativos superaram em R$ 327 milhões as vendas externas da fiscalizada, ou seja, 19% acima do total das vendas. O relatório fiscal também refere que a própria fiscalizada admitiu, em resposta à intimação, que os derivativos vinculados aos financiamentos eram para depreciar o custo financeiros destes, em outras palavras, visavam obter ganhos financeiros para com estes reduzir o pagamento dos juros previstos. Diz: As respostas [à intimação] transcritas constituem confissão de que os objetivos dos derivativos vinculados às operações de financiamento não eram de cobertura, mas especulativos, visando obter algum ganho para reduzir os juros a serem pagos. Analisados por amostragem os financiamentos mencionados pela fiscalizada, constatamos que em sua maioria foram contratados em reais com correção por um percentual do CDI mais juros, portanto, sem risco cambial. Ao final do relatório fiscal o autuante resume suas conclusões assim (fls. 37): 85. Diante dos fatos e das irregularidades fiscais constatadas, referidas sucintamente abaixo, efetuamos o lançamento em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e do reflexo na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, assim como da multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de15/06/2007: 1. porque a fiscalizada não se desincumbiu de comprovar o registro das operações de swap, como estabelece o § 3° do artigo 74 da Lei 8.981/95, condição para o reconhecimento das perdas, cujo montante chegou a R$ 57.570.388,09; 2. porque o artigo 77 da Lei n° 8.981/95 afasta o regime de tributação na fonte das operações financeiras que menciona, mas não a regra que limita a dedutibilidade das perdas aos ganhos auferidos nas mesmas operações, prevista no § 4° ao artigo 76; 3. porque a dedução integral das perdas em renda variável, atendidas certas condições, só é permitida às instituições financeiras, que tem entre suas atividades operacionais estes negócios; 4. porque, acaso afastados os motivos anteriores, a maior parte das operações realizadas pela fiscalizada não podem ser classificadas como de cobertura (hedge), situação em que as perdas excedentes aos ganhos em renda variável devem ser adicionadas ao lucro líquido. 86. A base tributável para o lançamento motivado por qualquer dos itens 2, 3 ou 4 seria de R$ 48.498.016,00. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação: 2.1. Das Preliminares Fl. 12625DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.626 8 Os autos de infração teriam sido lavrados com teses sucessivas e valores de bases tributáveis alternados, remetendo, assim, a competência privativa do lançamento ao órgão julgador, para que este faça o aperfeiçoamento do auto de infração e determine qual é a infração correta e qual a base tributável a ser exigida. A competência das delegacias de julgamento, no entanto, é restrita ao julgamento do processo – não pode lançar ou aperfeiçoar a exigência. A indicação de duas bases tributáveis decorrentes do mesmo fato gerador macula a certeza do crédito tributário referido no auto de infração. Essa incerteza do crédito seria produto da incerteza e da ausência de convencimento da própria fundamentação do auto de infração. Haveria imprecisão na base tributável de R$ 57.570.388,09. Transcrevendo trechos do relatório fiscal a defesa pergunta (fl. 4937): Com a devida vênia, mas, mesmo no esclarecimento da base tributável de R$ 57.570.388,09 não houve certeza. Como pode uma perda de R$ 48.498.016,00 ter a exclusão do valor de R$ 12.645.640,00 e alcançar o montante de R$ 57.570.388,09. Houve adição dos valores, para determinar a referida base de R$ 57.570.388,09? Houve adição do valor de R$ 12.645.640,00? Houve subtração entre os referidos valores? Veja que não há a devida fundamentação do valor tributável de R$ 57.570.388,09 e, por conseguinte, verificase que não há certeza da base tributável e do consequente crédito tributário exigido no auto de infração, mesmo quando analisada isoladamente apenas esta base de cálculo! Teria havido, então, nulidade insanável em razão da falta de certeza quanto à base tributável. Não teria havido a indicação de qual conduta teria ocasionado uma infração tributária. O discurso sucessivo do autuante teria indicado quatro infrações diversas entre si. Diz a impugnante (fl. 4941): No referido discurso, a única conclusão que se chega é que a Autoridade Fiscal obteve dificuldade na determinação da infração e na determinação da base tributável e lavrou o auto de infração para que, posteriormente, a Delegacia de Julgamento realizasse o seu aperfeiçoamento, determinando qual a infração em análise e a base de cálculo correta. Nesse sentido, é possível formular as seguintes proposições contidas no relatório fiscal e, principalmente, na sua conclusão: Se a primeira infração (não ter demonstrado o registro das operações), com o valor tributável de R$ 57.570.388,09, não for confirmada pela Delegacia de Julgamento, então é porque ocorreu a segunda, e esta deve ser considerada com o valor tributável de R$ 48.498.016,00; Se a segunda infração (regra que limita a dedutibilidade das perdas em hedge aos valores dos ganhos) não for confirmada por esta Colenda Turma, então é porque ocorreu a terceira infração; Todavia, se a terceira infração (dedução integral das perdas de hedge é procedimento exclusivo das instituições financeiras, pelo seu objeto social) também não for confirmada por esta Colenda Turma Julgadora, então, deve ser mantido o auto de infração pela quarta infração (suposta ausência de enquadramento dos derivativos em análise como operações de hedge). Fl. 12626DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.627 9 Enfatiza que o lançamento é atividade vinculada e de competência privativa da autoridade fiscal, não cabendo à turma de julgamento indicar qual infração deveria ter sido autuada e qual a base de cálculo que deveria ser adotada. Pede que o auto de infração seja anulado ante à ausência do enquadramento específico de qual infração está sendo imposta, com a consequente violação aos arts. 10, incisos III e V, e 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. 2.2 MÉRITO A contribuinte, quando celebra os Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC’s ainda não possui exportações contratadas sobre aquela produção que será financiada pelo próprio ACC, por isso, a afirmação de que o ACC não se vincula a um derivativo que será contratado, posteriormente, para proteger os riscos da variação da taxa de câmbio sobre as receitas de exportação. Mensalmente a autuada realiza o cotejo entre o seu fluxo de caixa projetado com as futuras receitas e os vencimentos dos ACC’s que financiam o seu ciclo operacional, e, sobre os saldos (diferenças de valores) remanescentes entre os mesmos, realiza a devida proteção através de operações de derivativos para obter o hedge, protegendo o resultado da empresa do risco da variação da taxa cambial do dólar e do euro. Assim, o derivativo seria realizado apenas para proteger a parcela da futura receita de exportação dos riscos da variação cambial, que não estava, de certa forma, acobertada pelos vencimentos dos ACC’s, bem como dos ACE’s. Diz: Assim, é evidente que a ora Impugnante, ao contratar um derivativo, o faz na exata medição do seu risco, ou seja, apenas para proteger a parcela da receita de exportação que está descoberta e que poderá sofrer prejuízo em face da variação da taxa cambial. A celebração de hedge não seria uma liberalidade do administrador, mas uma obrigação imposta pela legislação societária, no caso, os art. 153 e 154 da Lei 6.404/1976 e art. 1.011 do Código Civil. Os derivativos, para configurarem hedge, tanto podem ser do tipo vinculado – de contrato a contrato – como podem se constituir num núcleo de operações protegidas, como aconteceria no caso concreto, pois a autuada contratava o derivativo conforme o volume das datas de vencimento (recebimento) das receitas de exportação. A análise de cada ACC, ACE e Derivativo, juntamente com os faturamentos de exportação realizados no período de 2008 mostra que a proteção por derivativos se deu a menor do que poderia ter sido realizada, apenas com exceção dos meses do pico da crise mundial, onde houve pequena oscilação, justificável. 2.2.1. Do Registro das Operações de Hedge A contribuinte – quando intimada a fornecer o registro de todos os derivativos – não possuía e permanece não os possuindo, pois são as instituições bancárias que procedem ao registro junto aos órgãos competentes. O registro é posterior à contratação. O fato de os registros não terem sido apresentados não significa que os mesmos inexistam. O autuante deveria ter solicitado às instituições bancárias para que fornecessem referidos registros dos derivativos, haja vista que o procedimento de registro é regulado pelo Banco Central e suas normas são direcionadas às instituições bancárias. O hedge não pode ser descaracterizado sem que o fisco esgote todos os meios de prova possíveis. Diz (fl. 4949): Fl. 12627DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.628 10 Todavia, com o propósito de que seja devidamente esclarecido, a ora Impugnante registra a sua autorização para que Vossas Senhorias, determinem, pessoalmente, ou, através de baixa em diligência à Autoridade Fiscal de origem, a solicitação dos registros dos derivativos celebrados com a ora Impugnante, mediante ofício de intimação para as instituições bancárias contratadas, bem como ao CETIP e ao Banco Central por serem os órgãos reguladores das atividades das mesmas. Comenta que não há impositivo normativo que determine o registro dos derivativos e, assim, há a possibilidade das instituições financeiras, em razão de entenderem desnecessário, não terem realizado os registros de tais operações. Essa eventual omissão não poderia prejudicar a impugnante, que não é responsável pela formalização do derivativo. 2.2.2. Da dedutibilidade integral das perdas de hedge A defesa não concorda que as perdas com derivativos devem ser limitadas aos valores dos ganhos percebidos com eles, sob o argumento de que quando o art. 77 da Lei nº 8.981/1995 excepciona a aplicação do regime de tributação previsto no Capítulo VI, excepciona apenas a incidência do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos ou ganhos líquidos dos derivativos realizados como hedge e não exceção à regra de dedutibilidade do art. 76, § 4º, da Lei nº 8.981/1995. O art. 77 da referida lei não pode ser interpretado isoladamente. Deverá ser interpretado considerando todo o Capítulo VI, haja vista que a Seção III, onde ele está inserido, trata das disposições comuns ao regime de tributação das operações financeiras, sejam elas fixas (Seção I), sejam elas variáveis (Seção II). E o inciso V, do referido artigo 77, deixa claro que as regras de tributação do Capítulo VI, não se aplicam às operações de hedge. Ou seja, é por expressa determinação legal que o art. 77, inciso V, da Lei n° 8.981/95 excetua a regra de dedutibilidade prevista no art. 76, § 4o, da mesma lei, de modo que as perdas de hedge podem ser integralmente deduzidas. Por outro lado, o art. 5º, da Lei 9.779/99, não derrogou tacitamente, em parte, o inciso V, do art. 77, da Lei nº 8.981/1995, mas apenas passou a determinar que os ganhos em operações de hedge sejam tributados na fonte, sem qualquer influência quanto ao tratamento dado na ocorrência das perdas de hedge. O art. 77, inciso V, está previsto na “Seção III – Das Disposições Comuns à Tributação das Operações Financeiras” e, assim, excepciona a regra do art. 76,§ 4º, da mesma lei, em razão do princípio da especialidade. Enfatiza: Quando se tratar de derivativo de hedge, a dedutibilidade das suas perdas é integral, pois, o art. 77, V, excepciona a regra geral de dedutibilidade quando o derivativo for hedge. A Instrução Normativa SRF nº 25/2001 e depois a nº 1022/2010 garantiriam a dedutibilidade integral das perdas de hedge. Nessa última, a previsão constaria do § 6º, do art. 56: Art. 56. Estão dispensados a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto sobre a renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos: (...) § 3 0 Para efeito do disposto no § 2 0 , consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: Fl. 12628DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.629 11 I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. § 4o Os rendimentos auferidos nas operações de cobertura (hedge), realizadas através de operações de swap por pessoa jurídica não relacionada no inciso I do caput , sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda na fonte às alíquotas previstas no art. 37. (...) § 6 ° Não se aplica às perdas incorridas nas operações de que trata este artigo, a limitação prevista no § 7 ° do art. 55. Conclui a impugnante (fl. 4957): Dessa forma, verificase que o art. 77, inciso V, da Lei n° 8.981/75 autoriza a dedução integral das perdas decorrentes de operações de hedge, assim como, na mesma linha, estabelecem o art. 35, § 6o, da IN/SRF n° 25/2001 e o art. 56, § 60, da IN/RFB n° 1.022/2010. 2.2.3. Da vinculação do hedge ao objeto social da impugnante A defesa contesta a conclusão fiscal de que as perdas com hedge somente poderiam ser objeto de dedução integral quando a pessoa jurídica for empresa financeira. Diz (fl. 4958): A única diferença entre a pessoa jurídica nãofinanceira e a pessoa jurídica financeira, prevista no art. 77 da Lei n° 8.981/95 (que trata sobre as disposições comuns à tributação das operações financeiras), é sobre a tributação sobre os ganhos. Ou seja, quando o ganho for percebido pela pessoa jurídica financeira, não haverá incidência do imposto de renda na fonte e, tal disposição é muito compreensível, pois, se assim não fosse, qualquer empresa que tivesse perdas em derivativos, teria que reter o imposto de renda sobre o ganho das instituições bancárias. [...] Ademais, também não é correto que o RIR/99 tenha restringido a dedução integral das perdas de hedge. Como já foi dito, a definição do procedimento da dedução foi delegado, expressamente pelo art. 757, ao Ministro do Estado da Fazenda e este, o fez através da IN/SRF n° 25/2001 e da IN/RFB n° 1022/2010. Conforme exposto alhures, o art. 35, § 6o, da IN/SRF n° 25/2001, ao dizer que as operações de hedge não estão sujeitas à regra limitadora de dedução prevista no art. 33, § 7o, permitiu expressamente que a dedução das perdas de hedge seja integral, apenas, exigindo dois requisitos alternados: (i) que o hedge esteja estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; ou (ii) que o hedge destinese à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Fl. 12629DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.630 12 Não há restrição a que uma empresa não financeira realize operações de hedge para proteger as suas receitas de exportação dos produtos que industrializa dos riscos da variação da taxa cambial, como seria o caso da impugnante. Traz doutrina sobre a dedutibilidade integral das perdas com hedge. Enfatiza que a realização de operação de hedge não é uma liberalidade da empresa, mas uma obrigação prevista na Lei das Sociedades Anônimas. As regras científicas da contabilidade internacional também disciplinam a contabilização e a evidenciação de operações com instrumentos financeiros, incluindo derivativos. As operações de hedge realizadas foram necessárias para proteger a parcela das suas receitas de exportação que não estavam protegidas pelos ACC’s. Elas foram contratadas sem qualquer fim especulativo e estão vinculadas às atividades operacionais da autuada. 2.2.4. Das operações de derivativos celebrados pela impugnante e a sua caracterização como hedge – ausência de caráter especulativo Para obter recursos para seu ciclo operacional a contribuinte celebra, com bancos, Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC. Não há, nesse momento, vinculação com operações de exportação já contratadas. Quando os pedidos de exportação são realizados se faz o cotejo do valor projetado da receita de exportação com o valor do montante dos vencimentos dos ACC’s, no mesmo período, e, sobre a diferença entre os mesmos, realiza as operações de hedge, porque esta é a parcela das receitas de exportação que está descoberta e exposta ao risco da variação cambial. Quando há Adiantamentos sobre Cambiais Entregues – ACE, eles também são considerados. O hedge seria, então, realizado na exata medida do risco projetado. Teriam sido cumpridos os requisitos das alíneas ‘a’ e ‘b’, do § 1º, do art. 77, da Lei nº 8.981/1995, pois (fl. 4969/4970): Primeiro, foi e é realizado para proteger as receitas de exportação dos riscos da variação da taxa cambial, ou seja, para proteger um direito; e, Segundo, ao proteger suas receitas de exportação, protege a continuidade das suas atividades operacionais, quais sejam, a industrialização e comercialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos e bovinos. Traz gráficos procurando demonstrar que o somatório dos referidos instrumentos, os quais gerariam proteção das exportações frente ao cenário externo, são inferiores ao total dos vencimentos dos faturamentos da impugnante. Às fls. 4971/4972 a impugnante lista as razões pela quais o autuante teria concluído que eram especulativas as operações com derivativos, dizendo que houve “deturpação das informações”. Traz tabelas para demonstrar que no somatório do ano de 2008, o valor que poderia ser garantido por derivativos ficou abaixo das necessidades de garantia em mais de 38 milhões de dólares. Somente em agosto, setembro e outubro/2008, auge da crise mundial, é que teria havido diferença a descoberto em relação às exportações. Conclui dizendo (fl. 4977/4978): Primeiro, o fiscal parte com a premissa equivocada de que a empresa realizou derivativos para obter ganho, em outras palavras, com o propósito especulativo. Segundo, como foi exposto acima, todas as operações de hedge foram realizadas para proteger saldos remanescentes de receitas de exportação não abrangidos por Fl. 12630DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.631 13 ACCs e, quando foram os casos, não abrangidos pelos valores de ACCs e ACE's com mesmo período de vencimento das exportações. Terceiro, foram preenchidos os requisitos do art. 77, § I, alíneas "a" e “b", da Lei n° 8.981/95, ou seja, as operações de hedge estavam relacionadas com as atividades operacionais da pessoa jurídica; e destinavam à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Quarto, verificase que a glosa à dedução integral das perdas de hedge não deve persistir, pois, estando ausente o caráter especulativo, não há que se falar em perdas que devem ser acrescidas ao valor tributável. 2.2.5. Da dedução das perdas excedentes aos ganhos, em anoscalendários subsequentes A impugnante pede que, não acatadas suas razões de defesa, sejam consideradas as perdas até o limite do ganho auferido e que seja permitida a adição da parte excedente das perdas nos anoscalendários subsquentes, na forma como estabelece o § 5º, do art. 76 da Lei nº 8.981/1995: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será:(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) [...] § 4º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5º Na hipótese do § 4º, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anoscalendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas.(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) 2.2.6. Da ausência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL O lançamento teria sido fundado no art. 249, § único, inciso X, do RIR/99, que faz referência, unicamente, ao lucro real. O lucro real é a base de cálculo do imposto de renda, enquanto que o lucro líquido é a base de cálculo da contribuição sobre o lucro líquido. Devido à referência específica da legislação ao lucro real, não existe permissão de glosa das perdas em comento do lucro líquido – base de cálculo da CSLL. Assim, seria ilegal o lançamento em relação à CSLL. Traz jurisprudência sobre a matéria. O dispositivo do RIR mencionado é o que segue: Art.249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 6º, §2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Fl. 12631DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.632 14 II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único.Incluemse nas adições de que trata este artigo: [...] X as perdas apuradas nas operações realizadas nos mercados de renda variável e de swap, que excederem os ganhos auferidos nas mesmas operações (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §4º); Diz a defesa (fl. 4983): Ou seja, ainda que se entendesse que as operações em apreço não seriam hedge e, portanto, os ganhos deveriam ser adicionados ao lucro real, em relação à CSLL tal adição não poderia ser realizada na sua base de cálculo (lucro líquido), haja vista a inexistência de previsão legal permissiva desse procedimento. 2.2.7. Do afastamento da Selic sobre a multa A defesa se insurge contra a exigência de taxa Selic sobre a multa de ofício, pois não haveria autorização para a penalidades incidirem uma sobre a outra. A previsão legal para incidência dos juros de mora – a defesa transcreve o parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/1996 – é apenas sobre tributos e contribuições, não havendo autorização para incidência sobre qualquer outra espécie que não possua a mesma natureza jurídica. Traz jurisprudência. 2.2.8. Da compilação dos argumentos de defesa A impugnante diz que é desacertada qualquer uma das conclusões do autuante, pois, em resumo (fl. 4930): Primeiro, os derivativos, embora não vinculados à cobertura de proteção da taxa de variação do dólar em uma única exportação, estão vinculados a determinados períodos em que está projetada a entrega de produtos alimentícios em diversas operações de exportação e visam proteger as receitas projetadas, nos moldes em que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC 14, 38, 39 e 40 orientam a realização do hedge. Ademais, os derivativos são registrados pelas instituições bancárias que celebraram os mesmos com a ora Impugnante. Segundo, o art. 77, inciso V, da Lei n° 8.981/95, garante a dedução integral das perdas nas operações de hedge, sendo que o RIR/99 delega ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para instituir o procedimento que essas perdas serão realizadas, o qual foi regrado pela IN/SRF n° 25/2001 e, posteriormente e idêntico teor, pela IN/RFB n° 1.022/2010. Terceiro, porque a dedução integral das perdas de hedge não é procedimento previsto exclusivamente às instituições financeiras. Na verdade, para as instituições financeiras é prevista a dedução integral das perdas de quaisquer derivativos, mesmo aqueles que não possuam natureza de hedge, e a desobrigação da retenção de imposto de renda na fonte sobre os "prêmios" pagos às instituições financeiras. Portanto, em nenhum momento a legislação vedou a dedução integral de perdas de derivativos com a natureza de hedge, ao contrário, é expressamente permitido em razão do seu caráter eminentemente protetivo e vinculado aos riscos que ameaçam o resultado do contribuinte, como por exemplo, a variação cambial da moeda. Fl. 12632DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.633 15 E, quarto, porque os derivativos, questionados pela fiscalização, foram realizados pela ora Impugnante para proteger os valores das receitas de exportação, não havendo qualquer vinculação dos mesmos aos ACCs, pois, uma, os ACCs são utilizados para proporcionar recursos para o ciclo operacional da empresa e, duas, as presentes operações de hedge protegem saldos de valores de receita de exportação em determinados períodos, em concomitância a determinados períodos de vencimentos de ACCs, para cobrir saldos de valores que não estariam alcançados pelos referidos ACCs, e não sobre o valor integral das receitas de exportações, haja vista que foram realizados na estrita necessidade do risco projetado a ser enfrentado e não com caráter especulativo. 2.3. Do Pedido Os pedidos apresentados pela defesa são (fl. 4987/4990): Preliminarmente, sejam acolhidas as nulidades de ausência de certeza da base tributável e de ausência de determinação da infração autuada e, por conseguinte, seja determinada a nulidade integral do auto de infração, ora combatido, com o consequente cancelamento integral da exigência tributária imposta. 2. Sucessivamente, em não sendo acolhidas as preliminares arguidas, requer, no mérito, o acolhimento das razões expostas para o fim de reconhecer a legitimidade das operações de hedge sustentadas acima e a legitimidade da sua dedutibilidade, sendo, por corolário lógico, integralmente cancelado o auto de infração em apreço, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. 3. Sucessivamente, em não sendo acolhido o pedido anterior, a ora Impugnante requer o afastamento da adição à base de cálculo de CSLL, por ausência de previsão legal, bem como seja garantida a adição da parte excedente das perdas à base de cálculo do IRPJ, nos anoscalendários subseqüentes aos exercícios em questão. 4. Outrossim, a ora Impugnante requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC sobre a multa. 5. A ora Impugnante registra a sua autorização para que Vossas Senhorias, determinem, pessoalmente, ou, através de baixa em diligência à Autoridade Fiscal de origem, a solicitação dos registros dos derivativos celebrados com a ora Impugnante, mediante ofício de intimação para as instituições bancárias contratadas, bem como ao CETIP e ao Banco Central por serem os órgãos reguladores das atividades das mesmas. 6. Por derradeiro, a ora Impugnante requer a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos argumentos expostos acima, bem como, caso Vossas Senhorias entendam necessário, seja determinada a baixa para realização de diligência fiscal, com o escopo de se analisar toda a documentação juntada aos autos pela própria fiscalização, ou mesmo com outros documentos que venham a ser solicitados por Vossas Excelências, com a finalidade de se aferir a real exposição da empresa, analisandose os ACC's, ACE's, Derivativos, e Faturamento de exportação pelos seus reais vencimentos/liquidação, e não por presunção, como fez a fiscalização, tampouco com a repetição dos mesmos (ACC's, ACE's e Derivativos) em vários meses/períodos cumulativamente; Fl. 12633DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.634 16 7. Alternativamente ao pedido anterior, seja determinada a realização de perícia, em conformidade com os quesitos aduzidos abaixo, tudo para comprovar a real exposição da empresa, analisandose os ACC's, ACE's, Derivativos, e Faturamento de exportação pelos seus reais vencimentos/liquidação, e não por presunção, como fez a fiscalização, tampouco com a repetição dos mesmos (ACC's, ACE's e Derivativos) em vários meses/períodos cumulativamente. Quesitos: 7.1. Seja apurado o valor de todos os faturamentos, oriundos de exportação, vencidos no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.2. Seja apurado o valor de todos os ACCs liquidados no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.3. Seja apurado o valor de todos os ACE's liquidados no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.4. Seja apurado o valor de todos os Derivativos liquidados no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.5. Após a aferição de todos os itens anteriores, seja realizado um comparativo por dia, ou mês de 2008, contrapondose os ACCs, ACE's e os Derivativos (liquidação/vencimento dos mesmos), aos faturamentos vencidos no mesmo exercício/ano de 2008 (sem a repetição dos mesmos), aferindose a real exposição da empresa nos referidos dias, meses, e no final no ano de 2008, concluindose se a mesma laborou com os referidos derivativos como proteção (hedge), ou especulativo (superior ao valor de exposição das exportações, mesmo após o cômputo dos ACC's e ACE's), como afirmou a fiscalização. A realização da presente perícia se faz necessária, tendo em vista que a autuação concluiu pela especulação, sem levar em consideração os reais vencimentos e/ou liquidação dos ACC's, ACE's, Derivativos e Faturamento de exportação, tampouco sem atentarse que a extração de tais informações dos documentos contábeis e fiscais em que muitos destes derivativos, ACC's e ACE's constavam no seu somatório, geraram o cômputo em duplicidade, ou até mais de 05 vezes o mesmo valor (por não atentar ao vencimento/liquidação dos mesmos). Desta forma, a perícia, para asseverar a análise real dos contratos, se os mesmos estavam na natureza de proteção/Hedge, ou superior à exposição (especulativo), se faz necessário e mesmo essencial ao deslinde do presente feito, com o respeito à verdade material. Em julgamento realizado em 23 de agosto de 2013, a 5ª Turma da DRJ/POA, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1045.945, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 12634DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.635 17 As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Inocorre cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode manifestarse mediante bem articulada peça impugnatória. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de perícia deve ser indeferida quando não for necessária à solução do litígio e as provas puderem ser produzidas pela juntada de documentos que estão na posse de quem pede a prova técnica. SWAP. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. REGISTRO. A dedução das perdas em operações de swap é condicionada à comprovação de que os contratos foram levados à registro. Cabe à contribuinte demonstrar que cumpriu os requisitos de dedutibilidade. OPERAÇÕES DE SWAP. PERDAS. LIMITE PARA DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade das perdas incorridas nas operações de swap é limitada aos ganhos obtidos nessas mesmas operações. As perdas são integralmente dedutíveis tão somente para as instituições financeiras. CSLL. PERDAS COM DERIVATIVOS. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO PELA DRJ. Os juros de mora incidiram unicamente sobre os tributos lançados. Não tendo o auto de infração formulado exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, inexiste sobre esse tema litígio suscetível de apreciação pela turma de julgamento da DRJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 5.491/5.577), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, principalmente nos seguintes tópicos: (I) Preliminares: (a) Nulidade do Auto de Infração em face da ausência da certeza da base tributável; Fl. 12635DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.636 18 (b) Nulidade do Auto de Infração em face da determinação do fato incorrido em infração; (II) Mérito: (a) Das Operações de Hedge; (b) Do Registro das Operações de Hedge; (c) Da Dedutibilidade Integral das Perdas de Hedge; (d) Da Vinculação do Hedge ao Objeto Social da Recorrente; (e) Das Operações de Derivativos Celebrados pela Recorrente e a sua Caracterização como Hedge Ausência de caráter especulativo; (f) Do Pedido Sucessivo Da dedução das Perdas Excedente aos Ganhos, em anoscalendário subseqüentes; (g) Da Ausência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL; (h) Do Afastamento da Selic sobre a multa; (i) Da necessidade de Perícia. Da Resolução nº 1301000.202 (fls. 5.580/5.590), A turma unanimemente resolveu converter o julgamento em diligência para baixar o processo para que a DRF notifique os bancos pelos quais foram realizadas as operações da recorrente para apresentarem os respectivos registros, como também, que sejam, realizados os cálculos necessários para verificar se ocorreu lançamento de valor em duplicata como alega a recorrente, nos seguintes termos: 1) apuração de todos os faturamentos, oriundos de exportação, vencidos no ano calendário de 2008, aferindose os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 2) apuração de todos os ACC´s liquidados no anocalendário de 2008, aferindose os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 3) apuração de todos os ACE´s liquidados no anocalendário de 2008, aferindose os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 4) apuração de todos os derivativos liquidados no ano calendário de 2008, aferindose os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 5) após as aferições dos itens anteriores, seja realizado um comparativo contrapondose as ACC´s , ACE´S e os Derivativos, aos faturamentos vencidos no mesmo exercício sem a repetição dos mesmos. Verificando assim, a real exposição da empresa nos referidos, dias, meses e no final no ano calendário de 2008, concluindo se a empresa laborou com os referidos derivativos como proteção (hedge) ou especulativo superior ao valor de exposição das exportações, mesmo após o computo dos ACC`S e ACE´S. Fl. 12636DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.637 19 6) A recorrente deve ser notificada da conclusão da diligência, para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias sobre seu conteúdo. O Relatório de diligência fiscal encontrase às fls. 11.277/11.296. E a Manifestação ao Relatório da Diligência Fiscal por parte do contribuinte encontrase às fls. 11.302/11.332. Em nova diligência, decidida através da Resolução nº 1301000.406 (fls. 11.403/11.423), em razão de divergências apresentadas pela Recorrente no que tange à diligência anterior, relacionadas a datas e valores, determinou que se refizesse os cálculos nos moldes do item 5 acima. Entretanto, conforme Relatório, de fls. 11.425/11.430, a DRF entendeu que não haveria tal necessidade, e reiterou o Relatório anterior, mantendo suas conclusões. A recorrente apresentou suas razões às fls. 11.440/11.479 e outros documentos às fls. 12.131/12.613. Assim, os autos retornam a esta Conselheira. É o relatório. Fl. 12637DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.638 20 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/POA e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e de CSLL em 19/09/2013 (ciência abertura do documento à fl. 5.488), e apresentou em 21/10/2013, recurso voluntário, juntados às fls. 5.491/5.577, tempestivamente, portanto dele conheço. (20/09 feriado estadual e sexta, inicio contagem 23/09) Como foi verificado nos autos, o objeto social da Recorrente é de desenvolvimento genético, a produção de aves, suínos e ovinos de corte e, a produção e criação das respectivas aves matrizes, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais, inclusive subprodutos e comércio, por atacado e varejo; fabricação e a comercialização de rações e concentrados; industrialização e a comercialização de cereais e insumos; atividade agropecuária; importação e exportação para uso próprio ou para comércio dos itens anteriores; transporte terrestre e de carga de seus produtos; etc. Das Preliminares Alega a Recorrente, em preliminares, que o auto de infração está eivado de nulidade em razão da incerteza da base de cálculo, já que o autuante adotou teses sucessivas para o lançamento. Como se verifica do Relatório Fiscal, o autuante assim o fez, às fls. 37: 85. Diante dos fatos e das irregularidades fiscais constatadas, referidas sucintamente abaixo, efetuamos o lançamento em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e do reflexo na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, assim como da multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de15/06/2007: 1. porque a fiscalizada não se desincumbiu de comprovar o registro das operações de swap, como estabelece o § 3° do artigo 74 da Lei 8.981/95, condição para o reconhecimento das perdas, cujo montante chegou a R$ 57.570.388,09; 2. porque o artigo 77 da Lei n° 8.981/95 afasta o regime de tributação na fonte das operações financeiras que menciona, mas não a regra que limita a dedutibilidade das perdas aos ganhos auferidos nas mesmas operações, prevista no § 4° ao artigo 76; 3. porque a dedução integral das perdas em renda variável, atendidas certas condições, só é permitida às instituições financeiras, que tem entre suas atividades operacionais estes negócios; 4. porque, acaso afastados os motivos anteriores, a maior parte das operações realizadas pela fiscalizada não podem ser classificadas como de cobertura (hedge), situação em que as perdas excedentes aos ganhos em renda variável devem ser adicionadas ao lucro líquido. Fl. 12638DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.639 21 86. A base tributável para o lançamento motivado por qualquer dos itens 2, 3 ou 4 seria de R$ 48.498.016,00. Entendo que a autuação foi de falta de adição no lucro real, no valor de R$57.570.388,09, e para, e baseouos nos itens 1, 2, 3 e 4 acima, que serão discutidas no mérito. Com relação a dois valores apurados no Relatório Fiscal, restou clara a diferença decorrente entre o valor autuado de R$ 57.570.388,09 (item 1 acima) e R$48.498.016,00 (itens 2, 3 e 4). O primeira montante se refere às perdas com swap sem registro no órgão competente. E o segundo à perda líquida no mercado de renda variável, que excedeu o ganho. Não verifico itens previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que determina as situações de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Da mesma forma, não vejo que houve cerceamento de defesa, fato, que levaria à nulidade. Ela contrapôs argumentos, que também serão analisados adiante, no mérito. Do mérito 1) Quanto à necessidade de registro das operações de swap O primeiro motivador do lançamento, foi a falta de registro das operações de swap no órgão competente. O Recorrente sempre argumentou que o registro fica à cargo das Instituições Financeiras, e que apesar das diversas solicitações não logrou êxito em receber os devidos registros dos bancos. Em razão da conversão do julgamento em diligência, foi determinado se oficiar as respectivas instituições financeiras, com o fim de comprovar os registros das operações de swap envolvendo a Recorrente no ano calendário de 2008. No Relatório da Diligência Fiscal, fls. 11.277, e respectiva planilha elaborada à fl. 10.991, temos que a conclusão foi no sentido de que as operações de renda variável com "swap" foram registradas, nos termos do excerto abaixo: Fl. 12639DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.640 22 Assim, em razão da confirmação e comprovação dos registros das operações de swap no CETIP, feito pelas instituições financeiras, entendo que afastado o item 1 da autuação, caindo a glosa para R$48.498.016,00. 2) Quanto ao regime tributário das operações financeiras Passemos, dessa forma, à análise dos demais itens. O autuante entendeu que, em qualquer situação, o valor das perdas que ultrapassem os ganhos devem ser adicionados, em razão da limitação prevista no §4º, do art. 76 da Lei 8.981/95. Já a Recorrente alega que as perdas com hedge podem ser integralmente deduzidas, nos termos do inc. V, do art. 77 da mesma norma, que excetuaria a regra de dedutibilidade utilizada pelo autuante. Nesses mesmos termos as IN 25/01 e 1.022/10. Trazse, inicialmente, a base legal da tributação das operações de swap e de hedge. Lei n° 8.981/1995, artigos 74 a 77: Art. 74. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1° A base de cálculo do imposto das operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. § 2° O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação do respectivo contrato. § 3° Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas no termos da legislação vigente. (...) Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; Fl. 12640DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.641 23 II definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. § 1° No caso de sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 1987, o imposto poderá ser compensado com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 2° Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1° de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. § 3° As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade), realizadas em mercado de renda fixa ou de renda variável, não serão dedutíveis na apuração do lucro real. § 4° Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5° Na hipótese do § 4°, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anoscalendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) (... ) Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, inclusive sociedade de seguro, previdência e capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil; (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) II (Revogado pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) III nas operações de renda variável realizadas em bolsa, no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, ou através de fundos de investimento, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I; (Redação dada pela Lei n° 9.249, de 26.12.1995) IV na alienação de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas, e de participações societárias que permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições; Fl. 12641DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.642 24 V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1° Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. § 2° O Poder Executivo poderá definir requisitos adicionais para a caracterização das operações de que trata o parágrafo anterior, bem como estabelecer procedimentos para registro e apuração dos ajustes diários incorridos nessas operações. § 3° Os rendimentos e ganhos líquidos de que trata este artigo deverão compor a base de cálculo prevista nos arts. 28 ou 29 e o lucro real. (grifo nosso) A IN 25/2001, revogada pela IN 1022/10 também teve a mesma previsão legal: Art. 33. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: (...) § 7° Ressalvado o disposto nos §§ 4° e 5°, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 8°, 25 a 29 e 32 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos nas operações previstas nesses mesmos dispositivos. Art. 35. Estão dispensados a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto de renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos (...): § 2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, consideram se de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; ou II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. § 3° Os rendimentos auferidos nas operações de cobertura (hedge), realizadas através de operações de swap por pessoa Fl. 12642DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.643 25 jurídica não relacionada no inciso I do caput, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte por cento. (...) § 6° Não se aplica às perdas incorridas nas operações de que trata este artigo, a limitação prevista no § 7° do art. 33. Em suma, nos termos das normas acima transcritas, o tratamento tributário conferido às operações de swap no anocalendário de 2008 pode ser assim resumido: a) como regra geral, as perdas em operações de swap somente serão dedutíveis na apuração do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações da mesma espécie; b) caso as operações de swap sejam praticadas com objetivo de cobertura (hedge), as perdas são integralmente dedutíveis na apuração do lucro real. Desta feita, a análise do caso concreto consiste em determinar se as perdas incorridas nos contratos de swap firmados pela contribuinte são ou não dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; especialmente, considerando a possível qualificação dessas operações como hedge. “Hedge é uma estratégia defensiva (ou de proteção), que tem por objetivo evitar perdas em posições assumidas anteriormente ou em transações que serão realizadas no futuro. É, portanto, um mecanismo que visa, primordialmente, a proteger empresas das oscilações desfavoráveis de mercado. Sendo assim, não se deve montar operação de hedge com o objetivo de lucro1. Com efeito, da leitura dos citados art. 77, § 1°, da Lei n° 8.981/1995 e art. 35, § 2°, da Instrução Normativa SRF n° 25/2001, depreendese que o hedge não é uma modalidade diversas espécies contratuais, dentre elas os contratos de swap. Nos termos das citadas disposições, entendo que as operações de hedge são aquelas destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: i estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica, ou ii destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Conforme alegou e demonstrou a recorrente, é atuante no ramo de venda de carnes, incluindose entre suas atividades, a importação e exportação dos bens. E para fugir das oscilações de mercado, contratou operações de swap com a finalidade de proteção e cobertura a essas oscilações a que seus negócios estão sujeitos. Bem como é usual a proteção ao fluxo de caixa da sua atividade produtiva, em detrimento ao risco da variação cambial de um ativo contratado, inclusive para poder honrar os seus passivos, em que cerca de 80% de sua produção é destinada ao mercado externo, 1 Fundamentos da Proteção Financeira em Câmbio e Comércio Exterior, UCBB, 2008, p. 23. Fl. 12643DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.644 26 sendo a despesa com hedge, normal e necessária, sendo perfeitamente dedutível, nos termos da lei. Não vejo como prevalecer também o argumento da autuação de que somente tem direito à dedutibilidade integral dessas despesas as instituições financeiras. Conforme se verifica da leitura atenta à norma acima transcrita, não observo nenhuma vedação nesse sentido, a não ser àquelas duas já citadas. A única diferenciação que existe nessa norma, se refere à tributação dos ganhos, que quando percebida por instituição financeira não deverá ocorrer a incidência do IRRF. A limitação da dedutibilidade dessas despesas para apenas às instituições financeiras inviabilizaria todas as operações de exportações realizadas pelas empresas brasileiras, dada às oscilações cambiais a que o próprio mercado está sujeito, muito mais o brasileiro. E ainda, frisese, estamos nos referido ao ano de 2008, em que houve a crise mundial, com grandes oscilações do Dólar e Euro, moedas, com as quais a Recorrente negociava, frente ao Real. Argumentou, ainda, o órgão fiscalizador que tais operações de derivativos, tinham na realidade cunho especulativo, em razão de serem muito superiores às necessidades de cobertura, chegando ao valor de R$2.049.016.381,84 a mais. Nos termos da Recorrente, tais derivativos foram realizados para proteger os valores das receitas de exportação, não havendo qualquer vinculação aos ACC´s, pois estes são utilizados para proporcionar recursos para o ciclo operacional da empresa, de forma que as operações de hedge protegem saldos de valores de receita de exportação em determinados períodos, em concomitância e determinados períodos de ACC´s, para cobrir saldos de valores que não estariam alcançados pelos referidos ACC´s e não sobre o valor integral das exportações. Continua, ainda, explicando o fluxo operacional realizado, que entendo ser imprescindível descrever, a fim de visualizar a operação comercial que é seguida pela empresa: de que diante do risco da taxa da variação do câmbio do dólar e do euro, necessitava proteger a parcela das suas receitas de exportação que não estavam protegidas pelos ACC´s. Ressalta, ainda, que as operações de hedge foram contratadas apenas quanto a esse limite quantitativo, sem qualquer fim especulativo, apenas projetando as datas de vencimentos dos ACC´s e dos vencimentos das exportações. Os ACC´s, Contratos de Adiantamento de Câmbio, são celebrados pela recorrente para obter recursos para o seu ciclo operacional com as instituições financeiras, e que no momento da celebração, não está vinculado a uma operação de exportação já contratada, e sim como forma de financiar seu ciclo operacional. Isso ocorre, segundo a recorrente, em razão do histórico de volume de exportações que é possível projetar o volume de exportações que deverá realizar no futuro, dessa forma, mensalmente, realiza novos contratos de ACC´s, a fim de financiar o seu ciclo operacional, resultando em exportações no futuro. Fl. 12644DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.645 27 Assim que os pedidos de exportação são feitos, é projetado o momento em que ocorrerá os respectivos vencimentos, que é exatamente quando as tais receitas serão auferidas e assim, projeta o montante, com base na projeção da variação da taxa de câmbio do dólar ou do euro; em seguida, verifica esse valor com o montante dos vencimentos dos ACC's, no mesmo período, e sobre a diferença entre eles, realiza as operações de hedge, já que esta diferença, é a parcela da receita de exportação, que deve ser protegida, já que está descoberta e exposta ao risco da variação da taxa cambial. De igual maneira, nos casos das ACE's (Adiantamento sobre Cambiais Entregues), a recorrente considera os vencimentos de ambos os contratos e seus valores adiantados, em seguida compara o valor total dos ACC's e ACE's com o vencimento no período com os valores das receitas de exportação, cujos vencimentos são contemporâneos e projeta os valores com a possível variação cambial, realizando o hedge tãosomente sobre a diferença entre elas. Destacou diversos erros cometidos pela Fiscalização na apuração do valor que ela entendeu ser de caráter especulativo, pois ultrapassava as receitas de exportação. Dentre eles, que não foi considerado o vencimento correto dos ACC's e ACE's, não considerou os prazos de vencimento de cada um deles, assim como não segregou os derivativos contratados em determinado mês daqueles que haviam sido contratados em meses anteriores, acarretando em erro material. Após pedido de diligências a fim de se apurar esse quesito, a conclusão da Fiscalização, de fls. 11.277/11.296, foi no sentido de que no ano de 2008, houve despesa considerada especulativa de R$33.113.991,65, pois acima das suas necessidades de cobertura. Fl. 12645DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.646 28 Mesmo em segunda tentativa de diligência determinada por este órgão, a DRF não cumpriu o determinado pois entendeu desnecessária a realização de alteração, concluindo como especulativo montante indicado em 1a diligência. A Recorrente, por sua vez, apresentou manifestação às fls. 11.302/11.332, e após 2o relatório, às fls. 11.440/11.479, onde reafirma os mesmos argumentos de que a Fiscalização alterou valores relativos aos contratos de ACC's, bem como dos faturamentos das exportações, e que ao invés de considerar as datas de vencimento das exportações, considerou a data de embarque das mercadorias exportadas, não se atendo ao determinado para diligência. A recorrente aponta novamente os erros nos cálculos, especialmente nos derivativos, em que a fisco realizou acréscimos de valores que totalizaram US$ 1.340.628.586,94 do que era inicialmente US$ 861.293.690,58, decorrentes de valores informados nas planilhas ou não informados pela recorrente e apresentados pelos bancos. O próprio TVF reconhece a necessidade da realização de operações com derivativos, dada sua operação ser eminentemente exportadora e sujeita às oscilações de câmbio: Junta contratos, que demonstram que o acréscimo foi indevido em US413.824.195,93. Em suma, nos termos das normas acima transcritas, o tratamento tributário conferido às operações de swap no anocalendário de 2008 pode ser assim resumido: i. como regra geral, as perdas em operações de swap somente serão dedutíveis na apuração do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações da mesma espécie; ii. caso as operações de swap sejam praticadas com objetivo de cobertura (hedge), as perdas são integralmente dedutíveis na apuração do lucro real. Nessa esteira, a análise do caso concreto consiste em apreciar se as perdas incorridas nos contratos de swap firmados pela contribuinte são ou não dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; especialmente, considerando a possível qualificação dessas operações como hedge. Com efeito, da leitura dos citados art. 77, § 1°, da Lei n° 8.981/1995 e art. 35, § 2°, da Instrução Normativa SRF n° 25/2001 depreendese que o hedge não é uma modalidade Fl. 12646DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Acórdão n.º 1301002.915 S1C3T1 Fl. 12.647 29 contratual, mas uma estratégia de proteção contra riscos que pode ser engendrada por meio de diversas espécies contratuais, dentre elas os contratos de swap. Nos termos das citadas disposições, entendo que as operações de hedge são aquelas destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: i estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica, ou ii destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Assim, no meu entendimento, o auto já não deveria permanecer em razão dos itens 1 a 3 acima destacados, e assim cancelados. Quanto ao item relacionado ao caráter especulativo, entendo que nenhuma atitude do recorrente foi demonstrada nesse sentido, ao contrário, a própria fiscalização reconheceu a necessidade de cobertura, bem como as perdas apresentadas ocorreram nos meses de julho a outubro de 2008, sendo que após tal período houve a normalização das previsões econômicas e as perdas cessaram, fato também salientado pelo fiscal. Ressaltou, ainda, que esses derivativos foram celebrados em média 6 meses antes, quando ainda não era possível prever a crise. E assim, conforme legislação acima, todo valor será dedutível. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, afastar a preliminar suscitada, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 12647DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003269/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA.
Correto o ato de exclusão do Simples com base em excesso de receita apurado em lançamento julgado na primeira instância.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei.
JUROS DE MORA. SELIC.
A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal.
Numero da decisão: 1302-002.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Correto o ato de exclusão do Simples com base em excesso de receita apurado em lançamento julgado na primeira instância. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Correto o ato de exclusão do Simples com base em excesso de receita apurado em lançamento julgado na primeira instância. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 69 /2 01 0- 56 Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.015 2 A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/RPO, a seguir transcrito, litteris: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foram constatadas as seguintes infrações, relativas ao ano calendário (AC) de 2006: 1) Omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; 2) Insuficiência de recolhimento, tendo em vista o disposto na Lei nº 7.689, de 1988, art.1º; Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, c/c Lei nº 9.732, de 1998. Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.016 3 O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Consta no processo que a contribuinte foi intimada e apresentou os livros comerciais e fiscais e os extratos bancários. Posteriormente, foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente bancárias no anocalendário de 2006, conforme relação anexada à intimação. Decorrido o prazo estabelecido para atendimento às intimações, a contribuinte nada apresentou. Foi, então, efetuado o lançamento de ofício na sistemática do Simples Federal com fundamento em omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, nos seguintes valores: Foi efetuada, também, a exclusão do Simples Federal conforme Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 47/2011, com efeitos a partir de 01/01/2007 (fl.895). Sendo notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação ao lançamento de fls. 539 a 561, na alega: ● Nulidade. Ausência de Tipicidade. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.017 4 Não se evidencia que o legislador tenha previsto como fato gerador os depósitos em conta corrente, pois o fato previsto como suficiente para dar nascimento à obrigação tributária do imposto sobre a renda é a disponibilidade econômica de renda e proventos, bem como para o PIS e a Cofins é o faturamento. No presente caso, o autuante ficou tão somente no campo da presunção, que não pode fundamentar a tributação. Na seara jurídica não é outra a posição jurisprudencial, consoante a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), restou ser averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Os depósitos representam o marco inicial de investigação, pois subjacentes a tais valores pode estar, por exemplo, presente um empréstimo, uma doação, uma atividade comercial indevidamente exercida em nome da pessoa jurídica. ● Incompatibilidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 com a Constituição Federal (CF). Inconstitucionalidade. O contribuinte, ora impugnante, entende por inúmeras razões que os tribunais administrativos não tem o poder de reconhecer a inconstitucionalidade das leis, motivo pelo qual, nesta oportunidade deixa de declinar seu entendimento a respeito do assunto, reservandose em invocar a mesma, se necessário, em juízo, já que o artigo 42 da Lei 9.430 invocada pelo auto de infração aqui em questão, vai além no desrespeito aos princípios constitucionais. ● Excesso na Base de Cálculo. Não consideração de transferências entre contas de mesma titularidade/empréstimos sócios/empresas e desconto de duplicatas. Fez a conciliação das contas bancárias fiscalizadas para cada mês de 2006 e demonstra a seguir os valores que devem ser excluídos da autuação: ● Excesso na aplicação da multa. Confiscatoriedade. Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.018 5 A multa, na proporção de 75%, agride um feixe de vetores constitucionais, a teor do direito de propriedade, sobre passar ao largo do postulado da capacidade contributiva, configurando, assim, o aspecto confíscatório da mencionada penalidade. Outro argumento em prol da impugnante repousa na orientação adotada pelo próprio governo Federal, enquanto vem reduzindo as multas no âmbito do direito privado, a teor da diminuição das penalidades de 20% para 2%, por considerar aquelas exorbitantes dentro de uma economia estável. Com efeito, se é verdade que aquela normação específica tenha por objeto relações entre particulares, evidentemente sujeitas a regime jurídico de direito privado, não menos verdade é também que não se pode desconsiderar integralmente aquelas premissas no campo do direito público. ● Inexigibilidade dos juros Selic. Reconhecimento pelo STJ. Como se denota, a fixação dos juros é feita mediante ato de império, unilateral, discricionário e posterior ao fato gerador, tudo mediante delegação do legislador. Esse feixe de inexatidões e máculas levaram o Egrégio Superior Tribunal de Justiça a declarar a inconstitucionalidade do referido encargo. Não é difícil perceber que houve flagrante usurpação do primado da legalidade, pois a lei não fixou os critérios para que o Poder Executivo pudesse calcular a taxa. Ao contrário, atrelou os juros de débitos tributários a um índice que é livremente arbitrado Poder Executivo. Diante da inconstitucionalidade já reconhecida pelo STJ, restam aplicáveis as normas veiculadas peia legislação anterior, na dimensão de 12% ao ano, já que, como sabido, lei inconstitucional não produz efeitos no ordenamento jurídico. Lei contra a Constituição é irrita. Cientificada da exclusão do Simples, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (Fls. 899 a 903), na qual alega: ● Nulidade do Ato Declaratório Executivo (ADE) Derat/Diort/EQRES nº 47/2011. Diante da impugnação ao auto de infração, a exigibilidade do crédito tributário está suspensa. Assim, o ADE é nulo, pois está baseado em um auto de infração que está sub judice, e ainda se discute o efetivo faturamento da empresa. ● Não se respeitou o princípio da Ampla Defesa e do Contraditório insculpidos no art. 5o, inciso LV da Constituição Federal, vez que não esperou a decisão final da Impugnação do Auto de Infração lavrado em 21 de outubro de 2010 exarado dos autos do processo administrativo n° 19515.003269/201056. Portanto, não pode, neste momento, a Autoridade da Delegacia Especial da Receita Federal de Administração Tributaria de São Paulo excluir a impugnante do Simples Federal sem analisar antes a impugnação supracitada, negando, desta forma, ao contribuinte o direito ao devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.019 6 Mera presunção de receitas baseadas em simples depósitos realizados em contas corrente do contribuinte, está em franca contradição com o direito. Sabem todos, que não se pode criar obrigações de pagar tributos por meio de presunções. Cabe somente a lei tal tarefa. Como não existe decisão final sobre a exigibilidade do crédito tributário, tal ato declaratório, está negando ao contribuinte um benefício concedido legalmente”. Após analisadas a Manifestação de Inconformidade e a Impugnação apresentadas pela contribuinte, os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade quanto à exclusão do Simples e procedente em parte a impugnação do lançamento, como denota a ementa do Acórdão n.º 1459.068 a seguir transcrita: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Correto o ato de exclusão do Simples com base em excesso de receita apurado em lançamento julgado na primeira instância. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutá la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.020 7 Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário para apreciação por este Conselho, apenas reiterando as razões apresentadas em Impugnação e Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O contribuinte teve ciência do Acórdão n.º 1459.068 em 14/09/2015, e apresentou Recurso Voluntário em 13/10/2015, conforme Extrato do Processo (fl. 1005). Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, conheço do presente recurso. Tendo em vista a inexistência de novas razões apresentadas em sede de Recurso Voluntário, adoto as razões de decidir a decisão de 1ª instância, nos termos do §3, art.57, RICARF, que segue transcrita, verbis: “Nulidade. A contribuinte alega nulidade, tendo em vista que os depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda e demais tributos lançados. Com relação à nulidade, cabe registrar que, conforme o disposto no art. 59 do PAF, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, assim como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente, o que aqui não se verificou. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, somente ocorre nas decisões de primeira e segunda instância, quando são aplicáveis os princípios do contraditório e da ampla defesa. O procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar com a autoridade administrativa, pois nessa fase não se formou ainda a relação Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.021 8 jurídica processual e os particulares não atuam como parte. Isto somente acontece com o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e a respectiva impugnação. Assim, antes da apresentação da impugnação, não há litígio, não há contraditório, o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo fisco. Coerentemente com essa interpretação, o art. 14 do Decreto 70.235, de 1972, preceitua: “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento ”. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa e ao contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes, nos termos do art. 5º, inciso LV, da CF. Devese acrescentar, ainda, que não se verificou qualquer nulidade formal no lançamento ocasionada pela inobservância do que dispõe o art. 10 da mesma norma. Os autos de infração foram lavrados cumprindose as formalidades legais essenciais, tal como determinado no art. 142 do CTN, descrevendo os fatos dados como infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal. Verificase que a contribuinte teve conhecimento do procedimento fiscal contra ela dirigido, foi regularmente cientificada dos autos de infração e foilhe assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. Ela ingressou tempestivamente com a impugnação, na qual demonstrou conhecer todas as exigências a ela impostas. Depósitos bancários. Quanto à tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada, verificase que tem fundamento na Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.022 9 II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). (art. 42, § 3º, II, da Lei n.º 9.430/1996 c/c art. 4º da Lei n.º 9.481, de 13/08/1997). O dispositivo legal acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas correntes e a contribuinte não logrou fazêlo. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem de todos os depósitos durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou evidenciada. Assim, descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados e é improcedente a alegação de nulidade. Na impugnação, a contribuinte alega que não foram consideradas as transferências entre contas de mesma titularidade/empréstimos sócios/empresas e desconto de duplicatas e apresenta planilhas mensais com os créditos que entende devem ser excluídos da tributação. Analisando as planilhas apresentadas e os extratos bancários constantes no processo, verificase, quanto às transferências entre contas de mesma titularidade, que assiste razão à contribuinte somente com relação aos seguintes créditos bancários, que devem ser excluídos da tributação: Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.023 10 Relativamente ao crédito efetuado em 02/10/2006, a própria contribuinte indica que se trata de depósito efetuado por outra empresa “Castanho Metal”, motivo pelo qual não se pode excluílo como solicitado. Com relação às demais transferências entre contas da mesma titularidade, ressaltese que os extratos apresentados não especificam de qual conta provêm os créditos; se têm origem ou não em uma conta que foi auditada pelo Fisco, razão pela qual não é possível a exclusão pleiteada. Quanto às operações de desconto de duplicatas (fls.709, 724, 819), cabe esclarecer que são transações bancárias típicas do comércio, isto é, derivadas das atividades de venda de produtos, pois estas, geralmente feitas a prazo, geram efeitos comerciais (duplicatas), que podem ser encaminhados às instituições financeiras para desconto dos títulos. Essas operações decorrem, portanto, até prova em contrário, da atividade comercial da empresa autuada, constituindo receitas de vendas. Assim, deveria a contribuinte apresentar provas da tributação dos valores creditados àquele título, o que não ocorreu até a presente data. Relativamente aos outros valores (fls. 724, 819) que se afirma serem de empréstimos bancários, a contribuinte se limita a alegar sem, contudo, apresentar quaisquer documentos comprobatórios de tais operações, tais como, contratos, comprovantes de pagamentos das parcelas, etc. Cumpre esclarecer que a devolução de cheques depositados não descaracteriza o auferimento da receita, não importando que tenha ou não sido efetivamente recebido o seu valor. Referida devolução apenas indica o não recebimento de determinada receita. Assim, não cabe a exclusão da base de cálculo tributável, dos valores relativos aos cheques depositados e devolvidos. Quanto ao valor de R$ 1.180,50 (apontado pela contribuinte na impugnação) creditado a título de depósito, verificase que ele foi tributado em 13/02/2006 e 20/02/2006. Entretanto, tendo sido depositado em 13/02/2006, foi Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.024 11 devolvido em 14/02/2006 (fl.251) e novamente depositado em 20/02/2006, sendo novamente devolvido (fl.423). Dessa forma, deve ser tributado uma única vez, cabendo a exclusão do citado valor tributado em 20/02/2006. A contribuinte aponta, ainda, nas planilhas de fls. 650, 675, 709, 741, 781, 782, 808, 818, 819, valores que foram tributados como depósitos bancários não comprovados, mas que se referem, na realidade, a débitos efetuados nas contas correntes. Sendo assim, tais valores (demonstrativo a seguir) devem ser excluídos da tributação. Foi impugnado, também, o depósito tributado em 01/07/2006 no valor de R$ 10.000,00 (fl.756), sob a alegação de que ele não existe no extrato bancário. Assiste razão à contribuinte, quanto a essa afirmação, como se pode ver no extrato de fl. 230, devendo ser excluída da tributação a quantia de R$ 10.000,00. Diante de todo o exposto, temse que os valores a serem excluídos da tributação no anocalendário de 2006 e os tributos a serem exigidos passam a ser nos valores a seguir demonstrados: RESUMO DOS VALORES A SEREM EXCLUÍDOS DA TRIBUTAÇÃO Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.025 12 Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.026 13 Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.027 14 Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.028 15 Inconstitucionalidade. Quanto às alegações de inconstitucionalidade, cabe esclarecer que a autoridade administrativa não tem competência para analisar tais questões, sendo esta competência atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, no art. 102. A doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Descabe a solicitação de redução da multa, pois se trata de multa decorrente de lançamento de ofício, cujo percentual não é arbitrado pela autoridade administrativa. Decorre de expressa previsão legal. Ressaltese que a vedação ao confisco pela CF é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.029 16 É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Juros de Mora. Taxa Selic. Quanto aos juros de mora, o CTN, em seu art. 161, outorgou à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o § 1º do referido artigo que os juros serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se não for fixada outra taxa. Ressalte se que não há disposição alguma que corrobore a tese de que o § 1º apenas permite a estipulação de percentual inferior a 1% ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º (citada no auto de infração – fls. 925, 941, 956 e 972), fixou os juros de mora com base na taxa Selic, estando em perfeita harmonia com a norma complementar. O CARF já se pronunciou quanto à matéria, através da sumula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ademais, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento, em sede de repercussão geral, do RE n° 582.461/SP, considerou legal e constitucional a incidência da taxa de juros Selic para atualização de débitos tributários. Dessa forma, são exigíveis os juros de mora com base na taxa Selic. Exclusão do Simples. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte afirma que o ADE de exclusão do Simples é nulo, pois está baseado em um auto de infração que está sub judice, e ainda se discute o efetivo faturamento da empresa. Quanto à nulidade, como anteriormente esclarecido neste voto, somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, assim como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente, o que aqui não se verificou. Tampouco houve preterição do direito de defesa, uma vez que a contribuinte teve conhecimento do procedimento fiscal contra ela dirigido, foi regularmente cientificada do Ato Declaratório de Exclusão e foilhe assegurado o direito de questionálo, tanto que ela ingressou tempestivamente com a manifestação de inconformidade. Para a análise da exclusão de ofício do Simples tratada neste processo, cabe observar os seguintes dispositivos da Lei nº 9.317, de 1996, com a redação vigente à época dos fatos neste processo discutidos: Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.030 17 Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória n o 2.189 49, de 2001) (...) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a)incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art.9º; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts.13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; Temse que a contribuinte, em 2006, omitiu receitas, já que não comprovou, apesar de regularmente intimada, a origem e oferecimento à tributação de depósitos que beneficiaram contas bancárias de sua titularidade. O valor total de receita apurada no citado ano foi superior ao limite de receita bruta permitido à época para os optantes do Simples pelo artigo 9º da referida Lei nº 9.317, de 1996. O valor das receitas omitidas, documentado e caracterizado neste processo administrativo e que resultou em autos de infração impugnados pela contribuinte, está sendo Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 19515.003269/201056 Acórdão n.º 1302002.688 S1C3T2 Fl. 1.031 18 parcialmente mantido por esta Turma de Julgamento, conforme demonstrativo estampado nesse voto. Dessa forma, correto o Ato Declaratório de Exclusão, uma vez que foi apurado excesso de receita bruta no anocalendário de 2006, comprovado em procedimento de fiscalização. Cabe acrescentar que não há previsão na legislação tributária para a suspensão da exclusão do Simples. Ao contrário, como se viu na lei transcrita, verificandose as hipóteses previstas na legislação a exclusão deve ser efetuada fixando os seus efeitos de acordo com a previsão legal. Portanto, mantémse a exclusão do Simples”. Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares suscitadas, para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1031DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003184/2008-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão-de-obra do parque industrial.
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos.
Numero da decisão: 9303-006.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa relativa aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-obra, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão-de-obra do parque industrial. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 310 1 309 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.003184/200897 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.609 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria PIS PASEP NAO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãode obra do parque industrial. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 84 /2 00 8- 97 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11065.003184/200897 Acórdão n.º 9303006.609 CSRFT3 Fl. 311 2 restabelecer a glosa relativa aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãoobra, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 340101.099, proferido pela 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que não compõe a base de cálculo da contribuição valores relativos à cessão onerosa de créditos do ICMS e o aproveitamento de créditos relacionados aos combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de PER/Dcomp entregue em 29/08/2008 no qual foi indicado crédito da Cofins não cumulativa a ser ressarcida com fundamento no § 2º do art. 6º da Lei nº Lei nº 10.833, de 29/12/2003 relacionado ao 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 1.448.890,76, cujo reconhecimento pela autoridade fiscal foi apenas parcial, da ordem de R$ 1.380.453,39. Segundo o Despacho Decisório, a glosa de parte do pedido foi motivada: a) pela não inclusão na base de cálculo da contribuição devida no período dos valores correspondentes à cessão de crédito do ICMS a terceiros; e pelo aproveitamento de créditos originados da aquisição de combustíveis utilizados na frota própria de veículos e do pagamento de serviços a terceiros, pessoas jurídicas, pela prestação de serviços de remoção de resíduos industriais". O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11065.003184/200897 Acórdão n.º 9303006.609 CSRFT3 Fl. 312 3 BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DOS INSUMOS E DA MÃODEOBRA DO PARQUE INDUSTRIAL. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias têm direito a créditos sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeora do parque industrial. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA A REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL. INSUMOS. Os créditos decorrem das aquisições efetuadas no mês de serviços, utilizados como insumos, na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, entendendose como insumos, para esse fim, “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. De se enquadrar nessa descrição os gastos com serviços contratados junto a terceiros, pessoas jurídicas, para a remoção de lixo industrial. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, alegando divergência jurisprudencial quanto à incidência das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS) na cessão de créditos de ICMS a terceiros, e à geração de crédito nas aquisições de "combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, apontada, como paradigmas, os Acórdãos nºs 330100.231, 280300.141, 380200.467, 3402 001.694, 380100.470 e no 203 12.448. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, referente à discussão sobre "combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial". Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF manteve o despacho do Presidente da 4º Câmara. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. No essencial é o Relatório. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11065.003184/200897 Acórdão n.º 9303006.609 CSRFT3 Fl. 313 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, relacionados à geração de crédito nas aquisições de "combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial". Com efeito, em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11065.003184/200897 Acórdão n.º 9303006.609 CSRFT3 Fl. 314 5 jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte tem como atividade o curtimento, a industrialização, a comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino e de outros materiais para sofás. Nada obstante, por força do que dispõe o art. 5°, I, da Lei n. 10.637/02, a Contribuinte está dispensada do recolhimento do PIS/PASEP sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior, e tem assegurado o direito de crédito da mesma contribuição, nos termos do artigo 30, do mesmo diploma legal. Destarte, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do PIS e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Mas, concentrandose a atenção da divergência dos autos, propriamente, relembrese que o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11065.003184/200897 Acórdão n.º 9303006.609 CSRFT3 Fl. 315 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, referente a combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos. No que tange os dispêndios relacionados com despesas de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra, entendo que estes não geram direito à crédito, pois não são essenciais ao processo de produção. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11065.003184/200897 Acórdão n.º 9303006.609 CSRFT3 Fl. 316 7 "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, dou parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa relativa aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãoobra. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002642/2004-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício (o que também se aplica a ressarcimento/compensação, para os quais o contencioso segue o mesmo rito do Decreto nº 70.235/72), com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1 e Lei nº 9.430/96, art. 74, caput, e §§ 9º a 11).
Numero da decisão: 9303-006.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício (o que também se aplica a ressarcimento/compensação, para os quais o contencioso segue o mesmo rito do Decreto nº 70.235/72), com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1 e Lei nº 9.430/96, art. 74, caput, e §§ 9º a 11).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício (o que também se aplica a ressarcimento/compensação, para os quais o contencioso segue o mesmo rito do Decreto nº 70.235/72), com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1 e Lei nº 9.430/96, art. 74, caput, e §§ 9º a 11). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 26 42 /2 00 4- 44 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11030.002642/200444 Acórdão n.º 9303006.281 CSRFT3 Fl. 197 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 111 a 122), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 2101000.094, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 100 a 106), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtorexportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial (fls. 148 a 152), apenas quanto “à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI – Lei 9.363/96 – das aquisições não tributadas pelo Pis/Cofins”, o que foi ratificado em Reexame de Admissibilidade (fls. 153 e 154). A PGFN não apresentou Contrarrazões. Não entrarei em maiores detalhes a respeito destas peças processuais, pois a DRF em Santo Ângelo/RS noticiou, mediante Memorando nº 2/2016/SAORT/DRF SAO/SRRF10/RFB/MFRS, de 13/04/2016 (fl. 159), que a empresa "... litiga como recorrente junto ao CARF nos processos administrativos nos ... 11030.002642/200444 ..., impetrou a Ação Ordinária nº 5004765.85.2012.4.04.7104 onde pede repetição dos mesmos valores que discute junto aos processos acima nominados". Juntou, ainda, cópias da petição inicial, do extrato do processo e de despacho interlocutório do juiz (fls. 160 a 182). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator A Súmula CARF nº 1 prevê o seguinte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11030.002642/200444 Acórdão n.º 9303006.281 CSRFT3 Fl. 198 3 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A Súmula versa, então, sobre a chamada "concomitância" com ação judicial tratando da mesma matéria objeto de discussão no processo administrativo. É bem verdade que fala em "lançamento de ofício" (Auto de Infração ou Notificação de Lançamento), mas a lei (nº 9.430/96) é clara quanto à aplicação do mesmo rito do PAF para ressarcimento/compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Assim, à vista do fato de a Súmula CARF nº 1 atingir a todas as instâncias do contencioso administrativo, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720144/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005
DÉBITOS INFORMADOS EM DACON, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
O DACON possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DACON sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas.
ÔNUS PROBATÓRIO.
Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que a autuação está devidamente fundamentada, em conformidade com os dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores autuados, inexistem as nulidades apontadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo suplente convocado.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005 DÉBITOS INFORMADOS EM DACON, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. O DACON possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DACON sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas. ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Uma vez que a autuação está devidamente fundamentada, em conformidade com os dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores autuados, inexistem as nulidades apontadas. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. O DACON possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DACON sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas. ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Uma vez que a autuação está devidamente fundamentada, em conformidade com os dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores autuados, inexistem as nulidades apontadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 01 44 /2 00 9- 89 Fl. 371DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo suplente convocado. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança das contribuições ao PIS e a COFINS relativas aos períodos de apuração de janeiro/2005 a julho/2005 pela diferença identificada entre os valores indicados no DACON em relação àqueles declarados em DCTF. Como indicado nas autuações: ü Efl. 12: Auto de Infração de COFINS ü Efl. 23: Auto de Infração de PIS Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10469.720144/200989 Acórdão n.º 3402005.144 S3C4T2 Fl. 372 3 Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, que foi integralmente negada pelo Acórdão n.º 1133.092 da DRJ de Recife (efls. 300/318). Intimada desta decisão em 16/05/2011 (efl. 322), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 10/06/2011 (efls. 323/360) reiterando os argumentos aventados em sede de impugnação, alegando, em síntese: (i) que o procedimento fiscal foi realizado em contrariedade com a lei, vez que os dados constantes das declarações apresentadas no âmbito federal (DIPJ, DACON e DCTF) e no âmbito estadual (MOVECO) não podem prevalecer sobre as escriturações contábeis regularmente mantidas. Teria ocorrido na hipótese um mero erro de transposição de dados da escrituração contábil. Entende que o valor declarado a menor pelo contribuinte, mas escriturado corretamente, implica em retificação de ofício da DIPJ pela fiscalização; (ii) que o contribuinte deixou de ser formalmente intimado para apresentar a declaração original da DCTF na forma do art. 8º da Instrução Normativa n.º 482/2004, cuja eficácia normativa deveria ser mantida na fiscalização em questão ainda que revogada pela IN 583/2005. Afirma que entregou DIPJ retificadora quanto aos valores devidos de IRPJ e CSLL, objeto de processo próprio, afirmando expressamente à efl. 330 que "a DACON originária está correta". (iii) a desnecessidade de lançamento de ofício dos débitos confessados no DACON e na DIPJ; (iv) traz argumentação genérica quanto a não incidência do PIS e da COFINS sobre as outras receitas diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n.º 9.718/98. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório Fl. 373DF CARF MF 4 Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Pela análise da peça recursal, observase que a Recorrente se funda em alegações genéricas, não trazendo aos autos quaisquer documentos suscetíveis a afastar a legitimidade do lançamento. Como relatado, o presente Auto de Infração foi lavrado para a cobrança do PIS e da COFINS declarado a menor em DCTF, em desconformidade com as DACONs originais, apresentadas ao longo do ano de 2005. Portanto, a fiscalização se respaldou nos próprios dados apresentados pela Recorrente em sua DACON quanto ao valores de PIS/COFINS devidos. Para que fosse alterada a conclusão alcançada pela fiscalização, seria necessário que a Recorrente demonstrasse, por meio de sua escrituração contábil e fiscal, que os valores indicados na DACON são os valores efetivamente devidos de PIS/COFINS no período. Entretanto, não constam dos autos quaisquer elementos probatórios nesse sentido. Pelo contrário: atentandose para a peça recursal apresentada, observase que a Recorrente afirma à efl. 330 que "a DACON originária está correta", tendo sido elaborada em conformidade com a escrituração contábil e, portanto, os valores das diferenças autuadas estariam corretos. Ora, a fiscalização se pautou na informação prestada pela própria empresa no DACON original, sendo certo que, para afastar qualquer elemento da autuação, caberia à ela comprovar o alegado, na forma do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, trazendo os elementos comprobatórios do seu direito. Mas não foi o que ocorreu na hipótese, no qual a própria empresa reconheceu a validade das informações prestadas no DACON. Ademais, ao contrário do que pretende a Recorrente, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON era o instrumento de prestação de informações para o fisco quanto ao PIS e a COFINS que, diferentemente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, não possui o condão de confissão de dívida. À época dos fatos geradores autuados (2005), estas duas declarações eram disciplinadas pelas Instruções Normativas n.º 482/2004 (DCTF) e n.º 543/2005 (DACON). Contudo, por se tratar de uma informação validamente prestada pelo sujeito passivo, as informações prestadas no DACON original relativas aos débitos, não regularmente quitados considerando as informações constantes da DCTF pode ser considerada pela fiscalização como base para um lançamento de ofício, como ocorrido no presente caso. Nesse sentido é o entendimento reiterado neste Conselho, que admite a validade do lançamento de ofício realizado como no presente caso, em razão da informação de débitos à menor na DCTF em relação ao DACON. Vejamos alguns julgados a título de exemplo: "Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10469.720144/200989 Acórdão n.º 3402005.144 S3C4T2 Fl. 373 5 Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011, 01/12/2011 a 31/12/2011, 01/01/2012 a 30/08/2012, 01/11/2012 a 30/11/2012 PIS/PASEP E COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DACON. LEGITIMIDADE. Legítima a constituição do crédito tributário pelo lançamento da COFINS e do PIS/Pasep não declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, baseado em informações prestadas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, já que os valores declarados nesta são meramente informativos, não se revestindo, pois, em instrumento de confissão de dívida, como ocorre na DCTF. Uma vez demonstrada a necessidade de formalização do lançamento de ofício, devida, também, a multa de 75% capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 11516.720658/201451 Data da Sessão 09/12/2015 Relator Francisco Jose Barroso Rios Nº Acórdão 3301 002.716 grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COFINS. DCTF E DACON. DIVERGÊNCIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Sendo o lançamento realizado pela autoridade fiscalizadora, ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório, ex vi do art. 142, do Código Tributário Nacional – CTN, e tendo esta autoridade o poderdever de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias previstas em lei, não podendo se imiscuir de exigir a sua observância e punir o seu descumprimento, não há que se falar na desnecessidade “de se proceder ao lançamento de um crédito tributário que já estava constituído por atividade da própria Recorrente.”. Em que pese a COFINS ser tributo sujeito a lançamento por homologação, uma vez inobservada a atitude esperada do sujeito passivo, ou seja, insuficientes ou contraditórias as informações prestadas pelo contribuinte de forma a afetar a apuração e o recolhimento do tributo correlato, cabe à Fazenda Pública apurar e lançar o quantum devido. Regular o lançamento. (...)" (Processo 10166.720616/201041 Data da Sessão 24/05/2012 Relator Bruno Mauricio Macedo Curi Nº Acórdão 3802001.017 grifei) Essencial novamente salientar que foi oportunizado ao sujeito passivo demonstrar qual a correta informação do débito sendo que, no presente processo administrativo, foi por ele confirmado que os débitos informados no DACON estão corretos, em conformidade com a escrituração contábil. Assim, descabida a pretensão da Recorrente de se anular o Auto de Infração com base na suposta fragilidade das provas do lançamento fiscal ou do cerceamento ao direito de defesa. Reiterase: no presente processo a Recorrente confirmou que os valores informados no DACON estão corretos, não trazendo qualquer elemento de fato ou de direito capaz de afastar a validade da cobrança. A Recorrente reconhece que os débitos autuados estão corretos ao admitir como válida a base de dados nas quais a fiscalização se baseou, qual seja, o DACON do período. Salientese que, pelo que consta dos autos, no presente caso a Recorrente não transmitiu uma DCTF retificadora que poderia eventualmente ensejar uma cobrança em duplicidade. Os débitos informados no DACON e a diferença em relação à DCTF são cobrados apenas no presente processo. Fl. 375DF CARF MF 6 Importante esclarecer que a Recorrente traz distintas alegações quanto a DIPJ apresentada e a sua natureza constitutiva, bem como da existência de uma DIPJ retificadora que teria sido apresentada e a necessidade de sua consideração. Contudo, essas alegações em torno da DIPJ não guardam pertinência com o presente processo, vez que os valores autuados se respaldaram, apenas, no DACON, como visto pelo quadro da autuação reproduzido no relatório deste voto. Afirma ainda a Recorrente que o Auto de Infração foi lavrado em desconformidade com a lei e sem observar a previsão do art. 8º da Instrução Normativa n.º 482/2004 quanto à DCTF. Contudo, todo o fundamento legal da autuação foi devidamente trazido no Auto de Infração, como bem elucidado pela r. decisão recorrida, que não merece reparo. A questão da IN 482 foi bem elucidada pela decisão (efls. 307/308): (...) Por fim, insta salientar que a argumentação em torno da inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, além de ter sido formulada de forma genérica pelo contribuinte, sem a identificação dos valores que eventualmente estariam incorretos, não guarda relação com o presente caso. Isso porque a autuação se refere à cobrança de PIS/COFINS no regime não cumulativos, disciplinados pelas Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo que a Lei n.º 9.718/98 se refere às contribuições apuradas no regime cumulativo. Desta forma, aquela discussão em torno do alargamento da noção de faturamento não é transposta ao presente caso referente ao regime não cumulativo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10469.720144/200989 Acórdão n.º 3402005.144 S3C4T2 Fl. 374 7 Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721598/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2012 a 30/09/2015
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento do recurso, em favor da Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2012 a 30/09/2015 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento do recurso, em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CERTA SERVIÇOS CONTÁBEIS SOCIEDADE SIMPLES EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2012 a 30/09/2015 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento do recurso, em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 15 98 /2 01 6- 11 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10920.721598/201611 Acórdão n.º 1301002.969 S1C3T1 Fl. 264 2 convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0739.528, proferido pela 6ª Turma da DRJ/FNS, na sessão de 30 de março de 2017, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Tratamse os presentes autos de lançamento de contribuições previdenciárias devidas às terceiras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESC e SENAC), no montante de R$ 143.701,40, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados a serviço da fiscalizada, não declaradas em GFIPs. Em conformidade com o Relatório Fiscal de fls. 132 a 137, a fiscalizada tem por objeto a prestação de serviços de contabilidade e afins, optante pelo SIMPLES desde 01/01/2009. No decorrer do presente procedimento fiscal, foi constatado que a Certa e Acttivitá formam um grupo econômico de fato, vez que combinam esforços e atuam de forma coordenada visando maior eficiência em suas atividades, sob direção e administração comuns, verificandose, inclusive, confusão patrimonial entre ambas. Neste mesmo procedimento, verificouse ainda que em todos os períodos examinados o faturamento combinado ultrapassa os limites dos Simples Nacional, e assim, entendeu a fiscalização que a opção e permanência do contribuinte neste regime seria irregular, o que culminou com a lavratura de representação fiscal, propondo a exclusão de ofício da Certa do Simples Nacional. Desta forma, em 10/05/2016, foi expedido o ADE DRF/JOI n° 18/2016 declarando a exclusão do contribuinte do regime do SIMPLES NACIONAL, com efeito a partir de 01/02/2012. Em 31/05/2016 o contribuinte teve ciência deste ADE via postal. Relata a autoridade lançadora que, tendo em vista que as GFIPs entregues pelo contribuinte não trazem as CPP e as contribuições destinadas aos terceiros incidentes sobre a folha de pagamento, vez que, enquanto optante pelo SIMPLES NACIONAL, as primeiras são substituídas pelo imposto sobre o faturamento e as últimas estão dispensadas (§ 3º do artigo 13 da LC N° 123/2006), diante da exclusão do SIMPLES NACIONAL com efeito retroativo, estas contribuições passam a serem devidas. Desta feita, as contribuições destinadas aos terceiros FNDE, INCRA, SEBRAE/APEX/ABDI, SESC e SENAC, a cargo da empresa/empregador, incidentes sobre as remunerações de seus segurados empregados, são objetos do presente lançamento de ofício. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10920.721598/201611 Acórdão n.º 1301002.969 S1C3T1 Fl. 265 3 Intimado, o contribuinte impugnou os autos de infração acima identificados, através de defesa administrativa de fls. 143 a 149, pugnando pelo provimento de seu recurso. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0739.528, de 30 de março de 2017, pela improcedência da impugnação. O referido julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2012 a 30/09/2015 SIMPLES NACIONAL. LANÇAMENTO. EXCLUSÃO. A contestação dos pressupostos de fato e de direito que renderam ensejo à exclusão da empresa do regime especial deve ser apreciada em processo próprio, por meio da respectiva manifestação de inconformidade. Enquanto a definição não se tornar definitiva, favorável ao contribuinte, reputamse válidos os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a exclusão da contribuinte do regime especial, exclusão esta, aliás, da qual o lançamento de ofício é mera consequência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido (fls. 223), e com ele inconformado, a recorrente apresentou recurso voluntário, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou três processos administrativos: 10920.721153/201631; 10920.721598/201611 e 10920.721915/201608, sendo que o primeiro referese ao Ato de exclusão do Simples, e os últimos dois lançamentos destinamse à exigência de crédito tributário. No caso dos autos, exigese contribuições destinadas aos terceiros FNDE, INCRA, SEBRAE, SESC e SENAC, a cargo da empresa/empregador, incidentes sobre as remunerações de seus segurados empregados, em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de Simples Nacional. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10920.721598/201611 Acórdão n.º 1301002.969 S1C3T1 Fl. 266 4 Em síntese, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples, os elementos de prova que serviram para exigência das contribuições previdenciárias não são os mesmos para o lançamento de IRPJ/CSLL: enquanto o lançamento das contribuições previdenciárias baseouse em remunerações dos empregados da empresa interessada, o lançamento de IRPJ e CSLL consistiu na exigência de lucro arbitrado levando em conta a receita bruta mensal auferida e o tipo de atividade desenvolvida. A comparação entre os elementos de prova é útil na medida que o Regimento Interno do CARF, de uma forma geral, reportase a estes elementos, entre os procedimentos fiscais, para elegêlos como critério de determinação de competência para o julgamento do recurso voluntário nesta Seção, no caso de tributos e contribuições que à princípio são de competência de outras Seções. Eis o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata nem mesmo de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10920.721598/201611 Acórdão n.º 1301002.969 S1C3T1 Fl. 267 5 Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.002653/2005-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO.
Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 53 /2 00 5- 32 Fl. 408DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação de Pedido de Restituição, correspondente aos períodos e tributos lá discriminados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. Converteuse o julgamento em diligência para que se cumprisse o seguinte: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. Intimado, o contribuinte apresentou a documentação solicitada e a fiscalização juntou aos autos informação fiscal. Posteriormente, o contribuinte apresentou petição manifestandose sobre o resultado da diligência fiscal. É o relatório, em síntese. Voto Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13804.002653/200532 Acórdão n.º 3402005.271 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optouse pela conversão do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida. A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas apresentadas, bem como o contrato social da empresa, com a finalidade de identificar quais receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela. Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 527602, com repercussão geral, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91: Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu a existência de créditos decorrentes de pagamento a maior, passíveis de restituição, conforme planilha apresentada na informação fiscal. Sobre isto, o contribuinte manifestou sua expressa concordância, reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal. Portanto, no que é pertinente aos créditos reconhecidos pela informação fiscal, não resta qualquer controvérsia nos autos, devendo serem reconhecidos por este Colegiado. Ademais, o Contribuinte aduz que não foram deduzidos na apuração das contribuições sociais, por lapso próprio, os custos dos veículos usados vendidos, e que foram incluídos no conceito de faturamento valores indevidos referindose à remessa de peças excedentes recebidas a título de bonificação e reembolsos recebidos pela Recorrente em razão de manutenção de veículos em garantia. Conquanto as razões do contribuinte seja materialmente relevantes, há que se frisar que estes pontos não foram veiculados na Impugnação, tampouco no Recurso Voluntário, vindo à tona apenas na sua manifestação em relação ao resultado da diligência. Fl. 410DF CARF MF 4 As matérias que não sejam questões de ordem pública estão sujeitas ao regime preclusivo estabelecido no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), razão pela qual não há que se conhecer as novas alegações carreadas pelo Recorrente. Desse modo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante determinado na informação fiscal juntada aos autos. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.901014/2008-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE DR. CHISTOVÃO DA GAMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 14 /2 00 8- 04 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 145 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 29312.14724.040504.1.3.042350 (fl. 02/06), transmitido em 04/05/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 09), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 27/05/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 26/06/2008 (fl. 13/19), na qual informou que cometeu alguns erros no momento da apuração da base de cálculo e recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS. Informa, também, que deixou de efetuar as deduções permitidas pelo inciso II do artigo 3° da Lei 10.637/02, por mera inobservância da regra a que estava submetida na época, o que gerou um recolhimento a maior do PIS e, conseqüentemente, a apuração de um saldo credor do tributo. A recorrente segue relatando que, ao verificar a falta de dedução de tais créditos, promoveu a devida correção monetária do crédito detido, o que deu origem ao saldo credor no valor de R$ 17.595,68 (dezessete mil, quinhentos e noventa e cinco reais e sessenta e oito centavos). Aduz, ainda, que a compensação não foi homologado por ela ter cometido erro no preenchimento do DARF e da DIPJ 2004. Ademais, enumera os seguintes fatos: "(i) diante das alterações promovidas na sistemática de apuração do PIS, somado ao fato de que a imediata aplicação do regime nãocumulativo não propiciou tempo suficiente para que a Manifestante se adaptasse aos novos procedimentos do sistema de créditos e débitos, esta acabou por cometer alguns equívocos na apuração da base de cálculo da contribuição ao Pis, nos descontos de créditos permitidos pela lei e, também, no recolhimento do imposto; (ii) o primeiro equivoco foi com relação ao código de receita adotado para o recolhimento do PIS nãocumulativo que constou 8109 (Pis Faturamento), conforme se observa no comprovante de arrecadação ora juntado, quando o correto seria ter procedido ao recolhimento da exação no código de receita 6192 (Pis nãocumulativo Lei 10.637/02); Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 146 3 (iii) o segundo equivoco se deve ao fato de que a Manifestante, quando da apuração da contribuição ao Pis, deixou de deduzir os valores relativos aos insumos utilizados na prestação dos seus serviços, permitido nos termos do art.3°, inciso II da Lei 10.637/02; (iv) em tempo, observou a possibilidade da dedução de tais créditos e promoveu as devidas correções, o que deu origem a apuração de um saldo credor no valor de R$ 17.595,68; (v) ato continuo e, no intuito de aproveitar os créditos devidamente apurados, apresentou a PER/DCOMP para saldar débitos de PIS e IRPJ; (vi) por fim, é possível observar a existência do crédito mencionado na linha 23 da Ficha 20 da DIPJ/2004, equivocandose apenas no momento de transportar tais valores para a linha 27 da Ficha 21 da mesma declaração e não ter procedido a devida retificação da declaração." Por fim, invoca o Princípio da Verdade Material e pede a reforma do Acórdão recorrido, a fim de ver homologada a compensação pleiteada. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou as fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e Relatório de Saldo de Contas à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 31/04/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIPJ. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 147 4 por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 100/108), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que a DIPJ e o Relatório de Saldo de Contas, ao contrário do asseverado pela Turma Julgadora da DRJ/CPS, são documento hábeis para comprovar o crédito da contribuinte, segundo os Acórdãos nº 110100.517 e 372.371 proferidos, respectivamente, pela 1ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pelo TRF da 2ª Região. Da mesma forma, a recorrente assevera que a jurisprudência deste Tribunal Administrativo reconhece que, se comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ, deve se reconhecer o direito creditório do contribuinte, segundo Acórdão nº 130100.504 proferido pela 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Além disso, a recorrente alega que as provas apresentadas na Manifestação de Inconformidade são suficientes para a comprovação do crédito e não apresenta novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 148 5 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 149 6 Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópia das fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e de um Relatório de Saldo de Contas. Se, por um lado, é certo que a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida, por outro, também é certo que isso não afasta seu valor probatório. Assim, considerandose que essa declaração foi transmitida no momento devido, creio que faz prova em favor do contribuinte, porém, tênue e, desse modo, não afastou a necessidade de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 150 7 apresentação de outros documentos, que também comprovassem o suposto crédito de forma mais robusta. De maneira diversa, deve ser apreciada a cópia de um Relatório de Saldo de Contas, visto que não se pode confirmar que ele espelhe um Livro Razão revestido das formalidade legais. Por isso, a meu ver, não tem nenhum valor probatório. Dessa forma, entendo que a decisão da instância a quo foi correta, pois o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Quanto à jurisprudência trazida pela recorrente, importa salientar que, em primeiro lugar, as decisões de Turmas Julgadoras do CARF não implicam em vinculação de outras Turmas sobre a mesma matéria, além do mais, devese levar em conta que o Acórdão 110100.517 referese a julgamento realizado há cerca de sete anos e que o entendimento majoritário desta Corte foi alterado. Em segundo lugar, ressaltese que a decisão judicial, também colacionada pela recorrente, deixa claro que as declarações devem espelhar a escrita fiscal do contribuinte e somente isso daria suporte às compensações pleiteadas. Logo, ao invés de corroborar a alegação da recorrente, o Acórdão demonstra a necessidade de apresentação dos livros fiscais obrigatórios para a comprovação do direito creditório. Melhor sorte não assiste a recorrente, quando da menção ao Acórdão 130100.504, pois ele deixa consignado a necessidade da comprovação do erro de fato no preenchimento DIPJ para reconhecimento do crédito. Fato que, no presente caso, não ocorreu. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 151 8 Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, entendo que seria admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, repisese que a recorrente não apresentou mais nenhuma prova. Essa atitude da recorrente tornase incompreensível, tendo em vista que, no Acórdão recorrido, restou claro quais outros documentos deveriam ter sido apresentados: "Para corroborar seus argumentos a manifestante juntou ainda parte do "Relatório do Saldo de Contas" extraído de sua contabilidade. Entretanto, também esse documento sem os elementos (notas fiscais) que deram sustentação para os respectivos lançamentos contábeis não pode ser sobreposto à declaração efetuada na DCTF originalmente, pois não tem o condão de comprovar efetivamente que os valores ali descritos correspondem de fato à autorização legal de dedução para a apuração da base de calculo da contribuição. Destaquese que nos termos do art. 226, caput, do Código Civil, abaixo transcrito, os livros e fichas da sociedade provam a seu favor quando escriturados sem vícios e forem confirmados por documentos hábeis e idôneos: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vicio extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (grifo nosso) Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10805.901014/200804 Acórdão n.º 3002000.121 S3C0T2 Fl. 152 9 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 152DF CARF MF
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